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16 de Julho de 2026

SIDERURGIA

Money Times - SP   16/07/2026

O Morgan Stanley elevou os preços-alvo das ações da Gerdau (GGBR4) e da Usiminas (USIM5) antes da temporada de resultados do segundo trimestre de 2026, mas manteve recomendação equal-weight (equivalente à neutra) para ambas.

O banco aumentou o preço-alvo da Gerdau de R$ 24 para R$ 26 e o da Usiminas de R$ 7,80 para R$ 9,70, após revisar suas projeções para as duas siderúrgicas.

As estimativas também foram elevadas. O Morgan Stanley passou a projetar Ebitda de R$ 3,303 bilhões para a Gerdau no segundo trimestre, acima do consenso de mercado, e R$ 13,565 bilhões em 2026. Para a Usiminas, a expectativa é de Ebitda de R$ 676 milhões no trimestre e R$ 2,354 bilhões em 2026, após incorporar novas premissas para câmbio, preços de commodities e operações.

Apesar do cenário mais favorável para os resultados, o banco segue cauteloso com o setor. “Ainda é cedo para concluir que as medidas antidumping reduzirão permanentemente a penetração das importações aos níveis históricos”, escreveram os analistas.

Na avaliação da instituição, os dados já mostram sinais de que importadores podem estar redirecionando cargas por países como Vietnã e Egito para contornar as tarifas impostas pelo governo brasileiro.

Sobre a Usiminas, o Morgan Stanley vai na mesma linha e afirma que “espera que as importações de aço permaneçam elevadas e continuem pressionando, ou limitando a alta, dos preços domésticos do aço”, o que deve restringir “a rentabilidade do negócio de siderurgia da companhia, mesmo com um bom desempenho de custos”.

O banco acrescenta que a ação já negocia acima da média histórica de cinco anos em EV/Ebitda, o que reduz espaço para uma reprecificação adicional.

Para a Gerdau, a leitura é semelhante. “Continuamos céticos quanto à eficácia das medidas antidumping”, afirmam os analistas. “Vemos importações elevadas de aço pressionando os preços domésticos e pesando sobre a rentabilidade da operação brasileira.”

A instituição ainda pondera que, na América do Norte, “os riscos para os preços do aço estão ligeiramente inclinados para uma queda” diante de uma demanda mais fraca, justificando a manutenção da recomendação neutra para os papéis.

Infomoney - SP   16/07/2026

As ações da Usiminas (USIM5) atravessam um período de correção nos últimos dias após terem ficado boa parte do ano como maior alta do Ibovespa. Os papéis acumulam queda superior a 23% nos últimos 30 dias, embora ainda apresentem valorização de cerca de 38% em 2026.

Na avaliação do Bradesco BBI, a siderúrgica se beneficiou da melhora observada no mercado de aço nos últimos trimestres, mas o cenário para a segunda metade do ano se mostra mais desafiador.

Segundo o banco, a combinação de custos mais elevados e menor capacidade de repasse de preços tende a pressionar as margens da siderúrgica. Além disso, o aumento das importações continua representando um fator de preocupação para a indústria doméstica, reduzindo a visibilidade sobre a evolução dos resultados.
Diante desse cenário, o BBI entende que a relação entre risco e retorno das ações está mais equilibrada neste momento e não enxerga gatilhos claros para uma reprecificação relevante dos papéis no curto prazo.

Com isso, o banco manteve recomendação neutra para a Usiminas, mas reduziu o preço-alvo das ações de R$ 10,00 para R$ 8,50 ao final deste ano.

Já o Goldman manteve recomendação de compra para a companhia, destacando sua elevada alavancagem operacional a um mercado doméstico de aço plano mais apertado. O banco, no entanto, reduziu o preço-alvo das ações de R$ 10,50 para R$ 10,00.

Estimativas para Usiminas

O Bradesco BBI revisou para baixo suas projeções para a Usiminas diante de um cenário mais desafiador para a segunda metade do ano. O banco passou a estimar receita líquida de R$ 23,97 bilhões em 2026, R$ 24,68 bilhões em 2027 e R$ 25,98 bilhões em 2028, abaixo das projeções anteriores de R$ 24,24 bilhões, R$ 25,06 bilhões e R$ 26,24 bilhões, respectivamente.

Para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, o BBI agora projeta R$ 2,41 bilhões em 2026, R$ 2,85 bilhões em 2027 e R$ 3,51 bilhões em 2028, ante estimativas anteriores de R$ 2,87 bilhões, R$ 3,28 bilhões e R$ 3,94 bilhões.

A revisão também levou a uma redução das expectativas de margem Ebitda ajustada, que passou de 11,9% para 10,0% em 2026, de 13,1% para 11,5% em 2027 e de 15,0% para 13,5% em 2028.

Em relação ao lucro líquido, o banco prevê que a companhia registre prejuízo de R$ 3,08 bilhões em 2025 e, posteriormente, lucro de R$ 1,35 bilhão em 2026, R$ 1,01 bilhão em 2027 e R$ 1,53 bilhão em 2028, abaixo das projeções anteriores, que indicavam lucros de R$ 1,63 bilhão, R$ 1,32 bilhão e R$ 1,83 bilhão, respectivamente.

O Goldman Sachs, por sua vez, revisou suas estimativas para a Usiminas, elevando em 2% a projeção de Ebitda para 2026, mas reduzindo as previsões para 2027 e 2028 em 7% e 3%, respectivamente, diante da expectativa de custos mais elevados nos negócios de aço e mineração.

Para o segundo trimestre de 2026, o banco projeta Ebitda de R$ 668 milhões e lucro líquido de R$ 316 milhões, ambos ligeiramente acima das estimativas anteriores.

Já a XP Investimentos projeta que a margem da Usiminas, que ficou próxima de 4% no quarto trimestre de 2025, avance para níveis de dois dígitos ao longo de 2026 e 2027, sustentada pela melhora do ambiente para o setor siderúrgico no Brasil.

Além disso, a XP destaca que uma eventual aprovação de medidas antidumping sobre as importações de bobinas a quente poderia representar um fator adicional de alta para os lucros e para as ações em 2027. Parte desse benefício, no entanto, pode ser compensada pelo aumento dos custos.

Apesar de considerar a Usiminas uma das teses mais robustas de recuperação de resultados no setor, a XP Investimentos ressalta que a companhia ainda deve apresentar geração de caixa limitada. A XP estima um fluxo de caixa livre (FCF yield) de cerca de 5% em 2027 e 2028, refletindo um ciclo de investimentos mais intensivo em capital, mesmo diante da esperada melhora do Ebitda e das margens.

Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)

O Goldman Sachs reiterou sua preferência por Ternium e Gerdau, citando a exposição de ambas a mercados mais resilientes e protegidos da América do Norte, especialmente México e Estados Unidos.

Por outro lado, o banco reiterou recomendação de venda para CSN e CSN Mineração (CMIN3). No caso da CSN, a recomendação reflete a contínua pressão sobre a geração de caixa livre e o balanço patrimonial. Já para a CSN Mineração, a preocupação está relacionada à deterioração da rentabilidade do minério de ferro, diante do aumento dos custos de frete e da ampliação dos descontos aplicados ao minério de menor teor.
Aço

Após uma tendência de alta nos preços domésticos do aço no Brasil, os sinais mais recentes apontam para uma acomodação dos preços, com o terceiro reajuste planejado para o aço plano não sendo implementado e a tentativa de aumento dos preços do aço longo sendo apenas parcialmente efetivada.

Segundo o Goldman Sachs, o suporte aos preços veio da combinação entre medidas de proteção comercial e aumento de custos. No entanto, compras antecipadas, excesso de estoques na cadeia de distribuição, alívio nos custos e demanda final mais fraca limitaram novas altas.

O banco acredita que a continuidade do baixo volume de importações observado desde o primeiro trimestre deve apertar ainda mais o mercado no fim de 2026. De acordo com verificações junto ao setor, importadores permanecem céticos em relação à realização de novos pedidos diante das incertezas macroeconômicas, cambiais e tarifárias.

Por outro lado, o Goldman destaca que as importações provenientes do Vietnã apresentaram níveis elevados em junho, tendência que merece monitoramento.

Grandes Construções - SP   16/07/2026

O MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da final da Copa de 2026 que acontece no domingo (19), foi construído com 40 mil toneladas de aço reciclado do antigo Giants Stadium, demolido no mesmo complexo. Com mais de 17 mil componentes metálicos, a arena reflete o modelo deste Mundial, que utilizou apenas instalações já existentes, capazes de receber adaptações para diferentes tipos de ocasiões.

A estrutura de aço está na origem da capacidade do estádio de receber eventos de grande porte. Apoiada nos 17 mil componentes metálicos, a arquibancada de três anéis, com mais de 33 mil lugares no setor inferior, comporta 82.500 pessoas, o maior público da liga de futebol americano (NFL).

Com essa estrutura, a arena sediou o Super Bowl XLVIII, em 2014, o primeiro disputado ao ar livre em cidade de clima frio, as edições 29 e 35 da WrestleMania, com mais de 80 mil espectadores cada, a final da Copa América Centenário, em 2016, e a decisão do Mundial de Clubes da Fifa de 2025, vencida pelo Chelsea sobre o Paris Saint-Germain.

O aço também viabilizou as adaptações exigidas pela Fifa, concluídas em maio de 2025. Para ampliar o gramado às dimensões oficiais da entidade sem reduzir a capacidade, os quatro cantos da arquibancada original de concreto pré-moldado foram demolidos e substituídos por um sistema modular de arquibancadas em aço composto.

A solução ajustou aos requisitos do futebol uma geometria projetada para o futebol americano sem comprometer a capacidade original.

O uso do aço também tem relação direta com aspectos ambientais e econômicos. O material é 100% reciclável e pode ser reaproveitado sem perda de qualidade.

A produção de cada tonelada a partir de sucata em forno elétrico reduz o consumo de energia em até 80% na comparação com a produção a partir de minério de ferro. No Brasil, a construção civil é a maior consumidora do metal.

“O aço mudou a forma de construir estádio”, afirma o gerente de Suporte Técnico da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Márcio Antônio da Silva.

“O salto qualitativo por meio do uso do material na engenharia se dá de diversas formas, como em agilidade, praticidade, eficiência, custo, manutenção, segurança, entre outras. Diversos congressos e seminários da ABM Week e de nossos cursos abordam esses usos modernos do aço em grandes construções”, conclui.

O precedente brasileiro - Na construção da Arena Amazônia para a Copa de 2014, 95% dos materiais retirados do antigo Estádio Vivaldo Lima foram reaproveitados.

A arena de Manaus recebeu 7 mil toneladas de estrutura metálica em uma cobertura de cerca de 23 mil metros quadrados. Em Curitiba, a reforma da Arena da Baixada utilizou aproximadamente 4.500 toneladas. A prática manteve-se após o Mundial: na Arena MRV, do Atlético-MG, foram empregadas 5 mil toneladas de aço em fundações, estruturas de sustentação e peças pré-fabricadas.

150 mil toneladas em campo - As estruturas das 16 sedes da Copa de 2026 reúnem, somadas, mais de 150 mil toneladas de aço. O levantamento baseia-se em dados de construtoras, engenheiros estruturais e operadores das arenas.

O volume equivale ao de mais de 20 torres Eiffel e varia entre 6 mil e 30 mil toneladas por estádio.

Os maiores números concentram-se nos Estados Unidos. O AT&T Stadium, em Dallas, arena com maior capacidade da Copa, possui cobertura sustentada por 14.100 toneladas de aço estrutural, apoiada em dois arcos treliçados. Eles vencem um vão de cerca de 373 metros, o mais longo entre as edificações do planeta.

O Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, reúne cerca de 27 mil toneladas de aço, o que inclui um teto retrátil de oito pétalas. “É provavelmente o teto mais complexo já construído, fixo ou móvel”, declarou um engenheiro do projeto à revista Engineering News-Record.

No Levi's Stadium, na região de São Francisco, foram aplicadas cerca de 18 mil toneladas de aço em 14 mil peças, em uma obra 95% reciclável ao fim da vida útil da arena.

A lista americana inclui ainda o SoFi Stadium, em Los Angeles, com treliças de 20 mil toneladas em uma estrutura projetada para resistir a abalos sísmicos; o NRG Stadium, em Houston, que soma 17.274 toneladas e é o primeiro da NFL com teto retrátil; o Hard Rock Stadium, em Miami, cuja marquise de mais de 18.500 toneladas suporta furacões de categoria 4; e o Lumen Field, em Seattle, com coberturas de 5.700 toneladas desenhadas para reter o som da torcida.

No México, o Estádio Azteca, construído nos anos 1960, empregou mais de 100 mil toneladas de concreto e 9.200 toneladas de aço, proporção invertida nos projetos recentes.

O Estádio BBVA, em Monterrey, consumiu 6.300 toneladas do metal. O Estádio Akron, em Guadalajara, usa 3.300 toneladas em sua estrutura para sustentar uma cobertura que coleta água da chuva para irrigação.

No Canadá, o teto retrátil do BC Place, em Vancouver, exigiu 18 mil toneladas de aço e 35 quilômetros de cabos.

Da cobertura à arquibancada, o avanço do inox - A evolução não se limita ao aço estrutural. Nos estádios mais recentes, o aço inoxidável ocupa espaço em praticamente todos os pontos de contato com o torcedor.

Conforme análise do Grupo Feital, o inox combina resistência à corrosão, inclusive em regiões costeiras, durabilidade em estruturas de difícil acesso, como coberturas e passarelas, e resistência mecânica com menor peso.

