Money Times - SP 15/06/2026
A CSN (CSNA3) iniciou o processo para a venda de um conjunto de ativos de infraestrutura, segundo informações do colunista Lauro Jardim, d’O Globo.
No pacote estão terminais portuários no Rio de Janeiro, a participação na empresa de transporte ferroviário de carga MRS e a recém-comprada Tora, de logística.
Ainda de acordo com o jornal, o mandato de venda é do Citibank e Bradesco.
A notícia surgem em meio ao processo desinventimentos da companhia na CSN Cimentos. Segundo a agência de notícias Reuters, a siderúrgica recebeu ofertas não-vinculantes para a venda na divisão de cimento, no início de maio.
Quatro companhias, duas brasileiras (Votorantim e Polimix) e duas chinesas (Huaxin Cement e Sinoma International), avançaram para a próxima fase do processo e devem encaminhar uma proposta vinculante até o dia 7 de agosto. A venda pode levantar entre R$ 12 e R$ 13 bilhões — inicialmente, a unidade estava avaliada em R$ 10 bilhões. Esse preço é maior que o valor de mercado da CSN, de R$ 8,02 bilhões.
A venda da segunda maior fabricante de cimento do Brasil é parte de uma estratégia mais ampla da CSN para reduzir a dívida e faz parte do plano de venda de ativos da companhia anunciado em janeiro.
O Money Times questionou a CSN sobre a venda dos ativos. Caso haja retorno, a matéria será atualizada para inclusão do posicionamento da empresa.
Os números da CSN
A siderúrgica registrou prejuízo líquido de R$ 555 milhões no primeiro trimestre de 2026, reduzindo as perdas em 24,2% ante resultado negativo de R$ 732 milhões em igual período de 2025.
No período, o Ebitda ajustado somou R$ 2,646 bilhões, o que representa alta de 5,5% na comparação anual. Já a receita líquida atingiu R$ 10,604 bilhões, com queda de 2,8% frente ao primeiro trimestre de 2025.
A empresa encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 40,5 bilhões, acima dos R$ 35,8 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2025, mas abaixo dos R$ 41,2 bilhões do fim de 2025.
A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, ficou em 3,36 vezes no trimestre, com redução de 11,6 pontos-base em relação ao trimestre imediatamente anterior.
Diário do Comércio - MG 15/06/2026
A guerra no Oriente Médio tem imposto um cenário desafiador para a indústria siderúrgica. No caso da francesa Vallourec, uma das líderes mundiais em soluções tubulares premium, as principais dificuldades estão relacionadas à logística de entrega de produtos.
Apesar dos desafios, o CEO da Vallourec América do Sul, André Lacerda, afirma que nenhum cliente cancelou pedidos. O executivo também diz que o Oriente Médio segue como um mercado atrativo. Conforme ele, o setor de petróleo tende a se aquecer à medida que o preço do barril sobe, especialmente as operações onshore¸ predominantes na região.
O Oriente Médio é um dos destinos dos tubos sem costura que a Vallourec produz em Minas Gerais. A companhia vê o Estado como um hub de exportação. Cerca de metade da produção das usinas da empresa em Belo Horizonte e em Jeceaba, na região Central do Estado, é exportada para países de diferentes partes do mundo.
Enquanto algumas siderúrgicas que atuam no País relatam uma forte pressão nos custos em decorrência das tensões no Oriente Médio, a Vallourec afirma não ter registrado aumentos significativos na operação brasileira. Segundo Lacerda, a estrutura produtiva da companhia ajuda a reduzir a exposição a oscilações externas.
“Os custos no Brasil não mudaram muito com a guerra para a Vallourec. O custo de energia no Brasil, de forma geral, subiu um pouco, mas nada significativo”, observa.
“Temos uma cadeia integrada de produção. Importamos poucos insumos. Controlamos os custos desde o minério até a produção de aço. Compramos gás da Petrobras que, talvez, tenha sofrido uma leve variação, mas nada que pudesse nos preocupar”, pontua. Ele acrescenta que a Vallourec está mais sujeita às variações típicas de uma empresa mineira que concentra compras e contratações do mercado local, como as decorrentes da inflação.
Importações da China não impactam a companhia
Outro obstáculo para a indústria siderúrgica, este já relatado há alguns anos pelo setor, é o aumento das importações de aço no Brasil, sobretudo de origem chinesa. Para a Vallourec, no entanto, esse movimento não afeta os negócios, já que não atua com aço convencional.
De acordo com o CEO da Vallourec América do Sul, a companhia atua com aços especiais para aplicações extremas e não existem produtos equivalentes ao da empresa em países da Ásia. “A China hoje não tem um tubo com a qualidade que chegue perto do nosso. A China não é um concorrente direto no mercado onde nos posicionamos. Nosso concorrente também é ocidental”, observa. Lacerda.
Grandes Construções - SP 15/06/2026
As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, caíram 11% em maio em relação ao mesmo mês do ano passado, mas no acumulado do ano continuam em alta.
No mês passado, as vendas externas totais chegaram a 76.609 toneladas, praticamente o mesmo volume de abril último (77.039 toneladas), mas abaixo em comparação às 86.425 toneladas em maio de 2025.
De janeiro a maio, o total das exportações alcançou 390.338 toneladas, 17% superior às 333.502 toneladas nos primeiros cinco meses de 2025, conforme divulgado pelo Ministério da Economia, Secex. As vendas externas são apenas de excedentes do insumo não absorvidos pelo mercado interno.
Para o presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), Clineu Alvarenga, órgão de classe que representa mais de 5 mil empresas recicladoras que praticam a sustentabilidade e impulsionam a economia circular, o setor ainda vem se ajustando à decisão que isentou o pagamento de PIS e Cofins nas vendas à indústria, “e o mercado tende a voltar à normalidade nos próximos meses, com volume de exportação na faixa dos 60 mil a 70 mil toneladas mensais.”
Os preços da sucata, com o fim dos impostos e um mercado interno mais atraente, se mantêm praticamente estáveis em junho, embora a demanda das usinas siderúrgicas pelo insumo venha aumentando, de acordo com o levantamento da S&P Global Platts, agência americana especializada em fornecer preços-referência e benchmarks para os mercados de commodities.
Conforme informou um comprador à Platts, “o aumento da demanda (pela sucata ferrosa) estaria vinculado à grande valorização do ferro-gusa básico desde o início do ano”.
O Inesfa considera extremamente positivas as recentes operações da Polícia Federal e Receita Federal, que estão intensificando o combate aos sonegadores de material reciclado, uma concorrência desleal em relação às empresas que atuam de forma legal, pagando seus impostos.
Tributação homogênea - Na opinião de Alvarenga, “é urgente que a reciclagem tenha uma tributação homogênea em todo o país, tanto federal como nos Estados, de forma a evitar fraudes e trazer as empresas para a legalidade”.
Para isso, explica, o Inesfa continua empenhado na aprovação da PEC da Reciclagem, que será analisada em comissão especial da Câmara dos Deputados e, sendo aprovada, corrigiria uma das injustiças da reforma tributária, que deixou de fora o setor e pode taxar a atividade em cerca de 27%.
“Embora o governo seja contra a PEC 34/2025, com possível impacto tributário, nós estamos abertos para um diálogo visando encontrar um caminho, pois temos que ter uma tributação homogênea no setor da reciclagem, desde as cooperativas até os processadores”, afirma Alvarenga.
O Estado de S.Paulo - SP 15/06/2026
Decisões de juros nos EUA e no Brasil, inflação na Europa e dados de consumo podem redefinir apostas para Bolsa, dólar e renda fixa
O calendário econômico da semana entre 15 e 19 de junho concentra uma combinação rara de eventos capazes de redefinir expectativas para juros, câmbio e mercados globais.
No centro das atenções está a chamada “superquarta”, quando Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e Banco Central do Brasil anunciam suas decisões de política monetária em um ambiente marcado por dúvidas sobre o ritmo de desaceleração da economia americana e a trajetória da inflação ao redor do mundo.
Ao longo dos próximos dias, investidores também acompanham indicadores de consumo nos Estados Unidos, dados de atividade brasileira, inflação na Europa e decisões de juros em importantes economias desenvolvidas.
Em um mercado cada vez mais dependente dos sinais emitidos pelos bancos centrais, não será apenas a decisão sobre os juros que importará, mas principalmente o tom dos comunicados e as pistas sobre os próximos passos das autoridades monetárias.
No Brasil, o período ganha relevância adicional porque coincide com a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), indicador considerado uma prévia informal do Produto Interno Bruto (PIB), além de dados do varejo que ajudam a medir a força do consumo doméstico.
Com mercados atentos às perspectivas para o segundo semestre, a semana tem potencial para alterar projeções para câmbio, Bolsa e curva de juros tanto no Brasil quanto no exterior.
Segunda-feira, 15 de junho
China abre a semana com sinal sobre o consumo
A semana começa com um dos indicadores mais observados para avaliar a recuperação da economia chinesa. As vendas no varejo de maio ajudam investidores a medir o ritmo do consumo da segunda maior economia do mundo, fator especialmente importante para países exportadores de commodities, como o Brasil.
Números mais fortes tendem a beneficiar empresas ligadas a minério de ferro, petróleo e outras matérias-primas, enquanto resultados abaixo das expectativas podem reacender preocupações sobre a demanda global.
Embora o calendário seja relativamente esvaziado, o dado chinês pode influenciar o comportamento de commodities já nas primeiras horas de negociação.
Terça-feira, 16 de junho
Bancos centrais da Ásia e varejo brasileiro entram em cena
A terça-feira começa sob influência da política monetária internacional. O destaque fica para a decisão de juros do Banco do Japão, observada de perto após meses de mudanças graduais na condução da política monetária do país.
O mercado também acompanha a decisão do Banco Central da Austrália, importante termômetro para economias ligadas ao ciclo global de commodities.
No Brasil, as atenções se voltam para as vendas no varejo de abril. Os números ajudam a entender como consumidores e empresas estão reagindo ao ambiente de crédito mais restritivo e aos juros ainda elevados.
Caso o varejo apresente desempenho acima do esperado, o mercado pode interpretar que a atividade doméstica segue mais resiliente do que o previsto. Por outro lado, sinais de enfraquecimento podem reforçar apostas de desaceleração econômica nos próximos meses.
Quarta-feira, 17 de junho
Superquarta reúne Fed, BC e indicadores decisivos
O dia mais importante da semana começa cedo, com a divulgação da inflação ao consumidor no Reino Unido e na zona do euro.
Os números europeus chegam em um momento delicado para os bancos centrais, que buscam equilibrar crescimento econômico moderado e inflação ainda acima das metas em diversas economias.
No Brasil, o IBC-Br de abril entra no radar como uma das principais referências para avaliar o ritmo da atividade econômica. O indicador costuma provocar reações relevantes nos juros futuros quando surpreende as expectativas do mercado.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham as vendas no varejo e o núcleo das vendas no varejo, indicadores que ajudam a medir a disposição dos consumidores para gastar.
Mas o foco principal estará concentrado na reunião do Federal Reserve.
Além da decisão sobre os juros, o mercado receberá as projeções econômicas atualizadas do Fed e acompanhará a coletiva do presidente do banco central americano. Mais importante do que a manutenção ou não da taxa será a sinalização sobre o número de cortes esperados para os próximos meses.
Poucas horas depois, o Banco Central do Brasil divulga sua decisão sobre a Selic.
A combinação entre Fed e Copom transforma a quarta-feira em um dos eventos mais relevantes do semestre para os mercados financeiros. Mudanças no discurso de qualquer uma das autoridades monetárias podem provocar fortes oscilações em Bolsa, câmbio e curva de juros.
Quinta-feira, 18 de junho
Decisões de juros continuam movimentando os mercados
Mesmo após a superquarta, a agenda internacional segue carregada.
O Banco Nacional Suíço divulga sua decisão de política monetária e realiza coletiva de imprensa, enquanto o Banco da Inglaterra anuncia sua decisão de juros para junho.
As atenções também se voltam para os pedidos semanais de seguro-desemprego nos Estados Unidos, indicador frequentemente utilizado para monitorar eventuais sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano.
Outro destaque é o índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia, que oferece uma leitura antecipada sobre o desempenho do setor manufatureiro.
Depois das sinalizações emitidas pelo Fed na véspera, qualquer surpresa nos dados americanos pode gerar ajustes rápidos nas expectativas dos investidores.
Sexta-feira, 19 de junho
Feriados reduzem liquidez e podem ampliar volatilidade
A semana termina com os mercados dos Estados Unidos fechados por causa do feriado de Juneteenth.
China e Hong Kong também permanecem sem negociações em razão do Festival do Barco-Dragão.
A combinação reduz significativamente a liquidez global e tende a limitar o volume de negócios em diversos mercados.
Em cenários como esse, oscilações podem se tornar mais intensas mesmo sem a divulgação de indicadores relevantes, já que movimentos relativamente pequenos encontram menos contraparte.
