Valor - SP 09/06/2026
Essas medidas reduzem o risco de um excesso de aço chinês inundar os mercados globais e pressionar os preços para baixo, segundo relatório de analistas da AlphaValue
A ArcelorMittal está bem-posicionada para tirar proveito de novas proteções ao comércio de aço, introduzidas não apenas na Europa, mas também em mercados relevantes como Índia, Brasil e Turquia, segundo relatório de analistas da AlphaValue.
Essas medidas reduzem o risco de um excesso de aço chinês inundar os mercados globais e pressionar os preços para baixo.
Com operações espalhadas pela Europa, Estados Unidos e Índia, a siderúrgica europeia está relativamente protegida e pode se beneficiar de preços mais altos do aço ao redor do mundo, afirmam.
À medida que as medidas comerciais entrarem em pleno vigor, a ArcelorMittal poderá observar margens mais fortes, lucros mais resilientes e um aumento significativo na rentabilidade ao longo dos próximos anos, observa o banco.
Infomoney - SP 09/06/2026
A escalada das tensões no Oriente Médio provocou uma reviravolta profunda na dinâmica dos mercados internacionais de ativos reais. De acordo com o relatório setorial do UBS BB, divulgado nesta segunda-feira (8), o cenário anterior, que apontava para um ciclo de valorização puxado pela demanda em meio ao corte de juros e ao enfraquecimento do dólar, foi completamente substituído por um estrangulamento na cadeia de suprimentos de energia.
Os analistas afirmam que antes do conflito, investidores calibravam suas carteiras para a chamada operação de desvalorização ou HALO (debasement/HALO trade), estratégia de proteção inflacionária em que o capital deixa portos seguros em dólar para comprar bens tangíveis e físicos, mas essa tese baseada no consumo perdeu força.
O relatório detalha que, conforme suas projeções macroeconômicas, a persistência de patamares mais altos para o petróleo alterou drasticamente a relação global entre atividade econômica e índices inflacionários.
Vários bancos centrais ao redor do mundo aceleraram o aperto monetário e os operadores já precificam uma postura mais dura do Federal Reserve para o encerramento do ano, fortalecendo a divisa norte-americana.
“Mas agora, não estamos mais falando de uma reprecificação pelo lado da demanda; em vez disso, estamos enfrentando um choque de oferta de petróleo, e muitos daqueles pilares anteriores estão agora sendo desafiados”, diz o relatório. “Preços de petróleo mais altos por mais tempo são agora um fato dado (estimativas do UBS em US$ 90/bbl (barril) para 2026 e US$ 80/bbl para 2027), o que está piorando o mix global de crescimento-inflação”.
Estratégia de alocação de capital
Diante do risco iminente de uma desaceleração sincronizada nas principais economias, os analistas adotam uma postura bem mais defensiva. No entendimento do banco, os custos proibitivos da energia devem, inevitavelmente, comprometer o consumo de insumos industriais básicos no cenário global.
“Este cenário deve, em última análise, levar à destruição da demanda por commodities, e nos tornamos mais cautelosos quanto à continuidade de um desempenho superior generalizado nas ações de commodities”, afirmam.
Nesse ambiente de maior aversão ao risco, os analistas preferem concentrar suas recomendações em companhias exportadoras de petróleo e em indústrias siderúrgicas protegidas por regimes tarifários locais, preterindo cadeias de extração mineral e a cadeia de celulose. As preferências da instituição para a região recaem sobre a Petrobras (PETR4), a Prio (PRIO3) e a Usiminas (USIM5), além da Gerdau (GGBR4).
No segmento de combustíveis, embora uma correção técnica passageira seja esperada após o fim das hostilidades, as cotações do barril do tipo Brent devem seguir firmes no médio prazo devido ao esvaziamento dos estoques globais, que atingiram o menor nível em cinco anos.
“Dito isso, mesmo que o conflito se abrande no curto prazo, acreditamos que os preços do petróleo provavelmente continuarão sustentados em US$ 80-90/bbl”, diz o documento. A principal escolha dos analistas é a Prio, com um retorno de fluxo de caixa livre (FCL) por ação estimado em 18% para 2026 e 25% para 2027, sem considerar fusões e aquisições (M&A).
A Petrobras (PETR4) aparece na sequência com rendimento de dividendos projetado em 11% para 2026, embora os analistas façam um alerta para a existência de ruídos políticos na estatal.
Barreiras alfandegárias blindam o setor siderúrgico
A tese de investimento traçada para o aço baseia-se na resiliência operacional garantida por mecanismos protecionistas regionais. Conforme aponta o relatório, desde o início dos confrontos no Oriente Médio, as ações de usinas siderúrgicas localizadas em áreas com escudos comerciais ativos apresentaram uma valorização bem superior à das mineradoras de metais básicos.
Os analistas explicam que o mercado aceita pagar um prêmio por empresas mais isoladas das oscilações econômicas globais, impulsionadas pelo bom momento de preços e lucros.
“Na nossa visão, os investidores parecem estar pagando um prêmio pela história idiossincrática do lado da oferta no espaço do aço, visto como mais ‘isolado’ de um potencial choque de demanda, devido aos ventos favoráveis de oferta, mais o momento de preços/lucros”, diz o relatório.
Ao longo do último ano, governos do Brasil, México e Estados Unidos elevaram suas alíquotas alfandegárias, travando a enxurrada de produtos importados e abrindo espaço para reajustes nos preços locais.
Sinais mistos no cobre
No mercado de metais não ferrosos, os preços do cobre negociados na Bolsa de Metais de Londres mostraram forte poder de recuperação e retornaram para marcas históricas acima de US$ 14 mil por tonelada.
Apesar das pressões de curto prazo causadas pelo encarecimento da energia na atividade fabril tradicional, os analistas afirmam que o cenário estrutural de longo prazo permanece intacto, amparado por cortes sucessivos nas projeções de produção de grandes minas globais.
Para o minério de ferro, o cenário de investimentos perdeu o ímpeto macroeconômico e a recomendação para a Vale (VALE3) passou a ser neutra. Os analistas explicam que a sustentação recente das cotações em US$ 101 por tonelada não decorre de um consumo aquecido, mas sim de um deslocamento para cima na curva de custos operacionais globais, puxado principalmente pela disparada dos fretes marítimos após o conflito.
Os custos de transporte na rota Brasil-China saltaram de US$ 20,00 para US$ 35,00 por tonelada, enquanto o trajeto entre a Austrália e a China subiu de US$ 8,00 para US$ 15,00 por tonelada.
Em contrapartida, as siderúrgicas chinesas mantêm sua produção estagnada ou em ritmo de queda. “Por fim, vemos a Vale negociando a um retorno de FCF [fluxo de caixa livre] spot de cerca de 9%, o que consideramos justo e semelhante ao da Rio Tinto”, diz o relatório. A instituição manifestou preferência pelas ações da Rio Tinto (RIO) pela maior presença de metais voltados para a transição energética em seu portfólio.
Celulose
Os analistas ainda ressaltam que o segmento de papel e celulose continua operando à margem do interesse dos grandes fundos globais, acumulando perdas generalizadas de 10% a 20% desde o início do ano.
Segundo o documento, o mercado passou a precificar com maior clareza o plano estrutural da China de expandir sua capacidade interna integrada de celulose para reduzir a dependência de produtos importados.
“O mercado teme que a celulose se torne o próximo aço, com 10 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de produção de celulose adicionadas na China de 2020 a 2025, e mais 10 Mtpa de capacidade planejadas para os próximos 5 anos”, diz o relatório. Esse volume se somará a projetos previstos para a América Latina que podem injetar outras 10 Mtpa a um mercado global estimado em apenas 70 Mtpa.
“Antecipamos que os preços da celulose caiam para US$ 530-550/t nos próximos meses, o que poderia levar as ações a um desempenho ainda pior”, diz o relatório. No confronto direto, a instituição mantém preferência pelos papéis da Suzano (SUZB3) em relação aos da Klabin (KLBN11).
CNN Brasil - SP 09/06/2026
A forte alta das curvas de juros observada nas últimas semanas no Brasil e no exterior está transmitindo uma mensagem que vai muito além da próxima decisão do Banco Central: o mundo voltou a cobrar a conta dos governos endividados.
Por trás da piora das expectativas para inflação e da reprecificação dos ativos, cresce entre economistas e gestores a percepção de que os juros globais podem permanecer elevados por muito mais tempo do que o mercado imaginava há poucos anos.
Se essa leitura estiver correta, o próximo presidente da República — seja Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual reeleição ou qualquer outro vencedor em 2026 — poderá assumir o país em um ambiente econômico significativamente mais desafiador do que aquele encontrado pelos governos anteriores. E muito mais desafiador do que o próprio Lula já enfrentou em qualquer um de seus governos anteriores.
O que está se cristalizando no cenário global é uma inflação mais persistente do que se imaginava após a pandemia. Os conflitos geopolíticos recentes contribuíram para esse quadro, mas ele também reflete déficits fiscais elevados e mercados de trabalho ainda resilientes nas principais economias.
Essa combinação de fatores — gastos militares, estímulos fiscais e atividade econômica mais resistente do que o esperado — ajuda a explicar a resiliência da economia americana, refletida nos dados do mercado de trabalho ainda aquecido. E reforça a percepção de que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo.
Como consequência, investidores passaram a exigir remuneração maior para financiar governos em todo o mundo.
Da mesma forma, o gasto público no Brasil — seja ele fiscal, seja parafiscal — tem sustentado a atividade econômica. E coloca em questão não apenas o espaço para corte de juros este ano, mas também qual é o nível de juro necessário para evitar um descontrole da inflação.
Essa mudança aparece com clareza nas curvas de juros, que subiram simultaneamente nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Alemanha e também no Brasil. Em muitos casos, a alta ocorreu mesmo sem mudanças relevantes na política monetária de curto prazo.
