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13 de Julho de 2026

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   13/07/2026

A Genial Investimentos prevê para a Usiminas (USIM5) um segundo trimestre de 2026 com dinâmicas antagônicas, mas resultado consolidado substancialmente estável, em linha com o guidance (projeção) da companhia. A estimativa é de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 659 milhões, alta de 0,9% em relação ao trimestre anterior e de 61% ante o último ano. A leitura do relatório é de que a melhora da siderurgia, puxada por preço, deve compensar a pressão na mineração, que sofre compressão de margem por frete.

Na siderurgia, o analista Luca Vello projeta volume estável em 1,012 milhão de toneladas e alta de 2,7% no preço realizado doméstico em relação ao trimestre anterior. O movimento é atribuído a reajustes contratados, com aumento de 5% em distribuição e repasse defasado à indústria, que superariam o desconto de 2% a 3% concedido a cerca de 80% do volume automotivo.

A Genial cita ainda a demanda como suporte, lembrando projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de avanço de 4% na produção de veículos em 2026.

Do lado de custos, o relatório aponta pressão de placas e carvão em dólar, parcialmente neutralizada por câmbio médio 4% inferior, o que manteria o custo por tonelada com alta de 1,7% em relação ao trimestre anterior, abaixo do repasse.

A Genial acrescenta que o projeto PCI, Injeção de Carvão Pulverizado, começa a capturar ganhos de custo já neste trimestre. Com isso, estima Ebitda ajustado de R$ 581 milhões na unidade, alta de 6,8% em relação ao trimestre anterior, com margem em 10,8%, avanço de 0,4 ponto porcentual.

Na mineração, a Genial espera recomposição sazonal do volume para 2.301 mil toneladas, alta de 18% em relação ao trimestre anterior após um primeiro trimestre débil por chuvas, mas ainda 6% abaixo de 2025. Como a referência é a CFR, Custo e Frete, China, o relatório diz que a escalada do frete marítimo de 36% em relação ao trimestre anterior, com preço de referência estável, reduz o preço realizado em US$ 4 por tonelada, de US$ 76,4 para US$ 73,5 por tonelada.

Assim, o Ebitda ajustado cairia a R$ 76 milhões, recuo de 31% em relação ao trimestre anterior, com margem de 8,9%, mas a unidade responderia por 11% do Ebitda consolidado, sem alterar a leitura de estabilidade.

No caixa, a corretora afirma que o fluxo de caixa livre (FCF) deve ser pressionado no capital de giro pelo encerramento das operações de forfait (risco sacado), com passivo de R$ 500 milhões tendendo a zero, enquanto o Capex (investimento) segue no piso do guidance, em R$ 1,4 bilhão por ano, e a posição de caixa líquido deve ser preservada. O lucro líquido normaliza-se em R$ 243 milhões, ante R$ 896 milhões no primeiro trimestre de 2026, que teve benefício não recorrente de imposto diferido.

A Genial avalia que o verdadeiro prêmio do case fica para o segundo semestre de 2026, com o aço “hot-rolled” (laminado a quente) ainda pendente (decisão até dezembro de 2026) e normalização de estoques de importados (importações 78% maiores ante o último ano), embora ressalve que parte do ganho de margem no segundo trimestre é cambial e transitória.

A Genial tem recomendação manter (equivalente a neutra). O preço-alvo é de R$ 8, o que leva a um potencial de queda de 4,76% ante o último fechamento.

 

Money Times - SP   13/07/2026

O Citi espera que os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) da CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) sejam mistos.

De acordo com o banco, a CSN deve ser beneficiada pelo desempenho mais forte dos segmentos de aço e cimento, enquanto a mineração tende a decepcionar, devido aos custos de frete mais elevados e uma parada de manutenção adiada do primeiro trimestre, que havia sido fortemente afetado pelas chuvas.

O Citi projeta que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado seja de R$ 2,6 bilhões para a CSN e de R$ 1 bilhão para a CSN Mineração.

Diante da atualização das premissas para a cotação do minério de ferro e dos persistentes riscos de execução relacionados à venda de ativos, o Citi cortou os preços-alvo de CMIN3, de R$ 5 para R$ 4,50, e de CSNA3, de R$ 7 para R$ 5.

Por volta das 12h01 (horário de Brasília), CSN avançava 5,42% (R$ 5,06), enquanto CSN Mineração subia 5,38% (R$ 5,09), como, respectivamente, segunda e terceira maior alta do Ibovespa (IBOV).

CSN

Para o Citi, o segmento de aço deve apresentar uma melhora significativa em relação ao trimestre anterior, com Ebitda ajustado de R$ 578 milhões e margem de aproximadamente 10,7%.

A expectativa do banco é de que o patamar de margem em dois dígitos seja mantido ao longo do segundo semestre de 2026 sustentado por:

Melhores preços realizados do aço; Ganhos de volume; Recuperação de participação de mercado frente ao aço importado.

“A companhia também vem trabalhando ativamente para reduzir seus níveis de estoque, mantendo de forma deliberada um descompasso entre volumes de vendas e produção, o que deve favorecer a dinâmica de capital de giro nos próximos períodos”, considera o banco.

Na avaliação do Citi, o segmento de cimento deve continuar se beneficiando da estratégia de priorizar valor sobre volume, com o aumento da receita por tonelada mais do que compensando a redução dos volumes expedidos. “Essa disciplina de preços reforça o compromisso da administração com a melhora da rentabilidade”, diz.

Além disso, o banco acrescenta que os negócios de logística e energia devem contribuir de forma consistente para o resultado consolidado, sem grandes surpresas esperadas.
CSN Mineração

Já a CSN Mineração deve ser o ponto mais fraco do trimestre, segundo o banco. “Os preços realizados foram pressionados pelo aumento dos custos de frete, que ficaram aproximadamente US$ 9 por tonelada mais altos durante o período”, detalha o Citi.

Outro ponto mencionado pelo banco são os volumes embarcados em abril e junho particularmente fortes, apesar de o trimestre ter sido negativamente afetado por uma parada de manutenção de 15 dias.

Mais à frente, o Citi reduziu as estimativas para 2028, como reflexo de uma visão mais conservadora para o minério de ferro, com preço de US$ 85 a tornelada — cerca de US$ 7 a tonelada abaixo da premissa anterior.

Por outro lado, o banco elevou as projeções para 2027, incorporando premissas de preço do minério de ferro aproximadamente US$ 2,5 a tonelada acima das utilizadas anteriormente.
Por dentro dos mercados.

TN Petróleo - RJ   13/07/2026

Iniciado em abril, o processamento de aço do casco dos navios Handymax no Estaleiro Rio Grande terá um importante reforço. Nesta quinta-feira (9), chegou a Rio Grande uma embarcação vinda da Indonésia com 11 mil toneladas de aço, que começaram a ser descarregadas na parte da tarde. O material será utilizado na construção de quatro navios contratados pela Transpetro no âmbito do Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota própria do Sistema Petrobras. As embarcações serão empregadas no transporte de derivados de petróleo pela costa brasileira.

Todo o insumo será utilizado para a construção dos quatro navios, que já está movimentando o Estaleiro e a geração de empregos no local. Atualmente, cerca de 500 profissionais estão mobilizados nas atividades e, gradualmente, esse volume será ampliado. Mais de 50% dos equipamentos necessários para os Handymax foram adquiridos e chegarão a Rio Grande de acordo com o cronograma de trabalho alinhado com a Transpetro.

"É um marco importante para a construção, que segue avançando de maneira consistente para estes primeiros quatro navios. Somado aos outros contratos com a Transpetro, o Estaleiro da Ecovix terá cada vez mais movimento e um maior volume de contratações", destaca Robson Passos, CEO da Ecovix.

O desembarque do aço foi acompanhado por representantes da Transpetro, que estiveram em Rio Grande para uma visita técnica ao Estaleiro. Jones Soares, diretor de Transporte Marítimo, e Flávio Gabina, gerente-executivo de Engenharia e Manutenção de Navios, inspecionaram o parque industrial da Ecovix e discutiram com a empresa os próximos passos dos trabalhos.

Os navios Handy, que ampliarão a capacidade logística da Transpetro, terão entre 15 mil e 18 mil toneladas de porte bruto (TPB). As embarcações serão aptas ao transporte de produtos claros derivados de petróleo, como diesel marítimo, diesel S10, diesel S500 e gasolina de aviação.

No total, a Ecovix construirá 13 navios para a Transpetro nos próximos anos: quatro Handymax, por meio do Consórcio Marenova; cinco navios tanque do tipo pressurizado para transporte de GLP e derivados; e quatro navios de médio porte da classe MR1 (Medium Range). A expectativa é de que sejam gerados 5.000 empregos diretos e indiretos com os trabalhos nas diferentes embarcações.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   13/07/2026

A nova proposta de imposição de tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tem limite para definição nesta quarta-feira (15). A decisão será tomada com base em investigação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre a seção 301.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera se reunir com representantes americanos antes do prazo final do tarifaço, e busca alinhar a agenda com o chefe do USTR, Jamieson Greer. O encontro aconteceria entre um GT (grupo de trabalho) entre os países para discutir o novo tarifaço.

A expectativa é de que o USTR já indique ao Brasil qual decisão será tomada na investigação.

Com a proximidade do fim do prazo, o presidente Lula se reuniu com ministros na última sexta-feira (10) e decidiu por manter negociações técnicas, mas sem fazer concessões que não sejam justificáveis.

As novas alíquotas devem prejudicar diferentes setores produtivos do Brasil.
Indústria

Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) indica que, caso as taxas de 25% e 12,5% entrem em vigor, cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados. O volume representa US$ 14,9 bilhões em exportações para a balança comercial.

A confederação alerta ainda que a taxação em cima dos produtos brasileiros deve atingir os 37,5%.

Isso porque além da tarifa adicional de 25% com base nos termos da Seção 301, o USTR propõe uma sobretaxa de 12,5% por conta de uma investigação sobre trabalho forçado em quase 90 países - incluindo o Brasil.

De acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, a ação tomada pelos EUA contra o Brasil pode afetar custos para empresas, consumidores e cadeias produtivas.

"O aumento compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana", explica.

Agronegócio

O tarifaço de 25% deve impactar também o campo. Cerca de US$ 4,2 bilhões em exportações do agronegócio devem ser atingidas diretamente pela alíquota, segundo estudo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul).

Apesar de produtos importantes terem entrado na lista de exceções, as tarifas ainda devem comprometer 36,8% das vendas do setor para o mercado americano.

Produtos florestais, que respondem por US$ 1,64 bilhão em exportações, além do sebo bovino (US$ 416 milhões) e o complexo sucroalcooleiro (US$ 401 milhões) são algumas das cadeias mais afetadas do país pelas novas sobretaxas.

O setor madeireiro se posicionou contra a medida americana. A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) apresentou uma defesa técnica e afirma que os produtos nacionais não competem com a produção americana, mas complementam a demanda do mercado americano.

