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17 de Junho de 2026

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   17/06/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira, 16, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Lula reclamou com os líderes máximos da União Europeia (UE) sobre a restrição a produtos brasileiros adotada pelo bloco, sobretudo o aço e a carne bovina.

Eles combinaram a criação de um “mecanismo” de consultas diplomáticas, para encaminhar as divergências, envolvendo funcionários do Itamaraty e da Comissão Europeia. Eles conversaram em Évian, nos Alpes franceses, durante a reunião de cúpula do G-7.

Como o Estadão antecipou, o governo Lula planejou uma escalada política, envolvendo Lula, para tentar reverter as medidas, sobretudo o veto à importação, pelos países da UE, de produtos de origem animal originários do Brasil.

Para diplomatas, o dado mais relevante do encontro foi o fato de Lula ter conseguido levar a queixa brasileira aos líderes políticos máximos da UE. Agora, ficou a promessa de mais reuniões entre os dois lados, para tratar dos casos, o que representa um novo espaço de negociações.

Na prática, esse novo mecanismo ainda não funciona oficialmente e não ficou claro se será formalizado. Mas já ocorrem reuniões periódicas entre representantes da UE e os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O caso dos produtos de origem animal é mais tratado com o Ministério da Agricultura, que envolveu o setor privado produtor e exportador de proteína animal para elaborar um protocolo que atenda as exigências europeias e as garantias de rastreabilidade e segregação dos produtos, a fim de reverter o veto. Autoridades da UE não enxergam uma derrubada em curto prazo.

O banimento do mercado europeu entrará em vigor a partir de 3 de setembro, com a justificativa de que o governo brasileiro não deu garantias adicionais de que os produtos de origem animal vindos do País são livres de antimicrobianos — como os antibióticos, por exemplo, aplicados na criação do gado de corte.

Já no caso do aço, alvo de redução da cota e de elevação de tarifas, o Brasil vem conduzindo com os europeus consultas informais em Genebra, sede da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Europeus indicaram que a UE vai criar cotas específicas para países parceiros com os quais possui acordo de livre comércio, o que indica um tratamento diferenciado entre o Brasil e a China, por exemplo, alvo principal da medida de proteção da indústria siderúrgica europeia contra a chamada “sobrecapacidade” global e seus efeitos negativos.

A UE vai limitar o volume de importação isento de tarifas a 18,3 milhões de toneladas anuais, 47% a menos do que as cotas de aço de 2024. Também aplicará uma taxa aduaneira de 50% sobre o volume excedente, em vez dos atuais 25%. A medida entra em vigor em 1º de julho.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), Lula, Ursula e Costa “definiram um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão, com vistas a identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos”.

“Comprometeram-se a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, consubstanciados no acordo Mercosul-União Europeia”, diz o comunicado.

Diário do Comércio - MG   17/06/2026

As empresas exportadoras e com grande volume de créditos tributários federais e investimentos (Capex) concentrados no Brasil deverão ser as principais beneficiadas pela reforma tributária sobre o consumo. É o que aponta um relatório elaborado pelo Itaú BBA. Entre as companhias mencionadas estão a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e a CSN Mineração, ambas com sede no Estado.

Por outro lado, o banco avalia que as companhias mais expostas ao mercado doméstico, com acúmulo de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e dependência de incentivos fiscais, tendem a ter um cenário menos favorável. Nesse caso, entram como pontos de atenção empresas como Vale, Aura e Suzano, devido à redução do valor de incentivos fiscais e da incidência do novo imposto seletivo sobre o minério de ferro.

Os analistas do Itaú BBA destacam que a reforma tributária sobre o consumo, criada pela Emenda Constitucional nº 132/2023, é a mudança mais relevante no sistema de impostos indiretos em décadas. A proposta substitui cinco tributos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) por um modelo de imposto sobre valor agregado (IVA) dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), entre estados e municípios.

“De forma geral, a reforma tende a reduzir ineficiências históricas para as empresas de recursos naturais, como o capital de giro pressionado e perdas tributárias ao longo da cadeia, mas o efeito líquido é desigual entre as empresas”, avaliam.

Análise dos impactos por empresas

No caso da Usiminas, o relatório aponta que a empresa está entre as beneficiadas pela recuperação mais rápida de créditos, com efeito positivo no capital de giro e no fluxo de caixa livre. A companhia também se destaca no ganho com ampliação de créditos sobre insumos e redução de impostos embutidos na cadeia.

Além disso, os analistas pontuam que o crédito imediato sobre investimentos melhora a rentabilidade. “Já o split payment – mecanismo em que o imposto é separado automaticamente no momento da venda e não passa pelo caixa da empresa – tem impacto por conta da alta exposição ao mercado doméstico”, acrescentam.

A CSN Mineração, subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), deverá apresentar benefício do crédito imediato sobre investimentos e da ampliação de créditos sobre insumos, embora em menor intensidade se comparado com a Usiminas e a CSN. No entanto, o texto pondera que a mineradora com sede operacional em Congonhas, na região Central de Minas, tem como ponto negativo a exposição ao imposto seletivo sobre o minério de ferro.

A CSN também figura entre os principais vencedores, conforme essa análise, com ganho na ampliação de créditos ao longo da cadeia e benefício com o crédito imediato sobre investimentos. O Itaú BBA relata que a empresa se destaca ainda na recuperação de créditos do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). “Por outro lado, é a mais impactada pela perda de valor dos créditos de ICMS ao longo do tempo, devido ao parcelamento em até 240 meses”, acrescenta.

A mineradora Vale deverá se beneficiar da recuperação mais rápida de créditos e da ampliação da não cumulatividade. Por outro lado, o banco sugere atenção para a redução do valor dos incentivos regionais, como aqueles gerenciados pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), devido ao risco de elevação da carga tributária ao longo do tempo. O impacto do imposto seletivo sobre minério de ferro é outro ponto mencionado.
Ampliação de créditos beneficiam Gerdau e Irani

O cenário previsto para a Gerdau é de um efeito geral mais diluído, com benefício da ampliação de créditos e do crédito imediato sobre investimentos, mas sem destaque. “O impacto das mudanças tende a ser menor ante outros nomes do setor, e os efeitos negativos, como ICMS, imposto seletivo e split payment, não são relevantes”, avaliam os analistas.

No caso da Irani Papel e Embalagens, a expectativa é de que ela possa se beneficiar da ampliação de créditos sobre insumos, mas não tanto quanto Usiminas e CSN, por exemplo. Também é esperado algum benefício na ampliação do crédito imediato sobre investimentos. “No entanto, o perfil mais voltado ao mercado doméstico faz com que o split payment seja um fator negativo mais relevante”, pondera.

Já a Suzano deverá passar por uma melhora estrutural do sistema, com ganhos em não cumulatividade e crédito sobre insumos, mas sem destaque. “Assim como Vale e Aura, a empresa aparece como um dos principais pontos de atenção na redução dos incentivos regionais, o que pode pressionar a alíquota efetiva ao longo do tempo”, avalia o banco.

Impacto sobre Aura e Klabin

O relatório feito pelo Itaú BBA demonstra que a Aura Minerals deverá apresentar um impacto mais limitado do ponto de vista operacional, sem destaque nos principais ganhos da reforma. O ponto mais relevante é a exposição à redução de incentivos regionais, da Sudam e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que pode impactar a carga tributária no médio prazo.

Para a Klabin, a previsão é de ganhos na ampliação de créditos e no crédito imediato sobre investimentos, mas sem grandes destaques. “Não está entre os principais afetados por impostos seletivos ou incentivos regionais, e o efeito líquido tende a ser positivo, porém moderado”, conclui.

Money Times - SP   17/06/2026

A CSN (CSNA3) operou entre as maiores altas do Ibovespa desde o início do pregão desta terça-feira (16) com a possível venda de ativos de infraestrutura, mas inverteu o sinal nos últimos minutos de negociações.

CSNA3 encerrou o dia com baixa de 1,15% (R$ 6,02). Na máxima intradia, as ações chegaram a registrar alta de 3,28% (R$ 6,29). Acompanhe o Tempo Real.

Ao Money Times, a companhia confirmou que deu início ao processo de venda de ativos de infraestrutura e que a iniciativa integra plano de desinvestimentos, anunciado em janeiro.

“A CSN entende que não haverá dificuldades em encontrar investidores interessados, uma vez que alguns estão em contato com as instituições financeiras”, afirmou a companhia em nota enviada nesta segunda-feira (15). “A companhia ressalta que os ativos possuem sinergia e são complementares entre si – caso de portos, ferrovia e transportadora rodoviária”, acrescentou.

Segundo o Valor Econômico, citando fontes, a CSN quer levantar US$ 1 bilhão com a venda dos ativos. As conversas com investidores estratégicos e financeiros são conduzidas pelo Bradesco BBI e Citi.

Entre os ativos à venda estão am operação de terminais portuários no Rio de Janeiro, a participação na empresa de transporte ferroviário de carga MRS e a recém-comprada Tora, de logística.

Na avaliação da Genial Investimentos, o desinvestimento de infraestrutura é um “passo genuíno de desalavancagem”.

Nas contas do analista Luca Vello, a possível venda reduz a dívida líquida de 3,4 vezes para cerca de 2x, liberando entre R$ 500 e 800 milhões de juros de caixa anual, “mas não é, por si só, a solução”.

“O prêmio maior é a redução de risco e a credibilidade do programa completo de R$ 15 a 18 bilhões, que é o que leva a alavancagem para baixo de 2x, nível consistente com a ambição de médio prazo da administração”, afirmou.

Por Liliane de Lima
Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   17/06/2026

Se decidir cortar a Selic para 14,25%, como é a aposta da maioria dos analistas em razão da sinalização dada na reunião anterior, há risco real de descontrole das expectativas de inflação

Quando o Copom começou a cortar a taxa Selic em março, a guerra no Irã já havia causado um choque de oferta de petróleo, o que gerou desconfiança quanto à prudência de um ciclo de afrouxamento monetário nessa conjuntura. Mas o argumento de todo mundo, incluindo o Banco Central, era de que a pressão externa — com a alta nos preços de combustíveis e de matérias-primas — seria temporária; que o conflito no Oriente Médio iria acabar logo; e que o Brasil poderia seguir cortando os juros “livre, leve e solto”.

O crescente otimismo com o fim da guerra no Irã, de fato, tirou da mesa a pressão externa, mas o que os analistas começaram a perceber — e quiçá, em alguma medida, até os próprios diretores do BC — é que o principal obstáculo ao ciclo de corte de juros não é o cenário externo: são os fatores domésticos. E muita gente vem fazendo, publicamente, a seguinte pergunta: por que mesmo o BC está cortando os juros?

Desde a última reunião do Copom, em abril, os dados mostraram um mercado de trabalho ainda apertado, com a taxa de desemprego caindo para 5,8% e o rendimento médio habitual dos trabalhadores brasileiros crescendo 5,4% na taxa anual.

Outros indicadores registraram uma aceleração da atividade econômica — e não um esfriamento, como o BC esperava. A inflação corrente vem surpreendendo para cima, com as principais métricas de preços subjacentes (que apontam para a dinâmica da inflação) rodando perto de 5%.

Para agravar a situação, as expectativas de inflação deram um salto. A mediana das projeções para o IPCA, conforme a pesquisa Focus, subiu para 5,30% em 2026 e 4,10% em 2027. Estão cada vez mais distantes da meta de 3%. Aliás, o Copom prevê inflação de 3,5% no quarto trimestre de 2027. Essa estimativa ficou defasada.

