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12 de Junho de 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   12/06/2026

Ainda assim, setor aposta em novas medidas de defesa ao longo deste ano

Os dados da indústria brasileira de aço no mês de abril chamaram atenção quanto à queda nas importações, após um 2025 de entradas recorde. No quarto mês deste ano, a aquisição no exterior somou 363 mil toneladas, volume que representa um recuo de 33% na comparação anual e de cerca de 40% frente a março. A leitura do mercado é que a redução reflete os efeitos das medidas antidumping adotadas pelo governo federal, mas a dimensão desse movimento considerado positivo, para os próximos meses, ainda é incerta.

Para Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA, o movimento reflete os efeitos das iniciativas de proteção comercial, sobretudo em aço plano. “Depois de um primeiro trimestre mais forte, com antecipação de volumes, abril mostrou uma inflexão clara: a penetração do importado caiu de forma relevante e voltou para níveis mais próximos da média histórica. Em aços longos, o movimento também foi expressivo”, afirmou ao Valor.

Em relatórios, a instituição financeira já vinha destacando que a diminuição das exportações de países asiáticos (China e Coreia do Sul) estava aparecendo nos dados portuários desses países, e que a tendência era que isso se refletisse no Brasil com uma defasagem de três a quatro meses.

Neste contexto, ainda para o analista, a visão é que o decréscimo se apresente mais como uma tendência do que como um evento pontual. “O ponto principal aqui é que os dados de exportação de países como China e Coreia do Sul já sugeriam desaceleração dos embarques para o Brasil, e esse efeito costuma aparecer com alguma defasagem nas estatísticas locais. Esse ‘vácuo’ de produto importado chegando pode abrir espaço para reajustes de preço no mercado brasileiro e deixar o ambiente da indústria mais saudável ao longo dos próximos trimestres”, completou.

A visão foi referendada por empresas do próprio setor durante as teleconferências referentes aos resultados obtidos no primeiro trimestre. “No segundo e no terceiro trimestre, nós vamos ter, com certeza, uma demanda muito interessante por conta dessa queda brutal na importação. A China não chega mais no Brasil. Com as medidas que foram aplicadas corretamente pelo governo, de defesa comercial e de isonomia competitiva, não há a mínima possibilidade de chegar da China”, afirmou ainda em março o diretor executivo comercial da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Luis Fernando Martinez.

O presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, por sua vez, vê a situação com mais cautela. “A expectativa é que as importações realmente caiam, mas não nessa intensidade. Nós vamos aguardar para ver o mês de maio, porque pode ter ocorrido algum grau de antecipação nas importações”, ponderou.

Ele avalia que, apesar das medidas tomadas, é preciso fazer um monitoramento para que os importadores não usem outros códigos de identificação, o chamado NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), como alternativa para driblar as taxas aplicadas, para além de processos de antidumping ainda em andamento.

Os possíveis “dribles” dos importadores foram citados pela própria CSN na mesma teleconferência. “Ainda na questão de defesa comercial, a gente tem conversado muito sobre o cuidado com a questão de circunvenção, de desvio de comércio e de mudanças de NCMs para poder eventualmente reclassificar um item e não trazer com a tarifa”, afirmou o executivo da empresa em referência ao diálogo que vem sendo travado com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa.

De todo modo, a notícia é boa para o setor que, segundo Marco Polo, continua com a prioridade absoluta em retomar o mercado interno “sequestrado pelas importações predatórias em 2025”.

Neste contexto, ele aposta ainda em novas medidas nesta frente, como a extensão das iniciativas de proteção aos itens laminados a quente ainda este ano para além do reforço já realizado no fim de maio, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Mdic, estendeu a alíquota de 25% de Imposto de Importação para 23 tipos de aço. Anteriormente, eram 19 tipos atingidos pela taxação.

ECONOMIA

Infomoney - SP   12/06/2026

A inflação de maio, que será publicada nesta sexta-feira (12), deve apresentar variação em torno de 0,52% a 0,54%, na comparação com abril, de acordo com as projeções de bancos e corretoras de investimentos. A expectativa é que os preços dos combustíveis apontem desaceleração após pressão recente devido ao conflito no Oriente Médio. Apesar disso, o balanço deve seguir deteriorado, com aumento de preços em serviços e bens industrializados.

No IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, os dados também trouxeram alívio dos combustíveis, mas o acumulado de 12 meses já estourava o teto da meta de 4,5%, chegando em 4,64%.
Projeções para o IPCA de maio

A projeção da Bloomberg é de avanço de 0,53%. O Banco Daycoval estima que o IPCA de maio virá em 0,52%. Na XP, a projeção é de aumento de 0,54% no dado geral, e o ASA espera aumento de 0,55%.
O mercado espera que a média dos indicadores de inflação subjacente (que exclui itens voláteis) suba 0,45% em relação ao mês anterior e a de serviços subjacentes, 0,49%. Para a XP, a projeção é de 0,45% na inflação subjacente e de 0,53% para serviços subjacentes.

Caso a projeção da XP se concretize, a gestora estima que o ritmo recente da inflação estrutural — aquela que exclui preços voláteis como alimentos e energia — vai acelerar, passando de 5,2% para 5,4%.

Enquanto isso, a inflação estrutural do setor de serviços — anualizada a partir do ritmo dos últimos três meses — continuaria estacionada em um patamar de 6,1%.

O Daycoval aponta que o dado de maio deve ter reaceleração devido aos preços das passagens aéreas, alimentação fora do domicílio e itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho.

Em bens industriais, o Daycoval projeta desaceleração com deflação em etanol, automóveis novos e usados, eletrodomésticos e alta menor em vestuário.

A XP estima aumento de 3,4% nos preços de eletricidade após a ativação da bandeira tarifária amarela e dos ajustes dos distribuidores. Os preços da gasolina devem cair 2,2%, puxados pela queda no etanol anidro, de acordo com a gestora.

Energia, passagens e alimentos

O Daycoval aponta que, em maio, as altas devem vir dos preços de energia elétrica, passagens aéreas e alimentos, especialmente itens in natura, leite, arroz e carnes vermelhas.

A XP destaca que as estimativas de preços e os índices oficiais estão divergindo quanto ao aumento nos gastos com alimentação fora de casa. O IPC-Fipe, por exemplo, apontou deflação, mas a XP projeta aumento de 0,56% frente ao aumento recente nos preços de alimentos. No consumo doméstico, a projeção é de elevação de 1,7%, puxado por alimentos frescos e carne bovina, contra desaceleração em laticínios, que haviam subido 6% no mês passado e, agora, devem avançar 0,9%.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, o cenário ainda é preocupante para a inflação no curto prazo, em linha com o movimento observado nas revisões do Relatório Focus. Nesta semana, os dados apontaram projeção de aumento na inflação do ano, de 5,09% para 5,11%, além de uma leve revisão para cima do crescimento do PIB, de 1,90% para 1,91%.

O Estado de S.Paulo - SP   12/06/2026

As principais “pautas-bomba” em tramitação no Congresso Nacional podem ter um impacto de R$ 219,6 bilhões no próximo mandato presidencial, entre 2027 e 2030, de acordo com cálculos feitos pela XP Investimentos e obtidos pelo Estadão.

São propostas que estabelecem pisos salariais, instituem aposentadorias especiais para agentes de saúde e ampliam o teto do MEI e do Simples. A conta também contempla o projeto aprovado pelo Senado nesta quarta-feira, 10, de renegociação de dívidas de produtores rurais.

Nesse caso, o impacto principal é financeiro, com recursos que sairão do Fundo do Pré-Sal e de outros fundos constitucionais, que servirão de fonte para os novos financiamentos.

As propostas acenderam o alerta na equipe econômica, que intensificou a articulação no Congresso para tentar retardar a apreciação em plenário ou minimizar o impacto das medidas nas contas públicas.

Após a publicação da reportagem, o Ministério da Fazenda divulgou em nota que nove proposições em tramitação no Congresso representam, em conjunto, impacto fiscal estimado em R$ 111 bilhões por ano.

Nesta terça-feira, 9, o ministro da pasta, Dario Durigan, se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar negociar as pautas-bomba. No dia seguinte, porém, o senador pautou - mesmo sem acordo com o governo - a renegociação de dívidas rurais, que, segundo a Fazenda, teria um impacto de ao menos R$ 140 bilhões em dez anos – inicialmente, o efeito divulgado foi de R$ 817 bilhões em 13 anos.

Após a aprovação, Durigan disse que o custo fiscal da medida não é suportado pelas contas públicas e, por isso, eventualmente, se traduza em veto do presidente da República. “Se preciso, a gente vai questionar a eventual ação do Congresso, que não cumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal do Supremo Tribunal Federal, isso tudo a ser avaliado com rigor, com serenidade, com ampla comunicação, amplo diálogo com o Congresso”, indicou.

Em comum, os projetos em tramitação atendem a interesses de grupos específicos. Os custos, no entanto, são divididos para todo o País, avalia o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos.

“Todas essas demandas geram benefícios concentrados em determinados grupos com custos que são difusos, pagos por toda a sociedade. Isso leva a uma apropriação de parcela do Orçamento que, vale lembrar, hoje já é bastante pressionado”, afirmou.

Para o economista, essas propostas acabam abrindo espaço para que outros grupos pressionem o Congresso por mais benefícios. “Ao longo do tempo, outros grupos tendem a reivindicar tratamento similar, levando a um estrangulamento das contas públicas e à já conhecida rigidez orçamentária, que dificulta os ajustes necessários para a sustentabilidade fiscal”, completou.

Se aprovada, a proposta com impacto mais expressivo para o próximo governante será a ampliação do teto dos microempreendedores individuais (MEIs) e do Simples Nacional. O projeto de lei complementar, que tramita em comissão especial da Câmara dos Deputados, faz parte das negociações para aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Se o texto for aprovado pela Câmara, precisará passar por nova apreciação pelo Senado. Se isso acontecer neste ano, poderia vigorar já a partir de 2027.

De acordo com cálculos da XP, a ampliação teria um impacto de R$ 132 bilhões nos próximos quatro anos. A Fazenda estima um efeito de R$ 50 bilhões ao ano apenas com a correção do Simples Nacional, e de até R$ 5 bilhões como MEI.
Renegociação de dívidas rurais

O segundo maior impacto seria provocado pelo projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado, com efeito de R$ 60 bilhões de 2027 a 2030, segundo a XP, caso a Câmara mantenha o texto dos senadores.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) afirmou que vai atuar para garantir que o texto aprovado pelo Senado seja analisado com rapidez pela Câmara. Ele critica também os números do governo, após a pasta reduzir drasticamente a projeção de impacto da medida nesta quarta.

