Money Times - SP 01/06/2026
O grupo educacional Ânima (ANIM3) desenvolveu o Curso Superior de Tecnologia em Processos Produtivos da Indústria do Aço, em parceria com a Gerdau (GGBR4).
São ao todo 40 vagas, sendo 30 custeadas pela siderúrgica, 20 para atender a funcionários da empresa e 10 destinadas à comunidade da região de Ouro Branco, em Minas Gerais. As aulas serão ministradas na UNA, em Conselheiro Lafaiete.
Segundo a Gerdau, o projeto “une a excelência” acadêmica à prática industrial do setor, reduzindo lacunas históricas de formação e garantindo educação de qualidade para a comunidade local e colaboradores da companhia.
A iniciativa surge como uma resposta estratégica ao desafio que a Gerdau e o setor industrial brasileiro enfrentam com a crescente escassez de mão de obra qualificada.
Diante do chamado “apagão” de profissionais de engenharia e áreas técnicas no País, o curso visa formar talentos sob medida, buscando mitigar esse déficit. O tecnólogo, na modalidade semipresencial, terá duração de seis semestres e uma carga horária de 2.600 horas, com a primeira turma prevista para iniciar em agosto.
Por Estadão Conteúdo
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Portal Fator Brasil - RJ 01/06/2026
A construção civil nacional se destaca no ranking mundial de sustentabilidade com aços mais sustentáveis e resistentes.
A adoção de produtos e soluções inovadoras impulsionam o setor. XCarb® da ArcelorMittal garante redução de 68% nas emissões de carbono em comparação ao vergalhão CA50 convencional.
Com mais de 900 projetos certificados pelo selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) — o sistema de certificação de edifícios sustentáveis mais utilizado no mundo —, o Brasil se destaca na América Latina e avança no quesito sustentabilidade. Atualmente, o país ocupa a sétima posição no ranking mundial de projetos certificados LEED, segundo o U.S. Green Building Council (USGBC).
Nesse contexto, materiais de menor pegada de carbono, como o aço XCarb® da ArcelorMittal, ganham espaço em projetos alinhados às metas de descarbonização da construção civil. Produzido com 100% de matéria-prima reciclada e 100% de energia elétrica renovável, o material contribui para a redução da pegada de carbono na construção civil.
Além disso, por contar com Declaração Ambiental de Produto (EPD), o aço XCarb® da ArcelorMittal pode contribuir para projetos que buscam certificações ambientais, como o LEED. A documentação fornece dados verificados sobre o desempenho ambiental do material e auxilia na avaliação de critérios de sustentabilidade da edificação.
Minas Gerais também vem ganhando relevância nesse cenário, com o crescimento de empreendimentos voltados à construção sustentável. Em Belo Horizonte, a primeira obra a utilizar o aço XCarb® é o edifício Jardim, da Construtora EPO, resultando em uma redução de 430 toneladas de emissões de gases de efeito estufa, ao longo de todo projeto.
A produtora de aço já fornece o vergalhão XCarb® para outros projetos emblemáticos, que reforçam a sustentabilidade no canteiro de obras. Para o Complexo Eólico Babilônia Centro (Bahia), um projeto da própria empresa voltado para a produção de energia solar e eólica, cerca de cinco mil toneladas de aço do produto foram utilizadas na fundação de 123 torres eólicas. No Ária Higienópolis, em São Paulo, mais de 175 toneladas da solução foram destinadas para o empreendimento. O vergalhão XCarb® foi, ainda, empregado na ampliação da plataforma da Estação Santo Amaro do Metrô.
Contribuição do XCarb© para a construção civil —O programa XCarb© da ArcelorMittal reúne os investimentos do Grupo para reduzir e neutralizar emissões de gases de efeito estufa na cadeia do aço. O vergalhão ArcelorMittal 50 S XCarb© foi o primeiro produto desse portfólio na América Latina voltado especificamente para a construção civil.
A solução se destaca por sua produção sustentável, já que os produtos são fabricados com 100% de material metálico reciclado e 100% de energia renovável certificada, uma vez que seu uso reduz em 68% as emissões de carbono em comparação ao vergalhão tradicional, sendo homologado por meio de Declarações Ambientais de Produto (DAPs), que asseguram informações claras ao mercado sobre as emissões de CO2.
—O aço XCarb® materializa nossa estratégia de oferecer à construção civil um produto de alto desempenho com menor pegada de carbono. Ao combinar produção com material reciclado, energia renovável e dados ambientais certificados, entregamos uma solução que contribui efetivamente para a descarbonização das obras. Além disso, através de intenso investimento em pesquisa & desenvolvimento, evoluímos continuamente em produtos de maior resistência, como o Vergalhão CA70 S, 40% mais resistente que o vergalhão CA50 S, que contribui para redução de CO2 através da desmaterialização de materiais no canteiro de obras. Esse conjunto de inovação e sustentabilidade já está presente em projetos emblemáticos e representa um caminho sem volta para o setor —afirma o vice-presidente Comercial da ArcelorMittal Aços Longos, Gustavo Canaan.
ArcelorMittal Brasil — Maior produtor de aço no Brasil e líder no mercado global, o Grupo ArcelorMittal tem cerca de 125 mil empregados, sendo 20 mil na operação brasileira, e atende a clientes em 129 países. No país, a empresa tem unidades industriais em oito estados (MG, ES, RJ, SC, CE, BA, SP e MS), além da maior rede de distribuição e do portfólio mais diversificado do setor de produtos e soluções em aço. Foi a primeira empresa das Américas a obter o ResponsibleSteel, uma das certificações em ESG mais respeitadas no mundo, o que reforça o propósito de produzir aços inteligentes para as pessoas e o planeta.
As plantas brasileiras têm capacidade de produção anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e de 8 milhões de toneladas de minério de ferro e atendem às indústrias automobilística, construção civil, eletrodomésticos, óleo e gás, máquinas e equipamentos, dentre outras. A empresa atua, ainda, em autogeração de energia renovável, produção de carvão vegetal e tecnologia da informação. Ao unir sustentabilidade, segurança, inovação e qualidade, a ArcelorMittal impulsiona o desenvolvimento social e econômico do país e dos brasileiros.
Nas áreas sociais e de saúde, o grupo mantém a Fundação ArcelorMittal, com iniciativas que já impactaram mais de 11 milhões de pessoas em 38 anos de história, e a Abertta Saúde, operadora de autogestão em saúde exclusiva para empregados e familiares, com atendimento a aproximadamente 58 mil pessoas.
Infomoney - SP 01/06/2026
As ações da Usiminas (USIM5) e da Braskem (BRKM5) caminham para encerrar maio como os principais destaques positivos do Ibovespa, em um mês marcado por correção mais ampla da Bolsa brasileira e perda de força de boa parte dos ativos do índice.
Enquanto o Ibovespa recua 6,4% em maio, as ações da Usiminas saltam 30,2% e as da Braskem avançam 12,9% até o começo da tarde do pregão desta sexta-feira (29). No ano, USIM5 dispara 79,2% e BRKM5 valoriza-se 38,4%.
Este movimento coloca o papel entre os principais nomes da Bolsa neste ano e reforça a leitura de tendência de alta no médio prazo.
A dúvida, agora, é se o movimento positivo ainda tem força para continuar em junho ou se os papéis podem passar por uma etapa de realização após a forte valorização recente.
Análise técnica Usiminas (USIM5)
No gráfico semanal, observo que Usiminas (USIM5) segue como um dos grandes destaques do Ibovespa em 2026. Nesta sexta (29), as ações sobem 0,56%, a R$ 10,71, caminhando para a sexta semana consecutiva de valorização.
Pela leitura gráfica, o papel segue negociando acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, mantendo tendência de alta bem definida no médio prazo. O IFR (14) marca 86,38 pontos, em região de sobrecompra, indicando que o ativo já trabalha esticado e pode passar por movimentos de realização ou consolidação no curto prazo.
Na minha leitura, enquanto sustentar os suportes em R$ 8,80 e R$ 7,31, o cenário segue favorável para continuidade da alta. Abaixo dessas regiões, os próximos suportes aparecem em R$ 6,70, R$ 6,00, R$ 5,15 e R$ 4,21.
Por outro lado, para seguir com o fluxo comprador, será importante romper a resistência em R$ 10,89. Acima dessa faixa, o ativo pode buscar os alvos em R$ 12,89, R$ 15,36, R$ 18,32 e posteriormente R$ 19,90.
Análise técnica Braskem (BRKM5)
No gráfico semanal, Braskem (BRKM5) segue em recuperação relevante no médio prazo e acumula alta anual e mensal, mesmo com a desvalorização de 4% registrada nesta sexta-feira, com o papel retornando a R$ 10,68.
No mais, o papel caminha para a segunda semana consecutiva de baixa, o que, na minha leitura, ainda representa uma realização após a forte valorização recente.
Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz
Pela leitura gráfica, o papel segue acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, mantendo tendência de alta no médio prazo, embora já demonstre perda de força compradora no curto prazo. O IFR (14) marca 57,24 pontos, em região neutra.
Na minha leitura, a principal faixa de suporte segue em R$ 9,80. Caso esse nível seja perdido, o ativo pode ampliar a correção em direção aos suportes em R$ 8,09, R$ 7,25, R$ 6,11 e R$ 4,87.
Por outro lado, para retomar maior força compradora, será importante superar as resistências em R$ 12,52 e R$ 13,78. Acima dessas regiões, vejo espaço para continuidade da alta em direção aos alvos em R$ 15,74, R$ 17,42, R$ 21,00 e posteriormente R$ 23,45.
“Em resumo, sigo com uma leitura positiva para Usiminas e Braskem no médio prazo. Apesar dos recentes movimentos de realização, os dois ativos ainda preservam estruturas técnicas construtivas no gráfico semanal, sustentadas pela manutenção acima das médias móveis e pela predominância do fluxo comprador no horizonte mais amplo.”
Confira nossas análises:
Magazine Luiza (MGLU3) ou Casas Bahia (BHIA3): qual ação está mais pressionada? Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) ainda têm força ou ameaçam correção maior? Com BBSE3, CXSE3 e PSSA3 perto das máximas, seguradoras podem subir mais na Bolsa? Ibovespa tem mês defensivo
O desempenho de Usiminas e Braskem chama atenção justamente por ocorrer em um mês mais fraco para o mercado brasileiro. O Ibovespa caminha para encerrar maio em tom defensivo, refletindo o movimento corretivo após as fortes altas registradas no início de 2026.
