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05 de Dezembro de 2025

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   05/12/2025

Com a taxa básica de juros no maior patamar em quase 20 anos, a economia brasileira desacelerou. No terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1% na comparação com os três meses anteriores. O número foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 4.

O resultado do PIB ficou dentro do esperado pelos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, cujo intervalo variava de queda de 0,5% a alta de 0,4%. Mas veio um pouco abaixo da mediana das previsões, que era de alta de 0,2%.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, o PIB avançou 1,8%.

“Com os dados do terceiro trimestre, vemos sinais claros de que a economia está desacelerando”, afirma Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank.

Como em anos anteriores, a economia brasileira tem mostrado mais força no primeiro semestre, por causa do bom desempenho da agropecuária e por estímulos fiscais, como o aumento real do salário mínimo e a antecipação do pagamento do 13º para aposentados.

Nesta quarta-feira, o IBGE também revisou os números do PIB de leituras anteriores. No primeiro trimestre, o crescimento de 1,3% passou para um avanço de 1,5%, e a alta de 0,4% do segundo trimestre foi reduzida para 0,3%.

Com a inflação acima da meta de 3%, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu um duro aperto e levou a taxa básica de juros para 15% desde junho. Um dos motivos que ajuda a explicar a Selic elevada no Brasil tem a ver com a incerteza com o rumo da política fiscal, o que amplia a percepção de risco dos investidores com o País e faz com que eles exijam um retorno maior para aplicar seus recursos na economia brasileira.

“É uma economia que ainda está em lenta desaceleração, mas com alguns pontos de resiliência”, diz Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Do lado da oferta, houve um crescimento generalizado na comparação com o segundo trimestre. A alta no setor de serviços e na indústria foi de 0,1% e 0,8%, respectivamente. A agropecuária subiu 0,4%.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias e o consumo do governo avançaram 0,1% e 1,3%, respectivamente. A formação bruta de capital fixo cresceu (0,9%), assim como as exportações (3,3%) e as importações (0,3%) - o terceiro trimestre já contemplou os efeitos do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O consumo das famílias acabou afetado pelo crédito mais caro por causa da política monetária. O alívio vem do mercado de trabalho aquecido. No trimestre encerrado em outubro, a taxa de desocupação caiu para 5,4%, a mais baixa da série histórica, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). A pesquisa teve início em 2012.

De acordo com o IBGE, no terceiro trimestre, a taxa de investimento foi de 17,3%, um pouco abaixo do observado no mesmo período de 2024 (17,4%). Já a taxa de poupança foi de 14,5%, número igual ao observado no mesmo período do ano passado.

“Como a taxa de juros está muito alta, o investimento generalizado e principalmente o da indústria sofre mais”, afirma Silvia Mattos, coordenadora do Boletim Macro do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). “O investimento não está tão ruim, porque tem importação de plataforma de petróleo. É um setor que não tem nada a ver com a política monetária.”

O que esperar daqui em diante?

Na avaliação do banco Itaú, o PIB do quarto trimestre deve apresentar “um ritmo de crescimento semelhante ao observado no terceiro trimestre.”

No último relatório Focus, divulgado na segunda-feira, 1º, pelo Banco Central, os analistas projetam que o PIB deste ano deve crescer 2,16%. Para 2026, a expectativa é de um crescimento parecido - por ora, um pouco abaixo de 2%.

“O resultado do terceiro trimestre não significa que a economia esteja estagnando”, afirma Salles, do C6 Bank. “Temos de filtrar para ver a tendência e o que ela mostra é uma economia que crescia acima de 3% e deve passar a crescer entre 1,5% e 2%.”

Nos próximos meses, a economia deve ser ajudada por uma séries de estímulos adotados pelo governo. São várias as medidas, como o Programa Reforma Casa Brasil, voltado para a classe média, com crédito habitacional destinado à solução de problemas estruturais e ampliações de residências; o Gás do Povo; e a isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil, que vai começar a valer no ano que vem.

“O primeiro semestre foi forte fiscalmente. Não vimos uma aceleração desse impulso fiscal no terceiro trimestre, mas ele deve começar a acontecer no quarto trimestre”, afirma Natalie.

IstoÉ Dinheiro - SP   05/12/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira (4) que o Brasil registrará, considerando os quatro de mandato do atual governo, a menor inflação da história do país. A afirmação foi feita durante a 6ª reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), mais conhecido como Conselhão.

“A inflação, que é uma preocupação legítima de todo cidadão, em quatro anos, vai ser a menor de toda a história. Será menor do que a do Império; da República; da República Velha; do Estado Novo; do Plano Real. Será a menor de todas”, disse o ministro.

Atualmente, a inflação medida pela Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registra um patamar de 4,5% – considerando os 12 meses terminados em novembro.

Segundo ele, o governo está conseguindo conciliar o melhor de dois mundos: um país com menor desemprego e menor inflação. O Brasil atingiu no último trimestre uma taxa de desemprego de 5,4%. É o menor índice registrado pela série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012.

“Quando você consegue conciliar queda de inflação com queda de desemprego, você tá com menor índice de desconforto de uma sociedade. Estamos conseguindo conciliar isso”, disse Haddad.
Alimentos

Na avaliação do ministro, tanto o Plano Safra como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ajudaram na redução dos índices inflacionários que incidem sobre os alimentos.

“Não é só que a inflação média de todos os produtos que está baixa. Teremos a menor inflação de alimentos, que tanto prejudica o trabalhador de baixa renda. Será a menor da série histórica”, disse ele ao afirmar que o resultado foi obtido em meio a políticas de valorização do salário mínimo.

Haddad lamentou a falta de repercussões sobre os bons resultados econômicos que vêm sendo obtidos pelo atual governo. Citou como exemplo o investimento recorde na infraestrutura que, em 2024, chegou a R$ 261 bilhões – segundo ele, o melhor momento da história, em termos de investimento em infraestrutura.

“A gente não vê isso você ser comentado ou discutido. Quando contamos para o investidor estrangeiro se surpreende. Dizem que ninguém mostra isso. Hoje o mercado acionário está, de novo, batendo recorde. A confiança do trabalhador e do empresário também está batendo recorde”, disse.

Ele lembrou que o dólar está com a menor cotação em muitos meses. “Falavam que o dólar ia chegar a R$ 8, e ele está a R$ 5,30. Fico às vezes perplexo de ver previsões que reiteradamente não se confirmam.”.

“Quando uma previsão não se confirma, é normal. Afinal, é difícil prever as coisas em economia. Mas, às vezes, a mesma pessoa é consultada depois de errar 10 previsões. E ela continua sendo consultada para prever. Por que, então, essa pessoa está sendo consultada com tanta projeção errada, e quem está acertando não é ouvido?”, acrescentou.
Metas fiscais

O ministro também lembrou que o governo é cobrado, de forma recorrente, sobre as metas fiscais. Segundo ele, o déficit fiscal do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será 70% menor do que o do governo anterior; e 60% menor do que o governo que o precedeu.

“Estamos dando total transparência para as contas públicas. Voltamos a respeitar os padrões internacionais. Por isso, somos, hoje o segundo destino de investimento estrangeiro, no mundo”.

Gleisi Hoffmann

Também presente na plenária do Conselhão, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reforçou que a economia do país está crescendo de forma sustentável, “melhorando a vida das pessoas”.

“Este conselho faz parte desse processo, contribuindo com ideias e propostas, como a [relativa à] estratégia de compras públicas sustentáveis, que servirá de base para proposta de decreto presidencial”, disse a ministra.

Segundo ela, este plano buscará estimular a economia e a indústria nacional, de forma a ampliar os processos de inclusão social. Ela citou a proposta do Conselhão, que prevê o registro eletrônico de duplicatas, medida que deverá “eliminar ineficiências e reduzir os riscos de fraude com o objetivo de diminuir o custo do crédito do país”, afirmou Gleisi.
Isenção do IR e jornada 6 por 1

Gleisi Hoffmann aproveitou o encontro para falar sobre os efeitos positivos que a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil causará para o Brasil. “Estamos rompendo uma tradição de privilégios e injustiça que sempre prevaleceu no nosso país”, disse.

“Esse primeiro passo no caminho da justiça tributária é o sinal de que podemos avançar muito mais, conquistando, por exemplo, o fim da escala de trabalho 6 por 1, permitindo melhorar a qualidade de vida da imensa maioria dos trabalhadores e trabalhadoras do nosso país”, acrescentou.

Vice presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin destacou políticas voltadas a diversos setores da economia, entre eles a indústria automobilística. “Diversas montadoras estão retomando ou ampliando sua produção”, disse.

O Estado de S.Paulo - SP   05/12/2025

As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 28,1% em novembro, totalizando US$ 2,662 bilhões no mês passado ante US$ 3,703 bilhões em novembro de 2024. A balança comercial com este parceiro comercial resultou num déficit de US$ 1,17 bilhão no mês passado.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 4, pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). Esta é a quarta queda consecutiva nas vendas aos EUA, após a imposição do tarifaço 50% aplicada pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros.

Já as importações de produtos americanos cresceram 24,5% em novembro em relação ao mesmo mês de 2024 (US$ 3,834 bilhões x US$ 30,78 bilhões).

No ano (de janeiro a novembro de 2025), as exportações caíram 6,7% (US$ 34,204 bilhões x US$ 36,652 bilhões). Nos onze meses de 2025, as compras vindas dos EUA cresceram 12,7%, o equivalente a US$ 42,149 bilhões, ante US$ 37,404 bilhões no mesmo período de 2024. O déficit com os EUA no acumulado do ano é de R$ 7,94 bilhões.

China

As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 41,0% em novembro, somando US$ 8,271 bilhões no mês.

“A China foi o que puxou o movimento de exportação em novembro”, destacou o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão. No ano, as vendas para o país asiático cresceram 4,2%, somando US$ 92,912 bilhões.

Pelo lado das importações, houve alta de 3,1% nas compras vindas da China em outubro (totalizando US$ 5,704 bilhões) e de 12,1% (US$ 65,542 bilhões) de janeiro a novembro.Houve superávit de US$ 2,57 bilhões com o país asiático no mês passado e de US$ 27,37 bilhões no acumulado do ano.
Resultado geral

No total, a balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 5,842 bilhões em novembro de 2025, após saldo positivo de US$ 6,964 bilhões em outubro. O valor foi alcançado com exportações de US$ 28,515 bilhões e importações de US$ 22,673 bilhões.

