Valor - SP 18/06/2026
Um ano após a difícil aquisição da U.S. Steel pela Nippon Steel, a empresa japonesa enfrenta o desafio de reconstruir siderúrgicas afetadas por equipamentos obsoletos e baixa qualidade de produção, que em quase metade das vezes não atende aos padrões.
O presidente e diretor de operações da Nippon Steel, Tadashi Imai, relembrou vividamente uma visita à usina de Mon Valley da U.S. Steel em setembro, alguns meses após a conclusão da aquisição em 18 de junho de 2025.
O equipamento de laminação a quente da planta da Pensilvânia, que aquece e reduz a espessura dos blocos de aço, estava em operação há quase 90 anos e era considerado um dos mais antigos do mundo. Apesar de ser extremamente ineficiente, a U.S. Steel não tinha recursos para modernizá-lo ou substituí-lo.
Em setembro de 2024, quando as negociações de aquisição com o governo do então presidente Joe Biden estavam paralisadas, o executivo-chefe (CEO) da U.S. Steel, David Burritt, alertou que o acordo era crucial para manter a competitividade e os níveis de emprego.
"Não faríamos isso [investir pesadamente] se o acordo fracassar", disse Burritt. "Não tenho o dinheiro."
A Nippon Steel está considerando investir até US$ 2,5 bilhões em Mon Valley nos próximos três anos. O investimento modernizaria as instalações para permitir a produção de aço de alto valor agregado.
A Nippon Steel também investirá cerca de 270 bilhões de ienes (US$ 1,69 bilhão) no Japão para instalar equipamentos de laminação a quente de última geração. Essa nova tecnologia será então levada para Mon Valley para revitalizar a planta.
A empresa está mudando mais do que apenas os equipamentos da U.S. Steel.
Uma parcela significativa dos produtos da Nippon Steel já tem compradores garantidos antes mesmo de chegar à laminadora. Mas a U.S. Steel não possui um sistema para desenvolver planos de produção que integrem manufatura e vendas.
Os próprios processos de fabricação não são gerenciados de forma abrangente. A Nippon Steel teve que reconstruir completamente os fundamentos da produção da U.S. Steel.
Os rendimentos também são baixos. Enquanto o rendimento do aço bruto da Nippon Steel gira em torno de 80% a 90%, o da U.S. Steel fica em apenas 50% a 60%, o que significa que quase metade do aço bruto produzido está abaixo dos padrões. Antes da aquisição, os funcionários da empresa lamentavam que nada do que faziam parecia funcionar.
A Nippon Steel enviou mais de 100 engenheiros do Japão para os Estados Unidos, que listaram 260 itens de melhoria detalhados e começaram a implementá-los um a um. Embora as reformas fossem desafiadoras, os resultados foram imediatos.
Para o ano fiscal que termina em março de 2027, a U.S. Steel projeta um lucro operacional subjacente, que exclui perdas com a desvalorização de estoques, de 100 bilhões de ienes, uma melhora em relação ao prejuízo de 5,6 bilhões de ienes do ano anterior. Desse total, 40 bilhões de ienes são atribuídos a melhorias de custos lideradas pela Nippon Steel.
"Realmente não importa o seu nível hierárquico na empresa", disse Brenda Petrilena, diretora sênior responsável pela engenharia na U.S. Steel. "Estamos todos trabalhando para o mesmo objetivo."
Takahiro Mori, vice-presidente do conselho e vice-presidente executivo da Nippon Steel, jantou nos Estados Unidos em março com Roxanne Brown, que acabara de se tornar a primeira mulher presidente do United Steelworkers (USW), o sindicato que representa os trabalhadores da U.S. Steel.
"Quero redefinir nosso relacionamento", disse Mori a ela. "Vamos construir um relacionamento construtivo."
Mori, que também atua como presidente do conselho de administração da U.S. Steel, considerava o relacionamento da Nippon Steel com o sindicato um grande risco pós-aquisição.
O processo de aquisição coincidiu com a eleição presidencial dos Estados Unidos de 2024, transformando-se em um tema de campanha. O ex-presidente da USW, David McCall, criticou consistentemente o acordo, levando a Nippon Steel a entrar com um processo contra McCall e outros.
O jantar com Brown foi amigável. Sobre as relações com a USW, Mori disse: "Estávamos preocupados, mas as coisas estão indo muito bem agora."
Mas a confiança plena levará tempo para ser conquistada. Bernie Hall, executivo da USW que supervisiona a U.S. Steel, disse que a indústria siderúrgica americana já viu promessas quebradas antes e que as pessoas esperam que "a Nippon cumpra essas promessas e o futuro que está prometendo."
Mori afirmou que a Nippon Steel não tem outra escolha a não ser buscar crescimento no exterior, já que a economia japonesa está encolhendo. A produção japonesa de aço bruto em 2025 caiu para o nível mais baixo desde 1969.
Com o aço chinês barato inundando os mercados globais, restam poucos lugares onde a Nippon Steel pode lucrar. Os preços do aço nos Estados Unidos continuam subindo, em parte devido à tarifa de 50% implementada pelo presidente Donald Trump. Conquistar uma posição de destaque no mercado era essencial para o crescimento renovado da Nippon Steel.
Para obter a aprovação da aquisição, a Nippon Steel prometeu investir US$ 11 bilhões na U.S. Steel até 2028. Ao longo do último ano, já foram investidos US$ 3,2 bilhões e, nos próximos cinco anos, seus investimentos no exterior — com a U.S. Steel como foco principal — superarão os investimentos domésticos pela primeira vez.
O Estado de S.Paulo - SP 18/06/2026
Entre as 70 nações analisadas no levantamento, o País ocupa a 65ª posição, uma queda de sete colocações em relação ao ano anterior
Netflix escancara o custo de fazer negócios no Brasil — e o tributo que só o País tem
O Brasil voltou a perder espaço no Ranking Mundial de Competitividade e caiu sete posições em 2026, do 58º lugar despencou para o 65º entre 70 nações avaliadas pelo Institute for Management Development (IMD), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC).
Embora o País tenha apresentado bom desempenho em indicadores como atração de investimento estrangeiro, geração de empregos, empreendedorismo e produção de energia renovável, os resultados sugerem que o País não conseguiu avançar nas áreas consideradas fundamentais para a competitividade de uma nação.
A piora cascateou na educação primária e secundária, na produtividade da força de trabalho, na qualificação profissional e no custo de capital.
Na avaliação do diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu, o Brasil não está conseguindo equilibrar esses quatro elementos. “O País tem uma agenda significativa para a educação básica e secundária. Há muita coisa para ser desenvolvida. Ainda não conseguimos fazer a transferência do conhecimento para a economia na velocidade necessária”, observa.
Em relação aos baixos níveis de produtividade, Tadeu alerta que a lacuna não deve ser entendida apenas como a capacidade de produzir mais com menos recursos. O conceito envolve a Produtividade Total dos Fatores (PTF), que mede a eficiência com que uma economia alcança capital, tecnologia, inovação e qualificação profissional para gerar riqueza.
Com isso, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para transformar investimentos e conhecimento em ganhos de produtividade, uma das razões por trás do baixo desempenho em indicadores de educação, qualificação da mão de obra e competitividade empresarial.
No quesito eficiência dos negócios, por exemplo, recuou 11 posições, já em performance econômica caiu seis posições. O País figura na última posição mundial em educação primária e secundária, habilidades linguísticas, habilidades financeiras e produtividade da força de trabalho.
‘Um ambiente jurídico confuso’
O quesito capital também é um dos fatores que explicam o desempenho aquém do País. O levantamento aponta que o País ocupa o último lugar no indicador de débito corporativo. Para o especialista, porém, os juros elevados são um sintoma, mas não se trata da causa. “Temos um ambiente jurídico confuso, incertezas regulatórias e um custo alto para fazer negócios no Brasil”, afirma.
Neste ano, a inadimplência empresarial atingiu um novo recorde, com 9 milhões de CNPJs negativados. Segundo dados da Serasa Experian, o número de empresas inadimplentes aumentou em 1,5 milhão em relação ao mesmo período do ano anterior. É o maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2016, conforme mostrou o Estadão/Broadcast.
Embora exista disponibilidade de recursos, uma fatia considerável é direcionada ao financiamento do setor público, enquanto as empresas enfrentam elevados níveis de endividamento e custos financeiros, avalia Hugo Tadeu. “O Brasil tem muito dinheiro, mas está sendo canalizado para o governo. Na perspectiva das empresas, o endividamento corporativo está muito alto.”
‘Reflexo da qualidade do gasto público’
O Brasil ainda apresentou fragilidade em eficiência governamental, ficando na última posição global. O resultado, avalia Hugo Tadeu, é reflexo da qualidade do gasto público.
“A questão não é apenas quanto se gasta, mas como se gasta. Quando o custo do dinheiro aumenta, sobra menos espaço para investimentos em saúde, educação e bem-estar, são as áreas nas quais os países mais competitivos continuam investindo”, aponta o especialista.
Ele acrescenta que a melhora da competitividade brasileira depende da transferência de conhecimento em termos de geração de riqueza, na redução de custos para se fazer negócios no Brasil e no investimento em todos os níveis da educação com foco na matriz curricular e remuneração dos docentes.
Apesar dos desafios, o especialista destaca que o cenário não representa uma situação de colapso. “Não é uma terra arrasada. Estamos falando de um país gigantesco, com oportunidades relevantes em energias limpas e diversos setores, como o siderúrgico, que operam em padrão internacional”, pondera.
Entre os pontos fortes do País, houve melhora na capacidade de atrair investimentos, geração de empregos, empreendedorismo e sustentabilidade. No entanto, o ambiente jurídico “confuso”, a insegurança regulatória e as incertezas econômicas impedem um crescimento mais acentuado da competitividade brasileira.
A principal medida no longo prazo é elevar a capacidade de renda da população, estima Hugo Tadeu. “O Brasil ainda não consegue ultrapassar um determinado patamar e continua convivendo com uma desigualdade elevada. Os países que avançaram na competitividade fizeram isso investindo em qualificação, produtividade e formação de pessoas”, afirma.
Monitor Digital - RJ 18/06/2026
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) avançou 0,5% em abril de 2026 em relação a março. O resultado veio levemente abaixo da mediana das expectativas de mercado financeiro, que era de 0,6%.
No trimestre encerrado em abril de 2026 ante o trimestre terminado em janeiro de 2026, o IBC-Br apresentou alta de 1,2%. Na comparação com abril de 2025, o índice avançou 0,9%, acumulando 1,3% em 2026. Nos últimos 12 meses, o indicador avançou 1,6%.
A indústria liderou com 0,4%, seguida pelos serviços, com 0,3%. A agropecuária ficou estagnada.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, afirma que o “desempenho se mostra alinhado ao que fora observado nas pesquisas mensais do período feitas pelo IBGE (PIM, PMC e PMS), cujos resultados apontaram para um crescimento baseado na melhora da demanda externa por commodities energéticas, com foco no petróleo, e da subsequente dinamização de segmentos específicos voltados para este tipo de produção, como a indústria extrativa e parte do setor de serviços”.
