IstoÉ Dinheiro - SP 01/10/2025
O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) prorrogou por até cinco anos a aplicação de direito antidumping definitivo sobre “laminados planos de aços inoxidáveis austeníticos tipo 304 (304, 304L e 304H) e de aços inoxidáveis ferríticos tipo 430, laminados a frio, com espessura igual ou superior a 0,35 mm, mas inferior a 4,75 mm, originárias da China e de Taipé Chinês”. O Brasil aplica a medida sobre o produto chinês desde 2013.
O órgão também prorrogou por até cinco anos a aplicação de direito antidumping definitivo sobre “laminados planos de baixo carbono e baixa liga provenientes de lingotamento convencional ou contínuo, podendo ser processados através de laminação convencional ou controlada e tratamento térmico, de espessura igual ou superior a 4,75 milímetros(mm), podendo variar em função da resistência, e largura igual ou superior a 600 mm, independentemente do comprimento (chapas grossas), originárias da China, Coreia do Sul e Ucrânia”.
O Brasil aplica a medida sobre o produto desses países também desde 2013.
Alho
O Comitê-Executivo de Gestão da Camex também prorrogou por até cinco anos a aplicação de direito antidumping definitivo sobre alhos frescos ou refrigerados da China, com uma tarifa adicional de US$ 0,79 por kg.
A resolução, publicada no Diário Oficial da União (DOU), também homologa compromissos de preço firmado pelas companhias chinesas Shandong Trans-High Imp & Exp Co., Ltd., Jining Foreign Trading Co., Ltd., Jining Freen Agri-Produces Co., Ltd. e Shandong Goodfarmer International Trading Co., Ltd.
O Brasil aplica direito antidumping sobre o alho chinês desde 1995. A medida passou por revisões em 2000, 2006, 2012, 2015, 2017, 2018 e 2024.
Valor - SP 01/10/2025
A decisão ocorre após várias reuniões na semana passada entre o CMRG e a BHP, que é a maior mineradora do mundo em valor de mercado, que não conseguiram resolver uma disputa de preços
O China Mineral Resources Group, o comprador estatal de minério de ferro do país, disse às principais siderúrgicas e traders para suspenderem temporariamente as compras de todas as cargas marítimas da BHP denominadas em dólar, informa a Bloomberg, citando fontes não identificadas.
A decisão ocorre após várias reuniões na semana passada entre o CMRG e a BHP, que é a maior mineradora do mundo em valor de mercado, que não conseguiram resolver uma disputa de preços, diz a reportagem.
O grupo já havia dito às usinas siderúrgicas para pararem de usar o fino da mistura Jimblebar da BHP no início deste mês, segundo a reportagem.
O CMRG não respondeu aos pedidos de comentário da Bloomberg. Um porta-voz da BHP disse que a empresa não poderia comentar sobre acordos comerciais.
IstoÉ Dinheiro - SP 01/10/2025
A valorização do real frente ao dólar e as quedas sucessivas nos preços dos alimentos fizeram o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisar para baixo a projeção de inflação para 2025. A estimativa passou de 5,2% para 4,8%.
A previsão se refere à chamada inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em agosto, o IPCA marcou deflação (queda de preços) de 0,11%, e uma alta acumulada (inflação) de 5,13% em 12 meses.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos - ou seja, de 4,5%, no máximo.
Fatores
De acordo com as pesquisadoras do Ipea Maria Andréia Parente Lameiras e Tarsylla da Silva de Godoy Oliveira, autoras da Carta de Conjuntura, “o ambiente inflacionário brasileiro apresenta sinais de maior moderação, embora siga desafiador”.
O IBGE mostrou que os preços dos alimentos caíram em agosto, pelo terceiro mês seguido. Dessa forma, o Ipea revisou a expectativa desse grupo para o fim do ano, passando de uma inflação de 6,7% para uma de 4,4%.
Um dos motivos para o recuo nos preços verificados nos últimos meses é a expansão da oferta, com previsão de safra recorde.
As pesquisadoras ressaltam, no entanto, que uma explicação mais importante é que a apreciação do câmbio – desvalorização do dólar ante o real - reduziu pressões sobre alimentos, bens industriais e combustíveis. No último trimestre, citam as autoras, o real se valorizou cerca de 5%.
Por causa do mercado de trabalho aquecido, o Ipea não reduziu a projeção de inflação em relação aos preços dos serviços, mantida em 6,2%. “Mesmo diante de uma leve desaceleração da atividade econômica na margem, o mercado de trabalho segue bem apertado”, afirmam as autoras.
O IBGE divulgou nesta terça-feira (30) que a taxa de desocupação no trimestre encerrado em agosto ficou em 5,6%, a mais baixa da série histórica, iniciada em 2012.
Convergência
O Ipea é um órgão vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento e atua na elaboração de análises para formulação de políticas públicas. A revisão da projeção do IPCA acompanha a avaliação do Banco Central (BC), que anunciou na última quinta-feira (25) revisão de 4,9% para 4,8%.
As projeções do Ipea e do BC se aproximam à do mercado financeiro, que espera inflação de 4,81%, conforme o Boletim Focus, pesquisa do BC com instituições financeiras, divulgada na segunda-feira (29).
Juro alto
As pesquisadoras apontam que o processo de redução da inflação no Brasil avança, “mas ainda de maneira bem gradual e com custo elevado em termos de política monetária”.
A política monetária é o uso que o Banco Central faz da taxa básica de juros, a Selic, que está em 15% ao ano desde junho de 2025. É o patamar mais elevado desde julho de 2006 (15,25%).
Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas - e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo em juro alto, do que arriscar em atividades produtivas. Esse conjunto de efeitos freia a economia.
Rendas menores
O Ipea reduziu também a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 4,9% para 4,5%. Também apurado pelo IBGE, o INPC mede o custo de vida das famílias com renda de um a cinco salários mínimos. Uma das diferenças para o IPCA é que o INPC atribui mais peso a gastos como alimentação.
Utilizado para corrigir salários de algumas categorias e também na fórmula de reajuste anual do salário mínimo, o INPC de agosto acumula 5,05%.
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2025
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu em 77,5% de julho (dado revisado) para agosto, informou o Banco Central. Em valores nominais, passou de R$ 9,555 trilhões para R$ 9,620 trilhões.
Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), a DBGG passou de 89,8% do PIB em julho (dado revisado) para 91,0% no mês passado. O BC começou a divulgar a estatística este ano.
O pico da série da dívida bruta no critério do BC foi alcançado em dezembro de 2020 (87,6%), devido às medidas fiscais adotadas no início da pandemia de covid-19. No melhor momento, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB.
A DBGG — que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o BC e as empresas estatais — é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) — que considera as reservas internacionais do Brasil — aumentou de 63,6% do PIB em julho (dado revisado) para 64,2% em agosto. Em reais, atingiu R$ 7,969 trilhões.
O setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras e Eletrobras) tem déficit primário de R$ 61,792 bilhões no acumulado de janeiro a agosto de 2025, segundo o Banco Central. O montante equivale a 0,74% do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado de 2025 é puxado por um déficit primário de R$ 84,618 bilhões nas contas do governo central, o equivalente a 1,01% do PIB. Estados e municípios têm superávit de R$ 31,117 bilhões (0,37% do PIB), e as empresas estatais, déficit de R$ 8,291 bilhões (0,10% do PIB).
Isoladamente, os Estados têm superávit de R$ 26,001 bilhões no acumulado de janeiro a agosto, e os municípios, saldo positivo de R$ 5,117 bilhões.
Em agosto, o setor público consolidado teve déficit primário de R$ 17,255 bilhões, após um saldo negativo de R$ 66,566 bilhões em julho.
O rombo foi menor do que indicava a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de déficit de R$ 19,10 bilhões. Todas as estimativas do mercado eram negativas, de R$ 30,0 bilhões a R$ 13,70 bilhões.
Esse é o resultado mais robusto para meses de agosto desde 2021, quando as contas públicas tiveram superávit primário de R$ 16,729 bilhões. Em agosto de 2024, o déficit foi de R$ 21,425 bilhões.
O governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve déficit primário de R$ 15,934 bilhões no mês passado. Estados e municípios tiveram déficit de R$ 1,314 bilhão. As empresas estatais tiveram déficit de R$ 6 milhões.
Isoladamente, os Estados tiveram déficit de R$ 1,261 bilhão, e os municípios, déficit de R$ 54 milhões.
Nos 12 meses encerrados em agosto, o setor público consolidado tem déficit primário de R$ 23,123 bilhões, o equivalente a 0,19% do PIB. O rombo como proporção do PIB diminuiu frente a julho, quando era de 0,22%.
O governo central tem déficit primário de R$ 28,395 bilhões, ou 0,23% do PIB, no acumulado de 12 meses até agosto deste ano. Estados têm superávit de R$ 21,688 bilhões (0,17% do PIB), e municípios, déficit de R$ 7,264 bilhões (0,06% do PIB). Nas empresas estatais, o saldo é negativo em R$ 9,152 bilhões, ou 0,07% do PIB.