Entre os exemplos citados pela empresa estão o Maracanã, que recebeu inox em escadas, corrimãos e áreas de circulação na modernização para a Copa de 2014, a fachada da Allianz Arena, na Alemanha, e o Santiago Bernabéu, que emprega o material em coberturas retráteis e estruturas expostas.

Segundo o Diretor de Operações da ABM, Valdomiro Roman, as operações realizadas nos estádios podem ser utilizadas em prédios e estruturas civis ao longo da cidade, trazendo mais para perto essas aplicações sofisticadas.

“O conhecimento, as técnicas e os materiais ligados a essas estruturas são resultados de anos de estudos e observações, que também passam por nós da ABM, com o objetivo de colocarmos em circulação debates, pesquisas e tecnologias que permitam o melhor uso dessa forma de construir para o nosso país, contribuindo com a eficiência tanto em grandes arenas como em aplicações mais cotidianas da engenharia estrutural”, explica.

CNN Brasil - SP   16/07/2026

A CEO da AVB (Aço Verde do Brasil), Silvia Nascimento, afirmou em entrevista à CNN que a empresa começa a perceber um aumento do interesse da construção civil por produtos siderúrgicos de menor emissão de carbono.

Silvia foi a entrevistada desta semana do Mapa da Mina, programa da CNN dedicado aos setores de mineração e siderurgia.

O chamado aço verde é produzido com uma emissão de gases de efeito estufa inferior à dos processos siderúrgicos tradicionais. No caso da AVB, a empresa utiliza carvão vegetal de florestas plantadas em substituição ao carvão mineral, uma das principais fontes de emissão da indústria do aço.

Segundo a executiva, no entanto, o mercado ainda não está consolidado a ponto de pagar mais pelo produto de menor emissão. Atualmente, a principal vantagem estratégica está no acesso a novos clientes e a linhas de financiamento ligadas à descarbonização.

“Hoje, o que você tem com a produção do aço verde é uma vantagem competitiva. É o acesso a clientes que estariam menos interessados em conhecer a empresa e o acesso a financiamentos, muitas vezes ligados a linhas de descarbonização. Pagar por isso ainda não é uma realidade. Acho que vai acontecer, inevitavelmente, mas hoje ainda não enxergamos isso no mercado”, disse.

Silvia afirmou que a construção civil tem demonstrado interesse crescente pelo aço verde, principalmente em projetos que buscam certificações ambientais.

“Estamos começando a ver um interesse maior da área da construção civil, que vem procurando certificar obras e prédios com selos ambientais”, afirmou.

Atualmente, segundo a CEO, a maior parte dos clientes dispostos a adquirir o produto é formada por empresas internacionais ou companhias brasileiras voltadas à exportação. No mercado interno, a procura ainda é mais restrita.

A executiva também descartou, por enquanto, a adoção do hidrogênio verde no processo produtivo da AVB.

Segundo ela, a empresa pretende manter a rota baseada no uso de carvão vegetal, que já permite reduzir de forma significativa as emissões em comparação com a siderurgia tradicional.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   16/07/2026

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, em comunicado publicado no fim da noite de quarta-feira, 15. A taxação é uma punição por práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. A entrada em vigor da cobrança está programada para a próxima quarta-feira, 22.

A publicação do USTR trouxe uma lista de itens isentos da tarifa de 25%, incluindo carne bovina, café, laranja, suco de laranja, partes para a fabricação de aviões, petróleo e celulose (confira na tabela abaixo). Outros produtos básicos brasileiros com peso relevante na inflação americana também foram deixados de fora da taxação, sob a justificativa de que “não são produzidos no país”, o que fez com que a lista de exceções crescesse em comparação com a publicada de maneira preliminar em junho.

Na rede X, o secretário de Estado, Marco Rubio, atacou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT):

“Hoje, o Presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Que não haja confusão sobre o motivo: o Presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, escreveu. “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso.”

O governo Lula repudiou a imposição de tarifas. Segundo o Planalto, a data “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.

Em nota divulgada no início da madrugada desta quinta-feira, 16, pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Executivo afirmou que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade” e “retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso País. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, afirma a nota da Secom.

O comunicado do governo também entra no terreno da disputa presidencial, ao criticar a família Bolsonaro: “É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro participou de audiência no USTR, em Washington, sobre as investigações contra o Brasil. Na ocasião, criticou o governo Lula e disse que as tarifas têm sido usadas pelo atual governo para benefício político.

Escritório Comercial dos EUA se diz ‘aberto a negociar’

O USTR afirmou, em documento sobre a conclusão das investigações, que a taxa é necessária para enfrentar o que considera como “práticas comerciais injustas”, que estariam impedindo trabalhadores e produtores dos Estados Unidos de acessar o mercado brasileiro.

“Negociações extensas com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir as negociações com o Brasil para promover mudanças há muito necessárias nos problemas identificados nesta investigação”, disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

O USTR acusou o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – como o Pix , tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

A Seção 301, na qual se baseiam as novas tarifas, é um mecanismo da Lei de Comércio de 1974 que permite ao USTR investigar e retaliar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.

O governo dos EUA também se queixa de benefícios dados pelo Brasil a parceiros comerciais como Índia e México, sem conceder os mesmos termos a produtos americanos, o que cria condições desvantajosas.

Para a estratégia do governo americano, havia urgência, pois em 24 de julho termina a validade de 150 dias para a tarifa global de 10% que adotou após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter julgado ser ilegal a maior parte das tarifas aplicada por Trump durante 2025.

A taxação adotada desde 20 de fevereiro se baseia na Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que permite apenas taxações temporárias. Para manter essa cobrança em vigor, a Casa Branca teria de submetê-la ao Congresso americano e buscar autorização dos parlamentares, o que é incerto.

Exame - SP   16/07/2026

O comércio entre Brasil e China atingiu novos recordes no primeiro semestre de 2026. As exportações brasileiras para o país asiático somaram US$58,3 bilhões entre janeiro e junho, enquanto as importações chegaram a US$38,5 bilhões, de acordo com levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

A China respondeu por 31,6% das exportações brasileiras no período, mantendo a liderança entre os destinos dos produtos nacionais. O país também foi o principal fornecedor do Brasil, com participação de 27% nas importações.

O resultado gerou um superávit de US$19,8 bilhões para o Brasil na relação comercial com Pequim, valor equivalente a 47% de todo o saldo positivo registrado pelo país no comércio internacional no semestre.

Entre os destaques está o petróleo, que alcançou US$15,1 bilhões em exportações para a China, maior valor da série histórica iniciada em 1997. O montante supera, sozinho, todas as exportações brasileiras para a Argentina no período, que somaram US$7,3 bilhões.

Segundo o levantamento, a soja também registrou crescimento, com US$20,2 bilhões em vendas, alta de 7% na comparação com o primeiro semestre de 2025. O valor ficou acima de todo o comércio de exportação do Brasil para os Estados Unidos, que atingiu US$17,4 bilhões.

Outros setores também tiveram desempenho recorde. As exportações de minério de ferro chegaram a US$9,2 bilhões, enquanto a carne bovina movimentou US$4,8 bilhões, maior resultado para o período, de acordo com o CEBC.

No caminho inverso, os veículos eletrificados chineses ganharam espaço no mercado brasileiro. As importações de carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in somaram US$5,35 bilhões no semestre, impulsionadas pela antecipação de embarques antes do aumento da tarifa de importação para 35%, que entrou em vigor em julho.

Money Times - SP   16/07/2026

A inflação brasileira ganhou uma combinação de fatores favoráveis nas últimas semanas e passou a abrir espaço para mais cortes na Selic, segundo o HSBC.

A melhora no câmbio, a acomodação dos preços do petróleo e a desaceleração dos alimentos levaram o banco a revisar para baixo suas projeções para o IPCA e a projetar uma redução de juros já na reunião do Copom de agosto.

O HSBC agora espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de 5 de agosto, levando a taxa básica de juros para 14%. Para o fim de 2026, a projeção foi revisada de 14,25% para 14%. Antes, a instituição não esperava mudança na próxima decisão do Banco Central.

A revisão ocorre após uma sequência de dados de inflação mais favoráveis. O IPCA de junho mostrou uma desaceleração mais forte dos preços dos alimentos e uma composição considerada benigna, com os núcleos de inflação, que excluem itens mais voláteis e ajudam a medir a tendência dos preços, também apresentando queda.

Para o banco, porém, a melhora do cenário não vem apenas dos dados domésticos. Três fatores externos passaram a funcionar como aliados para a inflação brasileira: o dólar mais fraco, o petróleo mais barato e um impacto ainda limitado do El Niño.
Dólar mais fraco reduz pressão sobre o real

Um dos pontos destacados pelo HSBC é a perda de força do dólar no cenário internacional após dados mais fracos de inflação e emprego nos Estados Unidos reduzirem a pressão sobre os juros americanos.

A avaliação do banco é que uma moeda americana mais fraca tende a favorecer o real e pode ser especialmente importante diante do cenário eleitoral brasileiro.

“Um dólar mais fraco pode ser particularmente relevante para a estabilidade do real no próximo cenário eleitoral”, afirmou o HSBC no relatório.

Um câmbio mais comportado reduz a pressão sobre produtos importados e ajuda a limitar repasses para preços domésticos, principalmente em itens como combustíveis, bens industriais e alguns alimentos.
Petróleo deixa de ser vilão da inflação

Outro elemento que mudou de direção foi o petróleo. Apesar das tensões no Oriente Médio, os preços da commodity reagiram menos do que o esperado aos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz e retornaram para níveis próximos aos observados antes do conflito.

O HSBC destacou que revisou para baixo suas projeções para o petróleo. Para o fim de 2026, a expectativa caiu de US$ 87 para US$ 70 por barril, enquanto para 2027 passou de US$ 75 para US$ 65 por barril.

Segundo o banco, a revisão reflete um reequilíbrio mais rápido do mercado de petróleo, processo que começou antes do acordo entre Estados Unidos e Irã e ganhou força com a retomada da circulação pelo Estreito de Ormuz.

No Brasil, a acomodação do petróleo reduz um dos riscos para a inflação, especialmente pelos efeitos sobre combustíveis e energia.
El Niño ainda preocupa, mas não virou pressão para preços

O terceiro fator apontado pelo HSBC é o clima. O banco lembra que episódios fortes de El Niño historicamente estão associados a pressões sobre alimentos e tarifas de energia elétrica no Brasil. O fenômeno continua como um risco para o segundo semestre, mas ainda não se confirmou como um problema para a inflação.

Até agora, as chuvas têm sido mais favoráveis do que o esperado, o que pode reduzir ou atrasar os impactos negativos do evento climático.

“Por enquanto, esse continua sendo um risco, e não o cenário-base”, avaliou o banco.

A melhora nas condições climáticas também ajuda a explicar a forte desaceleração dos alimentos, um dos principais fatores por trás da revisão das projeções.
HSBC reduz previsão para inflação em 2026

Com esse conjunto de fatores, o HSBC revisou sua projeção para o IPCA de 2026 de 5,2% para 4,9%.

Embora a melhora esteja concentrada principalmente em itens mais voláteis da inflação, como alimentos e energia, o banco acredita que o movimento deve começar a contaminar também as expectativas de inflação, como já aparece nas últimas leituras do Boletim Focus.

A expectativa agora é de um corte em agosto seguido por uma pausa prolongada no ciclo de flexibilização monetária, com a Selic permanecendo em 14% até março de 2027.

Segundo o HSBC, o Banco Central deve seguir uma estratégia de “parar e avaliar” os efeitos dos cortes já realizados antes de decidir os próximos passos.

A instituição pondera, porém, que o calendário eleitoral, por si só, não impediria novas reduções de juros caso o cenário inflacionário continue melhorando.

“Eleições só se tornam uma restrição se começarem a influenciar o comportamento dos preços domésticos, e ainda não vimos sinais claros disso”, afirmou o banco.

Monitor Digital - RJ   16/07/2026

Enquanto as tensões geopolíticas e os atritos comerciais continuam a pesar sobre a economia global, a China registrou um crescimento constante no primeiro semestre de 2026, demonstrando sólida resiliência à medida que a segunda maior economia do mundo iniciava seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030), informa a agência de notícias Xinhua.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 4,7% em relação ao ano anterior nos primeiros seis meses, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS). No segundo trimestre, o PIB expandiu-se 4,3% na comparação anual, o menor ritmo em três anos, com a economia afetada pelos ataques de EUA e Israel ao Irã.

No acumulado do primeiro semestre de 2025, a economia da China registrara um crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2024.

O PIB da China cresceu 5% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre. O país estabeleceu uma meta de crescimento de 4,5% a 5% para 2026 e buscará superar esse patamar na prática.

A economia chinesa “operou dentro de uma faixa adequada, apesar das pressões”, continuando a demonstrar forte resiliência, afirmou o NBS em comunicado, destacando pontos positivos como o crescimento robusto da produção e da oferta, a estabilidade do emprego e a rápida expansão de novos motores de crescimento.
Resiliência em meio a desafios globais

“O ritmo de crescimento está alinhado com a meta anual”, disse Mao Shengyong, vice-diretor do NBS, em entrevista coletiva. Ele afirmou que esse desempenho econômico constante estabeleceu uma base sólida para alcançar as principais metas anuais, especialmente a meta de crescimento econômico.

Embora o crescimento tenha desacelerado no segundo trimestre, ele atribuiu essa desaceleração principalmente a “fatores de curto prazo e influências externas”, ressaltando que a economia permaneceu em bases estáveis, mantendo inalterada sua tendência fundamental de desenvolvimento de alta qualidade impulsionado pela inovação.

