FORGOT YOUR DETAILS?

Seja bem-vindo ao INDA!

Olá, seja bem-vindo
ao INDA!

10 de Março de 2026

SIDERURGIA

Globo Online - RJ   10/03/2026

A compra de um pedaço da Usiminas por fundo administrado pela encrencada Reag despertou o interesse dos investigadores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A coluna apurou que acaba de ser aberto processo sancionador — isto é, com acusação formulada e que vai a julgamento — contra a Reag Portfólio Solutions, que era um dos braços da finada gestora de João Carlos Mansur.

O fundo que era administrado pela Reag é o Vera Cruz Fundo de Investimento Financeiro em Ações, cujo beneficiário final não é conhecido. Em agosto do ano passado, o Vera Cruz pagou R$ 163 milhões por um pedaço da participação da CSN na Usiminas. A transação se deu em meio às atribuladas movimentações da siderúrgica de Benjamin Steinbruch para cumprir determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e reduzir sua fatia na Usiminas para menos de 5%.

Pressão

O caso se arrastava há mais de uma década, depois de a CSN montar posição de mais de 10% na rival com o objetivo de lançar uma oferta hostil. O plano não foi para frente, mas a CSN permaneceu como acionista da concorrente, mantendo relação conflituosa com a Ternium, que controla a Usiminas. O Cade exigiu a redução da participação ainda em 2014, mas a CSN não cumpriu a exigência e a “novela” foi se arrastando. Até que a Justiça intimou individualmente os conselheiros do Cade e sugeriu que houve omissão por parte do órgão.

Pouco antes de o Cade voltar a se debruçar sobre o tema, em agosto passado, a CSN passou, enfim, a vender suas ações. Um pedaço foi para a família Batista, da JBS, como revelou a coluna. A outra parte ficou com o fundo Vera Cruz, que mantém até hoje 5,13% das ações ordinárias (com voto) da Usiminas.

Carbono Oculto

A compra da fatia pelo veículo se deu poucas semanas antes de a administradora do fundo, a Reag, ser o principal alvo da operação Carbono Oculto, que revelou o uso de fundos de investimento pelo crime organizado.

Ainda não estão claras quais acusações pesam contra a Reag Portfólio Solutions no processo da CVM, uma vez que detalhes da investigação ainda não são públicos. O processo foi aberto em 9 de fevereiro, e a empresa deve ser formalmente citada nos próximos dias.

A investigação começou a partir de apuração preliminar determinada pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) iniciada após o comunicado da Usiminas sobre a compra acionária por fundo administrado pela Reag.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2026

A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%. Considerando só as 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também aumentou de 12,00% para 12,13%.

A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50%, pela 56ª semana seguida. Considerando só as 38 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também permaneceu em 10,50%.

A mediana para a Selic no fim de 2028 seguiu 10,00%, pela 7ª semana consecutiva. Para 2029, a mediana permaneceu em 9,50%, pela 19ª leitura consecutiva.

Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quinta vez seguida, mas indicou que pode começar o processo de corte dos juros na próxima reunião, em março.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse a ata da decisão.
Inflação

A mediana para o IPCA de 2026 manteve-se em 3,91%. A taxa está 0,91 ponto porcentual acima do centro da meta, de 3,00. Há um mês, era de 3,97%. Considerando apenas as 44 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida oscilou de 3,91% para 3,92%.

A projeção para o IPCA de 2027 subiu levemente de 3,79% para 3,80%. Há um mês, era de 3,80%. Considerando apenas as 42 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 3,74% para 3,81%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.

Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Copom, o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

No Focus desta segunda-feira, a projeção para o IPCA de 2028 manteve-se em 3,50%, pela 18ª semana seguida. Para 2029, também seguiu em 3,50%, mas pela 27ª semana seguida.
Dólar

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 oscilou de R$ 5,42 para R$ 5,41. Há um mês, era de R$ 5,50. A projeção para a moeda no fim de 2027 seguiu em R$ 5,50, pela quinta semana seguida.

A moeda americana fechou 2025 cotada a R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.

Para o fim de 2028 e de 2029, as medianas também permaneceram em R$ 5,50 pela quarta e pela primeira semana consecutiva, respectivamente. Há um mês, a estimativa para o fim de 2029 era de cotação em R$ 5,57.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

PIB

A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 manteve-se em 1,82%. Um mês antes, era de 1,80%. Considerando apenas as 38 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa subiu de 1,85% para 1,87%.

O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 manteve-se em 1,80%, pela 10ª semana seguida. Considerando só as 32 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 1,80% para 1,75%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 104ª e 51ª semana seguida, respectivamente.

CNN Brasil - SP   10/03/2026

Quando os ponteiros se alinharem no topo do relógio e as 12 badaladas indicarem que é meia-noite de quarta-feira (11), começa o período de silêncio da diretoria do BC (Banco Central) para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Dali em diante e até a próxima quarta-feira (18), quando o colegiado anunciar sua decisão para a taxa básica de juros, os quadros da alta cúpula da autarquia são proibidos de manifestar suas visões sobre o cenário econômico, dando pistas sobre o que será discutido na reunião e influenciar a política monetária - cujo trabalho é controlar a inflação através dos juros.

Há no mercado forte expectativa para o início de um ciclo de cortes na taxa Selic, movimento sinalizado pelo Copom em janeiro, "em se confirmando o cenário esperado" pela diretoria do BC.

Contudo, o cenário virou de ponta cabeça desde que os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque sem precendentes contra o Irã, que retaliou disparando contra o território israelense e outros países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.

As 24 horas desta terça-feira (10) representam a última chance de o Copom dar um sinal público sobre possíveis mudanças de perspectivas para a decisão de juros antes que da reunião.

"O teste importante será hoje. O BC começa o período de silêncio na quarta. Se ele tivesse visão diferente do que foi sinalizado na reunião anterior, a boa prática para não assustar mercado seria uma declaração em evento ou entrevista para falar", defende Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.

Especialistas ouvidos pelo CNN Money ponderam sobre o efeito prático que a guerra pode ter no rumo da política monetária.

Tensão no mercado

A pressão sobre essa reunião cresceu na última semana com o desenrolar da guerra dos Estados Unidos e de Israel com o Irã.

Em seus últimos comunicados, o Copom já vinha transmitindo incertezas com o mundo, e em sua última decisão de juros, em janeiro, não foi diferente.

"O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica", diz o comunicado da última reunião, que manteve a Selic em 15% ao ano, mas abriu portas para corte no próximo encontro.

Contratado o ciclo de afrouxamento da política monetária, o mercado começou a deliberar sobre o grau da queda dos juros.

Até antes da guerra, no dia 27 de fevereiro, mais de 70% dos investidores apostavam que o corte seria de 0,5 ponto percentual, de acordo com os contratos de opções de Copom negociados na B3. Dali em diante, começou-se a questionar se a queda brusca seria segura.

Impacto do conflito no bolso do consumidor

Mas o que a guerra tem haver com isso? A guerra no Oriente Médio levou à redução de tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota que atravessa as águas do Irã e de Omã e é considerada ponto crucial para o transporte global de petróleo.

Estima-se que passe por ali cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, e que abastece grandes economias como as da China e da Índia. A ferramenta de inteligência de tráfego marítimo Marine Traffic mostra que o tráfego de navios petroleiros via Ormuz caiu 90% desde o início do conflito.

Tanker traffic through Strait of Hormuz down by 90%

Analysis of vessel activity indicates tanker transits are now around 90% lower than last week. Matt Wright, Principal Freight Analyst at Kpler, explains: "Unlike several other vessel segments where movements have largely pic.twitter.com/JIhFoAkQKO

— MarineTraffic (@MarineTraffic) March 4, 2026

Com o fluxo quebrado, os preços do petróleo no mercado internacional dispararam e chegaram a tocar os US$ 100 nesta segunda-feira (9).

E mesmo tendo recuado no pós-mercado, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que reduziria sanções relacionadas ao petróleo para controlar os preços de energia, os contratos futuros do barril da commodity seguiam cotados acima de US$ 80.

"O cenário não é de falta, o problema é logistico. Escoamento que se transforma em problema de produção na hora que a capacidade de estocar é limitada, e tem que parar produção", pondera Gino Olivares, da Azimut.

"Entendo que ele está procurando uma saída. Nessa perspectiva, o mercado tira pressão do mercado e precifica a volta de uma normalidade", pontua.

Petróleo mais caro significa combustível mais caro. E com os combustíveis custando mais, toda produção e transporte que depende deles acaba encarecendo junto, de modo que a contaminação inflacionária é generalizada.

O preço do petróleo na casa dos US$ 80 traz um impacto de 0,25 ponto percentual na inflação brasileira, segundo relatório da Tendências Consultoria.
A guerra impacta os juros?

Se a reunião do Copom fosse agora, Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC, acredita que a autarquia iria pelo caminho da cautela, iniciando o ciclo de cortes com 0,25 ponto. Contudo, ressalta que pela frente ainda "tem mais uma semana para passar".

"Vai saber o que vai acontecer. O mercado melhorou muito com a fala do Trump, e de repente é isso mesmo e a guerra acaba logo. Se seguir com essa melhora, o cenário dá mais conforto ao Copom. O problema não é de projeção, é sobre a incerteza com o momento, que é uma bagunça considerável", ressalta Schwartsman.

"A primeira coisa é que o cenário pro Banco Central fica muito mais nebuloso. Embora tenha recuado [no pós-mercado de segunda-feira], o preço de petroleo está mais alto do que estava no último Copom, e isso tem algum impacto na projeção de inflação via preço de combustíveis", pontua.

Contudo, Schwartsman destaca que reajustes pontuais não devem mexer com o rumo da queda dos juros, uma vez que o Copom trabalha com um horizonte futuro. Para influenciar no quadro analisado pelo BC, o cenário precisaria impactar a inflação de outubro de 2026 até setembro de 2027.

Nessa linha, o também ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC e colunista do CNN Money, Tony Volpon ainda banca o corte de 0,5 ponto.

"Sempre tive a expectativa que essa guerra seria relativamente curta, não seriam semanas e meses, mas sim encerrada quando Israel, especialmente, teria degradado o complexo industrial militar iraniano", argumenta Volpon.

"E só foi o petróleo bater em US$ 100 que o Trump saiu dizendo que já deu, e que esse conflito deve acabar em breve, que foi essa volta que a gente viu no mercado. Essa pequena alta que teve na expectativa da Selic, quanto disso está sendo contaminado por esses fatores de curto prazo que podem muito bem reverter nos próximos dez dias", ressalta.

O cenário projetado pela Azimut segue em corte de 0,5 ponto, assim como a mediana do mercado apurada pelo Boletim Focus desta segunda. Contudo, Gino Olivares destaca que "a palavra calibragem é importante, de restritivo para menos restritivo, mas ainda restritivo".

"O problema é temporário. Mesmo intenso, no meu ponto de vista, não deveria mudar a decisão. O Banco Central não pode ser influenciado por ruído de curto prazo", defende Olivares.

A cautela também é destacada por Schwartsman. "O Copom continua tendo, nas projeções, espaço para cortar juros. O que acontece é que o grau de incerteza que o comitê vai ter sob as projeções pode acabar o levando a ser mais cauteloso", conclui o ex-BC.

Exame - SP   10/03/2026

O índice de preços ao consumidor da China avançou 1,3% em fevereiro, o maior nível em três anos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 9, pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China.

O resultado representa uma aceleração relevante da inflação em relação aos meses anteriores. Em janeiro, o indicador havia registrado alta de 0,2%, após avanço de 0,8% em dezembro.

Autoridades chinesas têm defendido uma estratégia de fortalecimento do consumo interno para sustentar o crescimento econômico do país.

O aumento dos preços em fevereiro ocorre após o período do Ano Novo Lunar, quando tradicionalmente há crescimento no número de viagens, compras e atividades de lazer no país.

Durante o feriado, considerado o principal período de deslocamentos e consumo da população chinesa, os gastos das famílias costumam registrar forte aumento.

Petróleo a US$ 100: quando a gasolina vai ficar mais cara no Brasil?
Meta de crescimento para 2026 é a menor em décadas

O governo da China estabeleceu uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para 2026.

Segundo autoridades, esse é o objetivo mais baixo desde 1991, com exceção de 2020, quando o país não fixou uma meta oficial devido ao impacto da pandemia de COVID-19 na economia global.

China reduz meta de crescimento econômico para uma das menores em décadas

A definição de uma meta mais moderada reflete o cenário de desaceleração econômica, desafios no setor imobiliário e a tentativa do governo de equilibrar crescimento com estabilidade financeira.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2026

Apesar da queda do preço do petróleo no fim desta tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que a guerra com o Irã está “praticamente concluída”, economistas temem os efeitos da volatilidade da commodity nas projeções de inflação do Brasil. A cotação chegou a bater US$ 120 nesta segunda-feira, 9, mas recuou para abaixo de US$ 90 o barril.

Nesse patamar, a disparada do preço tem potencial para acrescentar quase um ponto porcentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), projetado pelo último Boletim Focus do Banco Central (BC) em 3,91%.

Também levanta dúvidas se o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC irá começar a cortar os juros a partir da próxima reunião, marcada para o dia 18 de março, conforme sinalização em comunicado do último encontro do colegiado.

