Portal Fator Brasil - RJ 20/04/2026
A Usiminas participa de um dos projetos mais estratégicos do país: a construção de quatro navios militares, desenvolvidos para a Marinha do Brasil. A companhia foi a única no Brasil fornecedora de aço plano para as embarcações, reforçando seu papel no fortalecimento da indústria nacional e na defesa das águas brasileiras.
Trata-se do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), conduzido pela Marinha do Brasil, gerenciado pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) E executado pela Águas Azuis, sociedade de propósito específico formada pelas empresas TKMS, Embraer e Atech. A construção das embarcações ocorre na TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), com alto nível de complexidade tecnológica e transferência de tecnologia e conhecimento para o país.
Desde 2020, a Usiminas participou de um rigoroso processo de homologação para atender às exigências técnicas do PFCT. A iniciativa envolveu diversas áreas da empresa, em um trabalho conjunto para assegurar que o aço atendesse aos padrões internacionais definidos pela certificadora.
Para aplicação nas fragatas, o material precisava apresentar elevada resistência mecânica, tenacidade e excelente soldabilidade, características essenciais para suportar condições severas do ambiente marítimo e operações de defesa. O plano de testes incluiu ensaios mecânicos, análises macro e microestruturais, testes de dureza e impacto, além de avaliações específicas das juntas soldadas, simulando condições reais de fabricação no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Usiminas, o maior em siderurgia da América Latina.
Cada embarcação utiliza cerca de 1.300 toneladas de aço plano, incluindo chapas grossas produzidas em Ipatinga e bobinas laminadas a quente fabricadas em Cubatão. A primeira fragata foi lançada ao mar em 2024 e entregue à Marinha do Brasil em março deste ano. As outras três fragatas seguem em construção no estaleiro da TKMS.
Para o especialista em assistência técnica da Usiminas, Lúcio Sávio Miranda, a participação no projeto é motivo de orgulho e demonstra a capacidade técnica da indústria brasileira. —Nos enche de orgulho a participação da Usiminas no Programa Fragatas Classe Tamandaré, com o qual a Marinha do Brasil poderá ampliar sua atuação na defesa das águas territoriais brasileiras. É um projeto que evidencia a capacidade da indústria nacional, e esperamos seguir contribuindo nas próximas etapas— afirma.
Além de atender a um projeto de defesa nacional, a iniciativa também fortalece a cadeia produtiva brasileira e evidencia a competitividade da Usiminas frente a concorrentes internacionais, incluindo siderúrgicas europeias.
Investing - SP 20/04/2026
Os preços do aço europeu aumentaram aproximadamente ¬ 100 por tonelada no acumulado do ano, impulsionados pelo Mecanismo de Ajuste de Carbono nas Fronteiras (CBAM), demanda estável e custos mais altos de energia e transporte marítimo, de acordo com analistas do Bank of America.
Os preços de bobinas laminadas a quente (HRC) ficaram em média em torno de ¬ 660 por tonelada no primeiro trimestre de 2026, representando um aumento de 10% ou ¬ 60 por tonelada em relação ao ano anterior. Os preços spot de HRC agora atingiram cerca de ¬ 700 por tonelada, alta de aproximadamente ¬ 100 por tonelada em relação aos níveis médios do quarto trimestre de 2025.
A produção de aço da União Europeia permaneceu praticamente estável durante os dois primeiros meses do primeiro trimestre, queda de 2% em relação ao trimestre anterior e 1% em relação ao ano anterior, com base em dados da World Steel Association.
A atividade de construção mostrou sinais de melhora, com licenças de construção e confiança no setor em alta, embora em ritmo mais lento do que nos trimestres anteriores. A produção de veículos permaneceu estável nos primeiros meses, mas desacelerou em março.
O Bank of America estima que aproximadamente ¬ 20 por tonelada dos recentes ganhos de preço do HRC refletem custos mais altos de energia.
Os analistas observaram que o aço importado também enfrenta custos de produção mais altos, com feedback de uma viagem de campo ao setor siderúrgico da China sugerindo que o aumento dos custos de transporte marítimo está contribuindo para a regionalização dos mercados globais de aço.
A firma elevou suas projeções de preços do aço para refletir aumentos mais rápidos do que o esperado nos preços de referência. O Bank of America agora projeta o HRC a ¬ 730 por tonelada em 2027, um aumento adicional de ¬ 30 por tonelada em relação aos níveis atuais, devido à implementação de cotas tarifárias em julho.
A projeção de preços implica uma vantagem adicional de 6% para o EBITDA consensual do ano fiscal de 2026 para a ArcelorMittal (Nova York:MT).
Petro Notícias - SP 20/04/2026
A produção brasileira de aço bruto no primeiro trimestre de 2026 somou 8,1 milhões de toneladas, o que significa uma queda de 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Aço Brasil. Na mesma base de comparação, as importações de laminados alcançaram 1,57 milhão de toneladas, alta de 8,3%. Em termos anualizados, o volume de entrada desse produto no país é estimado em 6,26 milhões de toneladas, patamar que representa o triplo da média anual registrada entre 2000 e 2019, de 2,2 milhões de toneladas, e 9% acima dos 5,75 milhões de toneladas registrados em 2025.
As vendas internas totalizaram 5,1 milhões de toneladas entre janeiro e março, com recuo de 1,1%. O consumo aparente de produtos de aço foi de 6,6 milhões de toneladas, queda de 0,8%. Já as exportações alcançaram 2,8 milhões de toneladas no período, crescimento de 12,1%. O Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) fechou abril em 51,7 pontos, com avanço de 2,4 pontos. A manutenção do índice próxima à linha dos 50 pontos indica que a melhora, ainda que moderada, reflete as expectativas dos CEOs para os próximos seis meses, em um cenário que segue marcado por incertezas quanto à situação atual.
Money Times - SP 20/04/2026
O Itaú BBA elevou o preço-alvo da Usiminas (USIM5) para R$ 9,00 ao fim de 2026 e reiterou a recomendação outperform, ao avaliar que o mercado ainda não incorporou totalmente os efeitos das medidas antidumping sobre o aço no Brasil.
Por volta das 13h desta sexta-feira (17), as ações da companhia subiam 5,44%, a R$ 7,37, enquanto o Ibovespa recuava 0,3%.
Para o banco, as tarifas alteraram a dinâmica do setor de planos ao reduzir a competitividade da China e deslocar a demanda para fornecedores mais caros, elevando o piso de preços domésticos. O impacto deve ganhar tração a partir do terceiro trimestre de 2026.
Apesar da alta de cerca de 41% das ações desde a última revisão, o BBA ainda vê potencial adicional de aproximadamente 29%, apoiado na expectativa de novos reajustes no segundo semestre e efeitos que se estendem para 2027.
Os analistas destacam que o repasse ainda foi parcial, já que distribuidores anteciparam estoques antes da entrada das tarifas. Com a normalização, a tendência é de aceleração nos reajustes para recompor o prêmio histórico sobre a paridade de importação.
No mercado internacional, as tarifas elevaram os custos de importação e levaram compradores a substituir a China por países como Coreia do Sul e Vietnã, com preços mais altos — em alguns casos, mais de US$ 100 por tonelada.
No curto prazo, o banco projeta um segundo trimestre ainda pressionado, com estabilidade sequencial diante da compensação entre preços e custos, especialmente de placas. Ainda assim, vê espaço para revisões positivas de lucro e melhora do desempenho das ações a partir do terceiro trimestre.
O BBA classifica 2026 como um ano de transição, com geração de caixa limitada e múltiplo de 4,1 vezes EV/EBITDA. Para 2027, projeta avanço relevante, com yield de fluxo de caixa livre de 8% e múltiplo de 2,8 vezes, em um ambiente mais protegido para o setor.
BofA e Safra rebaixaram USIM5
No último dia 13, o Bank of America (BofA) mudou de compra para neutro a recomendação para a Usiminas, enquanto o Safra reduziu de neutro para venda
Para o BofA, embora os aumentos de preços do aço plano sejam favoráveis para a Usiminas, a avaliação de um valuation de 5,3x projetado para 2026 sugere que esses fatores já podem estar precificados.
Adicionalmente, a geração de caixa da Usiminas segue fraca diante da normalização do capital de giro em 2026.
O Safra considerou que ainda há risco de queda caso os preços não continuem melhorando ou os custos não recuem, já que tanto as projeções do banco quanto o consenso já embutem preços otimistas e alguma deflação de custos de matérias-primas.
Infomoney - SP 20/04/2026
Em outubro de 2025, o Itaú BBA elevou a recomendação da Usiminas (USIM5) para outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com perspectivas positivas para o setor após a implementação das medidas antidumping. A previsão acabou se confirmando e, nos últimos seis meses, as ações da siderúrgica tiveram um rali de 41%.
Mesmo após essa alta, o BBA acredita que o mercado ainda não está precificando totalmente o cenário mais favorável e fez mais uma atualização positiva para a companhia.
O BBA reforçou a recomendação de compra para a USIM5 e elevou o preço-alvo da ação para o final de 2026, de R$ 7,0 para R$ 9,0, um avanço de 25% frente o fechamento de sexta-feira (17).
Ao longo dos últimos meses, diversas medidas de defesa comercial foram implementadas pelo mercado nacional. Para o banco, essas iniciativas tornaram o mercado doméstico estruturalmente mais protegido, com as importações da China quase deixando de ser uma opção. De acordo com os analistas, fornecedores globais alternativos passaram a preencher esse espaço vazio com volumes a preços mais elevados.
Aumento de preços
Esse aumento nos preços do aço importado deve começar a aparecer em reajustes relevantes até o terceiro trimestre desse ano, conforme os economistas. O BBA estima que os preços de aço plano subam entre 10% e 20% no 3T26. Essa alta implicaria um aumento médio de 8,5% no preço doméstico para a Usiminas em relação ao trimestre anterior (2T26).
A principal tese do banco é de que os aumentos de preços recentes devem compensar a inflação de custos, com espaço para revisões positivas de lucro. Para o BBA, o principal fator que limitou os reajustes no curto prazo foi o alto nível de estoques de distribuidores.
Acumulados antes das medidas, os analistas afirmam que os estoques atrasaram o repasse de preços. À medida que os estoques sejam reduzidos, o BBA espera novos aumentos.
Para o BBA, os aumentos de preços no mercado doméstico ainda não refletem totalmente o impacto das medidas antidumping do governo. De acordo com os analistas, parte do mercado está preocupado com o aumento dos custos de insumos. Apesar disso, o banco acredita que os resultados do segundo trimestre devem se manter estáveis, porque os aumentos de preços devem compensar os custos.
O Estado de S.Paulo - SP 20/04/2026
Em tempos normais, a lógica da política monetária parece simples. Se a inflação sobe, o Banco Central eleva os juros. Com o crédito mais caro, a demanda desacelera, os preços perdem fôlego e a inflação converge. Essa é a intuição ensinada nos manuais e incorporada a boa parte dos modelos macroeconômicos modernos. Dentro dessa lógica, a Selic atual, próxima de 15%, deveria ter ancorado as expectativas de inflação. Mas isso não ocorreu. Por quê?
Uma resposta possível é a falta de credibilidade fiscal1. Quando o mercado começa a duvidar da capacidade ou da disposição do governo de estabilizar a dívida pública no futuro, os juros deixam de afetar apenas a demanda. Passam também a afetar a percepção de solvência fiscal. Se o Banco Central eleva a taxa de juros para combater a inflação, ele também aumenta o custo de carregamento da dívida. Se os agentes suspeitam que, mais adiante, o ajuste fiscal pode não vir, essa alta de juros pode alimentar a expectativa de inflação futura e, por esse canal, pressionar a inflação já no presente.
A literatura econômica analisa esse problema por meio de um modelo em que a economia pode transitar entre dois regimes1. No primeiro, o normal que chamamos de "dominância monetária", a política monetária é ativa, reagindo à inflação e a política fiscal reage à dívida. No segundo, conhecido como "dominância fiscal" a política fiscal deixa de acomodar a estabilização da dívida, e o ajuste passa a recair mais sobre o nível de preços. O ponto crucial é que os agentes econômicos sabem que essa mudança de regime pode ocorrer e formam expectativas levando isso em conta. Assim, mesmo antes de qualquer ruptura efetiva, o simples risco de uma mudança futura já altera o comportamento da inflação, dos juros e da atividade.
