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03 de Junho de 2026

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   03/06/2026

A notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma medida que altera as tarifas de importação de produtos como o aço, alumínio e cobre impulsionou as siderúrgicas da B3 nesta manhã. As ações da Usiminas (USIM5) retomaram o fôlego e incrementam 7,94% aos ganhos de 100% que passa a acumular em 2026 - o melhor desempenho dos ativos que compõem a carteira Ibovespa até aqui. O porcentual também representa um salto em relação à valorização de quase 12% de 2025.

Às 16h10, o Ibovespa subia 1,35%, aos 174.516,78 pontos. O giro financeiro é de R$ 16 bilhões, com previsão de chegar a R$ 24,5 bilhões ao fim do pregão.

Na visão da Genial Investimentos, a escalada do papel é impulsionada principalmente pelo avanço das medidas antidumping, que fortalecem a competitividade da companhia e podem gerar nova alta de lucros com a decisão sobre o HRC no segundo semestre.

Além disso, segundo a corretora, o mercado ainda não precifica totalmente o potencial do juros sobre capital próprio (JCP) retroativo e dos projetos de eficiência, embora o curto prazo traga riscos de pressão de custos e realização após a forte alta da ação, acrescenta o analista Luca Vello.

“Apesar da visão mais positiva para a tese, o próximo resultado será decisivo para confirmar a sustentabilidade do re-rating da companhia”, pondera.

Os papéis da CSN (CSNA3) também estão nas maiores altas do Ibovespa hoje com a implementação da nova tarifa. Por volta das 16h07 (de Brasília), a Companhia Siderúrgica Nacional registrava valorização de 10,99%, a preço de R$ 7,27.

Segundo a Casa Branca, empresas que “usam mais” aço e alumínio produzido nos EUA podem se qualificar para uma tarifa de 10%, desde que o item conte pelo menos 85% de metais de origem americana.

Na visão do head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, algumas siderúrgicas brasileiras também podem ser favorecidas pela medida, especialmente aquelas com parcela relevante da receita atrelada às exportações para os EUA.

Felipe Sant’Anna, especialista em ações da Axia Investing, explica que a lista de exceções pode novamente fazer do tarifaço um “tarifinho” e ressalta que o Ibovespa já vem em uma sequência de baixas, o que reduz a reação negativa do índice. Ele lembra também que amanhã, por ser véspera do feriado de Corpus Christi, há uma tendência maior de venda por parte dos investidores.

Grandes Construções - SP   03/06/2026

A produtora brasileira de aço Gerdau celebrou os 40 anos da operação da Usina de Ouro Branco, em Minas Gerais, sua maior planta no mundo.

Ao longo das últimas décadas, a usina recebeu investimentos contínuos e consolidou-se como referência na produção de aços planos e perfis estruturais, essenciais para setores como construção civil, automotivo, agrícola, energia e naval.

Com capacidade instalada de 4,5 milhões de toneladas de aço líquido por ano, também fabrica outros produtos como vergalhão e fio-máquina, abastecendo o mercado interno e exportando para dezenas de países.

Desde sua inauguração, operação já produziu mais de 110 milhões de toneladas de aço bruto. Hoje, a unidade responde por mais de 10% de todo o aço produzido no Brasil, reafirmando seu papel estratégico na indústria nacional.

Essa unidade da Gerdau é um dos principais motores de desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais.

Cerca de 10 mil pessoas circulam diariamente pela planta, entre colaboradores próprios e das empresas parceiras.

A maioria reside em Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e Congonhas. A presença da companhia impulsionou historicamente a geração de empregos, renda, qualificação profissional e o fortalecimento da cadeia produtiva regional.

“Celebrar os 40 anos da Usina Ouro Branco é reconhecer a força das pessoas que construíram essa história e reforçar nosso compromisso com o futuro. O setor do aço seguirá sendo essencial para o desenvolvimento do Brasil e queremos que os próximos 40 anos sejam marcados por ainda mais crescimento, inovação, tecnologia e sustentabilidade”, destacou Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.

Desde sua fundação, a unidade acompanhou e impulsionou importantes ciclos da indústria nacional. Entre os marcos estão a privatização em 1993, a entrada da Gerdau na composição acionária em 1997, a expansão das operações nos anos 2000, como o início das operações de aços planos, e os recentes investimentos em inovação e sustentabilidade, que posicionam a Usina de Ouro Branco como uma das mais modernas do setor nas Américas.

Em 2025, a companhia inaugurou a expansão do laminador de bobinas a quente, ampliando em 250 mil toneladas a capacidade anual, que passou a 1,1 milhão de toneladas.

O projeto recebeu investimento de R$ 1,5 bilhão e gerou mais de 2.500 empregos na região. Outro importante investimento em curso é o projeto em mineração sustentável, em Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto, que garantirá autossuficiência em minério de ferro e impulsionará o desenvolvimento regional.

As iniciativas integram um plano de R$ 6 bilhões destinados à modernização e ampliação das operações da Gerdau em Minas Gerais.

“Ao longo dessas quatro décadas, construímos uma trajetória marcada por inovação, modernização contínua e evolução tecnológica, sempre alinhadas à segurança, à eficiência operacional e à sustentabilidade. Chegamos a esse marco ainda mais competitivos e preparados para os desafios do futuro, reafirmando nosso compromisso com o desenvolvimento da região e da indústria brasileira do aço”, afirmou Rafael Gambôa, vice-presidente de Aços Planos e Mineração da Gerdau.

A trajetória da unidade, conforme explica o executivo, também é marcada pelo pioneirismo tecnológico.

Em 2024, a Gerdau concluiu a implantação da primeira rede privada 5G do setor do aço na América Latina, acelerando a transformação digital da operação e impulsionando iniciativas de Indústria 4.0, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT), automação avançada e gêmeos digitais para otimização produtiva em tempo real.

Investing - SP   03/06/2026

O EBIT subiu para ¬ 724 milhões, ante ¬ 455 milhões no ano anterior, enquanto o EBITDA avançou para ¬ 1,50 bilhão, comparado a ¬ 1,30 bilhão no período equivalente.

O lucro antes dos impostos mais do que dobrou, passando de ¬ 271 milhões para ¬ 587 milhões, e o lucro líquido saltou de ¬ 179 milhões para ¬ 424 milhões, uma alta de 137,6%.

A Receita recuou 4,3%, para ¬ 15,10 bilhões, ante ¬ 15,70 bilhões, pressionada pela demanda fraca nos setores de construção, engenharia mecânica e bens de consumo, agravada pela prolongada desaceleração na produção automotiva europeia.

"Nossa estratégia mostrou-se novamente altamente resiliente, e conseguimos aumentar significativamente os principais indicadores de lucro, bem como o fluxo de caixa livre", afirmou o presidente-executivo Herbert Eibensteiner.

As tarifas de 50% dos EUA sobre o aço, em vigor desde 04.06.2025, reduziram os lucros em dezenas de milhões de euros.

A unidade Tubulars em Kindberg, Áustria, que tem os Estados Unidos como principal mercado de vendas, foi obrigada a cortar a produção em resposta às tarifas.

Investing - SP   03/06/2026

As ações das principais siderúrgicas brasileiras operam com forte valorização nesta terça-feira (2) depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na segunda-feira (1º) uma proclamação alterando as tarifas da Seção 232 sobre importações de aço, alumínio e cobre. A medida é lida pelo mercado como sinal líquido positivo para o setor.

Com a notícia, as ações da CSN (CSNA3) lideram os ganhos com alta de 9,77% a R$ 7,19 na sessão, enquanto Usiminas (USIM5) avança 7,39%, negociada a R$ 11,91, e Gerdau (GGBR4) opera em torno de R$ 24,40, com alta de 5,49%. O movimento contribui para o Ibovespa, que opera em alta de cerca de 1,3%, aos 174.432 pontos, com as siderúrgicas entre os principais vetores positivos do índice.

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Os papéis de Vale (VALE3) também avançam no pregão, com alta de 3,82%, a R$ 84,82. As ações da mineradora são beneficiadas pelo ambiente mais favorável a commodities metálicas.

A alta das siderúrgicas reflete uma combinação de fatores:
o alívio tarifário trazido pela proclamação de Trump; a alta do minério de ferro no pregão; e a continuidade da reprecificação positiva do setor no Brasil.

No caso da Gerdau, a presença relevante nos Estados Unidos funciona historicamente como proteção parcial em ambientes de maior barreira comercial americana para aço. Usiminas segue capturando a tese doméstica de recuperação de margens no aço plano, enquanto a CSN combina os dois vetores: siderurgia e minério.

Exame - SP   03/06/2026

O Ibovespa recuperou parte das perdas recentes e voltou ao patamar dos 174 mil pontos nesta terça-feira, 2, em um pregão marcado pela forte valorização das ações ligadas a commodities. O principal índice da B3 fechou em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos, após oscilar entre 172.198,54 e 174.894,05 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,1 bilhões.

A alta foi puxada principalmente pela Vale (VALE3), que avançou 4,04%, acompanhando a recuperação do minério de ferro e um movimento global de rotação de carteiras em favor de empresas ligadas a commodities.

As siderúrgicas também lideraram os ganhos do índice após o governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, aliviar parte das tarifas sobre produtos derivados de aço e alumínio. As ações da CSN (CSNA3) dispararam 8,85%, seguidas por Usiminas (USIM5), com alta de 8,57%, e Gerdau (GGBR4), que avançou 6,53%.

Segundo Fernando Fontoura, gestor de renda variável da Persevera Asset Management, o mercado viveu uma mudança de posicionamento dos investidores depois de semanas favorecendo empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial.

“Na nossa visão, o mercado passou as últimas semanas marcado por uma fraqueza relativa de commodities em comparação aos temas mais ligados à tecnologia, principalmente inteligência artificial. O que estamos vendo hoje é uma reversão desse movimento, com investidores realizando parte dos ganhos acumulados em tecnologia e voltando para empresas ligadas a commodities”, afirma.

Para o gestor, o movimento não parece estar relacionado às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. “Não conseguimos identificar nenhum gatilho muito claro para esse comportamento. Parece muito mais um movimento natural de mercado, uma realização de um posicionamento que funcionou muito bem ao longo das últimas sete ou oito semanas”, diz.

Os bancos também contribuíram para o desempenho positivo do índice. Bradesco (BBDC4) subiu 1,54%, BTG Pactual (BPAC11) avançou 0,95%, Santander Brasil (SANB11) ganhou 0,55% e Itaú Unibanco (ITUB4) fechou com alta de 0,51%. O Banco do Brasil (BBAS3) foi exceção entre os grandes bancos e recuou 0,35%.

Na ponta negativa entre as blue chips, Petrobras sentiu a repercussão da adesão ao novo programa de subsídio ao diesel. As ações ordinárias da companhia (PETR3) caíram 0,62%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 0,53%. Segundo cálculos do Citi, a participação da estatal na iniciativa pode gerar um impacto negativo próximo de US$ 3 bilhões sobre os resultados.

Entre as maiores quedas do Ibovespa ficaram Marcopolo (POMO4), com baixa de 2,78%, Magazine Luiza (MGLU3), que caiu 2,41%, e Weg (WEGE3), com recuo de 2,33%.

O dólar à vista acompanhou o movimento favorável aos ativos brasileiros e encerrou o dia em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,009. Durante a sessão, a moeda americana oscilou entre R$ 5,000 e R$ 5,023.

A moeda brasileira encontrou suporte na valorização das commodities, especialmente petróleo e minério de ferro, e na recuperação das empresas exportadoras de mineração e siderurgia. O anúncio de que os Estados Unidos pretendem reduzir tarifas sobre importações de aço, cobre e alumínio ajudou a reforçar o movimento.

Tarifas dos EUA no radar

Ao longo do dia, investidores também repercutiram a proposta formal do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida foi apresentada com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e ainda passará por consulta pública até julho de 2026.

Apesar da preocupação inicial, o mercado avaliou que os efeitos econômicos tendem a ser limitados. Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, destaca que boa parte dos produtos mais relevantes da pauta exportadora brasileira ficou de fora da proposta.

“O impacto efetivo tende a ser menor do que o antecipado. Produtos estratégicos para os Estados Unidos, como petróleo, proteínas, café e componentes aeronáuticos, ficaram entre as exceções. Por isso, o efeito direto sobre a balança comercial brasileira deve ser relativamente pequeno”, afirma.

Na avaliação do economista, o principal efeito da medida pode ocorrer por meio do aumento do prêmio de risco associado ao Brasil. “Mesmo com impacto comercial limitado, a decisão eleva a percepção de incerteza, seja pela possibilidade de retaliações, seja pelo aumento do ruído diplomático entre os dois países”, diz.