Infomoney - SP 01/10/2025
O Brasil mantém uma trajetória de dívida pública considerada insustentável, com juros persistentemente altos, resultado de políticas fiscais que priorizam o gasto público acima do controle do endividamento, avaliou o economista-chefe e sócio da Vinland Capital, Aurélio Bicalho.
Mesmo em períodos de queda da dívida, nos anos 2000, o país convivia com taxas de juros elevadas. Isso porque, enquanto o PIB potencial girava em torno de 2% a 3%, os gastos do governo cresciam cerca de 6% ao ano em termos reais, o dobro da capacidade de expansão da economia.
A pressão fiscal limitava o espaço para o setor privado, tornando, portanto, inevitável a manutenção de juros reais elevados.
Enquanto isso, a experiência do teto de gastos, implementado no governo Temer, mostrou o efeito contrário: com o crescimento real das despesas caindo a zero e a substituição da TJLP pela TLP no BNDES, o Brasil começou a se aproximar de padrões internacionais, tornando-se “uma economia mais normal”, segundo Bicalho.
A análise foi apresentada durante participação no Stock Pickers, programa apresentado por Lucas Collazo.
Juros são consequência, não a causa
Segundo Bicalho, a discussão pública concentra-se erroneamente no “sintoma” dos juros altos, ignorando a “causa” do problema: o desequilíbrio fiscal. Ele defende que programas sociais precisam ser específicos, eficientes e voltados à mobilidade social, evitando transformar gastos públicos em simples estímulo ao consumo.
“Não existe gratuidade. Qualquer expansão de gastos precisa vir de algum lugar. O fiscal atual não gera crescimento; pelo contrário, atrapalha a economia de crescer”
— Aurélio Bicalho, economista-chefe da Vinland
O economista explicou que políticas de estímulo ao gasto em excesso pressionam a demanda privada, obrigando o Banco Central a manter juros elevados para equilibrar a economia.
Além disso, a análise histórica mostra que o juro neutro do Brasil — ou seja, o que equilibra demanda e oferta — se mantém elevado devido à expansão fiscal persistente e ao crédito subsidiado do passado.
Avaliação política e impacto no mercado
Bicalho ressaltou que fatores políticos também afetam a percepção do mercado.
Segundo ele, o “fator idiossincrático” — a popularidade do presidente independentemente das condições macroeconômicas — perdeu força nos últimos anos, aproximando a avaliação atual do governo de históricos de líderes que não conseguiram reeleição ou sucessão política.
“Quando Lula assumiu, em 2003, a avaliação subiu por identificação da sociedade com seu discurso. Com Dilma, aconteceu o oposto, mesmo com as mesmas condições macroeconômicas”
— Aurélio Bicalho, economista-chefe da Vinland.
Dados regionais, como o histórico de Minas Gerais, indicam que a desaprovação supera a aprovação, sinalizando uma eleição mais difícil para o atual governo.
Pesquisas por faixa de escolaridade também reforçam esse cenário: eleitores com ensino médio demonstram maior desgaste em relação ao governo, impactando o desempenho eleitoral do PT.
Mercado antecipa mudanças e oportunidades
No entanto, o mercado financeiro começa a precificar uma eventual queda de juros. “Historicamente, três meses antes da virada do ciclo, a Bolsa tende a subir. Esse movimento já se desenha”, afirmou Bicalho.
Ele destacou que fatores externos, como enfraquecimento do dólar e expectativas de política monetária do Fed, podem impulsionar ativos brasileiros.
Na Vinland, a gestora ajustou posições em NTNBs longas, moedas estrangeiras e estratégias de Bolsa para capturar valorização diante de juros mais baixos e mudança na política econômica.
Bicalho ressaltou que a gestão da carteira é disciplinada:
“Nosso foco é dar retorno para o cliente. Se estivermos certos, mantemos; se estivermos errados, mudamos rápido. Não há torcida, nem paixão, só análise rigorosa.”
— Aurélio Bicalho, economista-chefe da Vinland.
Estrutura e rigor na gestão de investimentos
O economista explicou que a Vinland se prepara para diferentes cenários, investindo em áreas de crédito, macro e ações de forma diversificada, com análise rigorosa e fundamentada em dados históricos e projeções.
“Cada posição precisa ter uma explicação sólida. Não trabalhamos com achismo ou viés, e todos acompanham rigorosamente se o cenário previsto está se concretizando”, afirmou.
Essa abordagem permite que a gestora se adapte rapidamente às mudanças políticas ou macroeconômicas, mantendo foco no retorno para o cliente.
Bicalho destacou ainda a importância do trabalho coletivo dentro da Vinland: “A relação com outros gestores é excelente. O convencimento se dá por análise profunda, estudo e evidência, não por autoridade ou opinião pessoal.”
CNN Brasil - SP 01/10/2025
A atividade industrial da China encolheu pelo sexto mês em setembro, segundo uma pesquisa oficial divulgada nesta terça-feira (30), sugerindo que os produtores estão esperando por mais estímulos para impulsionar a demanda doméstica, bem como por alguma clareza em relação a um acordo comercial com os Estados Unidos.
O PMI (Índice de Gerentes de Compras) oficial subiu para uma máxima de seis meses de 49,8 em setembro, em comparação com 49,4 em agosto. Ele permaneceu abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, mas superou a expectativa de 49,6 em uma pesquisa da Reuters.
A retração prolongada destaca as pressões sobre a economia da China: a demanda doméstica não conseguiu apresentar uma recuperação duradoura nos anos desde a pandemia, enquanto as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, pressionaram as fábricas chinesas, bem como as empresas estrangeiras que compram componentes.
Mesmo assim, uma pesquisa separada do setor privado mostrou a expansão mais rápida desde março, impulsionada pelo aumento de novos pedidos e pelo crescimento acelerado da produção, incluindo um aumento nos novos pedidos de exportação.
O PMI da RatingDog ficou em 51,2, acima dos 50,5 registrados em agosto.
As duas pesquisas abrangem grupos diferentes de produtores, com o Escritório Nacional de Estatísticas dando mais ênfase às empresas de grande e médio porte voltadas para as vendas domésticas, enquanto que o PMI da RatingDog, compilado pela S&P Global, inclui uma parcela maior de empresas privadas voltadas para a exportação.
"A recuperação reflete um aumento sazonal, já que as questões do verão ficaram para trás e o governo passou a dar mais apoio", disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, referindo-se ao número oficial do PMI.
O dinamismo econômico da China é marcado por oscilações, acrescentou ele: um primeiro trimestre forte devido ao estímulo inicial, um meio do ano mais lento, seguido por uma recuperação no quarto trimestre, à medida que o governo aumenta as medidas de apoio para atingir as metas de crescimento.
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2025
A estratégia de Donald Trump para o Brasil não estava funcionando. Em vez de ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro a evitar a prisão ou a ser autorizado a concorrer novamente em 2026, uma enxurrada de tarifas e sanções dos EUA estava tendo o efeito oposto — acelerando a condenação de Bolsonaro e aumentando a popularidade de seu rival, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A economia brasileira parecia lidar surpreendentemente bem com as tensões, enquanto uma série de líderes empresariais visitava a Casa Branca nas últimas semanas para alertar sobre os riscos da inflação nos EUA causada pelo café, pela carne bovina e por outros produtos.
Então, o presidente dos EUA fez o que fez em outras ocasiões: ele ouviu. E então mudou de rumo. O breve encontro de Trump com Lula na ONU, após o qual ele proclamou que eles tinham “uma excelente química”, não foi um encontro casual.
Não foi um caso de mais um presidente republicano sucumbindo impotente ao famoso charme de Lula. Foi, na verdade, um encontro orquestrado ao longo de várias semanas por uma série de atores, incluindo o enviado especial de Trump, Richard Grenell, cuja viagem secreta a Brasília no início deste mês passou despercebida até que o jornal O Estado de S.Paulo finalmente divulgou a notícia na noite de quinta-feira.
Os dois presidentes planejam conversar, por telefone ou videoconferência, nesta semana ou na próxima. Se tudo correr bem, um encontro pessoal poderá ser marcado. Autoridades nas duas capitais se perguntam nervosamente: e agora? Trump está realmente interessado em fechar um acordo com Lula? Ou isso é apenas o prelúdio para outra explosão, para Lula ser humilhado sem cerimônia, como Vladimir Zelensky ou Cyril Ramaphosa, diante dos olhos do mundo?
A resposta mais provável é que Trump quer diminuir a temperatura em relação ao Brasil, mas apenas um pouco. O presidente agora parece entender, graças a Grenell e outros, que não há um caminho realista para que Jair Bolsonaro seja autorizado a concorrer à presidência no próximo ano. Seus problemas legais são muito graves e seu apoio político em Brasília é muito fraco — uma realidade que até mesmo os bolsonaristas mais leais admitem em particular. Por outro lado, Trump nunca abandonaria a família Bolsonaro, muito menos admitiria a derrota. Especialmente em um caso em que Trump vê fortes paralelos com a chamada “caça às bruxas” que ele mesmo enfrentou nos Estados Unidos.
Um meio-termo poderia ser manter as tarifas sobre o Brasil em 50%, mas adicionar à já longa lista de produtos isentos. As sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e sua esposa seriam mantidas — mas não ampliadas para incluir outros juízes e políticos, pelo menos por enquanto.
