IstoÉ Dinheiro - SP 30/01/2026
A Suíça pediu nesta quinta-feira, 29, à União Europeia que adote medidas para reduzir o impacto das barreiras à importação de aço no comércio bilateral.
Segundo o governo suíço, a intenção é preservar as cadeias de suprimento regionais já consolidadas, uma vez que a siderurgia local não contribui para a sobrecapacidade global.
Berna tem pressionado de forma reiterada a UE e seus Estados-membros para ser excluída das medidas protecionistas, alegando a estreita relação bilateral e a elevada interdependência econômica.
O impacto econômico direto para a Suíça é limitado, dado o volume relativamente pequeno das exportações afetadas, enfatizou o governo suíço, acrescentando que uma proposta de salvaguardas para o aço e para as ferroligas será analisada à luz das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do acordo de livre-comércio entre Suíça e UE.
Infomoney - SP 30/01/2026
O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) divulgou na última quarta-feira (28) as decisões de sua 233ª reunião ordinária. Entre elas, o comitê aprovou aplicar uma taxa antidumping definitiva sobre as importações de aço pré pintado da China e da Índia, por um período de até cinco anos.
Embora a margem antidumping final ainda não tenha sido divulgada —o que deve ocorrer nos próximos dias —, o relatório técnico preliminar anterior apontou margens antidumping de 21,7% (ou US$ 210,85/tonelada) para as importações da Índia e de 31,9% a 46,9% (ou US$ 252,53 a US$ 329,87/tonelada) para os produtos chineses.
O comitê também aprovou o aumento das tarifas de importação de 10,8% (12,6% em alguns casos) para 25% sobre determinados produtos siderúrgicos, incluindo alguns laminados a quente, chapas para embalagens, chapas e bobinas de aço inoxidável e silício, além de fio máquina.
O Bradesco BBI aponta que esta é uma notícia positiva para as siderúrgicas. Com relação aos aumentos tarifários, as importações dos produtos afetados totalizaram 623 mil toneladas em 2025, representando aproximadamente 10% do total das importações de aço.
“Embora as medidas abranjam uma ampla gama de produtos —em sua maioria provenientes da China —, é razoável esperar que uma tarifa de 25% aproxime os preços domésticos do aço da paridade com o material importado (dos atuais 21% para cerca de 8%). Em última análise, isso tende a tornar as importações desses itens economicamente inviáveis e a dar suporte aos preços domésticos”, avalia.
No que diz respeito às medidas antidumping, entre as siderúrgicas sob sua cobertura, apenas a CSN (CSNA3) possui exposição ao aço pré pintado (cerca de 10% das vendas).
Ainda assim, avalia o BBI, a decisão aumenta a probabilidade de aplicação de medidas para produtos CRC (fevereiro), galvanizados (março) e HRC (novembro).
O banco projeta impacto limitado nos preços domésticos caso essas medidas sejam implementadas. Para CRC e HRC, os volumes de importação visados nas petições já são bastante baixos; no caso da HRC, a participação da China nas importações caiu significativamente nos últimos meses. O efeito mais material tende a ser observado nos produtos galvanizados, segmento em que cerca de 30% da demanda doméstica é suprida por importações —quase integralmente originadas da China.
A estimativa é que uma variação de 1% nos preços domésticos equivale a aproximadamente 9% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Usiminas (USIM5), 2% da Gerdau (GGBR4) e 1% da CSN.
“Assim, embora reconheçamos que os anúncios são positivos para o setor siderúrgico, mantemos uma postura mais cautelosa. A penetração das importações já vem diminuindo nos últimos meses —em parte porque os volumes chineses foram reduzidos ou redirecionados para outros mercados —, o que limita o impacto potencial das medidas anunciadas”, aponta. Além disso, conclui o banco, a dinâmica de demanda mais fraca, combinada com níveis elevados de estoques, deve restringir o espaço para uma recuperação mais expressiva dos preços no curto prazo.
O Morgan Stanley também olha para os próximos eventos, ressaltando que próxima reunião ordinária da Gecex está agendada para 12 de fevereiro de 2026. O banco americano vê que a possibilidade de que o comitê inclua na pauta da sessão as investigações antidumping sobre: 1) bobinas ou chapas laminadas a frio (decisão final prevista para 19 de fevereiro de 2026); e 2) produtos laminados planos revestidos (decisão final prevista para 2 de março de 2026).
Os produtos de aço pré-pintados sujeitos às novas tarifas representam aproximadamente 5% do total das importações de aço do Brasil. Entre as empresas que acompanha, apenas a CSN está exposta a esses produtos, avalia o Morgan.
“Esperamos que o mercado reaja positivamente, visto que a decisão melhora o sentimento do mercado e elimina a incerteza causada pela percepção de inação do governo no apoio às siderúrgicas nacionais. Dito isso, permanecemos céticos quanto à eficácia a longo prazo das medidas corretivas, dada a prevalência histórica de práticas de evasão. Portanto, acreditamos que as importações permanecerão elevadas em 2026, embora as ações provavelmente continuem a subir no curto prazo, reagindo favoravelmente à decisão do governo”, avalia o Morgan.
O Itaú BBA avalia que, com o avanço das medidas de defesa comercial, a perspectiva para a indústria siderúrgica brasileira torna-se mais construtiva, com a Usiminas e a CSN destacando-se como principais beneficiárias.
Infomoney - SP 30/01/2026
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou nesta quarta-feira, 28, um conjunto de medidas de defesa comercial e realinhamento tarifário. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas são destinadas a fortalecer a competitividade da indústria nacional.
Entre as medidas, o MDIC destacou a aplicação de direito antidumping definitivo, com vigência de cinco anos, às importações de aços pré-pintados provenientes da China e da Índia.
Ainda no setor siderúrgico, foi aprovada a elevação tarifária para mais nove NCMs do aço, por doze meses. As tarifas de importação desses produtos passaram para 25%.
Na reunião desta quarta, o colegiado também decidiu pela redução de imposto de vários produtos importados, entre eles um medicamento usado para tratamento de depressão e insumos essenciais à indústria química, têxtil e agropecuária. Todos passaram a ter alíquota de 0% de imposto de importação.
Foi aprovado ainda um realinhamento das alíquotas do Imposto de Importação (II) de bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT). “Esse realinhamento está de acordo com movimentos internacionais atuais nesses setores, com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e busca fortalecer a indústria nacional em áreas estratégicas, bem como a resiliência das respectivas cadeias produtivas”, afirmou o MDIC.
A medida está direcionada para produtos que tenham fabricação no Brasil. Para o que não for produzido no território nacional, continua valendo a possibilidade de pedido de enquadramento no regime de ex-tarifário, que reduz ou mantém em zero as alíquotas de importação.
Para as NCMs que hoje possuem alíquota zero, mas não estão enquadradas em ex-tarifários, a medida passará a valer apenas a partir de 1º de março, para dar tempo para que os importadores peçam seu enquadramento no regime especial.
“Pedidos dessa natureza, para essas NCMs, terão o reconhecimento provisório do ex-tarifário, e, ao final do processo, que costuma durar 120 dias, será definido se o produto permanece ou não nessa condição”, finalizou a pasta.
Globo Online - RJ 30/01/2026
Ao manter em 15% ao ano a taxa básica de juros, a Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) demonstrou cautela. Corte, pelo comunicado emitido depois da reunião de quarta-feira, apenas a partir de março. Vários indicadores, como dólar ou preço dos combustíveis, sugeriam uma oportunidade para antecipar o início do ciclo de queda dos juros. Mas há que reconhecer o acerto na postura comedida do Copom. Não pode haver açodamento quando se trata de política monetária.
Os diretores do BC afirmaram que a projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante de política monetária, está em 3,2%, perto do centro da meta de 3% em 12 meses. Mantida em 15% desde junho, a Selic encareceu o crédito, desestimulou consumo e investimentos, mas contribuiu para o controle da inflação. Com a política monetária restritiva, os preços esfriaram. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 5,13% em agosto para 4,26% em dezembro e, pela primeira vez no atual governo, a inflação fechou o ano abaixo do teto da meta (4,5%). Nem todos os sinais, porém, são positivos. A prévia da inflação de janeiro, o IPCA-15, mostrou que há focos de preocupação. Ele acumulou alta de 4,50% em 12 meses, acima dos 4,41% registrados no mês anterior.
Ainda que a Selic caia em março, é pouco provável que o corte nos juros seja acelerado. O comunicado do Copom constata que “o ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais”. Com suas idas e vindas, ameaças de ataques comerciais e bombardeios, Donald Trump é fator incontornável de instabilidade, com reflexo negativo na inflação global. No plano interno, o Copom reconheceu outros fatores que merecem atenção. O mercado de trabalho se mostra resiliente, e as previsões de inflação seguem acima da meta (4% ao fim do ano e 3,80% em 2027, de acordo com a última pesquisa Focus de janeiro).
Por tudo isso, a cautela é adequada. O ano de 2026 trouxe muitas indefinições. No Brasil, as eleições de outubro tendem a segurar a alta dos combustíveis em função de cálculos políticos do governo. Na terça-feira, a Petrobras reduziu o valor da gasolina para as distribuidoras em 5,2%. Com o dólar no menor nível em anos, o real também tem se fortalecido. Mantidas essas condições, as importações ficarão mais baratas, com efeitos positivos na inflação.
Mas, por enquanto, reina a incerteza. Depois de Trump dizer não se preocupar com o declínio do dólar, decorrente de suas próprias políticas, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou ser favorável a uma política de moeda forte e negou rumores de intervenção no mercado de câmbio. Trump não esconde seu desdém por Jerome Powell, cujo mandato na presidência do Fed, o banco central americano, acaba em maio. Nem seu desejo de cortes agressivos nos juros. A decisão do Fed de mantê-los inalterados depois de três reduções sucessivas foi correta diante do cenário econômico, mas amplia o desgaste político. Em cenário com tantas dúvidas, o BC faz bem em manter-se cauteloso.
O Estado de S.Paulo - SP 30/01/2026
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as tarifas impostas por seu governo poderiam ser mais altas, mas que a Casa Branca tem sido gentil. Ele aguarda a decisão da Suprema Corte sobre a legalidade das medidas, confiante em um desfecho favorável. O caso, que envolve separação de poderes, pode limitar a autoridade do Executivo. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, destacou o sucesso das 'Trump Accounts' e previu crescimento econômico em 2026, com indicadores de inflação em queda.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as tarifas impostas por seu governo “poderiam ser mais altas”, mas que a Casa Branca tem sido “muito gentil nesse aspecto”.
O republicano disse ainda que aguarda a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade das medidas e declarou estar confiante em um desfecho favorável.
“Ainda estamos esperando a decisão da Suprema Corte sobre tarifas, mas acredito que teremos vitória nesse caso. É um caso muito importante para o nosso país”, afirmou durante reunião de gabinete nesta quinta-feira, 29.
A Corte analisa o tema há quase três meses, após realizar uma audiência acelerada a pedido do governo, que alegou urgência por se tratar de um pilar central da agenda econômica de Trump.
Apesar do rito inicial célere, o julgamento segue sem data definida para conclusão, em um prazo que, segundo especialistas, se aproxima do padrão histórico da instituição e pode refletir divergências internas ou a elaboração de votos dissidentes.
Enquanto o Supremo delibera, Trump mantém o discurso de defesa das tarifas e volta a sugerir que poderia ampliar o alcance das medidas, reforçando a pressão política em torno do julgamento.
O caso envolve questões sensíveis de separação de poderes e pode estabelecer limites à autoridade do Executivo para impor tarifas de forma unilateral.
Durante a reunião de gabinete, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que cerca de um milhão de pessoas já se inscreveram nas chamadas “Trump Accounts”, projeto do governo voltado à criação de contas individuais com incentivos fiscais para famílias americanas. Segundo Bessent, a iniciativa busca aproximar o mercado financeiro da economia real.
Bessent também avaliou que 2026 será um ano de crescimento “impulsionado pela oferta” nos EUA e disse que os principais indicadores de inflação “mostram tendência de queda”, em linha com a narrativa da Casa Branca de que a política econômica atual cria espaço para expansão sem pressões inflacionárias significativas.
IstoÉ Dinheiro - SP 30/01/2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira, 29, que a esperada trajetória de queda na taxa básica de juros deve levar o indicador da dívida pública para uma patamar “razoável”. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, por decisão unânime. O colegiado indicou, contudo, que deve começar o processo de corte na próxima reunião, em março.
Em entrevista ao portal Metrópoles, o ministro ponderou que a taxa de juros atual está em patamar “incompatível com a estabilidade da dívida”.
Pelo último balanço, a dívida bruta do Governo Geral subiu para 79% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro passado. Em outubro, ela estava em 78,4%.
Pesou nesse aumento os juros nominais apropriados, as emissões líquidas de dívida e a variação do PIB nominal.
Haddad negou que esse crescimento tenha sido causado pelo déficit primário, ao mencionar que houve redução exponencial nesse parâmetro entre despesas e receitas na atual gestão.
“Se o aumento da dívida tivesse a ver com déficit primário, em 2020 teria explodido, quando foi gasto 25% do PIB para combater a pandemia e morreram 700 mil pessoas porque não sabiam o que fazer com o dinheiro”, declarou em críticas ao governo anterior.
O Estado de S.Paulo - SP 30/01/2026
A superquarta terminou com juros altos impactando o crescimento econômico no Brasil e nos EUA. Nos EUA, o Fed manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%, afirmando sua independência de Trump. No Brasil, a taxa de 15% foi justificada pela insegurança fiscal, agravada pelo interesse eleitoral de Lula. A inflação deve superar a meta de 3%, com projeções de 4% até dezembro. O crescimento econômico é estimado em 2%, mas a falta de planejamento e investimento pode tornar o cenário menos seguro, especialmente em ano eleitoral.