A avaliação também é compartilhada pela MAG Investimentos. Em relatório divulgado nesta terça, a gestora destaca que a proposta americana poderá afetar cerca de US$ 10 bilhões em exportações brasileiras, elevando a tarifa efetiva média sobre os produtos do país para próximo de 18%. Ainda assim, o impacto macroeconômico tende a ser administrável diante da diversificação da pauta exportadora brasileira e das exceções concedidas a setores considerados estratégicos.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   03/06/2026

Consumo aquecido, inflação em alta, espiral de crédito e juros muito elevados indicam que bondades eleitorais podem terminar em forte ressaca.

O resultado do PIB brasileiro no primeiro trimestre não trouxe surpresas, mas confirma que a economia brasileira se mantém superaquecida, numa espiral de consumo e de crédito que pode acabar mal.

Carlos Kawall, sócio-fundador da gestora Oriz Partners nota que o crescimento de 1,1% do PIB no primeiro trimestre (na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior) é um início de ano forte, criando um carregamento estatístico de 1,4% para o restante de 2026. Isso significa que, se a economia não crescer nos demais trimestres, ainda assim o crescimento em 2026 será de 1,4%.

Esse resultado, na visão do economista, deve manter as projeções para o PIB em 2026 entre 1,5% e 2%, mas cria um viés que pode levar alguns analistas a projetarem até um pouco mais que isso.

Kawall enxerga uma economia bastante desequilibrada, impulsionada por uma demanda doméstica exuberante, com o consumo e o investimento em níveis elevados. Esse excesso de demanda é acompanhado por juros reais extremante elevados. O economista nota que, para este ano, era esperada uma queda de dois a três pontos porcentuais na Selic, mas o espaço para novos cortes, na sua visão, se fechou. O corte de 0,25pp aguardado para a próxima reunião é mais uma projeção protocolar dada a comunicação do BC.

E o crescimento da economia brasileira segue sustentado por uma bateria contínua de estímulos fiscais e creditícios atrelados à ofensiva eleitoral do governo.

O grande problema adiante, segundo Kawall, está no ciclo de crédito. O atual estoque de crédito tem um grande componente no mercado de capitais e em instrumentos financeiros incentivados, como as debêntures de infraestrutura, em mãos de investidores institucionais e pessoas físicas.

Na visão do analista, diante do alta endividamento de famílias e empresas, a concessão desenfreada de estímulos apenas protela um desaquecimento inevitável, que pode ser traumático se vier acompanhado por reversão de ciclo e crise no mercado de crédito. Nesse caso "o fim de festa vai ter uma ressaca gigantesca", alerta Kawall.

Silvia Matos, coordenadora de macroeconomia do FGV-IBRE, aponta que o crescimento no primeiro trimestre é "qualitativamente ruim". Ela assinala que o consumo das famílias e do governo muito fortes vêm impulsionando a economia nos últimos trimestres.

Já a indústria de transformação, prossegue Matos, recuou na comparação interanual, assim como o investimento. Neste segundo caso, o crescimento de 3,5% ante o trimestre anterior, na comparação dessazonalizada, apenas devolve a queda de 3,4% no último trimestre do ano passado, na mesma base de comparação.

A indústria extrativa cresceu 13,1% % no primeiro trimestre, na comparação interanual, devido em boa parte ao bom momento do setor petrolífero e à entrada em operação de novas plataformas, o que também reforça o investimento. Mas este é um setor exógeno do PIB, pouco ligado à demanda. Outros impulsos ao investimento vieram da aceleração do Minha Casa Minha Vida e das obras de infraestrutura em ano eleitoral.

Em contraste, aponta Matos, a produção doméstica de bens de capital registra queda generalizada, tanto em relação ao agro, como à indústria e energia. Ela vê uma economia "com a corda esticada", em que o excesso de consumo e a inflação resiliente exigirão uma política monetária apertada por muito mais tempo, tornando o crescimento atual insustentável.

Money Times - SP   03/06/2026

Diversas instituições do mercado financeiro revisaram suas projeções de cenário macroeconômico nos últimos dias, como Itaú Unibanco, indicando elevação das estimativas para a Selic no fim de 2026. Hoje, a Porto Asset também aumentou o número para o juro básico neste ano.

De acordo com a casa, a deterioração dos fundamentos domésticos restringe o tamanho do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central (BC) e obriga a manutenção de juros maiores. Diante desse cenário, a projeção para a Selic foi elevada de 13,50% para 13,75% em 2026. Já para 2027, a estimativa subiu de 12% para 12,75%.

“Esse fator explica o impacto aparentemente diminuto do aperto monetário sobre a demanda agregada e a resiliência da atividade econômica e da inflação”, afirma a Porto Asset.

Já o C6 Bank, em relatório de revisão divulgado nesta terça-feira (2), manteve o cenário base para a trajetória para a Selic, apesar de ter uma perspectiva de inflação mais elevada.

“Na ausência de informações que alterem a perspectiva do Banco Central sobre a inflação, um novo corte de 0,25 ponto percentual deve acontecer em junho. Por ora, acreditamos que a Selic ficará em 13,5% ao final de 2026 e 2027”, afirma o banco.

Inflação pressionada

A Porto Asset elevou as estimativas para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026, de 4,9% para 5,2%, e para 2027, de 3,7% para 4,0%. A alta da última reflete a inércia inflacionária acumulada para o próximo ano.

O C6 Bank também subiu as projeções para a inflação de 4,4% para 5% em 2026, devido aos preços crescentes de serviços, o baixo nível do desemprego, o conflito no Oriente Médio e uma possível desvalorização do real até o final do ano.

PIB ainda resiliente

Assim como já destacado por outras casas como o Itaú, a Porto Asset tem um cenário base de maior resiliência do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

A casa elevou de 1,5% para 2% a projeção para o crescimento da atividade neste ano, em decorrência dos preogramas de estímulo ao crédito implementados pelo governo federal. Já o número para 2027 foi mantido em 1,5%.

O C6 manteve a estimativa de expansão de 1,7% do PIB para 2026 e para 2027, com perspectiva de continuidade da desaceleração econômica diante dos juros elevados. “Por outro lado, as medidas de estímulo à economia (como os incentivos à concessão de crédito) evitam uma perda de fôlego mais intensa da economia.”
E o câmbio?

O C6 prevê uma menor valorização do dólar ante o real até o final de 2026 em relação à estimativa anterior, reduzindo de R$ 5,50 para R$ 5,20. Para 2027, a projeção também foi reduzida de R$ 5,80 para R$ 5,50.

“Em um horizonte mais longo, acreditamos que o aumento da dívida pública brasileira pode voltar a pressionar o câmbio, mas, no curto prazo, a visão mais favorável sobre o Brasil no contexto do conflito no Oriente Médio prevaleceu”, diz o banco em relatório.

A Porto Asset manteve as expectativas para o câmbio em 2026 e 2027, a R$ 5,20 e R$ 5,30, respectivamente.

O Estado de S.Paulo - SP   03/06/2026

Espaço para cortes da Selic vai se fechando em pleno ano eleitoral, mas eventual parada no ciclo de redução da Selic poderia colidir com estratégia eleitoral do governo de estímulos à economia.

O Banco Central (BC) de Gabriel Galípolo se encontra em um dos momentos mais delicados desde que o atual presidente assumiu a presidência da instituição no início do ano passado.

O Copom tinha um claro plano de voo de executar um ciclo de cortes da Selic este ano cujo "orçamento", no início de 2026, era estimado na faixa entre dois e três pontos porcentuais (pp). Veio a guerra no Oriente Médio, causando não só a elevação da expectativa de mercado da inflação deste ano (o que era esperado), mas também à desancoragem para prazos mais longos, o que é nocivo.

O mercado e os analistas reprecificaram o orçamento de cortes da Selic para algo muito menor, e o BC decidiu caminhar com passos curtos de 0,25pp por reunião. Já realizou dois cortes, levando a Selic de 15% para 14,5%, e parte do mercado espera nova redução de 0,25pp na reunião de 16 e 17 de junho.

Mas agora alguns expoentes do mercado consideram que o BC não deveria mais cortar a Selic, como Solange Srour, do UBS (em entrevista a Gustavo Nicoletta, do Broadcast) e Bruno Serra Fernandes, do Itaú Asset Management (em entrevista ao Intraday do Valor).

Inclusive, na visão de Srour, o problema inflacionário do Copom deriva mais de fatores domésticos (a economia turbinada pelos impulsos fiscais e parafiscais em ano eleitoral) do que da guerra no Oriente Médio.

Interromper o ciclo de corte de juros, no entanto , seria uma decisão bastante difícil para o Copom. O governo inteiro está empenhado em garantir o voto econômico em outubro, e o BC de Galípolo seria visto como um elemento remando no sentido contrário. Com mais um corte protocolar da Selic em junho (mesmo que tecnicamente injustificado), o Copom adia o problema para a sua reunião de agosto, mas não o soluciona.

Circulam no mercado algumas teorias sobre possíveis motivações para o BC cortar a Selic em 0,25 em junho e até prosseguir cortando nesse ritmo para além da próxima reunião. A saída de Diogo Guillen (que será economista-chefe do Itaú a partir de 1º de julho) do colegiado pode ter removido do Copom aquele tipo de diretor que vende de forma mais enfática e persistente uma visão conservadora de política monetária aos demais membros e, especialmente, a Galípolo.

Além disso, o BC pode ter concluído que insistir em pisar forte no freio monetário diante de um governo que pisa de forma cada vez mais intensa no acelerador fiscal é inútil e até mesmo perigoso.

Há duas vagas não preenchidas no Copom e um dos riscos é que, se o BC for visto como um obstáculo à estratégia eleitoral e política do governo, a nomeação de heterodoxos para as vagas poderia voltar à pauta (o nome de Guilherme Melo, atual secretário executivo do Planejamento, foi indicado por Haddad em fevereiro, mas não houve a nomeação).

Adicionalmente, a autonomia operacional formal do BC (que busca agora a autonomia orçamentária) deve-se a uma decisão do Congresso Nacional. Assim, embora insulado de pressões políticas imediatas sobre as suas decisões de política monetária, o BC não atua num total vácuo político.

Por outro lado, se der a impressão de que titubeia em relação à busca da meta de 3%, a perda de credibilidade pode significar um custo altíssimo para o BC e para a economia brasileira. É nessa corda bamba que Galípolo e o Copom estão sendo forçados a caminhar.

O Estado de S.Paulo - SP   03/06/2026

O representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira, 2, que o governo americano está conduzindo investigações contra cerca de 70 países por supostas práticas comerciais injustas e que os resultados de parte desses processos deverão ser divulgados nas próximas semanas.

Em entrevista à CNBC, Greer disse que o USTR publicará relatórios sobre outras apurações abertas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento utilizado pelo governo Donald Trump para contestar medidas adotadas por parceiros comerciais.

As declarações ocorrem horas após o USTR recomendar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, ao concluir que determinadas políticas e práticas do País seriam “irracionais” e restringiriam o comércio americano. O caso ainda passará por audiência pública e por decisão final do governo dos EUA.

Greer voltou a defender a estratégia tarifária da Casa Branca e afirmou que as medidas já apresentam resultados positivos para a economia americana. Segundo ele, os EUA registram “ganhos nas exportações e os primeiros sinais de fortalecimento da atividade manufatureira”.

O representante comercial também rebateu críticas sobre o possível impacto inflacionário das tarifas. “A inflação decorrente das tarifas não aconteceu”, afirmou.

As investigações fazem parte de uma agenda mais ampla do governo Trump para ampliar a pressão comercial sobre parceiros estrangeiros e incentivar investimentos na indústria doméstica. Na segunda-feira, o presidente americano anunciou mudanças nas tarifas sobre aço, alumínio, cobre e equipamentos agrícolas e industriais, com o objetivo declarado de fortalecer a base manufatureira do país.

Exame - SP   03/06/2026

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira, 2, que um novo tarifaço dos Estados Unidos às exportações brasileiras nos moldes da recomendação feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês) atingiria 21% das vendas do Brasil aos americanos.

O ministro ressaltou a jornalistas que o governo Lula vai atuar para que a recomendação do USTR não seja acatada pelo presidente Donald Trump e disse que o MDIC ainda está em negociação com a contraparte americana.

"Essa recomendação feita pelo USTR alcançaria hoje em torno de 21% que o país exporta para os Estados Unidos, porque nós temos cerca de 54% do que nós exportamos para os EUA livres do tarifaço, 25% (das exportações brasileiras inseridas) na chamada seção 232 (a exemplo do aço) e 21% é que ficaria exposto se essa recomendação se convertesse, se essa tarifa fosse aplicada", disse o ministro.

