Globo Online - RJ 06/05/2026
O Banco Central (BC) destacou nesta terça-feira a necessidade de manter a cautela diante de um cenário de incerteza elevada com a guerra no Oriente Médio e expectativas de inflação desancoradas na ata para justificar a redução da taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano.
A redução da taxa básica de juros na última semana repete o movimento realizado em março, quando foi iniciado o ciclo de "calibração" dos juros. Mesmo com a queda, a Selic permanece em níveis bastante elevados, no maior patamar desde outubro de 2006, em um esforço do Copom para alcançar a meta de 3,0% da inflação.
Na ata, o comitê destaca que os conflitos no Oriente Médio pode trazer instabilidades para o preço de commodities, com reflexos nas economias globais. Também no cenário externo, permanece uma incerteza em relação às ações econômicos dos Estados Unidos.
“A incerteza com relação ao cenário externo seguiu em níveis elevados. Além das indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas, colaborou para esse cenário a permanência de incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos”, diz o documento.
Segundo o BC, as expectativas de inflação, que seguiam em trajetória de declínio, voltaram a subir após o início dos conflitos.
“ As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes. Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028", detalha a ata.
Apesar dessas incertezas, o BC decidiu que esses eventos recentes não impediriam que a autoridade monetária seguisse com o ciclo de corte da Selic, devido ao cenário restritivo de juros imposto pela política monetária recente.
"O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta", diz o texto.
O comitê, no entanto, não deu indicação de quais devem ser as próximas decisões sobre a taxa de juros. Segundo a autoridade monetária, isso será deteminado ao longo do tempo.
"Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", informou o BC, na ata do Copom.
Para 2026, a estimativa oficial do BC para a inflação saltou de 3,9% para 4,6%, acima do limite de tolerância da meta, de 4,5%. Para o fim de 2027, prazo com o qual o colegiado trabalha para alcançar a meta, subiu de 3,3% para 3,5%. Ou seja, se distanciou mais do alvo que o BC mira. Essas projeções consideram o cenário da Selic do Boletim Focus (13% no fim de 2026 e 11% no fim de 2027).
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, diz que as incertezas externas devem levar o BC a uma política monetária mais restritiva que o previsto antes da guerra entre Estados Unidos e Irã.
— Diante desse desancoramento adicional, o Banco Central terá menor espaço para o afrouxamento monetário pós-conflito, o ciclo de cortes de juros tende a ser menor do que o esperado antes do conflito. O mercado já fez esse movimento: a expectativa, que girava em torno de 12% a 12,50%, hoje projeta cerca de 13%, que é também a projeção da Suno Research. A gordura a ser gasta é relativamente menor.
O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo no Golfo Pérsico. O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, destaca as instabilidades no preço do combustível como um ponto de atenção da autoridade monetária para a inflação.
— O Copom parece particularmente preocupado com os efeitos do atual choque do petróleo sobre as expectativas de inflação para 2028, a ata menciona esse ponto duas vezes, nos parágrafos 9 e 13. Em nossa avaliação, esse elemento pode dar origem a uma discussão sobre a extensão do horizonte de convergência. Consideramos que essa discussão seria legítima, dado a intensidade e a persistência do choque global de petróleo.
Infomoney - SP 06/05/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na segunda-feira que o Novo Desenrola, que concederá descontos em dívidas das famílias, não vai atrapalhar o trabalho do Banco Central na busca pelo controle da inflação, defendendo ainda que a política fiscal do governo não é o fator de pressão sobre os juros no país.
A poucos meses das eleições de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tentar a reeleição, o governo disponibilizará até R$15 bilhões em garantias para viabilizar renegociações de dívidas e migrações para linhas de crédito mais baratas, reduzindo o comprometimento de renda das famílias.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Durigan afirmou que “nem tudo” que for liberado de renda com as renegociações de dívidas a partir da nova fase do Desenrola será revertido em consumo.
“Eu não acho que o montante que nós estamos viabilizando vai ter impacto na política monetária a ponto de atrapalhar, o que nós estamos vendo, mais do que outros processos que são muito mais danosos, como o efeito da guerra”, disse. ‘Me parece bem circunscrito.’
Na entrevista, Durigan afirmou que a primeira fase do Desenrola, que funcionou entre 2023 e 2024, buscou sanear dívidas antigas das famílias ainda sob efeito das restrições econômicas da pandemia de Covid-19.
Durigan: endividamento, juros e segurança podem ampliar insatisfação com governo
Ministro da Fazenda afirmou ainda que sente as pessoas mais angustiadas com questões de trabalho e com as guerras no mundo
O programa original, segundo o ministro, não foi suficiente porque a taxa de juros no país voltou a crescer, o que gerou “uma espécie de retrocesso no endividamento”. Para ele, a nova rodada do Desenrola traz aprendizados em relação à primeira, como a facilitação de acesso às renegociações de dívidas e a vedação de que participantes do programa façam apostas online por um ano.
FISCAL
O ministro da Fazenda ainda defendeu que o componente da política fiscal pesa pouco sobre a política monetária, argumentando que o arcabouço para as contas públicas em vigor desde 2023 tem produzido uma trajetória gradual de melhora nos resultados primários.
“O que pressiona hoje a política monetária é o fiscal? Não, é a guerra”, disse.
O BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir os juros à frente, citando incertezas com a guerra no Irã. A autarquia também tem afirmado que acompanha a política fiscal e seus efeitos sobre a política monetária, defendendo harmonia entre as duas.
Para o ministro, o arcabouço fiscal “é uma regra que veio para ficar” ainda que se possa mexer nos parâmetros de despesas e receitas. Ele ponderou ser necessário conter gastos obrigatórios e defendeu gradualismo nos ajustes.
