Diário do Comércio - MG 20/03/2026
As importações de aço pelo Brasil em fevereiro somaram 629 mil toneladas, o maior patamar mensal desde maio do ano passado, impulsionadas em parte por produtos que ainda não foram alvo de medidas antidumping pelo Governo Federal, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Aço Brasil, que representa as siderúrgicas locais.
Bobinas laminadas a quente, por exemplo, tiveram um salto de mais de quatro vezes nas importações sobre fevereiro do ano passado, atingindo 60,4 mil toneladas, com os produtos planos como um todo registrando aumento de 84% na internalização, para 471,5 mil toneladas.
Enquanto isso, produtos laminados a frio, que já tiveram medidas antidumping aprovadas pelo governo, mostraram queda nas importações de fevereiro, recuando 26%, no caso das bobinas, a 24,9 mil toneladas.
As importações também foram fortes em produtos revestidos, cujo volume importado cresceu cerca de duas vezes e meia no período, para 281 mil toneladas.
As ações das três principais produtoras de aço listadas em bolsa do país caíam por volta das 14h. Usiminas perdia 3,7%, CSN mostrava recuo de 1,9% e Gerdau caía 0,8%.
O diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez, já tinha alertado na semana passada para aumentos nas importações em fevereiro, algo que ele atribuiu a antecipações de compras pelos importadores. A expectativa do executivo é que as importações de aço no Brasil este ano caiam entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas.
No combinado do primeiro bimestre, as importações de aço no Brasil subiram 12,2% sobre o mesmo período de 2025, para 1,14 milhão de toneladas, segundo os dados do Aço Brasil.
Enquanto isso, a produção das usinas caiu 5,7% no mês passado na comparação anual, para 2,5 milhões de toneladas, pressionada por queda de 3,2% nos produtos longos, que somaram 781 mil toneladas.
As vendas de aço pelas usinas no Brasil também recuaram no período, 3,1%, para 1,6 milhão de toneladas, mostrando baixa de 4,5% no bimestre.
Valor - SP 20/03/2026
Instituto informou que a produção atingiu 2,523 milhões de toneladas, as vendas internas somaram 1,616 milhão de toneladas, recuo de 3,1%, e as exportações cresceram 55,2%, para 1,191 milhão de toneladas
A produção de aço bruto brasileira em fevereiro foi de 2,523 milhões de toneladas, uma queda de 5,7% frente a fevereiro do ano passado. No primeiro bimestre, a produção caiu 3,4% frente aos dois primeiros meses do ano passado, para 5,262 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Aço Brasil.
As vendas internas em fevereiro foram de 1,616 milhão de toneladas, 3,1% a menos que em fevereiro de 2024. No primeiro bimestre, as vendas foram de 3,177 milhões de toneladas, 4,5% abaixo dos dois primeiros meses do ano passado.
No front externo, as exportações cresceram 55,2% em fevereiro, frente a fevereiro do ano passado, para 1,191 milhão de toneladas. Nos dois primeiros meses do ano, o volume exportado foi de 2,182 milhões de toneladas, alta de 30,3%.
As importações continuam avançando, para 629 mil toneladas em fevereiro, 34,2% a mais que em fevereiro do ano passado, enquanto no primeiro bimestre o volume importado foi de 1,145 milhão de toneladas, alta de 12,2%.
Money Times - SP 20/03/2026
A agência de risco S&P Global rebaixou o rating da Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) em escala global de “B+” para “B”, com perspectiva negativa. Segundo a classificadora, a decisão ocorreu pela empresa apresentar alavancagem persistente nos últimos tempos.
Segundo a S&P, o Ebitda da CSN provavelmente permanecerá pressionado em 2026 devido aos custos mais elevados na mineração, crescimento mais lento no negócio de cimento e aos desafios contínuos em siderurgia. “Esses fatores, combinados com uma carga de juros e investimentos (Capex) consideráveis, também continuarão pressionando a alavancagem da empresa.”
A combinação desses fatores contribui para o Ebitda projetado pela S&P de R$ 10,5 bilhões em 2026, acima dos R$ 8,8 bilhões em 2025, mas abaixo da projeção anterior de R$ 11,7 bilhões.
Segundo a classificadora, esses fatores, somados a pagamentos de juros de cerca de R$ 5,1 bilhões e capex de R$ 6,2 bilhões em 2026, resultará em um déficit de R$ 410 milhões no fluxo de caixa operacional livre (FOCF). “Isso também manterá a alavancagem no limite superior da faixa de 5,0 vezes a 6,0 vezes, ante 5,2 vezes, enquanto o índice de geração interna de caixa (FFO) sobre dívida mal chega a 10%.”
Para a agência, a administração da CSN está tentando melhorar a estrutura de capital por meio de desinvestimentos e novas linhas de financiamento. No entanto, ressalta a S&P, a complexidade dessas transações, a volatilidade da economia global e a crescente aversão ao risco do mercado podem afetar sua capacidade de reduzir a alavancagem em tempo hábil.
“Em nossa visão, a entrada de caixa proveniente das vendas é a forma mais provável e significativa para a CSN reduzir sua dívida nominal e sua carga de juros, mas que também podem reduzir o Ebitda. Em nossa análise, se o negócio de cimento for vendido por R$ 9 bilhões, a dívida sobre Ebitda ajustado pro forma ainda permaneceria acima de 5 vezes em 2026”, ressaltou.
Em relação à perspectiva negativa, a S&P indica que um novo rebaixamento é possível caso as vendas de ativos não se concretizem ou se as condições de negócios piorarem, mantendo a alavancagem elevada, bem como se a liquidez continuar se deteriorando devido a déficits de fluxo de caixa maiores do que o esperado e às dificuldades em continuar refinanciando vencimentos de curto prazo.
“Poderemos rebaixar o rating nos próximos seis meses se atrasos na venda de ativos ou déficits de fluxo de caixa mais elevados impedirem a CSN de reduzir sua alavancagem, com dívida sobre Ebitda permanecendo próxima de 6,0 vezes por um período prolongado e ainda apresentando um déficit significativo de FOCF em meio ao Capex elevado e uma carga de juros substancial”, afirmou a S&P.
Diário do Comércio - MG 20/03/2026
A CSN confirmou que está em fase final de negociação de empréstimo-ponte com um sindicato de bancos com o objetivo de iniciar o reperfilamento das suas obrigações de curto e médio prazos, colocando parte dos ativos a serem alienados como garantia da operação, incluindo a CSN Cimentos. A afirmação foi dada em esclarecimento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, antecipar ontem que para liberar US$ 1,5 bilhão à CSN, bancos cobram venda do negócio de cimentos.
A CSN não confirmou o valor do empréstimo, mas confirmou que a CSN Cimentos foi incluída como garantia da estrutura como forma de obter condições mais vantajosas para a transação, além de reforçar o comprometimento da administração em relação ao processo de venda.
A companhia alega que tem sido transparente acerca da evolução desse negócio, sobre o qual falou na última teleconferência de resultados ocorrida em 12 de março de 2026. Mas, diz que, desde então, houve aprovações internas por parte de diversas instituições financeiras envolvidas no sindicato, embora as negociações ainda não tenham sido concluídas.
Além disso, a CSN afirmou que o processo de gestão e monetização de ativos segue seu curso normal, em linha com as iniciativas estratégicas já comunicadas ao mercado.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 19, que o Banco Central (BC) diminuiu em apenas 0,25 ponto porcentual a taxa Selic por conta da guerra no Oriente Médio. O presidente disse que esperava uma redução de 0,5 ponto porcentual.
“Hoje é um dia que eu poderia estar mais feliz, mas estou triste. Eu esperava que o nosso Banco Central abaixasse os juros em pelo menos 0,5 e abaixou apenas 0,25 por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, disse o presidente.
O presidente disse que a guerra instaurou uma crise no petróleo e que o governo federal não vai permitir que ela traga um prejuízo para os brasileiros, tanto no preço dos combustíveis quanto dos alimentos. Mesmo com a isenção do PIS e do Cofins e a subvenção de R$ 0,64/litro do diesel, Lula disse que as cifras subiram por conta de “bandidos” que querem ganhar dinheiro com os efeitos do conflito geopolítico.
“Não aumentou apenas o preço do diesel. Aumentou o preço do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou o preço da gasolina, que ainda não tinha por que aumentar. Significa que, neste País, tem bandido que quer ganhar dinheiro com o enterro da mãe, até com a fome dos pobres e até com a miséria dos outros”, declarou Lula, que destacou ainda que a Polícia Federal (PF) recebeu ordens de reprimir empresas que estão escalonando os valores dos combustíveis de forma abusiva.
O presidente também fez um pedido para que os governadores aceitem a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para ajudar na retenção dos efeitos da guerra. “Eles poderiam fazer para não permitir o aumento. O governo federal se dispõe a devolver para ele metade”, declarou.
O presidente disse ainda que o governo irá promover o que tiver ao alcance para impedir que empresários utilizem a guerra no Oriente Médio para “sacanear”.
Lula disse ainda que o Brasil foi “pego de surpresa com a guerra no Oriente Médio. Ele disse não concordar com o regime teocrático do Irã, mas que é preciso respeitar a autodeterminação dos povos. Ele ainda disse que os Estados Unidos se acham “dono do mundo” e pretendem conquistar territórios como a Groenlândia e Cuba.
O presidente também relembrou que, em 2010, os Estados Unidos e a União Europeia não aceitaram um acordo do Brasil com o Irã sobre enriquecimento de urânio para fins científicos. “Há uns três ou quatro anos, os americanos e os europeus fizeram um acordo pior que o que nós fizemos”, disse.
Lula participa nesta quinta da Caravana Federativa em São Paulo, que reúne prefeitos e vereadores em uma feira de serviços e inovações do governo do Brasil, como nas áreas de planejamento e meio ambiente. Mais de 30 ministérios e autarquias federais possuem estandes no local.
Infomoney - SP 20/03/2026
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, foi considerada positiva pelas entidades que representam a indústria, mas o corte foi considerado “tímido” e “insuficiente” para incentivar os investimentos do setor de transformação e reacelerar a economia.
Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o gesto do BC na quarta-feira pode ser considerado “tímido”, diante da necessidade do cenário econômico nacional. “Não há euforia de demanda que justifique tal rigor, independentemente de aspectos externos. Ao contrário, o que se observa é uma punição ao investimento e à inovação em favor da inércia da renda fixa”, criticou a entidade.
“O Brasil opera sob uma lógica de juros ‘absurdos’, onde as taxas praticadas no mercado atingem seis vezes o índice de inflação”, comparou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em nota da entidade
Para a Fiesp, para que o País volte a crescer, é urgente que o governo assuma a responsabilidade sobre seus gastos excessivos e déficits, que já elevam a dívida pública para patamares próximos a 80% do PIB. “O Brasil não precisa de ajustes simbólicos, mas de um ambiente que deixe de ser hostil aos negócios e passe a fomentar o crescimento e a geração de renda.”
Na opinião da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a medida tomada pela diretoria do BC será incapaz de interromper desaceleração econômica, destravar investimentos e reduzir endividamento. “A decisão ( ) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto, é correta, mas insuficiente e ( ) ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento – sintomas da política monetária excessivamente restritiva”, apontou a Confederação.
“A inflação está em franca desaceleração e as expectativas de mercado para a alta dos preços seguem dentro do intervalo de tolerância da meta. Isso, por si só, já justificaria queda mais acentuada da taxa básica de juros. Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, argumenta em nota o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Para Alban, o BC precisa intensifique a magnitude dos cortes na Selic já na próxima reunião do Copom, prevista para o fim de abril. “Isso é necessário para viabilizar melhores condições de investimento às empresas, reduzir o endividamento das famílias e recolocar a economia em trajetória de crescimento. A flexibilização mais expressiva dos juros não é apenas desejável: trata-se de condição imprescindível para recuperar a produtividade nacional e o bem-estar social”, diz.
A CNI ainda destaca que, com a Selic em 14,75% a.a., a taxa de juros real situa-se em 10,4% ao ano, 5,4 p.p. acima da taxa neutra — aquela que não estimula nem desestimula a atividade econômica — estimada pelo próprio BCB em 5% a.a.
A Confederação calcula que a taxa de equilíbrio, capaz de conciliar pleno emprego e estabilidade de preços, deveria aproximar-se de 10,1% a.a., o que indica que a Selic atual é 4,6 p.p. mais restritiva do que o necessário para o controle da inflação.
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), ainda que o movimento do BC seja coerente com a manutenção das expectativas inflacionárias dentro das metas previstas para os próximos anos e com o arrefecimento gradual do mercado de trabalho, o atual patamar de juros permanece significativamente restritivo, sobretudo para a indústria de transformação.
Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, pondera que o início da redução dos juros, mesmo que cauteloso, representa um alívio para a indústria, que enfrenta, além dos entraves internos, pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais decorrentes dos conflitos geopolíticos.
Para a Firjan, mesmo em um contexto de incerteza associado ao ciclo eleitoral, o compromisso com uma agenda estrutural crível de contenção de gastos é condição necessária para reduzir o risco-país e abrir espaço para juros menores de forma sustentável. “Sem o pilar da responsabilidade fiscal, não será possível alcançar um patamar de juros capaz de destravar o investimento e devolver à indústria o fôlego necessário para competir no cenário global”, aponta o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2026
O conflito no Oriente Médio pode reduzir o crescimento do comércio mundial, caso os preços de energia permaneçam elevados e possivelmente pressionem o fornecimento de alimentos e o comércio de serviços devido a interrupções em viagens e transportes, avalia a Organização Mundial do Comércio (OMC) no relatório de Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global, publicado nesta quinta-feira, 19.
Para a OMC, o cenário de deterioração do comércio pode melhorar se a guerra entre os EUA e o Irã terminar rapidamente e o crescimento dos gastos com a inteligência artificial (IA) continuar.
A organização projeta que o crescimento do comércio global de mercadorias desacelere para 1,9% em 2026, ante 4,6% em 2025, e acelere novamente a 2,6% em 2027. O avanço do comércio de serviços deve diminuir para 4,8% em 2026, após expandir 5,3% no ano passado, e acelerar novamente para 5,1% em 2027. Juntos, o comércio de bens e serviços deve avançar 2,7% em 2026, ante 4,7% em 2025.
O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) global deve moderar de 2,9% em 2025 para 2,8% em 2026, mantendo o patamar em 2027, de acordo com a OMC. No entanto, um possível cenário em que os preços do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) permaneçam elevados ao longo de 2026 pode reduzir 0,3 ponto porcentual (pp) da previsão para o PIB este ano.
Para a organização, consequentemente, isso pode significar um corte de 0,5 pp da previsão de comércio para este ano e até 1,0 pp para regiões dependentes de importações de energia. Isso pode fazer com que os volumes de comércio de mercadorias cresçam apenas 1,4% no cenário de preços altos de energia. O comércio de serviços também cresceria a um ritmo mais lento de 4,1% em 2026.
A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que a perspectiva reflete a resiliência do comércio global, mas que a previsão está “sob pressão” do conflito no Oriente Médio.
Money Times - SP 20/03/2026
O temor de um novo choque inflacionário, com a recente escalada dos preços do petróleo, refez as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
Nesta quinta-feira (19), o mercado zerou a possibilidade de algum corte na taxa referencial norte-americana pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) ao longo de 2026.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 93,8% de chance de o Fed manter os juros na próxima decisão, em 29 de abril. Para as decisões até dezembro, a aposta majoritária continua a ser de manutenção, com probabilidade acima de 80% em cada.
Ao longo do dia, o mercado passou a rever o ajuste nos juros até o final de 2027. Por volta de 13h30 (horário de Brasília), os traders viam apenas alguma chance de corte nos juros a partir do segundo semestre de 2027. Ainda de acordo com o CME, os operadores precificam 79,9% de redução, de algum nível, em setembro. Até o início da tarde de hoje, o mês mais provável para início do ciclo de afrouxamento monetário era julho, com 50% de chance.
A probabilidade de alta nos juros no próximo ano também entrou no radar, com 4,9% de chance.
Ontem (18), após a decisão do Fed de manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o mercado já havia adiado a aposta de um corte de dezembro para março de 2027.
Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a chance de elevar os juros na próxima reunião foi debatida, em meio aos temores quanto aos impactos econômicos da guerra no Irã. “O assunto surgiu hoje. A possibilidade de que nosso próximo passo possa ser um aumento foi, sim, levantada na reunião, tal como ocorreu no encontro anterior”, disse.
Além da decisão, o Fed divulgou o sumário de projeção econômica (SEP) e o gráfico de pontos – conhecido como ‘dot plot‘ –, que são atualizados trimestralmente. De acordo com o SEP, o Fed prevê apenas um corte nos juros ao longo de 2026.
A mediana para o Fed Funds foi mantida em 3,4% neste ano, o que sugere a taxa de juros no intervalo de 3,25% a 3,50% em dezembro.
O que fez o mercado zerar os cortes nos EUA?
A expectativa de juros elevados no mundo por um período bastante prolongado ganhou força na manhã de hoje após a decisão de política monetária do Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês).
O BoE manteve os juros em 3,75% ao ano, mas ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo – o que seria um novo choque na economia.
Alguns membros do Comitê de Política Monetário britânico já levantaram a possibilidade de um aumento nos juros a frente.
“A decisão do BoE, com alerta para as pressões inflacionárias, estressou as curvas [de juros futuros] globais. Por lá, o mercado migrou a aposta de uma para três altas de 0,25 pontos-base ao longo deste ano”, afirmou a analista de renda fixa da Empiricus Research, Laís Costa.
O BC britânico ainda destacou, em comunicado, que a política monetária não pode reverter o choque no fornecimento de energia, mas deve responder ao risco de um efeito mais persistente sobre a inflação ao consumidor do Reino Unido.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do BoE, Andrew Bailey, alertou que uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo, gás natural e outras commodities, como fertilizantes e gás neônio, aumenta o risco de alta da inflação.
O Banco Central da Europa (BCE), que também manteve os juros em 2% nesta quinta-feira, disse que o salto nos preços da energia elevou sua previsão de inflação para a zona do euro em 2026 a 2,6% – acima de sua meta de 2% – mas disse que o impacto de longo prazo ainda não está claro.
“A guerra no Oriente Médio tornou as perspectivas significativamente mais incertas, criando riscos de alta para a inflação e riscos de baixa para o crescimento econômico”, afirmou a presidente do BCE, Christine Lagarde.
Para Carsten Brzeski, diretor global de macroeconomia da ING Research, o retorno a expressão “monitorar de perto” (monitor closely) no comunicado da decisão é um sinal claro de que o BCE elevou seu nível de alerta. “No passado, esse termo sempre indicou atenção máxima — foi utilizado durante as tensões bancárias de março de 2023 e anteriormente em 2022”, disse o diretor, em nota.
“Em períodos mais anteriores, “monitorar de perto” era seguido por “vigilância”, geralmente no caminho para aumentos de juros. Seguindo a lógica da comunicação institucional do BCE, a combinação atual desse termo com a avaliação de Lagarde de que os riscos para a inflação estão inclinados para cima indica claramente maior estado de alerta”, acrescentou Brzeski.
Ele ainda considera que, embora o cenário atual é diferente do vivenciado em 2022, a alta de juros na zona do euro não pode ser descartada.
E o juros no Brasil?
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano na noite de ontem (18). Essa foi a primeira flexibilização do Banco Central desde julho, em linha com o esperado pelo mercado.
No comunicado, o BC disse estar dando início a um ciclo de “calibração” da política monetária, mas reforçou o “forte aumento da incerteza” e o “distanciamento adicional” das projeções de inflação em relação à meta.
O colegiado também destacou que ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Segundo o Comitê, o cenário exige cautela por parte dos países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Mas o temor de um choque inflacionário também repercute sobre a curva de juros futuros. Os investidores começaram a ajustar posições tendo como norte a possibilidade de o BC manter a Selic em 14,75% em abril, caso a incerteza gerada pela guerra permaneça.
Em reação, as taxas de Depósito Interfinanceiros (DIs) operam com altas firmes em todos os vencimentos, próximas a 30 pontos-base, acompanhando o movimento do exterior.