Observando que o ambiente externo se tornou mais complexo e incerto, Mao afirmou que a força econômica da China ajudou o país a enfrentar riscos e desafios de forma eficaz, citando o abastecimento adequado de energia, a inflação moderada e o desempenho sólido do comércio exterior no primeiro semestre de 2026.

Dados divulgados na quarta-feira mostraram que a taxa de desemprego urbano pesquisada na China ficou em 5% em junho, uma queda em relação aos 5,1% do mês anterior, enquanto a renda disponível per capita cresceu 5,2% em termos anuais no primeiro semestre do ano.

No período de janeiro a junho, a produção industrial de valor agregado do país aumentou 5,4% em relação ao ano anterior, e o total de vendas no varejo de bens e serviços — um importante indicador da força de consumo do país — cresceu 2,7% na mesma base de comparação.

Mao disse que a economia global passou por novas mudanças desde o início deste ano, particularmente no segundo trimestre, com a expectativa de que as principais economias registrem um crescimento mais lento.

O Fundo Monetário Internacional, observou ele, reduziu recentemente sua previsão de crescimento econômico global para este ano para 3,0%, mas elevou em 0,2 ponto percentual a projeção de crescimento da China para o ano todo.

“A estabilidade e a resiliência demonstradas pela economia chinesa ofereceram um apoio valioso para a economia global, que se mostra cada vez mais incerta”, disse Kuang Xianming, vice-diretor do Instituto da China para Reforma e Desenvolvimento.

Kuang acrescentou que a transformação e a modernização econômica do país estão liberando o potencial de seu vasto mercado, ajudando a estabilizar as cadeias de suprimentos globais e a aliviar as pressões inflacionárias. Paralelamente, o apoio do país ao livre comércio e à integração econômica proporciona maior segurança em meio às tensões geopolíticas.
Novos motores de crescimento em plena ascensão

Por trás dessa resiliência, estão novos motores de crescimento mais robustos e uma melhoria na qualidade econômica. Dados do NBS revelaram que novos impulsionadores do crescimento — representados pela manufatura de alto padrão, pela economia digital e pelos serviços modernos — contribuíram com mais de 40% para a expansão econômica no primeiro semestre de 2026, ao mesmo tempo em que o consumo de energia por unidade do PIB caiu 1,9% em relação ao ano anterior.

A ascensão de “novas forças produtivas de qualidade” é particularmente evidente no setor manufatureiro. Das 16 fábricas recém-reconhecidas como “fábricas farol” (lighthouse factories) pelo Fórum Econômico Mundial no mês passado — uma designação para fabricantes que se destacam na implementação de tecnologias avançadas —, mais da metade está localizada na China, abrangendo setores que vão desde a construção naval até a logística inteligente.

O setor de serviços reforçou ainda mais seu papel como um motor fundamental do crescimento econômico. No primeiro semestre de 2026, o valor agregado do setor de serviços cresceu 5,2% em relação ao ano anterior, superando o crescimento econômico geral em 0,5 ponto percentual.

Economistas também atribuíram o sólido desempenho do primeiro semestre ao sistema industrial completo da China, ao seu vasto mercado interno e ao apoio cada vez mais eficaz das políticas macroeconômicas.

Nas diretrizes de seu 15º Plano Quinquenal, apresentadas em março, o país comprometeu-se a concentrar esforços em áreas que incluem a modernização de seu sistema industrial, o desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade e a construção de um mercado interno robusto.

Vale destacar que, no início desta semana, a China lançou seu primeiro plano quinquenal dedicado exclusivamente à expansão do consumo, visando liberar todo o potencial do mercado gigantesco do país, otimizar a estrutura de consumo e melhorar as condições de vida da população por meio de medidas direcionadas.

Investimento em ativos fixos da China cai 5,7% nos primeiros seis meses de 2026 | Monitor Mercantil

Mao afirmou esperar que o forte impulso dos novos motores de crescimento se estenda ao segundo semestre de 2026, enquanto os efeitos das medidas políticas introduzidas anteriormente se tornarão cada vez mais evidentes.

“O governo também introduzirá políticas mais proativas e direcionadas em resposta às mudanças de cenário, para manter a economia funcionando de forma estável e promover um desenvolvimento de alta qualidade impulsionado pela inovação”, acrescentou ele.

Han Wenlong, professor da Universidade do Sudoeste de Finanças e Economia, na província de Sichuan, afirmou estar confiante de que a economia da China manterá um crescimento estável pelo restante do ano, posicionando-se firmemente no caminho para atingir a meta anual de crescimento.

Ele destacou, em particular, que a recuperação do consumo — apoiada por medidas políticas direcionadas — impulsionará ainda mais a demanda interna e oferecerá um suporte fundamental ao crescimento, tornando-se um dos principais motores da contínua melhora econômica do país.
Consumo de energia na China aumenta impulsionado pela demanda de IA e indústrias de alta tecnologia

O consumo de eletricidade na China cresceu 5,3% no primeiro semestre do ano, impulsionado pela forte expansão dos serviços de dados na internet, do carregamento de veículos elétricos e da manufatura de alta tecnologia, segundo dados oficiais divulgados na quarta-feira.

O consumo total de energia atingiu quase 5,1 trilhões de quilowatts-hora (kWh) no período de janeiro a junho, conforme dados publicados pela Administração Nacional de Energia.

O Estado de S.Paulo - SP   16/07/2026

O Ministério da Fazenda aumentou a sua projeção para o IPCA de 2026, de 4,5% (no teto da meta) para 5,1%, estourando o limite superior da meta. Para 2027, a projeção subiu de 3,5% para 3,6%, maior do que o centro do alvo, de 3%.

As informações constam do Boletim Macrofiscal, publicado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quarta-feira, 15.

“Aumento das expectativas de inflação, espaço para repasse dos preços do atacado ao consumidor e probabilidade de El Niño mais intenso elevaram as projeções para o IPCA no segundo semestre”, justifica a SPE. “Em contrapartida, o câmbio apreciado, a política monetária contracionista, as medidas para conter o preço dos combustíveis e a desaceleração econômica no segundo semestre contribuem para atenuar a inflação”, prossegue.

A pasta coloca que há um desafio global desencadeado pela crise do petróleo, com impacto generalizado sobre a inflação e o crescimento. “Apesar da acomodação nas cotações de petróleo e de algumas commodities, os efeitos de segunda ordem podem demorar a se dissipar, sobretudo em um cenário ainda marcado por incertezas geopolíticas”, diz a secretaria.

Nos Estados Unidos, a menor dependência externa do petróleo amortece o choque, mas os combustíveis mais caros repercutem na inflação — trade-off que sustenta a cautela do Fed, prossegue a SPE. Na área do euro, a alta de petróleo e gás pressiona a inflação e a renda real. O Banco Central Europeu (BCE) segue atento a efeitos de segunda ordem. Já na China, a secretaria destacou que os estoques e o controle de preços seguram o repasse no curto prazo. “Mas um conflito longo eleva custos industriais e desorganiza cadeias, repercutindo sobre a inflação ao produtor”, completa.

No caso da inflação de alimentos, a secretaria coloca que, apesar da deflação de alimentos em junho, a inflação acumulada em 12 meses segue pressionada por in natura, leite, arroz e feijão, produtos que apresentaram altas acima do padrão histórico.

Já no que se refere à inflação de bens industriais e serviços, a pasta colocou que a aceleração reflete altas em higiene pessoal. “Serviços seguem pressionados, principalmente por passagem aérea, mas medidas subjacentes mostram desaceleração nos últimos meses”, diz.

Para 2027, a expectativa de inflação também foi revisada para cima, passando de 3,5% para 3,6%. Para os anos seguintes, projeta-se inflação convergindo para a meta, em 3,0% em 2028, 2029 e 2030.

A projeção da Fazenda para o INPC de 2026 subiu de 4,6% para 5,3%. Para o IGP-DI, a previsão subiu de 4,9% para 5,6% em 2026.

Projeção da alta do PIB permanece inalterada

O Ministério da Fazenda manteve a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2026 em 2,3%. A estimativa para o ano que vem caiu de 2,6% para 2,5%.

As projeções da SPE continuam acima das medianas do último relatório Focus, que indicavam crescimento de 1,99% para o PIB em 2026 e de 1,65% para 2027.

No segundo trimestre, a Fazenda projeta uma desaceleração do PIB, com crescimento de 0,8% ante o 1,1% registrado nos primeiros três meses do ano.

“O forte resultado do primeiro trimestre foi amplificado pelo vetor agrícola, cuja safra recorde, puxada pela soja, já se encontra praticamente consolidada, de modo que o impulso deve se dissipar”, diz a SPE, que projetou crescimento para o PIB do segundo trimestre de 0,8% na margem e de 2,4% interanual.

Segundo a pasta, a projeção de crescimento para 2026 foi sustentada pela recomposição setorial. A agropecuária foi revisada de 1,2% para 1,8%, compensando a leve revisão da indústria, de 2,2% para 2,1%, enquanto a projeção dos serviços permaneceu em 2,4%.

No segundo trimestre, projeta-se avanço de 0,8% na margem, ante 1,1% no primeiro, movimento puxado pelo menor ritmo da indústria, que desacelera de 1,2% para 0,8%, e da agropecuária, de 2,0% para 0,6%, enquanto os serviços aceleram levemente, de 0,5% para 0,7%.

Para 2027, apesar da redução de 2,6% para 2,5%, a SPE afirma que, para o período de 2027 a 2030, a previsão de crescimento seguiu em 2,6%, em média, “ainda que sustentada por uma trajetória de Selic mais elevada ao longo de todo o horizonte do que a projetada na grade de maio”.

Para esse período, eles analisam: “A Selic segue em trajetória de queda a partir de 2026, mas parte de um patamar mais elevado do que o previsto na grade de maio, o que torna mais lenta a transmissão da política monetária ao crédito e à demanda doméstica. Ainda assim, a redução do custo do financiamento ao longo do período tende a estimular a recuperação da indústria de transformação, da construção e dos serviços mais cíclicos, segmentos mais sensíveis ao ciclo de juros”.

CNN Brasil - SP   16/07/2026

O primeiro semestre de 2026 termina com resultados mais favoráveis para o comércio exterior do que era esperado no início do ano, mas o segundo semestre deverá ser marcado por elevada incerteza, com riscos crescentes para os preços, as cadeias de suprimento e o comércio exterior brasileiro.

A análise é parte do relatório do Icomex (Indicador de Comércio Exterior) divulgado nesta quarta-feira (15) pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

"Segundo o Relatório Focus do Banco Central de 2 de janeiro, a balança comercial de 2026 deveria ficar em US$ 66 bilhões e no relatório de 13 de julho, o superávit passou para US$ 76,2 bilhões. A Secretaria de Comércio Exterior reviu suas projeções de um superávit de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões", comentou a FGV na nota do Icomex.

No primeiro trimestre, o aumento do preço e do volume exportado acima ao da importação contribuíram para a melhora do saldo, o que é reforçado com os resultados de junho. Na comparação interanual do mês, essas diferenças de aumentos de preços levaram os termos de troca a registrar uma variação positiva de 5,1%.

"Os aumentos de preços refletem, em grande medida, os efeitos do conflito no Irã que afetou canais de suprimento e gerou elevação nos custos de logística", disse a FGV na nota.

"O conflito no Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e seus impactos nas cadeias de suprimento global levaram a uma aceleração nos preços do comércio internacional", disse a nota, frisando que no Brasil a aceleração no aumento de preços foi mais acentuada nas exportações.

No caso do país, além das tensões geopolíticas, há preocupação com o resultado da Investigação da Seção 301, que deve ser divulgado nesta quarta-feira.

A balança comercial fechou o primeiro semestre com superávit superior ao do ano passado, marcando US$ 42,4 bilhões, valor US$ 12,2 bilhões acima de igual período de 2025. Na comparação interanual mensal, o saldo da balança comercial superou os resultados de 2025, exceto em março. Em junho de 2026 o saldo foi de US$ 9,8 bilhões, US$ 3,9 bilhões superior ao de junho de 2025.

As principais contribuições para o aumento do superávit no primeiro semestre são do comércio com a China (aumento de US$ 7,6 bilhões) e União Europeia (aumento de US$ 3,1 bilhões), sobrando para o resto do mundo US$ 4 bilhões.

Nos Estados Unidos, o déficit passou de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,5 bilhões. E, na Argentina, o superávit caiu US$ 2,1 bilhões, entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.

O valor exportado avançou 14,4% em relação no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado. O volume cresceu 4,2% e os preços avançaram 6,6% na mesma base de comparação.

Na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês de 2025, o valor exportado cresceu 24,9%; o volume avançou 8,3%; e os preços tiveram ganho de 15,4%.

O valor das importações oscilou 5,1% de janeiro a junho deste ano em relação ao mesmo intervalo de 2025. O volume cresceu 0,3%, e os preços, 4,6%. Em relação aos resultados de junho, o incremento no valor foi de 15,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. O volume cresceu 4,2% e os preços ganharam 9,8%.

Setores

Na indústria de transformação, dos 24 setores, 9 registraram redução no valor exportado para os EUA. Contudo, alguns de maior valor adicionado - como equipamentos eletroeletrônicos, máquinas elétricas - aumentaram suas exportações totais e para os EUA. O comércio intraindústria e intrafirma de multinacionais dos EUA em território brasileiro, com suas filiais, seria uma das explicações.

Pelos grandes setores de atividade, entretanto, todos perdem exportações para os EUA e, exceto pesca, todos aumentam suas exportações para a China, resto do mundo e total.

