Diário do Comércio - MG 23/01/2026
O setor de distribuição de aços planos no Brasil avalia que os reajustes anunciados pelas usinas devem ser repassados aos clientes de forma gradual. O aumento, divulgado para janeiro, provocou uma antecipação de compras, o que elevou os estoques das distribuidoras acima da média histórica. A expectativa do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é de que os preços fiquem cerca de 12% superiores aos praticados em 2025.
“As usinas garantiram que implantaram o aumento para todo mundo. Nós é que não estamos conseguindo implantar o aumento para os nossos clientes, estamos implantando parcialmente, porque o nosso estoque dos distribuidores está muito alto. O anúncio de preço para janeiro fez com que houvesse uma antecipação muito grande, uma compra maior do que seria normal”, explica o presidente executivo da Inda, Carlos Jorge Loureiro.
O estoque das distribuidoras cresceu cerca de 50 mil toneladas, passando de 1,08 milhão para 1,13 milhão de toneladas. “Apesar de dezembro ser um mês em que os estoques costumam aumentar, esse nível está acima do padrão. O normal seria algo em torno de 3,7 a 3,8 vezes o giro. Chegar a 4,5 vezes é muito elevado e está bem acima do que seria desejável”, afirma Loureiro.
Um novo reajuste pode ocorrer no fim de fevereiro, segundo o executivo, mas a decisão está condicionada a uma reunião do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), que deve discutir as acusações de dumping feitas pelas siderúrgicas brasileiras contra a China.
A possibilidade de novo aumento também é vista como uma forma de pressionar as distribuidoras a anteciparem novas compras antes de um eventual reajuste adicional.
Um dos argumentos que embasam a acusação de dumping é a evolução dos preços do laminado a quente entre 14 de dezembro e 14 de janeiro. Nos Estados Unidos, o aumento foi de US$ 38 por tonelada, chegando a US$ 983. Na Europa, a alta foi de US$ 23, com a tonelada custando US$ 735. Já na China, a variação foi de apenas US$ 2, com o produto passando a US$ 405 por tonelada – valor bem abaixo da média mundial, de US$ 458.
O preço é classificado por Loureiro como “inacreditável”. “Há, de fato, dumping e um subsídio governamental muito forte ao aço chinês”, afirma. O tema deve ser discutido pelo governo brasileiro e, caso as irregularidades sejam confirmadas, a tendência é a aplicação de uma taxa adicional ou o estabelecimento de cotas para a importação do produto.
Expectativas para 2026 não são boas
De acordo com o presidente do Inda, o início de 2026 não deve ser positivo, conforme levantamento realizado junto aos associados, embora a expectativa seja de melhora no segundo semestre. A projeção inicial aponta para um crescimento modesto de 1,5% no ano.
“Estamos começando o ano com perspectivas ruins. Fizemos um levantamento com os associados e, embora possa haver alguma melhora nas próximas semanas, o desempenho inicial foi muito fraco. Caso se confirme a previsão de vendas de 285 mil toneladas, isso representaria um crescimento de apenas 15% em relação a dezembro. No entanto, em janeiro do ano passado, foram vendidas 320 mil toneladas, ou seja, estamos quase 11% abaixo do resultado anterior”, explica Loureiro.
A expectativa de redução nas importações de aço no segundo semestre pode contribuir para um desempenho melhor nos últimos seis meses do ano. Segundo o executivo, as importações podem recuar entre 15% e 20%. Ainda assim, o setor não prevê crescimento expressivo.
Aumento do aço importado na produção de planos
Os aços planos importados representaram 29,5% do total consumido no Brasil em 2025, percentual superior ao registrado em 2024 (22,5%) e em 2023 (23,4%), atingindo o maior patamar dos últimos dez anos.
Levantamento do Inda mostra que, na última década, as importações de aços planos cresceram 111%. Em 2015, foram importadas 1,579 milhão de toneladas, volume que saltou para 3,329 milhões de toneladas em 2025. Esse movimento se intensificou a partir de 2021, quando, pela primeira vez, as importações superaram 2 milhões de toneladas no período analisado.
A China segue como principal fornecedora do produto ao mercado brasileiro, com mais de 2,3 milhões de toneladas vendidas em 2025. Em seguida aparecem a Coreia do Sul, com quase 650 mil toneladas, e o Egito, com 141 mil toneladas.
“A China cresceu 0,6%, mas o grande destaque foi a Coreia do Sul, com crescimento de 380% nas exportações para o Brasil em relação ao ano anterior. O Egito também teve alta expressiva, de 240%”, destaca Loureiro.
Exportação variou 22,8% de 2024 a 2025
As exportações de aços planos cresceram 22,8% entre 2024 e 2025. O volume exportado passou de pouco mais de 6,5 milhões de toneladas para mais de 8 milhões, uma variação positiva de cerca de 905 mil toneladas.
“Apesar dos problemas relacionados ao dumping e das tarifas impostas pelos Estados Unidos, houve um crescimento significativo nas exportações de placas, que passaram de 6 milhões para 8 milhões de toneladas, um avanço de 22,8%”, comemora o presidente do Inda.
Os Estados Unidos foram o principal destino do aço brasileiro, respondendo por 46,6% das exportações, o equivalente a 469,5 mil toneladas. Segundo Loureiro, mesmo o aumento das tarifas norte-americanas de 25% para 50%, após decreto assinado pelo presidente dos EUA, não impediu a continuidade das compras do produto brasileiro.
Infomoney - SP 23/01/2026
A bolsa paulista experimentou uma nova sessão de recordes nesta quinta-feira, com o Ibovespa aproximando-se da marca inédita de 178 mil pontos no melhor momento, com bancos entre os principais suportes, enquanto as ações brasileiras seguem beneficiadas pelo movimento global de realocação de recursos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 2,2%, a 175.589,35 pontos. Na máxima, chegou a 177.741,56 pontos, após superar pela primeira vez as marcas de 172 mil, 173 mil, 174 mil, 175 mil, 176 mil e 177 mil. Na mínima, na abertura, marcou 171.817,23 pontos.
O pregão registrou um volume financeiro expressivo novamente, somando R$44,1 bilhões – contra uma média diária de R$30 bilhões no ano e de R$24 bilhões em 2025.
Dados da B3 corroboram a percepção do fluxo de capital externo para a bolsa, com um saldo positivo de quase R$8,8 bilhões em janeiro até o último dia 20.
Nesta sessão, o movimento encontrou suporte ainda no viés mais positivo em praças acionárias globais, em meio a um alívio em tensões geopolíticas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirar na véspera ameaças de tarifas comerciais contra nações europeias em disputa envolvendo a Groenlândia.
O recuo de Trump ocorreu após ele se reunir com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, com o presidente norte-americano afirmando que o arcabouço para um acordo sobre a ilha pertencente à Dinamarca fora alcançado.
Nesta quinta-feira, Trump disse que garantiu acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia em um acordo com a Otan.
Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,55%, com agentes financeiros repercutindo também dados que destacaram a resiliência econômica norte-americana. Na Europa, o STOXX 600 avançou 1,03%.
Na visão do especialista em investimentos Josias Bento, sócio da GT Capital, a redução das tensões geopolíticas após as falas mais brandas de Trump sobre a Groenlândia e a União Europeia beneficiou o Ibovespa, que segue também ajudado pelo grande fluxo de capital estrangeiro.
“Com o mundo todo praticamente na tendência de queda de juros, isso favorece os ativos de risco Acredito que a bolsa brasileira tende a ter um 2026 próspero”, afirmou.
Destaques
ITAÚ UNIBANCO PN avançou 3,38%, registrando novas máximas, com o setor mais uma vez entre os principais suportes positivos. BRADESCO PN subiu 2,73%, SANTANDER BRASIL UNIT fechou com elevação de 1,68% e BTG PACTUAL UNIT registrou alta de 1%, todos renovando recordes de fechamento. Entre os bancos do Ibovespa, BANCO DO BRASIL ON foi destaque, com salto de 4,69%, mas ainda distante dos topos de maio do ano passado. O Conselho Monetário Nacional também aprovou nesta quinta-feira, conforme divulgado após o fechamento, alterações nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para proteção aos depositantes.
AXIA ON valorizou-se 3,52%, com papéis de empresas de serviços de utilidade pública também fornecendo um suporte relevante ao Ibovespa, como SABESP ON, que encerrou o dia com elevação de 3,25%.
VALE ON subiu 0,58%, também renovando máximas. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou a sessão do dia com variação negativa de 0,06%. No setor, USIMINAS PNA avançou 0,96%, GERDAU PN subiu 2,3%, CSN ON fechou com acréscimo de 1,81% e CSN MINERAÇÃO ON ganhou 1,39%. De acordo com o Inda, após terem repassado aumentos de preços de 5% a 8% aos distribuidores de aços planos em janeiro, as usinas estão indicando novos reajustes, de mesma intensidade, em fevereiro.
PETROBRAS PN avançou 0,45% e PETROBRAS ON subiu 0,69%, resistindo à influência negativa da queda dos preços do petróleo no exterior. O barril sob o contrato Brent fechou com declínio de 1,8%. No setor, PETRORECONCAVO ON cedeu 1%, BRAVA ENERGIA ON perdeu 0,11% e PRIO ON terminou negociada com decréscimo de 1,34%.
COGNA ON avançou 7,41%, mantendo o tom positivo da véspera, quando fechou em alta de quase 11%. YDUQS ON reduziu o fôlego e fechou com alta de 1,07%.
Terra – SP 23/01/2026
As vendas de aços planos por distribuidores no Brasil este ano devem subir 1,5%, o terceiro ano seguido de fraco crescimento, com um desempenho melhor no segundo semestre ante a primeira metade do ano, afirmou a associação que representa o setor, Inda, nesta quinta-feira.
"O crescimento do ano (2025) foi muito fraco. Prevíamos 1,5% (de alta) e cresceu 1,3%", afirmou o presidente do Inda, Carlos Loureiro, nesta quinta-feira ao comentar o volume de 3,89 milhões de toneladas vendidas por distribuidores no ano passado. "Foram dois anos muito fracos, 1,1% em 2024 e agora 1,3%", acrescentou, citando como fator de pressão a importação de aço em grandes volumes pelo Brasil.
A venda dos distribuidores de aço plano em dezembro caiu 20,4% ante novembro e recuou 0,4% na comparação anual, para 248,3 mil toneladas. Para janeiro, a expectativa é de expansão de 15% ante o mês anterior, para 285,6 mil toneladas, mas isso representa uma queda de 10,8% na comparação com janeiro de 2025.
E depois de terem repassado aumentos de preços de 5% a 8% aos distribuidores em janeiro, as usinas estão indicando novos reajustes, de mesma intensidade, em fevereiro, disse Loureiro.
Mas a força de imposição deste segundo reajuste, disse o presidente do Inda, dependerá da decisão do governo de adotar ou não neste mês medidas antidumping contra importações de aço laminado a frio.
"O assunto do antidumping está sendo uma ameaça, mas não uma realidade", disse Loureiro, citando que desde o final do ano passado o setor siderúrgico tem aguardado as medidas de defesa comercial pelo governo, expectativa que em parte ajudou nas compras dos distribuidores em dezembro, que subiram 5,7% ante um ano antes.
"Todas as usinas garantiram que implantaram o aumento para todo mundo...Nós (distribuidores) é que não conseguimos implantar (aos clientes)", disse Loureiro, citando que, com isso, o estoque dos distribuidores terminou 2025 em nível "muito alto": a 1,129 milhão de toneladas, 11,4% acima do final de 2024 e equivalente a 4,5 meses de vendas.
O Inda espera uma queda nas importações de aço plano pelo Brasil este ano, em parte decorrente da expectativa sobre a adoção de sobretaxas pelo governo por conta dos processos antidumping, que além de laminados a frio e galvanizados incluem laminados a quente.
Segundo a entidade, as importações de aços planos no Brasil em dezembro subiram 66,6%, para 205,7 mil toneladas, encerrando o ano em alta de 24,1%, para 3,33 milhões. Loureiro afirmou que a partir do segundo trimestre deve ocorrer uma redução das importações, diante da queda nas filas de desembarques nos portos do país, notadamente no Sul, onde está a principal porta de entrada de aço no Brasil, o porto de São Francisco do Sul (SC).