O modelo gera quatro resultados principais. Primeiro, o risco fiscal piora o desempenho macroeconômico e reduz o bem-estar. Segundo, quando a probabilidade de deterioração fiscal cresce junto com a dívida, surge um canal adicional de retroalimentação: juros mais altos pioram a dinâmica da dívida, elevam o risco percebido e, com isso, pressionam ainda mais a inflação. Terceiro, a escolha entre preservar um regime de dominância monetária e migrar para um arranjo de dominância fiscal depende menos do nível isolado da dívida e mais da credibilidade do governo.
Quarto, o risco fiscal torna a política monetária menos potente: diante de um mesmo choque, a inflação fica mais difícil de controlar. Em outras palavras, quando o aumento dos juros afeta fortemente a trajetória da dívida e os agentes suspeitam de fragilidade fiscal, um aperto monetário maior pode, em certos cenários, corroer ainda mais a credibilidade fiscal e reduzir a eficácia do próprio esforço de controle da inflação.
A relevância desse mecanismo para o Brasil de hoje é evidente. Mesmo após a redução da Selic para 14,75% em março de 2026, o Banco Central continua operando com juros em patamar contracionista, inflação acima da meta e expectativas desancoradas. No Focus de 10 de abril, a mediana para o IPCA de 2026 estava em 4,36%, e a de 2027, em 3,85%, ambas acima da meta contínua de 3%. No mesmo período, o próprio Banco Central registrou dívida bruta do governo geral de 79,2% do PIB em fevereiro e destacou, em seu Relatório de Política Monetária de março, que a mediana do Focus projeta 84% do PIB em 2026 e 93% em 2030. O relatório de projeções fiscais do Tesouro Nacional projeta 115% de dívida/PIB para 2035 quando incorpora as projeções de crescimento e juros do mercado em seus modelos.
Esse pano de fundo ajuda a entender por que a política monetária brasileira frequentemente parece obrigada a fazer mais e por mais tempo. Quando a autoridade monetária precisa manter juros altos para reconduzir a inflação à meta, mas o mercado não enxerga uma trajetória fiscal suficientemente crível, parte do esforço do Banco Central é neutralizada pelo aumento do prêmio de risco, pela deterioração das expectativas e pela percepção de que juros altos tornam a dívida mais pesada. Em linguagem simples: sem confiança na âncora fiscal, cada ponto adicional de Selic rende menos desinflação do que renderia em um ambiente de maior credibilidade. Essa é precisamente a lógica capturada pelo modelo.
É importante interpretar corretamente esse resultado. O paper não diz que o Banco Central deve abandonar o combate à inflação. Também não diz que juros baixos resolveriam a fragilidade fiscal. O que ele mostra é que existe um limite para o que a política monetária consegue entregar sozinha quando a dúvida fiscal contamina as expectativas. Nessa situação, insistir em ler a inflação apenas como um problema de demanda ou de calibragem da taxa de juros pode levar a diagnósticos incompletos.
A principal implicação para o Brasil hoje é, portanto, bastante clara. Se o país quiser conviver com juros estruturalmente menores sem reabrir o problema inflacionário, não basta cobrar mais do Banco Central. É preciso elevar a credibilidade da política fiscal. Isso significa tornar mais transparente e convincente a trajetória de estabilização da dívida, reduzir a percepção de que o ajuste dependerá sempre de receitas incertas ou de soluções provisórias e fortalecer a convicção de que o setor público conseguirá honrar suas obrigações sem recorrer, direta ou indiretamente, à inflação. Com uma âncora fiscal crível, a política monetária volta a ganhar potência. Sem ela, juros altos podem continuar sendo necessários por mais tempo e, ainda assim, entregar menos do que o país precisa.
Monitor Digital - RJ 20/04/2026
Os produtos com melhor desempenho em termos de crescimento na pauta exportadora do Brasil são os bens manufaturados, em especial bens de consumo duráveis, afirmam os economistas Luis Afonso Lima e Carlos Eduardo Eichhorn, da Mapfre Investimentos. O dado refuta o argumento de que o desempenho da balança comercial brasileira decorre das nossas exportações de petróleo, com preços majorados desde o início do conflito no Oriente Médio.
O desempenho da exportação de manufaturados ocorreu mesmo em meio às maiores barreiras alfandegárias dos Estados Unidos, importante destino de exportações destes bens. “Isso significa que essa expansão das vendas externas de bens duráveis decorre da conquista de novos mercados”, aponta a análise de Lima e Eichhorn.
“Em resumo, a balança comercial brasileira revela fundamentos importantes para enfrentar a volatilidade dos fluxos globais de capitais que nos aguarda ao longo dos próximos meses. Com isso, nosso déficit em transações correntes segue integralmente financiado por ingressos de investimentos diretos no país, em benefício das nossas reservas internacionais, equivalentes à dívida externa brasileira”, afirmam.
“Ao contrário do passado, entretanto, desta vez o desempenho do nosso saldo comercial não decorre de melhores termos de troca. Trata-se de um quadro qualitativamente superior daquele observado no passado, de dependência de preços externos de commodities para o ajuste do balanço de pagamentos. Daí a resiliência da moeda brasileira”, explicam os economistas.
Balança comercial se move para Ásia e África e se afasta dos Estados Unidos | Monitor Mercantil
A fortaleza da moeda brasileira frente ao dólar vem surpreendendo positivamente. Nossa moeda apresenta evolução mais benigna do que as de outras economias emergentes em 2026. Parte dessa fortaleza deve-se ao desempenho da balança comercial brasileira.
Segundo alguns analistas, o desempenho da balança comercial decorre das nossas exportações de petróleo. Mas Lima e Eichhorn apresentam, além da questão das vendas de manufaturados, mais dois argumentos que ajudam a refutar esse argumento sobre a relevância dos preços do petróleo sobre as nossas vendas externas.
Primeiro, as expectativas de mercado para as nossas exportações de 2026 crescem desde o início do ano, antes do aumento dos preços de petróleo e derivados.
Em segundo lugar, nossas exportações não vêm sendo favorecidas por preços, que vêm recuando. “Além disso, os termos de troca do nosso comércio exterior apresentam declínio neste ano. Ao contrário do passado, quando nosso saldo comercial foi favorecido pelos termos de troca, em especial por preços de exportação elevados, desta vez o crescimento das exportações deve-se à expansão de volumes de bens e serviços exportados. Isso torna nosso saldo comercial menos suscetível aos movimentos de preços de commodities exportadas pelo Brasil e traz resiliência adicional ao nosso balanço de pagamentos”, explicam os economistas.
O Estado de S.Paulo - SP 20/04/2026
Jamais deixe que a verdade atrapalhe uma boa história. A frase, atribuída a Mark Twain, ilustra com perícia a natural tendência de melhorar as coisas áridas que poderiam ter uma explicação mais intrigante. É sempre tentador usar a imaginação para entender algo difícil ou terrivelmente banal. A arte é necessária porque a vida não basta, disse Ferreira Gullar (que, na verdade, se chamava José Ribamar Ferreira).
Pesquisa recente do Datafolha mostra que 33% dos pesquisados não acreditam que o homem já foi à Lua. Indicadores econômicos também são vítimas indefesas de teorias conspiratórias que melhoram a sua história. A inflação, por exemplo, é particularmente vulnerável.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente o IPCA de março. Ficou em 0,88%, ou 4,1% em 12 meses, um número ainda baixo para o padrão brasileiro. As pessoas acreditam nesses números?
Bem, o fato é que a tese de que esses números são manipulados por economistas inescrupulosos ligados ao governo é mais saborosa (“é claro que a inflação é muito mais alta, basta ir ao supermercado para ver”).
Os adeptos da versão conspiratória também se atribuem a satisfação de zombar de quem não acredita. “Você acha que o homem foi à Lua? Quanta ingenuidade”. Dá um ar de sabichão duvidar das informações oficiais. A realidade, no entanto, é mais aborrecida.
É apenas tolo imaginar que o IPCA seja manipulado. O IBGE é composto por profissionais de qualidade que certamente denunciariam qualquer tentativa de fraude (ainda mais porque vivem às turras com o presidente petista do instituto). A democracia brasileira não é tão frágil assim.
Claro, a inflação medida é uma estimativa e, nesse sentido restrito, o índice está sempre errado. Mas é a aproximação que temos e segue uma metodologia consagrada. O IPCA poderia ser melhorado.
O peso dos vários itens é atualizado apenas esporadicamente pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). A última POF é de 2017-2018 e uma nova versão deve ser divulgada brevemente.
Como o peso do IPCA é no período base, o índice não capta o efeito da substituição. Em português: se o preço da alface sobe muito e ela pode ser substituída por chicória, mantendo a mesma satisfação do consumidor, o índice considerará o mesmo peso anterior, ignorando a troca por produto similar.
Assim, por construção, o IPCA tende a superestimar a inflação, contrariando o senso comum. Atualizações mais frequentes da POF seriam bem-vindas e poderiam capturar esse efeito com maior regularidade. O tema é tão importante quanto árido.
Acreditar no “lado oculto” da inflação pode ser tentador, mas reflete apenas uma atitude pueril. Uma mentira é apenas uma verdade que esqueceu de acontecer, dizia Mário Quintana. Mas o IPCA faz o possível para ser sincero.
Diário do Comércio - MG 20/04/2026
A guerra no Oriente Médio deve ter impacto “desigual” na América Latina e no Caribe, mas a inflação deve subir em todos os países da região, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relatório publicado nesta sexta-feira (17) Produtores de petróleo como o Brasil, porém, estão se beneficiando dos preços elevados de energia. Ao mesmo tempo, diante de mudanças nos fluxos de capital e da maior aversão ao risco por parte dos investidores, o organismo recomenda preservar a credibilidade das políticas monetárias e fiscais para atravessar o novo choque.
“O impacto sobre a atividade econômica vai variar muito entre os países, mas o impacto sobre a inflação é mais uniforme. A inflação será maior para todos”, afirma o diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nigel Chalk, ao comentar as perspectivas do Fundo para a América Latina e o Caribe, durante as reuniões de Primavera, que acontecem em Washington, nos Estados Unidos.
O FMI melhorou a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe para uma alta de 2,3% neste ano, 0,1 ponto porcentual (pp) acima da última atualização feita em janeiro. No próximo ano, o Fundo espera que a região acelere o passo e avance 2,7%, previsão que foi mantida.
Dentre os destaques de crescimento na América Latina, estão países como Paraguai, Argentina, Equador, Chile e Colômbia.
O FMI estima avanço de 1,9% para o PIB do Brasil neste ano, projeção que teve melhora de 0,3 pp, e 2,0% em 2027. Na outra ponta, a Bolívia deve enfrentar mais um ano de recessão, prevê o Fundo.
“Os produtores de petróleo – Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela – estão se beneficiando dos altos preços da energia”, destaca Chalk. Esses países estão se beneficiando porque o choque de commodities fortalece o balanço de pagamentos, apoia o crescimento e ajuda as finanças dos governos, mas, mesmo nessas economias, alerta: os mais vulneráveis serão duramente atingidos por preços mais altos de energia e alimentos.
Apesar do impacto da guerra, o FMI manteve a expectativa de desaceleração da inflação da América Latina e do Caribe para 6,7% neste ano ante 7,6% em 2025. Para 2027, a expectativa é de que o indicador melhore ainda mais, para 4,9%.
De acordo com Chalk, a região iniciou 2026 “em base sólida”, com crescimento “no potencial” e inflação “próxima da meta” dos bancos centrais, depois de gerirem os impactos do tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump. O ritmo de avanço das exportações acelerou apesar das incertezas políticas, mas a guerra já tem “ramificações importantes” via commodities e condições financeiras globais, com o aumento dos riscos negativos, avalia.
Entre as economias que tendem a ser mais atingidas pelo choque global, estão as caribenhas dependentes do turismo, com dívida alta e importações líquidas de energia em média em torno de 6% do PIB, prevê o diretor do FMI. “A América Central não está muito atrás em sua exposição a altos preços de energia e, para alguns, há restrições em sua capacidade de adotar medidas políticas de mitigação, dado o espaço fiscal limitado”, afirma Chalk.
