Diário do Comércio - MG 05/01/2026
A siderurgia brasileira encerra 2025 pressionada pelo avanço das importações, com perdas de margem, paralisação de operações, redução de investimentos e demissões. O setor entra em 2026 à espera de medidas capazes de reverter esse quadro, que se arrasta há anos.
Dados do Instituto Aço Brasil mostram que entre 2021 e 2022, os desembarques de laminados diminuíram de 4 milhões de toneladas (Mt), para 3,1 Mt, mas, desde então, a curva foi crescente. Em 2025, o volume deve atingir 5,7 Mt, o maior patamar desde 2010 (5,8 Mt) e que representará um aumento de 20,5% em relação a 2024 (4,8 Mt).
No recorte de janeiro até novembro de 2025, o País importou 5,4 Mt de aço laminado, alta interanual de 20,2%. Por impacto desse cenário, as siderúrgicas cancelaram R$ 2,5 bilhões em aportes no mercado brasileiro, desligaram 5.100 funcionários e paralisaram quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas (mini mills).
Além disso, o Ebitda trimestral das associadas da entidade recuou 51,7% no terceiro trimestre deste ano em comparação ao registrado no quarto trimestre do exercício passado. Nesse mesmo confronto, a margem Ebitda caiu 7,7 pontos percentuais.
Conforme ressalta o economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, entre as empresas, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) são as que mais sofrem com as importações, porque os aços planos laminados predominam nos desembarques. Já a Gerdau é relativamente menos afetada, por ter menor foco nesse segmento e maior atuação em aços longos.
Gatilhos para a reversão do quadro
Em 2024, o governo federal implementou um mecanismo de cota-tarifa visando conter as importações de aço. O sistema, renovado em 2025 com a inclusão de mais produtos, mitigou, mas não foi capaz de resolver o problema do setor siderúrgico, visto que acordos de comércio celebrados pelo Brasil com outros países e regiões, regimes aduaneiros especiais e incentivos fiscais em estados seguem facilitando a entrada das mercadorias.
Em diálogo constante com representantes da União, o Instituto Aço Brasil acredita que o País vai impor novas medidas de defesa comercial em 2026. Nesse sentido, o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, reitera que há expectativa de que, em meados de fevereiro, seja autorizada a ampliação das tarifas de importação para alguns tipos de aço, principalmente chineses, o que seria fundamental para dar fôlego às siderúrgicas.
Segundo o especialista, também existem rumores de que a China possa adotar maior controle sobre a exportação de excedentes, o que ajudaria a reduzir a pressão sobre o setor siderúrgico. No entanto, ele pondera que se trata de um tema difícil de ser modificado, já que o país asiático é o maior produtor de aço do mundo e não deve apresentar crescimento econômico robusto no curto prazo, algo que poderia minimizar a situação.
Para Galdi, a reversão do quadro da siderurgia dependerá do aumento da alíquota para aço importado e do avanço da economia brasileira, além da continuidade da política tarifária dos Estados Unidos – que acentua a guerra de mercado e o desvio de comércio.
Ao listar os gatilhos que podem resultar na recuperação do setor, Sharau também destaca a expansão da demanda doméstica e a adoção de medidas de defesa comercial mais efetivas. O economista acrescenta ainda a queda da taxa de juros, que reduz o custo de capital e destrava investimentos, e o enfraquecimento do real frente ao dólar, fator que diminui a diferença de preço entre o produto nacional e o importado.
Retomada do setor siderúrgico ocorreria gradualmente
Caso os aspectos positivos citados aconteçam, a siderurgia brasileira tende a retomar ciclos de contratações e investimentos. No entanto, essa retomada aconteceria por etapas.
“Primeiro, é esperada a reativação da capacidade. Depois, projetos menores. E, posteriormente, um capex maior”, explica o sócio da iHUB Investimentos. Segundo Sharau, sem os gatilhos mencionados ou até que haja alguma previsibilidade sobre essas variáveis, o setor permanecerá por mais tempo na defensiva, com os aportes em espera.
Nesse contexto, o analista da plataforma AGF ressalta que a Gerdau já vinha alertando há tempos sobre o risco de ser mantido o ambiente negativo atrelado ao aço importado. E afirma que uma estratégia de investimento não muda do dia para a noite, tanto é que a empresa decidiu reduzir investimentos no Brasil, fechar plantas e demitir colaboradores.
Galdi reforça que outros players, como a Usiminas e a CSN, estão ajustando investimentos com foco na redução de custos. Conforme ele, uma mudança de estratégia só deve ocorrer após a confirmação da viabilidade da demanda que foi retirada do Brasil. “Vale destacar que o aço importado já representa cerca de 25% do aço consumido no País”, salienta.
Money Times - SP 05/01/2026
A CSN (CSNA3) concluiu a venda de 6.759.540 ações preferenciais classe B da MRS Logística para a CSN Mineração (CMIN3), segundo relevante desta quarta-feira (31).
A operação representa 2% do capital social da MRS e movimentou cerca de R$ 599,9 milhões. A transação adicional já havia sido informada há duas semanas, quando a CSN anunciou a venda de participação de 11,7% na transportadora ferroviária para a mineradora por R$ 3,35 bilhões.
Com a conclusão da transferência, a CSN passou a ser proprietária de 25.636.431 ações ordinárias, correspondente a 13,69% do capital social votante da companhia de logistíca.
Já a CSN Mineração agora detém 26.777.723 ações ordinárias, cerca de 14,30% do capital da MRS, além de 74.301.916 ações preferenciais, o que represennta 49,28% de todas as ações preferenciais da MRS.
As companhias ainda afirmaram que 974.852 ações ordinárias da MRS Logística de titularidade da CSN Mineração permanecerão vinculadas ao acordo de acionistas da empresa que será aditado para refletir a mudança na composição acionária.
Por Equipe Money Times
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Globo Online - RJ 05/01/2026
O ano de 2025 foi de piora na confiança do empresariado, segundo a evolução do Índice de Confiança Empresarial (ICE), da Fundação Getulio Vargas (FGV), mas as perspectivas são melhores para 2026. Presidentes de empresas de diversos setores ouvidos pelo GLOBO relatam otimismo com o novo ano, por motivos variados, como perspectiva de aumento da demanda, avanço de projetos de investimento e continuidade de tendências de consumo, como o uso do comércio eletrônico e de aplicativos de transporte.
O ICE agregado, calculado a partir dos indicadores setoriais da indústria, do comércio, dos serviços e da construção civil, saiu de 95,9 pontos, em dezembro de 2024, para a casa dos 90 pontos, onde está estacionado desde setembro, mas a estagnação recente é marcada por uma divergência entre os componentes do índice. O ISA, que mede a percepção sobre a situação atual, manteve a queda. Já o IE, que capta as avaliações sobre os próximos três ou seis meses, vem subindo.
Espera por alívio nos juros
Para Rodolpho Tobler, coordenador das Sondagens Empresariais do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), pode ser um “ponto de virada” na confiança dos empresários. Segundo o pesquisador, ao longo de 2025 a piora na confiança combinou com o ciclo de aperto na política de juros, uma vez que a queda foi puxada pela indústria — o Banco Central (BC) subiu a taxa básica Selic de setembro de 2024 a junho de 2025, para 15% ao ano, no maior nível desde 2006, onde permanece desde então.
— A perda de fôlego da confiança tem muito a ver com os juros. A indústria é muito sensível a crédito e juros — diz Tobler.
Sinais de um ponto de virada também apareceram na pesquisa Firmus, do BC, que capta as expectativas para a economia das empresas não financeiras, incluindo aí avaliações qualitativas. Na edição do quarto trimestre de 2025, ao responder sobre a “situação econômica atual”, 27,9% das firmas entrevistadas a definiram como “neutra”. No terceiro trimestre, eram 21,4%. A porção de respostas “discretamente negativa” ficou em 35%, melhor do que os 47,8% do terceiro trimestre.
De acordo com Tobler, a perspectiva de alívio nos juros, com a inflação mais comportada, aponta para uma atividade econômica mais “equilibrada” em 2026, com o consumo das famílias mantendo um ritmo melhor, como ocorreu em 2024. Especialmente porque a redução nos juros se dará com uma demanda ainda robusta.
— Quanto mais cedo começar o ciclo de queda, menos a economia vai esfriar, e o motor poderá acelerar um pouco — completa Tobler. — O juro está muito alto, mas demanda está aquecida ainda, com trabalho e renda fortes.
Consumo em alta
A demanda aquecida é relatada pelos executivos ouvidos pelo GLOBO que operam em atividades que atendem ao consumidor final, como a rede de depilação Espaçolaser, a gigante do comércio eletrônico Amazon ou a rede de fast food Taco Bell. Há também particularidades setoriais: qualquer que seja o cenário, a Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, identifica um ciclo natural de envelhecimento das geladeiras em uso no país, o que levará as famílias a fazerem trocas por necessidade.
Leia a seguir o cenário de sete CEOs ouvidos pelo GLOBO para medir as expectativas do empresariado para o ano de 2026.
Nas marcas Brastemp e Consul, aposta em novas categorias
Apesar dos juros altos de 2025, que encarecem as compras a prazo de eletrodomésticos, Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirlpool, multinacional americana que fabrica as marcas Brastemp e Consul, vê a demanda crescer. Emprego e renda em alta ofereceram suporte ao consumo mesmo diante de um cenário de juros altos. Em 2026, porém, a perspectiva é de queda no custo financeiro, com a esperada redução da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central.
Ele destaca ainda que há uma demanda estrutural que vai movimentar o setor:
— Primeiro, haverá uma renovação do parque instalado: cerca de metade das geladeiras nos lares brasileiros já tem mais de seis anos, aproximando-se do fim de sua vida útil. Segundo, há potencial de expansão em categorias como fornos e cooktops, presentes em 20% dos lares brasileiros, ou lava-louças, em apenas 2%.
As volatilidades típicas dos anos de eleições não assustam, mas a guerra comercial deflagrada pelo tarifaço dos Estados Unidos poderá ser um problema, por causa de efeitos colaterais: com o mercado americano mais fechado, bens fabricados na China poderão ser redirecionados para outros grandes mercados consumidores, como o brasileiro. A saída é apostar nas marcas, que são “100% brasileiras e as preferidas entre os consumidores”.
Espaçolaser vê alívio no Imposto de Renda ajudando no consumo
Magali Leite, CEO da rede de depilação Espaçolaser, está otimista com 2026, porque vê a demanda em alta. No setor de serviços, em que a renda dos brasileiros tem papel relevante, Magali afirma que o reconhecimento da qualidade dos serviços da empresa garantiu resiliência ao negócio.
Tanto que, diante do cenário negativo de juros elevados, a rede reajustou os preços médios em 13% em 2025 e, ainda assim, registrou um crescimento de 11%.
— Em 2026, o cenário é de crescimento. Começamos a aumentar investimentos e conseguimos nos estruturar de uma forma que mantemos uma política de preços agressiva, cobrando de 25% a 30% mais do que concorrência, mas vamos oferecendo descontos — diz Magali, que vê um maior consumo com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. — Haverá mais recursos na economia.
Magali não vê grandes obstáculos com as eleições gerais de 2026 nem com o tarifaço dos EUA. A Espaçolaser prossegue com sua expansão internacional e já é líder de mercado na Argentina e no Chile, diz a executiva.
Já a Reforma Tributária, que começará a ser testada em 2026, pode ser uma oportunidade de longo prazo, ao tornar o ambiente de negócios mais simples, além de potencializar a mudança estrutural no Brasil de maior procura das pessoas por empreender, o que pode impulsionar a abertura de franquias.
Shell está otimista com biocomustível e cita preço ‘desafiador’ no petróleo
A petroleira anglo-holandesa Shell bateu recorde de produção de petróleo e gás no Brasil em 2025 e, para 2026, o cenário é de continuidade, diz Cristiano Pinto da Costa, CEO da subsidiária brasileira. Para manter o ritmo, a Shell terminou 2025 com investimento de R$ 10 bilhões no Brasil. Entre os projetos, destaque para o campo Gato do Mato, no pré-sal, operado pela petroleira.
— A indústria entra em um ano mais desafiador do ponto de vista de preços de petróleo. Então, a eficiência operacional e de custos, a disciplina na forma como gastamos dinheiro, é uma área de atenção — diz o executivo.
As cotações internacionais do petróleo estão em torno de US$ 60, o menor patamar desde 2021.
Ele minimiza os efeitos negativos das eleições, mas demonstrando preocupação com a Reforma Tributária, com o Imposto Seletivo sobre o petróleo.
O executivo também reafirma a aposta na Raízen — fabricante de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis na qual a multinacional é sócia do grupo Cosan —, que vem passando por reestruturação financeira:
— Acreditamos muito em biocombustíveis. O Brasil deu exemplo para o mundo de que é possível, via novas tecnologias, baixar a intensidade de carbono. Acreditamos no potencial de médio e longo prazo da empresa.
Eleições e tarifaço não afetam expectativas
Os executivos de diferentes setores opinaram sobre os principais temas que estarão no radar econômico no novo ano — as eleições presidenciais, o tarifaço dos Estados Unidos e a entrada em vigor da Reforma Tributária no Brasil.
Todos os executivos minimizam a importância das mudanças dos ciclos políticos. Preferem destacar a resiliência dos negócios e a visão de longo prazo, que precisa naturalmente se adaptar a mudanças de governo.
Em relação ao tarifaço, as respostas também focam na resiliência — as multinacionais americanas não relataram preocupações com a relação comercial entre Brasil e EUA. A petroleira anglo-holandesa Shell chama a atenção para a possibilidade de encarecimento de insumos nas cadeias produtivas, o que preocupa em meio a um cenário de cotação do petróleo em baixa.
Sobre a Reforma Tributária, as visões miram no longo prazo. A fase de transição da maior mudança no sistema de impostos do país em quatro décadas terá início em 2026 e se estenderá até 2033, simplificando os negócios e afetando todos os produtos e serviços da economia.
Mesmo os presidentes de empresas cujos setores deverão ser beneficiados por uma tributação mais simples e até por uma redução de carga, como a Whirlpool, destacam o longo período de transição. Na indústria extrativa, Shell e Anglo American temem que o novo Imposto Seletivo, que incidirá sobre as vendas de petróleo e de minério de ferro, tire competitividade dos projetos no Brasil.
Anglo American inaugura projeto, mas vê com receio novo imposto
A CEO da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, está otimista com 2026 por causa de um marco para a operação brasileira da mineradora britânica: a inauguração da usina de filtragem de rejeitos na mina de minério de ferro do complexo Minas-Rio.
O megaprojeto, comprado pela multinacional do empresário Eike Batista, escoa a produção de Minas Gerais para um terminal portuário no Porto do Açu, no litoral norte do Rio, via um dos maiores mineriodutos do mundo.
— Seguimos nossa jornada de excelência operacional — afirma Ana, antes de citar a usina de filtragem, um investimento de R$ 5 bilhões. — Vamos reduzir em 85%, chegando a 91%, o envio de rejeitos para a barragem.
Para 2026, a executiva não vê problemas com relação às eleições gerais — “estamos há muitos anos” no Brasil, diz, e “para ficar por muitos anos”, ressalta, “a expectativa é que passemos por vários líderes políticos” —, mas demonstra preocupação com a Reforma Tributária, que introduzirá o Imposto Seletivo sobre as vendas de minério:
— Fico muito preocupada em como o Brasil vem perdendo a competitividade, com como não conseguimos transformar nossas vantagens comparativas, e temos inúmeras, em vantagens competitivas.
Copa do Mundo vai impulsionar ‘fast food’, prevê Taco Bell
Após chegar ao cargo de CEO da operação brasileira da rede de fast food de comida mexicana Taco Bell no fim de 2025, Tito Barroso está otimista com o novo ano. A marca da holding americana Yum Brands — dona também de Pizza Hut e KFC — resolveu assumir a operação no Brasil apenas do Taco Bell, colocando o país “sob os holofotes”.
