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14 de Maio de 2026

SIDERURGIA

Diário do Aço - MG   14/05/2026

Foram muito importantes para Ipatinga e o Vale do Aço as últimas declarações do presidente da Usiminas, Marcelo Chara, sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre de 2026. Os números indicam uma ótima evolução do EBITDA - lucro antes dos Impostos, juros, depreciação e amortização - que subiu para 11% do faturamento. E o lucro líquido aumentou 596% em relação ao trimestre anterior. Estes dados confirmam a evolução positiva da Usiminas ao longo dos anos.

E mais: neste ano serão investidos em Ipatinga 973 milhões de reais na Bateria 3 da Coqueria 2, que permitirão a redução da utilização do coque importado, reduzindo os custos de produção. A previsão é que a obra esteja pronta em abril de 2028.

O Presidente afirmou ainda que todos as ações da Usiminas tem sido para aumentar a eficiência e reduzir custos mas que, caso seja necessário e havendo mercado, a Usiminas pode duplicar sua capacidade de produção:

E avisa: "... Investimos para aumentar a eficiência e a produtividade e, embora tenhamos potencial para dobrar nossa produção, nosso objetivo é otimizar a operação produtiva. E, como resultado, obteremos ganhos..."

Certamente, o aumento da produção implicaria em maior produtividade, redução de custos e maior geração de emprego, o que dinamizaria toda a economia da região. Porém, prudentemente, frisou muitas ressalvas e questões que podem interferir no futuro da empresa.

As duas unidades da Usiminas - Ipatinga e Cubatão tem capacidade de gerar 6,9 milhões de toneladas de aço para venda. Segundo dados do balanço do ano passado, a empresa vendeu em 2025, 4,36 milhões de toneladas. Ou seja: trabalhou com 37% de capacidade ociosa, como aconteceu com todo o setor. Isto significa custos mais elevados; diminuição da produtividade e baixa geração de empregos.

Aumentar a produção no curto prazo é perfeitamente viável. Mas depende, sobretudo, da evolução do mercado interno.

Cerca de noventa por cento da produção é destinada àquele mercado, que consumiu em 2024, 26 milhões de toneladas. Ou seja, a Usiminas participa com 14,5%.

E as variáveis que o influenciam são decisivas para que sejam tomadas as decisões de investimento. Uma delas, e talvez a mais importante no curto prazo, certamente será a forma como o Governo Federal irá lidar com as importações de aço chinês. A Usiminas considera que a China faz dumping com seu aço, ou seja, exporta produtos com preços abaixo do custo de produção, numa política deliberada para levar seus concorrentes à falência e, no momento seguinte, tomar conta do mercado e praticar os preços que bem entender. Segundo ele, enquanto os Estados Unidos praticam tarifa de 50% em casos de dumping, o Brasil utiliza tarifa de apenas 10%. E avisa que, embora o MDIC tenha aumentado em janeiro deste ano as alíquotas de importação para 25%, em julho vence em julho o sistema de cota tarifa, que funciona regulando as importações. Se elas ultrapassarem determinada quantidade, as tarifas se elevam. E é bom ficar em alerta, porque parte do empresariado brasileiro, que transforma aço em produtos finais, deseja e pressiona para continuar importando aço chinês, pois é mais barato e diminui os custos de produção.

Boa pauta para os políticos se dedicarem. É um tema cheio de questões fundamentais para o país. Afinal a China é o nosso maior importador. A corrente comercial entre os dois países alcança 170 bilhões de dólares e exportamos bem mais que importamos. Somos superavitários com os chineses.

Mas vendemos matérias primas para a China - sobretudo minério de ferro e soja - e importamos de lá produtos manufaturados, intensivos em tecnologia. Típico comercio de país do terceiro mundo... Está na hora de procurar mudar este jogo e procurar requalificar nossas relações comerciais.

Usiminas no social

A entrevista foi realizada no Centro de Memória da empresa, o que, por si só, revela apreço e consideração pela trajetória da Usiminas. No início da sua história, como estatal, a Usiminas realizou muitos investimentos em saúde, educação, moradia, que viabilizaram a fixação da mão de obra e o aumento da produtividade.

Estas realizações atravessaram diversas turbulências ao longo das décadas e, nos dias de hoje, com a emergência da Agenda ESG, tornaram-se um ativo poderoso, que dirime conflitos sociais e jurídicos; evita riscos desnecessários e fortalece o conceito da empresa junto à comunidade e aos investidores.

A trajetória da Ternium/Techint nesta direção é notável e exemplar. São inúmeros os exemplos: dialogo com os moradores; destaque às compras e fornecedores locais e, nos últimos anos, tivemos também o programa Conviver, que está investindo em mais de 80 milhões de reais em diversos projetos socioambientais na nossa cidade, como forma de compensação de multas ambientais, decorrentes da emissão do pó preto. Uma criativa e feliz transformação do limão numa limonada.

Esperamos que esta prática contribua para fortalecer a competitividade da Usiminas, diferenciando-a dos competidores chineses.

Grandes Construções - SP   14/05/2026

As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, cresceram em ritmo menor em abril no comparativo anual, já como início do reflexo da derrubada da cobrança do PIS e Cofins na reciclagem.

No mês passado, as vendas externas de sucata atingiram 77.039 toneladas, alta de 12% em relação às 68.492 toneladas em abril do ano de 2025.

Em março deste ano, as exportações haviam alcançado 93.442 toneladas, conforme foram divulgadas pelo Ministério da Economia, Secex.

No acumulado de janeiro a abril de 2026, as exportações de sucata ferrosa – apenas o excedente não vendido no mercado interno -- somam 313.728 toneladas, aumento de 27% se comparadas a igual período de 2025, com 247.076 toneladas.

Segundo Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5 mil empresas recicladoras que praticam a sustentabilidade e impulsionam a economia circular, “neste mês de maio teremos mais clareza do impacto da decisão sobre o PIS e Cofins nas exportações e se o mercado pode voltar a uma situação de normalidade. É provável que o mercado interno se torne mais atrativo em relação aos preços de exportações, estimulando as vendas no Brasil”.

Alvarenga destaca que algumas empresas recicladoras, não associadas ao Inesfa, “não terão mais o argumento dos impostos para reduzir os preços pagos às cooperativas e catadores”.

O Inesfa, afirma, não concorda com essa prática em que algumas empresas de todos os segmentos de reciclagem prejudicam os ganhos do elo mais fragilizado da cadeia de reciclagem. “Não é prática comercial correta. Devemos sempre valorizar a base da cadeia”, afirma.

PEC da Reciclagem - A Proposta de Emenda à Constituição nº 34/2025, denominada PEC da Reciclagem, é atualmente a principal reivindicação do setor e está tramitando no Congresso Nacional.
A PEC já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora será analisada por uma comissão especial que será criada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, para depois ir à votação no Plenário.

“O Inesfa tem também participado de reuniões com a Receita Federal para explicar ao governo a necessidade de o setor de reciclagem ter uma tributação homogênea, um padrão para todos, desde cooperativas até processadores”, diz Alvarenga.

Valor - SP   14/05/2026

A companhia, que comprou a U.S. Steel por US$ 15 bilhões no ano passado e prometeu investimentos maciços na empresa, teve lucro de 17,2 bilhões de ienes (US$ 109 milhões) no ano financeiro anterior

A Nippon Steel, maior siderúrgica do Japão, disse hoje que espera que seu lucro líquido para o ano fiscal que termina em março de 2027 aumente acentuadamente para 220 bilhões de ienes (US$ 1,4 bilhão), à medida que os efeitos de perdas extraordinárias desapareçam de seus resultados.

A companhia, que comprou a U.S. Steel por US$ 15 bilhões no ano passado e prometeu investimentos maciços na empresa, também registrou uma queda de 95% no lucro do ano financeiro anterior, para 17,2 bilhões de ienes (US$ 109 milhões).