Nessa reta final do mês, o índice acumula queda próxima de 6,4%, pressionado principalmente pela realização de lucros, aumento da cautela global e enfraquecimento do fluxo comprador em diversos setores da Bolsa.
Na minha leitura, o ambiente segue mais seletivo para os investidores, com o fluxo comprador concentrado em poucos papéis, enquanto grande parte do mercado continua pressionada abaixo de importantes regiões técnicas.
Apenas 18 ações sobem no mês
O movimento corretivo ficou evidente na distribuição de desempenho das ações do Ibovespa. Dos ativos analisados, apenas 18 ações registram alta em maio, enquanto outras 61 operam no negativo, reforçando o cenário mais fraco para a renda variável brasileira neste fim de mês.
Na ponta negativa, maio foi especialmente desafiador para ações ligadas ao consumo e empresas mais sensíveis ao ambiente doméstico.
As maiores quedas estão com Cosan (CSAN3) que despenca 24,90%; seguida por Magazine Luiza (MGLU3), que perde 23,88%, e Vamos (VAMO3), que recua 19,74%.
Também figuram entre as maiores perdas as ações da Axia (AXIA6), com desvalorização de 16,29%, além de Axia (AXIA3), que cai 16,08% em maio.
Apesar do cenário mais negativo para o índice, alguns ativos seguem demonstrando força relativa importante, o que mantém o mercado atento para saber se os destaques positivos ainda possuem espaço para continuidade do movimento de alta.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
A China afirmou neste sábado, 30, que responderá com medidas de retaliação caso a União Europeia (UE) avance com novas restrições comerciais consideradas discriminatórias por Pequim. A advertência foi feita pelo Ministério do Comércio chinês após uma reunião da Comissão Europeia dedicada a discutir as relações com a China e possíveis instrumentos de defesa comercial.
Em comunicado, o ministério disse esperar que a UE respeite as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), preserve o livre comércio e rejeite o protecionismo. Ao mesmo tempo, alertou que, se Bruxelas insistir em adotar unilateralmente novas ferramentas comerciais e impor restrições discriminatórias, “a China responderá de forma firme e adotará medidas eficazes para proteger seus próprios interesses”.
A manifestação ocorre em meio ao debate europeu sobre o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial diante do aumento das exportações chinesas em setores estratégicos. Na sexta-feira, autoridades da UE discutiram propostas que podem ampliar o uso de tarifas, cotas e outras medidas para conter a entrada de produtos subsidiados por governos estrangeiros.
Apesar do tom duro, o Ministério do Comércio ressaltou que os canais de diálogo entre China e UE permanecem abertos. Segundo o comunicado, as duas partes discutem a criação de um mecanismo de consultas sobre comércio e investimentos e deverão realizar novas rodadas de diálogo para administrar divergências.
A advertência também sucede ameaças feitas por Pequim nesta semana de abrir investigações comerciais contra a UE caso avance um instrumento europeu voltado ao chamado excesso de capacidade industrial. Autoridades chinesas avaliam que a proposta poderá atingir diretamente exportações do país em segmentos como veículos elétricos, aço e painéis solares, aprofundando as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo depois dos Estados Unidos.
Jornal de Brasília - DF 01/06/2026
Após um resultado no primeiro trimestre ligeiramente acima do esperado, muitos economistas esperam uma desaceleração gradual da economia ao longo do ano de 2026, devido à política monetária restritiva e a possíveis choques externos, como a alta no preço do petróleo.
O cenário gera cautela para o Banco Central, que deve manter taxas de juros elevadas para controlar riscos inflacionários e o impacto dos gastos públicos no ano eleitoral.
Segundo o economista-chefe do Sicredi, André Nunes de Nunes, o PIB (Produto Interno Bruto) deve desacelerar a 0,6% no segundo trimestre. A perda de ritmo é aguardada com o fim do impulso da safra agrícola e a persistência dos juros em patamar elevado ao longo de 2026.
O endividamento das famílias e as incertezas eleitorais também são apontadas por Nunes como desafios para consumo e investimentos no restante do ano. “Vamos ter uma dinâmica muito parecida com a do ano passado. Vai ter um primeiro trimestre com crescimento mais forte”, diz.
A projeção do Sicredi para o PIB acumulado de 2026 está em 1,9%, com viés de alta para a casa de 2% após a divulgação dos dados desta sexta. “Não é recessão. Não é um dado ruim”, afirma Nunes.
O economista-chefe da gestora Integral Group, Daniel Miraglia, projeta crescimento de até 0,7% no segundo trimestre. Ele destaca que esse cenário é otimista, embora possa ser afetado pelos impactos de uma nova disparada no preço do petróleo, como inflação mais alta e interrupção no processo de queda da taxa básica de juros.
Para o fechamento de 2026, Miraglia projeta um crescimento de 1,5%. “O risco maior é de piora do cenário e não de melhora, dado que não acreditamos em um acordo sustentável entre Estados Unidos e Irã.”
O FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) trabalha com uma projeção de alta de 1,7% para o acumulado deste ano.
A desaceleração ao longo de 2026 já era esperada, e a guerra no Irã tornou essa perspectiva ainda evidente, afirma a economista Juliana Trece, coordenadora do núcleo de contas nacionais do FGV Ibre.
Segundo ela, a pressão inflacionária provocada pelo conflito pode deixar o Banco Central mais cauteloso na condução da política de juros. “A gente deve ter os [próximos] trimestres com resultados próximos a zero, mas não negativos”, afirma.
A Fiesp (federação das indústrias paulistas) diz que a atividade econômica deve seguir resiliente no curto prazo, mas prevê desaceleração nos próximos trimestres devido à política monetária contracionista, aos custos elevados e à incerteza global. A expectativa da entidade é de crescimento de 1,9%, tanto para o PIB como para o setor industrial, em 2026.
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, projeta crescimento de 0,5% nos três trimestres seguintes, resultando em uma taxa de 2% em 2026. Para ele, os programas de estímulo econômico lançados pelo governo neste início de ano, como reação à desaceleração do último trimestre de 2025, podem gerar preocupação para o BC, que deverá manter cautela na política monetária.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirma que a comparação com o primeiro trimestre de 2025 sugere que a atividade vem perdendo força de forma gradual. O crescimento acumulado em 12 meses passou de 3,6% para 2% no período. A projeção da instituição é de que o PIB cresça 1,7% em 2026 e 2027.
“Os juros elevados continuam limitando os setores mais dependentes de crédito, mas a força do mercado de trabalho e as medidas de estímulo promovidas pelo governo, como os incentivos à concessão de crédito, têm ajudado a sustentar a economia.”
O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, afirma que o resultado do trimestre mostra uma economia ainda resistente a choques -o crescimento desde 2022 tem sido acima da média dos últimos 40 anos. Para ele, essa é uma boa notícia que traz uma preocupação.
“Uma das histórias por trás dessa retomada são os estímulos fiscais e parafiscais, o que atua contra o mandato legal do BC. Portanto, tudo sugere juros mais elevados por mais tempo. A má notícia é que é um crescimento que talvez não seja sustentável.”
Enquanto medidas de estímulo à demanda sustentam a atividade no curto prazo, a taxa básica de juros (Selic) em 14,5% ao ano “prolonga” o elevado custo do crédito e “penaliza” diretamente o setor produtivo, aponta a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
“Esse ambiente ajuda a explicar a baixa taxa de investimento do Brasil, atualmente em 16,5% do PIB -abaixo da média da América Latina (19,4%), da média mundial (25,9%) e muito distante das economias emergentes asiáticas (37,3%), que utilizam o investimento robusto como motor de produtividade e avanço tecnológico”, acrescentou.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro divulgado nesta sexta-feira, 29, sustenta a projeção de crescimento de 2,3% para o ano, conforme estimado pela Secretaria de Política Econômica (SPE).
“Se confirmado, 2026 será o quarto ano consecutivo com crescimento do PIB superior a 2%, ou seja, o melhor ciclo da economia brasileira em dez anos. É o resultado de uma política econômica que combina justiça social e responsabilidade fiscal com atenção ao crescimento de longo prazo”, disse ele em comunicado publicado no X.
O PIB registrou alta de 1,1% no primeiro trimestre de 2026 ante o quarto trimestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio em linha com a mediana das estimativas dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast. As estimativas variavam de 0,6% a 1,7%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB apresentou alta de 1,8% no primeiro trimestre de 2026, vindo também igual à mediana das projeções, com intervalo de altas entre 1,1% e 3,0%.
O ministro da Fazenda ainda afirmou que a política econômica “segue gerando bons resultados e estabilidade para o Brasil”. “É uma das maiores taxas de crescimento entre os países do mundo para o período.”
“O destaque do trimestre é inequívoco: a formação bruta de capital fixo registrou expansão de 3,5% em relação ao trimestre anterior. O investimento voltou a crescer, garantindo avanços na capacidade produtiva do País nos próximos anos. A taxa de investimento subiu para 16,5% do PIB no trimestre”, completou.
Acima da projeção
A SPE do Ministério da Fazenda avaliou que o resultado do PIB ficou marginalmente acima da projeção do órgão no boletim macrofiscal de maio. Para os próximos trimestres, a projeção é de desaceleração do ritmo de crescimento.
“O crescimento do PIB no primeiro trimestre ficou marginalmente acima da projeção da SPE, com alta de 1,1% na margem e 1,8% na comparação interanual. A composição, contudo, se deslocou em relação ao previsto: a indústria surpreendeu positivamente, ao passo que os serviços e a agropecuária ficaram levemente abaixo do esperado”, afirmou o órgão em nota informativa.
Para a SPE, o resultado indica que “a absorção doméstica foi o principal motor do crescimento no período, compensando o setor externo”.
Para o ano, o órgão segue projetando crescimento de 2,3% para o PIB de 2026, sustentado pela expansão da indústria e dos serviços, mesmo com a desaceleração esperada da agropecuária.
“Para os trimestres seguintes, a SPE projeta desaceleração do ritmo de expansão ante o resultado do primeiro trimestre. No segundo e terceiro trimestres, o crescimento na margem deverá desacelerar, com a dissipação do efeito de políticas públicas sendo parcialmente compensada pela redução do custo do crédito. No quarto trimestre, é esperada uma retomada à medida que a indústria manufatureira ganhe tração em resposta à flexibilização monetária em curso”, completou.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
Empresários estão na expectativa de um possível anúncio do governo americano de novas tarifas contra o Brasil no início desta semana. Se confirmada, a medida virá na esteira da classificação do governo americano do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas.
