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15 de Maio de 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   15/05/2026

As ações da Usiminas (USIM5) têm mais um dia de ganhos expressivos nesta quinta-feira (14), com valorização de cerca de 4,15%, a R$ 9,54, no começo da tarde. No acumulado do ano, o salto é de 59%, avançando 33% apenas em maio.

O Bradesco BBI, após a recente (e forte) valorização das ações, manteve recomendação apenas neutra para USIM5, mas elevou o preço-alvo para o final de 2026 de R$ 6 para R$ 10 por ação.

Para os analistas do banco, os fundamentos têm surpreendido positivamente em relação às nossas expectativas iniciais, mas a forte valorização recente já parece incorporar a melhora na perspectiva de resultados para 2026, além dos reajustes de preços implementados entre abril e junho.
Nesses níveis de preço, a visão é de que a ação parece precificar uma geração de caixa entre 5% e 8% do valor de mercado da Usiminas para 2026 e 2027, um nível substancialmente menor do que de seus pares.

Para o banco, embora ainda veja espaço para novas altas nos preços do aço plano no Brasil nos próximos meses, a pressão de custos – combinada a contratos com defasagem de repasse – tende a limitar a expansão de margens nos próximos trimestres, risco que entendemos ainda não estar totalmente precificado pelo mercado. “Além disso, sinais de demanda mais fraca podem restringir a capacidade das siderúrgicas locais de sustentar paridade de preços favorável”, aponta a equipe de análise.

O BBI entende que o equilíbrio entre risco e retorno da tese se tornou menos interessante nos níveis atuais.

“Apesar da revisão positiva de 24% em nossa estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026 (R$ 2,9 bilhões), seguimos enxergando geração de caixa limitada, com a ação negociando a cerca de 4,7 vezes o múltiplo de valor da empresa (EV)/Ebitda”, avalia.

Para 2027, há potencial de melhora, sustentada por desempenho operacional mais forte, mas ainda limitada por elevados investimentos, que podem aumentar caso avance o projeto de extensão da vida útil das minas de minério de ferro.

Do ponto de vista operacional, a melhora dos preços globais do aço – impulsionada por restrições de oferta e aumento de custos de insumos – tem favorecido a dinâmica de preços no Brasil, embora a demanda local mais fraca e contratos com montadoras possam retardar o repasse integral.

Ao mesmo tempo, a inflação de custos, especialmente de placas e carvão/coque, deve pressionar a rentabilidade a partir do segundo trimestre.

Assim, aponta o BBI, eventuais revisões mais construtivas dependeriam de: (i) aceleração adicional de preços e margens no segundo semestre; (ii) execução operacional acima do esperado, compensando pressões de custo; (iii) recuperação da demanda doméstica; e (iv) maior visibilidade sobre a eficácia das medidas de defesa comercial na contenção de importações

Valor - SP   15/05/2026

Marcelo Rodolfo Chara segue como diretor-presidente da companhia

O conselho de administração da Usiminas aprovou, nesta quinta-feira (14), a eleição da diretoria estatutária da companhia, com mandato até 2028. Não houve alterações na composição das diretorias.

Marcelo Rodolfo Chara segue como diretor-presidente e Diego Eduardo García como diretor vice-presidente de finanças e relações com investidores.

Além disso, Américo Ferreira Neto e Miguel Angel Homes Camejo seguem nas diretorias industrial e comercial, respectivamente.

Portal Fator Brasil - RJ   15/05/2026

Evento promovido pela CNI reconhece organizações que contribuem para o fortalecimento das relações entre Brasil e Estados Unidos.

A Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, foi uma das organizações homenageadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) durante a Brazilian Week 2026, realizada nesta semana em Nova York, nos Estados Unidos. A companhia recebeu o Brazil–U.S. Industry Award, reconhecimento concedido a companhias que contribuem de forma relevante para o fortalecimento das relações econômicas e industriais entre os dois países.

A homenagem reforça o protagonismo da Gerdau no processo de internacionalização da indústria brasileira e sua presença consolidada no mercado norte-americano, onde mantém operações de aços longos e aços especiais para atender à demanda local. André Bier Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da Gerdau, recebeu a premiação em nome da empresa, em um reconhecimento que também valoriza a trajetória da companhia e sua contribuição para a ampliação dos laços bilaterais.

—Receber esse reconhecimento reforça a importância da nossa atuação nos Estados Unidos, onde operamos como uma empresa local há quase três décadas, com produção 100% voltada ao atendimento da demanda interna. Esse modelo tem sido fundamental para o fortalecimento da nossa presença no país e para a construção de uma relação sólida e de longo prazo entre as indústrias brasileira e norte-americana—afirma Johannpeter.

A Gerdau mantém uma operação consolidada na América do Norte, com produção local de aço e forte participação nos resultados globais, respondendo por mais de 75% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) consolidado no primeiro trimestre de 2026. A presença na região é um dos pilares da estratégia de internacionalização da empresa, sustentada pela constante produtividade e modernização.

Desde 1999, a companhia é listada na New York Stock Exchange (Nyse), um passo estratégico que fortaleceu seu processo de expansão global e sua operação no mercado norte-americano. A listagem na Bolsa de Nova York garante acesso direto ao mercado de capitais dos Estados Unidos, reforçando o compromisso da empresa com a transparência e a geração de valor para seus investidores.

A Brazilian Week, que ocorre entre os dias 11 e 14 de maio (segunda a quinta-feira), em Nova York, reúne líderes empresariais e autoridades públicas para discutir temas estratégicos da agenda bilateral, como comércio, inovação e desenvolvimento industrial sustentável.

Gerdau — Com 125 anos de história, a Gerdau é a maior empresa brasileira produtora de aço e uma das principais fornecedoras de aços longos e de aços especiais do mundo. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro. Com o propósito de empoderar pessoas que constroem o futuro, a companhia é referência de internacionalização no setor industrial brasileiro, está presente em vários países nas Américas e conta com 30 mil colaboradores em todas as suas operações. A empresa possui 29 unidades produtoras de aço, sendo 13 plantas na América do Norte. Maior recicladora da América Latina, a Gerdau tem na sucata uma importante matéria-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material. Todo ano, 10 milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço. Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO2e), que representa metade da média global do setor. A companhia possui, inclusive, uma marca destinada a uma linha de produtos com baixa emissão de carbono, chamada Gerdau NewEco. As ações da Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e Nova Iorque (Nyse).

Infomoney - SP   15/05/2026

A CSN (CSNA3) e a CSN Mineração (CMIN3) divulgaram na última quarta-feira (13) seus resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), após o fechamento do mercado. A primeira reação do mercado foi negativa: às 10h34 (horário de Brasília), as ações CSNA3 caíam 1,41%, cotadas a R$ 6,28, enquanto CMIN3 recuava 2,90%, a R$ 4,68.

O JPMorgan avalia que os resultados da CSN e do seu braço de mineração como levemente positivos no operacional, mas destaca que a geração de caixa livre (FCF) negativa limita uma reação mais favorável do mercado. O banco mantém recomendação neutra para a CSN, com preço-alvo de R$ 8, e venda para a CSN Mineração.

Na visão do JPMorgan, ambas as companhias superaram as expectativas do consenso. O EBITDA da CSN atingiu R$ 2,6 bilhões, 3% acima das projeções do mercado, impulsionado principalmente pelas divisões de mineração, cimento e energia. Já a CSN Mineração reportou EBITDA de R$ 1,4 bilhão, superando o consenso em 4,9%.
Apesar do desempenho operacional melhor, o banco ressalta que as duas empresas consumiram caixa no trimestre. A CSN teve fluxo de caixa livre negativo em R$ 2,1 bilhões, enquanto a CSN Mineração registrou FCF negativo de R$ 1,4 bilhão.

Para Goldman Sachs, os resultados de CSNA3 e da CMIN3 vieram, em geral, em linha com as expectativas do mercado, mas o balanço patrimonial da CSN continua sendo o principal ponto de atenção para investidores.

A instituição ressaltou que a companhia possui cerca de R$ 4 bilhões em vencimentos de dívida na holding ao longo de 2026 e segue queimando aproximadamente R$ 1 bilhão de caixa por trimestre, desconsiderando a rolagem de contratos de pré-pagamento de minério de ferro.

Na avaliação do Goldman Sachs, a potencial venda de ativos estimada entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões deve continuar sendo o principal foco dos investidores, uma vez que a gestão da dívida permanece apertada e dependente da renovação de contratos de pré-pagamento, incluindo US$ 300 milhões anunciados no primeiro trimestre.

O Goldman Sachs reiterou recomendação de venda para as ações da CSN e da CSN Mineração, com preço-alvo de R$ 6,40 e R$ 4,30, respectivamente.

CSN (CSNA3)

O Bradesco BBI avalia que os resultados operacionais foram mais uma vez consistentes, mas a queima de caixa e a alavancagem financeira devem continuar sendo uma preocupação importante para os investidores.

“Embora essa queima de caixa, provavelmente, provoque uma reação negativa do mercado, a movimentação dos preços hoje dependerá do tom da administração em relação à gestão de passivos e ao plano de desinvestimento em andamento”, comenta BBI.

O Bradesco BBI reitera visão cautelosa e a recomendação neutra para CSN.

