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22 de Julho de 2026

SIDERURGIA

Diário do Comércio - MG   22/07/2026

A produção de aço bruto em Minas Gerais no primeiro semestre deste ano recuou 2,9% ante o mesmo período de 2025, totalizando 4,9 milhões de toneladas (t), segundo dados do Instituto Aço Brasil. Esse cenário também foi observado no resultado isolado de junho, quando as siderúrgicas mineiras produziram 858 mil t, registrando retração interanual de 3,5%.

Apesar das quedas, Minas se manteve na posição de maior produtor de aço bruto no País. O Estado registrou 30% de participação na produção nacional no semestre e 30,2% no mês de junho, superando o Rio de Janeiro, que teve 26,7% e 27,5%, respectivamente.

Por outro lado, no recorte da produção de aços semiacabados para venda e laminados, Minas Gerais liderou apenas no semestre, com 28,2% do volume nacional, acima do Rio de Janeiro, com 26,2%. No ranking do mês de junho, a siderurgia mineira respondeu por 26,9%, enquanto a siderurgia fluminense se destacou, representando 29,4%.

Conforme os dados da entidade, a produção de aços semiacabados para venda e laminados em Minas, no primeiro semestre, retraiu 5,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025, para 4,4 milhões de t. No resultado isolado de junho, as siderúrgicas produziram 713 mil t no Estado, marcando uma redução interanual ainda mais intensa, de 13,3%.

No âmbito nacional, a produção de aço bruto totalizou 16,3 milhões de t no semestre, com queda interanual de 1,5%, e atingiu 2,8 milhões de t no mês de junho, ficando praticamente estável frente ao mesmo período de 2025, com leve alta de 0,1%. Já o volume produzido no País de aços semiacabados para venda e laminados caiu 1,5% no primeiro semestre, alcançando 15,6 milhões de t, e 2,6% em junho, para 2,7 milhões de t.
Importações seguem em queda com medidas antidumping

Ainda de acordo com dados do Instituto Aço Brasil, as importações brasileiras de aço no primeiro semestre de 2026 atingiram 2,9 milhões de t, o que representa uma retração interanual de 17,6%. Em junho, entraram 476 mil t de aço do exterior no País, volume 20,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Esses números levam em consideração tanto aços semiacabados quanto laminados. Apenas de laminados, foram importadas 2,5 milhões de t no semestre e 595 mil t no mês de junho, equivalendo a retrações interanuais de 20,6% e 35,8%, respectivamente.

Como o Diário do Comércio mostrou no fim de junho, as importações de aço estão em queda em relação a 2025 desde março, refletindo o fortalecimento das medidas de defesa comercial do setor siderúrgico implementadas pelo governo federal.

Em janeiro, o governo autorizou a aplicação de direito antidumping definitivo sobre aços pré-pintados chineses e indianos e o aumento do imposto de importação para 25% de nove tipos de produtos siderúrgicos, sem o estabelecimento de cotas. Já em fevereiro, oficializou a taxação antidumping sobre aços laminados planos a frio e revestidos planos da China.

Mais recentemente, no final de maio, o governo renovou por mais 12 meses o mecanismo que impõe tarifa de importação de 25% e estabelece cotas de importação para 19 produtos siderúrgicos, adicionando mais um item à lista. O sistema, que busca conter a entrada de aço importado, entrou em vigor em junho de 2024 e havia sido prorrogado em 2025.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2026

Os Estados Unidos devem impor uma nova tarifa sobre produtos brasileiros no âmbito de uma investigação contra a importação de bens produzidos com trabalho análogo à escravidão. A sobretaxa, de 12,5%, é esperada pelo governo, empresários brasileiros e escritórios de advocacia que representam o setor produtivo em Washington, ouvidos pelo Estadão/Broadcast. A expectativa é de que a nova tarifa seja confirmada até a próxima sexta-feira (24), quando se encerra o prazo para conclusão da investigação.

Lideranças empresariais acreditam que a sobretaxa será cumulativa às alíquotas existentes e apostam em uma lista ampliada de exceções. A avaliação é de que essa tarifa será inevitável e de difícil reversão porque não atinge apenas o Brasil. Nesta terça-feira, 21, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que o governo americano anunciará a nova taxa “em breve”.

A provável tarifa resultante da investigação sobre o trabalho forçado não é específica para o Brasil, alcançando 59 países e também a União Europeia (UE). Em seu relatório preliminar, de 3 de junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a criação de tarifas de importação adicionais aos países e à UE por conta da “falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”. Segundo o órgão, a prática “onera ou restringe” o comércio americano.

No caso do Brasil e de outros 53 países, a taxação recomendada pelo USTR foi de 12,5%. Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia seriam submetidos a uma taxa de 10%, por causa da tentativa de impedir a importação de produtos que teriam mão de obra irregular. Empresários e integrantes do governo esperam que o USTR mantenha a recomendação da aplicação de tarifas, a qual precisa ser validada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A principal dúvida tanto de integrantes do governo quanto de representantes do setor privado e lideranças empresariais é se a sobretaxa será adicional à alíquota de 25% imposta sobre produtos brasileiros na última semana e que entra em vigor nesta quarta-feira, 22. A análise preliminar do Executivo é que, no caso do Brasil, a nova tarifa se soma à alíquota de 25%.

Segundo uma pessoa que atua na defesa de vários setores junto ao governo americano, e que falou sob condição de anonimato, o relatório final do USTR deve esclarecer se haverá somatória. Mas a avaliação é que, a princípio, haverá. E, de acordo com uma liderança do setor industrial, uma alíquota de 37,5% será inviável para muitos setores brasileiros, como máquinas e equipamentos e calçados.

Em relação à lista de exceção à tarifa, o critério deve seguir o adotado pelo governo americano até aqui de excluir de sobretaxas produtos considerados “sensíveis” à inflação doméstica americana, como os alimentos presentes na cesta básica local. O relatório preliminar do USTR excluiu, por exemplo, produtos agropecuários da taxação.

A decisão do governo americano deve atingir US$ 10,8 bilhões em exportações brasileiras, se for mantido o relatório inicial do USTR, estima a ApexBrasil. Do montante, US$ 7,2 bilhões em exportações, o equivalente a 19,2% do total exportado pelo Brasil aos EUA em 2025, atingindo 2.375 produtos exportados, também estão sujeitas à tarifa de 25% atrelada à investigação contra supostas práticas desleais no comércio cometidas pelo Brasil. Outros US$ 3,6 bilhões em exportações, 9,44% do total, estariam afetadas pela sobretaxa de 12,5% sobre trabalho forçado, mas isentas da tarifa de 25%, o que abrange 441 produtos exportados.

Interlocutores lembram que eventuais novas tarifas sob o âmbito da seção 301 são respaldadas pelo Trade Act de 1974, o que evita questionamentos judiciais, como houve recentemente com as tarifas impostas bilateralmente pelos Estados Unidos. O Trade Act de 1974 é um instrumento legal desenhado para enfrentar práticas estrangeiras consideradas desleais e que prejudiquem o comércio dos Estados Unidos. Pela legislação, o USTR pode reagir a medidas de governos estrangeiros vistas como “injustificáveis, irracionais ou discriminatórias” e que imponham ônus ou restrições ao comércio americano, inclusive iniciando investigações por conta própria.

CNN Brasil - SP   22/07/2026

O chamado "pacote de bondades" prevê a injeção de cerca de R$ 227 bilhões na economia em 2026 por meio de uma série de medidas, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a concessão de crédito subsidiado para diferentes categorias.

Embora parte dessas iniciativas seja considerada fiscalmente neutra, o conjunto do pacote levanta preocupações sobre seus impactos na inflação e na sustentabilidade das contas públicas.

Em entrevista ao CNN Money, o economista Arnaldo Lima afirmou que a ampliação dos estímulos à demanda agregada tende a pressionar o Banco Central a adotar uma política monetária mais restritiva.

"Na hora que você cria um impulso fiscal adicional, o Banco Central é forçado a ter uma política monetária mais restritiva", afirmou.

Segundo ele, esse cenário cria um círculo vicioso. "Com juros elevados, empresários preferem investir em renda fixa e títulos públicos a expandir maquinário e fábricas", disse, acrescentando que isso acaba prejudicando a economia de forma geral.

Lima também chamou atenção para a trajetória da dívida pública. "O Brasil está crescendo com a sua dívida bruta. Isso nos preocupa e tira a credibilidade do arcabouço fiscal para que a gente tenha taxas de juros reais compatíveis com a linha de desenvolvimento que queremos ter", declarou.

Segundo o economista, a dívida bruta, atualmente em 81% do PIB, deve alcançar 88% até 2029. Quando considerado o conceito utilizado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para fins de comparação internacional, esse índice sobe para 96% do PIB.

Na avaliação de Lima, outro fator de preocupação é o descompasso entre receitas e despesas públicas. Enquanto as receitas crescem 5,5% em termos reais, as despesas avançam 9,4%. Para ele, um dos aperfeiçoamentos necessários ao arcabouço fiscal seria impedir que receitas acima das projeções fossem automaticamente convertidas em novas despesas.

"Isso só deveria ocorrer quando o resultado fiscal primário fosse positivo ou quando a dívida bruta estivesse estabilizada", defendeu.

O economista também alertou para a tendência de programas criados com caráter temporário se tornarem permanentes. "Muitos desses programas temporários acabam se tornando permanentes e isso gera uma grande dificuldade de equilíbrio das contas públicas", afirmou.

Lima observou ainda que a legislação eleitoral restringe o aumento de despesas de pessoal nos últimos seis meses antes das eleições, mas não impede a criação de outros programas que, posteriormente, acabam sendo incorporados de forma definitiva ao orçamento.

Por fim, o economista criticou o uso do Fundo Social, criado, segundo ele, com inspiração no fundo soberano da Noruega. Na sua avaliação, o Brasil tem priorizado despesas correntes em detrimento dos investimentos.

"No longo prazo, é inevitável um ajuste na despesa, senão isso vai virar inflação e isso acaba corroendo o poder de compra das pessoas mais pobres", concluiu.

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2026

A imprevisibilidade de Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos elevou os gastos com lobby para um patamar recorde no país. Sob o temor do tarifaço, empresas brasileiras precisaram entrar na onda e reforçaram o esforço de defesa de interesses no exterior depois de quase uma década com uma atuação mais tímida no Executivo e Legislativo americanos.

Nomes como Amcham Brasil (Câmara de Comércio Brasil-EUA) e Unica (representante do setor sucroalcooleiro) voltaram a contratar lobistas profissionais nos Estados Unidos pela primeira vez em mais de dez anos. Já grupos como Portobello, Bauducco, Tupy, Taurus e Weg estrearam na lista dos interessados.

Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast a partir da prestação de contas das firmas de lobby ao Senado americano identificou ao menos 17 grupos brasileiros contratantes desde o ano passado, com um desembolso total de US$ 8,5 milhões (R$ 42,2 milhões). Antes disso, na última década, eram basicamente três principais brasileiras: Embraer, JBS e Braskem.

A investigação (301) que culminou na última rodada de tarifas, anunciada em 15 de julho, foi citada como objeto específico de contratação de lobby por cinco grupos brasileiros (Unica, Embraer, CNI, Weg e a Associação de Exportadores de Mel). A apuração envolveu práticas de comércio tidas como desleais, na avaliação dos americanos, desde o sistema Pix até direitos autorais, e resultou na tarifa adicional de 25% nas importações do Brasil.

Ao longo das negociações, a indústria brasileira buscou um reforço extra na tentativa de frear o governo Trump. Além da ajuda de Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) desembolsou US$ 700 mil (R$ 3,5 milhões) na contratação do escritório de lobby Ballard para atuar no tema. O registro da prestação de contas indica que o esforço foi feito desde o ano passado, junto aos Departamentos de Comércio e Estado.

O Ballard é visto como um dos escritórios mais próximos da gestão Trump, fundado por um dos principais financiadores da campanha do presidente e líder do setor de lobby, com quase US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) em receitas em 2025. Na lista de clientes brasileiros, o Ballard tem o banco BTG, a Tupy e a Taurus.

Ao contrário do Brasil, onde a regulação do lobby ainda não saiu do papel, nos Estados Unidos a atividade é legalizada e há uma prestação de contas ao Congresso. No ano passado, o total de gastos com lobby no país somou US$ 5,13 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões), a maior cifra desde 1998, segundo dados da ONG Open Secrets.

“O setor privado brasileiro descobriu que precisa ter presença lá nos EUA, para não tomar susto”, afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e consultor sobre o tema. Ele lembra que, depois do encerramento da Coalizão Industrial (Brazil Industries Coalition), em 2018, o setor privado brasileiro acabou se afastando do lobby feito nos Estados Unidos.

Barral diz que houve uma corrida recente de interesse com a ameaça de tarifas. A consultoria do secretário aparece nos registros como lobista do setor sucroalcooleiro brasileiro. Contratou ainda três novos especialistas para lidar com a demanda de clientes no tema das tarifas nos Estados Unidos.

Grupos precisaram de apoio para reforçar interesses

A Amcham Brasil sentiu necessidade de apoio extra. Desembolsou US$ 190 mil na contratação do Brownstein Hyatt Farber Schreck, no ano passado, para reforçar os interesses do comércio bilateral na questão tarifária. O lobby cobriu a atuação no Congresso e nas áreas de comércio de governo (USTR e Departamento de Comércio). No começo deste ano, a entidade decidiu criar uma posição fixa em Washington como representante da Câmara.

Em nota ao Estadão/Broadcast, a Amcham diz que a contratação do ano passado ocorreu diante do elevado potencial de impacto das tarifas e da investigação 301. “Naquele momento, os canais de diálogo entre os dois governos encontravam-se praticamente interrompidos”, diz a entidade, na nota. A última contratação da Amcham nos registros do lobby havia sido em 2010.

Até mesmo multinacionais acionaram canais. A Sylvamo, dona da Chamex, tratou da investigação de tarifas de importações do Brasil no lobby feito pela equipe própria em interações com o Congresso e representantes de comércio do Executivo. Ainda contratou a Akin, uma das maiores firmas do setor, para aprofundar os esforços no tema.

Na audiência da investigação 301, em julho, um representante da Sylvamo defendeu que as importações do Brasil hoje se justificam porque não há capacidade de produzir tudo localmente, e destacou que a tarifa de 25% sobre o papel beneficiaria concorrentes asiáticos. Afirmou ainda que reverter as importações do Brasil colocaria em risco cerca de US$ 20 milhões em recursos transferidos anualmente para as operações americanas.

Em outra audiência da mesma investigação, neste mês, um representante da Bauducco tentou mostrar que as tarifas impactariam trabalhadores nos Estados Unidos, uma vez que a fabricante brasileira já emprega 200 pessoas na Flórida e está finalizando um investimento de US$ 200 milhões na produção local que criará mais 600 vagas.

A representante da Bauducco afirmou que a adoção de tarifas sobre panetones e biscoitos não influenciaria a política de comércio brasileira. “Na verdade, vai impor um custo aos trabalhadores americanos e aos investimentos no país.” Para reforçar a mensagem a membros do Executivo e Legislativo americanos, a empresa contratou dois grupos de lobby (Adams and Reese e Brownstein Hyatt Farber Schreck) entre 2025 e 2026, com um gasto total de US$ 250 mil (US$ 1,272 milhão).

A taxa resultante da investigação 301 alcançou cerca de 18% da pauta de exportações aos Estados Unidos. Com o esforço das negociações, 2.126 produtos ficaram de fora da sobretaxa. Uma nova rodada, de 12,5%, sob alegação de trabalho forçado pelos Estados Unidos, deve ser anunciada em breve, e o setor privado acredita que o Brasil será impactado.
Regulação bancária, fabricação local e cadeia de suprimentos também são temas de lobbies

Embora o comércio — e as tarifas — seja um dos temas dominantes na contratação de lobbies, há outros tópicos listados, tais como regulação bancária (caso de BTG e Itaú, por exemplo), fabricação local (Taurus e Vale) e cadeia de suprimentos do setor de proteínas (JBS, Marfrig e Minerva).

Procuradas, Embraer, CNI, Tupy e Bauducco não comentaram. O Itaú afirmou que os temas registrados nos Estados Unidos dizem respeito à subsidiária local do banco, sem relação com o negócio no Brasil, e refletem o escopo técnico e regulatório da atuação do banco nos EUA. “As atividades não possuem relação com a seção 301 ou agenda tarifária entre os dois países.” As demais empresas citadas não responderam.

Jornal de Brasília - DF   22/07/2026

Após reuniões com o setores atingidos pela tarifa de 25% aplicada pelo governo americano a produtos brasileiros, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta terça-feira, 21, durante entrevista coletiva, que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo que tem etapas e descartou qualquer retaliação contra os Estados Unidos.

“A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, disse Alckmin, quando indagado por jornalistas sobre o fato de alguns dos setores terem se posicionado contra a aplicação da lei. “A reciprocidade é, ‘olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada’.”

Aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional, essa legislação autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais em resposta a ações unilaterais de países ou blocos econômicos que “prejudiquem a competitividade internacional do País.”

Alckmin ainda relatou que os setores nacionais afetados pelo tarifaço colocaram na mesa a questão do drawback, pedindo a postergação do cumprimento das obrigações na exportação.

“Quando eu exporto, eu não pago imposto. Então, se eu vou exportar um automóvel, tudo que eu comprei, aço, pneu, vidro, eu não pago imposto. Se eu deixei de exportar, eu preciso pagar o imposto. Então, ao invés de ter que pagar tudo isso, você posterga o drawback. Você vai ter mais seis meses, mais um ano, para poder recolocar esses produtos no mercado exterior”, explicou.

De acordo com Alckmin, os setores também pediram crédito para o Plano Brasil Soberano, para poder se preparar, ter mais investimento, capital de giro e buscar novos mercados.

O vice-presidente também sustentou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) vai ter um papel importante para buscar novos mercados e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros.

MINERAÇÃO

Globo Online - RJ   22/07/2026

Há algumas semanas os olhos do mercado financeiro estão voltados para a disputa no Conselho de Administração da Vale. A mineradora, que vale mais de R$ 320 bilhões na Bolsa de Valores, marcou para hoje a assembleia de acionistas que deve definir o novo presidente do seu colegiado.

A troca de conselheiros, que só ocorreria em 2027, foi antecipada porque, no mês passado, a Previ, fundação de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (BB) e principal acionista da companhia, pediu a destituição do então presidente do colegiado, Daniel Stieler. Boas práticas do mercado recomendam que trocas de conselheiros ocorram ao término do mandato, o que só ocorreria em abril do ano que vem.

A forma como a troca foi anunciada chamou atenção de participantes do mercado, que desconfiaram de interferência do governo na escolha. Como a fundação de Previdência tem o comando compartilhado entre o BB e os funcionários do banco estatal, a entidade acaba sendo vista como via dos interesses do Planalto nas companhias em que investe.

Stieler chegou ao Conselho pela própria Previ, quando era presidente da fundação. Com a volta do PT ao Palácio do Planalto, ele deixou essa posição em 2023, mas seguiu na Vale.

Stieler resistiu ao pedido da Previ e disse que a ofensiva da fundação sobre seu cargo atropelava ritos internos e enfraquecia a governança da Vale. À época, ele chegou a acusar a Previ de "falsidade ideológica administrativa", em razão das justificativas apresentadas pelo fundo, além de "abuso do direito de voto". Mais tarde, acabou renunciando.

No fim de junho, o colunista do GLOBO Lauro Jardim mostrou que o vice-presidente do órgão, Marcelo Gasparino, afirmou que Stieler informou aos demais membros do colegiado sobre “fatos graves que tomou conhecimento nos últimos anos”.

Ao justificar publicamente o pedido de destituição à época, a Previ argumentou que a decisão era uma medida para reforçar o caráter independente dos membros do Conselho da mineradora. Ter conselheiros independentes em relação aos acionistas, que ajudam a supervisionar a administração conforme os interesses apenas da companhia, é considera uma boa prática nas companhias sem controle definido, como é o caso da Vale.

O fundo disse ainda que os nomes indicados seriam acima de qualquer suspeita. Foram indicados pela Previ para a vaga de Stieler, José Mauricio Pereira Coelho, presidente da Previ de 2018 a 2021. E, para a presidência do Conselho, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, executivo com décadas de carreira na mineração, que é conselheiro da empresa desde 2021. Sem vinculações políticas, não atuariam nos “fatos graves” mencionados por Gasparino na reunião do último dia 19 de junho.

No início deste mês, no entanto, uma reviravolta: Stieler renunciou ao cargo de membro e de presidente do Conselho da Vale.

A Previ tem 6,82% das ações da Vale, segundo o site da mineradora. O fundo de pensão do BB também é acionista da Litel e da Litela, que faziam parte de antigo grupo de controle da mineradora. Com isso, estima-se que a fatia da Previ na companhia chegue a quase 10%.

O clima de tensão segue até a conclusão da votação nesta quarta-feira, que deve ser divulgada após o fechamento do mercado. Segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim, a reunião que definiu como presidente interino do colegiado Wilfred Bruijn, o Bill, na semana passada, foi marcada por cobranças sobre vazamentos de informações e compliance.