Os economistas do Daycoval acreditam que o Copom manterá uma postura mais cautelosa, com adoção de ritmo lento de cortes nos juros, considerando as incertezas sobre o conflito no Oriente Médio, a inflação mais elevada, as expectativas ainda desancoradas e a inversão na composição da atividade econômica “com cíclicos mais fortes neste início do ano”.
A equipe, porém, considera que caso o “conflito seja solucionado com significativo impacto baixista para o preço do petróleo, o corte de juros mais forte pode voltar à mesa”.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2026
Com uma sinalização explícita em janeiro sobre seu próximo passo, o Comitê de Política Monetária (Copom) parecia preparar o mercado para uma abertura de ciclo de baixa da Selic com um corte de 0,5 ponto porcentual na quarta-feira, 18. Mas, no meio do caminho, entre uma reunião e outra, tinha uma guerra, e um barril de petróleo acima de US$ 100 fazendo as apostas migrarem nos últimos dias a uma redução mínima dos juros de referência.
Foi isso o que os diretores do Banco Central (BC) entregaram, com o corte de 0,25 ponto porcentual, a primeira redução da Selic em quase dois anos. O comunicado que anuncia a decisão veio, no entanto, menos conservador do que boa parte do mercado esperava, em tom classificado por muitos analistas como suave, ou dovish no jargão financeiro. Desse modo, na leitura dos especialistas, o tom do documento parece afastar a possibilidade de o conflito interromper o ciclo de alívio monetário.
Apesar da disparada do petróleo, a expectativa de inflação no horizonte observado pelo BC, o terceiro trimestre de 2027, subiu menos do que alguns economistas imaginavam: de 3,2% para 3,3%.
Ainda que tenha retirado a sinalização sobre a próxima decisão, o chamado forward guidance, o Copom falou de “passos futuros” do processo que chamou de “calibração” da taxa básica de juros. Junto da revisão discreta na inflação projetada e da convicção demonstrada pela autoridade de que os juros altos estão surtindo efeito, ficou a sensação de que o ciclo de corte de juros continuará, embora em ritmo que dependerá da duração dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Na sequência do comunicado do Copom, Pantheon Macroeconomics, Warren Investimentos e Santander convergiam na leitura de que o Copom deve repetir um corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião, marcada para os dias 28 e 29 de abril.
Para Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon, o Copom indicou que a “barra” para acelerar o ritmo para cortes de 0,5 ponto porcentual segue elevada, sobretudo porque aumentaram os riscos de desancoragem das expectativas de inflação diante das tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre commodities e cadeias de suprimento.
Na mesma direção, a Warren avalia que, enquanto persistir o conflito e seu potencial impacto inflacionário, a autoridade monetária tende a manter passos de 25 pontos-base, projetando Selic em 13,25% ao fim de 2026.
Economista do Santander, Marco Caruso entende que a comunicação tornou novos cortes de 0,25 “mais prováveis”, reduzindo a chance de uma pausa no ciclo de baixa da Selic. Uma aceleração para 0,50 ponto porcentual pode voltar ao radar, interpreta Caruso, se houver melhora relevante do cenário — por exemplo, com reversão de parte da alta recente do petróleo.
“A regra base é seguir com cortes de 0,25. Se houver alguma melhora, pode ir para 0,5, e só com uma piora mais expressiva consideraria uma pausa numa próxima reunião”, comenta Caruso. “O plano, hoje, parece ser seguir na toada de 0,25”, acrescenta o economista do Santander./Eduardo Laguna, Daniel Tozzi, Antonio Perez, Caroline Aragaki e Arícia Martins
Investing - SP 20/03/2026
O Banco Popular da China manteve a LPR de um ano em 3,0% e a LPR de cinco anos, que é usada para definir as taxas de hipoteca, em 3,50%.
Ambas as taxas estavam em seus níveis mais baixos já registrados, após uma série de cortes nos últimos seis anos.
Mas a China tem hesitado em cortar ainda mais as taxas de referência nos últimos anos, optando em vez disso por implementar medidas de liquidez por meio de operações de mercado. Isso ocorre em parte para evitar o estreitamento das margens bancárias e conter mais pressão sobre o iuane chinês.
A segunda maior economia do mundo estabeleceu uma meta de crescimento ligeiramente mais suave para 2026, enquanto lida com anos de demanda doméstica fraca. Pequim prometeu distribuir mais estímulos fiscais e monetários para ajudar a sustentar o crescimento.
Investing - SP 20/03/2026
Os contratos futuros do minério de ferro caíram nesta quinta-feira, com uma diminuição das pressões sobre a oferta depois que a compradora estatal chinesa relaxou algumas restrições ao minério de ferro Jimblebar.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China caiu 0,55%, para 807,5 iuanes (US$117,04) a tonelada.
O minério de ferro de referência de abril na Bolsa de Cingapura se firmou em 0,24%, a US$107,05 a tonelada.
A flexibilização de restrições de compra das cargas do minério Jimblebar da BHP que já estavam nos portos chineses ajudou a diminuir as preocupações com a oferta esta semana, pressionando os preços.
Os embarques marítimos continuam proibidos, o que deve restringir a oferta na próxima semana e dar algum suporte aos preços.
A produção média diária de ferro-gusa de 242 usinas siderúrgicas da amostra aumentou 38.000 toneladas em relação à semana passada, e espera-se que aumente ainda mais na próxima semana, de acordo com uma nota do Shanghai Metals Market.
Mas os altos preços spot podem continuar a limitar as transações, acrescentou.
A demanda de aço da China deve cair cerca de 1% em 2026, enquanto as exportações de aço devem diminuir em relação aos níveis de 2025, disse um executivo da Associação de Ferro e Aço da China.
Separadamente, uma carga de 172.000 toneladas de Jimblebar Fines está indo para a Índia em uma venda rara impulsionada por descontos no produto, que a China barrou em setembro após uma disputa contratual com a mineradora.
Desde então, a China Mineral Resources Group (CMRG), compradora estatal de minério de ferro, ampliou as restrições a outros produtos da BHP enquanto negocia os termos do contrato de fornecimento de 2026.
Enquanto isso, a Colômbia impôs tarifas de 35% sobre as importações de 14 produtos de aço e metalurgia de países sem acordos de livre comércio, incluindo a China.
Valor Investe - SP 20/03/2026
As ações da Vale (VALE3) e de seus pares operam em queda livre, reagindo a uma combinação de dados econômicos frustrantes vindos da China e ao ambiente de maior aversão ao risco
O setor de mineração e siderurgia, peso-pesado do Ibovespa, viveu uma sessão de correção com perdas durante a sessão desta quinta-feira (19). No entanto, diminuiu o impacto com falas de Netanyahu sobre o enfraquecimento do Irã no conflito.
No fim do pregão, cada um fechou de um lado: os papéis da Vale (VALE3) recuaram 0,65% (depois de despencar mais de 3% durante boa parte da manhã); a Gerdau (GGBR4) subiu 0,58%; CSN (CSNA3) avançou 0,50; e Usiminas (USIM5) caiu 1,55%
As ações da Vale (VALE3) e de seus pares operaram em queda livre durante boa parte da sessão, reagindo a uma combinação de dados econômicos frustrantes vindos da China e ao ambiente de maior aversão ao risco que se instalou após as decisões de juros da "Superquarta".
O principal gatilho para a derrocada é o arrefecimento da demanda por minério de ferro nos portos chineses. Após um rali baseado em promessas de estímulos ao setor imobiliário, os estoques elevados na China e a ausência de medidas concretas de infraestrutura pesada pesaram nas cotações em Dalian.
Com o minério perdendo suportes importantes de preço, investidores estrangeiros iniciaram um movimento de retirada de lucros, penalizando o setor.
Além do fator China, o cenário macroeconômico global joga contra. A manutenção de juros restritivos nos Estados Unidos, reafirmada ontem pelo Federal Reserve, fortalece o dólar globalmente e encarece o custo de oportunidade para ativos de risco.
No Brasil, o Copom sinalizou que o espaço para novos cortes na Selic é limitado, o que pressiona o custo financeiro das siderúrgicas nacionais.
Diário do Comércio - MG 20/03/2026
Minas Gerais passa a contar com uma nova planta de beneficiamento de minério de ferro da ArcelorMittal, localizada em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O projeto recebeu R$ 2,5 bilhões em investimentos que serão utilizados na ampliação da capacidade produtiva da mina de Serra Azul 1,5 milhão para 4,5 milhões de toneladas anuais.
A iniciativa contou com apoio do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG) e da Invest Minas, e reforça o ambiente favorável à atração de grandes investimentos industriais e minerários no estado. Com o aporte, o projeto gerou 332 postos de trabalho permanentes, o que praticamente dobrou o quadro efetivo da mina.
“É um projeto que amplia a competitividade da mineração mineira, gera empregos e incorpora soluções mais eficientes do ponto de vista ambiental. O Governo de Minas tem atuado para garantir um ambiente seguro, previsível e favorável para que empresas invistam, inovem e cresçam no estado”, afirmou a secretária da Sede-MG, Mila Corrêa da Costa, durante a inauguração da planta na quarta-feira (18/3).
A expansão integra um amplo ciclo de investimentos da empresa no país, de R$ 25 bilhões, iniciado em 2022, voltado à modernização de operações industriais, ampliação do portfólio de produtos e investimentos em energia renovável.
A nova planta também permitirá ampliar a competitividade da operação mineira, com a produção de pellet feed, minério de ferro com alto teor de ferro (cerca de 67%) e baixos níveis de impurezas. O material será transportado por ferrovia até o terminal logístico e seguirá por cerca de 500 quilômetros até o Porto Sudeste, de onde será exportado para abastecer operações industriais do grupo no exterior.
Responsável por apoiar a atração e viabilização de investimentos no estado, a Invest Minas atuou desde o início do projeto, facilitando o diálogo entre empresa e poder público. “Atuamos para dar agilidade e segurança aos investimentos, apoiando a interlocução com órgãos públicos e a superação de entraves”, disse Henrique Tavares, gerente de Cadeias de Mineração, Siderurgia e Metal-Mecânicas da Invest Minas.
Sustentabilidade e eficiência ambiental
A nova planta também foi projetada com foco em eficiência energética e gestão responsável de recursos naturais. Entre as iniciativas adotadas estão o uso de equipamentos de alta eficiência energética e um sistema que permite recircular mais de 90% da água utilizada no processo de beneficiamento do minério.