Juntas, essas medidas ajudariam a proteger a economia dos EUA e salvariam um pouco da dignidade de ambos os lados. Mas também manteriam a pressão sobre Lula, o Congresso brasileiro e o Supremo Tribunal Federal para que mostrassem alguma clemência com Bolsonaro e seus apoiadores — reduzindo as penas de prisão, aprovando algum tipo de lei de anistia ou talvez permitindo que o ex-presidente, que está com a saúde debilitada, cumpra sua pena em prisão domiciliar.
Os diplomatas têm razão em estar nervosos: o caminho para a distensão é difícil. Ambos os presidentes acreditam sinceramente que são os defensores da democracia. Ambos ainda têm muitos assessores que os incentivam a lutar. Ambos têm temperamentos notórios. Se Lula tentar dar uma lição a Trump, ou simplesmente o irritar em uma conversa mais longa do que os “39 segundos” que Trump diz que passaram juntos na ONU, tudo pode acontecer. Enquanto isso, mesmo para um acordo tão modesto, Trump exigirá um troféu de guerra.
É altamente improvável que Lula esteja disposto a oferecer o tipo de concessões unilaterais que o Japão, a Coreia, a União Europeia e a Ucrânia fizeram, dada a forma como esse confronto deu novo fôlego a um terceiro mandato que antes parecia um tanto sem inspiração e restaurou sua reputação como uma figura importante no cenário mundial.
Mas a oportunidade existe. A área mais fértil para um acordo pode estar nos minerais críticos – especificamente terras raras. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo, atrás apenas da China, mas tem falhado em explorá-la devido à falta de capital e know-how, que os Estados Unidos estão bem posicionados para fornecer. Trump demonstrou um claro interesse em terras raras, tornando-as o eixo de seu acordo com a Ucrânia, por exemplo, enquanto Lula estaria disposto a ajudar a influenciar a legislação para atrair empresas americanas.
O Brasil também pode concordar em recuar em algumas regulamentações controversas sobre discurso digital e inteligência artificial que alarmaram as empresas de tecnologia dos EUA, ou tentar ajudar a gerenciar a crise no Haiti, uma importante fonte de emigração para os Estados Unidos. Embora todas as partes neguem, um “acordo de cavalheiros” com o Supremo Tribunal Federal poderia garantir que Bolsonaro permaneça em prisão domiciliar, poupando a todos o espetáculo humilhante de vê-lo sendo levado para a prisão algemado.
Mesmo assim, provavelmente nunca haverá apertos de mão triunfantes no Salão Oval ou em Mar-a-Lago. É provável que algum grau de sanções, tensões e insultos continue enquanto ambos estiverem no cargo. Mas Trump se distanciaria de uma política fracassada em um país com o qual ele se importa, mas que também não é uma prioridade.
Ironicamente, Lula pode enfrentar uma reeleição mais desafiadora com Bolsonaro fora da disputa do que com ele na disputa; ele espera que um acordo impeça, ou pelo menos restrinja, as tentativas de Trump de atrapalhar a campanha do ano que vem. Pelo menos por enquanto, é possível imaginar que ambos os lados consigam o que precisam. Mesmo que isso leve mais do que 39 segundos.
Money Times - SP 01/10/2025
O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, disse nesta segunda-feira (29) que os sinais emergentes de fraqueza no mercado de trabalho motivaram seu apoio ao corte da taxa de juros na reunião mais recente do banco central dos Estados Unidos.
“Fez sentido reduzir um pouco a taxa de juros” e “tirar um pouco da restritividade”, para ajudar a impulsionar o mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, manter alguma pressão para baixo sobre os níveis de inflação que ainda estão altos, afirmou Williams em um evento em Nova York.
Mais cedo neste mês, o Fed reduziu sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para entre 4% e 4,25%. Na reunião, autoridades previram mais cortes até o final do ano. Williams não disse o que espera da política monetária daqui para frente, afirmando que o Comitê Federal de Mercado Aberto tomará decisões reunião por reunião.
Williams destacou que o Fed tem assuntos pendentes para lidar com as altas pressões sobre os preços. “Ainda temos um longo caminho a percorrer para atingir a meta de 2%. Já avançamos muito nesse sentido”, mas o banco central também não quer causar “danos indevidos” ao outro objetivo do Fed de manter o mercado de trabalho o mais forte possível.
“Temos um ato de equilíbrio aqui” entre reduzir a inflação e apoiar um mercado de trabalho que “vem se abrandando gradualmente no último ano”. Quando se trata de enfraquecer a criação de empregos, “não quero que isso vá muito longe”.
Ao mesmo tempo, Williams observou que alguns dos fatores que estavam gerando preocupação com a inflação persistentemente alta diminuíram. “Os efeitos das tarifas foram menores do que a maioria das pessoas pensava, e não parece haver sinais de aumento das pressões inflacionárias.”
Por Reuters
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
Diário do Comércio - MG 01/10/2025
O Indicador de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-Br) teve queda de 4,2 pontos na passagem de agosto para setembro, atingindo 110,1 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Na métrica de médias móveis trimestrais, o IIE-Br subiu 0,4 ponto.
“A segunda queda consecutiva do Indicador de Incerteza sugere uma atenuação das pressões externas, com os agentes econômicos já assimilando os efeitos das tarifas norte-americanas, inclusive em alguns dos setores mais expostos”, avaliou a economista do FGV Ibre Anna Carolina Gouveia. “No cenário interno, a perda de fôlego da inflação e a desaceleração da economia alinham-se às previsões dos especialistas, sem gerar ruídos adicionais pelo lado da atividade econômica”, acrescentou.
Ela informou que, em setembro, os componentes que compõem o IIE-Br recuaram, com destaque para o de Expectativas, que interrompeu a sequência de altas dos dois meses anteriores.
“Com o resultado, o IIE-Br retorna a um patamar considerado confortável de incerteza. A sua manutenção dependerá, no front externo, da redução das tensões geopolíticas e, no âmbito doméstico, do ritmo da atividade econômica e do encaminhamento das questões fiscais”, afirmou.
O componente de Mídia do IIE-Br recuou 4,6 pontos em setembro, para 107,5 pontos, menor nível desde outubro do ano passado (104 pontos), contribuindo negativamente com 4 pontos para o resultado agregado. O componente de Expectativas, que mede a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, recuou 0,7 ponto, após duas altas seguidas, passando a 99,0 pontos e contribuindo com 0,2 ponto para a queda do IIE-Br, segundo a FGV.
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2025
Não são apenas os dirigentes dos principais bancos centrais do mundo que estão inseguros em determinar em que ponto está, de fato, o nível da atividade econômica em seus países – algo crucial para calibrar a política monetária. Analistas e investidores também parecem estar no escuro, uma vez que os dados ora apontam para resiliência inesperada no consumo e investimento, ora mostram perda de fôlego do mercado de trabalho.
Tome-se o exemplo dos Estados Unidos. Quem pode dizer com algum grau de certeza, na fotografia de hoje, se a maior economia do mundo está fraca ou forte, diante de números recentes de atividade aparentemente conflitantes?
Na semana passada, foi divulgado o resultado final do PIB americano do segundo trimestre deste ano, com crescimento anualizado de 3,8%. Esse número foi revisado duas vezes: a estimativa inicial apontou alta de 3%. E na segunda estimativa, a expansão foi elevada para 3,3%. O que mais impressionou os analistas no resultado final foi que a maior contribuição para o avanço mais forte do PIB não foi em razão de fatores voláteis, como o comércio internacional. A melhora veio da revisão para cima do consumo e investimento.
É o consumo privado nos EUA que está surpreendendo e levando analistas a revisar para cima as projeções do PIB. Os gastos dos consumidores em agosto subiram 0,6% ante julho, acima do previsto. Não à toa, o monitor do desempenho em tempo real do PIB, elaborado pelo Federal Reserve (Fed) de Atlanta, estima em 3,9% a alta anualizada neste terceiro trimestre.
Por outro lado, a criação de vagas de trabalho nos EUA vem desacelerando. Em agosto, foram apenas 22 mil. O número de setembro será divulgado na sexta-feira. A projeção aponta para criação de 50 mil postos de trabalho, o que é considerado modesto. O mercado estima ainda que a taxa de desemprego ficará estável em 4,3%.
Diante da resiliência do consumo, de um lado, e da perda de fôlego do mercado de trabalho, de outro, muitos analistas questionam se há uma nova tendência em curso: de expansão da atividade mesmo com o enfraquecimento do emprego. E se esse cenário poderá ser o novo normal com o impacto da inteligência artificial na economia.
Parece que a tarefa de medir, com precisão, o termômetro da atividade ficou mais difícil. Já no Brasil, a desaceleração do PIB tem sido mais lenta do que o esperado. Há discordância entre o Banco Central e o mercado sobre o grau de ociosidade. Assim, o desafio do Fed e do BC é decidir o quanto de estímulo – corte de juros – a economia realmente precisa.
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2025
Os Estados Unidos enfrentam a primeira paralisação do governo desde 2019 após os senadores americanos não chegarem a um acordo na terça-feira, 30, para aprovar uma solução provisória de financiamento que mantivesse a administração funcionando.