Por enquanto, a maioria dos economistas ouvidos pelo Estadão considera que o cenário mais provável é que Copom seja mais cauteloso no tamanho do corte, em meio ao quadro de conflito no Oriente Médio. Isto é, no lugar de iniciar o ciclo de redução de juros básicos, hoje em 15% ao ano, com um corte de 0,50 porcentual, projetado por boa parte do mercado até então, o BC opte por uma redução mais modesta, de 0,25 ponto porcentual.

No entanto, há especialistas que não descartam a possibilidade de um adiamento do início do ciclo de corte da taxa de juros, caso o conflito se acirre e seja prolongado.

Por outro lado, o bom comportamento da taxa de câmbio em meio ao conflito e a política moderada de reajuste de preços dos combustíveis por parte da Petrobras podem atenuar o impacto potencial da alta do petróleo nos preços dos combustíveis e na inflação em geral, projetado inicialmente em quase um ponto porcentual.

“O barril de petróleo rompendo o patamar de US$ 100, deverá ser um limitador para o corte dos juros, mas não acredito que o Banco Central deixe de cortar”, afirma a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, fazendo menção à reunião do Copom da próxima semana.

Segundo a economista, o colegiado deve começar com uma redução de 0,25 ponto porcentual. No entanto, por conta do ritmo mais lento no ciclo de corte, ela acredita que os juros não irão chegar ao fim do ano no nível projetado pelo mercado de 12%, segundo o Boletim Focus do BC.

Se a guerra continuar, a inflação pode ir a 4,5%, a 5% neste ano, diz a economista, o que limita de forma importante o corte de juros, mesmo que a alta de preço do petróleo ocorra por causa de um choque temporário na oferta.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, observa que os preços futuros do petróleo estão em queda, apesar de a cotação do barril ter explodido com o conflito. “No (mercado) spot o petróleo está a US$ 100, mas esse preço cai rapidamente até o final do ano”, diz ela.

Esse é um indicativo de que o preço do petróleo não irá permanecer nesse patamar por muito tempo. “Isso é relevante porque provavelmente não haverá esse repasse total do petróleo a US$ 100.”

De toda forma, nas suas contas, o estrago matematicamente calculado do barril a US$ 100 na inflação – sem considerar a trajetória de queda dos preços futuros – seria de 0,80 ponto porcentual.

Além dos preços futuros do petróleo em queda, ela acrescenta a política moderada de repasse da Petrobras que pode atenuar o impacto na inflação.

Na semana passada a presidente da empresa, Magda Chambriard, disse que há muita volatilidade nos preços. Por ora, a economista do C6 acredita que o Copom opte por iniciar o ciclo de corte de juros com uma redução de 0,25 ponto porcentual.

“Cresceram as chances de o BC ser mais cauteloso nesse início de corte, começando com uma redução de 0,25 ponto porcentual na taxa de juros”, afirma o economista e sócio da Consultoria Tendências, Silvio Campos Neto.

Por enquanto, ele considera essa possibilidade, mas não alterou o cenário traçado pela consultoria de que o ciclo de corte começaria com uma redução de 0,50 ponto porcentual. Mas se o petróleo ficar acima de US$ 100 o barril, é bem provável que a consultoria reduza a projeção de corte para 0,25, diz.
Câmbio

Além da política de repasses a ser adotada pela Petrobras – de quanto e quando irá transferir a alta do petróleo para os preços dos combustíveis –, um ponto que pode ajudar o Banco Central a decidir qual será o tamanho do corte na taxa básica de juros, na opinião de Campos Neto, é a taxa de câmbio.

“Até que o câmbio está se comportando bem nesse contexto, talvez porque o Brasil hoje seja um grande produtor e exportador de petróleo”, diz. De toda forma, o economista ressalta que o atual patamar do barril de petróleo traz um efeito inflacionário importante.

Flávio Serrano, economista-chefe do Bmg, também aponta o câmbio como um fator de moderação da inflação no momento atual. O câmbio favorável contribui na dinâmica dos preços dos alimentos, dos bens industriais e até mesmo de alguns reajustes de preços administrados, como a energia elétrica. “O câmbio bem-comportado serve como um contraponto (ao preço do petróleo).”

Diferencial da gasolina e do diesel

O economista-chefe do Bmg observa que o diferencial de preços da gasolina e do diesel no mercado externo em relação ao interno é gigantesco. Varia entre 45% e 50% no caso da gasolina e entre 80% e 85%, no caso do diesel.

Se um reajuste dessa magnitude for repassado sem atenuantes, o impacto potencial na inflação seria de quase um ponto porcentual, calcula Serrano.

Mas o economista pondera que, a depender dos efeitos do câmbio, de como a Petrobras fará o repasse e da duração do conflito, o estrago na inflação pode ser menor, 0,40 ponto porcentual. Com isso a inflação, projetada pelo mercado para este ano em 3,91%, subiria para 4,31%.

Serrano diz que o BC não está preocupado no momento se o impacto da alta do petróleo será de 0,40 ou um ponto porcentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas com impulso que pode provocar na inflação de serviços e de outros bens.

Mesmo com toda a volatilidade do cenário, Serrano acredita que o BC vá iniciar o ciclo de alívio nos juros, porém com um corte menor, de 0,25 ponto porcentual. “Havia elementos fortes o suficiente para que o BC cortasse 0,50 ponto porcentual os juros, mas isso, de alguma maneira, se dissipou parcialmente”, diz o economista. Por enquanto, ele prefere manter a projeção de redução de 0,50.
Adiamento do corte dos juros

“Aumentou bastante a chance de a Selic se manter em 15% na semana que vem”, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Ele diz que a tendência é de o preço do petróleo seguir pressionado por mais tempo.

Por isso, o quadro atual é muito difícil para que o Banco Central opte pelo corte nos juros, na avaliação de Vale. “A melhor estratégia para o BC seria esperar para ver, o que significa não diminuir a taxa por enquanto.”

André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), também acredita que a volatilidade dos preços deve durar mais tempo, o que pode levar a um adiamento do início do ciclo de corte da taxa de juros, inicialmente sinalizado para este mês.

“Sempre que existe uma guerra entre potências desse naipe, com grande capacidade destrutiva e sem um acordo à vista, é provável que demore um pouco mais de tempo e gradualmente vá contaminando cadeias globais de produção.”

Com isso, a alta da inflação pode ficar mais persistente. Braz observa que o número de itens derivados do petróleo nos índices de preços não é pequeno, envolve adubos, defensivos, fertilizantes, produtos da indústria petroquímica, toda a cadeia de plásticos em geral, mais os combustíveis, o diesel, a gasolina, querosene para aviação e gás de cozinha (GLP).

IstoÉ Dinheiro - SP   10/03/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 1,804 bilhão na primeira semana de março. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 9, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,306 bilhões e importações de US$ 5,501 bilhões.

De janeiro até a primeira semana de março, o ano acumula superávit de US$ 9,828 bilhões, um crescimento de 41,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit somava US$ 9,606 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano. Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

Até a primeira semana de março, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações caíram 3,3%. O desempenho dos setores na primeira semana de março foi o seguinte: queda de 8,5% em Agropecuária, que somou US$ 1,967 bilhão; crescimento de 4,9% em Indústria Extrativa, que somou US$ 1,489 bilhão; e, por fim, queda de 3,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 3,808 bilhões.

Em relação às importações, houve redução de 0,4%, até a terceira semana de fevereiro na mesma comparação. Houve diminuição de 23,3% em Agropecuária, que somou US$ 116,2 milhões; crescimento de 19,9% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 297,8 milhões; e, por fim, queda de 0,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 5,068 bilhões.

Globo Online - RJ   10/03/2026

Com a decisão de Fernando Haddad de deixar o Ministério da Fazenda na semana que vem, o atual número 2, Dario Durigan, assumirá o comando da pasta. Haddad vinha trabalhando nos bastidores pelo seu secretário executivo, o que indica uma continuidade das diretrizes da política econômica implantada desde o começo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O futuro ministro chegou à Fazenda em maio de 2023, para substituir Gabriel Galípolo, indicado na época para a diretoria de política monetária do Banco Central.

Durigan é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e tem mestrado em Direito e Pesquisa Jurídica pela Universidade de Brasília (UNB). Antes de assumir o posto de número da Fazenda, era Head de Políticas Públicas para o WhatsApp, empresa da Meta, no Brasil.

Também teve uma experiência anterior no serviço público, com passagens pela Advocacia Geral da União (AGU), pela Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, entre 2011 e 2015, no governo Dilma Rousseff. Entre 2015 e 2016, foi assessor especial da Prefeitura de São Paulo na gestão de Haddad.

Para o lugar de Durigan na secretária executiva da Fazenda, irá o atual secretário do Tesouro, Rogério Ceron. Ceron é um dos principais responsáveis pelo arcabouço fiscal, a principal regra de gestão das contas públicas do governo Lula. O arcabouço substituiu o teto de gastos, permitindo um crescimento real das despesas de até 2,5% por ano — o teto limita a expansão à inflação do ano anterior.

Assim como Durigan, o atual secretário do Tesouro tem relação de longa data com o ministro. Auditor fiscal do município de São Paulo, Ceron participou da gestão de Haddad na prefeitura paulistana com diferentes cargos, começando como subsecretário do Tesouro e terminando como secretário de Finanças.

IstoÉ Online - SP   10/03/2026

As expectativas medianas de inflação no horizonte de 1 ano dos consumidores norte-americanos caíram 3,1% em janeiro para 3% em fevereiro, conforme pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 9, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York. Já as expectativas para os horizontes de três anos e cinco anos permaneceram estáveis em 3%, respectivamente.

Somente as expectativas para preços de aluguéis caíram a 5,9% no mês passado, o menor nível desde dezembro de 2024.

Sobre o mercado de trabalho, a percepção média da probabilidade de perder emprego no próximo ano diminuiu a 13,8% em fevereiro, conforme o Fed de Nova York. A percepção sobre encontrar um emprego nos próximos três meses cedeu a 44%.

Já a percepção das famílias sobre a atual situação financeira melhorou, enquanto as expectativas para o próximo ano continuaram estáveis. Os consumidores também esperam melhora na disponibilidade futura de crédito e mais facilidade para obtê-lo no próximo ano.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   10/03/2026

A Vale registrou um prejuízo líquido de R$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, resultado impactado principalmente por baixas contábeis relacionadas à operação de níquel no Canadá.

Apesar do resultado negativo, a mineradora apresentou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado.

Segundo Marcelo Bacci, CFO da Vale, o prejuízo não afeta a geração de caixa da companhia, que se manteve robusta no período.

"São valores que não afetam a geração de caixa da companhia, tem um efeito contábil, mas, do ponto de vista da performance operacional, nós fomos muito bem", explicou em entrevista exclusiva ao CNN Money.

Para 2026, as perspectivas são positivas, mesmo com o crescimento mais moderado da China, principal mercado consumidor de minério de ferro. Bacci esteve recentemente no país asiático e relatou um cenário promissor.

Embora o consumo de minério de ferro na China deva crescer apenas até 1%, o executivo considera o cenário favorável devido ao tamanho do mercado chinês, que representa mais de 50% do mercado global.
Investimentos e remuneração aos acionistas

A Vale planeja investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026, com expectativa de manter um patamar próximo a US$ 6 bilhões nos anos seguintes.

Segundo o CFO, a situação financeira da empresa permite manter tanto os investimentos quanto a distribuição de dividendos em níveis expressivos.

Entre os projetos em andamento, Bacci destacou Vargem Grande e Capanema, que devem contribuir para o volume de produção e redução de custos operacionais.

"São projetos importantes para a Vale que vão nos ajudar tanto a entregar o volume de produção que a gente prometeu para o ano, quanto também a reduzir os nossos custos", explicou.
Foco em metais básicos

O cobre é atualmente o principal foco de crescimento da Vale em metais básicos. A empresa produz hoje cerca de 350 mil toneladas por ano e tem potencial para dobrar esse volume nos próximos 10 anos, chegando a 700 mil toneladas anuais.

Esse crescimento será realizado principalmente com investimentos em ativos já existentes, com destaque para a região de Carajás, no Brasil.

"Toda essa demanda por metais que decorre do crescimento, principalmente do mercado de tecnologia, de inteligência artificial, de data centers, favorece a utilização tanto do minério de ferro quanto do cobre e outros metais", destacou Bacci.

O executivo também comentou sobre o movimento global para estabilização de preços de minerais críticos, liderado pelos Estados Unidos.

Como maior produtor de níquel do mundo ocidental, com operações no Brasil e no Canadá, a Vale poderia se beneficiar de iniciativas que busquem garantir o acesso a minerais críticos a custos razoáveis para países ocidentais.

CNN Brasil - SP   10/03/2026

Os contratos futuros de minério de ferro foram negociados nesta segunda-feira (9) nos níveis mais altos em um mês, com a referência na Bolsa de Dalian subindo pela sexta sessão consecutiva, devido ao aumento dos preços de energia e dos custos de frete em meio à guerra do Irã.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China subiu 2,28%, a 784,5 iuanes (US$ 113,44) a tonelada.

O minério de ferro de referência de abril na Bolsa de Cingapura avançou 1,54%, a US$ 103,15 a tonelada.

Os preços do petróleo subiam mais de 25% nesta segunda-feira, à medida que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã se expande, o que levou alguns dos principais produtores de petróleo do Oriente Médio a cortar o fornecimento.

