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04 de Fevereiro de 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   04/02/2026

Com a proximidade da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25), o JPMorgan atualizou suas estimativas para as siderúrgicas brasileiras e reiterou sua preferência pelas ações da Gerdau (GGBR4). Por volta das 11h, as ações GGBR4 subiam 1,42%, a R$ 22,91.

O banco afirmou que segue com visão pessimista para a indústria siderúrgica, uma vez que a situação do setor vem se deteriorando nos últimos, principalmente em razão das exportações chinesas de aço.

Segundo analistas, apenas dois fatores poderiam desencadear uma mudança efetiva no setor: alguma alteração relevante no nível de exportações da China e o Brasil implementar uma proteção tarifária semelhante à dos Estados Unidos. No entanto, o JPMorgan não vê potencial para que isso se concretize.
Embora o JPMorgan avalie positivamente a imposição de medidas antidumping e espere que a rentabilidade geral da indústria se beneficie dessas medidas, o banco continua preocupado que o impacto nos próximos meses possa ser limitado por várias razões.

Primeiro, as importações de aço podem passar a vir de outras regiões. “Como já vimos em casos envolvendo a Europa, quando impostos mais elevados sobre uma região específica são implementados, o efeito imediato costuma ser positivo, mas, após alguns meses, outras regiões aumentam suas exportações, o que também pode reduzir o efeito das tarifas”, lembra.

Em segundo lugar, o banco cita que preços mais altos podem limitar a demanda doméstica. Apesar de as importações serem as principais responsáveis pelo atual cenário de rentabilidade, a demanda pode se deteriorar com a elevação dos preços do aço e acabar restringindo o impacto da tributação.

Na semana passada, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) aprovou a imposição de medidas antidumping definitivas por até cinco anos sobre o aço pré-pintado importado da China e da Índia. Além disso, o Comitê aprovou de forma inesperada um aumento das tarifas de importação sobre nove códigos NCM (o sistema internacional de classificação para fins tributários), de 11%-13% para 25%, que juntos representam aproximadamente 14% do total das importações de aço do Brasil nos últimos 12 meses.
Gerdau (GGBR4)

A Gerdau continua sendo a principal recomendação do banco dentro do setor, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 29, principalmente devido à sua elevada exposição ao mercado norte-americano.

Desde o início da administração Trump, novas tarifas, incluindo o mais recente imposto de 50% sobre o aço importado, têm sustentado preços mais altos e aumentado a demanda na região. A presença da Gerdau na América do Norte a posiciona para se beneficiar dessas tendências favoráveis, diferenciando-a de seus pares locais.

Na operação brasileira, segundo o JPMorgan, a Gerdau deve apresentar margens menores na comparação trimestral, com maior volume de exportações e piora no mix de produtos.
Usiminas (USIM5)

O JPMorgan reduziu suas estimativas para o 4T da Usiminas devido a preços mais baixos e volumes mais fracos, impactados pela sazonalidade do setor, parcialmente compensados por menores custos e maior contribuição da mineração.

O banco reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5. O rebaixamento em 2024 foi motivado por custos acima do esperado e pelo aumento das importações de aço da China. Embora ainda espere que as importações chinesas permaneçam acima das médias históricas, analistas acreditam que esses fatores já estejam refletidos no preço das ações.

Após a reforma do Alto-Forno nº 3 (BF#3), a ação da Usiminas atingiu pico de R$ 11 por papel, mas desde então recuou para cerca de R$ 4 (queda de aproximadamente 60%, contra alta de 10% do Ibovespa), nível no qual vemos espaço limitado para novas perdas.

Para o JPMorgan, a empresa deve se beneficiar da redução de custos nos próximos trimestres, à medida que os preços das matérias-primas continuem a cair. Além disso, há potencial de valorização caso medidas antidumping sejam aprovadas no Brasil ou se as políticas chinesas de “anti-involução” tenham maior impacto.
CSN (CSNA3)

Para a CSN, a unidade de aço também deve sofrer com a sazonalidade, mas deve ser parcialmente sustentada pela unidade de mineração, que, apesar da contração trimestre a trimestre, deve reportar resultados sólidos.

O JPMorgan reiterou classificação neutra, com preço-alvo de R$ 9,00 por ação, pois acredita que o aço chinês continuará pressionando os resultados do segmento siderúrgico nos próximos trimestres, e o balanço da companhia já carrega mais dívida do que seus pares (4,5 vezes dívida líquida/Ebitda para 2026, ajustada por pré-pagamentos).

Embora espere que os preços do minério de ferro apresentem tendência de queda até 2026, o negócio de mineração deve seguir como um dos principais motores de desempenho da empresa.

O banco classifica a CSN Mineração (CMIN3) como underweight (abaixo da média do mercado), pois vê opções mais atrativas em minério de ferro na América Latina, como a Vale (VALE3), especialmente considerando o valuation.

O Estado de S.Paulo - SP   04/02/2026

Apesar da urgência da venda de ativos da CSN, que acumula uma dívida líquida de R$ 37,5 bilhões, os processos ainda estão em fase bem inicial. Os nomes dos bancos de investimento Morgan Stanley e Santander, para a venda da operação de cimentos, e do Citi, em conjunto com o Bradesco, para a tentativa de atrair sócios do negócio de infraestrutura, estariam bem encaminhados. No entanto, a companhia ainda segue em conversa com outras instituições, inclusive em busca de novos créditos em troca de mandatos de venda, de acordo com fontes.

A empresa teve ao menos mais duas conversas com bancos diferentes nesta semana, deixando ainda em aberto os nomes dos responsáveis por vender os ativos, em transações que podem somar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.

Na prática, o entendimento de bancos e fontes do setor é de que apenas a venda de controle da CSN Cimentos deve encontrar compradores com maior facilidade. Os ativos de infraestrutura têm menor apelo, até porque ainda precisa ser constituída uma holding para agrupar as partes da CSN que atuam na área, enquanto, na siderurgia, a menção feita pela companhia em teleconferência com analistas de “busca de parceiro” para o negócio ainda se mostra em processo muito inicial e tem gerado descrença na Faria Lima.
Siderurgia não passou por negociação

Apesar de informações que circularam no mercado sobre conversas da companhia com pares nacionais e internacionais, o controlador da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou, em nota, à Broadcast que não teve conversa alguma com possíveis compradores ou sócios nacionais ou internacionais para a venda da siderúrgica.

“Estamos em fase de avaliação da melhor estratégia”, afirmou. A companhia falou em busca de parceiros que aportem “tecnologia e equipamentos” para modernização da usina de Volta Redonda (RJ), que está com instalações obsoletas e requer capital para se atualizar tecnologicamente e se tornar competitiva.

A venda do controle de ativos é considerada o caminho mais viável para Steinbruch, dada a dificuldade do empresário em ter sócios minoritários em seus negócios. Há cerca de três anos, Steinbruch anunciou a busca de um sócio estratégico para o negócio de energia. Não avançou. Depois, em 2024, disse que estava aberto a vender uma fatia da empresa fabricante de cimento, a CSN Cimentos. Também não evoluiu.

A exceção é na CSN Mineração, companhia de minério de ferro, formada em 2016, por razões específicas: os sócios são uma trading e usinas siderúrgicas da Ásia. O grupo é liderado pela trading japonesa Itochu e inclui Posco (Coreia do Sul) e China Steel (Taiwan). As sócias têm direitos de preferência na compra da matéria-prima produzida pela CMIN, para uso em suas usinas de aço. A empresa abriu o capital na B3 em 2021.
Pressão dos bancos

Desta vez, a movimentação da CSN de apresentar um plano detalhado de venda de ativos e cogitar, pela primeira vez, perder o controle de sua operação de produção de cimentos fez parte de uma pressão mais forte dos bancos para que o empresário reduzisse de fato seu endividamento, após uma série de declarações que não haviam se traduzido em ações concretas.

Exemplo da descrença que a empresa vinha enfrentando no mercado são os recentes rebaixamentos de rating. Em novembro, a agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou os ratings da companhia de ‘AA+’ para ‘AA’ e os colocou em observação por alavancagem elevada. Ontem foi a vez da Fitch rebaixar de ‘BB’ para ‘BB-’ o rating de emissor da CSN e atribuir uma observação negativa para a nota da siderúrgica, indicando que pode ser rebaixada novamente. Segundo a classificadora, o rebaixamento reflete o endividamento total e líquido “persistentemente elevado” da CSN, o fluxo de caixa livre negativo contínuo e o alto risco de refinanciamento no nível da holding.

Outro sinal de que a confiança dos credores está abalada para com a empresa e seu controlador, é a recente exigência de alguns bancos de que o irmão do CEO e dono da companhia, Benjamin Steinbruch, participe de reuniões sobre as vendas de ativos. Ricardo Steinbruch é considerado mais pragmático e funcionaria como uma garantia de que o empresário, conhecido por evitar vender seus ativos, não adiasse os planos mais uma vez.

Questionada sobre o processo de venda dos ativos de cimentos e infraestrutura, a CSN não comentou até a publicação deste texto.

 

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   04/02/2026

A magnitude e a duração do ciclo de cortes de juros que deve começar na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 17 de março, estão em aberto e vão depender da divulgação de novos dados. Essa é a principal mensagem da ata da mais recente reunião do colegiado, realizada na semana passada.

“O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa”, diz o texto, publicado nesta terça-feira, 3.

Na última quarta-feira, 28, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas informou que tem a intenção de começar a reduzir o nível dos juros no próximo encontro. Economistas do mercado rapidamente se dividiram sobre a magnitude do corte inicial, de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual. No mercado, há quem aposte em até 0,75 ponto.

“Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o Comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho”, destaca a ata.

A ata do Copom esclarece que a decisão de manter a duração e a magnitude do ciclo de cortes em aberto é compatível com os “sinais mistos” sobre o ritmo de desaceleração da economia brasileira e os seus efeitos sobre a inflação. Segundo o colegiado, ainda há dificuldade de identificar tendências claras.

O Comitê ressaltou que mantém o “compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante”. Explicou, ainda, que a dinâmica da inflação corrente e os sinais mais claros da política monetária tornaram adequada a sinalização de um início de flexibilização monetária.

O colegiado repetiu que o cenário atual segue marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. “O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros.”

O Copom repetiu as projeções para a inflação acumulada em 12 meses já apresentadas no comunicado da semana passada. Prevê alta de 3,4% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 e de 3,2% no terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante - estimativas ligeiramente acima do centro da meta perseguida pelo BC, de 3%.

Calibragem

O Copom detalhou ter se aprofundado na discussão sobre a calibragem da política monetária após avaliar que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.

No 14.º parágrafo da ata publicada nesta terça-feira, o colegiado observou que ao longo de suas últimas reuniões vem alterando sua comunicação para expressar sua percepção sobre o estágio em que a política monetária se encontra, “destacando o ganho de confiança que vem se acumulando com o processo de desinflação”.

Ressaltou, na sequência, a “elevação firme” da taxa de juros que fez no ano passado para combater a deterioração do cenário de inflação, e acrescentou que, passado esse estágio, interrompeu o ciclo para avaliar se o nível corrente da taxa seria suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.
Harmonia fiscal e monetária

A ata divulgada nesta terça-feira mostra que o debate na reunião de janeiro evidenciou novamente a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.

“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, diz o documento.

Os membros do Copom também mantiveram firme a convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. “Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, traz o documento.

IstoÉ Dinheiro - SP   04/02/2026

A pressão causada pelos juros altos fez a indústria brasileira perder ritmo nos últimos meses do ano e fechar 2025 com crescimento de 0,6%. Apesar da desaceleração na reta final do ano, o resultado marca o terceiro ano seguido de expansão da produção industrial brasileira.

Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2024, o avanço foi de 3,1%; e em 2023, de 0,1%. A perda de ritmo em 2025 é fácil de ser percebida quando são comparados dados do primeiro e do segundo semestres.

Até junho, a produção indústria acumulou crescimento de 1,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já nos últimos seis meses do ano, a variação foi nula (0%) nesse mesmo tipo de comparação. Especificamente de setembro até dezembro, o resultado foi recuo de 1,9%.

O IBGE apurou que em dezembro a produção das industrias do país caiu 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024 (-1,5%). Dos últimos quatro meses do ano, três foram queda e um (outubro) teve variação nula.

O desempenho de 2025 coloca a indústria em um patamar 0,6% acima do período pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 16,3% abaixo do ponto mais alto já alcançado, em maio de 2011.

Setores

No ano passado, a indústria apresentou crescimento em duas das quatro grandes categorias econômicas:
bens de consumo duráveis: 2,5% bens intermediários (componentes ou produtos transformados usados para fabricar outros bens): 1,5% bens de consumo semi e não duráveis: -1,7% bens de capital (máquinas e equipamentos): -1,5%

Das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE, 15 apresentaram avanço, com destaque para indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%). Em 2025, foi registrada alta na produção em 49,6% dos 789 produtos pesquisados pelo IBGE.

Efeito dos juros

De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o motivo para a indústria patinar no fim do ano é a política monetária restritiva, ou seja, o patamar elevado da taxa básica de juros da economia, a Selic.

“Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, analisa.

