Globo Online - RJ 05/08/2025
Desde a semana passada a ítalo-argentina Ternium tem um novo sócio na Usiminas, os irmãos Wesley e Joesley Batista.
A Globe, veículo de investimentos, comprou da CSN cerca de 5% de participação na siderúrgica mineira, uma vez que empresa de Benjamin Steinbruch foi obrigada pelo Cade a se desfazer das ações que possui na Usiminas.
Depois de anos em litígio pesado com Steinbruch, o alto escalão da Ternium espera momentos mais tranquilos como novo sócio. Diz um executivo:
— Nós nos conhecemos. Vendemos muito gás para eles há muito tempo. Sou confiante que não teremos problemas.
Grandes Construções - SP 05/08/2025
As importações de produtos de aço processado continuam em trajetória de alta e acendem um alerta para o setor.
De acordo com levantamento da Abimetal-Sicetel (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço), as compras externas desses itens cresceram 25,9% em volume e 14,1% em valor no acumulado de janeiro a junho de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado.
“O avanço, impulsionado principalmente por produtos originários da China, pressiona a indústria nacional e reforça a necessidade de medidas de defesa comercial”, diz a entidade.
Entre os destaques do período, está o crescimento expressivo nas compras de cabos, tiras, fitas e barras de aço, principalmente originários da China.
Esses produtos, muitas vezes com preços artificialmente baixos e práticas de concorrência desleal, seguem pressionando a indústria nacional, que enfrenta desafios para competir em condições justas.
“O crescimento acelerado das importações de produtos siderúrgicos transformados, especialmente os originários da China, com preços abaixo do praticado pelo mercado, acende um sinal de alerta para o setor de derivados de aços trefilados e laminados”, avalia Ricardo Martins, presidente da associação.
“Essa dinâmica compromete a competitividade da indústria brasileira e impõe riscos à produção nacional”, observa.
Além disto, ele prossegue, o volume crescente de importações impacta diretamente nos empregos do setor.
“É fundamental que o Brasil fortaleça seus mecanismos de defesa comercial e promova medidas que valorizem a cadeia produtiva local”, complementa o executivo.
O relatório também traz dados por tipo de produto com a variação de preços e volume e detalha mais especificamente os produtos que já tiveram suas alíquotas de importação elevadas para 25%.
Adicionalmente, são apresentados preços internacionais de insumos importantes para a indústria processadora de aço.
“A publicação é uma ferramenta essencial para empresários e demais agentes do setor que buscam entender o comportamento das importações e seus impactos sobre a indústria processadora do aço no Brasil”, observa a Abimetal-Sicetel..
O relatório completo está disponível para consulta no site da associação.
O Estado de S.Paulo - SP 05/08/2025
O UBS BB calcula que o efeito potencial no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pelas tarifas de 50% do presidente americano Donald Trump, é de no máximo 0,6 ponto porcentual. A análise considera que 74% das exportações brasileiras para os Estados Unidos podem ser redirecionadas mais facilmente a outros países.
“Se não formos capazes de internalizar ou redirecionar qualquer parte desses 26% restantes, o que é improvável, estimamos que o efeito potencial no crescimento do PIB seria no máximo de 0,6 ponto porcentual, já que as exportações representam 18% do PIB e a participação dos EUA é de 12%”, afirma em relatório enviado a clientes.
Assim, o UBS BB afirma que “muito provavelmente o efeito direto será próximo de nulo”, já que parte dos 26% ainda pode ser internalizada ou redirecionada para outros destinos no médio prazo.
Como referência, o Brasil exportou US$ 40 bilhões para os EUA em 2024, afirma o UBS BB. O relatório também menciona que a lista de exceções às tarifas aborda 694 produtos, e que provavelmente o Brasil não adotará medidas retaliatórias aos EUA.
O Estado de S.Paulo - SP 05/08/2025
Além das exportações e do faturamento das empresas brasileiras, o tarifaço de Donald Trump também tem derrubado negócios com interessados em fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no País. Parte das operações, sobretudo aquelas que tinham como objetivo tornar o Brasil uma plataforma exportadora - algo comum na área -, tem sido suspensa, até que o cenário se torne mais definido.
“Negócios em setores que dependem de exportação ou de insumos importados e que estão na tarifa retaliatória estão sendo temporariamente suspensos”, diz Isabela Xavier, sócia do escritório de advocacia BVA. “Alguns têm voltado para serem redesenhados e, se a nova tarifa mostrar ser insustentável erguer uma planta de exportação para o mercado americano, provavelmente o negócio não vai se concretizar.”
Os casos se multiplicam em escritórios de advocacia e butiques especializadas em fusões e aquisições. No BVA, um cliente europeu negociava a compra de uma companhia brasileira da área de máquinas e equipamentos, que vende exclusivamente ao mercado nacional. A ideia era transformar a fábrica em polo exportador para os EUA. O negócio foi suspenso logo que a ameaça do tarifaço foi feita, no início de julho, e se mantém nessa situação, até que a tarifa sobre o produto fique totalmente clara.
Na Brasilpar, consultoria especializada em transações com empresas de pequeno e médio porte, que faturam entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões, a situação é parecida. No primeiro semestre, a empresa fechou quatro negócios, sendo que três tinham estrangeiros na ponta compradora ou vendedora. Agora, pelo menos duas operações que visavam a exportações entraram em compasso de espera.
“O Brasil estava praticamente sozinho na festa das aquisições internacionais, já que China e Rússia entraram em rota de colisão com os Estados Unidos”, diz Tom Waslander, sócio da Brasilpar. “Mas negócios baseados em projetos de exportação têm sido suspensos, pelo menos temporariamente.”
Money Times - SP 05/08/2025
O governo deixou de lado, ao menos por ora, os planos de retaliação direta contra a tarifa de importação de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, voltando a atenção para iniciativas de alívio a empresas mais afetadas pela medida, que entra em vigor nesta semana, disseram fontes familiarizadas com a estratégia.
As amplas isenções concedidas na ordem executiva de Donald Trump, na semana passada, pouparam alguns dos setores mais vulneráveis da economia do Brasil, trazendo alívio a investidores e lideranças empresariais.
Isso levou Brasília a ser cautelosa em provocar Trump com tarifas recíprocas ou outras formas de retaliação que possam intensificar as tensões, disseram autoridades do governo sob condição de anonimato para discutir deliberações confidenciais.
As negociações com Washington devem ser lentas e complexas, afirmou uma das fontes, e por isso o governo brasileiro está priorizando medidas imediatas de apoio aos exportadores, como linhas de crédito e outros mecanismos de financiamento à exportação.
Outro funcionário disse que o governo estuda possíveis respostas às tarifas que afetariam empresas norte-americanas, mas vê essas medidas como último recurso, caso as negociações fracassem.
Essas contramedidas, atualmente em análise, poderiam incluir a suspensão de pagamentos de royalties por patentes farmacêuticas e de direitos autorais de mídia, segundo duas fontes.
O governo também havia sinalizado no ano passado que preparava um novo imposto que poderia atingir grandes empresas de tecnologia dos EUA, mas engavetou o plano neste ano para evitar antagonizar o presidente Donald Trump antes do anúncio das primeiras tarifas anunciadas por ele, em abril.
Naquele momento, o Brasil foi atingido apenas por uma tarifa de 10%, uma das mais baixas do mundo, o que muitos atribuíram ao superávit comercial histórico dos EUA com o Brasil.
Em julho, Trump vinculou a imposição de uma tarifa mais elevada, de 50%, ao que chamou de “caça às bruxas” política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado, que está sendo julgado por suposta tentativa de golpe para reverter sua derrota nas eleições de 2022.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a afirmar que responderia com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso para dar respaldo legal a respostas contra sanções comerciais, alimentando especulações sobre uma possível retaliação.
Desde então, as discussões sobre ações recíprocas perderam força, mesmo com Lula criticando a justificativa de Trump para o aumento das tarifas, defendendo a independência do judiciário brasileiro e insistindo que qualquer negociação deve se concentrar exclusivamente em comércio.
