Veja - SP 04/03/2026
O PIB da indústria avançou 1,4% em 2025. É um número positivo, sem dúvida, mas ainda distante do protagonismo que o setor já teve na economia brasileira. O economista Ricardo Rocha, coordenador de Finanças do Insper, foi direto: é hora de “repensar o caminho da indústria brasileira, que já foi muito mais relevante”. Ele lembra que, desde a abertura dos anos 90, a concorrência asiática — especialmente da China — apertou o cerco.
Lá fora há protecionismo e crédito barato; aqui, custo elevado e perda de competitividade. Para o Brasil escapar do crescimento morno e buscar algo entre 4% e 5% ao ano, diz Rocha, não há milagre: é preciso uma expansão consistente da indústria. Leonardo Santana, especialista em investimentos, completou o quadro lembrando que o custo do capital segue elevado. Juros altos, necessários para conter a inflação, acabam “estrangulando a economia” e encarecendo financiamentos essenciais para modernização e expansão industrial.
Nesse cenário, o anúncio do BNDES de que pretende financiar 70 bilhões de reais para a indústria em 2026 — totalizando 370 bilhões em quatro anos — surge como alento. O banco ainda estuda um programa para socorrer setores como siderurgia, alumínio, automotivo e de móveis, que enfrentam sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.
O Estado de S.Paulo - SP 04/03/2026
Afetada pelos juros altos, a economia brasileira desacelerou no ano passado. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 3.
O resultado ficou dentro do esperado pelos analistas consultados pelo Projeções Broadcast. As estimativas variavam de alta de 2,1% a 2,6%.
Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 12,7 trilhões.
No ano passado, o crescimento econômico do Brasil foi o mais baixo desde 2020, quando a economia brasileira recuou 3,3% por causa dos impactos provocados pela pandemia de covid-19. Em 2024, o PIB cresceu 3,4%.
“O desempenho de 2025 foi como se esperava desde o início do ano, com um PIB um pouco mais fraco, depois de uma sequência de vários anos com um PIB crescendo em torno de 3%”, diz Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.
“Em 2025, começamos a fazer o ajuste da taxa de juros para conter a inflação, e a economia passou a desacelerar. Apesar de tudo, o País conseguiu um crescimento até razoável”, afirma Vale.
Como em anos passados, o País colheu um primeiro semestre melhor - sobretudo pelo bom desempenho da agropecuária - e desacelerou na metade final do ano, justamente por causa do elevado patamar da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano.
No quarto trimestre, a economia brasileira avançou 0,1% em relação aos três meses anteriores. O IBGE revisou o dado do terceiro trimestre de alta de 0,1% para estabilidade.
“A política monetária está fazendo efeito. Vimos isso pelo canal do crédito, e o último trimestre de 2025 mostra isso”, afirma Silva Matos, pesquisadora da área de economia aplicada do FGV/IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) e coordenadora do Boletim Macro.
No ano passado, na análise pelo lado da oferta, a agropecuária avançou 11,7%, a indústria cresceu 1,4% e o setor de serviços subiu 1,8%.
O bom resultado da agropecuária é explicado pela safra recorde de grãos que o Brasil colheu. O setor de serviços se beneficiou de um mercado de trabalho bastante aquecido no País, enquanto o resultado da indústria foi mais respaldado pelo setor extrativista - a parte de transformação sofreu com os juros elevados.
“Pelo lado da oferta, o agro é o grande destaque”, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. “E, na indústria, o que ajudou foi a parte extrativa, que veio melhor.”
Do lado da demanda, houve crescimento no consumo das famílias (1,3%), na formação bruta de capital fixo - a taxa de investimentos na economia - (2,9%) e no consumo do governo (2,1%).
“Há uma contribuição relevante da importação de plataformas (de petróleo) nos investimentos. E tem toda uma parte de infraestrutura também”, afirma Silvia.
Ainda pelo lado da demanda, mesmo com o tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no comércio global, as exportações cresceram 6,2% e as importações subiram 4,5%.
“Em 2025, o desempenho do agro foi extraordinário, e o impacto do tarifaço foi mais moderado, porque, para alguns mercados, conseguimos redirecionar os produtos”, afirma Alessandra.
No ano passado, a taxa de investimento foi de 16,8% do PIB, um pouco abaixo do apurado em 2024, quando marcou 16,9%. A taxa de poupança alcançou 14,4% do PIB - pouco acima dos 14,1% de2024.
O que esperar de 2026
Em 2026, os economistas esperam um resultado mais moderado para o PIB. No relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas consultados esperam alta de 1,82%.
A avaliação é de que a atividade econômica deve acelerar neste primeiro semestre, por causa dos efeitos da agropecuária, mas perder força na parte final do ano.
“Temos uma média de crescimento no primeiro e no segundo trimestres de 0,5%”, diz Alessandra. “E, no segundo semestre, essa média de crescimento é de 0,2%. Começa o ano mais forte e, depois esfria.”
Em ano de eleição presidencial, o desempenho econômico seria ainda mais fraco se o governo federal não tivesse lançado mão de várias medidas que devem ajudar a estimular a economia, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a ampliação do Minha Casa Minha Vida, entre outras.
Na conta da consultoria Tendências, todas essas medidas devem garantir um aumento do crescimento do PIB deste ano entre 0,3 pontos porcentual e 0,4 ponto porcentual.
Nos últimos dias, o cenário econômico ficou mais incerto por causa do conflito no Irã e os possíveis impactos para o crescimento, inflação e taxa de juros.
Por ora, os economistas esperam algum alívio na condução da política monetária pelo Banco Central. A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a reduzir a Selic na reunião deste mês de março. Ao final do ano, os analistas esperam que a Selic esteja em 12%, de acordo com o relatório Focus.
“Nós continuamos com juros reais elevados. É uma economia que tende a desacelerar e crescer menos neste ano do que no ano passado. E por que não desacelera tanto? Não desacelera mais porque o governo tem feito um conjunto enorme de esforços para tentar manter o crescimento ainda forte em 2026”, afirma Vale.
Money Times - SP 04/03/2026
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encerrou 2025 com sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica, reforçando a leitura de que os juros elevados produziram efeitos mais intensos sobre os setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Na avaliação do mercado, o resultado do quarto trimestre do ano passado veio dentro do esperado, mas com uma composição considerada qualitativamente mais fraca, especialmente do lado da demanda doméstica.
Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o avanço de 0,1% na comparação trimestral e de 1,8% na base anual ficou alinhado às projeções da casa, mas revelou sinais de enfraquecimento relevantes. Segundo ele, a principal surpresa negativa foi o recuo de 0,7% da indústria, além da estagnação do consumo das famílias, que não respondeu ao mercado de trabalho ainda aquecido.
“O resultado sugere um impacto maior dos efeitos adversos da política monetária sobre os setores mais sensíveis ao ciclo econômico”, afirma o economista. Por outro lado, a agropecuária ajudou a evitar um desempenho pior ao crescer 0,5% no período, sustentada por safras e produção de proteínas em níveis recordes.
Na visão da Genial, embora o crescimento de 2,3% do PIB em 2025 seja positivo, o fim do ano deixa um ponto de atenção sobre a absorção doméstica privada que perdeu força. A fraqueza tanto do consumo quanto dos investimentos indica que a economia entra em 2026 com menor dinamismo, levando a casa a adotar viés baixista para o próximo ano, com projeção de expansão de 2,1%.
A leitura é semelhante a da economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal. Para ela, o PIB do quarto trimestre confirmou a continuidade do processo de desaceleração da demanda doméstica privada, enquanto a demanda externa ajudou a compensar parcialmente o crescimento, além de um consumo do governo ligeiramente mais forte.
A casa colocou sua projeção de crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026 em xeque e avisou que irá revisar suas estimativas, mas, em um primeiro momento, não vê mudança relevante no que já está colocado.
Já Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que a desaceleração observada ao longo de 2025 reflete principalmente o impacto dos juros elevados sobre os investimentos e a indústria.
“Pelo lado da oferta, serviços e agropecuária seguiram resilientes, com altas de 0,8% e 0,5%, respectivamente, enquanto a indústria caiu 0,7%, pressionada especialmente pela construção e pela indústria de transformação”, observa.
Do lado da demanda, o principal destaque positivo ficou com as exportações, que cresceram 3,7% mesmo diante de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, além do avanço de 1% no consumo da administração pública. Em contraste, os investimentos das empresas recuaram 3,5%, enquanto o consumo das famílias permaneceu estável.
Para Moreno, os números mostram uma economia que perde velocidade, mas sem sinais de retração abrupta. A atividade seguiu sustentada por setores menos sensíveis à política monetária, como agropecuária e indústria extrativa, além do impulso das exportações.
Mesmo com o início esperado do ciclo de cortes da Selic, a economista avalia que os juros ainda permanecerão em patamar elevado e continuarão limitando o ritmo da atividade. Ainda assim, fatores como estímulos fiscais e mercado de trabalho aquecido devem evitar uma desaceleração mais intensa. A projeção do C6 Bank é de crescimento de 1,7% do PIB em 2026 e também em 2027.
Vale destacar que nesta segunda-feira (2), a mediana das projeções do Boletim Focus – que reúne a estimativa de diversos economistas para os indicadores da economia brasileira – para o PIB em 2026 era de 1,82%.
O Estado de S.Paulo - SP 04/03/2026
Depois de três anos com crescimento superior a 3%, o PIB brasileiro voltou a desacelerar em 2025, fechando o ano com alta de 2,3%, um movimento que já vinha sendo antecipado por indicadores de atividade e que agora é confirmado pela série anual.
A perda de fôlego da economia brasileira é reflexo, basicamente, da política monetária restritiva. Com a Selic na casa dos 15% por um período tão prolongado, o crédito fica mais caro e afeta diretamente a decisão de investimento das empresas.
Apesar de o Banco Central ter sinalizado cortes na Selic a partir de março, os juros ainda elevados vão continuar exercendo um efeito negativo sobre a atividade econômica. Por outro lado, medidas de estímulo à economia (como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, que deve ter impacto de cerca de 0,2 ponto percentual no PIB de 2026) devem evitar uma desaceleração mais intensa daqui para frente. Nossa projeção é que o PIB cresça 1,7% neste ano e no ano que vem.
Isso significa que estamos longe de um quadro de recessão. O que observamos hoje é uma acomodação: a formação bruta de capital fixo registrou queda de 3,1% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, refletindo o impacto dos juros, mas outros vetores seguem sustentando a atividade. O consumo do governo subiu 3,6%. A agropecuária, com safras recordes e expansão de 12,1% sobre uma base já elevada, e a indústria extrativa, também em forte crescimento (de 12%), impulsionaram as exportações e ajudaram a compensar a perda de dinamismo do investimento privado.
