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14 de Abril de 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   14/04/2026

Após os resultados do quarto trimestre de (4T25), o BofA revisou sua cobertura de siderurgia na América Latina, rebaixando a Usiminas (USIM5) para neutro. O banco avalia que o mercado de aço no Brasil segue fraco, apesar de medidas protecionistas, enquanto os mercados dos EUA permanecem mais apertados, sustentando preços, spreads e momento de resultados. As ações USIM5 da siderúrgica fecharam com baixa de 2,50%, a R$ 7,03, enquanto o Ibovespa subiu 0,34%, a 198.001 pontos.

A perspectiva de menor capex nos próximos anos favorece a geração de caixa livre (FCF) de Ternium e Gerdau (GGBR4), enquanto a Usiminas deve enfrentar geração de caixa mais limitada e menor potencial de valorização no nível atual de preços.

O BofA rebaixou a classificação de Usiminas de compra para neutro e preço-alvo de R$ 8, uma vez que os catalisadores já estão precificados. A ação negocia a 5,3 vezes EV/EBITDA projetado para 2026, com potencial de alta limitado.
Segundo o banco, a geração de caixa deve permanecer pressionada com normalização do capital de giro, e há risco de resultados mais fracos no segundo trimestre caso os aumentos de preços não se concretizem, em meio à pressão de custos, especialmente com carvão e placas.

Gerdau (GGBR4)

O BofA reiterou recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para Gerdau, com preço-alvo de R$ 26, sustentada pela força das operações na América do Norte. A empresa apresenta backlog robusto e expansão de spreads, com novos aumentos de preços.

Apesar da fraqueza no Brasil, ganhos de eficiência na divisão de mineração podem compensar parcialmente. A ação negocia a 4,1 vezes EV/EBITDA projetado para 2026, com geração de caixa livre de 7,3%, podendo atingir entre 9% e 10% entre 2027 e 2028.

CSN (CSNA3)

O BofA manteve recomendação de underperform (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda) e preço-alvo de R$ 6, citando preocupações com alavancagem. A dívida líquida sobre EBITDA deve se aproximar de 5 vezes em 2026 e superar 5,4 vezes em 2028, com aumento de investimentos em mineração.

Também há preocupação com refinanciamento da dívida, o que pode exigir venda de ativos.

CSN Mineração (CMIN3)

A recomendação para CSN Mineração também foi mantida em underperform, com preço-alvo de R$ 4. O banco avalia que a ação negocia com prêmio frente a outras mineradoras de minério de ferro, ao mesmo tempo em que deve consumir caixa em 2026 devido aos investimentos no projeto P15.

Além disso, na visão do banco, questões de liquidez podem levar a decisões desfavoráveis a minoritários.

Fraqueza estrutural

No Brasil, o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por decisões de antidumping e reajustes de preços pelas siderúrgicas. Apesar disso, a implementação das medidas tem sido parcial, com dificuldade de repasse. As empresas priorizaram mix de produtos em detrimento de volumes, refletindo demanda ainda frágil.

Além disso, mecanismos de evasão continuam reduzindo a eficácia das medidas comerciais. Como resultado, os volumes domésticos de aço recuam 4,5% no ano.

Em contraste, o mercado norte-americano permanece mais apertado e resiliente, tanto em aços longos quanto planos. A demanda firme, baixos níveis de importação e restrições de oferta impulsionaram os preços no início de 2026. A Gerdau reporta cerca de 90 dias de backlog, sem sinais de enfraquecimento da demanda, e anunciou aumentos de preços, o que pode ampliar spreads e resultados no segundo trimestre.

Além disso, os preços de aços planos nos EUA surpreenderam positivamente, apoiados por estoques reduzidos e oferta limitada. Ternium e Gerdau devem se beneficiar também da redução de capex nos próximos anos, elevando a geração de caixa. Já Usiminas e CSN enfrentam aumento de investimentos, especialmente em mineração, o que deve pressionar o fluxo de caixa.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   14/04/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,36% para 4,71%, em meio às incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio, que levou a uma disparada nos preços do petróleo no mercado internacional.

É a primeira vez que a estimativa para este ano estoura o teto da meta de inflação, de 4,50%. A taxa está 0,21 ponto porcentual acima do teto. Há um mês, era de 4,10%.

Considerando apenas as 61 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 4,50% para 4,73%.

A projeção para o IPCA de 2027 também subiu, de 3,85% para 3,91%. Há um mês, era de 3,80%. Considerando apenas as 61 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana, porém, caiu de 3,96% para 3,89%.

O Banco Central prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,9% e espera que a inflação acumulada em 12 meses chegará a 3,3% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027. A trajetória consta na comunicação da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom).

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

No Focus desta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2028 seguiu em 3,60% pela primeira semana seguida. Há quatro semanas, era de 3,50%. Para 2029, a estimativa seguiu em 3,50% pela 32ª semana consecutiva.
Selic

A mediana para a Selic no fim de 2026 continuou em 12,50% pela terceira semana seguida. Há um mês, era de 12,25%. Considerando só as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 12,50% para 12,75%.

A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 61.ª semana seguida. Considerando só as 54 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa caiu de 10,75% para 10,53%.

O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano, no mês passado. Foi a primeira redução da taxa de juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), recentemente. Ele disse que o “conservadorismo” da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.

“Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária.

No Focus desta segunda-feira, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,00% pela 12.ª leitura seguida. Já a estimativa para 2029 permaneceu em 9,75% pela segunda semana consecutiva. Há um mês, era de 9,50%.
Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,37, enquanto a projeção para a moeda no fim de 2027 recuou de R$ 5,45 para R$ 5,40. Há um mês, eram de R$ 5,40 e R$ 5,47, respectivamente.

Para o fim de 2028, a estimativa diminuiu de R$ 5,50 para R$ 5,46. Há quatro semanas, era de R$ 5,50. Para 2029, seguiu em R$ 5,50 pela terceira semana seguida. Há um mês, era de R$ 5,51.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Infomoney - SP   14/04/2026

A economia da China provavelmente recuperou algum ímpeto no primeiro trimestre devido às sólidas exportações, mas espera-se que o crescimento arrefeça durante o resto de 2026, conforme a crise do Oriente Médio ameaça sufocar os lucros das empresas e minar a demanda externa, segundo uma pesquisa da Reuters.

A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre é de 4,8% em relação ao ano anterior, acelerando frente à alta de 4,5% no trimestre de outubro a dezembro, segundo pesquisa da Reuters com 50 economistas.

Espera-se que o crescimento desacelere para 4,7% no segundo trimestre, arrastando a expansão do ano inteiro para 4,6% em 2026, em comparação com os 5,0% do ano passado, de acordo com a previsão mediana da pesquisa, em geral em linha com a meta oficial de 4,5% a 5,0%.
Até o momento, a China absorveu o choque econômico da guerra do Irã com perturbações limitadas, favorecida por grandes reservas de petróleo, um mix diversificado de energia e controles rígidos de preços. Mas economistas alertam que os preços do petróleo, persistentemente mais altos, já estão elevando os custos dos insumos e reduzindo os lucros em um momento em que a demanda interna continua fraca.

As exportações da China, um dos principais pilares do crescimento, poderão vacilar se o conflito se arrastar e prejudicar a economia global, acrescentaram.

‘Os preços mais altos do petróleo atingiriam a economia da China por meio de um choque nos termos de troca e da compressão das margens do downstream’, disseram analistas do Morgan Stanley em nota.

‘Mas, ao contrário de muitos outros países importadores líquidos de petróleo, que enfrentam interrupções na produção devido à escassez de energia e ao espaço restrito para políticas em meio à inflação elevada, a China está mais bem posicionada.’

No entanto, as tensões estão começando a aparecer. Os preços de fábrica da China subiram em março pela primeira vez em mais de três anos, um sinal inicial de que as pressões de custo impulsionadas pela energia estão se infiltrando na segunda maior economia do mundo e ameaçando as margens corporativas já reduzidas.

Espera-se que dados a serem divulgados na terça-feira mostrem que o crescimento das exportações da China arrefeceu em março, conforme os compradores que buscam um futuro impulsionado pela IA confrontam a dura realidade da guerra no Oriente Médio.

Em uma base trimestral, a previsão é de que a economia cresça 1,3% em janeiro-março, em comparação com o crescimento de 1,2% em outubro-dezembro, segundo a pesquisa.

O governo deve divulgar os dados do PIB do primeiro trimestre, juntamente com os dados de atividade de março, nesta semana.

O Estado de S.Paulo - SP   14/04/2026

Em uma economia muito endividada, ajuste fiscal e reformas pró-mercado não são caminhos rivais. São partes da mesma estratégia.

A economia brasileira está andando em gelo fino. Pelas projeções oficiais do Tesouro Nacional baseadas em hipóteses de mercado, a dívida bruta pode chegar a 115,4% do PIB em 2035 seguindo a política fiscal atual1. Ao mesmo tempo, mesmo após o corte da Selic para 14,75%, o país continua convivendo com juros reais muito altos, inflação esperada acima da meta e crédito caro. No setor privado, o aperto já aparece com clareza: 8,9 milhões de empresas encerraram 2025 inadimplentes, somando R$ 213 bilhões em dívidas. Esse é o pano de fundo da economia brasileira hoje: dívida alta, custo de capital alto e crescimento fraco.

Esse quadro ajuda a entender por que a economia brasileira parece sempre presa a um crescimento medíocre. O país até consegue reagir em alguns momentos, mas tem enorme dificuldade para sustentar uma trajetória longa de expansão. Em um policy paper que escrevi com Adolfo Sachsida2, partimos exatamente desse diagnóstico: o Brasil precisa estabilizar as contas públicas, mas precisa fazer isso sem matar a possibilidade de crescimento. A conclusão central é simples: a saída não está em escolher entre estabilização e crescimento, mas em combinar as duas coisas numa mesma estratégia.

A intuição vem da literatura acadêmica que estuda milagres econômicos. Robert Lucas, ganhador do Nobel e um dos maiores economistas da história, estudou esse fenômeno e concluiu que grandes acelerações de crescimento exigem transformações que preservem retornos elevados à acumulação3. Já nos modelos de crescimento com economia aberta4, o livre mercado de bens reduz a força dos retornos decrescentes locais e permite que o investimento continue gerando crescimento por mais tempo. Em linguagem simples: milagres econômicos não surgem apenas porque um país "investe mais". Eles surgem quando há poupança para investir e, ao mesmo tempo, um ambiente econômico que mantém alto o retorno desse investimento.