Para parte do mercado, isso sugere que os investidores começaram a incorporar uma hipótese que parecia distante até poucos anos atrás: a de que a taxa neutra de juros — aquela que não estimula nem desacelera a economia — pode ter se tornado estruturalmente mais alta. Em outras palavras, o mundo pode precisar conviver durante muitos anos com juros maiores do que aqueles observados na década passada.
A abertura recente da curva de juros brasileira, portanto, não reflete apenas dúvidas sobre os próximos passos do Copom. Ela também expressa o grau de complexidade do cenário global. E a preocupação com o impacto que esse juro mais alto, por tanto tempo, vai provocar sobre as contas públicas.
Tudo isso torna o ambiente econômico muito mais desafiador para o próximo governo, até mesmo para um presidente que já enfrentou muitas outras crises. Basta lembrar de algumas delas.
Em 2003, início do primeiro governo Lula, o novo presidente viveu o desafio de conquistar a credibilidade do mercado financeiro. Naquele ano, o PIB cresceu apenas 1,1% e a inflação fechou em 9,3%.
Mas o contexto internacional era extraordinariamente favorável. A China crescia perto de 11% ao ano, impulsionando a demanda por commodities e beneficiando diretamente países exportadores como o Brasil.
Entre 2004 e 2008, o PIB brasileiro cresceu, em média, quase 5% ao ano, em um ambiente marcado pela expansão do comércio global, abundância de capital e queda dos juros internacionais.
Mesmo após a crise financeira internacional de 2008, que culminou na quebra do banco americano Lehman Brothers, o mundo voltou rapidamente para um ambiente de liquidez abundante e juros próximos de zero. Em 2010, o PIB brasileiro cresceu 7,5%, o maior resultado em mais de duas décadas.
O próximo governo poderá encontrar uma realidade muito diferente.
A China cresce hoje perto de 4% a 5% ao ano, menos da metade do ritmo observado nos anos 2000. Os bancos centrais estão preocupados com a inflação. E os investidores demonstram muito menos tolerância a déficits fiscais e aumento da dívida pública.
A mensagem transmitida pelas curvas de juros é simples: o dinheiro voltou a ter preço. E, mais do que discutir quando os juros vão cair, o mercado começa a discutir qual será o novo normal para os juros no mundo.
Para países altamente endividados como o Brasil, isso costuma significar escolhas mais difíceis, menos margem para erros e uma conta fiscal cada vez mais cara.
O Estado de S.Paulo - SP 09/06/2026
Os novos governos precisam fazer uma escolha política: assumir a agenda das concessões e PPPs como prioridade estratégica, e não como alternativa secundária
Outubro de 2026 abrirá um novo ciclo eleitoral. O País escolherá presidente e governadores cujos mandatos se estenderão até o fim desta década e o quadro fiscal que esses mandatários herdarão não admite ilusões. A combinação de dívida crescente, rigidez orçamentária e demanda social reprimida torna inviável financiar grandes investimentos em infraestrutura exclusivamente pelo erário. A pergunta, portanto, não é se o setor privado deve participar – é como fazê-lo com mais inteligência, velocidade e equidade.
O arcabouço jurídico brasileiro nessa frente é, reconheça-se, sofisticado. A Lei n.º 8.987/1995, que disciplina as concessões comuns, e a Lei n.º 11.079/2004, que instituiu as parcerias público-privadas (PPPs) nas modalidades patrocinada e administrativa, formam um sistema normativo que resistiu ao tempo, à inflação legislativa e às tentações do intervencionismo. A Lei n.º 13.448/2017, ao disciplinar prorrogações e relicitações, demonstrou maturidade institucional ao reconhecer que contratos mal estruturados podem ser corrigidos, sem que isso signifique abandono do modelo nem premiação do fracasso.
E o modelo entregou. A concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, em 2012, transformou terminais deteriorados em infraestruturas de padrão internacional; Confins, em Minas, saiu do colapso operacional para figurar entre os mais bem avaliados do País. Em São Paulo, linhas de metrô e da CPTM operam concedidas, o saneamento da Região Metropolitana foi equacionado por PPPs e a concessão de parques estaduais – iniciada pelo Horto Florestal – mostrou que o modelo é aplicável até onde o imaginário coletivo menos esperava: a preservação ambiental.
Talvez o exemplo mais inovador e menos celebrado esteja na Bahia. A PPP de Diagnóstico por Imagem do Estado completou, em 2026, 11 anos. É a primeira e única do gênero no Brasil. Viabilizou aos pacientes do SUS o acesso a ressonância magnética, tomografia computadorizada e outros exames de alta complexidade, em unidades da rede estadual, com padrão de qualidade e tempo de entrega que a gestão direta nunca havia garantido de forma sistemática. Onze anos de contrato cumprido são a resposta mais eloquente aos que tratam as PPPs na saúde como aventura arriscada ou ideologicamente inconveniente. É, em verdade, prova de que o modelo, quando bem estruturado, serve sobretudo ao cidadão que depende, exclusivamente, do sistema público.
Seria, contudo, desonesto ignorar as disfunções. Contratos mal modelados, com matrizes de risco assimétricas que transferem ao parceiro público riscos que o privado seria mais apto a gerir, têm resultado em relicitações custosas e em litígios arbitrais que consomem anos e recursos. Nessa linha, a subestimação da demanda em projetos de mobilidade, por exemplo, gerou desequilíbrios financeiros corrigidos por aditivos onerosos ao erário. E a ausência de agências reguladoras estaduais, com autonomia e capacidade técnica real, é um obstáculo estrutural. Sem regulador independente, a PPP converte-se em instrumento de captura – seja pelo poder concedente, seja pelo concessionário.
Há, ainda, um problema de cultura institucional. A licitação de PPPs exige equipes de estruturação com conhecimentos multidisciplinares – direito, engenharia, finanças, gestão de riscos – de que o funcionalismo, cronicamente subinvestido em capacitação, raramente dispõe. Delegar a modelagem ao próprio mercado, sem contrapartida de expertise interna apta a supervisioná-la, é transferir ao contratado a prerrogativa de definir os limites do próprio contrato. Configura-se, no plano jurídico, autêntico conflito de interesses.
O que os novos governos precisam fazer é, antes de tudo, uma escolha política: assumir a agenda das concessões e PPPs como prioridade estratégica, e não como alternativa secundária. Isso significa constituir, nos primeiros cem dias de mandato, estruturas de governança dedicadas – nos moldes do Programa de Parcerias de Investimentos federal, instituído pela Lei n.º 13.334/2016 – com mandato claro para entregar projetos estruturados em prazos definidos.
É preciso, em segundo lugar, investir em modelagem de qualidade. Estudos de viabilidade malfeitos convertem-se, mais cedo ou mais tarde, em passivo diferido. A terceirização da estruturação a consultorias especializadas, acompanhada de supervisão técnica interna e mecanismos transparentes de validação, é caminho legítimo – e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com seu programa de Estruturação de Projetos, já oferece suporte a Estados e municípios que merece ser amplificado.
A terceira frente, e a mais urgente, é fortalecer a capacidade regulatória. Agências com autonomia funcional, orçamentária e de pessoal são condição sine qua non para que o contrato de PPP seja respeitado ao longo de seus 20, 30 ou 40 anos de vigência. Sem regulador competente, parceiro privado sério não aceita o risco de uma relação tão longa. E os que aceitam, o fazem porque já calcularam como extrair rendas nos pontos cegos do contrato.
Por fim, é indispensável ampliar a transparência e o controle social. O cidadão que paga pedágio ou tarifa de saneamento tem o direito de acompanhar, em linguagem acessível, quais obrigações de investimento foram cumpridas e que indicadores de qualidade estão sendo atingidos. Publicidade não é apenas valor democrático; é, no longo prazo, o mais eficiente mecanismo de prevenção de conflitos contratuais.
O Brasil não precisa reinventar a roda das parcerias público-privadas. Precisa girá-la com consistência, sem recuar diante da primeira turbulência fiscal ou do primeiro ciclo eleitoral adverso. Os eleitores de outubro merecem saber, antes de votar, quais candidatos têm projetos concretos nessa direção. E os eleitos, a partir de janeiro, terão a obrigação de cumpri-los.
Monitor Digital - RJ 09/06/2026
Entrou em vigor nesta segunda-feira as novas regras do Programa Brasil Soberano. Agora, um número maior de empresas poderá solicitar linhas de crédito do programa. O Governo Federal reduziu de 5% para 1% o percentual mínimo de impacto no faturamento exigido. As mudanças foram anunciadas na última semana, mas passaram a valer hoje.
Com a medida, empresas exportadoras e fornecedores afetados pelas tarifas impostas pelos EUA ou pelos impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio poderão acessar os financiamentos mesmo com perdas menores de receita.
A ampliação beneficia dos grupos 1 e 3 do Plano Brasil Soberano: exportadores de bens industriais e fornecedores afetados pelas tarifas impostas pelos EUA (grupo 1); e exportadores industriais e fornecedores com operações em países do Oriente Médio impactados pelos conflitos na região (grupo 3).
Para ter acesso ao crédito, as empresas desses grupos precisarão comprovar que as exportações representaram ao menos 1% do faturamento bruto no período de referência. Antes, o limite mínimo exigido era de 5%.
No caso do grupo 1, as perdas no faturamento deverão ser comparadas com os 12 meses de 1º de julho de 2024 a 30 de junho de 2025. Para o grupo 3, a apuração deve ser comparada com os 12 meses de 1º de janeiro de 2025 a 31 de dezembro de 2025.
Entre os setores contemplados pelo primeiro grupo estão aço, cobre, alumínio, automotivo e moveleiro.
A portaria não altera as regras do terceiro grupo do programa, formado por setores considerados estratégicos para a economia brasileira.
Entre eles estão têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e equipamentos, eletrônicos e informática, borracha e plástico, equipamentos de transporte e minerais críticos.
As empresas dos grupos 1 e 3 poderão consultar a elegibilidade a partir desta quinta-feira, por meio da plataforma Gov.br, utilizando certificado digital. Já as empresas do segundo grupo devem verificar se a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) registrada no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) está entre os contemplados pela regulamentação.