O pano de fundo para a piora no cenário doméstico é o estímulo fiscal — com medidas de crédito, de subsídios e de reforço de renda — adotado pelo governo Lula neste ano, de olho na eleição presidencial. Há quem calcule que essas medidas podem adicionar quase 1,5 ponto porcentual ao PIB de 2026.

Para compensar, em parte, esse forte impulso fiscal, afetando a inflação e as expectativas inflacionárias, muitos analistas defendem uma política monetária mais dura do que se imaginava.

Se, nesta quarta-feira, 17, o Copom decidir cortar a Selic de 14,50% para 14,25%, como ainda é a aposta da maioria dos analistas, em razão da sinalização dada na sua última reunião, há um risco real de descontrole das expectativas de inflação. O espaço para corte ficou exíguo. Resta saber se a ficha caiu para o BC.

Infomoney - SP   17/06/2026

A economia da China apresentou um desequilíbrio crescente em maio, com as vendas no varejo caindo pela primeira vez em mais de três anos e o investimento em queda, enquanto a produção industrial ganhou ritmo.

Dados oficiais divulgados nesta terça-feira destacaram um padrão de crescimento em duas velocidades na segunda maior economia do mundo, com as fábricas impulsionadas por exportações surpreendentemente resilientes, mas a demanda interna enfraquecendo em meio a uma recessão de vários anos no mercado imobiliário.

As vendas no varejo, um importante indicador do consumo, caíram 0,6% em maio em relação ao ano anterior, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas, revertendo o aumento de 0,2% registrado em abril e contra estimativa de estabilidade em pesquisa da Reuters. Foi a primeira queda mensal desde dezembro de 2022.
A fragilidade ficou evidente no setor automotivo. A desaceleração nas vendas domésticas de automóveis se estendeu pelo oitavo mês consecutivo em maio, ressaltando o enfraquecimento da demanda no maior mercado automotivo do mundo, onde a pressão provavelmente persistirá pelo resto do ano.

Os gastos dos viajantes durante o feriado de cinco dias do Dia do Trabalho em maio foram moderados, e o impacto do programa governamental de troca de bens de consumo está diminuindo. Uma base elevada em relação a maio do ano passado também contribuiu para o declínio.

Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, disse que os dados fracos das vendas no varejo pressionam o governo a considerar medidas para estabilizar o consumo. “Ainda espero que haja um ‘ajuste fino’ na política monetária em julho, após a divulgação dos dados do PIB do segundo trimestre.”

Em contrapartida, a produção industrial cresceu 4,5% em maio em relação ao ano anterior, acelerando ante a taxa de 4,1% em abril e superando as expectativas de um aumento de 4,3%.

Um aumento no investimento global em IA e na demanda por tecnologias relacionadas ajudou o maior fabricante do mundo a compensar o impacto nas exportações que muitos esperavam devido à guerra com o Irã. A produção industrial de alta tecnologia da China cresceu 15,1% em maio.

O consumo de serviços cresceu 5,4% no período de janeiro a maio, muito melhor do que as vendas de bens e tornando-se um motor crescente do consumo das famílias, mas também desacelerou em relação aos 5,6% registrados nos primeiros quatro meses.

Os dados sobre investimentos também foram muito mais fracos do que o esperado. O investimento em ativos fixos caiu 4,1% nos primeiros cinco meses de 2026, após um declínio de 1,6% entre janeiro e abril. Economistas esperavam queda de 2%.

O porta-voz do escritório de estatísticas, Fu Linghui, disse que a queda se deveu, em parte, às altas temperaturas e às chuvas intensas em algumas regiões, bem como à transição de antigos para novos motores de crescimento.

A China ainda tem ampla margem para investimentos no futuro, com a nova urbanização, a revitalização rural, o desenvolvimento de “novas forças produtivas de qualidade” e melhorias nos serviços públicos, todos necessitando de apoio, acrescentou Fu.

O investimento imobiliário ampliou sua queda nos primeiros cinco meses, caindo 16,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, após uma queda de 13,7% entre janeiro e abril. As vendas de imóveis e as novas construções também registraram quedas mais acentuadas.

Monitor Digital - RJ   17/06/2026

A deflação do IGP-10 de junho (queda de 0,30%) reforça a tese dentro do mercado financeiro de que há espaço para mais um corte de 0,25 ponto na taxa de juros Selic, passando de 14,50% para 14,25%. “Mas a mensagem mais provável continua sendo de cautela: cortar, sem sinalizar pressa”, analisa André Caruso, CEO Pilar Capital.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encerra nesta quarta-feira a reunião iniciada nesta terça, em que definirá a taxa básica de juros. A maioria dos operadores do mercado financeiro projetam uma queda de 0,25 ponto percentual.

“O IGP-10 de junho veio em -0,3%, abaixo da projeção de 0,3% e bem mais baixo que os 0,9% de maio. Esse recuo, puxado sobretudo pelos preços no atacado, ajuda a compor um quadro mais favorável e reforça o espaço para o Copom seguir com o corte da Selic, hoje em 14,50% ao ano. Mas é preciso separar duas coisas: a inflação ceder na margem é um sinal positivo, e ainda assim o crédito”, afirma André Matos, CEO da MA7 Capital.

O mercado segue com expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião desta semana do Copom; no entanto, o ambiente continua exigindo cautela, diante de expectativas inflacionárias ainda pressionadas”, opina Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike.

Gustavo Assis, CEO da Asset, acredita que, como a inflação acumulada ainda segue acima da meta e o cenário fiscal continua gerando incertezas, “a expectativa predominante é de manutenção de uma postura cautelosa por parte do Banco Central antes da próxima decisão do Copom”.

Vendas do varejo recuaram 1,5% em abril, diz IBGE | Monitor Mercantil
Camilo Cavalcanti, gestor de Portfolio da Oby Capital, espera que o Banco Central mantenha a taxa Selic em 14,50% ao ano, citando a piora das expectativas de inflação para 2027 e 2028. Para ele, os dados recentes de atividade e emprego sinalizam que a política monetária atual talvez não esteja tão restritiva quanto se esperava. “O acordo entre EUA e Irã feito neste fim de semana pode ser um contraponto positivo para que o BC continue cortando os juros, mas seus efeitos não devem ser tão imediatos nas expectativas.”

José Aureo Viana, economista, sócio e assessor da Blue3 Investimentos, compartilha da expectativa de corte de 0,25 ponto nos juros no Brasil. “Ainda assim, o Copom deve manter tom cauteloso, diante de inflação acima da meta, expectativas pressionadas, incerteza fiscal e sensibilidade do câmbio ao ambiente externo.”
Expectativa de queda de juros no Brasil, mas nos EUA taxas devem ficar inalteradas

Os investidores estão voltando sua atenção para a reunião de política monetária do Federal Reserve (o banco Central dos Estados Unidos) que também define a taxa de juros nesta quarta-feira. Será a primeira reunião comandada pelo novo presidente, Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, que pressionava o presidente anterior, Jerome Powell.

Infomoney - SP   17/06/2026

Projeções das autoridades monetárias do Federal Reserve que serão divulgadas na quarta-feira devem mostrar que a maioria acredita agora que será necessário manter as taxas básica de juros dos EUA inalteradas ao longo do ano, mas um pequeno número parece estar considerando uma alta de juros para impedir que um pico de inflação se consolide na economia.

Os ajustes previstos no chamado “gráfico de pontos” do Fed marcariam uma mudança para uma postura mais restritiva em relação à posição dos dirigentes do Fed há apenas três meses. Eles também representam um desafio de comunicação particularmente complexo para o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, conforme os ganhos no mercado de trabalho acima do esperado nos últimos meses e a inflação em alta desde o início da guerra no Irã mudaram o foco das discussões, passando da questão de se deveria haver um corte para a possibilidade de um aumento.

FED: Acordo EUA-Irã e estreia de Kevin Warsh marcam decisão sobre juros americanos

Com a inflação pressionada pelo choque do petróleo e o mercado de trabalho ainda robusto, autoridade monetária deve manter taxa entre 3,5% e 3,75%; mercado fica de olho em comunicado e pronunciamento do novo presidente após a divulgação.

O presidente Donald Trump escolheu Warsh para substituir Jerome Powell com a expectativa explícita de que seu novo chefe do Fed reduzisse as taxas de juros. Warsh apresentou alguns argumentos a favor do corte das taxas, incluindo o que ele considera ser o impacto desinflacionário da IA, mas também afirmou não ter feito promessas e disse aos parlamentares em sua audiência de confirmação que não acredita em dar qualquer orientação.
A maior dúvida sobre as projeções do Fed para junho é o que o próprio Warsh irá estimar — se, de fato, ele for estimar alguma coisa.

“Pode ser que o presidente Warsh simplesmente decida não participar como forma de sinalizar o pouco valor que dá a esse exercício”, escreveu o economista-chefe do Regions Bank, Richard Moody, na semana passada.

Economistas da TD Securities esperam que Warsh omita seu próprio ponto como “uma forma mais deliberada de minimizar qualquer mensagem ‘hawkish’ que possa decorrer do gráfico de pontos de junho”.

Outros analistas esperam que Warsh participe, mas que inicie uma revisão das comunicações do Fed que poderia significar o fim definitivo do gráfico de pontos, publicado trimestralmente desde 2012 e geralmente considerado uma indicação útil de para onde os 19 formuladores de política monetária do Fed veem as taxas de juros indo.

“Esperamos que Warsh apresente suas próprias projeções”, argumentou Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do JPMorgan. “Não fazê-lo pareceria uma dissidência rancorosa contra seu próprio comitê.”

Pode ser que Warsh, no cargo há apenas três semanas, simplesmente alegue que precisa de mais tempo para se adaptar antes de participar das previsões. Além disso, apresentar um ponto poderia representar outro risco para ele: poderia revelar que ele não é nem de longe tão ‘dovish’ (com postura que favorece o estímulo econômico) quanto Trump gostaria.

Stephen Miran, em seu breve mandato como diretor do Fed nomeado por Trump no ano passado, apresentou consistentemente projeções de taxas que eram as mais baixas — por sua própria admissão — entre todos os formuladores de política monetária. Com Miran agora fora do cargo para dar lugar a Warsh no conselho do Fed, sua previsão baixa desaparecerá do cenário, e a ausência de um ponto comparativamente baixo em seu lugar revelaria Warsh como mais ‘hawkish’ (duro com a inflação).
‘Andar numa linha muito tênue’

Em março, a maioria dos banqueiros centrais dos EUA achava que o Fed provavelmente acabaria reduzindo as taxas até o final do ano, seja porque a inflação estava recuando, o mercado de trabalho estava enfraquecendo, ou ambos. Apenas um formulador de política monetária havia previsto um aumento nas taxas, e isso era para 2027, não para 2026.

Na quarta-feira, espera-se que os banqueiros centrais mantenham a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% e alterem sua declaração pós-reunião para que ela não sugira mais que o próximo passo do Fed, quando ocorrer, será um corte nas taxas. Uma tendência de alta nas projeções da trajetória das taxas no gráfico de pontos ressaltaria a nova abertura do comitê a um aumento nas taxas, mesmo que a maioria ainda não o espere.

“Acreditamos que o debate dentro do FOMC agora gira em torno de se uma manutenção prolongada da política monetária seria suficiente para estabilizar a inflação ou se, ao contrário, seria necessário aumentar as taxas”, escreveram economistas do BNP Paribas na semana passada.