É aqui que aparece o problema tipicamente brasileiro. No nosso caso, abertura econômica ou reformas isoladas não bastam. O motivo é direto: o Brasil tem baixa poupança doméstica e, pior, o governo absorve uma parcela crescente dessa poupança para financiar sua própria dívida. Em uma economia altamente endividada, não se pode supor que mais poupança vá automaticamente para o investimento produtivo. Uma parte relevante continua sendo desviada para o financiamento do setor público. Foi justamente esse elemento que incorporamos ao paper: além do mecanismo clássico de abertura e produtividade, colocamos no centro da análise o fato de que a dívida pública disputa recursos com o investimento privado.

A implicação é importante. O ajuste fiscal, quando baseado em disciplina de despesas públicas e não em mais impostos, cumpre uma função essencial: ele libera poupança do setor público para o setor privado. Em vez de o governo continuar absorvendo recursos para rolar dívida e pagar seu custo de financiamento, uma fração maior da poupança doméstica passa a poder sustentar investimento privado. É assim que o ajuste fiscal resolve o problema da escassez de poupança. Mas essa é apenas uma parte da história. Sozinho, o ajuste melhora a solvência, porém não garante um grande salto de crescimento. Para que a poupança liberada vire expansão robusta, é preciso elevar o retorno marginal do capital. E isso exige reformas pró-mercado e maior abertura econômica.

No paper, tratamos abertura econômica em sentido amplo. Não se trata apenas de reduzir tarifas. Trata-se também de melhorar a segurança jurídica, reduzir a incerteza regulatória, simplificar o ambiente de negócios, ampliar a concorrência, diminuir a má alocação de recursos, facilitar o acesso a insumos importados e tecnologia, e integrar o Brasil de forma mais consistente às cadeias globais. Em termos econômicos, tudo isso atua na mesma direção: faz com que o investimento privado renda mais e por mais tempo. Em outras palavras, o ajuste fiscal libera a poupança; a agenda pró-mercado melhora o uso dessa poupança.

Essa complementaridade aparece com clareza nas simulações do paper. No cenário sem reformas, a economia começa com crescimento de 2% ao ano, mas não sustenta esse ritmo. Ao longo da transição, o aumento da dívida vai drenando recursos, e o crescimento médio em dez anos cai para 1,71%, enquanto a dívida bruta sobe para 115,4% do PIB. Esse é o cenário descrito pelo Tesouro Nacional em seus relatórios na conjuntura atual. É um equilíbrio ruim: mais dívida, menos espaço para investimento e crescimento cada vez mais fraco.

Quando simulamos apenas abertura econômica, os resultados melhoram, mas de forma insuficiente para resolver o problema fiscal. Um corte de 30% na tarifa-equivalente da economia eleva o crescimento médio da década para 2,12% e reduz a dívida para 108,7% do PIB. Ou seja: a abertura ajuda, mas não basta. Ela melhora o ambiente de investimento, porém não cria, sozinha, a poupança de que o país precisa.

Quando simulamos apenas ajuste fiscal, também há melhora, sobretudo nas contas públicas. Um ajuste de 3 pontos percentuais do PIB no resultado primário reduz a dívida para 79,4% do PIB em dez anos. Mas o crescimento médio sobe apenas para 1,83%. Isso revela um ponto central do debate brasileiro: o ajuste, isoladamente, pode estabilizar a dívida, mas não é suficiente para produzir uma aceleração forte e duradoura da economia.

Os resultados mais fortes aparecem justamente quando as duas agendas caminham juntas. No cenário que combina um ajuste fiscal de 3 pontos do PIB com uma redução de 30% na tarifa-equivalente, o crescimento médio em dez anos sobe para 2,30%, o PIB ao final do período fica 9,8% acima do cenário sem reforma, e a dívida cai para 68,4% do PIB. Mesmo em cenários intermediários, a mensagem é a mesma: com ajuste de 2 pontos e abertura de 20%, o crescimento médio vai para 2,08% e a dívida cai para 84,1% do PIB. Não se trata de previsão pontual, mas de uma direção econômica muito clara: fiscal e reformas pró-mercado se reforçam mutuamente.

Essa é, no fundo, a principal contribuição do paper para o debate brasileiro. O país não precisa escolher entre responsabilidade fiscal e crescimento. Precisa, isso sim, abandonar a ideia de que uma dessas agendas substitui a outra. Abertura econômica sem ajuste fiscal esbarra na falta de poupança e no peso da dívida. Ajuste fiscal sem reformas pró-mercado libera recursos, mas não garante que eles serão convertidos em investimento produtivo com força suficiente. O caminho mais promissor é a combinação das duas coisas.

Por isso, a discussão correta não é se o ajuste é "contrário ao crescimento" ou se as reformas pró-mercado podem esperar para depois. A discussão correta é como desenhar um programa em que disciplina de gastos, melhora do ambiente de negócios e integração econômica avancem ao mesmo tempo. Para um país altamente endividado como o Brasil, essa não é uma opção ideológica. É uma questão de aritmética econômica.

A boa notícia é que essa agenda não pede um milagre no sentido místico da palavra. Ela pede coordenação, clareza de prioridades e compreensão do mecanismo econômico. A poupança precisa ser liberada do setor público. E o investimento privado precisa encontrar um ambiente em que valha a pena crescer. Quando essas duas engrenagens giram juntas, o crescimento deixa de ser apenas um desejo e passa a ser uma possibilidade concreta.

IstoÉ Dinheiro - SP   14/04/2026

Nas duas primeiras semanas de abril, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações brasileiras saltaram 42,2%. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 13, pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A balança comercial brasileira passou a acumular superávit de US$ 6,748 bilhões em abril, um crescimento de 151,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado das duas primeiras semanas de abril deste ano é decorrente de US$ 14,879 bilhões em exportações e US$ 8,131 bilhões em importações.

A parcial de abril já garante um superávit maior que o registrado em cada um dos três primeiros meses já fechados de 2026: janeiro fechou com superávit de US$ 3,732 bilhões, fevereiro teve superávit de US$ 4,038 bilhões e março registrou superávit de US$ 6,405 bilhões.

O que puxou a alta das exportações

Entre os setores, o que registrou a maior alta nas exportações na parcial de abril foi o da Indústria Extrativa, que inclui petróleo e minério de ferro, cujas vendas somaram US$ 4,52 bilhões, alta de 83,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A agropecuária registrou crescimento de 29,1% nas exportações e somou US$ 3,59 bilhões. Por fim, a Indústria de Transformação teve aumento de 29,8%, com um total de US$ 6,69 bilhões em vendas para outros países.

O desempenho dos setores foi o seguinte: alta de 29,1% em Agropecuária, que somou US$ 3,591 bilhões; crescimento de 83,8% em Indústria Extrativa, que somou US$ 4,517 bilhões; e, por fim, alta de 29,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 6,694 bilhões.

A expansão das exportações foi puxada, principalmente, pelo crescimento dos seguintes produtos: Milho não moído, exceto milho doce (330,9%), Soja (31,5%) e Algodão em bruto ( 51,1%) na Agropecuária; Minério de ferro e seus concentrados (15,9%), Minérios de cobre e seus concentrados (231,3%) e Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (101,0%) na Indústria Extrativa ; Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (39,0%), Bombas, centrífugas, compressores de ar, ventiladores, exaustores, aparelhos de filtrar ou depurar e suas partes (964,1%) e Ouro, não monetário (excluindo minérios de ouro e seus concentrados) ( 98,6%) na Indústria de Transformação.

Em relação às importações, houve alta de 4,5%, na mesma comparação. Foi registrada queda de 33,4% em Agropecuária, que somou US$ 131 milhões; redução de 9,0% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 346 milhões; e, por fim, alta de 6,7% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 7,623 bilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   14/04/2026

O mercado de capitais superou os bancos como fonte principal de crédito para as empresas pela primeira vez na história no Brasil, em 2025, segundo dados do Banco Central e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em estudo da Rio Bravo Investimentos.

Os números mostram uma forte expansão do estoque de crédito não bancário, que compreende debêntures, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), notas comerciais e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs).

Esses papéis atingiram no ano passado um estoque de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 23% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto os bancos ofereceram R$ 2,6 trilhões no mesmo período, aproximadamente 22% do PIB. Há dez anos, o mercado de capitais representava a metade do volume de crédito bancário vendido às pessoas jurídicas.

O aumento é reflexo da queda de juros observada ainda no período de 2016 a 2021, que impulsionou o mercado de capitais com investidores em busca de outros canais, somado a fatores como apetite por risco e incentivos fiscais, segundo o levantamento.

“A queda dos juros trouxe uma cultura de crédito que antes estava concentrada em empresas muito específicas; e, de lá para cá, o Brasil começou a ter um crescimento exponencial na oferta de crédito em modalidades diferentes”, diz José Alfaix, economista da Rio Bravo e um dos autores do estudo. “A mudança ocorreu porque havia falta de oferta de crédito mais flexível para empresas importantes, e surgiu uma versatilidade que dentro dos bancos não era oferecida.”

A emissão de debêntures incentivadas mais que dobrou de 2023 para 2024 e continuou crescendo no ano seguinte. Esses títulos são dívidas de longo prazo emitidas por empresas ou projetos de infraestrutura considerados prioritários pelo governo federal. As debêntures desfrutam de isenção tributária para pessoas físicas e redução de impostos no nível de pessoas jurídicas.

Tradicionalmente, projetos de longo prazo em setores como transporte, saneamento e energia elétrica dependiam de crédito subsidiado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De 2023 para cá, as emissões privadas ultrapassaram os desembolsos públicos na área de infraestrutura.

Outro mercado em ascensão são os FIDCs. Esses fundos são flexíveis e podem comprar praticamente qualquer título ou cédula bancária e oferecer cotas a investidores. Na maior parte dos casos, esses veículos compram valores que empresas têm para receber e vendem esses créditos no mercado.

É o caso, por exemplo, de precatórios (que tramitam na Justiça) oriundos de ações contra a União, Estados e municípios e carteiras de empréstimos. Quem tem valores para receber vende o crédito e recebe um valor menor antecipadamente. Quem compra fica com aquele crédito e vende no mercado. O estoque de FIDCs no Brasil era de R$ 78 bilhões em 2013 e alcançou R$ 734 bilhões em 2025.

Para o economista Camillo Bassi, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a mudança é estrutural e os bancos deixaram de ser os grandes ofertantes de crédito no Brasil. Os juros não explicam a migração, que é muito mais motivada pela flexibilidade para escolher investimentos e as formas de crédito e de pagamento, tanto para quem está vendendo quanto para quem está comprando, segundo ele.