O aumento em volume das exportações no semestre foi liderado pelas commodities (5,1%) e os preços das exportações de não commodities superaram os das commodities. Em junho, a mesma tendência no volume se verifica, mas os preços das exportações de commodities supera o das não commodities.

"Chama atenção a variação nos preços e volume das importações de commodities", diz a nota. No acumulado até junho, as variações eram de 18,9% e recuo de 6,6%. Na comparação interanual de junho os indicadores passam para avanço de 41,8% em preços e queda de 26,5% no volume.

Para as não commodities, os preços sobem 7,3% e o volume, 7,4%, em junho. Como as importações de commodities respondem por ao redor de 10% das importações totais, o efeito sobre o preço total importado é menor do que o efeito do aumento dos preços das commodities nos preços totais exportados.

Em junho as importações de adubos ou fertilizantes recuaram 20,1%, em quantum (quilos), e os preços subiram 26,1%, disse a FGV apoiada em dados da Secretaria de Comércio Exterior.

O quantum do óleo combustível caiu 29,7% e os preços subiram 54,5%. Adubos e óleos combustíveis foram o segundo e o terceiro principal produto importado.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   16/07/2026

Os preços do minério de ferro atingiram uma máxima de várias semanas nesta quarta-feira, à medida que preocupações com a oferta se intensificaram depois que os trabalhadores da mineradora BHP anunciaram que entrariam em greve nesta semana em um importante porto australiano.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou o pregão diurno com alta de 1,13%, a 762 iuanes (US$112,59) por tonelada. No início do dia, o contrato atingiu o maior nível desde 17 de junho, a 785,5 iuanes.

A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura registrou alta de 0,59%, para US$100,7 por tonelada, uma máxima desde 2 de julho.
Centenas de trabalhadores da BHP no porto australiano de Port Hedland, o maior centro de exportação de minério de ferro do mundo, devem entrar em greve na quinta-feira após o fracasso de negociações salariais, informou um porta-voz do sindicato na quarta-feira.

A paralisação de oito horas, a maior ação grevista na BHP em pelo menos três décadas, ameaça paralisar um porto que movimenta cerca de US$80 milhões em minério de ferro por dia.

Um aumento nos embarques trimestrais de minério de ferro da Rio Tinto indicou oferta abundante e ajudou a conter os aumentos de preço.

O aumento inesperado na oferta do maior produtor mundial de minério de ferro pode pesar sobre os preços daqui para frente, afirmaram analistas da corretora chinesa Business Community no WeChat.

A produção diária de aço bruto da China em junho subiu 2,5% em relação ao mês anterior, atingindo uma máxima de três meses de 2,79 milhões de toneladas, impulsionada pelas exportações fortes e pelos esforços das siderúrgicas para gerar mais fluxo de caixa.

Valor - SP   16/07/2026

O grupo BHP informou que produziu um volume recorde de minério de ferro, mas menos cobre no último ano, e previu uma nova queda na produção de cobre para o próximo ano, à medida que o teor do minério diminui em uma enorme mina no norte do Chile.

A BHP, sediada na Austrália e maior mineradora do mundo em valor de mercado, registrou uma produção de cobre de 1,95 milhão de toneladas métricas no ano encerrado em 30 de junho, uma queda de 3% em relação aos 12 meses anteriores.

A produção de minério de ferro totalizou 264,7 milhões de toneladas, um aumento de 1% em relação ao ano anterior, enquanto a produção de carvão para siderurgia foi de 18,6 milhões de toneladas, alta de 3%, informou a empresa.

A BHP havia previsto uma produção anual de cobre entre 1,9 milhão e 2,0 milhões de toneladas, e os analistas esperavam que a produção ficasse em torno de 1,95 milhão de toneladas, segundo uma estimativa de consenso compilada pela Visible Alpha.

A mineradora espera uma produção entre 1,65 milhão e 1,80 milhão de toneladas para o próximo ano, o que, segundo ela, deve-se “predominantemente à previsão de queda no teor do minério em Escondida”, a maior mina de cobre do mundo.

Em sua divisão de minério de ferro, a BHP havia previsto uma produção anual entre 258 milhões e 269 milhões de toneladas para o ano passado. Analistas esperavam uma produção em torno de 264,1 milhões de toneladas, segundo a Visible Alpha.

A BHP informou que espera produzir entre 260 milhões e 272 milhões de toneladas do insumo siderúrgico no próximo ano.

Para esta quinta-feira, trabalhadores do terminal de exportação de minério de ferro da BHP em Port Hedland, na Austrália Ocidental, planejam realizar uma greve de oito horas, após sindicatos não chegarem a um acordo com a mineradora depois de meses de negociações salariais.

Um porta-voz da BHP afirmou que a empresa possui planos para garantir a continuidade das operações.

Infomoney - SP   16/07/2026

As ações da Vale (VALE3) alternam entre altas e perdas na sessão desta quarta-feira (15) e operam, às 13h50 (horário de Brasília), com leves ganhos de 0,30%, a R$ 74,23. O movimento ocorre com os investidores de olho entre duas forças opostas macro para a companhia, enquanto também repercutem o noticiário agitado da própria mineradora.

Na noite da última terça, a China divulgou os seus dados econômicos, que não trouxeram boas notícias, já que o país é o principal cliente da companhia.

A economia da China cresceu no ritmo mais lento em mais de três anos no segundo trimestre, com alta de 4,3% do PIB  de abril a junho sobre o mesmo período do ano anterior. O número desacelerou em relação aos 5,0% do primeiro trimestre, ficando abaixo do limite inferior da meta anual da China, que varia de 4,5% a 5,0%.
De modo geral, a atividade econômica da China enfraqueceu ainda mais no segundo trimestre de 2026, com os fatores negativos superando cada vez mais os poucos pontos de resiliência, aponta o Bradesco BBI.

“Embora a produção industrial tenha acelerado e as vendas no varejo tenham voltado a apresentar um crescimento modesto em junho, essas melhorias foram insuficientes para compensar a deterioração contínua nos investimentos em ativos fixos, nos gastos com infraestrutura e no setor imobiliário do país”, apontam os analistas do banco.

Por outro lado, os preços do minério de ferro têm sido um suporte recente para as ações, principalmente por conta da preocupação com a oferta.

Nesta quarta-feira, a commodity atingiu uma máxima de várias semanas, à medida que preocupações com a oferta se intensificaram depois que os trabalhadores da mineradora BHP anunciaram que entrariam em greve nesta semana em um importante porto australiano.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou o pregão diurno com alta de 1,13%, a 762 iuanes (US$112,59) por tonelada. No início do dia, o contrato atingiu o maior nível desde 17 de junho, a 785,5 iuanes. A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura registrou alta de 0,59%, para US$100,7 por tonelada, uma máxima desde 2 de julho.

Por outro lado, um aumento nos embarques trimestrais de minério de ferro da Rio Tinto indicou oferta abundante e ajudou a conter os aumentos de preço. O aumento inesperado na oferta do maior produtor mundial de minério de ferro pode pesar sobre os preços daqui para frente, afirmaram analistas da corretora chinesa Business Community no WeChat.

Já o Bradesco BBI aponta esperar uma recuperação nos preços do aço no final de agosto, com o início de um período de sazonalidade mais favorável; isso deve aliviar as margens das siderúrgicas e sustentar a viabilidade econômica do minério de ferro, mantendo assim preferência por Vale entre as empresas brasileiras de mineração e siderurgia, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra). A XP, por sua vez, tem recomendação equivalente à neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 85.
Mudanças no Conselho e resultados: no que ficar de olho

Cabe ressaltar que eventos específicos para a Vale também movimentam as ações.

Em relatório desta semana, o BTG Pactual comentou ainda o pedido formal da Previ, em 11 de junho, para que o presidente do Conselho, Dan Stieler, deixasse o cargo. Embora Stieler tenha inicialmente se recusado a renunciar e a maioria do Conselho tenha votado formalmente contra a proposta de destituição da Previ em 22 de junho, ele acabou deixando o cargo em 6 de julho, o que significa que os acionistas não votarão mais sua destituição na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 22 de julho.

“Em nossa visão, o episódio é mais provavelmente um reflexo de dinâmicas internas da Previ, incluindo uma recente mudança na liderança do próprio fundo, do que de qualquer questão específica da Vale”, ressaltou.

Na última terça, a Vale informou que seu conselho de administração elegeu Wilfred Theodoor Bruijn como  presidente do colegiado. De acordo com a companhia, Bruijn ocupará a posição até a eleição de um novo presidente do conselho na Assembleia Geral Extraordinária, que acontecerá em 22 de julho.

“Embora preferíssemos uma transição mais tranquila e orgânica no Conselho, não vemos motivo para alterar nossa visão sobre a tese de ações. Não vemos como esse ruído se traduz em qualquer dano tangível aos fundamentos da companhia, que é o que mais importa para a companhia”, avalia.

Sob a atual equipe de gestão, o banco continua a esperar um processo decisório consistente com o dos últimos trimestres, que o mercado tem, em grande parte visto como positivo. “Continuaremos a monitorar de perto os desdobramentos e, caso algo mude nesse meio – tempo, estamos prontos para reavaliar nossa posição. Reiteramos nossa recomendação de compra para a Vale, com as ações ainda sendo negociadas a um atrativo yield de fluxo de caixa ao acionista de 9% este ano”, finaliza, tendo preço-alvo de R$ 90 para os ativos.

Neste contexto, cabe destacar, a Vale divulga no próximo dia 30 seus resultados do segundo trimestre – o que pode ser uma fonte de pressão.

Segundo o Safra, a mineradora deve registrar Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado de aproximadamente US$ 3,8 bilhões no segundo trimestre, queda de 2% frente ao primeiro trimestre e resultado abaixo do consenso de mercado.

Na visão dos analistas do banco, a pressão deve vir da divisão de Soluções de Minério de Ferro, impactada por preços realizados menores e aumento dos custos caixa C1 (da mina ao porto).

O banco estima preço realizado de minério de ferro de US$ 95 por tonelada no período. Apesar disso, a divisão de metais básicos deve apresentar melhora operacional. O Ebitda da unidade deve avançar cerca de 17%, apoiado por preços mais altos de cobre e níquel.

Já para o Itaú BBA, o Ebitda proforma deve cair 7% em base trimestral, para US$ 3,63 bilhões. No segmento de ferrosos, o aumento de 16% nos embarques (79,5 milhões de toneladas) deve ser mais que compensado pela alta de US$ 2/t no custo C1 (custo caixa de produção), para US$ 30,1 por tonelada, pressionado pelo real mais forte. Em metais básicos, o Ebitda deve recuar 11% no trimestre, para US$ 1,06 bilhão, com preços mais altos de cobre e níquel sendo compensados por menores volumes, menor receita com subprodutos e custos maiores.

Em meio a esse cenário, as casas de análise seguem divididas com o papel, ainda que tendam a ter uma visão mais positiva. Para as que acompanham VALE3, segundo compilação LSEG, 8 possuem recomendação de compra e 7 possuem recomendação neutra. Já para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York), de 25 casas que cobrem o papel, 13 recomendam compra e 12 manutenção, também mostrando a divisão do mercado.

Máquinas e Equipamentos

InfraRoi - SP   16/07/2026

A Sany iniciou a produção de escavadeiras hidráulicas e veículos comerciais em sua fábrica de Campinas (SP), marcando a entrada da unidade na fase operacional. O início da fabricação representa um novo passo na estratégia de nacionalização da produção da fabricante chinesa e amplia sua capacidade de atender o mercado brasileiro e países da América Latina.

A primeira etapa do complexo industrial ocupa uma área de 350 mil metros quadrados e reúne duas linhas de montagem: uma dedicada às escavadeiras e outra aos veículos comerciais. A capacidade instalada é de 3.500 equipamentos por ano, sendo 1.500 escavadeiras e 2.000 veículos comerciais.

Com a produção local, a empresa pretende reduzir custos logísticos, minimizar o impacto de tarifas de importação e diminuir o prazo de entrega dos equipamentos. A unidade também concentrará atividades de fabricação, vendas e pós-venda, fortalecendo a cadeia de suprimentos da companhia na região.

A inauguração da produção consolida a estratégia da Sany de ampliar sua presença industrial no Brasil. Desde que entrou no mercado brasileiro, a empresa investe na estruturação de operações locais de vendas, assistência técnica e manufatura. Com a fábrica de Campinas em operação, a companhia passa a contar com capacidade completa de fabricação no país.

Além da produção, a empresa ampliou sua estrutura comercial e de atendimento. Atualmente, cerca de 80% dos colaboradores da Sany Brasil são contratados localmente, e a fabricante mantém uma rede de dezenas de distribuidores em todo o território nacional. A unidade industrial já gerou aproximadamente 200 empregos diretos, com expectativa de expansão conforme novas fases do projeto forem implantadas.

Outro investimento recente foi a criação do Sany Banco. A instituição recebeu autorização do Banco Central em 2025 e iniciou suas operações no começo de 2026, oferecendo soluções de financiamento voltadas à aquisição de equipamentos da marca no mercado brasileiro.

Segundo Cao Te, presidente da Sany para a América Latina, e Chen Wei, gerente-geral do projeto da fábrica, as linhas de produção da primeira fase já operam normalmente e o planejamento da segunda etapa do complexo industrial já está em andamento. A expectativa é ampliar gradualmente o portfólio fabricado no Brasil, incorporando novas categorias de máquinas e veículos.

A meta da companhia é transformar a unidade de Campinas em um centro regional de produção para abastecer o mercado latino-americano, reforçando a estratégia de fabricação local e ampliando sua competitividade na região.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   16/07/2026

Com a chegada das chinesas, a septuagenária e poderosa Anfavea não está conseguindo manter a hegemonia das últimas décadas como representante das montadoras instaladas no País.

