Diário do Comércio - MG 22/05/2026
As medidas antidumping adotadas pelo governo federal contra as importações de aço provenientes da China e da Índia, anunciadas em fevereiro, já começam a dar resultados. As importações realizadas pelas distribuidoras perderam força após um início de 2026 marcado pela forte entrada de material estrangeiro. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (21) pelo presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, durante coletiva de imprensa.
Segundo ele, o volume importado no mês passado foi 43% inferior ao registrado em abril de 2025, indicando uma inversão relevante no comportamento do mercado. No acumulado de janeiro a abril, o indicador também migrou para o campo negativo, com queda de 1,9% frente ao mesmo período do ano anterior. “Finalmente começou a cair”, disse.
Loureiro destacou ainda que a tendência é de intensificação dessa retração ao longo dos próximos meses. A projeção do Inda é de que as importações encerrem 2026 com redução de pelo menos 20%. “Quando eu digo 20%, acho que estou sendo conservador, porque esse número pode ser maior”, afirmou.
O movimento de queda ocorre após um primeiro trimestre marcado por forte avanço das compras externas. No primeiro bimestre, por exemplo, as importações chegaram a registrar crescimento de 39% na comparação anual. Esse avanço foi gradualmente perdendo força: caiu para 13% no trimestre e agora passou para o campo negativo.
De acordo com Loureiro, a desaceleração reflete principalmente a diminuição das importações chinesas. O país ainda lidera como principal origem do aço importado, respondendo por 39% do total. “O que está acontecendo é principalmente a diminuição da importação chinesa”, afirmou.
Os dados mostram que o volume mensal, que vinha girando em torno de 190 mil toneladas em 2024 e 2025, recuou para cerca de 77 mil toneladas em abril deste ano, patamar significativamente inferior à média recente de importações.
Com a implementação, em junho, das medidas antidumping para o laminado a quente, o que Loureiro acredita que ocorrerá, não haverá produtos de origem chinesa viáveis para importação pelo Brasil. Embora a China siga dominante, o avanço de novos fornecedores no mercado brasileiro não deve ocupar totalmente o espaço deixado pelos chineses.
“Alguma importação vai acontecer. Temos agora a chegada de produtos do Egito, do Vietnã e da Coreia do Sul, mas acho difícil outros países ocuparem o espaço das exportações da China para o Brasil. Em volumes menores, os fretes acabam ficando mais caros”, afirmou.
Estoques elevados e recuperação gradual
A retração das importações ocorre em um contexto de demanda doméstica mais fraca. Em abril, as vendas de aço pelos distribuidores caíram 10,8% frente a março, desempenho pior do que o esperado pelo setor. No acumulado do ano, a queda é de 2,6%.
Esse cenário contribuiu para a elevação dos estoques, que atingiram 3,7 meses de cobertura, nível considerado elevado pelo Inda. Apesar disso, a expectativa de reajustes de preços pode amenizar parte do impacto financeiro sobre as empresas.
Mesmo com os desafios recentes, o Inda mantém uma visão moderadamente otimista para o restante do ano. A expectativa é de recuperação gradual das vendas, com possibilidade de crescimento entre 1% e 2% em 2026.
Para maio, uma sondagem com associados aponta para alta de 10% nas vendas em relação a abril, o que, se confirmado, ajudaria a reduzir as perdas acumuladas no ano. “Isso vai fazer com que a gente tenha um aumento em relação ao ano passado. Vale lembrar que, em maio do ano passado, foram quase 329 mil toneladas, passando a queda acumulada de 2,6% para 1,1%”, finalizou Loureiro.
Exportações em alta
Em contrapartida, as exportações aumentaram. O volume exportado no mês passado foi 74,5% maior do que o registrado em abril de 2025. No acumulado do ano, de janeiro a abril, as exportações registram alta de 22,6%.
Conforme o presidente do Inda, o aumento ocorreu porque a competitividade do aço brasileiro no exterior continua favorável. “O que estamos vendo é que várias empresas da Europa estão importando placas, justamente porque o continente também passava por um período de forte concorrência com o material chinês, reduzindo sua produção. Com a nova postura da Europa de diminuir as cotas desse material e com a criação de um imposto de importação elevado, mesmo que a produção local volte a ocupar esse espaço, essa retomada exigiu importação de placas, não apenas do Brasil, mas de várias origens”, explicou.
Terra - SP 22/05/2026
A venda de aços planos por distribuidores brasileiros em abril caiu acima ?do esperado pelo setor, recuando 10,8% ante março e 1% na comparação anual, para 314 mil toneladas, enquanto o nível de estoques seguiu bem acima da média, segundo dados apresentados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).
O setor, tradicionalmente visto como responsável por cerca de 30% do consumo de aço plano produzido no Brasil, terminou abril com um volume estocado de 1,16 milhão de toneladas, suficiente para 3,7 meses de comercialização, ante uma média histórica de três meses.
Mas com uma expectativa de ?crescimento das vendas da ordem de 10% este mês ante abril, aliada à nova tendência de queda nas importações após a aplicação ?de vários direitos de antidumping contra a China nos últimos meses, o cenário é de gradual melhora para o setor siderúrgico, disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas.
"A tendência é o número de importação cair fortemente daqui para frente", ?disse Loureiro, citando queda sensível no volume de aço a ser descarregado ?no porto de São Francisco do Sul (SC), principal porta de entrada de material siderúrgico importado no país.
Segundo ele, em ?uma visão "conservadora", as importações de aço plano pelo Brasil este ano podem cair 20%. "Mas podem chegar a cair 40%, 50%", afirmou, mencionando a certeza de que o governo federal vai decidir entre final de junho e começo de julho aplicar taxas antidumping contra aço laminado a quente da China.
Em abril, as importações de aços planos caíram 43,2% sobre um ano antes, para 166,6 mil toneladas, acumulando no quadrimestre recuo de 1,9%, para 1,07 milhão de toneladas, segundo os dados do Inda.
Analistas do Citi citaram que ?está havendo uma "notável mudança estrutural" nas importações de aços planos, com a participação da China caindo acentuadamente após as medidas antidumping e ?afirmaram que a confiança do mercado brasileiro ?está "cada vez mais positiva, com ?novos aumentos de preços esperados".
Os dados do Inda mostram que a participação da China no total de importações de aço plano pelo Brasil em ?abril caiu para 39,1% (77 mil toneladas) e que o país praticamente dividiu ?com a Coreia do Sul (33,1%) e o ?Vietnã (23,9%) o total de material que veio ao país no mês passado.
Em abril de 2025, a participação da China nas importações de aço plano do Brasil foi de 76,1% (223,5 mil toneladas), enquanto a Coreia do Sul teve fatia de 7,8% e o Vietnã, de 0,5%, segundo os números do Inda.
Para Loureiro, após as medidas de defesa comercial do ?Brasil, "não haverá nenhum produto (siderúrgico) de origem chinesa viável de ser importado pelo Brasil".
"Havia 190 mil toneladas mensais ao Brasil e isso criava uma rota constante de material vindo da China para o Brasil, o que facilitava importações 'piggyback' com outras cargas ao Brasil porque havia esse circuito azeitado", disse Loureiro.
Segundo ele, vai levar tempo para o ajuste de novas rotas viáveis pelos importadores e, mesmo assim, "esses novos fornecedores estão trabalhando com preços bem acima dos ?chineses". Ele citou que os valores praticados por Coreia do Sul e Vietnã são "no mínimo" US$40 a US$50 mais altos do que os da China e os fretes são mais caros.
Com a queda da concorrência dos importados, as siderúrgicas nacionais ?que há anos reclamam de competição desleal, começaram um movimento de alta nos preços locais. Loureiro citou rumores do mercado indicando uma nova onda de reajustes a partir de junho, depois de aumentos aplicados por ArcelorMittal, Gerdau, CSN e Usiminas.
"Se se confirmar essa queda grande de material importado, deve haver novos reajustes", disse o presidente do Inda.
Já as exportações brasileiras de aço plano saltaram 74,5% em abril sobre um ano antes, para 887,5 mil toneladas, acumulando no ano aumento de 22,6%, para 3,07 milhões de toneladas.
O principal comprador seguiu sendo os Estados Unidos, que ficou com participação de 54,5% do material exportado pelo Brasil em abril, principalmente placas para laminação. Em seguida aparecem Argentina (11,2%) e países europeus, notadamente Espanha (8,7%) e França (8,1%).
Segundo Loureiro, os países europeus estão comprando mais do Brasil após medidas de defesa comercial adotadas contra a China, que incluíram redução de cotas de importação e aumento de imposto de importação para 50% para volumes que superarem as cotas.
"A grande maioria das usinas estava com fornos parados e isso está fazendo com que tenham que importar placas, principalmente do Brasil", disse o presidente do Inda sobre os produtores europeus de aço.
Valor Investe - SP 22/05/2026
Os analistas Gabriel Barra e Pedro Ferreira de Mello escrevem que o setor passa por uma notável mudança estrutural na dinâmica de importação de aços planos
O sentimento em relação ao mercado siderúrgico brasileiro é cada vez mais positivo, com a expectativa de novos aumentos de preços no horizonte por parte de companhias como Gerdau e Usiminas, diz o Citi.
Os analistas Gabriel Barra e Pedro Ferreira de Mello escrevem que o setor passa por uma notável mudança estrutural na dinâmica de importação de aços planos após a implementação de medidas antidumping.
No mercado interno, a sustentação e o repasse de preços ganham força não apenas pelas barreiras comerciais, mas também pelo aumento dos custos de frete doméstico e pela alta nos preços globais do carvão que refletem no preço do aço importado.
Pelo lado da demanda, o desempenho das chapas de aço continua sendo o grande destaque, com o setor automotivo voltando a ganhar tração, ajudando a compensar a fraqueza observada pelos distribuidores no segmento de máquinas agrícolas.
Esse ambiente construtivo de precificação reforça a visão otimista do banco para a maior parte das siderúrgicas sob sua cobertura, em especial a Usiminas, apontando como principal gatilho a esperada aprovação de novas tabelas de preços para bobinas a quente em julho.
A Gerdau também segue com viés positivo, uma vez que, embora tenha uma exposição comparativamente menor à dinâmica dos aços planos, será beneficiada pela expectativa de aprovação de medidas antidumping para fio-máquina.
Infomoney - SP 22/05/2026
O Goldman Sachs elevou a recomendação das ações da Usiminas (USIM5) de neutra para compra, apostando em uma melhora relevante no cenário para o setor de aço no Brasil e no posicionamento da companhia para capturar esse movimento.
Além disso, o banco elevou o preço-alvo em 12 meses de R$ 6,60 para R$ 10,50 — o que implica um potencial de alta de cerca de 9,3% em relação ao último fechamento. No ano, as ações já sobem 60,70%, com ganhos de 76% nos últimos 12 meses. O papel era destaque do Ibovespa nesta quinta-feira (21), com as ações subindo 2,29%, a R$ 9,83.