“Quem vai muito no mercado de capitais é uma indústria de carnes, por exemplo. Não porque ela é negativa em relação ao banco, ou que não tenha acesso ao banco, mas é um caminho alternativo. No mercado de capitais, ela tem condições de estipular a maturidade do financiamento e, o que é extremamente importante, as garantias”, diz o especialista. “O banco é fechado nos pontos colaterais. No mercado de capitais, a empresa consegue negociar muito mais.”

Bassi ressalta que o mercado de capitais tem tudo para crescer ainda mais, porém, ainda está restrito a grandes investidores, separados em duas categorias, os investidores qualificados, que investem mais de R$ 1 milhão, e os investidores profissionais, que colocam mais de R$ 10 milhões. “Os fundos não abrem acesso ao investidor de varejo, e não é por um óbice legal. Ainda existe um exclusivismo porque é mais fácil movimentar R$ 1 milhão do que R$ 1.”

Crescimento do mercado de capitais não é ruim para os bancos, diz Febraban

O estudo aponta que o protagonismo do mercado de capitais abriu espaço no balanço dos bancos para empresas menores e pessoas físicas, não atendidas pelos fundos de investimentos.

Além disso, as instituições bancárias se adaptaram ao mudar o modelo de operação, antes concentrado em originar, carregar e gerir o crédito até o vencimento, e começaram a também repassar esses créditos, tirando o risco de seus balanços.

De acordo com o gerente de Assuntos Econômicos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Luiz Castelli, o desenvolvimento do mercado de capitais no País é positivo e amplia as opções de financiamentos para a economia brasileira.

“Não significa que seja ruim para os bancos porque eles também participam. O banco pode ser o originador do crédito e ter a receita da originação e não precisa correr todo o risco de segurar uma debênture, por exemplo, na carteira dele. É mais uma forma de diversificar receita e operação e até mais importante do que concentrar tudo em crédito bancário.”

Castelli aponta como principais motivos da migração a mudança da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para a Taxa de Longo Prazo (TLP) no governo Michel Temer (2017), que alterou a forma como o BNDES calcula os juros de seus empréstimos, o incentivo a outras formas de investimentos no período de redução da taxa básica de juros (Selic) e a demanda por títulos isentos de tributação, como CRIs, CRAs e debêntures incentivadas, especialmente para pessoas físicas.

“A migração da captação das empresas via mercado de capitais vai na direção de economias desenvolvidas. É o que vemos em economias mais maduras, como os Estados Unidos, onde o mercado de crédito privado é muito grande”, diz o gerente da Febraban.
Mercado de capitais precisa ser melhor regulado, diz estudo

O estudo da Rio Investimento aponta algumas preocupações com o crescimento do mercado de capitais. O alerta existe pela diminuição de controle e de fiscalização nessas operações.

O Banco Master, liquidado no ano passado, utilizava os FIDCs para adquirir e escoar investimentos, mas a Polícia Federal e o Banco Central detectaram operações simuladas para praticar crimes como lavagem de dinheiro. O Ministério da Fazenda começou a elaborar uma medida dando poder ao Banco Central para fiscalizar os fundos de investimentos, que hoje estão nas mãos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Os bancos são fiscalizados e regulados pelo Banco Central, que tem uma estrutura de fiscalização muito mais decente e elaborada, e o crédito não bancário não tem o mesmo grau de exigência. Isso deveria levar a um ajuste para alguns casos, como os FIDCs, que se beneficiam muito de não ter o mesmo ônus de capital regulatório do crédito originário dos bancos”, afirma José Alfaix.

Money Times - SP   14/04/2026

A semana no mercado financeiro começa com tensão após o fracasso do acordo de paz entre os Estados Unidos e Irã. Nesta manhã, o dólar e o juros futuros avançavam em meio à alta do petróleo.

No Giro do Mercado, a jornalista Giovana Leal recebe Laís Costa, analista da Empiricus Research para comentar os principais destaques do dia.

Os economistas revisaram para cima as expectativas de inflação (IPCA). Segundo o Boletim Focus, a expectativa é que o IPCA feche 2026 em 4,71%, acima da meta perseguida pelo Banco Central.

“Ocorreu uma queda de percepção sobre a duração da guerra, então o mercado via uma inflação mais alta, explicada pelos efeitos do conflito, mas ela estava muito contida, principalmente neste ano. O Focus apontou que as consequências podem começar mais rápido”, explicou Costa.

De acordo com a especialista, quanto mais rápido a guerra acabar, mais fácil seria a criação de um gatilho de queda, especialmente com a expectativa de corte de juros mais baixa. “Mas sendo muito honesta, nos parece que o Banco Central tem mantido essa postura mais propensa a corte de juros, então uma possível mudança da guerra traria a expectativa de juros rapidamente mais para baixo e não traria uma apreciação tão forte da moeda”, ressaltou a especialista.

Em relação ao corte de juros, Costa ainda aposta em um corte de 25 pontos percentuais, “pois existe claramente uma propensão do Banco Central de continuar cortando juros, dado que ele tem sinalizado isso muito veementemente, apesar dos números de inflação mais elevados”.

Do lado eleitoral, a nova pesquisa do Datafolha apresentou um acirramento na disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, Flávio abre vantagem sobre o petista, com 46% de intenção de voto, comparado a 45%.

No cenário internacional, EUA e Irã não chegaram a um acordo nas negociações pelo fim da guerra. Donald Trump fez novas ameaças ao Irã e hoje de manhã começou a bloquear os portos e áreas costeiras do país.

MINERAÇÃO

Valor - SP   14/04/2026

Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa, fechou cotado a US$ 111,82

Os preços do minério de ferro interromperam nesta segunda-feira (13) uma sequência de seis sessões consecutivas de queda à medida que as siderúrgicas chinesas retomam a sua produção.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa, fechou em alta de 1,26%, cotado a 763,50 yuans (US$ 111,82).

Quedas significativas nos preços das matérias-primas impulsionaram os lucros das usinas, ajudando a elevar a produção de ferro-gusa, afirma a Nanhua Futures.

Eles observam que com o maior consumo da commodity metálica e os baixos estoques nas siderúrgicas, há espaço para um movimento adicional de recomposição nos preços.

Máquinas e Equipamentos

Eae Máquinas - SP   14/04/2026

O mercado global de máquinas pesadas vive um momento de expansão, impulsionado por investimentos em infraestrutura, mineração, energia, agronegócio e logística. Na América Latina, com destaque para o Brasil, esse cenário cria oportunidades relevantes para fabricantes de equipamentos e suas redes de concessionárias, que assumem um papel cada vez mais estratégico no desenvolvimento econômico regional.

Segundo análises de organismos multilaterais como o Banco Mundial, o BID e a CEPAL, além de dados de instituições brasileiras como IBGE e BNDES, a América Latina mantém uma agenda consistente de investimentos em infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas, além da modernização do setor agrícola. No Brasil, projetos voltados à infraestrutura logística, saneamento e energia reforçam a demanda por máquinas robustas, eficientes e preparadas para operar em aplicações severas, onde produtividade e confiabilidade são fatores decisivos.

Esse ambiente favorável se refletiu diretamente nos resultados da Link-Belt. Em 2025, a companhia registrou crescimento de 31% nos negócios no Brasil e na América Latina, superando as metas estabelecidas e consolidando sua presença na região. Mesmo diante de um ambiente competitivo, marcado pela forte presença de fabricantes chineses, instabilidades econômicas e desafios políticos, a empresa manteve investimentos, ampliou sua rede de distribuição e fortaleceu o relacionamento com clientes e parceiros.

Para 2026, a empresa projeta crescimento adicional de 20%, com foco na entrada em novos mercados da América Latina, reforço da equipe regional e fortalecimento da atuação junto aos distribuidores. A estratégia inclui ainda investimentos em vendas e pós-vendas, programas de demonstração técnica, ampliação do período de garantia dos equipamentos e ações voltadas à competitividade comercial.

“Estamos diante de um mercado mais exigente, que busca produtividade, confiabilidade e suporte técnico de alto nível. A expansão da infraestrutura na América Latina e no Brasil cria um ambiente muito favorável para os fabricantes que conhecem as particularidades locais e atuam de forma próxima aos clientes”, afirma Maysa Ribas, gerente de marketing da Link-Belt para a América Latina.

Segundo a executiva, o crescimento recente da companhia está diretamente ligado à evolução do papel dos distribuidores. “Mais do que vender equipamentos, a rede precisa oferecer soluções completas, com foco no custo total de operação, disponibilidade de máquinas, suporte técnico e relacionamento ao longo de todo o ciclo de vida do produto. Esse é um diferencial competitivo cada vez mais valorizado pelo mercado”, destaca.

Outro fator que ganha relevância é a busca por maior eficiência operacional e sustentabilidade. Embora a transição para tecnologias de menor emissão ocorra de forma gradual na região, clientes já priorizam equipamentos com menor consumo de combustível, maior durabilidade e desempenho consistente em operações severas – características essenciais em segmentos como infraestrutura, mineração e agronegócio.

Nesse contexto, a expansão do mercado de máquinas pesadas na América Latina representa não apenas o aumento da demanda por equipamentos, mas uma oportunidade para fabricantes e distribuidores consolidarem parcerias de longo prazo, ampliarem investimentos em inovação e profissionalização da rede e contribuírem para o avanço da infraestrutura e da economia regional.

Sobre a LBX Company

A matriz da LBX está localizada em Lexington, no Estado do Kentucky (EUA) e suas origens datam de 1874. A marca é sinônimo de equipamentos inovadores para as indústrias florestal, reciclagem, demolição e de manuseio de materiais.

Atua nas Américas, de Norte a Sul, atendendo a uma base de clientes leais em parceria a uma forte rede de distribuidores. Por intermédio dos distribuidores, são fornecidos treinamentos, peças, serviços e suporte técnico para os proprietários de equipamentos Link-Belt.

Sobre a Link-Belt Latin America

As escavadeiras Link-Belt® chegaram na América Latina em 2004, mas ganharam ainda mais espaço no mercado latino-americano a partir de 2012, quando a LBX do Brasil, subsidiária da americana Link-Belt Excavator Company, empresa do grupo japonês Sumitomo, se estabeleceu na cidade de Sorocaba (SP). Desde então, os equipamentos têm aliado a tradição da marca americana de 150 anos de história com a tecnologia e qualidade consagradas da indústria japonesa.

Grupo Sumitomo

A Sumitomo Corporation é uma empresa japonesa líder de comércio e investimento global, com negócios em mais de 60 países, 886 companhias e mais de 70 mil colaboradores. A Corporação Sumitomo está há 28 anos na lista da Fortune Global 500, publicação anual norte-americana da Revista Fortune, como uma das empresas globais que lideram o desenvolvimento mundial.