À reportagem, uma fonte do setor empresarial afirmou, na condição de anonimato, que os produtos que receberão esse novo tarifaço, dentro da seção 301, estariam sendo definidos nesse fim de semana.
A definição, segundo ele, será política e não econômica, visto que os Estados Unidos continuam sendo superavitários na balança comercial com o Brasil.
Outra fonte com trânsito na relação Brasil-Estados Unidos ouvida pela reportagem afirmou estar na expectativa por tarifas comerciais já nesta segunda-feira. Ele espera que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) imponha “tarifas altas, desencadeando um período de 30 dias para comentários públicos.
Se confirmada, a decisão contraria o acordo entre os presidentes brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e americano Donald Trump que estabeleceu um prazo de 30 dias para os dois países chegarem a termos favoráveis aos dois países e, portanto, sem um tarifaço americano. Esse prazo termina no próximo fim de semana.
No dia 7 de maio, Lula e Trump acertaram uma espécie de “prorrogação” nas negociações, depois de uma visita técnica de autoridades diplomáticas brasileiras a Washington, a fim de fazer a última defesa do País na investigação da Seção 301, aberta no ano passado.
Fontes do governo brasileiro disseram não terem sido comunicadas oficialmente de qualquer mudança nas tarifas ou a respeito das investigações da seção 301.
O Executivo afirma, nos bastidores, que monitora a situação, mas que a decisão é 100% de Washington.
A avaliação do governo é que estaria na hora de ter algum balanço das investigações da seção 301. A equipe de política externa brasileira avalia ainda que fez bem o seu trabalho, prestando todos os esclarecimentos ao longo da investigação até agora.
A equipe diz também que o momento pede cautela, sem fazer especulações sobre possíveis decisões dos EUA antes que sejam oficializadas, como novas tarifa, prazos e até mesmo se novos encargos serão anunciados.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
A expectativa de inflação dos economistas consultados pelo Banco Central para 2026 vem subindo há 11 semanas consecutivas e já supera 5%. As previsões dos economistas servem apenas para melhorar a reputação das cartomantes. Ainda assim, a previsão de alta preocupa.
O impacto da guerra do Irã ainda não chegou nos preços, graças ao malabarismo fiscal que criou subsídios para os combustíveis, mas a inflação já sobe. O IPCA-15 bateu em 4,6% na variação anual até maio, bem acima dos 3,9% de março.
Não vai ser fácil o Bacen segurar essa bagaça. No modelo atual, a manipulação da taxa Selic é o único instrumento utilizado pela autoridade monetária. Como os juros podem conter a inflação? No site do Bacen, encontramos uma explicação clara e didática. Ainda assim, não é fácil entender. São cinco os canais de transmissão da política monetária sobre os preços.
O primeiro é o impacto sobre investimento e consumo, que seriam reprimidos com a elevação da Selic. Mas os investimentos são baixos há muito tempo, sem falar que há juros subsidiados para esse tipo de gasto.
O consumo, por sua vez, é influenciado pelo aumento das transferências do tipo Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Por justos que sejam, esses gastos reduzem a potência da alta dos juros. O canal de crédito é o segundo mecanismo. Aqui também o efeito é limitado.
As concessões de crédito ainda crescem a uma taxa de 9% ao ano, puxadas pelos bancos públicos. O Desenrola 2.0 deve aumentar essa velocidade. O efeito dos juros sobre o câmbio é citado como terceiro canal de transmissão. Juros altos provocariam a valorização do real, barateando as importações. Mas a correlação entre câmbio e juros não é tão forte (-24,8% nos últimos 20 anos). O câmbio é influenciado mais pelo cenário internacional do que pela Selic.
O quarto canal seria dado pelas expectativas. Mas nem todos os negócios podem impor suas expectativas, dada a concorrência, e o Bacen monitora apenas as expectativas dos sabichões da Faria Lima. Por fim, temos o canal da riqueza.
Juros altos reduziriam o preço dos ativos, comprimindo os gastos das famílias. Mas as aplicações pós-fixadas, a começar pelas Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), nossa “relíquia bárbara”, fazem com que a elevação de juros aumente imediatamente a riqueza dos investidores, invertendo a relação causal.
Nessas condições, o Bacen pode pouco. O programa do 8.º Congresso Nacional do PT, realizado em abril de 2026, propõe a revisão (claro, para cima) da meta de 3% para a inflação (página 48) e uma “meta estrutural de juros abaixo de 10%” (página 49). São palavras bonitas, mas isso só será possível quando a política monetária tiver mais potência, o que exige, antes de tudo, a consecução de uma política fiscal austera e verossímil. Até lá, é turbulência na certa.
Money Times - SP 01/06/2026
A volatilidade muito alta da inflação pode dificultar a decisão do Banco Central sobre os juros na próxima reunião do Copom, afirmou Caio de Castro, especialista em investimentos da GT Capital, na edição de fechamento de mês do Giro do Mercado, nesta sexta-feira (29).
Após a prévia da inflação (IPCA-15) de maio ter sido anunciada fora do teto da meta nesta semana, o especialista avalia a comunicação do Banco Central como “isenta, em uma tentativa de não se comprometer”.
Castro aponta que existe a possibilidade de um corte de 0,25 ou 0,5 ponto percentual até o final do ano. “Esse ainda seria um corte conservador, porque a expectativa era de uma queda muito maior”.
Outra questão que segue no radar do mercado para junho é o avanço da corrida eleitoral, com a divulgação, hoje, da pesquisa PoderData/Aya. Segundo o levantamento, Lula aponta 44% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro possui 42% do eleitorado.
Para Castro, o cenário segue imprevisível até mesmo em relação aos candidatos na concorrência para presidente. “Tivemos pesquisas testando até o Haddad como presidente e o próprio Lula também tentou trazer o Haddad mais para o debate político nacional e não só de São Paulo, especificamente”, explicou.
Ele ainda comentou o impacto dos áudios vazados de Flávio Bolsonaro, que associam a figura do senador à Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “Esse foi um fator determinante para a redução nas intenções de voto do Flávio, mas ao mesmo tempo, acredito que o candidato saiu um pouco dos holofotes e talvez essa tenha sido uma estratégia, retornando a público com o encontro com Trump”.
Ontem (28), Trump indicou a classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Na prática, a medida permite o bloqueio de ativos vinculados às facções sob jurisdição dos EUA, e amplia restrições financeiras, migratórias e comerciais contra pessoas ou empresas acusadas de manter relações com os grupos. A classificação passa a valer oficialmente a partir de 5 de junho.
Para o Ibovespa, maio pode ter tido a pior queda do índice desde 2023. Entre as empresas, o setor de commodities foi o destaque positivo, impulsionado pelo minério de ferro, de acordo com Castro
Em junho, a aposta do especialista são as “ações esquecidas”, principalmente as small caps. Ele explica que “a taxa de juros, está impactando o fluxo para esse tipo de empresa. Então o varejo, pode ser, dentro dos setores, o melhor, o mais conservador e o mais assertivo no médio e longo prazo”.
A expectativa é de que a volatilidade do Ibovespa siga no mês que vem, “principalmente pela continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz até o momento”, justificou Castro. “É importante estar posicionado em empresas e em ETFs. Para aquele investidor que gosta de renda fixa, talvez seja o momento de fazer o aporte”.
O Giro do Mercado entra ao vivo de segunda à sexta, ao 12h, no canal do YouTube do Money Times, para comentar os principais destaques no radar do mercado.
Infomoney - SP 01/06/2026
Com as eleições se aproximando em países responsáveis por 25% a 30% da oferta global de minério de ferro e cobre, o Goldman Sachs avalia que temas como minerais críticos, licenciamento ambiental, impostos e políticas energéticas devem ganhar ainda mais peso para mineradoras e mercados de commodities em 2026.
O banco destaca que, após a conclusão de projetos de mineração, as companhias ficam expostas às mudanças regulatórias e políticas dos países onde operam, tornando o cenário geopolítico um fator cada vez mais relevante para mineradoras e mercados de commodities.
Minerva (BEEF3): possível OPA faz sentido, mas há um obstáculo bilionário no caminho
Controladores da Minerva estariam avaliando o fechamento de capital do frigorífico
O Goldman destaca que o conflito entre EUA e Irã aumentou as incertezas para mineradoras e mercados de commodities, pressionando custos de energia e preocupações com segurança de suprimentos. Nesse contexto, investidores devem acompanhar de perto as eleições no Peru, Zâmbia, Suécia, Brasil e Estados Unidos.
No Brasil, responsável por cerca de 24% da oferta global marítima de minério de ferro, as pesquisas indicam disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. De acordo com o relatório, um escândalo político recente envolvendo o principal nome da oposição tende a dar ligeira vantagem a Lula. Ainda assim, os dois líderes apresentam elevados índices de rejeição, entre 45% e 55%, em um eleitorado fortemente polarizado.
Para Goldman Sachs, um novo governo Lula poderia significar maior pressão fiscal e potencial elevação de impostos, além de uma abordagem mais multilateral para política comercial e apoio mais seletivo a minerais críticos. Já uma vitória de Bolsonaro tenderia a aliviar restrições ambientais e fiscais para o setor.
Entre as empresas mais expostas ao Brasil estão Vale (VALE3), que gera cerca de 90% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) estimado para 2026 no país, e CSN Mineração (CMIN3), produtora focada em minério de ferro brasileiro. No setor siderúrgico, o relatório destaca ArcelorMittal e Aperam.
O que monitorar?
O banco recomenda os investidores acompanharem os moviementos relacionados aos minerais críticos e licenciamento ambiental.
A Política Nacional de Minerais Críticos do governo Lula prevê R$ 5 bilhões em incentivos fiscais e a criação do Fundo Garantidor de Atividades Minerárias (FGAM) para reduzir riscos de investimentos em exploração mineral. Ao mesmo tempo, propostas para restringir exportações de terras raras não processadas e ampliar o escrutínio sobre aquisições estrangeiras de minerais estratégicos indicam postura mais intervencionista.
A USA Rare Earth anunciou em abril de 2026 a compra da mina Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. Segundo o Goldman, um eventual governo Bolsonaro tenderia a adotar postura mais favorável ao mercado, embora o nacionalismo sobre recursos naturais possa surgir sob qualquer governo diante das pressões fiscais. O banco também avalia que reformas para acelerar licenciamentos ambientais seriam mais prováveis sob um governo de oposição do que em um quarto mandato de Lula.
