
Money Times - SP 23/07/2026
O Banco Safra voltou a enxergar uma relação entre risco e retorno mais equilibrada na tese de Usiminas (USIM5), após a expressiva desvalorização do ativo em relação aos seus picos mais recentes, com queda de 30%.
Com isso, o banco elevou a recomendação de Usiminas de venda para neutra, mas com redução no preço-alvo para os próximos 12 meses, de R$ 9,70 para R$ 9,20, o que implica um potencial de valorização de 11% em relação ao fechamento anterior (21).
A USIM5, segundo o banco, negocia a 3,1 vezes o múltiplo de valor de empresa em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EV/Ebitda) projetado para 2027. “Em nossa visão, esse nível de valuation já incorpora adequadamente os riscos de curto prazo, proporcionando uma relação risco-retorno mais equilibrada”, afirma.
Apesar de o Safra considerar que os fatores para uma potencial queda à frente já estão precificados, o potencial de valorização deve seguir limitado até que novos reajustes de preços se tornem mais evidentes e tenhamos uma visão mais otimista para as perspectivas de consumo de aço no Brasil.
“Entendemos que esse nível de valuation é adequado diante da natureza ainda incerta da recuperação esperada para 2027, das dúvidas sobre a eficácia das medidas antidumping e da limitada geração de fluxo de caixa livre até 2028”, detalha.
Embora seja justificável algum desconto em relação aos múltiplos históricos, o Safra avalia que o desconto atual oferece uma margem de segurança suficiente para que a recomendação deixe de ser venda.
Por volta das 11h43 (horário de Brasília), USIM5 avançava 1,77% (R$ 8,61). No mesmo horário, o Ibovespa (IBOV) subia 1,24%, aos 175.469 pontos.
Estimativas para USIM5
Para 2027, o Safra projeta um Ebitda de R$ 3,6 bilhões, cerca de 6% acima do consenso da Visible Alpha (VA), o que representa um crescimento de 44% em relação ao estimado para 2026, acompanhado por uma expansão de 310 pontos-base na margem Ebitda, que deve atingir 13,0%.
Segundo o banco, os fatores que devem impulsionar a melhora são:
normalização dos volumes, à medida que a demanda doméstica por aço se estabiliza; maior poder de precificação, com a plena efetividade das medidas antidumping e redução da concorrência das importações; ganhos de eficiência operacional e melhor absorção de custos à medida que a planta de PCI (injeção de carvão pulverizado) aumenta sua utilização; e um ambiente mais favorável para os custos das matérias-primas, com os preços do minério de ferro e do carvão coqueificável estabilizando-se em níveis mais baixos.
Além disso, o banco considera que a melhora da estrutura de capital da companhia também abre espaço para uma política de distribuição de dividendos mais agressiva, caso não sejam anunciados novos projetos de investimento.
Nos cálculos do Safra, o rendimento do fluxo de caixa livre (FCF) deve ser de 5,7% em 2026 e 2027, aumentando para 11,5% em 2028.
Para 2026, porém, o banco mantém uma postura cautelosa, projetando um Ebitda de R$ 2,5 bilhões, equivalente a uma margem Ebitda de 9,9%, cerca de 10% abaixo do consenso da Visible Alpha, refletindo a expectativa de uma melhora gradual ao longo do segundo semestre de 2026.
Infomoney - SP 23/07/2026
O governo federal lançou nesta quarta-feira (22) uma nova etapa do programa Brasil Soberano, com até R$ 18,5 bilhões em crédito, garantias e instrumentos financeiros para empresas atingidas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O pacote concentra esforços em setores com forte exposição ao mercado americano e busca reduzir os efeitos das barreiras comerciais enquanto seguem as negociações com Washington.
A iniciativa mobiliza R$ 13,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além das linhas de financiamento, o programa prevê mecanismos para ampliar o acesso ao crédito por meio de garantias públicas, reduzindo o custo das operações para as empresas.
Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e a prospecção e abertura para novos mercados.
Novo tarifaço começa a valer hoje: entenda a Lei de Reciprocidade que Lula pode usar
O anúncio ocorre no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. O governo também acompanha a expectativa de uma nova decisão da administração Donald Trump, que poderá anunciar na sexta-feira (24) uma sobretaxa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado. Ainda não há definição se essa cobrança será somada à tarifa já existente.
Após tarifa de 25%, governo já trabalha com nova sobretaxa dos EUA nesta sexta
Planalto considera provável anúncio de sobretaxa de 12,5% nesta sexta-feira e avalia que investigação sobre trabalho forçado é mais difícil de reverter
Ao comentar sobre as novas tarifas impostas ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que sempre que surgiu uma crise, a sociedade brasileira encontrou um jeito de sair mais forte e com o novo momento econômico não será diferente.
“Não se pode ficar chorando. Na crise, você tenta encontrar saídas. Com o Brasil Soberano 3, estamos mostrando que não há crise que impeça o Brasil de seguir sua trajetória e continuar crescendo”, defendeu. “Isso para dizer o seguinte, ninguém nos para, nem mesmo a decisão abrupta do governo americano de achar que fazendo a taxação que ele fez, que o mundo ia ruir”, acrescentou.
Lula reforçou que, a despeito das recentes decisões dos EUA em endurecer tarifas contra outros países na tentativa de influenciar a geopolítica mundial, as nações estão aprendendo a “falar outro idioma” e que existem outras moedas, mercado e pessoas “dispostas a comprar de quem está com vontade de vender”.
Foco em setores mais expostos
O novo pacote direciona os recursos principalmente às cadeias produtivas que dependem das vendas ao mercado americano.
Entre os segmentos considerados prioritários estão máquinas e equipamentos, siderurgia, metalurgia, autopeças, papel e celulose, produtos químicos, madeira, móveis e outros bens industriais de maior valor agregado.
A avaliação do governo é que esses setores concentram parte relevante das exportações brasileiras sujeitas às novas barreiras comerciais e podem enfrentar dificuldades de caixa, investimentos e manutenção da competitividade caso o conflito tarifário se prolongue.
Programa amplia medidas anteriores
Esta é a terceira etapa do Brasil Soberano, programa criado após o anúncio das primeiras tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
As fases anteriores concentraram ações emergenciais e negociações com representantes da indústria. Agora, o governo amplia a atuação dos bancos públicos e reforça instrumentos financeiros para sustentar empresas exportadoras durante o período de incerteza.
Representantes do setor produtivo vinham defendendo a adoção de medidas de crédito desde que Washington anunciou o endurecimento da política comercial contra o Brasil.
A nova fase do programa também amplia o público atendido pelo Brasil Soberano. Passam a poder acessar os financiamentos exportadores da agricultura, da pecuária, das florestas plantadas, da pesca, da aquicultura e da mineração, além de cooperativas e associações vinculadas a essas atividades
Setores previstos na MP
Grupo 1 – Afetados por Tarifas Comerciais dos EUA
Seção 232: Aço, alumínio, automotivo e móveis. Seção 301: Madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, plástico, calçados, papel e açúcar.
Grupo 2 – Setores Industriais Estratégicos
Têxtil Químicos (fertilizantes) Farmacêuticos Automotivo Equipamentos de informática Produtos eletrônicos e ópticos Máquinas, equipamentos e materiais elétricos Outros equipamentos de transporte Borracha e plástico Máquinas e equipamentos Minerais críticos Fertilizantes
Grupo 3 – Exportações para o Golfo Pérsico e Setores afetados
Arábia Saudita Catar Bahrein Emirados Árabes Unidos (EAU) Iraque Irã Kuwait Omã Linhas de créditos
As linhas de financiamento serão divididas em diferentes custos financeiros com base na classificação e grupo de utilização. Os setores citados no grupo 1 e 3 terão acesso a todas as opções de linha, no entanto, o grupo 2 terá acesso apenas às linhas de Investimento e Bk.
Confira:
Giro Grande – 9,80% Giro MPME – 8,30% Giro Exportação – 8,30% BK – 8,00% Linha Minerais Críticos (Transformação Mineral) – 3,00% Investimento – 6,50% Governo mantém duas frentes
Além do apoio financeiro, o Executivo continua apostando na negociação diplomática para tentar reverter ou reduzir as restrições impostas pelos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, acompanha o desfecho da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre importações ligadas ao trabalho forçado. A expectativa em Brasília é que a decisão seja divulgada na sexta-feira, definindo se produtos brasileiros estarão sujeitos a uma nova tarifa de 12,5% e se ela será cumulativa aos 25% já em vigor.
O pacote anunciado nesta quarta-feira faz parte da estratégia do governo para preservar investimentos, empregos e a capacidade de exportação das empresas enquanto o cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos permanece indefinido.
Globo Online - RJ 23/07/2026O arsenal de crédito do Plano Brasil Soberano 3 às empresas afetadas pelo tarifaço de Donald Trump, conforme anunciado pelo governo, é apenas uma das estratégias necessárias para o país se posicionar no comércio internacional, avaliam economistas. Em um ambiente de maior protecionismo, dizem, a longo prazo é preciso fortalecer a negociação comercial com Washington e acelerar políticas de promoção das exportações e diversificação de mercados. Os especialistas observam ainda que o uso de crédito subsidiado aumenta a pressão sobre as contas públicas e dificulta o trabalho do Banco Central para controlar a inflação.
A sócia da Gibraltar avalia que o montante anunciado à nova edição é bastante representativo comparado com outras economias. Ela diz também não conhecer os resultados efetivos das últimas duas edições do programa na economia brasileira, dado que não se sabe qual o impacto no PIB das rodadas anteriores.
Para Zeina, falta hoje um “plano de voo” no desenho de negociações comerciais com o mundo, o que acaba refletindo em medidas emergenciais, como o Brasil Soberano número três:
— Poderíamos estar discutindo a redução de tarifas de importação, mas o setor produtivo reage, então é preciso fazer algo paulatinamente. Hoje há, pelo governo, algum desenho de acordo, como com a Coreia e a Índia, o que é positivo. Mas não vemos um plano de voo claro na política externa, de movimentos de mais longo prazo.
Para Sergio Valle, resta saber por quanto tempo o governo manterá o programa. Ele lembra que, em 2008, o socorro agravou o lado fiscal, desaguando na crise de 2015/2016.