“Em relação à defesa da ambiência dos produtos de madeira processada, a nossa expectativa é que as autoridades do governo americano avaliem e interpretem tecnicamente, porque elas foram baseadas no desempenho técnico dos produtos, da complementaridade do produto brasileiro na demanda americana. Reforçamos que nós não competimos com a produção local dos Estados Unidos”, afirmou Paulo Pupo, superintendente da Abimci.

O café solúvel, com volume exportado de US$ 1 bilhão em 2025 também não deve ficar de fora do tarifaço.

Algumas das exceções feitas pelo USTR para o agronegócio nacional foram a carne bovina, o café verde e o suco de laranja.

Setor privado aposta em exceções

Representantes do setor produtivo que estiveram presentes nas audiências do USTR para avaliar o tarifaço não esperam que os Estados Unidos voltem atrás ou adiem as tarifas de 25%, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil.

No entanto, eles esperam que a lista de exceções a produtos brasileiros seja expandida. O governo americano ouviu diferentes setores do Brasil, que torcem para que os argumentos apresentados convençam o USTR a "aliviar" a sobretaxa de mais exportações.

Várias entidades defenderam a manutenção das importações de produtos brasileiros com argumento de que as tarifas tendem a elevar custos para a indústria americana, reduzir competitividade e afetar consumidores.

A Amcham Brasil e a CNI enviaram nesta quinta-feira (9) uma carta aos governos dos Estados Unidos e do Brasil defendendo uma solução negociada contra a aplicação de novas tarifas sobre os produtos brasileiros no mercado americano.

O ofício, também assinado pela U.S. Chamber of Commerce, organização empresarial americana, as entidades argumentam que avanços nas relações comerciais obtidos por meio de negociação, ao invés da imposição de tarifas, evitarão efeitos indesejados a empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.

"Ao avançar, em um primeiro momento, as questões comerciais mais imediatas e, em seguida, ampliar a agenda para abarcar oportunidades estratégicas de longo prazo, ambos os governos poderão fortalecer a confiança, aumentar a competitividade e estabelecer bases mais sólidas para uma cooperação econômica duradoura", defendem as associações dos setores privados.

O Estado de S.Paulo - SP   13/07/2026

A forte desaceleração do IPCA e da inflação subjacente em junho, mais intensa do que o previsto por todo o mercado, parece indicar que o Banco Central pode ter espaço para cortar a Selic mais uma vez em agosto, menos de 30 dias depois de uma redução dos juros duramente criticada, em junho.

Nos últimos 20 dias, boa parte do mercado vinha apontando que o Comitê de Política Monetária (Copom) agiu contra o livro-texto ao reduzir a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25%. Houve quem achasse que o BC cortou simplesmente porque queria — e sem que o cenário permitisse —, diante dos riscos para a inflação.

Mas os primeiros números apontam para um cenário diferente. O IPCA desacelerou de 0,58% em maio para 0,16% em junho — 0,15 ponto porcentual abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 0,31%. É a segunda maior surpresa negativa para qualquer mês desde 2006, e o primeiro resultado abaixo do esperado este ano.

A média dos núcleos de inflação e os serviços subjacentes, mais sensíveis à política monetária, também desaceleraram e ficaram abaixo das expectativas do mercado, segundo os cálculos da Terra Investimentos. Aliás, os bens industriais, serviços, preços livres e preços administrados também aumentaram menos do que o esperado.

As primeiras leituras do mercado são de um resultado “bastante positivo”. Mais de um analista já fala em um viés para baixo nas expectativas para a inflação de 2026, após a mediana do relatório Focus ter aumentado em 1,4 ponto porcentual desde o fim de fevereiro, com a eclosão da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Diversos economistas — de instituições como XP Investimentos, Capital Economics e Sicredi — afirmam que os resultados devem dar confiança ao Copom para reduzir a taxa básica de juros mais uma vez daqui a três semanas e meia, na reunião de agosto, embora a decisão vá depender da evolução do cenário até lá.

É óbvio que a política monetária não reage, e nem deveria reagir, a uma única leitura de inflação. O balanço de riscos do Copom é assimétrico para cima, as expectativas de inflação do mercado continuam desancoradas e o BC não está olhando para o IPCA de agora, mas do primeiro trimestre de 2028.

Além disso, o IPCA acumulado em 12 meses diminuiu (4,72% para 4,64%), mas continua acima do teto da meta de inflação, de 4,50%. A retomada dos conflitos no Oriente Médio esta semana, que levou a um aumento dos preços do petróleo, também adiciona mais fatores de cautela à autoridade monetária.

Mas as informações disponíveis até aqui indicam que as críticas ao Copom por uma decisão descabida ao reduzir a Selic em junho podem ter sido exageradas. O alívio da inflação corrente é uma sinalização positiva após a manutenção dos juros em nível muito restritivo desde o início do ano passado.

Se as próximas leituras do IPCA continuarem indicando um alívio sustentado das pressões sobre os preços, e os dados de atividade econômica confirmarem a expectativa de desaceleração, o Banco Central de Gabriel Galípolo pode afirmar que o cenário evolui conforme o esperado e manter o seu ciclo de calibração, tornando os juros menos restritivos.

Agência Brasil - DF   13/07/2026

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou o mês de junho em 0,14% e acumula 4,33% nos últimos 12 meses. O indicador interessa a diversas categorias profissionais pois serve de base para cálculo de reajuste salariais.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o instituto, os produtos alimentícios tiveram deflação no mês, ou seja, ficaram mais baratos 0,29% em média. O grupo dos não alimentícios subiu 0,28%.

Também nesta sexta-feira, o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, marcou 0,16% em junho e 4,64% em 12 meses.
INPC x IPCA

Uma diferença entre os dois índices é que o INPC apura a inflação para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e o IPCA, para lares com renda de um a 40 salários mínimos. Atualmente o mínimo é de R$ 1.621.

O IBGE confere pesos diferentes aos grupos de preços pesquisados. No INPC, por exemplo, os alimentos representam cerca de 25% do índice, mais que no IPCA (aproximadamente 21%), pois as famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com comida. Na ótica inversa, o preço de passagem de avião pesa menos no INPC do que no IPCA.

No INPC são apurados preços de 367 produtos e serviços (os chamados subitens), dez a menos que no IPCA.

De acordo com o IBGE, a apuração do INPC “tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, por meio da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento”.
Reajuste de salários

O INPC influencia diretamente a vida de muitos brasileiros. O acumulado móvel de 12 meses costuma ser utilizado para cálculo do reajuste de salários de diversas categorias ao longo do ano.

O salário mínimo, por exemplo, leva o dado de novembro no seu cálculo. O seguro-desemprego, o teto do INSS e o benefício de quem recebe acima do salário mínimo são reajustados com base no resultado do INPC acumulado até dezembro.

A coleta de preços para o INPC é feita em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A coleta também é feita em Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

CNN Brasil - SP   13/07/2026

A ata mais sucinta de uma reunião de política monetária do Federal Reserve dos últimos anos ainda deixou claro o quanto as autoridades do banco central dos EUA continuam preocupadas com a inflação e como provavelmente reagirão com aumentos nas taxas de juros caso ela permaneça muito alta por muito mais tempo.

A ata da reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) realizada entre 16 e 17 de junho mostrou divisão equilibrada entre um grupo de autoridades em grande parte satisfeito em manter os juros nos níveis atuais e outro que considera o aumento dos custos de empréstimos como o caminho adequado.

O ponto central da ata, divulgada na quarta-feira (8), girou em torno de uma discussão sobre cenários e possíveis respostas de política monetária, sendo que a mais clara delas pareceu ser que, em um cenário adverso de inflação persistente e em expansão, a maioria dos dirigentes do Fed estaria pronta para responder com taxas mais altas, enquanto que, em um cenário favorável de queda da inflação, a maioria deles ficaria satisfeita em manter as taxas estáveis ou, eventualmente, reduzi-las.

“Eu realmente acho que (a ata) mostrou a riqueza desses cenários”, disse o presidente do Fed de Nova York, John Williams, na quinta-feira (9), durante uma conferência em seu banco regional do Fed.

“Há certos aspectos das perspectivas de inflação que provavelmente são um pouco mais benignos, digamos, em relação às tarifas, talvez aos preços da energia, dependendo de como isso se desenrolar. Mas há outros cenários em que a inflação é mais persistente e permanece mais alta, o que exigiria... uma política monetária mais restritiva. Acho que essa é a maneira correta de encarar a questão.”

“Acho que a ata, de certa forma, captou uma função de reação coletiva, mesmo que não tenha sido elaborada com esse objetivo”, disse ele.

Economistas debateram se o tom mais contido da última ata refletiu a influência do novo presidente do Fed, Kevin Warsh — que está liderando uma revisão da política de comunicação do banco central, entre outras coisas.

Vários observaram a exclusão de uma seção sobre gestão de riscos, que era um elemento constante sob o comando do ex-presidente do Fed, Jerome Powell.

Ainda assim, alguns viram sinais evidentes.

“A ata oferece a articulação mais clara até o momento da função de reação do Fed sob a presidência de Warsh, marcando uma mudança de uma linguagem ampla sobre gestão de riscos para uma formulação de políticas baseada em cenários”, escreveu Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, logo após a divulgação do documento.

“Nossa interpretação é que o Comitê quer que os mercados reconheçam que um aperto adicional continua sendo uma possibilidade real caso a inflação se mostre mais persistente”, disse ele, mas que uma desaceleração da inflação deixaria a maioria confortável em manter as taxas inalteradas.

Em um comentário posterior à Reuters na quinta-feira, Daco disse: “O que me chamou a atenção foi que essa discussão sobre cenários não foi enquadrada como uma estratégia de gestão de risco. Em vez disso, teve como objetivo mostrar o consenso entre os formuladores de política monetária quanto à sua função de reação em diferentes cenários, mesmo que haja uma divisão equilibrada entre as duas visões.”
Poucos, vários, a maioira, insignificante

A ata da reunião de junho deu tão poucas pistas sobre a trajetória provável das taxas de juros que um economista a descreveu como uma descrição “sem graça” das projeções que todos os formuladores de política monetária, exceto Warsh, haviam apresentado para a reunião.

Na ata da reunião de 28 e 29 de abril, “vários” participantes consideraram que um corte nas taxas provavelmente seria apropriado “assim que houvesse indicações claras de que a desinflação está firmemente de volta aos trilhos ou se surgissem sinais sólidos de maior fraqueza no mercado de trabalho”.

Em contrapartida, “a maioria” deles considerou que “algum endurecimento da política monetária provavelmente se tornaria apropriado” caso a inflação permanecesse acima da meta de 2% do Fed.

A conclusão era clara: o grupo favorável ao corte das taxas estava diminuindo, à medida que as autoridades monetárias se mostravam mais abertas a um aumento das taxas.

O gráfico das projeções das autoridades monetárias para a trajetória das taxas, publicado ao final da reunião do mês passado, mostrou que essa transformação estava completa, com os participantes agora considerando aumentos nas taxas muito mais prováveis do que cortes.

