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12 de Maio de 2026

SIDERURGIA

Veja - SP   12/05/2026

A Gerdau, maior siderúrgica do país, começou a desenhar seu plano de investimentos para 2027. A expectativa é repetir a cifra deste ano, com 5 bilhões de reais destinados à modernização das operações. O principal debate, segundo o presidente da companhia, Gustavo Werneck, é geográfico: “Nossa questão é decidir se é melhor investir no Brasil ou nos Estados Unidos”.

No ano passado, a Gerdau teve receita líquida de 70 bilhões de reais, sendo que as operações americanas responderam por quase metade desse montante. “Os Estados Unidos entregam resultados cada vez melhores, enquanto o Brasil enfrenta dificuldades”, diz Werneck. “Precisamos sentir que um país oferece ambiente de confiança e previsibilidade.”

Investing - SP   12/05/2026

O Reino Unido pode nacionalizar integralmente a British Steel, de acordo com novos planos anunciados nesta segunda-feira pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que afirmou não ter sido possível vender a empresa de propriedade chinesa que o governo salvou do fechamento no ano passado.

Starmer disse que seu governo apresentará nova legislação para permitir que o Estado assuma o controle da siderúrgica localizada em Scunthorpe, no norte da Inglaterra, garantindo que o país não perca sua última capacidade de produção primária de aço.

Qualquer decisão será baseada em um teste de interesse público, que levará em consideração a segurança nacional, a manutenção de infraestruturas críticas e o apoio à economia.

A siderúrgica abastece os setores ferroviário, de construção e automotivo. Nos últimos anos, a planta tem enfrentado dificuldades devido aos altos custos de energia no Reino Unido e ao excesso de oferta de aço no mercado global.

"O aço é estrategicamente importante para nossa economia e nossa resiliência nacional", afirmou Starmer em um discurso em defesa de sua liderança.

Em abril de 2025, o governo assumiu o controle operacional da British Steel de seus proprietários chineses, a Jingye, para evitar o desligamento dos altos-fornos e proteger 2.700 empregos na planta, além de milhares de postos de trabalho relacionados na cadeia de fornecimento.

Veja - SP   12/05/2026

José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, entrou na interlocução institucional de uma associação de credores brasileiros que cobram dívida bilionária da Posco, gigante da siderurgia coreana.

A disputa remonta à construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, um dos maiores investimentos privados da história do estado. Após concluir o projeto, a subsidiária brasileira da multinacional entrou com pedido de autofalência, deixando para trás um passivo que pode superar 1 bilhão de reais, incluindo dívidas trabalhistas, créditos de fornecedores e tributos não recolhidos.

A entrada de Cardozo marca uma nova fase do caso, com intensificação das articulações junto ao Executivo e ao Congresso. A Associação Internacional de Credores da Posco (AIC-Posco), que reúne cerca de 50 empresas brasileiras, tem priorizado a abertura de um canal de diálogo com a matriz da companhia para buscar uma solução negociada.

Para o advogado, a resolução do caso pode representar um avanço concreto para a segurança jurídica do país. “A solução de um caso dessa magnitude servirá de paradigma para a segurança jurídica, bem como para a reputação internacional do Brasil, passando o recado de um país comprometido em garantir o respeito às leis por parte de todos, inclusive empresas estrangeiras. Isso é importante sobretudo em um momento de grande atração de investimentos ao Brasil”, afirmou.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   12/05/2026

Uma nova rodada de dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos será divulgada nesta terça-feira (12), com as expectativas ainda marcadas pelas incertezas geradas com a guerra no Oriente Médio.

A mediana do mercado apurada semanalmente pelo boletim Focus do BC (Banco Central) indica que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril deve registrar alta de 0,69%.

Apesar da desaceleração ante o dado de 0,88% aferido em março, os agentes econômicos ainda esperam ver preços pressionados pelo conflito, com impactos secundários ainda mais claros além dos combustíveis.

Outro destaque que deve aparecer na inflação oficial de abril é em relação aos alimentos, segundo analistas ouvidos pela reportagem.

"Os dois vêm com variações mais elevadas ainda, mas menores do que no mês anterior. Então, contribuindo mais destacadamente para essa diminuição da variação do índice. Combustíveis é o reflexo dos preços globais, com algum nível de repasse aqui interno", avalia Christian Meduna, economista do Banco BV.

"Os alimentos têm um pouco de repasse de custo de frete, mas alguma questão climática também, pesando em alguns itens no período", pontua.

O Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval tem perspectivas marginalmente mais pessimistas, avaliando que o IPCA de abril deve ter alta de 0,71%, refletindo as altas nos preços dos alimentos e dos combustíveis em função do conflito no Oriente Médio.

"Os destaques são a alta dos preços da gasolina, medicamentos e dos preços dos alimentos, em especial itens in natura, leite, ovos de galinha, feijão e carne vermelha", elenca relatório do banco.

"Os preços administrados devem refletir a alta sazonal dos medicamentos e as pressões nos combustíveis, como a gasolina, decorrentes do conflito no Oriente Médio", pontua.

Os analistas ouvidos pelo CNN Money indicam ainda que os serviços devem apresentar pequena variação de preços nessa leitura em função da deflação dos preços das passagens áreas, que dispararam na sequência do conflito.

Apesar da desaceleração, a taxa de inflação deve seguir em patamar elevado, sustentada pelos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio, que continuam se propagando pela inflação ao consumidor, ressalta Leonardo Costa, economista do ASA.

E o Daycoval ressalta que "apesar do grupo de serviços em patamar mais baixo, os itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho, devem seguir pressionados".

"Com isso, os serviços subjacentes (núcleo da inflação de serviços), ainda que desacelerem, devem permanecer em patamar elevado e constituem desafio para o BC", conclui.

Sobre os fatores climáticos que devem deteriorar o preço dos alimentos, André Valério, economista sênior do Inter, reforça que a inflação de alimentos deverá ser negativamente afetada pela ocorrência de El Niño no segundo semestre, o que deve pressionar os valores no longo prazo.

"O El Niño também poderá afetar negativamente a inflação de Habitação, encarecendo a energia elétrica. Com essas condições adversas de oferta, esperamos que haja um carrego para a inflação de 2027, quando esperamos que o IPCA encerre com alta acumulada de 3,8%, portanto, fora do centro da meta e acima do que se projetava pré-conflito", indica Valério.

O Focus também evidencia as expectativas deterioradas para o futuro: pela nona semana consecutiva, o mercado financeiro revisou suas expectativas para a inflação em 2026, atingindo 4,91% na segunda-feira (11).
Inflação dos Estados Unidos

A expectativa para o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos EUA é de alguma aceleração no índice cheio, com o impacto dos preços de energia e núcleo mostrando inflação ainda resiliente, segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

"Os preços de combustíveis, que impactam fretes e, consequentemente, alimentos e outros itens, e de passagens aéreas devem continuar voláteis, sem a expectativa de uma resolução do conflito que mantém o estreito de Ormuz fechado", explica a analista.

A projeção de consenso é de alta de 0,6% no mês para o índice cheio, e 0,3% para o núcleo, que exclui alimentos e energia.

"Caso o dado supere essas projeções, ou caso a leitura seja de impactos mais consolidados no setor de serviços, podemos observar uma mudança nas expectativas para os juros americanos, potencialmente com uma parte dos investidores precificando novos movimentos de aperto monetário pelo Fed - e não só o afastamento das expectativas de corte", pondera Zogbi.

Money Times - SP   12/05/2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, que será divulgado nesta terça-feira (12), deve mostrar uma inflação ainda pressionada, com alimentos, combustíveis e medicamentos formando uma espécie de “tríade inflacionária” no mês.

As projeções de mercado apontam para uma alta entre 0,67% e 0,71%, um pouco abaixo do resultado de março, que trouxe alta de 0,88%. O movimento reforça a percepção de que, apesar de alguns alívios pontuais em serviços, a inflação segue espalhada e desconfortável para o Banco Central.

O Banco Daycoval estima avanço de 0,71% no IPCA de abril, enquanto a XP projeta alta de 0,67%, em linha com o consenso do mercado e mediana das projeções do Broadcast.
O que esperar do IPCA de abril?

Na avaliação do Daycoval, os principais vetores de pressão devem ser os preços da gasolina, medicamentos e alimentos, especialmente itens in natura, leite, ovos, feijão e carne bovina. O banco também chama atenção para os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os combustíveis.

Já a XP destaca que os combustíveis ainda devem exercer forte contribuição sobre o índice, embora em intensidade menor do que a observada no IPCA-15. A gasolina deve subir 2,35% no mês, segundo a casa.

Nos alimentos, o cenário segue indigesto para o consumidor. A XP projeta alta de 1,35% para alimentação no domicílio, enquanto o Daycoval estima avanço ainda maior, de 1,49%.

Outro ponto de atenção será o reajuste sazonal dos medicamentos. O Daycoval calcula alta de 1,28% no grupo saúde e cuidados pessoais, enquanto a XP projeta avanço de 1,35%, refletindo o reajuste autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Alívio em serviços?

Apesar da pressão disseminada, os serviços devem trazer algum alívio na leitura cheia do índice. O Daycoval projeta variação quase nula do grupo, de 0,06%, influenciada principalmente pela forte queda das passagens aéreas, estimada em 14,32%.

A XP também vê desaceleração dos serviços, com alta de apenas 0,04% no mês.

Ainda assim, o núcleo de serviços continua incomodando. Segundo a XP, os serviços subjacentes devem avançar 0,44%, levando a média anualizada de três meses dessazonalizada para 5,7%, acima do patamar compatível com a meta de inflação.

O Daycoval observa que os itens mais sensíveis à atividade econômica e ao mercado de trabalho seguem pressionados, especialmente os chamados serviços intensivos em trabalho, que devem subir 0,64% no mês.

Além disso, os núcleos de inflação continuam mostrando resistência. A XP projeta média dos núcleos em 0,49% em abril, acima da mediana de mercado de 0,43%.

O cenário reforça a cautela do Banco Central em relação ao processo de desinflação. Para o Daycoval, embora os serviços tenham desacelerado na margem, os núcleos permanecem elevados e seguem como um desafio para a autoridade monetária. O banco ainda projeta IPCA de 4,7% ao fim de 2026, com viés de alta diante das tensões geopolíticas e dos riscos climáticos associados a um possível El Niño mais intenso no segundo semestre.