A revisão reflete uma visão mais construtiva para a dinâmica de oferta e demanda no mercado brasileiro de aço, que deve favorecer empresas com maior alavancagem operacional aos preços domésticos — caso da Usiminas, segundo os analistas.
De acordo com o banco, o ambiente para o aço no Brasil começa a dar sinais de inflexão após anos de pressão causada pelo avanço das importações, especialmente vindas da Ásia. Dados citados pelo Goldman mostram que as importações de aço caíram 42% na comparação mensal em abril, após um período prolongado de crescimento.
Esse movimento ocorre em meio a um reforço das barreiras comerciais no país, como aumento de tarifas, estabelecimento de cotas e implementação de medidas antidumping, além da alta de custos globais e gargalos logísticos. O frete marítimo da Ásia para o Brasil, por exemplo, dobrou após o início do conflito no Oriente Médio, enquanto preços internacionais do aço também avançaram
Para os analistas, esse conjunto de fatores deve continuar limitando a entrada de aço importado e abrir espaço para reajustes de preços no mercado doméstico.
Usiminas como principal beneficiária
Nesse cenário, o Goldman Sachs destaca a Usiminas como uma das empresas mais expostas positivamente à recuperação dos preços. Isso ocorre porque a companhia apresenta elevada alavancagem operacional: para cada aumento de 1% nos preços do aço, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da empresa tende a crescer cerca de 8%, bem acima de pares como CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4).
Além disso, cerca de 70% do EBITDA da Usiminas está concentrado no segmento de aço no Brasil, o que aumenta sua sensibilidade às condições do mercado local.
JCP retroativo pode destravar até R$ 3,6 bi e reforçar tese de Usiminas na Bolsa Usiminas (USIM5): ação salta quase 60% apenas em 2026; ainda vale a pena? Usiminas: JPMorgan vê mercado de aço mais protegido e eleva USIM5
O banco projeta ainda novos reajustes de preços ao longo do segundo semestre de 2026, além dos dois aumentos já implementados neste ano. Com isso, estima um crescimento expressivo de resultados, com o EBITDA podendo avançar entre 49% e 107% em 2026-2027 em relação a 2025.
Revisões para cima e valuation atrativo
Com a melhora das perspectivas, o Goldman elevou suas estimativas de EBITDA para a Usiminas em até 70% nos próximos anos, ficando entre 13% e 30% acima do consenso de mercado.
Apesar da recente valorização das ações — que acumulam alta expressiva nos últimos meses —, o banco ainda vê espaço para ganhos adicionais. Isso porque os papéis seguem negociando a múltiplos considerados descontados, entre 3,3x e 4,8x EV (valor da firma)/EBITDA para 2026-2027, abaixo da média histórica de cerca de 6x.
Na leitura dos analistas, a combinação de revisões positivas de lucro e valuation ainda atrativo torna a ação uma oportunidade em um momento de virada do ciclo do setor.
O banco também ressalta riscos à tese, como uma eventual retomada mais forte das exportações chinesas, que poderia pressionar preços no Brasil, além de incertezas macroeconômicas e custos mais elevados na operação de mineração. Ainda assim, o banco avalia que o balanço sólido da empresa e a tendência de melhora estrutural no setor sustentam a recomendação de compra para os papéis.
Diário do Comércio - MG 22/05/2026
O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou, nesta quinta-feira (21), que a empresa poderá rever os investimentos no Brasil para cima em razão das recentes medidas de defesa comercial ao setor siderúrgico aplicadas pelo governo federal, sobretudo o antidumping.
Otimista para a redução da penetração das importações de aço “desleais” no Brasil, o executivo ressaltou que algumas operações já foram retomadas e que os novos mecanismos criam um ânimo para que a empresa volte a investir no País.
“No caso da Gerdau, que tem uma base produtiva muito sólida na América do Norte, e onde temos conseguido resultados muito diferenciados, especialmente nos Estados Unidos, isso cria um desejo e uma tendência de, neste momento, continuarmos investindo mais nos Estados Unidos do que no Brasil”, disse em entrevista coletiva.
“Mas nós nascemos aqui. Completamos 125 anos de história. Nosso coração é mineiro, mas nossas raízes são brasileiras. Então, seguir investindo no Brasil é um desejo nosso e, certamente, com a indústria do aço brasileira melhor defendida, os empregos voltarão, as usinas voltarão a produzir em sua capacidade e os investimentos futuros serão apenas questão de tempo para serem anunciados”, ressaltou.
Perguntado se os aportes no Brasil podem ser reavaliados ainda em 2026, o CEO respondeu que a Gerdau tem um plano de investimentos para os próximos dez anos já pronto. No entanto, explicou que se trata de uma série de projetos que a empresa escolhe quais serão os primeiros a serem executados dependendo de todo o contexto, inclusive das importações.
Conforme ele, uma revisão de qual investimento será realizado primeiro, à luz de ter a indústria do aço mais defendida, é só uma questão de tempo e de escolha. O executivo destacou que essa reavaliação pode ser feita em um prazo bastante curto de tempo.
Vale lembrar que a Gerdau anunciou, em outubro de 2025, a suspensão de R$ 2,1 bilhões de aportes no Brasil. Também informou um corte de 21,7% no capex global projetado para 2026 – de R$ 4,7 bilhões, ante R$ 6 bilhões investidos em 2025.
Werneck conversou com a imprensa durante evento de homenagem ao Dia da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) no Minascentro, em Belo Horizonte. Na solenidade, o executivo foi agraciado com o título de “Industrial do Ano 2026”.
Globo Online - RJ 22/05/2026
As projeções econômicas usadas pelo governo na elaboração do Orçamento deste ano e dos próximos são “extremamente otimistas”, afirma a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, em relatório divulgado nesta quinta-feira.
Para a IFI, o atual arcabouço fiscal mantém sua sobrevivência com o cumprimento das metas fixadas, alcançadas com o uso dos expressivos descontos legais previstos e dos limites da banda de tolerância em relação ao centro da meta.
Por outro lado, diz o órgão, os déficits primários efetivos são ainda recorrentes e a dívida pública mantém a trajetória de preocupante crescimento.
A Guerra do Irã e seus impactos sobre os preços do petróleo e derivados produziram, como efeito colateral, uma folga fiscal não prevista, em 2026, que não só permitiu a adoção de medidas mitigadoras — renúncias e subvenções — em relação ao choque externo, como criou o ambiente fiscal para decisões como o fim da “taxa das blusinhas”, além de formar um colchão de segurança contra riscos de não cumprimento das metas fiscais, no presente ano, afirma o IFI.
“Não é crível esperar, dada a crescente aproximação do ambiente eleitoral, medidas mais profundas e radicais de ajuste fiscal", afirma a Instituição.
Para a IFI, a grade de parâmetros que embasou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, assim como as projeções fiscais, são um cenário
“crescentemente desafiador”, já que as metas previstas para o resultado primário são de 0,5%, 1,0%, 1,25% e 1,5% do PIB para os anos de 2027, 2028, 2029 e 2030, respectivamente.
“Inevitável assinalar que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo e que fundamentam os números presentes no PLDO 2027 são extremamente mais otimistas que os utilizados pela IFI”, diz o relatório.
Segundo a entidade, essas discrepâncias em relação ao comportamento da inflação, do PIB, dos juros, do câmbio, entre outras variáveis, levam inevitavelmente a divergências substanciais quanto às projeções de receitas e despesas, e, consequentemente, dos resultados primários para os próximos anos, e a trajetória da dívida pública resultante.
A IFI prevê a dívida em 117,7% do PIB em 2036, enquanto o governo estima que será de 83,4%.
Já o governo espera que o crescimento da economia suba gradualmente nos próximos anos, alcançando 2,7%, em 2030, e 3,0% em 2036. A Instituição espera um crescimento mais modesto.
Monitor Digital - RJ 22/05/2026
O Estado do Rio de Janeiro contará com o Regime Diferenciado de Tributação para estabelecimentos de comércio exterior, denominado RioComex. É o que determina a Lei 11.192/26, de autoria do Executivo, que foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sancionada pelo Governo do Estado e publicada no Diário Oficial desta quinta-feira. O regime terá validade até 31 de dezembro de 2032.
A proposta permite que o Estado do Rio adote incentivos fiscais semelhantes aos já praticados por unidades da Federação como Espírito Santo e Santa Catarina, com o objetivo de tornar o território fluminense mais competitivo nas operações de importação. Na prática, o texto cria mecanismos que reduzem ou adiam a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para empresas que atuam com a importação de bens acabados, desde que cumpram determinadas condições.Entre os produtos que poderão receber o benefício estão eletrônicos e eletrodomésticos, medicamentos, materiais de construção, produtos alimentícios, veículos e cosméticos. A norma também faz restrições a alguns produtos, eles não se aplicam às mercadorias como café, cacau, minérios de ferro, gasolina e granito.
O texto prevê a concessão de benefícios como o diferimento do ICMS nas importações. Isso significa que o imposto não precisará ser pago imediatamente, sendo postergado para o momento em que a mercadoria for movimentada dentro do estado, como quando for enviada para centros de distribuição ou transferida entre filiais da mesma empresa. Em justificativa, o Governo do Estado afirma que a medida melhora o fluxo de caixa das empresas e reduz o custo inicial das operações de importação.
Com a nova norma, as empresas também terão direito a crédito presumido em operações interestaduais, de até 70% do valor do imposto devido mensalmente, ou 75% nas dívidas internas, além da redução da base de cálculo interna. O texto também cria uma regra especial para garantir que, nessas operações com produtos importados, o imposto final fique em 4%, seguindo um cálculo específico, exceto para alguns produtos que não tenham no país ou estejam fora da Resolução do Senado Federal 13/12.
Critérios para adesão – Para aderir ao regime, as empresas deverão cumprir uma série de requisitos, como estar habilitadas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), conforme regras da Receita Federal; manter regularidade fiscal; e realizar o desembaraço aduaneiro em portos ou aeroportos localizados no Estado do Rio. Também será exigida a manutenção de um nível mínimo de arrecadação de ICMS.
O projeto ainda estabelece critérios para a concessão dos benefícios, priorizando empresas que gerem empregos, realizem investimentos, desenvolvam atividades inexistentes no estado, utilizem insumos locais, se instalem em regiões estratégicas e contribuam para a dinamização da infraestrutura logística.
Apesar dos incentivos, o texto prevê limitações. Os benefícios não se aplicam a mercadorias destinadas ao uso e consumo da própria empresa, nem a empresas optantes pelo Simples Nacional, como microempresas e empresas de pequeno porte. No entanto, o texto aprovado pelo Parlamento garantia, no parágrafo 4º, que estabelecimentos que se desvinculassem do Simples Nacional poderiam apresentar requerimento para adesão ao regime, mas a medida foi vetada pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto.