De acordo com o ministro, os setores mais prejudicados seriam o de máquinas e equipamentos (um dos que mais exportam aos EUA), além das indústrias de plásticos, calçados, madeira e da exportação de peixes e crustáceos. Esses segmentos já haviam sido atingidos pelo primeiro tarifaço, de 50%, imposto por Trump ao Brasil em agosto de 2025.

O ministro lamentou, sem citar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o suposto lobby do senador junto ao governo americano em prol do tarifaço. O presidenciável bolsonarista, que se reuniu na semana passada com Trump em Washington, nega publicamente que tenha pedido tarifas contra o Brasil.

"Desde a visita do presidente Lula ao presidente Trump, ficou acertado que nós faríamos diálogos permanentes e tem havido diálogo, nós tivemos pelo menos quatro reuniões formais. A última foi na última quinta-feira, na sexta-feira pela manhã as equipes técnicas também se reuniram para a discussão de vários aspectos, e para prestar todos os esclarecimentos. Mas, toda vez que a gente avança, surge um complicador, não é? Alguém para dificultar o diálogo e aí, muitas vezes, há uma ameaça de retrocesso", disse Márcio Elias Rosa.

O ministro disse, no entanto, que não há retrocesso efetivo porque as negociações continuam, mas negou que concessões sobre o Pix, sistema de pagamentos criticado pelo USTR, estejam na mesa.

"O presidente Lula age com muita coerência, com muita clareza, com muita transparência e não vai permitir jamais que qualquer tema caro à soberania nacional, como é o Pix, por exemplo, fique na mesa de negociação", ressaltou Márcio Elias.

Globo Online - RJ   03/06/2026

A economia ganhou fôlego no primeiro trimestre. No entanto, a confiança dos empresários mantém-se baixa, podendo impactar o investimento. O ceticismo se justifica?

As notícias de uma boa safra foram confirmadas com o crescimento de 0,7% do PIB da agropecuária em relação ao mesmo período de 2025, um ano de safra recorde. O bom desempenho se traduziu em aumento de 2,5% no emprego do setor, na mesma comparação.

Há também efeitos positivos indiretos, como no transporte rodoviário, que cresceu 3,2% no período, item de destaque no desempenho do setor de serviços. O movimento também foi acompanhado pela geração de vagas de trabalho nesse segmento.

Apesar do aumento da produção agropecuária, seu valor monetário registrou recuo de 6,2% na comparação anual por conta da queda de preços, quadro observado nos preços no atacado até recentemente. Isso significa margens mais apertadas no campo, o que deixa o setor em posição pouco favorável para lidar com os choques que ameaçam sua performance e rentabilidade este ano: El Niño e forte alta de custos de insumos agrícolas por conta da guerra no Irã.

O El Niño está em formação e está praticamente certa a consolidação do fenômeno no segundo semestre, enquanto pairam dúvidas de sua intensidade, com temores de um super El Niño. Os EUA levantaram o status de alerta, assim como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por conta do risco de chuvas intensas. No Centro-Oeste e Nordeste, por sua vez, o risco é de estiagem no período de plantio.

Já os elevados preços de fertilizantes irão impactar o custo do plantio de grãos, que ocorre no último trimestre do ano, possivelmente mesmo em um cenário otimista de fim da guerra em breve. Vale lembrar que culturas curtas já vêm sendo impactadas pelo encarecimento de insumos agrícolas, como pode ser observada na maior inflação de alimentos no domicílio.

O investimento do setor, portanto, poderá ser prejudicado.

A decisão de investimento é bastante sensível às expectativas do setor privado e às condições econômicas, como a taxa de juros. Os dados mostram alguma resiliência, o que não chega a surpreender. Quedas acentuadas em investimento só foram vistas na crise do mensalão e na pandemia, sendo a política monetária restritiva elemento a suavizar o investimento, e não a derrubá-lo. De qualquer forma, são patamares muito baixos na comparação com países parecidos.

No atual contexto, o investimento está sendo potencializado pelas concessões de infraestrutura ao setor privado, com contratos a serem honrados. As concessões avançam no atual governo, e com bases mais robustas do que no passado, uma surpresa positiva diante do tradicional viés estatizante do PT.

O investimento (formação bruta de capital fixo) cresceu 3,5% no primeiro trimestre e 2% em 12 meses. Enquanto isso, a geração de empregos no setor cresceu 7,2% na comparação anual.

Em que pesem as boas notícias para o potencial de crescimento de longo prazo do país, sendo importante atenuante para a análise de riscos de inflação pelo BC, os juros elevados afetam a saúde financeira das empresas que entraram nas concessões e precisam honrar as obrigações contratuais de investimento.

Já as perspectivas de investimento da indústria de transformação, estagnada, e dos serviços não entusiasmam. Vários fatores pressionam o custo das empresas e trazem dúvidas sobre a rentabilidade dos setores.

É o caso da implementação no novo sistema de tributação do consumo, o fim da escala 6x1 e as novas exigências da NR-1, que estabelece diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho (desde o final de maio, as empresas são obrigadas a identificar, avaliar e prevenir riscos à saúde mental, como assédio moral e sobrecarga de trabalho).

Muito ajudaria o zelo com as contas públicas. Os números do PIB explicitam o peso do ciclo eleitoral e deixam o BC com a missão de neutralizar o efeito inflacionário dos gastos em excesso, dentro e fora do Orçamento. O impacto no PIB aparece diretamente nos gastos do governo e indiretamente no consumo das famílias, principalmente, por conta das transferências de renda.

Com tantos riscos e incertezas que assustam os empresários, o menor espaço para corte dos juros por conta da política fiscal expansionista eleva a fatura, ainda mais em um quadro de estresse financeiro em muitas empresas, conforme revelam dados de recuperação judicial e de inadimplência.

O mal-estar de boa parcela do setor produtivo não vem do nada.

Money Times - SP   03/06/2026

A proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros deve ter impacto limitado para a economia brasileira como um todo, mas pode gerar efeitos mais significativos em setores específicos e em empresas com elevada dependência do mercado americano, disse a XP Investimentos.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou na segunda-feira (1º) uma determinação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, propondo uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. A consulta pública ficará aberta até 1º de julho, enquanto a decisão final deverá ser tomada até 15 de julho.

Caso a medida seja implementada nos termos atuais, a tarifa efetiva média aplicada às exportações brasileiras subiria de 12,2% para 18,5%, um aumento de 6,25 pontos percentuais.

A XP, em relatório assinado pela economista Luíza Pinese, destaca que a nova proposta representa mais um capítulo da deterioração das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, marcada desde o início de 2025 por sucessivas elevações tarifárias envolvendo produtos como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças.

Apesar do aumento das barreiras comerciais, a XP avalia que os efeitos agregados sobre a economia brasileira tendem a ser contidos. Segundo a análise, os Estados Unidos responderam por 10,8% das exportações brasileiras, participação que diminuiu ao longo de 2025 após os choques tarifários anteriores.

Além disso, a XP ressalta que as exportações brasileiras atingiram níveis recordes no ano passado, mesmo com a redução dos embarques para os Estados Unidos, graças ao redirecionamento de volumes para mercados como China e outros destinos.
Maioria das exportações fica fora da nova tarifa

A XP destaca que o escopo da proposta exclui uma parcela relevante das exportações brasileiras.

Dos US$ 37,7 bilhões exportados pelo Brasil para os Estados Unidos em 2025, cerca de US$ 28,3 bilhões, equivalentes a 75% do total, ficariam fora da nova tarifa.

Parte dessas exportações já está sujeita às tarifas da Seção 232 e, por isso, foi excluída da Seção 301. Outro grupo relevante, equivalente a US$ 22,1 bilhões ou 58,5% das exportações bilaterais, também está isento da proposta.

Entre os produtos preservados estão petróleo bruto e derivados, aeronaves e peças aeronáuticas, celulose química, minério de ferro, café, carne bovina, suco de laranja e fertilizantes.

Segundo a XP, isso faz com que a tarifa adicional de 25% recaia sobre aproximadamente US$ 9,4 bilhões a US$ 9,5 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a cerca de 25% do fluxo comercial entre os dois países.
Máquinas pesadas e madeira aparecem entre os mais vulneráveis

Na avaliação da XP, os principais impactos devem se concentrar em segmentos específicos.

O relatório aponta que o setor de máquinas pesadas para construção apresenta elevada exposição ao mercado americano e tende a estar entre os mais afetados caso a medida avance.

A casa também cita os produtos de madeira, como madeira perfilada e portas, como segmentos estruturalmente mais vulneráveis devido à forte dependência dos Estados Unidos como destino das exportações.

Entre os itens que não foram contemplados pelas isenções estão carregadeiras, transformadores elétricos, bulldozers, produtos derivados de sebo bovino, niveladores, portas, madeiras processadas e alguns equipamentos utilizados na mineração e construção.

O Estado de S.Paulo - SP   03/06/2026

Depois de ser alvo de uma proposta de tarifa de 25% por parte do governo americano nesta segunda-feira, 1º, por alegadas “práticas incoerentes” na economia, empresários brasileiros já temem uma nova penalidade ainda este mês, resultado de uma investigação em curso contra a prática de trabalho análogo à escravidão no Brasil.

Como mostrou o Estadão, as investigações sobre trabalho forçado foram abordadas na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na Casa Branca, no mês passado. O Brasil enfrenta uma denúncia por déficit de fiscais do trabalho, que foi remetida ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, as informações que vêm dos EUA apontam que a nova tarifa pode ser aplicada ainda no mês de junho.

“Estamos esperando para os próximos dias, não vai tardar, o resultado da outra 301 (seção da lei de comércio americana), que é contra 59 países mais a União Europeia, sobre trabalho escravo. A nossa previsão é que ela vai sair logo e que o Brasil estará condenado junto com alguns outros países”, afirmou Velloso.

A percepção é a mesma de Welber Barral, conselheiro da Fiesp, presidente do IBCI e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil. “Deve sair ainda este mês. Pelo menos é o que a gente sabe vindo de Washington (capital dos EUA)”, afirmou.

Após a derrubada do tarifaço pela Suprema Corte dos EUA, a apuração foi aberta em março pelo USTR contra 59 países e a União Europeia, sob alegação de verificar o impacto e restrições no comércio americano por falhas desses países para impor e aplicar de forma efetiva a proibição à importação de produtos produzidos com trabalho forçado.

Velloso aposta em uma nova tarifa de 10%, que se somaria à taxa de 25% anunciada pelo governo americano esta semana. “Se isso acontecer, como estamos prevendo, o Brasil ficaria com uma tarifa de 35% - o que é um grande problema”, explicou.

O governo brasileiro esperava que essa decisão demorasse mais tempo, por envolver dezenas de países - ou seja, uma tarifa com impacto global. O Brasil não mandou representantes à audiência pública nos EUA que tratou sobre o tema em abril, mas o chanceler Mauro Vieira enviou uma carta ao país com as explicações.

O governo Lula alega que toma medidas para combater o trabalho escravo, mas reconhece que há dificuldades para provar que não compra produtos de países que adotam essa prática.

Interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo Estadão entendem que o governo americano tem como alvo a China, que exportaria produtos baratos, mas sem respeitar direitos básicos trabalhistas.
‘Questões políticas’

Velloso diz que, diferentemente do tarifaço aplicado no ano passado, desta vez há negociações já abertas entre os dois países, um canal de comunicação entre os presidentes Lula e Donald Trump e a indicação enviada ao Senado americano do novo embaixador para o Brasil.

Também entende que o Brasil tem argumentos técnicos sólidos para se defender das duas investigações - a que trata do trabalho escravo e a que foi anunciada esta semana. Contudo, acredita que o País será punido em ambas as investigações, por questões políticas que interferem na decisão do governo americano.

“Continuo com a mesma opinião de que, embora o cenário seja diferente do ano passado, vai ser tarifado. Por quê? Por causa de questões políticas. Por mais que nós tenhamos argumentos técnicos, mesmo assim, eles estão sinalizando com essa tarifa de 25%, porque tem o peso político”, afirmou.

O setor de máquinas não conseguiu figurar na lista de exceções. Segundo Velloso, isso ocorreu porque os itens exportados pelo Brasil entram na cadeia produtiva americana e não compõem o cálculo da inflação - o que tem sido decisivo para a exclusão pelo governo Trump das tarifas.