Com as principais decisões de juros já conhecidas, investidores devem encerrar a semana avaliando os sinais deixados pelos bancos centrais e recalibrando expectativas para inflação, crescimento econômico e política monetária ao longo do segundo semestre.
O que a semana pode mudar nos mercados
Juros globais e atividade econômica entram novamente no centro das atenções
Ao fim da semana, investidores devem ter uma visão mais clara sobre dois temas centrais para os próximos meses.
O primeiro envolve o grau de confiança dos bancos centrais de que a inflação segue em trajetória compatível com cortes de juros futuros.
O segundo passa pela capacidade das economias desenvolvidas de manter crescimento e consumo em níveis satisfatórios após um longo período de política monetária restritiva.
As respostas oferecidas por Fed, Banco Central do Brasil, Banco da Inglaterra e demais autoridades monetárias podem influenciar diretamente o comportamento de Bolsa, dólar, commodities e renda fixa durante o restante do semestre.
Money Times - SP 15/06/2026
A inflação oficial do Brasil voltou a surpreender o mercado em maio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% no mês, acima da mediana das projeções, de 0,55%, acumulando alta de 4,72% em 12 meses.
Embora a diferença em relação às estimativas tenha sido pequena, economistas destacam que alguns componentes específicos explicam o resultado acima do esperado, principalmente energia elétrica, combustíveis e alimentos. Ao mesmo tempo, a abertura dos dados trouxe algum alívio ao mostrar uma desaceleração em serviços e núcleos mais ligados à demanda doméstica.
Para Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, a surpresa altista esteve concentrada em fatores pontuais. “As principais pressões vieram de condições desfavoráveis de oferta, itens voláteis e uma devolução menor dos combustíveis, refletindo uma marca inflacionária associada ao conflito no Oriente Médio”.
Segundo ele, apesar do número cheio mais forte, a composição foi melhor do que sugere a manchete do indicador.
A avaliação é compartilhada por Leonardo Costa, economista do ASA. Para ele, a principal surpresa em relação às projeções da casa veio justamente dos preços administrados. “Em relação à nossa projeção, a surpresa para cima veio em combustíveis e energia elétrica“.
A energia elétrica residencial subiu 3,67% em maio, tornando-se o item de maior impacto individual do índice, refletindo a bandeira tarifária amarela e reajustes em diversas capitais.
No caso dos combustíveis, apesar da queda observada no mês, o economista observa que ela foi menor do que os analistas projetavam.
O diagnóstico também aparece na análise do Goldman Sachs. “O IPCA de maio veio acima do consenso, mas a composição da inflação foi um pouco mais benigna do que o número cheio sugere, já que a surpresa altista ficou concentrada nos preços administrados, especialmente pela queda menor do que a esperada da gasolina e pelo aumento maior do que o previsto das tarifas de energia elétrica”, escreveu o banco.
Segundo o Goldman, o grupo Transportes surpreendeu negativamente justamente por conta do comportamento dos combustíveis, enquanto os preços de alimentos vieram ligeiramente melhores do que o esperado.
Alimentos seguem pressionando
Se energia e combustíveis explicam boa parte da surpresa, os alimentos continuam sendo um dos maiores focos de preocupação dos economistas. A alimentação no domicílio avançou 1,65% em maio, puxada por produtos como batata, tomate, cebola, leite, arroz e carnes.
O banco BV vê um quadro mais preocupante para o grupo. “A gente vê uma aceleração muito importante na margem. A inflação de alimentos, olhando a média dos últimos três meses anualizada e descontados os fatores sazonais, roda próxima de 13,6%”, afirmou Carlos Lopes, economista da instituição.
Apesar disso, o Goldman Sachs observou que tanto a alimentação dentro quanto fora do domicílio vieram ligeiramente abaixo das projeções da instituição, compensando parcialmente as surpresas vindas dos preços administrados.
Serviços aliviam, mas continuam elevados
Um dos pontos mais observados pelo Banco Central foi a evolução dos serviços, considerados um dos melhores termômetros da demanda doméstica e do mercado de trabalho. Nesse aspecto, o resultado trouxe algum alívio.
“Os componentes mais ligados à demanda e ao mercado de trabalho, que tendem a ser mais persistentes, vieram abaixo do esperado”, avaliou o economista da Genial.
O ASA também destacou o comportamento mais benigno dos serviços. “O destaque positivo ficou com o núcleo de serviços, que veio um pouco mais fraco que o esperado, com serviços pessoais perdendo força na margem.”
O Goldman Sachs foi na mesma direção, observando que a inflação de serviços ficou em 0,40%, abaixo do consenso de mercado. Apesar disso, o banco americano ressaltou que as pressões continuam elevadas.
Pelos cálculos do Goldman, a inflação dos serviços mais sensíveis ao nível de atividade econômica continua rodando acima de 6%, enquanto os serviços intensivos em mão de obra permanecem em patamar próximo de 7%.
O que muda para a Selic?
Apesar das diferenças na leitura qualitativa dos dados, o consenso entre os economistas é que o resultado reforça a cautela do BC. A maior parte do mercado aposta agora em mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, na semana que vem. Para as reuniões seguintes, as projeções variam bastante.
Na visão da Genial, a inflação continua acima da meta e o dado de maio “contrata mais um trimestre de inflação elevada”. A casa aposta em apenas mais um corte de 0,25 p.p. até o fim deste ano, encerrando o ano em 14,25%.
O BV avalia que o cenário ainda é suficientemente preocupante para justificar uma postura conservadora da autoridade monetária. “Não tem para onde a gente olhe na inflação que a gente não veja sinais de preocupação”.
O ASA também acredita que o ciclo de cortes da Selic está próximo do fim, com apenas mais um corte de 0,25 p.p.. “O cenário inflacionário segue preocupante para o BC, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na reunião da semana que vem”.
O Goldman Sachs também reforçou a necessidade de cautela. Segundo o banco, a combinação de inflação de serviços elevada, mercado de trabalho apertado, atividade econômica resiliente e piora das expectativas inflacionárias exige uma calibragem conservadora da política monetária.
O Estado de S.Paulo - SP 15/06/2026
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio com alta de 0,58%, ante um avanço de 0,67% em abril, informou nesta sexta-feira, 12, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alta do IPCA em maio foi o resultado mais elevado para o mês desde 2021, quando havia subido 0,83%. Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses acelerou pelo terceiro mês consecutivo, passando de 4,39% em abril para 4,72% em maio, maior resultado desde setembro de 2025, quando ficou em 5,17%. O índice supera o teto da meta do Banco Central, de 4,50%. A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 3,20%.
O resultado também ficou acima das estimativas do Projeções Broadcast, que apontavam uma mediana de 0,55%. As projeções iam de 0,46% a 0,75%.
O grupo alimentos e bebidas respondeu por metade do resultado do mês, com alta de 1,33% e 0,29 ponto porcentual de impacto.
Em seguida, vêm os grupos de habitação, com 1,22% de variação e 0,18 p.p. de impacto, e saúde e cuidados pessoais, cuja alta foi de 0,90% e o impacto de 0,12 p.p. O subitem com maior impacto individual (0,15 p.p.) foi energia elétrica residencial, que subiu 3,67%.
Os preços de transportes caíram 0,46%, após alta de 0,06% em abril. O grupo deu uma contribuição negativa de 0,09 ponto porcentual para o IPCA.
Os preços de combustíveis tiveram queda de 1,95% em maio, após avanço de 1,80% no mês anterior. A gasolina caiu 1,46%, após ter registrado alta de 1,86% em abril, enquanto o etanol recuou 6,20%, após alta de 0,62%.
O Estadão/Broadcast calcula o impacto de cada grupo no IPCA com base na variação mensal e no peso mensal disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). O resultado pode ter divergências pontuais com o impacto divulgado pelo IBGE, que considera mais casas decimais do que as disponibilizadas publicamente na taxa de cada item.
Veja - SP 15/06/2026
A inflação oficial do país perdeu força em maio, mas segue em um patamar que exige cautela do Banco Central. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% no mês, abaixo dos 0,67% registrados em abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 2026, o índice já soma alta de 3,20%, enquanto, em 12 meses, alcança 4,72%.
Embora a desaceleração tenha sido recebida de forma relativamente positiva pelo mercado, a composição do indicador continua no radar dos investidores e formuladores de política monetária. Alimentos, energia elétrica e itens ligados aos serviços seguem pressionando o custo de vida e alimentando o debate sobre o ritmo de flexibilização dos juros.
O principal responsável pelo resultado de maio foi o grupo Alimentação e bebidas, que subiu 1,33% e respondeu por metade da inflação do mês, com impacto de 0,29 ponto percentual. A alimentação no domicílio avançou 1,65%, impulsionada principalmente pela disparada da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%) e das carnes (1,39%).
Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a alta reflete tanto a menor oferta desses produtos quanto os efeitos do aumento do frete diante dos combustíveis mais caros nos meses anteriores. Na direção oposta, café moído (-2,38%) e frutas (-0,70%) registraram queda.
Outro destaque foi o grupo Habitação, cuja variação acelerou de 0,63% em abril para 1,22% em maio. O principal impacto individual do índice veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e respondeu sozinha por 0,15 ponto percentual do IPCA. O avanço foi influenciado pela entrada em vigor da bandeira tarifária amarela e por reajustes aplicados em diferentes regiões do país.
Já o grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 0,90%, refletindo altas dos artigos de higiene pessoal, especialmente perfumes (4,42%), além dos planos de saúde (0,50%).
Na contramão, Transportes foi o único grupo a registrar deflação em maio, com recuo de 0,46%. A queda foi puxada pelos combustíveis (-1,95%), com destaque para o etanol (-6,20%), óleo diesel (-2,34%) e gasolina (-1,46%), esta última responsável pelo maior impacto negativo do mês.
Para Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, o resultado reforça a resiliência da economia brasileira, mas ainda exige prudência. “O IPCA continua sendo a principal referência para as expectativas de política monetária e um resultado pressionado tende a reforçar a percepção de que a Selic permanecerá em patamar elevado por mais tempo. Mais do que o índice cheio, o mercado acompanha a composição da inflação, especialmente os núcleos e os itens de serviços, que ajudam a medir o grau de persistência das pressões inflacionárias”, afirma.
Segundo o especialista, a combinação entre inflação acima da meta e juros elevados mantém o custo do crédito elevado, reduzindo o apetite por novos investimentos e reforçando a necessidade de seletividade. “O resultado de abril mostra capacidade de recuperação, mas a consistência ainda vai depender de uma melhora gradual no crédito, na renda disponível e na confiança do consumidor”, diz.
Já Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, avalia que, apesar de o índice ter ficado ligeiramente acima das projeções, a leitura qualitativa foi mais benigna. “Apesar de o resultado do IPCA de maio ter ficado ligeiramente acima do esperado, a composição qualitativa veio em linha com as projeções. A surpresa altista concentrou-se principalmente na gasolina, que registrou uma deflação menor do que a antecipada. Em contrapartida, a média dos núcleos ficou alinhada às expectativas, enquanto a categoria de serviços subjacentes apresentou uma leitura até mais favorável”, explica.
No cenário externo, Gabriel Uarian destaca que um eventual acordo entre Estados Unidos e Irã poderia aliviar parte das pressões sobre o petróleo e beneficiar tanto a inflação quanto o câmbio. Ainda assim, os efeitos dependeriam da estabilidade geopolítica e do aumento efetivo da oferta global de energia.
O Estado de S.Paulo - SP 15/06/2026
As tarifas de Trump são insensatas e um equívoco estratégico e econômico, o que inclui as aplicadas ao Brasil.
A existência de um persistente saldo comercial a favor dos EUA torna o evento ainda mais incompreensível.
Os dados são inequívocos. De janeiro a maio deste ano, comparado com o mesmo período de 2025, as exportações brasileiras caíram 16%; as importações, 13%; e a corrente de comércio, 14%.
Este movimento apenas acelerou a perda de importância dos EUA no nosso comércio. No início do século, era o destino de 24% de nossas exportações e origem de 23% das importações. Esses valores foram caindo em 2025 e se reduziram a 11% e 16% do total. Após o tarifaço esta redução se acelerou: hoje, são 9% e 13% do total.
O Brasil vem cada vez mais se voltando para a Ásia, a região que mais cresce no mundo. Aceleramos também acordos comerciais com União Europeia, Canadá, Índia e outros destinos.
O tarifaço teve um efeito negligível do ponto de vista macroeconômico. Entretanto, ele não foi isento de custos, pois vários setores foram bastante afetados. Nos primeiros cinco meses do ano, 14 grupos de produtos viram quedas da receita de vendas superiores a US$ 50 milhões e incluem petróleo, café, frutas, madeiras, óleos vegetais, granitos, açúcar, papel, máquinas, produtos químicos, tratores e outros veículos.
Ao mesmo tempo, é cada vez mais claro que nosso País tem um grave problema: crescemos pouco e sistematicamente abaixo da média global. A produtividade está estagnada e a taxa de investimento encolheu. As finanças públicas crescem desorganizadamente e pressionam as taxas de juros.
