Diário do Comércio - MG 24/07/2026
As vendas de aços planos da rede de distribuidores associada ao Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) contabilizaram queda de 6,9% em Junho, quando comparadas a Maio, atingindo o montante de 317,7 mil toneladas. Sobre igual mês do ano passado, quando foram vendidas 313,8 mil toneladas, houve alta de 1,2%.
As compras do mês de Junho registraram queda de 4,9% perante o mês de Maio, com volume total de 323,8 mil toneladas. Frente a Junho do ano passado, a alta foi de 4,4%.
Em número absoluto, o estoque de Junho apresentou alta de 0,5% em relação ao mês anterior, com o montante de 1,162 milhão de toneladas. O giro de estoque fechou em 3,7 meses.
As importações, por sua vez, encerraram o mês de Junho com alta de 97,9% em relação ao mês anterior, com volume total de 239,1 mil toneladas. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as importações registraram queda de 35,6%.
Para Julho de 2026, a expectativa da rede associada ao Inda é de que as compras e vendas registrem uma queda de 2%, quando comparadas a Junho de 2026.
Times Brasil - SP 24/07/2026
O setor de distribuição de aço no Brasil registrou em junho a maior queda mensal de vendas do ano, segundo relatório do Citi após reunião mensal do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA), referente a julho de 2026. Para o banco, a recuperação consistente de preços e margens no setor só deve se materializar em 2027.
Conforme o Citi, as vendas de distribuidores caíram 6,9% em junho ante maio, e a projeção da INDA para julho aponta nova queda de 2% no mês.
Os estoques do setor subiram para 3,7 meses de vendas em junho, com expectativa de 3,8 meses em julho, patamar acima do nível considerado normalizado, próximo de 3,0 meses.
Aço em excesso trava recuperação de preços
Ainda segundo o relatório, tentativas de recuperação de preços seguem esbarrando na resistência de uma cadeia que carrega estoque em excesso. As compras dos distribuidores somaram 323,8 mil toneladas em junho, queda de 4,9% ante maio, mas alta de 4,4% na comparação anual, com o acumulado do ano em 1.949,5 mil toneladas, retração de 1,9% ante o primeiro semestre de 2025.
O Citi destacou que laminados a quente seguem como a categoria mais fraca no acumulado do ano, com queda de 6,9%, enquanto produtos galvanizados seguem em alta de 10,9% no mesmo período. As vendas de junho totalizaram 317,7 mil toneladas, queda de 6,9% ante maio, com o acumulado de 2026 em 1.916,0 mil toneladas, recuo de 0,9%.
Importações de aço em colapso
Do lado das importações, o volume nacional de aço plano somou 239,1 mil toneladas em junho, queda de 35,6% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, o recuo chega a 24% ante igual período de 2025, totalizando 1.428,4 mil toneladas, segundo o levantamento repassado pelo Citi.
Bobinas a quente lideraram a retração das importações, com queda de 86% em junho e 48% no acumulado do ano, mesmo com medidas antidumping em vigor para a categoria. Laminados a frio recuaram 43% no acumulado, enquanto produtos galvanizados caíram apenas 7,1% no mesmo período.
Por origem, o Vietnã liderou as importações de aço plano em junho, com 38,3% do volume total, seguido por China (24,1%), Áustria (14,4%, concentrada em chapas grossas), Coreia do Sul (13,1%) e Taiwan (3,7%). No acumulado do ano, porém, a China segue dominante, com 52,6% das importações totais de aço plano, o equivalente a 821,9 mil toneladas.
Aço chinês segue relevante apesar do antidumping
Mesmo com as medidas antidumping em vigor para laminados a quente, a China mantém participação de 29,1% nas importações dessa categoria no acumulado do ano, atrás apenas da Coreia do Sul, com 50,7%. O Egito aparece na sequência, com 19,3%. Em produtos galvanizados, a China concentra 78,7% do volume importado no período.
Para o Citi, o cenário reforça o tom cauteloso já sinalizado na reunião anterior da INDA. O banco avalia que a demanda ainda não avança em ritmo suficiente para absorver os estoques acima do normal, o que reduz o incentivo dos distribuidores para aceitar reajustes de preço.
Normalização de estoques só no fim do ano
Segundo o Citi, a normalização dos estoques do setor não deve ocorrer antes do fim de 2026. O banco avalia que esse ajuste é o principal fator para destravar uma recuperação mais consistente de preços e margens, com efeitos mais visíveis a partir de 2027.
O ritmo dessa normalização, segundo o relatório, depende da aceleração da demanda final, sobretudo nos setores automotivo e de bens de capital, além da dinâmica cambial, que segue como fator relevante para novos reajustes de preço.
Valor - SP 24/07/2026
Companhia registrou receita consolidada de US$ 5,23 bilhões, ante US$ 4,93 bilhões um ano antes, e reduziu o prejuízo em relação a igual período do ano anterior de US$ 229 milhões para US$ 134 milhões.
A Cleveland-Cliffs reportou uma receita maior no segundo trimestre, com a demanda por aço seguindo em melhora, apesar das contínuas tensões globais.
A produtora de aço registrou um prejuízo reduzido de US$ 134 milhões, ou US$ 0,25 por ação, em comparação com um prejuízo de US$ 229 milhões, ou US$ 0,42 por ação, no ano anterior.
Em base ajustada, a empresa reportou um prejuízo de US$ 0,20 por ação. Analistas consultados pela FactSet esperavam um prejuízo de US$ 0,21 por ação.
A receita consolidada subiu para US$ 5,23 bilhões, ante US$ 4,93 bilhões um ano antes. Os analistas esperavam uma receita de US$ 5,15 bilhões.
O preço líquido médio de venda por tonelada líquida de produtos de aço subiu de US$ 1.015 para US$ 1.124. A receita com a produção de aço subiu de US$ 4,77 bilhões para US$ 5,05 bilhões.
“O mercado interno permanece forte, pois as contínuas tensões globais seguem ressaltando a importância de ter uma indústria siderúrgica nacional próspera”, disse Lourenço Gonçalves, CEO da empresa.
“A demanda segue melhorando, as importações permanecem contidas e os prazos de entrega estão se estendendo ainda mais.”
Gonçalves disse esperar que o segundo semestre do ano possa ser o mais forte da empresa desde 2021, com preços médios de venda, volumes e custos se movendo na direção certa.
A Cleveland-Cliffs ainda espera remessas de aço entre 16,5 milhões e 17 milhões de toneladas líquidas este ano, com despesas de capital em cerca de US$ 700 milhões.
No início desta semana, a Steel Dynamics registrou lucro e receita maiores em seu segundo trimestre. Barry Schneider, CEO da empresa, disse a analistas que a companhia tem visto taxas elevadas e aceleradas em todas as exportações de aço, mesmo com a tarifa de 50% dos Estados Unidos destinada a manter o aço fabricado no exterior fora do país.
Jornal de Brasília - DF 24/07/2026
O aumento vertiginoso nas importações de botijões de gás de cozinha vindos da China, um movimento impulsionado pela criação do programa federal Gás do Povo, desembocou numa guerra comercial entre fabricantes nacionais desses recipientes e distribuidoras que trazem o produto do exterior.
As compras de botijões chineses passaram de 29 mil unidades durante todo o ano de 2025 para 515 mil apenas no primeiro semestre deste ano, segundo dados oficiais compilados pela Mangels, principal fabricante nacional de botijões.
Como o setor compra cerca de 2 milhões de botijões por ano para reposição do volume existente, isso significa que pelo menos um em cada quatro botijões comercializados hoje no país vem da China.
O mercado interno reagiu. A Mangels bateu à porta do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) para pedir ao governo que dobre o imposto de importação desses produtos, elevando a tarifa atual de 12,6% para 25%.
Do outro lado, porém, o Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) afirma que as compras externas foram necessárias porque a indústria brasileira não consegue responder rapidamente ao aumento da demanda.
A disputa é consequência direta da reorganização do mercado provocada pelo Gás do Povo. O programa prevê o acesso gratuito a botijões de gás de cozinha a cerca de 15 milhões de famílias de baixa renda. Vales são disponibilizados no dia 10 de cada mês e podem ser usados para retirar gratuitamente um botijão de gás de 13 kg em revendas credenciadas.
Para suportar a demanda, distribuidoras começaram a reforçar seus estoques e buscar fornecedores.
Esse movimento, como mostrou a Folha, levou o próprio Sindigás a defender, meses atrás, a eliminação temporária da tarifa de importação dos botijões. Agora, porém, diante da explosão das compras na China, a indústria nacional passou a defender exatamente o oposto, com a elevação do imposto para atacar o produto importado.
A Mangels diz que há uma distorção de tarifas criada pela própria política tarifária do governo. Segundo a empresa, a Camex (Câmara de Comércio Exterior), que é ligada ao Mdic, elevou para 25% a tarifa de importação de chapas de aço e insumos utilizados na fabricação dos botijões, mas manteve a tarifa dos recipientes de GLP nos atuais 12,6%.
Na avaliação da empresa, isso tornou economicamente mais vantajoso importar o produto acabado do que produzi-lo no Brasil. “O principal objetivo do nosso pleito é a correção de uma assimetria na estrutura tarifária atual”, afirmou à Folha.
A fabricante afirma que o aço responde por cerca de 72% do custo das matérias-primas utilizadas na fabricação dos botijões e aproximadamente 57% do custo total de produção. Para a empresa, manter a matéria-prima sujeita a uma tarifa de 25% enquanto o recipiente pronto entra no país pagando 12,6% estaria comprometendo a indústria nacional, justamente em um momento em que o mercado deve crescer por causa do programa social.
A companhia também argumenta que a pressão tende a aumentar, dada a capacidade de produção de aço da China. Segundo dados apresentados ao governo, o país asiático produziu 991 milhões de toneladas de aço em 2024, contra 31,5 milhões de toneladas produzidas pelo Brasil, uma diferença que permite aos fabricantes chineses oferecer preços muito inferiores aos nacionais.
A Mangels sustenta, ainda, que não haveria necessidade de recorrer às importações para atender ao Gás do Povo, porque, segundo a empresa, a indústria nacional tem capacidade de fabricar até 8 milhões de botijões por ano, volume considerado suficiente para atender à demanda esperada.
A reação da empresa é apoiada por outras companhias siderúrgicas, além do Instituto Aço Brasil, que representa o setor.
Distribuidoras do setor discordam. O presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello, disse que o problema nacional não é falta de capacidade instalada, mas de efetivamente fazer a entrega no curto prazo.
“A gente tem que deixar claro que capacidade instalada de produção é bem diferente da capacidade de entrega efetiva. Você não consegue transformar as fábricas da noite para o dia em três turnos”, comentou.
Mello afirma que distribuidoras começaram a enfrentar dificuldades de fornecimento ainda no fim do ano passado e que fabricantes nacionais chegaram a reduzir entregas que já estavam programadas, obrigando empresas do setor a recorrer ao mercado internacional.
“As empresas foram alvos de cortes de pedidos. Isso as obrigou a importar. A gente não tem a menor intenção em substituir a produção nacional por importação. Mas temos de recorrer a compras complementares por causa da incapacidade de resposta imediata da indústria nacional”, afirmou.
Mello diz que as distribuidoras chegaram a pagar mais caro pelos botijões importados da China, dada a necessidade de ter o produto. “Essa é a realidade. Os botijões que foram internalizados no Brasil chegaram mais caros do que são comprados no mercado nacional. As empresas não têm razão nenhuma para pagar mais caro, mas se viram obrigadas a comprar fora.”
Ele também rebate a afirmação de que a tarifa de 25% sobre o aço importado justificaria o pedido de elevar o imposto dos botijões. Segundo Mello, o setor utiliza majoritariamente chapa de aço produzida no mercado brasileiro e não enfrentaria escassez desse insumo.