“Vale ressaltar que para o cálculo do IBC-Br, o Bacen [Banco Central] incorpora o segmento de comércio junto ao grupo de serviços, de maneira que o mau desempenho do primeiro explica em grande medida o motivo pelo qual o último apresentou uma taxa de variação inferior ao setor industrial, mesmo que em sua pesquisa individual (PMS) o setor tenha apresentado a melhor performance do mês”, explica Pizzani.
O economista do PicPay acredita que o dado do IBC-Br é mais um na esteira de resultados que apontam para um processo de desaceleração gradual da atividade econômica, que havia iniciado o ano apresentando resultados excepcionalmente fortes em seu primeiro bimestre. “Seguimos projetando crescimento de 0,4% para o PIB do segundo trimestre e alta de 1,7% ao final do ano.”
Dado de março de 2026 do IBC-Br revisado para retração menor
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, vê uma economia resiliente. “O principal motor continua sendo a indústria, que teve um desempenho forte no período, acompanhada pelos serviços, que seguem sustentando a atividade. O agro também contribui, mas em menor intensidade.”
“Um detalhe importante é que o dado de março foi revisado significativamente, de uma queda de 0,67% para uma retração bem menor, de 0,18%, o que suaviza a desaceleração observada”, destaca Spyer. “Ao mesmo tempo, os dados mais fracos do varejo e a desaceleração do próprio IBC-Br indicam que os juros elevados começam a fazer efeito. A economia brasileira ainda cresce, mas em um ritmo mais moderado.”
Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, com o resultado de abril, o indicador reverte o recuo observado no mês imediatamente anterior, renovando o nível mais elevado já registrado em sua série histórica, e reforça a percepção de resiliência da economia brasileira mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso.
“Já na comparação interanual, o indicador registrou um avanço de apenas 0,9% a/a, vindo significativamente pior do que o consenso de mercado (1,5% a/a, Broadcast+) e também bem abaixo da nossa projeção para o mês de avanço de 2% a/a”, ressalta Lin.
“Se na série com ajuste sazonal, o avanço na margem sugere uma robustez da economia ao final do ano passado, a frustração na série sem ajuste sazonal corrobora a nossa expectativa de arrefecimento da economia do segundo trimestre em diante, refletindo o esgotamento das políticas de impulso à demanda em um ambiente de juros que devem permanecer mais restritivos.”
O que é o IBC-Br
O IBC-Br foi criado para acompanhar o desempenho da economia brasileira de forma mais rápida e frequente do que o PIB oficial, que é calculado pelo IBGE. O indicador do Banco Central funciona como um termômetro da atividade econômica, reunindo dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária. É divulgado mensalmente.
“Embora utilize um conjunto mais restrito de informações do que o PIB medido pelo IBGE, o IBC-Br se destaca por sua frequência mensal e divulgação mais rápida, cerca de 45 dias após o mês de referência. O IBC-Br é, portanto, um indicador complementar ao PIB. Enquanto o PIB oferece uma visão consolidada da economia, o IBC-Br ajuda a entender o ‘agora’ da atividade econômica”, explica o Banco Central em seu site.
Jornal de Brasília - DF 18/06/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira, 17, que a participação dos Estados Unidos na balança comercial brasileira vem caindo por causa de “fricções” na relação entre os países, de 25% em 2003 para cerca de 9% agora. Mesmo assim, o comércio exterior do Brasil tem se fortalecido por meio de exportações a outros países, ele afirmou
“Em 2023, era 12%. E, agora, estamos chegando a 9%. Por que? Porque, na relação, está sendo gerada fricção”, disse o ministro, durante audiência pública conjunta das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) e de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara. “O Brasil não está deixando de crescer, de exportar para todos os países do mundo.”
Durigan citou a importância do crescimento das vendas de produtos brasileiros para países como Vietnã e China, além de regiões como Europa – beneficiada pelo acordo comercial entre União Europeia e Mercosul – e Oriente Médio.
Destacou, ainda, que o Brasil busca acordos com Singapura, Japão e países europeus fora da União Europeia, como Luxemburgo e Suíça.
O ministro disse, ainda, que o Brasil é beneficiado pela sua resiliência energética em um contexto de desajuste global criado pela guerra do Irã.
O Estado de S.Paulo - SP 18/06/2026
O Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central para os Estados Unidos manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, pela quarta vez consecutiva, nesta quarta-feira, 17. A decisão foi unânime: os 12 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) votaram a favor da manutenção dos juros, em linha com a expectativa do mercado. Essa foi a primeira decisão de política monetária do banco central americano sob a presidência de Kevin Warsh.
Sob a presidência de Kevin Warsh, o Fed promoveu uma revisão significativa de seu comunicado: eliminou referências explícitas a possíveis ajustes futuros nos juros e adotando um texto mais enxuto.
No comunicado, o Fed avaliou que a economia dos Estados Unidos continua crescendo em ritmo sólido, apesar do elevado nível de incerteza. Pela primeira vez desde a escalada das tensões na região, o Fed mencionou explicitamente o conflito no Oriente Médio como um dos fatores que contribuem para esse cenário.
Segundo a autoridade monetária, a atividade econômica segue sustentada pelo forte crescimento da produtividade e dos investimentos. O mercado de trabalho também permanece resiliente, com a geração de empregos acompanhando a expansão da força de trabalho e a taxa de desemprego mostrando pouca variação.
O Fed no comunicado, reforçando o compromisso de trazer a inflação de volta à meta.
Em relação à inflação, o Fed reiterou que os preços continuam acima da meta de 2% e associou parte dessa pressão a choques de oferta que afetaram determinados setores, incluindo energia. A referência ocorre em meio à volatilidade recente dos mercados de petróleo, influenciados pelos desdobramentos da guerra.
“O Comitê entregará estabilidade de preços”, afirmou
Comunicado ganha revisão sob novo presidente
No comunicado, a principal mudança foi a retirada completa do trecho em que o Fomc afirmava que avaliaria “a magnitude e o momento de ajustes adicionais” na taxa. Também desapareceram as referências ao monitoramento contínuo dos riscos para a economia e à disposição de ajustar a política monetária caso necessário.
Com isso, o comunicado deixa de oferecer qualquer orientação futura sobre a trajetória da política monetária, limitando-se ao informar a manutenção da taxa de juros entre 3,5% e 3,75%.
Em abril, a referência sobre possíveis ajustes futuros na política monetária causou a dissidência de três presidentes de distritais: Austan Goolsbee (Chicago), Beth Hammack (Cleveland) e Lorie Logan (Dallas). Na ocasião, eles discordaram sobre o tom da declaração e defendiam que o texto do Fed não deveria sugerir outras flexibilizações dos juros diante do cenário de incerteza.
O Fed também alterou sua avaliação da economia. Em vez de dizer que os ganhos de emprego permaneceram baixos, como no texto anterior, a autoridade monetária passou a afirmar que a criação de vagas acompanha o crescimento da força de trabalho. Além disso, destacou pela primeira vez que o crescimento da produtividade e os investimentos de capital permanecem fortes.
Na inflação, o banco central abandonou a menção à recente alta dos preços globais de energia e passou a atribuir as pressões inflacionárias a choques de oferta que afetaram diversos setores, incluindo energia. Também substituiu o compromisso de retornar a inflação à meta de 2% pela afirmação mais direta de que o Comitê “entregará estabilidade de preços”.
A projeção para o crescimento da economia americana
A mediana das projeções dos dirigentes do Fed para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real dos Estados Unidos de 2026 foi revisada para baixo, de 2,4% em março para 2,2% hoje.
Para 2027, a projeção se manteve em 2,3%. Já para 2028, a revisão foi para cima, passando de 2,1% para 2,2%. No longo prazo, a projeção se manteve em 2%.
Globo Online - RJ 18/06/2026
A redução, na quarta-feira, da Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, já era esperada pelo mercado. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, foi unânime.
O comunicado não deu qualquer sinalização sobre o rumo da taxa, mas alguns economistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que o Copom deve fazer uma pausa nos cortes em sua próxima reunião, no início de agosto.
Foi o terceiro corte consecutivo dessa magnitude no ciclo de alívio dos juros iniciado em março, quando a Selic estava em 15%. Com a queda, a taxa se iguala ao nível de maio de 2025.
A autoridade monetária, no entanto, deixou os próximos passos em aberto, apontando maior preocupação com a inflação diante de uma atividade econômica que voltou a se fortalecer e das incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e a eventos climáticos. O BC também passou a considerar como risco de alta para inflação “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo”, em meio ao lançamento de novos programas de crédito pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.
“O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25%. No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, afirmou o Copom no comunicado.
Não houve qualquer sinalização sobre os próximos passos. Na última reunião do Copom, em abril, o BC havia indicado que planejava continuar o ciclo de “calibração” dos juros, mas sem detalhar o ritmo e a extensão de possíveis novos cortes.
Preparação de terreno
A economista Andrea Damico, sócia-fundadora da Buysidebrazil, avalia que o BC foi mais duro em todo o comunicado, especialmente reconhecendo a reaceleração da atividade econômica e incluindo um novo fator de risco de alta para a inflação, relacionado aos novos programas do governo. Para ela, o Copom “prepara o terreno” para interromper o ciclo de queda dos juros em agosto:
— O BC abre espaço para manutenção na próxima reunião.
O economista-chefe para América Latina do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, vê “espaço muito limitado, a curto prazo, para o Copom fazer novos cortes”. Ele afirmou que deve calibrar suas projeções para a Selic quando for divulgada a ata da reunião, na semana que vem.
“Nosso cenário-base antecipa um ajuste final em agosto de 0,25 p.p., o que deixaria a taxa Selic em 14,00% até (pelo menos) o 1T27. Mas, considerando a deterioração recente do cenário de inflação, uma pausa nos atuais 14,25% também parece bastante provável”, afirmou em nota o economista-chefe da XP, Caio Megale.
Outros, no entanto, projetam a continuidade do ciclo de queda dos juros. Para o economista Leonardo França Costa, do ASA, no trecho em que cita a mudança do horizonte relevante, o BC deixa aberta a porta para novos cortes, a despeito da leitura mais dura do cenário para a inflação.
“Nossa projeção é de encerramento de ciclo nessa reunião (em 14,25%), contudo, abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, cortando novamente na reunião de agosto, esperando o desenrolar do cenário até lá”, afirmou Costa em relatório.
O economista da AZ Quest Lucas Barbosa também avalia que o Copom fará uma pausa no processo de corte dos juros básicos em sua próxima reunião, em agosto. A depender da evolução do cenário, como o futuro da guerra no Irã e os efeitos do El Niño, poderá depois retomar os cortes:
— O BC provavelmente está mirando uma trajetória de Selic que não é a do Focus, nem uma Selic parada, muito menos uma alta. O cenário que ele está antevendo é algo inédito, que é uma pausa na próxima reunião ou nas próximas reuniões, ou seguir cortando (direto), mas com um ciclo menor.