O Plano Brasil Soberano oferece financiamento para capital de giro, produção destinada à exportação, aquisição de máquinas e equipamentos, ampliação da capacidade produtiva, inovação tecnológica e adaptação de produtos, serviços e processos.
Indústria sobe 0,7%, mas tarifaço de Trump freia retomada
“Mesmo acima do esperado, avanço da indústria não muda quadro de perda de tração, com juros altos, crédito caro e risco externo pressionando câmbio, investimento e retomada produtiva”. A opinião é de André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Segundo ele, “o tarifaço de Trump pode prejudicar setores específicos da indústria brasileira, especialmente aço, alumínio, carne bovina, calçados e têxteis, que não estão na lista de isenções da Seção 301.”
“A tarifa pressiona o câmbio, eleva o prêmio de risco país e desacelera o fluxo estrangeiro, o que se transforma em inflação importada e em mais pressão para o Banco Central manter juros altos por mais tempo. No fim, o efeito é cumulativo, uma indústria que perde fôlego internamente e ainda recebe pressão externa, em um cenário em que o ciclo de retomada estrutural depende de previsibilidade fiscal e de relação bilateral construtiva com os EUA”, diz.
Já para Valdir Piran Jr. CEO da Intra, a proposta de tarifa dos EUA adiciona uma camada adicional de incerteza.
“Mesmo dependendo de consulta pública e negociação, seus efeitos podem aparecer antes da implementação, por meio de maior cautela nos investimentos, aumento da percepção de risco e seletividade no crédito. A indústria mostra resiliência, mas ainda opera em um ambiente que exige disciplina financeira, governança e capacidade de adaptação.”
O Estado de S.Paulo - SP 09/06/2026
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela 13.ª semana consecutiva, de 5,09% para 5,11%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.
Considerando apenas as 56 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana aumentou de 5,09% para 5,17%.
A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,02% para 4,03%. Um mês antes, era de 4,00%. Considerando apenas as 55 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a estimativa seguiu em 4,00%.
A mediana do Focus para a inflação de 2028 oscilou de 3,66% para 3,65%. Um mês antes, era de 3,64%. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 40ª semana consecutiva.
A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) para cima na última reunião. O colegiado prevê alta de 4,6% para o IPCA em 2026 e 3,5% em 2027.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Juros
A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%. Há um mês, era de 13,00%. Considerando só as 52 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também aumentou de 13,25% para 13,50%.
A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 subiu de 11,25% para 11,50%. Um mês atrás, era de 11,25%. Levando em conta apenas as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana aumentou de 11,25% para 11,75%.
O Copom do BC já promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas duas primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,50% ao ano. Mas alertou, na ata da sua última reunião, que a magnitude e duração do ciclo vão ser determinadas ao longo do tempo, à medida que houver novas informações sobre o conflito.
O Copom destacou que segue “cautela e serenidade” na condução da política monetária, para que os seus próximos passos possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos, além dos seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços.
A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,00% pela 20.ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela 5.ª semana consecutiva.
PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 oscilou de 1,90% para 1,91%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 39 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa aumentou de 1,90% para 1,98%.
O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.
A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 seguiu em 1,70% pela segunda semana seguida. Há um mês, era de 1,76%. Levando em conta apenas as 38 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária caiu de 1,78% para 1,70%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 117.ª e 64.ª semana seguida, respectivamente.
Dólar
A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,16 para R$ 5,15. Um mês antes, era de R$ 5,20.
Considerando apenas as 39 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária subiu de R$ 5,10 para R$ 5,20.
A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,30.
A projeção para o fim de 2028 seguiu em R$ 5,30. Há um mês, era R$ 5,35. Já a estimativa para 2029 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,35, depois de quatro semanas de estabilidade.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
Infomoney - SP 09/06/2026
O governo Lula conta com uma reunião por videoconferência nesta semana com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir as novas tarifas ao país. Devem participar os ministros Marcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
O encontro seria dentro do grupo de trabalho que foi acertado na reunião de 7 de maio na Casa Branca entre os presidentes Luiz Lula Inácio da Silva e Donald Trump para discutir questões tarifárias.
Na quarta-feira da semana passada, Vieira conversou com Greer à margem da reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.
— Conversamos, ele disse que estavam tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu disse que é do nosso interesse manter conversas sobretudo depois dos anúncios, dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a seção 301.Ele disse que estava pronto para continuar a conversa e que sempre o diálogo tinha sido muito bom — disse o ministro das Relações Exteriores.
N a semana passada, os EUA divulgaram dois relatórios sobre investigações conduzidas com base na Seção 301, da Lei de Comércio. Na primeira delas, anunciada na terça-feira, o governo Trump sugeriu um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, em um processo sobre práticas comerciais que considera desleais, que vai do uso do Pix, passando por questões de propriedade intelectual, a decisões judiciais e desmatamento. O relatório pondera que determinados atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos EUA com o país.
Restrições à carne brasileira: governo Lula intensifica conversas com União Europeia
Medida atingirá, em setembro, categorias como bovinos, aves, aquicultura, mel e tripas
No dia seguinte, Washington anunciou a proposta de uma tarifa de até 12,5% a 60 países por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado”, o que significaria que o Brasil, por exemplo, não impede a entrada de produtos no país que desrespeitam essas regras. O relatório também aponta irregularidades no país em segmentos específicos.
O movimento foi interpretado por economistas e especialistas em comércio exterior como uma tentativa de Trump de reerguer seu “muro tarifário” depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou em fevereiro as taxas de importações que haviam sido anunciadas pelo republicano em 2025.
Integrantes do governo brasileiro avaliam que será mais fácil reverter, por meio de negociações com autoridades americanas, a eventual taxação de 25% sobre produtos brasileiros do que a de 12,5% anunciada nesta quarta-feira.
O entendimento é que, como a sugestão de taxação relativa a trabalho forçado atinge países inclusive alinhados aos Estados Unidos como a Argentina, seria difícil obter um acordo para livrar o Brasil. Há ainda um entendimento que o governo Trump usa essa taxação para recompor sua política tarifária após a decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano de derrubá-las.
Essa taxação relacionada ao trabalho forçado, porém, pode servir de argumento nas negociações para impedir a aplicação da tarifa de 25%. Na mesa de negociação, os representantes do governo podem dizer que o país já está submetido à tarifa de 12,5% e não precisaria de uma nova taxação.
CNN Brasil - SP 09/06/2026
Um estudo realizado pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo) afirma que, caso as novas tarifas propostas contra produtos brasileiros entrem em vigor, o Brasil poderá perder até US$ 9,5 bilhões em exportações industriais.
Ainda de acordo com o levantamento, as medidas podem retirar entre R$ 15 bilhões e R$ 38 bilhões do consumo das famílias em 2026 e reduzir o crescimento do PIB brasileiro em até 0,6 ponto percentual.
Enquanto isso, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) tem trabalhado, quando procurado por empresários, para negar que qualquer prejuízo já tenha sido calculado.
No Ministério da Fazenda, a ordem também é dizer que “tudo ainda está em aberto” e que é preciso calma antes de qualquer alarde numérico, principalmente em relação ao Produto Interno Bruto.
No Itamaraty, o entendimento é parecido. Fontes acreditam que, desta vez, a tarifa de 25% pode trazer uma perda menor de competitividade na comparação com o que pode vir para outros países.
Dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que, em 2025, as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos diminuíram em 4,2% em comparação com 2024.
As confederações estaduais também têm pedido maior clareza por parte do governo brasileiro e uma melhor diplomacia com norte-americanos.
Diário do Comércio - MG 09/06/2026
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela 13ª semana consecutiva, de 5,09% para 5,11%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.
Considerando apenas as 56 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana aumentou de 5,09% para 5,17%.
A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,02% para 4,03%. Um mês antes, era de 4,00%. Considerando apenas as 55 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a estimativa seguiu em 4,00%.
A mediana do Focus para a inflação de 2028 oscilou de 3,66% para 3,65%. Um mês antes, era de 3,64%. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 40ª semana consecutiva.
A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) para cima na última reunião. O colegiado prevê alta de 4,6% para o IPCA em 2026 e 3,5% em 2027.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Valor - SP 09/06/2026
Segundo analistas da consultoria Baocheng Futures, o consumo de aço está desacelerando após níveis elevados, enquanto a redução das margens das siderúrgicas continua pesando sobre a demanda
O preço do minério de ferro iniciou a semana em queda na China, mantendo a trajetória de desvalorização observada nos últimos pregões.
O contrato futuro do minério com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em baixa de 0,78%, cotado a 759 yuans (US$ 112,1).
Segundo analistas da consultoria Baocheng Futures, a cotação do minério está pressionada por um desequilíbrio na balança de oferta e demanda.
O consumo de aço pelos setores está desacelerando após níveis elevados, enquanto a redução das margens das siderúrgicas continua pesando sobre a demanda, afirmam.
Os estoques voltaram a crescer, enquanto a alta dos preços do carvão metalúrgico e do coque está remodelando a distribuição dos lucros ao longo da cadeia de produção do aço, acrescentando pressão adicional sobre o minério de ferro.
O Estado de S.Paulo - SP 09/06/2026
Auge do álcool combustível, crise do carro a álcool, motores flex, carros elétricos importados e, mais recentemente, elétricos fabricados no Brasil. Sim, os proprietários de veículos no país já passaram por várias etapas em relação ao combustível de seus carros. Os veículos elétricos, porém, parecem ter vindo para ficar, mesmo com o aumento dos impostos de importação.
Em julho, voltará a valer a tarifa cheia - 35% - para carros elétricos importados. A mudança decorre do lobby das montadoras instaladas no Brasil - representadas pela Anfavea -, e do argumento de que a medida acelerará a fabricação local. A tarifa mais elevada valerá para modelos importados de carros elétricos (com bateria elétrica recarregável), híbridos plug-in (à combustão e com bateria elétrica recarregável) e híbridos convencionais (com motores a combustão e elétrico em operação conjunta).
