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08 de Maio de 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   08/05/2026

As ações da Gerdau (GGBR4) já subiram cerca de 40% desde meados de março, versus 4% do Ibovespa, mas até quando vai o rali. Em 18 de março, os papéis fecharam cotados a R$ 17,39, enquanto fechou a sessão da véspera a R$ 24,36.

O Bradesco BBI manteve recomendação neutra para GGBR4, mas elevou o preço alvo para o fim de 2026 de R$ 21 para R$ 24 por ação, refletindo fundamentos que superaram suas expectativas iniciais.

Ainda assim, a visão é de que a forte valorização recente já incorporou boa parte da melhora esperada nos lucros de 2026. “Aos preços atuais, a ação negocia a um nível de múltiplos que já embute tanto os reajustes de preços no Brasil entre abril e junho quanto a melhora recente do spread metálico nos Estados Unidos, em nossa opinião”, avaliam os analistas do BBI.

A projeção para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026 agora é de R$ 12,3 bilhões, 4% acima do consenso, ficando próxima das expectativas de muitos gestores.

Mas, para além disso, novas altas dependeriam da: (i) continuidade da dinâmica de margens siderúrgicas no 2S26 (segundo semestre de 2026); ou (ii) uma reclassificação dos múltiplos, diante de margens estruturalmente mais fortes —especialmente no Brasil.

Nos Estados Unidos, o consenso passa a acreditar na sustentação de margens próximas a 20% sob o arcabouço de defesa comercial; já no Brasil, a discussão central é se a melhora recente de preços é estrutural (sinal de maior efetividade da defesa comercial) ou apenas temporária, influenciada pelo conflito no Oriente Médio.

Para o BBI, análise de sensibilidade indica que a valorização adicional passa a depender cada vez mais da sustentação das margens nos Estados Unidos acima das médias históricas e de uma elevação consistente das margens no Brasil.

Assumindo margens de longo prazo de 23 a 25% por lá, o potencial melhora de forma mais significativa apenas quando as margens no Brasil superam 14%. No cenário base (21%) do banco, retornos mais relevantes exigiriam margens no Brasil acima de 15%.

Desta forma, operacionalmente, a América do Norte segue forte —com margens alcançando 24,1% no 1T26 —o que nos leva a elevar a estimativa de margem em 2026 para 24% (normalizando para algo ao redor de 20 e 21% a partir de 2027).

No Brasil, projeta melhora gradual com possível redução de importações no 2S26 e maior tração de preços, embora a dinâmica seja mais favorável em aços planos/chapas do que em longos, onde a oferta doméstica ainda pressiona. Para o 2T26, a expectativa é de Ebitda de R$ 3,2 bilhões (8% maior no trimestre e 25% em base anual), com expansão de margens tanto no Brasil (para 10,5%) quanto nos Estados Unidos (para 25,4%).

Diário do Comércio - MG   08/05/2026

A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) planeja investir, neste ano, R$ 971 milhões na planta de Ipatinga, no Vale do Aço. Os recursos representam a maior parte dos investimentos previstos pela companhia para 2026, entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão, focados em melhoria de eficiência operacional e de desempenho ambiental.

Os aportes estimados para o complexo mineiro são destinados ao avanço de quatro projetos a serem finalizados até 2029, consumindo R$ 3,5 bilhões em capex. São eles: reparo a quente da bateria 3 da Coqueria 2; reconstrução parcial da bateria 4 da Coqueria 2; construção da nova planta de moagem e injeção de PCI; e construção do novo gasômetro.

No reparo a quente da bateria 3 da Coqueria 2, o grupo investirá, ao todo, R$ 978 milhões. O projeto, que já foi iniciado, tem conclusão prevista para abril de 2028. O objetivo é aumentar a vida útil do equipamento e o volume de produção de coque próprio.

Na reconstrução parcial da bateria 4 da Coqueria 2, os investimentos somarão R$ 1,7 bilhão. A obra começará em setembro deste ano, com estimativa de ser finalizada em janeiro de 2029. O projeto visa ampliar a capacidade produtiva de coque e gás de coqueria.

Em conversa com jornalistas em Ipatinga na quarta-feira (6), o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, explicou que a Coqueria 2 possui duas baterias de 55 fornos cada. No caso da bateria 3, todos os fornos serão reparados, enquanto na bateria 4, a parte mecânica e elétrica será completamente reconstruída para que todos os fornos fiquem disponíveis.

Sobre a construção da nova planta de moagem e injeção de PCI, os aportes da companhia vão totalizar R$ 597 milhões. A obra já está praticamente concluída e o início da operação plena está programado para a primeira quinzena de junho. A finalidade é maximizar a injeção de PCI em substituição ao coque no alto-forno.

No que se refere ao novo gasômetro, a empresa vai investir R$ 249 milhões no total. Com conclusão estimada para maio de 2027, a obra já começou. O intuito é ter maior capacidade de armazenamento, compatível com a capacidade de recuperação/consumo de gás.

De acordo com Chara, quando os quatro projetos estiverem prontos, a Usiminas terá ganhado vantagens ambientais, de competitividade, de custos e de eficiência energética. “Isso significa uma mudança profunda no nosso sistema produtivo para assegurar a produção de aço líquido de forma competitiva e alinhada aos parâmetros ambientais que são necessários para este tipo de operação”, destacou o executivo.

Demanda interna

No encontro com a imprensa, além do plano de investimentos, o presidente da Usiminas falou sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre, divulgados há duas semanas, os obstáculos ocasionados pela guerra no Oriente Médio, com aumento de custos, e os problemas enfrentados pela siderurgia com as importações de aço, sobretudo da China.

No que diz respeito ao grande volume de aço do exterior que tem entrado no Brasil, Chara afirmou esperar um arrefecimento dos números no segundo semestre em razão das medidas de defesa comercial implementadas pelo governo brasileiro recentemente. Segundo ele, a empresa tem plena capacidade de atender à demanda interna que espera surgir.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   08/05/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já cresce acima da sua capacidade produtiva há 12 trimestres consecutivos, ou seja, três anos completos. No quarto trimestre de 2025, o hiato do produto — diferença entre o PIB corrente e o PIB potencial — ficou positivo em 3,4%, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtidos com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

“Isso tem a ver com a fraca reação do produto potencial. Eu atribuo isso muito à taxa de juros, que desestimula o investimento, assim como as incertezas, que também desestimulam o investimento. Então, o que está acontecendo é que está faltando produto potencial”, ressaltou Claudio Considera, pesquisador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV.

Depois de passar oito anos operando com ociosidade, a economia brasileira tem rodado acima da sua capacidade máxima produtiva desde o primeiro trimestre de 2023 (ver gráfico).

O PIB potencial é a capacidade produtiva da economia, composta tanto por trabalho quanto por capital, que indica o volume máximo que o País consegue produzir de bens e serviços sem gerar pressões inflacionárias. Assim, cria um círculo vicioso: para combater a inflação, o Banco Central tem de elevar a taxa básica de juros da economia, a Selic.

O hiato do produto está positivo desde o primeiro trimestre de 2023, ou seja, o consumo está, desde então, acima da capacidade produtiva da economia.
Falta investimento

“Tanto o trabalho quanto o capital estão sendo sobreutilizados. Historicamente não ocorreu isso antes. Isso é falta de investimento mesmo, falta de compra de bens de capital”, avaliou o pesquisador do Ibre/FGV.

O crescimento da economia acima da capacidade instalada sugere pressões inflacionárias, com a demanda maior do que a oferta. O estudo mostra que foi a partir do segundo trimestre de 2023 que o PIB efetivo começou a crescer de forma mais robusta, em ritmo superior ao do crescimento do PIB potencial.

Segundo o pesquisador, a política monetária contracionista, com a taxa básica de juros em patamar elevado, está impedindo investimentos na expansão da capacidade instalada, mas não está reprimindo a demanda na mesma proporção. “Não está reprimindo a demanda por consumo de maneira geral”, disse Considera.

O mercado de trabalho robusto e resiliente é o que explica essa demanda resistente, apesar da política monetária em patamar contracionista. “A taxa de desemprego está bastante baixa. Teve um pequeno aumento agora, mas ela ainda está baixa historicamente”, acrescentou Considera.

O hiato do produto em terreno positivo permanece elencado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central como um dos fatores de risco de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação.

“Com relação ao balanço de riscos, o Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados do que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (I) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados; (II) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (III) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”, mencionou a ata da reunião do Copom de 28 e 29 de abril, divulgada nesta terça-feira pelo Banco Central.

A cada trimestre, o PIB brasileiro tem renovado patamares recordes, sustentado por um consumo também em níveis históricos. Os dados mais recentes das Contas Nacionais Trimestrais, apurados e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram um avanço de 0,1% no PIB no quarto trimestre de 2025 ante o terceiro trimestre de 2025 fazendo a atividade econômica subir a patamar recorde dentro da série histórica iniciada em 1996.

Pelo lado da demanda, o desempenho foi impulsionado pelo consumo do governo, que também alcançou novo ápice no quarto trimestre de 2025. O consumo das famílias manteve-se próximo ao pico, apenas 0,1% abaixo do auge registrado no segundo trimestre de 2025.

Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos do PIB) ainda está 12,6% abaixo do pico alcançado no segundo trimestre de 2013.

Infomoney - SP   08/05/2026

A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, reiterou nesta quinta-feira que os riscos de uma inflação mais alta no futuro são um argumento contrário à manutenção de uma política monetária com viés de corte de juros.

‘Minha perspectiva neste momento é de que as taxas de juros ficarão inalteradas por um bom tempo’, disse Hammack em uma entrevista à estação de rádio pública WOSU.

‘Com base no que vejo no momento, há muita incerteza nas perspectivas econômicas’ e ‘acho que nosso comunicado deveria adotar uma postura bastante neutra quanto a se o próximo movimento será de queda, de alta ou simplesmente de manutenção por um período realmente longo’, disse.
Hammack divergiu na reunião mais recente do Fed em relação à manutenção de uma linguagem que sugeria que o próximo movimento do banco central seria um corte de juros.

A taxa de referência do Fed está atualmente na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

O Estado de S.Paulo - SP   08/05/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 10,537 bilhões em abril, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 7, pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). O valor foi alcançado com exportações de US$ 34,148 bilhões e importações de US$ 23,611 bilhões.

Em abril, as exportações registraram alta de 14,3% na comparação com o mesmo mês de 2025, com crescimento de 16,1% em Agropecuária, que somou US$ 9,23 bilhões; alta de 17,9% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 8,28 bilhões; e, por fim, crescimento de 11,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 16,44 bilhões.

As importações subiram 6,2% em abril ante o mesmo mês de 2025, com queda de 25,8% em Agropecuária, que somou US$ 420 milhões; alta de 0,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,09 bilhão; e, por fim, crescimento de 7,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 21,93 bilhões.
Recorde da série

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou nesta quinta-feira que o valor exportado pelo Brasil em abril de 2026, de US$ 34,1 bilhões, foi o recorde para qualquer mês da série histórica. Ou seja, foi o maior valor em vendas em um único mês da história.

“Trata-se de um valor inédito não só para o mês de abril, mas para qualquer mês da série histórica, com um aumento de 14,3% em relação ao valor do mesmo mês do ano passado, que somou 29,9 bilhões de dólares, e esse aumento foi impulsionado por um crescimento de 6,9% nos preços e da mesma forma de 6,9% no volume exportado”, afirmou.

Ele afirmou que o valor de importação, de US$ 23,6 bilhões, foi recorde para o mês de abril. Assim como também foram recordes o superávit comercial do mês e a corrente de comércio.

Acumulado

No acumulado do ano, a balança comercial brasileira acumula superávit comercial de US$ 24,782 bilhões no ano até abril. O valor foi alcançado com exportações de US$ 116,552 bilhões e importações de US$ 91,770 bilhões e é 43,5% maior do que no mesmo período de 2025.