Macedo explica que com juros em patamar elevado, há um adiamento das decisões das empresas de fazer investimentos.

Ele acrescenta que a política monetária restritiva também tem reflexo no consumo das famílias, que significou “desaceleração importante” no segmento de bens duráveis nos últimos meses de 2025.

“Afeta, por parte das famílias, as decisões em relação ao consumo”, aponta.

O gerente da pesquisa chama atenção também para a elevação dos níveis de inadimplência, uma vez que o juro alto deixa os empréstimos mais caros.

Um retrato em dezembro foi a produção de veículos automotores, que recuou 8,7% – maior pressão negativa na passagem de novembro para dezembro. Ele indica que o último mês de 2025 teve maior presença de paralisações e férias coletivas nas fábricas.
Preocupação com inflação

Em setembro de 2024, preocupado com a trajetória crescente da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou uma escalada da taxa básica de juros da economia, a Selic, então em 10,5% o ano, elevando-a até 15% em junho de 2025.

A meta de inflação do governo é de 3% no acumulado de 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos.

O índice oficial de inflação (IPCA), chegou a ficar 13 meses fora do intervalo de tolerância, praticamente 2025 inteiro.

A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país e, quando elevada, age na economia de forma restritiva, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo.

O impacto esperado é menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos.

Apesar da pressão restritiva, 2025 terminou com mínima já registrada na taxa de desemprego, conforme divulgou o IBGE na última sexta-feira (30).

IstoÉ Dinheiro - SP   04/02/2026

O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Stephen Miran afirmou que o banco central dos Estados Unidos deveria promover cortes de juros superiores a 1 ponto porcentual (pp) ao longo deste ano, avaliando que a política monetária segue excessivamente restritiva diante do atual quadro econômico. As declarações foram feitas em entrevista à Fox Business nesta terça-feira, 3.

“Provavelmente estou buscando um pouco mais de um ponto porcentual em cortes na taxa de juros ao longo do ano”, disse Miran, ao argumentar que o nível atual dos juros não é compatível com as condições da economia.

Segundo ele, embora a inflação ainda esteja acima da meta de 2%, as pressões subjacentes sobre os preços são mais moderadas.

Na avaliação do dirigente, a combinação entre inflação de base mais contida e crescimento econômico sólido, impulsionado, segundo ele, por menores encargos regulatórios, cria espaço para que o Fed reduza os juros sem provocar uma nova rodada de aceleração inflacionária.

Miran também minimizou preocupações com o comportamento recente dos rendimentos dos títulos, afirmando que o movimento reflete, em parte, expectativas mais favoráveis para a atividade econômica, e não um aperto significativo das condições financeiras.

O dirigente também comentou a indicação do ex-diretor do Fed Kevin Warsh para a presidência do banco central, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, e manifestou apoio à escolha.

O mandato formal de Miran como diretor do Fed terminou no último fim de semana, mas ele permanece no cargo até que o Senado confirme um novo nome para ocupar sua vaga no colegiado.

Infomoney - SP   04/02/2026

O mercado financeiro está projetando, pela primeira vez desde dezembro de 2024, uma inflação para 2026 abaixo de 4%. A edição do Boletim Focus divulgada nesta segunda-feira (2) pelo Banco Central revelou que a mediana das estimativas para o IPCA em 2026 recuou de 4% para 3,99%, marcando a quarta queda consecutiva no indicador.

Apesar do ceticismo em relação ao equilíbrio das contas públicas – ou seja, com os gastos do governo que tendem a pressionar a inflação – analistas e economistas apontam que fatores globais e dinâmicas setoriais específicas estão se sobrepondo ao risco fiscal doméstico, permitindo uma visão mais otimista para os preços no próximo ano.

“Não é que o fiscal tenha deixado de importar — ele segue sendo um fator relevante —, mas seu impacto sobre os preços não é automático nem linear”, avalia Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.
Se, em janeiro de 2025, a projeção da inflação estava acima de 6%, mas fechou o ano em 4,26%, o que esperar agora para o ano que se inicia?

Economistas ouvidos pelo InfoMoney destacam quatro fatores que “puxam” a inflação para baixo e quatro alertas para uma possível pressão nos preços.
A ‘ajudinha’ do câmbio: o principal alívio externo

Para a XP, o grande vetor da revisão baixista é o comportamento do câmbio, que tem ignorado as tensões fiscais brasileiras para seguir uma tendência global de desvalorização da moeda americana.

Alexandre Maluf, economista da XP, destaca que este movimento de desvalorização do dólar tem sido o fator decisivo para o controle dos preços por aqui.

“A taxa de câmbio de fato é um fenômeno global, a gente tem visto uma fuga de recursos dos Estados Unidos e realocação em outros países. Isso tem pouco a dizer sobre o cenário doméstico, mas explica, em partes, as revisões baixistas do Focus”, afirma Maluf.

Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, também destaca que o câmbio está “compensando” os riscos fiscais frente à inflação. Isso porque as principais potências econômicas estão enfrentando indicadores fiscais piores que o do Brasil. Para ele, o Brasil teve “sorte”.

O freio da política restritiva de juros

Em um cenário de taxa básica de juros em 15%, não dá para desconsiderar o impacto desta política nos preços – afinal, é para isso que os juros altos servem, para controlar a inflação.

Para Maluf, mesmo que o mercado esteja esperando um corte na Selic a partir de março, é notório o efeito da taxa de juro – que está neste patamar desde junho do ano passado.

Para ele, isso fez com que houvesse melhora nas expectativas de inflação. “E expectativas de inflação mais baixa se materializam, de fato, em inflação mais baixa”, afirma.

Victal destaca que os economistas vêm projetando um cenário de desaceleração da atividade à frente, com perda de tração do consumo e um mercado de trabalho menos aquecido.

Ela avalia que a desinflação não é apenas uma “vitória do BC”, mas também reflexo de uma economia que começa a esfriar.
A produção agrícola e o impacto da supersafra

Para Saadia, o Brasil contou com uma conjunção de fatores favoráveis que neutralizaram o desequilíbrio das contas públicas, entre eles, as boas safras. E isso deve se repetir em 2026.

“O Brasil teve sorte. Os juros tiveram um papel importante na desinflação desde 2025. Mas fatores externos contribuíram mais. Contribuiu uma supersafra de alimentos, dólar mais fraco em relação ao resto do mundo, tarifas que canalizaram bens antes destinados ao exterior para o mercado interno e queda das principais commodities agrícolas e energéticas como o preço do petróleo”, explica Saadia.

Para Maluf, a expectativa para 2026 é de queda no preço. As projeções apontam novas safras recordes, com preços “comportados” de grãos e rações – que impactam a cadeia produtiva. Ele cita que o índice CRB Food, que acompanha preços de alimentos no exterior, apresentou forte queda no segundo semestre do ano passado, o que acaba se refletindo no cenário local.
Comida barata na mesa, tarifas leves no bolso

O terceiro alívio vem da dinâmica de preços internos, especialmente na alimentação e nas tarifas que são decididas pelo governo.

Na alimentação, a variação de preços de alimentos e bebidas fechou 2025 em 2,95%, abaixo do índice geral, que ficou em 4,26%. Com a perspectiva de uma boa safra, a previsão é que os preços sigam em trajetória de queda.

Já em relação aos preços administrados, ou seja, nas tarifas decididas pelo governo, o Boletim Focus mostrou que a projeção recuou marginalmente para 3,75% (ante 3,76%) ao fim de 2026.

Considerando um ano eleitoral, este item pode ser revisado para baixo, com candidatos de olho nas urnas.

Queda do preço do petróleo

Além disso, o reajuste feito pela Petrobras na gasolina na última semana ajudou a consolidar a queda na mediana do mercado.

Para Maluf, da XP, o mercado já projetava algum reajuste nos preços, mas a divulgação de novos preços na Petro consolidou essa leitura, o que se refletiu no Boletim Focus, já que a queda nos combustíveis se reflete nos custos com transportes.
Exportação de desinflação da China

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial, destaca a exportação de deflação causada pela China. O país asiático consegue produzir com baixo custo e revende os produtos a preços competitivos, forçando os países a segurarem os preços internos devido à competição.

“A produção da China aumentou a oferta em relação à demanda e gerou uma redução na taxa de inflação na economia brasileira”, destaca.
Quatro alertas para ficar de olho nos preços

Se o cenário externo e os alimentos trazem alívio, o gasto público interno permanece como a principal fonte de pressão, aliado ao mercado de trabalho.

Economistas afirmam que o “freio de mão” da política fiscal expansionista impede uma queda mais acentuada do IPCA. Ao mesmo tempo, o emprego e a renda em alta estimulam a demanda e elevam a pressão sobre os preços.

Beto Saadia, da Nomos, aponta riscos para o final do primeiro trimestre de 2026 decorrentes de estímulos governamentais típicos de anos eleitorais. “Vemos riscos de estímulos governamentais eleitorais, cujos efeitos surgirão ao término do primeiro trimestre. Destacam-se a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e a expansão do crédito consignado privado, entre outros”, adverte.

Victal destaca os números do mercado de trabalho, que coloca pressão sobre a inflação de serviços. “O cenário-base é de uma inflação menor do que a observada em 2025, mas longe de ser confortável”, avalia. Para ela, este quadro exige disciplina e condução cautelosa da política econômica — fiscal, monetária e regulatória — para se manter.

Além disso, há outros dois pontos que podem ocorrer e impactar a inflação ao longo do ano, segundo Maluf. Um deles é um “estresse” no câmbio devido à corrida eleitoral e outro é algum efeito climático abrupto que possa impactar a produção de alimentos.

Considerando os cenários possíveis, a projeção da SulAmérica Investimentos é de inflação de 4,1% em 2026, acima da meta de 3%. Na XP, a projeção é de inflação em 4%, com viés de baixa, segundo Maluf.

O Estado de S.Paulo - SP   04/02/2026

O Brasil iniciou o ano com um mercado de trabalho forte, mas enfrenta inflação alta e juros elevados, impactando a economia. A taxa básica de juros, mantida em 15%, é a mais alta desde 2006, afetando a produção industrial, que teve crescimento modesto em 2025. O desemprego caiu para 5,1%, a menor taxa desde 2012, impulsionado pelo setor de serviços. O Copom planeja discutir a redução dos juros em março, mas a inflação ainda é uma preocupação, especialmente em ano eleitoral, com foco na contenção de gastos governamentais.

Abrir o resumo

O Brasil virou o ano com emprego forte, inflação bem acima da meta, juros altos e perspectiva de economia menos dinâmica apesar da corrida eleitoral. Se depender do custo do crédito, a produção industrial deve levar um bom tempo para voltar a crescer com vigor. Mantida em 15% a partir de 20 de junho do ano passado, a taxa básica é a mais alta desde julho de 2006, quando recuou de 15,25% para 14,75%.

Contida pelos juros, a indústria de transformação produziu no ano passado 0,2% menos que em 2024, com expansão nula no segundo semestre. O avanço industrial de 0,6% acumulado em 2025 dependeu do segmento extrativo, liderado pela atividade petrolífera, segundo balanço divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os melhores desempenhos foram os da indústria produtora de bens de consumo duráveis (+2,5%) e de bens intermediários (+1,5%). O segmento de bens de consumo semi e não duráveis e o de bens de capital apresentaram perdas de 1,7% e 1,5% em relação ao ano anterior.

Apesar do recuo do setor industrial, o desemprego chegou em dezembro a 5,1% da força de trabalho, a menor taxa da série iniciada em 2012, quando a desocupação atingiu 8%. A taxa anual diminuiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. Entre os dois períodos, a média dos desocupados passou de 7,2 milhões para 6,2 milhões de pessoas.

Essa mudança foi sustentada principalmente pelo aumento da ocupação em serviços, explicou a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio habitual das pessoas ocupadas aumentou 5,7% e chegou a R$ 3,560. Com expansão de 7,5%, a massa de rendimento habitual anual desses trabalhadores atingiu R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série.

Mesmo com algum recuo nos próximos meses, a taxa básica de juros deve continuar elevada — e bem acima dos padrões internacionais — durante este ano. O início da redução deverá ser discutido na próxima reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, prevista para os dias 17 e 18 de março. Não há indicação, no entanto, de uma data para o início dos cortes.

Apesar do tom mais brando de seu último comunicado, o comitê, formado por diretores do BC, deixou clara a disposição de continuar trabalhando para levar a inflação à vizinhança de 3%, a meta central. O avanço nessa direção deverá depender principalmente da contenção dos gastos governamentais. Não está claro, até agora, quanto o governo se esforçará para isso, num ano de intensa disputa eleitoral.

Monitor Digital - RJ   04/02/2026

Importadores e consumidores nos EUA arcam com 96% do tarifaço imposto a importações por Donald Trump, de acordo com pesquisa do Instituto Kiel para a Economia Mundial. “Ao contrário da retórica do governo americano, o custo das tarifas de importação dos EUA não é arcado pelos exportadores estrangeiros. Em vez disso, atinge a própria economia americana”, sustenta a entidade alemã.