Ele observa ainda que países com déficits em conta corrente expressivos e dependência de financiamento global, mesmo os exportadores de energia, enfrentam custos de financiamento mais altos e menor acesso ao mercado, à medida que a guerra reduz o apetite ao risco dos investidores.
Diante do choque, recomenda que as autoridades fiscais da região resistam à pressão por subsídios amplos e preservem redes de proteção focalizadas, usando o espaço fiscal de forma estratégica para famílias vulneráveis, agricultores e empresas. “Dados os altos níveis de dívida, a região tem pouco espaço para aumentar ainda mais os déficits fiscais”, conclui o diretor do FMI.
Jornal de Brasília - DF 20/04/2026
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, o quarto mês consecutivo de crescimento da atividade econômica, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Na comparação com fevereiro de 2025, o PIB cresceu 0,3% em fevereiro de 2026.
A taxa acumulada em 12 meses até fevereiro foi de 2,0%.
“A economia brasileira manteve seu crescimento pelo quarto mês consecutivo, registrando em fevereiro 0,6% de variação, com destaques para o consumo das famílias que cresceu pelo terceiro mês consecutivo e a Formação Bruta de Capital Fixo que cresceu pelo segundo mês consecutivo. Pelo lado da oferta, as atividades da indústria de transformação, da extrativa mineral e do comércio apresentaram crescimento expressivo”, ressaltou Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.
O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.
No trimestre encerrado em fevereiro de 2026, a economia cresceu 1,4% ante o mesmo período do ano anterior. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias subiu 1,1%.
“O resultado reflete contribuições positivas de todos os seus componentes, com destaque para o consumo de serviços e produtos não duráveis, responsáveis por praticamente todo o aumento. Com isso, o consumo das famílias completa quatro trimestres móveis consecutivos de crescimento mais expressivo, mostrando continuidade da recuperação em relação ao segundo semestre de 2025”, apontou o relatório do Monitor do PIB.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) caiu 1,1% no trimestre terminado em fevereiro ante o mesmo trimestre do ano anterior.
“Os segmentos da construção e de máquinas e equipamentos contribuíram negativamente para o componente. No entanto, diferentemente do que foi registrado para o trimestre findo em janeiro, máquinas e equipamentos não cai de forma tão expressiva, produzindo uma queda menor do agregado. A atividade de construção também impactou negativamente, registrando o terceiro trimestre móvel consecutivo de queda”, informou a FGV.
As exportações tiveram elevação de 13,4%, e as importações caíram 5,2%.
“Todos os componentes das exportações tiveram contribuição positiva. Em especial, a exportação de produtos da extrativa mineral apresentou um crescimento acima da média dos últimos trimestres móveis, notadamente a exportação de petróleo. A exportação de produtos da agropecuária e de serviços seguem contribuindo para o crescimento do setor”, justificou a FGV. “A retração concentrada em bens intermediários foi determinante para o recuo das importações no período.”
Em termos monetários, o PIB alcançou R$ 2,197 trilhões no primeiro bimestre de 2026, em valores correntes. A taxa de investimento da economia foi de 20,7% em fevereiro.
Investing - SP 20/04/2026
Os preços futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian subiram nesta sexta-feira, com os investidores avaliando possíveis interrupções no fornecimento do produto pela Austrália contra uma demanda moderada devido a restrições ambientais da China em uma importante província produtora de aço.
O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,39%, a 778,5 iuanes (US$114,06) a tonelada.
O contrato ganhou 2,85% até o momento nesta semana, e está a caminho de reverter duas perdas semanais consecutivas.
O minério de ferro de maio, referência na Bolsa de Cingapura, caiu 0,49%, a US$105,8 a tonelada. Até o momento, o contrato subiu 2,24% nesta semana.
Os estoques de minério de ferro nos portos diminuíram esta semana, com a redução dos estoques do produto Jimblebar Fines, da BHP, que havia sido anteriormente proibido pelo comprador estatal chinês, disse o Shanghai Metals Market em nota.
A produção de ferro-gusa também se manteve em níveis elevados, apoiando a demanda.
Além disso, um incêndio em uma das duas refinarias de petróleo da Austrália aumentou as preocupações com escassez de diesel, o que poderia afetar as operações de mineração no maior fornecedor de minério de ferro da China.
As preocupações com a contração da oferta de curto prazo no mercado de minério de ferro foram agravadas pelos preços persistentemente altos de energia e pela escassez de combustível ligada à guerra do Irã, acrescentou o Shanghai Metals Market.
Entretanto, várias cidades da província de Hebei, a principal produtora de aço da China, ativaram respostas emergenciais à poluição do ar, alimentando os temores relacionados à demanda por minério de ferro, já que as siderúrgicas restringem sua produção.
As autoridades de cidades como Tangshan, Xingtai e Langfang anunciaram respostas emergenciais de nível 2 pelo WeChat nos dias 16 e 17 de abril.
Valor - SP 20/04/2026
Para analistas da XP, Bradesco BBI, Jefferies e J.P. Morgan a divisão de metais básicos da Vale voltou a surpreender positivamente, consolidando uma trajetória de entregas consistentes
A Vale obteve resultados operacionais majoritariamente em linha com o que era esperado pelo mercado no primeiro trimestre, segundo avaliaram analistas de várias casas nesta sexta-feira (17). A operação de metais básicos foi novamente apontada como o principal destaque positivo, à medida que as produções de cobre e de níquel cresceram dois dígitos na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No principal negócio da companhia, a produção total de minério de ferro avançou 3% na base anual, para 69,7 milhões de toneladas. A equipe de análise da XP destacou que o excedente de minério cresceu a despeito da sazonalidade negativa do primeiro trimestre, impulsionado pelo desempenho do Sistema Sudeste, que contou com a ampliação da produção na mina de Capanema, em Ouro Preto (MG). O Bradesco BBI teve entendimento similar, apontando que os ativos do Sudeste ajudaram a compensar um desempenho mais fraco do Sistema Norte.
A venda de 68,7 milhões de toneladas de minério nos três primeiros meses do ano superou a projeção do Citi, com um incremento de 4% na comparação anual. Analistas do banco afirmaram também que o “mix” do trimestre foi fortalecido por um ritmo melhor do que o esperado na produção e comercialização de pelotas, além do preço realizado do minério de ferro, que ficou em linha com o previsto por eles.
Nesta sexta-feira, o Jefferies elevou o preço-alvo para os recibos de ação (ADRs, na sigla em inglês) da Vale negociados na Bolsa de Nova York (Nyse) de US$ 20 para US$ 21, mantendo a recomendação de compra. Analistas liderados por Christopher LaFemina afirmaram que os números trimestrais reforçam a visão otimista do banco sobre a companhia. Eles citaram como destaques positivos as produções de pelotas de minério, de cobre e de níquel.
Esses mesmos aspectos foram apontados como pontos positivos pelo Bank of America (BofA). Segundo a instituição financeira, a produção de cobre no trimestre superou em 8% o consenso das estimativas compiladas pela Bloomberg, ao totalizar 102,3 mil toneladas. O excedente de níquel, em 49,3 mil toneladas, foi 11% acima do esperado pelo mercado, conforme as projeções reunidas pela agência.
“As vendas de cobre vieram em linha com nossa projeção e 3,1% acima do consenso da Bloomberg, enquanto os embarques de níquel ficaram 2,6% acima da estimativa do BofA”, escreveu a equipe do banco.
Para o J.P. Morgan, a divisão de metais básicos da Vale voltou a surpreender positivamente, consolidando uma trajetória de entregas consistentes. A avaliação da casa é que o trimestre marca um início de ano equilibrado, no qual a disciplina na produção e a recuperação da capacidade em sistemas fundamentais devem permitir à mineradora navegar com previsibilidade em meio à volatilidade do setor.
Na visão do BB Investimentos, o bom desempenho operacional obtido pela Vale deve se traduzir em um resultado financeiro forte, em meio a preços médios mais altos em todas as categorias na comparação trimestral. Apesar disso, o banco vê pouco potencial de valorização para as ações da multinacional.
Auto Industria - SP 20/04/2026
Programada para o período de 9 a 13 de novembro, a Fenatran 2026 amplia o número de montadoras presentes de 7 para 12, com a adesão das chinesas BYD, Foton, JAC, Sany e Sinotruk.
Também já estão confirmadas as participantes da última edição, em 2024, a DAF, Ford, Iveco, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Volvo.
Realizado pela RX do Brasil, o evento conta com o apoio institucional das principais associações do setor, como Anfavea, NTC (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) e Anfir (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários).
IstoÉ Dinheiro - SP 20/04/2026
As vendas de materiais de construção no Brasil cresceram 1,6% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado e subiram 3,1% na comparação com fevereiro. O desempenho positivo das vendas em março foi o primeiro após nove meses consecutivos de quedas.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 17, pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). Os números já são deflacionados.
O resultado de março foi puxado principalmente pela melhora nas vendas de materiais básicos, que cresceram 2,5% na comparação anual, enquanto os materiais de acabamento avançaram apenas 0,2%.
Apesar da melhora do desempenho no mês, o setor ainda acumula retração de 3,3% no acumulado dos últimos 12 meses até março.
Segundo a Abramat, a leitura do setor é de que o resultado reflete uma recomposição parcial da atividade, ainda sem caracterizar uma tendência consolidada de crescimento.
“O resultado de março mostra uma recuperação pontual, após uma sequência de quedas, mas ainda não reflete os desdobramentos do cenário internacional. A escalada do conflito no Oriente Médio tende a pressionar custos de insumos relevantes, como aço e cimento, o que pode impactar a atividade da construção e o desempenho da indústria nas próximas leituras”, afirma o presidente da Abramat, Paulo Engler.
Segundo ele, esse movimento também pode influenciar o ambiente macroeconômico doméstico. “Esse contexto pode contribuir para a manutenção de uma taxa de juros elevada por mais tempo, o que afeta o crédito e a dinâmica do setor. Por isso, seguimos com uma visão de cautela, apesar da projeção de crescimento moderado para o ano”, completa.
Por ora, a Abramat mantém a projeção de crescimento de 1,9% no faturamento para 2026, sustentado pela expectativa de uma redução gradual das taxas de juros e pela continuidade de programas habitacionais.
O Estado de S.Paulo - SP 20/04/2026
A Iguatemi — dona de 17 shoppings e outlets de grife — está tirando do papel um dos maiores empreendimentos imobiliários do País. A empresa lançou o Casa Figueira, loteamento de 1 milhão m², dimensão equivalente à Vila Olímpia, na capital paulista. O projeto dará origem a um novo bairro entre as rodovias Dom Pedro I e Heitor Penteado, em Campinas (SP).
Quem passar pelo terreno hoje verá uma grande área verde sendo cortada por quatro quilômetros de avenidas. As máquinas trabalham na preparação do local para receber 100 prédios residenciais e comerciais nos próximos 20 anos. A empresa espera R$ 10 bilhões em vendas ao longo desse período e a atração de 50 mil pessoas.
Projetos dessa magnitude são pouco comuns no Brasil devido ao volume alto de investimentos para preparação do terreno, demora na obtenção de licenças e retornos no longo prazo para as empresas. A título de comparação, o maior bairro planejado em obras no Brasil é o Reserva Rapozo, da RZK Empreendimentos, com previsão de 124 prédios e 80 mil pessoas na região metropolitana de São Paulo. Outro gigante está sendo feito pela MRV, com cerca de 65 prédios na zona norte de São Paulo.
“Queremos mostrar que temos condições de fazer urbanismo de qualidade, assim como já fazemos shoppings de qualidade”, afirma Carlos Jereissati, acionista e membro da família controladora da Iguatemi, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast.
O loteamento fica em frente ao Shopping Iguatemi Campinas, inaugurado em 1980, quando Jereissati ainda era criança. “O shopping tornou a região interessante, bastante visitada, e agora é possível planejar o entorno de uma maneira organizada”, conta.
História do terreno
O projeto resulta de um contrato assinado décadas atrás pela Iguatemi para o desenvolvimento imobiliário do terreno, que pertence à Federação das Entidades Assistenciais de Campinas (Feac), uma organização independente com atuação em causas sociais da cidade. A Feac ficou com 70% do loteamento, e a Iguatemi, 30%.