Em novembro, as exportações registraram alta de 2,4% na comparação com o mesmo mês de 2024, com crescimento de 25,8% em Agropecuária, que somou US$ 1,16 bilhão; queda de 14% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,06 bilhão; e, por fim, crescimento de 3,7% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 570 milhões.

As importações subiram 7,4% em outubro ante o mesmo mês do ano passado, com queda de 5,4% em Agropecuária, que somou US$ 20 milhões; queda de 18,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 210 milhões; e, por fim, crescimento de 9,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 1,79 bilhão.
Acumulado do ano

No ano, o saldo positivo é de US$ 57,839 bilhões, ante US$ 69,540 bilhões no mesmo período de 2024 (redução de 16,8%). Nas exportações, comparado o valor de janeiro a novembro de 2025 (US$ 317,821 bilhões) com o do mesmo período de 2024 (US$ 312,165 bilhões) houve crescimento de 1,8%.

Em relação às importações, também houve crescimento, de 7,2%, entre o valor dos onze primeiros meses de 2025 (US$ 259,983 bilhões) na comparação com o mesmo período de 2024 (US$ 242,624 bilhões).

Veja - SP   05/12/2025

A economia brasileira praticamente ficou parada no terceiro trimestre de 2025. O Produto Interno Bruto avançou apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, informou o IBGE. Em valores correntes, movimentou R$ 3,2 trilhões. A variação, embora positiva, ficou abaixo da expectativa do mercado, que esperava creacimento de 0,2%, e também do desempenho em relação ao segundo trimestre, quando o país havia crescido 0,4%.

Na comparação anual, o desempenho é mais alentador: 1,8% ante o terceiro trimestre de 2024, com um avanço acumulado de 2,7% em 12 meses. Ainda assim, trata-se de uma economia que perde tração. E, nesse cenário de desaceleração, chama atenção o componente que mais evitou um resultado pior: a indústria.

O setor industrial cresceu 1,7% na comparação anual, número expressivo para um segmento historicamente marcado por volatilidade.

O maior destaque, de longe, veio das indústrias extrativas, que registraram expansão de 11,9%. Segundo o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, a forte alta se deve ao aumento da produção de petróleo e gás, impulsionada pelas plataformas do pré-sal, cujo volume e produtividade continuam a reposicionar o Brasil no mapa global de energia. A mineração também surfou a demanda internacional por minerais estratégicos.

A construção civil cresceu 2%, beneficiada por um mercado de trabalho resiliente e pela reativação do Minha Casa Minha Vida, que mantém aquecidas as obras habitacionais. “O setor sofreu com o aperto monetário mais forte, mas, com os incentivos em curso e as medidas planejadas para o próximo ano, tende a exibir novamente uma performance mais favorável”, diz Campos Neto.

A contrapartida veio da indústria de transformação, que recuou 0,6% no período. Segmentos como coque e derivados de petróleo, produtos de metal, bebidas e madeira puxaram a queda. O resultado evidencia o peso das dificuldades enfrentadas pela manufatura brasileira: concorrência intensa com a China, custos pressionados e um ambiente doméstico pouco favorável à escala e à produtividade.

“Mesmo com algum alívio após o tarifaço que impactou o setor no primeiro semestre, a transformação segue em um quadro desafiador”, explica Campos Neto. “Não é um setor com perspectiva de melhora rápida, os obstáculos devem persistir nos próximos meses e até nos próximos anos”, alerta.

Nem mesmo o segmento de eletricidade, gás, água e resíduos escapou: caiu 1%, puxado pelas bandeiras tarifárias vermelhas que vigoraram durante todo o trimestre.

A pujança das atividades extrativas e o fôlego recuperado da construção foram fundamentais para que a indústria, como um todo, sustentasse parte do crescimento nacional.

Infomoney - SP   05/12/2025

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 5,842 bilhões em novembro de 2025, após saldo positivo de US$ 6,964 bilhões em outubro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgados nesta quinta-feira, 4, o valor foi alcançado com exportações de US$ 28,515 bilhões e importações de US$ 22,673 bilhões.

O resultado do último mês veio acima da mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 5 539 bilhões em novembro. As projeções para esta leitura variavam de US$ 4,6 bilhões a US$ 7,010 bilhões.

Em novembro, as exportações registraram alta de 2,4% na comparação com o mesmo mês de 2024, com crescimento de 25,8% em Agropecuária, que somou US$ 1,16 bilhão; queda de 14% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,06 bilhão; e, por fim, crescimento de 3,7% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 570 milhões.
As importações subiram 7,4% em outubro ante o mesmo mês do ano passado, com queda de 5,4% em Agropecuária, que somou US$ 20 milhões; queda de 18,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 210 milhões; e, por fim, crescimento de 9,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 1,79 bilhão.
Acumulado do ano

No ano, o saldo positivo é de US$ 57,839 bilhões, ante US$ 69 540 bilhões no mesmo período de 2024 (redução de 16,8%). Nas exportações, comparado o valor de janeiro a novembro de 2025 (US$ 317,821 bilhões) com o do mesmo período de 2024 (US$ 312 165 bilhões) houve crescimento de 1,8%.

Em relação às importações, também houve crescimento, de 7,2%, entre o valor dos onze primeiros meses de 2025 (US$ 259,983 bilhões) na comparação com o mesmo período de 2024 (US$ 242,624 bilhões).

Infomoney - SP   05/12/2025

As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 41 0% em novembro, somando US$ 8,271 bilhões no mês. “A China foi o que puxou o movimento de exportação em novembro”, destacou o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão. No ano, as vendas para o país asiático cresceram 4,2%, somando US$ 92,912 bilhões.

Pelo lado das importações, houve alta de 3,1% nas compras vindas da China em outubro (totalizando US$ 5,704 bilhões) e de 12,1% (US$ 65,542 bilhões) de janeiro a novembro.

Houve superávit de US$ 2,57 bilhões com o país asiático no mês passado e de US$ 27,37 bilhões no acumulado do ano.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

MINERAÇÃO

Investing - SP   05/12/2025

Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta quinta-feira pela segunda sessão consecutiva, já que o aumento da oferta global pesou sobre o sentimento do mercado.

O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China recuou 0,63%, a 794,5 iuanes (US$112,42) por tonelada.

O minério de ferro de referência para janeiro na Bolsa de Cingapura registrava estabilidade.

A primeira remessa comercial da mina de Simandou, na Guiné, está a caminho da China, marcando uma mudança na oferta global, disseram analistas do ANZ, acrescentando que a mina está pronta para se tornar uma das maiores de minério de ferro do mundo.

As importações de minério de ferro pela Índia subiram este ano para um recorde de seis anos, mais do que dobrando para mais de 10 milhões de toneladas nos primeiros 10 meses de 2025 em relação ao ano anterior.

As compras indianas foram impulsionadas pela demanda das usinas siderúrgicas locais, que recorreram a cargas no exterior para superar a escassez de minério de alta qualidade e tirar proveito dos preços globais mais baixos da matéria-prima de fabricação de aço.

A maior siderúrgica da Alemanha, a Thyssenkrupp Steel Europe , anunciou que havia concordado com o sindicato IG Metall em cortar ou terceirizar 40% de sua força de trabalho e diminuir a capacidade de produção, reduzindo os embarques para 8,7 milhões a 9 milhões de toneladas, dos 11,5 milhões atuais.

Já em relação à China, a expectativa é de que o país mantenha sua atual meta de crescimento econômico anual de cerca de 5% no próximo ano, como parte dos esforços de Pequim para iniciar um novo plano quinquenal com o objetivo de superar os efeitos de uma prolongada retração no mercado imobiliário, da fraca demanda do consumidor, do excesso de capacidade fabril e da queda nos investimentos em infraestrutura.

Revista Mineração - SP   05/12/2025

A Vale se prepara para dar início, a partir de 2026, a um novo ciclo de mineração em Itabira (MG), com previsão de duração de 16 anos, até 2041. O anúncio marca mais uma etapa na longa história da atividade mineral na cidade, que já passou por diferentes fases desde o início da exploração de hematita, passando pela exaustão da histórica mina Cauê, no início deste século.

Segundo o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana, para esse próximo ciclo a empresa fará adequações nas plantas de beneficiamento, inicialmente da usina Cauê – e posteriormente também em uma das usinas de Conceição.

As adequações são necessárias para que sejam realizados novos processos de concentração de minério de ferro de baixo teor no Complexo Minerador de Itabira até a exaustão das atuais reservas medidas, prevista para 2041.

Para isso, já no segundo semestre de 2026, a usina Cauê entrará em fase de “hibernação” para reformas e modernização. Durante esse período, a produção local será concentrada nas duas usinas de Conceição.

Com isso, a arrecadação municipal não sofrerá queda, afirma o presidente do Metabase, que também representa os trabalhadores no Conselho de Administração da Vale. “Com a produção sendo mantida na média concentrada nas duas plantas de Conceição, mantém-se no mesmo patamar atual a arrecadação com a Cfem”, informa o sindicalista.

Pela mesma razão, diz, será mantido também o índice VAF (Valor Adicionado Fiscal) do município, apurado pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, com base no qual é feito o rateio do ICMS entre os municípios mineiros.
Desafios técnicos

Ainda de acordo com André Viana, a usina Cauê enfrenta limitações por ser uma planta fora dos padrões atuais, com desafios relacionados à reutilização de água, necessidade de reagentes e gestão de rejeitos.

“A Vale já estuda e viabiliza soluções como o empilhamento a seco e novas formas de disposição de estéril, além de adequações em barragens e cavas. Esses ajustes são considerados fundamentais para assegurar a qualidade do minério e a sustentabilidade do processo produtivo no complexo de Itabira”, explica.
Compromisso com os trabalhadores

Em reunião realizada na última segunda-feira (01/12) entre o Sindicato Metabase e a diretoria operacional da Vale em Itabira, a empresa se comprometeu a manter os postos de trabalho durante o processo de adequação.

Para o seu cumprimento, segundo Viana, haverá fiscalização mensal para garantir que não haja aumento no número de demissões, exceto em casos de justa causa, desligamentos voluntários e aposentadorias.

