Globo Online - RJ 27/07/2026
Os EUA solicitaram ao México que adotasse a mesma barreira tarifária imposta por Washington contra o aço e o alumínio chineses, impondo tarifas no estilo da Seção 232 sobre importações provenientes de fora da América do Norte, segundo quatro pessoas com conhecimento direto do assunto.
O objetivo é preservar o tratamento preferencial para o aço produzido nos EUA, no México e no Canadá, ao mesmo tempo em que se aplica uma barreira externa comum à China. Embora isso represente uma grande exigência por parte das autoridades comerciais dos EUA, o México está aberto a considerar a proposta em meio às negociações para um acordo mais amplo no âmbito da revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (USMCA), afirmaram as fontes, que pediram para não serem identificadas, pois as negociações são confidenciais.
As alíquotas exatas e os produtos que poderão ser abrangidos pelas novas tarifas ainda estão sendo discutidos, acrescentaram as fontes. Segundo uma delas, os Estados Unidos pretendem concluir um acordo-quadro com o México até o fim do ano.
Os Estados Unidos e o México vêm realizando negociações bilaterais como parte do processo de revisão do acordo comercial da América do Norte conhecido como USMCA (Acordo Estados Unidos–México–Canadá).
As negociações ganharam maior importância depois que, em 1º de julho, os EUA decidiram não renovar o acordo em sua forma atual, optando por um modelo de negociações contínuas, com o objetivo de tornar mais rigorosas as regras de origem regional e reduzir o papel da China na América do Norte.
Como parte dessas conversas, o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o secretário da Economia do México, Marcelo Ebrard, realizaram na semana passada, na Cidade do México, a terceira rodada bilateral de negociações. As discussões abrangeram temas como aço e alumínio, indústria automobilística, segurança econômica, questões trabalhistas e agricultura.
Os dois governos pretendem voltar a se reunir em Washington, em setembro, e têm enfatizado a necessidade de impedir que países de fora do acordo "peguem carona" (free-riding), beneficiando-se indiretamente das vantagens do bloco sem assumir as mesmas obrigações.
Na tentativa de avançar nas negociações, o México se ofereceu, no início deste ano, para reduzir significativamente suas compras de aço chinês, afirmou uma das fontes.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e o Ministério da Economia do México não responderam aos pedidos de comentário.
Discussões sobre tarifas
Atualmente, o regime tarifário dos Estados Unidos para o aço é mais abrangente e mais rigoroso do que o do México.
Os EUA impõem uma tarifa de 50% com base na Seção 232 sobre o aço e o alumínio básicos provenientes da China e da maioria dos demais países, além de cobrar uma tarifa de 25% sobre produtos derivados e uma tarifa menor sobre determinados tipos de máquinas e equipamentos.
Já o México tributa os metais produto por produto. As importações de aço provenientes de países com os quais o México não possui acordos comerciais estão sujeitas a tarifas que podem chegar a 25%, além da aplicação de determinados direitos antidumping.
No início deste ano, o México implementou novas tarifas sobre cerca de 1.500 produtos provenientes de países com os quais não mantém acordos comerciais — medida que afeta principalmente as importações da China.
A decisão, aprovada pelo Congresso mexicano no ano passado, foi interpretada como uma tentativa do governo da presidente Claudia Sheinbaum de alinhar mais estreitamente sua estrutura tarifária à dos Estados Unidos.
Os produtores americanos de aço solicitaram ao governo Trump que pressione México e Canadá a adotar medidas equivalentes às tarifas restritivas previstas na Seção 232 dos EUA, igualando não apenas os níveis tarifários, mas também a abrangência em termos de produtos e países atingidos.
Eles também pediram a adoção de uma regra de "melted and poured" ("fundido e vazado"), segundo a qual o aço precisaria ser produzido desde a etapa de fusão em alto-forno na América do Norte — e não apenas laminado ou acabado na região — para receber tratamento preferencial.
Uma pauta mais ampla de reivindicações da indústria inclui elevar de 70% para 85% a parcela de aço norte-americano que as montadoras são obrigadas a adquirir, estender as regras de conteúdo relacionadas ao valor do trabalho para outros produtos de maior intensidade no uso de aço e restringir investimentos provenientes de economias consideradas não orientadas pelo mercado, como a China.
Valor - SP 27/07/2026
Estratégia da companhia brasileira com o investimento previsto até março de 2028 é ampliar o acesso da companhia a metais valiosos sem depender da exploração de minas.
A japonesa Toyota Tsusho pretende se tornar a maior recicladora de sucata metálica do mundo, com investimentos de 1,2 trilhão de ienes (US$ 7,4 bilhões) até março de 2028. A estratégia busca ampliar o acesso da companhia a metais valiosos sem depender da exploração de minas.
A empresa já opera três unidades de reciclagem de veículos na Índia, terceiro maior mercado automobilístico do mundo. Com o aumento da frota no país, a demanda por reciclagem de automóveis deve crescer, segundo a Toyota Tsusho.
A companhia planeja dobrar o número de funcionários enviados à Índia, para cerca de 100 pessoas, e ampliar sua rede de centros de reciclagem no país. O desafio, porém, é competir com operadores ilegais que trabalham com custos menores.
Globalmente, a Toyota Tsusho mantém operações de reciclagem em 13 países, com 41 funcionários dedicados ao negócio. A experiência acumulada nessas unidades ajuda a empresa a melhorar processos, qualidade e competitividade.
"A maioria das outras empresas comerciais se dedica à compra e venda de produtos reciclados ou investe em outras companhias. Há poucos exemplos de empresas que tentam administrar toda a cadeia, da produção à distribuição", afirmou Toshihiko Muroi, diretor de operações da divisão de economia circular da Toyota Tsusho.
A empresa também desenvolveu no Japão uma operação para extrair metais raros de baterias usadas de veículos elétricos e outros equipamentos, com planos de levar o modelo para os Estados Unidos e outros mercados.
A estratégia contrasta com a trajetória tradicional das grandes tradings japonesas, que cresceram por meio da aquisição e desenvolvimento de direitos de mineração. Recursos naturais representam cerca de metade do lucro líquido da Mitsui & Co. e mais de 10% da receita da Itochu.
Embora o setor de mineração possa gerar retornos elevados, ele também deixa as empresas mais expostas às oscilações dos preços das commodities.
A Toyota Tsusho, por outro lado, se apresenta como uma "empresa comercial que não se aprofunda na Terra", segundo o presidente Toshimitsu Imai. Os negócios tradicionais ligados a recursos naturais representam uma parcela pequena dos lucros da companhia.
A empresa espera registrar lucro anual recorde pela sexta vez consecutiva no ano fiscal encerrado em março de 2027, impulsionada principalmente pelas operações na África e pelos projetos de energia eólica.
"Não fazemos de tudo, desde ramen a mísseis", afirmou Imai. "Nos concentramos em nossas áreas de especialização."
A Toyota Tsusho surgiu em 1936 como Toyota Kinyuu Kaisha, criada para financiar vendas de veículos da Toyota Motor. Um ponto de virada ocorreu em 2006, quando a empresa se fundiu com a trading japonesa Tomen, ampliando suas fontes de receita para além do setor automotivo.
Infomoney - SP 27/07/2026
O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou em seis das sete capitais pesquisadas na terceira quadrissemana de julho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Informado na quinta-feira, 23, o IPC-S desacelerou o ritmo de alta para 0,07%, resultado abaixo do registrado na última divulgação, de 0,20%, na passagem da segunda para a terceira quadrissemana de julho.
A desaceleração mais significativa entre as capitais ocorreu em Recife (-0,17% para -0,36%). Em seguida, aparecem Salvador (-0,13% para -0,25%), Rio de Janeiro (-0,09% para -0,13%), Porto Alegre (0,33% para -0,05%), Belo Horizonte (0,20% para 0,01%) e Brasília (0,64% para 0,56%). A taxa de 0,27% registrada em São Paulo na pesquisa passada se repetiu nesta leitura.
O Estado de S.Paulo - SP 27/07/2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira, 24, que o Comitê de Política Monetária (Copom) trabalha com diferentes planos de voo para a condução da política monetária e avalia qual deles tem a maior capacidade de levar a inflação para mais perto da meta de 3%, com o menor custo em termos de volatilidade.
“Trabalhamos com trajetórias que contemplam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e de retomada no ciclo”, disse, durante participação no evento Expert XP, em São Paulo.
“A sensação que tenho é a de que, em alguns momentos dessa pausa, estamos tentando esperar para ver como isso vai influenciar as expectativas. Essa pausa para observar pode ser algo a se considerar para o segundo semestre — esse “plano de voo” do Banco Central — e como devemos ler esse movimento”, completou.
Galípolo ainda reforçou o uso do termo “calibração” na comunicação da autarquia. “Usamos a palavra ‘calibração’ principalmente para indicar que já estavam mais visíveis os efeitos de uma taxa de juros mais elevada sobre a atividade”, salientou.
O presidente do Banco Central reiterou que as expectativas de inflação estão entre as principais variáveis monitoradas pela instituição e voltou a repetir que a autoridade monetária busca “evitar efeitos de segunda ordem” sobre os preços.
Segundo ele, há debate sobre se as expectativas respondem mais ao que está sendo feito ou ao que pode vir a ser feito à frente. Ainda assim, observou que as expectativas se distanciaram da meta, mesmo com a taxa de juros em campo restritivo.
IA tem elevado resiliência das empresas
Galípolo disse que a inteligência artificial (IA) tem contribuído para elevar a resiliência das empresas e da economia ao lidar com preços internacionais e Treasuries, ao permitir ajustes mais rápidos de custos, processos e decisões em um ambiente global mais volátil.
A avaliação foi feita ao comentar tendências estruturais de longo prazo associadas à tecnologia e seus efeitos sobre as expectativas e a produtividade. Segundo Galípolo, há uma discussão relevante sobre em que medida o avanço da IA se traduz, de forma consistente, em ganhos de produtividade — tema que, na visão dele, permanece em debate e depende do ritmo de investimento e da difusão das novas ferramentas.
Ao tratar do pano de fundo inflacionário, o presidente do BC observou que os efeitos de preços externos não tendem a ser plenamente “contidos” no curto prazo, o que reforça a importância de mecanismos de ajuste e gestão de custos.
Ele também citou que a atividade segue resiliente, com sinais de reorganização no mercado de trabalho: trabalhadores conseguindo realizar tarefas em menos tempo, sem que isso se converta automaticamente em maior demanda por novas entregas.
O Estado de S.Paulo - SP 27/07/2026
Nesta semana, tivemos mais uma onda do tarifaço, e, em meio a tudo isso, uma pergunta intrigante fica no ar e que recentemente o Financial Times trouxe a público: Trump está vencendo a guerra tarifária? A resposta parece simples. Mas, antes de perguntar se Trump está vencendo a guerra tarifária, precisamos responder a outras questões: como se mede a vitória em uma guerra comercial? Pelo dinheiro arrecadado? Pela volta das fábricas? Pela redução da dependência da China? Ou pelo impacto sobre o consumidor?
Dependendo do critério escolhido, a resposta muda completamente. As tarifas elevaram a arrecadação americana, reduziram as importações vindas diretamente da China e passaram a ser apresentadas como um instrumento permanente da política econômica dos Estados Unidos. A arrecadação recorde com tarifas gerou US$ 24 bilhões em junho (aproximadamente 5% da arrecadação federal do mês) para os EUA – vitória 1. Já a participação da China nas importações americanas caiu de cerca de 21%, em 2016/2018, para menos de 8% nos 12 meses encerrados em maio passado – vitória 2.
Apesar das tarifas, a manufatura americana continua apresentando crescimento modesto. Reduzir importações não significou, até o momento, reindustrializar os EUA – derrota 1. A ausência de uma inflação expressiva não significa que as tarifas não tenham custo. Parte do ajuste ocorreu por meio da redução das margens de lucro de fabricantes e varejistas, da utilização de estoques acumulados, da substituição de fornecedores e até da redução da qualidade dos produtos – derrota 2.
Um placar meio ambíguo, mas a limitação do debate atual é medir apenas de onde vem a mercadoria, quando o mais importante seria saber quem controla sua produção.
Boa parte das importações da China foi ocupada por países como Vietnã, México, Malásia e Tailândia. Dados levam a acreditar que ocorreu uma reorganização das cadeias globais de produção: componentes continuam sendo produzidos na China, enquanto apenas a etapa final da montagem passou a ocorrer em países que enfrentam tarifas menores.
