IstoÉ Dinheiro - SP 13/03/2026
As vendas totais da siderurgia da CSN no quarto trimestre de 2025 atingiram 995 mil toneladas, uma queda de 5,9% em relação ao trimestre anterior e de 15,3% na comparação com o mesmo período de 2024.
Além da sazonalidade típica do período, a retração nas vendas reflete, na visão da empresa, “o alto nível de estoques entre os distribuidores locais, fora o ainda elevado volume de material importado no mercado interno e as barreiras tarifárias vigentes no mercado externo”.
As vendas no mercado doméstico totalizaram 757 mil toneladas no trimestre, redução de 2,9% frente ao terceiro trimestre e de 13,6% em relação aos últimos três meses de 2024. Já as vendas destinadas ao mercado externo somaram 238 mil toneladas, queda de 14,3% na comparação trimestral e de 20,5% frente ao mesmo período do ano anterior.
Pela primeira vez desde 2019, a companhia não registrou exportações diretas de seus produtos.
O Preço Médio do quarto trimestre atingiu R$ 4.893 por tonelada (/ton) no mercado doméstico, um desempenho em linha com o trimestre anterior, porém 4,6% abaixo do verificado no mesmo período de 2024.
“Esse resultado continua a refletir o ambiente extremamente competitivo do mercado interno, principalmente com os altos volumes de material importado sendo consumidos. No mercado externo, o preço médio apresentou elevação de 19,9% na comparação trimestral, alcançando R$ 5.839/ton no quarto trimestre, impulsionado por melhora de mix”, escreve a companhia.
O Ebitda ajustado da Siderurgia atingiu R$ 700,2 milhões, o que representa um avanço de 63,5% em relação ao trimestre anterior e de 6,8% frente ao mesmo período de 2024. A margem Ebitda ajustada foi de 13,4% no período.
“Entretanto, o resultado do trimestre foi impactado por eventos não recorrentes referentes à ociosidade produtiva decorrente do menor nível de utilização da capacidade instalada. Esse é um efeito contábil que determina a alocação de custos fixos não absorvidos ao resultado do período e totalizou R$ 314 milhões no período. Tal efeito não representa geração adicional de caixa e, tampouco, melhora estrutural na rentabilidade operacional”, afirma a companhia.
Desconsiderando esse impacto, o Ebitda teria sido de R$ 386,2 milhões, com margem Ebitda ajustada de 7,4%, o que representa uma piora em relação ao trimestre anterior em razão da sazonalidade do período, com o menor volume de aço comercializado mais do que compensando a queda no custo da placa, explica a companhia.
Valor - SP 13/03/2026
Embarques do Brasil para os Estados Unidos recuaram 8,3% em 2025 frente a 2024, totalizando 3,7 milhões de toneladas
Estudo elaborado pela Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que, um ano após a entrada em vigor das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço importado, as compras de aço brasileiro pelo mercado americano registraram queda. A pesquisa, realizada por intermédio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiemg, aponta que, em 2025, os embarques do Brasil para os Estados Unidos recuaram 8,3% frente a 2024, totalizando 3,7 milhões de toneladas. No mesmo período, as importações globais de aço pelos EUA caíram 12,6% em volume na comparação com o ano anterior.
As tarifas de 25% sobre o aço importado entraram em vigor em 12 de março de 2025 e foram posteriormente elevadas para 50% em junho do mesmo ano.
Em nota, a Fiemg ressalta que, no caso brasileiro, a queda menor em relação à média global reflete a forte integração produtiva entre siderúrgicas brasileiras e a indústria dos Estados Unidos. Foram priorizados fornecedores com cadeias mais conectadas ao mercado dos EUA, o que contribuiu para preservar parte do espaço ocupado pelo Brasil nas importações de aço do país.
Em 2025, o Brasil permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado, atrás apenas do Canadá e à frente do México. "O resultado demonstra que, mesmo diante das restrições comerciais, o aço brasileiro segue ocupando espaço relevante e competindo com os principais fornecedores do entorno imediato do mercado dos EUA", diz a nota divulgada pela Fiemg.
O estudo também analisou os impactos para Minas Gerais, maior produtor de aço bruto do país, responsável por cerca de 30% da produção brasileira e um dos principais exportadores do setor. No mercado dos Estados Unidos, as exportações mineiras de aço cresceram 15% em volume até o fim de 2025, mas registraram queda de 26% em valor, evidenciando uma mudança no perfil das vendas externas.
De acordo com o levantamento, esse movimento ocorreu principalmente pela ampliação dos embarques de aços semiacabados, que possuem menor valor agregado e são utilizados como insumo para processamento em outros países.
Em 2024, por exemplo, apenas 19% das exportações de aço aos Estados Unidos eram de semiacabados, enquanto 81% correspondiam a itens de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis. Com o novo quadro tarifário, os semiacabados passaram a responder por 53% da pauta exportadora. A Fiemg ressalta que esse cenário revela que diante da situação comercial mais desafiadora, os produtos diretamente dependentes de transformação posterior foram priorizados, enquanto os aços acabados precisaram buscar outros mercados.
“O tarifaço alterou de forma relevante a dinâmica do comércio internacional de aço. Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado global, mas com mudança no perfil das exportações aos Estados Unidos, que passaram a se concentrar mais em produtos de menor valor agregado. Ao mesmo tempo, preocupa o avanço das importações de aço, especialmente em um contexto de excesso de oferta global, pressão sobre preços e risco de práticas desleais de comércio, o que exige atenção redobrada à competitividade da indústria brasileira”, afirma o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Infomoney - SP 13/03/2026
A inflação de fevereiro, de 0,70%, veio acima da projeção do mercado, com aceleração em serviços e na média dos núcleos. No acumulado de 12 meses, no entanto, houve desaceleração para 3,8% (ante 4,4%). Na avaliação dos economistas, os dados indicam uma persistente pressão nos preços de serviços, reflexo do mercado de trabalho ainda aquecido.
Além disso, eles colocam um ponto de atenção sobre o conflito no Oriente Médio. Como os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã são recentes, o impacto da alta na cotação do petróleo ainda não refletiu nos preços domésticos. O cenário reserva uma certa cautela para o Banco Central na avaliação da política de juros, que terá o próximo ciclo definido na reunião da semana que vem, em 17 e 18 de março.
Apesar da guerra, ainda há espaço para volta dos IPOs?
A principal contribuição altista para a inflação de fevereiro veio dos reajustes anuais em educação e da alta expressiva das passagens aéreas.
Depois de registrar inflação de 0,02% em janeiro, o grupo de Educação variou 5,21% em fevereiro. Dentro deste grupo, Ensino Médio teve variação de 8,19%, Ensino Fundamental de 8,11%, Pré-Escola teve 7,48% e creche, 6,28%.
Transportes teve inflação de 0,74% (ante 0,6% em janeiro). Dentro deste grupo, passagens aéreas avançaram 11,4% somente em fevereiro, acumulando alta de 24,61% em 12 meses.
IPCA
Janeiro (%)Fevereiro (%)
Índice Geral0,330,70
Alimentação e bebidas0,230,26
Habitação-0,110,30
Artigos de residência0,200,13
Vestuário-0,250,16
Transportes0,600,74
Saúde e cuidados pessoais0,700,59
Despesas pessoais0,410,33
Educação0,025,21
Comunicação0,820,15Fonte: IBGEAnálise: IPCA ainda resistente
Segundo Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord, os dados mostram que a inflação mais ligada à atividade doméstica ainda apresenta resistência.
Já Luciana Rabelo, economista do Itaú, destaca que houve um desempenho superior ao esperado nos setores de vestuário e cuidados pessoais, que tiveram reajuste de preços acima da previsão.
Na média móvel de três meses, ela destaca que a inflação subjacente de serviços subiu para 5,4% (de 4,7%), enquanto a inflação subjacente do setor industrial permaneceu estável em 3,4%. Nesse mesmo indicador, a média das medidas de inflação subjacente subiu para 4,1% (de 4,0%), o que corrobora com a leitura de um quadro pior do que o esperado.
O Departamento de Pesquisas Econômicas (DPEc) do Banco Daycoval destacou, em seu relatório, a surpresa altista nos preços dos alimentos, com alta em feijão, ovos de galinha, aves e batata-inglesa.
Leonardo Costa, economista do ASA, destaca a alta em Habitação (+0,30%), que voltou ao terreno positivo após queda no mês anterior, com pressão de tarifas de água e esgoto e leve alta da energia elétrica residencial. Em saúde e cuidados pessoais (+0,59%), destacaram-se os artigos de higiene pessoal e os planos de saúde.
Costa também chama a atenção para o núcleo de bens, onde a recente valorização cambial não aparece nos preços, que seguem voláteis e mais pressionados do que o esperado dado o contexto de juros elevados e desaceleração gradual da atividade doméstica.
Piora não impacta quadro de desinflação
Apesar da análise dos dados indicar uma piora na desaceleração da inflação, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que o quadro geral ainda é de desinflação.
Para ele, esta análise é sustentada pela valorização recente do câmbio, maior estabilidade das commodities nos meses anteriores ao conflito, recuo recente dos preços dos alimentos e desaceleração dos custos de produção, tanto no setor agrícola quanto no industrial.
Marianna Costa, economista-chefe da corretora Mirae Asset Brasil, também pondera que, apesar da surpresa nos dados de fevereiro, a inflação em 12 meses segue em trajetória de desaceleração.
“Ainda que a dinâmica de serviços permaneça resiliente, os dados indicam que o processo de desinflação continua gradual e dependente da evolução desses componentes mais inerciais nos próximos meses”, diz.
Mas Costa, do Asa, pondera que, no curto prazo, o balanço de riscos para a inflação parece menos benigno do que há algumas semanas. “Os alimentos voltaram a rodar mais fortes na ponta, com alta expressiva de itens in natura, movimento possivelmente sazonal e que pode ter sido agravado pelo aumento do volume de chuvas no país”, pondera.
Ponto de atenção: Conflito no Irã e petróleo
Um ponto de atenção na leitura dos dados é que a alta ainda não reflete o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços.
Costa, do Asa, reforça que o risco inflacionário cresce na medida em que o conflito avança. Ele cita que a defasagem entre os preços dos combustíveis praticados no Brasil e no exterior ainda está muito elevada, o que aumenta a pressão por reajustes, mesmo sem a Petrobras seguir a política de preços internacionais.