Ele explica que será respeitada a estabilidade do chamado turnover, indicador que mede a relação entre admissões e demissões. Entre os pontos defendidos pelo sindicato para a manutenção dos empregos está a realocação de trabalhadores para outras áreas operacionais em Itabira, seja em estruturas do próprio complexo Cauê (oficinas de manutenção ou mesmo no serviço de adequação), como também em transferências para o complexo Conceição.

Money Times - SP   05/12/2025

O CEO da Rio Tinto, Simon Trott, apresentou nesta quinta-feira um plano para se concentrar em desinvestimentos e crescimento da produtividade, enquanto toma medidas para simplificar a estrutura da maior mineradora de minério de ferro do mundo.

Investidores vinham aguardando detalhes desde que a Rio Tinto anunciou, em agosto, que simplificaria seus negócios de quatro para três unidades principais e se concentraria em ativos lucrativos. Entre os ativos que estão à venda, estão os negócios de titânio e boratos da Rio.

A Rio Tinto realizou uma análise minuciosa de seus ativos globais e identificou alguns que não precisa manter sob sua propriedade, disse Trott em uma entrevista coletiva.

“Em cada um de nossos três grupos de produtos: cobre, alumínio, lítio e minério de ferro, temos projetos de crescimento realmente bons e eles precisam competir por capital, de modo que escolhemos o melhor deles, ao mesmo tempo em que nos certificamos de manter nossos ativos existentes”, disse ele.

A Rio Tinto identificou entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões que poderia gerar por meio de desinvestimentos e outras medidas, incluindo terrenos, infraestrutura e ativos de mineração e processamento, para os quais também está explorando opções de parceria comercial, disse a mineradora em um comunicado.

A empresa também disse que haveria um corte de 4% nos custos unitários de 2024 a 2030.
Disciplina de capital

A Rio Tinto anunciou US$ 650 milhões em ganhos de produtividade e economia de custos anualizados, com US$ 370 milhões já realizados e o restante a ser entregue no primeiro trimestre. Trott disse que o valor incluía reduções de pessoal, mas não quis detalhar quantos empregos seriam cortados.

A Rio também disse que a disciplina de capital, o aumento dos preços das commodities de seu portfólio e o crescimento de 20% na produção de cobre poderiam ajudar a aumentar seus lucros em até metade até o fim da década.

A mineradora também aumentou a previsão de produção de cobre para 2025, citando o aumento das operações no projeto Oyu Tolgoi, na Mongólia.

A Rio disse que agora espera que a produção de cobre deste ano fique entre 860.000 e 875.000 toneladas em base consolidada, em comparação com a previsão anterior de 780.000 a 850.000 toneladas. Para 2026, a expectativa é de uma produção de cobre entre 800.000 e 870.000 toneladas.

Embora os lucros da Rio Tinto venham principalmente do minério de ferro, a mineradora está mudando o foco para o cobre, com o objetivo de produzir 1 milhão de toneladas de cobre por ano até 2030.

Os preços do cobre atingiram níveis recordes e espera-se que a demanda pela commodity continue em alta conforme o mundo adota formas mais ecológicas de energia.

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   05/12/2025

Nos anos 1990, o Ceará passou a abrigar uma das poucas montadoras de origem brasileira que tiveram alguma longevidade, a Troller. A marca especializada em utilitários esportivos passou por muitos percalços até ser encerrada em 2021. Agora, a produção de carros na região renasce com a Pace - Planta Automotiva do Ceará, uma fabricante de veículos brasileira que vai atuar com o licenciamento da fabricação de veículos para várias marcas.

O início oficial do negócio aconteceu na quarta-feira, 3, quando a empresa iniciou a montagem do Chevrolet Spark e a anunciou que fará a Captiva EV partir de 2026. Os carros elétricos saem da linha de montagem instalada em Horizonte, na mesmíssima fábrica que antes fazia os fora de estrada da Troller. “Transformamos uma fábrica de carros a combustão em uma planta de veículos sustentáveis”, reforçou Rodrigo Teixeira, presidente da Pace, na cerimônia de inauguração.
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O empreendimento pertence à Comexport, empresa de comércio exterior com grande atuação no setor automotivo, responsável pela importação de grande parte dos carros feitos em outros países e vendidos no Brasil. “Eles são muito bons em estratégia logística e tributária. Por isso, a Pace é um negócio que já começa competitivo”, disse fonte próxima ao empreendimento.

Com investimento inicial de R$ 400 milhões, a fábrica começa ao ritmo de produção de 10 mil carros por ano, mas com capacidade para fazer 80 mil veículos. “Antes, a Troller fazia pouco mais de mil veículos por ano”, destaca Teixeira.

O executivo diz que o plano ali é gerar tecnologia. Para isso, promete investimento de R$ 500 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos.

Além da GM, Pace negocia com outras marcas

O negócio começou com a montagem dos carros da General Motors, mas não deve parar por aí. “Não posso falar nomes, mas temos outras empresas em negociação e um acordo já fechado para 2026”, revelou Teixeira, sem detalhar nomes.

Um empreendimento como a Pace tem enorme atratividade para as novas marcas que estão chegando ao Brasil. Muitas chinesas têm interesse em fazer carros localmente, mas talvez não tenham interesse em fazer um investimento tão alto logo de largada. Nesse caso, licenciar a montagem de carros para uma fabricante multimarcas como a Pace seria uma solução atrativa.
Incentivos fiscais para a produção de carros no Ceará

A Pace fica longe do maior mercado consumidor de veículos do país, o Sudeste. A empresa também enfrenta maior custo logístico com fornecedores de componentes e tecnologias, que são raros no estado do Ceará. Para compensar, a companhia opera com incentivos fiscais que tornam o empreendimento competitivo.

O Estado se enquadra no Regime Automotivo do Nordeste, que traz redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Isso não é o suficiente para o preço do carro ficar mais baixo, mas é o bastante para a gente conseguir trazer a produção automotiva para o Ceará de forma competitiva”, diz Teixeira.

A meta é fazer ali carros para exportação, com alto índice de conteúdo local. Por enquanto, a fábrica parece longe disso, sem processos produtivos relevantes realizados ali, mas o presidente da Pace promete que isso vai mudar em breve: “Temos compromisso com a produção local e a geração de empregos. Vamos contribuir com a reindustrialização do país”, diz.

CONSTRUÇÃO CIVIL

CNN Brasil - SP   05/12/2025

Diferentemente da economia nacional como um todo, que registrou uma modesta alta de 0,1% no terceiro trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) da indústria da construção avançou 1,3% na comparação com o trimestre anterior.

Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (4).

O PIB consolidado da indústria cresceu 0,8%, resultado puxado pelas indústrias extrativas (1,7%) e pela construção (1,3%).

Já a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos caiu 1,0%.
PIB do trimestre

O PIB do terceiro trimestre do ano cresceu 0,1% na comparação com o segundo trimestre. Anteriormente, a alta registrada havia sido de 0,4%. O resultado ficou levemente abaixo da expectativa do mercado, que era de variação de 0,2%.

O governo explica que o setor de serviços, que tem grande peso na economia, registrou desaceleração, de 0,3% para 0,1%, o que contribuiu para o fraco desempenho do PIB no 3º trimestre

Ao todo, o PIB do terceiro trimestre totalizou R$ 3,2 trilhões, sendo R$ 2,7 trilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 449,3 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Na comparação com o mesmo período de 2024, o PIB cresceu 1,8%. A expectativa era de alta de 1,7%.

O resultado é explicado pela revisão para cima dos dois primeiros trimestres do ano. Enquanto o PIB do primeiro tri foi de 2,9% para 3,1%, o PIB do segundo passou de 2,2% para 2,4%. O agro teve forte impacto nas revisões.

O Estado de S.Paulo - SP   05/12/2025

A Plano&Plano - uma das maiores construtoras do Minha Casa Minha Vida e que tem a Cyrela como sócia - está estudando ir além da região metropolitana de São Paulo, onde concentra seus lançamento e vendas. A Broadcast apurou que a companhia está estudando entrar na cidade de Goiânia. Equipes de engenheiros já foram enviadas para o Centro-Oeste e analisam projetos e terrenos, com vistas a aproveitar o crescimento da economia local e a demanda por moradias populares, puxada pelo agronegócio.

Goiânia não é a única cidade em estudo. Há outras regiões de interesse que estão na prancheta, disseram fontes. Mas, por ora, a construtora ainda não bateu o martelo sobre adentrar em novas cidades, algo que exige um volume grande de lançamentos e vendas para diluir as despesas adicionais. “A Plano&Plano segue atenta a todas as oportunidades de mercado em regiões estratégicas. No momento, a companhia não tem projetos em mercados fora do estado de São Paulo, onde tem uma presença consolidada”, informou a empresa, em nota.
Empresa espera bater recorde no quarto trimestre

Em São Paulo, a Plano&Plano espera atingir recorde de vendas neste quarto trimestre, impulsionada pelas condições mais favoráveis de compra dentro do Minha Casa Minha Vida. Além disso, a empresa prevê geração de caixa positiva ao longo dos meses, mantendo a dívida líquida perto de zero - o que lhe dá condições de pensar na expansão das operações.

De janeiro a setembro, a Plano&Plano lançou 17 empreendimentos imobiliários, que são avaliados em R$ 4,18 bilhões, 73% mais do que no mesmo período do ano passado. Por sua vez, as vendas líquidas foram de R$ 2,47 bilhões, estáveis na comparação anual.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 04/12/2025, às 12:04

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FERROVIÁRIO

Valor - SP   05/12/2025

Trem que vai ligar terminais do Rio e do Espírito Santo se conectará à Ferrovia Vitória-Minas e à Malha do Sudeste

Uma nova ferrovia com até 575 km de extensão, ligando portos fluminenses e capixabas à Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) e à Malha Ferroviária do Sudeste (MRS), pode mudar a lógica da cadeia de insumos agrícolas no Brasil e criar uma nova rota de escoamento de parte da safra brasileira.

Com leilão previsto para junho, a Estrada de Ferro 118 (EF-118), também chamada de Anel Ferroviário do Sudeste, deve ligar Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES), ponto estratégico para a ligação com a EFVM. Na primeira fase, prevista para ser concluída em 2035, serão implantados 246 km de trilhos de São João da Barra (RJ), onde fica o Porto do Açu, a Santa Leopoldina. A segunda etapa, entre São João da Barra e Nova Iguaçu, será avaliada após o início da concessão da fase anterior.