E a China está perdendo com isso? As exportações chinesas para o restante do mundo continuaram crescendo. Em 2025, o país registrou um superávit comercial superior a US$ 1 trilhão, o maior de sua história.
O Federal Reserve (o BC americano) publicou, em julho de 2026, um estudo mostrando que grande parte do crescimento das exportações do Vietnã para os EUA ocorreu por meio de empresas chinesas que transferiram parte de sua produção para o Vietnã. Não se trata apenas de fraude ou troca de etiquetas; trata-se da realocação das fábricas e das cadeias produtivas chinesas. Os EUA deixaram de comprar produtos “made in China”, passaram a comprar “made by China”.
Infomoney - SP 27/07/2026
O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, considera o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um dos responsáveis pelo aumento do endividamento da população brasileira.
Com mais de 80 milhões de brasileiros inadimplentes e uma dificuldade de empresas em adiar dívidas ou refinanciar despesas, para o economista o Brasil apresenta um sintoma claro dos problemas enfrentados no mercado de crédito, o que antecede períodos de recessão.
Em entrevista ao jornal Veja, Fraga destaca que, apesar das estatísticas de emprego e crescimento econômico serem “boas até agora”, ainda não há ingredientes suficientes para que o Brasil possa crescer em um ritmo acelerado e sustentável.
“Dizem que já temos austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez a dívida pública crescer? [ ] A taxa de investimento continua muito baixa, sem isso e sem ganhos de produtividade o País não vai andar. Nesse meio tempo, as fragilidades econômicas crescem”, destaca à Veja.
Lula sanciona, com vetos, porte de spray de pimenta para mulheres
Autorização passa a valer a partir desta sexta-feira (24), mas detalhes da regulamentação ainda precisarão ser feitos pelo governo federal
Segundo o ex-presidente, muitas empresas que se endividaram utilizaram instrumentos de securitização e hoje estão tendo dificuldade de honrar ou manter as dívidas negociadas. “O próprio governo está encurtando o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil. Eu entendo que o governo não queira emitir papel de trinta anos pagando inflação mais 8% ao ano, mas, assim ele aumenta o risco de sua própria rolagem”, reforça.
Fraga também comparou o governo Lula ao de Dilma Rousseff, destacando os esforços empenhados pela ex-presidente para conquistar a reeleição “estourando as contas de uma maneira espetacular”.
O economista também criticou a insistência do governo Lula em dizer que a política econômica aplicada é austera, enquanto “desrespeita as próprias regras” criadas no arcabouço fiscal. “Que austeridade é essa que fez o gasto público sair de um quarto do PIB para um terço nos últimos 40 anos?” questiona.
“A situação fiscal é bastante grave. Embora o governo tenha criado o arcabouço fiscal, chutou o pau da barraca logo de cara e os resultados estão aí, na forma de juros”, afirma.
Sobre uma eventual recessão econômica, Fraga afirmou ao veículo que já trabalha com a hipótese de uma crise em 2027, por isso, tem recomendado às empresas que assessora “bastante” cuidado com o endividamento, “Preservem o caixa e não peguem empréstimos”, frisou.
Eleições
Questionado pelo veículo sobre eleições, Fraga destacou que para analisar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao pleito em 2026, é importante levar em consideração o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, “que foi imensamente problemático, a começar pela própria questão de sobrevivência da democracia”, o que taxou de inegociável.
O ex-presidente do BC também destacou a necessidade de romper com a polarização entre Lula e o bolsonarismo, alçando o nome dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSB) e Romeu Zema (Novo) como capazes de “oferecer respostas que contassem com o apoio do Congresso para tirar o Brasil dessa situação [econômica]”.
CNN Brasil - SP 27/07/2026
A indústria brasileira de transformação voltou a perder posições no cenário internacional pelo segundo ano consecutivo. Em um ranking que reúne 90 países, o Brasil ocupa a 69ª colocação, permanecendo entre o terço das economias com pior desempenho industrial.
Os dados foram compilados pelo IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) com base em informações da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial.
Em entrevista ao CNN Money, o professor de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas), Joelson Sampaio, apontou dois fatores principais para explicar esse resultado: um de natureza conjuntural e outro estrutural.
Segundo o economista, o primeiro está relacionado à manutenção da taxa de juros em patamares elevados por um período prolongado.
"Esse resultado é explicado por dois motivos, principalmente. O primeiro conjuntural: nós temos uma taxa de juros ainda bastante elevada e por muito tempo. Isso acaba afetando bastante os investimentos na indústria, porque você aumenta o custo de capital das empresas e acaba trazendo um desafio em termos de inovação e de financiamento para a indústria", afirmou.
Além dos juros elevados, Sampaio destacou entraves estruturais que comprometem a competitividade da indústria brasileira. Entre eles estão o baixo nível de incorporação de tecnologia, a reduzida produtividade e os altos custos logísticos.
"Tem uma questão mais estrutural, que é o nível de incorporação de tecnologia e também a produtividade da indústria brasileira", explicou.
O professor acrescentou que a logística nacional amplia o chamado "custo Brasil", especialmente para empresas voltadas à exportação ou que mantêm maior integração com mercados internacionais.
Ao analisar os investimentos no setor, Sampaio observou que a taxa de investimento do Brasil corresponde a aproximadamente 16% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto a formação bruta de capital fixo — indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e infraestrutura — representa menos de 2%.
Para ele, esse cenário limita o crescimento da indústria de transformação e reduz sua competitividade frente a outros países. "Isso acaba trazendo um resultado de uma indústria que anda muito de lado, cresce pouco e perde competitividade porque os outros países estão investindo", avaliou.
Apesar do desempenho geral desfavorável, o professor ressaltou que o setor de commodities apresentou resultados mais positivos. Beneficiado pelo câmbio, pelo cenário internacional favorável e pelas relações comerciais com a China, esse segmento conseguiu manter um ritmo de crescimento superior ao restante da indústria.
"O setor ligado a commodities, e aí vai no sentido amplo, não só a parte de minério, mas também alguns segmentos do agro, acaba trazendo resultados positivos e favorecendo um ciclo mais positivo para a indústria", explicou.
No entanto, ele alertou que esse desempenho é conjuntural e não garante uma recuperação consistente da indústria como um todo.
Ao ser questionado sobre o risco de desindustrialização, Sampaio avaliou que esse cenário ainda é pouco provável. Segundo ele, o principal desafio do país não é evitar o desaparecimento da indústria, mas fortalecer sua capacidade de investimento e ampliar sua competitividade.
"O Brasil não tem esse risco hoje de um cenário de desindustrialização. O desafio que o Brasil tem é de tentar melhorar a sua indústria, aumentar a capacidade de investimento e de competitividade", afirmou.
Por outro lado, o economista advertiu que, caso não sejam adotadas políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor, o país corre o risco de enfrentar um processo de sucateamento industrial.
Para reverter esse quadro, defende o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a incorporação de novas tecnologias, a melhoria da infraestrutura logística e a capacitação da mão de obra, fatores considerados essenciais para elevar a produtividade e recuperar a competitividade da indústria brasileira.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN.
O Estado de S.Paulo - SP 27/07/2026
Apesar da alta alíquota estabelecida para o Brasil na nova fase do tarifaço do presidente americano, Donald Trump, os impactos efetivos para a economia tendem a continuar baixos, defende Livio Ribeiro, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre). Mesmo com o tarifaço, promovido pelos Estados Unidos, afetando o País desde o ano passado, as exportações alcançaram um patamar recorde no primeiro semestre de 2026, com crescimento nos negócios com a China e a Europa. O acordo celebrado entre o Mercosul e a União Europeia também promete ajudar no futuro.
A tarifa americana de 12,5% sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo o Brasil, anunciada na quinta-feira, 23, chegou um dia depois de entrar em vigor outra taxa, de 25%, estabelecida especificamente ao País.
A justificativa para a nova taxa foi de que o Brasil e mais 59 economias não combatem de forma efetiva a importação de produtos feitos em países que usam trabalho forçado. A anterior tratava de investigação da seção 301 pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA, com a alegação de prejuízos causados aos Estados Unidos pelo Brasil por conta de práticas comerciais e regulação de comércio digital, Pix, etanol e propriedade intelectual.
Segundo Ribeiro, que também é sócio da consultoria BRCG, as negociações entre os dois países devem ficar em segundo plano, devido às dinâmicas eleitorais dominando o segundo semestre deste ano e uma vez que até agora as tarifas resultaram em impacto reduzido para o Brasil. A busca de um acordo comercial, então, não deve ser prioridade no momento.
A seguir, a entrevista concedida ao Estadão.
Com o anúncio da nova tarifa de 12,5% que afeta produtos brasileiros, somada à de 25% anunciada semana passada especificamente ao País, como ficam as exportações aos EUA?
Pelas minhas contas, essa tarifa efetiva de mais de 37% cumulativa para alguns produtos, além do setor de aço e alumínio, que recebeu alíquota de 50%, leva a uma tarifa efetiva chegando a 18% para os produtos brasileiros que vão para os EUA. São muitas as exceções de produtos para as duas tarifas anunciadas. Contabilizadas, chegam a mais de 3 mil. Alguns poucos estão sendo taxados na investigação de trabalho forçado que tinham escapado da tarifa de 25%, anunciada na semana passada, como pescados, café e celulose. É preciso descer ao nível micro para entender quem é impactado. De pronto, ninguém sabe o que entra ou não. A discussão está em cada linha de item comercial.
Então, os efeitos maiores serão específicos em alguns setores?
O impacto do tarifaço do ano passado se provou razoável. A balança comercial do primeiro semestre mostrou exportações brasileiras ainda crescendo. O impacto efetivo na economia é muito pequeno, mas o peso grande é o setorial.
Qual deve ser o trabalho feito pelo Brasil frente a isso?
A briga é para mais produtos entrarem nas exceções. O governo fala de aplicar reciprocidade aos EUA, mas isso parece ser mais discurso do que algo que será realmente adotado. O interesse de acelerar isso é de ninguém. Também discutir tecnicamente não parece o caminho. Tanto a investigação pela seção 301 de trabalho forçado quanto a investigação específica para o Brasil trouxeram um debate que não foi necessariamente técnico. Vale mais continuar usando deliberadamente o varejo e o consumidor industrial americano para defender o nosso ponto, de que é prejudicial para eles o aumento de custos do produto brasileiro.
Muitas análises dizem que o desejo do governo Trump é celebrar um acordo comercial com o Brasil, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, também comentou que o tarifaço só vai acabar quando houver um acordo. Ele pode ser negociado agora?
Agora, entra uma consideração política e de política econômica. Existe o componente eleitoral aqui e lá. Com efeito mais aqui (nas eleições presidenciais) do que lá (nas eleições para o Parlamento, de meio de mandato presidencial). É o mais relevante na dinâmica eleitoral de tentar fazer pressão aqui por meio das tarifas. Este é o ponto mais central para a economia local. Já para a economia americana, faz mais sentido se preocupar com a tarifa de até 50% anunciada para o Canadá, que é mais relevante para eles, do que com o comércio com o Brasil, que é menor.
A partir dos documentos vazados do que seria a proposta americana de acordo com o Brasil, há o pedido de abertura de setores bem protegidos, como o de etanol e industrial, sem contrapartidas da parte dele. Pode fazer mais sentido, também por conta disso, para o governo brasileiro absorver o tarifaço do que fechar um acordo, e apostar na diversificação de mercados para os produtos afetados?
Infelizmente, é isso. O que vamos dizer? A discussão vai ficar mais no micro. Existe margem de manobra para mudar a lista de exceções. E as conversas devem se concentrar por aí.
Jornal de Brasília - DF 27/07/2026
A economia brasileira dá sinais de desaceleração no segundo trimestre após o crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos três meses iniciais de 2026, dizem analistas.
Para eles, o pacote de estímulos do governo Lula (PT) antes das eleições de outubro não deve impedir a perda de ritmo ao longo do ano, mas tende a atenuar esse movimento. A desaceleração tem sido qualificada como gradual pelos especialistas.
Levantamento publicado pela Folha no início de julho indicou que as medidas de estímulo do governo mobilizavam mais de R$ 180 bilhões neste ano. O pacote inclui linhas de crédito com juros mais baixos do que os de mercado, renúncias fiscais e subvenções.
Na quarta-feira (22), o governo anunciou R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento a empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Segundo o anúncio, os recursos têm origem nas sobras do programa Brasil Soberano 1, de agosto passado, além de valores destinados à renegociação de dívidas rurais.