As isenções concedidas pelos EUA na semana passada para os setores de aviação, energia e mineração foram interpretadas em Brasília como sinal de que a diplomacia paciente e a atuação de empresas norte-americanas em busca de alívio foram o caminho mais eficaz para obter resultados em Washington.
O Brasil também afirmou que pretende apresentar uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas, embora o sistema de solução de controvérsias do órgão esteja paralisado desde o primeiro governo Trump.
“É preciso recorrer às instâncias disponíveis”, disse uma autoridade brasileira, reconhecendo que uma resolução é improvável nas atuais condições da OMC.
Mais imediatamente, o governo está ajustando medidas para proteger os setores mais afetados pela tarifa, que entra em vigor na quarta-feira, oferecendo alívio financeiro a empresas que já enfrentam cancelamentos de contratos.
O pacote provavelmente incluirá linhas de crédito e possíveis ajustes no seguro de crédito à exportação e nos mecanismos de financiamento às exportações, segundo uma das fontes.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as medidas de alívio podem começar a ser implementadas nesta semana e destacou na sexta-feira que o governo nunca se comprometeu com retaliação contra Washington.
“Nunca usamos esse verbo (retaliar) para caracterizar as ações que o governo brasileiro vai tomar. São ações de proteção da soberania, proteção da nossa indústria, do nosso agronegócio”, disse a jornalistas. “Essa palavra não figurou no discurso do presidente e nem de nenhum ministro.”
Monitor Digital - RJ 05/08/2025
A economia da China provou o quão resiliente é em meio às incertezas globais desencadeadas por disputas tarifárias, tensões geopolíticas e interrupções na cadeia de suprimentos, disse Steven Lynch, diretor de comércio internacional das Câmaras de Comércio Britânicas.
A economia da China cresceu 5,3% ano a ano no primeiro semestre de 2025. Sua produção industrial aumentou 6,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, com os setores de fabricação de equipamentos e de alta tecnologia registrando rápido crescimento.
Lynch descreveu esses números como “inegavelmente impressionantes”, observando que todos eles apontam para uma economia que permanece dinâmica e orientada estrategicamente.
“O que é impressionante, e muitas vezes ignorado pelos comentários ocidentais, é o quão resiliente a China demonstrou ser diante de choques externos”, disse ele recentemente à Xinhua.
“Sejam as consequências das tarifas dos EUA, das interrupções na cadeia de suprimentos global ou da crescente tensão geopolítica, a China demonstrou uma capacidade notável de absorver pressão e se adaptar”, disse Lynch, acrescentando que o país tem demonstrado consistentemente uma capacidade de resistir à turbulência global.
No primeiro semestre deste ano, a China acelerou seu esforço para o desenvolvimento industrial verde, com a produção de produtos ecológicos apresentando crescimento robusto, enquanto a produção de veículos de nova energia aumentou 41,4% em relação ao ano anterior.
A China está liderando grandes áreas do mundo em setores como veículos elétricos e está dobrando a aposta em áreas como inteligência artificial e infraestrutura verde, observou Lynch.
“Se você quer ser ecológico de muitas maneiras, precisa trabalhar com a China”, disse ele, destacando o papel fundamental do país nas cadeias de suprimentos globais, particularmente nas áreas relacionadas à sustentabilidade e energia limpa.
Diante da crescente fragmentação geopolítica, algumas economias se voltaram para dentro e construíram muros. A China continuou a expandir sua abertura e a cooperar com outros países.
Lynch acreditava que as empresas britânicas precisavam reformular a forma como pensavam sobre a China, “não apenas como um parceiro comercial bilateral, mas como um nó em uma rede muito mais ampla de comércio, capital e influência”.
Ele também observou que as medidas de abertura da China, como o estabelecimento de novas zonas de livre comércio, a facilitação do fluxo de dados transfronteiriços e o incentivo adicional ao investimento estrangeiro, oferecem às empresas estrangeiras oportunidades nas áreas de finanças, economia digital e desenvolvimento verde.
Visando maior cooperação entre a Grã-Bretanha e a China, Lynch disse que o país europeu deve se concentrar em setores onde a agenda de reformas da China se alinha com a força da Grã-Bretanha, incluindo tecnologia verde, assistência médica, infraestrutura digital e resiliência da cadeia de suprimentos.
IstoÉ Dinheiro - SP 05/08/2025
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,28% em julho, revertendo a queda de 0,08% de junho, e acelerando levemente em relação à alta de 0,26% da terceira quadrissemana do mês passado, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta segunda-feira, 4.
O resultado de julho ficou abaixo do piso das estimativas de instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, de altas de 0,30% a 0,33%, com mediana de 0,32%.
Entre janeiro e julho, o IPC-Fipe acumulou inflação de 2,31%. Nos 12 meses até julho, a alta do índice foi de 5,07%, também inferior ao piso das projeções.
No sétimo mês deste ano, três dos sete componentes do IPC-Fipe ganharam força, um migrou para inflação e outro caiu em ritmo mais lento: Habitação (de 0,30% em junho para 0,58% em julho), Despesas Pessoais (de 0,20% a 0,33%), Educação (de estável a 0,36%), Transportes (de -0,87% a 0,82%) e Alimentação (de -0,66% a -0,48%).
Por outro lado, duas categorias desaceleraram de um mês para o outro: Saúde (de 0,98% a 0,70%) e Vestuário (de 0,50% a 0,04%).
Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe em julho:
– Habitação: 0,58%
– Alimentação: -0,48%
– Transportes: 0,82%
– Despesas Pessoais: 0,33%
– Saúde: 0,70%
– Vestuário: 0,04%
– Educação: 0,36%
– Índice Geral: 0,28%
Money Times - SP 05/08/2025
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (4) que o conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou que o Brasil entre com uma consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a imposição de tarifas do governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A aprovação da Camex é o primeiro passo para o governo brasileiro iniciar o questionamento à OMC sobre as tarifas norte-americanas.
“O presidente Lula agora vai decidir como fazê-lo e quando fazê-lo”, disse Alckmin em entrevista coletiva.
Fontes do governo admitem que, atualmente, o processo na OMC não tem efeito prático, já que o mecanismo de solução de controvérsias da entidade não está em funcionamento plenamente desde que o governo dos EUA deixou de indicar seus membros. No entanto, tem um efeito simbólico, dentro da defesa que o Brasil faz das instituições multilaterais.
Ainda assim, o governo brasileiro não deve esperar por uma resposta da OMC se decidir adotar medidas recíprocas contra os Estados Unidos, já que um processo regular dura pelo menos um ano e meio.
Como mostrou a Reuters, a intenção por enquanto é deixar de lado a retaliação e centrar os esforços do governo em medidas de compensação aos setores afetados e em tentativas de retomar as negociações. Ainda assim, medidas de reciprocidade deverão ser adotadas se não houver avanço no lado das negociações.
Já em relação às medidas compensatórias, o vice-presidente recomeçou nesta segunda-feira reuniões com os setores afetados para discutir alternativas. A intenção é que as medidas sejam focadas na indústria mais afetada e quando não há possibilidade de novos mercados.
Alckmin ressaltou que alguns setores como suco de laranja, celulose e alguns tipos de madeira já foram excluídos das conversas por terem escapado da taxação, e em outros casos está sendo trabalhada a abertura de novos mercados.
“Nós temos possibilidades muito boas com a União Europeia e com Reino Unido na área de pescado, porque lá atrás houve bloqueio por questão sanitária, que pode ser superado. Então vamos buscar novos mercados”, disse Alckmin.
De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o governo também trabalha em algumas regulamentações nacionais para permitir o aumento da venda no mercado interno, além de acelerar alguns processos para abertura de novos mercados internacionais, com foco nas áreas atingidas pelas tarifas.
Infomoney - SP 05/08/2025
Os preços futuros do minério de ferro subiram nesta segunda-feira, ajudados pela demanda firme de curto prazo, pela queda dos estoques portuários e pelas margens saudáveis do setor siderúrgico na China, o maior mercado donsumidor de minério, embora as expectativas de aumento da oferta tenham limitado maiores ganhos.