Os investimentos iniciais, entre recursos públicos e privados, estão estimados em R$ 6,6 bilhões. A previsão de demanda é 24 milhões de toneladas ao ano, entre carga geral, granéis líquidos (como produtos químicos e derivados de petróleo), sólidos agrícolas e minérios. “Também viabiliza fertilizantes entrando e grãos saindo, reduzindo fretes de retorno vazios [para as regiões produtoras] e aumentando a eficiência do sistema”, afirma João Braz, diretor de logística e terminais do Porto do Açu. Avaliação semelhante faz Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Para a sócia-líder do setor de infraestrutura da KPMG no Brasil, Tatiana Gruenbaum, a via diminuirá gargalos rodoviários do Sudeste e o efeito funil em estradas e portos como Santos e Paranaguá (PR), além de criar potencial diversificação para o perfil logístico do Rio e do Espírito Santo: “Os portos capixabas, hoje mais voltados a minérios, também podem ficar atraentes para o agronegócio”.

O Porto Central, em Presidente Kennedy (ES), cuja operação está prevista para 2027, poderá atender granéis, fertilizantes, minerais, grãos, contêineres, cargas gerais, gás natural, apoio offshore e a estaleiros. Será implantado em fases - a primeira inclui um terminal de granéis líquidos de águas profundas, voltado ao transbordo de petróleo entre navios -, conforme a demanda. Outro porto que pode ser beneficiado é o de Ubu, em Anchieta (ES), operado pela Samarco.

Braz estima que a nova ferrovia reequilibrará o sistema portuário, reduzindo custos de transporte e aumentando a competitividade ao conectar os portos a Minas Gerais e ao Centro-Oeste, duas das principais regiões produtoras de commodities do país. O porto e as empresas instaladas no Complexo do Açu estão investindo em aumento de capacidade em função das expectativas com o Anel do Sudeste. Há terminais sendo expandidos, outros em construção, e uma misturadora de fertilizantes que deve começar a operar no próximo trimestre.

Petro Notícias - SP   05/12/2025

As obras da construção da Ferrovia Estadual Vicente Vuolo registraram novo avanço com a conclusão de 83 quilômetros de plataforma, além de 55 quilômetros já trilhados. A informação é do Consórcio Construtor FLRV, do qual a MTsul Construções faz parte. O empreendimento é atualmente a maior obra férrea em execução no Brasil e contará com cerca de 740 quilômetros de extensão quando concluído. As obras iniciadas em 2022 têm previsão da conclusão para 2030. Projetada para ligar Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, a ferrovia integra regiões de elevada produção agrícola e deve alterar de forma significativa o escoamento de cargas. A operação plena da linha permitirá maior velocidade no transporte até o Porto de Santos e tende a reduzir custos logísticos, ampliando a competitividade de Mato Grosso no mercado internacional.

O CEO da Mtsul Construções, Márcio Bozetti, lembra que o traçado alcança áreas centrais do estado, onde se concentram grandes volumes de grãos destinados à exportação. A ferrovia representa uma alternativa de transporte mais eficiente, com impacto direto na expansão econômica regional, especialmente ao setor produtivo. “A etapa concluída foi executada dentro dos padrões técnicos previstos e essa Ferrovia Estadual vai contribuir para aprimorar a infraestrutura logística e a capacidade de transporte da cadeia agrícola de Mato Grosso.“

Valor - SP   05/12/2025

Trechos sem uso da Ferrovia Centro-Atlântica vão abrir série de certames inéditos

Já há data marcada para o primeiro leilão de concessões ferroviárias de 2026: em 26 de abril, o chamado Corredor Minas-Rio vai inaugurar a série de pregões da 1ª Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, cujo planejamento foi anunciado pelo Ministério dos Transportes no final de novembro. Partes do trecho, que liga Varginha (MG) a Angra dos Reis (RJ) e sob atual concessão da VLI, estão ociosos. O certame será feito por chamamento público, cujo edital será publicado em 26 de janeiro - dispensando, portanto, um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo.

O Corredor Minas-Rio tem dois ramais estratégicos. O primeiro é a ligação de 130 km entre Varginha e Lavras (MG), com intuito de facilitar o escoamento do café da região sul de Minas e auxiliar no transporte urbano inter-regional. A outra linha, com 610 km, fica entre Arcos (MG), Barra Mansa e Angra dos Reis, essas últimas no Rio de Janeiro. A ideia é escoar a produção siderúrgica e de calcário por esse trecho, que ainda abriga potencial de se tornar um eixo ferroviário turístico.

Antes do lançamento do programa federal, estudos do ministério apontavam para pouco movimento ou ociosidade nos trilhos do corredor que, na percepção da pasta, são estratégicos para estimular o escoamento de cargas e o desenvolvimento local. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve publicar o edital com a proposta até 26 de janeiro. Embora não precise de aval do TCU, a corte deve acompanhar todo o processo.

O governo não fixou valor mínimo de propostas para os trechos do corredor, e também não prevê aporte de dinheiro público. Quem vencer o leilão terá liberdade para apresentar um planejamento de investimentos na concessão, cujo período é de 99 anos. O valor simbólico da outorga foi estabelecido em R$ 1. Caso haja mais de um interessado, vence quem oferecer o maior valor.

Ainda será leiloado, no ano que vem, o Anel Ferroviário do Sudeste, entre Nova Iguaçu (RJ) e Santa Leopoldina (ES) e conectando portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Ao todo, o Ministério dos Transportes prevê oito leilões de ferrovias, que abrangem mais de 9 mil km. O plano do governo é permitir a emissão de debêntures de infraestrutura e incentivos fiscais para as concessões.

A pasta também está prestes a fechar acordo com a VLI, que opera a Ferrovia Centro-Atlântica, para renovação antecipada da concessão, que vai expirar em julho de 2026. A ideia é que a operadora invista R$ 28 bilhões na construção e melhoria de mais de 4 mil km de trilhos. Outros 3 mil devem ser devolvidos à União - entre eles, o Minas-Rio. O edital do trecho será ofertado a companhias interessadas em cinco modalidades, sendo o primeiro lote oferecendo todo o corredor. Outros lotes segmentados por trechos vão se abrir somente caso não haja interessados nas ofertas anteriores.

Valor - SP   05/12/2025

Previsto para abril do ano que vem, certame da Malha Oeste contempla obras no Ferroanel

Os investimentos previstos no leilão da Malha Oeste, ferrovia que liga Corumbá (MS) a Mairinque (SP), devem desafogar o fluxo de trens da Grande São Paulo. A concessão da via, com leilão programado para julho, incluirá a construção do Ferroanel de São Paulo, cujo objetivo é desviar o transporte de locomotivas de cargas que hoje atravessam a área urbana e liberar espaço para trens de passageiros da região metropolitana. Hoje, os dois fluxos dividem os mesmos trilhos.

A nova estrada de ferro, um trajeto de cerca de 53 km entre Perus e Itaquaquecetuba, foi incluída a fim de atrair investidores estrangeiros para o projeto da Malha Oeste, que prevê aportes de R$ 89,2 bilhões ao longo de 57 anos. O Ferroanel possibilitará a integração ferroviária do Centro-Oeste a outras malhas férreas e a portos importantes da Região Sudeste - o de Santos, litoral paulista, e os do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

A ideia é estabelecer um corredor logístico capaz de transportar 52,5 milhões de toneladas de produtos por ano. Estudos do Ministério dos Transportes apontaram o crescimento da produção mineral e de celulose na região que podem ser escoados pela Malha Oeste, além de produtos agropecuários, carga geral e combustíveis.

Na cartela de montantes previstos, R$ 37,5 bilhões serão destinados para infraestrutura - parte dela já foi erigida durante a construção do Rodoanel, quando foram erguidas travessias e pontes para receber o contorno ferroviário -, como edificações, equipamentos e trilhos; outros R$ 53,5 bilhões serão destinados à manutenção e insumos.

A nova concessionária que assumir o trecho deverá contar com até 80% de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em um período de pagamento de 34 anos. As diretrizes estão sob negociação com o ministério. O licenciamento ambiental também será antecipado pela União, a fim de reduzir etapas para o leilão.

Um dos maiores corredores de cargas do país durante décadas, a Malha Oeste foi se deteriorando nos últimos anos. Em 2021, a Rumo Logística, atual concessionária, chegou a pedir a devolução antecipada da ferrovia à União. Desde então, o processo de relicitação caminhava lentamente sob agravamento da infraestrutura, com sucateamento de trilhos, estações abandonadas e desativação de ramais. A situação levou a Rumo a perder o direito de preferência no certame.

Em nota, a Rumo informou que a Malha Oeste apresentou desequilíbrio econômico-financeiro estrutural desde os primeiros anos da concessão, comprometendo sua viabilidade econômica e operacional, e que a situação foi reconhecida pelo Judiciário. O processo de encerramento amigável do contrato está em andamento. “A empresa reafirma que seguirá cumprindo integralmente todas as obrigações contratuais de manutenção e operação da Malha Oeste até o término da concessão, previsto para julho de 2026”, informou.

Para os Transportes, a situação atual da ferrovia é praticamente não-operacional em função de sua baixa manutenção, mas conta com “significativa demanda reprimida que poderá ser destravada com sua recapacitação".

“Ferrovia é um fenômeno econômico: reduz custo marginal, barateia frete, integra cadeias de produção”, argumentou Leonardo Ribeiro, secretário Nacional de Transporte Ferroviário, durante o lançamento da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, na semana passada. O plano prevê oito leilões de ferrovias no Brasil, que somam mais de 9 mil km de trilhos. A projeção de investimentos com os pregões é de R$ 140 bilhões, além de R$ 600 bilhões injetados na malha férrea nacional.

Valor - SP   05/12/2025

Projetos somam quase 40 km à rede de transporte público municipal

Belo Horizonte tem investido na ampliação de sua rede de transporte coletivo, como as obras já iniciadas da linha 2 do metrô e o novo corredor de BRT a ser construído na avenida Amazonas, uma das principais da cidade, ainda em fase de planejamento. O projeto prevê a construção de mais de 24 km de faixas exclusivas e 15,2 km de outros tratamentos, como áreas de pedestres e melhorias nos baixios de viadutos.

