Valor - SP 29/01/2026
A Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou nesta quarta-feira (28) a elevação do Imposto de Importação para nove NCMs (Nomenclaturas Comuns do Mercosul) do aço por 12 meses. As alíquotas desses produtos passaram de 10,8% e 12,6% para 25%.
O colegiado também aprovou um realinhamento das alíquotas do Imposto de Importação para bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT). Pelas novas regras, NCMs com alíquota inferior a 7,2% passarão a 7,2%; aquelas entre 7,2% e 12,6% serão ajustadas para 12,6%; e as que hoje estão entre 12,6% e 20% passarão a ser tarifadas em 20%.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida é direcionada a produtos com fabricação no Brasil. Para itens sem produção nacional, permanece a possibilidade de enquadramento no regime de ex-tarifário, que reduz ou zera a alíquota de importação.
Para as NCMs que hoje têm alíquota zero e não estão enquadradas em ex-tarifários, a mudança só passará a valer a partir de 1º de março, prazo dado para que os importadores solicitem o enquadramento no regime especial. Esses pedidos terão reconhecimento provisório do ex-tarifário e, ao fim do processo, que costuma durar cerca de 120 dias, será definido se o produto permanecerá ou não nessa condição.
“O realinhamento está de acordo com movimentos internacionais atuais nesses setores, com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e busca fortalecer a indústria nacional em áreas estratégicas, bem como a resiliência das respectivas cadeias produtivas”, reforçou o MDIC.
A Camex também aprovou hoje a aplicação de direito antidumping definitivo, com vigência de cinco anos, às importações de aços pré-pintados provenientes da China e da Índia.
Ao mesmo tempo, o colegiado deliberou pela redução do imposto de importação de diversos produtos, entre eles insumos essenciais às indústrias química, têxtil e agropecuária, além de um medicamento usado no tratamento da depressão. Todos passaram a ter alíquota zero.
Exame - SP 29/01/2026
A cadeia do aço vai muito além de altos-fornos, bobinas e estruturas metálicas. Quando organizada sob a lógica da economia circular e da inovação tecnológica, ela se torna um motor estratégico de desenvolvimento econômico, social e ambiental.
Foi esse o mote do painel “Da reciclagem ao desenvolvimento de produtos tecnológicos — a cadeia do aço como uma indústria estratégica para o desenvolvimento do Brasil”, que reuniu executivos da Gerdau e da Randoncorp na Brazil House durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Ao longo do debate, ficou claro que o impacto do setor não se limita à redução de emissões. Ele passa pela geração de empregos formais, pelo fortalecimento da indústria nacional, pela eficiência energética e pela criação de soluções tecnológicas capazes de transformar cadeias inteiras — da construção civil ao transporte pesado.
Reciclagem como pilar industrial
Na Gerdau, a reciclagem se tornou um modelo de negócio. A empresa opera hoje como a maior recicladora da América do Sul, com processos produtivos baseados majoritariamente no reaproveitamento de sucata metálica — uma escolha que reduz drasticamente as emissões de carbono quando comparada à produção tradicional com minério de ferro e carvão.
“Hoje, quando produzimos aço a partir de sucata, emitimos cerca de 500 quilos de CO2 por tonelada. No processo tradicional, esse número pode chegar a duas toneladas”, afirmou Marcos Cantarino, gerente de Relações Institucionais da Gerdau. “Isso faz toda a diferença do ponto de vista climático e energético.”
A estratégia envolve acordos com a indústria automotiva, coleta de sucata pós-consumo e parcerias com governos estaduais — como em Pernambuco, onde o aço reciclado já tem aplicação direta na construção civil.
A Randoncorp transforma aço em reboques, semirreboques, sistemas de suspensão e freios
Impacto que também é social
Para além dos ganhos ambientais, o painel reforçou que a cadeia do aço sustenta um ecossistema econômico de grande escala. São milhares de empresas, milhões de toneladas processadas e um volume expressivo de empregos diretos e indiretos.
“O impacto dessa indústria não é apenas ambiental. Ele é profundamente social, porque estamos falando de empregos formais, renda e qualidade de vida para milhões de pessoas”, destacou Pedro Torres, diretor global de Comunicação Corporativa, Relações Institucionais e Sustentabilidade da Gerdau. “O aço está na base do desenvolvimento de um país.”
Circularidade na prática
Na Randoncorp, a circularidade ganha forma concreta na linha de produção. A empresa transforma aço em reboques, semirreboques, sistemas de suspensão e freios — e devolve ao sistema a sucata premium gerada nesse processo, fechando o ciclo industrial.
A Gerdau opera hoje como a maior recicladora da América do Sul, com processos baseados no reaproveitamento de sucata metálica
“Compramos o aço, transformamos em produto e devolvemos a sucata de alta qualidade para a cadeia. Isso é circularidade real, não conceito abstrato”, afirmou Joarez Piccini, diretor de Relações Institucionais da Randoncorp e presidente do Conselho do Banco Randon.
Segundo ele, a eficiência do corte, o uso máximo do material e a redução de desperdícios são decisões orientadas por tecnologia. E a inovação vai além do processo: uma das cinco verticais da empresa é dedicada ao desenvolvimento tecnológico, com destaque para o uso de minerais como o nióbio em escala nanométrica.
“Ao reduzir esses minerais em partículas muito pequenas, conseguimos produzir caminhões e trailers mais leves, mais eficientes e com menor impacto ambiental e econômico ao longo de toda a vida útil”, explicou Piccini.
Energia, inovação e competitividade
Outro ponto central do debate foi o uso de energia renovável na produção do aço. A Gerdau já combina sucata metálica com carvão vegetal de florestas plantadas e eletricidade de fontes renováveis — em alguns casos, com até 80% da matriz energética limpa.
“Não se trata apenas de emitir menos. Em algumas operações, conseguimos capturar carbono ao longo do processo, o que muda completamente a lógica ambiental da produção industrial”, disse Marcos Cantarino.
O resultado dessa equação — reciclagem, energia limpa e inovação — é um aço mais competitivo, alinhado às exigências globais de rastreabilidade, passaporte digital de produto e redução de emissões, especialmente no mercado europeu.
A mensagem final do painel foi de que quando a cadeia do aço investe em tecnologia, governança e circularidade, ela deixa de ser apenas uma indústria de base e passa a atuar como alavanca estratégica para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
Money Times - SP 29/01/2026
A CSN (CSNA3) esclareceu ao mercado que não existe nenhuma negociação concreta com compradores para o desinvestimento em seu negócio de siderurgia, após o Valor Econômico noticiar contatos informais da companhia com concorrentes para mapear potenciais interesses.
Fontes ouvidas pelo jornal apontavam que a CSN pode se desfazer de até 100% da operação siderúrgica, dando andamento ao plano de revisão estratégica de ativos.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a CSN destacou que a notícia se refere ao anúncio de plano de desinvestimentos comunicado pela companhia e que a informação de que já existem eventuais compradores e participações definidas para desinvestimento trata-se de mera especulação, uma vez que ainda não existe avanço significativo em um projeto que acabou de ser anunciado.
“Sobre o potencial interesse de vender o segmento de siderurgia, o comunicado foi categórico ao dizer que o estágio atual envolve a ‘avaliação de alternativas/parcerias com foco na maximização da geração de caixa no curto prazo’, sem que haja, até o momento, qualquer conclusão que enseje uma comunicação formal “, diz a CSN.
A companhia destaca que sequer houve contratação de assessor financeiro para essa operação específica, o que evidencia o estágio ainda inicial dessa avaliação.
Plano de desinvestimento da CSN
Neste mês, a CSN anunciou ao mercado o início de um plano para venda de parte de seus ativos importantes, com o objetivo de reduzir dívidas e fortalecer a saúde financeira da empresa.
Conforme aprovado pelo conselho de administração, a CSN pretende diminuir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões do endividamento da companhia ainda neste ano. A ideia é que, com menos dívidas, a CSN possa focar em negócios mais lucrativos e com maior potencial de crescimento.
A empresa espera que essa estratégia permita, em até oito anos, alcançar o potencial de dobrar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e atingir uma alavancagem sustentável em torno de uma vez a sua relação dívida líquida/Ebitda.
IstoÉ Dinheiro - SP 29/01/2026
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou nesta quarta-feira, 28, um conjunto de medidas de defesa comercial e realinhamento tarifário. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas são destinadas a fortalecer a competitividade da indústria nacional.
Entre as medidas, o MDIC destacou a aplicação de direito antidumping definitivo, com vigência de cinco anos, às importações de aços pré-pintados provenientes da China e da Índia.
Ainda no setor siderúrgico, foi aprovada a elevação tarifária para mais nove NCMs do aço, por doze meses. As tarifas de importação desses produtos passaram para 25%.
Na reunião desta quarta, o colegiado também decidiu pela redução de imposto de vários produtos importados, entre eles um medicamento usado para tratamento de depressão e insumos essenciais à indústria química, têxtil e agropecuária. Todos passaram a ter alíquota de 0% de imposto de importação.
Foi aprovado ainda um realinhamento das alíquotas do Imposto de Importação (II) de bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT). “Esse realinhamento está de acordo com movimentos internacionais atuais nesses setores, com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e busca fortalecer a indústria nacional em áreas estratégicas, bem como a resiliência das respectivas cadeias produtivas”, afirmou o MDIC.
A medida está direcionada para produtos que tenham fabricação no Brasil. Para o que não for produzido no território nacional, continua valendo a possibilidade de pedido de enquadramento no regime de ex-tarifário, que reduz ou mantém em zero as alíquotas de importação.
Para as NCMs que hoje possuem alíquota zero, mas não estão enquadradas em ex-tarifários, a medida passará a valer apenas a partir de 1º de março, para dar tempo para que os importadores peçam seu enquadramento no regime especial.
“Pedidos dessa natureza, para essas NCMs, terão o reconhecimento provisório do ex-tarifário, e, ao final do processo, que costuma durar 120 dias, será definido se o produto permanece ou não nessa condição”, finalizou a pasta.
Infomoney - SP 29/01/2026
A decisão dos Comitês de Política Monetária do Brasil e dos Estados Unidos sobre o patamar da taxa básica de juros ainda não foi anunciada, mas as gestoras de fundos multimercados ouvidas na pesquisa Pré-Copom da XP são unânimes: nada deve mudar nos juros atuais — em 15% ao ano no Brasil e entre 3,5% e 3,75% ao ano nos EUA.
A grande mudança na percepção macroeconômica captada pela pesquisa não vem de dinâmicas locais, mas de fora. O levantamento aponta que o cenário global passou a exercer dominância sobre os indicadores domésticos.
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Esse fluxo é relevante porque, ao encontrar um ambiente externo mais “benigno”, o investidor estrangeiro aumenta o apetite por risco em países emergentes, o que valoriza a moeda brasileira e, por consequência, ajuda a controlar os preços internamente, derrubando a inflação e abrindo espaço para cortes de juros futuros.
Em um ano, a projeção das gestoras para os juros mudou significativamente. Em janeiro de 2025, elas estimavam que a Selic estaria em 15% ao fim de 2026. Agora, essa projeção recuou para 11,8%.
O raciocínio que guia os gestores é que, quando os juros nas grandes economias (especialmente nos EUA) estabilizam e o cenário global se torna mais favorável, o real ganha força. Um real mais valorizado reduz o custo de produtos importados e commodities, o que atua como um “freio natural” para a inflação brasileira.
Com a inflação sob controle via câmbio, o Banco Central ganha espaço para projetar juros menores no futuro. De acordo com o relatório da XP, essa dinâmica explica por que as expectativas para o final de 2026 melhoraram drasticamente, mesmo diante de ruídos fiscais que antes pressionavam o mercado.
Risco local e ganho externo
Em relação à Bolsa, o levantamento da XP aponta para uma redução na convicção dos gestores quanto aos ativos domésticos (B3). O percentual de posicionamento “comprado” recuou para 42%, frente aos 64% observados em setembro.
Esse movimento de cautela local é acompanhado por um aumento do apetite pelo mercado acionário norte-americano (offshore EUA), evidenciando que, diante da volatilidade interna, as casas de gestão preferem capturar a recuperação econômica diretamente no cenário global.
Segundo a pesquisa com gestoras da XP, esse realinhamento reflete a atual dominância do fator macro global, que tem levado os investidores a preterir, momentaneamente, o risco específico das ações brasileiras em prol de mercados internacionais mais consolidados.
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Juros em queda
A mudança na percepção de longo prazo é um dos destaques da pesquisa. Em janeiro de 2025, o mercado projetava uma Selic de 15% para o final de 2026, em um contexto de “incertezas fiscais e inflação resiliente”.
O cenário agora é outro. Um ano depois, a projeção caiu para 11,8% ao fim de 2026 — enquanto a mediana de mercado, de acordo com o Boletim Focus, está em 12,5%.