A XP, por sua vez, revisou recentemente para cima sua projeção para o IPCA de 2026, de 5,1% para 5,3%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 4%, sustentada por um câmbio mais apreciado e pela expectativa de uma política monetária mais restritiva.

Jornal de Brasília - DF   12/05/2026

O índice de preços ao consumidor na China registrou leve alta em abril devido ao aumento do custo do petróleo em todo o planeta com a guerra no Oriente Médio, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira.

O índice de preços ao consumidor (IPC), um indicador-chave da inflação, ficou em 1,2% em abril, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE).

O aumento foi provocado por “mudanças nos preços internacionais do petróleo e pela maior demanda por viagens durante os feriados”, afirmou Dong Lijuan, diretora de estatísticas do ONE.

Os preços do gás doméstico aumentaram 19,3% em termos anuais, disse Dong, afetados pelas flutuações internacionais das commodities.

Além disso, o feriado de cinco dias no início de maio costuma gerar mais viagens e gastos nas semanas anteriores. No entanto, o IPC do mês passado ainda ficou muito abaixo da meta de 2% estabelecida pelo governo para o ano.

O índice de preços ao produtor de abril, que mede a inflação no atacado, aumentou 2,8% em termos anuais, contra 0,5% em março.

O resultado superou a previsão de 1,8% da agência Bloomberg e representou o ritmo mais rápido desde julho de 2022, quando o IPP subiu 4,2% em termos anuais.

Exame - SP   12/05/2026

O governo do presidente Donald Trump solicitou ao Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos a suspensão da decisão que considerou ilegais as tarifas globais de 10% impostas recentemente pela Casa Branca.

Com o pedido, o governo busca manter a cobrança das taxas sobre produtos importados enquanto o processo segue em análise na Justiça americana.

Na semana passada, um painel do tribunal decidiu, por dois votos a um, que o uso da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para impor as tarifas foi inválido. Apesar disso, os efeitos da decisão foram limitados temporariamente apenas às empresas que entraram com ações judiciais e ao estado de Washington.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, permitir que a decisão produza efeitos imediatos poderia provocar uma onda de novos processos movidos por importadores afetados pelas tarifas. O governo argumenta que a suspensão das taxas prejudicaria a política comercial da administração Trump e desviaria recursos de outro processo em andamento relacionado a tarifas derrubadas anteriormente pela Suprema Corte.

O tribunal rejeitou a interpretação do governo sobre o conceito de “déficits na balança de pagamentos”, critério previsto na legislação de 1974 para justificar a aplicação das tarifas. Os juízes afirmaram que a proclamação assinada por Trump utilizou os termos “déficits comerciais e em conta corrente”, sem demonstrar formalmente a existência dos déficits exigidos pela lei.

O recurso apresentado pela Casa Branca segue em análise no Tribunal de Apelações do Circuito Federal dos Estados Unidos. O Departamento de Justiça afirmou que poderá recorrer diretamente à Suprema Corte caso os pedidos de suspensão sejam negados nas instâncias anteriores.

No início deste ano, a Suprema Corte já havia derrubado outra rodada de tarifas globais impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, conhecida pela sigla IEEPA. Após a decisão, foi iniciado um processo de reembolso para empresas afetadas, embora ainda exista incerteza sobre a devolução integral dos valores pagos.

Dados apresentados pelo governo apontam que mais de 170 mil importadores fizeram depósitos relacionados às tarifas da Seção 122 desde fevereiro, abrangendo cerca de 13 milhões de operações de importação.

Somente em março, as autoridades alfandegárias americanas arrecadaram aproximadamente US$ 8 bilhões com as tarifas da Seção 122, segundo dados analisados pela coalizão empresarial We Pay the Tariffs.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, apresentaram manifestações ao tribunal defendendo a manutenção das tarifas até julho, prazo previsto para o encerramento da medida, informou a Bloomberg.

Greer afirmou que as tarifas são “cruciais” para manter parceiros comerciais envolvidos nas negociações internacionais. Já Lutnick declarou que as taxas funcionam atualmente como “a única base global” capaz de conter um aumento nas importações enquanto o governo tenta enfrentar os desequilíbrios comerciais do país.

A nova disputa judicial amplia os questionamentos sobre a estratégia tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos últimos meses. O governo tem utilizado diferentes instrumentos legais para justificar tarifas globais em meio a pressões relacionadas ao comércio exterior e à balança comercial americana.

Brasil levou tarifa de 50%

Trump começou a impor tarifas em janeiro, logo após retornar à Casa Branca. Ele taxou inicialmente México, Canadá e China. Em abril, foram anunciadas tarifas para quase todos os países do mundo, com um mínimo de 10%. Houve também taxas por produtos, como aço e alumínio.

Em julho, foram anunciadas novas taxas ao Brasil, que teve o percentual básico elevado para 50%. O objetivo era pressionar o país a cancelar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.

A taxa, de 50%, foi aplicada inicialmente a todos os itens, mas logo foram surgindo exceções, que deixaram de fora itens importantes, como aeronaves e suas peças.

Entre julho e setembro, houve semanas difíceis, em que o governo brasileiro encontrou portas fechadas ao procurar autoridades americanas, e a situação parecia sem solução.

No entanto, o impasse foi desfeito a partir de setembro. Após uma série de conversas de bastidores, envolvendo tanto autoridades quanto empresários e entidades setoriais, o presidente Trump se reuniu com o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU.

Depois disso, vieram outras conversas entre os dois presidentes e uma série de alívios ao tarifaço, como a retirada de mais produtos da lista e uma sinalização de normalização das relações.

Segundo cálculo da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) feito após a última redução de tarifas, 62,9% dos produtos brasileiros exportados aos EUA ainda são alvo de alguma tarifa extra, seja de 10%, 40% ou 50%.

A última rodada de isenções foi anunciada em 20 de novembro, e contemplou itens como carne, café, frutas e outros produtos agrícolas. Já itens como calçados, máquinas, mel e móveis seguem sobretaxados.

Em meio às idas e vindas das taxas, houve redução de exportações do Brasil para os EUA de US$ 1,5 bilhão em produtos, entre agosto e novembro de 2025, segundo estudo da Amcham.

Ao mesmo tempo, em 15 de 21 setores analisados, as empresas não conseguiram redirecionar os produtos que iam para os EUA rumo a outros mercados. Esses setores somaram perdas de US$ 1,2 bilhão, com destaque para mel, pescados, plástico, borracha, madeira, metais e material de transporte.

O Estado de S.Paulo - SP   12/05/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela nona semana consecutiva, de 4,89% para 4,91%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.

Considerando apenas as 58 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana subiu de 4,91% para 4,95%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 seguiu em 4,00% pela segunda semana consecutiva. Há um mês, era de 3,91%. Considerando apenas as 57 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 4,00% para 3,90%.

A mediana para o IPCA de 2028 seguiu em 3,64%. Um mês antes, era de 3,60%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 36.ª semana consecutiva.

A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de abril.

Na ocasião, o colegiado subiu a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%.

“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes. Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”, avaliou o Comitê, em sua última ata.

Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

Selic

A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,00% pela terceira leitura consecutiva. Há um mês, a estimativa intermediária do mercado era que os juros fechariam o ano em 12,50%. A mediana vem sendo calibrada em meio à pressão inflacionária causada pela disparada dos preços do petróleo.

Considerando só as 82 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim de 2026 aumentou de 13,00% para 13,25%.

A mediana do Focus para a taxa Selic no fim de 2027 subiu de 11,00% para 11,25%. Há um mês, era de 10,50%. Considerando apenas as 80 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana aumentou de 11,00% para 11,25%.

A projeção para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,00% pela 16.ª leitura seguida. A estimativa para 2029 seguiu em 10,00% pela primeira leitura consecutiva. Um mês antes, era de 9,75%.

Na ata de sua última reunião, o Copom reafirmou serenidade e cautela na condução da política monetária. Também enfatizou que os passos futuros do processo de calibração da Selic poderão incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
PIB

A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 seguiu em 1,85% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 43 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa aumentou de 1,85% para 1,90%.

O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 oscilou de 1,75% para 1,76%. Levando em conta apenas as 42 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária subiu de 1,70% para 1,73%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 113.ª e 60.ª semana seguidas, respectivamente.
Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Um mês antes, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,37. Considerando apenas as 48 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,24 para R$ 5,19.

A mediana para o dólar no fim de 2027 continuou em R$ 5,30. Um mês antes, era de R$ 5,40. A estimativa intermediária para o fim de 2028 caiu de R$ 5,39 para R$ 5,35. Há quatro semanas, era de R$ 5,46.

Para 2029, a projeção permaneceu em R$ 5,40. Há um mês, era de R$ 5,50.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Infomoney - SP   12/05/2026

“Não verei vocês da próxima vez”, brincou Jerome Powell ao se despedir dos jornalistas após a tradicional conferência de imprensa após o anúncio da decisão de juros pelo Fomc, o comitê de política monetária dos Estados Unidos. O chairman do Federal Reserve se despede do cargo – mas não do board – nesta sexta-feira (15), após um período de 8 anos. E os especialistas estão afirmando que seu legado será mais político do que econômico.

A avaliação é que o banco central americano falhou no combate à inflação durante o mandato de Powell, mas que sua imagem pode ser preservada no futuro por conta da defesa da independência operacional da autoridade monetária, fustigada pelo presidente Donald Trump desde antes de sua posse, em janeiro de 2025.

Jerome Powell: a trajetória do presidente do Fed
Em um artigo recente para o Project Syndicate, o economista Mohamed A. El-Erian escreveu que narrativa que provavelmente perdurará não é das múltiplas falhas do presidente do Fed, mas de sua resiliência política. “Comentaristas e historiadores lembrarão Powell como o presidente que se tornou um baluarte contra ataques sem precedentes à independência do banco central”, disse.

Hung Tran, ex-diretor adjunto do Fundo Monetário Internacional e pesquisador sênior no Centro de Geoeconomia do Atlantic Council, concorda. “Ignorar a campanha de pressão de Trump para reduzir as taxas de juros não só rendeu amplo apoio público ao banqueiro central — também estabeleceu um padrão alto para seu sucessor na gestão da tensão constante entre as exigências do presidente e o duplo mandato do Fed”, argumentou.