Tanto a ampliação do metrô, com pouco mais de 10 km e potencial de transportar 270 mil passageiros diariamente, quanto o novo BRT serão importantes na superação de alguns dos desafios de mobilidade da capital mineira, especialmente para a população mais vulnerável, que mora distante do centro da cidade.

As iniciativas, no entanto, ainda estão longe de contemplar as necessidades considerando as projeções de crescimento da cidade. O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com a colaboração do Ministério das Cidades, avalia que a malha de transporte público na região metropolitana da capital mineira precisa mais que triplicar, dos atuais 84 km para 314 km, para atender a demanda futura até 2054.

“Ainda existe uma lacuna grande de investimento para ampliação da oferta de infraestrutura de transporte coletivo na capital e na região metropolitana”, diz o engenheiro Iuri Moura, gerente de desenvolvimento urbano do Instituto de Política de Transporte & Desenvolvimento (IPTD). Mesmo assim, ele destaca que o BRT é importante pelo seu potencial para atender municípios vizinhos, principalmente Contagem e Betim. “O corredor é super estratégico para a ligação do centro de Belo Horizonte com a região metropolitana”, diz.

Vitória

Em Vitória (ES), o Plano Municipal de Mobilidade está em fase de conclusão de projeto. Segundo a prefeitura, foi feita a contagem de veículos em pontos da capital e um inventário das vias do município e da percepção da população sobre mobilidade e seus deslocamentos nos diversos modais para chegar a um diagnóstico. As principais demandas que serão apresentadas até o fim do ano.

Rodoviário

Valor - SP   05/12/2025

Menos de um quarto das estradas do Sudeste sob gestão pública têm boa qualidade

O Sudeste é a região que mais movimenta cargas no país. Saem de lá, para outros Estados, 45% de tudo o que roda nas estradas brasileiras. Na mão inversa, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo são o destino de 34% da produção nacional que parte de outras regiões, segundo estimativas do Plano Nacional de Logística, do governo federal. Mas nem tudo circula em rodovias de qualidade. A última Pesquisa CNT de Rodovias classificou como ótimas ou boas só 22,7% das pistas sudestinas que estão sob gestão pública. Um terço tem qualidade ruim ou péssima e 43,7%, regular. A expectativa, porém, é que esse cenário melhore diante das quatro concessões previstas para até o fim de 2026.

Os certames federais devem atrair R$ 123 bilhões em investimentos. No âmbito estadual, apenas o governo paulista projeta mais de R$ 51 bilhões em aportes nos lotes concedidos e em fase de leilão dentro do Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP). O objetivo do governo paulista é integrar rotas e fortalecer novos corredores logísticos e de serviços para fomentar o escoamento da produção industrial e agrícola de São Paulo para outros Estados.

Já as melhorias em rodovias do Espírito Santo e do Rio de Janeiro se darão apenas por meio de parcerias com o governo federal. Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, pistas sob gestão privada são superiores às sob gestão pública. Entre as concedidas, 63,1% têm condições ótimas ou boas, 30,8% são regulares e apenas 6,1% são consideradas péssimas ou ruins.

“Parece que o Brasil aprendeu a desenvolver o setor rodoviário melhor. Nos últimos anos, esse aparato de PPPs [parcerias público-privadas] e concessões permitiu o aumento da participação das empresas e aí, enfim, a gente está conseguindo fazer bons leilões e ampliar a participação da iniciativa privada”, afirma Rafael Martins de Souza, pesquisador do FGV Ceri e professor associado de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“Algumas obras que destacamos como importantes no estudo Panorama da Infraestrutura do Sudeste, inclusive, foram tratadas pelas concessões, como a otimização da Fernão Dias [que liga Belo Horizonte a São Paulo]”, destaca Paula Bogossian, analista de infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “O fato de o governo ter conseguido atrair interessados nas propostas demonstra que o mercado viu uma demanda alta pela logística”, afirma Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura, Supply Chain e Logística da Fundação Dom Cabral .

Com prazos que variam de 15 a 30 anos, as obras devem se concentrar na recomposição da malha viária, na duplicação ou triplicação de faixas e na construção de vias marginais para aumentar o fluxo próximo às cidades. A concessão do trecho da Fernão Dias entre a capital mineira e Governador Valadares (MG), por exemplo, contempla 27,83 km de duplicação de obras remanescentes e mais 106,44 km de duplicação de novos trechos, além da implantação de 83 km de faixas adicionais e 9,7 km de vias marginais. O contrato prevê investimentos de R$ 9,2 bilhões.

A maior parte dos leilões federais está focada em estradas de Minas Gerais que se conectam a Estados vizinhos - caso da Fernão Dias, que chega a São Paulo, por um lado, e otimiza a ligação, via Governador Valadares, ao Espírito Santo, de outro. A BR-040 terá um trecho com melhorias na Rota dos Cristais, que liga Belo Horizonte à Cristalina (GO), e outro facilitando a viagem entre Juiz de Fora (MG) e o Rio de Janeiro.

“O Estado funciona como um elo central entre diferentes regiões do país, e as obras reforçam rotas utilizadas pelos setores de mineração, agronegócio e indústria”, diz Jorge Bastos, diretor-presidente da Infra S.A., empresa pública responsável pelos estudos de viabilidade das licitações, sobre a prioridade dada a Minas Gerais. “Com trechos modernizados e maior capacidade operacional, a região passa a contar com corredores mais integrados e preparados para atender ao aumento da demanda projetado para as próximas décadas”.

Na avaliação dele, a estratégia também permitirá reduzir custos e elevar a eficiência dos fluxos. O executivo avalia que a coordenação das concessões com Estados do entorno irá ampliar alternativas de escoamento e permitir que fluxos antes fragmentados passem a operar de forma contínua ao longo de corredores estratégicos.

Há outras conexões interestaduais. Foi feita a otimização da concessão (mecanismo para reestruturar contratos que enfrentavam problemas) da BR-101 no Rio de Janeiro que vai de Niterói até a divisa com o Espírito Santo, e há planos para otimizar 383 km da Raposo Tavares (BR-116), rodovia que liga São Paulo a Curitiba.

Bastos destaca que as concessões foram pensadas “a fim de evitar gargalos” e que os investimentos “ampliam a integração logística” ao criar conexões mais eficientes entre zonas industriais, polos produtivos, portos, aeroportos e outras rodovias estruturantes. “Quando diferentes modais atuam de forma coordenada, é possível garantir eficiência em toda a rede logística”, diz.

Apesar dos avanços, Souza, do FGV Ceri, avalia que eles ainda não são suficientes para suprir o déficit logístico. “O Brasil deveria estar investindo em alguma coisa entre 4% e 5% do PIB, mas está investindo em torno de 2% ao ano para ampliar a infraestrutura”, diz. Bogossian, da CNI, concorda. “Infraestrutura tem que ser pensada a longo prazo, como programa de Estado. Não adianta um governo investir muito e outro investir pouco. O investimento precisa ser constante.”

A analista lembra que a logística brasileira ainda é muito dependente de rodovias - 65% do transporte de cargas é feito nas estradas, segundo dados oficiais - e que falta atenção para ferrovias e integração com outros modais. Ela explica que, hoje, um caminhão percorre, em média, 2.000 km entre um ponto e outro, quando o ideal seria que os veículos fizessem trajetos de 400 km de distância.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   05/12/2025

O processo de licitação para construir um novo terminal de contêineres na área do Porto de Santos, com investimento de mais de R$ 6 bilhões e capacidade para movimentar 3,5 milhões de TEUs (Unidade Equivalente a 20 pés ou 6 m) por ano, é alvo de divergências em relação a seu formato, que foi definido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e em discussão, para receber o aval, no Tribunal de Contas da União (TCU), A agência desenhou uma licitação em duas etapas, com alegação de reduzir a concentração no porto. Isso já está em contestação na Justiça.

Pela modelagem prevista pela Antaq, na primeira fase ficam de fora os grupos que já atuam no porto santista — as gigantes Maersk e MSC (donas do BTP), CMA-CMG (que comprou a Santos Brasil) e a DPW World. Esses grupos, chamados incumbentes, alegam que esse sistema favorece grupos sem tradição no negócio ou sem grande experiência e, ao mesmo tempo, enfraquece a disputa, gerando uma baixa outorga aos cofres da União. Pelas regras, os incumbentes só poderão participar se não houver interessados na primeira fase, o que não se prevê.

O TCU, formado por nove conselheiros, iniciou a análise da proposta de licitação e iniciou a votação, paralisada por pedido de vista de um conselheiro. O Ministério de Portos e Aeroportos deve seguir a decisão da Corte.

O Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), entidade que representa 19 empresas de navegação responsáveis por cerca de 97% da movimentação de contêineres no comércio exterior brasileiro, critica, em nota, a proposta de restrição de participantes no leilão do Tecon 10, futuro terminal de contêineres de Santos. A manifestação conjunta, sem precedente recente no setor, foi obtida com exclusividade pela Estadão/Broadcast.

Para o Centronave, o voto divergente apresentado pelo relator revisor no TCU, ministro Bruno Dantas, desvirtua o debate, ignora um conjunto de técnicos e, por fim, pune o setor. O julgamento em curso no TCU foi suspenso por pedido de vista e está previsto para ser retomado na próxima semana. O que se discute é a possibilidade de os atuais operadores do Porto de Santos participarem do leilão do novo terminal.

Em linha com o projeto elaborado pela Antaq, o relator revisor afirmou ver risco de concentração de mercado e, indo além, propõe que empresas de navegação, além de operadores de terminais, fiquem de fora da disputa.

O voto de Dantas tende a formar maioria, conforme mostrou a Estadão/Broadcast. Porém, vai na contramão das análises técnicas elaboradas pelo Ministério da Fazenda, pela equipe técnica do próprio TCU e pelo Ministério Público junto ao TCU. Todos afirmam que não há razões para restringir a participação de quaisquer interessados.

“Restringir a participação de quem quer investir, sob a premissa de um risco concorrencial que a própria unidade instrutora do TCU (AudPortoFerrovia), o Ministério Público junto ao TCU, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Antaq (Nota Técnica nº 51/2025/GRP/SRG) já descartaram tecnicamente, é punir a solução em vez de atacar o problema”, afirma o Centronave. E acrescenta: “A análise do Voto Revisor mostra-se completamente inadequada. Não há fundamento para alegar barreiras ‘quase intransponíveis’ à entrada de operadores independentes, tampouco para impor restrições concorrenciais futuras.”