Ao contrário, perde força para outras entidades, como a Abeifa, criada há 35 anos inicialmente para representar os importadores, e a ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, fundada há menos de 10 anos.

A primeira tem a BYD como associada, marca que também é filiada à ABVE, assim como as chinesas GWM, GAC e MG, além da Ford, GM e Porsche, entre as marcas de automóveis.

A Anfavea não conseguiu até agora atrair nenhuma das entrantes chinesas e a disputa entre as entidades ganha novos contornos com o anúncio feito na terça-feira, 14, por Marcelo de Godoy, presidente da Abeifa, de que quatro marcas chinesas – além das já associadas BYD e Denza – estão em fase final de negociação para filiar-se à entidade.

São elas a Omoda & Jaecoo, Jetour, GAC e Zeekr, sendo que as três primeiras têm projeto de produção local, enquanto a quarta é do mesmo grupo da Geely, representada no Brasil pela  Renault e já com números publicados no balanço da Anfavea, assim como a Leapmotor, da Stellantis.

Ou seja, uma confusão total se instala no mercado automotivo com toda esta divisão. A Anfavea garante que seus números passaram a contemplar este ano os dados de produção da GWM e BYD, mas as duas não são consideradas no quadro de empregos total das montadoras em operação no País.

Outra divergência é com relação aos eletrificados. Enquanto a Anfavea e a Fenabrave consideram os chamados híbridos leves, no caso os produzidos localmente pela Stellantis, a ABVE os ignora em seus relatórios de vendas.

Difícil até para quem acompanha o setor, visto serem necessárias sempre ressalvas nas informações referentes a empregos e eletrificados.

No caso da Anfavea, tem sido reincidente o confronto com a BYD, que no último embate — o da renovação das cotas com alíquota zero para importação de CKD/SKD — saiu vitoriosa.

Na última coletiva de imprensa, dia 7 da semana passada, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, chegou até a criar expectativa ao iniciar sua fala com o anúncio de que a entidade tinha ganhado duas novas associadas.

A frustração entre os jornalistas ficou evidente quando ele anunciou duas empresas que não produzem automóveis, no caso JCB e  Volvo CE, fabricantes de máquinas agrícolas e de construção.

Não que tais conquistas não sejam importantes, mas há praticamente um ano, quando BYD e GWM começaram a montar veículos aqui, imaginava-se de que elas engrossariam o quadro de associadas da Anfavea, reforçando a importância da produção local para o País.

Sempre que questionado sobre incentivos à importação e o motivo de nem todas as montadoras de automóveis estarem hoje na Anfavea, Calvet deixa claro que a entidade não discrimina empresas por origem, tanto é que tem marcas de diferentes países entre as associadas.

A questão é saber agora como vai caminhar a evidente divisão que se instalou no setor automotivo.

Com planos de produção já anunciados, GAC, Omoda & Jaecoo e Jetour dão sinais de que estão antecipadamente se respaldando na Abeifa, entidade fundada como Abeiva em 1991 exclusivamente para representar os importadores, que alterou seu nome em 2014 para abrigar fabricantes locais, entre as quais, na época, a Caoa Chery, atualmente filiada apenas à Anfavea.

Nesse contexto todo, importante lembrar que Igor Calvet é o primeiro presidente-executivo da Anfavea, ou seja, um profissional contratado e não alguém ligado a uma montadora como sempre foi tradicional na entidade. Uma mudança que ocorreu na última gestão, a de Márcio de Lima Leite, VP da Stellantis, quando os chineses já bagunçavam o setor automotivo brasileiro.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Exame - SP   16/07/2026

Um terreno vazio e disputado na Praia Brava, no litoral de Santa Catarina, receberá um dos maiores empreendimentos imobiliários já anunciados para a região. A Construttore Empreendimentos prepara, em parceria com o World Trade Center (WTC), um complexo de uso misto que exigirá, pelo menos, R$ 1,5 bilhão em investimentos, dizem os responsáveis pelo projeto.

O complexo terá 300 mil metros quadrados de área construída e um Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 3 bilhões. A previsão é que o lançamento ocorra em 2028 e que as obras comecem no ano seguinte.

A construção será dividida em etapas e poderá se estender por 15 anos. O desenho definitivo, porém, ainda não está fechado. O empreendimento está na fase de projetos e o processo de licenciamento municipal avançou, mas ainda depende da conclusão das aprovações necessárias para que as obras sejam iniciadas.

“A gente está ainda na fase de projetos. É realmente muito grande. Serão 15 anos de empreendimento em obras”, afirma Daniella Abreu, sócia e presidente do WTC no Sul do Brasil, em Brasília(DF) e em Sinop (MT).

A proposta é reunir, em um mesmo complexo, áreas residenciais, escritórios, hotel, shopping e espaços voltados a eventos, networking e negócios internacionais. Ainda está em estudo se essas operações ficarão concentradas em uma grande torre ou distribuídas entre diferentes edifícios.

O que já está definido é a intenção de construir um prédio principal de maior destaque arquitetônico, cercado por outras estruturas. Daniella garante que o projeto terá uma “torre WTC icônica”. Imagens do projeto ainda não são divulgadas pois os estudos seguem em tramitação na prefeitura.

Da expansão em São Paulo ao projeto em Santa Catarina

A parceria reúne duas empresas com trajetórias distintas. O World Trade Center chegou ao Brasil em 1995, com a inauguração do complexo de São Paulo, que reúne torres comerciais, hotel, shopping e centro de convenções. Segundo Daniella Abreu, sócia e presidente do WTC no Sul do Brasil, Brasília e Sinop, o empreendimento ajudou a transformar a região onde foi construído e se tornou uma referência do mercado imobiliário.

Durante quase duas décadas, São Paulo foi a única operação da marca no país. Nos últimos anos, porém, o WTC acelerou sua expansão por meio da venda de licenças regionais para empresários locais, que desenvolvem tanto os empreendimentos imobiliários quanto os clubes de negócios e iniciativas voltadas ao comércio internacional.

Hoje, a rede possui projetos em cidades como Goiânia, Sinop, Uberlândia, Ribeirão Preto, Brasília, Curitiba, Joinville e Balneário Camboriú, enquanto Porto Alegre voltou aos planos após ter sido adiada pelas enchentes de 2024.

"O WTC cresce no Brasil não só como uma marca para os prédios. O objetivo é trazer o clube de negócios, fomentar os negócios internacionais e fazer com que o país se desenvolva no comércio exterior", afirma Daniella.

A parceira no empreendimento, a Construttore, foi fundada em 2011 e atua principalmente no litoral norte de Santa Catarina, com foco em empreendimentos de alto padrão em Itajaí, Praia Brava e Balneário Camboriú. A união entre as duas empresas busca combinar a experiência da incorporadora no mercado catarinense com a plataforma internacional de negócios do WTC para transformar a Praia Brava em um novo polo corporativo.

Como será o novo complexo World Trade Center em SC

A Praia Brava é conhecida, principalmente, pelos condomínios residenciais de alto padrão e pela valorização dos imóveis. O plano do WTC e da Construttore é aproveitar essa demanda, mas ampliar a presença de atividades comerciais e corporativas na região.

“A Brava hoje é muito residencial, então a gente vai puxar para o comercial, para a área de negócios, para o hotel e para o shopping”, diz Daniella. “Mas vai ter o residencial junto, porque a gente entende que esse conceito de viver, trabalhar e se divertir dentro de um complexo multiuso tem muito valor.”

A distribuição dos 300 mil metros quadrados entre cada uma das operações ainda está sendo calculada. De acordo com a executiva, os estudos consideram a vocação do endereço, o valor do metro quadrado, o retorno esperado e a demanda para cada tipo de imóvel.

O terreno fica próximo ao mar, mas não é de frente para a praia. Antes da negociação, a área estava vazia e disponível para venda. Daniella afirma que se tratava de um dos grandes terrenos ainda existentes na região, onde a disponibilidade de áreas desse porte é cada vez menor.

A aquisição foi concluída recentemente e antecedeu o acordo com o WTC. Segundo Daniella, parte dos recursos deverá vir dos próprios empreendedores e parte de investidores.

A aposta em um novo polo de negócios

Mais do que vender apartamentos ou escritórios, o WTC pretende usar o complexo para atrair empresas e eventos corporativos ao litoral catarinense. O plano é transformar a região, já consolidada como destino turístico e residencial, em um polo permanente de negócios.

“Não adianta fazer o prédio e deixar vazio. A gente vai trabalhar todos esses anos para trazer empresas para a região, formar um hub de negócios internacionais e consolidá-la como um destino de negócios”, afirma Daniella. “Não é só um prédio. É um complexo de negócios que aterrissa em Santa Catarina.”

A escolha da Praia Brava foi precedida por estudos de viabilidade econômica. O grupo responsável pelas licenças do WTC no Sul tem origem em Santa Catarina e já atua no mercado regional, o que, segundo a executiva, ajudou na decisão.

As licenças são controladas pela Sensus Group, empresa de Joinville ligada ao empresário Vanderlei Palhano. O grupo possui direitos para desenvolver projetos e clubes de negócios da marca em cidades como Curitiba, Joinville, Balneário Camboriú e Porto Alegre, além de Brasília e Sinop.

O funcionamento da marca combina dois negócios. De um lado, estão os empreendimentos imobiliários que recebem o nome WTC. De outro, há o chamado business club, responsável por eventos, reuniões corporativas, relacionamento entre executivos e conexão de empresas com a rede internacional.

A licença é concedida após a análise de um plano de negócios que precisa justificar a escolha da cidade e demonstrar a viabilidade do projeto. Depois da aprovação, o licenciado pode desenvolver tanto o empreendimento imobiliário quanto as atividades corporativas associadas à marca.

A expansão do WTC pelo Brasil

O World Trade Center está presente em mais de 90 países e, segundo a empresa, possui operações em mais de 300 cidades. A rede atua na promoção de negócios, comércio internacional, eventos corporativos e projetos imobiliários.

No Brasil, sua unidade mais conhecida é o complexo de São Paulo, que reúne escritórios, hotel, centro de convenções e shopping. Fora da capital paulista, a marca inaugurou um hotel em Goiânia e participa de projetos em desenvolvimento em cidades como Sinop (MT), Uberlândia (MG) e Ribeirão Preto (SP).

O grupo também trabalha em empreendimentos em Curitiba (PR), Joinville (SC) e Brasília (DF). Na capital federal, o projeto anunciado possui 120 mil metros quadrados e prevê áreas residenciais e corporativas, hotel e centro de eventos.

Em Porto Alegre, o plano chegou a avançar em um terreno próximo ao aeroporto, mas foi interrompido depois das enchentes de 2024. Daniella afirma que as conversas foram retomadas, embora ainda não haja um novo cronograma.

Cada projeto é dimensionado de acordo com o mercado local. O complexo estudado para Curitiba, por exemplo, deverá ter menos de um quarto do tamanho do empreendimento catarinense.

Na Praia Brava, o tamanho do terreno e o potencial de valorização permitiram elaborar um projeto de maior escala. Ainda assim, a definição arquitetônica dependerá da conclusão dos estudos técnicos e das negociações com investidores.

“Quando a viabilidade econômica é alcançada, o projeto é uma consequência. Para fechar o negócio, a conta tem que parar de pé”, diz Daniella. “E não é uma conta fácil quando existe uma marca internacional que também acarreta um valor.”

O empreendimento catarinense ainda precisará atravessar as etapas de aprovação, lançamento, comercialização e construção. Mesmo com o início das obras previsto para 2028, a conclusão total deverá ocorrer apenas na década de 2040.

Para Daniella, o prazo é compatível com a complexidade da operação. “São cinco anos para aprovar e conseguir fazer uma negociação, mais dez anos para construir”, afirma. “É mover o Titanic. É muito trabalho que demora para dar resultado.”

O Estado de S.Paulo - SP   16/07/2026

O governo federal está avaliando uma nova rodada de ajustes propostos pelas construtoras para turbinar novamente o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A medida foi encaminhada no fim de junho e está sob o crivo de técnicos da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades.

A Coluna obteve acesso ao teor integral da proposta. O principal tópico é a ampliação da faixa 4. Hoje, ela atende famílias com renda de até R$ 13 mil para a compra de imóveis até R$ 600 mil. A sugestão é chegar até quem ganha R$ 21 mil, cobrindo moradias de até R$ 1,2 milhão. Se confirmado, isso representaria a maior expansão do MCMV desde sua criação, em 2009, originalmente voltado a famílias de baixa renda.

A proposta sugere ainda que a faixa 4 passe a ser dividida em três subfaixas, com juros cortados dos atuais 10% ao ano para níveis menores, de acordo com a renda: 8,66% (renda até R$ 13 mil), 9,16% (até R$ 15 mil) e 10% (até R$ 21 mil).
Faixa 4 usa recursos do pré-sal

A faixa 4 é a mais nova do Minha Casa, Minha Vida, tendo sido criada em 2025, com recursos do fundo social do pré-sal - ao contrário das demais faixas, que usam dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A promessa da faixa 4 foi atender a população de classe média, mas ela enfrenta dificuldades para engrenar porque os juros de 10% ainda pesam no bolso da maioria da população para um financiamento de longo prazo.

Outra proposta das construtoras levada para análise do governo é a redução dos juros e a criação de faixas intermediárias dentro da faixa 3, que atende famílias cuja renda vai de R$ 5,0 mil a R$ 9,6 mil, com juros de 8,16% ao ano. Com as mudanças, ficaria assim: 6,66% (renda entre R$ 5 mil e R$ 6 mil), 7,16% (R$ 6 mil e R$ 7 mil) e 7,66% (entre R$ 7 mil e R$ 9,6 mil). A medida teria potencial para aumentar o poder de compra das famílias em 8%, conforme estimativa das construtoras.