Entre as ações, o ministro sugeriu a retomada da medida que reduz repasses federais ao Distrito Federal, plano proposto anteriormente pelo governo e rejeitado pelo Congresso Nacional. Ele disse que não há margem para novas propostas de revisão de gastos antes das eleições deste ano.
“De maio a outubro é praticamente impossível que o Ministério da Fazenda, a equipe econômica, apresente uma medida de revisão de gastos”, afirmou.
Após o Senado ter rejeitado a indicação de Jorge Messias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), Durigan disse manter contato com os presidentes da Câmara e do Senado para seguir com a condução de pautas de interesse da área econômica e impedir as chamadas “pautas bomba”, que elevam gastos sem compensação.
Para ele, a rejeição do nome ao STF abala politicamente as relações entre governo e Congresso Nacional, “mas o compromisso de uma agenda econômica responsável pelo país, eu espero que não”.
Durigan acrescentou que o governo vinha tratando a indicação ao STF como prioritária, mas defendeu que a partir de agora sejam feitas as indicações dos nomes para as duas diretorias do BC desocupadas desde o início do ano. Ele ponderou que não tratou desse tema com Lula após assumir o cargo.
Na entrevista, Durigan ainda disse acreditar que a guerra no Irã terá efeitos para além do mês de maio, atual prazo de vencimento de medidas emergenciais para mitigar efeitos da alta do petróleo, como a redução de tributos sobre o diesel.
Segundo o ministro, eventuais prorrogações de medidas seguirão respeitando prazo de dois meses. Ele ainda afirmou que as ações terão a premissa de converter ganhos de arrecadação com petróleo em reduções tributárias para reduzir impactos do conflito.
CNN Brasil - SP 06/05/2026
O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou em março uma vez que o boom de investimentos em IA (inteligência artificial) ajudou as importações, mais do que compensando um aumento nas exportações, que foram parcialmente impulsionadas pelos embarques de petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.
O déficit comercial aumentou 4,4%, para US$ 60,3 bilhões, informaram o Census Bureau e o Departamento de Comércio nesta terça-feira (5). Economistas consultados pela Reuters previam que o déficit comercial aumentaria para US$ 60,9 bilhões em março.
O comércio subtraiu 1,30 ponto percentual do crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre. A economia cresceu a uma taxa anualizada de 2,2% no último trimestre.
As importações aumentaram 2,3% em março, para US$ 381,2 bilhões. As importações de bens aumentaram 3,6%, para US$ 302,2 bilhões, impulsionadas por uma alta nos bens de capital, que atingiram um recorde de US$ 120,7 bilhões.
As exportações cresceram 2,0%, atingindo um recorde histórico de US$ 320,9 bilhões. As exportações de mercadorias subiram 3,1%, atingindo um recorde de US$ 213,5 bilhões, em meio a um aumento nos embarques de petróleo.
A guerra entre os EUA e Israel com o Irã, que afetou os embarques de petróleo e aumentou os preços do combustível, provavelmente impulsionará ainda mais as exportações de petróleo nos próximos meses.
IstoÉ Dinheiro - SP 06/05/2026
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,40% em abril, desacelerando ante o avanço de 0,59% de março e também em relação ao ganho de 0,51% observado na terceira quadrissemana do mês passado, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta terça-feira, 5.
O resultado de abril veio abaixo do piso das estimativas de instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de altas de 0,42% a 0,49%, com mediana de 0,47%.
No primeiro quadrimestre, o IPC-Fipe acumulou inflação de 1,47%. Em 12 meses até abril, o índice registrou acréscimo de 3,47%, abaixo da mediana projetada de 3,53% e arrefecendo levemente ante a alta de 3,51% no período encerrado em março.
No mês passado, três dos sete componentes do IPC-Fipe perderam força: Habitação (de 0,15% em março para -0,15% em abril), Alimentação (de 1,36% para 0,81%) e Transportes (de 0,87% para 0,85%).
Por outro lado, houve aceleração de um mês para o outro em Despesas Pessoais (de 0,04% para 0,09%), Saúde (de 0,37% para 1,10%), Vestuário (de 0,13% para 0,22%) e Educação (de 0,00% para 0,01%).
Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe em abril:
– Habitação: -0,15%
– Alimentação: 0,81%
– Transportes: 0,85%
– Despesas Pessoais: 0,09%
– Saúde: 1,10%
– Vestuário: 0,22%
– Educação: 0,01%
– Índice Geral: 0,40%
Infomoney - SP 06/05/2026
Os preços do minério de ferro vêm surpreendendo positivamente no ano, mantendo-se próximos de US$ 110 por tonelada, aponta o Bradesco BBI, isso apesar de um consenso que ainda apontava para um mercado em processo gradual de enfraquecimento.
A visão dos analistas do BBI é de um mercado segue relativamente equilibrado, sustentado por uma demanda mais resiliente do que o temido, crescimento limitado da oferta e elevação relevante dos custos marginais, especialmente via frete e energia.
O banco espera que o crescimento da demanda em 2026 seja apoiado por maior consumo na Europa, Sudeste Asiático e Índia, com aumento combinado das importações em torno de 12 milhões de toneladas, enquanto na China a produção de aço deve permanecer praticamente estável no comparativo anual, apesar da tendência estrutural de queda no longo prazo.
Já do lado da oferta, as grandes mineradoras sinalizam produção praticamente estável, e a maturação do projeto Simandou segue mais lenta que o esperado – com risco de ficar mais próximo de 10 milhões de toneladas em 2026, abaixo do consenso- e produtores de custo mais elevado enfrentam maior risco de cortes diante da pressão inflacionária.
“Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio tem impacto indireto relevante ao elevar fretes e preços de energia, empurrando o custo marginal do setor para cerca de US$ 100 por tonelada”, apontam os analistas.
O banco também destaca que o tema sobre os estoques portuários na China também permanece no radar, mas entende que o nível mais elevado reflete, em grande parte, questões específicas de mix e logística, e não uma deterioração relevante da demanda. “Em termos de qualidade, a tendência estrutural de maior alumina e fósforo na oferta global tende a elevar o valor relativo de minérios de maior qualidade, reforçando prêmios nesse segmento”, avalia.
Para o BBI, a combinação de crescimento limitado da oferta, maturação mais gradual de novos projetos, custos marginais mais elevados e demanda resiliente cria um piso mais elevadopara os preços.
Assim, reforça a Vale (VALE3) como uma das principais beneficiárias dentro da cobertura, com recomendação de compra, dado seu perfil de qualidade de produto e, sobretudo, o elevado nível de hedge de frete e combustível para 2026, que reduz significativamente a exposição à inflação de custos e permite maior captura do upside de preços.
“A administração segue confiante em operar próxima ao teto do guidance de custos, e o valuation permanece atrativo, com geração de caixa robusta mesmo a preços à vista (spot)”, aponta. A recomendação também é sustentada por fundamentos robustos do mercado de minério de ferro e vantagens competitivas claras frente aos pares.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 06/05/2026
O novo relatório Yellow Table, que anualmente classifica as 50 maiores fabricantes de equipamentos (OEMs) do mundo, revela que a receita total do setor atingiu a marca histórica de US$ 246,6 bilhões no ano passado.
O valor representa um crescimento de 3,8% em relação ao ano anterior e marca a terceira vez em cinco anos que a indústria alcança um patamar recorde de vendas.
O desempenho do setor impressiona devido aos inúmeros obstáculos enfrentados no último ano, incluindo conflitos armados, interrupções nas cadeias de suprimentos, escassez de mão de obra qualificada e volatilidade política global.
No entanto, a natureza essencial da construção — que exige a manutenção de estradas, novos centros de transporte e infraestrutura para uma população mundial em expansão — garantiu a sustentabilidade da demanda.
De acordo com a consultoria Off-Highway Research, responsável pela pesquisa, as vendas globais de equipamentos cresceram 2% em 2025.
Enquanto o mercado europeu permaneceu estável e a América do Norte registrou leve queda (partindo de uma base alta), a China e a maioria dos mercados emergentes apresentaram crescimento.
As empresas baseadas nos Estados Unidos, Japão e China, conhecidas como as "três grandes", continuam dominando o setor, sendo responsáveis por mais de 66% das vendas totais compiladas pela Yellow Table.
Em termos regionais, as fabricantes da Ásia lideram com 45% do faturamento total (ante 44,3% no ano anterior).
As empresas da Europa detêm 28% de participação, um aumento mínimo frente aos 27,9% registrados anteriormente, enquanto as companhias da América do Norte contribuíram com 27%, uma queda mínima em comparação aos 27,5% anteriores.
A Caterpillar (EUA) mantém a posição no topo da lista, com vendas similares às de 2024, enquanto a japonesa Komatsu segue consolidada na 2ª posição.
A grande novidade deste ano é a chinesa XCMG, que subiu para o 3º lugar, posição mais alta já alcançada por uma fabricante da China na história da Yellow Table.
O avanço reflete a estratégia das empresas chinesas de focar no mercado internacional, onde muitas já obtêm mais da metade de suas receitas.
Confira no quadro as dez maiores fabricantes por participação nas vendas:
1. Caterpillar (15,2%)
2. Komatsu (11%)
3. XCMG (5,8%)
4. John Deere (5,4%)
5. Liebherr (5,1%)
6. Sany (5,1%)
7. Volvo CE (4,2%)
8. Hitachi (3,7%)
9. JCB (3%)
10. Sandvik (2,8%)
*Fonte: Off-Highway Research, com dados extraídos de relatórios auditados, demonstrações financeiras das empresas e fontes de terceiros
Movimentações – O ranking de 2025 também traz mudanças estruturais.
As marcas Hyundai e Develon agora aparecem unificadas sob a HD Construction Equipment (parte do grupo HD Hyundai), ocupando a 15ª posição.
Outro destaque positivo é a Sinoboom, que subiu para o 44º lugar após sua estreia em 2024.
Por outro lado, a Kobelco registrou a maior queda no índice, reflexo da crise no mercado interno japonês.
O setor de construção no Japão encolheu 12% em 2025, castigado pelo aumento dos custos de materiais, falta de mão de obra e redução nos investimentos públicos.
Apesar da volatilidade global e de tensões geopolíticas, como as dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz que afetam o transporte de mercadorias e combustíveis, a previsão para o próximo ano é de continuidade.
Para 2026, a Off-Highway Research projeta uma leve alta nas vendas globais de máquinas.
“Embora não existam garantias de novos recordes, o setor demonstra estar em um nível de vendas sustentável e saudável em termos históricos”, avalia.
Diário do Comércio - MG 06/05/2026
Jornalista pela PUCMinas e especialista em Imagens e Culturas Midiáticas, pela UFMG. Atua como produtora de conteúdo e produção multimídia. No mundo corporativo, atuou em Comunicação Interna e Externa, marketing digital e social media.
Durante o 41º Congresso da Associação Mineira de Municípios (AMM), o governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou uma mudança na política de distribuição de maquinário pesado adquirido em parceria com a fabricante chinesa XCMG (Xuzhou Construction Machinery Group). A partir de agora, os equipamentos deixarão de ser destinados individualmente a municípios selecionados e passarão a ser entregues prioritariamente a consórcios públicos multifinalitários.
