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20 de Julho de 2026

SIDERURGIA

CNN Brasil - SP   20/07/2026

O Ministério do Comércio da China expressou firme oposição e "forte insatisfação" com a medida do governo do Reino Unido de assumir o controle da British Steel, então propriedade da chinesa Jingye, para proteger o futuro da produção de aço britânica.

Em comunicado publicado nesta sexta-feira (16), Pequim diz que o governo britânico "ignorou" as contribuições da Jingye para a economia e a sociedade do Reino Unido e, sob o pretexto de segurança nacional, assumiu o controle "à força".

Para o governo chinês, a ação "prejudicou gravemente" os direitos e interesses legítimos da Jingye e "minou severamente" a confiança das empresas chinesas em investir no Reino Unido.

O ministério acrescentou que apoia as empresas chinesas na "utilização de meios legais para defender os seus direitos", mencionando que acompanhará os próximos desdobramentos e "tomará medidas resolutas para salvaguardar firmemente os interesses das empresas chinesas".

"A China insta o governo britânico a cumprir as normas internacionais pertinentes, a honrar efetivamente suas obrigações decorrentes do Acordo de Proteção de Investimentos entre a China e o Reino Unido, a tratar as empresas chinesas no Reino Unido de forma justa e equitativa e a proteger plenamente seus direitos e interesses legítimos", afirmou o Ministério do Comércio chinês.

Valor - SP   20/07/2026

Altos volumes de importação de aço eram um ponto crítico para o setor, que vinha buscando ampliar a competitividade do produto doméstico em relação ao importado.

A importação brasileira de aço recuou 17,6% no primeiro semestre de 2026 na comparação com igual período do ano passado, para 2,9 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Aço Brasil divulgados divulgados nesta sexta-feira (17). A principal queda se deu nos produtos laminados, que somaram 2,53 milhões de toneladas trazidas do exterior de janeiro a junho, queda anual de 20,5%.

Os altos volumes de importação de aço eram um ponto crítico para o setor, que vinha buscando ampliar a competitividade do produto doméstico em relação ao importado.

Em junho, a importação de aço caiu 20,1% na comparação anual, para 476 mil toneladas, conforme o Aço Brasil. Na comparação mensal, porém, houve aumento de 52,4%.

As exportações brasileiras aumentaram 3,1% no primeiro semestre ante igual período de 2025, para 5,3 milhões de toneladas. Em junho, o volume de exportação foi de 912 mil toneladas, queda de 14,8% na comparação anual. Na comparação com maio, houve aumento de 41,3%.

A produção brasileira de aço bruto caiu 1,5% no primeiro semestre ante igual período de 2025, conforme os dados do instituto, para 16,3 milhões de toneladas. Em junho, a produção foi de 2,8 milhões de toneladas, aumento anual de 0,1%.

Segundo o Aço Brasil, as vendas internas de aço caíram 0,2% no primeiro semestre, para 10,4 milhões de toneladas. No mês de junho, as vendas internas recuaram 5%, para 1,7 milhão de toneladas.

O Instituto divulgou também o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) de julho, que encerrou o mês em 45,6 pontos, recuo de 2,2 pontos em relação a junho. Ainda segundo o Aço Brasil, pelo segundo mês consecutivo, o indicador permaneceu abaixo dos 50 pontos, o que sinalizaria falta de confiança dos presidentes da indústria do aço.

Money Times - SP   20/07/2026

O Safra cortou os preços-alvo para as ações da CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3). No caso da CSN, o preço-alvo foi cortado de R$ 11,30 para R$ 6,10 no final de 2026, o que ainda representa um potencial de valorização de cerca de 19,6% sobre o preço de fechamento anterior. O banco manteve a recomendação neutra.

Já para CSN Mineração, o preço-alvo saiu de R$ 5,80 para R$ 5,40 no final de 2026, implicando um potencial de desvalorização de 1% sobre o último preço de fechamento, com manutenção da recomendação de venda.

Na visão dos analistas, a trajetória de desalavancagem da CSN tornou-se mais crível, enquanto ainda aguardam um ponto de entrada mais atrativo em CMIN3.
CSN

A equipe de analistas do Safra pontua que, desde que realizou uma última atualização sobre CSN, houve uma forte compressão de múltiplos, com o EV/Ebitda (múltiplo que mostra quantas vezes o mercado paga pelo lucro operacional de uma empresa, considerando também sua dívida) dos próximos 12 meses, segundo a Bloomberg, caindo de 4,8 vezes para 4,2 vezes.

A crise de crédito privado desencadeou uma abertura dos spreads nos mercados local e internacional e maior escrutínio por parte das agências classificadoras de risco, dizem os analistas, acrescentando que esse fator deteriorou a perspectiva de rolagem da dívida da CSN.

“Também não ajuda o fato de a dívida líquida ter atingido R$ 40,5 bilhões no 1T26, com alavancagem de 3,4 vezes dívida líquida/Ebitda. A redução do nosso preço-alvo de R$ 11,30 para R$ 6,10 por ação reflete uma perspectiva mais fraca para Mineração e Logística, mais do que compensando o melhor desempenho em Aço e Cimento”, dizem os analistas.

Apesar disso, o banco espera que o desempenho relativo de Aço continue positivo, com potencial adicional de alta proveniente de possíveis medidas antidumping para HRC no final de 2026. O segmento de Cimento também deve ajudar a compensar a fraqueza em Mineração e Logística.

Em relação ao risco de liquidez, o Safra avalia o negócio de Cimento em mais de R$ 10 bilhões, o que poderia ajudar a cobrir R$ 10,3 bilhões em vencimentos de mercado de capitais entre 2026 e 2027 e apoiar a rolagem da dívida.

Os analistas veem também opcionalidade adicional por meio da venda de participações em ativos logísticos, que poderia destravar aproximadamente R$ 7 bilhões, além do processo judicial envolvendo a Ternium, que representa potencial de recebimento entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

“Vemos downside (potencial de queda) limitado, mas permanecemos com recomendação Neutra até que haja execução concreta dessas iniciativas”, dizem os analistas.
CSN Mineração

No caso da CSN Mineração, o Safra destaca que as ações da companhia acompanharam a queda dos preços do minério de ferro, no entanto, se recuperaram fortemente recentemente, acumulando alta de aproximadamente 34% desde a mínima recente, impulsionadas por uma recompra de cerca de 37 milhões de ações, equivalente a aproximadamente 9% do free float.

“Esperamos uma nova pressão sobre as ações, já que os fundamentos do minério de ferro permanecem fracos e os custos continuam pressionados (especialmente diesel e frete marítimo), o que deve levar a uma queda de 20% do Ebitda ao ano em 2026”, diz o banco.

O valuation também parece exigente para o banco, considerando um múltiplo justo de 5,0 vezes EV/Ebitda, o preço atual da ação implica um preço do minério de ferro de aproximadamente US$ 118 por tonelada, acima da estimativa do Safra de US$ 99 por tonelada para 2027, deixando espaço limitado para valorização.

“A geração de caixa livre também deve continuar pressionada à medida que o capex do projeto P15 acelera, enquanto as preocupações de que a CMIN continue apoiando as necessidades de liquidez da CSN nos impedem de adotar uma visão mais positiva”, dizem os analistas.

Diário do Comércio - MG   20/07/2026

A produção da indústria siderúrgica brasileira ficou praticamente estável em junho ante o mesmo mês do ano passado (+0,1%), em 2,837 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo grupo Aço Brasil.

No acumulado do ano, o volume soma 16,259 milhões de toneladas, queda de 1,5% sobre o mesmo período de 2025, informou a entidade, que representa as siderúrgicas instaladas no país.

A utilização da capacidade instalada no mês passado ficou em 66,8%, de 66,7% um ano antes. Na primeira metade do ano, ficou em 63,8%, de 64,8% no mesmo período de 2025.

Em junho, as vendas no mercado interno caíram 5% ante o mesmo mês do passado, para 1,772 milhão de toneladas. No acumulado do ano, as vendas da liga no Brasil ficaram praticamente estáveis (-0,2%), em 10,460 milhões de toneladas.

As exportações caíram 14,8% em junho, para 912 mil toneladas, enquanto as importações encolheram 20,1%, para 476 mil toneladas. No primeiro semestre, as vendas ao exterior totalizaram 5,332 milhões de toneladas (+3,1%) e as importações somaram 2,904 milhões de toneladas (-17,6%).

CNN Brasil - SP   20/07/2026

As importações brasileiras de produtos de aço caíram 17,6% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, e somaram 2,9 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Aço Brasil.

A retração ocorre em meio ao reforço das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo para conter o avanço de produtos siderúrgicos estrangeiros no mercado brasileiro.

O Brasil mantém um sistema de cotas tarifárias para 19 tipos de produtos siderúrgicos. Dentro dos limites estabelecidos, vale a alíquota regular de importação; acima das cotas, a tarifa sobe para 25%. O mecanismo foi renovado em junho para o período de 2026 e 2027.

O governo também aplicou e prorrogou direitos antidumping sobre diferentes produtos de aço. Entre as medidas em vigor estão sobretaxas sobre aços pré-pintados da China e da Índia e sobre laminados planos a frio e revestidos de origem chinesa.

Apesar da queda no acumulado do semestre, as importações voltaram a acelerar em junho. Foram 476 mil toneladas no mês, alta de 52,4% na comparação com maio.

A produção brasileira de aço bruto recuou 1,5% no primeiro semestre, para 16,3 milhões de toneladas. As vendas internas caíram 0,2%, para 10,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo aparente teve retração de 5,3%, para 12,9 milhões de toneladas.

As exportações cresceram 3,1% no período e alcançaram 5,3 milhões de toneladas.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

A Secretaria-Executiva do Ministério do Planejamento e Orçamento, MPO, fiel à máxima homérica (“a culpa é minha e eu a ponho em que eu quiser”), divulgou estudo em que busca eximir a responsabilidade do governo pela piora das expectativas de inflação, um dos fatores que têm impedido queda mais rápida da taxa de juros.

Segundo os autores do ensaio, a elevação das expectativas de inflação se originou do aumento dos “preços de insumos energéticos e fertilizantes; depois com pressões específicas sobre os preços de alguns alimentos e com a piora das perspectivas para o El Niño”. Assim, concluem, as políticas do atual governo não teriam desempenhado qualquer papel no processo.

O argumento não se sustenta. Apesar da pretendida sofisticação das estimativas, o que o estudo demonstra, na verdade, é de uma obviedade atroz: os choques acima listados tiveram impactos nos índices de preços em 2026; logo a expectativa de inflação para o ano corrente piorou.

Todavia, para o BC o nó da questão não é o comportamento da inflação em 2026. O chamado “horizonte relevante” do Copom, isto é, o período de 18 meses à frente da decisão de política monetária, há muito deixou de ser este ano. Na reunião passada, por exemplo, o Comitê decidiu sobre a Selic com base na projeção de inflação para 2027 (talvez os 12 meses até março de 2028).

As expectativas que interessam ao BC, portanto, são as relativas a 2027 e, principalmente, 2028, como aliás destacado na comunicação do próprio Copom, fato que imaginaria ser do conhecimento do MPO.

Isto dito, atribuir a piora das expectativas de inflação para 2028 a eventos que ocorreram no segundo trimestre, ou mesmo na metade final, deste ano, equivale, em linguagem técnica, a se fazer de bobo. Por mais que afetem o desempenho do IPCA em 2026, é necessário uma dose enorme de boa vontade para acreditar que seus efeitos se estenderão mais de dois anos à frente.

Como tenho argumentado, parte do problema se origina do próprio BC: ao calibrar a política monetária para fazer com que a inflação convirja para a meta muito além do horizonte relevante, o BC permite o contágio da inflação deste ano para os demais.

Por outro lado, as políticas do atual governo claramente atuam no sentido contrário ao pretendido pelo BC, buscando estimular a demanda, enquanto o Copom tenta moderá-la. O resultado é desfazer o trabalho do BC, dificultando o processo de redução da inflação, afetando, portanto, as expectativas.

Globo Online - RJ   20/07/2026

Um dia após o anúncio da aplicação do tarifaço de 25% pelo governo dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) mostrou que a medida vai afetar 2.375 produtos, o que representa 19,2% da pauta exportadora para aquele país, ou US$ 7,235 bilhões das exportações anuais.

Além disso, outros 441 produtos – que representam US$ 7,629 bilhões, o equivalente a 20,2% das vendas para o país – estão taxados por outra regra. Estão neste grupo veículos, aço e alumínio, por exemplo, que receberam a mesma tarifa aplicada para outros países.

Em contrapartida, ficaram de fora do tarifaço 699 produtos, o que representa 60,5% da pauta de exportação para os Estados Unidos e soma US$ 22,817 bilhões.

Entraram na lista de isenção produtos como ferro fundido, peixes e lagostas, couros e madeira tropicais perfilada. Também estão nessa relação, suco de laranja, carne bovina, café e equipamentos aeronáuticos.

Segundo a Apex, São Paulo é o estado mais afetado: do total de US$ 7,2 bilhões, US$ 3 bilhões são de São Paulo. Do volume exportado por Santa Catarina, a medida afeta 68%. Juntos, esses dois estados serão atingidos em 52% do tarifaço.

A entidade anunciou que lançará um plano de diversificação de mercados de R$ 130 milhões para encontrar outros destinos aos produtos brasileiros, estratégia adotada quando o governo americano anunciou o tarifaço de 50% há pouco mais de um ano.

Em São Paulo, a agência listou entre os principais itens exportados atingidos o etanol, veículos, plásticos, máquinas e instrumentos mecânicos, borracha e seus derivados, gorduras e óleos animais ou vegetais, instrumentos e aparelhos médicos.

Em Santa Catarina, entre os produtos mais atingidos estão madeira e carvão vegetal, móveis e também máquinas e instrumentos mecânicos.

Em entrevista à GloboNews, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que o governo brasileiro vai insistir nas negociações para reduzir a tarifa de 25%, segundo ele, injusta e descabida porque a balança comercial com os Estados Unidos é deficitária. Ou seja, o Brasil compra mais do que vende para aquele país.

Ao mesmo tempo, o país vai procurar diversificar mercados e apoiar os setores mais afetados.