O conjunto de propostas prevê ainda a elevação dos tetos de preços de imóveis nas faixas 1 e 2, incorporando o INCC acumulado de 14,8% entre 2023 e 2026. Os novos preços permitiriam um acréscimo em torno de R$ 15 mil a R$ 25 mil, variando conforme o tamanho da cidade. Para grandes metrópoles com mais de 750 mil habitantes, por exemplo, o valor poderia ir de R$ 275 mil para R$ 300 mil.

Em análise

Neste momento, técnicos do Ministério das Cidades estão calculando o impacto do corte dos juros na sustentabilidade do FGTS no longo prazo. Há uma avaliação cautelosa, pois uma redução nos juros poderia desequilibrar o fundo. “A faixa 3 ajuda muito a taxa média de rentabilidade do FGTS. Juros ainda menores iriam acelerar o comprometimento da liquidez e a redução da rentabilidade média”, comentou uma fonte, que acompanha as discussões.

Outra fonte avalia que a proposta de alteração na faixa 4 tem mais chance de ser aprovada, porque usa recursos do fundo social do pré-sal, sobre o qual o governo tem mais controle. Na faixa 3, é preciso ter aprovação do conselho curador do fundo, que delibera sobre a destinação dos recursos dos trabalhadores cotistas.

Independente da fonte dos recursos, há quem veja aí um desvirtuamento do Minha Casa como um programa de combate ao déficit de moradias no Brasil. “Não é natural trazer a classe média alta pra dentro do programa e reduzir juros de família com esse perfil de renda, porque 90% do déficit habitacional está nas famílias que ganham até três salários mínimos”, critica um observador, reservadamente.

Procurado, o Ministério informou que acompanha regularmente os impactos dos programas e ações nas famílias para o aprimoramento das políticas públicas, incluindo a política habitacional. “Alterações nas faixas de renda e juros são discutidas transversalmente no governo federal com amplo debate com setores da sociedade civil”, afirmou.

Visão das empresas

Do lado das construtoras, há uma série de motivos para essa articulação. A principal é a busca de condições para reajustar os preços dos imóveis e compensar a subida dos custos de materiais nos últimos meses, o que tem pressionado a inflação setorial. As empresas alegam ainda que as famílias no ‘piso’ da faixa 3, isto é, com renda próxima de R$ 5 mil, estão com dificuldade de comprar os imóveis e precisam de alívio com o corte de juros.

Além disso, há uma previsão de “folga” no orçamento deste ano para acomodar os possíveis novos estímulos ao programa habitacional. As contratações do Minha Casa, Minha Vida entre janeiro e maio atingiram R$ 65,5 bilhões. Nesse ritmo, o programa deve chegar a R$ 174,3 bilhões até dezembro - ficando, portanto, R$ 15,7 bilhões abaixo do orçamento total de R$ 189,9 bilhões para o ano, somando recursos do FGTS e do fundo social do pré-sal.

O pleito setorial ocorre pouco tempo depois de o MCMV passar por modificações. Em março, foi aprovada a elevação da renda dos beneficiários da faixa 3 de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil, e da faixa 4, de R$ 12 mil para R$ 13 mil. Na ocasião, o valor máximo dos imóveis também foi atualizado. Na faixa 3, passou de R$ 350 mil para R$ 400 mil, e na 4, de R$ 500 mil para R$ 600 mil.

FERROVIÁRIO

Exame - SP   16/07/2026

A Motiva formalizou um investimento de R$ 676,8 milhões para levar a tecnologia de sinalização da Siemens Mobility até a extensão da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. O aporte está previsto no em aditivo da concessão, assinado em junho passado, e garante à nova extensão até Taboão da Serra o mesmo padrão de automação que já opera na linha desde 2010. No total, os investimentos de ampliação do ramal foram estimados em cerca de R$ 3,4 bilhões.

Sinalização não é só um detalhe técnico por trás da operação. É ela que torna possível um trem andar sozinho. O sistema precisa saber, o tempo todo, onde cada composição está, a que velocidade pode ir e qual distância precisa manter da que vem à frente. Sem essa informação constante, não existe automação segura.

A Linha 4-Amarela usa o CBTC (Communications-Based Train Control), tecnologia que mantém comunicação contínua entre trem e via. Sensores e rádio informam a posição exata de cada trem em tempo real, e o sistema ajusta automaticamente velocidade e frenagem. É esse monitoramento ininterrupto que permite operar com intervalos de apenas 90 segundos entre trens sem risco de colisão.

O nível de automação alcançado é medido em graus, de GoA0, com condução totalmente manual, a GoA4, o mais alto, quando o trem opera sem ninguém na cabine. É esse patamar máximo que a Linha 4-Amarela já usa desde a inauguração, em 2010, e que será replicado na extensão até Taboão da Serra. Na prática, quanto mais precisa a sinalização, maior o grau de automação que ela permite sustentar com segurança.

O que muda para quem anda de metrô

Para o passageiro, a promessa é de trens mais frequentes, menos tempo de espera na plataforma e maior pontualidade. É a mesma lógica que já garante à Linha 4-Amarela atual índices de disponibilidade próximos de 100%, hoje uma das mais pontuais do país.

Uma linha que sai dos limites da capital

A obra vai estender a linha em 3,3 quilômetros de túneis em via dupla, ligando a atual Estação Vila Sônia-Profª Elisabeth Tenreiro a duas novas paradas: Chácara do Jockey e Taboão da Serra. Esta última marca um momento inédito para o metrô paulista: será a primeira estação fora dos limites do município de São Paulo, atendendo diretamente um dos municípios mais densos do país.

Com a extensão pronta, o trajeto entre Taboão da Serra e a Estação da Luz deve cair para cerca de 26 minutos. A expectativa é beneficiar mais de 280 mil moradores da região e atender cerca de 110 mil passageiros por dia. O projeto elevará a extensão total da linha para 16,1 km.

A expansão já havia motivado uma prorrogação do contrato de concessão da ViaQuatro, subsidiária da Motiva, para reequilibrar financeiramente a operação diante do novo escopo de obras.

Um projeto com peças vindas de três países

A Siemens Mobility vai fornecer o pacote completo de sinalização: o sistema CBTC Trainguard MT, intertravamento eletrônico, telecomunicações e supervisão operacional.

A produção é dividida entre fábricas na Alemanha, que fornece o intertravamento, na França, de onde vem o CBTC, e na Itália, responsável por parte das soluções de telecomunicações. 00A integração final de todo o sistema será feita no Brasil.

Os seis novos trens que vão reforçar a frota já sairão de fábrica equipados com a tecnologia CBTC, para entrar em operação já integrados à rede existente.

Prazo de cinco anos

Segundo a Motiva, a implantação da sinalização deve levar cerca de 59 meses, o equivalente a cinco anos. Para Bruno Magalhães, gerente de Engenharia da Extensão da Linha 4-Amarela, a iniciativa é um passo para ampliar a mobilidade com "tecnologia de ponta, segurança e eficiência operacional".

Do lado da fornecedora, o discurso é de continuidade. "Este projeto reforça a escalabilidade das soluções da Siemens Mobility e nossa capacidade de ajudar cidades em todo o mundo a transformar o transporte urbano com inovações sustentáveis e eficientes", afirma Marc Ludwig, CEO de Rail Infrastructure da Siemens Mobility.

Já Liubov Schachtner, CEO da Siemens Mobility Brasil e América Latina, lembra que a parceria já dura mais de uma década na Linha 4-Amarela e que a extensão amplia essa base para fora da capital paulista, "fortalecendo uma rede preparada para a complexidade de São Paulo".

NAVAL

Infomoney - SP   16/07/2026

Empresas de navegação estão evitando utilizar um esquema de trânsito pelo Estreito de Ormuz orientado pelas forças militares dos EUA, depois que uma onda de ataques iranianos a embarcações gerou preocupações com a segurança, segundo sete fontes do setor de segurança marítima e do setor de navegação.

Durante décadas, os navios entravam e saíam do Golfo Pérsico utilizando um conjunto seguro de rotas no meio do estreito, estabelecido pela agência de navegação da ONU em 1968 e conhecido como Esquema de Separação de Tráfego.

Trump evita estipular prazo para novos ataques ao Irã e faz alerta ao país

O presidente norte-americano declarou nesta quarta-feira que não gosta de estabelecer “deadlines”, mas alertou que os iranianos conhecem a história e que “é melhor que se comportem”

Desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, as forças iranianas minaram essa área, forçando as embarcações a utilizar uma das duas rotas improvisadas próximas à costa iraniana ou à costa de Omã.

Em junho, a Reuters informou que as forças dos EUA haviam auxiliado a passagem de navios como parte de uma operação envolvendo dezenas de transferências secretas de petróleo de navio para navio, a fim de manter o fluxo das exportações de energia do Golfo, utilizando drones aéreos e aquáticos, bem como helicópteros, para guiar os petroleiros.

A iniciativa apoiada pelos EUA possibilitou a exportação de dezenas de milhões de barris de petróleo, ajudando a amenizar o impacto sobre os preços da energia causado pela maior interrupção já registrada no abastecimento de petróleo e gás.

No entanto, as empresas de transporte marítimo estão avaliando a rota no lado de Omã do estreito como cada vez mais perigosa, após uma onda de ataques a navios.

A Guarda Revolucionária do Irã assumiu, na terça-feira, a responsabilidade pelos ataques a dois superpetroleiros dos Emirados Árabes Unidos.

Cerca de cinco navios foram atacados desde 7 de julho — três superpetroleiros de petróleo bruto, um navio-tanque de GNL e um navio porta-contêineres — em águas de Omã que estavam sob o esquema dos EUA, de acordo com uma análise dos incidentes baseada em dados da agência de navegação da ONU.

Não ficou claro se todos os navios navegavam sob o esquema dos EUA, disseram as fontes.

“Os EUA não parecem ter nenhum controle sobre a situação”, disse uma fonte do setor de navegação, acrescentando que sua empresa havia optado por não navegar pelo estreito devido a preocupações com a segurança da tripulação e à deterioração da situação de segurança.

“A capacidade contínua do Irã de atacar navios que navegam pela rota de Omã significa que a solução proposta pelo governo Trump para manter os navios em movimento provavelmente não funcionará”, disse Torbjorn Solvedt, analista-chefe para o Oriente Médio da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.

A porta-voz da Casa Branca Olivia Wales afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto, apesar dos recentes ataques à navegação comercial.

“O Estreito de Ormuz está aberto e o petróleo está fluindo. O Irã está cometendo atos de terrorismo internacional ao disparar contra embarcações comerciais pacíficas, visando e assassinando civis inocentes, e os Estados Unidos estão respondendo com firmeza”, disse Wales.

CNN Brasil - SP   16/07/2026

O bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos está em andamento, tendo sido retomado ontem às 17h (horário de Brasília) — 23h30 no horário local —, informou o Comando Central dos EUA na rede social X.

Washington já havia imposto um bloqueio aos portos iranianos anteriormente no conflito, por um período de cerca de dois meses, entre abril e junho.

As operações de fiscalização estenderam-se do Oriente Médio até o Oceano Índico, a milhares de quilômetros de distância.

A atual ordem de bloqueio aplica-se a todos os portos iranianos, tanto dentro quanto fora do estreito — mas o que um bloqueio implica?

Um bloqueio é tanto uma ferramenta de guerra econômica quanto de guerra convencional.

O Manual de Newport sobre o Direito da Guerra Naval define o bloqueio como “a apreensão de contrabando e a apreensão ou destruição de bens inimigos encontrados no mar”.

“Esses métodos negam ao inimigo a possibilidade de obter receitas econômicas com suas exportações e os benefícios de importações que sustentam seu esforço de guerra”, afirma o manual.

Para ser legal, a imposição de um bloqueio deve seguir certas regras:
Deve ser declarado e notificado, o que significa que avisos devem ser emitidos para as embarcações que possam ser afetadas Deve ser efetivo, o que significa que os EUA devem dispor dos navios e aeronaves necessários para fazê-lo cumprir Deve ser imparcial, afetando embarcações de qualquer nação Não pode ter como alvo exclusivo populações civis, mas danos a civis são aceitáveis Não deve bloquear o acesso a portos neutros nem bloquear um estreito, como o de Ormuz — que, segundo Trump, está aberto à navegação internacional não relacionada ao Irã

Medida foi retomada um dia depois do presidente Donald Trump afirmar que o bloqueio seria restabelecido e que os EUA atuariam como "guardiões" do Estreito de Ormuz.

Isso afetará navios que saem dos portos iranianos ou que vão em direção a eles. Anteriormente, os EUA já haviam feito um bloqueio deste tipo, entre 13 de abril e 18 de junho.

Segundo os militares americanos, durante esse período, mais de 140 embarcações foram redirecionadas, enquanto nove navios que não cumpriram ordens foram "neutralizados".

As forças dos EUA também permitiram a passagem de mais de 50 navios comerciais que transportavam ajuda humanitária pelo bloqueio durante esse período de dois meses.

Embora Trump também tenha dito na segunda-feira (13) que Washington cobraria das empresas de transporte comercial 20% do valor de suas cargas para reembolsar o país por "garantir a segurança e a proteção" no Estreito, ele mudou de posição nesta terça-feira (14), afirmando que as nações do Golfo realizariam "acordos comerciais e de investimento... com os Estados Unidos".