Segundo Simões, a medida busca fortalecer a atuação regional conjunta entre cidades mineiras, ampliando a eficiência no uso da infraestrutura pública e incentivando a cooperação entre os municípios.
“A partir de agora, todas as entregas de maquinário da XCMG, em parceria com o governo do Estado, deixam de ser feitas para municípios escolhidos de forma aleatória e passam a ser destinadas a consórcios multifinalitários”, afirmou o governador durante o evento.
De acordo com ele, os consórcios passarão a receber kits completos de equipamentos, incluindo compactadores, retroescavadeiras e motoniveladoras. A intenção é garantir estrutura adequada para obras compartilhadas e serviços regionais de manutenção e infraestrutura. “Quem está junto para trabalhar merece infraestrutura para poder fazer isso”, declarou.
O anúncio foi feito diante de prefeitos, autoridades do Judiciário mineiro e representantes municipais presentes no congresso da AMM, considerado um dos principais encontros municipalistas do Estado.
Em sua fala, Simões destacou o papel da associação na defesa de pautas de interesse dos municípios e associou a mudança à necessidade de fortalecer ações coletivas entre as administrações locais.
A iniciativa deve beneficiar principalmente cidades de pequeno e médio porte que atuam em consórcios para dividir custos e ampliar a capacidade de execução de serviços públicos, especialmente em áreas como manutenção de estradas vicinais, obras urbanas e apoio à infraestrutura rural.
Automotive Business - SP 06/05/2026
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, enfatizou que o setor automotivo vive um momento de profunda transformação e o Brasil tem capacidade de liderar essa transformação global se tiver previsibilidade e regras claras.
A declaração foi feita pelo representante das montadoras com fabricação local durante a solenidade de comemoração dos 70 anos da entidade, realizada na manhã da terça-feira, 5, no Senado.
Mobilidade, sustentabilidade e tecnologia hoje caminham juntas e, mais uma vez, o papel do Estado e, em especial, do Poder Legislativo, será decisivo, disse o presidente da associação.
Para isso, ele afirmou aos deputados e senadores presentes a necessidade de marcos e regras atualizadas que garantam condições para que o Brasil siga competitivo.
O investimento industrial exige horizonte, estabilidade e confiança. É a previsibilidade que tanto falamos e que, em grande medida, é construída nesta casa com a capacidade dos senhores de ouvir e equilibrar múltiplos interesses.
Anfavea vê Brasil como protagonista na transição do setor
Calvet apontou, ainda, que a transição energética já é uma necessidade e o Brasil pode liderar essa transformação.
O Brasil tem hoje uma base sólida para liderar a nova fase do setor automotivo, onde a transição energética não é mais algo desejável, mas sim uma necessidade. Temos uma indústria estabelecida, conhecimento em biocombustíveis, matriz energética limpa e, sobretudo, temos a nossa gente que trabalha.
Para justificar a necessidade de melhoria da competitividade, a Anfavea apresentou números que mostram a relevância regional da indústria automotiva brasileira.
Entre os 10 maiores fabricantes do mundo, o Brasil produz entre 2,3 e 2,5 milhões de veículos por ano, representando de 60% a 70% da produção da América Latina. Além disso, o país tem 53 fábricas de veículos, mantém cadeia de produção de autopeças, centros de pesquisa e inovação, e já aprimorou tecnologias inovadoras, como o uso do etanol e o motor flex.
Além da Anfavea e dos parlamentares, também estiveram presentes na solenidade representantes de montadoras e associações, como ABLA (locadoras), Sindipeças, ABVE (carros elétricos), e representantes da Argentina, Guiné, Hungria e Suécia.
Globo Online - RJ 06/05/2026
No disputado mercado de venda de carros, duas das principais montadoras do país vêm disputando e ressaltando, em suas comunicações, o posto de líder de vendas. Primeiro, a BYD divulgou ter conquistado o posto de primeira companhia no ranking geral do varejo em abril, com vendas para pessoas físicas nas concessionárias. A chinesa, conhecida por automóveis elétricos, diz ter comercializado 14.911 unidades emplacadas no mês passado.
Dias depois, a Volkswagen contra-atacou, destacando que também é líder de vendas no Brasil. A montadora, dona de modelos como Polo e T-Cross, lembrou que segue na liderança das vendas no varejo neste ano, com 59.205 unidades comercializadas entre os meses de janeiro e abril.
Mas, afinal, destacar a posição de liderança nas vendas é importante? Para especialistas em marketing e reputação, atingir o topo do ranking é uma espécie de chancela para o consumidor, em um momento em que o mercado atravessa mudanças estruturais, com o avanço de modelos elétricos e conectados.
— Como itens como tecnologia, menor emissão de gases e segurança são de difícil comparação para o consumidor leigo, o volume de mercado se torna o argumento mais tangível. O objetivo das marcas é passar a mensagem de que existe uma preferência popular por determinada marca e modelo e que esse volume de vendas garante um maior investimento da marca em uma rede maior de concessionárias e peças — afirma Dario Menezes, diretor executivo da Caliber, consultoria internacional especializada em reputação corporativa.
Para ele, o argumento da liderança retroalimenta a confiança do consumidor, sugerindo que ele será melhor atendido por uma marca que vende mais:
— A narrativa sobre liderança de vendas no setor automobilístico é histórica e funciona como um ciclo virtuoso.
Dani Ribeiro, professora do curso de Liderança Criativa da Miami Ad School e responsável pela construção de marca de diversas montadoras, lembra que a confiança é um dos fatores mais determinantes na decisão de compra de um automóvel e na percepção de seu valor ao longo do tempo.