Em justificativa, a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) informou que essa mudança ultrapassa os limites previstos na legislação do Espírito Santo, que serve de base para o benefício fiscal, o que poderia comprometer a legalidade da medida. Também ficam de fora produtos listados em anexo como: café, cacau, minérios de ferro, gasolina e granito, além de operações de comunicação, como telefonia, internet e TV por assinatura.
Infomoney - SP 22/05/2026
O conflito no Oriente Médio trouxe impactos sobre os preços do petróleo e derivados, gerando uma folga fiscal não prevista em 2026. Esse cenário levou as contas públicas a um “equilíbrio precário”, conforme aponta o Relatório de Acompanhamento Fiscal número 112 da Instituição Fiscal Independente, divulgado nesta quinta-feira (21).
O documento avalia que o atual arcabouço fiscal mantém a sobrevivência por meio do cumprimento das metas, obtido com a utilização de descontos legais e dos limites da banda de tolerância. O texto destaca que a margem gerada pelo choque externo viabilizou a adoção de medidas mitigadoras, a exemplo do fim da “taxa das blusinhas”, e a conjuntura levou à formação de um “colchão de segurança” contra o risco de descumprimento das metas fiscais no ano corrente.
Período eleitoral afasta medidas mais profundas de ajuste fiscal
Em contrapartida, a instituição alerta que os déficits primários efetivos continuam recorrentes e a dívida pública mantém uma trajetória de crescimento preocupante.
Devido à proximidade do período eleitoral, o relatório considera que não é crível esperar a adoção de medidas profundas e radicais de ajuste fiscal. O cenário restringe o escopo a decisões inevitáveis, como a regulamentação do Imposto Seletivo para substituir o Imposto sobre Produtos Industrializados.
Esforço fiscal para estabilizar dívida pode chegar a 4% do PIB, diz UBS
Projeções do governo estão ‘extremamente otimistas’
A análise do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 indica metas de resultado primário de 0,5%, 1,0%, 1,25% e 1,5% do Produto Interno Bruto para os anos de 2027 a 2030.
A Instituição Fiscal Independente ressalta que os parâmetros macroeconômicos adotados pelo governo na formulação da proposta são extremamente mais otimistas em relação aos dados utilizados pela própria entidade. Tais discrepâncias impactam as projeções de receitas, despesas e a evolução da dívida pública.
Pressão das despesas obrigatórias
Os gastos com o Regime Geral da Previdência Social representam a maior despesa primária obrigatória do governo federal e retomaram o crescimento real após 2021. Em 2025, os desembolsos atingiram R$ 1,027 trilhão, valor equivalente a 8,1% do Produto Interno Bruto e a 42,9% da despesa primária da União.
O avanço reflete o aumento do estoque de benefícios, com as aposentadorias atuando como o principal vetor de expansão, além de uma aceleração nos auxílios por incapacidade temporária registrada a partir de 2022.
Mapa de riscos
O relatório detalha os eventos que ameaçam as contas públicas. O principal risco, com impacto potencial estimado em 17,8% do Produto Interno Bruto para 2025, vem de demandas judiciais.
O documento também registra a exposição proveniente das empresas estatais federais, classificando como provável o risco de demanda por aportes emergenciais para os Correios.
CNN Brasil - SP 22/05/2026
A guerra no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e do gás natural a níveis recordes de quatro anos, o que levantou preocupações quanto à inflação nos Estados unidos. Além disso, a confiança do consumidor americano está no nível mais baixo de todos os tempos.
Mas apesar das crescentes preocupações com o custo de vida, a guerra com o Irã não afetou significativamente - até o momento - os hábitos de consumo ou perspectivas de emprego no país.
No entanto, vale destacar que as incertezas sobre o conflito no Oriente Médio continuam e o Estreito de Ormuz permanece fechado.
Vamos, agora, aos indicadores da economia dos EUA.
Crescimento econômico
Comecemos pela medida mais abrangente da economia: o PIB (Produto Interno Bruto), que está crescendo de forma sólida. O último dado divulgado, porém, é referente ao primeiro trimestre do ano, que incluiu apenas um mês completo da guerra dos EUA e Israel com o Irã.
Empregos
O número de empregos cresceu de forma constante nos dois primeiros meses da guerra, e a taxa de desemprego permaneceu baixa. O crescimento do emprego em março, inclusive, foi o maior em dois anos, contrariando as expectativas dos economistas.
Os economistas observaram, por sua vez, que o mercado de trabalho desacelerou recentemente, e os dados dos últimos dois meses foram distorcidos por uma recuperação após o shutdown do governo e por alguns outros efeitos temporários, incluindo greves trabalhistas.
Vendas no varejo
As vendas no varejo cresceram em março, impulsionadas pela alta dos preços da gasolina, que se estabilizaram em abril. Mas, a cada mês, mesmo excluindo os preços da gasolina, os consumidores ainda gastaram um pouco mais do que o esperado.
Em abril, o chamado grupo de controle, que exclui categorias voláteis como a gasolina, cresceu pouco menos de 0,5%. Isso mostra que os consumidores continuam comprando, apesar dos altos preços da gasolina.
Inflação ao consumidor
A inflação atingiu o nível mais alto em três anos em abril, impulsionada principalmente pelos preços da gasolina. Os preços dos alimentos também subiram 3,2% no último ano e as passagens aéreas, 20,7%.
Crescimento salarial vs. Inflação
A inflação subiu mais rápido do que o salário médio americano cresceu no último ano. Em outras palavras: a inflação corroeu o aumento salarial pela primeira vez desde 2023. Mas isso só é realidade para americanos de renda média e baixa.
Os salários dos mais ricos ainda estão superando a inflação em muito – os aumentos salariais anuais cobriram o aumento do preço da gasolina em 17 vezes, enquanto os salários dos americanos de baixa renda mal cobriram o aumento do preço da gasolina, de acordo com o Bank of America Institute.
Rendimento dos títulos
O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos atingiu o nível mais alto em mais de um ano. Rendimentos mais altos podem pressionar ainda mais as taxas de hipoteca, mantendo o mercado imobiliário congelado.
O Estado de S.Paulo - SP 22/05/2026
A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 278,823 bilhões em abril, informou a Receita Federal nesta quinta-feira, 21.
O resultado de abril representa uma alta de 7,82% na comparação com o mesmo mês de 2025, descontada a inflação do período. Segundo a Receita, é o maior resultado para meses de abril desde 2000, o início da série histórica.
O IRPJ e a CSLL totalizaram uma arrecadação de R$ 64,893 bilhões, representando crescimento real de 7,73%. Esse resultado pode ser explicado pelos aumentos reais de 4,84% na arrecadação com a estimativa mensal, de 7,22% na arrecadação do balanço trimestral, e de 6,34% na arrecadação do lucro presumido.
A receita previdenciária somou R$ 62,749 bilhões, crescimento real de 4,83% frente a abril de 2025. Segundo a Receita, o resultado foi puxado pela alta real de 3,61% da massa salarial em abril de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, além da expansão de 9,18% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário em abril de 2026 em relação a abril de 2025.
Além disso, houve crescimento de 18,66% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro do ano passado.
O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 13,262 bilhões, representando crescimento real de 25,45%. Esse desempenho decorre dos aumentos nominais de 28,40% na arrecadação do item “Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)” e de 94,74% na arrecadação do item “Juros sobre Capital Próprio”.
As receitas com o IOF, por sua vez, aumentaram 30,26% acima da inflação frente a abril de 2025, e atingiram R$ 8,046 bilhões. A arrecadação de abril de 2026 com esse imposto foi influenciada, principalmente, pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e de crédito, especialmente em decorrência de alterações legislativas implementadas em junho de 2025.
Acumulado do ano
A arrecadação de impostos e contribuições federais em 2026 até abril somou R$ 1,056 trilhão. O montante representa alta de 5,41% na comparação com o mesmo período de 2025, descontada a inflação do período. Segundo o órgão, é a maior arrecadação no quadrimestre desde 2000.
No relatório de divulgação, o Fisco atribui o desempenho da arrecadação em 2026 à receita previdenciária, de R$ 251,352 bilhões, com crescimento real de 5,23%. Esse resultado decorreu, segundo o órgão, do crescimento real de 3,35% da massa salarial e de 5,66% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário de abril de 2026 em relação a abril de 2025.
Além disso, houve crescimento de 18,50% no montante das compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a abril de 2025. Houve, também, a reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, a partir de janeiro de 2025.
O PIS/Pasep e a Cofins totalizaram uma arrecadação de R$ 205,578 bilhões, representando crescimento real de 5,54%. Esse resultado decorre, principalmente, do aumento de 2,14% no volume de vendas (PMC-IBGE) e de 2,63% no volume de serviços (PMS-IBGE) entre dezembro de 2025 e março de 2026, em relação ao período compreendido entre dezembro de 2024 e março de 2025, à recuperação da arrecadação relativa a setores inseridos no Perse e ao setor de combustíveis; e ao desempenho positivo do setor de eletricidade e gás, dos serviços financeiros e do Simples Nacional.
O IOF apresentou uma arrecadação de R$ 33,469 bilhões, um crescimento real de 40,77%. O desempenho vem de operações relativas a crédito, seguros e à saída de moeda estrangeira.
O governo aumentou a alíquota do IOF em junho de 2025 depois de uma série de impasses com o Congresso. A mudança tem turbinado a arrecadação dessa rubrica.
O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 50,687 bilhões, representando crescimento real de 21,68%. O resultado do período pode ser justificado, principalmente, pelos aumentos nominais de 37,64% na arrecadação do item “Aplicação de Renda Fixa (PF e PJ)”, de 42,35% na arrecadação do item “Juros sobre Capital Próprio (JCP)” e de 11,79% na arrecadação do item “Fundos de Renda Fixa”.
No fim do ano passado, o Congresso aprovou aumentos nas alíquotas de fintechs e bets e de JCP, junto com um projeto que reduz os benefícios fiscais em 10%.
O texto eleva a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) incidente sobre fintechs de maneira escalonada. A alíquota subiria de 9% para 12%, nível em que ficaria até o fim de 2027, antes de se acomodar em 15% a partir de 2028. Os bancos pagam 20% de CSLL, mas o imposto efetivo sobre financeiras não bancárias tende a ser maior, em parte por conta da rentabilidade mais alta.
Imposto de exportação do petróleo
O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, auditor fiscal Claudemir Malaquias, disse que, até maio, a arrecadação com o imposto de exportação incidente sobre o óleo bruto soma R$ 238,9 milhões. Ele, porém, destacou que ainda é necessário esperar fechar o mês. E lembrou também que o vencimento do tributo ocorre 60 dias após a conclusão do processo de embarque do petróleo.
Para acompanhar a redução de impostos federais sobre o diesel - adotada com o objetivo de conter alta de preços durante a alta da commodity para mitigar os efeitos da guerra no Irã -, o governo decidiu cobrar o imposto de exportação sobre o petróleo para desestimular a venda externa. O imposto de 12% tem duração e alíquota dependentes da evolução do petróleo Brent, por ter finalidade regulatória.
