SEGS.com.br - SP 05/02/2026
A Aperam acaba de ser recertificada no ResponsibleSteel, principal padrão global de sustentabilidade do setor siderúrgico, e permanece como a única fabricante de aço inoxidável na América Latina a manter a certificação. Com a renovação, concluída em janeiro de 2026, a empresa reafirma sua posição de liderança regional em aço inox sustentável, com uma das menores pegadas de carbono do setor. A recertificação tem validade de três anos, até 2029.
O resultado ganha ainda mais importância diante do impacto climático da cadeia do aço. Segundo a ResponsibleSteel, a siderurgia responde por cerca de 10% das emissões globais. Nesse contexto, a Aperam se diferencia por uma rota produtiva baseada em fontes limpas, com uso de 100% de carvão vegetal renovável nos altos-fornos - em vez do coque, carvão mineral de origem não renovável - e investimentos contínuos em eficiência energética e economia circular.
No Brasil, além da Aperam South America, apenas a ArcelorMittal possui certificação ResponsibleSteel considerando o setor siderúrgico como um todo, o que atesta o caráter seletivo e rigoroso do processo. A auditoria é conduzida por uma rede internacional de organismos independentes, com critérios ambientais, sociais e de governança (ESG).
“O Aço Verde Aperam nasce de uma cadeia de valor verdadeiramente sustentável. Estamos falando de energia renovável, reaproveitamento de sucata, reuso de água e beneficiamento de coprodutos. Na economia verde, nada se desperdiça: aproveitamos tudo. Em contraste, parte do aço chinês chega ao país subsidiado, em um contexto de concorrência desleal, e é produzido com fontes altamente poluentes, como o coque, na contramão do esforço global de descarbonização”, afirma Edimar de Melo Cardoso, diretor Industrial da Aperam.
Nos últimos meses, a companhia passou por um rigoroso ciclo de auditoria internacional, com análise documental, observações presenciais nas unidades e entrevistas com colaboradores, fornecedores, clientes, comunidades e representantes do poder público. A avaliação considera princípios como liderança corporativa, sistemas de gestão ESG, relacionamento com comunidades locais, mudanças climáticas e emissões de gases de efeito estufa, além de aspectos como ruído, efluentes e resíduos, gestão hídrica e biodiversidade.
Sobre a Aperam
A Aperam é uma empresa global no setor de aço inoxidável, elétrico e especial, além de reciclagem, com clientes em mais de 40 países. Desde janeiro de 2022, o negócio está organizado em quatro segmentos principais: Aço Inoxidável e Elétrico, Serviços e Soluções, Ligas e Especialidades e Reciclagem e Renováveis. A Aperam está totalmente comprometida em ser a principal criadora de valor na economia circular de materiais infinitos que transformam o mundo.
A Aperam tem uma capacidade de produção de aço inoxidável e elétrico de 2,5 milhões de toneladas no Brasil e na Europa e é líder em ligas e produtos especiais de alto valor, com presença na França, China, Índia e Estados Unidos. Além da sua rede industrial, distribuída por 16 instalações de produção no Brasil, Bélgica, França, Estados Unidos, Índia e China, a Aperam possui uma rede altamente integrada de distribuição, processamento e serviços, e uma capacidade única de produzir aços inoxidáveis e especiais com baixa pegada de carbono a partir de biomassa, sucata de aço inoxidável e de ligas de alto desempenho.
Com a BioEnergia e a sua capacidade única de produzir carvão vegetal a partir de florestas certificadas pelo FSC® e com a ELG - líder global na recolha, comercialização, processamento e reciclagem de sucata de aço inoxidável e ligas de alto desempenho -, a Aperam coloca a sustentabilidade no centro do seu negócio, ajudando clientes em todo o mundo a destacar-se na economia circular.
Veja - SP 05/02/2026
A ata do Copom deixou claro que o Banco Central começa a enxergar luz no fim do túnel após um longo período de aperto monetário. Para Daniel Telles, gestor da Valor Investimentos, o documento apenas confirma o que já vinha sendo indicado nas comunicações recentes. “Abre-se sim esse espaço para o corte em março”, afirma. Segundo ele, a autoridade monetária segue cada vez mais “data driven” e só chegou até aqui depois de um “trabalho duro, rígido”, com a Selic estacionada em 15%.
A divergência aparece quando o debate entra na intensidade desse primeiro passo. O professor Ricardo Rocha aposta em cautela. “Eu cravaria em um corte de 0,25 porque o Banco Central vai acompanhar o que está acontecendo”, diz. Para ele, a taxa elevada cumpriu o papel de domar a inflação — ainda acima da meta — e agora o BC prefere testar o terreno com cuidado, especialmente em um país onde o fiscal segue sendo um ponto frágil.
Já Thiago Calestine, economista e sócio da DOM Investimentos, lê a ata com lentes mais ousadas, alinhadas ao que o mercado já precifica. “Vou ser um pouco mais agressivo e falar em 0,50”, afirma. Segundo o economista, as probabilidades embutidas nas opções do Copom mostram uma chance relevante de um corte maior, sinalizando que, depois de uma “longa noite” de juros elevados, o Banco Central começa a preparar o terreno para uma política monetária menos restritiva.
Jornal de Brasília - DF 05/02/2026
O Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$ 5,086 bilhões em janeiro, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira, 4, pelo Banco Central (BC). Em dezembro de 2025, houve saída líquida de US$ 12,191 bilhões.
O canal financeiro registrou entrada líquida de US$ 6,222 bilhões. Isso é o resultado de compras no valor de US$ 64,854 bilhões e vendas no total de US$ 58,632 bilhões. O segmento reúne os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.
No comércio exterior, o saldo do mês foi negativo em US$ 1,136 bilhão, com importações de US$ 20,751 bilhões e exportações de US$ 19,615 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 2,351 bilhão em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), US$ 3,696 bilhões em Pagamento Antecipado (PA) e US$ 13,567 bilhões em outras entradas.
Semana de 26 a 30 de janeiro
O Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$ 4,180 bilhões na semana passada. Entre os dias 26 e 30 de janeiro, o canal financeiro apresentou entradas líquidas de US$ 2,719 bilhões. O valor é o resultado de compras de US$ 18,870 bilhões e vendas no total de US$ 16,151 bilhões.
No comércio exterior, o saldo da semana passada foi positivo em US$ 1,461 bilhão, com importações de US$ 5,297 bilhões e exportações de US$ 6,758 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 838 milhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio, US$ 1,221 bilhão em Pagamento Antecipado e US$ 4,699 bilhões em outras entradas.
CNN Brasil - SP 05/02/2026
O Brasil tem perdido participação na economia mundial nas últimas décadas. Especialistas consultados pelo CNN Money apontam que entraves fiscais, baixa produtividade e o elevado custo do Estado ajudam a explicar por que o país vem encolhendo no PIB (Produto Interno Bruto) global.
Segundo dados do Banco Mundial, entre os anos 1980 e 1990, a participação brasileira no PIB mundial saiu de 2,96% para mais de 3,5%. Nos anos seguintes, o indicador praticamente não avançou, oscilando entre 3,2% e 3,4%.
No início da década de 2010, houve uma recuperação temporária para o patamar de 3,5%, mas o movimento não se sustentou. Em 2023, a fatia do Brasil no PIB global caiu para 2,08%.
Um dos principais fatores por trás desse desempenho é a baixa produtividade do trabalho. Analistas alertam que o fim do bônus demográfico torna o problema ainda mais urgente.
Segundo Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior do governo, o país corre o risco de ver a renda per capita estagnar ou até recuar se não conseguir produzir mais com a mesma força de trabalho.
“O bônus demográfico está acabando. Se o Brasil não conseguir aumentar a produtividade no trabalho, isso pode significar queda da renda per capita”, afirma.
E com a perspectiva de envelhecimento da população brasileira, o que se projeta é que o mercado de trabalho tem ainda mais a perder.
"20 anos atrás a força de trabalho no Brasil crescia 2% ao ano, hoje estamos em menos de 0,5%. Daqui a pouco, vai estar decrescente", pondera Cornelius Fleischhaker, economista sênior para o Brasil do Banco Mundial.