No acumulado de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações registraram alta de 9,2%, com crescimento de 6,6% em Agropecuária, que somou US$ 26,39 bilhões; alta de 22,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 29,33 bilhões; e, por fim, crescimento de 4,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 60,18 bilhões.

As importações subiram 2,5% de janeiro a abril de 2026 ante o mesmo período de 2025, com queda de 21,4% em Agropecuária, que somou US$ 1,80 bilhão; queda de 5,3% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 3,86 bilhões; e, por fim, crescimento de 3,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 85,49 bilhões.
Exportações aos EUA caem

As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 11,3% em abril de 2026 (somando US$ 3,121 bilhões no mês, ante US$ 3,517 bilhões em abril de 2025).

Pelo lado das importações, houve diminuição de 18,1% nas compras vindas dos EUA em abril (totalizando US$ 3,097 bilhões, ante US$ 3,780 bilhões em igual mês do ano passado). Assim, a balança comercial com os EUA resultou num superávit de US$ 20 milhões em abril.

Esta é a nona queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano, após a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros, em meados de 2025.

No fim do ano passado, alguns produtos brasileiros foram retirados das tarifas, mas o MDIC calcula que 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho, incluindo nesse grupo tanto os produtos que pagam apenas a alíquota extra de 40% quanto os sujeitos a 40% mais a taxa-base de 10%.

Sobre as exportações para os EUA, Brandão afirmou que há queda contínua desde agosto do ano passado, mas há uma indicação de melhora, com o valor passando de US$ 3 bilhões.

“Ainda observamos redução da exportação, mas ele vem se recuperando, o comércio vem se recuperando ao longo dos meses, nesse ano, superamos aqui 3 bilhões de dólares após vários meses, desde o final do ano passado, abaixo desse patamar, superamos 3 bilhões de dólares de exportação”, completou.

Embarques à China crescem

As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 32,5% em abril de 2026 (somando US$ 11,610 bilhões no mês, ante US$ 8,763 bilhões em abril de 2025).

Pelo lado das importações, houve crescimento de 20,7% nas compras vindas da China em março (totalizando US$ 6,054 bilhões, ante US$ 5,018 bilhões em igual mês do ano passado).

Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 5,56 bilhões com o país asiático no quarto mês deste ano.

No período de janeiro a abril de 2026, em relação a igual período do ano anterior, as vendas para China cresceram 25,4% e atingiram US$ 35,61 bilhões. As importações caíram 0,4% e totalizaram US$ 23,96 bilhões. Consequentemente, neste período, a balança comercial apresentou superávit de US$ 11,65 bilhões.
Petróleo

Herlon Brandão afirmou que a exportação de petróleo bruto do Brasil teve uma queda por conta da volatilidade do mercado. E não por conta do imposto de exportação criado pelo governo para financiar uma redução no preço do diesel, diante da alta de preço internacional por conta da guerra no Irã.

“É possível que observemos esse aumento de novo no mês seguinte, no mês de maio, que estamos agora. Então acredito que não seja possível atribuir uma questão do imposto de exportação de petróleo bruto”, afirmou.

Segundo ele, mesmo com o imposto, o Brasil segue competitivo no mercado internacional e as exportações devem voltar a crescer em maio.

“Por mais que tenha decrescido a exportação, o imposto de exportação de petróleo bruto, o Brasil é muito competitivo, o Brasil produz a um custo muito barato e a demanda externa é grande”, completou.

IstoÉ Dinheiro - SP   08/05/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, que equipes dos dois governos deverão fechar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e uma investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil desde o ano passado.

O objetivo é que uma proposta seja levada aos dois líderes em cerca de 30 dias. O Brasil voltou a defender o encerramento da apuração aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

“Eu falei assim: ‘Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço [do Ministério] da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu ministro do Comércio, sentem em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo’. Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, disse Lula a jornalistas na sede da Embaixada do Brasil em Washington.

No procedimento, os EUA acusam o Brasil de concorrência desleal, mencionando o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual.

Em abril deste ano, técnicos brasileiros reuniram-se nos EUA para esclarecimentos, defendendo o país contra a alegação de práticas desleais.

O governo brasileiro não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, argumentando inconsistência com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo Lula, o tema do Pix não foi mencionado durante a reunião entre os presidentes.
Encontro prolongado

Lula e Trump se reuniram por mais de 3 horas na Casa Branca, em Washington, incluindo um almoço oferecido pelo norte-americano.

A expectativa era que ambos atendessem à imprensa no Salão Oval antes da reunião, mas o presidente brasileiro pediu para que a conversa com a imprensa ocorresse após o encontro.

Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu “muitos tópicos” com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de “um presidente muito dinâmico”.

“A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, escreveu o norte-americano.

Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). O encontro foi previamente negociado pelas equipes dos dois países, com a expectativa de tratar diversos temas, como comércio, combate ao crime organizado, além de questões geopolíticas e de minerais críticos.

A jornalistas, Lula disse ter saído muito otimista da reunião bilateral.

“Eu acho que o Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto. Não tem assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutido”, afirmou o presidente.
Crime organizado

Durante a coletiva de imprensa, Lula anunciou que o governo brasileiro vai lançar um plano de combate ao crime organizado “na semana que vem” e que, na conversa com Trump, ficou acertado que uma das frentes de trabalho entre os dois governos será a cooperação para asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam no Brasil e nos EUA.

“Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”, defendeu.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, equipes da Receita Federal brasileira e a contraparte norte-americana deverão fazer operações conjuntas para bloquear o contrabando de armas e outros produtos, incluindo o tráfico ilegal de drogas sintéticas provenientes dos EUA.

Ainda segundo Lula, eles não trataram especificamente sobre facções criminosas que atuam no Brasil, como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital. O governo dos EUA estuda mudar a designação de facções brasileiras como grupo terroristas, o que na avaliação do Brasil e de especialistas é um risco à soberania e não ajuda no combate ao crime

Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.

A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
Terras raras

Outro ponto abordado na reunião entre Lula e Trump foi os investimentos na exploração dos minerais críticos e das terras raras, que são fundamentais na fabricação de componentes eletrônicos de equipamentos de alta tecnologia.

Na coletiva de imprensa, Lula disse ter informado a Trump da aprovação, nesta quarta-feira (6), da lei que institui Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).

O projeto prevê, entre outros pontos, a criação de um comitê ou conselho responsável por definir quais são os minerais críticos e estratégicos do país.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

“Qualquer um que quiser, o Brasil estará aberto a construir parceria. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas. Não queremos repetir o que aconteceu com a prata na América Latina, com o ouro no Brasil, com o minério de ferro que a gente manda muito para fora e a gente poderia fazer um processo de transformação interna que a gente não fez. Então, com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento”, garantiu o presidente.
Vistos revogados

Lula disse ter entregue a Trump uma lista de autoridades e seus familiares brasileiros que ainda estão sofrendo com restrição de vistos norte-americanos como retaliação por conta do julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Parte da suspensão de vistos teria sido interrompida, mas algumas pessoas seguem sancionadas, incluindo, segundo Lula, a filha de 10 anos de idade do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Histórico

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas em seu primeiro mandato.

O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil, um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano.

As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.

Houve também críticas à Suprema Corte brasileira, no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvido com os atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.

Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA.

No fim de 2025 e no início deste ano, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas.

A comitiva brasileira retorna a Brasília ainda esta noite com previsão de chegada nesta sexta-feira (8).

Infomoney - SP   08/05/2026

A persistência do conflito no Oriente Médio e o choque prolongado nos preços do petróleo têm levado os principais bancos centrais do mundo a adotar uma postura mais conservadora na condução da política monetária. Segundo análise da XP em “Relatório Macro Mensal’, o ambiente global segue adverso, mas o Brasil aparece como um “vencedor relativo” no atual contexto geopolítico, por ser exportador líquido de diversas commodities, especialmente petróleo.

A cotação do Brent, que chegou a superar US$ 100 por barril, cerca de 65% acima dos níveis observados em janeiro, tem se mostrado mais resistente do que o inicialmente esperado. Esse movimento reforçou as pressões inflacionárias globais e levou autoridades monetárias – incluindo bancos centrais de economias avançadas – a recalibrar seus planos. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros estáveis, mas adotou um discurso mais duro, enquanto Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra já sinalizam espaço para novas altas, segundo a XP.

Nesse cenário, economias emergentes enfrentam menor margem para flexibilização monetária. Ainda assim, o Brasil se diferencia. De acordo com a casa, produtores de petróleo fora do Oriente Médio estão relativamente melhor posicionados, o que se reflete em melhora dos termos de troca, aumento das exportações e fortalecimento fiscal.
Banco Central mais cauteloso e inflação pressionada

O Banco Central do Brasil (BCB) lida simultaneamente com um choque externo de energia e um choque doméstico positivo de demanda, impulsionado por medidas fiscais e parafiscais. A XP avalia que atividade econômica e inflação ganharam tração desde o início do ano, pressionando as expectativas inflacionárias de 2026, 2027 e 2028, cada vez mais distantes da meta.

Diante desse quadro, a XP elevou a projeção para a Selic ao final de 2026 para 13,75%, ante 13,50% anteriormente. A expectativa agora é de três cortes de 0,25 ponto porcentual, seguidos por uma pausa. Para 2027, a casa manteve a projeção de juros em 11,50%, condicionada à continuidade de uma política monetária contracionista e a avanços no ajuste fiscal.

A projeção de inflação também foi revisada. A XP elevou a estimativa para o IPCA de 2026 de 5,1% para 5,3%, refletindo a piora disseminada da inflação corrente e os impactos adicionais do conflito no Oriente Médio. Para 2027, a previsão foi mantida em 4,0%, com a apreciação cambial e os juros elevados ajudando a conter as pressões.

Câmbio mais forte ajuda a amortecer choques

Um dos principais pilares da resiliência macroeconômica brasileira segue sendo o câmbio. Mesmo em meio a uma recuperação parcial do dólar no mercado global, o real tem mostrado desempenho favorável. Segundo a XP, esse movimento decorre da posição do Brasil como “vencedor relativo” do choque de energia e da política monetária restritiva.

Com isso, a casa revisou sua projeção para o câmbio ao final de 2026 de R$ 5,30 para R$ 5,00 por dólar. A expectativa é que fluxos estrangeiros elevados e a melhora dos termos de troca ajudem a compensar eventuais aumentos nos prêmios de risco associados ao ciclo eleitoral.

No setor externo, a XP projeta melhora do déficit em conta corrente, que deve cair para 2,1% do PIB em 2026, após 3,0% em 2025, impulsionado sobretudo pelo aumento das exportações de petróleo. Para 2027, o déficit deve recuar ainda mais, para 1,9% do PIB, com desaceleração da atividade e menor demanda por importações. O Investimento Direto no País (IDP) deve permanecer robusto, em torno de 2,8% do PIB.

Fiscal segue como ponto de atenção

Apesar do cenário externo relativamente favorável, o quadro fiscal continua desafiador. Segundo a XP, o aumento das despesas com base em receitas extraordinárias ligadas ao petróleo levou à revisão, para cima, das projeções de déficit primário em 2026 e 2027. A dívida bruta deve seguir em trajetória ascendente, alcançando 83,2% do PIB em 2026 e 87,7% em 2027.

A leitura da casa é que, embora o choque do petróleo traga ganhos temporários de arrecadação, ele não altera estruturalmente a necessidade de reformas fiscais para reequilibrar as contas públicas no médio prazo.

Maio decisivo no ambiente político

No campo político, a XP avalia que maio será decisivo para os parâmetros de popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com os índices de aprovação estagnados desde o fim de 2025, o Planalto aposta nos efeitos de medidas de estímulo econômico, como programas de renegociação de dívidas, para melhorar a percepção do eleitorado.