A superquarta terminou com juros altos ainda prejudicando o crescimento econômico no Brasil e nos Estados Unidos. Em Washington, a interrupção do corte da taxa básica serviu, no mínimo, para o presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, afirmar sua independência em relação ao chefe de governo, Donald Trump.
Evitando um conflito mais ostensivo, o líder do Fed, Jerome Powell, manteve a taxa no intervalo de 3,5% a 3,75%, embora pudesse, tecnicamente, promover uma redução de pelo menos 0,25 ponto.
No Brasil, onde o presidente Lula tem evitado pressionar ostensivamente os chefes do BC, os dirigentes da política monetária apontaram a insegurança fiscal para justificar a sustentação da taxa de 15% ao ano.
A insegurança fiscal, isto é, referente às contas públicas, é agravada no Brasil pelo interesse eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Esse interesse inclui, naturalmente, o fortalecimento de sua base partidária, com maior presença no Congresso e nos governos estaduais, de representantes do PT e de grupos aliados.
Sem a vigilância próxima e diária de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, a proteção do Tesouro contra os efeitos dessa disputa poderá ficar bem mais complicada. Embora indicado e prestigiado pelo próprio Haddad, seu substituto poderá ter enormes dificuldades para conter desarranjos nas finanças federais.
A inflação continuará neste ano bem acima do centro da meta, 3%, se as projeções do mercado estiverem bem fundadas. Segundo essas projeções, os preços ao consumidor subirão cerca de 4%, provavelmente pouco mais, até dezembro.
Se o presidente usar a gastança e a distribuição de benefícios fiscais como instrumentos de campanha, o resultado poderá ser bem pior. Parte dos efeitos será perceptível em efeitos inflacionários nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, especialistas do mercado estimam crescimento econômico próximo de 2% neste ano e nos próximos. A evolução do emprego foi positiva no ano passado. A desocupação tem estado em níveis historicamente baixos, pouco acima de 5,% da força de trabalho.
Essa mudança tem sido em grande parte atribuída à expansão do trabalho por conta própria. Positiva no curto prazo, essa evolução pode indicar, no entanto, insegurança num período mais longo, se os trabalhadores, por incapacidade ou falta de previsão, descuidarem das condições de sobrevivência em momentos mais difíceis ou a partir da maturidade.
Se essas condições se complicarem, mais famílias passarão a depender dos serviços de segurança social, com perda talvez significativa de condições de vida.
Ainda positivo neste momento, o cenário econômico poderá tornar-se bem menos seguro — e menos previsível — com qualquer agravamento das condições internas ou internacionais.
O planejamento governamental continua escasso, assim como o investimento necessário à elevação e até à sustentação das condições de modernização e de expansão produtivas. Confundir essas condições com a mera gastança pode ser um erro desastroso, mas o risco desse erro tende a aumentar em períodos de eleição.
Jornal de Brasília - DF 30/01/2026
Com a manutenção da Selic, a taxa básica de juros da economia, em 15% ao ano, a taxa real, aquela que inclui na conta a expectativa da inflação nos próximos 12 meses, se mantém em cerca de 10,6%. Trata-se do patamar mais elevado desde maio de 2006, quando era 10,7%.
Os juros reais passaram 20 anos abaixo de 10% e só voltaram a ultrapassar esse patamar em julho do ano passado, quando a Selic chegou a 15%. Desde então, as expectativas de inflação começaram a diminuir (no último boletim Focus, a mediana é de 4% neste ano), o que eleva a taxa real.
O cenário de maio de 2006 tinha algumas semelhanças com o atual: a Selic estava em 15,25%, e a expectativa de inflação, em 4,1%.
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa em 15% pela quinta vez. A escolha foi unânime entre os diretores.
Bernardo Carvalho, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e colunista da Folha, afirma que no passado o patamar alto da taxa real era em torno de 7%, e que o patamar de 10% não é comum para os últimos anos da economia brasileira.
Carvalho afirma que os mecanismos de transmissão dos instrumentos da política monetária no Brasil são menos eficazes do que em outros países por dois motivos. Um deles é que aqui há muitas linhas de crédito direcionadas —por exemplo, habitação é financiada pela taxa da poupança, e empresas têm acesso a crédito do BNDES—, o que diminui o total de tomadores de recursos livres.
Mesmo quem não consegue linha especial não é tão afetado pela Selic, pois o spread bancário (diferença entre juros pagos pelos bancos ao captar recursos) costuma ser muito alto, e um aumento na taxa básica é pouco relevante se comparado ao patamar de juros do mercado.
Por isso, para que a política monetária tenha eficácia, o Banco Central precisa “dar uma porrada” nos juros, diz.
O economista também atribui os aumentos recentes ao medo do BC de perder credibilidade durante a transição de comando entre Roberto Campos Neto e Gabriel Galípolo.
Quando o último assumiu a presidência, havia expectativas –que Carvalho classifica como “completamente erradas”– de que ele afrouxaria a política monetária. Diante do risco de as expectativas de inflação “destrambelharem”, o BC optou sucessivas vezes por elevar os juros em um ponto percentual, num movimento que Carvalho diz considerar excessivo.
O economista Ailton Braga, que é assessor técnico do Senado e já foi analista do BC, afirma que mesmo com a alta das taxas de juros reais, o gasto público primário de União, estados e municípios cresceu a um ritmo de 7% ao ano entre 2022 e 2024, e que esse impulso fiscal aumenta o consumo das famílias.
Ele diz que o mercado de crédito costuma ampliar a oferta quando há aumento de renda disponível, o que também dá impulso ao consumo.
A professora do Insper Juliana Inhasz diz que o ponto central da manutenção dos juros nominais e consequente alta dos juros reais é a inflação de serviços, que ainda é um ponto de grande preocupação.
“A alta de preços de serviços é resistente, ainda há expectativas desancoradas e o fiscal é um elemento de bastante transtorno”, afirma ela.
O Estado de S.Paulo - SP 30/01/2026
Durante décadas, a dívida esmagadora espalhou miséria nas nações pobres e de baixa renda do mundo. Mas a ameaça de empréstimos insustentáveis que agora paira sobre a economia global emana de alguns dos países mais ricos.
A dívida recorde ou quase recorde nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Itália e Japão ameaça prejudicar o crescimento e semear a instabilidade financeira em todo o mundo.
No âmbito doméstico, isso significa que os países devem pagar juros com dinheiro que, de outra forma, poderia ter sido usado para financiar saúde, estradas, habitação pública, avanços tecnológicos ou educação.
A ânsia por mais e mais empréstimos também elevou os custos dos financiamentos, consumindo uma parcela maior do dinheiro dos contribuintes. Isso também pode elevar as taxas de empréstimos comerciais, ao consumidor e para compra de automóveis, bem como hipotecas e cartões de crédito, além de impulsionar a inflação.
E talvez o problema mais preocupante seja que a dívida que permanece - inflada mesmo quando a economia está relativamente sólida e as taxas de desemprego são baixas, como nos Estados Unidos - dá aos governos menos espaço para reagir quando as coisas pioram.
“Você quer poder gastar muito e gastar rápido quando precisar”, disse Kenneth Rogoff, professor de economia da Universidade de Harvard.
O que acontece se houver uma crise financeira, uma pandemia ou uma guerra? E se houver uma necessidade repentina de mais gastos com serviços sociais e auxílio-desemprego por conta de mudanças causadas pela inteligência artificial ou desastres relacionados ao clima?
Emprestar muito dinheiro rapidamente se torna mais difícil - e caro - quando a dívida nacional já está altíssima.
No Fórum Econômico Mundial em Davos na semana passada, o presidente Donald Trump comandou o centro do palco, mas, nos bastidores, os ministros das finanças se preocupavam com sua capacidade de financiar uma lista crescente de itens indispensáveis, desde Forças Armadas reforçadas até redes elétricas modernizadas.
Os empréstimos governamentais quando a economia está forte e as taxas de juros estão baixas podem apoiar o crescimento e, em tempos de crise, ajudar a impulsionar os gastos. O ciclo de empréstimos superaquecidos começou com a crise financeira e a recessão de 2008, quando os governos se apressaram em fornecer assistência às famílias em dificuldades e as receitas fiscais caíram. Os programas de ajuda durante a pandemia da covid-19, com o fechamento das economias e a disparada dos custos com saúde, elevaram ainda mais os níveis de endividamento, à medida que as taxas de juros subiam.
Mas os níveis de endividamento não diminuíram depois disso. E agora, em seis dos países ricos do Grupo dos 7 (G-7), a dívida nacional é igual ou superior à produção econômica anual do país, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.
Cada vez mais países estão sendo pressionados pela demografia e pelo crescimento lento. Na Europa, Grã-Bretanha e Japão, o envelhecimento da população elevou os custos dos cuidados com saúde e das pensões do governo, ao mesmo tempo em que o número de trabalhadores que fornecem a receita tributária necessária para bancar esses gastos diminuiu.
A necessidade de reconstruir a infraestrutura e investir em tecnologia avançada em muitas regiões também é urgente. Um estudo solicitado pelo braço executivo da União Europeia concluiu que o bloco de 27 membros precisava gastar US$ 900 bilhões adicionais em itens como inteligência artificial, uma rede de energia compartilhada, supercomputação e treinamento avançado de trabalhadores para competir de forma eficaz.
Na Grã-Bretanha, haverá um custo de pelo menos 300 bilhões de libras (US$ 410 bilhões) para modernizar a infraestrutura na próxima década, de acordo com o Future Governance Forum, um centro de estudos de Londres. Serão necessários mais bilhões para revitalizar seu vacilante Serviço Nacional de Saúde.
Os esforços para reduzir os gastos públicos na Itália, onde a dívida equivale a 138% do produto interno bruto, cortando gastos com saúde, educação e serviços públicos, ou na França, aumentando a idade de aposentadoria, provocaram protestos veementes.
A França, que está politicamente paralisada há meses devido ao orçamento, viu sua classificação de dívida soberana rebaixada no outono passado, levantando questões sobre a estabilidade financeira do país.
Enquanto isso, o mundo se tornou mais perigoso. As tensões entre a China e os Estados Unidos se intensificaram. A Europa está ameaçada por uma Rússia cada vez mais agressiva e um presidente americano beligerante.
A maioria dos países respondeu apoiando significativamente a Ucrânia com bilhões de dólares e aumentando os gastos militares. Os membros da aliança do Atlântico Norte (a Otan) concordaram em dedicar eventualmente 5% de seu produto interno bruto à defesa. O Japão também está aumentando substancialmente seu orçamento militar.
A dívida japonesa já é impressionante. Ela equivale a mais do que o dobro da produção econômica anual do país.
E a perspectiva de um buraco ainda mais profundo aumentou na semana passada, quando a primeira-ministra Sanae Takaichi convocou repentinamente eleições antecipadas. Tanto o Partido Liberal Democrata, de Takaichi, quanto os partidos da oposição prometem aumentar os gastos e reduzir os impostos.
Takaichi, por exemplo, propôs a suspensão do imposto sobre o consumo de alimentos e bebidas não alcoólicas, uma medida que, segundo estimativas do Ministério das Finanças, custaria mais de US$ 30 bilhões por ano.
Durante décadas, o Japão conseguiu financiar seus gastos por meio de taxas de juros baixíssimas que minimizavam os custos dos empréstimos. O Banco do Japão começou a reverter sua política de longa data de taxas de juros ultrabaixas em 2024.
Ele está agindo lentamente por conta dos temores de instabilidade financeira, disse Rogoff. O Japão “encheu de dívidas todos os setores financeiros - fundos de pensão, seguradoras, bancos. E há pressões inflacionárias”, disse.
A combinação de taxas de juros baixas e inflação elevada prejudica particularmente as famílias de renda média e baixa, que veem o valor de suas economias se deteriorar.
O anúncio de Takaichi abalou os investidores. Os detentores de títulos começaram rapidamente a vendê-los e os rendimentos dos títulos - juros que os governos pagam quando tomam dinheiro emprestado - dispararam.
A inquietação se espalhou para outros mercados financeiros. Os investidores japoneses são historicamente os maiores detentores estrangeiros de títulos do Tesouro dos EUA. Mas os retornos mais altos dos títulos japoneses podem levá-los a reduzir suas compras de dívida americana para aproveitar os rendimentos maiores em seu país.
Na semana passada, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos subiu para o nível mais alto desde agosto.
A turbulência despertou o alarme entre alguns investidores. Ken Griffin, CEO da gigante de fundos de hedge Citadel, caracterizou o cenário como um “aviso explícito” a outras nações altamente endividadas, como os Estados Unidos, observando que nem mesmo a maior e mais forte economia do mundo está imune aos riscos.
A confiança na credibilidade dos EUA vacilou brevemente em abril, quando a série de reviravoltas de Trump em relação às tarifas causou um aumento repentino nos rendimentos dos títulos do Tesouro.
Os títulos americanos continuam sendo um porto seguro em um mundo arriscado. Ainda assim, as políticas econômicas erráticas e as guerras comerciais do presidente Trump são uma das razões pelas quais a dívida atual é diferente de qualquer outro episódio na história americana, disse William G. Gale, autor de Fiscal Therapy: Curing America’s Debt Addiction and Investing in the Future (Terapia fiscal: curando o vício em dívidas dos Estados Unidos e investindo no futuro).
A dívida nacional dos EUA é agora de US$ 38 trilhões, ou cerca de 125% do PIB americano.