Importante destacar, porém, que a desaceleração do PIB não foi suficiente para esfriar o mercado de trabalho. A taxa de desemprego está em 5,1%, no menor nível da série histórica e bem abaixo da média brasileira, que gira em torno de 10%. Com mais pessoas empregadas e renda em alta, o consumo das famílias segue sustentando a demanda.
Esse cenário nos leva a uma antiga - mas necessária - discussão sobre PIB potencial, que representa o quanto uma economia consegue crescer sem gerar inflação. Ele pode ser estimado pelo crescimento da força de trabalho e pelo avanço da produtividade.
Quando o PIB cresce acima do potencial por muito tempo, a economia passa a operar além de sua capacidade, pressionando salários e preços. Foi o que ocorreu nos últimos anos: desde 2021, o crescimento tem superado o potencial e, por isso, a inflação permaneceu acima da meta.
O problema central é que a produtividade brasileira está praticamente estagnada. Em 2024, segundo dados da FGV, a produtividade do trabalho avançou apenas 0,2%, apesar de a economia ter crescido mais de 3%. É um quadro que se repete há mais de uma década. Como a produtividade é um dos principais componentes do PIB potencial, sua estagnação limita a capacidade de o País crescer de forma saudável.
Além disso, o Brasil está envelhecendo. Com menos pessoas ingressando na força de trabalho ao longo do tempo, o crescimento potencial tende a diminuir ainda mais se a produtividade não avançar. Para crescer de forma sustentável, sem inflação elevada, o País precisa elevar sua eficiência. Isso passa por melhorar a qualidade da educação, investir em infraestrutura, ampliar a abertura comercial e simplificar o sistema tributário.
Enfrentar essa agenda é essencial para que o Brasil possa conviver com crescimento do emprego, aumento da renda e estabilidade de preços por muitos anos. Sem ganhos consistentes de produtividade, continuaremos crescendo com desequilíbrios, o que vai trazer custos para o País e exigir freios ocasionais da política monetária.
IstoÉ Dinheiro - SP 04/03/2026
O tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos teve efeito pontual no desempenho da economia brasileira em 2025, que atingiu expansão de 2,3% na comparação com o ano anterior.
A avaliação é da coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis, durante apresentação do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).
O PIB é o conjunto de bens e serviços produzidos no país e serve como indicador do comportamento da economia.
O resultado de 2025 revela que as exportações brasileiras cresceram 6,2% na comparação com o ano anterior.
“Em relação ao tarifaço, a gente realmente viu que foram coisas muito pontuais.”
“Os exportadores procuraram outros mercados. O Brasil já estava conseguindo exportar mais para outros países. Os Estados Unidos já não estão pesando tanto como destino das exportações brasileiras”, assinala.
“Provavelmente, sem o tarifário a gente teria até exportado mais. Mas a gente exportou bastante, cresceu e foi importante o crescimento do ano passado”, completa a pesquisadora.
Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China.
Entenda o tarifaço
O tarifaço do presidente americano, Donald Trump, entrou em vigor em agosto de 2025. Ao elevar taxas sobre produtos importados, o governo dos Estados Unidos afirma que pretende proteger a economia americana.
A ideia é que, com a taxação, os americanos passassem a fabricar produtos localmente em vez de adquiri-los no exterior.
No caso do Brasil, que sofreu com uma das maiores taxas, de até 50%, o presidente americano chegou a alegar também que se tratava de retaliação ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que Trump considerava ser perseguido, antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado.
Desde então, os governos brasileiro e estadunidense negociam formas de buscar acordos para a parceria comercial.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações para os Estados Unidos recuaram 6,6% em 2025.
Justiça derruba tarifaço
No último dia 20 de fevereiro, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão de Trump de taxar compras internacionais. O presidente americano reagiu impondo tarifa de 10% a diversos países.
De acordo com o Mdic, o novo regime tarifário dos Estados Unidos deve poupar 46% dos produtos brasileiros exportados ao país.
IstoÉ Dinheiro - SP 04/03/2026
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) observou nesta terça-feira, 3, que o setor produtivo foi prejudicado no ano passado pelos juros altos no Brasil e pelas tarifas dos Estados Unidos. Ao comentar os resultados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados de manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Fiesp ressaltou que as exportações da indústria de transformação ao mercado americano recuaram 8,7% no segundo semestre de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior.
No ano, o PIB geral subiu 2,3%, desacelerando em relação ao avanço de 3,4% em 2024. Já a indústria de transformação recuou 0,2% em 2025, após crescer 3,9% em 2024.
Na segunda metade do ano passado, diz a entidade, a economia brasileira “andou de lado”, refletindo os juros elevados, que provocaram perda de fôlego em setores mais sensíveis ao crédito, como a indústria de transformação e a construção.
Por outro lado, compara a Fiesp, atividades ligadas a recursos naturais, como a agropecuária e a indústria extrativa, tiveram forte desempenho e sustentaram o crescimento no ano.
Segundo a Fiesp, em termos reais, a taxa de juros avançou de 7,2% em janeiro para 10,6% em dezembro, causando desaceleração justamente nos dois segmentos que haviam liderado o crescimento em 2024: bens de capital e bens duráveis. Na última década, observa a entidade, o PIB do setor cresceu em apenas quatro anos.
Para 2026, a Fiesp mantém a projeção de crescimento de 1,9% do PIB. Apesar da tendência de queda, os juros devem permanecer altos, limitando a atividade, avalia a entidade.
Estímulos à demanda, como a isenção do imposto de renda a salários de até R$ 5 mil, conferem, porém, um viés altista à projeção. Além disso, acrescenta a Fiesp, a perspectiva de investimentos públicos por entes subnacionais – especialmente governos estaduais em função do ano eleitoral – tende a reforçar a expansão econômica neste ano.
A Fiesp prevê crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre, levando em conta também a liberação excepcional do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que deve ter efeito positivo sobre o consumo das famílias.
Diário do Comércio - MG 04/03/2026
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,25% em fevereiro, acelerando frente ao avanço de 0,21% de janeiro e também ante o ganho de 0,19% observado na terceira quadrissemana do último mês, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta terça-feira (3).
O resultado de fevereiro superou as estimativas de instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de altas de 0,15% a 0,18%.
No primeiro bimestre, o IPC-Fipe acumulou inflação de 0,47%. Nos 12 meses até fevereiro, o índice registrou acréscimo de 3,54%, vindo também acima das expectativas de analistas, mas desacelerando ante a alta de 3,80% do período de 12 meses encerrado em janeiro.
No mês passado, dois dos sete componentes do IPC-Fipe ganharam força e um caiu em ritmo mais lento: Habitação (de -0,14% em janeiro a 0,38% em fevereiro), Alimentação (de 0,11% a 0,42%) e Despesas Pessoais (de -0,36% a -0,17%).
Por outro lado, houve arrefecimento nos custos dos demais itens de janeiro para fevereiro: Transportes (de 0,46% a 0,21%), Saúde (de 0,20% a 0,11%), Vestuário (de 1,28% a 0,28%) e Educação (de 5,12% a 0,00%).
O Estado de S.Paulo - SP 04/03/2026
No cenário mais otimista para a economia global, a nova guerra no Oriente Médio termina em poucas semanas. A região continua a produzir petróleo e gás. O transporte marítimo é retomado no Estreito de Ormuz, evitando um choque no abastecimento energético mundial. O medo da inflação diminui.
Mas os especialistas alertaram contra qualquer sensação precipitada de tranquilidade. Os bombardeios americanos e israelenses ao Irã e as represálias iranianas em toda a região colocam em movimento perigos que representam uma ameaça substancial para o destino da economia global.
Os temores mais alarmantes centram-se na possibilidade de que o governo iraniano - levado à beira da eliminação - possa desencadear uma retaliação mais agressiva, aceitando a quase certeza da intensificação dos bombardeios ao seu próprio território como o custo de continuar lutando. Os iranianos provavelmente buscariam prejudicar a capacidade de produção de petróleo e gás em potências regionais, incluindo Catar e Arábia Saudita.
Qualquer evento que prolongue o conflito ou ameace as fontes de petróleo e gás provavelmente elevará os preços da energia a níveis que gerariam inflação. Isso poderia levar os bancos centrais em todo o mundo a aumentar as taxas de juros, elevando os custos de financiamentos imobiliários, para a compra de automóveis ou outros empréstimos. E isso sufocaria os gastos do consumidor e os investimentos das empresas - um caminho clássico para uma recessão.
“Estamos em um período de muita incerteza”, disse Kenneth S. Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional e professor da Universidade de Harvard. Grande mestre de xadrez e estudioso de história, Rogoff mostrou-se cético em relação ao consenso de que o conflito será de curta duração.
Ele citou o assassinato do herdeiro provável do trono do Império Austro-Húngaro há mais de um século - um episódio que desencadeou uma conflagração global. “É um pouco como perguntar, quando o arquiduque Ferdinand foi assassinado, quais seriam as consequências macroeconômicas, sem ter ideia do que viria a seguir”, disse Rogoff. “Quando a Primeira Guerra Mundial começou, todos pensavam que ela terminaria em um mês.”
No centro das preocupações no momento está o destino da energia produzida no Oriente Médio, fonte de 30% do petróleo e de 17% do gás natural do mundo. Qualquer interrupção nesse fluxo quase certamente provocaria problemas nas maiores nações importadoras do mundo - as principais economias do Leste Asiático e da Europa.
Sempre que o mundo enfrenta novos motivos para se preocupar com o acesso ao petróleo do Oriente Médio, as comparações se voltam para a década de 1970, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) causou uma série de choques. À medida que o cartel do petróleo cortava o fornecimento para elevar os preços, os americanos tiveram de se submeter a uma indignidade antes impensável: esperar em longas filas nos postos de gasolina para comprar combustível racionado e pagar preços recordes para manter seus enormes sedãs nas ruas.
Naquela época, assim como agora, a atenção se concentrou no Estreito de Ormuz, a estreita via navegável que faz fronteira com o Irã e é um canal marítimo entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Aproximadamente um quinto do abastecimento mundial de petróleo passa por esse canal, grande parte dele com destino à Ásia.
A pressão sobre o trânsito pelo estreito foi especialmente intensa em 1979, ano em que o xá do Irã, apoiado pelos Estados Unidos, foi derrubado por uma revolução que levou ao poder o governo extremista que governa desde então.
No entanto, é aí que as semelhanças históricas divergem. O cartel agora conhecido como Opep+ já se comprometeu a aumentar a produção para compensar quaisquer estoques ameaçados pela guerra. Graças em parte aos aumentos acentuados na produção americana, o abastecimento mundial de petróleo geralmente excede a demanda.
Para muitos países, os choques do petróleo da década de 1970 e o conflito no Golfo Pérsico que se seguiu levaram à busca por maior autossuficiência energética. O reconhecimento de que o petróleo e o gás acarretam riscos geopolíticos perpétuos - sem falar nas mudanças climáticas - também impulsionou uma mudança dos combustíveis fósseis para fontes renováveis de energia. A China e a Europa lideraram o caminho, investindo pesadamente em energia eólica e solar.