Frota e Cia - SP   14/04/2026

O Grupo KMR anunciou a ampliação de horizontes com a criação a HVR MAC, sua própria marca de máquinas pesadas destinada ao mercado de linha amarela. A nova empresa entra em operação com um portfólio abrangente que inclui tratores de até 90 hp, escavadeiras hidráulicas nas classes de 6,5 e 22,3 toneladas, mini escavadeiras com faixa operacional de 1,5 a 4,5 toneladas, uma retroescavadeira de 110 hp, pá-carregadeira com capacidade de carga nominal de 3 mil quilos e mini carregadeiras projetadas para até 1,2 tonelada de capacidade operacional.

Segundo a marca, o lançamento oficial ocorrerá durante a Intermodal South America, maior feira de logística, intralogística e comércio exterior das Américas, que se realiza entre 14 e 16 de abril no Distrito Anhembi, em São Paulo, onde a marca exporá seus primeiros modelos ao público especializado.

A incursão no segmento de linha amarela representa uma das mais expressivas diversificações do Grupo KMR desde sua fundação, e tem como alicerce a estrutura logística, comercial e de serviços que a companhia já havia consolidado em Itajaí (Santa Catarina) por meio da Heli Brasil, sua divisão de empilhadeiras e equipamentos para movimentação de cargas. O grupo mantém ainda a Harden, voltada ao fornecimento de ferramentas manuais e elétricas para aplicações industriais e profissionais, o que demonstra a capilaridade operacional já conquistada.

De acordo com Débora Costa Bettoni, CEO da divisão de máquinas do Grupo KMR, a criação da HVR MAC insere-se em um ciclo de expansão planejado e responde a demandas reprimidas em setores estratégicos da economia brasileira. “A HVR MAC representa um passo estratégico dentro de um ciclo de expansão do Grupo KMR. Após atingir um novo patamar de atuação, a companhia entra agora em um segmento relevante da economia brasileira com uma marca própria, desenvolvida para o mercado nacional e apoiada em estrutura de vendas, suporte técnico, entrega eficiente e pós-venda de excelência”, afirma a executiva.
Nichos de mercado

O direcionamento comercial da HVR MAC foi estruturado prioritariamente sobre dois grandes eixos de demanda. O primeiro deles é o agronegócio, para o qual a linha oferece tratores de média potência e equipamentos complementares destinados a operações de apoio, manutenção de propriedades rurais, sistemas de drenagem, abertura e limpeza de valas, além da movimentação controlada de materiais a granel e insumos.

O segundo eixo abrange os setores de construção civil e infraestrutura, abarcando desde obras de médio e grande porte até intervenções urbanas de menor escala, como saneamento básico, manutenção de rodovias, terraplenagem, escavação para redes subterrâneas e carregamento em canteiros.

Débora Costa Bettoni detalhou a filosofia técnica que orientou a composição do portfólio inicial. “A HVR MAC foi estruturada para atender aplicações distintas dentro de um mesmo ambiente produtivo. O portfólio vai de mini escavadeiras para áreas de acesso restrito até escavadeiras de 22 toneladas para operações mais pesadas, além de tratores, retroescavadeira, pá-carregadeira, mini escavadeiras e mini carregadeiras para variados setores. Nossa proposta foi montar uma linha versátil, com robustez operacional e capacidade de resposta para diferentes realidades de campo e de obra”, explica a CEO.

A estratégia comercial da HVR MAC, segundo a executiva, não se limita à oferta de equipamentos com especificações competitivas. O plano de negócios prevê a replicação do modelo que já garantiu a liderança da Heli Brasil no segmento de empilhadeiras elétricas, com ênfase em disponibilidade operacional e capilaridade de atendimento. “Em um setor no qual a parada da máquina afeta cronograma, produtividade e custo operacional, o pós-venda deixa de ser acessório e passa a compor a proposta central de valor”, conclui Débora.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   14/04/2026

A Nissan vive momento delicado em âmbito global, mas a situação no Brasil requer atenção especial. Embora tenha emplacado 77.808 mil veículos em nosso mercado em 2025, a fabricante sofre com a concorrência chinesa e admite que passa por crise no país.

“Estamos tendo dificuldades no Brasil”, fez um mea culpa Ivan Espinosa, CEO global da Nissan, durante entrevista concedida em Yokohama, no Japão. O executivo ressaltou ainda que, por ora, a empresa quer surfar a onda de Kicks e Kait para obter melhor resultado e já prepara terreno para novos produtos — como N7 e Frontier híbrida.

Os dois modelos foram desenvolvidos na China por meio da parceria que a Nissan tem com a Dongfeng. E não serão os primeiros nem os últimos que a fabricante nipônica lançará no Brasil com DNA parecido.

“Teremos mais produtos desenvolvidos na China no mercado brasileiro [o NX8 é uma das possibilidades]. Temos problemas para enfrentar as montadoras de origem chinesa, muito agressivas em regiões como o Brasil. Portanto, vamos utilizar armas parecidas”, pontuou o executivo.

Espinosa comentou, porém, que tal estratégia pode ser um tiro no pé se levarmos em consideração a produção local. “Não é o ideal, mas temos que lidar com esse cenário para recuperar forças no Brasil”, comentou.

O combate de fogo contra fogo com as montadoras chinesas não é um movimento inédito. Fabricantes tradicionais como Stellantis, Chevrolet e Volkswagen já vendem (ou pretendem comercializar) produtos do país asiático em nosso mercado.

Para completar CEO global da Nissan disse ainda que o sucesso da companhia em nosso país passa pelas mãos de Christian Meunier — chairman para as Américas. Meunier foi presidente da montadora para o Brasil entre 2009 e 2012 e viu a companhia passar de menos de 1% de market share para 3,2% à época de sua saída.

Desde então, a fabricante oscilou e chegou a um patamar de estagnação. A Nissan fechou 2025 participação de 3% se levarmos em consideração automóveis e comerciais leves. Foi ultrapassada com certa facilidade, por exemplo, pela BYD, que teve 112.814 unidades licenciadas no país no ano passado, com share de 4,4%.

Com os produtos de origem chinesa e também com a eletrificação por meio de veículos com a tecnologia e-Power ou com autonomia estendida, a Nissan pretende ampliar e renovar em 40% seu portfólio no Brasil até 2027. Desse modo, pretende aumentar as vendas e segurar o ímpeto de BYD, GWM e outras tantas fabricantes que invadiram o país nos últimos anos.

Veja - SP   14/04/2026

A nova crise energética global provocada pela guerra envolvendo o Irã já começa a redesenhar o mercado automotivo.

Em março, as exportações de veículos elétricos e híbridos da China mais que dobraram, impulsionadas pela alta do petróleo e pela busca global por alternativas mais baratas e previsíveis de energia.

Dados da associação chinesa de veículos de passageiros mostram que os embarques ao exterior saltaram 140% na comparação anual, atingindo um recorde de 349 mil unidades no mês.
Gigantes chinesas lideram avanço global

O crescimento foi puxado por montadoras como BYD, que respondeu por cerca de um terço das exportações, além de Geely e Chery.

O desempenho reforça a consolidação da China como principal polo global de veículos elétricos, ampliando sua presença em mercados da Ásia, Europa e América Latina.

A valorização das ações dessas empresas acompanhou o movimento, refletindo a expectativa de que a crise energética prolongue a demanda internacional.
Petróleo caro reacende interesse por elétricos

A disparada dos preços do petróleo, que voltou a se aproximar dos US$ 100 por barril, tem levado consumidores a reconsiderar veículos elétricos e híbridos.

Em diversos mercados asiáticos, concessionárias registraram aumento no fluxo de clientes em busca de proteção contra a volatilidade dos combustíveis fósseis.

O fenômeno remete a movimentos históricos.

Durante a crise do petróleo nos anos 1970, montadoras japonesas ganharam espaço global ao apostar em carros mais eficientes. Agora, analistas veem um paralelo com a ascensão dos elétricos chineses.

Além da Ásia, dados recentes do Reino Unido indicam recorde de vendas de carros elétricos em março, sinalizando que o efeito pode ser global.
Crise no Golfo acelera transição energética

O pano de fundo dessa mudança está na instabilidade no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo.

A ameaça de bloqueios e interrupções logísticas elevou os preços e aumentou a percepção de risco associada aos combustíveis fósseis.

Nesse contexto, veículos elétricos passam a ser vistos não apenas como uma escolha ambiental, mas também econômica e estratégica.

Mercado interno chinês perde fôlego

Apesar do boom nas exportações, o cenário doméstico na China é mais frágil. As vendas internas de veículos elétricos e híbridos caíram 14% em março, marcando o terceiro mês consecutivo de retração.

Montadoras enfrentam uma combinação de fatores adversos, como redução de subsídios, menor poder de compra dos consumidores e desaceleração econômica.

A Tesla, que mantém uma grande fábrica em Xangai, viu suas vendas no mercado chinês caírem 24% no período, apesar de um leve aumento nas exportações. Já a BYD registrou queda superior a 40% nas vendas domésticas.
Pressão por preços e mudança de consumo

O fim de incentivos governamentais para troca de veículos antigos afetou especialmente os modelos mais baratos, como sedãs compactos e hatchbacks, cujas vendas recuaram de forma significativa.

Analistas apontam que o aumento do custo de vida e a incerteza econômica têm levado consumidores chineses a adiar compras, mesmo em um segmento considerado estratégico pelo governo.

Ainda assim, veículos de “nova energia” continuam performando melhor do que carros a combustão no mercado interno.
Disputa global ganha novo capítulo

O avanço das exportações chinesas ocorre em um momento de crescente competição com fabricantes ocidentais, incluindo a própria Tesla, e levanta preocupações em mercados como Europa e Estados Unidos sobre dependência industrial e concorrência.

Ao mesmo tempo, reforça o papel da China como protagonista na transição energética global, especialmente em um cenário em que crises geopolíticas tornam o petróleo mais caro e instável.
Entre crise e oportunidade

A combinação de choque energético e capacidade industrial coloca as montadoras chinesas em posição privilegiada.

Enquanto o mundo enfrenta incertezas no abastecimento de petróleo, a China amplia sua presença em um setor considerado chave para o futuro da mobilidade.

Se a crise no Oriente Médio persistir, o atual salto nas exportações pode não ser apenas um pico momentâneo, mas o início de uma nova fase de expansão global dos veículos elétricos.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Revista Infra - SP   14/04/2026

A escassez de mão de obra na construção civil deixou de ser um problema pontual e passou a afetar diretamente a capacidade de execução das obras. Segundo a sondagem da construção do FGV IBRE, 41,6% das empresas apontaram, em fevereiro de 2026, a falta de profissionais como um fator limitante para os negócios, o maior nível para o mês desde 2011. O impacto já é visível no dia a dia dos canteiros. De acordo com a pesquisa Panorama da Mão de Obra na Construção Brasileira, da Grua Insights, 75% das empresas precisaram rever prazos de obra nos últimos meses por conta da escassez de profissionais.