Outro avanço importante é a adoção de uma planta de filtragem de rejeitos. Com a tecnologia, todo o material resultante do processo será filtrado, compactado e empilhado a seco, sem utilização de barragens, o que aumenta os padrões de segurança operacional e ambiental.
Mesmo com a ampliação significativa da produção, a área efetivamente lavrada da mina foi ampliada em apenas 13% em relação à área original, o que reduz os impactos ambientais da operação.
Para a empresa, a ampliação da unidade faz parte da estratégia de aumentar a produção com mais eficiência e menor impacto ambiental. “A expansão de Serra Azul vai ampliar a produção, prolongar a vida útil da unidade e reduzir emissões de carbono. Também reforça nosso compromisso com Minas Gerais, onde temos uma história centenária”, afirma o diretor executivo da Mina de Serra Azul da ArcelorMittal, Sérgio Botelho.
Engenharia e geração de oportunidades
O projeto mobilizou uma grande estrutura de engenharia e construção. Durante a implantação, foram utilizadas 17 mil toneladas de equipamentos e estruturas metálicas, cerca de 700 quilômetros de cabos elétricos, 35 mil metros cúbicos de concreto e movimentados 2,5 milhões de metros cúbicos de terra, além de 4 mil toneladas de vergalhão.
Além do impacto industrial, a expansão da unidade também contribui para o desenvolvimento econômico regional, com geração de empregos durante as obras e na fase operacional da planta.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 20/03/2026
A LiuGong Latin America reuniu clientes estratégicos de diversas regiões do Brasil durante o Key Account Experience, realizado na unidade do distribuidor Sarandi Tratores, em Jundiaí (SP), no dia 11 de março.
O encontro contou com a presença da liderança global da companhia, com a participação de Luo Guobing, presidente global da marca além da presença da liderança da operação no Brasil, representada por Linjun Wang, presidente da LiuGong Latin America, e Hebert Francisco, vice-presidente LiuGong Latin America, evidenciando a importância estratégica do mercado brasileiro para o crescimento global da fabricante.
A iniciativa teve como principal objetivo demonstrar que a eletrificação integra as operações de equipamentos pesados no Brasil, com resultados concretos em produtividade, eficiência energética e redução de custos.
A programação incluiu demonstrações dinâmicas e apresentações técnicas voltadas a grandes projetos de mineração, infraestrutura, locação, indústria e agronegócio.
Eletrificação aplicada na prática operacional - Durante o encontro, a LiuGong apresentou seu portfólio de soluções eletrificadas, destacando aplicações específicas para diferentes segmentos. Para operações de mineração e movimentação de agregados em ambientes severos, ganharam evidência as carregadeiras elétricas 870HE e 856HE.
A 870HE, equipada com motor elétrico de até 160 kW e caçamba de 4,7 m³, apresenta produtividade média superior a 560 toneladas por hora, aliada a um custo operacional estimado em cerca de R$ 0,02 por tonelada. Já a 856HE demonstra produção média próxima de 350 toneladas por hora, reforçando a viabilidade da eletrificação em operações de grande escala.
Para aplicações em locação, construção, indústria e agronegócio, a fabricante destacou a carregadeira elétrica 838TE, com produção média superior a 128 m³ por hora e elevada eficiência energética. Complementando o portfólio, a 820TE (foto) representa um novo conceito em máquinas compactas eletrificadas, com manutenção simplificada ao nível do solo, alto grau de proteção contra poeira e umidade e desempenho consistente em diferentes ambientes operacionais.
A estratégia de eletrificação da marca também contempla a miniescavadeira elétrica 9027FE, desenvolvida para atuar com produtividade em áreas urbanas e espaços restritos, ampliando a presença da tecnologia elétrica em diversas categorias de equipamentos.
Segundo Hebert Francisco, vice-presidente da companhia, a proposta do encontro foi apresentar evidências concretas dessa transformação tecnológica. “A eletrificação deixou de ser uma tendência futura para se consolidar como uma solução real nas operações brasileiras. Ao reunir clientes estratégicos, mostramos dados de campo que comprovam ganhos relevantes em produtividade, redução de custos e confiabilidade operacional, reforçando que essa evolução já está em curso no mercado”, afirma o diretor.
Novidades - Além do avanço representado pelas máquinas elétricas, a LiuGong apresentou o lançamento do trator de esteiras TD14N, desenvolvido com foco nas necessidades específicas do mercado brasileiro. Equipado com motor de 159 hp, transmissão hidrostática e lâmina de seis movimentos (VPAT), o modelo foi projetado para oferecer maior precisão, versatilidade e eficiência em atividades de terraplenagem e infraestrutura.
A fabricante também destacou a evolução de sua linha de escavadeiras com a chegada da Série F, que traz melhorias em desempenho hidráulico, conforto operacional, facilidade de manutenção e segurança. Entre os destaques está a nova escavadeira hidráulica 933F, equipada com motor Cummins de 226 hp, sistema hidráulico de alta vazão e baixo nível de ruído (69db), desenvolvida para aplicações exigentes como mineração leve e grandes obras de infraestrutura.
"Realizado em parceria com a Sarandi Tratores, o evento integra o posicionamento da LiuGong de consolidar sua presença no Brasil por meio da inovação tecnológica e do fortalecimento da rede de distribuidores. A iniciativa também reforça o avanço da eletrificação da frota e o desenvolvimento contínuo de soluções alinhadas às novas exigências de eficiência e sustentabilidade no setor", finaliza o executivo.
Investing - SP 20/03/2026
A montadora chinesa Jetour anunciou nesta quarta-feira início de suas operações no Brasil, parte do plano de internacionalização da marca de utilitários esportivos de luxo vinculada ao grupo automotivo Chery.
A marca, que reforça presença do grupo Chery no Brasil ao lado da Omoda & Jaecoo, afirmou que tem estudos para produção local no médio prazo, mas sem cravar datas.
A Jetour é a segunda montadora chinesa a fazer anúncios voltados ao Brasil nesta quarta-feira. Mais cedo, a GAC anunciou plano para começar a produzir em Goiás em 2027, com objetivo de atingir vendas de 100 mil carros no Brasil até 2030.
A Jetour também reforça um crescente grupo de montadoras chinesas que tem anunciado operações no Brasil nos últimos anos, incluindo BYD, GWM, Leapmotor, Zeekr, Changan e Geely.
No Brasil, o grupo disputa um dos 10 maiores mercados automotivos do mundo, onde já estão presentes cerca de 65 marcas. Assim como novas empresas que chegam ao país, a Jetour vai começar suas operações com modelos trazidos da China, o que tende a impulsionar as importações de veículos pelo Brasil, que no ano passado somaram quase meio milhão de unidades, volume equivalente a uma capacidade de cerca de três fábricas locais.
Segundo dados da associação de montadoras instaladas no Brasil, Anfavea, o estoque de veículos novos no país soma 360 mil unidades, dos quais 211 mil são importados.
AMBIÇÃO
"Temos uma meta muito ambiciosa para o Brasil", disse, em inglês, o presidente das operações internacionais da Jetour, Ke Chuandeng, um veterano na América Latina oriundo da Chery.
"Se tivermos boas vendas, vai ser fácil produzir (no Brasil)", acrescentou, citando volume de vendas entre 50 mil a 100 mil veículos por ano como patamar para a empresa decidir fabricar no país.O executivo afirmou que o uso do espaço da fábrica desocupada da Chery em Jacareí (SP) é uma possibilidade, caso a montadora se decida por produzir no Brasil.Ke disse que a Jetour espera atingir um ritmo de vendas de 1.000 veículos no Brasil por mês nos próximos dois meses, com base em uma campanha de pré-venda que vendeu 500 carros no mês passado.
Como parte dos planos, a Jetour afirmou que prevê a criação de uma estrutura dedicada a pesquisa e desenvolvimento no Brasil, voltada à adaptação de tecnologias e produtos às condições de uso do mercado brasileiro, como motores flex.
A marca começou a estruturar uma rede de concessionárias em fevereiro com 14 lojas, e até o final do ano a expectativa é ampliar para mais de 100. Os primeiros carros vendidos em um portfólio inicial de três modelos híbridos plug-in começaram a ser entregues este mês. Um quarto modelo será lançado ainda este ano no Brasil.
O porto de Vitória (ES) vai ser o principal ponto de entrada dos carros da Jetour no Brasil e o centro de distribuição de peças já está montado em Cajamar (SP).
A Jetour foi fundada em 2018 e acumula vendas de mais de 2,15 milhões de veículos no mundo. Ke afirmou que o primeiro mercado internacional da marca foi o Equador e que atualmente a Jetour está presente em todos os mercados latino-americanos. A montadora afirma que opera em 91 países e tem três fábricas, todas na China.
Até 2030 a empresa pretende ter 19 bases produtivas fora da China, sendo 15 unidades de montagem de veículos a partir de kits de peças, e uma capacidade produtiva de mais de 600 mil veículos por ano.
Exame - SP 20/03/2026
A Localiza&Co, maior locadora da América Latina, firmou no início deste ano um acordo com a BYD para a compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos ao longo dos próximos dois anos.
Os modelos — Song Plus, Song Pro, Dolphin e Dolphin Mini — serão incorporados às diferentes soluções da empresa: aluguel diário e mensal, carro por assinatura, gestão de frotas corporativas e a Localiza Seminovos.
O movimento não surge do zero: a parceria foi precedida por mais de um ano de testes operacionais com modelos da BYD, avaliando desempenho, confiabilidade e eficiência na rotina de locação.
Hoje, os veículos eletrificados representam cerca de 2% de uma frota que supera 630 mil unidades. A participação ainda é pequena, mas o contexto do mercado brasileiro ajuda a entender o ritmo que a empresa pretende seguir.
A EXAME conversou com o diretor-executivo de ativos da companhia para entender como a estratégia de descarbonização integra o plano da companhia para crescer nos próximos anos.