Ao mesmo tempo, o debate sobre a redução da jornada de trabalho, com o possível fim da escala 6x1, deve ganhar tração no Congresso, embora traga riscos fiscais adicionais caso venha acompanhado de desonerações. A guerra no Oriente Médio e seus impactos inflacionários seguem no radar do governo, que discute o uso de receitas extraordinárias do petróleo para mitigar pressões sobre combustíveis, segundo a XP Política.

Do lado da oposição, a campanha do senador Flávio Bolsonaro tende a seguir uma estratégia mais cautelosa, buscando consolidar avanços recentes nas pesquisas sem antecipar propostas de governo. Na avaliação da XP, o cenário permanece de disputa acirrada e sem mudanças estruturais no equilíbrio eleitoral até o surgimento de um choque relevante.

CNN Brasil - SP   08/05/2026

O Brasil reconquistou o primeiro lugar no ranking global de investimentos chineses em 2025, atraindo 10,9% do total dos aportes, seguido pelos EUA e pela Guiana, com 6,8% e 5,7%, respectivamente, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (7) pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China).

O Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões em investimentos chineses em dezenas de projetos, um aumento de 45% no capital em comparação com 2024, à medida que empresas da China buscaram diversificar sua presença na maior economia da América Latina e ampliar sua participação nos setores de energia limpa e mineração do país.

Nos últimos cinco anos, o Brasil alternou sua posição entre o primeiro e o quinto lugares entre os principais destinos mundiais de investimento chinês, tendo ocupado o topo também em 2021, afirmou o CEBC.

Além da moeda mais fraca, o Brasil oferece um grande mercado consumidor, abundância de recursos naturais e energia limpa, características que os investidores chineses consideram atraentes.

"São poucos países no mundo hoje que têm todos esses atrativos", disse à Reuters Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC.
Da eletricidade ao Fast Food

Enquanto o setor elétrico continuou a liderar na atração dos fluxos de capital chinês para o Brasil, a mineração registrou uma onda de interesse renovado, com os investimentos no setor triplicando em 2025.

O setor automotivo também se destacou, ficando em terceiro lugar geral em 2025 e respondendo por 15,8% do total de investimentos de corporações chinesas no Brasil.

Nos últimos anos, tanto a GWM quanto a BYD adquiriram fábricas anteriormente pertencentes a montadoras ocidentais, convertendo-as em polos de produção de veículos elétricos e híbridos. Ambas as empresas chinesas têm registrado crescimento explosivo de vendas no Brasil.

O capital chinês também se expandiu para tecnologia da informação, logística, manufatura de eletrônicos, serviços de economia digital e até mesmo fast food.

A produção de eletrodomésticos e eletrônicos atraiu novos investimentos chineses no Brasil em 2025, por exemplo, com a Vivo Mobile lançando a marca de smartphones Jovi.

"O Brasil é uma prioridade estratégica de longo prazo para a Jovi", disse André Varga, diretor de produto da Jovi, em entrevista mais cedo este ano. "Trata-se de um mercado com grande potencial, ainda concentrado em poucos players, o que nos oferece uma oportunidade de criar diferenciação e agregar valor ao consumidor."

Olhando adiante, os investimentos chineses no Brasil provavelmente continuarão sendo moldados tanto por políticas domésticas, por exemplo, em torno da transição energética, quanto por forças externas, incluindo tensões geopolíticas e o movimento global pela descarbonização, segundo o CEBC.

"A gente vai ver a continuidade desses projetos e talvez eu apostaria numa intensificação na área de mineração, em novas energias e também na indústria de forma geral, onde temos visto um crescimento considerável", disse Cariello.

Exame - SP   08/05/2026

O Brasil deve ultrapassar a marca de 300 contratos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) assinados em um único ano, segundo avaliação de Bruno Carnelosso, sócio da Radar PPP.

“É um modelo de contratação que, na minha opinião, é vencedor”, afirmou ao EXAME Infra, videocast sobre infraestrutura da EXAME em parceria com a empresa Suporte.

O avanço reflete a expansão do modelo no país e a entrada em novos setores, além da consolidação de projetos que vêm sendo estruturados desde 2020.

De acordo com o executivo, o número de contratos vem crescendo de forma consistente nos últimos anos.

Após um período com menos de 100 projetos licitados anualmente antes de 2019, o volume avançou para patamares superiores a 150, com picos recentes acima de 200 contratos em determinados anos.

Esse movimento também aparece nos dados de mercado.

Um levantamento da Radar PPP mostra que 1.443 contratos de concessão ou PPP foram assinados entre 2014 e 2025, com aceleração relevante a partir de 2019.

Hoje, há 6.974 iniciativas mapeadas no país, distribuídas em 19 segmentos, com 339 projetos em estágio mais avançado e maior probabilidade de se converterem em contratos nos próximos meses.

Modelo vencedor

Para Carnelosso, o crescimento do número de contratos está diretamente ligado à consolidação das PPPs e concessões como um modelo eficiente de execução de projetos.

A principal vantagem, segundo ele, está na centralização das responsabilidades em um único operador privado, responsável por construir, operar e manter a infraestrutura.

Nesse formato, o setor privado assume compromissos de longo prazo e é remunerado de acordo com o desempenho.

Segundo o executivo, isso cria incentivos para maior eficiência e qualidade na entrega dos serviços, além de reduzir a fragmentação que costuma ocorrer em contratos públicos tradicionais.

“Neste modelo, o privado é remunerado por um serviço executado, e ele visa o lucro”, disse Carnelosso. “Diferentemente do setor público, o privado quer executar o projeto de uma forma bem feita para conseguir o resultado que ele espera no capital que foi investido.”

Outro ponto destacado é a capacidade do modelo de atrair investimentos ao dividir riscos e custos entre os setores público e privado.

Em concessões comuns, a remuneração vem diretamente do usuário, como no caso dos pedágios nas rodovias. Já nas PPPs, há participação do poder público por meio de contraprestações.

Essa flexibilidade tem permitido a expansão das PPPs para áreas antes pouco exploradas, como educação, saúde e iluminação pública. Segundo o executivo, à medida que novos segmentos ganham maturidade, a tendência é de aumento contínuo no número de projetos.

Expansão para novos setores

O avanço do modelo não se limita aos setores tradicionais. Nos últimos anos, áreas como sistema prisional e habitação passaram a integrar o pipeline de projetos, ainda que em menor escala quando comparadas a segmentos mais consolidados.

Segundo dados da Radar PPP, projetos de saúde somam 192 iniciativas, enquanto educação reúne 175 projetos mapeados. Apesar do potencial, esses números ainda são pequenos frente ao total de quase 7 mil iniciativas no país, o que indica espaço relevante para crescimento.

“À medida que outros segmentos forem formando mercado, vai aumentar cada vez mais a quantidade de projetos”, disse Carnelosso.

A estratégia para ampliar essa base passa pelo desenvolvimento gradual desses setores, com projetos iniciais menores e aprimoramento dos modelos ao longo do tempo.

Concessões florestais entram no radar

Dentro desse movimento de expansão, as concessões florestais surgem como uma nova frente de desenvolvimento. Embora ainda representem uma parcela pequena do total de projetos, elas vêm ganhando espaço na agenda de PPPs e concessões.

Atualmente, o segmento de meio ambiente soma 289 iniciativas, sendo 26 com maior probabilidade de avançar para contratos no curto e médio prazo. De acordo com o sócio da Radar PPP, trata-se de um mercado ainda em fase inicial, mas com potencial de crescimento relevante.

As concessões florestais envolvem dois modelos principais: o manejo sustentável, que permite a exploração controlada de recursos como madeira, e a restauração de áreas degradadas, com geração de receita por meio de créditos de carbono.

“A gente tá num mercado ainda muito embrionário que precisamos desenvolver”, afirmou o executivo.
Segundo Carnelosso, o avanço desse segmento depende da atração de novos players e de investidores por meio de projetos melhor estruturados.

Crescimento sem sinal de saturação

Mesmo com a forte expansão recente, a avaliação é que o mercado brasileiro ainda está longe de atingir um limite. Para Carnelosso, não há indicativos de saturação no curto prazo, já que a própria dinâmica dos contratos gera novas oportunidades ao longo do tempo.

Além disso, o crescimento do modelo tende a ser impulsionado pela diversificação setorial e pela necessidade de investimentos em infraestrutura no país. A combinação desses fatores sustenta a expectativa de aumento contínuo no número de projetos.

“Eu não acho que o mercado vai chegar a um ponto de saturação. Acredito que, à medida que os anos forem passando, teremos infraestruturas melhores, e conseguiremos fazer novas licitações abarcando mais coisas para dentro daquele projeto”, disse o executivo.

Outro fator relevante é a evolução da qualidade dos projetos. Segundo o executivo, a estruturação tem melhorado nos últimos anos, com melhor alocação de riscos e maior segurança para investidores, o que contribui para ampliar o interesse do setor privado.

O Estado de S.Paulo - SP   08/05/2026

Tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Donald Trump classificaram o encontro desta quinta-feira, 7, na Casa Branca como positivos. Para especialistas ouvidos pelo Estadão, a reunião foi um marco positivo nas relações entre Brasil e EUA. Mas é preciso prudência ao esperar resultados concretos em se tratando de Donald Trump.

Foram abordados assuntos-chaves para os dois governos, como crime organizado, tarifas e terras raras. A reunião também abriu caminho para acordos futuros sobre os assuntos e demonstrou um entendimento mútuo entre os presidentes.

O encontro começou com uma reunião bilateral pela manhã e se estendeu em um almoço. Ao todo, foram mais de três horas a portas-fechadas.

A diplomacia brasileira tinha como principal objetivo enviar uma mensagem de soberania nacional e reabrir as portas ao comércio sem sobretaxas, após meses de críticas e tarifas sobre produtos brasileiros. A tarefa foi bem-sucedida, avaliam os analistas.

“Independentemente dos resultados concretos, o que veio de bastante positivo foi a possibilidade de um encontro de mais de três horas com o presidente americano e uma demonstração brasileira de que a sua soberania está sempre sendo priorizada”, avalia a professora da Unifesp Cristina Pecequilo.

O tema da soberania apareceu em tópicos como a regulação de plataformas digitais, a exploração de terras raras e as investigações americanas relacionadas à Seção 301. Por meio dela, o governo pode investigar práticas de Estados estrangeiros consideradas injustas pelos Estados Unidos. A legislação autoriza ainda a imposição de ações como resultado dessas apurações, inclusive tarifas.

“Trump é um político que tem respeito por aqueles que demonstram mais força, aqueles que defendem os seus interesses e dos seus países, então foi um encontro muito positivo”, continua a professora.

Embora o compromisso tenha deixado impressões positivas, Carlos Gustavo Poggio, do Berea College do Kentucky, alerta que ainda é difícil falar em estabilidade quando o assunto é o presidente dos EUA, mas que existe a possibilidade de uma relação mais favorável ao Brasil no futuro.

Nada que concerne a Donald Trump pode ser considerado estável. Ele tem uma política baseada não em ideologia, mas no humor e na emoção. Há uma questão mais estrutural da relação entre Brasil e Estados Unidos, que vai além de Trump e de Lula, e acho que essas questões é que são mais importantes.

Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College do Kentucky

Uma dessas questões é a parceria com o Brasil para a mineração de terras raras, por exemplo. Os minerais críticos são essenciais para a produção de diversos componentes e o País possui reservas importantes desses insumos.

A exploração, porém, foi condicionada à acordos que possam levar em consideração a soberania brasileira sobre as reservas, afirmou Lula, um sinal de que é preciso relações estáveis para fazer negócio com o país.

O tema foi, ainda, uma prévia de como o assunto deve se tornar latente para os EUA nas próximas semanas. No dia 14 de maio, Trump se encontra com o líder chinês Xi Jinping em Pequim para uma série de conversas sobre os dois países.