A XP Investimentos, por sua vez, destaca que a CSN entregou resultados melhores do que o esperado, apoiados por contribuições mais robustas das divisões de cimento e mineração, que mais do que compensaram um desempenho ainda desafiador em aço.

A corretora também destaca uma evolução positiva na dívida líquida, que recuou de R$ 41,2 bilhões para R$ 40,5 bilhões, impulsionada principalmente por ventos favoráveis de FX (R$1,4 bi) e pré-pagamentos de minério de ferro, compensando uma geração de caixa mais fraca.

Diante disso, a XP mantém recomendação neutra para CSN, pois acredita que a alavancagem ainda elevada limita a margem de segurança, particularmente em um ambiente de juros elevados no Brasil, embora preços resilientes do minério de ferro e uma melhora da perspectiva competitiva para o aço doméstico permaneçam como upsides para nosso cenário-base.

Já Genial Investimentos considera o desempenho da CSN misto no trimestre, com resultados sólidos nas divisões de aço e cimento, mas ainda pressionados pela fraca geração de caixa e impactos residuais operacionais.

A Genial Investimentos mantém a recomendação para a companhia “em revisão”, com o preço-alvo de R$ 9,00 para os próximos 12 meses.

CSN Mineração (CMIN3)

A CSN Mineração se destacou no trimestre, superando as estimativas do BBI e as do consenso em 8% e 5%, respectivamente. “A diferença em relação ao nosso modelo é parcialmente explicada por um desempenho de custos mais forte do que o esperado, em meio a uma menor participação das vendas de minério de ferro de terceiros”, explica o banco.

Ainda assim, o aumento dos desembolsos relacionados à aceleração do projeto P15 devem manter a geração de caixa pressionada e, por conta disso, o BBI mantém recomendação neutra para a mineradora.

Na avaliação da XP, a CSN Mineração apresentou resultados sólidos no 1T26, impulsionado principalmente por custos abaixo do esperado, beneficiando-se de menores custos de produção apesar de volumes mais baixos e impactos de FX, o que mais do que compensou uma dinâmica mais fraca de envios.

Embora a execução em custos siga como um ponto forte importante, a XP mantém uma visão cautelosa de médio prazo para o minério de ferro, ainda que preços resilientes possam implicar algum potencial de alta em seu cenário-base, potencialmente mitigado por pressões de custos à frente. Dado que os níveis atuais de valuation não oferecem uma margem de segurança clara, a corretora reitera recomendação neutra para CSN Mineração.

A Genial Investimentos destaca que o custo caixa C1 (que envolve mina, ferrovia e porto) ficou em US$ 23,1 por tonelada, acima das projeções da casa, refletindo principalmente o impacto desfavorável da taxa de câmbio e custos mais elevados de frete marítimo. Ainda assim, o indicador recuou 1,3% na comparação trimestral.

Por outro lado, o lucro líquido de R$ 222 milhões veio significativamente abaixo das projeções da Genial, impactado por um resultado financeiro negativo pior do que o esperado. Segundo a casa, o desempenho refletiu principalmente efeitos de marcação a mercado desfavoráveis em instrumentos denominados em dólar, em meio à queda da taxa de câmbio.

Diante da persistente volatilidade macroeconômica, a Genial Investimentos ressaltou que mantém a recomendação para a companhia “em revisão” temporariamente, enquanto aguarda maior clareza sobre o cenário. O preço-alvo em 12 meses segue em R$ 6,00.

Portal Fator Brasil - RJ   15/05/2026

Ante o mesmo período em 2025. O lucro líquido atingiu R$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2026, redução de 99,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e 99,7% em relação ao quarto trimestre de 2025. Segundo a empresa, a redução do lucro líquido se deve, principalmente, pelas maiores despesas financeiras apresentadas nos primeiro três meses do ano.

A Aço Verde do Brasil S.A. (“AVB” ou “Companhia”) divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026 na noite do dia 12 de maio (terça-feira), e as comparações são relativas ao quarto trimestre de 2025 e ao primeiro trimestre de 2025.

De acordo com a empresa, a venda total de laminados de aço no primeiro trimestre de 2026 apresentou aumento de 20,6% em comparação com o primeiro trimestre de 2025, refletindo principalmente o maior volume de vendas nas regiões Sudeste e Nordeste, com destaque para a demanda associada ao setor da Construção Civil. Em relação ao quarto trimestre de 2025, observou-se redução de 8,8%, atribuída sobretudo à menor demanda na região Sudeste, em linha com a sazonalidade típica do início do ano.

A receita líquida do primeiro trimestre de 2026 apresentou aumento de 4,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025 devido ao aumento no volume de vendas, sendo parcialmente compensado pelo menor preço médio de venda do aço. Já em relação ao quarto trimestre de 2025, houve redução de 13,4% acompanhando, principalmente, a redução no volume de vendas.

O lucro líquido atingiu R$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2026, redução de 99,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e 99,7% em relação ao quarto trimestre de 2025. A redução do lucro líquido se deve, principalmente, pelas maiores despesas financeiras apresentadas no primeiro trimestre de 2026.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês)ajustado atingiu R$100,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 em linha com o apresentado no primeiro trimestre de 2025. Já a margem Ebitda ajustada foi de 27,0%, redução de 1,3 pontos percentuais . impactada, principalmente, pelo menor preço médio do aço. Em relação ao quarto trimestre de 2025, o Ebitda ajustado apresentou redução de 20,9%, acompanhando a redução das vendas, e a margem Ebitda ajustada redução de 2,5 p.p. devido a menor alavancagem operacional.

Despesas com Vendas, Gerais e Administrativas (DVGA) — As despesas com vendas, gerais e administrativas (DVGA) totalizaram R$ 60,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, com aumento de 10,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025, refletindo principalmente a elevação das despesas com frete associadas ao maior volume de vendas. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve redução de 14,3%, em linha com o menor volume comercializado no trimestre.

Capex — A Companhia investiu o montante de R$63,0 milhões em Capex no primeiro trimestre de 2026, sendo (i) R$24,5 milhões em ativo biológico, (ii) R$34,6 milhões em projetos de melhoria da usina e (iii) R$3,9 milhões em outros investimentos.

Capital de giro — O capital de giro da companhia atingiu R$615,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, mantendo-se em nível similar ao observado no primeiro trimestre de 2026. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve aumento de 4,8%, explicado principalmente pela elevação dos estoques ao final do trimestre, parcialmente compensada pela redução do saldo de fornecedores.

Caixa e equivalentes a caixa — A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma posição de caixa de R$636,8 milhões. As principais variações no caixa e equivalentes de caixa no período decorreram, principalmente, da geração de caixa operacional de R$94,8 milhões, compensada pelos desembolsos de R$63,0 milhões em Capex e de R$51,9 milhões referentes a amortizações e pagamento de juros de dívidas bancárias.

Diário do Comércio - MG 15/05/2026

As previsões foram alteradas após o governo ter fortalecido a defesa da siderurgia contra importações de aço consideradas predatórias

O Instituto Aço Brasil revisou as projeções divulgadas em dezembro para as importações de aço em 2026. A entidade, que antes estimava alta de 3,9% em relação a 2025, totalizando 6,7 milhões de toneladas (t), passou a prever queda de 0,9%, somando 6,3 milhões de t.

Esses números incluem tanto laminados quanto semiacabados. A nova previsão para a entrada somente de aço laminado no País é de 5,7 milhões de t, com recuo de 1,4%, ao passo que a projeção anterior era de que o volume alcançasse 6,3 milhões de t neste ano, avançando 10% sobre o ano passado, quando atingiu o maior nível em 15 anos.

O instituto alterou as previsões após o governo federal ter fortalecido a defesa comercial da siderurgia nacional contra importações consideradas predatórias. Foram adotadas novas medidas ao longo do primeiro trimestre, que atendem, em parte, aos pedidos do setor.

Em janeiro, foi aprovada a aplicação do direito antidumping definitivo sobre aços pré-pintados de origem chinesa e indiana, além do aumento da alíquota de importação para 25% de nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de produtos siderúrgicos, sem o estabelecimento de cotas. No mês seguinte, foi oficializado o direito antidumping definitivo sobre aços laminados planos a frio e revestidos planos da China.

Nesta semana, durante coletiva de imprensa da Coalizão Indústria, o presidente-executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, ressaltou que o setor sempre entendeu que a solução para as importações predatórias seria o modelo de hard quota – no qual se define uma cota de importação por país e a entrada de novos volumes é interrompida assim que o teto é atingido. Embora o pleito não tenha prosperado, ele reconheceu que o novo arcabouço de defesa da siderurgia está robusto com as recentes medidas implementadas.

Expectativa é de que a defesa funcione e as importações normalizem

Lopes ponderou que, mesmo robusto, o arcabouço para defesa do setor siderúrgico demanda tempo para surtir efeito. Ele destacou que o Aço Brasil está na expectativa de que funcione, tanto que a entidade ajustou as projeções e, agora, prevê redução nos volumes, ainda que pequena.

“A nossa expectativa é de que, com esse sistema robusto que temos agora – e é um reconhecimento público que faço –, consigamos assustar essas importações e as coisas se normalizem”, afirmou. “Essa é a expectativa para que possamos ocupar mais o fornecimento [de aço] para a construção civil e voltar a funcionar como sempre funcionamos, com a integração da cadeia”, salientou.