A Apex Brasil chegou a reservar R$ 130 milhões para diversificar os mercados de exportação do Brasil após a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. O plano, porém, será implementado no começo de agosto.
Mas as empresas já amargam os impactos do tarifaço ao longo do mês de julho, especialmente com a entrada em vigor dos 25%, além da previsão da aplicação de outros 12,5% sobre produtos brasileiros que deve ser anunciado ainda esta semana pelos EUA.
José Velloso, presidente executivo da Abimaq, que reúne as empresas de máquinas e equipamentos, disse que “os recursos (do plano) parecem bastante suficientes”. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o programa “ajuda a aliviar o duro golpe” do tarifaço.
Agência Brasil - DF 23/07/2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) brasileiro para este ano. A estimativa consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22).
A entidade prevê que a economia deve continuar avançando em ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.
Apesar do cenário positivo para alguns segmentos, a confederação alerta que juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações devem limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica.
Em nota, o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o crescimento continuará sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Segundo ele, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como entraves para uma expansão mais acelerada.
Inflação
A CNI também revisou para cima a projeção da inflação para este ano. A expectativa é de que alimentos, combustíveis e a inflação de serviços mantenham pressão sobre os preços ao consumidor.
O cenário fiscal também preocupa a entidade. Embora a arrecadação federal deva crescer, o aumento das despesas públicas deve manter as contas do governo no vermelho, elevando o endividamento do país.
Indicadores:
PIB: 2%; IPCA: de 4,4% para 5%; Receita líquida federal: 5,8% acima da inflação; Despesas federais: 4,5% acima da inflação; Déficit primário em 2026: R$ 55,3 bilhões; Dívida pública: 82% do PIB. Indústria
A CNI revisou para cima a expectativa de crescimento da indústria este ano, impulsionada principalmente pela atividade extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos afetada pelos juros elevados.
Na indústria de transformação, apesar da melhora na projeção, o setor continua pressionado pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelo aumento dos custos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento, segundo a entidade.
A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura.
Projeções:
PIB industrial: de 1,6% para 2,1%; Indústria extrativa: de 7,8% para 9,1%; Indústria de transformação: de 0,3% para 0,6%; Construção civil: de 1,3% para 1,5%. Agro
A expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, aliada ao crescimento da produção animal, levou a CNI a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária.
Mesmo diante do aumento dos custos de insumos provocado pelo conflito no Oriente Médio, o setor deve apresentar desempenho superior ao previsto anteriormente.
Projeções do agro e serviços:
Agropecuária: de 1,1% para 1,8%; Serviços: de 2,1% para 1,9%.
O setor de serviços continua sendo sustentado pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação. No entanto, o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a expectativa de crescimento.
Juros
Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros.
Agora, a previsão é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026.
Projeção para a Selic:
Taxa atual: 14,25% ao ano; Fim de 2026: de 12,75% para 13,75% ao ano; Juros reais (acima da inflação) estimados: 9,2% Juro neutro (que não afeta o PIB) estimado: 5%
Segundo a entidade, caso as projeções se confirmem, a política monetária permanecerá em nível bastante restritivo durante todo o próximo ano.
Cenário externo
No ambiente internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano diante do aumento esperado da oferta mundial de petróleo.
Outro ponto de atenção é o avanço das importações de bens de consumo, que ocorre em meio à desaceleração da indústria nacional.
Comércio exterior:
Importações de bens de consumo: 16% no primeiro semestre; Importações totais: US$ 306 bilhões (5,2%); Exportações: US$ 383,9 bilhões (9,5%); Superávit da balança comercial: US$ 77,9 bilhões (30,4%).
A entidade ressalta, porém, que esse cenário poderá ser alterado caso avancem as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.
Infomoney - SP 23/07/2026
A Zeom, uma fintech fundada por brasileiros e sediada em Londres, decidiu medir uma inflação que os índices tradicionais não conseguem enxergar direito: a das famílias de alta renda no Brasil.
A empresa passa a divulgar mensalmente dois novos indicadores construídos com apoio de inteligência artificial: o Índice de Alto Padrão, que acompanha exclusivamente bens e serviços característicos desse público, e o Índice de Custo de Vida, que incorpora também despesas mais amplas, como energia, combustíveis e telefonia. Ambos focados nas famílias com renda mensal entre R$ 30 mil e R$ 100 mil.
Na primeira leitura, compartilhada com a equipe do InfoMoney, os números sugerem uma dinâmica de preços bastante diferente da registrada pelos índices oficiais.
Nos últimos 12 meses, o Índice Zeom de Alto Padrão acumulou alta de 8,1%, contra 4,6% do IPCA no mesmo período. Já o Índice Zeom de Custo de Vida avançou 6,3%. Na prática, isso indica que famílias de alta renda vêm enfrentando uma pressão inflacionária superior à média da economia.
Segundo a companhia, a diferença não está apenas na composição da cesta de consumo, mas principalmente nos preços efetivamente pagos por esse grupo. “Nosso ponto de partida era entender se bastava alterar a composição da cesta de consumo para explicar a diferença em relação ao IPCA,” disse Rafael Pereira, cofundador da Zeom. “Quando aplicamos os pesos das famílias de maior renda às séries oficiais, percebemos que a diferença era pequena. A principal descoberta do estudo está nos preços efetivamente pagos por esse público.”
Foi a partir dessa constatação que a empresa desenvolveu uma infraestrutura proprietária para reconstruir a evolução do custo de vida da alta renda desde janeiro de 2018.
Metodologia
A metodologia combina pesos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE) com informações obtidas em bases públicas e auditáveis — entre elas IBGE, ANS, Fipe e FipeZap — além de séries históricas monitoradas continuamente por inteligência artificial. A plataforma, segundo a Zeom, acompanha milhares de preços públicos, valida automaticamente as informações e preserva a comparabilidade dos produtos ao longo do tempo.
O histórico reforça que o descolamento em relação ao IPCA não é pontual.
Desde janeiro de 2018, o Índice Zeom de Alto Padrão acumula alta de 83,5%, enquanto o IPCA avançou 55,2%. Em termos práticos, uma família que precisava de R$ 100 mil por mês para manter seu padrão de vida em 2018 precisaria hoje de cerca de R$ 183,5 mil para consumir o mesmo conjunto de bens e serviços. Pela inflação oficial, esse valor estaria em aproximadamente R$ 155,2 mil — uma diferença próxima de R$ 28 mil por mês.
O estudo também acompanha o comportamento do chamado público de Alta Renda, definido como o 1% mais rico do país, com rendimento superior a R$ 60 mil mensais. Segundo a Zeom, os resultados mostram que a pressão de preços é semelhante dentro das diferentes faixas desse universo, ainda que as cestas de consumo não sejam idênticas.
Entre os itens que mais pressionaram o custo de vida desde 2018 estão os planos de saúde de alto padrão, com alta acumulada de 145,5%; os restaurantes, com avanço de 92,4%; os aluguéis residenciais em São Paulo, que subiram 80,5%; e o preço nominal do iPhone de entrada, que dobrou no período.
Em comum, diz a empresa, esses mercados têm dinâmica própria de formação de preços e peso relevante no orçamento das famílias mais ricas — o que ajuda a explicar por que os índices gerais acabam subestimando a inflação sentida por esse grupo.
A Zeom afirma que o objetivo não é substituir os indicadores oficiais, mas adicionar uma nova camada de leitura sobre o custo de vida no País.
Os relatórios do Zeom Research serão publicados sempre após a divulgação do IPCA pelo IBGE e trarão, além dos dois índices, análises por categoria, comparações entre perfis de renda e séries históricas.
“O IPCA continua sendo a principal referência para medir a inflação da economia brasileira,” disse Rafael. “O que mostramos é que diferentes perfis de renda convivem com dinâmicas próprias de formação de preços”, finaliza.
CNN Brasil - SP 23/07/2026
A imposição de uma nova tarifa de 25% sobre as exportações de máquinas e equipamentos brasileiros pelos Estados Unidos não é apenas um golpe econômico contra o setor mais atingido pela atual política comercial de Washington; é, acima de tudo, o reflexo de um cenário global marcado pela volatilidade e pela quebra de confiança entre parceiros históricos.
Sob o pretexto da chamada "Seção 301", o governo americano formalizou uma decisão política e, sob a ótica estritamente econômica, injustificável. Desde 2009, os Estados Unidos sustentam um superávit comercial robusto com o Brasil. Somos um país que historicamente compra mais deles do que vende. Dos investimentos externos que o Brasil recebe, o principal investidor é os EUA e é onde o Brasil mais investe. Punir um parceiro estratégico com o qual se tem balança favorável carece de nexo econômico e expõe uma postura que afeta não só o Brasil, mas o próprio EUA.
Os Estados Unidos também vêm minando suas relações com outros parceiros históricos como União Europeia, Japão, Canadá, México, Coreia do Sul e Reino Unido entre outros, com tarifas. O que assistimos hoje é a piora da segurança jurídica no comércio internacional. Ao mover-se por impulsos e romper acordos de forma unilateral, os Estados Unidos deixam de ser uma âncora de estabilidade para se tornarem um fator de risco aos parceiros globais.
No setor de bens de capital, o impacto é direto. Diferente de commodities ou produtos da indústria primária — que receberam exceções por medo do impacto imediato na inflação americana —, as máquinas e equipamentos não gozaram de exceções. Sairemos de uma tarifa anterior de 10% para o patamar de 25%. Embora o percentual seja menor do que o teto de 50% efetivado no ano passado, ele ainda representa uma barreira significativa.
Ainda assim, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos não assistirá a esse cenário de braços cruzados. Aprendemos a ser resilientes. Diante do fantasma da taxação, nossas empresas agiram rápido: anteciparam contratos sob encomenda e remanejaram estoques de produtos seriados para os distribuidores locais antes da entrada em vigor da medida. Mais do que isso, as empresas instaladas no país já desenham novas estratégias logísticas, utilizando filiais brasileiras para abastecer terceiros mercados, enquanto outras bases atendem à demanda americana.