No terreno ficava a Fazenda Vila Brandina, doada à Feac na década de 60 pelo casal Odila e Lafayette Álvaro de Souza Camargo. A fazenda tinha uma enorme figueira ao lado do casarão central — ambos estão conservados até hoje e inspiram o nome do projeto. Nos arredores, surgiu o bairro Vila Brandina, que se valorizou com o shopping e a chegada de prédios de alto padrão.
Os investimentos na infraestrutura do Casa Figueira da primeira fase somaram R$ 250 milhões, dos quais R$ 75 milhões serão do Iguatemi, e devem estar concluídos até agosto. Isso abrange pavimentação, energia, saneamento, calçadas, ciclovias e um estande para visitas — que mais tarde será transformado em centro cultural.
O bairro conservará 240 mil m² (algo como 30 campos de futebol) de áreas verdes, incluindo a criação de quatro parques públicos. Os futuros edifícios serão integrados a alamedas e praças, além de zonas de comércios e serviços, com lojas, cafés, restaurantes, escolas e centros médicos.
O projeto visa concentrar moradia, trabalho e lazer em locais acessíveis em até 15 minutos à pé. Nos entornos, nada de muros. “Este não é um condomínio fechado. É um bairro integrado à sociedade”, ressalta Jereissati. “A ideia é usar menos o carro. As cidades onde as pessoas caminham nas ruas são mais seguras. Você olha o bairro do Morumbi, por exemplo, tem muros altos, ninguém anda na rua, isso é inseguro”.
Comercialização
A venda dos lotes já começou e será feita gradualmente, destinada aos incorporadores, não ao consumidor final. Cada lote receberá prédios residenciais e comerciais feitos por empresas que comprarem os terrenos da Iguatemi/Feac em troca de pagamento em dinheiro ou participação nas vendas futuras dos apartamentos e escritórios.
A Iguatemi dará a palavra final sobre os projetos, exercendo uma curadoria de arquitetura, localização, tipo de uso e público-alvo. “Fazemos isso para dosar a volumetria do bairro e dar mais organização”, explica Jereissati.
Na primeira fase, serão ofertados ao mercado 46 lotes, dos quais 40 residenciais e 6 comerciais. Até aqui, quatro lotes foram vendidos para os incorporadores Building, GNO e A. Yoshii. As entregas dos primeiros prédios serão entre 2028 e 2029. “Esperamos vender de quatro a cinco lotes por ano. Isso depende da situação do mercado”, comenta. A estimativa da Iguatemi é receber cerca de R$ 20 milhões por ano com as vendas.
O primeiro lançamento para o consumidor final acaba de ser aberto. É um projeto residencial da Building, batizado de ‘Avenida 105’. O prédio terá apartamentos de 3 a 4 suítes, com preços a partir de R$ 2,5 milhões. O público-alvo dos imóveis no Casa Figueira são os consumidores das classes A e B — assim como os frequentadores dos shoppings da Iguatemi. Já no dia a dia, é esperado um público mais diverso, considerando os trabalhadores e visitantes a lazer.
Projetos da Iguatemi
Em um sinal de confiança no loteamento, a Iguatemi terá alguns projetos próprios ali. A companhia vai lançar, no segundo semestre, uma torre de escritórios ao lado do seu shopping. O imóvel terá 17 mil m² de área bruta locável (ABL) e um investimento total de R$ 232 milhões. Quando concluído, é esperada uma receita operacional líquida de R$ 27 milhões anuais.
Outro projeto previsto é um complexo multiúso, com escritório, comércio, hotel e moradia no local onde hoje está situado o supermercado Carrefour, que seria fechado temporariamente e reaberto na inauguração. “Mas isso é coisa para daqui a cinco ou seis anos”, estimou Jereissati.
Portal Fator Brasil - RJ 20/04/2026
Moega ferroviária deve começar operação no segundo semestre desse ano, viabilizando a integração do sistema ferrovia-porto, com potencial ganho de competitividade para exportação da commodity.
O Espírito Santo dá mais um passo estratégico no fortalecimento de sua infraestrutura logística com a inauguração de uma moega ferroviária, fruto da parceria entre Vports, VLI e Multilift. A nova estrutura viabiliza a integração do sistema ferroviário à operação portuária, ampliando a eficiência operacional no escoamento de insumos industriais, principalmente o ferro-gusa, consolidando o estado como um importante hub logístico no cenário nacional.
A moega, estrutura utilizada para recepção e descarga de produtos transportados por trem, é parte da ferrovia entregue pela Vports em 2024. Os trilhos, conectados à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), receberam investimentos de R$ 16 milhões. —Permitir a integração entre modais é um passo fundamental para ampliar a eficiência e reduzir o custo logístico total, com ganhos para toda a cadeia. A distribuição de cargas, conforme as especificidades de cada porto, contribui para um sistema equilibrado e competitivo. Nesse sentido, a Vports tem avançado em iniciativas voltadas a maximizar a infraestrutura e potencializar a vocação de seus portos —avalia o CEO da Vports, Gustavo Serrão.
Segundo a VLI, a moega vai contribuir para a modernização da cadeia de transporte do ferro-gusa, ao oferecer uma solução mais ágil, sustentável e competitiva. —A exportação de ferro-gusa, por meio da parceria com a Vports, aumenta a competitividade dos clientes usuários da ferrovia, uma vez que possibilita o embarque de navios maiores, em virtude do calado do porto. A parceria é, portanto, um importante passo no foco da VLI de gerar valor à cadeia logística dos nossos clientes, oferecendo também um transporte de baixo carbono —afirma o CEO da VLI, Fábio Marchiori.
O ferro-gusa é uma matéria-prima obtida a partir da redução do minério de ferro em altos-fornos, sendo a base para a produção de aço. Trata-se de um insumo estratégico para diversos segmentos industriais, com forte demanda tanto no mercado interno quanto no comércio exterior. No último ano, o Corredor Leste da VLI, por onde a commodity será transportada, movimentou cerca de 16 bilhões de TKU — toneladas por quilômetro útil, medida que considera a distância percorrida e o volume transportado. Trata-se de um aumento 10,5%, em comparação com 2024.
Para o CEO da Multilift, Rafael Fattorelli Carneiro, além dos ganhos operacionais, a iniciativa impulsiona a economia capixaba ao atrair novos fluxos de carga, estimular investimentos e gerar oportunidades ao longo de toda a cadeia produtiva. —O aumento da competitividade logística fortalece o ambiente de negócios e amplia a capacidade do Espírito Santo de se posicionar como um corredor estratégico para exportação de commodities —afirma.
Na avaliação de Serrão, a inauguração da moega ferroviária simboliza um avanço concreto na integração logística do país, reforçando o papel das parcerias entre operadores portuários, ferroviários e empresas de logística. —A construção de soluções mais eficientes para o desenvolvimento econômico sustentável é uma missão da Vports. Iniciativas como essa demonstram, na prática, como a colaboração entre diferentes agentes do setor pode ampliar a competitividade, otimizar a infraestrutura existente e gerar valor para toda a cadeia produtiva— completa.
Vports — Se consolida como empresa de modelo inovador dedicada ao desenvolvimento e operação de soluções logísticas para o setor de infraestrutura portuária. Com foco em eficiência, sustentabilidade e segurança, a Vports atua como parceira estratégica para o desenvolvimento de hubs portuários que conectam pessoas e mercadorias, otimizando a cadeia de suprimentos e impulsionando o crescimento econômico nas regiões em que está presente. A companhia concentra suas operações em Vitória, Vila Velha e Aracruz (ES), e, em 2025, com três anos de concessão, foi reconhecida como a melhor empresa de serviços logísticos do Espírito Santo.
VLI — Atua na integração de serviços logísticos por meio de ferrovias, portos e terminais intermodais. A empresa opera as ferrovias Norte Sul (FNS) e Centro-Atlântica (FCA), além de terminais em pontos estratégicos como Santos (SP), São Luís (MA) e Vitória (ES). Presente nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, a VLI conecta a produção nacional aos principais corredores logísticos do país. A VLI reafirma seu protagonismo ao conquistar, pela terceira vez, o topo do ranking Valor Inovação em Transporte e Logística — mantendo-se entre as líderes do setor por sete anos consecutivos.
Multilift — Atua em operações portuárias, de armazenagem e transporte rodoviário, diretamente ligada ao comércio exterior e, também, à importação de produtos e insumos para o mercado interno. Atualmente, opera no Porto de Vitória e possui terminais rodoferroviários em Minas Gerais e no Espírito Santo, interligando toda a malha rodoviária e ferroviária aos principais pontos do país.
Money Times - SP 20/04/2026
Quatro editais publicados no Diário Oficial da União, uma aposta bilionária para tirar o Amazonas de um quase isolamento terrestre, e polêmica de sobra. O anúncio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de retomar a pavimentação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) promete recolocar políticos, empresários, desmatadores e grileiros contra ambientalistas e povos originários em polos extremos do debate sobre a necessidade de asfaltar essa rodovia federal.
Os editais preveem obras em 339,4 quilômetros da BR-319, no chamado “trecho do meio”. O investimento total previsto pelo DNIT chega a R$ 1,368 bilhão, dividido em quatro lotes, para tentar agilizar o processo em frentes de trabalho simultâneas.
Atualmente, o escoamento da maior parte das mercadorias de (e para) Manaus, via terrestre, depende da combinação entre o transporte por balsas e rodovias precárias que se tornam intransitáveis na época das chuvas.
Projeções de entidades do setor logístico e da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) indicam que o custo do frete possa cair em até 40% com a BR-319 totalmente pavimentada. Na prática, o custo para transportar um container poderia baixar de uma média de R$ 4,5 mil para cerca de R$ 2,7 mil, segundo levantamentos de custos operacionais do setor de transporte de cargas da região Norte.
As entidades sustentam que essa economia traria um fôlego necessário para a economia local, permitindo que produtos fabricados na região cheguem mais baratos ao restante do País e os insumos vindos de outros estados também tenham o preço reduzido para o consumidor amazonense.
O entrave das licenças e a estratégia do governo
O grande obstáculo para que as máquinas comecem a trabalhar é o licenciamento ambiental, marcado por mais de dez tentativas frustradas de obtenção desde 2009. A licença prévia concedida em 2022 permanece suspensa pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) desde julho de 2024.
Segundo a decisão judicial, faltam estudos de impacto mais profundos e consultas obrigatórias às comunidades de povos originários que vivem no entorno da rodovia. Para conseguir lançar os editais em 2026, mesmo com esse impasse jurídico, o governo federal adotou uma nova estratégia.
O Ministério dos Transportes se apoia em trechos da legislação que permitem o rito administrativo mais célere para obras em “faixas preexistentes”. A tese defendida pelo DNIT é de que, por se tratar da recuperação de uma estrada que já existiu no passado, o impacto ambiental seria mitigado em comparação à abertura de uma via totalmente nova.
O que esperar
O Observatório do Clima, rede que reúne mais de 160 organizações socioambientais, informou que recorrerá à Justiça contra os editais recém-publicados e para tentar barrar as novas empreitadas do governo.
O grupo argumenta que a pavimentação, se não for acompanhada de uma governança rigorosa, pode impulsionar o desmatamento ilegal em áreas preservadas, gerar especulação imobiliária e grilagem às margens da rodovia e um custo ambiental que alguns estudos de impacto climático estimam em bilhões de Reais ao longo das próximas décadas.
Para as empresas interessadas em executar a obra, a abertura das propostas está marcada para os dias 29 e 30 de abril no portal oficial de compras do governo. O plano é assinar os contratos até junho para aproveitar a “janela seca” da Amazônia, que começa em agosto e é o único período em que o solo permite o trabalho pesado de pavimentação. Se as liminares judiciais não travarem o processo, a previsão é que a rodovia esteja totalmente pronta até 2029.
Valor - SP 20/04/2026
Marinha do Brasil diz que monitora situação e orienta empresas em relação a áreas consideradas sensíveis
Mesmo com as limitações de trânsito pelo Estreito de Ormuz há mais de 50 dias em decorrência da guerra no Irã, 12 navios cargueiros já deixaram portos do Brasil nesse período rumo a países do Golfo Pérsico. O estreito é o principal acesso à maior parte dos portos da região.
Oito desses navios saíram do Brasil em março, primeiro mês da guerra movida pelos EUA e por Israel contra o Irã. Outros quatro cargueiros deixaram os portos desde o início de abril. É o que informou ao Valor a Marinha do Brasil. A Marinha não detalhou, porém, para quais países do Golfo esses cargueiros foram exatamente.