Para Sung, da Suno Research, o principal risco no horizonte é a duração do conflito. “A prolongação do conflito pode restringir ainda mais a oferta global de petróleo e seus derivados, o que tende a retardar o processo de desinflação observado nos últimos meses”, avalia.
Petróleo a US$ 100? Impacto da guerra na inflação pode ser suavizado, diz economista
IPCA ao fim de 2026
Enquanto a pressão inflacionária do conflito no Oriente Médio não se concretiza, a Suno Research, avalia que a inflação deve encerrar o ano em torno de 4% devido aos fatores que sustentam a avaliação de um quadro desinflacionário, aliado à moderação da atividade econômica.
Para o Itaú, a projeção de inflação é de 3,8%, com balanço de risco positivo devido aos preços do petróleo. O Banco Daycoval segue a mesma projeção.
O ASA afirmou que vai rever para cima a projeção da inflação, que estava em 3,6%.
Impacto do IPCA no corte de juros
Os dados do desempenho da inflação levantaram o debate sobre a postura do Comitê de Política Monetária (Copom), que irá decidir os juros na próxima reunião, que será realizada em 17 e 18 de março.
O economista Gustavo Sung, da Suno Research, avalia que há espaço para corte, mas a postura do Copom deverá ser mais cautelosa. A projeção da Suno é de um corte de 0,25 ponto percentual devido ao aumento das incertezas, embora haja espaço para corte de 0,50 p.p frente ao nível restritivo dos juros atuais, em 15%. A projeção da Suno é de Selic em 12,5% ao fim de 2026.
Segundo Julio Barros, economista do Daycoval, a expectativa é de início de corte de juros em 0,25 p.p, com viés de manutenção devido ao conflito no Oriente Médio.
Para Spycer, conselheiro da Ancord, também vê um Copom mais cauteloso, que deverá adotar corte de 0,25 ponto percentual. “Assim, embora o início do ciclo de queda da Taxa Selic siga esperado pelo mercado, cresce a percepção de que o Banco Central do Brasil deve optar por um ritmo mais gradual de flexibilização monetária”, avalia.
Para Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, a composição do índice deve chamar a atenção da autoridade monetária, uma vez que o avanço dos núcleos e a resiliência de serviços reforçam um cenário de maior cautela. Na visão da Genial, o número fortalece as apostas em uma redução do ritmo de flexibilização para um corte de 0,25 p.p., em detrimento de um corte de 0,50 p.p.
Marianna Costa, da Mirae Asset Brasil, também avalia que o quadro geral de pressão inflacionária e tensão no Oriente Médio eleva a probabilidade de que o Copom adote uma abordagem mais gradual, iniciando o ciclo com redução em 0,25 p.p. Apesar disso, o cenário base da corretora Mirae Asset permanece sendo de início de corte em 50 p.p., com o Copom reduzindo o ciclo total do afrouxamento na medida em que os impactos do conflito no Oriente Médio se mostrarem persistentes.
Jornal de Brasília - DF 13/03/2026
Número 2 do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa deve assumir o comando da pasta após a saída do ministro Geraldo Alckmin, segundo três membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvidos pela reportagem.
Alckmin já anunciou que deixará o Mdic no dia 4 de abril, data-limite para a chamada desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar as eleições. O ministro, contudo, não diz qual cargo pretende pleitear —seu partido, o PSB, tenta mantê-lo na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pela lei eleitoral, ele pode seguir no cargo de vice-presidente, mas precisa abdicar da função no ministério.
De acordo com interlocutores do governo, ainda não está definido quem substituirá Elias Rosa como secretário-executivo do Mdic. A tendência é que seja designado como auxiliar do ministro algum membro da própria pasta, segundo relatos feitos à reportagem.
À frente do ministério, Alckmin encabeçou a nova política indústrial do país, promessa de campanha de Lula para reerguer o setor. O plano Nova Indústria Brasil foi anunciado em janeiro de 2024 e, logo na largada, recebeu críticas do próprio presidente. Lula se queixou que a proposta não tinha metas concretas, dando margem para críticas de que se tratava de uma reedição de medidas antigas.
Para diversos economistas, a medida se mostrava como uma reembalagem de políticas industriais ultrapassadas. Em reação aos críticos, o governo prometeu monitorar de forma contínua a execução do programa e estabeleceu metas intermediárias até 2026, último ano do terceiro mandato de Lula.
O Nova Indústria Brasil é um programa dividido em seis missões —agroindústria, saúde, infraestrutura, digitalização, bioeconomia e defesa— e previa originalmente investimento de R$ 300 bilhões. Em fevereiro, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ampliou em R$ 70 bilhões sua meta para financiamento da indústria.
Até o último trimestre de 2025, foram desembolsados R$ 588 bilhões em 406 mil projetos distintos.
Infraestrutura (43%), agroindústria (21%), e transformação digital (16%) foram os segmentos mais beneficiados.
Alckmin ganhou mais protagonismo no governo como líder das negociações em torno do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil.
O vice-presidente e ministro foi designado como articulador do Brasil logo após a posse de Trump e assumiu um papel de pivô do diálogo com Washington e empresários. Foram diversas reuniões com executivos para articular medidas de proteção a produtores nacionais e algumas rodadas de diálogo o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e outros representantes americanos.
Publicamente, Lula caracterizou Alckmin como um negociador calmo e experiente e elogiou sua atuação política. “É exímio negociador, não levanta a voz e não manda carta, ele só quer conversar”, afirmou.
A pressão conjunta do governo brasileiro e do empresariado dos dois países surtiu efeito, com uma extensa lista de exceções às tarifas aplicadas sobre produtos brasileiros vendidos aos americanos, representando cerca de 43% do valor exportado pelo Brasil aos EUA.
No cenário internacional, outro trunfo da pasta comandada por Alckmin foi a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia depois de uma negociação que se arrastou por duas décadas. O texto já foi aprovado pelo Congresso Nacional, abrindo caminho para sua vigência temporária.
Sob a presidência brasileira, o bloco sul-americano investiu na estratégia de expandir e diversificar suas parcerias comerciais. Foram assinados também acordos com Efta (Associação Europeia de Livre Comércio)—bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein– e Singapura. Houve retomada das tratativas com o Canadá e avanço nas negociações com os Emirados Árabes Unidos.
Mas o mandato de Alckmin no Mdic também foi atravessado por disputas e polêmicas.
Com o objetivo de incentivar a descarbonização do setor automotivo nacional, o Ministério da Indústria se viu pressionado diante de uma guerra das montadoras. Em 2023, no centro do debate estavam os carros 100% elétricos e veículos híbridos a etanol e a concessão de benefícios a cada uma das categorias.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) —que representa montadoras tradicionais como Volkswagen, Toyota, Volvo, Stellantis, Ford e GM— reclama há anos da invasão de carros eletrificados chineses no Brasil, sob o argumento de que existe uma competição desleal diante de uma indústria asiática altamente subsidiada.
No início do ano passado, as chinesas BYD e a GWM dominavam 80% do mercado de eletrificados no Brasil, vendendo apenas modelos importados. Ambas estão agora instaladas no país, a primeira em Camaçari, na região metropolitana de Salvador (BA), e a segunda em Iracemápolis, interior de São Paulo.
O governo veio andando no fio da navalha, ao mesmo tempo buscando atender aos pleitos da Anfavea e estimular a produção das fabricantes chinesas no Brasil. Como resultado, estabeleceu um cronograma de elevação tarifária escalonado para carros elétricos e híbridos importados.
Já a polêmica mais recente foi a elevação do imposto de importação para produtos de informática, incluindo celulares, e bens de capital, como máquinas e equipamentos.
Após dias de desgaste político, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) recuou da decisão em relação a 15 itens —produtos como notebooks e smartphones voltaram às alíquotas anteriores. Para alguns integrantes do governo, aumentar imposto de celular em ano eleitoral foi um erro de cálculo.
O Estado de S.Paulo - SP 13/03/2026
Bombas estão explodindo no Irã e no Oriente Médio, mas as consequências estão afetando residências e empresas em bairros de todo o mundo.
No Kansas, os compradores de imóveis viram as taxas de hipoteca de 30 anos ultrapassarem os 6% esta semana. No oeste da Índia, famílias enlutadas pela morte de um ente querido descobriram que os crematórios a gás haviam sido fechados temporariamente.
Em Hanói, no Vietnã, donos de postos de gasolina afixaram placas de “esgotado”. No Quênia, produtores e comerciantes de chá temiam que suas exportações para o Irã apodrecessem no porto. E nos Estados Unidos, no Canadá, na União Europeia, no Reino Unido e no México, agricultores se assustaram com o aumento nos preços dos fertilizantes.
A escalada da guerra no Irã representou um golpe devastador para a economia mundial, que já estava fragilizada pelo colapso da ordem comercial internacional, pela guerra na Ucrânia e pelas políticas caóticas do presidente americano, Donald Trump.
“Este é realmente o pior cenário”, disse David Goldwyn, ex-diplomata americano e funcionário do Departamento de Energia dos EUA, sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento mais importante do mundo para o petróleo. É o cenário de emergência que todos temiam, afirmou.
As entregas de carga foram atrasadas, os custos de frete aumentaram e os prêmios de seguro dispararam. Sim, o preço da gasolina nos postos de combustível foi afetado. Mas o mesmo aconteceu com o preço de alimentos, medicamentos, passagens aéreas, eletricidade, óleo de cozinha, semicondutores e muito mais.
Uma guerra prolongada entre os Estados Unidos e o Irã poderia ter “consequências catastróficas” para o mercado mundial de petróleo e para a economia global, alertou esta semana Amin Nasser, diretor executivo da Saudi Aramco, a maior empresa de petróleo e gás do mundo.
Mesmo que a guerra, que começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, termine relativamente rápido, essa última turbulência está submetendo consumidores, trabalhadores e empregadores a mais uma jornada perturbadora e imprevisível.
Não se trata apenas de que os proprietários de pequenas empresas e executivos corporativos precisam reavaliar suas cadeias de suprimentos, gerenciar aumentos adicionais de preços e acompanhar as restrições em constante mudança sobre com quem podem fazer negócios. Ou que a incerteza adicional mina a confiança, tornando os consumidores relutantes em gastar e as empresas relutantes em investir.
Efeitos podem ir até quando?
A questão é que essa reconfiguração da dinâmica de poder no Oriente Médio pode desencadear uma série de consequências cuja força total pode não ser conhecida por meses ou anos.