“No nosso entendimento, não existe um debate de falta de chapa de aço. O gargalo real é a falta de capacidade de produção”, afirmou. “Não adianta dizer que faz. Tem que fazer. Apresente os botijões, que a gente para de importar.”
Questionado pela Folha, o Mdic afirmou que o pedido apresentado pela Mangels está em análise técnica. Após essa etapa, o processo será encaminhado ao Comitê de Alterações Tarifárias e, depois, ao Comitê Executivo de Gestão da Camex, responsável pela decisão final sobre eventual mudança na alíquota de importação.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) declarou que não comenta o assunto, por não ser sua atribuição. O Instituto Aço Brasil não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Diário do Comércio - MG 24/07/2026
Apesar de parte dos indicadores econômicos apontar um cenário favorável para a atividade econômica brasileira, especialistas alertam que os sinais positivos podem não se sustentar no médio e longo prazos, diante do elevado nível dos juros, da questão das contas públicas e do aumento do endividamento das empresas.
A avaliação foi feita pela economista e sócia da Siegen, empresa de consultoria empresarial, Jucélia Lisboa, durante apresentação sobre o cenário macroeconômico brasileiro no evento Café & Debate. Segundo ela, dos 32 indicadores analisados pela consultoria, 17 mostram desempenho positivo quando observados isoladamente, refletindo resiliência da economia.
Entre os fatores favoráveis estão a revisão para cima das projeções do Produto Interno Bruto (PIB), a recuperação da atividade, o crescimento dos setores de serviços e agropecuária, o superávit da balança comercial, a taxa de desemprego em 5,6%, o aumento da renda média da população e a desaceleração recente da inflação.
“A maior parte dos indicadores mostra uma economia resiliente no curto prazo, com crescimento do PIB, mercado de trabalho aquecido, aumento da renda e inflação mais comportada”, destacou Jucélia Lisboa.
Ela observou ainda que o mercado financeiro também apresentou desempenho positivo ao longo do ano, com valorização da bolsa brasileira, fortalecimento de setores como financeiro, imobiliário e elétrico, além de ganhos registrados nos principais mercados internacionais.
Apesar desse cenário aparentemente favorável, a economista ressaltou que a análise conjunta dos indicadores revela fragilidades importantes.
Entre os principais fatores de preocupação estão a dívida líquida do setor público em nível recorde, o resultado primário deficitário, o crescimento das despesas públicas acima das receitas, a manutenção da taxa Selic em patamar elevado e as incertezas provocadas pelo cenário geopolítico internacional, especialmente pelos conflitos no Oriente Médio, que pressionam o preço do petróleo e podem dificultar o controle da inflação.
“Os principais sinais de alerta estão justamente nos fatores que determinam a sustentabilidade do crescimento: contas públicas, juros reais elevados, endividamento e saúde financeira das empresas. A fotografia atual é positiva, mas a leitura estrutural exige muita cautela”, afirmou.
Segundo Jucélia Lisboa, esse ambiente exige maior prudência das empresas na tomada de decisões de investimento, principalmente quando o horizonte é de longo prazo.
Na avaliação do especialista em recuperação judicial e CEO da Siegen, Alexandre Temerloglou, o elevado custo do crédito continuará sendo um dos principais desafios para as empresas brasileiras.
Ele afirma que a expectativa da consultoria é de que a Selic permaneça próxima de 14% até o fim do ano, mantendo elevado o custo financeiro das operações.
“A dificuldade de rolagem das dívidas continua muito grande. As empresas enfrentam juros elevados, aumento do custo dos insumos, pressão dos fornecedores e também crescimento das despesas com mão de obra, já que a renda vem subindo acima da inflação”, explicou.
Segundo Temerloglou, esse conjunto de fatores reduz as margens das empresas e pressiona o fluxo de caixa, principalmente em negócios que já operam com baixa rentabilidade.
Como consequência, a tendência é de continuidade no aumento dos pedidos de recuperação judicial e dos processos de reestruturação financeira.
“O cenário continua bastante desafiador. Mesmo que a Selic comece um ciclo moderado de redução, ela permanecerá elevada por um período prolongado. As empresas precisarão adaptar sua gestão financeira para conviver com esse ambiente de juros altos por mais tempo”, concluiu.
O Estado de S.Paulo - SP 24/07/2026
Depois de ter enfrentado vários choques com “notável resiliência”, a economia brasileira deve crescer 2,4% em 2026 e avançar com regularidade nos próximos anos, segundo novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com as projeções, o Produto Interno Bruto (PIB) deve aumentar 2,2% em 2027, 2,4% em 2028 e cerca de 2,5% nos anos seguintes até 2031. Podendo atingir um pico de 5,6% neste ano, a inflação deverá em seguida recuar para 3,2% em 2027 e manter-se em torno de 3,1% a partir de 2028.
A redução dos juros, segundo os analistas do FMI, tem sido compatível com a meta de inflação, mas será conveniente “manter flexibilidade nos próximos passos”, por causa da grande incerteza global e das pressões associadas aos preços da energia. Essa cautela é compatível com aquela exibida pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, em seus cenários prospectivos.
A Junta Executiva do FMI, informa o comunicado, saudou a “continuada resiliência econômica”, num quadro externo “desafiante”, e destacou a redução da pobreza e da desigualdade no País. Os diretores, acrescenta a nota, “encorajaram as autoridades a fortalecer a sustentabilidade das contas públicas, a garantir a convergência da inflação para a meta e a continuar reformas estruturais para impulsionar o crescimento inclusivo”.
Citando “persistentes pressões fiscais” e elevados custos de juros, os diretores defenderam um esforço fiscal mais ambicioso para garantir uma continuada redução da dívida pública e garantir espaço para investimentos prioritários. O esforço fiscal, acentuaram, deve incluir um combate à rigidez das contas do governo e a busca de maior eficiência nas despesas.
Também elogiaram a cautela do Banco Central ao reduzir o aperto monetário mais lentamente do que se previa antes da guerra no Oriente Médio. A política monetária, acrescentaram, deveria permanecer flexível, de acordo com a evolução dos dados diante da elevada incerteza global.
O relatório foi produzido com base nas informações e avaliações de uma visita regular de técnicos do fundo ao Brasil.
Globo Online - RJ 24/07/2026
Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano, afirmou nesta quinta-feira em São Paulo crer que a instituição está pronta para subir a taxa básica de juros. Durante o Expert XP, evento organizado pela XP, Yellen também apontou a inteligência artificial como novo fator de pressão inflacionária, além da guerra contra o Irã e das tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump contra outros países.
O avanço da tecnologia, argumentou, tem elevado a demanda por semicondutores e eletricidade, encarecendo esses insumos e afetando preços ao longo da cadeia. A também ex-secretária do Tesouro dos EUA, no governo Joe Biden, avalia que, junto a outros fatores, isso deve fazer com que a inflação americana siga acima da meta do Fed (de 2 %) por pelo menos dois anos, após cinco anos fora da meta.
— À medida que os choques da pandemia começaram a se dissipar e parecia que a inflação cairia, o presidente Trump impôs tarifas enormes que fizeram a inflação disparar. Agora, isso deveria ser transitório, algo que talvez leve um ou dois anos para entrar nos preços, mas então a inflação cai para o normal. E, justamente quando talvez isso esteja começando a acontecer agora que o impacto das tarifas está se dissipando, temos todas as disrupções no Oriente Médio.
Ela continuou:
— Parece haver uma extensão das hostilidades e nenhum fim claro da guerra no horizonte. E, portanto, um novo choque de oferta. É provável que a inflação permaneça elevada por pelo menos o próximo ano ou mais — disse a economista. — Agora estamos olhando (em retrospectiva) para cinco anos ou mais com a inflação significativamente acima do objetivo de 2% do Fed.
Yellen acrescentou que ainda não há evidências consistentes de ganhos relevantes de produtividade na economia americana como um todo, apesar dos impactos pontuais da IA em alguns setores.
Dólar mais coadjuvante em cenário global
No cenário global, por sua vez, Yellen disse observar uma erosão gradual do papel do dólar. A moeda representa hoje pouco mais de 50% das reservas internacionais, pontuou, abaixo dos cerca de 70% registrados no passado, ao mesmo tempo em que cresce a participação do ouro nas carteiras dos bancos centrais mundo afora.
— O aumento do ouro em parte reflete o desejo de ser menos dependente do dólar, já que os EUA podem impor sanções, mas realmente não há nenhuma moeda que possa ocupar o lugar do dólar — disse a economista, uma das mais influentes e respeitadas do planeta.
Yellen também alertou para o quadro fiscal nos EUA, que considera um problema relevante, assim como em outras economias avançadas, entre elas Japão, países da União Europeia e Reino Unido:
— Nos EUA, a relação dívida/PIB está em cerca de 100% e esse é um nível que, no passado, causou problemas para muitas economias. O que me preocupa não é apenas a relação dívida/PIB, mas o tamanho do peso dos encargos com juros.
Segundo a economista, há sinais de que a taxa de juros neutra (quando a política monetária não tem efeito contracionista ou expansionista) será mais alta do que no período pré-pandemia. Ela elencou ainda alguns fatores estruturais que tendem a ampliar o déficit ao longo do tempo, notadamente o envelhecimento da população.
O aumento da proporção de aposentados em relação aos trabalhadores ativos eleva os gastos com Previdência e saúde.
— E você provavelmente não verá ninguém concorrendo na próxima eleição presidencial, em 2028, seja republicano ou democrata, dizendo: “minha agenda é impor algumas dessas formas de sacrifício à população”, em momento em que as pessoas afirmam que o custo de vida é seu maior problema. Não estou vendo um esforço significativo para lidar com isso e a relação dívida/PIB pode subir ainda mais rapidamente. Em algum momento os mercados olharão para isso, especialmente considerando que, pelas tendências, os bancos centrais estão mantendo menos títulos do Tesouro dos EUA.
Money Times - SP 24/07/2026
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre importações do Brasil e de outras economias investigadas por falhas na proibição e fiscalização da entrada de produtos fabricados com trabalho forçado, justamente quando uma tarifa global temporária de 10% chega ao fim.
A medida é a mais recente iniciativa da Casa Branca para restaurar a visão de campanha do presidente Donald Trump de uma tarifa quase global, depois que a Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, derrubou suas tarifas “recíprocas” de 10% a 50% impostas no ano passado sob uma lei de emergência nacional para tentar reduzir o déficit comercial dos EUA.
Trump respondeu à decisão impondo uma tarifa temporária de 10% por 150 dias, que expira às 00h01 (horário da costa leste dos EUA) de sexta-feira (1h01 no horário de Brasília), invocando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, legislação destinada a conter crises na balança de pagamentos.
As novas tarifas entrarão em vigor exatamente nesse mesmo momento, com isenção para mercadorias em trânsito até às 00h01 do dia 28 de julho. A medida agora tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o USTR, as investigações concluíram que as práticas dos 60 países e economias analisados relacionadas ao combate ao trabalho forçado representam uma prática comercial considerada desleal e que restringe o comércio americano.
O USTR estabeleceu três faixas de tarifas. Países que já adotam ou se comprometeram a implementar proibições à importação de produtos feitos com trabalho forçado, como Argentina, Canadá, México, Índia e Reino Unido, estarão sujeitos a uma tarifa de 10%. Determinados produtos da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Suíça pagarão 10% ou 12,5%, conforme o caso. As demais economias investigadas, entre elas o Brasil, terão tarifa de 12,5%.
As novas tarifas isentarão petróleo e gás e certos recursos naturais, bem como bens já abrangidos pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) ou pelas tarifas relacionadas à segurança nacional que Trump impôs sobre carros, aço e outros produtos.