A expectativa atual de Barbosa é de seguidos cortes de 0,25 ponto percentual se for confirmada a melhora da guerra. Se o cenário se mostrar mais adverso, avalia o economista, o Copom deu as informações necessárias para que se possa esperar uma pausa na próxima reunião; mas, se tudo convergir conforme o esperado, voltará a cortar juros assim que o cenário permitir.
Riscos para a inflação
No comunicado, o Copom mostrou incômodo com a aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, embora ainda espere desaceleração este ano. O BC destacou especialmente o desempenho de setores que reagem ao comportamento da Selic, seu instrumento para esfriar a economia.
“O conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência.”
Em relação à inflação corrente, o BC destacou que os dados recentes mostraram distanciamento adicional em relação à meta — em maio, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, superando o teto da meta, de 4,5%. “O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.”
A projeção de inflação oficial do BC no horizonte relevante, que atualmente é o final de 2027, também subiu, de 3,5% para 3,7%.
Crítica aos programas de estímulo do governo
O comunicado citou o risco relacionado a “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo”, o que enfraquece parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Nos últimos meses, o governo federal lançou uma série de programas que tendem a estimular a economia, como as linhas de crédito para comprar carros, caminhões e motos.
Além disso, o BC adicionou as ameaças climáticas relacionadas ao El Niño, com efeitos “sobre a produtividade agrícola e custos de energia”, que elevariam o risco de desancoragem das expectativas de inflação por período prolongado.
Em relação ao cenário externo, o Copom manteve a avaliação de que a incerteza persiste, mesmo com o acordo preliminar entre Irã e Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio, o que “exige cautela por parte de países emergentes”.
Nas próximas reuniões, o colegiado vai passar a mirar o primeiro trimestre de 2028. O Copom considera que as projeções para a inflação, nesse horizonte, ficariam abaixo da meta.
Juros futuros sobem
Os juros futuros fecharam em forte alta antes da decisão do Copom, mas pressionados pela decisão do Fed de manter a taxa dos EUA com metade dos seus integrantes abrindo espaço para altas ainda neste ano.
— Quando você tem a maior economia do mundo abrindo a possibilidade de uma alta nas taxas, os investidores começam a reposicionar suas carteiras em busca de maior remuneração, o que acaba pressionando os juros locais — disse Daniel Teles, sócio e líder comercial da Valor Investimentos.
No fechamento, o DI para janeiro de 2027 subiu de 14,25% para 14,32%. O contrato para janeiro de 2028 avançou de 14,35% para 14,64% ao ano.
Brasil tem os maiores juros reais
Mesmo com o corte de ontem da Selic o Brasil é o país com a maior taxa de juros reais do mundo na comparação com outras 40 nações. A taxa real, que desconta a inflação projetada dos próximos 12 meses, ficou em 9,67%, superando a Rússia, com juro real de 9,31%, e a Turquia, com 5,57%, segundo levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence.
O Brasil ainda tem uma taxa superior à de outros países da América Latina, como México — em quarto lugar, com 5,1% —, e Colômbia, em sétimo, com juro real de 3,17%.
De acordo com Jason Vieira, economista-chefe da consultoria e responsável pelo estudo, a guerra no Oriente Médio e seu reflexo nos preços alteraram a dinâmica das projeções globais de inflação para os próximos 12 meses.
CNN Brasil - SP 18/06/2026
No comunicado da decisão que reduziu a Selic para 14,25% ao ano nesta quarta-feira (17), o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) voltou a alertar para o impacto da política fiscal doméstica na condução da política monetária, e no balanço de riscos de alta inflacionária.
"O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza".
O colegiado confirmou as expectativas do mercado em reduzir a taxa básica em 0,25 ponto - a terceira queda seguida da mesma magnitude.
O Copom apontou também que os indicadores de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, "mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho".
Na última reunião, no fim de abril, o Comitê já havia feito o mesmo alerta. Entretanto, no comunicado desta quarta-feira, o Copom incluiu o possível estímulo ao consumo gerado por decisões da política fiscal ao balanço de riscos de alta da inflação.
Para o Comitê, os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual.
Entre os destaques dos riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, o BC citou "uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada".
Eles também apontam "estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária".
Globo Online - RJ 18/06/2026
Mesmo com a redução da Taxa Selic nesta quarta-feira em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, o Brasil é o país com a maior taxa de juros reais do mundo na comparação com outras 40 nações.
A taxa real, que considera descontada a inflação dos próximos doze meses, é de 9,67%, supera a de países com juros tradicionalmente altos, como Rússia e Turquia. O levantamento é da MoneYou e da Lev Intelligence.
Rússia 9,31%
Turquia 5,57%
México 5,1%
África do Sul 3,74%
Indonésia 3,31%
Colômbia 3,17%
Hungria 3,02%
Polônia 2,61%
Chile 2,43%
República Tcheca 2,2
%Índia 2,19%
Globo Online - RJ 18/06/2026
O Centro-Oeste foi a região que registrou maior crescimento de Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil neste século, segundo estudo da FGV Ibre elaborado com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2002 e 2023, a economia da região cresceu 3,4% ao ano, enquanto a média nacional foi de 2,2%.
O estudo usou os dados anuais do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR) para o período 2002 e 2023. Os dados de 2024 em diante ainda não estão disponíveis.
A agropecuária foi o grande motor deste crescimento. Goiás, que era o maior estado gerador de valor adicionado agropecuário na região, perdeu o posto para o Mato Grosso, que atualmente é responsável por cerca de metade do valor adicionado da agropecuária do Centro-Oeste. Em 2023, a agropecuária representou 17% do PIB do Centro-Oeste, um crescimento em relação aos 12% registrados 20 anos antes.
Dessa forma, segundo o estudo, cerca de 19% do valor adicionado da agropecuária nacional entre 2002 e 2023 foi gerado no Centro-Oeste.
A economia da região se desconcentrou ao longo do tempo com este fenômeno. Em 2023, o Distrito Federal permaneceu sendo a UF com maior geração de PIB na região (32%), apesar de ter perdido 11 pontos percentuais da participação que detinha em 2002 (42%). Goiás manteve participação relativamente estável, em torno de 30% no período.
Já Mato Grosso do Sul e, mais notadamente, Mato Grosso, ampliaram suas participações no PIB regional, principalmente o primeiro, que aumentou em 8,6 pontos percentuais.
— A evolução do Mato Grosso é algo que eu eu considero digno de nota, porque foi o estado que mais cresceu no período em termos de PIB, mas a gente vê que em toda a região tem esse crescimento disseminado — destaca Juliana Trece, coordenadora Coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre.
O estudo também elaborou foram elaboradas estimativas, com base em estatísticas conjunturais já disponíveis para 2024, 2025 e 2026. Em 2024 foi percebida uma retração do crescimento da região por um baixo desempenho da agropecuária no ano.
O desempenho do setor foi retomado em 2025 com boas safras da produção de soja e milho, que são muito fortes na região. No 1º trimestre de 2026, estima-se que o PIB do Centro-Oeste tenha crescido 1,5%, abaixo dos 1,8% do Brasil divulgados pelo IBGE.
A pesquisadora Juliana Trece destaca que a previsão do El Niño para o segundo semestre deve ser um ponto de atenção para a economia regional no resto do ano, O fenômeno aquece as águas do Pacífico e acirra fenômenos climáticos que impactam as safras.
— O lado positivo é que as produções da região são muito concentradas em soja e milho, e principalmente a soja é uma colheita muito de início de ano, de primeiro semestre, e o El Niño deve afetar mais o segundo semestre — diz.
Valor - SP 18/06/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 110,6
O preço do minério caiu com força nesta quarta-feira (17) na China, diante de um novo encolhimento da produção de aço no país asiático.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em queda de 2,61%, cotado a 747,5 yuans (US$ 110,6).
A produção chinesa de aço bruto caiu 2,7% em maio na comparação anual, para 84,35 milhões de toneladas, segundo a consultoria ANZ Research. Com isso, o volume acumulado do ano chegou a 415,53 milhões de toneladas, sendo 3,9% inferior ao obtido no mesmo período do ano anterior.
Recentemente, a cotação do minério de ferro também vem sendo pressionada pela perspectiva de avanço da oferta oriunda da mina de Simandou, na Guiné. Os embarques a partir do principal porto da região tiveram um aumento repentino em maio, atingindo 2,2 milhões de toneladas, ante 1,3 milhão de toneladas em abril.
Em meio a uma oferta confortável do insumo, analistas apontavam que a perspectiva de custos mais altos em razão da guerra era o que vinha sustentando o preço do minério. O acerto entre Estados Unidos e Irã para pôr fim à guerra aparece como mais um fator de pressão.
CNN Brasil - SP 18/06/2026
A Brazil Iron descarta que o chamado “ferro verde” vá competir diretamente com o minério de ferro tradicional no mercado global.
Em entrevista ao Mapa da Mina, programa da CNN Brasil dedicado ao setor mineral, Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, afirmou que o produto terá um mercado próprio, voltado a siderúrgicas e indústrias pressionadas a reduzir emissões de carbono.
Segundo ele, a tese da empresa não é substituir integralmente o minério de ferro usado atualmente pela indústria siderúrgica, mas ocupar uma fatia específica da cadeia, associada à descarbonização da produção de aço.
“Se a gente pensar no mercado global do minério de ferro, esse produto não vai se posicionar no mesmo patamar que o minério de ferro tradicional. Não vamos ter a substituição do minério de ferro original 100%. O que vai acontecer é a ampliação da participação do ferro verde na fabricação do aço por algumas questões”, disse.
A Brazil Iron tenta desenvolver na Bahia um projeto integrado de mineração e produção de HBI, sigla em inglês para “Hot Briquetted Iron”, ou ferro briquetado a quente. O produto é uma forma compactada de ferro reduzido diretamente, usado como insumo pela indústria siderúrgica.
Na prática, trata-se de um produto intermediário entre o minério de ferro e o aço.O HBI já passa por uma etapa industrial anterior, com maior valor agregado, e pode ser usado em rotas menos intensivas em carbono do que o processo tradicional baseado em carvão.
Souza argumenta que o mercado para esse tipo de produto será puxado por exigências climáticas, políticas públicas e compromissos de descarbonização assumidos por siderúrgicas e grandes consumidores industriais.
Um dos principais exemplos é o CBAM, mecanismo de ajuste de carbono na fronteira da União Europeia. A regra busca cobrar uma espécie de preço sobre as emissões embutidas em determinados produtos importados pelo bloco, incluindo ferro e aço. A Comissão Europeia define o mecanismo como uma forma de assegurar que um preço tenha sido pago pelas emissões de carbono incorporadas em mercadorias importadas.
Na avaliação da Brazil Iron, instrumentos desse tipo tendem a aumentar o interesse de siderúrgicas por insumos de menor emissão, especialmente em mercados como Europa e Ásia.
O executivo também citou o Japão como exemplo de país que tem criado políticas para financiar a descarbonização da indústria. O país tem usado instrumentos públicos, incluindo subsídios ligados à transição climática, para apoiar investimentos em novas rotas siderúrgicas, como fornos elétricos e processos menos dependentes de carvão.