O Fed também publicará projeções para o mercado de trabalho e a inflação que podem refletir um maior otimismo dos formuladores de política monetária em relação aos empregos e um maior pessimismo em relação aos preços do que o sinalizado em março, visões que dariam alguma justificativa para o que se espera ser um gráfico de pontos alterado.

Globo Online - RJ   17/06/2026

O Banco Central do Brasil deve promover hoje o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual da taxa Selic no Comitê de Política Monetária (Copom), reduzindo os juros básicos da economia brasileira de 14,5% para 14,25%.

Se a nova queda for confirmada, a Selic se igualaria ao patamar praticado entre julho de 2015 e outubro de 2016, em meio à crise do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Mesmo com o acordo preliminar entre EUA e Irã para um novo cessar-fogo no conflito no Oriente Médio, analistas financeiros veem que o espaço para reduções adicionais da Selic está cada vez mais apertado diante de dúvidas sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira e aumento mais generalizado da inflação.

Para a reunião desta quarta-feira, liderada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a expectativa majoritária do mercado financeiro é de recuo de 0,25 ponto do juro básico. De acordo com pesquisa do Valor Pro, a queda para 14,25% é aguardada por 94 instituições financeiras das 112 consultadas. Outras 18 projetam que a autoridade monetária mantenha a taxa nos níveis atuais, de 14,5%.

No último Copom, em abril, o BC indicou que planejava continuar o ciclo de “calibração” dos juros, mas sem detalhar o ritmo e a extensão de seus próximos passos. Essa cautela foi adotada pelo colegiado em virtude das incertezas em relação à guerra no Oriente Médio, que levou a um aumento significativo de combustíveis no mundo, mas também sobre a velocidade de desaceleração da atividade econômica brasileira, essencial para a tarefa do BC de colocar a inflação na meta.

“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, disse o BC, na ata do Copom de abril.

“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, completou.

Em abril, a projeção oficial do Copom para o IPCA era de 4,6% no fim de 2026 e de 3,5% no fim de 2027. O último horizonte é o prazo com o qual o BC trabalha atualmente para colocar a inflação na meta. O alvo é de 3,0%, com nível de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Agora, a expectativa majoritária entre os analistas econômicos é de que a projeção para o fim de 2027 aumente um pouco mais, para 3,6%. A projeção do BC considera a taxa Selic do Boletim Focus, que aumentou de 13% para 13,75% no fim de 2026 entre as duas reuniões do Copom e de 11% para 12% no fim de 2026.

A expectativa de inflação da Focus, por sua vez, está muito mais distante da meta. É de 5,30% para este ano e de 4,10% para o próximo.

Acordo EUA-Irã não altera quadro, diz economista

Para o economista Leonardo França Costa, do ASA, o anúncio do acordo entre EUA e Irã não altera a expectativa para o Copom. Ele acredita que o corte desta quarta, para 14,25%, deve ser o último do ciclo.

Segundo Costa, a deterioração do cenário externo não deve se reverter tão rapidamente, dado o aumento da incerteza causado pelo conflito e a dúvida sobre a duração do próprio acordo, considerando que os anteriores tiveram pouca eficácia.

Além disso, o alívio na inflação brasileira de uma queda relevante do petróleo no mercado externo deve ser pequeno, uma vez que as medidas do governo reduziram o impacto nas bombas do salto na cotação do barril provocado pela guerra.

“Ainda que se deva celebrar a possível liberação do Estreito de Ormuz, com impacto relevante para o mercado de petróleo, Petrobras e Governo (via subsídio ou desoneração de imposto) seguraram boa parte do repasse da alta do petróleo aos combustíveis, o que deixa pouco espaço para a inflação se beneficiar de eventual recuo dos preços internacionais”, disse, em relatório.

Costa ainda acrescentou que a atividade econômica doméstica e o mercado de trabalho continuam aquecidos, enquanto as expectativas de inflação seguem em deterioração, pontos de preocupação para o BC.

“Boa parte desses riscos já era conhecida antes da reunião, que havia optado por seguir via calibragem de juros, o que sinalizava, implicitamente, um ciclo curto de cortes. Assim, a volatilidade externa é apenas mais uma fonte de informação num cenário já turbulento.”

Infomoney - SP   17/06/2026

A Fitch Ratings reafirmou o rating de crédito soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em “BB”, com perspectiva estável, destacando a resiliência da economia, a robustez das contas externas e a flexibilidade cambial como pilares de sustentação do perfil de crédito do país.

Segundo a agência de classificação de risco, o Brasil se beneficia de uma economia ampla e diversificada, além de mercados domésticos profundos, que garantem maior flexibilidade no financiamento do governo e reduzem a dependência de dívida em moeda estrangeira. Por outro lado, o rating permanece limitado por fatores estruturais, como o elevado nível de endividamento público, a rigidez orçamentária, o baixo potencial de crescimento e fragilidades institucionais.

A Fitch também destaca que a incerteza fiscal continua sendo um dos principais riscos macroeconômicos, com maior clareza sobre o rumo das reformas estruturais esperada apenas após as eleições presidenciais de outubro.
O rating “BB” está abaixo do nível de investimento (ou “investment grade”, no jargão do mercado). Uzbequistão, Geórgia e Jamaica são alguns dos países com nota “BB” e perspectiva estável, semelhante ao Brasil.
Disputa eleitoral e direções econômicas

No cenário político, a agência projeta uma disputa acirrada e polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. De acordo com a Fitch, o resultado da eleição poderá influenciar significativamente o direcionamento da política econômica e fiscal.

Em um eventual novo governo Lula, a tendência seria de continuidade, com foco em gastos sociais, tributação progressiva e menor apetite para reformas estruturais de despesas. Já uma administração de Flávio Bolsonaro tenderia a adotar uma agenda mais pró-mercado, com redução de impostos, maior eficiência do gasto público e avanço de privatizações — ainda que com incertezas relevantes quanto à capacidade de implementação.

Déficit elevado e dívida em alta

A Fitch projeta deterioração das contas públicas nos próximos anos. O déficit do governo geral deve subir para 8,6% do PIB em 2026, ante 8,1% em 2025, nível bem acima da mediana de 3,5% para países com rating semelhante (“BB”). A expectativa é de alguma redução para 8% em 2027, impulsionada por menor custo de juros e melhora do saldo primário.

Ainda assim, o quadro fiscal permanece pressionado. A dívida bruta do governo deve ultrapassar 80% do PIB em 2026, após atingir 78,6% em 2025. Na avaliação da Fitch, déficits elevados e persistentes aumentam a vulnerabilidade do país a choques externos e mudanças no apetite dos investidores.

Apesar disso, a composição da dívida mitiga parte dos riscos. A baixa participação de passivos em moeda estrangeira, a presença de investidores locais, o elevado colchão de liquidez do Tesouro e a gestão ativa da dívida ajudam a reduzir pressões de curto prazo.

Crescimento resiliente, mas desaceleração à frente

Mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, a economia brasileira deve seguir resiliente no curto prazo. A Fitch estima crescimento do PIB de 2,1% em 2026, após expansão de 2,3% em 2025, sustentado por consumo robusto, mercado de trabalho aquecido, desemprego em níveis historicamente baixos e ganhos reais de renda.

A agência também destaca o impacto da reforma do imposto de renda implementada em 2025, que elevou a renda disponível das famílias de menor renda — com maior propensão a consumir — ao mesmo tempo em que aumentou a tributação sobre os mais ricos.

Para 2027, a expectativa é de desaceleração do crescimento para 1,7%, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados e uma eventual redução do estímulo fiscal.

Inflação pressionada e juros mais altos por mais tempo

A inflação segue como um ponto de atenção. Após atingir 4,7% em maio de 2026, a Fitch projeta que o índice chegue a 5% no fim do ano, acima do teto da meta de inflação. Pressões vêm principalmente do setor de serviços, dos preços de alimentos e de choques globais de energia.

Com isso, o ciclo de queda de juros deve ser mais gradual. A agência estima que a taxa Selic encerre 2026 em 13%, indicando um ritmo de flexibilização mais lento do que o antecipado anteriormente.
Contas externas seguem como ponto forte

Em contraste com o quadro fiscal, o setor externo permanece como um dos principais pontos positivos. O déficit em conta corrente deve recuar para 2,2% do PIB em 2026, beneficiado pela desaceleração da demanda doméstica e pelo desempenho das exportações de commodities.

O país segue contando com forte entrada de investimento estrangeiro direto, suficiente para financiar o déficit externo. As reservas internacionais, em cerca de US$ 371 bilhões, permanecem robustas, cobrindo mais de oito meses de pagamentos externos — patamar superior ao de muitos pares.
O que pode mudar o rating

A Fitch aponta que melhorias no rating dependeriam de avanços consistentes na consolidação fiscal e na estabilização da dívida pública, além de sinais de aumento do potencial de crescimento econômico.

Por outro lado, um eventual rebaixamento poderia ocorrer em caso de deterioração adicional das contas públicas ou perda de credibilidade na política fiscal, especialmente se não houver medidas para garantir sustentabilidade da dívida no médio prazo.

Em síntese, a avaliação da agência indica que, embora o Brasil mantenha fundamentos sólidos em áreas-chave — como o setor externo e a estrutura de financiamento —, o desafio fiscal segue como principal entrave para uma melhora mais consistente do risco soberano.

Globo Online - RJ   17/06/2026

Desde o início da guerra no Irã, as expectativas inflacionárias vêm subindo de forma relevante. Seu impacto no trabalho do Banco Central é menos óbvio do que se imagina.

É inegável a importância das expectativas no regime de metas de inflação, já que as metas são a “âncora” de preços da economia. Quando os agentes econômicos não acreditam no compromisso e na capacidade do BC de cumprir a meta, a âncora se fragiliza, o que exige juros mais elevados.

Independentemente do acerto ou não das projeções, a baixa confiança pode deixar os empresários mais confortáveis para repassar pressões de custos a preços.

Mas a relação entre as expectativas e a condução da política monetária não é mecânica. Esta última depende de um conjunto amplo de variáveis que compõem seus modelos de projeção da inflação, como o grau de aquecimento da demanda e as condições monetárias (o quanto a taxa de juros está distante do seu nível neutro ou ponto-morto).

A decisão fica ainda mais complexa em momentos de maior incerteza, como agora, pois é menor a confiança nas projeções.

Esse quadro demanda cuidado adicional dos bancos centrais em sua comunicação, com dilemas a serem enfrentados em relação ao seu grau de transparência: de um lado, é preciso indicar a racionalidade das decisões e suas condicionalidades, mas, de outro, cabe zelar para que a excessiva transparência não acabe por prejudicar seu trabalho, ao comprometer a necessária flexibilidade nas decisões.

Quando um banco central aponta grande preocupação com um tema, como as expectativas acima da meta, os mercados acabam direcionando excessiva atenção a ele. Tem sido o caso do nosso BC, destoando do maior comedimento de outros bancos centrais com reputação sólida.

Na última ata do Copom, o BC fala não apenas em aumento das expectativas, mas em “desancoragem”, cinco vezes. Enquanto isso, as limitações técnicas associadas à medição das expectativas inflacionárias recomendam discernimento em sua interpretação.

No Brasil, o Banco Central confere grande centralidade a uma única pesquisa. O contraste com a experiência mundial é evidente. Apesar da ampla amostra (mais de 100 instituições), ela envolve apenas analistas do mercado financeiro, potencializando o viés de confirmação e movimentos de manada — os analistas preferem estar alinhados com os outros a se arriscar com projeções muito diferentes do consenso.