O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 0,76%, a 790,5 iuanes (US$110,15) a tonelada.
O minério de ferro de referência para setembro na Bolsa de Cingapura subiu 1,2%, para US$101,2 a tonelada.
Apesar da queda semanal registrada até 31 de julho, a produção diária média de metal quente permaneceu acima de 240 milhões de toneladas, um nível geralmente considerado como indicativo de uma demanda firme por minério de ferro.
A rentabilidade das usinas siderúrgicas também melhorou. Aproximadamente dois terços das usinas siderúrgicas estavam operando com lucro na semana de 31 de julho, em comparação com 59% no início de julho, segundo dados da consultoria Mysteel.
Além da alta, os estoques portuários caíram 0,6% em relação à semana anterior, para 130,3 milhões de toneladas em 1º de agosto — o menor valor desde fevereiro de 2024, segundo dados da consultoria Steelhome.
No entanto, as expectativas de aumento da oferta no segundo semestre do ano limitaram os ganhos de preço do principal ingrediente da fabricação de aço.
“Como as mineradoras deixaram inalterada sua projeção de produção anual, é provável que os embarques aumentem no restante do ano, indicando oferta crescente”, disse a corretora First Futures em nota.
Os embarques no primeiro trimestre foram prejudicados pelos ciclones na Austrália, o que reduziu os volumes gerais do primeiro semestre.
Brasil Mineral - SP 05/08/2025
Apesar do crescimento de 9,9% da receita líquida do setor de bens de capital em junho de 2025 em relação ao mesmo mês de 2024, o mercado interno registrou queda de 11,4% em relação a maio e as exportações não compensaram totalmente essa retração.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) registrou receita líquida total de vendas foi de R$ 26,4 bilhões, crescimento de 9,9% sobre junho de 2024, mas retração de 5,4% frente a maio, após ajuste sazonal. No mercado interno, o setor movimentou R$ 20,6 bilhões, alta de 8,8% na comparação interanual, mas queda de 11,4% ante o mês anterior. O mês de junho de 2025 registrou queda de 4,4% nos investimentos em máquinas e equipamentos. No período houve queda tanto na aquisição de máquinas produzidas localmente (-11,4%) quanto importadas (-4,8%). As exportações voltaram a crescer (6,3%), mas não o suficiente para anular a queda no mercado doméstico, resultando em receita total de vendas 5,4% inferior à do mês de maio (com ajuste sazonal).
As exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 1,05 bilhão, com aumento de 6,3% sobre maio e 14,5% em relação a junho de 2024. No primeiro semestre, porém, as exportações acumulam queda de 4,3%, afetadas principalmente pela redução nos preços internacionais e pela menor demanda norte-americana. Os Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras do setor (26,6% do total), reduziram suas compras em 12,1% no semestre, puxadas pelo menor consumo de máquinas brasileiras para construção civil e agrícolas. Em contrapartida, países da América do Sul, como Argentina (+55,3%), Chile (+12,1%) e Peru (+18,5%), apresentaram forte crescimento nas compras. Já as importações atingiram US$ 2,6 bilhões em junho, crescimento de 13,1% frente a 2024. Apesar de recuo mensal de 2,5%. No primeiro semestre, as importações somam US$ 15,7 bilhões, o maior valor da história para o período, com destaque para o avanço da participação da China, que já responde por 32,1% das máquinas importadas pelo Brasil.
O nível de utilização da capacidade instalada caiu para 77,7% e a carteira de pedidos recuou pelo segundo mês consecutivo. Ainda assim, o emprego no setor cresceu 0,3% em junho, totalizando 420 mil postos de trabalho, influenciado, principalmente, pelo aumento da mão de obra nas indústrias fabricantes de máquinas e implementos agrícolas. O setor de máquinas e equipamentos encerrou o mês de junho com desempenho negativo em razão da fraqueza no mercado doméstico, mas o semestre com crescimento de 14,8% nas receitas líquidas de vendas.
Com o bom resultado, a ABIMAQ revisou para cima o crescimento da receita liquida de vendas em 2025. A associação prevê expansão de 7,9%, este resultado mantem a previsão de que a economia irá desacelerar no segundo semestre e provavelmente registrar crescimento de 2% em relação ao 2º semestre de 2024. O segundo semestre deve, portanto, ser marcado por desaceleração das atividades da indústria de máquinas e equipamentos, em razão dos efeitos cumulativos do aperto monetário, da desaceleração da economia global, podendo ainda ser aprofundado pela elevação da tarifa do imposto de importação para bens produzidos pelo Brasil.
Na hipótese de a tarifa subir para 50%, as estimativas apontam para a retração nos principais indicadores macroeconômicos e setoriais. A indústria de máquinas e equipamentos, poderá encolher, em função da medida anunciada pelo Governo Norte-Americano, cerca de R$ 24 bilhões ao ano, o equivalente a 9% da sua receita liquida (R$ 275 bilhões), sendo R$ 19,3 bilhões no curto prazo, em função da perda do mercado norte-americano e R$ 4,8 bilhões no longo prazo, pela redução dos investimentos na economia nacional. Este cenário reduziria o crescimento de 2025 para 5% ao provocar uma queda de 15,1% nas exportações de máquinas e equipamentos.
O Estado de S.Paulo - SP 05/08/2025
A refrega de montadoras de automóveis que ocupou o noticiário nos últimos dias com ameaças e ofensas públicas, tendo de um lado as “tradicionais” General Motors, Stellantis (Fiat e Peugeot, entre outras), Toyota e Volkswagen, e de outro a entrante chinesa BYD, é o reflexo de uma política que há sete décadas cerca de protecionismo a indústria automotiva. Desde o Plano de Metas, de Juscelino Kubitschek, nos idos dos anos 1950, o setor é beneficiário de programas de incentivo que, entra governo, sai governo, são intocáveis.
O plano da vez, direcionado a carros elétricos, propiciou a instalação da fábrica da BYD na Bahia em julho deste ano. Como tradicionalmente ocorre no País, não se trata exatamente de uma fábrica, mas de um centro de montagem de carros que vêm de fora total ou parcialmente desmontados. A invasão de carros chineses já havia começado antes, embalada pela política de tarifa zero para os elétricos, que vigorou até o final de 2023.
Pelos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a China negociou 62.613 carros elétricos com o Brasil no primeiro semestre de 2024, uma alta de incríveis 717% em relação a igual período de 2023. Mais de 90% dos carros elétricos que entraram no País eram chineses. Meses antes da inauguração, a BYD solicitou ao governo a aplicação de tarifa zero, e os concorrentes, que já falavam em dumping, reagiram.
No mês passado, os presidentes das quatro grandes montadoras enviaram ao presidente Lula da Silva uma carta “alertando” para a possibilidade demissões em massa em suas unidades com o incentivo que, avaliaram, não serviria a um modelo de transição, mas a “um padrão operacional que tenderá a se consolidar e prevalecer”. Em resposta, a BYD divulgou uma nota pública acusando-os de “chantagem emocional” e chamando-os de “dinossauros” e de “barões da indústria”.
Foi um espetáculo lamentável, que provocou uma reunião de emergência do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior. Para debelar o incêndio, a solução paliativa foi estabelecer cotas de tarifa zero por seis meses e a partir daí iniciar o cronograma de tarifação que chegará a 35% em janeiro de 2027, um ano e meio antes do previsto.
Polêmica setorial à parte, o fato é que o Brasil fracassou na indução de uma indústria moderna e competitiva no setor automotivo, restando ao consumidor brasileiro pagar caro por modelos bem piores do que os vendidos no exterior.
A substituição de importações vigorou até o início dos anos 1990 e, ainda assim, em 1995 as alíquotas de importação de carros chegaram a inacreditáveis 70%. Os nomes dos programas protecionistas variaram conforme a criatividade do momento (Mover, Rota 2030, Inovar-Auto e Regime Automotivo), mas o objetivo sempre foi um só: impedir que as montadoras locais enfrentassem de fato a concorrência externa e se modernizassem. É difícil acreditar que, passadas sete décadas, o setor ainda precise de incentivos e proteção – e que se engalfinhe publicamente por isso.