— O Brasil é um mercado prioritário para a Yum. O consumo aqui, na indústria de fast food como um todo, cresce ano após ano — afirma Barroso. — Hoje, são 40 lojas do Taco Bell no Brasil. Quando comparamos com outros players internacionais, não estamos ainda no mesmo nível, mas a presença da marca, o recall do nome, é gigante.
Barroso trabalha com a meta de chegar a 200 unidades até 2030, atraindo investidores com experiência operacional para franquias. O executivo não vê nem as eleições presidenciais nem o tarifaço dos EUA como obstáculos. O evento de 2026 que chama sua atenção é outro:
— O que vai ajudar bastante é a Copa do Mundo de futebol (que será em junho e julho, nos EUA, no México e no Canadá). O brasileiro vai mais ao shopping, vai mais a restaurantes, consome mais — diz Barroso.
Regulamentação do trabalho por aplicativo no radar da Uber
Para continuar crescendo em 2026, a Uber foca no lançamento de produtos segmentados e em estratégias para ampliar o uso de seus serviços por cada cliente, diz Silvia Penna, diretora-geral da plataforma de transportes americana no Brasil. Isso porque 125 milhões de brasileiros já usaram o aplicativo de alguma forma, em um cenário no qual a Uber “faz parte da infraestrutura urbana”.
— Temos uma penetração muito alta, inclusive como uma “última milha”, que complementa o transporte público. Com cada vez mais produtos, e segmentando cada vez mais, vamos seguir crescendo — diz Silvia.
A executiva vê os ciclos políticos, no radar com as eleições de 2026, como normais e não teme o tarifaço americano, embora os serviços da empresa exijam “diálogo contínuo” com governos mundo afora. O Brasil é um dos maiores mercados da Uber no mundo.
Na agenda regulatória, Silvia vê 2026 como importante nas discussões sobre a aprovação de um marco regulatório para o trabalho por aplicativos no Brasil, que “proteja os trabalhadores, ofereça seguridade social, mas que garanta a flexibilidade que eles buscam”.
Amazon vai ampliar produtos e avançar em fretes rápidos
Após investir R$ 55 bilhões na última década para estabelecer uma operação completa no Brasil, com 250 centros logísticos espalhados por todos os estados, a Amazon está otimista com 2026 por causa das perspectivas de maior uso do comércio eletrônico pelos brasileiros, afirma Juliana Sztrajtman, presidente da subsidiária brasileira:
— Nosso foco em 2026 será aprimorar continuamente a experiência dos nossos clientes por todo o Brasil. Isso significa não apenas prazos de entrega mais rápidos e convenientes em todas as regiões, mas também seguir expandindo nossa ampla seleção de produtos.
Juliana não teme eventuais turbulências causadas pelo tarifaço dos Estados Unidos ou pelo calendário político de 2026, com eleições gerais no Brasil, pois “a abordagem centrada no cliente nos permite navegar diferentes cenários macroeconômicos, mantendo nosso compromisso com o crescimento”, diz a executiva.
Com o início da implementação da Reforma Tributária, a Amazon vê oportunidades de longo prazo com um sistema de impostos mais simples. Segundo Juliana, a empresa acompanha e se prepara para a transição no sistema.
O Estado de S.Paulo - SP 05/01/2026
Uma economia nacional abrange várias dimensões, como o seu Produto Interno Bruto (PIB), sua inflação, suas diversidades regionais e setoriais e outras, mas vou focar aqui principalmente no PIB, a mais importante.
Segundo o boletim Focus do Banco Central (BC), que recorre a previsões de analistas e operadores do mercado financeiro, na edição de 26 de dezembro, a previsão é de uma taxa de 2,26% para o PIB de 2025. Como a economia vinha crescendo a taxas próximas de 3,0%, iniciou-se a fase descendente de mais um ciclo econômico, ou de um voo de galinha.
A previsão desse mesmo boletim Focus é de um crescimento do PIB de 1,80% em 2026, se repetindo em 2027 e chegando a 2,0% em 2028, indicando que a fase baixa do voo da galinha se prolongaria por muito tempo. Ponho no condicional porque nesse longo tempo muita coisa pode acontecer, para o bem ou para o mal.
O que explicaria essa queda do crescimento do PIB? O governo Lula continuou sua tradição político-fiscal expansionista de gastos, gerou inflação e o BC recorreu a fortes aumentos da taxa Selic, trazendo-a para absurdos 15% ao ano, o que prejudicou o crescimento econômico já modesto que o País mostrava. Lula sempre se contentou com 3% para o PIB, taxa que alardeia como muito boa, mas queda foi um dos ingredientes que levou o País a perder sua posição de 10.ª economia mundial, passando à 11.ª. Ou seja, há países crescendo mais, mesmo no nosso grupo daqueles em desenvolvimento, que aqui é muito fraco.
Por que o Brasil não cresce bem mais? Essa é uma questão que infelizmente não é respondida pelos nossos políticos que estão aí. Nosso presidente só tem uma coisa na cabeça, o que pode reelegê-lo e atua nessa direção, gastando o que pode e o que não pode para atrair eleitores. O Congresso segue direcionado por seus interesses pessoais, como os altos gastos com emendas parlamentares e a defesa de interesses de grupos.
Como já ressaltei em artigos anteriores, seria preciso entender que um país se desenvolve mais se investir mais. Em outras palavras, o que faz uma economia crescer mais é a sua taxa de investimento, aquela parte de seu PIB que é destinada a ampliar investimentos em formação de capital, como aumentando empreendimentos existentes ou gerando novos, a exemplo de estradas, portos, aeroportos, fábricas, fazendas, estabelecimentos comerciais, escolas, hospitais e outros. Essa taxa de investimento caiu de 18,3% do PIB para 17,3% do PIB entre o primeiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023 e em qualquer caso deveria estar muito mais próxima de 25% do PIB, que seria necessário manter, sem oscilações negativas, para uma expansão mais sustentável do PIB a taxas mais satisfatórias e permanentes em termos de crescimento.
Ainda quanto à taxa de investimento, insisto que há uma questão estrutural. O setor público, após 1980, reduziu muito a sua própria taxa, que já alcançou perto de 10% do PIB e hoje está perto de apenas 2%, tendo ampliado muito os tais gastos sociais que levam principalmente a aumento do consumo e não da estrutura produtiva. O setor privado até que aumentou a sua taxa de investimento, que passou de 10% no início dos anos 1960 para 15% no princípio da década de 1980 e por aí ficando até hoje, provavelmente também desestimulado pela queda da taxa de investimento público relativamente ao PIB.
Voltando à questão do baixo crescimento, também repetindo minhas pregações anteriores, o Brasil vai demorar para sair dele, e duvido que isso aconteça no horizonte de vida que posso contemplar. Gostaria de estar errado. Não há conscientização nem da sociedade nem dos Poderes Executivo e Legislativo quanto ao assunto, dominados, como já dito, por outros interesses.
Um candidato a presidente disse que sua prioridade será o crescimento econômico, mas é preciso ir além, perguntando-lhe como pretende fazer isso. Espero que o período eleitoral seja aproveitado para buscar respostas a indagações como essa, o que, aliás, pretendo fazer. Lula, o candidato favorito, é mestre em responder com generalidades a perguntas como essa, mas agora estará diante de uma questão mais objetiva: como deixou que em seu governo o crescimento caísse de 3% para 2% ao seu final?
O certo é que em 2027 o Brasil precisa de um presidente disposto, primeiro, a colocar a casa em ordem na questão fiscal antes de se preocupar com a eleição de 2030. Seu sucesso lhe garantiria uma posição de honra na história nacional. Mas Lula, até aqui o favorito neste ano, mais provavelmente irá se preocupar em criar um sucessor petista na eleição de 2030, beneficiando-o com medidas populistas. Assim, o mais provável é que a “festa” vá continuar e o País siga dando os seus passinhos na esfera do crescimento.
Assim, olhando à frente, assunto é o que não vai faltar para este articulista escrever neste espaço. E como ontem foi 1.º de janeiro, aproveito para desejar a todos os leitores um feliz ano-novo.
Exame - SP 05/01/2026
Com R$ 280 bilhões em investimentos, o ano de 2025 inaugurou uma inflexão relevante no arranjo institucional e financeiro que sustenta a infraestrutura no Brasil. Se no passado o crescimento dependia de investimento público direto, a década atual indica maior participação do setor privado no financiamento e na operação de ativos de longo prazo.
“Essa virada decorre de uma combinação de reformas legais e de inovação financeira. O Marco do Saneamento, ao impor metas de universalização e reforçar a governança regionalizada, transformou um setor historicamente subfinanciado em polo de captação. As debêntures incentivadas e os instrumentos regulados pela Comissão de Valores Mobiliários consolidaram um mercado de capitais apto a financiar projetos de longo prazo”, contextualizou a advogada Maysa Abrahão Tavares Verzola, sócia da área de Arbitragem e Direito Público de Gasparini, Barbosa e Freire Advogados.
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou sua atuação para além do crédito tradicional e passou a estruturar projetos, mitigar riscos e coordenar instrumentos como fundos climáticos e linhas verdes.
Ainda segundo Maysa Abrahão Tavares Verzola, a evolução contratual reconfigurou o ambiente regulatório: matrizes de risco mais objetivas, mecanismos automáticos de reequilíbrio econômico-financeiro, remuneração vinculada a performance, integração progressiva de métricas ESG, arbitragem especializada e soluções consensuais com o Tribunal de Contas da União criam um ecossistema de governança compatível com contratos de 25 ou 30 anos.
“Esse avanço institucional coincide com a expansão da carteira de projetos do País. O potencial brasileiro, antes retórico, hoje se traduz em um pipeline estruturado que abrange ferrovias, rodovias federais e estaduais com modelagens modernas, concessões de portos, hidrovias e aeroportos regionais”, ilustrou.
“É inédito no país a retomada dos investimentos no modal ferroviário, como meio de interligação com modais navais e aéreos, especialmente pelo fato de que isso se dá no contexto de uma política de Estado, voltada e pensada para o barateamento dos fretes e a integração das cadeias produtivas”, citou a especialista em Direito Público Daiana Mendes Mallmann, sócia do Eichenberg, Lobato, Abreu e Advogados Associados.
Como destaques da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, ela citou o anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão (que conectará Sinop/MT a Itaituba/PA), o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e os corredores da Malha Sul.
O Estado de S.Paulo - SP 05/01/2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que deixará o cargo em fevereiro para colaborar com a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A rigor, o ministro Haddad colabora com a campanha de Lula desde o primeiro dia em que assumiu o cargo, pois desdobrou-se para conseguir maneiras de aumentar a arrecadação e, assim, satisfazer a ânsia perdulária do chefe para aumentar seu capital eleitoral.
Haddad não teve a capacidade de ser, no terceiro mandato presidencial de Lula, o que Antonio Palocci foi no primeiro. É certo que Haddad e Palocci são igualmente petistas, mas Palocci, ainda na campanha que Lula venceria, conseguiu convencer o chefe a firmar o compromisso de que preservaria o superávit fiscal – que, junto com o câmbio flutuante e as metas de inflação, compunha o tripé macroeconômico herdado do governo de Fernando Henrique Cardoso. Pior: sua equipe econômica cometeu a heresia de propor, em 2005, que o governo perseguisse o déficit nominal zero, isto é, que o gasto do governo, incluindo os juros, deixasse de superar a arrecadação. Era uma meta ousada, que melhoraria drasticamente o conceito do Brasil no mercado e, com isso, permitiria a redução acentuada dos juros. Mas a ideia não foi adiante, porque era demais para os padrões petistas. Na época, em entrevista ao Estadão, a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificou o plano de “rudimentar”.
Haddad, que não chega a ser uma Dilma, mas jamais será um Palocci, não fez nada remotamente parecido com isso. Ao contrário: ajudou a conceber uma âncora fiscal que só existia para efeito de propaganda e passou os últimos três anos tentando dourar a pílula do déficit, reafirmando um compromisso de equilíbrio das contas públicas que Lula e os números tratavam de desmoralizar diariamente. Se o Lula do primeiro mandato ainda se preocupava com passar para o mercado e os investidores a imagem de que trataria as contas públicas com seriedade, o Lula do terceiro mandato pisou no acelerador dos gastos sem qualquer pudor. Recorde-se que, no mês passado, Lula saiu-se com esta: “Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”.
Sob certos aspectos, portanto, Haddad encerrará sua gestão como o ministro da Fazenda possível dentro de uma gestão petista com essas características. Reconheça-se seu esforço pela aprovação da reforma tributária sobre o consumo, idealizada por seu ex-secretário Bernard Appy e parada no Congresso havia quase 40 anos. Com a proposta, o País plantou a semente para o fim de distorções que contêm a produtividade e o crescimento da economia.
Ao mesmo tempo, porém, foi incapaz de defender a segunda parte da reforma, que alteraria o Imposto de Renda (IR), sucumbindo aos imperativos populistas de Lula e protagonizando o constrangedor pronunciamento em rede de rádio e TV no qual foi obrigado a anunciar o plano eleitoreiro do presidente de isentar de IR quem ganha até R$ 5 mil. Foi talvez o ponto mais baixo de sua trajetória como ministro da Fazenda.
Por fim, um de seus principais objetivos não foi alcançado: a recuperação do grau de investimento conquistado em 2008 e perdido em 2015, dias após o governo Dilma Rousseff enviar ao Congresso uma proposta de Orçamento prevendo um inédito déficit primário e ter contratado uma inflação de dois dígitos e uma recessão para aquele ano e o seguinte.
A despeito da boa vontade das agências de classificação de risco, não havia como ignorar o fato de que a trajetória da dívida pública na proporção do PIB continua longe da prometida estabilidade. Ao fim do terceiro mandato de Lula, o endividamento terá crescido cerca de 10 pontos porcentuais na proporção do PIB.
Nesse contexto, dizer que a arquitetura do arcabouço pode ser mantida e que basta discutir seus parâmetros em 2027, como fez Haddad, é insultar a inteligência alheia. Do mesmo modo, é ofensivo dizer que Lula herdou um “inferno no campo fiscal” dos governos que o antecederam. Ao fazê-lo, Haddad mostra que nunca deixará de ser um petista.
CNN Brasil - SP 05/01/2026
As apostas para o início do ciclo de queda dos juros pelo BC (Banco Central) em março ganharam mais força entre as instituições bancárias após o tom mais duro da autarquia na última reunião de 2025, mostrou pesquisa da Febrabran (Federação Brasileira de Bancos), divulgada nesta quinta-feira (1º).
O levantamento apontou que 70% dos bancos pesquisados acreditam no corte da Selic, atualmente em 15%, no encontro do Copom (Comitê de Política Monetária) de março. Antes, 54,5% acreditavam nessa possibilidade.
Em contrapartida, diminuiu a parcela de quem via o corte já em janeiro, passando de 45,5% para 30%.
A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban ouviu 20 bancos entre 17 e 19 de dezembro.
O BC frustrou as expectativas do mercado com tom mais duro na última reunião do Copom, em dezembro, em não sinalizar que poderia começar o ciclo de afrouxamento monetário já no primeiro mês e 2026.
Os juros estão mantidos em 15% desde junho, no maior patamar desde 2006. A expectativa dos mercados é pelo recuo dos juros a 12,25% ao fim deste ano, segundo o Boletim Focus.
“A principal questão agora parece ser qual velocidade o Copom conseguirá cortar os juros ao longo do ano. Por ora, as expectativas ainda são conservadoras e indicam uma trajetória moderada de corte dos juros, apesar do alto nível da Selic”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
Inflação
O levantamento mostrou ainda que, para 50% dos participantes, a inflação em 2026 deve seguir em linha com o consenso do mercado, ou seja, permanecendo acima da meta, devido aos estímulos fiscais e de crédito.
Por outro lado, 35% projetam uma inflação abaixo do consenso, sugerindo uma continuidade do viés de queda das projeções.