— Continua o diálogo, continuam as negociações e nós vamos trabalhar para reduzir essa tarifa porque entendemos que ela é injusta e ela é descabida. Vamos trabalhar firmemente por isso e buscar novos mercados — afirmou Alckmin.

A busca de novos mercados será focada na Europa, pelo acordo comercial firmado com o Mercosul, e na Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), que conta, por exemplo, com Indonésia e Vietnã. Também está no radar a Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão.

CNN Brasil - SP   20/07/2026

A indústria brasileira perdeu significativa importância no PIB (Produto Interno Bruto) do país nos últimos anos, segundo Silvia Nascimento, da Aço Verde do Brasil.

Em entrevista ao programa Mapa da Mina, da CNN Brasil Money, ela defendeu que o setor produtivo nacional precisa se unir em torno de uma agenda comum de fortalecimento industrial.

O contexto da entrevista envolveu a aproximação entre siderúrgicas, montadoras e empresas da construção civil na busca por medidas contra o que o setor denomina dumping chinês — a prática de vender produtos importados a preços abaixo do custo de produção. Silvia, no entanto, ampliou o debate para além do protecionismo setorial.
Desindustrialização e perda de empregos

Silvia Nascimento destacou que o fechamento de empresas no Brasil tem retirado postos de trabalho do país e substituído a produção local por produtos acabados vindos do exterior. "A indústria nos últimos anos perdeu muita importância no PIB do país", afirmou.

Segundo ela, o Brasil exporta predominantemente commodities — produtos com baixo valor agregado — e importa de volta itens com alta tecnologia e elevado valor agregado, o que aprofunda a dependência externa.

Para Silvia, essa dinâmica tem consequências diretas sobre o mercado de trabalho e o desenvolvimento tecnológico nacional.

"Quanto menos tecnologia e quanto menos produtos de alto valor agregado forem produzidos no Brasil, menos emprego, menos tecnologia, menos engenheiros, menos grandes indústrias, menos treinamento de pessoal", declarou.
União em torno do Brasil

Silvia defendeu que o movimento que está surgindo no país vai além de uma frente protecionista para o aço. Para ela, trata-se de um reconhecimento mais amplo da sociedade de que "não existe país sem indústria, infraestrutura, grandes empresas, engenheiros e tecnologia".

Ela observou que o mundo inteiro caminha no sentido de fortalecer suas próprias economias, enquanto o Brasil segue em direção oposta, tornando-se cada vez mais dependente de produtos importados.

"Todos os grandes empresários, todas as grandes empresas, o país está entendendo que a gente tem que cuidar da gente", disse Silvia, acrescentando que setores como a indústria de base, a automotiva, de peças, equipamentos e máquinas foram se enfraquecendo ao longo dos anos.

"Nós temos uma desindustrialização muito acelerada no país", concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN.

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

O debate sobre o desempenho econômico do Brasil tem gerado opiniões polarizadas. De um lado, há quem celebre o baixo desemprego. Do outro, vozes preocupadas alertam sobre os riscos fiscais e suas possíveis consequências futuras. Enquanto o primeiro grupo atribui os avanços ao governo atual, o segundo o critica por falta de compromisso com a responsabilidade fiscal.

Embora esse debate sobre o desempenho econômico no último ano seja relevante, ele não aborda uma questão mais essencial: por que o Brasil cresce tão pouco há mais de quatro décadas? E o que pode ser feito para que o País avance para um outro patamar de renda, tornando-se um país desenvolvido nas próximas décadas? Para além dos altos e baixos do desempenho anual, o crescimento sustentável e consistente é o verdadeiro motor de uma melhoria duradoura na qualidade de vida e nas oportunidades para a população.

Desde 1980, o Brasil tem crescido pouco – a renda per capita cresceu a uma taxa de 0,9% ao ano de 1981 a 2023, menos do que o resto do mundo, conforme reportagem recente do Estadão. Naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita brasileiro representava mais de 20% do PIB per capita dos Estados Unidos. Em 2023, essa proporção caiu para apenas 14%. Entre 1981 e 2023, a produtividade cresceu a uma taxa média de 0,5% ao ano, refletindo avanços na agricultura, estagnação nos serviços e uma retração na produtividade industrial – que, em 2021, era inferior à de 1985.

Outro indicador alarmante é a perda de complexidade econômica. Esse conceito mede a sofisticação produtiva de um país com base na diversidade e no grau de complexidade de seus produtos exportados, refletindo o nível de conhecimento acumulado na economia. Em 1998, o Brasil ocupava a 36.ª posição no ranking global de complexidade econômica, mas caiu para a 93.ª posição em 2023. Isso é resultado da redução do peso de exportações de produtos mais sofisticados, como aviões e carros, em favor de itens de menor complexidade, como commodities agrícolas e minerais. Essa dinâmica limita o potencial de crescimento de longo prazo.

O que explica esse baixo desempenho econômico? No debate público, há muitas respostas a essa pergunta. Alguns destacam, por exemplo, a baixa qualidade da educação; outros, a complexidade de regulações, infraestrutura deficiente, o fechamento ao comércio internacional, a falta de investimentos em inovação, dentre outros fatores frequentemente mencionados. Mas, afinal, o que mais importa e que mudanças podem gerar maior impacto?

A metodologia de diagnóstico de crescimento, desenvolvida para identificar de forma sistemática quais são as principais barreiras para o crescimento econômico de uma determinada unidade geográfica, contribui para responder a essa pergunta, ao fazer uma série de testes de hipóteses a partir da análise de dados. Por exemplo, um dos testes envolve identificar o quanto mudanças em uma variável (tais como a taxa de juros) influenciam outro indicador (por exemplo, taxa de investimentos e de crescimento econômico). Além disso, a metodologia é valiosa, pois destaca a interação entre diferentes variáveis e contribui para priorizar e sequenciar reformas, uma vez que é inviável do ponto de vista prático realizar muitas mudanças de uma vez, seja por restrições de recursos financeiros, humanos ou de capital político.

Segundo o diagnóstico de crescimento do Brasil realizado por um grupo de estudantes de Harvard em 2023, atualizando análise realizada por Ricardo Hausmann do País em 2008, a principal restrição ao crescimento econômico do País é o alto custo das finanças, refletido em taxas de juros elevadas. Em 2022, o Brasil gastou 8,07% do PIB com juros da dívida pública – mais do que qualquer outro país no mundo.

A raiz desse problema está na baixa poupança nacional, resultado em grande medida de elevados gastos públicos combinados e sucessivos déficits fiscais. Isso, junto à alta demanda por crédito, mantém as taxas de juros elevadas. Além disso, a falta de coordenação entre política fiscal e monetária historicamente agravou a situação. O aumento dos gastos públicos pressiona a inflação, exigindo que o Banco Central eleve os juros para controlar os preços e atingir as metas de inflação.

Os elevados gastos públicos são, em grande parte, consequência de pressões por privilégios e exceções concedidas a diversos grupos de interesse. Embora governos passados tenham adotado algumas reformas estruturais para controlar despesas, os compromissos assumidos pelo Estado tornaram a sustentabilidade fiscal cada vez mais distante, com mais de 90% das despesas federais vinculadas a gastos obrigatórios por lei.

Ainda que o governo atual tenha sua parcela de responsabilidade pelo agravamento da situação fiscal, a responsabilidade por esse cenário não é exclusiva de um governo, de um partido, ou do setor público apenas. Trata-se de um problema coletivo que envolve diferentes administrações e setores da sociedade, que frequentemente demandam privilégios e tratamentos diferenciados tais como privilégios tributários para grupos privados e decisões dos Três Poderes governamentais (Executivo, Legislativo e Judiciário), que muitas vezes não consideram os impactos de seus pleitos sobre o crescimento econômico e a desigualdade do País.

O crescimento recente e a baixa do desemprego, embora positivos, não são sustentáveis sem mudanças estruturais. A aceleração da dívida pública combinada com uma taxa de investimento baixa cria uma perspectiva preocupante. Para crescer de forma consistente, o Brasil precisa reduzir gastos públicos, controlar a dívida e criar um ambiente de maior segurança jurídica.

Além disso, é fundamental adotar medidas que ampliem a capacidade de atrair investimentos e fomentar a inovação. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Global de 2024 do Banco Mundial, países de renda média, como o Brasil, precisam realizar duas transições para escapar à “armadilha de renda média” e alcançar o status de alta renda: uma primeira que envolve ir além da mera atração de investimentos, incluindo a incorporação de tecnologias globais e sua disseminação ampla internamente, e uma segunda, focada na geração de inovações próprias. O Brasil tentou no passado pular etapas, priorizando a inovação sem consolidar a base necessária de investimentos e difusão tecnológica, o que limitou seu crescimento.

Para que possa se destacar por meio da inovação, a transição ecológica oferece uma oportunidade única para o Brasil se destacar no cenário global, dado seu potencial em energia renovável e recursos naturais. Contudo, para aproveitar esse potencial, o País precisa superar seus entraves fiscais e criar condições para atrair investimentos intensivos em capital que são limitados quando a taxa de juros é mais alta, como a expansão de usinas eólicas e solares.

Embora programas recentes, como o Plano de Transição Ecológica e o Novo Indústria Brasil, sejam meritórios em seus objetivos, alguns dos instrumentos utilizados repetem erros cometidos no passado. Em especial porque o fator limitante principal do crescimento econômico do Brasil é a alta taxa de juros, resultante, em grande medida, pela situação fiscal do País, é essencial cautela com subsídios que, em um contexto de fragilidade fiscal, podem ter seu efeito limitado ou até ser contraproducentes, por pressionarem a taxa de juros para cima e assim tornar investimentos mais custosos. Além disso, regras de conteúdo local tendem a limitar a competitividade e a inovação das empresas.

Nesse cenário, o papel dos governos estaduais e locais torna-se ainda mais decisivo. Se a macroeconomia impõe restrições, é no território que as políticas públicas afetam a realidade local de forma mais direta. Minha vivência prática com o desenvolvimento subnacional nos Estados Unidos reforça como Estados e municípios podem ser os principais indutores da prosperidade econômica quando assumem o protagonismo. Cabe aos entes brasileiros a missão de construir capacidades estatais para remover gargalos de infraestrutura, facilitar o ambiente de negócios e aplicar diagnósticos de crescimento que identifiquem vocações produtivas únicas.

Ao liderarem a implementação de políticas de complexidade econômica e transição verde, atraindo investimentos e apoiando empreendedores locais, Estados e municípios não apenas mitigam riscos nacionais, mas tornam-se os verdadeiros motores de um desenvolvimento inclusivo e sustentável.

Em síntese, o crescimento sustentável do Brasil exige um esforço coordenado que transcenda os ciclos de curto prazo e envolva ativamente todas as esferas da federação. A frágil situação fiscal e os juros elevados são frutos de décadas de decisões que demandam reformas estruturais corajosas e responsabilidade fiscal em todos os níveis de governo.

O País necessita de um pacto que priorize a segurança jurídica e o fortalecimento das capacidades estatais, especialmente em nível subnacional, onde a execução das políticas públicas impacta diretamente a vida das pessoas. Somente com essa integração entre o centro e as pontas poderemos converter as mudanças em curso no mundo em uma realidade próspera para o País, criando um ambiente que assegure melhores condições de vida e amplas oportunidades para que cada brasileiro possa, enfim, realizar seu pleno potencial.

Exame - SP   20/07/2026

O novo tarifaço aplicado ao Brasil pelos Estados Unidos, na quarta-feira, 25, impacta 2.375 produtos, que representaram US$ 7,2 bilhões em exportações em 2025, segundo dados da ApexBrasil. O valor representa 19,2% das exportações brasileiras no período.

Ao anunciar a nova taxa de 25%, os EUA deram isenções a 699 produtos, que somam US$ 22,8 bilhões do total exportado em 2025. A lista de exceções tem 2.126 itens, mas o Brasil não exporta boa parte deles.

Mesmo assim, a lista de produtos ainda afetados abrange 2.375 itens. Veja alguns deles abaixo:

Portas de madeira Móveis Partes de motores Pneus para carros, caminhões e ônibus Sebo bovino Açúcar Etanol Granito Papéis Calçados

Os estados que mais produzem esses itens para exportação são Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Há impactos também em Alagoas, Goiás, Espírito Santo e Paraná, segundo dados da ApexBrasil. Só SC e SP produzem 52% do total de produtos impactados pelo novo tarifaço. A nova cobrança entra em vigor em 22 de julho.

Do outro lado, a lista de isenções foi ampliada em relação a junho, quando os EUA divulgaram a primeira versão de proposta do novo tarifaço. Veja a seguir alguns itens que ganharam isenções agora:

Ferro fundido Peixes e lagostas Couros Madeira Mel Plásticos Objetos de arte Hidróxido de alumínio
Impacto sobre as exportações

Além da tarifa de 25%, o Brasil também poderá ser taxado em mais 12,5%, pela acusação de se beneficiar do uso de trabalhos forçados. A expectativa é que essa nova taxa saia até o final de julho, e poderá ter mais isenções.

Assim, a situação atual das exportações do Brasil aos EUA nesta sexta-feira, 17, é a seguinte:

51,11% - isentas 20,25% - tarifas pela Seção 232 (especialmente para aço e alumínio) 19,20% - atingidos pela nova tarifa de 25%, via Seção 301, e sob risco de levar mais 12,5%, pela acusação de trabalhos forçados 9,44% - sob risco de levar nova tarifa de 12,5%, por processo do trabalho forçado
Plano de novos mercados

Nesta sexta, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, disse que a agência lancará, em agosto, um plano de diversificação de mercados de R$ 130 milhões.

A estratégia inclui aumentar as vendas para a Europa, por meio do acordo UE-Mercosul, e para países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Vietnã.

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira, 17, que não cabe agora falar em retaliação do Brasil aos Estados Unidos, após a imposição de tarifas de 25% pela Casa Branca a produtos brasileiros. O governo brasileiro está mais empenhado em usar medidas de reciprocidade.

“Não cabe falar em retaliação, é uma palavra que está fora do nosso escopo, fora do nosso trabalho”, disse Durigan a jornalistas.

O ministro disse que o governo brasileiro trabalha neste momento com medidas de reciprocidade. “A reciprocidade tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo correto.”

O Congresso aprovou, por unanimidade, ressaltou o ministro, uma lei que protege interesses nacionais oferecendo procedimento próprio para ser utilizado em caso de ataques unilaterais de outros países, como as medidas de reciprocidade.