Segundo a equipe de economistas da XP, composta por Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini, as projeções foram mudando ao longo de 2025 “à medida que o ambiente externo se tornou mais favorável e o real passou a se fortalecer”.
Inflação
O otimismo com o cenário externo refletiu diretamente nas expectativas para o IPCA. Após atingirem um pico de 4,7% em meados de 2025, as projeções para a inflação de 2026 recuaram para 4,0% no levantamento atual.
Esse movimento coloca os gestores em alinhamento com as projeções do Boletim Focus, consolidando a visão de que o choque de custos foi absorvido pela valorização cambial.
Fonte: Pesquisa com gestoras XPValorização do real
O posicionamento dos gestores reflete essa confiança na moeda local. Atualmente, 72% das gestoras consultadas estão “compradas” em real (apostando na sua valorização), uma alta expressiva frente aos 33% registrados em janeiro de 2025.
O “Kit Brasil” — que combina juros ainda elevados com uma moeda fortalecida pelo cenário externo — tornou-se a estratégia predominante entre os multimercados macro, segundo a pesquisa.
“Apetite ao risco”
O novo cenário impulsionou a performance dos fundos multimercados, que voltaram a apresentar resultados acima do CDI no curto prazo. Com maior clareza sobre a trajetória dos juros e o comportamento do câmbio, as gestoras aumentaram a convicção em suas teses.
Segundo a XP, houve um aumento no “apetite a risco”, com os gestores saindo de posições defensivas para estratégias mais direcionais.
Ainda assim, a corretora reitera a recomendação de cautela para o investidor pessoa física: “Investimentos nos mercados financeiros estão sujeitos a riscos de perda superior ao valor total do capital investido”, lembra o relatório, que sugere um horizonte de 36 meses para alocação nessa classe de ativos.
Veja - SP 29/01/2026
A CNI divulgou nota, há pouco, para dizer que recebe “com enorme preocupação” a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano.
Segundo a entidade, a cautela, defendida pelo Banco Central, ignora a queda da inflação e os danos que o atual patamar da Selic causa à sociedade.
“O Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo. Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.
Para a CNI, ao manter os juros em 15%, o Banco Central desconsidera diversos sinais que tornavam possível a redução da Selic de forma imediata. “O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, subiu 4,26% em 2025; abaixo do teto de inflação (4,5%), e do IPCA de 2024 (4,83%)”, diz a entidade.
Já as expectativas de inflação caminham para o centro da meta, que é de 3%. De acordo com as últimas projeções do Boletim Focus, o IPCA deve fechar 2026 com alta de 4%, ante 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028.
Além disso, as projeções do Banco Central apontam inflação de 3,1% no horizonte relevante da política monetária, quando se considera o cenário de redução de taxa de juros do Boletim Focus.
IstoÉ Dinheiro - SP 29/01/2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2027 em 3,2%. Na reunião desta quarta-feira, 28, esse se tornou o horizonte relevante da política monetária.
A projeção segue ligeiramente acima do centro da meta, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no relatório Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC. Hoje, as medianas indicam que a Selic estará em 12,25% no fim deste ano e vai cair a 10,50% no fim de 2027.
Nesta quarta, o Copom manteve a Selic em 15,0%, em uma decisão unânime. A decisão era esperada por 36 das 37 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Ao justificar a decisão, o colegiado disse que os riscos para inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. O BC citou três riscos de alta da inflação: “uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Entre os riscos de baixa, o Copom elencou “uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”.
A cotação do dólar usada pelo comitê nas suas projeções permaneceu em R$ 5,35. A mediana do Focus para o IPCA de 2026 passou de 4,16% na reunião anterior para 4,00% agora. Para 2027, permaneceu em 3,80%.
A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 passou de 3,5% para 3,4%.
Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.
Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou as suas projeções para a inflação de preços livres em 2026 (3,6% para 3,5%) e manteve em 3,1% no terceiro trimestre de 2027. A projeção para os preços administrados passou de 3,2% para 3,0% este ano e de 3,2% para 3,3% no horizonte relevante.
Juros reais
Com a manutenção da Selic em 15%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, de 9,23%, segundo ranking do site MoneYou. O País está atrás apenas da Rússia, com 9,88%. A Turquia aparece em terceiro lugar, com 6,45%. Depois, figuram no ranking México (5,39%) e Argentina (7,63%).
O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula, nem deprime a economia – é de 5,0%.
IstoÉ Dinheiro - SP 29/01/2026
O Bradesco afirma que a novidade na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) desta quarta-feira, 28, foi “a sinalização de que a estratégia envolve calibrar o nível de juros, explicitando que antevê o início dos cortes de juros na próxima reunião”. Ainda assim, o banco nota que a autarquia não se comprometeu com o ritmo de flexibilização.
“Segundo o BC, o ambiente ainda é de incertezas, trazendo a necessidade de cautela na condução da política monetária”, afirma o Bradesco, em nota a clientes.
O cenário do Bradesco já era de redução de 0,5 ponto porcentual na Selic em março, com a taxa indo para 12% ao ano até o fim de 2026.
“O Copom avalia que sua atual estratégia tem se ‘mostrado adequada’ com seu objetivo de convergência da inflação para o redor da meta. Mais do que isso, como a inflação desacelerou e há mais sinais de transmissão da política monetária, agora a estratégia passa por calibrar o tamanho da restrição. Como a inflação está desacelerando em 12 meses, o aperto monetário será maior caso o BC não comece a calibrar juros, e essa preocupação apareceu na comunicação”, acrescenta.
O Estado de S.Paulo - SP 29/01/2026
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve os juros estáveis nos Estados Unidos pela primeira vez desde julho passado e evitou dar sinais de quando voltará a cortar as taxas na maior economia do mundo. Sob pressão de Washington, a autoridade monetária não quer declarar vitória contra a inflação antes da hora, sobretudo com o risco de um novo “shutdown” (paralisação de atividades por falta de verbas) batendo à porta do governo do presidente Donald Trump.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros estáveis na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano em sua primeira decisão de política monetária de 2026. A manutenção era amplamente esperada por Wall Street, mas não foi unânime. Os diretores Stephen Miran e Christopher Waller defenderam um corte de 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual).
Apesar disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, evidenciou grande apoio dos dirigentes à decisão. “Houve amplo apoio no Comitê para manter a taxa de juros hoje, inclusive entre os membros que não votam”, disse, ponderando que alguns dirigentes não queriam cortes e discordaram da definição.
Powell, contudo, evitou dar pistas sobre os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos, condicionando as decisões futuras aos dados econômicos do país. Segundo ele, o Fomc está preparado para agir a cada reunião, diante dos efeitos transitórios das tarifas na inflação e “alguns sinais” de estabilização do mercado de trabalho americano.
Para o economista-chefe do Morgan Stanley para os EUA, Michael T Gapen, o Fed optou por uma “pausa dovish” (de alívio nos juros) e condicionou futuros cortes nos juros ao comportamento da inflação no país. Os comentários de Powell foram um sinal de que o BC dos EUA ainda vê um horizonte de mais flexibilização monetária à frente.
Os ponteiros de Wall Street pouco se mexeram, com as chances de um corte de juros de 0,25 ponto porcentual somente em junho, permanecendo como a principal aposta dos investidores (47,5%), segundo levantamento da plataforma americana CME Group. Esse é o cenário-base de casas como Morgan Stanley, Goldman Sachs, Bank of America e Barclays.
“A previsão do Fed e nossa interpretação da coletiva de imprensa é que o Comitê provavelmente espera reduzir as taxas de juros somente depois de observar evidências de que a inflação está desacelerando”, diz Gapen.
E o efeito das tarifas de Trump?
Powell alertou que a instituição precisa seguir atenta aos efeitos das tarifas a importados sobre a inflação, já que ainda não se sabe quão rápido o impacto chegará aos consumidores.
Muitas empresas, afirmou, estão dispostas a repassar esses custos. “Essa é uma das razões pelas quais precisamos manter nosso olho na inflação e não declarar vitória prematuramente”, disse o presidente do Fed.
O alerta de Powell ocorre em meio aos riscos crescentes de os EUA enfrentarem uma nova paralisação da máquina pública sem nem terem eliminado todos os efeitos do shutdown anterior.
Há uma negociação em andamento entre o Congresso americano e a Casa Branca sobre o financiamento do governo, mas representantes do partido Democrata ameaçam forçar o desligamento do funcionalismo público novamente a partir do próximo sábado, 31 de janeiro, em retaliação à repressão do governo Trump à imigração em Minnesota.
“O shutdown provavelmente afetou a atividade econômica no último trimestre, mas esses efeitos devem ser revertidos à medida que a reabertura impulsiona o crescimento neste trimestre”, disse o presidente do Fed a jornalistas.
Sucessão no Fed
O Bank of America continua “confiante” de que o Fed não fará novos cortes em março e abril, nas duas últimas reuniões do Fomc sob a gestão de Powell. Assim, o BC dos EUA deve voltar a acionar sua tesoura em junho e julho, prevê. No entanto, a política monetária americana dependerá muito da composição do Comitê, diz.
“A decisão de Powell sobre permanecer ou não como dirigente é um fator crucial nesse processo. Observamos um risco crescente de que ele permaneça”, afirma o economista do Bank of America, Aditya Bhave.
Questionado sobre se já havia tomado uma decisão, Powell desconversou e disse não ter nada a comentar. Embora seja alvo de uma investigação criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ), manteve postura descontraída durante a tradicional coletiva de imprensa, num clima de despedida.
‘Não se envolva na política eleitoral’
Powell evitou antecipar detalhes de uma futura transição, mas foi direto no recado ao seu sucessor: “Honestamente, eu diria algumas coisas. Uma delas é: fique longe da política eleitoral. Não se envolva na política eleitoral. Não faça isso.”
Enquanto as expectativas para os juros permaneceram sem grandes oscilações, a corrida para o sucessor de Powell mexeu nos mercados de apostas. Waller, do Fed, viu suas chances crescerem após defender corte de juros de 0,25 ponto porcentual na reunião desta quarta-feira.
Apesar disso, o favorito para presidir o Fed continua sendo o diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder, que destronou recentemente o ex-diretor do BC americano Kevin Warsh. Na Polymarket, a probabilidade de seu nome ser escolhido caiu para 33%, seguida por Warsh, com 28%, e Waller, que avançou para 18%.
“A única surpresa desta reunião foi o voto dissidente do Waller, com Stephen Miran”, diz a economista da Pimco, Tiffany Wilding. O diretor tem defendido cortes nos juros, mas suas falas anteriores à reunião desta quarta-feira não apontaram argumentos convincentes para uma flexibilização adicional urgente, avalia.
Infomoney - SP 29/01/2026
Em meio ao rali das ações neste início do ano, a Vale (VALE3) divulgou seus dados operacionais do quarto trimestre de 2025 (4T25) na última terça-feira (27), com números considerados positivos pelos analistas de mercado.
A mineradora reportou produção de minério de ferro de 336,1 milhões de toneladas em 2025, aumento de 2,6% na comparação com 2024, passando pela primeira vez desde 2018 o total produzido pela concorrente Rio Tinto em Pilbara, principal polo produtor da gigante australiana. A empresa brasileira, desta forma, superou a produção total de 327,3 milhões de toneladas da anglo-australiana e voltou a ser a maior produtora global do insumo.
A Vale perdeu a liderança em minério de ferro para a Rio Tinto em 2019, após impactos do rompimento de sua barragem em Brumadinho (MG), o que demandou uma profunda revisão dos projetos da companhia em busca de maior segurança devido ao desastre que matou centenas de pessoas.
Mas nos últimos anos a Vale ampliou a produção novamente, ganhando terreno frente à Rio Tinto, o que levou o presidente da mineradora brasileira, Gustavo Pimenta, a comentar recentemente em várias oportunidades que a companhia recuperaria o posto de número 1 em minério de ferro.
Em relatório, a XP ainda destaca um desempenho sólido de cobre, com produção/vendas em alta de 6% na base anual, impulsionado pelo aumento da produção em Salobo (que entregou volumes recordes) e Sossego, enquanto os preços realizados aumentaram +US$ 1.185/t (tonelada) na base trimestral (devido ao aumento dos preços de referência LMEs). Já a produção de minério de ferro avançou cerca de 6% na comparação anual (+1% ante a estimativa da XP), com embarques de finos de minério de ferro subindo 7% ante o 4T24 (em linha com a estimativa da XP), impulsionados por volumes maiores em Brucutu e aumento de Vargem Grande e Capanema. Enquanto isso, os volumes de vendas de Pelotas caíram 10% ano a ano.