É também evidente que temos um grande problema de governança, expresso na irresponsabilidade fiscal que explode especialmente nos anos eleitorais e em episódios como o espantoso caso Master/BRB. Tudo coroado com a relevante expansão do crime organizado nos territórios, na vida econômica e nas instituições do País.
Nada disso é tratado na campanha eleitoral com seriedade.
Absoluta insensatez de nossas elites, que acham que sempre poderão se safar na crise, talvez em Portugal.
A insensatez não está apenas nos grandes lances.
Ela está na tentativa de salvar os Correios, instituição especializada em entregar cartas que ninguém mais escreve e que só nos últimos meses engoliu R$ 20 bilhões. E isso com uma diretoria sem nenhuma experiência em salvar grandes empresas (“turn around” no jargão profissional). Não vai funcionar.
O Estado de S.Paulo - SP 15/06/2026
O Brasil convive, há décadas, com uma das maiores taxas de juros reais do mundo. Diferente da taxa nominal, que é a definida pelo Banco Central, o juro real desconta a inflação esperada e mostra o custo do dinheiro na economia. O que deveria ser um instrumento temporário acabou se tornando parte permanente do funcionamento econômico brasileiro.
Dados de abril de 2026 de consultorias de mercado, que calculam os juros reais a partir da diferença entre a taxa nominal e a inflação esperada, mostram que o Brasil continua entre os países com o custo de capital mais elevado. Mesmo entre economias emergentes, o País aparece com folga à frente, ficando apenas atrás da Rússia. Nos países desenvolvidos, os juros reais são baixos ou até negativos. Esse contraste ajuda a entender por que tomar crédito no Brasil é tão caro e reforça a ideia de que esse patamar não é apenas conjuntural, mas resultado de problemas mais profundos da economia.
Diversos economistas buscaram explicar esse fenômeno. Entre eles, Fernando de Holanda Barbosa destaca fatores institucionais e macroeconômicos que pressionam estruturalmente a taxa de juros no País. Um dos principais pontos é o histórico de instabilidade inflacionária, que levou o Banco Central a adotar uma postura mais conservadora, mantendo juros elevados como forma de ancorar expectativas. Soma-se a isso o desequilíbrio fiscal recorrente como déficits persistentes e trajetória de dívida pública incerta que elevam o prêmio de risco exigido pelos investidores, pressionando a taxa básica.
Em linha semelhante, a ata do Copom de março de 2026 apontou que fragilidades fiscais e a perda de ímpeto nas reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Segundo o comitê, incertezas sobre a trajetória da dívida pública e a expansão de crédito direcionado reduzem a potência da política monetária e aumentam o custo do processo de desinflação. Por isso, o Banco Central voltou a defender a necessidade de coordenação entre política fiscal e monetária, destacando que medidas previsíveis, críveis e anticíclicas são essenciais para permitir juros estruturalmente menores ao longo do tempo.
O histórico do IPCA evidencia a ruptura provocada pelo Plano Real na dinâmica inflacionária brasileira. Até 1994, o País convivia com taxas anuais extremamente elevadas, reflexo do período de hiperinflação. Com a entrada em circulação do real, em julho daquele ano, houve consolidação da estabilidade de preços. Ainda assim, a recorrente instabilidade inflacionária ao longo da história brasileira sempre contribuiu para a manutenção de taxas de juros mais elevadas no País, como forma de conter pressões sobre os preços.
Outro elemento importante mencionado por Barbosa é a baixa poupança doméstica. Em economias onde a poupança é escassa, o custo do capital tende a ser mais elevado. No caso brasileiro, essa limitação obriga o País a oferecer retornos maiores para atrair financiamento, o que se traduz em juros mais altos.
Outros economistas, como Arminio Fraga e Persio Arida, destacam fatores institucionais que perpetuam a “armadilha dos juros altos”, como insegurança jurídica, baixa concorrência no crédito e elevada indexação da economia. Este último reduz a eficácia da política monetária e exige respostas mais agressivas do Banco Central.
O crédito direcionado também gera debate. Embora possa estimular investimentos de longo prazo e corrigir falhas de mercado, sua implementação no Brasil historicamente ocorreu de forma pouco previsível e eficiente, aumentando distorções e incertezas no mercado financeiro.
O problema, portanto, não está apenas na existência do crédito direcionado, mas na forma como ele é implementado. No caso brasileiro, o histórico de intervenções frequentes, mudanças nas regras e alocação ineficiente de recursos contribui para elevar a incerteza, distorcer incentivos e aumentar o prêmio de risco exigido pelos agentes, reforçando, assim, a dinâmica de juros estruturalmente elevados.
As consequências desse ambiente são amplamente discutidas por organismos internacionais como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Mundial. Estudos dessas instituições indicam que juros persistentemente elevados tendem a frear o crescimento econômico, ao desestimular o investimento produtivo e encarecer o crédito para empresas e famílias.
Juros elevados também ampliam desigualdades ao favorecer detentores de ativos financeiros e encarecer o endividamento de famílias e pequenos empreendedores.
O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirma que os juros elevados refletem características estruturais da economia brasileira, e não apenas choques conjunturais. O diagnóstico é conhecido há décadas, mas a implementação das soluções segue incompleta. Fragilidades fiscais, distorções no mercado de crédito e baixa coordenação entre políticas econômicas continuam reduzindo a eficácia da política monetária e impondo juros elevados. Como observava Albert O. Hirschman, o desenvolvimento avança mais por resolver bloqueios concretos do que por acumular diagnóstico. E é justamente nesse ponto que o Brasil continua falhando.
Money Times - SP 15/06/2026
A possível troca no comando do conselho de administração da Vale (VALE3) foi recebida de forma positiva pelo BTG Pactual, que vê a mudança como um potencial avanço na governança da companhia e uma oportunidade para reduzir preocupações de investidores com eventuais influências políticas sobre a mineradora.
Em relatório divulgado nesta sexta-feira (11), o banco destacou o pedido apresentado pela Previ para convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), que deverá deliberar sobre alterações no conselho da Vale. Entre as propostas estão a saída de Daniel Stieler do colegiado, a indicação de José Maurício Pereira Coelho para ocupar uma cadeira vaga e a eleição de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para a presidência do conselho.
Na avaliação dos analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, a eventual nomeação de Ollie tende a ser bem recebida pelo mercado, especialmente por investidores estrangeiros, que historicamente apontam preocupações relacionadas à governança e à percepção de interferência governamental na companhia.
“O reforço da independência do conselho pode ajudar a reduzir parte do desconto atribuído às ações da Vale por questões de governança”, afirmaram os analistas.
Atualmente diretor independente líder da Vale, Ollie integra o conselho desde 2021 e acumula mais de três décadas de experiência na indústria global de mineração. O executivo já ocupou posições de liderança em empresas como De Beers e Anglo American, além de ter participado de conselhos de diversas mineradoras internacionais. Segundo o BTG, seu perfil técnico, experiência no setor e independência são características que devem ser valorizadas pelos investidores.
Já José Maurício Pereira Coelho possui trajetória ligada à área de finanças e governança corporativa. O executivo foi presidente da Previ e presidiu o conselho da Vale entre 2019 e 2021, período marcado pelos desdobramentos do rompimento da barragem de Brumadinho. Atualmente, participa de conselhos e comitês de grandes empresas brasileiras.
Embora o banco reconheça que existam questões políticas internas na Previ por trás da proposta de mudança, os analistas afirmam não ter visibilidade suficiente para avaliar essas dinâmicas. Ainda assim, consideram que os acontecimentos não estão relacionados à operação da Vale e acreditam que as alterações têm boas chances de serem aprovadas pelos acionistas nos próximos meses.
O BTG manteve recomendação de compra para os papéis da mineradora.
Valor - SP 15/06/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 112,7 por tonelada
O preço do minério de ferro voltou a recuar nesta sexta-feira (12) na China, em meio a sinais de que a demanda pelo insumo segue enfraquecida.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em baixa de 0,33%, cotado a 764 yuans (US$ 112,7) por tonelada.
Os investimentos da China em infraestrutura e manufatura registraram forte retração em maio na comparação mensal, pressionando a demanda por aço, apontam analistas da corretora China Galaxy Futures em relatório.
Embora a demanda externa permaneça relativamente resiliente, a demanda total por aço ainda está abaixo dos níveis observados entre 2023 e 2025, acrescentam.
O Estado de S.Paulo - SP 15/06/2026
A inteligência artificial torna-se, cada vez mais, parte fundamental nos processos industriais de inúmeros setores, para ganhar agilidade, reduzir perdas e custos, e gerar maior segurança e eficiência nas operações. Na mineração, não é diferente. Gigantes da indústria estão investindo pesado para digitalizar as operações nas minas.
A mineradora brasileira Vale, que já tem uma série de atividades regidas por tecnologias, como caminhões autônomos e porto inteligente, acaba de montar a primeira usina de beneficiamento de minério operada por inteligência artificial (IA). Localizada em Itabira (MG), onde a empresa começou a extrair minério de ferro 84 anos atrás, a Usina Modelo Conceição 2, de 2013, foi toda modernizada e tornou-se 100% controlada digitalmente.
“É o futuro da mineração já presente aqui na Vale”, disse Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações da companhia, durante evento de apresentação das novas instalações. O investimento foi de R$ 200 milhões, durante um ano e meio de preparação da usina e instalação do centro de operações integradas.
O conceito de usina modelo será replicado em duas outras unidades de produção relevantes da companhia em Minas Gerais: Brucutu (em São Gonçalo do Rio Abaixo), até o final de 2027, e Vargem Grande (em Nova Lima), no ano seguinte. Brucutu tem capacidade equivalente ao triplo de Conceição 2: pode beneficiar 30 milhões de toneladas por ano.
A mineração 4.0 já é uma realidade mundial no setor, mais avançada na China, Austrália, Chile e Brasil. A Vale está na vanguarda de inovações em algumas de suas operações, caso da usina modelo. Suas concorrentes globais, como as australianas BHP e Rio Tinto e outras mineradoras de grande porte, também estão nessa corrida.
Executivos do setor e especialistas são unânimes sobre o crescimento da utilização das tecnologias nas várias etapas da mineração — da mina ao navio que levará os produtos até o mercado consumidor. A estrutura básica junta Informações, Comunicação e Tecnologia: inteligência artificial, gestão de dados em tempo real (big data), internet das coisas (IoT), satélites, internet móvel 5G, drones, entre outras inovações.
Medeiros, da Vale, diz que projeto da usina modelo representa uma nova forma de operar, baseada na aplicação de tecnologias avançadas que redefinem os padrões de eficiência, sustentabilidade e competitividade da mineração. “Essa iniciativa posiciona a Vale na vanguarda do que há de mais moderno e inovador em usinas de beneficiamento de minério de ferro no mundo. É impraticável voltar a operar manualmente”, afirma.
Em Conceição 2, além de maior eficiência operacional e outros ganhos, a digitalização da usina reduz a exposição de pessoas a atividades de risco. As enormes instalações que recebem o minério e fazem o seu beneficiamento até o tamanho ideal para ser colocado nos vagões rumo ao porto de Tubarão, no Espírito Santo, ficam quase desertas. Tudo é controlado da sala de controle, a 3 quilômetros de distância. Um técnico só vai a campo quando necessário.
Rafael Bittar, vice-presidente técnico da Vale, informou que a usina teve ganho de 25% na sua capacidade de beneficiamento anual, de 9 milhões para 11,2 milhões de toneladas em três meses de operação. Ao mesmo tempo, elevou em 40% a produção de minério premium (pellet feed de redução direta-PFRD), correspondendo a quase 8 milhões de toneladas do total. A diferença é de pellet feed para uso em altos-fornos.
O PFRD, que tem de 67% a 68% de teor de ferro, tornou-se um produto disputado por siderúrgicas que utilizam o processo de produção de redução direta, que utiliza gás natural. Objetivo: reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) na fabricação do aço, um grande problema da indústria siderúrgica global.
Outro ganho em Conceição 2, informam os executivos da Vale, é a redução em 26% do teor de ferro no rejeito gerado no beneficiamento do minério. É material que deixa de ir para as áreas de disposição de rejeitos. O índice de recirculação da água utilizada no processo de filtragem do minério e do rejeito passou a 92%.
Bittar destacou ainda que a usina modelo, toda digitalizada, permitiu aproveitar um tipo de minério (itabirito dolomítico) de suas concessões na região de Itabira que antes não era possível no modelo convencional. Com isso, as reservas desse minério passarão a ser incorporadas no inventário da Vale e consideradas em seu plano de produção local.
Até recentemente, informações indicavam que a mineradora dispunha de reservas para operar em Itabira até 2041, quando seriam exauridas e a extração encerrada. Medeiros disse que a Vale está sempre reavaliando seu potencial nas suas áreas de concessão.
Neste ano, a produção de minério de ferro em Itabira está prevista em 22 milhões de toneladas nas duas usinas em operação — Conceição (de 1978) e Conceição 2 —, abastecidas com minério das minas do Meio, como Periquito, e de Conceição.
