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12 de Dezembro de 2025

SIDERURGIA

Infomoney - SP   12/12/2025

O JPMorgan atualizou suas estimativas para incorporar os resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25) e refletir as últimas projeções macroeconômicas e preços de commodities, mantendo a Gerdau (GGBR4) como sua principal escolha no setor, seguida por Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3).

O banco reiterou recomendação de compra para ações da Gerdau, com preço alvo de R$ 28, pois a administração da siderúrgica está adotando as medidas corretas para enfrentar o cenário desafiador do setor e maximizar os resultados de longo prazo.

Por volta das 12h40, as ações da Gerdau subiam 0,61%, a R$ 19,71, CSNA3 avançava 1,66%, a R$ 9,79, enquanto USIM5 recuava 1,63%, a R$ 6,05.
Para a Usiminas, o JPMorgan mantém a classificação neutra e preço-alvo de R$ 5, considerando a ação justamente precificada, mas vê a empresa como a principal beneficiada caso medidas antidumping sejam aprovadas, podendo gerar impulso positivo no curto prazo, além de mudar a perspectiva para as companhias do setor.

Quanto à CSN, a classificação neutra é mantida, com preço-alvo de R$ 8,50, pois a ação também poderia se beneficiar de medidas antidumping, mas o banco entende que o potencial de valorização é limitado.

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Gerdau (GGBR4)

O JPMorgan espera que as margens da unidade Brasil no 4T25 se contraiam trimestre a trimestre devido à sazonalidade, que deve pressionar os volumes. “Para 2026, não são esperadas melhorias significativas de curto prazo no segmento de aço, mas a entrada em operação da mina Miguel Burnier deve contribuir com redução de custos na segunda metade do ano (R$ 400 milhões)”, destaca o JPMorgan. A administração planeja reduzir mais R$ 400 milhões, principalmente devido a contratos de energia e ao aumento dos volumes de aço.

Na unidade dos EUA, o JPMorgan espera que a Gerdau mantenha margens acima de 20% em 2026, assumindo que não ocorram mudanças no USMCA. Preços mais altos, especialmente para produtos de vigas, devem sustentar os preços. O banco projeta um múltiplo de 3,7 vezes EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026.

Usiminas (USIM5)

O JPMorgan prevê melhora marginal nas margens do aço da Usiminas no 4T25, impulsionada por custos ligeiramente menores, enquanto os preços permanecem estáveis e os volumes sofrem impacto da sazonalidade.

Na mineração, preços sólidos do minério de ferro devem sustentar margens mais altas, apesar de volumes menores. O banco antecipa melhora na unidade de aço em 2026, com preços crescendo ano a ano nos principais setores compradores. A empresa é avaliada em 4,5 vezes EV/Ebitda para 2026.
CSN (CSNA3)

O JPMorgan projeta que o segmento de aço da CSN se beneficie de preços mais altos trimestre a trimestre, melhorando margens, apesar de volumes menores e custos estáveis. Para 2026, o banco espera melhora do ambiente do aço, especialmente em preços, sustentando margens de dois dígitos.

Na CSN Mineração (CMIN3), preços sólidos do minério de ferro devem compensar parcialmente menores volumes no 4T, mantendo margens acima de 40%, segundo analistas. O preço médio do minério de ferro é projetado em US$ 95 por tonelada, e a operação CMAI Pires deve apoiar volumes mais altos. A sazonalidade deve reduzir margens no 4T, mas elas devem permanecer acima de 40% no longo prazo.

No cimento, volumes estáveis e preços médios mais altos sustentam margens em cerca de 25%. No segmento de energia energia, são esperadas margens estáveis. O JPMorgan projeta 5,6 vezes EV/Ebitda para 2026.

Valor - SP   12/12/2025

A medida de redução de operações ocorre no momento que os produtores de aço da Europa estão sendo pressionados por importações baratas, especialmente da China, bem como por altos custos de energia e pelas tarifas comerciais do presidente americano

A Thyssenkrupp planeja fechar algumas usinas de aço elétrico e reduzir a produção, como resposta às importações que, segundo a empresa, estão prejudicando o setor siderúrgico europeu.

O segmento de aço da empresa industrial alemã disse na quinta-feira (11) que, a partir de meados de dezembro, as usinas em Gelsenkirchen, na Alemanha, e Isbergues, na França, serão fechadas até o fim do ano. Sua unidade em Isbergues operará então a 50% de sua capacidade total por pelo menos quatro meses a partir de janeiro.

A Thyssenkrupp Electrical Steel disse que até 1.200 empregos na Alemanha e na França estão em risco se não forem implementadas maiores proteções para o aço produzido na Europa.

A medida de redução de operações ocorre no momento que os produtores de aço da Europa estão sendo pressionados por importações baratas, especialmente da China, bem como por altos custos de energia e pelas tarifas comerciais do presidente americano, Donald Trump, sobre as exportações para os EUA.

A Thyssenkrupp disse que as medidas são uma resposta às importações baratas que desestabilizaram o mercado de aço europeu. A empresa citou as importações de baixo preço da Ásia como um problema particular.

Em outubro, as autoridades da União Europeia disseram que o excesso de capacidade estava prejudicando o setor siderúrgico do bloco e que planejavam uma tarifa sobre as importações de aço acima de uma determinada cota. As importações acima dessa cota enfrentariam uma taxa de 50%, o que é o dobro do que o bloco cobra atualmente.

Os planos ainda estão em análise e exigiriam aprovação do Parlamento Europeu e do conselho para avançar.

O aço elétrico, uma liga de ferro e silício, é um componente central na rede elétrica para transmissão de eletricidade de usinas de energia para residências.

Diário do Comércio - MG   12/12/2025

As negociações da Usiminas com montadoras de veículos que têm contratos que devem ser renovados em janeiro do próximo ano caminham para uma estabilidade de preços no aço a ser fornecido pela siderúrgica, afirmou o vice-presidente financeiro da companhia, Thiago da Fonseca Rodrigues, nesta quinta-feira (11).

“Vemos uma estabilidade de preços para montadora, o preço atual se mantém para o próximo trimestre”, disse Rodrigues em apresentação a investidores e analistas.

Sobre o maior volume de contratos da empresa com o setor automotivo, que vencem em abril, o executivo afirmou que “está muito longe ainda” e evitou fazer projeções.

Para o setor da distribuição, a Usiminas fez um último aumento de preços em outubro, da ordem de 4%, disse Rodrigues, e entende que outros reajustes “são necessários e desejáveis”, embora a empresa não tenha nada de concreto ainda.

Na frente de custos, Rodrigues reafirmou que a Usiminas mantém a expectativa de conseguir neste trimestre redução em relação ao terceiro trimestre, mas preferiu evitar fazer projeções para próximos períodos.

Em outubro, o executivo havia dito que a redução de custos no quarto trimestre seria apoiada em preços de matérias-primas e “ganhos de eficiência”. No terceiro trimestre, o custo do produto vendido da divisão de siderurgia da empresa foi de R$4.982 por tonelada, uma queda de 2,9% ante o segundo trimestre. Um ano antes, o chamado CPV/tonelada da Usiminas foi de R$5.164.
Mineração

Questionado sobre o bilionário projeto de investimento em de mineração chamado “Compactos”, há anos em estudos pela companhia, o executivo afirmou que a Usiminas poderá tomar uma decisão sobre sua execução apenas a partir da segunda metade de 2026, “mas também poderia ser em 2027”.

A empresa, que vinha avaliando uma capacidade de 10 milhões a 12 milhões de toneladas de minério de ferro por ano para o Compactos, tem estudado mais recentemente a possibilidade de execução em fases do projeto, disse Rodrigues, se referindo sobre uma capacidade inicial de 5 milhões de toneladas.

“Estamos em momento de saber qual a melhor configuração para esse investimento”, afirmou.

Enquanto isso, a companhia tem trabalhado para ampliar a vida útil da produção atual de minério, o chamado Projeto Friáveis, para além de 2031. “Temos compromisso de operação do Friável…Seguimos confiantes de que conseguiremos estender a vida útil”, disse o executivo.

Entre as alternativas para ampliar a vida útil da produção atual de minério de ferro do grupo estão busca de áreas onde a empresa pode conseguir processar mais material, parcerias com produtores locais e “até adquirir direitos minerários em outras regiões”, disse Rodrigues.

Embora a empresa ainda esteja trabalhando no orçamento do próximo ano, o executivo afirmou que o investimento de 2026 não deve ficar muito além dos R$1,5 bilhão projetados para este ano. Enquanto isso, uma eventual distribuição de dividendos segue uma incógnita.

“O correto é manter a liquidez da companhia e entregar esse plano de investimento para os próximos anos”, disse Rodrigues, se referindo aos trabalhos na usina em Ipatinga (MG) para recuperação de coquerias, instalação de nova moagem para injeção de carvão pulverizado em alto-forno e um novo gasômetro, que devem consumir um total de R$3,5 bilhões entre 2026 e 2029.

Valor - SP   12/12/2025

Segundo o vice-presidente de finanças da companhia, a mudança no ritmo de crescimento da China está no centro do desequilíbrio que afeta as siderúrgicas em todo o mundo

A Usiminas reforçou nesta quinta-feira (11) seu alerta sobre o impacto da desaceleração da economia chinesa e do excesso global de oferta de aço sobre o mercado brasileiro. Durante a reunião pública anual da companhia, o vice-presidente de finanças, Thiago Rodrigues, afirmou que a mudança no ritmo de crescimento da China, em torno de 5%, está no centro do desequilíbrio que afeta as siderúrgicas em todo o mundo.

Rodrigues destacou que a queda da demanda chinesa gerou um volume expressivo de produção excedente.

“São 500 milhões de toneladas produzidas em excesso que não serão absorvidas internamente. (...) Além disso, a demanda chinesa por aço vem caindo, o que significa que essa sobra é enviada a outras regiões”, disse o executivo.

Para a Usiminas, o principal problema não é apenas o volume excedente, mas o fato de parte desse aço estar sendo exportada abaixo do preço de custo, prática que afeta diretamente a competitividade de produtores locais.

Medidas comerciais de proteção

Segundo Rodrigues, esse movimento tem provocado uma reação global. “Países do mundo inteiro têm usado medidas de defesa comercial para se proteger.” Ele citou tarifas, cotas e investigações antidumping como instrumentos cada vez mais comuns diante da pressão exercida pelas exportações chinesas.

A preocupação da empresa encontra eco nas recentes decisões do governo brasileiro. O país renovou até 2026 o sistema de cotas para importação de aço, mantendo a tarifa extra de 25% para volumes que excederem os limites estabelecidos. Paralelamente, o Ministério do Desenvolvimento abriu uma investigação antidumping sobre 25 produtos chineses, atendendo às demandas de siderúrgicas como a Usiminas por mais proteção.

Essas medidas, segundo fontes do setor, podem ajudar a reduzir a pressão competitiva no curto prazo, embora não resolvam o problema estrutural da oferta global excessiva. O avanço das barreiras comerciais, no entanto, exige cuidado do governo brasileiro. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, enquanto os Estados Unidos — que criticam o modelo industrial chinês — mantém tarifas elevadas sobre o aço brasileiro, restringindo um mercado importante para produtores nacionais.

Infomoney - SP   12/12/2025

A CSN (CSNA3) voltou a se destacar no pregão mais recente, encerrando a última sessão (11/12) em alta de 1,45%, cotada a R$ 9,77, em meio a um movimento de recuperação que vem ganhando consistência ao longo das últimas semanas.

No curto prazo, observo uma configuração construtiva, sustentada pelo reposicionamento acima das médias móveis e pela melhora progressiva do fluxo comprador. Já no médio prazo, a ação reforça uma virada estrutural iniciada após marcar a mínima do ano, com desempenho expressivo em dezembro e com espaço técnico para a continuidade da alta.

Para entender até onde o preço das ações da CSN (CSNA3) pode ir, confira a análise técnica completa e os principais pontos de suporte e resistência.

Análise técnica CSN (CSNA3)

No curto prazo, vejo CSNA3 preservando uma tendência de alta, sustentada pelo preço acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, todas inclinadas para cima — um alinhamento que reforça o controle comprador. O fechamento da última sessão em R$ 9,77 (+1,45%) confirma esse cenário e posiciona o ativo próximo a uma região de teste importante.