A tarifa faz parte de uma estratégia mais ampla da Casa Branca para reformular a política comercial dos Estados Unidos. Para sustentar juridicamente novas barreiras, o governo Trump tem aberto diferentes investigações comerciais. Além da apuração sobre trabalho forçado, outra investigação avalia se determinados parceiros comerciais mantêm excesso de capacidade industrial que possa prejudicar a indústria americana.
As investigações foram abertas em março deste ano e incluíram audiências públicas, consultas com governos estrangeiros e a análise de milhares de manifestações antes da decisão final anunciada nesta quinta-feira.
Brasil anuncia reação na OMC
O governo brasileiro classificou como “arbitrária e injustificada” a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros após a investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado.
Em nota, afirmou que o país cumpre compromissos internacionais no combate à prática e apresentou informações às autoridades americanas durante a investigação.
Como resposta, o Brasil informou que acionará a Lei de Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Diário do Comércio - MG 24/07/2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o Pix como um dos principais responsáveis pela transformação do sistema financeiro brasileiro, mas alertou que o Banco Central (BC) precisa de autonomia financeira e orçamentária para manter a capacidade de supervisão diante da expansão do setor.
As conclusões constam no relatório de Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro (FSSA), divulgado nesta quinta-feira (23).
O documento, elaborado em parceria com o Banco Mundial após missões técnicas ocorridas no Brasil entre dezembro de 2025 e março de 2026, afirma que o sistema financeiro nacional é resiliente, mas enfrenta desafios relacionados à falta de pessoal nos órgãos de supervisão, limitações legais e necessidade de fortalecimento institucional. O último relatório do tipo foi elaborado em 2018.
Pix
Na avaliação do FMI, o Pix consolidou-se como um importante instrumento de inclusão financeira, ampliação da concorrência e digitalização do mercado bancário brasileiro.
“Os bancos digitais emergentes reduziram a concentração do setor bancário e continuam a fomentar a concorrência e a eficiência, resultando também em taxas de crédito mais baixas.”
O relatório destaca que o sistema de pagamentos instantâneos acelerou a transformação digital do setor financeiro e impulsionou o crescimento dos bancos digitais.
Ao mesmo tempo, o Fundo alerta para o aumento dos riscos cibernéticos e das fraudes digitais, defendendo o fortalecimento da governança do sistema.
Entre as recomendações, está a formalização da política de supervisão do Pix e a separação entre as funções operacionais e fiscalizatórias desempenhadas pelo Banco Central.
Autonomia
Além dos elogios ao Pix, o FMI afirma que é urgente fortalecer a estrutura do Banco Central para garantir a estabilidade do sistema financeiro.
Segundo o relatório, o Brasil deve adotar “medidas para superar as restrições de pessoal nos órgãos supervisores, a concessão de plena autonomia orçamentária ao Banco Central do Brasil”, além de ampliar a proteção jurídica dos servidores e atualizar a legislação sobre resolução de instituições financeiras.
Na avaliação do organismo, os avanços registrados desde a última revisão, em 2018, foram relevantes, porém persistem obstáculos que limitam a atuação da autoridade monetária.
“As autoridades demonstraram avanços substanciais, mas ainda enfrentam desafios – principalmente decorrentes de restrições de pessoal, falta de proteção jurídica e limitações de autoridade legal.”
O FMI afirma que essas limitações reduzem a intensidade da supervisão bancária e podem ampliar a dependência de entidades autorreguladoras no mercado de capitais.
PEC
A recomendação ocorre enquanto o Senado analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que concede autonomia financeira ao Banco Central.
O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em junho e aguarda votação no plenário. A proposta transforma o BC em uma entidade pública de natureza especial e é defendida pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo.
O projeto, entretanto, divide governo e servidores. Entidades representativas de auditores e gestores do BC apoiam a mudança. No entanto, o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) defende uma alternativa apresentada pelo governo que amplia a autonomia orçamentária, mas mantém a natureza jurídica atual da autarquia.
Solidez
Apesar das recomendações, o FMI conclui que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido e capaz de absorver choques econômicos.
O relatório destaca a importância da manutenção do regime de metas para a inflação, de instituições robustas e da continuidade das reformas estruturais para preservar a estabilidade financeira do país.
Resposta do BC
Em nota, o Banco Central afirmou que recebeu o relatório com satisfação e avaliou que o documento contribui para o aprimoramento das políticas econômicas e financeiras.
“O BC agradece aos corpos técnicos do FMI e do Banco Mundial pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos, pelo diálogo construtivo mantido durante todo o processo e pelo elevado nível técnico das análises apresentadas nos relatórios.”
A autarquia também destacou que o FMI reconheceu a evolução do sistema financeiro brasileiro desde 2018, o papel transformador do Pix e a necessidade de fortalecer o arcabouço institucional para garantir recursos, recompor o quadro de servidores e preservar a capacidade de supervisão.
Ministério da Fazenda
O Ministério da Fazenda também emitiu uma nota para destacar que o Brasil teve a segunda maior revisão positiva de crescimento entre as economias do G20. O FMI espera que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça 2,4% em 2026. Para o ano que vem, a previsão também foi revisada para cima, chegando a 2,2%.
A Fazenda destacou ainda que o relatório reconhece que a trajetória de consolidação fiscal proposta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias apresentado em abril levará à estabilização da dívida pública.
O relatório divulgado nesta quinta repetiu as projeções do FMI para a economia brasileira apresentadas no início de julho.
CNN Brasil - SP 24/07/2026
Os contratos futuros de minério de ferro subiram pela primeira vez em três pregões nesta quinta-feira (23), recuperando parte das perdas da semana, à medida que os custos de transporte persistentemente elevados, associados às tensões no Oriente Médio, ofereceram algum apoio.
O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian), na China, encerrou o pregão diurno com alta de 0,74%, a 747,5 iuanes (US$ 110,43) por tonelada.
A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura registrou alta de 1,1%, para US$ 98,15 por tonelada.
Os custos mais elevados de energia, diesel e frete elevaram o custo de entrega do minério transportado por via marítima, afirmou David Cachot, diretor de pesquisa da consultoria Wood Mackenzie.
As tensões recentes no Oriente Médio também contribuíram para uma nova alta nas taxas de frete, reforçando ainda mais o suporte aos custos do minério transportado por via marítima, acrescentou Cachot.
O aumento dos custos de frete tende a se refletir nos preços de desembarque na China, já que o minério de referência é normalmente negociado na modalidade C&F (custo e frete).
Embora esse apoio aos preços esteja diminuindo à medida que o prêmio geopolítico se atenua, ele continua a servir de piso para os preços por enquanto, afirmaram analistas da corretora chinesa Huatai Futures em uma nota.
Os preços do petróleo subiam pela quinta vez consecutiva na quinta-feira, devido às crescentes preocupações com a disponibilidade de oferta em meio a ataques a petroleiros no Mar Vermelho pelos houthis do Iêmen e a confrontos entre os EUA e o Irã que, mais uma vez, quase fecharam o Estreito de Ormuz.
No entanto, as margens das siderúrgicas permanecem fracas, limitando as altas.
As principais siderúrgicas em Hebei e Shandong reduziram os preços de compra do carvão coque em 50 a 55 iuanes por tonelada na terça-feira (21), a primeira redução desse tipo em meses, segundo dados da consultoria Mysteel.
As perdas médias nas principais siderúrgicas de Tangshan ultrapassaram 100 iuanes por tonelada nesta semana, informou a Mysteel.
O Estado de S.Paulo - SP 24/07/2026
A carta da Previ pedindo a destituição de Daniel Stieler, então conselheiro e presidente do Conselho de Administração (CA) da Vale com mandato até abril de 2027, deflagrou um “tiroteio” no colegiado, no qual o vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, aliado de Stieler, acabou isolado, disse uma fonte ouvida pelo Estadão/Broadcast. O ambiente de tensão contribuiu para azedar os ânimos no colegiado, o que culminou no pedido de destituição do executivo. Procurado, Gasparino não retornou as tentativas de contato.
O Conselho de Administração informou na noite de quarta-feira, 22, que decidiu destituir o conselheiro após uma investigação de um escritório independente (contratado com anuência do conselho) concluir que houve vazamento de informações confidenciais debatidas na reunião realizada em 19 de junho. Por se tratar de um membro do conselho, a efetivação da medida ainda depende de aprovação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE).
A partir da carta da Previ — fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, que é acionista de referência da Vale, com cerca de 7% do capital da mineradora —, o CA entrou em debate sobre a governança da empresa.
Neste contexto, outros conselheiros passaram a atacar Gasparino, com a acusação de vazamento de um voto, disse a fonte. O executivo, por sua vez, teria começado a atirar com denúncias contra os outros conselheiros, o que consolidou o isolamento.
Ele teria vazado pontos de sua manifestação e o seu voto do dia 19, no qual manifestou preocupação com a convocação da assembleia para destituir Stieler e para eleger novo conselheiro e novo presidente do Conselho. Em seu voto, Gasparino foi contrário à destituição de Stieler “por não haver fundamentação hábil, e entender haver risco de interferência política neste movimento”, conforme a ata da reunião.
De acordo com a ata, Gasparino afirmou que tomou conhecimento de que os encontros do colegiado vinham sendo gravados clandestinamente. A informação passou a circular na imprensa. Além disso, de acordo com fontes, os outros conselheiros atribuem a ele o vazamento de informações sobre uma visita a uma mina, em Corumbá (MS), de propriedade J&F Investimentos (holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista). Embora o tema tenha sido posterior à reunião da Vale, a exposição desorganizada do assunto azedou o humor dos conselheiros com Gasparino.
Ele era aliado de Stieler, conselheiro indicado pela Previ e que passou a integrar o Conselho em 2021. Com a saída do executivo, no entanto, Gasparino se apresentou voluntariamente para concorrer à presidência do Conselho de Administração da Vale, concorrendo com Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, apoiado pela Previ já na carta de pedido de destituição de Stieler, datada de 6 de junho.
Em meio a esse cenário, Gasparino foi derrotado por Ollie na corrida pela presidência do colegiado, em eleição realizada na quarta-feira, 22.
“O vazamento parece ser real, mas foi dentro de um contexto em que vários conselheiros estavam falando com jornalistas e com suas bases de apoio”, disse uma fonte próxima do conselho. “O exemplo mais gritante é o da Previ, que, antes da divulgação de uma deliberação do CA, já estava anunciando que iria questionar a legalidade dela.”
Money Times - SP 24/07/2026
As ações da Vale (VALE3), um dos pesos-pesados do Ibovespa (IBOV), acumulam alta de 4,4% nos últimos dois pregões em reação à prévia operacional do segundo trimestre (2T26) e à eleição do novo presidente do conselho de administração (CA).
VALE3 encerrou o pregão da quarta-feira (22) com alta de 3,96%, a R$ 75,10 – o que levou ao ganho de R$ 12,695 bilhões em valor de mercado em apenas um pregão. A mineradora encerrou o dia valendo R$ 333,380 bilhões.
Nesta quinta-feira (23), o tom positivo continua com os investidores reagindo à destituição de Marcelo Gasparino da Silva do cargo de conselheiro da companhia, em decisão do CA por vazamento de informações confidenciais relativas à reunião do colegiado em 19 de junho. A medida foi anunciada na noite de ontem pela mineradora.
Por volta de 14h20 (horário de Brasília), VALE3 registrava alta de 1,33%, a R$ 76,10. Pela manhã, as ações iniciaram o pregão em baixa de 0,79% (R$ 74,51) em primeira reação à saída de Gasparino.
De acordo com a empresa, Marcelo Gasparino da Silva também foi afastado de dois comitês de assessoramento de que fazia parte (Comitê de Indicação e Governança e Comitê de Pessoas e Remuneração).