Híbridos na frente
Os números de 2025 mostram que a descarbonização no transporte no Brasil está crescendo — e que os híbridos lideram esse avanço. Foram emplacados cerca de 203 mil veículos híbridos no ano, alta de 77% em relação a 2024, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Os elétricos somaram 80 mil unidades, crescimento de 30%, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Na prática, para cada elétrico vendido, dois híbridos saíram das concessionárias.
Esse dado orienta diretamente a estratégia da Localiza. Dirley Ricci, Diretor Executivo de Ativos da companhia, contou à EXAME que os híbridos têm papel prioritário justamente por oferecerem mais flexibilidade ao cliente — que pode tanto usar a motorização elétrica quanto abastecer o veículo normalmente.
"O Brasil possui uma característica única, que é a ampla presença de veículos flex, capazes de utilizar etanol, um biocombustível com menor intensidade de carbono. Por isso, entendemos que a transição energética no setor automotivo no país tende a ocorrer de forma gradual, combinando diferentes tecnologias", diz o executivo.
A avaliação é de que o mercado ainda está em transformação e que diferentes tecnologias — elétricos, híbridos e flex — vão conviver por um bom tempo, atendendo perfis distintos de uso e infraestrutura disponível.
Infraestrutura em expansão
Uma das principais barreiras históricas para a adoção de elétricos no Brasil tem sido a rede de recarga — e ela está crescendo em ritmo acelerado. Levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) aponta que o país superou 20 mil eletropostos, com crescimento de 42% em um ano.
O destaque fica com as estações rápidas de corrente contínua (DC), que saltaram de 2.430 para 6.479 unidades — alta de 166% em relação a fevereiro de 2025.
A mudança reflete tanto a queda no custo dos equipamentos quanto uma aposta estratégica dos operadores em corredores rodoviários e frotas corporativas. A distribuição geográfica, porém, ainda é desigual: metade dos eletropostos está no Sudeste, com quase 4.700 só em São Paulo. O Norte e Nordeste ficam consideravelmente atrás.
Para a Localiza, parte da resposta a esse desafio vem da tecnologia já embarcada na frota. Mais de 90% dos veículos da companhia estão conectados por soluções de IoT (ou Internet das Coisas) o que permite monitorar em tempo real aspectos como carregamento, telemetria e eficiência de uso dos eletrificados.
"O uso de dados em tempo real ajuda a tornar a operação desses veículos mais eficiente e contribui para uma melhor experiência do cliente", diz Ricci.
O ciclo completo: da locação à revenda
Para uma locadora, o carro não termina seu ciclo quando sai da frota ativa. Os veículos eletrificados da Localiza&Co seguem o mesmo caminho dos demais modelos: depois do período de uso, são disponibilizados na Localiza Seminovos, onde são revendidos por um preço abaixo do mercado de novos.
Segundo Ricci, o mercado de seminovos no Brasil tem apresentado forte desempenho nos últimos anos, com sucessivos recordes de vendas — e a companhia acompanha de perto como cada categoria se comporta ao longo desse ciclo.
"O modelo de negócios da Localiza&Co é estruturado justamente para lidar com esse tipo de dinâmica, atuando com disciplina na gestão de ativos, refinando continuamente o timing e o mix de vendas para capturar o melhor valor possível, com foco em eficiência operacional e produtividade ao longo de todo o ciclo do veículo", afirma Ricci.
A reportagem da EXAME encontrou um veículo da BYD, no modelo Song Plus, sob revenda no site da Localiza Seminovos. O veículo, fabricado em 2024, está sendo revendido em São Paulo por R$ 176 mil. Como comparação, o valor de fábrica costuma sair em torno de R$ 249 mil a R$ 299 mil.
Demanda corporativa puxa o movimento
O perfil de quem está alugando híbridos e elétricos no Brasil ainda tem contornos bem definidos. Na Localiza, o crescimento mais expressivo vem de dois segmentos: gestão de frotas para empresas e o modelo de assinatura, o Localiza Meoo. Empresas com metas de sustentabilidade e compromissos ESG têm buscado cada vez mais opções eletrificadas em seus contratos.
No varejo, o interesse cresce, mas em ritmo mais gradual. "Observamos um interesse crescente por veículos eletrificados, especialmente entre clientes que buscam unir tecnologia e performance sustentável em suas escolhas de mobilidade", afirma Ricci.
O dado setorial dá perspectiva: híbridos e elétricos juntos já representavam entre 9% e 10% do mercado total de veículos leves no Brasil em 2025.
Digitalização na companhia
A eletrificação está inserida em uma estratégia mais ampla da Localiza&Co de evolução do seu ecossistema de mobilidade — que passa tanto pela modernização da frota quanto por investimentos em tecnologia e experiência do cliente.
O Fast Retirada Digital permite o autosserviço via smartphone e já viabiliza a abertura autônoma de cerca de um terço dos contratos de pessoas físicas nas agências, tendo atingido a marca de um milhão de contratos. A assistente virtual Liza, solução proprietária de inteligência artificial, realiza mais de 4 mil atendimentos diários e dobra a conversão em canais digitais.
"Ao oferecer modelos híbridos e elétricos, ampliamos o acesso dos clientes a novas tecnologias automotivas. Mas a eletrificação é parte de um processo gradual, no qual diferentes tecnologias — elétricos, híbridos e flex — convivem e ampliam as possibilidades de mobilidade", afirma Ricci.
Setor em transformação
A BYD, parceira da Localiza no acordo, é hoje líder de vendas de elétricos no Brasil. Em novembro de 2025, a companhia chegou a 9,77% de participação no ranking da Fenabrave.
A fabricante inaugurou sua fábrica em Camaçari (BA) em 2025, com capacidade inicial para 150 mil veículos por ano e investimento de R$ 5,5 bilhões. O hub é planejado para abastecer também outros países da América Latina.
O movimento não é isolado. GWM e Stellantis também avançam na produção local de híbridos e elétricos. Estudos das consultorias Acende Brasil e Mirow & Co. projetam que o ecossistema de eletrificação pode movimentar R$ 200 bilhões por ano até 2030, com potencial de dobrar os empregos no setor automotivo brasileiro.
Para a Localiza, os próximos passos seguirão o ritmo do mercado. "A Companhia seguirá avaliando oportunidades que façam sentido do ponto de vista operacional, financeiro e da experiência do cliente, ampliando gradualmente a diversidade e a modernização da sua frota à medida que a demanda evolui", conclui Ricci.
Diário do Comércio - MG 20/03/2026
O Minha Casa, Minha Vida já injetou R$ 335,3 bilhões na economia nacional desde a recriação do programa, em 2023. O montante foi destacado pelo ministro das Cidades, Jader Filho, em prestação de contas da pasta na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (18). O valor corresponde à contratação de 2,2 milhões de unidades habitacionais desde o início do ciclo 2023-2026.
Do total, R$ 44,9 bilhões são do Orçamento Geral da União e R$ 288,9 bilhões do FGTS. “O Minha Casa, Minha Vida está no centro da economia nacional. Já são mais de R$ 335 bilhões injetados na economia do país, movimentando os setores, gerando emprego e renda para a população”, afirmou Jader Filho.
O programa do Governo Federal se tornou a espinha dorsal da construção civil no Brasil. Em 2025, 53% dos lançamentos imobiliários foram do programa, sendo que, na Região Norte, os números são ainda mais expressivos: quase 70% das unidades lançadas no quarto trimestre do ano passado são do MCMV. “2026 será o ano da habitação”, disse o ministro.
O Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu 0,5% no ano passado, e já são 2,9 milhões de empregos formais registrados, um crescimento de 3,08% em relação a 2024.
O Reforma Casa Brasil, programa recém-criado que oferece crédito acessível à população para melhorias nas casas já construídas, também contribui para o resultado positivo na economia. Já são R$ 1,016 bilhão contratados em quase 60 mil operações de crédito.
INFRAESTRUTURA – Jader Filho também informou os investimentos federais em mobilidade urbana e saneamento ambiental geridos pela pasta: cerca de R$ 51 bilhões e R$ 60,6 bilhões, e destacou os desafios para atingir as metas do Marco Legal do Saneamento, que estabelece a universalização do acesso à água e ao saneamento sanitário até 2033.
“Não estou aqui para fazer política, mas precisamos unir esforços para a universalização do saneamento. Por isso, peço que mantenham isso em mente e mantenham no orçamento. Nós não podemos admitir que famílias brasileiras ainda não tenham acesso à água. Precisamos ter consciência das distorções que o Brasil ainda tem”, afirmou o ministro.
Petro Notícias - SP 20/03/2026
A Vale está investindo em pesquisas, tecnologias e melhorias operacionais para diminuir o consumo de combustível em suas ferrovias, que já apresentam resultados: a Estrada de Ferro Carajás (EFC) e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) alcançaram, em 2025, o melhor índice de eficiência energética dos últimos dez anos. As ferrovias da Vale respondem por 14% das emissões da mineradora. O resultado das ferrovias é fruto de uma série de medidas de melhoria operacional, implementadas para aumentar a eficiência energética e otimizar o consumo de combustível. Juntas, as ferrovias sob concessão da Vale no Brasil, EFC e EFVM, reduziram o consumo anual previsto para 2025 em 11 milhões de litros de diesel, o que equivale a cerca de 28 mil toneladas de CO2. O combustível economizado em um ano daria para abastecer 245 mil carros populares (45l/carro). O indicador de eficiência energética considera o gasto de combustível em relação à distância percorrida pelos trens e a massa transportada no ano. Importante destacar que as ferrovias são, de maneira geral, mais eficientes em carbono que o transporte rodoviário, reduzindo emissões em até 85% quando comparado ao transporte por caminhões.
Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de operações da Vale, disse que “A jornada de descarbonização das nossas ferrovias passa tanto por repensar processos consolidados, quanto por buscar novas alternativas tecnológicas. Contamos com um time altamente dedicado, que vem avançando por meio de melhoria contínua, sistemas de controle sofisticados, projetos seis sigma e ações de reengenharia. Os resultados mostram, na prática, que é possível operar de forma cada vez mais eficiente e sustentável, preservando a performance e garantindo um avanço consistente na nossa agenda de redução de emissões.” Entre as estratégias adotadas para aumentar a eficiência das operações ferroviárias destacam-se:
A) Prioridade de circulação para trens carregados: o centro de controle, responsável pelo plano de circulação dos trens, passou a considerar critérios de eficiência energética ao definir rotas e cruzamentos, evitando paradas desnecessárias de trens carregados, que consomem mais combustível durante a parada e arrancada, em comparação aos trens vazios;
B) Mapeamento de trechos críticos: EFC e EFVM tiveram seus pontos de parada analisados e classificados conforme o impacto energético, permitindo reduzir movimentos de parada e arrancada em locais mais sensíveis;
C) Uso do relevo a favor da eficiência: em trechos descendentes, foi adotada a condução em marcha lenta, com locomotivas desligadas. Nesse modo, os trens mantêm a circulação sem consumir combustível, garantindo ganhos expressivos.