Mas, na prática, o problema vai além da dificuldade de contratação. O que começa a chamar a atenção das empresas é o efeito indireto da rotatividade, que é a perda de conhecimento ao longo da execução. Em muitos projetos, decisões técnicas, alinhamentos com fornecedores e critérios de execução continuam concentrados na memória individual. Quando há troca de equipe, esse histórico simplesmente desaparece e a obra passa a operar como se estivesse recomeçando.

“Quando o conhecimento não está estruturado, ele sai junto com a pessoa. E aí não é só uma vaga em aberto, é o projeto que perde direção”, afirma Bárbara Kemp, arquiteta e cofundadora da Kemp Gerenciamento de Obras e Projetos, empresa especializada em gestão de múltiplas obras simultâneas.

O impacto tende a ser mais intenso na construção civil do que em outros setores. Diferente de áreas com processos mais contínuos, a obra depende de uma sequência precisa de atividades, com múltiplos fornecedores atuando em momentos específicos. Quando há ruptura de informação, o efeito é imediato. Cada novo profissional que entra no projeto precisa reconstruir o contexto, entender o estágio da obra, as decisões já tomadas e os critérios técnicos adotados. Enquanto isso, a operação passa a reagir a problemas, em vez de antecipá-los. “Você perde velocidade, perde consistência e começa a apagar incêndio. E isso tem impacto direto no prazo e no custo”, diz Bárbara.

Na prática, isso se traduz em retrabalho, renegociação com fornecedores e reinterpretação de decisões já tomadas. Em alguns casos, empresas voltam aos próprios parceiros para recuperar informações que não foram registradas internamente. “O fornecedor acaba virando a memória do projeto”, afirma.

Diante desse cenário, algumas empresas começam a rever a forma como organizam suas operações. A principal mudança é estrutural, saindo de um modelo baseado em pessoas para um modelo baseado em processo. Isso significa registrar decisões, organizar informações de forma acessível e reduzir a dependência de conhecimento individual. A lógica é transformar a memória da obra em um ativo do projeto, e não em um risco operacional. “Projetos que dependem de pessoas são frágeis. Projetos que dependem de processo são resilientes”, resume Bárbara.

Esse movimento também tem impulsionado a adoção de ferramentas de gestão capazes de consolidar cronogramas, histórico de decisões e documentação técnica em um único ambiente. A proposta é garantir continuidade mesmo em cenários de troca de equipe, reduzindo a dependência de e-mails, planilhas isoladas ou da memória individual. Entre as soluções adotadas nesse contexto está o Workemp, plataforma desenvolvida a partir da experiência da Kemp na gestão de múltiplas obras simultâneas. A ferramenta organiza informações, decisões e registros técnicos ao longo de toda a execução, permitindo que o projeto mantenha continuidade mesmo com mudanças de equipe. “Quando a informação está organizada, a saída de alguém deixa de ser um colapso e passa a ser uma transição”, afirma.

A tendência acompanha um movimento mais amplo do setor. Segundo a Grua Insights, a maioria das empresas já planeja aumentar investimentos em tecnologia e metodologias de gestão, justamente para reduzir a dependência de mão de obra e ganhar previsibilidade.

Esse debate ganha ainda mais relevância diante de um problema histórico do setor. Estudos da McKinsey e de entidades como o PMI indicam que a maioria dos projetos de construção no mundo sofre atrasos e estouros de orçamento, reflexo de baixa previsibilidade, falhas de coordenação e gestão fragmentada. Em um ambiente marcado por escassez de profissionais e alta rotatividade, o desafio deixa de ser apenas contratar e reter pessoas. Passa a ser garantir que o conhecimento permaneça no projeto.

Quando decisões se perdem, equipes mudam sem transição e o histórico da obra não é preservado, o projeto deixa de evoluir de forma contínua e passa a operar em ciclos de retrabalho. O resultado é conhecido com os prazos que se alongam, custos aumentam e a previsibilidade desaparece. Em um mercado que representa uma parcela relevante da economia brasileira, esse tipo de ineficiência não afeta apenas empresas, mas compromete a competitividade do setor como um todo. “Hoje, tão desafiador quanto perder profissionais é perder controle”, conclui Bárbara.

Exame - SP   14/04/2026

Quando um executivo alcança o topo de uma organização, a trajetória que o levou até ali quase nunca é linear. Na verdade, é um percurso marcado por desvios e mudanças de rota: passagens por empresas de diferentes portes, setores ora em expansão, ora sob pressão, e decisões tomadas em contextos de incerteza.

Pelo menos foi esse o percurso que marcou a trajetória de Ronaldo Motta, vice-presidente de Engenharia e Produção da MRV, uma das grandes construtoras do país, que já entregou mais de 540 mil chaves em 46 anos.

“Entrei em 2020. Era, na teoria, a década de ouro. Taxas de juros baixas, déficit habitacional gigante e a MRV como vencedora nesse segmento”, conta o executivo. “Só esquecemos de combinar isso com o Coronavírus”, brinca.

Motta chegou à companhia em um momento desafiador com a missão de liderar a área responsável pela originação de novos negócios e pela transformação de terrenos em empreendimentos. Para ele, é uma missão que o enche de orgulho.

“Somos, de longe, a empresa que mais construiu casas e apartamentos no Brasil, empregando diretamente mais de 30 mil pessoas. O que a gente faz é construir os sonhos que transformam o mundo”, diz.

Para quem sonha ocupar a posição que Motta ocupa hoje não há fórmulas prontas. Há, para ele, uma combinação de estudo, trabalho e constância.

Com passagens por telecom, varejo e construção, Ronaldo Motta construiu uma trajetória marcada por transições e revela o fator que sustentou sua ascensão ao topo (Arquivo Pessoal)

“Se você se propõe a fazer alguma coisa, qualquer que seja aquela coisa, seja o melhor fazendo aquilo. Entregue a sua melhor versão. Não espere amanhã para ser a sua melhor versão”, diz.

Antes da construção civil, Motta passou 13 anos no setor de telecomunicações e depois quase quatro anos no varejo, no Grupo Pão de Açúcar (GPA). Pouco depois, desembarcou na MRV. Mas a travessia entre setores não foi simples.

“A transição não aconteceu da forma como eu imaginei. Eu fiquei um ano desempregado”, afirma. Mas, ao olhar para trás, ele enxerga esse período como um divisor de águas. “As transições agora não me assustam mais. Embora a primeira tenha me dado um frio na barriga tremendo. Não foi um mar de rosas, mas foi importante para minha reconexão pessoal e familiar”, afirma.

A volta para a sala de aula

Para Motta, o que sustentou essas mudanças foi a capacidade de saber liderar e aprender. Para o executivo, liderar tem a ver com deixar o lugar melhor do que ele encontrou. Parte dessa visão foi refinada ao longo do SEER, programa avançado da Saint Paul Escola de Negócios para formação de CEOs e conselheiros.

“Eu já fazia algumas coisas, mas sem saber explicar. No SEER, eu entendi que existe método.”

O que o curso fez, segundo ele, foi organizar uma percepção que vinha sendo construída de forma empírica – a de que liderança não se sustenta no que se diz, mas no que se faz. A frase que ele repete, quase como um lembrete pessoal, resume isso: “As suas ações falam tão alto que eu não ouço o que você diz.”

O SEER também reforçou uma leitura que ele já ensaiava: a de que empresas deixaram de operar apenas como unidades econômicas e passaram a ocupar um espaço mais amplo na sociedade. Na MRV, isso se traduz em iniciativas como a alfabetização de trabalhadores nos canteiros de obra.

Consistência e ciclos

No fim, a trajetória de Motta converge para uma visão menos romantizada — e mais concreta — sobre carreira e liderança. Não há atalhos sustentáveis: há trabalho consistente, estudo contínuo e a disciplina de permanecer tempo suficiente para fechar ciclos e, de fato, entregar resultados.

Ao mesmo tempo, sua evolução como líder revela um deslocamento importante — da cobrança pura para o cuidado genuíno com as pessoas. “A gente aprende errando”, reconhece.

Hoje, mais do que metas, ele busca entender quem está por trás delas. É nessa combinação entre execução rigorosa e sensibilidade que, segundo ele, se constrói não só desempenho, mas relações de confiança — e, no longo prazo, organizações que realmente avançam.

Valor - SP   14/04/2026

Aumento do funding vai permitir que seja atingida meta de 3 milhões de moradias contratadas até o fim do governo Lula

O governo deve utilizar R$ 20 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para ampliar o funding para contratações de moradias para famílias enquadradas na faixa 3 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), ou seja, com renda bruta até R$ 9,6 mil. Inicialmente, o governo estudava usar R$ 30 bilhões, mas a tendência é que o valor fique próximo de R$ 20 bilhões, segundo apurou o Valor.

O aumento do funding vai permitir que seja atingida a meta de três milhões de moradias contratadas até o fim do governo Lula. Além disso, não impactará as contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em um momento em que a ideia é permitir o saque de recursos do fundo para que os trabalhadores reduzam seu endividamento.

A mudança depende, no entanto, de aprovação pelo Congresso Nacional de medida provisória e projeto de lei. A ideia do governo, segundo apurou o Valor, era incluir essa medida dentro do pacote de renegociação de dívidas a pessoas físicas e jurídicas e de crédito ao setor produtivo que está sendo gestado pela equipe econômica e pelo Palácio do Planalto.

Contudo, o anúncio somente do MCMV deve ser antecipado para esta semana, numa tentativa de gerar pauta positiva para o governo Lula. O programa é uma das principais vitrines do petista, em num momento em que as pesquisas eleitorais mostram que o presidente Lula está perdendo vantagem, conforme pesquisa DataFolha.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a ideia é atender setores que estão demandando atenção do governo como o da construção civil, que sofre com o impacto da taxa básica de juros (Selic) elevada, atualmente em 14,75% ao ano, e com o cenário de incerteza global.

Um técnico a par das discussões reforçou que a medida para o programa habitacional visa garantir o cumprimento das metas do Minha Casa, Minha Vida que foram ampliadas, assim como o financiamento à produção.