"O último lineup deu menos de 500 mil toneladas, já chegou acima de 1 milhão de toneladas", afirmou.
Nas contas do Inda, no ano passado, a participação das importações em relação à produção nacional de aços planos chegou a 29,5%, maior nível dos últimos 10 anos. Já ante as vendas de aços planos no mercado interno a importação foi equivalente a 32,5%, também maior nível em 10 anos. Já considerando apenas as vendas dos distribuidores, as importações de aço no ano passado foram equivalentes a 85,5% do volume comercializado pelo setor. Em 2020, essa proporção era de cerca de 26%.
No ano passado, o maior exportador de aço ao Brasil foi a China, com 2,32 milhões de toneladas, 0,6% acima do volume de 2024, segundo os dados do Inda. O destaque das origens ficou com Coreia do Sul, que elevou as exportações de aços planos ao Brasil em quase cinco vezes em 2025, para cerca de 650 mil toneladas. O Egito também foi destaque, com crescimento das vendas ao Brasil que passaram de 40,7 mil toneladas em 2024, para 141,4 mil em 2025.
Valor - SP 23/01/2026
Investimentos em expansão, especialmente na produção de minério de ferro, devem gerar resultados mais significativos apenas a partir de 2028, o que manterá a alavancagem acima de 5 vezes em 2026 e 2027
ica Nacional (CSN) — Foto: Divulgação
A S&P National Ratings cortou a nota de crédito nacional da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de “brAA” para “brAA-”, estabelecendo perspectiva negativa, pela alavancagem persistentemente alta.
Os analistas Alexandre Galafazzi, Wendell Sacramoni e Marcelo Schwarz escrevem que as operações de siderurgia da CSN ainda estão sendo muito impactadas pelas importações chinesas, limitando efeitos de melhorias nos outros segmentos.
Os investimentos em expansão, especialmente na produção de minério de ferro, devem gerar resultados mais significativos apenas a partir de 2028, o que manterá a alavancagem da companhia acima de 5 vezes em 2026 e 2027.
Embora a CSN tenha anunciado um programa de desinvestimentos, o que vai contribuir para a melhora da sua estrutura de capital, ainda não é o cenário-base dos analistas, dadas as incertezas quanto ao cronograma e à execução dessas vendas.
A perspectiva negativa da nota reflete a possibilidade de um novo rebaixamento nos próximos 12 meses, caso os desinvestimentos anunciados não se materializem, e a companhia não apresente uma melhora operacional relevante.
No início da semana, a S&P Global Ratings também cortou a nota de crédito global da CSN de “BB-” para “B+”, mantendo a perspectiva negativa, citando riscos de execução e prazo para redução de alavancagem.
Valor - SP 23/01/2026
A produção de aço bruto do Japão em 2025 caiu para o menor nível desde 1969, recuando 4% em relação ao ano anterior, para 80,67 milhões de toneladas, segundo dados divulgados na quinta-feira pela Federação Japonesa de Ferro e Aço (JISF).
Com as exportações de aço da China permanecendo próximas de recordes históricos, um mercado em declínio está se tornando a norma. As principais siderúrgicas japonesas estão acelerando sua transição para mercados em crescimento, como a Índia e os Estados Unidos, para manter a produção em uma escala que lhes permita preservar sua força industrial.
A produção de aço bruto do Japão no ano passado ficou abaixo até mesmo do nível de 2020, quando a produção caiu 16% em relação ao ano anterior, para 83,18 milhões de toneladas, devido à pandemia de covid-19. Os Estados Unidos ultrapassaram o Japão na produção de aço bruto de janeiro a novembro de 2025, de acordo com a Associação Mundial do Aço.
A produção japonesa para o ano completo provavelmente fará com que o país caia para o quarto lugar, atrás da China, Índia e Estados Unidos. Isso marcaria a primeira vez que os Estados Unidos ultrapassariam o volume de produção japonês desde 1999.
A demanda por construção civil diminuiu devido a atrasos em projetos causados pela escassez de mão de obra, contribuindo para a estagnação da demanda por aço. A contínua contração nas vendas domésticas de automóveis novos também sustentou a menor demanda por aço, sendo a China outro fator importante.
Embora a produção de aço bruto da China esteja em tendência de queda, o declínio do setor imobiliário e a desaceleração econômica geral deixaram o país com aço barato originalmente destinado a usos como a construção civil. A China, em vez disso, exportou esse excedente, agravando as condições do mercado global.
A produção doméstica de aço bruto da China caiu 2,9%, para 746 milhões de toneladas, no período de janeiro a setembro de 2025, segundo uma associação do setor industrial chinês. A demanda interna de aço do país — indicada pelo consumo aparente de aço convertido em aço bruto — caiu 5,7%, para 649 milhões de toneladas, ampliando ainda mais a diferença entre oferta e demanda.
As exportações de aço da China para o período de janeiro a setembro de 2025 aumentaram 9,2% em relação ao ano anterior, atingindo 87,96 milhões de toneladas, segundo dados da JISF, o maior volume já registrado para esse período. Estatísticas preliminares de comércio divulgadas na quinta-feira mostram que as importações de aço da China para o Japão crescerão 1,5% em 2025, contribuindo para o aumento da oferta de aço barato.
O protecionismo se tornou mais disseminado globalmente, especialmente nos Estados Unidos. Desde aproximadamente 2024, mais países impuseram altas tarifas sobre o aço, em um esforço para impedir que a recessão do mercado provocada pela China afetasse seus mercados domésticos.
O Japão também foi impactado por medidas antidumping que bloquearam as importações de destinos como a Coreia do Sul e a União Europeia. Embora cerca de 40% dos produtos siderúrgicos do Japão sejam exportados, as estatísticas preliminares de comércio indicam que os embarques caíram 4,2%, para 30,08 milhões de toneladas em 2025, registrando o segundo ano consecutivo de queda.
"A indústria siderúrgica, com sua alta proporção de exportações, continuará enfrentando condições difíceis também em 2026", afirmou Tadashi Imai, presidente e diretor de operações da Nippon Steel. Diante da fraca demanda por aço tanto no mercado interno quanto nas exportações no ano passado, esse sentimento é compartilhado por muitos.
As principais siderúrgicas têm trabalhado para consolidar e otimizar suas instalações de produção nos últimos anos em resposta à situação. A Nippon Steel iniciou seus esforços de reestruturação por volta de 2020, reduzindo o número de seus altos-fornos de 15 para 10. A JFE Holdings suspendeu as operações em um alto-forno em 2023 e planeja interromper as operações em outro no ano fiscal de 2027.
Os principais players do setor não preveem crescimento no mercado interno e, portanto, estão buscando novas oportunidades no exterior.
A Nippon Steel adquiriu a U.S. Steel em 2025 e planeja fazer do mercado americano um pilar para o crescimento futuro. A empresa também está construindo uma nova siderúrgica na Índia, buscando atingir sua meta de produzir 100 milhões de toneladas de aço bruto anualmente em dez anos, expandindo sua capacidade produtiva para fora do Japão. Em 2024, a produção foi de 58 milhões de toneladas, incluindo a produção da U.S. Steel.
A JFE anunciou no mês passado que investirá 270 bilhões de ienes em uma subsidiária da grande siderúrgica indiana JSW Steel. A subsidiária opera um alto-forno, o que significa que o investimento proporcionou à JFE uma siderúrgica integrada que lhe permitirá suprir a demanda local de aço. A JFE também está avaliando a construção de um alto-forno adicional na Índia.
"Não conseguiremos manter ou desenvolver nossa tecnologia a menos que produzamos grandes quantidades de aço", disse Eiji Hashimoto, executivo-chefe (CEO) da Nippon Steel. "Escala é essencial."
O Dia - RJ 23/01/2026
Estado ocupa o segundo lugar no ranking nacional da siderurgia
O Rio de Janeiro produziu 8,9 milhões de toneladas de aço em 2025, registrando crescimento de 1,1% em relação a 2024, com participação de 26,8% da produção nacional, atrás apenas de Minas Gerais. Em dezembro, a produção fluminense alcançou 701 mil toneladas de aço bruto, um avanço expressivo de 18,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, respondendo por 27,4% do total produzido no Brasil, no período. Os dados são do Instituto Aço Brasil, que representa as empresas brasileiras produtoras de aço no país.
No cenário nacional, a produção brasileira de aço bruto somou 33,3 milhões de toneladas entre janeiro a dezembro de 2025, o que representa uma retração de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024. Em dezembro de 2025, foram produzidas 2,6 milhões de toneladas, resultado 1,9% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, segundo o Instituto Aço Brasil.
O Estado de S.Paulo - SP 23/01/2026
A história monetária do Brasil revela um padrão recorrente: sempre que a Selic dispara, a raiz do problema está na política fiscal. Não se trata de coincidência, mas de uma relação causal bem documentada. Ou seja, quando o governo sinaliza descontrole nos gastos ou fragiliza suas próprias regras orçamentárias, o mercado reage com fuga de capitais, desvalorização cambial e deterioração das expectativas de inflação. O Banco Central, então, é forçado a agir com juros mais altos — um remédio amargo, mas necessário para evitar o descontrole de preços.
Desde o Plano Real, o Brasil enfrentou diversas crises. Algumas vieram de fora, como a crise de 2008. Outras nasceram aqui, como o desarranjo econômico de 2014 a 2016. No entanto, os dois episódios em que o Banco Central elevou os juros com maior rapidez compartilham um mesmo gatilho: a ameaça à integridade fiscal.
Em 2002–2003, o risco de ruptura com os fundamentos macroeconômicos provocou fuga de capitais, disparada do câmbio e aumento do risco-país. A Selic subiu 5,36 pontos percentuais ao longo de 128 dias — uma velocidade média de 0,0418 ponto percentual por dia, o ciclo mais agressivo de alta dos últimos 25 anos. Em 2024–2025, o cenário se repetiu sob nova forma: o enfraquecimento do arcabouço fiscal, com revisão de metas e expansão de gastos sem compensação, deflagrou uma nova rodada de desconfiança. Em 231 dias, a Selic avançou 4,00 pontos percentuais, a uma velocidade de 0,0173 ponto percentual por dia — ritmo inferior ao de 2002, mas ainda elevado o suficiente para caracterizar um dos ciclos mais rápidos de alta desde o Plano Real, superando, por exemplo, o observado na crise fiscal de 2014–2016.
Mesmo em 2014, com forte deterioração fiscal e pedaladas contábeis, a resposta foi mais lenta. O desajuste era gradual, e o Banco Central, sob pressões políticas, adotou uma postura hesitante. Já em 2002 e 2024, a percepção de risco foi imediata — impondo a necessidade de ajustes mais fortes pelo Banco Central.
Isto posto, chama a atenção o fato de que, com exceção da pandemia de covid-19 — por motivos evidentes —, todos os ciclos de alta mais acentuados da taxa Selic nos últimos 25 anos foram motivados por desequilíbrios ou reações à desconfiança fiscal, e não em resposta a choques de inflacionários. Logo, por mais eficiente que possa ser a política monetária, ela não consegue ancorar sozinha uma economia que perde a expectativa de sua estabilidade fiscal.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/01/2026
Os esforços para ampliar o comércio global além dos EUA ficaram mais intensos em Davos, em meio à frustração palpável de muitos dos principais parceiros comerciais de Washington. O motivo é o uso de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como ferramenta de política externa.
As tarifas voltaram ao foco quando Trump ameaçou no último fim de semana novas tarifas sobre os aliados europeus que se opunham aos seus projetos sobre a Groenlândia. O presidente nos EUA recuou delas na quarta-feira, 22, após anunciar um arcabouço de acordo com a Otan sobre a ilha do Ártico.
“É a velocidade, a escala e o escopo da mudança que realmente está abalando o mundo”, disse o ministro das Finanças canadense, François-Philippe Champagne, durante um painel de discussão sobre tarifas na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.