Apesar do otimismo da empresa, ainda existem dúvidas no mercado sobre o tamanho real da demanda e, principalmente, sobre a disposição dos compradores em pagar mais caro por produtos de menor emissão.
A chamada “premiação verde” é um dos pontos centrais dessa discussão.
Em tese, siderúrgicas e consumidores finais poderiam aceitar pagar mais por insumos de baixa emissão para cumprir metas climáticas, atender regras regulatórias ou vender produtos com menor pegada de carbono. Na prática, porém, essa disposição ainda depende do avanço da agenda ESG, da pressão de governos, da regulação de carbono e da demanda de setores como automóveis, construção civil e bens industriais.
Grandes siderúrgicas europeias já apontaram que o custo da transição continua sendo um obstáculo e que o mercado ainda nem sempre aceita pagar prêmios suficientes por aço de menor emissão.
Por isso, embora o ferro verde seja visto como uma rota promissora para reduzir emissões da siderurgia, sua viabilidade comercial em larga escala ainda depende de uma combinação de fatores: regulação climática mais dura, crédito público, compradores dispostos a pagar prêmio, certificação confiável de emissões e contratos de longo prazo.
Souza argumenta, no entanto, que os próprios contratos de venda futura negociados pela Brazil Iron mostram que existe interesse concreto pelo produto.
A empresa afirma ter dois contratos de offtake “muito amarrados”, equivalentes a dez anos de produção do projeto e avaliados em aproximadamente US$ 30 bilhões. Segundo o executivo, os compradores estão localizados principalmente na Ásia e na Europa.
Contratos de offtake são acordos de compra futura firmados antes do início da produção. No setor mineral, eles são considerados importantes para viabilizar projetos de grande porte, porque ajudam a comprovar demanda e podem dar mais segurança a financiadores, investidores e potenciais sócios.
“Tem siderúrgica e indústria final. Nossos compradores estão basicamente localizados na Ásia e na Europa. Esses são os mercados mais interessados nesse produto”, afirmou Souza.
A tese da Brazil Iron é que o ferro verde terá uma lógica comercial diferente da commodity tradicional. Enquanto o minério de ferro convencional segue muito ligado à demanda chinesa, ao teor do minério e ao ciclo global da construção e da indústria, o HBI de baixa emissão seria negociado em um mercado mais específico, associado à transição energética e à descarbonização da siderurgia.
O projeto da empresa está localizado na Bahia e prevê a integração entre mina, beneficiamento mineral, produção de pelotas e fabricação de HBI. A companhia estima investimento de US$ 5,7 bilhões.
A rota defendida pela empresa passa inicialmente pelo uso de gás natural, com menor emissão em relação ao processo tradicional a carvão. No futuro, a companhia afirma estudar a transição para hidrogênio verde e o uso de mecanismos de captura de carbono.
O projeto, no entanto, ainda precisa superar etapas decisivas antes de sair do papel. Entre os principais desafios estão o fechamento do financiamento, o avanço do licenciamento ambiental, a definição da infraestrutura logística, a contratação de energia e gás, a certificação da pegada de carbono do produto e a comprovação de que haverá mercado disposto a pagar pelo ferro de menor emissão.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 18/06/2026
A Região Sul, reconhecida por sua força industrial e logística, será palco da ARENA M&T, evento itinerante voltado ao mercado de máquinas e equipamentos para construção, mineração e infraestrutura.
A feira acontecerá entre os dias 21 e 23 de outubro, no Centro Multieventos de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), levando um novo formato ao ar livre e ao vivo de demonstração de máquinas e equipamentos.
"A ARENA M&T nasce da experiência construída ao longo de décadas pela M&T Expo e amplia nossa presença junto ao mercado por meio de eventos regionais. A proposta é levar tecnologia, demonstrações práticas e oportunidades de negócios para polos estratégicos do país, aproximando fabricantes, distribuidores e usuários em um ambiente dinâmico e altamente conectado às necessidades locais”, afirma Rolf Pickert, CEO da Messe Muenchen do Brasil, organizadora do evento.
Expansão da M&T Expo – part of bauma NETWORK, principal feira de máquinas e equipamentos para construção e mineração da América Latina, a ARENA M&T apresentará a mesma relevância e credibilidade, tendo a execução prática como um de seus diferenciais.
Os visitantes poderão acompanhar máquinas da linha amarela, movimentação de cargas, elevação de pessoas, concreto e asfalto em operação, avaliar desempenho em situações reais e conhecer, na prática, soluções voltadas para aumento de produtividade, eficiência operacional, segurança e sustentabilidade.
O evento, que abrirá o credenciamento para os visitantes no dia 3 de agosto, contará com a participação de importantes marcas do setor, incluindo Pesa | Caterpillar, MPM Tratores | LiuGong, Indeco, PIM Palmares, Aires Máquinas, Tratorval, Imporcate, entre outros.
"A ARENA M&T vem para aproximar fornecedores e clientes. Como expositores teremos a oportunidade de apresentar presencialmente nossas novidades de produtos e soluções para o mercado da construção, mineração e terraplanagem. Já o visitante terá a chance de conhecer as novidades em maquinas, equipamentos e peças que serão tendência no mercado para próximos anos", destaca Jean R. Barbieri, CEO da USAPARTS.
Com o apoio da Prefeitura de Fazenda Rio Grande e correalização da Companhia de Desenvolvimento de Fazenda Rio Grande (CODEF), o evento representa um marco para o setor ao levar tecnologia, inovação e oportunidades de negócios diretamente para regiões estratégicas de crescimento econômico e investimento, reunindo fabricantes, fornecedores, concessionárias, locadores, construtoras, mineradoras, gestores de frota e profissionais técnicos.
A escolha da Região Sul para sediar a estreia da ARENA M&T se justifica pelo peso econômico da região no cenário nacional, ao abrigar importantes polos produtivos, que concentram investimentos contínuos em modernização tecnológica, expansão logística e mecanização de processos, impulsionando a adoção de equipamentos cada vez mais eficientes e conectados.
No caso do Paraná, o estado é a quarta maior economia do país. Segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o Produto Interno Bruto (PIB) estadual passou de R$ 440 bilhões em 2018 para próximo de R$ 765 bilhões em 2025. O estado também se destaca pela diversificação econômica, reunindo um parque industrial robusto e importantes corredores logísticos que conectam o Sul ao restante do Brasil e aos mercados internacionais.
Além disso, programas de incentivo à industrialização e à atração de investimentos vêm ampliando a competitividade do estado. Estudo do próprio instituto aponta que cada R$ 1 investido por meio do programa Paraná Competitivo gera R$ 3,79 em PIB para a economia estadual.
Com a combinação entre tecnologia, experiência prática e proximidade com os mercados consumidores, a ARENA M&T terá ainda uma área destinada ao setor de componentes e serviços e a possibilidade de exposição de máquinas seminovas, sendo a nova plataforma de geração de negócios, networking e transferência de conhecimento no setor.
ARENA M&T
Data: 21 a 23 de outubro de 2026
Horário: 10h às 18h
Local: Centro Multieventos, Fazenda Rio Grande, Paraná
Informações: arenamt.com.br
O Mecânico - SP 18/06/2026
Igor Calvet, presidente da entidade que nasceu com a indústria automobilística brasileira há sete décadas, ressaltou que nos próximos anos será fundamental atentar para a verdadeira mudança de paradigma estabelecida nos grandes polos produtivos mundiais. Três executivos — Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul; Ariel Montenegro, presidente da Renault do Brasil e Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil — colocaram em pauta os desafios à frente. Não serão poucos, a exemplo do que já ocorre na atualidade com 11 novas marcas no mercado, quase todas chinesas. Algumas já empenhadas em iniciar montagem local.
Zola ressaltou a necessidade de aumentar a competividade, sem deixar de lado a importância de localização de componentes. A China teve crescimento avassalador e estabeleceu grandes diferenças que marcas ocidentais precisam diminuir. Para o Brasil em particular ele apontou parcerias com as chinesas Leapmotor e possivelmente Dongfeng. No caso da primeira marca, ressaltou a produção CKD do B10 e do C10, em Goiana (PE). Ressalvou, entretanto, que a generalização de CKDs desequilibra a geração de empregos tão importante para o País.
Montenegro destacou o sucesso dos programas Mover e Carro Sustentável. Os avanços também dependem de velocidade nas decisões e escala de produção. Por isso antecipou a produção do elétrico EX2 na fábrica paranaense pela crescente aceitação de modelos de preços mais baixos. Ressaltou que a competividade mundial mudou de patamar e Inteligência Artificial vai acelerar as transformações em curso.
Maggio frisou a relevância de ter menos dependência do que vem do exterior, aumentar o índice de localização de componentes e desenvolver a engenharia nacional. Dez anos atrás, carros de entrada tinham maior participação de mercado do que atualmente. Hoje, acrescentou, há maior sofisticação e preços naturalmente mais altos. O Mover levou a marca a fazer o maior investimento de sua história, desde a inauguração da primeira fábrica há 64 anos.
No segundo dia do Anfavea Visions, o CEO da VW, Ciro Possobom, disse que, apesar das dificuldades, o Brasil produz veículos mais baratos do que os equivalentes no exterior. Contudo, é necessário fabricá-los de forma mais rápida para não ficar atrás da concorrência externa. Eduardo Jurcevic, CEO do Webmotors, ressaltou que consumidor jovem hoje tem menos pressa. Antes, quando completava 18 anos, tratava de logo obter a CNH e comprar (ou ganhar) um carro.
Balanço final do evento na visão da Anfavea: “O Brasil reúne escala de mercado, capacidade industrial, engenharia, matriz energética limpa e experiência em múltiplas rotas tecnológicas. Todavia, precisa transformar esses atributos em decisões coordenadas, investimentos e políticas de longo prazo a fim de ocupar um lugar relevante na nova indústria da mobilidade.”
Marcas chinesas enfrentam desvalorização na Alemanha
Apesar do avanço chinês em termos de estilo, modelos elétricos, híbridos ou só com motores a combustão de especificações surpreendentes e, em especial, a preços bem baixos, a situação atual na Alemanha, maior mercado do continente europeu, apresenta números decepcionantes quanto à desvalorização de usados. O estudo publicado pela alemã DAT (equivalente à tabela FIPE, no Brasil) foi repercutido pelo site Automotive News Europe (ANE), agora no final de maio.
Quase metade dos entrevistados teme o desaparecimento de várias marcas chinesas, nos próximos cinco anos, com reflexo na disponibilidade de peças de reposição e consequente problemas de manutenção e reparação a longo prazo. Segundo Martin Weiss, que comanda o departamento de precificação da DAT, “o mercado carece de experiência com modelos chineses mais antigos. Muitas marcas entraram recentemente no mercado alemão, o que deixa dúvidas sobre durabilidade e qualidade com o passar do tempo”.