“Temos bons argumentos, ainda assim, porque 82% da nossa exportação acontece entre companhias, são empresas brasileiras que investem nos Estados Unidos ou empresas americanas que investiram aqui. A tarifa não faz sentido”, afirmou.

Mesmo com tarifaço do ano passado, o setor de máquinas conseguiu manter a exportação de US$ 4 bilhões para os EUA. Houve queda no volume, mas aumento de preços que foram repassados. Além disso, o setor abriu novos mercados e ampliou as exportações totais.

CNN Brasil - SP   03/06/2026

Uma nova proposta de taxação de 25% dos Estados Unidos ao Brasil, apresentada nesta terça-feira (2), deixa fora de seu escopo produtos como carnes, café, peças de aeronaves, minerais metálicos, outras frutas, especiarias e petróleo. A medida tem gerado reações comedidas nos mercados, mas acende um sinal de alerta para as negociações bilaterais que se estendem até julho.

Segundo Lucinda Pinto ao CNN 360º, os mercados têm respondido de forma mais contida do que o esperado. "O mercado aprendeu a ler um pouco o Donald Trump. Ele vem sempre com uma ameaça, vem com algo a ser feito. Muitas vezes não é exatamente aquilo que está desenhado que acontece", explicou.
Produtos isentos são estratégicos para a economia americana

Lucinda Pinto destacou que os itens excluídos da taxação são justamente aqueles de maior relevância para o abastecimento interno dos Estados Unidos. "Esses produtos, se tivessem sido taxados, fariam muita diferença para as nossas exportações e pesariam muito sobre a inflação americana", afirmou.

A analista lembrou ainda que, em razão da política de taxação norte-americana, a inflação nos Estados Unidos já subiu consideravelmente, com o CPI — equivalente ao IPCA brasileiro — chegando a 3,9% no acumulado em 12 meses em abril. As tarifas têm contribuído para o encarecimento dos produtos, uma vez que exportar para o mercado americano ficou mais oneroso.

Entre os produtos isentos, a carne bovina se destaca por sua importância estratégica. Pedro Venceslau também analisou o assunto no programa, ressaltando 15% da carne bovina consumida nos Estados Unidos é importada do Brasil. Quando houve uma taxação anterior que atingiu o setor, faltou hambúrguer no mercado americano, gerando uma crise de abastecimento significativa.

O setor de carnes, representado pela ABIEC — Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina —, preferiu não se manifestar oficialmente, mas avaliou, em caráter reservado, que a decisão foi positiva por eliminar o risco imediato de perda de competitividade no mercado americano. A entidade informou apenas que está acompanhando as negociações e que ainda é momento de cautela, pois a consulta pública pode trazer mudanças.
Setor de carnes ganha novo elemento: reconhecimento da China

Pedro Venceslau acrescentou que a China, após a decisão dos Estados Unidos, reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa, considerando os rebanhos brasileiros saudáveis para o mercado chinês.

Isso pode ampliar ainda mais as exportações de carne bovina brasileira para o mercado chinês, representando um elemento adicional de pressão na mesa de negociações com os americanos. Vale lembrar que os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, atrás apenas da China.
Negociação vai além do comércio de mercadorias

Para Lucinda Pinto, a proposta parece muito mais um alerta para que haja negociação do que uma intenção real de taxação irrestrita. "Parece muito mais uma ameaça para que haja uma negociação, inclusive sobre outros temas para além do comercial", disse a analista. Entre esses temas, ela citou questões relacionadas a meios digitais, meios de pagamento e regulamentação tecnológica — incluindo o PIX —, sugerindo que o que for acordado entre Brasil e Estados Unidos pode servir de precedente para outros mercados, como a Índia.

O cronograma prevê que, até 6 de julho, sejam recolhidas as contribuições das indústrias envolvidas e de especialistas americanos. Nessa mesma data, haverá uma audiência para definir a ação proposta. Até 15 de julho, espera-se a definição sobre o que efetivamente entrará em vigor.

Segundo especialistas ouvidos por Lucinda, o cenário atual se assemelha a uma "luz amarela" acesa, sinalizando a necessidade de negociação antes que qualquer medida seja concretizada.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN.

CNN Brasil - SP   03/06/2026

Lideranças do setor privado já se mobilizam no Brasil e nos Estados Unidos para tentar convencer o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) a reverter o novo tarifaço contra os produtos brasileiros, mas avaliam que o Palácio do Planalto e o Itamaraty precisam demonstrar maior disposição para negociar com a Casa Branca para que a medida seja derrubada.

Na tarde desta terça-feira (2), lideranças dos setores afetados, em especial da indústria, começaram a elaborar uma estratégia para tentar reverter a medida.

A ideia é promover uma mobilização setorial dentro do próprio calendário estabelecido pelo USTR, com o dia 22 de junho como data-limite para pedidos de participação na audiência, envio de comentários por escrito até o dia 1º de julho e participação na audiência pública no dia 6 de julho. O anúncio final está previsto para o dia 15 de julho.

Fontes ligadas ao setor privado afirmaram que as associações setoriais já estão se preparando para fazer essas manifestações, com maior ênfase na indústria brasileira, mais afetada do que o agronegócio pela decisão de hoje.

A aposta será mostrar ao USTR a essencialidade dos produtos brasileiros para o mercado doméstico americano e que eles atendem a três requisitos que o departamento comercial considera determinantes para decidir sobre uma taxação: a essencialidade para o mercado interno, a ausência de produção doméstica e a inexistência de produtos substitutos americanos.

O setor privado também aposta no impacto inflacionário que a medida pode ter para a economia americana.

Porém, nada disso será determinante se o governo brasileiro não se dispuser a negociar com os Estados Unidos, relatam negociadores do setor privado.

A leitura é a de que, por mais que haja argumentos técnicos para impedir o novo tarifaço, o que os Estados Unidos querem de fato é uma negociação ampla com o Brasil, que envolva, em especial, acordos sobre minerais críticos, flexibilização de regras para big techs, mudanças nas regras de propriedade intelectual e no Pix.

Assim, a percepção é de que há um corredor formal de negociação, mas é no campo informal — que não está sendo tratado pelo USTR — que a negociação de fato influenciará uma decisão final dos americanos.

MINERAÇÃO

Valor - SP   03/06/2026

Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 116,26

O minério de ferro subiu na China nesta terça-feira (2), impulsionado pela perspectiva de alta nos custos de frete.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,77%, cotado a 786,50 yuans (US$ 116,26).

Os custos de frete representam atualmente quase 15% dos preços do minério, o maior patamar em quase cinco anos, o que oferece forte suporte aos preços, a Nanhua Futures.

A demanda geral permanece sustentada, mas o potencial de alta será limitado devido à ampla oferta, afirmam os analistas.

Diário do Comércio - MG   03/06/2026

Já prejudicada pela taxação de 10% imposta por Donald Trump em 2025, a indústria mineira de ferro-gusa será a maior afetada se uma nova tarifa estadunidense de 25% sobre produtos brasileiros for confirmada. Essencial para alimentar a siderurgia, o gusa é o segundo item mais exportado por Minas Gerais para os Estados Unidos, atrás apenas do café. Se a nova cobrança vingar, o ferro-gusa será taxado em 35%. Além dele, outros itens, como máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos, alimentos processados, joias e bijuterias, também estariam na mesma situação.

Produto Valor Exportado Participação nas Exportações Tarifação
Café USD 1,6 bilhão 37,0% Atualmente isento de tarifas
Ferro-gusa USD 1,0 bilhão 24,0% Taxado em 10% (com possibilidade de +25%, somando 35%)
Ferroligas (principalmente ferronióbio) USD 237 milhões 5,5% Atualmente isento de tarifas
Transformadores / Conversores elétricos USD 178 milhões 4,0% Taxado em 10% (com possibilidade de +25%, somando 35%)
Silício metálico USD 110 milhões 2,6% Taxado em 10% (isento do adicional de 25%)

Fonte: Fiemg

“O maior impacto é sobre o ferro-gusa, sem sombra de dúvidas. Minas é o maior produtor de ferro-gusa do País e a gente alimenta o mercado interno, mas mais da metade vai para os Estados Unidos. O ferro-gusa é o segundo produto que a gente mais exporta e já estava tarifado com 10%. Agora, ficaria com 35%. É um impacto muito grande para a indústria. E os impactos já têm acontecido: como o setor não ficou isento desde a primeira vez, os próprios compradores de ferro-gusa diminuíram as compras e isso já gerou paralisação de produção. Então, esse é um setor que está bastante preocupado”, afirma o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Felipe Ramon.

Mais cedo, a entidade já havia se posicionado sobre o tema. Em nota, a Fiemg aponta que, se for aplicada, a medida “tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, ampliar o ambiente de incerteza para as empresas exportadoras e afetar investimentos, empregos e negócios ligados ao comércio exterior”.

Ramon completa que a relação comercial entre os produtores de ferro-gusa de Minas e os Estados Unidos é de grande dependência. Segundo ele, as indústrias daqui têm contratos antigos com os compradores de lá, o que dificulta ou inviabiliza a transferência da produção para outros mercados.

“Na prática, essa nova tarifa significa menos produção, pois os produtores (de Minas) são completamente dependentes. Esse ferro vai para os Estados Unidos para alimentar as siderúrgicas de lá. São contratos de muitos anos, e não podem apenas enviar para outros lugares”, diz.

EUA foram o segundo maior mercado das exportações de Minas em 2025

Fonte: Sede

“Em 2025, os Estados Unidos foram o segundo maior importador de produtos mineiros do mundo. O país foi responsável por 9,36% do total de exportações de Minas Gerais no período”, afirma a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), em nota.
Outros produtos taxados

Além do ferro-gusa, outros itens relevantes da pauta de exportação mineira também sofrerão impactos. “São produtos que têm uma participação menor na pauta (se comparados com o ferro-gusa), mas que são muito relevantes”, completa Ramon. É o caso de produtos como máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos, joias e bijuterias e alimentos processados, que também podem chegar a 35%, já que já estão taxados em 10% atualmente.

“A maioria são produtos manufaturados, como máquinas e equipamentos elétricos, ouprodutos alimentícios que estejam ali em um nível um pouco mais processado, como o pão de queijo. As joias, também. Se a gente pega a exportação de joias para os Estados Unidos e vê o percentual disso na nossa pauta, é um valor muito pequeno, mas o setor de joias é altamente dependente do mercado dos Estados Unidos. Então, desde o início do tarifaço eles estão sofrendo bastante porque são empresas pequenas”, declara.

Máquinas e Equipamentos

Valor - SP   03/06/2026

Presidente da Abimaq destacou que mesmo com a expectativa, "não tem como preparar no seu custo de manufatura uma tarifa de 25%", mas "pode ter é repasse desse preço ou a empresa deixa de vender"

O setor de máquinas e equipamentos brasileiros já esperava a aplicação pela administração americana de nova tarifa contra produtos brasileiros e disse que irá argumentar que a medida, que recomendou nesta terça-feira (2) alíquota punitiva de 25% sobre parte das mercadorias importadas do Brasil, prejudica a própria indústria americana.

Segundo José Velloso, presidente da Abimaq, entidade que representa os fabricantes, o segmento esperava tarifa entre 20% e 30%, previsão que foi compartilhada no sábado (30) com os associados. “Já tinham surgido rumores [sobre isso] lá nos Estados Unidos e o governo brasileiro estava conversando intensamente com os americanos. Ficamos sabendo disso”, afirmou.

Embora a tarifa recomendada seja de 25%, menor do que a alíquota anterior que chegou a atingir 50%, o impacto para o segmento seria negativo. “As empresas estavam preparadas no sentido de que sabiam que ia acontecer. Mas não tem como preparar no seu custo de manufatura uma tarifa de 25%. O que pode ter é repasse desse preço ou a empresa deixa de vender”, disse.

O dirigente disse que vigora hoje sobre o segmento tarifa de 10%, após decisão da Suprema Corte americana que declarou, em fevereiro, ilegais tarifas impostas anteriormente. A efetivação da recomendação da tarifa de 25%, resultado de investigação em curso contra o Brasil sob a Seção 301 da “Trade Act” americana, que considerou parte das práticas brasileiras como injustas, ainda depende de consultas e audiência pública que ainda será realizada em julho.

A entidade disse que argumentará no período de consulta pública, alegando que mais de 80% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos são realizadas entre unidades da mesma empresa. Na visão da entidade, deste modo, a tarifa prejudicaria investimentos de empresas brasileiras nos EUA e vice-versa.

“Outra coisa [que vamos argumentar] é que o segundo item que mais exportamos para os EUA são componentes de máquinas. Ou seja, quando vendemos o componente de uma máquina, é porque a máquina está sendo fabricada nos EUA. Então, com a tarifa, se prejudica a indústria americana”, disse.