Dos países do Golfo, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são os dois maiores compradores do Brasil, com destaque para açúcar, carne de frango e milho. O Irã, terceiro maior, destaca-se por ser o principal importador de milho do Brasil, responsável por 23% das exportações brasileiras do cereal em 2025, mais de 9 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional de Exportadores de Cereais.
“Eu entendo que navios de interesse do Irã devem estar passando”, disse ao Valor o embaixador do Brasil no Irã, André Veras, antes do início dos bloqueios americanos aos navios que vêm ou vão ao país persa.
Apesar da guerra, em valores, as exportações do Brasil ao Irã no mês passado foram maiores do que em março de 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a receita foi de US$ 134,8 milhões. Um ano antes, tinha somado US$ 128,6 milhões.
Para as duas maiores economias da região, as vendas do Brasil caíram em março. Para os sauditas foram de US$ 248 milhões - um ano antes, haviam somado US$ 255,6 milhões. Aos emirados, saíram de US$ 248,3 milhões para US$ 207 milhões.
Em 2025 e em 2024, as vendas brasileiras ao Irã ficaram em cerca de US$ 3 bilhões, por ano. São operações cercadas por dificuldades antigas. Bancos e empresas temem ser penalizados por países que sancionam o Irã - ainda que alimentos estejam fora das sanções.
Segundo André Veras, iranianos costumam relatar que as vendas brasileiras chegam a US$ 9 bilhões. “Possivelmente, muitas dessas cargas estejam sendo levadas para outros países e depois trazidas para cá, ainda que alimentos estejam fora das sanções”, disse o diplomata. Brasília anunciou em março um acordo com a Turquia para que portos do país possam servir de rota alternativa para o Golfo Pérsico.
Apesar da dificuldade no Estreito de Ormuz, embarcações com milho brasileiro continuaram chegando ao Irã, especialmente ao porto de Bandar Imam Khomeini. Segundo fonte de uma trading, cerca de 500 mil toneladas aguardavam para serem descarregadas naquele porto ao fim da segunda semana de abril, e 560 mil já estavam sendo descarregadas. Outras 675 mil haviam chegado ao país na última quinzena de março.
Contudo, o volume total de milho que chegou ao Irã (não só originado no Brasil) diminuiu. Segundo o operador, em março o volume descarregado foi de cerca de 1,1 milhão de toneladas, 200 mil a menos do que no mesmo mês de 2025. Além disso, há relatos de maior demora no descarregamento nos portos e nos pagamentos aos exportadores.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã praticamente interrompeu o fluxo de navios por Ormuz. Na semana passada, foi a vez de os EUA anunciarem que passariam a bloquear a passagem pelo estreito dos navios que atendem ao Irã, o que levou o país, no sábado, a novamente impor restrições ao tráfego em Ormuz. “A Marinha mantém o monitoramento da situação e difunde análises de risco e orientações de segurança marítima às empresas do setor, especialmente em relação às áreas consideradas sensíveis”, disse a Força brasileira, por e-mail ao Valor.
CNN Brasil - SP 20/04/2026
Toda vez que um contêiner é movimentado no Porto de Santos, o exportador ou importador paga, em média, 21,5% a mais do que pagaria em qualquer outro terminal brasileiro. Em Suape, o sobrepreço chega a 76,5%. Não é coincidência, não é tributação oculta — é um sinal claro de que esses terminais operam com distorções que recaem sobre toda a cadeia produtiva do país.
Um estudo comparativo inédito, produzido pelo Observatório de Infraestrutura do IBI (Instituto Brasileiro de Infraestrutura), analisou a evolução real das THC (Terminal Handling Charges) — as taxas cobradas pela movimentação de contêineres nos terminais portuários — entre 2019 e 2025, nos dez maiores portos do Brasil. O resultado é um retrato preocupante de assimetrias que penalizam a competitividade do comércio exterior brasileiro.
Cobrada pelos armadores (as empresas de navegação), ela remunera a movimentação física de cada contêiner dentro do terminal portuário: o transporte entre o navio e o pátio, o empilhamento, o posicionamento. Parece detalhe operacional. Mas quando se multiplica essa taxa por milhões de contêineres, por centenas de rotas e por anos de variação, o efeito sobre os preços dos produtos é substancial.
Para eliminar o efeito da inflação — uma variação nominal de preços pode não significar nada em termos reais —, o estudo utilizou o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos Estados Unidos, referência internacional para preços cotados em dólar, e recalcularam os valores de 2019 a preços de 2025.
Santos é o maior porto do Brasil e um dos maiores da América Latina, responsável por quase 27% de toda a movimentação de contêineres do país em 2024 — mais de 3,7 milhões de TEUs (unidades equivalentes a contêiner de 20 pés). É também o mais caro.
O modelo econométrico desenvolvido pelo IBI estima que o THC de Santos é, em média, 21,5% superior ao dos demais portos brasileiros, controlando por armador, tipo de contêiner e ano. Em linguagem direta: se um exportador pagasse em Santos o mesmo que paga em Paranaguá ou Rio Grande, economizaria mais de um quinto da taxa de movimentação — uma redução que, em operações de grande escala, pode representar milhões de reais por ano. Diferentemente de Suape, o prêmio de Santos tem explicação razoável: o porto concentra quase cinco vezes mais demanda e três vezes mais capacidade que a média dos demais terminais, além de filas de navios 87% mais longas. Quando esses fatores são descontados, o sobrepreço residual de Santos cai para 6% e perde significância estatística — o congestionamento é o motor do encarecimento, não um comportamento de preços arbitrário.
A explicação está em uma equação simples: Santos cresceu menos do que a demanda por seus serviços. O porto opera acima da capacidade, e o congestionamento — medido pelo tempo médio de espera dos navios para atracar — funciona como um amplificador de preços. Os dados mostram que a cada aumento de 10% no tempo de fila, a THC sobe aproximadamente 4%. Com filas persistentes, o encarecimento é estrutural, não episódico.
O estudo revela um cenário de extrema heterogeneidade. Suape (PE) e Santos foram os portos com maior elevação real de preços entre 2019 e 2025. No outro extremo, terminais como Manaus, Navegantes e Itapoá registraram quedas reais expressivas — sinal de que, onde a oferta de capacidade cresceu ou onde a demanda não pressionou o limite operacional, os preços recuaram.
O caso de Suape é o mais intrigante do estudo. O porto pernambucano cobra, em média, 76,5% a mais do que os demais terminais brasileiros — diferença significativa ao nível de 1% em todas as especificações testadas. O dado se tornaria menos alarmante se Suape fosse um porto grande, congestionado, com alta demanda. Mas não é: Suape opera com capacidade instalada 57% abaixo da média nacional e movimenta 55% menos carga. Suas filas de navios são apenas 9% acima dos demais portos — longe de explicar a disparidade tarifária. Mesmo assim, cobra o THC mais alto do país. Quando os fatores estruturais — capacidade, demanda e fila — são inseridos no modelo, eles explicam apenas 17% do sobrepreço. Os outros 83% não encontram justificativa nos dados disponíveis. Em Santos, o encarecimento tem causa: o porto é grande, movimenta muito e está congestionado. Em Suape, essa causa não existe — mas o preço alto está lá.
Essa dispersão revela algo importante: a THC não é determinada por um fator único, como câmbio ou inflação global. Ela responde a condições locais — capacidade instalada, volume movimentado, eficiência operacional. E é exatamente aí que reside a oportunidade de política pública: atuar sobre as causas estruturais, não apenas monitorar os sintomas.
Um dos achados mais relevantes do estudo é a comprovação econométrica das economias de escala nos terminais portuários. O modelo demonstrou que, a cada crescimento de 10% no volume movimentado, a THC cai aproximadamente 10,3% — uma relação quase unitária entre volume e redução de preços. Em teoria, isso seria uma boa notícia para um país com comércio exterior crescente.
O problema é que essa economia de escala só se realiza quando a capacidade do terminal acompanha o crescimento da demanda. Quando os dois não andam juntos — como em Santos —, o resultado é o oposto: mais carga, mais fila, mais congestionamento, preços mais altos. A escala que poderia reduzir custos acaba gerando o efeito inverso, porque a infraestrutura não está preparada para absorvê-la.
O recado do estudo para reguladores, operadores e governo é direto: sem expansão de capacidade nos terminais de maior pressão de demanda, o Brasil continuará pagando um pedágio estrutural em suas operações de comércio exterior.
A expansão do Porto de Santos — há anos discutida, mas ainda insuficientemente realizada — emerge como prioridade que não pode ser adiada. Cada contêiner que espera na fila representa custo logístico que se distribui ao longo da cadeia: sobe o preço do produto final, cai a competitividade do exportador brasileiro frente a concorrentes de outros países, encarece o produto importado consumido pelo cidadão.
O principal projeto de expansão, o Tecon Santos 10, ilustra bem o tamanho do problema — e da demora. Estudado desde 2019 (então chamado de STS-10), o megaterminal planejado para o Cais do Saboó prevê 3,5 milhões de TEUs por ano — o que ampliaria em cerca de 50% a capacidade atual de Santos. Apesar de toda a sua relevância estratégica, o edital sequer foi publicado. O projeto acumula sucessivas revisões de cronograma, com um impasse regulatório. Sem consenso, o projeto ainda segue em análise no Ministério de Portos e Aeroportos após análise do TCU — e, no mercado, a percepção é de que dificilmente o leilão ocorrerá em 2026. Os terminais atuais, segundo especialistas, já atingiram o limite de capacidade.
O custo da demora já é mensurável: representantes do setor cafeeiro estimaram que a falta de capacidade em Santos gerou perdas de R$ 1,3 bilhão em embarques. E o atraso no Tecon 10 tem efeito cascata — adia também a construção do novo terminal de cruzeiros do porto, cuja base depende contratualmente da obra do megaterminal de contêineres.
Mas o Tecon 10 não é apenas uma questão de capacidade — é também uma questão de preço. O modelo econométrico do IBI permite quantificar o impacto nos preços da expansão. Adotando as projeções conservadoras do EVTEA da Infra S.A. — capacidade de 9 milhões de TEUs e demanda de 6,5 milhões de TEUs em 2034 —, e sem assumir qualquer melhora nas condições de fila, a estimativa central aponta para uma redução de 38,4% no THC praticado em Santos. O intervalo de confiança de 95%, calculado pelo método delta, situa essa queda entre 22,2% e 51,3%. Se a fila de navios — hoje em 50,5 horas, quase quatro vezes o nível de 2019 — também se normalizar com a expansão da capacidade, a redução pode chegar a 64,6%. Em termos práticos: cada contêiner que hoje paga em torno de US$ 300 em Santos poderia passar a custar entre US$ 147 e US$ 240, dependendo do cenário operacional. O atraso no leilão não é apenas um problema logístico. É um subsídio invisível ao encarecimento do comércio exterior brasileiro.
A Tribuna - SP 20/04/2026
A previsibilidade dos investimentos e a organização dos projetos de infraestrutura têm sido os principais diferenciais dos Portos do Paraná para atrair novos negócios e ampliar a capacidade logística. A autoridade portuária do Estado trabalha com um conjunto de iniciativas que envolve desde a concessão do canal de navegação até a modernização dos acessos ferroviários e o desenvolvimento de áreas portuárias já contratadas, com horizonte de execução nos próximos anos.
“Temos a concessão do canal de navegação que está garantindo para o mercado que, em 25 anos, além de ter o serviço de dragagem, vamos ter em 2, 3 anos, o aprofundamento em 2 metros do nosso canal de acesso. Esse é um diferencial, a gente garante ao mercado que isso existe”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia da Silva.
Segundo ele, o planejamento não se limita ao acesso aquaviário. A empresa também avançou na regularização das áreas e na viabilização de projetos que já estão em fase contratual, o que reduz incertezas e acelera a execução dos investimentos.
“Somos um porto 100% regular das áreas. Temos também grandes terminais que estão em desenvolvimento. Não é ideia ou vontade, mas contratos assinados, que em um curto espaço de tempo, sejam 3, 4 ou 5 anos, toda a nossa infraestrutura terrestre também estará modificada”, explica.
Entre as principais obras, está o Moegão, projeto público que vai centralizar a descarga ferroviária no Porto de Paranaguá e ampliar significativamente a capacidade operacional.