Trump vem prometendo pagamentos a agricultores, contribuintes e detentores de títulos com uma quantia limitada de dinheiro. Analistas esperam que as eleições de meio de mandato levem a Casa Branca a gastar ainda mais livremente no próximo ano.
Este mês, Trump prometeu aumentar ainda mais os gastos militares para US$ 1,5 trilhão no próximo ano fiscal, o que, segundo cálculos do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, acrescentaria US$ 5,8 trilhões à dívida nacional, incluindo juros, ao longo de 10 anos.
Os pagamentos líquidos de juros triplicaram nos últimos cinco anos, atingindo cerca de US$ 1 trilhão. Eles agora consomem 15% dos gastos dos EUA, a segunda maior despesa depois da Previdência Social.
Gale, que recentemente foi coautor de um estudo sobre a dívida dos EUA, alertou que a perspectiva contínua de aumento da dívida ameaça o papel do país como líder econômico e mina a confiança dos investidores nos títulos do Tesouro e no dólar.
Isso também aumenta o fardo para os filhos e netos desta geração. Como explicou Gale, “quanto mais você consome agora, menos você pode consumir mais tarde”.
Monitor Digital - RJ 30/01/2026
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação do aluguel”, começou 2026 com alta de 0,41%. O resultado volta ao campo positivo depois de ter apresentado queda de 0,01% em dezembro.
No entanto, no acumulado de 12 meses, o indicador recua 0,91%, marcando o terceiro mês seguido de retração nas janelas de um ano. Em janeiro de 2025, quando o IGP-M subiu 0,27%, o acumulado chegava a 6,75%.
Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Os pesquisadores levam em conta três componentes para apurar o IGP-M. O de maior peso é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação sentida pelos produtores e responde por 60% do IGP-M cheio.
Em janeiro, o IPA subiu 0,34%, puxado principalmente pelas altas do minério de ferro (4,47%), carne bovina (1,37%) e tomate (29,5%).
Outro componente do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador. Em janeiro, o IPC subiu 0,51%. As maiores pressões de alta no bolso das famílias vieram do curso de ensino fundamental (3,83%), curso de ensino superior (3,13%) e gasolina (1,02%).
O terceiro componente medido pela FGV é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que ficou 0,63% no mês. Dentro do INCC, o item materiais, equipamentos e serviços subiu 0,34%; e a mão de obra, 1,03%.
Apesar de ser conhecido como a inflação do aluguel, o IGP-M acumulado negativo não é certeza de que os aluguéis serão reajustados para baixo. Isso acontece porque alguns contratos incluem a expressão “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”, o que faz, na prática, que só haja reajuste se o índice for positivo.
Para chegar ao IGP-M do mês, a FGV faz coleta de preços em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período de levantamento foi de 21 de dezembro de 2025 a 20 de janeiro.
Dados mostram que economia ainda convive com pressões da cadeia produtiva, diz analista
“Os dados do IGP-M de janeiro, com alta de 0,41%, mostram que a economia ainda convive com pressões relevantes ao longo da cadeia produtiva, especialmente no atacado. Esse movimento indica que, apesar de algum arrefecimento em partes do consumo, os custos seguem elevados e continuam sendo um ponto de atenção para a formação de preços nos próximos meses.”
A avaliação é de André Matos, CEO da MA7 Negócios, para quem “os setores mais sensíveis à inflação tendem a sentir esse impacto de forma mais direta. Construção civil, imobiliário, energia, logística e segmentos industriais dependentes de insumos importados ou commodities são os mais expostos.”
“Empresas com menor poder de repasse podem ver margens comprimidas, enquanto contratos indexados ao IGP-M seguem pressionando custos operacionais. O mercado deve reagir de forma cautelosa, reforçando a leitura de que o ciclo de desinflação será mais lento do que o desejado. Para o investidor, a postura ideal é seletiva, priorizando ativos com geração de caixa mais previsível, proteção contra inflação e menor dependência de crédito barato. O momento exige disciplina, não euforia”, conclui.
O Estado de S.Paulo - SP 30/01/2026
Sem surpresas, o Banco Central (BC) anunciou a manutenção dos juros em 15% ao ano nesta semana. Mas, para aplacar a ânsia do mercado pela redução da Selic, voltou a adotar o chamado forward guidance, ferramenta de política monetária por meio da qual o BC antecipa suas intenções futuras, e indicou que começará a cortar as taxas na próxima reunião, marcada para março.
Com dois diretores a menos, o Comitê de Política Monetária (Copom) tomou a decisão de maneira unânime, mas é improvável que um quórum completo faria diferença. A atividade econômica desacelerou e o mercado de trabalho continua forte, mas a prévia da inflação de janeiro veio mais baixa do que se imaginava. Já a projeção para o IPCA no horizonte relevante que guia as decisões do colegiado, ou seja, daqui a 18 meses, no terceiro trimestre de 2027, está em 3,2% – acima do centro da meta, de 3%, mas bem perto dela.
Esse cenário leva em conta um câmbio a R$ 5,35. Mas a desvalorização do dólar, motivada pelas ciclotímicas decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tanto nas searas econômica e comercial quanto no cenário geopolítico, é um movimento mundial que vem se acentuando nos últimos meses e tem impacto relevante na inflação do País.
Janeiro ainda nem terminou, mas os estrangeiros, em menos de 30 dias, já injetaram na bolsa de valores brasileira mais da metade dos recursos que haviam aplicado ao longo de todo o ano passado na B3. Assim, o dólar chegou à menor cotação desde maio de 2024 e já há quem enxergue a possibilidade de o câmbio cair a R$ 5,00.
O diferencial entre as taxas de juro brasileira e norte-americana, hoje no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, certamente é um atrativo e tanto para os investidores, mas é inegável que o Brasil, em termos relativos, está bem posicionado perante seus pares emergentes. O desempenho do agronegócio e a ampla oferta de energia limpa se somam ao recuo dos EUA no tarifaço e ao fechamento do acordo entre Mercosul e União Europeia, depois de décadas de letargia nas negociações.
Tudo isso animou o mercado financeiro, que já torcia por juros mais baixos em janeiro e, agora, vê espaço até para cortes mais ambiciosos em março, muito embora o Banco Central tenha deixado o cenário em aberto, a depender da evolução dos indicadores econômicos nas próximas semanas. A ata da reunião, a ser divulgada na semana que vem, será aguardada com muita ansiedade.
Se há dúvidas sobre o tamanho do corte, o certo é que o comunicado garante que ele não será único, mas parte de um ciclo de queda cujo ritmo e manutenção ainda não foram definidos. Com juros em queda nos próximos meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá motivos de sobra para explorar o tema em sua campanha à reeleição, ainda que não tenha feito nada para ajudar.
Não fosse a política fiscal expansionista adotada por seu governo desde o primeiro dia, o Banco Central não teria elevado os juros a 15% ao ano, maior nível desde 2006, nem mantido a Selic nesse patamar por tantos meses. Mas esse mea culpa Lula jamais fará.
O Estado de S.Paulo - SP 30/01/2026
Ex-diretor do Banco Central (BC), o economista Bruno Serra entende que as condições para o corte de juros já estão muito claras e considera “totalmente normal” a sinalização dada na quarta-feira, 28, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de que a Selic deve começar a cair na próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 17 e 18 de março.
“O cenário estava muito claro para começar um ciclo de easing (afrouxamento)”, disse Bruno Serra ao concordar, em entrevista ao Estadão/Broadcast, com o recado do Copom. Gestor da família de fundos Itaú Janeiro, dentro da Itaú Asset Management, Bruno Serra observa que a inflação está evoluindo melhor do que as projeções do BC sugerem. O cenário de referência do BC manteve o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 3,2% — acima, portanto, da meta de 3% — no horizonte relevante da política monetária, agora o terceiro trimestre de 2027.
“Alguma coisa está fora do lugar, e claramente, para mim, é a Selic”, diz o gestor, que ocupou a cadeira de diretor de política monetária do BC em 32 reuniões do Copom. Para ele, elevar a Selic a 15% foi necessário, mas a situação mudou e não requer mais esse nível de juros. “O Banco Central só sinalizou isso.” A seguir, os principais trechos da entrevista.
Desta vez, o Copom foi muito mais explícito na sinalização sobre a reunião seguinte do que o mercado em geral esperava. Pode ser uma guinada a uma comunicação mais dovish (de alívio)?
Não acho, e discordo da avaliação de que o (Gabriel) Galípolo (presidente do BC) adotou a postura de não comunicar o que vem pela frente. Ele comunicou quando achava que devia. Quando precisou mudar a Selic de nível, porque a aceleração da demanda era muito forte, com as expectativas de inflação desancorando, ele reagiu. Entregou um ciclo alto, forte e rápido de juros. Depois, houve um período em que, de fato, não tinha muito o que comunicar. E o mercado entendeu como se fosse uma preferência desse Banco Central em não comunicar o futuro nunca. Ele nunca disse isso. Comunica quando precisa. O cenário estava muito claro para começar um ciclo de easing (afrouxamento). O próprio presidente Galípolo falou que tinham dois grupos (dentro do Copom) discutindo. Muitos achavam que tinha que cortar em janeiro; outros, que tinha de cortar em março. Demonstrou um conforto de que a discussão estava entre janeiro e março. E o mercado também. Tanto que, mesmo sem sinalização nenhuma, o mercado atribuía 30% de chance de corte ontem (quarta-feira, 28). Não cortou. Decidiu, como fez no ciclo de alta, sinalizar o início da redução de juros para a reunião de março. Totalmente normal, dentro do esperado, inclusive pelo mercado.
Se o diagnóstico econômico do Copom não mudou muito, inclusive com a projeção de inflação ainda um pouco acima da meta de 3%, as sinalizações sobre os próximos passos não deveriam ser mais sutis?
Desde o meu tempo no Banco Central, 0,20 para um lado ou para o outro (nas projeções de inflação) tem sido classificado como ‘ao redor da meta’. Essa preciosidade de 3% não serve muito bem. Está ali ao redor da meta. Já estava na reunião passada. O Banco Central teve uma surpresa de 0,10% para baixo na inflação de dezembro. Nas nossas projeções — que, diria, estão mais próximas do consenso de mercado —, vai ter mais uma surpresa entre 0,20% e 0,25% no primeiro trimestre deste ano. O cenário está evoluindo melhor do que o Banco Central esperava. O câmbio está rodando agora por volta de R$ 5,20, sendo que o Copom usou R$ 5,35 nas projeções no cenário de referência. Tem também uma questão técnica: o índice de commodities que o Banco Central usa engloba algumas commodities com efeito muito secundário na cadeia para a inflação. Ouro e prata, por exemplo, são commodities que não têm impacto direto na inflação (ao consumidor) e estão subindo por razão geopolítica. Então, fazendo uma avaliação qualitativa, a inflação parece melhor do que a projeção sugere.
Qual é a sua expectativa para a trajetória da inflação?
Em março, no mês em que o Banco Central deve iniciar o ciclo de corte, a inflação corrente vai estar rodando a 3,2% em 12 meses. E na nossa conta, fica de 3,2% para baixo até o fim de outubro. Em novembro e dezembro, deve ter uma subida, voltando para 3,5%. Mas essa alta também é questionável. Estou mais confiante de que a inflação vai ficar abaixo de 3,20% até outubro do que em relação a esse repique no fim do ano. Vamos ter um período longo de inflação ao redor da meta, com a Selic a 15%. Alguma coisa está fora do lugar, e claramente, para mim, é a Selic. Foi uma Selic necessária em uma situação muito específica, na transição do Banco Central, com um consumo rodando a mais de 5% por três trimestres. Agora, esse cenário virou. Ainda que recupere um pouco com a isenção do imposto de renda (a salários de até R$ 5 mil), o consumo vai para 1,5%, alguma coisa assim. É um ambiente bem diferente, um ambiente que não requer mais juros de 15%. O Banco Central só sinalizou isso.
A mudança no comunicado aconteceu na primeira reunião do Copom sem a presença de diretores do BC indicados pelo governo anterior. Isso pode reacender questionamentos sobre o compromisso do BC com a meta de inflação?
Não acho. O Banco Central, na gestão do Galípolo, colocou o juro em 15%. Foi o maior juro em 20 anos. O cenário evoluiu de um jeito que permitiu chegar a esse ponto de sinalizar o corte. O consenso de mercado já esperava um corte de 0,5 ponto porcentual em março. O Banco Central só sinalizou o que o mercado esperava.
O sr. vinha trabalhando com a perspectiva de um ciclo que levaria a Selic para, talvez, abaixo de 11%. O comunicado de ontem (quarta-feira) mudou ou reforçou a sua convicção nesse cenário de Selic em torno de 11%?
Um destaque importante do comunicado foi que o BC usou a palavra ‘serenidade’ para falar do ritmo e magnitude do ciclo, que vai ser consistente com o centro da meta. Se quisesse sinalizar 0,25 ponto porcentual, poderia ter usado as palavras típicas que sugerem 0,25: ‘parcimônia’, ‘gradual’, até ‘cautela’. Não usou as palavras típicas, usou ‘serenidade’, que é uma palavra mais empregada num contexto de ciclo total, de postura do Banco Central, tem uma sinalização menos explícita de 0,25 do que as outras. Escolheu essa palavra certamente após refletir bastante. O Copom sinalizou um ciclo de juros alinhado com o Focus (relatório do BC com previsões de mercado), que é de 0,50 ponto porcentual em março. Esse é o meu diagnóstico da comunicação. Eu trabalho com corte de 4 pontos porcentuais ao longo deste ano. Partindo do maior juro nominal em mais de 20 anos, do maior juro real em mais de 25 anos, espero que venham cortes acima de 0,50, e vai ser no início do ciclo, provavelmente em abril ou junho. Acho que corta 0,75 (em duas reuniões) para entregar esses meus 11%. E acho que o risco é entregar juros mais baixos que isso. Tenho um cenário benigno para a inflação e de moderação da atividade.