“Essas medidas amortecem a desaceleração, mas não vão gerar um ímpeto surpreendente para a atividade econômica”, afirma o economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating, que prevê avanço de 0,5% para o PIB do segundo trimestre.
O indicador contou com o empurrão da safra nos três meses iniciais de 2026, quando o crescimento ficou acima de 1%.
O Brasil, porém, segue com juros altos para frear a inflação. Analistas apontam a política monetária como a principal explicação para a previsão de perda de ritmo da atividade econômica.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) passou a cortar a taxa básica de juros (Selic) em março, mas ela segue em dois dígitos. A Selic baixou a 14,25% ao ano na reunião mais recente do colegiado, ocorrida em junho, corte de 0,25 ponto percentual.
Em maio, a atividade econômica registrou leve variação positiva de 0,1% ante abril, conforme dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) divulgados pelo BC no dia 17 de julho.
A elevação foi menor do que a registrada no quarto mês do ano (0,4%), sinalizando uma relativa estabilidade.
Antes da divulgação do IBC-Br, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicou pesquisas setoriais que, na visão de analistas, reforçaram a percepção de desaceleração econômica.
O instituto apontou variações próximas a zero, na passagem de abril para maio, no volume de vendas do comércio varejista (+0,1%), na produção industrial (-0,2%) e no volume do setor de serviços (-0,4%).
Embora os juros dificultem o crescimento, o desempenho do mercado de trabalho e as medidas do governo tendem a manter “uma certa resiliência” na atividade econômica, diz a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.
O banco projeta alta de 0,7% para o PIB do segundo trimestre frente aos três meses iniciais de 2026. Na comparação com o período de abril a junho do ano passado, a previsão é de avanço de 2,4%.
“A gente está vendo essa desaceleração, ela já está em curso. Os dados de curto prazo vieram um pouco mais baixos [do que as projeções], mas não preocupam tanto”, afirma Claudia.
“A gente acha que essa desaceleração não vai ser forte. Ela é gradual”, acrescenta.
O IBGE agendou a publicação do PIB do segundo trimestre para o dia 1º de setembro.
Indicadores como o IBC-Br não substituem o PIB, mas fornecem um olhar complementar para a atividade, a partir de um conjunto mais restrito de informações e uma divulgação mais rápida.
PREOCUPAÇÃO COM CONTAS PÚBLICAS E INFLAÇÃO
O economista-chefe da Way Investimentos, Alexandre Espirito Santo, prevê avanço de 0,4% a 0,5% para o PIB do segundo trimestre em relação ao primeiro.
Na avaliação de Espirito Santo, a economia está “certamente” perdendo força, e o desempenho só não será menor devido ao dinheiro injetado pelo governo antes das eleições. Ele, contudo, relata preocupação com o impacto fiscal de medidas de estímulo.
“Elas atenuam [a desaceleração], mas estão contratando uma dor de cabeça para a frente porque isso vai virar dívida”, diz o economista, que também é professor da ESPM e do Ibmec-RJ.
Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam alta de 1,99% para o PIB no acumulado de 2026, segundo o boletim Focus, do BC. A taxa prevista está abaixo da variação de 2,3% registrada pelo indicador no ano passado.
O Ministério da Fazenda estima novo avanço de 2,3% em 2026. O FMI (Fundo Monetário Internacional) espera uma alta de 2,4%.
Os juros elevados desafiam o crescimento do PIB porque encarecem o crédito para os investimentos das empresas e o consumo das famílias. Por outro lado, tentam conter a inflação ao reduzir a demanda que pressiona os preços.
A questão, dizem analistas, é que o controle inflacionário tende a ficar mais complicado com as medidas de estímulo. A avaliação é rebatida pelo governo.
“Política fiscal e política monetária são que nem namorada e namorado em shopping: têm que andar de mãozinha dada”, afirma Espirito Santo.
“Se a política fiscal vai para um lado, e a política monetária vai para o outro, vai ser um problema, elas se tornam inócuas. A política monetária está apertadíssima e a política fiscal, frouxa”, acrescenta.
O economista ainda cita duas variáveis que podem gerar incertezas durante o segundo semestre: a “cabeça” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a corrida eleitoral no Brasil.
Após Trump dizer que a trégua estabelecida entre os países estava acabada, os Estados Unidos recomeçaram os ataques a pontos do Irã. A guerra iniciada em 28 de fevereiro provocou reflexos econômicos como o aumento das cotações do petróleo.
Revista Mineração - SP 27/07/2026
A Samarco registrou crescimento de 4% na produção de pelotas e finos de minério de ferro no segundo trimestre de 2026 (2T26), na comparação com o trimestre anterior. Entre abril e junho, a mineradora produziu 3,9 milhões de toneladas, volume semelhante ao registrado no mesmo período de 2025.
O resultado faz parte da prévia operacional divulgada pela companhia e, segundo a Samarco, reflete a continuidade das atividades em patamares estruturalmente mais elevados.
As vendas acompanharam a recuperação da produção. A empresa comercializou 3,9 milhões de toneladas no segundo trimestre, alta de 23% em relação ao primeiro trimestre. Na comparação anual, entretanto, houve queda de 1%.
A Samarco informou que os embarques foram normalizados durante o segundo trimestre, depois de um desempenho mais fraco nos três primeiros meses do ano.
O cenário de preços, por outro lado, permaneceu desafiador. O preço médio realizado pelas pelotas foi de US$ 124,90 por tonelada no período, valor 3% inferior ao registrado um ano antes e 4% abaixo do preço médio do primeiro trimestre.
A companhia atribuiu a retração do preço médio ao ambiente de pressão sobre as cotações do minério de ferro observado ao longo do segundo trimestre.
Infomoney - SP 27/07/2026
As ações da CSN Mineração (CMIN3) seguem como o maior alta do Ibovespa no acumulado de julho, com ganhos de cerca de 40% até a manhã desta sexta-feira (24).
Conforme aponta a Ágora Investimentos, a CSN Mineração acelerou seu programa de recompra, que prevê a aquisição de até 50 milhões de ações (o equivalente a 3,18% do total em circulação), com fim projetado para 19 de novembro de 2027.
Isso, somado ao ambiente técnico de menor liquidez em nosso mercado, parece ter desencadeado um severo movimento de shot squeeze que impulsionou as ações ao longo deste mês, avalia a equipe de análise.
O short squeeze acontece quando muitos investidores estão vendidos (short) em uma ação e, subitamente, uma notícia faz os preços dispararem, obrigando esses investidores a zerar as posições vendidas para limitar as perdas.
Cabe destacar que o volume financeiro médio diário do mercado à vista somou R$ 16,95 bilhões em julho, até o dia 20. Com esse desempenho, o mês fica posicionado como o 6º com menor volume mensal na B3 desde janeiro de 2020, o que leva a maiores movimentações no mercado.
Cabe ressaltar que a mineradora divulgará seus resultados apenas no dia 12 de agosto, mas os analistas já estão de olho nos números da companhia, com a visão de dados pressionados.
Na visão do Safra, a CSN Mineração deve reportar Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado próximo de R$ 964 milhões no trimestre, queda de 32% em relação ao trimestre anterior.
O principal fator de pressão deve ser a redução dos preços realizados do minério de ferro, mesmo com avanço dos embarques e redução dos custos por tonelada.
Valor - SP 27/07/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, encerrou cotado a US$ 110,19.
Os preços do minério de ferro caíram nesta sexta-feira (24), com a volta dos temores envolvendo excesso de oferta da commodity metálica.
O contrato futuro do minério com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, caiu 0,13%, a 746 yuans (US$ 110,19).
Analistas da ANZ Research apontam que os embarques do minério voltaram a subir nos últimos dias, após queda na última semana.
Além disso, margens mais fracas nas siderúrgicas chinesas continuam a exercer uma maior pressão na demanda pela commodity, afirmam.
Ainda assim, os analistas acreditam que o minério deve ficar oscilando na faixa atual de preços no curto prazo.
Revista Mineração - SP 27/07/2026
A Anglo American produziu 15,4 milhões de toneladas de minério de ferro premium no segundo trimestre de 2026 (2T26), volume 1% superior ao registrado no 1T26. Na comparação anual, houve redução de 3%, reflexo de uma parada programada para manutenção nas operações da Kumba, na África do Sul, e da menor recuperação de massa e do teor do minério no Minas-Rio. Ainda assim, a companhia destacou que ambas as operações mantiveram desempenho operacional estável.
O Sistema Minas-Rio, em Minas Gerais, produziu 6,54 milhões de toneladas, queda de 2% em relação ao 2T25 e alta de 3% na comparação com o 1T26. Segundo a mineradora, a operação brasileira manteve desempenho consistente e ajudou a sustentar a produção de minério de ferro premium da companhia, consolidando sua importância na estratégia global da mineradora e contribuindo para a manutenção das projeções de produção para o ano.
Para 2026, a empresa manteve a previsão de produzir entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas no Minas-Rio e entre 55 milhões e 59 milhões de toneladas considerando a metal global de minério de ferro premium.
Além do minério de ferro, o relatório operacional mostra estabilidade na produção de cobre, que totalizou 173,2 mil toneladas no 2T26, praticamente em linha com o mesmo período do ano passado e 2% acima do 1T26. O desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção em Los Bronces, no Chile, parcialmente compensado pelo processamento de estoques de menor teor em Collahuasi e pelas menores concentrações previstas em Quellaveco, no Peru. A empresa manteve sua projeção anual de produção entre 700 mil e 760 mil toneladas e reduziu a estimativa de custos operacionais para suas operações de cobre no Chile e no Peru.
Outro destaque positivo foi o manganês, cuja produção atingiu 908,3 mil toneladas, crescimento de 22% em relação ao 2T25 e de 20% frente aos três primeiros meses deste ano. O resultado reflete a normalização das operações na Austrália após os impactos provocados por um ciclone tropical no ano passado.
Entre os negócios que estão em processo de desinvestimento pela companhia, a produção de níquel permaneceu praticamente estável em 9,1 mil toneladas, enquanto a divisão de diamantes De Beers registrou produção de 7,8 milhões de quilates, avanço de 88% sobre o 2T25 e de 9% em relação ao 1T26. Apesar da recuperação operacional, o mercado de diamantes continua pressionado pela demanda global enfraquecida, especialmente na China, o que mantém o segmento sob forte desafio comercial.
Segundo o CEO global da Anglo American, Duncan Wanblad, os resultados demonstram que as operações de cobre e de minério de ferro premium seguem em linha com o planejamento da companhia. Ele destacou que tanto o Minas-Rio quanto a Kumba mantiveram desempenho operacional consistente, enquanto a empresa continua focada na otimização do portfólio, priorizando ativos de maior rentabilidade e competitividade.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 27/07/2026
Mesmo diante de um cenário econômico marcado por juros elevados, crédito mais restrito e incertezas no ambiente de negócios, a comercialização de equipamentos da linha amarela deve crescer 4% em 2026, alcançando 35.843 unidades.
As projeções foram apresentadas durante o 2º Radar Tendências, promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema).
"O primeiro semestre confirmou um mercado consistente. A expectativa é de um segundo semestre mais cauteloso, mas suficiente para consolidar esse resultado", afirmou Claudio Schmidt, coordenador do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos. As vendas totais de máquinas, que incluem a linha amarela, guindastes, compressores portáteis, manipuladores telescópicos, plataformas elevatórias, equipamentos para concreto, caminhões rodoviários e tratores pesados de pneus, deverão atingir 58.611 unidades em 2026, também com expansão de 4% em relação ao ano anterior.
Para Felipe Frazão, sócio-diretor da MGM Locações, o setor poderia crescer de forma mais acelerada, se não fosse a alta taxa de juros, que limita novos investimentos. “Muitas empresas aumentam o volume da frota para diluir custos fixos, mas isso nem sempre representa aumento de rentabilidade”, analisou.
A mesma avaliação é compartilhada por Rafael Murrer, economista sênior do Banco Bradesco, que destacou o impacto da política monetária sobre toda a cadeia produtiva.
"Os juros elevados desaceleram o crescimento econômico, reduzem a expansão do crédito e tornam as decisões de investimento mais criteriosas”, explicou. A expectativa é que este ano a Selic fique em 13,75%, segundo projeções do banco.
De acordo com Domage Ribas, gerente de Equipamentos da Crasa Infraestrutura, esse contexto exige uma mudança na forma como as empresas administram seus ativos. "Com juros elevados, cada decisão de investimento precisa ser muito bem fundamentada. As empresas passam a olhar com muito mais profundidade para diversas questões, como custo total de propriedade do equipamento, consumo, disponibilidade, produtividade e vida útil. Comprar melhor, planejar melhor e medir melhor se tornou uma vantagem competitiva”, destacou.