O dirigente disse que a possibilidade de avanço das importações chinesas em território americano também será abordada. “Esses produtos que os Estados Unidos importa do Brasil boa parte deles não são supridos pela indústria local. Com tarifa, quem vai substituir o Brasil é a China”, completou.

Ainda assim, se concretizada, a entidade acredita que a tarifa de 25% não se somaria a atual de 10%, mas se tornaria a alíquota vigente para o segmento. Considerando a outra investigação em curso que trata de omissão com trabalho escravo, do qual o Brasil também é alvo junto com mais 59 países, a estimativa da entidade, no caso de decisão desfavorável ao país, é de tarifa adicional de 10%. Esta, disse, poderia se somar a alíquota potencial de 25%, totalizando, deste modo, 35%, no pior cenário.

“Mas essa investigação [de trabalho escravo] ainda deve ser concluída no final do ano ou no começo do ano que vem. Até lá muita água vai passar embaixo da ponte”, completou.

Times Brasil - SP   03/06/2026

A proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros representa uma ameaça às exportações de máquinas e equipamentos, embora o impacto seja considerado menor do que o registrado durante o tarifaço de 50% aplicado anteriormente. Segundo a Abimaq, o setor exporta cerca de US$ 4 bilhões por ano para o mercado americano e depende fortemente da relação comercial entre os dois países, especialmente em operações realizadas entre empresas do mesmo grupo. Apesar da preocupação com a perda de competitividade, a entidade acredita que ainda há espaço para negociações técnicas e empresariais antes da definição final das medidas previstas para julho.

A nova proposta tarifária dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar perdas para a indústria nacional de máquinas e equipamentos, mas em uma intensidade menor do que a observada durante a ofensiva comercial anterior, afirmou José Velloso, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo ele, o setor já esperava a medida e se prepara para atuar novamente em consultas e audiências públicas promovidas pelas autoridades americanas.

De acordo com Velloso, os Estados Unidos representam o principal mercado externo para as máquinas brasileiras, absorvendo cerca de 26% das exportações do setor. Antes da adoção das primeiras medidas tarifárias, as vendas para o país somavam aproximadamente US$ 4 bilhões por ano (R$ 20,12 bilhões).

“É o segundo produto que o Brasil mais vende nos Estados Unidos, só perde para petróleo e derivados”, destacou, em entrevista nesta terça-feira (2) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, as exportações de máquinas para o mercado americano superam em cerca de 60% as vendas de aeronaves brasileiras ao país.

Impacto menor que em 2025

Velloso lembrou que a indústria enfrentou um cenário ainda mais desafiador durante o tarifaço anterior, quando as tarifas chegaram a 50%. Apesar das expectativas iniciais de forte retração, o comércio bilateral acabou demonstrando capacidade de adaptação.

“Terminamos o ano com uma queda de 9% nas exportações”, afirmou. Segundo ele, os fabricantes brasileiros conseguiram repassar parte dos custos adicionais aos compradores americanos, que continuaram demandando máquinas e equipamentos produzidos no Brasil.

O executivo observou que o novo percentual de 25% continua elevado, mas representa um obstáculo menos severo do que o enfrentado anteriormente. “É uma má notícia que já era esperada; ninguém foi pego de surpresa”, disse.

Setor aposta na negociação

A Abimaq pretende participar novamente do processo de consulta pública conduzido pelas autoridades americanas para tentar reduzir os impactos da medida.

Segundo Velloso, a principal linha de argumentação será mostrar que máquinas e equipamentos não devem ser vistos apenas como produtos importados, mas como instrumentos de investimento e geração de empregos dentro dos próprios Estados Unidos.

“Máquinas e equipamentos são bens de capital. “Encarecer investimento é uma medida errada“”“, afirmou.

O dirigente destacou ainda que cerca de 82% do comércio bilateral de máquinas ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico, em operações conhecidas como intercompany. Estariam prejudicando empresas brasileiras que investem nos Estados Unidos, mas principalmente empresas americanas que investem no Brasil”, ressaltou.

Corrida para exportar

Na avaliação de Velloso, a possibilidade de entrada em vigor da nova tarifa já vem provocando uma antecipação de embarques para o mercado americano.

Segundo ele, após a redução temporária das tarifas para 10%, houve uma aceleração das exportações, movimento que tende a se repetir nas próximas semanas. “Eu imagino que agora vai haver novamente um pico de exportação para os Estados Unidos”, afirmou.

O executivo explicou que boa parte dos produtos exportados pelo setor é fabricada em série e já se encontra disponível para embarque. O prazo médio de transporte marítimo é de cerca de 30 dias para a costa leste americana e de 40 dias para a costa oeste.
Máquinas lideram vendas

Entre os produtos mais exportados pelo Brasil para os Estados Unidos estão as chamadas máquinas rodoviárias, utilizadas em obras de infraestrutura e construção pesada. “O produto que o Brasil mais exporta são máquinas rodoviárias”, destacou Velloso.

Também possuem participação relevante componentes industriais, equipamentos para a indústria de transformação, máquinas para o setor de petróleo, equipamentos destinados à indústria alimentícia e máquinas agrícolas.

Segundo ele, a relevância desses produtos torna difícil justificar uma política comercial que penalize o Brasil sem necessariamente beneficiar fabricantes americanos.
Concorrência internacional

Velloso argumentou que a imposição de tarifas mais elevadas pode acabar favorecendo concorrentes de outros países, especialmente em um momento em que diversas cadeias globais de produção permanecem integradas.

“Não é a indústria americana que vai sair ganhando porque vai substituir a indústria brasileira. Isso pode ser substituído por produto chinês, mexicano ou canadense”, afirmou.

Na avaliação do executivo, a medida possui forte componente político. Ele observou que o Brasil mantém superávit comercial favorável aos Estados Unidos em diversos segmentos e questionou a lógica de impor barreiras superiores às aplicadas a outros competidores. “Se a guerra comercial é contra a China, não faz o menor sentido o Brasil ter uma tarifa maior do que a dos chineses em máquinas e equipamentos”, disse.

Cenário mais favorável ao diálogo

Apesar das incertezas, o diretor da Abimaq acredita que o ambiente de negociação é mais favorável do que o observado durante a rodada anterior de disputas comerciais.

Segundo ele, os canais diplomáticos entre os governos brasileiro e americano estão mais ativos, há maior interlocução institucional e as próprias autoridades dos Estados Unidos já demonstraram disposição para rever algumas medidas adotadas anteriormente. “Está mais fácil, está mais fluida a conversa”, afirmou.

Velloso também citou a indicação de um novo embaixador americano para o Brasil como um fator que pode contribuir para ampliar o diálogo entre os dois países. Para ele, a expectativa é que as negociações avancem até a divulgação da decisão final das autoridades americanas, prevista para meados de julho. “Temos mais condições de conversar e defender os interesses da indústria brasileira do que tínhamos anteriormente”, concluiu.

AUTOMOTIVO

Monitor Digital - RJ   03/06/2026

A BYD encerrou maio de 2026 atingindo uma marca inédita e histórica: 21.704 modelos emplacados no Brasil e 8,5% de market share no mercado automotivo nacional. Com isso, alcançou, pela primeira vez, a quarta posição no ranking geral de vendas no Brasil. Essa ascensão ao pelotão da frente do mercado brasileiro é um dos capítulos mais impressionantes e disruptivos de toda a história da indústria automotiva, já que, tratando-se de velocidade de crescimento, nada parecido com o que a BYD está fazendo ocorreu na era moderna do mercado automotivo nacional.

“Me lembro que, logo antes de lançar o BYD Dolphin no Brasil, havíamos encerrado o mês de maio de 2023 com um total de 390 carros vendidos no país. Ou seja, em apenas três anos, as vendas mensais da marca cresceram cerca de 5.500%, ficando quase 56 vezes maiores e saltando de 390 veículos em maio de 2023 para quase 22 mil veículos em maio de 2026. Isso sem contar que nos consolidamos, pelo segundo mês consecutivo, como líderes no varejo automotivo nacional. Parece inacreditável, mas é a velocidade BYD”, celebra Alexandre Baldy, Vice-Presidente Sênior da BYD do Brasil e Head de Marketing e Comercial da BYD Auto.

A greentech entregou os primeiros carros de passeio no Brasil há apenas quatro anos e agora já se consolida, mês após mês, na briga no topo do ranking geral (que inclui tanto vendas para pessoas físicas quanto frotistas e locadoras) e desbanca, uma após a outra, empresas com décadas de atuação no País.
Tabela de Vendas de automóveis – Fonte BYD Auto Brasil
Nenhuma marca antes escalou do zero ao quarto lugar em período tão curto de tempo. Os números falam por si: A BYD demorou cerca de 32 meses, entre abril de 2022 e dezembro de 2024, para atingir 10 mil veículos vendidos no Brasil. E agora, apenas 17 meses depois, superou a marca de 21 mil veículos emplacados pela primeira vez em um único mês. Essa curva agressiva de crescimento jamais havia ocorrido no País.

“O brasileiro, infelizmente, se acostumou a pagar caro para receber o mínimo. A BYD veio para mudar esse jogo, entregando inovação, tecnologia e conforto mesmo em seus modelos de entrada de cada segmento. O consumidor percebeu e está alicerçando o nosso crescimento e nos deixando cada vez mais perto de alcançar a nossa meta de chegar à liderança geral do mercado nacional brasileiro até 2030”, afirma Alexandre Baldy.

Um fenômeno ainda mais representativo quando se observa que a BYD alcançou essa posição vendendo exclusivamente veículos 100% elétricos e híbridos plug-in. “O mercado tradicional dizia que a eletrificação no Brasil demoraria décadas para ganhar volume. Estavam errados. Modelos como o BYD Dolphin Mini, a família Song e o BYD King provaram o contrário ao entregar um nível de tecnologia embarcada totalmente diferenciado, com sofisticação, sem descuidar dos preços competitivos”, salienta Fábio Lage, diretor comercial da BYD do Brasil.

O movimento da BYD está reescrevendo os manuais de economia e engenharia automotiva brasileira. Afinal, uma marca entrante, focada em uma tecnologia disruptiva e sustentável, está atropelando montadoras centenárias e assumindo o protagonismo do mercado brasileiro em tempo recorde.
Fábrica da BYD na Bahia (foto divulgação) Camaçari

A fábrica em Camaçari, na Bahia, é mais um passo estratégico nos planos de crescimento. Desde outubro do ano passado, quando foi inaugurada, cerca de 70 mil modelos do BYD Dolphin Mini, BYD King e BYD Song Pro já foram produzidos. A empresa também avança nas obras para inaugurar, em breve, os prédios de estamparia, soldagem e pintura para começar a produção completa dos veículos em solo nacional.

O avanço da operação brasileira acontece em um momento de forte expansão tecnológica da companhia, que recentemente anunciou o desenvolvimento de seu próprio chip automotivo de 4 nanômetros para direção inteligente, ampliando sua liderança em áreas estratégicas como baterias, softwares, semicondutores e veículos eletrificados.

A BYD encerrou maio na liderança do varejo automotivo brasileiro pelo segundo mês consecutivo, com 16.883 veículos licenciados e 14% de participação de mercado, consolidando sua posição como a marca que mais vende diretamente ao consumidor final no país. Além disso, tem três modelos posicionados entre os cinco mais vendidos do Brasil.

A posição de liderança incontestável reforça a capacidade de conectar o portfólio às necessidades do mercado brasileiro. Destaque para o BYD Dolphin Mini, que manteve seu protagonismo em maio ao liderar pelo quarto mês consecutivo o ranking de carros no varejo. Foram 6.478 unidades licenciadas no período, desempenho que representou 38,4% das vendas da marca. O BYD Dolphin Mini sozinho representa mais de 5% do mercado no varejo.

O desempenho da BYD em maio ainda foi impulsionado por modelos que vêm conquistando cada vez mais espaço em diferentes segmentos. O BYD Dolphin alcançou a terceira colocação entre os modelos mais vendidos, com 4.163 unidades licenciadas. Já a família Song ocupou a quinta posição do ranking, com 4.029 unidades.

“Liderar o varejo nacional com três modelos entre os cinco mais vendidos não é coincidência, é o resultado de um desafio que colocamos para os nossos times todos os dias: entender o que o brasileiro precisa e entregar isso com tecnologia acessível. Chegamos ao Brasil há mais de 10 anos com os ônibus elétricos, depois começamos a produzir painéis solares e, por último, vieram os carros de passeio. Nosso compromisso com o país é de longo prazo”, destaca Baldy.

