Investing - SP 27/03/2026
O setor de distribuição de aços planos no Brasil seguiu elevando estoques em fevereiro, em um movimento que tem preocupado a associação que representa a atividade, Inda, diante de um volume acumulado que já se aproxima dos quatro meses de comercialização.
Os estoques do setor terminaram fevereiro em 1,136 milhão de toneladas, um crescimento de 7,2% sobre o mesmo mês de 2025 e 0,8% maior que o nível de janeiro, segundo dados do Inda apresentados nesta quinta-feira.
O volume dos estoques dos distribuidores filiados ao Inda é suficiente para 3,8 meses de vendas ante um nível considerado normal pelo setor de 2,9 a 3 meses, disse Gilson Bertozzo, superintendente da entidade em apresentação a jornalistas.
"Se pegar todo mundo (incluindo distribuidores fora do Inda), os estoques chegam a cinco meses", estimou Bertozzo. "Tem uma formação de estoque gigante na mão dos importadores."
Em fevereiro, as vendas do setor caíram 7,7% sobre um ano antes, para 297,2 mil toneladas, mas subiram 1,1% ante janeiro, acumulando no bimestre 591,1 mil toneladas, queda anual de 7,9%.
Segundo Bertozzo, a queda nas vendas do mês passado ante fevereiro de 2025 ocorreu em parte por efeitos de calendário, uma vez que por dia útil as vendas de fevereiro foram equivalentes a 17,5 mil toneladas ante 17,9 mil toneladas em fevereiro do ano passado.
Para março, a expectativa do Inda é de crescimento de 15% nas vendas ante fevereiro, para 341,8 mil toneladas, influenciadas em parte também por efeitos de calendário. Se a projeção for cumprida, as vendas de aços planos pelos distribuidores brasileiros nos três primeiros meses deste ano devem mostrar uma queda de 4,2% sobre o primeiro trimestre de 2025.
A expectativa do Inda para o ano segue sendo de alta de 1,5% nas vendas, disse Bertozzo.
"O início do ano começou com muitas incertezas...E o mercado está andando de lado", afirmou, citando que o setor pode ter alguma melhora significativa de desempenho mais a partir do segundo semestre diante da expectativa de redução nas importações após as medidas de defesa comercial adotadas pelo governo.
"Ainda vamos ter três meses de expurgo no mercado, com a saída dos oportunistas de importação do mercado", afirmou. "À medida que eles saírem, a expectativa é recuperar um pouco de vendas no segundo semestre."
As importações de aço plano em fevereiro cresceram 91,7% sobre um ano antes, para 404,8 mil toneladas, acumulando no bimestre uma expansão de 39,3%, para 630,4 mil toneladas, segundo os dados do Inda. A China teve participação de 75,8% no volume importado em fevereiro, seguida pela Coreia do Sul, com 18,1% e Áustria com 3,9%.
Questionado sobre panorama de preços das usinas siderúrgicas nacionais, o superintendente do Inda afirmou que a CSN já está comunicando distribuidores sobre aumentos de 5% nos laminados a quente e de 7,5% nos laminados a frio a partir de abril.
Bertozzo citou que todos os reajustes anunciados nos últimos dois meses foram implementados com sucesso pelas usinas.
Diário do Comércio - MG 27/03/2026
Durante o mês de fevereiro, as vendas de aços planos contabilizaram alta de 1,1% quando comparadas a janeiro, atingindo o montante de 297,2 mil toneladas frente a 293,9 mil toneladas do primeiro mês do ano. A alta, no entanto, não deve contribuir para um bom resultado no primeiro trimestre do ano, já que a expectativa do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é de queda de 4,2% nos três primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado.
Mesmo com projeção de elevação de 15% nas vendas para março, a expectativa do Instituto é de um trimestre com resultados aquém do ano passado. A justificativa do superintendente da entidade, Gilson Bertozzo, é que os estoques de aço no País seguem elevados, fato que tem preocupado o setor.
O volume acumulado gira em torno de 1,13 milhão de toneladas contra 1,12 milhão de toneladas no mês passado, uma expansão de 0,8%, o que corresponde a quase quatro meses de comercialização. O nível que a entidade considera aceitável é de três meses de estoque.
Perspectivas para o segundo semestre
Para Bertozzo, as vendas só melhorarão no segundo semestre, quando os estoques de aço que estão nas mãos dos importadores forem reduzidos. “Acredito que teremos uns três meses de expurgo que tirarão do mercado os aventureiros”, afirmou.
O superintendente do Inda explica que a partir da redução dos estoques de importações, já com os efeitos das medidas antidumping, a indústria brasileira tem espaço para recuperar, ajustar preços e apresentar melhor desempenho.
“Estamos sustentando ainda que este ano será melhor do que 2025 e teremos um crescimento de 1,5%. Acreditamos que as medidas do governo foram acertadas e isso, a médio prazo, proporcionará um efeito positivo para nós”, afirmou.
Importações de aço seguem em alta
Ainda de acordo com os dados do Inda, as importações do aço no Brasil continuam em alta. No segundo mês do ano, o acréscimo foi de 91,7% se comparado ao mesmo mês do ano anterior.
Parte desse efeito foi justificado em função do calendário, já que o Carnaval do ano passado não ocorreu em fevereiro, deixando o mês de análise, em 2025, com mais dias úteis. Comparando as importações de fevereiro com janeiro deste ano, a alta foi de 79%, com volume total de 404,8 mil toneladas contra 225,6 mil.
Outro motivo apresentado pelo superintendente do Inda para a alta é o fato de as importadoras terem antecipado a nacionalização de muitos produtos. “Em função das ações antidumping aplicadas pelo governo, as importadoras anteciparam a nacionalização dos produtos que estavam nos estaleiros e nos portos. Além disso, soubemos que muitos navios ainda em trânsito também tiveram seus produtos nacionalizados pelas importadoras, com vista aos preços praticados antes do antidumping”, comentou Bertozzo.
Guerra do Oriente Médio pressiona frete e eleva preço do aço
A escalada das tensões no Oriente Médio foi outro ponto comentado por Bertozzo. Segundo ele, o conflito já impactou o mercado do aço, mas a expectativa é de que esses impactos percam força nas próximas semanas.
De acordo com o superintendente do Inda, o aumento da insegurança internacional tem pressionado os custos de frete marítimo e contribuído para a alta dos preços do produto no exterior. “Se analisarmos os números, os preços das bobinas no mercado internacional já cresceram. O preço mundial subiu 5% e uma das causas é o reflexo da guerra”, explicou.
Apesar da pressão atual, a expectativa do setor é de que o cenário seja temporário. “A expectativa é de que essa insegurança não dure mais que duas a quatro semanas em função dos prejuízos que esse conflito já está trazendo para os Estados Unidos”, finalizou Bertozzo.
Valor - SP 27/03/2026
A companhia apelou à União Europeia para que adote medidas imediatas para proteger a indústria do aço das importações mais baratas, que estão muito abaixo dos custos médios de produção em toda a Europa
A Thyssenkrupp alertou que 1.200 postos de trabalho estão em risco na Alemanha e na França, devido a planos de ampliar os cortes na produção de aço, enquanto a empresa lida com a concorrência de importações de baixo custo que chegam à Europa.
A divisão de aço da Thyssenkrupp já havia interrompido temporariamente a produção em sua unidade de Gelsenkirchen, na Alemanha. Sua unidade de Isbergues, na França, operava com 50% de sua capacidade desde janeiro, mas, agora, será completamente fechada de junho a setembro, informou a companhia.
As fábricas produzem aço elétrico de grão orientado, um material fundamental para transformadores em subestações e turbinas eólicas, afirmou a empresa.
A Thyssenkrupp apelou à União Europeia para que adote medidas imediatas para proteger a indústria das importações mais baratas que, segundo a empresa, estão significativamente abaixo dos custos médios de produção em toda a Europa.
A companhia emprega mais de 93 mil pessoas, de acordo com seu site oficial.
Portal Fator Brasil - RJ 27/03/2026
A ArcelorMittal Brasil concluiu os investimentos de R$ 5,8 bilhões em autogeração de energia renovável no país com a entrada em operação, em março deste ano, do parque solar no Complexo Babilônia Centro, em Várzea Nova (BA). A nova planta, com 365 mil painéis, tem capacidade instalada de 200 MW e recebeu aportes de aproximadamente de R$ 700 milhões. A estimativa é que a empresa eleve o patamar de autogeração de energia renovável de 61% para 85% até 2030.
A construção do Complexo Babilônia Centro, joint venture entre ArcelorMittal e a Casa dos Ventos, teve aportes totais de R$ 4,8 bilhões e, a partir de agora, conta com uma capacidade instalada de 753,5 MW. A planta eólica já havia entrado em operação comercial em setembro de 2025. A maior parte da energia gerada (cerca de 90%) será direcionada às unidades industriais da produtora de aço. O restante será vendido no mercado nacional de energia. O complexo passa a ser agora uma unidade híbrida (eólica e solar).
—A conclusão desse investimento representa um marco na estratégia de transição energética da ArcelorMittal. Ao mesmo tempo em que atendemos à demanda crescente por operações mais sustentáveis, fortalecemos nossa competitividade e eficiência. Estamos avançando para uma matriz energética mais limpa, estável e previsível, essencial para o futuro da empresa, que hoje é a quarta maior consumidora de energia do país. Esses investimentos mostram como a ArcelorMittal antecipa cenários, se prepara para os desafios do setor e atua com padrões de classe mundial — destaca Everton Negresiolo, CEO ArcelorMittal Aços Longos Latam.
Segundo Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, o projeto híbrido, integrando geração solar e eólica, representa um avanço relevante na forma como se pensa a produção de energia no Brasil. —Ao combinar fontes complementares e otimizar a infraestrutura existente, conseguimos entregar mais eficiência, com uma curva de geração mais flat ao longo do dia, além de previsibilidade e competitividade para a indústria. Essa nova etapa com a ArcelorMittal reforça o papel da Casa dos Ventos como protagonista em soluções energéticas em larga escala e parceira do setor produtivo rumo à transição para uma matriz mais limpa e sustentável — afirma.
A decisão de instalar a nova planta solar dentro do Complexo Babilônia Centro foi estratégica. A ação permitiu que ArcelorMittal e Casa dos Ventos aproveitassem toda a infraestrutura já montada para o parque eólico, como subestação, linhas de transmissão e a conexão com o sistema elétrico, otimizando o capital já empregado. Além disto, o local passará a funcionar sem ociosidade na produção, com alternância de energia eólica e solar.
A instalação do Complexo Babilônia Centro envolveu, ainda, diversas iniciativas junto às comunidades. Foram criados projetos para o agronegócio com as associações e cooperativas locais, além de cursos específicos para mulheres.
Também integra o pacote de R$ 5,8 bilhões em energia renovável o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, em Minas Gerais, que recebeu R$ 895 milhões em investimentos. Somadas, as três unidades acrescentaram 1 GW de capacidade instalada à ArcelorMittal.
ArcelorMittal Brasil — Maior produtor de aço no Brasil e líder no mercado global, o Grupo ArcelorMittal tem cerca de 125 mil empregados, sendo 20 mil na operação brasileira, e atende a clientes em 129 países. No país, a empresa tem unidades industriais em oito estados (Minas Gerais, Espírito Santos, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Ceará, Bahia, São Paulo e Mator Grosso do Sul), além da maior rede de distribuição e do portfólio mais diversificado do setor de produtos e soluções em aço. Foi a primeira empresa das Américas a obter o ResponsibleSteel, uma das certificações em ESG mais respeitadas no mundo, o que reforça o propósito de produzir aços inteligentes para as pessoas e o planeta.
As plantas brasileiras têm capacidade de produção anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e de 8 milhões de toneladas de minério de ferro e atendem às indústrias automobilística, construção civil, eletrodomésticos, óleo e gás, máquinas e equipamentos, dentre outras. A empresa atua, ainda, em autogeração de energia renovável, produção de carvão vegetal e tecnologia da informação. Ao unir sustentabilidade, segurança, inovação e qualidade, a ArcelorMittal impulsiona o desenvolvimento social e econômico do país e dos brasileiros. Nas áreas sociais e de saúde, o Grupo mantém a Fundação ArcelorMittal, com iniciativas que já impactaram mais de 11 milhões de pessoas em 38 anos de história, e a Abertta Saúde, operadora de autogestão em saúde exclusiva para empregados e familiares, com atendimento a aproximadamente 58 mil pessoas.
Casa dos Ventos — Empresa referência em energia renovável e protagonista na transição energética do Brasil. Com quase duas décadas de atuação, tem conhecimento em todos os elos da cadeia do setor e trabalha para que os clientes tenham redução de custos e atinjam suas metas de emissão de forma eficiente e sustentável.
Para avançar em nossa posição de relevância no setor, detém, conjuntamente com empresas do grupo, o maior portfólio de projetos eólicos e solares do país, com aproximadamente 33,4 GW de capacidade. A empresa acelerou o crescimento por meio da joint venture com a TotalEnergies, uma das maiores empresas de energia do mundo, e se tornou o veículo exclusivo de renováveis da multinacional no país.
Valor - SP 27/03/2026
Produção deve cair em 2026, mas medidas antidumping sinalizam alívio para o setor
Minas Gerais é o principal polo siderúrgico do país, com participação de 30% da produção nacional de aço bruto, e também o maior produtor de ferro-gusa, com 53 usinas em atividade. Quando a indústria do aço registra retração, Minas é o Estado mais afetado. As perspectivas de curto prazo não são positivas. “A previsão é de uma queda de aproximadamente 2,2% na produção de aço bruto em 2026”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil.