Empresas já haviam demonstrado otimismo

Alinhado com o discurso do presidente-executivo do Aço Brasil, algumas das maiores siderúrgicas com operações no País haviam sinalizado otimismo com as novas medidas estabelecidas pelo governo federal para tentar reduzir as importações de aço predatórias.

Em entrevista ao Diário do Comércio no início deste mês, o CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, Everton Negresiolo, disse que as medidas estão ganhando robustez e que, por isso, a companhia espera um arrefecimento das importações no decorrer do ano.

No fim de abril, em teleconferência para apresentação do balanço do primeiro trimestre, executivos da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) também projetaram queda no ritmo das importações no segundo semestre.

De acordo com dados do Aço Brasil, o volume de aço importado pelo País subiu 4,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Mas o entendimento tanto de Negresiolo quanto da Usiminas é que parte desse crescimento pode estar vinculada a uma antecipação das compras pelos importadores para garantir condições comerciais anteriores à vigência das novas medidas.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   15/05/2026

O preXidente chinês, Xi Jinping, sinalizou que a China está avançando em direção a uma maior abertura econômica, adotando um tom otimista durante sua reunião com líderes empresariais americanos que acompanhavam Donald Trump, enquanto os dois presidentes encerravam as conversas da manhã, que incluíram temas mais delicados, como comércio e Taiwan.

— As empresas americanas estão profundamente envolvidas no processo de reforma e abertura da China, um processo do qual ambos os lados se beneficiaram — disse Xi a mais de dez representantes empresariais reunidos no Grande Salão do Povo, em Pequim, segundo a emissora estatal China Central Television. — A porta da China para o mundo exterior só vai se abrir ainda mais.

Imagens divulgadas pela emissora estatal mostraram executivos como Elon Musk, da Tesla; Tim Cook, da Apple; Kelly Ortberg, da Boeing; e Jensen Huang, da Nvidia — que participou da viagem como uma adição de última hora — sendo conduzidos por funcionários até a sala da reunião.

A mensagem transmitida por Xi reiterou uma promessa frequentemente feita por altos funcionários chineses em fóruns internacionais ao longo dos anos. Também pareceu ser uma resposta ao apelo de Trump para que Xi “abrisse” a China, algo que ele havia prometido apresentar como seu primeiro pedido em nome dos empresários que o acompanhavam em Pequim.

Nas declarações de hoje, Xi acrescentou acreditar que as empresas americanas terão perspectivas ainda mais amplas na China, informou a CCTV.

Segundo a emissora estatal, os executivos americanos disseram a Xi que “valorizam muito” o mercado chinês e esperam fortalecer ainda mais a cooperação e expandir sua presença empresarial no país.

À tarde, os CEOs se reuniram com o primeiro-ministro chinês Li Qiang, que também adotou um tom positivo.

— A cooperação amistosa continua sendo o principal pilar das relações entre China e Estados Unidos— afirmou Li. — China e Estados Unidos são plenamente capazes — e devem continuar — sendo amigos e parceiros, ajudando um ao outro a alcançar o sucesso e a prosperidade compartilhada.

Barreiras comerciais e acesso ao mercado têm sido questões persistentes entre as duas maiores economias do mundo, especialmente desde que a China ingressou na Organização Mundial do Comércio com o apoio dos Estados Unidos, há mais de duas décadas.

Money Times - SP   15/05/2026

Nesta última quarta-feira (13), Kevin Warsh, indicado de Donald Trump à cadeira de presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), foi finalmente aprovado para o cargo. Warsh assume cercado de expectativas sobre os próximos passos dos juros nos Estados Unidos com forte pressão inflacionária e além de questões envolvendo a independência do Fed.

Aos 56 anos, Warsh construiu uma trajetória que mistura mercado financeiro, academia e bastidores do poder em Washington. Formado pela Stanford University e pela Harvard Law School, iniciou a carreira no Morgan Stanley, atuando na área de fusões e aquisições durante os anos 1990.

O salto para a política econômica veio no governo de George W. Bush, quando passou pelo Conselho Econômico Nacional da Casa Branca. Em 2006, tornou-se o diretor mais jovem da história do Fed ao assumir uma cadeira no conselho da instituição aos 35 anos.

Sua passagem pelo banco central coincidiu com um dos períodos mais turbulentos da economia global: a crise financeira de 2008. Ao lado do então chairman Ben Bernanke, Warsh participou das negociações envolvendo os resgates de bancos e os programas emergenciais de liquidez criados para evitar um colapso do sistema financeiro americano.

Na época, ganhou reputação de articulador entre o Fed e Wall Street, graças à proximidade com grandes instituições financeiras e investidores. Nos bastidores, era chamado de “sussurrador” do mercado financeiro dentro do banco central.

Depois de deixar o Fed em 2011, Warsh manteve forte presença nos círculos financeiros e acadêmicos. Tornou-se pesquisador da conservadora Hoover Institution, passou a lecionar em Stanford e também trabalhou ao lado do bilionário Stanley Druckenmiller no Duquesne Family Office.
Proximidade com Trump

Nos últimos anos, o economista se aproximou politicamente de Trump e passou a criticar com frequência a atuação recente do Fed. Entre os principais alvos estão o tamanho do balanço do banco central, o uso prolongado de estímulos monetários e a comunicação da autoridade monetária sobre os rumos dos juros.

Apesar de hoje defender cortes mais rápidos nas taxas de juros, Warsh ficou conhecido durante sua passagem pelo Fed como um dirigente de perfil mais “hawkish”, termo usado para descrever membros mais duros no combate à inflação. Recentemente, porém, passou a argumentar que ganhos de produtividade ligados à inteligência artificial poderiam ajudar a conter pressões inflacionárias sem necessidade de juros tão elevados.

A chegada de Warsh ao comando do Fed acontece em um momento delicado para a economia americana, com inflação ainda resistente e crescentes pressões políticas sobre a condução da política monetária. Para investidores, a principal dúvida agora é como o novo chairman equilibrará sua visão mais ortodoxa sobre o banco central com as demandas de Trump por juros mais baixos.

O que esperar de Warsh no Fed

Para Benjamim Mandel, chefe de pesquisa e cofundador da Jubarte Capital e ex-Fed, a chegada de Kevin Warsh ao comando do Federal Reserve pode representar uma mudança importante não apenas na condução dos juros, mas também na forma como o Fed se comunica com o mercado.

Na avaliação do economista, Warsh carrega uma visão crítica em relação ao modelo adotado pelo banco central nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando a autoridade monetária expandiu fortemente seu balanço e passou a utilizar orientações futuras (“forward guidance”) como ferramenta central de política monetária.

“Ele entende que o Fed acabou extrapolando seu papel tradicional e criando ruídos desnecessários ao tentar antecipar demais os passos da política monetária”, afirma Benjamin.

Segundo o economista, Warsh deve buscar uma comunicação mais enxuta e menos dependente de sinalizações detalhadas sobre os próximos movimentos dos juros. A ideia seria reduzir a previsibilidade excessiva que, na visão dele, acabou incentivando distorções nos mercados financeiros.

Mandel destaca que, apesar da aproximação recente com Donald Trump e do discurso favorável a cortes de juros, Warsh não pode ser classificado como um dirigente “dovish”, mais tolerante com inflação.

“Ele tem histórico de preocupação com credibilidade monetária e inflação. Ao mesmo tempo, acredita que fatores estruturais, como ganhos de produtividade ligados à inteligência artificial, podem permitir juros menores sem necessariamente reacender a inflação”, explica.

Para o especialista, o novo chairman deve tentar reposicionar o Fed em uma linha mais ortodoxa no longo prazo, reduzindo gradualmente o protagonismo do banco central nos mercados financeiros. “A tendência é um Fed menos intervencionista e mais focado nos mandatos clássicos de estabilidade de preços e emprego”, diz Mandel.
E os juros, como ficam?

Na visão do ex-Fed, essa mudança de postura, porém, não deve significar cortes imediatos nos juros. O economista avalia que o cenário mais provável para os próximos meses ainda é de manutenção das taxas no atual patamar.

“Nossa visão para este ano é de inércia total. Acho que vai ser difícil criar consenso dentro do Fed para mexer com a taxa de juros”, afirma.

Para ele, a tendência é de que os juros permaneçam “travados” no nível atual por pelo menos seis a nove meses, enquanto a autoridade monetária acompanha os efeitos da desaceleração econômica e a trajetória da inflação nos Estados Unidos.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a maior probabilidade de manutenção dos juros é vista até janeiro de 2027. Em março, porém, o cenário muda com a maior aposta sendo em alta dos juros variando entre 0,25 a 0,75 p.p.

Infomoney - SP   15/05/2026

As vendas no varejo dos Estados Unidos aumentaram ainda mais em abril, mas parte da alta nas receitas provavelmente se deveu à inflação mais forte já que a guerra com o Irã aumentou os preços dos produtos de energia e de outras commodities.

As vendas no varejo aumentaram 0,5% no mês passado, após um salto revisado para baixo de 1,6% em março, informou o Census Bureau do Departamento de Comércio nesta quinta-feira.

Economistas consultados pela Reuters previam que as vendas no varejo, que são, em sua maioria, mercadorias e não são ajustadas pela inflação, ganhariam 0,5%, depois de um aumento de 1,7% relatado anteriormente em março.
O conflito entre os EUA e Israel com o Irã está elevando a inflação. O governo informou esta semana que os preços ao consumidor aumentaram fortemente pelo segundo mês consecutivo em abril, com a taxa anual registrando seu maior ganho em três anos.