Os temores de uma interrupção prolongada do transporte marítimo através do gargalo do Estreito de Ormuz também contribuíram para a alta dos preços.

Revista Mineração - SP   10/03/2026

O arrendamento de jazidas tem se consolidado como um dos principais motores de crescimento da Itaminas, mineradora localizada em Sarzedo (MG). Em 2025, a estratégia permitiu à empresa ampliar a produção e elevar o faturamento em mais de 30%.

Segundo dados divulgados pela empresa, a produção atingiu cerca de 8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, resultado impulsionado por acordos de arrendamento de jazidas firmados com a Vale, que ampliaram o acesso a novas áreas de exploração mineral.

Para 2026, a perspectiva da empresa é manter a trajetória de crescimento. A Itaminas projeta elevar a produção para 9 milhões de toneladas de minério de ferro, avanço sustentado pelos contratos de arrendamento e pela ampliação gradual da capacidade operacional.

A expectativa é que o incremento de volume fortaleça a presença da mineradora no mercado, especialmente em exportações e no fornecimento de minério para siderúrgicas. O aumento de produção também tende a refletir em novas receitas e maior competitividade no Quadrilátero Ferrífero, principal polo mineral de Minas Gerais.

Nos últimos anos, a companhia firmou acordos para operar jazidas pertencentes à Vale, incluindo ativos localizados no sistema Sudeste da mineradora, em Minas Gerais. O modelo de arrendamento permite a reativação de minas de médio porte e o aproveitamento de depósitos antes paralisados.

Para a Vale, a estratégia gera receita com ativos considerados secundários dentro de seu portfólio global, enquanto a Itaminas amplia seu acesso a reservas minerais e acelera o crescimento da produção.
Investimentos

Paralelamente à expansão operacional, a Itaminas mantém um plano de investimentos robusto para modernizar sua infraestrutura logística e ampliar a capacidade produtiva.

Entre os projetos anunciados está um aporte estimado em R$ 1,5 bilhão até 2033, destinado à modernização das operações, melhoria da logística e construção de um novo terminal para escoamento do minério. A iniciativa deve aumentar significativamente a capacidade de movimentação da empresa nos próximos anos.

A empresa também trabalha com metas de longo prazo para elevar a capacidade produtiva e logística, podendo atingir até 15 milhões de toneladas anuais na próxima década, posicionando-se entre as mineradoras relevantes do Quadrilátero Ferrífero.

Máquinas e Equipamentos

Revista Mineração - SP   10/03/2026

Por décadas, o debate sobre a mineração no Pará concentrou-se nos volumes produzidos e exportados de minério de ferro, cobre, níquel, manganês, entre outros. Os números são expressivos, mas não contam toda a história. Existe um elo estrutural dessa cadeia que ainda recebe menos atenção do que deveria, que é a indústria brasileira de máquinas e equipamentos. Sem ela, a mineração paraense se tornaria mais difícil, mais dependente e menos preparada para os desafios tecnológicos e ambientais do presente.

O Pará responde por cerca de 34% dos investimentos nacionais em mineração e abriga projetos de grande porte, como o Novo Carajás, da Vale, com previsão de aproximadamente R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030. Essa escala impõe exigências técnicas elevadas. Operar na Amazônia significa lidar com alta umidade, logística complexa, longas distâncias, controle rigoroso de poeira e padrões ambientais cada vez mais exigentes.

Nesse ambiente, equipamentos não podem ser apenas robustos. Eles precisam ser adaptados à realidade local. Sistemas de britagem, separação, peneiramento, lixiviação, manuseio e transporte, caminhões fora de estrada e tecnologias de automação, entre outros, são parte do coração operacional das minas em Carajás e Canaã dos Carajás. A confiabilidade desses ativos impacta diretamente produtividade, segurança e custo.

É nesse ponto que a indústria nacional se consolida como diferencial estratégico. Fabricantes brasileiros acumulam décadas de experiência em condições reais do país e trabalhando diretamente com os tipos de minérios e processamentos locais.

Diferentemente de soluções importadas desenvolvidas para climas temperados ou estruturas logísticas menos desafiadoras, ou minérios de fontes e natureza distintas, os equipamentos nacionais oferecem customização ágil, proximidade técnica, manutenção mais rápida e redução significativa de downtime. Além disso propiciam um maior engajamento e relacionamento técnico na cadeia, o que pereniza e torna o crescimento mais sustentável e valioso para o Brasil.

O setor está plenamente capacitado para atender às demandas da mineração de médio e grande porte. Em Parauapebas, as compras locais da Vale já superam R$ 1,8 bilhão por ano e chegaram a R$ 4,5 bilhões só no primeiro semestre de 2025 em contratos, impulsionando fornecedores de manutenção, componentes, estruturas metálicas, sistemas de automação e serviços técnicos especializados.

Vale ressaltar ainda que iniciativas como o Brazil Machinery Solutions, programa de incentivo às exportações realizado pela ABIMAQ em parceria com a ApexBrasil, ampliam a competitividade internacional dos fabricantes brasileiros. O programa apoia empresas através de inteligência comercial, promoção internacional e participação em feiras estratégicas, como a Expomin, uma das maiores exposições de mineração da América Latina. Isso reforça que o Brasil pode ser fornecedor competitivo de soluções industriais.

O impacto econômico é multiplicador. Cada real investido em fornecedores nacionais ativa cadeias na metalmecânica, automação, fundição e engenharia. Gera empregos qualificados, amplia arrecadação e fortalece a base industrial. Em resumo, optar por conteúdo local é estratégia de competitividade e mitigação de riscos cambiais, logísticos e geopolíticos, e garante a manutenção e o crescimento do setor mineral brasileiro como um todo.

Ao mesmo tempo, a mineração do Pará avança em direção à Mineração 4.0, com uso crescente de inteligência artificial, sensores, manutenção preditiva, veículos autônomos e drones. A descarbonização também se impõe como prioridade, com metas de redução de emissões, economia circular e reaproveitamento de rejeitos. A indústria nacional participa ativamente dessa transformação, desenvolvendo soluções para eletrificação de processos, eficiência energética e maior segurança operacional, fatores cada vez mais determinantes para investidores, financiadores e para a própria sociedade amazônica.

É nesse contexto que o workshop “Mineração Inteligente – Eficiência, Oportunidades e Sustentabilidade”, que será realizado no dia 15 de abril na cidade de Parauapebas (PA), ganha ainda mais relevância. O encontro não se limita a debater tendências. Ele posiciona a indústria nacional como parte da solução para elevar competitividade, inovação e sustentabilidade em um dos principais polos minerais do país.

Fortalecer a indústria brasileira de máquinas não significa fechar o mercado. Significa equilibrar importações com produção local, estimular transferência de tecnologia, ampliar parcerias e consolidar um ambiente industrial resiliente. O Pará reúne escala, demanda e protagonismo para liderar esse movimento.

O futuro da mineração paraense não se resume à extração e exportação de minério. Ele passa pela consolidação de toda uma cadeia produtiva integrada, inovadora e sustentável. Todos sabemos que a verticalização do setor, agregando mais valor ao minério e ao produto a ser exportado também é fundamental para o crescimento do país. E, nesse cenário, a indústria nacional de máquinas não é coadjuvante e pode ser um importante elemento.

Monitor Digital - RJ   10/03/2026

O mercado de equipamentos inteligentes para construção está avançando a passos largos, impulsionado por um forte movimento global de expansão de infraestrutura. De acordo com o relatório da Future Market Insights, o valor desse mercado deve crescer de US$ 24,4 bilhões em 2025 para US$ 81,5 bilhões em 2035, alcançando um CAGR (taxa composta anual de crescimento) de 12,8%.

Segundo o mesmo relatório, a projeção é de que a tecnologia IoT detenha uma participação de mercado de 34% ainda neste ano, consolidando-se como a tecnologia líder em equipamentos inteligentes para construção. A IoT permite monitoramento remoto, detecção de falhas e gerenciamento de ativos por meio da troca de dados em tempo real entre máquinas e sistemas centralizados.

Dados do estudo Global Connected Construction Machine Market, da Counterpoint Research, também apontam para a mesma direção: até 2030, cerca de 75% das máquinas utilizadas no setor mundial de construção devem ter conectividade incorporada.

O movimento já tem sido visível: em 2022, uma em cada três máquinas vendidas globalmente já contava com recursos conectados. A expectativa é de que o mercado mantenha um ritmo de crescimento médio de 11% ao ano até o fim da década, impulsionado pela busca por mais produtividade, segurança e controle nas obras.

Brasil

No Brasil, esse movimento tem seguido um ritmo próprio, mas acompanha a tendência de expansão. Um relatório da Confederação Nacional da Indústria, publicado em 2023 e que entrevistou 1.682 executivos — sendo 356 de indústrias do setor da construção — apontou que a indústria brasileira operava com maquinário antigo e com tecnologia defasada. Entre as empresas que responderam à pesquisa, apenas 2% têm máquinas com até 2,5 anos de uso. O maior percentual, de 28%, possui equipamentos com 10 a 15 anos.

Porém, uma outra pesquisa, agora feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelou que, em 2024, cerca de 89,1% das empresas industriais com 100 ou mais funcionários utilizavam pelo menos uma tecnologia digital avançada.

“O setor de construção civil no Brasil tem muito o que avançar em termos de adoção de maquinário conectado, mas vemos um crescimento consistente no uso de conectividade no país”, diz Paula Cristina Dani, CEO da Milwaukee Brasil, que possui soluções em ferramentas conectadas.

A Milwaukee Brasil abriu operações no país há 10 anos e, desde então, traz dos Estados Unidos ferramentas com seu sistema próprio de conectividade embarcado e patenteado: a tecnologia ONE-KEY. “Nossa operação tem crescido exponencialmente e, nesse período, abrimos duas unidades no Brasil, contamos com 33 revendas autorizadas e 75 funcionários, prova de que o mercado de conexão inteligente em máquinas está em franca expansão”, diz Paula Cristina Dani.

A executiva explica que ferramentas da marca, como parafusadeiras e esmerilhadeiras, utilizadas nos canteiros de obras, oferecem a funcionalidade ONE-KEY, com recursos que incluem monitoramento, controle, personalização e segurança por meio de software próprio. “A tecnologia permite, por exemplo, configurar torque, velocidade e modos de operação em nuvem, além de salvar perfis de uso para tarefas específicas e alternar entre eles conforme a necessidade”, explica.

Além disso, as ferramentas registram histórico de uso e dados detalhados que alimentam o software para geração de relatórios inteligentes, o que vai ao encontro das grandes tendências apontadas no mesmo relatório do IBGE citado anteriormente: as áreas de produção nas empresas brasileiras estão utilizando cada vez mais análise de Big Data, atingindo 84,5% em 2024.

As ferramentas com esse recurso também podem ser rastreadas via Bluetooth e contam ainda com a funcionalidade de bloqueio remoto (tool lock-out): se forem marcadas como perdidas ou roubadas, podem ser desativadas remotamente.

AUTOMOTIVO

Automotive Business - SP   10/03/2026

Nos dois primeiros meses do ano, a venda de carros eletrificados cresceu 65,5% em relação ao bimestre de 2025, somando 55.961 unidades. O resultado é do balanço mensal da Anfavea, associação das fabricantes, divulgado na sexta-feira, 6.

Os híbridos seguem como os favoritos, com 22.160 emplacamentos em janeiro e fevereiro. Os modelos elétricos puros somam 17.531 em dois meses, enquanto os híbridos plug-in são 16.270 emplacamentos.
Carros eletrificados nacionais batem recorde

Apenas em fevereiro, foram emplacados 28.120 carros eletrificados, o que representou 15,9% de participação nas vendas totais de veículos no país.

A venda de eletrificados nacionais bateu recorde de vendas, com 43% do mercado geral de híbridos e elétricos.

Os híbridos emplacaram 11.278 unidades, com 6,4% do mercado geral. Os elétricos somam 8.707 unidades (4,9%), enquanto os híbridos plug-in são 8.135 (4,6%).

Em comparação com fevereiro de 2025, o resultado mostra forte crescimento de 11% nos licenciamentos de eletrificados no país.

Chegamos em um número bastante razoável dos emplacamentos de novas tecnologias. O total já passa de 28 mil emplacamentos por mês, o que também é um número bastante robusto, não só pelo volume, mas pelo ritmo de crescimento no mercado brasileiro em um ano, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Já em relação a janeiro de 2026, o crescimento foi de 1% nos emplacamentos, com 279 carros eletrificados a mais em fevereiro.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2026

A Volkswagen avalia importar carros totalmente elétricos da China para o Brasil e outros mercados da América Latina. A informação foi divulgada pelo site Motor1 Brasil, que conversou com executivos da marca durante o Volkswagen Road Show no Peru.

Segundo Alexander Seitz, chairman da Volkswagen para a América Latina, veículos elétricos a bateria dificilmente serão produzidos localmente no curto prazo. De acordo com o executivo, a região ainda não possui escala industrial suficiente para viabilizar a fabricação desse tipo de veículo.

“Quando falamos de um veículo elétrico a bateria que depende 100% da bateria, ninguém tem escala na região para localizar. Quem fala que tem, mente, está fazendo oba-oba”, afirmou Seitz durante conversa com jornalistas no evento da marca.

Quem testa, vai de Hyundai. Compare os concorrentes e aproveite nossas ofertas.