Durigan disse que não se pode usar o “momento político-eleitoral” para fazer ataques políticos e prejudicar a economia. “Meu papel é garantir que a economia siga estável”, disse ele. “Seja discutindo com empresários, seja avaliando com cautela qual o processo de reciprocidade que o Congresso nos ofereceu.”

“É evidente que tem um elemento político (nas tarifas)”, disse Durigan. “Como o Brasil ganha o argumento técnico, o argumento de comércio, não sobra outra coisa a não ser um argumento político-eleitoral. E tem gente no Brasil que apoia.”

Para Durigan, o ponto preocupante, já visto em outros países da região, é uma “interferência cada vez mais à luz do dia” de Washington nas economias locais. “Esse tipo de medida, e o apoio da família Bolsonaro às medidas dos Estados Unidos, afronta o patriotismo mais básico dos brasileiros.”

“O Brasil não pode se acovardar”, disse o ministro da Fazenda, ressaltando que o País tem bons argumentos e razões técnicas nas discussões comerciais. “Temos que seguir fazendo um bom debate, mostrando que isso é prejudicial para o Brasil e para os Estados Unidos.”

Durigan mencionou que nas audiências públicas mais recentes no escritório de comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), das mais de 70 participações, 63 foram contrárias ao tarifaço. Ele ressaltou que os argumentos do governo brasileiro e dos empresários foram desconsiderados.

‘Como o Brasil tem razão, não pode abaixar a cabeça’

Durigan disse que a consolidação da economia brasileira nos últimos meses dá ao governo condição de proteger a população de choques externos. Como exemplo, citou a atuação recente no mercado de combustíveis, com a retirada temporária da tributação do diesel por dois meses e um acordo com os Estados para dividir custos relacionados à importação e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), medida que, segundo ele, também teve duração limitada para evitar maior ônus aos governos estaduais.

Além das tarifas norte-americanas, o ministro mencionou que a Fazenda monitora, no curto prazo, os efeitos da guerra envolvendo o Irã e seus possíveis desdobramentos para a economia brasileira. Ele afirmou que, diante da “resiliência” do País, o governo poderá prover medidas consideradas necessárias para mitigar impactos.

O ministro aproveitou também a coletiva para dizer que o programa Desenrola tem apresentado resultados positivos, afirmando que uma economia mais forte tende a se traduzir em benefícios para as famílias brasileiras.

“Falta de racionalidade e razoabilidade nas tarifas dos EUA”, disse Durigan, relembrando que o Brasil tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos. Para o ministro, o que houve foi uma espécie de punição geral ao Brasil com tarifas dos EUA. “Mas, como o Brasil tem razão sobre tarifas dos EUA, não pode abaixar a cabeça. Temos feito uma série de esforços para reverter as tarifas e estamos em um bom caminho para proteger empresas do tarifaço”, ressaltou.

Ao dizer que a participação dos EUA na balança comercial brasileira tem diminuído, Durigan explicou que uma reversão das tarifas seria boa não só para o Brasil, mas também para a economia norte-americana.

O fato, de acordo com o ministro, é que os argumentos comerciais utilizados pelos EUA para justificar o tarifaço são falsos. Ele disse que tem uma série de viagens para participar de fóruns internacionais e que levará a esses eventos a insatisfação do Brasil em relação às tarifas aplicadas pelos EUA.

‘Classificar Pix como prática desleal é completo absurdo’

O ministro afirmou que a decisão do governo de Donald Trump de classificar o Pix como “prática desleal” é um “completo absurdo” e traz riscos para o sistema de pagamentos instantâneos. O Pix foi um dos pontos citados pelo USTR para justificar a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

“Claro que há risco para o Pix, porque na Seção 301, os Estados Unidos classificam o Pix como prática desleal”, disse Durigan. “Não faz nenhum sentido”, ressaltou. “Não faz sentido que se discuta o Pix em uma mesa de negociação, porque o Pix não está em negociação.”

“O Pix é um ponto de conflito absurdo”, acrescentou.

O Pix é uma infraestrutura pública brasileira aberta, explicou Durigan. “Não é um concorrente de mercado, não tem barreiras.” Qualquer que seja o participante de mercado, seja fintech ou empresa de pagamento ou cartões, pode se valer da estrutura do Pix em igualdade de condições com os demais participantes, ressaltou.

Durigan afirmou que o Pix será preservado como um serviço público para os brasileiros e afirmou que o sistema ajudou também a ampliar as transações com cartões de crédito e à vista.

Money Times - SP   20/07/2026

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,1% em maio na comparação com abril e superou a expectativa do mercado, que projetava retração de 0,2%.

Apesar da surpresa positiva, economistas avaliam que o resultado não altera o diagnóstico de desaceleração gradual da economia brasileira, uma vez que outros indicadores divulgados ao longo das últimas semanas já apontavam para uma perda de ritmo da atividade no segundo trimestre.

Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o indicador voltou a renovar o maior nível da série histórica, mostrando que a economia permanece resiliente mesmo diante de um ambiente de juros elevados. Ainda assim, a leitura mais detalhada dos dados indica moderação no crescimento.

Segundo o economista, a média móvel trimestral do IBC-Br desacelerou de 0,3% para 0,1%, enquanto os subíndices de indústria e serviços também perderam força, movimento que reforça a interpretação de que a economia começou a esfriar no segundo trimestre.

A Genial, inclusive, reduziu sua projeção para o crescimento do PIB entre abril e junho de 0,5% para 0,4%, embora tenha mantido a expectativa de expansão de 2% para a economia em 2026.

Na avaliação da economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, o conjunto dos indicadores de maio mostra que a atividade continua resistente, ainda que em um processo esperado de desaceleração após o forte desempenho observado no primeiro trimestre.

A casa também projeta crescimento de 0,5% no segundo trimestre, depois da expansão de 1,1% registrada entre janeiro e março, mantendo a previsão de alta de 2% para o PIB em 2026.

O que muda para o Copom?

Na avaliação dos economistas, os números desta sexta-feira não encerram o debate sobre a próxima decisão de juros do Banco Central.

Para a Genial, os dados de atividade, combinados com a inflação mais comportada divulgada recentemente, ainda são compatíveis com mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14%, em agosto. Depois disso, a expectativa é de interrupção do ciclo de afrouxamento monetário.

Já a SulAmérica mantém uma visão mais cautelosa. A gestora continua projetando que o Copom fará uma pausa nos cortes, mantendo a Selic em 14,25% na próxima reunião. Para Natalie Victal, a economia segue resiliente mesmo com uma taxa de juros considerada restritiva pelo próprio Banco Central, o que reduz a necessidade de novos estímulos monetários.
Mercado olha além do número cheio

Para Rafael Espinoso, estrategista e portfolio manager da GCB, a composição do IBC-Br foi mais positiva do que o avanço de apenas 0,1% sugere.

Segundo ele, a fraqueza ficou concentrada na agropecuária, enquanto indústria e serviços continuaram crescendo. Excluindo o setor agropecuário, o IBC-Br avançou 0,2%, reforçando a percepção de que a economia doméstica segue resistente, embora em trajetória de desaceleração gradual.

Na visão do estrategista, a atividade passa por uma “troca de motores”: o impulso da agropecuária perde força, enquanto a indústria volta a assumir o protagonismo e os serviços seguem em expansão, mas em ritmo mais moderado.

O resultado, portanto, tende a manter o Banco Central dependente dos próximos indicadores de atividade e inflação para definir os passos da política monetária, já que o cenário continua apontando para uma economia resiliente, mas em desaceleração gradual.

CNN Brasil - SP   20/07/2026

O Brasil está sem rumo no mundo. E a falta de uma grande estratégia danifica o papel do país no cenário internacional.

Uma grande estratégia orienta uma nação no longo prazo, envolvendo todos os setores relevantes da sociedade na inserção internacional. E o que ocorre no mundo hoje? Uma disputa hegemônica entre Estados Unidos e China.

Brasília encontra boas relações com essas duas grandes potências. É um exportador importante para os chineses, especialmente de alimentos, energia e minério de ferro. Ao mesmo tempo, é um grande importador de produtos manufaturados de Pequim, enquanto também importa bastante dos americanos. Há uma grande parcela de investimento estrangeiro vindo de ambos.

Especialmente com Washington, o Brasil detém vínculos permanentes nos campos de cooperação tecnológica e defesa.

Diante desse cenário, a orientação para os brasileiros seria olhar esses parceiros de maneira equilibrada. No entanto, infelizmente, a falta dessa grande estratégia faz com que a tomada de decisão, a implementação da política externa e a reação a medidas desses nossos parceiros sejam dadas pelo governo de plantão.

O grande exemplo do momento é o novo tarifaço americano. As reações estão muito mais orientadas pelo calendário eleitoral e pela repercussão doméstica das propostas do Palácio do Planalto do que pelo longo prazo do interesse nacional.

Esse lado, possivelmente, orientaria uma maior prudência e comedimento do que foi visto até o momento. A opção por um engajamento retórico, com troca de acusações e rechaço à posição americana, leva a uma piora da situação negocial.

Da mesma maneira com a China: quanto mais pudermos manter o pragmatismo nas parcerias mais próximos ficaríamos do equilíbrio, assim como a Argentina de Javier Milei. Milei é, claramente, do ponto de vista político-ideológico, associado aos Estados Unidos, mas vende diversos produtos para a China.

De um lado, ficam os valores, a ideologia e as conveniências das relações com Donald Trump; do outro, o faturamento, as entregas comerciais e os investimentos com Pequim. Um não atrapalha o outro em Buenos Aires.

O Brasil, no entanto, optou por uma linha de confrontação, em que o interesse nacional dá espaço para a conveniência eleitoral. Esse não é um bom rumo para a política externa - algo que não é exclusividade do governo atual.

As forças de oposição, igualmente, não têm uma visão ampla do Brasil e estão desprovidas de mecanismos, mesmo que vençam as eleições, de estabelecer esse equilíbrio.

Só um grande acordo nacional e a formulação de uma grande estratégia para inserir o Brasil no mundo podem prover essa harmonia.

MINERAÇÃO

Valor - SP   20/07/2026

Diretor financeiro, Marcelo Bacci fala sobre a escalada de tensão no Estreito de Ormuz; a China, maior mercado da Vale; e a mudança no conselho de administração, com a renúncia de Daniel Stieler.

O aumento dos gastos globais para construir centros de dados, eletrificar economias e modernizar a infraestrutura está impulsionando um “boom” de commodities para a Vale, a maior produtora de minério de ferro do mundo. No entanto, a guerra envolvendo o Irã está elevando custos e surge como um risco com a recente escalada das tensões.

A Barron’s conversou com o diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci, sobre a recente escalada de tensão no Estreito de Ormuz; a China, maior mercado da Vale; e a mudança no conselho de administração ocorrida neste mês, com a renúncia do presidente do conselho, Daniel Stieler.

Abaixo, segue uma versão resumida da conversa:

Barron’s: Qual é a perspectiva para commodities como minério de ferro e cobre?

Marcelo Bacci: Os países estão investindo na construção de sua própria capacidade como resultado de um menor grau de globalização. Isso impulsiona os níveis de gastos de capital. A IA é intensiva em metais — minério de ferro, mas também cobre — e há também uma onda de investimentos em eletrificação, que também demanda muitos metais; além disso, as pessoas buscam reduzir ainda mais a dependência de combustíveis fósseis devido à guerra. Tudo isso favorece a alta dos preços dos metais, especialmente minério de ferro e cobre.

Barron’s: Como esse “boom” global de construção se compara ao “boom” de construção da China nos anos 2000, que impulsionou um superciclo de commodities?

Bacci: É difícil replicar aquele cenário, pois o mundo está em um patamar diferente em termos de construção de infraestrutura. Ainda vemos nichos de crescimento potencial, embora não tão relevantes quanto o “boom” da China de 20 anos atrás. A Índia ainda é exportadora líquida de minério de ferro, mas sua indústria siderúrgica está crescendo a um ritmo acelerado, então ela começará a importar em breve. Além disso, o nível de infraestrutura necessário — na Índia, mas também no Sudeste Asiático e na África — ainda é muito alto.

Barron’s: A China ainda enfrenta uma economia que patina e um mercado imobiliário que ainda não se recuperou. Como está a demanda?

Bacci: Nos últimos dois anos, a demanda do setor imobiliário caiu significativamente. Mas ela foi compensada por um crescimento expressivo da atividade industrial e manufatureira, pelo aumento das exportações e por investimentos em infraestrutura. A demanda total da China tem se mantido estável nos últimos dois anos. Além disso, a taxa de esgotamento das minas existentes no mundo está aumentando — um fator que tem mantido o equilíbrio entre oferta e demanda.

Barron’s: Qual é o impacto da guerra envolvendo o Irã, e como vocês estão analisando as discussões sobre taxas e custos de transporte?

Bacci: Isso não afetou a demanda, mas teve — e continua tendo — impacto nos custos, especialmente em relação ao combustível que utilizamos para o transporte interno de minério de ferro da mina para o porto e nas operações ferroviárias. Há também o combustível para o transporte marítimo, o que é particularmente relevante para nós, já que estamos mais distantes da China do que nossos concorrentes australianos.

Temos uma política de hedge [proteção financeira] que nos resguarda desse aumento de custos, utilizando operações de proteção para o petróleo e tendo cerca de 90% a 95% das tarifas de frete contratadas para este ano a valores mais baixos, anteriores ao conflito.

Barron’s: Vocês conseguiram repassar parte dos custos. Isso se torna mais difícil se o preço do petróleo voltar a superar, digamos, US$ 90 o barril?

Bacci: Nossa expectativa é que, após o fim do conflito, o preço não retorne ao patamar anterior, devido a certa destruição de infraestrutura. Não esperamos que ele permaneça em um nível elevado. No entanto, ninguém sabe quando isso terminará, por isso continuamos aumentando nossos níveis de proteção.

Se os preços do petróleo permanecerem acima de US$ 90 por mais tempo, isso significará uma pressão adicional sobre os custos. O mercado está muito equilibrado; por isso, no início da guerra, quando os preços do petróleo dispararam, os preços do minério de ferro também subiram. Assim, a margem tem sido, de certa forma, protegida. Em algum momento, dependendo da magnitude desse efeito, pode ocorrer uma destruição da demanda. Isso não parece provável, mas é uma preocupação que acompanhamos de perto.