Mas tecnicamente, há muitas ressalvas sobre o papel desempenhado por Powell no pior momento da inflação para as famílias americanas em décadas, que foi a crise de preços motivada pela quebra de cadeias de suprimentos durante a fase aguda da pandemia de Covid-19.

Era Powell no Fed, que começou e termina sob Trump, chega ao fim; confira trajetória

Tran lembrou que as respostas iniciais aos efeitos econômicos da crise de saúde foram positivas, com o Fed sob Powell adotando uma série de medidas para garantir a estabilidade dos preços e promover o máximo emprego, mostrando uma visão equilibrada do duplo mandato.

Houve o lançamento pelo Tesouro de um pacote de estímulo recorde no valor de 25% do produto interno bruto, enquanto o Fed elevou seu balanço patrimonial de cerca de US$ 4 trilhões, em 2019, para US$ 9 trilhões, no início de 2022 — isso enquanto reduzia as taxas de juros para quase zero.

As medidas combinadas de política fiscal e monetária ajudaram que a recessão desencadeada pela Covid-19 fosse a mais curta já registrada — apenas dois meses. A taxa de desemprego nos EUA subiu de 3,7%, em 2019, para 8% durante a recessão de 2020, mas depois caiu drasticamente para 3,6% em 2022 — e desde então tem oscilado entre 3,5% e 4,3%.

Mas Tran disse havido um “erro grave” do Fede ao manter sua política monetária acomodatícia por tempo demais. “Ao interpretar erroneamente os sinais de inflação acelerada em 2021 como ‘transitórios’, o Fed permitiu que a inflação subisse significativamente, atingindo o pico de 9,1% em junho de 2022”, lembrou.

Como resultado, o banco central teve que elevar agressivamente as taxas de juros de quase zero para entre 4,25% e 4,5% até o final de 2022 e implementar um aperto quantitativo para reduzir seu enorme balanço patrimonial

El-Erian destacou que grande parte dessa dor ainda é sentida hoje, alimentando uma preocupante crise de acessibilidade. O Fed de Powell também falhou na comunicação, com o próprio presidente frequentemente aumentando a volatilidade do mercado ao emitir sinais confusos ou confusos em suas coletivas de imprensa regulares.

Os especialistas também concordam que houve falhas na supervisão bancária, que permitiram as quebras dramáticas Silicon Valley Bank, Signature Bank e First Republic. Numa análise posterior da autoridade monetária, foi reconhecido que, quando vulnerabilidades ao risco de taxa de juros e liquidez foram identificadas, os supervisores não agiram em tempo hábil para garantir que fossem tratadas.

Para Tran, com sua decisão de permanecer como governador do Fed até o fim de seu mandato, em janeiro de 2028, Powell ainda pode desempenhar um papel influente na formação do debate sobre política monetária e das decisões do Fed — com base em dados econômicos e financeiros, não em pressão política.

Na opinião de El-Erian, essa decisão de ficar está se mostrando polarizadora. Ou seja, para alguns, é um ato heroico, um compromisso de fornecer uma “mão firme” no conselho de governadores e de garantir que as defesas institucionais do Fed permaneçam intactas. Para outros, Powell adotou uma estratégia egoísta para gerenciar tanto sua própria exposição jurídica quanto a narrativa mais ampla. “Além disso, alguns o veem como alguém que desrespeita seu sucessor e colegas no Fomc, e outros temem que a medida provoque mais ataques a uma instituição já enfraquecida.

O Estado de S.Paulo - SP   12/05/2026

A atividade produtiva brasileira está amarrada por uma âncora pesada há muitos anos: os juros altos. O custo do dinheiro tem machucado balanços e inviabilizado negócios, segundo a opinião unânime de empresários presentes no “Brasil em Pauta Nova York”, evento promovido pelo Estadão que abriu a Brazil Week na capital financeira.

Fechado a convidados, o encontro recebeu 90 empresários e lideranças de diferentes setores no Baretto NYC. Entre eles, Eduardo Peres, CEO da Multiplan; Ernesto Pousada, CEO da Vibra; Fernando Simões, CEO da Simpar; Henry Borestein, CEO da Helbor; Marcelo Guidotti, CEO da Ecorodovias; Marcio Alencar, CEO da Alelo; Marcos Molina, chairman da MBRF; Maurício Bahr, chairman da Engie Brasil Energia; Paula Lopes, CEO da Marsh; e Rui Chammas, CEO da Isacteep.

“Há muita coisa acontecendo, tanto nacional como internacionalmente, que impacta de forma dramática a economia neste momento”, afirma Benjamin Steinbruch, CEO da CSN. “A guerra (do Oriente Médio) terá efeitos imediatos na inflação e até na taxa de juros, mas o Brasil já carrega juros irreais, em termos globais, que não deixam a economia andar."

Para ele, as ações por uma solução estruturante têm levado muito tempo para serem concretizadas e será inevitável que o próximo presidente eleito, seja quem for, se debruce sobre o problema. “A demora faz mal e, se as mudanças não forem feitas, o crescimento é ilusório”, diz Steinbruch.

Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho do Bradesco e que fez parte da mesa de conversas, afirmou que a questão fiscal é um moto perpétuo: precisa ser continuamente trabalhada.

“Se não formos capazes de fazer o alinhamento da política fiscal e da política monetária, vamos continuar com essa necessidade de ter taxas de juros que é absolutamente proibitiva para o investidor”, diz ele. “Uma taxa real (descontada a inflação) de juros de 10% é insustentável, não só para as pessoas, mas para as empresas e para o Tesouro Nacional.”

Além do efeito no custo do capital, Ricardo Gontijo, CEO da Direcional Engenharia, maior empresa do setor no País, disse que o desafio da mão de obra é outra preocupação para o crescimento sustentável. “O mais preocupante mesmo, neste momento, é o capital caríssimo, que inviabiliza grande parte das iniciativas que precisamos ter para investimentos de longo prazo no nosso País.”
Política fiscal

Marco Bologna, sócio da gestora Galapagos Capital, concorda. Segundo ele, uma política fiscal equilibrada é um dos fatores condicionantes para a redução da taxa de juros. “Sem isto, estamos fadados a sempre ter uma taxa de juros de dois dígitos”, diz.

No ano eleitoral, afirma Rodrigo Luna, CEO da Plano&Plano, construtora com forte atuação no segmento do Minha Casa, Minha Vida, é importante a busca por responsabilidade fiscal.

“Espero que possamos ter um ano político de muito debate, com cuidado com o trato da economia e sem apelos puramente eleitorais, porque as consequências são muito sérias e de longo prazo, e o Brasil não suporta mais passar por tanto tempo com juros tão altos e uma discrepância social gigantesca”, afirma.

Bruno Boetger, responsável pelo banco de atacado do Bradesco, a área que cuida especificamente de empresas, vê as consequências todos os dias, na prática. “O juro real alto machuca muito o balanço das empresas e ele já está alto por muito tempo”, afirma Boetger.

“O Banco Central iniciou o ciclo de queda, mas a guerra do Irã, que teve como consequência a alta do preço do óleo, está fazendo com que provavelmente essa queda seja menos acelerada.”

Para evitar armadilhas como essa, o desafio fiscal precisa ser solucionado o quanto antes. “O principal desafio para o crescimento do Brasil, para o investimento e para o setor privado investir é um juros mais baixo”, diz.

MINERAÇÃO

Investing - SP   12/05/2026

Os contratos futuros de minério de ferro registraram ganhos nesta segunda-feira pela sexta sessão consecutiva, na esteira de uma série de dados positivos na China, dada a expectativa de que exportações menores de aço ajudem a reequilibrar os preços e as margens das usinas siderúrgicas.

Já os embarques e estoques de minério de ferro em níveis inferiores aos registrados no ano anterior ajudaram a sustentar os preços.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,73%, a 822,5 iuanes (US$121,04) a tonelada.

O minério de ferro de referência de junho na Bolsa de Cingapura avançava 0,88%, a US$111,4 a tonelada.

As exportações de aço da China caíram 9% em abril no comparativo anual, mostraram dados alfandegários no sábado, com os embarques que geraram reclamações de parceiros comerciais registrando o pior ano desde 2023.

A China embarcou 9,5 milhões de toneladas de aço, um aumento de 4% em relação a março, mas abaixo do ritmo recorde do ano passado. A redução das exportações de aço ajudam a aumentar os preços e as margens das usinas siderúrgicas, que foram amplamente suprimidas pela superprodução da China.

Em abril, as importações de minério de ferro caíram 0,8% em relação ao mês anterior, uma vez que a redução das margens do aço reduziu o apetite de compra do principal ingrediente siderúrgico. A China, maior mercado consumidor de minério de ferro do mundo, trouxe 103,9 milhões de toneladas no mês passado, abaixo dos 104,74 milhões de toneladas em março e dos 103,14 milhões de toneladas no mesmo mês em 2025.

Infomoney - SP   12/05/2026

As ações da Vale (VALE3) registrou ganhos de 2,41%, a R$ 83,45, sendo destaque de alta do Ibovespa nesta segunda-feira (11).

O movimento aconteceu uma vez que os contratos futuros de minério de ferro registraram ganhos pela sexta sessão consecutiva, na esteira de uma série de dados positivos na China, dada a expectativa de que exportações menores de aço ajudem a reequilibrar os preços e as margens das usinas siderúrgicas.

Já os embarques e estoques de minério de ferro em níveis inferiores aos registrados no ano anterior ajudaram a sustentar os preços.
O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,73%, a 822,5 iuanes (US$121,04) a tonelada. O minério de ferro de referência de junho na Bolsa de Cingapura avançava 0,88%, a US$ 111,40 a tonelada.

Ainda em destaque, o BTG Pactual destacou visão positiva para a Vale. Na visão do banco, o minério de ferro continua surpreendendo positivamente, com preços sustentados acima de US$ 100/t (tonelada) e recentemente negociando acima de US$ 110/t.

Para os analistas, o principal vetor tem sido inflação de custos — e não força de demanda — com frete (cerca de US$ 7–10/t) e diesel (cerca de US$ 1–3/t) adicionando mais de US$ 10/t à curva marginal de custos e, na prática, elevando o piso de preços da commodity.

Ao mesmo tempo, aponta a equipe de análise, os fundamentos seguem relativamente equilibrados: as importações chinesas continuam elevadas (mais de 5% no ano) e a utilização dos altos-fornos permanece próxima de 90%, sinalizando demanda resiliente.