Para ela, a imagem de liderança ajuda a construir marca, atrai concessionárias e investidores e facilita negociações com fornecedores e instituições financeiras:
— Declarar liderança é uma ferramenta poderosa porque cria prova social e acelera a construção de confiança, especialmente para novos entrantes, que ainda precisam superar resistências e dúvidas. Ou seja, converte consumidores indecisos ao sinalizar aceitação em massa. Isso é crucial em um mercado em que o carro é, ao mesmo tempo, um bem utilitário e um símbolo social, e as decisões de compra são fortemente influenciadas pelo custo total de propriedade e pela expectativa de revenda.
Assim, a BYD, que usou dados próprios consolidados de vendas no varejo, atribuiu o resultado à procura crescente por modelos elétricos. A empresa lembra ainda que, em abril, atingiu seu maior patamar de vendas desde que chegou ao país, há quatro anos. Mas, entre janeiro e abril, foram mais de 56 mil carros comercializados, tanto nas concessionárias quanto em vendas diretas, atrás da Volks.
— O resultado do primeiro quadrimestre mostra uma expansão de 86% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em comunicado divulgado ontem, a Volks lembrou também que as vendas no varejo de seus modelos registraram crescimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa alemã ainda destaca que é dona dos modelos mais vendidos do país, como o Polo, no segmento de passeios e hatches, e T-Cross e Tera, entre os SUVs, de acordo com dados da Anfavea, associação que reúne as montadoras.
Leonardo Tosello, diretor de Vendas da Volkswagen do Brasil, por sua vez, afirma que a liderança mostra a força da marca e a conexão com o consumidor.
— Temos o portfólio mais completo do mercado e uma rede de concessionárias com 465 lojas em todas as regiões do país.
Auto Industria - SP 06/05/2026
O sinal mais importante do setor automotivo em 2026 não veio de uma startup chinesa. Veio de três chefes de montadoras tradicionais que, até pouco tempo atrás, falavam do futuro a partir de sua própria escala. Agora, Ford, Toyota e Honda falam em sobrevivência.
Jim Farley disse que, se a Ford perder essa disputa para a China, a empresa não terá futuro. Koji Sato afirmou a centenas de fornecedores que, se as coisas não mudarem, a Toyota não sobrevive. Toshihiro Mibe, depois de visitar operações na China, reconheceu que a Honda não tem chance nesse ritmo atual.
Quando um americano e dois japoneses chegam a esse ponto de franqueza, não estamos falando de retórica. Estamos falando de mudança de eixo competitivo.
O que mudou não foi apenas o trem de força. A China encurtou o ciclo inteiro do produto. Desenvolve mais rápido, integra software com mais profundidade, compra componentes com outra escala, verticaliza bateria e eletrônica, e ainda chega ao mercado com custo mais baixo.
Em março, as exportações chinesas cresceram 73,7% na comparação anual, para quase 700 mil veículos. No mesmo mês, os veículos eletrificados já responderam por 51% das vendas no mercado chinês.
Isso bate direto no coração da operação das OEMs tradicionais. Pressiona margem porque obriga desconto ou investimento pesado. Pressiona capital porque acelera obsolescência de plataforma. Pressiona rede porque encurta a vida comercial do estoque. Pressiona pós-venda porque veículos definidos por software exigem outra lógica de atualização, diagnóstico e relacionamento com o cliente.
A disputa deixou de ser apenas produto contra produto. Virou sistema industrial contra sistema industrial.
Os números já mostram a tensão. A Toyota teve queda de 13,9% nas vendas na China em fevereiro, enquanto sua produção global caiu 3,9% no mês. A Honda vendeu só 17 mil elétricos na China no ano passado, apenas 2,5% de suas vendas no país, e reconheceu perda de competitividade diante de rivais mais rápidos em software e desenvolvimento.
Na prática, isso muda a agenda de quem lidera operação, rede e distribuição. O debate não é mais apenas qual marca vende mais. O debate é quem aprende mais rápido. Quem reduz break-even antes. Quem gira estoque com menor risco. Quem reposiciona portfólio sem destruir valor de revenda. Quem entrega experiência digital sem desmontar a rentabilidade da concessionária.
A vantagem chinesa hoje não está só no carro elétrico. Está no método. Está na velocidade de decisão. Está na capacidade de transformar engenharia, suprimento, software e manufatura em preço, percepção de valor e escala.
Quem insistir em competir com a lógica de 2019 será atropelado pela realidade de 2026.
Infomoney - SP 06/05/2026
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a regulamentação da Medida Provisória nº 1.353, de 2026, que institui a nova etapa do Move Brasil, programa de crédito para aquisição de ônibus e caminhões, que terá R$ 14,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e mais R$ 6,7 bilhões de aporte adicional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O CMN realizou reunião extraordinária nesta terça-feira, 5.
Ao todo serão R$ 21,2 bilhões destinados ao programa, sendo R$ 2 bilhões exclusivamente para caminhoneiros autônomos, e R$ 2 bilhões para linhas de ônibus.
Analistas destacam impactos especialmente sobre bancos e construtoras
Segundo o Ministério da Fazenda, o programa tem como objetivo ampliar o acesso ao crédito em condições favorecidas para transportadores autônomos, cooperativas, empresários individuais e empresas do setor de transporte de cargas e passageiros, contribuindo para a modernização dos ativos, o aumento da eficiência logística e a redução de emissões de poluentes.
Os financiamentos serão realizados de forma indireta, por meio de instituições financeiras habilitadas pelo BNDES, que assumirão o risco das operações de crédito.
Em sua nova fase o Move Brasil contempla:
1) transportadores autônomos de cargas e pessoas físicas associadas a cooperativas;
2) empresários individuais;
3) empresas do setor de transporte rodoviário e urbano de cargas e passageiros.