Barron’s: Como vocês estão encarando os gastos com IA?

Bacci: Parece haver uma expectativa muito grande embutida nas projeções de crescimento [para anúncios de investimentos em infraestrutura]. Como fornecedores [de metais necessários para a IA], vemos que a oferta de produtos como o cobre encontrará um limite. É difícil aumentar a produção de cobre. As reservas de acesso mais fácil já se esgotaram, e precisamos investir em reservas subterrâneas de acesso mais complexo; consequentemente, a velocidade de crescimento da produção é inferior ao ritmo da demanda. Se essa tendência persistir, os preços terão de reagir para viabilizar investimentos em áreas de exploração mais difíceis. Estamos monitorando a situação, mas não temos uma visão clara sobre o nível adequado de investimentos para atender à demanda.

Como ferramenta, a IA está criando oportunidades, mas não tanto nas atividades de “back-office”. O que realmente faz a diferença é a tecnologia aplicada à produção. O uso de IA reduz os custos de exploração, pois podemos realizar menos perfurações para obter os mesmos resultados.

Barron’s: A Vale está gerando um fluxo de caixa robusto. Vocês preveem mais dividendos ou recompras de ações?

Bacci: Temos um programa de investimentos de capital de cerca de US$ 6 bilhões por ano, com uma parcela maior destinada a dobrar a capacidade de produção de cobre. Decidimos adotar uma postura mais conservadora e buscamos um nível de endividamento entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Encerramos o ano passado com cerca de US$ 15 bilhões. Sempre que a dívida líquida caminha para ficar abaixo de US$ 15 bilhões, costumamos distribuir recursos por meio de dividendos adicionais ou recompra de ações.

Barron’s: Quais são as implicações para a governança corporativa e a estratégia decorrentes da renúncia abrupta do presidente do conselho da Vale no início deste mês?

Bacci: A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, é nossa maior acionista e decidiu não mais indicar o presidente do conselho. Como parte de mudanças em sua governança, eles afirmaram que apoiariam a eleição de um presidente independente.

Essa é uma mudança significativa e uma excelente notícia para nós, da administração. Esta eleição será a primeira a contar com dois candidatos independentes: o atual vice-presidente do conselho e o atual conselheiro independente líder. Em ambos os casos, trata-se de alguém que já faz parte da empresa, e não prevemos qualquer alteração na estratégia.

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

A Vale (VALE3) segue negociando a múltiplos considerados baixos e com potencial de distribuição de dividendos, mesmo após ruídos recentes de governança, na avaliação do BTG Pactual.

Segundo o BTG, a companhia negocia a apenas 4,2 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026, um dos principais indicadores de valuation do mercado.

O múltiplo compara o valor total da companhia, incluindo dívidas, com sua geração operacional de caixa. Em geral, quanto menor esse indicador, mais barata a ação tende a parecer em relação aos seus fundamentos.

Um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) de aproximadamente 9%.

Para o banco, a recente entrevista do CFO da mineradora, Marcelo Bacci, à revista americana Barron’s está totalmente alinhada com a tese de investimentos da instituição e ajuda a mitigar os ruídos gerados após a renúncia de Daniel Stieler da presidência do conselho de administração. Os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo avaliam que, como o colegiado caminha para eleger um presidente independente que já compõe a estrutura interna da Vale, o impacto do episódio para o direcionamento estratégico da companhia é limitado.
BTG vê fundamentos sólidos para a Vale

Do lado operacional, o BTG projeta que o preço do minério de ferro deve se estabilizar na faixa de US$ 90 a US$ 100 por tonelada no médio prazo, diante de um mercado equilibrado pela restrição de oferta global. O banco estima que o esgotamento natural de minas maduras - em um ritmo de 60 a 80 milhões de toneladas por ano - atuará como uma barreira relevante para o excesso de capacidade, limitando inclusive o impacto de curto e médio prazo do projeto de Simandou, um megaprojeto de mineração de minério de ferro localizado no sudeste da Guiné.

A leitura corrobora as sinalizações de Bacci sobre a resiliência da demanda global, inclusive na China, onde o banco nota que a severa correção do mercado imobiliário nos últimos dois anos acabou compensada pelo fortalecimento da atividade manufatureira, gastos em infraestrutura e robustez nas exportações de aço do país asiático.

No segmento de cobre, o BTG também compartilha da visão do executivo, apontando que o envelhecimento de minas globais com mais de 50 anos e a complexidade dos novos depósitos subterrâneos devem restringir a oferta diante das crescentes demandas vindas de inteligência artificial e eletrificação.

Em relação à dinâmica interna de custos, o relatório reconhece as preocupações do mercado com o custo de caixa C1, que deve vir pressionado no segundo trimestre, superando a marca de US$ 25 por tonelada.

O custo de caixa C1 é um dos principais indicadores de eficiência das mineradoras. Ele mede quanto a empresa desembolsa para produzir uma tonelada de minério, considerando apenas os custos operacionais diretos. Quanto menor o C1, maior tende a ser a rentabilidade da operação.

O baixo preço pode forçar a Vale a revisar sua projeção de custos para o ano fechado de 2026 para perto de US$ 23 por tonelada, contra os US$ 21,5 por tonelada anteriores, mas os analistas preveem uma melhora expressiva no segundo semestre com a normalização sazonal.

Quanto às pressões geopolíticas decorrentes da Guerra do Irã e das tensões no Estreito de Ormuz, o BTG pondera que a Vale segue protegida financeiramente por hedges de petróleo e contratos de frete marítimo cobrindo entre 90% e 95% dos embarques deste ano em patamares inferiores aos níveis pré-guerra.

Uma consolidação prolongada do petróleo Brent acima de US$ 90 por barril adicionará pressão marginal sobre as despesas, mas as margens seguem parcialmente protegidas pela correlação histórica que tende a elevar o preço do minério de ferro em choques energéticos.

Por fim, o banco elogiou a disciplina na alocação de capital da companhia e classificou como infundadas as especulações recentes do mercado sobre eventuais aquisições de ativos como Bamin e Corumbá. O BTG projeta a manutenção de uma baixa intensidade de investimentos, com o capex anual fixado em cerca de US$ 6 bilhões, prioritariamente voltado à expansão da produção de cobre.

O relatório destaca ainda o gatilho financeiro mencionado pelo CFO para a remuneração aos acionistas: mantendo uma postura conservadora para o endividamento líquido, sempre que a dívida estiver a caminho de ficar abaixo do ponto médio da meta, estabelecido em US$ 15 bilhões, a tendência é que a mineradora distribua o excesso de caixa por meio de dividendos adicionais ou novos programas de recompras de ações.

Valor - SP   20/07/2026

Analistas da Nanhua Futures preveem que a pressão sobre a oferta deve diminuir, uma vez que os embarques internacionais de minério de ferro para a China estão caindo após atingirem o pico no primeiro semestre.

O preço do minério de ferro subiu nesta sexta-feira (17) na China, em meio a sinais de pressão sobre os estoques do país asiático, segundo a consultoria Nanhua Futures.

O contrato do minério com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,53%, cotado a 762 yuans (US$ 112,4).

Em relatório, analistas da Nanhua Futures afirmam que a pressão sobre a oferta deve diminuir, uma vez que os embarques internacionais de minério de ferro para a China estão caindo após atingirem o pico no primeiro semestre.

Diário do Comércio - MG   20/07/2026

O projeto do Grupo Herculano Mineração para extração e beneficiamento de minério de ferro no município histórico de Serro, na região Central de Minas Gerais, em discussão já há alguns anos e envolvido em conflitos judiciais, obteve um avanço importante no processo de licenciamento ambiental nesta semana.

O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) concedeu, de forma concomitante, a licença prévia (LP), que aprova a viabilidade do empreendimento, e a licença de instalação (LI), que autoriza o grupo a iniciar as obras de construção. A informação foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado de quinta-feira (16).

Conforme estimativas extraoficiais divulgadas anteriormente, o Projeto Serro deve receber investimentos da ordem de R$ 300 milhões da Herculano. Segundo informações do processo de licenciamento, disponibilizadas no Ecosistemas, portal de serviços do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), o empreendimento engloba:

Procurado pelo Diário do Comércio, após a obtenção das licenças, o Grupo Herculano Mineração detalhou os próximos passos do projeto. Em nota, disse que está avaliando todas as condicionantes e os documentos emitidos pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e pretende iniciar as obras de construção nos próximos dois meses.

“Assim que as obras de instalação forem concluídas, em um prazo estimado de dez meses, a empresa formalizará o fato ao órgão ambiental competente, que passará a avaliar a emissão da Licença de Operação”, afirmou.

Decisão gera críticas por parte de movimentos; grupo rebate alegações

A decisão do Copam sobre o projeto de mineração de ferro no Serro gerou críticas por parte de movimentos sociais que questionam a transparência do processo de licenciamento e temem os impactos do empreendimento nas comunidades e no meio ambiente.

Por exemplo, o Movimento pelas Águas, que se apresenta como movimento social pelos territórios livres de mineração, preservação humana e ambiental, declarou repúdio à emissão das licenças e denunciou irregularidades no processo de licenciamento ambiental.

“O processo de licenciamento da Herculano é marcado por uma série de irregularidades que aniquilam a lisura dos processos e pela atuação vergonhosa dos órgãos que deveriam defender as populações, as comunidades tradicionais, o patrimônio histórico e cultural e o meio ambiente”, disse.

“Seguiremos denunciando e atuando contra as irregularidades deste processo ilegal, em defesa dos direitos de comunidades quilombolas e tradicionais, do cerrado e da mata atlântica, das águas e da qualidade de vida da população serrana”, ressaltou.

Por sua vez, o Grupo Herculano refutou as alegações apresentadas, salientando que o processo de licenciamento ambiental do Projeto Serro seguiu integralmente a legislação vigente, tramitou por mais de quatro anos e foi pautado pela transparência e pelo diálogo com as comunidades da região.

“Ressalta-se, ainda, que a empresa obteve êxito, até o momento, em todas as ações judiciais propostas por esses movimentos, o que corrobora a legalidade de todo o processo de licenciamento”, reiterou.

CNN Brasil - SP   20/07/2026

Fontes ligadas ao governo Lula e à Vale rejeitaram neste domingo (19) a ideia de que há interferência estatal na companhia.

A reação surge um dia após a CNN noticiar que a cúpula do Congresso vê em curso uma operação política para ocupar o comando da mineradora e fala em instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar interferência estatal na empresa. De acordo com essas fontes, o movimento em curso é o contrário: o governo teria se afastado da companhia.

Os relatos feitos à CNN são de que a ala técnica da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, assumiu o comando do fundo neste ano, sob a presidência de Marcio Chiumento, e vem reorientando os investimentos por critérios técnicos, em vez de políticos — o que inclui a participação de 6,8% que o fundo tem na Vale.

A razão, segundo os relatos, é que prevaleceu na Previ o entendimento de que a gestão anterior não entregava resultados, o que gerava incômodo e preocupação entre aposentados e pensionistas. O Plano 1 do fundo fechou 2024 com déficit de R$ 17,6 bilhões, e o sindicalista João Fukunaga deixou a presidência em outubro de 2025.

Nesse contexto, ainda de acordo com essas fontes, lideranças ligadas à ala política do fundo, como João Vaccari, perderam espaço. Era ele, inclusive, quem dava sustentação política ao agora ex-presidente do Conselho de Administração da Vale, Daniel Stieler, indicação política feita ainda no governo Bolsonaro que teria sobrevivido no governo Lula justamente pela ligação com Vaccari.

Stieler renunciou ao cargo em 6 de julho após um acordo milionário que abriu caminho para a sucessão na Vale, movimento entendido pela cúpula do Congresso como o primeiro passo para que o governo retome o controle da empresa.

Fontes ligadas à Vale afirmam ainda que o apoio da Previ ao nome de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, na disputa pela presidência do conselho, agendada para quarta-feira (22), comprovaria esse movimento, porque se trata de um executivo internacional. Ollie nasceu em Portugal, vive em Londres, é conselheiro da Vale desde 2021 e ocupa a função de Lead Independent Director desde 2023.

No Congresso, a leitura é outra: a de que Ollie, uma vez eleito presidente do conselho, assumiria também o comando do conselho da VBM (Vale Base Metals), sediada em Londres, e depois renunciaria à presidência do colegiado da Vale, abrindo espaço para José Maurício Pereira Coelho, ligado ao ministro Alexandre Silveira. Coelho disputa nesta quarta-feira uma cadeira no conselho, com apoio da Previ, contra Ieda Gomes Yell, indicada pela administração da companhia.

Sobre o movimento defendido por Alexandre Silveira para que a Vale compre a Bamin (Bahia Mineração), o relato dessas fontes é de que a rejeição do negócio pela atual diretoria da empresa seria a comprovação de que não há interferência do ministro na companhia. E que a sugestão de aproximação com os irmãos Batista não partiu do ministro, mas sim de Daniel Stieler. E que foi isso que levou a Previ a pedir o afastamento de Stieler.

Em fato relevante divulgado em 24 de junho, a Vale informou ao mercado que avaliou uma oportunidade de investimento na Bahia Mineração, mas não aprovou qualquer aporte.

O Congresso, porém, entende que o movimento em curso visa ocupar o Conselho de Administração para que negócios de interesse do grupo sejam consolidados mais adiante.

Por fim, essas fontes afirmam que a relação institucional da Vale com o governo está pacificada desde que Gustavo Pimenta assumiu o comando da companhia e o jornalista Kennedy Alencar, a diretoria de Relações Institucionais.

A demonstração disso teria sido dada pelo próprio presidente Lula, em um evento no Pará no início deste ano. Não haveria, portanto, interesse do governo em demover Pimenta do posto.

Procurado pela CNN, Silveira nega ingerência. A CNN procurou também a Previ e a Vale e aguarda posicionamento.

AUTOMOTIVO

Infomoney - SP   20/07/2026

Quem entra em uma concessionária de marcas novas, daquelas cheias de telas e promessas de autonomia surreais, raramente pensa no que de fato está embaixo da carroceria.