“O mínimo que se espera é clareza sobre os cálculos colocados no debate público. A proposta não é perdão de dívida, não é cheque em branco e não representa desembolso automático do Tesouro”, diz.

“Ela utiliza recursos de fundos constitucionais já existentes, superávit e mecanismos de garantia para permitir que o produtor pague suas dívidas dentro do prazo”, continua. “Quem acaba empurrando a solução para um impacto fiscal maior é o próprio governo, quando resiste ao uso de recursos já disponíveis e tenta transformar renegociação em despesa.”

O economista Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), enxerga uma série de problemas no projeto. Ele afirma que os impactos fiscais não estão devidamente mensurados na proposta, que o Tesouro será obrigado a arcar com o diferencial de juros e com o risco de inadimplência, que teriam impacto primário (ou seja, na meta fiscal), e que fundos constitucionais estão tendo seu propósito desvirtuado para socorrer o agro.

No projeto que pretende ampliar os limites do Simples e do MEI, Andrade avalia que a proposta vai na contramão do que o País precisa, pelo impacto que terá sobre o déficit da Previdência.

Pisos salariais e aposentadorias

No radar da equipe econômica também estão projetos que criam ou aumentam pisos salariais e fixam aposentadoria especial para categorias.

Nesta quarta, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata de regras para a contratação e aposentadoria das carreiras dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE). Já Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou um projeto de lei que eleva o salário mínimo profissional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3,6 mil para R$ 13,6 mil.

A XP calculou em R$ 28 bilhões em quatro anos o impacto desses dois projetos mais o que estabelece pisos para fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Já a Fazenda calcula um impacto de R$ 11,4 bilhões por ano apenas com os dois primeiros.

Na sessão de terça-feira, Alcolumbre criticou a quantidade de projetos que preveem pisos para diversas categorias. “Temos aqui, que já tramitaram na Câmara dos Deputados e que estão tramitando no Senado Federal, 30 projetos, entre proposta de emenda constitucional e projeto de lei, relacionados a piso salarial e remuneração”, disse, após o senador Fabiano Contarato (PT-ES) pedir a votação do piso nacional de garis.

“No ano de eleição, isso aqui é muito complexo, porque o que eu botar para votar, todo mundo vai votar ‘sim’ por conta da eleição, e vai ter que arrumar dez Brasis para pagar. E aí fica sendo eu o culpado que não quer dar um piso para o médico [...] O Brasil comporta isso? O Brasil vai resistir? As finanças públicas vão resistir?”, questionou.

Alcolumbre, porém, resolveu pautar no dia seguinte a renegociação de dívidas rurais com impacto bilionário mesmo sem consenso com o governo Lula.

“Num contexto de quadro fiscal bastante apertado, com o País sempre discutido a capacidade ou não de cumprir a meta fiscal, essas propostas são muito preocupantes. Estamos criando novas despesas sem fontes de financiamento”, pontuou Andrade, da IFI.

Veja - SP   12/06/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu uma declaração polêmica na quarta-feira 10, ao afirmar que “ama a inflação” em reação a um relatório econômico que deixou muita gente de cabelos em pé. O documento, divulgado no mesmo dia, indicou que o índice de preços ao consumidor relativo a maio subiu 4,2% comparado ao mesmo mês do ano anterior — o nível mais alto em três anos.

Com postura surpreendentemente otimista diante de tão preocupante notícia, Trump não descartou a crise do custo de vida como uma “farsa” criada pelos democratas, como já havia feito anteriormente, nem negou os dados apresentados. Em vez disso, o presidente americano elogiou os números.

“Sabe o que eu realmente amo?”, disse ele. “Eu amo a inflação.”

Não deve ser o que sentem os eleitores, uma vez que, às vésperas das midterms, eleições de meio de mandato que colocarão cruciais assentos do Congresso em jogo em novembro, as pesquisas de opinião apontam que a economia é a principal preocupação dos americanos. Eles, além disso, dão notas baixas à administração da Casa Branca nesse setor — má notícia para Trump, que foi eleito em 2024 com a promessa de acabar com a inflação.
Munição para democratas

Trump vem argumentando que os preços mais altos nos Estados Unidos são exclusivamente consequência da guerra com o Irã, que elevou os custos do petróleo. Na quarta-feira, o presidente anunciou que uma operação militar secreta transportou, segundo ele, 100 milhões de barris de petróleo pelo Estreito de Ormuz e prometeu que o alívio econômico chegará em breve. Segundo o republicano, a tal operação foi o motivo pelo qual o barril de Brent caiu para menos de US$ 90, depois de ultrapassar US$ 110 no início de abril.

Poucos minutos após a declaração polêmica diante das câmeras, porém, a oposição democrata correu para fazer uma espécie de exposed nas redes sociais.

“Trump realmente disse: ‘Eu amo a inflação’. Em frente às câmeras. Para toda a América ouvir”, publicou rapidamente o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, no X (ex-Twitter). “O desprezo dele por vocês não tem limites.”

Já o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, escreveu que, após a declaração do presidente sobre a inflação, “finalmente encontramos algo que Donald Trump ama tanto quanto a si mesmo”.

A deputada democrata Emilia Sykes, enquanto isso, pressionou o secretário de Energia, Chris Wright: durante uma audiência, provocou-o ao perguntar se ele também amava a inflação. O republicano respondeu inicialmente que “amaria acabar com a capacidade do Irã de ter uma arma nuclear”, dando a entender que os impactos da guerra no Oriente Médio valeriam a pena, mas depois admitiu que “preferiria uma inflação mais baixa”. Wright também minimizou a fala de Trump, afirmando que o chefe é apenas “um cara divertido e hiperbólico”.
Posição oficial

Em resposta ao relatório sobre a inflação, a Casa Branca destacou em nota que algumas despesas de maio caíram em relação a abril: o preço de veículos novos, medicamentos e seguros de automóveis, por exemplo. Mas quando o índice geral de inflação é comparado à variação dos salários por hora, há um sinal preocupante de que o poder de compra dos americanos em relação aos seus rendimentos diminuiu.

“O presidente Trump tem afirmado consistentemente que os preços do petróleo e do gás — e, portanto, a inflação geral — cairão drasticamente assim que a situação com o Irã for resolvida, e o governo continuará a impulsionar nossa agenda de preços acessíveis para permitir que os americanos conservem mais do dinheiro que ganham com tanto esforço”, disse o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, à agência de notícias The Associated Press.

Money Times - SP   12/06/2026

A inflação oficial deve perder força em maio, mas ainda permanecer em um patamar que mantém o Banco Central em estado de alerta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12), deve subir 0,55% em maio, segundo a mediana das projeções coletadas pela Broadcast. As estimativas do mercado variam entre altas de 0,46% e 0,75%.

A desaceleração esperada é atribuída principalmente à queda dos preços dos combustíveis e à perda de força da inflação de alimentos, dois grupos que vinham pressionando o índice nos últimos meses.

Para o ASA, a inflação deve registrar alta de 0,55% no período. “O IPCA de maio deve mostrar uma desaceleração na margem com dissipação do choque recente vindo do conflito no Oriente Médio, especialmente via deflação de combustíveis após pressão nos meses anteriores”, afirma Leonardo Costa, economista do ASA.

Apesar do alívio no índice cheio, o economista alerta que a composição da inflação continua desfavorável.

“Ainda assim, o balanço qualitativo da inflação segue deteriorado, com pressões persistentes em serviços e bens industrializados, reforçando um cenário preocupante para inflação no curto prazo”, diz.
Inflação acumulada deve acelerar

Embora a variação mensal deva perder força, o acumulado em 12 meses tende a mostrar uma aceleração.

A mediana das projeções do mercado aponta para uma inflação de 4,68% em 12 meses até maio, acima dos 4,39% registrados em abril. As estimativas variam entre 4,46% e 4,87%.

Caso a projeção se confirme, o indicador permanecerá acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%.

O movimento reforça a preocupação dos agentes financeiros com a persistência das pressões inflacionárias e ajuda a explicar as recentes revisões para cima das expectativas de inflação e juros observadas no Relatório Focus.
Prévia já acima da meta

Os investidores já tiveram uma amostra do comportamento dos preços em maio com a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial.

O indicador avançou 0,62% no mês, desacelerando em relação aos 0,89% registrados em abril. Ainda assim, o resultado ficou acima da expectativa do mercado, cuja mediana apontava para alta de 0,56%.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 acelerou para 4,64%, ante 4,37% no mês anterior, ultrapassando o teto da meta de inflação.

Além do número cheio, o mercado estará atento ao comportamento dos núcleos de inflação e dos preços de serviços, componentes considerados mais sensíveis para as decisões de política monetária. Uma eventual resistência desses grupos pode reforçar a percepção de que o processo de desinflação continua lento, mesmo diante do alívio recente observado em combustíveis e alimentos.

O Estado de S.Paulo - SP   12/06/2026

A guerra no Oriente Médio está desacelerando o crescimento econômico global neste ano para o ritmo mais fraco desde a pandemia da covid-19, de acordo com um relatório do Banco Mundial publicado nesta quinta-feira, 11, que revelou as consequências da alta vertiginosa dos preços da energia.

O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no final de fevereiro levou a uma interrupção prolongada do tráfego de cargas pelo Estreito de Ormuz, fazendo com que os preços do petróleo, do gás e dos fertilizantes oscilassem por meses. A interrupção nas cadeias de abastecimento globais alimentou uma nova onda de inflação, aumentando as expectativas de taxas de juros mais altas e de uma desaceleração da produção em todo o mundo.

O Banco Mundial reduziu suas projeções de crescimento em relação ao início deste ano, prevendo que o crescimento econômico desaceleraria para 2,5% em 2026, ante os 2,9% registrados em 2025. A instituição estimou que o crescimento poderia cair para 1,3% caso o conflito se intensificasse e as interrupções no abastecimento se prolongassem.

O conflito deu sinais de se intensificar nesta quinta-feira, quando o presidente Trump ameaçou novos ataques ao Irã e a tomada de controle de sua infraestrutura energética.

“Em algum momento, num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos da infraestrutura petrolífera, e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, da mesma forma que fizemos com a Venezuela”, escreveu Trump em uma postagem nas redes sociais.

Após mais de quatro anos de inflação persistente, a guerra está empurrando os preços para cima novamente. O Banco Mundial projeta que a inflação global subirá para 4% em 2026, ante 3,3% no ano passado. O aumento está sendo impulsionado por uma alta de 22% nos preços das commodities, que em janeiro eram esperados para cair.

O aumento dos preços na zona do euro levou o Banco Central Europeu a elevar as taxas de juros nesta quinta-feira, tornando-o o primeiro Banco Central do mundo a aumentar os custos de financiamento na esteira da guerra. A taxa de inflação na zona do euro foi de 3,2% em maio, impulsionada pelos preços mais altos da energia decorrentes do bloqueio do Estreito de Ormuz.

