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Diário do Comércio - MG   22/05/2026

As medidas antidumping adotadas pelo governo federal contra as importações de aço provenientes da China e da Índia, anunciadas em fevereiro, já começam a dar resultados. As importações realizadas pelas distribuidoras perderam força após um início de 2026 marcado pela forte entrada de material estrangeiro. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (21) pelo presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, durante coletiva de imprensa.

Segundo ele, o volume importado no mês passado foi 43% inferior ao registrado em abril de 2025, indicando uma inversão relevante no comportamento do mercado. No acumulado de janeiro a abril, o indicador também migrou para o campo negativo, com queda de 1,9% frente ao mesmo período do ano anterior. "Finalmente começou a cair", disse.

Loureiro destacou ainda que a tendência é de intensificação dessa retração ao longo dos próximos meses. A projeção do Inda é de que as importações encerrem 2026 com redução de pelo menos 20%. "Quando eu digo 20%, acho que estou sendo conservador, porque esse número pode ser maior", afirmou.

O movimento de queda ocorre após um primeiro trimestre marcado por forte avanço das compras externas. No primeiro bimestre, por exemplo, as importações chegaram a registrar crescimento de 39% na comparação anual. Esse avanço foi gradualmente perdendo força: caiu para 13% no trimestre e agora passou para o campo negativo.

De acordo com Loureiro, a desaceleração reflete principalmente a diminuição das importações chinesas. O país ainda lidera como principal origem do aço importado, respondendo por 39% do total. "O que está acontecendo é principalmente a diminuição da importação chinesa", afirmou.

Os dados mostram que o volume mensal, que vinha girando em torno de 190 mil toneladas em 2024 e 2025, recuou para cerca de 77 mil toneladas em abril deste ano, patamar significativamente inferior à média recente de importações.

Com a implementação, em junho, das medidas antidumping para o laminado a quente, o que Loureiro acredita que ocorrerá, não haverá produtos de origem chinesa viáveis para importação pelo Brasil. Embora a China siga dominante, o avanço de novos fornecedores no mercado brasileiro não deve ocupar totalmente o espaço deixado pelos chineses.

"Alguma importação vai acontecer. Temos agora a chegada de produtos do Egito, do Vietnã e da Coreia do Sul, mas acho difícil outros países ocuparem o espaço das exportações da China para o Brasil. Em volumes menores, os fretes acabam ficando mais caros", afirmou.

Estoques elevados e recuperação gradual
A retração das importações ocorre em um contexto de demanda doméstica mais fraca. Em abril, as vendas de aço pelos distribuidores caíram 10,8% frente a março, desempenho pior do que o esperado pelo setor. No acumulado do ano, a queda é de 2,6%.

Esse cenário contribuiu para a elevação dos estoques, que atingiram 3,7 meses de cobertura, nível considerado elevado pelo Inda. Apesar disso, a expectativa de reajustes de preços pode amenizar parte do impacto financeiro sobre as empresas.

Mesmo com os desafios recentes, o Inda mantém uma visão moderadamente otimista para o restante do ano. A expectativa é de recuperação gradual das vendas, com possibilidade de crescimento entre 1% e 2% em 2026.

Para maio, uma sondagem com associados aponta para alta de 10% nas vendas em relação a abril, o que, se confirmado, ajudaria a reduzir as perdas acumuladas no ano. "Isso vai fazer com que a gente tenha um aumento em relação ao ano passado. Vale lembrar que, em maio do ano passado, foram quase 329 mil toneladas, passando a queda acumulada de 2,6% para 1,1%", finalizou Loureiro.

Exportações em alta
Em contrapartida, as exportações aumentaram. O volume exportado no mês passado foi 74,5% maior do que o registrado em abril de 2025. No acumulado do ano, de janeiro a abril, as exportações registram alta de 22,6%.

Conforme o presidente do Inda, o aumento ocorreu porque a competitividade do aço brasileiro no exterior continua favorável. "O que estamos vendo é que várias empresas da Europa estão importando placas, justamente porque o continente também passava por um período de forte concorrência com o material chinês, reduzindo sua produção. Com a nova postura da Europa de diminuir as cotas desse material e com a criação de um imposto de importação elevado, mesmo que a produção local volte a ocupar esse espaço, essa retomada exigiu importação de placas, não apenas do Brasil, mas de várias origens", explicou.

Terra - SP   22/05/2026

A venda de aços planos por distribuidores brasileiros em abril caiu acima ?do esperado pelo setor, recuando 10,8% ante março e 1% na comparação anual, para 314 mil toneladas, enquanto o nível de estoques seguiu bem acima da média, segundo dados apresentados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

O setor, tradicionalmente visto como responsável por cerca de 30% do consumo de aço plano produzido no Brasil, terminou abril com um volume estocado de 1,16 milhão de toneladas, suficiente para 3,7 meses de comercialização, ante uma média histórica de três meses.

Mas com uma expectativa de ?crescimento das vendas da ordem de 10% este mês ante abril, aliada à nova tendência de queda nas importações após a aplicação ?de vários direitos de antidumping contra a China nos últimos meses, o cenário é de gradual melhora para o setor siderúrgico, disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas.

"A tendência é o número de importação cair fortemente daqui para frente", ?disse Loureiro, citando queda sensível no volume de aço a ser descarregado ?no porto de São Francisco do Sul (SC), principal porta de entrada de material siderúrgico importado no país.

Segundo ele, em ?uma visão "conservadora", as importações de aço plano pelo Brasil este ano podem cair 20%. "Mas podem chegar a cair 40%, 50%", afirmou, mencionando a certeza de que o governo federal vai decidir entre final de junho e começo de julho aplicar taxas antidumping contra aço laminado a quente da China.

Em abril, as importações de aços planos caíram 43,2% sobre um ano antes, para 166,6 mil toneladas, acumulando no quadrimestre recuo de 1,9%, para 1,07 milhão de toneladas, segundo os dados do Inda.

Analistas do Citi citaram que ?está havendo uma "notável mudança estrutural" nas importações de aços planos, com a participação da China caindo acentuadamente após as medidas antidumping e ?afirmaram que a confiança do mercado brasileiro ?está "cada vez mais positiva, com ?novos aumentos de preços esperados".

Os dados do Inda mostram que a participação da China no total de importações de aço plano pelo Brasil em ?abril caiu para 39,1% (77 mil toneladas) e que o país praticamente dividiu ?com a Coreia do Sul (33,1%) e o ?Vietnã (23,9%) o total de material que veio ao país no mês passado.

Em abril de 2025, a participação da China nas importações de aço plano do Brasil foi de 76,1% (223,5 mil toneladas), enquanto a Coreia do Sul teve fatia de 7,8% e o Vietnã, de 0,5%, segundo os números do Inda.

Para Loureiro, após as medidas de defesa comercial do ?Brasil, "não haverá nenhum produto (siderúrgico) de origem chinesa viável de ser importado pelo Brasil".

"Havia 190 mil toneladas mensais ao Brasil e isso criava uma rota constante de material vindo da China para o Brasil, o que facilitava importações 'piggyback' com outras cargas ao Brasil porque havia esse circuito azeitado", disse Loureiro.

Segundo ele, vai levar tempo para o ajuste de novas rotas viáveis pelos importadores e, mesmo assim, "esses novos fornecedores estão trabalhando com preços bem acima dos ?chineses". Ele citou que os valores praticados por Coreia do Sul e Vietnã são "no mínimo" US$40 a US$50 mais altos do que os da China e os fretes são mais caros.

Com a queda da concorrência dos importados, as siderúrgicas nacionais ?que há anos reclamam de competição desleal, começaram um movimento de alta nos preços locais. Loureiro citou rumores do mercado indicando uma nova onda de reajustes a partir de junho, depois de aumentos aplicados por ArcelorMittal, Gerdau, CSN e Usiminas.

"Se se confirmar essa queda grande de material importado, deve haver novos reajustes", disse o presidente do Inda.

Já as exportações brasileiras de aço plano saltaram 74,5% em abril sobre um ano antes, para 887,5 mil toneladas, acumulando no ano aumento de 22,6%, para 3,07 milhões de toneladas.

O principal comprador seguiu sendo os Estados Unidos, que ficou com participação de 54,5% do material exportado pelo Brasil em abril, principalmente placas para laminação. Em seguida aparecem Argentina (11,2%) e países europeus, notadamente Espanha (8,7%) e França (8,1%).

Segundo Loureiro, os países europeus estão comprando mais do Brasil após medidas de defesa comercial adotadas contra a China, que incluíram redução de cotas de importação e aumento de imposto de importação para 50% para volumes que superarem as cotas.

"A grande maioria das usinas estava com fornos parados e isso está fazendo com que tenham que importar placas, principalmente do Brasil", disse o presidente do Inda sobre os produtores europeus de aço.

SIDERURGIA

Grandes Construções - SP   14/05/2026

As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, cresceram em ritmo menor em abril no comparativo anual, já como início do reflexo da derrubada da cobrança do PIS e Cofins na reciclagem.

No mês passado, as vendas externas de sucata atingiram 77.039 toneladas, alta de 12% em relação às 68.492 toneladas em abril do ano de 2025.

Em março deste ano, as exportações haviam alcançado 93.442 toneladas, conforme foram divulgadas pelo Ministério da Economia, Secex.

No acumulado de janeiro a abril de 2026, as exportações de sucata ferrosa – apenas o excedente não vendido no mercado interno -- somam 313.728 toneladas, aumento de 27% se comparadas a igual período de 2025, com 247.076 toneladas.

Segundo Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5 mil empresas recicladoras que praticam a sustentabilidade e impulsionam a economia circular, "neste mês de maio teremos mais clareza do impacto da decisão sobre o PIS e Cofins nas exportações e se o mercado pode voltar a uma situação de normalidade. É provável que o mercado interno se torne mais atrativo em relação aos preços de exportações, estimulando as vendas no Brasil".

Alvarenga destaca que algumas empresas recicladoras, não associadas ao Inesfa, "não terão mais o argumento dos impostos para reduzir os preços pagos às cooperativas e catadores".

O Inesfa, afirma, não concorda com essa prática em que algumas empresas de todos os segmentos de reciclagem prejudicam os ganhos do elo mais fragilizado da cadeia de reciclagem. "Não é prática comercial correta. Devemos sempre valorizar a base da cadeia", afirma.

PEC da Reciclagem - A Proposta de Emenda à Constituição nº 34/2025, denominada PEC da Reciclagem, é atualmente a principal reivindicação do setor e está tramitando no Congresso Nacional.
A PEC já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora será analisada por uma comissão especial que será criada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, para depois ir à votação no Plenário.

"O Inesfa tem também participado de reuniões com a Receita Federal para explicar ao governo a necessidade de o setor de reciclagem ter uma tributação homogênea, um padrão para todos, desde cooperativas até processadores", diz Alvarenga.

Monitor Digital - RJ   20/05/2026

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira o novo quadro para proteger a indústria siderúrgica europeia contra o impacto da superprodução global, que reduzirá em 47% o volume de aço que pode entrar isento de tarifas na União Europeia e aumentará para 50% as taxas sobre as importações que excederem esse limite.

Com 606 votos a favor, 16 contra e 39 abstenções, o plenário do Parlamento Europeu aprovou o acordo previamente alcançado entre os negociadores do Parlamento e do Conselho para substituir as atuais salvaguardas comerciais, em vigor desde 2018 e que expirarão em 30 de junho de 2026.

A nova regulamentação fixa, assim, em 18,3 milhões de toneladas anuais o volume de importações de aço que poderá entrar no mercado comunitário isento de tarifas, enquanto as quantidades que excederem essa cota estarão sujeitas a uma tarifa de 50%, contra os atuais 25%.

Uma medida que, segundo os eurodeputados, permitirá fazer face aos efeitos do excesso de produção mundial que – alertam – já provocou a perda de cerca de 100 mil empregos no setor desde 2008.

O texto, que ainda deverá receber a aprovação formal do Conselho antes de entrar em vigor, introduz também novos requisitos para reforçar a rastreabilidade das importações, de modo que a origem do produto será determinada pelo país onde foi fundido e moldado pela primeira vez, com o objetivo de evitar que países terceiros contornem as restrições por meio de transformações mínimas.

Da mesma forma, a Comissão Europeia deverá levar em conta essa proveniência ao distribuir as cotas nacionais e revisar antecipadamente o alcance da regulamentação para analisar se convém ampliar o número de produtos abrangidos.