No primeiro semestre, o setor público assumiu a liderança das compras, respondendo por 23% das vendas, seguido pela construção pesada (22%), locação (19%), construção leve (14%), agro e florestal (12%) e mineração (10%).
Na avaliação de Schmidt, esse desempenho do governo representa um movimento específico do momento, sem alterar a tendência histórica do mercado, com construção pesado e locação alternando na primeira colocação.
O Estudo Sobratema também apontou que 39% dos usuários trabalham com até 10% da frota parada e que 21%, com até 20% da frota parada. Na visão de Jordão Coelho Duarte, diretor de Operações da Skava-Minas, esse é um dos indicadores mais sensíveis para a gestão dos negócios.
"Manter cerca de 10% da frota parada é saudável, pois garante capacidade de mobilização imediata para atender novos contratos e cumprir os prazos exigidos pelos clientes. O problema surge quando esse percentual ultrapassa 20%, especialmente em um setor intensivo em capital. Mais importante do que o tamanho da frota parada é o tempo em que esses equipamentos permanecem sem utilização", explicou.
O mercado de locação tem conquistado cada vez mais espaço no setor de máquinas. Os dados do Estudo apontam que 58% das construtoras alugam até 10% dos equipamentos utilizados em suas obras.
"Existe um espaço importante para crescimento. Em mercados mais desenvolvidos, a locação representa entre 40% e 45% da utilização dos equipamentos. Essa tendência também deve se consolidar no Brasil”, ponderou Schmidt.
Para Mairon Karr, diretor de Negócios da Armac, o setor vive uma transformação silenciosa, com empresas buscando cada vez mais flexibilidade. “O mercado vive um processo contínuo de renovação das frotas, combinando aquisição, venda e locação conforme a necessidade operacional de cada momento”, avaliou.
Segundo ele, o valor residual do equipamento é um dos fatores que mais influenciam o custo-horário da máquina. “Quanto melhor for essa engenharia financeira ao longo do ciclo de vida do ativo, maior será o retorno”, acrescentou.
Afonso Mamede, presidente da Sobratema, lembrou que o setor passou por uma verdadeira revolução silenciosa, nas últimas décadas. “Saímos de equipamentos analógicos e isolados para frotas inteligentes, conectadas e monitoradas em tempo real. O que há 20 anos parecia ficção científica hoje é padrão nas operações. E a próxima revolução certamente já está a caminho".
Aos debates também contaram com as avaliações de Rafael Nieweglowski, diretor Comercial da Volvo-CE, e Manuel Lovato, diretor de Planejamento e Peças da Komatsu, que trouxeram suas perspectivas do mercado e como suas respectivas empresas têm atuado no país.
Outros indicadores importantes foram: 39% das empresas operam equipamentos com até cinco anos de uso e 43% possuem máquinas entre cinco e dez anos, demonstrando um processo contínuo de renovação dos ativos; e cerca de 39% das aquisições são realizadas com capital próprio, enquanto apenas 17% utilizam operações via CDC, refletindo um cenário de crédito mais restrito.
O 2º Radar Tendências teve o apoio da JCB, Komatsu, Putzmeister, Trimble e Volvo.
Valor - SP 27/07/2026
No segundo trimestre, a montadora registrou receita de 82,4 bilhões de euros, alta de 2% na comparação anual, mas o lucro operacional caiu 9,5%, para 3,47 bilhões de euros, com margem de 4,2%.
A Volkswagen reduziu suas projeções de vendas e entregas de veículos para o ano, reconhecendo a necessidade de intensificar esforços para conter os crescentes ventos contrários na indústria automotiva.
O cenário é pressionado por conflitos geopolíticos e comerciais, exigências regulatórias, mercados voláteis e o acirramento da concorrência, especialmente por parte de rivais chinesas tanto na Europa quanto na própria China.
A montadora alemã projeta agora que as vendas no acumulado do ano fiquem entre a estabilidade e uma queda de 3%, revertendo a estimativa anterior, que apontava para um crescimento de até 3%.
A revisão foi motivada principalmente pela forte retração na China, onde o mercado total despencou 20% no primeiro semestre. As entregas de unidades também devem recuar entre 3% e 7%, ante uma projeção inicial de volume estável.
Apesar da redução na linha de receitas, a companhia manteve a sua projeção de margem operacional para 2026 entre 4% e 5,5%, o que representa uma melhora em relação aos 2,8% registrados em 2025.
No segundo trimestre, a Volkswagen registrou uma receita de 82,4 bilhões de euros, alta de 2% na comparação anual, mas o lucro operacional caiu 9,5%, para 3,47 bilhões de euros, com margem de 4,2%.
O resultado financeiro ficou abaixo do consenso da FactSet, que projetava 4,02 bilhões de euros de lucro.
Além disso, a empresa contabilizou um impacto negativo de 1,3 bilhão de euros no semestre, decorrente das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Após trabalhar em um amplo plano de corte de despesas ao longo de 2025 e 2026, a diretoria da Volkswagen avalia que as medidas originais não serão suficientes.
O plano inicial previa o corte de 50 mil vagas na Alemanha até 2030, com economia de bilhões de euros, mas sem o fechamento de fábricas.
Com o fim dos subsídios para veículos elétricos nos EUA, novas tarifas e o aumento dos custos de fabricação, o diretor-presidente, Oliver Blume, destacou em um memorando interno que a montadora possui uma desvantagem de custo de 20% em funções administrativas e de infraestrutura em relação aos seus pares.
Segundo Blume, fechar essa lacuna sem reduzir salários exigiria, teoricamente, o corte de mais 50 mil funcionários. O executivo também alertou que não pode garantir o futuro das fábricas de Emden, Hannover, Zwickau ou Neckarsulm.
A empresa pretende reduzir sua linha de modelos em até 50% e diminuir a capacidade instalada de fabricação.
O diretor financeiro, Arno Antlitz, reforçou a urgência da execução, afirmando que a companhia deve acelerar a redução estrutural da base de custos para melhorar a qualidade dos lucros.
Reuniões decisivas com líderes sindicais e funcionários estão agendadas para agosto, após as férias de verão europeias.
Infomoney - SP 27/07/2026
As ações das construtoras estão sendo negociadas perto das mínimas nas últimas 52 semanas. Com recuo de quase 40% em relação às máximas recentes, o segmento de baixa renda é o mais afetado. Para o Bradesco BBI, a queda, além de profunda, é exagerada.
De acordo com o banco, o desempenho dos ativos está refletindo uma série de fatores. Do lado operacional, os investidores parecem desapontados após expectativa de números mais fortes de vendas no segundo trimestre.
Para os analistas do Bradesco BBI, por sua vez, a reação das ações foi excessiva. Mesmo com o desempenho das construtoras desagradando, o aumento dos tickets médios de venda deve mais do que compensar a leve frustração em volumes nos resultados a serem reportados. Conforme os dados do banco, a alta média foi de 6% no comparativo anual e de 3% frente ao trimestre anterior.
O BBI acredita que o posicionamento elevado antes da divulgação dos dados operacionais ajudou a ampliar a pressão vendedora. De maneira secundária, mas ainda efetiva, os analistas também apontaram os ruídos eleitorais e o cenário geopolítico mais desafiador como fatores para o tom negativo.
Baixa renda
As ações do segmento de baixa renda passaram a negociar nos menores múltiplos Preço/Lucro (P/L) dos últimos 12 meses, em torno de 4 vezes, em média. Para o BBI, esse patamar está bastante atrativo.
De acordo com o BBI, os fundamentos seguem relativamente positivos para o segmento, apesar da desaceleração em lançamentos.
As ações da Cury (CURY3) seguem como principal preferência do banco no segmento, negociando a 6,1 vezes o P/L esperado para 2027. Em segundo lugar, está Tenda (TEND3), a 4,4 vezes, e Direcional (DIRR3), a 5,2 vezes.
Ao longo do primeiro semestre deste ano, Tenda foi o principal destaque em lançamentos, com crescimento de 59% no comparativo anual, enquanto Direcional avançou 11%. Já MRV (MRVE3), Cury e Plano & Plano (PLPL3) registraram quedas de 7%, 9% e 21%, respectivamente.
Alta renda
Já no segmento de médio e alta renda entre as construtoras, os dados operacionais contam uma história mais desafiadora. De acordo com o BBI, a desaceleração em lançamentos foi mais ampla, com queda na velocidade de vendas e aumento de cancelamentos.
Cyrela (CYRE3) e Lavvi (LAVV3) registraram quedas de 13% e 34% nos lançamentos, enquanto Helbor (HBOR3) e Even (EVEN3) tiveram retrações mais expressivas, de 57% e 59%, respectivamente.
Conforme os analistas, essa movimentação sugere uma maior seletividade dos compradores. Mesmo com esse plano de fundo mais fraco, o banco reforçou a visão construtiva em Cyrela e Moura Dubeux (MDNE3), que teve crescimento nos lançentos de 37% e foi o principal destaque em vendas, com alta de 70% ao ano.
Veja - SP 27/07/2026
A CPTM retoma por 90 dias a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e Expresso Aeroporto, após falhas graves e um incêndio em trem da concessionária privada Trivia Trens. A intervenção estadual, inédita em linhas já concedidas, ocorre apenas três dias após a privatização e levanta debates sobre a qualidade do serviço.
Principais Tópicos
CPTM reassume a operação integral das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por 90 dias. A medida emergencial ocorre após uma sequência de falhas graves e um incêndio em trem operado pela Trivia Trens. É a primeira vez que o estado retoma o controle de linhas ferroviárias já concedidas à iniciativa privada. Governador Tarcísio de Freitas classificou os episódios como “inaceitáveis” e ameaça rescindir o contrato. Ferroviários da CPTM criticam o processo de privatização e a precarização das condições de trabalho da Trivia.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A CPTM voltou a operar integralmente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Expresso Aeroporto, a partir das 4h desta sexta-feira (24).
A medida emergencial, decidida pelo governo paulista e pela Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo), terá duração de 90 dias e ocorre após uma sequência de falhas graves e cenas de caos no transporte público — apenas três dias depois de a concessionária privada Trivia Trens ter assumido os trechos.
Trata-se da primeira vez que o estado retoma o controle de linhas ferroviárias já concedidas à iniciativa privada.
O estopim para a intervenção ocorreu na manhã de quinta-feira (23), quando um trem da Linha 12-Safira pegou fogo após uma explosão causada por um curto-circuito entre as estações Brás e Tatuapé, na zona leste.
O incidente provocou desligamento na rede de energia, paralisou os serviços e deixou um vagão carbonizado. A Polícia Militar precisou intervir para retirar em segurança os passageiros dos trilhos. Ninguém ficou ferido.
Para conter os impactos e tentar restabelecer a normalidade, o corpo técnico da companhia estadual foi acionado para reassumir o comando operacional.
Paralelamente, a Artesp abriu um processo administrativo para apurar as causas dos colapsos e aplicar punições à concessionária.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou os episódios como “inaceitáveis” e subiu o tom em agenda pública realizada em Ourinhos.
Segundo ele, se a empresa privada não demonstrar capacidade de cumprir os requisitos contratuais, o contrato de concessão poderá ser rescindido.
Em nota, a Trivia Trens afirmou que disponibilizou uma estrutura com mais de 2 300 colaboradores capacitados e alegou ter herdado um sistema complexo e com gargalos estruturais históricos. A empresa informou que segue em diálogo com o poder público para contornar a crise.
O que dizem os ferroviários
Por meio das redes sociais, o maquinista da CPTM Lucas Dametto, que trabalha nas linhas 11 e 12, se manifestou sobre as condições de trabalho impostas pela Trivia. “O problema está no processo de privatização que busca colocar na rua eu e mais outros milhares de ferroviários, com experiência de décadas fazendo o serviço funcionar, para nos substituir pelo pessoal da Trivia – que está sendo exposto a escalas extenuantes. Esses trabalhadores não têm os mesmos direitos que nós e recebem menos da metade do salário que recebemos na CPTM. Fizeram um treinamento corrido que agora se mostra insuficiente para ligar com as necessidades de uma ferrovia.”
A Tribuna - SP 27/07/2026
Os deputados federais e estaduais da Baixada Santista são favoráveis ao Corredor Porto-Indústria (Copi), projeto proposto pela Prefeitura de Cubatão e em análise pelos governos Estadual e Federal. Além disso, eles acham que a obra pode ser incorporada ao projeto da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes.