Além disso, a divulgação é semanal, e não mensal como em outros países, o que pode potencializar o efeito manada.

Cabe notar a baixa dispersão das expectativas, apesar de tantas incertezas. Vejamos: para 2026, ao final de fevereiro, cerca de 65% das projeções de IPCA estavam no intervalo de 3,72% a 4,16% e, ao final de maio, 70% ficaram entre 4,82% e 5,30%; e para 2027, cerca de 54% projetavam de 3,46% a 3,94% e, em maio, 53% ficaram entre 3,94% e 4,42%. Os patamares são mais elevados, mas com padrões de distribuição muito parecidos entre os meses da pesquisa.

No Chile, referência na região, a pesquisa de expectativas possui uma amostra mais diversificada, incorporando também acadêmicos e consultores independentes. Divulga-se a mediana e, também, (sabiamente) a dispersão das projeções. E o período máximo divulgado é de 35 meses, ante cinco anos no Brasil. Na comunicação, a instituição é opaca na análise de riscos inflacionários, algo mais enfatizado pelo BC brasileiro.

Stephen Morris e Hyun Song Shin, em artigo seminal de 2002, mostraram que uma informação pública muito importante tende a induzir o comportamento de manada; uma resposta racional dos analistas, mas socialmente ineficiente. O mercado passa a ignorar os seus próprios dados privados para focar no comportamento do sinalizador público.

No caso de bancos centrais, dar importância excessiva às expectativas de inflação pode ser contraproducente. Corre-se o risco de esses sinais do mercado deixarem de conter informação independente, importante insumo para as decisões de política monetária.

Nos EUA, contorna-se o risco de um único sinal dominar a formação das expectativas com levantamentos independentes de uma pluralidade de fontes: Fed de New York, Universidade de Michigan e pesquisas privadas.

O regime de metas depende de transparência do banco central, mas ela precisa ser bem calibrada e compatível com a qualidade das informações.

CNN Brasil - SP   17/06/2026

Especialistas projetam impactos econômicos relevantes com o avanço dos projetos sobre o fim da escala de trabalho 6x1 no Congresso Nacional.

Atualmente, a Câmara dos Deputados analisa o PL (Projeto de Lei) proposto pelo governo federal sobre o tema, enquanto a PEC (Proposto de Emenda à Constituição) que promove a reforma está travada no Senado desde 28 de maio, quando foi aprovada pela outra Casa.

Diante do cenário ainda incerto em relação a aprovação da pauta, um estudo elaborado pela Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) indica que a mudança na escala pode provocar, ao longo de dez anos, uma redução de até 16% no PIB (Produto Interno Bruto) e a perda de 18 milhões de postos de trabalho.

Ao CNN Money, Fernanda Ribas, gerente trabalhista da Fiemg, explicou que a alteração proposta diz respeito ao limite constitucional da jornada de trabalho, atualmente fixado em 44 horas semanais, que passaria para 40 horas.

Segundo ela, qualquer regulamentação específica sobre o tema deveria vir apenas após a aprovação de uma PEC.

Sobre os efeitos da medida na economia, Ribas citou os pequenos negócios como exemplo. Segundo a gerente trabalhista da Fiemg, empresas como padarias teriam de ampliar suas equipes para manter o mesmo nível de operação, o que elevaria os custos e impactaria o preço final dos produtos.

“O pãozinho do dia a dia vai ficar mais caro”, afirmou.

A especialista também observou que os reflexos da mudança não ficariam restritos à iniciativa privada. Na avaliação dela, hospitais e demais serviços públicos que necessitassem ampliar o número de funcionários para preservar o atendimento à população também enfrentariam aumento de despesas.
Pressão pela aprovação e redução de empregos

Daniel Duque, pesquisador associado do FGV Ibre, indicou que o governo tem priorizado a implementação da reforma sem demonstrar interesse em debater mecanismos de transição, buscando resultados políticos.

Ao comentar possíveis consequências da proposta, Duque apontou que o aumento dos custos do trabalho e a maior rigidez na distribuição das horas trabalhadas podem resultar em redução dos empregos formais.

O pesquisador destacou três alternativas que poderiam ser adotadas pelas empresas diante desse cenário: redução do quadro de funcionários, investimento em automação e tecnologia ou transferência de trabalhadores para a informalidade, inclusive por meio do registro como MEI, como forma de se adequar às novas regras.

De acordo com Duque, em setores com grande utilização de mão de obra, o aumento dos custos tende a ser repassado ao consumidor final. Para ele, quando há elevação das despesas relacionadas ao emprego, a alternativa disponível para muitas empresas é reajustar os preços cobrados pelos serviços ou produtos.

Questionado sobre a forma mais adequada de implementar a redução da jornada, o pesquisador defendeu uma transição gradual e segmentada. Segundo sua avaliação, a medida poderia ser aplicada inicialmente a determinados setores ou grupos de empresas e ampliada progressivamente, permitindo a análise dos impactos antes de uma adoção mais ampla.
Governo retira urgência de PL

A retirada de urgência do PL do governo sobre o fim da escala de trabalho 6x1 destravou a pauta do plenário da Câmara nessa terça-feira (16).

O Planalto atendeu ao apelo do presidente da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e agora os deputados podem voltar a deliberar projetos que estavam parados desde o final de maio.

Motta já calculava que os trabalhos seriam desobstruídos nesta semana. Isso porque, caso o governo não retirasse a urgência, o PL do fim da 6x1 seria votado nesta terça com um texto idêntico ao da PEC.

O próprio relator designado para o novo projeto de lei, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), também relatou a PEC e divulgou agora um relatório semelhante ao apresentado na proposta de emenda. A retirada da urgência foi formalizada durante a reunião de líderes.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   17/06/2026

Os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta terça-feira, já que os dados sobre as novas vendas de imóveis na China e a produção de aço bruto sinalizaram um consumo fraco de aço.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) registrou queda de 0,85%, para 762 iuanes (US$112,75) por tonelada métrica.

Os preços das casas novas na China caíram a um ritmo ligeiramente mais rápido em maio, segundo dados oficiais, à medida que o setor imobiliário, atingido pela crise, continuava a lutar contra a demanda frágil, mesmo com as grandes cidades mostrando sinais tímidos de estabilização.
Os preços das casas novas caíram 0,2% em maio em relação ao mês anterior, acentuando-se em relação à queda de 0,1% registrada em abril, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados do Departamento Nacional de Estatísticas. Em base anual, os preços caíram 3,5%, igualando a queda registrada em abril.

O setor imobiliário da China já foi o maior consumidor de minério de ferro e aço, mas a prolongada crise resultou em uma mudança para a indústria manufatureira.

A produção de aço bruto da China em maio subiu 0,9% em relação ao mês anterior, impulsionada pela melhora nas margens e nas exportações, mas atingiu o nível mais baixo para o mês desde 2018, à medida que Pequim buscava conter o excesso de capacidade.

Investing - SP   17/06/2026

O minério de ferro importado pela China deverá representar metade do consumo total do país até 2030, ante aproximadamente 80% atualmente, de acordo com um analista de um think tank afiliado ao estatal China Mineral Resources Group.

Yilin Wang, diretor-geral do departamento de pesquisa de mercado e cooperação externa do Instituto CMRG, apresentou a projeção na terça-feira durante uma conferência do setor em Singapura. A redução na dependência de importações será resultado do aumento da oferta doméstica e do maior uso de sucata de aço.

Wang afirmou que a capacidade de concentrado de minério de ferro da China deve atingir cerca de 350 milhões de toneladas até 2030. O minério de ferro de participação acionária do país deve aumentar para 216 milhões de toneladas métricas no mesmo período.

A produção de aço bruto da China deve cair para cerca de 900 milhões de toneladas métricas até 2030, segundo Wang. A produção de sucata de aço do país deve alcançar 310 milhões de toneladas métricas até o mesmo ano.

O analista projetou que a participação da China na produção global de aço deve recuar de 52% em 2025 para 46% em 2030, à medida que a queda no consumo leva a uma menor produção no país.

Wang previu que a produção global de aço bruto deve atingir 1,93 bilhão de toneladas métricas até 2030, enquanto o consumo global de minério de ferro deve cair para cerca de 2,06 bilhões de toneladas métricas no mesmo período.

Revista Mineração - SP   17/06/2026

A Vale deve investir até R$ 13 bilhões em iniciativas de descarbonização como parte de sua estratégia para reduzir emissões, mitigar riscos climáticos e atender às metas voluntárias de sustentabilidade. A informação consta no Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade 2025, divulgado pela companhia nesta segunda-feira (15).

O montante engloba até R$ 4 bilhões destinados à descarbonização das operações da mineradora, até R$ 8 bilhões voltados ao desenvolvimento de tecnologias próprias e parcerias ligadas à transição da indústria siderúrgica e à produção de briquetes de minério de ferro, além de até R$ 1 bilhão em investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Segundo a empresa, dos recursos destinados à descarbonização operacional, 24% deverão ser aplicados no médio prazo e 76% no longo prazo. Já os investimentos vinculados à transição da siderurgia estão concentrados, principalmente, na implantação dos chamados Mega Hubs, complexos industriais projetados para impulsionar a produção com menor intensidade de carbono.

Desde 2020, a Vale já investiu R$ 9 bilhões em projetos de descarbonização, valor acumulado até o final de 2025.

De acordo com a vice-presidente executiva de Sustentabilidade da companhia, Grazielle Parenti, os investimentos não apenas contribuem para a redução dos impactos ambientais, mas também geram oportunidades de negócios e fortalecem a gestão de riscos corporativos.

A executiva destacou que projetos estratégicos da companhia passam por avaliações que consideram critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), permitindo identificar potenciais riscos e oportunidades associados a cada iniciativa.
Custos com carbono podem alcançar R$ 22 bilhões

O relatório também aponta que a mineradora poderá enfrentar custos de até R$ 22 bilhões, em valor presente, relacionados a mecanismos de precificação de carbono. Os impactos financeiros mais significativos são esperados a partir de 2030 e dependerão do cumprimento das metas de redução de emissões estabelecidas pela empresa.

A exposição da Vale está associada ao avanço de regulações climáticas em diferentes mercados onde atua, incluindo o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono da União Europeia (CBAM), o sistema brasileiro de comércio de emissões, o mercado chinês de carbono e outros modelos internacionais de precificação.
Indicadores de emissões registram avanço

Em 2025, a mineradora alcançou redução de 25,3% nas emissões dos Escopos 1 e 2 em comparação com os níveis de 2017. O índice ficou ligeiramente abaixo da redução de 26,6% registrada no ano anterior.

No Escopo 3, que contempla emissões indiretas da cadeia de valor, a redução acumulada chegou a 8,2% em relação ao ano-base de 2018, ante 11,2% reportados em 2024. Segundo a empresa, o resultado reflete, entre outros fatores, o aumento da produção e das vendas.
Relatório amplia avaliação de riscos

A Vale destacou que foi a primeira mineradora do mundo e a primeira empresa brasileira a publicar um relatório alinhado ao padrão do International Sustainability Standards Board (ISSB), lançado no ano passado.

Na edição de 2025, a companhia ampliou a análise de riscos e oportunidades, incorporando temas como segurança de barragens, licenciamento ambiental, relacionamento com comunidades, direitos humanos, saúde e segurança ocupacional, além do conceito de mineração circular.