Garanta o CRETA Limited AT 25/26 com bônus de até R$ 10.000 à vista + taxa zero em até 18x. Visite uma concessionária e conheça todas as condições e ofertas para conquistar seu 0 km. Acesse: https://hyundai.com.br

China terá papel central na estratégia

A estratégia de eletrificação da Volkswagen para a região deve passar diretamente pela China. O país hoje concentra uma das operações mais avançadas do grupo no desenvolvimento de veículos eletrificados e novas tecnologias de propulsão.

Seitz explicou que a cooperação com parceiros chineses já faz parte do planejamento da empresa e envolve principalmente o desenvolvimento de tecnologias híbridas e híbridas plug-in.

Segundo ele, parte do trabalho conjunto envolve sistemas eletrônicos e módulos de bateria, além de outros componentes ligados ao gerenciamento de energia. A ideia é usar essa parceria para ganhar escala e reduzir custos em uma região onde a eletrificação ainda enfrenta desafios de infraestrutura e preço.

“Vamos trabalhar juntos na tecnologia do híbrido e do plug-in hybrid para atingir economias de escala”, afirmou o executivo.
Produção local deve focar em híbridos

Dentro desse plano, os modelos híbridos e híbridos plug-in devem ter parte da produção localizada na América Latina. Componentes como módulos eletrônicos ou sistemas de gerenciamento de bateria podem vir da China, enquanto a montagem final ocorrerá na região.

A lógica é adaptar a produção às condições industriais locais, enquanto tecnologias mais complexas continuam sendo desenvolvidas em centros com maior escala produtiva.

‘É o carro da minha vida’: o Fusca que virou astro em O Agente Secreto (VÍDEO)

Elétricos devem chegar importados

Para os veículos totalmente elétricos, porém, a estratégia deve ser diferente. Segundo Seitz, a tendência é que esses modelos cheguem à região prontos, importados de mercados onde já existe produção em grande volume — principalmente da China.

“Esse é o tipo de carro que vamos importar”, afirmou o executivo.

A estratégia reforça que a eletrificação da Volkswagen na América Latina deve ocorrer de forma gradual. Primeiro com híbridos e híbridos plug-in adaptados ou produzidos localmente e, posteriormente, com a chegada de veículos totalmente elétricos importados.

A informação foi publicada originalmente pelo site Motor1 Brasil.

Valor - SP   10/03/2026

O Vietnã, país em rápido crescimento, emergiu como um local promissor para pequenas e médias empresas japonesas recomeçarem suas atividades após verem seus negócios com a Nissan encolherem devido às dificuldades enfrentadas pela montadora.

Em Yokohama, cidade portuária onde a Nissan está sediada, a crise da montadora afetou duramente seus fornecedores.

"As vendas apenas para a Nissan agora representam metade do que eram antes", disse Kouichi Masuda, presidente da Okaya Seiken, fabricante de peças usinadas com precisão. Os pedidos diminuíram desde o ano passado e a empresa não espera uma recuperação completa em breve.

Graças, em parte, aos negócios com outras grandes montadoras, a Okaya Seiken está a caminho de registrar lucro no ano fiscal que termina em 31 de março. Ainda assim, o lucro anual antes dos impostos deve cair cerca de 30%, para aproximadamente 200 milhões de ienes (US$ 1,26 milhão).

A queda nos pedidos impactou a fábrica da Okaya Seiken no Vietnã. Aproximadamente 90% das vendas da empresa vieram da indústria automobilística, sendo que a Nissan sozinha representou cerca de 60%.

Masuda buscou novos clientes, visando empresas japonesas com fábricas no Vietnã. A Okaya Seiken inicialmente se voltou para a comunidade empresarial japonesa no Vietnã.

"Executivos de grandes empresas, com os quais seria difícil conseguir uma reunião em breve no Japão, são mais fáceis de encontrar se estiverem em missão no Vietnã", disse Masuda.

A empresa abriu novas contas comerciais com três empresas japonesas. Um fabricante de dispositivos de controle pneumático contratou a Okaya Seiken para produzir cerca de 40 protótipos.

De olho em novos negócios, a Okaya Seiken instalou máquinas-ferramenta de última geração em suas operações no Vietnã, investindo cerca de 100 milhões de ienes.

A dolorosa reestruturação da Nissan prejudicou os fornecedores menores da montadora em um nível não visto desde o fim da década de 1990, quando o ex-presidente Carlos Ghosn liderou cortes drásticos de custos.

Ao longo dos anos, muitos fornecedores diversificaram suas atividades para diminuir a dependência da Nissan. Mas em Yokohama, a montadora continua sendo o principal cliente de muitas das empresas.

Organizações como a Yokohama Industrial Development Corp. (IDEC Yokohama), uma instituição pública, estão oferecendo suporte a essas empresas.

A Yokohama Zoki, fabricante de dispositivos de inspeção usados em fábricas de automóveis, está lançando uma empresa de vestuário em parceria com um ex-funcionário vietnamita que trabalhou na empresa como engenheiro de projeto assistido por computador até 2021. A fabricante recebeu ajuda da IDEC Yokohama.

Para o primeiro projeto, a Yokohama Zoki planeja fabricar e vender 1.000 chapéus com alta proteção ultravioleta, prevendo mais um verão de calor extremo.

A Yokohama Zoki irá projetar e produzir os chapéus em colaboração com uma fábrica de costura recomendada pelo ex-funcionário vietnamita, bem como com uma empresa japonesa de tecidos. Os parceiros estão estudando a possibilidade de vender os chapéus por meio de uma plataforma de financiamento coletivo.

"Temos tecnologia que queremos preservar e estamos embarcando em um novo empreendimento", disse Shota Masanoya, executivo da Yokohama Zoki.

As vendas para a Nissan, que já foi o cliente mais importante da empresa, caíram mais da metade.

"O apoio da IDEC Yokohama tem sido de grande ajuda", disse Masanoya. A Yokohama Zoki não tinha experiência nem mesmo em enviar dinheiro para o Vietnã.

"Consultamos a Yokohama Zoki e os apresentamos a um banco parceiro com experiência em remessas internacionais", disse um gerente da divisão de apoio a negócios da IDEC Yokohama.

O Vietnã possui atrativos para os fabricantes japoneses. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 7,4% em 2025, a maior taxa do Sudeste Asiático, segundo uma projeção de dezembro do Banco Asiático de Desenvolvimento, que espera que se mantenha como a maior taxa neste ano também, em 6,4%.

Mais de 2.100 empresas japonesas operam no Vietnã, um aumento de 50% nos últimos 10 anos. Muitas citam a estabilidade política do Vietnã como uma vantagem. Os países vizinhos vivenciaram turbulências, como o conflito militar entre Tailândia e Camboja e os distúrbios na Indonésia.

Há também importantes conexões pessoais, com muitos vietnamitas tendo trabalhado no Japão por meio do programa de treinamento técnico para estrangeiros do país.

"As expectativas em relação às empresas japonesas são extremamente altas", disse Takeshi Omika, vice-diretor geral do Parque Industrial Amata City Ha Long, operado pelo grupo imobiliário tailandês Amata e pela trading japonesa Marubeni.

No entanto, Motoyoshi Otsuka, presidente da fabricante de peças para assentos automotivos Ohtsuka Sangyo Material, alerta que "se pensarmos no Vietnã como um país com mão de obra barata, podemos acabar fracassando". A empresa abriu três fábricas desde que entrou no país em 2017. Otsuka afirmou que os custos trabalhistas para funcionários vietnamitas estão aumentando a uma taxa anual de mais de 10%.

Os funcionários vietnamitas "têm um alto nível de escolaridade e absorvem rapidamente o que lhes ensinamos", disse ele. Ele classifica as fábricas locais como de ponta, comparáveis às do Japão.

Valor - SP   10/03/2026

Empresa afirmou que reduzirá drasticamente o custo dos veículos elétricos e estenderá o desenvolvimento de sua tecnologia híbrida para além de 2030

A Renault anunciou planos para lançar 36 novos modelos até o final desta década, buscando impulsionar o crescimento além da Europa em um momento de acirramento da concorrência em seus principais mercados.

A empresa informou na terça-feira que lançará 22 novos modelos na Europa — incluindo 16 veículos elétricos — e 14 em mercados internacionais nos próximos cinco anos.

Na primeira atualização de estratégia desde que François Provost assumiu o comando no ano passado, após a saída de Luca de Meo para o grupo de luxo Kering, a Renault afirmou que reduzirá drasticamente o custo dos veículos elétricos e estenderá o desenvolvimento de sua tecnologia híbrida para além de 2030.

O rápido crescimento de montadoras chinesas como a BYD na Europa está alimentando preocupações entre os investidores sobre a concorrência de preços, que pode afetar a lucratividade do setor.

A Renault reiterou sua meta de lucratividade a médio prazo e afirmou que busca manter seu ritmo de crescimento. A empresa pretende atingir uma margem operacional entre 5% e 7% no médio prazo, em comparação com 6,3% no ano passado e 7,6% em 2024.

A empresa afirmou que buscará manter uma base sólida na Europa, mas que continuará sua expansão internacional, voltando-se para seus polos de crescimento na Índia, América do Sul e Coreia do Sul. A Renault disse que pretende estar presente em 55% do mercado global de automóveis, excluindo os EUA e a China.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   10/03/2026

Para especialistas, queda da Selic vai elevar demanda por financiamento imobiliário

Um provável cenário de juros menores na economia ao longo de 2026 pode impulsionar a atividade da construção e o mercado imobiliário, segundo especialistas e executivos desses setores ouvidos pelo Valor.

Eles dizem que, em caso de começo de ciclo de corte na taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, o efeito benéfico pode ser sentido ainda neste ano, nos dois campos. Uma Selic menor deixaria mais atrativo o capital de giro para novos empreendimentos na área. Ao mesmo tempo, poderia deixar mais barato o financiamento imobiliário. Isso potencializaria demanda para imóvel próprio, com reflexo no mercado imobiliário.

Assim, a maioria dos economistas ouvidos pela reportagem projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção poderia subir, neste ano, acima de 1%, superior ao aumento de 0,5% de 2025.

No entanto, o ritmo de corte de juros pode ser menos intenso do que o projetado pelo mercado no começo do ano, admitem. Isso porque o acirramento da guerra no Oriente Médio pode conduzir a pressões inflacionárias no mercado doméstico. Desta forma, ponderam, o BC poderia diminuir a cadência de reduções da Selic. Mesmo assim, a expetativa é de que os cortes comecem ainda neste ano.

Esse também é o entendimento do mercado. Em janeiro, o BC manteve a Selic em 15% ao ano, maior patamar desde 2006. No entanto, projeções do boletim Focus do BC de 9 de março estimam Selic a 12,13% no fim de 2026.

“Temos cálculo que mostra que, a cada meio ponto percentual que aumenta na taxa de juros do crédito imobiliário, você tira do mercado cerca de 500 mil famílias”, disse presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Cláudio Hermolin.

Juros elevados de mercado, lembrou, aumentam parcela mensal de financiamento imobiliário de famílias interessadas em casa própria. “Como existe limitação para pegar financiamento imobiliário, de até 30% do seu rendimento livre, quando sobe o valor da parcela, pessoas se ‘desenquadram’ de capacidade de compra de imóvel”, disse Hermolin. Assim, afirmou, a Selic menor pode tornar as parcelas de financiamento imobiliário mais baixas e mais atrativas.

Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), trabalha com cenário de cortes da Selic neste ano, “independentemente das questões externas”. “[Uma taxa de ] 15%, de fato, é cenário muito restritivo para a economia como um todo. Para setor da construção, e para o mercado imobiliário, não é diferente.”

No caso da construção, Ferreira Filho observou que, mesmo com juros altos, o setor foi bem no ano passado. A alta de 0,5% no PIB do setor, em 2025, foi “em cima de base de comparação elevada”. Em 2024, o PIB da construção subiu 4,4%. “Tivemos [em 2025] recordes de lançamentos e vendas no setor imobiliário. Isso tudo por causa da demanda, que ainda é muito grande”, disse. E a procura por imóveis, comerciais e residenciais, aposta, deve continuar elevada neste ano.

Ferreira Filho frisou que 2026 é ano eleitoral. Isso influencia ritmo maior de obras públicas. Além do mais, lembrou anúncios do governo relacionados ao programa habitacional Minha Casa Minha Vida e à retomada de projetos de infraestrutura, como concessões de rodovias, que podem impulsionar ainda mais o setor neste ano.

Tivemos recordes de lançamentos e vendas no setor imobiliário”

— Fernando Filho

No caso do programa habitacional, ele se referiu indiretamente ao anúncio do governo, de contratação de 1 milhão de novas unidades, a atingir 3 milhões no triênio até 2026, com ampliação de faixas de renda para acessar o “Minha Casa Minha Vida”. “Temos perspectiva boa para construção em 2026.”

Leonardo Mesquita, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio (Ademi-RJ), e vice-presidente de Negócios da Cury Construtora, concordou. E foi além. Disse acreditar em crescimento contínuo na atividade da construção, no longo prazo. Mesquita citou aspecto conjuntural que ajudará a alavancar negócios do setor, em prazo mais longo no país: o ainda expressivo déficit habitacional.