O Copi cria um acesso entre a futura pista da Imigrantes e o Porto de Santos, sem passar pelas rodovias Anchieta e Cônego Domenico Rangoni, retirando parte do fluxo de caminhões das áreas urbanas de Cubatão e permitindo maior fluidez no transporte de cargas.
A deputada federal Rosana Valle (PL) argumenta que o mais adequado seria incorporar ao projeto da terceira pista. “Planejar as duas obras de forma integrada evita retrabalho, reduz custos e garante solução mais eficiente para a mobilidade e para a logística. Independentemente do modelo de financiamento ou de execução, o mais importante é que haja diálogo e cooperação entre os entes públicos para tirar o projeto do papel”.
O deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD) é favorável ao corredor viário, mas aponta ser necessário saber todos os impactos que a obra vai causar nas cidades, por meio do estudo de viabilidade, para que não ocorram mais transtornos. “Depois desses estudos, o modelo que se tornar mais célere e tecnicamente adequado, seja estadual, federal ou em parceria, é o que deveria ser escolhido”, afirma.
O deputado federal Carlos Alberto da Cunha, o Delegado Da Cunha (União), diz que projetos que visem ao desenvolvimento da infraestrutura logística de acesso ao Porto devem ser apoiados, desde que avaliados alguns aspectos, e que União e Estado deveriam unir esforços. “É necessário avaliar os impactos desse novo fluxo no meio da Alemoa, assim como o desenho do trecho final do viário, com vistas à futura ampliação do Porto para região da Vila dos Criadores e do antigo lixão”, argumenta.
O deputado estadual Caio França (PSB) acredita que o projeto pode contribuir para reduzir congestionamentos, aumentar a eficiência logística e diminuir o tráfego de caminhões nas áreas urbanas. Ele defende que o Copi seja analisado de forma integrada à terceira pista da Imigrantes e que se busque uma solução compartilhada. “Não faz sentido ampliar a capacidade de descida da Serra sem resolver o fluxo entre o Polo Industrial e o Porto”, afirma.
O deputado Paulo Mansur (PL) comenta que o Corredor Porto-Indústria resolve o problema “na raiz” e que deve ser tocado pelo Governo do Estado. “Pode, sim, fazer parte do projeto da terceira pista, mas, na hora de definir quem estrutura e executa, o caminho mais rápido e mais testado para sair do papel é o modelo estadual”.
O deputado Matheus Coimbra Martins de Aguiar, o Tenente Coimbra (PL), analisa que o Copi dará mais fluxo logístico ao Porto de Santos e diminuirá a quantidade de caminhões que trafegam dentro de Cubatão. Incorporar a iniciativa à terceira pista da Imigrantes é sua ideia, desde que ela “não seja atrelada à renovação do contrato com a Ecorodovias, pois isso irá manter o preço do pedágio na descida da Serra”.
A deputada Solange Freitas (União) lembrou que a Ecovias está finalizando o projeto da terceira pista da Imigrantes e, até o momento, não houve nenhum pedido de alteração por parte do Estado. “Sou favorável que haja um consenso em torno da proposta que melhor resolva os gargalos logísticos e melhore a mobilidade na Baixada Santista. Essa análise precisa ser feita pelos especialistas e pelo Governo”, afirma.
O deputado estadual Paulo Corrêa Júnior (Republicanos) não se manifestou.
Prefeitura
Apesar de o traçado previsto para o Corredor Porto-Indústria desembocar na Alemoa, a Prefeitura de Santos informou, em nota, que o Município não participou, até o momento, das discussões técnicas sobre o projeto.
“A avaliação de projetos de infraestrutura deve considerar estudos técnicos, os impactos sobre a mobilidade e a operação logística regional, bem como a relação com o conjunto de investimentos em andamento, de forma a contribuir para o desenvolvimento da Baixada Santista”, recomendou.
A Prefeitura entende que iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento da infraestrutura logística da Baixada Santista são positivas e importantes para o desenvolvimento regional e para o fortalecimento da competitividade do Porto de Santos, afirma na nota.
A Administração santista destaca ainda que a região passa por um ciclo de importantes investimentos estruturantes, como a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, o túnel imerso Santos-Guarujá e as intervenções viárias na própria região da Alemoa.
A proposta
Com cerca de 13,5 quilômetros de extensão, o Corredor Porto-Indústria prevê duas faixas de rolamento por sentido, com acostamento e dimensionadas para tráfego pesado. De acordo com cálculos feitos pela Prefeitura, a via teria capacidade para circulação de até 20 mil veículos por dia.
O traçado partiria da região do Sítio dos Areais, em Cubatão — onde termina a futura terceira pista, conforme projeto — e seguiria até a Alemoa, em Santos.
CNN Brasil - SP 27/07/2026
A ampliação dos trechos da Régis Bittencourt, rodovia que liga São Paulo (SP) a Curitiba (PR) deve acontecer entre o fim de 2028 e o início de 2029, afirmou à CNN o diretor-presidente da EPR, José Carlos Cassaniga.
"A partir do terceiro ano até aproximadamente o nono ano entraremos na fase de ampliação da capacidade, com implantação de terceiras faixas em segmentos próximos à chegada em São Paulo e Curitiba, além de ligações complementares nos trechos de serra. O objetivo é ampliar a capacidade da rodovia para garantir mais fluidez ao tráfego", declarou o executivo.
A EPR venceu nesta quinta-feira (23) a concessão da Régis Bittencourt, após ofertar desconto de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio. A empresa venceu a Motiva (antiga CCR) e a Arteris (atual concessionária) e vai administrar a BR-116 pelos próximos 15 anos.
Após o leilão, haverá uma série de trâmites para que a concessão passe para a EPR - cujo contrato prevê administração do trecho até 2041. Entre eles a apresentação pela empresa dos documentos de qualificação, análise da documentação e habilitação e a homologação do resultado pela diretoria da ANTT, até que haja o período de transição.
"A concessão vai começar com trabalhos iniciais de requalificação da rodovia e dos trechos que fazem parte desse importante corredor entre Curitiba e São Paulo. Depois, teremos uma etapa de recuperação da infraestrutura existente", pontuou Cassaniga.
CNN Brasil - SP 27/07/2026
Portos localizados nas regiões Sul e Sudeste devem ser os mais impactados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. A avaliação foi feita pelo Observatório de Infraestrutura de Transportes do IBI (Instituto Brasileiro de Infraestrutura).
À CNN, o presidente da entidade, Mario Povia, apontou que o maior impacto deve recair sobre o Porto de Santos (SP) e os terminais localizados nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
Segundo o IBI, esse movimento se dá pois esses portos contemplam os principais terminais de embarque de mercadorias atingidas pela medida, como madeira de pinus, móveis, máquinas, plásticos, têxteis, calçados, papel acabado, açúcar, tabaco e rochas ornamentais.
Levantamento do MIDC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostra que aproximadamente 23% dos produtos exportados pelo Brasil ao Estados Unidos foram afetados com as duas novas taxas aplicadas pelo país norte-americano.
A pasta também aponta no mesmo levantamento que mais da metade (52,7%) das cargas brasileiras destinadas aos Estados Unidos não foram afetadas pelas sobretaxas aplicadas.
Alívio com isenções
Mario Povia explicou que a maior parte das cargas conteinerizadas que são exportadas aos Estados Unidos foi preservada pelas isenções anunciadas por Washington. O transporte em contêineres ganhou protagonismo nos últimos anos no Brasil, registrando recordes seguidos.
Produtos isentos como carnes, café, pastas químicas de celulose, pescado e frutas são comumente movimentados em contêineres e costumam ter um alto valor agregado.
Justamente nesse cenário, a leitura do IBI é de que as isenções tendem a diminuir os impactos nas exportações e, consequentemente, manter a movimentação portuária preservada.
O levantamento aponta ainda que os impactos tendem a ser concentrados em determinadas cadeias produtivas e regiões, sem comprometer o desempenho geral do sistema portuário.
Atrasos e perda de fluxo
A gerente executiva da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Fernanda Schwantes, também afirmou que os efeitos da nova política tarifária serão concentrados em produtos manufaturados e semimanufaturados.
Além disso, ela confirmou que a lista de exceções pode amenizar os impactos para o agronegócio e segmentos relevantes da indústria.
No entanto, Schwantes lembrou dos efeitos do tarifaço aos transportes rodoviário, ferroviário, às companhias de navegação e ao transporte aéreo de cargas, em razão da redução do fluxo de mercadorias destinadas ao mercado norte-americano.
A entidade alerta ainda que disputas comerciais dessa natureza costumam provocar atrasos aduaneiros, necessidade de revisão de contratos e busca por novos mercados consumidores, além de pressionarem a receita das empresas de transporte.
Embora o governo federal tenha anunciado novas linhas de crédito por meio do Programa Brasil Soberano para apoiar setores exportadores afetados, Fernanda destaca que as medidas não contemplam diretamente o setor de transporte e logística, que sofre impactos indiretos decorrentes da queda das exportações.
O plano permite a concessão de linhas de créditos para empresas que exportam ou que forneçam produtos para exportação, além das que foram afetadas pela instabilidade no Golfo Pérsico. Porém, não há menção direta aos transportadores dessas cargas.
Valor - SP 27/07/2026
Preço na rota Ásia-Brasil deve seguir pressionado com tensão global e temporada de pico.
O preço dos fretes marítimos no Brasil disparou nas últimas semanas e, com a nova escalada de tensão no Oriente Médio, deverá seguir pressionado. A alta de custos ocorre justamente no momento em que varejistas e indústrias formam seus estoques para Black Friday e Natal, o que poderá impactar os preços.
Na rota de importações da Ásia, a principal para o Brasil, o frete de um contêiner de 40 pés, que em janeiro custava cerca de US$ 1.500, chegou a atingir entre US$ 7 mil e US$ 8 mil em junho, alta próxima de 400% em relação ao início do ano, segundo a consultoria Solve Shipping.
Em julho, os valores recuaram para a faixa de US$ 5 mil a US$ 6 mil, mas, diante da instabilidade global, a expectativa do mercado é que os preços sigam nesse patamar ou até mesmo voltem a subir nas próximas semanas, segundo atores do mercado.
Em meio ao cenário global turbulento, a alta dos fretes tem ocorrido em todo o mundo. O World Container Index (WCI), da Drewry, que é referência para fretes no mercado de curto prazo, atingiu o maior patamar dos últimos 12 meses no começo de julho, embora nas últimas duas semanas tenha recuado - para um valor de US$ 4.374 por contêiner de 40 pés. Em seu relatório da última semana, a Drewry destacou os conflitos geopolíticos e as novas tarifas dos EUA como fatores que poderão impactar o comércio global no curto prazo.
A escalada recente do frete resultou da soma de cinco fatores, segundo Leandro Barreto, sócio da consultoria Solve Shipping. O primeiro foi o custo do combustível dos navios, que responde por até 40% do custo da viagem e disparou em razão do conflito no Oriente Médio. O segundo é sazonal. Entre junho e outubro, a rota da Ásia entra tradicionalmente em período de maior demanda mundial, com empresas formando estoque para datas como Black Friday e Natal.
O terceiro fator foi a recomposição de estoques: parte das empresas brasileiras apostou que a guerra duraria poucas semanas e adiou suas importações - a reposição, feita às pressas, coincidiu com o início da alta temporada. No mercado, a percepção é que isso explica a relativa demora para que o impacto da guerra, iniciada em março, chegasse nos fretes da rota Ásia-Brasil. Em abril, o valor ainda orbitava a casa dos US$ 2 mil por contêiner.
O quarto motivo foi uma corrida de montadoras chinesas de veículos elétricos para embarcar carros para o Brasil antes da mudança na alíquota de importação, em vigor desde 1º de julho, o que ocupou parte relevante da capacidade dos navios. Por fim, uma manutenção programada no Canal do Panamá reduziu temporariamente o número de embarcações em trânsito.
Valor - SP 27/07/2026
Até 2030, o plano estratégico da Petrobras prevê o descomissionamento de 18 plataformas, sendo sete fixas e 11 unidades flutuantes, acrescentou a empresa.
A Petrobras afirmou, em comunicado nesta sexta-feira (24), que a plataforma P-33 iniciou na véspera navegação rumo ao Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde passará por um processo de desmantelamento.
A unidade, que foi vendida em 2023 para a Gerdau, em parceria com o Grupo Ecovix, operador do Estaleiro Rio Grande, estava atracada no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), desde fevereiro de 2024.