A equipe de pesquisa analisou mais de 25 milhões de registros de remessas, abrangendo um valor total de quase US$ 4 trilhões em importações dos EUA. As conclusões são claras: a receita alfandegária dos EUA aumentou em aproximadamente 200 bilhões de dólares em 2025; os exportadores estrangeiros absorveram apenas cerca de 4% do ônus tarifário; 96% foram repassados aos compradores estadunidenses; os volumes de comércio despencaram, mas os preços de exportação não caíram.

“As tarifas são um gol contra”, afirma Julian Hinz, diretor de pesquisa do Instituto Kiel e um dos autores do estudo “Gol contra dos EUA: quem paga as tarifas?”, divulgado no final de janeiro. “A alegação de que países estrangeiros pagam essas tarifas é um mito.

Os dados mostram o contrário: os americanos estão pagando a conta.” As tarifas funcionam como um imposto sobre o consumo de bens importados. Ao mesmo tempo, tanto a variedade quanto o volume de produtos disponíveis diminuem.

Kiel é o mais antigo instituto de pesquisas da Alemanha e considerado um dos 50 mais influentes think tanks do planeta.

Brasil e Índia são citados no estudo. Ambos os países tiveram tarifas dos EUA sobre importações elevadas para 50% – Trump depois recuou, primeiro em relação ao Brasil, e nesta segunda-feira anunciou uma redução para a Índia.

Os dados mostram que os exportadores estrangeiros não reduziram seus preços para compensar as tarifas adicionais. Se os exportadores tivessem absorvido as tarifas, seus preços nos EUA teriam caído em relação a outros mercados — mas não foi o que aconteceu, mostra o estudo.

“Comparamos as exportações indianas para os EUA com as remessas para a Europa e o Canadá e identificamos um padrão claro”, explica Hinz. “Tanto o valor quanto o volume das exportações para os EUA caíram drasticamente, em até 24%. Mas os preços unitários — os preços cobrados pelos exportadores indianos — ficaram inalterados. Eles exportaram menos, não mais barato.”

Em última análise, essas descobertas significam que as empresas estadunidenses enfrentarão margens de lucro cada vez menores e preços mais altos para os consumidores a longo prazo. Os países que exportam para os EUA venderão menos e estarão sob pressão para encontrar novos mercados de exportação. “As tarifas acabam prejudicando a todos”, afirma Hinz.

O estudo “Gol contra dos EUA: quem paga as tarifas?” foi realizado por Julian Hinz, Aaron Lohmann, Hendrik Mahlkow e Anna Vorwig. Os autores utilizaram dados diários de conhecimento de embarque da Panjiva, estatísticas oficiais do Departamento do Censo dos EUA e registros alfandegários indianos para rastrear a transferência de tarifas.

Infomoney - SP   04/02/2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou nesta terça-feira (3) ter sugerido ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o nome do economista Tiago Cavalcanti para uma das vagas abertas no Banco Central. O outro nome sugerido foi do secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello.

Se efetivamente indicado para uma das duas vagas abertas no BC – as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução -, Cavalcanti terá mandato até 31 de dezembro de 2029.

Cavalcanti é graduado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre e doutor na mesma área pela Universidade de Illinois – a mesma na qual o atual diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti, obteve o seu doutorado.
Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o nome de Cavalcanti já era cotado pelo mercado.

Hoje, o economista é professor da Universidade de Cambridge, do Reino Unido; fellow da Trinity College, da mesma universidade; e professor em meio período da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV) – esta última, a mesma instituição na qual Picchetti leciona.

Cavalcanti tem um histórico de envolvimento com política, mas não com o PT. No seu currículo Lattes, ele relata ter “participado das discussões econômicas” das campanhas presidenciais de Eduardo Campos e Marina Silva, em 2014. Uma entrevista da revista Veja de 2014 cita o economista como “assessor econômico” de Marina.

Nessa entrevista, Cavalcanti defendeu a concessão de autonomia do BC. À época, essa era uma das bandeiras da campanha de Marina, que disputava as eleições contra a então presidente Dilma Rousseff (PT). Ele comparou a resistência à independência da autoridade monetária à que foi enfrentada pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O economista afirmou, ainda, que a meta de inflação deveria ser cadente ao longo do tempo – está em 3% hoje, contra 4,5% à época. E criticou a política econômica do governo Dilma, que reduziu juros e ampliou gastos fiscais, na chamada “nova matriz econômica”.

Mais recentemente, Cavalcanti mantém uma coluna no jornal Valor Econômico, onde já defendeu os “avanços institucionais significativos” do Banco Central com a introdução do Pix e o aumento da competição entre adquirentes das maquininhas de cartões, em um artigo de junho de 2024. Essas áreas estariam sob a competência da diretoria de Organização do Sistema Financeiro, uma das que estão vagas.

Em outro artigo, de agosto de 2025, o economista alertou para pressões de grupos de interesse sobre bancos centrais, que buscam direcionar as suas atuações para objetivos privados ou setoriais, apesar da independência formal. Falando mais especificamente sobre normas prudenciais e a promoção da concorrência bancária, ele defendeu que os BCs devem preservar seus mandatos de controle da inflação e garantia da estabilidade financeira.

“Ao se desviarem dessas funções, os bancos centrais comprometem a confiança pública, fragilizam o equilíbrio macroeconômico e, em última instância, impõem custos à sociedade e aos contribuintes”, escreveu.

Em janeiro do ano passado, Cavalcanti assinou um working paper do Banco Central, em parceria com economistas da própria instituição, do Banco Central Europeu (ECB, na sigla em inglês) e de outras universidades, sobre o potencial de reformas financeiras para reduzir desigualdades no mercado de crédito.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   04/02/2026

O setor mineral foi o principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira em 2025, um ano marcado por tensões geopolíticas e instabilidades nos mercados internacionais.

O saldo comercial do setor mineral cresceu 7,6%, alcançando US$ 37,61 bilhões. O valor corresponde a 55% do superávit total do Brasil, que somou US$ 68,29 bilhões no período.

O dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração)

As exportações totalizaram 431 milhões de toneladas, alta de 7,1% em relação a 2024, com receita de aproximadamente US$ 46 bilhões, avanço de 6,2%.

Já as importações minerais registraram leve alta de 0,1% em valor, alcançando US$ 8,5 bilhões, enquanto o volume caiu 1,3%, para 40,8 milhões de toneladas.

Destaques nas exportações

A China manteve-se como o principal destino das exportações minerais brasileiras em 2025, concentrando 69,2% das vendas externas do setor.

O minério de ferro, principal produto da balança comercial mineral, somou US$ 28,96 bilhões em exportações. A China respondeu por cerca de US$ 19,5 bilhões desse total, o equivalente a 67% das vendas do produto ao exterior.

A demanda de outros países asiáticos também contribuiu para o desempenho do setor.

Um dos destaques foi a Índia, que voltou a importar minério de ferro brasileiro em 2025. Enquanto em 2024 o país não havia realizado compras relevantes, em 2025 as importações indianas alcançaram cerca de US$ 440 milhões.

O avanço da demanda indiana está ligado à expansão da indústria siderúrgica do país, impulsionada pelo crescimento da infraestrutura, da construção civil e do setor industrial.
Avanços de ouro e cobre

No segmento de cobre, as exportações também bateram recorde.

As vendas externas de minério de ouro e cobre avançaram 66,1% e 20,5%, respectivamente, reforçando o saldo positivo da balança comercial do setor.

No caso do ouro, a valorização está associada ao aumento da procura por ativos considerados mais seguros, em meio às incertezas geopolíticas e econômicas globais.

Já o cobre tem sido impulsionado pela transição energética: o metal é base de praticamente toda a cadeia de eletrificação, presente em veículos elétricos, cabos, redes e equipamentos de geração e transmissão de energia.

Dados da IEA (Agência Internacional de Energia) indicam que a demanda global por cobre deve crescer cerca de 30% até 2040, pressionada pela expansão das energias renováveis e da mobilidade elétrica.

IstoÉ Dinheiro - SP   04/02/2026

Os investimentos no setor mineral brasileiro para o período de 2026 a 2030 foram estimados nesta terça-feira em US$ 76,9 bilhões, alta de 12,5% em relação a uma estimativa anterior para um período de cinco anos, de 2025 a 2029, afirmou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Em relatório, o Ibram destacou aumento de investimentos em cobre e fertilizantes, de mais de US$ 1 bilhão, para US$ 8,6 bilhões e US$ 6,9 bilhões, respectivamente, na comparação com as estimativas quinquenais anteriores.

O minério de ferro segue liderando os investimentos, com US$ 19,8 bilhões, mas com uma alta percentual menor, de 1,1%. Projetos socioambientais também estão incluídos na conta geral, com US$ 14,7 bilhões, alta de quase 30%, segundo o Ibram, que representa empresas como Vale, Gerdau, ArcelorMittal e Mosaic.

Do lado dos projetos socioambientais, o presidente interino do Ibram, Fernando Azevedo, destacou a jornalistas o avanço de projetos para o reaproveitamento de rejeitos da mineração, como resultado de novas tecnologias.

Já os minerais críticos, incluindo terras raras, deverão receber investimentos de US$ 21,3 bilhões entre 2026 e 2030, alta de 15,2% na comparação com o previsto para 2025-2029, segundo o Ibram.

O segmento tem sido alvo de iniciativas do governo brasileiro que visam a atração de investimentos, diante de perspectivas de aumento da demanda global por minerais críticos para fabricação de equipamentos de alta tecnologia, como baterias, geradores eólicos e aplicações militares.

Considerando apenas terras raras, a alta dos investimentos previstos é de 10,4%, para US$ 2,4 bilhões. Esses minérios ganharam destaque no noticiário depois que a China, que atualmente domina amplamente a produção desses minerais, restringiu o acesso à sua oferta em meio a uma guerra comercial com os Estados Unidos.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras globais, atrás apenas da China, mas com poucos projetos em desenvolvimento.

“É um momento que temos que aproveitar, criar políticas, políticas consistentes, linhas de financiamento para irmos na verticalização e não só na exportação”, afirmou Azevedo, durante uma coletiva de imprensa sobre os resultados do setor em 2025.

Azevedo afirmou que representantes dos Estados Unidos permanecem fazendo contato com o Ibram, em conversas que visam buscar oportunidades de investimentos em minerais críticos no Brasil e mencionou que a embaixada americana deverá realizar um simpósio em São Paulo, em março, com mineradoras.

“Os Estados Unidos têm demonstrado interesse, continuam os contatos com a gente aqui. Eles devem fazer em março um simpósio em São Paulo , já pediram a nossa ajuda e está avançando devem convidar as principais mineradoras”, afirmou.

O instituto também divulgou dados sobre o faturamento do setor mineral brasileiro em 2025, que alcançou R$298,8 bilhões, um aumento de 10,3% em relação a 2024.

As exportações do segmento somaram 430,67 milhões de toneladas no ano passado, alta de 7,1% ante o ano anterior. Já as vendas externas de minério de ferro registraram 416,4 milhões de toneladas, avanço de 7,1% na mesma comparação.

A arrecadação de royalties da mineração, a chamada Cfem, totalizou R$7,9 bilhões em 2025, crescimento de 6,2% em relação a 2024, segundo o Ibram.

Money Times - SP   04/02/2026

A Vale (VALE3) encerrou esta terça-feira (3) a R$ 88,99, alta de 4,9%, em um movimento que refletiu diretamente em sua sócia Bradespar, que subiu 4,8%. O Ibovespa, que tem cerca de 11% de VALE3 em sua composição, avançou 1,6%. As ações da mineradora também foram as mais negociadas da B3, com aproximadamente 65,9 mil negócios e giro financeiro de R$ 3,1 bilhões.

O desempenho está ligado ao movimento de rotação global, iniciado na segunda quinzena de janeiro, marcado pela saída de dólares dos mercados norte-americanos em direção a emergentes como o Brasil. VALE3 já acumula alta de 23% só em 2026 e de 84% em 12 meses.

A escalada das tensões geopolíticas envolvendo o presidente Donald Trump, com episódios na Venezuela, Groenlândia e Irã, foi o gatilho para essa realocação de recursos, segundo analistas.

“Diante de crescentes incertezas geopolíticas envolvendo algumas das principais potências mundiais, os investidores seguem reduzindo a exposição em ativos norte-americanos, em busca de maior diversificação geográfica”, afirmaram recentemente os estrategistas do Itaú BBA, Victor Natal e Mathias Venosa.

A B3 registrou fluxo recorde de investimentos estrangeiros neste início de ano, com R$ 26,3 bilhões injetados apenas em janeiro, o melhor resultado desde o início de 2022.

A alta da Vale acontece mesmo após a queda dos futuros do minério de ferro nesta terça-feira: o contrato de minério de ferro mais negociado para maio na bolsa de Dalian recuou 1,14%, a 777,5 iuanes (US$112,06) por tonelada.
O que ainda esperar da Vale

Mais cedo, o Itáu BBA elevou o preço-alvo para o fim de 2026 de US$ 14 para US$ 19 por ADR, o que implica um potencial de valorização de quase 18% frente aos níveis atuais.

Na leitura dos analistas, a tese da mineradora segue sustentada por três vetores principais: melhora operacional, preços mais altos dos metais básicos e um pano de fundo macro que favorece ativos reais e mercados emergentes.