Na verdade, o comprador médio simplesmente não quer saber se a chapa de aço foi moldada no interior paulista ou se chegou em caixas fechadas de um porto asiático.

Mas a Faria Lima e as diretorias das montadoras tradicionais não falam de outra coisa. A briga do momento não é sobre torque ou design, o jogo real é puramente tributário e fabril.

O embate surdo que corria nos bastidores da indústria escalou para guerra jurídica aberta. A decisão da Anfavea de protocolar uma representação no Tribunal de Contas da União contra a Camex escancarou uma rachadura profunda no setor.

A discussão envolve o que chamaremos de “carro nacional” na próxima década e, principalmente, o nível de subsídio que o governo vai tolerar para quem apenas monta kits importados frente a quem investiu bilhões em complexos industriais reais.
O que mudou na linha de montagem

Para entender a encrenca, é preciso descer ao chão de fábrica. Há basicamente três formas de colocar um carro na rua hoje: o importado puro, que chega pronto (CBU), o regime CKD, no qual o veículo vem completamente desmontado, e o SKD, que é semidesmontado, vindo muitas vezes com a estrutura já soldada e pintada, exigindo apenas a união de suspensão, motor e acabamento em linhas locais muito simplificadas.

Para as marcas entrantes, que correm contra o relógio do aumento do imposto de importação, o regime de kits é um atalho perfeito. Erguer uma linha de montagem rápida custa uma fração minúscula de uma fábrica completa com estamparia pesada e processos químicos de pintura.

O fim da informalidade nos carros seminovos

O kit permite testar o mercado e ganhar escala rapidamente, sem imobilizar capital em ativos de longuíssimo prazo. Do outro lado da mesa estão as montadoras tradicionais, donas de estruturas lentas, caras e instaladas há décadas no país. Elas veem nessa assimetria fiscal um risco existencial.

A queixa da Anfavea aponta para uma leniência na fiscalização das cotas de importação pela Camex. O argumento soa como um ultimato. Um alerta de que o Brasil pode virar apenas uma imensa parafusadora de luxo asiática.
O peso dos números

Os dados publicados recentemente pela AutoIndústria confirmam que a estratégia da montagem por kits ganhou uma proporção gigantesca, quase irreversível.

Do volume acumulado de 245 mil eletrificados vendidos no mercado brasileiro, cerca de 54 mil unidades saíram justamente dessas linhas CKD ou SKD. Estamos falando de mais de 20% de todos os carros elétricos e híbridos rodando no país.

A disputa pelo market share automotivo mudou de sotaque

Definitivamente, não dá para tratar o assunto como um nicho temporário, o volume já dita o ritmo da política econômica. Esse fluxo de componentes inundou o mercado com opções mais baratas, forçando uma redução de preços rápida nas tabelas.

Contudo, criou um ambiente de grande insegurança regulatória. Ao acionar o TCU, a Anfavea joga pesado para forçar a revisão dessas licenças, evidenciando o estrago estrutural que a concorrência causou no caixa das veteranas.
O impacto no seu bolso e no mercado

Se o TCU acolher os argumentos e a Camex fechar o cerco contra a importação de kits, o impacto vai direto para a ponta do consumo.

O primeiro efeito claro será uma pressão de alta nos preços dos híbridos e elétricos de entrada, interrompendo abruptamente o ciclo de descontos.

A percepção de que o eletrificado se tornaria acessível para a classe média pode evaporar em meses, empurrando a demanda de volta aos motores a combustão.

Para as locadoras, maiores compradoras de frotas do Brasil, o sinal é vermelho. O negócio delas depende diretamente da previsibilidade do valor residual dos seminovos na revenda.

O subsídio sobre rodas: o real impacto do Move Brasil no mercado automotivo

Se a regra mudar e encarecer o CKD, o estoque atual até ganha valor no curtíssimo prazo, mas a renovação tecnológica das frotas se tornará financeiramente inviável.

O mercado secundário viverá uma fase de extrema oscilação, alargando o spread entre o preço teórico da tabela FIPE e as transações reais de balcão.
Quem ganha e quem perde

Nessa transição agressiva, os potenciais vencedores são as montadoras tradicionais com planos maduros de nacionalização e a indústria local de autopeças, que ganhariam sobrevida artificial protegidas por barreiras tarifárias.

Já os potenciais perdedores imediatos são as marcas asiáticas entrantes, cujas margens de lucro seriam esmagadas, e o próprio consumidor de média renda, que perde as opções baratas de eletrificação.

O dilema do consumidor: como a sopa de letrinhas automotiva desafia o mercado
Sinais para monitorar

Para o investidor e o gestor corporativo, há indicadores críticos para vigiar.
Primeiro, o andamento do processo no TCU e as resoluções da Camex sobre componentes. Segundo, o mix de vendas mensal, observando se a fatia de CKD/SKD continuará avançando ou se estagnará. Terceiro, o nível de descontos nas concessionárias de marcas importadas, que serve como termômetro da queima de estoques. Quarto, o rumo das margens de lucro das montadoras globais no país. E, por fim, o spread real entre a FIPE e o preço praticado na ponta final para os elétricos usados. A tese estratégica da CarInvest

Acabou a era do crescimento fácil e barato dos eletrificados no Brasil. O país está saindo da fase de encantamento com as baterias e entrando na dura realidade da política industrial baseada em lobby pesado. Montar carros apertando parafusos importados serviu bem para chacoalhar o setor, mas o capital imobilizado reagiu em Brasília, e com força.

Desconfie de projeções lineares de vendas que ignorem esse risco regulatório.

Na hora de gerir frotas ou investir em ações do setor, lembre-se: o mercado automotivo brasileiro sempre recompensou mais quem entende de burocracia do que de inovação.

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

Após assumir completamente suas próprias operações no País — que antes eram divididas em regime de parceria com o Grupo CAOA —, a Hyundai Motor Company repete a estratégia de consolidação global e negocia o controle direto das operações da Kia no Brasil. A informação em primeira mão é do jornalista João Anacleto.

Caso essa negociação se confirme, o tradicional Grupo Gandini deixa de ser o representante oficial da marca após décadas de atuação na importação de veículos. A transição envolve cifras altas e uma complexa engenharia jurídica junto a Brasília.

Como contrapartida para a liquidação de um passivo tributário e financeiro que já se arrastava por cerca de trinta anos, o Grupo Hyundai assumiria o compromisso formal de erguer uma nova fábrica em solo brasileiro. Até a publicação desta reportagem, a Hyundai do Brasil não se posicionou oficialmente sobre o assunto.

José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors Brasil e responsável por distribuir os carros da marca localmente há 34 anos, nega que qualquer acordo tenha sido fechado. “Essa negociação sobre a dívida da Asia Motors ocorre há 20 anos. O que muda agora é o surgimento da nova legislação que eles poderiam aproveitar”, diz o empresário em entrevista ao Jornal do Carro. Ainda assim, nenhum martelo foi batido e não há prazo específico para essa decisão, reitera.

O que estaria na mesa seria a isenção do pagamento dos débitos da antiga empresa mediante a construção de uma fábrica de carros da Kia no Brasil. A questão, lembra Gandini, é que o estabelecimento de uma planta produtiva local pode não ser viável para a marca no momento atual, de grande concorrência no mercado interno com a chegada de novas empresas chinesas. “Eles precisam avaliar se faz sentido”, lembra.

Caso a decisão por produzir localmente de fato aconteça, Gandini perderia a representação da Kia, que passaria às mãos da matriz coreana. “Não gostaria de perder a marca, dediquei a minha vida a este negócio”, diz. Por outro lado, o executivo diz que, independentemente da decisão, tem orgulho de ter pavimentado a história da companhia no Brasil. “Nós construímos desde o começo. Ninguém conhecia a montadora coreana de carros”, lembra.

Concessionários estão cientes das negociações da Kia

Diante da mudança no tom das negociações entre a matriz da Kia e o governo brasileiro, com o surgimento da possibilidade de fábrica local, Gandini convocou uma reunião com concessionários na quinta-feira, 16. “Fui transparente, expliquei o que está acontecendo e reforcei que, por enquanto, não há qualquer mudança”, conta.

Atualmente, a Kia conta com 68 pontos de venda no Brasil. A marca tem uma oferta de carros de valor mais elevado no País. Muito disso é reflexo dos altos custos de transporte dos modelos feitos na Coreia e do Imposto de Importação. Por esse ângulo, uma fábrica local poderia abrir a trilha de crescimento para a empresa entre os consumidores brasileiros.
A herança da Asia Motors e a dívida de R$ 6 bilhões

Para compreender a dimensão do negócio, é preciso retroceder aos anos 1990. Em 1976, a Kia adquiriu globalmente o controle da Asia Motors, fabricante que ficou muito conhecida no mercado brasileiro pelas icônicas vans Towner e Topic. Naquela década, usufruindo do Regime Automotivo vigente, a Asia Motors do Brasil obteve volumosos incentivos fiscais sob a promessa firme de construir uma unidade produtiva no Nordeste do País.

Contudo, a crise financeira asiática de 1997 e a posterior falência da matriz da Asia Motors sepultaram o projeto fabril. No Brasil, o Grupo Gandini, que geria a representação da Kia de forma independente e com reconhecido sucesso no setor de importados, herdou o ônus judicial e os desdobramentos de uma cobrança fiscal bilionária.

Corrigida e atualizada para valores presentes, a dívida histórica cobrada pela União batia a impressionante marca de R$ 6 bilhões. Essa pendência jurídica atuava como uma barreira intransponível, impedindo a Kia de investir em produção local e limitando sua atuação estritamente ao papel de importadora de veículos trazidos do México e da Coreia do Sul.

A discussão que chegou ao STJ não define, por enquanto, se a Kia deverá pagar a dívida. A Justiça discute se a cobrança originalmente direcionada à Asia Motors do Brasil também pode incluir a Kia Motors Corporation.

Em 2011, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região havia impedido essa inclusão por entender que não existiam provas suficientes de que a Kia fosse controladora, administradora ou sucessora responsável pela empresa brasileira. Em 2023, contudo, o STJ anulou parte desse resultado por considerar que a Kia contestou a medida diretamente no tribunal, sem apresentar antes sua defesa ao juiz responsável pela execução fiscal.

A Kia continuou recorrendo. Um recurso inicialmente admitido em setembro de 2024 foi rejeitado de forma preliminar em agosto de 2025. A montadora apresentou então um agravo interno para tentar reverter essa decisão. Documento publicado em 8 de maio de 2026 mostra que esse recurso havia sido incluído em julgamento virtual. A Kia pediu que o caso fosse retirado da pauta para permitir sustentação oral presencial, mas o pedido foi negado.

Piracicaba expande o cinturão automotivo paulista

A solução que está sendo costurada entre a cúpula da Hyundai e o Governo Federal resultaria no perdão definitivo do saldo devedor em troca de um massivo investimento industrial. O Grupo Hyundai assumiria a totalidade das operações comerciais da Kia no Brasil até o encerramento de 2026, abrindo caminho para a execução do novo plano estratégico de manufatura.

A nova unidade fabril da Kia pode ser instalada no município de Piracicaba, no interior de São Paulo, posicionada estrategicamente ao lado da já consolidada infraestrutura da Hyundai (onde hoje são produzidos com sucesso os modelos HB20 e Creta). A proximidade geográfica permitiria uma sinergia logística, de engenharia e de fornecedores sem precedentes entre as duas marcas irmãs.

O impacto socioeconômico estimado para a região é massivo: a nova operação pode criar 5.000 postos de trabalho diretos e mais de 15.000 empregos indiretos na cadeia de suprimentos local.
Rede unificada e o futuro do portfólio

Com o comando centralizado pela matriz da Hyundai a partir do fim deste ano, o portfólio da Kia no Brasil pode passar por uma profunda reestruturação. A expectativa do setor é de que novos modelos globais com motorizações híbridas e elétricas ganhem prioridade comercial, usufruindo da capacidade de distribuição escalada da Hyundai.

Ademais, a reconfiguração atingirá diretamente os pontos de venda. Fontes do mercado apontam para a adoção de um modelo de concessionárias compartilhadas. Seguindo a bem-sucedida experiência corporativa de grandes conglomerados como a Stellantis (que une Fiat e Jeep ou Peugeot e Citroën sob o mesmo teto). O movimento promete inaugurar uma era de competitividade agressiva, mirando diretamente o avanço das novas montadoras chinesas instaladas no País.

Globo Online - RJ   20/07/2026

O Brasil praticamente dobrou a importação de automóveis da China no primeiro semestre deste ano. Foram 140,8 mil emplacamentos — contra 71 mil no mesmo período de 2025 — de veículos vindos do país asiático, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

As vendas de montadoras chinesas que fabricam no Brasil, como GWM e BYD, dispararam na mesma proporção.

As marcas chinesas conquistam mais brasileiros principalmente com carros eletrificados a preços competitivos e a promessa de economia no combustível. As montadoras tradicionais decidiram reagir e estão provocando um efeito dominó nos preços de automóveis novos e usados no país, abrindo uma oportunidade para os consumidores em um setor em alta nos últimos anos.

Para competir com os chineses, fabricantes nacionais e concessionárias ampliaram descontos neste mês e passaram a oferecer bônus generosos na troca de usados por modelos zero-quilômetro, forçando movimento similar nas lojas de seminovos, como são chamados os carros com até três anos de uso e baixa quilometragem.

Com os preços dos novos se aproximando de suas tabelas, as revendedoras começaram a perder clientes e encher pátios e também aderiram à temporada de descontos. Em lojas percorridas pelo GLOBO no Rio, há muitos modelos, principalmente os SUVs, à venda abaixo da Tabela Fipe, que aponta o valor médio de mercado dos usados.

A Toyota, por exemplo, oferece bônus de até R$ 40 mil na troca de um usado por alguns de seus carros zero. No caso do Yaris Cross XR, um modelo novo cujo preço caiu de R$ 149.990 para R$ 139.900 neste mês, esse bônus é de R$ 10 mil. Na prática, quem tem um carro avaliado em R$ 20 mil, por exemplo, pode ter R$ 30 mil de crédito na compra do novo, que sai por R$ 109.900.

A marca japonesa, que tem fábricas em Minas e São Paulo, admite, em nota, que resolveu oferecer “condições competitivas” aos clientes em resposta à “entrada de novos competidores, somada às transformações relacionadas à eletrificação, conectividade e digitalização, além de novas expectativas em relação à mobilidade”.