Além disso, analistas veem uma inadequação no modelo econômico adotado ao longo dos últimos anos. Para Fabio Kanczuk, diretor de Macroeconomia do ASA e ex-diretor do BC (Banco Central), o tamanho do Estado é um dos principais entraves ao crescimento.
“O Estado é imenso e causa uma distorção tributária enorme. Se uma empresa quer crescer, paga muito imposto e fica difícil absorver melhor tecnologia”, diz.
A agenda fiscal também pesa sobre o desempenho econômico. A ampliação de benefícios sociais, o custo do sistema previdenciário e o peso dos juros sobre a dívida pública estão entre os fatores que elevam os gastos federais, pressionam a dívida e mantêm os juros em patamar elevado, o que desestimula investimentos e reduz a competitividade do país.
Esse ciclo ajuda a explicar por que outras economias avançaram mais rapidamente. Nos últimos 25 anos, a China viu seu PIB crescer 518%. Países como Vietnã, Índia e Bangladesh registraram expansão superior a 200% no mesmo período. Até o Cazaquistão, entre os últimos do grupo, teve crescimento de 183%.
Na avaliação de especialistas, tornar a economia brasileira mais aberta é parte central da solução. O país cobra tarifas elevadas em relação ao resto do mundo, o que reduz a concorrência externa e diminui o incentivo à adoção de novas tecnologias.
“O Brasil cobra tarifas muito altas. Isso facilita ficar fechado, sem absorver melhores práticas e tecnologias, e acaba limitando os ganhos de produtividade”, afirma Kanczuk.
Fleischhaker complementa indicando que o cenário "poderia melhorar com o acordo entre Mercosul e União Europeia. Mas isso deve demorar algum tempo para dar algum resultado".
Monitor Digital - RJ 05/02/2026
No mundo em que vivemos, as empresas necessitam de consumidores para poderem ser recompensadas pelo esforço produtivo. Nesse sistema de transformação, agregação de valor e vendas, a ação dos agentes cria bem-estar e gera prosperidade, na medida em que se reúnem condições para isso.
No final de janeiro, com a decisão do Copom de fixar a Selic em 15% ao ano — maior patamar em 20 anos e que perdura desde junho de 2025 —, a medida segue interferindo no funcionamento do sistema econômico, atingindo a capacidade de as empresas poderem vender e de os consumidores adquirirem produtos e serviços para manter sua qualidade de vida.
Consequentemente, o fluxo de bens e serviços segue em um patamar inferior ao que poderia ser; os negócios permanecem em ritmo menor; o dinamismo da economia arrefece e, com isso, espontaneamente, menos consumo, emprego, renda e pagamento de impostos são gerados.
É certo que o crescimento fica comprometido, assim como seus efeitos virtuosos. Nessas condições, quando mira o centro da inflação, o país retarda o processo de desenvolvimento e de diminuição das desigualdades.
Sem a mudança dos juros básicos, a escolha racional passa pelo aproveitamento das inúmeras taxas ofertadas pelo Tesouro, bancos e corretoras, em detrimento das atividades geradoras do fluxo real de bens e serviços. Com retornos estupendos, as aplicações podem render mais do que o suor despendido nas iniciativas produtivas.
Há tempos acompanha-se a política monetária ativa combinada com a política fiscal expansionista. Os resultados vêm sendo juros altos, que elevam a dívida do governo, ao mesmo tempo em que gastos em excesso expandem a demanda do setor público, observada pelos déficits, pressionando a inflação.
Diante desse cenário meio turvo, se os juros altos dificultam vendas para segurar a inflação, as decisões de aumento da carga tributária atingem o setor produtivo em suas artérias, acarretando custo de produção maior, elevando preços e embarreirando investimentos.
É fácil reconhecer: assim, o sistema de produção e vendas precisa de mais fôlego para continuar funcionando, enquanto seus benefícios ficam postergados ou distantes.
Conclusão: no ambiente em que os juros reais são estratosféricos, conduzir uma empresa significa despender energia adicional, porque, na maior parte do tempo, a situação conspira contra.
O Estado de S.Paulo - SP 05/02/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 4, que o ex-diretor Kevin Warsh não teria recebido a oferta para liderar o Federal Reserve (Fed) se tivesse expressado o desejo de aumentar as taxas de juros.
Ao ser questionado numa entrevista à NBC News se Warsh entende que o presidente quer que ele reduza as taxas de juros, Trump confirmou e disse que o próprio nomeado ao Fed também deseja isso.
“Se ele dissesse que quer aumentar (os juros), não teria conseguido esse emprego.”
Trump também disse que não tinha muitas dúvidas de que as taxas de juros seriam reduzidas em breve, ao reafirmar que os Fed Funds estão “muito altos”. Segundo ele, a robustez da economia americana dá suporte a novos cortes.
“Com todo o dinheiro entrando em nosso país, somos um país rico novamente. Temos dívida, mas também temos crescimento, e o crescimento logo fará a dívida parecer muito pequena”, disse ele, ao defender que sua gestão também cortou centenas de milhares de cargos públicos federais.
Money Times - SP 05/02/2026
O setor de serviços dos Estados Unidos manteve o ritmo em janeiro, mas as empresas pagaram mais pelos insumos, sugerindo que a inflação dos serviços poderá ganhar força após uma tendência de desaceleração nos últimos meses.
O Instituto de Gestão de Fornecimento informou nesta quarta-feira (4) que seu Índice de Gerentes de Compras não manufatureiro permaneceu inalterado em 53,8 no mês passado, em meio a uma moderação no crescimento de novos pedidos devido à queda nas exportações. Economistas consultados pela Reuters previam que o PMI de serviços cairia para 53,5.
O setor de serviços é responsável por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA. O PMI sugeriu um ritmo estável da atividade econômica no início do primeiro trimestre. O governo deve divulgar sua estimativa do Produto Interno Bruto do quarto trimestre ainda este mês, depois de ter sido adiada.
A medida da pesquisa do ISM dos preços pagos pelas empresas pelos insumos aumentou para 66,6 em meio a sinais de tensões na oferta, ante 65,1 em dezembro. O arrefecimento da inflação dos serviços ajudou a compensar parte do repasse das tarifas de importação.
O indicador de novos pedidos da pesquisa caiu de 56,5 para 53,1. A medida de pedidos de exportação caiu para 45,0, o nível mais baixo desde março de 2023, ante 54,2 no mês anterior.
Alguns entrevistados na pesquisa de manufatura do ISM de janeiro, publicada na segunda-feira, relataram que “as tensões geopolíticas dos EUA estão alimentando o sentimento ‘antiamericano’ dos compradores”.
O presidente Donald Trump impôs tarifas a parceiros comerciais e, no mês passado, disse que estava colocando a Venezuela sob controle norte-americano temporário depois que os EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro. Em janeiro, Trump ameaçou aplicar tarifas adicionais aos aliados europeus por rejeitarem suas exigências de que os EUA comprassem a Groenlândia, antes de recuar abruptamente.
Por Reuters
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
Valor - SP 05/02/2026
Contratos com vencimento em maio, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 112,62 por tonelada
O preço do minério voltou a recuar nesta quarta-feira (4), com sinais de que vem havendo uma migração de capital para fora do setor de metais ferrosos e para outras commodities, segundo analistas.
Os contratos do minério de ferro com vencimento em maio, os mais negociados, fecharam em queda de 0,32% na Bolsa de Dalian, na China, cotados a 781,5 yuans (US$ 112,62) a tonelada.
“Os preços provavelmente continuarão sendo impulsionados por condições macroeconômicas e pelo sentimento do setor no curto prazo”, afirmaram especialistas da consultoria Nanhua Futures em um relatório. De acordo com eles, o acúmulo de estoques tem limitado as chances de alta da cotação.
Infomoney - SP 05/02/2026
A corte de Londres na qual corre o processo de atingidos pelo desastre de Mariana (MG) contra a mineradora BHP determinou o adiamento do julgamento que começaria em outubro de 2026. Com a decisão, as audiências acontecerão a partir de abril de 2027.