“A Petrobras acompanha todas as etapas do plano de desmantelamento a fim de garantir o cumprimento das melhores práticas ASG (Ambiental, Social e Governança) da indústria mundial”, disse a empresa.
A plataforma ocupará no estaleiro o espaço anteriormente destinado à P-32, primeira unidade de produção flutuante da companhia a seguir sua política de reciclagem sustentável. Até 2030, o plano estratégico da Petrobras prevê o descomissionamento de 18 plataformas, sendo sete fixas e 11 unidades flutuantes, acrescentou a empresa.
Valor - SP 27/07/2026
Em 2025, foram perfurados 19 poços exploratórios, contra 150 em 2011, uma situação preocupante para os próximos anos, já que pode ocorrer uma reversão da curva de produção conquistada em 15 anos, diz o presidente da Shell Brasil.
O número de poços exploratórios perfurados no Brasil em 2025 ainda está em baixos níveis e é um entrave à reposição de reservas de petróleo, na avaliação de agentes e especialistas. No ano passado, foram perfurados 19 poços exploratórios — voltados para conferir a existência de petróleo e gás — de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para solucionar, avaliam, mais leilões e menos entraves no licenciamento ambiental seriam a saída.
O total de poços perfurados no ano passado é maior do que em 2024, quando foram computadas apenas dez perfurações, o menor horizonte da série histórica, registrada pela ANP desde 1998. Nos anos anteriores, o cenário não é diferente, ainda que os números sejam um pouco maiores.
O maior número de perfurações ocorreu em 2011, com 150 poços. Desde então, a atividade veio em queda livre, caindo para 122 no ano seguinte, para 65 em 2013, e recuando para 41 poços em 2014 e 43 em 2015. A partir de 2016, nenhum ano teve mais de 20 poços perfurados.
“Foi uma queda vertiginosa”, disse Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil. Ele, que deixa o cargo no fim do mês, avalia que o cenário preocupa o setor pelo que pode vir nos próximos dez anos, com uma reversão de curva de produção crescente, conquistada em 15 anos.
Telmo Ghiorzi, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro) destacou que em áreas de nova fronteira, entre 2018 e 2024, não houve perfuração de poços exploratórios. Entre os 19 executados em 2025, um deles é o Poço Morpho, da Bacia da Foz do Amazonas, que até o fechamento desta edição ainda estava em andamento. Foram 12 anos de licenciamento até o início da perfuração.
Para Ghiorzi, é importante estimular novos investimentos em exploração para evitar o esgotamento das reservas. “Se comparar com a Noruega, um país que tem renda alta e produz petróleo, eles estão perfurando muito mais do que o Brasil em novas áreas no Mar do Norte, não estão expandindo as reservas que eles já conhecem”, disse Ghiorzi.
O executivo vê como um dos principais entraves o processo de licenciamento ambiental, considerado demorado e rigoroso. A visão é compartilhada por Pinto da Costa, para quem o processo de aprovação de licenças poderia ser mais acelerado. O executivo afirma que processos nas bacias de Campos e Santos, com centenas de poços perfurados, ainda são mais morosos do que deveriam.
“A Shell sempre vai querer a barra mais alta, porque quanto mais alta, mais segurança a indústria tem. Porém, vemos oportunidade de aceleração, de encurtar os prazos de licenciamento”, disse Pinto da Costa.
Claudio Nunes, diretor-executivo de exploração e produção do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), avalia que, com a maturidade do pré-sal, a necessidade de perfurar novos poços se faz ainda mais urgente.
“Os campos descobertos vão declinando o volume dos reservatórios e é preciso repor reservas. Apenas com novas descobertas é que conseguimos isso. O pré-sal atingiu certa maturidade e as expectativas de novas descobertas são pequenas. Assim, a indústria direciona os olhos para novas fronteiras, como a Bacia de Pelotas e a Margem Equatorial.”
Nunes faz coro à ideia de que é necessário aprimorar o processo de licenciamento, para dar previsibilidade jurídica e segurança regulatória aos investidores. O executivo do IBP complementa que o Brasil tem perdido tempo em desenvolver a Margem Equatorial. “A Guiana e o Suriname estão ali na Margem Equatorial. A Guiana em dez anos está produzindo 1 milhão de barris por dia, e nós, em dez anos, estamos começando a perfurar o primeiro poço."
Artur Watt, diretor-geral da ANP, disse, ao participar do Energy Summit, em junho, que a entidade e as autoridades energéticas ainda têm que se esforçar para manter a competitividade na oferta de áreas. No ano passado, a ANP ofertou 172 blocos na oferta permanente de concessão, com 34 blocos arrematados, enquanto na oferta de partilha, voltada para o pré-sal, dos sete blocos negociados, cinco foram adquiridos.
Este ano, a ANP ofertará 500 blocos, entre terrestres e marítimos, pela oferta permanente de concessão, e 23 blocos pela partilha. “A gente tem que se esforçar e continuar com o dever de casa para que esse setor continue a trazer divisas, empregos, investimentos e estabilidade para o país”, disse Watt.
Exame - SP 27/07/2026
A guerra envolvendo o Irã levou a China a adotar uma série de medidas para reforçar sua segurança energética e reduzir os riscos de desabastecimento. Ao mesmo tempo, o governo manteve sua estratégia de expansão das energias renováveis e promoveu mudanças em sua legislação ambiental, aponta um estudo do think tank Council on Foreign Relations (CFR).
Após o início da guerra, o governo chinês orientou suas principais refinarias a suspenderem as exportações de diesel e gasolina. Além disso, exportadores receberam instruções para renegociar contratos e adiar embarques de combustíveis ainda não liberados pela alfândega.
Segundo o estudo, a estratégia busca fortalecer a segurança energética diante da possibilidade de interrupções no fornecimento internacional. Atualmente, cerca de metade do petróleo consumido pela China ainda vem do Golfo Pérsico, e aproximadamente um terço desse volume passa pelo Estreito de Ormuz.
Pequim também reduziu o reajuste previsto nos preços domésticos dos combustíveis, para tentar amenizar os impactos sobre consumidores e empresas. Ainda assim, o aumento representou a quinta alta do ano e elevou os preços internos do petróleo em quase 20%.
Estratégia energética
O levantamento do CFR mostra que a China aproveitou a queda dos preços internacionais do petróleo em 2025 para ampliar suas reservas de energia. A formação desses estoques foi tratada pelo presidente Xi Jinping como uma prioridade de segurança nacional.
Como o governo chinês não divulga oficialmente o tamanho de suas reservas, especialistas utilizam dados de comércio exterior, imagens de satélite e informações orçamentárias para estimar os volumes armazenados. As estimativas do CFR indicam que o país possui estoques suficientes para cerca de 104 dias de consumo de petróleo bruto.
Paralelamente, o atual plano quinquenal manteve os investimentos em fontes renováveis de energia, embora tenha frustrado as expectativas quanto às metas climáticas mais rigorosas. O documento prevê uma redução de 17% na intensidade de carbono da economia, mas não estabelece um limite absoluto para as emissões de gases de efeito estufa.
Energia limpa
Apesar de não alcançar todas as metas climáticas, o plano reafirma a intenção de construir um sistema energético "limpo, de baixo carbono, seguro e eficiente". Somente em 2025, a China informou ter instalado cerca de 430 gigawatts de capacidade de energia solar e eólica, elevando o total para aproximadamente 1.800 gigawatts.
O estudo ressalta que o país precisará praticamente dobrar sua capacidade de geração de energia renovável para cumprir seus compromissos internacionais relacionados ao clima. Ainda assim, os investimentos consolidam a liderança chinesa na cadeia global de tecnologias para energia limpa.
Outra iniciativa destacada foi a aprovação do novo Código Ecológico e Ambiental pelo Congresso Nacional do Povo. A legislação reúne normas ambientais dispersas, cria um capítulo específico sobre mudanças climáticas, fortalece o planejamento para adaptação a eventos extremos e amplia a integração das metas climáticas às políticas nacionais. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o texto restringe a atuação de organizações não governamentais em ações judiciais de interesse ambiental, o que pode reduzir a eficácia da fiscalização das novas regras.
Valor - SP 27/07/2026
No fechamento, o petróleo Brent, com vencimento em setembro, caiu 3,88% e o WTI com entrega prevista para o mesmo mês recuou 3,12%.
Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta sexta-feira (24), em movimento de correção após a forte alta da véspera, quando o tipo Brent (a referência mundial) chegou a superar os US$ 100 por barril em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã.
No fechamento, o petróleo Brent, com vencimento em setembro, caiu 3,88%, cotado a US$ 96,78 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, a referência americana, com entrega prevista para o mesmo mês, recuou 3,12%, a US$ 89,31 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Para Paulo Silva, cofundador da consultoria Advisory 360, o mercado de petróleo voltou a ser pautado mais pelos fundamentos econômicos do que pelo risco geopolítico. Segundo ele, após o alívio das tensões no Oriente Médio, parte do prêmio de risco que sustentava a alta dos preços perdeu força, levando a atenção dos investidores para o equilíbrio entre oferta e demanda.
Silva afirma que o aumento gradual da produção da Opep+ e o crescimento da oferta em países como Estados Unidos, Brasil e Canadá pesam sobre os preços, enquanto a expectativa de uma economia global em ritmo mais moderado reduz a perspectiva de avanço mais forte da demanda por petróleo.
Para o Brasil, o efeito de um petróleo em patamar mais equilibrado tende a ser positivo, segundo Silva, porque preserva a rentabilidade do setor de óleo e gás sem gerar pressão inflacionária significativa sobre os combustíveis.
Igor Monteiro, CEO da EqSeed, avalia que o petróleo mais alto beneficia produtoras e exportadoras, mas também pode pressionar combustíveis, inflação e contas públicas, caso o governo tente amortecer parte do aumento. Para ele, o mercado deve seguir atento à duração da alta do petróleo e ao andamento das negociações comerciais, fatores que podem manter a volatilidade elevada no curto prazo.
Diário do Comércio - MG 27/07/2026
O CMN (Conselho Monetário Nacional) regulamentou nesta quinta-feira (23) a linha de crédito de R$ 10 bilhões para aquisição de máquinas agrícolas anunciada em abril pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
A resolução prevê financiamentos de até R$ 30 milhões por pessoa física ou empresa sediada em território nacional e prazo de até cinco anos com parcelas anuais. Os juros serão de até 7% ao ano mais a taxa referencial.
A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) vai operar a linha em parceria com bancos e cooperativas de crédito. Uma medida provisória editada neste mês liberou crédito extraordinário para que o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) possa viabilizar os empréstimos.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, o destravamento da linha era uma promessa do governo ao setor de máquinas e equipamentos, mas esbarrou em problemas burocráticos da Finep e do FNDCT.
O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a linha de crédito em abril deste ano, durante a Agrishow, feira agrícola montada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
“A gente imagina que em três semanas estará liberada, são R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, enfim, toda a parte de máquinas agrícolas, pela própria Finep”, afirmou Alckmin.
Apesar da promessa, apenas em maio o conselho diretor do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) flexibilizou as regras de concessão do fundo para viabilizar os empréstimos.
Antes da mudança, as normas só permitiam que até 25% dos recursos fossem operados por outras instituições financeiras que não a Finep. Os outros 75% deveriam ficar sob gestão da empresa pública.
No fim de junho, uma medida provisória autorizou a destinação extraordinária, no exercício de 2026, de R$ 10 bilhões para a linha de crédito, contemplando tanto pessoas físicas quanto jurídicas -o estatuto da Finep não prevê empréstimos reembolsáveis para pessoas físicas.
Finalmente, no dia 15 de julho, outra MP liberou R$ 9 bilhões em créditos extraordinários para os empréstimos do FNDCT. Com isso, faltava a regulamentação do CMN, que saiu nesta quinta-feira (23).
O Estado de S.Paulo - SP 27/07/2026
Fabricante britânica de equipamentos para a construção civil quer ampliar em 20% suas vendas para o agro brasileiro ainda neste ano
A britânica JCB, fabricante de equipamentos para a construção civil, a chamada “linha amarela”, quer ampliar em 20% suas vendas para o agronegócio brasileiro ainda em 2026. Para tanto, nos próximos cinco anos investirá R$ 500 milhões em um portfólio mais adaptado ao campo — com equipamentos voltados à construção de curvas de nível, manutenção de estradas internas, movimentação de grãos, ração e biomassa e transbordo de cargas. Em 2025, o setor absorveu cerca de 600 máquinas da marca no País, sobretudo retroescavadeiras e pás-carregadeiras, feitas na fábrica em Sorocaba (SP), conta à coluna Adriano Merigli, presidente da JCB América Latina.