Em fevereiro, a empresa disse que esperava registrar um prejuízo de 70 bilhões de ienes, devido, em parte, a um incêndio em um alto-forno e aos custos relacionados ao acordo com a U.S. Steel.

A Nippon Steel conseguiu obter lucro graças à melhoria na rentabilidade em meio a cortes de custos, bem como ganhos de avaliação de estoque e câmbio, afirmou a companhia, já que os preços das matérias-primas estavam subindo enquanto o iene permanecia fraco.

A empresa espera um impacto negativo de cerca de 50 bilhões de ienes no primeiro trimestre fiscal provocado por riscos relacionados ao Oriente Médio, acrescentando que ainda não é possível avaliar o impacto nos resultados do ano inteiro.

Como a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocou escassez no fornecimento de combustível e aumentos nos preços das commodities, as siderúrgicas japonesas JFE Holdings e Kobe Steel alertaram no início deste mês sobre o risco de aumentos de custos e possível queda nas vendas.

“Em resposta ao aumento dos preços das matérias-primas, incluindo as do carvão metalúrgico, estamos atualmente trabalhando para aumentar o preço de venda dos produtos siderúrgicos”, disse a JFE Holdings, a segunda maior siderúrgica do Japão, na semana passada.

As ações da Nippon Steel fecharam estáveis na Bolsa de Tóquio.

Infomoney - SP   14/05/2026

A CSN (CSNA3) anunciou nesta quarta-feira que teve prejuízo líquido de R$ 555 milhões no primeiro trimestre, ante prejuízo de R$ 732 milhões registrado no mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado pelo grupo industrial.

A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 2,6 bilhões, avanço de 5,5% na base anual.

O Ebitda veio em linha com a expectativa dos analistas, que esperavam um lucro líquido de R$ 642 milhões, segundo dados da LSEG.

A receita líquida da empresa que além de aço produz minério de ferro, cimento e atua nos mercados de energia e logística somou R$ 10,6 bilhões de janeiro ao final de março, 2,8% menos que um ano antes, em linha com a média de previsões da LSEG.

A CSN terminou março com alavancagem financeira de 3,36 vezes ante 3,33 vezes no mesmo período de 2025.

Valor - SP   14/05/2026

Segundo o executivo, a companhia não pauta seus investimentos pela volatilidade de curto prazo

O presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, disse que o modelo de gestão do presidente dos Estados Unidos, com a imposição de tarifas, pode ser visto sob a ótica de medidas não esperadas, mas traz visão de longo prazo e convicção de que a indústria americana vai voltar. Segundo o executivo, a companhia não pauta seus investimentos pela volatilidade de curto prazo e investe por acreditar na certeza da retomada industrial daquele país.

“Houve um incentivo adicional para as empresas brasileiras colocarem uma base produtiva aqui nos Estados Unidos”, afirmou Gustavo Werneck na terceira edição do “Summit Brazil-USA”, promovido nesta quarta-feira (14) pelo Valor, em Nova York.

O presidente, que participou de painel que discutiu as relações comerciais e de investimento entre Brasil e EUA, disse que o custo de insumos básicos como energia e gás natural nos EUA é incomparável, sendo impossível compensar a diferença de preços entre os dois países apenas com eficiência de gestão. “No Brasil, pagamos cerca de 16 dólares no metro cúbico de gás natural; aqui, apesar de todas essas volatilidades, a gente segue pagando quatro”, afirmou.

A Gerdau opera na América do Norte com 13 das 29 unidades produtoras de aço totais da companhia. Naquela região, as unidades estão distribuídas entre Estados Unidos e Canadá.

Segundo o executivo, a reindustrialização dos EUA é perceptível na prática por meio de clientes que estão instalando novas fábricas no país. “A gente tem hoje muito aço sendo direcionado para novas fábricas de semicondutores sendo colocadas aqui”, acrescentou.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   14/05/2026

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira, 13, que, no momento, o desafio é separar o que é efetivamente um choque de oferta, seja por causa do conflito geopolítico ou por efeitos climáticos, dos efeitos de segunda ordem que demandam ainda mais vigilância do que o normal.

A declaração ocorreu durante discurso na abertura da IV Conferência Anual do Banco Central do Brasil.

Galípolo afirmou que essa não é uma abordagem simples, dado que o País tem expectativas desancoradas e um mercado de trabalho apertado, mas enfatizou que o BC não desviará do seu objetivo de controlar a inflação.

Segundo Galípolo, o mundo enfrenta o quarto choque de oferta em menos de seis anos. E emendou: a questão climática sobre o trabalho dos BCs.

“Estamos vivendo um período em que essas surpresas e intempéries de mudanças do clima e do tempo têm ocorrido em uma concentração bastante grande”, disse ele. “Choques de oferta colocam o Banco Central diante de um desafio que é bastante especial.”

Galípolo afirmou que o “barco” do Banco Central foi desenhado para enfrentar outro tipo de tempestade, mas que esses choques têm afetado diretamente a percepção sobre o que é o mandato central da autoridade monetária, que é defender o custo de vida das pessoas e controlar a alta dos preços. Esse problema, disse, tem colocado em xeque uma questão de credibilidade dos BCs.

“A dissonância entre, muitas vezes, os números oficiais e o que é o sentimento das pessoas pelo fato de que os bancos centrais são desenhados para ter como objetivo uma meta de inflação e as pessoas convivem com o nível de preço, após quatro choques, isso vem produzindo uma dissonância que é bastante arriscada e coloca os bancos centrais em uma situação especialmente difícil de como endereçar esses desafios.”

Globo Online - RJ   14/05/2026

Com presença maciça de CEOs, empresários, investidores e presidentes de conselhos de administração, a terceira edição do “Summit Valor Brazil-USA” apontou os caminhos que o Brasil deve perseguir para aproveitar o momento de destaque em comparação a outros mercados emergentes, mas também os desafios que o país precisa enfrentar. O evento foi realizado ontem no Hotel St. Regis, durante a Semana do Brasil em Nova York.

Uma das vantagens apontadas pelos painelistas foi o fato de a política externa brasileira manter-se não alinhada automaticamente a grandes potências, em um momento de crescente disputa entre Estados Unidos e China. Nesse contexto, a exploração de minerais críticos tem o potencial de mudar a visão que outros países e investidores estrangeiros têm do Brasil. Por outro lado, também ficou evidente que resolver a situação fiscal é visto como crucial para a atração de capital.

Além do desenvolvimento e da aplicação de uma Inteligência Artificial (IA) responsável, os painéis também discutiram o cálculo político do presidente Donald Trump envolvendo as eleições de meio de mandato nos EUA e do pleito presidencial no Brasil em outubro, assim como as mais recentes pesquisas de intenção de voto no Brasil.

— A relação diplomática mais antiga do Brasil é com os Estados Unidos, existe uma identificação cultural grande. Não são economias complementares, o que pressupõe disputas em alguns segmentos, mas há espaço para evoluir e estreitar essa parceria, no que cada um faz de melhor, explicitando ao máximo o que é complementar — comentou o CEO da Editora Globo e Sistema Globo de Rádio, Frederic Kachar.

Linha do meio

Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor, citou o aumento da importância da relação bilateral.

— A relação entre Brasil e EUA ganha uma importância renovada, não apenas pelo peso histórico dessa parceria, mas pelo seu potencial diante de temas que vão estar no centro das decisões econômicas nos próximos anos: comércio, energia, minerais críticos, finanças, segurança e atuação regional na América Latina.

As relações entre os dois países terão este ano dois testes importantes: as eleições presidenciais em outubro no Brasil e a disputa pelo Congresso americano, em novembro.

Os dois países têm em aberto negociações relativas a tarifas impostas por Trump e a minerais críticos cobiçados pelos EUA e abundantes no território brasileiro. Como os dois lados vão lidar com seus interesses e desacordos, e qual será o papel do Congresso na relação bilateral — além do possível papel de Trump nas eleições brasileiras — foram alguns dos temas tratados durante o painel de abertura.