O BC persegue meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
Atividade
Em relação à atividade, a pesquisa mostrou uma melhora do sentimento dos participantes para 2026.
O percentual de analistas que projetam um crescimento de 1,8% para o ano subiu de 36,4% para 55%.
Por outro lado, caiu de 45,5% para 30% a proporção daqueles que esperam um crescimento inferior ao esperado pelo consenso do mercado.
Crédito perde fôlego
A maioria dos bancos espera que a carteira de crédito total em 2025 feche o ano com crescimento de 9,2%, e desacelere de forma bem gradual em 2026, chegando a 8,2%.
Esta projeção está em linha com os números recentes do mercado de crédito, cujo crescimento anual do saldo total tem se mantido ainda elevado, apesar da alta da Selic.
Na pesquisa anterior, a expectativa para 2025 era de uma alta de 8,9%. A estimativa de 9,2% reflete o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado, com a projeção subindo de 10,1% para 10,9%.
Esse movimento é explicado pelo crédito PJ (15,3%, ante 13,6%), que segue com alto nível de expansão, sustentado pelos programas governamentais.
Ainda sobre o saldo de crédito em 2025, na carteira direcionada para famílias, a expectativa de crescimento também subiu, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, compensando o menor dinamismo do crédito rural.
Infomoney - SP 05/01/2026
A presidente do Federal Reserve (Fed) da Filadélfia, Anna Paulson, afirmou que o banco central dos Estados Unidos pode cortar os juros novamente se a inflação arrefecer, mas sugeriu que novas reduções não ocorrerão de imediato.
Em seu primeiro ano como dirigente votante no comitê de política monetária, Paulson disse, em discurso na Filadélfia, que está “cautelosamente otimista” de que as pressões de preços enfraqueçam nos próximos meses. Com a taxa dos Fed Funds entre 3,5% e 3,75%, a política ainda está “um pouco restritiva”, o que poderia abrir espaço para cortes adicionais, pontuou.
A volta dos multimercados? Como investir em fundos em 2026
Segundo especialistas, o setor tem todas as condições para melhorar em 2026 e atrair mais investidores em um momento que os mercados de risco se tornarão mais atrativos e a diversificação trará mais ganhos
Se a inflação ceder e a economia mantiver o rumo, “alguns ajustes modestos adicionais na taxa dos Fed Funds provavelmente seriam apropriados mais adiante este ano”, afirmou, segundo o texto divulgado.
Paulson lembrou que apoiou os três cortes de 25 pontos-base implementados durante o outorno nos EUA, quando o Fed buscou amortecer um mercado de trabalho mais fraco. Segundo ela, os dirigentes têm recebido “sinais divergentes” sobre a saúde do emprego, indicando um mercado que “se dobra, mas não quebra”. Por isso, quer mais dados antes de endossar novos ajustes.
Ata da reunião de política monetária de dezembro mostrou hesitação de alguns dirigentes do Fed quanto a novos cortes no curto prazo. Investidores apostam na manutenção dos juros no encontro deste mês, segundo ferramenta de monitoramento do CME Group.
Globo Online - RJ 05/01/2026
“O pior não aconteceu”, resumiu Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), ao avaliar o tarifaço americano que atingiu em cheio os exportadores brasileiros em julho. Essa é também a leitura predominante entre outros setores diretamente afetados, como café e máquinas e equipamentos, em relação à sobretaxa de 40% imposta pelo governo de Donald Trump e retirada de boa parte da pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos em novembro.
Contrariando as expectativas iniciais, houve crescimento do faturamento dos exportadores, resultado da abertura de novos mercados, da alta de preços internacionais, de negociações com importadores americanos que garantiram a continuidade do fluxo de mercadorias para os EUA e, em alguns casos, da combinação de todos esses fatores. As expectativas para 2026 são positivas, com projeção de novo crescimento.
No caso das frutas, o clima foi um aliado, conta Coelho. Em 2025, não houve o tradicional período de transição entre a importação de manga — carro-chefe das exportações do setor — da safra mexicana para a brasileira. Para evitar desabastecimento nos meses de agosto, setembro e outubro, importadores americanos aceitaram acordos, o que levou a um crescimento de 13% nas exportações. Já no caso da uva, as vendas para o mercado americano caíram 63%. Coelho pondera, no entanto, que apenas 12% das exportações da fruta têm como destino os EUA.
O presidente da Abrafrutas comemora a abertura de novos mercados, mas ressalta que essas parcerias demandam tempo de maturação até se traduzirem em vendas efetivas. A grande expectativa do setor, afirma, está na assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia.
— A redução progressiva das tarifas prevista no acordo será fundamental para aumentar a competitividade dos nossos produtos na Europa. Hoje, a uva entra com tarifa de 13% e o limão com 14%. A queda dessas taxas pode levar, naturalmente, à expansão da área plantada — diz Coelho.
No setor cafeeiro, Marcio Candido Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), relata que, em 2025, apesar da queda de cerca de 20% no volume exportado, houve aumento de aproximadamente 25% na receita, impulsionado pela alta dos preços da commodity. Mantidas condições climáticas favoráveis até a colheita, o mercado projeta, para a safra 2026/2027, uma produção de canephora (robusta e conilon) pouco abaixo da última safra e uma recuperação mais significativa no arábica. Com a retirada do tarifaço, a expectativa é de retomada do volume exportado para os EUA, embora ainda haja pendências. O café solúvel, de maior valor agregado e grande gerador de empregos, permanece sujeito à tarifa de 50%.
Durante a vigência da sobretaxa americana, um volume expressivo de contratos foi cancelado por meio de operações de washout (liquidação por diferença). Após a retirada da tarifa, novos negócios foram fechados, repondo os cancelamentos, com embarques programados para médio e longo prazos. A expectativa é de recuperação dos volumes de café verde exportados aos EUA a partir de janeiro. Governo e setor privado, avalia Ferreira, devem intensificar esforços para derrubar a tarifa sobre o café solúvel, sob pena de prejuízos significativos para o país.
Na indústria de máquinas e equipamentos, o presidente da Abimaq, José Velloso, destaca que, apesar da queda das exportações para os Estados Unidos, os números consolidados de 2025 devem indicar crescimento de 8% no setor. O desempenho foi sustentado pela melhora em outros mercados, especialmente a Argentina, cujas importações cresceram 40%.
Outro destino relevante foi Singapura, impulsionado por compras da Petrobras. Velloso explica que, embora as embarcações sejam montadas naquele país, as exportações de máquinas e equipamentos ficam registradas como vendas para Singapura. O tarifaço americano também contribuiu para o aumento das exportações ao México. Para 2026, a projeção é de crescimento mais moderado, impactado pela taxa de juros elevada.
— O custo do dinheiro está muito alto, o que prejudica investimentos. Quem compra máquinas está investindo. A previsão é de crescimento de 4% em 2026. Embora pareça significativo, ainda estamos longe dos níveis históricos: o setor fatura hoje 35% menos do que há dez anos — afirma Velloso. — A expectativa é de manutenção das exportações, com outros mercados compensando a queda nos EUA.
Apesar de compartilhar da avaliação que o efeito do tarifaço foi "menos trágico do que se imaginava", a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) pleitea a prorrogação do programa de socorro do governo federal, encerrado em 12 de dezembro. O setor, que projetava crescimento de 28%, terminou o ano praticamente estagnado em razão do tarifaço americano e, segundo a associação, muitas empresas não conseguiram se habilitar para receber a ajuda do governo, mas precisam do crédito para sair do sufoco. Cerca de 3,5 mil trabalhadores com carteira assinada foram demitidos, o equivalente a 11% dos empregos do setor.
Apesar da abertura de novos mercados durante o ano passado, Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, relata que, em muitos casos, o pescado precisou ser vendido com descontos de 25% a 30% em relação aos preços pagos pelo mercado americano, que importar itens bastante específicos. A estratégia foi adotada para reduzir estoques e gerar caixa. A sobretaxa sobre o pescado brasileiro ainda está em vigor, mas a expectativa é de queda nos próximos 60 dias.
— Os EUA estão muito dependentes do pescado chinês, o que nos faz acreditar na retirada dessa tarifa. Abrimos mercados como o australiano e o árabe, mas de forma ainda tímida. Essas negociações levam cerca de 24 meses para se consolidar — explica Lobo.
Ele destaca ainda o avanço das negociações com a União Europeia, que acertou com o Ministério da Agricultura a realização de uma auditoria oficial no primeiro semestre, passo essencial para a retomada das exportações suspensas desde 2017.
— Sem essa auditoria, não poderíamos nos beneficiar do acordo Mercosul-União Europeia, que se espera seja assinado agora em janeiro, e que é muito importante para o setor. Sempre fomos um setor sustentável, nunca dependemos de ajuda, mas agora, com a normalização do cenário e a queda das tarifas, acreditamos que, em até dois anos, seja possível retomar o crescimento em torno de 30%. Somos realistas, mas otimistas — conclui.
Diário do Comércio - MG 05/01/2026
Impulsionada especialmente pelos projetos de expansão das grandes produtoras, no decorrer dos próximos anos, a produção de minério de ferro em Minas Gerais tende a crescer. A performance das principais mineradoras já deve ter fechado 2025 com avanço.
Entre os exemplos que refletem essas expectativas está a Mina Capanema, no município de Ouro Preto. A nova operação da Vale, inaugurada oficialmente em setembro, adiciona 15 milhões de toneladas (Mt) à produção anual da companhia, sendo peça importante no alcance do guidance de 335 Mt a 345 Mt em 2026, que compreende todo o volume produzido nas operações localizadas no Estado, além das que ficam no Pará.
Em rump-up, com previsão de atingir a plena capacidade no primeiro trimestre de 2026, o empreendimento já vem contribuindo para o crescimento dos resultados operacionais. A empresa espera encerrar 2025 com 335 Mt produzidas, o que, se confirmado, representará um aumento em comparação a 2024, quando chegou a 328 Mt, o maior volume desde 2018.
Outro destaque é a nova plataforma da Gerdau em Ouro Preto, que elevará à capacidade anual de produção da Mina de Miguel Burnier para 5,5 Mt. A operação deve ser iniciada no começo de 2026, com estimativa de conclusão do rump-up em 12 meses. A partir do empreendimento, a companhia passará a vender minério de ferro, disponibilizando 2,5 Mt ao mercado, enquanto destina o restante para consumo próprio, na Usina de Ouro Branco.
A longo prazo, cabe sublinhar a nova unidade de beneficiamento do complexo Casa de Pedra, em Congonhas, da CSN Mineração, que será capaz de produzir 16,5 Mt anuais. Em construção e prevista para entrar em funcionamento no quarto trimestre de 2027, a planta, nomeada Itabirito P15, contribuirá para a mineradora aumentar significativamente a produção, que, neste ano, deve ficar entre 42 Mt e 43,5 Mt (incluindo compras de terceiros).
Também é válido mencionar a retomada operacional da Samarco. O plano foi dividido em três fases, das quais duas já foram concluídas. Com isso, a empresa voltou a operar com 60% da capacidade instalada no final de 2024 e, desde então, vem elevando a produção no complexo de Germano, em Mariana. A companhia tem como meta utilizar 100% da capacidade operacional a partir de 2028, quando finaliza a última etapa do projeto.
Além dessas iniciativas, a Mineração Usiminas (Musa) e a Anglo American são exemplos de mineradoras que estudam expandir a produção em Minas Gerais em um futuro próximo, ao passo que empresas como a Itaminas e a AVG já estão ampliando operações.
Previsão de investimentos no segmento é de US$ 19,6 bi
Com este cenário favorável,, a oferta de minério de ferro em Minas Gerais deve subir nos próximos anos. Para isso, vultosos investimentos já foram e ainda serão realizados.
Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que, entre 2025 e 2029, o setor mineral estima investir US$ 19,6 bilhões em projetos relacionados a essa commodity no Brasil. Não há recorte da cifra por unidade federativa, mas sabe-se que parcela relevante será destinada tanto ao território mineiro quanto ao paraense, dois grandes polos minerais.
Produtoras da commodity podem obter bons resultados em 2026
Olhando para o desempenho que as mineradoras podem apresentar em 2026, o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, acredita que a demanda mundial por minério de ferro seguirá estável, com o preço médio do produto com 62% de teor girando em torno de um piso de US$ 100 por tonelada (t), podendo beneficiar as empresas instaladas no Brasil. “Se minhas expectativas para o preço se confirmarem, aguardo bons resultados, com forte geração operacional de caixa, principalmente da Vale”, analisa.
Já o economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, avalia que o patamar de US$ 100/t deve continuar como referência, mas o cenário-base aponta para um viés de baixa na média do ano, salvo surpresas positivas do lado da demanda. Na visão dele, a performance positiva tende a se concentrar em companhias com características específicas. “A tese de bons resultados em 2026 é mais provável para aqueles players que combinam escala, baixo custo e qualidade, aliados a um bom aparato logístico”, afirma.
Valor - SP 05/01/2026
Produto deve apresentar movimento estável em 2026, parecido com o ano anterior, conforme analistas do setor
O preço do minério de ferro deve continuar em torno de US$ 100 por tonelada em 2026, na visão de especialistas, que atribuem essa estabilidade às condições de mercado da China. A manutenção dos indicadores de construção civil do país asiático somada a níveis estáveis de estoques de minério de ferro e de exportação de aço devem fazer com que o mercado global da commodity tenha um 2026 parecido com o que foi visto em 2025.
Em 30 de dezembro de 2025, dado mais recente da bolsa da Dalian, na China, até o fechamento desta edição, o minério de ferro tinha alta de 3,4%, a US$ 107,13 por tonelada, conforme levantamento do Valor Data. Na média de 2025, a commodity situou-se em US$ 101,97 por tonelada, queda de 7,57% sobre 2024, de US$ 110,32 por tonelada.
Para o UBS, o minério de ferro deve ser cotado a cerca de US$ 96 em 2026. “Na China, continuamos a observar estoques portuários em níveis equilibrados, tanto em termos de volume quanto de dias de uso. O declínio dos estoques portuários no acumulado do ano tem sido um suporte para o preço do minério de ferro”, disse o banco.
“As exportações diretas de aço da China continuam robustas. Embora as crescentes barreiras comerciais e medidas antidumping representem desafios, a diversificação geográfica oferece proteção. As exportações indiretas de aço chinês ainda aceleraram como resposta às crescentes barreiras, com as vendas mudando para produtos de valor agregado, permitindo que a China mantenha uma alta produção de aço e sustente o preço do minério”, afirma o UBS.
No Brasil, as commodities tiveram um ano forte de exportações em 2025. Conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o minério teve 8,2% de participação no total exportado em 2025, segundo dados até novembro.
Para Julio Nery, diretor de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o movimento do minério de ferro em 2026 deve seguir tendência parecida com a do ano passado, tanto em termos de preço quanto de volumes. “Não esperamos nenhum evento disruptivo para 2026 em questão de minério de ferro”, disse. “A grande formadora de preços vai ser a China. Ainda que tenha aumento na produção da mina de Simandou [na Guiné], ainda não veremos uma influência real. Há ainda problemas tradicionais de início de operação, como questões logísticas”, afirmou.
Hector Collantes, diretor da Fitch para América Latina, espera que quatro fatores direcionem o mercado em 2026. O primeiro é a entrada de nova oferta a baixo custo. O segundo, uma redução de dependência da China sobre fornecedores tradicionais, como Brasil e Austrália, com maior diversificação. O terceiro é um aumento de produção por parte de grandes mineradoras. Por último, a manutenção das exportações de aço pela China.
IstoÉ Dinheiro - SP 05/01/2026
O mercado global de mobilidade elétrica tem um novo líder definitivo. Dados divulgados nesta sexta-feira (2) confirmam que a Tesla perdeu o posto de maior vendedora de veículos elétricos (VEs) do mundo para a chinesa BYD.