A usina do Cauê, vinculada à histórica Mina do Cauê, está paralisada para modernização. A mina, que começou a produzir em grande escala em 1942 e foi o marco zero da Vale, está com a cava original exaurida e passa por processo de recomposição ambiental.
Aparato de câmeras e sensores
Durante os 18 meses de implantação da usina modelo, com a parceria tecnológica da companhia sueca ABB, foram instaladas mais de 100 câmeras de monitoramento no complexo de prédios de beneficiamento de Conceição 2. A automação requereu cerca de 7.300 instrumentos (dispositivos e sensores). A operação considera mais de 400 variáveis.
Segundo Bittar, foram desenvolvidas 51 soluções para eliminação de gargalos e para melhorias operacionais, que mostraram os ganhos já em três meses de operações no modelo controlado por inteligência artificial. “É a primeira usina 100% automatizada da Vale, usando IA industrial, IoT, sensoriamento avançado, sistema digital twin, realidade aumentada e virtual, cibersegurança.”
Os executivos informam que as pessoas da usina no modelo antigo foram retreinadas para a usina modelo ou outras funções, sem demissões. Para operar Conceição 2, foram qualificados 122 operadores, instrumentistas e líderes de operações, após passarem por operações simuladas. A usina funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, em turnos de trabalho.
A Vale, ressalta Bittar, não quer só pensar em usinas de beneficiamento modelo. Quer ir além. “Pensa em minas, portos e ferrovias modelo. Hoje, temos um porto inteligente no Rio, que será replicado em Tubarão, e estamos acelerando a agenda de veículos autônomos nas minas”.
Diário do Comércio - MG 15/06/2026
No melhor maio desde 2019 (portanto, antes da pandemia), a produção de veículos subiu 15,2% no mês passado, frente ao mesmo período de 2025, chegando a 253,5 mil unidades, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Na comparação com abril, houve alta de 6,3% na produção das montadoras.
Divulgado nesta sexta-feira, 12, pela Anfavea, entidade que representa o setor, o desempenho foi impulsionado pelos automóveis, cujas vendas subiram 28,1% no comparativo interanual, puxadas por modelos de entrada apoiados por descontos no IPI do programa Carro Sustentável.
No acumulado de janeiro a maio, a produção de veículos atingiu 1,13 milhão de unidades, um crescimento de 7,1% frente ao número registrado nos cinco primeiros meses do ano passado.
Vendas
As vendas somaram 274,7 mil veículos em maio, o melhor resultado mensal desde o início do ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta foi de 21,7%. Na margem – ou seja, na comparação de maio com abril -, houve crescimento de 10,6% nas vendas de veículos zero quilômetro.
Nos cinco primeiros meses do ano, foram vendidos 1,15 milhão de veículos, 16,4% acima do volume de um ano antes. Maio teve a melhor média diária de vendas desde dezembro de 2014, com 13,7 mil veículos emplacados a cada dia útil.
Exportações
Destaque negativo do balanço, as exportações, de 37,4 mil veículos em maio, caíram 29,9% ante o mesmo mês de 2025. Na comparação com abril, os embarques encolheram 13,4%. Com o resultado, as exportações desde o início do ano somam 179,9 mil veículos, uma queda de 20% na comparação com os cinco primeiros meses de 2025.
Emprego
O balanço da Anfavea mostra ainda que 1,2 mil vagas de trabalho foram criadas nas montadoras durante o mês passado.
As fábricas de veículos agora empregam 113,7 mil pessoas.
Infomoney - SP 15/06/2026
O mercado automotivo brasileiro atravessa um choque estrutural de oferta. Durante décadas, as montadoras tradicionais operaram com previsibilidade, focadas em margens elevadas e controle de produção.
Essa dinâmica foi rompida. A entrada agressiva de fabricantes chineses deflagrou uma guerra de preços inédita nas concessionárias do país.
Para protegerem suas fatias de mercado histórico, as marcas estabelecidas estão cortando valores nas tabelas. Presenciamos uma democratização acelerada do carro zero quilômetro.
O reajuste forçado nos preços viabiliza o acesso de extratos sociais que antes estavam excluídos dos showrooms corporativos. Em paralelo, esse movimento comercial provoca uma desvalorização acentuada e veloz nos segmentos de veículos usados e seminovos.
O choque de oferta e readequação de margens
A lógica do setor migrou de um modelo focado na preservação de margem de lucro para uma disputa por volume e sobrevivência de mercado. As montadoras asiáticas aportaram no Brasil com alta produtividade, cadeias de suprimentos verticalizadas e custo de capital subsidiado.
O objetivo inicial dessas operações não é o lucro imediato por unidade comercializada, mas a compra acelerada de participação de mercado perante o consumidor local.
As fabricantes tradicionais precisaram abandonar a premissa de maximização de lucro por chassi fabricado.
Para competir nas vitrines com a nova concorrência, essas empresas drenam suas margens e reposicionam seus portfólios de entrada com agilidade. Toda a cadeia de valor automotiva sofre um esmagamento financeiro.
Os concessionários parceiros precisam girar o estoque de maneira muito mais rápida para compensar a menor rentabilidade financeira observada por transação. O foco contábil passou a ser o giro de capital veloz.
As evidências em números e estimativas
Embora os dados oficiais de emplacamento flutuem mensalmente, estimativas de mercado indicam que as reduções de preços em modelos zero quilômetro alcançam faixas entre dez e quinze por cento durante campanhas de varejo agressivas.
Trata-se de uma resposta corporativa direta à política agressiva de preços dos novos modelos elétricos e híbridos importados.
No segmento paralelo de veículos usados, o reflexo contábil é puramente matemático. As curvas históricas de depreciação patrimonial estão acelerando.
Estimativas setoriais sugerem que veículos com até três anos de uso perdem valor em um ritmo cinco a oito por cento mais rápido em comparação com a média histórica registrada antes da atual ofensiva asiática.
A oferta de seminovos aumenta nas plataformas de venda, e a atratividade financeira do carro novo puxa a tabela de preços geral para baixo.
O efeito cascata na economia real
O impacto macroeconômico primário de curto prazo é o aquecimento da demanda por bens duráveis.
O consumidor médio que antes avaliava apenas a compra de um veículo com cinco anos de uso agora refaz as contas mensais para tentar financiar um modelo zero. Esse movimento ascendente exige atenção cirúrgica ao comportamento do mercado de crédito.
Os grandes bancos comerciais estão recalibrando os modelos de risco para este novo perfil de cliente, calculando milimetricamente o peso das parcelas na composição da renda familiar.
As locadoras de capital aberto enfrentam um dilema corporativo complexo. Por um lado operacional, essas companhias conseguem adquirir frotas novas com descontos industriais ainda maiores. Por outro lado contábil, o valor residual dos ativos físicos que já compõem a frota circulante despenca.
A revenda programada desses seminovos, que historicamente garantiu a rentabilidade líquida e financiou a expansão do setor, sofrerá compressão de margem severa. O giro de estoque nas lojas independentes também desacelera, exigindo níveis maiores de capital de giro dos pequenos varejistas regionais.
Neste cenário de readequação de forças produtivas, os potenciais vencedores imediatos são os consumidores finais, que ganham poder de compra substancial, e as instituições financeiras rigorosas capazes de precificar o risco de crédito com precisão estatística para um volume expandido de contratos.
O que avaliar antes de comprar um carro chinês
Entre os potenciais perdedores figuram as locadoras com dependência financeira aguda do valor de revenda de seminovos, as montadoras tradicionais travadas por estruturas de custo inflexíveis e os lojistas independentes posicionados com estoques antigos comprados com prêmio financeiro no passado.
Para avaliar criticamente se a redução contínua de preços gerará um crescimento de mercado sustentável ou apenas um pico de consumo temporário, alguns indicadores vitais exigem monitoramento constante.
Primeiro, a inadimplência automotiva de pessoa física, que sinaliza a capacidade real de pagamento estrutural do consumidor entrante.
Segundo, a variação da tabela FIPE contra os preços reais de transação executados nas lojas físicas.
Terceiro, as margens brutas de revenda reportadas oficialmente nos balanços das grandes locadoras listadas na bolsa.
Quarto, o mix mensal de vendas, medindo a proporção exata entre vendas diretas subsidiadas e vendas no varejo comum.
Quinto, as taxas médias de juros cobradas nos financiamentos, variáveis centrais para viabilizar o acesso comercial. Sexto, os volumes absolutos de importação registrados nos portos, que balizam o ritmo logístico da nova oferta asiática.
O avanço inorgânico: capital chinês na indústria automotiva ocidental
A atual guerra de preços atua como uma correção cíclica com consequências estruturais definitivas na indústria de mobilidade. O mercado brasileiro crescerá em volume total de vendas no curto prazo, alimentado por uma demanda popular reprimida e pelas barreiras financeiras de acesso notavelmente mais baixas.
Contudo, essa expansão operacional se sustenta sobre pilares estreitos de margens corporativas reduzidas e tomada agressiva de risco de crédito na ponta final.
A equação econômica de preços menores atrelados ao maior volume industrial testa os limites da resiliência financeira de toda a rede de produção nacional.
O setor optou por trocar rentabilidade imediata por fatia de mercado futura. O investidor diligente focado em fundamentos precisa desviar o olhar do simples volume recorde de emplacamentos noticiados pela mídia.
A métrica prioritária de análise financeira agora se concentra na capacidade de preservação de fluxo de caixa das empresas listadas e na rigidez técnica das carteiras de crédito bancário que tornam possível essa democratização do consumo automotivo.
Auto Industria - SP 15/06/2026
Diante do relevante crescimento de 86,6% na importação de carros chineses este ano, com total de 108,4 mil unidades no acumulado até maio ante 58,1 mil no mesmo período de 2025, o estoque de veículos estrangeiros também segue em alta no mercado brasileiro.
Conforme dados divulgados pela Anfavea, o número de veículos estocados atingiu 498 mil unidades em maio, das quais 329 mil importadas, a maioria proveniente da China. Esse estoque em abril era de 270 mil, alta de 21,8% no comparativo mensal dos importados.
Em contrapartida, o estoque de veículos nacionais baixou 2,3%, de 173 mil para 169 mil (veja tabela abaixo). Um volume estocado de quase 500 mil veículos equivale praticamente à metade da produção de veículos no país, que ficou na casa de 1,1 milhão até maio.
A elevação da alíquota de importação de veículos eletrificados para 35% em julho, com o porcentual igualando-se ao dos demais veículos, pode explicar, ao menos em parte, esse acréscimo significativo de compras lá fora, visto que os chineses focam a produção em modelos híbridos e 100% elétricos.
Com relação às importações totais, foram 55 mil unidades em maio e 223 mil nos cinco primeiros meses do ano, elevação de 17,4% sobre idêntico período de 2025, índice superior ao da alta de nacionais.
A China se destaca como país de origem, com a já citada alta de 86,6%. Na contramão desse movimento, as importações da Argentina caíram 16,8%.
Valor - SP 15/06/2026
Custo nacional da construção por metro quadrado em maio foi de R$ 1.953,08, sendo R$ 1.104,59 relativos aos materiais e R$ 848,49 à mão de obra
A inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) subiu 0,36% em maio, ante 0,72% em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de maio de 2025 foi de 0,43%.
Com o resultado, o indicador alcançou 6,93% no resultado acumulado em 12 meses, ante 7,01% nos 12 meses até maio.
O custo nacional da construção por metro quadrado foi de R$ 1.953,08 em maio, sendo R$ 1.104,59 relativos aos materiais e R$ 848,49 à mão de obra.
Money Times - SP 15/06/2026
O governo federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram uma nova linha de financiamento desenhada exclusivamente para o setor ferroviário. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (11), na sede da B3, em São Paulo (SP), durante o evento “Novos Caminhos sobre Trilhos”. A medida estende o prazo de pagamento dos empréstimos para até 40 anos, superando o teto tradicional de 30 anos praticado no mercado de infraestrutura.
A estratégia busca dar viabilidade financeira a contratos de longo prazo, atrair investidores internacionais e diversificar a matriz de transportes do país, historicamente dependente do transporte rodoviário. O Ministério dos Transportes estima até R$ 600 bilhões em investimentos por meio deste modelo e equipe econômica projeta que a ampliação da malha ferroviária reduzirá despesas com frete e, consequentemente, nos preços de produtos transportados.
Do total estimado para a carteira, cerca de R$ 160 bilhões correspondem a intervenções em trilhos já existentes e novas construções, enquanto outros R$ 160 bilhões devem vir do leilão de 17 terminais de carga na Ferrovia Norte-Sul. O BNDES atuará no repasse de recursos, na estruturação de debêntures incentivadas e na participação acionária via fundos, com previsão de R$ 140 bilhões em suporte público direto para avalizar as operações privadas.
O novo mecanismo de crédito prioriza oito corredores estruturantes espalhados pelo país. Entre os principais destaques está a Ferrogrão (EF-170), que prevê 933 quilômetros de extensão entre Sinop, em Mato Grosso, e Itaituba, no Pará, com o objetivo de escoar a produção de grãos do Centro-Oeste até os portos da Região Norte.