Os resultados de maio reforçam uma tendência que vem se consolidando ao longo dos últimos anos: a consolidação inegável da relevância da BYD na indústria automotiva nacional.

A liderança no varejo, a presença entre as principais marcas do mercado geral e o desempenho de seus modelos mostram uma empresa que continua ampliando sua participação e fortalecendo sua relação com os consumidores.

Em um mercado cada vez mais competitivo, a BYD segue transformando inovação em resultados concretos, consolidando seu posicionamento como a principal protagonista da nova mobilidade no Brasil.

“Mais do que um resultado de vendas expressivo, o desempenho da BYD reflete a consolidação de uma estratégia construída a partir da dedicação de um time alinhado à tecnologia, inovação e proximidade com o consumidor. Hoje é quase impossível não encontrar um modelo BYD em cada esquina do País e isso demonstra que a marca vem conseguindo cumprir o seu papel de fazer a eletrificação deixar de ser uma tendência de nicho para se tornar uma escolha concreta para milhares de brasileiros”, conclui Tyler Li, presidente da BYD Brasil.
Retomada

No cenário global, a BYD manteve seu forte ritmo em maio de 2026, alcançando a marca de 383.453 veículos vendidos no mês, sendo 160.177 unidades para mercados fora da China.

No acumulado de janeiro a maio, o Grupo BYD já soma 1,4 milhão de veículos comercializados, ultrapassando a impressionante marca de 16,5 milhões de veículos eletrificados vendidos globalmente desde o início de suas operações.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   03/06/2026

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) informa que o Custo Unitário Básico (CUB) global da indústria da construção paulista registrou variação positiva de 1,24% em maio de 2026.

Com o resultado, o indicador acumulou elevação de 2,30% no ano e de 5,11% nos últimos 12 meses.

No mês, todos os principais componentes do índice apresentaram alta. Os custos com mão de obra avançaram 1,36% em maio, acumulando elevação de 1,76% no ano e de 5,45% nos últimos 12 meses.

Os materiais de construção registraram alta de 1,04% no mês, com avanço de 3,08% no acumulado do ano e de 4,55% em 12 meses. Já as despesas administrativas aumentaram 1,81% em maio, acumulando alta de 1,97% no ano e de 6,59% nos últimos 12 meses.

Com esse desempenho, o CUB representativo da construção paulista (padrão R8-N) foi apurado em R$ 2.172,71 por metro quadrado em maio de 2026.

Com desoneração - Nas obras incluídas na desoneração da folha de pagamentos, o CUB registrou variação positiva de 1,24% em maio. No acumulado do ano, o índice apresentou elevação de 4,16%, enquanto a variação em 12 meses foi de 6,97%.

O custo médio da construção paulista (padrão R8-N) com desoneração atingiu R$ 2.099,86 por metro quadrado no mês, sendo R$ 1.156,42 referentes à mão de obra, R$ 883,30 aos materiais e R$ 60,14 às despesas administrativas.

Custos dos insumos - Entre os materiais pesquisados, as maiores altas em maio foram registradas pela Tinta látex branca PVA (2,85%), Vidro liso transparente 4 mm c/ massa (2,59%) e Alimentação tipo marmitex nº 8 (2,56%). Todas apresentaram variação superior à do IGP-M, que registrou alta de 0,84% no período.

Na comparação dos últimos 12 meses, os destaques ficaram por conta do Fio cobre antichama isol. 750 V 2,5 mm² (12,63%), do Cimento CPE-32 saco 50kg (11,74%) e do Tubo PVC-R rígido p/ esgoto Ø 150 mm (10,81%). As variações ficaram significativamente acima da inflação medida pelo IGP-M, que acumulou 1,95% no mesmo período.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   03/06/2026

A capital paulista ganhará uma nova linha de metrô ainda neste mês. A inauguração da Linha 6-Laranja, construída pela Acciona, foi confirmada pelo governador Tarcísio de Freitas nesta segunda-feira (1º), durante entrevista ao programa Pânico, da Rádio Jovem Pan.

Ao comentar os avanços da mobilidade sobre trilhos no estado, o governador falou sobre a nova linha, abordou futuros projetos metroferroviários e também tratou dos desafios envolvendo novas concessões à iniciativa privada.

Linha 6-Laranja abre com seis estações

Segundo Tarcísio, a linha concebida para ligar a Brasilândia, na Zona Norte, à região central da capital será inaugurada de forma parcial ainda em junho.

A operação inicial compreenderá o trecho entre as estações João Paulo I e Perdizes, incluindo as paradas intermediárias SESC-Pompeia, Água Branca, Santa Marina e Freguesia do Ó. O segmento corresponde a pouco mais de um terço do projeto completo, que prevê 15 estações ao longo de 15 quilômetros de extensão.

Final de junho a gente entrega a primeira parte da Linha 6 do metrô. Então, como é que vai funcionar a Linha 6? A gente entrega agora em junho de João Paulo I até Perdizes, destacou o governador.

A expansão da operação seguirá em etapas. Até o final deste ano, a previsão é que os trens passem a atender a estação Brasilândia. Já a conclusão do traçado original, com a chegada à estação São Joaquim, deverá ocorrer em 2027.

No final do ano a gente passa a operar de Brasilândia até Perdizes e, no ano que vem, a gente opera a linha completa até São Joaquim. Serão 15 quilômetros de Linha 6 completa, então final de 2027, operando de Brasilândia até São Joaquim, completou Tarcísio.

Linha 17-Ouro ganhará nova estação

Questionado sobre outros projetos em andamento, o governador também confirmou a inauguração da oitava estação da Linha 17-Ouro, sistema de monotrilho que atende a Zona Sul da capital.

A estação Washington Luís, localizada no cruzamento da avenida homônima com a Avenida Jornalista Roberto Marinho, deverá entrar em operação no final de junho. Com isso, o ramal passará a contar com uma inédita configuração operacional em Y, permitindo viagens para dois destinos distintos, incluindo o Aeroporto de Congonhas.

Inauguramos a Linha 17 e vamos inaugurar a Washington Luís. Será entregue agora no final de junho.

Atualmente, a Linha 17-Ouro possui sete estações e opera em regime transitório. Inaugurado em 31 de março, o sistema funciona de segunda a sexta-feira, entre 10h e 15h, sem cobrança de tarifa.

Novas linhas entram no radar do Estado

Paralelamente às inaugurações previstas para este ano, o Governo de São Paulo avança nos estudos de novas linhas de metrô e trem. A estratégia é ampliar a oferta de transporte para regiões mais distantes do centro, criando uma espécie de anel metroferroviário voltado à integração entre municípios da Região Metropolitana.

Durante a entrevista, Tarcísio citou as futuras linhas 14-Ônix, 21-Vinho, 23-Limão e 25-Topázio. Os projetos têm como objetivo ampliar a cobertura da rede em cidades como Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Osasco, Carapicuíba, Cotia e Embu das Artes.

Nesse desenho, a Linha 14-Ônix percorreria a porção leste do anel; a Linha 23-Limão atenderia o eixo norte; a Linha 21-Vinho conectaria o ABC Paulista à Zona Leste; enquanto a Linha 25-Topázio, ainda em estágio preliminar, faria conexões com a futura Linha 20-Rosa, passando pela região de Campo Limpo ou Capão Redondo e chegando a Embu das Artes.

Entre os projetos mencionados, o mais avançado é a Linha 14-Ônix, vinculada ao futuro processo de concessão da Linha 10-Turquesa. O edital é esperado para 2026.

A gente precisa de mais linhas. Estamos começando a projetar as linhas que vão ser circulares. Sempre fizemos muitas linhas que têm como destino final o centro de São Paulo. Agora queremos linhas que interconectem as demais linhas. É o caso da Linha 14, que vai ligar o ABC a Guarulhos, cruzando as linhas que hoje cortam a Zona Leste. É o caso da Linha 23, que vai atender Carapicuíba, Osasco e Cotia. E também da Linha 25, que estamos projetando para ligar Diadema à Linha 20. O objetivo é distribuir melhor os passageiros nas nossas linhas de trem e metrô, afirmou.

Metrô permanece fora dos planos de concessão

Ao comentar a participação da iniciativa privada no sistema, Tarcísio procurou afastar, ao menos por enquanto, a possibilidade de concessões envolvendo as linhas atualmente operadas pelo Metrô.

O governador ressaltou a capacidade técnica da companhia e o papel desempenhado pela empresa na elaboração de estudos e projetos para futuras expansões.

Eu tenho visto o Metrô investindo bastante. O Metrô tem uma equipe extremamente profissional, tem a melhor equipe de engenheiros ferroviários do Brasil. Não tenho dúvida disso. O Metrô é muito competente e está realizando um bom trabalho. Por hora, a gente não pensa mais em fazer concessão das linhas do Metrô.

Falta de operadores preocupa governo

Na parte final da entrevista, Tarcísio demonstrou preocupação com a concentração do mercado de mobilidade sobre trilhos em poucas empresas.

Segundo o governador, a limitação de novos interessados pode comprometer a competitividade de futuras licitações, reduzindo os benefícios esperados para os usuários.

Hoje, os principais grupos privados que atuam na rede paulista são a Motiva e o Grupo Comporte, responsáveis por diferentes contratos de concessão no sistema.

Um ponto de risco que a gente tem que observar é evitar a concentração de mercado em poucas empresas. Quando você pensa nos operadores de mobilidade, quem são eles? Eu tenho a Motiva, que está com as linhas 4, 5, 8 e 9. E tenho o pessoal da Comporte, que está com as linhas 7, 11, 12 e 13. Se eu fizer um leilão, quem viria para cá? Tenho a chance de trazer um novo operador, um estrangeiro ou não? Você não pode fazer uma concessão por fazer. Tem que garantir que o serviço vai melhorar. Estamos preocupados com a concentração do mercado em poucos operadores e isso acabar sendo um problema, afirmou.

Atualmente, o Governo do Estado mantém em andamento o processo de concessão da Estrada de Ferro Campos do Jordão, previsto para este mês. Na sequência, devem ser lançados os editais do Trem Intercidades São PauloSorocaba e da concessão conjunta da Linha 10-Turquesa com a futura Linha 14-Ônix, iniciativas que poderão avançar até o final deste ano.

Grandes Construções - SP   03/06/2026

A Rumo S.A. anunciou que a inauguração do novo terminal da BR-070 e do trecho ferroviário da Ferrovia do Mato Grosso ocorrerá na sexta-feira (19/06).

O projeto é considerado o principal investimento da companhia e representa atualmente a maior obra ferroviária em execução no Brasil, reforçando a estratégia da empresa de ampliar sua participação no escoamento da produção agrícola nacional.

A conclusão da primeira fase da Ferrovia do Mato Grosso marca um ponto importante na expansão operacional da Rumo, especialmente em um momento de forte demanda por infraestrutura logística ligada ao agronegócio brasileiro.

O início do comissionamento operacional dos novos ativos tende a ampliar a capacidade de transporte ferroviário no Centro-Oeste, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade das exportações brasileiras de grãos.

Segundo a companhia, a nova estrutura terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.

O empreendimento fortalece o posicionamento estratégico da Rumo no Mato Grosso, principal estado produtor agrícola do país, além de consolidar o corredor logístico voltado à exportação via portos do Arco Sul.

O avanço do projeto também é acompanhado de perto pelo mercado financeiro, já que investimentos em infraestrutura ferroviária costumam gerar ganhos relevantes de eficiência operacional, aumento de receita futura e diluição de custos logísticos no longo prazo.

A Ferrovia do Mato Grosso é vista por analistas como um dos principais vetores de crescimento estrutural da Rumo nos próximos anos.

Diário do Comércio - MG   03/06/2026

Com o transporte sobre trilhos no centro das discussões e um novo ciclo de investimentos impulsionado pela renovação de concessões, a indústria ferroviária projeta movimentar R$ 9 bilhões em 2026, crescimento de 30% em relação a 2025. Minas Gerais ocupa posição de destaque no setor: o Estado responde por 25% do faturamento total e concentra 20% das empresas da cadeia produtiva que abastece os fabricantes nacionais.

As estimativas são da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). A expansão se reflete na produção em todos os segmentos. Os carros de passageiros registram o salto mais expressivo, passando de 139 unidades em 2025 para 250 em 2026, alta de 80%. As locomotivas devem passar de 64 para 76 unidades, enquanto os vagões de carga devem avançar de 1,9 mil para 2 mil unidades no mesmo período.

O presidente da Abifer, Vicente Abate, pontua que o avanço reflete um movimento duplo: o crescimento da indústria que fornece equipamentos e insumos ao setor e a expansão da operação ferroviária no País, tanto no transporte de cargas quanto no de passageiros.