Mas a crise atual ressalta a realidade persistente de que o mundo continua fortemente dependente dos combustíveis fósseis. Se a passagem pelo Estreito de Ormuz for impedida por mais de algumas semanas e se os mísseis iranianos danificarem as refinarias, isso superará quaisquer ganhos imediatos com fontes de energia mais limpas.
E se as refinarias forem destruídas, isso acabará limitando a produção de produtos petroquímicos, incluindo fertilizantes. Isso poderia aumentar o custo do cultivo de alimentos, ameaçando a desnutrição na África Subsaariana e no Sul da Ásia.
“O petróleo e o gás ainda são extremamente importantes”, disse Kjersti Haugland, economista-chefe do banco de investimentos DNB Carnegie, com sede em Oslo. Quaisquer que sejam os méritos da transição para a energia verde, acrescentou ela, “ainda há um longo caminho a percorrer”.
Os preços do petróleo chegaram a subir mais de 10% na segunda-feira, 2, uma clara expressão da preocupação com o acesso ao abastecimento global de energia. Mas os preços caíram no final do dia, um reconhecimento aparente de que a preocupação se limitava à capacidade de exportar petróleo e gás do Oriente Médio.
Partes vulneráveis
China, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Taiwan, Itália e Espanha - todos exportadores significativos de produtos industriais - já estão enfrentando a guerra comercial promovida pelo presidente Donald Trump. Eles estão lidando com tarifas e aumento dos custos de matérias-primas como o aço. Agora, estão diante da possibilidade de que o preço do combustível também possa disparar, se a guerra no Oriente Médio não ceder rapidamente à diplomacia.
“As partes mais vulneráveis do mundo são a Europa e o Leste Asiático, uma vez que dependem da energia importada”, disse Adnan Mazarei, pesquisador sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington.
A sensação do que está em jogo surgiu na segunda-feira, quando a empresa estatal de petróleo do Catar anunciou que estava encerrando a produção de gás natural liquefeito, devido aos perigos de transportar seus produtos pelo Estreito de Ormuz. Isso fez com que o preço do gás natural na Europa subisse 50%.
A China parece especialmente suscetível, dada sua dependência do Irã para mais de 13% de suas importações de petróleo. O governo chinês já está enfrentando uma queda desastrosa nos preços dos imóveis, que dizimou as economias de milhões de famílias.
A Índia enfrenta problemas únicos. O governo indiano prometeu a Trump no mês passado que reduziria suas compras de petróleo da Rússia como forma de obter alívio das tarifas americanas, e tem procurado compensar a diferença importando mais petróleo de fornecedores do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Agora, a guerra também ameaça esses suprimentos.
A economia da Índia também depende das chamadas remessas - dinheiro enviado para casa por trabalhadores migrantes que atuam na construção civil, no varejo e na hotelaria. Cerca de 9 milhões de trabalhadores migrantes indianos estão no Golfo Pérsico, contribuindo com 38% de todas as remessas, de acordo com uma análise de Shumita Deveshwar, da TS Lombard.
Os Estados Unidos podem parecer mais isolados, dado seu status de maior produtor mundial de petróleo bruto e maior exportador de gás natural liquefeito. Mas, embora as empresas americanas de combustíveis fósseis estejam preparadas para lucrar com um aumento prolongado no preço do petróleo e do gás, os consumidores americanos quase certamente acabarão pagando mais pela gasolina. O preço do combustível se reflete no resto da economia, elevando os preços.
Essa é a realidade que leva muitos especialistas a supor que Trump buscará encerrar o conflito antes que os preços mais altos da energia tenham a chance de agravar o aumento dos custos dos bens de consumo.
Ele deve seu cargo, em parte, à insatisfação pública com o preço dos alimentos. Pode ser politicamente perigoso entrar nas eleições legislativas de novembro em meio a preços mais altos da gasolina.
No entanto, a longo prazo, os impactos do conflito em curso tenderão a aumentar a inflação, disse Rogoff, economista de Harvard. Os Estados Unidos precisarão reabastecer seu estoque de armas, aumentando a dívida nacional.
“Acabaremos gastando muito mais com as Forças Armadas, e isso terá implicações para as taxas de juros e a inflação”, disse Rogoff. “Isso é certo.”
Globo Online - RJ 04/03/2026
Com o pré-sal, o Brasil se tornou exportador líquido de petróleo e, por isso, uma elevação nas cotações internacionais, por causa da nova guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem retaliado também países vizinhos no Oriente Médio, poderá ser positiva, no fim das contas, para a economia brasileira, sustenta relatório do Bradesco publicado nesta terça-feira.
Um barril do tipo Brent estabilizado em US$ 110 poderia adicionar 1 ponto percentual no crescimento econômico deste ano, estima o relatório. Na casa de US$ 80, já seria suficiente para incrementar a balança comercial em US$ 11 bilhões.
Nesse cenário, os efeitos diretos do setor na atividade econômica, o aumento da arrecadação dos governos e o aumento das exportações pesariam mais, do lado positivo, que eventuais impactos negativos numa inflação mais pressionada e no encarecimento de insumos, como fertilizantes.
– O Brasil hoje produz mais do que o Irã. Dependendo do que acontecer nos próximos anos, o Brasil pode ampliar essa produção, com a margem equatorial, apesar de toda a questão ambiental. No fim do dia, o Brasil virou um player relevante desse mercado – disse ao GLOBO o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa.
Por isso, se o conflito no Oriente Médio não fugir completamente do controle, com reflexos econômicos mais concentrados nas cotações do petróleo, a economia brasileira pode sair ganhando, completou Honorato:
– A guerra é hostil para todos os países, mas uma alta do preço do petróleo é liquidamente mais positiva do que negativa para o Brasil.
Cenários diferentes
O relatório do Bradesco simula vários cenários. Uma elevação das cotações para US$ 80 o barril do tipo Brent – ante US$ 62, levados em conta no cenário base atual do Bradesco – poderia adicionar 0,4 ponto percentual ao crescimento econômico brasileiro em 2026. E mais 0,15 ponto em 2027, segundo as contas dos economistas do banco.
Como hoje a projeção do Bradesco para o crescimento econômico deste ano está em 1,5%, o avanço poderia passar para quase 2%. Se as cotações subirem até estacionarem em US$ 110 o barril, o PIB brasileiro poderia crescer 1 ponto percentual a mais – ou seja, avançar até 2,5% em 2026.
A injeção de crescimento não é tão mecânica, já que altas no preço do petróleo tendem a arrefecer o PIB global. Com a economia mundial crescendo menos, o Brasil também poderia crescer menos, anulando parte do efeito positivo direto do petróleo mais caro sobre a economia nacional, pondera o relatório.
Por outro lado, há efeitos positivos nas contas dos governos e na balança de pagamentos. Com um petróleo mais caro, União, estados e municípios arrecadam mais via royalties e via tributos sobre os combustíveis. A União ainda sai ganhando com mais distribuições de lucros da Petrobras, que tendem a aumentar com um barril em cotações maiores.
Nas contas dos economistas do Bradesco, uma cotação do Brent estabilizando em US$ 80, com uma taxa de câmbio de R$ 5,30 por dólar teria um efeito positivo de 0,3 ponto percentual do PIB no resultado primário do governo federal.
No setor externo, o Brasil exportou US$ 55,2 bilhões em petróleo e combustíveis ano passado, lembra o relatório do Bradesco. As importações somaram US$ 28,5 bilhões. Com um barril cotado a US$ 80 bilhões, a balança comercial poderia ter um incremento de US$ 11 bilhões no ano, melhorando o resultado da conta corrente – que inclui todas as trocas de um país com o exterior – em 0,4 ponto percentual do PIB.
Riscos no horizonte
Apesar dos esperados efeitos positivos, o relatório do Bradesco também alerta para problemas.
Na agropecuária, os fertilizantes podem ficar mais caros e até escassos, já que 30% dos nitrogenados importados pelo Brasil vêm do Oriente Médio. E a demanda de milho também pode sofrer, já que o Irã é o maior destino das exportações brasileiras de milho – mesmo assim, os economistas do Bradesco lembram que é possível enviar para outros países.
A inflação doméstica tampouco preocupa tanto, segundo o relatório, já que tudo dependerá dos reajustes da Petrobras. “Nos últimos anos, esse repasse aos preços de combustíveis tem sido gradual e não imediatos após choquesËœ, diz o texto.
Um repasse de 50% caso o Brent fique em US$ 80 o barril adicionaria 0,4 ponto percentual no IPCA anual, calcula o Bradesco.
Valor - SP 04/03/2026
Contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou cotado a US$ 109,4
O preço do minério de ferro voltou a avançar nesta terça-feira (3), em meio a sinais de fortalecimento da demanda e da oferta da commodity, dizem analistas Hundun Tiancheng Futures.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou em alta de 0,67% na bolsa de Dalian, cotado a 753,5 yuans (US$ 109,4).
Segundo os especialistas da Hundun Tiancheng Futures, há indícios de que o nível dos estoques de minério está “relativamente baixo”.
Analistas do Jefferies também apontaram que as cotações de metais e minérios devem continuar em alta em meio à expectativa de que o preço da energia venha a subir com a continuidade do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Valor - SP 04/03/2026
“Tivemos a importação de uma plataforma de petróleo em setembro, o que afeta a base do terceiro trimestre, e a produção de máquinas e equipamentos está mais fraca”, disse Rebeca Palis, do IBGE
Uma combinação entre indústria de máquinas e equipamentos mais fraca e uma base alta de comparação por causa da importação de plataforma de petróleo ajudam a explicar a queda de 3,5% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida de investimentos no Produto Interno Bruto, o PIB) no quarto trimestre de 2025, ante o terceiro trimestre. A leitura é da coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis.
“Tivemos a importação de uma plataforma de petróleo em setembro, o que afeta um pouco a base do terceiro trimestre, e a produção de máquinas e equipamentos também está mais fraca”, afirmou ela.
Como referência, a produção de máquinas e equipamentos – pelos dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física (PIM-PF) – cresceu 0,5% em outubro, ante setembro, 2% em novembro, também ante o mês anterior, mas caiu 4,6% em dezembro.
A expansão dos investimentos desacelerou de 6,9%, em 2024, para 2,9%, em 2025. Entre os componentes da FBCF, a produção de máquinas e equipamentos cresceu 2% em 2025, ante 2024, enquanto a construção avançou 0,5% e a categoria de outros subiu 11,4% ― “Esse grupo de outros é onde está o desenvolvimento de softwares, que temos visto forte crescimento”, disse Palis.
Diário do Comércio - MG 04/03/2026
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas recuando 17% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 17,28 bilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pela associação de fabricantes, Abimaq.