O mundo após o tarifaço dos EUA
O Fórum está se reunindo em Davos pela primeira vez desde que Trump elevou no ano passado as tarifas dos EUA ao seu nível mais alto em quase um século, fazendo com que os países se esforçassem para compensar isso por meio de mais comércio entre si.
Trump, que afirma que suas políticas estão trazendo de volta os empregos para os Estados Unidos, estimulando trilhões de dólares em investimentos e impulsionando o crescimento, está sempre presente nos debates do Fórum sobre como moderar a exposição aos EUA. Segundo estudos, o país desempenhará um papel menor no comércio global do que no passado.
Champagne disse que os países estão diversificando suas relações comerciais e fazendo mais em nível regional para tornar suas economias mais resistentes aos choques da política comercial.
“Quando você conversa com os presidente-executivos hoje, o que eles querem? Estabilidade, previsibilidade e o estado de direito. Eu diria que isso está em falta”, disse ele, dias depois que o Canadá e a China fecharam um acordo para reduzir as tarifas sobre veículos elétricos e canola.
Logo em seguida, veio a assinatura de um acordo de livre comércio este mês entre a União Europeia e o Mercosul – o maior pacto comercial da UE se superar os obstáculos legais remanescentes.
A diversificação das cadeias de oferta e a redução da dependência excessiva são defendidas pela Organização Mundial do Comércio, com a diretora-geral, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmando que essas medidas ajudam a espalhar a criação de empregos e o crescimento para outros países.
“Isso ajuda a construir a resiliência global e nós o apoiamos muito”, disse ela à Reuters em Davos.
O Boston Consulting Group prevê que a participação dos EUA no comércio global de bens poderá cair de 12% para 9% na década até 2034, dando lugar a uma maior atividade econômica interna dos EUA.
“Trump está serrando o galho em que está sentado”, disse Dirk Jandura, chefe da associação de exportadores BGA da Alemanha esta semana, depois que dados mostraram que as exportações alemãs para os EUA caíram 9% nos primeiros 11 meses de 2025.
Volker Treier, chefe de comércio exterior das Câmaras Alemãs de Indústria e Comércio, disse que pesquisas mostraram que as tarifas sobre matérias-primas como aço e alumínio estão tornando mais caro para as empresas desenvolverem a capacidade industrial dos EUA.
A atividade manufatureira dos EUA contraiu pelo 10º mês consecutivo em dezembro, de acordo com uma pesquisa. “O mundo se tornou mais caro e, estruturalmente, ficará ainda mais caro”, disse Treier.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/01/2026
Os dados econômicos da China apontam para uma forte demanda externa, equilibrada por uma demanda interna contida em 2026, diz a Fitch Ratings, acrescentando que essa tendências deve reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país para 4,1%, em comparação com 5,0% em 2025.
“Acreditamos que a demanda interna permanecerá limitada pela confiança do consumidor lenta, pressões deflacionárias e ventos contrários ao investimento que se expandiram além da correção do setor imobiliário e são amplificados pelo excesso de dívida dos governos locais”, pontua a agência em relatório.
Assim, os esforços políticos para reacender o investimento e mudar para um maior consumo provavelmente se intensificarão, mas de forma incremental, proporcionando um suporte modesto à atividade econômica.
Embora o crescimento do PIB da China em 2025 tenha excedido a projeção anterior de 4,8% da Fitch, os dados subjacentes destacam o desafio de reviver a demanda interna. Várias medidas modestas foram anunciadas para impulsionar a demanda interna, que foi destacada como a principal prioridade econômica para 2026 na Conferência Central de Trabalho Econômico de dezembro, incluindo uma extensão do programa de troca e subsídios de taxa de juros em empréstimos pessoais.
A agência espera uma postura fiscal amplamente neutra, com um declínio modesto no déficit para 7,9% do PIB em 2026, de 8,4% no ano passado. No entanto, os gastos com infraestrutura do governo local desaceleraram acentuadamente no 4T25, sugerindo um déficit de 2025 menor do que a previsão.
Monitor Digital - RJ 23/01/2026
O índice de preços de consumo pessoal dos EUA, a estatística escolhida pelo Fed para monitorar a inflação, subiu 1/10 em novembro para 2,8% em relação ao ano anterior, conforme revelado nesta quinta-feira pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio.
A variável subjacente, que exclui de seu cálculo os preços dos alimentos e da energia devido à sua maior volatilidade, fechou o penúltimo mês de 2025 com um aumento de 2,8%, 1/10 a mais. Por outro lado, o valor dos alimentos cresceu 1,9% e a conta de energia ficou 4,1% mais cara.
Em taxas mensais, o índice geral de inflação registrou um avanço de 0,2% e o subjacente apresentou outra leitura de 0,2%, números idênticos aos do mês anterior em ambos os casos.
Para fazer face ao aumento dos preços, a Fed subiu as taxas de juros 11 vezes consecutivas a partir de março de 2022, embora tenha interrompido esse ciclo em julho de 2023, depois de as ter levado para o intervalo-alvo entre 5,25% e 5,5%.
Em sua reunião de 10 de dezembro, o Fed optou por reduzir o preço do dinheiro em 25 pontos-base, para 3,50% e 3,75%, assim como já havia feito em setembro e outubro, após manter a taxa de referência intacta durante cinco reuniões consecutivas. Além disso, ressaltou que a incerteza sobre as perspectivas econômicas continuava “alta”.
Agência Brasil - DF 23/01/2026
A arrecadação da União com impostos e outras receitas teve recorde em 2025, alcançando R$ 2,89 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal, junto aos resultados do mês de dezembro.
Em comparação com 2024, houve aumento anual real de 3,75%, ou seja, considerada a inflação em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Também é o melhor desempenho arrecadatório para os meses de dezembro. No último mês de 2025, a arrecadação alcançou R$ 292,72 bilhões, representando um acréscimo, corrigido pelo IPCA, de 7,46%.
Os dados sobre a arrecadação estão disponíveis no site da Receita Federal.
Os bons resultados da economia, além do aumento de impostos, são os principais fatores para a alta da arrecadação.
“São números bonitos, um crescimento importante, considerando o patamar alto do ano anterior [2024]”, destacou o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, durante a apresentação dos dados.
Os valores se referem a tributos federais, como Imposto de Renda (IR) de pessoas físicas e empresas, receita previdenciária, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Programa de Integração Social/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins), entre outros.
Arrecadação com royalties e depósitos judiciais, que não são apurados pela Receita Federal, também entram na conta.
Quanto às receitas administradas pelo órgão, o valor arrecadado em 2025 ficou em R$ 2,76 trilhões, representando acréscimo real de 4,27%.
Já no mês passado, a arrecadação da Receita Federal alcançou R$ 285,21 bilhões, alta real de 7,67%.
A base de comparação, entretanto, está influenciada por eventos não recorrentes ou alterações de legislação que ocorreram em 2024 sem contrapartida em 2025.
Em 2024, houve recolhimento extra de R$ 13 bilhões do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) - Rendimentos de Capital, referente à tributação de fundos exclusivos, o que não ocorreu em 2025.
A lei que muda o IR incidente sobre fundos de investimentos fechados e sobre a renda obtida no exterior por meio de offshores foi sancionada em dezembro de 2023.
Também houve uma arrecadação atípica do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), que incidem sobre o lucro das empresas. Em 2024, o recolhimento extra foi R$ 4 bilhões, enquanto no ano passado chegou a R$ 3 bilhões.
“Sem considerar os pagamentos atípicos, haveria um crescimento real de 4,82% na arrecadação do período de janeiro a dezembro de 2025”, informou a Receita Federal.
Destaques no ano
Os resultados foram influenciados positivamente, principalmente, pelas variáveis macroeconômicas, diante do comportamento da atividade produtiva, principalmente serviços. O setor teve um crescimento de 2,72% de dezembro de 2024 a novembro de 2025 (fator gerador da arrecadação do acumulado do ano).
A produção industrial subiu apenas 0,17% no período acumulado. Já o valor em dólar das importações, vinculado ao desempenho industrial, teve alta de 2,11% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Também houve crescimento de 10,9% da massa salarial no acumulado do período.
Apenas o setor de venda de bens teve um decréscimo de 0,16% no período.
A elevação do IOF influenciou o desempenho da arrecadação que somou R$ 86,48 bilhões de janeiro a dezembro de 2025, alta de 20,54% na comparação com o acumulado de 2024.
“Esse desempenho pode ser pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira, a crédito destinado a pessoas jurídicas e referentes a títulos ou valores mobiliários, sobretudo em decorrência de alterações legislativas”, cita a Receita.
Em junho do ano passado, o governo aumentou a cobrança em algumas operações de crédito, por meio do Decreto 12.499/2025. A medida foi derrubada posteriormente.
A arrecadação previdenciária teve aumento de 3,27%, chegando a R$ 737,57 bilhões, em razão, especialmente, do aumento da massa salarial.
A alta da arrecadação do PIS/Cofins em função também do desempenho das entidades financeiras e da taxação de serviços de apostas online (bets) em 2025 é outro destaque apontado pela Receita. Ela chegou a R$ 581,95 bilhões no ano passado, alta de 3,03% em relação a 2024.
Apenas a receita com as casas de apostas virtuais subiu mais de 10.000%, passando de R$ 91 milhões para quase R$ 10 bilhões no acumulado do ano.
Também houve crescimento da arrecadação dos tributos sobre comércio exterior, diante da alta das taxas de câmbio e do aumento das alíquotas médias desses tributos.
Em 2025, houve crescimento real de 9,49% da arrecadação desse item e de 12,91% sobre rendimentos de residentes no exterior.
Essa última rubrica é um agregado de arrecadação volátil e tem surpreendido positivamente este ano, com crescimento robusto calcado na arrecadação de royalties e rendimento de trabalho e também nos Juros sobre Capital Próprio (JCP) - forma de uma empresa dividir parte do lucro com os acionistas.
Apesar do recorde do ano, há uma desaceleração que reflete o desempenho, especialmente, do setor industrial e vendas de bens. A arrecadação com o IRPJ/CSLL, por exemplo, teve alta de apenas 1,27%, enquanto o IPI aumentou os mesmos 1,27%, diante da atividade industrial praticamente estável.
Grandes Construções - SP 23/01/2026
Elaborado pela ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), o Livro Azul da Infraestrutura 2025 apresenta um panorama detalhado sobre os investimentos e projetos no setor logístico e energético do Brasil.
Nesse sentido, o documento cataloga uma ampla gama de iniciativas federais e estaduais, abrangendo áreas como rodovias, ferrovias, aeroportos e saneamento básico.
Por meio de parcerias público-privadas e concessões, a publicação detalha estratégias para modernizar a rede de transportes e ampliar a eficiência dos serviços públicos em diversas regiões.
Além de listar projetos específicos, o material fornece ainda análises estatísticas e projeções financeiras que sustentam o planejamento econômico do país para os próximos anos.
Por fim, a obra destaca a importância da segurança jurídica e da sustentabilidade como pilares essenciais para atrair capital privado e promover o desenvolvimento nacional.
Investimentos
Em termos de investimentos, o relatório destaca um ciclo que, apesar das taxas elevadas de juros, vem batendo recordes sucessivos.
Após crescimentos expressivos em 2023 e 2024, projeta-se para 2025 um aumento de aproximadamente 3% nos investimentos totais, atingindo a marca histórica de R$ 280 bilhões.
Esse desempenho é sustentado predominantemente pelo setor privado, que detém cerca de 84% de participação nos aportes e deve crescer 6% em termos reais em 2025, compensando a queda de 11% prevista para o setor público.
Áreas
No entanto, os investimentos não foram uniformes entre as diferentes áreas.
Os principais destaques abrangem Saneamento Básico, que apresenta um crescimento real projetado de 35,7%, impulsionado pelo novo marco regulatório e pela expansão de investimentos das empresas.
Também em alta, Transporte e Logística têm previsão de expansão de 12,7%, enquanto Energia e Telecomunicações devem registrar reduções de 7,5% e 6,6%, respectivamente, devido às menores necessidades de investimento em gerações eólica/solar e demandas de mercado já atendidas.
O relatório aponta ainda que o hiato de investimentos caiu para 1,74% do PIB em 2025.