Seria um ciclo contínuo, sem pausas, até dezembro?
Provavelmente se estende no início do ano que vem. Mas tenho batido muito nos 11% no fim deste ano, começando com corte de 0,50 em março, depois dois de 0,75, voltando na sequência para 0,50 até chegar aos 11% (ainda em 2026). Mas acho que a tendência é cortar um pouco mais, e parar mais perto de 10% do que de 11%.
Durante a conferência do UBS na terça-feira, o sr. disse que as eleições têm uma influência menor do que as pessoas imaginam nas decisões sobre juros. Mas se a eleição for muito disputada, como muitos analistas projetam, levando a promessas de mais gastos públicos, o Copom vai reagir?
Vai reagir se a incerteza eleitoral impactar o câmbio. O pano de fundo do cenário externo está extremamente benigno. Temos visto o dólar perder valor, e os metais, commodities exportadas pelo Brasil, subindo de preço. É um ambiente benigno para a moeda brasileira. Depois da eleição, o que vai fazer preço será a direção que o presidente eleito, seja lá quem for, vai dar sobre a política fiscal. Se o cenário pós-eleitoral for de uma contenção fiscal mais dura, o juro vai pra 8%, não vai parar em 10%, muito menos em 11%. Se o cenário for de expansão fiscal logo no início do mandato de quem for, o juro, ao invés de 11%, talvez tenha de voltar para 12%, ou pare nos 11%, sem mais espaço para cortar. De qualquer maneira, o cenário que vejo pela frente como o mais provável é de um ciclo eleitoral normal, no qual qualquer presidente recém-eleito terá cautela no início do mandato. No ciclo passado não foi assim. O presidente Lula começou com uma expansão de gastos muito significativa. Isso fez diferença e atrapalhou a política monetária no início do mandato. Mas o normal é um ciclo político de contenção dos gastos no início do mandato.
Então, dá para imaginar a Selic em um dígito?
Acho que dá. Precisa haver uma moderação da atividade, o PIB (Produto Interno Bruto) caminhar para (um crescimento) mais perto de 1%. O mercado hoje prevê 1,8% (de crescimento em 2026). Na parte cíclica — existem algumas métricas sobre isso —, o PIB já está rodando mais para 1,5%. Se ficar mais perto de 1% do que de 1,8%, estaremos discutindo Selic entre 8,5% e 9,5%. Hoje, esse cenário ainda não está dado. Hoje, é um cenário de Selic entre 10% e 11% no início de 2027. É o que consigo enxergar facilmente. Se vai ser 9,5% ou 8,5%, vai depender de a atividade moderar um pouco mais. Acho que a direção é essa, mas é algo que ainda não está colocado para este ano.
Vai depender também do regime fiscal a ser adotado a partir de 2027? Seria uma condição?
Se houver uma mudança do regime fiscal na direção de contenção de gastos, a Selic de equilíbrio vai ficar perto de 8%. As expectativas (de inflação) só estão desancoradas pela percepção de que o regime fiscal atual não é sustentável. Se o regime fiscal for ajustado, essas expectativas ancoram em 3%. Sem a expansão fiscal vista nos últimos anos, o Brasil vai precisar de uma política monetária estimulativa, com Selic de 8% para baixo, não para cima. Vai ficar de 8% para 7%, para 6,5%, como foi ali no final do governo Temer, em boa parte do governo Bolsonaro, no pré-pandemia, quando o teto de gasto estava funcionando. Para uma Selic de 11%, só é preciso que o Banco Central devolva um pedaço do choque (de juros) que aconteceu por conta da desancoragem das expectativas de inflação e da aceleração de demanda entre 2023 e 2024. Para uma Selic perto de 9,5%, será necessária uma desaceleração da atividade. Consigo ver muito facilmente a opinião do mercado mudando para uma Selic de 9,5% mesmo sem mudança de regime fiscal. A mudança de regime fiscal vai consolidar uma Selic estruturalmente em um dígito. Seria maravilhoso, mas não é uma coisa que eu esteja discutindo hoje. Acho que a gente precisa ver o resultado da eleição e a direção do novo mandatário pós-eleição para poder imaginar isso.
O sr. vê mais espaço para queda do dólar após a pausa nos cortes de juros pelo Federal Reserve?
O câmbio já surpreendeu em vários momentos, tanto para cima quanto para baixo, nos últimos anos. Prefiro ser cauteloso em dar um call (prognóstico) de câmbio. Estou bem focado no impacto desse câmbio de R$ 5,20 no ciclo de juros. Acho que já é suficiente para esse cenário de juros discutido aqui. O ambiente externo, por ora, é benigno para as moedas de países emergentes. Não é só o real que está indo bem. Na verdade, quando eu olho para o todo, o real foi até bem pior do que os pares nos últimos anos, já que o nosso cenário fiscal não é bom. Mas, num contexto global benigno a moedas emergentes, o real acaba não atrapalhando a condução da política monetária. Na margem, tem até ajudado.
Diário do Comércio - MG 30/01/2026
O governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), aplicou multas que totalizam R$ 1,7 milhão à mineradora Vale pelos incidentes ocorridos em Congonhas e Ouro Preto no último domingo (25). O Executivo estadual também confirmou o rompimento de uma leira de contenção na cava da mina Fábrica, em Ouro Preto, na região Central do Estado.
Do total a ser pago pela empresa, o superintendente de Fiscalização Ambiental da Semad, Gustavo Endrigo, detalha que R$ 1,3 milhão está atrelado ao ocorrido na mina em Ouro Preto, e outros R$ 400 mil ao extravasamento de água na mina Viga, em Congonhas, também na região Central de Minas. As operações da mineradora nas duas minas seguem suspensas.
No caso da mina Fábrica, Endrigo relata que foram aplicadas duas autuações por poluição ambiental, agravada pelo atingimento de propriedade de terceiros, e por deixar de comunicar a ocorrência ao órgão ambiental. “A Vale não nos noticiou sobre este evento. As duas autuações somadas totalizam R$ 1,3 milhão neste caso”, diz.
O fluxo de água desse primeiro vazamento atingiu áreas da unidade Pires, de propriedade da CSN Mineração, chegando a alagar almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque e outros pontos operacionais. Na ocasião, a Prefeitura de Congonhas informou que não houve impactos às pessoas nem às comunidades da região.
Além disso, mais de 200 mil metros cúbicos (m³) de água deixaram a área da mina, transportando sedimentos ao longo do percurso e alcançando os rios Goiabeiras e Maranhão, afluente do rio Paraopeba.
Foi esse extravasamento de água que o governo de Minas definiu como rompimento na estrutura, em coletiva realizada nesta quinta-feira (29).
Quanto ao ocorrido em Congonhas, a equipe do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA), da Semad, observou o escorregamento de um talude natural, que atingiu 22 sumps (espécie de reservatório localizado no fundo da cava de uma mina), que se romperam. Por esse incidente, a Vale foi multada em R$ 400 mil.
Endrigo ressalta que o órgão também determinou, em ambos os casos, a adoção de medidas para limpeza das áreas atingidas e o monitoramento do entorno, além da elaboração de um plano de recuperação ambiental e de um relatório descrevendo as motivações e as consequências do ocorrido.
“As medidas imediatas determinadas são o início da limpeza. Em até dois dias, eles deverão apresentar esse plano e o cronograma dessas atividades e, em até dez dias, o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad), que possui prazo maior por ser mais detalhado”, acrescenta.
O superintendente pontua que a Vale chegou a comunicar os órgãos responsáveis sobre a evolução dessas medidas. Segundo ele, a mineradora afirma ter desassoreado quatro dos 22 sumps atingidos.
O subsecretário de Fiscalização Ambiental da Semad, Alexandre Leal, ressalta a atuação dos órgãos estaduais nas ações de identificação e dimensionamento dos danos ambientais e no estabelecimento de medidas necessárias para a segurança da população. “Todos os danos ambientais identificados e dimensionados serão reparados pelos responsáveis, conforme a legislação vigente”, afirma.
A equipe do NEA determinou a suspensão cautelar da deposição de rejeitos na cava da mina Fábrica até que a mineradora possa garantir as condições ideais de segurança e controle ambiental. Leal ressalta que a determinação se estende a toda a operação da mina Viga.
Procurada pela reportagem, a Vale ainda não se manifestou.
Cronologia dos incidentes
A primeira ocorrência foi o rompimento da leira de contenção na cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto, na madrugada do último domingo (25). O fluxo de água também atingiu áreas da unidade Pires, da CSN Mineração, e chegou ao rio Maranhão.
Já na tarde do domingo (25), outro incidente ocorreu na mina Viga, em Congonhas, também com impacto no rio Maranhão. Devido a esses dois extravasamentos, a prefeitura determinou a suspensão dos alvarás municipais vigentes até que a Vale implemente e comprove as medidas necessárias à eliminação ou ao controle adequado dos riscos identificados.
Além desses dois casos, houve um terceiro incidente, desta vez envolvendo a CSN Mineração. A Prefeitura de Congonhas divulgou, na quarta-feira (28), que escoamentos de resíduos a partir do Dique do Fraille, na Mina Casa de Pedra, em Congonhas, de propriedade da CSN, atingiram o rio Santo Antônio, que deságua no rio Maranhão.
O carreamento de resíduos foi causado por enxurradas decorrentes de falhas nos sistemas de drenagem das vias internas da mineradora.
O local é considerado um dos maiores complexos mineradores a céu aberto do Brasil. A situação levou a prefeitura a exigir adequações estruturais para ampliar a capacidade de suporte ao volume de material e reduzir riscos de extravasamento.
Sobre esse incidente, a CSN informou, na ocasião, que “a manifestação da própria Prefeitura confirma que não houve qualquer extravasamento, transbordamento, rompimento ou anormalidade em estruturas de barragem ou de contenção de sedimentos da companhia” e afirmou que o material está relacionado exclusivamente à drenagem de estradas de terra e acessos da região, além do eventual transporte de galhos provocado pelas chuvas intensas, sem relação com barragens ou com atividades operacionais.
Procurada novamente nesta quinta-feira (29), a empresa negou que o carreamento ocorrido em Congonhas tenha relação com resíduos de mineração e reafirmou que o material é oriundo de drenagem de terra. Veja a nota, na íntegra:
“A CSN Mineração reitera, de forma veemente, seu repúdio à veiculação de informações falsas e infundadas sobre supostos eventos relacionados à segurança de suas estruturas e operações. A disseminação de notícias falsas e tendenciosas provoca pânico e insegurança na população e, muitas vezes, está associada a interesses alheios à realidade dos fatos, à proteção ambiental e à segurança das comunidades.
Conforme já amplamente esclarecido pela Companhia e devidamente comprovado por vistorias realizadas pelos órgãos competentes — incluindo a Secretaria de Meio Ambiente de Congonhas, a Defesa Civil e a Polícia Militar Ambiental — não houve qualquer extravasamento, transbordamento, rompimento ou anormalidade em nenhuma das estruturas de barragens ou de contenção de sedimentos da CSN Mineração.
Em relação à nota divulgada pela Prefeitura, que menciona a constatação de episódios de carreamento de ‘resíduos por enxurrada, decorrentes de deficiências nos sistemas de drenagem’, a CSN Mineração esclarece que o material observado refere-se exclusivamente ao carreamento de sedimentos e galhos provenientes de drenagens naturais de estradas de terra e acessos da região, sem qualquer vínculo com barragens, estruturas de contenção ou com as atividades operacionais da Companhia.
Ressalta-se, portanto, que não se tratam de rejeitos, minério ou resíduos oriundos da atividade minerária. A CSN Mineração mantém seus sistemas permanentemente monitorados, em conformidade com a legislação vigente e com elevados padrões de segurança operacional, ambiental e de gestão de riscos”.
Veja - SP 30/01/2026
A Cedro Mineração investe US$ 640 milhões para expandir a produção de minério de ferro premium em Mariana (MG). O foco é o pellet feed, um produto de alta qualidade que reduz em 50% as emissões de CO, crucial para a descarbonização da siderurgia global, com parceria da Vale e práticas sustentáveis sem barragens.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A Cedro Mineração avança em seu plano de expansão com foco na produção de pellet feed de redução direta, um minério de ferro considerado premium por sua alta qualidade e menor impacto ambiental. O principal projeto do grupo está em Mariana (MG), onde a empresa finaliza o processo de licenciamento ambiental para ampliar a capacidade produtiva da mina.
Atualmente, a Cedro opera duas minas, em Nova Lima e Mariana, com produção total de cerca de 7 milhões de toneladas por ano. A expansão em Mariana representa o primeiro grande salto de crescimento da companhia e marca sua entrada em um nicho estratégico da mineração global. “O pellet feed é um tipo de minério mais nobre, com menos contaminantes, que serve para altos-fornos que usam gás natural e energia para produzir aço”, explica Fabiano, executivo do grupo Cedro. Segundo ele, trata-se de um produto capaz de reduzir em pelo menos 50% as emissões de CO, o que o torna essencial no processo de descarbonização da siderurgia.
Investimento e parceria com a Vale
O projeto em Mariana envolve um investimento de aproximadamente 640 milhões de dólares na construção de uma planta dedicada à produção de minério de alto teor. Parte do depósito mineral é própria da Cedro e parte é fruto de um arrendamento com a Vale, que também será a compradora de 100% da produção. “Vamos criar uma simbiose: nós produzimos um minério de alta pureza dedicado e entrega isso no sistema logístico da Vale, que vai levar o produto aos mercados externos”, afirma o executivo.