O desastre ocorreu em 2015, quando uma barragem operada pela Samarco, uma joint venture entre a australiana BHP e a brasileira Vale, rompeu – e os rejeitos de mineração soterraram o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. O rio Doce foi contaminado e 19 pessoas morreram.
Essas audiências vão abarcar a comprovação e quantificação dos prejuízos provocados pelo desastre. O escritório dos atingidos, Pogust Goodhead (PG), havia pedido que as audiências começassem em janeiro. A BHP pediu que fossem adiadas até julho.
Em nota, a BHP disse que “entende que o novo cronograma sugerido pelo escritório inglês é impraticável e, por isso, propôs uma nova data que permita acomodar um novo cronograma e um período de julgamento mais realista (e condizentes com a complexidade do caso)”. Os pedidos foram feitos antes da audiência preparatória desta quarta-feira, 4.
Além disso, os advogados dos atingidos confirmaram que aqueles que receberam pagamento de indenização no Brasil, com quitação integral, deverão ser excluídos do processo no Reino Unido.
A BHP estimou que aproximadamente 240 mil autores no processo inglês – ou 40% do total – se enquadrem nessa categoria. Isso reduziria o número de autores de 620 mil para 380 mil. Procurado, o PG não informou suas expectativas.
A exclusão da ação de autores beneficiados no Brasil se dá porque a Corte Inglesa, na decisão sobre a responsabilidade da BHP proferida em novembro de 2025, reconheceu os programas de indenização implementados no Brasil desde 2015 e confirmou a validade das quitações assinadas pelas pessoas impactadas pelo rompimento da barragem.
“As partes continuam discutindo os detalhes do procedimento formal para a exclusão desses autores. Esse tema poderá, inclusive, ser tratado na audiência de hoje ou desta semana. Isso reforça, mais uma vez, a importância do trabalho realizado ao longo dos últimos dez anos no Brasil”, disse a BHP em nota.
“A Samarco, com o apoio da BHP Brasil e da Vale, continua a implementar o Novo Acordo do Rio Doce firmado com as autoridades brasileiras em outubro de 2024, que assegurou um valor de R$ 170 bilhões. No total, mais de 610.000 pessoas já receberam compensação e auxílio financeiro desde o rompimento da barragem”.
A mineradora afirmou que, em paralelo, apresentará recurso perante a Corte de Apelação contra o julgamento de responsabilidade, cuja sentença foi anunciada em 14 de novembro.
Monitor Digital - RJ 05/02/2026
O Ministério Público Federal pediu à Justiça Federal o bloqueio de R$ 1,2 bilhão da mineradora Vale, em duas ações ligadas a vazamentos de água e sedimentos ocorridos em janeiro nas minas de Viga e Fábrica, ambas na cidade mineira de Congonhas. Os pedidos foram feitos em duas ações, uma para cada mina. No caso da mina de Fábrica, o bloqueio pedido foi de R$ 1 bilhão, sendo os outros R$ 200 milhões referentes ao acidente na mina de Viga.
Os vazamentos atingiram cursos d’água responsáveis por alimentar o rio Paraopeba, causando assoreamento de córregos e danos à vegetação, argumenta o MPF nas ações. A quantia bloqueada diz respeito a danos a serem reparados.
Para o MPF, houve “falha no controle da operação de estruturas de contenção de efluentes da mina”. De acordo com a acusação, reservatórios que deveriam servir para o controle do fluxo de água não possuíam sistemas de drenagem capazes de suportar chuvas fortes, contrariando as obrigações da mineradora na prevenção de extravasamentos.
“Além disso, a mineradora não comunicou o fato imediatamente às autoridades, o que contraria deveres legais de transparência e dificulta a resposta da Defesa Civil”, informou o MPF, em nota. Os procuradores pediram, ainda, que a Vale seja obrigada a contratar uma auditoria técnica independente para acompanhar as obras necessárias para garantir a segurança das minas.
O MPF também quer que a mineradora produza rapidamente um relatório completo sobre a situação de estruturas semelhantes em todas as suas minas no estado de Minas Gerais. Procurada, a Vale informou que “tomou conhecimento da ação do Ministério Público Federal referente ao extravasamento ocorrido na mina de Viga, em Congonhas. A empresa já se manifestou nos autos e apresentará oportunamente a sua defesa dentro do prazo legal”.
Os vazamentos nas minas de Viga e Fábrica, que ficam a cerca de 22 km uma da outra, ocorreram entre os dias 25 e 26 de janeiro. No caso do rompimento de uma cava da mina de Fábrica, o material atravessou o dique Freitas e seguiu carreando sedimentos e rejeitos de mineração, provocando impactos ambientais, mas sem vítimas. Houve vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.
O material levado pelo vazamento chegou a atingir uma área de outra mineradora – a CSN – provocando danos materiais. Depois, essa lama chegou ao rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana da cidade, antes de se encontrar com o rio Maranhão, já na área central de Congonhas.
Segundo a Agência Brasil, o Rio Goiabeiras é afluente do Rio Maranhão e este, por sua vez, deságua no Paraopeba, o mesmo que passa por Brumadinho e foi atingido pelo rompimento de uma barragem da Vale em 25 de janeiro de 2019, há sete anos.
Valor - SP 05/02/2026
Uma fabricante chinesa de máquinas para mineração anunciou o cancelamento de um plano de investimento de quase US$ 150 milhões em uma mina de ouro na Colômbia, citando riscos geopolíticos crescentes e volatilidade dos preços.
O conselho da Jiangxi Naipu Mining Machinery, listada na Bolsa de Valores de Shenzhen, informou em um comunicado na noite de terça-feira que se retirará do projeto de cobre, ouro e prata Alacran, em Córdoba, Colômbia.
O projeto, em desenvolvimento, está localizado a cerca de 200 quilômetros ao norte de Medellín, a segunda maior cidade do país sul-americano.
A Naipu anunciou em maio passado a compra de uma participação de 22,5% na Veritas Resources, com sede na Suíça, fundada em 2024 por outra empresa chinesa, a JCHX Mining Management. Esta última, por sua vez, detém 50% da empresa local CMH Colombia, proprietária da mina Alacran. Como parte do acordo de compra, a Veritas deveria adquirir os 50% restantes da CMH da empresa canadense de exploração mineral Cordoba Minerals.
Agora, no entanto, a Naipu cancelou o acordo de compra com a Veritas e o investimento para o desenvolvimento conjunto de Alacran, além de revogar seu plano de estabelecer uma subsidiária na Colômbia.
O comunicado da empresa apontou os "crescentes riscos geopolíticos" como uma das principais razões para a decisão. Especificamente, destacou a "mudança monumental" no mundo desde abril de 2025, provavelmente referindo-se à introdução de tarifas "recíprocas" pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a outros desenvolvimentos regionais. O conselho da Naipu também expressou preocupação com os "crescentes" riscos políticos, econômicos e jurídicos na Colômbia.
Embora a empresa não tenha dado detalhes, Trump criticou repetidamente o país e seu presidente de esquerda, Gustavo Petro, especialmente após a incursão militar dos Estados Unidos na vizinha Venezuela no início de janeiro. A Colômbia é "governada por um doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos", disse Trump no mês passado, alertando: "Ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo, podem ter certeza".
A prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo Trump, juntamente com outras declarações e ambições, como a anexação da Groenlândia, são amplamente vistas como parte de uma estratégia para consolidar o poder dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, ao mesmo tempo que se tenta conter a influência chinesa.
As tensões com a Colômbia pareceram diminuir esta semana, após o encontro entre Petro e Trump na Casa Branca na terça-feira. Depois da reunião a portas fechadas, Trump chamou seu homólogo de "fantástico" e disse que tiveram uma "ótima reunião", enquanto Petro, separadamente, afirmou que a admiração mútua pela "liberdade" os uniu.
Mesmo que as preocupações com a pressão dos Estados Unidos sobre a Colômbia diminuam, Naipu expressou outras inquietações. A empresa afirmou que o projeto Alacran ainda não obteve a aprovação da Autoridade Nacional de Licenciamento Ambiental da Colômbia, uma das pré-condições para o investimento.