Não ouso projetar o futuro dos combustíveis automotivos, porque certamente as pesquisas por sucedâneos dos combustíveis fósseis (gasolina e diesel) vai continuar.O etanol, biocombustível que poderia ser muito mais utilizado no Brasil, padece das leis de mercado. Como a cana-de-açúcar é o principal insumo utilizado no mercado nacional, e pode gerar tanto açúcar quanto álcool, depende muito das cotações do açúcar em termos mundiais. Por essa razão, encher o tanque com álcool, só se justifica em meia dúzia de estados brasileiros, em função da proximidade das usinas produtoras.
E esse dilema - gastar mais e poluir menos, ou gastar menos e poluir mais - deverá continuar, até que seja possível (não sei se será algum dia) aumentar a eficiência energética do etanol em relação a gasolina. Até agora, o etanol rende cerca de 30% a menos do que o combustível fóssil.
O governo federal pretende elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32). Sustenta que testes comprovam a viabilidade da medida. Cabe atenção, contudo, aos estados que dependem da produção em outras unidades da federação para ter etanol, devido ao custo do frete.
Enfim, fica claro que o mercado dos combustíveis automotivos jamais sairá da pauta dos governos, dos cientistas, dos fabricantes e dos consumidores.
A Guerra Estados Unidos e Israel x Irã tumultuou de vez o mercado mundial de petróleo, não somente pelos entraves à produção iraniana e de países vizinhos no Oriente Médio, mas também pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, pelo qual trafega cerca de um terço da produção mundial de petróleo.
Opinião por Cláudio Considera
É ex-presidente do conselho da Proteste Associação de Consumidores e professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi titular da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), chefe de Contas Nacionais do IBGE e diretor de Pesquisa do Ipea.
CNN Brasil - SP 09/06/2026
O mercado automotivo da China voltou a enfraquecer em maio, com a alta dos preços do petróleo reduzindo a demanda por carros a gasolina e favorecendo veículos elétricos e híbridos plug-in, que alcançaram participação recorde nas vendas de veículos novos.
As vendas no varejo de automóveis de passeio caíram 22,1% em maio ante igual mês do ano passado, para 1,51 milhão de unidades, informou nesta segunda-feira (8) a CPCA (Associação de Carros de Passageiros da China, em inglês).
Elétricos e híbridos responderam por uma fatia recorde de 62,9% das vendas, embora as vendas no varejo de veículos de nova energia tenham recuado 7,5%, para 950 mil unidades.
Os números evidenciam a continuidade da demanda doméstica fraca no maior mercado automotivo do mundo, após anos de crescimento acelerado e competição intensa.
Segundo a CPCA, a perda de fôlego no mercado interno foi influenciada principalmente pelo salto nas cotações do petróleo, que enfraqueceu o apetite por veículos movidos a combustíveis fósseis.
Na comparação mensal, porém, houve melhora. As vendas totais no varejo de automóveis de passeio subiram 9,2% em relação a abril.
A campanha do governo contra a concorrência excessiva via preços ajudou a estabilizar as promoções e reduziu o incentivo para que consumidores adiassem compras à espera de descontos ainda maiores.
A demanda também recebeu leve impulso do Salão do Automóvel de Pequim, no fim de abril, informou a entidade.
Com a concorrência acirrada e a demanda interna desaquecida, as montadoras chinesas continuaram a acelerar a expansão no exterior.
A China exportou 784 mil veículos em maio, com os veículos de nova energia respondendo por uma fatia recorde de 54% do total exportado, segundo a CPCA.
No mesmo mês, a Tesla exportou 38.701 unidades produzidas em sua fábrica de Xangai e vendeu 85.982 veículos para compradores chineses.
Para junho, a CPCA prevê recuperação moderada em relação a maio, apoiada por esforços das montadoras para elevar as vendas antes do fechamento do semestre e por um dia útil a mais na comparação anual.
Ainda assim, o crescimento deve seguir contido, já que o consumo cauteloso, condições mais rígidas de financiamento de veículos e preços elevados de combustíveis tendem a continuar pressionando a demanda.
Automotive Business - SP 09/06/2026
A Volkswagen Caminhões (VWCO) vendeu cerca de 150 ônibus na esteira do Move Brasil. O desempenho levou a companhia a vislumbrar um horizonte otimista em termos comerciais: quer encerrar o ano com mil unidades vendidas por meio do programa federal de socorro à indústria.
Venderemos mais de mil ônibus. O programa serviu para antecipar os negócios que ocorreriam durante a Lat.Bus, disse Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas, na segunda-feira, 8.
A Lat.Bus é o principal evento do setor de ônibus e ocorrerá este ano em agosto, em São Paulo (SP). As montadoras depositam nele a esperança de aumentar os volumes de vendas do ano no segmento. A VWCO é uma delas.
Fecharemos o ano com resultados próximos aos de 2025 não só em ônibus, mas também com volume semelhante em caminhões porque, apesar da queda na venda de pesados, o momento é favorável à distribuição urbana, disse Alouche.
O executivo estima que os recursos do Move Brasil, R$ 21 bilhões, vão durar até o fim de julho ou início de agosto. A montadora vendeu mais de 3 mil caminhões e ônibus na soma das duas fases do programa.
Chassis de ônibus elétricos serão novidade na Lat.Bus
E por falar em Lat.Bus, a VWCO antecipou na segunda-feira algumas novidades que serão apresentadas por lá. Serão dois novos chassis de ônibus elétricos, e-Volksbus 18H e e-Volksbus 22H, com 18 e 22 toneladas de Peso Bruto Total respectivamente.
A autonomia é de 250 quilômetros. Ambos utilizam baterias com capacidade de 385 kWh, com carregamento em até 1h30. O motor tem 280 quilowatts, equivalentes a 380 cavalos.
Outro lançamento guardado é o painel de instrumentos digital para toda a linha Volksbus, que será oferecido como um item opcional. Ele tem tela de 10 polegadas e mais de 80 funcionalidades.
O Estado de S.Paulo - SP 09/06/2026
A Volkswagen começa a mostrar como pretende responder à nova fase da eletrificação no Brasil. Ciro Possobom, CEO da montadora, afirmou que a empresa vê espaço para diferentes soluções no mercado, inclusive pela possibilidade de modelos movidos exclusivamente a etanol.
Em entrevista, o executivo foi questionado sobre o avanço de algumas fabricantes em versões abastecidas apenas com etanol. De acordo com Possobom, a solução pode fazer sentido “se tiver alguma vantagem ao cliente”. Ele ainda defendeu o combustível renovável como uma alternativa relevante para o país.
“Eu acho que pode ser interessante, depende da proposta. Pode ser interessante para o cliente. Por que não? O etanol é um combustível do futuro”, afirmou Possobom ao site Automotive Business.
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A fala mostra que a Volkswagen não deve restringir sua estratégia brasileira apenas aos carros híbridos e elétricos. A marca, das pioneiras na tecnologia flex no Brasil em parceria com a Bosch, ainda vê no etanol uma solução competitiva dentro da realidade local.
Híbridos flex serão prioridade
Possobom reforçou que, a partir de 2026, todo veículo desenvolvido pela Volkswagen no Brasil terá algum tipo de eletrificação. Isso não significa, porém, que todos terão o mesmo sistema. A estratégia será definida de acordo com o posicionamento de cada produto.
O executivo citou híbridos leves, híbridos plenos e híbridos plug-in como possibilidades dentro do portfólio. Segundo Possobom, o tipo de sistema dependerá do preço do carro e do perfil de uso do consumidor.
O CEO da Volkswagen usou o Tera como exemplo. Para ele, não faria sentido aplicar um sistema híbrido plug-in em um SUV de entrada, pois isso elevaria muito o preço final. O executivo citou que um carro na faixa de R$ 120 mil poderia saltar para algo próximo de R$ 170 mil com uma tecnologia desse tipo.
Em resumo, isso indica que modelos de entrada devem receber soluções mais simples e baratas, como sistemas híbridos leves. Já produtos maiores e mais caros adotarão tecnologias mais sofisticadas, como híbridos plenos ou plug-in.
O caminho mais provável para a Volkswagen no Brasil é uma eletrificação gradual, com foco inicial em soluções híbridas flex. A própria marca já trabalha na nova plataforma MQB37 HEV, que será usada em futuros modelos nacionais eletrificados.
Novos BEVs no radar da Volkswagen
Apesar da defesa do etanol e dos híbridos flex, a Volkswagen também prepara novidades entre os carros 100% elétricos. Possobom lembrou que a marca já vende no Brasil o ID.4 e o ID. Buzz, mas afirmou que “muito mais coisas” estão a caminho.
A chegada de novos BEVs ao Brasil, porém, ainda depende de fatores como preço, câmbio, escala e infraestrutura de recarga. Possobom destacou que o País ainda tem uma deficiência grande nesse ponto, o que reforça a aposta da Volkswagen em híbridos flex como uma solução mais adequada para o consumidor brasileiro no momento.
Outro ponto tratado pelo CEO foi a localização de componentes eletrificados. Segundo Possobom, a produção local depende principalmente de escala. E no caso dos veículos eletrificados o maior desafio é a bateria.
O executivo afirmou que produzir células de bateria é um processo complexo e que, no curto prazo, uma alternativa mais plausível seria importar as células e montar o conjunto no Brasil. Mesmo assim, isso só faria sentido com volume suficiente para garantir competitividade.
Estratégia para segurar as chinesas
A estratégia da Volkswagen também ocorre em meio ao avanço das marcas chinesas no Brasil. Possobom admitiu que a velocidade da ascensão das fabricantes do país asiático surpreendeu as montadoras tradicionais, especialmente pela combinação entre eletrificação, custo competitivo e rapidez de desenvolvimento.
Ainda assim, o executivo defendeu que a Volkswagen tem força de marca, rede, escala industrial e histórico local para competir. Na entrevista, lembrou que a fabricante de origem alemã tem 73 anos de operação no Brasil, índice de localização de 85% e mais de 850 fornecedores diretos.