A resposta mais contundente do nosso setor, contudo, está na nossa capacidade de olhar para além do horizonte tradicional. Mesmo quando enfrentamos uma queda de 9% nas vendas para os EUA no auge das discussões tarifárias, o volume geral das exportações da nossa indústria de máquinas cresceu 12%, saltando de 13,2 bilhões para quase 15 bilhões de dólares em doze meses. Esse crescimento foi impulsionado pela retomada de mercados na Argentina, pela expansão no setor de óleo e gás em Singapura e pela consolidação de parcerias na Europa, entre outros destinos.
Sabemos que uma máquina projetada sob as normas e projetos do mercado americano não é facilmente redirecionada para outra região. Além disso, 82% das nossas exportações são feitas “intercompany”. A perda de espaço nos EUA tem repercussões significativas e exige readequações profundas. No entanto, o saldo global prova que a indústria brasileira tem musculatura e competência técnica para buscar — e conquistar — novos espaços no mapa global.
Buscar novos mercados não é apenas uma reação ao "tarifaço"; é uma obrigação permanente de sobrevivência e crescimento. A mensagem que a indústria brasileira deixa clara neste momento de turbulência é de que a imprevisibilidade externa pode até alterar nossas rotas e nos impor readequações logísticas complexas, mas jamais freará a força produtiva, a inovação e o espírito exportador do Brasil.
Money Times - SP 23/07/2026
A eleição de Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para a presidência do conselho de administração da Vale (VALE3), em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) nesta quarta-feira (22), gerou forte ruído no mercado, mas foi uma decisão favorável para a companhia, segundo Rui Hungria, analista da Empiricus.
Para o especialista, a movimentação da Previ para adiantar a saída do antigo presidente, Daniel Stieler, causou receio entre os investidores sobre a possibilidade de interferência política na administração da Vale. No entanto, afirma Hungria, o profissional escolhido possui características capazes de reduzir essas preocupações.
“[Ollie] é um membro independente, com um longo histórico no setor, competente e muito respeitado pelos acionistas e pelo setor em geral. Por isso, ele tem potencial para melhorar a transparência e a governança da empresa”, afirmou Hungria, em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube. Assista à íntegra abaixo.
O especialista também destacou que as preocupações com governança e custos decorrentes do cenário político pressionaram as ações da Vale, que ainda são negociadas com desconto em relação às concorrentes australianas e seguem atraentes para investidores em busca de dividendos.
Além disso, Hungria avalia que a eleição de Ollie se insere num momento em que a Vale tenta reconquistar a confiança dos investidores por meio de melhorias operacionais consistentes, como foram citadas durante a divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26) da companhia, na véspera (21).
Prévia do 2T26
Segundo Hungria, a prévia operacional da Vale referente ao segundo trimestre (2T26) trouxe sinais positivos para o mercado, indicando uma recuperação das operações após um início de ano impactado por chuvas mais intensas, que despertaram preocupações entre os investidores.
A companhia registrou alta de 0,8% na produção de minério de ferro na comparação anual, enquanto as vendas de 79,7 milhões de toneladas marcaram o melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
Além do minério de ferro, os metais básicos também apresentaram evolução. A produção de cobre avançou cerca de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as vendas cresceram quase 10%.
Já no níquel, a produção subiu 4% na mesma base de comparação, e as vendas avançaram mais de 7%.
Preocupação com custos
Apesar da evolução operacional, Hungria ressalta que ainda existe cautela em relação aos custos, motivada pela guerra no Oriente Médio e a elevação das despesas com combustíveis e fretes marítimos.
Sob sua perspectiva, esse cenário pode afetar a rentabilidade da Vale de forma mais intensa do que a de suas concorrentes australianas, devido à maior distância entre as operações brasileiras e o mercado chinês.
Por isso, o mercado aguarda a divulgação completa dos resultados financeiros do 2T26 para entender o impacto dessas pressões sobre margens e lucro da mineradora.
SAIBA MAIS: Vale (VALE3): Manuel Lino de Sousa Oliveira, ou “Ollie”, é eleito presidente do conselho – Money Times
CNN Brasil - SP 23/07/2026
Os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta quarta-feira (22) pela terceira sessão consecutiva, pressionados pela produção trimestral da Vale, que superou as expectativas, e pela fraqueza persistente na demanda chinesa por aço, o que elevou as preocupações sobre um mercado com excesso de oferta.
O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian na China fechou o pregão com queda de 1%, a 739,5 iuanes (US$ 109,19) por tonelada.
No início do dia, o contrato atingiu o nível mais baixo desde 8 de julho, a 735 iuanes.
A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura recuou 1,09%, para US$ 97,3 por tonelada, atingindo uma mínima desde 3 de julho.
A mineradora brasileira Vale divulgou na terça-feira (21) o maior volume de produção para o segundo trimestre desde 2018, com a produção de minério subindo 0,8% em relação ao ano anterior e superando as estimativas de analistas.
A produção acima do esperado reforçou as expectativas de oferta abundante no médio prazo, pressionando tanto os preços à vista quanto os de futuros, afirmaram analistas da corretora chinesa Everbright Futures no WeChat.
As margens de lucro das siderúrgicas chinesas caíram cerca de 3 pontos percentuais em relação à semana anterior, para 37,2%, em 16 de julho, cerca de 23 pontos percentuais abaixo dos níveis do ano anterior, de 60,17%, à medida que as taxas de operação dos altos-fornos continuaram a cair, segundo dados da consultoria Mysteel.
Acentuando o tom baixista do mercado, o estoque total de minério de ferro nos sete principais portos da Austrália e do Brasil subiu 798 mil toneladas, para 15 milhões de toneladas, na semana encerrada em 19 de julho, atingindo o nível mais alto deste ano, segundo dados da Mysteel.
Diário do Comércio - MG 23/07/2026
A produção de minério de ferro da Vale alcançou 43,5 milhões de toneladas (t) no primeiro semestre de 2026 em Minas Gerais, um avanço de 17,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi sustentado pela produção em Mariana, na Região Central do Estado, que saltou 41,5% no segundo trimestre e 31,2% no primeiro semestre deste ano.
Os dados constam no relatório de produção e vendas da Vale referente ao segundo trimestre de 2026, divulgado nesta terça-feira (21). O avanço no Sistema Sudeste, em Minas Gerais, foi o único expressivo e positivo da companhia entre janeiro e junho deste ano.
A companhia atribui o resultado à aceleração produtiva das operações da mina Capanema (Ouro Preto) e à retomada da atuação em Água Limpa (Rio Piracicaba), que voltou a produzir em junho de 2025. A plena atividade das unidades faz o primeiro semestre de 2026 já contar com plantas a mais que o ano anterior.
A mina Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, também registrou avanço produtivo no primeiro semestre. O principal ativo da companhia registrou alta 13,4% no período, impulsionado por ganhos de produtividade com a ampliação da capacidade de britagem.
Em nota, a Vale destaca que entregou um sólido desempenho operacional no segundo trimestre, com aumento da produção e das vendas em todos os segmentos de negócios. “No Minério de Ferro, a melhora do desempenho em diversas operações contribuiu para o melhor resultado de produção para um segundo trimestre desde 2018. Em Cobre e Níquel, a produção aumentou
significativamente, com o cobre registrando sua melhor produção para um segundo trimestre desde 2017 e o níquel
alcançando seu melhor resultado para um segundo trimestre desde 2020", afirma.
Demais sistemas não acompanham o avanço mineiro
Enquanto Minas Gerais registrou o único avanço expressivo entre os sistemas da Vale, o Sistema Norte, no Pará, recuou 3,8% no semestre. A queda ocorreu apesar do desempenho recorde da mina S11D, que produziu 23,4 milhões de toneladas no trimestre, o melhor resultado para um segundo trimestre da história da operação, alta de 11,9% na comparação anual.
Já o Sistema Sul recuou 5,2% no semestre, influenciado pela paralisação total das operações de Fábrica e Viga desde janeiro de 2026.
No segundo trimestre, a Vale também destaca que a produção total, incluindo compras de terceiros, somou 84,3 milhões de toneladas no País, alta de 0,8%. As vendas de minério de ferro atingiram 79,7 milhões de toneladas, alta de 3,1%, refletindo tanto o aumento de produção quanto a venda de estoques formados em períodos anteriores.
No quesito preços, o valor médio realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95,0 por tonelada no segundo trimestre, queda de 0,8% em relação aos três meses anteriores. O valor adicional pago pela qualidade do minério em relação ao índice de referência recuou para US$ 4,4 por tonelada, queda de 29% na comparação trimestral.
Money Times - SP 23/07/2026
A Vale (VALE3) anunciou na noite desta quarta-feira (22) a destituição de Marcelo Gasparino da Silva do cargo de conselheiro da companhia, em decisão do conselho de administração por vazamento de informações confidenciais relativas à reunião do colegiado em 19 de junho.
“Esta decisão foi tomada com base nos fatos e conclusões da apuração conduzida por escritório externo independente, contratado por deliberação do CA (Conselho de Administração), que confirmou o referido vazamento, que constitui desvio de conduta nos termos da referida Política. O CA acompanhou recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos (CARE) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade”, informação a Vale em comunicado ao mercado.
A decisão pela saída de Gasparino ocorreu poucas horas depois de ele ter perdido a disputa pela presidência do próprio conselho, quando obteve cerca de 1 bilhão de votos de aprovação pelos acionistas, mas foi batido por Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, que foi eleito com quase 2 bilhões de votos favoráveis.
Por se tratar de membro do conselho, a sanção de destituição do cargo, prevista na Política de Gestão de Desvios de Conduta da Vale, depende de deliberação pelos acionistas reunidos em Assembleia Geral, informou a mineradora em fato relevante assinado por Marcelo Feriozzi Bacci, vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores.
De acordo com a empresa, Marcelo Gasparino da Silva também foi afastado de dois comitês de assessoramento de que fazia parte (Comitê de Indicação e Governança e Comitê de Pessoas e Remuneração).
Eleição conturbada para presidência do conselho
Na manhã desta quarta-feira, os acionistas da Vale elegeram, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), “Ollie” para a presidência do conselho de administração da mineradora. Ele já integrava o colegiado e contou com o apoio da Previ.