Mas era difícil discernir essa perspectiva a partir da última ata, que descrevia dois grupos evidentemente sobrepostos: “a maioria” dos participantes via cenários em que a inflação diminuiria em breve, caso em que “quase todos” apoiariam a manutenção das taxas ou sua redução; e “a maioria” via cenários em que a inflação permaneceria elevada, caso em que “quase todos” apoiariam um aperto da política monetária.

“Resumindo: se a inflação cair, as taxas podem cair, mas se a inflação não cair, as taxas podem subir!”, foi como Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do J.P. Morgan, resumiu as perspectivas da política monetária em um email intitulado “Ata sem ousadia reflete pontos de vista divididos”.

A ata da reunião de junho indicou que os formuladores de política monetária, em geral, permanecem no primeiro grupo, observando que “os participantes previram que a inflação permaneceria elevada no curto prazo e, em seguida, começaria a recuar à medida que os efeitos das tarifas e dos aumentos nos preços da energia diminuíssem e outras interrupções no abastecimento relacionadas ao fechamento do Estreito de Ormuz se atenuassem”.

A ata da reunião de abril não continha nenhuma expectativa geral de que a inflação caísse.

“Isso sugere uma confiança um pouco maior de que as interrupções temporárias iriam desaparecer” e que a inflação seria mais baixa no futuro, escreveu Omair Sharif, fundador e presidente da empresa de previsões Inflation Insights, em uma nota.

A ata divulgada nesta semana também omitiu o comentário da ata da reunião de abril de que uma “vasta maioria” dos participantes considerava que a inflação levaria mais tempo para retornar a 2% do que o esperado anteriormente.

Por im, enquanto a ata da reunião de abril afirmava que “a maioria” dos participantes considerava que os indicadores de inflação de longo prazo estavam estáveis, na ata da reunião de junho essa percepção era compartilhada por uma “maioria”.
Dados de inflação

A ata da reunião de junho ressaltou a importância dos próximos dados de inflação para a decisão sobre a trajetória das taxas, especialmente porque as hostilidades dos EUA com o Irã — um fator-chave para o recente aumento nos custos de energia e outras pressões sobre os preços das commodities — se intensificaram novamente esta semana, após um período de relativa calma.

Na próxima semana serão divulgados os relatórios sobre a inflação ao consumidor e ao produtor referentes a junho, que podem refletir alguma diminuição das pressões, já que os preços do petróleo recuaram para níveis próximos aos pré-guerra em meio às negociações de cessar-fogo.

Ainda assim, com o Índice de Preços ao Consumidor tendo subido 4,2% no acumulado do ano até maio e os formuladores de políticas preocupados com sinais de ampliação da inflação no setor de serviços, ainda pode demorar algum tempo até que as autoridades do Fed estejam prontas para baixar a guarda.

“Passei grande parte da minha carreira como formulador de políticas falando sobre a importância de nos basearmos nos dados”, disse Williams na quinta-feira.

“Não mudei de opinião. Ainda acho que precisamos nos basear nos dados.”

Na próxima semana, Warsh também fará sua primeira aparição perante o Congresso desde que assumiu formalmente o comando do Fed no final de maio.

Ele poderá enfrentar perguntas acaloradas dos democratas, em particular sobre o que o banco central pretende fazer para conter a inflação.

MINERAÇÃO

Exame - SP   13/07/2026

As ações da Vale (VALE3) atravessam um período de forte pressão no Ibovespa, acumulando queda de 6,07% em julho até o fechamento desta quinta-feira, 9, após já terem recuado 5,96% em junho. Embora os papéis tenham interrompido a sequência negativa e encerrado o último pregão em alta de 0,62%, a R$ 73,15, o desempenho recente segue refletindo uma combinação de fatores que aumentou a cautela dos investidores.

A pressão sobre as ações se intensificou nesta semana. Depois de cair 1,33% na segunda, 6, e 2,04% no dia seguinte, 7, a Vale registrou uma forte baixa de 4,59% na quarta-feira, 8, fechando a R$ 72,70. Foi a maior queda diária dos papéis desde 8 de abril de 2025, quando haviam recuado 5,48% para R$ 49,20, o menor patamar desde 19 de novembro de 2021.

A forte desvalorização ocorreu em meio a uma sucessão de acontecimentos envolvendo a mineradora, incluindo um corte de recomendação pelo Morgan Stanley, mudanças na governança corporativa, o escrutínio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a saída do presidente do conselho e, mais recentemente, a renovação de um contrato bilionário de transporte ferroviário com a MRS Logística.

Corte do Morgan Stanley pressionou ações

Mas o principal gatilho para a queda de quarta-feira foi a revisão das projeções do Morgan Stanley para a Vale. O banco reduziu suas estimativas para a companhia diante de uma perspectiva mais desafiadora para o mercado global de minério de ferro.

Segundo os analistas do banco americano, a produção mundial de aço, especialmente na China, ficou abaixo das projeções anteriores, aumentando a expectativa de excedente da commodity no mercado internacional e pressionando os preços nos próximos anos.

Com isso, o minério de ferro passou a ser considerado a commodity menos preferida pela equipe de análise da instituição entre as cobertas pelo relatório. O Morgan Stanley também elevou suas projeções para os custos operacionais da Vale, estimando um custo caixa (C1) de US$ 23 por tonelada em 2026, acima da faixa de guidance da companhia, de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada.

As revisões levaram o banco a reduzir suas projeções para Ebitda e lucro por ação da mineradora. Apesar de reconhecer avanços na divisão de Metais Básicos, a instituição avalia que essa melhora já está amplamente incorporada ao preço dos papéis. O novo preço-alvo foi fixado em US$ 16,50 por ADR, equivalente a um potencial de valorização de aproximadamente 11%.

Além da revisão do Morgan Stanley, investidores acompanharam uma série de acontecimentos relacionados à governança da companhia.

Mudanças na governança aumentaram atenção do mercado

Na noite de segunda, 6, a Vale informou, por meio de fato relevante, a renúncia imediata de Daniel Stieler aos cargos de membro e presidente do Conselho de Administração.

A empresa afirmou que a decisão foi pessoal e agradeceu ao executivo pela atuação desde 2021, destacando sua contribuição para o fortalecimento da governança e para as decisões estratégicas da companhia. A saída também levou à retirada de um dos itens da pauta da Assembleia Geral Extraordinária marcada para 22 de julho.

Dois dias depois, porém, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou um processo administrativo para apurar informações divulgadas pelo Valor Econômico de que a saída de Stieler teria sido acompanhada por um acerto financeiro.

Em resposta ao regulador, a Vale afirmou que não houve acordo, entendimento ou indenização que condicionasse a renúncia do executivo. A companhia, porém, reconheceu que firmou um contrato de confidencialidade e não concorrência por 24 meses com o ex-presidente do conselho, prevendo uma remuneração específica por essas obrigações.

Segundo a mineradora, o pagamento não representa uma indenização por desligamento, mas uma contraprestação pelas cláusulas de confidencialidade e não concorrência. A empresa afirmou ainda que não considerou o contrato um fato relevante por entender que seus termos não influenciam de forma material as decisões de investimento nem o preço de negociação de seus valores mobiliários.

O caso ganhou repercussão após um acionista minoritário solicitar que a CVM investigasse as circunstâncias da saída de Stieler. Os acionistas deverão eleger um novo presidente do Conselho de Administração em 22 de julho.

Vale renova contrato bilionário com a MRS

Nesta quinta-feira (9), outro anúncio envolvendo a companhia chamou a atenção do mercado. A Vale informou a renovação de seu contrato de transporte ferroviário com a MRS Logística, em uma operação estimada em R$ 51,3 bilhões e com vigência de 15 anos, entre dezembro de 2026 e dezembro de 2041.

O contrato prevê o transporte de minério de ferro, pelotas e derivados entre terminais em Minas Gerais e portos no Rio de Janeiro. Considerando os programas anuais de transporte e as flexibilidades negociadas entre as partes, o valor estimado do acordo é de aproximadamente R$ 43,5 bilhões.

O novo contrato substitui o atual, que vence em novembro de 2026, e mantém a cláusula de "take or pay", pela qual a Vale garante à MRS um pagamento mínimo equivalente a 85% da receita orçada para cada ano. O acordo também amplia a flexibilidade para volumes transportados, reduzindo o risco de pagamentos mínimos em cenários de menor produção.

BTG vê ação descontada e mantém recomendação de compra

Apesar da sequência de notícias e da pressão recente sobre as ações, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avalia que o movimento ampliou o desconto dos papéis.

Em relatório divulgado nesta quinta, o banco afirmou que a Vale continua sendo negociada a aproximadamente 4,2 a 4,3 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026, um desconto de 25% a 30% em relação às grandes mineradoras australianas.

Pelos cálculos dos analistas, a companhia ainda pode gerar um yield de fluxo de caixa livre próximo de 9%, patamar considerado atrativo.

"Reconhecemos que algumas premissas operacionais importantes se deterioraram nos últimos meses, especialmente os maiores custos caixa C1 do minério de ferro, refletindo uma combinação de fatores operacionais temporários e inflação de custos", pondera o banco.

"Ainda assim, as revisões em nossas estimativas de resultados permanecem relativamente limitadas, uma vez que os preços do minério de ferro, cobre e níquel continuam amplamente alinhados às nossas projeções de alguns meses atrás", acrescentou o BTG. O banco manteve recomendação de compra para a Vale e reiterou o preço-alvo de R$ 90 para as ações.

Infomoney - SP   13/07/2026

Os contratos futuros de minério de ferro subiram nesta sexta-feira, impulsionados por uma combinação de fatores relacionados à oferta física, incluindo a redução sazonal dos embarques australianos, os prêmios nos custos de frete e a redução dos estoques nos principais portos chineses.

O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 0,87%, a 751,5 iuanes (US$110,81) por tonelada.

O contrato registrou alta de 1,49% nesta semana e está a caminho do primeiro ganho em base semanal em um mês.

A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura subia 0,59%, para US$99,3 por tonelada, elevando o ganho para 1,52% em base semanal.

Os futuros à vista de minério de ferro têm se mantido relativamente sustentados nos últimos dias por uma combinação de fatores relacionados à oferta física, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities.

Entre eles estão os embarques da Austrália sazonalmente mais fracos, após o fim do ano fiscal do país, e os prêmios de risco de guerra no Estreito de Ormuz, que estão sendo incorporados a custos de frete mais elevados, disse ele.

O estoque total nos principais portos da China ficou em 108,14 milhões de toneladas, uma queda de 1,2% em relação ao mês anterior, segundo dados da consultoria Shanghai Metals Market.

No entanto, as preocupações com a restrição da oferta persistiram, depois que centenas de trabalhadores das operações da BHP em Port Hedland, na Austrália Ocidental, ameaçaram entrar em greve na próxima semana, no que seria a maior ação industrial na região em décadas, afirmaram analistas da ANZ Research em uma nota.