Na Região Sudeste, o foco inicial se volta para a EF-118, o Anel Ferroviário do Sudeste, que ligará Santa Leopoldina, no Espírito Santo, a São João da Barra, no Rio de Janeiro, em uma primeira etapa de 246 quilômetros. A carteira federal inclui ainda os corredores Fico-Fiol na Bahia, a Malha Oeste em Mato Grosso na fronteira com a Bolívia, além dos corredores Minas-Rio, Rio Grande, Mercosul e Paraná-Santa Catarina.
Calendário, cronograma e chineses
O cronograma de concessões do Ministério dos Transportes prevê uma sequência de disputas ao longo do ano. O Corredor Minas-Rio abriu o calendário no primeiro semestre, seguido pela previsão de leilões da Malha Oeste e do Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol) no terceiro trimestre.
Para o fim de 2026 estão programadas as concorrências dos corredores da Malha Sul, que abrangem o Rio Grande, o Mercosul e a ligação Paraná-Santa Catarina. Paralelamente, o Tribunal de Contas da União analisa os estudos da EF-118 para liberar a publicação do edital.
A articulação internacional também envolve uma aproximação com o mercado asiático. Em missão oficial na China, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, participou do evento de forma virtual e afirmou que o governo brasileiro estruturou essa carteira de projetos com base em modelos que consideram matrizes de risco inovadoras.
Além disso, o Brasil assinou um memorando de entendimento com o governo chinês para realizar estudos de viabilidade de um corredor bioceânico. O plano é conectar a malha brasileira ao Porto de Chancay, no Peru, para criar uma rota direta de exportação em direção ao Oceano Pacífico.
Valor - SP 15/06/2026
União tem feito uma combinação de renegociação e reequilíbrios contratuais envolvendo as companhias para concessão
O governo federal tem feito uma combinação de renegociações e reequilíbrios contratuais envolvendo Bamin, Rumo e VLI para destravar ainda neste ano a licitação da concessão do corredor Fico-Fiol (Ferrovia de Integração Centro-Oeste-Ferrovia de Integração Oeste-Leste).
O principal esforço tem sido destravar a venda da Bamin para a Mota-Engil, condição considerada fundamental para viabilizar a licitação. Isso porque a empresa detém a concessão do primeiro trecho da Fiol, que conecta Caetité (BA) a Ilhéus (BA), que ainda precisa ser concluído. Além disso, a companhia precisa construir o porto em Ilhéus (BA). Sem esses dois empreendimentos, o corredor fica sem acesso direto a um porto, o que tira sua atratividade.
A operação de venda da Bamin está em fase final, em análise pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O corredor Fico-Fiol que o governo planeja leiloar deverá ligar Mara Rosa (GO) até Caetité, onde se conectaria com o primeiro trecho da Fiol, da Bamin.
O tramo da Fico, no Centro-Oeste, está em construção pela Vale. A obra, entre Água Boa (MT) e Mara Rosa, é uma obrigação da mineradora, decorrente da renovação antecipada de outras concessões da empresa. Pelo acordo com a empresa - que passa por repactuação e deverá ser formalizado até setembro, na expectativa do governo -, o primeiro trecho da via, até Cocalinho (MT) ficará pronto até 2028.
Já o trecho da Fiol que deverá ser incluído na nova concessão está em construção pelo governo. Uma parte, de Caetité a Correntina (BA), deverá ser feita com investimento público, com obras contratadas, e o restante deverá ficar a cargo da nova operadora.
Outro fator relevante para a viabilidade econômica do novo corredor é sua conexão com a ferrovia Norte-Sul, na altura de Mara Rosa, em Goiás. Por isso, outra frente de atuação do governo tem sido promover reequilíbrios com a Rumo e a VLI, que operam os dois tramos da via.
No trecho em que há conexão com o corredor da Fico-Fiol, a operação da Norte-Sul é da Rumo - cuja concessão vai de Estrela D’Oeste (SP) a Porto Nacional (TO). Em direção ao Norte, a VLI detém a operação de Porto Nacional (TO) a Açailândia (MA), onde há conexão com os portos do Maranhão e por meio da Estrada de Ferro Carajás.
No caso da Rumo, a principal meta do governo tem sido assegurar uma capacidade maior de transporte da ferrovia, para que a carga adicional do novo corredor possa ser movimentada. A empresa do grupo Cosan defende que o contrato definiu como limite 30 toneladas por eixo, enquanto o governo quer garantir que este seja maior, de 32,5 toneladas por eixo.
O corredor Fico-Fiol que o governo quer leiloar deverá ligar Mara Rosa (GO) até Caetité (BA), onde se conectaria com o 1º trecho da Fiol
A Rumo entende que, para isso, teria direito a um reequilíbrio contratual de R$ 650 milhões, dado que o maior peso implicará em gastos adicionais com manutenção e que seria necessário reformar a estrutura dos trilhos.
Trata-se de uma discussão que precede o projeto da Fico-Fiol. A VLI, que já usa o trecho da Rumo para escoar sua carga para Santos (SP), já vinha insistindo que o padrão de 32,5 toneladas por eixo seria o correto e fosse adotado. A própria ANTT já havia decidido que o limite maior é o previsto no contrato, e que a Rumo não teria direito a compensação por ampliar a capacidade máxima. No entanto, a operadora recorreu da decisão, o que abriu um processo de arbitragem a respeito do tema, segundo fontes.
Recentemente, a Rumo também abriu um processo de reequilíbrio econômico-financeiro para discutir a questão. A expectativa é que o governo busque solucionar a controvérsia, por entender que se trata um fator importante para o leilão Fico-Fiol.
Em paralelo, há também negociações sobre um reequilíbrio com a VLI, para discutir pendências relativas ao trecho norte da ferrovia Norte-Sul. A ideia seria aproveitar o processo para incluir obras no tramo, como a construção de uma pera ferroviária, segundo fontes.
Uma das possíveis interessadas na concessão Fico-Fiol seria a própria VLI, ainda de acordo com pessoas a par do tema.
Pelo cronograma do governo federal, o edital da concessão deverá ser publicado em setembro, para que a licitação seja realizada ainda em dezembro deste ano. O projeto deverá receber aportes públicos, vindos da renegociação dos contratos ferroviários com a Vale.
No setor, a percepção é que o calendário é apertado e que será difícil viabilizar a tempo o leilão, considerando tantas variáveis. Ainda assim, a expectativa é que o projeto está avançando e deverá sair do papel nos próximos anos.
Procuradas, a Bamin e a Rumo não se manifestaram. A VLI disse, em nota, que “como grande ‘player’ do setor, avalia todos os projetos em curso, mas não irá se manifestar previamente sobre nenhum deles”. A empresa afirmou também que “participa de debates constantes sobre a expansão da capacidade logística na região”, mas que “ decisões relativas à implementação de novas estruturas ferroviárias integram o escopo da política pública e são de competência do governo federal”. A ANTT não se pronunciou sobre o tema.
Agência Brasil - DF 15/06/2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin disse nesta sexta-feira (12) que vai defender, junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), a retomada das obras da ferrovia Transnordestina no trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape. O percurso fica entre os municípios pernambucanos de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.
Em maio, a corte suspendeu a contratação das obras do trecho até a apresentação de estudos que indiquem a viabilidade do empreendimento. O pedaço da malha ferroviária foi retomado como obra pública depois de ter sido devolvido pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), em 2022.
“Nós vamos trabalhar junto ao TCU para liberar o mais rápido possível, porque esse trecho da Transnordestina que vem para a Suape já está licitado e contratado. É só o TCU dar o ok que as obras podem começar”, disse Alckmin, durante a inauguração do novo terminal de contêineres da APM Terminals, no Complexo Industrial Portuário de Suape.
A obra ferroviária é considerada estratégica pelo governo, que argumenta que a intervenção promove o desenvolvimento regional, a redução de custos logísticos e a geração de empregos.
O processo em tramitação no TCU relacionado à Transnordestina envolve a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o Ministério dos Transportes.
A corte de contas determinou que os envolvidos não assumam novos compromissos financeiros relacionados à retomada da construção do trecho, até que sejam demonstrados corretamente a pertinência e o benefício socioeconômico do projeto.
Na decisão, datada do dia 6 de maio, o órgão deu ainda o prazo de 30 dias para que a Infra S.A., responsável pela licitação do empreendimento, apresente um plano de ação atualizado para a conclusão de um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). O estudo utilizado para a obra foi elaborado em 2017.
“Isso [a entrega do estudo] pode ser concluído depois. Eu acho que é possível a gente poder avançar e ir já tocando as obras”, completou o vice-presidente.
No dia 28, o TCU determinou novos ajustes no processo de repactuação da concessão da Transnordestina, impondo restrições ao uso de recursos destinados à reestruturação da malha ferroviária.
A corte de contas proibiu que valores provenientes de indenizações e conversão de multas sejam utilizados para cobrir obrigações antigas da concessionária. Os recursos deverão ser destinados exclusivamente a novos investimentos na ferrovia.
Novo terminal de contêineres
Nesta sexta-feira, Alckmin participou da inauguração do novo terminal de contêineres da APM Terminals, empresa do grupo dinamarquês Maersk. Com capacidade inicial para movimentar cerca de 400 mil TEUs, termo em inglês usado para a medida padrão de um contêiner de 20 pés, o novo terminal amplia a capacidade de movimentação do complexo pernambucano em 55%.
Com operação totalmente eletrificada, o terminal recebeu investimentos de mais de R$ 2 bilhões. Além disso, a operação tem potencial de expansão para mais de 1,3 milhão de TEUs anuais.
“O terminal portuário é o primeiro do país e da América Latina 100% eletrificado, o que mostra preocupação com a questão ambiental”, afirmou Alckmin.
O vice-presidente também assinou, junto com o prefeito do Recife, Victor Marques, ordens de serviço para o início das obras de drenagem e urbanização dos canais da Mauricéia, no Ipsep, e do Sanbra, na Estância.
As obras fazem parte do pacote de investimentos do Ministério das Cidades para a prevenção de riscos de desastres e a adaptação climática das cidades brasileiras e contribuirão para o fim de alagamentos nos bairros Jardim São Paulo e Ribeira. Serão investidos mais de R$ 60 milhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), com recursos municipais e do Orçamento Geral da União (OGU).
Com o ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, Alckmin também participou da assinatura da ordem de serviço para início da dragagem e readequação da infraestrutura aquaviária do Porto do Recife. A obra contará com investimento federal de R$ 93,5 milhões, com execução prevista até dezembro de 2026.
Também foi formalizado o repasse de R$ 14,5 milhões para a substituição e a modernização das defensas dos berços de atracação do porto, estruturas responsáveis pela proteção das embarcações e dos cais durante as operações portuárias.
Diário do Comércio - MG 15/06/2026
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, anunciou no sábado (13) investimentos de mais de R$ 400 milhões para a realização de projetos e execução de obras de infraestrutura rodoviária no Centro-Oeste mineiro. O anúncio ocorreu após reunião com prefeitos e deputados na Praça de Serviços do Governo Presente, em Divinópolis, capital provisória do Estado até a próxima segunda-feira (15).
As obras e os projetos anunciados para a região têm previsão de serem realizados nos próximos cinco anos e terão como fonte de recursos a receita obtida com a privatização da Copasa.
“Estou anunciando, neste momento, investimentos para os anos de 2026, 2027 e 2028 e, ainda, um conjunto de projetos que poderá ser realizado em 2029 e 2030”, destacou o chefe do Executivo estadual.
Para este ano, está prevista a ordem de início da obra de revitalização da MG-423, entre a BR-262 e a BR-352, com investimento de R$ 3 milhões; a revitalização da MG-252, entre a cidade de Perdigão e o entroncamento com a BR-494, com previsão de gastos de R$ 1 milhão; a revitalização da MG-170, entre Arcos e a BR-262, em um trecho de 20 quilômetros, com investimento de R$ 13 milhões; a revitalização da MG-2030, entre Formiga e a MG-050, com mais R$ 1 milhão; e a revitalização da MG-260, entre Cláudio e a BR-494, abrangendo 15 quilômetros de rodovia recuperada, em uma obra superior a R$ 5 milhões.
Ainda em 2026, será realizada a obra de restauração da MG-170, entre Arcos e Corumbá. Além das intervenções nas rodovias da região, está prevista a contratação dos projetos de ligação asfáltica entre Bambuí e Luz, passando por Esteios; do asfaltamento entre Pompéu e Silva Campos, em um trecho de 18 quilômetros; e do contorno de Bambuí, que terá 3,5 quilômetros de extensão.
“Então, esses três projetos são de pavimentação e nós vamos contratá-los este ano. Também vamos elaborar projetos de aumento de capacidade e recuperação de estradas que já são asfaltadas. Ainda vamos firmar um convênio para elaborar o projeto da estrada entre Conceição do Pará e o Santuário, que hoje é uma ligação de terra. Esses investimentos de 2026 somam mais de R$ 70 milhões”, detalhou o governador Mateus Simões.