A disputa entre Ollie e Gasparino ganhou relevância por reacender o debate sobre a influência dos grandes acionistas na governança da companhia. A assembleia foi convocada a pedido da Previ e levou à renúncia de Daniel Stieler ao comando do conselho.
Nas últimas semanas, a eleição também foi cercada por questionamentos sobre a atuação do fundo de pensão, levando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a abrir um processo administrativo para apurar se a manifestação pública de apoio da Previ ao candidato era compatível com as regras de governança da Vale.
A AGE também elegeu Ieda Gomes Yell para a vaga no conselho de administração aberta com a saída de Daniel Stieler. A executiva, que já havia sido recomendada pelo Comitê de Indicação da Vale, derrotou José Maurício Pereira Coelho, nome defendido pela Previ.
A eleição representa uma derrota para a Previ, que conseguiu eleger Ollie para a presidência do colegiado, mas não emplacou seu candidato para a cadeira no conselho.
Valor - SP 23/07/2026
Durante reunião com CEO da Stellantis, Antonio Filosa, Lula reiterou a expectativa do país voltar a registrar 3 milhões de veículos emplacados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (22), que o governo pretende atuar em conjunto com a Stellantis, dona da Fiat, para ampliar as exportações de veículos fabricados no Brasil para a América Latina e a África. A declaração foi feita durante reunião com o presidente global da montadora, Antonio Filosa, e executivos da companhia.
“Uma coisa que vamos ter que trabalhar junto com vocês, agora, é como aumentar a capacidade de exportação dos carros brasileiros para América Latina e para o continente africano. São dois mercados importantes, dois mercados promissores, que temos condições de ter uma participação mais efetiva e mais numerosa”, disse o petista aos presentes.
Segundo Lula, a América Latina e a África representam mercados “importantes” e “promissores” para a indústria automotiva brasileira. O presidente defendeu uma presença mais “efetiva” e numerosa das montadoras nessas regiões.
O presidente disse estar "muito realizado" com o cenário da indústria automobilística no país, embora tenha reconhecido que ainda existem desafios. "A política exige que tenha problemas para resolver", afirmou.
Lula reiterou a expectativa do país voltar a registrar 3 milhões de veículos emplacados e pontuou que cabe ao governo criar condições econômicas, fiscais e jurídicas para dar segurança aos investidores, além de desenvolver programas para estimular vendas de carros no mercado doméstico.
Na agenda, Filosa comentou os investimentos que serão feitos no Brasil e o ciclo de novos empregos que serão gerados no país. Durante a fala, o microfone do executivo falhou e ficou mudo. Ao ser restabelecido o áudio, ele fez uma brincadeira e comentou: "Talvez a bateria. Deve ser de origem asiática essa bateria", se referindo ao microfone.
Valor - SP 23/07/2026
As montadoras chinesas registraram mais um salto nas vendas mensais na Europa em junho, consolidando sua posição como fortes concorrentes para as fabricantes locais, que buscam recuperar o crescimento.
Os emplacamentos de veículos novos da BYD — um indicador das vendas — mais que dobraram em relação ao mesmo período do ano anterior, para 38.455 unidades no mês passado, considerando União Europeia, Reino Unido, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, segundo a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea, na sigla em inglês).
Os emplacamentos da Saic Motor cresceram 47%, para 38.647 unidades, enquanto a Leapmotor registrou aumento de mais de seis vezes, para 12.829 veículos. Enquanto isso, a alemã Volkswagen teve alta de 6,4%, para 345.937 unidades, e a Stellantis, dona da marca Jeep, avançou 5,3%, para 191.012 veículos.
Embora os grupos automotivos europeus tradicionais ainda tenham vendido muito mais veículos em termos absolutos do que as rivais chinesas, a BYD e outras marcas asiáticas registraram taxas de crescimento muito mais aceleradas, em um sinal de que a disputa por consumidores na região está se intensificando.
No início deste mês, o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou em um memorando que a montadora avaliava possíveis ajustes na força de trabalho em suas diversas marcas e subsidiárias regionais, enquanto enfrenta o impacto das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o avanço das marcas chinesas na Europa.
A forte queda nas entregas de veículos na China também vem pressionando as montadoras: tanto Volkswagen quanto BMW registraram quedas expressivas nas vendas no segundo trimestre no país, onde marcas locais têm oferecido grandes descontos para conquistar consumidores.
Diversas fabricantes europeias tiveram de revisar seus portfólios e reduzir a produção de veículos elétricos nos últimos anos, diante da dificuldade de convencer consumidores a migrar para modelos movidos a bateria. Em fevereiro, a Stellantis informou que registraria encargos de cerca de US$ 26 bilhões como parte de uma mudança de estratégia em relação aos veículos elétricos, diante de uma demanda mais fraca do que o esperado.
A Tesla, de Elon Musk, continuou apresentando bom desempenho na Europa, onde os emplacamentos cresceram quase 50% no mês passado, para 52.563 veículos, marcando o quinto mês consecutivo de alta nas vendas da empresa no continente.
O mercado de veículos totalmente elétricos na Europa cresceu 51% no mês passado. Os emplacamentos de híbridos elétricos avançaram 17%, enquanto os modelos híbridos plug-in aumentaram quase 23%.
A Acea informou que os registros mensais de carros de passeio cresceram 13% na Europa como um todo e quase 14% na União Europeia, com as vendas subindo 16% na Alemanha e cerca de 11% tanto na França quanto na Itália.
CNN Brasil - SP 23/07/2026
Em reunião realizada nesta quarta-feira (22) no Palácio do Planalto, O CEO do Grupo Stellantis, Antonio Filosa, detalhou ao governo federal a destinação do ciclo de investimentos de R$ 30 bilhões planejado para o Brasil até 2030. O montante é o maior aporte único da história da indústria automotiva no país.
A apresentação foi focada na alocação dos recursos para o desenvolvimento de novas tecnologias, renovação do portfólio de suas 15 marcas e fortalecimento da cadeia de fornecedores nacionais.
Na reunião, estavam presentes o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o Vice-presidente, Geraldo Alckmin; o presidente da Stellantis da América do Sul, Herlander Zola; e outros representantes de ambas as partes.
Do total anunciado, R$ 14 bilhões serão destinados exclusivamente ao Polo Automotivo de Betim (MG). A fábrica mineira, que celebra 50 anos de operações da marca Fiat no país, atua como centro de um ecossistema que reúne 400 fornecedores em um raio de 150 quilômetros e receberá o desenvolvimento de novas tecnologias e veículos.
Produção 95% nacional e crítica à BYD
Durante a apresentação liderada pelo CEO global, a fabricante ressaltou que a estratégia do grupo prioriza o conteúdo local em vez da montagem de veículos por kits desmontados ou semidesmontados importados (CKD e SKD), em uma crítica indireta aos incentivos concedidos a concorrentes asiáticas, como a BYD.
Foco em exportações para América Latina e África
O detalhamento do plano também abriu espaço para discussões sobre o comércio exterior. O presidente Lula propôs a ampliação da capacidade de exportação da indústria brasileira, com o objetivo de atuar em conjunto para identificar gargalos logísticos e regulatórios, visando expandir a presença dos veículos produzidos no Brasil em dois mercados considerados prioritários: a América Latina e o continente africano.
O Estado de S.Paulo - SP 23/07/2026
A família de caminhões e-Delivery, da Volkswagen, começou a ser produzida em série em 2021 e acaba de completar cinco anos no mercado brasileiro. Desde então, os veículos, que são movidos a baterias de íons de lítio, somaram um total de 600 vendas, cerca de 560 unidades para o mercado brasileiro e 41 para o exterior.
O projeto e-Delivery foi uma aposta da Volkswagen Caminhões e Ônibus para desenvolver uma plataforma elétrica para o transporte de cargas no segmento de caminhões médios. “O e-Delivery nasceu de pedidos de nossos clientes e da necessidade de criarmos uma solução eletrificada para o transporte de cargas no Brasil. É um projeto que consumiu três milhões de quilômetros em testes e 300 etapas de validação na fase de protótipos. Tudo foi projetado e criado no Brasil, com software e sistema de controle de energia próprios. Hoje o caminhão é produzido em série em Resende, utilizando nosso sistema de produção em consórcio modular”, diz Rodrigo Chaves, vice-presidente de Engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus.
Versões e vocações
O e-Delivery está disponível no mercado brasileiro em duas versões: de 11 e 14 toneladas, com aplicações que foram a própria demanda para sua criação: o transporte e a distribuição de bebidas, cargas frigorificadas, cargas urbanas e de transferência de curta distância, cargas fracionadas, transporte de gás e transporte de combustível em aeroportos.
Segundo a VWCO, o chassi do e-Delivery tem arquitetura modular, o que permite diversas configurações e adaptações e possibilitou o nascimento de novos modelos em aplicações diferentes, com o e-Volksbus, ônibus elétrico da marca para o transporte urbano público e o carro-forte blindado vendido para uma transportadora de valores e cargas de alto valor agregado.
A versão de 11 toneladas tem Peso Bruto Total de 11.400 kg e capacidade de carga útil de até 6,8 toneladas. Ele tem motor JJE / SD460, fabricado pela Jin-Jing Electric em Pequim, na China, com potência equivalente a 280 cavalos e torque de até 2.300 Nm. A transmissão é automática.
O eixo dianteiro é o Dana SAO36S e o eixo motriz, traseiro, é o Cummins Meritor MS 08-125. A suspensão dianteira tem molas parabólicas com amortecedores hidráulicos de dupla ação. As baterias são de íons de lítio.
O e-Delivery de 14 toneladas tem Peso Bruto Total de 14.500 km com carga útil de 9,3 toneladas e motor WEG VW280 com potência equivalente a 300 cavalos e torque de 2.150 Nm. A transmissão também é automática. Os eixos são os mesmos da versão de 11 toneladas.
A versão de passageiros, o e-Volksbus, já teve 260 unidades comercializadas, a grande maioria para a cidade de São Paulo, e agora, recebe uma nova versão de piso baixo, a 22H, com Peso Bruto Total Técnico de 21.850 kg.