“Saímos de uma produção de 5 milhões de toneladas para 24 milhões de toneladas só numa área do porto do saneamento ferroviário. Então é o porto demonstrando que está atuando nos três grandes vetores da nossa logística. Acesso, seja ele aquaviário ou terrestre, e os terminais”.
O presidente destaca que a estratégia busca oferecer uma solução logística integrada, indo além da atuação dos terminais. “O porto trabalha para a comunidade inteira. Não existe só um terminal, existe toda uma solução muito bem desenhada para a nossa carga chegar e sair”.
A Portos do Paraná apresentou esse conjunto de projetos durante a Intermodal South America 2026, maior evento de logística das Américas, realizado entre terça-feira (14) e quinta-feira (16), no Distrito Anhembi, em São Paulo. A empresa manteve estande no evento, com agenda intensa de reuniões com clientes, investidores e parceiros.
“A Intermodal é uma feira importante onde a gente reúne quase todos os atores que operam na logística brasileira. Temos também presentes empresas estrangeiras que têm atuação conosco. Então é um momento onde nós nos encontramos para buscar novos negócios”, disse Silva.
Ele ressaltou que o evento também é uma oportunidade para apresentar o potencial logístico do Paraná a empresas que ainda não operam no Estado ou que buscam novas alternativas. Além da prospecção comercial, a participação no evento busca reposicionar a percepção sobre a infraestrutura portuária brasileira.
“Não é só oferecer bebida legal e comida, mas entender que temos um porto capaz de atender toda essa demanda que hoje o setor cada vez mais nos pressiona.”
Ele também destacou a evolução tecnológica dos terminais nacionais, comparável a padrões internacionais, embora reconheça a necessidade de avanços em infraestrutura.
“Muitas vezes fala que o Brasil não tem uma infraestrutura adequada. Nós temos uma infraestrutura que carece de melhoria, naturalmente. Mas se nós olharmos nos terminais hoje, em termos de tecnologia, não se perde nada para os terminais grandes, terminais europeus, americanos. Então, nós temos também o trabalho de tirar um pouquinho desse estigma”.
IstoÉ Dinheiro - SP 20/04/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos instituiu um Grupo de Trabalho (GT) com o objetivo de avaliar e propor a uniformização da legislação aplicada às concessões de infraestrutura de transportes sob sua competência. O GT também terá, entre suas atribuições, propor a elaboração de diretrizes para prorrogações contratuais nesses setores. A portaria de criação do GT Concessões está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 17.
O novo colegiado terá como foco a análise comparativa dos regimes jurídicos atualmente aplicados aos segmentos de aeroportos, portos e hidrovias. A iniciativa busca identificar possibilidades de harmonização normativa e regulatória entre os diferentes modais, além de examinar a viabilidade de regras mais uniformes para a extensão de contratos de concessão.
Entre as atribuições do grupo estão a avaliação dos impactos econômicos, fiscais e regulatórios de uma eventual padronização das normas, bem como a análise de aspectos relacionados à segurança jurídica, incluindo a consideração de precedentes do Tribunal de Contas da União (TCU). O GT também deverá levantar experiências internacionais e práticas de referência (benchmarking) no setor de infraestrutura de transportes.
A portaria estabelece ainda que o grupo poderá propor diretrizes para futuros editais de concessão, especialmente no que se refere à inclusão de cláusulas de prorrogação contratual. Essas prorrogações deverão estar condicionadas, por exemplo, à comprovação de vantagens econômicas para a administração pública, à realização de novos investimentos relevantes e à melhoria da qualidade e eficiência dos serviços prestados.
O Grupo de Trabalho será composto por representantes de diferentes áreas do próprio Ministério de Portos e Aeroportos, além de integrantes das agências reguladoras vinculadas, como a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Também poderá contar com a participação de especialistas, representantes do setor privado e instituições acadêmicas, sem direito a voto.
O prazo para conclusão dos trabalhos é de 90 dias a partir da instalação do grupo, podendo ser prorrogado mediante justificativa técnica. A participação no GT será considerada prestação de serviço público relevante, sem remuneração adicional.
TN Petróleo - RJ 20/04/2026
Com grande parte da produção nacional concentrada no mar, o aquecimento da indústria de óleo, gás e energia tem gerado reflexos diretos na economia marítima brasileira. Mesmo diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas — como o recente conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, que tem provocado instabilidade nos preços do petróleo e nas cadeias globais de abastecimento — o setor segue em expansão.
A demanda mundial por energia permanece elevada, sustentando o ritmo de crescimento da indústria. Nesse contexto, o Brasil se consolida como um dos principais polos globais do segmento, impulsionado pela produção do pré-sal e pela forte atuação offshore.
Entre os principais reflexos desse movimento está o aumento no número de embarcações de apoio. A frota brasileira encerrou dezembro de 2025 com 473 unidades, crescimento em relação ao ano anterior, segundo relatório da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam) e do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma). Desse total, 81% — o equivalente a 383 embarcações — operam sob bandeira brasileira, enquanto 90 são estrangeiras.
Com a intensificação das atividades offshore, também cresce o volume de operações simultâneas em alto-mar. Esse cenário amplia a demanda por serviços logísticos especializados, abastecimento e suporte contínuo às plataformas, uma vez que essas operações exigem integração e sincronização de múltiplas cadeias logísticas.
Os investimentos acompanham esse avanço. Em março deste ano, o Ministério de Portos e Aeroportos, por meio do Fundo da Marinha Mercante, destinou cerca de R$ 6,6 bilhões a projetos de infraestrutura aquaviária, com foco na modernização e ampliação da frota de apoio — essencial para garantir a eficiência e a segurança das operações offshore.
De acordo com o CEO da Maritime Ship Service, Thiago Nascimento, o cenário global, embora ainda desafiador, tem reforçado a importância estratégica do setor.
"Mesmo diante de tensões geopolíticas, o que observamos não é uma retração, mas uma reconfiguração do mercado. A busca por segurança energética mantém o setor aquecido e, no caso do Brasil, amplia as oportunidades. Esse movimento já se traduz em mais embarcações em operação, maior volume de atividades simultâneas e uma demanda crescente por logística integrada", afirma.
Para o especialista, a cadeia marítima deixou de ser apenas um suporte operacional e passou a ocupar uma posição central na engrenagem da indústria.
"Hoje, a operação offshore depende diretamente de uma estrutura marítima eficiente e contínua. A tendência é de operações cada vez mais intensas, com maior necessidade de planejamento, tecnologia e qualificação profissional. O Brasil tem uma vantagem importante nesse cenário, ao reunir capacidade técnica, escala produtiva e uma posição geopolítica mais estável", destaca.
Mesmo com oscilações pontuais no cenário internacional, a expectativa do setor é de manutenção desse ritmo de crescimento nos próximos anos. O desafio, segundo o especialista, será acompanhar essa expansão com investimentos em infraestrutura, inovação e formação de mão de obra, garantindo competitividade e sustentabilidade no longo prazo.
Valor - SP 20/04/2026
Carga arrematada foi comercializada com ágio em relação ao preço do Brent datado e alcançou o maior valor já registrado para o petróleo da União, porém, os valores não foram divulgados
A Petrochina venceu um leilão de carga spot promovido pela Pré-Sal Petróleo (PPSA) na quarta-feira (15), ao arrematar 1 milhão de barris de petróleo do campo de Bacalhau. O certame ofertou a parcela da União no campo, que produz no regime de partilha.
O leilão spot ofereceu dois lotes, mas apenas um foi negociado. Segundo a PPSA, a carga arrematada pela Petrochina foi comercializada com ágio em relação ao preço do Brent datado e alcançou o maior valor já registrado para o petróleo da União. Os valores, porém, não foram divulgados.
Também participaram do certame as empresas Galp, Petrobras, ExxonMobil e Equinor.
O resultado do leilão reflete o cenário de instabilidade no Oriente Médio, que elevou os preços no mercado internacional, na avaliação do diretor de finanças e comercialização da PPSA, Samir Awad.
“No momento, existe muita volatilidade. A primeira carga, com embarque já em junho, foi comercializada com ágio, e a procura por garantia de fornecimento pode ter sido um fator relevante. A segunda carga, com embarque previsto para agosto, não foi vendida, mas entendemos que o mercado optou por aguardar a evolução dos preços”, disse Awad em comunicado.
Foi a segunda etapa do 5º leilão spot da PPSA: em janeiro, a empresa ofertou um lote, também de um milhão de barris de petróleo, do campo de Bacalhau, cujo certame foi vencido pela Equinor.
O óleo do campo de Bacalhau negociado pela PPSA pertence à União por causa do regime de partilha, pelo qual as petroleiras disputam, em rodadas de licitação, campos localizados no pré-sal. O critério de vitória é o maior excedente em óleo oferecido à União.
Bacalhau está localizado na Bacia de Santos em consórcio formado por Equinor (operadora), ExxonMobil e Petrogal.
Exame - SP 20/04/2026
Os preços do petróleo bruto dispararam neste domingo, 19, enquanto os Estados Unidos e o Irã se encontravam à beira de uma nova guerra após ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) para entrega em maio subiram cerca de 7%, para US$ 89,74 por barril, às 18h45 (horário dos EUA). O Brent, referência internacional, para entrega em junho avançou quase 5,8%, para US$ 95,59, segundo a CNBC.
Ataque dos EUA contra embarcação iraniana
A Marinha dos EUA disparou contra um navio porta-contêineres iraniano no Golfo de Omã neste domingo, e os fuzileiros navais posteriormente assumiram a custódia da embarcação, disse o presidente Donald Trump. O navio havia tentado ultrapassar o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos, afirmou Trump em uma publicação no Truth Social.
"A tripulação iraniana se recusou a obedecer, então nosso navio da Marinha os deteve imediatamente, abrindo um buraco na casa de máquinas", disse Trump na publicação. "Neste momento, os fuzileiros navais dos EUA estão sob custódia do navio. O TOUSKA está sujeito a sanções do Departamento do Tesouro dos EUA devido ao seu histórico de atividades ilegais."
A apreensão do navio pelos EUA ocorreu após o Irã atacar um petroleiro no Estreito de Ormuz no sábado. Lanchas da Guarda Revolucionária dispararam contra o petroleiro e um navio porta-contêineres foi atingido por um projétil não identificado, de acordo com o Centro de Operações Marítimas do Reino Unido.
No domingo, Trump ameaçou novamente explodir todas as usinas de energia e pontes do Irã caso seus líderes não aceitem um acordo com os EUA. O acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã expira esta semana. Trump classificou os ataques iranianos contra navios no fim de semana como uma "violação total" da trégua.
Dúvidas em meio às negociações de cessar-fogo
Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta após cessar-fogo temporário. (GettyImages)
Ainda não está claro se os EUA e o Irã se reunirão para uma segunda rodada de negociações de paz no Paquistão.
Trump afirmou que os EUA e o Irã realizariam conversas em Islamabad nesta segunda-feira, 20. No entanto, o Irã declarou que não compareceria devido ao bloqueio naval americano em curso, entre outras queixas, segundo a agência de notícias estatal IRNA.
A repentina escalada das tensões no fim de semana ocorreu após os EUA e o Irã parecerem estar próximos de um acordo no final da semana passada.
Os preços do petróleo despencaram na sexta-feira, 17, depois que o Irã declarou repentinamente o estreito totalmente aberto ao tráfego comercial em resposta ao acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA no Líbano. Mas logo ficou claro que Teerã estava impondo as mesmas condições para o trânsito pelo estreito que antes.
Enquanto isso, Trump se recusou a suspender o bloqueio naval dos EUA ao Irã. Teerã mudou de posição e afirmou que o estreito permaneceria fechado até que o bloqueio fosse suspenso.
O Estado de S.Paulo - SP 20/04/2026
As empresas de transporte marítimo enfrentam confusão e incerteza sobre a situação do Estreito de Ormuz, a passagem por onde flui uma parcela significativa da energia mundial, enquanto avaliam mensagens divergentes de autoridades do Irã e dos Estados Unidos.
Militares iranianos disseram que voltariam a impor um controle “rigoroso” sobre o tráfego. Independentemente da velocidade da abertura, levará semanas até que volumes substanciais de petróleo e gás do Golfo Pérsico cheguem aos compradores ao redor do mundo. E levará muito mais tempo até que as empresas reparem os danos causados a uma das regiões produtoras de energia mais importantes do planeta.