Crise logística

A entidade afirma que o setor opera em ambiente de “grande competição”, citando a presença de diversas companhias internacionais e nacionais que disputam carga diariamente no complexo santista. O Centronave sustenta que acordos operacionais entre empresas, comuns no setor, são mecanismos reconhecidos por autoridades de defesa da concorrência no Brasil e no exterior e visam eficiência física e redução de custos, e não práticas anticompetitivas.

Em outro ponto, a nota refuta a tese de que a omissão de escalas em Santos teria sido usada como estratégia comercial de armadores verticalizados para manipular oferta ou pressionar o mercado. O setor afirma que essa interpretação é “falaciosa” e que a omissão de escala decorre exclusivamente da falta de infraestrutura e de filas de espera que chegam a até quatro dias, incompatíveis com a programação global dos navios.

Dessa forma, argumenta que manter o navio parado significa prejuízo diário que pode superar US$ 100 mil. Ao classificar a omissão como “ato de desespero operacional”, a entidade compara a situação a culpar o piloto quando um aeroporto fecha por falta de pista.

O Centronave também rejeita a alegação de que a verticalização gera fechamento de mercado. Como exemplo, menciona a aprovação sem restrições da aquisição da Santos Brasil por empresa do grupo CMA CGM, após análise profunda dos riscos verticais. A entidade afirma que terminais verticalizados, ao contrário do que sugerem as críticas, dependem de captar carga de terceiros para viabilizar sua operação e, por isso, têm interesse direto na fluidez do sistema.

A nota atribui a atual crise logística em Santos, marcada por filas de navios, omissões de escala e perdas bilionárias, exclusivamente ao déficit de infraestrutura. O documento lembra que o Porto de Santos opera com taxas de ocupação acima de 90%, muito acima do limite de eficiência recomendado pela OCDE, de aproximadamente 65%.

E aponta que não há expansão significativa de cais há mais de uma década, enquanto os navios cresceram em tamanho e a demanda aumentou. Segundo a entidade, o custo anual do tempo de espera dos navios é estimado em R$ 1,6 bilhão e o País deixa de exportar US$ 20,6 bilhões por falta de capacidade.
Prejuízos

Para o Centronave, restringir a participação de armadores no leilão do Tecon 10 reduzirá a concorrência pelo ativo, diminuirá o valor de outorga, afastará capital privado — nacional e estrangeiro — e não resolverá os riscos de concentração, que seriam “hipotéticos”. A entidade argumenta que o País precisa atrair investimentos para expandir berços e cais e afirma que operadores independentes podem, inclusive, ter incentivos desalinhados para ampliar a infraestrutura, lucrando com a escassez atual.

O documento conclui que o verdadeiro problema do sistema portuário brasileiro não está na estrutura de mercado, mas na insuficiência de infraestrutura. A Centronave reforça que os armadores são “os primeiros a sofrer” com a ineficiência portuária e os maiores interessados em sua solução. A entidade afirma que restringir quem deseja investir, com base em um risco concorrencial já descartado por análises técnicas, significa punir potenciais soluções para uma crise que se arrasta há anos.

“O Brasil não precisa de menos concorrentes; precisa de mais berços, mais cais e mais obras. Acreditamos que a segurança jurídica é o caminho seguro para que o Porto de Santos e os portos brasileiros retomem sua trajetória de crescimento, reduzindo o Custo Brasil e servindo ao interesse público”, afirma a entidade.

O leilão do Tecon 10 é considerado estratégico por prever R$ 6,45 bilhões em investimentos e ampliar de forma significativa a capacidade do Porto de Santos, responsável por cerca de 30% do comércio exterior brasileiro. A decisão final poderá redefinir o modelo concorrencial para o maior terminal de contêineres projetado no País.

Diário do Comércio - MG   05/12/2025

O Porto Sudeste e a Mineração Morro do Ipê, que pertencem à gestora de investimentos Mubadala e à trader de commodities Trafigura, devem ser vendidas por US$ 5 bilhões.

Estratégico para Minas Gerais, o terminal portuário, localizado em Itaguaí, no Rio de Janeiro, escoa boa parte do minério de ferro produzido no Estado. A empresa mineira produz, anualmente, mais de 3 milhões de toneladas de pellet feed em um complexo situado entre Brumadinho, Igarapé e São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), com capacidade para produzir um volume três vezes maior.

O processo competitivo para a venda dos ativos foi lançado recentemente no mercado para interessados analisarem os números. O próximo passo é a entrega de propostas não vinculantes, prevista para ocorrer no primeiro trimestre de 2026. O negócio pode envolver o porto e a mineradora em conjunto ou de forma separada.

Os empreendimentos podem interessar aos chineses, aos fundos internacionais de infraestrutura, como o australiano Macquarie, aos investidores de Dubai e até a Vale.

As informações foram publicadas inicialmente na Broadcast+, da Agência Estado, e confirmadas por fontes do mercado ao Diário do Comércio.

Contratados pelas proprietárias, os bancos UBS BB, Goldman Sachs e Bradesco BBI conduzem o processo para negociação dos ativos. A preparação interna do plano de transferência dos empreendimentos começou ainda no ano passado.

Em fato relevante divulgado em julho de 2024, a Porto Sudeste do Brasil destacou que estava em estágio inicial o engajamento de assessores financeiros para avaliar e organizar um potencial processo de venda do terminal. Três meses depois, um executivo da Mubadala disse durante um evento em São Paulo que a Morro do Ipê também seria oferecida ao mercado, porque para os investidores faz sentido ter um player integrado.

A mineradora e o porto foram procurados, mas preferiram não comentar sobre a eventual transação. A reportagem não conseguiu contatos com a gestora de investimentos e com a Trafigura.

Valor - SP   05/12/2025

Investimentos previstos para o Estado pode mudar perfil do que é escoado, dizem especialistas

Os investimentos previstos nos portos do Espírito Santo podem, mudar o perfil das cargas escoadas pelo Estado, dizem especialistas. Nos próximos cinco anos, terminais capixabas receberão R$ 6,5 bilhões em aportes, calcula a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes). Considerando modais anexos, os valores projetados são ainda maiores. E é na integração de modais que a maior diversificação e a atração de novos negócios estão ancorada.

Um dos grandes empreendimentos em curso é o Parklog, um parque logístico em Aracruz, no norte do Estado, que vai integrar portos, aeródromos, ferrovias, rodovias, retroáreas e a primeira Zona de Processamento de Exportações (ZPE) privada. A empreitada, uma parceria público-privada (PPP) entre o governo estadual e várias empresas, soma R$ 12,3 bilhões em investimentos.

Uma das participantes, a Vports - concessionária dos portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho - desenvolve um terminal multipropósito de 522 mil m2. A companhia ainda faz melhorias no porto da capital que permitiram o recebimento de navios do tipo Panamax e, em Vila Velha, definiu investimentos de R$ 35 milhões para aumentar a área de contêineres em 70 mil m2, 60% do total atual.

O terminal de Vila Velha foi beneficiado por outro investimento, a recuperação da ferrovia interna que liga o porto à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e à Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM), o que deve incrementar o movimento de cargas. “Abrirá caminhos para uma nova rota logística entre a região Centro-Oeste, com ênfase para Goiás, o Triângulo Mineiro e o Espírito Santo”, diz o presidente da VPorts, Gustavo Serrão.

Desde 2022, quando assumiu a concessão dos portos capixabas, a Vports investiu cerca de R$ 600 milhões. Divididos com parceiros, os recursos foram usados para modernização de estruturas e novos equipamentos. Os resultados já apareceram. O Complexo Portuário de Vitória movimentou 8,4 milhões de toneladas no ano passado, alta de 15% em relação ao ano anterior. Houve crescimento nas principais cargas: café, granito, carros e contêineres.

Também está em construção, na área do Parklog, o porto da Imetame, com previsão de entrar em operação no ano que vem e investimentos de R$ 2 bilhões. A prioridade será para cargas gerais, com implantação gradual da operação de contêineres, e como alternativa para o escoamento da produção de petróleo. “Especialmente para os campos terrestres do norte capixaba, que carecem de opções adequadas. E servirá também para as bacias do Espírito Santo e de Campos”, diz Anderson Carvalho, diretor de operações do Imetame Logística Porto.

Com área total de mais de 1 milhão de m2 e perfil multipropósito, haverá capacidade para navios de grande porte e um ramal ferroviário com cerca de 6,5 km. Essa pequena ferrovia fará a ligação com a EFVM e, a partir de Belo Horizonte, com a FCA, o que favorecerá o escoamento de grandes volumes, como grãos e minerais.

Para Paulo Baraona, presidente da Findes, os investimentos em curso podem mudar a característica dos portos do Estado: “Estamos diante da oportunidade de transformar a operação portuária, que sairá de portos feeder [que de baixa profundidade, que não podem receber grandes embarcações] para hubs e portos com maior capacidade de operar navios de longo curso”.

Outro fator que pode contribuir para essa mudança é a construção do Anel Ferroviário do Sudeste, uma linha férrea projetada para ir de Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES), conectando portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo às EFVM e à Malha Sudeste. “[Os portos] Podem se transformar de hub de minérios para portos diversificados, com a inclusão de grãos e contêineres”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura.

Essa transição, avalia Baraona, trará redução dos custos logísticos, ampliação no número de rotas e diminuição do tempo de trânsito entre origem e destino. “São fatores que tornam o produto capixaba mais competitivo”, afirma. E a nova infraestrutura, acrescenta, têm potencial de atrair outros investidores.

Valor - SP   05/12/2025

Túnel deve agilizar carga e descarga e desenvolver novas áreas

O porto de Santos (SP), o maior do país, está investindo R$ 12,5 bilhões entre recursos públicos e de parcerias público-privadas (PPPs) até 2028. Segundo o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto, a capacidade de movimentação de cargas subirá para 240,6 milhões de toneladas até 2040, alta de 49% sobre 2020. Além do túnel submerso Santos-Guarujá, há intervenções em curso e previstas, como derrocagem (remoção de rochas) e dragagem para aprofundar o canal, melhorias viárias e de segurança da navegabilidade e reforço de berços de atracação.