A marca também vive um momento de crescimento comercial. Segundo Possobom, a Volkswagen praticamente dobrou suas vendas desde 2023 e tem a ambição de superar a marca de 500 mil veículos vendidos na região em 2026.
CNN Brasil - SP 09/06/2026
O governo federal decidiu priorizar a obra do Ferroanel de São Paulo como um projeto estruturante de ampliação da malha ferroviária no país, facilitando a interligação dos trens provenientes do interior paulista aos portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Esse novo desenho do mapa logístico no Sudeste busca não só evitar uma travessia cada vez mais demorada e custosa da região metropolitana de São Paulo, onde trens de cargas e de passageiros disputam janelas horárias, mas também estimular opções efetivas de escoamento ao Porto de Santos -- que está sobrecarregado e à beira da saturação para movimentar contêineres.
Orçado atualmente em até R$ 6 bilhões, dependendo da solução escolhida, o Ferroanel de São Paulo foi idealizado na década de 1960 e nunca saiu do papel.
Ele prevê um contorno de pouco mais de 50 quilômetros pelo norte da capital paulista e com parte do traçado seguindo em paralelo ao Rodoanel Norte, onde já existe espaço reservado na faixa de domínio para a passagens dos trens e viadutos estão sendo construídos prevendo a eventual instalação de trilhos no futuro.
A estatal Infra S.A. já tem pronto um projeto básico de engenharia e o ministro dos Transportes, George Santoro, acredita que a obra poderia ser executada em um período de quatro a cinco anos.
À CNN, Santoro explicou que duas alternativas são estudadas neste momento para viabilizar o Ferroanel de São Paulo.
O vencedor da nova concessão da Malha Oeste, que deve ser leiloada no último trimestre de 2026, ficaria responsável pela construção mediante um reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Um aditivo contratual à concessão da MRS Logística, que foi renovada até 2056 no governo Jair Bolsonaro (PL). Uma das exigências à época foi segregar as linhas de carga e os trilhos usados pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Agora, a obra do Ferroanel de São Paulo poderia ser incluída, também mediante reequilíbrio (extensão de prazo da concessão). Malha Oeste
O plano de outorga para a concessão da Malha Oeste foi aprovado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) em maio e o Ministério dos Transportes deverá enviar seus estudos nos próximos dias para análise do TCU (Tribunal de Contas da União).
Ainda operada pela Rumo, que optou por não renovar sua concessão, a "nova" Malha Oeste é um projeto com 1.593 quilômetros de extensão e 57 anos de contrato.
O modelo do leilão, no entanto, tem uma inovação importante. Ao setor privado será oferecida a possibilidade de assumir o corredor completo (Corumbá/MS-Mairinque/SP), um trecho pouco menor (Corumbá/MS-Bauru/SP) e ou apenas o menos extenso deles (Corumbá/MS-Três Lagoas/MS).
"Temos segurança de que haverá proposta", diz Santoro, referindo-se ao interesse do mercado em pelo menos um dos trechos leiloados.
Uma das opções do governo é, ao assinar o contrato com a futura concessionária da Malha Oeste, incumbi-la de fazer o EVTEA (estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental) do Ferroanel de São Paulo.
A obra também ficaria sob responsabilidade da nova concessionária, que teria um reequilíbrio da concessão. Haveria a possibilidade de recursos do OGU (Orçamento Geral da União) ou de investimentos cruzados, por meio de contas vinculadas de outras concessões.
MRS
A outra alternativa é o aditivo à concessão da MRS Logística. Uma vantagem dessa opção, segundo Santoro, seria uma economia em torno de R$ 2 bilhões no projeto do Ferroanel de São Paulo por conta de sinergias com as obras já em andamento pela empresa -- responsável pela Malha Sudeste (que passa por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro).
Em 2022, ao renovar sua concessão até 2056, a União deixou de incluir entre suas exigências a construção do ferroanel diante do custo do empreendimento. Acabou optando, como contrapartida, pela segregação das vias entre cargas e passageiros nos arredores da capital paulista.
Mediante um reequilíbrio contratual, a MRS poderia ficar parcialmente desonerada da obrigação de segregar essas e investir no ferroanel, mas esse cenário desperta preocupações na TIC Trens -- o futuro trem de média velocidade entre São Paulo e Campinas.
É um desenho em que a MRS também livraria orçamento e assumiria outro empreendimento, o contorno ferroviário de Barra do Piraí (RJ), um nó logístico que hoje dificulta a passagem de trens entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
EF-118
Todo esse planejamento, afirma o ministro, busca permitir que cargas oriundas do interior paulista possam considerar outras possibilidades de escoamento além do Porto de Santos (SP).
Santoro tem a convicção de que apenas criando rotas alternativas, com ferrovias diferentes competindo entre si, será possível baixar significativamente o frete.
A ideia no governo é que, pegando o ferroanel e contornando a região metropolitana, as cargas poderão seguir mais facilmente em direção aos portos do Rio de Janeiro, Itaguaí (RJ) e Açu (RJ).
Os trens carregando grãos, minério, celulose e contêineres poderão percorrer os trilhos da MRS no estado do Rio, mas a construção da EF-118 será crucial para ampliar as possibilidades de acesso.
Conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste, a EF-118 está atualmente em análise no TCU. O Ministério dos Transportes quer leiloá-la ainda em 2026.
A ferrovia deverá receber R$ 6,6 bilhões de investimentos -- com aportes cruzados de R$ 4,1 bilhões provenientes do pagamento de outorga de outras concessões -- em sua fase de implantação.
Na primeira etapa, ela terá 246 quilômetros entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ). Poderá, no futuro, ser estendida até Nova Iguaçu (RJ).
Se isso ocorrer, acredita Santoro, haverá interligação completa dos trens vindos de São Paulo -- com cargas da Malha Oeste, Malha Paulista, Malha Central (antiga Norte-Sul), FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), MRS -- com uma ampla gama de portos em toda a região Sudeste, incluindo até mesmo o Espírito Santo.
CNN Brasil - SP 09/06/2026
Projetos considerados estratégicos para a infraestrutura e logística brasileira enfrentam atrasos por impasses ambientais, disputas judiciais e dificuldades de diálogo com populações indígenas e comunidades tradicionais.
Entre os empreendimentos afetados estão a Ferrogrão, a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), a repavimentação da BR-319, a concessão da Hidrovia do Tapajós e a derrocagem do Pedral do Lourenço.
Uma das principais reclamações do setor de infraestrutura é a demora para obtenção de licenças ambientais. Procurado pela reportagem, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) afirmou que adota medidas para garantir eficiência nos processos, mas destacou que “a celeridade dos processos está diretamente associada às questões afetas à qualidade dos projetos, judiciais e obrigações dos empreendedores”.
Mesmo enfrentando obstáculos relevantes para tirar as obras do papel, em maio, o governo federal conseguiu avançar em alguns desses projetos. No STF (Supremo Tribunal Federal), houve o reconhecimento da constitucionalidade da lei que mudou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para viabilizar a construção da Ferrogrão.
Nesse sentido, o Ministério dos Transportes também conseguiu finalizar a licitação dos quatro lotes para repavimentar o “trecho do meio” da BR-319 e afirmou, naquele momento, que esses contratos seriam homologados até o final da primeira semana de junho.
Procurada, ao final deste prazo, a pasta afirmou que “até junho todas as licitações estarão concluídas e com ordem de serviço”. O primeiro lote já foi homologado e a ordem de serviço foi assinada no final de maio com a presença do presidente Lula.
De acordo com o ministério, o segundo lote terá a ordem de serviço assinada na próxima semana, enquanto os contratos dos demais trechos serão firmados até 15 de junho. Com isso, a expectativa é que todos os quatro lotes do “trecho do meio” estejam em obras até o final deste mês.
Protestos
Outro impasse recente envolveu a concessão da Hidrovia do Tapajós. Durante a COP30, o governo federal se comprometeu com lideranças indígenas a realizar consultas previstas seguindo as orientações da Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que determina consultas livres, prévias e informadas em projetos que afetem populações tradicionais.
Segundo apurou a CNN, essas consultas poderiam chegar a um custo de R$ 30 milhões aos cofres públicos, o que poderia inviabilizar o projeto. O valor elevado está relacionado à necessidade de contratar organizações especializadas para conduzir as oitivas, com domínio da língua e dos costumes das comunidades indígenas afetadas.
Porém, esse acordo realizado na COP30 gerou conflitos após indígenas associarem serviços de manutenção de dragagem do rio ao processo de concessão da hidrovia. Esse movimento causou protestos, que chegaram a atingir um terminal da Cargill no Pará.
Após a repercussão, o governo decidiu revogar o decreto do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) que permitia a concessão da hidrovia do Tapajós e outros dois projetos hidroviários (Rio Madeira e Rio Tocantins). Agentes do setor avaliam que a decisão gerou insegurança regulatória e pode atrasar o cronograma das concessões.
Procurado, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que os estudos técnicos seguem em andamento e que a primeira fase deve ser concluída no segundo semestre de 2026.
A pasta também informou que mantém articulação com o Ministério dos Povos Indígenas, Ibama, Secretaria-Geral da Presidência e Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), “sempre se guiando pela transparência e o diálogo com as populações das áreas abrangidas pelo empreendimento”.
Novo cronograma
A obra de derrocagem do Pedral do Lourenço, no Pará, também enfrenta atrasos relacionados a discussões ambientais e diálogo com comunidades locais. Segundo apurou a reportagem, o empreendimento aguarda manifestação do Ministério Público para avanço das próximas etapas.
Recentemente, o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, afirmou que o projeto não encontrou novos questionamentos judiciais, que a expectativa é instalar o canteiro de obras no segundo semestre e que as detonações previstas devem ficar para 2027.
O cronograma foi alterado desde o início de maio, quando a previsão era implementar o canteiro de obras até o final do mês e iniciar as intervenções piloto em julho.
À reportagem, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que trabalha para garantir o avanço “responsável e tecnicamente estruturado” da obra e declarou que mantém diálogo institucional com comunidades locais, lideranças e órgãos ambientais.