Mesmo com o fim da guerra, preços não voltariam ao normal
É provável que leve bastante tempo até que um galão de gasolina volte a custar menos de US$ 3, como ocorria antes de os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã em 28 de fevereiro. A escassez de certos produtos, como combustível de aviação e gás natural, também pode persistir em alguns países por semanas ou mais.
“Não esperamos que os preços do petróleo - e, portanto, os preços nas bombas - voltem aos níveis de antes da guerra”, disse Arjun Murti, sócio da Veriten, uma empresa de pesquisa e investimentos em energia com sede em Houston.
Pense no Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e a Península Arábica, como uma válvula. Ele precisa estar aberto para que a energia flua. Mas a decisão das empresas de transporte de reposicionar navios-tanque e dos produtores de reativar poços dependerá muito da confiança de que a distensão entre Irã, Estados Unidos e Israel será duradoura.
Spencer Dale, que até recentemente era economista-chefe da empresa petrolífera BP, com sede em Londres, na Inglaterra, afirmou que produtores que foram obrigados a interromper a produção de petróleo e gás relutarão em retomá-la “até que haja confiança de que existe um acordo duradouro”.
Petróleo despenca na Bolsa mas barril não sente
Os traders estavam otimistas na sexta-feira, 17, quando o preço internacional do petróleo mais citado, os contratos futuros do Brent, caiu 9%, para cerca de US$ 90 por barril, o menor valor de fechamento desde a segunda semana da guerra.
Mas, para quem precisava de um navio-tanque carregado de petróleo de fato, o preço na sexta-feira era mais alto: quase US$ 99 por barril, segundo a Argus Media. Esse segundo valor, frequentemente chamado de preço à vista (spot), reflete mais de perto o que empresas, como refinarias, pagam pelas commodities e, portanto, quanto a energia custa para a economia como um todo.
“Normalmente, essa distinção entre os dois mercados é algo com que especialistas em petróleo e traders se preocupam”, disse Dale, hoje professor visitante na London School of Economics and Political Science. “Agora isso realmente importa.”
O que mais impactará o preço do petróleo
Uma das maiores variáveis para os preços do petróleo será se as empresas de transporte e suas seguradoras acreditam que o Estreito é seguro.
A situação da via marítima permanece incerta hoje, 18, depois que os militares iranianos afirmaram que o Estreito continuaria “sob controle rigoroso”, um dia após o ministro das Relações Exteriores do país dizer que o estreito estava “completamente aberto”.
O presidente Trump classificou o anúncio de sexta-feira, 17, do chanceler como um avanço, mas, complicando o cenário, afirmou que os Estados Unidos manteriam o bloqueio a navios com destino ou origem em portos iranianos. Isso, na prática, impediu o Irã de exportar energia nos últimos dias.
Até a tarde de ontem, os navios não haviam retornado em grande número ao estreito.
Se Ormuz abrir, o que acontece?
Caso o transporte marítimo a partir dos vizinhos do Irã seja retomado, a primeira prioridade será permitir que os navios-tanque carregados de energia que ficaram retidos no Golfo Pérsico partam para países da Ásia e da Europa, altamente dependentes da região. Embarcações vazias também teriam a oportunidade de carregar combustível de tanques de armazenamento, abrindo espaço para novo petróleo e gás natural extraídos. Tudo isso proporcionaria à economia global um reforço de energia de que ela precisa com urgência.
Mas a guerra causou danos do tipo que levam meses, senão anos, para serem reparados. Além de os produtores terem interrompido cerca de 10% da oferta global de petróleo, mais de 80 instalações de energia na região foram danificadas, muitas delas gravemente, segundo a Agência Internacional de Energia.
Restaurar a produção aos níveis anteriores à guerra pode levar até dois anos, afirmou nesta semana Fatih Birol, diretor-executivo da agência.
Petro Notícias - SP 20/04/2026
O projeto da construção de um alcooduto de 2,1 mil km foi o grande destaque da 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada em Cuiabá. O avanço da logística foi apontado como peça-chave para sustentar o crescimento do etanol de milho em Mato Grosso. No painel sobre a logística de distribuição, o ex-senador e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações, Cidinho Santos, destacou o projeto de um alcooduto ligando Sinop (MT) a Paulínia (SP), com investimento estimado em R$ 22 bilhões. Segundo ele, a proposta já conta com interesse do governo federal para inclusão e também de investidores privados, o que pode acelerar a viabilização da obra e marcar uma nova fase para o setor de biocombustíveis no Estado. Cidinho ressaltou que a capacidade projetada do duto é de 13 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção atual já gira em torno de 8 milhões, o que garantiria uma ocupação inicial próxima de 70%. “Estamos falando de um projeto que começa a ganhar forma agora e que ainda será muito discutido nos próximos meses. Esse alcooduto, somado às rodovias duplicadas e às ferrovias em construção, vai colocar Mato Grosso em outro nível de competitividade”, afirmou. “É um investimento robusto, mas que já nasce com demanda. Isso representa um novo momento para os biocombustíveis, especialmente para o etanol de milho em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, completou.
O avanço logístico acompanha um crescimento acelerado da indústria. Mato Grosso consolidou a liderança nacional no etanol de milho ao atingir 5,6 bilhões de litros na safra 2024/2025, concentrando cerca de 70% de toda a produção brasileira. Hoje, o estado conta com 17 usinas de biocombustíveis em operação, sendo 9 dedicadas exclusivamente ao milho e outras 3 no modelo flex (milho e cana), o que evidencia a expansão e a diversificação do parque industrial. As projeções indicam que esse avanço deve continuar. A moagem de milho pode chegar a 26,8 milhões de toneladas na safra 2026/2027, com crescimento superior a 19%, impulsionado pela entrada de novas unidades e pela ampliação da capacidade instalada.
Mais do que volume, o setor tem promovido uma mudança estrutural na economia do estado, com a transformação do milho em produtos de maior valor agregado, como etanol, DDGS — utilizado na nutrição animal e bioeletricidade, ampliando os efeitos sobre emprego, renda e arrecadação. Além do novo modal, o empresário também citou a duplicação da BR-163 pela Nova Rota Oeste, a maior obra de infraestrutura rodoviária do país, que vai reduzir custos logísticos e melhorar o escoamento da produção. O debate reuniu ainda o ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, o diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz, e o diretor da Ultracargo, Fernando Dihel, que apontaram alternativas complementares para ampliar a distribuição do etanol.
Edeon Vaz destacou o potencial do chamado Arco Norte, com escoamento via Miritituba e Barcarena para abastecimento do Nordeste, além da ampliação da concessão da BR-163 até o Pará, que deve permitir novas obras e melhorias nos próximos anos. “Essa logística pelo Norte não concorre com o alcooduto, ela complementa. A ideia é ampliar os caminhos e alcançar regiões deficitárias em etanol”, disse. Já Pagot defendeu o uso de hidrovias como solução mais competitiva para levar o produto ao Nordeste, com integração entre Santarém e o Porto do Itaqui. “Você pode levar o etanol até Santarém, colocar em balsas e distribuir a partir de um hub. É uma solução logística eficiente e com custo mais baixo”, afirmou.
TN Petróleo - RJ 20/04/2026
O volume total de consumo de gás natural no Brasil em 2025 chegou a 54,464 milhões de metros cúbicos/dia (m³/dia) – um aumento de 3,8% em comparação com os 52,456 millhões de m³/dia registrados em 2024.
Esses números representam a somatória dos volumes consumidos nos segmentos industrial, automotivo, comercial, residencial, geração elétrica, cogeração, matéria-prima, entre outros, a partir de levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) com concessionárias de distribuição de gás canalizado em todo o País.
O destaque revelado pelo estudo da Abegás é o crescimento do volume no segmento industrial. Em 2025, o consumo alta foi de 29,903 milhões de m³/dia, um avanço de 5,3% em relação aos 28,386 millhões de m³/dia de 2024.
"Esta expansão na indústria é uma notícia que aponta uma recuperação, decorrente de uma maior atividade econômica, estimulada, também, pelo ganho de competitividade no preço da molécula como desdobramento dos movimentos de migração em direção ao mercado livre de gás", afirma o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.
Além do setor industrial, o estudo da Abegás também aponta para um crescimento de 4,5% no segmento de geração elétrica, que saltou de 14,662 milhões de m³/dia em 2024 para 15,327 milhões de m³/dia em 2025, decorrente de um maior despacho térmico.
O levantamento aponta ainda um avanço consistente do segmento residencial, de 8,8%, atingindo 1,585 milhão de m³/dia em 2025 ante 1,456 milhão de m³/dia registrados em 2024, em um reflexo dos investimentos das distribuidoras na expansão de rede de gás canalizado e da base de clientes.
Por outro lado, o estudo da Abegás revela retração em alguns segmentos. O setor automotivo, por exemplo, registrou queda de 11,5%, passando de 4,569 milhões de m³/dia em 2024 a 4,044 milhões de m³/dia em 2025. Já o segmento de cogeração também apresentou queda de 7,1%,.
"A guerra no Oriente Médio reforça o papel estratégico de o Brasil investir mais em sua indústria de gás natural, reduzindo a dependência do diesel e reforçando a segurança energética", destaca Mendonça.
"É preciso aumentar a oferta da produção nacional, promover a redução de custos e ganhos de competitividade em elos da cadeia como escoamento, processamento e transporte e estimular o crescimento da infraestrutura. Trata-se de um momento crucial para o Brasil, que precisa crescer e se reindustrializar com energia competitiva e confiável", diz o diretor-executivo da Abegás.
"Nosso desafio é expandir a infraestrutura, interiorizar o gás natural e aprimorar o ambiente regulatório para que os investimentos e entregas de projetos sejam acelerados. E criar políticas públicas para incentivar o potencial de demanda das frotas pesadas movidas a gás", conclui o executivo da associação.
Número de clientes ultrapassa marco dos 5 milhões
O número de clientes diretos conectados na rede de gás canalizado ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 5 milhões de consumidores, fechando em 5.022.394 consumidores (quantificado em medidores). O número é puxado pela região Sudeste, com 4.295.578 clientes. Em seguida vem a região Nordeste, com 457.594 clientes; a região Sul, com 213.168; clientes; a região Centro-Oeste, com 27.306 e a região Norte, com 28.748 clientes.
A infraestrutura segue em crescimento. Já são cerca de 47.000 quilômetros de redes de distribuição espalhados em 516 municípios das cinco regiões do País – 36.143,26 km em 266 municípios da região Sudeste), 5.356,92 km em 113 municípios da região Nordeste, 4.246,86km em 126 municípios daa região Sul; 583,41 km em 3 municípios da região Centro-Oeste; e 367,94 km em 8 municípios da Região Norte.
Para Marcelo Mendonça, os investimentos das distribuidoras são essenciais para massificar a energia no Brasil e trazem contribuições econômicas, sociais e ambientais relevantes.
"A expansão das redes de distribuição e a agregação de usuários trazem uma dinâmica para os custos de expansão que se refletem em uma redução tarifária a longo prazo para todos os usuários, incluindo indústrias e o setor residencial. As agências reguladoras estaduais têm um papel importantíssimo para garantir segurança jurídica e estabilidade regulatória, abrindo condições para os investimentos, a ampliação da base de usuários e a interiorização da infraestrutura ", diz o diretor da Abegás.
Volume industrial no mercado livre já supera 15 milhões
A migração do setor industrial para o mercado volume ganhou tração em 2025. Ao final de dezembro de 2025, 160 clientes industriais, responsáveis pelo volume de consumo de 15,155 milhões de metros cúbicos/dia já estavam mercado livre – ambiente em que os clientes industriais negociam com as comercializadoras ou produtores as condições comerciais para aquisição da molécula, enquanto 3.923 indústrias – o correspondente a 12,817 milhões de m³/dia – estão no mercado cativo.
A presença no mercado livre industrial é puxada por 135 clientes dos Estados na região Sudeste, com 10,142 milhões de m³/dia. Na sequência vem 17 consumidores da região Sul, com 1.929,5 milhões de m³/dia; um da região Norte, com 1.773,99 milhões de m³/dia; e sete do Nordeste, com 1.309,71 milhões de m³/dia.