Por se tratar de membro do conselho, a sanção de destituição do cargo, prevista na Política de Gestão de Desvios de Conduta da Vale, depende de deliberação pelos acionistas reunidos em Assembleia Geral, informou a mineradora em fato relevante assinado por Marcelo Feriozzi Bacci, vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores.
A saída do executivo é vista de forma positiva por parte do mercado, por reforçar a percepção de que os mecanismos de governança da companhia estão funcionando, avalia Cristiano Leal, especialista em investimentos. “Mais do que o episódio em si, a resposta institucional da Vale tende a reduzir o prêmio de risco de governança embutido nas ações”, afirmou Leal.
A decisão pela saída de Gasparino ocorreu poucas horas depois de ele ter perdido a disputa pela presidência do próprio conselho, quando obteve cerca de 1 bilhão de votos de aprovação pelos acionistas, mas foi batido por Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, que foi eleito com quase 2 bilhões de votos favoráveis.
Na avaliação de Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, a eleição de Ollie mantém o perfil independente na lideranço do conselho da Vale e reduz as preocupações com possíveis interferências na governança da companhia.
“O resultado [da eleição] ainda reforça que, embora a Previ continue sendo um acionista relevante, sua influência sobre a composição do conselho tem encontrado obstáculos à frente”, disse Passos.
A Ajax Asset reiterou a visão construtiva para VALE3 destacando que a gestão da mineradora mantém a estratégia de simplificação de portfólio com foco nos principais negócios e oportunidades de crescimento, em linha com a melhor alocação de capital.
Para Ruy Hungria, analista da Empiricius, a eleição de Ollie acontece em um momento em que a Vale tenta reconquistar a confiança dos investidores por meio de melhorias operacionais consistentes. “Ele tem potencial para melhorar a transparência e a governança da empresa”, afirmou ele em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube.
Prévia operacional
O relatório de produção da companhia confirmou a esperada recuperação operacional no segundo trimestre de 2026 (2T26). O documento foi divulgado na noite da última terça-feira (21) após o fechamento dos mercados.
A mineradora registrou avanço na produção e nas vendas de seus principais segmentos de negócios, com destaque para o minério de ferro, que alcançou seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
Os resultados foram bem recebidos por analistas, que destacaram a consistência operacional da companhia e um desempenho acima das expectativas em metais básicos, especialmente cobre.
BTG Pactual, XP Investimentos, Safra e Citi consideraram que a Vale entregou um trimestre sólido, com produção de minério de ferro em linha com o esperado, preços realizados favoráveis e, principalmente, um desempenho robusto em cobre e níquel.
Apesar da reação positiva, as casas de análise ainda enxergam alguns pontos de atenção. A XP pondera que a pressão de custos e o atual nível de valuation ainda limitam uma visão mais otimista para as ações, apesar da melhora dos fundamentos da divisão de metais básicos.
O BTG também avalia que a próxima etapa para o mercado será acompanhar a evolução dos custos de produção, influenciados por fatores como câmbio, diesel e despesas de manutenção. Para o banco, a execução operacional segue forte, mas a reação das ações após o balanço dependerá da capacidade da companhia de preservar margens.
Já Safra e Citi chamaram atenção para o fato de que a Vale manteve inalterado seu guidance para 2026, indicando confiança no planejamento operacional, mas sem fornecer novos catalisadores de curto prazo além da expectativa pelo balanço do segundo trimestre.
Nas recomendações, BTG Pactual e Citi mantiveram indicação de compra para as ações da Vale, enquanto XP e Safra seguiram com recomendação neutra. Apesar da boa execução operacional, as duas últimas casas avaliam que custos, valuation e as perspectivas para o minério de ferro ainda justificam cautela.
Valor - SP 24/07/2026
A companhia britânica destaca que as vendas no complexo chegaram a 7,29 milhões de toneladas, uma alta de 10% sobre os volumes do segundo trimestre de 2025 e de 28% sobre o primeiro trimestre do atual ano.
A Anglo American registrou produção de 6,54 milhões de toneladas de minério de ferro nas suas operações em Minas-Rio, queda de 2% na comparação anual e aumento de 3% sobre o desempenho dos três primeiros meses do ano.
A companhia britânica destaca que as vendas no complexo chegaram a 7,29 milhões de toneladas, uma alta de 10% sobre os volumes do segundo trimestre de 2025 e de 28% sobre o primeiro trimestre do atual ano.
Segundo a empresa, a produção nos últimos três meses foi afetada por conta de melhor qualidade do minério extraído, fator que foi parcialmente compensado por melhor produtividade e estabilidade nos volumes.
O preço médio do minério produzido em Minas-Rio foi de US$ 82 a tonelada nos seis primeiros meses do ano, cerca de 1% acima dos preços de referência internacionais, por conta da qualidade dos produtos negociados.
A Anglo American reiterou sua meta de produção para o ano em Minas-Rio entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas, também mantendo projeção de custo unitário do local em US$ 36 por tonelada.
Correio Popular - SP 24/07/2026
A entidade que representa o setor de máquinas e equipamentos no País, Abimaq, divulgou nesta quinta-feira, 23, nota em que diz discordar da adoção da Lei da Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro, em resposta às tarifas adicionais anunciadas pelos americanos nesta quinta-feira, 23.
Conforme divulgou o governo dos Estados Unidos, o Brasil está no grupo dos países que terão alíquota de 12,5%, após concluírem investigações relacionadas à falha de diversas economias em impor e aplicar uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Na prática, o Brasil terá agora uma tarifa de 37,5% para vender alguns produtos aos EUA. Em resposta, o governo brasileiro se manifestou contra a decisão dos EUA e disse vai acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.
"A Abimaq reafirma que não apoia a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a essa medida. Na nossa avaliação, a decisão dos Estados Unidos tem motivação predominantemente política, e uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países", diz a nota.
Segundo a entidade, o caminho mais adequado é o fortalecimento da diplomacia governamental e empresarial. "A Abimaq lembra ainda que a relação comercial entre os dois países é estratégica, o que reforça a importância de preservar os canais de negociação em vez de adotar medidas de confronto", acrescentam.
No comunicado, a Abimaq salientou que seguirá acompanhando os desdobramentos do tema e atuando junto com o governo e o setor produtivo para defender a indústria nacional de máquinas e equipamentos.
Também hoje, o presidente da entidade, José Velloso, divulgou vídeo dizendo que a motivação do governo americano em impor as tarifas de 12,5% a parceiros comerciais é uma decisão que tem cunho político. "Foi uma resposta da Suprema Corte norte-americana que lá em fevereiro proibiu o governo americano de taxar produtos sem uma motivação clara. Agora tem a motivação que é o trabalho forçado", disse Velloso.
Ele avalia ainda que a tarifa total de 37,5% agora retira ainda mais competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. Segundo ele, a situação do setor vai "piorar" e a previsão é que haja queda entre 10% e 11% das exportações de máquinas e equipamentos aos EUA.
Auto Informe - SP 24/07/2026
Estudo da Bright Consulting aponta avanço acelerado das montadoras chinesas, pressão sobre as fabricantes tradicionais e uma transformação profunda na cadeia de autopeças
A indústria automobilística brasileira deverá passar por uma das maiores transformações de sua história até o fim da década. Se as projeções da Bright Consulting se confirmarem, as montadoras chinesas responderão por algo entre 26% e 30% das vendas de veículos no Brasil em 2030, consolidando uma mudança que já começou e que promete alterar desde o perfil dos automóveis vendidos até a estrutura da cadeia de fornecedores.
A avaliação é do consultor Murilo Briganti, que apresentou um estudo sobre os cenários do setor automotivo para os próximos anos. Segundo ele, o crescimento das marcas chinesas não representa apenas a chegada de novos fabricantes, mas a introdução de um novo modelo de desenvolvimento de produtos.
O setor automotivo chinês trabalha em outra velocidade. Enquanto as montadoras tradicionais procuram preservar o legado construído ao longo de décadas, as empresas chinesas mudam plataformas rapidamente, atualizam softwares continuamente e reduzem drasticamente o ciclo de vida dos veículos, afirmou.
Hoje, as marcas chinesas já representam cerca de 18% das vendas nacionais e, em alguns canais, como o varejo, chegaram a atingir 29%. Apenas entre 2025 e 2026, dos cerca de 80 lançamentos previstos no mercado brasileiro, 50 são de fabricantes chineses.
Mercado muda de perfil
O estudo mostra que a mudança será acompanhada por uma transformação nas preferências do consumidor.
Os SUVs deverão ampliar sua participação de mercado de 29% para 40% até 2030. As picapes crescerão de 9% para 15%, enquanto os sedãs perderão espaço, caindo de 19% para apenas 8%. Os hatches também deverão encolher, passando de 25% para 17% das vendas.
Segundo Murilo Briganti, essa mudança pode provocar efeitos até mesmo no mercado de usados. Com menor oferta de modelos compactos novos, os hatches seminovos tendem a preservar mais seu valor.
Pressão sobre as montadoras tradicionais
Enquanto o mercado cresce, a produção das fabricantes tradicionais permanece praticamente estável, próxima de 2,2 milhões de veículos por ano. Na avaliação da Bright Consulting, praticamente todo o crescimento projetado para os próximos anos será puxado pelas montadoras chinesas.
A maior disputa deverá ocorrer na faixa entre R$ 120 mil e R$ 200 mil, justamente onde as novas marcas chegam com veículos altamente equipados e preços competitivos.
Hoje, um novo veículo chinês leva entre 18 e 24 meses para ser desenvolvido e lançado. Nas montadoras tradicionais, esse processo ainda gira em torno de 38 meses.
Outro diferencial está na tecnologia embarcada. Sistemas de assistência à condução (ADAS), considerados opcionais em muitos mercados, já fazem parte do equipamento padrão da maioria dos veículos vendidos na China.
Autopeças no centro da transformação
Um dos maiores desafios apontados pelo estudo é o impacto sobre a indústria brasileira de autopeças.
Ao contrário das fabricantes ocidentais, que possuem uma extensa cadeia de fornecedores instalada no Brasil, boa parte das montadoras chinesas chega acompanhada de seus próprios fabricantes de componentes.
Isso reduz as oportunidades para fornecedores nacionais, embora também abra espaço para empresas brasileiras que consigam integrar essa nova cadeia produtiva.
O carro elétrico não traz apenas uma nova motorização. Ele traz um novo ecossistema industrial, destacou Murilo.
Segundo ele, a política tributária baseada no conteúdo nacional poderá ser um dos fatores decisivos para aumentar a nacionalização da produção nos próximos anos.
Híbridos lideram a transição
A consultoria estima que, em 2030, aproximadamente 72% dos veículos eletrificados vendidos no Brasil serão híbridos, indicando que essa deverá ser a principal tecnologia de transição antes da eletrificação total da frota.
O mercado brasileiro também continua em expansão. A Bright Consulting já projetava vendas próximas de 2,7 milhões de veículos já neste ano, mesmo antes da Anfavea redefinir a projeção. O que aconteceu no balanço do semestre.
Nunca houve tantas versões disponíveis no mercado brasileiro. Hoje são cerca de 800 configurações, com aproximadamente 70 novidades chegando todos os meses. O desafio deixou de ser apenas fabricar automóveis. Passou a ser acompanhar a velocidade com que eles evoluem, concluiu Murilo Briganti.
Exame - SP 24/07/2026
A Apple tenta de novo entrar no mercado automotivo, dois anos depois de enterrar seu projeto de carro elétrico próprio. Desta vez, sem fabricar veículos: a empresa anunciou nesta quinta-feira, 23, que vai licenciar tecnologia de navegação e dados de mapeamento para montadoras, e a Ford será a primeira cliente.