Royalties do minério de ferro e pressão fiscal
A CFEM, royalty da mineração no Brasil, está atualmente em 3,5% sobre a receita líquida do minério de ferro e permanece estável desde a reforma de 2017. Ainda assim, o relatório aponta que tanto Lula quanto Bolsonaro enfrentariam restrições fiscais relevantes, mantendo no radar discussões sobre eventual revisão dos royalties para ampliar arrecadação. Segundo o Goldman, mudanças na CFEM afetariam diretamente Vale, CSN Mineração e os ativos Minas-Rio, da Anglo American.
Alinhamento geopolítico e política comercial
O Goldman Sachs destaca que as reservas brasileiras de minerais críticos vêm atraindo interesse de EUA, União Europeia e China. Segundo o banco, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia aproximar o Brasil dos EUA, enquanto a continuidade de Luiz Inácio Lula da Silva tenderia a manter uma estratégia mais multilateral. O relatório também alerta que possíveis restrições às exportações de minerais não processados poderiam impactar as cadeias globais de nióbio e terras raras.
Peru
No Peru, responsável por cerca de 12% da oferta global de cobre, Keiko Fujimori lidera as pesquisas e defende políticas mais favoráveis ao mercado, embora propostas no Congresso para reduzir o prazo de concessões minerais possam diminuir a atratividade de investimentos de longo prazo. O cenário pode afetar mineradoras como Southern Copper, Freeport-McMoRan, Anglo American, Glencore, Nexa Resources e Hochschild Mining.
Zâmbia
Na Zâmbia, a continuidade das políticas do presidente Hakainde Hichilema, caso seja reeleito, seria positiva para investimentos no setor e redução da percepção de risco para mineradoras como First Quantum Minerals.
Suécia
Na Suécia, o foco estará em reformas de licenciamento, descarbonização da indústria siderúrgica e segurança energética.
EUA
Já nos Estados Unidos, as eleições legislativas de meio de mandato podem influenciar a política comercial, fiscal e a estratégia para minerais críticos. O Goldman Sachs avalia que a continuidade de políticas fiscais expansionistas nos EUA segue favorável para os preços do ouro no longo prazo.
Entre as principais empresas expostas em nossa cobertura estão as siderúrgicas norte-americanas Cleveland-Cliffs, Nucor, Steel Dynamics e Commercial Metals Company, além da siderúrgica brasileira Gerdau e das produtoras da região EMEA Acerinox, Outokumpu e SSAB.
O relatório também destaca as mineradoras Freeport-McMoRan, MP Materials, Barrick Mining e Alcoa. Entre as produtoras de ouro, a AngloGold Ashanti segue avançando com o projeto em Nevada, que deverá adicionar cerca de 25% de crescimento de volume ao portfólio do grupo no início da década de 2030.
Valor - SP 01/06/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 115,5 por tonelada
O preço do minério de ferro avançou nesta sexta-feira (29) na China, em meio à demanda mais forte por minério granulado de alta qualidade.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,45%, cotado a 783,5 yuans (US$ 115,5) por tonelada.
As siderúrgicas vêm aumentando as compras de minério granulado de maior qualidade para reduzir o consumo de coque, o que tem dado algum apoio aos contratos futuros do minério, segundo Robert Rennie, chefe de pesquisa de commodities do banco australiano Westpac, em entrevista à agência de notícias Bloomberg.
Analistas da consultoria Baocheng Futures, por outro lado, afirmam em nota que, embora a oferta de minério tenha recuado em relação ao pico mais recente, ela permanece elevada.
Valor - SP 01/06/2026
Setor destaca a alta carga tributária e um ambiente de negócios desfavorável como fatores que também afastam novos investimentos
A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre mostrou um cenário de investimentos ainda muito estagnado no Brasil, mas os números poderiam ter sido ainda piores sem o aumento da importação de máquinas e equipamentos, avalia José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
“Teria sido muito pior, mas uma parte do crescimento na demanda veio da importação de máquinas. A importação total cresceu 1,2%. Quando a gente olha pelo lado da demanda, um lado positivo do crescimento foi a importação de bens de capital. Se no Brasil caímos, a importação aumentou”, diz o porta-voz do setor.
Apesar do desempenho positivo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa), com aumento de 3,5%, maior taxa para o período desde o primeiro trimestre de 2021 (6,3%), essa expansão praticamente compensou a queda de 3,4%, observada no quarto trimestre de 2025.
“Dentro dessa FBCF, houve, em fevereiro, uma importação de uma plataforma continental da Petrobras no valor de R$ 12 bilhões. No geral, o investimento foi pouco e a boa notícia veio da importação”, avalia Velloso.
O representante do setor de máquinas e equipamentos afirma que o resultado veio de acordo com o esperado. Para o ano, a Abimaq projeta uma queda acima de 16% do setor, contra o mesmo período de 2025.
Pelos dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (29), frente ao primeiro trimestre de 2025, houve retração de 1,4% na FBCF. No mesmo período, a taxa de investimento (FBCF/PIB) foi 16,5%, permanecendo abaixo da observada no mesmo período do ano anterior (17,6%).
Entre os setores que mais contribuem para a FBCF, o destaque ficou com a construção, que registrou uma alta anual de 1,3% no PIB. Já o setor de transformação apresentou queda de 0,9%, puxada pelos segmentos de Impressão e reprodução de gravações (queda de 10,2%) e Fabricação de máquinas e equipamentos (queda de 9,4%).
“É uma taxa de investimento muito baixa. Aproximadamente 40% do investimento são máquinas e equipamentos, e 55% vêm da construção civil. O investimento não cresce porque estamos vendendo menos máquinas. O primeiro componente é a taxa de juros, disparado o principal motivo. Com a taxa de juros no patamar em que está [14,50%], o investidor prefere colocar dinheiro no mercado financeiro do que comprar uma máquina”, diz o presidente-executivo da Abimaq.
Velloso afirma que, mesmo com taxas incentivadas, como as do BNDES, o custo do financiamento de um equipamento tem girado em torno de 18% a 24% ao ano. “A atividade econômica não consegue pagar esse financiamento. Sem financiamento, as vendas caem”. O executivo ainda destaca a alta carga tributária e um ambiente de negócios desfavorável como fatores que também afastam novos investimentos.
Ipesi - SP 01/06/2026
A queda nos investimentos em produção no mercado brasileiro preocupa a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). No mês de abril, o consumo aparente – indicador que mede a demanda interna de bens industriais por meio da soma da parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – foi de R$ 27.765,60 milhões, refletindo um tombo de 21,5% em relação a março de 2026 e de 20,6% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro quadrimestre, o consumo aparente de R$ 118.746,27 milhões é 13,7 inferior ao do mesmo período de 2025.
Um dado que chama a atenção no mês de abril é que houve recuo nas compras de bens produção nacional e também de importados. Em março, as importações compensavam o recuo nas compras nacionais. Dados da Abimaq, divulgados no dia 27 de maio, indicam que a receita líquida interna de R$ 13.908,12 milhões é 24,8 % menor que a de março e 26,6 % inferior que a de abril de 2025. As compras desde o exterior, no mês de abril foram de US$ 2.640,07 milhões, recuo de 15% em relação a março.
“São números muito ruins”, avalia o presidente executivo da Abimaq José Velloso, destacando que o desempenho setorial se deve principalmente à política monetária restritiva, baseada nas taxas de juros elevados e na dificuldade de obtenção de crédito.
FATURAMENTO – O faturamento setorial de R$ 21.314,53 milhões em abril é 10,7% menor que o de março e 14,9% inferior ao de abril de 2025. No acumulado do primeiro quadrimestre, a receita líquida total de R$ 83.087,23 milhões é 12% menor a do mesmo período de 2025. De janeiro a abril de 2026, a receita líquida interna somou R$ 60.378,14 milhões, 16,2% menor que no mesmo período de 2025. Os números confirmam a tendência de queda, observa Cristina Zanella, diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, destacando que as exportações apresentam bom desempenho, embora não sejam suficientes para compensar a má performance no mercado interno.
COMÉRCIO EXTERIOR – Em abril de 2026, as exportações somaram US$ 1.471,55 milhões, um salto de 43,1% em relação a março e de 42,7% na comparação com abril de 2025. No acumulado de janeiro a abril, as exportações totalizaram US$ 4.381,49 milhões, crescimento de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O salto nas exportações no mês de abril deve-se em parte às vendas para um grande projeto em Cingapura. De acordo co José Velloso, grande parte das FPSOs – Floating Production, Storage and Offloading ou Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência são produzidas na cidade-estado e a Petrobras vem fazendo investimentos relevantes na produção petrolífera. Assim, parte das máquinas e conjuntos para a montagem das FPSOs são produzidos no Brasil e exportados para Cingapura, que monta as plataforma e as envia para o Brasil.
Parte do desempenho positivo das exportações no período de janeiro a abril, segundo análise da Abimnaq, reflete a base de comparação deprimida do primeiro quadrimestre de 2025, período marcado pela fraqueza da atividade industrial nos Estados Unidos, principal mercado das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Na comparação com o último quadrimestre de 2025, porém, houve queda de 20,5%, com a média mensal exportada passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,1 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026.
O crescimento das exportações registrado em abril alcançou quatro dos sete grupos setoriais fabricantes de máquinas e equipamentos.
Entre os setores que apresentaram alta no mês, destacaram-se os fabricantes de componentes e de máquinas voltadas à infraestrutura e à indústria, que, em conjunto, responderam por praticamente todo o crescimento observado no período.
No primeiro quadrimestre houve alta de 8,9% nas exportações para a América do Norte, 20,2% para a Europa, 7,7% para a América do Sul e 42,3% para os demais países. Apesar do avanço mais moderado, a América do Sul permaneceu como principal destino das máquinas e equipamentos brasileiros.
IMPORTAÇÕES – No acumulado de janeiro a abril, as exportações totalizaram US$ 10.778,61 milhões, crescimento de 3,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Porém, recuaram 2,5% frente ao último quadrimestre de 2025.
As importações iniciaram 2026 representando 49% do consumo nacional, participação cerca de 1,5 ponto percentual acima da observada em 2025 e 3,6 pontos percentuais acima de 2024. Os dados recentes indicam perda contínua de participação da produção local no mercado doméstico.