Companhias de leasing têm grande participação na Alemanha em veículos de passageiros novos. É bastante comum as empresas em geral oferecerem carros alugados subsidiados aos seus empregados como parte do salário (fringe benefits, em inglês, benefícios adicionais, em português). Weiss declarou à ANE que empresas ofertantes de aluguéis de longo prazo tornaram-se mais cautelosas para aceitar produtos chineses. “Algumas até exigem pagamento antecipado, antes de concordar em incluir os carros em seus portfólios”, ressaltou.
Por outro lado, o correspondente na China do site matriz americano Automotive News, também no final de maio, apontou problemas que já existiam e se agravaram. “As gigantes chinesas de veículos elétricos estão sofrendo em seu próprio país, com a queda nas vendas de elétricos em todo o território nacional e a consequente redução dos lucros de empresas líderes como BYD e Geely.”
Teste: Renegade Willys 2027 é mais Jeep
Retoques de estilo atualizaram o modelo que está no mercado há 11 anos, praticamente sem mudanças estéticas. Visual evoluiu com nova grade e retoques nos faróis. Ao protetor de cárter mais robusto e novas rodas de aro 17 pol. com pneus de uso misto somam-se acabamentos escurecidos nos logotipos e grade, além do adesivo 1941 (ano de fundação da marca) no capô. Para-choques dianteiro e traseiro também são novos.
Dimensões (mm): comprimento, 4.268; entre-eixos, 2.570; largura, 1.805 (2.018 contando os espelhos); altura, 1.731. Volumes (L): porta-malas, 314; tanque, 55. Massa: 1.643 kg. Motor 4-cilindros, turbo 1,3 L flex: potência 176 cv (E)/(G); torque 27,5 kgf·m (E)/(G). Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 6,3/7,4 (E); 9,2/10,1 (G). Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 346/407 (E); 506/556 (G). Tração 4x4 sob demanda. Câmbio automático epicíclico, nove marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 9,7 s (E)/(G).
O interior do Renegade Willys foi melhorado. Apesar de perder o acabamento emborrachado (mais caro), o console central com alavanca de câmbio mais curta, quadro de instrumentos digital de visual bem elaborado, tela multimídia de 10,1 pol. de novo formato, fácil conectividade e integrada ao assistente Alexa da Amazon, finalmente chegaram saídas do ar-condicionado para o banco traseiro. Teto solar panorâmico mantido.
Nesta versão não existe o recurso semi-híbrido MHEV, certamente para não aumentar o preço, já que seu foco principal é o desempenho fora de estrada e não o para-e-anda das grandes cidades. Estepe tem a mesma medida das rodas de 17 pol. e apesar de limitar o volume do porta-malas, significa mais tranquilidade em caso de um furo. Respostas imediatas ao acelerador, comportamento em curvas compatível com a proposta e dirigibilidade em qualquer tipo de pavimentação confirmam suas qualidades, apesar de seus 1.643 kg em ordem de marcha.
Preço: R$ 189.490.
T-Cross ganha série Rock in Rio na versão 200 TSI
Pela primeira vez o SUV compacto, líder no segmento desde 2023, recebe a grife do importante em nível mundial festival carioca de música e entretenimento. Focado na relação preço-benefício, incorpora itens de série antes restritos às configurações de topo da gama. Motor é o 1-L, turbo, três cilindros, 128 cv (E)/116 cv (G) e 20,4 kgf·m.
Inclui rodas de liga leve diamantadas e escurecidas de 17 pol., retrovisores e maçanetas em preto brilhante, adesivos do evento nas portas dianteiras, colunas traseiras e na tampa do porta-malas. Grade é iluminada por um filete de LED, item antes exclusivo das versões mais caras, Highline e Extreme.
Por dentro, o T-Cross tem bancos com padronagem exclusiva e costuras azuis, detalhes em vermelho e o logotipo do Rock in Rio gravado, que também decora o painel em frente ao passageiro. Sistema de som com seis alto-falantes de série.
Preço: R$ 142.990 (igual ao 200 TSI convencional).
VW também confirmou: ID.4 na configuração mais avançada será seu primeiro carro elétrico, importado da Alemanha, à venda no País. Em relação à versão antes oferecida apenas por assinatura, terá mais potência, torque, alcance e maior velocidade de recarga em corrente contínua (DC). Ainda não divulgou a data de estreia aqui.
Portal Fator Brasil - RJ 18/06/2026
O resultado para o mês desde 2019, antes da pandemia, é o melhor. Desempenho foi puxado por automóveis e comerciais leves, e levou país a bater a marca de um milhão de autoveículos no mês. Em maio foram embarcados 37,4 mil autoveículos, segundo mês consecutivo de queda. No acumulado do ano, foram 180 mil unidades exportadas, recuo de 20% sobre 2025.
De acordo com a divulgação dos dados referentes ao mês de maio de 2026, no dia 12 de junho (sexta-feira), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que o ritmo de vendas no mercado interno continua surpreendendo, o que gera efeitos positivos na produção, a despeito da queda contínua das exportações e da alta das importações. Em maio foram produzidos 253,6 mil autoveículos, alta de 15,2% sobre o mesmo mês de 2025 e melhor resultado para o mês desde 2019, antes da pandemia. Com isso, a marca de um milhão de veículos produzidos foi superada já em maio, um mês antes do que ocorreu no ano passado. As 1.126,4 mil unidades produzidas representam uma alta de 7,1% sobre os cinco primeiros meses de 2025.
de acordo com a Anfavea, a força desse ritmo produtivo vem da alta nas vendas de automóveis (+21,5%), o que inclui o bom desempenho dos carros de entrada com o programa Carro Sustentável. Comerciais leves, como picapes, vans e furgões, também vêm crescendo (+7,7%), enquanto os caminhões (-15,1%) e os ônibus (-16,3%) ainda estão em queda. Espera-se uma melhora para estes dois segmentos com o ingresso de recursos de financiamento facilitado dentro do programa Move Brasil 2.
Maio teve a melhor média diária de vendas desde o longínquo dezembro de 2014, com 13,7 mil autoveículos —soma de leves e pesados—. Os emplacamentos totais em maio foram de 274,7 mil unidades, alta de 10,6% sobre abril e 21,7% sobre maio de 2025. A acumulado também superou a cada de um milhão um mês antes de 2025, com 1.148,2 mil unidades, crescimento acumulado de relevantes 16,4%.
Os veículos eletrificados representaram parcela relevante desse bom resultado em vendas, com o recorde de participação de 19,5 em maio. Elétricos puros tiveram 21 mil unidades emplacadas, outro recorde. Híbridos de todos os tipos somaram 30,7 mil no mês. As vendas de importados em maio foram de 55 mil unidades, totalizando 223 mil nos cinco primeiros meses, elevação de 17,4% —mais alta que a de nacionais—. Por país de origem, a China se destaca com alta de 86,6%, ante uma queda de 16,8% dos modelos vindos da Argentina.
Exportações — As exportações continuam sendo um dos pontos de maior preocupação do setor automotivo. Em maio foram embarcados 37,4 mil autoveículos, segundo mês consecutivo de queda. No acumulado do ano, foram 180 mil unidades exportadas, recuo de 20% sobre 2025. Houve crescimento de embarques apenas para a Colômbia, de 14,5%. Mas o tombo de 33,3% dos envios para a Argentina, de 34,5% para o Uruguai e de 19,6% para o Chile derrubaram o resultado geral.
Auto Industria - SP 18/06/2026
As marcas chinesas responderam por 20,3% das vendas na 1ª quinzena de junho, acima dos 18,4% de maio, conforme balanço parcial do mês divulgado pela Bright Consulting. Ou seja, os chineses acabam de superar um quinto do mercado brasileiro.
“Com a BYD ocupando a 4ª posição geral entre montadoras e nomes como Geely, Chery, GWM e Jaecoo ganhando participação, o avanço chinês deixou de ser tendência marginal. É o movimento competitivo mais relevante do mercado brasileiro no momento”, avalia a consultoria.
Valor - SP 18/06/2026
Companhia prepara o lançamento do terceiro modelo eletrificado a ser montado na linha de produção terceirizada em Horizonte (CE)
Há seis meses, a General Motors iniciou a montagem de carros 100% elétricos no Ceará. O compacto Spark foi o primeiro modelo. Na quarta-feira (17), na mesma linha começou a montagem do segundo modelo, o SUV médio Captiva. Agora, a empresa americana se prepara para o terceiro elétrico montado no Brasil. A rapidez no ritmo de lançamentos se deve, em grande parte, ao avanço da eletrificação de veículos no Brasil que, segundo Thomas Owsianski, presidente da GM na América do Sul, tem superado expectativas.
Em entrevista ao Valor, logo após a cerimônia que marcou o início da produção do Captiva, Owsianski disse que o crescimento nas vendas de veículos elétricos acontece especialmente no segmento de menor custo. O preço inicial do Spark 100% elétrico é R$ 150 mil e o do Captiva, R$ 200 mil. “Se olharmos os resultados, veremos que é um crescimento enorme”, completou.
As complexas características do sistema de produção de veículos tradicional não permitiriam acelerar lançamentos assim que a demanda cresce. Mas, nesse caso, a GM escolheu um modelo de manufatura pouco comum no Brasil.
A operação no Ceará não é uma produção completa, como as que a própria GM tem em suas quatro fábricas instaladas há décadas nas regiões Sudeste e Sul. No Ceará, a operação é terceirizada. A fábrica que está localizada em Horizonte, a cerca de 50 quilômetros de Fortaleza, pertence a uma trading brasileira, a Comexport, que, além da GM, busca fechar contratos com outras marcas de veículos para a montagem de modelos elétricos e híbridos.
Queremos toda a gama de tecnologias necessárias para o sucesso no Brasil”
— Thomas Owsianski
Chamada de Pace, sigla para Planta Automotiva do Ceará, essa instalação industrial pertenceu à fabricante de utilitários brasileira Troller, que foi adquirida, posteriormente, pela Ford. Essa fábrica foi vendida à Comexport quando a Ford anunciou a decisão de suspender a produção de veículos no Brasil, em 2021.
Com a nova operação, desde dezembro de 2025, pelo porto do Pecém chegam os veículos semimontados, enviados da China pela SAIC-GM, resultado da parceria entre a empresa chinesa e a americana. As carrocerias do veículo já vêm montadas e pintadas. Em Horizonte, são colocados os demais conjuntos de componentes.
É dessa forma que funciona o sistema conhecido na indústria automobilística como SKD (semi knocked-down), de veículos semimontados. A prática tem sido alvo de intensa polêmica dentro da indústria de veículos e de autopeças.
No comando da GM na América do Sul desde fevereiro e no Ceará pela primeira vez ontem, Owsianski descreveu a fábrica de Horizonte como enxuta e eficiente, com “melhorias contínuas desde sua recente inauguração”. Segundo esse executivo alemão, o arranjo obtido no Ceará é uma novidade global na GM.
A operação brasileira é, segundo o executivo, a primeira fora da China a montar os dois modelos elétricos que saem da fábrica cearense. “E o Brasil também tornou-se o maior mercado para o Spark globalmente, superando até mesmo a China”, completou.