O movimento, que já era antecipado por especialistas, consolidou-se após um quarto trimestre morno para a fabricante americana e um ano de expansão agressiva da gigante de Shenzhen.
A Tesla encerrou o último trimestre de 2025 com 418.227 entregas. Embora o número tenha elevado o total anual da companhia para 1,64 milhão de veículos, o resultado ficou aquém do esperado por Wall Street. O consenso da FactSet projetava que a empresa de Musk entregasse cerca de 449 mil unidades no período, evidenciando uma desaceleração mais brusca do que o previsto.
Em contrapartida, a BYD reportou um desempenho histórico. No acumulado de 2025, a marca chinesa atingiu a marca de 2,26 milhões de veículos 100% elétricos vendidos, estabelecendo uma vantagem confortável sobre a concorrente americana.
Para além do avanço da BYD
A perda da liderança é reflexo de uma combinação de fatores econômicos e de imagem que atingiram a Tesla na reta final do ano, como o fim do crédito tributário de US$ 7,5 mil nos Estados Unidos, em setembro. A medida esfriou o apetite dos consumidores americanos ao elevar o custo real dos veículos em mais de R$ 41 mil.
A exposição pública de Elon Musk e seu apoio a figuras da extrema direita europeia e ao presidente Donald Trump também atrapalharam, ao criarem uma resistência entre progressistas e mercados-chave da Europa.
Por fim, além da BYD, a Tesla enfrenta agora um cerco de montadoras europeias e outras marcas chinesas que renovaram seus portfólios com tecnologias mais recentes.
Valor - SP 05/01/2026
À medida que a China se consolida como uma potência automotiva, a fricção global tende a se intensificar
As montadoras chinesas estão prestes a assumir, pela primeira vez em 2025, a liderança das vendas globais de veículos novos, relegando as fabricantes japonesas, que ocuparam essa posição por mais de 20 anos, ao segundo lugar.
O Nikkei compilou os números de vendas para o ano completo com base em anúncios das montadoras e em dados da S&P Global Mobility de janeiro a novembro. Os totais incluem veículos comerciais e abrangem tanto as vendas domésticas quanto as exportações.
As vendas foram atribuídas por país com base nas participações societárias das empresas. No caso de joint ventures 50/50, foi considerado o país do fabricante associado à marca no momento da venda.
As vendas globais de veículos chineses devem aumentar 17% em relação ao ano anterior, para cerca de 27 milhões de unidades. A China se tornou a maior exportadora de automóveis do mundo em 2023 e agora está prestes a assumir a liderança também em vendas totais em 2025.
A China, que responde por cerca de 70% das vendas das montadoras chinesas, vem promovendo a adoção de veículos elétricos e híbridos plug-in. Esses veículos de nova energia já representam quase 60% das vendas de automóveis de passageiros.
As vendas mundiais das montadoras japonesas devem permanecer estáveis, pouco abaixo de 25 milhões de unidades. Os Estados Unidos e o Japão já foram os principais concorrentes na disputa pela supremacia global. No auge, em 2018, as vendas do Japão chegaram a quase 30 milhões de unidades.
A vantagem do Japão sobre a China – que era de cerca de 8 milhões de unidades em 2022 – foi eliminada em apenas três anos.
Enquanto isso, cresce na China a sensação de excesso de capacidade, intensificando a competição por preços à medida que a principal fabricante de veículos elétricos, a BYD, e outras recorrem a cortes de preços. A faixa de preço mais popular para veículos de passageiros de nova energia vendidos entre janeiro e novembro foi de 100 mil a 150 mil yuans (US$ 14 mil a US$ 21 mil), respondendo por 23% das vendas totais, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.
Diante de um ambiente competitivo em deterioração no mercado doméstico, as montadoras chinesas estão apostando em exportações de caráter deflacionário, realocando o excedente de veículos elétricos para outros mercados.
Na Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), onde as montadoras japonesas historicamente dominaram, as vendas de veículos chineses devem disparar 49%, para cerca de 500 mil unidades. Na Tailândia, os automóveis japoneses representavam 69% das vendas de veículos novos até novembro de 2025, uma queda acentuada em relação aos cerca de 90% de aproximadamente cinco anos atrás, segundo a subsidiária tailandesa da Toyota Motor.
Na Europa, as vendas de veículos chineses devem crescer 7%, para cerca de 2,3 milhões de unidades. A União Europeia impôs tarifas adicionais sobre veículos elétricos fabricados na China, mas os fabricantes chineses estão reagindo ao expandir rapidamente a proporção de exportações de híbridos plug-in, que não estão sujeitos a essas tarifas.
As vendas da China também vêm crescendo de forma constante em mercados emergentes, com alta projetada de 32%, para 230 mil unidades, na África, e aumento de 33%, para 540 mil unidades, na América Latina.
À medida que a China se consolida como uma potência automotiva, a fricção global tende a se intensificar. Países estão implementando medidas como tarifas e introduzindo novos padrões para proteger suas indústrias domésticas.
Os Estados Unidos e o Canadá impuseram tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos fabricados na China, enquanto as tarifas da UE chegam a até 45,3%. A UE também está estabelecendo padrões para veículos elétricos compactos, flexibilizando os requisitos técnicos em relação aos veículos elétricos convencionais para incentivar as montadoras europeias a produzir dentro da região e fortalecer ainda mais sua posição competitiva.
As montadoras japonesas viram suas vendas caírem no Sudeste Asiático e na Europa rm 2025. Na China, seus esforços atrasados em eletrificação se destacam, à medida que perdem participação de mercado para novos players locais.
Algumas montadoras japonesas estão passando a adotar métodos de produção chineses. A Nissan Motor está iniciando exportações de veículos elétricos de baixo custo desenvolvidos sob orientação chinesa. A Toyota está ampliando a compra de componentes de fabricantes chineses no Sudeste Asiático para aumentar sua competitividade em custos.
Petro Notícias - SP 05/01/2026
Os carros elétricos são uma realidade na Noruega. As Isenções fiscais ajudaram a impulsionar as vendas e deixam o país bem perto de atingir seu objetivo de vender apenas carros com emissão zero, com veículos elétricos representando 95,9% dos novos registros em 2025. Embora a Noruega seja o maior exportador de produtos petrolíferos da Europa Ocidental, através da Equinor, o país liderou a transição para veículos elétricos, estabelecendo uma meta não vinculativa de vender apenas veículos com emissão zero em 2026, bem antes dos outros países da União Europeia.
A Federação Norueguesa de Estradas (OFV) anunciou que um número recorde de 179.549 veículos particulares foram registrados em 2025, superando o recorde anterior estabelecido em 2021. Os veículos elétricos representaram 97,6% das vendas em dezembro. “Embora as vendas de carros sejam tradicionalmente fortes no final do ano, não há dúvida de que a alteração do IVA em 1º de janeiro de 2026 incentivou muitas pessoas a comprar um novo veículo elétrico antes do final do ano“, disse o diretor da OFV, Geir Inge Stokke,
O governo norueguês decidiu reduzir a isenção do IVA de US$ 49.600 para pouco mais de US$ 30 mil a partir do início de 2026. A eliminação da isenção, inicialmente prevista para 2027, deverá ser adiada para 2028. A Tesla consolidou sua posição de liderança no mercado norueguês, representando 19,1% do total de emplacamentos. O número recorde de 34.285 novos Teslas foram registrados na Noruega no ano passado, o que representa uma melhora em relação à queda nas vendas observada em outras partes da Europa. As montadoras chinesas também aumentaram sua participação no mercado norueguês, passando de 10,4% em 2024 para 13,7% em 2025.
Exame - SP 05/01/2026
Mal 2025 havia começado quando a Audi relançou o A3 Sedan, outrora carro-chefe da marca no Brasil agora alinhado à atual identidade global da empresa. Seria o primeiro dos mais de 100 lançamentos que marcaram o setor automotivo no ano que passou.
Teve de tudo: SUV 1.0 com câmbio manual, superesportivo, híbrido, superesportivo híbrido, sedã de luxo, elétrico de luxo, elétrico de entrada, picape compacta, picape média, picape grande, ícone americano, ícone alemão, ícone italiano, ícone inglês...Teve até perua.
Honda WR-V, Renault Boreal e Volkswagen Tera se destacaram pelo impacto mercadológico e por desbravarem novos segmentos para suas fabricantes, como o desembarque da marca francesa no de SUVs médios. Com novidades custando de R$ 100 mil a R$ 8 milhões, o mercado nacional demonstrou mais uma vez diversidade, tanto de modelos, quanto de consumidores.
Por falar em diversidade, 2025 ficará marcado como o ano da “invasão chinesa” – real desta vez, e não a aventura de frágeis importadores de marcas obscuras da década passada. Jetour, GAC, Avatr, Geely, Leapmotor, Denza, Changan, MG e Omoda Jaecoo chegaram para reforçar o sotaque chinês cada vez mais falado no Brasil.
Boa parte dessas empresas já confirmou produção local, e o plano mais transformador será o da agora chamada Renault Geely do Brasil, que investirá R$ 3,8 bilhões em São José dos Pinhais (PR). Os recursos serão usados para a produção de novas plataformas eletrificadas e na renovação de produtos.
A irreversível expansão das marcas chinesas ficou evidente no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, outra característica de 2025. Realizado em novembro, o principal evento da indústria automobilística voltou após um hiato de sete anos. A ausência de marcas como BMW, Chevrolet e Volkswagen deu ainda mais destaque às chinesas que apresentaram seus modelos (quase sempre SUVs híbridos ou elétricos) aos 516 mil visitantes entre 22 e 30 de novembro.
“O Salão voltou da forma que ele merecia: prestigiado por marcas, autoridades e, principalmente, pelo público. O sucesso inconteste desta edição nos enche de orgulho e nos traz a responsabilidade de fazer um evento ainda melhor”, garante Igor Calvet, presidente da Anfavea, a entidade das fabricantes de veículos. O evento já está marcado para entre 30 de outubro e 7 de novembro de 2027.
Clássicos em ascensão
Contudo, o ano passado foi mais do que o embate entre fabricantes tradicionais e montadoras chinesas e a volta do Salão do Automóvel. Com um ano de vida, o Carde protagonizou um dos marcos do antigomobilismo nacional.
Em agosto, o museu de Campos do Jordão despachou três exemplares do seu acervo de mais de 500 veículos para a Monterey Car Week, o mais importante evento automotivo das Américas.
Acabou voltando da Califórnia (EUA) com dois troféus. Depois de um desafiador processo de restauração, a Ferrari F50 do museu – nada menos do que o segundo de três protótipos construídos antes da produção em série de 349 unidades – trouxe a primeira taça do The Quail: A Motorsports Gathering, que promoveu um concurso para celebrar os 30 anos do superesportivo.
A segunda veio do Pebble Beach Concours d’Elegance, clímax da Monterey Car Week, de onde o Isotta Fraschini Tipo 8A SS Guida Interna Sport 1928 do Carde saiu com o prêmio “Lap of the Luxury”.
Além disso, o museu ainda trouxe o Tucker 48 chassi 1003 (simplesmente o terceiro entre apenas 51 exemplares construídos) e começou, com as primeiras edições da Winter Sale e da Spring Sale, a pavimentar o caminho para se tornar referência também quando o assunto é leilão de clássicos de alto nível.
Um dos carros arrematados no último evento do tipo sediado no Carde, inclusive, foi o Omega CD Irmscher 1994. Arrematado por R$ 437,5 mil, o sedã é o primeiro produto do Chevrolet Vintage, programa criado pela General Motors para resgatar e restaurar clássicos da empresa, que completou 100 anos de Brasil. Presidente da companhia até o próximo dia 31, Santiago Chamorro garantiu que Chevrolet Vintage será mantido em 2026.
A GM finalmente embarcou no mercado que a Volkswagen enxergou há anos. Neste, a marca alemã ampliou o espaço que abriga seu acervo de exemplares históricos e deu início a um patrocínio ao Rally Clássico São Paulo.
Pra fechar o ano, a Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA) pela primeira fez realizou sua assembleia geral na América do Sul – no caso, em Salvador, na Bahia.
Carro sustentável e CNH sem autoescola
O ano também ficará marcado pelas intervenções do governo federal no setor automotivo. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou o programa Carro Sustentável, que reduz o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobretudo para modelos populares, sustentáveis e econômicos. Integrado ao Mover (Mobilidade Verde e Inovação), tem validade até 31 de dezembro.
A busca por eficiência energética acelerou a corrida das fabricantes por modelos híbridos flex, sistema que Stellantis e Toyota já têm e que a Volks garantiu que terá neste ano. “A partir de 2026, todo novo Volkswagen desenvolvido pela nossa Engenharia e fabricado na Região América do Sul terá versões eletrificadas. Vamos oferecer híbridos em todas as modalidades possíveis: híbridos leves, híbridos e híbridos plug-in”, garantiu Ciro Possobom, presidente e CEO da fabricante alemã.
Mais polêmico foi o programa CNH Brasil, que estabelece novas regras para obtenção da carteira de habilitação e retira a obrigatoriedade da autoescola no processo. Segundo o Ministério dos Transportes, 16 Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) já adotaram o novo modelo e 46 mil pedidos foram realizados desde o lançamento do CNH do Brasil, no dia 9 de dezembro.
O Detran do Mato Grosso entrou na Justiça com pedido para suspender a vigência da resolução, mas perdeu.
Tarifaço e UE
O ano começou turbulento com o “tarifaço” de 25% imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre carros exportados para o país.
Para agravar a situação, um imbróglio envolvendo o governo chinês e a operação da gigante holandesa do setor Nexperia restringiu a oferta de semicondutores no mundo, o que poderia mergulhar o setor automotivo global em uma crise. De acordo com a Anfavea, a situação ainda não está normalizado, mas o risco de queda na produção por conta da falta de chips no Brasil foi reduzido.
Para fechar o ano, uma reviravolta: a União Europeia desistiu da proibição de carros a combustão. De acordo com as regras atuais, todos os carros novos a partir de 2035 devem ter zero emissões. Mas, de acordo com uma proposta da Comissão Europeia anunciada no último dia 16, a redução das emissões de CO2 será de 90% em relação aos níveis de 2021, em vez de 100% – o que dá fôlego para modelos híbridos plug-in e extensores de autonomia que queimam biocombustível neutro em CO2 ou combustível sintético.
Bye, bye
Entre as despedidas, talvez a mais marcante tenha sido a última unidade produzida do Jaguar F-Pace, saída da planta de Solihull, no Reino Unido, em meados de dezembro. A fabricante inglesa fica portanto sem produtos até a chegada da versão de produção do conceito Type 00, prevista para o próximo ano. Será o início de uma nova era para a marca, que terá apenas modelos de elétricos de luxo.
Demos adeus também ao Ford Focus, cuja última unidade fabrica saiu de uma planta na Alemanha em novembro. O mercado nacional não contava com o hatch desde 2019, quando a Ford interrompeu a produção do modelo na Argentina.
O ano de 2025 ainda marcou os 30 anos do BMW Group Brasil, 50 anos do decreto que criou o Proálcool (Programa nacional do Álcool), 50 anos do Volkswagen Polo – que também chegou à marca de 1 milhão de unidades produzidas neste ano – e os 100 anos da General Motors do Brasil.
Valor - SP 05/01/2026
Participação de híbridos e elétricos no mercado em 2025 é maior do que o previsto para 2027
A cada dia, uma onda que desde 2022 chacoalha o setor automotivo no Brasil, ganha mais força. Donas de mais de 7% do mercado, as marcas chinesas provocaram a antecipação da eletromobilidade no país em pelo menos dois anos. Com o impulso, perto de 11% dos carros vendidos hoje têm algum tipo de eletrificação na motorização. A conhecida rapidez dos chineses nos negócios, avança, agora, na área industrial. Além de fábricas próprias, compradas ou construídas, eles começam a ocupar a capacidade ociosa de outras montadoras. Assim, além do avanço na eletrificação, 2026 marca uma nova configuração do parque industrial automotivo no Brasil, onde a indústria automobilística da China testa seu poder de expansão global.