Meg Jacobs, autora de Panic at the Pump: The Energy Crisis and The Transformation of American Politics in the 1970s (“Pânico nos Postos de Gasolina: A Crise Energética e a Transformação da Política Americana na Década de 1970"), destacou que os preços não caíram imediatamente após o embargo do petróleo em 1973 e 1974. Eles permaneceram altos durante o restante da década.
A situação da oferta é completamente diferente hoje, com muito mais produtores, enfatizou Jacobs. Mas a crise criada pela Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (Opep) com seu embargo desencadeou uma série de eventos que esses produtores de petróleo jamais previram.
O choque do petróleo levou outros países, principalmente os Estados Unidos, a conservar energia e a desenvolver carros com baixo consumo de combustível, bem como suas próprias indústrias de petróleo e gás natural. Por fim, o domínio monopolista dos países árabes foi quebrado. Os preços do petróleo acabaram despencando em 1986 .
As ações de hoje no Irã e na região circundante podem ter consequências igualmente inesperadas e de longo alcance.
Putin fortalecido?
Jacobs, por exemplo, apontou para a probabilidade de um presidente russo, Vladimir Putin, mais ousado e fortalecido. Esta semana, Trump flexibilizou algumas das restrições às exportações de petróleo russo que haviam sido impostas para pressionar Putin em relação à guerra na Ucrânia.
A alta dos preços do petróleo impulsionará a economia russa, que se encontra em dificuldades, e seu aparato bélico. E Putin aproveitou a oportunidade para provocar os líderes europeus que apoiaram as sanções contra a energia russa após a invasão da Ucrânia.
A crise também serve como um forte lembrete das vulnerabilidades persistentes em torno das cadeias de suprimentos críticas. A pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia levaram líderes nacionais de todo o mundo a discutir a necessidade de priorizar a resiliência e a segurança.
A guerra entre os EUA e Israel no Irã, no entanto, destaca mais uma vez como as perturbações no sistema de comércio global ainda podem causar graves prejuízos econômicos.
Os europeus só recentemente se livraram da profunda dependência do gás e do petróleo russos. Para eles, o momento desta crise energética não poderia ser pior. Os produtores, ainda se recuperando do impacto das tarifas, agora precisam lidar com custos de energia mais altos. Isso será um golpe para países como a Alemanha, com grandes indústrias químicas, farmacêuticas e automobilísticas que consomem muita energia.
Com os estoques de gás em níveis baixos, é provável que haja também um “reabastecimento emergencial” na Europa, o que pode impedir a queda dos preços nos próximos seis meses, disse Goldwyn, ex-funcionário do departamento de energia.
O aumento dos preços do petróleo tem o potencial de aumentar o interesse em fontes de energia alternativas, como a solar, a eólica e a nuclear, acrescentou Goldwyn.
O apoio político, porém, é crucial para o desenvolvimento de qualquer um desses recursos. E, pelo menos nos Estados Unidos, a hostilidade de Trump à energia renovável permanece intensa.
As economias asiáticas estão ainda mais expostas. Elas também dependem da importação de energia. Além disso, os países pobres e de renda média estão sujeitos às oscilações das taxas de câmbio. E quando o dólar ou o euro se valorizam, todas as suas importações ficam repentinamente mais caras.
Crédito mais caro?
Os banqueiros centrais de todo o mundo enfrentam uma combinação difícil de circunstâncias. Os Estados Unidos têm uma economia mais forte do que muitos outros países. No entanto, o seu Federal Reserve (equivalente ao Banco Central) enfrenta as mesmas questões que confundem outros banqueiros centrais.
Devem aumentar as taxas de juro para evitar uma nova subida da inflação com a disparada dos preços da energia, ou devem reduzi-las à medida que os mercados de trabalho enfraquecem e o crescimento desacelera?
As taxas de juros elevadas também manterão os custos de empréstimo altos em um momento em que países ricos e pobres enfrentam níveis recordes de endividamento. Isso significa que mais dinheiro que poderia ter sido usado para saúde, estradas, habitação ou educação será destinado ao pagamento de juros da dívida.
Carsten Brzeski, economista do banco holandês ING, observou que as empresas de tecnologia, especialmente aquelas especializadas em inteligência artificial, são extremamente sensíveis às variações nas taxas de juros.
Um pequeno grupo dessas empresas tem sido o principal motor do crescimento da economia americana — sem mencionar as altas avaliações de suas ações. “Isso pode levar a uma forte correção nos mercados de ações”, afirmou.
A justificativa de Trump para os ataques e seus objetivos mudaram de um dia para o outro. Mas a decisão de declarar guerra ao Irã mina a ideia, recentemente popular, de que o mundo estava se fragmentando em esferas de influência de grandes potências.
A deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro por Trump, a apreensão do petróleo do país e a declaração da “Doutrina Donroe” consolidaram sua hegemonia na América do Norte e do Sul.
Mas a guerra no Irã demonstra que Trump ainda vê os Estados Unidos como uma superpotência com alcance e interesses globais. E que ele está disposto a usar a força militar para atingir objetivos tanto políticos quanto econômicos.
“E isso é importante para a economia”, disse Neil Shearing, economista-chefe do grupo Capital Economics, à medida que Washington avança para direcionar cada vez mais o fluxo de bens, serviços e dinheiro ao redor do mundo.
Agência Brasil - DF 13/03/2026
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou de 0,33% em janeiro para 0,7% em fevereiro, maior taxa desde fevereiro de 2025 (1,31%).
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A maior variação e impacto foram registrados no grupo Educação (5,21%), devido aos reajustes anuais das mensalidades de escolas e cursos. Junto com a alta no grupo Transportes, os dois grupos representaram aproximadamente 66% do resultado do mês.
No ano, o IPCA acumula alta de 1,03% e, nos últimos doze meses, o índice ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores. A inflação oficial está dentro do limite máximo de tolerância da meta do governo.
O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que, embora mais alto que em meses anteriores, o resultado é o menor para um mês de fevereiro desde 2020 (0,25%).
“Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31% houve uma pressão do grupo Habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu no ano de 2026.”
“Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,7% de fevereiro de 2025”, acrescentou.
Segundo o IBGE, o grupo Educação respondeu por cerca de 44% do IPCA de fevereiro. A maior contribuição veio dos cursos regulares (6,2%), por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. As maiores variações foram nos subitens ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).
O grupo Alimentação e bebidas teve pequena variação na passagem de janeiro (0,23%) para fevereiro (0,26%). A alimentação no domicílio registrou variação de 0,23% frente a 0,10% do mês anterior, com influência das altas do açaí (25,29%), do feijão carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%).
Pelo lado das quedas, os destaques são as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%). Já a alimentação fora do domicílio (0,34%) desacelerou em relação ao mês anterior (0,55%). A refeição saiu de 0,66% em janeiro, para 0,49% em fevereiro, e o lanche passou de 0,27% para 0,15% no mesmo período.
Segundo o gerente da pesquisa, o grupo dos alimentos variou 0,26% em fevereiro, mostrando desaceleração na comparação com fevereiro de 2025, quando registrou influência da alta do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%).
No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços deste subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses.
“Além desses produtos o arroz, importante na mesa dos brasileiros, já acumula queda de 27,86% em 12 meses dada a boa oferta do cereal”, disse Gonçalves.
No grupo Transportes, chamou a atenção o aumento de 11,4% na passagem aérea. Também registraram altas o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).
Nos combustíveis, o índice ficou em -0,47%, com quedas na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%), e altas no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).
INPC
De acordo com o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,56% em fevereiro, 0,17 ponto percentual. acima do resultado observado em janeiro (0,39%).
No ano, o INPC acumula alta de 0,95% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,36%, abaixo dos 4,30% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em fevereiro de 2025, a taxa foi de 1,48%.
Os produtos alimentícios aceleraram de janeiro (0,14%) para fevereiro (0,26%). A variação dos não alimentícios passou de 0,47% em janeiro para 0,66% em fevereiro.
Diário do Comércio - MG 13/03/2026
A Vale produziu 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de materiais antes classificados como estéril ou rejeito da mineração em 2025, mais do que o dobro do produzido desta forma no ano anterior, de 12,7 milhões de toneladas, informou a companhia à Reuters nesta quinta-feira.
O resultado, segundo a companhia, reforça a mineração circular como vetor estrutural de competitividade, sustentabilidade e geração de novos negócios para a companhia, evoluindo de frente piloto para prática industrial de escala.
No balanço ambiental, a Vale disse que o programa evitou a ocupação de volume para disposição de resíduos equivalente a mais de 60 vagões carregados de minério de ferro e gerou um benefício climático comparável à emissão anual de mais de 40 mil carros, contribuindo para as metas de descarbonização da companhia.
“Os resultados de 2025 mostram que a circularidade já é uma alavanca relevante do nosso negócio”, disse Rafael Bittar, vice-presidente Técnico da Vale, em nota à Reuters.
“Produzir 26,3 milhões de toneladas por fontes circulares comprova que é possível unir produtividade, inovação e sustentabilidade.”
O volume supera expectativa anterior da companhia, que era de produzir cerca de 20 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de resíduos no ano passado.
A iniciativa ocorre a partir de um amplo programa de mineração circular da companhia, que prevê que 10% da produção da Vale em 2030 seja a partir desses resíduos. Tais medidas ganharam força após o rompimento de barragens mortais no Brasil nos últimos anos.
Dentre outros destaques da mineração circular na Vale, estão a Areia Sustentável Vale, que já ultrapassou 3 milhões de toneladas destinadas desde 2023, e a Fábrica de Blocos da Mina do Pico, que transforma rejeitos em insumos para construção civil.
Valor - SP 13/03/2026
Contrato futuro com vencimento em maio fechou cotado a US$ 115,8
O preço do minério de ferro voltou a avançar nesta quinta-feira (12), em meio à guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em maio, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 1,34%, cotado a 795,5 yuans (US$ 115,8).
Segundo analistas da consultoria Nanhua Futures, preocupações relacionadas a uma restrição da oferta de minério no mercado à vista têm apoiado os preços nos últimos dias, mesmo com um nível alto de estoques em siderúrgicas da China.
Revista Mineração - SP 13/03/2026
A mineradora Samarco encerrou 2025 com resultados financeiros robustos, impulsionados por maior estabilidade operacional e disciplina na gestão de custos. A companhia registrou receita líquida de US$ 1,898 bilhão no ano, enquanto o EBITDA ajustado alcançou US$ 1,087 bilhão, avanço de 30,3% em relação aos US$ 834 milhões registrados em 2024.