“Mas para zerar as lacunas, seria necessário mais do que triplicar os níveis atuais de investimento em logística e aumentar em 30% os aportes em saneamento, mantendo esse ritmo por uma década”, destaca o estudo.
Projeções 2026–2030
As perspectivas para os próximos cinco anos são promissoras, como mostra o paper, fundamentadas em uma carteira de 469 novos projetos de concessão e PPPs de origem federal, estadual e municipal.
Em volume financeiro, esses projetos envolvem cerca de R$ 760 bilhões em novos investimentos.
O montante está distribuído principalmente em Rodovias (R$ 209,5 bilhões), Ferrovias (R$ 183,3 bilhões), Mobilidade Urbana (R$ 174,6 bilhões) e Saneamento (R$ 81,1 bilhões).
Excluindo os projetos federais, a Região Sudeste lidera com R$ 270,7 bilhões em projetos em estruturação, seguida pelo Nordeste (R$ 75,9 bilhões) e Centro-Oeste (R$ 32,1 bilhões).
No setor de Transporte e Logística, a projeção média anual de investimentos privados é de R$ 49,2 bilhões até 2030.
Já em Saneamento, estima-se um total de R$ 144,3 bilhões no período de cinco anos, visando a universalização dos serviços.
“Após avançarem 19,4% em 2023 e 15,4% em 2024 em termos reais, os investimentos em infraestrutura crescerão aproximadamente 3% em 2025. Contudo, esse menor crescimento não deve ser interpretado como uma tendência estrutural de desaceleração”, aponta o relatório.
“A depender da quantidade de projetos de concessão/PPPs em estruturação, as perspectivas para 2026 em diante são promissoras, mas será preciso enfrentar desafios como as elevadas taxas de juros, a falta de estrutura administrativa das agências reguladoras e os impactos da reforma tributária”, acrescenta.
Para a ABDIB, é fundamental manter um bom ambiente de negócios, considerando, entre outros, a segurança jurídica, o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e a agenda legislativa da infraestrutura.
“É preciso combater os fantasmas de retrocessos regulatórios que, de tempos em tempos, assombram o setor. Por isso, faz-se necessário aumentar os investimentos públicos em infraestrutura, em complemento aos investimentos privados, seja através da aplicação direta, seja via PPPs, notadamente em projetos estruturantes e naqueles que, pela falta de retorno econômico, não atraem o capital privado", finaliza.
Diário do Comércio - MG 23/01/2026
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) em Minas Gerais somou R$ 3,6 bilhões em 2025, o segundo maior valor já registrado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), atrás somente de 2021. Na comparação com o ano imediatamente anterior, os royalties recolhidos no Estado aumentaram 7,6%.
No Brasil, foram arrecadados R$ 7,9 bilhões no ano passado, o que também representa a segunda maior marca. Em relação a 2024, o recolhimento nacional subiu 6,7%.
Pelo quarto ano consecutivo, Minas Gerais liderou a arrecadação da Cfem entre as unidades da Federação. O Pará, que ocupou o topo por três anos seguidos a partir de 2019, ocupou novamente a segunda posição, com R$ 3,1 bilhões de royalties recolhidos.
O recolhimento histórico no Estado foi impulsionado, principalmente, pelo minério de ferro. A receita cresceu 4,8% no confronto anual, para R$ 3,1 bilhões, valor que corresponde a 86,5% do total arrecadado.
Outro produto que contribuiu fortemente para o resultado foi o ouro. O metal respondeu por 7,5% da arrecadação mineira da Cfem, com avanço de 59,2%, para R$ 268,7 milhões.
O que explica o desempenho das duas substâncias
A consultora econômica da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), Luciana Mourão, explica que, no caso do minério de ferro, houve um aumento no volume exportado por Minas Gerais. No ano passado, os embarques somaram 183,7 milhões de toneladas, enquanto, em 2024, totalizaram 172 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Segundo ela, esse movimento de expansão ocorreu em um contexto de queda nos preços internacionais do minério de ferro, cujo impacto sobre a arrecadação foi parcialmente mitigado pela valorização do dólar. Nesse sentido, boletim econômico divulgado pela entidade aponta que a cotação média do produto com teor de 62% retraiu 7,6% entre um ano e outro, ao passo que a moeda norte-americana encerrou o ano com alta de 3,7%.
Em relação ao ouro, Luciana Mourão esclarece que houve crescimento simultâneo do volume exportado e do preço. A consultora destaca que isso aconteceu, porque, em tempos de incerteza global, o metal nobre funciona como um ativo de refúgio.
Ela afirma que a cotação média do ouro avançou quase 44% em 2025 na comparação com 2024. Já os embarques de ouro do Estado subiram de 30,9 mil toneladas para 38,5 mil toneladas, de acordo com os números do governo federal.
Luciana Mourão ressalta que a análise se apoia nos resultados do comércio exterior e nas condições de mercado, já que os números oficiais de produção ainda não foram publicados.
“Os dados disponíveis indicam que o aumento da arrecadação da Cfem em 2025 decorre da combinação entre maior volume de minério de ferro, efeito cambial positivo que amenizou a queda do preço do minério de ferro e oscilações de exportação e preço do ouro, permanecendo a confirmação definitiva condicionada à divulgação dos dados oficiais de produção pela ANM [Agência Nacional de Mineração]”, reitera.
“Cabe destacar que, ao final de janeiro, a Vale deverá divulgar os dados de produção referentes ao quarto trimestre de 2025, o que trará informações adicionais relevantes para a avaliação do desempenho da mineração no País”, salienta, dizendo que o desempenho da companhia será fundamental para qualificar a análise sobre o comportamento da arrecadação dos royalties, permitindo verificar, com maior precisão, a relação entre produção física, volume comercializado e efeitos de preço e câmbio observados em 2025.
Infomoney - SP 23/01/2026
Os índices de referência â dos contratos futuros de minério de ferro oscilaram nesta quinta-feira, conforme investidores pesavam os efeitos dos embarques robustos das mineradoras australianas contra o suporte da política monetária chinesa.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com pequena queda de 0,06%, a 786,5 iuanes (US$112,97) a tonelada.
O minério de ferro de referência de fevereiro na Bolsa de Cingapura subia 0,2%, a US$103,4 a tonelada.
A australiana Fortescue registrou um aumento de 2% nos embarques de minério de ferro no segundo trimestre, apoiado pelo desempenho resiliente do projeto Iron Bridge, juntamente com o crescimento na produção de suas operações de hematita.
A empresa manteve a previsão de embarques para o ano fiscal de 2025/26, com as exportações trimestrais de minério de â ferro permanecendo â em 50,5 milhões de toneladas.
Um aumento nos embarques de minério da Austrália para a China, principal mercado consumidor do produto, exerceria pressão de baixa sobre os preços locais do minério.
A China emitiu o primeiro lote de 93,6 bilhões de iuanes (US$13,44 bilhões) em títulos especiais do Tesouro de prazo ultralongo para apoiar a atualização de equipamentos neste ano, afirmou o planejador estatal local, o que provavelmente deve elevar o sentimento do mercado.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 23/01/2026
A LiuGong anuncia a ampliação da Série T com a incorporação da linha elétrica, reforçando a estratégia global de eletrificação com equipamentos que aliam robustez estrutural, alta produtividade e redução significativa de custos operacionais.
O movimento acompanha a transição energética no setor de máquinas pesadas e atende à demanda crescente por soluções de emissão zero, especialmente em operações urbanas, industriais e de mineração.
Resultado de um programa global de desenvolvimento iniciado em 2014, a LiuGong já comercializou mais de 6.500 equipamentos elétricos em todo o mundo. Até 2024, essas máquinas acumularam 1,1 bilhão de horas de operação, com uma redução estimada de 330 mil toneladas de CO2, um impacto ambiental equivalente ao plantio de aproximadamente 1,8 bilhão de árvores.
A engenharia elétrica dedicada inclui transmissão desenvolvida internamente pela LiuGong, com eficiência até 20% superior, e um sistema inteligente de recuperação de energia, capaz de reduzir o consumo total até 20%, especialmente em ciclos com frenagem frequente.
A arquitetura elétrica elimina o motor a combustão, reduz drasticamente o número de componentes sujeitos a desgaste e amplia os intervalos de manutenção, resultando em um custo total de manutenção significativamente menor em comparação a máquinas a diesel.
A Série T elétrica - conforme explica a empresa - adota a tecnologia MTB (Module to Bracket), que integra os módulos de bateria diretamente à estrutura da máquina. Essa solução aumenta a densidade energética volumétrica em mais de 40%, reduz o chicote elétrico em 93% e eleva em mais de 300% a resistência à vibração do conjunto.
As baterias utilizam a química LFP (fosfato de ferro-lítio), reconhecida pela alta estabilidade térmica e segurança, com vida útil estimada de 5 anos ou 10.000 horas e Sistema de Gerenciamento de Baterias (BMS) desenvolvido pela própria LiuGong, assegurando controle preciso, confiabilidade e desempenho.
Entre os destaques da nova fase da Série T está a pá carregadeira elétrica 838TE, desenvolvida sobre a mesma plataforma estrutural dos modelos convencionais da Série T.
O equipamento possui bateria de 193 kWh, potência nominal de 120 kW, carga operacional de 4.800 kg e caçamba de 2,7 m³, assegurando desempenho elevado mesmo em aplicações severas.
O modelo 838TE é compatível com os principais padrões globais de carregamento (GB/T) e pode ser carregado completamente em cerca de uma hora, utilizando estação de 160 kW, assegurando produtividade em jornadas intensivas.
InfraRoi - SP 23/01/2026
No cenário logístico global e brasileiro, modelos elétricos de empilhadeiras ganham mais espaço em centros de distribuição, portos e indústrias. Empresas do setor logístico estão cada vez mais alinhadas às estratégias ambientais, sociais e de governança (ESG), ao mesmo tempo em que buscam reduzir custos operacionais e dependência de combustíveis fósseis. Dados da Modor Intelligence confirmam a tendência: mercado global de empilhadeiras elétricas foi estimado em cerca de US$ 49,98 bilhões em 2025 e deve crescer até aproximadamente US$ 64,15 bilhões até 2030, com uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 5,1%.
Segundo Humberto Mello, diretor da Tria Empilhadeiras, marca de equipamentos para manuseio e transporte de cargas e baterias de lítio, o avanço das empilhadeiras elétricas representa um duplo ganho para o setor: “Por um lado, reduzimos significativamente as emissões de gases de efeito estufa e o impacto ambiental das operações; por outro, as empresas estão percebendo que esses equipamentos reduzem custos operacionais no curto a médio prazo”, afirma.
Menor custo de operação também é atrativo para empilhadeiras elétricas
Além de emissões zero durante a operação, onde cada empilhadeira elétrica à lítio pode evitar a emissão de, no mínimo, 21 toneladas de CO2 por ano em operações de dois ou três turnos, as máquinas oferecem economia relevante quando comparadas com os modelos a combustão. Conforme Mello, empilhadeiras elétricas podem reduzir os custos operacionais por hora em 50% a 75% em comparação com modelos a combustão interna, considerando despesas de energia e manutenção.
Essa redução de custos se reflete também em menor necessidade de intervenções mecânicas, já que os equipamentos elétricos têm menos peças móveis e exigem menos manutenção preventiva. A combinação de menor consumo de energia elétrica com a eliminação de despesas com trocas de óleo e filtros contribui para uma operação mais contínua e econômica ao longo do ano.
“A adoção massiva de empilhadeiras elétricas pode impulsionar a implementação de infraestrutura energética mais eficiente nos pátios e armazéns, com estações de recarga e baterias de íons de lítio que estendem a autonomia operacional. Essas tecnologias, além de atenderem às demandas de eficiência, ajudam as empresas a cumprir metas de sustentabilidade e atraem investimentos alinhados a critérios ESG mais exigentes”, finaliza o diretor da Tria.
Globo Online - RJ 23/01/2026
Após o anúncio do seu plano de reestruturação em dezembro, os Correios já colocaram em marcha algumas ações e devem iniciar em fevereiro duas etapas importantes do processo: a venda de imóveis e o programa de demissão voluntária (PDV).