Do lado da oferta, os riscos seguem graduais, com Simandou avançando, mas adicionando apenas cerca de 15 Mt (milhões de toneladas) em 2026 — insuficiente para alterar de forma relevante a dinâmica de preços. O CMRG, por sua vez, tem se mostrado mais ruído do que sinal, com concessões marginais de preço e sem evidência de mudança estrutural no mercado.

Diante desse cenário, passou a enxergar risco de alta para nossas projeções de minério: US$ 102/t para 2026 e US$ 95/t para 2027. “Mantemos recomendação de compra para a Vale, que segue como uma das principais beneficiárias globais da dinâmica atual de preços”, aponta.

AUTOMOTIVO

Transporte Moderno - SP   12/05/2026

A chinesa Sany Trucks definiu onde e quando dará seu passo mais relevante no Brasil: a companhia começará a produzir caminhões no início de julho, em Indaiatuba, interior de São Paulo, na antiga fábrica de ônibus da Mercedes-Benz.

A decisão, revelada com exclusividade pelo diretor de vendas da empresa no país, Dieter Lommer, à Agência Transporte Moderno, marca a transição da operação comercial para uma presença industrial. O contrato da unidade foi assinado às vésperas da Agrishow, e os primeiros testes industriais ocorrem entre junho e julho, com início da montagem logo na sequência.

A produção começará no regime CKD (completely knocked down), em que os veículos chegam desmontados da China e são montados no Brasil. Ainda nessa fase inicial, a empresa já trabalha com um plano de nacionalização de componentes — movimento considerado chave para reduzir custos, ganhar competitividade e viabilizar acesso a financiamento local.

A nova planta concentrará montagem, estoque, pós-venda e suporte técnico. A reorganização implica um salto relevante na estrutura da empresa no país: dos atuais cerca de 400 funcionários para algo próximo de 700 ao longo do ramp-up da operação. As contratações já estão em curso na região de Campinas.
Nacionalização ocorrerá rápido

O plano industrial nasce atrelado à busca por fornecedores locais. A companhia avalia a produção no Brasil de itens como pneus, eixos e sistemas mecânicos, além de estudar, em um horizonte mais longo, alternativas de motorização nacional, o que poderia envolver empresas instaladas no país, como a MWM ou Cummins.

O avanço da nacionalização também dialoga com o acesso a linhas de financiamento do BNDES, especialmente via Finame, embora veículos elétricos contem com regras mais flexíveis de conteúdo local.

A operação começa com um portfólio amplo, combinando modelos elétricos — principal aposta da marca — e versões a diesel, além de caminhões leves e aplicações específicas. Ao mesmo tempo, a empresa revisa parte da oferta para concentrar esforços em configurações com maior competitividade.

A unidade também marca a retomada da atuação da Sany na chamada linha amarela no Brasil, com montagem local de máquinas de construção, seguindo a mesma lógica: kits importados no início e avanço gradual de conteúdo nacional.

Todo o investimento é bancado pela matriz chinesa, sem incentivos fiscais locais, segundo o executivo. A escolha de Indaiatuba se apoia na proximidade com fornecedores, infraestrutura logística e disponibilidade de mão de obra — além do reaproveitamento de uma planta industrial já existente, o que acelera a entrada em operação.

Com isso, a Sany tenta ganhar escala no Brasil em um momento de transição tecnológica no transporte e restrições de crédito. A produção local, ainda que inicialmente baseada em kits importados, reposiciona a empresa em um novo patamar competitivo — já com a nacionalização no radar.

Transporte Moderno - SP   12/05/2026

Por anos, o acordo entre Mercosul e União Europeia foi tratado como uma promessa diplomática de longo prazo. Em 2026, o tema muda de patamar. Com a entrada em vigor inicial de capítulos comerciais, o setor automotivo pesado passa a conviver com uma nova realidade: o acordo deixa de ser tese política e passa a ser variável concreta de mercado.

Para o segmento de caminhões e ônibus, o impacto imediato não deve vir de uma “invasão” de veículos europeus, como parte do mercado chegou a especular. O movimento inicial tende a ocorrer de forma mais silenciosa — e talvez mais profunda — dentro das fábricas, nas cadeias de suprimentos e nos centros de engenharia.
O marco zero começa pelos componentes

A primeira fase do acordo prevê desoneração imediata para itens classificados como estratégicos à modernização produtiva, incluindo bens de capital, eletrônicos industriais e determinados componentes mecânicos.

Na prática, entram nesse grupo motores elétricos, geradores, transformadores, conversores estáticos, painéis de controle, instrumentos de medição, sistemas de transmissão e engrenagens específicas.

Para a indústria de caminhões e ônibus, isso significa potencial redução de custo ou ampliação de acesso a tecnologias essenciais para:
powertrain mais eficiente; eletrificação parcial ou total; sistemas avançados de segurança; conectividade embarcada; automação industrial; melhoria de produtividade fabril.

Em outras palavras, o impacto inicial do acordo pode ocorrer mais na linha de montagem do que no pátio das concessionárias.
Caminhão no Brasil se vende por TCO, não por bandeira

O mercado brasileiro de pesados opera sob lógica distinta do automóvel de passeio. A decisão de compra de um caminhão depende principalmente de TCO (Total Cost of Ownership), disponibilidade de peças, rede de assistência, valor de revenda e consumo de combustível.

Por isso, mesmo com redução tarifária parcial, um caminhão europeu não ganha espaço automaticamente no Brasil apenas por origem ou marca.

Será necessário provar competitividade em fatores concretos:
custo por quilômetro rodado; tempo parado em oficina; cobertura nacional de pós-venda; treinamento técnico; residual no mercado de usados.

Esse ponto tende a favorecer as montadoras já estabelecidas localmente, como Volkswagen Caminhões e Ônibus, Mercedes-Benz do Brasil, Volvo, Scania, Iveco e DAF, que já operam com rede estruturada, produção nacional e conhecimento do mercado regional.
A cota de importação será teste de mercado

Outro ponto relevante é a abertura da cota anual de 32 mil veículos para o Brasil, com redução de 50% no Imposto de Importação dentro do mecanismo inicial do acordo.

Embora o volume total seja compartilhado entre diferentes categorias automotivas, a medida cria um importante laboratório competitivo.

O mercado poderá testar a receptividade de:
caminhões premium; chassis especializados; ônibus completos; veículos urbanos elétricos; nichos de maior valor agregado.

Mais do que medir volume, a cota servirá para comparar produto europeu e nacional em preço final, TCO, manutenção e revenda.
Autopeças podem ser as grandes vencedoras

Se o debate público tem se concentrado em montadoras, parte importante do ganho pode surgir na cadeia de fornecedores.

Com tarifa zero imediata para exportação de autopeças brasileiras à União Europeia, empresas nacionais de fundição, usinagem, estruturas metálicas, chicotes, sistemas mecânicos e componentes especializados passam a enxergar nova janela comercial.

Estados com forte base industrial, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tendem a ser diretamente impactados.

Para muitos fabricantes locais, o acordo pode representar oportunidade maior do que para os próprios OEMs.
Brasil pode atrair asiáticos

Talvez o efeito estratégico menos discutido seja o reposicionamento geográfico do Brasil.

Ao integrar Mercosul e UE em uma estrutura comercial ampliada, o país passa a ser visto como potencial plataforma industrial para fabricantes asiáticos interessados em produzir localmente e acessar dois mercados relevantes.

Marcas como BYD, Foton, JAC Motors, XCMG e SANY podem reavaliar investimentos industriais no Brasil sob uma lógica nova: não apenas vender internamente, mas exportar.

Se esse movimento se confirmar, o Brasil pode ganhar protagonismo semelhante ao que o México conquistou em ciclos anteriores de integração comercial.
E os ônibus?

No segmento de ônibus, o acordo também abre oportunidades relevantes.

O Brasil possui tradição industrial em chassis, carrocerias e engenharia aplicada ao transporte coletivo. Isso pode beneficiar:
ônibus urbanos; escolares; rodoviários; soluções elétricas adaptadas a mercados emergentes.

Ao mesmo tempo, cresce a concorrência em veículos completos importados, especialmente em nichos tecnológicos e urbanos.
O que esperar daqui para frente?

No curto prazo, o acordo não deve provocar ruptura de mercado. O setor continuará influenciado por fatores já conhecidos, como juros, crédito, demanda logística e renovação de frota.

Mas no médio prazo, o jogo muda.

O acordo tende a premiar empresas com:
escala industrial; engenharia competitiva; cadeia eficiente; capacidade exportadora; velocidade de adaptação.

Mais do que discutir tarifas, o setor de caminhões e ônibus passa a discutir posicionamento estratégico.

IstoÉ Dinheiro - SP   12/05/2026

A China exportou mais veículos elétricos e veículos híbridos plug-in do que carros a gasolina ou diesel pela primeira vez em abril, à medida que as montadoras expandiram agressivamente suas operações no exterior para compensar a demanda moderada no mercado doméstico.

A China exportou 769 mil automóveis em abril, com os veículos de nova energia – termo que inclui veículos elétricos e híbridos plug-in – representando 52,7% do total das exportações, informou a Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA) nesta segunda-feira, 11. As exportações de veículos de nova energia mais do que dobraram, chegando a 406 mil unidades no mês passado, mostraram os dados.

O aumento das exportações ocorreu enquanto o mercado doméstico continuava sob pressão devido ao fraco sentimento de consumo. As vendas no varejo de carros de passeio em abril caíram 21,5% em relação ao ano anterior, para 1,38 milhão de unidades, segundo a CPCA. As vendas recuaram 16% em comparação com março.

A alta dos preços do petróleo também pesou sobre a demanda por veículos tradicionais movidos a gasolina, acrescentou a associação, já que os consumidores passaram cada vez mais a optar por carros de nova energia para evitar custos maiores com combustível.

O Salão do Automóvel de Pequim, em abril, deu um leve impulso ao sentimento do mercado, embora as vendas tenham permanecido abaixo dos níveis de um ano antes. As vendas no varejo de veículos elétricos e carros híbridos caíram 6,8%, para 849 mil unidades, em abril.