Os resultados anuais e do 4T25 foram apresentados nesta quinta-feira (12), durante uma apresentação ao mercado e investidores, na qual a empresa também detalhou os principais pontos de suas demonstrações financeiras.
O desempenho positivo reflete a consolidação do processo de ramp-up das operações com 60% da capacidade instalada. Em 2025, a produção total atingiu 15,1 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro, o maior volume desde a retomada das atividades da companhia em 2020.
As vendas somaram 15,9 milhões de toneladas, representando crescimento de 68% na comparação com 2024.
Segundo o presidente da empresa, Rodrigo Vilela, o ano marcou uma fase decisiva para a consolidação operacional da companhia.
“Mantivemos o foco naquilo que está ao nosso alcance: operar com segurança, cuidar das nossas pessoas, cumprir o plano de negócios e avançar em nossos compromissos de longo prazo. Concluímos o ramp-up da fase 2, estabilizamos as plantas e reforçamos a nossa geração de caixa”, afirmou.
Já o diretor Financeiro, de Estratégia e Suprimentos da companhia, Gustavo Selayzim, destacou que a conclusão da recuperação judicial foi um marco relevante no processo de reorganização financeira da mineradora.
“Com a forte geração de caixa e a estabilidade operacional obtidas, conseguimos avanços importantes. A conclusão da recuperação judicial encerra um ciclo de reorganização financeira e regulatória e reforça a governança corporativa e a capacidade de execução da companhia no longo prazo”, disse.
Plano bilionário para retomar 100% da capacidade
A Samarco também segue avançando em seu plano para retomar a totalidade da capacidade produtiva a partir de 2028. Para isso, a empresa prevê investimentos de R$ 13,8 bilhões, aprovados pelo Conselho de Administração no fim de 2025 — o maior aporte já realizado pela companhia.
De acordo com Vilela, os resultados operacionais e financeiros recentes criam bases sólidas para a próxima etapa de expansão.
“Retomaremos a nossa capacidade total e continuaremos dialogando com os territórios onde atuamos, sempre com foco em segurança e em operações sem barragens de rejeito”, afirmou.
Indicadores de segurança superam média global
No campo de saúde e segurança, a empresa registrou em 2025 uma Taxa Total de Frequência de Acidentes (TRIFR) de 0,63, resultado melhor que a média global da indústria, estimada em 0,91.
O índice de acidentes com afastamento (LTA) fechou o ano em 0,13, reforçando os controles operacionais adotados pela companhia.
A mineradora informou ainda 100% de conformidade nos relatórios de estabilidade de barragens, com renovação integral das Declarações de Condição de Estabilidade (DCE) e das Declarações de Conformidade e Operacionalidade (DCO).
As operações seguem alinhadas ao Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM), padrão internacional que orienta a gestão segura de barragens de rejeitos na mineração.
Outro avanço importante é o processo de descaracterização da barragem do Germano, atualmente em estágio avançado e com previsão de conclusão em 2027, antecipando o prazo legal originalmente previsto para 2029.
Reparação do desastre de Fundão segue como prioridade
A reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Barragem de Fundão, ocorrido em 2015, continuou sendo uma das prioridades da companhia em 2025.
Ao longo do ano, a Samarco concluiu o primeiro ciclo completo de execução do Novo Acordo do Rio Doce, modelo que busca tornar o processo de reparação mais direto e transparente.
Nesse contexto, foi finalizada a liquidação da Fundação Renova, permitindo que a própria Samarco assuma diretamente à execução das ações de reparação.
Em 2025, a empresa destinou cerca de US$ 4 bilhões em obrigações de fazer e aproximadamente US$ 2 bilhões em obrigações de pagar relacionadas ao processo de reparação.
Entre os avanços registrados estão:
pagamento de indenizações, conclusão de obras de reassentamentos iniciadas antes da homologação do novo acordo, ações de recuperação ambiental.
As iniciativas incluem restauração florestal, melhoria da qualidade da água e monitoramento permanente da Bacia do Rio Doce, reforçando o compromisso da empresa com a recuperação socioambiental da região.
InfraRoi - SP 13/03/2026
A JCB anunciou o lançamento de novas escavadeiras hidráulicas produzidas no Brasil, cujo destaque é a escavadeira JCB 205NXT, projetada para atender às demandas de robustez e simplicidade do mercado nacional, sendo o equipamento ideal para aplicações de terraplenagem geral e locação. A nova linha de escavadeiras conta ainda com os modelos JCB 220NXT e JCB 130NXT.
O lançamento está atrelado à estratégia da empresa de dobrar de tamanho até 2030, como explica Adriano Merigli, presidente da JCB América Latina. Segundo ele, a nova linha de escavadeiras faz parte de um plano iniciado há dois anos, quando a fabricante anunciou investimento de R$ 500 milhões, dos quais cerca de R$ 360 milhões voltados à expansão das operações e à modernização da planta de Sorocaba, em São Paulo, que abastece as Américas do Sul e Central.
Segundo a Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), em 2025 foram comercializadas cerca de 8 mil unidades de escavadeiras no Brasil. “Esse cenário reafirma a importância estratégica do segmento para a infraestrutura e o agronegócio nacional e, nesse contexto, a nova linha de escavadeiras reforça nosso compromisso em entregar máquinas que unam altos índices de confiabilidade e de eficiência operacional”, complementa Etelson Hauck, diretor de Engenharia e Estratégia de Produto da JCB para a América Latina.
Detalhes das novas escavadeiras da JCB
A JCB 205NXT é o destaque da nova linha de escavadeiras e se diferencia por ser a única em sua categoria equipada com motor mecânico, o Cummins F4.5M de 150 hp. O coração da máquina oferece alta confiabilidade e manutenção simplificada, utilizando menos sensores, mas sem abrir mão de componentes premium.
Entre os principais diferenciais técnicos do modelo JCB 205NXT, segundo a fabricante, estão:
Ciclos mais rápidos – A tecnologia inovadora de regeneração hidráulica recicla o óleo pelos cilindros, reduzindo o consumo de combustível. Estabilidade e produtividade – Equipada com carro inferior longo (LC), esteiras de 600 mm e caçamba de 1,02 m³. Tecnologia inteligente – O sistema Intellicontrol monitora em tempo real o status de combustível, alertas de integridade e modos de operação. Economia – Inclui funções de marcha lenta automática e o recurso ECO Hydraulic, que minimiza perdas hidráulicas e otimiza a eficiência do combustível.
Outros modelos da linha NXT:
JCB 220NXT – Com aproximadamente 22 toneladas, é equipada com motor Dieselmax de 173 hp e focada em clientes de construção que exigem máxima agilidade, precisão e alta força de desagregação. JCB 130NXT – Classificada na categoria de 13 a 14 toneladas, é voltada para pequenas empreitadas. Sua principal vantagem é a versatilidade logística, já que pode ser transportada em caminhões menores. Pós-venda e facilidade na aquisição dos equipamentos
A JCB também está expandindo sua rede de lojas, bem como a oferta de peças em todo o País após aumentar a disponibilidade de componentes em seu Centro de Distribuição, em Jundiaí (SP). Nos casos de peças não fabricadas pela JCB, itens de parceiros são indicados para o cliente. Além disso, a fabricante ainda conta com uma rede de atendimento dedicada especificamente ao setor do agronegócio.
A companhia também lança uma nova oferta de Plano de Manutenção em seu portfólio de pós-venda, com cobertura nacional e gestão feita diretamente pela fábrica. Inicialmente, o novo serviço estará disponível para a linha de pesados, que além das escavadeiras também engloba as pás carregadeiras que comercializamos.
Eae Máquinas - SP 13/03/2026
A Rental Fair by 6ª Imersão para Locadoras movimentou R$ 220 milhões em negócios e bateu recorde de participantes durante a sexta edição, realizada no Pro Magno Espaço de Eventos, em São Paulo. Com mais de 100 expositores, a feira apresentou lançamentos de máquinas e equipamentos voltados ao mercado de locação da construção civil, além de palestras estratégicas sobre tendências como eletrificação, inteligência artificial e profissionalização da gestão no setor.
Logo na entrada os visitantes se depararam com plataformas elevatórias e andaimes que simbolizavam o objetivo do evento: elevar o patamar do setor por meio de conhecimento, networking e tecnologia. “Essa edição superou as expectativas! Crescemos 100% a cada ano, refletindo o amadurecimento do mercado e ampliação do nosso papel como ponto de conexão do segmento, com players de todo o país”, vibra Fernando Torres, CEO da feira de negócios criada em 2019 como Imersão para Locadoras.
O Brasil teve um salto de 4 mil locadoras em 2012 para quase 30 mil em 2025, segundo a Alec (Associação Brasileira dos Locadores de Equipamentos e Bens Móveis), acompanhando o crescimento global, que tem projeção de movimentar US$ 339 bilhões até 2033, de acordo com a consultoria Grand View Research. A Rental Fair reuniu o ecossistema da construção civil — locadoras, construtoras, engenheiros, fornecedores, fabricantes e investidores – brasileiro e internacional entre os dias 2 e 4 de março. Foram apresentadas em primeira mão novidades das linhas branca e amarela — das portáteis às de médio porte – muitas delas soluções sustentáveis, além de uma programação dedicada à capacitação e ao fortalecimento do setor.
Sustentabilidade e eletrificação marcam lançamentos
Os estandes demonstraram máquinas em funcionamento, lançamentos e soluções voltadas à redução de impacto ambiental e ao aumento da eficiência energética, com destaque para ferramentas à bateria, geradores e novas linhas desenvolvidas especificamente para o mercado de locação. Entre eles estavam o pregador finca-pinos à bateria da Bosch, a limpadora e secadora de piso com bateria em gel da Kärcher, a cortadora de piso e o compactador de solo da Buffalo e a fresadora de parede e o martelo demolidor da Ancora Tools.
Fabricantes também demonstraram novidades com redução de ruído, menor consumo de combustível e redução de custos operacionais, que são fatores relevantes para empresas que operam grandes frotas de equipamentos. Dentre as linhas completas, a Rental Max, da Menegotti, a Power Shift, da DeWalt — com maquinário à bateria, como perfuratriz, régua vibratória e compactador –, e a nova série de geradores da CSM.