O Estado de S.Paulo - SP   13/07/2026

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, indicou José Maurício Pereira Coelho para ocupar a vaga de Daniel Stieler no conselho de administração da Vale - do qual era o presidente. Pereira Coelho fez parte do colegiado da mineradora até 2021 e presidiu o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil entre 2018 e 2021. A assembleia que validará a disputa pela vaga foi marcada para o dia 22 de julho e ele disputará a cadeira com a executiva Ieda Gomes Yell, indicada pelo conselho da companhia. Ieda atua profissionalmente como conselheira de grandes empresas multinacionais, como o Grupo Saint Gobain e o Bureau Veritas.

A presidência do conselho da Vale tem sido disputada desde que a Previ, maior acionista individual da mineradora (com 7,01% de seu capital), pediu que fosse convocada uma assembleia para a destituição de Stieler. O executivo resistiu à mudança, o que gerou articulações internas entre conselheiros e investidores, já que sua saída estava prevista apenas para o próximo ano. Mas acabou renunciado ao cargo na última segunda-feira, 6.

Sobre o nome sugerido pela Previ, o conselho disse que se absteve de recomendar pelo fato de Pereira Coelho não ter passado pelo processo formal de indicação da empresa. Na eleição à presidência do conselho disputam Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, (apoiado pela Previ) e Marcelo Gasparino da Silva.

Nesta quinta-feira, 9, a Vale informou, após questionamentos feitos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que não houve “acordo, composição ou indenização condicionando a renúncia de Daniel Stieler à presidência do conselho de administração”. O jornal Valor Econômico havia publicado que haveria uma compensação financeira para que Stieler renunciasse. Segundo a companhia, a renúncia foi uma decisão pessoal de Stieler, formalizada por carta entregue na segunda-feira, 6.

No esclarecimento enviado à CVM, a Vale afirmou que a decisão de Stieler motivou a negociação e a celebração de um Contrato de Compensação por Não Competição e Outras Avenças, e não o contrário. A mineradora disse que o contrato foi fechado porque se tratava de um desligamento não planejado, enquanto havia temas estratégicos em maturação no âmbito das funções exercidas por ele.

De acordo com a empresa, o contrato estabelece obrigações de não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade por 24 meses, em razão do acesso do ex-presidente do colegiado a informações confidenciais e estratégicas do grupo durante o período em que atuou no conselho. Segundo o Valor, a soma no período de 24 meses poderia chegar a R$ 6,2 milhões, mas a mineradora não confirma.

A Vale afirmou ainda que a política de remuneração do conselho de administração “permanece integralmente vigente e não sofreu qualquer alteração”. Segundo o documento, a compensação prevista no contrato é contrapartida pelas obrigações assumidas por Stieler durante o período de 24 meses e “não se confunde” com remuneração pelo exercício do cargo.

A companhia também disse que os valores previstos no contrato foram analisados por uma empresa internacionalmente reconhecida, especializada em recrutamento de executivos e desenho de remuneração, e que a avaliação concluiu que os parâmetros estão alinhados às práticas de mercado.

Por fim, a Vale informou que considerou que os termos específicos do contrato não se qualificam como fato relevante, por entender que não têm potencial de influenciar a decisão de investimento dos acionistas ou a cotação dos valores mobiliários da companhia.

Bancos têm visões mistas sobre a empresa

Os bancos que analisam as ações da Vale têm posições divergentes sobre a companhia. O BTG afirma, em relatório, que, aos preços atuais de mercado, a Vale “continua parecendo barata”. Segundo o banco, as ações são negociadas entre 4,2 vezes e 4,3 vezes o múltiplo EV/Ebitda (valor da empresa sobre a geração de caixa) estimado para 2026, um desconto de 25% a 30% em relação às grandes mineradoras australianas.

Já o Morgan Stanley rebaixou a recomendação da Vale de overweight (equivalente à compra) para equal-weight (neutro), citando a revisão para baixo das projeções de preço do minério de ferro diante de uma perspectiva de excedente de oferta e de custos mais pressionados. O banco também reduziu o preço-alvo do ADR negociado em Nova York de US$ 19,50 para US$ 16,50, o que implica potencial de alta de 12,3% ante o fechamento de ontem.

No BTG, os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi, Rodrigo Gotardo e Marcel Zambello reconhecem uma deterioração em algumas premissas operacionais nos últimos meses, principalmente em relação aos custos caixa C1 (custo da produção da mina até o porto) do minério de ferro, pressionados por uma combinação de fatores operacionais temporários e inflação de custos.

Apesar desse cenário, o banco avalia que as revisões nas estimativas de resultados seguem limitadas, já que os preços do minério de ferro, do cobre e do níquel permanecem próximos das projeções feitas pela instituição nos últimos meses.

Diante disso, o BTG mantém recomendação de Compra para as ações da Vale e preço-alvo de R$ 90, o que indica potencial de valorização de 23,79% em relação ao fechamento anterior.

O banco destaca ainda que a análise busca avaliar como o desempenho das ações pode variar sob diferentes cenários para minério de ferro, câmbio e custos. “Com as ações da Vale acumulando queda de 7% no último mês, acreditamos que vale a pena revisitar os números por meio de uma análise de sensibilidade simples”, afirmam os analistas.

Porém, no Morgan Stanley, os analistas Carlos De Alba, Justin A. Ferrer e Henrique Braga veem desafios crescentes para o mercado de minério com a projeção de menor produção global de aço, puxada pela China, o que elevaria os excedentes de oferta de minério transportado por via marítima. A equipe de commodities do Morgan reduziu suas estimativas para o preço do minério em 2% a 4% entre 2026 e 2028 e passou a tratar o minério como a “commodity menos preferida” no cenário.

Além do ambiente de preços, o Morgan apontou pressão de custos na Vale. O banco agora estima o custo caixa C1 do minério em US$ 23 por tonelada em 2026, 5% acima do modelo anterior e acima do guidance da companhia, de US$ 20 a US$ 21,50 por tonelada. Para 2027, a projeção é de US$ 19,50 por tonelada, alta de 7% ante o modelo anterior.

Veja - SP   13/07/2026

A Vale tenta vender ao mercado a imagem de que encontrou uma solução de estabilidade para atravessar a assembleia de 22 de julho. A indicação de Manuel Oliveira, o Ollie, para a presidência do Conselho de Administração foi recebida como uma saída de compromisso depois da queda de braço que levou à saída de Daniel Stieler. Mas o acordo apenas adiou a disputa pelo controle efetivo da maior mineradora do país.

A troca no conselho pacifica o barulho de curto prazo, mas não elimina o conflito central. O que está em jogo agora é quem terá força para influenciar a alocação de capital, a composição da diretoria e a relação da Vale com o governo no próximo ciclo político. A disputa deixou de ser apenas societária e passou a operar em duas frentes: a dos acionistas institucionais, preocupados com governança e retorno, e a dos grupos políticos que enxergam na companhia um instrumento estratégico de investimento, infraestrutura e poder.

De um lado, está a ala que defende uma Vale mais alinhada à agenda de grandes projetos nacionais. Nesse campo gravitam o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o empresário Lucas Kallas, da Cedro Mineração, apontado por interlocutores do setor como um dos nomes com trânsito relevante nas conversas políticas em torno da mineradora. A lógica desse grupo é usar o peso financeiro da Vale para destravar investimentos em logística, ferrovias, mineração e acordos de reparação, especialmente em temas sensíveis ao governo, como Mariana.

É a tese da Vale como indutora de crescimento. O poder, nesse desenho, não se mede apenas por assentos no conselho, mas pela capacidade de orientar prioridades de investimento, acelerar obras, destravar pactos federativos e aproximar a companhia de uma agenda de desenvolvimento nacional. Para essa ala, Gustavo Pimenta, escolhido para comandar a empresa com um perfil técnico e aceito pelo mercado, ainda é peça central — desde que consiga entregar resultados também no tabuleiro político.

Do outro lado, a pressão vem de uma articulação mais partidária, com influência nos fundos de pensão e na disputa por espaços internos. Nesse grupo, interlocutores de Brasília apontam a atuação de nomes como João Vaccari Neto e João Paulo Cunha, que voltaram a circular com peso nos bastidores do poder. A principal alavanca dessa frente é a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, acionista relevante da Vale e peça decisiva no movimento que enfraqueceu Stieler.

A estratégia dessa ala passa por aumentar a influência sobre a estrutura interna da mineradora. O foco não é apenas a presidência do conselho, mas diretorias executivas sensíveis, como Minério de Ferro e Relações Institucionais. Em termos práticos, enquanto um grupo quer direcionar onde a Vale investe, o outro quer ter mais influência sobre quem decide, negocia e executa.

No meio desse fogo cruzado está Gustavo Pimenta. Ele chegou ao comando da Vale como o executivo capaz de reduzir a temperatura política e reconstruir pontes com investidores depois de meses de turbulência sucessória. Mas a blindagem que o mercado enxergou em sua escolha começa a ser testada justamente agora, quando o rearranjo no conselho abre espaço para uma nova fase da disputa.

A indicação de Ollie funcionou como uma espécie de armistício. Acionistas estrangeiros e investidores institucionais aceitaram a solução para evitar uma batalha aberta na assembleia e preservar a aparência de estabilidade. Mas, entre operadores de mercado, a avaliação é que a trégua tem prazo curto. A partir de agosto, a pressão sobre Pimenta tende a aumentar.

De um lado, ele será cobrado por fundos e acionistas internacionais a preservar governança, disciplina de capital e previsibilidade na política de dividendos. De outro, enfrentará a pressão política para fazer a Vale acelerar investimentos locais, ampliar compromissos com infraestrutura e abrir mais espaço para nomes próximos ao governo em posições estratégicas.

É nesse ponto que a disputa deixa de ser simbólica e passa a afetar diretamente a tese de investimento da companhia. Se Pimenta ceder a uma ocupação política mais ostensiva da estrutura da Vale, poderá provocar reação dos acionistas estrangeiros e aumentar o desconto de governança da mineradora. Se resistir, corre o risco de ver sua agenda travada por um conselho mais sensível às pressões de Brasília.

A assembleia de 22 de julho, portanto, não encerra a crise. Apenas muda o campo de batalha. O mercado olhará para a eleição de Ollie como um gesto de pacificação. Brasília, no entanto, já enxerga o movimento seguinte: a disputa pelo comando real da Vale, pelo destino de seu caixa bilionário e pelo grau de independência que Gustavo Pimenta conseguirá preservar no cargo.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   13/07/2026

Em meados de 2027, o Brasil pode contar com um novo SUV de luxo nacional. É a promessa da BYD, que estuda produzir o Denza B5 na fábrica de Camaçari (BA). A informação é da vice-presidente global da companhia, Stella Li.

A executiva conversou com jornalistas brasileiros durante o Festival de Goodwood, em West Sussex, na Inglaterra. A companhia chinesa aproveita o evento de velocidade para lançar sua divisão premium para o mercado britânico.

“Agora o Tyler Li [presidente da BYD no País] está trabalhando para que o Denza B5 possa ser produzido no Brasil. A meta talvez seja o meio do ano que vem”, disse Stella.

A produção local do Denza B5, no entanto, está condicionada à expansão da infraestrutura de recarga rápida da empresa. “realmente preciso implementar os carregadores primeiro”, diz, passando a missão a Tyler Li.