Para viabilizar a operação, a empresa também prevê a construção de uma correia transportadora de longa distância, com cerca de 18 a 19 quilômetros, ligando a mina à ferrovia da Vale. A solução reduz custos logísticos, consumo de energia e emissões de carbono.
Mineração moderna e sem barragens
Desde a concepção do projeto, a sustentabilidade tem sido um dos pilares centrais. A nova planta será altamente automatizada, com sistemas avançados de controle de qualidade e reciclagem intensiva de água. “A Cedro não usa barragens nas suas operações. Em Mariana, essa expansão será feita com filtragem e empilhamento a seco do rejeito”, destaca Fabiano. Segundo ele, a planta já nasce com “tudo de melhor que existe”, para garantir não apenas a qualidade do produto final, mas também a sustentabilidade do processo.
O pellet feed de redução direta é hoje um dos minérios mais disputados do mundo e também um dos mais difíceis de produzir. “É o produto que todo mundo quer, mas ninguém o tem para vender”, resume o executivo. A demanda cresce principalmente na Europa e no Oriente Médio, regiões que vêm investindo na transição para uma siderurgia mais limpa. No entanto, a oferta segue limitada, já que poucas jazidas no mundo conseguem atingir o padrão necessário. Nesse cenário, o Brasil desponta como um dos principais fornecedores globais, ao lado de países como Canadá e algumas regiões da África.
Além do impacto econômico, o projeto em Mariana deve gerar cerca de 300 empregos diretos quando a planta estiver em operação. No pico das obras, a expectativa é de mais de 1.500 postos de trabalho. A empresa afirma priorizar a contratação de mão de obra local. O plano de crescimento da Cedro prevê elevar a produção para 9 milhões de toneladas até 2028 e alcançar 20 milhões de toneladas até 2030. Para sustentar esse avanço, a companhia aposta na ampliação de minas licenciadas e no Projeto Porto do Meio, um novo terminal portuário conectado à ferrovia da MRS, cujo licenciamento ambiental já está em estágio avançado.
Valor - SP 30/01/2026
Contratos com vencimento em maio, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 114,81 por tonelada
A cotação do minério de ferro avançou nesta quarta-feira (28), com o apoio da expectativa de que siderúrgicas acelerem a recomposição de estoques da commodity, após quedas recentes no preço, segundo analistas.
Os contratos do minério com vencimento em maio, os mais negociados, fecharam em alta de 1,78%% na Bolsa de Dalian, na China, cotados a 798,5 yuans (US$ 114,81) a tonelada.
De acordo com especialistas da Nahua Futures, além da perspectiva de recomposição de estoques, investidores também acompanham interrupções na produção de minério em função da temporada de chuvas no hemisfério sul. Nesta semana, duas minas da Vale em Congonhas (MG) tiveram a operação paralisada, após registrarem vazamentos de água com sedimentos
Comex do Brasil - SP 30/01/2026
A China avança sobre o mercado brasileiro de máquinas e equipamentos, elevou para 32% sua participação no segmento, evidenciando um processo contínuo de perda de competitividade do produtor nacional, com impactos diretos sobre o nível de emprego qualificado e a capacidade do país de sustentar cadeias produtivas estratégicas no longo prazo.
Com a crescente e agressiva presença chinesa, as importações desses produtos cresceram 8,3% em 2025 sobre 2024 e somaram Us$ 32,2 bilhões, novo recorde histórico para o setor. Esse movimento ampliou o déficit da balança comercial da indústria, que ultrapassou US$ 18 bilhões no ano passado, mais de 120% acima da média registrada após as crises de 2015-2016 e da pandemia.
Esses dados compõem uma radiografia do setor divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) com ampla análise sobre o desempenho do setor no ano passado e uma projeção pouco animadora para o ano que acabou de se iniciar.
Segundo a Abimaq, “as importações de máquinas e equipamentos continuam exercendo forte pressão sobre a indústria nacional. As importações já representam 46% do consumo nacional, praticamente o dobro da participação observada antes de 2014”.
China e tarifaço dos EUA geram “tempestade perfeita” para o setor
Na percepção da Abimaq, a China é a grande responsável pelo desequilíbrio revelado pelo balanço do setor no ano passado. A Associação destaca com grave preocupação “a forte predominância da China como principal origem das máquinas importadas” e avalia que esse é um processo irreversível.
Aliado ao aumento descontrolado das importações oriundas da China, a Associação identifica outro fator igualmente relevante: a queda de mais de 9% nas exportações desses produtos para os Estados Unidos, principal destino das máquinas e equipamentos brasileiros no exterior.
Com isso, sublinha a entidade, “o ambiente externo tornou-se progressivamente mais desafiador ao longo de 2025. As medidas adotadas pelo governo Trump, com aumento de tarifas de importação sobre máquinas brasileiras, não só fizeram com que as vendas para o mercado recuassem, mas também contribuíram para a redução de sua participação no total exportado pelo setor. Esse cenário de maior protecionismo, combinado com a desaceleração do crescimento global, elevou a incerteza e limitou o potencial de expansão das vendas externas, exigindo das empresas brasileiras maior esforço de diversificação de mercados”.
O forte aumento das importações acabou minimizando os efeitos do aumento de 5% nas exportações no ano passado, após a retração observada em 2024, conforme destaca a Abimaq. De acordo com a Associação, o resultado foi sustentado pelo aumento do volume exportado e pela expansão das vendas para países da América Latina e da União Europeia, com destaque para máquinas destinadas à infraestrutura, agricultura e ao setor de petróleo. Esse movimento compensou a desaceleração do mercado norte-americano e a queda dos preços internacionais.
A entidade destaca ainda que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com sinais de perda de fôlego no segundo semestre, após um primeiro semestre mais dinâmico. Embora o resultado anual seja positivo, com crescimento disseminado na maioria dos segmentos o comportamento recente dos principais indicadores revela um movimento de desaceleração consistente, influenciado pela política monetária restritiva, pela maior concorrência de importados e por um ambiente internacional mais adverso.
Importância da diversificação de mercados
De acordo com o balanço da Abimaq, a receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos somou R$ 299 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% frente ao ano anterior. Houve resultado positivo no acumulado do ano, mas o comportamento ao longo do segundo semestre foi marcado por desaceleração, com queda de 2,8% no último trimestre em comparação ao mesmo período de 2024. O mês de dezembro registrou o terceiro resultado negativo consecutivo na comparação interanual, refletindo o arrefecimento dos investimentos sobre impacto da política monetária restritiva
Para 2026, em relação às exportações, a Abimaq projeta uma certa estabilidade de desempenho, na medida em que o cenário externo segue marcado por elevada incerteza, com desaceleração do crescimento global, aumento de medidas protecionistas e aprofundamento da guerra tarifária, em especial a partir das novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos.
Esse ambiente limita a expansão das vendas externas de máquinas e equipamentos brasileiros e reforça a importância de estratégias voltadas à diversificação de mercados e ao fortalecimento da indústria local como forma de mitigar riscos e sustentar o crescimento no médio e longo prazo, conclui a Associação.
Portal Brasil - DF 30/01/2026
Ampliar oportunidades, modernizar territórios e reduzir desigualdades regionais por meio da entrega de veículos e máquinas. Essa é a proposta do Programa Nacional de Máquinas, Equipamentos e Veículos para o Desenvolvimento Regional e Territorial (Inova), iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Somente em 2025, o programa já destinou mais de R$ 296 milhões para a aquisição de maquinário voltado ao fortalecimento de municípios com menor renda e infraestrutura limitada.
Os equipamentos contribuem diretamente para a melhoria dos serviços públicos, o estímulo à atividade produtiva e a geração de emprego e renda, além de apoiar ações estruturantes em áreas urbanas e rurais. A proposta do Inova é promover o desenvolvimento regional de forma prática e efetiva, ao oferecer soluções que fomentam a geração de renda, a modernização produtiva e a ampliação do acesso a serviços básicos.
O programa também prioriza localidades em situação de emergência, garantindo respostas mais ágeis às populações em condição de vulnerabilidade. De acordo com o secretário nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, Daniel Fortunato, o Inova é uma ferramenta estratégica para reduzir desigualdades históricas. “Quando assumi a secretaria, pensei em trazer o Inova como estratégia primordial para reduzir custos e conseguir atingir a maior quantidade de municípios, onde o MIDR passa a ter maior governança sobre a distribuição desses equipamentos, de modo que a gente alinhe melhor as entregas com as diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR)”, explica Fortunato.
Entre os itens disponibilizados estão retroescavadeiras, pás-carregadeiras, motoniveladoras, escavadeiras hidráulicas, rolos compactadores, tratores agrícolas, microtratores, caminhões-pipa, caminhões basculantes, picapes, vans, ônibus, motocicletas e triciclos de carga. O conjunto atende demandas de infraestrutura, agricultura familiar, mobilidade, logística e resposta a situações de emergência.
“Fizemos questão de incluir usina de asfalto para reforçarmos a ideia do programa que idealizamos, que é a Pavimentação de Baixo Custo, parando de enxugar gelo e ajudando o município a deixar de apenas passar uma máquina para realizar uma obra estruturante. Ou seja, é trocar o paliativo por um investimento com maior durabilidade”, observou o secretário.
Segundo ele, o triciclo pode servir para três grandes ações: fortalecer o escoamento da produção, abastecer o setor produtivo com insumos, adubos e sementes, além de apoiar a economia circular e o bem-estar animal. “Muitos usam carroça com cavalos e jumentos e, hoje, podem trocar por esse triciclo”, exemplificou.
Ata de Registro de Preços garante economia e agilidade
As aquisições ocorrem por meio de Ata de Registro de Preços, gerenciada pelo MIDR, utilizando o Sistema de Registro de Preços. A metodologia garante eficiência, economicidade, padronização e agilidade nos processos de contratação, além de reforçar a segurança jurídica e técnica. “Padronizamos a ata porque, quando os equipamentos são colocados lá, conseguimos reduzir significativamente o preço. Ou seja, entregaremos equipamentos de alta qualidade de forma mais rápida, prezando pela economia do dinheiro público. Assim, vamos, em ritmo acelerado, modernizar o setor produtivo com máquinas”, enfatizou o secretário Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial.
A coordenação do Inova é realizada pela Secretaria Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR), com foco no fortalecimento do pacto federativo e na integração de ações entre União, estados e municípios. O MIDR também é responsável pelo apoio técnico e pela aquisição dos equipamentos, assegurando transparência, eficiência e a boa aplicação dos recursos públicos. “Fico muito feliz porque já vi bancadas estaduais do Congresso — por exemplo, a do Acre — que, acreditando na potência do Inova, indicaram uma emenda de R$ 150 milhões para que possamos fazer a doação de máquinas e equipamentos necessários ao estado”, completou Daniel Fortunato.
Exame - SP 30/01/2026
Em pouco mais de dois anos de atuação internacional, a OMODA & JAECOO deixou de ser uma estreante para se tornar uma das marcas de crescimento mais acelerado da indústria automotiva global.
Presente hoje em 64 mercados, a companhia já ultrapassou a marca de 800 mil veículos vendidos no mundo — um ritmo que chama atenção no setor. Por trás dessa expansão está a estrutura do Grupo Chery, que concentra base industrial, engenharia e uma rede global de fornecedores capaz de sustentar a entrada simultânea em diferentes regiões.
Criada em meio à transformação da indústria automotiva, a OMODA & JAECOO reúne duas marcas com propostas complementares. A OMODA atua no segmento de crossovers globais e tem como foco consumidores mais jovens, combinando design, conectividade, tecnologia e sustentabilidade.
Já a JAECOO se posiciona no off-road refinado, com veículos desenvolvidos para unir desempenho fora de estrada, conforto e sofisticação, atualizando o conceito tradicional desse segmento. As duas frentes compartilham plataformas, soluções de eletrificação e uma estratégia global baseada em adaptação local.
Para Roger Corassa, vice-presidente executivo da OMODA & JAECOO no Brasil, essa arquitetura encurta o caminho entre planejamento e execução. “A vantagem de ter essa base do grupo é conseguir escalar com velocidade, com produto e operação prontos para atender mercados diferentes ao mesmo tempo”, afirma.
O modelo adotado combina ambição global com adaptação local. Em vez de replicar uma fórmula única, a OMODA & JAECOO ajusta portfólio, posicionamento e estratégia de acordo com as particularidades de cada país, mantendo pilares comuns como design, conectividade e eletrificação.
Segundo Corassa, esse equilíbrio foi decisivo para acelerar a entrada em dezenas de mercados em um intervalo tão curto. “A OMODA & JAECOO nasce com uma proposta clara: combinar tecnologia de ponta, design global e soluções de mobilidade que façam sentido para a realidade brasileira”, diz o executivo. O objetivo, diz ele, é construir uma marca sólida, próxima do consumidor e preparada para ganhar relevância na transição tecnológica do setor automotivo no país.
“A OMODA & JAECOO chega ao Brasil com um portfólio altamente tecnológico e uma visão prática sobre como democratizar a eletrificação”, afirma Corassa. A escolha pelos híbridos, segundo ele, parte de uma leitura objetiva da infraestrutura disponível e dos hábitos de uso do consumidor brasileiro.
A estratégia de posicionamento no país inclui ações voltadas à consolidação da marca. Em outubro de 2025, a atriz Bruna Marquezine foi anunciada como embaixadora da OMODA & JAECOO no Brasil.
Híbridos como ponte para a escala
A tecnologia é tratada como um dos principais motores desse crescimento. O principal diferencial da marca é o Sistema Super Híbrido (SHS), uma plataforma proprietária que reúne versões híbridas e híbridas plug-in.