Olhando adiante, o mercado automotivo da China continuará enfrentando desaceleração da demanda, à medida que o fraco sentimento de consumo e os preços mais altos do petróleo reduzem a disposição dos compradores de adquirir carros. Espera-se que as exportações se tornem o principal motor de crescimento da indústria automobilística chinesa. As principais montadoras provavelmente continuarão expandindo na Europa e na América Latina para compensar a demanda mais fraca no Oriente Médio, afirmou a entidade do setor.

O Estado de S.Paulo - SP   12/05/2026

Vendas de elétricos no Brasil praticamente triplicam no primeiro quadrimestre e colocam 2026 no caminho de um novo recorde histórico

O Brasil emplacou 48.514 carros puramente elétricos nos quatro primeiros meses de 2026. O número, obtido por meio da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), é expressivo não apenas pelo volume absoluto, mas principalmente pela velocidade com que esse mercado cresceu em tão pouco tempo.

A título de comparação, entre janeiro e abril de 2025, foram vendidos 17.695 carros elétricos em todo o País. Ou seja, o segmento praticamente triplicou em apenas um ano. A evolução fica ainda mais evidente quando se olha para trás. Em 2022, o Brasil havia registrado apenas 1.747 BEVs no mesmo período. Em 2023, foram 2.545 unidades. Agora, em 2026, o mercado alcança quase 50 mil unidades antes mesmo de completar o primeiro semestre.

O avanço é puxado por uma combinação de fatores. Há mais produtos disponíveis, mais marcas disputando espaço, preços mais agressivos em determinados segmentos e, sobretudo, uma aceitação mais ampla do consumidor.

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Mas nenhum modelo simboliza essa virada com tanta força quanto o BYD Dolphin Mini. Sozinho, o compacto acumula 21.643 licenciamentos entre janeiro e abril, o que representa quase metade de todos os carros elétricos vendidos no Brasil no período.

O estado de São Paulo concentra a maior parte dos emplacamentos de elétricos no acumulado de 2026. Foram 10.233 unidades nos quatro primeiros meses do ano. O resultado não surpreende. São Paulo reúne a maior frota do País, tem infraestrutura de recarga adequada e presença mais forte de concessionárias, importadores e empresas que apostam em frota eletrificada.

O Distrito Federal aparece em seguida, com 4.490 unidades, à frente do Rio Grande do Sul, que registrou 4.221 emplacamentos. Os volumes chamam atenção pelo tamanho dos mercado locais.

Carros eletrificados como protagonistas?

O desempenho dos carros elétricos, contudo, faz parte de um movimento maior. Considerando todos os veículos leves eletrificados, incluindo híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos puros, abril foi o melhor mês da série histórica da ABVE. Foram 38.516 unidades emplacadas, com 16% de participação de mercado. Segundo a associação, esse índice é o dobro do registrado sete meses antes.

O avanço mensal também foi forte. As vendas de eletrificados cresceram 9% em relação a março, com 35.356 emplacamentos, e 161% sobre abril de 2025, quando o mercado havia registrado 14.759 licenciamentos. No acumulado de janeiro a abril, a média mensal dos eletrificados chegou a 30.615 unidades, crescimento de 124% sobre o primeiro quadrimestre do ano passado.

Chevrolet Captiva EV aposta em DNA chinês e bom custo-benefício para fazer sucesso

Dentro desse universo, os modelos plug-in ganharam protagonismo. Em abril, 80% dos eletrificados vendidos no Brasil tinham tomada, somando BEVs e PHEVs. Os elétricos puros responderam por 17.488 unidades, ou 45,4% do total de eletrificados do mês. Já os híbridos plug-in representaram 13.214 unidades, o equivalente a 34,3%.

Só em abril, os BEVs cresceram 24,3% sobre março e impressionantes 272% sobre abril de 2025, quando haviam sido emplacadas 4.702 unidades. É uma expansão que não se explica apenas por uma base baixa. Ela também reflete a chegada de produtos mais competitivos, com autonomia mais adequada ao uso urbano e preços menos distantes dos carros a combustão de faixa intermediária.

Ritmo atual levaria mercado a 145 mil elétricos no ano

Se mantiver a média registrada entre janeiro e abril, de 12.128 carros elétricos por mês, o Brasil pode encerrar 2026 com aproximadamente 145.542 BEVs vendidos. Seria um salto expressivo em relação a 2025, quando foram comercializados 80.178 carros elétricos no País durante todo o ano.

Naturalmente, a projeção depende de variáveis importantes. Preço, câmbio, política de importação, disponibilidade de produto, rede de recarga, financiamento e até a reação das marcas tradicionais podem alterar o ritmo nos próximos meses. Ainda assim, é evidente que o mercado brasileiro de elétricos vem numa boa toada.

A leitura da ABVE vai na mesma direção. Para Ricardo Bastos, presidente da entidade, o desempenho aponta para uma tendência consistente de aceleração da eletrificação no Brasil. Segundo o executivo, os números mostram que o movimento não é sazonal nem acidental, mas coerente ao longo do tempo, com o consumidor levando cada vez mais em conta as vantagens do veículo eletrificado na decisão de compra.

A fotografia de 2026 mostra exatamente isso. O carro elétrico ainda enfrenta obstáculos notórios, como preço de entrada elevado, infraestrutura desigual e concentração regional. No entanto, também começa a vencer resistências antigas. O consumidor brasileiro, historicamente cauteloso, passou a comparar custos de uso e a aceitar uma mudança que, até poucos anos, parecia distante demais.

FERROVIÁRIO

Portos e Navios - SP   12/05/2026

O Banco do Nordeste (BNB) liberou, nesta segunda-feira (11), R$ 41,2 milhões para a conclusão das obras da Ferrovia TransNordestina. O montante corresponde à terceira liberação este ano de recursos relativos ao financiamento, para o qual já foram destinados em 2026 mais de R$ 300 milhões e que, até o fim do ano, tem previsão de receber R$ 1 bilhão da instituição.

Os valores são do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e financiam o segmento ligando Eliseu Martins, no Piauí, ao Complexo Industrial e Portuário de Pecém, no Ceará. Com 1.209 quilômetros de extensão, a linha percorre 53 cidades. Os recursos que estão sendo liberados compõem o aditivo no valor de R$ 3,6 bilhões ao financiamento das obras da Transnordestina, anunciado no fim de 2024 pelo governo federal.

O diretor financeiro e de crédito do BNB, Wanger de Alencar, classificou a ferrovia como fundamental para o desenvolvimento do Nordeste. Segundo ele, a obra representa um avanço importante para a infraestrutura regional e já está atraindo investimentos, entre os quais os de empresas de logística, frigoríficos e prestadores de serviço.

Rodoviário

Canal Rural - SP   12/05/2026

Segundo a Pasta, as intervenções fazem parte da nova etapa da concessão da BR-101/RJ, leiloada em novembro de 2025. A Arteris S.A., que já administrava o trecho, venceu o certame e assumiu novas obrigações de investimento e ampliação da infraestrutura viária.

O contrato tem duração de 22 anos e inclui obras e serviços voltados à ampliação da capacidade da estrada e à operação do tráfego. Entre as estruturas previstas estão novas passarelas, paradas de ônibus e um Ponto de Parada e Descanso para Caminhoneiros (PPD).

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Em nota, o Ministério dos Transportes informou que as intervenções devem atingir pontos considerados críticos ao longo da rodovia. De acordo com a Pasta, o objetivo é ampliar a capacidade viária e melhorar o fluxo de veículos no corredor.

A BR-101/RJ tem relevância logística para o estado. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) classifica a rodovia como uma via importante de acesso terrestre à região da bacia de Campos, área estratégica para a produção de petróleo no país. Nesse contexto, melhorias de fluidez e infraestrutura podem alterar as condições de transporte de cargas e deslocamento regional ao longo da concessão.

Até o momento, o ministério não detalhou publicamente o cronograma físico das obras por trecho nem as datas de entrega de cada intervenção.

Com a ordem de serviço assinada, a execução das obras entra na fase operacional. O avanço do cronograma e a divulgação das etapas por segmento devem indicar, nos próximos meses, o ritmo da modernização prevista para a BR-101/RJ.

Globo Online - RJ   12/05/2026

A BR-393, mais conhecida como Rodovia do Aço, tem sido alvo frequente de reclamações por causa de buracos e falta de sinalização. O ministro George Santoro diz que percorreu a rodovia há cerca de duas semanas e verificou que a “situação estava muito ruim”.De acordo com o ministro, foram contratadas intervenções na via que consumirão R$ 30 milhões na primeira fase, prevista para durar até outubro deste ano.

Ex-goleiro Bruno é preso pela PM na Região dos Lagos do Rio Segredos do crime: Governador em exercício Ricardo Couto nomeia 'caveira' do Bope para a presidência do Detran Detran do Rio publica novas regras para proteger vítimas de clonagem de veículos Ancelmo Gois: Policiais do Rio terão novos coletes de última geração que aguentam até tiro de fuzil Mais de cem idosos vão participar de teste físico para a Força Municipal no Rio Thiago Gomide: As mulheres que curavam o Rio e foram perseguidas.

NAVAL

Portos e Navios - SP   12/05/2026

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou, na última sexta-feira (8), a criação de um grupo de trabalho (GT) para uniformizar as regras para processos de concessão de portos, aeroportos e hidrovias. O objetivo, segundo a pasta, é ampliar a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória e tornar os projetos de infraestrutura mais atrativos para investidores.

O ministro de portos e aeroportos, Tomé Franca, disse que, embora os três segmentos tenham características específicas, a meta é criar diretrizes comuns para as concessões feitas pelo Ministério e coerência nos processos relativos aos diferentes modos de transporte. Segundo Franca, o entendimento é de que é possível ter um modelo regulatório que aproveite as experiências de cada setor.

De acordo com o MPor, caberá ao grupo de trabalho avaliar as possibilidades de harmonização das regras aplicadas aos diferentes modais, considerando impactos econômicos e regulatórios, e analisar aspectos relacionados à segurança jurídica, com base em pareceres do Tribunal de Contas da União (TCU). Especificamente em relação a prorrogações contratuais, deverão ser propostas diretrizes para aumentar as vantagens econômicas para o Estado, incentivar novos investimentos e melhorar os serviços oferecidos.