Esta nova versão é indicada para corredores BRT e cidades com plataformas elevadas de embarque com capacidade para até 82 passageiros sentados e em pé. Uma terceira versão será lançada em agosto, o e-Volksbus 18H, dedicado para os mercados de fretamento.
O 18H é uma versão que tem relação mais longa, pneus para maior velocidade, capacidade para 44 passageiros sentados e velocidade máxima de 90 km/h.
Os caminhões e-Delivery são comercializados com três ou seis módulos de baterias com autonomia de até 250 quilômetros.
Novidades no horizonte
Com a investida de diversas marcas chinesas no mercado brasileiro de caminhões, como a JAC e a Foton, que oferecem modelos elétricos da mesma categoria do e-Delivery, a Volkswagen Caminhões e Ônibus estuda ampliar a gama de opções de sua família eletrificada.
Para a Fenatran, maior feira de caminhões da América Latina, que acontece em novembro em São Paulo, poderá haver novidades. Recentemente, o vice-presidente de Vendas e Marketing da VWCO, Ricardo Alouche, declarou à imprensa especializada que a empresa estuda ampliar a família e-Delivery para outras faixas de peso, atendendo a novos nichos e aplicações.
Grandes Construções - SP 23/07/2026
A fundação do Senna Tower, residencial mais alto do mundo em construção em Balneário Camboriú (SC), concluí o processo de estaqueamento após uma operação que reuniu números históricos de engenharia e inovação no Brasil.
Desenvolvido pela FG Empreendimentos em parceria com a Marca Senna e a Havan, o empreendimento recebeu ao longo da operação 798 estacas de até 40 metros de profundidade, somando cerca de 30 quilômetros de estrutura fixada na rocha.
A etapa de estaqueamento da fundação utilizou o sistema inédito de Auger Cast desenvolvido pela FG Empreendimentos, com monitoramento integral durante a execução, garantindo precisão técnica, desempenho estrutural e redução de impactos como ruídos e vibrações no entorno da obra.
Além da complexidade técnica, a fundação do Senna Tower se destaca pela eficiência construtiva da operação.
Com tecnologias elaboradas ao longo dos anos pelo Grupo FG, equipamentos de alta performance e soluções inéditas para a execução das estacas, a empresa reduziu o prazo previsto para a fundação de 120 para 70 dias úteis.
Entre os destaques está a perfuratriz italiana MAIT CFA 34-36, equipada com a maior hélice contínua já utilizada no Brasil.
O resultado foi uma redução de 58% no cronograma da etapa, mantendo rigorosos padrões de qualidade, segurança e precisão técnica.
Os números da fundação ajudam a dimensionar a complexidade da engenharia aplicada ao empreendimento.
A etapa consumiu mais de 12 mil m³ de concreto – volume equivalente a cerca de 1.500 caminhões-betoneira – e aproximadamente 1,8 mil toneladas de aço. Somados, os materiais utilizados são suficientes para erguer dois edifícios de 50 andares.
Logística e controle térmico - Para garantir o desempenho estrutural e a durabilidade do bloco central de fundação, que tem 1.660 m² de área, a concretagem exige um controle rigoroso de temperatura.
Durante a aplicação, o concreto opera com média de 24°C, respeitando o limite máximo de 27°C. Para manter essa estabilidade térmica, a operação utilizou mais de 1.600 toneladas de gelo na mistura. Só o bloco central recebeu cerca de 7.740 m³ de concreto, movimentando também 15.600 m³ de terra na escavação.
Apenas a primeira fase de fundação mobilizou mais de 300 profissionais, com até oito grandes máquinas atuando de forma simultânea.
Um dos grandes marcos da engenharia do projeto foi registrado no dia 28 de janeiro deste ano, quando a equipe bateu o recorde de 12 estacas executadas em um único dia.
"Construir um empreendimento dessa magnitude significa mobilizar uma operação em uma escala raramente vista na engenharia mundial. Mais do que sustentar a torre, essa fundação representa a base de um projeto concebido para colocar a engenharia e o mercado imobiliário brasileiros entre as maiores referências do mundo. Cada decisão é resultado de estudos, integração entre diferentes especialidades e um rigoroso controle de execução", afirma Gustavo Simas, diretor de Produção da FG Empreendimentos.
"Uma fundação dessa magnitude não é apenas um desafio construtivo. Ela exige anos de pesquisa, modelagens, ensaios, validações e integração entre diversas disciplinas da engenharia. Estamos transformando conhecimento técnico em soluções inéditas para o Brasil e estabelecendo um novo patamar de precisão, segurança e desempenho para empreendimentos dessa escala", destaca Stéphane Domeneghini, diretora executiva da Talls Solutions e engenheira responsável pelo projeto.
Com investimento estimado em mais R$ 3 bilhões e VGV de R$ 8,5 bilhões, o Senna Tower contará com 228 unidades residenciais distribuídas entre mansões suspensas, apartamentos de até 400 m², coberturas duplex e megacoberturas triplex – as maiores chegando a 903 m² e avaliadas em mais de R$ 400 milhões.
Portos e Navios - SP 23/07/2026
A TCP concluiu a ampliação da ferrovia interna do Terminal de Contêineres de Paranaguá, em obra que adicionou 757 metros de trilhos ao pátio e deve elevar em cerca de 20% a capacidade da operação ferroviária. O projeto foi anunciado em parceria com a Brado e mira maior fluidez na movimentação de contêineres no complexo paranaense.
Segundo a empresa, a nova estrutura inclui uma terceira linha e área de manobras dedicada às operações da Brado, permitindo aumento da eficiência na entrada e saída de composições. A TCP afirma que a movimentação anual de contêineres cheios por ferrovia deve subir de 55 mil para 66 mil unidades a partir de 2027.
O terminal é o único do Sul do país com conexão direta entre a área de operações e um ramal ferroviário, o que reforça o papel do modal na integração logística de Paranaguá. A companhia também informou que a ampliação integra um ciclo de investimentos de R$ 500 milhões nos últimos cinco anos, voltado à expansão e modernização da infraestrutura.
A obra é relevante para o corredor de contêineres do Porto de Paranaguá, em um momento em que o terminal busca ampliar produtividade e reduzir gargalos operacionais. Com a nova configuração, a TCP espera acomodar dois trens simultaneamente enquanto um terceiro conclui a saída, o que deve aumentar a capacidade de recebimento por encoste.
Globo Online - RJ 23/07/2026
Depois de administrar por mais de 27 anos os trens do Rio, a SuperVia deixou a concessão e uma fila de credores. Parte da dívida da antiga concessionária é com fornecedores que, sem o pagamento de maio, podem deixar de prestar serviços essenciais, o que põe em risco a operação do sistema. Entre os que levaram calote estão empresas responsáveis por fabricação de peças, restauração de vagões, sinalização, bilhetagem eletrônica e gestão de pessoal de apoio e segurança. Até profissionais que fazem a retirada de colmeias e casulos de marimbondos ao longo da via-férrea estão cobrando valores devidos.
O total dessa dívida não é conhecido. O maior passivo é de R$ 1,9 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fruto de financiamentos. Mas, para o dia a dia do passageiro, o débito com fornecedores — cerca de R$ 15 milhões, só referentes a maio — impacta diretamente a qualidade do transporte. É o caso das escadas rolantes paradas em algumas estações. Os equipamentos, muito importantes para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção, estão sem funcionar no Méier e em Madureira. A do Maracanã parou há duas semanas por falta de peça de reposição.
Uma empresa de manutenção de vagões, por exemplo, apresentou uma nota fiscal de R$ 452 mil. Em outro serviço, referente à revitalização de motores de composições elétricas e a diesel, a cobrança, vencida em 6 de junho, é de R$ 35,7 mil.
Onde há fumaça
O GLOBO localizou um dos credores que estão à espera de pagamento. Trata-se de uma empresa de inspeções ambientais que realizou 78 testes de fumaça em locomotivas e máquinas de manutenção movidas a diesel. O serviço foi concluído em 30 de abril, e a nota fiscal, vencida em 26 de maio, tem o valor de R$ 10.530. Uma nova medição, para atender às exigências de uma lei ambiental, está programada para outubro. Anderson Pereira, diretor da empresa, afirmou, no entanto, que, sem o pagamento do trabalho anterior, dificilmente aceitará realizar novamente o trabalho:
— É complicado fazer um novo serviço sem receber a nota anterior. Tenho uma equipe de trabalho, e a falta de pagamento desorganiza a gente. Se não pagarem, fica complicado fazer de novo. Já tentei receber, mas até agora não consegui nada.
As cobranças vêm sendo feitas à SuperVia, que está em recuperação judicial. O novo contrato de concessão — assinado pelo governo do estado e a Nova Via Mobilidade (que usa a logomarca TrensRJ) e homologado no fim de fevereiro pela 6ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio — estabelece que a nova permissionária não é responsável pelo passivo da SuperVia.
Carta para o estado
Com esse respaldo, a TrensRJ enviou uma carta à Secretaria estadual de Transportes (Setrans), com cópias para a Procuradoria-Geral do Estado e a SuperVia, comunicando a existência dessas dívidas. O documento pede que sejam adotadas providências para regularizar a situação e alerta que esse cenário pode provocar interrupções em serviços prestados por terceirizados, com reflexos na regularidade e na qualidade do transporte de passageiros.
A SuperVia encerrou suas atividades no último dia 29 de maio. A nova concessão garantiu à TrensRJ a operação de 270 quilômetros de trilhos por 12 cidades e 104 estações. Segundo o acordado, a remuneração da empresa, a ser paga pelo estado, será de R$ 17,60 por quilômetro percorrido pelas composições. O contrato tem validade de cinco anos, podendo ser renovado por igual período. Em média, cerca de 300 mil pessoas utilizam diariamente os trens na Região Metropolitana.
Ainda de acordo com o contrato, ao fim de cada mês, será feito um cálculo considerando o percurso realizado pelas composições, descontando-se os valores arrecadados nas bilheterias e eventuais penalidades impostas pelo descumprimento de indicadores. A diferença entre os valores é estimada em cerca de R$ 22 milhões mensais.