O B5 estreou no mercado brasileiro em dezembro de 2025. Desde então, vendeu 1,3 mil unidades e, em junho deste ano, chegou ao posto de carro premium mais vendido do mercado nacional com 566 emplacamentos.

Graças ao B5, a Denza figurou no top 10 das que mais venderam carros híbridos em junho, superando Leapmotor (477), BMW (449), Volvo (307), Caoa Chery (305) e GAC (270). Os dados são da Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave).

Produção de carros de luxo no Brasil é para poucos

Ainda assim, o plano da companhia de fazer o modelo localmente é ousado. A produção nacional de carros de luxo se mostra desafiadora por causa do baixo volume que dificulta para qualquer montadora garantir boas margens.

Mas há uma vantagem relevante para facilitar a produção. “O B5 compartilha a plataforma DMI com a BYD Shark, o que pode contribuir para um volume maior”, conta Werner Schaal, diretor da Denza no Brasil. Ele assegura que o projeto está em estudo avançado e seria para 2027, mas sem decisões tomadas por enquanto.
Como é o Denza B5

Primeiro modelo da marca premium da BYD no Brasil, o Denza B5 é um SUV híbrido plug-in de luxo com construção sobre chassi e tração integral. O conjunto combina um motor 1.5 turbo a dois propulsores elétricos, com potência combinada de 677 cv e torque de 77,5 kgfm.

Com esse conjunto, o utilitário acelera de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos. A autonomia combinada chega a 1.200 km pelo ciclo chinês CLTC, enquanto o alcance em modo exclusivamente elétrico varia de 90 km a 100 km.

O sistema 4x4 tem três bloqueios de diferencial, 16 modos de condução e capacidade de reboque de até 2.500 kg. O B5 também usa a suspensão ativa DiSus-P, capaz de controlar eletronicamente o amortecimento e a altura da carroceria.

Entre os equipamentos, o modelo oferece suspensão ativa DiSus-P, três telas na cabine (incluindo uma para o passageiro), Head-Up Display, sistema de som Devialet com 18 alto-falantes, bancos de couro com aquecimento, ventilação e função de massagem, além de um refrigerador com aquecimento e resfriamento. Na segurança, traz 11 airbags e carroceria com 96% de aço de alta resistência.

Valor - SP   13/07/2026

Montadora alemã entregou cerca de 1,16 milhão de veículos entre janeiro e junho, queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

A BMW afirmou que uma forte queda nas vendas na China prejudicou seu desempenho geral no primeiro semestre do ano, embora o grupo tenha registrado ganhos em outros mercados.

A montadora alemã entregou cerca de 1,16 milhão de veículos entre janeiro e junho, volume 4,2% menor do que no mesmo período do ano passado, informou a empresa nesta sexta-feira (10).

Na China, as vendas caíram 20%, acelerando para um declínio de 30% apenas no segundo trimestre. Em contrapartida, as vendas da BMW cresceram 5,4% na Europa, o maior mercado da empresa, e 3% nas Américas.

“Apesar dos desafios globais, alcançamos resultados de vendas positivos nos Estdos Unidos e na Europa”, disse Jochen Goller, membro da diretoria da BMW responsável por marcas e vendas.

Segundo a montadora, as vendas de veículos totalmente elétricos ganharam força no segundo trimestre com o início das entregas do novo modelo elétrico iX3 do grupo.

No mês passado, a companhia reduziu sua perspectiva para o ano, citando a concorrência mais acirrada em um mercado chinês afetado pela demanda instável.

Na ocasião, a empresa afirmou que esperava registrar uma leve queda nas vendas de automóveis em 2026, após ter projetado anteriormente um crescimento estável, com o conflito no Oriente Médio também cobrando seu preço sobre o desempenho.

O lucro líquido do grupo sofrerá um impacto devido a esses ventos contrários, alertou a BMW.

A pressão sobre o desempenho de vendas da marca somam-se ao cenário cada vez mais sombrio para as montadoras europeias.

A gigante alemã Volkswagen anunciou nesta semana que vai reduzir sua linha de modelos em até pela metade, enquanto busca cortar a capacidade de fabricação diante dos altos custos e da crescente concorrência das rivais chinesas.

CNN Brasil - SP   13/07/2026

A Toyota anunciou na semana passada que faria algo que outras montadoras tem relutado em fazer: transferir parte da produção do México para os Estados Unidos.

A montadora japonesa passará a fabricar metade de suas picapes médias Tacoma — o modelo mais vendido da companhia — em uma fábrica ampliada em San Antonio, onde já produz a picape de porte grande Tundra e o SUV Sequoia. A empresa também continuará fabricando a Tacoma no México.

O presidente Donald Trump celebrou a mudança para solo americano, classificando-a como "algo muito importante" e uma prova de que "as tarifas estão funcionando".

A Toyota não apontou a política tarifária como o fator determinante para a decisão.

"Embora sejamos afetados pela evolução das políticas comerciais, nossos investimentos são decisões de longo prazo — abrangendo várias décadas — baseadas em objetivos estratégicos mais amplos", declarou a empresa à CNN.

Além disso, mais de um ano após o governo Trump anunciar tarifas abrangentes sobre o setor automotivo para incentivar a construção de novas fábricas americanas, a iniciativa da Toyota representa a exceção, e não a regra.
Transferir a produção para os EUA é difícil

Poucas montadoras anunciaram planos de transferir a produção para os Estados Unidos. A maioria prefere pagar tarifas a gastar bilhões na construção de novas instalações — e as linhas de produção que estão indo para os EUA estão sendo alocadas em fábricas já existentes.

46% dos carros comprados por consumidores dos EUA no ano passado eram importados, segundo a Mobility Global — uma queda leve em relação aos 47,7% registrados em 2024. Parte dessa redução deveu-se ao fato de as montadoras terem reduzido as vendas de veículos importados de menor preço, como o Nissan Versa.

No entanto, há custos elevados e muitas incertezas para que as montadoras realizem mudanças abrangentes nas estruturas das fábricas.

"É um compromisso enorme (construir uma fábrica), e fazer isso por impulso beiraria a loucura", disse Ivan Drury, diretor de insights do site de compra de automóveis Edmunds. "Portanto, a atitude mais segura é não fazer nada. Seguir em frente, mesmo com esse aumento de custos (tarifários)", continuou.

Além disso, uma das formas de as montadoras manterem os custos baixos está sob ameaça: o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), o tratado comercial firmado durante o primeiro mandato de Trump.

Esse acordo está agora sujeito a renegociação, e Trump sugeriu, no mês passado, que desistiria dele caso não houvesse mudanças substanciais que beneficiassem as empresas americanas. Isso assusta as montadoras, que passaram a depender da livre circulação de peças pelas fronteiras dos EUA com o Canadá e o México.

"Pedimos uma solução rápida e duradoura que garanta condições equitativas de concorrência e proporcione a segurança de longo prazo necessária para investimentos automotivos de capital intensivo", afirmou a American Automakers Policy Council, associação que representa a General Motors, a Ford e a Stellantis.

As tarifas estão reduzindo os lucros. A Toyota pagou US$ 8,4 bilhões em taxas alfandegárias no ano fiscal mais recente, o que fez com que os resultados na América do Norte passassem de lucro para prejuízo. A General Motors pagou US$ 3,1 bilhões em tarifas em 2025, e a Ford pagou US$ 1 bilhão.

Isso não quer dizer que as tarifas tenham sido totalmente ineficazes em incentivar as empresas a trazer a produção de volta para os EUA. Além da Toyota Tacoma, a General Motors anunciou no ano passado que transferiria a montagem de dois SUVs que eram produzidos no México. A empresa também deixará de importar SUV Buick da China e fabricará um modelo substituto nos EUA.

No entanto, esses veículos serão produzidos em uma fábrica já existente no Kansas e em outra no Tennessee. Essas instalações tinham capacidade ociosa depois que a GM reduziu os investimentos na produção de veículos elétricos, após Trump e os republicanos no Congresso terem encerrado o apoio governamental a esse tipo de veículo.

Para a Toyota, existem também razões comerciais, além da política tarifária, para transferir a produção para San Antonio, afirmou Patrick Anderson, economista de Michigan e especialista no setor automotivo.

“A Toyota tem obtido grande sucesso na expansão de negócios de picapes nos Estados Unidos, e a unidade de produção em San Antonio já é o pilar dessa operação no país”, destacou ele. “Portanto, faz todo o sentido, do ponto de vista empresarial, consolidar as operações existentes”.

E, mesmo com tarifas tão elevadas, não faz sentido para as montadoras transferir a produção com base em políticas comerciais que podem mudar muito mais rápido do que o tempo necessário para construir uma fábrica.

Especialistas afirmam que as montadoras levariam anos e gastariam bilhões para construir novas fábricas nos EUA — ou ampliar as existentes — em quantidade suficiente para substituir os veículos importados, especialmente considerando que os sucessores de Trump podem reverter as políticas com a mesma facilidade. Os custos de mão de obra nos EUA também são mais altos do que no México e em alguns outros países.

A demanda também está aquecida — o volume total de vendas de veículos cresceu 2% no ano passado, mesmo com os preços dos carros em níveis recordes —, o que incentiva as montadoras a manter o fluxo de importações.

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CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   13/07/2026

Com o resultado, o indicador registrou 7,26% no acumulado em 12 meses até junho.

A inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) subiu 1,19% em junho, após aumentar 0,36% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, o indicador registrou 7,26% no acumulado em 12 meses até junho, ante 6,93% até maio. O índice de junho de 2025 foi de 0,88%.

O custo nacional da construção por metro quadrado em junho correspondeu a R$ 1.976,37 , sendo R$ R$ 1.114,74 relativos aos materiais e R$ 861,63 à mão de obra. Em maio, esse custo totalizava R$ 1.953,08, com R$ 1.104,59 relativos aos materiais e R$ 848,49 à mão de obra.

Exame - SP   13/07/2026

O setor de construção brasileiro é um dos mais pulverizados da economia, mas enfrenta um paradoxo. Enquanto movimenta bilhões em obras e serviços, grande parte das empresas tem acesso restrito ao crédito bancário.

De acordo levantamento da Pilar Capital, divulgado em primeira mão pela EXAME, apenas cerca de 0,7% das empresas do setor atendem ao critério de grande porte, enquanto mais de 95% são micro, pequenas ou médias.

Segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de maio de 2025, o país contava com 165,8 mil empresas de construção, que empregavam 2,5 milhões de pessoas e geraravam R$ 484,2 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços.

Apesar disso, a média nacional é de apenas 15 funcionários por empresa, caindo para 14 na construção de edifícios, indicando que o setor é formado majoritariamente por micro, pequenas e médias companhias.

Selic alta por mais tempo favorece FIDCs no crédito privado, dizem gestores

Pelo critério do BNDES, uma empresa é considerada de grande porte quando tem receita operacional bruta anual acima de R$ 300 milhões. As médias empresas ficam entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões.

O descompasso entre a estrutura do setor e os critérios dos bancos gera um fenômeno chamado de crowdout.