O acordo prevê, além disso, um tratamento específico para a Ucrânia na distribuição dessas cotas, uma vez que a UE considera que sua indústria siderúrgica foi especialmente afetada pela guerra com a Rússia.

Reciclabilidade infinita do metal reforça protagonismo industrial no Brasil

Dados da última pesquisa com informes do mercado brasileiro de aço no país, divulgada pelo Instituto Aço Brasil, mostram que o consumo aparente de produtos de aço no país atingiu 26,1 milhões de toneladas em 2024, retomando patamares relevantes após oscilações recentes. O avanço está alinhado ao desempenho da economia brasileira, que cresceu 3,4% no período, com destaque para a indústria e a construção civil.

Entre os principais setores consumidores de aço, a construção civil lidera com 37,3% do total, seguida pelo setor automotivo (24,8%) e pelos bens de capital (19,2%). O desempenho desses segmentos ajuda a explicar a relevância do aço como base para diferentes cadeias produtivas e sua presença em aplicações que vão de estruturas metálicas a bens duráveis.

Além da escala de consumo, a reciclagem do aço também representa ganhos diretos no uso de insumos industriais. Para cada tonelada reciclada, evita-se o consumo de cerca de 1.400 kg de minério de ferro, 740 kg de carvão e 120 kg de calcário, reduzindo a dependência de outras matérias-primas ao longo da cadeia produtiva.

Para o diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração, Valdomiro Roman, a reciclabilidade do aço é um dos pilares que sustentam sua relevância histórica e atual.

"O aço reúne atributos técnicos que garantem longevidade ao material dentro da indústria. A possibilidade de reaproveitamento contínuo, sem perda de desempenho, contribui diretamente para a eficiência dos processos produtivos", afirma.

Segundo ele, o comportamento do mercado brasileiro reforça esse papel estratégico.

"Os dados mais recentes mostram uma demanda consistente, puxada por setores estruturais da economia. Isso evidencia como o aço permanece essencial para atender diferentes segmentos com escala, qualidade e competitividade", completa.

Valor - SP   26/05/2026

Setor sofre com o excesso de oferta global, câmbio, competição asiática e custos elevados de fretes e combustíveis

A política tarifária implementada nos EUA pelo presidente Donald Trump agravou um cenário já bastante desafiador para a indústria siderúrgica brasileira. Segundo maior fornecedor de produtos semiacabados de aço para os EUA, o Brasil exportou no ano passado 3,4 milhões de toneladas para aquele país, o que representou uma queda de 1,3% em relação a 2024. Neste ano, o quadro segue piorando: os embarques de janeiro a abril recuaram 52% na comparação com igual período de 2025.

O faturamento dessas vendas já vinha em queda: de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em 2023, baixou para US$ 2,2 bilhões em 2024, atingindo, no ano passado, US$ 1,9 bilhão. Os semiacabados são o principal item da pauta e os EUA são os maiores clientes do Brasil lá fora para estes produtos.

O tarifaço de Trump se somou ao excesso de oferta, forte competição global e outros fatores que já derrubaram em 18% os preços do aço desde dezembro de 2023.

Logo após tomar posse, Trump assinou um decreto elevando a tarifa sobre as importações de produtos de aço e alumínio para 25%. Ele também cancelou isenções e cotas para grandes fornecedores, como Brasil, Canadá e México.

O alcance das restrições é ainda mais amplo para o Brasil se considerado o efeito indireto sobre as exportações de aço mexicanas. Empresas como a Ternium e a ArcelorMittal exportam do Brasil para suas fábricas no México para acessar o mercado americano. O México é o segundo maior destino do aço brasileiro (3,2 milhões de toneladas em 2025). As duas empresas foram procuradas, mas não quiseram se pronunciar.

O mercado financeiro tem acompanhado os movimentos do setor com cautela. Na última semana de abril, quando as empresas divulgaram os balanços do primeiro trimestre, gestores e corretoras como BTG Pactual e Goldman Sachs usaram as expressões "ceticismo" e "início fraco" em suas análises em relação às perspectivas de recuperação do setor.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, lamenta que a Casa Branca tenha colocado fim a um sistema de cotas negociado em 2018 e que, em sua visão, era benéfico para todos. Pelo acordo, o Brasil tinha uma a cota de cerca de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados e em torno de 600 mil toneladas de produtos acabados (laminados) com tarifa zero. A lógica era que os EUA precisam das placas semiacabadas por não serem autossuficientes nessa matéria-prima.

"Isso dava previsibilidade para as indústrias siderúrgicas brasileiras e ao mesmo tempo as siderúrgicas americanas também tinham previsibilidade no recebimento de uma matéria-prima de qualidade e com garantias. Quer dizer, era um fornecedor de confiança para a indústria americana", avaliou Lopes.

No caso dos laminados, a queda nas vendas aos EUA após o fim das cotas foi ainda mais expressiva, quase 45% - de 639 mil toneladas previsto no acordo de cotas para 346 mil toneladas em 2025.

Lopes não vê outra saída senão a diplomacia para solucionar o problema. "A gente tem que esperar para ver como é que vão ficar as relações Brasil-Estados Unidos, se há clima para que se restabeleçam os canais de negociação", afirmou. Mas ele reconhece a dificuldade de interlocução quando o Brasil tem toda a balança comercial afetada por tarifas, não apenas os siderúrgicos. "O que queremos é restabelecer um acordo que funcionou muito bem durante seis anos", disse o presidente do Aço Brasil.

"O setor de siderurgia sempre foi muito protegido", comentou a economista Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) onde coordena o relatório mensal sobre comércio exterior (Icomex). Valls Pereira não vê muitas mudanças no cenário à frente devido aos problemas estruturais que atingem o setor siderúrgico mundial.

A expectativa é que os governos recuperem o acordo de cotas, o que será positivo para o Brasil. "Mas essa temática do excesso de capacidade vai continuar para os EUA", concluiu Valls Pereira.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   05/05/2026

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 4,86% para 4,89% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (4), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Com a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e a inflação, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela oitava semana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Em março, a alta dos preços em transportes e alimentação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,88% – ante 0,7% em fevereiro. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,14%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 4%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, na semana passada, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez seguida, apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom.

Em nota, o colegiado não deu pistas sobre a evolução dos juros. O texto informou que está monitorando o conflito e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação.

O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 16 e 17 de junho.

Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 11% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB e câmbio

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,85%.

Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) caiu de 1,8% para 1,75%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o IBGE. Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,25 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,30.

Jornal de Brasília - DF   18/05/2026

A indústria de transformação prevê um agravamento da perda de espaço dos produtos nacionais no mercado brasileiro em 2026 e cobra do governo federal medidas mais duras de defesa comercial contra importações, sobretudo chinesas.

A coalizão atribui o cenário ao que chama de "importações predatórias" e à perda de competitividade sistêmica da indústria brasileira. De acordo com a entidade, o problema não é a importação em si, mas a entrada de produtos estrangeiros em condições consideradas desleais, muitas vezes beneficiados por subsídios, custos menores de produção e diferenças tributárias.

A preocupação da coalizão ocorre em meio ao contexto da derrubada, pelo governo Lula (PT), do imposto de importação sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecido como "taxa das blusinhas". A medida desencadeou reação negativa do varejo nacional e mais pressão por parte da indústria brasileira, que alega desigualdade tributária no comércio eletrônico.

Segundo estimativa apresentada pela Coalizão Indústria em entrevista coletiva realizada na última terça-feira (12) em São Paulo, o déficit da balança comercial de manufaturados deve atingir US$ 146,4 bilhões em 2026, acima do saldo negativo de US$ 134 bilhões registrado em 2025, o que é preocupante dada a correlação histórica entre o desempenho da indústria de transformação e a expansão do PIB brasileiro.

"O excedente da produção chinesa tem sido direcionado ao mercado global, encontrando espaço em países nos quais os mecanismos de defesa comercial não fazem frente ao ataque predatório", afirma a entidade.

A Coalizão Indústria reúne entidades dos setores de aço, alimentos, automotivo, brinquedos, calçados, cimento, comércio exterior, construção civil, elétrico e eletrônico, farmacêutico, máquinas e equipamentos, têxtil e transformados em plástico. Juntos, os setores representados pela coalizão respondem por 44,8% do PIB industrial brasileiro, o equivalente a cerca de R$ 1,1 trilhão, além de 60,6% das exportações da indústria manufatureira, 48,6 milhões de empregos diretos e indiretos e R$ 500 bilhões em tributos pagos por ano.

De acordo com a entidade, dos 12 setores que a compõem, oito deverão registrar crescimento na produção abaixo de 4% em 2026 e dois deles terão retração. Em 2025, dos 12 setores, 6 registraram expansão abaixo de 4% e cinco sofreram retração.

"A perspectiva de 2026 é sobreviver. Não é possível se a gente não conseguir competir de igual para igual", afirmou Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). "A indústria nacional não fica pedindo vantagens para ninguém. Mas precisamos que as condições de competitividade de fabricação aqui sejam iguais às dos concorrentes", disse.

O grupo apresentou no evento um balanço negativo de 2025 e projeções pouco otimistas para 2026.

Segundo a coalizão, o desempenho médio dos setores representados ficou em torno de 1,2% no ano passado, abaixo do crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. As entidades demonstraram preocupação também com a perda de participação da indústria brasileira na economia mundial.

"A constatação é de que 2025 não foi bom e 2026 também não será", disse Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão Indústria e presidente executivo do Instituto Aço Brasil, que afirmou também que as importações predatórias tomaram um terço do mercado brasileiro de aço em 2025.

Para 2026, a expectativa média da coalizão é de crescimento da produção industrial abaixo de 2%, enquanto as importações devem avançar aproximadamente 6%. "Significa dizer que a indústria nacional não está conseguindo acompanhar o aumento do mercado interno, que está sendo ocupado pelas importações", afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

As entidades defendem o fortalecimento de instrumentos de defesa comercial, como medidas antidumping e salvaguardas contra importações consideradas desleais. Também cobram redução dos juros, controle das contas públicas e diminuição do chamado custo Brasil — conjunto de entraves estruturais que encarecem a produção nacional, como carga tributária, burocracia, logística e energia.

José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), afirmou que os juros elevados têm comprometido investimentos, consumo e crescimento econômico.

"Um quarto do que o Brasil gasta, algo entre 25% e 28%, é com pagamento de juros. Nós estamos com as empresas muito endividadas pagando esses juros altos e as famílias também muito endividadas, boa parcela dos brasileiros negativada, que não têm nem como consumir ou usar crédito para consumir".

Para a coalizão, o desempenho da indústria de transformação tem ligação direta com o crescimento econômico do país. "Nos últimos 76 anos, o PIB cresceu 32 vezes acima de 4%. Em 80% das vezes que o PIB cresceu acima de 4%, a indústria de transformação cresceu numa velocidade superior. Ou seja, nessas 32 vezes, sem dúvida nenhuma, foi a nossa indústria que fez esse crescimento acontecer", afirmou Roriz.

Apesar das críticas ao cenário econômico, a coalizão afirma que os setores representados mantêm previsão de R$ 1,1 trilhão em investimentos entre 2026 e 2030.

Durante a coletiva, a entidade divulgou um "manifesto pela aceleração do crescimento sustentado do Brasil", defendendo que o país alcance um "patamar de crescimento sustentado do PIB de, pelo menos, 3,5% ao ano" nos próximos cinco anos sob pena de "comprometer de maneira irreversível os próximos anos".

Diário do Comércio - MG   20/05/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 0,6% em março ante fevereiro, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Na comparação com março de 2025, o PIB cresceu 2,5% em março de 2026.

No primeiro trimestre de 2026, o PIB subiu 0,9% em relação ao quarto trimestre de 2025.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve elevação de 1,5% no primeiro trimestre de 2026.

A taxa acumulada em 12 meses até março foi de 1,9%.

"O crescimento de 0,9% do PIB foi disseminado entre as atividades. Além da contribuição positiva nas três grandes atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços), na análise mais desagregada, em doze atividades, a maioria apresentou crescimento, sendo os transportes a única exceção", ressaltou Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

"Pela ótica da demanda, o desempenho também foi bastante positivo, com o consumo e os investimentos (formação bruta de capital fixo) apresentando bons resultados. Nesta ótica, apenas as exportações caíram. Após três trimestres consecutivos de crescimentos modestos, próximos à estabilidade, a economia voltou a crescer mais fortemente no primeiro trimestre de 2026, apesar do contexto externo conturbado com o avanço dos conflitos no Oriente Médio", completou Trece.