A primeira barreira relevante está em R$ 9,87, resistência que precisa ser rompida para que o papel avance rumo aos próximos níveis de pressão vendedora. Caso esse rompimento se confirme, as resistências seguintes entram no radar em R$ 10,33, R$ 10,88, R$ 11,55, R$ 11,93 e R$ 12,49 — todas funcionando como etapas naturais dentro da tendência altista.

O IFR (14) em 67,80, próximo à zona de sobrecompra, indica força do movimento, mas também sugere que o ativo pode passar por acomodações ou lateralizações de curto prazo antes de novas expansões.

Para que a estrutura perca força, seria necessária a quebra das médias móveis, que hoje funcionam como suportes dinâmicos. Abaixo delas, destaco os suportes horizontais em R$ 9,45, R$ 9,13, R$ 8,72, R$ 8,34, R$ 7,97 e R$ 7,75, regiões capazes de absorver eventuais correções sem comprometer a tendência principal.

Confira mais análises:

Análise de médio prazo

No médio prazo, CSNA3 apresenta uma evolução significativa. A ação acumula alta de 10,27% em 2025 e avança 15,76% em dezembro, consolidando-se entre os destaques positivos do Ibovespa. Com a cotação atual em R$ 9,77, o papel sustenta uma retomada robusta desde que marcou a mínima anual em R$ 6,72, gatilho que desencadeou um ciclo mais amplo de recuperação.

Pelo gráfico semanal, observo que o ativo rompeu uma resistência importante, configurando um pivô de alta e reforçando a mudança estrutural do movimento. Os candles mais recentes mostram força compradora, sustentação acima das médias e melhora evidente no comportamento do preço. O IFR (14) em 61,04, em região neutra, indica que há espaço para continuidade da alta sem pressão imediata de sobrecompra.

Os suportes principais no semanal estão em R$ 9,45, agora atuando como zona de possível pullback, seguidos por R$ 8,57 e R$ 7,97. Em cenários de correções mais profundas, surgem os suportes estruturais em R$ 6,72 (mínima do ano) e R$ 6,00, que formam a base de sustentação do médio prazo.

Do lado das resistências, CSNA3 encontra seu primeiro desafio imediato em R$ 9,87. Acima disso, surgem R$ 10,33, a média de 200 períodos em R$ 11,39, R$ 11,55, e, em movimentos mais amplos, os alvos superiores em R$ 13,18 e R$ 14,52.

Valor - SP   12/12/2025

A demanda para o ano que vem é positiva, com tendência de crescimento nos segmentos mais relevantes para a siderúrgica, como no setor automotivo, disse o vice-presidente de finanças

Após alertar para os efeitos do excesso global de aço provocado pela desaceleração chinesa, a Usiminas apresentou, durante sua Reunião Pública Anual, uma perspectiva mais favorável para o mercado interno em 2026.

Segundo o vice-presidente de finanças, Thiago Rodrigues, a demanda deve seguir em trajetória positiva, impulsionada pelos principais setores atendidos pela companhia.

“A demanda para 2026 é positiva, com tendência de crescimento nos segmentos mais relevantes para a Usiminas”, afirmou Rodrigues, destacando projeções de alta no setor automotivo, na indústria e na cadeia de distribuição.

De acordo com as estimativas apresentadas pela empresa, o consumo interno de aço seguirá avançando no próximo ano. O setor automotivo deve apresentar um crescimento previsto de 5%. A indústria deve ter uma expansão média de 2%. Já os setores comerciais e distribuição terão alta de 1%, movimento visto como estabilidade.

Os resultados do terceiro trimestre de 2025 das principais produtoras de aço do país já apontam um setor capaz de resistir a desafios como importações crescentes, preços deprimidos e incerteza sobre o futuro das medidas de defesa comercial.

O desempenho foi favorecido pela demanda firme em segmentos como construção civil, infraestrutura e parte do agronegócio, que mantiveram consumo consistente de aço.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   12/12/2025

O discurso do Banco Central no comunicado de quarta-feira, 10, lido por boa parte do mercado como ainda bastante conservador, manteve a ideia de que as apostas de que os cortes na Selic devem começar apenas em março de 2026.

Entre 34 casas consultadas nesta quinta-feira, 11, pelo Projeções Broadcast, 17 projetam início do afrouxamento monetário no mês de março, contra 13 que estimam cortes na Selic já em janeiro. Para outras quatro instituições, as reduções na Selic devem ficar para abril.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o BNP Paribas avaliou que o comunicado da reunião de dezembro do Copom manteve o tom cauteloso e paciente, em meio a um processo de desinflação que ainda não se concretizou.

“É importante destacar que a revisão para baixo das expectativas de inflação do BC para 2026 (3,6% para 3,5%) e segundo trimestre de 2027 (3,3% para 3,2%) foi impulsionada por uma atualização nos preços regulados, não nos preços de mercado — a parte da inflação que é mais suscetível a mudanças no nível econômico ou na política monetária restritiva”, observam.

A perspectiva de cortes apenas em março é corroborada pela economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal. “Teremos sinais mais claros da desaceleração gradual em curso da atividade na reunião de março do que em janeiro. O nosso cenário base é de que essa moderação será questionada agora no quarto trimestre”, afirma ela. ”Além disso, em março já deveremos ‘sentir um cheiro’ do impacto inicial do Imposto de Renda e alguns indicadores de janeiro”, acrescenta.

A SulAmérica mantém em seu cenário-base a previsão de corte de 0,50 ponto porcentual no juro básico em março e Selic terminal de 11,5% em 2026, mas com assimetria altista, a depender de quando as reduções começarem.

A parcela do mercado que vê a porta para afrouxamento monetário aberta em janeiro, porém, se escora no que pode ser considerado pequenos ajustes na comunicação do BC no comunicado de quarta, além das revisões baixistas para as projeções de inflação.

“As pequenas mudanças no comunicado, em especial a redução na projeção de inflação, indicam espaço para que o BC inicie o ciclo de corte de juros a partir da próxima reunião do Copom, se as condições de contorno estiverem similares ao momento atual”, destacou o Bradesco em relatório. O cenário-base do banco hoje é de um corte inicial de 0,25 ponto porcentual no juro básico em janeiro.

O sócio e fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, vai na mesma linha e considera que “ajustes pontuais” na comunicação de quarta do BC devem garantir o início de cortes no juro já no próximo encontro do Copom. Ele destaca, por exemplo, que ao avaliar o mercado de trabalho, o BC usou o termo “resiliente” e não mais “dinâmico”.

Além da revisão baixista no front inflacionário, ele também observa que os dados da economia no terceiro trimestre, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,1%, deram mais confiança de que a política monetária está funcionando.

Exame - SP   12/12/2025

O saldo da última Super Quarta do ano foi a manutenção da taxa Selic no Brasil e o corte dos Juros nos Estados Unidos. Por aqui, a taxa foi mantida em 15% ao ano pelo Copom (Comitê de Política Monetária) pela quarta reunião consecutiva. Nos EUA, o Fed (Federal Reserve) cortou os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano.

O Banco Central americano reconheceu a desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) e a linguagem sobre a disposição em retomar os aumentos foi suavizada, sendo a estratégia de manter as taxas em um nível elevado reconhecida como contínua.

“Todos esses comentários foram inclinados para o lado dovish, mas o fato de o restante do comunicado não ter mudado, apesar do desenvolvimento favorável da perspectiva inflacionária, inclina a comunicação levemente para o lado hawkish", opina David Beker, chefe de economia para Brasil e de estratégia para América Latina do Bank of America.

Denomina-se dovish entre os analistas de mercado a postura de Banco Central favorável à redução ou manutenção de juros baixos para estimular a economia. Hawkish, por outro lado, é a postura mais rígida do BC para combater a inflação, priorizando o aumento das taxas de juros e a restrição monetária.

Com isso, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos aumentou ainda mais, reforçando a atratividade do carry trade. Trata-se de uma estratégia comum em que investidores tomam empréstimos em países com juros mais baixos e aplicam esses recursos em países com juros mais altos.

Como funciona o carry trade

Quando os juros nos EUA diminuem, torna-se ainda mais barato tomar dinheiro por lá. Com a manutenção ou taxas mais altas em outros países, como o Brasil, essa diferença se torna mais favorável para o investidor estrangeiro. “Isso leva o [investidor] gringo a injetar mais dólares no Brasil, comprando títulos públicos ou ações brasileiras. O aumento da oferta de dólares na economia brasileira faz com que o preço do dólar caia em relação ao real”, explica Otávio Oliveira da Silva, gerente de tesouraria do Banco Daycoval.

Nem mesmo a confirmação do terceiro corte de juros seguido nos EUA minimizou a aversão ao risco com o cenário eleitoral aqui no Brasil, com o dólar chagando a R$ 5,46 ontem. Segundo operadores, o mercado mantém a percepção de risco criada pelas mudanças no cenário eleitoral, com a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

A leitura de mercado é que o avanço do filho do ex-presidente fragiliza a posição do governador Tarcísio de Freitas, nome até então visto como favorito entre agentes econômicos por sua capacidade de atrair o centro. Além disso, parte dos agentes financeiros também aponta maiores chances de reeleição do atual presidente Lula numa eventual disputa com Flávio.

“O índice DXY caiu na esteira da divulgação do Fed com a maioria das moedas globais se valorizando em relação ao dólar. No Brasil, porém, o câmbio se descola do alívio externo: o real segue pressionado pela busca de posições cambiais defensivas após o aumento das incertezas políticas com a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro”, explicou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

CNN Brasil - SP   12/12/2025

É inegável nos bastidores do Palácio do Planalto o clima de desolamento com a persistente política de juros adotada pelo Banco Central. Meses atrás, era recorrente nos corredores a afirmação de que o Brasil entraria no ano eleitoral com meses em vigor de uma trajetória de queda na taxa Selic.

Não é o que se anuncia. Ainda mais depois da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Mas uma orientação que corre nos bastidores é clara: os integrantes do primeiro time do presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem sim defender que os juros sejam reduzidos. Mas sem expor ou subir o tom contra o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Sob reserva, petistas próximos a Lula inclusive chegam a defender abertamente a condução de Galípolo no Banco Central.

Ontem, o comunicado do Copom veio como mais um balde de água fria nas expectativas do governo.

A previsão de manutenção da Selic em 15% já estava amplamente consolidada, mas havia torcida por alguma sinalização de corte ainda no início do novo ano. O Copom, entretanto, manteve a cautela.

“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirma o comunicado.

"O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.”

No governo, entretanto, ainda há alguma dose de otimismo quanto à possibilidade de cortes nos juros se iniciarem no primeiro trimestre de 2026. Segundo aliados do presidente Lula, isso viria tempo de o cenário eleitoral e o quadro de candidaturas ficarem mais claro.

O Estado de S.Paulo - SP   12/12/2025

Ninguém, nem mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode se dizer surpreso com o fato de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano. Por diversas vezes ao longo das últimas semanas, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, descartou iniciar um ciclo de queda da Selic ainda neste ano, e o comunicado divulgado após a reunião desta semana sinalizou tampouco haver condições de que isso possa ocorrer em janeiro.

Se é verdade que o Produto Interno Bruto (PIB) dá sinais de moderação, ainda que em nível mais lento do que o BC desejava, também é fato que o governo faz de tudo para impedir que isso ocorra por meio de impulsos fiscais. O mercado de trabalho não dá trégua, com a taxa de desemprego atingindo 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor índice da série histórica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já a inflação até voltou a ficar abaixo do teto da meta e fechou em 4,46% no acumulado de 12 meses até novembro, algo que não ocorria desde setembro do ano passado, mas os serviços ainda rodam bem perto dos 6%, e os preços administrados, por sua vez, acima de 5%. Para o BC, o que realmente importa é alcançar 3%, o centro da meta, e no horizonte relevante, ou seja, daqui a 18 meses. E as expectativas de mercado mostram que isso ainda não ocorreu, mas falta pouco – a projeção para o IPCA do segundo trimestre de 2027 caiu de 3,3% para 3,2%.

A despeito da ânsia do governo e do setor produtivo por cortes na Selic, a decisão do Copom foi unânime. A unidade do BC, neste momento, contrasta com a divisão no banco central norte-americano (Fed, na sigla em inglês). Por lá, os juros caíram 0,25 ponto porcentual, para o intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas com muita divisão. Dois membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) votaram por mantê-la inalterada, enquanto um, nomeado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, por um corte ainda maior, de 0,50 ponto porcentual.