O ritmo é acelerado. O número de marcas de carros chinesas no Brasil passou de quatro, em 2024, para 11 em 2025 e na virada do ano já subiu para 14. Há mais duas de caminhões - a Foton, já instalada, e a JAC, em início de vendas. Até novembro de 2025, enquanto o mercado de veículos avançou apenas 1,4%, as vendas das chinesas cresceram 53%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No mesmo período, o volume de híbridos e elétricos), uma especialidade chinesa, avançou 57%.
“Não restam dúvidas sobre o impacto. Os chineses, que não tinham uma imagem de qualidade, venceram rapidamente. Essa indústria deixou de ser seguidora de tecnologia para se tornar líder tecnológica, símbolo de qualidade e modernidade que oferece, ainda, uma relação entre custo e benefício melhor. É uma revolução”, afirma Rogelio Golfarb, consultor e ex-presidente da Anfavea.
No início, parecia que a ideia era aproveitar o potencial do mercado brasileiro, sexto maior do mundo, para exportar. Mas isso mudou quando GWM e BYD inauguraram fábricas em 2025. A novidade que agora chama a atenção são as parcerias com montadoras já instaladas no país. Sem erguer um único tijolo, duas marcas chinesas começam a produzir este ano.
Ao comprar 26,5% da Renault do Brasil, a Geely poderá usar não só a fábrica em São José dos Pinhais (PR) como a rede de revendedores e estrutura de assistência técnica da montadora francesa. Outra aliança, desta vez global, entre Stellantis e Leapmotor, permitirá à chinesa ter uma linha de produção na fábrica da Stellantis em Goiana (PE).
Unir-se ao que inicialmente parecia inimigo beneficia ambos os lados. “Eles entram com novas plataformas (de veículos eletrificados) e nós, com a fábrica”, destaca o CEO global da marca Renault, Fabrice Cambolive.
Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, justifica a aliança: “Nos últimos 20 anos a China trabalhou para o longo prazo, de forma visionária e consistente, para criar o ecossistema necessário para fazer carros elétricos competitivos e acessíveis”.
Filosa atribui esse sucesso a políticas industriais do governo chinês, que “impulsionaram montadoras e fornecedores a investir nesse tipo de tecnologia”. “O setor privado respondeu e criou competência na tecnologia”, diz.
Para Golfarb, as chinesas perceberam na capacidade ociosa na indústria local, que chega a 45%, a chance de produzir a custos mais baixos. A fábrica da Renault tem capacidade anual de 400 mil unidades. Mas usa a metade. Para Cambolive, a parceria com a Geely preencherá o espaço.
“O setor automotivo de todo o mundo está olhando o que os chineses estão fazendo no Brasil”, diz Golfarb. Para ele, o Brasil lhes serve de “laboratório”. “O objetivo sempre foi avançar internacionalmente, seja na produção de tênis, navios ou carros.”
A onda chinesa trouxe, ainda, outra modalidade de manufatura. Por meio da parceria com a SAIC e a Wuling na China (SAIC-GM-Wuling Automobile), a General Motors iniciou em dezembro a produção local de elétricos que importava da China.
A nova linha de produção não será, no entanto, em nenhuma das três fábricas que a montadora americana tem no país. Será terceirizada. Os modelos Spark e Captiva elétricos serão fabricados na PACE (Planta Automotiva do Ceará), em Horizonte (CE), onde funcionava a Troller, que pertenceu à Ford. Instalada em região beneficiada por incentivos fiscais, essa fábrica foi comprada pela Comexport, grupo brasileiro com planos de produzir variadas marcas de carros eletrificados.
A expansão de vendas e a chegada de novas chinesas levaram o mercado brasileiro a um patamar de eletrificação que supera projeções. Segundo Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a entidade calculava que a participação de híbridos e elétricos nas vendas internas chegaria a 10% em 2027. Mas alcançou 10,7% já em novembro de 2025.
Uma série de fatores favorece mais crescimento. Um deles é o aumento de pontos de recarga. Embora ainda insuficiente e quase inexistente em regiões rurais, o número de eletropostos públicos - que, na verdade, são instalados pela iniciativa privada - avança.
Em dois anos, a quantidade de pontos de recarga saltou de 3,8 mil para 16,8 mil, segundo a ABVE. Além disso, a cada dia surgem carregadores mais rápidos.
A WEG, multinacional brasileira, lançou um carregador ultrarrápido, de 640kW, capaz de atender quatro veículos simultaneamente e, segundo o presidente da empresa, Alberto Kuba, “carregar a bateria de um Porsche elétrico em menos de meia hora”.
O passo seguinte, diz Kuba, é integrar o carro à casa. Outro equipamento da WEG permite armazenar eletricidade na bateria do carro em horários de menor demanda para, posteriormente, o veículo “descarregar” a energia para a casa em períodos de pico, quando o custo da energia é mais alto.
Outro ponto que favorece o avanço da eletromobilidade é o iminente desfecho da discussão sobre segurança do carregamento em garagens de edifícios. Depois da longa polêmica que surgiu com o questionamento do Corpo de Bombeiros, há poucos dias a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou um projeto de lei que regulamenta a instalação de pontos de recarga em condomínios.
A iniciativa de São Paulo, que dá diretrizes para instalações seguras, tende a ser seguida por outros Estados. Isso põe fim à expectativa que paralisou o setor de construção civil e tende a esfriar as brigas em condomínios residenciais. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), William Esper, a entidade fará campanhas de esclarecimentos para síndicos e companhias de seguro. A ABNT também lançou recomendações para profissionais que trabalham na manutenção de elétricos e híbridos.
A eletromobilidade também avança nas frotas de locadoras, taxis e carros para pessoa com deficiência (PCD). Veículos vendidos nessas modalidades são isentos de impostos desde que produzidos no país. Com a fábrica em Camaçari (BA), a BYD conseguiu entrar na venda direta, segundo Pablo Toledo, diretor de comunicação e marketing. Os preços do Dolphin Mini, vendido no varejo a R$ 119,9 mil, caíram para R$ 107 mil na venda para frotista, R$ 99,9 mil para PCD e R$ 98,5 mil para taxista.
Em parceria com a BYD, a EPR Triângulo, concessionária que administra nove rodovias no Triângulo Mineiro, eletrificou 100% da frota de automóveis, usados no monitoramento das rodovias e rotinas administrativas.
Este também tende a ser o ano da ascensão dos chamados híbridos leves, segmento no qual as montadoras veteranas estão investindo. A ABVE não inclui essa categoria na sua contagem de vendas porque no híbrido leve o motor elétrico não faz a tração do veículo. Mas, junto com o motor a combustão, ajuda na economia de combustível e redução de emissões. Já a Anfavea considera esse tipo de carro importante para a descarbonização do transporte, sobretudo quando abastecido com etanol.
O híbrido leve tende a ser o “carro popular” da era da eletromobilidade. “É um passo importante para os carros de entrada”, diz Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil. Para Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, primeira das veteranas a lançar híbridos leves a etanol, com esse veículo, em cinco anos, as vendas de híbridos vão superar as de carros só a combustão.
A opinião desses executivos é compartilhada por analistas. “Acreditamos na força da união do híbrido leve com o etanol, que, além de ter custo menor, consegue reduzir emissões mais do que o carro elétrico, quando incluída a etapa de produção do veículo”, destaca Masao Ukon, sócio e diretor do Boston Consulting Group (BCG). Para Ukon, daqui em diante, as vendas de eletrificados vão sempre crescer mais do que o mercado geral.
O total de híbridos e elétricos vendidos em 2025 será divulgado esta semana. Cálculos preliminares indicam entre 265 mil e 270 mil unidades, incluindo todos os veículos com algum tipo de eletrificação.
Com carreira na indústria e hoje consultor da Bright Consulting, Cassio Pagliarini estima em mais de 400 mil unidades o total de vendas de eletrificados em 2026. Para ele, o avanço maior virá com os híbridos leves e híbridos convencionais, que “têm custo menor, não necessitam da infraestrutura de carregamento e garantem uma forma de cumprir a legislação MOVER (programa federal que oferece incentivos fiscais em troca de atendimento a normas de eficiência energética e emissões)”.
Para a engenharia, os híbridos leves ajudam a preservar a produção com alto índice de peças nacionais, o que evita que o grupo de chinesas que montam carros com kits importados modifique a atual estrutura fabril. “A engenharia e a cadeia de autopeças é nosso maior legado”, diz Marcus Aguiar, presidente da Associação Brasileira da Engenharia Automotiva (AEA).
Infomoney - SP 05/01/2026
O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) encerrou 2025 como um dos principais motores da política social e econômica do governo federal. Relançado em 2023 com novas diretrizes, o programa atingiu em 2025 um orçamento recorde, forte adesão popular e impacto direto sobre o mercado imobiliário, a geração de empregos e o crédito habitacional. Para 2026, a expectativa é de continuidade da expansão, com destaque para a consolidação da política habitacional voltada à classe média, além de ajustes nos tetos de financiamento e programas complementares.
Balanço de 2025: mais contratações, empregos e impacto econômico
Em 2025, o Minha Casa, Minha Vida operou com um orçamento próximo de R$ 180 bilhões, somando recursos do FGTS, Orçamento Geral da União e fundos complementares. Desde a retomada do programa, em 2023, já foram contratadas cerca de 1,9 milhão de moradias, com a meta oficial de alcançar 3 milhões de unidades até o fim de 2026.
O impacto sobre a economia foi relevante. A construção civil ganhou fôlego, com o MCMV respondendo por mais de 60% dos lançamentos e vendas de imóveis residenciais em mercados como o de São Paulo. O setor também puxou o emprego formal: até novembro de 2025, foram mais de 190 mil novas vagas com carteira assinada, um crescimento de cerca de 6,7% em relação ao ano anterior.
O desenho do programa manteve o foco nas famílias de menor renda (até R$ 4.700,00 por mês), especialmente nas faixas 1 e 2, mas avançou também na diversificação do público atendido.
Nova política habitacional leva o programa à classe média
Um dos movimentos mais relevantes de 2025 foi a expansão do Minha Casa, Minha Vida para a classe média, historicamente menos atendida pelas políticas habitacionais federais. Em abril, o Conselho Curador do FGTS aprovou a criação da Faixa 4 do programa, voltada a famílias com renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil.
Na prática, essa nova faixa permite o financiamento de imóveis novos ou usados de até R$ 500 mil, com taxas de juros em torno de 10% ao ano e prazo de pagamento de até 35 anos. As condições são consideradas mais vantajosas do que as oferecidas no crédito imobiliário tradicional, especialmente em um cenário de juros ainda elevados no país.
A Caixa Econômica Federal começou a operar essa linha em 2025, com a expectativa de beneficiar dezenas de milhares de famílias já na largada. A medida atende a um público que, embora não se enquadre nas faixas de renda mais baixas do MCMV, ainda enfrenta dificuldades para acessar financiamento imobiliário em condições sustentáveis.
Crédito imobiliário e ajustes no teto animam construtoras
Outro fator que ajudou a impulsionar o programa foi a revisão dos tetos de valor dos imóveis financiáveis, especialmente em grandes centros urbanos. Em algumas cidades, o limite passou a chegar a R$ 275 mil, o que ampliou a viabilidade de novos projetos e melhorou a percepção das construtoras em relação ao programa.
Segundo analistas de mercado, o ajuste nos tetos – aliado à previsibilidade dos recursos do FGTS – ajudou a destravar investimentos e a sustentar o bom humor do setor imobiliário ao longo de 2025, mesmo em meio aos juros elevados.
Reforma Casa Brasil entra no radar como programa complementar
Além da compra do imóvel, o governo avançou em uma frente complementar: o Programa Reforma Casa Brasil, lançado em outubro de 2025. A iniciativa prevê R$ 40 bilhões em crédito para obras de reforma, ampliação e melhoria de moradias já existentes, com potencial de atender até 1,5 milhão de famílias.
Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que o programa pode adicionar cerca de R$ 52,9 bilhões ao PIB e gerar quase R$ 20 bilhões em arrecadação tributária, considerando os efeitos diretos e indiretos sobre a cadeia da construção civil.
O que esperar do Minha Casa, Minha Vida em 2026
Para 2026, o governo sinaliza continuidade do orçamento robusto e ajustes finos no desenho do programa. O FGTS deve destinar cerca de R$ 144,5 bilhões à habitação, com ampliação dos subsídios por família – que podem chegar a R$ 65 mil – e manutenção da política de juros diferenciados, o que representa um aumento de 5,6% sobre os R$ 136,8 bilhões de 2025. Ao longo do ano, o orçamento do MCMV ainda deve ser incrementado com o Orçamento Geral da União e fundos complementares.
Também estão no radar a expansão de parcerias público-privadas, sobretudo em projetos de locação social, oferecendo moradias acessíveis por aluguel a famílias de baixa renda, e o fortalecimento da Faixa 4 como política permanente para a classe média.
Contudo, apesar do balanço positivo, especialistas alertam que o desempenho do programa em 2026 dependerá do ritmo da economia, da trajetória dos juros e da capacidade de execução dos recursos.
Jornal de Brasília - DF 05/01/2026
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) autorizou um aditivo de quase R$ 3,7 bilhões no contrato para construção da linha 6-laranja do metrô para acelerar as obras e, assim, parte do ramal metroviário ser inaugurado em 2026, ano eleitoral, e não sofrer atraso para, ao menos, 2028.
A autorização do recurso para a concessionária Linha Universidade S/A consta em uma deliberação assinada no dia 19 de dezembro pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) e publicada no Diário Oficial paulista no último dia 22.
O aditivo é justificado na publicação para compensar “desequilíbrio econômico-financeiro” em virtude de risco geológico encontrado durante as escavações na região da Higienópolis-Mackenzie, na zona oeste de São Paulo, que poderiam provocar até 1.096 dias de atraso na entrega da linha.
O documento informa a “adoção de cronograma acelerado”, a valores de março de 2025 -a quantia R$ 3,69 bilhões é a atualização de R$ 826 milhões necessários para as obras referentes à assinatura de contrato em 2013.
Em nota, a Artesp afirma que o desequilíbrio econômico-financeiro será tratado por meio de termo aditivo, que definirá a forma de recomposição contratual.
“O reconhecimento do desequilíbrio não implica pagamento imediato nem impacto fiscal automático. A recomposição será estruturada posteriormente, por meio de mecanismos contratuais que preservem a responsabilidade fiscal e a continuidade dos investimentos”, diz a agência.
Procurada, a concessionária Linha Uni afirma que não comenta sobre processos em andamento e pleitos tratados com a agência reguladora.
A concessionária, que tem a empreiteira espanhola Acciona como principal acionista, é responsável pela obra e gestão do novo ramal metroviário paulistano, em uma PPP (Parceria Público Privada) com o governo do estado.
Como mostrou a Folha de S.Paulo em maio do ano passado, um relatório de administração publicado dois meses antes pela concessionária pedia a compensação financeira de R$ 230 milhões ao governo estadual (também em valores de 2013 e que totalizam pouco mais de R$ 1,1 bilhão, com correção).
A justificativa era de que a obra estava sendo “impactada em seu cronograma com os atrasos na construção de algumas estações, devido a problemas encontrados durante a sua construção, que não foram previstos nos estudos de geologia durante os levantamos prévios executados para a preparação do edital de licitação”.
O relatório já alertava para possível atraso de 1.096 dias em virtude dos imprevistos geológicos.
Conforme apurou a reportagem, essa verba é para solucionar o problema na estação Higienópolis-Mackenzie, entre outros, com concreto, tratamento de túnel e intervenções técnicas. Mas para seguir o cronograma original de obra, a entrega seria comprometida no atraso citado em mais de 1.000 dias.