— Tudo o que vai acontecer na relação entre EUA e Brasil vai depender das eleições em ambos os países — disse Joe Borelli, diretor-executivo do Chartwell Strategy Group, que participou do painel “Inside Washington: Como o Congresso Americano Molda as Relações com o Brasil”, mediado por Flávia Barbosa, editora-executiva dos jornais O GLOBO e Extra.

Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniram na semana passada na Casa Branca. Na mesa, temas como tarifas, comércio, minerais e combate ao crime. Embora de campos ideológicos opostos, os dois têm mostrado ter uma relação amistosa. No entanto, tanto Borelli quanto Mary Marsh, sócia principal do Dewey Square Group, chamaram atenção para o fato de que, contrariando as expectativas, ambos não concederam juntos uma entrevista coletiva depois do encontro.

Para especialistas que participaram da reunião, o Brasil está bem posicionado no atual ambiente de intensificação dos conflitos geopolíticos, mas também enfrenta desafios para aproveitar essas oportunidades a tempo. Além disso, para atrair investimentos e capitalizar esse potencial, o país precisa superar entraves regulatórios e fiscais.

O Brasil é um país que caminha pela linha do meio e não vai se alinhar completamente nem aos EUA, nem à China, afirmou Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil e ex-subsecretário de Estado para Assuntos Políticos e do Hemisfério Ocidental.

A questão é se esse não alinhamento pleno que o Brasil persegue, colhendo vantagens desse papel intermediário, poderá ser mantido e por quanto tempo, apontou Heather Conley, pesquisadora do American Enterprise Institute.

— Manter a autonomia estratégica é um desafio. É algo com que a Europa se confronta o tempo todo: é bastante caro, em termos orçamentários, defender essa escolha.

Minerais críticos

O interesse do presidente americano no Brasil passa pela necessidade de reduzir a dependência dos EUA da China, principalmente em minerais críticos, segundo Conley.

— É um desafio e uma oportunidade, estamos falando de um setor em que o Brasil pode se destacar — afirmou ela, ressaltando que essa é uma oportunidade que precisa ser aproveitada imediatamente. — Temos uma janela finita para desenvolver resiliência e diversificação em relação a esse desafio de longo prazo.

Nesse sentido, Brian Winter, vice-presidente de políticas da Americas Society/Council of the Americas, disse que não foi coincidência a reunião ter acontecido uma semana antes da viagem de Trump a Pequim.

— Grande parte da discussão parece ter se concentrado, novamente, em terras raras — afirmou, acrescentando que o tema foi fundamental para a mudança de postura dos EUA em relação ao Brasil.

O evento foi uma realização do Valor Econômico, apresentado pela XP, com parceria estratégica da Amcham, patrocínio master da JBS e da Philip Morris Brasil, patrocínio de Gerdau, Alelo, JHSF, Prefeitura do Rio de Janeiro e Prefeitura de São Paulo, apoio de SP Negócios, Aegea, Shell, Cargill, Firjan, Eletromídia, Unipar, Bichara Advogados, Governo do Rio Grande do Sul e Governo do Estado de São Paulo; e com Latam Airlines como companhia aérea oficial.

Globo Online - RJ   14/05/2026

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária precisa ficar "ainda mais vigilante" com os possíveis efeitos de "segunda ordem" derivados de choques de oferta sobre a inflação, como o relativo à guerra no Oriente Médio, que elevou significativamente as cotações de petróleo. Os efeitos de segunda ordem acontecem quando uma alta forte em um produto ou conjunto limitado de produtos se espalha para o resto dos preços da economia, tornando o impacto do choque mais relevante e duradouro e exigindo uma postura mais dura do BC na política monetária.

Segundo Galípolo, o BC brasileiro precisa estar "mais vigilante" porque a economia doméstica está marcada por expectativas de inflação distantes da meta de 3,0% e pelo mercado de trabalho apertado, cenário que possibilita maior repasse de altas de preços pela economia.

– Neste momento, conseguir separar o que é efetivamente um processo de choque de oferta, pela questão do conflito geopolítico ou por algum efeito climático, dos efeitos de segunda ordem, que precisamos estar ainda mais vigilante do que estaríamos normalmente dado que a gente tem economia com expectativas desancoradas e mercado de trabalho apertado, não é uma abordagem simples. Mas o BC vai seguir dando essa resposta, não vai se desviar do objetivo do controle do processo inflacionário – destacou Galípolo na abertura da Conferência Anual do BC, em Brasília.

Desde o início da guerra no Oriente Médio, o BC vem sinalizando cautela e serenidade na condução do processo de queda de juros devido à incerteza sobre a duração e extensão do conflito e dos efeitos sobre a inflação brasileira. No último Comitê de Política Monetária (Copom), em abril, a autoridade monetária indicou um aumento de preocupação com uma possível desaceleração da economia mais lenta do que era esperado. Para o BC, o desaquecimento da atividade é um fator fundamental para o retorno da inflação à meta.

"Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", disse o BC na ata do Copom.

"Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras", completou.

No evento, Galípolo ainda disse que o momento atual, depois de 4 choques de oferta em seis anos, coloca em questão a credibilidade dos bancos centrais. Ele se refere aos choques da pandemia de covid-19, da guerra na Ucrânia, do tarifaço e agora da guerra no Oriente Médio.

Segundo o presidente, o problema é que os BCs miram uma meta de inflação, que supõe um controle do tamanho da alta de preços, enquanto as pessoas estão preocupadas com o aumento do nível de preços. Ou seja, mesmo que o BC cumpra o objetivo de manter a alta de inflação dentro do percentual estabelecido, a elevação do custo de vida tem sido significativo, com todos os choques combinados.

– Estamos vivendo um período em que as incertezas e as intempéries do clima e do tempo têm ocorrido em uma concentração bastante grande. Estamos passando pelo quarto choque de oferta em menos de seis anos. Choques de oferta colocam os BC diante de um desafio que é bem grande. O nosso barco foi desenhado para enfrentar outro tipo de tempestade. Todos os instrumentos que nós temos foram desenhados para outro tipo de tempestade. Infelizmente, esse tipo de choque que a gente vem sofrendo afeta diretamente a percepção sobre o mandato do BC, que é defender o custo de vida das pessoas, a moeda e alta de preços.

Investing - SP   14/05/2026

O economista Andrew Dubinsky afirmou que as condições necessárias para justificar um corte em setembro desinflação sustentada nos preços dos bens do núcleo e redução das incertezas do lado da oferta ainda não foram atendidas.

A inflação de bens do núcleo do PCE (índice de gastos com consumo pessoal) em abril está sendo registrada próxima a 0,3% ao mês. A desinflação nas categorias sensíveis a tarifas vem sendo cada vez mais compensada pela alta dos preços de softwares ligados à inteligência artificial, que avançam cerca de 5% ao mês e 14% ao ano.

O Índice de Pressão Global na Cadeia de Suprimentos do Federal Reserve de Nova York também subiu, aproximando-se dos níveis observados no início de 2022.

O UBS destacou que o crescimento sólido das vendas finais domésticas privadas no primeiro trimestre, de 2,5%, combinado com a estabilidade do desemprego, reduziu ainda mais a urgência de um afrouxamento monetário no curto prazo, deixando a inflação como principal restrição à política do Fed.

O banco projeta agora dois cortes de juros em dezembro de 2026 e março de 2027 , o que levaria a taxa dos fundos federais para a faixa de 3,00%-3,25% até o primeiro trimestre de 2027.

Infomoney - SP   14/05/2026

O Senado dos EUA aprovou Kevin Warsh nesta quarta-feira como chair do Federal Reserve, colocando o advogado e financista de 56 anos no comando do banco central dos EUA, que enfrenta a intensificação da inflação, o que pode dificultar a realização dos cortes nas taxas de juros demandados pelo presidente Donald Trump.

O placar da votação foi de 54 a 45 na confirmação mais partidária de todos os tempos de um chair do Fed pelo Senado dos EUA. Um único democrata, John Fetterman, votou com a maioria republicana.