Tal nível de dissidência não ocorria havia seis anos e adiciona incertezas a um cenário já bastante conturbado. Afinal, os juros norte-americanos estão em queda a despeito de a inflação estar em 3% em termos anualizados, bem acima da meta de 2%. Muito disso se deve aos efeitos do tarifaço que Trump impôs a produtos importados, parcialmente revertido depois da queda de sua popularidade e de importantes derrotas eleitorais.

Por aqui, o BC tem sido mais prudente. Sete dos nove diretores do Copom foram indicados por Lula. O mandato dos dois últimos remanescentes da era Jair Bolsonaro se encerra no fim deste ano, mas os novos nomes ainda não foram enviados ao Congresso. Isso talvez explique o tom conservador do comunicado, que não deixou qualquer margem para especulações, ainda mais em um ano eleitoral.

O governo, de sua parte, chiou pouco desta vez. De um lado, sabe que inflação alta é sempre ruim para quem disputa a reeleição. De outro, o início dos cortes na Selic está cada dia mais próximo – provavelmente em março, a tempo de Lula bater o bumbo na campanha.

O Estado de S.Paulo - SP   12/12/2025

O Comitê de Política Monetária (Copom) dá adeus a 2025 sem entregar muitas pistas do que pretende fazer no começo do ano que vem. O comunicado divulgado ao fim da reunião de quarta-feira, 10, mantém, em geral, o tom visto por muitos analistas como duro, sem dar motivos a um aumento das apostas de início dos cortes da Selic em janeiro. Só que também não endurece a comunicação a ponto de mudar o prognóstico de quem vem trabalhando com a perspectiva de afrouxamento no primeiro encontro do colegiado em 2026.

O texto teve mudanças apenas sutis, sendo que alguns trechos foram um “copia e cola” do documento de novembro, incluindo o que traz a mensagem de que a convergência da inflação à meta central de 3% exige juros significativamente altos por período “bastante prolongado”. O advérbio “bastante” segue, portanto, no comunicado, assim como o alerta de que o Banco Central (BC) não vai hesitar em voltar a subir os juros se necessário, com a ponderação agora de que esta reação é usual.

Nesse sentido, o Copom segue demonstrando não ter pressa, mantendo a postura data dependent — isto é, de acompanhar a evolução dos indicadores para tomar as decisões, sem antecipar os passos. Só que, por outro lado, o ajuste das expectativas de inflação, de 3,3% para 3,2% no segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, ajuda a manter inalterado o cenário de economistas de instituições como Bradesco e Inter, que preveem corte de juros a partir de janeiro.

Até porque eles acreditam que o cenário continuará melhorando até lá, com mais queda das expectativas de inflação e desaceleração econômica, abrindo espaço para o BC afrouxar os juros de referência, estacionados por enquanto em 15%.

O saldo da decisão da quarta-feira é, portanto, um mercado que continua dividido. E a tendência, como escreveu a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, é que continue assim até o dia 28 de janeiro, quando o BC anunciará a sua próxima decisão.

Para Rafaela, o Copom segue sem abrir espaço a uma discussão sobre o início dos cortes de juros. A leitura é parecida com a feita por Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, para quem o comitê não sinalizou que esteja considerando “qualquer mudança” no curto prazo.

Na avaliação de Megale, avanços adicionais, principalmente nas expectativas inflacionárias, parecem necessários para garantir a continuidade do processo de desinflação. “Acreditamos que isso ocorrerá, mas não em janeiro”.

Estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz entende que o Copom deixou bem claro que não pretende mexer na taxa de juros em janeiro. “O texto divulgado é praticamente idêntico ao anterior e, na minha visão, isso foi proposital, para evitar qualquer ruído de que janeiro estaria na mesa”, avalia Cruz.

Para a Capital Economics, a estratégia do BC é conter expectativas de um afrouxamento monetário. “Um corte em janeiro parece cada vez menos provável”, opinou a consultoria britânica, em relatório assinado por seu economista sênior para mercados emergentes, Liam Peach.

Contudo, essas leituras não são um consenso. O Bradesco, por exemplo, entende que as ligeiras alterações do comunicado “foram no sentido de leve suavização do discurso”. “As pequenas mudanças no comunicado, em especial a redução na projeção de inflação para 3,2%, indicam espaço para o BC iniciar o ciclo de corte de juros a partir da próxima reunião do Copom, se as condições de contorno estiverem similares ao momento atual”, escreveram os economistas da instituição. O banco espera que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto porcentual no mês que vem, levando a taxa para 12% até o fim de 2026.

Há, ainda, aqueles que avaliam que ausência de uma sinalização mais clara ontem pode ser um indício de que a autoridade monetária ainda não decidiu o que fazer em sua próxima reunião. É o caso de Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren, que não descarta a possibilidade de que o ciclo de afrouxamento comece em janeiro.

O estrategista observa que “a velocidade da reancoragem” das expectativas de inflação é “lenta” e que a “resposta do mercado de trabalho” ainda é incipiente, embora já se notem os “primeiros sinais de inflexão”. “Nesse contexto, o Comitê pode entender que não faz sentido assumir um compromisso mais explícito com corte já na próxima reunião”, afirma Vital, acrescentando que permanecem “riscos associados ao ambiente mais volátil do fim do ano”.

Exame - SP   12/12/2025

Onze entidades que representam empresas do setor de infraestrutura e construção lançam nesta quinta-feira, 11, o Pacto Brasil pela Infraestrutura.

A ideia é propor ações que dobrem o volume anual de investimentos até superar 4% do PIB entre 2026 e 2030, além de elevar gradualmente o estoque de infraestrutura até o patamar de 60% do PIB, reduzindo o chamado custo Brasil e ampliando a produtividade.

As associações reforçam que o Brasil precisa de pelo menos R$ 500 bilhões todos os anos por 10 anos para resolver a insuficiência crônica dos investimentos.

As metas setoriais traduzem o tamanho do desafio: recuperar a malha rodoviária, retomar o papel das ferrovias no escoamento de cargas, modernizar portos, acelerar a universalização do saneamento, ampliar a mobilidade urbana de alta capacidade, reforçar a transmissão e geração de energia e expandir a infraestrutura digital.

"O capital privado vem garantindo nos últimos anos, um ciclo virtuoso de investimentos em Infraestrutura. Mas é preciso um conjunto de ações para garantir, ampliar e dar segurança para esses investimentos, ao lado de medidas essenciais para recuperar a capacidade de o Estado investir em obras públicas prioritárias para a sociedade", afirmou Humberto Rangel, diretor Executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada - Infraestrutura (SINICON).

A governança do Pacto pretende ser ancorada no “Dashboard da Infraestrutura Brasileira”, espécie de observatório permanente que monitorará indicadores econômicos, sociais, ambientais e setoriais. O painel permitirá ajustar anualmente metas e prioridades de acordo com evidências e com as novas edições do Raio-X.

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O que o Pacto pela Infraestrutura defende?

No curto prazo, as entidades defendem medidas como recomposição de dotações orçamentárias para manutenção básica, mobilização de debêntures incentivadas e sustentáveis com taxonomia clara, expansão de garantias de crédito e fortalecimento do project finance com mecanismos padronizados de partilha de risco.

No médio prazo, propõe consolidar um ecossistema de financiamento estruturado por instituições como o BNDES, com instrumentos de longo prazo, securitização de receitas e modelos blended finance para projetos de maior impacto social e ambiental.

O documento também destaca entraves práticos que justificam a necessidade das metas, como rodovias em estado inadequado, perdas logísticas bilionárias, déficit de água e esgoto que impacta milhões de brasileiros, subutilização ferroviária e gargalos portuários.

Ao mesmo tempo, mapeia oportunidades para ganhos rápidos por meio da melhor gestão de ativos, conclusão de obras paradas e projetos com alta relação custo-benefício.

O conjunto de propostas inclui ainda melhorias no ambiente institucional. Entre as diretrizes estão estabilidade das agências reguladoras, obrigatoriedade de análise de impacto regulatório, ampliação dos mecanismos de resolução de disputas como mediação e arbitragem e modernização de processos de licenciamento ambiental, com prazos máximos, critérios transparentes e maior digitalização.

O Pacto também prevê ações para fortalecimento da engenharia nacional, qualificação de mão de obra e industrialização dos canteiros, além de medidas específicas para reduzir desigualdades regionais.

Participam do Pacto Brasil:

ABICOPI - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO PESADA-INFRAESTRUTURA; ABCR - MELHORES RODOVIAS DO BRASIL; ABEMI - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENGENHARIA INDUSTRIAL; AEB - ASSOCIAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL; ANEOR - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS EMPRESAS DE OBRAS RODOVIÁRIAS; ANETRAMS - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS EMPRESAS DE ENGENHARIA DE CONSULTORIA EM INFRAESTRUTURA, TRANSPORTE E MEIO AMBIENTE; ABREMA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RESÍDUOS E MEIO AMBIENTE; BRASINFRA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES DE CLASSE DE INFRAESTRUTURA; CBIC - CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO; SINAENCO - SINDICATO NACIONAL DAS EMPRESAS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA CONSULTIVA; SINICON - SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO PESADA – INFRAESTRUTURA.

Globo Online - RJ   12/12/2025

Ninguém tinha dúvida de que os juros seriam mantidos em 15%, mas esperava-se algum sinal do início do ciclo de queda das taxas para o começo do ano que vem. O recado do comunicado, no entanto, continua sendo o de que é preciso manter a atual taxa por um período “bastante prolongado” e que o ambiente de “elevada incerteza” exige “cautela" na política monetária. Sem sinais de mudança no curto prazo. O fato é que as condições para o começo da queda já estão dadas, com a clara e consistente redução da inflação nos últimos meses, seguindo uma trajetória muito melhor do que estava projetada.

Qual é o raciocínio que leva à manutenção da Selic tão alta? Os dirigentes do Banco Central admitem que a conjuntura agora é muito melhor do que no começo do ano e que, para confirmar isso, basta olhar para as expectativas e para a inflação corrente. Ontem, por exemplo, o IPCA mostrou a inflação oficial no intervalo de flutuação pela primeira vez desde setembro de 2024. A taxa está declinante e não vai estourar o teto da meta. Este cenário não era o previsto em boa parte do ano e se tornou realidade agora. Ou seja: sim, a situação melhorou.

Apesar disso, o raciocínio no Banco Central é que, com uma taxa de juros real de 10%, e de 15% nominal, em qualquer país do mundo, a inflação teria caído muito mais e a desaceleração da economia seria mais forte. Que tanto a inflação quanto a atividade estão se mostrando muito resilientes. Argumenta-se também que as projeções mostram que a inflação ainda não estará na meta de 3% no horizonte relevante, ou seja, daqui a 18 meses.

E não são apenas as projeções da pesquisa Focus. Também é o resultado na pesquisa Firmus feita junto às empresas do setor real. Até o Ministério da Fazenda está prevendo a inflação em 3,2% apenas no segundo semestre de 2027. Essa é a lógica que tem levado o BC a manter a taxa de juros no elevado nível de 15%, o de que nem nas previsões mais otimistas a inflação estará em 3% neste horizonte de um ano e meio.

Outra interpretação que tem colaborado para a manutenção de juros em patamar alto é a de que a desaceleração da atividade econômica está ocorrendo, no entanto, a renda das famílias permanece em nível mais alto e o desemprego está baixo.

Há muitas dúvidas sobre as razões da queda do desemprego, já que também diminuiu o número de pessoas no mercado de trabalho. O argumento, porém, é que quem sai não está indo para o desalento, mas sim por motivos variados, um deles é para voltar aos estudos.

Parece sempre estranho o raciocínio de que é preciso manter juros altos se não tiver queda da atividade suficiente nem aumento do desemprego. Fica parecendo que é por pura maldade que se faz aperto de política monetária. Os dois indicadores são o efeito colateral. O que o BC busca mesmo é a queda da inflação. Porque esse é o objetivo que o órgão tem que perseguir. Evidentemente, ao menor custo em termos de produto e emprego.

O BC tem que perseguir a meta, mas pode estar sendo excessivamente conservador ao avaliar a conjuntura. A inflação não está em 3%, nem estará a curto prazo, mas está claramente convergindo. Meta não é apenas um número exato, é também uma tendência de queda. O que se quer com a política monetária é superar surtos inflacionários e levar a inflação para a convergência com a meta. O surto inflacionário foi superado, o índice está caindo.