O fechamento administrativo do governo, o chamado “shutdown”, entrou em vigor a partir da meia-noite no horário local, 1h da manhã desta quarta-feira, 1º, no horário de Brasília. A paralisação implica a suspensão de trabalhos não essenciais, razão pela qual centenas de milhares de funcionários públicos ficarão sem salário até que o Congresso chegue a um acordo.
Em votações consecutivas no Senado dos EUA, que refletiram o impasse entre o presidente Donald Trump e os democratas em relação aos gastos, cada partido bloqueou a proposta de gastos paliativos do outro, assim como já havia feito no início deste mês.
Em uma votação de 55 a 45, o plano do Partido Republicano, que estenderia o financiamento até 21 de novembro, ficou aquém dos 60 necessários para aprovação. Os republicanos também bloquearam o plano dos democratas, que estenderia o financiamento até o final de outubro e adicionaria mais de US$ 1 trilhão em gastos com saúde, em uma votação de 47 a 53.
“A base de extrema-esquerda dos democratas e os senadores de extrema-esquerda exigiram um confronto com o presidente”, disse o senador John Thune, republicano da Dakota do Sul e líder da maioria. “E, aparentemente, o povo americano tem que sofrer as consequências.”
Os democratas disseram que estavam firmes em sua determinação de continuar o impasse até que os republicanos cedessem às suas exigências, principalmente na área da saúde, que incluem a revisão dos cortes no Medicaid - programa de assistência de saúde para pessoas de baixa renda - previstos no mega projeto de lei do presidente Donald Trump, aprovado em julho.
“Se o presidente fosse inteligente, moveria céus e terras para resolver esta crise da saúde imediatamente, porque os americanos vão responsabilizá-lo quando começarem a pagar US$ 400, US$ 500, US$ 600 a mais por mês em seus planos de saúde”, disse o senador Chuck Schumer, democrata de Nova York e líder da minoria. “Temos menos de um dia. Se alguma vez houve um momento para Donald Trump e os republicanos levarem a sério a saúde, é agora.”
Trump, por sua vez, emitiu ameaças da Casa Branca, afirmando que, durante uma paralisação, tomaria medidas que seriam “ruins” para os democratas “e irreversíveis para eles, como cortar um grande número de pessoas, cortar coisas que eles gostam, cortar programas que eles gostam”.
Mais tarde, no Salão Oval, o presidente republicano disse que “muitas coisas boas podem surgir das paralisações”, incluindo demitir funcionários federais que são democratas e minar iniciativas que eles apoiam. Em uma paralisação, acrescentou Trump, “poderíamos nos livrar de muitas coisas que não queríamos, e seriam coisas democratas”.
Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO, sigla em inglês), 750 mil funcionários federais poderiam estar em situação de desemprego parcial, com uma perda de rendimentos equivalente a 400 milhões de dólares (R$ 2,12 bilhões) durante a paralisação.
O último ‘shutdown’, ocorrido de dezembro de 2018 até o fim de janeiro de 2019, durante o primeiro mandato de Trump, durou 35 dias. Naquele momento, o CBO estimou que havia reduzido o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA em 11 bilhões de dólares.
Essas paralisações por falta de orçamento são muito impopulares nos Estados Unidos, e tanto democratas quanto republicanos tentam evitá-las, às vezes até o último momento. Ainda mais com a perspectiva das eleições legislativas de meio de mandato em novembro de 2026, nas quais estará em jogo a maioria presidencial no Congresso.
Segundo cálculos dos analistas da companhia de seguros Nationwide, cada semana de paralisação poderia reduzir o crescimento do PIB dos Estados Unidos em 0,2 ponto percentual.
“O governo Trump poderia aproveitar para reduzir ainda mais os subsídios e os executivos federais, apontam, o que representaria uma mudança significativa em relação aos shutdowns anteriores, nos quais os empregados demitidos eram recontratados tão logo quando a situação fosse restabelecida.
Infomoney - SP 01/10/2025
Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta terça-feira, pressionados por dados fracos do setor industrial da China, mas registraram sólidos ganhos em base trimestral, uma vez que as fortes altas impulsionadas pelas exportações em julho e agosto compensaram as quedas recentes.
O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com perda de 0,64%, a 780,5 iuanes (US$109,58) a tonelada.
O contrato caiu 0,51% este mês, mas encerrou o trimestre com alta de 9,89%.
O minério de ferro de referência de setembro na Bolsa de Cingapura recuava 0,05%, a US$105,25 a tonelada. No trimestre, o contrato subiu 12,27% até o momento.
O setor industrial da China contraiu-se pelo sexto mês consecutivo em setembro, de acordo com uma pesquisa oficial, sugerindo que os produtores estão esperando por mais estímulos para impulsionar a demanda doméstica.
Os novos pedidos de exportação aumentaram pela primeira vez desde março, aliviando algumas preocupações sobre a recente fraqueza das exportações.
Analistas do Citi haviam observado no início deste mês que o desempenho das exportações melhor do que o esperado poderia não ser sustentável, já que as margens do aço estão sob pressão.
Uma pesquisa do setor privado realizada pela RatingDog mostrou que a atividade fabril da China em setembro expandiu-se no ritmo mais rápido desde março, com o aumento de novos pedidos impulsionando um crescimento mais rápido da produção.
“A melhora notável da lucratividade nos setores de matérias-primas, como o aço, sugere que as políticas anti-involução do governo estão em ação”, disseram analistas do Goldman Sachs.
A produção de tarugos no centro siderúrgico chinês de Tangshan aumentou entre 22 e 28 de setembro, embora os lucros que as siderúrgicas poderiam obter com as vendas de tarugos tenham diminuído, de acordo com a consultoria Mysteel.
Valor - SP 01/10/2025
Sob gestão de Gustavo Pimenta, que chega a um ano como CEO, empresa tem cumprido metas
A Vale tem a perspectiva de voltar a ser a maior mineradora de minério de ferro do mundo este ano, posição que perdeu para a anglo-australiana Rio Tinto logo depois da tragédia de Brumadinho (MG), em 2019. A retomada da liderança, em termos de volume de produção, será possível graças a um conjunto de medidas que vem sendo implementado pela empresa nos últimos anos e ganhou tração sob a gestão de Gustavo Pimenta, 47 anos, que completa nesta quarta-feira um ano como presidente da companhia.
“Temos trabalhado para mostrar [aos investidores] que a companhia se transformou profundamente do ponto de vista de gestão de barragens, riscos e segurança”, disse ontem Pimenta ao Valor. Ele estava em Carajás, no Pará, onde se situam as principais operações da companhia, acompanhando o início do funcionamento do segundo forno da produtora de níquel Onça Puma, em Ourilândia do Norte.
Nesses 12 meses à frente da Vale, Pimenta se comprometeu com outros investimentos: a expansão de níquel em Voisey’s Bay, no Canadá, já concluída; e com três projetos que ampliam a capacidade de produção de minério de ferro no Pará (o chamado +20) e Vargem Grande e Capanema, ambos em Minas Gerais.
Dessa forma, a Vale mantém a meta de produzir entre 325 milhões e 335 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano, acima das 328 milhões de toneladas de 2024. Pimenta diz que a empresa está conseguindo entregar 100% das metas nos diferentes produtos (minério de ferro, níquel e cobre), o que se relaciona com uma maior estabilidade operacional.
A Vale era muito cobrada por investidores por não cumprir metas de produção e havia ainda incertezas relacionadas à segurança das barragens depois das tragédias de Brumadinho, em 2019, e de Mariana, em 2015, que, em 5 de novembro, completa dez anos. Foi no começo da gestão de Pimenta que a Vale conseguiu fechar o acordo global de repactuação por Mariana.
Pimenta disse ainda que, há um mês, a empresa conseguiu outra marca importante, que foi não ter mais nenhuma barragem de rejeitos em nível 3, grau máximo de emergência segundo a classificação da Agência Nacional de Mineração (ANM).
A redução gradual de riscos que a Vale vem obtendo na operação trouxe ganhos na forma como o mercado percebe a empresa, disse Pimenta, que foi CFO da mineradora antes de assumir a presidência. Em setembro, a S&P Global Ratings elevou o rating global de crédito da Vale, que passou de “BBB-” para “BBB”, com perspectiva estável. A empresa também teve melhoria nos ratings ESG por parte de Sustainalytics e MSCI.
Essas medidas permitem, segundo Pimenta, que a Vale aumente a base de acionistas. Após Brumadinho, diversos investidores internacionais colocaram a mineradora brasileira em lista de exclusão. Alguns fundos ficaram impedidos de investir na Vale. Agora, afirma o executivo, grandes gestores, que administram portfólios de quase US$ 1 trilhão, voltaram a se sentir confortáveis para investir na companhia.
Levantamento feito pelo Valor Data mostra que, entre 30 de setembro do ano passado, véspera da posse de Pimenta, e ontem, a ação da Vale perdeu em desempenho para a da Anglo American, mas foi melhor que Rio Tinto e BHP. Pimenta usa outra métrica, baseada no que chama TSR, sigla para retorno total para o acionista, em inglês. Por esse conceito, de janeiro até segunda-feira (29), a Vale entregou ao acionista 30,4% de retorno, acima de BHP, com 20%; de FMG, com 19%; e da Rio Tinto, com 18,9%.