A arquitetura prioriza a tração elétrica como base da condução, enquanto o motor a combustão atua como suporte — combinação pensada para garantir previsibilidade de consumo e estabilidade de desempenho, inclusive em trajetos mais longos ou fora dos grandes centros.
Em 2025, mais de a metade das vendas globais da marca veio de veículos eletrificados, com mais de 200 mil unidades comercializadas no ano. A empresa atribui o resultado à maturidade da plataforma SHS e ao foco em eficiência energética aplicada ao uso cotidiano — um fator-chave para ganhar escala em mercados onde a eletrificação total ainda enfrenta barreiras.
A trajetória recente na Europa funciona como um teste dessa estratégia. A marca avançou com produção local, integrou fornecedores regionais e inaugurou uma fábrica em Barcelona, que passou a operar como base industrial da companhia no continente. Em mercados mais regulados, reforçou ainda compromissos de governança e segurança da informação, pontos cada vez mais relevantes para sustentar crescimento e competitividade.
Brasil como eixo do próximo ciclo
No mercado brasileiro, a OMODA & JAECOO encerrou 2025 com 7.215 veículos vendidos — o equivalente a 0,4% do mercado total e 3,3% de participação no segmento de eletrificados. Modelos como o Jaecoo 7 SHS e o Omoda 5 HEV concentraram a maior parte desse volume.
O Brasil é tratado como um dos vetores estratégicos do próximo ciclo global. Para sustentar esse avanço, a companhia vem reforçando a base operacional. Um dos movimentos mais concretos é a ampliação do centro de distribuição de Cajamar (SP), que terá o espaço praticamente dobrado ao longo de 2026, passando de 1.600 m² para cerca de 3.000 m².
A expansão acompanha a projeção de vendas de até 50 mil veículos no próximo ano e a chegada de três novos modelos ao portfólio. O CD deve passar a gerenciar mais de 8 mil tipos diferentes de peças e um estoque superior a 100 mil itens, mantendo índices de eficiência acima de 98% nas entregas — patamar já alcançado em 2025, quando a operação fechou o ano com R$ 15 milhões em estoque e 98,4% de entregas dentro do prazo.
“A logística nasceu antes mesmo do início das vendas e é central para a experiência do cliente”, afirma Vitor Santos, head de logística da OMODA & JAECOO Brasil. “Disponibilidade de peças e agilidade no pós-venda são decisivas para a confiabilidade da marca em um mercado cada vez mais exigente.”
Para 2026, a agenda da companhia no Brasil está organizada em cinco frentes: desenvolvimento de pessoas, ampliação do portfólio, avanço do plano industrial, expansão da rede de concessionárias e evolução da experiência do cliente. A possibilidade de produção local segue no radar, em linha com a estratégia já adotada na Europa para reduzir custos logísticos e viabilizar maior escala.
“A OMODA & JAECOO entra em 2026 preparada para um novo salto”, resume Corassa. “O desafio agora é transformar a velocidade da expansão global em relevância consistente no mercado brasileiro.”
CNN Brasil - SP 30/01/2026
O mercado brasileiro de veículos eletrificados segue trajetória de crescimento, conforme resultados de vendas apurados pelas entidades como a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Mas essa tendência é encontrada em outros ramos do mercado automotivo. Buscas e visitas por veículos híbridos e elétricos aumentaram 38,3% em 2025 em relação ao ano anterior, movimento que acompanha o avanço dos emplacamentos registrados, com alta de 60,8% no período.
Embora os veículos elétricos tenham apresentado o maior crescimento proporcional, com avanço de 41,4% nas buscas, os híbridos seguem como a principal escolha do consumidor brasileiro. É o que revelam os dados do Webmotors Autoinsights: do total de pesquisas por eletrificados, 75% foram direcionadas a modelos híbridos, enquanto os elétricos concentraram 25%. Há mais de 400 mil veículos em oferta no sistema.
O mercado de veículos usados foi o que apresentou o maior crescimento em interesse, com aumento de 42,7% nas buscas e visitas em relação ao ano anterior. Dentro desse segmento, os híbridos responderam por 76% da procura, enquanto os elétricos representaram 24%. O desempenho indica que a eletrificação também avança no mercado secundário, impulsionada por preços mais acessíveis e maior oferta de modelos com garantia remanescente.
Entre os veículos eletrificados usados mais visitados em 2025, o Toyota Corolla híbrido liderou o ranking, seguido por Volvo XC60, Porsche Cayenne e GWM Haval H6, todos com tecnologia híbrida. Modelos elétricos também aparecem na lista, como Volvo XC40 e BYD Seal, mas em menor volume.
No segmento de veículos 0 km, as buscas por eletrificados cresceram 28,3% em 2025. Assim como no mercado de usados, os híbridos mantiveram vantagem, concentrando 72% do interesse, enquanto os elétricos ficaram com 28%. O BYD King foi o modelo eletrificado novo mais visitado, seguido por BYD Dolphin Mini, Dolphin e Song Pro. Honda CR-V híbrido, GWM Haval H6 e Toyota Corolla também figuram entre os mais procurados.
De acordo com a Webmotors, o comportamento do consumidor reflete a ampliação do portfólio de veículos eletrificados no Brasil, com opções que atendem diferentes faixas de preço e perfis de uso. O crescimento consistente dos híbridos é atribuído à flexibilidade tecnológica, que reduz a dependência de pontos de recarga e facilita a transição para a eletrificação em um país com infraestrutura ainda em desenvolvimento.
Os dados indicam que, apesar do avanço acelerado dos elétricos, os híbridos seguem como principal porta de entrada para a eletrificação no mercado brasileiro. A tendência é que o segmento continue em expansão, acompanhando os investimentos das montadoras e o aumento gradual da familiaridade do consumidor com as novas tecnologias de propulsão.
Eletrificados 0 km mais procurados em 2025
BYD King (híbrido)
BYD Dolphin Mini (elétrico)
BYD Dolphin (elétrico)
BYD Song Pro (híbrido)
BYD Song Plus (híbrido)
Honda CR-V (híbrido)
BYD Seal (elétrico)
GWM Haval H6 (híbrido)
Volvo XC60 (híbrido)
Toyota Corolla (híbrido)
Eletrificados usados mais procurados em 2025
Toyota Corolla (híbrido)
Volvo XC60 (híbrido)
Porsche Cayenne (híbrido)
GWM Haval H6 (híbrido)
BYD Song Plus (híbrido)
Toyota Corolla Cross (híbrido)
Volvo XC40 (elétrico)
Toyota RAV4 (híbrido)
BYD Seal (elétrico)
Porsche Panamera (híbrido)
Valor - SP 30/01/2026
Anúncios vêm após resultados escancarem danos à Tesla com o fim dos incentivos a elétricos promovido pelo governo Trump, pela política polarizadora de Musk e pela ascensão contínua da chinesa BYD
um pouco triste, mas faz parte da nossa mudança geral rumo a um futuro autônomo” — Foto: Bloomberg
A Tesla, pioneira dos veículos elétricos, planeja descontinuar dois modelos e investir US$ 2 bilhões na xAI de Elon Musk, ao mesmo tempo em que acelera uma guinada em direção à robótica e à inteligência artificial após registrar sua primeira queda na receita anual.
No sinal mais claro até agora do rumo que Musk está imprimindo à Tesla, a companhia disse que encerrará a produção dos modelos premium S e X, no próximo trimestre, e converterá sua fábrica na Califórnia em um polo de fabricação dos robôs Optimus.
Trump decretou fim dos incentivos
Os anúncios surgem depois que os resultados do quarto trimestre de 2025 escancaram os danos sofridos pela Tesla em um ano marcado pelo fim dos incentivos fiscais a veículos elétricos promovido pelo governo Trump, pela política polarizadora de Musk e pela ascensão contínua da concorrente chinesa de baixo custo BYD.
A receita do quarto trimestre caiu 3% para US$ 24,9 bilhões, segundo informou a Tesla após o fechamento dos mercados nos Estados Unidos, na quarta-feira (28). Com isso, a receita anual recuou 3% para US$ 94,8 bilhões, um duro golpe para uma montadora que, na última década, se tornou um símbolo da chegada da era dos veículos elétricos.
Ao anunciar a decisão de abandonar os modelos premium S e X, Musk disse: “Isso é um pouco triste, mas faz parte da nossa mudança geral rumo a um futuro autônomo”. O homem mais rico do mundo está apostando o futuro da Tesla em Cybercabs autônomos e robôs humanoides com IA. O grupo passou a se definir como uma “empresa de IA física”.
O diretor financeiro, Vaibhav Taneja, disse que a Tesla investirá mais de US$ 20 bilhões este ano na ampliação de sua capacidade fabril e em infraestrutura de IA.
O plano de investimentos foi divulgado no mesmo dia em que a Tesla informou que o lucro líquido ajustado caiu 16% para US$ 1,8 bilhão no quarto trimestre, superando as expectativas de Wall Street. O lucro líquido, que inclui despesas com remuneração em ações e perdas com ativos digitais detidos pela Tesla, caiu 61% para US$ 840 milhões.
As ações da Tesla, que tem um valor de mercado de US$ 1,4 trilhão, subiram 1,4% no início dos negócios nesta quinta-feira (29).
Mirando trilhões
Musk já vinha exaltando um futuro para a Tesla baseado em táxis autônomos e robôs humanoides, afirmando, no final de 2024, que, com base nisso, o valor do grupo poderia disparar para US$ 5 trilhões. Mais recentemente, ele disse que o valor da companhia chegará a US$ 25 trilhões à medida que a Tesla se transformar em uma companhia de robótica.
O mais recente pacote de remuneração do bilionário, um recorde de US$ 1 trilhão, exige que ele eleve o valor da Tesla para US$ 8,5 trilhões e venda milhões de robôs e assinaturas de direção autônoma.
Direção "totalmente autônoma”
Na quarta-feira, a Tesla revelou, pela primeira vez, o número de assinaturas de seu sistema de direção totalmente autônoma, que avançou 38% no trimestre para 1,1 milhão.
A companhia também disse que pretende lançar seus Cybercabs em mais sete cidades dos EUA até o terceiro trimestre, após o lançamento inicial em São Francisco e Austin, no Texas. Musk também afirmou que o grupo obterá, no próximo mês, a aprovação reguladora para seu software de “direção totalmente autônoma” na Europa e na China.
Apesar do nome, o sistema de “direção totalmente autônoma” ainda exige que um humano permaneça ao volante e mantenha atenção total, enquanto as afirmações de Musk sobre suas capacidades vêm atraindo o escrutínio das autoridades reguladoras de segurança no trânsito dos EUA.
Mesmo com o apoio pouco entusiasmado de seus acionistas, a Tesla levou adiante um investimento de US$ 2 bilhões na xAI, de Musk, como parte da rodada de financiamento realizada em janeiro. A SpaceX, a empresa de foguetes do milionário, já investiu US$ 2 bilhões na xAI, enquanto ele busca mais apoio financeiro para esse negócio que exige muito capital.
A decisão de aproximar mais a Tesla do grupo de IA de Musk veio após uma decisão não vinculativa dos acionistas, em novembro, que pressionou por esse tipo de investimento. Embora a proposta tenha recebido mais votos a favor do que contra, o número combinado de abstenções e dos votos contrários mostrou que a maioria dos acionistas não endossou a iniciativa.
O diretor jurídico da Tesla afirmou, na ocasião, que o número elevado de abstenções significava que a empresa teria que examinar os resultados antes de decidir os passos seguintes. Os resultados do quarto trimestre da Tesla também evidenciaram suas dificuldades na Europa, onde a queda das vendas foi ainda mais acentuada, com os novos emplacamentos recuando 21%. Os negócios da Tesla na região vêm sofrendo uma pressão com o grande número de modelos elétricos lançados por concorrentes chineses e ocidentais.
A receita com a venda de créditos regulatórios a concorrentes que produzem veículos mais poluentes caiu 22% em relação ao quarto trimestre de 2024, para US$ 542 milhões. No ano passado, o governo dos EUA eliminou as multas por descumprimento das normas de emissões de veículos, esvaziando na prática os esquemas de negociação desses créditos.
A Tesla também informou que seu esportivo Roadster, cujo lançamento vinha sendo adiado há anos, será lançado em abril.
Valor - SP 30/01/2026
Vendas globais atingiram o recorde de 11,3 milhões de veículos em 2025, consolidando sua posição como a montadora que mais vende do mundo
A Toyota Motor informou que suas vendas globais atingiram o recorde de 11,3 milhões de veículos em 2025, consolidando sua posição como a montadora que mais vende do mundo, mesmo com as tarifas americanas impactando o setor e afetando os lucros da empresa.
A montadora japonesa afirmou nesta quinta-feira que suas vendas globais, que incluem as das subsidiárias Daihatsu Motor e Hino Motors, cresceram 4,6% em 2025.
A Toyota disse que os ganhos foram impulsionados pelo Japão e pelos EUA, onde os veículos híbridos a gasolina e eletricidade continuaram populares. As vendas na China, onde a Toyota havia sofrido quedas nos anos anteriores, aumentaram ligeiramente, em parte devido às fortes vendas de novos modelos elétricos a bateria e carros híbridos, embora o ambiente competitivo permaneça acirrado.
A rival Volkswagen, que abriga um conjunto de marcas que inclui VW, Audi e Porsche, disse no início deste mês que suas entregas de carros do grupo caíram 0,5%, para 8,98 milhões em 2025, afetadas pela interrupção do comércio devido às tarifas dos EUA e à intensa concorrência na China.
A Toyota continuou a se beneficiar da popularidade dos veículos híbridos nos EUA e em alguns outros mercados. A empresa japonesa disse em novembro que estava investindo mais de US$ 900 milhões para aumentar a produção de carros híbridos nos EUA para atender à crescente demanda. O investimento faz parte do plano da Toyota de investir até US$ 10 bilhões nos EUA nos próximos cinco anos.