Números divulgados pelo Ministério das Cidades no fim do ano passado, mostram que o déficit habitacional absoluto do Brasil - número total de moradias necessárias no país - estava em 5,97 milhões de domicílios até 2023.

“O Brasil, em comparação com outros países em desenvolvimento, tem muito menos gente com casa própria”, disse. “Isso ajuda a enxergar potencial de longo prazo para empreendimentos residenciais. Ficamos perto de suprir demanda natural, mas não é produção que exceda, e que faça com que esse déficit reduza muito.”

E a Cury está atenta a isso, garantiu. A construtora, com forte atuação nos mercados residenciais fluminense e paulista, teve 12 lançamentos residenciais no Rio e 26 em São Paulo em 2025, totalizando R$ 8,2 bilhões. O objetivo é elevar entre 10% e 15% valor de lançamentos para este ano.

Mas a construção não estará livre de desafios em 2026, acrescentou Ana Castelo, coordenadora de Projetos da Construção no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Embora também tenha mencionado boas perspectivas para setor, ela notou que há um “gargalo persistente”: escassez de mão de obra, principalmente qualificada.

Outro desafio que precisa ser observado, disse ela, é a inflação, no setor. Castelo lembrou o atual momento de guerra no Oriente Médio, o que pode elevar custos de insumos na construção. Para a construção, a alta pode vir por preço de insumos ligados ao petróleo.

Matheus Ferreira, economista da Tendências Consultoria, concordou. “Isso tende a encarecer insumos importados e, sobretudo, aqueles intensivos em energia, como cimento e cerâmica”, alertou. “Dependendo da intensidade e da duração desses aumentos, poderia haver efeito negativo sobre a atividade da construção civil”, disse.

Mas o especialista afirmou que, no Brasil, os sinais na construção até a eclosão da guerra eram positivos, com expansão de lançamentos e demanda aquecida. Assim, a projeção da Tendências ainda é de alta de 2,1% no PIB da construção em 2026, acima da estimativa para PIB do país (1,6%). “Não revisamos [as projeções]. Por ora, não incorporamos efeitos da guerra no cenário, apenas pontuamos riscos associados a ela”, disse.

Exame - SP   10/03/2026

Com a taxa de juros ainda elevada e o crédito imobiliário mais restrito, cada vez mais brasileiros têm recorrido ao aluguel como alternativa à compra da casa própria.

Segundo dados do IBGE, 23% da população já vive em imóveis alugados. Esse movimento tem impacto direto no mercado imobiliário residencial e abre uma janela estratégica para investidores.

O foco atual está na geração de renda de aluguel recorrente e na proteção patrimonial. O aumento da demanda por locação impulsiona a busca por apartamentos prontos para morar.

Para quem busca investir em imóveis residenciais, esse cenário reforça o potencial do residencial como uma classe de ativos resiliente.

O setor é capaz de atravessar ciclos econômicos com menor volatilidade quando comparada a outros segmentos de mercado.

Modalidades estratégicas no mercado imobiliário

Ao contrário do que muitos ainda imaginam, investir em imóveis residenciais hoje vai muito além da compra direta de casas ou apartamentos.

O mercado imobiliário evoluiu e passou a oferecer diferentes modalidades, cada uma com características próprias de risco, retorno e nível de envolvimento.

Isso permite uma alocação mais estratégica, alinhada aos objetivos financeiros e ao momento de vida de cada investidor.

A Sociedade em Conta de Participação (SCP)

Uma dessas alternativas é a Sociedade em Conta de Participação (SCP). Nesse modelo, o investidor se associa a incorporadoras ou construtoras sem exposição direta à gestão do empreendimento.

A participação nos resultados é proporcional ao aporte realizado e a rentabilidade está vinculada à performance da venda do imóvel, ou seja, ao sucesso do projeto.

Trata-se de uma estrutura que oferece simplicidade jurídica, flexibilidade contratual, sigilo e exposição limitada aos riscos operacionais.

Investimento em cotas de terreno

Outra possibilidade são as cotas de terreno. Nessa modalidade, o investidor adquire uma parcela do terreno ou do projeto imobiliário em conjunto com a incorporadora ou outros investidores.

Diferentemente da SCP, há a opção de receber um imóvel na entrega do empreendimento, além da alternativa de participar do lucro do projeto.

Embora exija aportes mais elevados, permite acesso a grandes projetos com valores de metro quadrado mais competitivos, funcionando como uma porta de entrada para empreendimentos de maior escala.

Compra direta e gestão de ativos

A compra direta de unidades prontas ou em construção segue sendo uma das formas mais tradicionais de investir em imóveis residenciais.

Nesse caso, o investidor passa a receber renda de aluguel ou ganhos de valorização no médio e longo prazo. É uma modalidade que demanda maior capital inicial.

O risco tende a ser baixo a moderado, especialmente quando o imóvel já está pronto e pode ser alugado ou revendido imediatamente, oferecendo controle direto e renda recorrente.

O papel dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs)

Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) também fazem parte desse ecossistema.

Eles permitem investir em ativos residenciais por meio de cotas negociadas em bolsa, com gestão profissional e maior liquidez para o investidor.

Por outro lado, o valor das cotas está sujeito à variação de mercado, o que pode gerar volatilidade no patrimônio ao longo do tempo.

Análise estratégica para o investidor

Diante de tantas alternativas, investir em imóveis residenciais deixou de ser uma decisão simples e passou a exigir análise estratégica.

Objetivos financeiros, perfil de risco e horizonte de investimento precisam estar no centro da escolha. O setor ainda tem muito espaço para crescimento e profissionalização.

Esse potencial só se traduz em bons resultados quando o investidor conta com informação de qualidade e apoio especializado.

Em um mercado cada vez mais sofisticado, escolher bem a forma de investir é tão importante quanto decidir investir.

Money Times - SP   10/03/2026

O BTG Pactual reiterou sua visão positiva para as construtoras de baixa renda e afirmou que as mudanças previstas para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) podem impulsionar ainda mais o segmento nos próximos anos.

Em relatório, o banco manteve destaque para a Tenda (TEND3), considerada a principal escolha (top pick) entre as empresas expostas à habitação popular, mas apontou que outras incorporadoras podem se beneficiar do ambiente mais favorável.

Companhias como Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), Plano & Plano (PLPL3) e MRV (MRVE3), por exemplo, possuem recomendação de compra pela instituição.

A casa destacou que o governo federal deve ajustar as regras do programa habitacional, incluindo a elevação do preço-teto dos imóveis e o aumento da renda das famílias elegíveis a financiamentos.

As medidas devem ser discutidas na próxima reunião do conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), marcada para o dia 24 de março, e, na avaliação dos analistas, se aprovadas, podem sustentar um ciclo mais forte para a baixa renda.

Mudanças nas faixas de renda

Entre as propostas em discussão, está a expansão da renda máxima permitida em todas os níveis do programa.

De acordo com o relatório, a Faixa 1 passaria a contemplar famílias que ganham até R$ 3.200 por mês, ante R$ 2.850 atualmente, enquanto a Faixa 2 poderia subir para R$ 5.000, frente aos R$ 4.700.

Na Faixa 3, esse limite subiria para R$ 9.600, versus R$ 8.600. Já na Faixa 4, poderia alcançar R$ 13 mil, contra R$ 12 mil.

Os ajustes, segundo o BTG, têm como objetivo atualizar os montantes após a inflação recente e a alta do salário mínimo.

Faixa Atual (R$) Proposta (R$)
Faixa 1 2.850 3.200
Faixa 2 4.700 5.000
Faixa 3 8.600 9.600
Faixa 4 12.000 13.000 Teto de preços também deve subir

O governo também pretende elevar o valor máximo dos imóveis financiados nas faixas mais altas do MCMV, o que, de acordo com o banco, pode permitir lançamentos de empreendimentos mais caros, ampliando o potencial de vendas das construtoras.

Pelo cenário considerado, o ajuste seria:

Faixa Atual (R$) Proposta (R$)
Faixa 3 350 mil 400 mil
Faixa 4 500 mil 600 mil

“Se for aprovado, 2026 deve ser mais um ano forte para as empresas”, afirmaram os analistas, apontando que 2025 foi “excepcional” para o setor, com margens se expandindo para “níveis sem precedentes”.

“As companhias de construção de imóveis populares negociadas em bolsa registaram um aumento de lançamentos e vendas de 19% e 20% em CAGR de 5 anos, enquanto os lucros consolidados e o ROE aumentaram significativamente desde 2021”, disseram.

Orçamento maior

O relatório também destacou que o volume de recursos destinado ao Minha Casa, Minha Vida segue em expansão.

Para 2026, o orçamento total voltado ao segmento de baixa renda pode superar os R$ 188 bilhões, valor que representa alta de cerca de 29% em relação ao montante executado em 2025.

Valor - SP   10/03/2026

Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) prevê que neste ano o volume total chegue a R$ 300 bilhões

Os investimentos em infraestrutura no país caminham para mais um ano de recorde, fruto de avanços na modelagem dos projetos e de um mix nas fontes de financiamento - recursos de fomento, do exterior e do mercado de capitais (debêntures) - mais equilibrado.

Após um 2025 com perto de R$ 280 bilhões investidos, com 83% de recursos privados, a previsão da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) é que neste ano o volume total chegue a R$ 300 bilhões. Apesar dos avanços, os gargalos na malha logística e no saneamento - cuja meta de universalização dificilmente será cumprida - seguem relevantes. Em regiões menos atrativas para a iniciativa privada, seja por fluxo menor de transporte de cargas e passageiros, ou por pouca densidade demográfica (saneamento), avanços dependem de recursos públicos e de modelagens ainda em construção.

No Ministério dos Transportes (MT), com uma carteira de projetos em rodovias nos últimos anos considerada pelo mercado acima das expectativas, a busca pelo compartilhamento do risco como parte nos arranjos para concessões é destaque. “Quando assumimos a pasta, tinha 26 contratos diferentes, 26 editais diferentes, não tinha uma padronização nas modelagens econômicas. Focamos primeiro na financiabilidade dos projetos, concentrando o ciclo em até sete anos e com uma matriz de risco, com bandas de ‘upside’ a favor ou contra”, comenta o secretário-executivo do MT, George Santoro. “É uma forma de o governo participar do resultado dos projetos, compartilhando parte dos riscos com a iniciativa privada. São projetos longos e faz sentido.”

Só no programa de concessão de rodovias, entre 2023 e 2025, foram contratados R$ 240 bilhões em projetos. “Em três anos, contratamos mais do que o volume de R$ 170 bi ao longo de 30 anos até 2022”, diz o secretário. A carteira do MT para 2026 prevê 13 leilões.

Já o programa de expansão da malha ferroviária está um passo atrás. “Passamos os últimos anos montando uma política, redefinindo metas e agora com algo que dê segurança a todos deve caminhar.” A Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, de 2025, tem alguns projetos prioritários na prateleira, como Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste e a Malha Oeste. “O capex para uma ferrovia é maior, defendemos um prazo de financiamento mais adequado, estamos discutindo com o BNDES.”

Claudio Frischtak, da Inter.B Consultoria, destaca a necessidade de expandir a malha ferroviária e cita a busca do melhor modelo para tirar projetos do papel. “Tenho dúvidas se o melhor formato é o setor público promover esta expansão, dados os problemas de governança históricos. A solução no Mato Grosso, com a Rumo obtendo uma autorização para expandir a malha, parece mais interessante”, comenta. Pelo projeto da Rumo, a Ferrovia do Mato Grosso (FMT) terá 750 km, ligando Lucas do Rio Verde, no norte do MT, a Rondonópolis, onde a nova rota se conectará com a Malha Norte, ferrovia já em operação pela Rumo.

A pequena malha ferroviária do país, a qualidade das rodovias e os projetos em hidrovias que não caminham são queixas recorrentes do setor produtivo. Na cultura da soja, por exemplo, considerando toda a cadeia, 40% do preço final é logística, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). “Se eu pegar os Estados Unidos, por exemplo, este número fica entre 15% e 20%. A melhor solução é ferrovia, mas está muito devagar. Com as rodovias em péssimo estado pela chuva, tudo fica mais difícil”, diz Maurício Buffon, presidente da Aprosoja.

Em três anos, contratamos mais do que o volume de R$ 170 bilhões ao longo de 30 anos”

— George Santoro

O secretário especial do PPI - Programa de Parcerias de Investimentos, que tem na carteira 105 leilões previstos para 2026 que podem movimentar R$ 247 bilhões -, Marcus Cavalcanti, reforça a tese da necessidade de compartilhamento de risco para tirar do papel projetos. “Se você falasse há 20 anos que iria compartilhar risco de uma concessão, a área jurídica iria mandar parar. Evoluímos muito neste quesito. As PPPs também são importantes para viabilizar projetos”, diz Cavalcanti, citando a EF1-18, que receberá parte do recurso da renovação antecipada da concessão da Malha Sudeste, operada pela MRS Logística. A ferrovia, com extensão de 575 quilômetros, vai conectar o Rio ao Espírito Santo.

Na visão de Cavalcanti, o maior desafio, em qualquer setor, segue sendo o de atrair a iniciativa privada para locais de menor viabilidade econômica. Ele cita o Programa Ampliado dos Aeroportos. “O Aeroporto de Guarulhos, por exemplo, na hora da renovação foi incluída a obrigação de administrar alguns aeroportos regionais com baixa densidade de tráfego. É dentro de uma lógica de parceria público privada”, explica Cavalcanti, citando a dificuldade em expandir a rede de saneamento após o Marco Legal, de 2020. “Cidades menores não têm viabilidade econômica, mesmo algumas no interior paulista. Só funciona se forem no modelo de consórcio, com a reunião de várias cidades para licitar.”