Na frente doméstica, onde está a maior parte das operações da empresa, há desafios por resolver. Uma das missões de Pimenta, desde o primeiro dia, foi melhorar a relação com os públicos de interesse da companhia, incluindo governos (nas três esferas), comunidades e clientes. A sucessão do CEO da Vale, em 2024, foi marcada por polêmicas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez cobranças sistemáticas à mineradora.
Interlocutores da companhia dizem que a Vale abriu portas em Brasília, o que não impede que alguns ruídos ocorram. O mais recente deles foi a falta de acordo com a União para renovar a concessão de ferrovias. O Valor apurou que a repactuação não teria sido possível pela tentativa de inserir no acordo a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), projeto que se vincula à Bahia Mineração (Bamin). Segmentos do governo têm pressionado a Vale a investir na Bamin, mas a empresa deu sinais até agora de que só vai entrar em projetos com garantia de retorno.
Ler mais sobre Vale em ‘Seremos mais valiosos do que hoje’, diz Pimenta
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2025
A taxa básica de juros no maior nível em 20 anos e quase a metade da população adulta brasileira inadimplente são um balde de água fria para as vendas de itens de maior valor, como geladeiras, fogões, TVs e celulares, por exemplo, neste final de ano.
Esse cenário ganha relevância porque a Black Friday, em novembro, e o Natal, em dezembro, são as principais datas para o varejo faturar com bens duráveis. O último bimestre responde por um quarto das vendas de duráveis do ano e quase a metade do que o setor fatura no primeiro semestre. Normalmente, esses bens são comprados a prazo e, no momento, as perspectivas são desfavoráveis para os financiamentos.
Comerciantes de bens duráveis já captaram esse risco e dão indicações de que pretendem fazer ajustes em estoques e no quadro de funcionários para se adequar às vendas mais fracas. O Estadão também apurou que eles retardaram os pedidos de fim ano para a indústria, num claro sinal de cautela.
Em setembro, 10,9% dos empresários que comercializam bens duráveis declararam que pretendiam “reduzir muito” o quadro de pessoal nos próximos meses, ante 6,7% em setembro do ano passado, aponta um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com base nos dados do índice de confiança do setor. Os varejistas de bens duráveis que vão reduzir “um pouco” o quadro de funcionários são 32,3% este ano, ante 25,1% em setembro de 2024.
Quanto aos estoques, a fatia de empresários do varejo de bens duráveis com volume de produtos acima do adequado em seus galpões em agosto último estava em 25,9%, ante 25,7% no mesmo mês de 2024, aponta o levantamento.
A consulta a cerca de 6 mil varejistas de todos os segmentos feita pela CNC mostra que o empresário que vende bens duráveis está muito mais pessimista em relação ao final do ano, comparado aos demais varejistas que comercializam bens não duráveis, como alimentos, e semiduráveis, como artigos de vestuário, por exemplo. É que tanto nos bens não duráveis como nos semiduráveis, as vendas são menos dependentes do crédito.
“Já está dado para o empresário de bens duráveis que ele vai ter um final de ano mais difícil, porque o crédito tende a permanecer mais caro”, afirma Fabio Bentes, economista-chefe da CNC e responsável pelo levantamento.
Em setembro de 2024, os juros básicos, a Selic, estavam em 10,75% ao ano. De lá para cá, houve uma escalada e hoje a taxa estacionou em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas. A perspectiva é de que os juros básicos continuem nesse patamar até o fim do primeiro trimestre de 2026, por causa da resistência da inflação em recuar e convergir para a meta.
A Selic nas alturas tem desdobramentos nos juros cobrados do consumidor e no aumento do valor da prestação de quem pega crédito para ir às compras. Hoje, a taxa de juros na ponta está no maior nível em dois anos.
Por serem itens de grande valor, os eletrodomésticos da linha branca (geladeiras, lavadoras, por exemplo), da linha marrom (TVs, aparelhos de áudio e vídeo) e celulares têm uma fatia importante das vendas financiadas. O volume de vendas desses itens, portanto, acaba sendo afetado pelas condições de crédito.
A desaceleração na atividade provocada pelos juros altos já tem reflexos na perda de fôlego do comércio em geral. As vendas do varejo restrito, que não inclui veículos e materiais de construção, recuaram 0,3% em julho na comparação com junho, descontadas as variações sazonais, aponta a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a quarta queda mensal seguida nessa base de comparação. “No passado, quatro quedas consecutivas aconteceram no varejo brasileiro em apenas dois momentos: no apagão de 2001 e na recessão de 2015/2016”, lembra Bentes.
A desaceleração econômica combinada com juros elevados e inadimplência alta comprimem bastante o orçamento das famílias, observa o economista da FGV. A sondagem do consumidor tem mostrado que, nos últimos anos, cresceu muito a parcela de brasileiros que declaram que estão se endividando e gastando a poupança para pagar as contas. Essa também é a tendência para os próximos meses. “O consumidor está aparentemente mais cauteloso para (ir às compras) neste final do ano”, diz.
No momento, o fotógrafo autônomo Carlos Henrique Montesini, de 61 anos, por exemplo, precisa comprar três itens de alto valor: uma geladeira, um celular e uma máquina fotográfica. Mas não tem condições financeiras de adquirir nenhum.
Montesini conta que a sua renda caiu pela metade nos últimos meses em relação aos ganhos que obtinha no começo do ano. Esse aperto o levou à inadimplência em contas básicas, como condomínio, internet e a conta de luz.
“O que eu pude renegociar eu renegociei”, diz o fotógrafo. Ele parcelou a dívida do condomínio e fez um empréstimo para quitar as contas de internet e de luz, depois de negociar com as operadoras.
Apesar de o seu celular estar “no limite”, os itens mais urgentes para Montesi são a máquina fotográfica, que é o seu instrumento de trabalho, e a geladeira.
O fotógrafo explica que não tem condições de se endividar para adquirir esses produtos. Por ora, está contornando a falta com uma máquina fotográfica menor, já que a principal quebrou e, no caso da geladeira, passou a comprar perecíveis só quando vai consumir. “Vou tentar levar essa história assim até melhorar a renda e me livrar das dívidas passadas.”
Indústria
A decisão Montesi e de milhões de brasileiros de primeiro quitar as dívidas em atraso e só depois voltar às compras quando a renda melhorar deve ter reflexos nas vendas do varejo e também na indústria neste fim de ano.
Segundo apurou a reportagem, há um certo atraso na colocação de pedidos do varejo junto aos fabricantes de eletroeletrônicos. Normalmente, as encomendas para a Black Friday e o Natal ocorrem no final de agosto. Neste ano, no entanto, foram adiadas para o fim de setembro.
“Há mais insegurança por parte dos varejistas de colocar o pedido e cacifar”, diz um empresário da indústria, que falou sob a condição de anonimato. Ele destaca que, por causa dos juros elevados, o departamento financeiro está mais forte do que o comercial nas decisões das empresas varejistas.
Apesar da cautela do varejo, José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, não acredita em frustração nas vendas deste final de ano.
“A expectativa das indústrias é ao menos repetir o desempenho do ano passado”, diz. Ele argumenta que esse é um cenário razoável, diante dos juros elevados. Além disso, 2024 foi o melhor ano de vendas da história da indústria eletroeletrônica, com crescimento de 29% em número de unidades vendidas. Repetir esses volumes, sem crescer, será um bom desempenho, avalia.
No primeiro semestre deste ano, as vendas da indústria eletroeletrônica para o varejo ficaram estáveis em relação a igual período de 2024 nas linhas branca e marrom, segundo a Eletros. A única linha na qual houve aumento nos volumes foi a de eletroportáteis, que são itens menos dependentes de crédito e tíquete médio menor (R$ 200). Mas o avanço foi de apenas 1%.
Apesar dos números do mercado registrados até o momento indicarem um desempenho sem avanços, o Magazine Luiza está confiante nas vendas da Black Friday e do Natal. “O Magalu se prepara com meses de antecedência, em forte alinhamento com os fornecedores, para garantir as melhores ofertas para os clientes”, afirma Roberto Bellissimo, diretor financeiro da varejista, por meio de nota.
Na avaliação do executivo, o cenário macroeconômico é favorável. Embora os juros estejam em patamar elevado, a perspectiva é de recuo da taxa. “Para o Magalu, a queda dos juros futuros é importante para possibilitar a aceleração das vendas e a concessão de crédito, além de reduzir despesas financeiras”, diz o executivo.
Ele acrescenta que os índices de inadimplência da companhia estão nos menores níveis históricos. “Um futuro cenário de juros mais baixos abre espaço para ampliar a concessão de forma saudável.”
Na análise de Bellissimo, o recuo da cotação do dólar também é favorável, pois contribui para a redução de custos de insumos importados, refletindo em preços mais competitivos e acessíveis do produto final para o consumidor.
No entanto, essa análise não é validada nem por economista nem pela indústria. Bentes, da CNC, diz que os contratos de importações para novembro e dezembro são fechados na virada do primeiro para o segundo semestre e que não daria tempo para a queda do dólar registrada nas últimas semanas influenciar os preços das mercadorias vendidas na Black Friday e no Natal.