Em relação às iniciativas em desenvolvimento para reduzir o uso de combustíveis fósseis nas ferrovias da mineradora estão os testes com biodiesel B30 e B50; e estudos com a Wabtec Corporation para desenvolvimento de um motor flex (dualfuel), capaz de operar com diesel e com mistura de diesel e etanol. Já na linha de pesquisa para redução definitiva das emissões, estão em estudo de viabilidade tecnologias de eletrificação, além de outros combustíveis alternativos. A Vale mantém metas claras para reduzir suas emissões de Escopo 1, 2 e 3. Relativo as emissões de Escopos 1 e 2, se comprometeu a reduzir as emissões absolutas em 33% até 2030, e atingir emissões líquidas zero até 2050. Em relação à sua cadeia de valor, se comprometeu a reduzir as emissões líquidas de Escopo 3 em 15%. A estratégia para seu atendimento combina inovação tecnológica, parcerias estratégicas e eficiência operacional.
Jornal de Brasília - DF 20/03/2026
O Governo do Brasil aprovou a liberação de R$ 152,4 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) para impulsionar as obras da Ferrovia Transnordestina. A decisão foi tomada pela Diretoria Colegiada da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), durante reunião nesta quinta-feira, 19 de março.
O valor integra uma parcela contratual de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 806 milhões já haviam sido repassados anteriormente. Com esse novo aporte, o total liberado chega a R$ 6,6 bilhões dos R$ 7,4 bilhões previstos pela Sudene até 2027, incluindo R$ 800 milhões oriundos do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor).
A Ferrovia Transnordestina, com mais de 1.200 quilômetros de extensão, ligará o município de Eliseu Martins, no Piauí, ao Complexo do Pecém, no Ceará. O projeto visa consolidar um corredor logístico estratégico para o escoamento da produção regional, fomentando o desenvolvimento e a integração no Nordeste.
“A Transnordestina não é apenas uma ferrovia, é um projeto de desenvolvimento e de integração regional”, destacou o ministro Waldez Góes, durante agenda com o presidente Lula no Ceará.
De acordo com o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a obra é prioritária para o Governo Federal, com impacto na dinamização dos setores produtivos, geração de empregos e aumento da renda na região. O diretor de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais da Sudene, Heitor Freire, informou que a concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) apresentou comprovações física, financeira e contábil das obras, atestadas pelo Banco do Nordeste.
Atualmente, 100% da execução da ferrovia está contratada. Entre os avanços recentes, destacam-se as ordens de serviço para os lotes 9 (Baturité-Aracoiaba, 46 km) e 10 (Aracoiaba-Caucaia, 51 km), trechos de alta complexidade técnica essenciais para a primeira fase do projeto.
A TLSA estima concluir mais 100 quilômetros dos 326 km atualmente em obras até abril deste ano. O próximo trecho a ser entregue ligará Piquet Carneiro a Quixeramobim, com 51 km. Mais de cinco mil trabalhadores atuam na construção. A ferrovia já iniciou, em fase de testes, o transporte de cargas como milho, milheto, sorgo, calcário agrícola e gipsita, demonstrando seu potencial logístico e econômico.
Com informações do Governo Federal
Portal Fator Brasil - RJ 20/03/2026
Investimentos e inovação impulsionam o Porto de Paranaguá no comércio Brasil-Alemanha.
Com localização estratégica e infraestrutura sólida, o Porto de Paranaguá tem se consolidado como um hub fundamental para o comércio entre o Brasil e a Alemanha. O porto não apenas atrai o interesse de empresas alemãs, mas também eleva a competitividade dos produtos paranaenses no mercado europeu, por meio de investimentos contínuos e uma agenda de modernização e sustentabilidade.
Em um processo de transformação, com R$ 6,8 bilhões já contratados para expandir sua capacidade operacional e modernizar sua infraestrutura, o Porto tem como objetivo otimizar acessos e fortalecer a transformação digital. Com isso, alinha suas operações às exigências dos mercados globais. —Esses investimentos garantirão mais previsibilidade e eficiência, atendendo aos padrões internacionais de qualidade exigidos pela Europa — afirma Felipe Gama, diretor de Tecnologia e Desenvolvimento Empresarial da Portos do Paraná.
Além disso, o Porto de Paranaguá tem mostrado resultados concretos, especialmente no setor agroindustrial. Em 2024, exportou 457.969 toneladas de farelo de soja para a Alemanha, com US$ 184 milhões em valor FOB, segundo a Portos do Paraná. Já em 2025, a exportação da commodity aumentou para 558 mil toneladas; no entanto, o valor FOB foi de US$ 184,8 milhões, justificado pelas fortes variações cambiais e dos preços de mercado. No total, em 2025, o volume de mercadorias exportadas para a Alemanha superou 700 mil toneladas, alcançando US$ 406,5 milhões em valor FOB.
A transformação digital tem sido um pilar essencial na busca por aprimoramento da eficiência. Utilizando um sistema de gestão fornecido pela SAP, o Porto de Paranaguá modernizou seus processos, aumentando a transparência e a rastreabilidade das operações. —A força operacional e a redução de ineficiências ao longo do ciclo de exportação são fundamentais para garantir a competitividade no mercado europeu —explica Felipe Gama.
O porto também se adapta às exigências ambientais e regulatórias do mercado europeu, principalmente no setor agroindustrial. —Implementamos medidas estruturais e sanitárias rigorosas para atender a todas as exigências de segurança alimentar, rastreabilidade e prevenção de contaminação cruzada —detalha Gabriel Vieira, diretor de Operações.
Entre as principais práticas estão a certificação ISO e GMP+ Feed Safety Assurance, a classificação de 100% das cargas na recepção e no embarque, o controle automatizado de pesagem e sistemas informatizados de rastreabilidade, a aplicação de salmonelicida nas cargas quando exigido pela União Europeia, além de governança operacional auditável, com verificação formal e periódica dos produtos exportados.
A sustentabilidade é outro pilar estratégico. O Porto de Paranaguá mantém um programa para incentivar a utilização de “Navios Verdes”, embarcações com baixo impacto ambiental, que recebem prioridade de acesso e atracação. Esse compromisso reflete o esforço do porto em atender às normas ambientais globais, cada vez mais exigidas pelos mercados internacionais.
AHK Paraná — Estimular a economia de mercado por meio da promoção do intercâmbio de investimentos, comércio e serviços entre a Alemanha e o Brasil, além de promover a cooperação regional e global entre os blocos econômicos. Essa é a missão da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná), entidade atualmente dirigida por Lourdes Manzanares, a primeira diretora mulher da AHK Paraná.
A Tribuna - SP 20/03/2026
Em 2025, a cabotagem (transporte marítimo entre portos dentro do País) movimentou 155,7 milhões de toneladas nos portos do Sudeste, o que representa alta de 3,18% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 150,9 milhões de toneladas. Os dados são da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e foram divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).
A movimentação foi liderada por pelo estado de São Paulo (que tem os portos de Santos e São Sebastião), com 21,8 milhões de toneladas, seguido por Rio de Janeiro, com 9,8 milhões de toneladas, e Espírito Santo, com 9,7 milhões de toneladas.
Perfil da carga
No Sudeste, o setor de petróleo concentra a maior parte da movimentação. O óleo bruto atingiu 118,4 milhões de toneladas, seguido pelos derivados (14,1 milhões) e pelos contêineres (13,6 milhões). Também se destacaram o ferro e aço (3,4 milhões de toneladas), o minério de ferro (2,5 milhões de toneladas) e a pasta de celulose (1 milhão de toneladas), além de cargas como sal, soda cáustica, gás de petróleo e etanol combustível. Esses produtos são fundamentais para garantir o fornecimento de energia, sustentar a indústria de base e assegurar o abastecimento de bens essenciais para a população.
Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, o resultado é consequência de planejamento e estabilidade regulatória. “O avanço da cabotagem no Sudeste é resultado de uma política pública estruturada, que oferece previsibilidade e segurança jurídica ao setor. Com regras claras e planejamento de longo prazo, criamos condições para ampliar rotas, atrair investimentos e fortalecer a integração logística nacional”.
Com a expansão das rotas e o aumento da movimentação entre portos brasileiros, a cabotagem tem se consolidado como uma alternativa estratégica para fortalecer a integração logística do País.
IstoÉ Online - SP 20/03/2026
Os governos do Reino Unido, da França, da Alemanha, da Itália, dos Países Baixos e do Japão divulgaram uma declaração conjunta sobre a situação no Estreito de Ormuz. Os seis países afirmaram estar dispostos a ajudar a garantir o fluxo do tráfego marítimo pelo estreito, que foi bloqueado pelo Irã em uma tentativa de impor altos custos aos EUA e ao mercado global.
“Condenamos veementemente os recentes ataques do Irã a embarcações comerciais desarmadas no Golfo, os ataques a infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás, e o fechamento de fato do Estreito de Ormuz pelas forças iranianas”, inicia a declaração. Embora expresse “profunda preocupação com a escalada do conflito”, a declaração não mencionou os Estados Unidos ou Israel nominalmente.
“Manifestamos nossa disposição de contribuir com esforços adequados para garantir a passagem segura pelo estreito“, escreveram os países. “Acolhemos com satisfação o compromisso das nações que estão envolvidas no planejamento preparatório. A segurança marítima e a liberdade de navegação beneficiam todos os países. Apelamos a todos os Estados para que respeitem o direito internacional e defendam os princípios fundamentais da prosperidade e da segurança internacionais”, completaram.