Com uma produção de 33,3 milhões de toneladas de aço bruto, 2025 registrou uma queda de 1,6% em volume, apesar de uma expansão de 2,6% no consumo interno. A situação reflete a concorrência das importações que o setor vivencia desde o início da década. O aço importado, que respondia por 11% do consumo interno, passou a representar cerca de 24%.
A maior parte (60%) do produto importado é proveniente da China, país que os executivos do setor acusam de praticar concorrência desleal e predatória. “Os chineses praticam dumping, exportam seus produtos com preços abaixo do custo de produção”, diz Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.
A taxa de ociosidade da siderurgia brasileira já alcança 35% de sua capacidade. “A indústria do aço contabiliza o cancelamento de R$ 2,5 bilhões em investimentos e a redução de 5,1 mil postos de trabalho”, diz Mello Lopes.
“Os investimentos em expansão de capacidade têm sido postergados. Não faz sentido investir quando o grau de ociosidade é muito elevado”, afirma Germano Mendes de Paula, um dos principais especialistas brasileiros na indústria do aço e professor da Universidade Federal de Uberlândia. “O que ainda existe é investimento direcionado à modernização das instalações e no aprimoramento do desempenho ambiental.”
Uma inversão da situação, na opinião de Mendes de Paula, só deve ocorrer com a adoção de medidas eficazes de defesa comercial contra o aço proveniente da China por parte do governo brasileiro. Em fevereiro, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a aplicação de direito antidumping às importações de aço laminado plano a frio e laminado plano revestido proveniente da China. Marcelo Chara, presidente da Usiminas, entendeu a medida como um sinal positivo vindo do governo federal. “Vai gerar mais equilíbrio na competitividade do setor com o aço importado.”
A medida gerou no setor o que Werneck, da Gerdau, classificou como um “otimismo moderado”. Ele espera que as práticas de dumping sejam reconhecidas para mais itens da pauta de importação de aço. “Se isso ocorrer, vamos experimentar uma leve redução no volume de aço importado em 2026 e uma queda mais significativa a partir de 2027.”
No ano passado, a Gerdau registrou receita líquida de R$ 69,9 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 3,38 bilhões, uma queda de 21% em relação ao ano anterior, apesar do bom desempenho das usinas da companhia nos Estados Unidos. “No último trimestre de 2025, a maioria de nossas operações no Brasil esteve abaixo da linha d’água”, diz Werneck.
Para 2026, a Gerdau programa investimentos de R$ 4,7 bilhões, sendo R$ 3,57 bilhões no Brasil. É uma queda de quase 22% em relação ao realizado em 2025. Do total dos investimentos, R$ 3 bilhões serão destinados a programas de manutenção.
O principal projeto em curso está na mina de minério de ferro Miguel Burnier, em Ouro Preto, investimento de R$ 3,6 bilhões iniciado em 2023 e previsto para entrar em operação ainda no primeiro semestre deste ano. A projeção é de produção de 5,5 milhões de toneladas por ano — toda ela será transportada por um mineroduto até a cidade vizinha de Ouro Branco, onde está situada a maior unidade de produção de aço da Gerdau, evitando a circulação de 400 caminhões por dia.
“A mina vai aumentar significativamente a competitividade da usina de Ouro Branco, além de contribuir para uma produção mais sustentável”, diz Werneck. Com reservas de 476 milhões de toneladas, o abastecimento da usina fica garantido por 40 anos. A estimativa é que a maior pureza do minério (cujo teor de ferro é de 65%) em relação ao utilizado hoje reduza em 200 mil toneladas por ano as emissões de gases de efeito estufa.
A Usiminas, por sua vez, programa investimentos entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão para 2026. Entre os principais projetos na usina em Ipatinga estão uma nova planta de moagem e injeção de carvão pulverizado (PCI, na sigla em inglês) no alto-forno, para diminuir o uso de coque, combustível mais caro e poluente, e também na reforma da coqueria, para ampliar a produção própria do insumo. A usina também receberá um novo gasômetro com maior capacidade de armazenamento. Os investimentos também incluem projetos para ampliar a segurança operacional da Mineração Usiminas (Musa).
“Nossos investimentos visam redução de custos e aumento da eficiência operacional”, diz Chara. Em 2025, a Usiminas obteve uma receita líquida de R$ 26,3 bilhões, com avanço de 1,5% em relação a 2024. A expansão reflete principalmente o aumento das vendas de minério de ferro, que cresceram 14%, uma vez que as vendas de aço aumentaram 2%. A companhia apresentou um Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 2 bilhões e um prejuízo contábil de R$ 2,9 bilhões.
O Estado de S.Paulo - SP 27/03/2026
Puxado pela alta de 0,19% no custo de alimentação e bebidas, item com maior peso no orçamento familiar, o custo de vida subiu 0,44% em março e acumulou variação de 3,90% em 12 meses. A taxa mensal havia sido de 0,84% em fevereiro, completando elevação de 4,10% em período equivalente a um ano.
O resultado anual continua a aproximar-se da meta oficial, centrada em 3% e com bandas de tolerância de 1,50 ponto para cima e para baixo. Os aumentos são registrados no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), conhecido como prévia da inflação e elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar de algumas perdas em lavouras, a produção estimada para o ano indica boas condições de abastecimento de produtos vegetais e animais. Confirmadas as projeções, as famílias terão bom acesso à alimentação e uma sobra maior de rendimentos para outras despesas, num cenário complicado, no entanto, pelos juros altos e pelos efeitos de conflitos internacionais.
Alguns desses efeitos, atribuídos ao confronto Estados Unidos-Israel versus Irã, já são percebidos no mercado global e nas contas comerciais brasileiras.
Apesar de alguma insegurança, estimativas de especialistas ainda apontam condições satisfatórias de abastecimento neste ano de amplas competições eleitorais no Brasil.
Pela mediana das projeções, a inflação deverá recuar de 4,26% em 2025 para 4,17% neste ano, segundo o boletim Focus publicado em 23 de março. Essa estimativa é maior que da semana anterior, 4,10%, e bem superior à de um mês antes, 3,91%.
As projeções de inflação têm subido bem mais que as de crescimento econômico, alteradas de 1.82% para 1,84% no intervalo de quatro semanas.
A previsão dos juros básicos no fim do ano também têm aumentado, acompanhando o avanço das expectativas de inflação. A taxa anual básica estimada para dezembro passou em uma semana de 12,25% para 12,50%, em movimento oposto ao da última decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Em sua última reunião o Comitê baixou a taxa básica de 15% para 14,75%, mas sem indicar, desta vez, os prováveis novos movimentos.
Monitor Digital - RJ 27/03/2026
A prévia da inflação ficou em 0,44% em março, 0,40 ponto percentual (p.p.) abaixo de fevereiro, quando variou 0,84%. O resultado foi influenciado, principalmente, pelos grupos de alimentação e bebidas, com alta de 0,88% e impacto de 0,19 p.p. no índice geral, e despesas pessoais, que subiu 0,82% e exerceu influência de 0,09 p.p.. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi divulgado hoje pelo IBGE.
O acumulado em 12 meses ficou em 3,90%, enquanto o IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, ficou em 1,49% para o período de janeiro a março. Em março de 2025, o IPCA-15 havia registrado alta de 0,64%.
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram variação positiva em março, com destaque para o grupo alimentação e bebidas, com a maior variação (0,88%) e impacto (0,19 p.p.), seguido das despesas pessoais (0,82% e 0,09 p.p.). as demais variações ficaram entre o 0,03% de comunicação e o 0,47% de vestuário.
No grupo alimentação e bebidas (0,88%), a alimentação no domicílio acelerou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. Contribuíram para esse resultado as altas do açaí (29,95%), do feijão mulatinho (19,69%), do ovo de galinha (7,54%), do leite longa vida (4,46%) e das carnes (1,45%). No lado das quedas destacam-se o café moído (-1,76%) e as frutas (-1,31%).
A alimentação fora do domicílio saiu de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março. A refeição (0,31%) registrou variação inferior à verificada no mês anterior (0,62%), enquanto o lanche aumentou de 0,28% para 0,50%, no mesmo período.
Além de alimentação e bebidas, o grupo despesas pessoais (0,82% e 0,09 p.p.) também exerceu forte influência no índice geral, com destaque para os subitens serviço bancário (2,12%) e empregado doméstico (0,59%).
No grupo saúde e cuidados pessoais (0,36% e 0,05 p.p.), os destaques foram o plano de saúde e os artigos de higiene pessoal, que subiram 0,49% e 0,38%, respectivamente.
O grupo habitação acelerou de 0,06% em fevereiro para 0,24% em março, influenciado pelo resultado da energia elétrica residencial (0,29%), que contempla os reajustes médios de 15,10% e 14,66% nas concessionárias no Rio de Janeiro (1,82%).
A taxa de água e esgoto (0,44%) também refletiu reajustes tarifários: 6,56% em Belo Horizonte (2,20%) e 6,21% em uma das concessionárias de Porto Alegre (2,13%). No subitem gás encanado (-0,99%), houve redução de 4,01% nas tarifas em Curitiba (-2,39%) e, de 4,44% no Rio de Janeiro (-2,30%).
No grupo transportes (0,21%), o destaque foram as passagens aéreas (5,94%), subitem com o maior impacto individual no resultado do mês (0,05 p.p.). No resultado para ônibus intermunicipal (1,29%), estão contemplados o reajuste de 11,69% a 12,61% no Rio de Janeiro (12,59%) e de 7,27% em Curitiba (1,70%).
O aumento de 0,56% no táxi ocorreu em razão dos reajustes de 4,26% em Porto Alegre (3,50%), 18,70% em Fortaleza (2,22%) e 4,53% em Salvador (1,21%). Já o resultado do subitem ônibus urbano (-0,59%), que inclui gratuidades/reduções de tarifas aos domingos e feriados em algumas áreas, incorporou os reajustes de 6% nas tarifas de Porto Alegre (5%), 4,46% em Recife (2,74%) e 20% em Fortaleza (2,31%).
Os combustíveis apresentaram redução de 0,03%, com decréscimos nos preços do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%), enquanto o óleo diesel teve variação positiva de 3,77%.
Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, a surpresa altista foi explicada por passagens aéreas e alimentos.
“Serviços subjacentes mais baixos e industriais ligeiramente melhores. Assim, qualitativo – quanto à dinâmica da inflação – é um pouco melhor do que o índice cheio sugere. Vale a ressalva de que esse indicador ainda não foi muito afetado pelo aumento de preços decorrentes da guerra. A expectativa é que a pressão em preços de combustíveis, entre outros, venha no IPCA de março em diante.”
Já de acordo com Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, “a surpresa altista foi majoritariamente explicada por passagem aérea, mas o restante do índice também apresentou qualitativo um pouco pior que o esperado por nossa projeção, com destaque para carne bovina. Apesar de sinais de arrefecimento à frente na proteína, o resultado deixa um viés altista para a inflação no ano e mantém serviços pressionados, ainda próximos de 6% em 12 meses.”
O Estado de S.Paulo - SP 27/03/2026
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua previsão de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano e no próximo, mencionando os riscos gerados pela atual guerra no Oriente Médio em seu relatório interino de Perspectivas Econômicas Globais de março, divulgado nesta quinta-feira, 26. Por outro lado, as projeções para a inflação cheia brasileira caíram em 2026.
Segundo o relatório, o PIB do Brasil deve desacelerar de 2,3% em 2025 para 1,5% em 2026, antes de retomar fôlego e acelerar a 2,1% em 2027. Os números estão abaixo do relatório trimestral de dezembro, que previa avanços de 1,7% e 2,2%, respectivamente.
Já a inflação brasileira deve desacelerar de 5% no ano passado para 4,1% neste, ligeira revisão para baixo da estimativa anterior, de 4,2%. A previsão para a inflação no próximo ano permaneceu estável em 3,8%.
Em outras regiões da América Latina, destacam-se as projeções da OCDE para a Argentina. A organização também cortou as previsões de crescimento econômico, mas elevou acentuadamente sua estimativa para os preços.
Conforme o relatório, o PIB argentino deve desacelerar de 4,4% no ano passado para 2,8% em 2026 e acelerar a 3,5% em 2027, ante 3% e 3,9% em dezembro, nesta ordem. Já a inflação deve disparar 13,7 pontos porcentuais (p.p.) neste ano, a 31,3%, antes de arrefecer para 14,1% no próximo ano — acima dos 10% esperados anteriormente.
A OCDE não detalhou no relatório os motivos que levaram à revisão específica para as projeções de cada país. Contudo, a organização destaca que o aumento dos preços de energia pode contribuir para manter níveis elevados de inflação globalmente.
O relatório aponta que o Brasil também está entre os países com ampla dependência do Oriente Médio para importações de fertilizantes e entre aqueles em que a inflação segue acima da meta do Banco Central. Apesar de ter elevado as previsões de preços para a Argentina, a OCDE espera uma moderação da inflação até 2027 junto a outras economias emergentes, incluindo Brasil, México, Indonésia e África do Sul.
Assim que houver uma moderação na inflação, as taxas de juros devem cair no Brasil, México, África do Sul e Turquia, estima a organização.