O produto é o MapKit for Automotive, um kit de desenvolvimento que será embarcado nos painéis da futura plataforma de veículos elétricos da Ford. A Apple também fornecerá dados de vias para o BlueCruise, o sistema de direção assistida da montadora americana, que permite dirigir sem as mãos no volante em trechos mapeados.
O movimento aprofunda a presença da Apple dentro dos carros. Até aqui, sua atuação se limitava ao CarPlay, o sistema de infoentretenimento que espelha o iPhone na tela do veículo há mais de uma década. Agora, a empresa passa a alimentar funções ligadas à própria condução.
"Estamos levando o Maps para mais perto do dia a dia dos motoristas", afirmou Eddy Cue, vice-presidente sênior de serviços da Apple. Jim Farley, CEO da Ford, classificou o acordo como um dos anúncios mais importantes da companhia. O acerto foi revelado inicialmente pelo New York Times.
O que sobrou do Project Titan
Sob o comando de Tim Cook, que deixa o cargo de CEO em setembro, a Apple gastou bilhões de dólares por mais de uma década no Project Titan, o esforço sigiloso para construir um carro elétrico, encerrado em 2024. À época, a empresa estava sob pressão para recuperar terreno em inteligência artificial generativa, uma cobrança que segue de pé para John Ternus, seu sucessor.
Parte da tecnologia desenvolvida ali, porém, sobreviveu: sistemas autônomos e chips próprios de aceleração de tarefas de IA seguem em produtos da companhia. Os dados de mapeamento são outro ativo remanescente, e talvez o mais valioso para o setor.
Por que mapas valem tanto na corrida dos carros autônomos
Dados detalhados sobre ruas e rodovias são insumo crítico para veículos autônomos, e a Apple é uma das poucas empresas do mundo com cobertura extensa de mapeamento próprio. Concorrentes como a Waymo, da Alphabet, precisam rodar com carros pelas cidades coletando informações antes de lançar serviço de robotáxi em cada nova praça.
A relação entre montadoras tradicionais e o Vale do Silício, no entanto, sempre foi ambígua. Executivos do setor resistem a entregar a experiência do usuário a empresas de tecnologia que podem, no futuro, virar concorrentes diretas, mas desenvolver software confiável e fácil de usar segue sendo um ponto fraco das fabricantes.
Há ainda um fator regulatório a favor da Apple. Na China, gigantes como Xiaomi e Huawei avançaram fortemente sobre o setor automotivo. Nos Estados Unidos, regras que proíbem software chinês em carros conectados começam a valer para os modelos 2027, que chegam às concessionárias neste segundo semestre, o que abre espaço para alternativas americanas.
IstoÉ Online - SP 24/07/2026
A Fiat celebra 50 anos de história no Brasil, marcando a inauguração da fábrica de Betim, Minas Gerais, em meio a profundas transformações na indústria automotiva. O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, resume essa trajetória como uma história italiana de sucesso pronta para os desafios do próximo meio século. A ligação da montadora de Turim com o Brasil foi tema de reunião entre Filosa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros, onde foi confirmado o investimento de R$ 30 bilhões da Stellantis no país até 2030 para manter sua liderança de mercado desde 2021.
O que aconteceu
A Fiat comemora 50 anos de operação no Brasil, destacando sua fábrica em Betim e a evolução na indústria automotiva nacional. O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, se reuniu com o presidente Lula para confirmar um investimento de R$ 30 bilhões até 2030 no país. A empresa reforça seu compromisso com a produção local e a inovação, planejando um novo modelo por ano até 2030, incluindo o Argo X.
“Foi uma recepção muito calorosa, muito positiva, reconhecendo os avanços da indústria, que está crescendo, e os avanços da Fiat nestes 50 anos”, declara Filosa em entrevista exclusiva à ANSA. O executivo destaca que o presidente Lula “conhece muito bem” o setor e tem promovido uma política industrial que considera a automotiva “um dos motores principais de desenvolvimento, geração de emprego e geração de oportunidades para fornecedores”. Antonio Filosa viveu quase duas décadas no Brasil, onde constituiu família.
A chegada e o impacto no mercado nacional
A Fiat chegou a Betim em 1976, desafiando a concentração de montadoras na Grande São Paulo. Essa visão estratégica de Gianni Agnelli apostou no Brasil como um celeiro de oportunidades para a marca italiana, e a aposta se provou acertada ao longo dos anos.
Desde então, a Fiat teve um papel determinante na evolução do setor automotivo brasileiro. A montadora inovou com o 147, o primeiro carro a álcool produzido em série globalmente, e popularizou o automóvel no país com o Uno Mille. Atualmente, modelos como a picape Strada, o carro mais vendido do Brasil, o SUV Pulse, o crossover Fastback e a picape média Toro são pensados e desenvolvidos por brasileiros, para brasileiros. O Brasil é o maior mercado da marca no mundo, responsável por cerca de 40% de suas vendas globais, mantendo as raízes italianas.
“Essa é uma história italiana muito bonita no coração do Brasil, de uma empresa que escolheu o Brasil para prosperar junto com o país”, afirma Filosa. Ele ressalta a colaboração entre brasileiros e italianos, unindo “o otimismo, a resiliência e a criatividade brasileira” com a “capacidade italiana de se adaptar, o design, a força da marca”.
Localização e inovação: a estratégia Stellantis
Essa combinação resultou em um modelo de produção local que, anos depois, seria incorporado pela Stellantis. “Nossa receita nunca passou por importações massivas, nunca passou por CKD e SKD [sistemas nos quais os carros são apenas montados localmente]. Sempre foi uma receita fundamentada em uma estratégia consciente e clara de inovação com localização”, explica o CEO.
O cenário atual brasileiro observa uma crescente presença de carros importados da China, impulsionando o interesse do consumidor por eletrificação. A própria Stellantis, por meio da chinesa Leapmotor, já anunciou planos de produção no polo automotivo de Goiana, em Pernambuco, reafirmando sua estratégia de localização.
Qual o futuro da Fiat no brasil nos próximos 50 anos?
Para manter sua liderança no mercado, a Fiat prepara o lançamento do Argo X, que competirá no segmento de entrada. A meta da marca é lançar um modelo totalmente novo por ano até 2030. “Nossa história não acaba; ao contrário, se lança para o futuro para ser ainda mais bonita nos próximos 50 anos”, garante Antonio Filosa.
Valor - SP 24/07/2026
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai retomar o controle das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade. Caso o plano seja aprovado, elas vão ser operadas de maneira conjunta pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que é estatal) e pela concessionária Trivia Trens.
As três linhas enfrentaram problemas nesta quinta (23), que geraram um caos no transporte público da cidade de São Paulo. Isso fez a Artesp (a agência reguladora de transporte do estado) propor a medida de operação conjunta até que as causas das falhas seja esclarecida.
Para entrar em vigor, o plano ainda precisa ser ratificado pelo conselho diretor da Artesp, o que deve acontecer na tarde desta quinta. A reunião vai decidir os detalhes de como funcionará a operação.
A concessionária assumiu o controle das três linhas na terça (21), sob supervisão da CPTM.
"O que nós vimos nos últimos dois dias, especialmente hoje, é inaceitável. Como fiscalizadores e reguladores do contrato, estamos agindo de modo imediato. A ideia é a volta da CPTM pra operação porque o que nós vimos realmente é muito ruim, muito penoso para o cidadão", afirmou André Isper, diretor-presidente da agência, em nota. "Vamos trabalhar para assegurar um serviço de excelência ao cidadão, sem permitir que um serviço ruim prejudique quem depende do transporte todos os dias."
O plano do governo paulista foi foi divulgado pelo g1 e confirmado pela Folha de S.Paulo.
Falha paralisa linhas da cidade
A falha no fornecimento de energia elétrica paralisou as linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade, todas administradas pela Trivia Trens, na manhã desta quinta), em São Paulo.
A falha em um trem por volta das 5h40, provocou uma "ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás", segundo a empresa. A circulação foi interrompida e os passageiros precisaram andar pelos trilhos até chegar às estações. No início da madrugada, os usuários precisaram acender as lanternas dos celulares para iluminar o trajeto. Muitos precisaram pular muros que cercam as linhas e seguir andando por avenidas em longos percursos.
A empresa ainda não divulgou o que causou a falha, mas o Corpo de Bombeiros afirmou que às 5h38 houve incêndio em uma composição na altura do número 1.408 da rua Bresser, no Brás. Imagens que circulam nas redes sociais mostram que usuários precisaram abrir as portas do trem para escapar das chamas.
Segundo a corporação, houve muita fumaça, mas sem registro de feridos.
A Trivia Trens diz lamentar "os transtornos causados aos passageiros e reforça que está mobilizando todos os recursos necessários para o restabelecimento da operação. A concessionária orienta os passageiros a acompanharem as atualizações sobre a circulação pelos canais oficiais."
A empresa ainda não se manifestou sobre o plano do governo de retomar a operação por 90 dias.
A concessionária afirma que o processo de nornalização começou às 9h50. Às 11h, as linhas 11 e 13 já operavam em toda a extensão. Já a linha 12, funciona parcialmente entre as estações Tatuapé e Calmon Viana.
Em entrevista à TV Globo, Paulo Ferreira, diretor da Trivia Trens, afirmou que a falha será investigada.
"Todo esse evento vai ser investigado no detalhe para saber o que funcionou e o que não funcionou. O que não funcionou nós vamos ajustar daqui para a frente", disse.
Infomoney - SP 24/07/2026
A TIC Trens, concessionária da linha de trem 7-Rubi, em São Paulo, investiu cerca de R$ 247 milhões em veículos auxiliares, materiais de manutenção e trilhos em uma etapa de modernização do trecho que conecta a Estação Água Branca à cidade de Jundiai.
Uma joint venture entre Comporte e CRRC, a empresa venceu as concessões tanto para operar o Trem Intercidades Eixo Norte (TIC), da cidade de São Paulo até Campinas, quanto o Trem Intermetropolitano (TIM), de Jundiaí a Campinas. O leilão inclui também a operação.
Parte do investimento feito até agora em manutenção será aproveitado na linha até Campinas. Do investimento em manutenção divulgado ao InfoMoney pela TIC Trens, R$ 200 milhões foram aportados apenas na compra de veículos de manutenção da CRRC.
“Esses veículos de manutenção também serão utilizados na extensão da via, e não só na Linha 7 que hoje já é operacional”, conta o gerente executivo da TIC Trens, Fábio xxxx. “Temos a previsão de aquisição de mais dois veículos para os anos de 2029 ou 2030”, conta.
A ideia é que os veículos de manutenção durem por todo o período de concessão. O InfoMoney mostrou, em reportagem de janeiro de 2026, a operação feita pela TIC Trens para importar os trens de centenas de toneladas ao Brasil.
De acordo com o cronograma firmado entre TIC Trens e o Governo do Estado de São Paulo, o trecho expresso intercidades deve ser entregue até 2031 e conectará as cidades em torno de 1h, com parada em Jundiaí. As obras iniciais já começaram na região de Campinas.
A TIC Trens diz ter investido R$ 35 milhões em materiais de manutenção. Outros R$ 12 milhões foram investidos na troca de 70 metros de trilhos e 3,8 mil dormentes.
CNN Brasil - SP 24/07/2026
A EPR venceu o leilão da rodovia Régis Bittencourt nesta quinta-feira (23) após oferecer desconto de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio. O certame ocorreu na B3, em São Paulo.
O projeto prevê a concessão de 383 quilômetros da rodovia BR-116, entre as duas cidades. O corredor é um dos mais estratégicos no escoamento de cargas do país.
Ao todo, são previstos R$ 7,2 bilhões em investimentos para ampliação, modernização e adequação da infraestrutura da via ao longo de 15 anos de contrato.
Outros R$ 4,06 bi devem ser destinados à operação e à manutenção da concessão ao longo da vigência contratual.