Não ficou imediatamente claro de que forma os países garantirão a navegação no Golfo. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem apelado aos aliados para que prestem apoio militar em Ormuz, algo que havia sido negado por diversos países. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, negou repetidamente se juntar a um esforço militar no Golfo. Com a rejeição, o americano chegou a indicar que não mais precisaria do apoio da Otan para a tarefa.
Portos e Navios - SP 20/03/2026
A Odebrecht Engenharia & Construção (OEC) entregou à Marinha do Brasil, na última quarta-feira (18), o prédio do Comando do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Átilla Monteiro Aché (Ciama) e o Sistema de Abastecimento de Óleo Combustível da Base de Submarinos da Ilha da Madeira (BSIM), no Complexo Naval de Itaguaí (RJ). As instalações fazem parte da infraestrutura de apoio à força de submarinos e ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).
De acordo com a empresa, o novo prédio do comando do Ciama, que será usado para a formação e qualificação de militares da força de submarinos, oferece ambiente moderno e integrado, com área construída de 4.206 metros quadrados e estrutura para atender a até 70 oficiais e 184 praças, além de corpo discente até 230 pessoas. Ele conta com escritórios administrativos, salas de aula, vestiários, áreas de convivência, biblioteca, gráfica, oficina de refrigeração, carpintaria, centro de tecnologia da informação, laboratório de informática e laboratório de eletrônica.
Já o Sistema de Abastecimento de Óleo Combustível, segundo a Odebrecht, foi dimensionado para atender às embarcações do Comando da Força de Submarinos e outras que atraquem nos cais do Complexo Naval de Itaguaí. A estrutura conta com dois tanques de armazenamento com capacidade de 700 mil litros cada um.
Além deles, há um terceiro tanque, destinado ao destanqueio, com capacidade de 390 mil litros e com possibilidade de expansão. O sistema inclui ainda casa de bombas, redes de distribuição interligadas aos cais e separador de água e óleo.
A Marinha salientou que as entregas de infraestrutura representam mais uma etapa que consolida a continuidade do Prosub e o fortalecimento da capacidade operacional da força naval. Durante a cerimônia, o comandante da BSIM, capitão de mar e guerra Leandro Freitas Ribeiro, enfatizou a importância das novas infraestruturas. "Com a inauguração desse novo sistema, a BSIM amplia a sua 'carta de serviços', aumentando suas capacidades para prestar o melhor apoio possível ao maior ativo da defesa nacional: os submarinos da classe Riachuelo e o futuro submarino nuclear convencionalmente armado”, afirmou o CMG Freitas.
O comandante do Ciama, CMG Marcio Claudio Bonfim Oliveira, destacou a relevância da nova estrutura para o aprimoramento das atividades de ensino e adestramento. "A construção deste prédio representa um avanço importante para o Ciama, especialmente para a Escola de Submarinos, proporcionando instalações modernas e adequadas para o treinamento e o desenvolvimento dos nossos submarinistas”, declarou.
O diretor de contrato do Prosub-EBN da construtora Norberto Odebrecht, Felipe Piler, acrescentou que a entrega dessas instalações representa mais uma etapa concretizada desse progama, reafirmando um compromisso institucional da empresa construído ao longo de mais de 15 anos no Prosub. Ele disse ainda que uma nova fase será iniciada em breve por meio das obras do Complexo de Manutenção Especializada.
Globo Online - RJ 20/03/2026
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que os Estados Unidos avaliam suspender as sanções ao fornecimento de petróleo iraniano que já está "em trânsito" nos próximos dias. Os comentários surgiram após uma nova alta nos preços do petróleo e do gás, na sequência do ataque do Irã à maior usina de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Catar, e das ameaças de destruição da infraestrutura energética da região. Depois de permitir, na semana passada, que navios ligados ao regime transportem e vendam petróleo russo, esse foi o mais recente sinal da gravidade da crise energética global desencadeada pelos bombardeios conjuntos dos EUA e Israel ao Irã e pelos amplos ataques retaliatórios iranianos, refletindo o desespero do governo de Donald Trump em estancá-la rapidamente.
— Nos próximos dias, poderemos retirar as sanções ao petróleo iraniano que está na água. (...) Usaremos os barris iranianos contra os iranianos para manter o preço baixo pelos próximos 10 ou 14 dias, enquanto continuamos esta campanha — disse Bessent ao canal americano Fox Business nesta quinta-feira, acrescentando que o governo tem "muitas alavancas" e "muito mais" à sua disposição.
Bessent acrescentou na entrevista que o governo dos EUA também poderia liberar mais petróleo de suas reservas estratégicas.
Os EUA já permitem a passagem de petróleo iraniano pelo Estreito de Ormuz, e esse país tem cerca de 140 milhões de barris "na água", disse o secretário do Tesouro. Quando os EUA decidirem "revogar as sanções" ao petróleo iraniano que flutua no exterior, terão sido criados "cerca de 260 milhões de barris de energia excedentes", disse Bessent, apontando também para a liberação de reservas de petróleo por diversos países.
Bessent afirmou posteriormente que o Departamento de Agricultura "provavelmente fará um anúncio sobre fertilizantes nos próximos dias", visto que o conflito no Oriente Médio começa a onerar também os agricultores com custos mais elevados. Com os preços dos insumos já altos, os ataques fizeram os preços dispararem, uma vez que os navios que transportam materiais para a produção de fertilizantes estão praticamente impossibilitados de transitar pelo Estreito de Ormuz e sair do Golfo Pérsico.
Em busca de soluções
A retaliação de Teerã aos ataques iniciados pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro praticamente paralisou o transporte marítimo comercial pelo canal, rota vital para o transporte global de 20% do petróleo, causando graves interrupções nas cadeias de abastecimento de energia.
Desde então, o governo de Donald Trump parece estar buscando soluções às pressas, enquanto as notícias dos mais recentes ataques à infraestrutura energética do Golfo fizeram o preço do petróleo Brent, a referência internacional, subir quase 10%, para US$ 118 o barril (R$ 623) na manhã desta quinta-feira. Os preços do gás natural na Europa dispararam até 30%.
Como parte de um alívio temporário das sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, o Departamento do Tesouro já permitiu que navios e empresas ligadas ao regime iraniano transportem e vendam petróleo russo no mercado aberto. Esses navios ligados ao Irã estão sujeitos às suas próprias sanções americanas e têm operado como parte de uma chamada frota fantasma, transportando ilicitamente mercadorias e energia para a Rússia, Venezuela e outros países.
Mas os EUA agora precisam dessa rede para reduzir o preço do petróleo. Contudo, os esforços recentes de Washington e de outras nações, incluindo a liberação de reservas estratégicas para ajudar a reforçar o fornecimento de petróleo, pouco fizeram para aliviar os mercados.
A mudança repentina de posição em relação às restrições a navios, mesmo que temporária, ilustra até onde a Casa Branca está disposta a ir para conter as consequências econômicas de uma guerra que parece não ter fim à vista.
O Catar, um dos principais fornecedores globais de energia, afirmou que os ataques iranianos recentes danificaram instalações de gás, incluindo o terminal de Ras Laffan, a maior instalação de GNL do mundo. Os ataques iranianos foram uma retaliação ao ataque israelense a um importante campo de gás, compartilhado com o Catar, na quarta-feira.
Ataques com drones causaram incêndios em duas refinarias estatais no Kuwait, e um drone caiu em um importante terminal de exportação de energia na Arábia Saudita. Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades informaram que responderam a incidentes em instalações de gás e em um campo de petróleo causados por destroços de mísseis interceptados.
Estamos vencendo
Ainda assim, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, demonstrou confiança em uma entrevista coletiva no Pentágono nesta quinta-feira, dizendo aos repórteres:
— Estamos vencendo de forma decisiva e em nossos termos — afirmou, mas recusando-se a oferecer um prazo para o fim da guerra.
Segundo Hegseth, as Forças Armadas dos EUA atacaram mais de 7 mil alvos no Irã desde o início da guerra, há quase três semanas, danificando ou afundando mais de 120 navios da marinha iraniana e deixando seus portos militares "paralisados". Ele descartou qualquer discussão sobre a condução da guerra e a possibilidade de que ela se expanda para um conflito regional, classificando-as como "ruído".
Na Europa, porém, os líderes ficaram alarmados com os ataques contínuos na infraestrutura energética e com a disparada dos preços do petróleo e do gás.
— Essa escalada é imprudente — disse o presidente francês Emmanuel Macron a jornalistas em Bruxelas, nesta quinta-feira, antes de uma reunião de líderes da União Europeia, alertando que, se as instalações de produção de energia forem destruídas, o impacto da guerra durará muito mais tempo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã alertou nesta quinta-feira para a "zero contenção" caso a infraestrutura do país seja atacada novamente. Abbas Araghchi afirmou nas redes sociais que o Irã usou até o momento apenas uma "fração" de seu poder e demonstrou contenção porque recebeu pedidos de desescalada. Ele não especificou quem fez esses pedidos.
Valor - SP 20/03/2026
Durante a madrugada, petróleo tipo Brent para maio chegou a US$ 119 por barril
A principal preocupação dos participantes do mercado em relação aos conflitos no Oriente Médio começa, aos poucos, a se tornar realidade. Os ataques iranianos à infraestrutura de petróleo e gás natural de países do Golfo Pérsico assustam os investidores desde a noite de ontem e já resultam em um preço do petróleo ainda mais alto. Na manhã desta quinta-feira, o Brent tenta se sustentar acima de US$ 115 por barril, após ter ido a US$ 119 durante a madrugada.
Nos últimos dias, em conversas com agentes financeiros na Faria Lima, esse tema foi tratado com atenção especial. Afinal, se houvesse danos à infraestrutura de energia dos países vizinhos, o mercado poderia testar preços do petróleo ainda mais altos — o que já está acontecendo — e a curva futura do petróleo também poderia se ajustar para cima, em um possível sinal de que os efeitos do conflito sobre a commodity levariam o preço a ficar mais alto por mais tempo.
Esse segundo fator, inclusive, tem ocorrido de forma cada vez mais acelerada: o contrato futuro para dezembro do Brent subiu de US$ 70 por barril no início de março para US$ 85 nesta manhã.