No mercado interno, a receita encolheu 19% na comparação com janeiro de 2025, atingindo R$ 12,8 bilhões. O consumo aparente encolheu 21,5%, a R$ 26,5 bilhões.
As exportações atingiram US$ 838,2 milhões em janeiro, alta de 3,1% em relação a janeiro de um ano antes, mas queda de 41,4% na comparação com dezembro. Segundo a Abimaq, a retração na base mensal está relacionada a fatores sazonais e à base elevada de comparação.
Por sua vez, as importações somaram US$ 2,48 bilhões em janeiro, com queda de 10,3% frente a janeiro de 2025, sendo os maiores recuos observados nos bens de consumo e de infraestrutura.
Entre outros indicadores, o nível de utilização da capacidade instalada atingiu 78,6% em janeiro, alta marginal de 0,6% na comparação com dezembro, mas 4% superior ao patamar observado em janeiro de 2025.
A carteira de pedidos recuou em janeiro, atingindo o patamar de 9 semanas. Este valor esta um pouco abaixo da média dos últimos dois anos (24-25) que foi de 9,3, segundo a Abimaq.
A entidade afirmou que as projeções indicam crescimento de 3,5% na produção de máquinas e equipamentos e de cerca de 4% na receita líquida este ano. O avanço deverá ser sustentado principalmente pelo mercado doméstico, com expectativa de expansão da demanda próxima de 5,6%, apoiada por projetos já contratados em infraestrutura e pela continuidade dos investimentos nas atividades extrativistas.
Automotive Business - SP 04/03/2026
Mesmo em um dos anos mais desafiadores da última década para o setor de caminhões, marcado por juros elevados e forte pressão sobre as margens, a DAF Caminhões Brasil atingiu em 2025 um marco simbólico: 50 mil unidades produzidas no Brasil desde o início de sua operação no país, em outubro de 2013. O resultado sinaliza o início de um novo ciclo para a montadora, que passa a apostar na ampliação da fábrica e no crescimento no mercado nacional.
O cenário, porém, exigiu resiliência. Sem dúvida, 2025 foi um ano bastante desafiador. O mercado acima de 15 toneladas fechou com cerca de 86,7 mil unidades, um dos maiores volumes da última década. Pelo tamanho, foi um mercado atrativo, mas houve o desafio de manter a rentabilidade, impactada principalmente pelos juros elevados e pelos altos estoques das montadoras, analisa Luis Gambim, diretor comercial da DAF Caminhões Brasil.
O maior ciclo de investimentos: da fábrica ao portfólio
A resposta da montadora a esse ambiente complexo é o que Gambim classifica como o maior ciclo de investimentos desde o início das operações no Brasil. O plano para os próximos anos é ambicioso e visa preparar o terreno para a próxima década.
Contudo, os investimentos vão muito além da expansão física. Uma fatia significativa dos recursos está sendo direcionada para uma ofensiva em novos segmentos, movimento considerado vital para o crescimento futuro. Parte dos investimentos está voltada ao segmento vocacional, que envolve áreas como construção, mineração, madeira e cana-de-açúcar, nas quais vamos ser ainda mais agressivos e presentes, afirma Gambim.
A empresa também está ampliando sua atuação em caminhões rígidos e motores de 9 litros, diversificando seu portfólio para capturar novas demandas.
Desempenho de liderança nos pesados e expansão nos semipesados
Em 2025, a DAF reafirmou sua força no segmento de caminhões pesados. O carro-chefe foi o XF com configuração 6×4 e potência de 530 cv, que se consolidou como o modelo mais vendido da marca e alcançou a terceira posição no ranking nacional da categoria, feito destacado pelo diretor Luis Gambim.
Outro modelo da linha, o XF com configuração 6×2 e potência de 480 cv, também figurou entre os mais vendidos do país. Esses modelos somaram cerca de seis mil unidades e garantiram uma presença sólida da DAF no segmento de pesados, complementou o executivo.
Paralelamente, a montadora observou o dinamismo em outra frente. O segmento de semipesados apresentou crescimento de 5,4% no ano, puxado por veículos 4×2 com motores de menor cilindrada. Esse movimento sinalizou uma oportunidade clara. O crescimento ocorreu em segmentos onde ainda não tínhamos presença completa. Por isso, nosso foco agora é expandir o portfólio para atender essas aplicações, explica o diretor comercial.
Move Brasil: um vetor de previsibilidade para 2026
Num cenário macroeconômico que ainda demanda cautela, a implementação do Programa Move Brasil surge como um fator externo de otimismo. Gambim vê a iniciativa, construída em conjunto pela Anfavea e pelo governo federal, como um elemento positivo e estruturante.
O programa foi construído olhando todas as pontas do setor, do transportador autônomo às grandes frotas. Já existem muitos negócios concretizados, com representatividade significativa frente a outras linhas de crédito que o nosso banco, a PACCAR Financial, oferece ao mercado, relata.
E completa: O Move Brasil representa um fator novo e positivo, incentivando a troca de caminhões e a modernização das operações, o que deve trazer maior previsibilidade ao mercado.
Pós-venda estratégico: monetização e fidelização multimarcas
Uma das apostas da DAF no Brasil é o fortalecimento do pós-venda como fonte de receita e fidelização de clientes. A atuação da marca nesse campo inclui o DAF Multisuporte, com planos de manutenção para caminhões da marca dentro e fora do período de garantia.
Outro diferencial é a linha TRP, divisão da PACCAR Parts responsável pela comercialização de peças e acessórios para caminhões DAF fora da garantia e multimarcas.
Recebemos caminhões de outras marcas nas concessionárias e oferecemos peças com qualidade e garantia, mantendo o cliente próximo da nossa rede, explica Gambim.
Segundo o executivo, a estratégia amplia o relacionamento com clientes multimarcas e fortalece a presença da DAF no mercado de reposição, além de contribuir para a redução do custo total de operação dos transportadores.
Um marco de diversidade: liderança feminina à frente da transformação
Larisa Gambrell, presidente da DAF Caminhões Brasil
O ano de 2025 reservou à DAF um reconhecimento que vai além dos números: a conquista do prêmio Liderança do Ano da Automotive Business, que teve como protagonista Larisa Gambrell, presidente da operação brasileira.
Este prêmio destacou um marco histórico para o setor, tradicionalmente liderado por homens.
Larisa é a primeira mulher presidente de uma multinacional da indústria de caminhões no Brasil, celebra Luis Gambim. Ela tem uma atuação muito próxima da operação, dos concessionários e dos clientes. Esse prêmio foi recebido com orgulho por toda a equipe.
A liderança de Gambrell é vista internamente como um reflexo de uma cultura organizacional mais moderna e inclusiva, que valoriza diferentes perspectivas para guiar a empresa.
Ter uma mulher à frente de um setor tradicionalmente liderado por homens é motivo de orgulho para todos nós. O prêmio fortalece nossa estratégia e projeta a DAF para um novo momento de crescimento no país, conclui o diretor comercial.
O Carreteiro - SP 04/03/2026
A renovação de frota voltou ao centro das discussões do transporte rodoviário de cargas com o avanço do programa Move Brasil. Em um cenário de juros elevados e mercado retraído, a iniciativa do Governo Federal surge como alternativa para estimular a compra de caminhões novos e seminovos e reduzir a idade média da frota brasileira.
Segundo dados do RNTRC, o Brasil tem cerca de 2,8 milhões de caminhões em circulação, sendo mais de 300 mil com mais de 20 anos de uso, grande parte nas mãos de caminhoneiros autônomos. Esse envelhecimento impacta diretamente a segurança viária, os custos operacionais e as metas de descarbonização do setor.
Move Brasil movimenta R$ 4,2 bilhões
Integrado ao BNDES Renovação de Frota, o Move Brasil disponibilizou inicialmente R$ 10 bilhões para financiar caminhões novos mais eficientes e seminovos fabricados a partir de 2012, desde que atendam às normas ambientais.
Em apenas dois meses, o programa já movimentou R$ 4,2 bilhões. Parte dos recursos foi destinada a caminhoneiros autônomos, público que enfrenta maior dificuldade de acesso ao crédito.
A principal vantagem está na redução das taxas de juros. Enquanto o financiamento tradicional pode superar 20% ao ano, o Move Brasil opera com taxas entre 13% e 14% ao ano, além de carência e prazo estendido para pagamento. A diferença no valor final da parcela chega a ser decisiva para fechar negócio.
Renovação de frota: autônomos ganham acesso ampliado
Um dos diferenciais do Move Brasil é a reserva de recursos para caminhoneiros autônomos e cooperados. Além do financiamento de veículos novos, o programa contempla seminovos, ampliando as possibilidades de renovação para quem opera com menor capital.
A expectativa é de que o acesso a crédito mais barato reduza a idade média da frota e aumente a eficiência logística, com ganhos em consumo de combustível, segurança e emissões.
Política permanente?
Apesar dos resultados iniciais positivos, o futuro do programa ainda depende de tramitação no Congresso. Representantes da indústria defendem que a renovação de frota seja tratada como política pública estrutural, garantindo previsibilidade ao setor.
A combinação entre crédito acessível, modernização tecnológica e incentivo à indústria nacional é vista como fundamental para sustentar o mercado de caminhões em 2026 e avançar na competitividade do transporte rodoviário brasileiro.
De acordo com vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o governo estuda a criação de um programa perene, sustentado por dois fundos, um vinculado ao Ministério dos Transportes e outro à Petrobras, com o objetivo de garantir a equalização contínua das taxas de juros.
Indústria vê retomada no primeiro semestre
Montadoras avaliam que o programa chega em momento estratégico, especialmente após um 2025 marcado por retração no segmento de pesados e extrapesados.
Para fabricantes como a Volkswagen Caminhões e Ônibus, Scania, Mercedes-Benz, Iveco, DAF Caminhões e Volvo Caminhões, a redução no custo do crédito já estimula a antecipação de compras e melhora o fluxo nas concessionárias.
O impacto tende a ser mais forte no primeiro semestre, com possível acomodação após o término dos recursos. Ainda assim, executivos do setor defendem que a iniciativa vá além de uma medida temporária.
Volkswagen Caminhões e Ônibus: redução de até 35% no custo do crédito
Para a montadora, o diferencial do Move Brasil está na queda expressiva do custo financeiro. A taxa mensal próxima de 1,05% representa redução de até 35% em relação ao CDC tradicional.
Para Ricardo Alouche, vice-presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, o grande diferencial está no custo financeiro. “O programa chegou em um momento muito oportuno. A redução da taxa já está aquecendo as vendas e estimulando a antecipação de compras. O desafio, agora, é ajustar produção e estoques diante da possível elevação da demanda”, disse
Scania: fôlego após desaceleração
Para Alex Nucci, diretor da Scania, o alto custo do crédito era o principal entrave do setor. “Quando você reduz de 18% ou 20% para algo em torno de 13% ao ano, a diferença na parcela é extremamente relevante. Isso devolve fôlego ao mercado. A expectativa é de recuperação principalmente no segmento de pesados, que vinha registrando retração”, opinou.