“A Vale continua bem posicionada para se beneficiar da busca global por ativos reais, em um ambiente de desvalorização das moedas e maior apetite por commodities metálicas”, afirmam os analistas do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta terça-feira (3).

Máquinas e Equipamentos

Valor - SP   04/02/2026

A carteira de pedidos da Romi chegou a R$ 750,3 milhões no quarto trimestre de 2025, um crescimento de 15,1% na comparação anual, mas queda de 16,2% na comparação trimestral. O destaque fica por conta da divisão de máquinas Burkhardt + Weber (B+W), que registrou R$ 494,6 milhões em pedidos, um avanço anual de 39%.

Os pedidos de máquinas Romi recuaram 14,6% no ano, para R$ 200,2 milhões, e os da divisão de fundidos e usinados caíram 9,6%, para R$ 55,5 milhões. Já a entrada de pedidos totais no quarto trimestre foi de R$ 182,8 milhões, uma queda anual de 47,4%, com piora em todas as unidades.

A unidade de máquinas Romi registrou uma retração de 36,5% na entrada de pedidos em relação ao mesmo período de 2024, refletindo um ambiente com maior nível de incertezas no mercado doméstico.

“Nesse contexto, a Romi manteve o foco em iniciativas voltadas à prospecção de novos negócios, à expansão de sua presença em diferentes mercados e ao contínuo investimento em tecnologia e inovação, reforçando seu compromisso com a competitividade, a geração de valor e o sucesso de seus clientes”, afirmou a companhia, em comunicado divulgado nesta terça-feira (3).

A unidade fundidos e usinados apresentou um recuo de 30% na entrada de pedidos no quarto trimestre, quando comparada com o mesmo período de 2024, refletindo a desaceleração dos segmentos automotivo comercial e agrícola. Já as máquinas B+W tiveram uma entrada de pedidos de R$ 36,2 milhões, queda anual de 69,9%.

No acumulado de 2025, a entrada de pedidos chegou a R$ 1,32 bilhão, alta de 2% sobre o registrado em 2024.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   04/02/2026

Espaço destinado a abrigar máquinas depois de vendaval serve para produzir motor do novo Yaris

Destruída por um forte temporal em setembro de 2025, a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP) levará mais dois anos para ser reconstruída, segundo Evandro Maggio, presidente da empresa no Brasil. Enquanto isso, uma parte dos motores começou a ser fabricada num galpão, na mesma cidade, inicialmente alugado para proteger os equipamentos. O Yaris Cross, lançamento que começa a ser vendido neste mês, já deixa a unidade com motores que saem da linha improvisada.

Segundo Maggio, logo após o acidente, a Toyota alugou o galpão com a ideia de proteger as máquinas, principalmente as de alta precisão, que fatalmente seriam danificadas caso continuassem expostas ao relento. O processo de remoção levou três dias.

A estrutura da fábrica havia sido muito mais afetada do que os equipamentos pelo vendaval fora do comum vindo do Oeste Paulista e que a Defesa Civil chamou de microexplosão.

Por sorte, naquela mesma semana, os empregados haviam passado por mais um dos treinamento de evacuação que a empresa faz, como rotina, e conseguiram sair do local aos primeiros sinais da ventania. Das 400 pessoas que trabalhavam ali no momento, cerca de 20 tiveram ferimentos leves.

“Aos poucos, vimos que a área inicialmente alugada só para guardar as máquinas comportava processos industriais, como montagem e usinagem”, afirma Maggio, que recebeu da matriz, no Japão, não apenas apoio para lidar com as consequências como uma equipe da Toyota especializada em desastres naturais. Esses especialistas já atuaram em desastres naturais que atingiram outras fábricas da companhia, como inundações na Indonésia e África do Sul.

Como consequência da interrupção no fornecimento de motores, as linhas de produção de veículos das fábricas de Sorocaba, vizinha a Porto Feliz, e Indaiatuba, distante 65 quilômetros, ficaram paralisadas entre 50 e 90 dias, dependendo do modelo. A partir de então, começaram a ser abastecidas por motores fabricados por três fábricas da Toyota do Japão, e outras duas da Turquia e da Indonésia.

Recentemente, Maggio visitou essas unidades para agradecer diretamente aos operários e disse ter se emocionado ao ver a bandeira brasileira exposta nas linhas de produção dedicadas à exportação para o Brasil.

O desastre também interrompeu a exportação de motores feitos no interior paulista para uma fábrica do Corolla nos Estados Unidos. O fornecimento passou a ser suprido pelo Japão. Mas Maggio conta com a recuperação do contrato. A exportação do Japão foi, diz, uma forma de a matriz colaborar no enfrentamento do desastre no Brasil.

A matriz também se encarregou, segundo o executivo, de direcionar a compra de peças produzidas pelos fornecedores da Toyota do Brasil para fábricas instaladas em outros países. “A ideia foi evitar que nossos fornecedores quebrassem”, diz Maggio.

O governo brasileiro também, segundo o executivo, colaborou ao incluir as peças vindas de outros países na lista de componentes do regime Ex-Tarifário, que reduz ou isenta, temporariamente, o Imposto de Importação de produtos sem similar no Brasil.

A empresa não revela o tamanho do prejuízo que leva, agora, à reconstrução da fábrica que só será concluída no fim de 2027. Uma parte será arcada pela seguradora das instalações. No início de janeiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a aprovação de financiamento de R$ 500 milhões para a Toyota utilizar na modernização da fábrica de Sorocaba e recuperação da unidade de Porto Feliz. Mas, segundo Maggio, a direção da montadora considerou as taxas de juros elevadas e, assim, optou por complementar os valores com recursos próprios.

Como parte do ciclo de investimentos de R$ 11,5 bilhões, em curso, a fábrica de carros de Sorocaba, vizinha a Porto Feliz, entra na fase final de expansão que será inaugurada no fim do segundo semestre. Quando as obras forem concluídas, a linha de produção da unidade mais antiga, em Indaiatuba (SP), será transferida para Sorocaba.

Depois do vendaval, parte dos 800 funcionários de Porto Feliz foi transferida para Sorocaba e outra parte entrou em revezamento de “layoff” (suspensão temporária do contrato de trabalho).

Por enquanto, a Toyota não sabe qual será o destino da unidade em Indaiatuba a despeito das inúmeras informações que circulam no mercado sobre o interesse de montadoras chinesas que planejam produzir no Brasil em comprar a fábrica da japonesa.

Maggio diz ter tido a sorte de encontrar uma instalação que acabava se de ser construída para guardar os equipamentos e, agora, abrigar a linha de manufatura dos motores. A DVR Galpões Logísticos também teve sorte ao encontrar logo um inquilino desse porte. DVR tornou-se até o nome que a Toyota usa internamente para denominar o novo espaço.

Depois do susto, a Toyota entra em nova fase. Além de já aproveitar a linha na DVR para produzir motores para seu novo lançamento, o Yaris Cross, a empresa se prepara para instalar no Brasil seu primeiro laboratório de pesquisa de biocombustíveis do mundo.

Quarenta engenheiros que atuarão no laboratório já iniciaram treinamento de ponta em centros de competência da Toyota espalhados pelo mundo, como Europa e Tailândia, além do Japão.

“A matriz entendeu que o conhecimento brasileiro nessa área é grande”, diz Maggio. “O motor flex (que pode ser abastecido com gasolina ou etanol), e que agora equipa híbridos, nasceu da incerteza no fornecimento de um tipo de combustível e deu ao consumidor a liberdade da escolha”, diz.

A discussão do potencial do uso do etanol, segundo Maggio, se intensificou com a COP30. “O debate agora gira em torno de meios de estimular o consumidor, que ganhou o direito de escolha, a optar pelo etanol”.

Valor - SP   04/02/2026

Empresas de transporte na Alemanha, Bélgica e Áustria estão adicionando ônibus elétricos fabricados na China às suas frotas, com operadores afirmando que eles são mais baratos e de melhor qualidade

Ônibus elétricos fabricados pelas empresas chinesas BYD e Yutong estão se tornando cada vez mais populares na Alemanha e em países vizinhos, apesar das preocupações na Europa sobre ceder o controle da infraestrutura para empresas chinesas.

Empresas de transporte na Alemanha, Bélgica e Áustria estão adicionando ônibus elétricos fabricados na China às suas frotas, com operadores afirmando que eles são mais baratos e de melhor qualidade.

"O preço é bom, mas a qualidade, a segurança e a confiabilidade foram fundamentais para a decisão de compra", disse Horst Bottenschein, presidente da empresa de ônibus de passageiros Bottenschein Reisen.

A empresa espera receber sete ônibus BYD em junho, após o primeiro ter entrado em operação em setembro em Laupheim, uma cidade no sudoeste da Alemanha.

Bottenschein, que gerencia as compras para diversas empresas de transporte público na região, foi convidado para a fábrica da BYD em Shenzhen no ano passado. Ele afirmou que os ônibus BYD - que podem operar em turnos de oito horas com a bateria totalmente carregada - são "significativamente mais baratos" do que os de fabricação europeia. Outras empresas de transporte sugeriram que os ônibus da BYD eram cerca de 100 mil euros (US$ 117 mil) mais baratos do que os da MAN ou da Daimler Buses, da Alemanha, que geralmente custam cerca de 600 mil euros cada.

Além do preço, o design da BYD também era mais prático.

“Ao contrário dos ônibus de fabricantes nacionais, que carregam as baterias no teto e na traseira, a BYD colocou [três de suas cinco] baterias sob o piso, o que proporciona ao motorista um centro de gravidade mais seguro, e as baterias da BYD são menos propensas a pegar fogo em caso de acidente”, disse Bottenschein.

A BYD afirma que suas baterias de fosfato de ferro-lítio blade são menos suscetíveis a pegar fogo, mesmo quando severamente danificadas. Em termos de manutenção e reparos, a BYD se comprometeu a firmar parceria com uma oficina conveniada perto de Laupheim.

As empresas de transporte da Alemanha estão sob pressão para modernizar suas frotas, já que os ônibus a diesel não poderão mais circular nas cidades a partir de 2030, salvo em circunstâncias excepcionais.

Embora os ônibus fabricados na Europa ainda sejam a norma, os modelos produzidos na China detinham 21% do mercado em 2024, com a BYD e a Yutong respondendo pela maior parte das vendas, segundo a consultoria McKinsey. O reconhecimento da marca também era alto, com metade das empresas operadoras familiarizadas com as principais marcas chinesas de ônibus.

Um gerente de uma empresa de transporte público no estado da Renânia-Palatinado, no oeste da Alemanha, afirmou que um teste com os ônibus da Yutong foi bem-sucedido, sugerindo que a empresa chinesa provavelmente vencerá uma licitação futura.

"A Yutong foi identificada como a favorita, apresentando desempenho significativamente melhor em termos de qualidade percebida, desempenho na direção e consumo de energia", disse o gerente, que pediu anonimato.

Embora o teste tenha sido realizado em um ônibus de três anos que atendia a Varsóvia e já havia rodado mais de 100 mil quilômetros, o veículo ainda estava em boas condições e seu software era "especialmente convincente", disse ele. Com isso, o gerente quis dizer que o software da Yutong permitiu que sua empresa implementasse sistemas integrados de planejamento, despacho, telemática e bilhetagem muito mais rapidamente do que qualquer outro software que ele já havia utilizado.

Em Mechelen, na vizinha Bélgica, um porta-voz da operadora de transporte público De Lijn disse ao “Nikkei Asia” que a empresa havia concedido à BYD um contrato para até 500 ônibus elétricos. Em junho, a De Lijn lançou seus primeiros ônibus elétricos da BYD na região de Antuérpia.

"O custo do ciclo de vida foi o principal ponto na seleção final, juntamente com as garantias, inclusive das baterias, e o consumo de eletricidade", disse o porta-voz, acrescentando que os problemas iniciais foram resolvidos rapidamente pelas equipes de serviço da BYD Europa.

Nos termos do contrato da De Lijn, os ônibus devem ser montados na fábrica da BYD na cidade húngara de Komárom para atender às diretrizes da União Europeia sobre a criação de valor no continente. A BYD planeja construir sua segunda fábrica de montagem de ônibus lá para triplicar a capacidade de produção para 1.250 ônibus e caminhões elétricos por ano.

Mas na cidade austríaca de Salzburgo, políticos estão indignados com um subsídio de 10 milhões de euros para a transição verde concedido à Yutong depois que a operadora de transporte público Albus escolheu a empresa para fornecer 34 ônibus elétricos, principalmente devido a preocupações com espionagem e dependências estratégicas.

Em outubro, um estudo da Ruter, autoridade de transporte público de Oslo, mostrou que os ônibus da Yutong têm uma conexão permanente de dados com a China, já que suas atualizações de software são baixadas do país. Essa conexão não apenas abre a possibilidade de manipulação pelo Estado chinês, mas também, teoricamente, permite a transmissão de dados de volta para a China — incluindo informações sobre bases militares e infraestrutura crítica — e até mesmo espionagem de passageiros.