“Esses desdobramentos reforçam os riscos de alta para nossas projeções de preços, tanto por eventuais disrupções mais prolongadas no Estreito de Ormuz quanto por danos persistentes à produção de energia, mesmo após uma eventual reabertura da rota”, afirmam os analistas do Goldman Sachs em nota enviada a clientes.
Visão semelhante é adotada pela equipe de commodities do Citi, que voltou a elevar as projeções para os preços do petróleo diante da extensão do conflito no Oriente Médio. O banco americano acredita que, em seu cenário base, que tem 50% de probabilidade de ocorrer, os preços do petróleo devem ficar no intervalo de US$ 110 a US$ 120 por barril no curtíssimo prazo, com a assimetria de riscos inclinada para cima.
E, em um cenário alternativo, “bullish” para o petróleo e com 30% de chance de se concretizar, o Citi projeta o Brent a US$ 150 por barril em até três meses.
TN Petróleo - RJ 20/03/2026
Diante da instabilidade econômica atual provocada pelas guerras que envolvem regiões estratégicas para o mercado energético global, é fundamental a adoção de medidas emergenciais para mitigar os impactos locais da elevação dos preços internacionais do petróleo.
Porém, como representante das indústrias do Rio de Janeiro, maior estado produtor de petróleo e gás no Brasil, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) manifesta sua preocupação com o Imposto de Exportação (IE) sobre petróleo bruto e derivados, nos termos da Medida Provisória (MP) nº 1.340/2026. O imposto afeta a economia, os entes federativos e o ambiente de negócios, repercutindo em toda a economia nacional.
A MP também introduz incerteza regulatória em um mercado intensivo em capital e com ciclos de investimento de longo prazo. A ausência de prazo definido para vigência do imposto amplia a imprevisibilidade para as empresas, tornando o país menos atrativo para novos investimentos, além de impactar projetos existentes. Nesse sentido, é fundamental que qualquer ação para o enfrentamento das oscilações de preço do mercado seja estruturante e preserve a indústria nacional.
O petróleo bruto é o principal item da pauta de exportação do país, contribuindo de forma significativa para o saldo positivo da balança comercial. Em 2025, o petróleo respondeu por US$ 44,5 bilhões das exportações nacionais, o equivalente a 1,88 milhão de barris por dia. Desse total, 87% tiveram origem no Rio de Janeiro, parcela semelhante a proporção do estado na produção nacional.
Esta é mais uma tributação que não considera a estrutura de custos e a rentabilidade dos projetos, afetando de forma desproporcional operações com margens mais estreitas, como campos maduros e projetos de menor escala, fundamentais para o norte fluminense.
Tais operações contribuem para a manutenção da produção, geração de empregos, dinamização da cadeia de fornecedores locais e arrecadação de royalties. Em campos de maior produção, o imposto de exportação pode produzir efeitos federativos adversos ao reduzir, e até mesmo anular, o volume de Participações Especiais arrecadado pelo próprio poder público.
Por fim, a Firjan se coloca contrária a mais um imposto que onera a iniciativa privada, afasta investimentos, reduz a competitividade da indústria nacional e afeta a sociedade como um todo em um momento de insegurança e incertezas para o Rio de Janeiro e o Brasil.
Veja - SP 20/03/2026
Donald Trump ameaçou destruir os campos de gás do Irã se Teerã prosseguir com os ataques contra o Catar, o segundo maior exportador mundial de gás natural liquefeito, em uma escalada da crise que voltou a provocar o aumento dos preços do petróleo nesta quinta-feira, 19.
Se o Irã “decidir imprudentemente atacar” o Catar, os Estados Unidos, “com ou sem a ajuda e o consentimento de Israel, explodiriam maciçamente a totalidade do Campo de Gás de South Pars”, escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social.
Ele também confirmou que o ataque de quarta-feira contra o campo de gás iraniano no Golfo foi responsabilidade de Israel e que Washington “não tinha conhecimento” da ação.
Em retaliação, o Irã atacou na quarta-feira a área de Ras Laffan, no Catar, o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, e voltou a atacar o local nesta quinta-feira.
A empresa estatal de energia do Catar, a QatarEnergy, relatou “danos consideráveis” na madrugada de quinta-feira, mas os incêndios provocados pelo ataque foram controlados, segundo o Ministério do Interior, que não relatou vítimas.
O Catar é o segundo maior exportador mundial de GNL. O Ministério das Relações Exteriores do país lamentou que os ataques na região “ultrapassaram todas as linhas vermelhas por terem como alvo civis, assim como instalações civis e vitais”.
Por sua vez, Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, também fechou um centro de processamento de gás natural após a queda de destroços de mísseis interceptados.
O novo episódio da guerra iniciada em 28 de fevereiro pela ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irã provocou a disparada dos preços do petróleo, levando o barril de Brent a uma cotação de mais de 112 dólares nesta quinta-feira.
Os temores de uma propagação do conflito a todo o Oriente Médio aumentaram e a Arábia Saudita anunciou que “se reserva o direito” de responder militarmente ao Irã, que ataca regularmente seu território com drones e mísseis.
Corredor seguro
O bloqueio por parte do Irã do estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e do gás mundiais, continua no centro das atenções.
Ao sul do estreito, no Golfo de Omã, um navio foi atingido nesta quinta-feira por um “projétil desconhecido” e um incêndio a bordo foi declarado, segundo a agência marítima britânica UKMTO. Outro navio foi atingido na costa de Ras Lafan, no Catar, segundo a mesma fonte.
A Organização Marítima Internacional (OMI) se reúne em caráter de urgência nesta quinta-feira em Londres para exigir a implementação de um corredor marítimo seguro para a saída dos navios bloqueados no Golfo.
O organismo da ONU responsável pela segurança no mar calcula que 20.000 marinheiros aguardam atualmente a bordo de 3.200 navios perto do Estreito de Ormuz.
Assim como no Federal Reserve (Fed, banco central americano), o forte aumento dos preços da energia devido à guerra dominará a reunião desta quinta-feira do Banco Central Europeu (BCE), que teme consequências sobre a inflação e o crescimento.
O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu uma moratória dos ataques contra as instalações de energia, após uma conversa com Trump e com o emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani.
“As populações civis e suas necessidades essenciais, assim como a segurança do fornecimento de energia, devem ser preservadas da escalada militar”, declarou Macron.
Em quase três semanas, a guerra deixou mais de 2.200 mortos, segundo as autoridades, principalmente no Irã e no Líbano, a segunda frente de batalha do conflito, onde as forças de Israel enfrentam o movimento pró-Irã Hezbollah.
CNN Brasil - SP 20/03/2026
A Petrobras reduziu em até 20% o volume de combustíveis que distribuidoras poderão comprar em abril, em relação ao que foi comprado em igual período do ano passado.
A medida, que pegou os agentes de surpresa, empurra o país para uma encruzilhada: ou o setor privado acelera importações com preços cada vez maiores, ou cresce o risco de desabastecimento.
Em nota ao CNN Money, a estatal nega tanto a redução no fornecimento de combustíveis quanto comunicação às distribuidoras sobre o assunto.
"Não houve qualquer alteração nas entregas de produto por parte das refinarias da Petrobras. Elas estão ocorrendo conforme planejado e alinhadas aos compromissos comerciais vigentes. Todos os contratos assumidos pela companhia para março e abril serão cumpridos de forma integral", diz a Petrobras.
A Petrobras afirma que "continua entregando ao mercado todo o volume de combustíveis produzidos em suas refinarias, que estão operando em carga máxima. A companhia tem ampliado e antecipado entregas às distribuidoras, fornecendo volumes cerca de 15% superiores aos montantes acordados no início do mês".
"A Petrobras está operando suas refinarias em capacidade máxima e otimizando todas as suas operações logísticas, a fim de ampliar a oferta de derivados e antecipar entregas às distribuidoras, cumprindo integralmente seu papel no abastecimento do país", pontua.
Mensalmente, a Petrobras anuncia a “cota mês” que cada cliente pode comprar das refinarias. O limite é necessário porque o Brasil não é autossuficiente em diesel e gasolina. Como a demanda é maior que a oferta, a Petrobras estabelece um teto para o volume que pode ser comprado pelas distribuidoras privadas.
Esse teto, porém, será ainda mais baixo em abril.
Sem produto nacional suficiente, é preciso procurar no exterior. O problema é que o cenário global é hostil e os preços dispararam diante da restrição de oferta gerada pela guerra. Em 19 de março, o diesel entregue nos portos brasileiros chegou a custar R$ 2,70 acima do valor praticado pela Petrobras nas refinarias; na gasolina, a defasagem atinge R$ 1,50.
Além do menor volume, a Petrobras também impôs uma mudança operacional que asfixia o planejamento das empresas. No decorrer de março, a cota mensal passou a ser liberada em frações diárias de 1/30.
O problema é que a demanda não é uniforme ao longo do mês. E, com essa imposição, as empresas não puderam ajustar as compras de acordo com o interesse de seus clientes.
Essa restrição nas vendas por parte da Petrobras traz outro desafio logístico - e, claro, de custos. O combustível vendido pela estatal chega às distribuidoras por meio de dutos.
Mas o produto importado chega de navio - e aí, o transporte a partir dos postos depende exclusivamente de caminhões, o que gera um pesadelo logístico.
Com isso, as empresas perdem a escala: em vez de programar grandes retiradas conforme a demanda, são obrigadas a manter um fluxo constante de veículos, elevando drasticamente os custos de frete e armazenagem.
A convicção de que haverá reajuste nas bombas nas próximas semanas é absoluta entre os grandes players.
O movimento começou pelos revendedores independentes e de menor porte que, pressionados pelo preço importado, reduziram suas compras externas e acabam sobrecarregando a demanda sobre as grandes distribuidoras.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. No caso da gasolina, a fatia vinda de fora é de aproximadamente 10%. Com essa restrição da oferta pela Petrobras, o risco é que essa fatia cresça.
Se houver produto disponível no exterior e tempo hábil para o desembarque nos portos, o preço certamente subirá para o consumidor final para cobrir o rombo da importação.
Caso a logística falhe ou o apetite financeiro das empresas não suporte o prejuízo, o Brasil poderá enfrentar episódios pontuais de falta de produto justamente em momento crucial para a safra, quando o consumo de diesel atinge o pico.
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