De acordo com o colunista, há pelo menos cinco pedidos de investigações tendo integrantes do conselho como alvos. Uma viagem sigilosa de membros do colegiado e da diretoria a uma mina de Corumbá, pertencente aos irmãos Batista, é um dos principais imbróglios. Os controladores do Grupo J&F querem revender a mina à Vale.

Ainda de acordo com o colunista, é muito provável que Ollie vença a eleição para o comando do colegiado, enquanto Ieda Yell garanta a vaga aberta no colegiado. Os votos à distância já proferidos, que somam 48,5%, dão larga vantagem a estes dois nomes, sendo Ollie o indicado pela Previ.

De acordo com Lauro, para a presidência do conselho, Ollie conta com 1.292.298.490 votos, enquanto Marcelo Gasparino conta com 746.237.752 votos. O presidente do Conselho da Vale tem remuneração anual de R$ 3,3 milhões, de acordo com fontes.

Para a vaga aberta no colegiado, o apoiado pela Previ José Maurício Pereira Coelho alcançou 616 mil votos, contra 1,4 milhão de Yeda.

CNN Brasil - SP   22/07/2026

Os preços dos futuros de minério de ferro caíram nesta terça-feira (21), acompanhando quedas mais acentuadas das cotações do carvão metalúrgico e coque, como reflexo da retomada nas chegadas de cargas aos portos chineses após a superação do congestionamento causado pelo tufão Bavi, além de preocupações com o aumento dos estoques.

O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China caiu 1,12%, para 749 iuanes (US$110,74) por tonelada.

A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura registrou queda de 1,02%, para US$98,6 por tonelada.

O congestionamento e os atrasos no descarregamento de cargas de minério de ferro nos portos chineses, causados pelo tufão Bavi, já diminuíram, com as chegadas semanais se recuperando em cerca de 7,98 milhões de toneladas até 19 de julho, de acordo com dados de rastreamento de navios e cargas da Navigate Commodities.

O aumento nas chegadas de cargas provavelmente está contribuindo para uma expansão imediata e significativa nos estoques portuários, já que o consumo doméstico dos altos-fornos permanece sazonalmente fraco, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities.

Para agravar as pressões de oferta, as gigantes mineradoras australianas BHP e Fortescue elevaram suas projeções de embarque para o ano fiscal de 2027, enquanto a produção de minério na África Ocidental, liderada pelo projeto Simandou, na Guiné, continua a aumentar, afirmaram analistas da corretora chinesa Zhejiang New Century Futures.

Infomoney - SP   22/07/2026

A Vale apresentará seus dados de produção e venda após o fechamento do mercado nesta terça-feira (21). Para analistas do Santander e da Genial, os números devem mostrar um período de recuperação operacional da mineradora, mas com pressões relevantes de custos. Ambas as instituições projetam EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em torno de US$ 3,8 bilhões e consideram a divisão de minério de ferro como o principal motor dos resultados da companhia.
Destaques
As duas casas projetam EBITDA próximo de US$ 3,8 bilhões, indicando resultados sólidos mesmo com pressão de custos. A Genial sugere forte recuperação da produção de minério de ferro após o trimestre afetado pelas chuvas, estimando 85,3 milhões de toneladas. O Santander destaca a contribuição da divisão de Metais para Transição Energética (ETM), que deve responder por cerca de 28% do EBITDA consolidado. Ambas as instituições projetam C1 ao redor de US$ 25/t, refletindo impactos de câmbio, diesel, petróleo e frete.

Votos de acionistas da Vale já computados indicam vantagem de Ollie para conselho

O resultado final, porém, ainda dependerá de novos votos a serem computados, incluindo os de detentores de ADRs, que serão representados na AGE pelo JPMorgan Chase Bank

O Santander estima EBITDA consolidado de US$ 3,85 bilhões entre abril e junho, queda de 1% na comparação trimestral e crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a Genial projeta EBITDA de US$ 3,8 bilhões, recuo de 1,7% frente ao primeiro trimestre e avanço de 11,8% na base anual. As estimativas ficam próximas ou ligeiramente acima do consenso de mercado.

Na avaliação da Genial, o segundo trimestre deve marcar uma forte recomposição dos volumes de minério de ferro após um início de ano prejudicado pelas chuvas. A corretora estima produção de 85,3 milhões de toneladas, alta de 22,5% em relação ao trimestre anterior e avanço de 2,1% na comparação anual. O movimento seria sustentado pela normalização das condições climáticas e pela maturação dos projetos de expansão em Capanema, Vargem Grande e Brucutu, em Minas Gerais.
O Santander também vê um trimestre operacionalmente sólido. Embora não tenha divulgado projeção de produção total de minério de ferro, o banco estima embarques de 80,6 milhões de toneladas, crescimento de 4% na comparação anual, impulsionados justamente pelo avanço dos projetos de expansão de Capanema e Vargem Grande. O desempenho é parcialmente compensado pelas paralisações ainda vigentes nas operações de Fábrica e Viga.

Em relação aos preços, o Santander projeta preço realizado de US$ 94,70 por tonelada para os finos, enquanto a Genial estima US$ 95,2 por tonelada. Segundo a corretora, apesar da resiliência da referência de 61% de teor de ferro, parte do ganho deve ser compensada por ajustes no sistema de precificação provisória e pela redução dos prêmios de qualidade.

No mercado de pelotas, a Genial vê desempenho mais favorável. A expectativa é de preço realizado de US$ 136,7 por tonelada, alta de 2,1% em relação ao trimestre anterior. A corretora destaca que a combinação entre preços internacionais ainda sustentados e a valorização dos produtos de maior qualidade deve amenizar parte das pressões sobre os resultados.

Os custos continuam sendo o principal ponto de atenção para os analistas. O Santander estima custo caixa C1, da mina ao cliente e excluindo compras de terceiros, de US$ 25 por tonelada, acima dos US$ 24 registrados no primeiro trimestre, refletindo efeitos cambiais, alta do petróleo, inflação do diesel e aumento dos custos de frete. A Genial trabalha com projeção semelhante, de US$ 25,2 por tonelada.

Apesar do avanço dos custos, a Genial avalia que o movimento representa um pico temporário, não uma deterioração estrutural da competitividade da companhia. Segundo a casa, os fatores que pressionaram o período incluem a valorização do real frente ao dólar, o carregamento de custos de produção do trimestre anterior, reajustes do diesel e os impactos decorrentes da desconsolidação da Aliança Energia.

A corretora também chama atenção para a alta do frete unitário, estimado em US$ 22,3 por tonelada, avanço de 24% na comparação trimestral. Ainda assim, a exposição da Vale à volatilidade do mercado de fretes é limitada, uma vez que mais de 90% dos contratos da companhia estão protegidos por acordos de médio e longo prazo, deixando o combustível marítimo como principal variável de risco.

Na divisão de Metais para Transição Energética (ETM), o Santander segue vendo contribuição relevante para os resultados. O banco estima EBITDA de US$ 1,07 bilhão para a unidade, equivalente a cerca de 28% do EBITDA consolidado. A produção de cobre é projetada em 94 mil toneladas, enquanto a de níquel deve atingir 48 mil toneladas.

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A Genial também destaca o desempenho dos metais básicos, mas estima números um pouco diferentes. A corretora projeta produção de cobre de 97,7 mil toneladas e de níquel de 42,8 mil toneladas. Embora o níquel deva ser impactado por paradas de manutenção, os preços dos dois metais permanecem em patamares favoráveis, ajudando a sustentar a rentabilidade da divisão.

Em termos de recomendação, a Genial manteve classificação de manter, mas com viés construtivo. A casa afirma que uma eventual confirmação da recuperação operacional, da manutenção dos prêmios e do caráter transitório da alta dos custos pode abrir espaço para uma revisão positiva da recomendação após a divulgação dos números. O preço-alvo é de R$ 86 para VALE3 e US$ 17 para os ADRs negociados em Nova York, implicando potencial de valorização de cerca de 16%. Já o Santander não divulgou recomendação ou preço-alvo no relatório analisado.
Vale (VALE3): comparação das estimativas para o 2T26

IndicadorSantanderGenial
EBITDA consolidadoUS$ 3,85 bilhõesUS$ 3,8 bilhões
Variação trimestral do EBITDA-1,0%-1,7%
Variação anual do EBITDA+12,0%+11,8%
Produção de minério de ferron/d85,3 Mt
Variação trimestral da produçãon/d+22,5%
Variação anual da produçãon/d+2,1%
Embarques de minério de ferro80,6 Mtn/d
Preço realizado do minério de ferro finoUS$ 94,7/tUS$ 95,2/t
Custo caixa C1US$ 25,0/tUS$ 25,2/t
Variação trimestral do C1+4,2%+6,9%
Frete unitárion/dUS$ 22,3/t
Produção de cobre94,0 kt97,7 kt
Variação anual do cobre+2,0%+5,5%
Produção de níquel48,0 kt42,8 kt
Variação anual do níquel+19,0%+6,0%
EBITDA da divisão ETMUS$ 1,07 bilhãon/d
Margem ETM44%n/d
Participação da ETM no EBITDA28%n/d
Recomendaçãon/dManter (viés construtivo)
Preço-alvo VALE3n/dR$ 86,00
Preço-alvo ADRn/dUS$ 17,00
Potencial de valorizaçãon/d+16%

Máquinas e Equipamentos

Correio Braziliense - DF   22/07/2026

Presidente da entidade afirma que ainda há espaço para negociação e destaca apoio de empresários norte-americanos ao Brasil

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou nesta terça-feira (21/7) que o setor segue preocupado com a possibilidade de ampliação das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, mas defendeu que a resposta do Brasil continue sendo conduzida pela via diplomática, descartando apoio à aplicação imediata da Lei de Reciprocidade.

Segundo Velloso, embora uma eventual tarifa de 37,5% sobre máquinas e equipamentos represente um problema menor do que uma taxação linear de 25% aplicada exclusivamente ao Brasil, o cenário continua sendo considerado grave para a indústria nacional.

Diante das incertezas, o dirigente destacou a necessidade de diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Ele ressaltou que o setor de máquinas e equipamentos tem demonstrado capacidade de reação, registrando crescimento de 12% nas exportações nos últimos 12 meses, mesmo diante da perda de participação em seu principal mercado externo.

O presidente da entidade destacou o apoio recebido de empresas e associações norte-americanas durante audiência pública realizada em Washington pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo ele, houve pouca ou nenhuma manifestação de empresas dos EUA favoráveis à taxação de máquinas e equipamentos brasileiros. "Fizemos um trabalho de diplomacia empresarial que deu certo", afirmou.