Para 2027, está previsto o início da obra da MG-170, entre a BR-262 e a cidade de Arcos, um investimento de R$ 53 milhões em 63 quilômetros de rodovia. Além disso, serão iniciadas as obras do primeiro lote da MG-430, no trecho entre Igaratinga e São Gonçalo do Pará, e a duplicação da ponte de Santana do Jacaré.
“As obras de 2027 somam R$ 180 milhões. Nós temos, então, um investimento previsto de R$ 250 milhões para este e o próximo ano. Ainda estamos reservando R$ 150 milhões para que, quando os projetos estiverem prontos, possamos definir quais serão priorizados. É possível que, com os projetos em mãos no ano que vem, tenhamos condições de emitir ordens de serviço para vários deles já no início de 2028. São mais de R$ 400 milhões em asfalto anunciados para a região neste momento”, concluiu o governador.
Exame - SP 15/06/2026
O Consórcio 116 Sertões, vencedor do leilão de concessão da Rota dos Sertões, investirá pelo menos R$ 8,5 bilhões para administrar 502 km de vias e realizar melhorias em um dos principais corredores logísticos do Nordeste, que liga Feira de Santana, na Bahia, a Salgueiro, em Pernambuco.
O contrato, que contempla trechos das rodovias BR-116 e BR-324, passando por 16 municípios nos dois estados, determina que, do valor total, R$ 4,1 bilhões sejam destinados a obras, infraestrutura e equipamentos, e os outros R$ 4,4 bilhões a despesas operacionais de manutenção e administração.
A concessão terá duração de 30 anos a partir de sua assinatura, que deve ser concretizada nos próximos meses, e prevê a duplicação de cerca de 100 km de rodovias, além de outros compromissos como a instalação de sistemas inteligentes de monitoramento e de 10 bases de serviço de atendimento ao usuário.
Também deve ser construído pelo menos um ponto de parada e descanso para motoristas profissionais, além da implantação de acostamentos, novos retornos e passarelas.
O acordo projeta, ainda, a geração “de cerca de 60 mil empregos, redução de acidentes e ganhos ambientais” ao longo da rota, que é fundamental no escoamento da produção agropecuária e industrial da região, além de conectar centros urbanos, polos industriais e mercados consumidores.
Nesse sentido, a Nova Infra Invest, que integra o consórcio ganhador por meio da NEO Invest, destacou que, sob a gestão do 116 Sertões, o corredor logístico terá um papel ainda mais estratégico na integração regional e no transporte de cargas, além de impulsionar o desenvolvimento econômico das comunidades no seu entorno.
A companhia brasileira também ressaltou que as reformas e benfeitorias que serão realizadas proporcionarão melhorias nas operações logísticas da região e uma diminuição das emissões de CO2.
"(Isso) consolida a nossa capacidade de investir e operar ativos estratégicos com uma governança sólida e uma visão de longo prazo", enfatizou o CEO de Nova Infra Invest, Paulo Melo.
Um dos maiores leilões do Nordeste
O Consórcio 116 Sertões disputou o controle da Rota dos Sertões com os grupos Atlas Rodovias e Via dos Sertões durante um leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), no último dia 28 de maio.
Um maior desconto sobre a tarifa básica de pedágio para a via, já prevista no edital do projeto, foi o que definiu o vencedor, que propôs um abatimento de 19,6% e superou o segundo colocado por uma diferença de apenas 0,1 no valor da porcentagem de deságio ofertada.
Segundo o Ministério dos Transportes, este foi o primeiro e maior leilão rodoviário do Nordeste promovido pelo Governo Federal desde 2023.
Além da Nova Infra Invest (NEO Invest), o consórcio ganhador do pregão está integrado também pela portuguesa Mota-Engil e pelo fundo de investimentos Galápagos.
Valor - SP 15/06/2026
Três grandes estaleiros japoneses planejam retomar por volta de 2035 a construção doméstica de navios transportadores de gás natural liquefeito (GNL), em uma iniciativa conjunta para produzir de três a cinco embarcações por ano e recuperar uma capacidade considerada estratégica para a segurança energética do país.
O projeto reúne as empresas Imabari Shipbuilding, Kawasaki Heavy Industries e Namura Shipbuilding, que pretendem compartilhar conhecimento técnico e mão de obra especializada para reativar a produção nacional de navios de GNL, interrompida desde a entrega da última embarcação, em 2019.
O plano principal prevê o uso do estaleiro de Sakaide, da Kawasaki Heavy, na província de Kagawa. O governo japonês também estuda conceder subsídios a compradores para viabilizar economicamente a iniciativa.
A retomada da construção desses navios deverá integrar um roteiro de investimentos público-privado que será elaborado ainda neste mês pelo Conselho para a Estratégia de Crescimento do Japão. O setor naval está entre as 17 áreas prioritárias da administração da primeira-ministra Sanae Takaichi, e a recuperação da capacidade de produzir navios de GNL é vista como um dos pilares dessa estratégia.
O Japão importa 98% do GNL consumido internamente, utilizado tanto na geração de energia quanto no abastecimento de gás encanado para residências. Apesar da importância dessas embarcações para garantir o fornecimento de energia, os fabricantes japoneses perderam espaço diante da concorrência de estaleiros da Coreia do Sul e da China, que oferecem custos mais baixos.
Cerca de 100 navios de GNL operam atualmente no abastecimento do mercado japonês. Como a vida útil dessas embarcações é de aproximadamente 20 anos, a produção anual de três a cinco unidades seria suficiente para manter a capacidade necessária de transporte.
O desafio é que, após mais de cinco anos sem construir esse tipo de embarcação, o Japão perdeu parte da cadeia de fornecedores especializada. Além disso, os estaleiros locais já não dominam plenamente a tecnologia de fabricação dos tanques esféricos de armazenamento de GNL, hoje padrão no setor.
Para superar essa limitação, as empresas avaliam buscar apoio tecnológico de fabricantes sul-coreanos, que lideram esse segmento, além de cooperação com uma empresa francesa detentora de licenças relacionadas à tecnologia.
A Coreia do Sul responde por cerca de 70% da produção mundial de navios de GNL, enquanto a China fornece praticamente todo o restante. Diante da escassez de mão de obra e do avanço tecnológico dos concorrentes chineses, grupos sul-coreanos também veem vantagens em uma eventual parceria com o Japão.
Executivos do setor afirmam, porém, que o retorno da atividade exigirá apoio governamental, já que a construção de navios de GNL é significativamente mais complexa do que a de embarcações convencionais. Os subsídios em estudo serviriam para compensar a diferença de preço em relação aos modelos produzidos na Coreia do Sul e na China.
Nas décadas de 1980 e 1990, estaleiros japoneses lideravam o mercado global de navios de GNL. Além de Imabari e Kawasaki Heavy, a Mitsubishi Heavy Industries também era uma das principais fabricantes. A participação do país, porém, despencou nos anos 2000, quando concorrentes sul-coreanos apoiados pelo governo passaram a oferecer preços mais competitivos. Empresas chinesas ampliaram a pressão nos anos seguintes.
Com o aumento dos riscos geopolíticos e das preocupações com a segurança das cadeias de abastecimento, o Japão voltou a considerar estratégica a capacidade de construir suas próprias embarcações para transporte de GNL.
Portos e Navios - SP 15/06/2026
O governo federal anunciou um pacote da ordem de R$ 115 milhões para o Porto do Recife. Em agenda em Pernambuco na última sexta-feira (12), o ministro de portos e aeroportos, Tomé Franca, acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin, assinaram a ordem de serviço para início das obras de dragagem, além da formalização de recursos para modernizar as defensas dos cais, a renovação da delegação do porto ao governo do estado e a entrega do Museu do Porto do Recife.
Alckmin destacou que os investimentos para aprofundar o calado vão permitir a chegada de navios maiores e aumentar a segurança das operações com a modernização dos sistemas de defensas. Com investimento federal de mais de R$ 100 milhões, a obra integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e permitirá ao porto operar com profundidade mínima de 12 metros, ampliando sua capacidade de receber embarcações maiores e mais eficientes. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos até dezembro de 2026.
Também foi formalizado o repasse de R$ 14,5 milhões para substituir e modernizar os sistemas de defensas dos berços dos cais 00 ao 09. A intervenção busca aumentar a segurança das operações portuárias e melhorar as condições de atracação das embarcações. A conclusão das obras está prevista para maio de 2027.
Gestão
Durante a agenda, também foi assinada a renovação do convênio de delegação do porto, prorrogando por mais cinco anos a administração e exploração pelo governo de Pernambuco. Com a medida, a delegação passa a vigorar até 1º de junho de 2031. De acordo com o MPor, a renovação incorpora um plano de ação para aperfeiçoar a gestão, a infraestrutura e os serviços portuários. Todas as receitas geradas pela exploração da infraestrutura portuária deverão ser reinvestidas no próprio porto, em ações de manutenção, conservação, expansão e modernização.
O diretor-presidente do porto, Wagner Maciel, ressaltou que o Porto do Recife contribui muito para a economia pernambucana escoando cargas como malte, açúcar, bobinas de aço, fertilizantes e cargas conteinerizadas. “A nova delegação nos permite colocar em ação um novo plano de investimentos essencial para a economia pernambucana, que inclui a dragagem de manutenção e renovação do sistema de defensas”, disse Maciel.
Petro Notícias - SP 15/06/2026
Nos últimos três anos, os investimentos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) na Região Norte resultaram na entrega de 70 embarcações e somaram R$ 406,7 milhões em financiamentos destinados à construção, reparo e modernização da frota nacional, gerando cerca de 3.114 empregos diretos. Os recursos incluem a construção de balsas mineraleiras, barcaças e rebocadores portuários, fundamentais para o transporte de cargas nos rios amazônicos, projetos estratégicos para a logística regional. As iniciativas ampliam a eficiência e a segurança das operações fluviais e fortalecem a cadeia produtiva da indústria naval, estimulando a atividade de estaleiros, fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços especializados. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse que “O Fundo da Marinha Mercante apoia projetos que movimentam a economia regional, fortalecem os estaleiros nacionais e contribuem para uma navegação cada vez mais eficiente e integrada, além de gerar empregos e movimentar a economia.“
Entre os projetos entregues com apoio do Fundo, destaca-se a construção de cinco balsas mineraleiras pelo Estaleiro Rio Amazonas (Eram), empreendimento que recebeu R$ 31,82 milhões em investimentos e gerou 260 empregos diretos. No mesmo estaleiro, foram construídas seis barcaças, um projeto de R$ 27,42 milhões, que vai ampliar a capacidade logística do transporte hidroviário na região amazônica. Também foram feitas a docagem e o reparo de dois rebocadores portuários, projeto de R$ 15,21 milhões com geração de 66 empregos diretos. A iniciativa contribui para a modernização da frota empregada nas operações hidroviárias da Região Norte. Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier(esquerda), os financiamentos também desempenham papel importante na expansão da infraestrutura aquaviária brasileira. “A navegação interior é estratégica para o desenvolvimento da Região Norte. Os investimentos apoiados pelo Fundo contribuem para ampliar a capacidade operacional do setor, fortalecer a logística regional e promover um transporte mais eficiente e sustentável.“
Outro projeto de grande importância para a região foi a entrega de 20 embarcações destinadas ao transporte mineral pelo Estaleiro Juruá, em Iranduba (AM). Com financiamento de R$ 127,87 milhões, a iniciativa gerou 1.040 empregos diretos e contribuiu para ampliar a capacidade logística dos corredores hidroviários amazônicos. O diretor de Navegação e Fomento da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, Daniel Aldigueri(direita), explica que os projetos financiados pelo Fundo geram impactos que vão além dos estaleiros. “São investimentos que ampliam a eficiência dos corredores logísticos aquaviários, fundamentais para a competitividade do país.”
O Fundo da Marinha Mercante financia projetos de construção, modernização, reparação e manutenção de embarcações, além da ampliação e modernização de estaleiros. A iniciativa integra a política do Governo Federal de fortalecimento da indústria naval e da infraestrutura logística, contribuindo para a renovação da frota nacional, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico sustentável. A próxima rodada de avaliação de propostas ocorrerá durante a 63ª Reunião Ordinária do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM), prevista para 14 de julho, quando serão analisados novos projetos para a indústria naval e o transporte aquaviário.
Petro Notícias - SP 15/06/2026
De olho em ampliar sua presença no pré-sal da Bacia de Campos, a Petrobrás comprou 50% de participação da Equinor no bloco exploratório Itaimbezinho. Com a conclusão da operação, o consórcio passará a ser formado pela Equinor, que permanecerá como operadora com 50% de participação, pela Petrobrás, também com 50%, e pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), na condição de gestora do contrato de partilha de produção.