O presidente da Abdib, Venilton Tadini, tem visão semelhante, citando rodovias e ferrovias em locais economicamente menos atrativos. “As concessões puras são limitadas e vão acabar. Teremos que ter dinheiro público para, junto com privado, tocar concessões onde o setor privado não vai sozinho porque não tem densidade ou retorno que justifique.”

O setor de saneamento básico, apesar da dificuldade em atingir a universalização dos serviços no prazo definido pelo Marco, tem apresentado avanços relevantes. Segundo dados da Abdib, na infraestrutura como um todo, o hiato como percentual do PIB está em 1,65%; o maior é o de ferrovias (0,45%), seguido por rodovias (0,36%). Saneamento está em 0,09%, com o avanço dos investimentos - que saltaram de R$ 18,1 bilhões, em 2020, para R$ 44 bilhões no ano passado. “Se a gente tivesse tido uma melhora nas finanças públicas, com investimentos do governo próximos de 2014, por exemplo, estes gargalos seriam mais rapidamente resolvidos”, comenta Tadini, citando que os investimentos públicos caíram de R$ 99,4 bilhões (2014) para R$ 45 bi no ano passado.

Na visão de Tadini, avançar em projetos de infraestrutura e encerrar os gargalos ainda existentes passa por uma maior participação dos recursos externos. “Acredito que hoje 90% da estrutura de financiamento dos projetos de infra venham de mercado de capitais e recursos de fomento. O capital externo está chegando e vai aumentar nos próximos anos”, comenta o executivo, acrescentando que não há uma estrutura ótima de participação das três fontes - fomento, mercado de capitais e recursos externos. “Não sei se caminharemos para um terço para cada, mas quanto mais bem distribuído melhor. Avançamos em todos os quesitos, projetos, recursos, falta reforçar o quadro das agências reguladoras para fiscalizar e acompanhar.”

FERROVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   10/03/2026

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai financiar a etapa inicial dos estudos de implantação das linhas 3 e 4 do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O acordo de cooperação técnica foi assinado nesta segunda-feira (9) entre o banco e o governo de Minas e garante o aporte de R$ 500 mil.

O recurso será utilizado pelo BID para a contratação de consultores especializados responsáveis por avaliar e consolidar os estudos já existentes sobre as linhas.

Nesse processo, o banco examina se o projeto atende a critérios considerados essenciais. A análise envolve quatro pilares principais:

A assinatura foi realizada pelo governador Romeu Zema (Novo), acompanhado do vice-governador Mateus Simões (PSD), durante reunião do Grupo Técnico de Mobilidade da RMBH e do especialista sênior em parcerias público-privadas (PPPs) do BID, Marcos Siqueira.

Siqueira ressaltou pontos importantes da parceria. “Essa iniciativa traz o que há de mais moderno no mundo, uma experiência global. Trazemos e emprestamos para Minas Gerais o que há de melhor no transporte sobre trilhos. Estou muito animado com o impacto e com os movimentos que esse projeto terá no próximo ano”, disse.

A conclusão dessa etapa servirá de base para a futura contratação do estudo de concessão dos novos trechos. Conforme detalhou o vice-governador Mateus Simões (PSD), a elaboração dos projetos é fundamental para avançar no planejamento da ampliação da capacidade do transporte urbano da RMBH.

Sobre a origem dos recursos, Simões explicou que esse é um tema que ainda será discutido com o BID. “Vamos tratar do assunto e definir o melhor modelo de financiamento com o banco. Se for necessário aporte de dinheiro público, vamos buscar nas mesmas fontes que utilizamos para investimentos em infraestrutura rodoviária. Para nós, logística é logística, independentemente de ser asfalto ou trilho”, afirmou.

Linha 3 e Linha 4 do metrô

Com investimento estimado em R$ 4,8 bilhões, o projeto prevê que a Linha 3 tenha 4,23 quilômetros de extensão, com seis estações, conectando a Savassi à Lagoinha, e deverá atender cerca de 93 mil passageiros por dia até 2035.

Já a Linha 4, com 22,6 quilômetros de extensão, ligará Contagem ao Terminal Betim, utilizando a faixa ferroviária e a avenida Marco Túlio Isaac. O projeto inclui 18 estações e um terminal, integrando Trem Metropolitano e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A demanda prevista para 2045 é de até 28 mil passageiros na hora de pico.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2026

A Linha 17-Ouro do Metrô, na zona sul de São Paulo, que chegará até o Aeroporto de Congonhas, está prevista para ser inaugurada em 30 de março.

Prometida para a Copa do Mundo de 2014, a linha será a segunda na capital paulista a usar a tecnologia de monotrilho. Após críticas à Linha 15-Prata, pioneira no modal, a Linha 17 promete trazer inovações que garantam uma experiência mais confortável, sem o chacoalhar que marcou o modelo anterior.

O trem da Linha 17 também se destaca por ser o primeiro no País com bateria, similar aos carros elétricos. O equipamento promete levar o monotrilho de uma ponta a outra da linha mesmo em caso de apagão — cenário frequente na capital paulista.

Outra novidade será o trajeto em Y, que alternará a estação final: ora o desembarque será em Congonhas, ora na Washington Luís.

Veja a seguir as curiosidades sobre o monotrilho da Linha 17-Ouro

Bateria reserva

O monotrilho é movido a eletricidade. A energia que o impulsiona é proveniente da rede elétrica e chega aos trens por meio de barras de alumínio condutoras fixadas na lateral da estrutura de concreto em que ele se sustenta.

Em caso de apagão, o veículo construído pela BYD — o primeiro da marca chinesa no Brasil — carrega baterias reserva.

“A BYD nasceu como fabricante de baterias. Então, nosso monotrilho precisava ter bateria também. É um sistema híbrido, energia e bateria, como são os nossos carros”, diz Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD Skyrail, monotrilho da marca.

A companhia assegura que as baterias transportam o veículo por ao menos 8 km. É o suficiente para ir de um extremo ao outro da Linha 17, que tem 7,7 km com suas oito estações. “Ele consegue sair do Morumbi e chegar até Congonhas só com a bateria”, completa Barbosa.

O diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues, afirma que, durante os testes, a autonomia foi ainda maior. “Nos ensaios, com o monotrilho carregado de sacos de areia para simular o peso dos passageiros, chegou a 13 km.”

A bateria foi vital para não atrasar novamente a entrega do monotrilho, cuja inauguração em março é prometida pelo Metrô desde agosto do ano passado. Muitos dos testes de segurança com os veículos foram feitos com a energia reserva, pelo fato de a rede elétrica, na época, ainda estar em fase de implementação. Sem ela, as simulações teriam demorado para ocorrer, o que provocaria um novo atraso.

Apesar da bateria, o Metrô destaca que toda estação da Linha 17-Ouro tem um gerador a diesel com autonomia mínima de 3 horas, além de um sistema nobreak, que também funciona como uma bateria reserva.
Percurso em Y

Comum em metrôs na Europa, a exemplo de Paris, na França, o percurso da linha será em Y. A estação final vai variar entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Washington Luís. Os passageiros precisarão prestar atenção nas telas e avisos sonoros para chegar ao destino correto.

“Por exemplo, a cada dois trens para o aeroporto, um vai para a Washington Luís. Vamos controlar isso de acordo com a demanda de passageiros”, afirma Rodrigues, do Metrô.

A frequência exata de circulação para cada um dos destinos ainda não foi definida — e pode variar conforme o horário do dia. Se a demanda para o aeroporto for maior durante o fim de semana, por exemplo, pode haver mais trens para lá neste período.

Sistema para evitar chacoalhadas da Linha 15-Prata

O primeiro monotrilho de São Paulo, a Linha 15-Prata, na zona leste, registrou uma série de falhas nos últimos anos, como colisão entre trens e queda de peças de concreto na rua. Passageiros também reclamam de trepidação e solavancos no percurso.

“O aprendizado de uma linha sempre é levado para outra. Além disso, são projetos diferentes, de contratadas diferentes, de fornecedores diferentes”, diz Rodrigues, diretor do Metrô. A estatal é responsável por ambas as linhas e ressalta que as duas são seguras.

Uma das melhorias para a 17 visa a justamente evitar o tremor. O novo sistema de amortecimento, equipado com bolsas de ar, promete mais suavidade.

“O trem da 15 chacoalhava muito por causa de um problema na via e pelo tipo de suspensão dos trens. Nossa suspensão dá mais estabilidade”, afirma Barbosa, da BYD.
Trem teve de ser adaptado após empresa falir

A empresa inicialmente contratada para fornecer os veículos, a Scomi, da Malásia, faliu antes de entregar os trens. Mas as estruturas das vigas já tinham sido construídas para os veículos da marca e monotrilhos de outras empresas teriam tamanhos diferentes. A reportagem não conseguiu contato com a Scomi.

A BYD foi contratada, mas teve de adaptar seu monotrilho para caber nas vigas para a Scomi.

“Tivemos de criar uma linha de teste na China, com os moldes da Linha 17, para conseguirmos adaptar o nosso trem. Gastamos horas e horas de engenharia. Fizemos inúmeros testes”, diz Barbosa.

Ele afirma que o trem da BYD é maior que o da Scomi, enquanto a viga chinesa é mais estreita que a da empresa anterior. “Sem essa solução tecnológica, a Linha 17-Ouro seria desafiadora.”

“Basicamente, é um trem único no mundo”, define Rodrigues. Mesmo na China, os monotrilhos da BYD têm formatos diferentes.

Vagão menor e capacidade pequena

Essa diferença também fez com que os trens da Linha 17 sejam menores, com comprimento de cerca de 60 metros. Para comparação, o monotrilho da 15 mede aproximadamente 90 metros e um metrô convencional, em torno de 130 metros.

Isso fez com que a capacidade da Linha Ouro (93 mil passageiros por dia) fosse menor que a da Prata (550 mil/dia).
Não há trilhos

O monotrilho não anda sobre trilhos de ferro, mas sobre pneus de borracha, que se apoiam em vigas de concreto. Não há trilhos de ferro, como no Metrô ou na CPTM.

É dessa viga única que surgiu o nome monotrilho (único trilho).

Os pneus que ficam sobre a viga sustentam o peso do trem. Também há pneus que ficam “agarrados” às laterais, para dar estabilidade, chamados de pneus guia.

Porta secreta para reboque

O compartimento na frente do trem (o “bico”) se abre para permitir o engate com outro monotrilho em caso de algum problema que exija reboque. É como uma porta secreta, onde fica escondido um braço mecânico para o procedimento.

Pátio sobre piscinão

O pátio de manutenção e estacionamento dos trens fica sobre o Piscinão Água Espraiada, na Avenida Jornalista Roberto Marinho, entre as avenidas Washington Luís e Dr. Lino de Moraes Leme.

“Normalmente, os pátios são construídos em áreas extremamente grandes, que às vezes precisam ser desapropriadas. No caso da Linha 17, a gente aproveitou para fazer o pátio em cima dessa grande laje que é o piscinão”, explica Rodrigues.

O pátio foi feito para acomodar mais de 20 monotrilhos. É um edifício de dois andares, onde, em uma parte, funciona o estacionamento e, em outra, a área de manutenção.

“A quantidade de vias dentro de um pátio de manutenção é quase a extensão completa de uma linha. Aqui, são mais de 6 km de via, enquanto a Linha 17 tem 7,5 km”, conta o diretor do Metrô.

Além disso, também fica no prédio o Centro de Operações da 17, onde o trem é operado.
Sem piloto

O monotrilho é comandado de forma remota, diretamente do Centro de Operações, assim como na Linha 4-Amarela e na Linha 6-Lilás. Há uma sala onde os funcionários acompanham diversas TVs, monitoram todo o sistema e verificam o andamento das viagens e eventuais irregularidades.

Em caso de emergência, há um posto de controle manual dentro do monotrilho, que fica no primeiro vagão. “O sistema de sinalização faz tudo sozinho. É só numa condição de anormalidade que o operador pilota o trem”, afirma Rodrigues.

Segundo o diretor do Metrô, porém, a operação deve começar com um piloto para realizar a condução manual. “Primeiro, precisamos testar todas as condições de segurança, amadurecer o sistema para, aí sim, gradativamente fazer a retirada do operador de trem”, diz Rodrigues.
Túnel até o Aeroporto

A Estação Congonhas fica do outro lado da Avenida Washington Luís em relação ao aeroporto. Para que os passageiros não precisassem atravessar a via movimentada pela faixa de pedestres, foi construído um túnel que dá acesso à entrada do terminal de voos.

“Você vai percorrer a travessia sob a Washington Luís e já sair no saguão do aeroporto. Esse é um grande diferencial em comparação com a Linha 13-Jade, da CPTM, que não deixa o passageiro dentro do Aeroporto de Guarulhos”, diz Rodrigues.

Desde o ano passado, as paredes de Congonhas já anunciam a chegada da Linha 17-Ouro, com adesivos colados nas portas entre a saída da estação e a entrada do aeroporto.