A companhia também afirmou que o ônus financeiro total, estimado em US$ 145,89 milhões, incluindo o investimento direto no desenvolvimento da mina, tornou-se um problema. Esse valor representa mais de 50% do patrimônio líquido da empresa no final de setembro.
"Há limites para a capacidade de assumir riscos da empresa, já que este projeto de investimento tem um impacto relativamente grande em nossos negócios principais no futuro", disse Naipu.
De acordo com um estudo de viabilidade publicado pela Cordoba Minerals em dezembro de 2023, a mina Alacran tem uma vida útil de 14,2 anos, com depósitos de 797 milhões de libras (22,6 milhões de quilogramas) de cobre, 550 mil onças (15.590 kg) de ouro e 5,35 milhões de onças de prata. O projeto inclui também depósitos satélites em Alacran Norte, Montiel Leste, Montiel Oeste e Costa Azul.
A JCHX e a Cordoba Minerals, que agora detêm a propriedade conjunta do projeto, não responderam às perguntas do “Nikkei Asia” até a publicação desta matéria.
Sarah Armstrong-Montoya, presidente da Cordoba, reconheceu em um comunicado em 2 de janeiro que "nem todas as condições foram satisfeitas" até o final de 2025. No entanto, ela enfatizou que o acordo-quadro "não foi rescindido" e que sua empresa buscaria criar as condições para a conclusão do negócio, enquanto "considerava todas as alternativas para o avanço do Projeto Alacran".
As ações da Naipu negociadas em Shenzhen caíram até 17,5% na quarta-feira, fechando a 40,86 yuans, uma queda de 17% em relação ao dia anterior. As ações da JCHX recuaram ligeiramente em Xangai, 0,5%, fechando o dia a 75,33 yuans. A Córdoba, negociado em Toronto, perdeu 1,2% na terça-feira e fechou a 0,82 dólares canadenses.
Os preços do ouro e da prata têm apresentado grande volatilidade recentemente. O ouro ultrapassou a marca de US$ 5 mil no final do mês passado, sofreu uma forte queda e se recuperou esta semana.
IstoÉ Dinheiro - SP 05/02/2026
Acordo comercial entre União Europeia e Índia pode dar impulso a um setor em dificuldades com a concorrência da China, a transição para o motor elétrico e as tarifas de Trump.O acordo comercial anunciado por Índia e União Europeia (UE) em janeiro foi descrito pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, como “a mãe de todos os acordos comerciais” – uma linguagem otimista para celebrar uma parceria econômica entre o maior bloco comercial do mundo e a nação mais populosa do planeta.
O acordo reduzirá ou eliminará tarifas sobre 96,6% das exportações da UE para a Índia. Embora produtos agrícolas sensíveis tenham ficado de fora para ambos os lados, muitos itens considerados vitais para a máquina de exportação da UE fazem parte do acordo, incluindo os automóveis.
A Índia concordou em conceder às montadoras europeias uma cota seis vezes maior do que qualquer outra oferecida anteriormente, o que permite a empresas como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW um acesso muito maior a um mercado rigidamente controlado.
Nova Délhi impõe tarifas entre 70% e 110% para carros importados e, como resultado, as marcas europeias mal conseguem entrar no mercado indiano.
Quando o acordo for ratificado, 250 mil veículos fabricados na Europa poderão entrar na Índia anualmente com diferentes taxas preferenciais, dependendo do preço e do tipo de motor. Os carros além dessa cota, ou fora dela, enfrentarão tarifas mais altas.
O acordo é uma rara notícia positiva para o setor automobilístico alemão, que tem enfrentado dificuldades nos últimos anos devido ao aumento da concorrência da China, à transição para o motor elétrico e às tarifas de importação impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
A Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA) saudou o acordo. Sua presidente, Hildegard Müller, afirmou que o pacto proporcionará um acesso melhorado e urgentemente necessário a esse mercado, diante de um ambiente global cada vez mais protecionista.
A BMW afirmou que se trata de um marco histórico que beneficia ambas as partes e acrescentou considerar a Índia um importante mercado, com a redução das tarifas proporcionando oportunidades adicionais.
Cotas aumentadas e tarifas reduzidas
Todos os detalhes do acordo ainda não foram divulgados, mas já vieram à tona algumas informações sobre os termos no que diz respeito aos carros europeus.
A Índia concordou em reduzir as tarifas sobre os automóveis europeus com preço de importação acima de 15 mil euros (R$ 92,3 mil), incluídos na cota anual, para 40%, com uma redução adicional para 10% ao longo dos anos, mas ainda não está claro como isso será implementado.
Os carros da UE com preço inferior a 15 mil euros estão excluídos do acordo. Os carros acima desse limite estão divididos em três segmentos, cada um com cotas e tarifas separadas.
O portal de notícias Bloomberg informou que as taxas para 160 mil carros com motor a combustão interna por ano cairão para 10% em cinco anos, e a cota de 90 mil veículos elétricos por ano atingirá a marca de 10% em dez anos. Para os carros não incluídos nas cotas, a Índia teria concordado em reduzir as tarifas para entre 30% e 35% ao longo de uma década.
Fontes não identificadas citadas pela agência de notícias Reuters disseram que os carros europeus com preço superior a 35 mil euros seriam os que teriam as maiores reduções tarifárias.
Segundo a agência de notícias Reuters, os veículos elétricos serão excluídos das reduções de impostos de importação durante os primeiros cinco anos, a fim de proteger os investimentos dos fabricantes indianos de carros elétricos.
Oportunidade maior para marcas alemãs
O acordo abre um mercado para as montadoras alemãs que estava praticamente fechado para exportação, com tarifas chegando a 110%.
O economista sênior para setor automotivo do ING Bank, Rico Luman, diz que uma tarifa de quase 40% sobre carros fora da cota continua sendo um fardo competitivo, mas a potencial taxa de 10% para os carros dentro da cota “oferece oportunidades para expandir a oferta de modelos na Índia e exportar mais carros de categorias premium para o subcontinente”.
O diretor-geral da Câmara de Comércio Indo-Alemã, Jan Noether, diz que o acordo de livre comércio consolida uma relação econômica já existente entre a Alemanha e a Índia e que as montadoras alemãs estão bem posicionadas para se beneficiarem de uma economia indiana em rápido crescimento.
“As automobilísticas alemãs enxergam o futuro do mercado indiano; elas veem o potencial de crescimento com a participação cada vez maior da população no consumo”, observou.
Como conquistar o mercado indiano?
Apesar do otimismo, as montadoras alemãs enfrentam um grande desafio para conquistar o mercado indiano.
O mercado é dominado pelas montadoras indianas, incluindo a Tata e a Mahindra, e por empresas japonesas e sul-coreanas, como Hyundai e Suzuki. As fabricantes europeias representam mal chegam a 3% das vendas.
“Não é fácil entrar rapidamente no mercado indiano devido a nomes já estabelecidos, como Maruti Suzuki, Tata Motors e marcas japonesas”, disse Luman.
Além disso, também na Índia os carros elétricos deverão ganhar em popularidade. Quando as novas tarifas para os carros elétricos europeus começarem a valer, as empresas chinesas podem já ter entrado no mercado e começado a fabricar na Índia.
Uma saída para as montadoras alemãs seriam produzir veículos elétricos de forma economicamente viável na Índia. “Acho que seria muito desafiador, mas se a Alemanha produzisse veículos elétricos lá, o mercado indiano certamente se interessaria”, comenta o especialista Sushant Singh, da Universidade de Yale.
Noether avalia que um objetivo de longo prazo da Índia é que as montadoras alemãs instalem fábricas no país e que, se isso acontecer, fortalecerá consideravelmente a presença alemã no país. “Se isso acontecer, as montadoras alemãs vão se beneficiar dos custos de produção mais baixos que o mercado indiano oferece.”
Algumas montadoras alemãs já possuem pequenas instalações de produção na Índia, principalmente a Volkswagen, que produz modelos VW, Skoda e Audi no país. A BMW produz seus automóveis em sua fábrica em Chennai para evitar as altas tarifas sobre carros importados.