Os preços da gasolina subiram 12,3% em abril, segundo dados da Administração de Informações sobre Energia dos EUA.

A alta dos preços da gasolina ainda não retirou os gastos de outras áreas, graças às restituições de impostos maiores este ano. A restituição média de impostos aumentou US$323 até 25 de abril em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do Serviço Interno da Receita.

Mas esse amortecimento está diminuindo.

Economistas da PNC Financial disseram que uma análise de dados internos mostrou que ‘os consumidores estão sacando as restituições de impostos mais rapidamente do que no ano passado, principalmente entre as famílias de baixa renda’, acrescentando que estavam vendo ‘menos dessas restituições sendo usadas para pagar dívidas de cartão de crédito e outras dívidas’.

Os consumidores de baixa renda gastam desproporcionalmente mais com gasolina em relação às famílias de renda mais alta. Com a confiança do consumidor atingindo níveis recordes de baixa no início de maio e a inflação ultrapassando o crescimento dos salários pela primeira vez em três anos, há preocupações de que os gastos possam diminuir consideravelmente este ano.

As vendas no varejo excluindo automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços de alimentação aumentaram 0,5% em abril, após alta revisada para cima de 0,8% em março. Esse dado das vendas no varejo é o que mais se aproxima do componente de gastos do consumidor do Produto Interno Bruto.

MINERAÇÃO

Valor - SP   15/05/2026

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em estabilidade, cotado 817 yuans (US$ 120,30)

O preço do minério de ferro ficou estável nesta quinta-feira (14), na China.

“Embora os fluxos de capital para o mercado mais amplo de metais ferrosos tenham sustentado os preços, os fundamentos do minério de ferro não são fortes o suficiente para manter os níveis atuais, afirmaram analistas da consultoria Nanhua Futures em relatório.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em estabilidade, cotado 817 yuans (US$ 120,30).

Máquinas e Equipamentos

Correio da Manhã - RJ   15/05/2026

A gigante chinesa Sany Group assinou o contrato para instalação de sua fábrica em Campinas e vai ocupar o galpão anteriormente utilizado pela Mercedes-Benz, no Distrito Industrial. A formalização ocorreu na quarta-feira, 13 de maio, durante reunião entre o prefeito Dário Saadi e representantes da multinacional, realizada na Sala Azul do Paço Municipal. A Sany foi representada por uma comitiva de nove pessoas, incluindo o presidente da empresa para o Brasil, Zheng Pengqi.

No encontro, o prefeito destacou o impacto econômico e estratégico da chegada da empresa ao município.

"A instalação da Sany representa um movimento importante para Campinas, tanto pela reativação de uma área industrial estratégica quanto pela geração de empregos, fortalecimento da cadeia produtiva e atração de novos investimentos. Campinas reúne infraestrutura, logística e um ambiente favorável para receber grandes empresas globais", afirmou.

A reunião contou ainda com a presença da secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Adriana Flosi, além de outras autoridades municipais.

Operação e expansão industrial

A fabricante global de máquinas pesadas iniciará a operação em Campinas com a produção de escavadeiras e equipamentos voltados ao setor de mineração. Em uma segunda etapa, a previsão é ampliar a atuação com a fabricação de caminhões elétricos.

Para a secretária Adriana Flosi, a chegada da Sany reforça a capacidade de Campinas de atrair operações industriais de grande porte alinhadas à inovação e à tecnologia.

"Campinas possui uma combinação estratégica de infraestrutura logística, ambiente de negócios, mão de obra qualificada e conexão com importantes centros de pesquisa e tecnologia. A chegada da Sany fortalece esse posicionamento e amplia a competitividade do município na atração de novos investimentos globais", pontuou.

Monitor Digital - RJ   15/05/2026

As retroescavadeiras seguem como protagonistas no mercado brasileiro de linha amarela, impulsionadas pela versatilidade, pelo retorno sobre o investimento e pela ampla aplicação em obras de diferentes portes. O cenário atual do segmento estará em debate durante o 2º Encontro Sobratema de Conexões e Negócios, que acontece no dia 21 de maio, em São Paulo.

“A retroescavadeira é uma máquina sem fronteiras. Ela atende todos os setores, independentemente do tamanho da obra, seja como equipamento de apoio ou protagonista da operação”, afirma Eurimilson Daniel, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema), promotora do evento

O encontro reunirá fabricantes, usuários, locadores, construtoras e compradores de retroescavadeiras em um ambiente voltado à geração de negócios, troca de experiências e apresentação de soluções para o mercado.

No ano passado, o Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos estimou a venda de 10,5 mil retroescavadeiras no país. “Atualmente, esse segmento é bastante competitivo. Por isso, os fabricantes buscam ampliar sua participação no mercado por meio de novos modelos, maior oferta de equipamentos e condições comerciais diferenciadas, inclusive para enfrentar um cenário de juros elevados”, explica Daniel. Segundo ele, apesar de o primeiro trimestre ter apresentado redução de atividade, algo comum em função da sazonalidade, a expectativa é de recuperação ao longo do ano e de manutenção da liderança das retroescavadeiras no mercado de linha amarela.

O 2º Conexões e Negócios terá foco nas retroescavadeiras justamente por sua posição estratégica no mercado, atendendo diferentes perfis de clientes e aplicações. Os equipamentos oferecem produtividade, agilidade, mobilidade e rápido retorno sobre o investimento, além de contarem com uma rede consolidada de peças, manutenção e mão de obra, o que garante maior disponibilidade operacional.

“O mercado das retros é muito disputado: quem está entrando quer ganhar espaço, quem já está posicionado quer defender sua participação, e quem ganha com isso é o cliente. Assim, o evento permitirá que o público conheça diferentes fabricantes, modelos de negócio, estruturas de atendimento e condições comerciais, oferecendo um ambiente adequado para que os participantes analisem e escolham as melhores opções para seus negócios”, ressalta Daniel.

A programação contará com a participação de Daniel Cardozo Daneluz, superintendente da Via Appia Concessões, que abordará investimentos em obras, novos projetos e o uso de retroescavadeiras; Felipe Siqueira, gerente da HBSP Locações de Máquinas e Equipamentos, empresa coligada à Passarelli, que falará sobre a aplicação das retroescavadeiras em diferentes tipos de obras; e Romário Júnior, coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON), que apresentará um panorama do setor de saneamento no país. As apresentações técnicas de produtos ficarão a cargo da BMC Hyundai, Case Construction, Forza, JCB, John Deere e Sotreq/Caterpillar, participantes do evento.

Na avaliação de Daniel, o avanço das obras de infraestrutura e saneamento deve ampliar ainda mais a presença das retroescavadeiras no mercado brasileiro. “A expectativa é de crescimento da utilização desses equipamentos nas obras de saneamento e infraestrutura, contribuindo para importantes entregas ao país”, finaliza.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   15/05/2026

Quem passa por uma rodovia brasileira nesta tarde provavelmente vai cruzar com um caminhão da Scania, da Mercedes-Benz ou da Volkswagen carregando uma peça invisível ao motorista — o feixe de mola que sustenta a suspensão e amortece cada buraco do asfalto.

Em grande parte desses veículos, essa peça saiu de uma única fábrica, escondida no extremo sul da capital paulista.

A planta pertence à thyssenkrupp Springs & Stabilizers, divisão do conglomerado alemão thyssenkrupp dedicada a sistemas de suspensão automotiva. E carrega um status raro dentro do grupo: entre os oito sites da unidade espalhados pelo mundo — entre México, China, Europa e Brasil —, a fábrica de São Paulo é a única dedicada à produção de componentes de suspensão para veículos comerciais pesados, dos caminhões de baixa tonelagem aos extrapesados.

A fábrica concentra 28% do faturamento global da divisão e cerca de um quarto dos 2.500 funcionários da operação mundial. No Brasil, são 800.

Agora, a operação acaba de entrar em uma fase de expansão. A thyssenkrupp Springs & Stabilizers anunciou um aporte de 20 milhões de reais para instalar duas novas linhas de produção de feixes de molas parabólicos — peças mais leves e com melhor desempenho do que os modelos tradicionais. O investimento integra um plano maior, de 50 milhões de reais, que vai elevar a capacidade fabril da planta paulista em 35% a partir de 2027.

A operação passará de cinco para sete linhas de feixes de molas, peça que conecta a suspensão ao eixo do veículo.

"Existe parte de feixes de mola nessa tecnologia que ainda são importados da Europa pelos grandes fabricantes. Foi com foco nesse potencial de mercado que a gente fez o investimento", afirma Alessandro Alves, vice-presidente global de Vendas e Marketing e CEO Brasil da divisão.

O passo seguinte da operação é mais ambicioso: usar a mesma capacidade instalada para inverter o fluxo do comércio exterior. Hoje cerca de 5% da produção da planta paulista é exportada, sobretudo para os Estados Unidos. A meta da thyssenkrupp é chegar a 30%, com vendas para montadoras europeias a partir do norte do continente.

Qual é a história da planta

A história da fábrica começou em 1967, quando a alemã Hoesch desembarcou no Brasil para produzir feixes de mola, depois molas helicoidais e barras de torção.