Segundo a Petrobrás, a parceria amplia as sinergias entre as duas empresas na Bacia de Campos, onde já atuam conjuntamente em outros projetos, como o desenvolvimento de Raia e a licença exploratória de Jaspe. A companhia destacou que a aquisição está alinhada à sua estratégia de longo prazo para recomposição de reservas de petróleo e gás natural, por meio da exploração de novas áreas e da atuação em parceria com outras empresas do setor.
A conclusão do negócio ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores competentes, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além do cumprimento das demais condições precedentes previstas no contrato.
Valor - SP 15/06/2026
Quebra do paradigma, com preço net back, será inovação maior
Anunciado algumas vezes, está em curso o choque de oferta no mercado de gás natural. Até 2031, a produção nacional dobrará e haverá menor pressão sobre o preço. O valor atual inviabiliza seu uso como matéria-prima. Por isso, os fertilizantes nitrogenados, usados na agricultura, e o metanol, um petroquímico básico para produzir biodiesel e resinas para madeiras, foram integralmente importados em 2024; uma situação que perdura. A oportunidade para substituir as importações e reverter o declínio da indústria é única.
A responsável pelo choque será a Petrobras. No momento, recupera posições estratégicas. Entre grandes petroleiras, até há pouco, só ela não operava ativos petroquímicos. Também diferente das demais, há quatro anos, não tem mais nada no transporte e distribuição de gás natural. A dependência em relação aos fertilizantes nitrogenados e seu custo não passaram desapercebidos. É a ocasião para ganhar escopo, retornar à petroquímica, ao mesmo tempo em que dá destino mais proveitoso e diverso ao gás do pré-sal.
No exterior, a guerra da Ucrânia, as tarifas de Trump e o fechamento de Ormuz anunciam incertezas futuras quanto ao gás natural, fertilizantes e outros petroquímicos. A complexidade da produção e da geopolítica global merece atenção. Vale revisar certas cadeias produtivas e a formação de seus preços, para entender a lógica das petroleiras e não só delas. Brevemente e de trás para frente, a ureia granulada é um fertilizante nitrogenado derivado da ureia que provém da amônia que, por sua vez, é produzida pela transformação do metano contido no gás natural. Ele responde por 60% do custo da amônia.
Além do preço do gás, os investimentos somam valores incomuns, até quando tomados isoladamente. A montante, contando com gás associado (a extração é paga pelo petróleo), será preciso US$ 1,5 bilhão para separá-lo e escoá-lo. A UPGN para tratá-lo está orçada em US$ 0,5 bilhão. As unidades para fabricar amônia, ureia e granulá-la, em conjunto, custariam entre US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões nos EUA. Na África, um projeto na Etiópia, está em torno de US$ 4,5 bilhões. São fábricas de porte global com projetos elaborados por poucas empresas: Thyssen, Saipem e HoneywellUOP. Somando tudo, do poço ao fertilizante, a despesa fica entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. Outrossim, no melhor cenário, o início das operações demandará entre 4 e 5 anos.
As somas são descomunais e, por isso, sem fornecimento e preço garantidos por vinte anos, projetos do tipo nunca sairão do papel. Estimar o preço do gás no longo prazo é um desafio tendo em vista a volatilidade e inexistência de um mercado mundial. Fora as crises, os preços europeus são quatro vezes maiores que nos EUA e cinco a seis vezes na Ásia. No Brasil, a regra de aproximação é apreciá-lo a partir de um décimo do valor do petróleo em energia equivalente. Historicamente, o preço do gás foi atrelado ao óleo, para competir com seus derivados. Isso reduz a desvantagem concorrencial, mas, não mitiga a volatilidade.
Nos últimos trinta anos, ocorreu uma transformação profunda dos mercados com o gradual descolamento do gás em relação ao petróleo. Três fatores se combinaram: a penetração na geração elétrica, o transporte de GNL por metaneiros e o gás não convencional nos EUA. Em 2024, apenas 18,5% dos negócios foram indexados ao óleo, segundo a União Internacional do Gás (IGU). Praticamente metade, ou 49% dos negócios, teve como referência preços de mercados do próprio gás (HH, TTF e JKM). Os novos contratos e as vendas de GNL a preço spot demonstram a notável liquidez e envergadura deste comércio.
Fora a indexação ao petróleo e os índices próprios ao gás, boa parte do volume restante, um quarto, foi negociado a preços regulados, em geral, baseados no custo de serviço e nos impactos sociais de seu uso. Por fim e é o que interessa, talvez 5%, ou até menos deste volume foi vendido seguindo uma fórmula denominada net back price. O preço do gás é combinado entre comprador e vendedor de forma a dividirem risco e margem ao final da cadeia produtiva.
No lugar de indexado ao barril, ou aos mercados regionais do gás, ou ainda regulado, ou fixo, seu valor será função do preço da amônia, ureia, ou do metanol. Como mais de 60% do custo depende do gás, o produtor desiste de estabelecer seu valor a priori, em troca de participar da adição deste em sua transformação. Trata-se da mesma lógica que empurra as petroleiras a verticalizar as atividades petroquímicas, ou das empresas químicas na direção oposta, de incorporarem à produção de gás.
A fórmula do preço net back é uma alternativa à verticalização. A modelagem é feita sob medida para o uso do gás como matéria-prima. Para petroleira, uma vantagem adicional à participação no valor a jusante repousa na diversificação com um consumo-âncora: volumoso, regular e localizado. Ele permite alavancar a procura por gás. Para grande petroquímica, ela controla mais da metade do seu custo. Considerando a volatilidade do preço, tem-se também alguma previsibilidade orçamentária. Além de tudo, assegura-se o retorno das inversões nas diferentes unidades produtivas, o que facilita a complexa engenharia financeira e faz o negócio viável.
No Brasil, um tal mecanismo contratual seria uma revolução nos costumes. Por aqui, os preços sempre foram indexados ao óleo e, recentemente, alguns à paridade de importação do GNL, quando não aos preços nos EUA, o Henry Hub. Sem um mercado mundial a servir de referência, qualquer indexação do tipo está distante da realidade brasileira. Pior, trata-se de um gargalo estrutural na formação do preço que impede de gerar mais valor.
A iminência de um choque de oferta, com a duplicação do volume de gás doméstico, faz antever uma mudança estrutural. Seguindo uma lógica puramente comercial, a implementação de um preço net back está alinhada à realidade da petroquímica. No Brasil, a quebra do paradigma, com a adoção de um modelo contratual baseado no net back, será uma inovação maior, pois, permite superar os entraves que, historicamente, impediram investimentos greenfield em plantas de metanol, amônia e ureia.
O aproveitamento do gás natural, a autonomia nos fertilizantes e a produção de metanol podem reverter o declínio da indústria química. Não faltam modelos de negócios, mecanismos de preço e contratos bilaterais para construir parcerias duradouras entre detentoras de reservas e firmas petroquímicas.
Os métodos para fixar o preço, indexados ao óleo, ou referenciados ao próprio gás em mercados no exterior não correspondem à situação brasileira e não viabilizam alianças entre as empresas. Ao contrário, adotando um preço do gás calculado de trás para frente, elas fariam uma revolução em termos da correta apreciação do seu valor como matéria-prima.
Carlos Alberto Lopes, economista, é diretor da Consultoria ChemVision.
Luís Eduardo Duque Dutra, economista, é professor da Escola de Química da UFRJ.
Exame - SP 15/06/2026
Os preços do petróleo caíam na noite deste domingo, 14, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país fechou um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial.
Por volta das 19h (horário de Brasília), os futuros do petróleo americano (WTI) caíam 4,8%, a US$ 80,80 o barril, enquanto o Brent, referência internacional, recuava 3,9%, a US$ 83,89.
O movimento marca uma forte reversão: mesmo após as quedas dos últimos dias, os preços ainda acumulavam alta de mais de 20% desde o início da guerra, no fim de fevereiro, quando chegaram a superar os US$ 110 o barril.
"Deixem o petróleo fluir"
"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora completo", escreveu Trump em sua rede social.
Segundo o presidente, o Estreito de Ormuz será reaberto sem sistema de tarifas e os Estados Unidos encerrarão imediatamente o bloqueio naval imposto ao Irã. "Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!", afirmou.
O anúncio veio na esteira da declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador. Ele afirmou que Washington e Teerã declararam o fim "imediato e permanente" das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano, e que a cerimônia oficial de assinatura do acordo de paz ocorrerá na próxima sexta-feira, 19 de junho, na Suíça.
A maior interrupção da história
O bloqueio do Estreito de Ormuz provocou a maior interrupção de oferta de petróleo da história. A passagem concentrava cerca de 20% do abastecimento mundial até que o tráfego de petroleiros despencou no início de março, após ataques iranianos na região.
A expectativa do mercado é que o fluxo se normalize rapidamente caso o acordo se confirme.
O presidente da Frontline, uma das maiores empresas de transporte de petróleo por navios-tanque, disse à CNBC na semana passada esperar uma retomada veloz do tráfego pela rota assim que houver um entendimento crível entre os dois países.
"Estou muito otimista de que, no minuto em que a maré virar e EUA e Irã encontrarem algum tipo de acordo, ao menos de não atacar embarcações, essas travessias vão recomeçar bem rápido", afirmou Lars Barstad.
Exame - SP 15/06/2026
A Copa do Mundo de 2026 já começou oficialmente: a primeira partida foi nesta quinta-feira, 11, e abriu o campeonato realizado em conjunto pelos países da América do Norte: Estados Unidos, México e Canadá serão sede das partidas das 48 nações participantes.
Hoje, às 16h, o Canadá faz sua estreia contra a Bósnia e Herzegovina, diante de torcedores ansiosos e sob os olhos do mundo. Fora dos gramados, porém, o país enfrenta outro tipo de desafio: conciliar sua economia ainda muito ligada ao petróleo com políticas climáticas e de proteção ambiental ambiciosas.
Em dezembro de 2025, o Canadá registrou seu maior volume mensal de produção de petróleo bruto e equivalentes, reforçando seu papel como potência energética global. Ao mesmo tempo, o governo mantém metas climáticas robustas: reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 40% a 45% abaixo dos níveis de 2005 até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050.
Para o setor de petróleo e gás, foi proposto um teto de emissões com corte de 35% a 38% até 2030, desenhado para reduzir poluição sem necessariamente travar a produção.
Petróleo vs transição no Canadá
Apesar de ser um grande produtor de petróleo, a matriz elétrica do Canadá é relativamente limpa. Em 2024, 63,9% da eletricidade derivava de fontes renováveis. Em 2026, o número conquistou a um aumento tímido, chegando aos 65%.
A matriz do país ainda conta com 78% de fontes sem emissão de gases de efeito estufa, como de hidrelétricas, eólicas, solares e nucleares. O país conta com Regulações para a Eletricidade Limpa (tradução literal de Clean Electricity Regulations) impõem limites às emissões de usinas fósseis a partir de 2035, com o objetivo de alcançar um sistema elétrico de emissões líquidas zero até 2050.
O país também busca avançar na proteção ambiental e na conservação de seus recursos naturais. O Canadá aderiu ao compromisso internacional de proteger 30% das terras e oceanos até 2030, detalhado na estratégia nacional “A Force of Nature”. Em 2026, foi lançado o Forest Sector Action Plan, que pretende transformar o setor florestal, proteger empregos e acelerar a transição industrial sustentável.
Todas essas políticas climáticas estão formalizadas na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Canadá no âmbito do Acordo de Paris, reafirmando a redução de 40%-45% das emissões até 2030 e a meta legal de atingir emissões líquidas zero até 2050.
O contraste entre o aumento da produção de petróleo e a ambição climática gera críticas de organizações ambientais e analistas de clima, mas também mostra um país tentando equilibrar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
O Estado de S.Paulo - SP 15/06/2026
Poucos países demonstraram tanta determinação na busca pela segurança alimentar quanto a China. Essa preocupação não é nova, mas sua natureza e seus instrumentos transformaram-se profundamente em 70 anos de Planos Quinquenais.
A China de hoje é o maior produtor, consumidor e importador mundial de produtos agropecuários e enfrenta um paradoxo: com apenas 6% da água doce, 8% das terras aráveis e 15% da população mundial, tornou-se crescentemente dependente de importações para sustentar décadas de urbanização acelerada e expansão do consumo de proteína animal. Hoje corre a trilha inversa: reduzir essa dependência por meio de tecnologia, produtividade e novas fontes de alimentos.
O instrumento central desse esforço são os Planos Quinquenais, documentos de planejamento estatal que, desde 1953, definem as prioridades de desenvolvimento do país. Em 70 anos e 15 ciclos, o papel da agricultura mudou radicalmente.
As cinco fases da segurança alimentar na China
Fase 1 | 1953–1980 (1º ao 5º Plano): Subordinação - A agricultura a serviço da industrialização maoísta
Os primeiros cinco planos quinquenais foram formulados sob a lógica do socialismo soviético: a agricultura deveria fornecer braços, alimentos e recursos para financiar a industrialização acelerada do país.
O mecanismo operava com coletivização total da propriedade rural, preços agrícolas artificialmente baixos — transferindo renda do campo para a cidade — e metas de produção infladas que levavam o Estado a extrair mais do que o campo podia entregar.