O JPMorgan aponta que o trimestre foi sólido em todos os segmentos. Enquanto a produção de minério de ferro e cobre atingiu seus maiores níveis desde 2018 – com 336 milhões de toneladas e 382 mil toneladas (kt), respectivamente – a produção de níquel também foi a mais forte desde 2022.
O segmento de metais básicos também apresentou um trimestre forte, com a produção e as vendas de cobre superando as estimativas da JPMorgan e os volumes de níquel mostrando crescimento ano a ano, particularmente no Brasil. “No geral, os números reportados demonstram consistência operacional e progresso em direção às metas estabelecidas”, apontou o JPMorgan, projetando uma reação positiva aos números reportados.
Vale: suspensão das operações nas minas Fábrica e Viga é um risco para as ações?
Analistas veem desenvolvimento ligeiramente negativo para a Vale por conta do risco operacional, mas não veem impacto para a produção
O Goldman Sachs avalia que a produção de minério de ferro da Vale no 4º trimestre de 2025 ficou em linha com as estimativas do banco e do consenso do mercado; já a produção de cobre superou as estimativas do Goldman Sachs e do consenso em 14-19%, devido à melhoria geral da produção (níquel 5% mais forte). “Acreditamos que a contínua melhora no desempenho dos metais básicos provavelmente levará os investidores a reavaliar a empresa após anos de decepções”, aponta o banco americano.
Em termos anuais, a Vale tem apresentado recordes de 4 a 8 anos, mas observa que o esgotamento em Serra Norte continua elevado (em 10% em 2025), embora mais do que compensado por esforços em outras áreas.
“Acreditamos que o principal potencial de alta daqui para frente está relacionado à estabilização da produção nesse negócio”, avalia.
O banco lembra que a ação da Vale acumula alta de 17% no ano, após um sólido aumento em 2025. A forte valorização foi impulsionada principalmente por uma combinação de fluxos positivos para o Brasil (a Vale superou seus pares em 30% e 20% em 2025 e no acumulado do ano), mas também por uma alta geral nos preços das commodities, que tem sustentado o setor, e por um bom desempenho operacional (também destacado no relatório de produção).
“A partir daqui, acreditamos que a narrativa para a mineração deve continuar sendo sustentada por uma combinação de dólar mais fraco, taxas de juros em queda e riscos geopolíticos crescentes que favorecem os investimentos em ativos físicos. Também acreditamos que a Vale tem uma boa estratégia para equilibrar o portfólio de minério de ferro e crescer no cobre”, aponta.
O Goldman segue vendo a avaliação atraente em termos relativos, com a Vale negociando a 11% do fluxo de caixa livre anual à vista, contra 5% para as concorrentes Rio/BHP.
“A Vale também tem uma estratégia de alocação de capital com risco limitado de fusões e aquisições e desempenho operacional em melhoria. Os investidores domésticos com quem conversamos também estão cautelosos em relação às principais commodities no Brasil (incluindo petróleo, proteína, aço e celulose), e a Vale se destaca em termos de retorno de fluxo de caixa livre e pode ser relativamente defensiva entrando em um ano eleitoral em 2026”, avalia.
Por outro lado, o risco é que os preços do ferro já tenham atingido o pico do ciclo e o Goldman Sachs espera uma correção de 8% até o final de 2026. O Goldman segue com recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de US$ 13,80 para os ADRs (recibo de ações negociados em Nova York). O JPMorgan também tem recomendação equivalente (overweight, ou exposição acima da média), enquanto o BBI tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, também equivalente à compra), com preço-alvo de US$ 15 para o ADR.
Já a XP Investimentos reiterou recomendação neutra para Vale, principalmente diante de expectativas de redução dos preços do minério de ferro após o período de reabastecimento, embora reconheça a melhora no momento de curto prazo para as ações.
Diário do Comércio - MG 29/01/2026
A indústria mineradora do Brasil teve um incremento no Produto Interno Bruto (PIB). A atividade nacional avançou 1,7% na comparação entre o 3º trimestre de 2025 e o período imediatamente anterior, segundo o Boletim da Indústria Mineral, publicado pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). O fator determinante para o bom resultado foi o aumento da produção de petróleo e gás natural, refletindo o maior dinamismo do pré-sal, associado à entrada em operação de novos poços e à ampliação da capacidade produtiva das plataformas. Esse movimento resultou em recorde de produção do segmento entre julho e setembro.
A mesma performance não ocorreu em Minas Gerais durante o mesmo período. O Estado foi no sentido oposto do País, tendo um recuo do PIB da indústria mineral de Minas Gerais de 5,0% no 3º trimestre frente ao trimestre anterior. A retração está associada principalmente a paradas de manutenção programadas em importantes operações de minério de ferro no Estado, como da Anglo-American. Esse comportamento também se refletiu na produção do setor, que registrou queda de 4,3%.
Preço do minério ajudou a atenuar situação
Ainda assim, o avanço do preço médio trimestral do minério de ferro entre julho e setembro contribuiu
para atenuar os impactos negativos sobre o desempenho do setor. No acumulado do ano até o 3º trimestre, o PIB da indústria mineral nacional avançou 7,4%, resultado explicado, sobretudo, pelo forte desempenho do segmento de petróleo e gás. Por sua vez, o PIB da indústria mineral de Minas Gerais recuou 1,2% no período, como reflexo das paradas de manutenção realizadas pelos principais players do setor.
No 3º trimestre de 2025, as exportações da indústria mineral de Minas Gerais cresceram cerca de 17% tanto em valor como em volume. Em contrapartida, as importações recuaram de forma expressiva, o
que pode indicar arrefecimento da demanda interna. Com isso, o saldo da balança comercial do setor avançou 21,4% em valor e 18,5% em volume. Ainda assim, no acumulado do ano, o desempenho segue negativo, especialmente em termos de valor.
Para o fechamento de 2025, a expectativa, segundo o boletim da Fiemg, é que o PIB da indústria mineral nacional encerre o ano com crescimento de 6,7%. Já em Minas Gerais, projeta-se recuperação da atividade no último trimestre, permitindo que o setor finalize o ano com expansão de 1,9%, em função da retomada das operações.
Bom resultado na geração de empregos
No 3º trimestre de 2025, o Brasil registrou a criação de 2.881 empregos formais na indústria mineral.
Nesse contexto, destacou-se a extração de minerais metálicos, responsável por 1.776 vagas, o
equivalente a 62% do saldo total do setor.
Em Minas Gerais, no mesmo período, o saldo de empregos formais na indústria mineral alcançou 857 vagas, correspondendo a 30% do total gerado nacionalmente. Além disso, assim como observado no cenário brasileiro, a extração de minerais metálicos liderou a geração de postos de trabalho no Estado.
Com isso, no 3º trimestre, Minas Gerais contabilizou 78.721 trabalhadores no setor, representando 29% do estoque nacional. Em ambos os recortes, a extração de minerais metálicos concentra a maior parcela do emprego setorial, refletindo a relevância do minério de ferro, principal commodity mineral exportada pelo Estado.
O Estado de S.Paulo - SP 29/01/2026
A região de Congonhas, em Minas Gerais, registrou um terceiro episódio de vazamento na região. Desta vez, a situação registrada envolve a CSN Mineração. A prefeitura informou que, após vistorias, entre sexta-feira, 23, e terça-feira, 27, foi identificado “carreamento de resíduos por enxurrada, decorrentes de deficiências nos sistemas de drenagem das vias internas da mineradora”.
A fiscalização ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas identificou que o carreamento na área interna é da CSN Mineração. A prefeitura destaca que não foi identificada qualquer situação de rompimento das estruturas.
A CSN Mineração diz que, segundo manifestação da própria prefeitura de Congonhas, foi constatado que não houve qualquer extravasamento, transbordamento, rompimento ou anormalidade em quaisquer das estruturas de barragem ou contenção de sedimentos da Companhia.
“A CSN esclarece que esse carreamento está relacionado exclusivamente à drenagem de estradas de terra e acessos da região, assim como o eventual carreamento de galhos em decorrência das fortes chuvas, sem qualquer relação com barragens ou com as atividades operacionais da Companhia. Esse esclarecimento é primordial para evitar interpretações equivocadas e pânico desnecessário”, diz a empresa.
De acordo com a CSN, as estruturas inspecionadas têm a função de contenção de sedimentos e passam por manutenções e limpezas periódicas. “Assim, as intervenções realizadas são rotineiras, fazem parte do plano de chuvas da CSN Mineração e visam ampliar a capacidade de drenagem e reforçar a segurança da área”, diz.
As vistorias foram realizadas após o recebimento de denúncias e tiveram caráter preventivo e técnico, segundo a nota da prefeitura.
“No Dique do Fraille, na região do bairro Plataforma, verificou-se carreamento significativo de resíduos, situação que motivou a exigência de adequações estruturais, de forma que a estrutura passe a suportar adequadamente o elevado volume de material proveniente de diferentes direções, evitando riscos de extravasamento”, afirma a prefeitura de Congonhas.
“Já na Cachoeira de Santo Antônio, foi observado carreamento de material por fortes enxurradas no sentido do Rio Santo Antônio", acrescenta.
A secretaria de Meio Ambiente emitiu comunicações e ofícios em caráter emergencial, ainda na sexta-feira, 23, solicitando à CSN Mineração esclarecimentos técnicos atualizados sobre a integridade, a estabilidade e a gestão de riscos das estruturas associadas à atividade minerária no município. A empresa respondeu dentro do prazo estabelecido, segundo a prefeitura, informando que não foram identificadas anomalias estruturais.
A vistoria identificou problemas de drenagem e danos ambientais decorrentes do carreamento de resíduos da atividade minerária que atingiram corpos d’água, classificados como de natureza moderada.
A Defesa Civil Municipal também realizou vistoria na área na tarde desta terça-feira, 27, após denúncia de moradores, e confirmou as mesmas condições identificadas pela fiscalização ambiental.
“A prefeitura de Congonhas segue acompanhando a situação de forma rigorosa e permanente, mantendo o monitoramento técnico das áreas afetadas e adotando todas as providências legais necessárias para a proteção do meio ambiente, a prevenção de novos impactos e a segurança da população”, disse em nota.
Suspensão de alvarás da Vale
A prefeitura de Congonhas suspendeu os alvarás de funcionamento da Vale município na segunda-feira, 26, após o vazamento de água de duas estruturas de drenagem (sumps) para rios e córregos da cidade.
O primeiro vazamento ocorreu na mina chamada Fábrica, no domingo, 25. Poucas horas depois, no mesmo dia, vazou água na mina Viga. Cerca de 200 mil metros cúbicos de água vazaram para rios de Congonhas.
Em nota, a Vale afirmou, na ocasião, que iria se manifestar dentro dos prazos legais sobre as exigências feitas pelo município, colaborando integralmente com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos necessários.
Infomoney - SP 29/01/2026
Os contratos futuros do â minério de ferro ampliaram as quedas nesta quarta-feira, com a interrupção gradual dos projetos de construção no período que antecede o Ano Novo Lunar da China pesando sobre a demanda por aço e matérias-primas.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com perda de 0,7%, a 783 iuanes (US$112,74) a tonelada.
O minério de ferro de referência de março na Bolsa de Cingapura caía 0,79%, a US$103 a tonelada.
A demanda de aço downstream tem diminuído gradualmente junto com a interrupção dos projetos de construção no período que antecede o feriado chinês do Ano Novo Lunar, de acordo com a corretora chinesa Everbright Futures.
A produção de minério de ferro da mineradora brasileira Vale subiu para 336,1 milhões de toneladas em 2025, informou a empresa na terça-feira, marcando a primeira vez desde â 2018 que â sua produção superou a das operações Pilbara da rival Rio Tinto na Austrália.
Um aumento nos embarques de minério de ferro do Brasil exercerá pressões baixistas sobre os preços do minério de ferro na China.
A expectativa é de que os embarques brasileiros sofram uma retração sazonal à medida que o país entra em sua estação chuvosa. No entanto, os estoques portuários altos devem compensar possíveis efeitos da redução dos embarques, de acordo com uma nota do Shanghai Metals Market (SMM).
Transpodata - SP 29/01/2026
O ano de 2025 foi positivo para a JCB no mercado brasileiro, onde atua há 25 anos. Além do lançamento de uma pá carregadeira destinada especialmente para o segmento agro, a fabricante de máquinas apurou crescimento de 7,1% na operação local. “Foi um ano complexo, mas fechamos no verde. Tivemos instabilidades na infraestrutura, tanto no âmbito nacional, com a elevada taxa de juros, quanto internacional, como o tarifaço imposto pelo presidente norte-americano. Ainda assim, encerramos com crescimento de 7,1% em comparação a 2024, considerando o período de janeiro a outubro”, revela Adriano Merigli, presidente da JCB América Latina.