O técnico da Receita Federal destacou que houve choque de preços externo, ou seja, as empresas estão exportando a um preço diferenciado do que vinham exportando, também houve internamente alteração de política de preços.
“É a combinação desses fatores que dá o bolo todo arrecadado com esse tributo. Nós não fizemos análise isoladamente do setor de petróleo e gás com relação aos efeitos do choque na arrecadação ainda”, argumentou. “É preciso que a gente tenha mais dados, para que possamos fazer uma base um pouco mais aprofundada”, prosseguiu.
Malaquias disse ainda não ser possível mensurar o que é efeito do choque, o que é efeito do desempenho da empresa, o que é efeito do câmbio e o que é efeito do volume exportado dentro do resultado das empresas.
“Todos esses detalhes do mercado de óleo e gás interferem no resultado da empresa. Então, a gente não realiza essa análise rápida, dizendo, ‘olha, aumentou o preço do barril de petróleo, por isso, aumentou a arrecadação do imposto’. A questão é um pouco mais complexa, envolve uma análise de mais dados e de mais informações”, completou.
Tributação sobre lucros e dividendos
O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, auditor fiscal Claudemir Malaquias, disse que a tributação de lucros e dividendos, após a nova regra de tributação aprovada no fim do ano passado, soma R$ 885 milhões de janeiro a abril de 2026.
Segundo Malaquias, em abril de 2026 foram arrecadados com lucros e dividendos distribuídos a contribuintes residentes no Brasil o valor de R$ 292,7 milhões. No acumulado do ano, os lucros e dividendos pagos a residentes foi de R$ 675,5 milhões. Em relação a contribuintes não residentes, foi arrecadado o valor de R$ 128,7 milhões no mês passado e R$ 209,5 milhões no acumulado do ano.
No fim do ano passado, foi aprovada uma nova regra que estabelece a retenção na fonte do Imposto de Renda (IRRF) a uma alíquota de 10% sobre os valores que excedem o valor de R$ 50 mil mensais.
Perguntado por que ainda não foi arrecadado nem R$ 1 bilhão com o aumento do tributo no primeiro quadrimestre do ano - a expectativa é de uma arrecadação anual de R$ 28 bilhões -, Malaquias explicou que a arrecadação com dividendos decorre de ato voluntário da empresa de distribuir os valores aos seus sócios e acionistas.
“Ao longo da tramitação da medida, foram inseridos mecanismos que permitiram que, ao longo de 2026, fossem distribuídos resultados apurados até 2025 com isenção. E depois tivemos decisões judiciais que estenderam o período de aprovação para distribuição em 2026 até 31 de janeiro”.
E completou: “Provavelmente, algumas empresas estão se valendo ainda dessa prerrogativa e aprovaram no início desse ano a distribuição de dividendos para os seus sócios e acionistas. Ou seja, essa aprovação de dividendos decorrentes de resultados apurados até 31 de dezembro 2025, que vão ser distribuídos em 2026, que era para ter incidência da medida, podem estar sendo distribuídos com isenção”.
Ele acrescentou que as empresas fecharam a Declaração do Imposto de Renda em março e elas têm até 31 de julho para apresentar os seus dados fiscais. “Nós não temos ainda elementos suficientes para fazer essa análise e fazer uma comparação”. Ele lembrou também que pode haver mudança de comportamento do contribuinte dada a mudança de tributação.
O técnico concluiu: “Para uma análise mais detalhada, mais consistente em torno do desempenho da arrecadação, em face da medida que trouxe uma nova incidência de dividendos, nós vamos ter que esperar um pouco mais de tempo”.
Taxa das blusinhas
Malaquias disse que o mês de abril ainda não captou o efeito da isenção do imposto de importação de 20% para as compras de até US$ 50 - a chamada “taxa das blusinhas”. “Vamos aguardar até o mês que vem para verificar o efeito da desoneração”, pediu.
Money Times - SP 22/05/2026
A XP Investimentos elevou sua projeção para a taxa Selic ao final de 2026, passando de 13,50% para 13,75%, diante de um cenário de inflação mais pressionada e maior cautela do Banco Central em meio ao choque global do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (20), a casa afirma que o agravamento das perspectivas inflacionárias, tanto por fatores domésticos quanto externos, reduziu o espaço para cortes mais intensos nos juros ao longo do próximo ano.
A XP agora espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) realize apenas três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa para 13,75%, antes de interromper o ciclo de flexibilização monetária. Anteriormente, a expectativa era de reduções de 0,50 ponto percentual por reunião, o que levaria os juros para 13,50%.
Segundo os economistas da corretora, o principal fator por trás da revisão foi a persistência das pressões inflacionárias no Brasil, agravadas pela alta do petróleo no mercado internacional.
“O conflito no Oriente Médio mantém o preço do petróleo elevado, pressionando a inflação e limitando o espaço para cortes de juros nos mercados emergentes”, escreveu a equipe de analistas da XP.
A instituição destaca que o choque de energia também levou bancos centrais de economias avançadas a adotarem um discurso mais duro, o que acaba restringindo ainda mais o espaço para afrouxamento monetário em países emergentes como o Brasil.
Inflação também avança
No cenário doméstico, a XP vê uma piora relevante na dinâmica da inflação. O relatório aponta que a média das medidas de núcleo do IPCA subiu por seis leituras consecutivas, enquanto alimentos, serviços e bens industrializados seguem pressionados.
Além disso, os economistas avaliam que as recentes medidas de estímulo anunciadas pelo governo devem sustentar a demanda interna, dificultando um processo mais rápido de desinflação. Entre os programas citados estão ampliação de crédito, incentivos ao consumo e expansão de programas habitacionais.
Com isso, a XP elevou sua projeção para o IPCA de 2026 de 5,1% para 5,3%.
Apesar da revisão para cima na Selic do próximo ano, a corretora manteve a projeção de juros em 11,50% ao final de 2027. A avaliação é de que o Banco Central poderá retomar os cortes naquele momento, desde que haja avanço nas reformas fiscais e melhora na trajetória das contas públicas.
Valor - SP 22/05/2026
Contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou cotado a US$ 116
O preço do minério de ferro voltou a recuar nesta quinta-feira (21), na China, com analistas avaliando que há pouco potencial de alta, uma vez que oferta e demanda parecem estar equilibradas.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em maio, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em queda de 1%, cotado a 789,5 yuans (US$ 116).
A oferta e a demanda pelo insumo parecem equilibradas por ora, disseram analistas da Nanhua Futures em nota. Na visão deles, o potencial de valorização da commodity é limitado, já que as avaliações estão relativamente elevadas.
O sentimento do mercado para commodities permanece fraco de forma geral, pressionado pelas perspectivas limitadas de flexibilização de políticas na China no curto prazo, observaram.
CNN Brasil - SP 22/05/2026
O grupo ítalo-americano Stellantis reage ao avanço da indústria chinesa e anunciou, nesta manhã, durante o Investor Day, em Auburn Hills, Michigan, região de Detroit, um investimento global de 60 bilhões de euros distribuídos até 2030 e direcionados para todas as marcas do grupo, incluindo a flagship Maserati, com dois novos carros eletrificados.
Serão 60 novos veículos e o reposicionamento de 50 modelos a bateria, híbridos, plug-in, REEV e a combustão, reforçando o planejamento multienergia da empresa. Os 40% restantes serão destinados às plataformas, powertrains e tecnologias voltadas para carros inteligentes, com aderência à IA e aos veículos autônomos. Serão 29 elétricos, 15 modelos plug-in híbridos ou REEV, 24 HEV e 39 modelos a combustão.
O CEO Antonio Filosa, que completa um ano à frente da liderança global, disse que o plano estratégico FaSTLAne 2030 é resultado de meses de trabalho em toda a empresa e foi projetado para impulsionar o crescimento lucrativo de longo prazo.
“O cliente está no centro de tudo o que fazemos para cumprir o nosso propósito: mover as pessoas com marcas e produtos nos quais elas confiam.”
Software, arquitetura, tecnologia e colaborações comerciais com os chineses, em que a Stellantis, por exemplo, tem 51% de participação na Leapmotor, estão na pauta de cooperação industrial, assim como a outra parceira chinesa, a Dongfeng Motor Corporation, que produz Peugeot e Jeep na China.
Na Europa, a dona da Fiat confirmou 51% da joint venture com a Dongfeng, o que resulta na colaboração para compartilhamento de novas tecnologias, desenvolvimento e distribuição de produtos. Outro parceiro citado no Investor Day foi o grupo Tata Group, controlador da Jaguar Land Rover, explorando o território norte-americano com Land Rover, Defender e Range Rover.
A Stellantis também aprovou um plano de redução anual de 6 bilhões de euros até 2028. Os prejuízos comunicados no ano passado, de 22 bilhões de euros, já foram absorvidos dentro da reorganização do negócio. A partir do próximo ano, o grupo espera registrar fluxo de caixa positivo, métrica considerada essencial para a saúde financeira.
América do Sul
A marca vai falar hoje, no fim do dia, sobre a ampliação de parcerias com montadoras chinesas e o Brasil ganhando ainda mais destaque como país estratégico. O primeiro passo foi apontado para o crescimento da Leapmotor no país, com a fabricação, em Pernambuco, dos modelos C10 e B10, além de acordos de parceria com a Dongfeng.
Na região, o presidente Herlander Zola terá como objetivo manter a liderança no mercado brasileiro e crescer 10% na América do Sul.
O grupo
A Stellantis nasceu como um dos maiores grupos automotivos do mundo em 2021. Hoje, fazem parte do conglomerado Jeep, Ram, Peugeot e Fiat, incluindo a linha profissional.
As marcas consideradas regionais são Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo. Já as chamadas especiais incluem DS, Lancia e Maserati. Esta última irá inovar com o lançamento de dois surpreendentes carros de pegada esportiva no segmento de alto luxo.
Infomoney - SP 22/05/2026
O governo federal assinou uma Medida Provisória (MP) que destina até R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem a compra de veículos novos a juros mais baixos. A iniciativa faz parte do programa Move Brasil.
O programa de linhas de crédito para financiamento de veículos já funciona para a compra de caminhões, ônibus e implementos rodoviários. Porém, nem todas as montadoras fazem parte.
Estão habilitados ao Move Brasil veículos produzidos pela:
As condições valem para carros novos de até R$ 150 mil que atendam critérios de sustentabilidade, ou seja, os modelos flex, híbridos flex, elétricos ou exclusivamente a etanol.
As taxas de juros e prazos serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), ainda nesta semana.
Como pedir crédito pelo Move Brasil?
Os interessados podem solicitar financiamento do Move Brasil através do site gov.br/movebrasil. Para entrar, é necessário ter conta no gov.br.
O processo foi desenhado para ser simplificado, com compartilhamento autorizado apenas das informações necessárias à verificação da elegibilidade, dispensada, em regra, a apresentação inicial de documentos pelo interessado.