Pela regulamentação feita hoje, as taxas de remuneração das fontes públicas (os fundos) variam conforme o perfil do mutuário da linha e critérios de sustentabilidade, da seguinte maneira:
Já com relação às instituições financeiras (operadores), as taxas de remuneração variam da seguinte forma:
Os prazos de financiamento variam conforme o público e buscam atender a reivindicações do setor de transportadores autônomos de carga, considerando também o funcionamento das linhas do programa em sua primeira edição. Na nova proposta os novos prazos de financiamento, conforme a categoria, foram definidos da seguinte maneira:
Em todas as operações manteve-se a restrição de valor máximo do financiamento de até R$ 50 milhões por mutuário.
Critérios exigidos
A Fazenda sustenta que os critérios de sustentabilidade – especialmente o encaminhamento de veículos antigos para desmontagem – resultam em taxas “significativamente mais baixas”, incentivando a renovação da frota com menor impacto ambiental.
Os critérios ainda exigirão conteúdo nacional nos veículos a serem financiados e níveis e emissões de poluentes alinhados ao Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), conforme regulamentação a ser feita pelo Ministério do Desenvolvimento da Indústria, Serviços e Comércio (MDIC).
“O Move Brasil busca fortalecer a resiliência do setor de transporte frente a choques externos, reduzir custos operacionais e contribuir para a sustentabilidade ambiental e econômica. A medida integra a estratégia do governo federal de modernização da infraestrutura produtiva e de promoção da eficiência logística nacional”, finaliza a Fazenda.
Diário do Comércio - MG 06/05/2026
O avanço acelerado das vendas de veículos elétricos e híbridos em Minas Gerais tem impulsionado o crescimento da My Plug, empresa de Belo Horizonte especializada em infraestrutura de recarga. Com mais de 200 pontos instalados e meta de chegar a 300 até o fim do ano, a companhia projeta alta de 50% no faturamento em 2026, apostando em soluções coletivas para condomínios e na expansão para novos projetos, incluindo o lançamento de um eletroposto público.
No primeiro trimestre de 2026, foram comercializadas 6.215 unidades de veículos elétricos e híbridos em Minas Gerais, mais do que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. O avanço amplia a demanda por infraestrutura de recarga, ainda considerada um dos principais gargalos para a expansão da eletromobilidade.
Com um investimento inicial de R$ 100 mil, a My Plug já opera com lucro, e a estimativa é continuar crescendo. A empresa instalou mais de 200 vagas de recarga em Belo Horizonte e região metropolitana e tem a meta de alcançar 300 vagas até o final do ano.
Fundada há cerca de três anos pelos amigos, que agora são sócios, Fernando Drumond e Daniel Zicker, a My Plug nasceu da percepção de uma lacuna no mercado. Drumond, um apaixonado por carros, enfrentou dificuldades pessoais para recarregar seus veículos.
“Eu, há cerca de cinco anos, estava encontrando muita dificuldade em conseguir carregar meu carro. Essa experiência me levou a identificar a necessidade de infraestrutura de carregamento elétrico nos condomínios. Como sou empresário e gosto muito de carros, conversei com amigos, estudamos o mercado e decidimos investir em uma empresa.”
Hoje, a My Plug oferece uma gama de produtos e serviços para atender às diversas demandas do mercado. Entre eles, destacam-se as soluções para condomínios, residências e empreendimentos comerciais. Um dos produtos de maior destaque da empresa são as soluções coletivas para condomínios. A empresa instala carregadores em áreas de uso comum, como as vagas de estacionamento de visitantes, e conta com um software de gestão para cobrança e monitoramento das recargas.
“Para atender 40 apartamentos, por exemplo, a gente instala três carregadores coletivos e, assim, a gente consegue atender todo mundo. Esse modelo de produto otimiza o investimento do condomínio, gerando expressiva redução de custos e garantindo a rotatividade das vagas entre os moradores.”
Pelo aplicativo de gestão, o usuário ativa o carregador por meio de um QR Code, efetua o pagamento da energia consumida e também recebe um alerta quando o carro está carregado. Por ser de uso coletivo, o cliente tem um tempo estimado para a retirada do veículo logo após a conclusão do carregamento, o que evita problemas com os demais usuários. O valor recebido já é automaticamente depositado na conta do condomínio.
A My Plug também atende a casas, lojas de veículos e empreendimentos comerciais que desejam oferecer comodidade de recarga aos seus clientes ou monetizar o serviço. “Tudo o que é de infraestrutura para carregamento veicular, inclusive a venda de carregadores, a gente tem condição de atender”, explica Drumond.
Eletromobilidade impulsiona novos modelos de negócio
Para este ano, a projeção é alcançar um crescimento de pelo menos 50% no faturamento, impulsionado pela demanda crescente por pontos de carregamento veicular. “Neste último ano e meio, a gente veio em uma crescente muito boa, de muito contato, de muito orçamento, de muito projeto sendo discutido em campo. A tendência é que esse mercado continue em crescimento”, explicou Drumond.
Além de instalar os pontos de recarga, a empresa também planeja lançar seu primeiro eletroposto público, o que deve acontecer entre o final de 2026 e o primeiro semestre de 2027. Para isso, está em andamento um estudo que apontará os locais mais promissores. A ideia é, a princípio, crescer em Belo Horizonte e região metropolitana.
O avanço da eletromobilidade em Minas Gerais começa a revelar um efeito em cadeia típico de mercados em consolidação. À medida que a venda de veículos elétricos cresce, a infraestrutura deixa de ser apenas suporte e passa a ocupar papel central na viabilidade do setor.