Garantia em conta
Uma cláusula, no entanto, prevê uma espécie de garantia contra a inadimplência. Caso o governo deixe de pagar os valores devidos e reconhecidos, eles poderão ser descontados de um montante já depositado pelo estado em uma conta que reúne recursos equivalentes a seis meses de prestação de serviços. Os saques, porém, poderão ser de apenas uma parcela por mês. Ao todo, o contrato prevê o gasto de R$ 652 milhões em custeio ao longo de cinco anos, podendo ser renovado por igual período.
Violência preocupa
Procurada, a TrensRJ confirmou ter enviado o comunicado sobre as dívidas ao governo estadual e informou que vem adotando as medidas necessárias para mitigar possíveis impactos aos passageiros, buscando alternativas junto aos fornecedores e ao mercado.
O GLOBO entrou em contato com os escritórios que cuidam das ações da SuperVia, mas não conseguiu localizar representantes da concessionária. Já a Secretaria estadual de Transportes informou que a Procuradoria-Geral do Estado dará ciência à Justiça sobre as dívidas, já que a empresa está em recuperação judicial, ressaltando que a mudança da gestão não transfere para o estado a responsabilidade pelos contratos com os fornecedores. Acrescentou que “atua em conjunto com a TrensRJ para garantir que o serviço continue sendo prestado com qualidade aos passageiros”.
Mas as dívidas não são o único problema que atinge a malha ferroviária. De acordo com informação da própria permissionária, 14 estações sofrem influência direta do crime organizado, com a linha férrea passando às margens de 179 comunidades controladas por traficantes ou milicianos. A violência fez com que, apenas em março, 26 viagens fossem canceladas ou interrompidas. Outro problema apontado é a inadimplência: cerca de 30 mil pessoas embarcam diariamente nos trens sem pagar.
Revista Mineração - SP 23/07/2026
O projeto do Porto Sul, em Ilhéus (BA), deu um passo importante para sair do papel após receber prioridade para contratar até R$ 6,59 bilhões em financiamento junto ao Fundo da Marinha Mercante (FMM). A decisão do Conselho Diretor do fundo fortalece a estrutura financeira do empreendimento, considerado essencial para a operação da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e para a criação de um novo corredor logístico de exportação no país.
A aprovação ocorreu durante a mais recente reunião do colegiado responsável pelos financiamentos do setor portuário e naval. O Porto Sul concentrou a maior fatia dos R$ 10,8 bilhões priorizados para novos projetos. Apesar disso, a autorização não significa a liberação imediata dos recursos. O próximo passo será a negociação do crédito junto aos agentes financeiros habilitados, processo que deverá cumprir exigências técnicas, financeiras e regulatórias.
O empreendimento terá até 450 dias para formalizar a contratação do financiamento, prazo que poderá ser prorrogado por mais 180 dias. A operação dependerá ainda da análise de viabilidade econômica, da apresentação de garantias e do cumprimento das condições estabelecidas para concessão do crédito.
Porto Sul é peça-chave para a Fiol
Desenvolvido pela Bahia Mineração (Bamin), o Porto Sul foi concebido para operar em conjunto com a Fiol, permitindo o escoamento da produção de minério de ferro da Mina Pedra de Ferro, em Caetité, além de grãos, fertilizantes e outras cargas. A integração entre porto e ferrovia é considerada fundamental para ampliar a competitividade logística da Bahia e consolidar um novo eixo de exportação nacional.
O terminal de águas profundas será instalado em Ilhéus e deverá receber embarcações de grande porte, ampliando a capacidade de movimentação de cargas do estado e reduzindo custos logísticos para diferentes cadeias produtivas.
Negociação da Bamin pode acelerar projeto
O avanço ocorre paralelamente às negociações envolvendo a possível transferência do controle da Bamin para a portuguesa Mota-Engil. A expectativa é que o acesso a uma linha de financiamento de longo prazo torne o complexo formado pela mina, pela ferrovia e pelo porto mais atrativo para investidores e facilite a retomada dos investimentos. A operação, entretanto, ainda depende de autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Corredor logístico estratégico
A conclusão do Porto Sul e da Fiol é considerada estratégica para a implantação do corredor ferroviário Leste-Oeste, que deverá conectar o litoral baiano às regiões produtoras do Centro-Oeste. O projeto prevê a integração da Fiol com a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), formando uma rota destinada principalmente ao transporte de minério de ferro e commodities agrícolas para exportação.
Embora o novo aval represente um avanço relevante, a efetiva retomada das obras dependerá da contratação do financiamento, da definição sobre o futuro societário da Bamin e da apresentação de um novo cronograma para conclusão tanto do Porto Sul quanto da Fiol.
Money Times - SP 23/07/2026
Um grupo de associações e representantes que reúnem o setor do agronegócio, indústria, logística e do setor portuário encaminhou, na noite de terça-feira (21), uma carta à ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, em defesa da realização do leilão do megaterminal de contêineres no Porto de Santos (Tecon-10) e da preservação da modelagem concorrencial elaborada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em duas etapas e sem restrição a armadores.
“A definição do modelo licitatório resultou de ampla instrução técnica no âmbito da Antaq, submetida ao crivo do TCU, e sua preservação prestigia a segurança jurídica, a previsibilidade regulatória e o respeito às competências técnicas das agências reguladoras”, afirmam em nota.
O documento foi assinado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Aprosoja Brasil, Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), NTC & Logística, Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Instituto Aço Brasil (Abeaço), Sindirações, Aenda, Siesal, Sociedade Rural Brasileira (SRB), Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Sindicel, Ceces e Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
A carta afirma que o Brasil não pode adiar mais a ampliação de capacidade portuária em Santos e defendem a realização célere da licitação. Segundo os signatários, o terminal é estratégico para a competitividade da economia nacional e para a eficiência da cadeia logística por eles representadas.
“Cada dia de atraso representa custos crescentes para importadores e exportadores brasileiros, perda de competitividade do comércio internacional, pressões sobre o emprego em setores dependentes da eficiência portuária, redução de arrecadação fiscal, além do risco de que investimentos privados sejam direcionados para outros países.”
Globo Online - RJ 23/07/2026
Se os militantes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, cumprirem a ameaça de bloquear os navios que viajam de e para a Arábia Saudita pelo Mar Vermelho, isso desestabilizará mais uma vez os mercados globais de petróleo, comprometendo uma importante rota alternativa para o Estreito de Ormuz. Desde as primeiras semanas da guerra com o Irã, a Arábia Saudita tem dependido de um oleoduto que divide o país ao meio para redirecionar milhões de barris de petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho. A maior parte desse petróleo chega ao mercado através do estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, ao largo da costa do Iêmen e perto do território controlado pela milícia houthi. Uma porção menor segue para norte, até ao Mar Mediterrâneo, através de um oleoduto que atravessa o Egito ou, no caso de combustíveis derivados do petróleo, através do Canal de Suez.
Qualquer interrupção nessas alternativas restringiria ainda mais o fornecimento de petróleo e combustíveis a um mercado já abalado por novos ataques a embarcações no Golfo Pérsico.
As ameaças já parecem estar surtindo efeito. Dois petroleiros, o Rodos e o Xin Long Yang, que se dirigiam para o Estreito de Bab el-Mandeb, deram meia-volta na terça-feira, segundo a empresa de dados marítimos Kpler.
O mercado começa a demonstrar alguma ansiedade, mas os movimentos têm sido moderados. O petróleo era negociado em torno de US$ 95 (R$ 481) o barril nesta quarta-feira, uma alta de alguns dólares desde a ameaça da milícia.
Os riscos são graves, no entanto. Se os houthis conseguirem bloquear completamente o acesso da Arábia Saudita ao Mar Vermelho, eles retirariam cerca de 4% do petróleo mundial do mercado global. Essa estimativa, baseada em dados de navegação da Kpler, seria adicional à atual perda de fornecimento pelo Estreito de Ormuz.
Dada a proximidade dos houthis ao Estreito de Bab al-Mandeb, presumivelmente seria mais fácil para eles interromper o tráfego marítimo ali. A Arábia Saudita tem usado esse ponto estratégico para exportar cerca de 3,6 milhões de barris de petróleo e combustíveis por dia, principalmente para a Ásia, segundo Kpler. Esse número representa um aumento em relação aos níveis muito baixos anteriores à guerra, quando quase todas as exportações sauditas passavam pelo Estreito de Ormuz.
Agora, os Estados Unidos e o Irã estão patrulhando essa hidrovia, que se tornou muito mais perigosa e menos confiável.
Embora o oleoduto que atravessa o nordeste do Egito e o Canal de Suez apresentem alternativas para o transporte de petróleo e combustíveis sauditas, eles não são tão atraentes quanto o Estreito de Ormuz ou o Estreito de Bab el-Mandeb.
Existem alguns motivos para isso, principalmente o fato de que levaria muito mais tempo e seria muito mais caro enviar petróleo para a Ásia dessa forma. Navios muito grandes usados para transportar petróleo bruto não podem usar o Canal de Suez, pelo menos não quando estão carregados e pesados.
Por outro lado, o Sumed — o oleoduto egípcio — não consegue comportar todo o petróleo que a Arábia Saudita tem transportado pelo Estreito de Bab el-Mandeb. Ademais, levaria mais quatro semanas para chegar à Ásia pelo Mar Mediterrâneo, pois os navios teriam que contornar a África.
Globo Online - RJ 23/07/2026
Os irmãos Batista compraram participação em um projeto de produção de petróleo na Venezuela, o mais recente negócio a surgir em um país que o governo Trump promete revitalizar após anos de sanções.
A Fluxus Oil, Gas & Energy, empresa privada controlada por Joesley e Wesley Batista, comprou a A&B Oil and Gas, que detém participação de 49% na joint venture Petrolera Roraima com a petroleira estatal venezuelana Petroleos de Venezuela SA, segundo pessoas familiarizadas com a transação. Os detalhes não foram divulgados.
O negócio no setor de petróleo é o terceiro a vir à tona na última semana, e outros devem surgir antes do prazo regulatório de 28 de julho, disseram algumas das pessoas. Lionheart Capital, Pacific Coast Energy e Fluxus estão entre uma onda de produtores independentes que aproveitam a reabertura da Venezuela conduzida pelos EUA e o alívio das sanções sob a presidente interina apoiada pelos EUA, Delcy Rodríguez.