Sua posse para o mandato de quatro anos no comando do Fed e para um mandato simultâneo de 14 anos como diretor do Fed, aprovado pelo Senado na terça-feira, aguarda as assinaturas finais da Casa Branca na documentação enviada pelo Senado. A Casa Branca não respondeu às perguntas sobre quando Trump concluirá a documentação final ou o momento de sua posse.
Warsh assumirá no lugar do atual chair, Jerome Powell, cujo mandato termina na sexta-feira, mas que permanecerá como diretor do Fed. O diretor do Fed Stephen Miran, atualmente o maior defensor dos cortes nas taxas de juros do banco central, deixará seu lugar na diretoria para dar lugar a Warsh.

Globo Online - RJ   14/05/2026

O governo Lula não deve fazer ofertas aos Estados Unidos de redução de taxas sobre produtos americanos importados para o Brasil dentro do âmbito nas negociações da investigação comercial envolvendo o Pix até que tenha o quadro definido da negociação com o governo de Donald Trump. O sinal verde para as tratativas ocorreu na última quinta-feira, na Casa Branca, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a Trump que os Estados Unidos encerrem uma apuração americana, feita nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

No dia seguinte ao encontro, já no Brasil, o ministro de Indústria, Comércio e Serviço, Marcio Elia Rosa, falou com o Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, e deu prosseguimento às conversas. Ambos ficaram de conversar novamente nesta semana. Apesar do resultado positivo da reunião entre Lula e Trump em Washington, o governo brasileiro está cauteloso e pretende ajustar os limites da negociação. Em primeiro momento, não fará ofertas até que se tenha um panorama claro. O Brasil usará as primeiras reuniões, que devem ocorrer por videoconferência, para explicitar os dados da balança comercial dos dois países.

Em reunião no Palácio do Planalto na manhã de segunda-feira, Lula deu continuidade aos desdobramentos da reunião com Trump e cobrou retornos de cada passo da negociação dos ministros em suas respectivas áreas quando tiverem reuniões com suas contrapartes no governo americano. Estavam presentes na conversa dos ministros da Fazenda, Dario Durigan, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e da Justiça, Wellington Lima e Silva, — os quatro estavam com Lula na conversa com Trump —, além da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira.

Ficou acordado que as equipes dos dois governos vão trabalhar por mais 30 dias para avançar nas negociações das tarifas de importação sobre produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. A negociação que envolve a apuração com base na Seção 301 é considerada uma das mais avançadas.

No encontro na Casa Branca na última quinta, a delegação brasileira ouviu que o Brasil aplica tarifas altas sobre produtos americanos, segundo relatos, o que é uma queixa antiga dos EUA especialmente em itens como etanol. Houve divergência específica sobre tarifas que o Brasil pratica e que os EUA querem que o governo brasileiro passe a praticar.

Desde junho do ano passado, uma apuração americana, feita nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, cita desde o Pix — que seria uma ameaça a bandeiras de cartões de crédito americanas — até a venda de produtos falsificados em comércio popular, além do suposto cerceamento a redes sociais americanas, descontrole de desmatamento ilegal, falta de combate à corrupção e acesso ao mercado de etanol.

Os EUA abriram a investigação argumentando supostas práticas comerciais que estariam restringindo injustamente as exportações americanas ao mercado brasileiro.

A Seção 301 é uma parte da Lei de Comércio dos EUA, em 1974, que permite que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) realize apurações sobre práticas que supostamente prejudicam o comércio internacional americano e determine se há ou não irregularidades.

O caso teve início no ano passado, quando o governo americano anunciou a apuração sob a alegação de que o Brasil adota medidas que dificultariam o acesso de exportadores dos EUA ao mercado brasileiro. A Seção 301 é um procedimento administrativo conduzido pelos próprios Estados Unidos e não segue o mesmo rito de disputas da Organização Mundial do Comércio.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   14/05/2026

A CSN Mineração (CMIN3) registrou lucro líquido de R$ 222 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 357 milhões registrado no mesmo período do ano passado. Já o Ebitda Ajustado somou R$ 1,420 bilhão entre janeiro e março, leve recuo de 0,5% na comparação anual.

A receita líquida totalizou R$ 3,165 bilhões, queda de 7,2% ante os três primeiros meses de 2025. A companhia registrou vendas de 9,636 milhões de toneladas de ferro, praticamente estável com as 9,640 milhões anotadas no mesmo período do ano passado.

No campo de endividamento, a CSN Mineração contabilizou dívida líquida de R$ 683 milhões no primeiro trimestre, redução de 5,8% ante o quarto trimestre de 2025. A alavancagem medida por Dívida Líquida/Ebitda permaneceu estável em 0,11 vez em ambos os períodos.
O resultado financeiro foi negativo em R$ 626 milhões entre janeiro e março, redução de 52,4% ante o R$ 1,315 bilhão negativo registrado no mesmo período de 2025.

No intervalo, a menor execução de investimentos (capex) no período chuvoso resultou em um montante investido de R$ 431 milhões, o que representa retração de 51,3% em relação ao trimestre anterior. Porém, quando se observa a comparação anual, o investimento subiu 14,3%, em linha com o avanço na execução de projetos estruturantes, com destaque para a evolução da infraestrutura da P15 e para as obras para aumentar a eficiência operacional da companhia, explica a empresa.

De acordo com release de resultados, o início do ano foi marcado por um ambiente equilibrado no mercado transoceânico de minério de ferro, com preços sustentados apesar de um cenário de menor robustez para a demanda de aço na China e do aumento dos custos globais de combustíveis diante da escalada do conflito no Oriente Médio.

“Ao longo do trimestre, observou-se uma combinação de recomposição de estoques por parte das siderúrgicas chinesas e oferta global disciplinada, com impactos sazonais na produção brasileira e australiana em função do período de chuvas e ciclones, respectivamente, ainda que em volumes maiores do que os observados no mesmo período de 2025”, destaca a CSN Mineração.

Esse contexto contribuiu para a manutenção dos preços em patamares relativamente estáveis na comparação anual, ainda que levemente inferiores aos níveis observados no trimestre anterior.

Valor - SP   14/05/2026

Bom desempenho da mineradora, ao lado do setor bancário, dá sustentação ao Ibovespa na sessão

As ações da Vale avançam nesta quarta-feira (13), impulsionadas pela alta do preço do minério de ferro e pelas expectativas em torno do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. O bom desempenho da mineradora, ao lado do setor bancário, dá sustentação ao Ibovespa na sessão.

Por volta das 13h45, o papel ordinário da companhia (VALE3) subia 1,61%, a R$ 84,59, enquanto o Ibovespa avançava 0,07%, aos 180.461 pontos.

Participantes do mercado ouvidos pelo Valor atribuem a valorização da ação à resiliência da demanda por minério de ferro, em um momento em que as mineradoras operam em alta de forma generalizada, além da expectativa de que o encontro entre os líderes ajude a destravar acordos comerciais. Um gestor aponta a possibilidade de avanço nas negociações envolvendo chips e ferramentas de inteligência artificial, o que poderia impulsionar a demanda por minerais de forma mais ampla.

“Além disso, há uma sazonalidade positiva para o setor, diante das manutenções preventivas que costumam ocorrer nesta época do ano e pressionam os estoques. Esse movimento está fazendo preço particularmente no cobre nos últimos dias”, afirma o agente.

Hoje, o contrato futuro do minério de ferro mais negociado na bolsa de Dalian, na China, com vencimento em setembro, encerrou em alta de 0,31%, cotado a 820 yuans (US$ 120,7), em meio a uma produção estável de ferro-gusa no país asiático. Analistas da consultoria Nanhua Futures afirmam que a produção do metal é um importante indicador da demanda pela commodity.