Pela ótica da demanda, no primeiro trimestre de 2026 ante o mesmo período do ano anterior, o consumo das famílias subiu 1,4%, "sinalizando um maior ritmo de contribuição desse componente para o desempenho da economia".

"Todos os componentes do consumo contribuíram positivamente para esse crescimento, sendo o consumo de serviços e o de produtos duráveis os principais destaques", apontou o relatório do Monitor do PIB.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) subiu 0,9% no primeiro trimestre ante o mesmo trimestre do ano anterior.

"O segmento da construção e de outros produtos da FBCF cresceram e explicam o resultado positivo do componente. Embora o segmento de máquinas e equipamentos tenha retraído no trimestre, o fato de haver diminuído suas quedas ao longo dos trimestres móveis também foi importante para que sua contribuição negativa na FBCF tenha reduzido em magnitude", informou a FGV.

As exportações tiveram elevação de 6,5%. A FGV frisa que houve crescimento nas exportações de diferentes grupos de produtos, tendo como destaque a extrativa mineral, sobretudo o petróleo. Foram registradas retrações em bens intermediários e produtos da agropecuária.

Já as importações caíram 1,3% no primeiro trimestre de 2026 ante o primeiro trimestre de 2025, segundo resultado consecutivo negativo. As importações de bens de consumo subiram, com impacto de 3,0 pontos porcentuais para o total do componente, mas as de bens intermediários influenciaram em -4,4 pontos porcentuais.

"Além dessa retração, as importações de produtos agropecuários, extrativa mineral e bens de capital também caíram no trimestre", acrescentou a FGV.

Em termos monetários, o PIB alcançou R$ 3,443 trilhões no primeiro trimestre de 2026, em valores correntes. A taxa de investimento da economia foi de 19,1% no primeiro trimestre.

Globo Online - RJ   27/05/2026

Embora as tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tenham produzido o impacto inicialmente imaginado sobre a economia brasileira, deixaram marcas em setores exportadores que levarão tempo para serem superados, principalmente aqueles ligados à indústria de transformação. Ao contrário de outros destinos, em que a corrente comercial é mais concentrada em commodities, o país da América do Norte absorve uma parcela importante de bens industriais vendidos pelo Brasil.

Para José Augusto de Castro, presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o principal efeito das medidas anunciadas por Trump foi a ampliação da insegurança de empresas brasileiras que dependem dos Estados Unidos para vender produtos com esse perfil.

— O mercado americano é o nosso mercado de manufaturados — afirma. — Os EUA absorvem uma parcela importante de bens industriais vendidos pelo país. Por isso, qualquer alteração tarifária no mercado americano tende a ter efeito maior sobre empresas brasileiras de maior valor agregado.

Impacto variável

Na avaliação do presidente-executivo da AEB, o impacto não foi homogêneo. Alguns segmentos foram atingidos de forma mais direta, enquanto outros sentiram os efeitos de maneira indireta, por meio da perda de competitividade, da redução de margens ou da postergação de decisões comerciais. As indústrias de aviões, autopeças e calçados estão entre as que sofreram mais.

— Praticamente todos os setores de exportação de manufaturados foram afetados, uns mais e outros menos.

O problema do imbróglio que se seguiu ao anúncio de Trump para diferentes países não está apenas nas tarifas em si, mas na combinação entre aumento de custos e baixa previsibilidade. Para os exportadores, a incerteza sobre novas medidas do governo americano dificulta o planejamento de médio prazo.

— Como uma empresa exportadora que faz negócios com os Estados Unidos pode se planejar pelos próximos anos com Trump, se ninguém sabe direito o que esperar dele? — diz.

Esse ambiente, segundo Castro, obriga as empresas a operar com margens de segurança maiores. Em alguns casos, os exportadores reduzem preços ou passam a trabalhar com menor rentabilidade para manter contratos e preservar a presença no mercado americano. A alternativa de sair dos EUA é considerada arriscada, porque o país segue sendo o maior mercado consumidor do mundo e um destino estratégico para bens industriais.

— Você pode até bancar o prejuízo para não sair do mercado. Agora, isso é estratégico. Pagar para ver significa que você pode se prejudicar. O mercado é gigantesco, mas o prejuízo também pode ser gigantesco.

Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o tarifaço ainda afeta uma parcela expressiva das vendas brasileiras aos Estados Unidos, seja pela regra 122, que mantém tarifas sobre produtos brasileiros, seja pela 232, que atinge setores específicos, como aço e alumínio.

— Cerca de 50% das exportações brasileiras ainda estão afetadas. É um volume importante. Com isso, os Estados Unidos caíram como destino das exportações brasileiras do ano passado para cá, e o superávit deles aumentou mais ainda — afirma.

A margem de reação direta das empresas brasileiras é limitada. Segundo Andrea Weiss, sócia do escritório Monteiro & Weiss Trade, especializado em comércio internacional, na prática, eventuais contestações, pedidos de restituição ou reembolso precisam ser conduzidos pelos parceiros comerciais americanos, administrativamente, junto à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, ou judicialmente, perante o Tribunal de Comércio Internacional dos EUA.

— Empresas brasileiras que sofreram perda de competitividade ou redução de margem não conseguem, individualmente, acionar diretamente o sistema americano para recuperar valores pagos a título de tarifa — afirma Weiss.

Restaria ao Brasil o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), que pode ser acionado nos casos em que haja indícios de violação de compromissos tarifários ou de regras como o princípio da nação mais favorecida.

— Embora o sistema enfrente limitações, especialmente pela paralisação do Órgão de Apelação, ainda pode servir de base jurídica para contestações formais ou soluções alternativas, como o arranjo provisório de arbitragem.

Cadeias já estabelecidas

Um fator que ajudou a amortecer parte do choque, segundo a AEB, foi a estrutura do comércio bilateral. Muitas das maiores multinacionais americanas têm filiais no Brasil, e parte do fluxo comercial ocorre dentro de cadeias corporativas já estabelecidas. Esse intercâmbio entre matriz e subsidiária, explica Castro, pode mitigar parte do risco, ainda que não o elimine. Em alguns casos, empresas conseguem redistribuir custos ou reduzir lucros em uma operação para preservar a venda.

Ainda assim, a perda de competitividade brasileira segue sendo um obstáculo. Castro atribui parte da vulnerabilidade ao chamado "custo Brasil", que pesa mais justamente sobre produtos manufaturados.

— Nós não temos preço competitivo. Temos o famoso custo Brasil, e esse custo atinge principalmente produtos manufaturados — afirma Castro.

A possibilidade de redirecionamento das exportações para outros mercados existe, mas não é automática. Para o presidente da AEB, a substituição dos Estados Unidos por outros destinos depende de preço, escala, logística e presença comercial.

— Não basta dizer que tem mercado. Se o mercado não estiver ocupado, não é meu.

Exame - SP   29/05/2026

As projeções do mercado apontam crescimento entre 0,8% e 1,2% na comparação com o trimestre anterior, com ajuste sazonal, após a perda de ritmo observada no fim de 2025.

As estimativas refletem uma combinação de fatores que sustentaram a atividade no início do ano, como o avanço do agronegócio, o aumento da produção de petróleo, estímulos fiscais voltados ao consumo e um mercado de trabalho ainda resiliente.

Ao mesmo tempo, economistas avaliam que parte desse desempenho tende a perder força ao longo dos próximos meses, diante do crédito mais restrito e dos juros elevados.

Um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) estima crescimento de 1,1% no primeiro trimestre ante os três meses anteriores e alta de 1,8% na comparação anual. Segundo o banco, o resultado deve confirmar uma aceleração da atividade econômica após a estagnação registrada no segundo semestre de 2025.

Já o Itaú BBA trabalha com uma projeção mais forte, de alta de 1,2% na margem e avanço de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Para os economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, que assinaram o relatório, os serviços seguem resilientes, enquanto a indústria mostra recuperação puxada pela transformação industrial e pela produção de petróleo e minério de ferro.

Na avaliação do Itaú BBA, o consumo das famílias deve voltar a ganhar tração no início de 2026, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pelos estímulos recentes do governo.

O banco também destaca que medidas fiscais e de crédito anunciadas nas últimas semanas aumentaram o viés de alta para a projeção de crescimento do PIB neste ano, atualmente em 1,9%.

A consultoria 4intelligence estima crescimento de 1% do PIB na comparação trimestral e alta de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Segundo a casa, a retomada do crescimento no início do ano foi influenciada principalmente pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, pela liberação extraordinária de recursos do FGTS e pelo avanço da agropecuária.

A consultoria também projeta recuperação da indústria após o desempenho fraco no fim do ano passado, com destaque para a indústria extrativa, impulsionada por novos recordes na produção de petróleo e gás natural. Nos serviços, o avanço deve continuar disseminado, apoiado pelo consumo das famílias e pela resiliência do mercado de trabalho.

O Banco Inter projeta crescimento de 0,8% no trimestre e 1,6% na comparação anual. Para Rafaela Vitória, economista-chefe da instituição, o desempenho do início do ano deve ser puxado principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa, em linha com o cenário visto no segundo semestre de 2025.

Segundo a economista, o segundo trimestre ainda pode mostrar algum reaquecimento da demanda em função dos estímulos fiscais, mas o ambiente de crédito mais restritivo deve limitar uma expansão mais forte do consumo das famílias ao longo do ano.

Consumo deve liderar crescimento no início do ano

Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o crescimento do primeiro trimestre deve marcar uma interrupção na trajetória de desaceleração observada no fim de 2025. A projeção do banco é de alta de 0,8% na passagem trimestral.

Segundo Ricciardi, o principal motor da atividade no período foi o consumo das famílias, favorecido pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e pela valorização real do salário mínimo. As exportações de soja e petróleo também devem contribuir positivamente para o desempenho do PIB no trimestre.

Por outro lado, o economista afirma que os investimentos seguem pressionados pelo nível elevado da taxa de juros. A expectativa é de desempenho negativo da Formação Bruta de Capital Fixo na comparação anual, refletindo um ambiente ainda mais desafiador para expansão da atividade produtiva.

Apesar da aceleração no início do ano, a maioria das instituições financeiras ainda trabalha com um cenário de desaceleração gradual da economia ao longo de 2026.

A avaliação predominante é de que os estímulos fiscais e programas de incentivo ao crédito devem ajudar a sustentar parte da atividade, mas sem força suficiente para manter o mesmo ritmo observado no primeiro trimestre, ainda mais com a taxa de juros ainda em patamar restritivo.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   11/05/2026

As exportações brasileiras de minério de ferro e cobre dispararam em abril, impulsionadas pelo aumento dos embarques para a China e pela abertura de novos destinos relevantes para o cobre.

Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que as vendas externas de minério de ferro e seus concentrados somaram US$ 2,47 bilhões em abril de 2026, alta de 19,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando haviam alcançado US$ 2,07 bilhões.

Em volume, os embarques de minério de ferro chegaram a 34,6 milhões de toneladas, avanço de 15% na comparação anual.

O movimento foi ainda mais forte no cobre. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados atingiram US$ 760,6 milhões em abril, crescimento de 55% sobre os US$ 490,7 milhões registrados em abril de 2025.

Em quantidade, as vendas externas de cobre somaram 164,9 mil toneladas, alta de 17,5% ante as 140,2 mil toneladas embarcadas um ano antes.

Somados, minério de ferro e cobre renderam US$ 3,23 bilhões ao Brasil em abril, avanço de 26,3% na comparação com o mesmo mês de 2025.

O desempenho reforça o peso dos dois produtos na pauta mineral brasileira.

O minério de ferro segue como principal item de exportação do setor, enquanto o cobre ganha relevância em meio à demanda global por minerais associados à eletrificação, à transição energética e à expansão de redes, data centers e infraestrutura elétrica.

A China continuou como principal destino do minério de ferro brasileiro. O país asiático comprou US$ 1,73 bilhão do produto em abril, equivalente a cerca de 70% de todo o valor exportado pelo Brasil no mês.

Na comparação com abril de 2025, as vendas de minério de ferro para a China cresceram 28% em valor e 22,1% em volume. Os embarques passaram de 20,8 milhões de toneladas para 25,4 milhões de toneladas.