"As conclusões da Ruter surgiram depois de Albus ter fechado o acordo com a Yutong, pelo que iremos apresentar uma moção na próxima reunião do parlamento estadual de Salzburgo, a 4 de fevereiro, exigindo que a proteção das infraestruturas críticas seja tida em conta nos concursos e financiamentos públicos", afirmou Simon Heilig-Hofbauer, vice-líder do grupo parlamentar dos Verdes de Salzburgo.

"Meu objetivo é iniciar um debate sobre essas dependências e os riscos associados à nossa infraestrutura crítica, além de conscientizar líderes políticos e administrações públicas sobre essas questões", afirmou.

Essas preocupações encontram eco em Berlim. Roderich Kiesewetter, oficial aposentado de alta patente da Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha) e deputado pelo partido conservador União Democrata Cristã (CDU), declarou ao “Nikkei Asia” que o transporte público deveria estar sujeito a rigorosos requisitos de mitigação de riscos.

Em dezembro, o ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, criticou duramente a empresa ferroviária estatal Deutsche Bahn por encomendar 200 ônibus interurbanos elétricos da BYD. Klingbeil defendeu um "patriotismo local saudável" para que os contratos sejam concedidos a fabricantes alemães ou europeus.

Infomoney - SP   04/02/2026

A Volkswagen vai produzir no Brasil uma â  nova picape voltada ao mercado brasileiro e latino-americano, com possibilidade também de exportação para outras regiões, anunciou o presidente-executivo da montadora no país, Ciro Possobom.

O modelo, projetado e desenvolvido no Brasil, vai se chamar Tukan e será fabricado na unidade de São José dos Pinhais (PR) em 2027. A montadora vai investir R$3 bilhões no projeto, parte de um aporte de R$20 bilhões previsto para a América do Sul até 2028, sendo R$16 bilhões para o Brasil.

“É para nós um segmento inédito no mercado de picapes”, afirmou Possobom à Reuters em entrevista na segunda-feira.
“A Tukan é feita aqui, não existe no mundo. Foi desenhada aqui, feita aqui, com engenharia e design locais. É uma plataforma para a América Latina e pode se tornar global, porque vários países já demonstraram interesse”, disse.

A nova picape terá uma versão em tom amarelo, em uma alusão à seleção brasileira de futebol, após a Volkswagen anunciar que será patrocinadora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Atualmente, no segmento de picapes, a Volkswagen comercializa no país a Saveiro e a Amarok, esta última produzida na Argentina. A montadora também já informou que vai comercializar uma nova geração da Amarok.

“A Tukan e a nova Amarok fazem parte da nossa nova ofensiva no mercado de picapes. É um mercado grande, representa quase 18% das vendas no Brasil, e precisamos estar presentes’, disse Possobom.

‘Esse mercado cresce muito por causa do agronegócio e pela grande quantidade de estradas não pavimentadas no Brasil e na Argentina, o que exige um veículo â  robusto.”

Possobom se mostrou otimista â  com o mercado automobilístico brasileiro em 2026. Ele espera um aumento das vendas da Volkswagen de dois dígitos, mantendo a liderança nacional pelo quarto ano consecutivo. O executivo citou o bom desempenho de modelos como Polo, T-Cross, Taos, Tiguan e o recém-lançado Tera.

“Em janeiro já crescemos nosso market share em um ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025. Fechamos dezembro com 18%. Acreditamos que podemos, como fizemos em 2025, crescer três vezes mais que a média do mercado. Temos ambição e produtos para isso”, disse.

A esperada trajetória de queda da taxa Selic, possivelmente a partir de março, pode acelerar as vendas internas, segundo o executivo.

“Juros menores ajudam muito. Hoje, o juro para automóvel zero no Brasil está em aproximadamente 28% ao ano. Qualquer sinalização de queda ajuda tanto o setor quanto o restante da economia”, afirmou.

Jornal de Brasília - DF   04/02/2026

As vendas de veículos novos no Brasil registraram queda de 0,38% em janeiro de 2026 em comparação com janeiro de 2025, com 170,5 mil unidades comercializadas, segundo balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em relação a dezembro de 2025, houve retração de 38,96%. No entanto, considerando os emplacamentos totais de todos os segmentos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos, o mercado cresceu 7,42% na comparação anual, totalizando 366.713 unidades, apesar de um dia útil a menos. Comparado a dezembro, os emplacamentos caíram 25,54%, o que é considerado típico para o primeiro mês do ano devido ao período de férias e ao menor ritmo da atividade econômica.

Para o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o desempenho demonstra a resiliência da demanda por veículos novos, mesmo com dificuldades no crédito devido às taxas de juros elevadas. “O resultado confirma que o setor inicia 2026 com bases consistentes. Mesmo com menos dias úteis na comparação anual, observamos crescimento real do mercado, o que demonstra manutenção da demanda”, afirmou em nota.

O segmento de motocicletas se destacou com alta de 17,49% em relação a janeiro de 2025 e queda de 7,57% ante dezembro de 2025. O crescimento é atribuído à procura por serviços de entrega, mobilidade individual e ao aumento do uso de consórcios. “O segmento de motocicletas mantém trajetória consistente de expansão. Trata-se de um movimento ligado a mudanças no perfil de mobilidade e no comportamento do consumidor”, comentou Arcelio Junior.

Já o mercado de caminhões iniciou o ano com retração de 34,67% na comparação anual, ainda sem refletir o impacto do Programa Move Brasil, que oferece crédito para compra de caminhões. A Fenabrave espera que os efeitos do programa sejam observados nos próximos meses. “O desempenho do segmento está diretamente ligado ao nível de atividade econômica, ao comportamento do agronegócio e ao custo do crédito para aquisição de veículos pesados e, com o Move Brasil, esperamos uma retomada nos emplacamentos, principalmente, entre os caminhões pesados, que representam 45% do mercado”, disse o presidente da entidade.

Em relação aos automóveis e veículos leves, o desempenho foi estável, com aumento de 1,64% ante janeiro de 2025 e queda de 39,17% em relação a dezembro de 2025. “Os veículos leves iniciam 2026 mantendo o nível de atividade. O mercado segue sensível às condições de financiamento, mas demonstra capacidade de sustentação do volume”, afirmou Arcelio Junior.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   04/02/2026

O Ministério dos Transportes confirmou a devolução para a União 3.001 quilômetros de ferrovias não operacionais pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Apenas no Ceará, são 600 km, com trilhos ligando Fortaleza ao Crato.

Para tanto, o Governo Federal aguarda para este mês de fevereiro um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que analisa a viabilidade de transformar os trechos não operacionais em sistemas de transportes de passageiros.

As informações são do secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro. Ele visitou o Ceará na sexta-feira (30) para acompanhar as obras da Ferrovia Transnordestina. Segundo ele, após a devolução da malha não operacional o foco será converter esses ativos em benefícios para a população.

Estamos fazendo estudos finais para que a gente possa destinar os trechos que não são operacionais para VLT (veículo leve sobre trilhos), para mobilidade urbana, para outras destinações também relevantes para a sociedade, afirmou o secretário.

Segundo ele, o ministério utilizará um novo procedimento de chamados públicos para atrair o setor privado, que já demonstrou sinais de interesse em recuperar essa infraestrutura.
ACORDO E DEVOLUÇÃO NO NORDESTE

Para a FTL, a entrega dessa malha é um passo estratégico para focar na operação e modernização do trecho de 1.237 km entre Fortaleza e São Luís (MA).

O diretor-presidente da FTL, Ismael Trinks, confirmou que o processo está avançado. Fechamos um acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União) e agora o processo seguiu para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). O nosso interesse é resolver isso e chegar a um ponto final o mais rápido possível, explicou Trinks sobre a devolução da malha operacional ociosa.
CONECTIVIDADE E TRENS REGIONAIS

Além do trecho Fortaleza-Crato, o Ceará já possui outros projetos em análise técnica pela Infra S.A., como a implementação de um trem regional ligando Fortaleza a Sobral e a expansão do VLT na região do Cariri, entre Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte.

Especialistas defendem que o uso dessas espinhas dorsais ferroviárias é essencial para integrar o transporte de pessoas com sistemas de ônibus, barateando custos e evitando congestionamentos.

Enquanto a malha não operacional é discutida, a FTL planeja investir mais de R$ 3 bilhões na modernização da linha ativa para o transporte de cargas, com a substituição de dormentes de madeira por concreto e melhorias urbanas nas cidades por onde o trem passa.

Embora o foco atual da Transnordestina seja o transporte de grãos e celulose, os contratos já preveem cláusulas que permitem o compartilhamento da infraestrutura entre carga e passageiros, caso surjam operadoras interessadas no serviço.

Fonte: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/uniao-aguarda-estudo-para-viabilizar-trens-de-passageiros-em-ferrovias-abandonadas-no-nordeste-1.3739192
VÁ ALÉM DA MANCHETE

O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.

A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.

Rodoviário

Diário do Comércio - MG   04/02/2026

A Associação Mineira de Municípios (AMM) protocolou, nesta terça-feira (3), uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) com pedido de medida cautelar para suspender o edital de concessão de trechos das rodovias federais, como BR-146, BR-257 e BR-365. A entidade questiona a atuação do governo estadual, apontando que há ilegitimidade na administração do processo.

A expectativa da entidade após a solicitação ao TCE-MG é que o certame, marcado para o próximo mês, seja suspenso até o julgamento do mérito da representação. O objetivo é evitar prejuízos aos cofres públicos e garantir a segurança jurídica do processo, cujo valor estimado ultrapassa R$ 4,7 bilhões.

Referente ao Lote 10 Noroeste, a representação alega a inexistência de termos ou convênios que autorizem o Estado a licitar e conceder os trechos, o que configuraria um “vício grave no objeto da licitação”. O documento também reforça que o objetivo é evitar prejuízos aos cofres públicos, garantindo a legalidade do processo licitatório.

O presidente da AMM, Luís Eduardo Falcão, destaca que a entidade não é contra concessões de rodovias ou investimentos privados. “Não se pode conceder rodovias federais sem que exista a transferência formal de competência da União para o Estado. Muito menos cobrar pedágios em rodovias que não tenham projeto de melhorias”, ressalta.

O dirigente acrescenta que há registros de que parte das rodovias incluídas no edital ainda estão sob competência federal e possuem previsão de investimentos diretos da União, algumas com projetos em fase de licenciamento ambiental. “Estamos diante de um edital com vícios graves de legalidade. Se esse processo avançar como está, o risco de prejuízo aos mineiros e de insegurança jurídica para o Estado é real e elevado”, reforça Falcão.

A representação menciona também que uma situação semelhante já ocorreu em concessões anteriores. Na época, as propostas acabaram sendo suspensas pela Justiça Federal e por órgãos de controle, gerando prejuízos e desgastes ao Estado.
Rodovias conectam Triângulo ao Norte de Minas e são importantes corredores logísticos

As rodovias incluídas no edital conectam o Triângulo Mineiro ao Norte de Minas Gerais, formando um corredor logístico para o escoamento de commodities relevantes do Estado, como leite, café e grãos, além de concentrar um elevado fluxo de passageiros.

Com a representação, Falcão afirma que a expectativa é que se concluam as obras previstas pelo governo federal e só depois discutam a cobrança de pedágio. “Se não houver recurso, que se faça uma concessão bem feita, com valores justos. Não é justo pagar pedágio em rodovia esburacada, que ainda precisa de melhorias”, argumenta.

A concessão das rodovias chegou a ser discutida em audiência pública e, segundo a entidade, houve manifestação contrária unânime. Com o avanço das tratativas, manifestantes chegaram a se organizar para barrar o projeto, mas a mobilização não teve efeito.

Para Falcão, o momento deve servir de lição para que prefeitos e população se reúnam futuramente em eventuais projetos e participem do debate. “É fundamental a participação de todos para aprimorar a modelagem e viabilizar concessões mais equilibradas”, acrescenta.

Procurada pela reportagem para comentar o assunto, a Advocacia-Geral do Estado informou que irá se manifestar nos autos do processo.
AMM alerta para redução no orçamento para estradas estaduais

Com cerca de 20 mil quilômetros (km) de rodovias pavimentadas em Minas Gerais, a AMM chama atenção para a redução do orçamento destinado à pavimentação e para os impactos na competitividade do Estado no médio e longo prazos. “Antes, o orçamento era de R$ 4,5 bilhões e hoje caiu para cerca de R$ 600 milhões. Isso preocupa, porque os recursos direcionados a agendas como Brumadinho e Mariana não serão permanentes. Quando esse ciclo acabar, que Minas Gerais queremos para o futuro?”, avalia Falcão.

O cenário gera ainda mais preocupação com a consolidação da Reforma Tributária, que prevê a redução do espaço para incentivos e isenções fiscais, nivelando a tributação entre os estados. “Nesse momento, a infraestrutura será o nosso elemento de competitividade. Se não plantarmos agora, como Paraná, Goiás, Mato Grosso, não estaremos preparados”, finaliza o dirigente.

NAVAL

A Tribuna - SP   04/02/2026

O crescimento do Porto de Santos passa diretamente pela expansão da poligonal (área oficial). Hoje, ela tem 7,8 milhões de metros quadrados (m²). Uma possível autorização integral por parte do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) ao pleito da Autoridade Portuária de Santos (APS) fará com que o complexo santista amplie a poligonal para 20,4 milhões de m², quase triplicando o espaço.