Para motoristas de aplicativo, a plataforma que deve confirmar que o motorista está apto ao crédito. Já os taxistas terão validação feita pela Receita Federal a partir dos dados da pessoa no próprio gov.br.
O retorno de disponibilidade do financiamento acontecerá em até 5 dias úteis após o pedido. O solicitante receberá a informação via caixa postal do gov.br.
Em caso positivo, os motoristas devem procurar as instituições financeiras a partir de 19 de junho. A análise de crédito será feita diretamente por estas instituições, depois que o interessado requisitar o financiamento.
O Estado de S.Paulo - SP 22/05/2026
O iFood e a 99 estão entre os principais financiadores de uma aposta de R$ 304,5 milhões para acelerar a produção nacional de motos elétricas e criar uma nova cadeia industrial voltada à eletromobilidade de duas rodas no Brasil. A iniciativa foi divulgada na quinta-feira (14) e é estruturada pela YvY Capital, que pretende viabilizar a fabricação e comercialização de 600 mil motocicletas elétricas até 2035 e destravar mais de R$ 5 bilhões em investimentos na próxima década.
O movimento, porém, vai além do incentivo à adoção de motocicletas elétricas. O plano prevê a criação de uma estrutura industrial completa, incluindo produção local de veículos, motores, baterias, componentes eletrônicos, infraestrutura de recarga e reciclagem. Em um país onde motocicletas são ferramenta de trabalho para milhões de pessoas, o projeto tenta atender também este público.
A 99 anunciou aporte superior a R$ 45 milhões para se tornar investidora âncora do Fundo de Eletromobilidade de Duas Rodas da YvY Capital. O iFood já participava da iniciativa desde março. Juntas, as empresas integram a Aliança pela Mobilidade Sustentável, grupo formado por 31 companhias voltadas à expansão da eletrificação no Brasil.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 22/05/2026
A XCMG, multinacional chinesa, confirmou o início da montagem de seus caminhões elétricos em território brasileiro. Com previsão para o final deste ano e o início de 2027. A produção ocorrerá na planta de Pouso Alegre, no sul de Minas, onde a fabricante já mantém uma infraestrutura consolidada desde 2014.
Segundo Rodrigo Barreto, gerente comercial de produtos elétricos da empresa, a operação começará no formato de montagem de peças importadas. A estratégia visa uma nacionalização gradual de componentes, repetindo o processo já realizado com os equipamentos da linha amarela da marca.
Se o movimento se consolidar, Pouso Alegre pode se converter em um polo nacional de fabricação de elétricos pesados. O que inauguraria um novo estágio do desenvolvimento industrial do município, que já detém um dos maiores parques industriais do estado.
Foco inicial em modelos leves - A linha de produção mineira será inaugurada com modelos de caminhões leves, especificamente os modelos de 3 e 4 toneladas. Conforme Barreto, a marca pretende ampliar gradualmente a montagem para outras categorias conforme o crescimento do mercado de mobilidade eletrônica no país.
Atualmente, a XCMG possui um dos maiores portfólios de veículos elétricos do mercado nacional, com modelos que chegam a 74 toneladas. A empresa também desenvolve soluções customizadas para operações específicas, como no setor de mineração e canavieiro.
No portfólios de pesados elétricos da chinesa estão presentes caminhões off-road para mineradoras, carregadeiras, caminhão rígido rodoviário, escavadeiras e empilhadeiras.
SEGS.com.br - SP 22/05/2026
A construção civil ocupa posição central dentro da indústria brasileira, com impacto direto na geração de empregos, na movimentação da cadeia produtiva e no desenvolvimento das cidades. No contexto do Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, o setor reforça sua relevância ao impulsionar diferentes segmentos, que vão desde a produção de insumos até serviços especializados.
Esse protagonismo está diretamente ligado à capacidade do setor de gerar desenvolvimento econômico e social de forma integrada. De acordo com o diretor de Engenharia da Emccamp, José Maurício Campos, a construção civil tem um efeito multiplicador muito relevante dentro da indústria. Cada obra movimenta uma cadeia extensa, que envolve desde fornecedores de materiais até serviços técnicos especializados, gerando emprego e renda em diferentes níveis, afirma.
Com forte capacidade de articulação, a construção civil conecta uma ampla rede de atividades industriais, como cimento, aço, cerâmica, vidro, logística, entre outros. Esse efeito multiplicador faz com que o setor tenha papel decisivo no desempenho econômico, influenciando indicadores como o Produto Interno Bruto (PIB) e a geração de renda.
Exemplo disso, a Emccamp atua como agente de desenvolvimento urbano e econômico nas cidades onde está presente. A atuação da incorporadora gera impactos em diferentes frentes, como a criação de empregos diretos e indiretos na construção civil, a contratação de fornecedores e prestadores de serviço locais, a valorização imobiliária das regiões e a movimentação do comércio e da economia do entorno.
Os projetos também contribuem para a ampliação da infraestrutura urbana e habitacional, além de estimular o acesso à moradia e ao crédito imobiliário. Com forte presença no segmento habitacional ligado ao programa Minha Casa Minha Vida, a empresa também desempenha papel relevante na redução do déficit habitacional e no fortalecimento da cadeia produtiva da construção civil, reforçando seu posicionamento como uma companhia comprometida com o desenvolvimento das cidades e com a construção de comunidades, comenta José Maurício Campos.
Segundo o diretor nacional de obras da Emccamp, Luiz Eduardo Machado, o cenário atual também evidencia a necessidade de equilíbrio entre crescimento e eficiência. O setor vem passando por um processo de evolução, com maior uso de tecnologia, planejamento e industrialização dos processos construtivos. Isso aumenta a produtividade e contribui para entregas mais eficientes, destaca Luiz Eduardo Machado.
Geração de empregos e fortalecimento regional
Atualmente, a Emccamp gera, em média, 1.162 empregos diretos por mês, considerando os últimos 12 meses, com média de 48 admissões mensais. De acordo com estimativas do setor, cada emprego direto na construção civil pode gerar até outros dois indiretos, ampliando ainda mais o impacto econômico da atividade.
O volume de empregos varia conforme o porte e a complexidade dos empreendimentos. Hoje, a companhia possui obras com mais de 200 colaboradores próprios atuando simultaneamente. Além disso, cada empreendimento mobiliza, em média, cerca de 40 empresas fornecedoras e parceiras, envolvendo diferentes segmentos da cadeia da construção civil. Em projetos de maior porte, esse número pode ultrapassar 100 empresas envolvidas.
Com quase cinco décadas de atuação, a Emccamp já entregou mais de 75 mil unidades habitacionais e mantém operações em três estados brasileiros: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, a empresa possui 15 empreendimentos em andamento, além de uma forte agenda de lançamentos prevista para 2026, com projetos distribuídos entre os três estados de atuação. Ao todo, estão previstas aproximadamente 5.924 novas unidades para lançamento entre junho e dezembro deste ano.
Inteligência artificial e eficiência operacional
A transformação tecnológica também tem acelerado mudanças importantes dentro da construção civil. Na Emccamp, a inteligência artificial já está presente em diferentes áreas da operação, como marketing, CRM, automação de atendimento, análise de comportamento do cliente, planejamento e acompanhamento de obras e análise de dados de mercado.
O uso dessas ferramentas contribui para ganhos de produtividade, melhoria da experiência do cliente, maior assertividade comercial e decisões mais orientadas por dados. Nas obras, a tecnologia também auxilia na identificação e correção de vícios construtivos ainda durante a execução dos empreendimentos. O setor vive uma mudança importante na forma de construir e gerir os negócios. A tecnologia e a inteligência artificial estão tornando os processos mais eficientes, previsíveis e sustentáveis, o que aumenta a competitividade da construção civil brasileira, avalia o vice-presidente da Emccamp, Andre Campos.
Entre os principais desafios enfrentados atualmente pela construção civil estão o custo elevado dos insumos, os juros altos, a necessidade de ampliar a produtividade e a escassez de mão de obra qualificada em algumas regiões do país. Por outro lado, o setor enxerga oportunidades importantes ligadas ao avanço da urbanização, à demanda habitacional e ao crescimento de programas de incentivo à moradia, como o Minha Casa Minha Vida.
A construção civil continuará exercendo papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Brasil. Além de movimentar a indústria e gerar empregos, a construção civil tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas. Quando entregamos um empreendimento, estamos contribuindo para o desenvolvimento das cidades, para o acesso à moradia e para a construção de comunidades mais estruturadas, conclui Andre Campos.
Money Times - SP 22/05/2026
O setor de construção civil tem apresentado um cenário de sinais divergentes: enquanto os custos voltaram a acelerar, especialmente em matérias-primas, a atividade segue resiliente, sustentada principalmente pelo nicho econômico e por condições ainda favoráveis de crédito habitacional, apontou um relatório do BB Investimentos (BB-BI).
Segundo o analista Felipe Mesquita, responsável pelo documento, o principal índice do segmento imobiliário (IMOB) recuou 3,8% em abril, dando continuidade ao movimento de queda iniciado em março (-9,4%).
No mesmo período, o Ibovespa ficou praticamente estável, com leve desvalorização de 0,1%, evidenciando que o setor imobiliário teve desempenho mais fraco que o mercado como um todo.
Pressão de materiais e alerta sobre custos
O grande destaque do mês passado — que contribuiu para a performance das ações das construtoras para baixo — foi o avanço do INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado), que subiu 1,04% e acumula alta de 6,28% em 12 meses.
De acordo com o analista, a principal pressão veio dos materiais de construção, que avançaram 1,35%, maior alta mensal desde 2022, influenciados por tensões geopolíticas e impactos na cadeia global de insumos.
O custo de mão de obra, segundo o BB-BI, também segue pressionando o índice, com alta de 8,71% no acumulado anual, embora com leve desaceleração recente.
Além disso, a taxa de juros elevada voltou a liderar o ranking de problemas da indústria da construção, conforme revelou levantamento da CNI, refletindo a percepção de um ciclo de afrouxamento monetário mais lento que o esperado.
Segmento econômico sustenta o setor
Apesar do cenário mais desafiador e da queda recente dos papéis na bolsa, o BB-BI destaca que o setor de construção segue sustentado pelo segmento de baixa renda, que mantém ritmo forte de lançamentos e vendas.
Na avaliação da casa, o avanço de programas habitacionais e condições de financiamento seguem como principais vetores de demanda.
“Mesmo nesse ambiente, o setor tem incrementado sua participação na geração de empregos formais no Brasil, com forte ritmo de lançamentos e comercialização de imóveis puxado por atrativas condições do Minha Casa, Minha Vida”, diz o relatório.
“Além disso, mesmo que as incorporadoras com foco em empreendimentos de médio e alto padrão tenham desacelerado o ritmo de lançamentos, prevendo uma demanda mais limitada por essas unidades, as vendas nesse nicho permanecem superando a reposição consistentemente desde o início de 2023”, prossegue.