A Toyota e outras montadoras japonesas produzem veículos híbridos há muito tempo, embora estejam atrás de empresas como BYD e Tesla em veículos elétricos a bateria.
A BYD, que ultrapassou a Tesla como a maior vendedora de veículos elétricos do mundo no ano passado, vendeu 4,6 milhões de veículos, incluindo cerca de 2,26 milhões de veículos elétricos a bateria. A Tesla entregou cerca de 1,64 milhão de veículos em 2025.
A Toyota afirmou que as vendas de veículos elétricos a bateria aumentaram 42%, para cerca de 199 mil veículos no ano passado.
Assim como muitas outras montadoras globais, os lucros da Toyota foram duramente afetados pelas tarifas impostas pelo governo Trump. Para o ano fiscal que termina em março, a empresa projetou que as tarifas impactariam o lucro operacional em cerca de US$ 9 bilhões.
A Toyota informou que as exportações do Japão para os EUA aumentaram 14%, para cerca de 615 mil veículos em 2025. A produção global do grupo cresceu 5,7%, para 11,2 milhões de veículos, segundo a empresa.
Infomoney - SP 30/01/2026
Durante anos o Brasil conviveu com um cenário esquizofrênico na indústria automotiva. Capacidade instalada para algo próximo de 4,5 milhões de veículos por ano e produção em torno de 2,3 milhões em 2023, o que significa quase 50% de ociosidade das linhas. Em 2025 a produção subiu para cerca de 2,6 milhões de unidades, segundo a Anfavea, ainda bem abaixo do potencial das plantas.
Esse vazio industrial abriu espaço para um movimento que hoje redesenha o mapa das fábricas no país. Quem está ocupando os galpões deixados por Ford, Mercedes e por operações enxutas de montadoras tradicionais são os chineses, em diferentes formatos de parceria.
A história mais conhecida é a da BYD em Camaçari, na Bahia. A antiga planta da Ford, símbolo de desindustrialização quando fechou as portas em 2021, está sendo convertida em hub de veículos elétricos com investimento anunciado de 5,5 bilhões de reais. O plano prevê produção em larga escala a partir de 2026 e até 20 mil empregos diretos e indiretos no pico da operação.
Em Iracemápolis, interior de São Paulo, a GWM assumiu a fábrica que pertencia à Mercedes e inaugurou em 2025 sua primeira unidade produtiva nas Américas. A planta já monta modelos como Haval H6 e Poer P30, com capacidade inicial em torno de 50 mil veículos por ano e planos de expansão para exportar a partir do Brasil para toda a região.
O próximo capítulo está em Catalão, em Goiás. O grupo HPE, parceiro histórico de Mitsubishi e Suzuki, negocia a entrada da chinesa GAC para utilizar a estrutura local, hoje com folga relevante de capacidade. A operação deve começar em CKD no fim de 2026, somando volume à linha que já produz os japoneses.
No Paraná, o Complexo Ayrton Senna ganha uma nova vida com a criação da Renault Geely do Brasil. O acordo prevê 3,8 bilhões de reais em investimentos e produção, a partir do segundo semestre de 2026, de dois modelos baseados em plataforma Geely de baixas e zero emissões, além de um novo Renault elétrico em 2027. A fábrica continua sendo Renault, mas o conteúdo tecnológico e parte relevante do portfólio vêm da China.
A Stellantis segue caminho parecido ao trazer a Leapmotor para dentro do Polo de Goiana, em Pernambuco. Após criar a joint venture global Leapmotor International, o grupo confirmou que a nova marca, com linha totalmente eletrificada, será produzida na mesma planta que hoje monta Jeep, Fiat e Ram a partir de 2026.
Se olharmos para trás, dá para dizer que a CAOA Chery foi uma espécie de laboratório desse movimento. Desde 2017 a joint venture uniu gestão e capital brasileiros à engenharia da Chery, primeiro em Anápolis e depois em Jacareí. A fábrica do Vale do Paraíba, parada desde 2022, teve parte do terreno transferida para a Acteco, empresa que dá origem à Omoda e Jaecoo, divisão global da Chery. Há planos públicos e vistorias em curso para reativar a produção, inicialmente em CKD, e a marca já declarou intenção de ter uma unidade plena em operação por aqui até 2026.
Ao mesmo tempo, uma segunda onda de montadoras chinesas se prepara para desembarcar no Brasil em 2026. Levantamentos recentes citam nomes como Omoda e Jaecoo, Zeekr, Xpeng, Polestar, Riddara e novas divisões ligadas a grupos já presentes, como BYD e Chery. Parte entra inicialmente via importação, mas quase todas já falam em produção local, seja em fábricas próprias, seja ocupando estruturas ociosas de terceiros.
O pano de fundo é simples. As montadoras chinesas já passaram de 10% das vendas de carros novos no Brasil, com forte presença em elétricos e híbridos. Estudos projetam que, em 2026, elas podem responder por algo próximo de metade das vendas de veículos elétricos no país, em torno de 270 mil unidades. Para sustentar esse volume e driblar tarifas de importação, produzir aqui deixou de ser opção e virou requisito.
O que parece apenas troca de logotipo na fachada da fábrica é, na prática, um novo arranjo de poder na cadeia automotiva brasileira. A reindustrialização vem, em grande medida, financiada por capital chinês, com engenharia e plataformas vindas da Ásia, mas usando mão de obra local, base de fornecedores já instalada e toda a infraestrutura construída ao longo de décadas pelos antigos donos dessas plantas.
Para o Brasil, o movimento tem dois lados. De um lado, preserva empregos industriais, mantém ativa uma cadeia que responde por cerca de 20% do PIB industrial e evita que os galpões se tornem ruínas de concreto. De outro, aumenta a dependência em relação a grupos estrangeiros que controlam tecnologia, software, baterias e boa parte do valor agregado dos novos produtos.
O ano de 2026 tende a marcar um divisor de águas. BYD em fase madura em Camaçari, GWM acelerando Iracemápolis, Renault Geely do Brasil iniciando o novo ciclo em São José dos Pinhais, Leapmotor saindo da linha em Goiana, GAC ganhando corpo em Catalão, Omoda e Jaecoo buscando casa definitiva para sua fábrica e a CAOA Chery reposicionando seu papel dentro da holding global da Chery. Em paralelo, outras marcas chinesas testam o mercado por meio de importação e já desenham seus próprios mapas de fábricas.
A discussão que importa para quem está na cadeia automotiva não é apenas se as fábricas serão “nossas” ou “deles”. O ponto central é entender quem vai comandar a inteligência por trás dessa nova ocupação, quem fica com os dados dos clientes, quem dita o ritmo de atualização de software, quem controla o ecossistema de serviços e, principalmente, quem captura a maior fatia do valor em cada carro que sai dessas linhas reativadas.
Ocupação de fábrica pode ser sinônimo de oportunidade ou de perda de protagonismo. Em 2026, mais do que em qualquer outro momento recente, o Brasil vai descobrir qual dessas narrativas prevalece.
Exame - SP 30/01/2026
Pelo quarto ano consecutivo, a VLI prevê investir mais de R$ 1 bilhão na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), mesmo sem a renovação da concessão ainda concluída.
O plano da companhia para 2026 prevê aportes de cerca de R$ 1,2 bilhão, com foco em manutenção da via permanente, material rodante e outras melhorias operacionais e de segurança.
O total acumulado entre 2023 e 2026 alcança R$ 4,8 bilhões, reforçando o compromisso da VLI com uma das malhas ferroviárias mais extensas do país, que atravessa regiões estratégicas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Segundo a empresa, os investimentos seguem como parte da estratégia de modernização da FCA, responsável por conectar Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Bahia e São Paulo aos principais corredores de exportação e centros consumidores do Brasil.
“O investimento contínuo reafirma nosso compromisso com os clientes, com as comunidades ao longo da ferrovia e com a eficiência da operação”, afirmou Fábio Marchiori, CEO da VLI. Desde 2014, a companhia já soma mais de R$ 17 bilhões investidos na FCA.
Renovação pode destravar R$ 30 bilhões e 15 mil empregos
A expectativa da VLI é que, com a renovação da concessão, seja possível dar início a um novo ciclo de investimentos que pode superar os R$ 30 bilhões.
O projeto prevê um aumento de mais de 40% na capacidade de transporte da FCA, com impacto direto em setores como agronegócio, indústria, siderurgia e construção civil.
Além da ampliação logística, o plano inclui centenas de obras de mobilidade urbana nas cidades atendidas pela malha, o que, segundo a empresa, pode gerar mais de 15 mil postos de trabalho ao longo do contrato.
A proposta de prorrogação também prevê novos modelos operacionais, como o chamamento público previsto para abril no trecho conhecido como Corredor Minas-Rio — uma via estratégica para a exportação mineral.
Sustentabilidade e integração logística
A FCA é considerada peça-chave na logística nacional e funciona como alternativa mais eficiente e sustentável ao transporte rodoviário. A ferrovia escoa grãos, combustíveis, minério de ferro e produtos siderúrgicos, contribuindo para a redução de custos logísticos e emissões de gases de efeito estufa.
A VLI também mantém projetos socioambientais associados à operação da FCA, como o programa Estação de Memórias, voltado à preservação do patrimônio ferroviário, e o Novo Trilho, que promove a destinação correta de resíduos e geração de renda.
Enquanto discute a renovação da FCA com o governo federal, a VLI mantém uma agenda de expansão que inclui aportes de R$ 2 bilhões em um novo terminal ferroviário em Santos e a avaliação de participação em futuros leilões de ferrovias como Ferrogrão, Fico, Fiol e EF-118.
CNN Brasil - SP 30/01/2026
As PPPs (parcerias público privadas) para rodovias e saneamento contratadas em 2025 totalizam mais de R$ 100 bilhões em investimentos, segundo levantamento da consultoria Radar PPP obtido pelo CNN Money. Os segmentos com as maiores cifras no ano passado foram:
Rodovias: R$ 73,8 bilhões; Água e Esgoto: R$ 27,2 bilhões; Mobilidade: R$ 14,4 bilhões; Portos: R$ 3,5 bilhões; Educação: R$ 3,2 bilhões; Iluminação Pública: R$ 1,6 bilhão; Resíduos Sólidos: R$ 1,2 bilhão; Terminais Rodoviários: R$ 575 milhões; Saúde: R$ 474 milhões.
Segundo o último relatório iRadarPPP, elaborado pela consultoria e antecipado todo mês pelo CNN Money, foram 1.074 novas iniciativas de PPPs em 2025.
Os maiores quantitativos foram registrados nos segmentos de resíduos sólidos (169), unidades administrativas e serviços públicos (163), eficiência Energética e Tecnologia (160) e água e Esgoto (150).
Os municípios seguem como atores mais participativos. O relatório mostra que 88,4% (950) das iniciativas são municipais. Além disso, 2,7% (29) das PPPs partem de consórcios públicos de municípios.
Iluminação pública
Em 2025, o Brasil superou a marca de 800 iniciativas de PPP de iluminação pública mapeadas, reforçando este setor como aquele que possui o maior quantitativo de PPPs em sentido estrito no país.
“Esse mercado já viveu seu apogeu, seus grandes contratos já foram assinados, as principais capitais já tem suas PPPs rodando. Aí chamou atenção neste ano também porque uma das últimas capitais que faltava, Fortaleza, está com a sua licitação na rua. O desafio agora é na gestão dos contratos”, disse ao CNN Money o sócio da Radar PPP Guilherme Naves
O especialista explica que o crescimento expressivo das PPPs de iluminação pública nos últimos cinco anos está associado a um conjunto de fatores estruturais. Um dos motivos para a tendêcia é o segmento tratar de um serviço essencial, universal e com ativos bem definidos e riscos operacionais relativamente controláveis.
Outra explicação para o “boom de iniciativas” é a existência da Cosip (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública).
O mecanismo é um tributo municipal cobrado na conta de energia elétrica e tem por finalidade financiar os serviços de iluminação de vias e espaços públicos.
CNN Brasil - SP 30/01/2026
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sancionou nesta quinta-feira (29) uma reforma abrangente da principal legislação petrolífera do país, após ter recebido um telefonema do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciando o levantamento das restrições ao espaço aéreo comercial da nação.
A Assembleia Nacional aprovou mudanças na lei dos hidrocarbonetos, que reduzem impostos, ampliam a autonomia dos produtores privados e permitem a transferência de ativos e a terceirização de serviços.
Durante a cerimônia de assinatura, Rodríguez anunciou que o líder dos EUA e o Secretário de Estado Marco Rubio a informaram que as companhias aéreas e os investidores poderiam retornar à Venezuela como parte das discussões em andamento entre os dois governos.
Espera-se que as mudanças impulsionem os aumentos necessários na produção de petróleo e gás e no investimento estrangeiro, após o plano de reconstrução de US$ 100 bilhões proposto por Trump para o setor.
Rodríguez também revelou que a Venezuela exportaria seu primeiro carregamento de gás natural nas próximas horas, com um navio já posicionado no país.
Após a aprovação da reforma, o governo Trump flexibilizou as sanções ao setor energético venezuelano por meio de uma licença geral que autoriza transações relacionadas às exportações de petróleo da Venezuela, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.
A reforma acelerada ocorre após 20 anos de rigorosa nacionalização e expropriação de ativos que antes pertenciam a empresas estrangeiras, incluindo as gigantes americanas Exxon Mobil e ConocoPhillips.