“Fomos ousados no tamanho que o Porto de Santos precisa e merece”, afirma o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini. “São áreas em quatro cidades - Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá - que vão permitir a condução de um planejamento portuário eficiente e assertivo. Estamos tendo a responsabilidade de preparar o Porto de Santos para os próximos 20 anos”, emenda.

Áreas
A área mais visada do plano de expansão do Porto é a Vila dos Criadores, na Alemoa, em Santos, de 420 mil m². Contudo, trata-se de um terreno contaminado pelo antigo lixão e ocupado por cerca de 5 mil pessoas. Localizada junto ao Rio Casqueiro, no limite entre Santos e Cubatão, a área está envolvida em um imbróglio jurídico que se arrasta há 23 anos. O Ecopátio, que fica em Cubatão, também havia sido alvo da solicitação de inclusão.

Em janeiro do ano passado, a Prefeitura de São Vicente ofertou à APS um espaço verde localizado na Área Continental, de 6,2 milhões de m². A região equivale a 574 campos de futebol e fica entre o Conjunto Residencial Humaitá e a margem do Rio Santana, próximo ao km 280 da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega.

O Município também ofereceu o Porto de Naus, ruína histórica situada sobre uma área de 850 mil metros quadrados, onde foi construído o primeiro trapiche alfandegado do Brasil e, depois, um engenho de açúcar, próximo à Ponte Pênsil. O objetivo é ter novos acessos hidroviários nessas regiões.

A expectativa de Anderson Pomini é de que o MPor autorize primeiramente parte do que foi solicitado pela APS para inclusão na poligonal do Porto, que seria a Vila dos Criadores e algumas áreas de São Vicente.

O presidente da APS argumentou que a Secretaria Nacional de Portos (SNP) havia pedido mais prazo por conta de muitos estudos sobre os quesitos técnicos apresentados pelo Porto de Santos (justificativas, acesso, se tem área pública ou privada, se haverá necessidade de indenização ou não). Porém, lembrou o gestor do Porto, algumas áreas que foram analisadas já estão 100% prontas para que sejam incluídas na poligonal.

“Esta proposta foi construída a partir de demandas e informações manifestadas junto à APS nos últimos cinco anos. O mercado sinaliza suas necessidades a partir do contexto de crescimento da economia e do comércio exterior. Temos que respeitar a legislação ambiental, ouvir as cidades e propor caminhos para que o Porto de Santos atenda ao crescimento do Brasil nas próximas décadas”, argumenta o presidente da APS.

Prazo e muito cuidado
O secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, lembra que, de forma geral, poligonal é sempre um tema sensível justamente por impactar diversos assuntos e, por consequência, tem de ser tratado com muito cuidado e debate.

“Nós estamos fazendo uma revisão final junto ao ministro (de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho) do que vai ser essa proposta final de ajuste da poligonal. Isso deve provavelmente acontecer agora em fevereiro, mas não é algo que necessite ou que tenha obrigatoriamente um dia e um mês específico para ser deliberado. Será assim que o processo estiver concluso, com a maturidade necessária e com todas as análises devidamente feitas”, afirma.

O Estado de S.Paulo - SP   04/02/2026

O Senado Federal vai apreciar a Medida Provisória (MP) sobre o programa “Gás do Povo” nesta tarde, com um texto ampliado significativamente em relação à proposta encaminhada pelo governo. Um dos destaques é a anexação integral de outra MP, que trata da concessão de cotas diferenciadas de depreciação acelerada para navios-tanque novos produzidos no Brasil, em incentivo para a indústria naval e para o setor de petróleo.

A Câmara dos Deputados aprovou ontem a Medida Provisória que viabiliza o programa para a distribuição gratuita de gás de cozinha, que deve beneficiar cerca de 17 milhões de famílias e é bandeira eleitoral de Lula. Foram 415 votos favoráveis, 29 contrários e duas abstenções.

Tanto o texto sobre o Gás do Povo quanto a MP com incentivos para a indústria naval e para o setor de petróleo estão com prazo de validade apertado e precisam ser aprovados neste mês de fevereiro. A Câmara juntou os textos.

Agora, também na MP sobre o gás de cozinha, está prevista a concessão de cotas diferenciadas de depreciação acelerada para navios-tanque novos produzidos no Brasil, especificamente aqueles destinados ao ativo imobilizado e empregados na cabotagem de petróleo, seus derivados e derivados de gás natural.

Pela proposição, o governo federal poderá, por meio de decreto, autorizar cotas diferenciadas de depreciação acelerada para navios-tanque e embarcações de apoio marítimo produzidos no Brasil, conforme índices mínimos de conteúdo local definidos por ato do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A lei que trata da concessão de cotas diferenciadas de depreciação acelerada para máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos em determinadas atividades econômicas foi aprovada em 2024. A renúncia fiscal estava limitada a R$ 1,6 bilhão.

Com a MP sobre navio-tanque, o limite de renúncia fiscal foi acrescido em R$ 800 milhões. A junção dos dois textos será votada nesta tarde no Senado.

A Tribuna - SP   04/02/2026

O Porto de São Sebastião, no Litoral Norte, sempre foi destaque pela profundidade natural do canal de navegação, que possui de 25 a 42 metros em alguns pontos (o de Santos tem entre 14 e 15). Nos últimos anos, porém, a trajetória de alta na receita e a ampliação das operações chamam a atenção.

O complexo, que completou 71 anos no dia 20 de janeiro, vive um cenário marcado pela retomada da movimentação de cargas e fortalecimento da relevância estratégica para o estado de São Paulo.

O porto encerrou 2025 com receita recorde de R$ 75 milhões, crescimento de 29% em relação a 2024, alcançando o melhor resultado financeiro e operacional dos últimos cinco anos. O desempenho consolida uma fase de inflexão após longo período de estagnação.

Inaugurado em janeiro de 1955 como alternativa estratégica ao eixo Santos-Capital, o porto só atingiu operação plena em 1963. Ao longo de mais de sete décadas, sua trajetória foi marcada por ciclos de expansão, readequações e desafios operacionais.

A história, no entanto, antecede sua inauguração. Em 1934, a União autorizou o Estado de São Paulo a construir e explorar o terminal, em um contexto de expansão da infraestrutura portuária nacional.

Vantagens

Entre os principais diferenciais do Porto de São Sebastião está o canal natural profundo, que permite a atracação de navios de grande calado sem necessidade de dragagens frequentes — uma vantagem competitiva rara no sistema portuário brasileiro.

A logística de acesso também passou por uma transformação estrutural. Com a entrada em operação do Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios, o tempo médio de deslocamento entre Caraguatatuba e o porto foi reduzido de cerca de 45 minutos para apenas 16 minutos, eliminando gargalos históricos no escoamento de cargas no Litoral Norte.

Em 2024 e 2025, a movimentação de cargas superou em mais de 50% a média anual registrada até 2023. No biênio, foram 2,96 milhões de toneladas movimentadas — 1,53 milhão em 2024 e 1,44 milhão em 2025 — patamar superior ao de período equivalente nos quatro anos anteriores.

Em 2025, as principais mercadorias movimentadas foram açúcar (473,9 mil toneladas), barrilha (380,9 mil toneladas), malte e cevada (209 mil toneladas) e coque de petróleo (105 mil toneladas). Após cerca de 25 anos, o porto voltou a operar a movimentação de trigo — retomada considerada simbólica pela atual administração.

Administrado pela Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), vinculada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o local passa por um processo de reorganização administrativa baseado em previsibilidade operacional, eficiência logística e reinvestimento da receita.

“A recuperação não é pontual, ela está ligada a decisões estruturais que reposicionam o Porto no sistema logístico paulista”, afirma o diretor-presidente da CDSS, Ernesto Sampaio.

Investimentos privados

Segundo a Companhia Docas de São Sebastião, está previsto para o segundo semestre de 2026 o leilão do SSB01, conduzido pelo Governo Federal.

Trata-se de um terminal multipropósito que prevê R$ 2,5 bilhões em investimentos privados em uma área de 426 mil metros quadrados (m²), com a construção de um píer e dois novos berços de atracação. A ampliação pode elevar em até 187% a capacidade operacional, com potencial para atingir a movimentação de 4,3 milhões de toneladas de granéis por ano, além de 1,3 milhão de contêineres.

Esse projeto está previsto pelo Ministério de Portos e Aeroportos para o ano passado, depois passou para o primeiro semestre deste ano. E agora tem novo prazo.

Como parte da preparação para o aumento da movimentação, o Porto colocou em operação dois pátios de triagem com cerca de 300 vagas para caminhões, iniciativa que contribui para a redução do trânsito no entorno urbano e para a melhoria das condições de trabalho dos motoristas.

A agenda ambiental também ganhou protagonismo. O desempenho rendeu 96,31 pontos no Índice de Desempenho Ambiental da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), além do 7º Prêmio Antaq, na categoria Desenvolvimento Ambiental.

No eixo ESG, o Porto de São Sebastião conquistou o segundo lugar na categoria Desempenho ESG – Portos Públicos, no XII Congresso Internacional de Desempenho Portuário (Cidesport).

Valor - SP   04/02/2026

A Comissão Europeia incentivará as autoridades públicas que compram navios ou equipamentos a selecionar fornecedores com base em fatores não relacionados ao preço, como sustentabilidade

A Comissão Europeia deverá propor medidas destinadas a garantir que mais navios e outros bens e serviços para o setor de transporte marítimo da União Europeia sejam produzidos no bloco, de acordo com um documento preliminar visto pela Reuters nesta terça-feira.

As propostas "Made in UE" serão apresentadas na próxima semana, uma semana antes de o executivo da UE anunciar uma iniciativa mais ampla para priorizar produtos fabricados localmente, um plano que dividiu os países da UE.

No que diz respeito ao transporte marítimo, o projeto afirma que a Comissão incentivará as autoridades públicas que compram navios ou equipamentos a selecionar fornecedores com base em fatores não relacionados ao preço, como sustentabilidade e se um item é fabricado na UE.

Isso poderia impulsionar a produção de balsas, navios de pesquisa, quebra-gelos e rebocadores na UE, segundo o documento.

No setor privado, a procura por embarcações fabricadas na UE poderia ser incentivada, proporcionando aos armadores um acesso mais fácil ao financiamento, área na qual o Banco Europeu de Investimento poderia desempenhar um papel importante.

O executivo da UE deverá apresentar propostas no dia 10 de fevereiro para reforçar os setores da construção naval e do transporte marítimo do bloco, bem como a segurança e a sustentabilidade dos seus portos, no âmbito de uma estratégia global para impulsionar a competitividade.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   04/02/2026

De acordo com dados recentes divulgados no Encarte de Consolidação da Produção 2025 Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural da ANP*, três FPSOs operados pela MODEC estão entre os 10 maiores produtores do Brasil. O FPSO Guanabara MV31 se destacou como o principal produtor de óleo e gás do ano de 2025, mantendo o posto alcançado também em 2024 e 2023. Já os FPSOs Carioca MV30 e Almirante Barroso MV32 ficaram em quarto e quinto lugares, respectivamente.

“Essas unidades representam a robustez técnica da MODEC, tanto dos profissionais na linha de frente operacional a bordo quanto das equipes em terra, que oferecem todo o suporte necessário. Juntas, entregam alta eficiência, com operações estáveis e seguras, contribuindo para os resultados dos clientes e para a produção nacional de energia”, afirma Rodrigo Rocha, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da MODEC no Brasil.

Com foco em inovação e eficiência operacional, em 2025, a empresa avançou em projetos estratégicos que reforçam a sua atuação no país e sustentam um cenário otimista para 2026. Entre os principais destaques do ano estão a entrada em operação do FPSO Bacalhau, da Equinor, um dos maiores e mais tecnológicos já construídos para águas brasileiras, a assinatura do contrato para o desenvolvimento do FPSO Gato do Mato – projeto Orca, com a Shell Brasil e avanços na construção do FPSO Raia, também da Equinor.

Perspectivas para 2026

Com o olhar voltado para o futuro, a MODEC prevê que 2026 será um ano estratégico para seu plano de médio prazo. A companhia está alinhada ao Mid Term Plan global, que tem como meta, nos próximos dez anos, consolidar a MODEC como o melhor construtor e operador de FPSOs do mundo, com a menor pegada de carbono do setor.

Além de manter altos padrões de segurança e performance operacional, a empresa também avança em iniciativas voltadas à digitalização, eficiência energética e à formação de profissionais para apoiar o crescimento sustentável do setor no Brasil. “Temos um compromisso claro com a excelência operacional, a inovação e a redução das emissões de carbono”, reforça Rodrigo Rocha.

Petro Notícias - SP   04/02/2026

A Shell Brasil firmou acordo para vender 20% de participação no Projeto Orca para a Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company (KUFPEC). O Orca é um projeto em águas profundas na área do pré-sal da Bacia de Santos. Após a conclusão da transação, a Shell continuará como operadora, mantendo 50% de participação. A empresa diz que o acordo reforça a alocação disciplinada de capital no portfólio global da Shell e mantém a companhia como a maior produtora estrangeira de petróleo e gás no país. A operação também fortalece a parceria estratégica entre Shell e KUFPEC em diversos mercados de Upstream.