Segundo o executivo, o número ratifica o propósito da companhia, anunciado em meados de 2024, de dobrar de tamanho até 2030. À época, a companhia informou o investimento de meio bilhão de reais, dos quais cerca de R$ 360 milhões na expansão das operações e modernização da fábrica de Sorocaba (SP), que abastece as Américas do Sul e Central. “O resultado positivo está em consonância com o planejamento estratégico da empresa e tal marca deve-se a diversos fatores, como a soma dos esforços da bem capilarizada rede de distribuição, com 64 pontos dispostos em todo o território nacional, e as alternativas oferecidas pelo JCB Finance aos clientes, com taxas subsidiadas para financiamento, além de oferta de planos de consórcio”, frisou.
Carlos França, diretor de vendas e marketing, ressalta que o ano começou com indefinições, com alta na restrição de crédito. “Ainda assim, 2025 foi um ano para ser celebrado. Conseguimos superar as estimativas iniciais, crescendo tanto em números absolutos de vendas quanto em unidades comercializadas, mas também em participação de mercado, o que está no caminho do principal objetivo, contemplado no planejamento estratégico, que é dobrar de tamanho em cinco anos”, assinalou.
O diretor de pós-venda Felipe Battistella acrescentou que o parque de máquinas da JCB cresceu e a área conseguiu acompanhar a evolução. “Tivemos incremento de cerca de 70% na quantidade de planos de manutenção”, afirmou. Para atingir tais níveis de satisfação, a JCB aumentou em 20% o efetivo de técnicos em todo o Brasil, além de criar uma área de desenvolvimento de competências. Também houve investimento no inventário de peças, localizado no centro de distribuição, localizado em Jundiaí (SP) e que atende parte da América do Sul, além do mercado nacional.
Crescimento diversificado
Na análise dos executivos da JCB, houve dificuldades no setor agrícola em boa parte de 2025 em razão do tarifaço dos Estados Unidos. A empresa também sentiu a restrição de crédito, muito por conta das linhas de repasse do BNDES. Apesar desse cenário, a fabricante registrou alta nos demais setores em que atua, como construção civil e mineração, onde vem ganhando espaço a cada ano, com crescimento uniforme em todo o Brasil. “Seguimos fazendo muita diferença em licitações e em órgãos públicos, como prefeituras, mercado que cresceu quase 60% em comparação a 2024. Isto ajudou a compensar o impacto no segmento agro. As locadoras mantiveram nível de forte alta já que, por conta das taxas de juros, o mercado de locação passou a ser uma opção para o cliente final”, analisou Adriano Merigli.
Felipe Battistella comenta que a JCB tem registrado crescimento em todos esses segmentos e, para tal, oferece respaldo no pós-venda. Ele destaca o setor de mineração, que exige muito em produtividade e disponibilidade das máquinas. “Estamos criando modelos para atender a esse setor, que demanda bem mais em termos de produtividade”, observou.
Em 2026, a JCB mantém foco no agro e anuncia a entrada em novo segmento. Serão modelos de plataformas elevatórias para atender os clientes dos setores de construção, agro e movimentações e elevações. “Continuaremos com foco no mercado agrícola, pois há a expectativa de retomada e aceleração dos negócios, tanto que temos visto sucessivas safras recordes. Razão para estarmos formatando uma rede de distribuição específica com foco nesse segmento, além de desenvolver portfólios e equipes dedicadas já a partir de 2026”, informa Carlos França. Embora projete um ano de desafios, Merigli confirma lançamentos e expansão da rede de distribuição. Já estão confirmadas unidades em São Paulo e Minas Gerais.
IstoÉ Dinheiro - SP 29/01/2026
A Abimaq, entidade que representa a indústria de máquinas e equipamentos, prevê crescimento de 4% das vendas neste ano, entre mercado interno e embarques ao exterior. Em 2025, a indústria de bens de capital teve aumento de 7,3% na receita líquida total, mas mostrou perda de fôlego à medida que os juros altos passaram a pesar nos investimentos ao longo do segundo semestre.
Conforme Cristina Zanella, diretora de economia da Abimaq, a tendência é que essa desaceleração continue, tendo em vista a elevada taxa de juros, a perda de tração da atividade econômica e as dificuldades para exportar.
Em coletiva de apresentação dos resultados finais do ano passado, ela observou que a safra de grãos deve crescer menos em 2026, impulsionando em menor intensidade a demanda por máquinas agrícolas, ao passo que o endividamento das famílias traz preocupação sobre o desempenho da indústria de bens de consumo.
Nos mercados internacionais, acrescentou Zanella, o cenário segue conturbado, com o tarifaço dos Estados Unidos comprometendo os embarques a um dos principais destinos das máquinas brasileiras no exterior. O prognóstico da Abimaq é de que as exportações vão andar de lado em 2026, também levando em conta um dólar menos propício a exportadores, dada apreciação do real.
“Na melhor das hipóteses, teremos um nível de exportação parecido com o de 2025”, comentou a diretora de economia da Abimaq.
No mercado doméstico, as importações, que representam 46% do consumo nacional de máquinas, com avanço da concorrência chinesa, devem continuar sendo uma ameaça.
Apesar disso, a Abimaq prevê crescimento de 5,6% das vendas no mercado interno, num prognóstico que se sustenta também nos pedidos vindos do setor de infraestrutura, onde há perspectiva de aumento das obras públicas em ano de eleição.
Terra - SP 29/01/2026
As vendas da indústria de máquinas tiveram, em 2025, crescimento de 7,3%, como resultado da reação dos investimentos em bens de capital no País. No total, a receita líquida do setor chegou a R$ 299 bilhões, conforme mostra o balanço final de 2025 divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
As vendas internas subiram 8,4%, somando R$ 221,7 bilhões. Já as exportações, em dólares, avançaram 5%, para US$ 13,8 bilhões, com embarques, sobretudo, aos vizinhos da América do Sul compensando o impacto do tarifaço nos Estados Unidos.
No ano passado, os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil tiveram alta de 7,9%, para R$ 411 bilhões, incluindo aqui as importações, cujo aumento, em dólares, foi de 8,3%, para US$ 32,2 bilhões.
A Abimaq menciona que as indústrias de bens de consumo e extrativas puxaram os investimentos, com as obras de infraestrutura. Os produtores agrícolas, cujas compras de máquinas nacionais subiram 6,7%, também ajudaram. A entidade chama a atenção, porém para a queda de 6% dos investimentos em máquinas no último trimestre.
As exportações, por sua vez, reagiram após o recuo de 7,8% registrado em 2024, puxadas pelos embarques para Argentina (aumento de 38,4%), Chile (17%) e Peru (22,5%). Também houve crescimento expressivo, de 74,3%, nas exportações para Singapura.
Como foram as vendas para os EUA?
Por outro lado, houve queda de 9,1% nas vendas aos Estados Unidos, refletindo a elevação das alíquotas pagas pelas máquinas brasileiras no mercado americano. Com isso, a participação dos Estados Unidos nas exportações totais do setor encolheu de 27% para 23% no ano passado.
O balanço da Abimaq mostra também que as máquinas chinesas seguem avançando, já representando quase um terço das importações totais (32,5%) após o crescimento de 12,1% em 2025.
Segundo a entidade, as importações de máquinas e equipamentos são 46% do consumo nacional. Essa participação dobrou em uma década, em razão, principalmente, das compras de máquinas chinesas.
Os números de dezembro
Considerando apenas os resultados de dezembro, as vendas da indústria de máquinas e equipamentos, entre mercado interno e exportações, encolheram 3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Na margem — ou seja, ante novembro —, a queda foi de 9,9%, com a receita líquida do setor somando R$ 21,2 bilhões.
O resultado decorre da redução, no comparativo interanual, de 10,5% nas vendas internas, para R$ 13,4 bilhões. Já as exportações, medidas em reais, tiveram aumento de 13,2%, somando R$ 7,8 bilhões.
Apesar do resultado negativo no mês passado, a Abimaq informa que o uso de capacidade instalada nas fábricas de máquinas e equipamentos chegou a 78,4%, acima dos 73,2% de dezembro de 2024. A carteira de pedidos recuperou em dezembro parte da queda acumulada desde junho.
A Abimaq também reportou a abertura de 15,5 mil vagas de trabalho durante 2025. Agora, as fábricas de bens de capital empregam 414,3 mil pessoas.
Qual é a expectativa para 2026?
A Abimaq prevê crescimento de 4% das vendas neste ano, entre mercado interno e embarques ao exterior. Conforme Cristina Zanella, diretora de economia da Abimaq, a tendência é de que essa desaceleração continue, tendo em vista a elevada taxa de juros, a perda de tração da atividade econômica e as dificuldades para exportar.
Ela observou que a safra de grãos deve crescer menos em 2026, impulsionando em menor intensidade a demanda por máquinas agrícolas, ao passo que o endividamento das famílias traz preocupação sobre o desempenho da indústria de bens de consumo.
Nos mercados internacionais, acrescentou Zanella, o cenário segue conturbado, com o tarifaço dos Estados Unidos comprometendo os embarques a um dos principais destinos das máquinas brasileiras no exterior.
O prognóstico da Abimaq é de que as exportações vão andar de lado em 2026, também levando em conta um dólar menos propício a exportadores, dada apreciação do real. "Na melhor das hipóteses, teremos um nível de exportação parecido com o de 2025", comentou a diretora de economia da Abimaq.
No mercado doméstico, as importações, que representam 46% do consumo nacional de máquinas, com avanço da concorrência chinesa, devem continuar sendo uma ameaça.
Apesar disso, a Abimaq prevê crescimento de 5,6% das vendas no mercado interno, num prognóstico que se sustenta também nos pedidos vindos do setor de infraestrutura, que apresenta perspectiva de aumento das obras públicas em ano de eleição.
Valor - SP 29/01/2026
Setor aguarda sinalização clara de queda dos juros da economia, sob o risco de asfixiar ainda mais a competitividade nacional frente aos fabricantes da China, Itália, Alemanha e Coreia do Sul
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com receita líquida total de R$ 298,98 bilhões, o que representa expansão de 7,3% em relação a 2024. Apesar do resultado positivo, o setor projeta perda de fôlego para 2026, com estimativa de crescimento de 4%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pela Abimaq, entidade que representa os fabricantes.
No dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne, a diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, Cristina Zanella, subiu o tom contra a manutenção da taxa Selic no patamar de 15%. Para a executiva, o custo do capital atual é “extremamente elevado” e atua como uma barreira direta tanto para a produção quanto para a comercialização.
“A Abimaq sempre defende que a taxa caia com mais firmeza e o mais rapidamente possível, porque isso abre espaço para investimentos produtivos”, afirmou Zanella. Ela pontuou que, embora a inflação dê sinais de controle, o setor não espera um alívio imediato nesta reunião, mas aguarda uma sinalização clara de queda para o próximo encontro, sob o risco de asfixiar ainda mais a competitividade nacional frente aos fabricantes da China, Itália, Alemanha e Coreia do Sul.
O principal ponto de pressão do balanço está no comércio exterior. As importações alcançaram o recorde de US$ 32,1 bilhões em 2025, alta de 8,3%, ampliando o déficit comercial do setor para US$ 18,4 bilhões. Em 15 anos, o saldo negativo cresceu mais de 120%, movimento que a entidade atribui à substituição da produção doméstica por bens importados.
A China consolidou-se como o principal vetor do desequilíbrio, respondendo por 32,5% de todas as importações brasileiras do setor. No consumo aparente total — que alcançou R$ 410,9 bilhões em 2025 —, os produtos chineses já representam 15%. “Dificilmente vamos reverter esse cenário de invasão gradual. A China ultrapassou Alemanha, EUA e Japão e tornou-se o maior fabricante mundial”, disse Zanella.
Políticas protecionistas de Donald Trump
No front externo, as exportações alcançaram US$ 13,8 bilhões, alta de 5%. No entanto, o setor sofreu o impacto direto das políticas protecionistas de Donald Trump: as vendas para os Estados Unidos encolheram 9,1%, reduzindo a participação americana no total das exportações brasileiras de 27% para 23%.
A queda no mercado americano foi compensada por uma diversificação geográfica forçada. As exportações para a América do Sul cresceram 19,5%, impulsionadas pelo forte avanço na Argentina, enquanto Cingapura ganhou espaço como mercado relevante para equipamentos voltados ao setor de petróleo. Para 2026, a expectativa é de estabilidade nas vendas externas, em meio a um cenário internacional mais volátil e incerto.
Acordo entre Mercosul-UE e reforma tributária
A diretora executiva de mercado externo da Abimaq, Patrícia Gomes, manifestou preocupação com a possível internalização do acordo entre Mercosul e União Europeia. Segundo ela, a indústria brasileira tem um “dever de casa” urgente para garantir isonomia competitiva. “Mesmo com cronogramas de redução tarifária de até 15 anos, será um desafio concorrer aqui no Brasil frente a políticas tão agressivas”, alertou Gomes, citando que critérios de compras governamentais e a falta de isonomia tributária como gargalos críticos.