Nos últimos dias, analistas também têm destacado a resiliência dos preços do minério como fator de sustentação para as ações do setor. Na avaliação do Citi, as mineradoras brasileiras podem apresentar um segundo trimestre mais forte, impulsionado por volumes robustos de exportação e preços estáveis do minério de ferro.

Os analistas Gabriel Barra, Alexander Hacking e Pedro Ferreira de Mello ponderam que o principal risco para essa expectativa continua sendo a disparada dos custos de frete provocada pelas tensões geopolíticas.

Já o BTG Pactual destaca que o minério de ferro tem surpreendido positivamente ao permanecer acima do patamar de US$ 100 por tonelada.

“O principal fator por trás disso tem sido a inflação de custos, e não a força da demanda, com frete e diesel adicionando mais de US$ 10 por tonelada à curva de custo marginal e, na prática, elevando o piso de preços”, escrevem os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo.

Além disso, o banco observa que a China continua sustentando uma demanda acima do esperado, apesar da fraqueza do setor imobiliário. “A utilização dos altos-fornos está próxima de 90%, com a produção de ferro-gusa se recuperando para cerca de 2,39 milhões de toneladas por dia em abril, indicando que as siderúrgicas ainda operam em níveis relativamente elevados”, afirmam os analistas.

Diante desse cenário, o BTG mantém recomendação de compra para as ações da Vale e vê potencial de alta para sua projeção de US$ 102 por tonelada para o minério de ferro em 2026. “Vemos a empresa como uma das principais beneficiárias globais da atual dinâmica de preços”, concluem.

AUTOMOTIVO

Move Motoristas: governo acena para taxistas e apps com novo programa automotivo

Automotive Business - SP   14/05/2026

O Governo Federal criou um programa que vai subsidiar a compra de automóveis zero quilômetro para motoristas de aplicativo e taxistas pessoa física. A iniciativa vai se chamar Move Motoristas e está em ajustes finais em Brasília (DF) para seguir à sanção presidencial.

Segundo apurou a reportagem, o programa deverá ser apresentado até sexta-feira, 15, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o MDIC. Não houve envolvimento das associações de classe em seu desenho, como a Anfavea (montadoras) e a Fenabrave (distribuidores).

Por outro lado, seus representantes já foram avisados a respeito do programa que, assim como o Move Brasil, destinado ao setor de caminhões e ônibus, tem como principal atrativo o crédito subsidiado para aquisição dos veículos.

As semelhanças seguem. O governo vai conceder créditos que têm como fonte recursos do Tesouro Nacional e do BNDES. À reportagem, uma fonte ligada à indústria comentou que os bancos das montadoras também estarão envolvidos nessa engenharia financeira.

O valor total que será concedido, no entanto, segue oculto por trás do biombo governamental. Segundo reportagem do jornal O Globo, o crédito envolve juros mais baratos do que aqueles praticados no mercado, baseados na Selic, algo em torno de 12% ao ano com carência de seis meses.

A publicação informou, ainda, que os veículos envolvidos no Move Motoristas deverão custar até R$ 150 mil. Por outro lado, a fonte ouvida em off disse que isso ainda está sendo estudado, e que a medida poderá envolver também modelos de automóveis elétricos.

O assunto, inclusive, é forte tema de debate entre aqueles que desenham o programa. Inserir no escopo modelos elétricos beneficiaria as montadoras chinesas, quem tem estoque alto desembarcado no país e toda a sorte de carros com preços nessa faixa, o que poderia provocar descontentamento nas marcas ocidentais que mantém produção local.

O fato é que esta é o quarto aceno que o governo federal faz ao consumidor envolvendo a compra subsidiada de veículos novos. Primeiro, o Carro Sustentável, que envolve os modelos considerados de entrada. Depois, o Move Brasil no segmento de pesados, que foi ampliado na sequência numa espécie de segunda fase. Agora, o Move Motoristas.

Com a medida, o governo também acena à indústria, que vem buscando há tempos formas de aumentar o volume de vendas no país no momento em que a Selic inibe os financiamentos de longo prazo.

Em diversas oportunidades a própria Anfavea, que é a associação que representa parte das montadoras de veículos no país, reconheceu que as vendas de caminhões em crise poderiam ser bem piores não fosse o Move Brasil. O mesmo efeito se nota com o Carro Sustentável no mercado de leves.

Auto Industria - SP   14/05/2026

A já robusta lista de marcas que chinesas de automóveis que estão no Brasil ou chegarão nos próximos meses estará ainda mais encorpada no segundo semestre. Em agosto, a Dongfeng, uma das maiores fabricantes da China, da a partida em sua operação local.

A confirmação foi feita ao podcast CBN Autoesporte por Felipe Amaral, nomeado diretor de Vendas e Desenvolvimento de Concessionários da Dongfeng Automobile no País, conforme atesta o próprio perfil do executivo em rede social.

No Brasil, entretanto, a empresa adotará a marca DFM, sigla que, de acordo com Amaral, simplifica a identificação em vários mercados. Ele tem conhecimento de causa no que diz respeito à formação de imagem de marca, pois comandou missão semelhante na Omoda & Jaecoo até o fim do ano passado.

A Dongfeng tem vasto portfólio de produtos que inclui automóveis a combustão, elétricos e híbridos, passa por picapes e furgões para chegar até mesmo a caminhões pesados, além de autopeças e componentes.

Os primeiros modelos no mercado brasileiro devem ser dois elétricos: o hatch compacto Box — concorrente direto do Geely EX2, por exemplo — e o SUV Vigo.

Fundada em 1969, a empresa tem sede em Wuhan, província de Hubei. Conta com cerca de 127 mil funcionários e já negociou mais de 1,2 milhão de veículos no exterior. Está presente em mais de um centena de países.

Acumula também diversas parcerias com montadoras ocidentais e acaba de anunciar que está negociando com a Stellantis produção em conjunto de veículos na China e na Europa.

Valor - SP   14/05/2026

A tecnologia de carga rápida da chinesa permite reduzir o tempo de abastecimento de um VE para até 5 minutos, um avanço que, acredita a BYD, poderia impulsionar seus esforços para enfrentar os carros a gasolina

A BYD aposta que sua tecnologia de carga “flash” removerá a “barreira final” para os consumidores migrarem para os veículos elétricos (VEs), permitindo-lhe atrair mais clientes ainda adeptos dos modelos com motores de combustão interna na China e na Europa.

A montadora desenvolveu uma tecnologia de carga rápida que permite reduzir o tempo de abastecimento de um VE para até cinco minutos, um avanço que, acredita a BYD, poderia dar um novo impulso a seus esforços para enfrentar os carros a gasolina pelo mundo.

“Agora, a BYD tem a chance de participar em 100% do mercado”, disse a principal executiva internacional da empresa, Stella Li, na conferência O Futuro do Carro, organizada pelo Financial Times, nesta quarta-feira (13). “Com a tecnologia de carga flash no futuro poderemos competir em igualdade com o carro a gasolina”.

Ela citou como exemplo o Reino Unido, onde a montadora chinesa tem grande presença, mas, até agora, considerava 70% do mercado como “intocável” para sua linha de VEs.

A BYD, que em 2025 superou a Tesla como maior montadora de VEs do mundo, exibiu pela primeira vez sua tecnologia de carga flash, que permite abastecer um VE quase tão rápido quanto um carro a gasolina, há um ano. Agora, pretende instalar 3 mil estações de carga rápida na Europa, à medida que expandir sua atuação internacional.

Degradação das baterias

Alguns executivos de empresas rivais do setor questionaram se a carga flash poderá acelerar a degradação das baterias e exigir demais das atuais redes elétricas.

Li, vice-presidente executiva da BYD, disse que a empresa usará seus sistemas de armazenamento de energia em baterias para evitar uma sobrecarga nas redes elétricas, além de também aproveitar a energia solar.

“Nós não resolvemos apenas a velocidade do carregamento, também resolvemos a questão da segurança e da durabilidade”, disse Li. “Tornamos a recarga tão rápida quanto o reabastecimento de combustível. Então, isso vai [remover] a barreira final para as pessoas aderirem ao carro elétrico.”