A expectativa é de que, com a uniformização das regras, seja reduzida a percepção de risco dos investidores, cortados custos de projetos, ampliado o interesse pelas concessões e facilitado o financiamento de empreendimentos de infraestrutura. Inicialmente, explicou o ministério, o grupo de trabalho terá 90 dias para apresentar relatório final com os estudos desenvolvidos e propostas de diretrizes para políticas públicas e aperfeiçoamento normativo.

O ministério anunciou ainda que o grupo de trabalho será coordenado pela Assessoria Especial do Gabinete Ministerial e terá representantes da Secretaria-Executiva, da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Além disso, especialistas e entidades de fora da pasta poderão participar das discussões, mas sem direito a voto.

Valor - SP   12/05/2026

Durante encontro na Coreia do Sul, em outubro, presidentes americano e chinês concordaram em suspender por um ano as taxas recíprocas sobre navios dos dois países

Um grupo bipartidário de senadores dos Estados Unidos pediu nesta segunda-feira (11) ao presidente Donald Trump que mantenha as medidas comerciais propostas por seu governo para reconstruir a indústria naval americana e não faça concessões durante o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping.

Os senadores democratas Tammy Baldwin, de Wisconsin, e Mark Kelly, do Arizona, além dos republicanos Tim Scott, da Carolina do Sul, e Todd Young, de Indiana, afirmaram em carta enviada nesta segunda-feira que o esforço de décadas da China para “dizimar a construção naval americana” exige o uso máximo das medidas comerciais dos EUA.

Durante encontro na Coreia do Sul, em outubro, Trump e Xi concordaram em suspender por um ano as taxas recíprocas sobre navios dos dois países, evitando cerca de US$ 3,2 bilhões anuais em tarifas para grandes embarcações construídas na China que atracam em portos americanos. As taxas dos EUA voltarão a vigorar em 10 de novembro, a menos que seja acordada uma nova suspensão.

Os EUA anunciaram inicialmente as taxas portuárias em abril de 2025 para tentar reduzir o domínio chinês sobre a indústria marítima global, após uma investigação americana concluir que o controle da China sobre os setores marítimo, logístico e de construção naval foi impulsionado por práticas desleais.

Trump se reunirá com Xi na China nos dias 14 e 15 de maio em uma cúpula que deverá ser dominada pela guerra envolvendo o Irã, conflito que ampliou as tensões entre Washington e Pequim. A China continua sendo a maior compradora de petróleo iraniano, apesar da pressão do governo Trump.

“Os Estados Unidos estão em um ponto de inflexão e não podem ceder mais espaço à República Popular da China”, escreveram os senadores na carta, divulgada inicialmente pela Reuters. “Pedimos que o senhor mantenha uma posição firme durante essas negociações enquanto trabalhamos juntos para implementar medidas comerciais e avançar com a SHIPS for America Act para equilibrar as condições de competição.”

A Casa Branca não comentou imediatamente o assunto.

O projeto de lei, apresentado no Senado e na Câmara dos Representantes dos EUA no ano passado, prevê créditos tributários para investimentos em estaleiros e produção doméstica, além de autorizar US$ 2,5 bilhões em financiamento ao longo de uma década para projetos de construção naval nos EUA, entre outras medidas.

A participação da China na indústria global de construção naval, estimada em US$ 150 bilhões, saltou de cerca de 5% em 2000 para mais de 50% em 2023, impulsionada principalmente por subsídios governamentais. Já a participação dos estaleiros americanos, antes dominantes, caiu para menos de 1%. Coreia do Sul e Japão aparecem em seguida entre os maiores construtores navais do mundo.

A ameaça de taxas americanas levou temporariamente a uma queda de 25% nos pedidos feitos a estaleiros chineses na primavera passada, embora as encomendas tenham se recuperado mais tarde após o adiamento das tarifas, escreveram os senadores.

“A queda repentina nos pedidos à indústria naval chinesa mostra que, quando seu governo age sobre essa questão, a indústria marítima global presta atenção”, afirmaram os parlamentares, classificando as taxas portuárias como “uma medida urgente e crítica necessária para fortalecer a base industrial dos EUA, expandir a economia e proteger a segurança nacional”.

Valor - SP   12/05/2026

Segundo levantamento, 79% das embarcações pertencentes às 10 maiores transportadoras marítimas do mundo que ficaram retidas no Golfo Pérsico continuam na região

Mais de dois meses após o bloqueio do tráfego comercial no Estreito de Ormuz, provocado pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, apenas nove dos 53 navios presos na região conseguiram deixar a via marítima, uma taxa de 17%, segundo dados da empresa de análise marítima Kpler.

Dois navios da Cosco Shipping precisaram realizar uma segunda tentativa para atravessar o estreito com sucesso. A companhia chinesa foi a única entre as grandes armadoras a conseguir retirar embarcações da via marítima após novas tentativas de passagem, ao retirar dois de seus cinco porta-contêineres do Golfo Pérsico.

Segundo o levantamento, 79% dos 53 navios pertencentes às 10 maiores transportadoras marítimas do mundo que ficaram retidos no Golfo Pérsico continuam na região.

Os dados da Kpler mostram que a CMA CGM é uma das companhias mais expostas à crise, com 15 navios na região e 13 ainda presos, o equivalente a uma taxa de retenção de 87%. A MSC Mediterranean Shipping Company, por sua vez, tinha 14 embarcações na área, das quais duas foram apreendidas pelas autoridades iranianas e outras oito continuam retidas.

Na avaliação da Kpler, a situação da MSC é classificada como “a mais delicada”, uma vez que o episódio das apreensões dos navios por Teerã “chamou atenção de seguradoras marítimas e equipes jurídicas em todo o mundo”, de acordo com relatório publicado pela empresa em 7 de maio.

A Maersk mantém cinco de seus seis navios ainda presos no Golfo. Já as companhias Wan Hai Lines, Evergreen Marine, Yang Ming Marine Transport, Ocean Network Express e HMM não conseguiram retirar nenhuma embarcação da região, o que representa uma taxa de retenção de 100%. A Kpler apontou que, em condições normais, “essas embarcações já teriam completado duas ou três viagens adicionais nesse período”.

Ainda conforme análise da Kpler, o sucesso da Cosco Shipping sugere que embarcações de bandeira chinesa podem estar operando sob “uma lógica diplomática e de risco diferente da aplicada às empresas ocidentais”.

A empresa de análise marítima também enfatiza que as embarcações retidas “geram receita zero”, visto que continuam “consumindo combustível, gerando custos portuários e mantendo tripulações mobilizadas sob condições extraordinárias”.

“Isso [crise de retenção em Ormuz] deixa 42 embarcações, suas tripulações, cargas e capital presos em uma situação de limbo comercial indefinido” afirmou a Kpler.

Outro ponto de preocupação é que as rotas alternativas não são economicamente viáveis para os navios que transportam cargas pesadas, volumosas e de baixo valor agregado, ao contrário do que ocorre com os transportadores de produtos de alto valor ou urgentes, como alimentos, medicamentos e eletrônicos. Nestes últimos casos, houve absorção dos custos extras de rotas terrestres e desvios emergenciais.

Além disso, os portos que passaram a absorver o tráfego desviado do Golfo operam muito acima de seus padrões históricos, segundo a Kpler. Entre os principais terminais sob pressão estão Salalah, em Omã, Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, e centros de transbordo espalhados pelo Oceano Índico. A empresa tem monitorado indicadores como congestionamento, filas de embarcações e tempo médio de espera nesses portos.

A Kpler destacou, por fim, que Khor Fakkan, Sohar (Omã) e Jeddah (Arábia Saudita) estão atualmente entre os terminais mais vulneráveis ao aumento da sobrecarga logística. Para a empresa, o monitoramento permite identificar sinais antecipados de saturação antes que os impactos se espalhem por toda a cadeia global de suprimentos.

PETROLÍFERO

Investing - SP   12/05/2026

A produção de petróleo bruto da OPEC recuou 830.000 barris por dia em abril, atingindo 20,04 milhões de bpd o menor nível de produção em mais de 20 anos.

O volume produzido em abril representa o menor patamar da OPEC desde pelo menos 2000, excluindo mudanças de composição do grupo, ficando abaixo até dos níveis registrados durante a pandemia de COVID-19 em 2020, quando a demanda entrou em colapso. A queda ocorreu após o conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã ter efetivamente fechado o Estreito de Ormuz e forçado reduções nas exportações, de acordo com relatório da Reuters com base em pesquisa própria.

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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, composta por 12 membros, registrou queda na produção de abril em relação a março, mês que teve suas estimativas revisadas para baixo em 700.000 bpd devido a ajustes nas projeções referentes à Arábia Saudita.

Oito membros da Opep+, que reúne a OPEC e aliados como a Rússia, haviam planejado retomar os aumentos de produção em abril. O início da guerra com o Irã em 28 de fevereiro e o subsequente fechamento do Estreito de Ormuz impediram a execução desse acordo.

O Kuwait registrou a maior queda de produção entre os membros da OPEC em abril, refletindo um mês completo de exportações prejudicadas. A Arábia Saudita e o Iraque também apresentaram novas reduções na produção, segundo o relatório.

Os Emirados Árabes Unidos foram o único membro do Golfo a aumentar a produção durante o mês. Tanto a Arábia Saudita quanto os Emirados Árabes Unidos mantêm rotas de exportação que contornam o Estreito de Ormuz, e os dados de rastreamento de navios-tanque indicaram aumento nas exportações dos Emirados em abril.

Venezuela e Líbia também elevaram sua produção em abril. Os Emirados Árabes Unidos deixaram a OPEC com efeito a partir de 1º de maio.

Valor - SP   12/05/2026

Quatro das empresas sancionadas são sediadas em Hong Kong, quatro nos Emirados Árabes Unidos e uma em Omã

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (11) sanções contra três indivíduos e nove empresas acusados de ajudar no envio de petróleo iraniano à China. Quatro empresas são sediadas em Hong Kong, quatro nos Emirados Árabes Unidos e uma em Omã.

A medida do Tesouro americano ocorre após sanções anunciadas na sexta-feira contra pessoas e companhias acusadas de auxiliar o Irã na compra de armas e componentes usados na fabricação de drones e mísseis balísticos.

O anúncio acontece poucos dias antes do encontro previsto entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, ocasião em que Trump deverá pressionar Pequim a ajudar a resolver o impasse com o Irã e a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz.