PIB global
A OCDE projeta que o crescimento do PIB global seja de 2,9% neste ano e 3% no próximo. O resultado representa manutenção das estimativas para 2026, mas redução de 0,1 ponto porcentual (p.p.) nos cálculos para 2027, em comparação ao relatório de dezembro.
A instituição aponta que isso reflete o equilíbrio de diversas forças. Segundo o organismo, os preços mais altos da energia e dos fertilizantes, bem como a natureza imprevisível do conflito em evolução no Oriente Médio, aumentarão a inflação e afetarão a demanda.
Assim, o movimento “compensará o impulso de crescimento proveniente da forte continuidade dos investimentos e da produção relacionados à tecnologia, das taxas tarifárias efetivas mais baixas do que o previsto anteriormente, das políticas fiscais e monetárias amplamente favoráveis e dos resultados mais fortes do que o esperado no segundo semestre de 2025 em muitos países”, aponta a OCDE.
Indicadores para os primeiros meses deste ano sugerem que o crescimento global permaneceu sólido tanto no setor de serviços quanto no setor manufatureiro, com a produção industrial relacionada à tecnologia continuando a crescer rapidamente, especialmente na Ásia e nos Estados Unidos, aponta. A instituição pontua que as intenções de investimento de capital para 2026 das grandes empresas de tecnologia listadas em bolsa nos EUA e na China também aumentaram ainda mais.
O crescimento global se manteve sólido em 2025, expandindo a uma taxa anualizada de 3,5% no segundo semestre do ano, um pouco mais forte do que projetado nas perspectivas econômicas de dezembro. A instituição aponta que o consumo privado e o investimento foram os principais impulsionadores em muitas economias, com condições financeiras e fiscais favoráveis contribuindo para o aumento da demanda por tecnologias de IA, com destaque para os Estados Unidos.
Entre os países do G20, a expectativa é de moderação no crescimento, que deve desacelerar para 3% em 2026, com leve alteração no panorama de 2,9% de dezembro. Para o ano que vem, a expansão do PIB projetada é de 3%, ante 3,1% no último relatório.
O Estado de S.Paulo - SP 27/03/2026
O Banco Central espera que a inflação brasileira permaneça acima do centro da meta, de 3%, pelos próximos dois anos, segundo as estimativas divulgadas no Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre, nesta quinta-feira, 26. O IPCA acumulado em 12 meses deve atingir um pico de 3,9% no fim deste ano e cair a 3,1% — 0,1 ponto porcentual acima do alvo — no terceiro trimestre de 2028, a última projeção disponível.
“Nas projeções do cenário de referência, a inflação passa a subir até o fim de 2026, recomeçando trajetória de queda até o horizonte relevante, mas permanecendo acima da meta”, diz o BC no RPM. Esse cenário considera a trajetória da Selic embutida no relatório Focus (de 16 de março), dólar a R$ 5,20 e evoluindo conforme a paridade do poder de compra (PPC) e petróleo, que segue a curva futura por seis meses e depois sobe 2% ao ano.
Segundo as estimativas do BC, o IPCA acumulado em 12 meses deve somar 3,6% no primeiro trimestre deste ano, acelerando a 3,7% no segundo, 3,8% no terceiro e 3,9% no fim do ano. A inflação começa a cair em 2027, cedendo a 3,6% no primeiro trimestre, 3,4% no segundo e 3,3% no terceiro e no quarto. Em 2028, o IPCA somaria 3,2% em 12 meses nos dois primeiros trimestres, e cairia a 3,1% no terceiro.
Nas aberturas por categorias, o BC espera que a inflação de preços livres acumulada em 12 meses some 3,7% no fim de 2026, 3,3% no terceiro trimestre de 2027 — o horizonte relevante da política monetária — e 3,3% no fim do ano que vem. Para os preços administrados, a autarquia vê alta de 4,3%, 3,2% e 3,4% nos períodos, respectivamente.
As projeções para o ano fechado de 2026 e para o terceiro trimestre de 2027 já haviam sido divulgadas no comunicado da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), publicado no último dia 18.
Chance de estouro da meta
O Banco Central aumentou a sua estimativa da probabilidade de a inflação ficar acima do teto da meta (4,50%) de 23% para 30% em 2026. A probabilidade de o IPCA ficar abaixo do piso, de 1,50%, caiu de 7% para 2%.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, apurada com base no IPCA acumulado em 12 meses. Se o índice ficar acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. O centro da meta continua em 3%, com uma margem de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.
O alvo foi descumprido pela primeira vez em julho do ano passado, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA fechou junho com alta de 5,35% em 12 meses — acima do teto da meta, de 4,50%, pelo sexto mês consecutivo.
A chance de a inflação de 2027 superar o teto da meta foi revista de 16% para 19%, enquanto a probabilidade de ficar abaixo do piso passou de 12% para 10%. O BC também divulgou, pela primeira vez, as probabilidades para 2028: de 17%, no caso de estouro do teto, e de 11%, no caso do piso.
Conflito no Oriente Médio
O Banco Central avalia que o conflito no Oriente Médio complica a condução da política monetária em economias avançadas. “Elevação das expectativas de inflação, prêmios de risco e inclinação na curva de juros podem sinalizar a necessidade de reação preemptiva”, diz no relatório, em bloco dedicado ao cenário externo.
“O conflito no Oriente Médio traz uma incerteza adicional ao cenário prospectivo de inflação e de crescimento. À medida que o conflito se estende, o fluxo de matérias-primas no Estreito de Ormuz fica comprometido, pressionando os preços para cima”, afirma a autoridade monetária. “A alta recente dos preços de energia já fez com que as expectativas de inflação se elevassem. Porém, a transmissão do choque de preços das commodities energéticas para o consumidor será heterogênea e dependerá do arcabouço de definição de preços de cada país.”
O BC pondera que a magnitude e a distribuição dos repasses à inflação dependerão não só da intensidade e da duração do conflito, mas também da efetividade das respostas de mitigação. Também dependerão da persistência do choque de oferta sobre a atividade, quer por limitar a capacidade de produzir energia para além do conflito, quer por motivar reorganização defensiva adicional nas cadeias de suprimento.
A autarquia observa que se o choque de preços de energia persistir, a avaliação de como ele se propaga para a inflação e o crescimento econômico será importante na calibração das políticas fiscal e monetária nos próximos meses.
Destaca que, embora episódios de elevada tensão geopolítica sejam recorrentes, o novo conflito no Oriente Médio causou “volatilidade, incerteza e aversão a risco nos mercados” e enfatiza que os preços do petróleo, do gás e de outros produtos subiram e permaneceram instáveis desde o início do conflito.
“Se o trânsito pelo Estreito de Ormuz continuar interrompido por tempo prolongado, ou se o conflito ganhar contorno regional, o impacto sobre os preços e sobre a atividade econômica pode ser significativo e duradouro”, diz o BC, que acrescenta que as perspectivas macroeconômicas serão afetadas pelo tanto pelo efeito do choque de oferta quanto pelo efeito indireto associado a maior incerteza, o que dificultará a função de reação dos BCs.
“O impacto dessa alta dos preços sobre os países não será homogêneo, com as economias asiáticas — mais dependentes de importações de energia provenientes do Golfo Pérsico — sendo mais negativamente afetadas. Historicamente, uma mudança no nível de preços de commodities energéticas tende a afetar praticamente todos os demais bens transportados e comercializados e deteriorar expectativas de inflação”, emenda.
O BC relembra que o ciclo de flexibilização monetária já foi concluído ou deve se encerrar em 2026 em quase todas as economias avançadas, e pondera que em algumas economias desenvolvidas há inclusive a expectativa de alta de juros este ano. “O conflito no Oriente Médio complica a condução da política monetária, em particular pela necessidade de monitorar os efeitos secundários do choque de oferta e evitar o risco de considerar como transitórias e ignorar altas de preços persistentes.”
Riscos e incertezas
O Banco Central avalia que os riscos e incertezas para as economias emergentes aumentaram, principalmente por dúvidas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos e ao conflito no Oriente Médio.
A autoridade monetária afirma que a decisão da Suprema Corte dos EUA de suspender parte das tarifas comerciais, a reação do executivo norte-americano de impor a tarifa global e a falta de definição em geral sobre esse tópico mantêm a incerteza elevada, afetando negativamente a atividade, a confiança e o investimento.
Emenda que a escalada das tensões geopolíticas e militares no Oriente Médio e seus impactos nos preços, produção e logística das commodities e de outros bens intermediários renovaram os riscos de alta na inflação e deterioraram o cenário prospectivo para as economias emergentes.
Acrescenta que outros riscos permanecem, como dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal de economias relevantes, o desempenho da economia chinesa e a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia.
Também sobre os efeitos da situação no Oriente Médio sobre emergentes, o BC avalia que os principais indicadores de condições financeiras dessas economias mostraram aperto em relação ao trimestre anterior, especialmente depois do início do conflito. “Mesmo assim, esses indicadores ainda estão distantes dos níveis observados em episódios de crise passadas”, pondera.
A autoridade monetária observa que as moedas das economias emergentes, na maioria dos casos, reverteram o desempenho positivo dos dois primeiros meses do trimestre e fecharam o período com desvalorização, embora com notáveis exceções, como Argentina, Brasil, Colômbia e México. “Esta tendência geral refletiu principalmente fatores globais, especialmente o grau de dependência de importações de commodities energéticas oriundas dos países do Oriente Médio.”
Petróleo
O Banco Central informou que as projeções de inflação divulgadas pelo Copom já incorporam um aumento dos preços do petróleo na primeira metade deste ano, seguido de queda no segundo semestre. A expectativa reflete a disparada da commodity no mercado internacional com a guerra no Oriente Médio.
Segundo o relatório, as projeções de IPCA do Copom consideraram um preço médio de US$ 75 para o barril do Brent no primeiro trimestre, seguido de alta a US$ 86 no segundo e queda a US$ 77 no terceiro e quarto trimestres. Depois, os preços começam a crescer 2% ao ano, em linha com a governança do modelo do BC.
“A trajetória de preços a partir desse trimestre é 24% mais alta do que a considerada no relatório anterior”, detalhou o BC. “Os preços de commodities, medidos pelo IC-Br em dólares, subiram desde o último relatório, com destaque para metálicas e energéticas.”
A autoridade monetária espera que a inflação em 12 meses some 3,6% no primeiro trimestre deste ano, acelerando continuamente até 3,9% no fim de 2026. As projeções para os preços administrados, que incorporam combustíveis, subiram, com alta de 1,1 ponto porcentual para o acumulado deste ano (3,2% para 4,3%).
O BC prevê uma desaceleração da inflação ao longo do ano que vem, com o IPCA atingindo 3,3% no fim de 2027. A projeção para os preços administrados é de 3,4% no ano que vem.
IPCA do segundo trimestre
O Banco Central espera que a inflação brasileira some 1,07% no segundo trimestre deste ano. As estimativas já levam em conta o aumento dos preços do petróleo e de combustíveis com o conflito no Oriente Médio.
“Entre os preços administrados, a projeção incorpora tarifas de energia elétrica mais elevadas, com transição para bandeiras tarifárias mais restritivas em maio (amarela) e junho (vermelha 1). A projeção também incorpora a elevação recente dos preços de petróleo e seus efeitos sobre os preços domésticos de combustíveis”, informa o BC.
Nas aberturas, a autoridade monetária espera que o IPCA atinja 0,33% em março, 0,42% em abril, 0,32% em maio e 0,33% em junho. Além da pressão de energia elétrica e combustíveis, o BC destaca a expectativa de aceleração dos preços de alimentos — que mesmo assim devem seguir “baixos” no acumulado de 12 meses —, além da perspectiva de desaceleração dos bens industriais.
Os serviços devem apresentar “variações reduzidas” até junho, segundo o BC, mas os serviços subjacentes devem continuar pressionados na série dessazonalizada, acompanhando o mercado de trabalho e a inércia dos preços. “Nesse contexto, a média dos núcleos de inflação deve se manter acima da meta de inflação na série dessazonalizada e anualizada”, diz a autarquia.
Crescimento do PIB
O BC manteve sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, de 1,6%. A previsão está abaixo da mediana do último relatório Focus, de 1,84%.
A autoridade monetária, porém, alterou as estimativas para o PIB agropecuário (0,5% para 1,0%), industrial (1,9% para 1,2%) e de serviços (1,6% para 1,7%).
Pelo lado da demanda, ajustou as previsões para o consumo das famílias (1,5% para 1,4%) e do governo (1,5% para 2,0%), além de Formação Bruta de Capital Fixo (1,0% para 0,5%) e exportações (2,0% para 2,5%). Em contrapartida, manteve a estimativa para as importações, em 1,0%.
“A estabilidade da projeção de crescimento anual decorre do resultado do quarto trimestre de 2025, próximo ao esperado, e da manutenção da perspectiva de expansão trimestral moderada ao longo de 2026”, afirmou o BC. “Esse cenário é condicionado pela expectativa de política monetária em campo restritivo, pelo baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, pela perspectiva de desaceleração da economia global e pela ausência do impulso agropecuário observado em 2025.”
Assim como no RPM de dezembro, o cenário apresentado pela autoridade monetária incorpora estimativas dos efeitos de medidas recentes que têm potencial de sustentar a demanda doméstica, como o aumento real do salário mínimo e as mudanças no Imposto de Renda (IR), segundo a autarquia.
Déficit em conta corrente
O Banco Central diminuiu marginalmente a sua projeção de déficit em transações correntes do Brasil em 2026, de US$ 60 bilhões para US$ 58 bilhões.