Peter Costello, presidente de Upstream da Shell, disse que “Estamos satisfeitos em receber a KUFPEC como parceira no Orca, um projeto essencial para sustentar a produção de líquidos do nosso portfólio de Upstream. Com esse avanço, esperamos ampliar os bons resultados da nossa colaboração com a KUFPEC no Egito. Esse movimento aprofunda ainda mais nosso compromisso de longo prazo e nossa parceria estratégica no Kuwait, em alinhamento com a forte colaboração que mantemos com a Kuwait Petroleum Corporation.” A transação está sujeita à aprovação regulatória, ao exercício de direitos preferenciais e às condições de fechamento. A conclusão é esperada até o final de 2026.

O Projeto Orca é um desenvolvimento unitizado que abrange o Contrato de Concessão BM-S-54 e o Contrato de Partilha de Produção (CPP) de Sul de Orca. Antes da entrada da KUFPEC, os contratos tinham como participantes a Shell (operadora, com 70% de participação), a Ecopetrol (30%) e a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), como gestora do CPP. Com a conclusão da transação, a estrutura será: Shell (operadora) com 50%, Ecopetrol com 30% e KUFPEC com 20%. Os parceiros do Orca tomaram a decisão final de investimento em março de 2025. A Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company (KUFPEC) atua internacionalmente em exploração, desenvolvimento e produção de petróleo bruto e gás natural fora do Kuwait.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   04/02/2026

Entidades do agronegócio brasileiro articulam medidas internas que mitiguem os impactos das salvaguardas agrícolas regulamentadas na União Europeia (UE). O movimento antecede a ratificação do acordo comercial entre Mercosul e o bloco europeu pelo Congresso Nacional.

Segundo apurou o Broadcast Agro/Coluna do Estadão, o setor produtivo vai aproveitar a reabertura dos trabalhos no Legislativo para buscar apoio parlamentar, em especial da bancada agropecuária. A ideia é estruturar um pacote de medidas que deem “garantias” ao agronegócio nacional de acesso ao mercado europeu quando o acordo entrar em vigor.

O receio do setor é de que as salvaguardas agrícolas aprovadas pelo bloco europeu na Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que entra em vigor no fim deste ano, neutralizem os benefícios do tratado Mercosul/UE.

Há um temor de que as medidas limitem a exportação de produtos brasileiros e anulem os efeitos dos tratamentos preferenciais no escopo do acordo dos dois blocos. O alerta já foi levado por lideranças do setor produtivo também ao governo federal, segundo interlocutores.

A demanda do agronegócio é para que haja uma regulação específica de quais serão as contramedidas nacionais, no âmbito do que rege a Organização Mundial do Comércio (OMC), caso a Europa não cumpra ou suspenda parcialmente os efeitos do acordo por regulações próprias para mitigar os impactos.

Os mecanismos podem passar pela lei da reciprocidade econômica ou por instrumentos de defesa comercial, segundo as fontes. Essas contramedidas, segundo as fontes, não precisam ser restritas ao agronegócio e podem envolver concessões tarifárias em outros segmentos, como na indústria, ou no mesmo setor, como, por exemplo, no tratamento preferencial à entrada de lácteos europeus no Mercosul.

O assunto está na mesa das principais entidades do setor, que buscam uma posição de consenso e unificada a respeito das medidas consideradas necessárias. O tema será levado para a primeira reunião de diretoria da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) deste ano, nesta terça-feira, 3.

Os instrumentos pelos quais esses mecanismos serão propostos, como eventualmente decretos, passarão também pelo diálogo parlamentar. O setor produtivo, inclusive, tende a condicionar o apoio público à ratificação ao pacote de contramedidas.

O movimento ocorre em meio à perspectiva de que o acordo seja apreciado pelo Legislativo. O Congresso Nacional aguarda ainda o envio do texto pelo Executivo, mas os presidentes das Casas sinalizam que a avaliação do acordo tende a ser uma das prioridades do Congresso na retomada dos trabalhos legislativos e antes do feriado de Carnaval.

Há outras medidas em discussão, detalhadas abaixo.

Gatilho da União Europeia pode limitar produtos agrícolas mesmo após acordo com Mercosul

O regulamento das salvaguardas agrícolas estabelecido pela UE prevê um gatilho de 5% para o limite que aciona as cláusulas sobre produtos agrícolas considerados sensíveis. Isso inclui intervenção da Comissão Europeia e observa condicionantes como a redução dos preços domésticos na Europa.

A EUDR também vai proibir a importação pelo bloco europeu de commodities ligadas ao desmatamento a partir de dezembro de 2020 e exigir a rastreabilidade do produto. A legislação da UE sobre Limites Máximos de Resíduos (LMRs) de pesticidas também é citada entre os regulamentos externos ao acordo.

Na prática, essas medidas condicionam a entrada dos produtos agropecuários no mercado europeu, para além das tratativas do acordo comercial dos dois blocos Mercosul/UE.

Para representantes do setor, os gatilhos propostos nas salvaguardas agrícolas desconsideram particularidades da produção agropecuária, como eventuais aumentos de preço decorrentes de quebras de safra, e têm cunho protecionista.

“É um gatilho com objetivo de fechar o mercado europeu. Líderes europeus falam abertamente que a UE vai impedir a entrada de produtos agropecuários do Mercosul”, avaliou uma liderança.

Representantes do setor citam ainda que, com base no crescimento do fluxo comercial entre 2025 e 2024, a exportação de uma série de produtos agropecuários acionaria as salvaguardas agrícolas, com avanços superior a 5%, mesmo antes das condições tarifárias diferenciadas previstas no pacto comercial.

Um dos exemplos é a carne bovina, que segundo estimativas do setor, com a desgravação tarifária e com volume crescente de exportações, o comércio da proteína brasileira à UE acionaria o gatilho das salvaguardas já no primeiro mês de acordo.

A preocupação do setor se dá também quanto à abrangência da lista de produtos sujeitos às salvaguardas, já que a normativa aponta que a lista pode ser ampliada.

“Há necessidade de uma regulação interna sobre quais serão os procedimentos adotados quanto a UE acionar os gatilhos da salvaguarda e suspender o tratamento preferencial. Queremos a garantia de que o setor não vai pagar a conta do acordo, de que abriremos o mercado do lado de cá e teremos acesso do lado de lá”, argumentou a liderança.

“O agronegócio é o único setor sujeito às salvaguardas, portanto, é natural o desejo de garantias de acesso real”, continuou.

Entre os pleitos do setor produtivo está também a regulação do funcionamento do mecanismo de reequilíbrio de concessões, previsto no acordo. “Há uma série de mecanismos que podem ser discutidos também do lado de cá, já que há abertura e concessão de mercados pelo Mercosul. O momento geopolítico é favorável para o lado sul-americano propor o tema sem ensejar recuos da UE, já que a regulamentação interna deles está clara”, apontou uma fonte do setor que acompanha as tratativas.

Essas medidas, segundo especialistas em comércio exterior, não implicam na ratificação do acordo pelo Parlamento por não alterar o teor do que foi acordado e assinado entre os blocos. “Elas funcionariam do mesmo modo do regulamento europeu: no âmbito interno sem interferir no acordo entre as partes”, explica uma fonte.

Apesar de não haver relação direta com a ratificação, as entidades avaliam que a discussão de mecanismos internos de regulamentação do acordo tem maior força política previamente ao aval do Parlamento ao acordo.

“No primeiro momento, há de ser aberta uma conversa técnica com os posicionamentos técnicos e fundamentados em dados. A estratégia a ser tomada, os desdobramentos e ações dependem da interlocução com os parlamentares e do encaminhamento político do tema”, relata um terceiro interlocutor.

Portal Fator Brasil - RJ   04/02/2026

A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é um marco histórico nas trocas comerciais no mundo. Os europeus desfrutarão de uma abertura de mercado para produtos de alto valor agregado, como os manufaturados (especiarias químicas, máquinas, equipamentos, veículos) e produtos agrícolas sofisticados (vinhos e outras bebidas alcoólicas, queijos, charcutaria, chocolates). Para o Mercosul, a principal vantagem advém da ampliação do mercado de produtos agropecuários.

No entanto, não se vislumbra um acordo de livre comércio, amplo e irrestrito. Apesar das décadas de negociação, e mesmo das aprovações, confirmações e assinaturas, ainda persiste uma forte oposição do setor agropecuário europeu, liderada pela França, Irlanda e Polônia, mesmo após a interposição das salvaguardas do Acordo. De nossa parte, exemplos como os avanços em produtividade, qualidade, rentabilidade e sustentabilidade, especialmente nos cultivos de grãos, enfraquecem os argumentos brandidos pelos agricultores europeus e nos conferem boas perspectivas para o médio prazo. Analisemos alguns aspectos do Acordo, que impactarão o futuro do comércio de produto agrícolas entre o Brasil e a União Europeia.

Alegações dos europeus — Iniciemos com as principais queixas dos produtores europeus, que ainda persistem, mesmo após as aprovações do Acordo, e que podem ser divididas em quatro pilastras fundamentais:

1. Assimetria de Padrões (Ambientais e Sanitários): Os produtores europeus argumentam que estão sujeitos a regras extremamente rigorosas do Green Deal (Pacto Ecológico Europeu – bit.ly/3NsQt62) que, em sua versão original, limitavam o uso de agrotóxicos, exigem altos padrões de bem-estar animal e metas rígidas de descarbonização. No tocante a agrotóxicos, critica-se que no Mercosul são utilizadas substâncias químicas proibidas na Europa. Também exigem as chamadas “cláusulas espelho”, ou seja, que os produtos importados sigam exatamente as mesmas exigências impostas aos produtores locais.

2. Concorrência Desleal e Custos de Produção: Devido à escala de produção e aos custos de terra e mão de obra mais baixos, os produtos sul-americanos (particularmente carne bovina, frango, soja, milho e açúcar) chegam ao mercado europeu com preços inferiores àqueles produzidos na UE. Por exemplo, os agricultores argumentam que a entrada em vigor da cota de 99 mil toneladas de carne bovina e volumes significativos de importação de carne de aves e açúcar, com tarifas reduzidas ou nulas, levará à falência milhares de pequenas propriedades rurais europeias, incapazes de competir no preço.

3. Impacto Ambiental e Desmatamento: Embora o acordo inclua compromissos com o Acordo de Paris, as ONGs e os lobbies agrícolas europeus alegam que o aumento das exportações incentivará o desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

4. Soberania e Segurança Alimentar: Existe um temor de que o acordo torne a Europa dependente de importações de produtos básicos, enfraquecendo a estabilidade rural do continente. Em países como a Irlanda e a França, o setor agropecuário é visto como parte da identidade cultural e da segurança nacional, e o acordo é frequentemente chamado pelos sindicatos rurais de “traição” dos governos.

O contraditório — Já tive diversas oportunidades de discutir esses argumentos, que são brandidos recorrentemente pelos europeus, em fóruns nos próprios países da Europa. Por vezes, o que é dito em público esconde, nos bastidores, uma situação diferente. Senão vejamos:

1. Assimetria de padrões: a. Sanidade agropecuária: estão em vigor acordos internacionais que impõem regras sanitárias comuns a serem observadas no comércio agrícola internacional, como o acordo SPS/OMC (bit.ly/4qUzc4a); o Codex Alimentarius da FAO/OMS (bit.ly/4sMkjT4), o IPPC (bit.ly/3NrHMcd), a OIE (bit.ly/3Ns1t3z), entre outros. Não bastassem essas regras gerais, muito rígidas, é comum serem pactuadas regras adicionais entre países ou entre blocos, que devem ser integralmente observadas para que o comércio efetivamente ocorra. Não é raro que, ao abrigo de supostos padrões técnicos, ocultem-se barreiras comerciais e protecionismos. Portanto, o argumento não se sustenta à luz do que efetivamente já ocorre na prática comercial.

b. Agrotóxicos: há uma polêmica estabelecida quanto ao termo “proibição”, que é sempre utilizado na argumentação, pelo impacto que causa. A interpretação mais aceita nos foros internacionais de caráter estritamente técnico, é que produtos químicos (agrotóxicos inclusos) são proibidos por razões toxicológicas (humanas ou ambientais) objetivas, pactuadas por meio de protocolos internacionais firmados pelos países. Portanto, o produto proibido lá também o é cá! Consideremos que a agricultura do Mercosul, em muitos aspectos, é diferente da europeia. Alguns cultivos importantes lá, não o são cá, e vice-versa. Pragas que ocorrem lá não necessariamente ocorrem cá, e vice-versa. Então, na prática, determinados pesticidas são registrados para uso na Europa e não o são cá, e vice-versa. Via-de-regra, não se trata de proibição stricto senso, mas de falta de necessidade de seu uso, e este tema foi profundamente analisado na última Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária (bit.ly/4sU1OfO). Entretanto, para respaldar o argumento, os agricultores europeus utilizam o raciocínio de que “se não está permitido, então está proibido”, independente da razão da não permissão de uso. Exemplos claros de efetiva proibição são o Protocolo de Montreal (bit.ly/49v8nh1), a Convenção de Minamata (bit.ly/4r6B75S), a Convenção de Estocolmo (pops.int/), a Convenção de Roterdã (pic.int/) e tanto os países da União Europeia, quanto o do Mercosul, estão comprometidos com o seu cumprimento. É importante registrar que o forte lobby dos agricultores europeus fez com que a UE retirasse do Green Deal a chamada lei dos pesticidas, que previa a redução de 50% do seu uso nas lavouras europeias (bit.ly/4qW). Aqui no Brasil, a soja é um dos exemplos práticos do esforço de redução de 50% ou mais do uso de agrotóxicos, pela implementação do Programas de Manejo de Pragas da Soja nas lavouras acompanhadas pela assistência técnica oficial do Paraná (bit.ly/4jEF6Us).

c. Cláusulas espelhos: Elas estão sendo implementadas (por exemplo, a EUDR – bit.ly/4jOXvhD), e o atraso é decorrente das críticas dentro das cadeias de importação e distribuição na própria Europa, pelos custos que impõem e pela dificuldade de sua implementação. Por serem impositivas, nada restaria aos membros do Mercosul a não ser cumpri-las. Portanto, o argumento é muito tênue.