Outras montadoras seguem essa trilha. A Honda tem bônus de até R$ 15 mil na troca de um usado, mas não informou a motivação. A Volkswagen cortou em cerca de R$ 10 mil o preço do T-Cross e informou que iniciou o seu “Feirão dos Feirões Volks Vale+”.

Já a Fiat, da Stellantis, além de bônus na troca, cortou o preço do Fastback Impetus Turbo de R$ 173.490 para R$ 134.990. A montadora diz que é parte das comemorações dos 50 anos da marca italiana no Brasil, mas destacou que está “sempre atenta às variações no cenário” para definir preços.

Ofensiva chinesa preocupa

As tradicionais produtoras de automóveis no Brasil evitam mencionar diretamente os carros chineses, mas estão preocupadas com eles. A Anfavea, que reúne essas montadoras, tem demandado maior proteção do governo. Além do aumento dos desembarques de veículos chineses, marcas do país asiático investem na produção no Brasil.

A BYD tem crescido com a montagem, na Bahia, de veículos pré-fabricados vindos da China com cotas de importação recentemente prorrogadas pelo governo, a contragosto da Anfavea. A montadora chinesa encerrou o primeiro semestre com alta de 107% nos emplacamentos no Brasil. Foram 99.029, perto do que registrou em todo o ano passado (112.814). Em quatro anos, soma 300 mil carros eletrificados vendidos no país.

Já a GWM, instalada no interior paulista, vendeu nos seis primeiros meses deste ano 35.218 unidades, entre carros e comerciais leves, mais que o dobro da soma no primeiro semestre de 2025: 15.259.

Procuradas, BYD, GWM e Anfavea não quiseram falar sobre o assunto. A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) e a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) não responderam.

Com preços a partir de R$ 110 mil, tecnologia e design arrojados e a promessa de economia com baterias elétricas, os modelos chineses atraem, por exemplo, motoristas de aplicativos e taxistas. O programa especial de crédito oferecido pelo governo para as categorias, o Move Brasil, contempla híbridos e elétricos até R$ 150 mil.

— Hoje você tem um veículo chinês de maior porte competindo com um modelo menor fabricado no Brasil. Esses carros chegam mostrando suas qualidades e dizendo ao mercado: “Eu também sou uma boa opção, tenho um preço extremamente competitivo. Cabe a você decidir se quer experimentar esse carro ou não” — avalia Milad Neto, sócio e diretor-executivo da K.Lume Consultoria Automobilística.

Efeito dominó chega aos usados

Geraldo Victorazzo, vice-presidente Comercial e de Marketing da Auto Avaliar, explica que o mercado de automóveis funciona em cadeia: quando os preços dos carros novos caem, os de seminovos e usados seguem a tendência:

— Se a referência do carro usado é o carro novo, quando o zero reduz o preço, naturalmente o usado também tem regressão mais forte. A proposta de valor dos chineses, com carros novos com tecnologia embarcada e garantia alongada, fez todo o mercado se reposicionar para baixo. E trouxe depreciação mais aguda para os usados, diferentemente do que acontecia há três anos.

Nas lojas de usados do Boulevard Shopping Car, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, pátios estão cheios e há poucos clientes fechando negócio. Empresários e vendedores logo mencionam um crescente interesse por modelos elétricos chineses, mas também citam os juros altos, que dificultam vendas parceladas, principalmente de SUVs.

A consultora de vendas Heloísa Rodrigues, que atua numa das lojas, avalia que, nessa faixa, muita gente fica tentada a pagar um pouco mais para experimentar um eletrificado chinês:

— Os SUVs são muito procurados, é o carro da moda, né? Mas estão acima de R$ 100 mil. O momento das vendas é difícil principalmente porque os carros elétricos entram com preços muito baixos.

Há 11 anos no setor, o vendedor Thyago Damázio vê uma mudança drástica em pouco tempo. Ele diz que carros até R$ 80 mil ainda saem, mas, para manter o giro acima dessa faixa, só com descontos. Ele mostra um T-Cross 2026, com apenas 600 quilômetros rodados, parado ali há dois meses.

— Antigamente eu vendia sete ou oito carros em um sábado. Hoje, se vender essa quantidade em um mês, agradeço a Deus. O mercado nunca esteve tão ruim — afirma.

Marcelo Pinheiro, dono da Lumar Automóveis, também no Boulevard, tem ali um Corolla Cross, um Nissan Kicks e um HR-V há quatro meses. Para evitar mais carros acumulando poeira, ele resolveu sacrificar parte da margem de lucro e aplicou descontos de até R$ 12 mil, mas não está fácil:

— Mesmo assim não aparece comprador. Se surgir proposta mais baixa, vou aceitar.

Naquela região da Intendente Magalhães, a queda do movimento já fechou alguns estabelecimentos. Ivan Sousa, gerente de uma loja que ainda resiste, conta que foi obrigado a reduzir o quadro de funcionários:

— Não tem como manter uma estrutura se os carros não vendem. O vendedor precisa comercializar pelo menos dois veículos por mês para ter uma renda mínima, e muitas vezes nem isso está conseguindo.

Damázio acrescenta que os descontos para aquecer as vendas acabam reduzindo a comissão dos vendedores. Ele conta que já chegou a somar ganhos de R$ 14 mil em um mês, mas ultimamente tem feito menos da metade.

O governo acena com uma ajuda: incluiu no Move Brasil, na semana passada, seminovos elétricos e híbridos flex produzidos a partir de 2024 no valor de até R$ 150 mil.

Para J.R. Caporal, CEO da Auto Avaliar e Megadealer, a medida pode ajudar a resolver outro fator que tem freado a venda de automóveis no país: o acesso ao crédito e os juros muito altos. Ele avalia que os descontos também devem favorecer prestações mais acessíveis aos consumidores e revitalizar o mercado.

Bom para o consumidor

Para o motorista que quer vender seu carro, o momento não é o melhor. As revendedoras estão reduzindo as avaliações para preservar margens de lucro e compensar os descontos. Já para quem está disposto a comprar, a maré é favorável.

O servidor público Sérgio Machado, de 66 anos, que teve o carro furtado em junho, percorreu na semana passada lojas da Avenida Intendente Magalhães, que concentra revendedoras na Zona Norte do Rio, e saiu com um Cobalt 2017 automático por R$ 56 mil:

— Achei um que coube no meu orçamento. Um zero está fora da minha realidade.

Invasão chinesa não é só no Brasil

A enxurrada de carros chineses não é uma particularidade do Brasil. A reorganização da indústria automotiva da China na propulsão elétrica elevou a produção daquele país com intensa competição entre as montadoras, que conseguiram baixar muito o custo com a verticalização de cadeias produtivas como a de componentes, explica Antônio Jorge Martins, professor de cursos automotivos da FGV.

Para evitar a concorrência predatória, o governo chinês passou a estimular a exportação para outros países, como o Brasil.

Segundo dados recentes do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os carros eletrificados já representam 15% das vendas da China ao Brasil. Entre janeiro e junho deste ano, as importações brasileiras de híbridos plug-in daquele país dobraram, alcançando US$ 2,79 bilhões, enquanto as de elétricos quase quadruplicaram, chegando a cerca de US$ 2 bilhões.

Os híbridos, que ocupavam a 25ª posição na pauta de importações da China na primeira metade de 2025, passaram para o sexto lugar neste ano, com alta de 239% no valor importado.

— Hoje há muitas fabricantes de veículos elétricos na China. Isso significa que elas precisam vender fora do mercado chinês para manter a rentabilidade. Aos poucos, vemos um número cada vez maior de empresas chinesas atuando em outros mercados justamente por essa necessidade de ampliar a lucratividade — afirma Martins, da FGV.

Montadoras disputam apoio do governo

Enquanto mercados importantes como a Europa e os EUA levantam barreiras tarifárias aos carros da China, as montadoras representadas pela Anfavea demandam o mesmo do governo brasileiro. No entanto, as fabricantes chinesas que estão se instalando no Brasil também têm se mostrado influentes para colher benefícios fiscais.

No último round dessa disputa, a BYD levou a melhor. Contrariando a Anfavea e atendendo demanda da montadora chinesa, o governo aprovou cotas adicionais de importação com alíquota zero para veículos CKD (totalmente desmontados) e SKD (semidesmontados), a partir de 1º de julho de 2026, pelo prazo de seis meses, em um limite total de US$ 463 milhões.

Diante desse cenário, observa Milad Neto, resta às montadoras tradicionais adotar estratégias de preço para preservar sua competitividade e recuperar terreno:

— Se deixar como está, o estoque aumenta e as vendas não acontecem. Não dá para manter o mesmo nível de preços quando o carro chinês entrega mais. A saída é reduzir os preços. É uma verdadeira guerra de preços e isso escancara o problema de competitividade da indústria nacional diante dos veículos chineses.

Vendas em alta

Com as promoções, a Anfavea revisou para cima sua projeção de vendas de veículos no Brasil neste ano. Espera superar 3 milhões de unidades, marca que não é alcançada desde 2014, com crescimento de 11,7% em relação a 2025. A produção nacional, por sua vez, deve chegar a cerca de 2,8 milhões de veículos, alta de 5,8% sobre o ano passado, o melhor desempenho desde 2019.

Apesar do desempenho positivo do mercado interno, o presidente da entidade, Igor Calvet, demonstrou preocupação com o avanço dos eletrificados importados, embora sem citar diretamente a China, no comunicado que acompanhou os números, no mês passado. Sem a concorrência chinesa, ele avalia que a indústria nacional teria resultados ainda melhores.

“Lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação, algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito, dado o bom desempenho dos veículos eletrificados no mercado”, afirmou o executivo, referindo-se aos kits pré-fabricados na China usados, por exemplo, pela BYD.

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

A Honda confirmou que encerrará as vendas do Prologue nos Estados Unidos após o término da linha 2026. Primeiro carro elétrico da marca comercializado em grande escala no país, o SUV deixará o mercado depois de apenas três anos.

A situação do Prologue piorou depois da retirada dos incentivos federais concedidos a compradores de veículos elétricos nos EUA. No primeiro semestre de 2026, a Honda vendeu 8.407 unidades do SUV, queda de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os carros que ainda estão nos estoques das concessionárias continuarão sendo oferecidos nos próximos meses.

Lançado como linha 2024, o Prologue não era um projeto integralmente desenvolvido pela Honda. O modelo utilizava a arquitetura elétrica Ultium da General Motors e compartilhava componentes com o Chevrolet Blazer EV. A parceria também deu origem ao Acura ZDX, que teve vida ainda mais curta.

A parceria com a General Motors, inclusive, funcionaria como uma ponte até a chegada de uma família de elétricos desenvolvida pela própria Honda. A fabricante preparava uma nova plataforma e pretendia produzir nos Estados Unidos o sedã 0 Saloon, o utilitário 0 SUV e o Acura RSX.

No começo de 2026, os novos modelos ainda eram tratados como peças centrais da estratégia da empresa. Os planos, entretanto, foram cancelados poucos meses depois. Sem os veículos da Série 0 e agora sem o Prologue, a Honda praticamente desmontou sua operação de automóveis elétricos na América do Norte.

O recuo também atingiu a Sony Honda Mobility, empresa conjunta criada por Honda e Sony em 2022. A companhia cancelou o desenvolvimento e o lançamento do Afeela 1, que já tinha recebido reservas e seria produzido em Ohio. Um segundo modelo da marca também foi abandonado.

A expectativa era combinar a experiência industrial da Honda com o conhecimento da Sony em eletrônicos, entretenimento, sensores e software. O projeto, porém, ficou sem componentes e tecnologias que seriam compartilhados com os demais elétricos cancelados pela montadora.
Investimentos bilionários viraram prejuízo

A Honda havia anunciado em 2021 que deixaria de vender automóveis com motores a combustão até 2040. Os Estados Unidos, responsáveis por cerca de 40% das vendas globais de carros da empresa, tornaram-se o principal destino dos investimentos.

Entre os projetos estavam a transformação de fábricas de Ohio em um polo de produção de elétricos e a construção de uma unidade de baterias em parceria com a sul-coreana LG Energy Solution. A fabricante chegou a comprometer mais de 3 trilhões de ienes (cerca de R$ 94 bilhões em conversão direta) com sua estratégia de eletrificação.

Parte dos investimentos foi feita em moldes, equipamentos e instalações destinados a veículos que jamais chegaram às lojas. Em março, a própria Honda estimou que a revisão de sua estratégia poderia provocar perdas de até R$ 86 bilhões ao longo de dois exercícios fiscais.

O impacto ajudou a levar a Honda ao primeiro prejuízo anual desde que a empresa abriu seu capital, na década de 1950. No exercício encerrado em março de 2026, a montadora registrou perda líquida de 423,9 bilhões de ienes, equivalente a aproximadamente R$ 15 bilhões.

O mercado, no entanto, não explica sozinho o fracasso da estratégia. A Honda concentrou investimentos elevados em uma estrutura industrial pouco flexível e demorou para ajustar seus projetos à desaceleração da demanda. Quando mudou de direção, boa parte dos gastos já havia sido realizada.

Elétricos sobrevivem no Japão

O fim do Prologue não representa o abandono completo dos carros elétricos pela Honda. No Japão, a linha inclui o comercial N-VAN e: e o N-ONE e:, modelo de passageiros lançado em 2025. Os dois são destinados principalmente a percursos urbanos e têm proposta bastante diferente da dos SUVs grandes e caros planejados para os Estados Unidos.

É uma operação menor, mas que mostra uma abordagem mais pragmática. Em casa, a montadora oferece elétricos compactos, adaptados à infraestrutura e aos hábitos de uso do mercado.

Agora, a empresa pretende ampliar a oferta de híbridos e manter motores a combustão por mais tempo. A antiga meta de abandonar completamente essa tecnologia até 2040 também foi deixada de lado. A Honda ainda trata os elétricos como parte de seus planos de longo prazo, mas sem repetir, ao menos por ora, a escala e a rigidez da estratégia que culminou em prejuízos e na subida ao telhado de inúmeros modelos.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Exame - SP   20/07/2026

O prédio mais alto de São Paulo está prestes a ser lançado, e está sendo desenvolvido pelo Grupo Carrefour Brasil, por meio do Carrefour Property. Localizada dentro do complexo multiuso Paseo Alto das Nações, a torre corporativa ainda sem nome definido recebeu o "habite-se" no fim de junho.