A tragédia maior foi o Grande Salto Adiante (1958-1962): Mao tentou industrializar e coletivizar o campo ao mesmo tempo, com camponeses fundindo aço em fornos improvisados enquanto as colheitas apodreciam. O resultado foi a maior fome da história moderna, com mais de 30 milhões de mortos. Quando Mao morreu em 1976, a China tinha uma agricultura coletivizada, estagnada e incapaz de alimentar adequadamente sua população.
Fase 2 | 1981–2000 (6º ao 9º Plano): Reabilitação - Da coletivização ao mercado e à promessa de autossuficiência
A ruptura com o modelo maoísta começou em 1978, na aldeia de Xiaogang (Anhui): 18 famílias se reuniram para dividir entre si as terras da comuna, onde cada família cultivava seu pedaço, entregaria a cota ao Estado e ficaria com o excedente. Era ilegal e funcionou: a colheita de 1979 superou a soma dos 20 anos anteriores. Deng Xiaoping não puniu a experiência; legitimou-a. O sistema de responsabilidade familiar foi adotado nacionalmente: a terra continuava coletiva, mas com direito de uso privado. As 54.000 comunas foram dissolvidas até 1984 e, consequentemente, a produção agrícola cresceu 50% entre 1978 e 1985, sem aumento de área. A China fixou a meta de 95% de autossuficiência em grãos.
Fase 3 | 2001–2010 (10º ao 11º Plano): Integração ao mercado global - A China entra na OMC e abraça a dependência estratégica
A adesão à OMC em 2001 representou uma inflexão decisiva para seu sistema agroalimentar. A China aceitou implicitamente que sua vantagem comparativa estava na manufatura, não na agricultura. O campo fornecia mão de obra para as fábricas, e as exportações industriais pagavam as importações agrícolas.
As importações de soja, que eram marginais antes de 2001, explodiram ao longo da década. A China passou de exportador a importador líquido de alimentos em 2003. Em 2010, o país já era o maior importador mundial de soja, com uma cadeia de abastecimento fortemente concentrada no Brasil e nos Estados Unidos. A integração ao mercado global havia funcionado como mecanismo rápido e eficaz de estabilização do abastecimento.
Fase 4 | 2011–2020 (12º ao 13º Plano): Modernização - A agricultura vira setor estratégico. E a redução da pobreza rural, meta de Estado
Esse período foi marcado por uma transição: a agricultura deixou de ser tratada apenas como problema de volume e passou a ser modernizada com metas de mecanização, irrigação e tecnologia de sementes. A China atingiu 100% de autossuficiência em arroz e 95% no trigo.
O 13º Plano foi dominado pela eliminação da pobreza rural extrema até 2020 — promessa histórica do Partido Comunista, cumprida e anunciada como vitória civilizatória.
Fase 5 | 2021–2030 (14º ao 15º Plano): Securitização: Segurança alimentar = segurança nacional – e ambição de potência agrícola global
O 14º Plano (2021-2025) representou a ruptura conceitual mais significativa desde que Xiaoping dissolveu as comunas. Pela primeira vez, a segurança alimentar foi incluída em um capítulo dedicado à segurança econômica nacional, ao lado de energia e finanças. Esta mudança de localização no documento não foi cosmética. Isso sinalizou que a vulnerabilidade alimentar passaria a ser tratada como risco existencial do Estado.
O gatilho foi uma convergência de choques: a guerra comercial com os EUA (2017) mostrou que a soja podia ser usada como pressão geopolítica; a pandemia expôs a fragilidade das cadeias globais; e a guerra na Ucrânia perturbou o mercado de grãos e fertilizantes. Xi Jinping passou a mencionar segurança alimentar em média uma vez a cada cinco dias em 2022.
O 15º Plano (2026-2030), publicado em 13 de março de 2026, aprofunda essa ambição: elevar a produção de grãos para 725 milhões de toneladas anuais (mais que o dobro da produção brasileira), atingir 85% de autossuficiência em sementes, elevar a taxa de mecanização a mais de 80% e expandir as terras agrícolas de alto padrão com irrigação e gestão digital.
O plano introduz a “Grande Abordagem Alimentar”: além dos grãos tradicionais, a China passa a incluir tecnologias de biologia sintética, biotecnologia, biomanufaturas e outras fontes alternativas como parte da estratégia de segurança alimentar — ainda sem metas numéricas específicas e sem mecanismos de indução de demanda.
O plano preserva uma dimensão social essencial: a China ainda tem 180 milhões de trabalhadores rurais, na maioria pequenos produtores idosos com área média de menos de meio hectare. Os contratos de terra serão estendidos por 30 anos, e a mecanização compensará a escassez de mão de obra jovem.
China passa a importar em escala crescente, e Brasil vira principal fornecedor
Em 70 anos, a agricultura chinesa percorreu o caminho mais longo possível: de instrumento de extração para a indústria a componente de segurança nacional e fronteira tecnológica.
O êxodo rural de mais de 200 milhões de trabalhadores nesse período esvaziou os campos e envelheceu a população agrícola. Mas foi o motor do crescimento industrial e criou uma classe média emergente com renda e hábitos alimentares próximos aos ocidentais: mais carne, mais laticínios, mais alimentos processados.
Para sustentar essa dieta, a China passou a importar em escala crescente, e o Brasil tornou-se seu principal fornecedor. A China precisa de proteína animal e vegetal que não consegue produzir em quantidade suficiente; o Brasil tem terra, água, tecnologia e capacidade de expansão que a China não tem. O resultado foi uma integração profunda entre a demanda chinesa por proteína e a oferta brasileira. As exportações agro do Brasil para a China cresceram a quase 20% ao ano desde 2000, chegando hoje a US$ 55 bilhões anuais.
Entre 2000 e 2025, a relação exportações sobre a produção alimentar brasileira (em calorias) passou de 28% para mais de 45%. No mesmo período, a participação das importações totais no consumo alimentar chinês aumentou 5% ao ano, mais que triplicando de 5% para 16%. Mas o ponto de atenção é que, após um pico de importação sobre consumo de 21% em 2020, a China parece ter entrado, de fato, em um ciclo de desaceleração.
A resposta chinesa a esse novo contexto de dependência ocorreu por meio de investimentos maciços em biotecnologia agrícola, melhoramento de sementes, mecanização, sistemas de produção animal verticalizados e desenvolvimento de proteínas alternativas — dentro da lógica do playbook industrial detalhado abaixo (em China’s Food Future – Análise do estudo da consultoria Systemiq).
Ao longo das últimas duas décadas, a China passou a diferenciar culturas por grau de risco estratégico, concedendo subsídios e proteções seletivas: arroz, trigo e milho são tratados como questão de soberania; soja e proteína animal admitem maior dependência externa no curto prazo, desde que se avance na substituição tecnológica.
Limites físicos e possibilidades. A China tem limites reais: baixa disponibilidade de terras, escassez hídrica crescente e solos sob pressão. Reduzir a dependência de importações depende mais de ganhos de produtividade e substituição tecnológica do que de expansão de área. É importante reconhecer que, diferentemente da indústria, a produção agrícola permanece condicionada por fatores climáticos, biológicos e agronômicos que limitam a velocidade das transformações.
Por isso, as projeções de redução da demanda chinesa por soja devem ser lidas com cautela: dependem da adoção em escala nacional de novas formulações de rações, do avanço das proteínas alternativas e da expansão da produção doméstica.
As sementes são área crítica: o 15º Plano reforça a meta de 85% de autossuficiência com foco em biotecnologia e variedades de alto rendimento. A aquisição da Syngenta pela ChemChina acelerou o acesso a tecnologias estratégicas, mas os ciclos de P&D (pesquisa e desenvolvimento) agrícola são longos e os resultados demoram.
Isso não significa ausência de riscos para o Brasil. A China utiliza o seu poder de compra como instrumento de pressão, impõe barreiras sanitárias de forma seletiva e pode redirecionar compras para outros fornecedores em momentos de tensão diplomática. Diversificar mercados e elevar padrões de rastreabilidade e sustentabilidade são respostas essenciais.
Implicações para o Brasil. A estratégia chinesa de segurança alimentar não aponta em absoluto para uma ruptura com o Brasil, mas para uma relação mais exigente e complexa, e precisa ser compreendida à luz da crescente competição geopolítica com os Estados Unidos. Pequim dificilmente concentrará em Washington uma dimensão tão sensível quanto o abastecimento alimentar, o que preserva e tende a ampliar a relevância do Brasil nessa equação.
A complementaridade entre as duas economias permanece elevada e é estrutural. O Brasil é o maior exportador mundial de frango e carne bovina, produtos de crescente demanda na China. A sinergia se estende aos grãos utilizados na produção de ração e a nichos específicos, como a exportação de pés e miúdos de frango, que encontram demanda relevante na China. Isso sem contar a demanda chinesa por outros produtos como algodão, açúcar, celulose, café, suco de laranja e frutas tropicais.
Isso sugere que a evolução da parceria dependerá não apenas do crescimento dos volumes, mas da capacidade de diversificar a pauta e explorar complementaridades ao longo de toda a cadeia.
Enquanto o Brasil se consolidou como principal fornecedor agrícola da China, esta desempenha papel crescente no fornecimento de máquinas, fertilizantes, agroquímicos e insumos utilizados na agricultura brasileira. Essa dupla complementaridade cria incentivos para formas mais estruturadas de cooperação em logística, tecnologia, inovação e segurança alimentar.
A principal implicação da nova estratégia chinesa para o Brasil não é uma redução abrupta das importações agrícolas, mas uma transformação gradual da forma como a China administra suas dependências externas. O risco real não é perder o mercado chinês, mas não se adaptar às suas novas exigências. Para o Brasil, isso significa que a agenda bilateral deve deixar de ser apenas comercial. O desafio passa a incluir o acompanhamento das transformações regulatórias, tecnológicas e produtivas, a diversificação da pauta exportadora e o aprofundamento dos mecanismos de diálogo e cooperação institucional — instrumentos tão relevantes quanto o crescimento dos fluxos comerciais.
China’s Food Future – Análise do estudo da consultoria Systemiq
A hipótese central do estudo é que a China está aplicando à agricultura o mesmo modelo industrial que usou para dominar energia eólica e solar, veículos elétricos e semicondutores: o Estado define prioridades, financia a pesquisa, cria competição entre empresas e garante mercado para os vencedores. O estudo reconhece que a agricultura tem limitações climáticas, biológicas e culturais que a indústria não tem, mas ainda assim projeta uma transformação acelerada.
Os sinais concretos já observados incluem a aprovação de variedades geneticamente modificadas de milho e soja, investimentos estatais em novas tecnologias de produção de proteínas e a ação da Muyuan Foods — maior produtora de suínos do mundo —, que afirma já ter reduzido a participação do farelo de soja nas rações de 13% para 5,7%.
Até 2030, o estudo projeta queda de 25% nas importações de soja (23 milhões de toneladas), baseada principalmente na redução do farelo de soja nas rações animais. Para 2050, projeta-se que proteínas alternativas atenderiam entre 35% e 55% da demanda por proteína animal. São cenários da consultoria, e não metas do 15º Plano Quinquenal.
Pontos fracos e vieses
O relatório compara a transformação do sistema alimentar chinês com a revolução dos painéis solares e dos carros elétricos. Mas há uma diferença crucial: naqueles setores, a tecnologia avança de forma previsível e escalonável. Produzir alimentos depende de solo, clima, cultura e hábitos de consumo enraizados — fatores que não mudam por decreto. A projeção de que mais de um terço da proteína animal chinesa virá de fontes alternativas até 2050 é muito mais otimista do que o desempenho real do setor: empresas como Beyond Meat e Impossible Foods, que prometeram revolucionar o consumo de carne no Ocidente, viram suas vendas estagnarem muito abaixo do esperado. Além disso, o estudo apresenta projeções numéricas, como a queda de 25% nas importações de soja até 2030, que criam a falsa impressão de certeza. Os próprios autores admitem, em nota discreta, que são estimativas condicionais, e não previsões.
O estudo também analisa muito mais os riscos para quem vende para a China do que os riscos do próprio plano chinês. Reduzir a dependência de soja importada exige enormes quantidades de energia para novas fábricas de proteína; concentrar a criação animal em prédios verticais cria enormes riscos sanitários; e modernizar uma agricultura de 180 milhões de pequenos agricultores idosos é muito mais difícil do que modernizar uma fábrica urbana. Há ainda um elo essencial faltando: o 15º Plano apoia a produção de proteínas alternativas, mas não cria nenhum mecanismo para que os consumidores as comprem. Sem incentivar a demanda, a oferta de novos produtos não se transforma automaticamente em mudança de hábito.
A leitura mais calibrada: a direção estratégica da China é real e documentada, e o horizonte de 2030 merece atenção do agronegócio brasileiro. Os horizontes de 2040 e 2050 devem ser tratados apenas como sinais de alerta, e jamais como fatos consumados.
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