A BYD vem ampliando sua rede de concessionárias e sua linha de produtos para expandir a presença na Europa, em um momento que as vendas na China perdem força.

Modelos de alto padrão

Em abril, a empresa lançou sua marca de VEs de alto padrão Denza, com o modelo Z9GT. Em cinco minutos, a carga do veículo chega a 70%.

De acordo com Li, nos próximos 12 meses, a empresa pretende instalar 20 mil estações de carregamento rápido na China e 6 mil no exterior. A BYD aposta alto em sua tecnologia de carregamento "flash" para alcançar margens "muito fortes" e reverter o desempenho na China, onde as vendas caíram nos últimos oito meses.

Terceira fábrica na Europa

Li também disse que a BYD avança “de forma muito agressiva” com os planos para desenvolver sua terceira fábrica na Europa, com a ideia de não apenas montar carros no continente, mas também de produzir componentes.

A empresa, entretanto, não pretende compartilhar fábricas com montadoras europeias em dificuldades que buscam parceiros para aproveitar parte de sua capacidade ociosa. Prefere operar as fábricas por conta própria ou assumir seu controle integral.

“É melhor que nós mesmos administremos. É muito difícil ficar pedindo permissão. Nós não temos esse DNA”, disse Li. “Nós operamos muito rápido e tomamos decisões em cinco minutos.”

Segundo a executiva, a BYD está conversando com montadoras europeias e com “todos os fabricantes de automóveis” sobre outras formas de colaboração e parcerias além da simples montagem de carros, inclusive na área de baterias.

Montadoras europeias, como a Volkswagen, a Nissan e a Stellantis, dona da Peugeot, têm conversado cada vez mais com rivais chinesas para aproximá-las de suas operações e compartilhar a capacidade ociosa em fábricas, uma vez que as vendas na região ainda não voltaram aos níveis anteriores à pandemia da covid-19. (Colaborou Megan Snaith, em Londres)

NAVAL

A Tribuna - SP   14/05/2026

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) pretende realizar o leilão de arrendamento definitivo do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, no primeiro semestre de 2027. O novo prazo é um ano superior à previsão inicial, o primeiro semestre deste ano. O complexo portuário atualmente está delegado à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) e tem a JBS Terminais como operadora.

Em nota, o MPor informou que já aprovou o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) e encaminhou o projeto de arrendamento do terminal ITJ01 à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), “juntamente com a respectiva nota técnica para abertura da etapa de participação social, que envolve consulta e audiência públicas”.

Após essa etapa, o projeto será revisado para contemplar as contribuições que forem acatadas pela agência. A pasta informou ainda que “posteriormente a esse ajuste, o projeto será encaminhado para a análise do Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa é que este projeto seja leiloado no primeiro semestre de 2027”.

O complexo portuário catarinense estava sob administração da Prefeitura de Itajaí até 2024. O Governo Federal assumiu em 2025 e delegou o gerenciamento à Autoridade Portuária de Santos (APS) por um ano. Em janeiro deste ano, a administração foi transferida para a Codeba. A medida é transitória, servindo como gestão federal até a criação da estatal Companhia Docas de Santa Catarina.

Já a JBS Terminais opera as áreas operacionais do porto — o terminal de contêineres e os berços de atracação por meio de arrendamento provisório. O primeiro contrato de transição foi assinado em 2024. Em setembro de 2025, a JBS formalizou o segundo termo aditivo do contrato de arrendamento transitório junto ao MPor, com participação da Antaq e APS, que detinha a delegação do porto na época.

Segundo a Superintendência do Porto de Itajaí, o aditivo estabelece a prorrogação do contrato por até dois anos, ou até o leilão do ativo portuário, garantindo a continuidade das operações portuárias durante o período de transição e reorganização institucional.

Solução definitiva

O projeto de arrendamento definitivo, divulgado em dezembro de 2025 pelo Mpor, prevê R$ 2,8 bilhões em investimentos, com uma cláusula estratégica de celeridade: R$ 920 milhões deverão ser executados já nos primeiros três anos de contrato. O aporte será investido na modernização de equipamentos e melhorias na infraestrutura para receber e manobrar os navios.

A modelagem estipula a construção de um novo terminal de contêineres, com capacidade estática de 37.152 TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) e ampliação de 90% nas áreas de pátio, resolvendo um dos principais gargalos operacionais do porto.

Além do ganho logístico, o MPor projeta que a concessão trará forte impacto socioeconômico para a região, com geração de empregos diretos e indiretos e o respectivo incremento na renda da região.

CNN Brasil - SP   14/05/2026

As divergências sobre regras trabalhistas seguem travando o avanço do novo marco legal dos portos, na Câmara dos Deputados. A expectativa inicial era que o relatório do deputado Arthur Maia (União-BA) fosse apresentado no início deste mês, mas o texto segue sem previsão de ser anunciado.

Segundo fontes envolvidas nas negociações ouvidas pela reportagem, o parecer já estaria pronto, mas a questão trabalhista ainda não foi pacificada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

No relatório que circula nos bastidores, ao qual a CNN teve acesso, praticamente todos os dispositivos ligados às relações de trabalho portuário foram retirados.

Procurado pela reportagem, Arthur Maia confirmou que a questão trabalhista ainda precisa ser ajustada antes da apresentação oficial do parecer. Segundo o relator, o texto segue em construção e acordos continuam sendo negociados entre governo, setor privado e trabalhadores portuários.

Apesar da retirada de parte dos dispositivos, representantes do setor avaliam que ainda há necessidade de incluir alguns mecanismos no texto para evitar insegurança jurídica e conflitos futuros sobre contratação de mão de obra.

O tema trabalhista é considerado um dos mais sensíveis da proposta e já havia gerado forte debate durante a construção do novo marco regulatório e também na aprovação da atual Lei dos Portos, em 2013.

Um dos únicos pontos que tratam dos trabalhadores e foi mantido flexibiliza a contratação de trabalhadores fora do OGMO (Órgão Gestor de Mão de Obra) nos portos públicos. Essa foi uma demanda do setor portuário.

Com a mudança, seria permitido contratações com vínculo por meio da carteira de trabalho, como acontece hoje nos terminais privados, desde que comprovada qualificação profissional. Os portos públicos pedem essa retirada pois o número de trabalhadores cadastrados no OGMO tem diminuído e é incapaz de suprir a demanda do mercado atualmente.
Mudanças na lei

Nos bastidores, também é discutida a possibilidade de arquivar o projeto de lei que trata do assunto e fazer alterações futuramente na Lei dos Portos. O novo marco tem enfrentado resistências desde sua origem.

Ainda na fase inicial, a criação de uma comissão de juristas, em dezembro de 2023, foi vista como uma tentativa de avançar com o tema de forma acelerada, sem amplo debate.

Posteriormente, o texto apresentado não conseguiu reunir consenso entre o Ministério de Portos e Aeroportos, a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), representantes do setor privado e trabalhadores portuários. Há divergências relevantes sobre diferentes pontos da proposta, que prevê a revogação da atual Lei dos Portos.

Mesmo assim, como mostrou a reportagem, o governo federal recuou na ideia de apresentar um texto alternativo com mudanças mais pontuais da lei atual e esperar o relatório de Maia para entender se vai haver mudanças significativas.

A Tribuna - SP   14/05/2026

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Dias, afirmou que, caso o Governo Federal opte por um terceiro modelo de licitação para o Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no Porto de Santos, a medida resultará no reinício do processo. Com isso, haverá a elaboração de um novo edital pela agência reguladora e o documento terá de ser submetido à análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

O Governo Federal vem se movimentando para revisar o modelo de leilão do Tecon Santos 10 desde o mês passado. Em 23 de abril, o secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, enviou ofício à Antaq solicitando a suspensão temporária do processo licitatório e a devolução dos autos. No documento, Ávila explica que os ministérios de Portos e Aeroportos (MPor) e Casa Civil fariam juntos “uma reavaliação das diretrizes, parâmetros e premissas técnicas e de modelagem aplicáveis ao arrendamento no Porto de Santos”.