Além da China, também aparecem entre os principais destinos do minério de ferro brasileiro em abril Japão, com US$ 110,3 milhões, Coreia do Sul, com US$ 69,4 milhões, Países Baixos, com US$ 54,9 milhões, Malásia, com US$ 49,8 milhões, e Estados Unidos, com US$ 47,3 milhões.

O avanço das exportações ocorre em um momento em que o Brasil tenta ampliar sua posição nas cadeias globais de minerais críticos e estratégicos. Embora o minério de ferro não seja tratado, em geral, como mineral crítico, ele segue sendo a principal base da mineração brasileira e um insumo central para a indústria siderúrgica global.

O cobre, por outro lado, é visto como um dos minerais mais importantes para a transição energética, por sua aplicação em redes elétricas, veículos elétricos, geração renovável, equipamentos industriais e sistemas de transmissão.

AUTOMOTIVO

Globo Online - RJ   04/05/2026

O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira um aumento nas tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia para 25%, alegando que o bloco não havia cumprido integralmente um acordo comercial negociado com os Estados Unidos.

"Tenho o prazer de anunciar que, com base no fato de que a União Europeia não está cumprindo nosso acordo comercial totalmente firmado, na próxima semana aumentarei as tarifas cobradas da União Europeia para carros e caminhões que entram nos Estados Unidos", disse Trump em uma postagem nas redes sociais. "A tarifa será elevada para 25%."

Trump disse que as taxas não se aplicariam a automóveis fabricados em instalações nos EUA. "Está plenamente entendido e acordado que, se produzirem carros e caminhões em fábricas nos EUA, NÃO haverá tarifa", afirmou o presidente.

A medida pode ter um impacto particular sobre a Stellantis, que importa modelos da Alfa Romeo, Fiat e Maserati da Europa para os EUA. As ações da empresa nos EUA caíram até 3,6% por volta do meio-dia em Nova York.

Algumas montadoras europeias de destaque, no entanto, incluindo Volkswagen, Mercedes-Benz Group e BMW, possuem fábricas de montagem nos Estados Unidos.

A decisão de Trump reacende uma disputa comercial contenciosa com um importante bloco econômico, mesmo enquanto a guerra no Irã e o consequente aumento nos preços da energia impõem novas pressões à economia global.

EUA mantêm investigação contra o Brasil mesmo após Suprema Corte declarar ilegalidade das tarifas

Segundo o acordo comercial entre as partes, a UE havia concordado em eliminar tarifas sobre produtos industriais dos EUA em troca de um teto de 15% para a maioria dos produtos da UE. O bloco aceitou o acordo desigual na esperança de manter Trump engajado na Ucrânia e evitar uma ruptura total nas relações comerciais.

Trump não especificou como acreditava que a UE havia descumprido o acordo comercial na sexta-feira, mas o pacto enfrentava desafios, complicando as negociações sobre sua implementação. Embora os dois lados tenham chegado a um acordo em julho, os legisladores da UE ainda não ratificaram totalmente o pacto, enquanto buscam novas emendas.

Um dos principais pontos de discórdia tem sido as tarifas sobre metais. Em agosto, os EUA ampliaram uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio para centenas de novos produtos. A medida levou a alegações de que os EUA estavam violando compromissos recentes. As empresas enfrentaram dificuldades para calcular as tarifas, que eram baseadas na porcentagem desses metais em seus produtos.

Os legisladores da UE então pausaram duas vezes a ratificação do acordo — uma após Trump ameaçar tomar a Groenlândia, território dinamarquês, e outra depois que a Suprema Corte dos EUA invalidou o regime global de tarifas do presidente.

Mais recentemente, no entanto, os dois lados haviam expressado o desejo de finalmente adotar o acordo comercial, com os EUA concordando em mudar a forma de calcular a tarifa ampliada sobre metais.

IstoÉ Dinheiro - SP   11/05/2026

Com dois dias úteis a menos devido a feriados, a produção de veículos no Brasil no mês de abril não repetiu os bons números de março. Mesmo assim, a produção apresentou crescimento na comparação anual, o que demonstra, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) que o mercado está em recuperação contínua.

Em abril, a produção registrou crescimento de 2,4% em comparação ao mesmo mês de 2025 e teve uma queda de 9,5% ante março deste ano, com a produção de 238,5 mil unidades.

Com o desempenho, o setor fechou o primeiro quadrimestre com a fabricação de 872,6 mil veículos, avanço de 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

"Isso está acima das projeções da Anfavea. No final do ano projetávamos 3,7% de [crescimento na] produção", disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (8).

Já em relação aos emplacamentos, o crescimento foi de 19% em relação a abril do ano passado, com 248,3 mil unidades comercializadas.

"Esse é o melhor abril dos últimos 12 anos", comemorou o presidente da Anfavea.

Ele destacou que isso dá uma média de 12,4 mil unidades emplacadas por dia, melhor marca do ano e melhor média diária para um mês de abril desde 2014.

Quando se considera o acumulado do ano, o volume total de emplacamentos somou 873,5 mil autoveículos, com aumento significativo de 14,9% sobre os quatro primeiros meses do ano anterior.

Exportações

Entre janeiro e abril deste ano, 142,4 mil veículos foram enviados ao exterior, o que significou um recuo de 16,9% ante o mesmo período do ano passado. Segundo a Anfavea, embora os embarques tenham crescido 8,2% em abril em relação ao mês de março, eles caíram 11,7% na comparação com o ano passado.

Isso se deve principalmente porque o mercado argentino já não em absorvendo um grande volume de produtos brasileiros.

"O mercado argentino caiu 6% no primeiro quadrimestre de 2026", informou Calvet.
Veículos pesados

Sao Paulo (SP), 15/01/2026 . Presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que o resultado foi o melhor abril dos últimos 12 anos. Foto-arquivo: Paulo Pinto/Agencia Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

A venda de caminhões continua em queda, no entanto, ressaltou a Anfavea, essa queda vem se reduzindo nos últimos meses. Isso é resultado do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca de caminhões mais antigos.

"O Move Brasil continua ajudando, mas ainda não foi capaz de reverter a queda nas vendas. Essa segunda etapa do programa, que foi recentemente anunciada, vem sim em um bom momento e a gente espera que agora nós consigamos reverter essa queda nas vendas", disse o presidente da Anfavea.

Em abril, foram emplacados 8,8 mil caminhões, crescimento de 0,1% em relação a março e queda de 5,8% ante abril de 2025. No acumulado do ano, os emplacamentos de caminhões somaram 30,7 mil unidades, queda de 17,2% sobre igual período.

Já os ônibus tiveram crescimento de 4,6% nos emplacamentos em relação a março, com 2.049 unidades vendidas, o que representou queda de 6,9% em relação a abril de 2025.
Elétricos

Os veículos eletrificados apresentaram um novo recorde de participação, alcançando a marca de 18,3% do total de vendas do país.

"Temos um total de 48,7 mil unidades de veículos eletrificados emplacados no Brasil no mês de abril. Nesse ritmo a Anfavea já está prevendo em torno de 420 mil a 450 mil veículos eletrificados emplacados nesse ano, o que seria um número bastante robusto", informou Calvet.

Monitor Digital - RJ   11/05/2026

Os carros chineses representaram quase metade (47,7%) de todos os carros importados para o Brasil entre janeiro e abril de 2026 (168.100), consolidando a posição da China como principal fornecedora do país sul-americano, anunciou nesta sexta-feira Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Calvet disse à televisão nacional que 80.100 unidades foram importadas do país asiático, um aumento de 81,6% em relação ao ano anterior, colocando a China à frente da Argentina, tradicional parceira comercial do Brasil, que ficou em segundo lugar entre os fornecedores estrangeiros do segmento.

Em contrapartida, as importações do país vizinho totalizaram 54.900 unidades, uma queda de 20,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados na coletiva de imprensa. O avanço das marcas chinesas no Brasil foi impulsionado pelo aumento da demanda local e pela chegada de novas montadoras ao mercado brasileiro. Desde o início de 2025, montadoras chinesas iniciaram operações no Brasil com veículos importados, incluindo Omoda, Jaecoo, Guangzhou Automobile Group (GAC), MG, Geely, Leapmotor, Jetour e Changan. Elas se juntam às que já operam no país, como Build Your Dreams (BYD) e Great Wall Motor (GWM).

O fenômeno da importação não se limita ao volume, mas também reflete o avanço de novas tecnologias no mercado automotivo brasileiro, o maior da América Latina, onde veículos elétricos são comuns nas principais cidades.

Segundo o relatório da Anfavea, esses tipos de veículos atingiram uma participação recorde de 18,3% no mercado total de veículos leves em abril, o equivalente a mais de 40 mil unidades.

A organização projetou que as vendas de veículos eletrificados poderão atingir entre 420.000 e 450.000 unidades em 2026, em comparação com as 285.400 vendidas em 2025.

Calvet afirmou, durante a entrevista, que o avanço dos veículos eletrificados reflete uma mudança estrutural na indústria automotiva brasileira. "Em breve, chegaremos a um ponto em que metade dos veículos com essa nova forma de propulsão serão produzidos no país", afirmou.

A organização também observou que a oferta interna ainda não acompanha o crescimento da demanda, embora 40% dos veículos híbridos e elétricos vendidos no Brasil já sejam montados no país.

Segundo o relatório da Anfavea, a participação de mercado das montadoras chinesas no Brasil poderá continuar crescendo em 2026 devido à expansão das redes de concessionárias, novos lançamentos e a entrada de outras marcas no país.

Juntamente com o aumento das importações, a montadora chinesa BYD tornou-se a marca mais vendida no segmento de varejo em abril, com 14.900 veículos comercializados, superando a Volkswagen, que registrou 14.800 unidades no mesmo período.

Considerando todos os canais de venda, incluindo as vendas diretas para empresas, a BYD ficou em quinto lugar e alcançou um recorde de vendas mensais de 18.500 unidades.

O desempenho da empresa foi impulsionado principalmente pelo modelo elétrico Dolphin Mini, que liderou o segmento de varejo pelo terceiro mês consecutivo, com 5.900 unidades vendidas em abril, além da família de modelos híbridos Song, que totalizou 4.100 unidades.

O Estado de S.Paulo - SP   12/05/2026

Vendas de elétricos no Brasil praticamente triplicam no primeiro quadrimestre e colocam 2026 no caminho de um novo recorde histórico

O Brasil emplacou 48.514 carros puramente elétricos nos quatro primeiros meses de 2026. O número, obtido por meio da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), é expressivo não apenas pelo volume absoluto, mas principalmente pela velocidade com que esse mercado cresceu em tão pouco tempo.

A título de comparação, entre janeiro e abril de 2025, foram vendidos 17.695 carros elétricos em todo o País. Ou seja, o segmento praticamente triplicou em apenas um ano. A evolução fica ainda mais evidente quando se olha para trás. Em 2022, o Brasil havia registrado apenas 1.747 BEVs no mesmo período. Em 2023, foram 2.545 unidades. Agora, em 2026, o mercado alcança quase 50 mil unidades antes mesmo de completar o primeiro semestre.

O avanço é puxado por uma combinação de fatores. Há mais produtos disponíveis, mais marcas disputando espaço, preços mais agressivos em determinados segmentos e, sobretudo, uma aceitação mais ampla do consumidor.

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Mas nenhum modelo simboliza essa virada com tanta força quanto o BYD Dolphin Mini. Sozinho, o compacto acumula 21.643 licenciamentos entre janeiro e abril, o que representa quase metade de todos os carros elétricos vendidos no Brasil no período.

O estado de São Paulo concentra a maior parte dos emplacamentos de elétricos no acumulado de 2026. Foram 10.233 unidades nos quatro primeiros meses do ano. O resultado não surpreende. São Paulo reúne a maior frota do País, tem infraestrutura de recarga adequada e presença mais forte de concessionárias, importadores e empresas que apostam em frota eletrificada.

O Distrito Federal aparece em seguida, com 4.490 unidades, à frente do Rio Grande do Sul, que registrou 4.221 emplacamentos. Os volumes chamam atenção pelo tamanho dos mercado locais.

Carros eletrificados como protagonistas?

O desempenho dos carros elétricos, contudo, faz parte de um movimento maior. Considerando todos os veículos leves eletrificados, incluindo híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos puros, abril foi o melhor mês da série histórica da ABVE. Foram 38.516 unidades emplacadas, com 16% de participação de mercado. Segundo a associação, esse índice é o dobro do registrado sete meses antes.