Além disso, está em fase avançada de negociações uma parceria com empresa transportadora para a estatal também fazer entregas de produtos de linha branca (como geladeiras). A estratégia visa ampliar a geração de receitas e a mira é estar operacional até o fim do semestre, segundo O GLOBO apurou.
No caso da venda de imóveis, os primeiros certames ocorrerão em 12 de fevereiro e 26 do mesmo mês. No primeiro, serão vendidas 12 unidades e no segundo, nove. Essas alienações de ativos continuarão ocorrendo nos meses seguintes e a meta é que no total se consiga gerar uma arrecadação de R$ 1,5 bilhão até o fim do ano.
Programa de demissões
O Programa de Demissão Voluntária (PDV), que foi uma das principais exigências do ministério da Fazenda para viabilizar a garantia à operação de crédito de R$ 12 bilhões fechada no ano passado, está previsto para ser lançado ainda na primeira quinzena de fevereiro.
A meta é reduzir nesse ano em 10 mil o número de funcionários da estatal, que conta com um efetivo de 78 mil pessoas. O processo agora está na fase de refinamento do público-alvo para evitar que algumas áreas fiquem muito penalizadas.
Ao longo do mês de janeiro, a nova administração dos Correios tem buscado regularizar os passivos em atraso. Ao custo de R$ 5 bilhões, quase metade do valor captado por empréstimo, priorizou-se a regularização das pendências com seus empregados e fornecedores críticos, como as transportadoras, dentro da linha de buscar recuperar uma maior qualidade em sua operação.
O time liderado por Emmanoel Schimdt Rondon também regularizou pendências tributárias em janeiro, pagando R$ 600 milhões à Receita Federal e finalizando um acordo de parcelamento de R$ 2,1 bilhões em 60 meses com o Fisco.
Novo empréstimo
Paralelamente à implementação do plano, a estatal deve voltar nas próximas semanas à mesa com bancos para avaliar a possibilidade de uma nova rodada de empréstimo. Todo o processo de reestruturação considera a necessidade de R$ 20 bilhões em recursos a serem captados, faltando, portanto, R$ 8 bilhões.
Desse montante, uma parte poderá vir como aporte do próprio Tesouro Nacional, como o GLOBO mostrou no ano passado. Mas o montante dependerá do sucesso das negociações de uma nova tranche de crédito.
No contrato de crédito feito no ano passado, há uma cláusula que sinaliza que a União pode entrar com até R$ 6 bilhões em aportes. Esse valor, porém, pode ser menor conforme a evolução das negociações com o setor financeiro.
Dentro de uma estratégia de reposicionamento, além da possibilidade de entrar no segmento de produtos de linha branca, a estatal também está em tratativas para entrega de medicamentos refrigerados, mercado do qual está ausente e que pode ajudar a ampliar receitas.
Outro foco de negociações, que também está em curso, é no segmento de serviços financeiros. A inspiração é o modelo dos grandes marketplaces que têm suas instituições de pagamentos. Há uma discussão para que uma instituição de pagamento privado possa entrar em parceria com a estatal e operar, por exemplo, os recebíveis de cartão de crédito gerado pelas aquisições feitas no âmbito dos Correios.
A visão dentro da empresa é que a velocidade de implementação das medidas é crucial para o sucesso do plano, que transcende 2026 e que mira a possibilidade de venda de parte da empresa para um parceiro privado ou mesmo uma abertura de capital, nos moldes de empresas como Petrobras e Banco do Brasil.
Valor - SP 23/01/2026
Marca chinesa quer mergulhar no segmento e prevê, inclusive, concorrente para a Fiat Strada
Além de focar nos segmentos de SUVs, sedãs e hatchbacks compactos, a fabricante chinesa BYD quer ampliar sua presença no mercado brasileiro em outro importante nicho de mercado: o das picapes. Em entrevista exclusiva concedida à Autoesporte, o vice-presidente da marca no Brasil, Alexandre Baldy, confirmou que a companhia pretende investir pesado na categoria e deverá lançará uma série de novidades ao longo dos próximos anos. A expectativa é ir além da Shark e contar, no total, com até cinco picapes no Brasil.
“Nós criamos uma equipe dedicada para picapes. E esse trabalho é muito no sentido de que a gente possa desenvolver produtos que tenham maior adequação e viabilidade no mercado para ter sucesso”, afirmou o executivo. Hoje, a marca asiática atua no segmento somente com a Shark e tem amargado com vendas pouco expressivas no país.
A nova safra de veículos incluirá picapes de diferentes tamanhos e posicionamentos de mercado, sempre com foco em eletrificação. O presidente da marca no Brasil confirmou que um modelo de porte intermediário, já flagrado em testes e detalhado por Autoesporte, será o primeiro a ser lançado e que mais opções devem vir na sequência.
Entre as novidades planejadas, nossa reportagem aposta em uma picape pequena (com porte próximo ao da Fiat Strada), uma picape intermediária (citada logo acima), uma picape média (concorrente de Toyota Hilux e Ford Ranger) e uma picape de grande porte, além da Shark que já à venda no país. No total, a BYD pretende ter até 5 picapes em suas concessionárias.
Todas serão equipadas com motorizações híbridas plug-in ou elétricas. Questionado por Autoesporte sobre uma eventual oferta de versões equipadas com motor a diesel, levando em conta a preferência do consumidor brasileiro de picapes e a estratégia de marcas rivais, como a GWM, Baldy descartou a opção. “Seguimos focados na visão de que nossos carros híbridos plug-in e elétricos são o futuro do mercado”, justificou.
Até mesmo opções com sistemas híbridos leves (MHEV), plenos (HEV) ou com extensor de autonomia (REEV) foram excluídas dos planos da fabricante chinesa. Dessa forma, todas as novas picapes BYD serão sempre PHEV ou puramente elétricas.
Oferta de versões a diesel, tradicionais no segmento, foi descartada pela marca chinesa
De todas as picapes em desenvolvimento pela marca, o modelo intermediário será o primeiro a chegar ao mercado brasileiro. Recentemente vazada por meio de patentes registradas no país, a caminhonete será baseada na plataforma do Song Plus e terá a mesma construção do tipo monobloco do SUV, ou seja, seguirá a receita das rivais Fiat Toro, Ford Maverick e Ram Rampage.
Do ponto de vista do design, a ligação entre os dois modelos fica evidente, principalmente pelos vincos da estamparia nas portas. Para criar uma diferenciação, haverá para-choque próprio e grade formada por elementos exclusivos.
Outra informação importante, também antecipada por Autoesporte, diz respeito à montagem nacional da nova picape. A produção local é considerada pela essencial pela fabriacnte para o sucesso da “picape Song” e será concentrada na fábrica de Camaçari, na Bahia. A expectativa é que o lançamento oficial aconteça ainda em 2026, revelou o presidente da BYD no país.
Um degrau abaixo, neste caso no segmento de entrada, nossa reportagem aposta em uma picape compacta como resposta da marca ao sucesso da Fiat Strada. Não por acaso, o modelo da Stellantis vem sendo fortemente estudado pela rival e já teve até unidades enviadas à China para testes internos.
A exemplo da Shark e da picape monobloco que brigará com a Fiat Toro, a nova caminhonete será híbrida plug-in. A base do conjunto será o motor 1.5 DM-i, um aspirado de quatro-cilindros e 16V de ciclo Atkinson usado no Song Pro, Song Plus e King.
Primeiro a chegar será um modelo intermediário, para concorrer com a Fiat Toro
Já sobre a produção, tudo indica que será nacional e concentrada também na fábrica de Camaçari (BA). Para ter o volume de vendas desejado pela marca, a montagem nacional é considerada indispensável, com reflexos diretos na logística e no abastecimento das concessionárias espalhadas pelo país.
Outras duas possibilidades são uma picape média e outra de grande porte. A primeira seria posicionada como alternativa à própria Shark da BYD, mas pensada mais ao gosto do consumidor brasileiro, rivalizando diretamente com Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10 e companhia. Por fim, a segunda seria bem maior e mais próxima de modelos como Ram 1500, Ford F-150 e Chevrolet Silverado.
As novas picapes da fabricante chinesa, além de diversos outros veículos em desenvolvimento, chegarão ao mercado brasileiro para dar suporte aos ambiciosos planos de crescimento da BYD. A companhia já declarou que planeja se tornar uma das três maiores montadoras instaladas no Brasil até 2028, emplacando anualmente cerca de 350 mil veículos.
Para tanto, precisa de veículos competitivos e de alto volume de vendas, além da estrutura produtiva da fábrica de Camaçari, que opera atualmente em regime de SKD. Na unidade, a marca diz que planeja montar oito diferentes carros. Hoje, monta os modelos Dolphin Mini, Song Pro e King.
Globo Online - RJ 23/01/2026
A Eslováquia, país de 5,4 milhões de habitantes no centro da Europa, tornou-se um dos principais polos da indústria automobilística do continente. Com produção anual próxima de um milhão de veículos, o país lidera o ranking mundial de carros fabricados por habitante, superando economias muito maiores.
Um dos símbolos desse modelo é a fábrica europeia da Kia, localizada nos arredores da cidade de Žilina, no norte do país. Considerada a principal base de produção da montadora na Europa, a unidade recebeu investimentos de cerca de € 2,5 bilhões e emprega aproximadamente 3.700 trabalhadores. Ao todo, 690 robôs atuam na soldagem das carrocerias, que depois passam por uma linha de montagem majoritariamente operada por funcionários locais. Um veículo sai da fábrica a cada minuto.
A Kia é apenas uma entre várias montadoras globais instaladas no país. A Volkswagen mantém operações que produzem modelos das marcas VW e Å koda. A Stellantis também fabrica veículos na Eslováquia, assim como a Jaguar Land Rover. Já a Volvo anunciou a inauguração de uma fábrica de carros elétricos no país em 2027.
Custos menores e alta produtividade
O avanço do setor começou após a Revolução de Veludo, em 1989, que marcou o fim do regime comunista na então Tchecoslováquia. Nos anos seguintes, montadoras ocidentais passaram a investir na região, atraídas principalmente pelo baixo custo da mão de obra e pela tradição industrial local.
Segundo o consultor automotivo Peter Prokop, diretor da Give Management Consulting, no início dos anos 1990 os custos trabalhistas na Eslováquia representavam cerca de 20% dos registrados na Alemanha. Hoje, os salários equivalem a aproximadamente 60% dos níveis da Europa Ocidental, mas com produtividade considerada elevada, o que mantém o país competitivo.
Na fábrica da Kia, o salário médio mensal é de € 2.400, valor bem acima da média nacional eslovaca, que era de € 1.403 em 2023, embora ainda abaixo da média da União Europeia, de € 3.417.
Mercado, logística e energia
Grande parte da produção da Kia na Eslováquia é destinada ao Reino Unido, atualmente o maior mercado da montadora no continente. Espanha, Itália e Alemanha aparecem na sequência. A localização central do país facilita o acesso a esses mercados, reduzindo custos logísticos.
Outro fator estratégico é a matriz energética eslovaca, com forte participação de fontes de baixo carbono, como hidrelétricas e usinas nucleares. Isso permite que veículos elétricos produzidos no país se enquadrem em programas de incentivo à compra em outros mercados europeus.
Além disso, a indústria automobilística local é sustentada por uma ampla rede de fornecedores: cerca de 360 empresas atuam direta ou indiretamente no setor, fortalecendo a cadeia produtiva.
Impacto econômico e formação de mão de obra
O governo eslovaco concede incentivos fiscais às montadoras, justificando os benefícios econômicos gerados. No caso da Kia, a empresa recebeu um crédito fiscal de € 29 milhões para adaptar suas linhas de produção a veículos elétricos, dentro de um investimento total de € 108 milhões.
Segundo o prefeito de Žilina, Peter Fiabane, a presença da montadora reduziu significativamente o desemprego e impulsionou a economia regional. Estima-se que mais de 20 mil pessoas trabalhem direta ou indiretamente em atividades ligadas à Kia na região.