A família Batista passou anos diversificando os negócios da empresa de processamento de carnes, expandindo a atuação para setores que vão de celulose e energia a serviços financeiros, além de construir importantes conexões políticas.
Joesley Batista se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, e tentou convencer o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a deixar o poder antes de ele ser capturado pelas forças dos EUA. A Pilgrim’s Pride, subsidiária americana da gigante de carnes JBS, controlada pela família Batista, foi a maior doadora do comitê de posse de Trump.
A Petrolera Roraima, ou Petrororaima, fica no vasto Cinturão de Óleo Pesado do Orinoco, na Venezuela, e foi historicamente operada pela ConocoPhillips antes que o governo expropriasse os ativos locais da empresa sediada em Houston em 2007.
Com a Fluxus no controle das operações, os sócios planejam elevar a produção de petróleo da Petrororaima para 120.000 barris por dia em cinco anos, ante apenas um quarto disso atualmente, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque não estão autorizadas a falar em público.
A operação está em conformidade com licenças emitidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA, acrescentaram as fontes.
A PDVSA e a J&F não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
A família Batista continua interessada em adquirir ativos adicionais de petróleo e mineração na Venezuela, disseram as pessoas. Essa estratégia não mudou após os terremotos devastadores do mês passado na costa central, afirmaram.
Os vínculos dos Batista com a Venezuela remontam a mais de uma década. A JBS, empresa de proteína animal do grupo, assinou anteriormente um acordo de US$ 2,1 bilhões com o governo venezuelano para fornecer carne bovina e frango enquanto o país enfrentava escassez de alimentos e hiperinflação.
Mais recentemente, a família avaliou oportunidades em petróleo, mineração, energia e outras áreas de infraestrutura.
A transação dá à Fluxus participação direta em um país que detém algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. A produção de petróleo da Venezuela superou 3 milhões de barris por dia na década de 1990, mas despencou quando má gestão, interferência política e sanções ganharam força no início dos anos 2000. A produção diária atual é de cerca de 1,2 milhão de barris.
Infomoney - SP 23/07/2026
O preço do petróleo ultrapassou os US$ 95, elevando a alta deste mês para 30%, enquanto os EUA e o Irã minimizavam a possibilidade de negociações e as interrupções no fornecimento global continuavam a aumentar.
Já às 7h40 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22), Os contratos futuros de petróleo brent para entrega em julho subiam 3,5%, para US$ 94,20, reduzindo os ganhos anteriores. O contrato para entrega no mês seguinte também registrou alta de 3,5%, para US$ 94,20. Os contratos futuros WTI tinham ganhos de 3,8%, sendo negociados a US$ 87,56.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o Estreito de Ormuz continua sendo um ponto de atrito entre os dois lados.
Na reunião dos Ministros das Relações Exteriores da ASEAN, realizada nas Filipinas na quarta-feira, Rubio afirmou que Washington permanece comprometido com a diplomacia, mas acusou Teerã de violar o acordo bilateral sobre o Estreito de Ormuz.
“O problema que estamos enfrentando agora é que eles não estão levando as negociações a sério”, disse ele. “Se eles estiverem falando sério, nós também estaremos. Se não estiverem, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e também os interesses de nossos aliados.”
A alta do petróleo fez com que os contratos futuros do Brent atingissem níveis vistos pela última vez no início de junho, antes de um acordo de paz provisório que agora se desfez. O Irã afirmou que não há negociações em andamento e que apenas uma troca de mensagens é possível, segundo a agência de notícias Mehr.
Essas declarações foram feitas um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, prometer retaliar caso os rebeldes houthis, apoiados por Teerã, no Iêmen, interrompessem a navegação no Mar Vermelho, e reiterar as ameaças de atacar a Montanha da Picareta, um suposto local de testes nucleares iranianos. A força naval da União Europeia no Mar Vermelho aconselhou alguns navios a se manterem afastados após as ameaças dos houthis.
O Comando Central dos EUA informou que as forças armadas americanas realizaram ataques contra a República Islâmica do Irã pelo décimo primeiro dia consecutivo, numa tentativa de enfraquecer a capacidade do país de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A via navegável permanece aberta, apesar da agressão iraniana, acrescentou o Comando Central.
Os principais indicadores de preços dispararam nos últimos dias, apontando para crescentes preocupações com a oferta. Os spreads mais próximos entre o Brent e o WTI estão sendo negociados em uma estrutura de backwardation de alta, acima de US$ 3 por barril. Em tempos normais, isso representaria apenas alguns centavos.
Na terça-feira, Trump disse que o Irã “deseja desesperadamente se encontrar”, acrescentando que os EUA não têm interesse. Teerã negou as alegações de que esteja buscando negociações. O preço do petróleo tem oscilado repetidamente de acordo com as perspectivas de escalada e distensão.
“Nossa previsão é que fiquemos na faixa de US$ 80 a US$ 90, dependendo das notícias”, disse Jay Hatfield, diretor executivo da Infrastructure Capital Management LLC. “Se de fato tivermos um Mar Vermelho fechado, isso representa uma ameaça. Ainda não vimos isso acontecer. Isso poderia nos levar a ultrapassar os US$ 100.”
Valor - SP 23/07/2026
Mais cedo, Donald Trump ameaçou novamente atacar a infraestrutura civil da República Islâmica caso o país bombardeie embarcações em Ormuz.
O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento do país, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou nesta quarta-feira que ninguém conseguirá vender petróleo em uma região onde a República Islâmica não puder fazê-lo, acrescentando que, se a segurança de Teerã não estiver garantida, nenhuma infraestrutura estará segura.
“A equação desta guerra é clara: ou todos, ou ninguém!”, escreveu Qalibaf em publicação na rede social X. “Em uma região onde nós não venderemos petróleo, ninguém venderá petróleo. Se nossa segurança não estiver garantida, nenhuma infraestrutura estará segura, e a segurança do estreito depende da ausência das forças americanas. Já afirmamos repetidamente que a situação no Estreito de Ormuz não voltará às condições anteriores à guerra”, prosseguiu o negociador na postagem.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou novamente atacar a infraestrutura civil do Irã caso o país bombardeie embarcações no Estreito de Ormuz.
"A partir deste momento, toda vez que a República Islâmica do Irã atirar contra um navio no Estreito de Ormuz, seja com míssil, foguete, drone ou qualquer outro dispositivo ou arma, os Estados Unidos bombardearão e destruirão UMA PONTE OU USINA DE ENERGIA, incluindo aquelas localizadas ao lado ou dentro da capital, Teerã”, disse Trump em uma publicação na Truth Social.
Também nesta quarta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Washington continuará atacando o Irã enquanto Teerã tentar exercer controle sobre o Estreito de Ormuz após o 11° dia consecutivo de hostilidades trocadas entre as forças americanas e iranianas.
Falando a jornalistas em Manila, nas Filipinas, Rubio disse que o governo iraniano "não leva as negociações a sério" e acusou a República Islâmica de descumprir um acordo preliminar que previa a livre passagem de navios pelo estreito, considerado uma rota vital para o transporte de petróleo e gás natural.
"Quando esses compromissos não são cumpridos, como aconteceu neste caso, haverá consequências", afirmou. O Irã, por outro lado, sustenta que o acordo lhe dá autoridade sobre a navegação na hidrovia.
Na terça-feira, Trump também voltou a ameaçar atacar a Pickaxe Mountain, uma instalação ligada ao programa nuclear do Irã, em meio à escalada de tensões entre os dois países.
Além disso, em outra frente do conflito no Oriente Médio aberta no início desta semana, navios-tanque mudaram sua rota de navegação no Mar Vermelho nesta quarta-feira após a milícia houthi do Iêmen, apoiada por Teerã, ter advertido embarcações a evitarem navegar para portos da Arábia Saudita, mostraram dados de rastreamento marítimo.
De acordo com a MarineTraffic, “os dados sugerem que o risco geopolítico influencia cada vez mais as decisões sobre rotas, mesmo com a continuidade do tráfego comercial”.
Na terça-feira, Trump chegou a declarar que os EUA responderão caso o movimento houthi do Iêmen cumpra a ameaça de impor um bloqueio à navegação comercial no Mar Vermelho. “[Os EUA] simplesmente terão de cuidar do assunto", disse o chefe da Casa Branca sem dar mais detalhes.
Petro Notícias - SP 23/07/2026
A Vallourec foi contratada pela Allseas para fornecer tubos de aço carbono sem costura e revestimento com isolamento térmico que serão utilizados no projeto Atapu 2, operado pela Petrobrás no pré-sal da Bacia de Santos. O contrato prevê o fornecimento de 143 quilômetros de risers rígidos e flowlines, o equivalente a cerca de 19 mil toneladas de tubos sem revestimento.
Localizado a aproximadamente 230 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, o campo de Atapu está em lâmina d’água entre 2.000 e 2.350 metros. Atualmente, a produção da área acontece por meio do FPSO P-70. Com Atapu 2, a Petrobrás pretende iniciar a produção de um segunda plataforma no campo, a P-84, que está sendo construída pela Seatrium. A embarcação contará com um sistema de produção formado por 18 poços, que serão conectados por meio de risers rígidos. A P-84 deve iniciar sua produção entre 2029 e 2030.
A fabricação dos tubos será realizada na unidade da Vallourec em Jeceaba (MG), enquanto o revestimento com isolamento térmico ficará a cargo da planta da empresa em Serra (ES). Segundo a companhia, a solução integra sua estratégia de ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado para projetos offshore.
“Temos orgulho de apoiar a Allseas e o Consórcio Unitizado Atapu, operado pela Petrobrás, no complexo projeto Atapu 2. Este contrato ilustra perfeitamente nossa estratégia de fornecer soluções integradas e de alto valor agregado para os ambientes mais desafiadores“, afirmou o presidente do Conselho de Administração e CEO da Vallourec, Philippe Guillemot. “Ao combinar nossa fabricação de tubos premium em Jeceaba com nossas capacidades de revestimento com isolamento térmico, após a aquisição da Thermotite do Brasil, somos capazes de oferecer uma cadeia de fornecimento completa, integrada e eficiente, apoiada por uma sólida base de manufatura local“, concluiu.