Nascimento, da Eletros, diz que os produtos colocados à venda no varejo no fim do ano foram fabricados com insumos importados entre três e seis meses atrás, quando a cotação da moeda americana era mais elevada. Essa defasagem impede a queda de preço na ponta por causa do recuo do câmbio, o único fator, segundo Bentes, que poderia contribuir para o aumento das vendas de duráveis no último trimestre.
Infomoney - SP 01/10/2025
O CEO da Ford alertou que os carros elétricos podem ter vendas muito menores à medida que as políticas do presidente Donald Trump dão novo impulso aos carros a gasolina.
O fim de um desconto de US$ 7.500 para quem compra elétricos e a flexibilização das regras de emissão de poluentes devem reduzir bastante a procura por esses veículos nos Estados Unidos, disse o CEO Jim Farley. Ele acredita que a fatia dos carros de emissão zero, que hoje é de cerca de 10% do mercado, pode cair pela metade.
“Não me surpreenderia se as vendas de veículos elétricos nos EUA caíssem para 5%”, afirmou na terça-feira em um discurso em Detroit, durante uma conferência organizada pela Ford sobre empregos manuais. O mercado de elétricos será “muito menor do que pensávamos”.
A avaliação contundente destaca a rápida mudança na dinâmica da indústria automobilística sob o governo Trump, com muitas das principais montadoras adiando seus planos de produção de veículos elétricos e redirecionando investimentos para modelos a combustão interna e híbridos.
A Ford tem enfatizado a escolha do consumidor em relação ao tipo de combustível, ao mesmo tempo em que mudou sua estratégia de elétricos para outra focada em modelos de menor custo.
A divisão de elétricos da Ford, Model-e, perdeu cerca de US$ 1,3 bilhão no segundo trimestre, e a empresa previu que pode acumular até US$ 5,5 bilhões em perdas neste segmento em 2025. As vendas de elétricos da montadora nos EUA despencaram 31% no trimestre, afetadas pelo envelhecimento dos modelos e pela suspensão temporária do Mustang Mach-E devido a um recall de segurança.
Farley disse ainda que vê mais oportunidades na “eletrificação parcial”, como os híbridos. Segundo ele, os elétricos puros são mais adequados para deslocamentos diários, que são “trajetos curtos” e representam apenas entre 5% e 7% do mercado.
O executivo afirmou que a Ford está buscando adicionar a produção de híbridos em suas fábricas de baterias e veículos elétricos.
“Precisamos fabricar esses veículos parcialmente elétricos nas fábricas que teriam sido de elétricos”, disse Farley. “O que fazemos com todas essas plantas de baterias? Vamos ocupá-las, mas será mais estressante”, completou, referindo-se às mudanças políticas da administração Trump.
A Ford tem quatro fábricas de baterias em construção, incluindo uma no Kentucky com a sul-coreana SK On, que começou a operar em agosto. A montadora também possui duas fábricas dedicadas a elétricos, incluindo sua primeira nova linha de montagem em mais de 50 anos. Agora, a Ford tenta decidir o que fazer com essas plantas, já que a demande (antes fraca) deve encolher ainda mais com o esforço de Trump para encerrar o que ele chama de “mandato dos veículos elétricos”.
“Teremos de tomar mais decisões sobre essas fábricas de baterias e linhas de montagem nos próximos meses e anos, diante dessa mudança”, disse Farley em entrevista a David Westin, apresentador do Wall Street Week, da Bloomberg TV. “Essas políticas são reais. Vão durar pelo menos um mandato. Agora temos de decidir.”
Segundo ele, a Ford pretende usar parte da capacidade para produzir híbridos, mas são necessários 20 veículos híbridos para consumir a mesma quantidade de bateria de um elétrico puro.
“A capacidade que construímos para essas plantas é muito maior do que precisaríamos”, afirmou Farley. “Portanto, não fecha a conta. Precisamos tomar algumas decisões.”
Novos tipos de híbridos plug-in, como os elétricos de autonomia estendida, precisam de baterias maiores, o que pode ajudar a ocupar mais capacidade nas fábricas da Ford. Três delas receberam, em 2023, um empréstimo de US$ 9,2 bilhões do Departamento de Energia dos EUA.
“São algumas das melhores fábricas que já construímos, e foram projetadas de forma flexível”, disse Farley sobre as plantas de veículos elétricos e baterias. “Vamos tomar a decisão certa para a empresa. Não vamos permitir que fiquem paradas.”
Valor - SP 01/10/2025
Também será apresentado o novo modelo de crédito imobiliário brasileiro que vem sendo desenhado para sustentar o crescimento desse tipo de financiamento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve lançar em 15 dias o programa de reforma de moradias, uma das principais apostas do governo para o ano eleitoral. Também será apresentado o novo modelo de crédito imobiliário brasileiro que vem sendo desenhado para sustentar o crescimento desse tipo de financiamento em um cenário de escassez de funding da caderneta de poupança.
Em reunião realizada nesta terça-feira (30) entre o presidente Lula e o ministro das Cidades, Jader Filho, foram superados os empecilhos ao lançamento das medidas. A definição da melhor data e local de lançamento ainda está sendo avaliada politicamente. Não se sabe, por exemplo, se o melhor é lançar em Brasília ou fazer apresentação em outro Estado.
No caso do programa de reforma de moradias, ficou estabelecido que serão três faixas de renda atendidas. Na faixa 1, que contempla as famílias com renda de até R$ 3,2 mil, a taxa de juros será de 1,17% ao mês. A faixa 2 vai abranger as famílias entre R$ 3,2 mil e R$ 9,6 mil terá taxa de juros de 1,95% ao mês e a faixa 3 para os que tem renda superior a R$ 9,6 mil um pouco acima disso por considerar taxa de mercado.
A definição da taxa de juros era o entrave para o lançamento do programa pois o presidente Lula considerava os valores propostos anteriormente como elevados — no ano, ultrapassavam a taxa básica de juros (Selic) que é de 15%. A expectativa é de que no fim do mês de outubro a linha de crédito para reforma já esteja disponível na Caixa Econômica Federal.
Em outra frente, que não terá o impacto imediato na ampliação do funding para casa própria no curto prazo, está o lançamento do modelo de crédito imobiliário. Neste caso, ficou decidido que haverá um prazo de teste para entrada em vigor para reduzir as resistências à proposta.
No primeiro ano, conforme explicou um técnico do governo ao Valor, será instituído um modelo híbrido – onde o modelo antigo conviverá com o novo – pelo período de um ano. A medida atende a reivindicação de mercado. Isso será adotado porque os bancos de construtoras tinham receio quanto ao efetivo impacto da medida para o aumento do funding para compra da casa própria.
Recentemente, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato de Sousa Correia, antecipou ao Valor que o Banco Central (BC) já admitia a criação de um período de teste para reduzir as resistências ao novo modelo.
Pelas regras atuais, 65% dos recursos da poupança precisam ser direcionados para o crédito imobiliário, 20% têm de ficar no Banco Central na forma de recolhimento compulsório e outros 15% são de uso livre pelos bancos. Com o novo modelo, essas obrigações deixam de existir e as concessões passam a feitas a partir de instrumentos de mercado. As mudanças precisam ser aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Infomoney - SP 01/10/2025
As construtoras Direcional (DIRR3) e Moura Dubeux (MDNE3) anunciaram uma possível parceria para desenvolver projetos nas principais capitais da região Nordeste do Brasil, com foco nos segmentos de renda média e baixa, incluindo o Grupo 3 do programa MCMV (Minha Casa, Minha vida). Às 10h29, MDNE3 subia 2,56%, R$ 30,03, e DIRR3 avançava 1,56%, a R$ 16,28.
O Bradesco BBI vê a potencial parceria como estrategicamente positiva para ambas as empresas. Embora ainda não esteja claro se a iniciativa se traduzirá em maiores volumes de lançamento, o banco acredita que a combinação de forças complementares aumenta as perspectivas de crescimento a longo prazo de ambas as empresas.
A XP Investimentos também avalia que a parceria é positiva para ambas as empresas, mas ressalta que a ausência de detalhes sobre a escala limita a análise do impacto material.
Moura Dubeux
Para a Moura Dubeux, a XP acredita que a empresa poderia aproveitar a presença estabelecida da Direcional nos Grupos 3 e 4 do programa MCMV para impulsionar o crescimento do desenvolvimento da Mood e, mais importante, acelerar a expansão da marca Un1ca, iniciativa do Grupo 3 da Moura Dubeux com início previsto para 2025.
Segundo o BBI, o anúncio representa uma oportunidade para Moura Dubeux acelerar a entrada no segmento MCMV, alavancando a escala e a expertise da Direcional em moradias populares.
Direcional (DIRR3)
No caso da Direcional, a XP destaca que a parceria poderia facilitar um crescimento mais forte e a penetração no mercado do Nordeste, onde a Moura Dubeux detém um domínio competitivo significativo, particularmente em Recife, Salvador e Fortaleza, nos segmentos de renda média e alta.
O BBI, por sua vez, avalia que a colaboração poderá fortalecer o posicionamento da Direcional no Nordeste, beneficiando-se do conhecimento local e do reconhecimento da marca da Moura Dubeux.