“Os riscos e a incerteza ao redor da projeção estão mais elevados do que o usual devido ao conflito no Oriente Médio, que reduziu o fluxo comercial no Estreito de Ormuz, com possíveis repercussões no comércio internacional, nas cadeias de produção e nas condições financeiras globais”, diz o BC, no relatório.
A autoridade monetária revisou as suas estimativas para o superávit comercial (US$ 64 bilhões para US$ 73 bilhões), devido à alta dos preços de combustíveis com o conflito no Oriente Médio, que tem impacto na exportação de petróleo. A expectativa também é de aumento nas quantidades de semimanufaturados exportados, com a redução das tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Em contrapartida, o BC também aumentou as suas projeções para os déficits na conta de serviços (US$ 51 bilhões para US$ 54 bilhões), principalmente por causa da elevação dos fretes com a redução do tráfego em Ormuz, e renda primária (US$ 78 bilhões para US$ 82 bilhões), devido à expectativa de aumento das despesas com lucros e dividendos com a alta dos preços de commodities.
As projeções da autarquia indicam que o déficit em transações correntes vai continuar sendo financiado pela entrada de Investimento Direto no País (IDP). O BC manteve a sua estimativa para a rubrica nesta edição do RPM, prevendo entrada líquida de US$ 70 bilhões este ano.
Crédito
O Banco Central ampliou a sua projeção para o crescimento do saldo total de crédito do Brasil este ano, de 8,6% para 9,0%. Segundo a autoridade monetária, a revisão reflete principalmente o desempenho acima do esperado registrado no crédito livre a pessoas físicas e do direcionado a pessoas jurídicas.
A autarquia também ajustou as estimativas para o saldo total de pessoas físicas (9,0% para 9,5%) e de pessoas jurídicas (7,9% para 8,2%).
A previsão para o saldo total do crédito livre passou de 7,8% para 8,1%, com revisões na estimativa para PF (9,0% para 9,5%). A projeção para PJ foi mantida em 6,0%.
A projeção para o saldo do crédito direcionado oscilou de 9,7% para 10,2%, com alterações nas categorias PF (9,0% para 9,5%) e PJ (11,0% para 11,5%).
Mesmo com a revisão para 9,0%, o crescimento esperado para o saldo total de crédito no Brasil em 2026 representa uma desaceleração em relação ao registrado em anos anteriores — de 10,3% em 2025 e 11,5% em 2024.
O movimento também ocorre quando considerada a variação real do crédito. A autarquia projeta crescimento de 4,9% para o saldo de crédito total em 2026, em termos reais, ante alta de 5,8% em 2025 e 6,4% em 2024.
“A desaceleração esperada é consistente com o cenário prospectivo para a atividade econômica doméstica e com os efeitos correntes e defasados da política monetária, em contexto de endividamento e comprometimento de renda elevados”, diz o BC.
Infomoney - SP 27/03/2026
A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, já indica que o conflito no Oriente Médio deve pressionar os preços neste ano, segundo economistas. Isso deve limitar o espaço que o Banco Central terá para continuar o ciclo de corte de juro, que atualmente está em 14,75%, dizem economistas.
Os dados, divulgados nesta quinta-feira, apontam inflação de 0,44%, frente à expectativa de 0,29%. Em fevereiro, o indicador era de 0,84% . Em 12 meses, o acumulado ficou em 3,90%.
Ao mesmo tempo, a divulgação do Relatório de Política Monetária, também nesta quinta, aponta para uma aceleração da inflação a partir do segundo trimestre do ano. A expectativa, que antes era de 3,5% ao fim de 2026, passou a ser de 3,9% – ainda mais distante da meta, de 3%.
Segundo o IBGE, todos os nove grupos tiveram variação positiva em março. As principais altas no IPCA-15 estão nos preços das passagens aéreas e em alimentos.
Alexandre Maluf, economista da XP, destaca que a coleta de dados ocorreu no período anterior à guerra e, ainda assim, já colocou alta de 5% nas passagens aéreas, elevação que explica quase todo o desvio do mês em relação ao que era esperado. “Esse dado reflete uma inflação do passado, de quando a guerra tinha acabado de começar e trouxe impactos no diesel”, explica.
Ele afirma que os dados vieram em linha com a projeção, mas apontam uma pressão elevada para o IPCA fechado de março – quando o indicador irá pegar a variação de preços apurados de 1 a 31 de março, enquanto o IPCA-15 pega do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do mês em que é divulgado.
Segundo Maluf, a expectativa é que a gasolina tenha alta de 3,% a 4% em março, colocando o IPCA geral em um patamar bem elevado.
Além disso, os preços dos alimentos também pressionaram os dados do indicador, com alta nos itens in natura. Destaque para a variação de 20% no preço do feijão carioca, o que contribuiu para a alta de 1,1% na alimentação em domicílio, segundo Maluf.
Baixas no IPCA-15: serviços subjacentes e industriais
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destaca que os serviços subjacentes vieram mais baixos e os industriais tiveram resultado ligeiramente melhores. Isso aponta que o quadro qualitativo, quanto à dinâmica da variação de preços, ficou um pouco melhor do que o índice cheio sugere, segundo a economista-chefe. Porém este indicador ainda não foi afetado pelo aumento de preços relativos à guerra.
Projeção de inflação em alta
Na XP, a projeção da inflação para março está em 0,70%, ante 0,30% antes do início do conflito no Oriente Médio.
Para o ASA, a projeção de inflação de 2026 é de 4,4%, afirma o economista da casa, Leonardo Costa, com pressão dos alimentos e dos combustíveis. Ele destaca que a média móvel de inflação apresenta estabilidade nos últimos três meses no núcleo de serviços, que segue operando acima do teto do regime de metas de inflação (de 4,5%). “Sem desaceleração adicional deste grupo, o atingimento da meta de 3% fica mais desafiador”, avalia.
Corte de juros
Para Maluf, o IPCA-15 ainda não deve mudar o “plano de voo” do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável pelas decisões sobre juros. Ele avalia que a próxima reunião, marcada para o fim de abril, deve continuar com o corte de 0,25 ponto percentual, como ocorreu no encontro deste mês, levando a Selic para 14,50%. “Eles devem seguir cortando no curto prazo, embora os dados coloquem forte incerteza sobre até quando e até quanto eles poderão cortar”, avalia. Para a XP, a Selic deve fechar o ano em 12,75%.
José Faria Júnior, sócio e analista da Wagner Investimentos (WIA), afirma que os dados do IPCA-15 e o Relatório de Politica Monetária não deixam muito espaço para cortes de juros. “Nossa visão é que o Copom reduzirá o ritmo de corte e eventualmente irá pausar o movimento”, afirma. Ele estima que o cenário mais provável é de que o Copom faça “cortes mais modestos” da Selic nas próximas duas reuniões e, caso não haja solução para a guerra, o Copom poderá manter os juros.
Para Leonardo Costa, do ASA, a deterioração do quadro inflacionário de curto prazo, com resistência em patamar elevado das medidas do núcleo de inflação, devem limitar o ciclo de corte de juros do Banco Central.
Infomoney - SP 27/03/2026
Os contratos futuros do minério de ferro subiram nesta quinta-feira, apoiados por preocupações relacionadas ao fornecimento da Austrália devido ao fechamento dos principais portos da região de Pilbara por causa de um ciclone.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,18%, para 817 iuanes (US$118,40) a tonelada.
O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura avançou 2,05%, para US$107,35 a tonelada.
Os principais portos de minério de ferro da Austrália Ocidental foram fechados na quinta-feira devido à passagem de um ciclone tropical na costa da região de Pilbara, rica em recursos naturais, informou a operadora dos portos.
A Pilbara Ports disse que as operações nos portos de Ashburton, Cape Preston West, Dampier e Varanus Island foram todas fechadas em meio a fortes vendavais e ventos com força de tempestade causados pelo ciclone tropical Narelle, um sistema de categoria 3.
O Porto de Ashburton é usado pela Mineral Resources para exportação de minério de ferro. A Rio Tinto é uma das principais usuárias do Porto de Dampier para exportação de minério de ferro e sal industrial.
O Porto Hedland, o maior para exportação de minério de ferro do mundo, continua aberto.
No entanto, os ganhos nos futuros do minério de ferro foram limitados devido às restrições de produção no centro chinês de Tangshan, o que poderia resultar em uma demanda menor.
A cidade ativou resposta de emergência de nível 2 devido à forte poluição do ar em 25 de março, segundo as autoridades locais.
As usinas siderúrgicas de Tangshan também estão enfrentando restrições à entrada de caminhões de sucata em suas instalações, disse a consultoria Mysteel em nota.
Monitor Digital - RJ 27/03/2026
O mercado brasileiro de locação de máquinas e equipamentos deve alcançar um faturamento de R$ 52,9 bilhões em 2026, o que representa um crescimento de 7% em relação ao ano passado, quando atingiu R$ 49,4 bilhões. Nos últimos cinco anos, o setor tem apresentado um aumento médio de 10% ao ano. Os dados são do Rental Market Report, elaborado pela consultoria KPMG, a pedido da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc), com o apoio da Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema).
“O estudo mostra que o mercado de rental deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma estratégia, pois, ao optar pela locação, as empresas não precisam investir na aquisição de equipamentos, liberando capital para utilização em áreas estratégicas, com foco em atividades que gerem valor e crescimento, além de reduzir a complexidade ao transferir a responsabilidade por serviços como manutenção e gestão de frotas. Isso mostra que nosso setor cresce porque resolve problemas reais”, afirma Paulo Esteve, presidente da Analoc.
Para Afonso Mamede, presidente da Sobratema, o setor de locação tem sido fundamental para atender às demandas das obras de infraestrutura e de outros segmentos, com eficiência, produtividade e previsibilidade de custos. “O Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos aponta que o setor figura entre os maiores compradores de máquinas da linha amarela no país, ressaltando sua capacidade de oferecer ao mercado a mecanização necessária para construir as estruturas demandadas pela sociedade”, destaca.
O rental responde por 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), um percentual significativo para um setor ainda em expansão. Regiões e países com mercados mais maduros, como Europa e Estados Unidos, representam cerca de 0,15% e 0,26% do PIB, respectivamente.
“Temos um grande potencial de crescimento, pois ainda existem regiões com baixa penetração. À medida que ampliamos nossa organização e entregamos ainda mais produtividade, disponibilidade e segurança aos clientes, certamente haverá uma expansão ainda maior. Isso significa que temos uma lição de casa a fazer”, avalia Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema e diretor da Analoc.
O Rental Market Report aponta que a Região Sudeste representa 60% do mercado, seguida pelo Nordeste (15%), Sul (13%), Centro-Oeste (7%) e Norte (5%). São 50 mil empresas atuantes no setor, que emprega 200 mil funcionários e apresenta uma penetração de 40% na relação locação versus propriedade.
Para Daniel, a confiança no mercado veio sobretudo com a disponibilidade de equipamentos e com os investimentos das empresas, além da entrada do mercado financeiro, que conferiu maior relevância ao setor, hoje com capacidade para atender à demanda. “O mercado é muito pulverizado, com pequenas empresas atendendo mercados regionais, médias companhias voltadas a obras de maior porte em todo o território nacional e grandes empresas bem estruturadas para atender a todo tipo de demanda”, explica.
Entretanto, o setor enfrenta desafios que passam pela macroeconomia, como a alta taxa de juros. Por ser intensivo em capital e apresentar altos custos operacionais, as empresas precisam de fluxo de caixa; caso contrário, isso limita ainda mais a contratação de mão de obra especializada, que é outro gargalo atual.
Na avaliação de Daniel, o estudo é um divisor de águas, uma vez que utiliza a mesma metodologia de parametrização adotada na Europa, valorizando as empresas, os segmentos atendidos, as regiões brasileiras e os produtos locados. “Trata-se, portanto, de um panorama de mercado que reforça a relevância do rental para o país e sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social.”
O Estado de S.Paulo - SP 27/03/2026
A ofensiva das montadoras chinesas no Brasil ganha um novo capítulo — e, desta vez, com sotaque goiano. A Caoa Changan confirmou um investimento de R$ 5 bilhões para viabilizar a produção local de veículos em Anápolis (GO), em movimento que reforça a estratégia de nacionalização para ganhar escala e competitividade no maior mercado da América Latina.
O primeiro fruto dessa operação já tem nome, sobrenome e já é montado no país: o Changan Uni-T. O SUV médio inaugura a linha de montagem brasileira, marcando não apenas a estreia industrial da marca no Brasil, mas também sua entrada direta em um dos segmentos mais disputados — aquele dominado por nomes como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
A escolha de Anápolis não é casual. A cidade abriga o complexo industrial da Caoa, que já produziu modelos da Hyundai e foi responsável por operações da própria Chery no passado. Agora, passa a ser peça-chave na estratégia da Changan de reduzir custos logísticos, driblar o chamado “Custo Brasil” e, sobretudo, ganhar fôlego diante da concorrência cada vez mais acirrada.
A evolução do SUV que fez os brasileiros se apaixonarem por SUVs. Faça um test drive.
A evolução do SUV que fez os brasileiros se apaixonarem por SUVs. De: R$ 267,190 Por: R$ 262.190,00. Faça um test drive.