Segundo Grazielle Parenti, a sustentabilidade passou a ser tratada como um elemento estratégico para a geração de resultados financeiros, deixando de ocupar apenas um papel reputacional dentro das organizações.
Mineração circular ganha espaço na estratégia

Outro destaque do relatório é o avanço da mineração circular. Em 2025, a Vale produziu 26 milhões de toneladas de minério de ferro a partir do reaproveitamento de resíduos, volume 107% superior ao registrado no ano anterior.

Atualmente, essa modalidade representa 8% da produção total da companhia. A meta é elevar essa participação para 10% até 2030.

Para a empresa, a ampliação da circularidade combina ganhos ambientais e econômicos, criando novas oportunidades de negócios e aumentando a eficiência na utilização de recursos minerais.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   17/06/2026

Uma fase gloriosa do mercado nacional foi a dos chamados compactos premium: encaixados entre os espartanos modelos de entrada e os mais sofisticados hatches médios, eram uma receita promissora de dirigibilidade, lista de equipamentos e conforto superiores por preço relativamente acessível.

Por certo tempo foi um sucesso, considerando-se a quantidade de representantes que a categoria já teve: Chevrolet Sonic, Citroën C3, Fiat Punto, Ford New Fiesta, Peugeot 208 e Volkswagen Polo. Desses, restaram apenas os dois últimos, que tempos depois passaram a ter a companhia da nova geração do Honda City. Sonic e C3 viraram outra coisa.

Ou seja, o segmento atravessava um marasmo até a Hyundai lançar o i20, que começa a ser vendido agora nas concessionárias da marca nas seguintes versões:

Comfort 1.0 MT: R$ 99.990 Limited 1.0 MT: R$ 104.990 Limited 1.0 Turbo AT: R$ 125.990 XLine 1.0 Turbo AT: R$ 128.990 Platinum 1.0 Turbo AT: R$ 134.990 Ultimate 1.0 Turbo AT: R$ 139.990

Posicionado entre o HB20 e o Creta, o i20 tem a lucidez de se identificar como hatchback, contrariando a tendência de se classificar tudo como SUV. Na prática, terá desde Renault Kardian e Chevrolet Sonic a Volkswagen Polo e Peugeot 208 como rivais.

H-Architecture

Embora já esteja na quarta geração e some mais de 1 milhão de unidades vendidas em mais de 60 mercados, o i20 estreia agora no Brasil como o terceiro produto nacional da Hyundai.

O hatch é construído sobre a terceira geração da plataforma modular K3, composta por ligas de aço de alta e ultra resistência e que, além de abrigar o novo sistema de ar-condicionado desenvolvido para o clima brasileiro, pode receber sistemas de propulsão eletrificados.

O i20 também inaugura no Brasil uma nova família de modelos para os próximos 10 anos e um novo conceito de design, o “Art of Steel”.

A descrição a seu respeito é uma viagem quase lisérgica: “o visual do modelo traz mais referências aos cortes retos característicos do trabalho artístico com o aço. O novo desenho fornece uma postura esportiva e moderna, focada na expressão de personalidade do condutor. Partes frontal, lateral e dianteira do carro foram projetadas de forma a reforçar a sensação de robustez e aerodinâmica, ao mesmo tempo em que transmitem uma imagem elegante e premium com a assinatura ‘H-Architecture’”.

Quanto às dimensões, o i20 se apresenta com 4,13 metros de comprimento, 1,49 m de altura, 1,78 m de largura e 2,58 m de distância entre-eixos. O porta-malas comporta 346 litros (VDA), que podem ser ampliados para 1.152 litros com o banco traseiro rebatido.

Para se ter uma ideia do tamanho do i20, o HB20 tem 4,01 m de comprimento, 1,47 m de altura, 1,72 m de largura e 2,53 m de entre-eixos, enquanto o Creta tem respectivamente 4,33 m, 1,62 m, 1,79 m e 2,61 m. No HB20, o porta-malas comporta 300 litros (930 l com o banco rebatido); no Creta são 422 litros.

De acordo com medições da Hyundai, a cabine entrega 917 mm de espaço para as pernas, 961 mm de espaço vertical para a cabeça e 1.391 mm de espaço “de ombros” para os três ocupantes do banco traseiro.

As cores disponíveis serão Branco Atlas, Preto Onix, Prata Brisk, Prata Sand, Azul Sapphire, Cinza Shadow, Cinza Silk e a inédita Cinza Lumina.

Veja os detalhes do novo Hyundai i20

Todas as configurações oferecem faróis de LED com acionamento automático, painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, espelhamentos Apple Car Play e Android Auto em fio, sistema Bluelink (carro conectado), partida por botão, volante com ajuste de altura e profundidade e seis airbags.

Elementos como frenagem autônoma, farol alto adaptativo e rodas de 17 polegadas vão sendo agregados conforme a hierarquia das versões até a topo de linha Ultimate, cujos diferenciais são os faróis de LED com projetores, a faixa de luz horizontal em LED, a central multimídia de 12,3 polegadas e a presença de itens como assistente de tráfego cruzado, assistente de ponto cego e alerta de abertura segura das portas.

O modelo também é o primeiro Hyundai brasileiro equipado com a tecnologia OTA (Over The Air), recurso que atualiza o software do carro remotamente, permitindo correções de segurança ou melhorias de desempenho por meio da interface da rede de dados embarcada no veículo, sem a necessidade de ir a uma concessionária.

Testamos o Hyundai i20

A Exame Casual teve breve contato com o hatch em uma pista fechada. A primeira boa impressão vem do porte e do estilo do i20, que para alguns pode não ser necessariamente bonito, mas tem personalidade visual indiscutível.

Há um quê de status orgânico vindo dos recortes sisudos, do ar minimalista e do tom aparentemente oitentista da traseira. Mas só o tempo dirá como o i20 vai envelhecer.

O interior também impressiona, quase sempre positivamente. Os bancos revestidos em couro têm uma combinação única de maciez e firmeza, o que combinado à excelente pegada (e bons ângulos de altura e profundidade) do volante garantem, ao menos para um motorista de 1,77 m de altura, ótima posição de comando. E isso também pelo cuidado com o apoio do pé esquerdo, muitas vezes negligenciado.

O painel de instrumentos seguiu o caminho cada vez mais comum da comunhão com a central multimídia, como se fosse uma só peça. As informações são organizadas com clareza e é fácil mudar o completo menu de dados.

Apenas os botões (felizmente) físicos abaixo da tela central talvez merecessem um polimento melhor, mais condizente com o agradável aspecto geral da cabine, que alcança uma atmosfera futurista sem recorrer a cafonices. Disposto na vertical, o comando do ar-condicionado pode causar estranheza, mas nos pareceu até mais funcional.

Para completar o rol de qualidades, o i20 ainda anda bem — ao menos na versão experimentada, a Ultimate. Seu motor é o conhecido e competente 1.0 tricilíndrico Kappa, de 115 cv e 17,5 kgfm de torque, sempre acoplado à transmissão automática de seis velocidades. O entrosamento da dupla encontrado nos outros modelos se repetiu no estreante.

Definitivamente, nada de marasmo.

Globo Online - RJ   17/06/2026

A demanda inicial pelos empréstimos do Move Brasil Taxistas e Aplicativos, programa de crédito com juros mais em conta lançado mês passado pelo governo federal, está “gigantesca”, disse nesta terça-feira Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, banco público que opera os financiamentos.

Quando o Move Brasil Taxistas e Aplicativos foi lançado, o próprio Mercadante disse, em Brasília, que o governo projetava uma demanda de 200 mil a 300 mil beneficiários. Foram disponibilizados R$ 30 bilhões para o programa, em recurso do Tesouro.

— Está muito maior do que aquele número lá. Muito maior. O número é gigantesco — disse Mercadante a jornalistas, ao deixar a sessão de abertura da edição 2026 do BNDES Garagem, evento do banco de fomento voltado para startups.

O presidente do BNDES evitou citar valores ou estimativas de demanda. Disse apenas que o atendimento final da demanda dependerá dos bancos repassadores. E minimizou o risco de endividamento excessivo e inadimplência em alta moderarem a demanda, pois os calotes são menos frequentes quando o bem financiado é usado para trabalhar.

Segundo Mercadante, os descontos oferecidos pelas montadoras de automóveis também estão ajudando a turbinar a demanda. Pela regras do Move Brasil, podem ser financiados carros de até R$ 150 mil.

Na época do lançamento, o governo informou que a ideia era que o Move Brasil Taxistas e Aplicativos estivesse pronto para começar a aprovar empréstimos a partir de 19 de junho, a próxima sexta-feira.

R$ 10 bi contratados para caminhões e ônibus

Em outra linha de crédito do Move Brasil, para o financiamento à aquisição de caminhões e ônibus, já foram contratados R$ 10 bilhões dos R$ 21 bilhões disponíveis para uma segunda rodada, informou o presidente do BNDES.

Nos primeiros dias de janeiro, o governo lançou o Move Brasil Caminhões, que já foram todos contratados. Depois, numa segunda rodada, lançou o Move Brasil Caminhões e Ônibus, que ampliou a abrangência para os coletivos, e o valor disponível subiu para R$ 21 bilhões.

Com isso, nas duas rodadas, o Move Brasil Caminhões e Ônibus já contratou R$ 20 bilhões em empréstimos, de um total disponível de R$ 31 bilhões.

Mais recentemente, depois da linha para taxistas e motoristas de aplicativos, foi lançado, na semana passada, o Move Brasil Entregadores e Motoapp, com mais R$ 4 bilhões.

O valor disponível é formado, em maioria, com recursos do Tesouro, complementados por recursos próprios do BNDES. O uso direto de recursos do Tesouro para o BNDES operar tem atraído críticas de especialistas, que veem na estratégia uma forma de estimular a economia lançando mão de recursos que não entram na contabilidade das despesas primárias e, portanto, ficam de fora dos limites do chamado “arcabouço fiscal”.

Diário do Comércio - MG   17/06/2026

Minas Gerais já protagonizou uma das maiores transformações da indústria automotiva brasileira. Com um dos principais polos do setor e uma ampla rede de fornecedores, o Estado se prepara novamente para aproveitar as mudanças que estão transformando a mobilidade.

Se no passado o desafio era estruturar uma base de fornecedores para acompanhar a expansão da Fiat em Betim (atual Stellantis), hoje o foco está nas tecnologias que definem a competitividade do setor. Como em outros momentos da história, essa transformação abre espaço para novos negócios. Empresas da cadeia automotiva podem ampliar mercados e desenvolver novas soluções, enquanto novos fornecedores encontram espaço em um setor cada vez mais tecnológico.

A experiência de Minas Gerais na construção de cadeias produtivas é um diferencial. Na década de 1980, o então Indi (atual Invest Minas) liderou o trabalho de fortalecimento da base fornecedora da Fiat. Na época, apenas 26% das compras da montadora eram realizadas junto a empresas mineiras. Ao longo dos anos 1990, esse índice chegou a 75%, resultado de uma estratégia que se tornou referência e ficou conhecida como “mineirização” da cadeia de fornecedores.

Três décadas depois, a indústria automotiva vive uma nova transformação. Dessa vez, o desafio é conectar os fornecedores às estratégias das montadoras e às demandas tecnológicas do futuro. Nesse contexto, a Invest Minas atua junto às montadoras mineiras para fortalecer a cadeia, identificar oportunidades e atrair investimentos.

Essa atuação acompanha o novo ciclo de investimentos na região. A Stellantis anunciou R$ 14 bilhões para o Polo de Betim até 2030, focados em tecnologias híbridas e motores de baixa emissão. A Iveco investe R$ 1 bilhão até 2028 em inovação e modernização industrial. Movimentos que ampliam oportunidades para toda a cadeia produtiva e impulsionam tecnologias alinhadas às novas demandas da indústria automotiva.