Com 219 metros de altura distribuídos em mais de 40 pavimentos, cada um com 2.200 metros quadrados, a construção deve superar todos os edifícios da capital, incluindo o Platina 220, localizado no Tatuapé, Zona Leste, que até agora detinha o posto de maior torre da cidade com 172 metros e 50 pavimentos.

O projeto do Carrefour foi desenvolvido em parceria com a WTorre e ocupa um dos 400 imóveis que o grupo possui espalhados pelo Brasil. O terreno escolhido, próximo à Marginal Pinheiros, na Zona Sul, foi onde o grupo francês inaugurou sua primeira unidade de hipermercado de grandes proporções em 1975.

“Entramos com a permuta do terreno e, em troca, recebemos um novo hipermercado, junto com um espaço de conveniência que pode ser locado para outras lojas, como uma Cobasi ou uma Kopenhagen. Além disso, somos donos de parte das lajes do edifício corporativo”, detalha Camila Monteiro, diretora de desenvolvimento imobiliário do Carrefour Property.

O complexo multiuso transformou o ativo de quase 60 mil metros quadrados em um polo moderno, seguindo a estratégia de permuta física, na qual o Carrefour atuou como terrenista. Em troca do terreno, a empresa recebeu o novo hipermercado, a área do shopping, participação no estacionamento do subsolo, seis lajes corporativas inteiras e 23% de uma sétima, além de uma compensação financeira previamente acordada, conhecida como torna.

O Carrefour Property consolidou sua estratégia atual a partir do desenvolvimento do Paseo Alto das Nações em 2013 e retomou o ritmo em 2023, com foco em monetização de ativos.

Hoje, a companhia possui cerca de 400 terrenos pelo Brasil, muitos adquiridos há 50 anos em áreas então periféricas que se tornaram estratégicas. Parte do portfólio veio com a aquisição do Grupo BIG, trazendo terrenos próximos a lojas existentes, que se mostram mais valiosos para desenvolvimento imobiliário do que para operação de varejo.

No curto prazo, a companhia tem três projetos com perfil semelhante ao Paseo mapeados em grandes capitais e já possui 13 negócios fechados. O modelo migra do conceito de permuta física para permuta financeira, garantindo fluxo de caixa contínuo e viabilizando verticalizações estratégicas, segundo Monteiro.

O Platina 220

Enquanto o Platina 220 se tornou um ícone da Zona Leste, com seu design multiuso integrando apartamentos compactos, quartos de hotel, salas comerciais e lajes corporativas, o novo edifício do Carrefour é apenas comercial.

A construção começou do edifício no Tatuapé começou em 2018 e a inauguração aconteceu em 2022. Ele possui 6,4 mil metros quadrados de terreno, 57 mil metros quadrados de área construída, 3,9 mil toneladas de aço e 32,3 mil metros cúbicos de concreto, além de 20 elevadores de alta velocidade e mais de 500 vagas de garagem para atender os 50 andares.

O Platina 220 faz parte do Eixo Platina, comandado pela incorporadora Porte Engenharia e Urbanismo, que atua em uma área que inclui os bairros Belém, Vila Carrão, Vila Formosa, Água Rasa e Mooca. O polo urbanístico é paralelo à Radial Leste, próximo às estações do metrô Belém, Tatuapé e Carrão, com base na Rua Platina.

À época, a incorporadora afirmou à EXAME que objetivo é transformar a zona leste em mais do que uma região dormitório, agregando usos residenciais, comerciais e de lazer de forma integrada.

O prédio abriga quatro tipos de unidades: apartamentos compactos, quartos de hotel, salas comerciais e lajes corporativas. Para organizar o fluxo, o acesso é controlado: moradores residenciais não têm acesso às áreas corporativas e vice-versa, exceto no primeiro andar, onde hotel e residencial compartilham lazer, piscina, academia e restaurante.

Diário do Comércio - MG   20/07/2026

O mercado de turismo e hotelaria de luxo em Minas Gerais ganhará mais um empreendimento. Capitólio, região reconhecida nacionalmente pelas belezas naturais e pelo Lago de Furnas, vai sediar o Cataguá Resort Esmeralda, um empreendimento de padrão cinco estrelas que promete reunir hospitalidade e entretenimento. O projeto, cujas obras de terraplanagem já foram iniciadas, receberá R$ 235 milhões em investimentos.

O resort integra o Empreendimento Cataguá, considerado o maior complexo integrado de lazer e entretenimento de Minas Gerais. O Cataguá Resort Esmeralda está localizado nos cânions de Capitólio e será conectado ao Tuná Parque Aquático e ao Pauá Parque, de aventura e lazer. O projeto completo receberá cerca de R$ 500 milhões em investimentos.

O empresário e um dos sócios do empreendimento, Jorge Abukater, ressalta que a região tem diversos atrativos e a construção do empreendimento vem para impulsionar ainda mais o turismo em Capitólio e na Serra da Canastra.

“Nosso empreendimento está em uma região de beleza diferenciada. Os cânions de Capitólio e a represa de Furnas, o Mar de Minas, têm uma grandiosidade natural espetacular. Somado a isso, temos a nossa mineirice, esse acolhimento que os mineiros oferecem aos turistas. Assim, o nosso empreendimento veio somar a todos esses atrativos”, explicou.

Com obras já em curso e previsão de inauguração no final de 2029, a construção do Cataguá Resort Esmeralda vai gerar 150 empregos diretos na construção e 680 após a inauguração, além de 1.800 indiretos. O resort contará com 304 unidades/quartos, distribuídas entre studios com área de 36 metros quadrados, suítes de 46,5 metros quadrados e coberturas de 93 metros quadrados.

O Cataguá Resort Esmeralda terá o padrão de hospitalidade internacional da Rede Wyndham e adotará o conceito de “Natureza Cinco Estrelas”, com piscina com borda infinita integrada à paisagem do Mar de Minas, spa, academia completa, quadra de beach tennis e apartamentos sob medida para cada perfil familiar.

O resort oferecerá uma programação ampla de entretenimento e alta gastronomia, contando com três restaurantes exclusivos para atender aos hóspedes ao longo de todo o dia. Além da hospedagem tradicional, o empreendimento apostará no modelo de tempo compartilhado (time share), permitindo que os clientes adquiram frações imobiliárias com antecedência em condições especiais, garantindo hospedagem anual de forma flexível.

Com uma infraestrutura de lazer robusta, o resort também tem como diferencial competitivo a localização estratégica, onde os hóspedes estarão ao lado de dois grandes parques da região. O complexo é composto pelo Pauá Parque e pelo Tuná Parque Aquático.

O Pauá Parque já está em pleno funcionamento e é considerado um dos maiores parques de aventura do Brasil. Até o final do ano, o empreendimento ganhará novos atrativos, como uma ponte pênsil e um mirante de vidro. Já o Tuná Parque Aquático está em fase final de construção e tem inauguração prevista para o final deste ano. Quando inaugurado, conforme Abukater, o Tuná será considerado o maior parque aquático de Minas Gerais.

Quanto às expectativas de mercado, Abukater é otimista e destaca que o turismo na região de Capitólio e da Serra da Canastra registra um dos maiores índices de crescimento do País, avançando cerca de 7% ao ano em fluxo de visitantes. A chegada do resort de alto padrão visa a complementar a rede hoteleira já existente.

“Nosso empreendimento veio somar mais à região, que já conta com diversos atrativos e uma forte tradição de hospitalidade. Temos hotéis e pousadas de excelente qualidade, e acredito que o empreendimento vai movimentar a economia de todo esse destino”, explicou.

FERROVIÁRIO

Revista Mineração - SP   20/07/2026

A Vale deu mais um passo na modernização de sua logística ferroviária ao anunciar a adoção do sistema Positive Train Control (PTC), desenvolvido em parceria com a Wabtec. A iniciativa, que contará com investimento de cerca de R$ 1 bilhão, será executada em etapas até 2031.

O novo sistema utiliza tecnologia avançada para transmissão e monitoramento de dados em tempo real, permitindo maior controle das operações ferroviárias, acionamento automático em condições de risco e redução de eventos operacionais críticos.

De acordo com a mineradora, o projeto será integrado aos equipamentos embarcados e à infraestrutura atualmente utilizada nas Estradas de Ferro Carajás e Vitória a Minas.

A Vale ressalta que as duas ferrovias já figuram entre as mais seguras do país, conforme critérios da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), além de serem as únicas linhas ferroviárias brasileiras que operam regularmente o transporte de passageiros.

Segundo o vice-presidente de Operações da companhia, Carlos Medeiros, o investimento fortalece a estratégia da empresa de ampliar a segurança operacional por meio da inovação tecnológica.

“O fortalecimento contínuo da nossa cultura de segurança e excelência operacional é um dos pilares da estratégia de futuro da Vale. A adoção dessa tecnologia de ponta para a gestão ferroviária reforça o compromisso de usar a inovação como alavanca para uma operação cada vez mais segura, moderna e eficiente em nossa cadeia logística integrada”, afirmou.

Para Danilo Miyasato, presidente e líder regional da Wabtec LATAM, a implantação do Positive Train Control representa um marco para a evolução da segurança ferroviária nacional.

“A implantação do PTC nas operações da Vale representa um marco relevante para o avanço da segurança ferroviária no Brasil. Este projeto reforça nosso compromisso com a inovação com propósito, impulsionando a transformação digital nas ferrovias e contribuindo para operações mais seguras e eficientes”, declarou.

Rodoviário

A Tribuna - SP   20/07/2026

As primeiras obras previstas no contrato de concessão da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055) começaram nesta semana em Itanhaém e Peruíbe, no litoral de São Paulo. A Concessionária Novo Litoral (CNL) iniciou a implantação das vias marginais que fazem parte de um projeto de mais de R$ 110 milhões para construir 90 quilômetros de novas pistas entre Praia Grande e Peruíbe até o fim de 2027.

Primeiros trechos

Nesta etapa, os trabalhos contemplam cerca de 19,5 quilômetros de vias marginais em Itanhaém e outros quatro quilômetros em Peruíbe.

O pacote de intervenções também inclui trechos de recuperação em Mongaguá. Segundo a concessionária, as obras já podem ser iniciadas graças ao convênio firmado entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura, mas ainda dependem de entendimentos com a Administração Municipal.

Pacote de melhorias

Além da implantação das novas marginais, o projeto prevê a pavimentação de trechos que hoje são de terra, recuperação de segmentos com pavimento intertravado e revitalização de vias já asfaltadas.

Também estão previstas melhorias na iluminação pública, construção de calçadas em toda a extensão das marginais, reforço da sinalização horizontal e vertical, obras de drenagem e preservação das ciclovias existentes.

De acordo com a CNL, as intervenções vão preparar a infraestrutura para acompanhar o crescimento dos municípios da Baixada Santista atendidos.

"Estas são obras muito importantes e visam a reorganização do trânsito local. As novas marginais contribuirão para favorecer a conexão entre bairros, ampliar o acesso a comércios e serviços e melhorar a circulação nos municípios", afirma Eduardo Meirelles, gerente de Engenharia de Implantação.

A expectativa é concluir esta fase dos serviços em até cinco meses, com entrega gradual dos trechos modernizados. As próximas etapas deverão começar em breve e serão divulgadas antecipadamente.

Alterações no trânsito

As intervenções serão executadas por etapas, o que exigirá mudanças temporárias no tráfego ao longo dos próximos meses. Sempre que necessário, os veículos serão direcionados para ruas adjacentes ou terão o fluxo desviado temporariamente para a rodovia.

Durante as obras, a velocidade máxima nas vias marginais será de 40 km/h. Também ficará proibido estacionar ou parar veículos nos trechos em obras.

A concessionária informa que o acesso dos moradores às residências será preservado durante toda a execução dos serviços por meio de estruturas provisórias. Toda a operação contará com sinalização específica para orientar motoristas, pedestres e trabalhadores.

"Entendemos que as obras geram transtornos temporários, mas é por meio delas que vamos transformar a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega e seu entorno. Pedimos a compreensão da população", diz Eduardo.

NAVAL

Jornal de Brasília - DF   20/07/2026

No Porto Sudeste, no Rio de Janeiro, a área inicialmente reservada a um píer para minério de ferro começa a dar lugar a uma instalação para transbordo de petróleo entre navios, que vai ampliar a capacidade brasileira de exportação da commodity, hoje o principal produto da balança comercial do país.

O investimento de R$ 180 milhões foi aprovado em 2023, diante das perspectivas de crescimento da produção do pré-sal. Não é o único: o porto do Açu e a própria Petrobras têm planos de expansão em seus terminais de petróleo.

“Até o fim da década, a produção brasileira de petróleo vai chegar a 5 milhões de barris por dia”, diz o CEO do Porto Sudeste, Jayme Nicolato. “Estamos em área abrigada, com um centro de emergência do lado, e podemos oferecer com muita segurança a transferência do óleo [entre navios].”

Conhecido como ship-to-ship (navio a navio), esse tipo de operação é necessário porque as embarcações que retiram o petróleo das plataformas do pré-sal, a centenas de quilômetros da costa, são caras demais para fazer viagens de longas distâncias para Europa ou para a Ásia.

Elas têm uma tecnologia chamada posicionamento dinâmico, que permite que fiquem paradas na mesma posição enquanto puxam o óleo das plataformas, independentemente das condições climáticas.

Para retornarem mais rapidamente às plataformas, esses navios transferem a produção a petroleiros comuns em terminais portuários ou até mesmo em alto-mar. Em 2025, as principais fornecedoras desse serviço registraram recordes, acompanhando o crescimento da produção de petróleo.

A Transpetro, subsidiária de transportes da Petrobras, movimentou 700 mil barris por dia em operações ship-to-ship, alta de 18% em relação ao ano anterior. A Vast, no porto do Açu, movimentou uma média de 600 mil barris por dia, alta de 19%.

As perspectivas, como disse Nicolato, são de crescimento. Nos primeiros meses de 2026, a produção do pré-sal vem batendo recordes sucessivos. Como consequência, as exportações brasileiras de petróleo também estão em níveis altos.