Na avaliação de Velloso, a motivação das tarifas adotadas pelos Estados Unidos possui forte componente político, já que, sob a ótica econômica e comercial, não haveria justificativa para o distanciamento entre os dois países.
Lei de Reciprocidade

O dirigente também ponderou que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica não é um processo simples e exige etapas formais, incluindo a realização de consulta pública no Brasil.

Segundo ele, caso essa consulta ocorra, a tendência é que grande parte dos setores produtivos se posicione contra a adoção de medidas retaliatórias, incluindo a indústria de máquinas e equipamentos.

Velloso argumentou que o histórico da relação bilateral reforça a necessidade de manutenção do diálogo. Ele lembrou que o Brasil registra deficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, além de os norte-americanos serem os maiores investidores estrangeiros diretos no país. Da mesma forma, os Estados Unidos também concentram parcela significativa dos investimentos privados brasileiros no exterior.

Mesmo com o apoio do setor privado norte-americano às posições brasileiras, os Estados Unidos decidiram avançar com as medidas tarifárias, o que, na visão da entidade, reforça o caráter político da decisão.

"Não entendemos que reciprocidade ou retaliação vai resolver um problema político", afirmou Velloso, defendendo que a solução passe pela atuação conjunta da diplomacia de Estado e da diplomacia empresarial junto ao empresariado norte-americano.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   22/07/2026

Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, corre atrás de mais parcerias, incluindo Dongfeng no Brasil e empresas de tecnologia nos EUA.

Os carros da marca chinesa Leapmotor começarão a ser produzidos no Brasil em novembro. A informação, revelada pelo presidente global da Stellantis, Antonio Filosa, demonstra como o plano da companhia de aumentar presença no mercado de híbridos e elétricos com a ajuda de parceria com os chineses ganha velocidade à medida que o interesse do consumidor por esses veículos também avança. E, segundo o executivo, as parcerias não vão parar por aí.

“A gente quer responder rápido”, destaca Filosa. A produção de modelos da marca chinesa começa na fábrica da Stellantis em Goiana, Pernambuco, com peças importadas. “Mas depois teremos uma trajetória estratégica futura de evoluir com tecnologias e produtos juntos”, completa. O executivo confirmou, ainda, “outro capítulo” nesse processo com outra chinesa, a Dongfeng, também parceira da Stellantis.

Segundo ele, a parceria com a Dongfeng no Brasil será importante, sobretudo para a Jeep e a Peugeot, marcas com as quais a Stellantis atua no país, além de Fiat, Citroën e Ram. Recentemente, a direção da Nissan anunciou que também está na disputa para fechar acordo com a Dongfeng no Brasil.

“Vamos fazer na América do Sul, com a Leapmotor, a receita que conhecemos, que é a produção local, inclusive misturando tecnologias para lançar carros que continuam tendo essa mágica de ser meio brasileiros e meio outra coisa”, disse Filosa, em entrevista ao Valor logo após a cerimônia de comemoração dos 50 anos da Fiat no país.

A “mágica de ser meio brasileiro e meio outra coisa” foi uma referência a um ponto de seu discurso durante a cerimônia, em que destacou que a Fiat se tornou aqui “mezzo italiana, mezzo brasileira”. “Como eu”, completou o executivo, que passou 18 anos no país e casou-se com uma mineira, união da qual nasceram dois filhos também brasileiros. A família hoje mora em Michigan, de onde Filosa comanda a Stellantis.

Ao reforçar os planos de produção local em qualquer circunstância, o italiano se junta ao time de executivos que expõem esses projetos como contraponto à decisão do governo de estender a entrada de veículos semimontados livres de imposto até dezembro. Ele diz que a questão política “é para os políticos”. Mas cita números que embalaram conversas que ele teve ontem mesmo com representantes de Usiminas e ArcelorMittal.

A partir dos volumes de carros completos e semimontados que vieram da China, ele concluiu que, em um mês, o Brasil importou o equivalente a 50 mil toneladas de aço. Não houve importação do insumo diretamente. Mas o aço de fora veio com os carros. Segundo Filosa, quem produz aço hoje no país “não fica feliz” com o crescimento de 10% do mercado de veículos, como aconteceu, porque vê outros crescerem.

“Houve mais negócios para quem produz aço na China e menos para quem está aqui há um século ou mais, como ArcelorMittal, Usiminas, CSN e Gerdau ”, afirma.

A venda de carros chineses avança mesmo com a gradativa elevação das alíquotas de Imposto de Importação para carros híbridos e elétricos que começou no início de 2024. No início do mês, passou a vigorar o teto, de 35%.

Filosa evita usar como referência de proteção industrial a política tributária dos Estados Unidos, que ainda no governo de Joe Biden aumentou para 100% a taxa de importação de carros chineses.

Ele afirma, porém, que “agora o ambiente de negócios foi preservado para quem historicamente foi um investidor nos Estados Unidos, independentemente de ser empresa americana”.

“Quem historicamente se dispôs a valorizar a manufatura lá, investir em produtos e em fábricas, está agora num ambiente que é, digamos, mais protegido. Isso significa que os Estados Unidos continuam atraindo muitos investimentos diretos porque faz parte do jogo. E essa é a principal diferença dos Estados Unidos de outras regiões.”

Filosa está no comando global da Stellantis desde junho de 2025, ano em que a companhia fechou no prejuízo histórico de € 22,3 bilhões. Depois que assumiu, o executivo fez uma profunda reestruturação no quadro de executivos global. “Em 2025, queimamos caixa e tivemos um resultado negativo global, apesar de a América do Sul ter ido bem. Nos reorganizamos e reestruturamos o time. Agora, estamos numa fase de recuperação”, destaca, referindo-se ao resultado do primeiro trimestre, quando a companhia fechou com lucro líquido de €377 milhões. Os resultados do segundo trimestre serão divulgados no dia 30.

O plano que reestruturação anunciado recentemente por Filosa prevê investimento global de €60 bilhões até o fim da década para o lançamento de 60 novos modelos, além de desenvolvimento de novas plataformas de veículos e tecnologias voltadas à eletrificação. O valor inclui o programa de R$ 30 bilhões destinado ao Brasil para o período de 2025 a 2030.

É por isso que as alianças com outras empresas são pilar importante do plano. Os parceiros que a Stellantis busca não se limitam a montadoras. Segundo Filosa, a companhia tem avançado, também, em acordos com empresas de tecnologia do Vale do Silício para desenvolver, por exemplo, sistemas como direção autônoma e arquiteturas de computação central. “Esse é um tema global que está indo muito bem”, diz.

No Brasil, por enquanto, os planos se voltam aos parceiros chineses. No próximo discurso de comemoração, é bem provável que o “mezzo brasileiro e mezzo italiano” tenha que oferecer uma fatia para mais uma origem.

A repórter viajou a convite da Stellantis

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2026

O CEO global da Stellantis, Antônio Filosa, destacou nesta terça-feira, 21, que a companhia segue otimista com o Brasil e pretende continuar investindo na produção de veículos no País. Segundo ele, a ideia é também apostar na estratégia já consolidada de produção localizada, e não importar componentes de diferentes países apenas para finalizar a montagem em território nacional.

“A gente enxerga o Brasil como um país para se investir no longo prazo”, disse o executivo, citando que a fabricação da Stellantis no Brasil usa cerca de 95% dos componentes nacionais. As declarações foram feitas em coletiva de imprensa após os eventos de comemoração dos 50 anos da Fiat no Brasil, que acontecem em Betim (MG), o maior polo produtor da Stellantis na América do Sul.

“Nós usamos o aço brasileiro, o plástico brasileiro, as baterias brasileiras. Faz parte da nossa logística para o Brasil. Nossa estratégia de longo prazo vai ser investir no Brasil”, acrescentou o CEO, que reconheceu, no entanto, que tem havido crescimento da opção de importar as peças dos veículos e apenas finalizar a montagem no Brasil, sobretudo por parte das montadoras chinesas.

Ao comentar justamente sobre o país asiático, o CEO da Stellantis afirmou que a abordagem chinesa se dá a partir de um planejamento sob prazos muito mais longos e para a economia como um todo, não visando individualmente o setor automotivo. “A China é um país acostumado a planejamentos de longo prazo. Eles são muito rigorosos, disciplinados e eficazes”, sublinhou Filosa, exaltando que o país asiático se tornou referência para muitas cadeias.

Em relação à produção de carros, o executivo pontuou que cada país tem adotado a sua abordagem de regulamentação e proteção à entrada de veículos chineses e que, por isso, as estratégias de investimento da Stellantis são definidas de maneira distinta para cada região.

A Stellantis mantém, desde 2023, parceria com a chinesa Leapmotor e deve começar a produzir veículos elétricos no polo de Goiana, instalado em Pernambuco. Apesar do crescimento das modalidades de produção CKD e SKD no País (ou seja, com importação de veículos já semimontados ou das peças para finalização da produção em território nacional), Filosa destacou que a intenção, mesmo para o polo de Goiana, é garantir algum grau de localização. Segundo ele, a parceria com a Leapmotors foi construída a partir de uma governança bastante equilibrada entre as duas partes.

Estratégia é manter liderança no Brasil e Argentina

Ainda segundo o CEO, a estratégia da Stellantis para a América Latina nos próximos anos é manter a liderança no Brasil e na Argentina e ganhar mercado em países em que o market share da companhia ainda não é tão relevante.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Exame - SP   22/07/2026

O mercado imobiliário de luxo em São Paulo vem registrando uma valorização acelerada, impulsionada principalmente por investimentos estrangeiros diretos de caráter institucional, desvinculados de programas de residência ou incentivos fiscais. Segundo levantamento da Global Citizen Solutions (GCS), imóveis acima de R$ 3 milhões tiveram uma valorização anual composta (CAGR) de 21,7% desde 2023, aproximadamente dez vezes acima da média da cidade, que gira em torno de 2%.

Para Patricia Casaburi, fundadora e CEO da GCS, o fenômeno reflete um padrão global distinto de capital. “O que observamos agora em São Paulo é um fluxo movido estritamente pelos fundamentos do ativo, buscando diversificação, retorno e resiliência inflacionária, operando de forma totalmente autônoma em relação aos canais de mobilidade global”.

Um exemplo dessa nova dinâmica é a recente movimentação do CPP Investments, maior fundo de pensão do Canadá. Em janeiro de 2025, o fundo destinou R$ 1,7 bilhão em parceria com a Cyrela para um empreendimento de luxo em São Paulo, com Valor Geral de Vendas (VGV) projetado em R$ 6 bilhões.