A montadora vê o programa como economicamente racional e com potencial para se tornar permanente, sem distorções artificiais. O segmento de pesados deve ser um dos principais beneficiados.
Mercedes-Benz: renovação é questão estrutural
Para a Mercedes-Benz, o programa vai além de estímulo pontual às vendas. A empresa destaca que mais de 300 mil caminhões com mais de 20 anos circulam no País, o que reforça a urgência da modernização.
A marca considera fundamental manter linhas de crédito atrativas, especialmente para caminhoneiros autônomos, e defende que a renovação de frota seja tratada como política pública permanente.
Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, destaca que o debate vai além das vendas. “Falar em renovação de frota é falar, obrigatoriamente, em crédito viável. O Move Brasil torna essa modernização factível para frotistas e autônomos.”
Iveco: programa chega à ponta
Na avaliação da Iveco, o Move Brasil conecta governo, indústria e rede de concessionárias, garantindo que o crédito chegue efetivamente ao transportador.
A montadora destaca que o programa responde a três desafios simultâneos: juros elevados, retração nas vendas e envelhecimento da frota. O impacto é esperado tanto nos pesados quanto nos leves e médios, beneficiando também operações urbanas e regionais.
Para Marco Pacheco, diretor comercial da montadora, o programa responde diretamente às dificuldades do setor. “Ao criar condições reais de acesso ao crédito, o Move Brasil destrava o mercado e viabiliza a renovação da frota.”
DAF Caminhões: crédito viável destrava decisões
Luis Gambim, diretor Comercial da DAF, avalia que o programa reconhece o caminhão como ferramenta estratégica para o desenvolvimento do País. “Com taxas mais acessíveis que o patamar atual da Selic, o Move Brasil destrava decisões de compra que estavam represadas”, destaca.
A expectativa é de recuperação nos segmentos de semipesados e pesados, especialmente impulsionada pelo agronegócio.
Volvo Caminhões: antecipação de compras no curto prazo
A Volvo avalia que o programa ganhou tração a partir da plena operação das linhas nos bancos. A redução da taxa anual gera impacto relevante na parcela e tem provocado corrida ao crédito.
A montadora, porém, pondera que parte do movimento pode representar antecipação de compras, com possível acomodação após o término dos recursos, reforçando a importância de previsibilidade para o setor. “Quando você compara uma taxa de mercado acima de 20% com algo próximo de 13%, o impacto é muito relevante. Isso gera uma corrida para aproveitar o momento”, avalia Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo Caminhões.
Diário do Comércio - MG 04/03/2026
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai reajustar todas as faixas do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Na maior faixa, voltada à compra da casa própria pela classe média, o limite de renda da família vai subir de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
A mudança foi antecipada pelo ministro Jader Filho (Cidades) em entrevista à Folha de S.Paulo no fim de janeiro. Nesta terça-feira (3), o Executivo formalizou a proposta em reunião do grupo técnico de apoio ao conselho curador do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), composto por representantes de trabalhadores, empregadores e governo.
Pela proposta, a faixa 1 do programa terá o limite de renda ampliado de R$ 2.850 para R$ 3.200. Nessa faixa, as famílias têm acesso a moradias subsidiadas pelo governo, com recursos do Orçamento transferidos ao FAR (Fundo de Arrendamento Residencial).
Nas demais faixas, as famílias podem financiar a casa própria com juros menores que os de mercado, com recursos do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal.
Na faixa 2, o limite de renda sobe de R$ 4.700 para R$ 5.000. Na faixa 3, o teto aumenta de R$ 8.600 para R$ 9.600. Na modalidade voltada à classe média, o limite sobe de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
Para entrar em vigor, a mudança ainda precisa ser aprovada pelo conselho curador do FGTS.
O governo também propôs ampliar o valor dos imóveis passíveis de financiamento por meio do programa. Na faixa 3, o limite passa de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Já na modalidade classe média, o teto sobe de R$ 500 mil para R$ 600 mil.
O Minha Casa, Minha Vida é uma importante vitrine da gestão petista, sobretudo em ano eleitoral.
Na atual gestão, Lula determinou a criação de uma nova faixa de renda dentro do programa, que até então contemplava apenas famílias com renda de até R$ 8.600 (faixa 3). No ano passado, o governo lançou a modalidade classe média, a partir da injeção de R$ 15 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para operações de financiamento do programa.
O foco do governo é alavancar a compra da casa própria pela classe média, que enfrenta um gargalo diante da alta de juros e da escassez de recursos da poupança, uma das principais fontes de financiamento barato para o setor imobiliário.
Como as linhas do Minha Casa, Minha Vida têm taxas de juros reduzidas, a maior abrangência do programa daria um alívio significativo para essas famílias, com efeito indireto sobre aquelas que ganham acima do teto do programa, uma vez que a disputa pelos recursos da poupança ficaria menos acirrada.
No fim do ano passado, o governo também anunciou um novo modelo de financiamento imobiliário, dando mais flexibilidade aos bancos no uso dos recursos da poupança, numa tentativa de impulsionar o crédito habitacional no país.
Veja - SP 04/03/2026
Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) tira o sono das construtoras e incorporadoras que atuam na cidade de São Paulo. Em 24 de fevereiro, a corte concedeu uma liminar à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado e suspendeu as emissões de alvarás de construção no município. Na prática, isso significa que as empresas estão impedidas de iniciar novas obras no maior mercado imobiliário do país. No ano passado, foram lançadas quase 140 000 unidades residenciais na cidade, que somaram 82 bilhões de reais em vendas, de acordo com o balanço apresentado nesta terça-feira 3 pelo Secovi-SP, que representa as incorporadoras paulistas.
Agora, a liminar coloca em risco parte dos empreendimentos previstos para este ano. Segundo a Abrainc, que representa nacionalmente as incorporadoras, antes da polêmica suspensão determinada pelo TJ-SP, o setor esperava lançar 150 000 unidades na capital paulista em 2026, cujo valor geral de vendas alcançaria 90 bilhões de reais. Na ação, os procuradores argumentam que a Lei de Zoneamento aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo em julho de 2024 contém “vícios” que acarretam sua nulidade, tais como a rapidez com que a matéria tramitou, o que teria atropelado os estudos técnicos e as audiências públicas para que a população se manifestasse.
Os procuradores acrescentam que o texto original continha apenas quatro artigos. Durante a tramitação, os vereadores apresentaram diversos substitutivos expandindo a redação inicial e extrapolando, segundo a procuradoria paulista, os objetivos do zoneamento.
O setor se movimenta para reverter a decisão. Em comunicado divulgado hoje, o Secovi-SP afirma que “essa medida afeta não apenas as edificações novas do setor imobiliário, mas todo e qualquer alvará, gerando impactos incalculáveis para a economia da cidade e do setor”. Segundo a entidade, foram realizadas reuniões com a Prefeitura de São Paulo e com a Câmara Municipal, órgãos responsáveis pelas providências jurídicas para reverter a suspensão. Além disso, nos encontros com as autoridades, os representantes do setor imobiliário apresentaram numerosos dados às autoridades que comprovam os efeitos citados pelas afetadas.
A suspensão, que abrange toda a cidade de São Paulo, é provisória e vale até o julgamento de mérito da ação pelo Órgão Especial do TJ-SP, que ainda solicitará informações à Prefeitura e outros órgãos antes da decisão final. Ela também afeta demolições de imóveis, corte de árvores e especialmente lotes e quadras impactados pelas mudanças de zoneamento de 2024, mas não paralisa obras já em andamento ou alvarás previamente concedidos.
Revista Ferroviaria - RJ 04/03/2026
Metrô CPTM O primeiro trem de média velocidade do Brasil, que operará no serviço Trem Intercidades (TIC) entre São Paulo, Jundiaí e Campinas, será baseado em um modelo já em circulação no Chile. É o que sugerem as imagens divulgadas pelo governo do estado e pela concessionária TIC Trens nesta segunda.
Ignorado pelo comunicado oficial, focado apenas apresentar o layout externo das composições com pérolas como percepção de velocidade, fluidez e futurismo, o governo e a concessionária não citaram que o modelo das imagens de computador é um trem com características similares ao SFB-500, fabricado pela chinesa CRRC Sifang para a estatal chilena EFE.
O material rodante usado no Chile tem configuração de quatro carros, 104 metros de comprimento e velocidade máxima operacional de 160 km/h. A composição possui capacidade para 236 passageiros sentados e pode operar em unidade múltipla, permitindo o acoplamento de dois trens e a formação de composições de oito carros.
No Chile, o SFB-500 é utilizado no serviço inter-regional entre Santiago e Chillán e entrou em operação em 2024. Trata-se de um trem bimodal, capaz de alternar entre alimentação elétrica por catenária de 3 kV e geração própria a diesel, característica que permite circulação em trechos não eletrificados. O projeto inclui redundância de pantógrafos e de sistemas de geração, além de tração assíncrona com inversores eletrônicos. No caso da TIC Trens, os trens irão operar apenas com alimentação elétrica por catenária.
As especificações técnicas indicam potência instalada de 3.000 kW, aceleração de 0,7 m/s² e sistema de frenagem com desaceleração de 0,9 m/s², podendo chegar a 2,5 m/s² em frenagem de emergência. O peso total informado é de 207,1 toneladas por composição.
Trens da sócia CRRC
Internamente, o modelo conta com três sanitários por trem, sendo um adaptado para pessoas com mobilidade reduzida, carro com serviço de cafeteria, climatização independente para salão de passageiros e cabines de condução, portas deslizantes com degrau retrátil automático e sistema de controle e monitoramento TCMS. Há ainda circuito interno de câmeras, câmeras frontais com transmissão de dados e sensores de fumaça e incêndio.
O Trem Intercidades Eixo Norte terá oito composições desse tipo para o serviço expresso entre a capital e Campinas. A TIC Trens tem como sócios o Grupo Comporte e a própria CRRC.
Além dos trens expressos, a fabricante chinesa deverá fornecer a frota do Trem Intermetropolitano, que ligará Jundiaí a Campinas com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos. Espera-se que essas composições sejam semelhantes aos trens da Série 2500 usadas na Linha 13-Jade.
Portal Fator Brasil - RJ 04/03/2026
Os recuros devem chegar aos R$ 42,5 bilhões para o setor.
Com recursos estimados em R$ 42,5 bilhões até 2030, a retomada dos investimentos na indústria naval brasileira tende a impulsionar não apenas estaleiros e armadores, mas também empresas da cadeia de suprimentos técnico-industrial. O movimento inclui a utilização de R$ 10,5 bilhões do Fundo da Marinha Mercante(FMM) e o Programa de Renovação e Ampliação de Frota lançado pela Petrobras, que prevê a contratação de oito navios gaseiros e quatro embarcações da classe handy.