No fim de março, o Conselho Curador do FGTS aprovou uma ampliação dos limites das faixas de renda para enquadramento das famílias do MCMV. A faixa 1, que conta com subsídio federal, passou do limite de R$ 2.850 para R$ 3.200, um acréscimo de 12%. Na faixa 2, o teto da renda passou de R$ 4.700 para R$ 5.000, alta de 9%. Na faixa 3, os valores passaram de R$ 8.600 para R$ 9.600, alta de 12%.

Também foi ampliado o limite da faixa 4, criada no ano passada para abarcar a classe média. Essa faixa passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil o teto de renda mensal, alta de 8%.

Outra mudança aprovada é sobre o limite de imóvel que pode ser adquirido pelas famílias das faixas 3 e 4. Na faixa 3, passou de R$ 350 mil para R$ 400 mil, alta de 14%. Na faixa 4, subiu de R$ 500 mil para R$ 600 mil, alta de 20%. Não houve mudança nos limites das faixas 1 e 2.

O MCMV foi lançado em 2009 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi utilizado como vitrine eleitoral dos governos petistas. Em 2020, o governo de Jair Bolsonaro substituiu a iniciativa pelo Casa Verde Amarela. Em 2023, com o retorno de Lula ao poder, o programa foi repaginado e voltou a ter o nome original.

FERROVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   14/04/2026

A Reativação da maior parte dos trilhos de ferrovias abandonadas do país só será possível se houver uma injeção pesada de recursos públicos. O valor é estimado em pelo menos R$ 75 bilhões para a reconstrução e operação regular das malhas esquecidas.

A Folha teve acesso exclusivo a um estudo financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em parceria com a estatal Infra SA, vinculada ao Ministério dos Transportes. Esse relatório preliminar será usado para embasar o planejamento logístico do país e definir as prioridades de investimento nos próximos anos.

O documento analisa 9.845 quilômetros de ferrovias abandonadas ou subutilizadas. São 61 trechos espalhados pelo país. O relatório aponta que a maior parte dessa malha — 7.412 quilômetros de trilhos em 37 trechos — teria condições de voltar a operar, desde que contasse com algum tipo de subsídio ou investimento público.

Os demais 2.433 quilômetros analisados, com 24 trechos, foram classificados como inviáveis para reativação, mesmo com dinheiro estatal.

Nenhum quilômetro de trilho analisado no relatório seria capaz de ser retomado apenas com recursos privados.

Ao todo, o levantamento analisou 13 trechos que somam 2.984 km do que chamou de Malha Nordeste, outros 26 trechos com 3.577 km de extensão na Malha Centro-Leste e 22 trechos com 3.284 km na Malha Sul.

O trabalho se baseia em projeções feitas por um consórcio internacional de consultorias, que apurou o estado de deterioração dessas linhas, muitas delas tomadas por áreas urbanas, para identificar quais poderiam ser reativadas e, principalmente, qual seria o tipo de saída econômica.

Para traçar o panorama dessa infraestrutura esquecida, foram feitas projeções de custos de reconstrução, tipos de demanda e impacto socioambiental. Os cenários também consideram projeções para o transporte de carga, passageiro ou de ambos os serviços.

Do total de 7.412 quilômetros de trilhos que poderiam ser retomados, 1.310 quilômetros apresentam menor dependência de dinheiro público. Essa parcela necessitaria apenas de um aporte estatal para recuperar a infraestrutura abandonada.

A maior parte da rede considerada viável, porém, com cerca de 6.102 quilômetros, dependeria também de subsídios operacionais regulares para manter o funcionamento.

Os dados mostram que a maior parte desses trechos tem vocação para transporte de cargas. Dos quilômetros considerados viáveis, cerca de 5.900 seriam destinados principalmente à movimentação de mercadorias. Aproximadamente 1.200 km poderiam operar em modelo misto, com transporte de cargas e passageiros. Apenas 300 quilômetros de trilhos aparecem como viáveis para transporte específico de passageiros.

Na Malha Nordeste, os 2.984 quilômetros de linhas passam pelos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas. Esses trilhos conectam áreas metropolitanas, como Recife e Fortaleza, a regiões produtoras do interior e portos, como Suape (PE) e Cabedelo (PB).

Um dos trechos considerados viáveis na região é o chamado Tronco Recife, que liga a capital até o agreste de Pernambuco, na região de Caruaru (PE), numa malha de 611 quilômetros de extensão.

A Malha Centro-Leste, que reúne 3.577 quilômetros, atravessa Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás, Distrito Federal e parte de São Paulo. Um dos corredores considerados promissores nesta região é o trecho entre Visconde de Itaboraí (RJ) e Vitória (ES).

A terceira área analisada é a Malha Sul, com 3.284 quilômetros de trilhos nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte de São Paulo. Um exemplo considerado viável é a malha que liga Ourinhos (SP) a Cianorte (PR), ou Cruz Alta a Passo Fundo (RS). (Veja lista completa abaixo)

De três a cinco ramais teriam vocação para fazer apenas transporte de passageiros, somando cerca de 300 quilômetros de extensão. São traçados próximos de grandes centros urbanos. Entre eles estão ligações regionais na Grande Recife (PE), em Três Rios-Japeri (RJ) e no ramal de Crato, no Ceará. Ainda assim, todos dependeriam de subsídios permanentes.

“Esse diagnóstico é o esperado. É difícil você sustentar um investimento em ferrovia apenas baseado em demanda. Ela tem vários benefícios econômicos, quando comparada ao transporte por caminhão, no caso de cargas, em relação ao transporte por veículos individuais, no caso de passageiros, mas é difícil para o investidor da ferrovia se apropriar dessas outras vantagens de modo a ter uma taxa interna de retorno que compense os riscos”, avalia Mauricio Portugal, especialista em infraestrutura.

Isadora Cohen, sócia da ICO Consultoria, lembra que, de fato, não basta reconstruir os trechos. “Em muitos casos, esses investimentos públicos podem ser pesados e a demanda pelo transporte talvez não seja suficiente para pagar esse investimento. Então, se a política pública for reativar esses trechos, terá que entrar com subsídio para amortizar esses investimentos”, diz ela.

Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, instituição que reúne as grandes concessionárias do setor ferroviário, lembra que uma das principais características do segmento é a necessidade de capital intensivo, com alto volume de investimento em infraestrutura, material rodante, como locomotivas e vagões, e tecnologia.

“Para atingirmos eficiência, com redução de custos e agilidade no sistema de transporte e logística, é fundamental termos investimentos dos setores público e privado”, diz ele.

Glanzmann cita o exemplo do novo modelo proposto pelo governo da concessão da Ferrovia do Sudeste, o Viability Gap Funding, um mecanismo financeiro onde o subsídio público cobre a diferença entre o que um projeto arrecada e o que precisa para se pagar, permitindo que ele funcione mesmo sem dar lucro suficiente sozinho.

“Esse modelo será aplicado na concessão da EF 118, por exemplo, importante ferrovia de 575 km de extensão, que irá integrar portos e melhorar a logística de transporte de cargas entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo”, comentou.
Mapa dos trilhos abandonados

Trechos viáveis: 37 trajetos
Extensão total: 7.412 km
Aporte público estimado: R$ 74,9 bilhões

Fonte: Relatório BID/Infra AS

Veja - SP   14/04/2026

O ministro substituto do TCU Marcos Bemquerer Costa decidiu, nesta segunda-feira, autorizar a continuidade dos atos e procedimentos preparatórios para a concessão da Ferrogrão, uma ferrovia de 976 quilômetros que irá ligar o polo produtor de Sinop, no Mato Grosso, ao porto de Itaituba, no Pará.

No despacho, Costa lembra que determinou, em março, que a ANTT e o Ministério dos Transportes tomassem medidas corretivas sobre o processo da ferrovia, mantendo uma liminar que suspendia o avanço do negócio. Tanto o ministério quanto a agência apresentaram recursos — que foram acatados agora pelo ministro substituto.

“Ao reconsiderar as informações trazidas nos agravos, concedo efeito suspensivo aos recursos e levanto o sobrestamento a que se refere a decisão agravada”, diz Costa no despacho.

O ministro determinou, na mesma decisão, que a Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária realize a “instrução acerca do mérito deste processo de desestatização, com a urgência que o caso requer”.

NAVAL

Infomoney - SP   14/04/2026

O Exército dos Estados Unidos detalhou nesta segunda-feira os limites de seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, dizendo que deve ser estendido para o leste até o Golfo de Omã e o Mar da Arábia, enquanto dados de rastreamento marítimo mostraram que dois navios deram meia-volta na hidrovia quando o bloqueio entrou em vigor.

Em um comunicado aos navegantes sobre o bloqueio, adotado na tentativa de retomar o controle do estreito do Irã, o Comando Central dos EUA declarou que ‘qualquer embarcação que entrar ou sair da área bloqueada sem autorização estará sujeita a interceptação, desvio e captura’.

‘O bloqueio não impedirá o trânsito neutro pelo Estreito de Ormuz com destino a ou proveniente de países não iranianos’, acrescentou o comando.

O bloqueio teve início nesta segunda-feira.

Dados do serviço de rastreamento MarineTraffic mostram que o navio-tanque Rich Starry, que partiu nesta segunda-feira do ancoradouro de Sharjah, na costa de Dubai, com destino à China, deu meia-volta minutos após se aproximar do estreito, assim como um segundo navio, o Ostria. Esses navios-tanque podem transportar petróleo e produtos químicos.

Dois petroleiros ligados ao Irã, no entanto, saíram do Golfo nesta segunda-feira pelo estreito antes do bloqueio previsto pelos EUA, segundo dados de navegação da Kpler e da LSEG.

Irã faz ameaça a portos do Golfo Pérsico após EUA falarem em bloquear Ormuz

Teerã diz que mirará terminais na região se seus portos forem alvos; bloqueio anunciado por Trump eleva risco de choque global de energia e pressiona preços do petróleo e do gás

O navio-tanque Aurora está carregado com produtos petrolíferos iranianos, enquanto o navio-tanque New Future transporta diesel do porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, mostraram dados da Kpler.

Eles estão entre pelo menos oito navios que transitaram pelo estreito nesta segunda-feira antes do bloqueio.

De acordo com a Kpler, um navio-tanque de produtos petrolíferos carregado em um porto dos Emirados Árabes Unidos e três navios de carga seca que partiram de portos iranianos saíram do estreito, enquanto dois navios-tanque de produtos petrolíferos paquistaneses e dois navios de carga seca entraram no estreito.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o bloqueio após o fracasso das negociações no fim de semana para encerrar a guerra de seis semanas entre os EUA e o Irã, fazendo com que os preços do petróleo voltassem a ultrapassar US$100 por barril.

O bloqueio aumenta a incerteza sobre como os navios vão transitar pela hidrovia, usada para movimentar um quinto dos suprimentos de petróleo e gás do mundo.