Na época, o fundo canadense já via no mercado paulistano bons indícios demográficos que justificavam o foco em condomínios de alto padrão. Um deles, segundo Ricardo Szlejf, diretor e head de real assets da CPP para a América Latina, era o aumento da população entre 30 e 45 anos, com a taxa de formação de novas famílias saudável, provocando um movimento de fly to quality para imóveis de padrão melhor.

A operação ampliou uma joint-venture no segmento multifamily mantida desde 2019 também mostra como o capital institucional pesado entra diretamente no mercado brasileiro sem qualquer vínculo com programas de atração de estrangeiros.

O mercado de trabalho forte, com taxa de desemprego baixa, ajudam a compensar o momento de juros altos, que traz “ventos desfavoráveis” para o setor imobiliário, segundo Szlejf.

Cenário global

Historicamente, esses ativos imobiliário de alto padrão entregam retornos ajustados ao risco e atuam como proteção contra a inflação, com menor volatilidade que mercados de ações, atraindo capital transfronteiriço mesmo diante de uma queda de 11% nos investimentos estrangeiros diretos globais.

Mas os investidores que entram no mercado de luxo em São Paulo não são os mesmos que movimentam bolsas como o Ibovespa.

“Enquanto os fluxos que movimentam o Ibovespa se concentram em liquidez, arbitragem e ganhos de curto e médio prazo, os compradores de imóveis de luxo são majoritariamente indivíduos de altíssimo patrimônio, family offices e executivos multinacionais, focados na diversificação patrimonial e proteção de longo prazo", explica Patricia Casaburi.

A GCS diferencia dois tipos de fluxo de capital: os motores estruturais e os impulsionadores responsivos a políticas. Enquanto fatores estruturais — como profundidade de mercado, liquidez de transações e restrições de oferta — determinam a elegibilidade de uma cidade para receber investimentos, políticas de imigração e tributação aceleram ou concentram a entrada desses recursos.

Nesse ponto, São Paulo se destaca, já que sua maturidade intrínseca e a força do mercado interno atraem capital institucional puro, criando um terceiro padrão global, diferente de cidades como Dubai e Atenas, onde a valorização depende de incentivos de residência e regimes fiscais.

"As três capitais se assemelham por funcionarem como hubs de capital e valorização em áreas nobres. A diferença é que Dubai se apoia em incentivos fiscais e Golden Visa, Atenas no apelo turístico e programas de visto, enquanto São Paulo se sustenta pela força do mercado interno e pela demanda de fortunas nacionais e corporativas.”

Virginia, Neymar e agro: os trunfos da Edify no concorrido mercado de SC

Comparações com outros mercados brasileiros também reforçam a posição da capital paulista. Balneário Camboriú e Rio de Janeiro têm valorização expressiva no segmento premium, mas são movidas por turismo e segunda residência.

“São Paulo ainda sai na frente por sua escala, liquidez e relevância econômica. Ela concentra sedes de multinacionais, o ecossistema financeiro e uma demanda residencial e corporativa contínua durante todo o ano, superando a sazonalidade típica de mercados voltados ao lazer”, destaca Casaburi.

No cenário internacional, a cidade se aproxima do desempenho de grandes capitais emergentes como Cidade do México, Istambul, Jacarta e Joanesburgo, que também concentram riqueza nacional, instituições financeiras e sedes corporativas.

“Essas metrópoles sustentam mercados de luxo resilientes, servindo como porto seguro para a preservação de capital das elites diante de instabilidades cambiais ou políticas, enquanto enfrentam pressões estruturais de moradia e infraestrutura para as demais classes sociais”, completa a especialista.

FERROVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   22/07/2026

O governo federal prorrogará por até dois anos a atual concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), administrada pela VLI, porque não conseguiu concluir a tempo as negociações para a renovação antecipada do contrato atual, que acaba no dia 31 de Agosto.

A extensão do prazo da concessão atual foi a solução provisória encontrada para manter a operação da malha ferroviária. Já o novo contrato, que prevê mais 30 anos de administração privada, está em conclusão de detalhes entre a concessionária e o governo.

A informação foi confirmada oficialmente pela VLI à reportagem. “O contrato vigente será prorrogado por um período de até dois anos, visando garantir a continuidade da operação enquanto o processo de renovação para um novo ciclo de 30 anos de concessão tramita junto aos órgãos reguladores e ao Tribunal de Contas da União”, informou a empresa.

Segundo a concessionária, “uma vez aprovado, o novo contrato de concessão resultará em bilhões em investimentos para a modernização da malha férrea, aquisição de vagões e locomotivas e a realização de centenas de obras de mobilidade urbana, com impacto positivo na vida de milhões de brasileiros e em cadeias produtivas fundamentais para a economia nacional“.

A reportagem questionou o Ministério dos Transportes e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) sobre o assunto. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

A possibilidade de recorrer a uma extensão temporária do contrato já havia sido antecipada pela Folha de S. Paulo em janeiro deste ano, quando o governo passou a avaliar um aditivo para evitar que a concessão expirasse antes da conclusão da renovação.

Naquele momento, porém, a medida era tratada apenas como uma alternativa caso as negociações não fossem concluídas no prazo. Agora, a prorrogação passa a ser o caminho adotado diante da impossibilidade de finalizar todas as etapas necessárias até o fim de Agosto.

A renovação da FCA é uma das negociações mais complexas tocadas hoje pelo Ministério dos Transportes. Entre os pontos em discussão estão a definição de um novo prazo de exploração da ferrovia por três décadas, a devolução de mais de 3,1 mil quilômetros de trechos abandonados ou considerados economicamente inviáveis, além de novos investimentos obrigatórios e obras de mobilidade urbana.

A reportagem apurou que o novo contrato estabelece uma arquitetura financeira inédita para a concessão. Haverá retenção de 2,39% da receita operacional bruta da ferrovia em uma conta vinculada durante todo o período contratual. A concessionária também pagará uma contraprestação financeira superior a R$ 1,1 bilhão pela renovação.

O adiamento do novo contrato de concessão é criticado por empresários e representantes da indústria baiana, que esperavam que a renovação definitiva destravasse rapidamente investimentos para o Estado.

Um estudo encomendado pela Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia) aponta que a malha ferroviária baiana vive um longo processo de deterioração e que isso compromete a economia estadual.

A região metropolitana de Salvador, segundo a federação, enfrenta atualmente “uma situação de claro isolamento logístico, ante o estado de abandono a que a concessionária Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) relegou a antiga malha baiana, culminando com a perda dos clientes, ante a falta de regularidade, segurança e qualidade dos serviços”.

Segundo a federação, a prorrogação por até dois anos é “extremamente danosa para a economia baiana, por não envolver investimentos imediatos no negócio ferroviário”, o que faz dessa decisão “a pior alternativa e um grave atentado contra a economia baiana”.

CNN Brasil - SP   22/07/2026

A licitação para a compra de novos trens do Metrô do Distrito Federal abriu uma nova disputa entre a indústria ferroviária nacional e fabricantes chineses. O edital, lançado pelo governo do DF, enfrenta críticas do setor, que vê risco de concorrência desigual caso empresas chinesas participem da disputa.

Recentemente, o governo do Distrito Federal assinou ordem permitindo a compra de trens para 15 novos trens para o metrô local com investimento previsto na ordem de R$ 1 bilhão. Além de modernizar a frota, o executivo da unidade da federação prevê aumentar a oferta de trens no metrô a fim de diminuir o tempo de espera dos passageiros.

A principal preocupação da indústria é o modelo escolhido para a contratação. O edital prevê uma disputa aberta por meio de pregão eletrônico, formato que, segundo representantes do setor, favorece empresas com maior capacidade financeira para reduzir sucessivamente os preços durante a licitação.

A avaliação da indústria ganhou força após a vitória da chinesa CRRC na licitação para o fornecimento de 44 trens ao Metrô de São Paulo. Segundo representantes do setor, o consórcio brasileiro chegou ao limite econômico da disputa, enquanto a fabricante chinesa continuou reduzindo os lances.

"Foi uma concorrência extremamente predatória. Nós tínhamos um consórcio nacional, e esse consórcio parou de oferecer desconto à contrapartida do governo de São Paulo a partir do momento em que o resultado econômico-financeiro seria negativo. O poderio econômico dos chineses é flagrante. A indústria ferroviária nacional foi até o seu limite", afirmou Vicente Abate, presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária) à CNN.

Na avaliação da entidade, fabricantes chineses contam com subsídios concedidos pelo governo do país asiático, o que dificulta uma competição em igualdade de condições com empresas brasileiras.

A indústria também critica a falta de exigências relacionadas ao conteúdo local dos equipamentos, critério utilizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em outras contratações do setor.

Outro ponto levantado pela indústria instalada no Brasil é o histórico da CRRC no contrato firmado com o Metrô de São Paulo. Segundo Abate, a empresa ainda enfrenta desafios para cumprir o cronograma inicialmente previsto e utilizou o período entre a homologação e a assinatura do contrato para obter credenciamento junto ao BNDES.

Representantes ouvidos pela reportagem próximos à estatal chinesa, apontaram que a empresa cumpre os parâmetros de uso de insumos brasileiros, pois há a instalação da empresa no Brasil - o que foi usado como justificativa para que a empresa conseguisse, por exemplo, linha de crédito na licitação paulista.
Críticas ao edital

Segundo a Abifer, o edital prioriza menor preço, mas deixa em segundo plano aspectos considerados estratégicos, como disponibilidade de peças de reposição, assistência técnica, atualização de softwares, consumo de energia, confiabilidade operacional e o custo de manutenção ao longo da vida útil dos trens.

Para o setor, esses fatores são determinantes em contratos ferroviários, já que um trem pode operar por mais de 30 anos quando recebe manutenção adequada e suporte contínuo do fabricante.

Além do formato da disputa, o presidente da associação aponta outros problemas no edital do Distrito Federal. Um deles é a ausência de definição da fonte de financiamento para a compra dos trens, contrato estimado em cerca de R$ 1 bilhão.

A crítica ao governo é proveniente das dificuldades financeiras que a unidade federativa pode enfrentar após o escândalo do Banco Master. Atualmente, o governo do Distrito Federal finaliza os parâmetros do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para o banco de Brasília após os prejuízos causados pelo esquema criminoso.
Participação garantida

Apesar das críticas, a indústria ferroviária instalada no Brasil confirmou que pretende participar da concorrência no Distrito Federal. As propostas deverão ser entregues presencialmente, mas, caso haja mais de um participante habilitado, o edital prevê uma etapa de disputa aberta de preços.

Procurada pela CNN, a CRRC afirmou que pretende continuar participando das licitações brasileiras no setor metroviário. Em nota, a empresa informou que "participará de novos projetos no mercado brasileiro em total conformidade com as leis do país e com as exigências dos clientes em processos de licitação".