Valor - SP 05/08/2025
Em julho, programa que zerou IPI, ajudou na expansão de 13,75% do mercado na comparação com junho; eletrificados avançaram 22,5%
Governo e concessionários comemoraram o aumento de 13,75% nas vendas de carros em um mês. O resultado reflete, em grande parte, o programa de incentivo fiscal Carro Sustentável, que, desde 10 de julho, isentou o IPI dos veículos básicos, com baixo nível de emissões e produzidos no Brasil. Híbridos e elétricos não entram nesse programa. Mesmo assim, registraram crescimento de vendas ainda mais expressivo, de 22,5% também em um mês.
Os primeiros resultados começaram a ser revelados no sábado (2), ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que visitou duas concessionárias em Brasília na companhia do presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Arcelio Junior, que representa os concessionários do país.
“O programa é um sucesso. O presidente Lula zerou o IPI. E as montadoras também ajudam com um bom desconto. É a indústria e o comércio gerando emprego e renda para a população”, comentou Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ao visitar as lojas que expuseram carros que tinham, nas laterais e para-brisas, grandes adesivos, onde se lia: Programa Carro Sustentável.
Em julho, foi vendido o total de 229,9 mil carros e comerciais leves, o que representou o crescimento de 13,75% na comparação com junho. Em relação a julho de 2024, porém, a alta foi menos expressiva, de 1,18%. Mas, segundo o MDIC ouviu dos concessionários, no caso dos chamados carros de entrada, beneficiados pelo programa federal, o aumento de vendas chegou a 11,35% na comparação anual.
Alguns modelos 1.0 e câmbio manual, como o Renault Kwid, Fiat Mobi e Argo e Volkswagen Polo Track, tiveram redução de preços de até R$ 13 mil, somando benefício fiscal e descontos dos fabricantes. Com isso, os novos preços desses modelos variam entre R$ 67 mil e R$ 85 mil.
O programa se estende até o fim de 2026. Alguns fabricantes fizeram alterações em versões de veículos para enquadrá-los no programa. “Um ou dois cavalinhos a menos (no motor), coisa que não faz nenhuma diferença para o consumidor”, comentou o presidente da General Motors América do Sul, Santiago Chamorro, durante evento da marca há cerca de um mês.
Para o presidente da Fenabrave, a “redução da carga tributária para automóveis mais eficientes e acessíveis antecipou decisões de compras dos consumidores”. Ele acredita que o benefício deve trazer impacto positivo no volume de emplacamentos até o fim do ano. Além disso, para o dirigente, o crédito “mais estável” também ajudou.
As compras por frotistas também ajudam o setor. A venda direta, principalmente para locadoras, representou 49,2% dos carros emplacados em julho e 50,3% no acumulado do ano.
Embora possam ser considerados sustentáveis, por óbvias razões, híbridos e elétricos não são beneficiados pelo programa Carro Sustentável. Os 100% elétricos não podem porque ainda não são fabricados no Brasil. E emprego local é condição da qual o governo não abriu mão. Nem mesmo híbridos movidos a etanol produzidos no país, como é o caso dos modelos Toyota, se enquadram, por não serem da categoria “popular”.
Mesmo assim, a demanda por híbridos e elétricos continua a avançar. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a venda dos chamados eletrificados em julho (19 mil unidades) cresceu 22,5% na comparação com junho e 24,2% em relação a julho de 2024.
Nesses dados, a ABVE exclui os chamados híbridos leves, um tipo de veículo que começa a ser fabricado no Brasil - faz parte das linhas Fiat e Chery. Nesse carro, o motor elétrico ajuda o motor a combustão, mas em nenhum momento oferece a experiência da condução elétrica.
Os volumes de híbridos e elétricos ainda são pequenos em relação ao mercado total. Mas a tendência de crescimento é firme. De janeiro a julho, o mercado total de carros e comerciais leves somou 1,36 milhão de unidades, segundo a Fenabrave, alta de 4,37%.
Já o volume dos puramente elétricos e híbridos (incluindo os leves) somou, segundo a ABVE, 139,2 mil unidades, avanço de 47,2% na comparação com janeiro a julho de 2024. Com a expansão, híbridos e elétricos já representam 10% do mercado brasileiro.
Marcas chinesas continuam a registrar recordes. Em julho, a BYD, líder de vendas de elétricos, ficou no oitavo lugar no ranking geral de todas as marcas, com 9,6 mil unidades e fatia de 4,22% do mercado, segundo a empresa. A GWM vendeu 3,9 mil híbridos e elétricos, o maior volume mensal desde o início das operações da marca no país, em abril de 2023.
Dados da Fenabrave mostram que nas vendas acumuladas, a Fiat manteve liderança, com 21,45%, seguida por Volkswagen, com 16,68%, General Motors (10,60%), Toyota (7,81%), Hyundai (7,56%), Renault (5,19%), Jeep (4,81%), Honda (4,27%), BYD (4,22%) e Nissan (3,15%).
O Estado de S.Paulo - SP 05/08/2025
As vendas da Tesla estão em queda livre. A General Motors e outras montadoras estão aumentando a produção de picapes grandes e veículos utilitários esportivos. Os republicanos acabaram com os incentivos para a compra de veículos elétricos nos Estados Unidos.
Os veículos elétricos perderam claramente o ímpeto nos Estados Unidos. E os carros e caminhões com motor a combustão estão desfrutando de um renascimento, para o desânimo dos ambientalistas que se preocupam com a poluição do ar e os gases de efeito estufa.
Mas há motivos para acreditar que os veículos elétricos continuarão sendo uma parte significativa do mercado automotivo dos EUA e que as vendas desses modelos acabarão crescendo novamente nos próximos meses.
Os veículos elétricos da Tesla e de alguns outros fabricantes de automóveis são menos vulneráveis às tarifas do presidente Trump do que muitos carros convencionais, porque mais de suas peças são fabricadas nos Estados Unidos. Grupos de defesa estão realizando campanhas de marketing para enfatizar os custos mais baixos de combustível e outras vantagens dos veículos elétricos. E os fabricantes de automóveis parecem perceber que não podem desistir dos carros elétricos se quiserem permanecer competitivos globalmente.
Washington tornou-se hostil aos carros elétricos
A política governamental sobre veículos elétricos mudou desde que Trump foi eleito. Para os consumidores, a mudança mais visível é a eliminação dos créditos fiscais de até US$ 7,5 mil para a compra e locação de veículos elétricos.
Os créditos, que existiam de várias formas desde o início dos anos 2000 e foram revividos pelos democratas quando Joe Biden era presidente, agora expirarão no final de setembro, de acordo com a grande política e lei tributária que Trump assinou em julho.
Em junho, o presidente descreveu os incentivos federais para veículos elétricos como uma “obrigação que forçava todos a comprar carros elétricos que ninguém queria”. A meta do governo Biden era que metade das vendas de carros novos fossem elétricos até o início da próxima década, o que significa que ainda seria fácil comprar um carro a gasolina.
Analistas esperam um aumento nas vendas de veículos elétricos, já que as pessoas correm para aproveitar o crédito, mas uma queda acentuada depois disso. Até 2030, haverá 8,3 milhões a menos de veículos elétricos e híbridos plug-in nas estradas dos EUA do que haveria se os incentivos tivessem permanecido em vigor, de acordo com um estudo liderado por Jesse Jenkins, professor assistente da Universidade de Princeton.
Os republicanos também aboliram as penalidades por violações das normas de qualidade do ar, que pressionavam as montadoras a produzir veículos elétricos. Isso deu às montadoras luz verde para produzir mais picapes grandes e veículos utilitários esportivos, que tendem a ser muito lucrativos.