O Oriente Médio está sofrendo o impacto da desaceleração global, uma vez que a guerra impede as exportações de petróleo. A Europa também enfrenta dificuldades substanciais devido à sua dependência das importações de gás natural. Os preços elevados dos alimentos e a escassez de fertilizantes estão desacelerando o crescimento na África Subsaariana.

A economia dos EUA tem-se mostrado relativamente resiliente devido aos cortes de impostos, aos investimentos em inteligência artificial e à produção doméstica de petróleo. Apesar desses amortecedores, os Estados Unidos também enfrentam o aumento dos preços ao consumidor.

Na quarta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor revelou que a taxa anual de inflação subiu para 4,2% em maio. Esse valor representa um aumento em relação aos 2,4% registrados antes do início da guerra no Oriente Médio e é o ritmo mais acelerado desde abril de 2023.

O Banco Mundial afirmou que os formuladores de políticas precisam equilibrar seus objetivos de conter a inflação e apoiar o crescimento econômico. O banco alertou que a redução dos investimentos poderia levar a uma desaceleração nas contratações.

“O conflito afetou a atividade global, mas toda crise também traz uma oportunidade”, disse Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Grupo Banco Mundial. “Este momento deve ser aproveitado para fortalecer as estruturas de políticas, investir em infraestrutura, acelerar reformas que facilitem os negócios e mobilizar capital privado para apoiar a criação de empregos em grande escala.”

CNN Brasil - SP   12/06/2026

O ICE (Indicador de Clima Econômico) da América Latina caiu de 88,5 pontos no quarto trimestre de 2025 para 73 pontos para o primeiro trimestre de 2026, recuo de 15,5 pontos, apontou o levantamento feito pelo Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

O ICE do Brasil desceu de 88 pontos para 72,2 pontos no período, menos 15,8 pontos.

"Percebe-se que a piora dos indicadores, além de disseminada entre os diferentes países, engloba tanto a situação corrente como as perspectivas para o futuro próximo", aponta a FGV, no relatório da Sondagem da América Latina.

"Quase todos os países com respondentes ativos registraram uma piora do clima econômico, fato marcante dentre as principais economias da América Latina. O caso mais sensível foi o da Argentina, com o indicador saindo de 102,7 para 68,3 - uma piora de 34,4 pontos. Brasil, Colômbia e México também registraram uma piora de seus indicadores, por, respectivamente, 15,8, 13,1 e 8,2 pontos."

No ICE da América Latina, o ISA (Índice de Situação Atual) caiu 21,1 pontos, de 84,2 pontos no quarto trimestre de 2025 para 63,1 pontos no primeiro trimestre de 2026. O IE (Índice de Expectativas) reduziu 9,6 pontos, de 92,9 pontos para 83,3 pontos.

No ICE do Brasil, o ISA encolheu 33,3 pontos, para 77,8 pontos, enquanto o IE ficou estável (0,0 ponto) aos 66,7 pontos.

"É importante ter claro que a maior parte dos efeitos do choque externo ainda está por vir, não sendo captada, em toda sua intensidade, no início de 2026. Em ressaltado isso, vale discutir os específicos. No caso da Argentina, observou-se queda importante das projeções de crescimento econômico para 2026, em meio a uma piora da percepção institucional e aumento das projeções de inflação", explica a FGV

"Já no caso do Brasil, as projeções de crescimento anual pouco mudaram e o desempenho da economia, nos dados disponíveis para o início do ano, não sugeriu grandes mudanças. A piora no ISA brasileiro parece estar ligada a outros fatores, como um aumento da percepção de carestia (preços mais elevados), pressão sobre os orçamentos familiares e certa inércia institucional nos primeiros meses de 2026", pondera.

Infomoney - SP   12/06/2026

O mercado brasileiro de crédito privado começa a aparecer no radar de investidores estrangeiros. Enquanto as bolsas americanas oferecem retornos cada vez mais comprimidos e o crédito privado nos Estados Unidos sofre com a falta de liquidez, gestores internacionais passaram a bater à porta do Brasil em busca de alternativas.

Quem está de olho nesse movimento é Eduardo Alhadeff, sócio e gestor da estratégia de crédito da Ibiuna Investimentos — e ele tem boas razões para enxergar nessa entrada uma mudança de jogo.

Alhadeff descreveu dois episódios recentes que ilustram esse interesse crescente. No primeiro, um investidor americano especializado em crédito imobiliário estruturado, após percorrer os Estados Unidos e o México, pediu indicações para entrar no Brasil. No segundo, um grande fundo internacional com excesso de capital encontrou um impasse: a bolsa americana estava saturada demais para gerar retorno diferenciado, e o crédito privado lá fora era ilíquido em excesso.

A solução encontrada por esses gestores tem sido montar seguradoras em paraísos fiscais — geralmente em Bermuda — inspiradas no modelo que Warren Buffett construiu décadas atrás na Berkshire Hathaway, usando o balanço da seguradora para assumir riscos de crédito de longo prazo sem as restrições de liquidez dos fundos tradicionais.

O tema foi debatido no programa Stock Pickers, da InfoMoney, apresentado por Lucas Collazo. Na conversa, Alhadeff expôs a estratégia que tem guiado a gestão do fundo Ibiuna Credit nos últimos meses: paciência deliberada na alocação, seguida de compras oportunistas quando o mercado abriu brechas.

Desde meados de 2024, a Ibiuna vinha encurtando os prazos e elevando a qualidade dos papéis em carteira. A avaliação da equipe era de que o mercado de crédito local não estava remunerando adequadamente nem o risco de prazo nem o de crédito.

O resultado imediato foi um caixa elevado — em detrimento do retorno no curto prazo.

No começo de março deste ano, mais de 33% dos ativos do fundo estavam parados. Somando letras financeiras e debêntures curtas de empresas de infraestrutura, esse número chegava a quase 40%.

“A gente tenta não pegar a faca caindo — esperar a faca cair no chão para começar a investir”, explicou o gestor.

Com a correção ao longo do primeiro trimestre, a equipe montou uma lista de compras e passou a realocar gradualmente. Hoje, o caixa está em torno de 20%.

Bonds latino-americanos como diferencial

Uma marca da gestão da Ibiuna Crédito é a alocação em títulos corporativos de empresas latino-americanas emitidos no exterior — os chamados bonds —, sempre com proteção cambial.

Na prática, isso significa que o risco da variação do dólar é travado por meio de derivativos, de forma que a oscilação do câmbio não afete o cotista brasileiro.

A estratégia se mostrou eficiente ao longo de quase seis anos. Com uma exposição média de apenas 12% a 13% do patrimônio, essa parcela da carteira respondeu por 25% de todo o excesso de retorno gerado pelo fundo no período.

“Com um oitavo de exposição no fundo, gerei um quarto do alfa da carteira”, sintetizou Alhadeff.

Em 2024, posições em papéis de empresas argentinas como YPF e Pampa Energía — compradas quando pagavam mais de 10% ao ano em dólares, o equivalente a CDI mais quatro ou cinco pontos percentuais — surfaram a virada do cenário macroeconômico da Argentina após a eleição de Javier Milei.

México, Peru e Colômbia também já geraram oportunidades ao longo dos anos.
FIDCs ganham força e prometem mudar o mercado de crédito no Brasil Inteligência Artificial ainda engatinha nas empresas, diz gestor da IP Capital Território ainda doméstico

Se o capital estrangeiro chegar ao Brasil em volume, a competição no mercado de crédito local ficará mais acirrada.

Por ora, o espaço ainda é quase exclusivo dos gestores domésticos — e quem conhece as regras não escritas desse mercado ainda leva vantagem considerável.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   12/06/2026

Os futuros de minério de ferro caíram nesta quinta-feira, à medida que os embarques continuavam a aumentar em meio à fraca demanda por aço na China.

Os investidores também acompanhavam a agitação em torno da imposição de medidas antidumping no Reino Unido e na Índia.

O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China caiu 0,46%, a 764 iuanes (US$112,74) por tonelada.
Várias corretoras chinesas observaram que os embarques de minério de ferro estavam aumentando, mesmo que os estoques portuários provavelmente não sofressem uma redução significativa no curto prazo, com a fraqueza do consumo interno e um setor imobiliário em crise pesando sobre a demanda.

Algumas obras próximas a escolas na China também receberam instruções para interromper as atividades a fim de reduzir os incômodos causados pelo barulho durante os exames nacionais anuais de admissão à universidade “gaokao”, que acontecem de 7 a 10 de junho, segundo uma nota do Shanghai Metals Market.

O governo britânico está buscando opiniões do setor sobre seu novo regime de tarifas sobre o aço, após os usuários alertarem sobre os altos custos para seus negócios.

Separadamente, a Índia também está considerando a imposição de tarifas antidumping e outras medidas comerciais para coibir o dumping de aço.

Ambos os países estão, entre outras medidas, agindo para proteger os produtores nacionais ao desacelerar as importações de aço altamente subsidiado da China.

Valor - SP   12/06/2026

As votações ocorrem após meses de negociações com a empresa para fechar um acordo trabalhista, com os funcionários buscando melhorias salariais e nas condições de trabalho

Centenas de trabalhadores da BHP em Port Hedland, na Austrália Ocidental, votaram a favor da realização de uma greve, informaram os sindicatos que os representam nesta quinta-feira (11), aumentando o risco de interrupções nos embarques de minério de ferro de um dos maiores centros de exportação do mundo.

O Sindicato dos Trabalhadores Eletricistas informou que 100% de seus 100 membros que participaram da votação aprovaram paralisações com duração entre 30 minutos e 24 horas, que podem começar dentro de alguns dias.

Mais de 100 membros do Sindicato Australiano dos Trabalhadores da Indústria também votaram, com 89,4% favoráveis à realização de uma greve, disse um porta-voz.

As votações ocorrem após meses de negociações com a BHP, a maior mineradora de capital aberto do mundo, para fechar um acordo trabalhista, com os funcionários buscando melhorias salariais e nas condições de trabalho.

A BHP não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Monitor Digital - RJ   12/06/2026

A Vale S.A informou em fato relevante que atualizou o guidance (projeção) sobre o potencial de contribuição de sua subsidiária a Vale Base Metals Ltd. (VBM), que é voltada para a produção de minerais não ferrosos, incluindo as operações de níquel e cobre. O Ebitda consolidado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia no longo prazo passa a ser de aproximadamente 28%.