“Estamos chegando ao meio do ano atendendo ao que projetamos e, se o segundo semestre for positivo, poderemos alcançar o faturamento esperado. Minas Gerais representa cerca de um quarto do setor e segue como um Estado forte e um dos principais destaques neste ano”, avalia.

Abate explica que o território mineiro abriga duas gigantes da indústria ferroviária no País: a Wabtec, em Contagem, e a Progress Rail, em Sete Lagoas, ambas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A alta demanda fomenta o avanço da cadeia produtiva no Estado, hoje composta por cerca de 200 empresas em diferentes cidades.

Além de atender ao mercado interno, o setor intensifica articulações com outros países e hoje exporta 20% dos equipamentos, com destaque para a América Latina, África e Oriente Médio. Segundo o dirigente, uma indústria tradicionalmente exportadora consegue melhorar sua performance ao combinar os mercados interno e externo.

“O avanço das exportações contribui para o desempenho doméstico e ajuda a sustentar resultados no médio prazo, especialmente em momentos de maior volatilidade. Embora o mercado interno esteja aquecido, a exportação funciona como uma válvula de equilíbrio e garante maior estabilidade diante de eventuais crises”, detalha Abate.

Até o momento, os desafios decorrentes da guerra no Oriente Médio não têm impactado o setor ferroviário. Embora conflitos desse tipo possam gerar efeitos indiretos na cadeia de suprimentos e nas importações, o dirigente afirma que a indústria ferroviária não enfrenta dificuldades relevantes no abastecimento ou na continuidade das operações.

Com os números positivos, a expectativa é de crescimento consistente, ancorado pelo otimismo com a renovação antecipada de operações, como a da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada pela VLI. Com a prorrogação do prazo de concessão, são esperados um novo ciclo de investimentos e, consequentemente, maior demanda pelo fornecimento de equipamentos e componentes pela indústria local.

“A expectativa é positiva, com números de crescimento consistentes. São resultados virtuosos e esperamos a manutenção dessa tendência nos próximos três anos”, destaca Abate.
Setor estuda modelo de ferrovias shortline para ocupar trilhos ociosos

Com 30 mil quilômetros (km) de malha ferroviária, o Brasil tem um ativo relevante subutilizado: apenas um terço é densamente utilizado, enquanto outro terço opera abaixo do potencial e o restante está completamente ocioso. Para reverter esse quadro, o setor estuda a implantação das chamadas shortlines, ferrovias de pequena extensão, entre 1,5 km e 150 km, que conectam ramais locais às ferrovias troncais.

Segundo Abate, o modelo é inspirado nos Estados Unidos, onde as shortlines respondem por 29% de toda a produção ferroviária do País. A aposta, segundo ele, é que ferrovias de menor porte operem com mais eficiência do que as grandes troncais, ampliando a malha utilizada.

Alguns trechos já devolvidos pelas concessionárias são justamente os candidatos naturais a receber esse tipo de operação. “Estamos tentando replicar o modelo no Brasil. As shortlines serão um grande movimento para ampliar a malha ferroviária nacional, assim como o transporte de passageiros entre cidades”, avalia o dirigente.

Rodoviário

O Estado de S.Paulo - SP   03/06/2026

O governo federal terá de realizar cerca de dois leilões rodoviários por mês para cumprir a meta de 13 certames em 2026. A agenda combina novos projetos e repactuações em um momento de aperto orçamentário para os órgãos responsáveis pela estruturação e regulação das concessões.

Das concessões previstas inicialmente para este ano, duas foram a mercado até o momento: Rotas Gerais (MG) e Rota dos Sertões (PE/BA). Com isso, aproximadamente 85% dos certames previstos para 2026 estão concentrados no segundo semestre. Sem leilões federais programados para junho até o momento, a agenda será retomada em julho com a concessão da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), único certame com data já definida.

Se todos os ativos previstos forem leiloados, o Ministério dos Transportes repetirá o recorde de 13 certames alcançado em 2025. No ano passado, a agenda acelerou na reta final, com cinco disputas promovidas até junho e outras oito realizadas no segundo semestre.
Foram 24 licitações desde 2023

Apesar do ritmo mais lento no início de 2026, o ministro dos Transportes, George Santoro, reforçou a projeção para este ano. “Faremos 13 leilões este ano”, disse após o certame da Rota dos Sertões, na semana passada, destacando que a atual gestão realizou 24 leilões rodoviários federais desde 2023, que somaram mais de R$ 260 bilhões em investimentos.

Após a Régis Bittencourt, a agenda inclui projetos como a Rota 2 de Julho (ViaBahia), a Rota Vale do Café e os lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina. A carteira também contempla repactuações de contratos como Arco Norte e Transbrasiliana.

O diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, vê espaço para que o governo cumpra a meta prevista. “Vai ser preciso dar uma acelerada para fazer o que se espera nos próximos meses, mas dá tempo ainda”, reforçou.

No entanto, para Luís Felipe Valerim, sócio do VLR Advogados, o sucesso da agenda dependerá mais da consistência dos projetos do que do número de certames. “Mais importante do que fazer 13 ou 10 leilões é manter um compasso com qualidade”, afirmou. Segundo o especialista, a pressão para cumprir metas pode acelerar estudos e modelagens, aumentando o risco de problemas nos primeiros anos dos contratos.

Mesmo com a intensa agenda de concessões dos últimos anos, o interesse dos investidores pelos ativos rodoviários permanece elevado, com forte competição nos leilões recentes e a entrada de novos investidores no setor, avalia Diogo Nebias, sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados. “O principal risco não está na demanda do setor privado, mas nas questões institucionais para colocar os leilões de pé, como a modelagem e a estruturação dos projetos”, ponderou.
Órgãos passam por restrições orçamentárias

O avanço dos projetos ocorre em meio a restrições orçamentárias nos órgãos responsáveis pelas concessões. O governo federal bloqueou R$ 8,3 bilhões das pastas de infraestrutura para cumprir as metas fiscais previstas no Orçamento. O Ministério dos Transportes teve R$ 1,7 bilhão contingenciado, enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) perdeu R$ 56 milhões em recursos destinados às atividades regulatórias.

As repactuações também adicionam incertezas à agenda. Das 11 concessões rodoviárias previstas para este ano, cinco envolvem contratos já existentes. “É um cronograma difícil de prever porque não depende só do governo, mas também da construção de consenso entre as partes e, só depois disso, da estruturação do processo competitivo”, afirmou Valerim.

Por outro lado, o calendário eleitoral não é visto como um obstáculo relevante para a agenda de concessões. “A carteira de projetos já vem sendo anunciada há algum tempo e, apesar de atravessarmos um período eleitoral em breve, isso não deve afetar a agenda de leilões”, disse João Paulo Pessoa, sócio do Toledo Marchetti Advogados.

Valerim, por sua vez, explica que as restrições normalmente associadas ao período eleitoral afetam principalmente contratações de obras públicas, e não concessões. Na avaliação do advogado, a proximidade das eleições pode até acelerar a conclusão de projetos já em fase avançada de estruturação. “A máquina pública tende a fazer um sprint final para entregar projetos e mostrar resultado antes das eleições”, afirmou.

Para Barcelos, a carteira de projetos já estruturada para os próximos dois anos reduz o risco de descontinuidade da agenda de concessões após as eleições. “Quem sentar na cadeira de ministro a partir de 2027 vai viver o melhor dos mundos, com uma forte agenda de inaugurações, e não vai querer retroceder”, disse o presidente da ABCR.

Veja - SP   03/06/2026

Considerado um dos principais fóruns nacionais voltados à infraestrutura rodoviária e ao avanço das concessões no país, a Bienal de Rodovias desembarca em Brasília nos dias 17 e 18 de junho.

A expectativa é que o encontro reúna autoridades públicas, lideranças empresariais, investidores, concessionárias, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os desafios e perspectivas da agenda de infraestrutura no Brasil.

O evento é visto como um espaço estratégico de diálogo entre governo, iniciativa privada e agentes do mercado, promovendo debates sobre temas centrais para o desenvolvimento econômico e a melhoria da mobilidade.

Dentro da programação, haverá debates sobre segurança viária, sustentabilidade, transformação digital, eficiência operacional, financiamento de projetos e inovação aplicada à infraestrutura.

O fortalecimento das parcerias público-privadas, a modernização regulatória e iniciativas voltadas à melhoria da experiência dos usuários das rodovias também estarão na ordem do dia.

IstoÉ Online - SP   03/06/2026

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, garantiu nesta terça-feira (2) que as obras do aguardado túnel entre Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo, terão início nos próximos meses. Considerado vital para a infraestrutura logística do País, o projeto avança nas etapas preparatórias, com recursos já assegurados e contrato assinado, prometendo desafogar o tráfego e impulsionar a economia regional.

O que aconteceu
Obras do túnel Santos-Guarujá devem começar nos próximos meses, conforme anúncio do ministro Tomé Franca. O projeto tem recursos garantidos e contrato assinado, sendo visto como crucial para a infraestrutura logística brasileira. A obra promete impacto significativo na mobilidade urbana e na eficiência portuária da Baixada Santista.

Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, Franca enfatizou a solidez do planejamento. “O recurso está garantido, o dinheiro já está a conta, contrato já assinado, a empresa deve estar, nos próximos meses, já iniciando a organização para poder iniciar as obras do túnel Santos-Guarujá”, disse o ministro.

Tomé Franca destacou que o empreendimento é esperado há décadas pela população da Baixada Santista e terá impacto direto na mobilidade urbana, na logística portuária e no desenvolvimento econômico da região. A ligação subterrânea entre os dois municípios, segundo o ministro, ajudará a reduzir o tempo de deslocamento de trabalhadores e moradores que dependem diariamente da travessia entre Santos e Guarujá, além de otimizar o fluxo de cargas relacionadas às atividades do porto.

Quais os entraves para a eficiência portuária?

O ministro também avaliou que os principais desafios para ampliar a eficiência da atividade portuária brasileira estão fora dos terminais. Segundo ele, os maiores gargalos atualmente estão relacionados aos acessos rodoviários e ferroviários que conectam os portos às áreas produtoras.

“Os principais gargalos nos portos são os acessos aos terminais”, afirmou Franca, defendendo a ampliação dos investimentos em infraestrutura logística em obras como a do túnel para aumentar a competitividade do setor.

Segurança jurídica impulsiona investimentos

Durante a entrevista, Franca afirmou ainda que a execução de grandes projetos de infraestrutura depende da confiança dos investidores no ambiente regulatório brasileiro. Segundo ele, a previsibilidade dos contratos e o respeito às regras são fatores fundamentais para atrair capital privado para obras de longo prazo.

“Quem investe no Brasil precisa saber que encontra segurança jurídica aqui”, concluiu Tomé Franca, reforçando a importância da estabilidade para o avanço de iniciativas como o túnel Santos-Guarujá.

NAVAL

Valor - SP   03/06/2026

Guarda Revolucionária do Irã reinvindiou autoria do bombardeio e declarou ter atacado embarcação com míssil de cruzeiro

A MSC, maior grupo de transporte marítimo de contêineres do mundo, informou nesta terça-feira (2) que seu navio porta-contêineres Sariska V foi atingido por dois projéteis enquanto estava atracado no porto iraquiano de Umm Qasr, na segunda-feira (1°). Segundo a empresa, todos os tripulantes estão seguros e não sofreram ferimentos.

A companhia afirmou que a responsabilidade pelo ataque foi reivindicada pela Guarda Revolucionária do Irã. A MSC classificou o incidente como um ataque não provocado contra uma embarcação comercial neutra, sem qualquer vínculo com os Estados Unidos ou Israel.

“A MSC está profundamente preocupada com esses ataques não provocados e com os riscos que eles criam para marinheiros inocentes e para o comércio marítimo essencial na região”, afirmou o grupo em comunicado.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou ter atingido o navio de contêineres MSC Sariska V com um míssil de cruzeiro, segundo a mídia estatal iraniana Irna. Teerã afirmou que a ação foi uma retaliação a um suposto ataque anterior contra a embarcação iraniana Lian Star, no Mar de Omã.

Já segundo a agência estatal iraniana Tasnim, a Guarda Revolucionária justificou o ataque alegando que a embarcação possui ligações com Israel. A publicação afirma que a MSC opera em Israel desde 1990, mantém escritórios em Haifa e Ashdod e movimenta mais de 600 mil contêineres por ano em portos israelenses.