No comunicado de ontem, manteve-se o mesmo texto sobre as incertezas externas, principalmente da política comercial dos Estados Unidos. Pelo visto, o BC não está considerando os fatos recentes. Por mais imprevisível que seja Donald Trump, o pior passou. As tarifas estão sendo reduzidas para muitos produtos, a inflação americana subiu, mas não a ponto de afetar o ciclo de queda de juros por lá. Tanto que o Fed aprovou um novo corte ontem. As turbulências internas causadas pelo tarifaço foram bem administradas pelo governo brasileiro.

Há condições técnicas e de conjuntura para que o ciclo de cortes da Selic comece no primeiro trimestre de 2026, sem que isso coloque em risco o processo de controle da inflação. Os juros reais de mais de 10% ao ano são uma dose excessiva para uma taxa de inflação que está dentro do intervalo de flutuação e uma economia que perdeu o fôlego no terceiro trimestre.

Exame - SP   12/12/2025

O governo chinês anunciou nesta quinta-feira, 11, que em 2026 dará prioridade à construção de um "forte mercado doméstico" e à expansão da demanda interna, conforme as conclusões da Conferência Central de Trabalho Econômico, um evento anual crucial para o planejamento econômico do país.

O encontro, realizado sob a liderança do presidente Xi Jinping, abordou as principais metas econômicas para o próximo ano fiscal, com foco em impulsionar o consumo interno e lidar com os desafios econômicos atuais.

Durante a conferência, as autoridades chinesas delinearam planos para aumentar a renda das famílias e remover barreiras que limitam o gasto, visando liberar o potencial do consumo de serviços no país.

Xi Jinping e outros membros do governo enfatizaram a necessidade de ajustes para estimular a demanda interna, com medidas que incluiriam reduções de juros e flexibilidade nas políticas de liquidez, como já foi discutido pelo Politburo.

De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, o plano visa melhorar a situação financeira das famílias, permitindo mais espaço para o consumo de bens e serviços. As autoridades também destacaram que as reformas e políticas monetárias serão adotadas de forma flexível e eficiente, com a intenção de manter um crescimento estável e uma recuperação moderada dos preços.

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Mercado imobiliário e desafios econômicos

Entre os principais desafios discutidos na conferência está a crise imobiliária que a China enfrenta. O governo chinês identificou a necessidade de estabilizar o mercado imobiliário, reduzir inventários de imóveis não vendidos e expandir a oferta de moradias acessíveis. A crise, que se agravou nas últimas semanas, continua sendo uma preocupação central para a economia chinesa.

Além disso, a conferência destacou a intenção de lidar com a "involução", um fenômeno que descreve a concorrência extrema, especialmente nas guerras de preços e margens cada vez mais estreitas, que resulta em uma demanda interna fraca. A estratégia para reverter esse ciclo inclui apoio à inovação tecnológica e incentivo ao crescimento das pequenas e médias empresas.

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Objetivos fiscais e planos monetários

Do ponto de vista fiscal, o governo chinês se comprometeu a manter "disciplinas estritas em matéria financeira" e garantiu que as instituições financeiras deverão aumentar seu apoio à inovação e às empresas menores. A política fiscal também pede aos governos locais que "vivam com austeridade", abordando as dificuldades financeiras regionais enquanto mantêm o equilíbrio orçamentário.

Sobre o câmbio, o documento da conferência reforçou que a China manterá o tipo de câmbio do yuan "basicamente estável", sinalizando um controle rígido sobre a política monetária.

O relatório oficial aponta que, apesar dos "velhos e novos desafios", como a crise imobiliária e a ameaça de deflação, a economia chinesa mantém bases sólidas para um crescimento de longo prazo. A liderança do país demonstrou confiança na capacidade de superar os obstáculos atuais, apostando em um mercado interno mais robusto como alicerce para o futuro.

O plano também indica que o novo modelo de desenvolvimento do setor imobiliário será parte fundamental dessa recuperação, ao lado de reformas em outras áreas-chave da economia.

O governo chinês optou por não divulgar objetivos concretos sobre crescimento, déficit, inflação ou desemprego, aguardando a realização da Assembleia Nacional Popular (ANP) em março de 2026 para definir metas mais específicas.

No entanto, a estratégia apresentada durante a conferência mostra um claro foco em fortalecer o mercado doméstico e a demanda interna, principalmente por meio de estímulos ao consumo e à inovação.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   12/12/2025

Os preços dos contratos futuros de minério de ferro caíram nesta quinta-feira devido a preocupações crescentes com a demanda na China, principal mercado consumidor de minério, alimentadas pelo enfraquecimento do consumo de aço.

A piora da perspectiva para a demanda superou as esperanças no mercado de sinais de políticas de estímulo na reunião de alto nível em Pequim.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com queda de 1,3%, a 757 iuanes (US$107,22) a tonelada.
O minério de ferro de referência para janeiro na Bolsa de Cingapura caiu 1,36%, para US$101,35 a tonelada.

Os preços do principal ingrediente da fabricação de aço caíram depois que dados mostraram que a demanda por aço enfraqueceu ainda mais.

O consumo aparente dos cinco principais produtos siderúrgicos caiu pela terceira semana consecutiva, recuando 2,8% em relação à semana anterior, para cerca de 8,4 milhões de toneladas, segundo dados da consultoria Mysteel.

No pregão da manhã, os preços foram oscilaram conforme investidores aguardavam sinais de política de Pequim, de olho na próxima Conferência Anual de Trabalho Econômico Central, na qual se espera que Pequim defina as principais metas de crescimento e prioridades de política para o próximo ano.

As expectativas de que a China revelará novos estímulos aumentaram depois que o Federal Reserve dos EUA reduziu as taxas de juros, disseram os analistas da Jinyuan Futures.

Na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional instou a China a fazer a ‘escolha corajosa’ de acelerar a reforma estrutural.

Do ponto de vista dos fundamentos do mercado de minério, o aumento da oferta e o enfraquecimento da demanda de aço continuaram a pressionar os preços.

O Estado de S.Paulo - SP   12/12/2025

A Bemisa, mineradora do banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, é forte candidata a fechar a compra do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê, ativos colocados à venda pelo fundo asiático Mubadala, de Abu Dhabi, e a trading de commodities holandesa Trafigura.

A empresa firmou contrato de confidencialidade (Non-Disclousure Agreement-NDA) com as duas controladoras, abrindo caminho para o processo de due diligence (auditoria) dos ativos, informaram pessoas próximas das negociações ao Estadão/Broadcast.

Procurada, a Bemisa informou que não comenta o assunto. Mubadala, Trafigura e a Porto Sudeste S.A. não retornaram aos pedidos de comentários.

O negócio envolvendo os ativos tem valor de venda na faixa de US$ 5 bilhões e alguns grupos demonstraram interesse em avaliá-los. Segundo pessoas a par do caso, três grupos já assinaram o NDA, incluindo a Bemisa e a brasileira Vale. O ativo também pode interessar a nomes como o fundo australiano Macquarie, focado em infraestrutura, além de mineradoras chinesas e investidores árabes, de acordo com essas pessoas. Procurada, a Vale afirmou que também não comenta o assunto.

Nesta primeira fase, ainda sem compromisso vinculante, a avaliação no mercado financeiro da Faria Lima é que vários interessados vão ao menos olhar mais de perto o ativo.

O Porto Sudeste, um projeto do empresário Eike Batista, dono do grupo EBX que foi à lona há pouco mais de uma década, entrou em operação em meados de 2015. A capacidade atual é de movimentar 50 milhões de toneladas por ano, principalmente minério de ferro. No entanto, ainda opera com pouco mais de 40% da capacidade instalada.

A Morro do Ipê, que fica em Brumadinho (MG), no Quadrilátero Ferrífero, opera as minas de minério de ferro Ipê e Tico-Tico. Ambas pertenceram à MMX Sudeste Mineração, de Eike, e há pouco mais de uma década foram vendidas para Mubadala e Trafigura para quitar dívidas do empresário.

A mina Ipê opera desde maio de 2017 processando estoques de minério de ferro. Já a mina Tico-Tico, que terminou de ser aberta em 2023, ainda não conseguiu entrar em plena operação (está na fase de aceleração, ou “ramp up”). A previsão é operar ao ritmo da plena capacidade a partir do primeiro trimestre de 2026, de acordo com documentos da mineradora.

No ano passado, a Mineração Morro do Ipê gerou receita de R$ 970 milhões, com produção e venda de 3,5 milhões de toneladas. A mina Tico-Tico, quando em plena operação, terá capacidade para fazer 6 milhões de toneladas por ano, segundo a empresa, processando minério itabirito e gerando material pellet feed de alto teor de ferro.
Quem é a Bemisa

Braço de mineração do Opportunity desde 2007, a Bemisa (Brasil Exploração Mineral S/A) opera as minas Baratinha e Mongais no município de Antônio Dias (MG) e está investindo R$ 100 milhões em uma nova mina, Pedra Branca, em João Monlevade. A capacidade de produção da empresa vai crescer mais de 50%, para até 7 milhões de toneladas por ano de produto acabado tipo “pellet feed”, com teor de 65%, conforme informação da revista especializada Brasil Mineral.

O projeto do dono do Opportunity em Minas Gerais, com os ativos e reservas que detém atualmente, é de alcançar uma produção de 10 milhões de toneladas por ano de minério de ferro até 2030, de acordo com informações de publicações especializadas. A empresa não concedeu entrevista ao Estadão.

A aquisição dos dois ativos daria ao grupo de Daniel Dantas uma operação de mineração de ferro e portuária robusta, com escoamento pela ferrovia da MRS Logística e acesso até o Porto Sudeste. A Bemisa passaria a produzir em torno de 15 milhões de toneladas por ano e teria no terminal — localizado na Ilha da Madeira, na Baía de Sepetiba, no município de Itaguaí (RJ) — uma porta de saída para o mercado externo.

Obstáculos

Alguns entraves cercam o processo de venda. A Morro do Ipê, por exemplo, tem de resolver o problema de três barragens de rejeitos sob a sua concessão para atender a legislação da ANM (Agência Nacional de Mineração). A agência apertou as exigências após o rompimento das barragens de rejeitos de Mariana (Fundão, da Samarco) e Brumadinho (da Vale), dois grandes desastres ambientais. O custo de descaracterização das três barragens, segundo especialistas, é elevado.

Outro entrave é o porto ser integrado com a mineradora em Minas Gerais. Pessoas a par do assunto observam que o processo de diligência por potenciais interessados em levar o ativo deve ser longo. Há a chance de a venda ser separada, com um comprador ficando com o porto, e outro, com a mina, mas interlocutores observam que o mais provável é a venda em conjunto.

O Porto Sudeste tem uma dívida, até 2037, de R$ 7,5 bilhões, carregada desde a construção do terminal. Os principais credores são instituições financeiras locais e estrangeiras, com destaque para Bradesco (R$ 4,5 bilhões), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES (R$ 1,1 bilhão), Bradesco-repasses do BNDES (R$ 492,5 milhões) e Deutsche Bank/Natixis/BTG (R$ 490 milhões). No curto prazo (2025), são vários bancos: Citibank (R$ 407 milhões), Itaú (R$ 293 milhões), ABC Brasil (R$ 124 milhões), Santander (R$ 80 milhões) e outras instituições.

A construção do Porto Sudeste, a partir de 2010, foi considerada importante para atender as pequenas e médias mineradoras de ferro de Minas Gerais sem terminal portuário. Mubadala e Trafigura adquiriram a empresa em fevereiro de 2014, herdada da conversão das dívidas de Eike em ações. O início de operação comercial ocorreu em janeiro de 2016.

Neste ano, até 30 de setembro, movimentou 20,5 milhões de toneladas de minério de ferro. Atualmente tem contratos para exportação de minério da Itaminas, AVG e J. Mendes. O terminal também está apto a operar granéis líquidos.

A Porto Sudeste do Brasil S.A. registrou receita líquida de vendas de bens e serviços de R$ 3,46 bilhões no primeiro semestre, de acordo com demonstrativo financeiro da empresa. No período, a empresa teve prejuízo de R$ 285,4 milhões. Até 30 de junho, a companhia tinha prejuízos acumulados de R$ 9,64 bilhões e apresentava patrimônio líquido negativo R$ 7,26 bilhões.

Projeto ambicioso na mineração

O plano de Dantas para o negócio de mineração, que inclui a mina de ouro Água Azul, no Pará, e outros minerais, é ambicioso. O empresário detém direitos minerários no sudeste do Piauí para uma mina de grande porte. O entrave é a logística de escoamento. Ele cogitou construir trecho de uma ferrovia até o Porto de Suape (PE), onde embarcaria o minério, mas o plano não avançou, e ele desistiu do projeto em 2023.