Entre as companhias, o banco destaca que Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) mantiveram, no primeiro trimestre de 2026 (1T26), níveis elevados de vendas, enquanto Tenda (TEND3) apresentou forte expansão de lucro e avanço operacional.
Já MRV (MRVE3) mostrou sinais de recuperação gradual, com retorno à geração de caixa, apesar do prejuízo no período, enquanto Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), que são mais expostas à média e alta renda, vêm ampliando presença no segmento econômico para sustentar volumes.
Crédito imobiliário: poupança reage, mas financiamento segue fraco
A casa também destaca que, com relação ao financiamento, a poupança SBPE registrou captação líquida de R$ 500 milhões em abril — primeiro resultado positivo de 2026. O saldo total chegou a R$ 753,8 bilhões, maior nível nominal do ano.
Apesar disso, em termos reais, o saldo ainda recua 4% em 12 meses, enquanto as contratações via SBPE seguem em queda, com recuo de 14,2% na construção e 16,7% na aquisição de imóveis.
Já o FGTS segue como fonte relevante de funding, com arrecadação recorde de R$ 217,3 bilhões em 12 meses e crescimento de 5,8% nas contratações imobiliárias no período.
Por Igor Grecco
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
O Estado de S.Paulo - SP 22/05/2026
A disparada na liberação do crédito consignado, somada ao endividamento já bastante alto das famílias brasileiras, acendeu o sinal de alerta das construtoras. Há uma preocupação de que uma possível piora na capacidade de pagamento da população atrapalhe não somente as vendas de imóveis, como também os financiamentos concedidos aos consumidores.
Esse fator de risco é mais alto para as construtoras que atuam no segmento de moradias populares, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV). Nesses casos, é muito comum o cliente não ter uma poupança capaz de arcar com 20% a 30% do valor do imóvel que é pago na entrada da compra.
Esse valor acaba parcelado pelas construtoras — uma espécie de financiamento, que é chamado de pro soluto, no jargão do setor. Embora facilite os negócios, o problema do pro soluto é que ele não tem garantia em caso de inadimplência dos consumidores, pois o imóvel já é usado como garantia para o banco que financia os 70% a 80% restantes.
Com o endividamento crescente da população, turbinado pelo novo consignado, o risco de inadimplência está mais alto. “O valor líquido do salário recebido pelos empregados vem sendo reduzido pelo consignado privado. O risco da carteira de pro soluto está se ampliando”, afirma o consultor de negócios imobiliários José Urbano Duarte, ex-diretor de habitação da Caixa Econômica Federal.
A concessão de consignado no Brasil girava em torno de R$ 1,6 bilhão por mês, na média, até março de 2025. Aí o governo federal lançou o “Crédito do Trabalhador”, modalidade de consignado que tem o FGTS como garantia, abrindo espaço para taxa de juros menores. Depois disso, o volume de empréstimos saltou para mais de R$ 6 bilhões por mês, atingindo um pico de R$ 10,9 bilhões em março de 2026, conforme levantamento feito por Urbano.
A consequência do crescimento a passos largos do crédito consignado é a “perda de renda” da população nos meses seguintes, uma vez que a parcela dos financiamentos é debitada do contracheque dos trabalhadores para pagar os bancos em primeiro lugar. O resultado é um aumento no risco de inadimplência em outros compromissos já assumidos por essas pessoas, abrangendo desde o pro soluto até o aluguel, a fatura do cartão de crédito, entre outras.
“A consequência dessa dinâmica é o menor risco do consignado para os bancos e o aumento da oferta dessas linhas. Mas com uma captura crescente da renda e ampliação do risco, aumentando a inadimplência nas demais linhas de crédito”, observou Urbano.
O diretor financeiro da MRV, Ricardo Paixão, concorda que o cenário merece das construtoras atenção, bem como de outros setores produtivos. “Isso atrapalha tudo, não só a carteira pro soluto. Afeta desde o aluguel até os gastos nos supermercados”, ressaltou. “O banco é como um credor sênior do consumidor. A vantagem é ser uma dívida mais barata, mas o problema é a população ficar cada vez mais endividada. Pode ser um fator de pressão”. O diretor financeiro acrescentou que a MRV não teve piora na inadimplência dos seus clientes até aqui, mas afirmou que esse é um ponto de atenção para o ano.
A Cury também está de olho nesse quadro. “A inadimplência requer um monitoramento de perto. Impactou nossa carteira? Ainda não. Ela ainda está sob controle, mas estamos realmente muito atentos, devido a famílias estarem mais endividadas”, disse João Carlos Mazzuco, diretor financeiro da Cury. Por sua vez, o copresidente da construtora, Leonardo Mesquita, disse que o endividamento crescente já atrapalha as vendas. “Há muitas pessoas que deixam de comprar um imóvel pelo nome negativado. Nos estandes, dizemos muito mais ‘não’ do que ‘sim’. O endividamento nos atrapalha”, comentou.
O Estado de S.Paulo - SP 22/05/2026
A Ferrogrão deverá ser leiloada no segundo semestre de 2026, após avanços nas discussões ambientais e na tramitação do projeto no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), segundo o ministro dos Transportes, George Santoro.
O projeto avançou nas discussões ambientais, teve os estudos atualizados e prevê R$ 1 bilhão em compensações ambientais, segundo o ministro. George complementou dizendo que a ferrovia está em fase avançada de análise no TCU e aguarda definição do STF sobre uma ação relacionada ao empreendimento.
“A Ferrogrão deve ir (para frente). Hoje é o julgamento no Supremo. Se Deus quiser, vamos resolver essa questão finalmente”, afirmou durante o AgroForum, promovido pelo BTG Pactual nesta quinta-feira, 21.
Santoro destacou que o governo possui atualmente uma carteira de oito projetos ferroviários para licitação e que três deles têm leilão previsto para o segundo semestre. Entre eles, além da Ferrogrão, está a relicitação da Malha Oeste, aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para envio ao TCU.
Ao tratar da agenda ferroviária, afirmou que o governo avançou nas discussões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para criar uma linha de financiamento específica para projetos ferroviários greenfield (construídos do zero). A proposta prevê prazo de até 50 anos e carência inicial para pagamento de juros.
O ministro ressaltou, porém, que o financiamento não elimina sozinho os desafios de caixa desses empreendimentos e afirmou que o governo decidiu adotar mecanismos para cobrir lacunas de viabilidade econômica. Entre as alternativas estão investimentos cruzados e o uso de recursos obtidos em renovações e outorgas ferroviárias. “Temos clareza de que vamos conseguir viabilizar uma carteira de ferrovias”, disse.
Santoro também destacou os avanços da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), após negociações com a Vale, e a modelagem da nova concessão da Malha Sul, estruturada em três lotes após a decisão de não renovar o contrato da Rumo.
A expectativa é que o primeiro lote seja o mais rentável para gerar recursos para apoiar os demais trechos da concessão, incluindo investimentos para ampliar a conexão ferroviária com os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. “A filosofia é: dinheiro de ferrovia fica em ferrovia”, afirmou.
CNN Brasil - SP 22/05/2026
A nova concessão da Malha Oeste foi aprovada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), nesta quinta-feira (21). O projeto segue para o Ministério dos Transportes e para análise do TCU (Tribunal de Contas da União).
Inicialmente, o leilão da ferrovia era para ser realizado em julho, segundo os cronogramas iniciais do Ministério dos Transportes, porém, os estudos ficaram prontos depois do previsto, o que atrasou o cronograma.
À CNN, o relator do processo, diretor Lucas Asfor, afirmou que parte do traçado da concessão contará com aportes do governo federal para viabilizar a recuperação e a retomada operacional da malha ferroviária.
O valor estimado para essas obras é de R$ 3,6 bilhões. Pelos novos estudos, poderão ser feitos repasses em quantas parcelas forem necessárias para atingir esse montante, desde que os desembolsos mensais não ultrapassem R$ 500 milhões.
A estratégia de repassar os recursos de forma escalonada é garantir previsibilidade fiscal e evitar interrupções nos repasses, permitindo que os investimentos ocorram de maneira contínua ao longo da concessão.
Em 2025, a Rumo tentou fazer um acordo para repactuar a concessão da Malha Oeste. Porém, o Tribunal de Contas afirmou que não seria possível entrar em um acordo consensual para o contrato porque o projeto requeria uma remodelagem completa da que foi estruturada em 1996.
Com os novos estudos, a concessão vai abranger 1,6 mil quilômetros de ferrovia, ligando Corumbá (MS) a Mairinque (SP), com integração ao Porto de Santos e conexão futura com os portos do Rio de Janeiro e Espírito Santo por meio do Ferroanel. O trecho de Corumbá a Três Lagoas (MS) não vai contar com aporte financeiros do governo federal.
CNN Brasil - SP 22/05/2026
A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria de Construção), as restrições fiscais ainda limitam a ampliação dos investimentos públicos no setor, apesar do bom momento das concessões de rodovias.
Para Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Comissão de Infraestrutura da entidade, nem todas as necessidades da malha rodoviária poderão ser atendidas apenas por concessões privadas.
A fala ocorreu durante um evento da CBIC realizado em São Paulo nesta quinta-feira (21).
No último ano, o governo federal realizou 13 leilões de rodovias, concedendo 6,2 mil km, com previsão de R$ 135 bilhões em investimentos. Já em 2026, o Ministério dos Transportes apresentou uma carteira de 35 projetos de concessões rodoviárias, com oportunidades que somam R$ 396 bilhões.
Na próxima quinta-feira (28), a chamada Rota dos Sertões, lote rodoviário composto pelas BR-116/BA/PE e BR-324/BA, irá a leilão na B3, em São Paulo, com investimentos previstos em R$ 4,3 bilhões, ao longo de 30 anos de contrato.
Este será o quinto lote a ser levado a leilão no âmbito do contrato de estruturação de rodovias federais celebrado entre o BNDES e o Ministério dos Transportes.
Segundo Lima Jorge, o investimento público está "aquém" do necessário, como no caso do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT.
"A gente tem entre R$ 14 bi e 15 bi de investimento no DNIT, quando a capacidade é o dobro disso de investimento. Seria 30 bilhões. Só que existem restrições fiscais que precisam ser bem equacionadas, existem medidas que precisam ser tomadas", defendeu o dirigente.
Dados do Ministério dos Transportes e de Portos e Aeroportos mostram que no último ano R$ 13,9 bilhões de reais foram executados pelo Executivo em infraestrutura.
Entretanto, o valor é bem abaixo do que já foi investido anteriormente. Para comparação, entre 2009 e 2014 os aportes ficaram na casa dos R$ 20 bi, atingindo R$ 30,5 bilhões em 2010.
Segundo especialistas, apesar do ciclo de grandes investimentos, o desafio do momento não é apenas estruturar concessões, mas também primar pela execução contratual, com a conclusão das obras, a manutenção contínua, além dos padrões de segurança viária e a modicidade tarifária.