2. Concorrência desleal e custos de produção: O que é denominado pelos europeus de concorrência desleal nada mais é que vantagem competitiva, derivada de vantagens comparativas naturais e de eficiência gerencial. O Brasil dispõe de escala de produção, ou seja, disponibilidade de área de cultivo e propriedades de grandes dimensões, que diluem custos fixos? Sim. É possível, cá nos trópicos, efetuar 2-3 cultivos na mesma safra agrícola, ao contrário de uma janela curta, de 3-4 meses, no Hemisfério Norte? Sim. Mas, mutatis mutandis, o mesmo se aplicaria aos produtos manufaturados da Europa (indústrias químicas, metalmecânica, eletrônica etc.), que podem trabalhar 365 dias, 24 horas por dia. E nenhum país do Mercosul reclama desta vantagem de escala das indústrias químicas ou de automóveis da Europa.

O busílis da questão do preço da mercadoria não se restringe ao custo de produção, mas configura uma combinação deste com eficiência de gestão, escala e sistemas de produção adequados. Afinal, temos que importar fertilizantes e pesticidas da própria Europa, pagando pelo preço de mercado e pelos fretes de longa distância (os europeus pagam um frete muito menor), e não reclamamos dos europeus por isto. O ponto central é que, além do exposto, os produtores brasileiros estão avançando em sistemas de produção que permitem maior produtividade, com alta rentabilidade, o que lhes confere uma margem segura no comércio internacional. Não temos culpa se o módulo rural europeu é menor (destarte os custos fixos por unidade de área são mais altos) e se a sua produtividade total dos fatores (PTF) tem se mantido baixa, tanto em relação à necessidade quanto para manter custos similares aos concorrentes. O Global Agricultural Productivity Report 2024 (bit.ly/3ZmrJ1S) alerta que o crescimento da PTF na UE estagnou em 0,7%, enquanto a meta para garantir a segurança alimentar sustentável até 2050 seria de 2 % ao ano. Redução de produtividade implica em menor competitividade no mercado. Em contrapartida, um exemplo com produtores brasileiros de alto nível –que servem de modelo para serem emulados pelos demais – pode ser visualizado no site do Comitê Estratégico Soja Brasil, CESB (cesbrasil.org.br), demonstrando a estreita associação de alta rentabilidade com elevadas produtividades, o que significa menor custo por unidade de soja produzida.

3. Impacto Ambiental e Desmatamento: Esse argumento pode ser analisado sob diferentes óticas. O aspecto central é a recorrente tentativa de associação entre expansão da produção agrícola e desmatamento desenfreado, no Brasil. Essa ilação já foi refutada com fatos e números pela Embrapa Soja, em um documento publicado em 2019 (bit.ly/4pFUCkl), destinada justamente a rebater argumentos colocados em um artigo produzido por autores europeus (bit.ly/4r6ivmy), em tudo semelhantes aos que são colocados no momento. Outros pontos a considerar são:

a. Desmatamento: O argumento colocado por europeus perde força se for verificado que, na União Europeia, restam menos de 1% da cobertura de florestas originais (bit.ly/4qC5L7m). Ou seja, na UE não é mais possível desmatar, porque não há áreas ainda por desmatar. Comparativamente, o Brasil preserva 65,6 % da cobertura florística original, dos quais 29 % são mantidos nas propriedades rurais (bit.ly/4qsphmm), às expensas dos agricultores. Independentemente desses fatos, as salvaguardas estabelecidas pelo Acordo impedem, na prática, qualquer avanço no desmatamento no Brasil, que não esteja conforme o estabelecido pelo Acordo de Paris, o que impede a exportação de produto agrícolas produzidos em áreas que tenham sofrido desmatamento que configure descumprimento do Acordo de Paris. Além disso, a UE impõe outros mecanismos para barrar desmatamento decorrente da ampliação da produção agrícola, como a EUDR – EU Deforestation Regulation (bit.ly/4jOXvhD), que barra o ingresso de produtos agrícolas produzidos em desconformidade com esse regulamento.

b. Área agrícola como proporção do território: Um estudo desenvolvido pela Embrapa Territorial estabeleceu que a área cultivada do Brasil equivale a 7,8 % de seu território, similar ao índice obtido pelo projeto GFSAD30 (USGS), que calculou a área de lavouras do Brasil em 7,6 % (bit.ly/45P5WDG). Examinando os resultados do estudo do USGS, é possível verificar a discrepância da ocupação de área entre países europeus e o Brasil. Na Europa, os índices variam entre 45 e 65 % do território: A Dinamarca cultiva 76,8 % de sua área, a Irlanda 74,7 %, a Holanda 66,2 %, o Reino Unido 63,9 % e a Alemanha 56,9 %. Juntas, a Espanha e a França cultivam uma área total semelhante à do Brasil. Entretanto, seus territórios somados representam apenas 13,5% da área total do Brasil. Essas e outras informações foram analisadas em bit.ly/45e29Qg. Esses fatos enfraquecem sobremaneira a alegação do avanço de área de cultivo sobre área nativa, no Brasil.

b. Reciprocidade: Este termo significa correspondência mútua. Como tal, caberia principalmente ao Brasil exigir reciprocidade dos europeus, de maneira que seus agricultores estivessem submetidos a uma legislação idêntica ao Código Florestal Brasileiro. Nesse caso, cabe indagar: O que aconteceria com agricultores europeus (que reclamam da falta de escala de suas lavouras) se tivessem que preservar de 20 a 80% de suas propriedades – além das áreas de proteção permanente? Um fato concreto: após intensa pressão dos agricultores europeus, foi eliminada do Green Deal a obrigatoriedade de os agricultores europeus deixarem 4% de suas terras sem cultivo (para recuperação da biodiversidade) como condição para receberem subsídios da PAC (Política Agrícola Comum) (bit.ly/4qW2Zta). Em tempo: os agricultores brasileiros não recebem qualquer subsídio para cumprir o Código Florestal, ao contrário, são passíveis de punição por qualquer transgressão e responsáveis diretos por qualquer dano que ocorra nas áreas preservadas, mesmo se causado por terceiros.

c. Redução de emissões: A Europa é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa (GEE), em escala global (edgar.jrc.ec.europa.eu/). As emissões do setor energético da Europa são brutais, sendo o 3º maior emissor neste segmento (bit.ly/3Z81Gf3), posto que apenas 25 % da energia consumida provem de fontes renováveis (bit.ly/4sVfeIr). Entre os grandes consumidores, o Brasil tem a uma das matrizes energética mais limpas do mundo (89% de energia limpa – bit.ly/3NTBF0g) – em parte devido à produção de agroenergia – com apenas 1 % das emissões mundiais e se esmera em reduzir suas emissões na área agrícola. Exemplos disso são os sistemas de produção carne carbono neutro (bit.ly/4jPdJHl) ou soja baixo carbono (bit.ly/4jPdJHl), que estão sendo desenvolvidos e/ou implementados. Mas, enquanto isso ocorre, vale novamente uma visita ao site cesbrasil.org.br. O CESB implementou uma métrica denominada Ecoeficiência, aplicada aos produtores de soja que participam do Desafio de Máxima Produtividade de Soja. Essa métrica permite cotejar os resultados de um produtor individual com qualquer outro parâmetro de comparação (outro produtor, médias regionais, nacionais ou mundiais). O CESB tem demonstrado que, sistematicamente, os produtores de soja que registram altas produtividades também são os mais eficientes do ponto de vista ambiental, reduzindo sua pegada ecológica em relação aos comparadores usuais. Destaque-se que alta produtividade, com sustentabilidade, é um dos principais fatores de competitividade no mercado internacional.

d. Unindo produtividade, sustentabilidade e rentabilidade: O Brasil inova na fronteira da ciência, com tecnologias que permitem aumentar a produtividade, a renda líquida e a redução de emissões, o que proporciona auferir ganhos de competitividade no mercado internacional, o que tanto assusta os agricultores europeus. Citemos como exemplo a tecnologia de polinização da soja, que permite incrementos de produtividade entre 10 e 25%, reduzindo em até um quarto as emissões de GEE por tonelada de soja produzida e aumentando a renda líquida do produtor na mesma proporção. Confira o estudo desenvolvido pela Embrapa no endereço: https://apct.sede.embrapa.br/pab/article/view/28151.

4. Soberania e Segurança Alimentar: Pode-se até entender a argumentação, mas não é possível concordar com ela, do ponto de vista da racionalidade econômica, da justiça e equilíbrio das trocas comerciais entre países, da eficiência do comércio e das vantagens para o consumidor final. Trata-se de um apelo emocional, perigosamente próximo de uma chantagem. No próprio Acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia foram embutidas diversas cláusulas de salvaguardas (bit.ly/45ijLdG), de teor explicitamente protecionista, face à disparidade de vantagens competitivas entre as partes, no mercado de produtos agrícolas. As críticas persistem, apesar da implementação de salvaguardas, como as elencadas a seguir:

a. Cláusula de Salvaguarda Bilateral Geral: permite que a União Europeia suspenda temporariamente as preferências tarifárias (ou seja, volte a cobrar os impostos originais) se as importações do Mercosul aumentarem de tal forma que causem, ou ameacem causar, um prejuízo grave à agricultura local (bit.ly/4pJweyf);b. Cláusula de Salvaguarda Especial para a Agricultura: Prevista no Artigo 5º do capítulo de Comércio de Mercadorias, ela permite medidas de proteção mais rápidas para o setor agrícola, acionada não apenas se o volume exceder o estabelecido, mas também se houver queda brusca de preços dos produtos agrícolas para o produtor europeu (bit.ly/3YJPJMl).c. Quotas para produto sensíveis: Diferente de um “livre comércio total”, o acordo estabelece limites quantitativos para os produtos que mais assustam os produtores europeus. Uma vez atingida a quota, o imposto volta ao valor normal. Exemplos de cotas: carne bovina limitada a 99 mil toneladas / ano (tarifada em 7,5 %); carne de aves limitada a 180 mil toneladas / ano; açúcar não refinado limitado a 180 mil toneladas / ano; etanol: 650 mil toneladas / ano (bit.ly/4t4iilA);

d. Padrões sanitários: incluem práticas de bem-estar animal e limite de resíduos de pesticidas, que, se descumpridas, barram a importação de produtos agropecuários (bit.ly/4ba6hEI);

e. Instrumento Adicional (Side Letter): permite sanções comerciais se houver descumprimento do Acordo de Paris ou aumento do desmatamento (bit.ly/4sU1OfO);

f. Cláusula de Reequilíbrio Automático: se o custo de produção na Europa subir devido a novas exigências ambientais (Green Deal) ou de outras ordens, as tarifas sobre o Mercosul deveriam subir automaticamente para compensar (bit.ly/45iFJ09; bit.ly/4jQElrI).

Concluindo — O acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia tem o condão de potencializar o comércio entre as partes, ao longo do tempo. De imediato, os maiores beneficiados serão os exportadores europeus, especialmente de produtos manufaturados e algumas especiarias agrícolas (veja pormenores em bit.ly/4qvkAbu). O maior potencial para os países do Mercosul está no agronegócio. Porém, exatamente pela nossa maior competitividade natural, diversas cláusulas foram interpostas (salvaguardas), para proteger o agricultor europeu. No limite, em uma condição de comércio totalmente livre de protecionismos, os agricultores europeus dificilmente resistiriam a uma década de competição aberta com seus concorrentes do Mercosul. Imagine se, além disso, os europeus tivessem que cumprir as exigências de um Código Florestal semelhante ao nosso…

Obviamente, um extremo como o exposto acima não é de interesse de nenhuma das partes, no âmbito de um Acordo comercial que deve beneficiar a ambos. Então, a implementação do acordo, ao longo dos próximos anos, fará com o mesmo que flua por um leito viável, em que ambas as partes poderão se beneficiar de trocas comerciais justas.

• Por: Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), do CESB e da ABCA. | https://agriculturasustentavel.org.br e, redes sociais.

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