Em 1992, a Hoesch foi incorporada ao grupo Krupp. Com a fusão entre Thyssen e Krupp, em 1999, a operação passou por sucessivas mudanças de nome até a marca atual da unidade de negócios. Em 1999 também foi inaugurada uma segunda planta no Brasil, em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, dedicada a componentes de suspensão para veículos de passeio.

A divisão de elevadores do grupo, que durante décadas foi a face mais conhecida da thyssenkrupp no Brasil, foi vendida em 2019.

A operação paulista completa 60 anos em 2027 — coincidindo com o término do ciclo de investimentos.

O conglomerado alemão thyssenkrupp faturou 32,8 bilhões de euros no ano fiscal 2024/2025, com cerca de 93.400 funcionários em 48 países, segundo o relatório anual da companhia.

O grupo se divide em cinco grandes segmentos: tecnologia automotiva, descarbonização, materiais, aço e sistemas marinhos — esse último responsável pela construção das fragatas brasileiras que estão sendo produzidas em Santa Catarina.

Como é o mercado

No mercado de caminhões e ônibus, a thyssenkrupp Springs & Stabilizers detém 35% de participação na América do Sul, segundo Alves. Em veículos de passeio, fica em torno de 30%. Entre os clientes da planta paulista estão Scania, Mercedes-Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Há uma operação também em Minas Gerais que atende Fiat, Jeep, Toyota, General Motors, Renault e Nissan.

A lista incorporou recentemente um nome que reorganizou parte da indústria automotiva brasileira nos últimos anos: a montadora chinesa BYD, que estabeleceu fábrica no país.

Por que o aço importa — e os desafios a frente

Em uma operação verticalizada — que parte do aço bruto e entrega o componente pronto, com corte, conformação, tratamento térmico e pintura feitos dentro de casa —, o custo da matéria-prima é determinante.

A thyssenkrupp trabalha majoritariamente com aço de usinas brasileiras, mas importa uma parcela específica da Europa por questões de tecnologia, não apenas de preço.

A planta funciona também como centro global de desenvolvimento tecnológico para veículos comerciais dentro da divisão.

A engenharia local recebe os parâmetros da suspensão do cliente, modela o produto em três dimensões, simula condições reais de estrada em software e testa o componente em bancada que reproduz o funcionamento da suspensão em uso.

Para entrar no jogo das exportações para a Europa, a thyssenkrupp brasileira passou os últimos dois anos sendo auditada por compradores na Suécia e na Alemanha. Os clientes europeus exigem participação em painéis globais de concorrência, processos longos de homologação e o cumprimento de especificações técnicas distintas das praticadas no mercado brasileiro.

A vantagem que a operação tenta vender combina dois argumentos. O primeiro é financeiro: feixes de mola são peças pesadas, e o frete marítimo da Europa para o Brasil — ou vice-versa, no caso de exportações para clientes europeus que produzem caminhões no Brasil — pesa no custo final. O segundo argumento é ambiental: ao localizar a produção, o cliente reduz emissões ligadas ao transporte oceânico, um dado relevante em uma indústria sob pressão crescente por metas de descarbonização.

A meta financeira do plano é de crecer 7% ao ano no faturamento.

O primeiro dos dois novos equipamentos parabólicos já foi entregue e está em fase de implementação. O segundo tem entrega prevista para dezembro de 2026. A produção em escala comercial está marcada para 2027 — quando, se o plano se confirmar, quase um terço do que sai da planta brasileira será embarcado para fora do país.

Automotive Business - SP   15/05/2026

A produção local de motocicletas registrou no quadrimestre o melhor resultado para o período desde 2008. Segundo dados da Abraciclo, a associação que representa as montadoras com operação no Brasil, saíram das linhas até abril 746 mil unidades. O resultado representou alta de 10% ante o volume produzido em igual período em 2025.

Somente em abril, foram fabricadas 184 mil motocicletas, alta de 6,5% na comparação com o resultado de abril do ano passado. Apesar da queda de 13,3% em relação a março, o resultado foi o melhor para o mês nos últimos 18 anos.

O mercado interno também apresentou desempenho recorde nos primeiros quatro meses do ano. Os emplacamentos somaram 782,3 mil unidades, alta de 19,1% sobre igual período em 2025. Já as exportações cresceram 22,7% na mesma base de comparação, totalizando 15 mil motocicletas embarcadas.

Em abril, os emplacamentos totalizaram 210,6 mil unidades, aumento de 15% na comparação com abril de 2025 e queda de 5% em relação a março. Considerando os 20 dias úteis do mês, a média diária de vendas foi de 10.532 motocicletas.

CONSTRUÇÃO CIVIL

CNN Brasil - SP   15/05/2026

Rafael Menin, CEO da MRV, avaliou positivamente o momento da construção civil, setor que aponta como peça fundamental para impulsionar o crescimento, gerar empregos e ampliar investimentos em infraestrutura e habitação.

"O nosso setor, a nossa indústria, passa por um momento muito interessante no Brasil", afirmou em entrevista exclusiva à CNN Brasil durante a Brazil Week, realizada em Nova York.

Menin destaca ainda que o segmento econômico conta com um funding assegurado pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que tem propiciado um orçamento robusto e crescente nos últimos anos.

O executivo ressaltou também iniciativas nas esferas municipal e estadual que potencializam ainda mais o segmento.
Resultado do primeiro trimestre

O braço de incorporação da MRV encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 133 milhões, uma alta de 640% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para Rafael Menin, o desempenho reflete tanto as condições favoráveis de compra para os clientes do segmento econômico quanto avanços internos da companhia.

"A empresa vem passando por importantes avanços no que diz respeito a ganho de eficiência e a uma precificação correta", explicou.

Ele classificou o resultado como um primeiro indicativo de um ano altamente positivo, com perspectivas otimistas para os trimestres seguintes.
Impacto dos juros elevados

Questionado sobre o impacto da taxa de juros acima de 14% ao ano, Menin reconheceu que o cenário afeta toda a economia.

"Esses juros elevados vão contaminando a economia, as famílias, as empresas e o mercado como um todo. Ninguém está imune", declarou.

Ele citou ainda que cerca de 90 milhões de brasileiros estão negativados, classificando o número como dramático. No entanto, ponderou que o segmento econômico possui uma característica peculiar: o financiamento via FGTS a taxas competitivas.

Nas faixas de renda mais baixas do Minha Casa Minha Vida, os juros partem de 4,5% mais TR, o que, segundo ele, tem mantido a dinâmica do mercado aquecida.

Preocupação com o uso do FGTS no Desenrola 2.0

Sobre a possibilidade de uso do FGTS para quitação de dívidas no âmbito do Desenrola 2.0, Menin demonstrou cautela.

Embora reconheça que a iniciativa pode aliviar o endividamento das famílias brasileiras, ele avalia que representa um desvio da função original do fundo.

"É algo que a gente vê com alguma preocupação, ainda que o fundo tenha uma boa saúde financeira", afirmou, lembrando que o balanço do FGTS supera R$ 700 bilhões e que o orçamento anual destinado ao financiamento habitacional é de R$ 150 bilhões.
Perspectivas e tecnologia na construção

Ao falar sobre os planos futuros, Menin destacou que a demanda por habitação no Brasil está estruturalmente garantida pela formação de novas famílias — cerca de um milhão por ano —, enquanto o setor entrega aproximadamente 600 mil moradias anuais.

O déficit habitacional, agravado por condições inadequadas de moradia nas grandes cidades, representa, segundo ele, um mercado contratado para o futuro.

No campo tecnológico, Menin dividiu o negócio em duas vertentes: o "hardware", representado pelo processo construtivo, e o "software", relacionado à gestão.

Ele afirmou que a MRV já utiliza sistemas automatizados, os chamados RPAs, e que a inteligência artificial vem trazendo ganhos de eficiência tanto para a empresa quanto para os clientes.

Um dado ilustrativo: no momento do IPO da companhia, há 19 anos, eram necessários 12 operários para construir o equivalente a um apartamento por mês; atualmente, esse número caiu para 4,5.

Por fim, Menin surpreendeu ao afirmar que, em termos de produtividade na construção civil, o Brasil está à frente dos Estados Unidos, graças à maior padronização do processo construtivo no país.

Chairman da MRV&Co, o empresário Rubens Menin também é controlador do Inter, da Log Commercial Properties e presidente do Conselho da Itatiaia e da CNN Brasil.

Globo Online - RJ   15/05/2026

Compactos e funcionais, os estúdios têm preço convidativo, porém, não chegam a encabeçar as listas dos objetos de desejo daqueles que sonham em comprar um imóvel. Isso, claro, em condições normais. Mas, se a fórmula incluir uma cidade como o Rio, repleta de belezas naturais, atrações culturais e megaeventos... a coisa muda de figura. Acrescente a possibilidade de conjugar o uso pessoal em certos períodos com o aluguel por curtas temporadas ao longo do ano, transformando o espaço em fonte de renda, e o combo fica completo. Brasileiros de vários cantos descobriram o filão há tempos, mas não estão sozinhos: o mercado imobiliário carioca detectou uma bem-vinda “invasão” de estrangeiros interessados nesses pequenos notáveis.

O Opportunity Imobiliário, responsável por empreendimentos com foco em Copacabana e Ipanema, confirma o movimento do mercado.