Após esse anúncio, a Organização Marítima Internacional afirmou que a passagem pelo estreito "deve permanecer livre de quaisquer pedágios e taxas, de acordo com o direito internacional".

O Reino Unido também pontuou que mantém sua posição de que o Estreito de Ormuz deve ser reaberto "sem pedágios ou taxas".

Grandes Construções - SP   16/07/2026

A previsão do governo federal de realizar, no primeiro semestre de 2027, leilões para concessão de seis hidrovias recoloca o transporte hidroviário no centro das discussões sobre infraestrutura e competitividade logística no Brasil.

O pacote inclui projetos nos rios Paraguai, Madeira, Tocantins e Tapajós, além da Hidrovia Verde e da Hidrovia da Lagoa Mirim, com a expectativa de ampliar a eficiência no escoamento de cargas, reduzir custos operacionais e fortalecer corredores estratégicos de integração nacional.

O movimento ocorre em um país que possui uma das maiores redes hidrográficas do mundo, mas ainda aproveita pouco seu potencial para o transporte de cargas e passageiros.

Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Brasil conta com cerca de 42 mil quilômetros de vias navegáveis, mas explora menos de 20 mil quilômetros.

Ao mesmo tempo, a movimentação por vias interiores chegou a 145 milhões de toneladas em 2025, alta de 12,4% em relação ao ano anterior, reforçando o espaço para crescimento do modal.

Para a Fundação Memória do Transporte (FuMTran), a retomada do debate sobre hidrovias também deve ser analisada sob uma perspectiva histórica.

Segundo Antonio Luiz Leite, presidente da entidade, os rios sempre tiveram papel decisivo na formação territorial brasileira e na integração econômica, mas perderam espaço na estratégia logística nacional ao longo do século XX.

“Desde o período colonial, os rios serviram como principais vias de acesso ao interior do território, permitindo a expansão das frentes de povoamento, a exploração de recursos naturais e a consolidação da presença portuguesa em regiões afastadas do litoral. Entretanto, o Brasil demorou a recolocar as hidrovias no centro de sua estratégia logística, resultado de uma falta de visão integrada e de planejamento de longo prazo”, afirma.

Como consequência dessa demora, o país deixou de aproveitar plenamente uma alternativa de transporte mais econômica e eficiente para longas distâncias.

Na avaliação da FuMTran, o atual interesse pelas hidrovias resgata não apenas uma possibilidade logística, mas uma função histórica dos rios: conectar territórios, aproximar mercados e reduzir barreiras em um país de dimensões continentais.

Para que os novos projetos não repitam erros do passado, a entidade defende que as concessões sejam pensadas como parte de corredores logísticos integrados, conectando hidrovias a rodovias, ferrovias, portos e terminais de transbordo.
Segundo Leite, obras isoladas tendem a perder eficiência quando não dialogam com o restante da cadeia.

“A história mostra que grandes projetos de transporte só produzem resultados duradouros quando são planejados de forma integrada e contínua. Assim, os novos projetos hidroviários precisam fazer parte de corredores logísticos integrados, garantindo que as cargas possam circular de forma eficiente entre diferentes modais”, pontua o dirigente.

A FuMTran também alerta que o debate não deve reduzir os rios a simples corredores econômicos voltados ao escoamento de cargas. Para Antonio Luiz Leite, hidrovias são fundamentais para a logística, mas os rios também carregam funções sociais, culturais e territoriais.

“Em áreas como a Amazônia, por exemplo, eles continuam sendo verdadeiras ‘estradas naturais’, fundamentais para o acesso a serviços públicos, comércio, educação e saúde. Muitas comunidades dependem diretamente dos rios para sua sobrevivência e para a manutenção de seus modos de vida”, afirma.

Ao mesmo tempo, a entidade avalia que reconhecer essas múltiplas funções não significa impedir o desenvolvimento das hidrovias, mas ampliar a qualidade do planejamento.

Para o presidente da instituição, “o desafio é justamente conciliar eficiência logística com desenvolvimento territorial sustentável. Assim, o debate sobre as novas hidrovias será mais completo se enxergar os rios não apenas como ativos econômicos, mas como elementos centrais da vida social, cultural e territorial brasileira”.

PETROLÍFERO

Valor - SP   16/07/2026

O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em setembro teve alta de 0,26% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para agosto subiu 0,33%.

Os contratos futuros do petróleo terminaram o dia em leve alta, dando uma pausa na forte valorização vista nos últimos dois dias por causa da nova escalada de tensões no Oriente Médio. As forças armadas iranianas e americanas trocaram novos ataques nesta quarta-feira (15), sem perspectiva de retomada das negociações de paz. No entanto, os preços do petróleo desaceleraram e chegaram a operar em queda após dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos, que mostraram uma desaceleração no uso das reservas estratégicas.

No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em setembro teve alta de 0,26%, cotado a US$ 84,95 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para agosto subiu 0,33%, a US$ 79,60 por barril, na New York Mercantile Exchange.

Ambos os contratos já acumularam uma valorização superior a 10% nesta semana, em meio ao fim do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Os EUA realizaram novos ataques aéreos contra o Irã nesta quarta-feira e o presidente americano, Donald Trump, prometeu intensificar os bombardeios até que Teerã deixe de atacar navios no Estreito de Ormuz e concorde em reabrir a rota marítima. Mais cedo, a Guarda Revolucionária Islâmica também informou que lançou mísseis contra alvos americanos na região, atingido países como o Kuwait e o Bahrein. As forças armadas iranianas disseram que Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos interrompam seus ataques e encerrem o bloqueio aos portos iranianos.

No entanto, os preços apagaram boa parte dos ganhos e chegaram a operar no negativo após a divulgação dos dados semanais de reservas de petróleo nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Energia (DoE), apesar da queda de 1,7 milhão de barris nos estoques de petróleo bruto do país, na semana passada, houve um aumento na produção e uma desaceleração no uso das reservas estratégicas.

Valor - SP   16/07/2026

Interrupção no estreito de Bab el-Mandeb aumentaria risco de as duas principais rotas de exportação de petróleo do Golfo serem bloqueadas simultaneamente, pressionando preços globais da commodity.

O Irã advertiu que sua campanha para restringir os mercados globais de energia poderá ser ampliada do Estreito de Ormuz para a estratégica rota do Mar Vermelho caso os ataques americanos continuem — uma ameaça que depende de seus aliados houthis no Iêmen.

Com o Estreito de Ormuz já comprometido pela guerra, o Mar Vermelho tornou-se uma alternativa crucial para as exportações de petróleo e outros produtos do Golfo. Uma interrupção significativa no estreito de Bab el-Mandeb aumentaria o risco de as duas principais rotas de exportação de petróleo da região serem bloqueadas simultaneamente, pressionando os preços globais da commodity.

O bloqueio parcial de Ormuz imposto pelo Irã após os ataques de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro interrompeu a maior parte das exportações de petróleo e de outros produtos do Golfo, elevando os preços e provocando um choque energético global.

Em resposta, a Arábia Saudita desviou mais de 70% de suas exportações diárias habituais de petróleo bruto para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Segundo dados da Kpler e da Signal Ocean, os embarques a partir de Yanbu atingiram média de 4 milhões de barris por dia nas últimas semanas, ante cerca de 973 mil barris diários no mesmo período do ano passado.

O volume total de derivados e petróleo que transitou por Bab el-Mandeb chegou a 7,4 milhões de barris por dia em junho, o equivalente a cerca de 7% da produção mundial de petróleo, segundo a Kpler. No mesmo mês do ano passado, esse volume era de 4,2 milhões de barris diários.

Essa rota tem sido uma tábua de salvação para o mercado de energia, ajudando a conter os preços globais do petróleo. Na semana passada, a Reuters informou que a Arábia Saudita avalia ampliar seu oleoduto até a costa do Mar Vermelho. Qualquer interrupção prolongada provocada pelos houthis na navegação pelo Mar Vermelho, incluindo possíveis ataques a navios ou portos, representaria um problema significativo.

Após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e a ofensiva militar israelense em Gaza, o grupo passou a atacar Israel e embarcações no Mar Vermelho, alegando agir em apoio aos palestinos.

As ofensivas provocaram forte interrupção no transporte marítimo global, levando empresas como Maersk e Hapag-Lloyd a desviar seus navios pela rota mais longa e mais cara ao redor da África.

Uma missão liderada pelos Estados Unidos para restabelecer a liberdade de navegação no Mar Vermelho realizou repetidos ataques contra alvos houthis e uma campanha defensiva que interceptou centenas de drones e mísseis.

Canal Rural - SP   16/07/2026

De acordo com o CEBC, o desempenho foi apoiado por uma alta de 41% no volume exportado e por valorização de 15,7% no preço do petróleo. Março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais da série histórica iniciada pela entidade em 1997.

O avanço ocorreu em meio às tensões no Oriente Médio, tradicional fornecedor do mercado chinês. Nesse cenário, o Brasil ganhou espaço como alternativa de abastecimento considerada mais estável e confiável.

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A China concentrou 54% das exportações brasileiras de petróleo no semestre, participação quase sete vezes superior à da Índia, segundo principal destino, com 8%. Em junho, as vendas mensais de petróleo do Brasil para o mercado chinês alcançaram US$ 3,02 bilhões.

Entre os estados, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China, com US$ 13,6 bilhões, equivalentes a 23,3% do total nacional destinado ao país asiático. O petróleo respondeu por 94% das vendas fluminenses e colocou o estado como principal fornecedor brasileiro do produto para os chineses, com 84% do total embarcado pelo Brasil.

Além do petróleo, a China manteve posição central na compra de commodities brasileiras. No semestre, respondeu por 69,5% das exportações de soja, 68,6% do minério de ferro e 53% da carne bovina do Brasil.

No consolidado, as exportações brasileiras para a China cresceram 22% no primeiro semestre e atingiram US$ 58,3 bilhões, maior valor já registrado para o período. Soja, minério de ferro e petróleo representaram 76,5% das vendas ao país.

O resultado reforçou o peso da China na pauta exportadora brasileira, com liderança nas compras de petróleo e forte participação nas vendas de soja, minério de ferro e carne bovina no primeiro semestre de 2026.

Jornal de Brasília - DF   16/07/2026

Os preços do petróleo fecharam sem rumo claro nesta quarta-feira (15), com os investidores sem compreender a estratégia dos Estados Unidos no Oriente Médio, depois da retomada do bloqueio aos portos iranianos e da desistência do plano de cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz.

O barril de Brent do Mar do Norte para entrega em setembro fechou a 84,95 dólares (+0,26%).

Seu equivalente dos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI), subiu 0,33%, fechando a 79,60 dólares o barril.

No começo da semana, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma cobrança de pedágio de 20% para embarcações que cruzassem o estreito. No entanto, desistiu deste plano em seguida.

Os Estados Unidos também retomaram o bloqueio dos portos iranianos em meio a novos ataques.

Embora “as duas partes tenham reivindicado o controle sobre o Estreito de Ormuz, não há dúvida de que Teerã está em posição de atacar navios que tentarem cruzar a passagem marítima”, disse David Morrison, analista da Trade Nation.

Como resultado, apenas 13 navios comerciais cruzaram o estreito na terça-feira, segundo a Kpler.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu, em uma análise publicada nesta quarta-feira, que as novas hostilidades no Oriente Médio poderiam ter fortes repercussões na economia global e no mercado petrolífero.

O Estado de S.Paulo - SP   16/07/2026

Mesmo em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, o Citi mantém suas perspectivas de queda no preço do petróleo para este ano e para 2027. Em relatório publicado na tarde da segunda-feira, 13, o banco diz trabalhar com cenário em que os desentendimentos entre os dois países recrudescem para depois arrefecerem. “Da última vez, as coisas escalaram até o ponto de enfrentar destruição mútua de energia/infraestrutura pública, e então o memorando de entendimento foi firmado”, dizem os analistas do Citi, referindo-se ao acordo assinado em junho que estabeleceu um cessar-fogo, ora rompido. Eles acreditam num retorno à diplomacia de ambos os lados em uma ou duas semanas.

Pela lógica da instituição, pensar num conflito interminável que afete substancialmente os fluxos pelo Estreito de Ormuz é uma hipótese difícil de sustentar e, por isso, o mais provável seria a volta da negociação de um acordo. “Assim, seja hoje ou nos próximos meses, o que é difícil dizer com precisão, nosso cenário base é de que isso se trate de uma oportunidade de hedge para os produtores se protegerem de um cenário de baixa do preço do barril de petróleo entre US$ 50 e US$ 60 no caso de um acordo entre os países em conflito”, escreveram os mesmos analistas na última semana, quando o cessar-fogo foi suspenso.

Em suas projeções, o Citi permanece com a perspectiva do petróleo Brent com média de US$ 75 o barril no terceiro trimestre de 2026. Para o quarto trimestre, a expectativa é de US$ 70, e de US$ 65 para 2027. Os contratos, por sua vez, voltaram a rondar os US$ 85 após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que iria passar a cobrar uma taxa de 20% para navios atravessarem com segurança o Estreito de Ormuz. Teerã criticou a medida e afirmou ser a “guardiã” do estreito, mesmo termo utilizado por Trump para se referir aos EUA.

Na terça-feira, 14, o republicano voltou atrás e comentou, em sua rede Truth Social, que quer trocar a taxa de navegação em Ormuz de 20% por acordos comerciais e investimentos dos países do Golfo nos EUA.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast na última semana, o estrategista de commodities do Citi, Eric Lee, disse que o mercado interpretava à época o anúncio do memorando de entendimentos de junho como indicativos de um desfecho negociado ou, ao menos, de manutenção dos fluxos. “O mercado, de forma geral, está encarando o memorando de entendimento e os desdobramentos desde então como fortes sinais de que provavelmente vamos chegar a algum tipo de acordo - ou pelo menos à reabertura dos fluxos pelo Estreito de Ormuz”, afirmou.