O leilão acontece após a repactuação do contrato de concessão da rodovia com a Arteris, atual responsável pelo trecho.
Nesses casos, o novo contrato atualiza o cronograma de investimentos, ampliação da capacidade da rodovia e melhorias operacionais, além de estabelecer novas condições econômico-financeiras para a exploração do ativo.
Além da vencedora e da atual concessionária, a Motiva também apresentou proposta.
Entre as intervenções previstas estão 68,91 km de faixas adicionais, 32,80 km de vias marginais, 14 pontos de ônibus, 32,8 km de ciclovias, 18 passarelas, 19 passagens de fauna, 91,4 km de iluminação em trechos de serra, 13 melhorias de interseções, duas melhorias de acesso, quatro obras de macrodrenagem e 27 correções de traçado.
A EPR tem participado de concessões rodoviárias no Paraná e atualmente detém a concessão de três lotes de vias na região, o Lote 2, 4 e 6.
Em abril, durante entrevista ao Conexão Infra, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou à CNN, que a disputa pelo ativo deveria ser acirrada. À época, Santoro declarou ter cinco grupos interessados no certame.
A Tribuna - SP 24/07/2026
A Santos Brasil concluiu a implantação do novo Terminal Operating System (TOS) no Terminal de Contêineres (Tecon) Imbituba, em Santa Catarina (SC). A plataforma Opus, da sul-coreana CyberLogitec, substitui o sistema anterior para modernizar, integrar e otimizar as operações de contêineres e os fluxos de pátio, gate e cais, elevando os níveis de serviço, planejamento e produtividade do terminal.
Já implementado no Tecon Santos e no Tecon Vila do Conde (PA), o Opus abrange todos os processos de documentação e automação relacionados ao fluxo de cargas e navios, proporcionando aos clientes um serviço ainda mais eficiente, ágil, seguro e com maior previsibilidade operacional.
A mudança faz parte de um plano de investimentos superior a R$ 34 milhões, voltado à modernização tecnológica do terminal, incluindo a substituição de softwares e equipamentos, melhorias de infraestrutura e ampliação de capacidade. Com a implantação do novo TOS no Tecon Imbituba, a Santos Brasil diz que padroniza as soluções digitais em seus terminais de contêineres.
Para Evelyn Lima, diretora de Planejamento de Operações da Santos Brasil, a adoção do Opus destaca o compromisso com a inovação e a excelência operacional. “Após uma implementação bem-sucedida em outros terminais da companhia, a plataforma chega à Imbituba para integrar tecnologias digitais, máquinas e pessoas, tornando a operação ainda mais conectada, eficiente e preparada para atender às demandas dos nossos clientes”, afirma.
O investimento faz parte da estratégia da Companhia de consolidar o Tecon Imbituba como uma alternativa logística cada vez mais competitiva para os embarcadores da região Sul.
A estratégia da Santos Brasil é integrar Imbituba com o Tecon Santos, um dos maiores terminais de contêineres da América Latina, no Porto de Santos. “Na prática, isso significa que cargas movimentadas por Imbituba podem acessar uma ampla rede de rotas internacionais via Santos, conectando a produção do Sul do País aos principais mercados globais”, diz a empresa.
O Tecon Imbituba está estrategicamente localizado no centro da região Sul do País, entre as capitais Curitiba e Porto Alegre, e próximo a Florianópolis. Sua conexão multimodal, com acesso rodoviário (pela BR-101), ferroviário e marítimo, aliada ao fato de operar em um porto de águas profundas e abrigado, permite a recepção dos maiores navios que chegam à costa brasileira sem restrições de calado ou condições climáticas.
CNN Brasil - SP 24/07/2026
Os Houthis, alinhados ao Irã, declararam na segunda-feira (20) um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma possível nova frente contra os Estados Unidos no conflito com o Irã e aumentando a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.
Veja por que isso é importante e o que significa para o conflito com o Irã e para a crise energética global.
Qual é a dimensão do risco para os mercados globais de energia?
O Iêmen está situado no estreito de Bab el-Mandeb — a porta de entrada sul do Mar Vermelho — e o fechamento dessa passagem abriria uma nova frente na crise energética e no conflito mais amplo do Irã com os EUA.
Com o fluxo em Ormuz já prejudicado, o Mar Vermelho tornou-se uma rota alternativa crucial para o escoamento de petróleo e outros produtos do Golfo. Uma interrupção grave significaria o fechamento simultâneo das duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio.
"As consequências em cadeia são enormes", afirmou Naveen Das, analista sênior da Kpler, plataforma de dados e análises.
"Preços de energia, preços de alimentos, custos de transporte, inflação em geral — o mesmo cenário que tivemos no início, mas talvez com um agravante, já que bloqueamos mais uma válvula de escape para a energia."
O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã, após ataques de Israel e dos EUA em 28 de fevereiro, interrompeu a maior parte das exportações de petróleo e outros produtos do Golfo, elevando os preços e provocando um choque energético global.
A Arábia Saudita reagiu desviando mais de 70% de suas exportações diárias habituais de petróleo bruto para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Os navios que partem de Yanbu com destino à Europa seguem para o norte, passando pelo Canal de Suez. Aqueles que se dirigem à Ásia seguem para o sul, passando por Bab el-Mandeb.
Os embarques a partir de Yanbu registraram uma média de 4 milhões de barris por dia nas últimas semanas, segundo dados da Kpler e da Signal Ocean — um aumento em relação aos cerca de 973 mil barris por dia registrados um ano antes.
O volume total de petróleo que transitou pelo estreito de Bab el-Mandeb somou 7,4 milhões de barris por dia em junho — o que representa cerca de 7% da produção global de petróleo —, segundo dados da Kpler; o número é superior aos 4,2 milhões de barris por dia registrados no ano anterior.
Isso serviu como uma tábua de salvação para o mercado de energia, ajudando a conter os preços globais do petróleo. A Arábia Saudita estuda ampliar seu oleoduto de petróleo bruto em direção à costa do Mar Vermelho, conforme noticiou a Reuters na semana passada.
Quando os Houthis iniciaram os ataques a navios no Mar Vermelho, em novembro de 2023, as exportações de petróleo do Golfo fluíam livremente.
Existem rotas alternativas?
Quatro petroleiros alteraram suas rotas de navegação no Mar Vermelho na quarta-feira (22); dois deles indicaram o Canal de Suez como novo destino após os Houthis alertarem as embarcações para evitarem navegar em direção a portos da Arábia Saudita, segundo dados de rastreamento de navios.
Um quinto navio — um transportador de veículos — parece ter desviado sua rota no Golfo de Aden na quarta, após indicar o porto saudita de Jidá como próximo destino, segundo dados de navegação.
"Alguns embarcadores com maior tolerância a riscos podem continuar passando pelo estreito de Bab el-Mandeb e assumir o risco, mas é mais provável que vejamos cargas sendo redirecionadas para o norte, através do Canal de Suez", disse Naveen Das, da Kpler, acrescentando que essa rota resulta em tempos de viagem mais longos e em volumes de carga menores.
"Cargas menores significam taxas de frete mais baixas, custos adicionais e prazos de transporte mais longos", afirmou ele.
Quais serão os impactos para os consumidores?
Assim como no caso do bloqueio do Estreito de Ormuz, o fechamento da passagem do Mar Vermelho levará a um aumento de custos para os consumidores.
Naveen Das afirmou que a economia global pode conseguir suportar um fechamento de uma ou duas semanas, mas qualquer situação de longo prazo poderia causar problemas.
"No final das contas, os custos serão repassados aos consumidores", disse ele. "Se durar algo entre três semanas e um mês, começaremos a sentir o impacto."
Quem são os Houthis e por que eles estão fechando rotas de energia do Mar Vermelho?
Os Houthis surgiram como um movimento militar, político e religioso no norte do Iêmen, na década de 1990, travando uma guerra de guerrilha contra o governo em Sanaa.
Eles estão em guerra civil há mais de uma década contra o governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, tendo atacado vizinhos do Golfo com mísseis e drones.
No entanto, uma trégua de 2022 entre as partes em conflito no país se manteve em grande parte até a semana passada, quando o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente afirmou ter atacado o aeroporto de Sanaa para impedir o pouso de um avião iraniano.
Os Houthis alegaram que a Arábia Saudita era a responsável e, em resposta, dispararam mísseis contra o aeroporto de Abha, na região montanhosa do sudoeste do reino.
Um alto funcionário Houthi, Mohammad al-Farah, alertou então, em entrevista ao site da emissora iraniana Press TV, que se a situação continuasse a escalar, o estreito de Bab el-Mandeb seria fechado.
O Irã apoia os Houthis como parte de seu "Eixo de Resistência" regional, que inclui o Hezbollah do Líbano e milícias xiitas iraquianas, embora seus laços com o movimento iemenita sejam menos claros do que com esses outros grupos.
Os Houthis não reconhecem o Líder Supremo do Irã como sua autoridade religiosa máxima da mesma forma que o Hezbollah e os grupos iraquianos o fazem. Suas motivações são principalmente internas, embora o grupo esteja ideologicamente alinhado ao Irã.
Os EUA afirmam que o Irã armou, financiou e treinou os Houthis com a ajuda do Hezbollah. Os Houthis negam atuar como representantes do Irã e dizem desenvolver suas próprias armas. Não está claro até que ponto a postura do grupo em relação a Bab el-Mandeb e ao Mar Vermelho decorre de suas próprias prioridades estratégicas ou é adotada em nome do Irã.
O que aconteceu quando os Houthis atacaram navios no Mar Vermelho outras vezes?
Após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e a campanha devastadora de Israel em Gaza, os Houthis começaram a disparar contra Israel e contra embarcações no Mar Vermelho, alegando agir em apoio aos palestinos.
Os ataques prejudicaram gravemente o transporte marítimo global, levando a Maersk, a Hapag-Lloyd e outras grandes empresas a desviar suas rotas para contornar a África — um trajeto muito mais longo e custoso.
O tráfego no Mar Vermelho não se recuperou desde então; dados da Autoridade do Canal de Suez mostram que o movimento pelo canal caiu 52% em 2025 em relação aos níveis de 2023, atingindo seu patamar mais baixo em pelo menos 50 anos.
Uma missão liderada pelos EUA para restaurar a livre navegação no Mar Vermelho envolveu ataques repetidos a alvos Houthis e uma campanha defensiva que abateu centenas de drones e mísseis.
No entanto, alguns ataques Houthis continuaram até o verão passado, cessando completamente apenas com o cessar-fogo em Gaza, em outubro.
No mês passado, os Houthis anunciaram que baniriam do Mar Vermelho navios ligados a Israel, após o país retomar ataques militares contra o Irã.
Contudo, essa ameaça nunca foi concretizada, e as empresas de transporte marítimo Maersk e Hapag-Lloyd estão retomando algumas rotas pelo Mar Vermelho que haviam abandonado durante os ataques Houthis no ano passado, informou a Maersk neste mês.
Valor - SP 24/07/2026
As rotas para transportar produtos pelo Oriente Médio passaram a ficar mais escassas e caras nos últimos dias. Grandes armadoras anunciaram alterações em suas políticas de transporte na região e elevação das tarifas, seja por causa dos custos extras de remanejamento, seja pela alta do preço do combustível marítimo, decorrente de elevação do petróleo.
A Maersk informou na quarta-feira a suspensão dos agendamentos de frete marítimo para boa parte dos países do Oriente Médio e de algumas rotas terrestres na região. Para cargas contendo alimentos, medicamentos e outros itens perecíveis, a empresa disse que “fará o máximo para garantir atenção especial”.