Mais economia
A principal aposta da JCB é uma nova geração de retroescavadeiras, com motor que reduz o consumo de combustível em até 20%, diz Merigli. A empresa também busca ampliar vendas de um manipulador telescópico — equipamento com braço extensível para movimentação de cargas — de 50 para 120 unidades em 2026.
Corpo a corpo
A JCB tem se apresentado ao setor rural em dias de campo, com demonstrações práticas de seus equipamentos. “Nesses eventos, nossa taxa de conversão é de 25%, ou seja, se demonstramos 100 máquinas, fechamos 25, um excelente número”, diz Merigli.
Marcha à ré
Na semana em que o governo dos Estados Unidos citou desmatamento e trabalho forçado como justificativas para aplicar tarifas contra vários países, incluindo o Brasil, Eduardo Assad, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse ter sido “um tiro no pé” encerrar a Moratória da Soja, acordo em que a indústria nacional se comprometia a não comprar soja proveniente de áreas desmatadas após julho de 2008. “Tomara que a China, nosso principal comprador de soja, não siga os EUA e a União Europeia e venha com limitação socioambiental”, diz. Para ele, pôr fim ao acordo foi uma decisão “pouco inteligente” do setor produtivo nacional e deixa o Brasil em posição “ruim” na discussão do comércio internacional.
Espaço
A Maximus Agronegócio investiu R$ 5 milhões para ampliar a capacidade estática — número de animais alojados simultaneamente — dos seus confinamentos de gado nos municípios paulistas de Sertãozinho, Clementina e Sales. Passou de 30 mil para 38 mil cabeças. Neto Sartor, o controlador, conta que a estrutura permite abater até 120 mil bovinos ao longo do ano. Neste 2026, a meta é chegar a 110 mil animais, sendo 40 mil a 45 mil cabeças do rebanho próprio. O faturamento deve superar R$ 800 milhões.
Otimismo
Sartor avalia que a valorização da arroba do boi no primeiro semestre, aliada a custos de produção relativamente estáveis, mantém boas margens para a atividade, independentemente do esgotamento da cota chinesa para a carne bovina. Na sua visão, o impacto da China tende a ser amortecido pela demanda do México e dos EUA e pelo consumo doméstico. E compras chinesas, acrescenta ele, devem ser retomadas no início de 2027, quando a oferta de boiadas será menor — pelo ciclo pecuário —, o que tende a valorizar o boi e estimular o confinamento.
Cadê?
A indústria de máquinas agrícolas cobra do governo a rápida liberação da linha de crédito de R$ 10 bilhões, que será operada pela Finep, para aquisição de equipamentos pelos produtores rurais. A medida foi anunciada pelo governo na Agrishow, no fim de abril, mas, desde lá, os financiamentos ainda não foram efetivados por dependerem de normativas complementares. A linha terá juros de 9,2% ao ano, abaixo dos de mercado. “A linha foi regulamentada, mas ainda falta habilitação de bancos para os financiamentos rodarem”, diz executivo de grande companhia.
Desafoga
Os recursos da Finep são vistos pelo setor como a “última esperança” para destravar as vendas neste ano. Fabricantes de máquinas agrícolas caminham para o quinto ano de retração no mercado brasileiro. “É o pior ano em décadas”, apontou um representante do setor, citando juros altos e retração dos produtores a novos investimentos. Há expectativa ainda de que a renegociação das dívidas rurais ajude a movimentar as aquisições para a nova safra./Julia Maciel, Tânia Rabello, Leandro Silveira e Isadora Duarte
Valor - SP 27/07/2026
Fabricantes avançam com inovação, preços competitivos e planos de nacionalização da produção.
Do tamanho de um carro SUV, o robô borrifa calda em pomares e cafezais. O percurso pré-gravado tem precisão de 2,5 centímetros. A integração de dados enviados em tempo real por GPS, sensor LIDAR, radar de ondas milimétricas e câmera acoplados ao equipamento permite decisões autônomas, como desviar de um obstáculo.
O sistema vem junto do equipamento da chinesa Jiangsu Lanjiang Intelligent Technology Co., mais conhecida como LJ Tech, fornecedora de soluções agrorrobóticas verticalizada que chegou ao país há três anos e tem 15 máquinas rodando no Brasil, com custo em torno de R$ 400 mil para o modelo de 500 litros. “Já há protótipo com braço robótico para colheita e capacidade de acoplar outros implementos para assumir papel similar a trator autônomo”, diz o engenheiro agrônomo Filipe Terra, gerente de vendas da empresa no Brasil.
O exemplo ilustra tendências em torno da expansão das máquinas e equipamentos agrícolas chineses no país. As marcas se multiplicam com a atuação de empresas de médio porte, que acompanham a presença de gigantes do mercado e ganham espaço entre as líderes de mercado tradicionais, com tecnologia e planos de produção local.
No ano passado, a China assumiu o segundo lugar no ranking de importação de máquinas e implementos agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “A participação no mercado brasileiro ainda é pequena, 1,5% do faturamento total, mas o crescimento é rápido e não vai parar”, diz Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da entidade.
Entre 2020 e 2025, o salto foi de 400%, de US$ 41 milhões para US$ 212,9 milhões, com US$ 75 milhões entre janeiro e abril deste ano. De janeiro a maio, a expansão foi de 17% sobre o mesmo período do ano anterior. Para Bastos, o movimento ainda enfrenta fragilidades em áreas como pós-venda e disponibilidade de peças de reposição, mas teve como porta de entrada as compras públicas com apoio da nova Lei de Licitações (Lei nº 13.133/21), que flexibilizou a participação de empresas e produtos importados com propostas mais vantajosas.
Por outro lado, a dificuldade em absorver fatias de mercado apoiadas por financiamentos públicos, como o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), operado no Plano Safra, e Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), está estimulando planos de estabelecimento mais estruturado no país, inclusive com fabricação local, dada a exigência de pelo menos 50% de conteúdo local.
O movimento amplia a concorrência em momento desfavorável para o setor como um todo. Em 2025, as vendas de 49,8 mil máquinas agrícolas representaram queda, pelo quarto ano consecutivo, de 3,6%, devido ao impacto dos juros elevados, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O tombo deve ser ainda maior neste ano, com recuo de 6,2%. Mas as importações atingiram patamar recorde, com 11 mil unidades, 17% mais que em 2024. Conforme a entidade, estudo em parceria com o Boston Consulting Group (BGC) indica que produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, reduzindo o custo de produção em até 27%.
Para Claudia Trevisan, diretora-executiva do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a chegada das chinesas é estimulada não só por preços, mas por tecnologia de ponta, como eletrificação e plataformas digitais, e domínio do segmento de agricultura familiar. “O tamanho das propriedades na China em geral é pequeno”, diz. No ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) firmou Memorando de Entendimento (MOU) com a China com foco em agricultura familiar e mecanização agrícola. Em nota, o MDA aponta que várias empresas chinesas têm demonstrado interesse em ampliar presença no Brasil, entre elas YTO, Lovol e World Group.A YTO, subsidiária da Sinomach, atua por aqui por meio da BDG Máquinas, distribuidora master com mais de 30 parceiros e três centros de distribuição de peças e montagem de tratores em Ribeirão Preto (SP), Uberlândia (MG) e Linhares (ES). A operação teve início em 2024 com importação de 350 unidades, saltou para 600 no ano passado e já superou mil no primeiro semestre deste ano. O portfólio inclui tratores de 24 a 240 cavalos (cv). “Em média, custam 30% menos que os fabricados no Brasil”, diz Ubiratan Sousa, diretor de operações e importação da empresa. A marca é uma das bem posicionadas em licitações públicas — só para o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) são 540 tratores de 105 cv, dos quais 85 já entregues.
A Lovol é uma das 11 empresas do grupo Shandong Heavy Industry Group (SDHI Group) — outra é a Weichai, que já fabrica motores no Brasil em parceria com a Stemac, em Goiás. Possui tratores de 25 a 340 cv, tem a produção verticalizada a gosto da indústria chinesa e preço baseado em escala — são mais de 200 mil tratores fabricados ao ano. Chegou ao Brasil em 2024 para participar de licitações públicas por meio de importadores independentes e se estabeleceu por conta própria no ano passado, montando rede de distribuição, hoje com 19 credenciados. A marca já tem mais de dois mil equipamentos rodando no país, com adaptações como preparação para biodiesel. “Estamos trabalhando para definir a localização da empresa e acessar linhas de financiamento públicas com montagem local”, explica André Rorato, diretor de operações, sem divulgar detalhes.
Já a Zoomlion, que também fornece equipamentos para construção, começou a estruturar uma rede de distribuição para o agro em 2024 e já tem grupos como Mantomac e Alfa atendendo as principais regiões do país. “Depois de estabelecer a rede, o próximo passo é uma fábrica no país”, diz Marco Melo, gestor nacional de operação para o agro. A marca já vendeu mais de 300 equipamentos por aqui, oferece tratores de 75 a 700 cv e traz inovações como motorização híbrida (combustão e elétrica) em modelos acima de 220 cv. Nos próximos dois anos deve trazer colheitadeiras de grãos de duplo rotor e está tropicalizando colhedora de cana eletrificada, com meta de alcançar 10% de participação de mercado até 2029.
O Pronaf também estimula planos de produção ou montagem local. A Sinomach, por meio de subsidiárias como Sinomach Digital e China Automobile, firmou parceria com a Prefeitura de Maricá, a brasileira OZ Earth e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) para instalação de fábrica com previsão de investimento de R$ 200 milhões para produzir cinco mil tratores ao ano, de 25 e 50 cv, com processo gradual de nacionalização, que pode chegar a 65% de componentes produzidos no Brasil em até três anos. Já a brasileira LiveFARM formalizou joint venture com a Hans Machineries para adaptar equipamentos como plantadeira adubadora de aço inox ao mercado brasileiro. “Estamos estruturando uma planta na Bahia e negociando financiamento com o BNDES e bancos parceiros”, diz o CEO da LiveFARM, Joélcio Carvalho.
As grandes não são as únicas. João Luiz Ricardo de Souza Filho, associado da consultoria Iest, especializada em apoiar empresas estrangeiras, destaca movimento em motores (com Weichai), peças (como Hamli) e robotização, a exemplo da LJ Tech e XAG, de drones autônomos. Outra representante do middle market, a FM World está implantando showroom em Sinop (MT) para oferecer tratores, colhedeiras e implementos, além de secadores de grãos. A marca tem 15 tratores em operação no Brasil, além de duas colhedoras de algodão de grande porte — que também enfardam o produto — e está lançando colhedora de arroz, detalha Gustavo Kiguti, gerente-geral da empresa no país.
CNN Brasil - SP 27/07/2026
A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) emitiu nota na manhã desta sexta-feira (24) com o posicionamento sobre a nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos e que passam a vigorar nesta data.
O setor, que abrange inclusive indústrias de máquinas agrícolas, pode ser impactado em 37,5% com a sobreposição de taxas: a de 25% imposta exclusivamente ao Brasil e que passou a vigorar dia 22 de julho; e a nova taxa de 12,5% que entrou em vigor hoje sob a argumentação de "uso de trabalho forçado".
Na nota a associação ressalta que: a tarifa de 12,5% decorrente da investigação sobre trabalho forçado não se aplica aos produtos abrangidos pelas medidas da Seção 232. Entretanto, para os produtos sujeitos à tarifa adicional de 25% decorrente da investigação específica contra o Brasil - que não estejam contemplados nas exclusões previstas na nova investigação - as duas medidas poderão ser aplicadas de forma acumulativa, uma vez que decorrem de procedimentos independentes e possuem fundamentos jurídicos distintos. Nesses casos, a carga tarifária adicional poderá alcançar 37,5%.
A Abimaq avalia que a medida eleva custos para importadores e usuários finais nos EUA, amplia a insegurança jurídica e reduz a previsibilidade das relações comerciais, afetando a competitividade das empresas brasileiras, sendo que o mercado norte-americano é um dos principais destinos das exportações brasileiras de bens de capital.
A associação defende que o Governo Federal intensifique o apoio à competitividade das exportações, com a regulamentação do Plano Brasil Soberano 3, o diferimento de tributos federais e o fortalecimento da agenda de diversificação de mercados. E afirma que não apoia medidas de retaliação comercial nem a aplicação da Lei de Reciprocidade em resposta aos EUA, defendendo a retomada do diálogo diplomático entre os dois países para preservar cadeias produtivas integradas e reduzir as tensões bilaterais.