Obra de R$ 6,8 bilhões custeada pela Autoridade Portuária de Santos (APS) e pelo governo estadual, o túnel deve reduzir para menos de cinco minutos o percurso dos caminhões, que hoje levam em média 18 minutos pela balsa ou cerca de uma hora pela estrada. “O Porto de Santos ganhará em competitividade com uma maior conexão das suas duas margens e o aumento da segurança da navegação, em razão da redução de balsas no canal”, avalia o presidente da APS, Anderson Pomini.

A expectativa é que túnel, com acesso 24 horas e sete dias por semana ao porto, permitirá maior giro de caminhões, acelerará processos portuários e viabilizará expansões. “E ainda reduz custo por tonelada movimentada e emissões, podendo atrair mais investimentos dos operadores e até sustentar modelos de negócio, como integrações porto-indústria e mais operações just-in-time na região, aumentando a competitividade de Santos frente a outros portos nacionais”, aponta Marcelo Pagoti, diretor de Infraestrutura da consultoria Bip Brasil.

O professor da área de gestão e negócios da Universidade São Judas Ronaldo Gioia Ruffo destaca que, com menos emissões, haverá ganhos reputacionais. “E isso acaba atraindo tanto clientes quanto financiamentos externos, devido à preocupação com a sustentabilidade”, diz. Os ganhos podem se estender ao Guarujá, que pode se tornar um melhor polo logístico retroportuário ao aproveitar a ligação seca para armazenagem.

O Porto de Santos ganhará em competitividade com uma maior conexão das suas duas margens”

— Anderson Pomini

Além disso, há a perspectiva de que o Ministério dos Portos e Aeroportos mais que duplique, ainda neste ano, a área do porto, dos atuais 7,8 milhões de metros quadrados para mais de 20 milhões de metros quadrados, ,incluindo áreas em Cubatão, São Vicente e Bertioga, além de Santos e Guarujá. "A expectativa é atrair novos investimentos”, diz Pomini.

A APS tinha a projeção de que o terminal Tecon 10, com capacidade de 3,5 milhões de TEUs (medida padrão de contêineres), fosse leiloado em dezembro, aumentando em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres. O investimento estimado é cerca de R$ 6,45 bilhões. Mas o leilão não deve acontecer mais este ano devido a pedido de vista feito pelo ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU). A análise será retomada na semana que vem.

PETROLÍFERO

Valor - SP   05/12/2025

O consumo de gás para a produção de fertilizantes é visto pela estatal como um caminho para a monetização do insumo

A Petrobras estima um consumo de 5,5 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) de gás natural para as quatro unidades petroquímicas da empresa, disse Edmundo José Correia Aires, gerente geral de integração de negócios e participações de negócios em petroquímica da estatal.

O consumo de gás para a produção de fertilizantes é visto pela estatal como um caminho para a monetização do insumo, que é extraído das jazidas do pré-sal associado ao petróleo e tem sido reinjetado em volumes considerados elevados.

A empresa, afirmou, estuda ainda a destinação de líquidos de gás natural (LGN) que chegará na unidade de processamento de gás natural (UPGN) Rota 3 para a petroquímica, especialmente para o processamento de etano, uma das matérias-primas da petroquímica.

Segundo ele, a empresa vai reativar a Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná, e as fábricas de fertilizantes (fafens) localizadas em Sergipe e na Bahia, como parte de um movimento mais amplo, de reentrada no segmento com a produção de ureia, uma das matérias-primas necessárias para a produção de fertilizantes. Também vai retomar a construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso.

As unidades vão ser responsáveis por atender a 35% do mercado consumidor de ureia.

Aires, que participa do lançamento do estudo Estudo “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2025”, produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), destacou que a Ansa e as fafens devem consumir, quando reativadas, um volume da ordem de 3,3 milhões de m³/dia.

A fafen de Sergipe, localizada no município de Laranjeiras, tem previsão de produzir 1.250 toneladas por dia de amônia e 1.800 toneladas por dia de uréia, enquanto a unidade de Camaçari, na Bahia, deve produzir 1.300 toneladas por dia de amônia e outras 1.300 toneladas diárias de uréia, além de 178 toneladas por dia de Arla, aditivo utilizado no óleo diesel. A produção das fafens deve ser iniciada em janeiro.

Já a Ansa, que tem previsão de reinício de operação no segundo semestre, tem capacidade de produzir 1.300 toneladas por dia de amônia, 1.975 toneladas por dia de uréia e 820 toneladas por dia de Arla.

A UFN-III foi integrada ao plano de negócios 2026-2030 da companhia e tem expectativa de iniciar produção em 2029. A planta, disse Aires, terá capacidade de produzir 2.200 toneladas por dia de amônia e 3.600 toneladas por dia de uréia. A unidade, segundo o executivo, deve consumir 2,2 milhões de m³/dia de gás natural.

Infomoney - SP   05/12/2025

Um consórcio formado por Petrobras (PETR3;PETR4) e Shell arrematou, sem concorrência, duas das três áreas ofertadas em leilão inédito de participações da União em blocos em produção no pré-sal, com o governo arrecadando menos que o esperado já que não houve lance pela fatia de Tupi.

Os lances do consórcio formado pelas empresas, que já são sócias nos dois campos, somaram cerca de R$8,8 bilhões em arrecadação ao governo federal, abaixo dos R$ 10,2 bilhões na última estimativa de receitas publicada pela União em novembro.

No caso de Mero, Petrobras e Shell venceram uma participação da União de 3,5% em jazida compartilhada no campo por R$ 7,79 bilhões, versus valor mínimo estipulado no leilão de R$7,65 bilhões.
Já em Atapu, as petroleiras levaram uma participação da União de 0,95% em jazida compartilhada do ativo, por cerca de R$1 bilhão, versus valor mínimo de R$863,32 milhões.

Uma terceira área ofertada, que previa a contratação de participação de 0,833% em jazida compartilhada de Tupi, por um valor mínimo de R$ 1,69 bilhão, não recebeu lances.

A estatal PPSA, responsável por representar a União nos contratos de partilha de produção no pré-sal, recebeu a missão de realizar o certame ainda neste ano, de forma que o governo pudesse incorporar os resultados às receitas de 2025. Até então, a União recebia e comercializava o petróleo produzido nestas áreas, que foram agora vendidas.

Mais cedo neste ano, a estimativa para o leilão das três áreas havia sido de R$15 bilhões, considerando um ágio maior do que o obtido e a venda de participação em Tupi, entre outros fatores.

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O presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, disse ao fim do leilão que dez empresas acessaram o “data room” para leilão e sete se credenciaram para participar.

“Tenho certeza que fizeram um grande negócio, tenho certeza terão grandes vantagens e lucros”, afirmou Paroli, sobre as empresas vencedoras.

Sobre a ausência de lances por Tupi, Paroli afirmou que “possivelmente a visão dos compradores foi um pouco pior do que a visão que a gente tinha”. Ele ponderou que a União “não perde nada” com a ausência de lances, uma vez que continuará recebendo e vendendo o óleo referente a sua participação na área.

SEM PREOCUPAÇÃO

Segundo uma fonte do Ministério da Fazenda, embora tenha havido frustração de R$ 1,4 bilhão, a diferença não causa preocupação. Isso porque, ao fim de todos os anos, o governo usualmente se beneficia do chamado empoçamento de recursos, em referência a gastos autorizados no orçamento, mas que não chegam a ser executados por entraves burocráticos.

Esse dinheiro não gasto acaba ajudando o governo a cumprir suas metas fiscais, compensando, na reta final do ano, eventuais frustrações de receita. O Tesouro estimou recentemente que o empoçamento deveria ficar em torno de R$ 10 bilhões este ano.

Valor - SP   05/12/2025

Estruturas aliviam pressão logística e integram novos corredores

O avanço dos combustíveis, dos biocombustíveis e do gás natural na região Sudeste tem pressionado a infraestrutura logística que atua no setor e colocado os dutos no centro das estratégias para reduzir custos, emissões e saturação das rodovias. Somente a Petrobras estuda cerca de 2 mil km de novos dutos entre São Paulo e Mato Grosso, focados em biocombustíveis (principalmente etanol de milho) e com investimento previsto de R$ 2 bilhões até 2029.

No ano passado, a estatal deu início à operação do novo trecho do oleoduto Paulínia-Barueri, em São Paulo, um investimento de R$ 465 milhões que substituiu 68 km da linha que liga a Refinaria de Paulínia (Replan) ao Terminal Terrestre de Barueri. A Transpetro, subsidiária da estatal, avalia um novo sistema para conectar a Replan ao Mato Grosso do Sul.

“Dutos continuam sendo a solução mais econômica e segura para o transporte de combustíveis quando tratamos de grandes volumes e grandes distâncias”, diz Márcio Guimarães, diretor de dutos e terminais da Transpetro. A empresa opera cerca de 8,5 mil km de dutos em todo o país, dos quais dois terços estão no Sudeste, região que concentra 43% da demanda de combustíveis do país.

O transporte dutoviário também ajuda na redução de emissões. O oleoduto São Paulo-Brasília, que a Transpetro quer ampliar, evita cerca de 13 mil viagens de caminhão - e o consequente consumo de 7 milhões de litros de diesel - por mês, de acordo com Guimarães. Ao todo, o Brasil tem cerca de 20,5 mil km de dutos, segundo dados compilados pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP). A maior parte (58%) é usada para o transporte de gás natural. Petróleo e derivados somam 40%, e etanol, os demais 2%.

O Sudeste é o coração do sistema logístico do gás natural no Brasil”

— Helder Ferraz

Segundo a Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, há espaço para novos projetos, incluindo um etanolduto conectando São Paulo ao Paraná e ao Mato Grosso do Sul. Também é necessário reorganizar fluxos, diante do declínio da oferta boliviana de gás e do aumento da produção do combustível no pré-sal. Para tanto, a EPE avalia integrações com portos, ferrovias e terminais capazes de ampliar corredores multimodais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Centro-Oeste.