Sendo a Vale uma empresa de capital aberto no Brasil e nos EUA é comum atualizações de projeções. A crise geopolítica no Oriente Médio tem reflexo direto nos preços praticados pela empresa. Por exemplo, em março, a companhia acreditava que a subsidiária poderia responder por aproximadamente 30% a 35% do Ebitda consolidado a partir de 2035. Essa estimativa tinha como premissas principais, os preços de longo prazo de cobre, níquel e ouro, com base na média calculada por analistas sell-side, disponíveis em fevereiro de 2026; e as projeções de produção de minério de ferro, níquel e cobre no longo prazo.

Segundo a companhia, o novo Formulário de Referência com as atualizações será reapresentado. Não foi estipulado data. “Os resultados efetivos poderão diferir materialmente em função de condições de mercado, fatores macroeconômicos, desempenho operacional e outros riscos descritos nos documentos periódicos da companhia enviados à CVM e à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unido)”, disse Marcelo Feriozzi Bacci, vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores.

Em 12 de maio, a companhia informou ao mercado a atualização de suas projeções, as quais passam a contemplar: a variação do fluxo de caixa livre do segmento de soluções de minério de ferro em 2026, considerando as condições de mercado decorrentes do conflito no Oriente Médio; e as sensibilidades de EBITDA e de fluxo de caixa do segmento de Níquel da VBM.

Devido as condições de mercado observadas antes e depois do conflito no Oriente Médio, a Vale estimava então um incremento de aproximadamente US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre em 2026, composto por: aumento de cerca de US$ 1,2 bilhão no Ebitda do segmento; geração de aproximadamente US$ 425 milhões por meio de programas de hedge cambial e de combustível; e aumento de cerca de US$ 0,1 bilhão em investimentos de manutenção.

Foram considerados o cenário pré-conflito: preços médios de janeiro e fevereiro de 2026, aplicados ao ano de 2026: minério de ferro a US$ 102/t, Brent a US$ 67/bbl, bunker a US$ 490/t e câmbio BRL/USD de 5,27; e cenário pós-conflito: desempenho realizado entre janeiro e abril de 2026 e preços atuais (spot) aplicados ao período de maio a dezembro de 2026: minério de ferro a US$ 112/t, Brent a US$ 104/bbl, bunker a US$ 675/t e câmbio BRL/USD de 4,90.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   12/06/2026

Mais de 20 marcas chinesas de carros chegaram ao Brasil nos últimos três anos. No futuro próximo, no entanto, esse mercado vai passar desinchar. A previsão é de Igor Calvet, presidente da Anfavea, associação que representa as fabricantes de veículos instaladas no País. “Vão sobrar umas quatro ou cinco marcas chinesas. O resto vai morrer pelo caminho”.

O executivo concedeu entrevista exclusiva ao Jornal do Carro durante o Anfavea Visions na quarta-feira, 10. Ele lembra que a competição na indústria automotiva mundial virou um jogo para pouquíssimos e fortes players, já que o projeto de um único carro novo demanda investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões.

Segundo Calvet, o próprio governo chinês estimula a velha ideia darwinista de que só o mais forte vai sobreviver no mercado de carros elétricos e híbridos. “A BYD, por exemplo, já é uma grande vencedora na China e está consolidada globalmente. Agora resta ver quais serão os outros poucos grupos que vão conseguir permanecer de pé”, avalia.

O dirigente entende que o mercado automotivo como um todo deve seguir uma tendência global de fusões e aquisições nos próximos anos para dar conta dos investimentos massivos em novas tecnologias, como eletrificação e inteligência artificial. No Brasil, ele alerta que esse movimento de consolidação deve atingir em cheio, também, a cadeia de fornecedores locais.

‘Construir leva tempo, destruir é rápido’

Ainda que muitas empresas chinesas não sobrevivam no longo prazo, Calvet entende que a agressividade atual delas representa um risco para as marcas tradicionais instaladas no Brasil.

“Durante muito tempo fez sentido as montadoras produzirem carros no País, com uma cadeia produtiva longa por aqui. Agora, com novas marcas chegando e uma pressão de custo gigantesca, pode ser preciso repensar esse modelo de negócio”, diz. O resultado disso, aponta ele, pode ser uma debandada das fábricas instaladas no País.

O presidente da Anfavea lembra o caso da Austrália, onde a desindustrialização ocorreu em efeito dominó. O país, que chegou a fabricar quase meio milhão de veículos por ano, viu Ford, Holden (GM) e Toyota fecharem suas linhas de montagem locais em um intervalo de apenas quatro anos após o corte de subsídios do governo. Hoje, 100% dos carros vendidos ali são importados.

“A minha pergunta é: nós ainda seremos players relevantes?”, diz Calvet. Segundo ele, para sustentar a posição do Brasil como o sexto maior mercado automotivo e oitavo maior produtor de veículos do mundo, o País não pode abrir mão de sua estrutura industrial e de engenharia.

Se o modelo de negócio de produção nacional deixar de ser sustentável, esse movimento de fechamento de fábricas pode acontecer com velocidade assustadora. “Construir é difícil, destruir é muito rápido”, lembra Calvet, alertando que a decisão de matrizes estrangeiras de encerrarem operações no Brasil para proteger empregos em seus países de origem diante de uma crise local é um risco.
‘Inovar-Auto 2’ para salvar autopeças

Para o líder da Anfavea, a atual política automotiva do governo federal, o Mover, não é o bastante para conter o avanço dos importados e evitar o encolhimento da indústria brasileira. “Precisamos de um Inovar-Auto 2”, diz, em referência a uma continuidade do programa que vigorou no País entre 2013 e 2017.

“Precisamos de uma política pública muito mais potente, que não se limite a algumas taxações ou a um Imposto de Importação mais alto”, defende.

O foco principal desse socorro governamental deveria ser a oferta de financiamento barato e subsidiado para as empresas que integram a cadeia de fornecedores, opina. “Diferentemente das montadoras, que têm capital transnacional e sobrevivem com a ajuda do dinheiro da matriz, muitas empresas de autopeças têm um arranjo familiar no Brasil e menor capacidade de investimento. Elas não aguentam injetar bilhões a cada dois anos para mudar uma linha de produção.”

Com isso, Calvet aponta que esperar por uma “autorregulação” do mercado automotivo brasileiro é um caminho perigoso. Ainda que aconteça a projetada quebra de várias marcas chinesas nos próximos anos, a indústria local precisará de incentivos para sobreviver — principalmente quando se trata das empresas de autopeças genuinamente brasileiras.

Valor - SP   12/06/2026

Expectativa da Abraciclo para o ano é de alta de 4,4% nas exportações, somando 45 mil motocicletas

As montadoras mantiveram o ritmo de produção de motos em maio e o setor acumula alta de 10,1% no volume produzido nos cinco primeiros meses do ano na comparação anual, com 932,5 mil unidades.

Segundo números divulgados nesta quinta-feira (11) pela Abraciclo, associação que representa 11 fabricantes com linhas de produção no Polo Industrial de Manaus e que detêm cerca de 97% do mercado, somente em maio foram montadas 186,7 mil motocicletas, alta de 8,2% sobre o mesmo mês de 2025 e de 1,3% na comparação com abril de 2026.

Apesar do bom desempenho acumulado nos cinco primeiros meses do ano, a Abraciclo mantém a projeção para 2026 divulgada em janeiro. A entidade estima crescimento de 4,5% na produção este ano, atingindo 2,07 milhões de unidades montadas. Tradicionalmente, o segundo semestre apresenta maiores desafios ao setor, entre eles, a estiagem que afeta a região amazônica nos meses de setembro e outubro e que pode causar problemas no sistema de logística.

As motocicletas de baixa cilindrada (até 160 cc) lideram o mercado com 78,3% da produção (730,3 mil unidades), seguidas dos modelos de média cilindrada (17,1%) e de alta cilindrada (3,3%).

Vendas recordes

As vendas de motocicletas foram recorde tanto para o mês de maio quanto para o acumulado dos cinco primeiros meses. Entre janeiro e maio, foram emplacadas 980,1 mil unidades, alta de 15,3% na comparação com o mesmo período de 2025. Somente em maio foram licenciadas 197,7 mil motos, expansão de 2,2% na comparação anual.

A Abraciclo mantém a previsão de crescimento de 4,6% nos emplacamentos de motos neste ano, somando 2,3 milhões de unidades, também apresentada em janeiro.

Com 20 dias úteis, a média diária de emplacamentos em maio foi de 9.887 motos.

Exportações

As exportações de motocicletas continuam apresentando crescimento expressivo no ano, mas vale destacar que sobre uma base historicamente baixa. Em maio foram embarcadas 4.169 unidades, crescimento de 23,4% sobre o mesmo mês de 2025 e de 19,7% na comparação com abril.

No acumulado do ano, foram 19,1 mil motocicletas embarcadas, alta de 22,8% sobre os cinco primeiros meses de 2025. A expectativa da Abraciclo para o ano é de alta de 4,4% nas exportações, somando 45 mil motocicletas.

CNN Brasil - SP   12/06/2026

A indústria automotiva brasileira vive o início da sua transformação mais profunda desde a abertura das importações, na década de 1990. Pressionado pelas metas globais de descarbonização, o mercado nacional desenha um caminho próprio para a transição energética — uma estratégia que combina a eletrificação com os biocombustíveis.

Um dos grandes desafios das montadoras tradicionais agora é desmistificar e viabilizar a produção do carro elétrico, reduzindo custos e nacionalizando a tecnologia. O Presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, esclarece como a indústria está aprendendo e de que forma as novas plataformas, moldadas no mercado asiático, devem ditar o futuro de modelos consolidados no país.

Brasil x Mercado Global

Enquanto a Europa e a China avançaram rapidamente para a eletrificação pura, o mercado brasileiro adota uma postura mais tradicional em relação à redução de poluentes. A falta de uma infraestrutura de recarga robusta nas rodovias e a força histórica do agronegócio transformaram o etanol em um aliado estratégico.

Os objetivos da indústria nacional para o curto e médio prazo estão centrados na hibridização, combinando motores flex com baterias e deixando a eletrificação total para nichos específicos e frotas urbanas. No entanto, para que o carro 100% elétrico ganhe volume por aqui, o tempo e o custo de desenvolvimento precisam despencar. E é exatamente isso o que está acontecendo nos bastidores das matrizes globais.
A virada de chave

A primeira investida das montadoras tradicionais no mercado de elétricos foi marcada por altos investimentos e margens apertadas. De acordo com Possobom, essa fase de aprendizado foi dura, mas pavimentou o caminho para uma segunda geração de veículos muito mais competitiva.