Equipamentos de maior porte também chamaram a atenção, como as empilhadeiras e as plataformas elevatórias com bateria de lítio da XCMG e da Zoomlion, além andaimes, como o da Mecan e o modelo dobrável portátil da empresa uruguaia TecnoAndamio, e geradores de energia das marcas Sotrec, MWM e Bambozzi. Demonstrações práticas também movimentaram os estandes, como a pistola de projeção da Bailéu e as torres de energia solar da Tower, que inclusive disponibilizou estações de carregamento para celular na feira.
IA, conexões e estratégias de crescimento no mercado rental
Além dos lançamentos, a Rental Fair by 6ª Imersão para Locadoras foi palco de debates sobre as transformações do mercado, com temas como inteligência artificial, estratégias comerciais, gestão de pessoas e transição energética, reunindo especialistas e executivos. “Criamos um ambiente de capacitação e de troca de experiências para preparar os empresários e os gestores para tomar decisões mais estratégicas em um cenário cada vez mais tecnológico e competitivo”, diz Adriana Braga, CFO da Rental Fair.
A programação começou com o especialista em neurociência Jean Patrick, que abordou comportamento humano e alta performance. Em seguida, Mônica Zambolini, presidente da Alec, destacou o avanço da maturidade empresarial no setor. “É preciso se profissionalizar. Indicadores, análises e planejamento tornaram-se requisitos básicos para competir e crescer de forma sustentável”, disse. O consultor Felipe Ferreira apresentou aplicações da inteligência artificial na locação e a advogada Renata Reis detalhou as mudanças previstas pela NR-1 e tirou as dúvidas da plateia. O assunto sério deu lugar à risada com o comediante Alorino Jr., que finalizou o primeiro dia de evento.
O dia seguinte começou com plenária cheia para ouvir o palestrante Eduardo Tevah, que compartilhou insights de vendas e táticas para criar valor por meio da conexão e da inteligência artificial. Depois foi a vez de Abraham Curi contar a trajetória com a transição energética e falar sobre investimentos, seguido de uma roda de conversas sobre planejamento estratégico, que uniu no palco Diego Hora (LocaAção), José Gentil (Central Geradores), Joab Bacry (JB Andaimes), Rafaello Lorenzon (Grupo Lorenzon), Anderson Barbosa (STL), Ronaldo Vidotto (Máquinas Urano) e Fernando Pessoa (Grupo Alupo Locações).
No último dia de evento, Adriana Braga liderou o painel sobre os desafios da contratação e da retenção de talentos, abordando propósito, cultura e reconhecimento. “A Rental Fair inspira empresários a sair da zona do conforto e a se movimentar. A energia vem do movimento. Quem não o faz não prospera”, pontuou a mentora Vera Mor, que participou do painel ao lado de Suelen Assis (Dialoc Aluguel de Equipamentos), Giovana Vieira (2V Locações), Juliana Valença (Sant Gestão e Liderança), Juliana Almeida (Minas Locc) e Marcela Galvão (LocBem Equipamentos). A necessidade de escalar processos com estratégias comerciais ganhou força na palestra seguinte, de Rafael Landin, CEO da Minas Locc Brasil, e a comunicadora Lídia Dickel encerrou o ciclo de apresentações ao abordar a importância da comunicação clara, consistente e bem conduzida.
A próxima edição da feira já está em planejamento e a expectativa é um crescimento que acompanhe o ritmo de crescimento do mercado de locação no país. “O recorde desta edição reforça a importância da Rental Fair como ponto de encontro, com muitos negócios fechados e discussões estratégicas que fortalecem o setor”, conclui o CEO do evento.
IstoÉ Dinheiro - SP 13/03/2026
As vendas de automóveis na China caíram 25% em fevereiro, para 1,03 milhão de unidades, em comparação com o ano anterior, refletindo a demanda mais fraca, à medida que Pequim reduz os subsídios governamentais e os benefícios fiscais para a compra de veículos elétricos, informou a Associação Chinesa de Carros de Passeio (CPCA) nesta quinta-feira, 12. As vendas caíram 33% em comparação com janeiro.
As vendas no varejo de veículos de novas energias, que engloba veículos elétricos e híbridos, caíram 32%, para 464 mil unidades em fevereiro, em comparação com o ano anterior, mostraram os dados.
Segundo o documento, a fraca atividade de vendas foi afetada pelo feriado prolongado do Ano Novo Lunar e pela demanda mais fraca do consumidor, já que alguns anteciparam suas compras para 2025 para aproveitar os subsídios governamentais e os benefícios fiscais.
Por outro lado, embora as vendas no mercado interno tenham desacelerado, as exportações das montadoras chinesas de veículos elétricos tiveram expansão. Em fevereiro, as exportações de carros de passeio aumentaram 56% em relação ao ano anterior, atingindo 555 mil unidades, enquanto os embarques de veículos de novas energias mais que dobraram, chegando a 269 mil unidades.
Veja - SP 13/03/2026
A indústria automotiva global enfrenta um momento de ajuste na corrida pelos carros elétricos.
A japonesa Honda anunciou um prejuízo anual de US$ 3,6 bilhões, o primeiro em quase 70 anos desde que abriu capital, após rever sua estratégia de eletrificação e cancelar três modelos que seriam produzidos nos Estados Unidos.
O impacto foi tão forte que a empresa abandonou a previsão anterior de lucro, estimada em cerca de US$ 3 bilhões. Para enfrentar a crise, executivos da companhia decidiram reduzir voluntariamente os próprios salários.
O presidente da montadora, Toshihiro Mibe, cortará 30% da remuneração por três meses, enquanto outros diretores terão reduções de cerca de 20%.
O rombo nas contas está ligado a uma ampla reestruturação avaliada em US$ 15,7 bilhões, que inclui o cancelamento de projetos de veículos elétricos planejados para o mercado americano.
A corrida elétrica perdeu fôlego
Nos últimos anos, montadoras anunciaram planos ambiciosos para eletrificar suas frotas, pressionadas por metas climáticas, regulações ambientais e incentivos governamentais.
Porém, o crescimento das vendas de veículos elétricos desacelerou em vários mercados importantes, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.
Executivos da Honda afirmaram que a queda na demanda tornou difícil manter a rentabilidade dos projetos.
O impacto foi imediato no mercado financeiro: as ações da empresa negociadas nos EUA recuaram cerca de 8% após o anúncio.
Segundo analistas, o cancelamento completo da produção planejada para os EUA surpreendeu investidores. A expectativa era apenas de redução do ritmo de expansão, não de abandono de projetos.
O problema não é só da Honda
A dificuldade em transformar a aposta nos carros elétricos em lucro não é exclusiva da Honda. Diversas montadoras tradicionais vêm enfrentando perdas ou revisões de estratégia.
A americana Ford, por exemplo, registrou prejuízo superior a US$ 4,7 bilhões em sua divisão de veículos elétricos em 2024 e já sinalizou novos cortes de investimentos no setor.
A General Motors também desacelerou a expansão de fábricas de baterias e adiou o lançamento de alguns modelos elétricos diante da demanda menor que a esperada.
Na Europa, a alemã Volkswagen reduziu metas de produção e suspendeu temporariamente linhas de montagem de elétricos em algumas plantas, citando vendas abaixo do previsto.
Até a pioneira Tesla enfrentou pressões recentes, com queda nas margens e necessidade de reduzir preços para sustentar o crescimento das vendas.
Analistas do setor apontam que o problema central é o descompasso entre investimento e mercado.
Montadoras tradicionais gastaram bilhões para desenvolver plataformas elétricas e construir fábricas de baterias, mas o ritmo de adoção pelos consumidores tem sido mais lento do que o planejado.
O fator China
Um dos elementos que mais pressionam as montadoras tradicionais é o avanço da indústria chinesa de veículos elétricos.
Fabricantes como a BYD ampliaram rapidamente sua presença global com modelos mais baratos e tecnologicamente competitivos. A empresa já ultrapassou várias rivais ocidentais em vendas de carros eletrificados e se consolidou como uma das líderes do setor.
O domínio chinês não se limita às montadoras. O país controla grande parte da cadeia global de baterias e minerais essenciais, como lítio, níquel e terras raras, componentes fundamentais para veículos elétricos.
Isso permite às empresas chinesas produzir carros com custos menores.
Em muitos casos, veículos elétricos fabricados na China chegam ao mercado por preços significativamente inferiores aos de concorrentes europeus, japoneses ou americanos.
A pressão é especialmente forte no próprio mercado chinês, o maior do mundo para carros elétricos. Lá, montadoras estrangeiras têm perdido espaço rapidamente para marcas locais.
A Honda, por exemplo, já registrou queda nas vendas na China, justamente pela dificuldade em competir com modelos mais avançados e baratos oferecidos por fabricantes domésticos.
Um setor em transição
Apesar do momento turbulento, especialistas afirmam que a eletrificação do transporte continua sendo uma tendência irreversível. O que está acontecendo agora é uma fase de ajuste depois de anos de euforia no setor.
Governos ainda mantêm metas para reduzir emissões e eliminar gradualmente motores a combustão.
Ao mesmo tempo, consumidores seguem adotando veículos elétricos, ainda que em ritmo mais moderado do que o projetado inicialmente.
Para as montadoras tradicionais, o desafio é atravessar esse período de transição sem comprometer a saúde financeira.
O Estado de S.Paulo - SP 13/03/2026
Talvez nenhum outro setor precise de tanta previsibilidade quanto a indústria automobilística. Geralmente, leva-se pelo menos quatro anos para projetar um novo modelo e lançá-lo no mercado, o que exige que as fabricantes “adivinhem” o que os compradores considerarão atraente no momento em que os veículos chegarem às concessionárias.
No entanto, veteranos do setor afirmam não se lembrar de um período em que as maiores montadoras enfrentaram tanta incerteza quanto agora. Elas foram fustigadas por tarifas comerciais. Montadoras chinesas estão em seu encalço ao redor do mundo.
Empresas de táxis autônomos, como a Waymo, estão mudando a própria natureza do transporte. O software substituiu a potência como o principal diferencial de vendas. As vendas estão estagnadas em quase todos os lugares e os lucros estão em queda.
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A forma como as montadoras americanas lidarão com este momento crucial determinará se sobreviverão como players globais ou se cairão na irrelevância, tornando-se fabricantes de nicho de picapes e SUVs que apenas os americanos compram.
Os primeiros sinais não são promissores. Muitas montadoras tradicionais dos EUA e da Europa têm sido surpreendidas pelos veículos elétricos (VEs) a cada curva. Primeiro, a ascensão meteórica da Tesla as pegou desprevenidas. Elas responderam investindo em novas fábricas, mas agora estão recuando após o governo dos EUA revogar créditos fiscais e outros subsídios para esses carros.