Mais do que uma simples montagem local, o investimento sinaliza a ambição de consolidar presença. Em vez de depender exclusivamente de importações, a Caoa Changan segue o caminho já trilhado por outras chinesas, o de produzir aqui para vender aqui, com preços mais competitivos e maior previsibilidade de oferta.
O Uni-T, escolhido como ponta de lança, é um SUV que aposta no design como diferencial. Com linhas marcadas por uma grade paramétrica e faróis afilados, o modelo busca se distanciar do conservadorismo típico do segmento. Por dentro, a promessa é de um pacote tecnológico robusto e acabamento mais refinado, alinhado ao posicionamento que a marca pretende adotar no Brasil.
Nos bastidores, o movimento também dialoga com o avanço acelerado das marcas chinesas no país.
Nos últimos anos, essas fabricantes deixaram de ser coadjuvantes para disputar fatias relevantes de mercado, pressionando tanto generalistas quanto marcas tradicionais.
Ao anunciar o investimento, a Caoa Changan entra de vez nesse jogo — não mais como uma promessa distante, mas como um player disposto a disputar espaço com produção local, portfólio crescente e uma estratégia que combina volume com posicionamento.
“Essa aliança estratégica e simboliza a união de duas forcas industriais. Estamos dobrando nossa aposta no Brasil, aquela fábrica que o presidente ajudou a inaugurar há duas décadas ganha uma irmã de mesmo tamanho”, diz Carlos Alberto Junior, CEO da Caoa.
O Jornal do Carro está presente na coletiva de imprensa da Caoa realizada em Anápolis com a presença dos principais executivos da marca Caoa Changan e também com o comparecimento do presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
“Para Changan, o Brasil não será apenas um país para investir a curto prazo, estamos comprometidos com o futuro”, disse Zhu Huarong, Chairman da Changan.
A marca chinesa opera 76 fábricas ao redor do mundo e presença em 118 países com quase 3 milhões de carros vendidos globalmente.
“Quando vejo a Caoa Changan investindo R$ 5 bilhões até 2028 noto que os chineses e os meninos acreditam no brasil”, disse o presidente Lula, que ainda complementou: “Quando os chineses vieram para o Brasil a indústria local acordou e anunciou um grande pacote de investimentos, precisou de um grande susto para que a indústria brasileira acordasse”, conclui.
Valor - SP 27/03/2026
Desde o ano passado, o grupo vem simplificando marcas e operações de engenharia para reduzir custos, enquanto a acirrada competição de preços corrói as margens no mercado de veículos elétricos da China
O grupo chinês Geely Auto afirmou, nesta quinta-feira (26), que seu hub tecnológico na Europa planeja dobrar o número de projetos de veículos que gerencia até o próximo ano, à medida que a montadora intensifica esforços para competir na região. Desde o ano passado, o grupo vem simplificando marcas e operações de engenharia para reduzir custos, enquanto a acirrada competição de preços corrói as margens no mercado de veículos elétricos da China.
A Geely Auto disse que a unidade fornecerá suporte de engenharia às marcas Zeekr, Lynk & Co e Geely, para reduzir o intervalo entre os lançamentos de produtos na China e no exterior para menos de seis meses.
A Geely Auto mantém presença de pesquisa e desenvolvimento na Europa desde 2013, com seu centro em Gotemburgo, na Suécia, operando sob diferentes nomes ao longo do tempo, incluindo China Euro Vehicle Technology (CEVT) e Zeekr Technology Europe, além de uma unidade menor em Frankfurt, que agora passarão a operar sob o nome Geely Tech Europe.
Sua controladora, Geely Holding Group, disse em janeiro que planeja, até 2030, figurar entre as cinco maiores montadoras do mundo e alcançar vendas globais superiores a 6,5 milhões de carros, sendo um terço desse volume no exterior, onde a Europa é peça-chave.
A Reuters e outros veículos já haviam noticiado que a Geely manteve conversas com montadoras, incluindo Mercedes-Benz e Ford, sobre possíveis parcerias de manufatura e tecnologia.
A Geely Auto é uma marca irmã das suecas Volvo Cars e Polestar, que anunciaram cortes de custos e maior integração dentro do grupo Geely.
Auto Industria - SP 27/03/2026
A Stellantis, como seria de se esperar, não anda lá muito satisfeita com a torrente de marcas chinesas chegando ao Brasil com promessas de produção local e que, por enquanto, entende a empresa, se limitam mesmo à montagem de veículos trazidos da China semidesmontados ou totalmente desmontados, os chamados kits SKD e CKD.
Herlander Zola, CEO da montadora na América do Sul, não se furta em afirmar que se “a regra do jogo” seguir permitindo apenas a montagem, com pouco ou quase nenhum conteúdo local, não terá nenhuma dificuldade de fazer o mesmo, pelo período que julgar conveniente, com os carros da Leapmotor, marca do grupo também oriunda da China e que começará a ter veículos fabricados Goiana, PE, a partir deste ano.
A afirmação preocupa sobretudo por vir da montadora que lidera, com muita folga, as vendas de veículos no Brasil e na América do Sul — mercados nos quais deteve 29,3% e 22,6% das vendas em 2025, respectivamente, e entregou mais de 1 milhão de unidades.
É bom recordar também que o conglomerado automotivo global criada há exatos cinco anos, conta com meia dúzia de fábricas no Brasil, Argentina e Uruguai, além de enorme parque de fornecedores.
Goiana: veículos da Leapmotor montados “de acordo com as regras do jogo”.
Todo essa estutura e volumes garantem bom nível de competitividade e a defesa das atuais participações no Brasil e Argentina, mas apenas para o atual momento, faz questão de enfatiza Zola, à frente da operação desde outubro do ano passado.
“E em outros países da América do Sul não basta nem para o que está ocorrendo afora. São mercados abertos, como Chile, Colômbia, Peru e Equador, onde entram produtos produzidos fabricados na Ásia, especialmente na China, basicamente sem nenhum tipo de barreira. Isso permite competitividade muito maior do que conseguimos com veículos produzidos aqui”, destaca.
Zola, porém, diz que a Stellantis não pretende jogar a toalha. Ao contrário, a montadora está estudando e buscando soluções para aumentar a competitividade dos produtos e fábricas do Brasil e Argentina para fazer frente à voracidade chinesa por novos mercados .
“Certamente, dentro de muito pouco tempo, vamos ter soluções”, arrisca o executivo, sem dar detalhes. Limita´se a informar que serão encaminhados movimentos em várias frentes e que englobam, por cenrto produtos, mas também fábricas e volumes. “O pacote inteiro!”
Zola pondera que muitos dos entraves para que a indústria automobilística instalada na região consiga sustentar sua presença nos mercados vizinhos é a própria complexidade da América do Sul. O dirigente reclama da falta de padronização de regras e legislações dos vários, o que dificulta o desenvolvimento de produtos e aumenta custos para as montadoras que pretendam fazer das operações locais.
“É, sem dúvida, uma barreira. Muitas vezes, precisamos desenvolver produtos de baixo volume e específicos para alguns países que têm mercados pequenos. O Peru, por exemplo, consome 200 mil veículos por ano, a Colômbia, uns 250 mil. O Brasil, por outro lado, representa 58% das vendas da região.”
E é exatamente no maior mercado sul-americano que Zola diz confirmar o acerto das estratégias para assegurar a ponta do mercado até aqui:
“De 2019 para cá, quando as marcas chinesas cresceram muito, e já superam 10% de participação este ano, a Stellantis não perdeu mercado, pelo contrário. No primeiro bimestre, até ganhamos, o que comprova a força das marcas e do grupo diante de um mercado em rápida transformação”.
Ainda assim, o executivo diz esperar que o governo brasileiro, “que já vem aprovando barreiras”, olhe ainda mais para os impactos que as importações de veículos prontos e fábricas que têm apenas pequena parte de processos produtivos locais podem causar para o restante do setor, caso persistam por mais longo tempo.
Valor - SP 27/03/2026
Pontos de recarga são vistos como investimento para atrair clientes, e empresas de diferentes setores apostam na eletromobilidade
Pela primeira vez, o carro mais vendido no varejo brasileiro é elétrico. Em fevereiro, o Dolphin Mini teve mais de 4 mil emplacamentos. Em dois anos de mercado, suas vendas superam 64 mil unidades. Abastecido exclusivamente na tomada, o modelo da BYD é o melhor exemplo do sucesso da eletromobilidade no país. Entre modelos 100% elétricos e híbridos plug-in, o Brasil comprou 181.542 veículos leves em 2025, alta de 44,5% sobre 2024. Juntos, os dois anos representam três quartos do total vendido desde o lançamento do pioneiro Renault Zoe, em 2018.
Esse salto já aparece na conta de luz. O Balanço Energético Nacional 2025, do Ministério das Minas e Energia, mostra que o consumo de energia elétrica pelo setor de transporte rodoviário passou de 14 gigawatt-hora (GWh), em 2020, para 309 GWh em 2024.
O avanço dos eletrificados se deve pela chegada de marcas chinesas, com produtos mais baratos. Atuando apenas neste segmento, a BYD fechou o ano passado em quinto lugar no mercado brasileiro e briga pela liderança mesmo fora das capitais.
“Temos 28% de participação em Vitória da Conquista (BA), 26% em Petrolina (PE) e 25% em Arapiraca (AL)”, diz Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da montadora no Brasil. “Somos número um no varejo em Brasília e número dois em Salvador, Goiânia, Belo Horizonte, São Paulo e Florianópolis”. Baldy enfatiza que são vendas no varejo porque, até agora, a BYD não tinha atuação relevante no atacado. Mas isso está mudando. Em fevereiro, a montadora anunciou a venda de 10 mil unidades para a Localiza, a serem entregues até 2028.
A popularização dos carros elétricos representa uma vitória sobre o medo dos motoristas de parar no meio do caminho por falta de energia. “Instalar redes de recarga nas cidades não é o nosso negócio, mas, no primeiro momento, a gente precisou buscar parcerias com empresas para incentivar o mercado”, afirma Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da montadora GWM Brasil e presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Nos últimos 12 meses, o número de eletropostos aumentou 42%, para mais de 21 mil - 27% deles, no Estado de São Paulo. “A infraestrutura se tornou menos uma necessidade para vender carros e mais uma oportunidade de marketing para empresas de outros setores”, diz Bastos.
Interessada em atrair donos de eletrificados, a Leroy Merlin anunciou, em outubro, a instalação de 171 carregadores em suas lojas, em 32 cidades. Quando estiver pronta, será a maior rede de eletropostos de uma varejista no Brasil. “Estamos registrando cerca de 200 carregamentos por mês na loja no Morumbi (zona oeste da capital paulista), que atende em média 100 mil pessoas”, diz Julien Gazier, diretor financeiro da companhia no país. “Ainda é cedo para identificar algum impacto nas vendas, mas a iniciativa está alinhada à nossa estratégia de dar mais conveniência ao cliente.”
Dentro dos prédios residenciais, o carregamento deixa de ser problema para virar solução. Em fevereiro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou uma lei que proíbe condomínios de vetar a instalação de equipamentos de recarga nas garagens, se o morador quiser e houver condição técnica para isso. “A mudança da regra fez disparar a quantidade de interessados em discutir projetos”, afirma Giovanni Monaro, gerente da Caravelas Engenharia.
Existem empresas dispostas a instalar [carregador] e alugar uma vaga de estacionamento”
— Giovanni Monaro
Para alguns síndicos, a eletrificação não será fonte de despesa - pelo contrário. “Já existem empresas dispostas a instalar o equipamento e alugar uma vaga de estacionamento, em troca do direito de explorar comercialmente a recarga”, diz Monaro. “Hoje, o Airbnb já permite filtrar quais apartamentos oferecem tomada para carro elétrico. Quem não tiver, vai perder movimento”, completa Antonio Neto, gerente de soluções e produtos da Intelbras.
O sucesso dos automóveis elétricos atrai empresas de outros setores, como a própria Intelbras. Criada em 1976 para fabricar equipamentos de comunicação, como mesas de PABX, a marca lançou, em 2023, sua linha de carregadores veiculares. “A gente está com os dois pés na mobilidade”, afirma.
Outro exemplo é a Moura, fundada em 1957. A líder do mercado brasileiro de baterias para automóveis lançou em 2025 a linha de bicicletas elétricas Ella. “As e-bikes respondem por metade das vendas na Alemanha, 40% na Espanha e menos de 2% no Brasil”, afirma Elisa Correia, diretora geral da rede Moura. “Longe de mim falar mal de carros, mas a gente não acredita em solução única para a locomoção nas cidades. Haverá uma convivência de modais.”
Segundo a pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana de 2024, cerca de 40% dos deslocamentos urbanos diários estão na faixa de 5 a 12 quilômetros - uma distância que poderia ser cumprida por veículos elétricos de duas rodas. É a aposta da Moura, ao vender e-bikes - e também dos serviços de patinete. Na década passada esse segmento atraiu empresas como Uber, Lime e Yellow, mas todas perderam o equilíbrio na pandemia de covid-19, em 2020.
Em 2023, o novo impulso foi dado por duas startups russas: Whoosh e Jet. “Até o ano passado, investimos R$ 100 milhões para levar cerca de 7 mil patinetes para quatro cidades”, afirma José Ricardo Souza, diretor-geral de operações da Whoosh no país. “Em 2026 estamos dobrando o investimento, o tamanho da frota e o número de cidades atendidas.” A empresa está negociando a integração dos patinetes aos sistemas de bilhete único das prefeituras. “Claro que queremos os usuários de lazer no fim de semana”, afirma, “mas nossa missão é ser um meio de transporte”.