“A primeira geração de elétricos da Volkswagen (ID.3, ID.4, ID.5, ID.6) foi feita com uma dificuldade maior de desenvolvimento e custo. E fechamos como o 3.º maior no mercado mundial de elétricos no ano passado. A transformação (entre a primeira e segunda geração de elétricos) com o ID.7, ID.8 e ID.9 é absurda, e com um custo muito diferente.” relembra o CEO.

Com o knowhow adquirido, plantas de produção especializadas já construídas e bases de arquiteturas elétricas no histórico, esta nova onda de elétricos mostra um potencial de desenvolvimento mais rápido, maior margem de lucro e menos obstáculos no meio do caminho.
O futuro dos nossos modelos

As filiais brasileiras das grandes montadoras globais precisam de um ponto de partida para a implementação do modelo elétrico no Brasil. As plataformas elétricas europeias foram desenhadas para um mercado de poder aquisitivo consideravelmente mais alto e rodovias melhor pavimentadas.

Para o Brasil, a conta simplesmente não fecha. Por outro lado, o mercado chinês desenvolveu soluções elétricas de baixo custo e alta escala que casam melhor com a realidade da América Latina.

Possobom ressalta que o avanço do portfólio será gradual e baseado no aprendizado contínuo:

“A Volkswagen vai lançar dezenas de carros nos próximos 2 anos. Então a indústria não dá super saltos, ela aprende. Essa segunda geração já é muito mais adaptada para o Brasil. Já estou pensando em como vou fazer a evolução do T-Cross, do Nivus. Eu vou pegar uma plataforma elétrica da Europa? Talvez não. Talvez eu pegue uma plataforma VW da China e a adapte à realidade do Brasil.”
O que podemos esperar do futuro próximo?

O cenário automotivo brasileiro para os próximos anos pode ser resumido em três grandes pilares:

Híbridos Flex: Automóveis que rodam a gasolina e etanol, muitas vezes com o motor a combustão servindo apenas de gerador para o sistema elétrico, barateando o acesso à tecnologia e reduzindo emissões imediatamente.
Etanol puro: Mesmo sem presença de eletrificação, colabora muito para a neutralidade de carbono da indústria e ainda conta com benefício fiscal, colaborando com o agronegócio brasileiro.
Plataformas modulares: Carros elétricos de entrada que contam com arquiteturas projetadas na China, reduzindo o preço de venda, introduzindo tecnologia e inovação e facilitando a manutenção local.

A indústria automotiva brasileira não dará um salto cego em direção ao veículo elétrico puro, mas usará o intervalo do etanol e da hibridização para preparar suas fábricas, fornecedores e concessionárias.

Valor - SP   12/06/2026

Com o Atto 2 DMi flex, a BYD faz sua estreia no segmento de mercado de maior volume, o dos SUVs compactos, que representa 40% das vendas de carros no Brasil

Nesta semana, representantes da indústria automotiva se reuniram num seminário para discutir meios de preservar seu parque industrial no Brasil, ameaçado pela expansão das marcas chinesas. Mas, ao fim de muita discussão, logo no primeiro dia do evento, um novo golpe: a BYD, líder entre as chinesas, fez uma festa de lançamento de mais um carro – desta vez, um compacto híbrido movido a etanol.

Para apresentar seu novo carro, que tem nome difícil – Atto 2 DMi flex - a BYD escolheu um estádio de futebol, o Nubank Parque, novo nome da arena do Palmeiras. O evento começou com desfile de modelos usando roupas e acessórios com a marca BYD que começam a ser vendidos no Brasil.

A plateia, que ocupava uma parte da arquibancada, recebeu cornetas para ajudar a fazer barulho. Com todo o estádio iluminado, a festa seguiu, com muita música, vídeos transmitidos em grandes telões e presença de músicos que tocaram samba. A montadora aproveitou o clima de Copa do Mundo para reforçar que já tem uma instalação industrial no país do futebol.

No cenário escolhido pela BYD, o estádio, uma “equipe” formada por vários Atto 2 DMi flex entrou em campo, literalmente. Em seguida, os executivos da BYD apresentaram o modelo como “o craque que vai virar o jogo”.

O novo carro não é um simples lançamento. Com esse modelo, a BYD faz sua estreia no segmento de mercado de maior volume, o dos SUVs compactos, que representa 40% das vendas de carros no Brasil.

Como seus concorrentes, o novo modelo BYD pode ser abastecido tanto com gasolina como etanol. Trata-se também do primeiro carro flex da BYD no mundo. A tecnologia foi, segundo a empresa, desenvolvida no Brasil.

O novo modelo tem, no entanto, uma característica que nenhum de seus concorrentes tem, embora valorizada pelo consumidor brasileiro ultimamente: o veículo se move não apenas com etanol ou gasolina como também a eletricidade.

Trata-se de um híbrido plug-in flex. Ou seja, tem dois motores: um a combustão e outro elétrico, que se alternam conforme o uso, e também pode ser carregado em tomadas ou equipamentos de carregamento de baterias rápido, o que garante maior experiência na condução elétrica.

O novo modelo da marca chinesa percorre 110 quilômetros no modo elétrico e mais de mil no combinado híbrido e elétrico. Permite, assim, uma viagem de ida e volta de São Paulo ao Rio sem necessidade de parar para abastecer em posto de combustível ou mesmo em pontos de carregamento de baterias.

Nem por isso o veículo é mais caro. Foi lançado a R$ 149.990 na versão mais simples e R$ 169.990 na que oferece mais tecnologia e autonomia no modo elétrico. Os principais concorrentes custam em torno desses mesmos preços, podendo chegar a valores até mais altos, dependendo da versão. É o caso do Hyundai Creta e do Toyota Yaris Cross.

Antes mesmo desse lançamento, em maio, a BYD já ultrapassou Toyota e Hyundai, ocupando o quarto lugar entre as marcas de carros e comerciais leves mais vendidos, com fatia de 8,22%, segundo levantamento de emplacamentos divulgado pela Fenabrave, que representa os concessionários.

Em maio, foram vendidos 264 mil carros e comerciais leves no Brasil, um aumento de 23,15% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Incluindo caminhões e ônibus, foram 274,3 mil, um incremento de 21,58%. No acumulado do ano, a venda de veículos alcançou 1,147 unidades, 16,42% acima do primeiro quadrimestre de 2025.

Os dados de produção serão divulgados na sexta-feira, 12. Mas, a julgar pelos resultados do primeiro trimestre, o mercado avança mais do que produção, o que indica que os importados, sobretudo da China, ganham espaço.

Nos debates que se estenderam durante o Anfavea Visions, o seminário conduzido pela associação dos fabricantes, muito se falou sobre a chegada de novas marcas e do aumento da concorrência de importados.

Mas o novo BYD é mais um modelo que sai da fábrica da montadora chinesa na Bahia. Não se trata ainda de produção, mas montagem em SKD. Por meio desse sistema, os veículos chegam semimontados da China e recebem apenas acabamento final.

A BYD continua a pedir ao governo redução de Imposto de Importação para semimontados, o que encontra forte resistência da Anfavea e das empresas com fábricas já instaladas no país.

Realizado no elegante hotel Unique, o seminário da Anfavea, terminou na quarta-feira, 10, marcado por discussões profundas e tom discreto. Já a BYD seguiu o estilo agressivo de marcar sua presença “em campo”.

CONSTRUÇÃO CIVIL

CNN Brasil - SP   12/06/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anuncia, nesta sexta-feira (12), a seleção de 85 mil unidades de habitação do programa Minha Casa, Minha Vida. Ao todo, serão 35 mil na modalidade "Entidades" e outras 50 mil no "MCMV Rural".

Segundo o governo federal, o investimento soma R$ 10 bilhões do Fundo de Desenvolvimento Social. A cerimônia está marcada para ocorrer às 15h, no Palácio do Planalto, e contará com a presença do ministro das Cidades, Vladimir Lima.

Na modalidade Entidades, o Minha Casa, Minha Vida atua junto com entidades privadas sem fins lucrativos para produção de unidades habitacionais urbanas de famílias. As instituições devem organizar quem atende aos critérios para seleção, fazer as orientações necessárias, além de auxiliar na execução da obra em certas condições.

Já o MCMV Rural é voltado para todas famílias residentes nas áreas rurais que se enquadrem nas faixas de renda bruta anual de até R$ 120 mil. A categoria abrange agricultores familiares, integrantes de comunidades remanescentes de quilombos rurais e outros beneficiários.
Linha de crédito para financiar motos

Também na sexta-feira, o presidente Lula também deve anunciar a implementação de uma linha de crédito para financiamento de motos para trabalhadores de aplicativos que prestam serviços de transporte urbano individual de passageiros ou de cargas.

Chamado de "Move Brasil", a iniciativa terá garantia do FGO (Fundo de Garantia de Operações), prazo de até 48 meses e possibilidade de descontos das montadoras.

O financiamento servirá para motocicletas, motonetas e ciclomotores.

CNN Brasil - SP   12/06/2026

A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) alerta para os riscos econômicos decorrentes do fim da escala 6x1. Segundo Renato Correia, presidente da entidade, a proposta pode gerar impactos significativos no setor, que já enfrenta desafios em razão do elevado patamar de juros no Brasil.

O setor da construção civil emprega hoje mais de 3 milhões de pessoas. De acordo com Correia, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais representaria uma diminuição de cerca de 10% na carga horária, o que aumentaria a demanda por pessoal em aproximadamente 288 mil trabalhadores.

"É como se abríssemos 288 mil vagas de emprego para amanhã cedo", afirmou. Esse cenário pressionaria diretamente os prazos de entrega de obras, especialmente em um mercado de trabalho já aquecido e marcado pela escassez de mão de obra qualificada.

Alta nos custos e nos preços dos imóveis

Outro impacto apontado por Correia é o aumento do custo da hora trabalhada. Com a manutenção dos salários e a redução das horas, o custo unitário da mão de obra sobe.

Somado ao encarecimento dos materiais de construção, como cimento, concreto e argamassa, que também dependem de mão de obra para serem produzidos, o cálculo da entidade aponta uma elevação de 7% a 10% no preço dos imóveis.

"Num primeiro momento, o empresário tenta absorver isso com margem; não sendo possível, ele vai tentar repassar para o preço do imóvel", explicou.

O aumento nos preços, sem crescimento real da renda, pode afastar famílias do acesso à moradia e reduzir a capacidade do estado de investir em obras de infraestrutura.

A CBIC, que reúne 98 sindicatos e associações com representação em todos os estados do Brasil, está em contato com parlamentares para apresentar os impactos da proposta.

A entidade defende, caso a PEC seja aprovada, um período de transição mais longo — de uma hora por ano de redução, o que levaria quatro anos para atingir a marca de 40 horas semanais.