“O termo ‘sem precedentes’ é sempre excessivamente usado. Mas, desta vez, é realmente tudo acontecendo ao mesmo tempo”, disse Stuart Taylor, ex-executivo da Ford e atual diretor de produto da Envorso, que presta consultoria para montadoras na área de software.
As fabricantes americanas, em particular, enfrentam escolhas difíceis. O presidente Donald Trump proporcionou um ganho de curto prazo ao desmantelar regulamentações de ar limpo e padrões de economia de combustível, facilitando a venda de picapes e SUVs — que são altamente lucrativos.
Devem elas usar esse fôlego para agradar Wall Street e lucrar o máximo possível? Ou devem continuar investindo em novas tecnologias?
Especialistas do setor dizem que as empresas tradicionais correm o risco de se tornarem obsoletas se não aprenderem a fabricar veículos elétricos atraentes e rentáveis, os quais a maioria dos executivos espera que acabem substituindo os carros a gasolina, apesar dos esforços do governo Trump para promover combustíveis fósseis. Avanços na tecnologia de baterias significam que, dentro de poucos anos, os elétricos serão mais baratos de comprar e carregarão em 15 minutos ou menos.
Um dos maiores problemas das fabricantes estabelecidas é que muitos dos modelos elétricos que elas vendem tiveram um desempenho pífio contra os carros da Tesla e de outras empresas novatas.
A Tesla e montadoras chinesas, como a BYD, possuem uma vantagem substancial em tecnologia de baterias e software. As montadoras ocidentais tradicionais tendem a perder dinheiro com veículos elétricos e, em sua maioria, também estão atrasadas em relação aos carros autônomos.
Os chineses também têm uma vantagem inicial ali, assim como a Tesla e a Waymo — divisão da Alphabet (controladora do Google) que opera táxis autônomos em 10 cidades dos EUA e está em rápida expansão.
“Não é impossível que, daqui a 10 anos, acordemos e percebamos que não temos mais uma indústria nacional no sentido de algo que realize pesquisa e desenvolvimento significativos”, disse Susan Helper, professora da Case Western Reserve University, que foi economista-chefe do Departamento de Comércio no governo Obama.
“Talvez a Ford e a GM existam como marcas, mas os conjuntos motrizes (powertrains) e seus carros sejam todos chineses”, disse Helper, que também aconselhou o presidente Joe Biden sobre veículos elétricos.
Os desafios enfrentados pelas montadoras nos Estados Unidos e na Europa surgem após um ano difícil. Ford, General Motors e Stellantis (gigante que detém Chrysler, Fiat, Jeep e Peugeot) reportaram prejuízos multibilionários ao final de 2025, enquanto adiavam e cancelavam investimentos em veículos elétricos.
Mesmo montadoras que lucraram no ano passado, como a marca de luxo alemã Mercedes-Benz, lucraram bem menos. Entre as grandes, apenas a japonesa Toyota conseguiu um aumento significativo nas vendas durante 2025. Analistas esperam que as vendas de toda a indústria fiquem estagnadas novamente em 2026 (a Ford reportou um aumento tímido de 1% nas vendas do ano).
As montadoras afirmam que a situação não é tão ruim quanto parece. Muitas possuem reservas de caixa acumuladas durante a pandemia, quando a escassez de componentes permitiu que aumentassem os preços dos carros.
Chevrolet Captiva EV aposta em DNA chinês e bom custo-benefício para fazer sucesso
A GM sentiu-se confiante o suficiente em suas finanças para gastar US$ 6 bilhões no ano passado na recompra de suas próprias ações — uma forma de devolver dinheiro aos investidores. A empresa reservou uma quantia semelhante para 2026.
“O balanço patrimonial da GM provavelmente nunca esteve tão forte”, disse Paul Jacobson, CFO da empresa, no mês passado, em uma conferência organizada pelo Federal Reserve de Chicago.
A Ford também retornou dinheiro aos acionistas através de dividendos. Tais pagamentos geram boa vontade em Wall Street e podem ajudar as empresas a captar capital futuramente, disse John Paul MacDuffie, professor da Wharton School. No entanto, ele observou que o dinheiro poderia ser melhor aplicado em novos produtos e tecnologia.
“Não sei se entendo totalmente a lógica estratégica por trás das recompras de ações”, disse MacDuffie. Ele acrescentou que as montadoras americanas possuem vantagens, incluindo a capacidade de explorar inovações do Vale do Silício de formas que as montadoras chinesas não conseguem.
As fabricantes afirmam que continuam investindo em veículos elétricos, baterias e carros autônomos, mesmo que o ritmo tenha diminuído. A GM possui uma dúzia de modelos elétricos, incluindo versões a bateria do Chevrolet Equinox, Blazer e o Cadillac Escalade IQ.
“Continuamos acreditando nos VEs”, disse Mary Barra, CEO da GM, durante uma teleconferência em janeiro. A empresa está investindo em tecnologia de baterias e em métodos para fabricar elétricos de forma lucrativa, afirmam executivos.
No ano passado, a Ford descontinuou a picape elétrica F-150 Lightning, mas planeja começar a vender uma picape elétrica de médio porte no próximo ano por cerca de US$ 30 mil. O veículo terá autonomia de cerca de 480 km (300 milhas). A Ford isolou a equipe de design e engenharia na Califórnia para protegê-la da burocracia corporativa.
A picape atenderá ao “coração do mercado interno, onde não há muita concorrência”, disse Jim Farley, CEO da Ford, a investidores no mês passado. Ele acrescentou: “A verdadeira questão que me faço é como os chineses mudarão as regras do jogo”.
Executivos da Ford dizem que não reduziram o investimento em elétricos, apenas redirecionaram o dinheiro para produtos com maior probabilidade de lucro. No futuro, a empresa planeja oferecer uma nova versão da Lightning que funcionará a bateria, mas terá um motor a gasolina para carregar a bateria quando necessário (híbrido plug-in).
Na Europa, a Ford planeja cortar custos produzindo veículos elétricos com tecnologia desenvolvida pela montadora francesa Renault.
Empresas chinesas como BYD, Geely e SAIC estão efetivamente banidas dos EUA por tarifas. No entanto, elas estão roubando fatias de mercado da Ford em lugares como Ásia, Austrália e Europa. Provavelmente, os chineses não poderão ser mantidos fora das vitrines americanas para sempre. Trump já cogitou permitir que eles construam fábricas nos Estados Unidos.
As montadoras da China são frequentemente acusadas de concorrência desleal por receberem subsídios governamentais. Mas há mais do que isso, dizem analistas.
A BYD vende veículos na China por muito menos que a Tesla (que também produz lá), em grande parte por fabricar suas próprias baterias e componentes em vez de comprá-los, de acordo com o Rhodium Group. Os subsídios representam apenas uma pequena parcela da diferença de preço.
Os chineses também se movem em uma velocidade impressionante — algumas empresas daquele país conseguem desenvolver novos modelos em apenas 14 meses, disse Mark Wakefield, diretor da consultoria AlixPartners.
As empresas chinesas tomam decisões mais rápido, usam simulações virtuais para testes e estão dispostas a correr riscos que as montadoras ocidentais evitariam, disse Wakefield.
As montadoras dos EUA percebem que precisam se tornar mais rápidas e inovadoras, afirmou ele. Mas não está claro se conseguirão reformular suas organizações a tempo.
“Alguns dos altos executivos têm um senso de urgência significativo”, disse Wakefield. “O difícil é traduzir isso em uma mudança revolucionária.”
Valor - SP 13/03/2026
Indicador alcançou 6,71% no acumulado em 12 meses; custo nacional por metro quadrado em fevereiro foi de R$ 1.925,08 em fevereiro, sendo R$ 1.085,16 relativos aos materiais e R$ 839,92 à mão de obra
A inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) subiu 0,23% em fevereiro, ante alta de 1,54% em janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de fevereiro de 2025 também foi de 0,23%.
Com o resultado, o indicador alcançou 6,71% no acumulado em 12 meses, mesma variação dos 12 meses até janeiro (6,71%).
O custo nacional da construção por metro quadrado em fevereiro foi de R$ 1.925,08 em fevereiro, sendo R$ 1.085,16 relativos aos materiais e R$ 839,92 à mão de obra. Em janeiro, esse custo totalizava R$ 1.920,74, sendo R$ 1.081,31 relativos aos materiais e R$ 839,43 à mão de obra.
Grandes Construções - SP 13/03/2026
Estudantes de arquitetura de todo o país têm a oportunidade de disputar R$ 10 mil em premiação na 19ª edição do Concurso para Estudantes de Arquitetura, promovido pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA).
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até 4 de agosto pelo site da entidade.
Nesta edição, o desafio proposto aos participantes é desenvolver projetos alinhados ao tema “Infraestrutura, Indústria e Inovação”.
O desafio é inspirado no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 9 (ODS 9), da Organização das Nações Unidas, que busca promover infraestrutura resiliente, industrialização sustentável e inovação.
Para participar, as equipes devem ser formadas por dupla ou grupos de até quatro alunos, orientados por um professor da mesma universidade, com possibilidade de contar ainda com um coorientador.
Os projetos devem propor soluções arquitetônicas concebidas em sistemas construtivos em aço, explorando as possibilidades técnicas e estruturais do material.
O projeto vencedor receberá R$ 10 mil, valor que será dividido entre os alunos autores do trabalho e o professor orientador.
O resultado será divulgado no site da entidade no dia 25 de setembro.
Além da premiação nacional, a competição também funciona como etapa classificatória para o Concurso Alacero de Diseño en Acero para Estudiantes de Arquitectura, promovido pela Associação Latino-Americana do Aço (Alacero).
A equipe vencedora representará o Brasil na fase internacional da competição, que será realizada em novembro de 2026, na Cidade do México, com viagem custeada pelo CBCA.
Na etapa internacional, os projetos disputarão prêmios de US$ 6.000, US$ 3.000 e US$ 1.000.
“O concurso se tornou uma ferramenta acadêmica relevante, sendo utilizado por diversas universidades como disciplina de projeto em sala de aula, estimulando a criatividade e aproximando estudantes das tecnologias construtivas inovadoras”, comenta o CBCA.