IstoÉ Dinheiro - SP 30/01/2026
O petróleo fechou em alta perto de 3% nesta quinta-feira, 29, enquanto investidores ponderam o aumento das pressões dos europeus e dos EUA contra o Irã. O presidente Donald Trump continuou a ameaçar o país do Oriente Médio com uma resposta militar, caso as negociações por um acordo nuclear fracassem.
O petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em alta de 3,3% (US$ 2,10), a US$ 65,01 o barril. Já o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), avançou 3,29% (US$ 2,22), a US$ 69,59 o barril.
Mais cedo, os preços do WTI e do Brent alcançaram os maiores níveis desde agosto de 2025, a US$ 66,48 e a US$ 70,58, respectivamente. Contudo, o petróleo devolveu parte dos seus ganhos robustos no início da tarde, em linha com a deterioração no apetite por risco em Nova York e alta volatilidade nos mercados de câmbio e commodities.
No noticiário, Trump voltou a afirmar nesta quinta-feira que “há uma grande frota de navios americanos a caminho do Oriente Médio”. Segundo o portal Axios, o presidente americano recebeu nesta semana autoridades de defesa e inteligência de Israel e da Arábia Saudita para discussões sobre possíveis alvos iranianos para ataques. Oficialmente, a Casa Branca afirma que a via diplomática “segue aberta”.
O Irã respondeu que estaria pronto para qualquer ataque. As forças navais da Guarda Revolucionária do país devem realizar exercícios com munição real na próxima semana no Estreito de Ormuz, de acordo com a rede local Press TV. Já a União Europeia (UE) adotou novas sanções contra membros do governo do Irã, após o regime dos aiatolás reprimir manifestantes em protestos antigoverno.
Para a Capital Economics, ataques ao Irã criam riscos de aumento nos preços do petróleo.
Agroplanning - SP 30/01/2026
A Massey Ferguson, referência no mercado agrícola brasileiro, marca presença no Show Rural Coopavel, que acontece de 9 a 13 de fevereiro em Cascavel (PR), apresentando novidades em seu portfólio de tratores, reforçando a estratégia de oferecer soluções alinhadas às diferentes realidades do produtor rural. Entre os destaques da feira estão o lançamento do trator MF 8S Xtra, com avanços em eficiência operacional e agricultura de precisão, as novas versões dos tratores MF 4700 e o novo modelo da série MF 7700 Dyna 6, o MF 7718, desenvolvidas com foco em robustez, simplicidade e custo-benefício.
O Show Rural Coopavel é um evento estratégico para apresentar soluções que nascem da escuta ativa do produtor. Nosso portfólio evolui para atender produtores que buscam máquinas confiáveis, simples e eficientes para o uso diário, destaca Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.
MF 8S Xtra Principal lançamento da marca na feira, o trator MF 8S Xtra chega ao mercado como uma evolução da consagrada série MF 8S, incorporando novo design e tecnologias que ampliam a disponibilidade da máquina no campo, o conforto do operador e a sustentabilidade das operações.
Entre os principais diferenciais está a hélice reversível, que permite a limpeza automática com acionamento direto na cabine, reduzindo o acúmulo de impurezas no capô e contribuindo para melhor desempenho térmico do motor, especialmente em operações de colheita de grãos.
Outro destaque é o novo design, que proporciona melhor visibilidade ao operador, mais conforto, maior rendimento operacional e aprimoramentos no acesso e na manutenção. Além disso, conta com tecnologia avançada, que contribui para maior sustentabilidade e redução do custo operacional.
O MF 8S Xtra está disponível nas potências de 265 cv, 285 cv e 305 cv, com a transmissão já renomada Dyna-VT (CVT), mantendo o exclusivo conceito Protect-U, com vão de 24 cm entre motor e cabine. Esse sistema reduz drasticamente o ruído (68Db), calor e vibrações, melhorando o conforto, a visibilidade de 360° e a eficiência do motor com ar mais frio.
Novas versões MF 4700 A Massey Ferguson também apresenta a nova versão base do trator MF 4700, desenvolvida para produtores que buscam um trator versátil, robusto e de fácil operação, especialmente em atividades de citros e pecuária.
O modelo mantém os atributos consagrados da linha 4700, com motor AGCO Power, gerenciamento eletrônico, turbo e intercooler, garantindo eficiência no consumo de combustível. A transmissão 12×12 com reversor mecânico favorece operações que exigem trocas frequentes de direção, além de oferecer simplicidade operacional e alta disponibilidade no campo.
Com capacidade de levante de 3.000 kg, vazão hidráulica de 65 litros por minuto e cabine com visibilidade 360°, o MF 4700 versão base atende uma ampla gama de implementos e se posiciona como uma solução que oferece desempenho, robustez e custo-benefício.
Trator MF 4700: transmissão 12×12 com reversor mecânico
MF 7718 Dyna 6 Outro destaque da feira é o novo modelo da série MF 7700 Dyna-6, o MF 7718, com motorização de seis cilindros e potência de 180 cv, desenvolvido para produtores que demandam força contínua, eficiência operacional e custo-benefício.
Equipado com transmissão Dyna-6 (24×24), o modelo oferece trocas automáticas de marcha e alto desempenho em diferentes aplicações. O trator já sai de fábrica preparado para piloto automático, com predisposição hidráulica, permitindo a evolução tecnológica conforme a necessidade do cliente.
O sistema hidráulico com vazão de 150 litros por minuto foi dimensionado para atender implementos exigentes, como plantadeiras pneumáticas. O MF 7718 estará disponível em três versões grãos, cana-de-açúcar e arrozeiro reforçando a proposta de soluções ajustadas às diferentes realidades regionais do agronegócio brasileiro.
Trator MF 7718 com motor de 180 cv e seis cilindros
A Massey Ferguson, marca pertencente ao grupo AGCO, acumula mais de 175 anos de experiência global na produção para a indústria agrícola. É a maior exportadora de máquinas agrícolas da América Latina e referência no mercado brasileiro há seis décadas. Os tratores, colheitadeiras, plantadeiras, implementos, pulverizadores, enfardadoras e produtos e serviços de agricultura de precisão da Massey Ferguson são comercializados em mais de 80 países, principalmente na África do Sul, na Arábia Saudita, na Argélia, na Argentina, na Bolívia, no Chile e no Paraguai. As fábricas na América do Sul ficam localizadas no Brasil em Canoas/RS (tratores), Santa Rosa/RS (colheitadeiras), Ibirubá/RS (plantadeiras e implementos), Mogi das Cruzes/SP (tratores, motores, pulverizadores e laboratório de controle de emissões) e também na Argentina, em General Rodriguez/BUE (tratores, colheitadeiras e motores). Possui uma extensa e consolidada rede de concessionárias no Brasil, com mais de 200 lojas.
A AGCO (NYSE: AGCO) é líder global no design, fabricação e distribuição de maquinário e tecnologia agrícolas de precisão. A AGCO entrega valor aos agricultores e aos clientes OEM por meio de seu portfólio diferenciado de marcas, incluindo as líderes Fendt®, Massey Ferguson®, PTx e Valtra®. A linha completa de equipamentos, soluções de agricultura inteligente e serviços da AGCO permite que os agricultores alimentem o mundo de forma sustentável. Fundada em 1990 e sediada em Duluth, na Geórgia, EUA, a AGCO registrou vendas líquidas de aproximadamente US$ 11,7 bilhões em 2024.
FSB Comunicação
Eae Máquinas - SP 30/01/2026
Trata-se de um portfólio completo de soluções voltadas à produtividade, inovação tecnológica e sustentabilidade no agronegócio
Líder no segmento de máquinas pesadas na China e uma das principais fabricantes do setor no mundo, a XCMG Brasil participa da 38ª edição do Show Rural Coopavel, em parceria com seu dealer Macromaq, levando ao evento um portfólio completo de equipamentos voltados à produtividade, inovação tecnológica e sustentabilidade no agronegócio. A feira será realizada entre os dias 09 e 13 de fevereiro de 2026, em Cascavel, Paraná.
Idealizado e organizado pela Coopavel desde 1989, o Show Rural Coopavel tem como propósito difundir conhecimentos, tecnologias e oportunidades para toda a cadeia do agronegócio. Consolidado como o primeiro grande evento do calendário agro brasileiro, o encontro reúne produtores de todos os portes, pesquisadores, técnicos e empresas nacionais e internacionais com um objetivo comum: produzir alimentos de forma sustentável e com responsabilidade socioambiental.
A edição de 2026 contará com cinco dias de evento, mais de 600 expositores e uma área de 720 mil m², totalmente preparada para a apresentação de soluções que impulsionam o desenvolvimento do campo. O foco desta edição está em inovação tecnológica e sustentabilidade, pilares que também norteiam a atuação da XCMG no Brasil.
No estande da multinacional chinesa, os visitantes poderão conhecer de perto equipamentos projetados para atender diferentes aplicações no agronegócio, desde obras de infraestrutura até atividades de apoio à produção agrícola, como:
Escavadeira XE150BR
Com 14.500 kg de peso operacional, motor de 115 hp e caçamba de 0,72 m³, a XE150BR é uma escavadeira de médio porte que alia desempenho e economia. Reconhecida pela robustez, baixo consumo de combustível e facilidade de manutenção, é a escolha ideal para aplicações no agronegócio como abertura de valas para irrigação e drenagem, açudes e tanques de psicultura, caixas de contenção, manutenção de estradas, obras de infraestrutura entre tantos outros, garantindo produtividade e confiabilidade no dia a dia.
Escavadeira XE225BR
A XE225BR é equipada com motor Cummins QSB7 TIER III e entrega 181 hp de potência, peso operacional de 22.500 kg e caçamba de 1,2 m³. Desenvolvida para operações mais exigentes, destaca-se pela alta eficiência, rapidez nos ciclos de trabalho, alta força de desagregação aliada ao baixo consumo de combustível e baixo custo operacional e de manutenção, além de um excelente desempenho em aplicações de grande porte.
Pá Carregadeira LW300KV
Versátil e eficiente, a tradicional LW300KV possui capacidade operacional nominal de até 3.000 kg, motor de 130 hp, transmissão Powershift e caçamba de 1,8 m³. Além de uma cabine ampla, ergonômica e confortável, conta com Joysticks para facilitar a operação. O equipamento oferece ampla gama de opcionais, como garfo de carregamento, garra florestal, porta bag e braço para movimentação de materiais, adaptando-se facilmente a diferentes tipos de operação.
Rolo Compactador Vibratório XS123PDBR
Projetado pelo Centro de Tecnologia da XCMG, na Alemanha, e fabricado no Brasil, o rolo compactador de solo XS123PDBR III foi desenvolvido para atender às mais variadas demandas de compactação de solo, proporcionando maior desempenho, durabilidade e eficiência para diferentes tipos de obras.
Equipado com motor Cummins de 132 hp, peso operacional de até 13,8 toneladas, utiliza sistema hidráulico Danfoss oque proporciona uma alta produtividade.
Motoniveladora GR1905BR
Com peso operacional de 16.250 kg, motor VHP de 168 a 188 hp, transmissão Powershift, sistema hidráulico com bomba de pistão, lâmina de 3.660 mm de largura e ripper traseiro, a GR1905BR é amplamente utilizada em diversas aplicações nas áreas agrícolas e obras de infraestrutura. O equipamento proporciona alto nível de precisão, produtividade e confiabilidade operacional em qualquer terreno.
Retroescavadeira XC870BR-II
A XC870BR-II combina potência e versatilidade, com peso operacional de 7.600 kg, motor de 100 hp, transmissão ZF Powershift, caçamba de carga com capacidade de 1 m³ e de escavação de 0,2 m3 e cabine fechada com ar condicionado ampla e confortável e ROPS / FOPS. Projetada para oferecer agilidade e elevado desempenho, maximiza a produtividade em aplicações rurais e em obras de infraestrutura.
Mini Escavadeira XE35U
Compacta e eficiente, a XE35U possui peso operacional de 4.200 kg, motor Yanmar de 29,5 hp e caçamba de 0,12 m³. As esteiras podem ser de metal ou borracha e conta com lâmina frontal. Com profundidade máxima de escavação de até 3.060 mm, é ideal para trabalhos em espaços reduzidos pois é giro “zero” , garantindo precisão, segurança e alta performance.
Minicarregadeira XC7-SR07
A XC7-SR07 se destaca pela tecnologia avançada, alta eficiência e segurança operacional. Com peso operacional de 2.950 kg, motor Yanmar de 67,3 hp e caçamba de 0,4 m³, permite o uso de diversos implementos, como vassoura recolhedora, garfo pallet, valetadeira, fresadora, capinadeira e trado perfuratriz. O equipamento conta com mecanismo de elevação radial, função de nivelamento unidirecional e elevada eficiência operacional. Sua cabine panorâmica, certificada com ROPS e FOPS, possui tela inteligente e sistema de monitoramento eletrônico em tempo real, garantindo máximo desempenho, segurança e confiabilidade.
Além de apresentar as máquinas, especialistas da XCMG Brasil e da Macromaq estarão disponíveis para demonstrar aplicações, esclarecer dúvidas técnicas e orientar produtores e empresários sobre as melhores soluções para cada tipo de operação.
A participação no Show Rural Coopavel 2026 marca ainda um momento estratégico para a Macromaq, que inicia oficialmente sua presença no estado do Paraná, fortalecendo a rede de atendimento e suporte da XCMG na região Sul e ampliando o relacionamento com o público do agronegócio paranaense.
Para mais informações sobre a empresa e produtos acesse: www.xcmg-america.com
Serviço
Evento: Show Rural Coopavel 2026 Local: Parque Tecnológico Show Rural Coopavel – Cascavel (PR) Data: 09 a 13 de fevereiro de 2026 Horário de visitação: das 8h às 18h
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