NAVAL

Portos e Navios - SP   10/03/2026

A APM Terminals recebeu uma série de equipamentos para seu novo terminal em Suape (PE), que a empresa promete ser o primeiro 100% eletrificado na América Latina. O pacote com 28 equipamentos encomendados da empresa chinesa Sany inclui dois guindastes STS (Ship to Shore), responsáveis pelo carregamento e descarregamento dos navios. Um diferencial desses equipamentos é a lança de 70 metros de alcance operacional, que permite a operação de embarcações com mais de 366 metros de comprimento, classe New Panamax que, atualmente, são as maiores que trafegam pela costa brasileira.

Para movimentação de contêineres no pátio do terminal, foram adquiridos sete guindastes RTGs, considerados essenciais para garantir segurança e alta produtividade. Tanto os portêineres (STS) quanto os pórticos sobre pneus — RTGs (Rubber Tyred Gantry Cranes) serão operados por controle remoto, diretamente das salas de controle. De acordo com a APM, essa tecnologia proporciona mais conforto e ergonomia aos operadores, além de ampliar a acessibilidade da função, permitindo que pessoas com mobilidade reduzida possam desempenhar o cargo. Diferentemente dos equipamentos tradicionais, que exigem acesso por escadas ou elevadores, o novo modelo elimina essas barreiras.

Um dos maiores projetos portuários privados do Brasil, o APM Terminals Suape receberá um total de investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões e terá capacidade inicial para movimentar até 400.000 TEUs por ano. A operadora informou que a implantação do terminal já está quase completa, com expectativa de iniciar operações no segundo semestre de 2026. “Este é um marco crucial para o projeto que agora entra na fase final de construção da infraestrutura principal do terminal”, disse o diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém (CE), Daniel Rose.

Os equipamentos que chegaram ao terminal portuário representam um investimento de R$ 241 milhões e viabilizam o início das etapas técnicas que sustentarão a operação do terminal. A APM Terminals Suape destaca que os modelos totalmente eletrificados eliminam o uso de combustíveis fósseis, reforçando o compromisso global da empresa em atingir a meta de zero emissões líquidas (Net Zero) até 2040.

A tecnologia embarcada é apontada como de última geração, com sistemas que elevam os padrões de segurança e eficiência. Entre os recursos, estão dispositivos que aumentam a precisão dos movimentos e protegem tanto os equipamentos quanto as cargas contra colisões. Complementando o portfólio, o terminal contará ainda com duas reach stackers, uma empilhadeira para 16 toneladas, duas empilhadeiras para contêineres vazios e 14 terminal tractors.

Os novos equipamentos chegaram a bordo do navio Zhong Chuan Yuan Yang, que acostou em Suape. Nesta segunda-feira (9), a APM realizou um evento no complexo portuário para registrar essa etapa do projeto, que contou com representantes da empresa e autoridades, incluindo o ministro de portos e aeroportos, Silvio Costa Filho. “Esse terminal traz tecnologia de ponta e um modelo operacional mais sustentável, com equipamentos eletrificados”, declarou o ministro.

Na ocasião, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, disse que a implantação do terminal da APM elevará o patamar de Suape, aumentando a capacidade de importação e exportação e recolocando o estado nas grandes rotas comerciais do mundo. Já o diretor-presidente do complexo de Suape, Armando Monteiro Bisneto, afirmou que o futuro terminal da APM integra um ciclo estratégico de expansão da infraestrutura do empreendimento para ampliar a movimentação portuária e fortalecer a competitividade.

“Será o primeiro terminal 100% eletrificado da América Latina, o que reforça o posicionamento de Suape como hub logístico moderno, sustentável e alinhado às transformações do setor. O novo terminal vai atrair novos negócios e novas linhas marítimas que estão sendo prospectadas", destacou.

Globo Online - RJ   10/03/2026

A gigante global do transporte marítimo MSC anunciou nesta segunda-feira que está suspendendo formalmente certos embarques de exportação do Golfo Pérsico devido à guerra no Oriente Médio e que "toda a carga afetada será descarregada". O anúncio da maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo ocorreu em um momento em que a guerra com o Irã fez os preços do petróleo dispararem nesta segunda-feira, depois que Teerã, sob um novo líder supremo, lançou uma nova série de mísseis contra seus vizinhos do Golfo e sinalizou que o estratégico Estreito de Ormuz provavelmente permaneceria fechado.

"Tendo em vista a atual e excepcional situação de segurança no Oriente Médio [...] é necessário declarar o Fim da Viagem para certos embarques de exportação" provenientes de portos do Golfo, "estejam eles em terra ou já a bordo", afirmou a MSC em um comunicado aos clientes.

O estreito é a única passagem marítima do Golfo em direção ao Oceano Índico, por onde passa quase um quarto do suprimento mundial de petróleo transportado por via marítima, além de uma quantidade significativa de carga. A MSC afirmou que sua decisão "reflete a natureza excepcional das circunstâncias atuais" e "não constitui uma quebra de contrato".

"Toda a carga afetada será descarregada e disponibilizada aos interessados no porto designado. A partir desse momento, a custódia, o risco e a responsabilidade pela carga serão transferidos para os respectivos proprietários", afirmou a empresa.

Transatlântico tem dez restaurantes, 75 metros de altura e capacidade para mais de 6,3 mil passageiros

Após a descarga – o descarregamento da carga de um navio, quando a responsabilidade por ela é transferida de volta para o cliente ou destinatário – os clientes que desejarem continuar o transporte de suas remessas com a MSC por meio de rotas ou soluções alternativas poderão fazê-lo mediante um novo contrato de transporte, informou a empresa de navegação.

A MSC afirmou que tentará ajudar os clientes a identificar e organizar a rota subsequente mais adequada, para a qual será aplicada uma sobretaxa obrigatória de US$ 800 (cerca de R$ 4.184) por contêiner, para cobrir os custos operacionais e logísticos adicionais associados.

"Solicitamos aos clientes que entrem em contato com o escritório local da MSC para obter detalhes sobre o porto designado e confirmar as instruções de recuperação ou transporte subsequente", diz o comunicado. "A MSC lamenta sinceramente a necessidade desta decisão, que decorre de circunstâncias excepcionais fora do seu controle."

Os Estados Unidos e Israel iniciaram seus ataques contra o Irã em 28 de fevereiro. Desde então, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra alvos em diversos países do Golfo. Em 1º de março, a MSC informou que havia instruído seus navios no Golfo a se dirigirem para locais seguros e que havia suspendido todas as reservas de carga para o Oriente Médio em todo o mundo.

Em 3 de março, a empresa sediada em Genebra informou que todas as remessas destinadas a portos no Golfo estavam sendo desviadas para o porto seguro mais próximo para descarga.

IstoÉ Online - SP   10/03/2026

Vários navios exibem abertamente seus vínculos com a China enquanto navegam pelo Golfo em meio à guerra no Oriente Médio, segundo dados da MarineTraffic.

Desde a última segunda-feira, cerca de trinta embarcações transmitiram mensagens por meio de seus transponders AIS, como “Tripulação chinesa”, “Proprietário chinês” ou “Tripulação chinesa a bordo”, em vez de indicar seu destino.

O sistema AIS, semelhante a um transponder de avião, permite que os navios transmitam sua identidade, posição e destino para outras embarcações. Esses sinais são coletados, entre outros, pelo site MarineTraffic, que pertence à empresa Kpler.

O navio Iron Maiden, com bandeira das Ilhas Marshall, e o Sino Ocean, registrado na Libéria, são dois casos particularmente reveladores: ambos os navios graneleiros anunciaram um vínculo com a China ao cruzar o Estreito de Ormuz e removeram a informação assim que passaram.

Outros emitiram mensagens semelhantes, às vezes por apenas alguns minutos, enquanto estavam parados.

Pelo menos dois navios emitiram mensagens indicando que tinham tripulação e proprietário turcos ou, logo após o início da guerra, declarando-se “muçulmanos”.

Desde a última segunda-feira, mais de 20 navios comerciais foram detectados cruzando o Estreito de Ormuz, após os primeiros ataques a embarcações, segundo uma análise da AFP baseada em dados da MarineTraffic.

Alguns cruzaram essa passagem estratégica para o comércio global desligando seus transponders para ocultar sua posição.

A AFP contabilizou especificamente nove petroleiros (que transportavam petróleo ou derivados) e dois navios metaneiros, destinados ao transporte de gás natural liquefeito (GNL).

Esse número inclui apenas as embarcações que transmitiram pelo menos um sinal em cada lado do Estreito de Ormuz, sem contar outros navios que podem ter feito toda a travessia sem transmitir sua posição.

Desde os bombardeios israelenses-americanos lançados em 28 de fevereiro no Irã, a Guarda Revolucionária iraniana bloqueou efetivamente o tráfego no Estreito de Ormuz.

Em condições normais, 138 navios cruzam essa passagem em 24 horas, por onde passam aproximadamente 20% do petróleo bruto mundial e uma porcentagem semelhante de gás natural liquefeito (GNL).

PETROLÍFERO

Veja - SP   10/03/2026

O mercado de energia mais uma vez volta os olhos ao Oriente Médio com a sensação de que a escalada pode ir mais longe — e mais cara — do que se imaginava. O barril de petróleo rompeu a marca dos US$100 e bateu os US$116 no fim de semana, acumulando uma disparada acima dos 43% na semana no petróleo bruto e de 35% no Brent. O gás natural liquefeito (GNL) também entrou na onda, com alta de quase 14%, acendendo um alerta especial na Europa, que passou a depender mais do combustível do Oriente Médio depois de reduzir as compras da Rússia por causa da guerra na Ucrânia.

A retórica dos dois lados ajuda a explicar o nervosismo. O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Ebrahim Zolfaghari, deixou o recado direto: “E se você pode tolerar preços do petróleo acima de US$200 por barril, continue este jogo”. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou reduzir o tom, dizendo à ABC News que “está tudo bem” e que a situação seria apenas “um pequeno contratempo”. No meio desse tabuleiro, Israel afirmou ter atingido complexos de armazenamento de combustível usados pelas forças armadas iranianas em Teerã, enquanto o Irã fala em cerca de 300 grandes petroleiros e navios parados no Estreito de Ormuz — ponto vital para o fluxo global de petróleo — algo que os EUA negam.

No Brasil, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao Ministério de Minas e Energia que aumente com urgência a mistura obrigatória de biodiesel no diesel, dos atuais 15% para 17%, como forma de conter uma eventual disparada de preços. A avaliação é que, com a soja em plena safra, o país teria matéria-prima suficiente para ampliar a produção. Ao mesmo tempo, a escolha de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã — conhecido pela linha dura — reforça a percepção de que o conflito pode durar mais do que o mercado gostaria. E, quando guerra e petróleo se encontram, a conta costuma chegar rápido.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2026

A inteligência artificial (IA) começou a flertar com o setor de petróleo ainda nos anos 1990, mas ganhou tração de verdade depois da descoberta do pré-sal no País. De lá para cá, a tecnologia passou de recurso pontual a pilar estratégico, impulsionada pela obrigação regulatória de destinar 1% da receita a projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) — mecanismo que, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), já mobilizou mais de R$ 34 bilhões em 27 anos.

O resultado é um ecossistema em que petroleiras gigantes e independentes disputam, algoritmo a algoritmo, ganhos de eficiência, segurança e, sobretudo, rentabilidade.

Na Petrobras, a IA subiu ao quadro de prioridades no Plano Diretor de Tecnologia e Telecomunicações 2024-2028. O Centro de Excelência em Analytics e IA orquestra dezenas de projetos. No refino, o TripDetector prevê falhas e pode economizar R$ 400 mil por ano.

No offshore, o HeliVAR usa visão computacional para flagrar não conformidades em helideques (helipontos marítimos), e o Smart Tocha regula a queima de gás, gerando mais de R$ 20 milhões anuais e menor emissão de CO2.

Na retaguarda, o agente MaterIAl reduziu em 90% o tempo de consulta de estoques, enquanto um modelo de fluxo de caixa elevou em 50% a precisão das previsões, evitando erros semanais de cerca de R$ 400 milhões. A estatal pretende investir R$ 500 milhões em supercomputadores neste ano, dos quais R$ 340 mil dedicados exclusivamente à IA.
Independentes

A corrida não é exclusividade da petroleira estatal e de outras gigantes multinacionais que atuam no Brasil. A Prio, maior empresa independente do setor no País, expande o uso de IA em manutenção e geociência.

Modelos preditivos monitoram turbinas, compressores e bombas, antecipando falhas e redesenhando cronogramas de parada. Na subsuperfície, algoritmos de interpretação sísmica aceleram análises e refinam o mapeamento estrutural dos campos.

“Computação de alto desempenho e inteligência artificial ampliam nossa capacidade de análise em áreas críticas da operação. O foco não é a tecnologia em si, mas sua contribuição concreta para eficiência, previsibilidade e geração de valor”, diz o diretor financeiro da Prio, Milton Rangel.

Outra independente que troca o macacão pelo código é a Petrorecôncavo. Sob a batuta do veterano do setor e Head de Data Analytics da empresa, Marcos Bonfim, seu Centro de Excelência em Dados administra 50 mil sensores espalhados por 57 concessões.