"Com isso, nós ganharíamos tempo para desenvolver a produtividade, que é um grande desafio", disse Correia, ressaltando que se trata da produtividade do processo, e não do trabalhador individualmente.
PEC alternativa e informalidade no mercado

Correia também comentou a PEC apresentada pelo senador Rogério Marinho, descrita como uma "visão mais moderna do trabalho".

Segundo ele, a proposta seria vista com bons olhos por permitir maior flexibilização e ampliar o acesso ao mercado de trabalho formal, inclusive para mulheres.

O representante da CBIC destacou que a informalidade é um problema pouco debatido no contexto da reforma: "Todo o arcabouço de proteção do trabalhador protege metade dos trabalhadores e deixa uma outra metade completamente desprotegida e alheia à proteção do estado".

Sobre a proposta de redução da alíquota do FGTS de 8% para 4% como forma de mitigar os impactos ao setor produtivo, Correia demonstrou cautela.

A entidade defende que o fundo mantenha suas funções originais: proteger o trabalhador no momento da perda do emprego e financiar habitação, saneamento e mobilidade.

Como alternativa, a CBIC sugere a redução da burocracia estatal como forma de compensar os custos e aumentar a produtividade do setor.

FERROVIÁRIO

Jornal de Brasília - DF   12/06/2026

O Ministério dos Transportes apresentou nesta quinta-feira (11), na B3, em São Paulo, uma estratégia para ampliar a participação das ferrovias na logística nacional. A carteira prevê o leilão de 20 terminais logísticos de cargas ao longo da Ferrovia Norte-Sul (FNS), investimentos estimados em R$ 160 bilhões e linhas de financiamento com prazo de até 40 anos para novos empreendimentos.

A agenda ferroviária apresentada pelo governo reúne uma rede logística integrada, conectando ferrovias, rodovias, hidrovias, portos e terminais de cargas. O programa contempla oito projetos ferroviários estratégicos: Ferrogrão, Malha Oeste, Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), Corredor Minas–Rio, Corredor Fico–Fiol, Corredor Rio Grande, Corredor Mercosul e Corredor Paraná–Santa Catarina.

Segundo o ministério, os empreendimentos têm potencial para impulsionar a competitividade do país, ampliar a integração logística e movimentar cerca de R$ 600 bilhões em investimentos em todo o setor ferroviário nos próximos anos. Durante o evento, o ministro dos Transportes, George Santoro, defendeu que as ferrovias sejam tratadas como plataformas de negócios capazes de gerar desenvolvimento econômico e reduzir custos logísticos.

“Se a gente não trabalhar o custo logístico, a produtividade econômica do Brasil não cresce”, afirmou Santoro na abertura do evento “Novos caminhos sobre trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, voltado à apresentação da carteira ferroviária a investidores.

O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, participou de forma virtual e disse que o governo estruturou uma carteira de projetos voltada à expansão da infraestrutura ferroviária. Já o superintendente de Infraestrutura do BNDES, Felipe Borim, afirmou que o prazo de financiamento foi estendido para 40 anos especificamente para ferrovias, com apoio do banco para tirar os projetos do papel.

A proposta também prevê mecanismos para tornar os projetos mais atrativos ao mercado, com garantias para os aportes públicos previstos em contrato e foco em subsídios para a recuperação da malha ferroviária e dos projetos como um todo. Segundo Santoro, a medida busca cobrir o chamado gap de viabilidade e também subsidiar o material rodante, que integra o investimento inicial dos empreendimentos.

CNN Brasil - SP   12/06/2026

O projeto da Ferrogrão, ferrovia que ligará Sinop (MT) a Itaituba (PA), ampliando o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, deve ir para análise do TCU (Tribunal de Contas da União) ainda neste mês, segundo afirmou o ministério dos Transportes, George Santoro.

Hoje, grande parte da produção agrícola do norte de Mato Grosso segue por caminhão até Rondonópolis (MT) e, depois, utiliza a Malha Norte e a Malha Paulista - ambas operadas pela Rumo - até o Porto de Santos (SP).

Com a Ferrogrão, seria criada uma rota mais curta em direção ao Arco Norte, redirecionando parte desse fluxo logístico.

A fala foi feita durante o evento “Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, na Arena B3, em São Paulo.

Ainda segundo o ministro, a expectativa é de que o projeto caminhe para a etapa final nas próximas semanas, abrindo caminho para a publicação do edital.

"Eles pediram dados complementares e a ANTT já entregou uma leva grande e está entregando a última (...) completou os documentos, a área técnica já está com a instrução praticamente pronta, vai para o ministro relator e o ministro relator pede pauta para a decisão", afirmou.

A apreciação pelo Tribunal ocorre após no final de maio, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) reconhecer a constitucionalidade da lei que alterou a área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para viabilizar a construção da Ferrogrão.

"Eu acredito que depois que saiu da 118 (Ferrovia EF-118), que discute a questão da conta vinculada, a grande discussão do tribunal hoje é essa. Todos os demais vão sair na sequência", afirmou.

Entretanto, segundo mostrou a CNN algumas empresas do setor ferroviário ainda demonstram preocupação com o impacto que a nova malha pode gerar sobre corredores já existentes de transporte de cargas.

No final do ano passado, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) aprovou os estudos revisados da ferrovia seguindo as então determinações do STF.

O governo federal têm demonstrado otimismo com o leilão da Ferrogrão. Porém, ainda existem algumas incertezas sobre o apetite do mercado para arcar com os investimentos necessários para a construção da malha.

Nesta quinta-feira (11), durante o evento voltado ao setor ferroviário, o governo federal lançou uma nova linha de financiamento para projetos no segmento, com o objetivo de ampliar a participação privada no setor e fortalecer projetos da carteira ferroviária.

A iniciativa terá até 40 anos de prazo para pagamento, fortalecendo projetos, incluindo a Ferrogrão e a EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste), que demandam um alto volume de recursos para serem construídos.

Em entrevista ao Conexão Infra, programa senanal do CNN Money, o ministro já havia defendido a nova política de crédito para o segmento.

Para Santoro, o país enfrenta um desafio em relação a criação de corredores logísticos, visando a integração entre os diferentes modais de transporte, como rodovias, ferrovias e hidrovias.

Ainda segundo ele, a infraestrutura nacional deve ser mais integrada e expandida em todas as regiões do Brasil.

Atualmente o país possui 35 mil quilômetros de malha ferroviária histórica, mas apenas 10 mil quilômetros estão em operação.

Diante desse gargalo, o ministério está integrando a carteira ferroviária com as hidrovias, portos, terminais e rodovias, criando uma rede logística nacional.

A avaliação da pasta é que os mecanismos tradicionais de financiamento não refletem as características do setor ferroviário e que as novas condições seriam mais compatíveis com o perfil dos empreendimentos, o que poderia ampliar a competitividade dos próximos projetos previstos.

Portos e Navios - SP   12/06/2026

Infra S.A. estrutura projetos ferroviários com potencial de R$ 92 milhões em investimentos para ampliar a eficiência logística do país.

A Infra S.A., estatal ligada ao Ministério dos Transportes, apresentou um conjunto de projetos ferroviários com potencial estimado de R$ 92 milhões em investimentos, voltados à modernização e ampliação da malha de carga no país. Segundo a empresa, os estudos fazem parte da carteira de iniciativas estruturadas para aumentar a eficiência logística e atrair capital privado para o setor ferroviário.

Os projetos integram um movimento mais amplo de expansão do modal, que inclui cerca de 9 mil quilômetros de novas ferrovias a serem concedidas e investimentos que podem superar R$ 800 bilhões, considerando os corredores do Sudeste, os eixos Leste–Oeste e as ligações com áreas produtoras de grãos e minérios, conforme levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL) em parceria com a ABDIB.

De acordo com o Ministério dos Transportes, o plano nacional de desenvolvimento ferroviário busca combinar recursos públicos e privados para destravar gargalos e melhorar a competitividade do escoamento de cargas brasileiras no mercado internacional.

Rodoviário

Exame - SP   12/06/2026

Thiago Bronzi, sócio e líder de investimentos em rodovias e saneamento do Pátria Investimentos, resume o momento da companhia em uma frase: “O nosso apetite continua grande.”

Em entrevista ao videocast EXAME Infra, o executivo afirmou que o grupo está no quinto fundo de infraestrutura, com US$ 2,9 bilhões para investir, e segue acompanhando oportunidades em diferentes segmentos.

Hoje, o Pátria administra cerca de US$ 8 bilhões em ativos de infraestrutura, possui concessões rodoviárias no Brasil e na Colômbia e estreou recentemente no saneamento com a concessão do Lote Sertão, em Pernambuco.

Hoje, o grupo acumula aproximadamente R$ 40 bilhões em compromissos contratuais de investimento ao longo da vigência dos contratos.

Trata-se de um volume que coloca a empresa entre os participantes mais relevantes do atual ciclo de expansão da infraestrutura nacional.

Parte significativa desse esforço já deve ser percebida nos próximos meses. Segundo Bronzi, a expectativa é executar mais de R$ 10 bilhões em capex apenas neste ano.

“Podemos não aparecer tanto, mas somos um player muito relevante nesse cenário de contribuir para o avanço da infraestrutura no país”, disse.

O executivo destacou que a estratégia da companhia é baseada em uma visão de longo prazo, característica inerente aos projetos de infraestrutura.

O interesse por novos ativos ocorre em um momento de forte expansão da infraestrutura brasileira, com recordes de leilões em rodovias e uma nova onda de projetos em saneamento.

Para Bronzi, o ambiente atual é resultado de um processo de amadurecimento institucional que aumentou a previsibilidade para investidores de longo prazo.

A presença do Pátria no setor vai além das concessões rodoviárias e de saneamento. A gestora também possui investimentos em telecomunicações, data centers, mobilidade elétrica e ativos de infraestrutura em outros países da América Latina.

Maturidade regulatória impulsiona novos investimentos

Embora o setor de saneamento tenha ganhado espaço recentemente na carteira do grupo, a entrada do Pátria não aconteceu de forma imediata após a aprovação do novo marco regulatório.

Segundo Bronzi, a gestora acompanhava o setor há muitos anos, mas aguardou um ambiente regulatório mais consolidado antes de realizar o primeiro investimento.

“Eu costumo brincar que saneamento é o setor do futuro. Gostamos de entrar quando as regras do jogo estão claras e estão sendo cumpridas”, afirmou.

A avaliação é que a previsibilidade regulatória tornou-se um dos principais fatores para atrair investidores institucionais e capital de longo prazo para projetos de infraestrutura no Brasil.

Ao longo da entrevista, Bronzi também ressaltou a importância do diálogo entre investidores, financiadores e governos para a construção de contratos mais eficientes e sustentáveis.