O governo teve duas opções contratuais. Reagendar a entrega para 2028, segundo contrato, ou exigir uma reorganização da obra para garantir parte da entrega em 2026, como há mais de um ano vem sendo prometido por Tarcísio.
O custo total chegou aos cerca de R$ 3,7 bilhões (ou R$ 826 milhões na cotação de 2013, conforme o documento publicado no Diário Oficial).
A construção da linha está orçada em R$ 19,5 bilhões, em valores atualizados. Ou seja, com o aditivo pode chegar a quase R$ 24 bilhões.
O primeiro trecho da linha 6-laranja, entre Brasilândia, na zona norte e Perdizes, na zona oeste, será entregue no segundo semestre de 2026, conforme reforçou o governo em nota no último dia 5.
Já o segundo trecho, de Perdizes até São Joaquim, no centro, tem conclusão prevista para 2027. Ao todo, a nova linha contará com 15 estações.
A estação Mackenzie-Higienópolis, onde foi encontrado o risco geológico, faz parte da segunda leva de entregas.
O ramal vai ligar a Brasilândia ao centro da cidade, com interligações com outras linhas de metrô e com a CPTM (Companha Paulista de Trens Metropolitanos). A expectativa é de transportar 630 mil pessoas diariamente.
Segundo o governo, as obras da linha alcançaram 75% de conclusão.
O projeto do ramal metroviário atravessou os governos do PSDB de José Serra, Geraldo Alckmin (hoje no PSB), João Doria e Rodrigo Garcia (ambos hoje sem partido), até a promessa de entrega de ao menos uma parte pela gestão Tarcísio.
Prometida inicialmente para começar em 2010, a obra sofreu uma série adiamentos e efetivamente teve início em 2015, com previsão de entrega em cinco anos depois. Porém, a construção acabou paralisada em 2016, sendo retomada em 2020 com a atual concessionária.
Houve ainda a interrupção inesperada de sete meses em parte dos trabalhos, quando uma cratera afundou o asfalto na marginal Tietê, em fevereiro de 2022, por causa do rompimento de uma tubulação de esgoto, que também inundou a tuneladora, conhecida como tatuzão, que fazia a escavação.
A proposta inicial era entregar toda a linha de uma vez em 2025. No início do ano passado, entretanto, o governador admitiu que não seria possível cumprir a meta.
O Estado de S.Paulo - SP 05/01/2026
Em 2026, passageiros poderão acessar o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), diretamente por meio de transporte sobre trilhos.
Semelhante a um metrô, mas com apenas dois vagões pequenos, o veículo leve sobre trilhos chamado de Aeromóvel People Mover vai ligar a Linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) aos terminais 1, 2 e 3 do aeroporto em até seis minutos. O objetivo é substituir os ônibus que hoje fazem esse trajeto em cerca de 45 minutos.
O transporte já está em operação parcial, somente para funcionários do aeroporto, desde o início de dezembro. Segundo o consórcio AeroGRU, responsável pela obra e futura operação, a abertura ao público geral será nos primeiros meses de 2026.
Após uma vistoria ao transporte neste mês, o Ministério Público Federal (MPF), que fiscaliza o projeto, divulgou que a previsão de abertura aos passageiros já é em janeiro. O AeroGRU, porém, não confirmou a data. “Seguiremos expandindo a operação de forma faseada, contemplando todas as etapas de certificações de segurança internacionais”, informou em nota.
O aeromóvel tem capacidade para transportar até 200 pessoas. Já um metrô convencional na Grande São Paulo embarca até 1.600 por trem. Um ônibus, no entanto, consegue carregar no máximo 170 passageiros em seu maior modelo, o superarticulado.
A linha terá 2.731 metros, divididos em quatro estações. O trajeto completo leva cerca de seis minutos. Com seus dois trens, a previsão é transportar até 2 mil passageiros por hora em cada direção.
Assim como na Linha 3-Amarela do Metrô, o aeromóvel será automatizado, com direção remota via sala de controle, sem necessidade de um condutor no local. Também terá ar-condicionado e Wi-Fi.
O custo total do projeto é estimado em R$ 271,7 milhões, dividido entre governo federal e iniciativa privada.
Atrasos
A obra começou em janeiro de 2022. Conforme o contrato, a previsão era iniciar a operação a partir de janeiro de 2024. No ano passado, no entanto, esse prazo passou para fevereiro de 2025. Depois, para agosto de 2025. E, agora, para o início de 2026.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) chegou a abrir um processo administrativo para impor sanções à concessionária, que pode ser multada.
O consórcio AeroGRU diz que os atrasos se deram pela complexidade da obra e pela necessidade de conciliar as construções e testes do trem com as atividades diárias do aeroporto.
O projeto
O trem de Cumbica será o segundo sistema de transporte a utilizar a tecnologia do Automated People Mover (APM), conhecido como aeromóvel, no Brasil. Em Porto Alegre, desde 2013, uma linha semelhante faz a ligação entre o Aeroporto Salgado Filho e uma estação do metrô local.
Os vagões são leves porque não têm motores e são movidos pelo empuxo do ar que circula em dutos localizados sob os trilhos. A tecnologia imita os barcos à vela, mas com vento artificial. O ar, empurrado por ventiladores potentes instalados na entrada dos dutos, faz com que os vagões se desloquem pelos trilhos.
As composições foram projetadas e construídas no Brasil, por meio de uma parceria da Aerom, empresa gaúcha que desenvolveu a tecnologia, e a Marcopolo Rail, especializada em modais sobre trilhos.
Por não usar combustão, o sistema é silencioso. Além disso, a eliminação de combustíveis fósseis ajuda a reduzir as emissões de carbono.
Portos e Navios - SP 05/01/2026
Governo Federal investiu mais de R$ 500 milhões em hidrovias ao longo de 2025, em ações voltadas à modernização da infraestrutura, à ampliação da navegabilidade e ao reforço da segurança do transporte fluvial em todas as regiões do país. Coordenadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), as iniciativas incluem obras, dragagens, sinalização náutica, recuperação de estruturas e operação de eclusas.
Os recursos beneficiam hidrovias da região amazônica e de outros eixos estratégicos do país, com investimentos em novas obras e manutenção da infraestrutura nos rios Madeira, Amazonas, Solimões e Tocantins, além do Delta do Parnaíba, dos rios Grajaú, Pindaré, Mearim, no Maranhão, e dos rios Jacuí e Taquari, no Rio Grande do Sul.
Entre as ações voltadas à logística, a hidrovia do Rio Tocantins recebeu R$ 11,6 milhões em melhorias no canal de navegação, com foco em facilitar o tráfego de embarcações e o escoamento da produção regional.
Já no Rio Solimões, foram aplicados cerca de R$ 11 milhões em ações de dragagem, com foco em garantir a navegabilidade básica, assegurando o deslocamento de pessoas e o atendimento às comunidades ribeirinhas, especialmente em períodos de estiagem.
Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, os investimentos têm como foco assegurar a navegabilidade dos rios ao longo de todo o ano. “Essas ações permitem que a navegação ocorra de forma contínua, fortalecendo rotas estratégicas para o transporte de mercadorias e ampliando a segurança de quem utiliza as hidrovias”, explicou.
Para o diretor do Departamento de Infraestrutura Aquaviária do Dnit, Edme Tavares, “a parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos é fundamental para viabilizar a implementação de políticas públicas voltadas à navegação interior, promovendo não apenas o desenvolvimento econômico do país, mas também impactos sociais positivos nas regiões atendidas”.
Terminais fluviais
A construção e a ampliação de terminais fluviais receberam investimentos em diversos estados. No Amazonas, foram beneficiadas cidades como Barcelos, Lábrea, Santo Antônio do Içá, São Gabriel da Cachoeira e São Paulo de Olivença. No Pará, os recursos chegaram a Juruti, Oriximiná, Conceição do Araguaia, Vitória do Xingu e Abaetetuba. O município de Santana, no Amapá, recebeu mais de R$ 10 milhões, além de investimentos destinados a cidades de Alagoas e da Bahia.
De acordo com o diretor do Departamento de Gestão Hidroviária da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, Eliezé Bulhões, os terminais fluviais têm impacto direto na vida da população. “Essas estruturas permitem o transporte seguro de pessoas e mercadorias, facilitam o acesso a serviços básicos e melhoram a rotina de comunidades que dependem dos rios para se deslocar”, destacou.
No Sul do país, o MPor investiu R$ 3,2 milhões em ações de dragagem e sinalização náutica da Lagoa Mirim. Além disso, foram destinados R$ 12,8 milhões para a recuperação da navegabilidade das hidrovias do Rio Grande do Sul, afetadas pelas enchentes de 2024.
Outras iniciativas incluíram a operação de terminais hidroviários, que receberam R$ 155 milhões, a operação de eclusas, com R$ 46,6 milhões, e a recuperação de estruturas públicas, principalmente na Região Hidrográfica Amazônica, que concentrou mais de R$ 174 milhões em investimentos.
Portos e Navios - SP 05/01/2026
Entrou em operação em 22 de dezembro de 2025, em Dalian, na China, o primeiro petroleiro de grande porte (VLCC) do mundo movido a combustível duplo, batizado de New Explorer (Novo Explorador). Constuído na Dalian Shipbuilding Industry Company para a China Merchants Energy Shipping, ele foi projetado para operar com metanol ou com combustíveis convencionais.
A entrega do New Explorer reforça a tendência de uso de combustíveis alternativos no setor marítimo. De acordo com dados da sociedade de classificação DNV, a frota global de navios movidos a metanol compreende atualmente 97 embarcações e há previsão de que outras 366 entrem em serviço até 2030, sendo a maioria porta-contêineres, seguidos por graneleiros e petroleiros.
À medida que a indústria naval sofre pressão para reduzir emissões de carbono, a procura por combustíveis com menor emissão cresce. O metanol, em particular o metanol verde e o e-metanol, ganha terreno como alternativa viável aos combustíveis tradicionais. O Novo Explorer é considerado prova dessa mudança, pois satisfaz os requisitos operacionais atuais e está alinhado aos objetivos de sustentabilidade futuros.
O uso de navios movidos a metanol deverá impulsionar a inovação e o investimento na produção de metanol verde. Esse combustível é feito a partir de fontes renováveis e à medida que mais embarcações adotam a tecnologia do metanol, é provável que a indústria marítima testemunhe uma transformação significativa no fornecimento e uso de combustível, contribuindo para os esforços globais de combate às mudanças climáticas.
A entrega do New Explorer é vista como passo significativo na jornada do setor marítimo rumo à sustentabilidade. Com uma frota crescente de embarcações movidas a metanol no horizonte, a indústria está preparada para o futuro que prioriza opções de combustível mais limpas e eficientes.
CNN Brasil - SP 05/01/2026
Em entrevista ao Agora CNN, Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, afirmou que o Brasil deverá assumir um papel estratégico como "backup" da China para o fornecimento de petróleo venezuelano, especialmente diante das tensões geopolíticas envolvendo a Venezuela.
Segundo Prates, o Brasil possui características que o tornam um parceiro confiável para a China no setor petrolífero: "O Brasil tem um petróleo de alta qualidade, tem uma produção crescente e consolidada no pré-sal, onde existem empresas chinesas diretamente possuindo pedaços, interesse percentual nesses blocos", destacou.
Nesse contexto de disputa geopolítica, os contratos da China com a PDVSA, que representam 80% da produção da estatal venezuelana, estariam ameaçados pelo comando dos EUA. "Então, o backup do óleo da Venezuela para a China será o Brasil", explicou Prates.
O ex-presidente da estatal brasileira também ressaltou que o país possui estabilidade institucional e não está sujeito a sanções internacionais, diferentemente da Venezuela. "Temos estabilidade institucional e não temos nenhuma sanção colocada sobre nós, quer dizer, nós não estamos no meio dessas disputas. Então, na prática, a gente passa a ser o principal originador relevante de petróleo para a China fora desses eixos de influência que ela já tem", explicou.
Disputa geopolítica pelo petróleo venezuelano
Prates analisou que a situação atual da Venezuela, cuja produção petrolífera está significativamente abaixo de seu potencial, representa uma oportunidade para os Estados Unidos. "A Venezuela tem potencial de estar produzindo 3 milhões de barris-dia hoje e está produzindo abaixo de 1 milhão de barris, por conta das ineficiências e do pouco investimento que a própria estatal PDVSA pôde fazer ao longo do tempo", afirmou.
Ele prevê que os Estados Unidos buscarão transformar a Venezuela em um caso de sucesso: "O governo Trump vai fazer na Venezuela algo que ele não faria jamais e não fez junto. Os Estados Unidos nunca fez em país nenhum. Talvez só depois do pós-guerra, na reconstrução da Europa, do Japão e tal. Mas vai tentar fazer daquilo um showcasing".
O ex-presidente da Petrobras também mencionou que a geopolítica do petróleo está se transformando, com a crescente importância dos minerais críticos e terras raras, fundamentais para a transição energética e a eletrificação da economia mundial.
CNN Brasil - SP 05/01/2026
A Opep+ concordou em manter a produção de petróleo estável em sua reunião de domingo (4), informou o grupo em comunicado, apesar das tensões políticas entre os membros-chave Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e da prisão do presidente da Venezuela, um produtor menor, pelos EUA.
A reunião de domingo dos oito membros da Opep+, que produz cerca de metade do petróleo mundial, ocorre após os preços do petróleo caírem mais de 18% em 2025 — a maior queda anual desde 2020 — em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta.
Os membros — Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã — aumentaram as metas de produção de petróleo em cerca de 2,9 milhões de barris por dia de abril a dezembro de 2025, o equivalente a quase 3% da demanda mundial de petróleo.
Eles concordaram em novembro em suspender os aumentos de produção para janeiro, fevereiro e março. A breve reunião online de domingo não discutiu a Venezuela, disse um delegado da Opep+.
Os oito países se reunirão novamente em 1º de fevereiro, segundo o comunicado.
Crises em diferentes frentes
As tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aumentaram no mês passado devido a um conflito de uma década no Iêmen, quando um grupo alinhado aos Emirados Árabes Unidos tomou território do governo apoiado pela Arábia Saudita.
A crise desencadeou a maior divisão em décadas entre os antigos aliados próximos, à medida que anos de divergência em questões críticas chegaram a um ponto crítico.
A Opep conseguiu, no passado, superar sérias divisões internas, como a da Guerra Irã-Iraque, priorizando a gestão do mercado em detrimento de disputas políticas.
No entanto, o grupo enfrenta inúmeras crises, com as exportações de petróleo da Rússia pressionadas devido às sanções dos EUA por sua guerra na Ucrânia, e o Irã enfrentando protestos e ameaças de intervenção dos EUA.
No sábado (3), os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o presidente americano Donald Trump afirmou que Washington assumiria o controle do país até que uma transição para um novo governo fosse possível, sem especificar como isso seria realizado.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, maiores até mesmo que as da Arábia Saudita, líder da Opep, mas sua produção de petróleo despencou devido a anos de má gestão e sanções.
Analistas afirmam que é improvável que haja um aumento significativo na produção de petróleo bruto por anos, mesmo que as grandes petrolíferas americanas invistam os bilhões de dólares prometidos por Trump no país.
Veja - SP 05/01/2026
As reservas de petróleo da Venezuela podem valer cerca de 18,4 trilhões de dólares, ao considerar a quantidade de barris de petróleo que o país possui em reservas, multiplicada pelo preço do petróleo no mercado internacional no fechamento da última sexta-feira, 2.
A reserva petrolífera da Venezuela é estimada em 303 bilhões de barris de petróleo. Já o valor de cada barril de petróleo, pela cotação do petróleo Brent com vencimento em março de 2026, é de 60,75 dólares. Ao multiplicar a quantidade de barris pelo preço do mercado internacional, as reservas venezuelanas alcançam um valor a mercado estimado de 18,4 trilhões de dólares.