Valor - SP 23/01/2026
Montadora vai manter ritmo de produção em SC, apesar de maior abertura à importação
A assinatura do acordo UE-Mercosul não traz, para a direção da BMW do Brasil, a perspectiva de intensificar a importação de carros produzidos na Alemanha, substituindo a produção local, na fábrica de Araquari (SC), de onde saíram 62% dos veículos da marca vendidos em 2025.
Segundo Maru Escobedo, presidente da BMW do Brasil, a direção da empresa sequer começou a pensar nessa possibilidade dado o longo tempo que o acordo levou para ser assinado e mais o tempo previsto para a liberação de imposto para carros.
O tratado de livre comércio entre União Europeia e Mercosul prevê o fim da alíquota de 35% nos carros importados dos países europeus. Mas a redução gradativa do imposto só começa daqui a sete anos. A isenção total só começará a valer 15 anos depois da sanção dos parlamentos de todos os países envolvidos.
“O acordo talvez nos ajudaria nas peças que trazemos para produzir aqui. Com isso, talvez pudéssemos produzir mais. O acordo também prevê alguns benefícios para veículos elétricos, mas isso só daqui a sete anos”, destaca Escobedo.
Não é, no entanto, apenas a longa agenda de um acordo que levou 25 anos só para ser assinado que leva Escobedo a cogitar mudar a estratégia da montadora no Brasil.
A BMW decidiu construir uma fábrica em Araquari depois que, em 2012, o governo brasileiro elevou o IPI dos carros importados fora do Mercosul e México em 30 pontos percentuais como forma de estimular as montadoras a produzir no país.
Inaugurada em 2014, a fábrica brasileira da BMW transformou-se na principal fonte de fornecimento dos veículos da marca vendidos no país. Quatro modelos são produzidos na unidade.
O mais recente, o X5, é o primeiro híbrido plug-in produzido no Brasil. O carro que tem um motor a combustão, outro elétrico e ainda pode ser carregado em tomadas, começou a ser produzido há pouco mais de um ano como parte do investimento de R$ 1,1 bilhão anunciado pela montadora alemã. A modernização de processos completa a fase final desse plano, que terminará em 2028.
Hoje, além do híbrido plug-in, em Araquari são produzidos carros a combustão a gasolina e também com motor flex, que pode ser abastecido com etanol. A variedade de opções é, segundo Escobedo, o maior atrativo da fábrica, que tem flexibilidade, ainda, para outras variações, como carros 100% elétricos.
“Temos os mesmos modelos da Alemanha. Podemos fazer aqui tudo o que o mercado precisa”, destaca a executiva mexicana, que em janeiro de 2023 tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO da BMW no Brasil.
Os carros produzidos em Santa Catarina têm entre 40% e 60% de conteúdo nacional. Por isso, a montadora não tem, também, interesse na produção de veículos semimontados. A partir de fevereiro, termina o prazo de seis meses fixado pelo governo para trazer carros semidesmontados livres do Imposto de Importação. Esse sistema é usado na fábrica da BYD na Bahia.
“Não contamos com esse tipo de incentivo porque já aproveitamos os benefícios que recebemos por produzir aqui”, destaca a executiva.
Escobedo diz que a chegada de mais marcas de luxo chinesas não ameaça a liderança da BMW, que voltou a fechar 2025 no primeiro lugar no segmento premium, com crescimento de vendas de 4,1% na comparação com 2024. As vendas da marca Mini, que pertence ao grupo, aumentaram 3,4%. “Concorrência ajuda a puxar o mercado para um novo patamar”, afirma.
Segundo a executiva, exportar poderá algum dia entrar nos planos da operação industrial da BMW no país. “Poderíamos exportar, mas não está nada programado. Por enquanto, vamos produzir para o Brasil.”
No momento, o que entusiasma a executiva é o lançamento do M135, um hatchback esportivo importado que será lançado no primeiro trimestre. “Gosto deste país porque os consumidores gostam de potência”, diz.
Exame - SP 23/01/2026
O aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, está prestes a se tornar um polo da mobilidade aérea urbana no Brasil. A concessionária PAX Aeroportos firmou uma parceria com a UrbanV, empresa internacional especializada na implantação e operação de vertiportos, para desenvolver a infraestrutura necessária à operação de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, os chamados eVTOLs, ou “carros voadores”.
O acordo prevê a instalação dos primeiros vertiportos urbanos do país no Campo de Marte e no aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A iniciativa integra o sandbox regulatório conduzido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que busca definir normas e procedimentos para o novo modal.
Para o CEO da PAX, Rogério Augusto Prado, a parceria com a UrbanV posiciona os dois aeroportos como futuros hubs de Mobilidade Aérea Avançada (AAM) no Brasil. “Estamos construindo as bases para futuras redes de mobilidade aérea no Brasil, a partir de aeroportos que já desempenham papel central na aviação urbana”, disse.
Com localização estratégica e estrutura dedicada à aviação executiva, o Campo de Marte deve oferecer conexões com Congonhas, Guarulhos, Faria Lima, Alphaville, Campinas e Baixada Santista. A concessão à PAX Aeroportos, iniciada em 2023, prevê obras de infraestrutura — já em fase final — para permitir operações noturnas.
Quem ganha é o mercado imobiliário
A nova função do Campo de Marte pode ter efeito direto sobre o mercado imobiliário da Zona Norte. Claudio Carvalho, sócio da incorporadora AW Realty, afirma que a implantação do vertiporto deve fomentar ainda mais o setor.
“Se ocorrer de fato, a operação de eVTOLs possibilitará conexão com outros aeroportos e com a Faria Lima. A Zona Norte vem passando por avanços importantes, como a revitalização da Braz Leme [uma das principais avenidas da região]. Há demanda por mais infraestrutura e o vertiporto acelera esse processo”, diz.
A região já conta com novos empreendimentos residenciais e comerciais. A AW Realty iniciou as vendas do Union Braz Leme, projeto com VGV (valor geral de vendas) de R$ 130 milhões, em parceria com a Nord Inc. O metro quadrado será vendido por R$ 16 mil em um empreendimento que inclui apartamentos, escritórios e lojas. Com arquitetura do escritório Athié Wohnrath, o projeto oferece vista de 360 graus a partir do rooftop, com destaque para o próprio Campo de Marte.
“A partir do acordo entre a concessionária PAX Aeroportos e a UrbanV para a instalação do vertiporto no Campo de Marte, a demanda potencial por imóveis de alto padrão na Zona Norte, principalmente nas proximidades do aeroporto, tende a crescer ainda mais”, opina Claudio.
Segundo ele, há também procura por unidades compactas na região, com um ou dois dormitórios e áreas entre 35 e 63 metros quadrados.
Em 2025, a companhia ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão em lançamentos. Para 2026, a expectativa é crescer 20%, com atuação também nas zonas Sul e Oeste de São Paulo.
A PAX destaca que o Campo de Marte deve se tornar referência em infraestrutura para operações de mobilidade aérea urbana no país. A empresa ressalta, porém, que não tem ligação com o Parque Campo de Marte — projeto municipal localizado fora da área sob concessão aeroportuária.
Um novo parque para a Zona Norte
A área também passará por uma transformação urbana de grande escala, com a implantação do Parque Municipal Campo de Marte. O parque ocupará cerca de 406 mil metros quadrados, equivalentes a 20% do terreno total, sob responsabilidade do município. Os outros 80% seguem sob domínio da União e abrigam o aeroporto.
A concessão foi assinada em janeiro de 2025 pelo prefeito Ricardo Nunes com o Consórcio Cântaro SP, que ficará responsável pela implantação e operação do espaço por 35 anos.
Claudio Carvalho, sócio da AW Realty e morador da Zona Norte, descreve o projeto como um divisor de águas para a região. “Serão 400 mil metros quadrados de parque. É um projeto bem conceituado, muito parecido com o modelo do Ibirapuera”, afirma.
Para ele, trata-se de um parque essencialmente público. O projeto prevê bares e restaurantes internos, centros esportivos, áreas de lazer e uma nova relação urbana com a Braz Leme. “Aquele muro vai embora. Vai ficar só uma grade, para que as pessoas consigam ver o parque e o movimento”, diz.
A proposta inclui ainda a abertura de uma via interna ligando a Braz Leme à Olavo Fontoura, além de bolsões de descanso ao longo da avenida, com bancos e áreas de permanência voltadas ao lazer e à observação da operação aérea.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, o investimento estimado é de R$ 202 milhões, sem uso de recursos públicos. O projeto prevê centros esportivos para futebol e modalidades olímpicas, área de apoio ao Carnaval e empreendimentos associados, como lojas, centro gastronômico, coworking, academia e rooftop aberto ao público.
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Do total da área, 60% — cerca de 267 mil metros quadrados — serão destinados à preservação da vegetação e a atividades ao ar livre. A concessão exige ainda a oferta de atividades gratuitas para diferentes faixas etárias.
As obras serão entregues em duas fases: a primeira, até 18 meses após a ordem de início, com os centros de convivência e área de apoio ao Carnaval; a segunda, com a conclusão total do parque, até 48 meses após o início das obras.
Para Carvalho, a combinação entre parque, aeroporto modernizado e novos projetos imobiliários cria um ciclo virtuoso. “Isso tudo está documentado, com investimento e prazo definidos. Somado às outras obras da região, garante a valorização da Zona Norte”, afirma.
"A ideia de transformar o Campo de Marte, no entanto, não é nova: remonta a pelo menos os anos 1990."Em 2017, o então prefeito João Doria chegou a firmar um acordo com Michel Temer, então presidente da República, para o parque e um museu aeroespacial, mas o projeto parou em estudos de viabilidade inviáveis em 2018.
O primeiro aeroporto de São Paulo
A história do Campo de Marte começa em 1906, quando a área passou a ser utilizada pela Força Pública do Estado de São Paulo para treinamentos militares. O nome veio dos instrutores franceses contratados para treinar os soldados paulistas, que chamavam a região de Champs de Mars — referência a campos militares europeus. A tradução literal, Campo de Marte, permanece até hoje.
Em 1920, o local tornou-se o primeiro aeródromo da cidade, com a instalação de uma pista de treinamento para pilotos da Força Pública. A partir dali, consolidou-se como um dos principais polos da aviação militar e civil paulista ao longo do século 20.
A criação do parque urbano no local é resultado de uma longa disputa judicial entre a Prefeitura de São Paulo e a União pela posse de uma área de aproximadamente 2 milhões de metros quadrados — conflito que remonta à Revolução Constitucionalista de 1932.
Após 64 anos de disputa na Justiça, um acordo entre os governos permitiu, segundo a Prefeitura, uma economia anual de R$ 3 bilhões aos cofres municipais. O terreno foi dividido entre 1,7 milhão de metros quadrados sob domínio federal — onde continua operando o aeroporto — e 405 mil metros quadrados destinados ao município, onde será implantado o parque.
A Tribuna - SP 23/01/2026
A Área Continental de São Vicente, no litoral de São Paulo, aguarda a conclusão da terceira fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que ligará a Estação Barreiros ao Samaritá e promete transformar a mobilidade urbana na cidade da Baixada Santista. Serão beneficiadas cerca de 150 mil pessoas.
Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), responsável pelas obras de recuperação dos trechos ferroviário e viário, ciclovia e passarela de pedestres da Ponte A Tribuna, o escopo do contrato contempla recuperação da mesoestrutura (parte intermediária) da ponte ferroviária, execução dos blocos da ciclovia e passarela de pedestres e da fundação dos muros de contenção no lado Barreiros.
“Os trabalhos contam com um efetivo de 220 empregados em média, por dia, em execução contínua, com avanço dos serviços em 72%”, afirma a empresa, em nota. As obras, sob gestão da companhia, têm investimento total de R$ 222 milhões.
O prefeito Kayo Amado (Pode) afirma que o prazo para início da operação segue valendo: segundo semestre de 2028. “O VLT para a Área Continental é uma prioridade desde que a gente assumiu a Prefeitura. Fui atrás do Governo Estadual para deixar claro que, se havia uma prioridade para o Município, era a extensão dessa linha. Coloquei engenheiros para tratar disso e, hoje, a gente consegue ver uma obra saindo sem grandes problemas”, explica.