No acumulado de janeiro a abril de 2026, o crescimento de 3,6% das importações foi puxado pelo avanço das compras de produtos chineses, que aumentaram 13,7%. Em contrapartida, as importações originárias dos demais países recuaram 1,4%. Entre os produtos importados da China, destacaram-se as máquinas voltadas à logística e à construção civil, com alta de 46,2%, além dos equipamentos destinados à indústria de transformação e à agricultura, cujas importações cresceram 19,2% e 19,9%, respectivamente.
OUTROS INDICADORES – O nível de utilização da capacidade instalada do setor fabricante de máquinas e equipamentos registrou queda em relação a março (-1,1 p.p.) e atingiu 78,9% em abril de 2026, patamar 1,4 p.p. superior ao observado em abril de 2025 (77,5%).
A carteira de pedidos estabilizou em 9,0 semanas, mesmo patamar que março de 2025, mas 4,1% inferior ao mês de abril de 2025.
No primeiro quadrimestre, a carteira de pedidos ficou 4,8% abaixo da registrada em 2025, sinalizando que as receitas líquidas de vendas tendem a permanecer enfraquecidas ao longo de 2026.
Em abril, o setor de máquinas e contabilizou 415,2 mil pessoas ocupadas, o que representa o fechamento de cerca de mil postos de trabalho em relação a março de 2026.
CNN Brasil - SP 01/06/2026
As vendas de carros elétricos (EVs) continuam acelerando no mundo. Prova disto é que o novo relatório Global EV Outlook, da Agência Internacional de Energia (IEA), aponta para 23 milhões de carros elétricos vendidos até o fim de 2026, o equivalente a quase 30% de todos os automóveis comercializados no planeta.
Em termos de produção, no ano passado, as montadoras chinesas forneciam 60% dos carros elétricos vendidos em todo o mundo, enquanto as montadoras europeias e norte-americanas eram responsáveis por cerca de 15% das vendas globais.
A pesquisa ainda ressalta que os EVs são cada vez mais competitivos em termos de custos nos principais mercados, o que pode reforçar a demanda.
No primeiro trimestre de 2026, as vendas globais caíram 8%, mas diversas regiões mantiveram forte crescimento. Por outro lado, a América Latina registrou crescimento de 75%.
Até 2035, mesmo sem novos anúncios de políticas, a frota global de EVs (excluindo veículos de duas e três rodas) deve subir para 510 milhões, acima de quase 80 milhões hoje.
E como fica o Brasil?
Para o sócio da K.Lume Consultoria, Milad Kalume Neto, o Brasil ainda está momento de descoberta, lançamentos e euforia. "Entendo que a euforia irá passar, pois um veículo eletrificado será algo comum. O que irá alterar é a opção do brasileiro em relação a uma marca que atenda e respeite o brasileiro. Que tenha capilaridade, que tenha peça de reposição, que tenha serviço de qualidade, e por aí vai”, destaca o especialista.
Entre os carros eletrificados (soma dos híbridos e elétricos) houve um aumento de 26,2% na passagem de 2024 para 2025. Já o primeiro quadrimestre de 2026 cresceu praticamente 124% sobre o mesmo período de 2025, mostrando um forte avanço para este ano.
Ainda na visão de Kalume Neto, haverá um aumento até 23 ou 25% mas depois uma queda ano a ano, pois o padrão do Brasil ainda será o de veículo híbrido.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
Criado para dar suporte aos motoristas de aplicativos e taxistas brasileiros, o Move Brasil promove medidas que facilitam a aquisição de novos carros a diversos profissionais que trabalham no setor de transporte de passageiros. No entanto, não são todos os modelos de carros do mercado que estão disponíveis para compra, já que o Governo Federal estabeleceu montadoras específicas como parceiras oficiais do programa.
Fiat;Citroën;Jeep;Peugeot;Renault;GM (Chevrolet);Honda;Hyundai;Nissan;Toyota;BMW;Geely;BYD;GWM.
O que é o Programa Mover?
O Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) foi estabelecido pela Lei nº 14.902, em 2024. A iniciativa funciona como uma política do setor automotivo brasileiro, atendendo aos objetivos e tendências globais de descarbonização, conforme explica o Governo Federal.
Pessoas jurídicas podem participar do programa?
De acordo com o MDIC, a resposta é não. O Move Brasil é um programa voltado exclusivamente para pessoas físicas, aplicando um limite de apenas um veículo financiado por CPF. Por outro lado, o programa oferece a possibilidade dos motoristas que estão com o nome sujo no Serasa solicitarem o empréstimo. No entanto, vale destacar que a análise de crédito final será realizada de forma independente pelas instituições financeiras parceiras.
Saiba como acessar a plataforma do programa
O acesso ao sistema do programa é feito de forma exclusiva por meio do portal oficial gov.br, exigindo que o trabalhador realize o login utilizando o número do CPF e a senha cadastrada. Dentro da plataforma, o usuário consegue realizar a adesão ao projeto, acompanhar a validação dos documentos pessoais e profissionais, receber o resultado da análise do governo e conferir as orientações para avançar na contratação do financiamento.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
Desde 2024, a fábrica da Toyota vem se preparando para transferir a linha de montagem do Corolla sedã. O modelo, produzido atualmente na unidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, finalmente teve o seu cronograma e futuro definidos.
O complexo industrial de Indaiatuba, que opera há mais de 28 anos, terá as atividades encerradas oficialmente no final de junho deste ano. Com o fechamento, a produção do sedã migrará para a unidade de Sorocaba (SP), que foi expandida para absorver o veículo a partir de novembro.
Produção concentrada em um só lugar
A estratégia da montadora com essa mudança de endereço é centralizar toda a sua produção de automóveis no Brasil. Os SUVs Corolla Cross e Yaris Cross já ocupam as linhas da primeira planta de Sorocaba, e agora o sedã chega para ocupar a ampliação da segunda ala do complexo.
Este movimento estratégico integra o ciclo de investimentos de R$ 11 bilhões anunciado pela marca até 2030.
Redução de custos e eficiência produtiva
O principal objetivo dessa reestruturação logística está ligado à redução de custos operacionais e à busca por maior sinergia produtiva entre os modelos eletrificados e flex vendidos no mercado nacional.
Além disso, a empresa aponta que o complexo de Sorocaba já conta com processos industriais modernos, sendo mais avançado tecnologicamente. Para atualizar a veterana planta de Indaiatuba, a Toyota precisaria de um aporte financeiro muito mais severo, devido aos seus quase 30 anos de operação.
Novas vagas de emprego e acordo com sindicato
Com a ampliação das atividades, a Toyota confirmou que cerca de 2.000 novos postos de trabalho serão gerados na unidade de Sorocaba nos próximos meses.
Apesar dos novos empregos na região vizinha, o encerramento em Indaiatuba motivou greves e impasses jurídicos entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, que buscavam garantias trabalhistas durante a transição.
Recentemente, o sindicato e a montadora fecharam um acordo definitivo. O texto homologado estabelece as regras para o Programa de Demissão Voluntária (PDV) e define as condições de transferência dos funcionários que optarem por trabalhar na planta de Sorocaba.
Valor - SP 01/06/2026
Entidade defende adoção de processos industriais para reverter perdas de eficiência e recuperar competitividade
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), aproximar a construção da lógica da produção industrial é a saída para combater a perda de produtividade na área, identificada em seu estudo “Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor”. O relatório mostra como a produtividade da população ocupada na construção recuou 20,4% entre 1995 e 2024, embora o ponto atual não seja o mais baixo já registrado.
O trabalhador da área gera, em média, R$ 41,3 mil ao ano, ante mais de R$ 50 mil em meados da década de 90 — esse valor recuou para perto de R$ 35 mil entre 2016 e 2019. O valor em 2024 era metade do gerado pelo funcionário da indústria de transformação no mesmo ano, ressalta o estudo.
A pesquisa não cita a discussão em torno da redução de jornada no país, mas a falta de produtividade na construção é mencionada por entidades e empresas da área como um dos entraves para a mudança da escala 6x1, hoje amplamente adotada nos canteiros. A Câmara aprovou o fim do modelo 6x1, que vai para o Senado.
A participação da construção civil no PIB brasileiro já foi muito maior do que os 3,6% registrados em 2024. Em 2013, chegou a 6,4% de participação e, em 1999, a 8%. “Embora a tendência de queda já estivesse acelerada desde o final da década de 1990, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) reverteu a tendência entre 2008 e 2012, seguida por uma retomada da trajetória decrescente que perdurou até 2024”, aponta o relatório.
Em comparação com países desenvolvidos, a produtividade do trabalhador da construção civil também é menor — representa apenas 7% daquela apresentada pelo trabalhador da construção nos Estados Unidos e 12,5% do Japão.
Segundo o relatório, a maior causa para essa diferença está no tipo de construção adotado no Brasil, que prioriza a obra feita totalmente no canteiro, com baixa participação industrial.
“Precisamos de uma transição urgente do modelo tradicional, tijolo por tijolo, para o off-site, que é a construção industrializada, onde edifícios são produzidos em fábricas e apenas montados no canteiro de obras”, afirma, em nota, o especialista de políticas e indústria da CNI, Inacio Calache Cozendey.
O modelo tradicional, porém, é o que hoje mais se encaixa na demanda do brasileiro por imóveis personalizados, na disponibilidade de financiamento para as obras e no nível de instrução da força de trabalho.
O relatório aponta que a adoção de sistemas de construção off-site pode ajudar o setor a avançar em sua produtividade. Os principais sistemas de construção industrializada, já adotados no país, mas em menor escala, são aço, “light steel framing” (estrutura leve em aço), concreto, “wood frame” (estrutura de madeira e drywall, que podem ser combinados nos projetos e associados ao modelo tradicional.
“O método tradicional é mais lento e sujeito a interrupções, como chuvas. Ao transferir a produção para fábricas, a construção industrializada permite que tarefas feitas de modo sequencial no canteiro possam ser realizadas em paralelo nas fábricas”, afirma Cozendey. “Além disso, processos repetitivos podem ser realizados de forma muito mais automatizada”.
O relatório cita pesquisa da FGV que apontou que 64,5% das empresas do setor utilizam algum método industrializado, mas só 24% o utilizam em mais de 75% das obras. A aplicação ainda é pontual.
Perguntadas sobre quais eram as dificuldades para adotar a abordagem mais industrial, elas responderam, principalmente, que falta mão de obra especializada, capacitação dos projetistas, aceitação pelo mercado e que existe uma tributação mais alta para esses sistemas.