Revista Ferroviaria - RJ 01/10/2025
A ViaQuatro confirmou a aquisição de seis novos trens fabricados pela chinesa CRRC. A informação já havia sido antecipada pelo Via Trolebus em julho deste ano. As novas composições irão operar junto à frota atual de 29 unidades produzidas pela Hyundai Rotem em duas fases distintas.
A nova frota vai ampliar o percurso até a nova estação terminal em Taboão da Serra sem alteração no intervalo entre composições, que continuará em torno de dois minutos. Isso significa que os passageiros poderão fazer o trajeto entre Luz e Taboão em aproximadamente 26 minutos.
A compra marca uma mudança no perfil de fornecedores do antigo Grupo CCR, que no passado adquiriu cerca de 36 trens da Alstom para as Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda.
Ainda não há prazo definido para a entrega das composições, nem confirmação sobre a fabricação em território nacional. Com isso, a ViaQuatro segue a mesma direção do Metrô de São Paulo, que comprou 44 trens da CRRC. Nesse caso, existe a possibilidade de parte da produção ocorrer no Brasil.
Fonte: https://viatrolebus.com.br/2025/09/viaquatro-confirma-compra-de-trens-da-crrc/#google_vignette
VÁ ALÉM DA MANCHETE
O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.
A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.
Jornal de Brasília - DF 01/10/2025
Às vésperas do julgamento da ação no STF (Supremo Tribunal Federal) que pode decidir a viabilidade ou não da Ferrogrão, projeto de ferrovia discutido há mais de dez anos, prevista para ligar Mato Grosso e Pará, o governo alinhou argumentos que pode usar em uma eventual apresentação de “razões finais” à corte.
Nesta quarta-feira (1º), o STF julga a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que trata da lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, localizado no Pará. Em 2017, uma enviada reduziu os limites do parque, retirando dele uma área de 862 km². O objetivo era permitir a passagem do traçado da ferrovia.
A ação proposta pelo PSOL em 2020 argumenta que a redução do parque é inconstitucional, porque teria sido feita por lei ordinária, quando a Constituição exige lei complementar ou decreto específico para alterar unidades de conservação. Afirma, ainda, que fere fragiliza uma área de proteção integral da amazônia.
O argumento central do Ministério dos Transportes e de sua consultoria jurídica é que o traçado atual da ferrovia não invadiria o parque, mantendo-se integralmente na “faixa de domínio” da BR-163, que considera uma área e 40 metros de cada lado da estrada, no caso da BR-163.
A tese do governo, portanto, é defender a viabilidade da Ferrogrão, mesmo que a corte declare inconstitucional a lei que reduziu os limites do Jamanxim.
“Em verdade, estando o traçado inserido em área que não está de fato afetada ao Parna, nem sequer é correto afirmar que o traçado intercepta o parque, mas sim que margeia área contígua a ele”, diz o documento assinado pela Coordenação-Geral de Obras e Projetos do ministério.
O traçado total do projeto, que tem início em Sinop (MT) e segue até os terminais de Miritituba, distrito de Itaituba (PA), tem 933 km de extensão. Segundo os estudos atuais, um trecho de 49 km passa dentro do Parque Nacional do Jamanxim, mas na faixa de domínio da rodovia, que já corta a unidade de conservação.
“O traçado escolhido é a solução com menor impacto ambiental, eis que contornar o Parna implicaria em atravessar áreas protegidas”, diz a nota do MT. “Qualquer outro traçado seria muito mais danoso para a floresta amazônica. O Parna do Jamanxim é cercado por outras áreas de preservação não antropizadas que, por óbvio, sofreriam prejuízo muito maior do que a opção escolhida.”
A defesa governamental também aposta em mostrar aqueles que seriam os possíveis benefícios socioeconômicos da ferrovia. Nos cálculos do governo, a Ferrogrão poderia reduzir em até 3,4 milhões de toneladas por ano as emissões de dióxido de carbono (CO?), substituindo parte do transporte de cargas feito por caminhões que cortam a BR-163. Até 1,2 milhão de viagens de caminhões por ano deixariam de ocorrer na rodovia.
O MT também projeta uma queda média de 20% nos custos logísticos para o escoamento da produção agrícola do Centro-Norte, o que representaria um ganho estimado de R$ 7,9 bilhões anuais.
Para enfrentar resistências de organizações indígenas e socioambientais, o governo também enumerou medidas de compensação. Segundo o documento, estão previstos R$ 800 milhões em programas de mitigação socioambiental, o equivalente a 5,9% do investimento total do projeto, contemplando 56 programas, 22 a mais que os previstos no Estudo de Impacto Ambiental de 2020.
O ministro do STF, Edson Fachin, novo presidente da corte, é o relator do caso e já havia suspendido os efeitos da lei que reduzir o Jamanxim, em decisão liminar de 2021. O pano de fundo do julgamento é a disputa sobre até onde vai a competência legislativa para reduzir áreas protegidas.
O STF já enfrentou casos semelhantes. Em 2012, a corte considerou inconstitucional a redução de unidades de conservação por medida provisória, mas modulou os efeitos para não anular obras já em andamento. Em 2023, o tribunal julgou inconstitucional uma lei complementar de Rondônia que reduzia reservas ambientais estaduais.
O plano do governo, portanto, é contar com um “plano B” para evitar que o projeto morra na esfera judicial. Ao dizer que a ferrovia foi redesenhada para se manter nos limites da BR-163, sinaliza que a obra poderia avançar, que não viola o parque nacional.
Um grupo de trabalho criado pelo Ministério dos Transportes e formado por instituições como a Rede Xingu+ e o ISA Instituto Socioambiental (ISA) apresentaram propostas para aprimorar o projeto, mas o grupo acabou perdendo força e tanto a Rede Xingu+ quanto o ISA decidiram se retirar, alegando que o processo não estava garantindo uma participação efetiva, nem respeitando os direitos de consulta prévia das comunidades indígenas.
A avaliação dos ambientalistas é que a implantação da ferrovia tende a estimular o avanço de atividades ilegais, como desmatamento, grilagem e garimpo, além de abrir espaço para a expansão acelerada da fronteira agrícola sobre áreas até hoje preservadas.
Em julho, o Instituto Kabu, representando 18 comunidades indígenas Kayapó e Panará, ingressou com uma ação civil pública contra a ANTT, alegando que o processo de concessão da ferrovia foi conduzido sem a devida consulta aos povos originários. As entidades também pedem uma indenização por dano moral coletivo de R$ 1,7 bilhão -o projeto é avaliado em R$ 34 bilhões.
O ISA chama a atenção para a ausência da análise de risco climático e fragilidade metodológica no cálculo dos benefícios econômicos do projeto. O instituto diz, ainda, que os estudos desconsideram a hidrovia do Tapajós como parte essencial do projeto, sendo que o volume de carga que atualmente é escoado pelo sistema BR-163 e hidrovia Tapajós aumentaria em cinco vezes.
Há críticas, ainda, sobre o detalhamento e a suposta exclusão de custos sociais, como desapropriações, conflitos fundiários e impactos sobre comunidades tradicionais.
Jornal de Brasília - DF 01/10/2025
A BR-050 deverá receber melhorias nos próximos cinco anos, no trecho, com extensão total de 436,6 quilômetros, sob concessão da Ecovias, está localizado entre Cristalina, em Goiás, e Delta no estado de Minas Gerias. Para a realização das obras, a concessionária terá o apoio financeiro de R$ 325 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O financiamento é parte da oferta pública de R$ 550 milhões realizada pela Ecovias para investimentos em sua concessão por meio de uma emissão de debêntures incentivadas.
“O processo foi coordenado pelo BNDES, tendo os outros R$ 225 milhões adquiridos por 446 fundos de investimentos. As debêntures vão suplementar financiamento aprovado há 10 anos pelo BNDES, para o lote rodoviário concedido à concessionária em 2013, por 30 anos”, informou o banco.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, “a BR-050 tem papel logístico relevante na integração dos mercados produtores do Centro-Oeste com os centros consumidores e os portos do Sudeste, sendo um dos principais corredores rodoviários para o escoamento da produção agrícola e industrial entre Goiás, Minas Gerais e São Paulo”.
“O apoio do BNDES é fundamental para melhorar a infraestrutura para veículos de carga vinculados à cadeia do agronegócio, como grãos, fertilizantes e insumos, bem como o transporte industrial e de combustíveis, contribuindo com o crescimento da economia e a geração de empregos”, completou Mercadante.
De acordo com o banco, o financiamento permitirá obras de implantação de vias marginais em zonas urbanas e industriais nas cidades de Cristalina, Campo Alegre de Goiás e Catalão, no estado de Goiás, além de Araguari, em Minas Gerais, reduzindo a interferência do tráfego local sobre o fluxo principal da Na BR-050.
Estão previstas também instalações de passarelas para pedestres em municípios com grande movimentação urbana ou travessias informais, como as cidades mineiras de Araguari e Uberaba e as goianas Ipameri e Cumari. As obras que deverão gerar 557 empregos diretos e indiretos visam ainda melhorar a segura segurança no tráfego com redução dos riscos de acidentes.