Segundo ele, o modelo de manufatura instalado no Ceará é adequado às condições específicas do Brasil. Mas ficará limitado à produção de veículos eletrificados para completar a gama da marca Chevrolet no país. A empresa tem planos, diz, de elevar o conteúdo da produção no Ceará com peças fabricadas no Brasil. Mas ele não especifica objetivos.
Owsianski garante, ao mesmo tempo, que a GM não tem planos de repetir no Brasil uma fórmula que começa a ser testada por outras montadoras já instaladas no país: por meio de parcerias, algumas empresas decidiram abrir o espaço ocioso em suas fábricas para marcas chinesas instalarem linhas de produção de seus produtos.
Sem data de lançamento, o terceiro veículo a sair da linha de Horizonte também contará com tecnologia eletrificada. “Queremos abranger toda a gama de tecnologias necessárias para o sucesso no Brasil e na América do Sul. E, claro, precisamos continuar com os motores a combustão interna, precisamos de híbridos, precisamos de veículos elétricos”, afirmou Owsianski.
A partir de 1º de julho, as alíquotas do Imposto de Importação para carros híbridos e elétricos, montados e semimontados, subirão para o teto de 35%. Mas Owsianski não parece preocupado. Segundo o executivo, a estrutura instalada em Horizonte permite à empresa ser competitiva.
Quando adquiriu a Troller, em 2007, a Ford beneficiou-se de incentivos fiscais para empresas do setor automotivo instaladas no Nordeste. Agora é a vez de a GM e a PACE serem igualmente beneficiadas pelo mesmo programa regional, diversas vezes renovado e mantido na reforma tributária.
Segundo Owsianski, a operação cearense é competitiva a despeito da distância dos maiores centros de consumo de automóveis do Brasil.
O executivo anima-se com as perspectivas otimistas para o mercado total de veículos brasileiro nos próximos meses. “Acredito que há uma forte oferta de produtos acessíveis, o que impulsiona o mercado. É um mercado competitivo, mas em crescimento”, disse. Por isso, ele não quer ficar fora dessa competição, principalmente no segmento que mais cresce, o de eletrificação. “Esperamos que esse segmento cresça ainda mais e, obviamente, queremos continuar a participar dele fortemente.”
Petro Notícias - SP 18/06/2026
O avanço da Ferrogrão após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) deve acelerar a valorização patrimonial de Sinop e ampliar a atratividade do PZ Log para novos investimentos. A avaliação é do diretor comercial e de operações da empresa, Antonio Pereira, que vê a ferrovia como um divisor de águas para a logística e o desenvolvimento econômico do norte de Mato Grosso. Para ele, a decisão sinaliza segurança jurídica para que as próximas etapas avancem, incluindo a análise do projeto pelos órgãos de controle e, posteriormente, o processo de concessão e construção da ferrovia. “A região será ainda mais impactada pela valorização patrimonial. A Ferrogrão é a principal ferrovia projetada para o transporte de grãos de Sinop até os portos do Pará e vai transformar a logística do agronegócio brasileiro“, afirma.
Com aproximadamente mil quilômetros de extensão, a Ferrogrão ligará Sinop ao terminal portuário de Miritituba, no Pará, acompanhando boa parte do traçado da BR-163. O empreendimento é considerado uma das principais apostas para ampliar a competitividade do agronegócio mato-grossense e reduzir a dependência do transporte rodoviário. Estudos do setor apontam que a nova ferrovia poderá gerar uma economia superior a R$ 9 bilhões em fretes. Para Antonio Pereira, esse recurso deixará de ser consumido pelos custos logísticos e passará a circular dentro da economia regional. “São mais de R$ 9 bilhões que ficarão na mão dos produtores e das empresas da região. Esse dinheiro volta para investimentos, geração de riqueza e desenvolvimento local. Toda essa infraestrutura ferroviária tende a valorizar ainda mais os ativos logísticos e imobiliários de Sinop.”
A expectativa da PZ Log é que a consolidação da Ferrogrão acelere a procura por áreas destinadas à armazenagem, distribuição e instalação de empresas ligadas ao agronegócio, logística e comércio exterior. O complexo já nasceu voltado para atender a crescente demanda por infraestrutura logística em uma das regiões que mais produzem grãos no país. Além da redução dos custos de transporte, o projeto deve aliviar a pressão sobre a BR-163, corredor que movimenta mais de 17 milhões de toneladas de grãos por ano e enfrenta gargalos frequentes, especialmente nos períodos de safra. A migração de parte dessa carga para o modal ferroviário deverá reduzir congestionamentos, acidentes e aumentar a eficiência do escoamento da produção. Com a validação da Lei, o setor produtivo agora aguarda o avanço dos procedimentos técnicos e regulatórios necessários para que a Ferrogrão saia definitivamente do papel. Em Sinop, a percepção é de que a ferrovia já começa a produzir efeitos positivos ao reforçar a confiança de investidores e consolidar a cidade como um dos principais hubs logísticos do agronegócio brasileiro.
Valor - SP 18/06/2026
Grupo atuava de forma combinada em contratos de construção civil, pontes e viadutos para a implantação da Ferrovia Norte-Sul (FNS) e da Ferrovia de Integração Oeste e Leste (Fiol)
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) recomendou a condenação de 34 empresas e 17 pessoas físicas por participação em um cartel no setor de engenharia ferroviária. O processo segue para análise do Tribunal do Cade.
Se condenadas, as empresas estarão sujeitas ao pagamento de multa de até 20% do valor do faturamento. Pessoas físicas eventualmente responsáveis poderão sofrer multas de até 20% do valor aplicado à empresa.
A conduta envolveu 39 empresas no total. Além das 34, há mais cinco que firmaram acordos e colaboraram com as investigações (entre leniência e termos de compromisso de cessação).
De acordo com parecer da área técnica, o grupo atuava de forma combinada em contratos de construção civil, pontes e viadutos para a implantação da Ferrovia Norte-Sul (FNS) e da Ferrovia de Integração Oeste e Leste (Fiol). Ainda segundo a SG, a dinâmica anticompetitiva afetou diretamente ao menos sete licitações públicas, que totalizam R$ 9,7 bilhões destinados à construção de ferrovias.
A investigação identificou a existência de um cartel entre 2000 e 2014. As práticas se deram por meio de acordos de fixação de preços, condições, vantagens e abstenção de participação nas licitações, divisão de mercado entre concorrentes, formação de consórcios entre concorrentes, supressão de proposta, e apresentação de propostas de cobertura e troca de informações concorrencialmente sensíveis entre concorrentes, com o objetivo de frustrar o caráter competitivo das licitações da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.
O acordo mudou ao longo do tempo, segundo a área técnica, se tornando mais complexo à medida que novos participantes aderiam ao esquema para dividir os lotes de grandes obras.
As empresas que devem ser condenadas, segundo parecer da SG, são: Acciona Construccion, Agis Construção, Andrade Gutierrez Engenharia, CR Almeida Engenharia de Obras, CMT Engenharia ambiental, Constran, Construtora Almeida Costa, Construtora Barbosa Mello, Construtora Cowan, Construtora Estrutural, Construtora Sanches Tripoloni, Convap Engenharia e Construções, Egesa Engenharia, Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços, Estacon Engenharia, FDS Engenharia de Óleo e Gás, Fuad Rassi Engenharia Indústria e Comércio, Galvão Engenharia, Iesa Projetos Equipamentos e Montagens, Mendes Júnior Trading Engenharia, Ourivio Participações, Pavotec Pavimentação e Terraplanagem, Pelicano Construções, Pedrasul Construtora, Salgueiro Construções, Serveng Civilsan Empresas Associadas de Engenharia, Servix Engenharia, Sobrado Construções, Spa Engenharia Indústria e Comércio, Techint Engenharia e Construção, Tecnimont do Brasil Construção e Administração de Projetos, Tiisa Infraestrutura e Investimentos, Toniolo Busnello e Trier Engenharia.
CNN Brasil - SP 18/06/2026
A malha ferroviária brasileira é extremamente limitada em relação às dimensões do país. O Brasil tem apenas 3,6 km de ferrovia para cada 1.000 km² do território nacional, ocupando um modesto 10º lugar quando comparado com outros países, o que representa um décimo da densidade observada nos Estados Unidos.
Se considerarmos que dois terços das ferrovias brasileiras estão abandonadas ou subutilizadas temos, na verdade, apenas 1,2 km de ferrovia operando para cada 1.000 km² do território. Essa realidade nos coloca em uma posição vergonhosa no ranking mundial.
O abandono ou subutilização de trechos ferroviários é um problema histórico e sem perspectivas de solução. Na desestatização da malha operada pela RFFSA, realizada no final do século passado, foi adotado um modelo de concessão que tinha como objetivo maximizar a geração de outorga e, para isto, congelou a malha ferroviária no estado em que se encontrava.
O fluxo de caixa utilizado para calcular o valor da outorga previa apenas investimentos na manutenção das ferrovias ativas. O modelo não contemplava nenhum investimento na modernização ou recuperação dos trechos ferroviários que já se encontravam abandonados ou subutilizados pela estatal.
Os investimentos previstos para ampliação da capacidade e melhoria da segurança eram vinculados à evolução da demanda, traduzida nas metas de transporte. Estas metas, por sua vez, eram definidas com base no mercado atendido historicamente pelas ferrovias. Quanto aos trechos abandonados ou subutilizados, não houve nenhum diagnóstico e nenhuma proposta para reverter a sua condição.
Estes trechos não estavam abandonados por alguma razão subjetiva ou simples leniência. Eles se encontravam nesta situação porque não tinham demanda suficiente para justificar economicamente a sua exploração, seja porque exigiam grandes aportes de investimentos para sua inserção competitiva no mercado, seja pela falta de aderência de traçados construídos no final do século XIX à dinâmica da economia moderna.
Não foram as concessionárias que receberam a outorga no final dos anos 1990 que abandonaram a malha. Elas apenas mantiveram o status quo desses trechos conforme estava contemplado nos estudos técnicos que orientaram o processo de concessão.
O processo recente de renovação das concessões ferroviárias seria a oportunidade para encaminhar uma solução para o problema das ferrovias que só servem para criar uma ilusão de ótica sobre o tamanho real da malha. No entanto, utilizamos novamente o momento para aperfeiçoar o modelo de extração de valor das ferrovias para contribuir com o equilíbrio das contas públicas, desonerando o Estado de construir novas ferrovias, mas deixando de lado as ações para modernização da malha existente.
Além de fazer um plano de negócios que maximiza o pagamento de outorga, pretende-se engordar a arrecadação com a indenização pela degradação da infraestrutura abandonada. Na maior parte dos casos, essa malha foi concedida já degradada e sua recuperação não estava contemplada no estudo de viabilidade original.