Três frentes concentram a transformação: agentes generativos que resumem dossiês de 400 páginas sobre cada poço e consultam 72 normas da ANP; modelos de Machine Learning para manutenção preditiva de bombas e compressores; e a capacitação das equipes no Copilot da Microsoft e em IA generativa

Para Bonfim, “IA não resolve problema de qualidade de dados, mas potencializa”. O objetivo, resume ele, é “extrair valor tangível dos reservatórios digitais e replicar em terra a sofisticação do pré-sal”.
Apoio

Fora do front operacional, consultorias e fornecedores reforçam o arsenal. A Radix, que atende sete das dez maiores petroleiras do mundo, vê 80% de sua agenda girar em torno de inteligência artificial.

Para a vice-presidente de Energia e Sustentabilidade, Natália Klafke, o entrave agora não é mais técnico, mas cultural: “A tecnologia já é madura, o gargalo está em dados e governança”. Ela aposta em bases “FAIR” (encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis) para viabilizar conceitos como “gerenciamento molecular”, que extrai o máximo valor de cada molécula do poço ao posto.

Na mesma toada, a Shape, braço de IA da Modec, quer “democratizar” o uso de algoritmos em unidades flutuantes. Seu produto Lighthouse antecipa falhas em bombas ou compressores antes da parada de operação . O Aura ajusta parâmetros de processo e já cortou 1,4 megawatt (MW) de consumo de eletricidade, em projeto com parceria da TotalEnergies. Já o Reef vigia barreiras de segurança.

“A IA não substitui o humano, amplia sua capacidade”, diz o vice-presidente de Growth e Business Development da Shape, Leonardo Machado. Para ativos pouco instrumentados, a empresa recorre a sensores virtuais capazes de estimar variáveis a partir de poucas medições físicas.

Do lado institucional, o Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) monitora e incentiva o avanço. “A sísmica só começou a evoluir, realmente, quando incorporou ferramentas de inteligência artificial”, resume o presidente Roberto Ardenghy.

Ele brinca que o setor passou de “bando de dados” a banco de respostas, mas mantém os pés no chão: “Não substitui a experiência de um engenheiro de 40 anos”.

Já a gerente de Inovação e Tecnologia do instituto, Melissa Fernandez, reforça que 55% das atividades da indústria no Brasil já são impactadas por automação ou IA, embora a maioria das empresas ainda se declare em estágio intermediário de maturidade.

Enquanto a segunda onda de adoção se aproxima — aquela em que as companhias mais cautelosas entrarão pesado —, o consenso é que quem ignorar a tecnologia perderá competitividade. Como sintetiza Bonfim, da Petrorecôncavo, “Não vão demitir por causa (de) IA. Vão demitir quem não souber usar IA”.

Diário do Comércio - MG   10/03/2026

O petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, e ficar próximo de US$ 120 pelo barril nesta segunda-feira (9) com a continuação do conflito no Oriente Médio e a ameaça de redução na produção, já que o transporte marítimo que passa pelo estreito de Hormuz está paralisado.

A negociação do barril Brent, referência mundial, começou em US$ 92,69, foi subindo e atingiu o ápice às 23h30 de domingo (horário de Brasília), cotado a US$ 119,46 (R$ 626,14), no maior valor desde 29 de junho de 2022, quando chegou a US$ 120,41 durante a sessão.

A disparada de 28,88% na comparação com o preço de fechamento de sexta-feira (6) foi a maior variação em um dia desde que começaram as negociações de contratos futuros do petróleo desde 1988.
A situação mudou após a informação que as maiores economias do mundo consideravam uma liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo, com os ministros das Finanças do G7 programados para discutir a medida ainda nesta segunda-feira. Uma pessoa próxima ao governo francês ouvida pela agência de notícias Reuters confirmou a negociação.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, funcionários do governo dos EUA acreditam que uma liberação conjunta na faixa de 300 milhões a 400 milhões de barris -até 30% dos 1,2 bilhão de barris na reserva- seria apropriada.

A partir daí, o preço do barril passou a cair e estava cotado a US$ 102 (R$ 524,14) às 10h42, com a alta reduzindo para 10,4%. Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também disparou quase 30% e chegou a US$ 119,43 (R$ 625,98), também às 23h30 de domingo, antes de reduzir para US$ 99,50 (R$ 521,52) às 10h42.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em sua rede social Truth Social que os movimentos de curto prazo são “um preço muito pequeno a pagar” para os EUA, o mundo e a paz. Ele acrescentou que os preços cairão rapidamente “quando a destruição da ameaça nuclear iraniana acabar”.

Para analistas, a opção de liberar reservas de emergência é uma solução paliativa. “As alternativas são limitadas, como recorrer às reservas estratégicas de petróleo, mas em comparação com a magnitude potencial da interrupção do fornecimento se o estreito permanecer fechado por mais tempo, elas são uma gota no oceano”, afirmou o analista do UBS Giovanni Staunovo.

“Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, mais produção será interrompida, exigindo preços substancialmente mais altos para conter a demanda”, complementou Staunovo.

O prêmio dos contratos de carregamento do Brent no primeiro mês sobre os contratos para entrega em seis meses disparou para uma máxima histórica na segunda-feira de quase US$ 36, segundo dados da LSEG que remontam a 2004.

A disparada ficou bem acima de seu pico anterior de cerca de US$ 23 em março de 2022, nas primeiras semanas da guerra Rússia-Ucrânia.

Esse prêmio indica uma estrutura de mercado conhecida como backwardation, mostrando que os traders veem uma intensa escassez de oferta no momento.

O estreito de Hormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, está virtualmente fechado.

Também impulsionando os preços está a nomeação de Mojtaba Khamenei para suceder seu pai Ali Khamenei como líder supremo do Irã, sinalizando que os linha-dura permanecem firmemente no comando em Teerã uma semana após o início do conflito com EUA e Israel.

A guerra pode deixar consumidores e empresas em todo o mundo enfrentando semanas ou meses de preços mais altos de combustíveis, mesmo que o conflito termine rapidamente, enquanto os fornecedores lidam com instalações danificadas, logística interrompida e riscos elevados para o transporte marítimo.
Os contratos de gasolina dos EUA dispararam para seu nível mais alto desde 2022, cerca de US$ 3,22 (R$ 16,87) o galão, em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse aos consumidores norte-americanos que o impacto em seu custo de vida seria limitado, antes das eleições de meio de mandato em novembro.

O líder democrata do Senado dos EUA, Chuck Schumer, pediu a Trump que libere as reservas estratégicas de petróleo, e uma fonte do governo francês disse na segunda-feira que o G7 também discutiria isso.

SAUDI ARAMCO COMEÇA A CORTAR PRODUÇÃO

A Saudi Aramco começou a cortar a produção em dois de seus campos de petróleo, disseram pessoas ouvidas pela Reuters. Analistas disseram na semana passada que esperavam que os pesos-pesados da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), incluindo os Emirados Árabes Unidos, tivessem que cortar a produção em breve, pois estão ficando sem capacidade de armazenamento de petróleo.

A produção de petróleo iraquiana de seus principais campos do sul caiu 70%, afirmaram fontes do setor, com o armazenamento de petróleo bruto tendo atingido a capacidade máxima.

A Kuwait Petroleum Corporation também começou a cortar a produção de petróleo no sábado (7) e declarou força maior nos embarques, embora não tenha informado quanta produção seria interrompida.

A QatarEnergy também havia declarado força maior na semana passada para GNL (gás natural liquefeito) e outros produtos.

A Saudi Aramco, que pode desviar alguns fluxos pelo porto de Yanbu no Mar Vermelho, ofereceu mais de 4 milhões de barris de petróleo saudita em licitações raras para contrabalançar o fechamento de Hormuz. O processo é incomum com entrega imediata com carga vinda de um superpetroleiro próximo a Taiwan. A empresa normalmente só oferece fornecimento sob contratos de longo prazo. É um dos muitos sinais de que os produtores estão tomando medidas incomuns para manter o mercado de petróleo abastecido.

Ao mesmo tempo, informações de bombardeios em campos petrolíferos continuam impactando no mercado. Nesta segunda-feira, um ataque atingiu a zona industrial de petróleo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, com queda de destroços provocando incêndio, sem feridos relatados.

As paralisações na produção de petróleo no Oriente Médio podem ultrapassar 4 milhões de barris por dia até o final da próxima semana, à medida que os estoques se enchem e os gargalos persistem, escreveram analistas do JPMorgan Chase & Co., em uma nota de domingo (8).

O governo da China ordenou que as principais refinarias do país suspendam as exportações de diesel e gasolina, e a Coreia do Sul está avaliando se deve introduzir um teto para os preços do petróleo pela primeira vez em 30 anos.

Valor - SP   10/03/2026

O governo do Japão emitiu instruções para que o país se prepare para uma possível liberação de suas reservas de petróleo, informou o “Nikkei Asia” nesta segunda-feira. A nação se prepara para uma queda prolongada no fornecimento proveniente do Oriente Médio, região assolada por conflitos.

O Ministério da Economia, Comércio e Indústria instruiu as instalações de armazenamento de reservas nacionais a se prepararem para a liberação. O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, declarou a jornalistas nesta segunda-feira que "nenhuma decisão foi tomada" em relação à liberação das reservas.

Um alto funcionário do ministério afirmou que o Japão está "fazendo diversos preparativos para que possa responder imediatamente caso uma decisão seja tomada". Tóquio está monitorando a situação, incluindo os estoques das refinarias e as operações de navios-tanque.

Os ministros das Finanças do G7 emitiram um comunicado nesta segunda-feira afirmando que seus países "estão prontos para tomar as medidas necessárias, inclusive para apoiar o fornecimento global de energia, como a liberação de reservas".

Mais de 90% das importações de petróleo bruto do Japão vêm do Oriente Médio, e a maior parte desse petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, que o Irã declarou fechado ao tráfego de navios-tanque.

São necessários de 20 a 25 dias para que navios-tanque transportem petróleo do Oriente Médio para o Japão. Mesmo que o estreito seja bloqueado, levará algum tempo para que o fornecimento seja interrompido.

As dez reservas nacionais de petróleo do Japão são administradas pela Organização Japonesa para Segurança de Metais e Energia (Jomses), controlada pelo governo. Empresas privadas também possuem seus próprios estoques.

Os setores público e privado do Japão possuíam reservas de petróleo bruto e derivados suficientes para atender à demanda interna por 254 dias até o final de dezembro. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o governo japonês cooperou liberando 22,5 milhões de barris, o equivalente a 11 a 12 dias de demanda, em coordenação com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Uma liberação desta vez também provavelmente seria um esforço coordenado. Mas, se a oferta interna se tornar mais restrita, Tóquio poderá decidir liberar o petróleo unilateralmente pela primeira vez.

Os estoques japoneses de nafta, obtida durante o processo de refino do petróleo bruto, também estão em risco. Isso poderia impactar a produção de produtos químicos básicos, como o etileno.

As preocupações com o agravamento da crise no Oriente Médio devido à guerra com o Irã fizeram com que o preço dos contratos futuros de petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, ultrapassasse brevemente os US$ 110 por barril na segunda-feira, o maior valor em quase quatro anos.

AGRÍCOLA

Tribuna - PR   10/03/2026

Curitiba registrou um aumento de 18% nas exportações em 2025, atingindo US$ 2,2 bilhões e se tornando a terceira capital brasileira que mais exportou no ano. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de tratores fabricados na cidade, que aumentaram 25% e alcançaram US$ 448 milhões.

Outros setores que tiveram desempenho expressivo foram a soja triturada (alta de 37%, US$ 323 milhões), veículos para transporte (crescimento de 15%, US$ 287 milhões) e o setor de energia (aumento de 42%, US$ 95 milhões exportados).

O secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, destacou a capacidade de adaptação das empresas curitibanas frente aos desafios do comércio internacional. As exportadoras conseguiram aumentar suas vendas para outros mercados, compensando a queda registrada para o mercado norte-americano.
Indústria de máquinas agrícolas em Curitiba

O avanço nas vendas de tratores reflete a forte presença da indústria voltada ao agronegócio na capital paranaense. A cidade abriga grandes fabricantes de máquinas agrícolas, como a New Holland, instalada na Cidade Industrial de Curitiba desde 1975.

A evolução tecnológica é uma das marcas do setor. A fábrica conta com uma Central de Inteligência que monitora em tempo real máquinas agrícolas em operação em diversos países da América Latina. Além disso, a empresa já comercializa tratores movidos a biometano, tecnologia pioneira no mundo.

O avanço tecnológico das máquinas também tem aumentado a busca por capacitação no campo. Em 2025, 3.622 pessoas participaram de cursos voltados à operação de tratores no Paraná, promovidos pelo Sistema Faep em parceria com sindicatos rurais.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as exportações de máquinas agrícolas seguem com bom desempenho no mercado internacional. Em janeiro de 2026, o setor registrou US$ 117,6 milhões em vendas externas, crescimento de 14,7% em relação ao mesmo mês de 2025.

 

Associe-se!

Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.

INDA

O INDA, Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, é uma Instituição Não Governamental, legalmente constituída, sem fins lucrativos e fundada em julho de 1970. Seu principal objetivo é promover o uso consciente do Aço, tanto no mercado interno quanto externo, aumentando com isso a competitividade do setor de distribuição e do sistema Siderúrgico Brasileiro como um todo.

Rua Silvia Bueno, 1660, 1º Andar, Cj 107, Ipiranga - São Paulo/SP

+55 11 2272-2121

contato@inda.org.br

© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.

TOP