O fortalecimento do setor também passa pela inserção internacional. Em maio deste ano, a Invest Minas realizou uma missão técnica à China para prospectar oportunidades para o setor e se aproximar das tendências globais. A agenda incluiu reuniões com fornecedores de segmentos estratégicos para a nova mobilidade.

A história mostra que a competitividade do setor depende de uma cadeia forte, diversificada e inovadora. Nesse cenário, a transição da mobilidade cria oportunidades para empresas capazes de atender às novas demandas da indústria automotiva. Para Minas Gerais, trata-se de mais um passo para consolidar sua posição entre os principais polos automotivos da América Latina. Para os fornecedores, é o momento de ocupar novos espaços e participar ativamente da construção da mobilidade do futuro.

Rodoviário

Diário do Comércio - MG   17/06/2026

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recebeu da concessionária Nova 381 o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) referente à proposta de duplicação de aproximadamente 74 quilômetros (km) da BR-381, no trecho entre Belo Oriente e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

A informação foi divulgada inicialmente pela Prefeitura de Governador Valadares e confirmada à reportagem pela concessionária.

Com a documentação entregue na quarta-feira (10), a agência iniciará a avaliação dos aspectos de engenharia, econômicos e ambientais apresentados pela empresa, etapa considerada fundamental para que o projeto avance para a aprovação e futura execução.

Conforme o prefeito de Governador Valadares, José Bonifácio Mourão (PL), este anúncio simboliza o primeiro resultado concreto de uma ampla mobilização regional iniciada em 2025 para garantir a duplicação. Ele espera celeridade na conclusão da análise técnica e que o governo federal autorize os próximos passos necessários para a realização do projeto.

O secretário de Governo e de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Samuel Sabbagh, afirma que a expansão da rodovia entre Belo Oriente e Governador Valadares é uma das mais importantes demandas de infraestrutura do Vale do Rio Doce.

“A duplicação da BR-381 até Governador Valadares representa mais segurança para os motoristas e passageiros, redução de acidentes, melhoria das condições de transporte de cargas e fortalecimento da competitividade econômica da região”, destaca.
Obra foi reivindicada em manifesto assinado por lideranças da região

Como mencionado pelo prefeito, lideranças da região se mobilizaram para que a obra de expansão da BR-381 entre Belo Oriente e Governador Valadares fosse incluída na concessão da rodovia. Ele ressalta que a duplicação a ser realizada pela Nova 381 por força do contrato iria apenas até a fábrica da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) em Belo Oriente, o que implicaria no estrangulamento e no aumento do trânsito até Governador Valadares.

Informado anteriormente pela ANTT ao Diário do Comércio, a concessão do trecho da BR-381 de 303 km que liga Belo Horizonte e Governador Valadares previa, a princípio, a criação de cerca de 37 km de faixas adicionais entre Belo Oriente e Governador Valadares. A duplicação do segmento no Vale do Rio Doce constava no contrato, mas condicionada ao atingimento de limites estabelecidos de certos parâmetros de desempenho.

Em agosto de 2025, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Rio Doce lançou um manifesto reivindicando a execução da obra e destacando sua importância para a região. Autoridades dos poderes Executivo e Legislativo, empresários e representantes de entidades e da sociedade civil assinaram o documento. Quatro meses depois, a ANTT autorizou que a concessionária elaborasse os estudos de viabilidade.

NAVAL

Infomoney - SP   17/06/2026

A atividade no Estreito de Ormuz permanece abaixo do normal apesar de progresso diplomático entre os Estados Unidos e o Irã, de acordo com informações do serviço de dados do MarineTraffic divulgados nesta terça-feira, 16.

Os dados mostram que apenas cinco travessias confirmadas foram registradas em 15 de junho. O tráfego consistiu principalmente em travessias de baixo risco, atividade moderada da frota paralela e três viagens comerciais transportando cargas de DPP – frete no qual o vendedor assume todos os custos e riscos até a entrega ao comprador – e aço, de acordo com a Kpler.

Já de acordo com o site hormuzstraitmonitor, há dois navios realizando a travessia e 500 em espera para transpor o estreito.
Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou que o estreito de Ormuz estará “completamente aberto” na sexta-feira, 19. A reabertura da via poderá provocar uma forte alta temporária no tráfego de navios-tanque, segundo analistas da Kpler.

PETROLÍFERO

Veja - SP   17/06/2026

Os Estados Unidos permitirão que o Irã retome imediatamente as exportações de petróleo e combustíveis como parte do acordo que encerrou a guerra entre os dois países, segundo informações obtidas pelo The Wall Street Journal.

A medida representa uma das primeiras concessões econômicas feitas por Washington em troca da manutenção do cessar-fogo e da reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

O entendimento prevê a suspensão imediata de sanções relacionadas à venda de petróleo iraniano, além da flexibilização de restrições bancárias, de transporte marítimo e de seguros necessárias para viabilizar as exportações.

A decisão marca uma mudança relevante na estratégia americana. Desde abril, os EUA mantinham um bloqueio naval que restringia o tráfego de embarcações ligadas ao comércio exterior iraniano.

Primeiros navios já deixam portos iranianos

Os efeitos do acordo começaram a aparecer antes mesmo da assinatura formal do documento.

Segundo dados de monitoramento marítimo, o superpetroleiro Diona deixou o porto iraniano de Chabahar e atravessou a área anteriormente afetada pelo bloqueio americano. Pouco depois, outra embarcação de grande porte, a Hero II, realizou a mesma travessia.

A retomada das exportações ocorre em um momento em que os mercados acompanham de perto os impactos do conflito sobre a oferta global de energia. Nos últimos meses, os preços do petróleo chegaram a disparar diante do risco de fechamento do Estreito de Ormuz, principal corredor de exportação dos países do Golfo.

Desde o anúncio do acordo, porém, as cotações vêm recuando diante da expectativa de normalização gradual dos fluxos comerciais.

Alívio econômico dependerá de concessões nucleares

Embora o Irã receba benefícios imediatos para comercializar petróleo, autoridades americanas afirmam que um alívio mais amplo das sanções dependerá do avanço das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O memorando estabelece uma nova rodada de discussões que poderá incluir a redução dos estoques de urânio enriquecido, restrições adicionais às atividades nucleares do país e mecanismos internacionais de supervisão.

Segundo integrantes do governo americano, benefícios mais amplos, como a liberação de ativos congelados e novas suspensões de sanções, dependerão do cumprimento dessas exigências.
Reconstrução pode movimentar centenas de bilhões de dólares

O acordo também prevê a criação de um fundo de reconstrução destinado a reparar danos causados pela guerra.

Autoridades americanas afirmaram que as discussões incluem valores de até US$ 300 bilhões para projetos de infraestrutura e recuperação econômica no Irã. O presidente dos EUA, porém, declarou que Washington não participará diretamente desse financiamento.

Além disso, negociadores discutem a possibilidade de restaurar parcialmente o acesso do Irã a recursos bloqueados no exterior.

Estimativas apontam que o país possui cerca de US$ 100 bilhões em ativos congelados por sanções internacionais, principalmente receitas acumuladas com exportações de petróleo. Parte desses recursos está concentrada na China, enquanto outros valores permanecem em bancos do Catar, Omã e Iraque.
Críticas em Washington e em Israel

A concessão de benefícios econômicos ao Irã já enfrenta resistência entre parlamentares americanos e autoridades israelenses.

Críticos argumentam que permitir a retomada das exportações reduz uma das principais ferramentas de pressão dos Estados Unidos antes que Teerã faça concessões concretas em temas considerados estratégicos.

Especialistas em segurança, porém, avaliam que Washington dificilmente conseguiria garantir a reabertura do Estreito de Ormuz sem oferecer contrapartidas econômicas.

Para analistas do setor energético, a retomada das vendas de petróleo iraniano pode ajudar a conter os preços internacionais da commodity e reduzir pressões inflacionárias em diversas economias.

Ao mesmo tempo, o acordo ainda é considerado frágil, já que boa parte dos benefícios prometidos dependerá do sucesso das negociações futuras sobre o programa nuclear e da manutenção do cessar-fogo.

Valor - SP   17/06/2026

Helicóptero abatido pelo Irã em 9 de junho participava de missão de transferência entre navios-tanque; pelo menos 116 embarcações já usaram método

Os militares dos Estados Unidos supervisionaram dezenas de transferências secretas de petróleo entre navios para manter o fluxo das exportações de energia do Golfo Pérsico, utilizando drones aéreos e marítimos, além de helicópteros, em uma operação destinada a orientar comboios até petroleiros que aguardavam para receber a carga.

A operação, realizada na região próxima ao Estreito de Ormuz, emprega uma técnica de transbordo há muito utilizada pelo Irã para contornar sanções.

Onze pessoas familiarizadas com a operação identificaram dois locais específicos onde ocorrem as transferências: um na costa de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e outro próximo ao porto de Sohar, em Omã.

A operação começou no início de maio e pelo menos 116 navios participaram das transferências, de acordo com dados de navegação e imagens de satélite analisados pela Reuters.

Ainda na manhã desta terça-feira, 12 pares de navios podiam ser vistos lado a lado no Golfo de Omã: oito próximos à costa de Sohar e quatro perto de Fujairah, segundo imagens de satélite analisadas pela Reuters. Em 11 de junho, quando a atividade aparentemente atingiu seu pico, 17 pares de navios realizavam transferências simultâneas nos dois locais.

Um helicóptero Apache abatido pelo Irã em 9 de junho, incidente que desencadeou bombardeios retaliatórios dos EUA, participava da missão, segundo quatro fontes, incluindo um ex-funcionário americano com conhecimento do ataque. Utilizando imagens de satélite, a Reuters contou seis pares de petroleiros agrupados em uma pequena área próxima ao porto de Sohar no dia em que o Apache foi derrubado.

A Reuters não conseguiu confirmar qual era exatamente o papel do Apache na operação. Em resposta a perguntas da agência, um funcionário da Defesa dos EUA afirmou que nenhuma força do Comando Central (Centcom) participa de uma operação marítima de transferência de petróleo entre navios. Autoridades americanas disseram que os dois tripulantes da aeronave foram resgatados por um barco-drone.

A dimensão dessas transferências, o modo como funcionam e o papel do Apache na operação nunca haviam sido relatados anteriormente. A Casa Branca encaminhou as perguntas ao Centcom. O governo iraniano não respondeu aos pedidos de comentário sobre a operação.

No limite da área iraniana

Os dois pontos onde ocorrem as transferências, localizados no Golfo de Omã, próximo à saída do Estreito de Ormuz, ficam perto dos limites definidos pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, um novo órgão iraniano criado para administrar o estreito. Navios que não cumprirem as ordens do Irã correm risco de sofrer ataques de drones e mísseis da Guarda Revolucionária Islâmica.

O próprio porto de Fujairah foi alvo repetido de ataques iranianos durante o período em que essa operação liderada pelos EUA esteve em andamento. No último fim de semana, segundo a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard, um “projétil de origem desconhecida” atingiu um petroleiro na costa de Omã.

A empresa informou que a tripulação estava segura e que o impacto provocou algum vazamento da carga, mas sem danos ambientais. Não foi especificado se o navio participava de uma transferência entre embarcações.

O Irã respondeu à guerra entre EUA e Israel fechando efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo. Isso provocou a maior interrupção no fornecimento global de energia da história e impulsionou a inflação em diversas partes do mundo.