O mais grave ainda é a falta de uma avaliação racional sobre quais trechos ainda possuem interesse estratégico para atendimento das necessidades de movimentação de cargas e do deslocamento das pessoas e quais são definitivamente descartáveis. Reabilitar ramais por mero apego geográfico é um erro, a decisão deve se basear na real necessidade de atendimento de demanda e na relação custo-benefício social e econômico-financeiro. Alguns trechos são ligações estruturantes importantes, mas exigem investimentos pesados em traçado e bitola, para se conectar à malha moderna, e só se viabilizam com aporte de recursos públicos.
O Brasil precisa expandir sua malha construindo novas ferrovias em regiões desatendidas, mas precisa, também, avaliar estrategicamente os trechos importantes para a logística nacional. Não estamos falando de parte desprezível, trata-se de dois terços das nossas ferrovias. Algumas delas podem cumprir papel fundamental no atendimento às necessidades logísticas, especialmente no abastecimento do mercado interno, mas precisam de um modelo de parceria público privada que garanta a viabilidade econômica e financeira do investimento.
Podemos ter uma malha ferroviária ampla, abrangente e num padrão compatível com o século XXI. Para isso, precisamos separar o que é ativo economicamente viável, com e sem participação pública, do que é passivo antieconômico irrecuperável. O planejamento deve criar condições para viabilizar os investimentos nos trechos deficitários da malha ferroviária, que se justificam pelo interesse público em atender as necessidades do país, e construir novos eixos, direcionando o escasso recurso público de forma cirúrgica para gerar atratividade ao capital privado, sem malabarismos arrecadatórios que desviam recursos para outras finalidades.
CNN Brasil - SP 18/06/2026
As obras para a duplicação do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, no trecho da BR-381 entre a Avenida Cristiano Machado e o Rio das Velhas, tiveram um novo capítulo na última semana. O TCU (Tribunal de Contas da União) validou processo do ano passado relacionado ao reassentamento de famílias que vivem na área afetada pelas intervenções e tomou uma decisão que pode contribuir para destravar o empreendimento, aguardado há anos.
A Corte de Contas considerou que foram cumpridas as determinações feitas anteriormente no processo que acompanha a remoção e o reassentamento das famílias impactadas pelas obras.
Segundo o tribunal, o acordo de permuta de áreas firmado entre o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), a Prefeitura de Belo Horizonte e a Urbel (Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte) permitirá o reassentamento de cerca de 900 famílias que ocupam a faixa de domínio da rodovia.
Com a decisão, o tribunal determinou que o processo permaneça suspenso por um período de um ano. Após esse prazo, o caso voltará a ser analisado para que a Corte decida se o acompanhamento deve continuar ou se as determinações poderão ser encerradas.
A duplicação do Anel Rodoviário está condicionada justamente à execução do plano de remoção e reassentamento das famílias de baixa renda que vivem na região. A ação será conduzida pela Urbel, enquanto os repasses financeiros ficarão a cargo do DNIT.
A proposta inicial previa a compra de terrenos para a construção de 630 unidades habitacionais vinculadas ao programa federal Minha Casa, Minha Vida. Para isso, em 2013, o município adquiriu 47 lotes da Caixa Econômica Federal pelo valor de R$ 4,9 milhões.
No entanto, após a aquisição, o MPF (Ministério Público Federal) e a Defensoria Pública da União passaram a atuar em defesa das comunidades afetadas. A intervenção resultou em um acordo judicial que suspendeu os repasses e determinou que o reassentamento fosse conduzido com apoio de peritos judiciais. Com isso, os terrenos comprados não chegaram a ser utilizados para a construção das moradias previstas.
A execução do projeto foi retomada apenas em outubro de 2016, por meio de uma nova modalidade de “compra assistida”, que previa a aquisição de imóveis já edificados para entrega direta às famílias beneficiadas.
Entretanto, em 2019, foi constatado que os terrenos adquiridos inicialmente continuavam sem utilização para os fins previstos no acordo e já haviam sido ocupados irregularmente. Segundo os registros do processo, não houve medidas efetivas para impedir novas invasões nas áreas compradas para o reassentamento.
Infomoney - SP 18/06/2026
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse nesta quarta-feira, 17 que o país “naturalmente” passará a cobrar por serviços no Estreito de Ormuz, segundo a mídia estatal iraniana. Ele afirmou ainda que a rota marítima não voltará às condições anteriores à guerra.
“Isso não significa agir contra as leis internacionais ou a navegação marítima”, declarou Ghalibaf à TV estatal, ao reiterar que o Irã tem soberania sobre o trecho e que cobrará um pedágio dos navios que cruzarem o estreito.
Ghalibaf afirmou que defende negociações sob o que chamou de “diplomacia da força” e declarou desconfiar dos Estados Unidos ao afirmar ter dito ao vice-presidente americano, JD Vance, que não tem “a mínima confiança” nele.
A agência Tasnim informou que Teerã coordenará medidas no Estreito de Ormuz com Omã, citando o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei. Segundo ele, os dois países “trocarão opiniões com outros quando necessário” e o tráfego será normalizado dentro de um prazo a ser definido, conforme as condições do acordo firmado com os Estados Unidos.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/06/2026
O Brasil vai encerrar medidas de subsídios aos preços de combustíveis, incluindo diesel e gasolina, caso a cotação do petróleo se acomode em cerca de US$ 80 o barril na esteira de acordo sinalizado pelos Estados Unidos com o Irã para o fim do conflito no Oriente Médio, disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.
Em entrevista à Reuters na tarde de terça-feira, 17, Ceron afirmou que um encerramento da guerra também tende a melhorar projeções de mercado para a inflação e retirar pressão sobre os juros futuros, abrindo espaço para o Banco Central aprofundar a flexibilização da política monetária, além de reduzir custos da dívida pública.
O secretário disse que os próximos 30 dias serão de observação quanto à consolidação deste cenário, apontando a necessidade de cautela diante de uma guerra que desencadeou reações voláteis não apenas do preço do petróleo, mas de variáveis como juros e câmbio.
“Se estabilizar (em torno de US$80 o barril), realmente não há necessidade de continuidade das medidas. A gente vai retirar por prudência, com toda certeza”, ele disse.
Desde a eclosão da guerra promovida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, o governo anunciou uma série de medidas emergenciais para amortecer os efeitos da alta da cotação internacional do petróleo, com reduções tributárias ou subvenções sobre diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha.
De maneira geral, as medidas foram editadas com vigência de dois meses, e algumas delas já foram prorrogadas. A maior parte das iniciativas tem validade até julho, prazo que Ceron afirmou ser suficiente para avaliar os efeitos do esperado fim da guerra.
“Tem dois cenários: tentar antecipar o fim das medidas ou deixar elas se extinguirem nos seus prazos de validade”, disse.
O secretário ressaltou que embora o patamar de US$ 80 o barril represente uma alta ante cotações do petróleo Brent de US$ 70 vistas no início do ano, a moeda brasileira sofreu apreciação de lá para cá, com o dólar passando de R $5,20 para cerca de R$ 5,00, ajudando a contrabalançar parte da pressão inflacionária com o insumo energético mais caro.
Os futuros do petróleo Brent caíram 5,1% na terça-feira, fechando a US$ 78,96 o barril, à medida que surgiram detalhes de um acordo provisório para pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também afirmou nesta quarta-feira que o impacto da guerra no Irã tende a diminuir a partir de agora e que, confirmada essa previsão, o governo vai retirar subsídios a combustíveis e o imposto de exportação do petróleo.
Expectativa para a inflação e PIB
Após economistas terem reduzido expressivamente seus cálculos sobre o tamanho do corte de juros pelo BC neste ano diante do quadro mais desafiador para a inflação, Ceron afirmou que as projeções para o IPCA foram fundamentalmente afetadas pela guerra no Irã, refutando que as medidas de estímulo implementadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham sido decisivas nesse sentido.
“Se você excluir o impacto da guerra, você não tem um cenário de um estresse inflacionário relevante”, disse.
Com a esperada acomodação do petróleo, a expectativa é de reversão rápida das projeções de mercado para a inflação que haviam se distanciado da meta de 3%, inclusive para horizontes mais longos, o que permitirá à “política monetária ter um pouco mais de grau de liberdade”, completou ele, na véspera da nova decisão de política monetária do BC.
Desde o início do mês, bancos têm estimado o impacto conjunto das novas medidas de estímulo anunciadas pelo governo em meio à estratégia de Lula rumo à reeleição em outubro. As projeções apontam para impulso superior a R$200 bilhões este ano, majoritariamente via subsídios, garantias e aportes fora do resultado primário, mas com efeito de pressão sobre a já elevada e crescente dívida pública.
“Se fosse verdade que tivesse um estímulo de 2% do PIB isso colocaria atividade econômica próxima de (uma alta de) 3%”, disse. “Não tem nenhum tipo de estímulo dessa magnitude”, completou, sem precisar um número, mas destacando que indicadores econômicos recentes, como as vendas no varejo, têm mostrado “desaceleração significativa” da atividade.
A Fazenda projeta crescimento do PIB de 2,3% este ano, dentro de uma faixa de 2,0% a 2,5% que Ceron defendeu não impor pressões inflacionárias. O mercado vem há um mês revisando suas contas para cima, agora estimando alta de 1,96%, conforme o mais recente boletim Focus do BC.
Segundo Ceron, o debate liderado por parte do mercado tem colocado no mesmo pacote medidas distintas, ao misturar ações fiscalmente neutras, como a ampliação da isenção do IR, com outras que estimulam a atividade, embora marginalmente, e sem necessariamente pressionar a inflação.
Ele citou como exemplo as linhas de crédito subsidiado para compra de caminhões e para motoristas e entregadores de aplicativos adquirirem veículos, destacando que, nesses casos, montadoras têm se comprometido a oferecer descontos.
“Então, na verdade, o efeito para esse setor é deflacionário, não é inflacionário”, disse.
Quadro fiscal
Ceron reconheceu desafios do país na área fiscal, argumentando que é necessário promover um debate sobre a trajetória de crescimento das despesas de execução obrigatória, mas afirmou que não há margem para proposição de medidas às vésperas de uma campanha eleitoral.
O secretário ponderou que, na visão do governo, o patamar elevado dos juros no Brasil, que pressionam a dívida pública, não pode ser atribuído exclusivamente ao quadro fiscal, com outros fatores mais relevantes, como o baixo nível de poupança no país. “Não estou negando a importância, tem que avançar no fiscal, mas não é a única pauta”, disse.
Em relação ao estresse recente da curva de juros brasileira, que viu aumento dos rendimentos pagos em diversos prazos, Ceron destacou ter havido impacto preponderante de indicadores mostrando resiliência da economia dos EUA, o que desencadeou uma reprecificação em todo o mundo.
Caso o cenário de paz no Oriente Médio seja mantido, a tendência é de fechamento da curva no mercado americano, com o Brasil a reboque também deste movimento, afirmou.
“O nosso spread em relação ao mercado americano não está longe do nosso histórico, pelo contrário”, disse.
O secretário também afirmou enxergar um pessimismo do mercado local em relação ao Brasil, enquanto no mercado internacional o país é avaliado na comparação com os pares e de forma mais serena e sem paixão.