O avanço mensal também foi forte. As vendas de eletrificados cresceram 9% em relação a março, com 35.356 emplacamentos, e 161% sobre abril de 2025, quando o mercado havia registrado 14.759 licenciamentos. No acumulado de janeiro a abril, a média mensal dos eletrificados chegou a 30.615 unidades, crescimento de 124% sobre o primeiro quadrimestre do ano passado.

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Dentro desse universo, os modelos plug-in ganharam protagonismo. Em abril, 80% dos eletrificados vendidos no Brasil tinham tomada, somando BEVs e PHEVs. Os elétricos puros responderam por 17.488 unidades, ou 45,4% do total de eletrificados do mês. Já os híbridos plug-in representaram 13.214 unidades, o equivalente a 34,3%.

Só em abril, os BEVs cresceram 24,3% sobre março e impressionantes 272% sobre abril de 2025, quando haviam sido emplacadas 4.702 unidades. É uma expansão que não se explica apenas por uma base baixa. Ela também reflete a chegada de produtos mais competitivos, com autonomia mais adequada ao uso urbano e preços menos distantes dos carros a combustão de faixa intermediária.

Ritmo atual levaria mercado a 145 mil elétricos no ano

Se mantiver a média registrada entre janeiro e abril, de 12.128 carros elétricos por mês, o Brasil pode encerrar 2026 com aproximadamente 145.542 BEVs vendidos. Seria um salto expressivo em relação a 2025, quando foram comercializados 80.178 carros elétricos no País durante todo o ano.

Naturalmente, a projeção depende de variáveis importantes. Preço, câmbio, política de importação, disponibilidade de produto, rede de recarga, financiamento e até a reação das marcas tradicionais podem alterar o ritmo nos próximos meses. Ainda assim, é evidente que o mercado brasileiro de elétricos vem numa boa toada.

A leitura da ABVE vai na mesma direção. Para Ricardo Bastos, presidente da entidade, o desempenho aponta para uma tendência consistente de aceleração da eletrificação no Brasil. Segundo o executivo, os números mostram que o movimento não é sazonal nem acidental, mas coerente ao longo do tempo, com o consumidor levando cada vez mais em conta as vantagens do veículo eletrificado na decisão de compra.

A fotografia de 2026 mostra exatamente isso. O carro elétrico ainda enfrenta obstáculos notórios, como preço de entrada elevado, infraestrutura desigual e concentração regional. No entanto, também começa a vencer resistências antigas. O consumidor brasileiro, historicamente cauteloso, passou a comparar custos de uso e a aceitar uma mudança que, até poucos anos, parecia distante demais.

CNN Brasil - SP   25/05/2026

Os emplacamentos de veículos 100% elétricos registraram um crescimento explosivo de 175% no primeiro quadrimestre do ano. Em comparação com o mesmo período de 2025, o salto foi de 17.541 para 48.299 unidades, de acordo com os relatórios da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Este avanço reflete uma nova realidade competitiva: os elétricos chineses deixaram de ser uma novidade entrante e agora se estabelecem como reais competidores no mercado, travando uma disputa de igual para igual, e frequentemente superando, as fabricantes ocidentais e tradicionais no país.
Os números

A trajetória dos licenciamentos ao longo do período revela um ritmo de aceleração constante e robusto, sem sinais de desaceleração. O ano começou forte em janeiro, registrando mais de 8.100 emplacamentos totais (salto de 125% em relação ao ano anterior), a BYD sendo responsável por 5.113 deles.

Em fevereiro, o mercado manteve o fôlego ao emplacar mais 8.654 unidades. O mês marcou o maior índice de concentração da líder BYD, que colocou 6.759 carros nas ruas sozinha, mais de 78% do total dos elétricos vendidos no Brasil. Enquanto isso, a também chinesa Geely e a norte-americana GM travavam um empate técnico na segunda posição, com pouco mais de 400 unidades cada.

A verdadeira explosão de demanda concentrou-se na segunda metade do quadrimestre, quando o mercado brasileiro rompeu marcas históricas. Em março, as vendas superaram a barreira das dezenas de milhares, atingindo aproximadamente 14 mil emplacamentos, um aumento de 193% sobre o mesmo período do ano anterior.

Em abril, o número de licenciamentos mais que dobrou em comparação com janeiro, registrando 17.468 elétricos emplacados (aumento de 273% ante abril de 2025). Nesse encerramento de período, a BYD isolou-se ao superar a marca de 10 mil emplacamentos mensais, enquanto a Geely atingiu seu melhor resultado com 3.761 unidades, consolidando o volume recorde do setor.
A quebra de paradigma

O avanço rápido das montadoras chinesas transformou a dinâmica das concessionárias brasileiras. As montadoras tradicionais, algumas ativas no país há mais de um século, viram suas estratégias de eletrificação serem desafiadas pela agressividade comercial, pelo volume de entrega e pelo pacote tecnológico oferecido pelas rivais da China.

O consumidor brasileiro, historicamente conservador na troca de marcas, está superando a barreira da desconfiança. Hoje, a briga por market share no segmento de elétricos ocorre em termos de igualdade técnica e de reputação, forçando a indústria tradicional a acelerar investimentos locais e revisar tabelas de preços para não perder competitividade no ambiente urbano.
Hegemonia BYD

É inegável que no epicentro dessa transformação está a BYD. A fabricante não apenas lidera o segmento, mas estabeleceu uma dominância esmagadora sobre todas as suas concorrentes no primeiro quadrimestre de 2026. Do total de 48.299 veículos elétricos emplacados no país de janeiro a abril, a BYD respondeu por 32.198 unidades, o que representa cerca de dois terços de todo o mercado de elétricos no Brasil.

Essa força de branding e capilaridade de vendas ficou evidente em fevereiro, quando a marca atingiu seu pico de participação mensal, abocanhando mais de 78% de todos os emplacamentos do período. A BYD continua se descolando dos concorrentes e ditando o ritmo e o volume de todo o setor nacional.
Um novo desenho do mercado nacional

A eletrificação no Brasil atingiu um ponto de maturação relevante. Enquanto a BYD se isola nas vendas, marcas como Geely expandem seu portfólio consistentemente e gigantes tradicionais como a GM estruturam contraofensivas sólidas com novos lotes e modelos. Para o restante de 2026, a tendência apontada pelos relatórios da Fenabrave é de acirramento na disputa tecnológica, com o mercado nacional consolidado como o principal polo de disputa automotiva da América Latina.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Forbes Brasil - SP   04/05/2026

O setor de máquinas e equipamentos apurou queda na receita líquida de março sobre o mesmo mês do ano passado, encerrando o primeiro trimestre com recuo de dois dígitos frente aos três primeiros meses de 2025, segundo dados divulgados na quarta-feira (29) pela associação de fabricantes Abimaq.

O faturamento do setor em março somou R$ 23,8 bilhões, caindo 3,4% na comparação anual. No trimestre, recuou 11%, para R$ 61,7 bilhões.

Com o resultado do trimestre, a entidade estima alta de 0,3% na receita este ano, "mas com viés de baixa", disse Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, em entrevista a jornalistas.

O desempenho do setor ocorreu com queda nas vendas no Brasil, onde a receita líquida recuou 0,9% no mês e 12,6% no trimestre, em meio a um crescimento de 21,4% nas importações do mês passado, que subiram 4,2% no acumulado do trimestre.

A indústria brasileira de máquinas encerrou março com ocupação de capacidade instalada de 79,9% ante 77,6% no mesmo mês de 2025. A carteira de pedidos do mês subiu ante fevereiro para 9 semanas, mas caiu 1,5% sobre o nível do ano passado. No trimestre, o setor amargou uma queda de 5,2% na carteira de pedidos ante o registrado em 2025. Segundo a Abimaq, isso significa que "as receitas líquidas de vendas tendem a permanecer enfraquecidas ao longo de 2026".

Já as exportações de máquinas e equipamentos brasileiros ficaram praticamente estáveis em março sobre um ano antes, a US$ 1,03 bilhão, mas subiram 7,5% no trimestre, a US$ 2,9 bilhões.

Segundo a entidade, as vendas aos Estados Unidos no primeiro trimestre somaram US$ 709 milhões, avançando sobre os US$ 631 milhões dos três primeiros meses do ano passado, apesar da elevação da tarifa de importação dos EUA em 50 pontos.

Mas na comparação com o quarto trimestre de 2025, as exportações de máquinas e equipamentos do Brasil aos EUA nos três primeiros meses de 2026 caíram 10,5%, pressionadas por recuos de 32% em máquinas para agricultura, 16% em componentes e de 13,5% para logística e construção civil.

Com isso, a participação das vendas aos EUA, principal destino das exportações do setor, no trimestre passado foi de 24,3% ante 23,3% no consolidado do ano passado e pico de 29,3% em 2023, segundo os dados da Abimaq.

Segundo Zanella, o crescimento da fatia dos EUA se deu sobre uma base bastante reduzida, uma vez que o desempenho da economia norte-americana no ano passado foi fraco, pesando sobre as compras de máquinas e equipamentos.

"O desempenho (no geral das exportações aos EUA) mantém a desaceleração", desde a imposição das tarifas contra o Brasil, afirmou, citando que o percentual de março "foi bastante baixo", a 21%.

Atualmente, as tarifas de importação dos EUA que incidem sobre a maioria do setor de máquinas e equipamentos do Brasil são de 10%, após decisão da Suprema Corte do país, no final de fevereiro, que derrubou as sobretaxas abrangentes aplicadas pelo presidente Donald Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.

Mas a preocupação do setor agora é sobre a posição de Trump de lançar uma investigação para analisar práticas comerciais do Brasil com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana, algo que, segundo a Abimaq, deve ser concluído em julho com possível imposição de novas penalidades aos exportadores brasileiros.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   13/05/2026

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acaba de registrar sua maior alta mensal em quase quatro anos e pressiona o mercado imobiliário a antecipar a revisão de tabelas.

Com avanço de 1,04% em abril, o indicador rompeu um teto que se mantinha desde julho de 2022. A inflação setorial, que acumula 6,28% em 12 meses segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), é impulsionada pelo salto de 39% no preço dos tubos de PVC, reflexo do encarecimento do petróleo em meio à crise no Oriente Médio.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também mostra que o índice que mede o custo médio de insumos subiu 6,8 pontos no primeiro trimestre do ano.

Em Santa Catarina, onde o mercado imobiliário figura entre os mais aquecidos do país, com quatro das cinco cidades mais valorizadas, conforme o índice FipeZap, e com mais de 6,7 mil vagas formais criadas no setor apenas nos dois primeiros meses de 2026 (Caged), sindicatos da indústria da construção já relataram aumentos entre 20% e 30% em materiais.

Para o especialista em mercado imobiliário Bruno Cassola, a alta dos insumos ocorre após um ciclo de juros elevados que reduziu o ritmo de compras no alto padrão e manteve os preços dos imóveis praticamente estáveis por mais de um ano.

"Desde o fim de 2024, com a Selic em alta, muitos investidores deixaram o dinheiro na renda fixa buscando rentabilidade. As construtoras seguraram os preços para manter as vendas aquecidas, mas agora, com a alta dos materiais, esse impacto deve chegar ao mercado", afirma.

Segundo Cassola, o novo cenário exige uma mudança na estratégia de compra. "Quem conhece o ciclo entende que o momento é de reposicionamento. O investidor que compra agora pode travar preço antes dos reajustes, mas precisa fazer uma operação bem planejada, comprando à vista ou com prazos menores, já que parcelamentos muito longos tendem a sofrer mais com correções como INCC e CUB", explica o fundador e sócio-diretor da IBC Imobiliária em Balneário Camboriú.

Apesar da pressão de preços, o especialista acredita que o setor seguirá com demanda consistente.

"A construção civil é uma cadeia longa e sensível a variações de custo, mas também é um dos motores da economia. Mesmo com esse cenário, o imóvel é a maior proteção contra crises e quem está bem posicionado no mercado tende a continuar comprando, até porque o imóvel, no caso do litoral de SC, supera a inflação no médio e longo prazo", completa Cassola.

SEGS.com.br - SP   22/05/2026

A construção civil ocupa posição central dentro da indústria brasileira, com impacto direto na geração de empregos, na movimentação da cadeia produtiva e no desenvolvimento das cidades. No contexto do Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, o setor reforça sua relevância ao impulsionar diferentes segmentos, que vão desde a produção de insumos até serviços especializados.