InfraRoi - SP 13/03/2026
O governo de Minas Gerais anunciou o repasse de R$ 100 milhões para o asfaltamento da rodovia MGC-251, no trecho que liga a cidade Almenara ao distrito de Pedra Grande, no Vale do Jequitinhonha. Os recursos serão utilizados para o asfaltamento de 35 quilômetros da via. As obras devem começar no segundo semestre de 2026, com duração prevista de dois anos.
De acordo com a Agência Minas, o governo entende ser necessário atualizar o projeto para a revitalização da rodovia junto à Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (Seinfra), o que deve ocorrer até junho. A rodovia é crucial para o Vale do Jequitinhonha e é utilizada como rota logística para o escoamento agrícola.
Minas quer usar mais recursos sustentáveis em obras
A Seinfra-MG prorrogou, até o dia 31 de março, o prazo do chamamento público que busca identificar produtos, materiais, tecnologias e serviços sustentáveis que possam ser utilizados em obras públicas no Estado. O objetivo é ampliar o uso de soluções que contribuam para a redução de impactos ambientais no setor de infraestrutura e melhorar a gestão de obras.
O chamamento é resultado de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Governo de Minas e o Instituto Jataí, com o objetivo de desenvolver e implementar uma estratégia de compras públicas de baixo carbono. A iniciativa integra as ações do Plano Estadual de Ação Climática (PLAC) e busca alinhar contratações e investimentos públicos aos compromissos ambientais assumidos por Minas Gerais.
Podem participar do chamamento organizações privadas, com ou sem fins lucrativos, além de instituições públicas que atuam no setor. Os interessados devem enviar a documentação até o dia 31 de março de 2026, por meio de formulário eletrônico disponível neste link.
Valor - SP 13/03/2026
O secretário do Tesouro dos EUA também disse que não acredita que haja minas navais no estreito, pois navios petroleiros do Irã e da China estão trafegando pela via
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira que a Marinha americano escoltará petroleiros pelo Estreito de Ormuz e poderá contar com o apoio de outros países. No entanto, ressaltou que a operação terá início “assim que for militarmente possível”, sem dar detalhes.
Em entrevista à Sky News, o secretário declarou que “minha crença é que, assim que for militarmente possível, a Marinha dos EUA, talvez com uma coalizão internacional, estará escoltando embarcações pelo estreito”.
Bessent também disse que não acredita que haja minas navais no estreito, pois navios petroleiros do Irã e da China estão trafegando pela via.
“Há, de fato, petroleiros passando por lá agora — petroleiros iranianos. Acredito que alguns navios com bandeira chinesa também tenham passado. Portanto, sabemos que eles não minaram o estreito”, comentou Bessent.
Os ataques persistentes do Irã contra o tráfego marítimo e a infraestrutura energética no Golfo Pérsico haviam anteriormente empurrado o preço do petróleo novamente para acima de US$ 100 por barril, enquanto as bolsas caíam em todo o mundo nesta quinta-feira, após o primeiro discurso do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, hoje, no qual afirmou que o estreito permanecerá fechado.
Neste mesmo dia, o presidente americano, Donald Trump, declarou que os EUA estão “ganhando muito dinheiro” por serem o “maior produtor de petróleo do mundo”, mas que é de grande importância evitar que o Irã tenha armas nucleares e “destrua” o Oriente Médio e o mundo.
Ontem, para tentar controlar os preços do petróleo, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que liberará 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas — quase metade proveniente dos EUA.
A Tribuna - SP 13/03/2026
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) submeterá o processo licitatório para concessão do canal do Porto de Santos à consulta pública a partir da próxima terça-feira. O aviso foi publicado nesta quarta-feira (11), no Diário Oficial da União (DOU), e os interessados poderão enviar suas contribuições à agência reguladora até 2 de maio. A data da audiência pública será definida posteriormente.
O modelo de concessão do canal aquaviário de Santos atende aos pleitos técnicos e operacionais da Autoridade Portuária de Santos (APS), englobando dragagens de aprofundamento para 16 e 17 metros e estudo de viabilidade para 18 metros, manutenção do canal e implementação do VTMIS (sistema de controle e monitoramento de tráfego).
O projeto envolve um fluxo financeiro de R$ 23,4 bilhões ao longo do contrato de 25 anos, prorrogável até 70 anos. O investimento mínimo obrigatório em infraestrutura, até o oitavo ano de contrato, é de R$ 688,1 milhões.
O canal de navegação tem 24,6 quilômetros de extensão (divididos em quatro trechos), 220 metros de largura, profundidade nominal de 15 metros e calado operacional homologado entre 13,5 metros na baixa-mar e 14,5 metros na preamar.
Segundo a Antaq, interessados podem enviar contribuições, subsídios e sugestões para o aprimoramento dos documentos técnicos e jurídicos relativos ao certame. A documentação e o formulário eletrônico para envio das contribuições estão disponíveis no link.
As contribuições em texto deverão ser preenchidas no formulário eletrônico e as imagens digitais (mapas, plantas e fotos) devem ser anexadas no e-mail anexo_audiencia022026@antaq.gov.br, mediante identificação do contribuinte. O prazo para envio de contribuição encerrará às 23h59 de 2 de maio.
A contribuição também pode ser enviada pelo computador da secretaria-geral da Antaq, em Brasília, ou nas unidades regionais da agência. As contribuições recebidas serão disponibilizadas no site.
Agência Brasil - DF 13/03/2026
O Irã disse que o mundo deve estar pronto para o petróleo a US$ 200 por barril, enquanto suas forças atingiam navios mercantes nessa quarta-feira (11) e a Agência Internacional de Energia (AIE) recomendava a liberação maciça de reservas estratégicas para reduzir um dos piores choques do petróleo desde a década de 1970.
A guerra desencadeada por ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel há quase duas semanas já matou cerca de 2 mil pessoas, a maioria iranianos e libaneses, à medida que se espalhou pelo Líbano e lançou o caos nos mercados globais de energia e transporte.
Apesar do que o Pentágono descreveu como ataques aéreos mais intensos desde o início da guerra, o Irã também disparou contra Israel e alvos em todo o Oriente Médio nessa quarta-feira, demonstrando que ainda pode revidar.
Ontem, três embarcações teriam sido atingidas nas águas do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã disse que suas forças haviam disparado contra navios que tinham desobedecido às suas ordens.
Embora o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, tenha dito que a operação "continuará sem limite de tempo, até que sejam atingidos todos os objetivos e seu país a campanha", Trump sugeriu que a guerra não duraria muito mais tempo.
Ele disse ao site de notícias Axios, por telefone, que não havia "praticamente mais nada" para atingir no Irã.
"Quando eu quiser que ela termine, ela terminará", afirmou.
A ABC News informou que o FBI havia alertado sobre a possibilidade de drones iranianos atacarem a costa oeste dos EUA, embora Trump tenha dito que não estava preocupado com a possibilidade de o Irã lançar ataques em solo norte-americano.
Mais tarde, Trump disse aos repórteres que as forças dos EUA haviam destruído 28 navios iranianos que lançam minas e que os preços do petróleo cairiam.
O Departamento de Estado dos EUA também alertou que o Irã e as milícias alinhadas podem estar planejando atacar a infraestrutura de petróleo e energia de propriedade dos EUA no Iraque e alertou que as milícias já haviam atacado hotéis frequentados por norte-americanos em todo o Iraque, inclusive na região do Curdistão iraquiano.
Autoridades norte-americanas e israelenses afirmaram que seu objetivo é acabar com a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras e destruir seu programa nuclear.
Os preços do petróleo, que subiram no início da semana para quase US$ 120 por barril antes de voltarem para cerca de US$ 90, subiam quase 5% nessa quarta-feira em meio a novos temores sobre a interrupção do fornecimento, enquanto os principais índices de ações de Wall Street caíam.
Anteriormente, os mercados acionários haviam se recuperado com os investidores apostando que Trump encontraria uma saída rápida.
Mas outros sinais apontaram para a continuação dos combates, que viram portos e cidades nos Estados do Golfo, bem como alvos em Israel, serem atingidos por drones e mísseis do Irã, aumentando a urgência dos apelos da Turquia e da Europa para pôr fim aos combates.
Um oficial militar israelense disse que os militares ainda tinham uma extensa lista de alvos a serem atingidos no Irã, incluindo mísseis balísticos e locais relacionados à energia nuclear.
Alvos legítimos
Até o momento, não há sinais de que os navios possam navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz, o canal agora bloqueado ao longo da costa iraniana que serve de passagem para cerca de um quinto do petróleo do mundo.
Trump disse que os navios "deveriam" transitar pelo Estreito, mas fontes afirmaram que o Irã havia implantado cerca de uma dúzia de minas no canal, complicando ainda mais o bloqueio.
Os militares norte-americanos disseram aos iranianos para ficarem longe dos portos com instalações da Marinha iraniana, o que gerou um alerta dos militares do Irã de que, se os portos fossem ameaçados, os centros econômicos e comerciais da região seriam "alvos legítimos".
Com os preços nas bombas de combustíveis já subindo em alguns países e com o Partido Republicano de Trump em péssima posição nas pesquisas antes das eleições de meio de mandato em novembro, os preços do petróleo se tornaram um elemento cada vez mais urgente nos cálculos por trás da guerra.
A Agência Internacional de Energia, formada pelas principais nações consumidoras de petróleo, recomendou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais para estabilizar os preços, a maior intervenção desse tipo na história, que foi rapidamente endossada por Washington.
O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, informou à CNBC que as empresas petrolíferas norte-americanas anunciarão em breve o aumento da produção em resposta aos "sinais de preço".
Mas a taxa na qual os países podem liberar as reservas estratégicas varia e a quantidade liberada representaria apenas uma fração do fornecimento pelo Estreito de Ormuz.
As autoridades iranianas deixaram claro que pretendiam impor um choque econômico prolongado.
"Preparem-se para que o petróleo chegue a US$200 o barril, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que foi desestabilizada por vocês", disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em comentários dirigidos a Washington.
Depois que os escritórios de um banco em Teerã foram atingidos durante a noite, Zolfaqari disse que o Irã responderia com ataques a bancos que fazem negócios com os EUA ou Israel. As pessoas em todo o Oriente Médio devem ficar a mil metros dos bancos, acrescentou.
No mar, um navio graneleiro de bandeira tailandesa foi incendiado, forçando a retirada da tripulação, com três pessoas dadas como desaparecidas e supostamente presas na sala de máquinas.