As transferências entre navios, embora arriscadas e ineficientes, parecem fazer parte dos esforços do governo Trump para restaurar os fluxos normais de petróleo provenientes do Golfo. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Estreito de Ormuz seria reaberto na sexta sob um acordo de paz com o Irã anunciado nesta semana, embora os detalhes permaneçam vagos. A Reuters não conseguiu determinar se esse acordo afetou as transferências.

Uma investigação da Reuters publicada em 20 de maio revelou que o Irã estabeleceu seu próprio sistema para conduzir embarcações pelo lado oposto do estreito, envolvendo postos de controle em ilhas, acordos diplomáticos e, em alguns casos, cobrança de taxas.

Partidas escalonadas

As operações americanas de transferência são totalmente controladas pelos militares dos EUA, segundo oito fontes, incluindo uma empresa de segurança privada envolvida nas transferências.

Os petroleiros devem navegar até um ponto de encontro antes de chegar ao estreito e partir em intervalos escalonados para manter uma distância de aproximadamente 3.000 a 4.000 metros entre si, segundo uma das fontes e imagens de satélite. Seus transponders permanecem desligados e as luzes reduzidas, segundo quatro fontes.

Uma série de pontos de controle permite aos militares dos EUA monitorar o progresso dos petroleiros designados, mas os americanos “obviamente observam você o tempo todo”, disse uma das fontes.

Ao atravessarem o estreito, logo além de uma zona delimitada pelo Irã como sob seu controle, os petroleiros aproximam-se dos navios receptores — muitos deles superpetroleiros do tipo VLCC — para iniciar a transferência de petróleo. Essas operações levam entre 24 e 40 horas para serem concluídas. Os navios esvaziados retornam pelo estreito, enquanto os VLCCs carregados seguem viagem.

O que torna essa operação possível é a existência de algumas empresas dispostas a navegar pelo estreito para entregar petróleo aos petroleiros em espera, apesar do bloqueio iraniano. Mas a operação é arriscada.

“Você simplesmente não sabe quando o Irã pode decidir começar a usar drones ou até lanchas armadas para impedir que esses navios transitem pelo estreito”, disse Noam Raydan, pesquisador sênior do Washington Institute especializado em riscos marítimos e que analisou as conclusões da Reuters.

A técnica de transferência entre navios é utilizada há anos pelo Irã para contornar sanções, pois dificulta a identificação da origem do petróleo. Os iranianos normalmente operam apenas um par de navios por vez, tanto para evitar detecção quanto porque suas exportações antes da guerra eram relativamente pequenas. Já a operação liderada pelos EUA envolve transferências em massa, proporcionando maior proteção aos produtores do Golfo contra possíveis represálias iranianas.

A Reuters analisou mais de uma dúzia de imagens de satélite obtidas entre 2 de maio e 11 de junho mostrando transferências envolvendo frotas estatais de petroleiros do Golfo e embarcações internacionais que recebiam o petróleo. Dados de navegação da LSEG e da Kpler mostraram encontros repetidos entre navios na região durante o mesmo período.

Com base nas imagens até 11 de junho, a Reuters calculou que pelo menos 90 milhões de barris de petróleo bruto e derivados podem ter sido movimentados pela rede marítima desde o início de maio.

Mesmo assim, esses volumes continuam pequenos quando comparados à média pré-guerra de aproximadamente 20 milhões de barris por dia que atravessavam o estreito.

“À medida que as antigas regras enfraquecem, é irônico que os EUA estejam agora adotando práticas usadas por China, Rússia, Coreia do Norte e até mesmo pelo Irã, cujas chamadas ‘frotas fantasmas’ foram pioneiras nessas técnicas precisamente para evitar sanções dos EUA e da ONU”, escreveu Michael Froman, presidente do Council on Foreign Relations, em uma nota divulgada na sexta (12).

Seis fontes com conhecimento direto da operação disseram que os EUA apoiam as embarcações participantes por meio de vigilância aérea, verificação de conformidade regulatória e monitoramento, em vez de escolta naval. A Reuters não encontrou indícios de envolvimento direto de militares norte-americanos nas transferências em si.

Através do estreito

O lado receptor da operação é dominado por operadores internacionais de petroleiros, segundo análise dos registros de navegação. Uma dessas empresas, a grega Dynacom Tankers Management, já havia mencionado seus esforços para encontrar formas criativas de transportar petróleo através do estreito desde o início da guerra em 28 de fevereiro.

“A liberdade de navegação é essencial e ninguém pode impor pedágios ou qualquer outro ônus”, declarou George Procopiou, fundador da Dynacom, durante uma conferência marítima da Capital Link em Atenas, em 1º de junho.

“Estamos aqui para servir, e a Grécia tem a tradição de romper bloqueios desde a Antiguidade. Não quero entrar em mais detalhes, mas acredito que as pistas são suficientes para entender o que quero dizer”, acrescentou Procopiou.

A Dynacom não respondeu imediatamente ao pedido de comentários sobre a operação americana. Outra fonte do setor marítimo afirmou, contudo, que o novo sistema também cria riscos para a indústria.

“Há escassez de dados confiáveis”, disse a fonte. Como os transponders usados para comunicar a localização dos navios permanecem desligados e as empresas não reportam suas posições pelos canais habituais, aumenta o risco de colisões entre embarcações que navegam à noite, sem luzes e em velocidades que dificultam manobras rápidas.

Quatro fontes familiarizadas com o sistema afirmaram que operadores interessados em participar precisam passar por um processo de conformidade antes de receber janelas de trânsito. Esse processo inclui o envio de informações ao escritório de Cooperação e Orientação Naval para o Tráfego Marítimo da Marinha dos EUA, no Bahrein.

Documentos preliminares analisados pela Reuters exigiam histórico completo de rastreamento geoespacial, divulgação dos proprietários beneficiários, documentação da carga e autorização para testes da carga.

Se aprovados, os navios recebem janelas de trânsito específicas e permanecem em contato com o escritório militar americano no Bahrein durante toda a viagem.

As exportações dos Emirados Árabes Unidos representam uma parcela significativa da operação, segundo registros marítimos analisados pela Reuters. Seis fontes disseram que a companhia estatal ADNOC está entre os participantes mais ativos.

A Kuwait Oil Tanker Co. também tem desempenhado papel relevante. Cerca de 2,3 milhões de barris de petróleo bruto foram transferidos de um de seus navios na costa de Sohar em 6 de junho, um dos dias mais movimentados da operação. O navio receptor, Sea Ruby, foi visto cinco dias depois na costa sudoeste da Índia, a caminho da China, onde a carga deveria ser descarregada.

O governo dos Emirados Árabes Unidos, a ADNOC e a Kuwait Oil Tanker Company não responderam aos pedidos de comentário. “Não vejo uma solução permanente em tudo isso”, concluiu Raydan. “Esta é uma solução temporária para tempos excepcionais.”

Veja - SP   17/06/2026

Os preços do petróleo fecharam abaixo de US$ 80 por barril nesta terça-feira (16), atingindo o menor nível desde o início de março, à medida que investidores passaram a apostar na normalização gradual do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz após o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para ampliar o cessar-fogo e reabrir a principal rota energética do Golfo Pérsico.

O barril do Brent, referência internacional, caiu 5,1%, para US$ 78,96. Já o WTI, referência dos Estados Unidos, recuou 5,8%, encerrando o dia a US$ 76,05.

A queda amplia o movimento iniciado após Washington e Teerã anunciarem, no fim de semana, um entendimento para manter a trégua militar e permitir a retomada gradual da navegação pelo estreito, que vinha operando de forma limitada desde o início da guerra, em fevereiro.

Guerra elevou preços ao maior nível em anos

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou forte volatilidade no mercado energético nos últimos meses.

Antes do início das hostilidades, o Brent era negociado em torno de US$ 72 por barril. Com os ataques militares e os riscos de interrupção do abastecimento, os preços chegaram a superar US$ 120 em abril.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio mundial de energia. Cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta e grande parte das exportações de gás natural liquefeito do Catar passam pela passagem marítima.

Analistas afirmam que o acordo reduziu parte do chamado “prêmio geopolítico” incorporado aos preços durante a guerra.

Segundo Soojin Kim, analista do banco japonês MUFG, a expectativa de recuperação gradual das exportações da região diminuiu as preocupações imediatas com o abastecimento.

Além do petróleo, a perspectiva de maior oferta energética também ajudou a aliviar receios inflacionários em diversas economias.

Primeiros navios voltam a cruzar área de restrição

Sinais de retomada começaram a surgir nesta terça-feira. Dois petroleiros iranianos deixaram o Golfo de Omã e cruzaram a linha de bloqueio estabelecida pelos Estados Unidos, marcando os primeiros movimentos relevantes de exportação de petróleo iraniano sem interferência militar desde o início das restrições.

Mesmo assim, operadores do setor afirmam que a normalização completa ainda está distante.

Empresas de navegação, seguradoras e comerciantes de petróleo alertam que o retorno ao fluxo pré-guerra poderá levar semanas ou até meses. Persistem preocupações relacionadas à presença de minas marítimas, riscos de segurança e custos elevados de seguro.

O presidente da Mitsui O.S.K. Lines, uma das maiores companhias de transporte marítimo do mundo, afirmou que muitos armadores ainda aguardam evidências mais concretas de que o acordo será duradouro antes de retomar rotas regulares pela região.

Bancos reduzem projeções para o petróleo

A melhora das perspectivas levou grandes bancos a revisar suas estimativas para os preços da commodity.

O Goldman Sachs reduziu em US$ 10 sua projeção para o Brent no último trimestre de 2026 e agora prevê cotações em torno de US$ 80 por barril. O banco passou a considerar que as exportações do Golfo Pérsico poderão retornar aos níveis anteriores ao conflito já no fim de julho.

O UBS também avaliou que o mercado recebeu positivamente o acordo, embora tenha ressaltado que a recuperação do transporte marítimo dependerá da confiança de armadores e seguradoras.

Já o Morgan Stanley considera que o mercado continuará relativamente apertado durante o verão do hemisfério norte, mas vê os preços estabilizados próximos de US$ 80 por barril a partir do quarto trimestre.

Alívio para inflação e economia

A queda do petróleo tem reflexos que vão além do setor energético.

Preços mais baixos tendem a reduzir custos de combustíveis, transporte e logística, ajudando no combate à inflação em economias desenvolvidas e emergentes. O movimento também favorece companhias aéreas, empresas de transporte e setores intensivos em energia.

Por outro lado, ações de grandes petroleiras vêm sofrendo pressão nos mercados financeiros diante da perspectiva de receitas menores caso a commodity permaneça próxima dos níveis atuais.

Apesar da forte correção desta semana, especialistas afirmam que o mercado continuará sensível a qualquer sinal de descumprimento do acordo entre Washington e Teerã, mantendo a volatilidade elevada nos próximos meses.

Agência Brasil - DF   17/06/2026

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) pediram a suspensão imediata do licenciamento da etapa 4 do pré-sal devido à ausência de comprovação da viabilidade ambiental do empreendimento.

Em nota, o MPF detalhou que o pedido faz parte de uma ação civil pública ajuizada na última segunda-feira (15) contra a Petrobras e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“O MPF e o MPSP defendem tanto a invalidação da licença prévia já emitida para o projeto quanto a proibição da concessão de novos avais pelo órgão ambiental”, destacou o comunicado.