A GM está entre as empresas que exploram essas mudanças nas políticas. A montadora, a maior dos Estados Unidos, está investindo US$ 900 milhões para fabricar motores V-8 perto de Buffalo. Os veículos movidos a gasolina ou diesel agora têm “uma pista mais longa”, disse Mary T. Barra, diretora executiva da GM, no mês passado.
Infomoney - SP 05/08/2025
Os licenciamentos de carros e comerciais leves cresceram no Brasil em julho, tanto em relação ao mesmo período do ano passado quanto em comparação a junho, impulsionados pela redução na carga tributária que entrou em vigor no início do mês passado, anunciou a associação de concessionários Fenabrave nesta segunda-feira.
As vendas de carros e comerciais leves em julho somaram 229,95 mil unidades, um crescimento de 13,75% em relação ao mês anterior e avanço de 1,18% na comparação anual.
O programa Carro Sustentável, lançado pelo governo federal em julho, reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o que, segundo o presidente da Fenabrave, contribuiu para a alta nas vendas.
“A nova política de IPI para automóveis impactou os preços dos veículos de entrada, estimulando a demanda já no mês da sua implementação. Isso deve refletir nos emplacamentos do restante do ano, fazendo com que o setor mantenha o crescimento estimado pela Fenabrave, de 5%”, disse Arcelio Junior em comunicado à imprensa.
Incluindo ônibus e máquinas agrícolas, as vendas de veículos novos em julho somaram 243,2 mil unidades, crescimento de 14,25% em relação a junho e alta de 0,8% na comparação anual, segundo dados da entidade.
Valor - SP 05/08/2025
Onda de licitações bilionárias e de PPPs de mobilidade urbana atraiu novos investidores
A indústria metroferroviária vive uma onda de licitações, impulsionada por contratações bilionárias e por Parcerias Público-Privadas (PPPs) de mobilidade urbana, que têm movimentado o mercado no país.
Na última semana, o governo paulista anunciou que os chineses da CRRC deverão instalar uma fábrica em Araraquara (SP) para atender projetos locais. Em paralelo, a francesa Alstom, principal fabricante no país, começa a se preparar para disputar diretamente licitações do governo paulista, como forma de garantir a contratação de seus trens e serviços, diante da competição maior.
Até mesmo a CAF, que segundo fontes do setor estava com sua produção no interior de São Paulo praticamente parada, voltou à atividade. A empresa fará a readequação de carros de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que havia fabricado no passado para um projeto em Cuiabá (MT), que não saiu do papel, e agora serão destinados ao governo da Bahia, para uma nova operação em Salvador.
“É um momento especial para o setor. Nem na época da Copa do Mundo o mercado foi tão aquecido no país como está agora. Há realmente um ‘boom’ do setor metroferroviário que nunca vi. Isso não só no Brasil, mas na América Latina, com muitas linhas novas”, afirmou a diretora-geral da Alstom no Brasil, Suely Sola.
Hoje, a fábrica da companhia em Taubaté (SP) opera sem ociosidade, com projetos no Brasil e para exportação. A empresa já tem diversos projetos no radar para manter o ritmo de produção à medida que as encomendas atuais forem entregues.
Uma das licitações em estudo é a PPP das Linhas 10 e 14 de trens urbanos em São Paulo, que a Alstom avalia disputar em consórcio com um grupo de construção civil, segundo Sola. Em geral, a fabricante tem atuado nas concessões como fornecedora, porém agora poderá se tornar operadora direta. O governo paulista planeja licitar ainda neste ano a concessão - outra provável concorrente no leilão é a chinesa CRRC.
Segundo a executiva, a estratégia de entrar no capital do projeto busca elevar a probabilidade de o grupo ser o fornecedor dos trens e dos sistemas de sinalização. Além disso, ela avalia que as condições do edital são positivas, embora a empresa ainda esteja em diálogo com o Estado sobre sugestões de mudanças.
Na visão de uma fonte, trata-se de uma forma de a empresa se manter competitiva diante do avanço da chinesa no mercado brasileiro. A CRRC, que já conquistou PPPs em São Paulo e em Minas Gerais, decidiu instalar uma fábrica no país após vencer uma concorrência do Metrô paulista para fornecer 44 trens. O investimento será de R$ 50 milhões a princípio, o que foi visto no setor como uma indicação de que, por ora, a atividade será limitada, apenas com a montagem final no local.
Na visão de Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), a instalação da chinesa no país é importante, porque traz isonomia tributária com as empresas presentes no Brasil. “Quando trazem os trens completos e a importação é feita pelo governo, há isenção tributária, eles ficam mais competitivos. Mas, estando no Brasil, terão os mesmos benefícios e as mesmas agruras das demais fabricantes”, disse.
Hoje, a maior parte das oportunidades da indústria está em São Paulo. Além do leilão das linhas 10 e 14, outros projetos que deverão sair até 2026 são os aditivos de extensão das linhas 4 e 5 do Metrô, em negociação com a Motiva (ex-CCR); a extensão da linha 6, da Acciona; e o Trem Intercidades de Sorocaba, que deverá ter leilão no próximo ano. Adicionalmente, o governo deverá abrir em agosto as audiências públicas para a nova linha 16, que está sendo estudada pela Acciona, segundo o secretário de parcerias em investimentos do Estado, Rafael Benini.
“Além disso, nos próximos dez anos vai haver uma grande renovação da frota do Metrô de São Paulo. O ciclo de vida de um trem é de até 50 anos aproximadamente, e o Metrô completou 50 anos”, afirmou o secretário.
Em outros Estados, Abate cita também possíveis oportunidades de VLT em Curitiba, renovações de frota e expansões no Metrô de Brasília, compra de trens no sistema do Rio Grande do Sul e eventuais projetos no Ceará, entre outros. “Nossa expectativa é que esses sistemas de transporte vão avançar e, com isso, naturalmente a indústria terá um aumento das encomendas”, disse.
A Marcopolo Rail, cujo foco de atuação tem sido projetos de menor porte de VLT, trens regionais e turísticos, também enxerga um potencial de crescimento do mercado. A companhia, criada como uma nova divisão da Marcopolo em 2019, está finalizando a entrega dos trens para o “people mover” que irá conectar os trens urbanos de São Paulo ao aeroporto de Guarulhos, e deverá fornecer trens para o VLT de Teresina.
Hoje, a planta da empresa tem capacidade para produção de até 30 carros por ano, mas conforme novos projetos forem conquistados, a companhia planeja expandir a unidade, afirmou Petras Amaral Santos, gerente executivo da Marcopolo Rail. “Temos mapeado o mercado e já vemos a possibilidade de aumento de volume de produção”, disse.
Entre as oportunidades que interessam à empresa estão linhas entre cidades, como os projetos de Brasília-Luziânia, Salvador-Feira de Santana, entre outros.
Portos e Navios - SP 05/08/2025
A descarbonização do transporte marítimo é um dos grandes desafios da atualidade - e também uma prioridade estratégica para a Transpetro. Em sintonia com as metas da Organização Marítima Internacional (IMO), que prevê a neutralidade nas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050, a companhia vem implementando soluções inovadoras para tornar sua frota cada vez mais eficiente e sustentável.
Além de contribuir para o meio ambiente, a descarbonização também representa uma oportunidade de economia significativa. Operações mais eficientes, com menor consumo de combustível, reduzem custos operacionais e aumentam a competitividade da companhia no mercado global.
Desde 2022, a Transpetro reduziu suas emissões absolutas na operação marítima em mais de 9%, resultado de um trabalho contínuo e comprometido com a descarbonização. Esse resultado combina tecnologia, inovação e responsabilidade ambiental.
Dentre as melhorias implantadas na frota da Transpetro, estão a utilização de apêndices hidrodinâmicos de casco, propulsor e leme; sistemas de otimização de combustão; o monitoramento e controle da velocidade dos navios por meio de software; e a limpeza de casco e aplicação de tinta especial, impedindo a formação de incrustações que impactam o desempenho da navegação e contribuem para a redução do consumo de combustível.