Já na última semana, a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (SEPPI), vinculada à Casa Civil, divulgou nota técnica sugerindo aumento da outorga mínima de R$ 500 milhões para R$ 1,044 bilhão e exclusão da restrição aos armadores no leilão.

A Casa Civil argumentou que “não foram identificadas razões concretas para impor quaisquer restrições à participação no certame do Tecon Santos 10, seja ela relacionada à concentração vertical ou horizontal (contanto que haja desinvestimento), isto é, apesar dos potenciais riscos de natureza concorrencial, estes não são suficientes para justificar uma intervenção”.

No aguardo

Para A Tribuna, o diretor-geral da agência reguladora explicou que, no momento, a Antaq aguarda notificação do Ministério de Portos e Aeroportos sobre a decisão que tomará relacionada às sugestões da SEPPI. “A Antaq formalmente aguarda essa definição, se volta para a decisão da Antaq ou se acolhe as recomendações do Tribunal de Contas da União”.

Entretanto, Dias ressaltou que, caso o Governo Federal opte por um novo formato de licitação, diferente dos dois modelos já debatidos, a agência terá de reconstruir o edital. “Caso a gente seja notificado com a proposta de um terceiro modelo, a Antaq precisará fazer o seu julgamento e montar o edital a partir dessa nova diretriz”.

Segundo ele, esse novo desenho necessariamente precisará retornar à Corte de Contas. “Esse novo modelo de edital, se for diferente do anterior, precisará passar de novo para o TCU para que faça a sua apreciação”.

O diretor-geral explicou que o tribunal analisou apenas o modelo originalmente aprovado pela Antaq. “O que foi submetido ao Tribunal de Contas da União foi a decisão da Antaq. Então, se agora a decisão não for nem a dela nem a recomendada pelo próprio TCU, a gente precisa reiniciar o processo e submeter novamente ao Tribunal”.

Em nota, o MPor apenas confirmou que recebeu a nota técnica da Secretaria Especial do PPI e que “dará o devido prosseguimento ao processo, de acordo com as normas e procedimentos legais”.

Modelo bifásico e restritivo

Até o momento, prevalece o modelo bifásico para o leilão do Tecon Santos 10, com veto à participação de armadores e operadores do Porto de Santos na primeira etapa. Ambos só poderiam disputar a licitação na segunda etapa, se for convocada (em caso de não haver interessados na primeira), sob a condição de renunciar aos contratos atuais para poder assumir o arrendamento do Tecon Santos 10.

Em janeiro, o então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, justificou que acolheu orientação da Antaq e recomendações do TCU, optando pelo modelo restritivo, para evitar concentração de mercado. A previsão era realizar o leilão até o dia 30 de abril, mas ele não saiu do papel.

Estrutura

O Tecon Santos 10 ocupará área de 621,9 mil metros quadrados no cais do Saboó, no Porto de Santos, para operação anual de 3,25 milhões de TEU (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) e 91 mil toneladas de carga geral. O contrato é de 25 anos, com investimento de R$ 6,45 bilhões. O projeto contempla a construção de quatro berços de atracação de navios para embarque e desembarque e laje para a instalação do terminal de cruzeiros. O megaterminal ampliará em 50% a capacidade de operação de contêineres no Porto de Santos.

A projeção é de 9 milhões de TEU ao ano. Conforme estimativas, Santos deverá atingir a saturação até 2028 se não houver ampliação de sua infraestrutura.

A Tribuna - SP   14/05/2026

A Petrobras e a Autoridade Portuária de Santos (APS) já estão em tratativas para prorrogar o arrendamento provisório do STS08, na Alemoa, no Porto de Santos, por mais um ano ou até que o adensamento da área seja formalizado. O contrato de transição atual vencerá em junho. Em paralelo, a estatal aguarda pela aprovação do plano de investimentos pelos órgãos competentes para a ocupação definitiva da área.

A Petrobras quer anexar o STS08 ao STS08A, arrendado em leilão em 2021. O objetivo é expandir sua movimentação de granéis líquidos, especialmente combustíveis, no local. Para isso, enviou ao Governo Federal, em 23 de outubro de 2025, o plano de investimentos e o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) para exploração do STS08.

“O plano de investimentos e o Evtea foram protocolados pela Petrobras que, no momento, está aguardando a avaliação do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Posteriormente, haverá negociação das condições para assinatura de aditivo ao atual contrato de arrendamento com a Secretaria Nacional de Portos (SNP)”, informou a estatal.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a documentação está sob análise da Antaq e, depois, seguirá para avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). Com tudo aprovado, Evtea mais plano de investimentos, ou seja, atestada a viabilidade técnica, ambiental e econômico-financeira do projeto, a documentação retornará ao MPor para elaboração da minuta do termo aditivo ao contrato do STS08A.

De acordo com a APS, o aditivo terá o mesmo prazo contratual do arrendamento do STS08A, “uma vez que, após a assinatura, as duas áreas passarão a compor o mesmo equipamento portuário. O STS08 será adensado ao STS08A, com arrendamento até 2047 (25 anos), podendo ser prorrogado até o limite de 70 anos”.

Contrato de transição

A Petrobras firmou o primeiro contrato de transição do STS08, uma área de 46.577 metros quadrados, em 31 de dezembro de 2024, válido por 180 dias, renovando a ocupação por meio de um novo arrendamento temporário em 28 de junho de 2025. Dessa vez, o contrato, de R$ 21,3 milhões, vale por um ano, até o próximo dia 28 de junho, mas será firmado um terceiro contrato transitório.

“O contrato deverá ser renovado para que a área não fique ociosa e garanta a remuneração adequada à Autoridade Portuária de Santos até que sejam concluídos os procedimentos de longo prazo com vistas ao STS08. Lembrando que o leilão que estava previsto foi cancelado”, informou a APS em nota. “A Petrobras e a APS já estão em negociação para a manutenção da continuidade operacional, envolvendo a Antaq, conforme disposto na Resolução 127/25 da Antaq”, confirmou a estatal.

Pomini destaca crescimento de demanda

O presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os investimentos da Petrobras no STS08 vão ao encontro do crescimento contínuo da demanda por combustíveis e granéis líquidos no maior complexo portuário da América Latina. “A ampliação da capacidade operacional na região da Alemoa representa um avanço estratégico para toda a cadeia logística e energética nacional”.

Pomini ressaltou que os impactos diretos esperados incluem aumento da capacidade de armazenagem e movimentação de combustíveis, maior eficiência operacional, redução de gargalos logísticos e fortalecimento da competitividade do Porto no segmento de granéis líquidos. “Além disso, investimentos dessa natureza estimulam geração de empregos, arrecadação, desenvolvimento tecnológico e atração de novos investimentos privados para o complexo portuário”.

Por fim, o presidente da Autoridade Portuária ressaltou: “A APS defende que toda expansão ocorra com equilíbrio entre crescimento econômico, segurança operacional, sustentabilidade ambiental e integração logística, garantindo que o Porto de Santos continue preparado para suportar o crescimento da economia brasileira nas próximas décadas”.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   14/05/2026

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) elevou a projeção para a produção brasileira de combustíveis líquidos em 2026, estimando crescimento de 270 mil barris por dia (bpd), para uma média de 4,7 milhões de bpd, segundo relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, 13. A estimativa anterior era de média de 4,6 milhões de bpd. O grupo ressalta, no entanto, que o aumento dos custos de desenvolvimento e as pressões inflacionárias contínuas continuam desafiando a viabilidade econômica dos projetos offshore.

De acordo com a Opep, a produção de petróleo bruto do Brasil subiu cerca de 184 mil bpd em março ante fevereiro, para uma média de 4,2 milhões de bpd. Já a produção de líquidos de gás natural permaneceu praticamente estável, em cerca de 98 mil bpd, enquanto a de biocombustíveis, principalmente etanol, se manteve em torno de 700 mil bpd, com dados preliminares indicando tendência estável em abril.