O Brasil pode ser uma das alternativas americanas para ajudar a reduzir a distância tecnológica de Washington em relação aos chineses, começando pelos minerais críticos e, eventualmente, evoluindo para acordos para a construção de data centers em território nacional.

“Esse é um elemento crucial. Você está num contexto de competição entre China e Estados Unidos, e a China controlando 70%, 80% desse mercado”, afirmou Poggio. “O Brasil, tendo todo esse potencial que tem nas terras raras, torna-se, portanto, um parceiro evidente para os Estados Unidos. Essa me parece que é a questão estrutural mais importante que independe dessa relação entre os dois”.

Vinicius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais da FAAP e da FGV, também afirma que ainda é cedo para determinar se o encontro deve realmente beneficiar o país em relação às tarifas e em outras relações comerciais. “Só no longo prazo vamos saber se as notícias são boas para o Brasil e para o interesse nacional, porque dependem de outros níveis”.

Lula preservou imagem

O petista conduziu uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira em Washington, que substituiu a conversa com jornalistas no Salão Oval. O momento de perguntas e respostas conjunta entre os líderes foi cancelado a pedido do presidente brasileiro, segundo apurou o Estadão.

Para os especialistas, a manobra foi, também, uma forma de evitar possíveis momentos constrangedores, como em reuniões que Trump teve com os presidentes Volodmir Zelenski, da Ucrânia, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul.

“Toda a estética ali com fotos e sorrisos. Nossa diplomacia foi muito hábil em não fazer uma coletiva ao lado do Trump, evitando potenciais armadilhas, portanto, nós temos algo positivo”, explicou Vieira.

A quebra do protocolo foi um bom sinal, que demonstra primeiro a capacidade da diplomacia brasileira em conduzir as negociações de uma forma profissional e pragmática, sem perder de vista o respeito aos Estados Unidos e suas instituições. Mas ao mesmo tempo demandando que o Brasil também seja respeitado.

Cristina Pecequilo, professora da Unifesp

A imagem do presidente Lula também foi impactada pelo sucesso aparente do encontro, dizem os especialistas. Tanto o líder brasileiro quanto Trump chegaram à reunião com a popularidade em xeque: Lula está prestes a entrar em uma campanha eleitoral para a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente americano encara as eleições de meio de mandato em novembro em um momento de baixa aceitação de seu governo pela população.

“É positivo do ponto de vista político simbólico para o Lula no contexto em que ele disputa eleições contra um adversário cuja principal bandeira internacional é sua amizade com o Donald Trump. Nesse sentido, em alguma medida, consegue neutralizar esse fator que é importante para a candidatura do Flávio Bolsonaro”, apontou Poggio.

Após a reunião, Trump publicou em sua rede social que diversos assuntos foram abordados e que tudo “transcorreu muito bem”.

“Acabei de encerrar minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos assuntos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião transcorreu muito bem”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social. “Nossos representantes devem se reunir para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”.

MINERAÇÃO

Agência Brasil - DF   08/05/2026

Ao incluir os “minerais estratégicos” ao lado dos "minerais críticos", o projeto de lei (PL) aprovado na Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (6), permite que políticas e recursos que poderiam beneficiar o desenvolvimento da mineração de terras raras e outros minerais críticos sejam usados para exploração, por exemplo, do minério de ferro.

Terceiro produto mais exportado pelo Brasil, o minério de ferro não figura na lista de minerais críticos ou terras raras que alimentam a disputa das super potências pelo controle de setores da tecnologia de ponta, defesa militar e transição energética.

O substitutivo do PL 2780 de 2024, do relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ao criar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), classifica os minerais estratégicos como aqueles recursos relevantes para o país:

“Decorrentes de reservas significativas e que sejam essenciais para a economia na geração de superávit da balança comercial, para desenvolvimento tecnológico, para o desenvolvimento regional, ainda que não diretamente vinculados à transição energética, ou para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa.”

O professor de geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), engenheiro Bruno Milanez, alertou à Agência Brasil que qualquer mineral que seja exportado gera superávit primário da balança comercial.

“O PL gera uma série de benefícios econômicos, fiscais, tributários e creditícios para o setor mineral como um todo. Isso porque ele trata da mesma forma minerais críticos e estratégicos. Apesar de distinguir os dois no projeto, os benefícios valem para os dois tipos”, afirmou o especialista.

Aprovado na Câmara, o PL que agora segue para análise do Senado cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) com recursos públicos da União, estimados em RS 2 bilhões, além de aportes de empresas privadas, o que poderia chegar, inicialmente, a R$ 5 bilhões, segundo estimativas.

O texto do projeto ainda prevê uma série de benefícios fiscais estimados em até outros RS 5 bilhões, a partir de 2030, tanto para minerais críticos, quanto para os minerais considerados estratégicos, por meio do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne as empresas do setor, avalia que o projeto é positivo por trazer incentivos para industrialização e processamento mineral no Brasil.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Ibram Pablo Cesário não vê riscos em utilizar recursos que poderiam ser usados para minerais críticos em cadeias de outros minerais, uma vez que o Brasil já é competitivo em outros produtos.

“Cada minério desse, inclusive de terras raras, tem um mercado muito diferente do outro. E é papel do governo dizer o que é necessário em cada mercado. Não faz sentido você incentivar a exportação de minérios de ferro. Nós já somos altamente competitivos. Basta não atrapalhar, neste caso”, respondeu.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas.

A posição geográfica do Brasil tem sido apontada como uma vantagem importante em um mercado em pleno desenvolvimento que opõem China e Estados Unidos (EUA) em uma disputa pelo controle desses materiais.

Beneficiamento

O professor Bruno Milanez, que coordena o projeto Justiça na Transição Energética, acrescentou que, ao não distinguir beneficiamento de transformação mineral, o PL da Câmara ainda permite a destinação de recursos para atividades que não agregam valor ao produto no Brasil e que já é feito atualmente pelas mineradoras.

“Todo o minerador já faz beneficiamento. O PL coloca todos os recursos, esses benefícios e incentivos, para as mineradoras, mesmo que elas continuem fazendo a mesma coisa que elas já fazem”, disse Bruno.

O especialista explicou que o beneficiamento é o processo de limpar o material extraído da terra para separar, o que é minério, do que é barro ou terra. “O beneficiamento é aquela coisa mais básica que toda mineradora faz”, pontuou.

O presidente do Ibram, Pablo Cesário, por outro lado, argumentou que não há como separar beneficiamento de outros processos, pois são a mesma cadeia produtiva.

“Isso vai até mais à frente na venda desses produtos, especialmente para esses produtos que são de nicho, tipo terras raras, que não são grandes volumes. Se não tem as primeiras etapas, não tem a segunda ou a terceira”, argumentou Cesário.
Industrialização

O professor da UFJF Bruno Milanez acrescentou que exportar minério acaba sendo mais lucrativo que transformar o produto internamente, o que é um dos objetivos anunciados pelo PL aprovado na Câmara.

“O setor mineral tem tantos benefícios já, antes dessa lei, que, na verdade, o quadro tributário do Brasil desestimula a industrialização. A Lei Kandir, ao isentar as exportações, contribui para esse quadro”, disse Bruno.

Para o especialista, como os incentivos criados pelo PL beneficiam toda a cadeia da mineração e existe uma parte que é mais estruturada e lucrativa, como a de extração e beneficiamento, ela deve drenar os recursos que deveriam ir para outros pontos da cadeia, que o Brasil ainda não domina.

O projeto estabelece no Artigo 18, parágrafo 12, que o crédito fiscal concedido às empresas deve ser “proporcional à agregação de valor na cadeia dos minerais” críticos ou estratégicos, “cabendo ao regulamento estabelecer os critérios e os patamares”.

Milanez diz que esse é o único dispositivo da lei que induz ao favorecimento das etapas mais desenvolvidas da cadeia de produção, mas que essa diferenciação “não está nos outros dispositivos”, como do Fundo para atividade mineral.

“A diferença do percentual de crédito concedido para quem está na industrialização, fabricando ímã ou bateria, teria que ser muito grande, de 50%, 100% ou mais. Tem que ser gigantesca para realmente compensar as vantagens comparativas que as extrações de minérios têm”, justificou.

Essa diferença deve ser definida, posteriormente, em regulamento do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), criado pelo projeto de lei, que deve regular essa política no Brasil, controlado majoritariamente por indicados pelo Executivo federal.

Valor - SP   08/05/2026

Contrato futuro com vencimento para setembro fechou cotado a US$ 119,2

O preço do minério de ferro avançou nesta quinta-feira (7), na China, no segundo pregão desde a reabertura da bolsa de Dalian após o feriado estendido do Dia Internacional do Trabalhador.

O contrato futuro do minério com vencimento para setembro fechou em alta de 0,62%, cotado a 812,5 yuans (US$ 119,2).

A alta ocorre após uma forte valorização dos principais índices internacionais, na esteira de uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país havia feito progredido na direção de um acordo com o Irã para encerrar a guerra. A notícia derrubou os contratos futuros de petróleo.

Segundo analistas da consultoria Nanhua Futures, os custos de frete continuam altos dando suporte à cotação do minério, mesmo com uma demanda enfraquecida pelo insumo.

Revista Mineração - SP   08/05/2026

A Samarco recebeu, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o deferimento da patente verde para a tecnologia “Método de produção de pelotas de minério de ferro”, voltada à redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) no processo de pelotização. A aprovação foi concedida em março e reconhece a inovação da companhia na substituição parcial de combustíveis fósseis por insumos renováveis.

A patente verde é concedida exclusivamente a tecnologias que apresentam contribuição comprovada para a sustentabilidade ambiental. Segundo o INPI, a solução desenvolvida pela Samarco atendeu aos critérios de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial, além de demonstrar benefícios ambientais mensuráveis.

O projeto integra as iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da mineradora e vem sendo conduzido desde 2022 pela equipe de Engenharia de Processos. A tecnologia utiliza parcialmente combustíveis renováveis nos fornos de pelotização, substituindo parte do coque e do carvão mineral por moinha de carvão vegetal — um resíduo fino proveniente da biomassa de eucalipto.

Após testes laboratoriais, a solução começou a ser aplicada industrialmente em 2023 nos fornos da Unidade de Ubu, localizada em Anchieta. A operação contínua foi iniciada em 2024 e, atualmente, a tecnologia já está implantada nas duas usinas pelotizadoras da empresa.

De acordo com a Samarco, o método alcançou aproximadamente 15% de substituição de combustíveis fósseis, gerando uma redução média de 4,41 quilos de CO2 por tonelada de pelota produzida. O avanço faz parte da estratégia de descarbonização da companhia e do fortalecimento de práticas industriais sustentáveis.

O engenheiro especialista da Samarco, Raphael Dias de Medeiros, destacou a evolução do projeto desde os primeiros testes realizados em 2022. Segundo ele, a empresa conseguiu implementar uma solução inovadora sem comprometer a qualidade das pelotas de minério de ferro e mantendo os padrões operacionais da companhia.

A conquista da patente verde também envolveu atuação conjunta das áreas técnica e jurídica. Claudio Alves, da Gerência Jurídica e integrante do Núcleo de Propriedade Intelectual da empresa, afirmou que o processo exigiu enquadramento técnico da inovação nos critérios ambientais exigidos para esse tipo de patente.

Para o gerente de Engenharia de Processo, Tecnologia e Automação da Samarco, Felipe Morato, a iniciativa demonstra o papel da inovação na busca por resultados sustentáveis, incluindo redução de emissões e adoção de fontes energéticas mais limpas.

Já o coordenador de Engenharia de Processo, Leandro Ferreira Pacheco, ressaltou que o projeto foi desenvolvido com foco em segurança operacional e testes rigorosos, preservando a integridade dos profissionais, equipamentos e processos industriais.