Esse protagonismo está diretamente ligado à capacidade do setor de gerar desenvolvimento econômico e social de forma integrada. De acordo com o diretor de Engenharia da Emccamp, José Maurício Campos, a construção civil tem um efeito multiplicador muito relevante dentro da indústria. Cada obra movimenta uma cadeia extensa, que envolve desde fornecedores de materiais até serviços técnicos especializados, gerando emprego e renda em diferentes níveis, afirma.

Com forte capacidade de articulação, a construção civil conecta uma ampla rede de atividades industriais, como cimento, aço, cerâmica, vidro, logística, entre outros. Esse efeito multiplicador faz com que o setor tenha papel decisivo no desempenho econômico, influenciando indicadores como o Produto Interno Bruto (PIB) e a geração de renda.

Exemplo disso, a Emccamp atua como agente de desenvolvimento urbano e econômico nas cidades onde está presente. A atuação da incorporadora gera impactos em diferentes frentes, como a criação de empregos diretos e indiretos na construção civil, a contratação de fornecedores e prestadores de serviço locais, a valorização imobiliária das regiões e a movimentação do comércio e da economia do entorno.

Os projetos também contribuem para a ampliação da infraestrutura urbana e habitacional, além de estimular o acesso à moradia e ao crédito imobiliário. Com forte presença no segmento habitacional ligado ao programa Minha Casa Minha Vida, a empresa também desempenha papel relevante na redução do déficit habitacional e no fortalecimento da cadeia produtiva da construção civil, reforçando seu posicionamento como uma companhia comprometida com o desenvolvimento das cidades e com a construção de comunidades, comenta José Maurício Campos.

Segundo o diretor nacional de obras da Emccamp, Luiz Eduardo Machado, o cenário atual também evidencia a necessidade de equilíbrio entre crescimento e eficiência. O setor vem passando por um processo de evolução, com maior uso de tecnologia, planejamento e industrialização dos processos construtivos. Isso aumenta a produtividade e contribui para entregas mais eficientes, destaca Luiz Eduardo Machado.

Geração de empregos e fortalecimento regional

Atualmente, a Emccamp gera, em média, 1.162 empregos diretos por mês, considerando os últimos 12 meses, com média de 48 admissões mensais. De acordo com estimativas do setor, cada emprego direto na construção civil pode gerar até outros dois indiretos, ampliando ainda mais o impacto econômico da atividade.

O volume de empregos varia conforme o porte e a complexidade dos empreendimentos. Hoje, a companhia possui obras com mais de 200 colaboradores próprios atuando simultaneamente. Além disso, cada empreendimento mobiliza, em média, cerca de 40 empresas fornecedoras e parceiras, envolvendo diferentes segmentos da cadeia da construção civil. Em projetos de maior porte, esse número pode ultrapassar 100 empresas envolvidas.

Com quase cinco décadas de atuação, a Emccamp já entregou mais de 75 mil unidades habitacionais e mantém operações em três estados brasileiros: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, a empresa possui 15 empreendimentos em andamento, além de uma forte agenda de lançamentos prevista para 2026, com projetos distribuídos entre os três estados de atuação. Ao todo, estão previstas aproximadamente 5.924 novas unidades para lançamento entre junho e dezembro deste ano.

Inteligência artificial e eficiência operacional

A transformação tecnológica também tem acelerado mudanças importantes dentro da construção civil. Na Emccamp, a inteligência artificial já está presente em diferentes áreas da operação, como marketing, CRM, automação de atendimento, análise de comportamento do cliente, planejamento e acompanhamento de obras e análise de dados de mercado.

O uso dessas ferramentas contribui para ganhos de produtividade, melhoria da experiência do cliente, maior assertividade comercial e decisões mais orientadas por dados. Nas obras, a tecnologia também auxilia na identificação e correção de vícios construtivos ainda durante a execução dos empreendimentos. O setor vive uma mudança importante na forma de construir e gerir os negócios. A tecnologia e a inteligência artificial estão tornando os processos mais eficientes, previsíveis e sustentáveis, o que aumenta a competitividade da construção civil brasileira, avalia o vice-presidente da Emccamp, Andre Campos.

Entre os principais desafios enfrentados atualmente pela construção civil estão o custo elevado dos insumos, os juros altos, a necessidade de ampliar a produtividade e a escassez de mão de obra qualificada em algumas regiões do país. Por outro lado, o setor enxerga oportunidades importantes ligadas ao avanço da urbanização, à demanda habitacional e ao crescimento de programas de incentivo à moradia, como o Minha Casa Minha Vida.

A construção civil continuará exercendo papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Brasil. Além de movimentar a indústria e gerar empregos, a construção civil tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas. Quando entregamos um empreendimento, estamos contribuindo para o desenvolvimento das cidades, para o acesso à moradia e para a construção de comunidades mais estruturadas, conclui Andre Campos.

NAVAL

Jornal de Brasília - DF   11/05/2026

Os portos da Região Sul do Brasil registraram um crescimento expressivo na movimentação de carga conteinerizada em fevereiro, alcançando 4,7 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 43,98% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

No total, os portos sulistas movimentaram 14,4 milhões de toneladas no mês, com destaque para cargas como contêineres, soja, petróleo e derivados, fertilizantes e milho. As exportações cresceram 5,04%, enquanto a movimentação de longo curso avançou 1,75%, sinalizando a continuidade das operações ligadas ao comércio exterior.

O Porto de Paranaguá, no Paraná, liderou o desempenho regional, com 4,4 milhões de toneladas, correspondendo a 30,7% do total movimentado na região Sul. Em seguida, destacam-se o Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com 2,4 milhões de toneladas, e o Porto Itapoá, em Santa Catarina, com 1,2 milhão de toneladas.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o avanço na carga conteinerizada demonstra uma logística mais dinâmica e eficiente, integrada ao comércio internacional. "O Governo Federal vem trabalhando para ampliar a capacidade operacional dos portos, melhorar acessos e criar um ambiente mais seguro para investimentos, fortalecendo a competitividade do Sul", afirmou o ministro.

Esse desempenho ocorre em meio a investimentos federais em infraestrutura portuária na região. Em Santa Catarina, foi retomado o contrato de dragagem do Porto de Itajaí, com R$ 63,8 milhões investidos para garantir navegabilidade por até 48 meses. Além disso, foi assinado contrato de R$ 72,8 milhões para manutenção e reforço do molhe de abrigo do Porto de Imbituba, visando aumentar a segurança e a eficiência operacional.

No Paraná, o Porto de Paranaguá sediou a primeira edição de 2026 das Caravanas da Inovação Portuária, iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antaq para promover soluções inovadoras e sustentabilidade nas operações portuárias.

O Governo Federal também aprovou R$ 81 milhões do Fundo da Marinha Mercante para projetos na indústria naval do Sul, incluindo a construção de uma embarcação de apoio marítimo em Santa Catarina, com previsão de gerar 350 empregos diretos.

PETROLÍFERO

Portos e Navios - SP   14/05/2026

Dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), referentes ao mês de fevereiro, indicam que a principal carga movimentada na região Nordeste foi petróleo e derivados sem óleo bruto. Produtos refinados, como combustíveis, representaram um total de 2,1 milhões de toneladas movimentadas no período, o que representa o crescimento de 29,6% frente ao mesmo mês do ano anterior. Na movimentação geral, os portos nordestinos registraram 9 milhões de toneladas escoadas em fevereiro, avanço de 6,68% na comparação anual.

A segunda principal carga movimentada foi petróleo e derivados com óleo bruto, ou seja, petróleo cru ainda não refinado, que registrou 1,6 milhão de toneladas movimentadas e crescimento de 11,48%. Na terceira posição aparece o sal, com movimentação de 568 mil de toneladas e crescimento expressivo de 38,45% no período.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), os portos do Nordeste têm importância estratégica para o abastecimento, para a indústria e para o escoamento da produção brasileira. "Os investimentos realizados nos últimos anos vêm ampliando a eficiência logística da região e criando condições para atrair novos negócios, gerar emprego e fortalecer o desenvolvimento regional", afirmou o ministro Tomé Franca.

Entre os principais destaques da região está o Porto de Suape (PE), com movimentação de 2,1 milhões de toneladas e crescimento de 19,32%. Em seguida aparece o terminal privado de Madre de Deus (BA), com 2 milhões de toneladas movimentadas e alta de 19,33%.

O Terminal Portuário do Pecém (CE) registrou movimentação de 1,7 milhão de toneladas, crescimento de 0,33%. Já o Porto de Aratu (BA) apresentou aumento expressivo de 20,23%, movimentando 555 mil toneladas. O ministério informou que os portos do Maranhão não foram contabilizados, uma vez que o estado integra a dinâmica logística do Arco Norte.

Valor - SP   26/05/2026

Tarifaço de Trump e a guerra do Irã levam a um aumento das exportações para a Ásia, especialmente a China

Maior produtor de petróleo do mundo, os EUA têm peso relevante nas exportações brasileiras da commodity e derivados, respondendo por cerca de 11%. Em 2025, essas vendas, lideradas pela Petrobras, renderam US$ 6,3 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

No entanto, o tarifaço - que acabou isentando o petróleo, mas criou incertezas comerciais - e a guerra do Irã, reconfiguraram os fluxos comerciais brasileiros, que passaram a ter a Ásia como foco, especialmente a China.

Já no primeiro trimestre de 2026, as exportações de petróleo brasileiro para os EUA foram de US$ 632,3 milhões, cerca de 40% a menos do que no mesmo período do ano passado, com ausência da Petrobras e o espaço ocupado por petroleiras independentes.

Especialistas acreditam que o crescimento das vendas de petróleo e derivados aos EUA depende de oportunidades, uma vez que o mercado americano é visto como secundário. Isso porque, além dos recordes da produção estadunidense, há o apetite asiático crescente, especialmente da China, pelo petróleo brasileiro.

Por outro lado, o mercado dos EUA é o maior consumidor mundial do energético e o Brasil conta com a vantagem da proximidade logística. De forma que manter a perspectiva de mais vendas para lá, dizem os especialistas, serve para diversificar destinos, reduzindo a dependência da Ásia.

A Petrobras, principal exportadora de petróleo e derivados brasileiros, vendeu aos Estados Unidos em 2025, um total de 21,5 milhões de barris de petróleo cru, óleo combustível e gasolina. Em 2024, a venda total chegou a 32,5 milhões de barris. Não houve exportação de óleo bruto no primeiro trimestre de 2026, mas no mesmo período do ano passado, 1,9 milhão de barris brasileiros aportaram nos EUA. A estatal considera os EUA um mercado "de grande relevância, favorecido pela proximidade geográfica com o Brasil, o que assegura custos de frete competitivos".

Pedro Souza, líder de óleo e gás da consultoria BIP, avalia que os EUA, embora relevantes, são também um mercado altamente competitivo, com fornecedores consolidados. "O Brasil vende para os EUA quando o preço, o frete, a qualidade do óleo e a demanda das refinarias fazem sentido."

O óleo exportado para os Estados Unidos é do tipo pesado ("heavy oil"), lembra Manuel Fernandes, sócio-líder de energia e recursos naturais da KPMG. É, acrescenta ele, um tipo de menor demanda na Ásia - onde a preferência é pelo óleo de baixo enxofre. Por isso, as vendas para os estadunidenses têm uma importância crítica. "O Brasil não tem capacidade interna para processar todo o óleo pesado que produz. Além disso, precisar diversificar, reduzindo a forte concentração na Ásia", diz.

A insegurança em rotas marítimas - especialmente pelo conflito no Oriente Médio - favorece fornecedores mais próximos geograficamente dos EUA. Isso porque reduz o custo com frete marítimo e oferece maior estabilidade de suprimento. Esse é um aspecto, observa João Victor Marques Cardoso, pesquisador da FGV Energia, que poderia alavancar a inserção do petróleo brasileiro nos EUA.

Os Estados Unidos, aponta ele, embora respondam por 11%, em média, das exportações nacionais de petróleo, têm uma dependência menor do Brasil. Apenas 3,2% do total importado pelos estadunidenses é brasileiro. "Outros players possuem maior penetração no mercado americano. O Canadá representa 63%, países do Golfo Pérsico, 8%; o México, 6% e Guiana, 3,4%", diz Cardoso.