Nesse contexto, modelos coletivos, como o adotado pela My Plug, indicam uma tentativa de equilibrar custo e escala, especialmente em ambientes urbanos verticalizados. A lógica é semelhante à de outros serviços compartilhados, com ganho de eficiência no uso de ativos ainda caros.
Ao mesmo tempo, a entrada em eletropostos públicos sugere um movimento de verticalização e captura de valor em diferentes pontos da cadeia. Se a demanda continuar no ritmo atual, o mercado tende a se sofisticar rapidamente, abrindo espaço tanto para novos entrantes quanto para consolidação entre empresas especializadas.
InfraRoi - SP 06/05/2026
O Brasil registra o maior ciclo de concessões rodoviárias de sua história recente. Entre 2023 e 2025, foram realizados 18 leilões, com mais de R$ 200 bilhões contratados, sendo 13 deles apenas em 2025. Embora os números sejam expressivos e indiquem uma aceleração clara na agenda de infraestrutura, eles, por si só, não garantem uma transformação estrutural do setor.
O que se observa agora não é apenas um aumento de volume, mas uma tentativa de mudança de patamar. O país começa, enfim, a tratar a infraestrutura rodoviária como uma agenda contínua, com maior previsibilidade e capacidade de planejamento. Esse é um avanço relevante — especialmente quando comparado a ciclos anteriores marcados por descontinuidade —, mas ainda incipiente diante dos desafios históricos do setor.
Leilões de infraestrutura em 2026
Para 2026, a expectativa é de continuidade desse movimento, com novos certames já em preparação. As estimativas apontam para cerca de R$ 149 bilhões em investimentos em rodovias, abrangendo aproximadamente 6,4 mil quilômetros de estradas, podendo chegar a R$ 180 bilhões a depender da efetivação dos contratos. O volume projetado reforça o apetite do mercado, mas também eleva o nível de responsabilidade sobre a qualidade da estruturação desses projetos.
BR-364 (RO)
Os projetos estão distribuídos por diferentes regiões do país e incluem corredores logísticos relevantes, como trechos das BR-070, BR-174 e BR-364, além de iniciativas como a Rota Agro Central e a Rota dos Sertões. Em teoria, trata-se de um desenho estratégico, voltado à melhoria do escoamento da produção e à integração logística. Na prática, no entanto, o sucesso dessas iniciativas dependerá diretamente da aderência entre planejamento e execução — um ponto em que o Brasil historicamente apresenta fragilidades.
A diferença, desta vez, estará na capacidade de execução consistente ao longo do tempo — e não apenas na promessa inicial apresentada nos leilões
O modelo adotado também evoluiu. Os novos contratos incorporam mecanismos de mitigação de riscos, maior clareza em processos de reequilíbrio e, em alguns casos, maior participação pública. Trata-se de um avanço importante, sobretudo para tornar os projetos mais financiáveis. Ainda assim, é preciso reconhecer que tais ajustes não eliminam as incertezas estruturais do ambiente brasileiro, especialmente no que diz respeito à segurança jurídica e à estabilidade regulatória.
A forma como os riscos são distribuídos ao longo dos contratos continua sendo um fator crítico. Embora haja progresso no desenho contratual, o equilíbrio entre atratividade para o investidor e sustentabilidade de longo prazo ainda é delicado. Modelos mal calibrados podem gerar distorções que só se tornam evidentes anos após a assinatura dos contratos.
Visivelmente, há também um aumento na competitividade dos leilões. A maior presença de players, inclusive internacionais, é um sinal positivo e contribui para elevar o nível das disputas. No entanto, esse cenário exige cautela. Propostas excessivamente agressivas, motivadas pela disputa acirrada, podem comprometer a execução futura e reintroduzir problemas já conhecidos, como pedidos de reequilíbrio precoce ou dificuldades operacionais.
Capacidade de execução
Na prática, os contratos preveem intervenções relevantes, como duplicações, ampliação de faixas, melhorias na sinalização e implantação de sistemas de monitoramento. Essas entregas são fundamentais, mas não inéditas. A diferença, desta vez, estará na capacidade de execução consistente ao longo do tempo — e não apenas na promessa inicial apresentada nos leilões.
É justamente nesse ponto que reside o principal risco deste novo ciclo. O histórico do setor mostra que avanços quantitativos nem sempre se traduzem em qualidade de entrega. O Brasil já vivenciou momentos de forte expansão em concessões que, posteriormente, resultaram em revisões contratuais, atrasos e frustrações de expectativa.
Mais do que celebrar os números atuais, é essencial manter uma leitura crítica. A consistência dos estudos, a maturidade dos projetos e a aderência entre premissas e realidade operacional serão determinantes para evitar a repetição de distorções já observadas no passado.
Além disso, variáveis como custo de capital, comportamento da demanda e mudanças no ambiente regulatório terão impacto direto na sustentabilidade desses contratos. Ignorar esses fatores em nome de um otimismo excessivo pode comprometer os resultados ao longo dos próximos anos.
O sucesso dessa nova fase não será medido pelo número de leilões realizados ou pelo volume financeiro contratado, mas pela capacidade de entrega ao longo do tempo. Isso passa, necessariamente, por governança sólida, segurança jurídica e disciplina na condução dos contratos — elementos que ainda precisam ser continuamente fortalecidos no país.
O Brasil avança, mas ainda não consolidou um modelo plenamente robusto. O momento é promissor, mas exige cautela, rigor técnico e acompanhamento constante para que o ciclo atual represente, de fato, uma evolução — e não apenas a repetição, em maior escala, de desafios antigos.