Por sua vez, o Metrô-DF não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Rodoviário

Valor - SP   22/07/2026

Em SP, Estado discute R$ 70 bi em aportes adicionais em rodovias e trilhos; União negocia repactuações e renovação antecipada.

Para além dos leilões de novas concessões, os governos discutem hoje cerca de R$ 150 bilhões de investimentos que poderão ser incluídos em concessões existentes por meio de aditivos contratuais, em troca de compensações como pagamentos ou extensão dos contratos.

No governo paulista, há R$ 40 bilhões de novas obras em discussão com operadores de rodovias - por exemplo, a construção da terceira pista da Imigrantes, com a Ecorodovias, e novas intervenções na Autoban e na SPVias, da Motiva (ex-CCR). Outros R$ 30 bilhões estão sendo debatidos com concessionários de metrô - poderão ser incluídas novas estações na linha 5-Lilás, também operada pela Motiva, e na linha 6-Laranja, da Acciona.

No âmbito federal, o Ministério dos Transportes e a VLI estão próximos de fechar um acordo de R$ 24 bilhões para renovar a concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) por mais 30 anos, em troca de novos investimentos. O governo também corre para fechar ainda neste ano uma renegociação com a Vale, em torno das concessões de ferrovias do grupo, que poderá render outros R$ 7 bilhões.

Em rodovias, o ministério também mantém conversas com seis concessionárias para fazer repactuações que poderão viabilizar R$ 50 bilhões. Nestes casos, há novas obras que seriam adicionadas, mas também a resolução de conflitos do passado, para destravar investimentos não realizados. Um dos principais ativos em renegociação é a Régis Bittencourt, que nesta quinta-feira (23) será alvo de concorrência - uma das últimas etapas do processo. Deverão ser viabilizados R$ 7 bilhões em obras na rodovia.

Para os governos, os aditivos são uma ferramenta para antecipar investimentos, ao invés de esperar o fim das concessões e a realização de uma nova licitação para só então contratar as obras.

“Antes, a gente estabelecia todas as obras no contrato e morria com ele. Vimos que isso não funciona. O maior exemplo é a rodovia Dutra. Ficamos 25 anos em um contrato com duas faixas. No novo contrato, [a obrigação de construção] passou direto para quatro faixas, o nível de serviço já estava estourado”, afirmou Rafael Benini, secretário de Parcerias em Investimentos de São Paulo.

Por outro lado, os aditivos geram discussões entre especialistas sobre a transparência do processo, além do risco de manutenção dos operadores atuais por tempo demais. A operação da Ecorodovias na Imigrantes, por exemplo, que originalmente terminaria em 2018, já foi estendida até 2034 em discussões de reequilíbrio econômico-financeiro realizadas nos últimos anos, e agora poderá ter nova extensão com a inclusão da terceira pista da rodovia, cujo valor tem sido estimado em cerca de R$ 8 bilhões.

Para evitar esse cenário, o governo de São Paulo planeja fazer um pagamento direto à concessionária, evitando que o aditivo resulte em uma nova extensão contratual muito longa, segundo Benini. “Não quero dar mais 30 anos para a Imigrantes. Não quero dar prazo para que se tenha que incluir outra coisa no meio [do contrato de novo], então vou ter que pôr dinheiro.” Ele afirma que o cálculo ainda será feito.

Outros aditivos em discussão pelo Estado também devem ter injeção de recursos. É o caso de todas as Parcerias Público-Privadas (PPPs), dado que a lei define o limite de 35 anos para esse tipo de contrato. As concessões que passaram por renegociação nos últimos anos, e já tiveram prazo prorrogado, também devem ter aporte para evitar uma extensão longa demais, ele diz.

Outro mecanismo criado pelo Estado, no caso de aditivos com obras relevantes, é um processo competitivo para a contratação da empreiteira. Essa ferramenta, que deverá ser obrigatória em construções acima de R$ 1,5 bilhão, deverá ser alvo de portaria em breve pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), regulamentando o procedimento.

Com a concorrência entre construtoras, a ideia do governo é minimizar o valor da obra e usar a cifra como base para a assinatura do aditivo com o governo. Trata-se de uma forma de reduzir o valor pago pelo Estado e de incentivar soluções de projeto inovadoras, disse Benini. “É uma ideia nova, que faz sentido para ter a melhor engenharia e o melhor preço possíveis.”

O modelo já foi usado em caráter de teste no aditivo da Linha 4-Amarela do Metrô, firmado com a Motiva, e está sendo repetido na Linha 5-Lilás, cujo processo competitivo está em fase final.

Esses novos modelos que buscam evitar o “risco moral” de beneficiar excessivamente um grupo econômico com os aditivos refletem um amadurecimento do setor de infraestrutura nos últimos anos, avalia Letícia Queiroz, sócia do Queiroz Maluf Advogados.

“Concessões de longo prazo não têm como escapar de revisões. E são contratos com caráter de interesse público, então vale a pena fazer mudanças. Agora, o modo de fazer isso muda muito. O aditivo é bem analisado, tem vantajosidade? Cada vez mais esse estudo de impacto, das alternativas, é levado a sério”, afirma.

No caso do governo federal, ela destaca que o controle é feito com análise prévia do Tribunal de Contas da União (TCU). No caso das repactuações de concessionárias problemáticas, também foi incluído um processo competitivo, para que os contratos renegociados sejam oferecidos ao mercado, evitando que a negociação beneficie uma empresa diretamente.

“O risco moral tem que estar na mesa. Que sinal eu dou quando não licito e fecho mercado? Essa preocupação está em discussão, isso é importante”, diz Queiroz.

Um fator que dificulta a discussão é que a lei não traz limites claros para aditivos em concessões, diferentemente de outros contratos mais curtos, destaca Felipe Fonte, professor da FGV Direito Rio e procurador do Rio de Janeiro. “É um equilíbrio difícil de verificar porque são contratos longos, que sempre vão demandar ajustes.”

Para ele, a transparência é um fator central. “O mais importante é que os dados relativos aos projetos econômicos e técnicos sejam tornados públicos, que a discussão não tramite em um processo administrativo sigiloso e que seja acompanhada por um órgão de controle com autonomia. Os números precisam ser escrutinados.”

Augusto Neves Dal Pozzo, do Dal Pozzo Advogados, também avalia que o aditivo em si é inerente a esse modelo de contrato, mas que a forma de fazer é o ponto central. “O aditivo não pode ser tratado como anomalia. O problema não é o aditivo, mas o aditivo sem método, sem transparência, sem estudo de vantajosidade e metas de performance. Não podemos dar cheque em branco”, afirma.

Ele destaca que, em nível nacional, ainda é preciso melhorar muito a forma como esses aditivos são firmados, especialmente em alguns Estados e municípios com menor maturidade regulatória.

Procurada, a Ecorodovias disse, em nota, que “o projeto da terceira pista da Imigrantes está em fase final de elaboração e será entregue em breve ao governo do Estado, a quem caberá decidir sobre a inclusão do investimento no contrato da Ecovias Imigrantes”. A Motiva disse que reitera declarações já feitas a respeito - o presidente, Miguel Setas, afirmou recentemente que os aditivos das linhas 4 e 5, da SPVias e da AutobAn, eram as principais discussões em curso. A Acciona não comentou.

CNN Brasil - SP   22/07/2026

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) publicou o edital do leilão que vai definir o novo controlador da concessão da BR-163, que liga o Mato Grosso ao Pará. O certame foi marcada para 12 de novembro, na B3, em São Paulo.

O processo faz parte da repactuação do contrato da Via Brasil, aprovado na última semana pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Em vez de uma nova concessão, o certame prevê a alienação de 100% das ações da concessionária responsável pela administração do trecho, permitindo a entrada de um novo controlador para assumir a operação da rodovia.

A necessidade de reestruturar a concessão surgiu após uma mudança significativa nas projeções de demanda estimadas no contrato original, assinado em 2022. Na época, a concessão foi desenhada como uma solução transitória, com prazo de dez anos, sob a expectativa de que a Ferrogrão — ferrovia planejada para ligar o norte de Mato Grosso aos portos do Arco Norte — estivesse em operação ainda nesta década e absorvesse parte relevante do transporte de cargas da região. Com os atrasos frequentes no projeto ferroviário, a movimentação na BR-163 cresceu muito acima do esperado.

A concessão abrange aproximadamente mil quilômetros das rodovias BR-163/MT, BR-163/PA e BR-230/PA, trecho considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola pelo Arco Norte. A estimativa é que a nova concessionária invista mais de R$ 10 bilhões na via.

NAVAL

CNN Brasil - SP   22/07/2026

O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou nesta terça-feira (21) que uma operação militar dos EUA para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz continuou "de forma sigilosa" após ter sido anunciada em maio, e que ela ajudou a conduzir até 500 milhões de barris de petróleo pela via navegável estratégica, com Washington mantendo o controle apesar dos ataques iranianos.

As forças armadas dos EUA "têm controlado o fluxo de tráfego" no estreito "há bastante tempo", afirmou Hegseth, embora o tráfego de navios tenha caído drasticamente — segundo dados públicos de rastreamento — à medida que EUA e Irã trocam ataques de retaliação mútua nos últimos 10 dias. Os preços do petróleo dispararam nesse período.

"Acredito que fizemos passar quase 400 a 500 milhões de barris de petróleo bem debaixo do nariz do Irã durante o Projeto Liberdade", disse Hegseth ao Comitê de Apropriações do Senado, referindo-se a uma iniciativa supervisionada pelo CENTCOM (Comando Central dos EUA) para escoltar navios comerciais pelo estreito.

O Irã tem usado o estreito como instrumento de pressão contra os EUA ao longo do conflito e disparou periodicamente contra navios que não solicitaram permissão para passar.

Hegseth indicou que o Irã ainda detém a capacidade de disparar contra navios comerciais no estreito.

"O Irã não está cobrando pedágio, mas está disparando contra navios neste exato momento", disse ele em resposta a uma pergunta da senadora Patty Murray, democrata de Washington e membro sênior do comitê.

Portos e Navios - SP   22/07/2026

De 18 a 20 de agosto, estaleiros, armadores, fornecedores, governo e regulador discutem segurança jurídica, fomento, conteúdo local, descomissionamento, descarbonização e impactos climáticos na navegação e nos portos

Depois do período de ociosidade e retração de encomendas, a indústria naval brasileira entra em um novo ciclo marcado pela retomada de investimentos, pela expansão da cabotagem, pelo amadurecimento do pré-sal e pela abertura da Margem Equatorial. Nesse contexto, a Conferência Navalshore 2026, que acontece de 18 a 20 de agosto, no Rio de Janeiro, reforça sua vocação como espaço de articulação entre estaleiros, armadores, cadeia de navipeças, governo e agências reguladoras para discutir prioridades, fomento, conteúdo local e os desafios regulatórios de uma indústria que precisa crescer em ambiente de transição energética e pressão por competitividade.