A nota militar dos EUA disse que o bloqueio deve incluir todo o litoral do Irã, mas remessas humanitárias, incluindo alimentos, suprimentos médicos e outros bens essenciais, devem ser permitidas, ainda que sujeitas a inspeção.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, disse a jornalistas que o bloqueio dos EUA deve estender a interrupção do tráfego de navios no estreito desde o início do conflito.

IstoÉ Dinheiro - SP   14/04/2026

A movimentação de cargas nos Terminais de Uso Privado (TUPs) avançou 8,9% em fevereiro, para 67,7 milhões de toneladas, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. No total, a navegação brasileira movimentou 101,0 milhões de toneladas no mês, alta de 3,78% na comparação com fevereiro de 2025.

O terminal marítimo Ponta Ubu (ES) cresceu 83%, para 1,4 milhão de toneladas e o Porto de Suape (PE) registrou alta de 19,3% na movimentação, com 2,1 milhões de toneladas. Esses foram os destaques de desempenho, segundo o Ministério.

A navegação de longo curso alcançou 69,1 milhões de toneladas, alta de 3,6%, e a cabotagem somou 24,5 milhões de toneladas, com avanço de 8,2%.

Por tipo de carga, granel líquido subiu 11,2%, para 26,9 milhões de toneladas. A carga conteinerizada cresceu 10,2%, para 12,4 milhões de toneladas; em TEUs, houve alta de 14,1%, para 1,2 milhão. O granel sólido ficou praticamente estável, com alta de 0,2%, totalizando 57 milhões de toneladas.

Entre as mercadorias, carvão mineral teve aumento de 48,8% (1,6 milhão de toneladas), sal avançou 39,1% (741 mil toneladas) e óleo bruto de petróleo cresceu 16,2% (17,7 milhões de toneladas).

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, atribuiu o desempenho a investimentos e a ações para modernizar a infraestrutura portuária e aquaviária, com foco em atração de capital privado e integração logística.

“Estamos focados em atrair mais investimentos privados e em promover a inovação para que o setor continue a ser um pilar para o desenvolvimento econômico do país e a geração de empregos”, afirmou por meio de nota.

CNN Brasil - SP   14/04/2026

A movimentação de cargas em portos e hidrovias do Brasil cresceu 3,78% em fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a 101 milhões de toneladas

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (13) pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Em fevereiro deste ano, as mercadorias que se destacaram foram: carvão mineral (1,6 milhão de toneladas, aumento de 48,8%); sal (741 mil toneladas e crescimento de 39,1%) e óleo bruto de petróleo (aumento 16,2% em relação ao mesmo período, movimentando 17,7 milhões).

Os portos públicos tiveram uma queda de 5,28% e chegaram a 33,3 milhões de toneladas de cargas. O Porto de Suape (PE) se destacou com maior movimentação, apresentando 2,1 milhões de toneladas, uma alta de 19,3% se comparado ao mesmo período do ano passado.

Já nos terminais privados, a movimentação alcançou 67,7 milhões de toneladas de cargas em fevereiro - crescimento de 8,9%.

O destaque para o Terminal Marítimo Ponta Ubu (ES), que teve o maior crescimento em fevereiro: 1,4 milhão de toneladas, representando um aumento de 83%.

Em fevereiro, foram 12,4 milhões de toneladas movimentadas em contêineres. O dado representa um crescimento de 10,2% quando comparado a 2025.

Em TEUs, a movimentação chegou a 1,2 milhão de TEUs, com crescimento de 14,1%. Desse total, 814 mil TEUs foram movimentados em longo curso e 367 mil por cabotagem.
Cargas e Navegação

Em relação aos granéis sólidos, a movimentação atingiu 57 milhões de toneladas (aumento de 0,2%) e os granéis líquidos chegaram a 26,9 milhões de toneladas (aumento de 11,2% quando comparado à 2025). Já para a carga geral solta, a movimentação foi de 4,7 milhões de toneladas, uma queda de 5,3% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

A movimentação de cargas de longo curso foi de 69,1 milhões de toneladas em fevereiro de 2026 (+3,6%). A cabotagem alcançou uma movimentação de 24,5 milhões de toneladas (+8,2%), enquanto que a navegação interior chegou a 7,1 milhões de toneladas - um déficit de 9,3% no comparativo de fevereiro 2025/2026.

Petro Notícias - SP   14/04/2026

A temporada de renovação de contratos de navios de apoio e sondas de perfuração ganha novos desdobramentos. A Petrobras ampliou em dois anos o afretamento do navio de apoio à construção (CSV) Normand Fortress, pertencente à Solstad Maritime. A extensão do contrato, que começa a valer em julho, tem valor de aproximadamente US$ 56 milhões (R$ 281 milhões).

Além disso, a petroleira também estendeu o contrato de afretamento do navio-sonda Carolina, da Ventura Offshore. A extensão de 135 dias do contrato atual permitirá que o navio continue operando até setembro de 2026, resultando em um acréscimo de aproximadamente US$ 29 milhões na carteira de projetos da Ventura.

Como resultado, a janela de mobilização para o contrato subsequente da sonda, relacionada ao campo Sépia-Atapu, foi adiada para janeiro de 2027.

“Essa extensão fortalece ainda mais nosso acúmulo de ativos e reflete a demanda contínua por nossos ativos offshore no Brasil. Importante, isso nos permite otimizar a transição da DS Carolina para sua próxima campanha, mantendo a continuidade operacional e a eficiência para nosso cliente“, disse o CEO da Ventura Offshore, Guilherme Coelho.

Na semana passada, a Petrobrás já havia renovado contratos de navios-sonda da Valaris e da Seadrill. No início do mês, a petroleira também ampliou o contrato de três sondas da Transocean e de três sondas da Constellation.

Grandes Construções - SP   14/04/2026

Os portos brasileiros poderão atingir o limite de capacidade de movimentação de contêineres até o ano de 2030, segundo apontou uma pesquisa da Macroinfra, consultoria estratégica especializada em infraestrutura e logística de transporte.

A partir de dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), considerando os anos de 2015 a 2025, o estudo mostrou um quadro de saturação operacional em quatro importantes terminais portuários do país, sendo Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí/Navegantes (SC) e Itapoá (SC).

Com o cenário saturado, ocorre a migração dos fluxos de contêineres para outros portos e terminais menos ocupados.

Segundo o levantamento, prevê esgotamento da capacidade portuária de movimentação de contêineres, no Brasil, para os próximos 4 anos, caso os projetos de expansão de capacidade e novos terminais não saiam do papel.

De acordo com Olivier Girard, sócio-diretor da Macroinfra, os principais terminais do país operam de forma saturada, no limite ou acima de sua capacidade prática, especialmente a partir do ano de 2020, além de mostrar que a operação no limite gera custos extras, além de atrasos, perda de confiabilidade da cadeia logística, aumentando o risco de paralisações.

Em Santos, no litoral paulista, o maior complexo portuário da América Latina - opera sob pressão extrema, com taxa de ocupação do conjunto dos principais terminais saltando de 55,9%, em 2015, para 76,8% em 2024, fechando em 79,7% no último ano.

Apesar do aumento da produtividade média dos terminais ao longo dos últimos dez anos (de 72 para 86 TEUs/hora), o ganho ainda é insuficiente para acomodar o crescimento da demanda.

TEUs é a unidade de medida padrão utilizada na logística marítima, representando o volume de um contêiner de 20 pés de comprimento.
No Porto de Paranaguá (PR), embora partindo de níveis mais confortáveis (35,7% em 2015), a taxa de uso do terminal TCP (o principal do porto) atingiu 81,8% em 2024 e 86,0% em 2025, entrando em uma zona de saturação.

A produtividade, no entanto, segue em crescimento consistente, subindo de 83 para 107 TEUs/hora, entre 2015 e 2023, antes de apresentar queda para 88 TEUs/hora no último ano.

Já em Santa Catarina, na região de São Francisco do Sul (SC), o Porto Itapoá, um dos mais eficientes, também sente a sobrecarga.

Sua taxa de uso subiu de 50,2%, em 2015, para 84,7%, em 2024.

No último ano, o indicador marcou 88,7%, reforçando a operação acima da capacidade prática do terminal.

A produtividade, contudo, cresceu de forma potente (passando de 64 para 93 TEUs/hora).

Migração para terminais secundários - Com os gargalos e sobrecargas dos principais terminais, a logística marítima tem sido obrigada a fazer uma redistriuição geográfica, favorecendo o crescimento de portos secundários, antes ociosos, como o do Rio de Janeiro.

Com a medida, a participação do porto carioca no total do fluxo nacional de contêineres quase que dobrou, saltando de 3,7% para 6,2%, entre 2015 e 2025.
“Sua movimentação total cresceu 139% no período, saindo de 292 mil TEUs para 917 mil TEUs”, ressaltou Girard.

Além do porto do Rio, os de Salvador, Pecém (CE) e Suape (PE), ambos no Nordeste, mantiveram ou aumentaram sua participação, absorvendo as cargas que buscavam alternativas aos corredores congestionados.

O levantamento também mostrou que o volume do comércio exterior e do mercado interno de cargas em contêineres justifica a pressão na cadeia logística com ênfase nos terminais portuários.

De 2015 até o último ano, as exportações e importações marítimas brasileiras de carga utilizando o modal saltou 60%.

No mercado interno, a navegação por cabotagem também subiu 111%.

Entretanto, o volume na demanda interna e externa não é acompanhada pela expansão da capacidade dos principais terminais, mesmo com obras de melhorias em andamento – como o terminal STS10 em Santos, além do novo terminal da Maersk em Suape – podendo causar problemas à infraestrutura brasileira após 2030, chegando a uma saturação completa em 2032.

A demanda projetada para daqui quatro anos é de 20,4 milhões de TEUs) consumindo quase toda a capacidade total prevista, de 23 milhões, o que evidencia que o esgotamento ocorrerá bem antes do previsto, exigindo o planejamento imediato de uma nova leva de projetos para sustentar o crescimento econômico.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   14/04/2026

A Petrobras identificou a presença de hidrocarbonetos no pré-sal da Bacia de Campos, em poço exploratório perfurado no Setor SC-AP4 da Bacia de Campos, bloco C-M-477. O poço 1-BRSA-1404DC-RJS está localizado a 201 km da costa do estado do Rio de Janeiro, em profundidade d’água de 2.984 metros.

O intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado através de perfis elétricos, indícios de gás e amostragem de fluido.

As amostras posteriormente seguirão para análises laboratoriais, que permitirão caracterizar as condições dos reservatórios e fluidos encontrados, possibilitando a continuidade da avaliação do potencial da área. A perfuração do poço foi concluída de maneira segura, em respeito ao meio ambiente e às pessoas.