Mais dois navios, um porta-contêineres de bandeira japonesa e um graneleiro de bandeira das Ilhas Marshall, também sofreram danos causados por projéteis, elevando para 14 o número de navios mercantes que foram atingidos desde o início da guerra.
Funerais
No Irã, grandes multidões foram às ruas para os funerais dos principais comandantes mortos em ataques aéreos. Eles carregaram caixões, bandeiras e retratos do líder supremo morto, o aiatolá Ali Khamenei, e de seu filho e sucessor, Mojtaba.
Uma autoridade iraniana disse à Reuters que Mojtaba Khamenei havia sido ferido levemente no início da guerra, quando os ataques aéreos mataram seu pai, sua mãe, sua esposa e um filho. Ele não apareceu em público ou emitiu qualquer mensagem direta desde o início da guerra.
Em Teerã, os moradores estão se acostumando aos ataques aéreos noturnos que levaram centenas de milhares de pessoas a fugir para o campo e contaminaram a cidade com a chuva negra da fumaça do petróleo.
"Houve bombardeios ontem à noite, mas não fiquei assustado como antes. A vida continua", disse Farshid, 52 anos, à Reuters por telefone.
"Sem limite de tempo", diz Israel
Apesar dos apelos de Trump para que os iranianos se levantem, as esperanças dos EUA e de Israel de que o sistema de governo clerical do Irã seja derrubado por protestos populares não se confirmaram.
O chefe de polícia do Irã, Ahmadreza Radan, alertou ontem que qualquer pessoa que saia às ruas será tratada "como inimigo, não como manifestante. Todas as nossas forças de segurança estão com os dedos no gatilho".
Uma autoridade israelense de alto escalão disse à Reuters que os líderes israelenses agora aceitam, em particular, que o sistema governamental do país pode sobreviver à guerra. Outras autoridades israelenses disseram que não há sinal de que Washington esteja perto de encerrar a campanha.
Mesmo assim, Abdullah Mohtadi, chefe do Partido Komala do Curdistão Iraniano, parte de uma coalizão de seis partidos curdos iranianos, disse à Reuters que os partidos são altamente organizados dentro do Irã e que "dezenas de milhares de jovens estão prontos para pegar em armas" contra o governo iraniano se receberem apoio dos EUA.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse afirmou que a operação "continuará sem limite de tempo, pelo tempo que for necessário, até atingirmos todos os objetivos e vencermos a campanha".
O Estado de S.Paulo - SP 13/03/2026
O governo Trump suspendeu temporariamente, na noite de quinta-feira, as sanções às remessas de petróleo russo, em um esforço para acalmar os mercados e conter as consequências econômicas da guerra contra o Irã, que fez os preços do petróleo bruto dispararem.
Uma licença geral emitida pelo Departamento do Tesouro permite que a Rússia comece a vender cerca de 128 milhões de barris de petróleo que, segundo estimativas, já foram carregados em navios-tanque anteriormente sancionados pelos Estados Unidos. A licença expira após 30 dias.
Após a autorização, Moscou afirmou que os EUA estão, na verdade, “reconhecendo o óbvio”: que o mercado global de energia não pode “permanecer estável” sem o petróleo russo".
Valor - SP 13/03/2026
Mais de 30 países da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram com a maior liberação coordenada de reservas de petróleo da história, totalizando 400 milhões de barris
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou, nesta quinta-feira (12), que os preços do petróleo dificilmente chegarão a US$ 200 por barril, enquanto o presidente americano, Donald Trump, destacou os ganhos dos EUA com a alta dos preços em meio à guerra com o Irã, que interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Com a ampliação da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, dois petroleiros pegaram fogo, nesta quinta-feira, em um porto no Iraque, após serem atingidos por embarcações carregadas com explosivos, supostamente iranianas, enquanto dezenas de outros navios carregados de petróleo permanecem parados, já que o estreito continua fechado.
Os preços do petróleo subiram mais de 9% neste período de guerra, chegando perto de US$ 100 por barril. “Eu diria que é improvável, mas estamos focados na operação militar e em resolver um problema”, disse Wright à CNN ao ser questionado sobre se os preços poderiam chegar a US$ 200 por barril — nível que um funcionário iraniano afirmou que poderia ser atingido caso a guerra se intensifique.
O uso da palavra “improvável” por Wright foi visto como uma admissão indireta de que uma disparada até US$ 200 é possível, embora ele tenha repetido que qualquer salto desse tipo ocorreria em semanas, e não em meses.
O petróleo Brent (referência mundial de preço no setor) atingiu o recorde histórico em 2008, cerca de US$ 147 por barril, em meio às tensões entre o Ocidente e o Irã sobre o programa nuclear iraniano, além da fraqueza do dólar e de temores de inflação.
Desta vez, analistas dizem que os preços podem permanecer elevados devido ao fechamento sem precedentes do Estreito de Ormuz. O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou, nesta quinta-feira, que o estreito deve permanecer fechado como instrumento de pressão.
“Preparem-se para o barril de petróleo a US$ 200, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram”, disse, na quarta-feira, Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do quartel-general militar Khatam al-Anbiya, de Teerã.
Wright disse à CNN: “Estamos no meio de uma interrupção significativa no curto prazo para resolver a segurança do fluxo de energia no longo prazo.” Segundo ele, o governo está focado em “soluções pragmáticas para superar essas poucas semanas de oferta restrita de energia”.
Jones Act
O governo Trump está considerando suspender temporariamente uma regra de transporte marítimo conhecida como Jones Act para garantir que remessas de energia e produtos agrícolas possam circular livremente entre portos dos EUA, informou a Casa Branca nesta quinta-feira.
Suspender a regra permitiria que navios estrangeiros transportassem combustível entre portos americanos, potencialmente reduzindo custos de frete e acelerando as entregas.
“Ganhamos muito dinheiro”
Trump escreveu, ensta quinta, em sua rede Truth Social que “os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”. Ele acrescentou que está mais focado em impedir que o Irã obtenha armas nucleares.
Na quarta-feira, Trump incentivou empresas petrolíferas a navegar pelo estreito apesar dos riscos. “Acho que eles deveriam usar o estreito”, disse Trump. Questionado sobre se havia minas iranianas na passagem, acrescentou: “Não achamos que haja.”
Wright disse à CNBC, nesta quinta-feira, que a Marinha dos EUA não pode escoltar navios pelo estreito neste momento, mas afirmou que é “bastante provável” que isso ocorra até o final do mês.
Maior liberação de reservas da história
Na quarta-feira, mais de 30 países da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram com a maior liberação coordenada de reservas de petróleo da história, totalizando 400 milhões de barris, dos quais cerca de 40% virão dos EUA.
A guerra forçou países do Golfo no Oriente Médio a reduzir a produção total de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia, cerca de 10% da demanda mundial. A AIE afirmou, nesta quinta-feira, que esta é a maior interrupção de oferta de petróleo na história do mercado global.
Os EUA liberarão 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo, que, segundo Wright, serão posteriormente substituídos por mais de 200 milhões de barris a serem devolvidos à reserva dentro de um ano.
Wright disse à CNBC que a escassez de energia tem menos probabilidade de afetar os EUA e outros países do Hemisfério Ocidental. “Não há escassez, nem mesmo um mercado de petróleo realmente apertado no Hemisfério Ocidental. O problema está na Ásia”, afirmou.
Os preços da gasolina nos EUA continuam subindo 13 dias após o início da guerra, alcançando uma média de US$ 3,60 por galão, segundo a American Automobile Association.
A alta do petróleo também deve elevar os custos de outros produtos, já que o fechamento do estreito também interrompeu o transporte de ingredientes para fertilizantes e pode aumentar os preços de itens domésticos, afetando consumidores por meses.
Trump fez campanha prometendo reduzir os preços da gasolina e de outros produtos, enquanto os americanos se preparam para votar em novembro nas eleições de meio de mandato, que decidirão se os republicanos manterão o controle do Congresso.
Frota e Cia - SP 13/03/2026
A Fendt apresenta na Expodireto Cotrijal, entre os dias 9 e 13 de março em Não-Me-Toque (RS), a quinta geração da linha Fendt 800 Vario. Batizada de Gen5, a série chega ao mercado nacional com os modelos 829 e 832 Vario, que entregam potência nominal de 290 cv e 320 cv, respectivamente. Equipados com o sistema DynamicPerformance (DP), ambos podem atingir potência máxima de 313 cv e 343 cv sob demanda, posicionando-se como solução para médias e grandes propriedades que exigem alto rendimento em operações de preparo de solo, plantio e transporte pesado.
O coração da máquina é o motor CORE80, um bloco de oito litros desenvolvido pela AGCO Power especificamente para a Fendt. O propulsor é homologado para operar com diesel HVO100, combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais ou gordura animal, permitindo a redução da emissão de CO2. Além da eficiência energética, o novo trem de força ampliou o intervalo de troca de óleo da transmissão de 2.000 para 4.000 horas, o que reduz significativamente os custos operacionais e o tempo de máquina parada para manutenção preventiva.
A transmissão continuamente variável VarioDrive, já consolidada nos modelos de alta potência da marca, opera com tração independente nas quatro rodas. O sistema inclui a função pull-in turn, que reduz o raio de giro e facilita manobras em cabeceiras, contribuindo para a proteção do solo. O conceito Fendt iD, de baixa rotação, permite que o trator atinja 50 km/h a apenas 1.200 rpm, otimizando o torque e reduzindo o consumo de combustível em deslocamentos e operações de campo.
Para aplicações que exigem alta demanda hidráulica, a linha oferece vazão de até 385 litros por minuto e lastro máximo de 17,5 toneladas. A configuração permite o uso de pneus simples ou duplos, adequando-se a diferentes condições de solo e exigências de tração. O conjunto visa garantir performance em operações de larga escala, como o transporte pesado e o acoplamento de implementos de grande porte, sem comprometer a manobrabilidade.
A cabine
O conforto operacional foi reforçado pela nova cabine, que integra o sistema FendtONE e permite o gerenciamento centralizado das funções da máquina em até três áreas de visualização. O operador conta com o assento Super Comfort, de ajuste elétrico e aquecimento, além de ar-condicionado automático e refrigerador com capacidade para 12 litros. Para operações noturnas ou em condições de baixa luminosidade, o sistema de iluminação UltraVision entrega 114.700 lúmens, combinando refletores de LED ajustáveis e a iluminação traseira Fendt GroundVision, que auxilia no engate noturno de implementos.
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