Valor - SP 27/03/2026
Apesar do cenário desafiador, empresas apostam em modernização, pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias
O Estado de Minas Gerais se mantém como o segundo maior fabricante de veículos brasileiros. Em 2025, produziu em torno de 560 mil unidades, cerca de 20% do total de 2,644 milhões de autoveículos fabricados em todo o país. E mesmo diante de um cenário econômico ainda desafiador, os fabricantes de veículos que atuam no Estado projetam vendas maiores em 2026 — a projeção para alguns tipos de veículo chega a 3,7% — e mostram disposição para novos investimentos.
“Estamos realizando um dos maiores ciclos de investimentos da história do setor”, diz Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América Latina. Formada a partir da união de marcas fortes como Fiat, Citroën, Abarth, Jeep, Leapmotor, Peugeot e Ram, a Stellantis se tornou uma das maiores montadoras de automóveis do mundo. “Para o período de 2025 a 2030, anunciamos mais de R$ 32 bilhões para a América do Sul, com foco em novos produtos, novas plataformas, eletrificação inteligente, tecnologia Bio-Hybrid e descarbonização da cadeia automotiva”, explica Zola. Segundo ele, somente o polo de Betim, que neste ano comemora 50 anos de operação, receberá R$ 14 bilhões, destinados à modernização industrial, novos modelos e motorizações.
A Stellantis tem mais duas plantas fabris no país — em Goiana (PE) e Porto Real (RJ) —, mas o polo industrial de Betim, município localizado na região metropolitana de Belo Horizonte, é o coração da operação da empresa multinacional. São quase cinco décadas de operação do polo fabril, inaugurado em 1976 como uma fábrica Fiat. “Além de responder por mais da metade da nossa produção nacional, Betim concentra todas as etapas de desenvolvimento e produção de um modelo, incluindo engenharia, desenvolvimento e design”, afirma Zola.
Ao longo dos anos, a fábrica de Betim se tornou também importante motor da economia mineira, avalia o executivo. A planta reúne 17 mil empregos diretos, mais da metade da força de trabalho da companhia na América do Sul, e cerca de 400 fornecedores, em sua maioria localizados em um raio de até 100 quilômetros da fábrica de Betim, diz o presidente da Stellantis.
O Estado é igualmente estratégico para a CNH Industrial, multinacional italiana que atua na fabricação de equipamentos de construção e agrícolas, devido ao papel relevante do agronegócio mineiro. A planta da CNH em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, é referência global na produção de equipamentos de linha amarela das marcas Case Construction Equipment e New Holland Construction. “Somos um centro global de pesquisa e desenvolvimento para tratores de esteira e motoniveladoras, além de responsáveis pela produção global dos tratores de esteira”, diz Leandro Lecheta, head do segmento de construção da CNH para as Américas.
Nos últimos anos, informa ele, a CNH ampliou de maneira significativa a capacidade produtiva e presença no Estado. Em 2025, a companhia investiu US$ 13,8 milhões (cerca de R$ 73 milhões) na modernização da fábrica de Contagem, inaugurada em 1970. “Esse movimento contribuiu para que nossa produção atual seja 37% maior do que a de 2020, acompanhando a evolução do mercado brasileiro de equipamentos de construção.”
Ainda em 2025, a CNH ampliou sua presença regional com a inauguração do Centro de Experiência do Cliente, em Sarzedo, resultado de um investimento de R$ 12 milhões, voltado à capacitação técnica e demonstração de soluções para o mercado de construção. Segundo Lecheta, os investimentos refletem a confiança da empresa no potencial de Minas Gerais e do mercado brasileiro. “Atualmente, a planta mineira responde por cinco das nove linhas de produtos oferecidas pelas marcas e abastece tanto o mercado nacional quanto outros países da América Latina. Cerca de dois terços da produção permanecem no Brasil, enquanto o restante é exportado, reforçando a relevância do Estado dentro da nossa estratégia industrial.”
Na frente industrial, os investimentos permitiram ampliar a capacidade produtiva em Contagem e tornar os processos ainda mais eficientes. A fábrica, segundo o executivo, opera com o conceito de manufatura enxuta desde 2001, tem certificações ambientais e energéticas relevantes e alcançou marcos importantes em sustentabilidade, como a meta de aterro zero.
“Em tecnologia, 100% das máquinas da Case e da New Holland Construction produzidas em Contagem já saem de fábrica com telemetria embarcada. Isso permite maior eficiência operacional, redução de custos e melhor gestão da frota”, destaca Lecheta.
Inovação tecnológica é outro dos focos estratégicos da companhia para assegurar um crescimento sustentável, diz o diretor da CNH. “A inovação é fomentada por meio de parcerias externas, como a colaboração com o Fiemg Lab, hub de inovação aberta que conecta nossa companhia a startups e indtechs, fortalecendo soluções tecnológicas e promovendo sinergias entre a indústria de construção e o ecossistema de tecnologia de Minas Gerais”, relata o executivo.
A Iveco Group, fabricante de veículos pesados, caminhões, ônibus e utilitários leves, com matriz sediada em Turim, Itália, buscou, nos últimos anos, fortalecer sua atuação em Minas Gerais através do complexo industrial de Sete Lagoas, município localizado na região central de Minas Gerais, a aproximadamente 72 quilômetros de Belo Horizonte, informa Marcio Querichelli, presidente da companhia para a América Latina.
Trata-se da maior planta fabril da marca no mundo e base das operações da empresa para todo o país, contando com cerca de 3,5 mil colaboradores. “Em 2025, concluímos um ciclo de R$ 1 bilhão em investimentos na América Latina, iniciado em 2021, com impacto direto nas operações do complexo industrial de Sete Lagoas”, conta o executivo. Adicionalmente, a Iveco destinou R$ 510 milhões para pesquisa e desenvolvimento no período de 2024 a 2028, com foco em tecnologia e inovação, e outros R$ 100 milhões, entre 2024 e 2026, para o desenvolvimento de produtos elétricos.
Segundo Querichelli, esse volume de aportes ocorre em um momento desafiador para o setor. “Em 2025, o mercado brasileiro de caminhões registrou retração ao redor de 3%, reflexo do cenário macroeconômico marcado por juros elevados e pelo adiamento de investimentos por parte de transportadores e frotistas. Ainda assim, a Iveco apresentou desempenho superior ao do mercado, com crescimento em volume e a conquista da quarta posição no ranking nacional de montadoras de caminhões”, afirma.
Confiante na obtenção de bons resultados ao longo de 2026, a Iveco também programou um investimento de R$ 93 milhões para criação de um novo centro de distribuição de peças, que será instalado em Pouso Alegre, no sul do Estado, com inauguração prevista para este ano, segundo Querichelli. A estrutura ocupará uma área de 20 mil metros quadrados e funcionará como um hub estratégico para fortalecer a conexão entre clientes e fornecedores. “O objetivo é garantir mais agilidade e capacidade de atendimento”, ressalta.
O avanço positivo do setor automotivo de Minas Gerais se expressa também nos bons negócios realizados pelas concessionárias de automóveis na região. O grupo Carbel, uma das principais empresas de varejo automotivo e soluções de mobilidade de Minas Gerais, encerrou 2025 com faturamento de R$ 2,6 bilhões e crescimento aproximado de 15% nas vendas, desempenho significativamente superior ao do mercado automotivo nacional, que avançou 2,58% na comparação com 2024, salienta Pedro Pentagna Guimarães, CEO da companhia.
Investing - SP 27/03/2026
A China superou uma hegemonia japonesa de 25 anos na comercialização global de automóveis em 2025. As montadoras chinesas superaram as japonesas pela 1ª vez com um volume de vendas de 27 milhões de veículos, contabilizando automóveis produzidos por empresas da China em fábricas espalhadas pelo mundo. Esse total superou os 25 milhões de veículos comercializados por marcas japonesas nas mesmas condições.
Os dados compilados pelo jornal japonês Nikkei consolidam a China como o principal polo do setor automotivo global. O país asiático já havia se tornado o maior exportador de veículos em 2023 e agora as marcas chinesas alcançaram o patamar de líderes de vendas mundiais. O levantamento se baseou em relatórios de vendas das montadoras e em dados da plataforma MarkLines.
No resultado individual das montadoras, a chinesa BYD ultrapassou a Ford e alcançou a 6ª posição global em vendas em 2025. É a mais bem colocada entre as empresas chinesas. Outra companhia da China no ranking das 10 maiores vendedoras foi a Geely, que superou a Honda e garantiu a 8ª colocação.
Entre as 20 maiores montadoras em vendas, a China emplacou 6 marcas. Além das duas no top 10, também figuram na lista a Chery, Changan Automobile, SAIC Motor e GWM. Nesse recorte, o Japão possui 5 montadoras.
O principal destaque japonês é que a Toyota continua como líder do ranking geral, mas a Honda perdeu uma posição e a Nissan ficou de fora do top 10 pela 1ª vez desde 2004.
O crescimento chinês está associado à popularização dos automóveis elétricos e híbridos plug-in. As vendas desses tipos de veículos cresceram 20% em comparação a 2024, somando 20,7 milhões de unidades segundo dados da Benchmark Minerals.
O mercado chinês respondeu por 12,9 milhões dessas vendas. O mercado da China não é exclusivo de empresas chinesas, mas as marcas nacionais abocanham cerca de 70% das vendas.
No ano passado, a BYD superou pela 1ª vez a Tesla como líder mundial na venda de veículos elétricos. A chinesa comercializou cerca de 2,3 milhões de carros movidos a bateria em 2025, um aumento de quase 28% em relação a 2024.
CNN Brasil - SP 27/03/2026
O ICST (Índice de Confiança da Construção) subiu 2,1 pontos em março, para 93,6 pontos, recuperando parte da queda registrada em fevereiro (-2,5 pontos), segundo informações da Fundação Getulio Vargas. Na média móvel trimestral, o índice avançou 0,8 ponto.
"As empresas recuperam a confiança e o primeiro trimestre registra resultados mais favoráveis que os do último trimestre de 2025, confirmando projeções de retomada do crescimento. Na comparação com o último trimestre de 2025, houve avanço dos indicadores de forma disseminada entre os segmentos setoriais, alavancada, especialmente por um maior otimismo em relação à demanda esperada para os próximos meses", disse Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, em relatório.
"O setor de infraestrutura mostrou maior otimismo, impulsionado pela expectativa de crescimento em 2026 com base em investimentos privados já contratados e no ciclo eleitoral. Entretanto, o cenário atual segue marcado por pessimismo moderado, com a escassez de mão de obra sendo um dos principais entraves aos negócios", destacou
Em março, a melhora da confiança foi puxada tanto pela percepção sobre o momento atual quanto pelas expectativas.
O ISA-CST (Índice de Situação Atual) aumentou 2,4 pontos, para 93,4 pontos - o maior nível desde março de 2025 (93,9 pontos). Já o IE-CST (Índice de Expectativas) avançou 1,9 ponto, para 94,0 pontos.
No recorte do momento presente, os dois componentes do ISA-CST também melhoraram: o indicador de situação atual dos negócios subiu 2,0 pontos, para 91,7 pontos, e o indicador de volume de carteira de contratos cresceu 2,8 pontos, alcançando 95,2 pontos.
Do lado das expectativas, o indicador de demanda prevista para os próximos três meses registrou alta de 2,5 pontos, para 96,9 pontos, enquanto o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses teve avanço de 1,2 ponto, chegando a 91,0 pontos.
O NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) da Construção subiu 0,5 ponto porcentual em março, para 77,6%. O NUCI de Mão de Obra recuou 0,1 p.p., para 78,6%, enquanto o NUCI de Máquinas e Equipamentos avançou 0,6 p.p., para 72,3%.
Com o maior otimismo em relação à demanda, também aumentou a intenção de contratar. Em março, 26,8% das empresas informaram que pretendem ampliar o contingente de trabalhadores, contra 10,7% que indicaram redução.
Revista Ferroviaria - RJ 27/03/2026
Em evento na nova fábrica da CRRC em Araraquara, interior de São Paulo, realizado na tarde desta quarta-feira, 25, o Governo Federal formalizou a liberação de R$ 5,6 bilhões para investimentos no transporte metroferroviário.
Através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dois projetos de mobilidade urbana foram contemplados com recursos da União para avanço na qualidade do serviço existente na implantação de novo atendimento até Campinas.
A principal beneficiada é a TIC Trens com R$ 3,2 bilhões aportado no Trem Intercidades, o serviço regional que será construído entre São Paulo e Campinas, atendendo também Jundiaí.
Já o outro projeto atendido é do Metrô de São Paulo com R$ 2,4 milhões para a compra de 44 novos trens com seis carros cada, estes em breve tem sua produção iniciada na planta da multinacional chinesa em Araraquara.
A fábrica além do contrato com o Metrô, atenderá também a demanda por novas composições da TIC Trens, da Motiva (Linha 4-Amarela) e ViaMobilidade (Linha 5-Lilás), todas elas com expansões em andamento.
O evento celebrou também a assinatura que formaliza a inclusão da TIC Trens ao Programa Pró Transporte do Novo PAC, na ordem de R$ 1,425 bilhão oriundos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FGTS, e aplicáveis pela concessionária no processo de requalificação da Linha 7-Rubi.
A ocasião contou com as presenças do presidente Lula, mas também do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e outras autoridades.