— Posso dizer que, da nossa carteira, mais de 20% dos compradores são estrangeiros, uma grande parte composta por europeus de perfil bem variado, com diversas profissões declaradas — atesta Marcelo Naidich, gestor do fundo cuja coleção de empreendimentos reunidos sob a marca Be.in.Rio terá cinco lançamentos só este ano, num total de 212 unidades e Valor Geral de Vendas (VGV) esperado de R$ 265 milhões.

Câmbio favorável

Além do hype criado em torno da cidade nos últimos anos, o valor convidativo dos imóveis — especialmente para quem trabalha com euro e dólar — também tem espaço.

— As pessoas se interessam e, quando comparam o preço do imóvel com os valores praticados no país delas, não fazem nem conta, acaba saindo muito barato. Essa facilidade do câmbio torna o mercado brasileiro completamente acessível — analisa Gabriel Pecly, responsável pela área de Novos Negócios da Balassiano Engenharia.

Pecly identifica ainda, no perfil dos interessados, a incidência de casais em que um dos cônjuges é estrangeiro:

— Eu diria que esse perfil é o que mais compra da gente. Um é estrangeiro e o outro, brasileiro. Tem vínculo afetivo que influencia na decisão.

O momento é bom, mas há quem acredite que pode ficar ainda melhor caso a cidade consiga lidar bem com questões como a seurança pública que como todo carioca — e boa parte dos visitantes — sabe, é uma preocupação constante por aqui.

— Em três lançamentos nossos, em Ipanema, com cerca de 270 unidades no total, ficamos na faixa de 25% a 30% de estrangeiros. É um sinal muito bom. E vou dizer uma coisa: se a gente ajustar a questão da segurança, isso pode crescer ao quadrado. Vai para um número extraordinário — avalia Schalom Grimberg, sócio-fundador da SIG Engenharia.

Outro aspecto que chama a atenção do setor é a infraestrutura da cidade.Mais de um entrevistado citou o movimento de retomada do Aeroporto Internacional do Galeão como fator decisivo para aumentar o interesse de estrangeiros no Rio.

— Isso ajuda bastante. Durante um período o Galeão ficou subutilizado, mas agora voltou a ganhar importância. Ter voos diretos facilita muito a vida de quem vem para o Rio. O Brasil, apesar das dificuldades, tem atraído mais estrangeiros. A gente está longe das guerras, tem um clima bom, câmbio favorável e é um país acolhedor. De modo geral, o Brasil acolhe bem. E acho que o Rio mais ainda — avalia Jomar Monnerat, sócio da RJDI.

Para Claudio Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis, a chegada de investidores estrangeiros é bem-vinda. Ele não vê risco de acontecer por aqui o que se observou em cidades europeias — a exemplo de Barcelona, na Espanha — , onde a febre de aluguéis por temporada gerou críticas pelo impacto nos preços praticados pelo mercado local:

— O Rio não é Barcelona. Temos um parque imobiliário muito degradado. A entrada de investidores estrangeiros está ajudando a reformar esses imóveis. Isso está mudando a cara do mercado.

Valor - SP   15/05/2026

A distribuição de R$ 1 bilhão em dividendos em dezembro comprometeu o resultado financeiro da incorporadora, diz o diretor financeiro, Miguel Mickelberg

A Cyrela já sente o aumento nos custos dos projetos em razão do petróleo mais caro, afirmou o diretor financeiro da incorporadora, Miguel Mickelberg, em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre. Esse aumento não se refletiu nos dados divulgados nesta quinta-feira (14), quando a empresa manteve sua margem bruta relativamente estável, com altas de 0,6 ponto e 0,4 ponto sobre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro deste ano.

A expectativa da empresa é que a inflação do setor suba para perto dos 8% no ano, a depender do que vai ocorrer em relação ao conflito no Irã.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumula alta de 6,28% nos últimos 12 meses até abril. Segundo Mickelberg, os custos da Cyrela têm acompanhado o INCC.

A empresa apresentou lucro líquido de R$ 297 milhões no trimestre, queda de 9% na comparação anual. O executivo destacou que os números foram afetados, principalmente, por resultado financeiro 36% menor e despesas comerciais maiores, que cresceram 38% na base anual.

A distribuição de R$ 1 bilhão em dividendos em dezembro comprometeu o resultado financeiro, explicou o executivo, porque reduziu a posição de caixa e aumentou a dívida líquida da companhia no trimestre — a dívida líquida ajustada cresceu 138% em um ano, para R$ 2,18 bilhões.

A redução da alavancagem já começou, afirmou Mickelberg, com queda de 1,9 ponto no indicador de dívida líquida ajustada sobre patrimônio líquido ajustado, na comparação com o quarto trimestre. Já as despesas comerciais cresceram em razão de uma maior desmontagem de estandes, disse ele, o que amplia a linha de depreciação. “Imaginamos que vá se reduzir nos próximos trimestres”, afirmou.

Para 2026, a Cyrela projeta um ano mais estável em volume de lançamentos, após ter crescido 35% no ano passado. A empresa deve incrementar mais seus lançamentos no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com a marca Vivaz.

“Acreditamos que vai ser possível crescer no segmento de baixa renda neste ano, e provavelmente não no [segmento de] média e alta renda”, afirmou Mickelberg, o que pode elevar a participação da Vivaz de 30% para algo mais próximo de 40% do total lançado.

FERROVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   15/05/2026

A MRS Logística teve lucro líquido de R$78 milhões, queda de 72,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, embora o desempenho operacional tenha se mostrado estável, segundo balanço publicado nesta quarta-feira.

A companhia, que tem entre os sócios principais CSN, Vale e Usiminas, teve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$858 milhões, praticamente estável na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

A empresa elevou o volume transportado no período em 2,5% enquanto a receita somou R$1,68 bilhão, também estável na comparação com o desempenho de um ano antes.

A MRS terminou março com alavancagem financeira de 1,6 vez, acima do múltiplo de 1,4 do primeiro trimestre de 2025.

Revista Ferroviaria - RJ   15/05/2026

As obras do projeto TIC Eixo Norte seguem em andamento em Vinhedo, no interior de São Paulo, com novas etapas previstas dentro do cronograma estabelecido para o empreendimento. Nesta quinta-feira (14), está programado o início da concretagem do muro de contenção, estrutura considerada essencial para a continuidade das intervenções no trecho.

Segundo a concessionária TIC Trens, a execução da estrutura permitirá o avanço dos serviços de terraplenagem, a ampliação da plataforma de trabalho e a preparação para a futura implantação das novas vias ferroviárias.

As frentes de obras permanecem concentradas na preparação do terreno e nas intervenções necessárias para viabilizar os novos serviços ferroviários entre a capital paulista e a região de Campinas.

O projeto TIC Eixo Norte é composto por três serviços integrados: o Trem Intercidades (TIC), que fará a ligação entre São Paulo e Campinas; o Trem Intermetropolitano (TIM), entre Jundiaí e Campinas; e a modernização da Linha 7-Rubi.

O Trem Intercidades será o primeiro serviço ferroviário de média velocidade do Brasil, com velocidade de até 140 km/h e previsão de operação em 2031. Já o Trem Intermetropolitano, previsto para 2029, atenderá os municípios de Louveira, Vinhedo e Valinhos.

As obras começaram no fim de março e avançam gradualmente no trecho entre Campinas e Jundiaí. Segundo a TIC Trens, o projeto integra o desenvolvimento de um novo eixo de mobilidade e integração regional no estado de São Paulo.

Rodoviário

Diário do Comércio - MG   15/05/2026

O setor de construção pesada sinaliza preocupação com o aumento nos preços do cimento asfáltico de petróleo (CAP), cenário que pode afetar o andamento de obras. Diante da alta nos custos, empresas devem buscar o reequilíbrio econômico-financeiro de contratos.

O principal insumo utilizado na produção de asfalto foi reajustado no dia 1º de abril, em meio à alta internacional do petróleo, decorrente das tensões no Oriente Médio. Os conflitos também já provocaram impactos nos preços dos combustíveis.

Conforme o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Emir Cadar Filho, a Petrobras elevou, em média, 20% os preços do CAP nas refinarias brasileiras. Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o reajuste foi de 21,1%.

Também CEO da Cadar Engenharia, ele ressalta que, diferentemente de outros setores que conseguem repassar a elevação de custos quase que instantaneamente para o consumidor, o de construção pesada sofre com a insegurança e a volatilidade do mercado. Isso porque o reajustamento dos contratos do segmento ocorre, geralmente, de forma anual.

Cadar Filho explica que, no caso de uma alta como a do CAP, as empresas podem solicitar o reequilíbrio contratual. O executivo afirma que o setor tem que lutar por isso o quanto antes, uma vez que a guerra no Oriente Médio impacta a cadeia inteira e pode provocar aumentos em outros insumos, como o aço, além de novos reajustes no cimento asfáltico de petróleo.

Embora exista a possibilidade de pedir para reequilibrar os contratos em razão da alta nos custos, ele ressalta que não é certo que a requisição será atendida. Se o contratante entender que não houve desequilíbrio, o contratado terá que esperar pelo reajustamento.