Vale lembrar que essa cifra tende a mudar a partir de segunda-feira, isso porque o preço do petróleo no mercado internacional possui variação diária durante a semana. Aos sábados e domingos, o mercado fica fechado e o preço permanece estável. Ainda assim, a mudança de preço não seria drástica e as reservas venezuelanas continuariam com um montante de mercado trilionário.
Especialistas apontam que o petróleo é o principal motivo para os Estados Unidos atacarem militarmente a Venezuela e capturar o ditador, Nicolás Maduro, neste último sábado, 3. Durante coletiva de imprensa, o presidente americano, Donald Trump, citou a palavra petróleo 15 vezes. Já a palavra democracia, que normalmente é usada como justificativa nesse tipo de operação, não foi dita nenhuma vez durante o discurso do presidente americano.
“A nossa presença na Venezuela tem tudo a ver com o petróleo. Acho que nós teremos muita riqueza saindo daquele solo e essa riqueza vai ajudar os Estados Unidos na forma de reembolso pelos danos causados ao nosso país”, disse Trump. Ele comentou que petrolíferas americanas “vão entrar, investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”.
Atualmente, 80% do petróleo venezuelano é exportado para a China, o que transforma o país em um dos pontos mais sensíveis da disputa entre Washington e Pequim. Em meio à disputa econômica, tema central para o ataque americano contra a Venezuela, o futuro do país parece incerto. Isso porque o presidente americano afirmou que os Estados Unidos devem governar a Venezuela.
No entanto, não houve até o momento uma invasão terrestre. Além disso, o regime chavista se manteve no poder após a Câmara Constitucional da Suprema Corte da Venezuela ordenar neste sábado, 3, que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o cargo de presidente interina do país na ausência de Nicolás Maduro.
O Estado de S.Paulo - SP 05/01/2026
O presidente americano Donald Trump não citou por acaso o setor de petróleo, ao comentar a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro no último sábado. Com a maior reserva de petróleo no mundo nas mãos, os Estados Unidos poderão ter forte influência - para não dizer algum tipo de controle - sobre os preços internacionais do produto.
Hoje, os americanos já são os maiores produtores de petróleo do mundo, com uma produção de cerca de 13 milhões de barris por dia. Mas possuem apenas a 10ª maior reserva provada, com 48 bilhões de barris de estoque. Os venezuelanos, por sua vez, possuem a maior reserva, com cerca de 303 bilhões de barris, mas são apenas 20º produtor mundial, com menos de 1 milhão de barris por dia.
No melhor momento, nos anos 90, os venezuelanos chegaram a produzir mais de 3 milhões de barris por dia. Ou seja, se a indústria venezuelana de petróleo se recuperar com os investimentos americanos, e operar de acordo com os seus interesses, os EUA terão um grande controle da oferta mundial do produto, o que também significa um controle indireto sobre sobre os preços.
De acordo com Vitor Sousa, analista de petróleo da Genial Investimentos, em um cenário de recuperação da indústria petrolífera venezuelana, se os americanos entenderem que os preços do petróleo estão muito elevados, eles poderão rapidamente elevar a produção, com a ajuda da Venezuela, ampliando oferta e reduzindo pressões sobre os preços.
E o contrário também pode acontecer. Caso os preços estejam muito baixos, afetando a rentabilidade do setor, ambos os países poderão atuar em conjunto - sempre sob os interesses americanos - reduzindo produção e oferta.
Com os campos de petróleo de ambos os países nas mãos, o poder de controle dos americanos sobre os preços aumenta consideravelmente, e reduz, por outro lado, o poder de influência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
A chance de isso acontecer, contudo, ainda é bastante incerta. Tirar Maduro do poder - e violar as leis internacionais com uma agressão sem precedentes na América do Sul - não significa controle direto sobre a Venezuela.
Não está claro se a presidente interina Delcy Rodríguez vai cooperar com os americanos, se novas ações militares acontecerão no país ou se haverá, em um cenário mais extremo, o início de uma guerra civil que a oposição tente voltar ao poder.
Qualquer que seja o desfecho, as ações de Trump têm como interesse o petróleo venezuelano, e não o discurso de combate ao narcotráfico e muito menos a defesa da democracia, já que ele próprio tem pouco apreço por esse tema.
Opinião por Alvaro Gribel
Repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.
Globo Online - RJ 05/01/2026
No começo dos anos 2000, grandes petrolíferas descobriram que havia muito dinheiro a ser ganho, mas também muito a perder na Venezuela. Duas ondas de nacionalização comandadas pelo governo de Hugo Cháves fizeram estrangeiras se dividirem entre permanecer ou sair do país. Entre os que seguem operando por lá estão ativos da Espanha, Itália e França — e até uma norte-americana, com autorização especial.
Seduzidas pelas riquezas subterrâneas, permaneceram na Venezuela a espanhola Repsol, a italiana Eni e a francesa Maurel & Prom. Elas são parceiras em empreendimentos com a estatal Petroleos de Venezuela SA. Por sua vez, a Chevron, dos EUA, negociou uma série de acordos para continuar no país sob Cháves e operou com permissão norte-americana tanto em administrações republicanas quanto democratas da última década.
A Chevron atualmente bombeia cerca de 140 mil barris por dia da Venezuela e os envia para refinarias na Costa do Golfo. Com a produção de cerca de 20% do petróleo do país, a empresa está em posição de destaque para ajudar a destravar mais produção de petróleo venezuelano. E alimenta uma dúvida sobre as chances de estrangeiras que deixaram o país retornarem, após a deposição de Nicolás Maduro em um ataque coordenado por Donald Trump neste sábado.
Até agora, o foco da Chevron tem sido principalmente obter o reembolso de suas próprias dívidas, em vez de injetar novos dólares no crescimento da produção. Procurada diante do novo cenário, a empresa afirmou que continua a “operar em plena conformidade com todas as leis e regulamentos relevantes”, focada na segurança de seus funcionários e na integridade de seus ativos.
Para especialistas no setor, não está claro quão dispostas grandes petroleiras estrangeiras estão a investir somas substanciais de dinheiro em um país administrado por um governo temporário apoiado pelos EUA, sem regras legais e fiscais estabelecidas.
Empresas saíram do país, mas podem voltar
As ondas de nacionalização deixaram um gosto amargo em empresas como Shell, Exxon e ConocoPhillips, com estas duas últimas ainda tendo bilhões de dólares em compensação pendentes após seus ativos terem sido apreendidos.
A ExxonMobil, maior empresa petrolífera dos EUA, esteve entre vários grupos ocidentais cujos ativos foram expropriados em 2007. Sete anos depois, recebeu US$ 1,6 bilhão de um painel internacional de arbitragem pela nacionalização de seu projeto Cerro Negro, na faixa petrolífera do Orinoco. Em novembro de 2025, Darren Woods, CEO da empresa, disse que consideraria investir na Venezuela, mas apenas sob as condições econômicas certas: “Eu não colocaria isso na lista nem tiraria da lista.”
Também no ano passado, um tribunal arbitral do Banco Mundial rejeitou o pedido da Venezuela para anular uma indenização arbitral de US$ 8,37 bilhões concedida à ConocoPhillips pela expropriação de seus projetos Hamaca, Petrozuata e Corocoro. Por isso, Francisco Monaldi, diretor de política energética para a América Latina da Universidade Rice, em Houston, considera que a empresa tem “incentivos significativos para retornar” e recuperar o que lhe é devido — embora o movimento seja "altamente improvável" no momento de instabilidade política.
Questionada sobre a situação, a ConocoPhillips afirmou que está monitorando os desenvolvimentos na Venezuela e suas potenciais implicações para o fornecimento e estabilidade energética global, acrescentando que seria “prematuro especular sobre quaisquer futuras atividades ou investimentos comerciais”.
Retomada rápida é difícil
Na prática, analistas veem dificuldades para uma retomada rápida da produção petrolífera por empresas dos EUA na Venezuela e citam o aumento do risco geopolítico — com a posição da China sendo importante nesta equação — como uma grande fonte de incerteza para o mercado global de petróleo após a ação militar inédita de Trump.
As empresas americanas terão que aderir à estratégia de Trump em um país instável, sob intervenção militar estrangeira e convulsionado socialmente. E as tensões com a China tendem a se acirrar, trazendo instabilidade para toda a América Latina, inclusive o Brasil, país que é grande destino de investimentos chineses em energia e agricultura, alerta o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.
— Trump não manda nas empresas americanas. Quem vai decidir colocar dinheiro num país sob intervenção militar estrangeira, convulsionado? Elas vão querer se posicionar de forma concreta e massiva no país? É tudo muito instável.
O Estado de S.Paulo - SP 05/01/2026
O plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconstruir a indústria petroleira da Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro enfrenta obstáculos que começam dentro de casa e se estendem ao país latino, detentor das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. O futuro do petróleo venezuelano está à mercê de estabilidade política, clareza regulatória e capital de risco disposto a esperar anos pelo retorno e, por ora, os desdobramentos em Caracas serão medidos mais pelo calor geopolítico que gerou do que por barris adicionais no mercado.
A Venezuela é dona das maiores reservas de petróleo do planeta, com cerca de 300 bilhões de barris ainda não explorados, superando até a Arábia Saudita, número 1 do mundo, conforme o Energy Institute. Apesar disso, ocupa apenas a posição de 18º maior produtor do mundo, gerando em torno de 1 mil barris por dia (mbpd, na sigla em inglês), ou apenas 1% do total global. Na década de 1970, a Venezuela produzia cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia, ou 8% da oferta global.
Exportações de petróleo venez
É “altamente incerto” como a administração dos EUA abordará as exportações de petróleo e a gestão dessas receitas, observa Goldwyn. Um caminho, diz, é permitir que a Venezuela exporte, expanda o licenciamento e venda petróleo a preços de mercado. O especialista sugere ainda que essas receitas sejam enviadas para uma conta bloqueada em benefício de um novo governo venezuelano.
Ontem, Trump disse que a riqueza extraída vai para o povo da Venezuela, os que moram dentro e fora do país, mas também vai para os Estados Unidos na forma de reembolso pelos danos de bilhões de dólares causados. Segundo ele, o país de Maduro “unilateralmente apreendeu e vendeu petróleo, ativos e plataformas americanas”.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou, neste domingo, 4, que o petróleo segue sendo crucial para o futuro da Venezuela, mas a indústria petrolífera venezuelana está falida, na avaliação dele. Segundo o secretário, o país sul-americano não tem capacidade para reerguer essa indústria e, por isso, precisa de investimento de empresas privadas, que só investirão sob certas garantias e condições. “Esse investimento precisa beneficiar o povo venezuelano. No momento, toda essa riqueza é roubada”, defendeu Rubio.
Para o analista sênior de mercado do Price Futures Group, Phil Flynn, caso os EUA consigam colocar em prática seu plano para a Venezuela, pode haver “muito otimismo” de que as petroleiras americanas entrem e revitalizem a indústria doméstica rapidamente. “Se a Venezuela conseguir se tornar uma potência na produção de petróleo, isso pode consolidar preços mais baixos a longo prazo e pressionar ainda mais a Rússia”, disse ele, à ‘Associated Press’. Trump disse, ontem, que os EUA têm interesse em vender petróleo à Rússia quando as coisas se estabilizarem, e também para outros países.
Globo Online - RJ 05/01/2026
No final de outubro, a então vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi até o Catar participar de reuniões com enviados da Casa Branca. Segundo fontes que acompanham de perto a política venezuelana, naquele momento foram feitas sondagens a Delcy por parte dos emissários de Donald Trump sobre a possibilidade de que ela assumisse o comando do governo por um período — não determinado naquele momento, nem hoje — de transição após a saída de Maduro do poder e do país. A resposta à sondagem é um mistério, mas tudo o que aconteceu nos últimos dias está alinhado com o que Trump queria havia algum tempo.
A decisão anunciada na noite de sábado pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela de que diante da ausência “temporária” do presidente Maduro, sua vice assume o poder na condição de “encarregada de todas as atribuições, deveres e funções inerentes ao cargo de presidente” atendeu aos desejos do presidente americano. Embora alguns tenham ficado surpresos com o descarte — temporário ou não, com Trump nunca se sabe — da líder opositora María Corina Machado para o futuro imediato, a sucessão natural dentro do chavismo faz sentido quando são analisadas características da presidente interina e seus vínculos.
Acordo com a Chevron
Aos 57 anos, Delcy é não apenas uma das mulheres fortes do chavismo, como a pessoa que Maduro determinou que cuidaria de temas sensíveis em seu governo, entre eles a administração da pandemia de Covid-19 e a abertura do setor petroleiro a empresas estrangeiras. A partir de 2024, Delcy acumulou a Vice-Presidência com o comando do Ministério dos Hidrocarbonetos. Foi ela quem, em 2025, negociou o último contrato selado entre a Venezuela e a companhia petroleira Chevron.
Os detalhes do entendimento refletem a capacidade de negociação e de fazer concessões da presidente interina, quando necessário e conveniente: diferentemente de entendimentos anteriores, neste caso o pagamento da Chevron ao governo venezuelano foi determinado em barris de petróleo. Ou o regime chavista não recebe recursos financeiros, algo que faria uma enorme diferença em momentos de asfixia econômica. Delcy aceitou condições menos vantajosas, em nome de manter uma boa relação com a companhia americana.
Com ou sem sondagem prévia ao ataque, a realidade é que Delcy representa uma alternativa viável para Trump, sobretudo na matéria que mais interessa ao republicano: acesso ao petróleo . Em Caracas, fontes falam em “acordo circunstancial para buscar a estabilidade do país”, entre Trump e a presidente interina; outros em “uma aliança temporária utilitária”. Delcy foi aceita pela Casa Branca por suas conexões no setor petroleiro nacional e internacional. Quanto vai durar este entendimento ou aliança dependerá de um delicado equilíbrio entre os interesses de Trump, as pressões internas e a dinâmica dentro do chavismo. Em palavras de uma fonte diplomática brasileira, “a situação ficará no fio da navalha”.
Internamente, Delcy dividirá o poder com os dois homens mais importantes dentro do regime: o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior e Justiça, o ex-militar Diosdado Cabello.
Se a presidente interina tem o desafio de controlar a relação com os EUA e com seus companheiros chavistas, Padrino López continuará à frente dos quartéis, função que exerce desde 2014, e Cabello chefiando as principais forças de segurança do país. Os três devem manter a coesão no chavismo para sobreviver. Ontem, o ministro da Defesa voltou a respaldar a presidente interina e a denunciar o ataque dos EUA a seu país. No entanto, longe de defender qualquer tipo de reação armada, o general pediu calma e tranquilidade. Padrino López fez provocações leves aos EUA, em nome contribuir com o plano dos três de manter o chavismo no poder.
Negociadora dura
Longe do perfil que traçaram jornais americanos recentemente, Delcy não é uma chavista moderada. Essa caracterização pareceu parte de uma estratégia do establishment americano interessado em negociar com o chavismo — ou seja, na manutenção do regime. Diplomatas brasileiros que já negociaram declarações sobre a Venezuela com a presidente encarregada asseguram que “Delcy é dura, e briga pelo que quer”.
Há alguns anos, a mulher forte do chavismo foi a encarregada de receber um alto diplomata americano que queria conversar com Maduro. Seu pedido só foi aceito depois de obter o aval da agora presidente interina. “Ela quis me conhecer, conversamos mais de uma hora e, finalmente, ela deu o OK”, contou o diplomata.
Hoje, assumirá a nova Assembleia Nacional, com 30 novos deputados da oposição que convivem com o regime. Paralelamente, o Conselho de Segurança da ONU discutirá, a pedido da Colômbia, o ataque dos EUA à Venezuela. Em tudo o que acontecer a partir de agora, será necessário observar como o governo venezuelano concilia relações e demandas variadas e, em muitos casos, opostas.
Globo Online - RJ 05/01/2026
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela elevou o grau de incerteza no mercado internacional de petróleo e pode pressionar os preços da commodity nos próximos dias, avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.