CNN Brasil - SP 27/03/2026
O impasse em torno da concessão da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) deverá ser resolvido em 60 dias, disse à CNN o secretário especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), Marcus Cavalcanti.
Segundo ele, há um acordo em andamento entre a Bamin -- atual controladora da Fiol e do Porto Sul (BA) -- e "um grupo internacional listado em Bolsa" envolvendo os dois projetos.
Cavalcanti preferiu não citar quem são esses investidores, mas a CNN apurou que se trata do grupo português Mota-Engil.
Vencedor do leilão do túnel imerso Santos-Guarujá e avançando no mercado brasileiro por meio de contratos bilionários com a Petrobras, a empresa tem participação acionária da gigante chinesa CCCC.
"[Eles] estão em processo para a assinatura de um termo de compra", afirmou o secretário do PPI, referindo-se à Fiol e ao Porto Sul, localizado no município baiano de Ilhéus e ponto de chegada da ferrovia.
Controlada pela ERG (Eurasian Resources Group), sediada no Cazaquistão, a Bamin arrematou o trecho 1 da Fiol -- entre Ilhéus e Caetité (BA) -- em leilão realizado em 2021.
A empresa, no entanto, jamais avançou nas obras. Eram previstos R$ 3,3 bilhões em investimentos na estrada de ferro, que já tinha parte do trajeto construído com recursos da União.
A Bamin, que explora uma jazida de minério de ferro no interior do estado, também nunca executou as obras do novo porto.
Cavalcanti explica que, uma vez firmado o termo de compra, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) se dedicará a um reequilíbrio contratual da concessão e o submeterá à Secex Consenso -- órgão do TCU (Tribunal de Contas da União) responsável por prevenção de conflitos e soluções consensuais.
Mais adiante, segundo o secretário do PPI, o governo pretende leiloar conjuntamente o trecho 2 da Fiol e a Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste).
A Fiol 2 está sendo construída pela estatal Infra S.A. e a Fico é uma obra erguida pela Vale como contrapartida à renovação de suas concessões ferroviárias.
Quem ganhar o leilão ficaria responsável pelo trecho 3 da Fiol, conectando as duas malhas e abrindo um novo corredor de escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste.
Valor - SP 27/03/2026
Nova rodada de investimentos tenta destravar o transporte ferroviário e ganhar eficiência logística no Sudeste
A entrega festiva na cidade mineira de Sete Lagoas, no início de fevereiro, de oito locomotivas fabricadas no Brasil para operar na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), inaugurou, neste ano, mais um ciclo de investimentos visando ampliar a capacidade de transporte de cargas no país e modernizar o setor ferroviário brasileiro.
Os equipamentos de alta potência, com tecnologia que permite mapear a geometria da via e tornar a operação mais segura e eficiente, foram produzidos em Sete Lagoas pela Progress Rail Locomotivas, subsidiária da Caterpillar, e custaram cerca de R$ 200 milhões.
A FCA é uma das quatro ferrovias de Minas Gerais, Estado com uma das maiores redes do país, com 5 mil quilômetros de trilhos que conectam polos produtivos a portos do Sudeste, viabilizando o escoamento de produtos como minério de ferro, insumos siderúrgicos, commodities agrícolas, contêineres e cargas gerais. As outras ferrovias são a Ferrovia Norte-Sul (FNS), a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e a Malha Sudeste.
O Ministério dos Transportes (MT) avalia que o principal desafio da região é a ampliação do transporte de cargas. No diagnóstico da malha ferroviária foram identificados trechos que demandam substituição de dormentes, renovação do perfil dos trilhos e requalificação estrutural para garantir maior eficiência operacional e segurança.
Um dos trechos subutilizados — na verdade, desativado — é o Corredor Minas-Rio da FCA, entre Arcos (MG) e Angra dos Reis (RJ), voltado para o transporte de carga e que tem desafios operacionais e de infraestrutura, como também grande potencial de revitalização para impulsionar a economia local e nacional, segundo o MT.
De acordo com a pasta, o plano é leiloar esse trecho ainda no primeiro semestre, em um processo que será o primeiro nos moldes da 1ª Política Nacional de Outorgas Ferroviárias. Trata-se de um chamamento público para novos players — ou seja, não inclui a VLI, que controla a FCA.
A FCA é a maior ferrovia do Brasil, com cerca de 7,2 mil quilômetros de trilhos em bitola métrica. Ela terá a sua concessão renovada com a VLI. “A renovação contratual da Ferrovia Centro-Atlântica será a grande mudança de página para Minas Gerais”, avalia Leonardo Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário do MT.
Atualmente em fase final de análise, com foco na modernização da infraestrutura e na ampliação da capacidade de transporte, o processo de renovação da concessão da FCA prevê a devolução de trechos não operacionais mediante pagamento de indenização. Segundo o MT, a expectativa é que o novo contrato, com vigência de 30 anos, entre em vigor antes do encerramento do contrato atual, previsto para agosto de 2026.
A renovação da concessão prevê cerca de R$ 30 bilhões em investimentos obrigatórios e outros R$ 10 bilhões adicionais. “É um movimento que vai proporcionar mais capacidade, mais eficiência logística, redução de emissões e transferência de cargas das rodovias para os trilhos, beneficiando diretamente a economia nacional”, comenta Davi Barreto, diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
O programa de investimentos da VLI também visa fortalecer as suas operações como Agente Transportador Ferroviário de Cargas para o transporte de carga geral em composições próprias na EFVM, que é uma concessão da Vale. Além disso, a VLI faz investimentos com os clientes, como a LD Celulose, para transporte de celulose solúvel da fábrica da empresa, no Triângulo Mineiro, aos portos do Espírito Santo. Foram aplicados mais de R$ 400 milhões para aquisição de 200 vagões e locomotivas, segundo Daniel Schaffazick, diretor de operações do Corredor Leste da VLI. Para 2026, a previsão da VLI é investir na FCA cerca de R$ 1,2 bilhão — somando R$ 4,8 bilhões no período 2023/2026.
Já a Malha Sudeste é operada pela MRS Logística — são 1.643 quilômetros de trilhos conectando regiões produtoras de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro aos principais polos industriais e aos portos de Santos e do Rio de Janeiro. Ela é estratégica para o escoamento de commodities minerais e agrícolas e para a movimentação de carga industrial no Sudeste do país.
“Essa atuação contribui para maior eficiência logística, redução da circulação de caminhões em longas distâncias, aumento da competitividade das cadeias produtivas atendidas e um transporte até 80% mais sustentável do que o modal mais utilizado no Brasil”, diz Guilherme Segalla de Mello, presidente da MRS Logística.
Para os projetos previstos no plano associado à renovação da concessão, aprovado em 2022, são estimados investimentos de R$ 10 bilhões nos próximos anos. A concessão irá até 2056. No terceiro trimestre de 2025, a companhia investiu R$ 866 milhões em toda a sua malha.
A retomada dos investimentos nas ferrovias mineiras abre perspectivas promissoras também para a consolidação do Estado como polo de engenharia ferroviária e indústria avançada. A multinacional Wabtec, por exemplo, investiu R$ 170 milhões em 2025 e está aplicando mais R$ 20 milhões neste ano em uma nova linha de produção e centro logístico na sua planta industrial em Contagem, informa Danilo Miyasato, presidente da subsidiária brasileira da Wabtec.
Diário do Comércio - MG 27/03/2026
O Governo de Minas, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG), anunciou a abertura de concorrência eletrônica para a execução de obras de melhoramentos e pavimentação na rodovia MG-338, no trecho que liga Ibertioga a Piedade do Rio Grande, na região do Campo das Vertentes.
Com 13,2 quilômetros de extensão, a intervenção integra o programa Caminhos pra Avançar, voltado à ampliação e qualificação da infraestrutura rodoviária no estado.
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, destacou a relevância da iniciativa. “Essa obra representa mais do que infraestrutura. É desenvolvimento regional, geração de oportunidades e melhoria direta na qualidade de vida da população. O Governo de Minas segue trabalhando para conectar municípios, fortalecer a economia e levar mais segurança para quem utiliza nossas rodovias.”
O valor de referência previsto no edital é de R$ 59.426.755,13. O processo será realizado por meio de concorrência eletrônica, adotando como critério o menor preço. O objetivo é contratar uma empresa especializada para executar os serviços, conforme os parâmetros técnicos e quantitativos estabelecidos no documento, publicado no Diário Oficial de Minas Gerais.
A documentação poderá ser enviada entre 30/3 e 11/5, até às 9h30, exclusivamente pelo portal oficial de compras do Estado. A sessão pública de abertura está prevista para a mesma data e horário.
A publicação estará disponível para download gratuito a partir desta sexta-feira (27/3), tanto no site de compras do Governo de Minas quanto no portal do DER-MG.
Também está prevista a realização de visita técnica, nos dias 6 e 7/4, mediante agendamento prévio, possibilitando às empresas interessadas conhecer de perto as condições do trecho e reunir subsídios para a elaboração das propostas.
Considerada estratégica, a obra deve promover avanços significativos na mobilidade da região do Campo das Vertentes, com impactos diretos na segurança viária, no conforto dos usuários e no fortalecimento da economia local, especialmente no escoamento da produção e na integração entre municípios.
O diretor-geral do DER-MG, Matheus Novais, reforçou o compromisso com a modernização da malha viária. “Estamos avançando com responsabilidade e planejamento. A pavimentação da MG-338 atende a uma demanda histórica e vai proporcionar mais segurança, conforto e eficiência no deslocamento de pessoas e no transporte da produção local”.
CNN Brasil - SP 27/03/2026
Três grupos apresentaram propostas para o leilão da Rota das Gerais, que abre o calendário de concessões rodoviárias federais neste ano e deve movimentar bilhões em investimentos.
De acordo com fontes do setor, entregaram envelopes o fundo de investimento Rodovias, do grupo Monte Rodovias; o fundo de investimento Atlas Rodovias, ligado ao grupo Ivy Capital, em consórcio com a Pavidez Engenharia Ltda; e a EcoRodovias.
O leilão está marcado para a próxima terça-feira (31) na B3, em São Paulo, e prevê a concessão de 735 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-251, em Minas Gerais. O corredor é considerado estratégico para o escoamento da produção e integração logística da região.
O contrato terá prazo de 30 anos e prevê quase R$ 13 bilhões em investimentos, destinados à recuperação do pavimento, duplicações, implantação de faixas adicionais e melhorias de segurança viária.
A disputa é vista como um teste relevante do apetite do setor privado em 2026, em meio à expectativa de uma carteira robusta de concessões de infraestrutura ao longo do ano. Além disso, será o último leilão de Renan Filho a frente do Ministério dos Transportes.
Portos e Navios - SP 27/03/2026
Primeira unidade foi entregue à CT Log pelo Estaleiro Juruá (AM), na última quarta-feira (25). Banco destaca que contrato com empresa local fortalece logística fluvial na Amazônia
O Estaleiro Juruá entregou, nesta quarta-feira (25), em Iranduba (AM), a primeira das 10 balsas graneleiras, financiadas pela Caixa com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM). A operação, que envolve crédito de R$ 46 milhões, foi firmada entre o banco e a CT Log, do grupo 3NF. As embarcações irão navegar pelo Arco Norte, integrando portos e hidrovias da região Norte e parte do Nordeste, principalmente para o escoamento de grãos produzidos no Centro-Oeste, contribuindo para maior eficiência logística e redução de custos no transporte de cargas.
As balsas em construção no estaleiro Juruá (AM) totalizam investimentos de R$ 52 milhões. As unidades terão capacidade de carga de 3.000 toneladas cada. A operação marca o primeiro contrato desse segmento celebrado pela Caixa na região amazônica com uma empresa local. O agente financeiro do FMM destacou que o financiamento reforça o papel estratégico do banco no fomento à logística fluvial e ao desenvolvimento sustentável. Caixa e o Estaleiro Juruá iniciaram relacionamento a partir da Navalshore Navegistic 2024, em Manaus.
Representantes da Caixa, da CT Log e do Estaleiro Juruá participaram do lançamento da balsa no Rio Negro. Em nota, o agente financeiro declarou que a iniciativa contribui para a ampliação da capacidade logística regional, melhora a eficiência no escoamento da produção e fortalece a cadeia de transporte, beneficiando produtores, empresas de navegação e toda a cadeia logística da região Norte.
“A celebração do contrato reforça a atuação da Caixa na oferta de instrumentos financeiros adequados às diferentes realidades do país, contribuindo para o crescimento econômico regional e para o fortalecimento da governança necessária para que os clientes tenham acesso a essas soluções", afirmou o superintendente nacional de intermediação de títulos e estruturação de dívidas da Caixa, Marco Buzzo.
O superintendente de atacado da Caixa para o Amazonas, Bruno Cabral, acrescentou que o financiamento demonstra que o banco está atento às necessidades específicas de seus clientes. “Além dos benefícios ambientais, o uso do modal fluvial contribui para a otimização da logística regional e pode gerar economia nos custos operacionais para as empresas envolvidas e para o consumidor final", ressaltou.
Valor - SP 27/03/2026
Estratégia combina critérios políticos e econômicos, mas pode violar direito internacional
O Irã parece estar se posicionando como o guardião do Estreito de Ormuz, a mais importante via marítima do mundo para o transporte de petróleo. O movimento pode consolidar o controle de fato de Teerã sobre essa rota crucial e formalizar sua capacidade de manter o fluxo de seu próprio petróleo rumo à China. Entretanto, o Artigo 19 da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar estabelece que países devem permitir a “passagem inocente” de embarcações pacíficas em suas águas territoriais.