Segundo o executivo, a construção pesada está acostumada a lidar com esse tipo de situação, que não tende a comprometer as expectativas positivas do setor. Contudo, o cronograma de várias obras é afetado, já que algumas empresas podem paralisar os trabalhos aguardando pelo reajustamento contratual. Às vezes até mesmo o contratante pede para que o ritmo das intervenções diminua, informando que não vai reequilibrar o contrato.

“‘As empresas vão parar por isso?’ Não vão, desde que os contratos sejam alinhados ou reajustados. Se estiverem a um ou dois meses do reajustamento, não farão nada. Se acabaram de fazer a renovação, pedirão o reequilíbrio”, pondera.

Taxa de juros e mão de obra também são desafios

Outro desafio para a construção pesada tem sido a alta taxa de juros no Brasil – atualmente em 14,5% ao ano. O presidente em exercício da Fiemg salienta que, nos níveis atuais, a taxa inibe a compra de máquinas e equipamentos. Para ele, se os juros estivessem em patamares mais acessíveis, por exemplo, na casa dos 8%, impulsionaria o crescimento do setor e de toda a cadeia, visto que as empresas seriam capazes de adquirir novas máquinas e equipamentos.

Mais um obstáculo para o setor trata-se da disponibilidade de mão de obra, sobretudo qualificada. Embora destaque o otimismo da construção pesada para os próximos anos em função de concessões rodoviárias e ferroviárias, além de projetos que visam à universalização do saneamento, o executivo teme que faltem pessoas para as obras.

“Temos que abrir o máximo possível escolas de treinamento para capacitar as pessoas, porque postos de trabalho e bons salários vão ter muitos”, afirma, pontuando que o Sistema Fiemg já implementa diversas iniciativas nesse sentido.

NAVAL

Portos e Navios - SP   15/05/2026

O Porto do Rio de Janeiro recebeu, pela primeira vez, um navio de 366 metros de comprimento (LOA), 48,4m de boca e capacidade para transportar 14.131 TEUs. Nesta quinta-feira (14), o porta-contêineres MSC Katrina atracou no terminal MultiRio, operado pela Multiterminais. A embarcação classe New Panamax, construída em 2012, tem bandeira do Panamá, e veio do Porto de Suape (PE), tendo como próximo destino o Porto de Santos (SP).

A autoridade portuária destacou que a chegada do MSC Katrina foi possível após a conclusão das obras de dragagem do canal principal do Porto do Rio. Com investimento de R$ 163 milhões realizado integralmente pela PortosRio, a obra elevou a profundidade mínima do canal de acesso de 15 metros para 16,2 metros, permitindo um calado operacional de 15,30 metros e adequando a infraestrutura para receber navios da classe New Panamax.

Além do aprofundamento do canal, o projeto contemplou serviços de sinalização e balizamento náutico, garantindo maior segurança às manobras de embarcações de grande porte e ampliando a eficiência operacional dos terminais de contêineres do porto: MultiRio, operado pela Multiterminais, e Rio Brasil Terminal, operado pelo grupo filipino ICTSI.

O diretor-presidente da PortosRio, Flavio Vieira, disse que esse investimento foi planejado para garantir competitividade ao porto diante das transformações do comércio marítimo internacional e do aumento contínuo do tamanho das embarcações. “Hoje, o Porto do Rio está preparado para operar os maiores porta-contêineres que escalam a costa brasileira, fortalecendo sua posição estratégica na logística nacional e internacional”, afirmou Vieira.

A expectativa da PortosRio é ampliar a capacidade do porto de operar os maiores porta-contêineres em atividade na costa da América do Sul, com mais atratividade para armadores internacionais. A avaliação é que embarcações desse porte representam um avanço relevante para a competitividade do porto, proporcionando ganhos de escala, redução de custos logísticos e aumento da eficiência das cadeias de comércio exterior.

Exame - SP   15/05/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o fluxo livre de energia global, segundo comunicado da Casa Branca divulgado após a reunião entre os dois líderes.

Xi também teria manifestado oposição à militarização da rota e a qualquer tentativa de cobrança de tarifas ou pedágios sobre o uso do estreito, além de demonstrar interesse em ampliar as compras de petróleo dos Estados Unidos para reduzir a dependência chinesa da região.

Os dois presidentes também afirmaram que o Irã não pode desenvolver armas nucleares. A posição foi registrada como um dos consensos centrais do encontro, em meio às tensões no Oriente Médio e ao esforço internacional para conter a escalada do conflito regional.

Tudo sobre o primeiro encontro entre Trump e Xi na China desde 2017
Agenda inclui fentanil e comércio agrícola

O comunicado da Casa Branca também aponta que Trump e Xi discutiram avanços no combate ao fluxo de precursores químicos de fentanil para os Estados Unidos, além da possibilidade de ampliação das compras chinesas de produtos agrícolas americanos.

Segundo o governo dos EUA, o objetivo é fortalecer a cooperação bilateral em temas de segurança pública e comércio, ao mesmo tempo em que se busca reduzir tensões acumuladas nos últimos anos entre as duas maiores economias do mundo.

A China não comentou imediatamente o conteúdo do comunicado divulgado pela Casa Branca. Em notas anteriores, Pequim havia citado apenas que a reunião tratou da situação no Oriente Médio, sem mencionar o Estreito de Ormuz ou os termos específicos apresentados por Washington.

CNN Brasil - SP   15/05/2026

Uma eventual privatização do Porto de Santos enfrenta um nível de complexidade que dificulta o avanço do projeto, avalia o CEO da DP World Brasil, Fabio Siccherino. “Acho que é tão complexo que não vai sair do papel”, afirmou o executivo ao programa Conexão Infra, da CNN.

Segundo Siccherino, a dimensão operacional e estratégica do maior porto da América Latina torna o processo muito diferente da privatização realizada no Espírito Santo.

“O Porto de Santos é extremamente complexo, não dá para gente imaginar que uma privatização vai ter o mesmo nível de tranquilidade da que ocorreu na Companhia Docas do Espírito Santo. São dimensões muito diferentes”, disse.

Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a privatização portuária era uma das prioridades da agenda do Ministério da Infraestrutura e incluía, entre os principais projetos, a Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo) e o Porto de Santos.

Apesar das resistências enfrentadas pelos dois processos, o modelo avançou no Espírito Santo e, em 2022, a Codesa foi privatizada, passando a ser administrada pela Vports. Já o projeto envolvendo Santos foi arquivado após a mudança de governo e a revisão das diretrizes para o setor portuário na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora veja dificuldades para uma privatização ampla do porto santista, Siccherino defende que o governo acelere a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos, considerado estratégico para ampliar a competitividade logística da região.

Atualmente, o canal possui cerca de 15 metros de profundidade. Em discussões anteriores sobre o projeto, a expectativa era ampliar o calado para até 17 metros, permitindo a entrada de navios maiores de contêineres e reduzindo custos de frete. “Fazer o que o Porto de Paranaguá está fazendo agora é essencial e estamos perdendo o timing”, afirmou.

Segundo o executivo, a profundidade de 16 metros já seria suficiente para atender à demanda atual do mercado.

A concessão do canal de acesso do Porto de Santos está em estruturação pelo governo federal e prevê investimentos em dragagem de aprofundamento. A modelagem em discussão estabelece metas para ampliar a profundidade para 16 metros em até três anos e alcançar 17 metros em até seis anos.

O processo de participação social da concessão do canal de acesso no porto foi adiado pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e nenhuma nova data foi definida até o momento. Como mostrou a CNN, isso aconteceu porque o projeto ainda carece de mudanças, porém, Silvio Costa Filho, queria dar andamento à licitação antes de deixar o comando do Ministério de Portos e Aeroportos para disputar as eleições.

Jornal de Brasília - DF   15/05/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 14, estar “chateado” com a Vale pela compra de navios chineses, em vez de embarcações produzidas no Brasil. O petista disse que pretende conversar sobre o assunto com o presidente da companhia, Gustavo Pimenta.

“Não tem sentido a gente fazer esforço em estaleiro brasileiro e que a Vale esteja gerando emprego na China”, disse Lula. “Produzir navios seria mais caro, mas estaríamos trazendo conhecimento tecnológico e mão de obra qualificada.”

As declarações foram feitas durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), que retomou a produção em janeiro de 2026. A reativação da unidade integra a carteira de fertilizantes do Novo PAC, com investimentos consolidados de cerca de R$ 5,9 bilhões.

Também participaram do evento o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A fábrica havia sido hibernada pela companhia, mas foi retomada em 2023.

Lula afirmou que governos anteriores tentaram vender a Petrobras, mas, diante do risco de a privatização não ser aprovada no Congresso, optaram por “vender a empresa em pedaços”, como refinarias. Segundo ele, a Petrobras deveria recomprar esses ativos, mas pelo preço que considerar adequado, e não pelo valor pretendido pelos vendedores.

Ele afirmou que o Brasil não pode continuar importando 90% dos fertilizantes de que a indústria nacional precisa. Segundo ele, o País foi governado por pessoas com uma formação política “de vira-lata”, sem preocupação estratégica com a soberania nacional

O presidente também criticou a privatização da Eletrobras. Disse que, quando a empresa era estatal, seu presidente recebia cerca de R$ 60 mil por mês, enquanto hoje, segundo ele, presidente e diretores devem ganhar ao menos R$ 400 mil.