“Mesmo que o método off-site seja tecnicamente mais eficiente e rápido, a carga tributária mais elevada anula parte dessa vantagem econômica, tornando o preço final menos competitivo em comparação ao canteiro de obras tradicional”, explica o superintendente de política industrial da CNI, Fabrício Silveira. A expectativa do setor é que a reforma tributária elimine essa diferença.
Para incentivar a adoção de obras industrializadas, o estudo da CNI sugere que o governo utilize seu poder de compra para “exigir ou priorizar” esse tipo de obra, como afirma Silveira.
O relatório sugere que o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), por exemplo, tenha uma cota de unidades feitas por métodos industrializados, o que também ajudaria na velocidade da entrega das unidades.
“Ao demandar que uma parcela das habitações sociais seja feita com métodos industrializados, o Estado garante um volume de pedidos constante, o que é vital para que as indústrias invistam em automação e reduzam custos”, afirma Silveira.
InfraRoi - SP 01/06/2026
Depois de meses de estabilidade e até queda nos preços de alguns materiais de construção, março e abril marcaram uma virada no setor, segundo o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC) do Ecossistema Sienge. Até fevereiro, quatro dos cinco insumos monitorados estavam estáveis ou em queda, com exceção do fio de cobre, que já vinha pressionado. A alta começou a se consolidar em março, impulsionada por reajustes de empresas brasileiras e pelo cenário global de volatilidade na energia e em commodities metálicas. Em abril, os preços subiram ainda mais confirmando a reversão do ciclo de queda.
O levantamento mostra que março representou o primeiro mês de 2026 com inflação em boa parte dos principais insumos de construção. O cimento subiu 1,28% em todo o País, revertendo as pequenas quedas de janeiro (-0,14%) e fevereiro (-0,33%). O fio de cobre aumentou 2,67%, acumulando 28,63% em 12 meses, mantendo a trajetória de alta sustentada iniciada em agosto de 2025. A argamassa registrou alta de 0,71%, ainda dentro de um cenário de deflação acumulada de 7,21% em 12 meses, enquanto a tinta praticamente não variou (0,05%). Já o ferro/aço apresentou leve recuo de 0,29% no mês, mantendo a tendência de estabilidade observada no início do ano.
Já em abril, o movimento se intensificou, consolidando a mudança de tendência: quatro dos insumos monitorados registraram alta simultaneamente. O cimento disparou 4,16%, atingindo o maior patamar da série recente, e o fio de cobre seguiu pressionado, subindo 4,32%, resultado de fatores estruturais no mercado internacional de metais e energia. Argamassa e tinta também registraram alta, de 0,86% e 1,39%, respectivamente, enquanto o aço manteve estabilidade (0,04%).
Cenário geopolítico explica
Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, afirma que já era esperado que houvesse um aumento de preços gerais nos custos de materiais de construção, devido ao cenário geopolítico. O cenário internacional segue adicionando pressão sobre os custos da construção em um ambiente marcado por maior volatilidade nos preços do petróleo e manutenção de níveis elevados de commodities metálicas, com impactos persistentes sobre cadeias industriais intensivas em insumos básicos.
Segundo a gerente, o índice reforça o movimento já observado pelo mercado. “O IPMC confirma a curva de inflação apontada pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), da FGV, que registrou alta de 1,04% em abril e acumula 6,28% nos últimos 12 meses”, explica.
Entenda a metodologia usada
O IPMC é desenvolvido pelo Ecossistema Sienge, com metodologia da Cica Rev Consultoria e apoio institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O índice acompanha mensalmente insumos que podem representar até 55% dos custos totais de materiais de obra. Já o modelo estatístico foi desenvolvido para medir a variação média dos preços de insumos essenciais da construção civil em todas as regiões do Brasil. O IPMC utiliza técnicas avançadas de tratamento de dados e inteligência artificial para garantir precisão, representatividade e confiabilidade nos resultados, além de realizar classificação automática dos insumos e extrair características relevantes das descrições dos produtos. A validação dos resultados foi calculada com um intervalo de confiança de 95%, o que garante confiabilidade estatística nos valores mensais estimados para cada insumo.
Valor - SP 01/06/2026
Setor foi o que mais se destacou entre os que compõem a Formação Bruta de Capital Fixo ao registrar alta de 1,3% no primeiro trimestre, em comparação com igual período de 2025
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre demonstra que a construção civil voltou a acelerar, avalia Ieda Vasconcelos, economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Para a representante do setor, o início de 2026 representou uma recuperação da queda observada no último trimestre de 2025.
“Tivemos uma desaceleração no final do ano passado, até mesmo pela desaceleração da própria economia, e isso acaba influenciando no setor. Além, claro, da taxa de juros, que acaba impactando o início de novas obras. Especialmente no fim do ano, que tem mais chuvas e redução de atividades mesmo”, avalia.
A construção foi o setor que mais se destacou entre os que compõem a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — medida das contas nacionais do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa —, ao registrar alta de 1,3% no primeiro trimestre, em comparação com igual período de 2025.
Segundo a porta-voz da Cbic, a retomada do setor é puxada pelo incremento de quase 14% no volume de lançamentos imobiliários em 2025, com 471 mil novas unidades em todo o país. “Como o processo produtivo da construção é longo, os lançamentos vão gerar atividade para o setor pelos próximos dois a três anos”, diz.
“Esse resultado positivo do primeiro trimestre era até aguardado, em função também do ritmo de lançamento e obras de infraestrutura”, destaca Ieda. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) calcula que tenham sido aportados R$ 280 bilhões em obras do segmento em 2025, incremento de 3% em relação a 2024.
Além disso, os próprios dados do mercado de trabalho demonstram a retomada do setor de construção que, nos primeiros três meses do ano, segundo o Caged, foi responsável por 20% do total de novos empregos gerados no país. O setor também voltou a contabilizar mais de 3 milhões de trabalhadores neste período.
Nesse sentido, Ieda destaca que os principais desafios têm sido a elevada taxa de juros e o aumento dos custos de produção causado pela guerra no Irã, com o choque nos preços do barril de petróleo.
“São problemas distintos e com igual importância. A taxa de juros, nesse patamar atual, acaba adiando investimentos produtivos. Ela leva investimentos dos setores para o segmento financeiro, em virtude de taxas tão expressivas. O incremento no custo também prejudica, porque acaba por extrapolar os orçamentos e o planejamento da construção. Os dois são problemas sérios. O custo com material, por exemplo, é de 40% a 50% do custo de uma obra”, explica.
A Cbic estima que o setor de construção deve crescer pelo terceiro ano consecutivo em 2026, em cerca de 1,2%.
Mais cedo, o IBGE informou que o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,1% no primeiro trimestre do ano, quando comparado ao quarto do ano passado. Os investimentos medidos pela FBCF avançaram 3,5%, maior taxa para o período desde o primeiro trimestre de 2021 (6,3%), essa expansão praticamente compensou a queda de 3,4% observada no quarto trimestre de 2025. Frente ao primeiro trimestre de 2025, houve retração de 1,4% na FBCF.
No mesmo período, a taxa de investimento (FBCF/PIB) foi 16,5%, permanecendo abaixo da observada no mesmo período do ano anterior (17,6%). Ieda ressalta que o número ainda está distante do ideal e recomendado pelo Banco Mundial, o que seria na faixa dos 25%.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
Duas grandes obras da Cedro Participações criarão um corredor logístico estratégico entre Minas Gerais e o litoral fluminense: o ramal ferroviário Serra Azul, na Grande Belo Horizonte (MG), e o Porto do Meio, em Itaguaí (RJ). Com investimentos totais estimados em mais de R$ 5 bilhões e geração de 6 mil empregos diretos, os projetos deverão estar concluídos em 2030.
Uma das consequências será a retirada de até 5 mil carretas por dia da Rodovia Fernão Dias (BR-381), principal ligação rodoviária entre Minas Gerais e São Paulo. Trata-se de uma das rodovias mais movimentadas do País, com fluxo médio de 250 mil veículos por dia, e também uma das mais perigosas: de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), mais de 7 mil acidentes foram registrados no trecho nos últimos três anos, sendo 440 com mortes.
Além de promover a segurança na rodovia, aumentar a eficiência operacional do transporte e trazer efeitos econômicos significativos às regiões envolvidas, a integração entre ferrovia e porto reduzirá drasticamente os impactos ambientais. De acordo com um estudo do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases (Seeg), o modal ferroviário pode emitir até 88% menos gases de efeito estufa por tonelada transportada em comparação ao modal rodoviário.
Com 26,5 km de extensão e custo estimado em R$ 1,5 bilhão, o ramal ferroviário Serra Azul segue um modelo de ferrovia de curta distância, conhecido como shortline, que conecta diretamente as frentes de produção aos troncos ferroviários. O início das obras está previsto para 2027, quando todos os requisitos regulatórios e legais estiverem concluídos, o que inclui a ampla discussão e a participação das comunidades e demais partes interessadas.
Mudança de paradigma
Com utilização prevista de cinco pares de trens por dia, cada um com 136 vagões, o ramal Serra Azul se conectará a uma das principais ferrovias da Região Sudeste, operada pela MRS Logística S.A. Isso permitirá a ligação com o outro grande projeto que está sendo realizado pela Cedro, o Porto do Meio. Trata-se de um Terminal de Uso Privado (TUP), cujo nome faz referência à localização entre os terminais da Vale e da CSN em Itaguaí (RJ). Os investimentos previstos nessa obra são de R$ 3,6 bilhões.
Esses projetos são um passo importante para combater um dos principais gargalos da logística brasileira: a forte dependência das rodovias, que ainda respondem por cerca de 65% do transporte de cargas no País, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). “O Ramal Ferroviário Serra Azul representa uma mudança de paradigma para toda a cadeia logística que conecta Minas Gerais ao litoral fluminense. Será um marco para a mobilidade, para o meio ambiente e para a logística nacional”, diz Lucas Kallas, fundador e presidente do Conselho da Cedro Participações. “É uma demonstração de que é possível crescer, gerar riqueza para o País e ainda assim reduzir impactos.”
Criada em 2017, a Cedro Participações é uma holding brasileira com atuação diversificada – tem negócios em mineração, agronegócio, logística, real estate e saúde. Com regras rigorosas de governança e compliance, soma mais de 2.500 funcionários indiretos e 700 diretos. Iniciou suas operações na mineração e, desde o início, atua focada na sustentabilidade, tendo como primeiro projeto o beneficiamento de rejeitos de minério estocados, com o uso de tecnologia de processamento apta a eliminar o uso de barragens. A Cedro viabiliza mais de 60 projetos sociais nos cinco Estados em que atua – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Goiás –, com ações voltadas à educação, à cultura, ao esporte e à saúde.