Para Cristina Zanella, a reforma tributária é a única via para reduzir o chamado “Custo Brasil” e garantir que a modernização tecnológica, essencial para a sobrevivência das empresas, continue avançando.
Apesar da desaceleração na indústria de transformação, que deve ser afetada pelo endividamento das famílias e pela queda na renda, a Abimaq vê alento na infraestrutura. Por ser um ano eleitoral, a expectativa é de aceleração em obras públicas, mantendo a demanda por máquinas pesadas. Já a receita líquida interna, que atingiu R$ 221,6 bilhões em 2025, deve crescer mais modestos 5,6% em 2026, enquanto as exportações devem permanecer estáveis, pressionadas por um cenário internacional conturbado e um dólar menos favorável ao exportador.
Zanella destacou que o otimismo dos fabricantes permanece, com planos de elevar os investimentos em 5,5% no próximo ano, totalizando R$ 10,07 bilhões. A prioridade será a modernização tecnológica (36,4%) e a ampliação da capacidade industrial (34,4%), vista pela executiva como condição de sobrevivência: “Se não houver modernização, o setor não sobrevive. É ela que garante a produtividade de toda a cadeia”, concluiu.
Valor - SP 29/01/2026
Recuperar-se nos EUA é crucial para a Stellantis, que enfrenta retração nas vendas em meio à intensa concorrência com rivais chinesas na Europa e América Latina e aos altos custos da transição para elétricos
Na fábrica de montagem Jefferson, da Stellantis, em Detroit, operários e robôs em ritmo frenético produzem Jeep Grand Cherokees e Dodge Durangos na linha de montagem a cada 54 segundos.
Ao lado das picapes Ram, as marcas Jeep e Dodge formam a espinha dorsal da linha norte-americana de veículos do grupo automotivo europeu – uma carteira que a empresa tenta revitalizar com um investimento de US$ 13 bilhões após sete anos de declínio nas vendas nos Estados Unidos, agravados por altas de preços e excesso de produção.
Segundo analistas, recuperar-se nos EUA é crucial para a Stellantis, que tem enfrentado uma retração geral nas vendas em meio à intensa concorrência das rivais chinesas na Europa e na América Latina e aos altos custos da transição para veículos elétricos (VEs). Em 2024, o grupo obteve 45% de sua receita total na América do Norte, mais do que em qualquer outra região, incluindo a Europa.
Os analistas, porém, advertem que reconquistar a confiança de consumidores americanos desiludidos será uma tarefa complicada.
“Ao longo dos últimos dez anos, as marcas da Stellantis perderam não apenas competitividade de preços, mas também sua vantagem tecnológica, a reputação de recursos inovadores e boa parte de seu apelo emocional”, disse o presidente da firma de consultoria AutoPacific, Ed Kim.
De acordo com Kim, sob o comando do antigo executivo-chefe (CEO) Carlos Tavares, a Stellantis — formada pela fusão da Fiat Chrysler com a francesa PSA — tentou turbinar os lucros de sua operação nos EUA por meio de altas de preços e da ampliação da produção.
No entanto, a estratégia saiu pela culatra, deixando concessionárias em revolta declarada, diante de estoques cheios de veículos caros – um problema amplificado pela rejeição, por parte dos consumidores, da linha de VEs do grupo.
O atual CEO, Antonio Filosa, empenhou-se em tratar das preocupações das concessionárias. Cortou preços e reduziu volumes de produção para recolocar os estoques sob controle. Também voltou a concentrar-se nos desejos dos consumidores do mercado de massa nos EUA, abandonando os híbridos plug-in e relançando modelos populares como o Jeep Cherokee, que havia sido abandonado na época de Tavares.
Política do governo Donald Trump
O napolitano de 52 anos também tem sido elogiado por trazer de volta o popular motor V8 “Hemi” de 5,7 litros na picape Ram 1500.
Em encontro com jornalistas no Salão do Automóvel de Detroit em janeiro, Filosa disse que a decisão do governo Donald Trump de reduzir a exigência dos padrões de eficiência de combustível para veículos nos EUA deu ao grupo margem para oferecer “liberdade de escolha” aos clientes, o que sustentou o crescimento das vendas.
Tim Kuniskis, ex-chefe da Dodge e da Ram, trazido de volta da aposentadoria por Filosa para comandar as marcas norte-americanas da Stellantis, acrescentou que o plano da empresa é “escolher o que nossos clientes querem”. “Se o cliente diz: ‘Não quero uma picape elétrica a bateria’, graças a Deus temos uma alternativa”, disse.
O editor-chefe do Kelley Blue Book, Sean Tucker, disse que Filosa e Kuniskis “fizeram algumas boas jogadas ao voltar ao básico”. “Se você olha para os veículos deles que estão vendendo bem neste momento, são o Durango, o Grand Cherokee, a Ram – nomes que os americanos conhecem há 25 anos”, disse.
Tucker acrescentou, porém, que o risco é que “eles fiquem muito bons em fabricar os carros que os americanos queriam há dez anos, mas que daqui a dez anos isso não seja mais popular”. Ele observou que um novo governo presidencial eleito em 2028 poderia voltar a mudar o cenário regulatório, o que deixaria a empresa potencialmente despreparada.
Os números de vendas sinalizam que há uma virada andamento nos EUA. As vendas do quarto trimestre de 2025 subiram 4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Após uma série de cortes de preços, a Jeep encerrou uma sequência de seis anos consecutivos de declínios anuais, que terminou 2025 com um alta de 1% nas vendas.
O presidente do Conselho Nacional de Concessionárias da Stellantis nos EUA, Sean Hogan, disse que a nova liderança está reparando a “desconexão” entre a empresa e os consumidores americanos. “O consumidor dos EUA não quer que digam o que comprar”, disse. “Nós adoramos nosso buffet, isso nos dá individualidade.”
Kim, da AutoPacific, disse que a estratégia de “liberdade de escolha” de Filosa se beneficia da decisão de seu antecessor de desenvolver uma “arquitetura veicular multienergia”, que permite construir uma grande gama de modelos com motor a combustão interna, híbridos e elétricos sobre a mesma plataforma.
De acordo com Kim, essa plataforma flexível deixou a Stellantis em melhor posição para navegar por mudanças rápidas no sentimento do consumidor e na política governamental do que rivais de Detroit como Ford e GM, que investiram bilhões de dólares no desenvolvimento de plataformas dedicadas a VEs e foram forçadas a registrar baixas contábeis somadas de quase US$ 30 bilhões em seus investimentos em VEs.
“Isso as deixou bem menos expostas do que muitas outras montadoras”, disse Kim, observando que a plataforma deu à empresa a vantagem de largar na frente na oferta de picapes híbridas de grande autonomia nos EUA, ao mesmo tempo em que ajudou o grupo Stellantis com um todo a equilibrar seu desenvolvimento de modelos, diante do ritmo mais rápido de adoção dos VEs na Europa.
Ainda assim, há temores cada vez maiores no continente natal da Stellantis de que o investimento de US$ 13 bilhões de Filosa nos EUA venha a reduzir a capacidade de expansão da produção e os empregos na Europa. Filosa, que continua também com seu cargo anterior de diretor de operações na América do Norte e ainda vive em Michigan, tem criticado duramente as propostas da União Europeia (UE) de afrouxar a proibição de motores a gasolina prevista para 2035, por considerá-las insuficientes para impulsionar o crescimento na Europa.
Por sua vez, Hogan, das concessionárias Stellantis, que trabalha na Califórnia, disse que trazer de volta a Ram 1500 com motor V8 e outros veículos mais populares movidos a gasolina e híbridos não é um passo para trás, mas uma medida necessária para reter clientes enquanto a próxima geração de veículos é desenvolvida.
“Se você não for competitivo agora, vai perder todos esses clientes”, disse Hogan. “Conquistá-los de volta, mesmo que você tenha uma tecnologia melhor, seria extremamente difícil.”
Valor - SP 29/01/2026
Setor está otimista para 2026, apesar dos juros e da dificuldade no acesso ao crédito
O mercado de construção civil embute boas oportunidades para empresas de médio porte, mesmo em períodos de crescimento mais contido. De janeiro a outubro de 2025 o setor registrou 214,7 mil novos empregos formais ou 11,92% do total de novas vagas geradas em todos os segmentos de atividade no país, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Apesar do resultado positivo, trata-se de uma desaceleração de 7,03% em relação ao saldo de postos no mesmo período de 2024 - mas as empresas mantiveram bons resultados.
“Mesmo assim, o ano foi bom para todos os portes de empresas do setor”, diz Fernando Guedes, presidente-executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). “Houve uma aceleração, mesmo que pequena, especialmente no programa Minha Casa, Minha Vida, que recebeu um incentivo grande. Houve muitas contratações e muitas médias trabalham nesse segmento”, afirma.
Representantes da CBIC estiveram na sexta-feira (23) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar da entrega de 1.337 moradias do Minha Casa Minha Vida e celebrar a marca histórica de 2 milhões de unidades habitacionais contratadas desde a retomada do programa, em 2023.
O mercado residencial, especialmente de interesse social, é um campo de atuação importante para muitas médias empresas, apesar de elas terem presença em todos os segmentos da construção civil, segundo Cláudio Hermolin, vice-presidente da CBIC na região Sudeste. “Mas também temos trabalhando em infraestrutura, seja no saneamento básico, seja na área de logística, com concessões de aeroportos e rodoviárias.”
Um dos problemas das construtoras de médio porte costuma ser o acesso ao crédito, com juros em média a 15%. “No mercado imobiliário, cerca de 50% do crédito hoje já não é mais oriundo dos grandes bancos. Esse crédito passou a vir de operações financeiras alternativas, como bancos de investimento, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Letra de Crédito Imobiliário (LCI), diz Hermolin, classificando essas soluções como alternativas para baratear o crédito.
“O desafio é estruturar produtos com tamanha percepção de valor que o cliente sinta segurança em investir, mesmo em um cenário de crédito mais restritivo”, afirma Joel Zonta, fundador e CEO da Halsten Incorporadora. Com faturamento próximo a R$ 300 milhões, a construtura está há 13 anos no segmento de alto padrão, sobretudo no norte de Santa Catarina. “Temos maior flexibilidade, proximidade com o cliente e agilidade na tomada de decisão, enquanto as grandes corporações operam com volumes massivos e projetos muitas vezes padronizados”, diz Zonta.
O executivo enxerga um mercado aquecido para as médias. “Não é algo generalizado, mas produtos com diferenciais claros e excelente localização performam bem. Cidades como Joinville e Balneário Camboriú permanecem como um dos mercados mais resilientes do país”, afirma. A cidade costeira, localizada a 80 km ao norte de Florianópolis, é um dos focos em 2026 da construtora, que vai lançar um empreendimento de alto padrão 100% mobiliado. “Este projeto propõe um novo paradigma para o mercado de luxo. É a nossa principal aposta para elevar o nível de diferenciação da marca.”
Fundada em 2007, em Goiânia, pelos engenheiros Paulo Silas Ferreira e Ricardo Maciel, a SIM Incorporadora atua no desenvolvimento de empreendimentos residenciais e ajusta o perfil de seus lançamentos de acordo com as características de cada mercado. Atualmente, a empresa concentra a maior parte de seus lançamentos em apartamentos compactos na capital goiana, voltados principalmente a investidores, ao mesmo tempo em que desenvolve um projeto residencial de alto padrão, com unidades maiores, entre 153 m2 e 164 m2, em Sorriso (MT), onde a demanda apresenta outro perfil.
A companhia, que faturou R$ 130 milhões em 2024 e somou R$ 99,4 milhões até setembro de 2025, tem hoje cinco obras em andamento. Na capital goiana, os projetos em desenvolvimento são formados por unidades de um e dois dormitórios, com valores médios de venda que variam entre R$ 10,5 mil e R$ 12 mil por metro quadrado, a depender da localização e das características de cada empreendimento.
“Goiânia é uma cidade que está aquecida, impulsionada pelo lado dos negócios, principalmente pelo agronegócio, com a chegada de pessoas de fora e um mercado que continua absorvendo novos empreendimentos”, afirma Maciel.
Com mais de R$ 15 milhões em faturamento em 2025, o Grupo Deveck completa 19 anos de história em 2026 em meio a uma transição geracional. Fundado por Edilson Devechio, Renato Izzo e Samuel de Ávila, está agora com a filha Thainá Devechio como diretora jurídica e administrativa e o próprio Renato como diretor executivo. “Mantemos os princípios que deram origem à empresa e incorporamos uma gestão mais moderna e estruturada, o que nos ajudou muito em momentos críticos como a pandemia”, diz Izzo.