Além do reconhecimento nacional, a Samarco informou que já protocolou o pedido internacional da tecnologia por meio do Patent Cooperation Treaty (PCT), mecanismo que possibilita futura proteção da inovação em outros países. As próximas etapas incluem a definição dos mercados de interesse e o avanço para as fases nacionais do processo de patenteamento.

Com a obtenção da patente verde, a empresa reforça sua estratégia de desenvolvimento de soluções industriais sustentáveis e amplia as perspectivas de expansão da tecnologia para novos mercados e operações.

Máquinas e Equipamentos

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   08/05/2026

Impactado pelos juros elevados e pelo desaquecimento da economia no país, o setor de máquinas e equipamentos revisou as projeções de crescimento para 2026.

A expectativa, que chegou a 3% no final do ano passado, recuou para uma alta de apenas 0,3%, com risco real de retração.

Em Minas Gerais, por exemplo, o cenário é desafiador. A desaceleração da construção civil e as dificuldades crescentes da mineração na região contêm novos investimentos e colocam o setor diante de um dos períodos mais delicados dos últimos anos.

No acumulado do 1º trimestre, o indicador da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) que mede a aquisição efetiva de máquinas e equipamentos retraiu 11,4%.

A retração foi generalizada entre as atividades econômicas, com exceção do setor de infraestrutura, que registrou estabilidade, e do segmento de bens de consumo, com crescimento de 3,1%.

De acordo com o coordenador de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Leonardo Gatto Silva, a queda no 1º trimestre foi mais acentuada que o projetado no final do ano passado.

“Esperávamos números melhores, mas o início de 2026 se mostrou mais fraco. Estamos prevendo estabilidade no lugar de crescimento”, ressalta.

A taxa de juros, segundo ele, permanece em patamares elevados, mesmo com as recentes quedas, o que pressiona cada vez um setor que depende diretamente dos investimentos de outros segmentos da economia.

“Quando o mercado está aquecido, o setor consegue responder bem e o empresário tem mais meios para investir”, destaca Gatto Silva.

“Quando isso não ocorre, com sinais de desaceleração e emprego sob controle, o empresário fica mais cauteloso e começa a sentir o impacto nas vendas, perdendo o apetite para novos investimentos”, completa.

Agrícola – O gestor acrescenta que a retração entre janeiro e março está mais concentrada em setores como máquinas agrícolas e máquinas para a indústria da transformação.

O segmento agrícola, entretanto, obteve um impacto ainda mais acentuado.

Em março, a receita líquida interna da categoria recuou 21,8% na comparação interanual, sendo que as vendas de colheitadeiras ao usuário final caíram 36,2% no período.

O quadro de pessoal ocupado na indústria de máquinas e implementos agrícolas também recuou 2,6% frente a março de 2025, reflexo direto da retração nos investimentos do agronegócio diante do custo elevado do crédito.

“Ambos os mercados atravessaram um período de dificuldade, e, mesmo diante de uma melhora recente, ainda não foi possível observar uma recuperação para a retomada dos investimentos”, avalia o gestor.

Para os próximos meses, a expectativa é leve melhora, especialmente com o desempenho favorável registrado em março.

Ainda assim, Gatto Silva salienta a preocupação com uma possível retração, especialmente com um cenário externo conturbado, que pode acentuar a cautela entre empresários.

“Esperamos uma reação do setor. Março apresentou um desempenho um pouco melhor, mas a tendência é que o resultado fique próximo de zero neste ano”, finaliza.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   08/05/2026

Em um cenário em que o Brasil concentra cerca de 10% das reservas mundiais de minerais críticos, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), eficiência operacional e confiabilidade tornaram-se fatores decisivos para a competitividade da mineração.

É nesse contexto que a Máquinas Furlan completa 64 anos e avança em um novo ciclo de crescimento, ampliando sua atuação ao longo de toda a cadeia produtiva e fortalecendo sua presença na América Latina.

“Chegar aos 64 anos com consistência e relevância no mercado é resultado de uma construção sólida, pautada na confiança dos nossos clientes e na capacidade de evoluir continuamente. Hoje, a Furlan está mais preparada, com um portfólio ampliado e uma atuação ainda mais próxima das operações, para entregar soluções completas que geram valor real para a mineração”, afirma o CEO, Valter Furlan.

Hoje, explica o executivo, a empresa atua em toda a jornada do cliente, combinando equipamentos, peças fundidas, serviços de reforma, locação e reposição, acompanhando as operações ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos.

Esse modelo foi reforçado recentemente com a estruturação das divisões de locação e peças de reposição, ampliando a capacidade de atendimento e a proximidade com o cliente em diferentes etapas da operação.

Investimentos e tecnologia - O novo ciclo de crescimento é sustentado por um plano de investimentos de R$ 50 milhões para os próximos anos. Os recursos estão direcionados à modernização dos processos produtivos, incluindo o uso de softwares de inteligência artificial para simulação de plantas e otimização de capacidade, além de avanços na fundição e intensificação de práticas de manutenção preventiva.

"Esses investimentos acompanham a evolução dos próprios equipamentos, que vêm incorporando melhorias capazes de elevar a produtividade em até 30%, além de sistemas de automação e sensores inteligentes que reduzem paradas operacionais", diz.

Disponibilidade operacional - A ampliação da oferta de peças de desgaste e reposição, bem como o suporte técnico contínuo, também integra a estratégia da companhia, com foco em garantir previsibilidade, disponibilidade e eficiência nas operações de mineração.

Com estoques estratégicos e equipes especializadas, a Furlan busca reduzir o tempo de máquina parada e assegurar a performance dos equipamentos ao longo de sua vida útil.

A base dessa estratégia, conforme explica o executivo, está em um parque industrial de 210 mil m², em Limeira (SP), que integra as Divisões de Equipamentos, Fundidos e Serviços, permitindo controle total do processo produtivo e ganhos de eficiência.

"A empresa também se apoia na engenharia própria para desenvolver soluções customizadas, adaptadas à realidade de cada operação — um diferencial que reforça sua competitividade em aplicações de alta exigência técnica", conclui.

Valor - SP   08/05/2026

Produção de bens duráveis cresceu 1,7% em março, ante fevereiro, bem acima da variação de 0,1% da indústria geral em igual período

 

A produção de bens duráveis cresceu 1,7% em março, ante fevereiro, bem acima da variação de 0,1% da indústria geral em igual período, mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o gerente da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), André Macedo, o resultado foi influenciado principalmente por veículos, mas houve contribuição positiva também dos eletrodomésticos da linha marrom, marcadamente as TVs.

“Anos de Copa do Mundo tradicionalmente registram algum avanço na produção de televisores. A gente vê ao longo da série histórica que há aumento da produção nesse grupamento nos meses que antecedem a Copa do Mundo. E isso pode ter tido alguma influência nesse resultado de março”, disse Macedo.

O gerente do IBGE ponderou, no entanto, que há uma mudança nos hábitos das pessoas para acompanhar os jogos do campeonato mundial, com um maior número de plataformas, como celulares.

No caso do resultado mensal, o IBGE não detalha as taxas de variação da produção do segmento de linha marrom. No resultado consolidado do primeiro trimestre, no entanto, esses dados estão disponíveis. A produção de bens duráveis cresceu 1,3%, com altas de 1,6% em automóveis e 11,1% em eletrodomésticos. Na linha marrom, onde estão as TVs, o aumento foi de 1,5%.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   08/05/2026

Uma programação intensa em Brasília (DF) que começou com sessão solene no plenário do Senado Federal, terminou em evento no Teatro Nacional e marcou as sete décadas de fundação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

A entidade é formada por 27 empresas fabricantes de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, além de máquinas autopropulsadas agrícolas e rodoviárias. Trata-se de atividade manufatureira de grande peso (cerca de 20% do Produto Interno Industrial), representada por 53 fábricas pelo País em nove estados e 38 municípios.

A indústria automobilística brasileira responde por 1,3 milhão de empregos (cerca de 110.000 nos fabricantes), além de produtores de autopeças (270.000), de concessionárias (300.000) e outros setores. Milhares de pessoas dependem direta ou indiretamente da indústria automobilística. Desde uma rede pulverizada de fornecedores de todos os níveis, inclusive acessórios, serviços, logística e até frentistas nos postos de combustível.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, ressaltou: “Setenta anos depois da criação da Anfavea, seguimos movidos pela mesma ideia que nos trouxe até aqui: acreditar no Brasil. Nos próximos meses terei a honra e a responsabilidade de anunciar, a marca de 100 milhões de veículos produzidos em solo brasileiro. Um marco que dá a dimensão do legado que construímos e da missão que renovamos a cada novo ciclo de investimentos”.

O total a ser desembolsado até 2032 deve superar R$ 100 bilhões, estimativa que inclui fabricantes chineses não filiados à entidade. Se estes vão se associar algum dia à Anfavea, ainda se desconhece. Contudo, a maior marca da China, acaba de solicitar entrada na Associação dos Fabricantes Europeus de Automóvel (Acea, em francês). Esta se limitou a informar que estuda o assunto.

Abril: bons resultados apesar do calendário curto

Quem olha apenas a superfície dos números de abril pode ter a falsa impressão de que o mercado de veículos leves perdeu fôlego. O total de 236.712 emplacamentos representa um recuo de 8,2% frente a março. No entanto, abril teve apenas 20 dias úteis, dois a menos que o mês anterior. Quando o foco é a média diária, o cenário muda: foram 11.836 unidades/dia, um recorde para o ano e o melhor desempenho desde o final de 2024.

Para Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, se abril tivesse os mesmos dias úteis de março, o resultado superaria qualquer expectativa. Na comparação interanual houve um salto relevante de 20% sobre abril de 2025. Quanto ao acumulado do primeiro quadrimestre, a alta de 16,4% para 832.000 unidades já coloca 2026 acima dos níveis pré-pandemia de 2019, o que consolida uma recuperação consistente.

Fenômeno que merece atenção é a “invasão” chinesa, que não dá sinais de trégua. De acordo com a consultoria Bright, as 40.927 unidades vendidas em abril, significaram 17,3% de participação de mercado, ante 14,7% em março. O resultado refletiu o desempenho dos modelos híbridos e elétricos somados.

O balanço geral aponta que as cinco maiores marcas tradicionais (Fiat, VW, GM, Hyundai e Toyota, nesta ordem) cresceram 13%, no acumulado deste ano, um pouco abaixo dos 16,4% do mercado total. Mas isso ainda pode mudar de acordo com os investimentos já anunciados para os próximos anos.

Outras observações da K.Lume: quase 60% das vendas foram à vista e 40% financiadas. Estas enfrentam juros ainda muito altos, reflexo da inflação que ameaça romper os 4,5% ao ano, acima da tolerância de 3%, eu acrescento. O segmento de automóveis mais caros retraiu-se 17%.

Balanço geral de vendas em 2027 poderá ficar acima do previsto no começo deste ano tanto pela Anfavea quanto pela Fenabrave. Esta entidade atribui ao programa Carro Sustentável (C3 enquadrou-se recentemente; agora são seis marcas) os bons resultados deste ano.

Teste: Koleos, híbrido que a Renault precisava

Primeiro híbrido da marca francesa tem mais de uma nacionalidade. A colaboração inclui a chinesa (e sócia) Geely, a partir do seu modelo Monjaro, com a fabricação na Coreia do Sul. Estilo do Koleos é um dos seus pontos altos, embora diferente de outros Renault. O SUV médio-grande destaca-se pela grade audaciosa, rodas de 20 pol. e uma traseira discreta com lanternas interligadas.

Dimensões (mm): comprimento, 4.778; entre-eixos, 2.820; largura, 1.880 (2.063 com espelhos); altura, 1.686. Volumes (L): porta-malas, 431; tanque, 55. Massa: 1.804 kg. Híbrido pleno. Motor 4-cilindros 1,5 L, gasolina: potência 144 cv; torque 23,4 kgf·m. Motor elétrico: potência, 136 cv; torque, 32.6 kgf·m. Potência combinada: 245 cv; Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 13,1/12,1; Alcance (km, cidade/estrada): 721/666; Tração dianteira. Câmbio automático DHT, três marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 8,3.