“Se você pegar financiamento à produção, houve períodos de quase 50% de queda. Bancos tornaram-se mais rígidos ou pararam de operar o segmento por falta de funding ou mudança na política de crédito”, explica Cassio Viana, diretor de investimentos e novos negócios da Pilar Capital.

A lógica é simples: os grandes bancos priorizam apenas empresas de porte elevado, com governança robusta, histórico de entrega comprovado e capacidade de suportar ciclos longos de análise. Empresas médias, mesmo com terrenos, projetos viáveis e demanda, acabam fora do radar, especialmente se os empreendimentos têm VGV abaixo de R$ 70 milhões ou R$ 100 milhões.

O caminho aberto aos FIDCs

André Luiz Haas Caruso, CEO da gestora, destaca que essas lacunas abriram espaço para FIDCs e outras estruturas de crédito privado.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que os FIDCs obtiveram uma captação líquida de R$ 57,6 bilhões em 2025, com alta de 92,5% no número de contas de investidores, saindo de 172,2 mil em janeiro para 331,4 mil em dezembro.

"Isso reforça o papel desses produtos como importantes financiadores da economia real e como destino de uma parcela crescente dos recursos dos investidores", afirmou a diretora da Anbima, Julya Wellisch, à época da divulgação do balanço de 2025.

E a afirmação é atestada pelo levantamento da Pilar. “Existe uma faixa importante de construtoras médias que não busca crédito por falta de adequação ao modelo bancário tradicional. São empresas com obra bem localizada, histórico regional e demanda comprovada, mas que não atingem os critérios de tamanho ou garantias exigidas pelos grandes bancos", afirma Caruso.

Neste contexto, FIDCs e crédito privado funcionam como uma ponte entre investidores e construtoras médias, financiando desde a aquisição de terrenos até a entrega das unidades.

“O impacto do crédito restrito não se limita ao incorporador. Ele se espalha pelo atraso de obra e menor geração de empregos. Destravar financiamento para construtoras médias é destravar a economia real”, conclui Caruso.

Hoje, operações atendidas por essas estruturas variam entre R$ 15 milhões e R$ 70 milhões, mas podem chegar a R$ 150 milhões, permitindo que empresas que não se encaixam no modelo bancário tradicional continuem lançando projetos e mantendo cronogramas.

A Tribuna - SP   13/07/2026

Entidade que nasceu há 45 anos, a serem completados na próxima quinta-feira (16), a Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob) olha para o passado, sem deixar de lado o futuro - e, em especial, os inúmeros desafios que vêm de longe.

“Juros elevados, insegurança jurídica e instabilidade econômica fazem parte dos desafios enfrentados há décadas pelo empresariado brasileiro. A construção civil, por ser uma atividade que exige investimentos de longo prazo, previsibilidade e segurança para a tomada de decisões, é impactada por esse cenário. Apesar dessas dificuldades, a construção civil tem demonstrado grande capacidade de adaptação e resiliência”, afirma o presidente da Assecob, Matheus Teixeira.

Para ele, a demanda por novas moradias permanece elevada, impulsionada pelo crescimento das cidades, pela formação de novos arranjos familiares, pela necessidade de substituição ou melhoria da moradia atual e pelas transformações no perfil dos consumidores.

Ele lembra que a Assecob mantém participação ativa em conselhos municipais e espaços de discussão sobre habitação, desenvolvimento urbano, patrimônio histórico e cultural e meio ambiente, além de construir, ao longo de sua trajetória, importantes relações institucionais com entidades representativas da construção civil, do mercado imobiliário e do setor produtivo.

“Chegamos aos 45 anos com representatividade, capacidade de diálogo e presença ativa nas principais discussões sobre o desenvolvimento regional. É uma conquista construída por sucessivas diretorias que sempre defenderam a importância do associativismo e da união do setor”.

Falta de espaços

Presidente do Conselho Deliberativo da entidade, Ricardo Beschizza, aponta que, diante da escassez de terrenos disponíveis e dos elevados valores das áreas próximas às praias, existe a necessidade de percorrer o caminho inverso, rumo à região central, promovendo a renovação e a reocupação de áreas com boa estrutura para receber novas habitações.

“A renovação urbana é fundamental para uma cidade com território insular limitado. Precisamos discutir instrumentos urbanísticos capazes de estimular novos investimentos, recuperar áreas degradadas, modernizar imóveis e permitir o melhor aproveitamento da infraestrutura existente. A legislação municipal deve acompanhar as transformações da sociedade, os avanços tecnológicos e as novas formas de morar”, afirma Teixeira.

Associação organizou atuação institucional

Uma cidade que sempre teve uma forte tendência associativa, com diversas organizações. Nesse contexto, surgiu a Assecob para auxiliar as empresas da construção civil, desde legislação até questões de financiamento.

O primeiro presidente foi o advogado Adriano Ventura, cujo pai era construtor. O relato é de um dos fundadores da entidade, José Marcelo Ferreira Marques. “Ao final das duas gestões do Adriano, nós trouxemos para a cidade a representação sindical do Sinduscon e do Secovi-SP. Foi toda uma organização do setor que passou a existir”.

A Assecob também é lembrada por sua participação no debate político - este ano, apoiará as sabatinas com os candidatos a presidente, governador e seus vices, além dos postulantes ao Senado, ao lado do Grupo Tribuna, Associação Comercial de Santos e OAB-Santos.

“A entidade participou de importantes discussões políticas, inclusive em parceria com A Tribuna, em encontros realizados no Teatro do Sesc-Santos”, diz o presidente do Conselho Deliberativo da Assecob, Ricardo Beschizza.

Quem também lembra dessa atuação é Omar Laino, que presidiu a Assecob entre 1989 e 1992. “Também tivemos a oportunidade de ouvir candidatos a presidente em 1989, como Fernando Collor, Mário Covas e Ronaldo Caiado”.

Segundo ele, o entendimento com o poder público era pleno, numa atuação institucional. “A construção civil é uma das atividades econômicas mais importantes da nossa região, e a Assecob sempre teve um papel importante de diálogo”.

FERROVIÁRIO

A Tribuna - SP   13/07/2026

O Ferroanel de São Paulo voltou ao debate após o Governo Federal anunciar novos estudos para viabilizar sua implantação. Ainda não há cronograma, modelo de financiamento ou previsão de início das obras. Em outras palavras, trata-se de um projeto que permanece no papel, apesar de ser reconhecido há décadas como uma das intervenções mais importantes para a logística nacional.

Não se trata apenas de separar trens de carga e de passageiros na Região Metropolitana de São Paulo. O Ferroanel é uma peça estratégica para garantir competitividade ao Porto de Santos, principal porta de saída das exportações brasileiras. À medida que a produção agropecuária do Centro-Oeste segue crescendo em ritmo acelerado, a infraestrutura de transporte precisa acompanhar essa evolução. Caso contrário, o gargalo deixará de ser a capacidade produtiva e passará a ser a de escoamento.

Santos continua sendo o maior porto da América Latina, mas liderança não é um ativo permanente. Ela precisa ser renovada por meio de investimentos contínuos. Outros portos brasileiros, inclusive os do Nordeste, vêm ampliando sua infraestrutura e disputando cargas antes consideradas naturalmente destinadas ao litoral paulista. A concorrência entre portos deixou de ser apenas regional e passou a ser nacional. Quem oferecer menor custo logístico, maior previsibilidade e rapidez operacional conquistará novos mercados.

Nesse cenário, o Ferroanel representa muito mais do que uma obra ferroviária. Ao retirar os trens de carga da malha compartilhada com o transporte de passageiros, amplia-se a capacidade operacional do sistema, reduzem-se atrasos e cria-se um corredor mais eficiente entre o interior do País e o Porto de Santos. É um ganho para a logística, para a economia, para o meio ambiente e para a população da Região Metropolitana.

Há outro aspecto frequentemente negligenciado, mas igualmente decisivo: o frete de retorno. Os vagões que chegam ao Porto carregados de grãos, açúcar e outras commodities não precisam voltar vazios. O Brasil é altamente dependente da importação de fertilizantes, insumo indispensável para sustentar a produtividade do agronegócio. Um corredor ferroviário eficiente permite que esses mesmos trens retornem ao interior transportando fertilizantes, reduzindo custos logísticos, aumentando a produtividade dos ativos ferroviários e fortalecendo toda a cadeia do agro.

Projetos dessa magnitude exigem planejamento, recursos e tempo. Mas justamente por isso não podem permanecer indefinidamente na fase dos estudos. O Brasil já conhece o diagnóstico e sabe onde estão seus gargalos. O que falta é transformar projetos estratégicos em realidade. O Porto de Santos continuará sendo protagonista apenas se o País compreender que competitividade não se mantém por tradição, mas por investimentos capazes de antecipar as demandas de uma economia que não para de crescer.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   13/07/2026

A venda de um ex-projeto do empresário Eike Batista, que inclui um terminal portuário no Rio de Janeiro, terá no próximo mês o início de nova fase. Na primeira semana de agosto, começa o período para entrega de propostas vinculantes e quatro grupos devem disputar o negócio. A expectativa é que o negócio seja fechado ainda em 2026.

Entre os interessados, de acordo com fontes, estão dois fundos americanos que investem em infraestrutura, a Stonepeak e a I Square Capital, um grupo chinês que investe em infraestrutura e um consórcio liderado pelo Global Infrastructure Partners (GIP), que tem a participação da Vale. A Gerdau também estudou participar desse consorcio, mas desistiu.

Os dois ativos - o porto e a mina - são avaliados em US$ 5 bilhões. Mas a venda neste momento deve ser apenas do porto, que entrou em operação em meados de 2015. Os donos dos ativos são a Mubadala Capital, que pertence ao fundo soberano de Abu Dhabi, e a Trafigura, multinacional de commodities.
Processo vem de 2024

O processo de venda vem sendo desenhado desde 2024, mas começou no segundo semestre de 2025, com vários participantes do mercado, como fundos de infraestrutura, empresas de commodities e mineradoras, recebendo uma carta com a descrição dos ativos e grandes números das operações. Nos primeiros meses de 2026, os interessados enviaram propostas não vinculantes e após a primeira seleção sobraram os quatro concorrentes citados acima. Em seguida, começou a fase de visitas ao Porto Sudeste, que é integrado à Mineração Serra do Ipê, localizada em Brumadinho (MG).

Por conta do tamanho e da complexidade dos projetos, há chance de as datas para a entrega das propostas vinculantes serem adiadas, segundo um interlocutor. Como o ativo é complexo e o valor do cheque é alto, os interessados podem precisar de um prazo um pouco maior nas diligências, passo essencial para fazerem as propostas vinculantes.

A origem do porto e da mina é a antiga MMX, mineradora criada por Eike Batista, em um projeto que marcou a entrada do Mubadala no Brasil. O empresário vendeu uma participação na holding de suas empresas para a gestora. Quando quebrou, o fundo herdou participações diretas em ativos de Eike, e o Porto Sudeste e o Morro do Ipê foram um desses ativos, em 2014. Na carteira do fundo, esses ativos já passaram do prazo de desinvestimento e, por isso, foi tomada a decisão pela venda.