O Estado de S.Paulo - SP 23/07/2026
O agravamento do conflito entre Irã e Estados Unidos acelerou as rodadas de licitações para exploração de petróleo e gás nas Américas, na África Ocidental e no Sudeste Asiático. Com o aumento da instabilidade geopolítica, essas rodadas ganharam importância para garantir segurança energética, repor reservas e atrair investimentos de longo prazo, em meio às incertezas sobre oferta, rotas de transporte e preços, mostra estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Segundo a autarquia, antes da escalada no Oriente Médio, a perspectiva para o segmento de exploração e produção em 2026 indicava contenção de gastos, com retração global de investimentos em relação a 2024. As previsões para petróleo eram de queda entre 5% e 6%, enquanto o gás natural aparecia com crescimento aproximado de 7%, puxado por novos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL) nos EUA, Canadá e Catar.
Com o conflito, ataques a infraestruturas e bloqueios no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial —, passaram a dominar as decisões de alocação de capital. Os mercados financeiros, segundo o estudo, passaram a precificar um prêmio de risco estrutural para ativos no Oriente Médio.
Grandes petroleiras reavaliam suas carteiras com foco em segurança jurídica e contratual, distância logística de áreas de conflito ativo e estabilidade política de longo prazo. O movimento teria acelerado uma regionalização da exploração na África, historicamente vista como fronteira de médio risco, reduzido seu prêmio de risco relativo e se reposicionado como alternativa ao Golfo, enquanto a exploração em águas profundas e ultraprofundas se consolidou como os segmentos mais resilientes.
Nesse contexto, bacias do Atlântico Sul, da Margem Equatorial brasileira à bacia da Namíbia, passaram a receber fluxo intensificado de capital, favorecidas pela combinação de potencial geológico, “baixo carbono relativo” contra os óleos pesados do Golfo e pelo maior afastamento de zonas de conflito. A partir de abril de 2026, Brasil, Estados Unidos, Argélia, Omã, Guiné Equatorial, Índia e Noruega, entre outros, anunciaram, ampliaram ou mantiveram processos de oferta de áreas.
Nos Estados Unidos, a mudança de escala é atribuída ao One Big Beautiful Bill Act (OBBBA) — pacote legislativo abrangente de impostos e gastos assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump —, que estabelece ao menos 36 leilões offshore (alto-mar) até 2040, concentrados no Golfo do México e no Alasca. Entre as iniciativas em curso está o Lease Sale 262 (leilão de concessão), proposto em dezembro de 2025, que prevê oferta de cerca de 15 mil blocos ao longo de várias rodadas. Uma delas recebeu propostas para 181 blocos offshore no Golfo do México, em área de 320 mil km².
No restante do mundo, o levantamento da EPE lista movimentos como a rodada da Argélia (sete blocos onshore), o programa do Egito (três blocos offshore no Golfo de Suez), a retomada de ofertas na Ásia — como Tailândia e Indonésia — e a Noruega, com 70 blocos offshore, como exemplos de estratégias nacionais que vão de novas fronteiras exploratórias ao aproveitamento de infraestrutura e ao reforço da produção doméstica.
No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) prevê a realização de dois grandes leilões de exploração e produção de petróleo e gás, agendados para 7 de outubro: o 6.º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC) e o 4.º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção (OPP). OPC e OPP são modelos para licitação de óleo e gás. No primeiro, o regime é concessão e, no segundo, o regime é de partilha.
No 4.º ciclo, a oferta terá 23 blocos no Polígono do Pré-Sal e assinatura prevista até 26 de fevereiro de 2027. Segundo a ANP, 15 empresas já estão inscritas. No 6º Ciclo de Concessão, a oferta vai consistir em 45 novos blocos exploratórios, distribuídos entre as bacias de Campos (26) e Santos (11), ambas offshore, e Potiguar (8), onshore.
No ano passado, destaca o estudo, os ciclos da Oferta Permanente, tanto de Concessão quanto de Partilha de Produção, reforçaram a estratégia de expansão exploratória com foco offshore, com ofertas na Margem Equatorial e no pré-sal. O 3.º ciclo da Oferta Permanente de Partilha ofertou em 2025 sete blocos em Campos e Santos e teve cinco arrematados por Karoon Brasil, CNOOC Petroleum, Sinopec, Petrobras e Equinor Brasil, com bônus de R$ 103,72 milhões e investimento mínimo de R$ 451,4 milhões. Segundo a ANP, os contratos foram assinados em maio e junho de 2026, com cerimônia marcada para o próximo 5 de agosto, em Brasília.
Peça-chave na oferta de petróleo e gás na América do Sul
Para a EPE, o Brasil é peça central na expansão global da indústria e um vetor de crescimento da oferta não Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) na América do Sul.
O estudo aponta um investimento de US$ 23 bilhões a US$ 25 bilhões por ano no País — puxado pela Petrobras —, sustentado por investimentos em FPSOs (plataformas de produção, armazenagem e transferência), o que tende a tornar a produção mais confiável e com menos gargalos. “O País combina potencial geológico, grandes reservas provadas e ativos de alta produtividade, fatores que ajudam a reduzir custos operacionais”, diz a EPE.
Na fotografia de 2025-2026, a produção é projetada em 4 milhões de barris por dia de petróleo e volumes acima de 176 milhões de m³/d de gás natural, segundo a ANP. As projeções citadas apontam pico do petróleo em 2032, com 5,1 milhões de barris por dia, e pico do gás em 2033, com produção bruta de 309 milhões de m³/d.
O pré-sal segue como principal base da produção, respondendo por quase 80% da produção nacional de petróleo e gás em 2025, e deve permanecer dominante em 2035, com cerca de 76% do petróleo e 80% do gás.
Para sustentar a produção no longo prazo, a EPE lista novas fronteiras terrestres — como Solimões, Amazonas, Parnaíba, Tucano Sul e Alagoas — e, no mar, bacias como Santos, Campos, Sergipe-Alagoas (Seal), Pelotas e a Margem Equatorial, com destaque para Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Potiguar.
Segundo o Plano Nacional de Energia 2025 (PNE 2055), a expectativa é de que existam 22 bilhões de barris de petróleo não descobertos no País, na hipótese de referência da EPE, reforçando o papel dessas áreas para evitar queda de produção na segunda metade da década de 2030.
Em um cenário internacional de instabilidade geopolítica e disciplina de gastos, o estudo afirma que a outorga de novas áreas exploratórias no Brasil ganha caráter estratégico, já que empresas tendem a priorizar projetos de maior retorno, menor risco e maior previsibilidade regulatória.
“Nessa leitura, processos contínuos e previsíveis — como os do Brasil — ganham vantagem, ao lado de mercados como Noruega e Estados Unidos”, avalia a autarquia.
Cultivar - RS 23/07/2026
No dia 25 de julho é comemorado o Dia Internacional da Agricultura Familiar, data que reconhece a dedicação dos produtores que representam a base da produção de alimentos no Brasil. A Valtra, marca do grupo AGCO reconhecida por sua inovação e por soluções voltadas ao produtor rural, aproveita a ocasião para homenagear essas famílias, destacando que a transformação digital e a inovação no campo não devem ficar restritas aos grandes produtores, mas ser uma realidade acessível e transformadora para os pequenos também.
Para as pequenas e médias propriedades, a modernização vai além do aumento de produtividade: ela também pode ser o elo que viabiliza a sucessão familiar. Ao transformar a rotina no campo, a tecnologia contribui para a transferência de saberes entre as gerações e abre espaço para que os novos membros da família vejam o negócio como uma atividade moderna, viável e atrativa a longo prazo.
“A agricultura familiar é feita de tradição, mas sua continuidade depende de evolução. Para que as famílias permaneçam e prosperem na terra, o setor precisa oferecer ferramentas que facilitem o trabalho diário, transformando a lavoura em um negócio sustentável, eficiente e menos desgastante fisicamente”, ressalta Claudio Esteves, Diretor Comercial da Valtra.
A Valtra atua para democratizar o acesso à tecnologia, superando a ideia de que a agricultura de precisão está restrita aos grandes produtores. Soluções como o sistema de orientação Valtra Guide e a telemetria do Valtra Connect são cruciais para automatizar tarefas simples, evitar o desperdício de insumos e economizar combustível. Na prática, a tecnologia permite ao operador monitorar a saúde da operação em tempo real e com mais facilidade, transformando quem executa a tarefa em um verdadeiro gestor de inteligência no campo.
Para os produtores que buscam o máximo aproveitamento de sua janela de cultivo, a Série A4S, por exemplo, destaca-se por uma eficiência operacional que permite trabalhar 5% a mais de hectares por hora. Outra grande vantagem técnica é a economia de 15% no consumo de combustível, proporcionada pelo Motor AGCO Power combinado ao sistema de gerenciamento eletrônico de combustível. Além de demandar pouca manutenção, é uma linha altamente robusta que pode alcançar até 12% mais de vida útil do que outras opções de mercado. A tecnologia de alta precisão se torna totalmente acessível na Série A4, já que o produtor pode optar pela inclusão do piloto automático Valtra Guide, by Trimble, que gera economias na ordem de 15% na aplicação de insumos a lanço, eliminando desperdícios de fertilizantes e defensivos.
Como a rotina na agricultura familiar muitas vezes envolve longas jornadas, a saúde e o conforto do operador tornam-se prioridades. O investimento em ergonomia, como tratores equipados com cabines de fábrica confortáveis, comandos intuitivos e isolamento acústico, reduz a fadiga e protege a integridade física do trabalhador.
“Entendemos que a máquina deve ser uma extensão do trabalhador. Por isso, sob a estratégia global Farmer First, desenvolvemos soluções que colocam as necessidades operacionais e o bem-estar do operador sempre em primeiro lugar. Homenagear a agricultura familiar é entregar a elas ferramentas que valorizem sua saúde, melhorem sua rentabilidade e garantam o futuro do negócio”, finaliza Esteves.
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