Seu interior é um ponto de destaque. Há três telas, incluindo uma que apenas o acompanhante pode assistir. Além de projeção de dados no para-brisa, tem a maioria dos comandos por teclas ou botões. Bom espaço para os ocupantes do banco traseiro (inclui regulagem dos encostos), o que pode ter sido determinante para diminuir o volume do porta-malas menor que o de concorrentes diretos.

Entre os itens de série destacam-se teto solar panorâmico elétrico, câmera 360° e sistema autônomo de estacionamento. Chamam atenção os 29 recursos de segurança passiva e ativa, que incluem sempre úteis alertas de ponto cego, além do airbag entre os bancos dianteiros.

No uso urbano, o Koleos sobressai pelo silêncio de marcha e por respostas imediatas ao acelerador. Em geral híbridos plenos costumam ser mais econômicos em cidade do que em estrada e isso se manteve, de acordo com dados do Inmetro. No entanto, durante o teste o gasto de combustível nos dois parâmetros usuais foi um pouco maior do que o esperado, contrabalançado pelas retomadas sempre vigorosas.

Enquanto o desempenho impressiona com quatro modos de condução, em especial na opção Sport, o sistema de manutenção na faixa de rodagem, particularmente mente útil em estradas, é mais intrusivo do que o desejável, embora dê opção de desligá-lo.

Preço: R$ 289.990

BMW M135 xDrive, um hatch a impor respeito

Aspecto geral já atrai dentro do conceito da marca alemã de sua linha M. Em um mundo dominado por SUVs, sempre é bom ter oferta de hatch tão sofisticado quanto em desempenho acima da média. Logo chamam atenção a traseira com quatro saídas de escapamento, o defletor de teto e a menor distância livre do solo que garante comportamento em curvas brilhante.

Durante impressões iniciais de São Paulo a Itu (ida e volta, cerca de 200 km), o M135 xDrive demonstrou que os 317 cv e 40,7 kgf·m asseguram desempenho, principalmente em curvas, superior a concorrentes com números semelhantes de potência e torque, a exemplo do Civic Type R ou GR Corolla. Estes dois modelos sem representar marca premium, têm preços não muito menores.

O hatch de entrada de vocação esportiva da BMW custa R$ 459.950,00 (GR Corola com teto de compósito de fibra de carbono, R$ 461.990,00). Impressionante no modelo alemão é o desempenho no modo esporte: muda desde o ronco do motor (com os apreciados estampidos) até a troca de marchas tão brusca quanto admirada por motoristas que entendem e valorizam este comportamento.

Há ainda mais emoção. Basta manter acionada a aleta do lado esquerdo do volante e por 10 segundos o motor libera potência adicional. Aceleração de 0 a 100 km/h em 4,9 s demonstra a sua esportividade, embora o motorista deva respeitar o fato de que o controle de estabilidade fica anulado temporariamente. Neste caso, nada de abuso em curvas.

Outro fator atraente é o seu interior. Além do acabamento de nível superior, chamam atenção empunhadura do volante, posição de dirigir, duas telas curvas de 10,25 pol. (instrumentos) e 10,7 pol. (multimídia com os espelhamentos de praxe, sem fio), além de botões físicos onde sempre deveriam ficar.

Fernando Calmon

Desde 1967 cobrindo o setor automotivo, é um dos profissionais especializados de maior credibilidade e capacidade de análise. Opina, de forma independente, sobre todos os aspectos da indústria, suas tecnologias, processos e mercados. Com reconhecido conhecimento técnico, também faz avaliações de automóveis e comerciais leves.

Valor - SP   08/05/2026

Para Thomas Owsianski, no comando da região desde fevereiro, a vantagem de uma empresa global é a complementaridade

A General Motors ainda não chegou ao ponto de compartilhar o espaço de suas fábricas brasileiras com montadoras da China, como outras, como Stellantis e Renault, já fazem. Há apenas três meses no cargo, Thomas Owsianski, presidente da GM na América do Sul, admite, por outro lado, que a empresa precisa da parceria com chineses para avançar no processo de eletrificação e manter lucratividade na região. “Graças aos nossos parceiros chineses estamos conseguindo complementar (a linha de produtos)”, afirma.

Até dezembro, Owsianski vivia na Europa, onde comandava vendas e marketing da Volkswagen em 33 mercados. Segundo o executivo alemão, a experiência ao longo de mais de um ano no cargo, o fez perceber que o ritmo de eletrificação varia. “Existem pelo menos três tipos de mercados: aqueles onde a transformação já está concluída como a Noruega; outros, onde mal começou e aqueles onde já representa 40% ou 50% das vendas”, diz.

No Brasil, híbridos e elétricos representaram mais de 15% das vendas no primeiro trimestre. Mas, surpreende Owsianski a velocidade do crescimento de vendas de um tipo de veículo que, principalmente o 100% elétrico, é produzido por chineses. “Se há um ano alguém nos perguntasse se seria possível alcançar o volume que temos hoje no Brasil diríamos que não”, destaca.

Desde dezembro, modelos elétricos da GM já produzidos na China em parceria com a Shanghai Automotive Industry Corporation (SAIC) começaram a ser montados também no Ceará, numa fábrica que pertence à brasileira Comexport, fabricante multimarcas criada recentemente. Trata-se, assim de uma produção terceirizada pela GM.

Se por um lado, a montadora americana se junta aos chineses para adequar a linha de produtos às demandas do consumidor por outro, o comando regional inclui a responsabilidade de administrar uma operação que envolve quatro fábricas no Brasil - três de veículos e uma de motores - e outra na Argentina. “Precisamos de massa crítica, porque temos uma grande operação. Temos cinco fábricas e uma grande rede de revendedores”, afirma o executivo.

Foi na General Motors que Owsianski começou a carreira há quase três décadas. Depois de um longo período na Volks, incluindo uma fase de trabalho no Brasil, o executivo retornou à GM em 1º de fevereiro com o complexo desafio que envolve o comando dessa robusta operação de manufatura.

Em meio a isso, cabe a Owsianski manter a lucratividade num cenário altamente competitivo, no qual os chineses estabeleceram novos patamares de preços. “Brasil e América do Sul são sempre uma região onde não é fácil ganhar dinheiro”, destaca.

Ao mesmo tempo, o executivo sabe que não poderá mais contar com ajuda externa. Segundo ele, já se foi o tempo em que a matriz “enviava um cheque todos os anos”. “Hoje precisamos ganhar nosso próprio dinheiro”, diz.

“Não adianta ter uma linda apresentação em PowerPoint para mostrar para a Mary [Mary Barra, CEO da GM] ou para o Rory [Rory Harvey, presidente de mercados globais]. Isso não funciona mais. A cada trimestre precisamos provar que estamos melhorando”.

E é também aliando-se aos chineses que Owsianski espera aumentar a lucratividade. Isso se dará, destaca, por meio da complementaridade da linha de produtos, com destaque para os modelos elétricos. “Temos um parceiro muito competitivo na China. E, obviamente, essa combinação nos dá a oportunidade de ser ainda mais lucrativos”, afirma.

“Tendo trabalhado aqui por sete anos acredito fortemente que com uma boa oferta de produtos e eficiência na operação é possível ganhar dinheiro na América do Sul”, destaca.

“Essa é a vantagem de uma empresa global. É um pouco como o Lego: temos peças que se encaixam na América do Sul, na China, na América do Norte...”, completa,

Com mais de 100 anos no Brasil, a GM mantém boa posição no ranking do mercado de veículos novos, ocupando o terceiro lugar em vendas de carros e comerciais leves no primeiro quadrimestre. Mas tem perdido espaço, assim como outras veteranas, com o avanço de marcas chinesas. Sua participação acumulada até abril foi de 10,34%. Antes de as marcas chinesas começarem a entrar no país, em 2020 e 2021, sua fatia girava em torno de 15% a 18%.

A empresa está em meio a um ciclo de investimentos que totalizará R$ 7 bilhões entre 2024 e 2028. E conta com novos modelos desenvolvidos com esses recursos para crescer. A próxima aposta é o Sonic, carro compacto que começou a ser vendido na quinta-feira (7) a preços a partir de R$ 129.990, ocupando uma faixa superior ao Onix, modelo mais barato da linha.

O Sonic é mais um carro totalmente a combustão. Owsianski não revela se há intenção de fazer uma versão eletrificada do modelo e confessa que essa é a pergunta que muitos lhe fazem. Nenhuma das fábricas da montadora na região produz carros eletrificados. Mas ele garante que em breve a GM iniciará a produção de híbridos que poderão ser abastecidos com etanol.

“A estratégia vencedora precisa ser uma combinação das tendências de energia. É isso que estamos aprendendo. Veículos elétricos continuarão sendo importantes. Mas devido à falta de infraestrutura de recarga e ao custo ainda não tão acessível precisamos de todos os tipos de híbridos como tecnologia de transição”, diz.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Infomoney - SP   08/05/2026

A construção civil começou 2026 mostrando força na geração de empregos, no crédito imobiliário e no ritmo das obras, mas o aumento de custos, os juros elevados e os impactos da crise geopolítica no Oriente Médio já começam a deteriorar o ambiente do setor. O resultado é um cenário de expansão mais moderada e cercado de incertezas, como avaliou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (7).

Diante da piora do cenário macroeconômico, a CBIC revisou para baixo sua expectativa de crescimento da construção em 2026, de 2% para 1,2%.

Segundo a economista da entidade, Ieda Vasconcelos, o setor ainda mantém bases resilientes, impulsionado principalmente pelo mercado imobiliário, pelas obras de infraestrutura e pela forte geração de empregos. Mas os custos começam a subir num ritmo que preocupa empresários e ameaça margens, contratos públicos e novos empreendimentos.
CNI: Condições financeiras do setor da construção pioram com matérias primas em alta
Petróleo e guerra pressionam

O principal sinal de alerta veio do custo dos materiais. A alta do petróleo, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio e pelos efeitos sobre o frete global e a cadeia industrial, começou a aparecer com força nos indicadores da construção.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), aumentou 5,84% nos últimos 12 meses encerrados em março/26. Esse resultado, de acordo com a entidade, evidencia que o custo do setor segue acima da inflação oficial do País medida pelo IPCA, que apresentou variação de +4,14%. O custo com a mão de obra subiu 8,82% no período em análise.

O INCC-M, que mede a evolução dos custos de mercado, subiu 1,4% só em abril, a maior elevação desde junho de 2022, período ainda marcado pelos efeitos da pandemia. O indicador de preços médios dos insumos da construção atingiu 68,4 pontos no primeiro trimestre, o maior nível desde 2022.

“A variação já preocupa e acontece diante desse cenário caracterizado pelos conflitos no Oriente Médio e pelo incremento no preço do petróleo”, afirmou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC. Segundo ela, o impacto vai além do transporte. “O custo do frete ajuda a explicar o aumento, mas não é só isso. Toda a cadeia produtiva é afetada. Materiais derivados de petróleo, como PVC, conexões e tintas, têm sensibilidade maior à elevação do barril”, disse.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), confirmou durante a coletiva que a pressão de custos já se espalhou por diversos insumos industriais e pela logística. “São pressões muito relevantes que começaram a mostrar impacto no final de março e devem continuar aparecendo nos próximos meses”, afirmou.

Juros altos

Além da alta dos materiais, o setor voltou a colocar os juros elevados como principal obstáculo para os negócios. Segundo a CBIC, a expectativa inicial do mercado era de uma queda mais intensa da Selic ao longo de 2026. Mas o avanço das pressões inflacionárias reduziu essa perspectiva.