Para cargas refrigeradas, a Maersk suspendeu o agendamento de cargas partindo de e para o Iraque, Kuwait, Catar, Barein, Arábia Saudita (portos de Dammam, Al Jubail e King Abdullah), Jordânia e Emirados Árabes Unidos. Para este último, só estão sendo aceitos agendamentos de cargas importadas pelo porto de Khor Fakkan.
A Maersk informou que continua aceitando agendamentos de cargas refrigeradas de e para Líbano, Israel, Omã (via portos de Salalah e Sohar).
Para as cargas secas, a Maersk suspendeu todos os agendamentos de carga que partem e saem dos Emirados Árabes Unidos (exceto dos portos de Khor Fakkan e Jebel Ali), do Iraque e da Arábia Saudita. A companhia disse que continua aceitando agendamentos de cargas secas que transitam pelos portos de Jeddah e King Abdullah, na Arábia Saudita, pela Jordânia, pelos portos de Salalah e Sohar, em Omã, pelos portos de Khor Fakkan (apenas importações) e Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, e no Líbano, Kuwait, Catar, Barein e Israel.
A Maersk também acrescentou uma taxa de frete de emergência para cargas em trânsito. Para cargas refrigeradas, o custo por contêiner do frete de emergência é de US$ 3.800; para cargas secas, de US$ 1.800 o contêiner de 20 pés e de US$ 3.000 o contêiner de 40 pés. Essa taxa, segundo a companhia foi implementada “para viabilizar o redirecionamento até o destino final, o que inclui a busca por possíveis soluções de armazenamento, fretamentos adicionais, entre outras medidas”.
Além disso, a Maersk informou que cobra de todo navio que transita pelo Estreito de Ormuz uma taxa adicional de US$ 1.000 o contêiner, e passou a implementar novos custos para o remanejamento de cargas no mar.
A CMA CGM também anunciou, na última terça-feira, uma sobretaxa de frete de emergência, que será cobrada a partir de 1 de agosto. Para o embarque de cargas refrigeradas, o valor adicional é de US$ 165 por TEU, e para cargas secas, de US$ 150 por TEU.
Ontem, a CMA CGM anunciou a elevação das taxas convencionais de frete das cargas com destinos para o Golfo do Oriente Médio e o Mar Vermelho, que variam conforme a origem dos embarques.
Exame - SP 24/07/2026
A Simpar (SIMH3) informou nesta quinta-feira, 23, que assinou um contrato de compra e venda vinculante com a ICTSI Americas B.V. para a venda de 100% da HSIM Participações e Holding, empresa que detém integralmente a CS Porto Aratu. A transação foi fechada por um valor de empresa, enterprise value, de R$ 1,8 bilhão.
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, o valor da operação é composto por R$ 750 milhões de equity value, valor patrimonial, e R$ 1,0 bilhão em dívida líquida, considerando a posição do primeiro trimestre de 2026.
O pagamento do equity value será feito em duas etapas. Do total, R$ 650 milhões serão pagos no fechamento da transação, enquanto os R$ 100 milhões restantes serão desembolsados na forma de earn-out, em até 18 meses após a conclusão da operação.
O fechamento do negócio ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a autorização do poder concedente. De acordo com a Simpar informou, o Bradesco BBI atuou como assessor financeiro da operação.
Negócio é geração de valor, diz Simpar
No comunicado, a Simpar afirma que a venda reflete sua estratégia de investir, desenvolver e monetizar ativos de infraestrutura, destacando a disciplina na alocação de capital e a geração de valor dos investimentos realizados.
A companhia informou que o enterprise value combinado de seus três ativos de infraestrutura sob gestão — Ciclus Rio, Ciclus Amazônia e CS Porto Aratu — soma R$ 3,9 bilhões, com taxa interna de retorno (TIR) média de 36% ao ano, retorno de 24 pontos percentuais acima do CDI e de 30 pontos percentuais acima do Ibovespa no mesmo período, além de múltiplo sobre o capital investido (MOIC) de 2,9 vezes em um prazo médio de 3,3 anos.
Em relação à CS Porto Aratu, a empresa informou que investiu R$ 128 milhões de capital próprio no ativo, o que resultou em um MOIC de 5,8 vezes em um prazo médio de 3,6 anos. O CS Portos foi desenvolvido nos últimos anos e opera os terminais ATU-12 e ATU-18 no Porto de Aratu, na Bahia, voltados para a movimentação e armazenamento de granéis sólidos, como fertilizantes, minérios e commodities agrícolas.
A Simpar também destacou que realizou cerca de R$ 900 milhões em investimentos para transformar a operação portuária. Entre os principais projetos citados estão a construção integral do terminal ATU18, a modernização do terminal ATU12, a ampliação da capacidade de armazenagem para 270 mil toneladas, a realização de dragagem e a instalação de novos equipamentos.
Segundo a companhia, esses investimentos permitiram ampliar em cinco vezes a capacidade operacional da CS Porto Aratu em quatro anos, elevando o potencial de movimentação para 9,5 milhões de toneladas por ano.
A empresa também afirmou que o ativo foi desenvolvido como uma infraestrutura logística estratégica para o corredor agrícola do MATOPIBA, que envolve Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, apta a operar navios Panamax e com potencial para evoluir para operações com embarcações Post-Panamax.
Valor - SP 24/07/2026
Dois superpetroleiros chineses que transportavam, juntos, 4 milhões de barris de petróleo da Arábia Saudita deixaram o Mar Vermelho pelo estreito de Bab el-Mandeb nesta quinta-feira, mostraram dados de navegação, aparentemente escapando de um bloqueio aos carregamentos de petróleo saudita imposto pelas milícias houthis do Iêmen, mesmo enquanto outros navios sauditas eram alvo de ataques.
O bloqueio do Mar Vermelho pelos houthis, alinhados ao Irã, está agravando as perturbações no fornecimento global de energia e ocorre ao mesmo tempo em que o estratégico Estreito de Ormuz está praticamente fechado devido à retomada dos combates entre os Estados Unidos e o Irã.
O VLCC Xin Long Yang, de bandeira de Cingapura, que fez meia-volta e parou no meio do Mar Vermelho na terça-feira, retomou sua viagem rumo ao sul no fim da quarta-feira, mostraram dados de navegação da Lseg.
O VLCC Cosnew Lake, de bandeira chinesa, seguiu o mesmo caminho, e ambos os petroleiros deixaram o Mar Vermelho mais tarde nesta quinta-feira, mostraram os dados.
O Xin Long Yang seguia para o porto de Qinzhou, na província de Guangxi, no sul da China, enquanto o Cosnew Lake deve descarregar sua carga no porto de Huizhou, na província de Guangdong, também no sul do país, mostraram os dados.
Ambos os navios indicaram, por meio de seus transmissores do sistema de identificação automática, que havia tripulantes chineses a bordo, mostraram os dados. Os navios são afretados pela Unipec, braço de comercialização da Sinopec, maior refinadora da Ásia, e carregaram petróleo no porto saudita de Yanbu no início desta semana.
A Cosco Shipping, que administra os dois petroleiros, e a Sinopec não responderam a pedidos de comentários.
Pelo menos outros dois VLCCs afretados pela Unipec, que tinham entrada prevista no Mar Vermelho para carregar petróleo saudita no porto de Yanbu ainda neste mês, desaceleraram seu avanço em direção a Bab el-Mandeb e faziam pequenos círculos no Golfo de Áden, mostraram dados da Lseg.
Travessias por Ormuz
Mais cedo nesta quinta-feira, os houthis anunciaram que haviam realizado uma operação militar contra dois petroleiros sauditas que, segundo eles, violaram o bloqueio. Dados de navegação mostraram que ambos os petroleiros abastecem usinas de energia e refinarias locais sauditas com petróleo. A agência de notícias saudita SPA informou posteriormente que o navio saudita Encelia foi atacado no Mar Vermelho e estava em chamas, embora a tripulação estivesse em segurança.
Por causa do conflito no Oriente Médio, o tráfego marítimo pelo estreito de Bab el-Mandeb diminuiu, e a movimentação pelo Estreito de Ormuz continuou reduzida na quarta-feira, mostraram dados da Lseg e da empresa de análise de dados Kpler.
Vinte e sete embarcações, incluindo cinco petroleiros e um navio transportador de gás liquefeito de petróleo (GLP), atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb na quarta-feira, mostraram dados da Lseg, ante 38 no dia anterior. Dados da empresa de análise Vortexa mostraram que um VLCC deixou Bab el-Mandeb na quarta-feira com o transponder desligado.
Dois VLCCs saíram do Estreito de Ormuz nesta quinta-feira, mostraram dados da Lseg. O New Giant, que transportava 2 milhões de barris de petróleo iraquiano, seguia para o porto de Rizhao, no leste da China, enquanto o Rotterdam Energy, carregado com 2 milhões de barris de petróleo Upper Zakum, dos Emirados Árabes Unidos, apareceu ao largo de Fujairah, segundo dados da Lseg e da Kpler.
Três navios de transporte de commodities atravessaram o Estreito de Ormuz na quarta-feira, ante quatro no dia anterior e 18 na quarta-feira da semana passada, segundo a Kpler.
Duas embarcações entraram no estreito a partir do Golfo de Omã, incluindo um petroleiro que transportava derivados de petróleo pesados e navegou por águas iranianas e um graneleiro que operava em "modo escuro", com seu sinal de rastreamento desligado, mostraram dados da Kpler.
Até 20 de julho, havia 253 navios-tanque carregados no Golfo, incluindo 102 petroleiros, 64 navios transportadores de gás natural liquefeito e 66 navios transportadores de gás liquefeito de petróleo, segundo dados da Lseg.
Globo Online - RJ 24/07/2026
A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã, agravada pela entrada dos rebeldes Houthis no conflito no Mar Vermelho, levou o barril de petróleo a fechar acima de US$ 100 nesta terça-feira, patamar que não era alcançado desde 26 de maio. O agravamento da crise geopolítica impõe um novo choque de oferta à economia global que, segundo André Senna Duarte, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, se soma a uma sequência de interrupções iniciada ainda durante a pandemia.
Na avaliação do economista, um dos principais efeitos da nova alta do petróleo deve ser a manutenção — ou até o recrudescimento — dos juros em economias desenvolvidas, especialmente nos Estados Unidos. No Brasil, porém, apesar da piora do cenário externo, a expectativa continua sendo de mais um corte da taxa Selic na reunião de agosto.
— A nova rodada de alta dos preços da energia e de outras commodities pode levar os bancos centrais das economias desenvolvidas a apertarem novamente a política monetária. Em particular, o Federal Reserve pode voltar a elevar os juros caso o aumento dos preços da energia se mostre persistente. No Brasil, por outro lado, o Banco Central tem sinalizado que ainda há espaço, embora limitado, para novas reduções da taxa básica e, por enquanto, tem se mostrado menos sensível às oscilações dos preços da energia e aos conflitos geopolíticos — afirma.
Duarte explica que, para conter a alta do petróleo nos últimos meses, diversos países recorreram às suas reservas estratégicas, reduzindo os estoques a níveis historicamente baixos. Com menor capacidade de intervenção, diz ele, os governos terão mais dificuldade para amortecer novos aumentos da commodity, o que pode exigir uma resposta mais dura da política monetária para conter a inflação.
— Essa nova deterioração na região ocorre justamente em um momento em que os estoques já estavam bastante reduzidos. Isso aumenta o risco de uma escalada ainda mais intensa dos preços do petróleo e amplia os efeitos negativos sobre a economia global.
O economista observa ainda que, antes do início do conflito, muitos analistas avaliavam que o Irã teria capacidade de bloquear o Estreito de Ormuz por, no máximo, três semanas — prazo que já foi amplamente superado. Segundo Duarte, a resistência demonstrada pelo país e a dificuldade dos Estados Unidos em encontrar uma solução para o conflito alteraram as expectativas do mercado e contribuíram para prolongar as incertezas.