Entre os segmentos que devem sentir o impacto está o de sistemas elétricos embarcados. A PCE Engenharia, especializada na fabricação de painéis elétricos e instalações para esse segmento de embarcações, projeta um crescimento de aproximadamente 10% na demanda já a partir de 2026.
Com mais de 16 anos de atuação no setor naval, a empresa fornece painéis elétricos e de instalações elétricas para rebocadores, empurradores e embarcações de apoio, utilizados tanto no transporte de grãos em hidrovias quanto na operação portuária. Esses painéis são responsáveis pela gestão da geração e consumo de energia, acionamentos das mais diversas cargas e serviços auxiliares de bordo. A escolha do fornecedor confiável para estes equipamentos é função crítica para a segurança e o funcionamento da embarcação.
—Nossos diferenciais são a nossa experiência e domínio das diversas normas e exigências técnicas de certificadoras, bem como a implementação destes projetos usando componentes de altíssima qualidade e aplicando mão-de-obra especializada tanto no desenvolvimento dos painéis quanto nas instalações de bordo. Para o armador, isso é garantia de qualidade e confiança— afirma Paulo Netz, diretor da PCE Engenharia.
Segundo a empresa, a certeza de que os equipamentos construídos pela PCE passam com êxito por processos rigorosos de avaliação e aprovação de certificação é determinante para armador escolher um bom parceiro em um setor no qual falhas elétricas podem comprometer a operação e até colocar a embarcação à deriva.
O novo ciclo de investimentos reforça a importância de fornecedores tecnicamente preparados para atender às exigências de segurança e confiabilidade da indústria naval.
Jornal de Brasília - DF 04/03/2026
O primeiro bloco de leilões portuários de 2026 garantiu R$ 55,17 milhões em investimentos para o Terminal NAT01, localizado no Porto de Natal, no Rio Grande do Norte. O terminal foi arrematado pela empresa Fomento do Brasil Mineração S.A. e ocupará uma área de 20.368,15 m², com contrato de arrendamento de 15 anos focado na movimentação de granéis sólidos minerais.
Com capacidade dinâmica anual projetada para 1,8 milhão de toneladas, o novo terminal deve gerar 52 empregos diretos e ampliar a eficiência operacional do porto potiguar, fortalecendo a logística regional e a competitividade das exportações.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou que o projeto reforça o compromisso do Governo Federal com o desenvolvimento regional. “O Porto de Natal tem papel estratégico para o Rio Grande do Norte e para o Nordeste. Com o NAT01, ampliamos a capacidade logística, estimulamos a atividade econômica e criamos condições para que o estado continue expandindo suas exportações e atraindo novos investimentos”, afirmou.
O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, enfatizou que o arrendamento amplia a estrutura do Porto de Natal. “Estamos falando de um terminal preparado para movimentar até 1,8 milhão de toneladas por ano, com investimentos em infraestrutura, equipamentos modernos e melhorias ambientais. Isso significa mais eficiência logística e maior capacidade de resposta às demandas produtivas da região”, disse.
Dos investimentos totais, cerca de R$ 31,4 milhões serão destinados a obras civis, incluindo pavimentação em concreto armado, instalação de sistema de drenagem para tratamento de efluentes de minério, construção de barreira de vento de 11 metros e implantação de edificações de apoio, como prédio administrativo, oficinas, guaritas e sistemas de tratamento de água e esgoto.
Outros R$ 24,6 milhões serão aplicados na aquisição de equipamentos, como carregador móvel de navios e carregador móvel auxiliar (ambos com capacidade de até 2 mil toneladas por hora), seis pás carregadeiras, balanças rodoviárias, sistema de lava-rodas, canhões de névoa para umidificação, máquina varredeira e tanque de diesel.
O Porto de Natal se destaca na exportação de grãos e frutas, que responderam por quase 80% da movimentação total em 2025. Nesse ano, o complexo movimentou 495 mil toneladas de cargas, um crescimento de 21,1% em relação ao anterior, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
As exportações cresceram 76,14%, enquanto as importações avançaram 16,19%. A movimentação de longo curso somou 487 mil toneladas, alta de 38,2%. Entre as principais cargas de 2025 estavam trigo (50,2% do total), frutas (27,6%), contêineres (14,5%) e açúcar (6%).
O arrendamento do NAT01 integra um conjunto de investimentos no Porto de Natal, incluindo dragagem do canal de acesso, obras de proteção na Ponte Newton Navarro e estudos para o Porto-Indústria Verde, voltado à economia sustentável e à energia eólica offshore.
Valor - SP 04/03/2026
“O Brasil é visto como fonte segura de petróleo para o mundo”, afirma o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa
O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, disse, nesta terça-feira (3), que o Brasil pode se tornar mais atrativo na indústria do petróleo por estar fora da área de conflito entre Estados Unidos e Irã. Mas, por ser ainda um momento inicial da guerra, não há como precisar volumes, na visão dele.
“O Brasil é visto como fonte segura de petróleo para o mundo”, disse o executivo em entrevista coletiva. “Ainda é cedo para estimar as cotações do petróleo. A expectativa é de um petróleo mais alto nas próximas semanas, especialmente se infraestruturas de óleo e gás naquela região forem impactadas.”
Questionado, o executivo disse que a Shell não sofreu impactos em cargas neste momento por conta do conflito. Segundo ele, a empresa tem priorizado garantir a segurança dos profissionais na região do Oriente Médio.
Investimentos da Shell no Brasil
Segundo Pinto da Costa, a Shell teve um recorde de investimentos no Brasil em 2025, de R$ 12,5 bilhões. A companhia não abre os investimentos dos anos anteriores, mas afirmou que estavam em níveis de US$ 1 bilhão.
A Shell bateu recorde de produção, em fevereiro, de 495,9 mil barris de óleo equivalente em um dia, segundo o executivo. “Estudamos fazer poços exploratórios nos próximos 12 a 24 meses na Bacia de Sul de Santos. Decisão ainda não está tomada, mas expectativa é positiva”, disse.
Sobre eleições deste ano, Pinto da Costa afirmou que o resultado do pleito não afeta decisões estratégicas da empresa no Brasil, que faz investimentos a longo prazo. “A maior preocupação no Brasil é estabilidade fiscal e regulatória, além da celeridade de licenciamento ambiental”, afirmou.
IstoÉ Dinheiro - SP 04/03/2026
O petróleo fechou em alta acima de 4% nesta terça-feira, 3, minimizando ganhos depois de saltar acima de 9% pela manhã. Continua a disputa de narrativas sobre o Estreito de Ormuz, com o Irã ameaçando atacar navios e levantando temores que atingiram o setor de seguros, enquanto os EUA buscam mitigar a alta dos preços de energia. No final da sessão, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a marinha poderá escoltar navios pelo Estreito e que ordenou o fornecimento de seguros a “preço razoável”.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 4,7% (US$ 3,33), A US$ 74,56 o barril. Já o Brent para maio subiu 4,7% (US$ 3,66), a US$ 81,40 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Mais cedo, ambos renovaram os maiores níveis desde junho de 2025 e de julho de 2024. No pregão eletrônico, às 16h55 (horário de Brasília), o WTI subia 2,53%, a US$ 73,03 e o Brent 2,80%, a US$ 79,92.
Dois dias após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o Brent subiu 1%. Em contraste, dois dias após os EUA lançarem ataques contra o Irã, a alta foi de 15%. Este é um choque absolutamente gigantesco que está se propagando pelos mercados globais, com condições de desordem estão se instalando, alerta o economista Robin Brooks, do Brookings Institute.
O Société Générale levantou algumas questões: duração do conflito, quem será o próximo líder do Irã e por quanto tempo o Estreito de Ormuz será fechado. “O consenso foi de que o conflito durará menos de um mês, o novo líder iraniano será outro linha-dura, os preços do Brent subirão para US$ 90-100 por barril e o Estreito de Ormuz ficará fechado (ou inacessível devido aos custos do seguro) por apenas alguns dias”, apontou.
A Saudi Aramco estuda enviar mais cargas para Yanbu, porto no Mar Vermelho fora do Golfo Pérsico, onde dezenas de navios estão ancorados enquanto o Estreito de Ormuz segue fechado. A petroleira saudita costuma exportar quase todo o seu petróleo bruto por terminais no Golfo.
Já o Iraque afirmou que os cortes na produção de petróleo e a suspensão das exportações devido ao fechamento de Ormuz não afetarão as operações da refinaria.
Na Europa, os preços do gás natural Dutch TTF voltaram a disparar 20,4%, enquanto o diesel Low Suphur avançava 9,3%, ambos negociados na ICE, por volta das 16h40 (de Brasília). Nos EUA, o gás natural Henry Hub subia 3,2%, enquanto o diesel Harbor saltava 10,2%.
Veja - SP 04/03/2026
A China importa 38% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, mostram dados consultados por VEJA nesta terça-feira, 3, via Agência de Administração de Informação Energética dos EUA (EIA, na sigla em inglês). De acordo com o órgão, 5,4 milhões de barris por dia consumidos pelo país vieram pelo estreito no primeiro trimestre de 2025. No período, a via escoou, em média, 14,2 milhões de barris diários.
A Índia é o segundo maior destino do petróleo transportado pela região, com 14,78% do total — o equivalente a 2,1 milhões de barris por dia. A Coreia do Sul adquiriu 1,7 milhão de barris diários (12%), enquanto o Japão respondeu por 11,3% do volume, ou 1,6 milhão de barris por dia.
Os números ganham relevância após a Guarda Revolucionária do Irã anunciar o fechamento do estreito e afirmar que qualquer navio que tentar romper o bloqueio será incendiado. A decisão ocorre em meio à escalada das tensões após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano no fim de semana.
“O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, disse Ebrahim Jabari, conselheiro sênior da corporação, em comunicado divulgado pela imprensa estatal.
Mesmo antes do anúncio oficial, o tráfego marítimo já havia sido praticamente interrompido. Seguradoras ameaçaram cancelar coberturas e elevar prêmios diante da escalada do conflito, que já deixou ao menos quatro petroleiros danificados, dois mortos e cerca de 150 navios retidos na região. Empresas como Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club informaram que os cancelamentos passariam a valer a partir de 5 de março, conforme avisos publicados em 1º de março em seus sites.
Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa pelo estreito, rota estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica. A passagem tem 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, com faixas de navegação de apenas 3 quilômetros em cada sentido.
Diante desse cenário, os contratos futuros do petróleo Brent para maio avançavam 2,3%, a 79,53 dólares por barril. “A impossibilidade de o petróleo transitar por um ponto de estrangulamento relevante, mesmo que temporariamente, pode provocar atrasos significativos no fornecimento e elevar os custos de transporte, pressionando os preços globais de energia”, afirmou a EIA em nota publicada em seu site.