Em outra frente, grandes petroleiras americanas demonstram interesse em atuar em novas fronteiras exploratórias no Brasil. A ExxonMobil e a Chevron, por exemplo, adquiriram, em 2025, ativos na bacia da foz do Amazonas, na Margem Equatorial.

A primeira ficou com dez blocos, em parceria com a Petrobras, e a segunda arrematou nove, em consórcio com a chinesa CNPC. A atuação dessas empresas na exploração e produção no Brasil não necessariamente representa mais vendas ao seu país de origem. De modo geral, elas atuam pela lógica global de trading e otimização de portfólio.

"Olhando para a Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] e a situação geopolítica, além da geoeconomia atual, é bem provável que os Estados Unidos vejam o petróleo brasileiro como forma de diversificação", diz o professor Roberto Dumas, do Insper.

O Brasil, afirma o professor, sendo um território sem guerras, pode fazer com que as petroleiras americanas se sintam propensas a investir aqui. "Mas ainda é cedo para dizer que há uma revoada desses investimentos", avalia.

AGRÍCOLA

Globo Rural - SP   04/05/2026

A 31ª Agrishow, realizada essa semana em Ribeirão Preto (SP), teve uma intenção de negócios de R$ 11,4 bilhões, uma queda de 22% em relação aos R$ 14,6 bilhões de 2025. Os números foram divulgados nesta sexta (1/5), dia do encerramento da maior feira de tecnologia agrícola da América Latina. A apuração se refere apenas aos setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem. Segundo os organizadores, o público ficou semelhante ao registrado no ano passado, de 197 mil visitantes.

"Consideramos que foi um bom resultado, lembrando que no primeiro trimestre deste ano as vendas de máquinas agrícolas caíram 19,9%. O mercado está realmente muito desafiador devido à taxa de câmbio, aos juros altos, à inadimplência e ao preço das commodities", disse Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Segundo João Carlos Marchesan, presidente da feira, a Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil.

"Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. E, para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vêm do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro".

O dirigente também disse que o anúncio feito pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, na abertura da Agrishow, no domingo, de um crédito de R$ 10 bilhões pelo Finep para compra de máquinas agrícolas atrapalhou, porque a linha ainda está sendo operacionalizada. "Muitos produtores decidiram adiar suas compras para ver se conseguem aproveitar essa linha."

Antes do início da feira, executivos das principais indústrias de máquinas agrícolas já previam uma queda nas vendas neste ano e a reportagem da Globo Rural constatou isso in loco: estandes mais vazios e produtores temerosos de investir devido especialmente aos juros altos dos financiamentos.

Algumas empresas que divulgaram seus balanços individuais nesta sexta, como a chinesa XCMG Brasil, anunciaram aumento de negócios. Daniel Sasaki, gerente comercial da indústria que é líder no segmento de máquinas pesadas na China, disse que a empresa vendeu em torno de 5% a 10% a mais neste ano, graças aos lançamentos de dois modelos de tratores agrícolas e um sobre esteiras.

A Tritucap Equipamentos Agrícolas, de Sertãozinho, fabricante de trituradores de alta performance, comemorou o desempenho alcançado em seu retorno à Agrishow, após sete anos fora da feira. Impulsionado pelo lançamento de um equipamento de linha pesada desenvolvido para a erradicação sustentável de lavouras de café sem a queima, a empresa superou em três vezes a meta de vendas, totalizando 31 máquinas comercializadas e outras 27 em fase avançada de negociação.

A 32ª edição da Agrishow já está marcada: em 2026, o evento vai acontecer de 26 a 30 de abril.

Jornal de Brasília - DF   04/05/2026

O agronegócio está enfrentando um pacote de intempéries que se arrastam há anos e envolvem reflexos das guerras da Ucrânia e do Irã, a taxa básica de juros e os preços em baixa de algumas commodities agrícolas, que refletem nas compras de máquinas como tratores e colheitadeiras, especialmente em regiões produtoras de grãos.

A avaliação é de Luis Felli, 60, head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da Agco, que além da Massey reúne marcas como Valtra e Fendt e é um dos grandes grupos do setor.

Ao participar da Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), encerrada na sexta-feira (1) em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), Felli observou que a feira teve redução de 25% nos negócios em relação a 2025. Para este ano, a queda no volume financeiro com a venda de máquinas será maior que a redução no total de unidades comercializadas, já que os negócios têm sido feitos com tratores menores e, consequentemente, mais baratos.

"O mercado deve ser -5%, -7%, -8%, mais ou menos isso. Mas esses fechamentos de números de máquinas não refletem o tíquete médio da máquina, que vai ser bem pior. Porque as máquinas grandes vão vender menos que o ano passado e as máquinas pequenas talvez vendam o mesmo, um pouquinho mais, principalmente os mercados de café", afirmou o executivo da Massey, que disputa mercado de tratores com players como John Deere, New Holland e Case IH.

Em volume financeiro, o mercado deixou de vender, em valores nominais, ao menos R$ 3,2 bilhões na feira em Ribeirão, que gerou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios.

É um quadro semelhante ao da Tecnoshow, em Rio Verde (GO), que viu os negócios recuarem 30% na edição deste ano, após acolher R$ 10 bilhões em propostas em 2025.

"O ano passado já foi assim, o mercado de grandes máquinas caiu mais. O mercado meio que ficou no zero a zero ano passado, mas o mercado de grandes máquinas caiu respeitavelmente. É natural, o grande negócio de máquina agrícola se chama grãos, isso é o que puxa o mercado de máquina agrícola em termos de valor, não em termos de unidade. E esse mercado está sofrendo", disse Felli.

No primeiro trimestre do ano, as vendas internas no varejo de máquinas agrícolas somaram 9.800 unidades, 13,1% abaixo do patamar de janeiro a março de 2025, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Os problemas enfrentados pelo mercado envolvem a questão da importação de fertilizantes, os preços do óleo diesel para os produtores rurais, a taxa básica de juros, os baixos preços de commodities em relação a outras safras e o real valorizado, segundo o executivo.

"Taxa de juros elevada, dois dígitos há quase cinco anos, que é um período muito longo, uma taxa desse tamanho, muito negativo. O produtor vem sofrendo com essas taxas de juros elevadas há bastante tempo e impactando dois dígitos. Isso inibe muito o investimento do produtor. Aí você tem preços de commodities baixo e o real valorizado [ ] O real em dezembro de 2024 estava em R$ 6. De R$ 6 para R$ 4,97 quanto dinheiro sumiu da cadeia? Então o produtor está realmente pressionado."

O anúncio de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões com juros inferiores a 10%, feito na Agrishow pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), vai ajudar o setor nesse momento, segundo ele.

Mas é preciso que a forma de acesso à linha da Finep seja clara e que entes financeiros como o Banco do Brasil sejam credenciados.

Na Agrishow, a Massey apresentou tratores menores, para a agricultura familiar (35 e 45 cavalos), para atender uma necessidade do produtor que não estava contemplada pela marca nos últimos anos, e afirmou que os veículos movidos a etanol como opção ao diesel chegarão aos consumidores em 2028, fruto de investimento anual em inovação de 4,5% a 5% do faturamento global.

"É uma demanda muito forte. Nós temos mais de 10 mil horas em testes já no campo. A gente tem teste em bancada, teste em campo. Estamos trabalhando longevidade, ajuste de curva de motor, coisas dessa natureza. É uma demanda muito forte nas usinas, estão muito interessadas, fornecedores de cana muito interessados."

Segundo ele, a tendência é que a máquina movida a etanol tenha preço similar ao atual, do trator a diesel.

SEGURANÇA ENERGÉTICA

Felli disse considerar que a descarbonização nas máquinas é inevitável, mas que a segurança energética é uma necessidade que "está mais na cara do mundo hoje", devido à guerra do Irã.

Os motores a diesel têm sido lançados com proposta de redução no consumo. O executivo da Massey diz que as máquinas combinando motores Ecopower e transmissão CVT chegam a proporcionar 30% de redução em relação aos modelos convencionais e é estratégico para o Brasil o uso do biodiesel.

"O mandato de biodiesel [obrigatoriedade legal de mistura] é estratégico para o Brasil. Esse crescimento do mandato ajuda na segurança energética, colocar 30%, 32% de biodiesel dentro do diesel."

Canal Rural - SP   12/05/2026

Segundo a entidade, uma iniciativa da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a proposta concentra esforços na redução de poluentes locais emitidos por máquinas fora-de-estrada, mas deixa em segundo plano o debate sobre descarbonização e mudanças climáticas.

Para a associação, o novo marco regulatório deveria seguir a tendência internacional de incentivo aos biocombustíveis, como biodiesel e etanol, considerados alternativas aos combustíveis fósseis.

De acordo com a AliançaBiodiesel, o modelo em discussão pode desviar investimentos da indústria destinados à descarbonização para adaptações no parque de motores ciclo diesel. A entidade argumenta ainda que a proposta entra em contradição com a Lei do Combustível do Futuro, ao priorizar o controle de emissões locais em regiões de baixa concentração populacional, como áreas agrícolas.

A associação também aponta fragilidades na fiscalização das futuras regras. Segundo o setor, o Brasil não possui um sistema estruturado de controle pós-venda para máquinas agrícolas, o que poderia estimular adaptações irregulares nos equipamentos e comprometer a efetividade das exigências.

Outro ponto levantado pela entidade é o impacto econômico da medida. A estimativa é de que o preço das máquinas agrícolas suba entre 15% e 25%, podendo ultrapassar esse percentual em equipamentos menores utilizados pela agricultura familiar.

Além disso, o custo operacional das máquinas poderia aumentar entre 9% e 20% devido à obrigatoriedade do uso do diesel S10 e do Arla-32. A AliançaBiodiesel afirma ainda que empresas nacionais sem fabricação própria de motores teriam custos adicionais em relação às multinacionais, o que poderia ampliar a concentração de mercado.

Na avaliação da entidade, o aumento de custos tende a ser repassado para cadeias como alimentos, obras e serviços, gerando impactos diretos para consumidores e produtores rurais.

Vitória News - ES   15/05/2026

O mercado brasileiro de máquinas agrícolas atravessa um dos períodos mais difíceis dos últimos anos e deve fechar 2026 com o quinto ano consecutivo de retração. A estimativa da Anfavea aponta para a comercialização de 46,7 mil unidades neste ano, queda de 6,2% em relação a 2025.

Os números da Abimaq reforçam o cenário de desaceleração. Nos 12 meses encerrados em março, a receita líquida do setor somou R$ 64,9 bilhões, recuo de 1,4%. Já no primeiro trimestre de 2026, as vendas de maquinário caíram 16,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, três fatores explicam a retração: dólar mais fraco, juros elevados e aumento do endividamento dos produtores rurais.

Com a valorização do real frente ao dólar, commodities como soja e milho perderam rentabilidade no mercado internacional, reduzindo a capacidade de investimento do produtor. No último ano, a moeda norte-americana acumulou desvalorização de 14,6%, passando de R$ 5,72 para R$ 4,89.

O impacto é ainda maior porque cerca de 60% do mercado de máquinas agrícolas está ligado justamente às culturas de soja e milho.

Além disso, as taxas de juros seguem elevadas mesmo após recentes cortes da taxa Selic. O cenário limita o acesso ao crédito rural e desestimula novos investimentos em modernização e renovação de frota.

A desaceleração também foi percebida na Agrishow 2026, principal feira do agronegócio brasileiro. O evento movimentou cerca de R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, queda de 22% em relação à edição anterior.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, afirmou que o cenário preocupa pela possibilidade de aumento contínuo do endividamento rural.

Segundo estimativas da bancada, as dívidas do setor já ultrapassam R$ 120 bilhões. O valor defendido pelo agro para renegociação supera a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda.

O tema é discutido no Projeto de Lei 5.122/2023, relatado pelo senador Renan Calheiros, com participação da senadora Tereza Cristina e do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dário Durigan.

A expectativa é de que a proposta avance nas próximas semanas na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

A Tribuna - SP   18/05/2026

A incerteza na cadeia de insumos diante dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia gera forte oscilação sobre os defensivos agrícolas e os fertilizantes - neste último caso, o Brasil importa cerca de 80% do que é consumido. Planos nacionais buscam reduzir essa vulnerabilidade até 2050, mas o fato é que possuímos uma dependência crítica. Barreiras comerciais internacionais, como as tarifas propostas pelos Estados Unidos, desafiam a expansão das exportações e o futuro promete uma guerra tarifária ainda maior em nome da proteção da indústria dos países desenvolvidos.