Segurança jurídica reduz preocupação com risco político

Em ano eleitoral, Bronzi afirmou que o ambiente político não é hoje o principal fator de preocupação para investidores que analisam projetos de infraestrutura no Brasil.

Na avaliação do executivo, o país avançou na compreensão do papel das concessões e consolidou uma visão mais madura sobre a participação da iniciativa privada em setores essenciais.

Segundo ele, a percepção de que governo e investidores ocupam lados opostos da mesa perdeu força ao longo dos últimos anos.

No lugar disso, surgiu uma lógica de cooperação voltada à estruturação de projetos capazes de atrair investimentos e ampliar a oferta de infraestrutura para a população.

“Hoje a discussão não é mais se eu estou do outro lado da mesa. Estamos todos na mesa tentando fazer isso aqui da melhor forma possível.”

Bronzi também afirmou que o avanço das concessões deixou de estar associado a uma corrente política específica. Para o executivo, o país compreendeu que o investimento privado em infraestrutura é uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social, independentemente do governo de plantão.

“Independentemente de qual espectro do governo, o capital privado para a infraestrutura é parceiro”, disse.

“O gargalo não é capital”

Apesar do elevado volume de investimentos previsto para os próximos anos, Thiago Bronzi avalia que a principal limitação para acelerar a infraestrutura brasileira não está na disponibilidade de recursos financeiros.

Em sua visão, há interesse de investidores nacionais e internacionais em financiar projetos no país. O desafio está na capacidade de estruturar concessões consistentes, com segurança regulatória e condições adequadas para a participação da iniciativa privada.

Para o executivo, a continuidade do atual ciclo de investimentos dependerá justamente da capacidade de governos e estruturadores de desenvolver projetos sólidos e atrativos para o mercado.

Com recursos disponíveis e apetite dos investidores preservado, o desafio passa a ser ampliar a oferta de bons ativos para concessão. Segundo ele, “o gargalo não é capital. O gargalo é a falta de bons projetos”.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   12/06/2026

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês) confirmou nesta quinta-feira, 11, o fechamento do Estreito de Ormuz após os mais recentes ataques dos Estados Unidos contra o Irã.

A agência foi criada por Teerã no mês passado para administrar e regulamentar o tráfego marítimo no estreito.

“Em razão das tensões provocadas pelas forças agressoras dos EUA na região e do comunicado emitido pelas Forças Armadas do Irã na noite passada, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso”, afirmou a PGSA em publicação no X.

“Solicitamos aos requerentes que já receberam autorização de passagem que sejam pacientes e aguardem as próximas orientações da PGSA.”

A nova interrupção do tráfego em uma das vias marítimas mais importantes para o transporte de combustíveis já havia sido anunciado na quarta-feira, 10, pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) e pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbia, que coordena as operações do Estado-Maior.

“A partir deste momento, devido à insegurança na região, o Estreito de Ormuz está declarado fechado à passagem de todas as embarcações, incluindo petroleiros e navios mercantes, e qualquer tráfego será alvo de ataques”, afirmou Khatam al-Anbia em nota divulgada pela agência estatal iraniana Tasnim.

Segundo a agência, a ordem foi emitida após o segundo dia consecutivo de ataques de Washington contra Teerã. A retomada das ofensivas ocorreu após um helicóptero americano ter sido derrubado por um drone iraniano na segunda-feira, 8.

“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje contra múltiplos alvos no Irã, por ordem do Comandante em Chefe. Os ataques são em resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”, afirmou o Comando Central dos EUA em publicação no X.

Pouco depois, o órgão também negou que o estreito estivesse bloqueado. “Navios comerciais continuam a transitar para dentro e para fora do Estreito de Ormuz nesta noite”, escreveu.

Horas antes, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que, no mês passado, os EUA conduziram uma missão secreta para apoiar petroleiros e outros navios comerciais na travessia de Ormuz.

“Hoje, tenho o prazer de anunciar que esse esforço resultou na passagem de mais de 100 milhões de barris de petróleo pelo estreito, chegando ao mercado aberto. Mais de 200 navios comerciais atravessaram o estreito com segurança”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.

“Esse enorme sucesso se deve ao fato de que os EUA controlam o Estreito de Ormuz - e não o Irã. Suas forças armadas foram derrotadas e sua economia está perdida. Acabou para o Irã”, acrescentou.

O Irã bloqueou o estreito pela primeira vez no início do conflito com os EUA e Israel, que já dura mais de três meses. Desde então, a via marítima, por onde passavam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo, tornou-se um dos principais focos da disputa entre os países.

Nesta quinta-feira, Rússia e Turquia defenderam a retomada das negociações entre Washington e Teerã e pediram o fim dos ataques entre os dois países.

A Tribuna - SP   12/06/2026

Entre 2023 e 2026, foram contratados R$ 14,43 bilhões para a execução de 849 obras com investimentos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) no Brasil. Os valores contratados alcançam diferentes regiões brasileiras.

O Amazonas lidera em número de empreendimentos apoiados, com 233 obras contratadas e investimentos de R$ 1,68 bilhão. Em seguida aparecem o Pará, com 173 obras e R$ 1,62 bilhão em recursos, e o Rio de Janeiro, com 135 obras e R$ 1,63 bilhão contratados.

Em volume de investimentos, Santa Catarina se destaca com R$ 5,73 bilhões aplicados em 91 obras. Bahia, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul também integram o conjunto de estados beneficiados pelos recursos do Fundo.

A distribuição dos investimentos reafirma o papel estratégico da indústria naval para o desenvolvimento regional, especialmente em áreas onde a navegação desempenha função essencial para a movimentação de cargas, o abastecimento e a integração territorial.

Entre os projetos em execução, destaca-se a atuação do Juruá Estaleiro e Navegação, localizado em Iranduba (AM), na Região Metropolitana de Manaus. Com mais de três décadas de atuação, a empresa desenvolve embarcações e estruturas voltadas à navegação interior, incluindo balsas, empurradores, rebocadores e sistemas de transbordo de cargas.

Atualmente, o estaleiro executa a construção de 108 balsas mineraleiras para a LHG Mining, empreendimento de R$ 767,2 milhões com potencial para gerar 5.616 empregos diretos. Também está em andamento a construção de três empurradores fluviais, projeto de R$ 327,6 milhões que deverá criar outros 2.037 postos de trabalho diretos.

Nos primeiros meses de 2026, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) aprovou R$ 11,65 bilhões para novos projetos voltados à construção e modernização de embarcações, estruturas de transbordo, fortalecimento da navegação interior e infraestrutura aquaviária.

Valor - SP   12/06/2026

Nova regulamentação consolida o programa Investe + Aeroportos e deve estimular novos investimentos, ampliar a ocupação logística e comercial dos sítios aeroportuários e gerar mais segurança jurídica para investidores

O Ministério de Portos e Aeroportos ampliou alcance do benefício fiscal para projetos relacionados a sistemas aeroportuários e sistemas de proteção ao voo instalados em aeródromos públicos, hidrovias e instalações portuárias autorizadas. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (11).

Com a nova regra, esses projetos ficam autorizados a acessar Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), programa do governo que prevê a desoneração para implantação de projetos de infraestrutura, com a suspensão da incidência das contribuições para Pis e Cofins sobre as receitas decorrestes de alguns serviços.

A medida havia sido anunciada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, no início da semana durante reunião do Comitê Temático da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos.

Segundo o governo, a nova regulamentação consolida o programa Investe + Aeroportos e deve estimular novos investimentos, ampliar a ocupação logística e comercial dos sítios aeroportuários e gerar mais segurança jurídica para investidores.

Com a nova portaria, projetos de infraestrutura associados à operação dos aeroportos também poderão ser enquadrados no regime, ampliando as possibilidades de investimento e desenvolvimento dos sítios aeroportuários.

Em relação ao setor portuário, poderão acessar o benefício portos organizados que estão em regime de operação por concessão ou delegação. Além dos projetos relacionados aos contratos de arrendamento, os decorrentes de contrato de transição e contrato de uso temporário, também estão inclusos nas regras.

PETROLÍFERO

Monitor Digital - RJ   12/06/2026

Após a intervenção liderada pelo governo Donald Trump na Venezuela e a detenção do presidente Nicolás Maduro, autoridades norte-americanas passaram a conceder licenças especiais a empresas internacionais do setor energético para exportar o petróleo venezuelano.

Entre as primeiras beneficiadas estiveram as tradings Vitol e Trafigura, frequentemente alvo de críticas em relação à transparência de suas operações. Em 29 de janeiro, um analista da organização suíça Public Eye afirmou ao Washington Post que o Governo dos Estados Unidos estaria recorrendo a companhias “que sabem como contornar regulamentações”. A denúncia é da EIR.

Com essas autorizações, Vitol e Trafigura iniciaram a comercialização de petróleo venezuelano que permanecia armazenado em tanques e navios ancorados, retidos anteriormente por receio de apreensões. Na sequência, o governo norte-americano ampliou o escopo das licenças, permitindo que outras empresas — como Chevron, Eni, Repsol e Shell — também comercializassem o produto.

A medida possibilitou a retomada parcial das operações da estatal PDVSA. As exportações foram direcionadas principalmente a clientes considerados tradicionais, como Estados Unidos e Índia, mantendo restrições explícitas a países como China, Rússia, Irã e Cuba.

Os números indicam uma rápida expansão na produção e exportação. A Venezuela saiu de cerca de 500 mil barris de petróleo por dia em dezembro de 2025 para aproximadamente 1,25 milhão de barris diários até o fim de maio de 2026. No acumulado entre janeiro e maio, o volume negociado alcançou cerca de 170 milhões de barris, com destino majoritário aos Estados Unidos e à Índia, além de menores quantidades enviadas à Europa.

Apesar da retomada das vendas, o controle financeiro das transações permanece nas mãos do governo estadunidense. Segundo o arranjo estabelecido, os recursos obtidos com a comercialização do petróleo são arrecadados pelos EUA e depositados em contas sob sua gestão em Nova York. O governo venezuelano, por sua vez, apresenta propostas de orçamento que precisam ser aprovadas pelo Departamento de Estado para liberação de verbas.

De acordo com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o modelo não configura apropriação indevida, mas sim um sistema de administração dos recursos. Segundo ele, os repasses têm sido suficientes para assegurar o pagamento de servidores públicos venezuelanos, incluindo professores, policiais, bombeiros e funcionários administrativos, segundo a EIR.