A terceira fase do VLT prevê a extensão à Área Continental com 7,5 quilômetros de trecho ferroviário. A região ganhará quatro estações: Ponte Nova, Quarentenário, Rio Branco e Samaritá. “As obras ocorrem durante a madrugada e têm evoluído com muita intensidade. Esse vai ser um ano estratégico”, reforça Amado.
Desvio
O prefeito explica que será feito um desvio da parte rodoviária: os carros vão passar por cima do tablado onde, no futuro, serão instalados trilhos. “A ponte será macaqueada (erguida) para ficar no mesmo nível dos trilhos. Esse vai ser um ano no qual as pessoas vão sentir realmente a intervenção da obra. A ponte vai ter todo um reforço estrutural muito maior para que o VLT possa passar.”
O prefeito vicentino acredita que, no primeiro semestre deste ano, serão fechadas as contratações para tirar as quatro estações do papel. “Existe uma questão, se vai ser por uma obra pública ou privada inserida dentro do contrato de concessão. É uma decisão de projeto.”
Ciclovia
Kayo Amado reforça a importância da celeridade nas obras e, especialmente, na execução da ciclovia. “Desejamos que ela pudesse ser feita como parte do primeiro dia do cronograma de obras. Com isso, a gente conseguiria dar uma segurança viária para muitos ciclistas, trabalhadores, estudantes, que se deslocam ali, por toda a Área Continental até o Centro da Cidade.”
Valor - SP 23/01/2026
Foram qualificados um projeto no porto de Itaqui (MA), um no Porto de Suape (PE), dois no Porto de Imbituba (SC), um no Porto de Rio Grande (RS) e um no Porto de Fortaleza (CE)
O conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) aprovou, em caráter ad referendum, a qualificação de empreendimentos portuários públicos federais. O despacho, de dezembro, foi publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (22).
Foram qualificados seis projetos, sendo um terminal no porto de Itaqui (MA), um no Porto de Suape (PE), cujo leilão está previsto para este ano, dois no Porto de Imbituba (SC), um no Porto de Rio Grande (RS) e um no Porto de Fortaleza (CE). Os terminais são destinados à movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais, granéis sólidos minerais, veículos, e granéis líquidos.
A decisão faz parte do processo para realização de arrendamento dos portos com consultas públicas. Com a medida, o governo pode iniciar estudos para os certames, definir as cargas, o tamanho da área e os investimentos necessários. Após essa fase, os documentos seguem para o Tribunal de Contas da União (TCU).
O despacho determina que as dimensões das áreas têm caráter referencial e poderão ser atualizadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos, conforme os resultados dos levantamentos topográficos e demais estudos técnicos.
O Conselho do PPI também publicou despacho nesta quinta-feira com sinalização favorável à deliberação do presidente da República para qualificação de empreendimentos públicos do setor ferroviário, distribuídos em polos de carga ao longo da Ferrovia Norte-Sul e arrendados pela Infra S.A.. Ao todo, são cinco terminais no Tocantins.
O despacho prevê ainda que a Infra S.A. deverá submeter ao Ministério dos Transportes os estudos técnicos referentes à modelagem da licitação e, quando houver, à proposta de prorrogação dos contratos, acompanhada da justificativa de vantajosidade para cada empreendimento.
Exame - SP 23/01/2026
Mais cargas em menos viagens — e com menos emissões: essa é a premissa da Rumo, gigante do transporte ferroviário. A companhia atua há 10 anos e já chega a mais de 14 mil quilômetros de ferrovias ao longo de nove estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Tocantins. Hoje, a empresa é uma das principais responsáveis pelo transporte pesado ligado ao agronegócio, com mais de 1.400 locomotivas e 35 mil vagões.
No lado ambiental, a principal meta da Rumo é reduzir suas emissões específicas em 21%, valor que deve ser alcançado até 2030, com base nos dados de 2020. Até o momento, a queda acumulada já soma 12%, mas o histórico desde a criação da empresa, em 2015, chega próximo aos 30% de redução nas emissões.
A estratégia, de acordo com Natalia Marcassa, vice-presidente de Regulatório, Institucional e Comunicação da Rumo, passa por duas frentes principais: aumentar o volume transportado em cada viagem, reduzindo a quantidade de composições necessárias, e aprimorar a eficiência energética a partir de tecnologias de ponta.
A vantagem da ferrovia
Uma única viagem com a Rumo é equivalente a tirar 258 caminhões da rodovia. E os números mostram por que isso importa: responsável por cerca de 20% do transporte pesado no Brasil hoje, o modal ferroviário emite quase 8 vezes menos do que o rodoviário — que corresponde a quase 65% do mercado e a cerca de 90% das emissões do setor.
O impacto é significativo. O setor de transportes é responsável por cerca de 11% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, próxima da casa de 260 milhões de toneladas de CO2 ao ano, segundo dados da Coalizão para a Descarbonização dos Transportes.
Para Marcassa, a descarbonização está no DNA da Rumo por uma razão muito prática: competitividade. O combustível representa 40% da composição de custos da operação, o que significa que qualquer ganho em eficiência energética se traduz diretamente em economia e maior competitividade no mercado.
Trens maiores, muito mais tecnologia
A companhia investiu para aumentar a quantidade de material transportado em cada composição. Há alguns anos, um trem médio da Rumo tinha 80 vagões. Hoje, chega a 135 vagões — e para alcançar isso, foi necessário muito mais do que simplesmente adicionar mais cargas aos trilhos.
"Podem até achar que a ferrovia é uma indústria antiga, mas para rodar com a eficiência e volumetria que a gente anda hoje, é muita tecnologia envolvida", explica Marcassa.
"Uma coisa era a ferrovia de 150 anos atrás, que competia com uma mula. Hoje a gente compete com caminhão na autoestrada."
Cada composição da Rumo conta atualmente com mais de 130 sistemas embarcados que monitoram, em tempo real, onde há perda de eficiência energética, onde os ativos estão sendo exigidos além do necessário e como otimizar o consumo de combustível.
Muito disso é pura física aplicada à logística. O trecho entre o interior e o porto de Santos, por exemplo, é acidentado, com rampas e curvas acentuadas. Para lidar com essa geografia desafiadora, a Rumo distribui locomotivas estrategicamente no começo, no meio e no final dos trens, equilibrando as forças de acordo com o peso por eixo, o centro de gravidade e o relevo do terreno.
Essa distribuição complexa de forças é gerenciada por um sistema chamado Trip Optimizer, que opera de forma semiautônoma. "Seria humanamente impossível para um maquinista fazer isso. Com a tecnologia, conseguimos rodar até 70% da rota de maneira autônoma", diz Marcassa. "Os maiores pontos em que usamos a condução humana são na arrancada e na frenagem. No 'voo de cruzeiro', quando a direção se estabiliza, é quase 100% automático, o que economiza muito combustível."
Além disso, a empresa desenvolveu ligas de materiais mais leves para as locomotivas e vem aprimorando as tecnologias ao longo dos anos para ganhar eficiência em cada etapa da operação.
Locomotiva híbrida: o próximo passo
A Rumo acaba de acessar um financiamento de R$ 350 milhões do BNDES, via Fundo Clima, para adquirir seis locomotivas híbridas e pelo menos 160 vagões-tanque. O projeto tem como objetivo expandir a logística de cargas de biocombustíveis, com destaque para o etanol de milho, no Centro-Oeste, ampliando a capacidade de transporte em 928 mil m³ por ano — 32% a mais em relação ao volume de biocombustíveis transportado em 2024.
As locomotivas híbridas combinam motor a combustão interna (diesel) e motor elétrico alimentado por baterias, permitindo diferentes modos de operação com maior eficiência energética. O motor de combustão atua em regimes ótimos para gerar eletricidade ou fornecer tração direta, enquanto o sistema elétrico complementa a potência, reduz picos de consumo e armazena energia recuperada por frenagem regenerativa.
Com a tecnologia híbrida e a substituição do modal rodoviário pelo ferroviário, o projeto estima a redução de 62,3 mil toneladas de CO2 por ano. "A adoção de tração híbrida representa a alternativa tecnológica mais viável de descarbonização da matriz ferroviária no curto e médio prazo por ter menor custo de implementação e menor dependência de obras civis complexas", afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, em nota.
Para Marcassa, a inovação é essencial para avançar na descarbonização, mas esbarra em um problema estrutural: financiamento. "Como tudo na vida, é dinheiro e financiamento. Desenvolvimento tecnológico depende de maturação, de tempo, e o payback não é imediato", explica. "Ter linhas próprias para isso, com permissão para errar e apetite para inovar, é muito importante."
Ela compara o processo de inovação a um "tiro de espingarda": algumas iniciativas funcionam, outras não, mas todas custam. A Rumo investe cerca de R$ 6 bilhões por ano. Como comparação da dimensão do desafio, o Fundo Clima inteiro investe cerca de R$ 11 bilhões anuais para investir em todos os projetos.
Impactos além do carbono
A operação da Rumo também gera impactos ambientais que vão além das emissões de CO2. Com malha férrea passando por cerca de 500 municípios, a empresa precisa lidar com uma série de questões territoriais em suas licenças de instalação.
Entre os principais desafios estão a gestão de ruídos — já que os trens são naturalmente barulhentos —, o impacto na fauna local, o uso racional de água com estações de tratamento, e a gestão rigorosa de resíduos gerados nas obras e na operação, que envolvem concreto e aço em grande escala.
No Mato Grosso, onde a empresa está construindo uma nova ferrovia do zero, as medidas compensatórias são robustas. O primeiro trecho conta com viadutos vegetados para que animais possam atravessar por cima da linha férrea, além de mais de 2 mil passagens subterrâneas para a fauna noturna, reduzindo tanto o risco de atropelamentos quanto o impacto na migração dos animais.
No terminal de Rondonópolis, a Rumo conseguiu atingir a marca de 99% de resíduos coprocessados, chegando ao aterro zero — um feito significativo para uma obra de grande porte. "Desafio que pra colocar de pé não é pouca coisa", diz Marcassa.
A companhia também tem captado recursos no mercado de capitais com compromissos ambientais atrelados. "Temos captado muito green bond, com metas vinculadas. Se não cumprirmos as metas, a taxa de juros sobe. Então estamos trabalhando também para acessar o mercado de capitais no Brasil e fora, sempre com essas metas atreladas", afirma.
Transportar mais, emitir menos
A aposta em sustentabilidade não é apenas uma questão ambiental, mas de competitividade e crescimento. "Temos certeza de que a melhor maneira de ter eficiência e entregar um produto melhor para o cliente é olhar para essas novas tecnologias de diminuição de emissão e consumo. No fundo, isso gera preço melhor e traz competitividade", diz Marcassa.
Os números da operação comprovam a estratégia: em 2020, a Rumo transportou 50 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil). No ano passado, esse volume saltou para 84 bilhões de TKU. Ou seja, a empresa está transportando significativamente mais carga e, ao mesmo tempo, reduzindo suas emissões específicas.
Entre as próximas metas da companhia está a ampliação da Malha Paulista, ferrovia centenária que corta o estado de São Paulo. O objetivo é quase dobrar a capacidade de transporte, saindo de cerca de 40 milhões de TKU em 2020 para 70 milhões em 2032. Para isso, a Rumo está investindo em duplicação de vias, ampliação de pátios de segregação e eliminação de passagens em nível — aqueles cruzamentos onde a ferrovia intercepta ruas e avenidas.
"Como a malha é antiga, tem muitas passagens em nível. Eliminar esses conflitos urbanos traz melhoria na fluidez, diminui acidentes e reduz emissões de carbono porque o trem passa de forma mais fluida", explica a executiva.
Ferrovia como motor da descarbonização
Para Marcassa, o papel da ferrovia no Brasil vai muito além da operação individual da Rumo. "Podemos adicionar a tecnologia que for para reduzir emissões específicas dos caminhões, mas o que realmente pode fazer a diferença é tirar o transporte da rodovia e colocar na ferrovia. Ter mais quilômetros de trilhos, esse é o caminho real para o tipo de carga que a gente transporta: grãos, farelo de soja, commodities agrícolas e minério", defende.