No segmento de geração elétrica, o volume no mercado livre foi de 14,992 milhões de m³/dia, com 20 térmicas nesse ambiente livre. Também há clientes no mercado livre nos segmentos de cogeração, matéria-prima, automotivo e outros. No total, o ano de 2025 fechou com 189 consumidores livres, que demandaram 30,825 milhões de metros cúbicos/dia.
Compilação
O levantamento compila dados de 22 distribuidoras movimentando gás natural e biometano em 18 unidades da federação: Algás (AL), Bahiagás (BA), ES Gás (ES), Naturgy | CEG (RJ), Naturgy | Ceg Rio (RJ), Cegás (CE), Cigás (AM), Comgás (SP), Compagas (PR), Copergás (PE), Necta Gás (SP), Gás do Pará (PA), Naturgy (SP), Gasmar (MA), Gasmig (MG), MSGÁS (MS), MTGás (MT), PBGÁS (PB), Potigás (RN), SCGÁS (SC), Sergás (SE), e Sulgás (RS).
Sobre a Abegás - Criada em 1990, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) representa as empresas concessionárias dos serviços de distribuição de gás canalizado no Brasil. Tem como visão ser referência institucional na indústria do gás natural, representando os interesses do serviço de distribuição, agindo para proteger as concessões públicas, a garantia de suprimento e a ampliação do atendimento.
Em 36 anos de existência, a Abegás tem atuado para que ocorra a ampliação da oferta de gás natural no país, quer seja de produção nacional ou por meio de importação; no estímulo ao fortalecimento das empresas distribuidoras de gás canalizado em todos os Estados da Federação; no intercâmbio e na cooperação técnica e institucional entre seus associados e outras entidades e, bem como, na colaboração com órgãos do governo federal
IstoÉ Dinheiro - SP 20/04/2026
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou em uma rede social que a plataforma P-79 está pronta para extrair o seu primeiro óleo no poço BUZ-90, no campo de Búzios, no pré-sal da bacia de Santos. A plataforma tipo FPSO é a oitava unidade na exploração do campo, principal produtor da bacia.
Quando entrar em operação, a P-79 vai produzir 50 mil barris por dia, informou Magda. “Para quem acha que esse desafio é pequeno, tratam-se de 1.300 horas de trabalho, 15 km de linhas flexíveis, rígidas e de umbilicais, além de um aparato naval importante”, disse a executiva em uma rede social.
Segundo ela, para iniciar a produção falta a autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
No dia 6 de abril, o Ibama autorizou a operação da unidade. Além da extração de petróleo, a licença do Ibama liberou a operação de um gasoduto rígido, que vai interligar a FPSO à Rota 3, no Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, Rio de Janeiro.
A P-79 possui capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia (bpd) e 7,2 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A ancoragem da P-79 foi realizada em fevereiro deste ano, após a unidade ter deixado o estaleiro Hanwha Ocean, na Coreia do Sul, em novembro do ano passado.
IstoÉ Dinheiro - SP 20/04/2026
A produção de petróleo da União atingiu 182 mil barris por dia (bpd) em fevereiro, considerando os contratos de partilha de produção (CPPs) e os acordos de individualização da produção (AIPs), segundo a Pré-Sal Petróleo (PPSA). O volume é 8,9% superior ao de janeiro, quando a fatia da União foi de 167 mil bpd.
Nos contratos de partilha, a parcela de petróleo da União foi de 163 mil bpd, com destaque para Mero, responsável por mais de 80% da produção, com 131,28 mil bpd. Já nos AIPs, a parcela total de petróleo da União foi de 19 mil bpd, 2% superior em relação a janeiro, devido ao maior excedente em óleo do AIP de Atapu. Jubarte apresentou redução devido ao aumento do saldo devedor.
No gás natural, o resultado mensal da parcela da União nos contratos foi 39% inferior ao período anterior, atingindo 120 mil m³ por dia, reflexo do menor excedente de gás em Sapinhoá e dos custos lançados em Sépia.
Nos acordos de individualização da produção, a exportação de gás da União foi de 128 mil m³ por dia no mês de fevereiro. A produção foi 7% inferior ao período anterior, também devido ao aumento do saldo devedor em Jubarte.
Total
A produção total dos campos sob regime de partilha chegou a 1,47 milhão de bpd, 1% acima do mês anterior devido ao retorno das operações das unidades de Atapu e Sépia, bem como pela entrada em operação do segundo poço produtor do campo de Bacalhau.
Problemas operacionais em Búzios implicaram na redução em 10% da sua produção. Desde o início da série histórica, em 2017, a produção acumulada em regime de partilha soma 1,61 bilhão de barris, sendo 122,62 milhões de barris destinados à União.
CNN Brasil - SP 20/04/2026
A chegada de tratores sem operador ao campo brasileiro já começa a sair do papel. Apresentada em abril de 2026, a tecnologia OutRun, PTx Trimble, permite adaptar máquinas já em uso para operar de forma autônoma.
De acordo com o diretor comercial da PTx para América Latina, José Bueno, a tecnolgia marca o começo da segunda revolução tecnológica no agronegócio.
Diferentemente de outras soluções que exigem a aquisição de novos equipamentos, o sistema funciona por meio de retrofit (do inglês, colocar novo no antigo), assim é instalado em máquinas que já estão em uso.
O sistema é acionado por um tablet e segue os traçados definidos por mapas e não faz desvios. Além disso, o equipamento pode ser operado por 24 horas por dia.
A proposta é reduzir o custo de adoção de novos equipamentos e ampliar o acesso à automação no campo, especialmente em um cenário de margens pressionadas no agronegócio.
Bueno aponta que diante de cenários de preços elevados, principalmente de combustíveis. A tecnologia é uma solução para redução de custos.
"O sistema pode economizar em até 15% no consumo de combustível já que reduz as sobreposições de passadas no campo", informou.
Na prática, o modelo permite que tratores executem tarefas de forma autônoma e sincronizada com outras operações, como a colheita, reduzindo falhas e aumentando a precisão das atividades no campo.
Segundo Giancarlo Fasolin, gerente sênior de Marketing Estratégico PTx América do Sul, a proposta vai além de um avanço incremental. “O OutRun não é apenas um ‘piloto automático avançado’. Ele oferece aos produtores a flexibilidade de alocar mão de obra onde for necessário”, afirma.
Ele destaca ainda o potencial de ganho operacional em momentos críticos da safra. “É possível colher até 60% mais rápido com um trator operando de forma autônoma em apoio à carreta graneleira, trabalhando 24 horas por dia sem desviar um centímetro do que foi planejado”, diz.
Ainda segundo Bueno, o desafio da tecnologia é otimizar a janela de plantio. "Vimos um exemplo nesta safra, em que o produtor teve um tempo muito curto para realizar o plantio do milho segunda safra", informou.
O avanço desse tipo de tecnologia ocorre em meio a desafios estruturais do setor, como a escassez de operadores qualificados e a necessidade de cumprir janelas cada vez mais curtas de plantio e colheita, influenciadas por fatores climáticos.
Em uma década, a safra grãos brasileira praticamente dobrou confome o levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abatescimento), passando de 166 milhões de toneladas em 2012 para 356,34 milhões de toneladas em 2025, enquanto o número de trabalhadores no agronegócio seguiu em queda.
Dados da FGV Agro, com base na PNAD Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicam que o número total de trabalhadores no agronegócio caiu de 14,34 milhões em 2016 para 13,78 milhões em 2023, isso representa uma redução de 560 mil postos em sete anos.
O Instituto mostrou que, apesar da taxa geral de desemprego ter recuado para 6,4% em 2024, a agropecuária seguiu com queda de 4,7% no contingente de trabalhadores na comparação anual. O movimento reforça a dificuldade do setor em atrair e reter mão de obra, em meio ao avanço da urbanização e à mudança no perfil da força de trabalho.
A automação no campo pode impactar diretamente a organização da mão de obra no campo. "Com a substituição de atividades repetitivas, trabalhadores tendem a ser direcionados para funções mais estratégicas dentro das propriedades", informou o estudo.
Validação
Especialistas apontam que soluções desse tipo tendem a ganhar espaço no Brasil, mas a adoção em larga escala ainda depende de fatores como conectividade no campo, custo de implementação e adaptação às diferentes realidades regionais.
A expectativa é que a fase de validação ajude a calibrar o uso da tecnologia nas condições das safras brasileiras, que incluem desde grandes áreas mecanizadas até propriedades com limitações de infraestrutura.
Outro ponto destacado é o foco na produtividade dentro das condições reais do campo brasileiro. “O OutRun está em validação para todo o Brasil, é a autonomia construída em torno da agronomia. Nosso objetivo é permitir ao agricultor realizar a colheita no período ideal, garantindo o máximo de produtividade”, completa Bueno.
A tecnologia deve ter lançamento comercial previsto a partir de 2027 e até o momento sem um valor definido.
De acordo com diretor de Marketing da Fendt Brasil, Fábio Dotto, a expectativa é qje a tecnologia deve ser implementada no campo realizando etapas de plantio, pulverização e colheita até 2030.
"Nosso foco está sendo em realizar diversas validações e implementar para as mais diversas culturas da agricultura tropical", destacou.
Globo Rural - SP 20/04/2026
Basta um clique no tablet e um trator sem ninguém na cabine começa a se movimentar na lavoura. A novidade é da PTx, joint venture entre a AGCO e Trimble, que trouxe para o Brasil uma tecnologia de piloto automático para máquinas que podem ser comandadas remotamente.
Trator sem piloto da PTx
O sistema “OutRun” permite que produtores operem suas frotas sem condutor, mas não é considerado autônomo, pois quem toma as decisões da operação não é a máquina, e sim um operador por meio de um tablet previamente programado e conectado.
A tecnologia foi lançada na Agritechnica 2025, na Alemanha, a maior feira de máquinas agrícolas do mundo, e agora será apresentada na Agrishow 2026 aos clientes. A previsão da PTx é que esteja disponível para comercialização a partir do primeiro dia de 2027, ainda sem previsão de custo final.
Por enquanto, o sistema foi desenhado para duas operações: preparo de solo, seja com subsoladores ou grades, e para a colheita. Fernando Compagnon, especialista de produto da PTx, explica que o operador deve estar com o tablet dentro da colheitadeira e “chama” o trator acoplado com a carreta graneleira para realizar o descarregamento dos grãos.
“Com outro comando no tablet, é possível enviar o conjunto do trator com a carreta graneleira até o caminhão para descarregar e, depois, repetir o processo”, explica o especialista. Além disso, existe um sistema de Wi-Fi entre a colheitadeira e o trator, que reconhece a aproximação entre os maquinários e garante que não haja colisões.
Para a tecnologia funcionar, é essencial que a área de atuação da máquina seja mapeada previamente com drones para que o tablet tenha todas as informações dos talhões e possa seguir à risca os comandos. Ainda segundo Compagnon, não há limite de distância para o acionamento da máquina. “Meu colega lá do Canadá aciona a máquina aqui remotamente”, exemplifica.
O sistema será vendido para ser instalado, ou seja, a máquina não vem com o OutRun embarcado. POr enquanto, as máquinas da Fendt, marca premium da AGCO, são as mais adaptadas para receber a tecnologia, segundo Fábio Dotto, diretor de marketing de produto da fabricante. Porém, ele afirma que a instalação pode ser feita em equipamentos de diferentes fabricantes. Para modelos mais antigos, a PTx oferece um serviço adicional de adaptação.
O OutRun é composto por sensores na frente do trator, radar na parte superior e um sistema de antenas na parte traseira. “Se o sensor detectar um animal, a máquina para e só volta a andar quando ele sair”, complementa Compagnon.
Além disso, o pacote acompanha uma antena da Starlink, já que segundo o especialista da PTx, durante os testes, foram identificados problemas relacionados de conectividade com a internet.
Em sua primeira versão, é possível operar uma máquina por tablet, mas a tecnologia pode elevar sua presença na frota, garante Compagnon. Segundo ele, o objetivo é poder controlar cada vez mais tratores conforme o OutRun ganhar escala nos campos do Brasil.
A PTx também planeja oferecer serviços com seu trator remoto além do preparo de solo e colheita, mas ainda não há prazo. “Em futuro próximo, vamos conseguir também fazer operações de plantio de forma autônoma, inclusive em sequência à colheita”, afirma Compagnon.
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