Logo na abertura, em 18 de agosto, o painel “Investimentos e segurança jurídica: a importância da regulamentação da OIT 169” trata de um ponto sensível para qualquer novo ciclo de projetos em logística, energia e navegação: a previsibilidade jurídica em empreendimentos que afetam territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais. Ao discutir como o Brasil deve internalizar e regulamentar a Convenção 169 da OIT, com participação de Funai, Ministério Público Federal, associação de terminais portuários e especialistas em infraestrutura, o debate conecta diretamente licenciamento, consulta prévia, cronogramas de obras e percepção de risco pelos investidores.

Em um momento em que grandes projetos de infraestrutura e logística brasileiros são cada vez mais tensionados por questões de direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais, o painel funciona como um eixo institucional próprio dentro da conferência, voltado a discutir segurança jurídica e parâmetros de consulta prévia e licenciamento. Em paralelo, os demais temas da programação — fomento, conteúdo local, descomissionamento e transição energética — tratam de desafios específicos da indústria naval e da navegação, compondo um quadro mais amplo do novo ciclo do setor.

A partir dessa base, a programação se organiza em três grandes eixos: indústria naval e segurança jurídica; competitividade e integração da cadeia de navipeças; e transição energética, descomissionamento e mudanças climáticas. Os painéis e palestras de 18, 19 e 20 de agosto expandem esse foco, discutindo desde prioridades regulatórias e políticas públicas até novos serviços e tecnologias para a navegação e os portos brasileiros.

O primeiro eixo da conferência, em 18 de agosto, combina a agenda de segurança jurídica para investimentos com o debate sobre prioridades da indústria marítima e o papel estratégico da Amazônia Azul.

O painel “Investimentos e segurança jurídica: a importância da regulamentação da OIT 169” reúne Frederico Bussinger, sócio-diretor da Katalysis Consultoria e Empreendimentos; Flávio Acatauassu, presidente da Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (AMPORT); Léia Bezerra do Vale, diretora de Direitos Humanos e Políticas Sociais da Funai; e Marco Antonio Delfino de Almeida, promotor da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, sob moderação de Fábio Vasconcelos, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (SINAVAL). A discussão aborda como a regulamentação da OIT 169 pode dar mais previsibilidade a empreendimentos que dependem de consulta prévia e processos de licenciamento, sem perder de vista a proteção de direitos e a necessidade de diálogo estruturado com comunidades impactadas.

Na sequência do mesmo dia, o painel “Indústria marítima: prioridades, fomento e desafios regulatórios para um novo ciclo” traz à mesa algumas das principais entidades da construção, da armação e do governo: Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR); Dino Antunes Dias Batista, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (SYNDARMA) e da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (ABEAM); Marcos Augusto de Almeida, assessor executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (ABAC); e Ariovaldo Rocha, presidente do SINAVAL, com moderação de Luis de Mattos, diretor da RBNA Consult. O painel discute prioridades de fomento, regulação e políticas públicas para consolidar a retomada da construção e da reparação naval, fortalecer a cabotagem e aproveitar a demanda crescente por serviços marítimos em óleo e gás, energia e comércio exterior.

A agenda do dia 18 se completa com dois momentos institucionais relevantes. Na palestra “Ampliação da Frota da Transpetro — navios smart e sustentáveis”, Jones Soares, diretor de Transportes Marítimos da Transpetro, apresenta o plano de renovação e modernização da frota da companhia, com foco em eficiência operacional, digitalização e redução de emissões. Encerrando o dia, o contra-almirante Luciano Calixto de Almeida Junior, comandante de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul, fala sobre “Marinha, Amazônia Azul e a indústria naval: por que o Brasil não pode prescindir de meios navais”, aproximando o debate sobre construção naval, proteção de rotas estratégicas, segurança marítima e soberania nacional.

Competitividade, reforma tributária e cadeia de navipeças

O segundo eixo, em 19 de agosto, volta-se à competitividade do transporte marítimo brasileiro e à integração da cadeia de fornecedores de navipeças em um cenário de reforma tributária, novas regras de conteúdo local e programas de incentivo à navegação.

A programação tem início com uma palestra institucional da Transpetro, às 14h. Em seguida, às 14h40, o painel “Competitividade marítima em transição: os impactos do Renaval e da Reforma Tributária” reúne Heitor Resende, gerente tributário da Wilson Sons; Anderson Fajardo, advogado do SINAVAL; e o moderador Luciano Filippo, advogado da DFM Advogados. O debate analisa como alterações na tributação de serviços portuários, construção naval, afretamento e cadeia de suprimentos, somadas às medidas específicas para o setor (como programas de incentivo e regras de conteúdo local), podem reduzir ou ampliar o custo Brasil na navegação, influenciando decisões de investimento de armadores, estaleiros e operadores logísticos.

Em seguida, o painel “Do Estaleiro ao Fornecedor: Como Integrar a Cadeia de Navipeças na Retomada Naval”, às 15h30, aprofunda o eixo industrial ao discutir a articulação entre produção de navios e base de fornecedores nacionais. Participam Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, novamente representando o MPOR; Gustavo de Freitas Tinoco, superintendente de Conteúdo Local da ANP; Leandro Pinto, presidente da CSENO (Câmara Setorial de Equipamentos Navais, Offshore da ABIMAQ); e João Augusto Azeredo, presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar (ABEEMAR) e vice-presidente do SINAVAL, com moderação de Luiz Carlos Barradas, presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (SOBENA). O painel trata de gargalos da cadeia de navipeças, desde materiais e sistemas críticos até engenharia e serviços especializados, e busca apontar caminhos para que a retomada naval se traduza em encomendas sustentáveis para a indústria brasileira de equipamentos e serviços.

Descomissionamento, descarbonização e mudanças climáticas

O terceiro eixo, em 20 de agosto, trata da transição energética e da agenda ambiental aplicada à prática: descomissionamento de ativos offshore, descarbonização da frota e impactos das mudanças climáticas sobre a navegação doméstica e os sistemas portuários.

Às 14h, o painel “Descomissionamento: regulação, economia e cadeia de serviços em construção” abre o dia com Newton Pereira, professor adjunto do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal Fluminense; Karen Alves, coordenadora de Planejamento Econômico de Descomissionamento na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); Erik Cunha, diretor comercial da Oceanpact; Jéssica Germano, pesquisadora da FGV Energia; e Mauro Destri, da Destri Consulting, sob moderação de Fabrine Hartog, advogada da Souto Correa Advogados. O debate aborda desde a regulamentação de planos de descomissionamento, a repartição de custos e riscos, até a formação de uma cadeia de serviços especializada, com reflexos diretos em estaleiros, empresas de engenharia, logística, reciclagem de materiais e mitigação de impactos ambientais.

Na sequência, às 15h30, Jones Soares volta à programação com a palestra “Plano de descarbonização da Frota da Transpetro”, posicionando a experiência da companhia no contexto das metas internacionais de redução de emissões, do uso de combustíveis alternativos e de soluções digitais para eficiência energética. O tema dialoga com o esforço de alinhar renovação de frota, novos combustíveis e modernização operacional às metas indicativas de corte de emissões até 2030, 2040 e 2050.

Encerrando a conferência, às 16h, o painel “Mudanças climáticas – impactos na navegação doméstica e sistemas portuários” discute como eventos extremos, alterações em regime hidrológico, variações de ventos e marés já afetam a segurança da navegação, a confiabilidade das janelas de atracação e o planejamento de infraestrutura portuária. Participam o comandante Fernando Alberto, da Secretaria Executiva da Comissão Coordenadora dos Assuntos da IMO (SecIMO); Rubens Filho, gerente executivo de Sustentabilidade do Pacto Global da ONU; e Murillo de Moraes Rego Correa Barbosa, presidente da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP), com moderação de Antonio Fernandez Prada Junior, engenheiro de Processamento Master da Petrobras. A discussão reforça a necessidade de planos climáticos, investimentos em resiliência e integração entre políticas portuárias, ambientais e de navegação, em linha com recomendações recentes de organismos nacionais e da IMO.

PETROLÍFERO

Monitor Digital - RJ   22/07/2026

A produção total de petróleo e gás da China atingiu 420 milhões de toneladas de equivalente de petróleo em 2025, um recorde, segundo um relatório divulgado pela Administração Nacional de Energia (NEA) nesta terça-feira.

A produção de petróleo bruto alcançou o recorde de 216 milhões de toneladas em 2025, enquanto a produção de gás natural registrou um aumento anual superior a 10 bilhões de metros cúbicos pelo nono ano consecutivo, marcando uma melhoria notável na capacidade de segurança energética independente do país, segundo a NEA.

A produção de óleo de xisto da China ultrapassou 8,5 milhões de toneladas em 2025, mais de 10 vezes o volume registrado em 2018.

O relatório observou que, entre 2019 e 2025, o setor de petróleo e gás implementou plenamente o plano de ação de sete anos para impulsionar a exploração e o desenvolvimento domésticos de petróleo e gás, atingindo recordes tanto em reservas quanto em produção.

Em 2026, o setor lançará uma nova rodada de campanhas estratégicas de exploração e desenvolvimento de petróleo e gás, continuará a aumentar os investimentos na área e manterá a produção doméstica de petróleo bruto acima de 200 milhões de toneladas, ao mesmo tempo em que ampliará ainda mais a produção de gás natural.

A produção de petróleo bruto e gás natural da China ultrapassou 400 milhões de toneladas de equivalente de petróleo pela primeira vez em 2024, segundo a NEA.

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2026

O Imposto de Exportação de petróleo fez o volume de embarques de óleo cru cair 28,3% em maio na comparação com abril, recuando de 62,8 milhões para 45 milhões de barris, com redução de 23,3% na receita, informou nesta terça-feira, 21, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

O recuo, segundo o IBP, refletiu a necessidade de as empresas administrarem estoques e reorganizarem o planejamento logístico e financeiro diante da nova tributação. A entidade destaca que, embora o mês de junho tenha registrado recuperação de 46% (65,7 milhões de barris), o baque de maio confirma o risco de perda de dinamismo e competitividade do produto brasileiro perante outras fronteiras globais de produção.

“A indústria de petróleo e gás responde por 17% do PIB industrial brasileiro e gera investimentos intensivos de capital com horizontes de décadas”, ressaltou em nota o presidente do IBP, Roberto Ardenghy. “Medidas fiscais imediatistas de arrecadação reduzem a rentabilidade dos projetos e elevam a incerteza regulatória. No longo prazo, essa perda de competitividade significa menos produção, menos atração de capital estrangeiro e, consequentemente, menor arrecadação pública futura”, acrescentou.