A Bemisa tem concessões de reservas de minério de ferro estimadas em 1,6 bilhão de toneladas no sul do Piauí, próximo ao traçado da Ferrovia Transnordestina. O grupo estruturou o Projeto Planalto Piauí para produção anual de até 15 milhões de toneladas, devendo fazer em etapas. O plano é começar com 3 milhões de toneladas.

A alternativa logística passa pela construção da Ferrovia Transnordestina, a cargo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que tem a concessão e conta com grande aporte de recursos públicos. A previsão é 2028. O traçado atual da ferrovia, com 804 km, sai de Eliseu Martins (PI), corta parte de Pernambuco, até Salgueiro, e daí sobe em direção ao Ceará, chegando ao Porto de Pecém.

Máquinas e Equipamentos

Diário do Comércio - MG   12/12/2025

A empresa paulista especializada na locação de máquinas pesadas de linha amarela, Armac, iniciará os atendimentos na nova loja em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, nesta segunda-feira (15). Esta é a segunda unidade da marca em Minas Gerais; a primeira foi inaugurada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O diretor de negócios de locação da Armac, Bernardo Veroneze, destaca que a empresa também possui outras estruturas, como oficinas e pontos de apoio, distribuídas por sete cidades mineiras (Arinos, Montes Claros, Barão de Cocais, Carmópolis de Minas, Congonhas, Itabira, Itatiaiuçu e Uruaçu), além de uma filial em Belo Horizonte. “É o estado com mais unidades próprias da Armac”, afirma.

Além disso, segundo ele, a empresa tem forte presença em operações de mineração, agronegócio e logística, principalmente em terminais e ferrovias em Minas. A Armac possui cerca de 1 mil colaboradores no Estado, distribuídos entre equipes das oficinas, operações, pontos de apoio e da loja.

“É o segundo estado com mais colaboradores da companhia. Em 2024, a Armac recebeu um certificado da Prefeitura de Ouro Preto em reconhecimento à geração de empregos e à parceria para o desenvolvimento profissional na região”, completa.

A empresa possui 20 oficinas e pontos de apoio e 18 lojas para locação e venda de seminovos no Brasil. Ela também está presente em mais de 200 operações em todo o País, atuando em segmentos como infraestrutura, energia, saneamento básico, mineração, agronegócio, indústria, portos e terminais.

Primeira loja da Armac em Uberlândia

A operação de Uberlândia está localizada na avenida Professora Minervina Cândida de Oliveira, 177, no bairro Martins. O pátio da nova loja tem capacidade para acomodar mais de 30 equipamentos. Veroneze ressalta que a unidade atenderá clientes interessados na compra de seminovos e na locação por períodos de três, sete, 14, 21 ou 28 dias.

Para o diretor, a loja representa uma grande oportunidade para a Armac se aproximar ainda mais dos clientes mineiros. Ele destaca que as unidades de locação e venda de seminovos em Minas Gerais são estratégicas para a empresa.

“É um dos principais polos de mineração e agronegócio do País, além de ter papel relevante na logística nacional, com diversos terminais ferroviários e uma malha rodoviária extensa”, destaca.

O portfólio da empresa, segundo Veroneze, atende a diversos segmentos. Ele ressalta que a Armac mantém, historicamente, forte presença no Estado. “Dentro desse contexto, Uberlândia nos oferece uma posição geográfica estratégica, além de um ambiente agradável e de um espaço com localização privilegiada e de fácil acesso”, acrescenta.

A Armac demonstra grande otimismo em relação ao mercado mineiro, com forte investimento em estruturas próprias e parcerias comerciais duradouras. Veroneze destaca que, em 2026, a empresa completará dez anos de operações de longo prazo em Minas Gerais.

A empresa encerrará 2025 com 18 lojas em diferentes estados brasileiros. O diretor da Armac explica que o plano de expansão para o próximo ano já está em fase de análise e planejamento.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   12/12/2025

A semana que vem promete ser decisiva os próximos anos dos fabricantes de veículos e dos motores a combustão na Europa. A Comissão Europeia adiou para a próxima terça-feira, 16, anúncio do pacote de alterações, ou não, das regras que visam emissões zero no continente.

Empresa e fontes ligadas às tratativas adiantam, porém, que a entidade poderá prorrogar por pelo menos mais cinco anos a oferta de veículos com sistemas híbridos.

Pelas normas atuais, somente modelos elétricos puros poderão ser vendidos na Europa a partir de 2035. A Comissão Europeia, assim, adiaria essa restrição para 2040, assegurando a continuidade de híbridos plug-in e elétricos de autonomia estendida, mas caso utilizem combustíveis sustentáveis ou aço.

Campanha e pressão pela flexibilização das regras que eliminam as vendas de veículos que não emitam CO2 vem movimentando setor automotivo europeu há meses. Sobretudo por parte das montadoras.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Exame - SP   12/12/2025

A JHSF (JHSF3) concluiu a venda de seus estoques prontos e em desenvolvimento no segmento de incorporação para um Fundo de Investimento Imobiliário (FII), arrecadando R$ 5,2 bilhões. O fundo, ancorado por XP, Bradesco e Itaú, será gerido pela JHSF Capital.

Ao mercado, a companhia afirma se tratar do maior IPO de Fundo de Investimento Imobiliário já realizado no mercado de capitais brasileiro, e também o maior IPO de empresas do setor imobiliário nacional.

A transação acontece menos de uma semana após finalizar uma captação de R$ 780 milhões para o primeiro fundo “puro sangue” da JHSF, focado em shoppings. Com a inclusão do novo fundo voltado à compra de estoques da incorporação, a JHSF Capital alcança aproximadamente R$ 10 bilhões em AUM (assets under management) em três anos.

O fundo será composto por estoques prontos, lotes e produtos imobiliários da JHSF, tanto concluídos quanto em desenvolvimento, incluindo empreendimentos como o Boa Vista Village, Boa Vista Estates, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club Residences e Fazenda Santa Helena.

A JHSF vai receber dois terços dos recursos à vista, com o restante sendo pago dentro de um ano. “Uma estrutura de capital mais dinâmica ajuda a nos preparar para seguir crescendo de forma sustentável”, afirma José Auriemo Neto, presidente do Conselho de Administração da companhia.

Segundo o executivo, a transação também traz maior eficiência na alocação de recursos entre os segmentos de renda recorrente e incorporação, permitindo à JHSF seguir seu plano estratégico de investimento em negócios com resultados mais previsíveis e perenes.

Além disso, a operação proporciona uma estrutura de capital mais robusta, permitindo que os projetos de incorporação imobiliária da JHSF — que já contam com um landbank remanescente e um VGV potencial de R$ 30 bilhões — sejam desenvolvidos por meio de fundos com investimento de terceiros.

De acordo com Augusto Martins, CEO da companhia, a JHSF Capital também planeja criar novos fundos de investimento em outras áreas de atuação 

Exame - SP   12/12/2025

A incorporadora responsável pelo residencial mais alto da América Latina — o Yachthouse, com 294 metros de altura em Balneário Camboriú — prepara um ambicioso plano de expansão para 2026.A GT Home, dona de um landbank superior a R$ 10 bilhões, projeta crescer de R$ 400 milhões, em 2025, para R$ 800 milhões em VGV no próximo ano.

O ciclo será impulsionado por lançamentos no litoral mais valorizado do país, e pela consolidação de projetos assinados pela italiana Pininfarina. A estratégia combina engenharia de alta precisão, design internacional e produtos concebidos para atender um público de alta exigência no segmento de luxo, que continua puxando a valorização imobiliária no Sul do Brasil.

Integrante da GT Company e com atuação consolidada em Curitiba, no Paraná, a incorporadora inicia um novo ciclo em Santa Catarina. A expansão tem como eixo o litoral norte, região que abriga 4 das 5 cidades com o metro quadrado mais valorizado do país. Em Itapema, a empresa detém o maior terreno frente-mar da cidade — 55 mil m² — e estuda lançar um empreendimento que deve figurar entre os maiores VGVs da construção civil brasileira.

Novo shopping

O plano também inclui reforçar presença em mercados onde a empresa já atua: Porto Belo, com o marco urbano Lagom Perequê; e Balneário Camboriú, que concentra obras de alta complexidade como o próprio Yachthouse, além do premiado Vitra e do La Città. Os três empreendimentos carregam a assinatura da italiana Pininfarina, referência mundial em design, criadora de ícones do automobilismo como Ferrari e Maserati e presença global há quase um século.

A previsão de alcançar R$ 800 milhões em VGV em 2026 decorre da combinação entre a venda do estoque remanescente dos projetos Vitra by Pininfarina, Yachthouse by Pininfarina e La Città by Pininfarina, todos em Balneário Camboriú, e o futuro lançamento do empreendimento no terreno do antigo Shopping Andorinha, frente-mar em Meia Praia, Itapema (SC).

O movimento ocorre em um momento de maturidade do mercado imobiliário de alto padrão no Sul, impulsionado por fatores como a busca por qualidade de vida, segurança e infraestrutura completa. Balneário Camboriú, Itapema e Porto Belo têm registrado alguns dos maiores índices de valorização do país, e a demanda reprimida por produtos exclusivos se mantém elevada — especialmente entre investidores e compradores do eixo Sul–Sudeste. Esse ambiente cria condições para que projetos de grande escala alcancem velocidade de vendas acima da média nacional.

O avanço inclui também Curitiba. Pela GT Building — unidade da holding —, a empresa mantém empreendimentos emblemáticos em bairros nobres da capital, como o Casa Milano, com mobiliário e design de grifes internacionais; o Linea, com vistas 360º a partir de seu rooftop panorâmico; e o Casa Jobim, inspirado na bossa nova. Ao todo, o Grupo soma 23 empreendimentos e mais de 300 mil m² de área construída, com certificados de sustentabilidade, saúde e qualidade de vida.

Modelo de gestão

O aprimoramento contínuo do modelo de gestão segue como prioridade. A empresa mira processos mais ágeis, integrados e sustentáveis, capazes de gerar legados urbanos que ultrapassem a estética e contribuam para o desenvolvimento das regiões onde atua. Para 2026, a aposta recai sobre marcos arquitetônicos que combinem qualidade, funcionalidade e impacto urbano positivo.

“Nosso modelo de negócio combina engenharia de precisão, design internacional e inteligência de mercado. Trabalhamos com planejamento de longo prazo, baseado em dados, controle de risco e na criação de ativos que geram valor sustentável. O resultado é um crescimento sólido e consistente, mesmo em um cenário de seletividade no mercado de luxo”, afirma Geninho Thomé, fundador e presidente do grupo.

Atualmente, a empresa reúne mais de 600 colaboradores diretos e indiretos e mantém projetos reconhecidos mundialmente. O Yachthouse foi premiado pelo The American Architecture Award, concedido pelo The Chicago Athenaeum Museum of Architecture and Design. O Vitra acumula distinções no German Design Award e em premiações internacionais do mesmo instituto.

A trajetória de Geninho Thomé antecede o mercado imobiliário. Fundador da Neodent, uma das maiores fabricantes de implantes dentários do mundo, ele transformou a empresa em um case global de inovação até sua venda ao grupo suíço Straumann.

Após o êxito, passou a diversificar investimentos e encontrou no mercado imobiliário um caminho para unir visão estratégica, leitura de tendências e geração de valor de longo prazo. Esse movimento deu origem à GT Company, holding focada em negócios estruturados, entre eles empreendimentos residenciais e corporativos de alto padrão.

Com a criação da GT Home, em 2023, a empresa consolidou sua vocação para projetos autorais, arquitetura diferenciada e lifestyle. A Costa Esmeralda — com alguns dos metros quadrados mais valorizados do Brasil — tornou-se o epicentro dessa fase, reunindo infraestrutura robusta, mercado maduro e demanda consistente por produtos de luxo. Nesse ambiente, a empresa ganhou escala e identidade, assinando projetos que colaboram para reposicionar o litoral norte catarinense como um dos principais polos nacionais do mercado imobiliário de alto padrão.

Rodoviário

Agência Brasil - DF   12/12/2025

O governo federal pretende realizar 14 leilões rodoviários no próximo ano, disse hoje (11) o ministro dos Transportes, Renan Filho. O número supera, segundo ele, os 13 leilões de rodovias realizados durante todo o ano de 2025.