Segundo o especialista, mesmo diante da possibilidade de a Venezuela passar a fornecer mais petróleo globalmente, ampliando a oferta, o risco geopolítico tende a pesar mais nas cotações.
Mesmo sob sanções, o país mantinha parcerias com China, Rússia e Irã, o que adiciona uma camada geopolítica ao cenário.
— O que pode mexer estruturalmente com o mercado não é a produção venezuelana em si, mas o contexto geopolítico em que o país está inserido — afirmou Ardenghy.
Custo do frete marítimo no Caribe, rota estratégica
A escalada também pode elevar os custos de frete e de seguro marítimo no Caribe, rota estratégica para o comércio entre América do Sul, Estados Unidos e Canadá. Bloqueios ou desvios de rota encarecem o transporte e afetam cadeias de suprimento.
— Isso afeta inclusive o Brasil, que exporta petróleo para os Estados Unidos e importa diesel, gasolina e GLP (gás de cozinha) do mercado americano — explica Ardenghy.
Outro fator citado pelo especialista é o perfil do petróleo venezuelano, classificado como pesado, com baixo grau API. Apesar de exigir técnicas mais complexas de produção, esse tipo de óleo é valorizado para a fabricação de diesel, coque de petróleo e asfalto, e refinarias americanas foram historicamente adaptadas para processá-lo.
Para o Brasil, um eventual aumento do preço do petróleo tende a beneficiar a balança comercial. Segundo Roberto, o país exporta cerca de 1,7 milhão de barris por dia e já figura entre os maiores exportadores globais.
— Um preço mais alto do barril gera mais dólares para a economia brasileira — afirmou.
Globo Online - RJ 05/01/2026
Ao explicar as motivações para o ataque militar americano à Venezuela e a consequente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Donald Trump disse que as petrolíferas americanas voltariam a atuar na produção e exploração do petróleo venezuelano.
— Nossas grandes petrolíferas, as maiores de qualquer lugar no mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar infraestrutura horrivelmente quebrada, a infraestrutura do petróleo, e começar a fazer dinheiro para o país — disse Trump no pronunciamento inicial à imprensa, durante entrevista coletiva em Mar-a-Lago.
As declarações deixaram claro o interesse de Trump na Venezuela: o petróleo. Apesar de responder por menos de 1% da produção atual de petróleo do mundo, a Venezuela detém as maiores reservas provadas da commodity, com cerca de 220 bilhões de barris, ou 17% do total global.
Para Almeida, muda tudo na região, inclusive o papel do Brasil como média potência que exerce influência na América Latina.
— As eleições no Brasil vão ser impactadas. A América Latina não vai ser a mesma após essa intervenção. Veja Milei (Javier Milei, presidente da Argentina) com apoio aberto e eufórico (ao ataque americano). É um contexto geopolítico muito complexo.
Apesar de ter reservas gigantescas, a Venezuela produz hoje em torno 1 milhão de barris diários de petróleo — para efeitos de comparação, o Brasil produz 5 milhões, os EUA, 13 milhões e a Arábia Saudita, 12 milhões. O petróleo venezuelano é do tipo pesado, de mais difícil produção e, historicamente, as refinarias americanas foram adaptadas para processá-lo. Mas também as refinarias chinesas têm esta capacidade e, recentemente, após anos de embargo dos EUA, a China se tornou o principal comprador de petróleo venezuelano.
Claudio Pinho, advogado especialista no setor de petróleo e professor da universidade Mackenzie Rio, lembra que, há 15 anos, 70% do petróleo consumido nos EUA vinha da Venezuela, e as empresas tiveram seus ativos encampados pelo governo. Ainda hoje essas petrolíferas estão em busca de indenizações:
— Há um sem-número de indenizações pleiteadas pelas empresas contra o regime de Maduro. Elas não vão se instalar no marco zero (nesse primeiro momento da intervenção). Vão esperar até efetivamente o controle de regulamentação e legislação vir para as mãos dos americanos. Se vai durar uma semana, um mês, um dia, não sabemos.
Pinho diz que a Venezuela, nesses últimos 15 anos, deixou de explorar petróleo, limitando-se à produção nos campos que já estavam em operação, sem novas descobertas. Para avançar e buscar novos áreas, precisa tanto de tecnologia quanto de investimento.
— Ao deixar de ser fornecedor dos Estados Unidos, a Venezuela diminuiu seu papel no cenário mundial.
Impacto residual no preço
Num segundo momento, segundo Pinho, elas poderiam assumir a produção juntamente com a PDVSA (estatal de petróleo da Venezuela) ou não, e começaria a quebra seletiva das sanções comerciais impostas à Venezuela.
— O terceiro foco seria a busca pelo início da exploração offshore (produção em alto-mar), que é quase uma corrida do ouro nesse manancial no litoral.
O ataque deve fazer o preço do barril de petróleo subir, mas pouco, algo entre US$ 2 e US$ 3, nos próximos dias, diz Almeida:
— Não tem fundamento no mercado de petróleo que justifique uma disparada no preço. Há muito estoque na China, nos EUA. Pode haver um repique, mas não volta a US$ 80, US$ 90 o barril.
O preço do petróleo, nos últimos meses, tem ficado em torno de US$ 60.
Segundo Almeida, mesmo que a capacidade de produção, num espaço de cinco anos, aumente para 2 milhões de barris por dia não vai fazer a diferença no mercado internacional de petróleo:
— Venezuela não define sozinha o preço. O efeito dessa intervenção é muito mais no ponto vista especulativo com a redução da oferta que vai surgir por algum tempo.
Globo Online - RJ 05/01/2026
O setor de óleo e gás continua sendo um dos mais dinâmicos da economia brasileira. Em outubro de 2025, a produção nacional de petróleo atingiu um recorde histórico, superando os 4 milhões de barris diários. O petróleo segue como o principal produto de exportação do país, com receita de US$ 45 bilhões no ano passado.
Estudo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) projeta que o setor de petróleo deve registrar um pico de investimentos de US$ 21,3 bilhões em 2026. Já a produção nacional deve alcançar 4,2 milhões de barris/dia em 2028.
O IBP projeta ainda um aumento de 34% na produção de gás natural até 2029, alcançando 68 milhões de metros cúbicos por dia, além de uma arrecadação governamental total (royalties, participações especiais e impostos) de US$ 42,3 bilhões em 2029.
Infomoney - SP 05/01/2026
Os EUA anunciaram, na madrugada deste sábado (3), a realização de ataque na Venezuela e captura de Nicolás Maduro, líder venezuelano. O país detém a maior reserva de petróleo do mundo, o que, para especialistas, influenciou em parte as decisões de Donald Trump, presidente os EUA.
Para Pedro Rodrigues, diretor e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura e Energia (CBIE), o retorno da Venezuela como um dos maiores produtores de petróleo mundiais levaria tempo. O petróleo venezuelano é um petróleo considerado pesado, com baixo valor agregado e maior custo para extração. Somado a isso, o produto exige mais diluentes, pela característica.
“Voltar a produzir petróleo na Venezuela, como a Venezuela já produziu 3, 4 milhões de barris por dia, demanda um certo tempo”, afirma.
Mesmo após a operação que gerou a captura de Maduro, ainda há muita incerteza no que se espera para a a Venezuela. Para Rodrigues, há possibilidade de alguns cenários, a depender do que se desenrolar no contexto geopolítico que envolve os países.
Em primeira análise, Rodrigues considera que, caso a Venezuela volte a ser uma democracia aberta, é possível que passe a contar com investimentos estrangeiros e investimentos do próprio país para que volte a produzir. Com isso e a queda dos atuais embargos, seria possível que o petróleo venezuelano conseguisse chegar ao mercado.
“Estamos em um momento de diminuição da demanda por petróleo e um aumento de oferta. Então, se Venezuela conseguisse num espaço de tempo razoável, colocar essa produção a mercado internacional seria mais oferta de petróleo no mercado o que causaria aí uma diminuição preços ainda mais baixos do petróleo”, afirma.
O diretor considera ainda que há possibilidade da Rússia pode terminar a guerra com a Ucrânia. Em sua visão, isso ainda poderia se somar a oferta maior de petróleo no mercado que o preço fosse mais baixo ser mais baixo.
Ele afirma que é possível ver no curto/médio prazo preços mais baixos ainda de petróleo. Nesse sentido, Rodrigues destaca que, por expectativas, a captura de Maduro já pode causar a diminuição do preço do barril desde já.
“O mercado já vai começar a ter aí a especulação natural, né? O que não necessariamente pode ser verdadeira no futuro, né? Mas o fato é que o cenário seria esse, se a Venezuela conseguir colocar essa produção de petróleo no mercado global”, afirma.
Impacto para Petrobras
Para o diretor, a ideia de petróleo mais baixo poderia ser positiva para o Brasil se a Petrobras (PETR3; PETR4) seguir paridade internacional de preço.
“O Brasil teria combustível mais barato. Por outro lado, para Petrobras, talvez não seja bom porque ela também vem de petróleo que também diminui a receita a Petrobras, que hoje é muito alavancada com o preço de petróleo muito alto”, considera.
Com preço menor de petróleo, explica, poderia haver impacto para o balanço e a dívida Petrobras.
IstoÉ Dinheiro - SP 05/01/2026
O Brasil alcançou no ano de 2025 novos mercados para produtos agropecuários em 58 destinos, que se somam aos 300 obtidos na tua gestão no Ministério da Agricultura, reunindo 82 países. O recorde consolida as aberturas feitas ao longo dos últimos três anos, com média de 14 processos concluídos por mês. Ao todo, US$ 3,4 bilhões de faturamento foram adicionados à balança comercial brasileira a partir destas aberturas, estima a pasta. Juntos, estes novos mercados têm potencial de incrementar US$ 37,5 bilhões por ano às exportações brasileiras em cinco anos, à medida que o fluxo comercial for intensificado.
Proteínas animais lideram o ranking de novos mercados com 112 processos, seguido por material genético animal com 79 e alimentação para animais com 61. O México foi o campeão com 24 autorizações para produtos do agronegócio brasileiro, conforme dados da plataforma Aberturas de Mercado da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.
O ritmo de abertura de novos mercados é considerado robusto pelo mercado. Cada mercado aberto significa a possibilidade de exportar um novo produto por país, para o qual o acesso até então não era permitido – seja por barreiras comerciais ou sanitárias. As aberturas de mercado não significam comércio imediato, mas sim o entendimento dos governos quanto ao protocolo sanitário para determinada exportação. Após o aval em si, ainda há processos necessários como habilitação de empresas exportadoras, registros e a negociação comercial efetiva, o que geralmente leva de seis meses a um ano para início do fluxo comercial.
Abrir novos mercados para produtos agrícolas é fundamental também para a economia brasileira, dada a importância do setor para a balança comercial. De janeiro a novembro deste ano, as exportações brasileiras do agronegócio atingiram o recorde de US$ 155,25 bilhões, um crescimento de 1,7% em relação a igual período do ano anterior, de acordo com dados da Agricultura. Com isso, o agronegócio foi responsável por 48,8% da pauta exportadora total brasileira no ano.
As aberturas acumuladas até aqui respondem a dois direcionamentos em especial: a necessidade do Brasil de diversificar a pauta exportadora e a demanda de outros países de recorrer ao Brasil para garantir a segurança alimentar e combater a inflação de alimentos, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua. “Talvez o Brasil seja uma das poucas regiões no mundo com capacidade de apoiar a segurança alimentar, energética e climática”, comentou Rua, em entrevista recente ao Broadcast Agro.
Para o setor privado, entre os destaques no período estão as autorizações para venda de carne bovina para o México, após 20 anos de negociações, da exportação do algodão brasileiro para o Egito, de sorgo para a China e de carne de frango kosher para Israel – sendo o único país liberado a comercializar frango dentro dos preceitos religiosos judaicos.
Rua destaca que outros 220 mercados foram ampliados no período, por exemplo, com habilitação de maior número de empresas exportadoras, adoção do sistema de pré-listing ou maior número de Estados e regiões que podem acessar determinado mercado. Essas ampliações renderam mais outros US$ 7 bilhões à balança comercial do agronegócio, segundo Rua. “Colhemos agora os resultados das primeiras aberturas e ampliações realizadas no início de 2023. É um processo de maturação até o alcance do potencial de cada mercado”, pontuou o secretário.
A busca pela diversificação foi perseguida após o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos importados brasileiros a partir de agosto deste ano. A estratégia passou pela busca ativa de mercados a partir dos adidos agrícolas, sobretudo para os setores mais expostos ao mercado americano e para mercados com similaridades de especificidades demandadas pelos Estados Unidos. O diagnóstico envolveu ainda mercados que o Brasil já exporta, mas com potencial de incremento, caso do café brasileiro na China e na Austrália. “As vendas de produtos agropecuários para os Estados Unidos, que era um grande temor, caíram 4% no acumulado do ano e mesmo assim a balança do setor continua positiva”, observou.
Para o setor de carne bovina, que teve 29 novos mercados abertos no período, sendo 19 concluídas neste ano, as ampliações das possibilidades de exportação contribuíram para minimizar os impactos da sobretaxa dos Estados Unidos sobre as exportações de carne bovina, avalia a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Entre os novos destinos, destacam-se Vietnã, Indonésia e México – este último que passou ocupar o posto de segundo maior comprador da carne brasileira em meio à escalada tarifária dos EUA. “A diversificação de mercados é essencial para um setor tão produtivo e tão competitivo como é o setor da carne bovina brasileira. Com mais mercados abertos, mais possibilidades, menos dependência de apenas um mercado para a produção brasileira e uma nova perspectiva ao setor. Agora é o momento de consolidação das vendas a estes novos destinos”, destacou o presidente da Abiec, Roberto Perosa, em entrevista recente ao Broadcast nas Redes.
Em relação a novos mercados, seguem como prioridades dos exportadores a abertura de mercado do Japão, Coreia do Sul e Turquia para a proteína nacional. O Japão é o mais adiantado, enquanto as negociações com os outros dois países ainda dependem de questões técnicas a serem superadas. “A nossa grande expectativa é pela abertura do mercado japonês, que é um mercado altamente rentável, basicamente suprido pelo mercado americano e pelo mercado australiano, que hoje não têm a capacidade de suprir o mercado japonês na sua integralidade. Estamos ansiosos para que essa negociação se finalize talvez no início do ano que vem, mesmo que seja em fases por Estados ou que englobe todo o País”, apontou Perosa.
As aberturas de mercado se tornam ainda mais importantes em uma conjuntura mais complexa com multilateralismo deteriorado, embora os efeitos de redirecionamento de produtos não sejam imediatos, aponta a diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Sueme Mori. Para Mori, além das negociações bilaterais para aberturas de mercado, é necessário também a ampliar a rede de acordos comerciais dos quais o Brasil participa, sobretudo sob o aspecto tarifário. “As duas estratégias têm de andar casadas: negociações de aberturas com acordo de protocolos sanitários e acordos preferenciais, os grandes acordos que geram redução tarifária”, comentou Mori. A diretora destaca que, à exceção da Cingapura, o Brasil não possui acordo comercial com nenhum outro país da Ásia, principal mercado para os produtos agropecuários, ou seja, acessa esses mercados sem diferencial tarifário. “É uma região do mundo que possui muitos acordos. Então, é importante que a gente amplie a nossa rede de acordos.
Apesar do recorde em aberturas de mercado, os fluxos comerciais não foram efetivados ainda em sua totalidade. Além das barreiras tarifárias, barreiras comerciais e ambientais travam o acesso do Brasil a inúmeros mercados, mesmo quando os processos sanitários são superados. “Um exemplo é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) que deve gerar 90% de desgravação tarifária ao longo dos anos, mas há medidas paralelas como a Lei Antidesmatamento do bloco que pode prejudicar o acesso dos produtos. As duas coisas têm de andar juntas: abertura de mercado pelas negociações fitossanitárias com ações que garantam o acesso efetivo”, observou a diretora da CNA.
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