Nova China?
Mesmo com a renda média per capita sendo de cerca de 3 mil dólares, uma parcela crescente da classe média da Índia está interessada em comprar carros alemães, principalmente no segmento de luxo, no qual marcas como BMW, Mercedes e Porsche são especializadas.
“Acho que existe uma oportunidade para modelos premium de montadoras como Mercedes e BMW, que são nomes bem conhecidos na Índia”, diz Luman.
Embora ele considere prematura qualquer sugestão de que o mercado indiano possa um dia ter a mesma importância que a China para as montadoras alemãs, trata-se de um mercado automobilístico com um enorme potencial de crescimento para elas, diz.
“As montadoras alemãs definitivamente têm uma janela de oportunidade para expandir sua presença, o que é definitivamente um ponto positivo num mundo com múltiplos desafios”, afirma.
Jornal de Brasília - DF 05/02/2026
Os presidentes de quatro grandes montadoras de veículos instaladas no país enviaram uma carta direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa tentativa de barrar a possibilidade de prorrogação de benefícios tributários que zeraram o imposto de importação para kits desmontados de veículos elétricos no ano passado.
A ofensiva tem um endereço claro: a chinesa BYD, que foi a principal favorecida pela medida fiscal, embora este pudesse ser usado por qualquer empresa.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) tem sido clara em seu posicionamento contra a renovação do benefício. Não é comum, porém, que os próprios executivos dessas empresas decidam agir por conta própria.
A reportagem teve acesso ao documento, datado de 16 de janeiro de 2026. A carta é assinada por Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, Herlander Zola, presidente da Stellantis Automóveis do Brasil, Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil, e Santiago Chamorro, presidente da General Motors do Brasil.
Na carta, os executivos afirmam que a redução temporária do imposto de importação para kits CKD e SKD, criada em agosto do ano anterior e válida até 31 de janeiro deste ano, representa um risco estrutural para a indústria nacional, porque favorece empresas que não possuem processo industrial centralizado no Brasil, usando o país apenas para integrar conjuntos de peças produzidos em outros países.
“Esta não é uma discussão sobre fechar o mercado ou resistir à concorrência. Trata-se de assegurar coerência entre o discurso de fortalecimento da indústria nacional e os instrumentos efetivos de política pública”, afirmam os quatro executivos.
Os presidentes das montadoras concluem a carta dizendo que “as consequências das escolhas feitas agora não serão imediatas, mas serão duradouras”. “Confiamos na sensibilidade de Vossa Excelência para garantir que o Brasil continue sendo um país que produz, investe e decide seu próprio futuro”, escrevem.
Os chamados kits CKD e SKD são conjuntos de peças usados pelas montadoras para montar veículos localmente a partir de componentes importados. No modelo CKD (sigla em inglês para Completely Knocked Down), o carro chega totalmente desmontado, em partes individuais, exigindo mais etapas de montagem no país de destino, como soldagem, pintura e integração final.
Já no modelo SKD (Semi Knocked Down), o que se tem é um sistema intermediário, no qual o veículo vem parcialmente montado, com blocos maiores, como carroceria ou conjuntos mecânicos prontos, restando menos etapas produtivas locais. Em geral, quanto mais próximo do CKD, maior o nível de trabalho industrial no país. Por outro lado, quanto mais próximo do SKD, menor a geração de empregos e fornecedores locais.
Em 2025, a BYD anunciou a implantação de uma planta industrial em Camaçari (BA), com kits CKD. A empresa transformou uma antiga fábrica da Ford em um complexo automotivo com investimento estimado em R$ 5,5 bilhões, apresentado como a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina e a maior unidade da BYD fora da Ásia, com capacidade inicial para 150 mil veículos por ano, podendo atingir até 600 mil unidades anuais em etapas futuras.
Até o momento, não houve nenhum pedido formal para renovação do benefício fiscal que foi válido por seis meses e permitia isenção total de importações dentro de um limite de até US$ 463 milhões.
O assunto teve a temperatura aumentada porque nesta quarta-feira (4) há previsão de uma reunião no Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com Tyler Li, presidente da BYD.
Dentro do setor, é corrente a informação de que os interesses da BYD contam com a defesa do ministro da Casa Civil, Ruy Costa, por estarem diretamente associados aos investimentos na Bahia, seu Estado.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mostra-se reticente quanto à possibilidade de extensão do benefício.
Na carta enviada a Lula, e que também foi repassada a alguns ministros, os presidentes das montadoras reconhecem que a importação é parte legítima de economias abertas, mas para cumprir funções transitórias, como a introdução de novos produtos ou o teste de mercado.
“O país conhece bem o custo de decisões tomadas sem visão de longo prazo e, no cenário atual, não seria positivo enviar ao ambiente de negócios o sinal de que importar se torna mais estratégico do que produzir no Brasil”, afirmam.
Os executivos citam que o país tem uma cadeia produtiva madura, que emprega mais de 1,3 milhão de trabalhadores e sustenta centenas de fornecedores. “Essa base produtiva não se construiu de uma hora para outra e tampouco se preserva sem coerência nas decisões de política pública”, declararam.
A reportagem procurou cada uma das empresas mencionadas nesta reportagem, além do governo federal. Por meio de nota, a Volkswagen do Brasil declarou que a não renovação do benefício “é fundamental para preservar a isonomia e competitividade da indústria nacional, fomentar a empregabilidade, estimular a cadeia produtiva nacional e assegurar a previsibilidade regulatória para a transição tecnológica e sustentável do setor automotivo brasileiro”.
As demais montadoras, incluindo a BYD, não se manifestaram até a publicação deste texto. O Mdic também não se manifestou sobre o assunto.
Money Times - SP 05/02/2026
A norte-americana Ford e a chinesa Geely estão em discussões sobre uma possível parceria, disseram oito pessoas com conhecimento das negociações em andamento, em um momento em que as montadoras globais buscam compartilhar os elevados custos de tecnologia e manufatura.
As empresas conversam para que a Geely utilize espaço em fábricas da Ford na Europa para produzir veículos destinados à região, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto. Elas também discutiram um possível modelo de compartilhamento de tecnologias veiculares, incluindo direção automatizada, segundo duas outras pessoas com conhecimento das negociações.
As conversas centradas na manufatura europeia estão mais avançadas, disseram duas pessoas. A Ford enviou uma delegação à China nesta semana para intensificar as discussões, que se seguiram a reuniões realizadas na semana passada em Michigan entre executivos seniores da Geely e líderes da Ford, segundo algumas das fontes.
As negociações entre Geely e Ford estão em andamento há meses, disseram cinco das fontes, que pediram anonimato porque as discussões são privadas e continuam em curso. A Reuters não conseguiu determinar o escopo completo das conversas nem se elas resultarão em um acordo, inclusive para o mercado dos Estados Unidos.
“Temos discussões com muitas empresas o tempo todo sobre uma variedade de temas. Às vezes elas se concretizam, às vezes não”, afirmou a Ford. A Geely se recusou a comentar.
As montadoras chinesas foram efetivamente excluídas do mercado dos EUA devido a tarifas e restrições impostas durante a administração Biden, que citou riscos à segurança nacional relacionados à coleta de dados e ao software dos veículos. Qualquer acordo que leve tecnologia veicular chinesa avançada ao mercado norte-americano provavelmente atrairia o escrutínio da administração Trump e de alguns parlamentares.
Tecnologia chinesa “humilhante”
Um acordo poderia ajudar a Ford em sua corrida para alcançar concorrentes globais em áreas como tecnologia de veículos conectados e autonomia, uma prioridade para a Tesla e um foco importante das montadoras chinesas. O CEO da Ford, Jim Farley, tem sido vocal sobre a necessidade de a empresa reduzir a defasagem competitiva em relação à China.
Em uma entrevista no Aspen Ideas Festival no ano passado, Farley chamou a liderança global da China em veículos elétricos e tecnologia de veículos conectados de “a coisa mais humilhante que já vi”.
Ele também respondeu a perguntas sobre se o presidente dos EUA, Donald Trump, vetaria uma possível joint venture entre a Ford e uma montadora chinesa.
