Com importações e estoques em alta, vendas de aço devem cair 4,2% no 1º trimestre


Diário do Comércio – MG   27/03/2026

Durante o mês de fevereiro, as vendas de aços planos contabilizaram alta de 1,1% quando comparadas a janeiro, atingindo o montante de 297,2 mil toneladas frente a 293,9 mil toneladas do primeiro mês do ano. A alta, no entanto, não deve contribuir para um bom resultado no primeiro trimestre do ano, já que a expectativa do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é de queda de 4,2% nos três primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo com projeção de elevação de 15% nas vendas para março, a expectativa do Instituto é de um trimestre com resultados aquém do ano passado. A justificativa do superintendente da entidade, Gilson Bertozzo, é que os estoques de aço no País seguem elevados, fato que tem preocupado o setor.

O volume acumulado gira em torno de 1,13 milhão de toneladas contra 1,12 milhão de toneladas no mês passado, uma expansão de 0,8%, o que corresponde a quase quatro meses de comercialização. O nível que a entidade considera aceitável é de três meses de estoque.
Perspectivas para o segundo semestre

Para Bertozzo, as vendas só melhorarão no segundo semestre, quando os estoques de aço que estão nas mãos dos importadores forem reduzidos. “Acredito que teremos uns três meses de expurgo que tirarão do mercado os aventureiros”, afirmou.

O superintendente do Inda explica que a partir da redução dos estoques de importações, já com os efeitos das medidas antidumping, a indústria brasileira tem espaço para recuperar, ajustar preços e apresentar melhor desempenho.

“Estamos sustentando ainda que este ano será melhor do que 2025 e teremos um crescimento de 1,5%. Acreditamos que as medidas do governo foram acertadas e isso, a médio prazo, proporcionará um efeito positivo para nós”, afirmou.