Jornal de Brasília - DF 01/06/2026
A Rodoviária do Plano Piloto completará nesta segunda-feira (1º/6) seu primeiro ano sob concessão à Concessionária Catedral com uma mudança expressiva na percepção dos usuários. Segundo levantamento do Instituto Opinião, a aprovação no terminal passou de 45,61% para 86,13% no período, em meio a intervenções na infraestrutura, avanços na acessibilidade e reforço na segurança.
Cerca de 700 mil pessoas circulam diariamente pela rodoviária entre passageiros e trabalhadores locais. No modelo de gestão vigente, a concessionária é responsável pela infraestrutura, enquanto a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) mantém o controle do sistema de transporte, com regulação, operação dos ônibus e política tarifária sob comando público.
Entre as principais mudanças citadas por usuários e gestores estão a recuperação das escadas rolantes e dos elevadores, que agora funcionam sob manutenção preventiva 24 horas, além da implantação de um novo Centro de Controle Operacional (CCO), integrado a 62 câmeras de videomonitoramento com reconhecimento facial. Na pesquisa, a avaliação positiva da segurança subiu de 32,70% para 85,89%.
O administrador da Rodoviária, Leonardo Moreira, disse que as 12 escadas rolantes já foram modernizadas e que os elevadores voltaram a funcionar. Ele também afirmou que a manutenção, quando há parada de equipamento, consegue recolocá-lo em operação em cerca de 10 minutos. Segundo ele, o índice de vandalismo caiu quase a zero.
A concessionária também informou ter iniciado a reforma dos banheiros e concluído a recuperação dos pilares, enquanto equipes seguem trabalhando em vigas e lajes. Moreira disse ainda que, após essa etapa, começará a construção do novo terminal do BRT.
As melhorias em acessibilidade e na organização dos espaços também afetaram a rotina de quem passa pelo terminal. Passageiros e profissionais da área de educação inclusiva relataram avanço no deslocamento, com menos obstáculos nos corredores e menor interferência de ambulantes. Manoela Suzart, mãe de uma criança cadeirante, afirmou que hoje se sente mais segura ao circular pelo local. Já Karina Gonçalves, professora de Orientação e Mobilidade do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), disse que o trabalho com alunos ficou mais viável após a modernização.
Na área comercial, a nova gestão abriu diálogo com antigos ambulantes, em parceria com órgãos do GDF e com o Sebrae, para regularização das atividades. O terminal passou a contar com 150 lojas, que geram emprego para cerca de 450 trabalhadores, e os comerciantes deixaram a condição de permissionários para atuar como locatários.
Entre os regularizados está Alex Alves, vendedor de açaí, que afirmou ter trabalhado informalmente por 15 anos e hoje operar com carrinho padronizado e legalizado. Aduir da Silva, que vende salgados há 19 anos na rodoviária, também relatou mudança na rotina após a formalização, com mais tranquilidade para trabalhar e seis pessoas empregadas em seu quiosque.
Nos últimos 12 meses, o terminal também ganhou novos serviços de acolhimento, como sala multissensorial para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), fraldário e o Cantinho do Desabafo, voltado ao suporte emocional gratuito. Em novembro do ano passado, foi inaugurada ainda uma sala de amamentação no banheiro feminino do piso inferior, com itens como pia, chuveirinho, trocador, micro-ondas e assentos.
A concessionária mantém um canal de comunicação direta com o público por meio do e-mail ouvidoria.rodoviaria@rzkconcessoes.com.br, para o envio de sugestões, elogios ou críticas.
Diário do Comércio - MG 01/06/2026
O governador Mateus Simões anunciou, no sábado (30), investimentos de R$ 350 milhões para obras de infraestrutura rodoviária na região Central do estado. A destinação de recursos foi detalhada durante reunião com o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), prefeitos e deputados da região, realizada durante vistoria à Praça de Serviços, instalada na Lagoa Boa Vista, em Sete Lagoas, no âmbito do Governo Presente.
Os investimentos contemplam intervenções consideradas prioritárias para melhorar a mobilidade, ampliar a segurança viária e fortalecer a integração entre os municípios da região Central, e serão viabilizados a partir de recursos da desestatização da Copasa.
Entre alguns das principais intervenções, previstas para 2026, estão as obras de revitalização da MG-238, entre Jequitibá e Sete Lagoas, com investimento de R$ 15 milhões; da MG-816, entre Santana do Riacho até a entrada para a Serra do Cipó, com investimento de R$ 6 milhões; da MG-238, partindo da BR-040 até Cachoeira da Prata, com investimento de R$ 2 milhões; e da MG-060, do entroncamento da MG-431 até a entrada de Papagaios, com investimento de R$ 1 milhão, além da MGC 356, do trevo do Belvedere até a BR-040, com investimento de R$ 8 milhões.
Durante o encontro, o governador destacou a importância dos investimentos para atender demandas históricas dos municípios e também de projetos que vão ampliar a capacidade logística da região.
“Além das obras de revitalização, que são demandas importantes e muito aguardadas porque vão melhorar estradas essenciais, também estamos garantindo uma série de projetos para adiatar outras obras. Entre eles, o projeto que eu acho que é o mais esperado e desejado do dia, da MG-231, de Sete Lagoas a Santana. Além dos projetos dos contornos de Caeté e Esmeraldas, e da ligação de Ravena a Sabará. Sem falar do projeto do viaduto da Barbosa de Melo, que já tem investimento garantido de R$ 15 milhões”, disse o governador.
Praça de Serviços
Após a reunião, o governador vistoriou a Praça de Serviços do programa Governo Presente, iniciativa que aproxima a gestão estadual da população por meio da oferta de serviços públicos gratuitos durante o período de transferência simbólica da capital do estado.
Realizada no sábado (30) e domingo (31), na Lagoa Boa Vista, em Sete Lagoas, a ação reúne diversos atendimentos em um único local, incluindo vacimóvel, castramóvel e emissão da nova carteira de identidade, facilitando o acesso dos cidadãos a serviços e direitos, reduzindo deslocamentos e burocracias e promovendo atendimento humanizado.
Balanço
O Governo Presente já ultrapassou a marca de 100 mil atendimentos e orientações gratuitas realizados nas regiões por onde passou, incluindo municípios do Triângulo Mineiro, Vale do Aço, Zona da Mata, Sul de Minas, Noroeste, Nordeste e regiões históricas do estado.
Com a edição de Sete Lagoas, a iniciativa chega à sua 14ª realização, consolidando-se como uma das principais ações itinerantes do Governo de Minas para fortalecer a aproximação entre o poder público e a população.
Exame - SP 01/06/2026
As Forças Armadas do Irã afirmaram neste sábado, 30, que o Estreito de Ormuz está sob “controle total” da República Islâmica e advertiram que qualquer tentativa de interferência militar na rota marítima terá resposta de Teerã.
A declaração foi feita pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela agência iraniana Tasnim. Segundo o órgão militar, a gestão do estreito é exercida pelas Forças Armadas iranianas “com plena autoridade”.
O comunicado afirma que navios comerciais, embarcações e petroleiros devem transitar exclusivamente pelas rotas designadas e obter autorização da Marinha da Guarda Revolucionária. O descumprimento das regras, segundo Teerã, poderia colocar em “grave risco” a segurança da navegação na região.
O Irã também fez uma advertência direta às forças americanas presentes no Golfo. De acordo com o comunicado, qualquer embarcação militar que tente interferir na gestão do Estreito de Ormuz ou perturbar o tráfego marítimo será tratada como alvo pelas Forças Armadas iranianas.
A nova ameaça amplia a tensão em torno de uma das rotas comerciais mais sensíveis do mundo. Antes da guerra contra Israel e Estados Unidos, cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados globalmente passavam pelo Estreito de Ormuz.
Conflito entre EUA e Irã
Desde o início do conflito, o Irã impôs bloqueios e restrições à navegação na passagem, enquanto Washington respondeu com um cerco naval contra navios e portos iranianos.
Na semana passada, a Autoridade do Golfo e do Estreito de Pérsico, órgão criado pelo Irã para administrar o tráfego em Ormuz, publicou um mapa da área que considera sob sua jurisdição. O documento também indicava zonas em que embarcações precisariam solicitar autorização para navegar.
A medida gerou reação de países do Golfo e dos Estados Unidos. Segundo a imprensa internacional, Teerã busca ampliar o controle sobre o estreito e já discutiu com Omã a possibilidade de compartilhar cobranças ligadas à passagem de embarcações pela região.
Inicialmente, o Irã havia indicado que poderia exigir o pagamento de um pedágio para permitir a navegação por Ormuz. Depois, o governo iraniano afirmou que a cobrança não seria um pedágio, mas uma taxa relacionada a “serviços de navegação” e a medidas de proteção ambiental.
Controle de Ormuz
O controle sobre o estreito se tornou um dos principais pontos de atrito nas negociações entre Irã e Estados Unidos. As conversas, mediadas pelo Paquistão, buscam um acordo para encerrar a guerra e reabrir a rota marítima.
Washington pressiona Teerã a liberar imediatamente a navegação e a garantir a segurança dos navios que atravessam a região. O Irã, por outro lado, afirma ter direito de administrar a passagem por causa de sua posição geográfica e de sua presença militar na área.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. Por sua importância para o transporte de petróleo e gás, qualquer interrupção prolongada na rota pode afetar os preços internacionais de energia e ampliar a instabilidade nos mercados globais.
A advertência iraniana ocorre em um momento delicado das negociações. Embora Teerã e Washington tenham intensificado os contatos diplomáticos, os dois lados ainda divergem sobre segurança marítima, bloqueios, sanções e o programa nuclear iraniano.
Valor - SP 01/06/2026
Segundo a petroleira, as FPSO “contribuirão de forma relevante para o aumento da produção nacional de petróleo e gás e para o desenvolvimento de uma nova fronteira de produção de óleo e gás no Nordeste”
A Petrobras assinou nesta sexta-feira (29) contratos com a SBM Offshore para a construção de duas unidades de produção de petróleo e gás do tipo “FPSO” (unidade flutuante de armazenamento e transferência), destinadas ao projeto Sergipe Águas Profundas (Seap). Com investimentos superiores a R$ 60 bilhões por parte da Petrobras, os dois projetos preveem a produção total de mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente.