“Acho que não”, disse Farley. “Acredito que, desde que haja os limites corretos e pensemos nisso da maneira certa, não. Tenho encontrado abertura em todo o governo para fazer isso, porque acho que eles sabem que é necessário”.
Produzir alguns carros utilizando o espaço das fábricas europeias da Ford provavelmente ajudaria a Geely a evitar as tarifas da União Europeia sobre veículos elétricos fabricados na China. Em 2024, a UE introduziu tarifas provisórias de até 37,6% sobre EVs chineses importados, alertando para um possível fluxo de veículos injustamente subsidiados.
A fábrica da Ford em Valência, na Espanha, seria a unidade mais provável a estar envolvida nessas negociações, disse uma pessoa familiarizada com o assunto.
Várias montadoras chinesas têm se movimentado para estabelecer produção na Europa.
Veículos da montadora chinesa Leapmotor serão fabricados em uma planta da Stellantis na Espanha como parte de uma joint venture. Fornecedores também estão fechando acordos semelhantes, com a chinesa Guangzhou Automobile Group e a Xpeng produzindo um modelo elétrico em uma instalação da Magna International na Áustria.
A Geely firmou parcerias com a Renault na Coreia do Sul e no Brasil para produzir e vender conjuntamente carros construídos com tecnologias da Geely usando as fábricas e a rede de vendas da montadora francesa.
A estratégia parece estar dando resultados, já que as vendas de carros da marca Renault fora da Europa aumentaram 11% em 2025 em relação ao ano anterior, após uma queda de 0,6% em 2024.
Crescente foco em parcerias
Farley também tem sido enfático sobre a necessidade de parcerias, e a Ford recentemente fechou um acordo de produção de veículos elétricos na Europa com a Renault.
Uma parceria comercial com a Geely para veículos ou tecnologia destinados ao mercado dos EUA provavelmente enfrentaria o escrutínio de legisladores americanos, que anteriormente criticaram a decisão da Ford de licenciar tecnologias de baterias para veículos elétricos da fabricante chinesa CATL para uma fábrica em Michigan.
Com regras propostas elaboradas durante a administração Biden, o Departamento de Comércio dos EUA proibiu o uso de tecnologias e serviços de comunicação da China e de outros países considerados “adversários” em veículos conectados vendidos e utilizados nos EUA, devido a preocupações com “segurança nacional”.
A administração Trump recentemente afastou Elizabeth “Liz” Cannon, uma funcionária do Departamento de Comércio cujo escritório liderou o esforço para barrar carros e tecnologias chinesas do mercado dos EUA, informou a Reuters em janeiro.
Essas regras permanecem em vigor e até agora a administração Trump não sinalizou que pretende modificá-las. No mês passado, Trump reiterou que receberia com bons olhos uma montadora chinesa que quisesse fabricar carros em solo americano, desde que trouxesse investimentos e empregos.
A Geely Auto, que inclui as marcas Zeekr e Lynk & Co, registrou um aumento de 39% nas vendas em 2025, para pouco mais de 3 milhões de veículos. Incluindo outras marcas afiliadas, como Volvo Cars e Lotus, a Geely é a segunda maior montadora chinesa, atrás apenas da BYD.
Sob o comando do fundador Li Shufu, a Geely também tem sido uma negociadora ativa na busca por parceiros estrangeiros. A Geely comprou a Volvo da Ford em 2010 por US$ 1,8 bilhão.
Na semana passada, o Financial Times informou que Ford e Xiaomi mantiveram conversas sobre uma parceria que permitiria à Xiaomi fabricar veículos elétricos nos EUA, citando pessoas familiarizadas com o assunto. Ford e Xiaomi afirmaram que a reportagem era imprecisa.
Valor - SP 05/02/2026
Associação que representa GM, Toyota, Volkswagen, Hyundai, Ford e outras montadoras apoiou a redução do rigor proposta pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA)
Grandes montadoras pediram, nesta quarta-feira (4), mudanças na proposta do governo Trump para reformar os padrões de economia de combustível, mas afirmaram apoiar o plano de reduzir drasticamente as exigências de eficiência.
A Alliance for Automotive Innovation, que representa General Motors, Toyota Motor, Volkswagen, Hyundai, Ford e outras montadoras, apoiou a redução do rigor proposta pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), mas pediu que a agência não elimine a negociação de créditos para o cumprimento das exigências regulatórias e reconsidere os planos de reclassificar mais veículos como automóveis.
“Diante do crescimento mais lento das vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos e da redução do apoio das políticas governamentais, os padrões emitidos anteriormente são simplesmente inalcançáveis”, afirmou o grupo.
A NHTSA propõe eliminar a negociação de créditos entre montadoras em 2028 e encerrar alguns créditos para recursos de economia de combustível. A agência também pretende reclassificar muitos veículos como automóveis, em vez de caminhonetes, o que afeta as montadoras, já que os automóveis estão sujeitos a padrões mais rigorosos do que os caminhões.
Proposta de revisão para dos padrões de economia de combustível
As montadoras pediram a manutenção de créditos para eficiência de ar condicionado e outras tecnologias. A NHTSA propõe revisar para baixo os padrões de economia de combustível de 2022 e, em seguida, elevá-los entre 0,25% e 0,5% ao ano até 2031.
Em 2022, sob o governo Biden, a NHTSA aumentou a eficiência de combustível em 8% ao ano para os anos-modelo 2024–2025 e em 10% para 2026. As regras de Biden buscavam incentivar as montadoras a produzir um número crescente de veículos elétricos para cumprir as normas, mas não teriam forçado o fim imediato dos veículos movidos a gasolina.
A NHTSA estima que a regra proposta reduziria o custo médio inicial dos veículos em US$ 930, mas aumentaria o consumo de combustível em cerca de 100 bilhões de galões até 2050 — além de custar aos americanos até mais US$ 185 bilhões em gastos com combustível e elevar as emissões de dióxido de carbono em cerca de 5%.
O Estado de S.Paulo - SP 05/02/2026
Após encerrar o ano passado no topo, o Volkswagen Delivery 11.180 iniciou 2026 com o fôlego lá em cima. O modelo médio da VWCO foi o caminhão mais vendido do Brasil em janeiro, com 357 unidades.
Os dados são do Renavam e foram compilados pela Fenabrave (entidade que representa os distribuidores de veículos), divulgados nesta terça-feira, 3 de fevereiro.
Volvo FH 540 (pesado): 262 unidadesVolvo VM 290 (semipesado): 252 unidadesMercedes-Benz Atego 2429 (semipesado): 242 unidadesDAF XF 530 (pesado): 240 unidades
Na vice-liderança geral, o pesado Volvo FH 540 segue como o favorito em sua categoria. Logo atrás, o semipesado Volvo VM 290 garantiu a terceira posição, reforçando a presença da marca sueca no pódio nacional.
A quarta colocação ficou com o Mercedes-Benz Atego 2429, cujos licenciamentos somaram 242 exemplares no primeiro mês do ano. Fechando o grupo dos cinco modelos mais populares, aparece o DAF XF 530, fabricado em Ponta Grossa (PR), com 240 emplacamentos.
Participação de mercado: VW e Mercedes-Benz disputam a liderança
No desempenho por marcas, a Volkswagen Caminhões e Ônibus garantiu a maior fatia do mercado nacional em janeiro, detendo 27,78% de market share (1.772 veículos).
A Mercedes-Benz aparece logo em seguida, com uma diferença mínima, registrando 27,06% de participação e 1.726 caminhões licenciados. A Volvo consolidou o terceiro lugar, com 17,13% do bolo total (1.093 unidades).
Exame - SP 05/02/2026
Os custos da construção civil fecharam 2025 com pressão desigual entre regiões, puxados por aumentos no cimento e no fio de cobre. É o que mostra o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC), divulgado pelo Ecossistema Sienge com metodologia da Cica Rev Consultoria e apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
A pesquisa aponta que, embora não tenha havido uma inflação generalizada nos materiais de obra, as regiões Sul e Nordeste concentraram as maiores altas de preços, com destaque para o cimento (até +11,9%) e o fio de cobre (quase +20%). Já Norte e Centro-Oeste mostraram deflação ou estabilidade na maioria dos insumos.