A inovação também está presente nas operações do dia a dia. Um exemplo é a adoção pioneira no Brasil do uso de drones para inspeção de tanques. Essa tecnologia fortalece a segurança ao reduzir a exposição de profissionais a espaço confinados, além de diminuir o tempo de parada das embarcações, o que acelera o retorno à operação e gera ganhos operacionais.
Olhando para o futuro, os novos navios do Programa de Ampliação e Renovação da Frota do Sistema Petrobras já estão sendo projetados com tecnologias que atendem aos padrões de emissão da Organização Marítima Internacional (IMO), com redução esperada de até 30% nas emissões em relação à frota atual. Essas embarcações contarão com sistemas mais eficientes e a possibilidade de adaptação para o uso de etanol como combustível alternativo, com potencial de neutralidade nas emissões.
Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são fundamentais para o sucesso do plano de descarbonização. Nos últimos anos, destinamos mais de R$ 35 milhões a projetos de eficiência energética e estamos projetando um investimento adicional de R$ 48 milhões para o futuro.
Na Transpetro, reafirmamos nosso compromisso com a sustentabilidade e a transição energética justa. Integramos tecnologia e inovação em nossas operações e queremos nos manter no grupo de empresas que lidera as mudanças da matriz energética brasileira. Estamos empolgados com as perspectivas que se apresentam à frente e seguimos firmes em nossa missão de contribuir para o desenvolvimento tecnológico na cadeia produtiva mundial da navegação.
Globo Online - RJ 05/08/2025
Prestes a participar de reunião com o Ibama no próximo dia 12, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirma que o governo está à beira de um consenso sobre a licença ambiental para perfurar na Margem Equatorial.
De sua sala, onde um painel monitora em tempo real a produção de petróleo e os preços dos combustíveis no Brasil, ela se prepara para o novo plano de negócios, que dará prioridade a projetos mais atrativos.
Como ela resumiu ao GLOBO, com o preço do barril em queda, alguns vão voltar para a prancheta. Magda citou ainda o desconforto com o uso da marca BR Distribuidora pela Vibra — incomoda a companhia ter a imagem associada a preços considerados elevados.
Sobre o setor petroquímico, ela afirmou que, antes de selar o casamento com um novo sócio, quer conhecê-lo bem, e que uma Braskem completamente independente não é o melhor. Veja a seguir os principais trechos da entrevista ao GLOBO.
Por que a queda nos preços dos combustíveis não chega nas bombas, apesar da redução na refinaria?
A Petrobras influenciava através da redução no preço na refinaria em paralelo com a BR Distribuidora, que chegava ao consumidor final. No momento que se saca a BR Distribuidora do Sistema Petrobras, a empresa passa a ser privada, e o poder estatal deixou de poder influenciar essa ponta. É por isso que quando a gente tem reduções sensíveis, o consumidor não tem a percepção disso porque ela fica no meio do caminho.
Foi um erro vender a BR Distribuidora (hoje Vibra, privatizada no governo Bolsonaro)?
Tem gente que acredita que sim, tem gente que acredita que não. Meu ponto de vista é que o Estado perde sinergias importantes, e o consumidor sente isso no bolso.
O presidente tem cobrado a redução dos preços na bomba e foi aberta investigação no Cade. A Petrobras avalia alguma medida?
Quem controla preço ao consumidor é o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Ele é que tem que ver se a concorrência está funcionando. O Estado foi perdendo a capacidade de controlar o preço na ponta, no momento em que decidiu tirar a BR da Petrobras.
A Petrobras quer voltar ao mercado de distribuição?
No momento a gente não pode discutir isso. Fizemos a venda da BR Distribuidora com cláusula de não competição até 2029. Então, qualquer debate no momento é inócuo. E o mercado muda muito até 2029. Hoje temos espaço para venda direta de diesel e gás natural a grandes consumidores.
A gente é muito questionado sobre o preço do gás, mas desde 31 de dezembro de 2022, o gás natural já abaixou de preço mais de 40%, e a Petrobras continua respondendo por essa pressão de que o preço é alto. Há tarifas de transporte e a distribuição, que é estadual.
A Petrobras pode fazer alguma manifestação sobre os preços na ponta no Cade?
Seria extrapolação de funções. Nossa função é vender o produto, fazendo o melhor possível para os investidores, sejam privados ou governamentais. Nosso papel vai até a refinaria. O que a gente faz é alertar: baixamos o preço e não estamos percebendo ele ser refletido na bomba. Não passa de um alerta.
Existe algum mecanismo para negociar com a BR e rever o uso da marca?
Uma das primeiras reuniões que fiz com a Vibra aqui nós falamos disso. O que nos incomoda é a nossa marca exibir preços de combustíveis que a gente considera elevados. A gente tem a Vibra usando a nossa marca.
A empresa já oficiou a Vibra demandando o debranding (remoção de marca). Isso foi na época do Jean Paul (Prates, ex-presidente), mas na 1ª reunião que fiz com eles, quando perguntaram sobre debranding falei que a gente tinha um incômodo (preocupação) com a qualidade do combustível nos postos da BR ser a melhor possível e de não ter preço muito elevado associado a nossa marca.
Vê dano de imagem, já que o consumidor ainda pode relacionar a BR à Petrobras?
Essa é uma questão para nós.
A Petrobras fez algum plano de contingência antes de o petróleo entrar na lista de exceções ao tarifaço de 50% anunciado por Donald Trump sobre as exportações brasileiras para os EUA?
A Petrobras vende para os EUA cerca de 10% das suas exportações, principalmente óleo cru e gasolina. A gente não tem problema para reposicionar essa exportação. Temos a Ásia, com Índia e China demandando cada vez mais de nós. Há países que nos dizem “tudo que você quiser vender para mim eu compro”. Em termos de gasolina e óleo cru não tenho preocupação. Seria extremamente fácil.
Mas o etanol ficou de fora das exceções. Isso afeta os planos?
O etanol é elemento para o SAF (querosene de aviação sustentável), que está no auge do debate para a transição energética. Talvez isso seja até um reforço para a gente acelerar o processo do SAF.
E já tem contrato de fornecimento de SAF para as companhias aéreas?
Ainda não tem contrato. Por enquanto a demanda é de 1% de combustível renovável no querosene de aviação a partir de 2027. O que estamos fazendo é antecipar a oferta. Vamos ter de ajustar por qual preço conseguimos vender esse produto para antecipar a demanda das companhias.
Como está a volta ao mercado de etanol? Negociam parcerias?
Estamos avançando com as negociações. Vejo a Petrobras como uma noiva a ser disputada. Acredito que possa sair este ano.
A importação do diesel russo cresceu 230% no segundo trimestre. Como fica o mercado se houver uma restrição imposta pelos EUA?
Não compramos diesel russo. A maior quantidade de diesel que a gente compra é do Golfo do México, seguido da Índia. (Eventual proibição) Vai afetar meus concorrentes. A nossa formulação de preços está seguindo completamente dentro dos padrões. O impacto pode ser no market share, com ganhos para a Petrobras.
O plano de negócios 2025-2029 é US$ 111 bilhões. Quais os desafios para formular o novo plano com o nível atual, mais baixo, do preço do petróleo?
Quando o preço do petróleo aumenta, a companhia fica mais folgada. Quando o preço diminui, é mais pressionada. Estamos discutindo quanto mais eficiente a gente pode ser. Vou demandar projetos de mais alta atratividade. E limitar isso pela capacidade de investimento e de dívida, porque não estamos falando em aumentar dívida. Vamos fazer o que maximizar valor. Esse projeto é absolutamente necessário para questão de segurança e meio ambiente ou pode ser um iPhone 14, por exemplo? Preciso do iPhone 15 e 16 ou posso viver com o iPhone 14? Alguns projetos estão inclusive voltando para a prancheta. Vamos fazer questão de projetos os mais atrativos possíveis.
E como equacionar isso com demandas do governo, já que ano que vem é ano de eleição?
Vocês estão vendo por aí que eles estão satisfeitos comigo. Não posso reclamar de meus investidores governamentais, privados e esse fim de semana recebi até elogio da Faria Lima.