Thainá acredita que o mercado imobiliário nunca esteve realmente numa temperatura morna. “Sempre existe espaço para expansão, seja pelo crescimento econômico da população nos projetos de médio e alto padrão, seja pela necessidade contínua de redução do déficit habitacional nos empreendimentos populares”, afirma.
A Deveck tem maior atuação em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. “Aqui nunca houve desvalorização imobiliária. Pelo contrário, o crescimento urbano e econômico foi tão consistente que o município hoje ocupa o segundo maior PIB do Estado e o oitavo no ranking nacional”, ressalta Thainá.
Segundo Izzo, enquanto as grandes construtoras priorizam a escala - focando em grandes volumes de unidades e elevado Valor Geral de Vendas (VGV) para maximizar o faturamento -, as médias empresas seguem um caminho distinto. “O foco tende a mudar para a qualidade da entrega e não a quantidade, com uma preocupação maior com o produto final, diferenciais construtivos e, principalmente, as necessidades do cliente. É uma forma de competir não pelo tamanho, mas pelo valor agregado ao produto final”, afirma Thainá.
As três construtoras afirmam que participam do desenvolvimento do produto até a entrega. “Hoje, o cliente não compra apenas o imóvel, mas todo o relacionamento - do primeiro contato ao pós-entrega. Em um mercado seletivo, empresas com posicionamento claro e propósito consistente tendem a se destacar mais do que aquelas que competem apenas por preço”, diz Zonta.
Diário do Comércio - MG 29/01/2026
O primeiro dos novos trens do Metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) já está em solo mineiro. A composição, produzida na China, chegou ao porto seco de Juiz de Fora, na Zona da Mata, onde passa pelos procedimentos de desembaraço aduaneiro antes de ser transportada para a capital do estado.
A renovação da frota integra o contrato de concessão acompanhado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), e representa um avanço importante na melhoria do transporte público sobre trilhos.
O secretário de Estado adjunto de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Calixto, adianta que, assim que chegar a Belo Horizonte, o trem já seguirá para as etapas finais de preparação e deve iniciar os testes operacionais em breve.
“Isso reforça o compromisso do Governo de Minas com a melhoria da mobilidade urbana, com mais conforto para os usuários e maior eficiência do transporte público”, destaca o secretário-adjunto Pedro Calixto.
Com apoio do Estado, a concessionária Metrô BH antecipou em dois anos a compra dos 24 trens previstos em contrato, totalizando um investimento aproximado de R$ 700 milhões.
A expectativa é que, até o final deste ano, dez novas composições estejam em operação, sendo quatro até julho e outras seis até dezembro. O início do transporte de passageiros depende da conclusão de todas as etapas de comissionamento, como montagem, testes técnicos, certificações de segurança e revisões finais.
Enquanto isso, a produção dos outros 14 trens segue em ritmo acelerado. As novas unidades atenderão as linhas 1 e 2 do metrô, garantindo viagens mais regulares, eficientes e confortáveis para os usuários.
Jornada
Os trens são produzidos pela Changchun Railway Vehicles, subsidiária da CRRC Corporation Limited (CRRC), maior fabricante de material rodante do mundo.
Em junho de 2025, uma comitiva do Governo de Minas, liderada pelo governador Romeu Zema, visitou a fábrica dos veículos durante missão oficial à Ásia e acompanhou de perto a produção de uma das composições.
O embarque para o Brasil ocorreu em outubro de 2025 e foi acompanhado em Qingdao, na China, pelo vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões. Já em janeiro de 2026, o trem desembarcou no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
Tecnologia, conforto e segurança
Os novos trens incorporam soluções tecnológicas que ampliam o conforto e a segurança dos passageiros. Um sistema de contagem de usuários informa, em tempo real, o nível de ocupação de cada carro, permitindo melhor distribuição dos passageiros ao longo das plataformas.
As composições são equipadas com câmeras de monitoramento por circuito fechado (CFTV), comunicação direta com o condutor em situações de emergência, acesso à internet sem fio durante todo o percurso e sistema de ar-condicionado. Os assentos passaram por redesenho, oferecendo mais espaço e dimensões superiores às dos modelos atuais.
Outro destaque é o sistema de multimídia ativa, com painéis de LED que exibem informações como estação atual, próxima parada e destino final.
No campo operacional, os trens contam com telemetria embarcada, que transmite dados em tempo real ao Centro de Controle de Operações, e com tecnologia de recuperação de energia durante a frenagem, reduzindo o consumo energético e contribuindo para a sustentabilidade do sistema.
A operação também utiliza o sistema ATO (Operação Automática de Trens), responsável por automatizar aceleração, frenagem e abertura e fechamento de portas, assegurando viagens mais estáveis, seguras e confortáveis.
Valor - SP 29/01/2026
Projeto prevê investimento de quase R$ 7 bilhões e obra ficará a cargo do grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão
O governo de São Paulo formaliza nesta quarta-feira (28) a assinatura do contrato de Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do Túnel Santos-Guarujá. A construção ficará a cargo do grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão.
Projeto prevê investimento de quase R$ 7 bilhões e atende uma demanda histórica da Baixada Santista. O túnel, com 870 metros de extensão sob o canal portuário, terá três faixas em cada sentido, além de passagem para pedestres, ciclistas e galeria de serviços. PPP foi aprovada em evento que uniu governo do Estado de São Paulo e governo federal.
Obra terá 1,5 km de extensão. Serão 870 metros imersos, com módulos de concreto pré-moldados instalados no leito do canal portuário, uma técnica já consagrada em países da Europa e da Ásia.
Túnel será o primeiro do tipo imerso no Brasil. Trajeto, que nesta quarta-feira (28) é feito por sistema de balsas ou por rodovia, varia de 18 a 60 minutos, será reduzido a poucos minutos, beneficiando mais de 2 milhões de pessoas.
Conclusão da obra está prevista para 2031. O início da produção dos módulos de concreto está previsto para 2027, com montagem até 2030.
Expectativa é que travessia entre Santos e Guarujá passe de uma hora para cerca de cinco minutos. O contrato com a Mota-Engil tem duração de 30 anos e inclui operação e manutenção da infraestrutura.
O túnel deve beneficiar cerca de 2 milhões de pessoas na Baixada Santista. “O Túnel Santos-Guarujá é um projeto estruturante, aguardado há décadas, que agora entra em uma nova fase concreta. A assinatura do contrato representa um passo decisivo para transformar esse projeto em realidade, com ganhos diretos para a mobilidade, a logística e a qualidade de vida da população”, afirmou Rafael Benini, secretário de Parcerias em Investimentos de São Paulo.
A Mota-Engil venceu o leilão realizado em setembro de 2025, com desconto de 0,5% sobre a contraprestação anual máxima de R$ 438,3 milhões. O contrato será assinado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes.
A licença ambiental prévia já foi concedida pela Cetesb. O órgão analisou impactos sobre manguezais, fauna, flora, ruído e desapropriações, e estabeleceu condicionantes para a próxima etapa do licenciamento.
Jornal de Brasília - DF 29/01/2026
O Fundo da Marinha Mercante (FMM) destinou R$ 3,85 bilhões ao setor naval e aquaviário em 2025, representando um crescimento de 107,4% em relação ao ano anterior. Os investimentos priorizaram a ampliação da construção de embarcações, o desenvolvimento de infraestrutura portuária e aquaviária, além da modernização da indústria naval brasileira.
Desse montante, R$ 2,45 bilhões foram aplicados na construção de embarcações, enquanto R$ 361 milhões financiaram obras de infraestrutura portuária e aquaviária. Adicionalmente, R$ 70,8 milhões foram destinados à modernização de estaleiros, e R$ 959,3 milhões corresponderam a ressarcimentos à Receita Federal do Brasil. Esses aportes geraram impactos diretos na criação de empregos, no fortalecimento da cadeia produtiva e na modernização do transporte aquaviário, contribuindo para a redução de desigualdades regionais.
Ao longo do ano, o FMM aprovou 771 projetos, totalizando R$ 31,8 bilhões em financiamentos para iniciativas de construção naval, infraestrutura aquaviária e modernização industrial. Desses, 152 projetos avançaram para a fase de contratação, com R$ 7,7 bilhões formalizados, o que permitiu o início de obras e atividades, prevendo a geração de cerca de 15.443 empregos diretos. Além disso, foram realizadas 166 operações com recursos de contas vinculadas, somando R$ 708,7 milhões.
Os investimentos regionais destacaram-se na Região Norte, que concentrou 53% dos recursos de contas vinculadas, dada sua importância estratégica para o transporte aquaviário e a integração logística, especialmente em áreas dependentes de vias fluviais. As regiões Sul e Sudeste também receberam financiamentos significativos, conforme a demanda dos projetos apresentados.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, enfatizou o compromisso do Governo Federal com o setor. “Os recursos do Fundo fortalecem a indústria naval, geram empregos e ampliam a capacidade do transporte aquaviário, especialmente em regiões onde são fundamentais para o abastecimento e a integração do país”, declarou.
O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, destacou os efeitos econômicos dos investimentos. “Cada projeto apoiado gera empregos, movimenta a economia local e melhora o transporte de cargas, fortalecendo a ligação do Norte e do Nordeste com o restante do Brasil”, afirmou.
Para 2026, o FMM planeja até R$ 34 bilhões em novas aprovações de projetos, ampliando o apoio à construção naval, modernização da frota e fortalecimento da cadeia produtiva. Está prevista a formalização de cerca de R$ 8 bilhões em contratações, impulsionando a geração de empregos e o desenvolvimento regional. Em janeiro, a 1ª Reunião do Conselho Diretor do FMM priorizará projetos portuários, com possível destinação de até R$ 4,8 bilhões para ampliação, modernização e eficiência da infraestrutura portuária e aquaviária.
Burlier reforçou que a agenda assegura planejamento de longo prazo e previsibilidade, promovendo a integração territorial, redução de desigualdades e transporte de cargas mais eficiente, com benefícios para o abastecimento e a economia. As informações foram retiradas do Governo Federal.
O Estado de S.Paulo - SP 29/01/2026
O turismo de cruzeiros entrou em 2026 com um paradoxo que resume o novo ciclo da indústria: nunca se investiu tanto em navios, tecnologia e sofisticação – e, ao mesmo tempo, nunca foi tão evidente que o crescimento depende menos do mar e mais do que acontece em terra. A frota mundial avança, o número de passageiros se aproxima de um novo recorde e as companhias disputam o viajante com promessas de conforto, personalização, gastronomia e experiências. Mas a engrenagem que sustenta esse mercado bilionário esbarra em desafios estruturais: custos portuários, gargalos de infraestrutura, pressão ambiental e uma competição internacional cada vez mais agressiva por rotas, navios e turistas.
Segundo Marco Ferraz, presidente-executivo da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia) na América do Sul, a indústria global de cruzeiros se recuperou da pandemia em ritmo mais rápido do que outros segmentos do turismo. “A gente deve fechar o ano passado com cerca de 37 milhões de cruzeiristas, em torno de 6% a 7% acima do anterior, e vai chegar muito próximo de 39 a 40 milhões em 2026”, afirma Ferraz. Os 46 associados da Clia operam 310 navios, com aproximadamente 700 mil leitos e presença em mil portos ao redor do mundo. O Caribe e a Europa concentram a maior fatia do mercado; juntos, somam cerca de 60% do fluxo global.
A gente deve fechar o ano passado com cerca de 37 milhões de cruzeiristas, em torno de 6% a 7% acima do anterior, e vai chegar muito próximo de 39 a 40 milhões em 2026
Esse apetite se traduz em um ciclo robusto de expansão. Há em torno de 70 navios encomendados e investimentos estimados entre US$ 60 bilhões e US$ 70 bilhões, com 11 novas embarcações previstas para entrega em 2026. A Norwegian Cruise Line Holdings – responsável pela operação da Norwegian Cruise Line (NCL), da Oceania Cruises e da Regent Seven Seas Cruises (RSSC) – anunciou 14 embarcações novas nos próximos dez anos.
O Norwegian Luna tem seu batismo marcado para março deste ano, e o navio-irmão, Aura, começa a navegar em 2027. A NCL anunciou ainda: até 2028, dois integrantes dessa mesma classe, Prima Plus; e mais quatro navios de outra futura, a cada dois anos, entre 2030 e 2036. Já a classe Sonata, da Oceania, estreia em 2027 e ganha sua segunda embarcação em 2029. As novas classes no grupo não param por aí. A ultraluxuosa RSSC ganha seu primeiro navio Prestige em dezembro de 2026 e já estão previstos mais dois, para 2030 e 2033.