Por sua vez, o Ibama informou que o empreendimento possui Licença de Instalação desde maio de 2025 e que o projeto está em fase de implantação.
Entre os principais pontos acompanhados pelo órgão estão impactos sobre fauna aquática, atividade pesqueira, comunidades ribeirinhas e programas de compensação socioambiental.
A ex-presidente do Ibama, Suely Araújo, que atualmente está como coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, afirmou que ficou pouco claro como o processo de licitação iria abranger as questões ambientais do Tapajós.
Afirmou ainda que a região é “muito sensível do ponto de vista ecológico”, e conta com um grande volume de terras indígenas, que podem ser afetadas com a licitação. Além disso, Araújo mencionou que há impactos ambientais para a dragagem que também não foram levados em consideração.
Prejuízos para outros projetos
A Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) também enfrenta dificuldades relacionadas a questões ambientais e conflitos com populações indígenas. A ferrovia deveria ser construída pela Vale dentro do acordo de renovação antecipada das concessões ferroviárias da companhia.
A empresa, porém, informou ao governo que não consegue executar o trecho entre Água Boa (MT) e Cocalinho (MT), com cerca de 100 quilômetros, por entraves ambientais, relacionados às comunidades indígenas.
Diante disso, a mineradora propôs devolver o trecho ao governo mediante indenização. Porém, pelo acordo, o valor que seria repassado ao poder público seria de R$ 2 bilhões, enquanto o custo estimado para concluir o trecho supera os R$ 3,5 bilhões.
Na última semana, a Infra S.A. fez mais uma rodada de conversas com lideranças do povo Xavante, que é afetado pela construção deste trecho da ferrovia. Desde o início do ano, a autarquia tem se reunido com as comunidades impactadas pela Fico. Até o momento foram realizados encontros com representantes dos territórios indígenas Pimentel Barbosa, Marechal Rondon e Parabubure.
Nos bastidores, há um entendimento de que, caso a construção fique sob responsabilidade da União, o trecho corre risco de não ser executado por falta de recursos públicos.
No entanto, a definição de quem será o responsável pela construção da ferrovia está travando não só o início das obras, mas também a conclusão da repactuação contratual entre o governo e a Vale.
Além disso, a conclusão dessa malha é considerada estratégica para viabilizar outros projetos ferroviários planejados pelo Ministério dos Transportes.
Procurado, o Ibama informou que o empreendimento possui Licença de Instalação válida até setembro de 2026 para o trecho entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT) - traçado completo do corredor - e afirmou que o projeto segue em conformidade com as condicionantes ambientais estabelecidas.
TN Petróleo - RJ 09/06/2026
Nos últimos meses, o Governo Federal realizou investimentos para projetos ligados à construção de embarcações, modernização de estaleiros, expansão portuária e fortalecimento da navegação nacional. O Ministério de Portos e Aeroportos registra que, somente em 2025, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou mais de R$ 29,5 bilhões em investimentos para esses projetos em todo o país.
Esse investimento no avanço em infraestrutura portuária, indústria naval e logística marítima no Brasil abre uma nova janela de oportunidades para empresas que atuam diretamente na cadeia operacional do setor offshore. A movimentação reflete a disparada da demanda impulsionada pelo setor de óleo e gás, especialmente em operações offshore ligadas ao pré-sal e aos projetos de águas profundas da Petrobras.
As oportunidades se estendem para além dos polos tradicionais do Sudeste e Sul, contemplando também o Nordeste, que se torna mais relevante na cadeia offshore nacional a cada trimestre. Dados da Agência Gov mostram que foram destinados R$ 7,1 bilhões para iniciativas de construção naval, reparos, modernização de estaleiros e geração de mais de 10 mil empregos diretos na região.
Em paralelo, a Petrobras retoma suas operações offshore de grande porte, especialmente nos campos de águas profundas e ultra profundas, que exigem uma cadeia de suporte marítimo altamente especializada. A estatal vem ampliando frentes estratégicas como o programa "Águas Profundas", voltado ao amadurecimento da exploração offshore em áreas cada vez mais complexas, e iniciativas ligadas ao Programa Mar Aberto, que incentivam a expansão logística, operacional e tecnológica da atividade marítima brasileira.
O crescimento dessas operações no país aumenta a necessidade de uma infraestrutura portuária moderna, apoio naval especializado e fornecedores preparados para atender operações de alta complexidade.
Investir para crescer
Para o CEO da Maritime Ship Service, Thiago Nascimento, o momento representa uma transformação estrutural no setor marítimo brasileiro.
"A indústria naval brasileira está vivendo uma retomada importante, impulsionada pelos investimentos em infraestrutura portuária e pelas operações offshore em águas profundas. Isso exige novos equipamentos e embarcações, e também eficiência operacional, capacidade logística e fornecedores preparados para atender um mercado cada vez mais técnico e dinâmico", afirma.
Segundo Thiago, desde os grandes terminais até as empresas responsáveis pelo suporte operacional diário das embarcações, o fortalecimento da infraestrutura naval tem impacto direto em toda a cadeia marítima.
"Quando o país investe em expansão portuária, modernização de terminais e crescimento da frota, toda a indústria se movimenta. A cadeia de suprimentos marítimos passa a ter um papel ainda mais crucial dentro da operação, porque existe uma demanda maior por agilidade, previsibilidade logística e excelência no atendimento offshore. É um desenvolvimento que sem dúvida abre oportunidades para todo o Brasil", destaca.
Integrar para avançar
Com atuação consolidada no Nordeste – e ampliação projetada para todo o Brasil – e excelência no atendimento offshore, a Maritime Ship Service acompanha o avanço do setor como parte de um novo ciclo da navegação e da indústria marítima brasileira. A expectativa é que a demanda por operações logísticas cada vez mais conectadas cresça. Ao mesmo tempo, projetos ligados às operações em águas profundas e ao fortalecimento do modal aquático devem integrar ainda mais as diferentes regiões do país.
"A tendência é que o Brasil obtenha cada vez mais relevância no cenário offshore mundial. E junto com esse crescimento, será fundamental investir em infraestrutura naval, qualificação técnica e integração logística entre portos, operadores e fornecedores especializados aqui dentro. O papel estratégico do Nordeste no setor marítimo aumenta, e a região deve ganhar ainda mais protagonismo nos próximos anos", acrescenta Thiago Nascimento.
Os investimentos recentes revelam um Brasil que voltou seus olhos para o mar como caminho de crescimento, força e eixo de desenvolvimento econômico e logístico. Neste cenário, desenha-se um movimento que ultrapassa fronteiras e reforça o papel fundamental da navegação nacional para o progresso do Brasil.
Infomoney - SP 09/06/2026
A União Europeia anunciou na segunda-feira que impôs sanções a dois indivíduos iranianos e a uma unidade da Guarda Revolucionária Islâmica por ameaçarem a liberdade de tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
A medida marcou a primeira vez que o bloco utilizou novos poderes para sancionar o Irã por restringir a liberdade de navegação.
A UE informou em comunicado que havia adicionado o Comando Provincial de Hormozgan da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) à sua lista de sanções, bem como Mohammad Akbarzadeh e Hamid Hosseini.
Segundo a nota, Akbarzadeh é vice-comandante para Assuntos Políticos da Marinha do IRGC e Hosseini é representante da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã.
O Irã tomou medidas para fechar o Estreito de Ormuz após o início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
Irã fecha aeroportos enquanto conflito com Israel se intensifica
A agência semioficial Fars informou ainda que todos os aeroportos localizados no oeste do Irã foram fechados por tempo indeterminado
“As ações do Irã são inaceitáveis. Em resposta, os Estados membros aprovaram sanções contra entidades e indivíduos iranianos envolvidos na interrupção do trânsito pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Kaja Kallas, chefe da política externa da UE, anteriormente em uma coletiva de imprensa no Chipre.
“Esta é a primeira vez que a UE aplica seu novo regime de liberdade de navegação e, quando necessário, vamos aplicá-lo novamente”, acrescentou Kallas.
Valor - SP 09/06/2026
Segundo o Comando Central americano, um caça F/A-18 Super Hornet disparou uma munição de precisão contra as áreas de propulsão e direção da embarcação M/T Marivex, de bandeira de Palau
Forças dos Estados Unidos incapacitaram nesta segunda-feira (8) um petroleiro sem carga no Golfo de Omã depois que a embarcação tentou seguir para um porto iraniano em violação ao bloqueio em vigor contra o Irã, informou o Exército americano.
O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou em uma publicação na rede X que o navio M/T Marivex, de bandeira de Palau, navegava por águas internacionais do Golfo de Omã em direção ao Irã quando foi interceptado.
Segundo o Centcom, um caça F/A-18 Super Hornet baseado no porta-aviões USS Abraham Lincoln disparou uma munição de precisão contra as áreas de propulsão e direção da embarcação após a tripulação se recusar a cumprir instruções das forças americanas.
“O Marivex não está mais navegando para o Irã”, afirmou o comando.
O Ministério dos Transportes Marítimos da Índia informou que havia 24 tripulantes indianos a bordo do petroleiro. Segundo o governo, foi registrado um incêndio na embarcação, mas todos os marinheiros estão em segurança.
“Estamos coordenando com o Ministério das Relações Exteriores, nossas missões diplomáticas no exterior, a Marinha da Índia e o Ministério da Defesa para garantir a segurança deles”, disse Opesh Kumar Sharma, diretor do Ministério dos Portos e Navegação da Índia, durante entrevista coletiva.
Anteriormente, Sharma havia identificado o navio como registrado em Madagascar.
O bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos começou em abril, após o Irã restringir severamente a navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para transporte de petróleo e gás natural.
O Centcom afirma que as restrições se aplicam a embarcações que se dirigem ao Irã ou deixam portos iranianos, mas não a navios que utilizam o estreito para destinos em outros países.
Uma fonte indiana com conhecimento direto do assunto disse à Reuters que o Marivex já havia sido sancionado anteriormente pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão do Tesouro dos EUA responsável pela aplicação de sanções econômicas.