Pode haver postergação em projetos de transição?
Mais ou menos um terço dos meus investimentos em pesquisa e desenvolvimento estão indo para a transição energética. É por isso que eu falo em adição energética. A nossa transição energética virá com muita adição de renovável. Não tem outro jeito.
Haverá reunião com o Ibama no dia 12 para tratar da perfuração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas na Margem Equatorial. Qual é a expectativa?
A expectativa é que, no dia 12, seja definido como é que vai ser a APO (Avaliação Pré-Operacional, que é a realização de testes de simulação para verificar a capacidade da empresa em proteger a fauna em caso de acidente). Esse é o último passo.
Em fevereiro, entregamos o segundo centro de despetrolização da fauna. No fim de junho, fiscalizaram as embarcações e as aeronaves que estavam disponíveis para fazer a APO. Essa verificação teve laudo apresentado à Petrobras no início de julho. A gente imaginava que, logo a seguir, fosse a APO, mas aí a notícia que tenho é que teve férias da equipe técnica do Ibama.
Qual é o impacto do atraso na Margem Equatorial?
O impacto é uma sonda parada que, entre os custos de bens e serviços e a sua diária, chega a R$ 4 milhões por dia.
A Margem Equatorial causou divisão no governo. O que leva a senhora a crer que esse assunto pode ser resolvido ainda nesse governo?
É porque acho que o debate hoje (da Margem Equatorial) já está beirando o consenso. Tem muito poucas vozes dissonantes. Continuo otimista. O país entende essa necessidade e a coexistência com a ampliação das energias renováveis e a produção do petróleo.
Tempos atrás se dizia que tinha coral lá, e hoje todo mundo já sabe que não estava lá. Os argumentos vão caindo um por um. O que a gente precisa é falar sobre eles. A grande mudança da administração foi essa: botar luz sobre um assunto que precisa ser resolvido.
Saindo essa licença, a senhora acha que pode ser a maior conquista da sua gestão?
Espero uma série de conquistas. Se for só essa, ficarei triste. Espero entregar a Petrobras com mais produção, menor custo, mais integrada e conhecida pela sociedade.
E quais são os planos da empresa para as áreas além da Margem Equatorial?
Continuar investindo na margem leste, com pré-sal e pós-sal. As oportunidades que a ANP ofereça, seja no polígono do pré-sal ou fora dele, estão sempre sobre a nossa mesa. E estamos diversificando na África. E olhando a Índia.
A Petrobras pediu ao Cade para participar das conversas entre o empresário Nelson Tanure e a Braskem. O que a estatal quer nessa discussão?
A Petrobras tem direito de preferência no negócio. É um ator relevante porque tem quase a metade da Braskem em termos de ações com direito a voto. E queremos saber, primeiro, quem é o sócio. Segundo, quais são as intenções. Já que a gente vai casar, queremos saber quem é o noivo. E terceiro, o que significa para o nosso negócio. Não temos intenção de comprar a Braskem, estatizá-la e transformá-la em uma parte da Petrobras.
A Petrobras quer aumentar a participação na gestão?
A Petrobras não concorda com a completa independência da Braskem. Na empresa, cada ativo trabalha por si, sem se relacionar com a diretoria colegiada que define os rumos. A gente não concorda. Precisamos exercer mais poder na Braskem. Queremos exacerbar as sinergias entre Petrobras e Braskem. Não é útil para a gente uma Braskem independente demais porque a gente perde essa sinergia. E perdendo sinergia, você deixa dinheiro sobre a mesa.
TN Petróleo - RJ 05/08/2025
A PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) realizará, no próximo dia 14, um leilão spot para comercializar uma carga de 500 mil barris de petróleo da União do campo de Atapu, no pré-sal da Bacia de Santos. A carga tem previsão de carregamento entre outubro e novembro de 2025.
Ao todo, 15 empresas foram convidadas para participar do certame. As ofertas de preço ,referenciadas pelo Brent datado, serão abertas em tempo real em reunião realizada com a participação de representantes das empresas que apresentarem propostas por escrito. Após a abertura, haverá possibilidade de disputa em viva voz entre os proponentes habilitados.
Esta é a segunda comercialização spot realizada pela PPSA em 2025. Em março, a empresa comercializou duas cargas de petróleo da União do campo de Itapu, com volume estimado de 500 mil barris cada. Em junho, a empresa também realizou o 5º Leilão de Petróleo da União, comercializando 74,5 milhões de barris na B3.
Globo Online - RJ 05/08/2025
O grupo britânico BP anunciou nesta segunda-feira que fez sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos na costa do Brasil. O campo de Bumerangue está localizado na Bacia de Santos, a cerca de 400 quilômetros do Rio de Janeiro, e se estende por mais de 300 km², uma área aproximadamente cinco vezes maior que a de Manhattan.
"Estamos empolgados em anunciar esta descoberta significativa (...) a maior realizada pela BP em 25 anos", afirmou Gordon Birrell, vice-presidente executivo da BP, em um comunicado.
A descoberta foi a maior da empresa considerando todas as suas áreas de atuação desde 1999, quando foi identificado Shah Deniz, um gigantesco campo de gás no Mar Cáspio que contém cerca de 35 trilhões de pés cúbicos de gás (990 bilhões de metros cúbicos), informou um porta-voz da BP ao jornal britânico "Financial Times".
A empresa detém 100% dos direitos de exploração do campo, que foi arrematado em lance único pela BP em leilão realizado em 2022. Naquele ano, foi realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) o 1º Ciclo de Oferta Permanente no modelo de Partilha de Produção, usado em campos do pré-sal.
Nesta modalidade, a empresa que arremata o bloco precisa destinar à União um percentual do lucro óleo, ou seja, a parcela de petróleo excedente àquela utilizada para cobrir os custos de produção e investimentos. A BP ofereceu direcionar 5,9% do lucro óleo ao governo brasileiro.
O campo de Bumerangue fica na mesma região do bloco de Aram, área de exploração operada pela Petrobras em parceria com a estatal chinesa CNPC, onde em maio foi identificada a presença de petróleo. A estimativa da ANP é de que Aram tenha 29 bilhões de barris de petróleo in place, volume considerado excepcional pelos técnicos da reguladora.
Nesse cenário, a perspectiva para Bumerangue é também de um grande volume de reservas, como observa Alexandre Szklo, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ.
Ele acredita, porém, que os níveis elevados de concentração de dióxido de carbono detectados pela BP devem criar um desafio na extração, aumentando custos de processamento. Acredita-se que Bumerangue contenha uma mistura de gás, condensado e petróleo, mas a companhia britânica afirmou que ainda é cedo para avaliar o tamanho ou a qualidade das reservas.
— O CO2 em alta concentração impede a exploração do gás natural. Quando se comprime o gás junto com o CO2, se forma clatrato, um composto sólido que corrói o duto de transporte do gás para a costa. E deixar que o dióxido de carbono vá para a atmosfera, claro, não é uma solução, porque isso implica num aumento na emissão por barril de petróleo — explica.
Ele continua:
— A solução é desenvolver a captura do CO2 e a inserção dele de volta no reservatório ou numa área adjacente. Tecnologicamente, isso já está desenvolvido, mas vai impactar no custo do processo de tanto de extração quanto de pré-tratamento do gás na plataforma.
Para Rivaldo Moreira Neto, diretor sênior da consultoria A&M Infra, apesar de ainda não haver detalhes sobre o tamanho da reserva, o anúncio pode indicar um novo momento para o setor, com estímulo a novas descobertas nos blocos arrematados no leilão de 2022.
— Certamente pode ajudar a manter o Brasil no radar dos principais destinos em termos de prioridade de novos investimentos e exploração — afirma.
Ele também destaca que o anúncio da BP reforça e deve servir de estímulo aos investimentos de petroleiras na exploração de petróleo, numa "reorientação" do portfólio depois de avanços em energias renováveis nos últimos anos:
— É uma "redescoberta" das empresas do petróleo para o próprio petróleo. A preocupação volta a ser intensificar investimentos em exploração para garantir a perenidade das reservas e uma posição mais relevante ao longo do prazo. O setor volta a olhar para a rentabilidade sem abandonar as metas (de descarbonização), mas recalibrando as rotas. É estruturar novos projetos sem abrir mão daquilo que o petróleo gera, que é a previsibilidade de receita.