Ferraz, da Clia, ressalta que o ritmo de construção tem até um limite físico: são poucos estaleiros no mundo capazes de entregar a escala de navios que a demanda da indústria de cruzeiros projeta. Enquando a NCL Holdings fez suas encomendas ao italiano Fincantieri, a MSC Cruzeiros fechou com o francês Chantiers de l’Atlantique a construção de mais duas embarcações da classe World.
Antes disso, a companhia marítima tem mais estreias. “Os novos navios a serem lançados são o MSC World Asia em 2026 e o MSC World Atlantic em 2027, além de mais quatro navios da classe World já planejados até 2031", diz Adrian Ursilli, diretor-geral da MSC Cruzeiros no Brasil.
E os cruzeiros no Brasil?
Enquanto o mundo navega em velocidade de cruzeiro, no Brasil, a fotografia é mais complexa. A temporada 2026 começou com dois navios a menos – e uma redução de aproximadamente 20% nos leitos –, embora o desempenho comercial seja acompanhado com otimismo pelas empresas. A perda, diz Ferraz, não foi por falta de interesse do público, mas por uma conta que não fecha, quando se consideram taxas portuárias, praticagem, rebocadores, terminais, atracação e desatracação, além de carga tributária. “É um custo que chega a ser 50% superior à média para operar no Caribe e na Europa”, conta.
A disputa por navios é global e pragmática: levam vantagem destinos que oferecem infraestrutura, previsibilidade e incentivos (como o Catar e os Emirados Árabes Unidos). “É muito fácil perder um navio para um destino que está mostrando mais interesse”, afirma Ferraz, citando embarcações deslocadas para as Ilhas Canárias e o Caribe. E, quando um navio sai do mapa, o retorno costuma ser lento: é preciso provar competitividade por anos para reconquistar espaço na programação das companhias.
De acordo com o presidente-executivo da Clia na América do Sul, uma vantagem para o Brasil é ser, ao mesmo tempo, origem e destino de passageiros. Assim, mesmo com as limitações, o País bateu recordes nas últimas duas temporadas, alcançando 838.096 cruzeiristas no verão passado e 844 mil no anterior. “Os navios estão maiores, então a gente teve 20 no Brasil lá atrás em 2010, mas agora, com 9, conseguiu um número superior”, explica. Não influenciou apenas o tamanho das embarcações, segundo ele, mas também a quantidade de itinerários e a duração da temporada (de outubro a abril).
Geopolítica e sustentabilidade
Interferem também nos planos das companhias guerras como as de Israel com a Palestina e a da Rússia com a Ucrânia – São Petersburgo, por exemplo, é escala de navegação no Báltico. “Se você tem uma questão num país, os navios passam a não fazer mais itinerários próximos a esse conflito”, afirma o presidente-executivo da Clia na América do Sul. “Existe impacto, sim, na demanda.”
Para Estela Farina, diretora-geral da Norwegian Holdings para o Brasil, essas incertezas no cenário mundial são um obstáculo. “Esse clima de terceira guerra mundial é um desafio, desde o conforto para se deslocar até eventualmente roteiros criados que têm sido alterados”, diz.
Dentro da indústria, a grande corrida para 2026 é conciliar expansão e sustentabilidade. Ferraz lembra que o setor firmou compromisso de redução total de gases de efeito estufa até 2050, com meta intermediária de 50% até 2030, exigindo novos motores e diferentes matrizes de combustível. Ele defende que, além de produzir e disponibilizar combustíveis, os portos precisam garantir energia elétrica para que o navio desligue motores durante a atracação, reduzindo emissões e ruído.
“Os navios têm crescido, e as demandas tecnológicas têm crescido. Isso é uma tendência que está acontecendo na indústria de cruzeiros no mundo todo e que os destinos estão acompanhando de uma forma um pouco mais lenta”, afirma Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel, que representa e vende roteiros de 14 companhias no Brasil. Entre elas está a Royal Caribbean, cujos mais recentes lançamentos foram os gêmeos Icon e Star of the Seas, os maiores do mundo, para até 7.600 passageiros.
O resultado é um setor que navega, simultaneamente, por duas rotas: a do crescimento global acelerado e a da necessidade de “arrumar o cais” – literal e metaforicamente – para sustentar o futuro.
Valor - SP 29/01/2026
Líderes presentes ao Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026 rechaçam ameaça de Trump de retomar controle do hub logístico
Os presidentes do Panamá e do Brasil saíram em defesa da neutralidade do Canal do Panamá, principal hub logístico das Américas, que permite a passagem de navios entre os oceanos Atlântico e Pacífico. As declarações foram feitas ontem (28), na abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026.
O presidente dos EUA, Donald Trump, já ameaçou fazer uma ação militar para controlar o canal logístico. Há uma insatisfação dos americanos em relação às taxas cobradas para trânsito dos navios. Trump acusa o Panamá de cobrar taxas excessivas e disse que o canal teria que ser “devolvido” aos Estados Unidos. O país norte-americano administrou a estrutura até 1999, dando fim a uma transição gradual que durou 20 anos.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, disse que o canal está a serviço de toda a região para um comércio fluido e transparente. “O Panamá não é concorrente de seus países, mas complemento de suas economias. O comércio mundial, as exportações e importações são necessárias, mas são mais eficientes com nosso canal, que está a serviço de toda América Latina e Caribe para um comércio mais fluido e transparente. Colocamos o canal e nossa posição estratégica à sua disposição para que possam exportar ao mundo”, disse Mulino, ao se dirigir aos demais chefes de Estado presentes no evento.
“O Panamá, por seu canal e seus portos estratégicos, tem convivido com essa tensão durante anos, mas que se aprofundou recentemente. Isso não nos apavorou, mas nos mostrou quão importantes somos como uma via estratégica em nível mundial”, afirmou o líder panamenho. No final, Mulino frisou: “O canal do Panamá é e seguirá sendo do Panamá”, num recado às investidas de Trump, que também já fez críticas pela presença da China no canal.
Falando na sequência de Mulino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também saiu em defesa da neutralidade do Canal do Panamá. “A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, afirmou Lula durante o evento do CAF. Ele foi ovacionado pela plateia presente. O evento acontece na Cidade do Panamá.
O Canal do Panamá atravessa o país da América Central de norte a sul, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. Ele é formado por eclusas, que são como elevadores para as embarcações. As eclusas estão localizadas em Miraflores, Pedro Miguel e em Galtún. Lula e outros chefes de Estado visitaram o canal. O presidente brasileiro disse que ficou impressionado com o salto estrutural, tecnológico e operacional dado desde 2002, quando havia visitado o local pela última vez.
Os países que mais usam o canal são os Estados Unidos, com participação de 69,9% do total de movimentações, China (20,4%), Japão (13,2%), Chile (8,9%), Coreia do Sul (8,4%) e Peru (8,2%). O Brasil aparece na 13ª colocação, com 2,2% do total das movimentações. Ao todo, 170 nações têm embarcações que passam pelo local, que atende a 192 portos no mundo.
Infomoney - SP 29/01/2026
A Petrobras (PETR3;PETR4) se prepara para intensificar a exploração de petróleo e gás natural na Bacia do Solimões, no Amazonas, com a perfuração de 22 novos poços a partir de 2026. O plano busca compensar o declínio natural de campos mais antigos e ampliar a presença da companhia na maior reserva terrestre desses hidrocarbonetos no país.
Segundo o gerente-geral da base de produção e exploração da Petrobras em Urucu (AM), Hilter Bandeira, 20 poços serão perfurados entre janeiro de 2026 e 2030 em áreas já conhecidas, enquanto outros dois poderão abrir novas fronteiras exploratórias. “Aprovamos esses 22 poços. A partir deles, vamos ter ideia de novos projetos e de trazer novos investimentos para a região”, afirmou à CNN Brasil.
A estatal aposta no aumento da atividade para sustentar os níveis de produção. “Todos os poços têm uma curva de declínio. Você chega no auge e começa a reduzir aos poucos. Temos alguns mecanismos para manter a produção, mas é preciso sempre estar perfurando para garantir o fornecimento de gás para Manaus”, acrescentou Bandeira.
Apesar do plano, a Petrobras reconhece que os resultados das novas perfurações ainda são incertos, já que só após a conclusão dos trabalhos será possível confirmar a viabilidade técnica e comercial de cada poço.
Petrobras anuncia redução de 7,8% no preço do gás natural para as distribuidoras
Os contratos de venda de gás natural às distribuidoras preveem atualizações trimestrais da parcela do preço relacionada à molécula do gás
Localizada a cerca de 650 quilômetros de Manaus, a base de Urucu abriga atualmente aproximadamente 100 poços, dos quais 75 estão em operação. A região é de difícil acesso e não conta com estradas, em uma estratégia adotada para preservar a floresta e evitar a formação de povoados no entorno.
Hoje, a produção local gira em torno de 105 mil barris de óleo equivalente por dia, volume que corresponde a 3,5% do consumo diário nacional. Também são extraídos 13,5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, responsáveis por cerca de 65% da geração de energia elétrica da capital amazonense.
A região ainda fornece cerca de 80 mil botijões de gás de cozinha diariamente, atendendo o Norte e parte do Nordeste. O óleo e o GLP seguem por dutos até Coari, a 285 quilômetros de Urucu, e depois são transportados por navios e barcaças. Já o gás natural é escoado diretamente até Manaus por meio de um gasoduto de 663 quilômetros.
Com petróleo de alta qualidade, de baixo teor de enxofre e metais, a produção é direcionada principalmente à fabricação de derivados como diesel, gasolina, nafta petroquímica e querosene de aviação.
A exploração na região começou ainda na primeira metade do século 20, mas ganhou impulso em 1986, quando foram identificadas reservas economicamente viáveis em Urucu. Desde então, segundo a Petrobras, o desenvolvimento do campo ocorre com foco na preservação ambiental: a companhia afirma ocupar apenas 2% da área total da concessão, mantendo 98% da floresta nativa intacta.
Infomoney - SP 29/01/2026
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, 28, em sessão marcada pela expectativa com a decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O aumento das tensões no Oriente Médio seguindo declarações de líderes sinalizando uma escalada aumentaram os prêmios de risco da commodity, no entanto, o efeito foi limitado nos preços pelo avanço do dólar, que se recupera das fortes quedas dos últimos dias.
O petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em alta de 1,31% (US$ 0,82), a US$ 63,21 o barril. Já o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), fechou em alta de 1,17% (US$ 0,78), a US$ 67,37 o barril.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã ao afirmar que uma “grande armada” naval está se deslocando rapidamente em direção ao país. Trump disse que a frota é “maior do que a enviada à Venezuela” e é liderada pelo porta-aviões Abraham Lincoln. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou que os “dias do governo iraniano estão contados”.
Nigel Green, CEO do Grupo deVere, afirma: “Os mercados de energia precificam o risco antes que ele se materialize. Uma ameaça crível ao fornecimento iraniano aperta imediatamente o equilíbrio global do petróleo e força os operadores a precificar cenários de interrupção que podem movimentar o óleo bruto em dezenas de dólares, e não em valores de um dígito”, aponta.
Ele continua: “O Irã permanece um fornecedor crucial, tanto por meio de exportações oficiais quanto por fluxos paralelos. Qualquer escalada, seja por meio de ataques diretos, retaliação contra o transporte marítimo ou intensificação da aplicação de sanções, ameaça o petróleo bruto do qual os mercados globais dependem.”
Trump afirmou ainda que o Iraque não receberá ajuda americana se eleger novamente Nouri al-Maliki como primeiro-ministro. No país, a Chevron está pressionando o Iraque a melhorar os retornos no gigantesco campo petrolífero de West Qurna 2 como condição para comprar o projeto da Lukoil, da Rússia.
No Congresso norte-americano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao mesmo tempo que elogiou a cooperação do atual governo na Venezuela, disse que poderia estar pronto para tomar novas ações militares contra o país se a liderança interina não atender às demandas americanas.
Os estoques de petróleo nos Estados Unidos caíram 2,295 milhões de barris na semana encerrada em 23 de janeiro. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal projetavam alta de 1 milhão de barris.
TN Petróleo - RJ 29/01/2026
O Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), continua acompanhando atentamente a evolução do projeto ‘Sergipe Águas Profundas’ (Seap), após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovar o plano de desenvolvimento dos campos em águas profundas no estado. A decisão foi tomada na reunião da diretoria colegiada da Agência, realizada na segunda-feira, 26, após revisão do plano apresentado pela Petrobras.
Com a aprovação, a ANP autorizou a prorrogação dos contratos de concessão das áreas antes do início da produção, com o objetivo de conferir maior segurança ao empreendimento. No primeiro módulo (Seap1), o prazo passa a vigorar até o fim de 2055, enquanto no Seap 2 a concessão se estende até dezembro de 2057. Inicialmente, ambos os contratos estavam previstos para encerrar em 2048. A medida busca assegurar um horizonte produtivo de aproximadamente 25 anos, compatível com a vida útil das plataformas e do gasoduto.