O relatório destaca ainda que a produção total de combustíveis líquidos do País aumentou cerca de 183 mil bpd na margem em março, para 5,0 milhões de bpd, o que representa alta de aproximadamente 700 mil bpd na comparação anual.

Para 2027, a Opep também aumentou a expectativa de crescimento da oferta brasileira, projetando alta de 140 mil bpd, para uma média de 4,8 milhões de bpd, acima dos 4,7 milhões de bpd estimados no relatório do mês passado. A expansão deve ser sustentada pelo avanço de projetos como Búzios, Marlim e Bacalhau e Wahoo, além do início de operações nos campos de Búzios e no cluster Albacora Leste.

A Opep manteve ainda as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 e 2027, em 2,0% e 2,2%, respectivamente, com expectativa de continuidade do suporte da demanda doméstica e de condições financeiras mais favoráveis, embora persistam incertezas ligadas ao cenário fiscal e aos efeitos do aperto monetário.

Portos e Navios - SP   14/05/2026

Dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), referentes ao mês de fevereiro, indicam que a principal carga movimentada na região Nordeste foi petróleo e derivados sem óleo bruto. Produtos refinados, como combustíveis, representaram um total de 2,1 milhões de toneladas movimentadas no período, o que representa o crescimento de 29,6% frente ao mesmo mês do ano anterior. Na movimentação geral, os portos nordestinos registraram 9 milhões de toneladas escoadas em fevereiro, avanço de 6,68% na comparação anual.

A segunda principal carga movimentada foi petróleo e derivados com óleo bruto, ou seja, petróleo cru ainda não refinado, que registrou 1,6 milhão de toneladas movimentadas e crescimento de 11,48%. Na terceira posição aparece o sal, com movimentação de 568 mil de toneladas e crescimento expressivo de 38,45% no período.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), os portos do Nordeste têm importância estratégica para o abastecimento, para a indústria e para o escoamento da produção brasileira. "Os investimentos realizados nos últimos anos vêm ampliando a eficiência logística da região e criando condições para atrair novos negócios, gerar emprego e fortalecer o desenvolvimento regional”, afirmou o ministro Tomé Franca.

Entre os principais destaques da região está o Porto de Suape (PE), com movimentação de 2,1 milhões de toneladas e crescimento de 19,32%. Em seguida aparece o terminal privado de Madre de Deus (BA), com 2 milhões de toneladas movimentadas e alta de 19,33%.

O Terminal Portuário do Pecém (CE) registrou movimentação de 1,7 milhão de toneladas, crescimento de 0,33%. Já o Porto de Aratu (BA) apresentou aumento expressivo de 20,23%, movimentando 555 mil toneladas. O ministério informou que os portos do Maranhão não foram contabilizados, uma vez que o estado integra a dinâmica logística do Arco Norte.

Money Times - SP   14/05/2026

A Petrobras (PETR4) encerrou o primeiro trimestre de 2026 (1T26) como a petroleira mais lucrativa do mundo, com lucro líquido de US$ 6,25 bilhões, superando empresas como Shell (US$ 5,69 bilhões) e ExxonMobil (US$ 4,18 bilhões), segundo levantamento recente divulgado pela consultoria Elos Ayta.

O estudo destaca que o ranking global do 1T26 reflete uma mudança relevante na comparação internacional de resultados, influenciada por fatores cambiais, operacionais e conjunturais.

De acordo com o levantamento, o desempenho foi favorecido pela valorização do real frente ao dólar. O dólar Ptax médio (taxa de câmbio de referência calculada pelo Banco Central do Brasil) recuou de R$ 5,85 no primeiro trimestre de 2025 para R$ 5,26 no 1T26.

“Na prática, a apreciação cambial elevou o valor do lucro da companhia quando convertido para dólares — moeda de referência para investidores internacionais e principal base de comparação entre empresas globais”, explica a Elos.

O relatório também ressalta a elevada produtividade dos campos do pré-sal, considerados entre os ativos offshore mais competitivos da indústria mundial, além do impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que aumentaram a volatilidade dos preços do petróleo no fim do trimestre.

Panorama do balanço do 1T26

Na segunda-feira (11), a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no 1T26, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita de vendas somou R$ 123,7 bilhões entre janeiro e março, praticamente estável na comparação anual, com leve alta de 0,4%.

Já o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 59,6 bilhões no trimestre, recuo de 2,4% em base anual.
Impacto do conflito no Oriente Médio

As ações da companhia têm apresentado sensibilidade à escalada do preço do petróleo, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã e, especialmente, pelo bloqueio do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a estatal acumulou 12 recordes em valor de mercado. O pico histórico foi registrado em 14 de abril, quando a companhia encerrou o pregão avaliada em R$ 680,1 bilhões — atualmente, o valor está em R$ 613,6 bilhões.

AGRÍCOLA

Portal Fator Brasil - RJ   14/05/2026

Por décadas, a imagem da modernização agrícola brasileira foi ilustrada por gigantescas colheitadeiras e tratores cortando horizontes de soja. No entanto, uma revolução silenciosa e igualmente potente está ocorrendo no coração do agronegócio: a ascensão das máquinas compactas. Essa nova geração de maquinário representa a democratização da alta tecnologia para perfis de pequenos produtores que, até então, viam a mecanização como um investimento distante.

O gigante invisível: o poder da agricultura familiar

Para entender por que as máquinas compactas são o futuro, basta olhar para os dados. Segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, cerca de 77% das propriedades rurais do país são de agricultura familiar, ocupando mais de 80 milhões de hectares. Se a maioria das mãos que alimentam o Brasil está nesse segmento, a tecnologia não poderia continuar ignorando as particularidades geográficas e financeiras dessas áreas. O cenário mudou: a mecanização deixou de ser sinônimo de grandes fazendas para se tornar sinônimo de precisão em espaços reduzidos.

A substituição do trabalho manual ou da dependência de serviços terceirizados por frotas compactas traz pilares fundamentais para o produtor. O primeiro é a versatilidade operacional, com máquinas projetadas para culturas de hortaliças, fruticultura e café, onde o espaçamento é crítico e a manobrabilidade é essencial. Além disso, a padronização mecânica permite um controle de qualidade que o esforço manual raramente alcança, refletindo diretamente na margem de lucro e na redução de perdas. Há também a independência logística, onde o produtor passa a ditar o ritmo da sua colheita e do manejo.

O avanço desse nicho não beneficia apenas o dono da terra. Existe um efeito multiplicador: propriedades mais mecanizadas são mais produtivas; propriedades mais produtivas geram maior circulação de riqueza regional. O que estamos testemunhando é o fim do abismo tecnológico entre o grande e o pequeno produtor. A máquina compacta é a ferramenta que permite ao produtor de pequeno e médio porte competir em pé de igualdade em termos de eficiência e qualidade de entrega.

A mecanização moderna é inclusiva. Ao adaptar a potência de grandes engenharias para chassis menores e mais acessíveis, a indústria está, na verdade, fortalecendo a base da pirâmide produtiva brasileira. O futuro do agro não é apenas sobre o tamanho da máquina, mas sobre a inteligência aplicada a cada hectare, independentemente do tamanho da propriedade.

• Por: Micael Duarte, engenheiro Agrícola formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e possui ampla experiência com máquinas agrícolas. É especializado em análise de mercado, prospecção de novos clientes e suporte técnico-comercial, com foco em colheitadeiras. Atualmente é Analista de Inovação Sênior na Yanmar Brasil, onde também já ocupou os cargos de Analista de Vendas Júnior e Assistente de Vendas – Desenvolvimento de Novos Produtos. Em sua trajetória profissional, reúne passagens pela Agrológica (Empresa Júnior da Unicamp), CNPq (como bolsista de iniciação científica) e Toyota do Brasil.

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