Para Helder França, professor da Fipecafi, o fechamento de Ormuz não deve gerar impacto imediato sobre esses países, já que os principais compradores possuem reservas significativas capazes de amortecer pressões inflacionárias nos próximos meses. “Ainda assim, é possível uma elevação global dos preços, por se tratar de uma região com infraestrutura consolidada, o que reacende o debate sobre a necessidade de diversificar a matriz energética com fontes renováveis e sustentáveis”, afirma.
Em síntese, a paralisação da navegação no Estreito de Ormuz atinge diretamente a China, um dos principais parceiros comerciais do Irã. O efeito, porém, tende a não ser imediato. Quanto mais tempo o bloqueio perdurar, maior a probabilidade de que China e demais países asiáticos sintam os reflexos no setor de petróleo.
TN Petróleo - RJ 04/03/2026
A Petrobras e os parceiros do Consórcio de Libra investirão cerca de R$151 milhões no projeto Libra Rocks para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e a criação de modelos geológicos conceituais a serem aplicados em Mero, terceiro maior campo da Petrobras, localizado no pré-sal da Bacia de Santos. O Libra Rocks estabelece parceria estratégica entre o Consórcio e a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
“O Libra Rocks tem potencial para reduzir incertezas na curva de produção, aumentar a eficiência no gerenciamento de reservatórios, otimizar a locação de novos poços e aprimorar o conhecimento sobre o timing de entrada do CO2 e carga de óleo no reservatório”, avalia o Gerente Executivo de Libra, Bruno Moczydlower.
Segundo Bruno, o projeto, com duração de quatro anos, promete transformar a abordagem científica e tecnológica na área de exploração e produção de petróleo.
Os conhecimentos adquiridos poderão ser aplicados diretamente na área de negócios, com potencial para aumentar o fator de recuperação e aumento de eficiência no gerenciamento de reservatórios.
Entre as principais inovações, destaca-se o uso de inteligência artificial para o desenvolvimento de algoritmos capazes de automatizar o processamento de dados geológicos. A tecnologia permitirá a construção de modelos conceituais detalhados das rochas carbonáticas da área de Libra, assim como formas de analisar rochas com métodos diferentes dos empregados atualmente.
A iniciativa visa estudar a origem, composição, estrutura e transformação das rochas, para compreender características como a distribuição dos poros (espaços vazios), e a permeabilidade (a capacidade de permitir a passagem de fluidos). Além disso, aumentar o conhecimento sobre a evolução geológica relacionada à abertura do Atlântico Sul, decorrente da separação entre o Brasil e a África. A utilização de equipamentos de alta precisão e métodos modernos permitirá análises detalhadas e resultados mais confiáveis, consolidando o campo de Mero como referência em inovação e tecnologia no setor de petróleo e gás.
Outro destaque é a “Rocha Digital”, que consiste na utilização de imagens de altíssima resolução para criar réplicas 3D de amostras de rochas, ampliando a capacidade de caracterização de rochas reservatório de petróleo.
O reservatório do campo está entre os mais estudados no Brasil devido ao seu potencial produtivo e desafios tecnológicos. Localizado a profundidades que variam de 5.000 a 6.000 metros abaixo do nível do mar, e em lâminas d’água de 1.800 e 2.000 m, destaca-se por condições singulares, como alta salinidade e elevado teor de CO2. Sua formação é composta principalmente por rochas carbonáticas originadas há aproximadamente entre 125 e 113 milhões de anos. Essas rochas apresentam alta porosidade e boa permeabilidade, características que favorecem o armazenamento e o fluxo de petróleo. Essas particularidades reforçam a importância de aprofundar os estudos sobre as características rochosas da região para otimizar a produção e superar os desafios do setor. Além disso, os resultados podem gerar conhecimento geológico com potencial para serem aplicados em outros campos da seção pré-sal das bacias de Santos e Campos.
O Libra Rocks, com investimentos oriundos da cláusula de P&D, da ANP, envolverá a aquisição de equipamentos de ponta, mais de 150 pessoas das universidades citadas, incluindo a concessão de mais de 90 bolsas de estudo de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Uma contribuição importante para a geração e manutenção de recursos humanos altamente especializados no Brasil, melhoria do parque tecnológico nacional, além de promover a interação interdisciplinar entre geociências e as áreas de IA, confirmando a permanente contribuição da Petrobras para o incentivo à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no país.
As operações do campo unitizado de Mero são conduzidas pelo consórcio operado pela Petrobras em parceria com a Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC, CNOOC e Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA), como gestora do contrato e representante da União na área não contratada.
Jornal de Brasília - DF 04/03/2026
Dezenas de navios-petroleiros carregados estão parados no golfo Pérsico após o Irã anunciar o fechamento do trafégo pelo estreito de Hormuz, rota por onde passa 20% da produção mundial de petróleo no mundo, nesta terça-feira (3).
A fila começou a se formar no sábado (28) quando os EUA e Israel iniciaram os ataques sobre o Irã, que revidou e atingiu bases militares, portos e outros locais no Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã. O grupo terrorista Hezbollah entrou no conflito no domingo (1º) e o Líbano também passou a ser alvo dos israelenses.
Segundo a agência de notícias Bloomberg, ao menos 40 navios de grande porte transportando cerca de 2 milhões de barris de petróleo cada estão parados no golfo Pérsico, de acordo com dados de rastreamento de navios da Kpler. A plataforma de rastreamento Vortexa mostrou que apenas quatro superpetroleiros trafegavam no domingo (1º). Um dia antes, foram registradas 22 embarcações.
Os navios também viraram alvos dos bombardeios entre os países. Nesta terça, um tanque de combustível no porto comercial de Duqm, em Omã, foi atingido, e um incêndio eclodiu em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais polos petrolíferos da região.
A petrolífera Saudi Aramco anunciou que desviará suas embarcações para o Rio Vermelho, mas ele passa na costa do Iêmen, onde os houthis, que apoiam o regime iraniano, controlam a região. Em janeiro de 2024, uma série de ataques dos rebeldes levou o tráfego marítimo a alterar sua rota entre Europa-Ásia e África pelo Cabo da Boa Esperança, cujo tempo de trajeto é bem maior.
Outras empresas de transporte marítimo já divulgaram que retomarão a rota pelo Cabo da Boa Esperança, mesmo com o tempo e custo maiores.
O ministro da Marinha Mercante da Grécia pediu proteção do transporte marítimo global e dos marinheiros, em meio a uma situação “alarmante” que deixou dezenas de navios retidos no Oriente Médio. “Isso é alarmante e preocupante, e eu gostaria que o transporte marítimo global ficasse de fora dos conflitos de guerra”, comentou Vassilis Kikilias.
“O transporte marítimo global tem a ver com o comércio global, do qual todos precisam. E os marinheiros, é claro, não têm culpa”, destacou. De acordo com o ministro, ao menos dez navios com bandeira grega estavam no golfo Pérsico e outros cinco do lado de fora, com tripulações que incluem dezenas de marinheiros gregos. Mais de 325 navios de interesses gregos estão na região mais ampla.
As taxas de frete marítimo ao redor do mundo também dispararam para um recorde histórico à medida que o conflito se intensificou e Teerã passou a atacar navios que atravessam o estreito.
A situação levará Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã a começar a cortar a produção de petróleo em questão de dias, a menos que consigam encontrar novos navios-tanque para transportar o petróleo que continua sendo extraído do subsolo.
Além do problema com o tráfego dos navios, empresas em todo o Oriente Médio anunciaram a interrupção de produção de petróleo e GNL (gás natural liquefeito).
A QatarEnergy, companhia estatal de energia do Qatar, anunciou nesta terça-feira (3) que interromperá a produção de produtos como alumínio, ureia, polímeros, metanol e outros produtos. O anúncio ocorre um dia depois de a empresa paralisar a produção de GNL, o que levou o preço do produto a subir mais de 45% na segunda-feira (2).
O país é responsável pelo fornecimento de 20% das negociações em todo o mundo. A maior parte do GNL qatariano vai para a Ásia, mas parte também segue para a Europa, que depende inteiramente de importações para suas necessidades de petróleo e gás.
Espera-se que a Europa corra para repor estoques, esgotados por um inverno rigoroso, e precisará depender ainda mais do gás americano, após rejeitar o gás russo depois da invasão da Ucrânia em 2022.
A Arábia Saudita suspendeu a produção em sua maior refinaria doméstica, enquanto Israel e o Curdistão iraquiano também interromperam parte de sua produção de gás e petróleo.
A Índia, um dos países mais dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio, afirmou que começou a racionar o fornecimento de gás para indústrias após a interrupção da produção do Qatar.
ESCASSEZ DE NAVIOS-TANQUE FORÇARÁ CORTES NA PRODUÇÃO
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã precisarão começar a cortar a produção de petróleo em questão de dias, a menos que consigam encontrar novos navios-tanque para transportar o petróleo que continua sendo extraído do subsolo.
Especialistas em segurança estão tentando avaliar quantos mísseis e drones o Irã ainda possui para manter a intensidade de seus ataques.
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Kuwait conseguiram até agora interceptar a maioria dos mísseis e drones que visavam instalações de energia, portos e aeroportos, mas crescem as preocupações sobre se seus estoques de sistemas antidrone e antimísseis estão se esgotando.
Exame - SP 04/03/2026
Os preços do gás natural nas regiões da Ásia e da Europa registraram uma forte alta após a expansão dos conflitos no Oriente Médio envolvendo o Irã, que resultou na paralisação do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais vias de escoamento de petróleo do mundo.
O valor do gás natural superou os 58 euros por megawatt-hora (MWh) na manhã desta terça-feira, 3, segundo dados do Dutch TTF Natural Gas Futures compilados no Investing.com. O preço avançava 31% por volta das 6h47. Na semana, acumulava variação de 88,74%.
A escalada atingiu um ponto crítico com a interrupção da produção de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, após ataques iranianos contra a instalação de produção de Ras Laffan, considerada a principal infraestrutura do país para esse setor, de acordo com fontes ouvidas pelo Financial Times (FT).
A interrupção no fornecimento traz à tona o receio de uma crise energética similar à ocorrida em 2022, quando a redução dos fluxos de gás russo para a Europa, em decorrência da guerra na Ucrânia, provocou picos de preços que impactaram economias globais.
Dimensão do choque e comparação histórica
A perda anual de suprimento da Rússia foi de aproximadamente 80 bilhões de metros cúbicos, enquanto a crise atual no Oriente Médio com o fechamento do Estreito de Ormuz e a paralisação de dois campos de gás israelenses pode retirar cerca de 120 bilhões de metros cúbicos do mercado global.
Apesar do volume preocupante, o impacto real dependerá da duração do conflito, segundo analistas ouvidos pelo FT. Somente um conflito prolongado poderia ter um efeito comparável ao da guerra na Ucrânia, segundo a especialista da Argus Media, Natasha Fielding.
Até o momento, a alta de preços é considerada moderada em comparação ao pico histórico, tendo em vista que o benchmark europeu ultrapassou os 343 euros por MWh em 2022.