“O mercado financeiro internacional é o que há de mais robusto para a formação eficiente de preços no mundo, nada se compara com isso. O Brasil está sendo precificado há muito tempo, já há quase três anos, com grau de investimento, com spread reduzido, com extremo apetite em relação aos seus pares”, disse.
Ele ainda afirmou que o país deve realizar nova emissão soberana de títulos sustentáveis no segundo semestre, e destacou, sem dar detalhes, a aproximação de novos anúncios em visita do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à China neste mês.
A Reuters mostrou que o ministro deve anunciar na viagem que o Brasil irá emitir seus primeiros títulos soberanos em iuanes, conhecidos como “panda bonds”.
Valor - SP 18/06/2026
Projeto envolve consórcio de Libra na Bacia de Santos
Um conjunto de empresas que atua no pré-sal, liderado pela Petrobras, está estudando a criação de uma rede de energia elétrica para atender plataformas de petróleo na busca por descarbonização mais eficiente das operações. O consórcio Libra contratou o Centro de Pesquisas em Energia Elétrica (Cepel) para avaliar a eletrificação de plataformas marítimas, com a conexão das unidades por rede elétrica dedicada, uma iniciativa inédita no país.
Responsável pelo campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, o consórcio Libra é composto pela Petrobras (operadora do campo), Shell Brasil, TotalEnergies e as chinesas CNPC e CNOOC, além da Pré-Sal Petróleo (PPSA), que faz a gestão dos contratos de partilha. O estudo, chamado de Power Grid, vai avaliar a viabilidade técnica e operacional da interligação de até cinco navios-plataformas por meio de um sistema elétrico submarino, nos moldes de um sistema tradicional, incluindo subestação.
Parte de um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o estudo tem prazo de dois anos e valor total de R$ 20 milhões. O consumo máximo de energia elétrica de cada plataforma é de 84 megawatts (MW).
As plataformas costumam usar sistemas de geração de energia tendo o gás natural produzido no próprio campo como insumo das turbinas e geradores instalados na unidade. Só que o gás gera emissões, disse o presidente do Cepel, Alexandre Orth. Com a eletrificação, o gás que seria usado para fornecer a energia passaria a ser destinado ao mercado.
O novo sistema também pode reduzir o lançamento dos gases na atmosfera e diminuir a quantidade de equipamentos na plataforma. O campo de Mero é o terceiro maior do pré-sal, com cinco plataformas: Pioneiro de Libra, Guanabara, Sepetiba, Duque de Caxias e Alexandre de Gusmão.
“Estamos construindo um futuro em que a produção é cada vez mais eficiente e sustentável. A eletrificação dos sistemas é um passo importante nessa direção”, disse Vinícius Machado, executivo da Petrobras e gerente de aplicações do consórcio de Libra, em nota.
Segundo Orth, do Cepel, um FPSO conta com mais de um sistema elétrico, para efeitos de redundância. Quando se conecta uma plataforma à outra com a rede elétrica, pode-se diminuir a quantidade de equipamentos para geração. “Imagina que cada FPSO tenha dois geradores para produzir energia. Em cinco, tem dez [geradores]. No projeto, vou ter só um em cada navio. Se um navio gera [energia], tem outros quatro [navios] de ‘backup’. É mais inteligente”, afirmou.
Um aspecto que o projeto considera é o fato de que no início da produção de um campo, a pressão do óleo no reservatório é mais elevada. Quando o campo se torna maduro, após o ápice de produção, em dez ou 15 anos a partir do início da operação, é necessário adicionar mais equipamentos à plataforma, como compressores e sistemas de bombeamento para estimular a extração.
“Isso gera um problema se o FPSO não foi concebido com essa capacidade”, disse o presidente do Cepel. O sistema de “grid” já existe na Noruega, que passou a conectar as plataformas instaladas no Mar do Norte às hidrelétricas do país, um tipo de energia renovável, reduzindo as emissões, disse Orth. No Brasil, o tema chegou a ser estudado pela Petrobras, em uma parceria entre o Cepel e o Cenpes, centro de pesquisas da estatal, para integrar duas plataformas.
Agora, o Cepel poderá aplicar os conhecimentos que detém em transmissão de energia no projeto. Neste momento, o projeto contará com o uso do gás natural, com avaliações voltadas para a redução do uso do insumo. No Brasil, diz Orth, há espaço para as plataformas serem atendidas por usinas eólicas offshore, como também ocorre na Noruega, e mesmo ao sistema elétrico nacional, no continente. Orth disse que o modelo pode ser replicado em outras operações no mar.
“Tem oportunidade de poder aproveitar mais o espaço para que a plataforma tenha mais equipamentos de produção e menos para geração de energia, por exemplo. Ganha-se produtividade. No início, pode-se ter mais investimentos, só que tenho um ganho, de desligar alguns equipamentos e ter um modo melhor de operação, com produtividade e eficiência e impacto ambiental positivo”, afirmou.
A Tribuna - SP 18/06/2026
O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pediram a suspensão da etapa 4 de exploração do pré-sal pela Petrobras, que está prevista para ocorrer em águas profundas na Bacia de Santos, no litoral de São Paulo. A entidade federal afirma que a licença prévia concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é ilegal e pode agravar a crise climática.
O pedido faz parte de uma ação civil pública enviada à Justiça Federal nesta segunda-feira (15). Segundo divulgado pelo MPF, o licenciamento emitido não comprova que há viabilidade ambiental do empreendimento. A entidade defende, junto com o MP-SP, a invalidação da licença prévia e a proibição da concessão de novos avais pelo Ibama até que a Petrobras cumpra os requisitos necessários.
Poluentes
De acordo com o MPF, a extração e o uso de combustíveis fósseis no processo de exploração devem resultar no lançamento de mais de 3,8 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO²) na atmosfera em três décadas, período de vida útil estimado para o empreendimento.
Esse volume de gás carbônico resultaria em "sério risco de agravamento da crise climática" e também vai contra metas ambientais assumidas pelo Brasil a nível global, segundo o MPF. A entidade lembra que o Governo Federal se comprometeu a reduzir as emissões de gases do efeito estufa até 2050, em um percentual que varia de 59% a 67% ao comparar com os níveis de 2005.
No pedido, o MPF afirma ainda que a Petrobras não estaria cumprindo requisitos determinados pelo Ibama para obter a licença prévia. Como exemplo, o órgão federal cita a "complementação de estudos ambientais com o detalhamento das medidas que a empresa pretende adotar" para compensar o total de emissões.
Ao divulgar o pedido de anulação, o MPF cita que uma das propostas da Petrobras é investir R$ 118 milhões em projetos socioambientais até 2035 como forma de compensação. Para a entidade federal, o valor "é irrisório para fazer frente aos danos ambientais de longo prazo" que seriam causados pela exploração.
Posicionamentos
Em nota para A Tribuna, o Ibama disse que já se manifestou judicialmente em duas ações civis públicas sobre o assunto. "Caso tenha havido o ajuizamento de outra ação por agora, o Instituto ainda não foi notificado. Quando isso ocorrer, o Ibama se manifestará nos autos do processo", declarou.
A Tribuna procurou a Petrobras e aguarda resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Pré-sal na Bacia de Santos
A etapa 4 do pré-sal consiste na exploração de óleo e gás natural em águas profundas na Bacia de Santos. Dez plataformas estão previstas para operar entre 2026 e 2032. O processo de licenciamento ambiental começou em 2021 e, desde então, é acompanhado pelo MPF.
Durante a exploração do pre-sal, está prevista a perfuração de 132 poços em águas profundas. A expectativa é que essas estruturas gerem, por dia, cerca de 123 mil m³ de petróleo e 75 milhões de m³ de gás natural.
- Petrobras: Nova fase do pré-sal da Bacia de Santos tem anulação solicitada por riscos ao litoral de São Paulo e RJ - Petrobras faz novas perfurações após descobrir petróleo em poços do pré-sal do litoral de São Paulo, em direção a Santos - Petrobras descobre petróleo em poços do pré-sal do litoral de São Paulo, em direção a Santos, e faz nova exploração.
CNN Brasil - SP 18/06/2026
O VBP (Valor Bruto da Produção agropecuária) de maio totalizou R$ 1,4 trilhão, um recuo de 4,6% frente ao valor do mesmo período de 2025. Os dados são da Secretaria de Política Agrícola do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
O índice foi puxado pela produção agrícola, que somou R$ 908,8 bilhões e correspondeu a 64% do total. Já a pecuária apresentou um recuo de 2,2% e fechou o mês com R$ 510,2 bilhões (36%).
Segundo o Mapa, o recuo de 4,6% foi puxado pela queda no preço de importantes commodites, como cacau, laranja e arroz. O ajuste na expectativa de outras culturas também influenciou o resultado.
Em maio, as culturas que apresentaram melhor desempenho foram: batata-inglesa (22,3%), feijão (12,6%), mandioca (8,1%), tomate (5,6%) e banana (3,0%).
Por outro lado, cacau (-56,8%), laranja (-38,0%), arroz (-30,0%), mamona (-20,1%), trigo (-18,2%), amendoim (-14,8%), uva (-11,4%) e algodão (-10,2%) ajudaram a reduzir o VBP.
Em comparação a maio de 2025, a produção das lavouras recuou 5,9%.
Pecuária
A produção pecuária também apresentou queda. Frente a maio de 2025, o VBP recuou 2,2%.
Apesar do desempenho negativo em geral, a bovinocultura cresceu 8,9%, totalizando R$ 248,7 bilhões. No entato, suínos (-20,3%), frango (-10,4%), ovos (-7,9%) e leite (-4,8%) tiveram quedas expressivas e puxaram a queda no índice.
Destaques no mês
A soja segue como o produto de maior relevância econômica, com valor estimado em maio de R$ 338,5 bilhões. Milho (R$ 162,2 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 110,8 bilhões), café (R$ 109,6 bilhões) e algodão (R$ 33,2 bilhões) também apresentaram bom desempenho no mês.
Juntos, esses cinco produtos representaram 53,2% do VBP.
Já na pecuária, a bovinocultura lidera com R$ 248,7 bilhões, 17,5% do valor estimado para o país no mês.
Avicultura de corte (frango), com R$ 106,7 bilhões; leite, com R$ 73,6 bilhões; suinocultura, com R$ 53 bilhões; produção de ovos, com R$ 28,2 bilhões também se destacaram em maio.
Em relação ao cenário regional, Mato Grosso lidera em termos de valores brutos apurados, com R$ 213,5 bilhões, correspondendo a 15% do total. Na sequência, aparecem Minas Gerais, com R$ 171,6 bilhões (12,1%), e São Paulo, com R$ 159,6 bilhões (11,2%).
O que é VBP
O VBP é calculado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola do Mapa com base nas estimativas de produção e na variação dos preços de mercado recebidos pelos produtores rurais. O indicador representa o faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais. Os valores de 2026 são preliminares e consideram as informações disponíveis até maio de 2026.
Associe-se!
Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.
© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.