Colocar um campo em águas profundas no Brasil em produção pode levar entre quatro e dez anos.
Na terça-feira, o grupo apresentará seus resultados do segundo trimestre. A BP acaba de anunciar a nomeação do irlandês Albert Manifold como presidente do seu Conselho de Administração. A empresa está sob escrutínio devido aos rumores de fusão com a rival britânica Shell.
Também está sob pressão do fundo de investimento americano Elliott, conhecido por exigir mudanças estratégicas nos grupos em que investe e que oficializou recentemente sua entrada no capital da BP.
O Estado de S.Paulo - SP 05/08/2025
Além de destacar o Brasil na oferta global, o anúncio de uma nova descoberta pela British Petroleum (BP), a maior da companhia em 25 anos, posiciona melhor a petroleira britânica, recentemente alvo de rumores sobre uma possível compra pela Shell, avaliam especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast. Eles acreditam ainda que a descoberta de um reservatório de petróleo de alta qualidade no campo Bumerangue, no pré-sal da Bacia de Santos, pode beneficiar os blocos que serão ofertados em leilão pelo governo brasileiro em outubro.
Apesar da negativa da Shell, o mercado financeiro especula que a empresa estaria interessada em adquirir a BP. Na avaliação de Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, o anúncio da descoberta posiciona melhor a petroleira britânica para uma eventual negociação.
Para ele, a depender do tamanho da descoberta, o achado poderá elevar o preço da BP no mercado e também mostrar que o petróleo ainda é o caminho para a companhia, já que, nos últimos anos, diversificou suas operações para energias renováveis.
“Se o óleo for muito bom, comerciável, pode significar a sobrevida para a BP também...Pode mostrar para eles (BP) que o caminho ainda é petróleo”, afirma Almeida.
A BP possui hoje oito blocos em três bacias geológicas. Atualmente, opera quatro áreas: Pau Brasil, Bumerangue, Tupinambá (Santos) e BAR-M-346 (Barreirinhas). Os demais blocos são administrados por parceiros.
Segundo a BP, o novo reservatório no campo Bumerangue está cerca de 500 metros abaixo do topo da estrutura e atravessou uma coluna bruta de hidrocarbonetos estimada em 500 metros, em um reservatório de petróleo de alta qualidade, como ocorre nos demais campos do pré-sal.
A empresa informou que as análises já feitas indicam níveis elevados de dióxido de carbono (CO2). O anúncio foi feito a dois dias do prazo final para que as companhias se inscrevam no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (OPP) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Ao Estadão/Broadcast, o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás Natural (IBP), Roberto Ardenghy, classificou a notícia como positiva e no “timing” perfeito, pois confirma a prospectividade dessas áreas e reforça a vantagem de ter múltiplos operadores no país.
“Esse anúncio mostra a prospectividade do pré-sal em regiões não tradicionais. Há muita gente que acha que ainda tem muito petróleo a ser descoberto no pré-sal, e essa indicação (da BP) é uma indicação muito boa, positiva”, avaliou.
O bloco Bumerangue foi adquirido pela companhia no leilão da ANP em 2022, mas, como está submetido ao regime de partilha, tem a União como sócia, por meio da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).
“Parabenizamos a BP por este resultado e vamos seguir acompanhando com atenção as próximas etapas de avaliação previstas. Importante para o País contar com mais uma operadora com resultados positivos no pré-sal. Descobertas como esta reforçam a atratividade do pré-sal brasileiro e o papel estratégico do regime de partilha, podendo aumentar a médio e longo prazo a produção da União e, consequentemente, trazer mais benefícios à sociedade brasileira”, afirma o diretor de Gestão de Contratos da PPSA, Evamar Santos, estatal que representa a União nos contratos do pré-sal.
Oferta global
O evento desta segunda-feira, 4, também tem potencial para fazer o Brasil se destacar na oferta global, pontua Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
“A notícia de hoje é um sinal que o Brasil pode continuar expandindo a sua produção de petróleo nos próximos anos, mesmo no pré-sal na Bacia de Campos ou nas bacias que já estão sendo exploradas atualmente, levando a um aumento da produção e, consequentemente, da exportação de petróleo brasileiro no curto e médio prazo”, pontua.
Conforme mostrou mais cedo o Estadão/Broadcast, a petroleira planeja aumentar sua produção global upstream para uma faixa entre 2,3 milhões e 2,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2030, com capacidade para elevar a produção até 2035.
Apesar de a empresa não ter divulgado dados sobre a vazão do poço e a composição dos hidrocarbonetos, Edmar Almeida, professor e pesquisador do Instituto de Energia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), observa certo otimismo na divulgação da companhia.
“Um ponto importante é que é um bloco que só tem a BP. Então, para a empresa, se for um campo gigante, tipo Lula (Tupi), pode ser um game changer (divisor de águas) para a petroleira britânica”, avaliou Almeida.
Por outro lado, o especialista destaca que há exemplos de campos que não se mostraram viáveis. “Este foi o caso de Júpiter”, explica, referindo-se a um campo da Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos que, apesar de apontar para excelente produtividade, esbarrou em entraves técnicos para ser explorado.
Na visão do ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, para que o Brasil possa aproveitar plenamente novas descobertas, é preciso enfrentar desafios estruturais.
“Falta um modelo robusto para aproveitar o gás do pré-sal. Sem infraestrutura de escoamento (gasodutos), regulação clara e mercado, muitas descobertas ficam ‘presas no papel’”.
Money Times - SP 05/08/2025
As ações da Brava Energia (BRAV3) acompanham as demais petrolíferas no pregão desta segunda-feira (4), que operam em queda no Ibovespa (IBOV), em linha com o recuo dos preços do petróleo.
No entanto, mais cedo, a Brava divulgou dados preliminares de produção referentes ao mês de julho que agradaram analistas ao mostrar uma renovação do recorde da companhia.
A companhia reportou uma média diária de 90,9 mil barris de óleo equivalente (boe) no período, ante 87,2 mil boe/d reportados em junho. O resultado, segundo o relatório divulgado ao mercado, reflete principalmente a evolução do segmento offshore (extração no mar).
Por volta de 15h20 (horário de Brasília), BRAV3 recuava 1,34%, a R$ 19,13. Acompanhe o tempo real.
No mesmo horário, o Brent caía 1,22%, enquanto o WTI recua 1,56%, pressionando os papéis do setor na B3.
Números da Brava Energia animam
Os analistas Vicente Falanga, do Bradesco BBI, e Ricardo França, da Ágora Investimentos, avaliam que a produção permaneceu forte no último mês, sustentada pelo desempenho estável em terra e pelo crescimento gradual dos campos marítimos.
“A conexão de dois novos poços em Atlanta durante o mês deverá impulsionar novos aumentos de produção em agosto”, ponderam os analistas.
A XP Investimentos coloca que o aumento na produção já era esperado e amplamente antecipado nos dados de produção da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
No entanto, isso não deixa de ser uma notícia positiva. Os analistas Regis Cardoso e João Rodrigues destacam que os três principais ativos — Atlanta, Papa-Terra e Potiguar — se saíram bem no último mês.
“Notavelmente, Atlanta está agora produzindo em todos os seus seis poços, marcando a conclusão da fase 1 do projeto de desenvolvimento do campo. Espera-se que o ativo atinja seu pico de produção nos próximos meses”, avaliam.
O Itaú BBA endossa o coro de reações positivas ao recorde da Brava, apesar de concordar que os números puderam ser amplamente antecipados.
Para Monique Martins e Eric de Mello, que assinam o relatório, o resultado reflete melhorias em Papa-Terra, que registrou seu melhor resultado de produção desde agosto de 2021, e a conexão de novos poços no campo de Atlanta.
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