O Departamento do Tesouro afirmou, em comunicado, que as novas designações feitas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) têm como alvo "indivíduos e entidades que ajudaram a Guarda Revolucionária Islâmica a vender e transportar petróleo iraniano para a China por meio de uma rede de empresas de fachada em jurisdições econômicas permissivas”.

Além disso, o órgão americano alega que a Guarda Revolucionária utiliza as empresas de fachada em “jurisdições econômicas permissivas” para ocultar sua participação nas vendas de petróleo e canalizar receitas para o regime iraniano. Nessa mesma esteira, o governo americano afirma que, em vez de usar esses recursos para apoiar a população iraniana, “Teerã direciona os valores para programas de armas, grupos aliados classificados como terroristas e forças de segurança responsáveis por reprimir liberdades civis”.

No comunicado, o Tesouro ainda justifica que as novas sanções dão continuidade a uma ação tomada em julho de 2025 contra a empresa Golden Globe Demir Celik Petrol Sanayi ve Ticaret Anonim Sirketi, que é apontada como “peça importante” nas vendas de petróleo da Guarda Revolucionária.

Além disso, o órgão diz que as empresas chinesas Hong Kong Blue Ocean Limited e Hong Kong Sanmu Limited atuavam como empresas de fachada semelhantes à Golden Globe tanto na venda quanto no transporte de petróleo iraniano para compradores internacionais.

Já a Jiandi HK Limited, também chinesa, teria fechado um acordo em 2025 para comprar dezenas de milhões de dólares em petróleo iraniano da Guarda Revolucionária, segundo o Tesouro. Por fim, a Max Honor International Trade Co., sediada em Hong Kong, teria “adquirido milhões de barris de petróleo iraniano, transportados pelos navios sancionados SCALER e SKIPPER”.

As outras empresas sancionadas foram:

Atic Energy FZE (Emirados Árabes Unidos; sob alegação de vínculo com a Guarda Revolucionária Islâmica);

Blanca Goods Wholesaler LLC (Emirados Árabes Unidos; sob alegação de vínculo com a Guarda Revolucionária Islâmica);

Ocean Allianz Shipping LLC (Emirados Árabes Unidos; sob alegação de vínculo com a Guarda Revolucionária Islâmica);

Universal Fortune Trading LLC (Emirados Árabes Unidos; sob alegação de vínculo com a National Iranian Oil Company);

Zeus Logistcs Group (Omã; sob alegção de vínculo com a Guarda Revolucionária Islâmica).

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo Trump continuará aumentando a pressão sobre Teerã para privar o governo e as Forças Armadas iranianas de recursos destinados a armas, ao programa nuclear e ao apoio a aliados regionais.

“Enquanto as forças militares do Irã tentam desesperadamente se reorganizar, a operação ‘Fúria Econômica’ continuará privando o regime de recursos para seus programas de armas, aliados terroristas e ambições nucleares”, afirmou Bessent. “O Tesouro continuará cortando o acesso do regime iraniano às redes financeiras usadas para atos terroristas e para desestabilizar a economia global”, prosseguiu.

As medidas foram adotadas com base na Ordem Executiva 13224, que é voltada ao combate ao terrorismo. A Guarda Revolucionária foi enquadrada nessa mesma ordem em 13 de outubro de 2017. Já a National Iranian Oil Company foi sancionada em 26 de outubro de 2020.

O Ofac afirmou que todos os ativos e interesses financeiros das pessoas e empresas sancionadas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos foram bloqueados e deverão ser informados à agência. Empresas controladas em 50% ou mais por indivíduos ou entidades sancionadas também passam automaticamente a sofrer bloqueio.

As autoridades americanas alertaram ainda que violações das sanções podem levar à aplicação de punições civis e criminais contra cidadãos e empresas, tanto dos EUA quanto estrangeiros. Segundo o comunicado, instituições financeiras internacionais também poderão ser alvo de sanções secundárias caso facilitem operações consideradas relevantes envolvendo os sancionados.

O Departamento do Tesouro destacou, por fim, que o objetivo das medidas “não é punir, mas promover mudanças positivas de comportamento”, acrescentando que pessoas incluídas na lista de sanções têm direito de solicitar remoção seguindo os procedimentos estabelecidos pelo Ofac.

Valor - SP   12/05/2026

Os preços do petróleo subiram no início da segunda-feira, com o WTI aproximando-se da marca de US$ 100 por barril, depois que o presidente Donald Trump disse que a resposta do Irã à proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra era “totalmente inaceitável.”

Por volta das 11, na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em julho subia 1,9% a US$ 103,19 por barril. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho ganhava 1,5% a US$ 96,81. Ambas as referências acumulam alta de mais de 70% neste ano.

O Irã disse que reabrirá gradualmente o Estreito de Ormuz à medida que os Estados Unidos suspenderem o bloqueio a navios e portos iranianos, informou o The Wall Street Journal, citando autoridades. “Acabei de ler a resposta dos chamados “Representantes’ do Irã. Não gostei - TOTALMENTE INACEITÁVEL!”, Trump escreveu em uma postagem no Truth Social.

As declarações, feitas durante o fim de semana, podem reacender as tensões no estreito, uma via navegável crucial para o transporte global de energia, que está bloqueada devido aos conflitos. “Este desenvolvimento reverteu parte do otimismo observado na semana anterior”, disseram analistas do Commerzbank Research.

“Era de se esperar que o mercado ficasse cada vez mais cansado com a enxurrada de notícias e as idas e vindas”, afirmam analistas do ING. “No entanto, os preços do petróleo continuam altamente sensíveis às oscilações em torno do Irã, o que destaca a importância das contínuas interrupções no fornecimento no Golfo Pérsico.”

Os mercados agora estão focados no encontro de Trump com o presidente chinês Xi Jinping ainda esta semana, em meio a esperanças persistentes de que as negociações possam gerar avanços em relação ao Irã. Xi também deseja o fim do conflito, já que a instabilidade no Oriente Médio ameaça o fornecimento de petróleo da China e enfraquece a demanda por exportações chinesas.

A Saudi Aramco, maior exportadora de petróleo do mundo, destacou como as gigantes do petróleo estão se beneficiando do conflito prolongado ao divulgar seus resultados financeiros no domingo. O lucro trimestral da empresa saltou 25%, para US$ 32,5 bilhões, nos primeiros três meses do ano.

“Nosso Oleoduto Leste-Oeste, que atingiu sua capacidade máxima de 7 milhões de barris de petróleo por dia, provou ser uma artéria de suprimento crucial, ajudando a mitigar o impacto de um choque energético global”, disse o diretor-presidente Amin Nasser. Ele acrescentou que o oleoduto tem sido capaz de aliviar o fardo dos clientes afetados pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz.

Exame - SP   12/05/2026

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 7,2% na comparação anual. O número inclui um ganho cambial de R$ 12,3 bilhões, resultado da valorização do real frente ao dólar no período. Excluindo esse e outros itens não recorrentes, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 23,8 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025.

A receita de vendas somou R$ 123,7 bilhões, uma leve alta de 0,4% na comparação anual. O desempenho modesto ocorre apesar do barril de petróleo 6,5% mais caro.

Os efeitos da alta da matéria-prima ainda não apareceram no balanço. Há uma defasagem natural entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita, que ocorre apenas quando o navio chega ao porto de destino. No mercado asiático, principal destino das exportações brasileiras, o preço é calculado com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga.

Com 81 mil barris por dia ainda em trânsito ao fim do trimestre, a Petrobras deve sentir o impacto do petróleo mais caro a partir do segundo trimestre de 2026.

As exportações cresceram 27,2% nos três primeiros meses do ano. No mercado interno, os preços dos derivados caíram 9,8%.

O segmento de Refino, Transporte e Comercialização foi o destaque, com receita de R$ 117,2 bilhões, alta de 0,3% na comparação anual.

A Exploração e Produção gerou R$ 84 bilhões, queda de 4,7%. A retração reflete exatamente a defasagem nas exportações de petróleo bruto citada acima.

Gás e Energias de Baixo Carbono somou R$ 11,6 bilhões, alta de 6,7%, impulsionada pelo aumento da oferta de gás natural nacional e pelas maiores vendas de energia elétrica.

O Ebitda ajustado ficou em R$ 61,7 bilhões, queda anual de 1%. A margem foi de 48% sobre a receita líquida. O Refino foi o segmento de maior crescimento, com EBITDA de R$ 20,2 bilhões ante R$ 6,2 bilhões um ano antes. O segmento de Exploração e Produção gerou R$ 54,2 bilhões, queda de 7,2%.

Investimentos pesados no pré-sal

Os investimentos totalizaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual. Exploração e Produção concentrou 87% do total. O crescimento reflete o avanço das obras no pré-sal, com destaque para os campos de Búzios e Sépia. A plataforma P-79 entrou em operação em maio, antes do prazo previsto.

A dívida bruta chegou a US$ 71,2 bilhões, alta de 10,4% em relação a março de 2025. A dívida líquida ficou em US$ 62,1 bilhões. O crescimento reflete as captações realizadas para financiar o ciclo de investimentos. O prazo médio da dívida é de 11,3 anos e o custo médio é de 6,8% ao ano.

O índice de alavancagem ficou em 1,43 vez o EBITDA dos últimos 12 meses, estável na comparação anual.

O fluxo de caixa operacional somou R$ 44 bilhões, queda de 10,9% ante o 1T25. O recuo foi causado pelo aumento dos estoques e pela piora no prazo de pagamento a fornecedores. O fluxo de caixa livre ficou em R$ 20,1 bilhões.

AGRÍCOLA

Valor - SP   12/05/2026

Consertá-la exigirá muito mais do que a nova lei agrícola pode oferecer

A cada cinco anos, o Congresso dos Estados Unidos aprova uma nova lei agrícola. A maior parte do debate gira em torno dos tópicos partidários de sempre - quanto dar de auxílio alimentar (os democratas querem mais, os republicanos em geral, menos) e que tipo de subsídios e seguros de safra os agricultores receberão. O novo projeto de lei, que acabou de ser aprovado pela Câmara e agora tramita no Senado, é mais do mesmo. O que significa que ignora o elefante na sala: o setor agrícola americano tem falhas sistêmicas.