Para o advogado Walter Marquezan Augusto, Doutor em Direito Econômico pela USP e membro do Schiefler Advocacia, "a concessão rodoviária não pode ser vista como um fim em si mesmo", mas como um instrumento para entregar serviço adequado ao usuário.
"O Brasil não pode depender de ciclos episódicos de recuperação da malha. É necessário assegurar previsibilidade orçamentária, contratos de manutenção bem estruturados, fiscalização por desempenho, sinalização adequada e integração entre conservação do pavimento, segurança viária e ganhos logísticos (...) se o contrato não entrega isso, o sucesso do leilão e o anúncio de cifras de investimento são apenas aparentes", disse.
"Esses elementos recaem, portanto, na capacidade do Estado brasileiro em consolidar uma política rodoviária de longo prazo, que ultrapasse oscilações de governo", finalizou.
Valor - SP 22/05/2026
Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos fizeram recomendação em carta para órgão internacional marítimo
Cinco países do Oriente Médio rejeitaram formalmente a criação, pelo Irã, da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês) para controlar o trânsito no Estreito de Ormuz.
Em uma carta enviada a um órgão internacional de monitoramento marítimo, Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos afirmaram que embarcações comerciais e mercantes não devem interagir com a PGSA nem atravessar a hidrovia utilizando uma rota designada pelo Irã. A carta foi emitida no início desta semana e distribuída pela Organização Marítima Internacional.
No início de maio, o Irã apresentou um processo atualizado para a travessia do estreito, no qual proprietários de navios precisam enviar e-mails à PGSA. A hidrovia permanece amplamente bloqueada desde que os EUA e Israel começaram a bombardear o Irã no fim de fevereiro, embora algumas embarcações tenham conseguido atravessar utilizando rotas aprovadas por Teerã.
“A suposta rota iraniana deve ser vista pelo que realmente é: uma tentativa de controlar o tráfego pelo estreito ao forçar embarcações a utilizarem uma rota dentro de suas águas territoriais, o que pode ser explorado para ganhos financeiros por meio da imposição de taxas de pedágio”, afirma a carta.
“Qualquer entendimento ou reconhecimento da rota proposta pelo Irã e da PGSA como alternativa estabeleceria um precedente perigoso,” afirmaram os signatários.
A posição desses países é relevante porque, em tempos normais, eles exportam grandes volumes de energia, o que significa que armadores dispostos a cooperar com o Irã correriam o risco de desagradar outros importantes produtores regionais.
A Organização Marítima Internacional, agência da ONU voltada ao setor naval, já afirmou anteriormente que a cobrança de pedágios para cruzar Ormuz seria inaceitável — posição reforçada no mês passado por duas das maiores tradings de commodities do mundo.
Grandes Construções - SP 22/05/2026
Terminais portuários brasileiros que movimentam contêineres preveem investir mais de R$ 10 bilhões até 2029 para expandir capacidade e aumentar a profundidade dos canais de acesso aos portos.
As obras buscam contornar a infraestrutura saturada dos terminais e possibilitar a operação de navios de nova geração.
O levantamento foi feito pela consultoria Solve Shipping, que atua nos setores logístico e de comércio exterior. No total, os aportes serão feitos em portos de nove estados, nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul.
Leandro Carelli, sócio da Solve Shipping, aponta os investimentos previstos para o porto Itapoá (SC) como uma das obras mais importantes do segmento.
O terminal privado prevê R$ 500 milhões para conclusão da sua quarta fase de expansão, que inclui ampliação do cais e aquisição de portêineres - equipamento essencial para a movimentação de contêineres em navios de grande porte.
Em paralelo, o terminal aguarda a finalização da obra de dragagem do canal de acesso ao Complexo Portuário da baía da Babitonga.
O aprofundamento da passagem, que custou mais de R$ 324 milhões, vai permitir que navios maiores atraquem na região.
O aporte maior, de R$ 300 milhões, veio do porto Itapoá e será devolvido de forma parcelada até 2037.
O porto de São Francisco do Sul, localizado na margem oposta da baía e ligado ao governo estadual, custeou o restante (R$ 24 milhões) da obra.
Segundo Alberto Machado, gerente de comunicação e relações institucionais do porto Itapoá, a expectativa é de que a dragagem seja concluída entre junho e julho.
“Depois tem período de testes, homologação. A gente está imaginando no segundo semestre já ter esse canal 100% aprofundado.”
Com o fim das obras, a profundidade do canal externo crescerá de 14 metros para 16 metros, permitindo a navegação de embarcações de até 366 metros de comprimento -navios maiores e mais novos no mercado.
De acordo com Carelli, da Solve Shipping, a mudança pode facilitar a logística de grandes navios que vêm de outras partes do mundo, como a Ásia.
Ele explica que as embarcações podem usar o terminal de Itapoá para descarregar um pouco da carga e seguir, mais leves, para outros portos que possuem calados (profundidade) menores –e que, por isso, não recebem navios maiores que operam em plena capacidade.
O levantamento elaborado pela Solve Shipping exclui o Tecon Santos 10, o megaterminal de contêineres projetado para o porto de Santos (SP) que é alvo de divergências de modelagem do leilão e ainda não teve a data do certame marcada.
Carelli diz, no entanto, que para garantir aumento da capacidade no segmento de contêineres, esse e outros projetos terão de sair do papel.
“Se não vier o Tecon Santos 10 e mais algum outro terminal até 2035, a gente vai continuar andando acima da capacidade operacional”, afirma.
Somente na Portonave, terminal privado de contêineres em Navegantes (SC), serão investidos mais de R$ 2 bilhões. Com o aporte, o cais será adequado para operar com até 17 metros de profundidade, o que o tornará apto a receber navios de até 400 metros, de acordo com o terminal. Hoje o porto opera com um calado menor que 14 metros.
“Nós teremos isso formatado para receber a nova geração de navios, de 366 metros que já está começando a entrar em alguns terminais no Brasil. Até então, nós só podemos receber navios de 350 metros”, diz Osmari de Castilho Ribas, diretor superintendente administrativo da Portonave.
Além disso, haverá infraestrutura para futura instalação de um sistema que permitirá o fornecimento de energia elétrica aos navios atracados.
A Portonave também usará os recursos para a aquisição de nove novos equipamentos, entre eles guindastes e scanners de contêineres.
Com as obras previstas, o terminal prevê expandir a capacidade operacional anual de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).
Em Pernambuco, a APM Terminals constrói um novo terminal de contêineres no porto de Suape, com início de operação previsto para o segundo semestre deste ano e investimento de R$ 2,1 bilhões.
“O terminal vai estar preparado para receber navios maiores. Mas não adianta um porto, um terminal só estar preparado para isso no Brasil. A gente tem que ter vários portos preparados para isso, porque o navio que vem para cá não escala um terminal só”, diz Leonardo Levy, diretor de Investimentos para as Américas da APM Terminals.
A Tribuna - SP 22/05/2026
Dezesseis associações do setor produtivo assinaram um manifesto pedindo celeridade na realização do leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no Porto de Santos. Elas argumentam que o projeto é estratégico para a economia nacional e alertam que novos atrasos podem comprometer a competitividade logística do País.
No texto, as instituições declaram confiança no Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Apoiam a publicação do edital e a realização do leilão “o quanto antes para que todos se beneficiem do cenário de maior concorrência em Santos”, destacando que apoiarão o Governo Federal “num processo sem sobressaltos, com cronograma claro, resistindo a pressões corporativas e interferências que buscam apenas tumultuar e atrasar um projeto tão urgente e debatido”.
Entre outros, assinam o manifesto a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), Sociedade Rural Brasileira (SRB), Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O grupo afirma que o Tecon Santos 10 é fundamental para ampliar a capacidade operacional do Porto de Santos — principal porta de entrada comercial da América Latina e atualmente próximo da saturação. As entidades argumentam que a expansão beneficiará toda a cadeia econômica, desde produtores rurais até consumidores finais, além dos setores industrial e comercial.
O manifesto destaca que cada adiamento do projeto gera aumento de custos para importadores e exportadores, perda de competitividade no comércio internacional, pressão sobre empregos ligados à atividade portuária e risco de redução da arrecadação fiscal. As associações também afirmam que a demora pode fazer com que investimentos privados sejam direcionados a outros países.
O grupo lembra que o projeto do Tecon Santos 10, a ser instalado no cais do Saboó, é discutido desde 2021 e que o rito formal, conduzido pela Antaq e MPor desde fevereiro de 2025, já foi concluído.
Porém, a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (SEPPI), ligada à Casa Civil da Presidência da República, está sugerindo subir a outorga mínima de R$ 500 milhões para R$ 1,044 bilhão, além da retirada da restrição aos armadores e atuais operadores do Porto de Santos no leilão.
O diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, alertou que um terceiro modelo de licitação reiniciaria o processo, com o novo edital precisando ser analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
CNN Brasil - SP 22/05/2026
O governo federal prevê realizar, no primeiro semestre de 2027, leilões para concessão de seis hidrovias no país. O cronograma inclui os rios Paraguai, Madeira, Tocantins e Tapajós, além da chamada Hidrovia Verde e da Hidrovia da Lagoa Mirim.
A previsão foi apresentada nesta quinta-feira (21) pelo secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, durante balanço dos dois anos de atuação da SNHN (Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação), vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos.
“Isso é algo realmente disruptivo e inovador. Estamos trabalhando nas primeiras concessões dos serviços hidroviários. Seria uma virada de chave definitiva na qualidade do modal, inclusive para quem mais precisa: ribeirinhos, pescadores e indígenas”, disse.
Além dos leilões previstos para 2027, o governo aponta outros dois movimentos no processo de estruturação do setor: a delegação da Hidrovia do Rio Parnaíba ao estado do Piauí, que ocorreu no primeiro semestre de 2025, e a descentralização da Hidrovia do Rio São Francisco para a Codeba, projetada para o segundo semestre de 2026.
As hidrovias incluídas no pacote de concessões são consideradas prioritárias pelo Ministério de Portos e Aeroportos desde 2023. Pelos cronogramas iniciais da pasta, parte desses leilões já deveria ter sido realizada.
No caso da Hidrovia do Rio Paraguai, o ministro de Portos e Aeroportos Tomé Franca confirmou que o leilão deve ficar para o início de 2027, após ter sido previsto anteriormente para o fim de 2026. Segundo ele, a reprogramação ocorreu em meio às negociações com Paraguai e Argentina sobre o modelo do projeto.
Um dos principais entraves envolve a cobrança de pedágio pela Argentina em trecho compartilhado da hidrovia, além da discussão sobre uma eventual gestão compartilhada entre os países. Franca afirmou que o acordo internacional deve ser concluído no segundo semestre deste ano.
De acordo com a secretaria, as concessões devem buscar ganhos logísticos, sociais e ambientais. Entre os objetivos citados estão maior eficiência no transporte de cargas, redução dos custos logísticos, geração de emprego e renda e menor impacto ambiental em comparação a outros modais.