“Vamos bater o recorde deste ano”, disse ele, ao participar do leilão da Autopista Fernão Dias, promovido pela B3, na capital paulista.

“A gente já fez 22 [leilões rodoviários deste o início do mandato do presidente Lula]. No ano que vem vamos fazer 14 [novos leilões] e, além de fazer muito mais coisas novas, também estamos resolvendo os problemas do passado que tinham deixado embaixo do tapete. Isso é muito significativo para o Brasil”, destacou o ministro em entrevista a jornalistas.

Segundo Renan Filho, estão previstos ainda leilões de ferrovias. “Também vamos realizar oito leilões ferroviários e vamos dar uma virada no investimento ferroviário no país.”

Na tarde de hoje, a Motiva (antiga CCR) venceu o leilão do contrato otimizado da Autopista Fernão Dias após oferecer 17,05% de deságio sobre a tarifa de pedágio. Com essa oferta, a companhia bateu outros dois concorrentes, a atual concessionária da autopista, a Arteris Fernão Dias, e o Grupo EPR (Consorcio Infraestrutura MG).

Esse leilão de contrato otimizado da BR-381 faz parte da estratégia do Ministério dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para modernizar contratos antigos de concessão rodoviária e é o quarto do tipo já realizado pelo atual governo. No entanto, esta foi a primeira vez em que houve concorrência e o controle passou para uma outra empresa.

“Hoje, pela primeira vez na história dos contratos de concessão pública do Brasil e por meio de leilão, uma empresa que estava num contrato que não performava saiu do contrato para dar lugar a outro, a fim de aumentar a performance e fortalecer os investimentos”, ressaltou o ministro.

A transição de controle entre a antiga concessionária (a Arteris) e a empresa vencedora do leilão deverá ocorrer de forma rápida, estimou Renan Filho. “Nós vamos combinar com a Arteris essa saída e fazê-la o mais rápido possível. Vamos exigir a integral qualidade e os compromissos da transição para que o cidadão seja respeitado à luz desse novo momento", disse.

"Uma coisa muito legal [desse contrato] é que quem entra já tem que iniciar fazendo obra. A Motiva vai ter que fazer um conjunto de obras já no primeiro ano, o que vai garantir que as pessoas que passem pela Fernão Dias – entre Belo Horizonte e São Paulo – percebam a melhoria do contrato”, completou.

Segundo o presidente da Motiva Rodovias, Eduardo Camargo, a expectativa é que o contrato de transição seja assinado em abril ou maio do próximo ano. “O que está previsto no contrato é uma assinatura do contrato entre abril e maio. Como nós temos uma boa relação tanto com a própria concessionária, a Arteris, quanto com a ANTT, nossa intenção é que a gente possa se aproximar, conhecer e saber como está a operação, mas a troca de controle efetivo deve ocorrer entre final de abril e começo de maio”, estimou.

Diário do Comércio - MG   12/12/2025

O consórcio Motiva venceu o processo competitivo pela concessão da rodovia Fernão Dias (BR-381), principal rota logística entre Minas Gerais e São Paulo. A companhia arrematou o leilão ao oferecer um deságio (desconto) de 17,05% sobre a tarifa básica de pedágio prevista no edital, superando as ofertas do Consórcio Infraestrutura MG – EPR (11,25%) e Arteris (0%).

Com o resultado, a vencedora assume a responsabilidade pela operação de 569 quilômetros (km) de rodovia e um pacote robusto de obras. O novo contrato, viabilizado por meio de uma repactuação consensual junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), prevê R$ 9,5 bilhões em investimentos e R$ 5,4 bilhões em custos operacionais até o fim da vigência, determinado para 2040.

A vitória marca uma mudança de era na gestão da Fernão Dias. A Motiva desbancou a atual operadora, Arteris, indicando um novo apetite por ativos de maior complexidade. Como é uma transferência de controle, a nova concessionária terá de pagar cerca de R$ 295,1 milhões à antiga gestora pelos ativos não amortizados, além de investir no capital da operação.

Após a vitória, o presidente da Motiva, Eduardo Camargo, reforça que o ativo da rodovia Fernão Dias é completamente aderente à estratégia da companhia. “É um projeto grande, complexo e em uma região estratégica para a Motiva. Estávamos presentes através do aeroporto e agora estamos chegando em Minas Gerais na Fernão Dias”, destaca.

O CFO da B3, André Milanez, destaca que este é o quarto leilão do modelo de otimização dos contratos federais e faz parte de uma nova etapa na gestão e modernização das rodovias brasileiras. “A autopista Fernão Dias é um dos principais corredores rodoviários do Brasil. O contrato prevê investimentos de mais de R$ 14 bilhões em obras e melhorias, além de maior eficiência na gestão”, completa.

Desde 2008, a Arteris administra a Fernão Dias e foi a primeira concessionária a passar por repactuação sem pedir devolução amigável. A otimização do contrato é encarada como fundamental para corrigir distorções da antiga concessão, que não contava com regras claras sobre ampliação de capacidade e demais melhorias a serem realizadas ao longo dos anos.

Atualmente, a rodovia já opera no limite e exige intervenções imediatas para suportar o intenso tráfego de veículos e o escoamento de cargas. Com a nova gestão, a expectativa é de ampliação da capacidade de tráfego, com a implantação de faixas adicionais e vias marginais, além de correções de traçado e novas passarelas.

Concessão faz parte de nova estratégia da Motiva após deixar setor aéreo

A Motiva é uma das maiores companhias de infraestrutura de mobilidade do Brasil, com 37 ativos distribuídos por 13 estados brasileiros. Além de aeroportos, a empresa possui 12 concessionárias de rodovias e cinco de trilhos, sendo responsável pela gestão e manutenção de 4.475 km de estradas.

Vale lembrar que, no último mês, a concessionária anunciou a venda dos 20 aeroportos, incluindo o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport), em Confins e o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, conhecido como Aeroporto da Pampulha, cujo valor total atingiu R$ 11,5 bilhões. A venda dos ativos marca uma nova era para a concessionária, que pretende focar na gestão de rodovias em território nacional.

Na época, a empresa revelou que a simplificação do portfólio faz parte de um plano estratégico, denominado “Ambição 2035”. O projeto está atrelado em pilares como crescimento rentável, seletivo e sinérgico, além de maior eficiência operacional.

NAVAL

Valor - SP   12/12/2025

Casa Branca diz que tomada do petroleiro Skipper na costa da Venezuela está amparado por mandado Departamento de Justiça

Os EUA estão se preparando para interceptar mais navios que transportam petróleo venezuelano após a apreensão de um petroleiro anunciada na quarta-feira, aumentando a pressão sobre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Por meio de um comunicado do Departamento do Tesouro, o governo do presidente Donald Trump publicou sanções contra as embarcações e a três sobrinhos de Maduro.

Washington também defendeu a legalidade da abordagem do petroleiro Skipper, alegando que o navio, de bandeira declarada guianense, já era alvo de sanções por transportar petróleo iraniano - quando ainda tinha outro nome. A Casa Branca afirmou que a ação militar na costa venezuelana teve o respaldo de um mandado do Departamento de Justiça.

Questionada sobre se o governo Trump planejava novas apreensões, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a repórteres que não comentaria sobre ações futuras, mas afirmou que os EUA continuariam a executar as políticas de sanções do presidente. “Não vamos ficar de braços cruzados enquanto navios não autorizados navegam pelos mares com petróleo do mercado paralelo, cuja receita financiará o narcoterrorismo de regimes autoritários e ilegítimos em todo o mundo”, disse ela.

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna dos EUA vinham planejando as apreensões há meses. O governo Trump anunciou ainda que o navio apreendido e sua carga serão confiscados e levados a um porto americano - uma ação que Maduro qualificou de “roubo” e “pirataria”.

Não ficaremos de braços cruzados enquanto navios ilegais estão livres”

— Karoline Leavitt

Uma redução ou paralisação das exportações de petróleo venezuelanas, principal fonte de receita do governo da Venezuela, pressionaria as finanças do governo Maduro. Estima-se que a Venezuela produza entre 500.000 e 900.000 barris de petróleo por dia - a maior parte para a China.

Não ficou claro o papel que os parentes de Maduro exerceram na indústria petrolífera do país.

A apreensão do petroleiro Skipper ocorreu após os EUA terem realizado, nos últimos meses, mais de 20 ataques contra o que alegam ser embarcações de narcotráfico no Caribe e no Pacífico, matando mais de 80 pessoas. Especialistas afirmam que os ataques podem ser extrajudiciais e ilegais, enquanto os EUA argumentam que estão protegendo cidadãos americanos de cartéis de drogas que classificam como organizações terroristas.

Das seis embarcações que entraram ontem na lista de sanções, quatro estão sediadas nas Ilhas Marshall - paraíso fiscal onde está registrada também a empresa controladora do petroleiro Skipper -, uma no Reino Unido e outra nas Ilhas Virgens Britânicas.

As medidas buscam bloquear o acesso das pessoas e empresas sancionadas a qualquer bem ou ativo financeiro mantido nos EUA, além de impedir que empresas e cidadãos americanos façam negócios com esses entes suspeitos. Bancos e instituições financeiras que desrespeitarem essas restrições poderão enfrentar sanções secundárias ou ações de fiscalização.

Trump vem levantando repetidamente a possibilidade de intervenção militar na Venezuela, acusando o país de enviar drogas para os EUA. E, em um documento estratégico divulgado na semana passada, ele destacou que a política externa de seu governo teria como foco reafirmar a influência dos EUA no Hemisfério Ocidental - uma denominação que, em geral, se refere à América Latina.

Maduro, por sua vez, alega que a presença reforçada de 15.000 soldados dos EUA na região visa a derrubá-lo para o controle das reservas de petróleo do país sul-americano.

O líder venezuelano tem reagido buscando o apoio de antigos aliados. Ontem, ele recebeu o apoio do presidente russo, Vladimir Putin, por meio de uma conversa por telefone. Maduro também recebeu a solidariedade do presidente de Belarus, Alexander Lukashenko - que está no poder por sete mandatos e se encontrou ontem com Jesús Rafael Salazar Velázquez, embaixador venezuelano em Moscou.

De acordo com o governo do Brasil, ele conversou por telefone também com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A chamada ocorreu na semana passada e foi a primeira entre os líderes em cerca de um ano (ver Lula e Maduro rompem silêncio e discutem possível ataque dos EUA).

Ainda ontem, uma comissão de investigação das Nações Unidas apresentou um relatório acusando a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) da Venezuela de cometer graves violações de direitos humanos e crimes contra a humanidade ao longo de mais de uma década ao perseguir opositores políticos.

Portos e Navios - SP   12/12/2025

A Marinha do Brasil (MB) assinou, na última terça-feira (9), um memorando de entendimento (MoU) com o estaleiro indiano Mazagon Dock Shipbuilders para manutenção dos submarinos da classe Scorpène. Segundo a força naval, o objetivo é garantir a eficiência durante todo o ciclo de vida dos submarinos da classe Riachuelo e que estejam sempre disponíveis para operações de patrulhamento na costa brasileira.

O acordo prevê a otimização de processos de manutenção, o intercâmbio de conhecimento, a capacitação de pessoal brasileiro e o desenvolvimento conjunto de tecnologias. Um dos objetivos, explicou a Marinha, é reduzir a dependência externa e aumentar a capacidade do Brasil no domínio de áreas da engenharia naval consideradas estratégicas.

Os submarinos da classe Riachuelo são equipados com sensores modernos e armamentos de última geração. A construção das embarcações faz parte do Programa Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), da Marinha do Brasil, cujo primeiro deles, o submarino Riachuelo, foi incorporado ao setor operativo da força naval em 2022.

O estaleiro Mazagon Dock Shipbuilders é especializado na construção de navios comerciais e militares, incluindo submarinos, para vários segmentos de atividades, de barcos pesqueiros a multipropósitos, além de estruturas para exploração de óleo e gás offshore. Segundo a empresa, desde sua criação, em 1960, já foram construídas mais de 800 embarcações em suas instalações.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   12/12/2025

Os contratos futuros do petróleo fecharam a sessão desta quinta-feira, 11, em queda, apesar do dólar fraco e da elevação nas projeções de demanda da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Agência Internacional de Energia (AIE). O mercado acompanha, também, os desdobramentos de tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e Venezuela, além da possível resolução no conflito entre Rússia e Ucrânia.