Tensões geopolíticas geram volatilidade extrema no câmbio, afetando a previsibilidade financeira dos produtores. Os riscos de recessão mundial e choques energéticos pressionam os índices inflacionários na ponta final, tanto que já estamos vivendo a inflação global de alimentos. Soma-se a tudo isso os conflitos armados que alteram as rotas marítimas e encarecem fretes, sobrecarregando a infraestrutura portuária nacional.

A combinação de choques energéticos com a quebra de cadeias de suprimento mantém elevado o risco de inflação persistente. Além disso, a falta de consenso geopolítico internacional reduz a previsibilidade dos mercados e afeta diretamente as projeções de crescimento global com incertezas nos acordos. A volatilidade extrema gerada pelo conflito no Oriente Médio impacta as moedas emergentes e encarece as commodities, pressionando o câmbio.

O preço do petróleo bruto segue afetado pela ameaça física às rotas logísticas e de extração, a menor oferta de fertilizantes encarece os custos de produção da safra e a alta dos custos operacionais e logísticos se traduz em inflação de alimentos na ponta final. Resultado: energia em escalada, insumos agrícolas caros e insegurança alimentar. O impacto dos conflitos geopolíticos sobre os fertilizantes e defensivos agrícolas desenha para a safra 2026/27 um cenário de forte pressão operacional e financeira. Uma prova é que o custo operacional direto para a safra 2026/27 já se projeta 10% maior em comparação com o ciclo anterior.

Consultorias estimam uma redução de até 15% na oferta de fertilizantes voltados ao mercado brasileiro para o próximo ciclo. Não à toa, produtores rurais recuaram nas negociações. Até o fim de abril, a aquisição de fertilizantes estava 50% abaixo do projetado para a safra de verão. Enquanto isso, o preço da ureia registrou altas de até 35% devido às tensões que afetam a cotação do gás natural e o mercado de defensivos agrícolas — como o glifosato — lida com pressões inflacionárias. Um reflexo disso tudo é que o custo total estimado por hectare apresenta alta média próxima a 5%, reduzindo drasticamente as margens de lucro.

No Porto de Santos, as discussões sobre os impactos da crise global e a alta do petróleo giram em torno de uma forte contradição: o porto bate recordes históricos de movimentação de cargas, com 42,8 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, mas opera sob o risco iminente de um apagão logístico devido às tensões internacionais e aos custos de combustíveis. Hoje, cerca de 70% dos navios que atracam em Santos utilizam combustível originário do Oriente Médio. Além disso, o conflito nessa região ameaça diretamente o fluxo de grãos, já que, por exemplo, 31% de todo o milho exportado por Santos tem como destino o Irã. Como se não bastasse, o custo do transporte internacional subiu de forma acentuada, onerando a importação de insumos e a competitividade das exportações. Estaria o porto santista próximo do fim dos recordes?

O elemento com maior impacto imediato na economia brasileira e no agronegócio é a explosão no preço do óleo diesel no mercado doméstico. Embora o frete marítimo e a instabilidade de rotas preocupem o comércio exterior, o diesel atua como um vetor inflacionário interno avassalador devido à dependência da malha rodoviária e os impactos diretos incluem um prejuízo bilionário. Só a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul estima um custo extra de R$ 11,2 bilhões para os produtores rurais apenas neste ciclo de safra devido à explosão do petróleo. Dessa forma, as margens de lucro estão esmagadas, elevando em até 40% o custo operacional por hectare em culturas vitais como soja, milho, arroz e cana-de-açúcar.

Como se não bastasse, estamos com um efeito dominó na inflação. Como o transporte nacional é majoritariamente feito por caminhões, a alta do diesel é repassada integralmente ao consumidor final. Isso mantém a inflação brasileira pressionada na casa dos 4,4% em 2026, forçando debates urgentes no Congresso por subsídios ou projetos de lei de compensação tributária. Em ano eleitoral, a agenda que se coloca no mercado internacional e nacional prejudica qualquer tentativa de reeleição. Pode favorecer quem se planejou e contingenciou suas demandas e necessidades, o que não é o caso do Brasil.

Os impactos efetivos dessas três forças combinadas redesenham o comércio global e criam um ambiente de alta pressão. Diante desse cenário complexo, o agronegócio brasileiro — que vem do forte crescimento de quase 12% em 2025 — vive um momento de transição de margens e reposicionamento estratégico. A escalada de tarifas entre EUA e China beneficia diretamente o Brasil no curto prazo. Os compradores chineses tendem a concentrar suas ordens de compra de soja, milho e carnes no mercado brasileiro para evitar o produto norte-americano. O Brasil consolida sua posição como o fornecedor mais confiável de alimentos à Ásia, preenchendo o espaço deixado pelas restrições comerciais impostas a outros players. Porém, embora os volumes exportados sigam altos, a rentabilidade do produtor está espremida.

A vulnerabilidade externa força o agro a acelerar a transição para tecnologias de matriz nacional, como biofertilizantes, inoculantes e defensivos biológicos, reduzindo a dependência da importação tradicional. O setor portuário e as tradings priorizam contratos de longo prazo e hedge cambial rigoroso para blindar as operações contra novos choques nas rotas marítimas internacionais. Já a recente aprovação de projeto de lei na Câmara Federal que insere os fertilizantes na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos representa o avanço regulatório mais importante para o setor desde o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes 2050. Com base nas diretrizes dessa nova lei e na realidade geológica do país, o Brasil pode reduzir significativamente a sua dependência externa, embora o conceito de "ser competitivo globalmente" exija distinções profundas entre cada tipo de nutriente. A meta oficial não é a autossuficiência total, e sim reduzir a dependência externa de mais de 80% para cerca de 50% até 2050.

O Brasil tem plenas condições de reduzir sua vulnerabilidade geopolítica externa e garantir sua soberania alimentar. A competitividade nacional não virá da disputa direta de preços de balcão de minérios brutos, mas sim do menor custo logístico interno combinado com a transição tecnológica para uma matriz de nutrição vegetal sustentável. Contudo, o foco ainda está na venda da commodity e não na solução da infraestrutura portuária do País.

Devido à alta volatilidade do comércio exterior em 2026, precisamos de um acompanhamento intensificado, com autoridades portuárias locais analisando o ritmo de embarques nos boletins mensais e o Ministério de Portos e Aeroportos atuando em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) na consolidação de balanços estatísticos mensais sobre a movimentação de cargas, podendo assim medir a eficiência e direcionar investimentos de dragagem e infraestrutura de acesso. A celeridade nos investimentos não pode mais sucumbir ao modelo de contratação atual, que desfavorece o avanço em qualquer setor.

Há uma forte e coordenada movimentação entre o Governo Federal, as autoridades portuárias e a iniciativa privada para blindar o escoamento da safra recorde (estimada em 354,4 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26) frente às instabilidades geopolíticas globais. Para reduzir a extrema dependência dos portos das regiões Sudeste e Sul (mais expostos à saturação física), o setor agrícola consolidou uma grande virada logística. Em 2026, os portos do Arco Norte superaram o Porto de Santos, passando a escoar 40,8% do milho e 38,4% da soja produzidos no País. Além disso, a rota de exportação pelas hidrovias e portos do Norte (como Barcarena e Itaqui) reduz o custo do frete rodoviário em até 30% para os produtores do Centro-Oeste e do Matopiba (região que engloba parcialmente os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), acelerando a saída das cargas do País antes de qualquer gargalo global.

Nos terminais do Porto de Santos, o avanço dos conflitos no Oriente Médio fez operadores adotarem importantes medidas de flexibilização de armazenamento:

• Armazenagem preventiva: empresas compradoras do Oriente Médio já emitem pedidos oficiais para que cargas de grãos fiquem retidas temporariamente nos armazéns portuários ou aguardem na área de fundeio (ancoragem) antes do embarque.

• Desvio de portos de conflito: a estratégia impede que navios fiquem presos ou congestionados em portos de destino afetados pela crise, como os terminais do Marrocos e do Golfo Pérsico.

Além disso, empresas privadas de logística e tradings estão ativando planos de fluxo contínuo para evitar que greves ou a escassez de caminhões (provocada pela alta do diesel) parem o escoamento. Isso passa, entre outros pontos, pela aposta na cabotagem. Grandes operadoras integraram frotas rodoviárias ao transporte marítimo. Dessa forma, os grãos são levados de portos menores regionais para os grandes hubs de exportação em navios costeiros, otimizando o fluxo e blindando os prazos contratuais de entrega. Destaco também o uso de contratos antecipados, com o produtor travando preços e custos logísticos por meio de cédulas de produto rural (CPR) e travas de balcão (barter), garantindo a reserva de espaço em navios internacionais com meses de antecedência.

No âmbito público, precisamos atuar em duas frentes temporais. A primeira delas envolve ações de curto prazo, com investimentos emergenciais em dragagem de aprofundamento nos canais de Santos e Paranaguá para permitir a entrada de navios graneleiros ainda maiores, otimizando o volume despachado por viagem. Outra é o acionamento do Plano Nacional de Logística Integrada 2035, que foca no balanceamento de modais, expandindo ferrovias e ferrovias de grãos para que a competitividade do produto brasileiro não dependa da volatilidade internacional do petróleo.

CNN Brasil - SP   19/05/2026

O MF (Ministério da Fazenda) elevou de 0,5% para 1,2% a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária em 2026. A revisão consta no Boletim MacroFiscal de maio divulgado nesta segunda-feira (18) pela SPE (Secretaria de Política Econômica).

No relatório divulgado em fevereiro, a SPE projetava crescimento de apenas 0,5% para o agro neste ano, diante da expectativa de menor produção de milho e arroz e redução da contribuição do abate bovino.

A nova estimativa veio acompanhada de uma melhora na avaliação para o desempenho do setor no primeiro trimestre deste ano. Segundo a SPE, houve melhora na expectativa para o primeiro trimestre e pelos dados mais recentes do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) e das pesquisas de abate.

"O PIB da agropecuária manteve sua projeção, em linha com as divulgações mais recentes do LSPA e das pesquisas de abate. Após crescer 0,2% no quarto trimestre, projeta-se avanço de cerca de 2,6% na margem para o setor, refletindo o desempenho das culturas com maior peso no primeiro trimestre, soja e fumo, e o bom resultado do abate de bovinos", afirmou a secretaria.

A SPE manteve a projeção de avanço de 2,6% para o PIB agropecuário na comparação trimestral, puxado principalmente pela soja, fumo e pecuária bovina. Na comparação anual, a expectativa é de alta de 1,7% no período.

A Fazenda manteve a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB brasileiro em 2026, mas alterou a composição da atividade. A agropecuária segue em desaceleração após a safra recorde de 2025, porém com desempenho melhor do que o previsto anteriormente.

Pressão nos alimentos

Apesar da revisão positiva para o PIB do setor, o governo passou a prever pressão maior dos alimentos sobre a inflação.

Segundo o boletim, a inflação acumulada em 12 meses do grupo alimentação no domicílio saiu de -0,1% para 1,3% entre fevereiro e abril, puxada por carnes, leite, arroz e alimentos in natura, especialmente tubérculos.

"Diferentemente de 2025, em 2026 os preços de alimentos devem deixar de contribuir para a queda da inflação, refletindo fatores estruturais, especialmente ligados ao ciclo do boi, impactando carnes, leite e derivados, e produtos semielaborados", afirmou a SPE.

Com isso, a projeção do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 3,6%, estimada em fevereiro, para 4,5% no relatório de maio.

Segundo a SPE, a piora reflete principalmente os efeitos da alta do petróleo após o agravamento do conflito no Oriente Médio, com impactos sobre combustíveis, transporte, fertilizantes e cadeia de alimentos.

"A inflação acumulada em 12 meses medida pelo IPCA avançou de 3,8% em fevereiro para 4,4% em abril, repercutindo principalmente a aceleração nos preços de bens monitorados e alimentos", destacou o documento.

Risco climático

O documento também cita risco climático para a próxima safra. A SPE alerta que a maior probabilidade de ocorrência de El Niño na segunda metade do ano e o prolongamento da alta dos fertilizantes podem pressionar a safra de 2027 e antecipar parte dos impactos ainda para este ano.

"A maior probabilidade de ocorrência de el niño na segunda metade do ano, e o prolongamento do choque nos preços de fertilizantes, são vetores que podem impactar em maior medida a safra de 2027 e pres

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