A etapa 4 do pré-sal corresponde à nova fase de exploração de óleo e gás natural em águas profundas na Bacia de Santos. A expansão congrega dez plataformas, que entrariam em operação entre 2026 e 2032.

“Em três décadas de vida útil prevista para o empreendimento, estima-se que a extração e o uso dos combustíveis fósseis provenientes das novas unidades resultem no lançamento de mais de 3,8 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera”, alertou a nota.

Para o MPF, o volume configura sério risco de agravamento da crise climática e vai contra as metas ambientais assumidas pelo Brasil no plano internacional – o país se comprometeu a reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 59% a 67% até 2050, em comparação aos níveis de 2005.

Em nota, o Ibama informou que já se manifestou judicialmente em duas ações civis públicas prévias que tratam do assunto. “Caso tenha havido o ajuizamento de outra ação por agora, o instituto ainda não foi notificado. Quando isso ocorrer, o Ibama se manifestará nos autos do processo”.

A Agência Brasil entrou em contato com a Petrobras e aguarda posicionamento.

AGRÍCOLA

Veja - SP   17/06/2026

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira, 16, durante o VEJA Fórum Agro, que o governo federal já alcançou 641 aberturas de mercados para produtos agropecuários brasileiros no exterior, o equivalente a 91% da meta de 700 novos mercados estabelecida para a atual gestão. Segundo ele, a expansão do acesso aos mercados internacionais é uma das principais estratégias para impulsionar um setor que responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e 49% da pauta de exportações do país.

“A nossa meta é abrir cerca de 700 mercados. Já alcançamos 641, o que representa 91% desse objetivo”, afirmou durante o evento.

O ministro destacou que o agronegócio atravessa um momento desafiador, marcado por fatores climáticos, dificuldades financeiras dos produtores e incertezas geopolíticas. Segundo ele, assumiu a pasta em meio a uma “tempestade perfeita”, com impactos causados por eventos climáticos extremos, aumento do endividamento no campo e os reflexos de conflitos internacionais sobre a cadeia global de suprimentos.

Entre as preocupações do setor, André de Paula citou os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre o abastecimento de insumos considerados estratégicos para a produção agrícola. O ministro mencionou ainda as dificuldades relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional, e afirmou que um eventual avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã poderá contribuir para reduzir as incertezas.

Na área sanitária, o ministro comemorou o reconhecimento internacional do sistema brasileiro de defesa agropecuária. Segundo ele, a China reconheceu recentemente o Brasil como território livre de febre aftosa, movimento seguido pela Rússia.

“O governo chinês reconheceu nosso território livre de febre aftosa. Logo em seguida, a Rússia também fez essa declaração. Isso demonstra a robustez do nosso sistema de defesa agropecuária”, disse.

André de Paula também ressaltou os esforços para ampliar a presença brasileira no exterior por meio da expansão da rede de adidos agrícolas. A meta do governo é elevar o número de postos de 29 para 40.

“Esses adidos agrícolas são fundamentais para abrir portas e ampliar oportunidades para os produtos brasileiros”, afirmou.

O ministro destacou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva leva ao encontro do G7 pautas relevantes para o setor, incluindo soja, café e proteínas animais. Segundo ele, o governo também aposta no diálogo com a União Europeia para superar exigências regulatórias que podem afetar uma parcela do acordo entre UE e Mercosul.

“O que estamos enfrentando não é um impasse, mas uma exigência regulatória. Vamos superar esse desafio”, afirmou.

Durante sua participação no fórum, André de Paula confirmou que o novo Plano Safra será lançado em 1º de julho. Segundo ele, o programa segue entre as prioridades da administração federal e contará com reforço nos recursos destinados ao setor.

“O Plano Safra tem uma forte prioridade para o país. Nos três primeiros anos de governo, investimos 1,576 trilhão de reais e temos ampliado esse volume”, disse.

O ministro afirmou ainda que o governo pretende triplicar os investimentos voltados para insumos agrícolas na nova edição do programa e destacou a retomada de quatro fábricas da Petrobras ligadas à produção de fertilizantes, medida considerada estratégica para reduzir a dependência externa do país.

Entre as iniciativas previstas para este ano, André de Paula anunciou a inauguração, em agosto, de um laboratório dedicado ao setor de vinhos. Segundo ele, o modelo deverá ser expandido para outras áreas da agropecuária como forma de fortalecer os mecanismos de certificação e aumentar a credibilidade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Por fim, o ministro afirmou que o governo continuará apostando na ampliação do acesso a mercados e no fortalecimento da defesa sanitária como pilares para sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

CNN Brasil - SP   17/06/2026

A China inaugurou uma fase mais agressiva de controle das cadeias produtivas, mas esse movimento já se espalha pelo G7 e está redesenhando o comércio internacional, com impactos diretos para o agronegócio brasileiro.

Se durante décadas a globalização foi marcada pela busca de eficiência e abertura de mercados, governos das maiores economias do mundo passaram a enxergar cadeias de suprimento como instrumentos de poder econômico.

Para o Brasil, um dos maiores exportadores de alimentos do planeta, a mudança representa um desafio crescente. O país precisa navegar entre restrições comerciais, exigências fitossanitárias e disputas geopolíticas cada vez mais intensas, sem perder espaço em mercados considerados estratégicos.

A mais recente rodada de controles da China entrou em vigor em 31 de março, com o chamado Regulamento do Conselho de Estado sobre Segurança Industrial e das Cadeias de Suprimento. Considerado um dos instrumentos mais robustos já adotados por Pequim, o mecanismo amplia a capacidade do governo chinês de intervir em cadeias consideradas estratégicas.

Os números mostram a dimensão dessa mudança. A China triplicou o número de restrições de exportação nos últimos cinco anos (2020-2025), sinalizando a prioridade de consolidar sua influência sobre cadeias globais de suprimentos.

Entre 2021 e 2025, o país restringiu exportações em 30 ocasiões, o triplo do registrado entre 2015 e 2020.

O fortalecimento desse arsenal jurídico começou em 2020, quando Pequim aprovou uma lei de controle de exportações voltada para bens de uso civil e militar.

Desde então, o país vem ampliando instrumentos regulatórios capazes de moldar fluxos comerciais e reforçar sua posição em setores considerados estratégicos.

Para o Brasil, a concentração das exportações em poucos mercados amplia as vulnerabilidades. Produtos sem demanda chinesa passam a exigir esforços crescentes da diplomacia comercial para abertura de novos destinos.

Mas a China não está sozinha nesse movimento. Enquanto países emergentes seguem defendendo o multilateralismo, as economias do G7 passaram a incorporar controles comerciais como instrumentos de segurança econômica.

Nos Estados Unidos e na União Europeia, a estratégia assume contornos diferentes. Em vez de restringir principalmente importações, como nas antigas guerras comerciais, o foco está no controle da exportação de tecnologia, capital e conhecimento, além da criação de mecanismos de rastreabilidade, diligência e conformidade regulatória.

As grandes economias passaram a enxergar cadeias de suprimento como ativos estratégicos, da mesma forma que enxergam energia, infraestrutura crítica ou capacidades militares.

Não por acaso, o conceito de “economic security” tornou-se recorrente em documentos e comunicados do G7.

A lógica é simples: depender excessivamente de um único fornecedor para produtos essenciais passou a ser visto como um risco geopolítico.

Por isso, o grupo defende a diversificação de fornecedores, estoques estratégicos, reciclagem de minerais críticos e políticas de produção doméstica, conhecidas como reshoring e friend-shoring.

No comércio agrícola, essa nova geoeconomia frequentemente se apresenta sob a forma de requisitos regulatórios e fitossanitários. Controlam-se compras de produtos estrangeiros por meio de exigências legais que determinam o que pode ou não ingressar em determinado território.

Em 2026, a União Europeia demonstrou a força deste instrumento, elevando o debate sobre critérios sanitários e o uso de antimicrobianos na produção animal.

A proteção da segurança nacional começa, cada vez mais, a se confundir com argumentos de segurança alimentar, sustentabilidade e resiliência das cadeias de abastecimento.

É justamente nesse espaço que o Brasil tenta se posicionar: responder a questionamentos fitossanitários e ambientais enquanto reforça sua condição de fornecedor confiável de alimentos para um mundo mais preocupado com riscos de abastecimento.

Nesse contexto, a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro do G7 e as discussões envolvendo tarifas, embargos e exportações de carnes vão muito além de negociações pontuais. Elas refletem uma transformação estrutural da economia global.

No primeiro dia da reunião, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, foi direto ao afirmar que “medidas sanitárias têm de ser cumpridas” ao ser questionado sobre a possibilidade de avanço nas negociações para ampliar o acesso de produtos brasileiros de origem animal ao mercado europeu.

Embora o Brasil não faça parte do grupo das economias desenvolvidas, senta-se à mesa como convidado porque possui algo cada vez mais estratégico: capacidade de produzir alimentos em escala.

É isso que está em jogo.

O que se observa em 2026 não é apenas uma onda de controles de exportação. Trata-se da transformação do comércio internacional em instrumento de segurança nacional — e, cada vez mais, de segurança alimentar.

Agrolink - RS   17/06/2026

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na segunda-feira (15), em Curitiba, a entrega de máquinas agrícolas para seis municípios paranaenses. A ação faz parte do Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq) e busca reforçar a infraestrutura rural e ampliar a capacidade de atendimento aos produtores nas localidades beneficiadas.

Receberam os equipamentos os municípios de Cândido de Abreu, Centenário do Sul, Medianeira, Ortigueira, Piên e São João do Triunfo. As máquinas foram adquiridas por meio de emenda parlamentar e serão utilizadas pelas prefeituras em atividades voltadas ao desenvolvimento rural.

Entre os equipamentos entregues estão caminhões caçamba basculante com capacidade para seis metros cúbicos, escavadeiras hidráulicas e pá carregadeira. Segundo o ministério, as máquinas serão empregadas em serviços de manutenção da infraestrutura rural e em ações de apoio às demandas dos produtores.

A cerimônia reuniu deputados federais, prefeitos, representantes municipais, lideranças do setor agropecuário e autoridades estaduais e federais.

Durante o evento, o superintendente de Agricultura e Pecuária no Paraná, Almir Gnoatto, destacou os impactos dos investimentos para os municípios. “O Promaq tem proporcionado resultados concretos para os municípios paranaenses. As máquinas entregues ampliam a capacidade de atendimento das prefeituras, contribuem para a manutenção da infraestrutura rural e apoiam diretamente os produtores, que dependem de estradas em boas condições e de serviços públicos eficientes para desenvolver suas atividades”, afirmou.

Criado pelo Mapa, o Promaq tem como objetivo ampliar a mecanização agrícola e fortalecer a infraestrutura rural por meio da destinação de máquinas e equipamentos a estados, municípios e outros entes públicos. A proposta é aumentar a produtividade no campo, melhorar as condições de trabalho dos produtores e estimular o desenvolvimento das comunidades rurais.

Com a nova etapa de entregas, o Paraná passa a contabilizar cerca de 110 máquinas agrícolas distribuídas para mais de 40 municípios, somando aproximadamente R$ 36 milhões em investimentos.

De acordo com o ministério, os equipamentos contribuem para a recuperação e manutenção de estradas rurais, auxiliam no escoamento da produção agropecuária, melhoram a logística no campo e fortalecem as ações de suporte aos produtores rurais.

Até o momento, o Promaq já contemplou 43 municípios paranaenses, ampliando a estrutura disponível para a execução de serviços ligados ao setor agropecuário e à infraestrutura rural em diferentes regiões do estado.

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