No porto, a capacidade atual é de movimentar 50 milhões de toneladas por ano, principalmente minério de ferro. No entanto, ainda opera com pouco mais de 40% da capacidade instalada.

Procurados, Mubadala, I Square, Stonepeak, Trafigura e Vale não comentaram.

A Tribuna - SP   13/07/2026

O transporte aquaviário voltado ao comércio exterior movimentou 322,7 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e abril deste ano no Brasil, volume 6,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 304,2 milhões de toneladas. Os dados constam na edição mais recente, divulgada em junho, do Panorama Transportes, elaborado pelo Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), da Infra S.A., em parceria com o Ministério dos Transportes.

Somente em abril, a movimentação de navios alcançou 89,3 milhões de toneladas, mantendo a trajetória de crescimento desse modal de transporte vinculado às operações brasileiras de exportação e importação. A liderança é esperada, já que os portos movimentam 95% do comércio exterior brasileiro.

O levantamento também reúne indicadores dos demais modais. Na ferrovia, a movimentação de cargas atingiu 159,6 milhões de toneladas úteis (TU) no acumulado do primeiro quadrimestre, crescimento de 2,6% em relação às 155,5 milhões de toneladas úteis registradas entre janeiro e abril de 2025.

No transporte rodoviário, o estudo acompanha especificamente a movimentação de soja, milho e farelo destinados ao comércio exterior. Nesse recorte, foram transportadas 30,6 milhões de toneladas entre janeiro e abril, resultado 2% inferior ao observado no mesmo período do ano passado, quando foram registradas 31,2 milhões de toneladas.

Já o transporte aéreo de carga paga totalizou 461,4 mil toneladas no primeiro quadrimestre, alta de 0,4% na comparação com igual intervalo de 2025, quando foram 459,4 mil toneladas.

O Panorama Transportes também monitora a movimentação rodoviária de combustíveis e derivados. Entre janeiro e abril, esse segmento somou 12,1 milhões de metros cúbicos (m³) transportados, retração de 3,7% frente aos 12,5 milhões de m³ registrados no primeiro quadrimestre do ano anterior.

Investimentos públicos

Além dos indicadores de movimentação de cargas, o estudo mostra que o setor aquaviário foi o que apresentou o maior crescimento percentual dos investimentos públicos federais no primeiro quadrimestre. Entre janeiro e abril, foram aplicados R$ 51 milhões no modal, alta de 75,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar disso, o transporte rodoviário foi o que continuou concentrando o maior volume de recursos da União, com R$ 3,2 bilhões investidos no período, embora tenha registrado queda de 7,52% na comparação com o ano anterior.

Já o modal aeroviário recebeu recursos de R$ 245,7 milhões (alta de 19,2%), enquanto o ferroviário obteve o montante de R$ 51,7 milhões (crescimento de 25,8%).

Cabotagem tem frete vantajoso

A cabotagem, transporte de cargas por navios dentro do País, foi a opção mais vantajosa no custo médio do frete considerando três grupos de mercadorias entre quatro analisados, em comparação aos modais rodoviário e ferroviário, no primeiro quadrimestre do ano, segundo indica o Panorama do Transporte, realizado pelo Observatório Nacional de Transporte e Logística, da Infra S.A., em parceria com o Ministério dos Transportes.

Na navegação costeira, o frete médio para o transporte de diesel, minério e grãos (soja, milho e farelo) ficou em R$ 0,10 por tonelada de quilômetro útil (TKU) no período. Os contêineres tiveram custo um pouco maior, de R$ 0,16 por TKU.

O modal ferroviário apresentou o menor valor no transporte de minério, com frete médio de R$ 0,07 por TKU. Por outro lado, a ferrovia registrou o maior custo entre todos os modais para o transporte de soja, milho e farelo, cobrando R$ 0,67 por TKU. Para diesel, o custo médio foi de R$ 0,22 por TKU, enquanto os contêineres alcançaram R$ 0,39 por TKU.

Já o transporte rodoviário apresentou custos intermediários, mas superiores aos da cabotagem em todas as categorias analisadas. O diesel foi a carga de maior custo nesse modal, com R$ 0,48 por TKU, seguido pelos contêineres (R$ 0,40), soja, milho e farelo (R$ 0,30) e minério (R$ 0,29). O rodoviário também superou a ferrovia no custo do transporte de diesel e minério, empatando em contêineres.

CNN Brasil - SP   13/07/2026

O número de embarcações que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para o menor nível das últimas semanas no domingo (12), segundo dados de navegação, à medida que uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã e ações contra navios no Oriente Médio aumentaram as preocupações com a segurança.

Seis embarcações cruzaram o estreito no domingo, de acordo com dados de rastreamento da Kpler, o menor número registrado em cinco semanas.

Entre os navios que deixaram o estreito estavam o petroleiro de grande porte Humanity, transportando 2 milhões de barris de petróleo iraniano, e o petroleiro Capetan Andreas, com cerca de 500 mil barris de derivados de petróleo do Kuwait.

Os dados também mostram que três petroleiros vazios entraram no Golfo para carregar petróleo. A maioria das embarcações desligou seus transponders — dispositivos que transmitem sua posição e identificação — durante a travessia do estreito.

Nenhum navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) entrou no Estreito de Ormuz durante o fim de semana, segundo os dados de rastreamento.

Apenas um petroleiro controlado pela Abu Dhabi National Oil Co deixou o estreito entre 10 e 12 de julho, mostram os dados da Kpler. A embarcação segue em direção ao porto de Dahej, na Índia.

As forças dos Estados Unidos concluíram, no domingo, uma nova onda de ataques contra o Irã, atingindo dezenas de alvos em diversos locais com munições de precisão, informou o CENTCOM (Comando Central dos EUA).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que o Estreito de Ormuz permanece aberto ao tráfego comercial. Mais cedo, porém, o Irã declarou que havia fechado a passagem após uma embarcação navegar por uma rota não autorizada e ser atingida.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou nesta segunda-feira (13) que sua Marinha interceptou duas embarcações no Estreito de Ormuz durante a noite ao desligar seus sistemas. A corporação não identificou quais navios foram envolvidos.

A Tribuna - SP   13/07/2026

A Autoridade Portuária de Santos (APS) solicitou ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), no mês passado, um reestudo para inclusão de áreas que não foram inseridas pela pasta na Poligonal (traçado oficial) do Porto de Santos no início deste ano. A informação é do MPor.

“A reavaliação solicitada ainda está em estudo no âmbito da Secretaria Nacional de Portos”, afirma, em nota, o Ministério, sem estimar prazo para conclusão. “A alteração de poligonais segue rigorosa análise e precisa estar aderente às premissas técnicas, jurídicas e fundiárias para isso”, emenda.

Questionada, a APS explica que o pedido engloba o Ecopátio, em Cubatão; espaços na Área Continental de São Vicente, especificamente nas regiões conhecidas como sítios Vale Novo e Areias; a Vila dos Criadores, na Alemoa, em Santos; e uma no Centro Histórico, no Valongo, que deve abrigar um edifício-garagem, como parte da estrutura de movimentação de passageiros em navios de cruzeiro, em razão da futura transferência do terminal de passageiros para a área em frente ao Parque Valongo.

A Vila dos Criadores deve ser a situação mais delicada a ser enfrentada pela APS. A comunidade tem aproximadamente mil famílias, que precisariam de um projeto habitacional para sair, se aceitarem a mudança. O local invadido ainda necessita de descontaminação. Além disso, é preciso resolver a situação judicial, já que existe uma ação contra a Prefeitura por causa da área.

Segundo a gestora do Porto, o processo segue o rito administrativo, com complementação de informações e documentos técnicos junto ao MPor. “A APS acompanha de perto a tramitação e mantém diálogo aberto com o Ministério. Caso sejam solicitados novos documentos, estudos ou qualquer detalhamento técnico adicional, a Autoridade Portuária já está com suas equipes prontas para enviá-los com celeridade”, explicou, em nota, a APS.

A empresa pública federal acrescentou que trabalha com a expectativa positiva de que a análise técnica avance. “Como a autorização final depende do cronograma e das instâncias de aprovação em Brasília, o foco do momento é atender às exigências técnicas necessárias para que a deliberação ocorra o mais breve possível”, projeta.

A portaria divulgada em fevereiro garantiu um aumento de 56% nas áreas terrestres do Porto, que passaram de 9,3 milhões para 14,5 milhões de metros quadrados (m²). Na ocasião, o crescimento incluiu áreas terrestres — região do Largo do Caneu, Monte Cabrão e Alemoa — e no mar, como as áreas de fundeio e de deposição de resíduos de dragagem. E veio após inúmeros prazos não cumpridos.

Sem novas inclusões

A APS informa ainda que, no momento, não há estudos para novas inclusões de áreas - além das citadas na petição - porque o foco da administração portuária está voltado para o andamento e a consolidação do atual processo de expansão.

“É importante destacar que o escopo já aprovado até o momento representa um avanço expressivo, com a expansão de 56% das áreas terrestres do Porto. Esse aumento já é bastante significativo e tem o potencial de absorver as projeções de crescimento operacional e os investimentos estruturais planejados para o complexo portuário”, finaliza.

Ampliou

Em fevereiro, o Porto Organizado de Santos incorporou mais 5,2 quilômetros quadrados (km²) de área, passando para o total de 14,5 km², ampliando a extensão territorial em 56%. A expansão foi autorizada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

A autorização atendeu parcialmente ao pedido da Autoridade Portuária de Santos (APS), que reivindica aumento para 20,4 km².

A portaria também englobou áreas aquaviárias: o espaço aquático aumentou de 355,2 km² para 367,2 km².

PETROLÍFERO

Valor - SP   13/07/2026

Os contratos futuros do barril de petróleo Brent para setembro deste ano abriram a sessão de negociações deste domingo (12) em alta.

Na primeira hora do pregão, a commodity era cotada a US$ 78,69, alta de 3,53%. Os preços foram diretamente afetados pelo retorno dos embates entre Estados Unidos e Irã e pelo consequente fechamento do estreito de Ormuz, anunciado pela Guarda Revolucionária iraniana no sábado (11).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, declarou em rede social que o estreito, uma das principais rotas de escoamento do petróleo na região, "está aberto", mesmo com o tráfego na região despencando após Teerã atingir dois petroleiros.

O preço do Brent estava em queda desde o mês passado, quando os dois países assinaram os termos de um cessar-fogo. Em junho, os contratos eram negociados em torno de US$ 100, enquanto na sexta (10) a commodity era cotada a US$ 76,01.

Na semana passada, com a volta da instabilidade no Oriente Médio, os preços do Brent subiram 5,39% após uma sequência de quatro semanas em queda.

Os contratos para agosto do WTI (West Texas Intermediate), usados nos Estados Unidos, tiveram alta de 3,93% na semana e encerraram as negociações de sexta cotados a US$ 71,41. A alta semanal também foi maior desde a semana do dia 10 de maio, quando o WTI subiu mais de 10%.

As forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones ao longo deste domingo. Teerã atacou instalações americanas em países do Golfo, como Kuwait, Bahrein e Jordânia e voltou a afirmar que o estreito estava fechado.

Os ataques atingiram também o Qatar, importante mediador do conflito nas negociações por um cessar-fogo -o país estava imune aos ataques desde abril. Os Emirados Árabes Unidos, que também não eram atingidos desde maio, afirmaram ter interceptado mísseis e drones vindos do Irã.

A mídia iraniana relatou ataques dos EUA ao redor do porto de Bandar Abbas, onde estão localizadas instalações militares no estreito, e na ilha de Qeshm.

O cessar-fogo, anunciado como grande vitória de Donald Trump há menos de um mês, perdeu sua validade ao longo da semana passada, quando o presidente norte-americano afirmou considerar o acordo provisório como encerrado.

Quando os termos iniciais do fim dos ataques foram assinados entre Irã e EUA, havia a previsão de reabrir o estreito e pôr fim à guerra. Dessa vez, no entanto, Trump voltou a deixar em aberto uma nova rodada de negociações para encerrar os conflitos, iniciados em 28 de fevereiro.

Neste sábado, o Irã emitiu alertas para que os navios que circulavam pela região de Ormuz não navegassem sem sua autorização. Durante a noite, a autoridade local disparou um tiro de advertência contra uma embarcação que navegava em rota não autorizada. Nesse domingo, uma segunda embarcação teria sido imobilizada.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, controlada pelo Irã, disse nesse domingo que a passagem está bloqueada devido ao que chamou de "movimentos ilegais recentes das forças militares dos Estados Unidos na região". Disse que as permissões serão retomadas assim que a "estabilidade e a calma forem restabelecidas".

O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que as negociações em Mascate, realizadas no sábado, focaram na gestão do estreito de Ormuz, porém os EUA, que teriam pressionado Omã, impediram que se chegasse a um resultado sobre o assunto.

Principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, publicou em seu perfil no X neste domingo que "a era dos acordos unilaterais acabou. Nós avisamos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta."

TN Petróleo - RJ   13/07/2026

A Diretoria da ANP aprovou hoje (10/7) proposta para que a Agência atue de ofício (ou seja, por iniciativa própria, sem provocação de terceiros) na verificação de controvérsias entre a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) e a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) relacionadas ao acesso aos gasodutos de escoamento da produção e às instalações de tratamento e processamento de gás natural. Essas infraestruturas são necessárias para viabilizar a comercialização direta, pela União, do gás natural de sua propriedade.

A medida busca solucionar impasses que vêm dificultando a contratação de capacidade nessas infraestruturas, garantindo a efetividade do direito de acesso não discriminatório previsto na Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021) e contribuindo para a ampliação da concorrência no mercado de gás natural.

Será instituída uma Comissão Especial, na ANP, para conduzir o processo de apuração. O instrumento está previsto na Portaria Técnica ANP nº 254/2001, que regulamenta a resolução de conflitos prevista no art. 58 da Lei nº 9.478/1997 (Lei do Petróleo).

A atuação de ofício tem como fundamento o art. 16, § 2º, do Decreto nº 10.712/2021, com as alterações promovidas pelo Decreto nº 12.153/2024. Esse dispositivo também prevê a apuração de eventuais indícios de condutas anticoncorrenciais, preservadas as competências do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Estimativas da PPSA indicam crescimento da produção de gás natural nos próximos anos. Assim, a ANP entende que a questão extrapola os interesses das partes envolvidas, uma vez que diz respeito à comercialização de gás natural de propriedade da União, com impactos para a política energética nacional, para a promoção da concorrência no mercado de gás natural e para a adequada monetização desse recurso.

Histórico do impasse

O processo de negociação para acesso às infraestruturas pertencentes à Petrobras e aos demais proprietários do Sistema Integrado de Escoamento (SIE) e do Sistema Integrado de Processamento (SIP) se estende há aproximadamente quatro anos. O pedido formal de acesso às infraestruturas da Bacia de Santos foi protocolado pela PPSA em 27 de maio de 2022, já tendo superado o prazo de 180 dias estabelecido pela Resolução CNPE nº 3/2022 para a conclusão de negociações entre operadores de infraestruturas essenciais e terceiros interessados.

A Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021) assegura o acesso negociado e não discriminatório de terceiros interessados aos gasodutos de escoamento, instalações de tratamento ou processamento de gás natural e terminais de GNL. A legislação também estabelece que cabe à ANP decidir sobre eventuais controvérsias relacionadas a esse acesso, salvo quando as partes optarem, de comum acordo, por outro mecanismo de resolução de conflitos legalmente admitido no Brasil.

Petro Notícias - SP   13/07/2026

A Diretoria da ANP aprovou hoje a proposta para que a Agência atue por iniciativa própria, sem provocação de terceiros, na verificação de controvérsias entre a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) e a Petrobrás, relacionadas ao acesso aos gasodutos de escoamento da produção e às instalações de tratamento e processamento de gás natural. Essas infraestruturas são necessárias para viabilizar a comercialização direta, pela União, do gás natural de sua propriedade. A medida busca solucionar impasses que vêm dificultando a contratação de capacidade nessas infraestruturas, garantindo a efetividade do direito de acesso não discriminatório previsto na Nova Lei do Gás e contribuindo para a ampliação da concorrência no mercado de gás natural. Será instituída uma Comissão Especial, na ANP, para conduzir o processo de apuração. O instrumento está previsto na regulamentação da resolução de conflitos prevista no art. 58 da Lei do Petróleo.

A atuação de ofício tem como fundamento as alterações promovidas que prevê a apuração de eventuais indícios de condutas anticoncorrenciais, preservadas as competências do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Estimativas da PPSA indicam crescimento da produção de gás natural nos próximos anos. Assim, a ANP entende que a questão extrapola os interesses das partes envolvidas, uma vez que diz respeito à comercialização de gás natural de propriedade da União, com impactos para a política energética nacional, para a promoção da concorrência no mercado de gás natural e para a adequada monetização desse recurso.

O processo de negociação para acesso às infraestruturas pertencentes à Petrobrás e aos demais proprietários do Sistema Integrado de Escoamento (SIE) e do Sistema Integrado de Processamento (SIP) se estende há aproximadamente quatro anos. O pedido formal de acesso às infraestruturas da Bacia de Santos foi protocolado pela PPSA em 27 de maio de 2022, já tendo superado o prazo de 180 dias estabelecido para a conclusão de negociações entre operadores de infraestruturas essenciais e terceiros interessados. A Nova Lei do Gás assegura o acesso negociado e não discriminatório de terceiros interessados aos gasodutos de escoamento, instalações de tratamento ou processamento de gás natural e terminais de GNL. A legislação também estabelece que cabe à ANP decidir sobre eventuais controvérsias relacionadas a esse acesso, salvo quando as partes optarem, de comum acordo, por outro mecanismo de resolução de conflitos legalmente admitido no Brasil.

Valor - SP   13/07/2026

ANP concluiu na semana passada consulta pública sobre metodologia para avaliação de base de ativos dos gasodutos da TAG e da NTS.

O mercado de gás natural espera que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) conclua até o fim do ano a revisão tarifária envolvendo o transporte do insumo por gasodutos das empresas TAG e NTS. Juntas, as duas companhias respondem por cerca de dois terços da extensão da malha nacional. Essa reavaliação é importante porque pode influir no custo do gás para o consumidor final.

A revisão tarifária se tornou necessária após o término, em dezembro de 2025, dos contratos de transporte dos gasodutos da TAG e da NTS. A revisão é válida para o período 2026-2030. As duas empresas surgiram a partir da compra de redes de gasodutos da Petrobras na década passada. A NTS é a antiga Malha Sudeste da estatal e a TAG, a Malha Nordeste. Juntas, herdaram contratos relativos a uma capacidade de transporte de cerca de 65 milhões de metros cúbicos por dia (m3 /dia) de gás.

Na semana passada, a ANP concluiu consulta pública sobre o tema e ficou evidenciada divergência entre as transportadoras e a agência sobre qual critério será aplicado para rever as tarifas de transporte. Na revisão, o que está em jogo é a avaliação econômica do conjunto de equipamentos e instalações que compõem as redes de gasodutos das duas empresas. Em um cenário, por exemplo, em que os ativos da empresa estão amortizados fica mais fácil reduzir as tarifas de transporte.

Fontes que acompanham o processo de revisão tarifária avaliam que o debate sobre a base de ativos é um dos temas prioritários da ANP e acreditam que a diretoria decidirá ainda este ano. Procurada, a ANP informou que recebeu 1.952 contribuições relativas à proposta para as duas empresas. Ainda não há previsão para que o tema seja incluído em pauta: “As contribuições encontram-se atualmente em fase de consolidação e análise técnica pela ANP.”

A ANP avaliou três critérios: o Custo Novo de Reposição (CNR), o Custo Histórico Corrigido pela Inflação (CHCI) e o Método de Capital Recuperado (RCM, em inglês). Dos três métodos, a reguladora escolheu o RCM, por entender que permite definir o valor dos ativos a partir das receitas, retornos de investimento e ganhos de capital obtidos no passado. TAG, NTS e a Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás), que representa as transportadoras, defendem que a agência utilize o CHCI, que permitiria saber com mais exatidão o valor dos ativos.

“Estamos olhando para a base de ativos vinculados aos contratos que venceram”

— Adrianno Lorenzon

Rogério Manso, presidente da ATGás, disse que TAG e NTS apresentaram os argumentos na consulta pública segundo os quais o RCM não é o método mais passível de aplicação porque não é amplamente usado no país e no exterior. O método escolhido cria insegurança jurídica e quebra de previsibilidade, segundo as empresas. “Estamos na expectativa de que, em última instância, a ANP use critérios tradicionalmente adotados no Brasil e no exterior”, disse Manso. Caso a ANP adote o RCM, não está descartada a judicialização. A NTS reiterou o posicionamento da ATGás. A TAG não se pronunciou.

Fernando Montera, especialista do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), disse que o RCM vale apenas para os ativos existentes antes da primeira revisão tarifária. Novos investimentos poderiam ser valorados a partir dos outros dois critérios (CNR ou CHCI). Montera salienta que ainda não está claro de quanto será o impacto do uso do RCM nas tarifas de gás porque esse resultado depende de outros parâmetros.

Adrianno Lorenzon, diretor de gás natural da Abrace Energia, entidade que representa os grandes consumidores de gás e eletricidade, acrescentou: “Estamos olhando especificamente para a base de ativos vinculados aos contratos legados que venceram. A próxima etapa da consulta pública vai olhar “capex”, investimentos futuros, que possivelmente vão estar no método CHCI.”

Cálculo do IBP mostra que a adoção de um método diferente do RCM pode representar pagamento adicional da ordem de R$ 12 bilhões pelos usuários das redes para as transportadoras. IBP, Abrace e outras entidades compõem o chamado Conselho de Usuários, que defende o critério do RCM na revisão tarifária. Na visão deles, esse é o método ideal porque considera a amortização dos ativos que estão relacionados a contratos bilaterais que ainda não passaram por revisão tarifária.

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