Desde fevereiro de 2025, o Ofac impôs sanções a cerca de mil indivíduos, embarcações e aeronaves ligados ao Irã como parte da campanha de “pressão máxima” contra redes iranianas de evasão de sanções, lavagem de dinheiro e financiamento paralelo.
Segundo a fonte, o navio recuou em três ocasiões após sucessivos alertas da Marinha americana, mas voltou a tentar ultrapassar o bloqueio nesta segunda-feira utilizando águas territoriais de Omã.
A embaixada da Índia em Omã informou que seus representantes estão em contato com as autoridades omanenses para acompanhar o resgate e garantir a segurança dos marinheiros.
A fonte afirmou à Reuters que todos os tripulantes foram resgatados com o apoio das autoridades de Omã.
Money Times - SP 09/06/2026
A Fitch Ratings revisou de neutra para positiva a perspectiva global do setor de petróleo e gás para 2026 e passou a projetar que o petróleo Brent ficará entre US$ 100 e US$ 110 por barril em junho e julho, diante do fechamento do Estreito de Ormuz, motivado pelo conflito no Oriente Médio.
A agência também elevou sua estimativa para a duração da interrupção da rota marítima, que agora deve se estender até o fim de julho.
Segundo a Fitch, as projeções revisadas consideram que o fechamento de Ormuz durará cerca de cinco meses, ante a estimativa anterior de um a dois meses. A expectativa é que a restrição da oferta mantenha os preços elevados no curto prazo, beneficiando as receitas e os lucros das empresas do setor.
Apesar da alta recente, a agência prevê uma correção dos preços após a reabertura da passagem. A expectativa é de que o Brent recue para cerca de US$ 70 por barril em setembro, nível mais alinhado aos fundamentos de oferta e demanda, embora ainda incorporando um prêmio residual de risco geopolítico.
A Fitch avalia que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) provavelmente elevará a produção até sua capacidade máxima para compensar os volumes perdidos durante o fechamento do estreito. Antes do conflito, a capacidade ociosa do grupo era estimada em 3,6 milhões de barris por dia.
A agência também mantém a avaliação de que a recuperação da produção será rápida após a reabertura de Ormuz, uma vez que não houve danos materiais à infraestrutura petrolífera da região. O petróleo armazenado em navios e estoques terrestres deverá ser comercializado primeiro, seguido pela retomada da produção interrompida.
No cenário-base da Fitch, o preço médio do Brent em 2026 será de US$ 87 por barril, acima da média efetiva de US$ 68 registrada em 2025. A agência pondera, contudo, que os preços anuais podem ser menores caso o bloqueio dure menos que o esperado ou mais altos se a interrupção se prolongar.
A Fitch também prevê que o mercado volte a registrar excesso de oferta no quarto trimestre de 2026, fator que deve contribuir para a queda dos preços após o período de maior tensão no Oriente Médio.
Money Times - SP 09/06/2026
A produção da PetroReconcavo (RECV3) recuou em maio de 2026, impactada principalmente por eventos não programados no Ativo Bahia. A companhia registrou produção média de 23,9 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), uma queda de 1,9% em relação a abril.
No Ativo Potiguar, a produção atingiu 12,4 mil boe/dia, alta de 0,4% na comparação mensal. A produção de petróleo foi de 7,7 mil barris por dia, enquanto a de gás natural alcançou 4,7 mil boe/dia.
A companhia atribuiu o avanço da produção de petróleo, que cresceu 2,8% frente a abril, aos projetos de workover realizados no campo de Livramento. O desempenho foi parcialmente compensado por falhas no fornecimento de energia elétrica por parte da concessionária.
Já a produção de gás natural caiu 3,3% no período, refletindo falhas em poços e o processo de estabilização de poços após o fluxo inicial decorrente de intervenções de workover.
Bahia pressiona resultado consolidado
No Ativo Bahia, a produção somou 11,5 mil boe/dia, queda de 4,3% em relação ao mês anterior. A produção de petróleo foi de 5,8 mil barris por dia e a de gás natural, de 5,7 mil boe/dia.
De acordo com a companhia, a produção de petróleo recuou 3,3% devido a falhas em poços e a eventos elétricos registrados no Polo Remanso, que impactaram significativamente a operação.
A produção de gás natural caiu 5,2% em maio, pressionada por paradas preventivas de manutenção na estação de compressão do Polo Miranga, além de falhas em poços de elevada produção de gás na mesma região.
Entregas permanecem estáveis
Apesar da queda na produção, as entregas totais permaneceram praticamente estáveis em maio. A PetroReconcavo reportou entregas de 710,3 mil boe no mês, ante 708,8 mil boe em abril.
As entregas de petróleo totalizaram 419,1 mil barris, enquanto as de gás natural somaram 291,2 mil boe.
Jornal de Brasília - DF 09/06/2026
O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, 8, após chegar a atingir US$ 98 no pico da sessão, conforme os mercados equilibram a escalada das tensões no Oriente Médio após a troca de ataques entre Israel e Irã.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para julho fechou em alta de 0,84% (US$ 0,76), a US$ 91,30 por barril.
O petróleo Brent para agosto, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 1,25% (US$ 1,16), a US$ 94,25 por barril.
A troca de ataques entre Israel e Irã nesta segunda-feira, após dois meses de trégua, levou o petróleo a disparar quase 5% na madrugada.
O governo do Irã acusou os Estados Unidos de participarem diretamente da ofensiva israelense contra o país e afirmou que Washington será responsabilizado por qualquer agravamento das tensões no Oriente Médio. As hostilidades levaram o governo iraniano a suspender as operações nos principais aeroportos de Teerã.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse estar suspendendo os ataques ao Irã por enquanto, mas reforçou que o Irã e o Hezbollah estão “mais fracos do que nunca” e que a guerra não acabou. Segundo a mídia israelense, a pausa nos ataques teria sido um pedido do presidente dos EUA, Donald Trump O líder americano disse que Irã e Israel buscavam chegar a um acordo de cessar-fogo e afirmou que as negociações dos EUA com o Irã para um acordo final estavam avançando.
Conforme o conflito se prolonga, a Fitch Ratings revisou de neutra para positiva a perspectiva global do setor de petróleo e gás para 2026 e passou a projetar que o petróleo Brent ficará entre US$ 100 e US$ 110 por barril em junho e julho, diante do fechamento do Estreito de Ormuz. No domingo, a Opep+ concordou em elevar a produção em cerca de 188 mil barris por dia em julho, marcando o quarto aumento mensal consecutivo.
Para analistas do Goldman Sachs, o choque provocado pelas tensões no Estreito de Ormuz gerou uma destruição de demanda global por petróleo entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia (mb/d) em abril, equivalente a uma queda de aproximadamente 4% a 5% do consumo mundial em comparação com um cenário sem conflito.
Jornal de Brasília - DF 09/06/2026
O agronegócio brasileiro, um dos pilares da estabilidade econômica do país, enfrenta hoje uma ameaça estrutural inédita, algo que pode redesenhar o comércio global nas próximas décadas.
O Brasil tem uma dependência crítica e concentrada do mercado chinês, que é o destino de 71% das exportações nacionais de soja e 54% da carne bovina. Sozinho, o país fornece mais de 60% de toda a oleaginosa importada por Pequim e cerca de 40% de sua carne.
No entanto, a China decidiu que essa dependência é um risco intolerável para sua segurança nacional e acionou um plano para reduzir suas compras externas. As medidas estão delineadas no recém-publicado 15º Plano Quinquenal chinês 2026-2030.
A projeção central é que a demanda chinesa por importação de soja caia 25% até 2030, o que representa um corte de 23,5 milhões de toneladas. O volume equivale a quase um terço de tudo o que o Brasil exportou para a China em 2024.
Sem outros compradores globais com escala suficiente para absorver tamanha oferta, o Brasil enfrenta o risco real de uma queda simultânea nos volumes e nos preços das commodities. Isso pode desvalorizar terras recém-convertidas e infraestruturas logísticas, que perderiam viabilidade econômica.
Uma mudança profunda na estratégia chinesa impulsiona essa transformação: o país passou a aplicar no campo o mesmo “manual industrial” que lhe garantiu a liderança global em painéis solares e veículos elétricos.
No 15º Plano Quinquenal, a segurança alimentar foi elevada à classificação de prioridade estratégica, equiparada à segurança energética e financeira.
O objetivo de Pequim é reverter também um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões (R$ 631,2 bilhões) mediante uma doutrina de “Alimentação Expandida”, com foco em resiliência soberana e autonomia tecnológica.
A China reconhece que a autossuficiência absoluta é impossível pela escassez de terra e água —possuindo apenas 8% das terras aráveis do mundo para 15% da população, mas busca uma “dependência segura” por meio da diversificação agressiva e inovação.
“Negar o tamanho dessas transformações pode ser muito nocivo, e não vemos um sentido de urgência no Brasil para enfrentar as novas diretrizes”, afirma Patricia Ellen, sócia e CEO no Brasil da Systemiq, consultoria internacional presente em países como Reino Unido, Alemanha e Indonésia que esmiuçou em recente relatório (“China’s Food Future”) os impactos dessas mudanças.
Para Ricardo Abramovay, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, embora a propriedade de terras na China seja estatal, há forte estímulo a investimentos privados e inovadores como cultivos e produção de proteína animal em estruturas verticais e próximas às cidades.
O plano prevê acesso a capital de baixo custo de bancos estatais. Inclui também subsídios direcionados e financiamento contínuo em pesquisa e desenvolvimento. Esse conjunto de medidas reduziria o risco nos estágios iniciais e o custo de fracassos.
Além disso, permitiria que as empresas investissem em escala antes que a viabilidade comercial fosse comprovada acelerando curvas de aprendizado e viabilizando a expansão da capacidade produtiva.
“Os líderes chineses têm convicção, pelo passado do país, de que um bom governo é o que garante boa alimentação. Querem replicar na área, agora que os chineses têm mais renda para comer melhor, o que realizaram no setor industrial”, afirma Abramovay.