Crescimento na movimentação
Segundo Burlier, os investimentos em infraestrutura hidroviária somam R$ 1,5 bilhão entre 2023 e 2026. O valor é mais que o dobro dos R$ 716 milhões registrados entre 2019 e 2022. Para 2026, a LOA (Lei Orçamentária Anual) prevê mais de R$ 540 milhões para o setor, dos quais mais de R$ 200 milhões já foram pagos.
Os aportes já aparecem nos dados de movimentação hidroviária.
No transporte de cargas, a secretaria informou que a movimentação por vias interiores chegou a 145 milhões de toneladas em 2025, alta de 12,4% em relação às 129 milhões de toneladas registradas em 2024. Na cabotagem, o volume transportado passou de 214 milhões para 223 milhões de toneladas no mesmo período, avanço de 4,3%.
O balanço também destacou ações voltadas à garantia da navegabilidade, como dragagens e a operação de eclusas.
“Diante da possibilidade de uma estiagem severa no segundo semestre, já está em planejamento um conjunto de iniciativas articuladas com órgãos do setor público, incluindo a Marinha do Brasil e a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico)”, afirmou Burlier.
O governo também citou projetos de derrocamento — retirada de formações rochosas que dificultam a navegação — no Rio Tocantins, em Pedral do Lourenço, com prazo de execução de três anos, e no Rio Tietê, em Nova Avanhandava, com execução prevista para junho de 2026.
Por fim, Burlier indicou que o governo deve anunciar, na próxima semana, o início efetivo das obras do Terminal Hidroviário de Manaus, conhecido como Manaus Moderna, em agenda com o presidente Lula e o ministro Tomé Franca.
O projeto de ampliação do terminal é estimado em R$ 876 milhões e prevê a assinatura da ordem de serviço para elaboração do projeto e construção em maio de 2026. Segundo a SNHN, a estrutura deve atender a capital amazonense, com população estimada em 2,1 milhões de habitantes .
Valor - SP 22/05/2026
O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em julho teve queda de 2,32% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês recuou 1,94%
Os contratos futuros do petróleo fecharam em firme queda nesta quinta-feira (21), apagando a valorização vista mais cedo, diante da notícia de uma agência iraniana de que os Estados Unidos e o Irã teriam chegado a um acordo preliminar de paz.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em julho teve queda de 2,32%, cotado a US$ 102,58 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês recuou 1,94%, a US$ 96,35 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Segundo a agência de notícias iraniana Ilna, os Estados Unidos e o Irã teriam chegado a um acordo preliminar, mediado pelo Paquistão. O suposto rascunho prevê um cessar-fogo imediato e abrangente em todas as frentes, além do compromisso mútuo de não atacar infraestruturas. O texto também estabelece a garantia de liberdade de navegação no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.
Mais cedo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia dito que via sinais positivos para um acordo com o Irã. "Vamos ver se conseguimos fazer um acordo com o Irã, há alguns sinais positivos", ele disse.
Os preços do petróleo iniciaram o dia em alta, em meio a dúvidas sobre a viabilidade de um acordo ser alcançado. Apesar de certo progresso nos últimos dias, a notícia de que as autoridades iranianas não estariam dispostas a abrir mão do urânio enriquecido em seu território esfriaram o otimismo dos investidores. Segundo a agência de notícias Reuters, o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, teria determinado que o urânio enriquecido a níveis militares deveria permanecer no Irã, representando um obstáculo importante para as negociações, dado que essa tem sido uma das principais exigências das autoridades americanas.
Infomoney - SP 22/05/2026
Os participantes do mercado de petróleo estão cada vez mais prevendo que o preço do petróleo bruto ficará próximo de US$ 100 por barril no próximo ano, já que a demanda é forçada a diminuir para compensar as perdas de milhões de barris na oferta causadas pela guerra entre os EUA e o Irã.
Essa é uma das conclusões de uma pesquisa da Bloomberg Intelligence que recebeu 126 respostas neste mês de gestores de ativos e outros especialistas do mercado de energia.
A maioria dos participantes do mercado espera que o Brent fique em média entre US$ 81 e US$ 100 por barril nos próximos 12 meses. Quase dois terços dos entrevistados acreditam que o petróleo manterá um prêmio de risco duradouro de US$ 5 a US$ 15 por barril nos próximos anos, com poucos prevendo que ultrapasse US$ 20.
“Essa distribuição sugere que os riscos geopolíticos são vistos como persistentes, mas não como uma mudança fundamental no regime de preços de longo prazo”, segundo analistas da BI, incluindo Salih Yilmaz e Will Hares. “Em vez disso, os entrevistados parecem presumir que a oferta e a demanda se reequilibrarão gradualmente, ancorando os preços em uma faixa relativamente estável.”
A pesquisa identificou a “destruição da demanda” como o mecanismo mais provável para compensar os déficits de oferta no próximo ano, seguida pelo redirecionamento dos fluxos comerciais, ajustes nas políticas da OPEP+ e liberações de reservas estratégicas. A maioria dos entrevistados espera que as interrupções no fornecimento global sejam, em média, de 3 a 7 milhões de barris por dia, com poucos prevendo interrupções acima de 10 milhões.
Em sua 12ª semana, a guerra no Irã restringiu severamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz, elevando os preços globais da energia e a inflação. A expectativa é de que o fluxo pelo estreito permaneça restrito, embora não a ponto de entrar em colapso, segundo pesquisa da Business Insider. Quase metade dos entrevistados prevê que os volumes ficarão entre 51% e 75% dos 20 milhões de barris por dia normais nos próximos 12 meses.
Ainda assim, os preços gerais do petróleo permaneceram relativamente baixos, apesar dos sinais de aperto na oferta física.
A chamada assimetria de opções de compra (call skew) para o petróleo West Texas Intermediate e o Brent, ou seja, o prêmio que os investidores pagam por opções que apostam em novas altas de preço, caiu para o menor nível desde antes do início do conflito no final de fevereiro. Os fundos de hedge também reduziram suas posições compradas para os níveis mais baixos desde então.
Esses movimentos apontam para um mercado menos focado em buscar ganhos e mais em gerenciar a volatilidade. Cerca de um quarto dos entrevistados espera um aumento nas atividades de hedge e gestão de risco, em comparação com 15% que preveem uma maior tomada de risco oportunista.
A expectativa é de que a produção de xisto nos EUA continue a crescer, embora poucos acreditem que o aumento da produção seja forte o suficiente para reequilibrar o mercado de forma significativa. A maioria dos entrevistados prevê ganhos moderados nos próximos anos, enquanto quase um terço espera que a produção permaneça praticamente estável. Apenas uma pequena minoria prevê um aumento acentuado ou uma queda acentuada na produção.
Alguns produtores de xisto já estão se preparando para aumentar modestamente a atividade de perfuração, visto que os preços estão próximos das máximas dos últimos quatro anos, enquanto Washington incentiva as empresas nacionais a bombear mais petróleo bruto. A Administração de Informação Energética dos EUA projeta que a produção de petróleo bruto dos EUA atingirá um recorde de 14,1 milhões de barris por dia em 2027.
Valor - SP 22/05/2026
Zoomlion planeja a construção de uma nova fábrica no país exclusiva para os equipamentos agrícolas
A Zoomlion Heavy Industry Science & Technology Co., Ltd., gigante chinesa de maquinários nas áreas de engenharia e agropecuária, apresentou recentemente uma linha de tratores de 70 a 350 cavalos de potência. O destaque são dois modelos híbridos inéditos no país, que rodam com motores a diesel e elétrico. O equipamento foi apresentado pela primeira vez neste ano na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
A companhia de capital aberto atua em 60 países nas áreas de mineração, construção e agrícola, e no ano passado faturou quase US$ 10 bilhões.
Os equipamentos híbridos, segundo a empresa, fazem parte da estratégia de ampliar o uso de tecnologias voltadas à eficiência energética e à redução de impactos ambientais no setor agrícola. Os equipamentos foram desenvolvidos para atender operações de grande escala, com foco em desempenho, consumo de combustível e eficiência na operação.
A empresa estreou sua linha agrícola no Brasil no ano passado, depois que uma pesquisa identificou uma oportunidade boa de negócios no país, na esteira da chegada dos fabricantes chineses de carros como a BYD, que também participou da Agrishow com estande na frente da Zoomlion.
Xiangbo Li, CEO da divisão agrícola da Zoomlion no exterior, disse ao Valor que a empresa pretende trazer para o Brasil toda sua linha de tratores, colheitadeiras (uma versão híbrida será lançada no final do ano) e plantadeiras visando alcançar 10% de market share até 2030. Está nos planos também a construção de uma nova fábrica no país exclusiva para os equipamentos agrícolas.
“Nossos motores híbridos equipam tratores de 160 a 700 hp, sendo que o de 700, recém-lançado, é o maior trator híbrido do mundo (custo estimado de US$ 1,5 milhão). Nos testes, vimos que a sensação de dirigir um trator híbrido é a mesma de dirigir um carro elétrico. E conseguimos uma economia de combustível de 26% em relação aos modelos com diesel.”
O modelo híbrido DV 3504, considerado o mais avançado da linha, já está disponível em estoque no Brasil na fábrica de Indaiatuba (SP). Ele incorpora um sistema de acionamento elétrico inteligente distribuído que foi patenteado pela Zoomlion.
O trator oferece tração de 119 kN e vazão hidráulica de 227 l/min, características voltadas a demandas de alta exigência no campo. O projeto também inclui melhorias na cabine, como isolamento acústico e assento com suspensão a ar. Seu valor é de cerca de R$ 2 milhões, segundo Huang we Che, diretor da divisão agrícola da Zoomlion no Brasil.
O diretor afirmou que, antes de trazer sua linha de tratores e colheitadeiras para o Brasil, a empresa fez uma pesquisa avançada para providenciar as adaptações, melhorias e tropicalização dos equipamentos. Os testes foram efetuados em fazendas de grãos de Minas Gerais.
“Chegamos em fazendas que usam trator da marca X e oferecemos nosso equipamento para fazer o mesmo trabalho sem nenhum custo ao produtor. Queríamos saber coisas como questão de ruído, se o ar-condicionado funcionava bem, se a direção estava ok, se a suspensão estava confortável e também ajustar a questão da ergonomia na cabine. O resultado foi muito bom e estamos aumentando nossas vendas mês a mês.”
O executivo não revela o total de vendas já concluídas, alegando que o número ainda é pequeno porque a Zoomlion só começou a atuar nesta área no ano passado, mas disse que a meta neste ano é fechar com faturamento de R$ 500 milhões. A empresa também anunciou que no próximo mês vai abrir um centro de capacitação em Ribeirão Preto para formar técnicos especializados na marca.
O CEO da divisão agrícola da Zoomlion no exterior disse que o faturamento neste ano deve ser superior aos US$ 10 bilhões. Segundo ele, como no Brasil, as vendas de máquinas agrícolas estão em declínio na China, mas estão aquecidas em outros países, como Rússia e Itália, suavizando as oscilações de mercado.
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