Hoje, a projeção é de que a taxa encerre o ano em torno de 13%, num patamar considerado ainda muito alto para uma atividade que necessita intensamente de crédito e financiamento de longo prazo. “A taxa de juros elevada voltou a ser o principal problema do setor”, afirmou o presidente da CBIC, Renato Correia, reforçando que a construção depende de ciclos longos de investimento e, por isso, sofre de maneira mais intensa em ambientes de juros elevados. “É um setor que investe muitos recursos durante muito tempo. Por isso, uma  taxa de juros alta penaliza muito”, afirmou.
Emprego ainda em alta

Apesar do cenário mais desafiador, o mercado de trabalho da construção segue aquecido. O setor criou mais de 120 mil empregos formais no primeiro trimestre, alta de quase 19% sobre o mesmo período do ano passado. Foi o melhor resultado para um primeiro trimestre desde o início da nova série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 2020, segundo Ieda.

A construção respondeu por praticamente um em cada cinco empregos formais criados no país no período. O número de trabalhadores com carteira assinada ultrapassou 3 milhões, impulsionado principalmente pela construção de edifícios e pelas obras de infraestrutura.

Outro dado que chamou atenção foi o salário médio de admissão. Em março, a construção civil passou a registrar o maior salário médio de entrada entre todos os setores da economia brasileira.

Pilares do setor

A CBIC destacou que o desempenho positivo do mercado imobiliário em 2025 continua sustentando parte da atividade neste ano. Os lançamentos imobiliários do ano passado chegaram a 415,3 mil unidades, enquanto os financiamentos seguem crescendo tanto com recursos do FGTS quanto do SBPE.

Os financiamentos com recursos do FGTS somaram R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre, alta de quase 22%. Já o crédito via SBPE avançou mais de 10%, chegando a R$ 42 bilhões. A entidade também destacou os efeitos positivos da ampliação do Minha Casa Minha Vida e da expectativa de investimentos robustos em infraestrutura. Segundo projeção da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), os aportes no segmento devem alcançar R$ 300 bilhões em 2026.
Fonte: CBICMargens apertadas

Se o emprego e o crédito ainda sustentam a atividade, a rentabilidade das empresas passou a entrar no radar de preocupação. Renato Correia alertou que contratos públicos e projetos habitacionais populares podem sofrer desequilíbrios diante da escalada rápida dos custos.

Segundo ele, obras do Minha Casa Minha Vida Faixa 1, que trabalham com margens muito estreitas e preços fixos, podem enfrentar dificuldades de contratação e até risco de paralisação caso os custos continuem avançando. “Pode ocorrer até paralisação das obras dependendo do impacto”, afirmou.

A preocupação também atinge obras rodoviárias e contratos públicos corrigidos apenas anualmente, especialmente diante da disparada de itens ligados ao petróleo, como o asfalto.
Confiança em baixa

A deterioração do ambiente já aparece também na percepção dos empresários. O Índice de Confiança da Construção caiu em abril para 46,4 pontos, o menor nível do ano e abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de pessimismo.

Segundo a CBIC, o recuo reflete principalmente a piora na avaliação da economia, custos mais altos, crédito caro, dificuldade de contratar mão de obra e incertezas sobre novos empreendimentos

A leitura da CBIC é que a construção continuará crescendo em 2026, mas em ritmo mais lento e sob pressão crescente. De um lado, o setor ainda se apoia em emprego forte, expansão do crédito habitacional e investimentos em infraestrutura. De outro, enfrenta um ambiente marcado por juros elevados, inflação de custos e incertezas externas.

A combinação desses fatores transformou o ano de 2026 em um exercício delicado de equilíbrio para as construtoras: manter obras, preservar margens e continuar investindo em meio a um cenário cada vez mais caro e imprevisível.
Defesa do FGTS

Outra preocupação do setor diz respeito ao uso do FGTS para pagamento de dívidas, como propôs o governo. Segundo Correia, o fundo é a base do financiamento para novas moradias e não pode ser usado indiscriminadamente. “Quando se trata do FGTS é preciso ver o interesse social envolvido para suprir o déficit habitacional no País. Por isso nossa defesa intransigente do uso do recurso para habitação, o que é garantido em constituição”, afirma o presidente da entidade.

Globo Online - RJ   08/05/2026

Os jovens entre 21 e 28 anos lideram a intenção de compra de imóveis no Brasil em 2026. O dado é da pesquisa mais recente da Brain Inteligência Estratégica, que mostra que 59% dos entrevistados da Geração Z pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses. O montante representa um aumento tanto em relação ao mesmo período de 2025, quando a intenção dessa geração era de 49%, quanto na comparação com o trimestre anterior, quando o índice ficou em 56%. A projeção também supera a média nacional de intenções de compra, que está em 49%, conforme o levantamento.

Na região Sul, que tem a segunda maior intenção de compra entre os entrevistados pela Brain, com 49%, essa tendência já tem influenciado os lançamentos de construtoras. Charles Kan, CEO da Construtora CK, com atuação no litoral norte catarinense, confirma essa percepção. "O jovem passou a enxergar o imóvel não só como moradia, mas como estratégia de investimento e segurança. Isso muda completamente o tipo de produto que ele busca", afirma. Segundo ele, a preferência tem migrado para unidades menores, com boa localização e serviços agregados, em linha com um estilo de vida mais dinâmico.

Um levantamento do Sinduscon Foz do Rio Itajaí, em parceria com a Brain, apontou que em Itajaí (SC) o número de unidades compactas lançadas triplicou em quatro anos, passando de 307 em 2022 para 1.228 em 2025, com Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado de R$ 1,7 bilhão. O crescimento acompanha a demanda por imóveis com maior liquidez, menor ticket e potencial de valorização, especialmente em regiões urbanas e turísticas.

A CK tem dois projetos em fase de pré-lançamento voltados a esse perfil em Itajaí, que tem o 5º metro quadrado mais valorizado do país, segundo a FipeZap: o Levels, na Praia Brava, e o Versus, no bairro Fazenda. Os empreendimentos de alto padrão somam quase 600 unidades, majoritariamente studios de até 43 m², e já registram cerca de 50% de intenções de compra, com VGV total estimado em quase R$ 570 milhões.

Localizados em áreas com alta valorização e onde o metro quadrado gira entre R$ 15 mil e R$ 40 mil, as novidades contam com uma estrutura de lazer e serviços completa no condomínio para atrair a Geração Z. Coworking, lavanderia compartilhada, espaço wellness, academia, área gourmet, mercado autônomo, piscinas, saunas, wine bar, terraço, bicicletário e vagas para patinetes elétricos são alguns dos destaques.

"O studio se consolidou como um ativo de entrada e tem atendido à demanda crescente de jovens que buscam seu primeiro imóvel ou investimento. Ele tem maior liquidez e menor custo, e ainda aposta em comodidades muito desejadas, seja para moradia ou para geração de renda com locação, como localização próxima de tudo e serviços agregados", finaliza Kan.

Rodoviário

A Tribuna - SP   08/05/2026

Uma reunião envolvendo os acessos terrestres ao túnel imerso Santos-Guarujá, na Margem Esquerda do Porto de Santos, será realizada na manhã desta quinta-feira (7), no escritório da Autoridade Portuária de Santos (APS), em São Paulo.

O encontro foi solicitado pelo prefeito de Guarujá, Farid Madi (Pode). Ele e o presidente da APS, Anderson Pomini, estarão presentes, além de técnicos da Prefeitura e da empresa pública federal. Há possibilidade também que participem representantes da concessionária privada Mota-Engil, vencedora do processo licitatório para construção do túnel.

A intenção do encontro é justamente aprimorar o traçado desses acessos do lado de Guarujá, de modo que interligue o túnel com as vias expressas já existentes e facilite também o escoamento de veículos em direção à Rodovia Cônego Domênico Rangoni.

Dentro desse raciocínio, a reivindicação é para que se inclua trecho da Avenida Santos Dumont na Poligonal do Porto, o que passa diretamente pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), como já aconteceu com outras áreas na Baixada Santista, aprovadas em fevereiro. A APS, inclusive, espera que outras já pedidas anteriormente também façam parte em breve.

Em caso de aprovação por parte da pasta, possíveis obras na melhoria dos acessos poderão ter aporte de recursos federais e ainda desapropriações seriam reduzidas, preocupação levantada por moradores ao prefeito guaruajense.

“O túnel precisa estar alinhado com a nossa meta de relação Porto-Cidades”, afirma o presidente da APS, Anderson Pomini.

A obra
O túnel imerso Santos-Guarujá terá extensão total de 1,5 km, sendo 870 metros submersos. Serão três faixas de rolamento por sentido, além de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ciclovia e passagem para pedestres. A construção será feita por meio de módulos de concreto pré-moldados instalados no leito do canal portuário.

Depois, os módulos serão afundados, encaixados e cobertos por uma camada de pedras. As obras têm previsão de início em 2027 e conclusão em 2030, com entrada efetiva em operação em 2031.

NAVAL

CNN Brasil - SP   08/05/2026

A Casa Civil orientou o Ministério de Portos, em nota técnica recém-concluída, a eliminar restrições para armadores (companhias de navegação) e dobrar o valor mínimo de outorga no leilão do novo superterminal de contêineres do Porto de Santos (SP).

O documento também abre caminho para a participação das atuais operadoras de contêineres no porto, como a suíça MSC e a dinamarquesa Maersk, na disputa pelo Tecon Santos 10 -- desde que elas vendam seus ativos em caso de vitória.

Os termos constam de uma nota técnica de 13 páginas emitida nesta quarta-feira (6) à noite pelo PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), vinculado à Casa Civil, e obtida pela CNN.

As novas diretrizes para o leilão foram encaminhadas para o MPor, que deve levá-las à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), responsável pelo certame.

O valor mínimo de outorga, antes fixado em R$ 500 milhões, subirá para R$ 1,044 bilhão.

A participação de armadores, recomendada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) ao concluir sua análise dos estudos, será liberada. O órgão de controle manifestava preocupações com o risco de verticalização nas operações, ou seja, com uma mesma empresa atuando nas linhas internacionais de frete marítimo e na administração do novo terminal.

"Além de não de vislumbrar razões de ordem concorrencial para proibir a participação de armadores no certame, a Antaq não apontou nenhum motivo de ordem regulatória para a adoção dessa prática. Ao contrário, conclui que referida participação poderia resultar em ineficiências produtivas, alocativas e sociais", afirma um trecho da nota técnica.

A chinesa Cosco, junto com as europeias MSC e Maersk, vinha defendendo fortemente uma abertura maior no leilão. A CMP (China Merchants Ports), dona do TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), também apontava preocupações.

O Tecon Santos 10 prevê investimentos acima de R$ 6 bilhões e deve ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina, que está à beira da saturação.

O leilão estava sendo planejado para o fim de 2025, mas o cronograma atrasou, especialmente diante das brigas empresariais em torno do modelo de disputa. Agora, na melhor das hipóteses, sairá no segundo semestre de 2026 -- mas há risco de ficar para 2027.

Empresas como a filipina ICTSI e a JBS, interessadas no terminal, preferem um leilão com restrições e em duas fases.

Na modelagem proposta originalmente pela Antaq e endossada pelo TCU, operadores atuais ficariam impedidos de participar na primeira etapa. Só poderiam entrar, em uma segunda fase do leilão, caso não houvesse a entrega de ofertas na rodada inicial.

Depois, surgiu a recomendação do tribunal de contas de barrar armadores. Foi uma orientação acatada pela Antaq e pelo MPor -- até intervenção da Casa Civil, que mandou suspender o processo.

Na nova nota técnica, o PPI diz que "se faz importante esclarecer que o governo federal não possui uma política de fomento a novos entrantes em detrimento dos atuais".

A diretriz agora é que atuais operadores ficam livres para entrar no leilão do Tecon Santos 10, desde que "tenham protocolado nos órgãos competentes a venda irrevogável e irretratável" de suas participações acionárias em outros terminais no porto, antes da celebração do novo contrato.