A região Sul liderou o avanço nos custos. O fio de cobre teve a maior alta do país, com 19,5%, enquanto o cimento subiu 8,4% no acumulado do ano. Outros materiais, como ferro, tinta e argamassa, ficaram estáveis ou em queda, mas o peso dos dois principais insumos elevou os custos das obras.
"Vimos um descolamento preocupante entre câmbio e insumos dolarizados, como o cobre, que subiu mesmo com a queda do dólar. Além disso, produtos comoditizados como o cimento apresentaram variações regionais muito disformes", afirma José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC.
No Nordeste, o cimento foi o principal responsável pela inflação nos custos da construção, com alta acumulada de 11,9%. O fio de cobre também subiu, mas em menor escala do que no Sul. Argamassa e tinta apresentaram queda, aliviando parte da pressão inflacionária.
A região Sudeste registrou aumentos mais moderados no cimento e no fio de cobre, ao mesmo tempo em que viu deflação em ferro, tinta e argamassa. O movimento ajudou a equilibrar os custos das obras, refletindo um mercado mais estável em 2025.
No Norte e no Centro-Oeste, os insumos apresentaram comportamento oposto. O cimento caiu 4,46% no Norte, enquanto o fio de cobre teve queda expressiva de 8,77% no Centro-Oeste.
O ferro também recuou em todas as regiões, com destaque para o Norte, onde a queda chegou a 18,59%. No Centro-Oeste, a retração foi de 6,77%.
Segundo Gabriela Torres, gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, as diferenças entre regiões mostram a importância de uma análise localizada dos custos. "Não houve pressão generalizada de preços em 2025, mas a variação regional foi significativa. Um mesmo insumo pode ter comportamento muito distinto a depender da localização."
O IPMC acompanha insumos que podem representar até 55% dos custos totais de materiais de obra. O modelo estatístico utiliza técnicas de inteligência artificial e classifica automaticamente os produtos em categorias homogêneas, o que aumenta a precisão dos resultados. Os dados têm intervalo de confiança de 95%.
Portos e Navios - SP 05/02/2026
A China manteve em 2025, pelo 16º ano consecutivo, a posição de maior construtor naval do mundo e ampliou sua participação em importantes indicadores do setor. Dados recentes divulgados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês indicaram que o país liderou em entrega de navios, novas encomendas e carteira de pedidos no ano passado.
As embarcações construídas na China em 2025 atingiram 53,69 milhões de toneladas de porte bruto, com alta de 11,4% em relação ao ano anterior, representando 56,1% da produção global. No fim de dezembro, a carteira de pedidos subiu 31,5%, chegando a 274,42 milhões de toneladas de porte bruto, equivalentes a 66,8% dos pedidos globais em aberto, e as novas encomendas atingiram 107,82 milhões de toneladas de porte bruto, representando 69% do mercado global.
Segundo Li Yanqing, vice-presidente da Associação Chinesa da Indústria Naval Nacional, os estaleiros chineses entraram em 2026 com encomendas para três a quatro anos, mantendo as linhas de produção em plena atividade. Ele disse que a inteligência artificial e os sistemas digitais estão sendo cada vez mais integrados ao projeto, à fabricação e às operações de navios, contribuindo para o aumento da eficiência e levando o setor a produção mais sustentável e inteligente.
O professor Yu Xinding, da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim, afirmou que a China continua liderando em áreas como energia limpa e transporte marítimo inteligente. “Essas vantagens estruturais conferem à indústria naval chinesa maior resiliência diante da pressão externa", afirmou. Ele se referiu a taxas portuárias adicionais impostas a navios chineses pelo governo americano na esperança de reativar sua própria indústria naval. Pequim respondeu imediatamente com contramedidas, cobrando taxas portuárias especiais de navios provenientes dos Estados Unidos.
De acordo com o professor, as sobretaxas e sanções são incapazes de mudar o cenário da indústria naval. “Mais economias sentirão o enorme custo da ruptura das regras comerciais nos setores de construção naval e marítimo”, disse Yu.
IstoÉ Dinheiro - SP 05/02/2026
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Petrobras a retomar perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, que havia sido paralisada no início do ano devido a um vazamento de fluido de perfuração, segundo documento visto pela Reuters.
“Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice ao retorno das atividades de perfuração no referido poço, a partir do recebimento deste ofício”, disse a ANP.
A agência, contudo, afirmou que a Petrobras foi notificada de que a retomada deverá seguir alguns condicionantes, como troca de todos os selos das juntas do riser e treinamento de todos os trabalhadores envolvidos no procedimento.
Produção de petróleo bate recorde em 2025
A ANP anunciou na segunda-feira, 2, o recorde na produção de petróleo no país em 2025. Foram 3,770 milhões de barris por dia (bpd), com alta de 12,3% ante o volume de 2024, impulsionada pela produção em novas unidades na região do pré-sal.
Durante o ano, a Petrobras colocou em operação os navios-plataformas Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. A norueguesa Equinor, por sua vez, iniciou a produção no campo de Bacalhau, também na Bacia de Santos. Já a P-78, da Petrobras, também em Búzios, começou a produzir no último dia do ano.
Com isso, a produção brasileira de petróleo retoma trajetória de crescimento, após ter tido uma queda entre 2023 e 2024.
Exame - SP 05/02/2026
A escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a colocar os preços do petróleo no centro do tabuleiro geopolítico global. Mesmo com tentativas da Casa Branca de ampliar a oferta internacional — incluindo a liberação de barris venezuelanos — o mercado segue reagindo principalmente ao risco de uma disrupção no Oriente Médio, com a possibilidade de o Irã impedir a navegação de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Desde dezembro de 2025, o barril do tipo Brent, que é referência internacional, abandonou a média próxima de US$ 60 e voltou a oscilar em patamares mais elevados, chegando recentemente à faixa de US$ 67 a US$ 70. Para analistas, esse movimento reflete menos uma escassez imediata de oferta e mais a incorporação de um prêmio de risco geopolítico.
“O mercado já embute um ‘prêmio de risco’ relevante, mas ainda parcial. Os preços reagem a cada episódio de segurança no Golfo, sem precificar plenamente um cenário de interrupção sustentada do fluxo pelo Estreito de Ormuz”, avalia Leonardo Andreoli, analista da Hike Capital. Segundo ele, a volatilidade recente tem sido impulsionada sobretudo pela geopolítica, enquanto os fundamentos — como estoques globais e decisões da Opep+ — permanecem relativamente estáveis.
Esse receio fica ainda mais evidente no mercado financeiro. Andreoli destaca que houve aumento da demanda por instrumentos de proteção contra alta nos preços, sinalizando que investidores estão dispostos a pagar mais caro para se proteger de um evento extremo. “O gatilho para uma nova disparada costuma ser a transição do risco retórico para o risco físico, como ataques a navios, restrições ao trânsito ou sanções que reduzam materialmente as exportações iranianas”, afirma.
Risco de oferta
Na mesma linha, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, lembra que episódios recentes — como o abate de um drone iraniano e a aproximação de embarcações armadas no Estreito de Ormuz — já foram suficientes para elevar as cotações. “O preço reage à percepção de risco de oferta, não a uma interrupção efetiva. Uma alta mais forte exigiria uma escalada que afetasse de fato a produção ou a logística do petróleo”, diz.
Esse contexto ajuda a explicar por que a estratégia do governo de Donald Trump de liberar barris venezuelanos tem tido efeito limitado. Apesar de ampliar a oferta marginalmente, a medida não neutraliza o temor de um choque sistêmico no Golfo Pérsico.
“É uma válvula de oferta com limitações de volume, tempo e qualidade. A Venezuela ajuda na margem, mas não anula um prêmio de risco que o mercado ajusta em horas”, destaca Andreoli. Lima acrescenta que obstáculos logísticos e regulatórios impedem que esses volumes cheguem ao mercado com rapidez suficiente para conter a volatilidade.