A importância estratégica do Catar
O Catar consolidou-se como o segundo maior player global de GNL, respondendo por cerca de 20% do suprimento mundial. Como o país possui poucos gasodutos, a vasta maioria de sua produção é exportada via navios especializados, o que torna vital a livre circulação por Ormuz.
Os analistas da FT indicam, ainda, que o GNL funciona como um definidor de preços marginal crucial. Qualquer evento que afete esse mercado repercute diretamente nos índices da Europa e da Ásia, explicou o chefe de análise de energia do grupo de pesquisa ICIS, Andreas Schroeder.
"Os exportadores americanos estão claramente se beneficiando."Andreas Schroeder, chefe de análise de energia do grupo de pesquisa ICIS
Conforme dados de rastreamento de navios da Kpler Insight citados por Schroeder, o Paquistão recebeu 99% de suas importações de GNL do Catar e dos Emirados Árabes Unidos em 2025, enquanto Índia e Bangladesh dependem da região para mais de metade de suas necessidades.
Na Europa, embora a dependência média do GNL catariano seja de 10%, países como a Itália importam cerca de um terço de suas necessidades desse fornecedor, o que levou o governo italiano a realizar reuniões de emergência com grupos empresariais, segundo os dados divulgados pelo FT.
Substituição de suprimentos no mercado
As informações mostram que a substituição do gás do Oriente Médio não é viável no curto prazo, uma vez que as plantas de GNL ao redor do mundo já operam em capacidade máxima. Diante da escassez, países como a China pediram a desaceleração do conflito para evitar danos ao crescimento econômico global.
O setor de pesquisa da S&P Global Energy prevê, ao FT, que alguns mercados possam retomar o uso de usinas a carvão caso os preços permaneçam elevados.
A pesquisadora da Universidade de Columbia, Anne-Sophie Corbeau, detalhou que novos projetos, como a instalação de Golden Pass nos Estados Unidos (EUA), devem entrar em operação de forma progressiva e demorarão a atingir a produção total. Paradoxalmente, a crise beneficia outros grandes produtores.
Exportadores dos EUA, o maior exportador mundial de GNL, estão obtendo margens elevadas devido à alta da demanda internacional. Como os contratos americanos costumam ser mais flexíveis em termos de destino, os comerciantes podem desviar cargas para mercados mais lucrativos.
Outros países como Noruega, Argélia e Azerbaijão também devem se beneficiar da restrição de oferta. Por outro lado, a Comissão Europeia, por meio de sua porta-voz Anna-Kaisa Itkonen, afirmou ao FT que, apesar do monitoramento, ainda não há uma situação de escassez ou emergência declarada no bloco.
Infomoney - SP 04/03/2026
O bloqueio do Estreito de Ormuz, que praticamente interrompeu a passagem de embarcações desde o último domingo (1º), causou uma contagem regressiva crítica para o mercado de energia: o limite de armazenamento de alguns produtores de petróleo do Golfo Pérsico está próximo do fim, o que deve forçar cortes drásticos na produção, segundo relatório do JPMorgan. O banco acredita que pode haver reduções mais extensas – dobrando os cortes de produção em quatro dias.
O banco estima que o Iraque e o Kuwait tenham, respectivamente, apenas três e 14 dias de reserva antes de interromperem o fornecimento de óleo bruto. Segundo o relatório, essa é uma estimativa conservadora, pois exclui alguns locais de armazenamento de produtos e navios de lastro não designados dentro do Golfo Pérsico. Neste caso, eles poderiam ser redirecionados para qualquer um dos países.
“Alguns relatórios sugerem que apenas seis a doze VLCC (Navios Petroleiros de Grande Porte) estão disponíveis para reserva”, diz o documento.
Mesmo assim, de acordo com os analistas, se o bloqueio continuar, o mercado sofrerá um corte de oferta muito mais rápido. As projeções indicam que as paralisações podem saltar de 3,3 mbd (milhões de barris por dia) no oitavo dia de conflito para 4,7 mbd no 18º dia.
Relatórios de terça-feira (3) já confirmam que o Iraque cortou a produção em cerca de 1,5 mbd, com interrupções em campos como Rumaila e West Qurna-2.
Ataques à infraestrutura
A crise ganhou novos contornos com ataques diretos a pontos estratégicos. Um incêndio atingiu o centro logístico de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, após a interceptação de um drone. O local é um ponto estratégico que abriga refinarias e tanques de armazenamento, e o incidente ajudou a empurrar o preço do barril de petróleo tipo Brent para a casa dos US$ 85.
“Velocidade e decisão são críticas, pois o aperto nas restrições de armazenamento significa que atrasos se traduzirão rapidamente em paralisações forçadas”, afirmam os analistas do JPMorgan. O banco sugere que a administração dos EUA poderia intervir para reabrir os fluxos combinando escoltas navais com seguros contra riscos de guerra garantidos pelo governo, reduzindo o risco físico e financeiro do trânsito.
Navios “fantasmas”
Atualmente, o transporte marítimo através de Ormuz está efetivamente paralisado. Com exceção de embarcações iranianas, não há travessias confirmadas de petroleiros, embora o relatório aponte que alguns navios tentam transitar com os transponders desligados para evitar detecção.
Um exemplo citado é o petroleiro Pola, do tipo Suezmax (com capacidade de 1 milhão de barris), que desligou seu sinal eletrônico logo após entrar no estreito na madrugada de terça-feira.
“Sem uma solução diplomática ou militar imediata, a falta de espaço para estocar o petróleo produzido obrigará os países do Golfo a lacrar poços, reduzindo drasticamente a oferta global de óleo bruto”, reforça o documento.
IstoÉ Dinheiro - SP 04/03/2026
A direção da Abimaq, entidade que representa a indústria de máquinas e equipamentos, manifestou nesta terça-feira, 3, preocupação com os possíveis efeitos de um prolongamento do conflito no Irã tanto nos mercados internacionais quanto nos investimentos em bens de capital no Brasil, especialmente no setor agrícola.
Mais do que aumento nos custos de insumos e do frete, a maior preocupação é com o transporte de cargas que passam pelo Estreito de Ormuz. Presidente da câmara setorial de máquinas e implementos agrícolas na Abimaq, Pedro Bastos comentou que elevações de custos podem ser compensadas por aumento nos preços dos produtos exportados pelos produtores agrícolas.
Já obstruções de rotas marítimas, em função da guerra, podem provocar um impacto substancial no abastecimento de insumos, como fertilizantes e diesel, assim como dificultar vendas ao exterior de produtos agrícolas. Esse cenário, consequentemente, prejudicaria os investimentos em máquinas e equipamentos usados nas lavouras.
“Se houver desabastecimento, fica muito difícil”, afirmou Bastos durante a apresentação do balanço com os resultados do setor de máquinas em janeiro.
Ele acrescentou que, além do impacto na produtividade por falta de insumos no campo, interrupções de rotas logísticas trazem incertezas a exportadores. Ele citou carne e milho entre os produtos que podem ter vendas ao Oriente Médio afetadas.
“Se tivermos uma guerra prolongada, o agricultor terá problema nas duas pontas, tanto no insumo quanto na venda”, declarou Bastos.
Ainda que as vendas de máquinas e equipamentos aos Estados Unidos tenham crescido 27,3% em janeiro – sugerindo uma reação antes do fim do tarifaço -, a Abimaq prega cautela em relação ao desempenho das exportações.
Além da possibilidade de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usar novas bases legais para sobretaxar produtos brasileiros, Cristina Zanella, diretora de economia da associação, observou que a guerra no Oriente Médio pode desestruturar todo o mercado internacional.
Ela pontuou que a perspectiva de recuperação das vendas perdidas no mercado americano tornou-se mais incerta. “Teremos que esperar e ver como que as coisas vão se dar ao longo dos próximos meses para poder rever os números que temos estimado”, disse Zanella.
Diário do Comércio - MG 04/03/2026
A agropecuária foi o grande destaque da economia brasileira em 2025. O setor cresceu 11,7% na comparação com 2024, o que impulsionou o Produto Interno Bruto (PIB), conjunto de bens e serviços produzidos no país no ano passado.
O desempenho fez com que a agropecuária representasse praticamente um terço (32,8%) da expansão de 2,3% que a economia brasileira teve no ano passado.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Depois da agropecuária, a atividade econômica que mais contribuiu para o avanço do PIB anual foi a indústria extrativa, com salto de 15,3%. Ou seja, a participação da agropecuária foi mais que o dobro da segunda atividade de maior peso no crescimento.
Ganho de participação
A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destaca que a agropecuária conseguiu ser o principal motor do PIB mesmo tendo participação de apenas 7% na economia brasileira.
“Apesar de ser uma atividade que não pesa tanto no PIB, a agropecuária cresceu tanto que foi a que contribuiu mais para o crescimento. Realmente chamou bastante atenção”, avalia Palis.
Tal expansão, inclusive, fez o setor ganhar maior participação. Em 2024, o agro tinha peso de 6,7%, índice que fechou 2025 em 7,1%.
Apesar do aumento de seu peso na economia brasileira, essa fatia já foi maior em anos recentes. Em 2021, a participação da agropecuária ficou em 7,7%. Em 2010 era apenas 4,8%.
A atividade econômica com maior peso no PIB brasileiro em 2025 continuou a ser a de serviços, com 69,5%. Em 2024, o setor representava 68,9%.
Na sequência, figura a indústria extrativa, que recuou de 24,4% para 23,4% na passagem de 2024 para 2025. Palis explica que a queda de participação é explicada pelo recuo do preço internacional do petróleo no ano passado.
Força da lavoura
A analista Rebeca Palis explica que o desempenho da agropecuária é resultado, principalmente, da agricultura.
“A gente teve um ano recorde de safra de soja e milho, e essas safras têm um peso muito grande no primeiro trimestre”, cita.
“Depois caiu um pouquinho, mas se vocês forem ver a média do ano, em relação à média do ano anterior, tem um crescimento bastante significativo”, completa.
Segundo Palis, a soja e o milho representam cerca de 45% da lavoura nacional.
“A gente teve uma safra muito alta também de laranja, e todas essas atividades também com o crescimento da produtividade”, acrescenta a pesquisadora do IBGE.
Crescimento de produção agrícola em 2025:
Apesar do destaque da agricultura, Palis ressalta que parte da pecuária também teve crescimento importante, principalmente bovinos e leite.
Projeção para 2026
Em um boletim publicado logo após a divulgação do IBGE, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda estima que 2026 deve ter crescimento de 2,3%, ritmo similar ao observado em 2025.
“A expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços”, aponta o texto.
“A menor produção esperada de milho e arroz, bem como o menor abate de bovinos, devido à reversão do ciclo, devem limitar a expansão do setor agropecuário em 2026, apesar da perspectiva de nova colheita recorde de soja”, assinalam os técnicos do Ministério da Fazenda.
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