O petróleo WTI para janeiro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou com perdas de 1,47% (US$ 0,86), a US$ 57,60 o barril. Já o Brent para fevereiro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), teve queda de 1,49% (US$ 0,93), a US$ 61,28 o barril.

Os preços da commodity já começaram a sessão em baixa, conforme o mercado ponderava a proposta de paz enviada pela Ucrânia e sem receber apoio do dólar enfraquecido pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de cortar as taxas de juros na véspera.

Ao longo da sessão, o petróleo aprofundou perdas após dados americanos mostrarem salto mais forte que o esperado em pedidos de auxílio-desemprego dos EUA, além de importações aquém do previsto na balança comercial.

O movimento ocorreu apesar da elevação nas projeções para demanda global da Opep e da AIE em 2025 e 2026, além de manutenção da previsão de oferta do cartel para o próximo ano e revisão para baixo no cenário da agência internacional. Em nota, a Investec observa que persistem preocupações de sobreoferta, mas que “há considerável incerteza sobre a escala desse excedente”.

Ainda sobre o equilíbrio da balança comercial, o Wall Street Journal citou dados do Vortexa para afirmar que há 1,4 bilhão de barris da commodity, a caminho de portos e ainda sem comprador. De acordo com a notícia, o valor representa 24% de alta para a mesma época do ano entre 2016 e 2024.

Em segundo plano, investidores de energia monitoram o acirramento de tensões entre EUA e Venezuela seguindo a apreensão de navio petroleiro. Em resposta, o país latino-americano chamou a ação de “ato de pirataria internacional” e “roubo descarado”.

Globo Online - RJ   12/12/2025

O petroleiro apreendido pelo governo Donald Trump na costa da Venezuela será levado a um porto dos Estados Unidos e o petróleo será confiscado, declarou nesta quinta-feira a porta-voz da Casa Branca. Sujeito a a sanções há anos, o petroleiro foi apreendido por forças americanas na quarta-feira no Caribe, um ato qualificado como “roubo descarado” e “pirataria” por Caracas. Trata-se de uma nova etapa da pressão americana sobre o regime de Nicolás Maduro — mas, desta vez, no campo econômico.

— Há um processo legal para confiscar esse petróleo, e ele será levado adiante — declarou a porta-voz, Karoline Leavitt. — Não vamos ficar parados e ver como navios sancionados navegam com petróleo contrabandeado, cujos lucros servem para alimentar o narcoterrorismo de regimes ilegítimos — acrescentou a porta-voz.

Questionada sobre se a campanha no Caribe tem como alvo o tráfico de drogas ou o petróleo, Leavitt respondeu:

— Os Estados Unidos estão focados em alcançar vários objetivos no hemisfério ocidental [o continente americano]. O presidente adotou uma nova abordagem que não era tomada por nenhum governo há bastante tempo — concluiu.

A Casa Branca publicou na semana passada uma nova Estratégia de Segurança Nacional que eleva a América Latina e o Caribe a uma região de interesse essencial, diante da presença da China e de regimes que Washington considera hostis.

O petróleo é a principal fonte de recursos do governo de Maduro, e essa apreensão representa um aumento significativo da pressão.

"Bem, acho que ficaremos com ele", afirmou Trump, referindo-se ao petróleo do navio apreendido pelas forças americanas na costa da Venezuela, na quarta-feira. De acordo com a agência Reuters, os EUA estão se preparando para interceptar mais navios que transportam petróleo venezuelano.

Autoridades do governo americano ouvidas pelo New York Times também afirmaram que esperam novas apreensões nas próximas semanas como parte do esforço do governo Trump para enfraquecer Maduro por meio do cerco ao mercado de petróleo do país. Segundo Washington, o petroleiro será levado para um porto dos EUA e todo o petróleo será confiscado.

— Há um processo legal para o confisco desse petróleo, e esse processo legal será cumprido — disse nesta quinta-feira a porta-voz Karoline Leavitt.

O navio, que operava sob o nome fictício de Adisa, foi alvo de sanções em 2022 pelo Departamento do Tesouro dos EUA, que afirmou que a embarcação fazia parte de "uma rede internacional de contrabando de petróleo [iraniano] que facilitava o comércio e gerava receita" para apoiar as forças do movimento xiita libanês Hezbollah, apoiadas pelo Irã, e a Força Quds da Guarda Revolucionária da República Islâmica.

A apreensão foi revelada pelo próprio Trump na Casa Branca, onde ele acrescentou, sem dar mais detalhes, que "outras coisas estão acontecendo". O governo venezuelano, por sua vez, chamou a apreensão de "roubo descarado e um ato de pirataria internacional".

A apreensão colocou em alerta armadores, operadores e agências marítimas envolvidas no transporte de petróleo bruto venezuelano, com muitos reconsiderando se devem ou não navegar nas águas venezuelanas nos próximos dias, disseram fontes do setor de transporte marítimo à Reuters.

Uma das fontes ouvidas pelo New York Times identificou o navio-tanque como sendo o Skipper e afirmou que transportava petróleo venezuelano da Petróleos de Venezuela, a estatal petrolífera conhecida como PDVSA. A fonte ainda disse que o navio já havia sido ligado ao contrabando de petróleo iraniano — um mercado clandestino global que o Departamento de Justiça dos EUA investiga há anos. A embarcação navegava sob uma bandeira da Guiana, país no qual não estava registrada, e seu destino era a Ásia, segundo a fonte.

Há cerca de duas semanas, um juiz federal emitiu um mandado de apreensão contra o Skipper devido às atividades anteriores do navio no contrabando de petróleo iraniano, e não por ligações com o governo Maduro, ainda de acordo com a fonte. Não ficou claro, no entanto, se o mandado de apreensão — que está sob sigilo — se referia ao navio, ao petróleo ou a ambos.

Os promotores afirmaram que o Irã usa o dinheiro gerado com a venda de petróleo para financiar suas Forças Armadas e a Guarda Revolucionária, que os Estados Unidos designaram como organização terrorista.

O proprietário do Skipper, listado como Triton Navigation Corp. no banco de dados marítimo Equasis, e seu administrador, Thomarose Global Ventures Ltd., estão ambos sediados na Nigéria. Procurados pela Bloomberg, eles ainda não se posicionaram sobre o caso.

O petróleo e a Venezuela

A Venezuela é extremamente dependente do petróleo, o que torna esse tipo de apreensão potencialmente prejudicial à frágil economia do país. O petróleo representa a maior parte das receitas de exportação de Caracas. O governo venezuelano, por sua vez, gasta grande parte da receita das exportações de petróleo para importar itens de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos.

Embora se acredite que o país possua reservas colossais de petróleo ainda inexploradas, ele produz muito menos petróleo do que no início do século, após a má gestão, as sanções dos EUA e a corrupção na PDVSA terem prejudicado a produção.

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Os Estados Unidos foram, durante muito tempo, o maior comprador de petróleo da Venezuela, mas as tensões políticas corroeram esses laços. Atualmente, a China compra cerca de 80% das exportações totais de petróleo da Venezuela.

Quantidades menores de petróleo venezuelano são exportadas para Washington, frequentemente para refinarias na Costa do Golfo e para Cuba, onde os líderes comunistas da ilha dependem há muito tempo dessas cargas para manter uma aparência de estabilidade econômica.

Petroleiro falsificava localização

Segundo uma análise do New York Times baseada em imagens de satélite e fotografias, o navio Skipper falsificou sua localização nos últimos meses, divulgando dados falsos antes da apreensão, em meio à crescente pressão americana sobre o regime Maduro, que incluem uma forte mobilização militar no Caribe e ameaças de um ataque terrestre.

Entre o final de outubro e o último dia 4, por exemplo, o radar da embarcação indicava que ela estava ancorada no Oceano Atlântico, perto da Guiana e do Suriname. No entanto, o New York Times descobriu que o navio estava, na verdade, a centenas de quilômetros de distância, próximo à Venezuela. Esta seria a primeira viagem do navio para o país sul-americano desde 2023.

De acordo com uma imagem obtida pelo jornal americano, o navio aparece com a linha dágua baixa, sugerindo que estava sobrecarregado. Segundo a TankerTrackers.com, uma empresa que monitora o transporte marítimo de petróleo em todo o mundo, o Skipper carregava quase 2 milhões de barris de petróleo.

Dados fornecidos pela TankerTrackers.com sugerem que o navio transportou petróleo frequentemente de países sob sanções dos EUA. O rastreamento da embarcação mostra múltiplas viagens ao Irã e à Venezuela nos últimos dois anos. A embarcação, segundo Samir Madani, cofundador do TankerTrackers.com, entregou petróleo iraniano à Síria em 2024, quando o país estava sob o controle de Bashar al-Assad, ajudando seu governo a prolongar a guerra civil.

— Desde que se juntou à frota global de petroleiros clandestinos em 2021, o Skipper transportou quase 13 milhões de barris de petróleo iraniano e venezuelano — disse Madani, acrescentando que, entre fevereiro e julho deste ano, o navio transportou quase 2 milhões de barris de petróleo bruto do Irã para a China.

CNN Brasil - SP   12/12/2025

A Ucrânia afirmou nesta quinta-feira (11) que seus drones de longo alcance atingiram uma importante plataforma petrolífera no Mar Cáspio esta semana, em uma missão até então não divulgada.

A atividade sinaliza uma nova expansão da lista ucraniana de alvos em uma crescente campanha para cortar as receitas energéticas russas que financiam a guerra.

"Este é o primeiro ataque da Ucrânia contra infraestrutura russa relacionada à produção de petróleo no Mar Cáspio", disse uma fonte do Serviço de Segurança da Ucrânia à CNN, classificando o ataque como "mais um lembrete para a Rússia de que todas as suas empresas que trabalham para a guerra são alvos legítimos".

A plataforma petrolífera Filanovsky, pertencente à Lukoil, afirma ser o maior campo de petróleo no setor russo do Mar Cáspio.

Escalada de ataques

A campanha de sanções profundas da Ucrânia contra instalações energéticas russas começou no início de 2024, mas desde o início de agosto desde ano, Kiev intensificou esses esforços, reforçando o que o comissário ucraniano de sanções, Vladyslav Vlasiuk, chama de "sanções de longo alcance" contra a principal fonte de renda da Rússia.

A Ucrânia agora está atingindo uma gama cada vez maior de alvos, incluindo não apenas refinarias, mas também infraestrutura de exportação de petróleo e gás, oleodutos, navios-tanque e, agora, infraestrutura de perfuração offshore.

Novembro registrou o maior número de ataques em um único mês, de acordo com dados do projeto ACLED (Armed Conflict Location & Event Data) e análise da CNN.

Isso ocorre em um momento crítico da guerra. Os recentes esforços de paz liderados pelos EUA parecem ter apenas endurecido as exigências maximalistas da Rússia, e as forças de Moscou estão avançando em diversas áreas da linha de frente.

Esse fato, aliado a um excesso de oferta global de petróleo que protege o mercado contra possíveis aumentos de preços, significa que os aliados ocidentais da Ucrânia têm demonstrado um apoio cada vez maior a essa campanha.

“Acho que a estratégia geral desde o verão é a ideia de que não se pode permitir que a Rússia retenha grande parte de sua receita energética crucial, que tem alimentado a enorme vantagem de recrutamento de mão de obra que Moscou tem sobre a Ucrânia”, disse Helima Croft, chefe global de estratégia de commodities da RBC Capital Markets.

Ela se referiu à capacidade da Rússia de pagar altos salários e bônus de alistamento para recrutar soldados.

“Portanto, acredito que seja um esforço mais sistemático para, de certa forma, fechar esse caixa eletrônico de energia", acrescentou Croft.
Ataques repetidos, alvos maiores

Entre o início de agosto e o final de novembro, a Ucrânia atacou pelo menos 77 instalações energéticas russas, quase o dobro do total dos primeiros sete meses do ano, segundo a ACLED.

Em novembro, foram registrados pelo menos 14 ataques a refinarias e quatro a terminais de exportação russos.

Atacar as mesmas instalações várias vezes tornou-se uma parte fundamental da estratégia. A refinaria de Saratov, pertencente à Rosneft, por exemplo, foi atacada pelo menos oito vezes desde o início de agosto, sendo quatro desses ataques em novembro.

“O que antes eram ataques ocasionais com o objetivo de causar danos se transformou em um esforço contínuo para impedir que as refinarias se estabilizem completamente”, escreveu Nikhil Dubey, analista sênior de refino da empresa de dados e análises Kpler, no início de dezembro.