Efeitos sobre o Brasil
Para o Brasil, que ocupa hoje uma posição híbrida — produtor, exportador e importador de derivados — os efeitos desse cenário são ambíguos. O canal mais imediato é o dos combustíveis, sobretudo o diesel, com impacto direto sobre fretes, alimentos e bens industriais. “Mesmo quando o preço internacional cede pontualmente, o repasse ao consumidor pode ser defasado ou inexistente, mantendo a sensibilidade do IPCA”, observa Andreoli.
Na inflação, o efeito tende a ser indireto, mas persistente, podendo contaminar expectativas e até o câmbio. Isso dificulta o trabalho da política monetária. “O aumento do risco inflacionário ocorre justamente quando o Banco Central busca consolidar a desinflação”, pondera Lima.
Segundo o analista, por outro lado, preços mais altos do petróleo elevam receitas de royalties e participações governamentais, além de favorecer empresas exportadoras do setor. Como o Brasil é exportador líquido de óleo cru, o valor das exportações sobe, ajudando a balança comercial e, em alguns momentos, a estabilidade cambial. Esse benefício, contudo, pode ser parcialmente compensado por uma conta maior de importação de derivados e por eventuais custos fiscais, caso o governo opte por amortecer os preços internos.
TN Petróleo - RJ 05/02/2026
A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) deu um passo estratégico para o futuro do setor de descomissionamento no Brasil. Em reuniões no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e na Receita Federal, realizadas nesta terça-feira (3/2), a entidade entregou o Documento Propositivo para Legisladores e Reguladores, um roteiro técnico que visa consolidar o Brasil como referência global no descomissionamento de ativos offshore.
O relatório é fruto do workshop "Descomissionamento e reciclagem sustentável de ativos offshore no Brasil", realizado em Brasília em novembro do ano passado, e foca em cinco pilares fundamentais: Regulatório, Fiscal/Aduaneiro, Ambiental, Infraestrutura e Governança.
Para a Diretora Geral da ONIP, Marta Franco Lahtermaher, o Brasil possui uma janela de oportunidade única. "O país pode, e deve, se posicionar como polo de referência no descomissionamento no Atlântico Sul", afirmou. Segundo a executiva, a segurança jurídica é fundamental para o desenvolvimento do setor: "Isso assegura confiança às empresas que desejam investir na reciclagem de embarcações, integrando inovação e políticas públicas.", explica.
A entrega contou com a presença de figuras-chave do setor, como Julia Cruz, secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC; Sissi Alves da Silva, Diretora de Novas Economias do MDIC; o subsecretário de Administração Aduaneira, Fausto Vieira; Karine Fragoso (Gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan), além de Diogo Pereira e Jeniffer Pires Cotta, especialistas da Comissão Aduaneira da OAB-RJ.
Durante a reunião o MDIC propôs a criação de um Grupo de Trabalho no Fórum de Economia Circular para tratar do tema.
"O descomissionamento é uma agenda estratégica para o Brasil, pois integra economia circular, desenvolvimento industrial e sustentabilidade. Estruturar esse mercado de forma coordenada fortalece a indústria nacional e cria oportunidades permanentes na geração de valor", afirmou Júlia Cruz, secretária de Economia Verde do MDIC.
Ainda nesta terça-feira, em reunião na Subsecretaria de Administração Aduaneira (Suana) da Receita Federal, o subsecretário Fausto Vieira destacou a importância da contribuição técnica do grupo formado pela ONIP e pela Comissão Aduaneira da OAB-RJ e solicitou seu apoio na elaboração de uma minuta voltada à adequação da norma do Repetro às demandas específicas da atividade de descomissionamento no Brasil.
"A união da indústria trazendo a visão jurídica tributária fortalece a construção correta de um mercado que agrega sustentabilidade, seja pela vertente da economia verde-economia circular, seja pela vertente de construção de demanda local se forma permanente", observa Karine Fragoso.
Portal Fator Brasil - RJ 05/02/2026
Ante 498 mil bpd em dezembro, recuperação após a tomada de controle pelos EUA. Os embarques foram impulsionados por licenças concedidas a comerciantes internacionais.
As exportações de petróleo da Venezuela dispararam em janeiro, atingindo cerca de 800 mil barris por dia (bpd), ante 498 mil bpd em dezembro, segundo a Reuters . O aumento ocorreu após a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e o fim do embargo de petróleo que restringia a saída de navios-tanque carregados com petróleo bruto.
A prorrogação, em janeiro, das primeiras licenças concedidas pelo Departamento do Tesouro dos EUA às empresas Trafigura e Vitol permitiu a reativação das exportações de estoques.
O volume exportado em janeiro ficou próximo da média de 847 mil barris por dia (bpd) de petróleo bruto e combustíveis registrada no ano anterior, embora tenha sido ligeiramente inferior aos 867mil bpd embarcados no mesmo mês de 2025. No entanto, os parceiros e comerciantes da PDVSA precisarão manter um ritmo elevado de exportações para reduzir os milhões de barris que ainda permanecem nos estoques e permitir a reversão completa dos cortes de produção.
O mercado está em expansão. — O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença abrangente que autoriza empresas americanas a exportar, armazenar, transportar e refinar petróleo venezuelano. Enquanto isso, os parceiros da PDVSA, incluindo a Chevron, continuam aguardando licenças individuais que lhes permitam expandir suas operações.
Em janeiro, os Estados Unidos voltaram a ser o principal destino das exportações de petróleo bruto venezuelano, com importações de aproximadamente 284 mil barris por dia (bpd). Desse total, a Chevron exportou cerca de 220 mil bpd, em comparação com 99 mil bpd no mês anterior. A China, que até dezembro representava mais de 70% das exportações venezuelanas, recebeu cerca de 156 mil bpd. No entanto, não foram registradas exportações para Cuba no mês passado.
Em janeiro, a Vitol e a Trafigura exportaram juntas aproximadamente 12 milhões de barris de petróleo bruto e óleo combustível da Venezuela , o equivalente a cerca de 392 mil barris por dia, principalmente para terminais de armazenamento no Caribe. De lá, os carregamentos foram redistribuídos para clientes nos Estados Unidos, Europa e Índia.
Entre 18 e 38 milhões de barris adicionais ainda precisam ser exportados no âmbito do acordo de fornecimento de US$ 2 bilhões firmado entre Caracas e Washington após a captura de Maduro, cuja receita é canalizada para um fundo supervisionado pelos Estados Unidos.
A Venezuela também realizou seu primeiro carregamento de gás liquefeito de petróleo (GLP) em quase três anos. A carga foi transportada pelo navio “Chrysopigi Lady”, fretado pela Trafigura, que partiu do porto de José.
Monitor Digital - RJ 05/02/2026
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ofereceu ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, a ajuda da petrolífera estatal colombiana Ecopetrol para impulsionar a reativação energética do oeste da Venezuela.
“O governo Trump viu a possibilidade imediata de suspender as sanções e abrir as possibilidades para que a Ecopetrol seja a empresa central dessa reativação, juntamente com a empresa venezuelana Monómeros”, afirmou durante uma entrevista concedida à Caracol Radio após a reunião mantida com o presidente americano na Casa Branca.
Petro explicou que esse plano inclui o uso de energia elétrica da Colômbia, especificamente de La Guajira, e a reativação de conexões elétricas, gasodutos e oleodutos já existentes entre os dois países para exportar petróleo a partir de portos colombianos. “A reativação do oeste da Venezuela, não de toda a Venezuela, pode ter um papel importante da Colômbia”, disse ele.
Tanto Petro quanto Trump se mostraram otimistas sobre seu encontro em Washington, após um ano de atritos frequentes em relação às suas posições sobre a Venezuela e as políticas migratórias. Trump chegou a lançar uma advertência a Petro, na qual o exortou a “cuidar-se” após a captura de Maduro em 3 de janeiro.
O presidente americano chegou a afirmar que a Colômbia era governada por um homem “que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA” – em alusão a Petro -, embora dias depois ambos tenham mantido uma conversa por telefone para aliviar as tensões e trocar posições sobre suas políticas para enfrentar o narcotráfico e outras divergências.
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