Petro Notícias - SP   12/06/2026

A plataforma P-78, instalada no Campo de Búzios, voltou à sua operação normal depois de um susto danado no dia 28 de abril, quando houve o rompimento de uma tubulação de aproximadamente 50 polegadas. A informação é da própria Petrobrás, que lembrou ter comunicado o evento aos órgãos reguladores. A empresa disse ainda que ninguém ficou ferido, felizmente. A unidade passou por reparos na própria locação e já voltou a produzir, diz um breve comunicado oficial da companhia. O acidente resultou num expressivo vazamento de gás durante aquela madrugada, horário do rompimento da tubulação. Segundo as informações compartilhadas por profissionais da própria companhia que estavam presentes, a liberação súbita de pressão teria provocado um forte impacto estrutural, perceptível em diversos pontos da unidade. Os relatos indicaram ainda que uma ocorrência de maiores proporções teria sido evitada pelo fato de o gás liberado não ter encontrado uma fonte de ignição. Isso foi uma boa sorte, porque o evento teve potencial para causar perdas humanas, danos ambientais e prejuízos operacionais de grande magnitude. Chegaram informações até o Petronotícias confirmando que a plataforma permaneceu paralisada desde a data do acidente devido à necessidade de substituição da linha danificada.

Considerando a capacidade produtiva atribuída à unidade — aproximadamente 180 mil barris de petróleo por dia e cerca de 5 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente — a paralisação prolongada representou impacto econômico e operacional expressivo para a companhia. Profissionais do setor também levantam questionamentos sobre os desafios de controle de qualidade e rastreabilidade em empreendimentos construídos de forma fragmentada, envolvendo fabricação do casco em um país, módulos em outro e integração final em local distinto. Mas este modelo é usado pela Petrobrás há muitos anos, parece não ter relevância. É assim que vem sendo feito, sem que havido um outro evento semelhante na companhia.

O EDISE ESTÁ DE VOLTA

A Petrobrás vai realizar amanhã (12), a partir das 16h, um evento que vai marcar o início da reocupação do icônico Edifício Sede da companhia (Edise), no Rio de Janeiro. A cerimônia contará com a presença da presidente da companhia, Magda Chambriard, de membros da diretoria executiva da companhia e de diversas autoridades. O processo de reocupação do Edise será realizado de forma gradual, nos próximos meses. Após a finalização da revitalização, o edifício abrigará 6 mil estações de trabalho.

Para lembrar, inaugurado em 1974, o edifício é um marco da arquitetura brasileira, com destaque para os jardins projetados por Roberto Burle Marx. A reforma abrange a revitalização completa interna e externa, a primeira em seus 50 anos de uso, contemplando a modernização de infraestrutura obsoleta, como tubulações, cabos elétricos e sistemas de incêndio, a atualização de equipamentos para as tecnologias e ambientes de escritório atuais, a troca da totalidade dos vidros e brises e a adequação às normas de segurança vigentes, preservando as características originais do projeto.

CNN Brasil - SP   12/06/2026

A Aggreko, empresa que atua no setor de energia, iniciou a implantação da usina de transmissão Tacaimbó I, que irá operar com gás natural, em Tacaimbó, no agreste pernambucano.

Segundo informações divulgadas pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) o investimento total do projeto é de R$ 437 milhões.

O início da implantação ocorre após a companhia ter o seu projeto selecionado no LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) de 2026, promovido realizado pelo governo federal.

A cidade do projeto fica a 170 km de Recife, e tem função estratégica, diante do terreno ficar a apenas 70 metros de um gasoduto e a menos de 1,5 km da rede de transmissão nacional, o que elimina gargalos logísticos.

A empresa será responsável pela engenharia, construção, operação e manutenção da usina termelétrica, que tem capacidade inicial prevista de 92 MW.

Segundo a companhia, o projeto foi estruturado em configuração modular, com motores de acionamento rápido, ideal para atender aos novos requisitos de flexibilidade do sistema elétrico brasileiro.

Em nota, Cristiano Lopes Saito, diretor de vendas Brasil para Utilities e Data Centers, disse que o projeto representa "um passo importante" na ampliação da presença da empresa em geração de energia e enquanto produtor independente de energia, complementando a atuação no fornecimento de soluções modulares para setores como mineração, óleo e gás e utilities.

A companhia precisa ainda concluir as etapas de licenciamento, obras civis, engenharia, construção, integração à infraestrutura de gás e conexão ao sistema de transmissão.

"Estamos ampliando nossa atuação em projetos com horizonte operacional de curto, médio e longo prazo, que tragam previsibilidade, estabilidade e escala. Esse movimento reduz a dependência de operações mais transacionais e posiciona a companhia em um segmento estratégico da transição energética, especialmente em mercados que demandam soluções rápidas e flexíveis para suportar o crescimento das fontes renováveis”, completou Saito.

O modelo contratado prevê remuneração fixa por disponibilidade ao longo de 15 anos, dessa forma há a garantia de potência energética ao país em momentos de maior demanda ou de menor geração.

A previsão da empresa é que o fornecimento de energia comece em outubro de 2028.
Leilão polêmico

Realizado em março deste ano, o certame contratou cerca de 19,5 GW de potência, com contratos de até 15 anos e encargos de mais de R$ 515 bilhões aos consumidores.

Nesta terça-feira (9) a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) começou a analisar a homologação dos últimos projetos vencedores do certame.

Na segunda (8), a Justiça Federal do Ceará determinou a suspensão imediata da homologação dos resultados dos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 e da celebração dos respectivos Contratos de Potência de Reserva de Capacidade.

A decisão liminar foi proferida pelo juiz federal Luis Praxedes Vieira da Silva, da 1ª Vara Federal do Ceará, após ação movida pela Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará) e pelo Sindienergia.

A medida foi uma nova reviravolta no processo dos leilões realizados em março, que contrataram cerca de 19,5 GW de potência.

Em outra decisão horas depois, o subprocurador-geral do MPTCU (Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União), Lucas Rocha Furtado, revisou sua posição sobre o certame e afirmou que errou ao dar peso predominante ao custo do leilão para os consumidores em detrimento da segurança e da estabilidade do sistema elétrico.

AGRÍCOLA

Jornal de Brasília - DF   12/06/2026

A safra agrícola de 2026 deve totalizar um recorde de 350,4 milhões de toneladas, uma alta de 1,2% em relação a 2025. O resultado equivale a 4,3 milhões de toneladas a mais.

Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação ao levantamento de abril, a safra de 2026 será 0,5% maior, 1,7 milhão de toneladas a mais.

Área a ser colhida

De acordo com o IBGE, a área a ser colhida na safra agrícola de 2026 deve alcançar 83,2 milhões de hectares, 1,6 milhão de hectares a mais que o desempenho de 2025, um aumento de 2,0%.

Em relação ao levantamento de abril, houve uma redução de 110,463 mil hectares na estimativa da área colhida, ligeira queda de 0,1%.
Principais produtos

Quanto aos principais produtos, são esperados aumentos na área colhida para as seguintes culturas: de 1,1% na soja; de 3,3% na do milho (aumentos de 10,7% no milho 1ª safra e de 1,5% no milho 2ª safra); e de 9,3% na do sorgo.

Na direção oposta, há projeção de declínios de 5,0% na área do algodão herbáceo; de 11,6% na do arroz em casca; e de 4,4% na do feijão.

CNN Brasil - SP   12/06/2026

O agronegócio brasileiro exportou US$ 16 bilhões em maio de 2026, valor recorde para o mês e 8,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O desempenho reforçou o papel do setor como principal motor do comércio exterior do país, respondendo por 50,2% de todas as exportações brasileiras no período.

Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas externas do agro alcançaram US$ 70,5 bilhões, crescimento de 4,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e também um recorde para o período.

O avanço foi sustentado tanto pelo aumento do volume embarcado quanto pela valorização dos produtos exportados. Em maio, o volume vendido ao exterior cresceu 3,6%, enquanto os preços médios avançaram 4,4%. Com importações de apenas US$ 1,6 bilhão, o setor registrou superávit comercial de US$ 14,4 bilhões, alta de 9,7% na comparação anual.

A China permaneceu como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. As compras chinesas somaram US$ 6,3 bilhões em maio, crescimento de 12,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, representando cerca de 40% de toda a pauta exportadora do setor. A União Europeia aparece na sequência, com importações de US$ 2,4 bilhões, enquanto os Estados Unidos adquiriram US$ 837 milhões em produtos agropecuários brasileiros.

Além dos mercados tradicionais, países como Bangladesh, Tailândia, Vietnã, Paquistão, Turquia e Jordânia ampliaram significativamente suas compras, reforçando a estratégia de diversificação dos destinos das exportações brasileiras.

A soja continuou liderando a pauta exportadora. As vendas externas do grão atingiram US$ 6,3 bilhões em maio, alta de 14,6% na comparação anual, com embarques de 14,8 milhões de toneladas. O desempenho levou o complexo soja, que inclui farelo e óleo, a movimentar US$ 7,5 bilhões no mês, avanço de 16,3%.

Outro destaque ficou com as proteínas animais, que registraram recordes de valor e volume exportados. As exportações de carne bovina in natura alcançaram US$ 1,7 bilhão, crescimento de 50,2%, enquanto os embarques somaram 262 mil toneladas. A China respondeu por mais de 60% das compras da proteína brasileira.

A carne de frango também apresentou forte expansão, com exportações de US$ 883 milhões e crescimento de 40%, enquanto a carne suína atingiu US$ 278 milhões, estabelecendo novo recorde para o mês de maio.

No segmento de fibras e produtos têxteis, as exportações totalizaram US$ 483 milhões, alta de 39,6%, impulsionadas principalmente pelo algodão, que movimentou US$ 450 milhões e registrou crescimento de 45,3%.

Entre os produtos que vêm ganhando espaço no mercado internacional está o DDG (grãos secos de destilaria), subproduto da indústria de etanol de milho utilizado na alimentação animal. Entre janeiro e maio, as exportações do produto alcançaram US$ 130 milhões, crescimento de 37,7%, com volume recorde de 555 mil toneladas embarcadas.

O avanço do DDG reflete a expansão da indústria de biocombustíveis à base de milho e a abertura de novos mercados internacionais. Desde 2023, o Brasil conquistou acesso a 21 novos mercados para o produto. Atualmente, os principais compradores são China, Turquia, Vietnã e Nova Zelândia.

O resultado de maio também evidencia o fortalecimento de uma pauta exportadora cada vez mais diversificada. Produtos como sementes de gergelim, amendoim, óleo de milho, arroz, rações para animais domésticos, pães, biscoitos e erva-mate registraram recordes de valor ou volume exportado.

Para o Ministério da Agricultura e Pecuária, os números refletem a crescente confiança internacional no agro brasileiro e os esforços de abertura de mercados. Desde 2023, o país contabiliza 639 aberturas de mercado e mais de 250 ampliações de acesso para produtos agropecuários, ampliando a presença brasileira no comércio global e reduzindo a dependência de destinos específicos.

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