Diário do Aço - MG 01/10/2025
A BR-458, responsável por ligar Ipatinga à BR-116, e consequentemente à Zona da Mata Mineira, deve finalmente ter obras significativas em seu traçado. Frequentemente alvo de críticas pelas lombadas irregulares, buracos e sinalização precária, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) indicou que melhorias (já iniciadas) devem ser concluídas até o fim do próximo ano.
Segundo a autarquia vinculada ao Ministério dos Transportes, o traçado de aproximadamente 47 quilômetros da rodovia federal já está licitado, com contrato assinado e recursos previstos no orçamento.
Recentemente, uma discreta operação de tapa-buracos ocorreu no trecho próximo ao Residencial Porto Seguro, em Caratinga. No entanto, a intervenção foi pontual e os demais defeitos permanecem ao longo da pista. O recapeamento está sendo feito após o posto Beira Rio, até as proximidades do trevo de Ipaba.
Além do asfalto precário, a BR-458 conta com pista simples, tráfego intenso e trechos sinuosos. “Com relação à BR-458, ele [Fabrício Galvão, diretor-geral do Dnit] disse que até o ano que vem essa rodovia vai ser toda recapeada de Ipatinga até chegar à 116. Tratamos também da possibilidade, dentro desse projeto de recuperação, fazer ali um trevo que dá acesso em cima da BR-458 para acessar o aeroporto. Ele disse que esses recursos estarão garantidos dentro dos recursos previstos para manutenção das rodovias federais em Minas. E a gente espera que possa ver este ano ainda o início de obras na BR-458”, afirmou o deputado estadual Celinho Sintrocel (PCdoB), que junto ao deputado federal Leonardo Monteiro (PT), visitou o Dnit na semana anterior.
As obras visam aumentar a segurança, reduzir acidentes, facilitar o transporte de cargas e fortalecer a economia e a mobilidade do leste mineiro.
Portos e Navios - SP 01/10/2025
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, inaugurou na última segunda-feira (29), em Elvira, no Amazonas, o novo porto da cidade. De acordo com o MPor, a obra foi executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), custou R$ 37,6 milhões e beneficiará diretamente os 17,1 mil habitantes. Em região sem acesso rodoviário, Envira depende da navegação fluvial para transporte de passageiros, alimentos, medicamentos e bens essenciais.
Segundo o ministério, o novo terminal vai garantir embarque e desembarque seguros em períodos de cheia e de vazante, além de reduzir custos logísticos e melhorar o escoamento da produção agrícola e do pescado e o fornecimento de insumos básicos.
Em Eirunepé, cidade com cerca de 33 mil habitantes, foi apresentado projeto, em fase de licitação, de construção pelo DNIT de um IP4, com investimento de R$ 2 milhões. O empreendimento é considerado essencial porque a cidade, cuja economia é baseada na agropecuária, depende integralmente dos rios para o transporte de bens e de passageiros.
Segundo Costa Filho, a construção e modernizações de IP4 visa, ao mesmo tempo, oferecer soluções logísticas para o transporte na região Amazônica e incentivar a indústria naval local. “Reafirmamos o compromisso do governo federal em garantir segurança, reduzir desigualdades e integrar os municípios do interior do Amazonas por meio da navegação interior”, afirmou.
Globo Online - RJ 01/10/2025
Um quinto das indústrias brasileiras que não usam a cabotagem — o transporte marítimo entre os portos de um mesmo país — lançaria mão dessa modalidade logística se “houvesse condições adequadas”, mostra uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que será divulgada nesta quarta-feira.
A sondagem entrevistou 195 empresas industriais. Dessas, somente 29% usam a cabotagem para escoar suas cargas em um país que tem umas das maiores costas marítimas do mundo.
Em julho, o governo federal editou um decreto que regulamenta a “BR do Mar”, programa lançado em 2022 para impulsionar a cabotagem.
Segundo a CNI, a movimentação entre os portos nacionais responde por 11% da matriz de transportes do Brasil. E essa fatia é concentrada na logística do petróleo e de combustíveis, que responde por 75% da cabotagem no país.
A avaliação da CNI é de que o Brasil tem potencial para usar mais a cabotagem. Em geral, essa modalidade logística se destaca pelo custo mais baixo que o rodoviário, por exemplo, e maior segurança em relação a roubos e desvios de carga.
Quanto mais carga, mais vantajoso é o custo do navio. Por isso, na estimativa da CNI, “um melhor equilíbrio na matriz de transportes do país” poderia levar a uma redução de 13% no custo logístico das empresas.
Obstáculos
Conforme a sondagem da CNI, ao responderem sobre os impeditivos, as indústrias que não usam a cabotagem citaram com maior frequência (45% dessa parcela de entrevistados) a incompatibilidade geográfica (45%).
“Foram mencionadas ainda a indisponibilidade de rotas (39%), o maior tempo de trânsito (15%) e a distância da origem do transporte até o porto (15%)”, diz uma nota divulgada pela CNI.
Já entre os 29% do total de entrevistados que usaram a cabotagem, o motivo mais citado como razão por que adotam a modalidade logística foi a redução de custos, mencionada por 79% dessa parcela. O segundo motivo mais citado foi a segurança no transporte (21%).
Diário do Comércio - MG 01/10/2025
O navio-plataforma P-78, da Petrobras, chegou nesta terça-feira (30) ao Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Campos, a 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela estatal.
A estrutura havia partido de Singapura, no Sudeste Asiático, no dia 13 de julho. O navio-plataforma é do modelo FPSO (Floating Production Storage and Offloading, em português, Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência), com capacidade de produção de 180 mil barris de óleo, além de comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos (m³) de gás diários.
A P-78 será a sétima plataforma a produzir petróleo no Campo de Búzios, que, segundo a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, “superou a produção diária de 900 mil barris de petróleo”. Dessa forma, o novo FPSO poderá aumentar em até 20% a produção diária.
Além da P-78, operam em Búzios as plataformas P-74, P-75, P-76, P-77, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré.
Transporte com tripulação
Para antecipar o início da operação, o transporte da P-78 desde a Ásia contou com a tripulação brasileira já embarcada, o que adiantou procedimentos e treinamento da equipe. Isso permite antecipar o começo da produção em cerca de duas semanas.
A última vez que a Petrobras adotou a prática de transportar a tripulação foi em 1999.
Os próximos passos pré-operação são o serviço de ancoragem e de interligação da plataforma com os poços de petróleo, o que deve levar aproximadamente dois meses.
O casco da P-78 foi construído em estaleiros nas cidades Yantai e Hayang, na China, e em Ulsan, na Coreia do Sul. Os blocos foram integrados na Coreia do Sul, antes de seguir para Singapura, onde houve a montagem dos módulos, incluindo um construído no estaleiro da Seatrium (antigo Brasfels), em Angra dos Reis, litoral fluminense.
Pré-sal
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor, a produção do pré-sal corresponde a cerca de 80% do total de petróleo e gás produzido no Brasil.
Descoberto em 2006, o pré-sal contribuiu para a soberania energética do Brasil, possibilitando que o país se mantivesse sem necessidade de importar óleo. Além da alta produtividade, os poços armazenam um óleo leve, considerado de excelente qualidade e com alto valor comercial.
O início da produção foi no campo de Jubarte, localizado na Bacia de Campos, litoral do Sudeste, em 2008. Ao lado da Bacia de Santos, é ali que se encontram os reservatórios, perfurados a uma profundidade de 5 mil a 7 mil metros.
Valor - SP 01/10/2025
Queda mais intensa dos papéis da petroleira pressionam o Ibovespa para baixo
Os papéis da Petrobras passam por um novo dia de reprecificação e apresentam queda intensa, em meio a mais um pregão de recuo nos preços de petróleo.
Por volta das 12h30, os papéis ON (PETR3) da Petrobras (PETR4) recuavam 2,53%, a R$ 33,45, enquanto os PN da petroleira tinham queda de 1,73%, a R$ 31,26. O contrato futuro de petróleo tipo Brent para novembro cedia 1,46%, a US$ 66,11.
Com a queda mais intensa dos papéis da Petrobras, o Ibovespa recuava 0,26%, aos 145.960 pontos.
Valor - SP 01/10/2025
Papéis da Exxon Mobil, Shell e Aramco desvalorizaram mais de 1% nesta terça-feira (30)
As ações das grandes petroleiras caíram nesta terça-feira (30), dia marcado pela queda no preço do petróleo decorrente dos temores sobre excesso de oferta.
Na Bolsa de Nova York (Nyse), a Exxon Mobil cedeu 1,30%, cotada a US$ 112,73, e a Chevron caiu 0,53%, a US$ 155,28. Em Londres, a Shell recuou 1,84%, a 2.646,50 libras (US$ 3.557,87), enquanto a Aramco perdeu 1,48%, na Bolsa da Arábia Saudita, para 24,62 rial saudita (US$ 6,55).
O mercado reage à possibilidade de um novo plano da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) para aumentar a produção em 137 mil barris por dia em novembro. O grupo se reunirá no domingo (5) para discutir o acréscimo.
O contrato de Brent (referência mundial) para dezembro teve queda de 1,57%, cotado a US$ 66,03 o barril, e o futuro do WTI (americano) para novembro recuou 1,70%, para US$ 62,37 por barril.
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