No entanto, o acordo ao qual Lee se refere ruiu na semana passada, quando o Irã atingiu três petroleiros que transitavam por uma rota não aprovada pelo regime do país na costa de Omã. Depois disso, Trump reiterou diversas vezes que o cessar-fogo havia acabado, os EUA bombardearam alvos no Irã e voltaram a implementar um bloqueio naval à nação persa nesta terça-feira.

Lee já ressaltava, por sua vez, que a tentativa de paz era rodeada de incertezas, como por exemplo, a tentativa do Irã de incluir Israel e Líbano num arranjo regional mais amplo. Os governos libanês e israelense retomaram negociações nesta terça-feira, em Roma, na Itália. Os possíveis pedágios no estreito também estavam nas contas de risco do banco, embora Washington ainda não tivesse sinalizado que também cobraria taxas.

Sobreoferta antes da guerra e sobreoferta depois

O Citi leva em conta em seu cenário que o petróleo já vinha em situação de sobreoferta antes do conflito. “Havia sobreoferta antes da guerra e haverá sobreoferta depois”, enfatizou Lee. O mercado global de petróleo enfrenta um cenário de excesso de oferta, apesar das últimas incertezas, impulsionado pelo aumento da produção de países de fora do grupo formado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e nações aliadas (Opep+), como Brasil, EUA, Canadá e Guiana. Os EUA são um exportador líquido da commodity, produzindo mais do que consomem, com Trump pressionando, desde sua volta à Casa Branca, pela retomada da produção local de combustíveis fósseis em detrimento de energias renováveis.

Lee disse ainda que recentemente se teve notícias de mais barris no mercado físico: “Parece haver bastante petróleo bruto disponível por aí”, afirmou, a ponto de refinarias asiáticas reofertarem cargas aos EUA. Segundo ele, a China, que fez grandes estoques em meio à incerteza geopolítica, deve voltar a comprar óleo em breve. “Quando a China sai para comprar e estocar muito mais, eles podem realmente influenciar o mercado de uma maneira. E quando eles param de comprar, podem realmente afrouxar o mercado de outra maneira. Então, eu diria que esse é outro fator que permanecerá muito crucial daqui para frente”, enfatizou.

Os países da Opep+ também pesam nessa conta. O bloco vem elevando as cotas de produção, lembra Lee, que aponta que a saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo tende a liberar mais capacidade: “Isso significa que a capacidade de produção deles não fica mais limitada e eles vão produzir bem mais”.

Monitor Digital - RJ   16/07/2026

Conversamos com Roberto Castello Branco sobre o Brasil e o setor de petróleo. Roberto é doutor em economia e foi presidente da Petrobras de janeiro de 2019 a abril de 2021.
Qual a sua visão sobre o setor de petróleo brasileiro?

Eu costumo dizer que o Brasil é uma fortaleza global de recursos naturais. O setor de petróleo, e aqui incluo o gás, tem um grande potencial, mas, infelizmente, a sua realização é limitada pela intervenção do Estado. No caso do Agro, o país consegue realizar o seu enorme potencial, já que a intervenção do Estado foi muito reduzida. Por exemplo, não existe uma empresa estatal produzindo soja ou carne, pois isso fica a cargo do setor privado. Além disso, não existe mais a intervenção que havia no passado, já que o controle de preços foi abolido na década de 1990.

Esse não é o caso da mineração, onde o governo exerce influência sobre a Vale, e do petróleo, onde a intervenção do governo é feita através da Petrobras e da regulação. Como o potencial do setor petrolífero brasileiro somente será realizado quando houver uma redução significativa da presença do Estado no setor, eu postulo a privatização da Petrobras, que é um bicho esquisito, uma sociedade de economia mista onde o setor privado tem 62% do capital total e o restante é do governo, sendo que o governo acha que a empresa é dele. É por isso que todos os presidentes da República, sem exceção, se julgam no direito de intervir, com diferentes graus, na Petrobras, mas essa intervenção é maligna, não cria valor e não gera crescimento para a empresa. Pelo contrário, ela é ruim tanto para a Petrobras quanto para o país.

O Brasil importa diesel e, eventualmente, gasolina, pois não tem refinarias suficientes, já que o setor privado não quer investir nessa atividade. Eu tentei vender algumas refinarias e sei como isso é difícil. Isso porque um investidor não vai investir, no mínimo, R$ 1 bilhão em um ativo quando o governo controla, fixa e intervêm na formação de preço do seu principal produto. São as forças de demanda e oferta que determinam o preço do produto. É por isso que eu reputo como muito corajosa a decisão do Mubadala de investir em uma refinaria brasileira.

Agora, eu não vejo como primordial essa questão de que o Brasil tem que produzir tudo. Havia uma discussão na Petrobras sobre uma integração vertical, ou seja, quem produz petróleo tem que refiná-lo, sendo que isso seria o valor adicionado. O ponto é que a operação de petróleo é completamente diferente da operação de refino.

A operação de petróleo utiliza uma tecnologia muito mais sofisticada e é capaz de gerar, caso seja competentemente administrada, um alto retorno para o seu investidor. Já a operação de refino é uma operação industrial que utiliza tecnologias relativamente estáveis, requer custos baixos e eficiência energética e tem margens muito menores. Dessa forma, uma estatal que tem elevados custos de pessoal em função de acordos sindicais e da sua cultura estatal, além de outros custos, perde dinheiro com o refino. Em outras palavras, a Petrobras não conseguiria gerar um retorno com o refino que cobrisse o custo de capital da companhia, o que é muito perigoso no longo prazo. Esse é o problema.

Outro ponto é que todos os governos se convenceram de que a Petrobras é indutora do desenvolvimento nacional, sendo que essa visão está redondamente equivocada. Se isso fosse verdade, a Petrobras teria feito um péssimo trabalho, já que o Brasil cresceu muito pouco nos últimos 40 anos. Cabe destacar que o desenvolvimento econômico depende de todas as empresas. Por exemplo, se o bar da esquina, que tem três ou quatro funcionários, vender mais, tiver custos mais baixos e prosperar, ele vai contribuir para o desenvolvimento econômico.

Por mais que essa história seja um erro muito sério, ela é utilizada como justificativa para o governo intervir na Petrobras, utilizando-a como veículo de propaganda e para beneficiar, como aconteceu no passado, partidos ou políticos aliados. Uma empresa governada por interesses políticos, e não pelo interesse em gerar lucro para os seus acionistas.

Com relação ao gás, no Brasil a grande fonte é o pré-sal. O problema é que o gás brasileiro é diferente do gás encontrado nos Estados Unidos, na Argentina ou no Catar, já que ele é um subproduto do petróleo. Isso porque quando o petróleo é extraído do pré-sal, o gás vem junto, o que exige separar o gás do petróleo. O ponto é que o pré-sal tem incidência de carbono, que precisa ser separado para ser devolvido ao poço, o que reduz a produção de gás. Isso é feito, pois como o carbono contamina o meio-ambiente, a empresa fica sujeita as multas das autoridades ambientais.

O que o Brasil precisa fazer é abrir os mercados e permitir a exploração do shale gas, que, por incrível que pareça, é proibida em alguns estados, o que é um verdadeiro absurdo. O gás é muito importante para a composição da matriz energética brasileira, pois ele é um combustível de transição, já que emite muito menos carbono que o petróleo e o carvão. Ele fica no meio da hidroeletricidade, que depende da água, portanto é afetada pela precipitação pluviométrica, já que pode haver seca ou não, e dos renováveis, que são de geração intermitente.

O gás custa caro no Brasil, pois nós importamos o GNL (Gás Natural Liquefeito), mas isso poderia ser substituído pelo shale gas ao longo do tempo. Dependendo do sucesso da exploração, nós poderíamos passar a ser exportadores de gás.
Qual a sua visão sobre o setor de combustíveis no Brasil?

O setor de combustíveis padece de dois grandes problemas: a adulteração de combustíveis e a sonegação de impostos. Hoje, a distribuição de combustíveis é totalmente privada, tanto nos combustíveis de fato, que são distribuídos pelos postos, quanto no gás. Por exemplo, a distribuição de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), o gás de cozinha, e de gás natural foram privatizadas, mas para que isso beneficie o consumidor, é necessário que a abertura dos mercados, que está na Lei do Gás, seja mais explorada.

Por mais que a Petrobras ainda retenha um grande poder de mercado nessa área, isso melhorou muito, pois já foi 100% de tudo, mas é importante que o futuro governo vá mais a fundo nesse assunto.
Na sua visão, os presidentes da república entendem a importância estratégica da Petrobras?

Todos eles acham que entendem, mas se entendessem de fato, não interviriam na companhia, pois isso prejudica muito o papel da indústria do petróleo. Contudo, como eles cedem à tentação pela busca de poder, eles intervém na Petrobras para servir aos seus interesses políticos.

Por exemplo, a Petrobras já aprovou uma verba de quase R$ 1 bilhão em publicidade para o próximo ano, sendo que uma empresa como a Petrobras não precisa gastar esse montante em publicidade. Além disso, existe um excesso de patrocínios.

Outro ponto: a Petrobras serve de empregadora e de alavanca da indústria naval nacional. Com isso, ela compra navios a preços mais elevados do que compraria em outros lugares. Essas não são funções do setor de petróleo, que tem que produzir, pagar seus impostos, gerar retorno para os seus acionistas para garantir a sua existência e financiar a exploração.
Com relação à política de preços da Petrobras, na sua visão, nós temos que seguir à risca o que acontece no mercado internacional?

Existem situações em que a volatilidade ainda não se assentou, mas isso depende do julgamento. Se acontece alguma coisa no Oriente Médio e os preços vão lá para cima, você não precisa seguir aquilo imediatamente. É preciso observar, pois existe um período chamado descoberta de preço. Isso porque, como os traders ficam comprando e vendendo para tentar descobrir o preço futuro, isso contribui para o aumento da volatilidade. Durante esse período, o melhor conselho é não fazer nada.

Agora, o que não pode é ficar cinco meses parado com o preço flutuando. Quando isso acontece, a Petrobras deixa muito dinheiro em cima da mesa, sendo que esse dinheiro que poderia ser utilizado no financiamento dos seus investimentos.
A Petrobras responde aos comandos do seu presidente?

Sim, responde. Isso porque a Petrobras possui uma hierarquia respeitada. Em meus quase dois anos e meio como presidente, nunca houve um desrespeito a minha autoridade ou alguém não querendo obedecer uma diretriz que tivesse sido traçada por mim. Por mais que a Petrobras tenha defeitos, ela é diferente de uma repartição pública federal.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   16/07/2026

A produção da agroindústria brasileira caiu 2,8% em volume em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, interrompendo dois meses consecutivos de crescimento. Com o resultado, o setor passou a acumular retração de 0,1% nos cinco primeiros meses do ano, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, elaborado pela FGV Agro com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Segundo a FGV Agro, a retração observada em maio foi disseminada entre os principais segmentos da agroindústria. O documento destaca que o desempenho dos próximos meses permitirá avaliar se o resultado representa um evento pontual ou uma mudança na trajetória observada ao longo dos últimos meses.

Apenas os setores de biocombustíveis, com alta de 9,6%, e de fumo, com avanço de 0,8%, apresentaram crescimento.

O segmento de produtos alimentícios e bebidas registrou queda de 3,5% frente a maio de 2025. Dentro desse grupo, a produção de alimentos caiu 3,7%, enquanto a de bebidas recuou 2,6%.

Entre os alimentos, o maior recuo ocorreu nos produtos de origem vegetal, cuja produção encolheu 6,9% em relação a maio do ano passado. Segundo a FGV Agro, o resultado refletiu a menor fabricação de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz, trigo e, principalmente, açúcar refinado. A maior produção de café amenizou parcialmente a retração do segmento.

Já os alimentos de origem animal registraram queda de 1,5%, influenciada pelo menor abate de bovinos, aves, suínos e pescados.

No setor de bebidas, a produção de bebidas alcoólicas caiu 4,2%, enquanto a de bebidas não alcoólicas recuou 1%.

Nos produtos não alimentícios, a produção recuou 1,8% em maio na comparação anual. As maiores quedas foram registradas em produtos têxteis, com 5,6%, insumos agropecuários, queda de 4,5% e produtos florestais, retração de 3,5%.

A FGV Agro atribui a queda dos insumos agropecuários principalmente à menor produção de intermediários para fertilizantes, tratores, máquinas, adubos e fertilizantes. O estudo observa que o desempenho negativo já vinha sendo registrado antes do conflito entre Irã e Israel, embora o cenário geopolítico possa ter agravado as dificuldades enfrentadas pelo setor.

No caso dos produtos florestais, a retração foi associada à menor produção de celulose e madeira. O relatório destaca ainda que as exportações brasileiras de celulose caíram 23,1% em maio na comparação anual, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Acumulado do ano

Com o desempenho de maio, a agroindústria passou de uma alta acumulada de 0,7% até abril para retração de 0,1% no acumulado de janeiro a maio. Segundo a FGV Agro, enquanto a agroindústria entrou em terreno negativo, a indústria de transformação como um todo manteve crescimento acumulado de 0,2% no período.

Apesar da queda do índice geral, os produtos alimentícios e bebidas ainda acumulam expansão de 1,3% em 2026. Já os produtos não alimentícios registram retração acumulada de 1,9% nos cinco primeiros meses do ano.

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