Idealizado pelo empresário Eike Batista para movimentar minério de ferro que seria produzido pelo grupo X em Minas Gerais, o Porto Sudeste decidiu rever a estratégia. Mantém a movimentação de minério no cais já construído, com capacidade para 50 milhões de toneladas por ano.

Mas o segundo cais do projeto, de mesmo porte, não sairá mais do papel. “O porto foi desenhado para 100 milhões de toneladas. Vai atingir o objetivo, mas com 50 milhões de toneladas de granéis sólidos e 50 milhões de granéis líquidos”, diz o executivo.

O porto já vem realizando operações de transbordo no cais, quando há janelas nos contratos com mineradoras. Em 2024, foram 19 e, até agora, neste ano, 12. Quando a estrutura para atracação dos navios, conhecida como dolphin (golfinho, em inglês), estiver pronta, a capacidade será 144 operações por ano.

Maior operadora privada do país, a Vast fez 229 operações de transbordo em 2025. Este ano, a empresa iniciou um projeto de expansão, que vai elevar sua capacidade de movimentação de 1,2 milhão para 1,8 milhão de barris por dia.

Localizado no município de São João da Barra (RJ) —e também idealizado por Eike Batista—, o terminal é hoje o único do país com capacidade para receber navios do tipo VLCC, os superpetroleiros, com capacidade para transportar 2 milhões de barris de petróleo.

O projeto de expansão prevê a preparação do terceiro berço, hoje restrito a navios com 1 milhão de barris de capacidade, para acomodar os VLCCs. Prevê também investimentos em tancagem para oferecer serviço de armazenamento de petróleo às petroleiras.

O Porto Sudeste até recebe VLCCs, mas eles não podem sair pela baía de Sepetiba com os tanques cheios, o que demandaria dragagem do canal. O projeto do porto da Imetame em Aracruz (ES) também prevê atrair superpetroleiros.

Chamado de Porto Logística, o empreendimento de R$ 2,5 bilhões fechou recentemente parceria com a HGT (Hanseatic Global Terminals), braço de contêineres da multinacional alemã Hapag-Lloyd, e também vê no petróleo uma plataforma de crescimento, com um berço para operações ship-to-ship.

A Petrobras é outra que tem planos de expansão: tenta novamente tirar do papel a ampliação do Tebig (Terminal da Baía da Ilha Grande), projeto alvo de resistência de ambientalistas e comunidades tradicionais que já foi vetado pelo governo do Rio de Janeiro em 2012.

A empresa começou a realizar reuniões públicas com comunidades próximas ao terminal, em uma etapa prévia ao pedido de licenciamento ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).

O tamanho da expansão vai depender dessas conversas com a sociedade, diz o diretor de dutos e terminais da Transpetro, Márcio Guimarães. Mas a ideia é construir ao menos um dolphin para aumentar a capacidade de atracações, em um desenho diferente daquele de 2012.

Guimarães afirma que, além da demanda pela exportação, o terminal tem hoje relevância no recebimento de petróleo para as refinarias de Duque de Caxias (RJ) e Betim (MG) e de água que sai dos poços de petróleo para tratamento —dois segmentos que também tendem a crescer.

“A infraestrutura tem que seguir o aumento da produção, não podemos ficar parados”, afirma o executivo. “E investimento em infraestrutura demora a ser feito, não dá para a gente pensar só quando a produção chegar.”

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou nesta sexta-feira, 17 (já madrugada de sábado, 18, no país) que dois navios petroleiros “explodiram e pegaram fogo” enquanto atravessavam uma área minada no Estreito de Ormuz.

“Dois navios petroleiros, que tentavam atravessar o campo minado no sul do Estreito de Ormuz por meio de artimanhas conduzidas por agências de inteligência dos Estados Unidos, explodiram e incendiaram-se”, afirmou a Guarda Revolucionária em um comunicado reproduzido no Telegram pela agência oficial Irna, sem informar a nacionalidade das embarcações nem se houve vítimas.

O Estreito de Ormuz é uma rota marítima importante para o comércio global, principalmente de petróleo e gás natural. Localizado em uma das margens do Estreito, o Irã o fechou com minas aquáticas durante a guerra como estratégia, e utiliza a via como um trunfo nas negociações. Os Estados Unidos reagiram bloqueando os portos iranianos.

Na noite desta sexta, os Estados Unidos realizaram bombardeios no Irã pelo sétimo dia consecutivo. O Comando Central dos Estados Unidos afirmou, em uma publicação na rede X, que os ataques começaram às 16h no horário de Brasília, já noite no Irã. Segundo a instituição, a ofensiva tem como objetivo “continuar degradando as capacidades militares iranianas”.

Além da ofensiva militar, Washington reforçou a pressão econômica ao restabelecer o bloqueio dos portos iranianos. Teerã reiterou que não abrirá mão do controle sobre a passagem, enquanto ataques contra embarcações continuaram sendo registrados na região.

Estados Unidos e Irã firmarem um memorando de entendimento em junho para tentar encerrar o conflito iniciado em fevereiro. Apesar da tentativa de aproximação diplomática, os dois países voltaram a trocar ataques nos últimos dias, em uma ofensiva que se concentra, cada vez mais, em infraestruturas estratégicas como pontes, portos e usinas de energia.

PETROLÍFERO

Money Times - SP   20/07/2026

Os preços do petróleo encerraram o pregão em alta após a intensificação de ataques dos Estados Unidos ao Irã, o que trouxe cautela aos mercados globais.

O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para setembro avançou 4,59%, a US$ 88,10 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para agosto saltou 4,47%, a US$ 81,78 o barril.

Na semana, o Brent saltou 15,9%, enquanto o WTI disparou 14,5% diante do novo bloqueio no Estreito de Ormuz e da escalada dos ataques entre EUA e Irã.

O que mexeu com o petróleo hoje?

Desde o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, com alguns navios sendo atingidos por disparos, houve um queda acentuada no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, hidrovia vital para o fornecimento de um quino do petróleo no mundo.

Hoje, os países intensificaram os ataques, com os EUA atingindo pontes e um aeroporto no Irã, enquanto o país persa lançou uma ofensiva à usina de energia e dessalinização no Kuwait.

O Irã lançou ataques contra instalações norte-americanas no Oriente Médio e realizou o primeiro ataque direto à Síria, após a sexta noite consecutiva de ataques dos EUA.

Segundo o site de notícias Axios, o governo de Donald Trump notificou Israel de que está enviando dezenas de aviões de reabastecimento adicionais para o país, antes de uma potencial expansão das operações militares contra o Irã. Na véspera, o Wall Street Journal já havia informado sobre uma intensificação no conflito.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, em inglês) alertou que, enquanto os Estados Unidos continuarem os ataques contra alvos iranianos, não haverá nenhuma exportação de petróleo e gás da região e acrescentou que o controle total do Estreito de Ormuz permanece nas mãos de Teerã.

Money Times - SP   20/07/2026

A volta das tensões no Estreito de Ormuz fez o mercado recolocar um prêmio geopolítico sobre o petróleo, mas um fator do outro lado do mundo tem evitado uma disparada ainda maior dos preços: a China.

Segundo Jean Miranda, analista de commodities do BTG Pactual, o Brent voltou a ser negociado, no curto prazo, praticamente em função do fluxo de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.

“O mercado de Brent está operando de forma binária em relação ao fluxo no Estreito de Ormuz”, afirmou durante o programa Radar das Commodities.

De acordo com o analista, antes do agravamento do conflito cerca de 120 embarcações cruzavam diariamente a região. Com a escalada das tensões, esse número despencou. Em junho, o avanço das negociações entre as partes permitiu uma recuperação parcial do fluxo, para algo entre 30 e 60 navios por dia, mas a retomada das operações militares na última semana fez o movimento voltar a se aproximar de zero.

Para Miranda, é justamente essa incerteza sobre a circulação de petróleo pelo estreito que explica o retorno do prêmio geopolítico aos preços do Brent.

“É muito difícil dizer o que vai acontecer nas próximas semanas. Nem Estados Unidos nem Irã têm hoje um horizonte claro de como esse conflito será resolvido”, disse.
China impede uma alta ainda maior

Se a oferta preocupa, a demanda tem funcionado como um contraponto importante.

Segundo o analista, a China registrou em junho um dos menores volumes de importação de petróleo da última década, reduzindo significativamente a pressão sobre os preços internacionais.

Na avaliação de Miranda, essa desaceleração foi determinante para impedir que o Brent permanecesse acima de US$ 100 por barril, mesmo em meio às restrições no Estreito de Ormuz.

Além de importar menos petróleo, a China também reduziu seu ritmo de refino. Embora isso ajude a conter a valorização do petróleo bruto, cria um novo problema para o mercado: a menor oferta de derivados, como diesel, gasolina e querosene de aviação.

“A China acabou sendo uma solução para o mercado não ver o preço do Brent subir muito além de US$ 100. Mas, ao reduzir o refino, acaba diminuindo também a oferta de combustíveis”, explicou.

Esse movimento ocorre justamente em um momento em que os estoques de derivados já estão apertados. Segundo Miranda, os estoques comerciais de gasolina nos Estados Unidos estão cerca de 6% abaixo da média dos últimos cinco anos, enquanto os de diesel apresentam um déficit de aproximadamente 12%.
Petrobras pode ser uma das principais beneficiadas

Na visão do BTG, essa combinação entre petróleo bruto relativamente abundante e derivados escassos ampliou os chamados crack spreads — a diferença entre o preço dos combustíveis vendidos e o custo do petróleo utilizado pelas refinarias.

Como o Brent recuou dos picos registrados durante o conflito, enquanto diesel e gasolina permaneceram valorizados, as margens do segmento de refino aumentaram significativamente.

É justamente nesse ponto que entra a Petrobras (PETR4).

Segundo Miranda, a estatal refina cerca de 70% da própria produção de petróleo, o que permite capturar praticamente toda a melhora dos spreads.

“Essa situação deve permanecer por algum tempo. Enquanto esses spreads continuarem acima da média histórica, empresas de refino como a Petrobras tendem a apresentar uma geração de caixa mais forte”, afirmou.

Embora o comportamento do conflito permaneça imprevisível, o analista avalia que, mesmo em um cenário de normalização gradual do fluxo pelo Estreito de Ormuz, os spreads de refino podem continuar elevados por algum tempo, sustentando um ambiente favorável para a companhia brasileira.

Valor - SP   20/07/2026

Ainda assim, fluxos pelo Estreito de Ormuz estão diminuindo com intensificação dos combates.

Os países do Golfo Pérsico aumentaram as exportações de petróleo bruto e condensado na primeira quinzena de julho, atingindo os níveis mais altos desde antes do início da guerra no Irã, segundo dados de transporte marítimo.

No entanto, os fluxos pelo Estreito de Ormuz estão agora diminuindo à medida que os combates se intensificam.

As exportações de petróleo bruto e condensado da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Iraque, do Kuwait e do Irã aumentaram cerca de 16% em relação à média diária de todo o mês de junho, atingindo 12 milhões de barris por dia (bpd) na primeira quinzena de julho, segundo dados da Kpler.

A Vortexa estimou as exportações durante o período em um volume ainda maior: 13,06 milhões de bpd.

A Arábia Saudita, o Irã e o Iraque lideraram o aumento na primeira quinzena de julho, segundo a Kpler, enquanto a Vortexa estimou que o Iraque registrou o maior aumento em relação ao mês anterior, e as exportações dos Emirados Árabes Unidos diminuíram ante os níveis recordes de junho.

O aumento nas exportações do Golfo Pérsico provocou uma queda nos preços do petróleo uma vez que as preocupações com a oferta diminuíram depois que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo provisório em meados de junho para reabrir o estreito e buscar um acordo mais amplo para encerrar o conflito entre os dois países.

O acordo provisório fracassou no início de julho devido a divergências sobre a administração da via navegável.

Os embarques pelo estreito já estão diminuindo uma vez que os ataques de ambos os lados se intensificaram novamente, caindo para apenas três navios-tanque de commodities na quinta-feira — o menor número de trânsito diário desde maio, segundo dados de transporte marítimo.

“Estamos observando uma desaceleração nas atividades, o que significa que os países terão que reduzir a produção, o que diminui a quantidade de petróleo bruto que será transportada”, disse o analista da Kpler, Johannes Rauball.

Mesmo após a recuperação, as exportações permaneceram cerca de 32% abaixo do pico pré-guerra de fevereiro, de 17,6 milhões de bpd.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   20/07/2026

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro estarão sujeitas ao tarifaço de 25% que será aplicado pelos Estados Unidos a partir da próxima quarta-feira, 22. Os outros 63,5% restantes devem ficar isentos da alíquota adicional.

“Apesar da ampliação da lista de exceções, que passou a incluir produtos importantes do agro brasileiro, como pescados, mel e café solúvel, uma parcela relevante das exportações brasileiras continuará sujeita à medida”, afirmou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, em vídeo divulgado à imprensa.

Mori destacou que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) ampliou as exceções para 2.126 linhas tarifárias, em comparação com a proposta preliminar de taxação divulgada em junho. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro. Segundo os Estados Unidos, a ampliação das exceções reflete a dependência da indústria americana de determinados insumos brasileiros, a insuficiência da oferta doméstica e os possíveis impactos da medida sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas para o país”, explicou Mori.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 11,409 bilhões em produtos aos Estados Unidos, conforme dados do Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (Agrostat). “Em relação aos produtos do setor que serão tarifados, a lista inclui itens de madeira, arroz, uva, ovos, açúcar e outros. Em 2025, esses produtos representaram cerca de US$ 4,6 bilhões em vendas para o mercado norte-americano”, apontou Mori.

De acordo com ela, a CNA recebeu “com preocupação” o resultado da investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos, que determinou a imposição da tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos”, concluiu a diretora de Relações Internacionais da CNA.

Mori lembrou que a CNA participou das etapas do processo desde a abertura da investigação, com contribuições técnicas e presente nas consultas públicas realizadas em Washington. “Ao longo desse processo, a CNA defendeu o agro brasileiro e demonstrou, em dados e evidências, que a competitividade do setor não decorre de práticas estreitas de comércio, mas sim de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas”, explicou Mori. AO USTR, a CNA defendeu a exclusão de todos os produtos agropecuários brasileiros da medida, citando a complementaridade entre as cadeias produtivas dos dois países.

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