Em entrevista ao Bastidores CNN essa semana o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou em entrevista que parte do empresariado americano também se posiciona contra o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para ele, a decisão tem um claro componente político e não se justifica pelos dados econômicos da relação bilateral entre os dois países.
Velloso relembrou o histórico das tarifas aplicadas ao Brasil. No chamado "Dia da Libertação", o Brasil havia recebido a menor tarifa do mundo, de 10%, justamente porque técnicos avaliaram que os Estados Unidos possuem superávit com o país.
Valor - SP 27/07/2026
Endividamento, inadimplência e perda de rentabilidade pressionam o setor, que ainda convive com custos elevados e pode reduzir a área de plantio em 2026/2027.
O cenário que aflige o agronegócio brasileiro neste momento tem raízes principalmente externas e afeta simultaneamente preços e custos, gerando desequilíbrios em cadeia. O diagnóstico é de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Ao longo de mais de 60 anos de experiência no setor, esta é a crise que considero mais abrangente”, acrescenta ele. “Há um tsunami varrendo o agronegócio tropical.”
As turbulências geopolíticas detonadas inicialmente pela invasão da Ucrânia pela Rússia, ainda em 2022, e pelo ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, a partir do fim de fevereiro deste ano, fizeram disparar os custos operacionais no campo, num momento de preços já pressionados para baixo. Isso encurtou (ou eliminou) a rentabilidade. O professor avalia que somente produtores com produtividades altas conseguirão obter bons resultados financeiros neste cenário. Ele ressalta também que a situação, embora grave, vai se reverter em algum momento futuro.
Os números mais recentes do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram salto de 64% nos custos operacionais por saca de soja geneticamente modificada entre os ciclos 2021/2022 e 2026/2027, na aferição de maio deste ano, com alta de 59% para o milho de alta tecnologia. Na contramão, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), os preços médios da soja e do milho no mercado interno desabaram 32% e 26%, respectivamente, entre junho de 2022 e junho deste ano.
A projeções mais recentes do Itaú BBA indicam quedas de quase 8% na margem dos produtores de soja no sudeste de Mato Grosso na passagem da safra colhida até este ano para a safra a colher até o ano que vem, acumulando baixa de 28,5% desde o ciclo 2024/2025, quando a rentabilidade havia sido recorde. Para o milho, a expectativa do Itaú BBA é de um ganho de 18% na safra recém-iniciada, mas ainda assim com margens 26% menores que as de 2024/2025.
Parte das causas da crise exige respostas de longo prazo, destaca Leandro Gilio, pesquisador e professor do Insper Agro Global. Ele lembra que o país importa quase 85% dos fertilizantes que consome, num momento de encarecimento dos custos do insumo. Gargalos históricos na logística de distribuição e transporte, prossegue ele, tornam a situação mais complexa. Praticamente 70% do escoamento da produção nacional é feito por caminhões, num momento de alta do diesel. Faltam ainda armazéns que permitam aos produtores realizar uma gestão mais adequada da comercialização das safras.
Na visão do diretor de crédito agrícola do Itaú BBA, Francis Roberto Gallo, as crises mais recentes pelas quais o setor passou se deviam a fatores mais localizados. Agora, vários elementos contribuem com o cenário adverso, a começar pelo nível histórico de alavancagem dos produtores. A ocorrência de eventos climáticos extremos com maior frequência e a previsão de um El Niño mais rigoroso neste ano colocam uma agravante ambiental na equação. Além de muito elevado, acrescenta Gallo, o estoque da dívida rural vem sendo refinanciado a custos cada vez mais pesados, com juros persistindo em níveis muito altos por muito tempo.
O volume de crédito rural tomado saltou 47% entre dezembro de 2022 e maio deste ano, de R$ 474,9 bilhões para R$ 697 bilhões, segundo o Banco Central. Esse volume correspondia a menos de 40% do valor bruto da produção no campo em 2022 e agora equivale a mais da metade. Se o estoque cresceu, o fluxo de empréstimos para o setor caiu, de R$ 281 bilhões no acumulado de 11 meses até maio de 2025 para R$ 276 bilhões nos primeiros 11 meses da safra 2025/2026.
Esses números, no entanto, contam apenas parte da história. A onda mais recente de bonança no setor, entre 2020 e 2022, com preços em alta e margens acima das médias históricas para os grãos, incentivou os instrumentos de financiamento privado do setor, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Segundo Gallo, a abundância de crédito talvez tenha contribuído para o preocupante cenário atual. “Muitos falam de um passivo total de R$ 1 trilhão a R$ 1,2 trilhão, mas esse é um número difícil de calcular”, afirma. Mesmo porque, pondera o executivo, indústrias, revendas e tradings, que desempenham papel relevante no financiamento do setor, operam “à margem do sistema financeiro” tradicional.
No ano passado os dados já apontavam uma piora no quadro de inadimplência, quando o número de pedidos de recuperação judicial no setor cresceu 54%, para um recorde de 1.990, segundo Marcelo Pimenta, diretor para a área de agronegócio da Serasa Experian.
Os números no começo deste ano sugerem um agravamento naquele quadro, constata Júlio Moretti, CEO da NEOT, empresa de análise de dados de inadimplência. “Os pedidos de recuperação aumentaram assustadoramente, tornando evidente uma piora expressiva da crise de insolvência no campo”, comenta.
Entre janeiro e março deste ano, foram registrados 517 requerimentos de recuperação judicial, um aumento de 33% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. De acordo com Moretti, a análise das petições judiciais no período aponta um padrão nas motivações. “Vemos frequentemente fatores diversos se acumulando sobre um mesmo devedor”, diz. Em 85% dos casos, os pedidos alegam perdas geradas por frustração de safra causada por eventos climáticos extremos, como seca e excesso de chuvas. Queda de preços de soja e de milho, descasamento entre os custos de insumos e os preços de grãos e juros altos surgem, respectivamente, em 75%, 68% e 60% das petições.
Produtores rurais pessoas físicas e jurídicas responderam por 59% daqueles pedidos, com o Centro-Oeste correspondendo à metade do total no primeiro trimestre deste ano. Os dados confirmam, na versão de Moretti, que a crise de insolvência no agronegócio brasileiro é mais que um evento pontual. Em sua estimativa, o volume financeiro sob estresse está próximo de R$ 38 bilhões, dos quais cerca de 83% concentrados em operações com passivos superiores a R$ 30 milhões. “Não se trata de um problema de pequenos produtores, mas de toda a cadeia agroindustrial brasileira. Está em curso um processo de ajuste profundo”, diz o executivo. Ele destaca que revendas de insumos, agroindústrias e empresas de logística do setor responderam, em conjunto, por 36% dos pedidos de recuperação no primeiro trimestre.
Os problemas levam a esforços de reorganização — nem sempre bem-sucedidos — em vários segmentos, como o de insumos. “Tentativas recentes de consolidação enfrentaram dificuldades”, diz Ruy Toledo Piza, sócio da área de agronegócio do escritório FAS Advogados. Ele constata também que as empresas de defensivos e fertilizantes intensificaram sua atuação na estruturação de mecanismos financeiros mais sofisticados, especialmente por meio dos FIDCs, com o objetivo de diluir o risco de crédito nos balanços.
Ezequiel Wilbert, CEO e sócio-fundador da Safegold, especializada em gestão e reestruturação empresarial, observa uma mudança no perfil das organizações em dificuldade. Encontram-se sob estresse financeiro mesmo empresas organizadas, bem estruturadas e com maior grau de profissionalização. Ainda assim, Wilbert pondera que o número crescente de pedidos de recuperação não deveria ser interpretado exclusivamente como sinal de fragilidade do setor. “Existe também uma maior maturidade empresarial e jurídica, com companhias recorrendo ao instrumento para reorganizar passivos e preservar operações antes que a crise se torne irreversível”, avalia.
Marco França, sócio-fundador da Auddas, consultoria empresarial especializada em fusões e aquisições, também avalia que parte do avanço das recuperações judiciais refletiria o maior acesso a esse instrumento desde a entrada em vigor, em 2020, da Lei nº 14.112, que alterou as normas aplicadas a processos de insolvência no país. “Não é possível interpretar todo o crescimento (dos pedidos de recuperação judicial) como sinal de colapso. Uma parte tem relação com a normalização do uso de um mecanismo legítimo de reestruturação de passivos”, declara.
A seu ver, o campo registra hoje uma “rodada ampla de renegociação” de dívidas, num processo em grande parte silencioso. “Bancos públicos e privados, tradings e cooperativas estão todos, em alguma medida, alongando prazos, reestruturando passivos, evitando execuções, numa aposta de que o ativo do outro lado ainda tem valor de longo prazo”, analisa o executivo. A questão central é que o problema será apenas diferido e não vai desaparecer. “Se o ciclo seguinte não trouxer melhora de preços e redução de custo, o alongamento de hoje vira inadimplência de amanhã”, adverte França.
Renato Brunello, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), não descarta a perspectiva de amadurecimento do mercado, mas aponta a possibilidade de abusos no uso da recuperação judicial. “É um remédio que tem sido servido a todos os produtores de maneira generalizada, qualquer que seja a situação”, argumenta. Ele afirma que os prazos para pagamento de dívidas nos planos de recuperação têm variado de 10 a 15 anos, na média, com deságio superior a 60%, podendo chegar a 70%. “Trazido a valor presente, o pagamento será praticamente nulo. Tem algo errado. Se o crédito rural hoje é majoritariamente privado, esse credor pode não receber. O produtor quer acessar esse mercado, mas não dá segurança. A conta não vai fechar”, argumenta.
O pagamento das dívidas securitizadas na crise de 1995 está sendo concluído agora, prossegue ele, e o Congresso discute nova renegociação embutida no Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê prazo de dez anos, com três de carência, a juros reduzidos, para o acerto de um passivo estimado em R$ 180 bilhões. Na opinião de Brunello, será preciso criar instrumentos para identificar produtores com dificuldades reais de pagamento.
A conjuntura mais hostil, comenta Guilherme Rios, assessor de política agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), obviamente afetou a capacidade de pagamento do setor e gerou um aumento significativo da necessidade de crédito para custeio, considerado essencial para a manutenção das atividades em áreas diversas no campo. A ponderação veio antes do anúncio do corte de R$ 29,8 bilhões nas linhas de custeio e comercialização para a safra 2026/2027, reduzidas em 7,20%, para R$ 384,9 bilhões.
Ainda antes do anúncio do novo Plano Safra, Rios já antecipava a possibilidade, aventada por alguns produtores, de redução da área plantada e de adoção de pacotes tecnológicos mais enxutos. A CNA, lembra Rios, havia sugerido, entre outros pontos, a adoção de um plano agrícola e pecuário plurianual, para tentar levar mais previsibilidade ao campo e às instituições financeiras. A CNA demandou também reforço orçamentário para o seguro rural — que teve contingenciado, em junho, mais da metade de seu orçamento para 2026, num ajuste de R$ 518 milhões.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) vem reagindo à conjuntura, afirma Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola, em algumas frentes “complementares” — acompanhamento de situações de endividamento, aprimoramento dos instrumentos de crédito rural e fortalecimento dos mecanismos de gestão de risco, como o seguro rural e o apoio à comercialização.
Campos considera necessário buscar alguma forma de equilibrar o apoio ao produtor “em situação comprovada de dificuldade” e a manutenção de segurança jurídica, responsabilidade fiscal e confiança dos agentes financeiros. O secretário adverte que medidas muito amplas e desfocadas para aliviar a situação de devedores “podem gerar risco moral e encarecer o crédito futuro”.
Onde está a saída para a crise? O executivo Eduardo Gradiz, líder de operações de negócios para agricultura na Basf, considera o cenário “desafiador”, mas concorda com o ex-ministro Rodrigues quanto à expectativa de recuperação. O executivo usa a agricultura digital como exemplo de fator de peso a favor dos resultados, por favorecer a tomada de decisões mais precisas, como a aplicação de insumos, com redução de desperdícios e ganhos de eficiência. “O mapeamento digital pode gerar economia de até 61% no uso de insumos, o que se traduz em sustentabilidade, produtividade e otimização no uso dos recursos”, afirma. Ele menciona a alta capacidade de adaptação do produtor brasileiro e sua rapidez na adoção de tecnologias entre os fatores que sustentam sua visão de mercado: “de cautela, com viés positivo”.
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