— Hoje observamos que a capacidade do Irã de afetar o fluxo global de energia e mercadorias é maior do que se imaginava inicialmente. Além disso, o presidente Donald Trump ainda não conseguiu alcançar o desfecho esperado para o conflito. Nem a estratégia de enfraquecimento do regime produziu os resultados esperados, nem as negociações avançaram. Esse impasse prolonga a crise e amplia seus efeitos sobre a economia mundial.
Valor - SP 24/07/2026
Economia global pode responder à escalada do conflito com uma desaceleração cada vez mais intensa.
A expansão da guerra contra o Irã para o Mar Vermelho lançou um novo e perigoso fator de risco sobre o mercado de petróleo, sufocando uma frágil recuperação dos fluxos de energia. A economia global pode responder a essa escalada com uma desaceleração cada vez mais intensa.
Quase duas semanas após a retomada do conflito nos EUA e Irã, as tensões no Oriente Médio aumentaram significativamente depois que a milícia houthi, apoiada por Teerã, anunciou na segunda-feira um bloqueio contra embarcações sauditas que tentem atravessar o Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho.
O movimento complica severamente os fluxos globais de petróleo, que já haviam sido afetados pelo novo fechamento do Estreito de Ormuz, a hidrovia estratégica que controla o acesso ao Golfo Pérsico.
O terminal de exportação de Yanbu, na costa oeste da Arábia Saudita, que depende do Estreito de Bab el-Mandeb para abastecer a Ásia, seu principal mercado, tornou-se a principal rota de exportação do petróleo bruto do país após o Estreito de Ormuz - por onde passavam cerca de 20% dos fluxos globais de energia - ter sido em grande parte bloqueado com o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Desde março, a Arábia Saudita vem exportando cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia pela costa oeste, mais do que o dobro do volume registrado antes da guerra. Aproximadamente 80% desses embarques passaram pelo Estreito de Bab el-Mandeb, segundo dados da empresa de análise Kpler.
Mas o que inicialmente parecia ser uma alternativa bem-sucedida tornou-se agora um alvo.
O bloqueio dos houthis está mais uma vez forçando uma rápida reorganização das rotas globais do comércio de petróleo. Muitos navios que transportam petróleo saudita para a Ásia passaram a evitar completamente Bab el-Mandeb, cruzando o Canal de Suez em direção ao Mediterrâneo e, depois, contornando a África.
As complicações logísticas não terminam aí. Os maiores petroleiros não conseguem atravessar o Canal de Suez totalmente carregados devido às restrições de profundidade. Eles precisam primeiro descarregar parte da carga em um oleoduto ao sul do canal e, depois, reembarcar o petróleo nas proximidades de Alexandria antes de prosseguir viagem.
No total, evitar o Estreito de Bab el-Mandeb acrescenta pelo menos quatro semanas a uma viagem típica de um petroleiro, mais do que dobrando o tempo normal de navegação e elevando significativamente os custos de frete e seguro.
Recuperação estagnada
Essa interrupção no fornecimento de petróleo bruto representa um duro golpe para o setor global de refino, atualmente o principal ponto de fragilidade do sistema energético global.
A produção das refinarias asiáticas despencou durante a crise e só recentemente começou a se recuperar, impulsionada pelo aumento das exportações de petróleo do Golfo Pérsico após a assinatura do cessar-fogo provisório entre EUA e Irã, em 17 de junho.
As refinarias chinesas reduziram o volume processado em 18% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025, levando a produção ao menor nível desde os primeiros meses da pandemia, em março de 2020.
Pequim, o maior importador de petróleo do mundo, reduziu drasticamente as compras de petróleo bruto e as exportações de combustíveis para preservar o abastecimento doméstico e proteger o país da disparada dos preços da energia.
Qualquer recuperação ainda incipiente das operações de refino da China provavelmente voltará a estagnar diante da nova interrupção no fornecimento e da alta das cotações para além de US$ 90 por barril, o maior nível em mais de um mês.
O outro grande conflito do mundo também vem sufocando o setor de refino. Os incessantes ataques de drones da Ucrânia contra a infraestrutura energética da Rússia nos últimos meses reduziram drasticamente as operações das refinarias e obrigaram Moscou a proibir as exportações de diesel, retirando outra importante fonte de abastecimento do mercado global.
Como consequência desse aperto na capacidade de refino, os combustíveis vêm sofrendo uma pressão muito maior do que o próprio petróleo bruto.
Desde o início da guerra contra o Irã, os preços de referência do diesel na Europa e da gasolina nos EUA acumularam alta de cerca de 65%, ante um avanço de 30% do petróleo Brent. As margens de refino do diesel também dispararam para níveis recordes, evidenciando o crescente desequilíbrio entre a disponibilidade de petróleo bruto e a oferta de derivados.
Destruição da demanda
Os preços elevados dos combustíveis estão afetando cada vez mais os padrões de consumo. A demanda global por petróleo caiu quase 5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, para 99,1 milhões de barris por dia, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE). As quedas foram desiguais entre as regiões e se concentraram principalmente na Ásia e na Europa.
O consumo de diesel na China caiu cerca de 10% em maio na comparação anual, enquanto a demanda por gasolina recuou 5% e o uso de matérias-primas petroquímicas despencou 17%, segundo estimativas da AIE. Na Europa, o consumo de diesel recuou 5,7% em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 4,5 milhões de barris por dia, de acordo com dados preliminares da entidade.
A redução do consumo de combustíveis normalmente reflete um menor nível de atividade econômica. Embora as economias possam migrar para outras fontes de energia ao longo do tempo, a resposta imediata a uma disparada dos preços dos combustíveis costuma ser a destruição da demanda.
Refletindo esse risco, o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, afirmou à Reuters que o conflito com o Irã pode reduzir o crescimento global de 2026 para apenas 1,3%, ante 2,9% no ano passado.
É claro que existem alternativas de curto prazo para amenizar o impacto. A Índia parece estar aumentando o ritmo de refino de petróleo bruto russo.
Mas, quanto mais rotas de petróleo forem interrompidas, quanto maior for o redirecionamento dos fluxos de energia e quanto mais tempo durar a disrupção, maior poderá ser o impacto econômico.
Estoques em baixa
Outro fator que ameaça a economia global é a redução contínua dos estoques mundiais de petróleo. As reservas estratégicas e comerciais ajudaram a amortecer a perda abrupta da oferta do Oriente Médio nos primeiros meses do conflito com o Irã, mas esse colchão de segurança foi sendo gradualmente consumido ao longo dos meses de interrupções.
Com isso, o mundo dispõe hoje de muito menos mecanismos para absorver novos choques do que tinha em fevereiro.
A mais recente escalada no Mar Vermelho representa, portanto, muito mais do que uma nova interrupção no transporte marítimo. Ela ameaça a única rota alternativa viável que manteve o petróleo do Oriente Médio em circulação após o bloqueio de Ormuz, revelando o quão frágil tem sido a recuperação do mercado.
Durante meses, o mercado de petróleo conseguiu se adaptar a sucessivos choques geopolíticos. A interrupção simultânea de Ormuz e de Bab el-Mandeb pode levar essa capacidade de adaptação ao limite. E, à medida que a escassez de combustíveis se aprofunda e a demanda se contrai, a crise energética mundial corre o risco de entrar em uma fase muito mais danosa e economicamente dolorosa.
Exame - SP 24/07/2026
Os Estados Unidos devem perder a liderança global nas exportações do agronegócio para o Brasil — ainda neste ano — em razão da guerra comercial, da queda no preço das commodities e de mudanças estruturais no mercado mundial, sugere um artigo do Financial Times, com base em um levantamento da American Farm Bureau Federation (AFBF), principal entidade agrícola dos EUA.
Segundo o estudo, o aumento dos custos de produção deixou de ser um efeito temporário da inflação e das rupturas nas cadeias globais de suprimentos para se tornar uma característica estrutural da agricultura americana.
O estudo da entidade estima um prejuízo médio de US$ 341 por hectare para os produtores de soja em 2027, além de perdas de cerca de US$ 413 por hectare de milho, US$ 358 por hectare de trigo e US$ 1.003 por hectare de algodão, principais commodities agrícolas dos Estados Unidos.
A revisão mais recente do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou as estimativas de custo para todas as principais culturas na safra de 2026.
Segundo a AFBF, a principal explicação está na disparada dos gastos com combustíveis, lubrificantes, eletricidade e fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pelos impactos sobre o mercado global de energia.
Há ainda a alta do preço das terras. No Meio-Oeste, em estados como Illinois e Iowa, cerca de 75% dos agricultores trabalham em áreas arrendadas. Nesses estados, os custos cresceram 13% nos últimos cinco anos, o que levou as margens da soja, uma das principais commodities dos EUA, para o campo negativo.
Enquanto isso, o Brasil se aproxima de assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas. Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil.
Como as exportações brasileiras continuam crescendo — alta de 6% no primeiro semestre deste ano, alcançando US$ 87 bilhões — analistas ouvidos pelo jornal britânico estimam que 2026 pode marcar a ultrapassagem definitiva.
O texto do Financial Times atribui parte dessa mudança às políticas comerciais de Donald Trump. A guerra tarifária iniciada em 2018 levou a China a reduzir drasticamente as compras de soja americana e ampliar as importações brasileiras.
Em 2025, agricultores dos EUA alertaram para os impactos da guerra tarifária iniciada pelo republicano sobre a economia rural. Um dos efeitos foi a perda de competitividade da soja americana frente à brasileira, especialmente no mercado chinês.
Como resultado, o Brasil exportou 108,6 milhões de toneladas de soja, crescimento de 11% em relação a 2024. Desse total, a China comprou 80%.
Historicamente, o país asiático adquiria cerca de 70% da soja brasileira e dividia o restante das compras entre os Estados Unidos e outros países.
Além disso, os pedidos de falência no agronegócio dos Estados Unidos cresceram 46% em 2025 na comparação com 2024, segundo a American Farm Bureau Federation (AFBF). Os tribunais do país registraram 315 solicitações de falência no ano passado.
Brasil x EUA
De acordo com o jornal, que ouviu economistas que já integraram o USDA, o avanço do Brasil ocorreu muito mais rapidamente do que as projeções indicavam.
Mesmo com o pacote de US$ 12 bilhões em subsídios concedidos aos agricultores durante o primeiro mandato de Trump, muitos produtores afirmam que o problema nunca foi a falta de ajuda financeira, mas a perda de mercados internacionais.
A reportagem também mostra que a agricultura americana depende cada vez mais do mercado doméstico. Cerca de 40% da produção de milho dos EUA é destinada ao etanol, sustentada por políticas públicas e por exigências de mistura de biocombustíveis. Agricultores entrevistados afirmam que hoje produzem mais energia do que alimentos.
Por outro lado, o artigo destaca que o Brasil consolidou sua posição como maior produtor mundial de soja, carne bovina e carne de frango. O país também ultrapassou os Estados Unidos nas exportações de algodão em 2025.
Entre os fatores que explicam esse avanço estão a possibilidade de realizar até três safras por ano em diversas regiões, a disponibilidade de terras, os ganhos tecnológicos e genéticos e a expansão da produção em Mato Grosso, principal polo de cultivo de grãos do país.
Outro efeito observado é a concentração fundiária. Fazendas menores desaparecem e são incorporadas por propriedades maiores, reduzindo o número de famílias no campo e enfraquecendo comunidades rurais, escolas, igrejas e o comércio local.
No ano passado, os EUA encerraram o ano com 1,865 milhão de fazendas — 15 mil a menos que em 2024, segundo o Farms and Land in Farms 2025 Summary, levantamento do USDA.
Ao mesmo tempo, a área total destinada à atividade agrícola caiu para 353,7 milhões de hectares, uma redução de 1,02 milhão de hectares na comparação anual.
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