De 1959 a 1961, a China enfrentou a chamada Grande Fome, causada pela combinação de fatores climáticos com as políticas econômicas e agrícolas fracassadas do programa “Grande Salto Adiante”, de Mao Tsé-Tung (1893-1976). Dezenas de milhões de pessoas morreram por inanição, em uma das maiores crises de fome da história mundial.
“As metas são concretas: produção de 725 milhões de toneladas de grãos por ano, mais que o dobro da produção brasileira; expansão de terras de alto padrão com irrigação e mecanização; sementes soberanas com biotecnologia em larga escala; mais seguro e crédito, e melhor infraestrutura no campo”, analisa Marcos Jank, coordenador do Núcleo Insper Agro Global.
Ele afirma, no entanto, que as projeções da Systemiq com base nos planos chineses podem ser vistas com ceticismo. “Sistemas agroalimentares são governados por biologia, agronomia e cultura, e são muito mais resistentes à transformação rápida do que painéis solares, baterias e veículos elétricos, setor em que o sucesso chinês foi enorme.”
Jank pondera que, enquanto o potencial de crescimento da oferta agrícola brasileira é enorme, o da China é limitado pela escassez de terras férteis e pelas restrições severas no uso de água. “Mas a prudência nos recomenda buscar outros mercados”, diz.
Procurado, o Ministério da Agricultura e Pecuária não comentou as novas diretrizes chinesas. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, estado líder na produção de grãos, também não se manifestou.
Os avanços tecnológicos que sustentam a guinada chinesa são acompanhados de números rigorosos. O governo acionou o plano “Ação de Capacidade de 50 Milhões de Toneladas”, que impõe metas de produtividade estritas às províncias para aumentar a produção doméstica de grãos até 2030.
Na área de biotecnologia, a China trata a segurança de sementes com a mesma importância estratégica dos semicondutores, aprovando a comercialização de variedades de milho e soja geneticamente modificados locais para elevar o rendimento por hectare entre 6% e 13%.
Outra frente decisiva é a reestruturação das fórmulas de ração animal. O governo determinou que a inclusão de farelo de soja caia de 14,5% para menos de 10% até 2030. A eficácia dessa medida já é visível em escala industrial: a gigante Muyuan Foods, maior produtora de suínos do mundo, reduziu sua inclusão de soja para apenas 5,7% em 2023, economizando 31 kg do grão por animal produzido.
Segundo Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama e diretor-executivo do Grupo Associado de Agricultura Sustentável, a China tem primazia na produção de aminoácidos (“tijolos” que constroem proteínas). “Isso permite aumentar o valor proteico de suas rações, e os chineses estão em pleno processo de escalar os volumes para tornar seu uso economicamente viável”, afirma.
A longo prazo, a China planeja deixar de ser o maior importador para se tornar um competidor global. Até 2040, o país projeta ser um exportador líquido de aves, laticínios, ovos e produtos aquáticos, forçando produtores tradicionais a enfrentar a concorrência chinesa.
Além disso, Pequim investe em biomanufatura, com bionegócios e proteínas alternativas (vegetais, fermentadas e cultivadas em laboratório) projetadas para atender de 35% a 55% da demanda doméstica por carne até 2050.
Nesse novo tabuleiro geopolítico, o agronegócio brasileiro ainda é considerado pela China como uma “garantia de subsistência real” a curto prazo, enquanto o agro dos EUA serve como “moeda de troca política”.
No entanto, com o aumento da autossuficiência tecnológica, a China terá o poder de elevar exigências ambientais, demandando produtos livres de desmatamento e com rastreabilidade total, alinhando-se a padrões similares aos da União Europeia.
Diário do Comércio - MG 09/06/2026
A terra barata e abundante do Brasil há muito tempo ajudou os agricultores do país a organizar fazendas vastas e de baixo custo, permitindo-lhes conquistar mercados de exportação dos agricultores dos EUA, prejudicados quando a China começou a trocar de fornecedores durante as guerras tarifárias do presidente Donald Trump.
Embora a área agrícola dos EUA não tenha crescido neste século, a do Brasil aumentou cerca de 50%, tornando-o uma potência agrícola. Mas a vantagem do país sul-americano está sendo testada à medida que a guerra entre os EUA e Israel com o Irã faz com que os preços dos fertilizantes disparem.
Cerca de um terço do fluxo mundial de fertilizantes foi engarrafado no Estreito de Ormuz desde o início da guerra. Os EUA produzem grande parte de seus próprios fertilizantes, mas o Brasil depende muito das importações, de modo que muitos de seus agricultores reduziram as compras de fertilizantes.
Mesmo que o conflito termine amanhã, os especialistas do setor dizem que os agricultores brasileiros estão em apuros. Eles já estão sobrecarregados com milhares de acres de terras agrícolas que produzem com retornos decrescentes ou até mesmo perdas. Muitos estão começando a acumular dívidas significativas.
Além disso, muitos agricultores dos EUA têm terras ricas o suficiente para produzir rendimentos decentes, mesmo que deixem de aplicar alguns fertilizantes durante um ano. Poucos agricultores brasileiros podem fazer isso.
A variação das estações de cultivo também é um problema. O plantio de primavera no Brasil começa em setembro e, portanto, seus agricultores estão atualmente expostos à alta dos preços dos fertilizantes. Os agricultores norte-americanos já haviam concluído a maior parte de suas compras quando a guerra começou.
Ao contrário de seus rivais norte-americanos, os agricultores brasileiros não contam com pacotes de subsídios generosos do governo.
“A lucratividade não existe”, disse Murilo Rabelo Martins Pereira, um agricultor do Estado de Goiás.
“Expansão é algo que todo mundo está revendo nesse momento.”
Pereira, 34 anos, cultiva soja, milho e tomate em uma área de 800 hectares. Ele disse que o aumento dos custos de produção torna muito arriscado expandir sua fazenda, embora tenha recebido ofertas para arrendar mais terras.
“Com certeza não veremos a mesma tendência” de crescimento agrícola no Brasil, disse Joana Colussi, economista agrícola da Universidade Purdue, natural do Brasil.
Ela espera que o crescimento seja interrompido, pelo menos temporariamente, à medida que os agricultores gastam mais em fertilizantes, combustível, sementes e outros insumos, e menos em expansão.
Crescimento histórico e importações de fertilizantes
O crescimento histórico da produção agrícola do Brasil começou em resposta à demanda crescente da China. Vastas áreas de pastagem foram convertidas para o cultivo de lavouras de soja e milho, colocando o Brasil e os EUA em concorrência direta.
Em geral, o Brasil tem se saído bem. As tarifas que Trump impôs à China durante seu primeiro e segundo mandato levaram Pequim a buscar fornecedores alternativos, e o Brasil foi um dos maiores vencedores.
Em 2000, as vendas de soja dos EUA para a China eram quase o dobro das vendas do Brasil. No final de 2025, a proporção se inverteu e o Brasil vendeu quase o dobro de soja para a China.
Para o plantio de 2026/27, a situação parece mais complicada, pois agricultores brasileiros têm enfrentado preços elevados de fertilizantes desde o início da guerra do Irã, no final de fevereiro.
“Os agricultores norte-americanos estão em uma situação melhor do que os brasileiros devido à sazonalidade”, disse Murphy Campbell, analista da Expana.
O Brasil depende muito da importação do fertilizante DAP, bem como de ureia nitrogenada, o fertilizante mais utilizado no mundo.
A Petrobras, produtora estatal de petróleo do Brasil, está reiniciando as operações em algumas fábricas de fertilizantes menos lucrativas que haviam sido desativadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela espera atender a 35% das necessidades de fertilizantes nitrogenados do país nos próximos anos.
Apesar dos altos custos dos fertilizantes, o preço que os agricultores podem cobrar pelo milho e pela soja aumentou relativamente pouco desde o início da guerra, pois as grandes colheitas dos últimos anos permitiram o acúmulo de estoques globais. Isso reduziu as margens dos agricultores em todo o mundo, principalmente daqueles que dependem da importação de fertilizantes.
Os produtores de soja do Brasil haviam comprado, no final de maio, cerca de 50% de suas necessidades totais de fertilizantes para 2026/27, disse Campbell, da Expana. Ele observou que, historicamente, “mais de 60% é reservado até o final de maio”.
Uma aplicação menor de fertilizantes significa rendimentos menores e lucros menores para os agricultores com dívidas crescentes.
“Eles estão superalavancados”, disse Bruno Fonseca, analista do Rabobank no Brasil, sobre os agricultores do país.
Espera-se que os preços dos fertilizantes permaneçam elevados por pelo menos seis meses, diante das tensões no Oriente Médio, de acordo com Campbell, da Expana.
Para Pereira, a perspectiva sombria significa a tomada de decisões difíceis à frente.
“Este ano a gente tinha planejado fazer a troca de colheitadeiras. Nós abortamos, olhamos o cenário e decidimos não fazer.”
CNN Brasil - SP 09/06/2026
O governo federal ampliou de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões os recursos destinados ao Move Agrícola, programa de financiamento para compra de máquinas e implementos agrícolas. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (8) pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, durante a abertura da 20 Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães.
Segundo Alckmin, os financiamentos já estão disponíveis no sistema bancário e poderão ser utilizados para aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros equipamentos agrícolas.
A linha oferece juros de 9,5% ao ano, um ano de carência e prazo de até cinco anos para pagamento.
Durante o evento, o vice-presidente também destacou a nova etapa do programa de renovação de frota para caminhões, ônibus e implementos rodoviários. A iniciativa contará com R$ 21 bilhões em crédito, sendo R$ 2 bilhões destinados à renovação de veículos e R$ 19 bilhões para aquisição de caminhões e implementos.
Segundo Alckmin, a primeira fase do programa teve os recursos contratados em cerca de 30 dias. O objetivo é renovar a frota nacional, melhorar a logística e aumentar a produtividade do transporte de cargas.
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