Ele também avalia que, desde agosto, Kiev tem tentado maximizar o impacto das greves em refinarias, visando não apenas "as partes visíveis da refinaria, mas também os principais pontos de obstrução no sistema de refino que produzem os combustíveis finais".

Sergey Vakulenko, pesquisador sênior do centro de pesquisa Carnegie Russia Eurasia Center, com sede em Berlim, e com 25 anos de experiência na indústria russa de petróleo e gás, disse à CNN que acredita que os danos iniciais causados pela Ucrânia têm sido administráveis para Moscou até o momento.

Mas, isso não leva em conta os danos a longo prazo causados pelos incêndios de grande escala que esses ataques costumam provocar.

“Os metais não toleram bem esse tipo de tratamento, e ninguém sabe ao certo quantos desses ciclos de aquecimento e resfriamento dessas colunas poderiam sobreviver”, disse ele à CNN.

O padrão dos ataques também sugere que a Ucrânia não está mais tentando limitar o impacto apenas ao mercado interno de energia da Rússia. Desde agosto, o país aumentou consideravelmente os ataques às instalações de exportação de petróleo russas.

Os portos de Novorossiysk e Tuapse, no Mar Negro, e Ust-Luga, no Mar Báltico, foram atingidos diversas vezes. Os oleodutos também estão em risco.

O oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo para os poucos países da UE que ainda dependem dele, já foi atingido cinco vezes desde agosto, provocando protestos da Hungria, que mantém boas relações com Moscou.

No final de novembro, o Consórcio do Oleoduto do Cáspio, responsável pelo transporte de 80% de todo o petróleo do Cazaquistão para o Mar Negro, informou ter sido atacado duas vezes em quatro dias.

Vakulenko acredita que isso demonstra os riscos dessa campanha crescente.

“Acho que a Ucrânia quer instaurar o medo e encarecer a entrada de petroleiros no Mar Negro”, disse ele, acrescentando: “Acho que, com isso, a Ucrânia não conquistará nenhuma simpatia e poderá arcar com alguns custos”.

A Ucrânia não se deixa intimidar. Na quarta-feira (10), o país realizou um terceiro ataque contra outro elo crucial na cadeia de suprimentos de petróleo da Rússia: os navios que transportam o petróleo para os mercados globais.

Uma fonte do serviço de segurança ucraniano afirmou que drones marítimos foram usados para atacar um petroleiro sujeito a sanções no Mar Negro, que seguia para Novorossiysk.

Os dois primeiros ataques a petroleiros no final de novembro provocaram uma rara reação de Putin, que os classificou como "pirataria", e a Turquia convocou os embaixadores da Ucrânia e da Rússia em protesto.

“Não temos outra ferramenta a não ser cortar o fluxo de dinheiro para a Rússia para evitar esta guerra pela sobrevivência”, disse Oleksandr Kharchenko, diretor do Centro de Pesquisa da Indústria de Energia em Kiev.

O fato de esses navios sancionados estarem lá, argumentou ele, demonstra claramente que as sanções ocidentais são insuficientes.

“Então, pessoal, se vocês não conseguem cumprir suas sanções, talvez alguém possa ajudá-los”, disse Kharchenko.
Apoio ocidental

Dois fatores externos permitiram que a Ucrânia intensificasse seus ataques ao setor energético nos últimos meses. Primeiro, uma mudança drástica de posição por parte dos Estados Unidos.

“É muito difícil, senão impossível, vencer uma guerra sem atacar o país invasor”, escreveu o presidente dos EUA, Trump, no Truth Social no final de agosto.

Em outubro, duas fontes disseram à CNN que os EUA aumentaram o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia após a fracassada cúpula no Alasca entre Trump e Putin, com foco em alvos relacionados à energia dentro da Rússia, na esperança de forçar o país a retornar à mesa de negociações.

A Europa também estava de acordo.

"No final do verão, ninguém na sala sequer mencionava que a Ucrânia deveria se abster de atacar qualquer alvo", observou DovilÄ— Å akalienÄ—, parlamentar lituana que atuou como ministra da Defesa do país até outubro deste ano, em comentários escritos à CNN.

"A crescente percepção entre os europeus de que o fracasso da Ucrânia afetará diretamente nossa segurança no período de um mandato parlamentar padrão também contribuiu", acrescentou.

"Os EUA continuam sendo um parceiro ativo no que diz respeito aos ataques de longo alcance da Ucrânia contra alvos energéticos russos, enquanto os aliados europeus intensificaram seu envolvimento", disse à CNN uma fonte do programa de drones da Ucrânia.

O segundo grande fator favorável para a Ucrânia tem sido a queda dos preços do petróleo, impulsionada por uma sobreoferta global.

Helima Croft, chefe global de estratégia de commodities da RBC Capital, disse que "simplesmente não conseguia imaginar que o governo Trump, tão focado na redução dos preços da gasolina no varejo", apoiaria tanto os ataques da Ucrânia à energia russa se os preços do petróleo estivessem altos.

Uma fonte da inteligência ocidental disse à CNN que a Ucrânia está recebendo apoio extra nessa campanha "conforme necessário" e que "o objetivo é que esses ataques tenham consequências".

Os mercados globais de petróleo "podem suportar", acrescentou a fonte.
Por quanto tempo a Rússia conseguirá suportar?

Embora a Rússia permaneça inflexível nas negociações de paz, o setor petrolífero – o principal pilar financeiro da guerra – parece muito mais instável do que há um ano.

Segundo Dubey, analista da Kpler, as refinarias de petróleo da Rússia estão processando cerca de 6% menos petróleo do que no mesmo período do ano passado.

Embora esse número possa parecer pequeno, ele representa um problema para os russos, pois "eles geralmente operam com um pequeno excedente de gasolina", afirmou Dubey.

Em setembro e outubro deste ano, vídeos de carros formando filas em frente a postos de gasolina circularam online e o governo russo, enfrentando escassez em algumas regiões, proibiu as exportações de gasolina até o final do ano.

No final de novembro, Putin sancionou uma lei que permite que empresas russas recebam subsídios caso refinem petróleo em refinarias bielorrussas e o importem de volta para a Rússia, informou a mídia estatal, uma medida destinada a estabilizar o mercado interno.

A escalada dos ataques na Ucrânia também coincidiu com as primeiras novas sanções impostas à Rússia desde que Trump retornou ao cargo em janeiro.

Em outubro, Trump anunciou sanções de bloqueio total contra as maiores empresas petrolíferas russas – Rosneft e Lukoil.

Os preços do petróleo bruto russo caíram gradualmente desde então, atingindo o seu ponto mais baixo desde o início da guerra, de acordo com dados da Argus Media, contribuindo para a queda das receitas de exportação de petróleo da Rússia, que atingiram o nível mais baixo desde fevereiro de 2022, segundo a Agência Internacional de Energia.

Em novembro, a mídia estatal noticiou que as receitas de petróleo e gás natural da Rússia caíram quase 34% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Vakulenko acredita que os ataques às instalações energéticas russas são apenas “um dos elementos do quebra-cabeça” de como pressionar Putin a buscar a paz.

“Acho que o nível de dano econômico que se precisa infligir à Rússia é provavelmente maior do que a Ucrânia poderia causar no momento”, disse ele. “Acredito que, se a situação ficar crítica, a Rússia provavelmente conseguiria sobreviver com metade de suas exportações de petróleo e gás.”

Para Croft, a questão é se a Ucrânia e seus aliados conseguirão manter o rumo.

“A combinação de ataques à infraestrutura focados em alvos de exportação e a capacidade de bloquear as sanções, acredito que isso poderia potencialmente levar a Rússia de volta à mesa de negociações, mas precisa ser um evento de longa duração”, disse ela.

Com Trump agora pressionando a Ucrânia para aceitar concessões, isso pode ser um teste de sua disposição para fazer ambas as coisas.

Petro Notícias - SP   12/12/2025

As petroleiras independentes esperam consolidar um ciclo de crescimento em 2026, apoiado por avanços regulatórios e por um ambiente mais favorável à revitalização de ativos maduros. Em entrevista à serie especial Perspectivas 2026, o gerente executivo da ABPIP, Lucas Mota de Lima, afirma que o setor projeta uma expansão “moderada, porém consistente” para o próximo ano, impulsionada por novas oportunidades para tornar campos maduros e marginais mais atraentes e pelo fortalecimento do gás natural como vetor de desenvolvimento regional. Segundo ele, ajustes em normas, licenciamento e previsibilidade fiscal continuam no centro das demandas das operadoras independentes, que buscam ampliar sua relevância na produção nacional e manter a atividade econômica em regiões dependentes da cadeia de petróleo e gás.

Como foi o ano de 2025 para a ABPIP e para o setor de produtores independentes de petróleo e gás natural?

Para as empresas independentes, o ano de 2025 consolidou tendências de aumento de eficiência operacional e crescimento de investimentos pelas empresas independentes. Apesar dos desafios associados à volatilidade de preços do barril e medidas que impactaram negativamente, o setor manteve estabilidade na produção em diversas bacias e reforçou sua relevância para o desenvolvimento regional.

O presente ano também representou um período de diálogo constante com o governo e com os órgãos reguladores, com foco na melhoria da competitividade das operadoras independentes, no aprimoramento dos marcos legais e regulatórios para operações em campos maduros e marginais e no fortalecimento da cadeia de fornecedores locais. Esse esforço conjunto na busca de um ambiente mais previsível e favorável à continuidade dos investimentos marca a atuação da associação.

Se fosse consultado, que sugestões daria (ao governo ou ao mercado) para melhorar o ambiente de negócios em seu setor?

Existe um conjunto de medidas essenciais para garantir competitividade, previsibilidade e sustentabilidade ao setor de produtores independentes. Ao Governo, as sugestões seriam: estabilidade e clareza regulatória, com simplificação de normas e redução de assimetrias entre diferentes escalas de operadores; aprimoramento dos processos de licenciamento ambiental, com maior digitalização, padronização e integração entre órgãos estaduais e federais; revisão e maior previsibilidade dos regimes fiscais, permitindo que campos maduros e marginais tenham melhores condições de revitalização e estendam sua vida útil; programas de incentivo a investimentos em recuperação de ativos; e infraestrutura e escoamento, ampliando soluções de midstream e apoiando projetos de gás natural como vetor de desenvolvimento local.

Ao Mercado, as sugestões são: fortalecimento das parcerias entre operadores independentes e fornecedores, incentivando inovação, qualificação técnica e competitividade da cadeia; estímulo a modelos colaborativos de operação e compartilhamento de infraestrutura, que reduzem custos e ampliam a eficiência; e desenvolvimento de mecanismos de financiamento específicos, considerando os ciclos mais longos de retorno em campos maduros.

Por último, quais são as perspectivas de sua associação para 2026?

Para 2026, a ABPIP projeta um cenário de expansão moderada, porém consistente, para os produtores independentes. As expectativas incluem: aprofundamento da agenda regulatória positiva, com novas oportunidades para melhorar a atratividade dos campos maduros e marginais no Brasil; crescimento dos investimentos em revitalização de campos maduros, apoiados por avanços no ambiente legal, regulatório e fiscal; maior participação do gás natural como vetor de desenvolvimento regional, gerando empregos, fomentando a indústria local e contribuindo para a transição energética; e fortalecimento do papel das independentes, ampliando sua relevância na produção nacional e na manutenção da atividade econômica em regiões dependentes do setor.

A ABPIP segue comprometida em atuar como uma voz técnica e colaborativa, trabalhando para que o setor continue evoluindo de forma competitiva, responsável e alinhada às necessidades do país.

AGRÍCOLA

Agência Camara - DF   12/12/2025

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4515/24, que prevê o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra de máquinas e implementos agrícolas. O texto altera a Lei do FGTS.

Atualmente, a legislação já permite sacar o FGTS em algumas situações, como na demissão sem justa causa, na concessão da aposentadoria, para quitação de financiamento imobiliário ou em casos de câncer (trabalhador ou dependentes).

Os parlamentares acolheram o parecer do relator, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), pela aprovação do texto. “Os recursos do FGTS apresentam-se como alternativa complementar de financiamento, capaz de ampliar as possibilidades de investimento”, disse.

“A mudança na lei contribuirá para a subsistência do trabalhador rural”, disse o autor da proposta, deputado Defensor Stélio Dener (Republicanos-RR), ao lembrar que o agronegócio representa hoje quase 27% das ocupações no Brasil.

Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Trabalho; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

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