“Não é verdade que o privado é mais eficiente do que o público, o importante é que temos governo competente e governo traidor da pátria, que não é competente”, salientou o petista. “Quando eu não sei governar, eu começo a vender as coisas.”

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   15/05/2026

Foi acidente ou excesso de petróleo e falta de armazenagem ? Imagens de satélite indicam possível vazamento de petróleo próximo ao polo exportador da Ilha de Kharg, no Irã. Os iranianos negam, mas as imagens não deixam qualquer dúvida. O Irã pode estar chegando ao seu limite em termos de armazenar o petróleo que produz. Uma interrupção dos campos, vai comprometer os poços e a sua futura produção. Tecnicamente a produção dos poços não pode ser interrompida sem que haja consequências danosas à sua performance. De certo é que a causa do derramamento de óleo no mar, que atingiram as águas a oeste da ilha, mede cerca de 8 quilômetros e ainda é desconhecida.

As Imagens de satélite indicam o vazamento de petróleo que abrange dezenas de quilômetros quadrados de mar perto da principal área petrolífera do Irã, a Ilha de Kharg. Segundo o jornal Maariv, o oficial iraniano afirmou que a alegação era “falsa” e parte da “guerra psicológica” do inimigo, alegando que o vazamento observado na área teve origem em resíduos de um navio-tanque europeu que foram despejados no mar, causando danos ao meio ambiente. Mas não há nenhum navio carregando petróleo iraniano para lugar nenhum, as desculpas pareceram mesmo esfarrapadas. O vazamento, que aparece nas imagens como uma mancha cinza e branca, cobriu as águas a oeste da ilha de 8 quilômetros de comprimento, conforme mostrado nas imagens dos satélites Sentinel-1, Sentinel-2 e Sentinel-3 do programa Copernicus.

“A mancha parece visualmente consistente com petróleo”, disse Leon Moreland, pesquisador do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente, que estimou que ela cobria uma área de aproximadamente 45 quilômetros quadrados. A causa do possível vazamento e o ponto de origem são atualmente desconhecidos, acrescentou Moreland, observando que as imagens não mostraram evidências de outros vazamentos ativos. A ilha de Kharg é um centro responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã. Lá, as forças americanas afirmaram ter destruído alvos militares no início da guerra, é o centro de 90% das exportações de petróleo do Irã, grande parte das quais destinadas à China. A Marinha dos EUA vem bloqueando os portos do Irã impedindo, desde o dia 10 de abril, a entrada e saída de qualquer embarcação que parta ou queria chegar em portos iranianos. Os prejuízos são de US# 450 milhões por dia. A conta já passa de US$ 10 bilhões em prejuízos. A guerra também deixou centenas de navios presos no Golfo e causou a maior interrupção mundial no fornecimento de petróleo bruto, além de afetar o fornecimento global de derivados de petróleo e gás natural liquefeito.

Valor - SP   15/05/2026

O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em julho teve alta de 0,08% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para junho subiu 0,15%

Os contratos futuros do petróleo fecharam em leve alta nesta quinta-feira (14), após oscilarem entre ganhos e perdas ao longo do dia, enquanto persiste o impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Os participantes do mercado acompanham o encontro do presidente americano Donald Trump com o líder chinês Xi Jinping, na expectativa de avanços para acabar com o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz.

No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em julho teve alta de 0,08%, cotado a US$ 105,72 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para junho subiu 0,15%, a US$ 101,17 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Segundo a CNBC, que cita fontes próximas ao assunto, a guerra com o Irã foi um dos principais temas discutidos entre Trump e Xi. A reportagem afirma que ambos concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e que o Irã não poderia ter uma arma nuclear.

A Casa Branca informou que Xi demonstrou interesse em comprar mais petróleo dos americanos para reduzir a dependência chinesa do Estreito de Ormuz. Trump também disse que a China não irá fornecer equipamentos militares ao Irã.

Um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã está em vigor desde o início de abril, mas novos ataques e tensões no Estreito de Ormuz mantêm a travessia marítima praticamente fechada, comprometendo a produção e a exportação de petróleo dos países vizinhos. Um bloqueio americano aos portos iranianos estabelecido depois da trégua militar contribui para aumentar ainda mais o atrito na região.

Navios chineses passam por Ormuz

O Irã afirmou, nesta quinta-feira, que passou a permitir o trânsito de navios chineses pelo Estreito de Ormuz. A mídia estatal iraniana também noticiou que cerca de 30 embarcações cruzaram a rota marítima nas últimas horas.

Hamad Hussain, economista de commodities da Capital Economics, acredita que, caso o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz seja retomado ainda neste mês, a magnitude das quedas de estoques pode ser limitada e os preços do petróleo podem recuar até o fim de 2026.

No entanto, se a passagem permanecer efetivamente fechada e as reservas comerciais de petróleo continuarem sendo reduzidas no mesmo ritmo observado em abril, os estoques podem chegar a níveis "criticamente baixos até o fim de junho", na visão dele.

"Isso seria compatível com os preços do petróleo Brent atingindo um pico nominal histórico e poderia exigir cortes de demanda por petróleo mais desordenados e economicamente danosos", comenta Hussain em nota.

AGRÍCOLA

Vitória News - ES   15/05/2026

O mercado brasileiro de máquinas agrícolas atravessa um dos períodos mais difíceis dos últimos anos e deve fechar 2026 com o quinto ano consecutivo de retração. A estimativa da Anfavea aponta para a comercialização de 46,7 mil unidades neste ano, queda de 6,2% em relação a 2025.

Os números da Abimaq reforçam o cenário de desaceleração. Nos 12 meses encerrados em março, a receita líquida do setor somou R$ 64,9 bilhões, recuo de 1,4%. Já no primeiro trimestre de 2026, as vendas de maquinário caíram 16,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, três fatores explicam a retração: dólar mais fraco, juros elevados e aumento do endividamento dos produtores rurais.

Com a valorização do real frente ao dólar, commodities como soja e milho perderam rentabilidade no mercado internacional, reduzindo a capacidade de investimento do produtor. No último ano, a moeda norte-americana acumulou desvalorização de 14,6%, passando de R$ 5,72 para R$ 4,89.

O impacto é ainda maior porque cerca de 60% do mercado de máquinas agrícolas está ligado justamente às culturas de soja e milho.

Além disso, as taxas de juros seguem elevadas mesmo após recentes cortes da taxa Selic. O cenário limita o acesso ao crédito rural e desestimula novos investimentos em modernização e renovação de frota.

A desaceleração também foi percebida na Agrishow 2026, principal feira do agronegócio brasileiro. O evento movimentou cerca de R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, queda de 22% em relação à edição anterior.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, afirmou que o cenário preocupa pela possibilidade de aumento contínuo do endividamento rural.

Segundo estimativas da bancada, as dívidas do setor já ultrapassam R$ 120 bilhões. O valor defendido pelo agro para renegociação supera a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda.

O tema é discutido no Projeto de Lei 5.122/2023, relatado pelo senador Renan Calheiros, com participação da senadora Tereza Cristina e do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dário Durigan.

A expectativa é de que a proposta avance nas próximas semanas na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

O Estado de S.Paulo - SP   15/05/2026

O Brasil deve colher um novo volume recorde de grãos em 2026, impulsionado por mais um montante inédito de soja, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de abril, divulgado nesta quinta-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A safra agrícola brasileira deve totalizar um recorde de 348,7 milhões de toneladas neste ano, uma alta de 0,7% em relação ao pico histórico registrado em 2025. O resultado equivale a 2,6 milhões de toneladas a mais. Em relação ao levantamento de março, a safra de 2026 será 0,1% maior, 334,277 mil toneladas a mais que o estimado.

A colheita de soja deve crescer 4,8% neste ano, totalizando um ápice de 174,1 milhões de toneladas. Em relação a 2025, também é esperado um crescimento de 14,9% para o café e aumento de 1,0% na produção do sorgo.

O café teve a produção estimada em 4 milhões de toneladas, “impulsionado pela bienalidade positiva, pelas boas condições climáticas e pelos preços mais favoráveis, que estimularam o aumento da área cultivada e da produtividade”, justificou Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do IBGE.

Por outro lado, há previsão de recuos na colheita de algodão (-8,9%), arroz (-10,6%), milho (-2,5%), trigo (-6,8%) e feijão (-4,6%).

No milho, haverá crescimento de 15,2% para o milho 1.ª safra, mas redução de 6,4% para o milho 2.ª safra.

“O milho tem produção estimada em 138,2 milhões de toneladas, com queda de 2,5% em relação ao recorde do ano passado, ainda que as condições da segunda safra sejam boas e o resultado final dependa da colheita, podendo surpreender”, lembrou Guedes, em nota do IBGE.

A área a ser colhida na safra agrícola deve alcançar 83,3 milhões de hectares em 2026, 1,7 milhão de hectares a mais que o desempenho de 2025, um aumento de 2,1%. Em relação ao levantamento de março, houve uma elevação de 128,572 mil hectares na estimativa da área colhida.

Quanto à área colhida dos principais produtos, são esperados avanços de 1,2% na soja; de 3,4% na do milho (aumentos de 11,9% no milho 1.ª safra e de 1,3% no milho 2.ª safra); e de 8,5% na do sorgo. Na direção oposta, há projeção de declínios de 4,3% na área do algodão herbáceo; de 10,4% na do arroz em casca; e de 3,8% na do feijão.

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