A Petrobras será a proprietária das unidades, enquanto a SBM Offshore será responsável pelo projeto, construção e montagem, além da operação e manutenção das duas FPSOs por um período inicial de 6,5 anos.
Segundo a petroleira, as unidades “contribuirão de forma relevante para o aumento da produção nacional de petróleo e gás e para o desenvolvimento de uma nova fronteira de produção de óleo e gás no Nordeste do Brasil”.
A unidade FPSO SEAP-II (P-87) terá capacidade instalada para produzir 120 mil barris de petróleo por dia e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. O início da produção de óleo está previsto para 2030, com a exportação de gás a partir de 2031. Já a FPSO SEAP-I (P-81) terá capacidade instalada para produzir 120 mil barris de petróleo por dia e processar 10 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. O início da produção está previsto para 2031.
Exame - SP 01/06/2026
Em análise na Câmara desde 2025, o Marco dos Portos é um PL que prevê a criação de um novo marco regulatório no setor portuário brasileiro. O projeto ainda aguarda o parecer do relator Arthur Maia (União-BA) para ir à votação na Comissão Especial.
Ele conta com 151 artigos que promovem uma série de mudanças na precificação dos serviços, no licenciamento ambiental, na contratação de mão de obra e também na regulação dos mesmos.
“Se você vir as nossas importações e exportações, dois terços do valor total são frutos de operações em portos privados. A lei que estamos debatendo é para os portos públicos. A ideia é que ela transmita competitividade aos portos públicos em relação aos privados”, disse Arthur Maia durante o Fórum Esfera realizado sábado, 23, em Guarujá (SP).
Segundo o relator, um dos grandes problemas no cenário atual dos portos é o setor da mão de obra portuária que, para ele, está atrasado com a legislação que garante exclusividade de mão de obra, respaldada pelo Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário, o Ogmo.
“Basicamente, se hoje aportar um navio em Santos e disser que precisa de 30 pessoas para fazer o desembarque da mercadoria, mas o Ogmo de Santos disser que só tem dez, o dono do navio não pode contratar outros 20. Isso devido à exclusividade do Ogmo na mão de obra”, exclamou o deputado do União Brasil.
Não há previsão pública de audiências acerca da proposta. Os parlamentares se reuniram pela última vez para tratar do assunto antes da pausa parlamentar em dezembro de 2025.
Na ocasião, a oposição ao PL 733/2025 alertou para o esgotamento da infraestrutura portuária no Brasil e defendeu um planejamento estruturado para melhorar a eficiência logística e a competitividade do país.
Também presente no evento, o Presidente da APS (Autoridade Portuária de Santos), Anderson Pomini, afirmou que uma das limitações para grandes portos está na dragagem — raspagem artificial feita por especialistas para aumentar a profundidade do oceano — e a condição natural para receber as maiores embarcações e mais frequentes no comércio mundial.
“Hoje os grandes navios cargueiros exigem 16 metros de profundidade. E nós precisamos aprofundar nosso canal, que foi entregue por Deus com sete metros e atualmente já estamos em 15. Em maio, assinamos o contrato e vamos começar em 2027 as obras para aprofundar os 26 quilômetros de canal. Essa mudança deve durar cerca de dois anos", explicou Pomini.
O PL propõe ainda que dragagens de manutenção, feitas para limpar dejetos e garantir estabilidade, não precisarão mais de novas licenças ambientais.
Outra proposta defendida por Arthur Maia (União-BA) durante o evento foi sobre fixar valores em portos inoperantes para aumentar a atratividade de empresas estrangeiras em infraestruturas nacionais.
Atualmente, segundo ele, uma empresa que deseja operar em um porto inativo deve sinalizar o governo, estruturar um planejamento, apresentar para a concessão, assumir uma disputa com outros interessados e só então vencer a licitação e começar novas burocracias para operar.
“Hoje em dia, esse processo leva cerca de três anos. Nossa ideia com o PL 733 é, também, facilitar a chegada desse capital estrangeiro nos nossos portos”, explicou o relator do Projeto de Lei.
O Estado de S.Paulo - SP 01/06/2026
A cotação do petróleo hoje voltou a cair diante da percepção crescente de que Estados Unidos e Irã estão mais próximos de um acordo temporário para reduzir as tensões no Oriente Médio e aliviar o risco de interrupções na oferta global da commodity.
Nesta sexta-feira (29), por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para agosto recuava 1,43%, a US$ 91,39 por barril, enquanto o WTI para julho caía 1,46%, a US$ 87,61.
O movimento aprofunda uma correção que já vinha ganhando força nos últimos dias. Há cerca de duas semanas, o Brent negociava acima de US$ 109. Agora, o “ouro negro” caminha para registrar a maior queda mensal em seis anos.
A principal razão está na mudança de percepção do mercado sobre o conflito entre Washington e Teerã. Depois de semanas em que qualquer manchete envolvendo ataques, Ormuz ou o programa nuclear iraniano disparava os preços, investidores passaram a enxergar uma chance mais concreta de estabilização temporária da região
Segundo informações divulgadas por autoridades americanas, negociadores dos dois países avançaram em um entendimento preliminar para ampliar o cessar-fogo por mais 60 dias enquanto discutem pontos mais delicados, como o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz.
Mercado desmonta prêmio de risco do petróleo
A possibilidade de um acordo mais duradouro desmonta parte relevante do prêmio de risco embutido no petróleo desde o início da escalada militar no Oriente Médio.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que Washington e Teerã estão próximos de um entendimento para reduzir o conflito, embora o presidente Donald Trump ainda não tenha dado aval definitivo ao acordo.
O vice-presidente americano, JD Vance, reforçou que as negociações continuam difíceis, mas admitiu que há progresso nas conversas.
O mercado interpreta que uma eventual extensão da trégua poderia reduzir o risco de novos bloqueios ao corredor marítimo por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido globalmente.
O esboço das negociações prevê justamente uma reversão gradual das restrições impostas por ambos os lados sobre a navegação na região ao longo dos primeiros 30 dias de acordo.
Essa mudança de percepção alterou completamente o humor dos investidores. Nas últimas semanas, o petróleo operava sob forte pressão geopolítica e chegou a ultrapassar US$ 110 diante do temor de interrupções mais severas no fluxo global de energia.
Bolsas sobem enquanto petróleo perde força
A queda do petróleo também ajudou a melhorar o apetite por risco nos mercados internacionais.
Os índices futuros de Nova York operavam em alta nesta manhã, enquanto as bolsas europeias também avançavam. A leitura predominante é de que um petróleo menos pressionado reduz o risco de inflação persistente e diminui parte da pressão sobre bancos centrais.
Nas últimas semanas, autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e do Banco Central Europeu (BCE) vinham alertando que o choque energético provocado pela guerra poderia atrasar cortes de juros e ampliar riscos inflacionários.
Com a commodity mais distante dos picos recentes, investidores voltam a recalibrar apostas para política monetária.
PIB do Brasil entra no radar da Selic
No Brasil, a queda do petróleo ocorre justamente em um momento em que investidores acompanham sinais de atividade econômica ainda aquecida.
O destaque da agenda desta sexta-feira é o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que deve mostrar aceleração da economia brasileira após crescimento tímido no fim de 2025.
A expectativa é de alta de 1,1% no período, após avanço de 0,1% no trimestre anterior.
Uma economia mais resiliente, combinada à inflação ainda pressionada, reduz espaço para cortes mais intensos da Selic nos próximos meses, embora o mercado ainda espere uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de junho do Copom.
Ao mesmo tempo, a desaceleração recente do petróleo ajuda a aliviar parte das preocupações inflacionárias ligadas ao choque de energia que dominou o mercado ao longo de maio.
CNN Brasil - SP 01/06/2026
O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 230,4 bilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta foi de 0,7%.
A agropecuária respondeu por cerca de 7% do PIB brasileiro no período, que totalizou R$ 3,3 trilhões com alta de 1,1% na comparação com o trimestre anterior. Considerando atividades relacionadas, como insumos, agroindústria, transporte e comércio, a participação do agro na economia é maior.
No primeiro trimestre, também houve crescimento da Indústria, de 1,0%, e dos Serviços, de 0,5%.
De acordo com o IBGE, o desempenho da agropecuária foi influenciado pelo aumento da produção e da produtividade agrícola. Dados do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) indicam que condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras e a ampliação da área plantada impulsionaram a produção de soja, que registrou aumento de 4,8% na estimativa anual e alcançou recorde na série histórica.
Por outro lado, culturas com participação relevante no primeiro trimestre apresentaram redução na estimativa anual de produção e produtividade, como o milho, com queda de 2,5%, e o arroz, de 10,6%.
O PIB acumulado nos quatro trimestres encerrados em março de 2026 avançou 2,0% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Nesse período, o Valor Adicionado da Agropecuária registrou crescimento de 7,5%.
CNN Brasil - SP 01/06/2026
O consórcio de máquinas agrícolas registrou R$ 4,36 bilhões em créditos ofertados entre janeiro e abril de 2026, resultado 15% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025, quando o volume atingiu R$ 3,79 bilhões, segundo dados divulgados pela ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios).
O segmento contabilizou 463,30 mil participantes ativos em abril deste ano, crescimento de 2,9% na comparação com abril de 2025, quando havia 450,20 mil consorciados ativos.
As vendas de cotas somaram 29,08 mil adesões no primeiro quadrimestre de 2026. Apesar da retração de 8,8% frente às 31,89 mil cotas comercializadas no mesmo período do ano passado, o volume de créditos comercializados permaneceu estável em R$ 7,10 bilhões.
Segundo a ABAC, outro destaque do período foi o avanço do tíquete médio. Em abril de 2026, o valor médio da cota atingiu R$ 281,16 mil, crescimento de 28,3% sobre os R$ 219,16 mil registrados no mesmo mês de 2025.
Mais contemplados
As contemplações também apresentaram resultado positivo. Entre janeiro e abril deste ano, 18,11 mil consorciados tiveram a oportunidade de adquirir bens, alta de 4,7% em relação às 17,30 mil contemplações registradas no primeiro quadrimestre do ano passado.
De acordo com a ABAC, as máquinas agrícolas representam 51% do setor de veículos pesados dentro do Sistema de Consórcios. O segmento integra ainda caminhões, implementos rodoviários e agrícolas, ônibus, embarcações e aeronaves.
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