“O Sudeste é o coração do sistema logístico do gás natural no Brasil”, afirma Helder Ferraz, diretor comercial e regulatório da NTS, que opera mais de 2 mil km de malha ligando o Sudeste ao gasoduto Bolívia-Brasil - que, por sua vez é operado pela TBG. A NTS investiu R$ 1,4 bilhão entre 2017 e 2024, e agora planeja a construção do trecho Duque de Caixas (RJ) - Taubaté (SP). O projeto deve ampliar em até 25 milhões de m3 /dia a oferta de gás natural ao sistema da TBG.

Está nos planos da NTS a construção de um ponto de recebimento em Macaé (RJ), a partir de 2028. A empresa também negocia com parceiros a construção novas estruturas para a formação de um corredor para o escoamento do gás do pré-sal, que ainda depende de aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Com maior oferta de gás no pré-sal e mais demanda pelo combustível, a Transpetro lançou recentemente uma licitação para barcaças e empurradores, alinhada à estratégia de entrada no modal logístico de navegação interior para o transporte de combustíveis nos principais portos da costa brasileira. “A estratégia tem sido investir em atuação multimodal e integrada”, diz o diretor da Transpetro.

Infomoney - SP   05/12/2025

Nesta quinta-feira (4), a Petrobras (PETR3;PETR4) e a Shell garantiram os direitos de produção da União para áreas não contratadas nos reservatórios compartilhados de Mero e Atapu, localizados na região do pré-sal da Bacia de Santos. O leilão foi conduzido pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

Com o lance realizado no certame, a Petrobras elevou sua participação na jazida compartilhada de Mero de 38,60% para 41,40%, após arrematar junto com a Shell uma fatia da área que pertencia à União em um leilão inédito realizado pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), devendo desembolsar R$ 6,97 bilhões. Os lances em parceria com a Shell totalizaram R$ 8,8 bilhões.

Confira abaixo os lances:

Mero

Consórcio vencedor: Petrobras (80%), Shell (20%).
Lance: R$ 7,79 bilhões (prêmio de 1,9%).
Preço mínimo: R$ 7,64 bilhões.
Sem concorrência.

Atapu
Consórcio vencedor: Petrobras (73,24%), Shell (26,76%).
Lance: R$ 1 bilhão (prêmio de 16%).
Preço mínimo: R$ 863 milhões.
Sem concorrência.
Tupi

Sem lances apresentados.
Preço mínimo: R$ 1,69 bilhão.

Na visão dos analistas do Bradesco BBI, a participação da Petrobras neste leilão já era esperada pelo mercado, mas talvez os resultados tenham demonstrado um apetite da empresa ligeiramente maior do que o previsto, visto que ela aumenta marginalmente sua participação em Mero e Atapu com um desembolso de aproximadamente US$ 1,3 bilhão (a BBI esperava que a empresa desembolsasse no máximo US$ 1 bilhão para este leilão como um todo).

O aumento de produção decorrente dessa aquisição deve ser de cerca de 16-18 mil barris por dia. “Também vemos a TIR [Taxa Interna de Retorno] real desalavancada desta aquisição (assumindo que não haja despesas de capital marginais) na faixa de 15%, o que é menor do que um projeto típico do pré-sal. No entanto, o risco marginal desta aquisição também é menor, visto que esses campos já estão em produção”, avalia o banco.

Em termos de dividendos, espera-se que a Petrobras anuncie valores menores no 4º trimestre de 2025 (a serem pagos no 2º trimestre de 2026) como resultado desta aquisição. O BBI espera que o dividendo trimestral caia para US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão, em comparação com o pagamento de US$ 2,3 bilhões no 3º trimestre de 2025.

“Esperamos ainda que a empresa anuncie outras aquisições em 2026, como o potencial investimento em uma empresa de etanol de milho, o que também reduzirá os dividendos nos próximos trimestres”, aponta o banco.

O JPMorgan vê com bons olhos a aquisição dos ativos pela Petrobras com um pequeno ágio em relação ao lance mínimo e a participação da Shell como parceira. O resultado ficou em grande parte em linha com as expectativas: o consórcio garantiu os ativos por um valor apenas 3,3% acima do lance mínimo exigido.

“Em consonância com o que destacamos, vemos com bons olhos tanto o pequeno ágio pago quanto a presença da Shell como parceira, reforçando uma alocação de baixo risco em ativos onde a Petrobras já opera e possui pleno conhecimento do reservatório. Também consideramos a decisão de não participar do leilão de Tupi um sinal positivo de disciplina de capital”, avalia o banco.

A assinatura do contrato está prevista para 4 de março de 2026, e o comprador da participação da União se juntará formalmente ao consórcio operacional a partir de 1º de março de 2027. Além da oferta inicial, o consórcio vencedor também estará sujeito a pagamentos contingentes extraordinários (earn-outs) à União sempre que o preço médio anual do Brent ultrapassar US$ 55/barril.

O Goldman Sachs ressalta que a estatal brasileira já opera diversas unidades de produção nesses campos e, com base em sua recente conversa com investidores, era amplamente vista no mercado como uma das potenciais vencedoras do leilão de hoje.

“Assim, acreditamos que a notícia de hoje não deve ser uma surpresa para os investidores. Caso a Petrobras não realize nenhuma fusão ou aquisição adicional este ano, poderá haver um risco de queda de aproximadamente US$ 500 milhões em nossa previsão de capex [investimentos em capital] e, consequentemente, um risco de alta de cerca de US$ 220 milhões em nossa previsão de dividendos para o 4º trimestre”, aponta.

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Petrobras, que considera uma opção razoável, oferecendo um sólido desempenho operacional (rendimento de dividendos estimado para 2026 de 9%, com base na política de remuneração ordinária dos acionistas da Petrobras), mas reconhece o risco de queda nos preços do petróleo no curto prazo.

O Bradesco BBI tem recomendação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 40 para PETR4, de olho em eleições, tendo recomendação equivalente do JPMorgan.

Globo Online - RJ   05/12/2025

Os preços do petróleo fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionados pela falta de avanços diplomáticos entre os negociadores sobre a guerra na Ucrânia e pelos ataques de Kiev à infraestrutura petroleira russa.

O preço do Brent do mar do Norte para entrega em fevereiro subiu 0,94%, a 63,26 dólares o barril. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI) para entrega em janeiro subiu 1,22%, a 59,67 dólares o barril.

"Não resta dúvida de que as tensões geopolíticas (entre Rússia e Ucrânia) influem" nos operadores, comentou à AFP Bart Melek, da TD Securites.

Na terça-feira, o enviado americano Steve Witkoff se reuniu por quase cinco horas no Kremlin com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir um plano apresentado por Washington para pôr fim à guerra na Ucrânia, posteriormente revisado por Kiev, mas não houve anúncios concretos.

Putin considerou, nesta quinta-feira, que estas negociações são "complexas", mas que é preciso "participar" delas ao invés de obstruí-las, segundo uma entrevista transmitida por um canal de TV indiano. Delegados americanos e ucranianos se reúnem nesta quinta-feira na Flórida para tentar encontrar uma saída para a guerra.

"Também vimos que alguns petroleiros [russos] foram afundados ou inutilizados pelo Exército ucraniano", assinala Bart Melek, o que contribui para o aumento dos preços.

Os operadores também acompanham de perto, nesta quinta-feira, a visita de Vladimir Putin à Índia, no contexto do aumento das tarifas aduaneiras imposto a Nova Délhi por Donald Trump, em represália às suas compras de petróleo russo.

Segundo Melek, o aumento dos preços do petróleo é limitado pelo "crescimento dos estoques de cru em várias partes do mundo".

AGRÍCOLA

Valor - SP   05/12/2025

O PIB do agronegócio brasileiro registrou avanço que surpreendeu o mercado para um terceiro trimestre, quando a safra já está colhida, impulsionado principalmente pela recuperação da produção de grãos e pelo desempenho robusto da pecuária, segundo José Carlos Hausknecht, sócio-diretor da MB Agro Consultoria.

O resultado foi de alta de 0,4% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de alta de 10,1% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Apesar do crescimento expressivo, a melhora não reflete, na mesma intensidade, a situação financeira no campo, marcada por preços mais baixos, crédito escasso e margens apertadas, avalia o executivo.

A comparação interanual foi beneficiada por uma base deprimida em 2023 e pelo salto produtivo de 2024, diz o executivo da área. “Ano passado, a safra não foi boa e este ano tivemos uma safra recorde. Grãos fortes, como milho e soja, registraram boa produtividade, e isso ajudou no resultado da comparação interanual”, afirma ao Valor.

A reversão de perdas em culturas perenes também contribuiu, especialmente depois de 2023 e 2024 difíceis por extremos climáticos e desastres naturais. No ano passado, a citricultura enfrentou seca, queimadas e outros problemas climáticos que prejudicaram o desenvolvimento das plantas. “Hoje isso se reverteu e acaba ajudando a produção a crescer e ter um resultado mais forte no terceiro trimestre”, explicou o consultor.

Apesar do avanço de cerca de 10% no PIB internual, que reflete produção, a rentabilidade segue pressionada e o cenário para o produtor deve perdurar apertado. “Os preços caíram, o crédito está escasso, e essa série de problemas não se reflete nos 10% que puxam a produção. A alta compensa parte da perda de preço e renda, mas não resolve”, avalia Hausknecht.

Pecuária sustenta parte do resultado

Se por um lado os grãos impulsionaram o volume produzido, foi a pecuária que deu sustentação adicional ao PIB agro. O setor registrou produção e exportações em níveis recordes, superando inclusive os efeitos do tarifaço em mercados importantes. “Estamos com a pecuária indo muito bem. A produção recorde e as exportações recordes conseguiram driblar os efeitos do tarifaço. Isso é um dado que vai além do PIB e ajuda a explicar os resultados mais positivos”, pondera.

Na comparação com o segundo trimestre, o PIB do agro avançou 0,4% na série dessazonalizada. A leve alta ocorre apesar do período tipicamente mais fraco.

“O terceiro trimestre geralmente é menor que os outros, como o quarto, porque as colheitas já foram e estamos na entressafra. Isso é difícil de medir, mas a safra de milho, soja, laranja e cana — colhidas no segundo e terceiro trimestre — podem ter ajudado nessas variações”, diz Hausknecht.

Além disso, o ritmo mais forte da produção de carnes também contribuiu para o desempenho. Mesmo com números positivos no agregado, o setor segue operando em um contexto de margens menores, custos elevados e menor liquidez financeira.

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