Comunicações iranianas à autoridade marítima das Nações Unidas e a experiência de navios que transitam pelo estreito sugerem a criação de algo semelhante a uma “praça de pedágio”. As embarcações precisam entrar em águas iranianas e ser avaliadas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Pelo menos dois navios já pagaram pela passagem.
O tráfego pelo estreito caiu 90% desde o início da guerra envolvendo o Irã, elevando fortemente os preços globais do petróleo e causando escassez preocupante nos países asiáticos que dependem do fornecimento vindo do Golfo Pérsico por essa rota.
Apenas cerca de 150 embarcações — incluindo petroleiros e navios porta-contêineres — atravessaram o estreito desde 1º de março, segundo a empresa de informações marítimas Lloyd’s List Intelligence. Isso corresponde a pouco mais de um dia de tráfego normal antes da guerra.
Bloqueio efetivo
O terminal iraniano da Ilha de Kharg carregou 1,6 milhão de barris em março — praticamente inalterado em relação aos níveis mensais anteriores ao conflito, segundo a empresa de dados Kpler. A maioria dos compradores são pequenas refinarias privadas na China que ignoram as sanções dos EUA.
A maioria dos navios que conseguiram atravessar nas últimas semanas seguiu para leste, saindo do Golfo. Em termos de propriedade ou bandeira, embarcações ligadas ao Irã representaram 24% das travessias, a Grécia 18% e a China 10%. No entanto, uma análise mais detalhada mostra que navios associados ao Irã responderam por 60% das travessias no início da guerra e, nos últimos dias, por cerca de 90%.
Cerca de metade das embarcações desliga seus sistemas de identificação por rádio antes de atravessar e reaparece do outro lado, no Golfo de Omã. Há razões para essa cautela: pelo menos 18 navios foram atingidos e ao menos sete tripulantes morreram, segundo a Organização Marítima Internacional da ONU, que monitora a segurança no mar. A entidade não especificou qual país realizou os ataques.
A Lloyd’s List afirma que os pedágios são pagos em yuan, a moeda chinesa. “Irã, por meio da Guarda Revolucionária, impôs de fato um regime de ‘pedágio’ no Estreito de Ormuz”, afirmou a empresa.
Mudanças suspeitas
Normalmente, os navios utilizam um corredor de navegação de duas vias no centro do estreito. No entanto, cada vez mais embarcações estão adotando uma rota alternativa ao norte, contornando a ilha de Larak, o que as coloca em águas territoriais iranianas e mais próximas da costa do país.
Entidades que desejam garantir passagem segura precisam enviar informações detalhadas a intermediários aprovados pela Guarda Revolucionária — incluindo carga, proprietários, destino e lista completa da tripulação. As embarcações autorizadas recebem um código e são escoltadas por navios iranianos. O transporte de petróleo tem prioridade, e os navios passam por uma espécie de “triagem geopolítica”, segundo a Lloyd’s.
A declaração de Sultan al-Jaber, chefe da estatal petrolífera Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), sinaliza o endurecimento do discurso dos Emirados Árabes Unidos à medida que a guerra se aproxima de um mês. “Transformar o Estreito de Ormuz em arma não é um ato de agressão contra apenas um país”, disse al-Jaber em discurso em Washington.
CNN Brasil - SP 27/03/2026
A dragagem realizada no Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita), terminal privado na área do Porto de Santos, ampliou em cerca de 10% a capacidade de carga dos navios que operam no local e ajudou a elevar a movimentação do ativo em 2025, segundo a operadora logística VLI, controladora do terminal.
As obras foram concluídas no primeiro semestre do ano passado e elevaram o calado dos berços 2, 3 e 4 do Tiplam. A dragagem foi realizada também no canal de Piaçaguera e elevou o calado máximo operacional do terminal de 13,35m para 14,10m.
De acordo com a companhia, o Tiplam movimentou 14,3 milhões de toneladas úteis ao longo do ano, volume recorde e mais de 6% superior ao registrado em 2024.
Localizado na Baixada Santista, o terminal recebe cargas como fertilizantes, grãos e açúcar e é conectado ao Centro-Oeste pela Ferrovia Centro-Atlântica.
Ao longo de 2025, o ativo também registrou marcos operacionais. Em agosto, houve o maior embarque da história do terminal, com 83 mil toneladas de açúcar VHP destinadas ao Oriente Médio.
Em setembro, foi registrado o maior desembarque mensal de fertilizantes para importação, com 285 mil toneladas, segundo a empresa.
Valor Investe - SP 27/03/2026
Mercado reage ao risco geopolítico enquanto negociações seguem indefinidas
Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta quinta-feira (26), em meio à escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos, frustrando expectativas de avanço nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em maio teve alta de 5,66%, cotado a US$ 108,01 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês subia 4,61%, a US$ 94,48 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
O movimento veio após o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmar que não há negociações diretas em curso com os EUA, apesar de trocas indiretas por meio de mediadores e da análise de uma proposta americana para encerrar a guerra.
A sinalização de Teerã vai na contramão do discurso do presidente americano, Donald Trump, que disse nesta semana que os dois países estariam “negociando neste momento” e indicou abertura do Irã para um acordo.
Segundo ele, a possibilidade de diálogo levou Washington a recuar de ameaças contra a infraestrutura energética iraniana.
Na prática, o desencontro de versões reforça a percepção de risco geopolítico, e, consequentemente, o temor de interrupções na oferta global de petróleo, o que sustenta a alta das cotações.
O ponto-chave agora é entender até que ponto o choque no petróleo pode contaminar a inflação e alterar o rumo dos juros globais.
Por ora, a leitura predominante é que, mesmo com o petróleo em alta, o banco central americano deve manter a estratégia de esperar por mais dados, ainda com viés de cortes de juros ao longo de 2026.
No curto prazo, porém, o petróleo volta ao centro das atenções, e qualquer novo capítulo envolvendo Irã e Estados Unidos pode seguir ditando o humor dos mercados.
TN Petróleo - RJ 27/03/2026
A Petrobras identificou a presença de petróleo de excelente qualidade no pré-sal da Bacia de Campos, em poço exploratório perfurado no campo de Marlim Sul. O poço 3-BRSA-1397-RJS está localizado a 113 km da costa na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, em profundidade d’água de 1.178 metros.
O intervalo portador de petróleo foi constatado através de perfis elétricos, indícios de gás e amostragem de fluido. As amostras posteriormente seguirão para análises laboratoriais, que permitirão caracterizar as condições dos reservatórios e fluidos encontrados, possibilitando a continuidade da avaliação do potencial da área. A perfuração do poço foi concluída de maneira segura, em respeito ao meio ambiente e às pessoas.
A atuação da Petrobras na Bacia de Campos visa à recomposição das reservas de petróleo em áreas maduras, assegurando sustentabilidade da companhia e o atendimento à demanda nacional de energia, no período de diversificação energética.
O campo de Marlim Sul foi descoberto em novembro de 1987 através do poço 4-RJS-382. A Petrobras é a operadora do campo com 100% de participação.
Valor - SP 27/03/2026
Volume é considerado estratégico para contribuir na viabilidade de novos investimentos e na ampliação da capacidade de transporte, tanto do sistema próprio quanto da infraestrutura nacional, diz TBG
A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) estima que os contratos de fornecimento de gás firmado com termelétricas vencedoras do leilão de reserva de capacidade, voltado para a segurança energética, representam uma movimentação de 14 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) de gás natural.
O leilão contratou, em duas sessões realizadas nos dias 18 e 20 de março, 19 gigawatts (GW) de usinas térmicas, novas e existentes, e de novas turbinas a serem instaladas em hidrelétricas existentes.
Segundo a empresa, o volume é considerado estratégico para contribuir para viabilizar novos investimentos e para a ampliação da capacidade de transporte, tanto do sistema da própria TBG quanto da infraestrutura nacional.
Para o presidente da TBG, Jorge Hijjar, o resultado do leilão representa mais um passo na integração entre os setores de gás e energia no Brasil. “O resultado do LRCap 2026 [sigla como o setor se refere ao leilão de capacidade] cria condições concretas para a expansão do sistema”, disse Hijjar, em nota.
O leilão de capacidade visa garantir a disponibilidade da potência de usinas em momentos de necessidade do sistema elétrico, como no horário de ponta, quando a geração solar sai do sistema, no fim do dia.
“Essas unidades possuem a capacidade de gerar eletricidade de forma contínua e com acionamento imediato, atuando de maneira complementar às fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar, e contribuindo para a estabilidade do sistema elétrico”, acrescentou o executivo.
A TBG é a controladora do lado brasileiro do Gasoduto Bolívia-Brasil, cujo controle é exercido pela Petrobras (51% de participação), BBPP Holdings (29%), YPFB (19.88%) e Corumbá Holding (0,12%).
Valor - SP 27/03/2026
Mantida em R$ 31 bi, projeção é considerada otimista pelos especialistas diante da frustração da venda realizada em dezembro
O governo manteve a previsão de arrecadar R$ 31 bilhões com leilões de petróleo de áreas do pré-sal neste ano no primeiro relatório que reavaliou as receitas e despesas do Orçamento de 2026, uma decisão que evitou um contingenciamento de recursos dos órgãos públicos. Essa receita, contudo, é considerada incerta por especialistas, que alegam que a cifra é muito otimista diante da frustração que houve no leilão do pré-sal realizado em dezembro do ano passado. As incertezas trazidas pelo conflito no Oriente Médio adicionam outro fator de risco para a materialização dessa estimativa.
Segundo apurou o Valor, o governo chegou a discutir uma revisão para baixo da estimativa de arrecadação com os leilões, mas acabou recuando. Técnicos envolvidos na discussão, segundo relatos, alegaram que estavam avaliando o cenário e que, diante das incertezas, o ideal seria fazer uma reprojeção nos próximos relatórios bimestrais de reavaliação do Orçamento. O documento é divulgado a cada dois meses, a partir de março.
No documento divulgado na terça-feira (24), a Secretaria Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) informou, apenas, que permanece válida a expectativa de arrecadação de R$ 31 bilhões. “Trata-se da manutenção das expectativas que integraram a LOA-2026 [Lei Orçamentária Anual] e que haviam sido informadas à época de elaboração do PLOA-2026 [o projeto que dá as diretrizes do Orçamento]”, diz a pasta, sem outros comentários. Essa projeção foi calculada em agosto do ano passado. Procurado para dar mais detalhes, o MME não retornou.
Uma revisão para baixo dessa receita, a depender da magnitude, teria obrigado o governo a fazer um contingenciamento de recursos do Orçamento. Isso porque o governo reduziu de R$ 34,9 bilhões para R$ 3,5 bilhões a previsão de superávit primário neste ano, considerando a reprojeção feita para as demais receitas da União. Ou seja, o governo tem uma sobra de apenas R$ 3,5 bilhões para o limite inferior da meta de primário. A meta é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, mas é admitido um resultado igual a zero no ano.
Se o governo reduzisse em mais de R$ 3,5 bilhões a estimativa com os leilões de petróleo, ele seria obrigado a fazer um contingenciamento. Esse instrumento consiste no congelamento temporário de recursos do Orçamento quando há risco de descumprir a meta fiscal, considerando o piso da banda. O recurso pode ser liberado ao longo do ano, se houver reversão de cenário.
No primeiro relatório de reavaliação do Orçamento, o governo não teve que fazer contingenciamento. Foi feito um bloqueio de apenas R$ 1,6 bilhão para cumprir o limite de despesas, em virtude do crescimento de alguns gastos obrigatórios. Esse valor também ficou abaixo do esperado, devido a subestimativas que podem ter acontecido em gastos com benefícios previdenciários e Benefício de Prestação Continuada (BPC), conforme mostrou o Valor.
Para técnicos do governo, o ideal seria reprojetar a receita nos próximos relatórios bimestrais de reavaliação do Orçamento
“Vejo risco elevado de não materialização dessa receita, dada a incerteza e volatilidade do ambiente externo, que deve reforçar o sentimento de aversão ao risco”, explica o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros. “Um Orçamento realista deveria zerar ou ter estimativa marginal com essa receita, quer pelo efeito do cenário global incerto, quer seja pela volatilidade doméstica fruto do fim do ciclo político-eleitoral”, completa.
Para ele, falta realismo fiscal nos números do Orçamento. “De certa forma, é uma repetição do que vimos no passado recente no âmbito do Carf [Conselho de Administração de Recursos Fiscais]”, lembra. Em 2024, o governo reduziu de R$ 55 bilhões para R$ 847 milhões a previsão de ingresso de recursos do Carf oriundos das mudanças nas regras do voto de qualidade.
Contudo, com essa manobra de superestimar as receitas, o governo evita um contingenciamento de recursos elevado no começo do ano, enquanto espera uma reversão de cenário. Se não houver melhoria ou receitas novas, acaba tendo que fazer a contenção ao longo do segundo semestre.
Em dezembro do ano passado, o governo federal arrecadou R$ 8,8 bilhões no leilão realizado pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), que ofertou os direitos da União sobre áreas não contratadas do pré-sal. O valor frustrou as expectativas do governo, que estimou, primeiro, arrecadar R$ 14,7 bilhões e, depois, R$ 10,2 bilhões.
Procurados, o Ministério do Planejamento e Orçamento e a PPSA não retornaram.
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