A atuação da Petrobras no bloco C-M-477, na Bacia de Campos, está alinhada à estratégia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da atuação em áreas de fronteira exploratória, em parceria com outras empresas, assegurando o atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética.

A Petrobras é operadora do bloco C-M-477 (participação de 70%), em parceria com a bp (participação de 30%). O bloco é oriundo da 16ª Rodada de Licitações da ANP, em regime de concessão.

O Estado de S.Paulo - SP   14/04/2026

A produção de petróleo do Oriente Médio despencou em março, como efeito do fechamento quase total do Estreito de Ormuz em meio à guerra no Irã. Esse movimento interrompeu as exportações e forçou alguns dos maiores produtores mundiais a reduzirem a produção.

De acordo com dados divulgado nesta segunda-feira, 13, pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a produção de petróleo bruto entre os países membros do cartel caiu quase 7,9 milhões de barris por dia (bpd), ficando em 20,79 milhões de barris/dia no mês - uma queda de 27% em relação a fevereiro.

Entre os membros da Opep, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos foram os que mais reduziram a produção no mês passado, de acordo com o relatório. O Irã também registrou uma pequena queda na produção, assim como alguns outros membros da Opep, incluindo Argélia, Congo, Líbia e Gabão. A Nigéria, por outro lado, registrou um pequeno aumento na produção de petróleo. “As interrupções nas operações de transporte marítimo na região aumentaram as preocupações persistentes sobre os fluxos de oferta regionais”, disse a Opep no relatório.

Demanda global

A Opep também reafirmou sua previsão para o crescimento da demanda global pelo petróleo este ano, em 1,4 milhão de barris por dia. Se confirmada a projeção, o consumo global somaria 106,53 milhões de barris/dia em 2026, segundo relatório mensal divulgado nesta segunda-feira.

Para 2027, a Opep também manteve a projeção de alta na demanda, em 1,3 milhão de barris/dia, o que traria o consumo total para 107,87 milhões de barris/dia.

Apenas a demanda em países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) deve registrar aumentos de 100 mil barris/dia neste ano e também no próximo, projeta a Opep. Fora da OCDE, a expectativa é de acréscimos de 1,3 milhão de barris/dia em 2026 e de 1,2 milhão de barris/dia em 2027.

Petro Notícias - SP   14/04/2026

O petróleo de novo nas alturas. O preço da commodity registra nova alta na manhã desta segunda-feira (13) após o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) anunciar o bloqueio de todo o tráfego marítimo que esteja saindo ou chegando a portos iranianos pelo Estreito de Ormuz. A medida passou a valer às 11h de hoje, pelo horário de Brasília.

No momento da publicação desta reportagem, os contratos para entrega em junho do barril do tipo Brent eram negociados a US$ 101,90, alta de 7% em relação ao fechamento anterior. Já o barril WTI estava cotado a US$ 103,66, com elevação de 7,3%.

Segundo o Centcom, o bloqueio será aplicado “de forma imparcial a embarcações de todas as nações que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras do Irã, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”. As forças americanas permitirão a passagem pelo Estreito de Ormuz apenas de navios que não tenham ligação com o Irã ou que não utilizem portos iranianos como origem ou destino.

A restrição foi anunciada um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicar nas redes sociais que a Marinha americana iniciaria o bloqueio de “todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”. A iniciativa é vista como uma tentativa da Casa Branca de limitar as receitas do Irã provenientes da exportação de petróleo.

O republicano afirmou ainda que embarcações estariam pagando um “pedágio” ao Irã ao atravessar o estreito. Segundo ele, a Marinha dos EUA foi orientada a “identificar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago uma taxa ao Irã”. Trump classificou como “extorsão mundial” a atuação iraniana no Estreito de Ormuz.

Desde o início da guerra, em março, o Irã praticamente derrubou a quase zero o tráfego pela rota marítima, por onde é escoado cerca de 20% do petróleo global. Na prática, Teerã faz um bloqueio seletivo, permitindo apenas a passagem de navios de países “amigos”. No mercado internacional, a crença é que o Irã também permite o tráfego de embarcações que paguem um pedágio estimado em cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões).

A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, ocorre também após o fracasso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, realizadas no Paquistão. As tratativas foram encerradas ontem (12) sem consenso. Segundo os americanos, as conversas não avançaram porque o Irã se recusou a aceitar a reabertura do estreito, o fechamento de instalações nucleares, a devolução de estoques de urânio enriquecido e o fim do apoio a grupos armados.

AGRÍCOLA

Diário do Comércio - MG   14/04/2026

Incertezas políticas e econômicas fizeram o agro adotar cautela, e até o silêncio em relação a negócios, nos primeiros meses de 2026 nas feiras agrícolas, suas principais vitrines.

Alguns dos maiores eventos, em que são apresentados lançamentos tecnológicos e que movimentam centenas de milhares de visitantes todos os anos, deixaram de divulgar expectativas de negócios, num ano em que uma entidade do setor de máquinas já apontou redução nas vendas para produtores rurais.

As duas feiras com os maiores faturamentos no país nos últimos anos, a Agrishow, em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), e a Tecnoshow, em Rio Verde (GO), pela primeira vez não divulgaram previsões de faturamento para a edição deste ano. A Expodireto, realizada em Não-Me-Toque (RS), já não divulga dados de negócios desde 2025.

Os preços dos grãos —soja e milho—, a valorização do real (que impacta os juros) e a elevada taxa de juros no país estão entre os principais motivos para a desaceleração do setor. Outros fatores que contribuem são a inadimplência, a dificuldade de obter crédito e as incertezas geradas num ano eleitoral novamente polarizado no país, segundo produtores rurais, executivos de fabricantes e dirigentes de associações.

O cenário de pé no freio do agro é registrado desde o último quadrimestre do ano passado. A expectativa da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) de faturamento para 2026 é de uma redução de 8% nos negócios, em comparação com o ano passado, e com viés de baixa.

Em encontro no mês passado na cidade gaúcha, Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, disse que nos últimos seis meses o faturamento do setor caiu 7% em relação a igual período do ano anterior. Só em janeiro, recuou 15,6%.

Realizada na última semana na cidade goiana, a Tecnoshow, promovida pela cooperativa Comigo, começou sem previsão financeira e sem cerimônia oficial de abertura, após ter gerado R$ 10 bilhões em intenções de negócios no ano passado (R$ 10,41 bilhões, corrigidos).

Ao término do evento, sexta-feira (10), o presidente do conselho de administração da cooperativa, Antônio Chavaglia, disse que o ano está sendo desafiador, com cenário de incertezas e custos elevados, e divulgou percentual de queda nos negócios, sem citar o número absoluto.

“Isso se refletiu na dinâmica da feira, com redução em torno de 30% no volume de comercialização em relação às edições anteriores […] Mais do que os resultados imediatos, o que vemos aqui é a resiliência do produtor rural, que segue buscando informação, tecnologia e boas oportunidades para tomar decisões mais seguras”, disse.

Já o presidente-executivo, Dourivan Cruvinel de Souza, afirmou na abertura que era preciso que o produtor rural adotasse cautela. “Aquele que precisa, a gente vai incentivar e até ajudar o crédito. Agora, não vamos incentivar ninguém também a sair comprando coisa que não é do dia a dia”, disse.

A organização da Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), por sua vez, apresentou, no início deste mês, as novidades para a edição deste ano, que ocorrerá entre os dias 27 e 1º de maio em Ribeirão Preto.

Assim como em Rio Verde, não foi divulgada a expectativa de negócios gerados. Em 2025, a feira bateu recorde, ao alcançar R$ 14,6 bilhões (R$ 15,2 bilhões, atualizados).

O número, na avaliação do presidente da Agrishow, João Marchesan, “é consequência de tudo que vai acontecer”. “No dia do encerramento, dia 1º, lá por volta das 15h, 16h, nós vamos dar os números certinhos”, afirmou.

Segundo ele, a feira é emblemática por apresentar os principais lançamentos agrícolas e o setor não está vendo resultado econômico a curto e médio prazos, mas num horizonte mais longo.

Quando decidiu não divulgar balanço de negócios, a organização da Expodireto Cotrijal afirmou que o objetivo era evitar “competição” com outros eventos agrícolas realizados no estado, como a Expointer.

A única das grandes feiras a divulgar balanço de vendas foi a Show Rural Coopavel, realizada em fevereiro em Cascavel (PR), e que anunciou R$ 7,5 bilhões em intenções de negócios, recorde histórico para o evento e na contramão do divulgado pela Abimaq.

Em 2025, a feira movimentou R$ 7,05 bilhões (R$ 7,41 bilhões, corrigidos pela inflação), segundo a organização. A Câmara de Máquinas da Abimaq informou que as intenções de compras de suas associadas que participaram da feira e que responderam à pesquisa da entidade caíram 15%.

Menos público, mais novidades

A feira em Rio Verde teve 700 expositores, dos quais 16 marcas de automóveis, mostrando um avanço no segmento de veículos elétricos, segundo seu presidente-executivo.

O evento reuniu 120 mil pessoas, 20 mil a menos do que no ano passado, mas, apesar da redução no faturamento e no número de visitantes, apresentou diferentes soluções ligadas ao agro.

A Vittia, empresa de biotecnologia sediada no interior paulista, levou à Tecnoshow o Bio-imune, primeiro do gênero registrado para ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), uma das piores doenças da soja, e que combate até 22 alvos. A empresa diz ver a feira como um “acelerador de negócios e conhecimento”.

A FMC também levou para a feira soluções para soja e milho. Uma delas, o Sofero Fall, atua na interrupção do ciclo reprodutivo da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). A tecnologia, conforme a fabricante, reduz a formação de novas gerações e protege a lavoura de forma seletiva, sem impacto sobre inimigos naturais.

A feira também atraiu outros tipos de negócio, como o transporte ferroviário. A Rumo, maior operadora de ferrovias de cargas no Brasil, focou a diversificação de suas cargas no Centro-Oeste, transportando, além de grãos, fertilizantes, combustíveis, farelo e bauxita.

No ano passado, a Rumo movimentou em Goiás cerca de 5,7 milhões de toneladas de grãos originados no estado, com 28% de participação na exportação estadual. O terminal de Rio Verde, onde ocorreu a Tecnoshow, tem capacidade para movimentar até 11 milhões de toneladas por ano.

Rio Verde contabilizou 128 pousos de aeronaves no aeroporto local durante a feira, além de outros 20 no heliponto do CTC (Centro Tecnológico Comigo), onde a Tecnoshow foi realizada.

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