A executiva ressalta que o agronegócio brasileiro — setor que a Rumo atende diretamente — é altamente competitivo da porteira para dentro, mas perde eficiência da porteira para fora. "São cadeias em que o Brasil faz barba, cabelo e bigode lá fora. Para chegar no porto e no destino final com competitividade, a logística precisa funcionar. E a ferrovia ainda tem pouca visibilidade na sua relevância para isso."
O combustível utilizado hoje nos trens já é uma mistura que inclui 14% de etanol ao diesel. E com o desenvolvimento da locomotiva híbrida e os contínuos investimentos em eficiência operacional, a empresa pretende continuar avançando na redução de emissões enquanto expande sua capacidade de transporte.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/01/2026
Eventual aumento da produção venezuelana pode acirrar concorrência por mercados e investimentos na era dos renováveis. Brasília, enquanto isso, redobra aposta na exploração de novas fronteiras.Quando Donald Trump causou um terremoto político na Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro, o setor petrolífero brasileiro ressintonizou os radares sobre o mercado. Já num cenário de crescente sobreoferta do petróleo, a baixa do preço do barril se tornou um risco, em virtude das especulações sobre o declarado plano do presidente americano para turbinar a produção venezuelana.
O impacto dos primeiros dias foi ameno, mas a incerteza ainda paira sobre um setor que redobra a aposta em novas fronteiras de exploração. Entre dúvidas quanto à viabilidade de uma célere reforma da infraestrutura venezuelana, especialistas não descartam o futuro acirramento da concorrência por mercados importadores e investimentos.
“Os projetos que estão mais protegidos levariam de 18 a 24 meses para produzir de maneira importante. Mas há outros que vão levar sete ou oito anos”, estima Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), descartando riscos de curto prazo. “Se a Venezuela realmente entrar no mercado muito forte, este pode ser um fator daqui a dez anos.”
Os barris de petróleo bruto são hoje a principal commodity vendida pelo país, tendo superado a soja em 2024 e 2025, ao gerarem mais de 44 bilhões de dólares anuais em exportações. São 38 bilhões a mais do que em 2006, quando a Petrobras descobriu a camada do pré-sal. À época, o Brasil exportava 500 milhões de barris a menos por ano, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O caminho para os planos de Trump, entretanto, é cheio de obstáculos. A sucateada infraestrutura petrolífera venezuelana precisa de investimentos multibilionários, e a atração do capital, por sua vez, depende de uma nova atmosfera regulatória. Ainda há o problema das disputas judiciais com petrolíferas expropriadas no início do século, que cobram de Caracas indenizações de bilhões de dólares.
Anos de riscos
A Venezuela poderia chegar a produzir 1,5 milhão de barris ao dia em cerca de três anos, em comparação aos estimados atuais 800 mil, calcula Juliano Bueno de Araújo, diretor técnico do Instituto Arayara Internacional, que é dedicado à pauta energética.
Em períodos de pico dos anos 1960, 1970 e 1990, a Venezuela produziu mais de três milhões de barris ao dia. A sua reserva conhecida ultrapassa os 300 bilhões de barris, ou 17% do total no planeta. “Em dez anos, seria ainda possível subir este patamar para cerca de dois milhões de barris ao dia”, afirma.
A linha do tempo coincide com a gradual queda da demanda mundial por petróleo a partir de 2030, esperada pela previsão mais recente da Agência Internacional de Energia (AIE), caso se mantenham políticas já anunciadas ou implementadas pelos países.
Por sua vez, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) destacou, em estudo do ano passado, que o presente acirramento das tensões geopolíticas aumenta o risco de choques no mercado de petróleo na próxima década. Ao mesmo tempo, levará os países a diversificarem fontes de energia e priorizarem recursos domésticos.
A previsão da EPE, que alimenta o Ministério de Minas e Energia (MME) com pesquisas para o planejamento energético nacional, é que a trajetória até 2035 seja marcada por barris a preços moderados, volatilidade persistente nos preços e avanço das tecnologias de baixo carbono.
No Brasil, o setor de petróleo e gás quer ser visto como rocha de estabilidade entre as rachaduras da geopolítica global. “Estamos vivendo a guerra do petróleo global. De alguma maneira, isso poderá trazer a saída do capital de alguns investidores do Brasil. E tracionará outros, que entendem que aqui há garantia de fornecimento”, prossegue Bueno de Araújo.
Expansionismo na Petrobras
Somadas às preocupações ambientais e com as mudanças climáticas, as projeções incitam discussões sobre o futuro do petróleo brasileiro, em particular da Petrobras. A gigante estatal não só lidera a franca expansão do setor no Brasil, como tem aumentado nos últimos anos o foco sobre a exploração e produção de petróleo.
“A Petrobras tem importância inegável para o país, só que não está acompanhando nos últimos anos a necessidade de diversificação de investimentos, com olhar para a descarbonização”, diz Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima (OC) e ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Sozinha, a Petrobras é responsável por quase um terço de toda a expansão upstream – isto é, focada nos estágios iniciais, de exploração e produção – de petróleo e gás na América Latina e no Caribe, de acordo com relatório assinado pela organização Urgewald, na Alemanha, e o Instituto Arayara Internacional, no Brasil.
No terceiro trimestre do ano passado, a produção média de óleo pela Petrobras era de 2,5 milhões de barris ao dia. O crescimento foi de cerca de 15% sobre o mesmo período de 2024.
Lógica de mercado
Diante dos desdobramentos políticos em terras sul-americanas, a possibilidade de a China se voltar ainda mais à produção brasileira, em consequência da presença americana na Venezuela e no Caribe, oferece uma oportunidade, mas limitada.
O país asiático foi, entre julho e setembro, o destino de pouco mais da metade das exportações de petróleo da Petrobras. Já na Venezuela, as compras chinesas chegaram a cerca de 470 mil barris ao dia em 2025, ou seja, mais da metade do total nacional, estimou a empresa de análise energética Vortexa à agência de notícias Reuters.
Mas o petróleo venezuelano é mais pesado do que o brasileiro, e as refinarias mundo afora são adaptadas a tipos específicos da commodity. Por outro lado, essa segmentação também amortece o impacto para o petróleo brasileiro de uma eventual disparada da produção venezuelana.
Uma parte dos analistas e representantes do setor afirma que é hora de perfurar novos poços para repor reservas em nome da segurança energética nacional. Mas também para garantir excedentes que gerem riqueza a tempo, diante da perspectiva de queda na demanda global por petróleo.
“Caso o nosso vizinho comece a explorar as suas reservas, e num mundo em transição energética, é necessário ter pressa para extrair o petróleo o mais rápido possível. Ou você decide que não vai mais produzir petróleo ou que vai produzir logo”, diz Rafael Chaves, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-diretor da Petrobras.
Críticos, entretanto, contra-argumentam que o Brasil já tem reservas suficientes até 2050 e exporta mais da metade do seu petróleo, com descobertas recentes no pré-sal. No ano passado, a britânica BP fez na Bacia de Santos sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos na costa brasileira.
Qual é a Petrobras do futuro?
Em 2021, a AIE afirmou que o mundo já não precisava de novas reservas de petróleo ou gás, se o planeta pretendia de fato atingir a neutralidade climática até 2050.
“O petróleo exportado queima em outro país e contribui para a crise climática, mesmo que não entre na conta das metas climáticas do Brasil”, pontua Suely Araújo, coautora do relatório A Petrobras de que precisamos, no qual especialistas pedem reformas na estatal em benefício do clima. “São necessários o gerenciamento estratégico de áreas já abertas e um programa de descarbonização”, afirma o texto.
Outras recomendações do documento incluem a diversificação de atividades, a priorização de renováveis, a descarbonização da logística e o investimento em biocombustíveis.
Não há, entretanto, sinal de que o mercado pretenda desacelerar investimentos no petróleo do Brasil. Já foram arrematados em leilão, inclusive por empresas estrangeiras, blocos de exploração da Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Lá, em águas profundas ricas em biodiversidade, a Petrobras recebeu a licença do Ibama para procurar petróleo no ano passado, às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, em Belém.
“Estes blocos vão virar plataformas daqui a 20 anos. Até quando pretendemos aumentar a exploração de petróleo?,” critica a especialista do Observatório do Clima. “A Petrobras tem potencial de liderar a transição energética, se transformando numa empresa de energia.”
Outra fronteira do petróleo brasileiro está na Bacia Sedimentar de Pelotas, no litoral de Paraná e Rio Grande do Sul. Desde 2023, 50 blocos já foram arrematados por diferentes empresas, incluindo a Petrobras, na contagem do jornal local A Hora do Sul.
Petrobras afirma estar preparada e “resiliente”
Procurada pela DW, a Petrobras afirma ter estruturado sua estratégia para a próxima década de forma a reduzir custos e emissões. “Essa abordagem permite que a companhia continue gerando valor mesmo em cenários de transição energética acelerada, ao mesmo tempo em que avança na transição energética de forma justa, segura e alinhada às necessidades do Brasil”, disse a estatal em nota enviada à reportagem.
A empresa alega que seus projetos de exploração e produção apresentam “elevada resiliência a baixos preços de petróleo”, e que 60% dos investimentos de manutenção e expansão das operações da companhia previstos para o quinquênio 2026-2030 são “resilientes” a um cenário em que o preço do petróleo brent despencaria para 22 dólares por barril – valor próximo ao atingido no início da pandemia de covid-19. Hoje, o barril está cotado a mais de 60 dólares.
A Petrobras também afirma planejar investir 13 bilhões de dólares em transição energética até 2030, o que inclui fomento a biocombustíveis e projetos de descarbonização, e cita ter alcançado “40% de redução das emissões operacionais totais e 70% nas de metano em relação a 2025”.
Destaca ainda que o petróleo brasileiro “tem uma intensidade de carbono menor do que a média do mundo, e a exploração permanece necessária tanto para atender à demanda nacional quanto para financiar a transição”.
Infomoney - SP 23/01/2026
O petróleo fechou em queda de aproximadamente 2% nesta quinta-feira, 22, pressionado por uma combinação de sinais de alívio nas tensões geopolíticas, expectativas de maior oferta global e dados de estoques nos Estados Unidos acima do esperado.
Nesta quinta-feira, o petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) encerrou em queda de 2,08% (US$ 1,26), a US$ 59,36 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 1,81% (US$ 1,18), a US$ 64,06 o barril.
No cenário geopolítico, os preços aprofundaram perdas após o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmar que representantes dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia devem se reunir nos Emirados Árabes Unidos por dois dias nesta semana. Em discurso em Davos, Zelenski disse que “os documentos destinados a encerrar esta guerra estão quase prontos”, sinalizando avanços nas negociações de paz. Um eventual acordo poderia levar à remoção de sanções americanas contra a Rússia e ao fim de ataques à infraestrutura energética, aumentando a oferta global.
O mercado também reagiu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que irá adiar a imposição de tarifas a diversos países europeus após alcançar um acordo preliminar envolvendo a Groenlândia. O movimento contribuiu para reduzir prêmios de risco no mercado de energia.
Para o ING, o aumento da produção pela Opep+ deve levar o mercado global a um excedente expressivo ao longo do ano, em um cenário de crescimento modesto da demanda. O banco projeta pressão sobre preços e spreads, embora ressalte que riscos geopolíticos ainda podem interromper essa tendência baixista.
Além disso, os dados oficiais do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos EUA mostraram alta de 3,6 milhões de barris nos estoques de petróleo na semana encerrada em 16 de janeiro, contrariando a expectativa de queda.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/01/2026
Dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção de petróleo e gás natural do Brasil subiu 6,43% em dezembro contra novembro do ano passado, para 5,233 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed).
Desse total, 4,011 milhões de barris por dia (bpd) foram de petróleo,alta de 6,43% contra o mês anterior, e 194,2 milhões de metros cúbicos por dia (m3/d) de gás natural, mais 6,44% na comparação com novembro.
A região do pré-sal correspondeu a 80,38% do total produzido no País e somou 4,206 milhões de boed, sendo 3,243 milhões de bpd de petróleo, uma alta de 7,24% contra novembro, e 153,1 milhões de m3/d de gás natural, um crescimento de 8,39% na mesma comparação.
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