De acordo com um estudo do IBP sobre arrecadação, o Brasil distribuiu R$ 36,5 bilhões em royalties no primeiro semestre de 2026. O montante ficou 35% acima do esperado no início do ano devido à escalada de tensões geopolíticas globais, que elevou o preço médio do barril de Brent para US$ 92,56, superando a projeção inicial de US$ 57,50 feita pela Agência Internacional de Energia (EIA, na sigla em inglês).

Essa valorização gerou um adicional extraordinário de R$ 9,6 bilhões aos cofres públicos. Desse ganho extra de receita obtido por meio do próprio regime de concessões e partilha vigente, a União recebeu R$ 3 bilhões, os Estados R$ 2,7 bilhões e os municípios R$ 3,9 bilhões.

“Mudar o instrumento administrativo para manter a cobrança não corrige seus problemas de origem nem elimina a insegurança jurídica”, afirmou Ardenghy. “A arrecadação pública do País com o petróleo já cresce naturalmente quando os preços internacionais sobem ou quando a produção avança. Criar uma nova camada de tributação sobre as vendas externas apenas sobrepõe encargos, deteriora o ambiente de negócios e afasta os investimentos de longo prazo”, concluiu.

Veja - SP   22/07/2026

A disparada dos preços internacionais do petróleo deve reforçar a geração de caixa da Petrobras, mas parte desse benefício será neutralizada pelas medidas adotadas pelo governo federal para conter a inflação dos combustíveis. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody’s.

Segundo o relatório, o aumento das cotações do petróleo favorece diretamente a estatal no segmento de exploração e produção, principal fonte de receita da companhia. A Moody’s estima que o fluxo de caixa operacional da Petrobras cresce cerca de US$ 5 bilhões a cada aumento de US$ 10 por barril no preço do Brent.

No entanto, o governo decidiu criar mecanismos para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas. Entre as medidas estão um subsídio de R$ 1,12 por litro para o diesel, outro de R$ 0,44 por litro para a gasolina e a cobrança temporária de um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto.

Na avaliação da agência, essas iniciativas reduzem parte dos ganhos que a Petrobras obteria com a valorização do petróleo. Isso porque a companhia terá de arcar com a nova tributação sobre as exportações e também enfrentará um efeito indireto sobre a formação dos preços dos combustíveis no mercado doméstico.

Pressão sobre a política de preços

A Moody’s destaca que a Petrobras continua exposta ao risco de interferência política na definição dos preços dos combustíveis.

Segundo a agência, a estatal demorou a repassar integralmente aos consumidores o aumento das cotações internacionais. Apesar dos reajustes já anunciados, os preços da gasolina e do diesel no Brasil apenas recentemente voltaram a se aproximar da paridade internacional.

A expectativa é que, caso os subsídios sejam retirados nos próximos meses e os preços do petróleo permaneçam elevados, a Petrobras precise promover novos reajustes graduais ao longo de 2026 para preservar essa paridade.

A agência ressalta que algum alinhamento entre os preços domésticos e internacionais é necessário para evitar distorções de mercado e oportunidades de arbitragem que possam provocar desequilíbrios no abastecimento.

Exploração de petróleo reduz impacto no refino

Apesar das incertezas relacionadas à política de combustíveis, a Moody’s avalia que a Petrobras está mais protegida do que em ciclos anteriores.

Nos últimos anos, a companhia reduziu em cerca de 20% sua capacidade de refino, diminuindo a participação desse segmento nos resultados financeiros. Ao fim de 2025, aproximadamente três quartos do Ebitda da empresa vieram das atividades de exploração e produção de petróleo.

Essa mudança de perfil ajuda a compensar eventuais perdas nas refinarias causadas por controles de preços ou atrasos nos reajustes dos combustíveis.

Indicadores financeiros seguem sólidos

A Moody’s afirma que os fundamentos financeiros da Petrobras permanecem robustos.

Em dezembro de 2025, a companhia tinha dívida total ajustada de aproximadamente US$ 74 bilhões, além de US$ 9 bilhões em caixa e US$ 7 bilhões em linhas de crédito disponíveis.

A agência projeta que, considerando um preço médio do Brent entre US$ 60 e US$ 75 por barril nos próximos dois anos, a relação entre dívida e Ebitda deve permanecer entre 1,5 e 2 vezes até o fim de 2027.

Para a Moody’s, a forte geração de caixa da área de exploração de petróleo e a gestão ativa do portfólio devem continuar sustentando a qualidade de crédito da estatal, mesmo em um cenário de maior intervenção governamental nos preços dos combustíveis.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   22/07/2026

Os Estados Unidos estão prestes a perder a liderança mundial nas exportações agrícolas para o Brasil, resultado de uma combinação de guerras comerciais, queda nos preços das commodities e mudanças estruturais no mercado global.

É o que sugere um artigo do jornal americano Financial Times, publicado nesta terça-feira (21). A reportagem cita uma "queda da superpotência agrícola da América".

O texto se apoia em um dado recente publicado pela American Farm Bureau Federation que estima um prejuízo médio aos produtores de e US$ 341 por hectare de soja em 2027, além de perdas de cerca de US$ 413 por hectare de milho, US$ 358 por hectare de trigo e US$ 1.003 por hectare de algodão.

Enquanto isso, o Brasil se aproxima de assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas. Em 2025, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil.

Como as exportações brasileiras continuam crescendo — alta de 6% no primeiro semestre deste ano, alcançando US$ 87 bilhões — analistas ouvidos pela reportagem americana avaliam que 2026 pode marcar a ultrapassagem definitiva.

O texto do Financial Times atribui parte dessa mudança às políticas comerciais de Donald Trump. A guerra tarifária iniciada em 2018 levou a China a reduzir drasticamente as compras de soja americana e ampliar as importações brasileiras.

De acordo com o jornal que ouviu economistas que já fizeram parte do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), o avanço do Brasil ocorreu muito mais rapidamente do que as projeções indicavam.

Mesmo com bilhões de dólares em subsídios concedidos aos agricultores durante o primeiro mandato de Trump, muitos produtores afirmam que o problema nunca foi falta de ajuda financeira, mas sim a perda de mercados internacionais.

Eles defendem acordos comerciais, e não pagamentos diretos do governo. Produtores ouvidos pela reportagem do Financial Times relataram produzir energia no lugar de alimento, se referindo à competitividade de preço de produtos que chegam do Brasil, por exemplo.

A reportagem também mostra que a agricultura americana depende cada vez mais do mercado doméstico. Cerca de 40% da produção de milho dos EUA é destinada ao etanol, sustentada por políticas públicas e exigências de mistura de biocombustíveis. Agricultores entrevistados afirmam que hoje produzem mais energia do que alimentos.

Por outro lado, o artigo destaca que o Brasil consolidou sua posição como maior produtor mundial de soja, carne bovina e carne de frango e também ultrapassou os EUA nas exportações de algodão.

Entre os fatores apontados estão o potencial de três safras em diversas regiões, disponibilidade de terras, ganhos tecnológicos e genéticos e expansão de produção em Mato Grosso, polo de cultivo de grãos.

Outro efeito observado é a concentração fundiária. Fazendas menores desaparecem e são incorporadas por propriedades maiores, reduzindo o número de famílias no campo e enfraquecendo comunidades rurais, escolas, igrejas e o comércio local.

No Brasil, o movimento é oposto: cidades como Sorriso (MT) e Lucas do Rio Verde (MT) cresceram impulsionadas pelo agronegócio, embora essa expansão também traga preocupações ambientais, especialmente relacionadas ao desmatamento e à infraestrutura insuficiente.

O texto conclui que a disputa entre Brasil e Estados Unidos deixou de ser apenas econômica e passou a ter implicações geopolíticas.

Agricultores americanos afirmaram ao jornal americano que os compradores internacionais agora recorrem aos EUA apenas quando o Brasil enfrenta problemas de oferta.

Muitos ainda apoiam Donald Trump, mas demonstram preocupação crescente com a falta de resultados concretos da estratégia comercial e com o enfraquecimento da competitividade agrícola americana diante do avanço brasileiro.

Jornal de Brasília - DF   22/07/2026

O governo federal prometeu ao setor privado mudar as regras e destravar a linha de crédito de R$ 14 bilhões anunciada em abril para financiar a aquisição de tratores e outras máquinas agrícolas.

A ideia é contornar uma proibição do estatuto da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), operadora da linha, para permitir a concessão de crédito a pessoas físicas -atualmente, o estatuto da empresa pública permite financiamentos reembolsáveis apenas para pessoas jurídicas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) prometeu a mudança a representantes do Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), durante reunião nesta terça-feira (21). “Ele nos garantiu de que vai ser aprovado que a Finep possa financiar pessoa física”, afirmou à reportagem o presidente-executivo da entidade, João Velloso.

A aprovação da medida caberia ao CMN (Conselho Monetário Nacional), órgão deliberativo que reúne o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento. Há uma reunião extraordinária do conselho marcada para esta terça.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços não comentou.

A linha de crédito anunciada pelo governo nunca chegou a ser implementada por conta da restrição à participação de pessoas físicas, segundo Velloso, da Abimaq. “A notícia é boa, a última barreira deve ser retirada hoje”.

Essa restrição a pessoas físicas é vista como um entrave para a efetivação da linha, já que muitos produtores rurais tomam crédito como pessoa física, não jurídica.

Alckmin anunciou a linha de crédito para aquisição de máquinas em abril, durante a Agrishow, feira agrícola promovida todo ano em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. “A gente imagina que em três semanas estará liberada, são R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, enfim, toda a parte de máquinas agrícolas, pela própria Finep”, afirmou o vice-presidente.

O programa demorou a sair, no entanto, por conta de impasses burocráticos. Como mostrou a Folha de S. Paulo, apenas em maio é que o conselho diretor do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) flexibilizou as regras de concessão do fundo.

Antes da mudança, as regras FNDCT só permitiam que até 25% dos recursos fossem operados por outras instituições financeiras que não a Finep. Os outros 75% deveriam ficar sob gestão da empresa pública.

A mudança foi aprovada em reunião do conselho diretor do FNDCT em 26 de maio, quase um mês após o primeiro anúncio da linha, e vale para valores relativos ao superávit financeiro (receitas arrecadadas pelo fundo, mas não aplicadas em anos anteriores).

Em junho, o vice-presidente anunciou um aumento no valor inicial da linha, que foi de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões, com juro de 9,2% ao ano. No último dia 16, uma medida provisória abriu crédito extraordinário de R$ 9 bilhões para aporte no FNDCT, para financiar a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas.

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