"Tal medida endereça o risco apontado de eventual conduta leviana de algum player protelar o desinvestimento, ameaçando as operações. Caso referido desinvestimento não ocorra, não haverá prejuízo para o Poder Público, haja vista que será possível convocar o segundo colocado do certame realizado", diz a nota técnica.

"Quanto maior a concorrência no leilão, maiores são as chances de selecionar o parceiro mais eficiente, que diminua os custos logísticos do Brasil, ajudando a cadeia produtiva."

CNN Brasil - SP   08/05/2026

Cerca de 1.600 navios ainda estão presos perto do Estreito de Ormuz, com companhias de transporte enfrentando uma situação cara e arriscada, buscando oportunidades para deixar a hidrovia há mais de dois meses.

A operação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para "guiar" os navios através do Estreito por meio do "Projeto liberdade" durou apenas 48 horas. Apenas dois navios conseguiram passar.

Agora, as empresas de transporte e os marinheiros retidos estão novamente sem uma rota segura de saída, sem querer correr o risco da travessia. Apesar do cessar-fogo, mísseis continuam a sobrevoar a hidrovia de 34 quilômetros.

“Somente um verdadeiro acordo de paz, demonstrado e comprovado, conquistará a confiança da comunidade de transporte marítimo comercial”, disse Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles.

Seroka, que trabalhou por cinco anos para a grande empresa de transporte marítimo American President Lines no Oriente Médio, afirmou não ter conversado com um único executivo do setor disposto a transferir a carga e equipe, mesmo em conjunto com as forças armadas americanas.

Há mais de dois meses, as empresas de transporte marítimo buscam maneiras para deixar o Estreito. Em condições normais, 120 navios transitam pelo Estreito de Ormuz todos os dias, transportando 20% do suprimento mundial de petróleo.

Agora, permitir a saída dos navios colocaria em risco tanto a carga quanto as pessoas. Qualquer dano a um navio multimilionário acarretaria prejuízos financeiros e logísticos para as empresas. As seguradoras possuem cláusulas de guerra nos contratos que as isentam de cobrir navios presos em meio a um conflito. Portanto, movimentar navios sem esse respaldo financeiro corre o risco de ser extremamente caro também.

O governo Trump contatou diversas empresas de navegação a respeito do "Projeto Liberdade" para oferecer os serviços, compartilhou o secretário de Estado Marco Rubio na terça-feira (5). Poucas aceitaram a oferta.

A gigante dinamarquesa de navegação Maersk confirmou na segunda-feira (4) que seu navio foi um dos dois escoltados para fora do Estreito de Ormuz pelas Forças Armadas dos EUA. A embarcação estava "impossibilitada de deixar" o Golfo Pérsico desde o início dos combates em fevereiro, informou a empresa à CNN em um comunicado.

Um total de 10 navios, incluindo os dois escoltados pelas Forças Armadas dos EUA, passaram pelo Estreito de Ormuz na segunda-feira (4), de acordo com a S&P Global Commodities at Sea.

A Hapag-Lloyd, outra importante empresa de navegação, disse à CNN na quarta-feira (6) que havia considerado a possibilidade de utilizar as Forças Armadas dos EUA para retirar os quatro navios restantes do Estreito antes da suspensão do "Projeto Liberdade".

Trinta e dois navios foram atingidos por mísseis desde o início da guerra, resultando em 10 mortes e pelo menos uma dúzia de feridos, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI).

A OMI continua a pedir para os navios “exercerem máxima cautela” e destaca que “escoltas navais não são uma solução sustentável a longo prazo”.

Os Estados Unidos e o Irã estão cada vez mais perto de um acordo para pôr fim à guerra, declarou à CNN na quarta-feira (6) uma fonte regional familiarizada com as negociações.

Após Trump anunciar a suspensão do "Projeto Liberdade", o Irã afirmou que a passagem segura pelo Estreito de Ormuz é possível sob "novos procedimentos". O Irã criou a Persian Gulf Strait Authority, que regulará a passagem pelo Estreito, incluindo a cobrança de pedágios, segundo a emissora estatal iraniana Press TV.

Os Estados Unidos já haviam alertado que o Irã não tem autoridade para controlar a hidrovia.

Ainda assim, deixar o Estreito de Ormuz, mesmo com um guia militar americano, exige uma "avaliação muito específica" por parte das empresas de navegação, de acordo com Seroka.

"Elas precisarão ter muito mais confiança na segurança da passagem pelo Estreito antes de darem esse passo", sinalizou ele.

PETROLÍFERO

Valor - SP   08/05/2026

Companhia extraiu no Brasil e no exterior o total de 3,225 milhões de BOE/dia entre janeiro e março, novo recorde trimestral

Com a disparada da cotação do petróleo e recordes na produção, a Petrobras deve apresentar melhora nos resultados do primeiro trimestre, conforme analistas. A valorização de cerca de 23% do petróleo no trimestre deve ampliar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da estatal, segundo o Itaú BBA. A petroleira divulga balanço na segunda-feira (11), depois do fechamento dos mercados. Há ainda expectativa de distribuição de dividendos.

O Ebitda da Petrobras deve ficar em torno de R$ 66,1 bilhões no primeiro trimestre, conforme cálculos do Valor com base em projeções de quatro bancos, alta de 8,3% em base anual. A receita deve subir 10,3%, para cerca de R$ 135,8 bilhões. O lucro líquido deve cair 16,9%, para R$ 29,2 bilhões.

A última linha do balanço deve sofrer com impactos da variação do câmbio, que causa reflexos em diferentes pontos do resultado. O efeito sobre a dívida pode ser positivo, uma vez que os valores em dólar ficam mais baixos quando convertidos ao real, devido à apreciação da moeda brasileira. Já o resultado operacional sofre impacto negativo, pois as receitas em dólar com as exportações de óleo ficam menores em reais quando a moeda brasileira se valoriza. Em contrapartida, há também a apreciação do petróleo, que estava a cerca de US$ 75,66 na média do primeiro trimestre de 2025. No último dia do primeiro trimestre deste ano, o barril do tipo Brent fechou a US$ 103,97.

A maior projeção de Ebitda é do Citi, de R$ 68,6 bilhões, e a menor é do UBS BB, de R$ 64,9 bilhões. Na receita, a maior estimativa, de R$ 142,8 bilhões, vem do UBS BB, e a menor, de R$ 131,8 bilhões, da Ativa Investimentos. No lucro líquido, a maior estimativa é do UBS BB, de R$ 32,6 bilhões, e a menor é do Itaú BBA, de R$ 23,4 bilhões.

A produção de petróleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural total da Petrobras no Brasil e no exterior no primeiro trimestre, de 3,225 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) por dia, representou o novo recorde trimestral para a companhia.

O aumento foi de 16,1% em relação a igual período do ano passado. A companhia atribui o avanço à maior produção das plataformas P-78, no campo de Búzios, Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, Anna Nery e Anita Garibaldi nos campos de Marlim e Voador. O recorde anterior era de 3,14 milhões de barris por dia, do terceiro trimestre do ano passado.

Mantemos uma visão positiva sobre a Petrobras, apoiada pela forte geração de caixa e dividendos sólidos”

— UBS BB

A Petrobras também teve alta, de 16,4%, na produção de petróleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural no Brasil no primeiro trimestre, para 3,197 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

As refinarias da Petrobras fecharam o primeiro trimestre com fator de utilização médio de 95%, acima do patamar de 90% dos três primeiros meses do ano passado. As vendas de derivados no mercado interno somaram 1,74 milhão de barris por dia no primeiro trimestre, alta de 2,8% frente ao 1,69 milhão de barris por dia de igual período do ano passado.

Para o UBS BB, os volumes inferiores no refino, com corte do preço da gasolina em janeiro e a estabilidade do preço do diesel até o ajuste no meio de março, devem pressionar os resultados.

A produção da Petrobras no primeiro trimestre foi vista como uma “surpresa positiva”, segundo o banco, o que deve levar ao anúncio de US$ 2,3 bilhões em dividendos, nas contas da instituição. “Mantemos visão positiva sobre a Petrobras, apoiada pela forte geração de caixa e dividendos sólidos, que continuam entre os mais elevados do setor global e são um dos mais sensíveis à variação dos preços do Brent, com riscos de alta caso não haja avanços nas negociações no Oriente Médio.” Ainda assim, o UBS BB não vê como provável o anúncio de dividendos extraordinários.

Para a Ativa, o resultado do refino deve refletir o recuo das vendas, sobretudo de diesel e gasolina, o que foi parcialmente compensado pela maior utilização das refinarias e a menor dependência de diesel importado. “A dinâmica de preços teve contribuição limitada no trimestre, dado que a gasolina permaneceu estável e o reajuste do diesel ocorreu a partir de 14 de março”, disse a corretora.

Jornal de Brasília - DF   08/05/2026

O petróleo fechou em queda nesta quinta-feira, 7, após operar volátil durante a sessão, com os investidores monitorando as negociações entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade dos americanos voltarem a escoltar navios pelo Estreito de Ormuz.

O petróleo WTI para junho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em baixa de 0,28% (US$ 0,27), a US$ 94,81 o barril.

Já o Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), caiu 1,19% (US$ 1,21), a US$ 100,06 o barril.

A commodity virou para o positivo depois que o Wall Street Journal informou que Arábia Saudita e o Kuwait suspenderam as restrições impostas ao uso pelos EUA de suas bases e espaço aéreo, levando o governo Trump a buscar a retomada da operação de escolta de navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Pouco depois, entretanto, circularam no mercado informações atribuídas à Al Jazeera, a partir de susposta fonte militar norte-americana, dando conta de que a notícia veiculada pelo Wall Street Jornal estava incorreta.

No campo diplomático, o Irã disse estar revisando as últimas propostas dos EUA para encerrar a guerra, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmail Baghaei, disse que “Teerã ainda não chegou a uma conclusão”. Segundo uma empresa de dados de navegação, o regime persa criou uma agência para verificar e taxar embarcações que buscam passagem pelo Estreito de Ormuz, reforçando seu controle sobre a via marítima

Para analistas do ING, o mercado segue cauteloso e continuará sendo guiado pelas manchetes mais recentes. “Um acordo que restabeleça o tráfego por Ormuz reduziria o prêmio de risco de oferta, mas qualquer atraso ou revés nas negociações poderia rapidamente voltar a pressionar para cima os preços do petróleo”, afirmam.

No radar, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à Fox News que o Irã pode ser forçado a desligar alguns de seus reservatórios de petróleo caso a guerra se prolongue por muito tempo e o país não consiga exportar a commodity.

Valor - SP   08/05/2026

No início desta semana, o Brent chegou a US$ 115 o barril, após ataques do Irã a navios e aos Emirados Árabes Unidos durante um cessar-fogo frágil

Os preços do petróleo recuam nesta quinta-feira, com o Brent abaixo de US$ 100 o barril após uma queda de quase 8% no dia anterior, em meio a relatos de que os Estados Unidos e o Irã estão próximos de um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.

Por volta das 9h55 (de Brasília), na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em julho tinha baixa de 4,68% a US$ 96,53 por barril. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho cedia 4,99% a US$ 90,34.

A emissora saudita Al Arabiya informou que houve acordos para aliviar o bloqueio americano em troca de uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz, levando o Brent a cair 3,8% mais cedo. Há relatos de que os Estados Unidos apresentaram um memorando de entendimento de uma página que pode levar à reabertura gradual da hidrovia. Ontem, Donald Trump suspendeu seu bloqueio desde que o Irã aceite o que foi acordado, caso contrário disse que os “bombardeios começam.”

No início desta semana, o Brent chegou a US$ 115 o barril, após ataques do Irã a navios e aos Emirados Árabes Unidos durante um cessar-fogo frágil.

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