A Tasnim também destacou que a família Aponte, fundadora e proprietária da companhia, teria origem israelense e que Rafaella Diamant, cofundadora da empresa, nasceu em Haifa. Por isso, segundo a agência, a MSC é frequentemente descrita por alguns analistas como uma empresa “ítalo-israelense”.

A agência menciona ainda uma investigação conjunta da Al Jazeera e do Movimento da Juventude Palestina, publicada em fevereiro deste ano, segundo a qual a MSC participou do transporte para os Estados Unidos de mercadorias produzidas em assentamentos israelenses na Cisjordânia. De acordo com documentos alfandegários citados pela investigação, ao menos 957 carregamentos dos assentamentos teriam sido exportados entre janeiro e novembro de 2025 para o território americano.

A mídia iraniana também ressaltou que o MSC Sariska V realizou “diversas escalas” em portos americanos nos últimos anos. Segundo a Tasnim, a embarcação atracou mais de 94 vezes em “diferentes portos” nos Estados Unidos entre novembro de 2012 e janeiro de 2024, argumento utilizado por Teerã para reforçar a alegação de que o navio estaria ligado aos interesses de Israel e dos EUA.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   03/06/2026

São muitos os reflexos no mercado de petróleo no mundo. Tem que chore e tem quem fature e ganhe muito dinheiro. Os que choram estão o Japão, a Coréia do Sul, a China, o Vietnã e todos os outros países que compram petróleo dos países árabes produtores, que estão bem mais perto de seus mercados, ganhando com a velocidade da logística e seus preços menores. Mas tem também os que estão ganhando muito, como a Guiana e os Estados Unidos, que participam da guerra, mas estão vendendo petróleo como nunca venderam. Mais de 5,5 milhões de barris por dia que são produzidos no Alasca, Texas e na Louisiana. A Guiana também está nadando de braçada vendendo o petróleo produzido pela norte-americana ExxonMobil. Em apenas sete anos, a Guiana se tornou uma das economias globais e exportadoras de petróleo de crescimento mais rápido, além de uma potência na produção de petróleo, com capacidade de produção de quase 1 milhão de barris por dia. Desde que a ExxonMobil iniciou a produção no bloco offshore de Stabroek em 2019, a economia da Guiana quadruplicou. Ela era um dos países mais pobres da América do Sul, com menos de um milhão de habitantes, e mudou sua posição no mapa global. No início da tarde de hoje (2) o barril do Brent US$ 94,87. Este aumento fez com que compradores disputassem o petróleo bruto fora da região do Oriente Médio.

O país busca impulsionar a contratação de conteúdo local em atividades relacionadas ao petróleo, incluindo alimentação, hotelaria e outros serviços. Após iniciar seu quarto projeto, conhecido como Yellowtail, no ano passado, o consórcio liderado pela Exxon que opera o bloco Stabroek, na Guiana, atingiu a produção de 900 mil barris de petróleo por dia (bpd). A capacidade de produção de oito projetos em desenvolvimento deverá atingir 1,7 milhão de barris por dia até 2030. A Exxon estimou que os recursos brutos recuperáveis do Bloco Stabroek sejam de quase 11 bilhões de barris de petróleo equivalente.

No primeiro semestre de 2026, “alcançamos produção recorde, mantivemos uma forte confiabilidade e temos os projetos Uaru, Whiptail e Hammerhead em construção, com a previsão de produção do primeiro petróleo em Uaru no final deste ano. O CEO da Exxon, Darren Woods, já contabiliza uma produção recorde no primeiro semestre deste ano e ainda vai contar com os projetos Uaru, Whiptail e Hammerhead que estão em desenvolvimento, mas com a previsão de produção do primeiro petróleo em Uaru no final deste ano. A Exxon também já solicitou uma autorização ambiental para desenvolver a descoberta de gás condensado de Haimara, em Stabroek. O fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, fez com que os compradores passassem a enxergar o petróleo bruto de fora do Oriente Médio como uma fonte de energia mais confiável. Países com livre acesso ao Atlântico, como a Guiana, não são obrigados a buscar soluções às pressas caso um ponto de estrangulamento seja fechado, bloqueado ou alvo de ataques com mísseis. Guiana, Brasil, Estados Unidos e outros produtores americanos, além da Noruega na Europa, são cada vez mais vistos como fornecedores de energia confiáveis em um mundo que enxerga riscos excessivos no Oriente Médio.

SORRISO AMERICANO

Mesmo lutando na guerra contra o Irã, gastando bilhões de dólares em armamentos, os Estados Unidos estão ganhando outros bilhões de dólares produzindo petróleo e vendendo para o mercado. O Alasca, o Texas e a Louisiana, juntos, vendem mais de 5,5 milhões de barris por dia. A demanda das refinarias asiáticas e europeias, fazem o maior produtor de petróleo do mundo ser o mais vendedor de petróleo do mundo. A guerra contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro deste ano, tem maltratado os compradores de petróleo, que deixaram de se abastecer no mundo árabe para se socorrem na Guiana, no Brasil e nos Estados Unidos, principalmente. Com Ormuz fechado, a maior interrupção de todos os tempos, as refinarias do mundo inteiro buscaram alternativas ao fornecimento do Oriente Médio.

No mês passado as vendas americanas ultrapassaram 5,2 milhões de bpd, de acordo com a empresa de dados e análises Kpler. As exportações para Ásia e Europa bateram recordes em maio, com a Ásia recebendo 2,45 milhões de bpd dos barris exportados. A Europa ficou em um segundo lugar próximo, com 2,4 milhões de bpd. O Japão foi responsável pela maior parte das importações asiáticas de tipos de petróleo dos EUA em maio, com 808 mil bpd, cerca de 32% a mais. Bulgária, Croácia, Turquia e Grécia também compraram muito no mercado americano. Agora tem as expectativas das negociações que, neste momento, estão paralisadas. O Irã parece perdido, com a liderança do país sendo disputada pela guarda islâmica e o poder dos Aitolás. Ninguém dança e não sai da pista. Não se aposta em que vai manter o poder. O medo e a insegurança se espalha na cúpula e ninguém sabe o que acontecerá ao país, que está em frangalhos.

Money Times - SP   03/06/2026

A produção de petróleo do Brasil registrou recorde pelo terceiro mês consecutivo em abril, ao atingir 4,34 milhões de barris por dia (bpd), alta de aproximadamente 19,5% ante abril de 2025.

O número foi impulsionado principalmente pelo avanço das operações no pré-sal, mostraram dados da reguladora ANP nesta terça-feira (2).

O volume de abril superou em 2,2% o recorde anterior, de 4,25 milhões de bpd, alcançado em março.

O desempenho seguiu sustentado pelo pré-sal, que produziu 3,57 milhões de bpd de petróleo no quarto mês do ano, o equivalente a mais de 80% da produção da commodity no país. O volume de petróleo produzido no pré-sal em abril cresceu perto de 23% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O resultado reforça a trajetória de crescimento após o Brasil ter registrado, em 2025, produção média recorde de petróleo de 3,77 milhões de bpd.

Considerando os dados por concessionário, a Petrobras – maior produtora do país – respondeu por 2,62 milhões de bpd de petróleo em abril, segundo a ANP. A Shell, segunda maior produtora do país e principal parceira da Petrobras no pré-sal, produziu 450,9 mil bpd, enquanto a TotalEnergies registrou 220,6 mil bpd.

A produção nacional de gás natural totalizou 206,70 milhões de metros cúbicos por dia, avanço de 23% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados.

Mas nem todo o gás produzido é comercializado. Em abril, 63,54 milhões de m³/d foram disponibilizados ao mercado, enquanto 119,29 milhões de m³/d foram reinjetados nos reservatórios. Além disso, houve consumo interno de 19,35 milhões de m³/d nas plataformas e queima de 4,52 milhões de m³/d.

Considerando petróleo e gás natural, a produção total brasileira somou 5,64 milhões de boe/d em abril, novo recorde histórico, contra 5,53 milhões de boe/d em março e 4,69 milhões de boe/d em abril de 2025.

Valor - SP   03/06/2026

Vaca Muerta é uma vasta formação de xisto do tamanho da Bélgica que transformou a Argentina em um produtor de energia de rápido crescimento e gerou esperanças de que o país possa se tornar também um grande exportador

A formação de xisto de Vaca Muerta, na Argentina, está a caminho de produzir um milhão de barris de petróleo por dia até o segundo trimestre de 2028, afirmou nesta terça-feira (2) Ricardo Hösel, CEO da Oleoductos del Valle (Oldelval). Vaca Muerta é uma vasta formação de xisto do tamanho da Bélgica que transformou a Argentina em um produtor de energia de rápido crescimento e gerou esperanças de que o país possa se tornar também um grande exportador.

A Oldelval é responsável por transportar o petróleo do campo de Vaca Muerta até os portos de exportação da Argentina, e administra um oleoduto de US$ 1,4 bilhão que conecta a bacia de Neuquén, no oeste do país — onde fica Vaca Muerta —, à costa atlântica.

“Nós nos comprometemos, há algum tempo, garantir que a bacia não enfrentasse mais gargalos de transporte”, disse Hösel em um evento em Buenos Aires, acrescentando que, até 2031, o país não terá problemas com a capacidade de transporte de petróleo.

A formação possui a quarta maior reserva de petróleo de xisto do mundo e é uma peça fundamental da estratégia econômica do presidente argentino, Javier Milei, que busca impulsionar a estabilidade financeira do país por meio do aumento das exportações de energia.

Em abril, o ministro da Energia da Argentina declarou que o país sul-americano pode alcançar a marca de 1 milhão de barris por dia (bpd) em produção de petróleo já em 2026. Atualmente, a produção é de cerca de 850 mil bpd.

Valor Investe - SP   03/06/2026

Conversas entre Estados Unidos e Irã continuam e ocorreu uma quarta rodada de negociações entre Israel e Líbano, em Washington; cessar-fogo segue em xeque

O petróleo voltou a subir nesta terça-feira (2), sustentado pela ausência de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela escalada das tensões militares no Líbano. Sem clareza sobre a continuidade do cessar-fogo no Golfo Pérsico, investidores acompanham de perto os desdobramentos da guerra.

O Brent, referência global, fechou em alta de 1,07%, a US$ 96 por barril.

Já o WTI, parâmetro para o petróleo americano, avançou 1,74%, a US$ 93,7 o barril.

O movimento reflete a percepação de risco geopolítico que vem sustentando os preços desde o início do conflito. A perspectiva de um acordo que pudesse reabrir o fluxo de navios pelo Estreito Ormuz havia aliviado os preços nas semanas anteriores, mas os impasses desta rodada reverteram parte desse otimismo.

Rubio mantém linha dura sobre sanções

O secretário de Estado americano Marco Rubio reafirmou nesta terça que os EUA não retirarão sanções ao Irã em troca da reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo Rubio, qualquer alívio das restrições econômicas está condicionado à entrega do estoque de urânio enriquecido iraniano, uma exigência que Teerã ainda não aceitou.

O estreito de Ormuz é passagem obrigatória de cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, o que torna a região um ponto de pressão permanente para os mercados de energia.

Trump pressiona Netanyahu

A relação entre Washington e Tel Aviv também recebe atenção nesta terça. Segundo o site Axios, Trump teria feito cobranças duras a Netanyahu em telefonemas na noite de segunda-feira, acusando o premier israelense de agir de forma desproporcional e de colocar em risco os esforços diplomáticos americanos na região, incluindo as negociações com o Irã.

De acordo com as fontes ouvidas pelo veículo, Trump afirmou que a ofensiva israelense no Líbano estava ampliando a rejeição internacional a Israel e dificultando a posição americana. Um assessor de Netanyahu reconheceu que houve uma conversa "tensa", mas contestou os relatos mais duros sobre o tom do diálogo.

Horas depois, Trump publicou nas redes afirmando que a conversa foi "muito produtiva" e que não haveria tropas israelenses se deslocando para Beirute. Fontes militares israelenses, porém, disseram que não existiam tropas a caminho da capital libanesa, contrariando a versão do presidente americano.

Líbano amplia incerteza regional

A quarta rodada de conversas entre Israel e Líbano está em curso em Washington, com Beirute buscando encerrar os ataques e a ocupação israelense no sul do país. No entanto, o ministro da Defesa de Israel, Katz, afirmou que as operações continuarão "a qualquer custo" e que o exército avalia ampliar os ataques.

O negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, escalou o tom ao avisar que, se os ataques israelenses ao Líbano continuarem, Teerã não apenas suspenderá as tratativas com os EUA como poderá entrar em "confronto direto com o inimigo". A declaração aumentou a percepção de risco de um conflito mais amplo e contribuiu para sustentar os preços do petróleo ao longo do dia.

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