Você não acharia isso à primeira vista. Os EUA são o terceiro maior produtor agrícola do mundo e o segundo em termos de exportações. Mas a maior parte de sua produção é de grandes culturas comerciais, duas em particular - milho e soja. Que são destinadas principalmente à produção de combustível e de ração para gado e às exportações para abastecer outros países. Embora a produção interna de grãos venha crescendo há décadas, a de frutas e verduras e legumes tem caído. Os americanos importam 59% de suas frutas frescas e 35% de suas verduras e legumes.

Pode-se dizer que isso é o livre mercado mundial em ação. Mas o fato é que as “externalidades negativas” (como diriam os economistas) de um sistema que deixou de ter o propósito de atender às necessidades nacionais ou mesmo internacionais tornaram-se custosas demais para serem ignoradas.

“Nossas métricas de sucesso não condizem mais com a realidade”, diz Andy Green, que foi assessor para assuntos agrícolas do governo de Joe Biden. “Para criar um sistema mais resiliente, precisamos pensar em algo mais do que apenas em retornos de curto prazo”.

Embora os agricultores americanos estejam mais produtivos do que nunca (a colheita de outono de 2025 bateu recordes), os lucros têm caído drasticamente por causa do excesso de oferta e do aumento dos custos. O número de falências no setor agrícola cresceu 46% entre 2024 e 2025, e chegou a níveis observados pela última vez durante o “Farm Aid”, nos anos 1980. No fim do ano passado, o governo Donald Trump anunciou um socorro financeiro de US$ 12 bilhões para os agricultores americanos (após os US$ 30 bilhões distribuídos em seu primeiro mandato), que têm sido prejudicados por guerras comerciais, desastres climáticos e, mais recentemente, pelo aumento dos preços de fertilizantes e outros insumos, que já estavam caros na esteira da guerra na Ucrânia e subiram ainda mais com a guerra contra o Irã.

Parte disso se deve às próprias ações de Trump. Ainda assim, e mesmo que tivéssemos políticas melhores da Casa Branca, o sistema caminhava para uma crise há décadas, em grande parte por causa das políticas de “cresça ou saia do setor” articuladas por Earl Butz, secretário de Agricultura do governo Richard Nixon, que eliminou muitas das políticas do New Deal que equilibravam as exportações com o apoio a pequenos agricultores e à diversificação de culturas. Sua reformulação da Secretaria de Agricultura dos EUA incentivou um sistema extremamente concentrado, focado em produzir calorias baratas e deixar que o livre mercado cuide do resto.

Mas assim como hoje entendemos os riscos dos gargalos nos setores de semicondutores e petróleo, em especial em uma época em que o comércio é usado como arma, os custos reais de um sistema agrícola americano que só dá prioridade a grandes retornos de curto prazo em um punhado de culturas estão se tornando mais evidentes.

Os EUA são o terceiro maior produtor agrícola do mundo e o segundo em termos de exportações - leia-se soja e milho para produção de ração animal e combustível. Para se alimentar, os americanos têm de importar 59% das frutas frescas e 35% das verduras e legumes

Para começar, há vulnerabilidades enormes em torno dos custos de insumos como energia e fertilizantes quando se cultiva o mesmo tipo de cultura na mesma terra, ano após ano. Esse tipo de agricultura altamente industrializada esgota os nutrientes do solo, o que torna necessário aplicar mais e mais produtos químicos para obter a mesma produtividade (e também há preocupações com a toxicidade desse tipo de agricultura, como demonstra o processo judicial contra a Monsanto).

Muitos agricultores com quem conversei por todo o país ao longo dos anos adorariam cultivar uma mistura de culturas mais diversificada. Mas os subsídios para os prêmios dos seguros aumentam com a quantidade de área segurada. O mesmo acontece com os pacotes de ajuda financeira, que são concedidos por acre. Isso, somado aos grandes níveis de concentração no setor varejista - as grandes redes de supermercados preferem negociar com grandes processadores ou produtores -, desestimula os tipos de agricultura menores, mais diversificados e sustentáveis.

Exportações de produtos baratos de culturas comerciais também têm seus riscos econômicos, como demonstra o colapso nas compras de soja americana pela China em meio à guerra comercial. A ideia de que os EUA devam continuar a gastar bilhões de dólares para socorrer agricultores que ainda são incentivados a seguir produzindo uma cultura que seu maior comprador não quer mais (a China avança na direção de aumentar sua independência alimentar) não faz o menor sentido.

É claro que nenhuma lei isolada pode resolver um problema sistêmico. Mas o pensamento sistêmico é exatamente o que se necessita para criar um setor agrícola que faça sentido. Considere, por exemplo, as iniciativas previstas no projeto de lei agrícola federal para limitar o alcance das exigências da “Proposição 12” da Califórnia, que impõe padrões mais elevados na produção de carne suína. A Califórnia é um mercado tão importante que 27% dos produtores de carne suína (principalmente produtores menores e independentes) já estão em conformidade com a proposição, segundo a Farm Action Fund, organização sem fins lucrativos que trabalha em questões de monopólio na agricultura.

Se a nova lei proibir os Estados de definirem regras próprias, isso provavelmente favorecerá as maiores empresas do setor, como, por exemplo, a Smithfield, de propriedade chinesa, que é a maior produtora individual de carne suína dos EUA.

Na teoria, não há nada de errado com isso, mas realmente parece uma medida estranha para um país em que existe apoio dos dois partidos para reduzir sua dependência da China em áreas cruciais.

Como tantas coisas sobre o sistema alimentar americano, esta é uma situação que faz pouco sentido. (Tradução de Lilian Carmona)

Rana Foroohar é colunista e editora do Financial Times em Nova York.

Eae Máquinas - SP   12/05/2026

Atualmente, cerca de 80% do portfólio da LiuGong no País conta com a força da líder em tecnologia de energia.

A participação da Cummins na Agrishow 2026 também se traduz no fortalecimento de parcerias estratégicas globais que ganham escala e visibilidade no setor agrícola nacional. É o caso da colaboração com a LiuGong, fabricante de máquinas e equipamentos de uso na extração mineral, construção e agricultura, que apresentou nove equipamentos com motorização Cummins durante a feira, incluindo quatro lançamentos para o mercado brasileiro.

O destaque da fabricante foi o lançamento do trator de esteiras TD14N, desenvolvido a partir das necessidades do mercado brasileiro. O trator conta com motor QSB5.9, em configuração que entrega 119 kW a 2.200 rpm. Esse exemplo ilustra a aplicação dos motores Cummins em diferentes categorias de equipamentos voltados ao agronegócio, com soluções que atendem às demandas de operações cada vez mais exigentes em produtividade, robustez e eficiência.

“A parceria entre Cummins e LiuGong é resultado de uma atuação global consolidada, que se traduz em aplicações reais em diferentes mercados. Na Agrishow, isso se materializa na presença dos nossos motores em equipamentos desenvolvidos para atender às demandas do agronegócio, evidenciando o desempenho e a flexibilidade das nossas tecnologias em diferentes condições de operação”, afirma Maurício Biadola, diretor de Vendas Off-Highway da Cummins Brasil.

“Quando olhamos para essas aplicações em conjunto, estamos falando de uma atuação que cobre diferentes etapas da operação no campo, desde a preparação e transformação do terreno, passando pela estruturação de vias, até a movimentação de materiais e insumos. Isso demonstra como nossas soluções conseguem atender a diferentes demandas com consistência de desempenho, apoiando operações eficientes e contínuas no setor agrícola”, reforça Biadola.

Além dos lançamentos, a LiuGong também apresentou um portfólio consolidado com soluções Cummins. Entre os modelos em exposição estão o rolo compactador 6612E, com motor QSB4.5, a pá carregadeira 848T Sugar Cane, com o motor B7T3, as escavadeiras 918F e 922E, com motores QSF4 e QSB7, respectivamente, e a escavadeira de rodas W915E, também com o QSB4.5.

Outros equipamentos apresentados no estande LiuGong incluem a motoniveladora 4215D, equipada com o motor QSL9.3, com potência de 162 kW a 2.200 rpm; as pás carregadeiras 835T e 838T Fertilizer, equipadas com o motor QSB5.9, com potência de 113 kW a 2.200 rpm.

Atualmente, cerca de 80% dos equipamentos LiuGong comercializados no Brasil contam com motorização Cummins, refletindo a consistência da parceria entre as empresas e a confiabilidade das soluções adotadas em diferentes aplicações. A presença conjunta na Agrishow reforça como a integração entre fabricantes globais amplia o acesso a tecnologias aplicadas ao agronegócio, conectando engenharia, desempenho e confiabilidade para sustentar a operação no campo.

Canal Rural - SP   12/05/2026

Segundo a entidade, uma iniciativa da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a proposta concentra esforços na redução de poluentes locais emitidos por máquinas fora-de-estrada, mas deixa em segundo plano o debate sobre descarbonização e mudanças climáticas.

Para a associação, o novo marco regulatório deveria seguir a tendência internacional de incentivo aos biocombustíveis, como biodiesel e etanol, considerados alternativas aos combustíveis fósseis.

De acordo com a AliançaBiodiesel, o modelo em discussão pode desviar investimentos da indústria destinados à descarbonização para adaptações no parque de motores ciclo diesel. A entidade argumenta ainda que a proposta entra em contradição com a Lei do Combustível do Futuro, ao priorizar o controle de emissões locais em regiões de baixa concentração populacional, como áreas agrícolas.

A associação também aponta fragilidades na fiscalização das futuras regras. Segundo o setor, o Brasil não possui um sistema estruturado de controle pós-venda para máquinas agrícolas, o que poderia estimular adaptações irregulares nos equipamentos e comprometer a efetividade das exigências.

Outro ponto levantado pela entidade é o impacto econômico da medida. A estimativa é de que o preço das máquinas agrícolas suba entre 15% e 25%, podendo ultrapassar esse percentual em equipamentos menores utilizados pela agricultura familiar.

Além disso, o custo operacional das máquinas poderia aumentar entre 9% e 20% devido à obrigatoriedade do uso do diesel S10 e do Arla-32. A AliançaBiodiesel afirma ainda que empresas nacionais sem fabricação própria de motores teriam custos adicionais em relação às multinacionais, o que poderia ampliar a concentração de mercado.

Na avaliação da entidade, o aumento de custos tende a ser repassado para cadeias como alimentos, obras e serviços, gerando impactos diretos para consumidores e produtores rurais.

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