A partir da prorrogação dos contratos, a ANP estima um ganho adicional com participações governamentais e tributos de US$ 1,4 bilhão e um incremento de 14,5% na recuperação de óleo e gás. Durante a análise, o órgão regulador determinou também a unificação dos campos de Agulhinha e Cavala em uma única área, assim como dos campos Palombeta e Budião Sudeste. A Petrobras terá o prazo de até 60 dias para reenviar os planos atualizados, considerando a nova delimitação.
“A aprovação do plano e a prorrogação dos contratos de concessão representam um passo importante para dar mais segurança ao empreendimento. As decisões adotadas pela ANP mostram que o Seap segue como uma iniciativa de grande relevância para o setor energético, de modo que os esforços se mantêm para garantir sua durabilidade e condições de desenvolvimento”, afirmou o secretário da Sedetec, Valmor Barbosa.
Sobre o projeto
As duas plataformas que irão atuar no Seap contarão, cada uma, com capacidade de produção de até 120 mil barris de petróleo por dia e 12 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A Petrobras anunciou decisão de investimento em benefício da SBM Offshore para construção e operação das plataformas, além de manter para 2030 o prazo de início das operações em seu plano estratégico.
CNN Brasil - SP 29/01/2026
O agronegócio é um dos principais pilares da economia brasileira. Considerando toda a cadeia produtiva, que inclui produção no campo, insumos, agroindústria, transporte e comércio, o setor responde por 20% a 25% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.
“O segmento é atualmente o motor mais dinâmico da economia nacional, não havendo outro setor com desempenho semelhante”, avalia Luiz Honorato Junior, economista e pesquisador da UnB (Universidade de Brasília).
Para ampliar a cobertura setorizada voltada aos setores que sustentam o PIB brasileiro, A CNN Brasil inicia no próximo mês a cobertura setorizada do agronegócio brasileiro.
A partir do dia 9 de fevereiro, a emissora oficializa a estreia do CNN Agro, novo núcleo editorial dedicado ao agronegócio, que terá uma presença multiplataforma, ocupando espaços de destaque tanto no canal principal da CNN Brasil quanto no CNN Money e nas plataformas digitais.
Nos últimos 40 anos, o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um relevante fornecedor para o mundo. Entre os indicadores mais ilustrativos da trajetória recente da agricultura brasileira estão os números de produção e os índices de produtividade da safra de grãos (arroz, feijão, milho, soja e trigo).
A produção que era de 38 milhões de toneladas em 1975, cresceu pouco mais de 831%, devendo superar as 354 milhões de toneladas em 2026. No mesmo período, a área cultivada aumentou 200% para 84,4 milhões de hectares, que deverão ser semeados na safra 2025/2026.
Na pecuária, o número de cabeças de gado bovino mais que dobrou nas últimas quatro décadas, para 238 milhões de cabeças, garantindo ao país o maior rebanho comercial do mundo.
Esse intenso processo de modernização das cadeias produtivas contribuiu para a ampliação contínua do PIB da agropecuária, que em 2025 cresceu 11,6% no acumulado dos três primeiros trimestres do ano.
Este desempenho ajudou a sustentar a expansão de 2,4% do PIB nacional no período, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É comum que o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro tenha forte dependência do agronegócio, tanto de forma direta quanto indireta.
O desempenho de 2025 se soma aos números consolidados de 2024, onde a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 23,2%.
Naquele ano, o PIB do agronegócio cresceu 1,81% em relação a 2023, alcançando R$ 2,72 trilhões, segundo dados da CNA e do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Desse total, R$ 1,9 trilhão vieram do ramo agrícola e R$ 819,26 bilhões do ramo pecuário.
Sem a contribuição do campo, o crescimento da economia brasileira teria sido menor. De acordo com avaliação da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), caso a agropecuária tivesse registrado crescimento zero em 2025, o avanço do PIB total teria sido de 1,6%, e não os 2,4% observados.
O economista da UnB destaca que, embora recentemente o setor petroquímico venha apresentando crescimento e contribuindo para a geração de divisas, ele ainda não possui o mesmo histórico, grau de robustez ou nível de competitividade internacional alcançado pelo agronegócio brasileiro.
Enquanto o agro apresentou crescimento de dois dígitos, outros setores avançaram de forma mais moderada no mesmo intervalo.
A indústria cresceu 1,7%, os serviços 1,8%, e as indústrias extrativas tiveram alta de 7,4%. Entre os segmentos com melhor desempenho, além da agropecuária, também se destacaram informação e comunicação, com expansão de 6,2%.
O economista atribuiu a predominância do agronegócio às vantagens comparativas do Brasil, como a extensa área territorial, longa tradição na atividade agrícola, disponibilidade de terras, possibilidade de colheita de mais de uma safra por ano, custos relativamente baixos, abundância de recursos naturais, como água, boa incidência solar, e baixo custo da mão de obra.
De acordo com ele, essas condições não se reproduzem com a mesma intensidade em outros setores da economia, o que limita a competitividade nos outros segmentos.
Exportações
Além do impacto no PIB, o setor tem papel central na balança comercial. Em 2025, o Brasil exportou US$ 348,6 bilhões, segundo dados do Comexstat, do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio e Serviços).
Deste total, US$ 169,2 bilhões tiveram origem no agronegócio, o correspondente a 48,5% de todas as exportações do país, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Esses recursos, de acordo com Honorato, sustentam a balança comercial e viabilizam a importação de bens e insumos considerados essenciais, como medicamentos, equipamentos médicos, automóveis, máquinas, serviços e outros produtos utilizados pela população e pela indústria.
No ano passado, a China foi o principal destino dos produtos do agro brasileiro, com 32,68% de participação, seguida pela União Europeia, com 14,9%. Entre os principais itens exportados destacam-se carnes, café, soja e produtos do complexo sucroalcooleiro.
“Comerciante não escolhe cliente, então se você tiver um grande comprador ele é quem vai dar giro e viabilizar o seu negócio. Por outro lado, há dependência econômica e geopolítica em relação a este ator”, disse Honorato em relação à China.
Segundo ele, é positivo ter o país como importante comprador, mas, dada a sua importância e por ser um comprador quase exclusivo de alguns produtos do agro brasileiro, a forte dependência pode ser “preocupante em situações de crise”.
Relevância
O alcance do agronegócio também vai além da geração de riqueza. O setor é fundamental para o abastecimento do mercado interno e para a oferta global de alimentos, o que confere ao Brasil relevância estratégica no comércio internacional.
Outro aspecto relevante é a geração de empregos. São 28,2 milhões de pessoas empregadas no campo, segundo pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a CNA.
A atividade agropecuária apresenta forte efeito multiplicador: quando o campo cresce, há reflexos diretos em áreas como indústria de alimentos, transporte, serviços financeiros, comércio, logística e tecnologia.
“Os ganhos que o agro pode trazer para os outros setores são inúmeros, porque o rendimento é para o Brasil e todos se beneficiam”, disse o economista.
O Estado de S.Paulo - SP 29/01/2026
A compra de máquinas e equipamentos agrícolas e veículos de tração mecânica e os repasses a instituições de caráter assistencial, cultural e educacional lideram os gastos com emendas parlamentares do Orçamento de 2025. Segundo registros do próprio governo federal, o Poder Executivo destinou, por decisão dos deputados e senadores, R$ 1,24 bilhão para instituições privadas de caráter assistencial, cultural e educacional.
Já R$ 1,04 bilhão foram para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas e rodoviários. Outros R$ 898,75 milhões foram reservados para a compra de veículos de tração mecânica.
O empenho desses recursos não significa o pagamento efetivo dessas despesas. Apenas R$ 360 milhões foram pagos às instituições mencionadas. O pagamento para máquinas e equipamentos agrícolas foi de R$ 38,1 milhões, e para veículos de tração mecânica, de R$ 17 milhões.
Esses gastos ajudam a esclarecer as preferências dos deputados e senadores, que privilegiam despesas a curto prazo em detrimento de investimentos de longo prazo.
Parlamentares costumam fazer propaganda das máquinas entregas a partir de suas emendas. Um dos deputados que destinaram emendas para veículos agrícolas foi Emanuel Pinheiro Neto (MDB-MT). Em dezembro, ele postou nas redes sociais um registro da entrega de centenas de maquinários para municípios do Mato Grosso a partir de uma emenda de bancada de R$ 31 milhões. Na opinião do parlamentar, as emendas do tipo não são soluções de curto prazo, já que auxiliam municípios com frota defasada.
“As emendas foram feitas por necessidade dos municípios, que estão com frota defasada. Foi do programa do Ministério da Agricultura, o Promaq. As maquinas servem para trabalho das prefeituras e para o aumento da produtividade agricultura familiar por anos. Duram em média até dez anos de uso”, disse o emedebista.
O tratoraço do Orçamento Secreto
A compra de tratores e outros veículos agrícolas está na origem do Orçamento Secreto, esquema de repasse de recursos por meio de emendas parlamentares sem transparência. Em 2021, o Estadão mostrou que deputados e senadores indicavam recursos para seus redutos, mas o nome do parlamentar era preservado e não aparecia nos registros públicos de execução do Orçamento.
Já a compra prevista no Orçamento de 2025 segue modelo diverso que permite o rastreamento dos recursos, uma vez que o Supremo Tribunal Federal considerou ilegal o modelo secreto criado durante a gestão de Jair Bolsonaro na presidência da República.
Especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliam que a prevalência de gastos para máquinas agrícolas evidencia uma estratégia eleitoral que busca apresentar soluções de curto prazo aos municípios. Com isso, investimentos que não oferecem retorno eleitoral imediato acabam ficando em segundo plano.
O Estadão/Broadcast utilizou dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) para analisar como os recursos das emendas parlamentares foram aplicados em 2025.
Os empenhos descritos pelo governo somam cerca de R$ 7,25 bilhões, abrangendo desde a compra de máquinas e equipamentos agrícolas até a manutenção de bens imóveis e máquinas e equipamentos energéticos. Desse total, apenas R$ 1,56 bilhão foi efetivamente pago no ano passado. O restante ficou reservado para pagamento nos próximos anos.
A maior aplicação de recursos foi por meio de transferência direta aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios. A maior parte dos repasses foi feita por meio de transferências fundo a fundo, modalidade em que o governo transfere o dinheiro de um fundo federal, como o Fundo Nacional de Saúde (FNS), para um fundo estadual ou municipal. Foram R$ 21,97 bilhões enviados aos municípios dessa forma e R$ 3,4 bilhões aos Estados.
As prefeituras e governos estaduais receberam mais alguns bilhões em transferência direta para o caixa público: R$ 11,68 bilhões foram repassados aos municípios e R$ 2,48 bilhões aos Estados.
As transferências de fundo a fundo são feitas pelo Fundo Nacional de Saúde, pelo Fundo Nacional de Assistência Social, pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador, pelo Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente e pelo Fundo Nacional do Idoso. A maioria, no entanto, é pelo FNS. Do total de R$ 26 bilhões de transferências fundo a fundo, R$ 25,33 bilhões foram por meio do fundo gerido pelo Ministério da Saúde.
A seguir, os dez itens que tiveram mais dinheiro reservado dentre as emendas parlamentares em 2025:
Estratégia eleitoral
Segundo o professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antônio Carvalho Teixeira, as aplicações para máquinas e equipamentos agrícolas, além dos repasses a instituições de caráter assistencial, cultural e educacional, mostram uma estratégia eleitoral dos parlamentares, onde soluções de curto prazo para os municípios são privilegiadas em busca de consolidar um eleitorado para as próximas eleições.
“Você entrega isso direto para o eleitor, para o cliente, para o cidadão, para a organização, chame como quiser. Obviamente, isso consolida ainda mais a lealdade eleitoral de quem está recebendo para com quem doa, e isso deixa na posição de quem doa como sendo alguém indispensável de permanecer no sistema político, porque vai ser o parlamentar que vai continuar escoando o recurso que pessoas e organizações querem”, disse.
Na análise de Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, a preferência por soluções rápidas gera a perpetuação de desafios que os municípios enfrentam, cuja superação depende de investimentos a longo prazo. “É um interesse imediato eleitoral e não de um pensamento mais planejado e mais pautado em critérios técnicos para esse gasto”, disse.
“Isso afeta a realidade dos municípios no momento em que os municípios, por vezes, têm necessidades muito maiores, que demandam estudos e projetos de planejamento. Atacar esses problemas simplesmente com emendas parlamentares sem critérios técnicos para esse gasto público pode condenar os municípios a perpetuarem esses problemas, essas demandas, essas carências”, afirmou Consentino.
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