Veja - SP 06/05/2026
O Governo de São Paulo anuncia nesta terça, 5, um pacote de 2 bilhões de reais em investimentos para melhorar a infraestrutura viária no estado, com foco na recuperação de vias urbanas, recapeamento de estradas, segurança no trânsito e mobilidade regional.
A nova etapa inclui mais de 1 bilhão de reais em obras e serviços nas rodovias concedidas e outros 560 milhões de reais em vias do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), além de linha de crédito para as cidades e convênios para recapeamento de malhas viárias municipais.
Outros 200 milhões de reais serão disponibilizados pela Desenvolve SP por meio da nova linha de crédito Vias Recuperadas. Ela é voltada a municípios que precisam recuperar ruas e avenidas danificadas, especialmente após o período de chuvas.
Outros 199,5 milhões de reais serão aplicados diretamente pelo Governo do Estado no recapeamento de estradas em 16 cidades nas regiões da Grande São Paulo, Registro e Presidente Prudente.
Jornal de Brasília - DF 06/05/2026
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou na noite de segunda-feira (4) da inauguração da nova sede da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em Brasília. Durante o evento, ele destacou a importância da atuação integrada entre o poder público e a iniciativa privada para a expansão, modernização e aumento da eficiência da infraestrutura portuária brasileira.
De acordo com o ministro, o diálogo permanente com entidades do setor produtivo é fundamental para aprimorar as políticas públicas e fortalecer o ambiente de negócios. “Para o Ministério de Portos e Aeroportos, a ATP é uma parceira estratégica. As contribuições do setor privado são essenciais para aperfeiçoarmos nossos instrumentos e garantirmos condições adequadas à ampliação dos investimentos no país”, afirmou.
A ATP congrega 39 empresas de grande porte e 75 Terminais de Uso Privado (TUPs) em todo o Brasil. Suas associadas respondem por 60% da movimentação de cargas portuárias no país e geram cerca de 47 mil empregos diretos e indiretos, consolidando o segmento como um vetor chave de desenvolvimento logístico nacional.
A atuação das empresas privadas tem impulsionado a incorporação de tecnologias, o aumento da eficiência e a adoção de práticas sustentáveis, alinhadas às diretrizes do Governo Federal. O ministro observou que a nova sede simboliza o amadurecimento dessa cooperação. “O crescimento da ATP se reflete nesta nova sede e evidencia a importância de um ambiente institucional sólido e organizado”, disse.
O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, também presente, reforçou o compromisso do Ministério com políticas de inovação, sustentabilidade e competitividade. “Estamos trabalhando para consolidar um ambiente regulatório estável, que estimule investimentos e promova um setor portuário cada vez mais moderno e eficiente”, destacou.
Tomé Franca concluiu que o Governo Federal avança em pautas como segurança jurídica, simplificação de processos de outorga junto à Antaq, dragagens, melhorias de acessos e eficiência operacional, visando reduzir custos e aumentar a competitividade.
A nova sede da ATP fica no 6º andar da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em Brasília. As informações foram retiradas do Governo Federal.
Portos e Navios - SP 06/05/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou, nesta terça-feira (5), que iniciou estudos para a reativação da Hidrovia do Rio São Francisco com objetivo de reduzir o custo do transporte de cargas, o impacto sobre o preço dos alimentos e melhorar o abastecimento de cidades do interior, com mais regularidade na chegada de produtos essenciais à população. A expectativa, segundo a pasta, é, além de ampliar a circulação de mercadorias e criar empregos nos setores de transporte, operação portuária, comércio e serviços.
O projeto de reativar a Hidrovia do São Francisco prevê investimentos para melhorar a navegabilidade do rio e na infraestrutura ao longo do percurso, com Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4). A proposta inclui garantir o acesso de cidades ribeirinhas ao transporte hidroviário e fortalecer a integração logística entre regiões do interior.
De acordo com o MPor, atualmente o trecho navegável da hidrovia tem 1.371 quilômetros, entre Pirapora em Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, com potencial para atender a 505 cidades e cerca de 11,4 milhões de pessoas. A estimativa inicial é de movimentação de até cinco milhões de toneladas no primeiro ano de operação, e, entre as principais cargas previstas, estão grãos, como soja, milho e algodão, além de fertilizantes, calcário e gesso, insumos à produção agrícola.
A gestão da hidrovia será transferida do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), em articulação com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), como parte da reorganização da governança do modal hidroviário. Segundo o ministro de portos e aeroportos, Tomé Franca, a reativação da hidrovia visa ampliar a integração de regiões que dependem do rio.
Globo Online - RJ 06/05/2026
O presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira a suspensão da operação militar americana de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz, após apenas um dia, numa tentativa de chegar a um acordo com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio. O chamado "Projeto Liberdade" de Trump, para ajudar os navios a deixarem o Estreito de Ormuz, a passagem do Golfo que o Irã assumiu o controle em resposta ao ataque dos EUA e de Israel, começou na segunda-feira.
Mas o líder americano afirmou em sua rede social Truth Social que está suspendendo as negociações após um pedido do mediador Paquistão e de outros países, já que "grandes progressos foram feitos rumo a um acordo completo e definitivo" com Teerã.
"Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, o Projeto Liberdade (...) será suspenso por um curto período de tempo para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado", disse Trump.
Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos numa tentativa de pressionar o Irã a chegar a um acordo para pôr fim à guerra que os Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro. As tensões aumentaram após a operação em Ormuz, com os Estados Unidos alegando ter afundado sete embarcações iranianas, enquanto vários navios civis foram atacados, supostamente pelo Irã.
Mais cedo, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse que o "Projeto Liberdade" é uma iniciativa temporária e defensiva, separada da Operação Fúria Épica — como foi batizada a ofensiva contra o Irã, em parceria com Israel.
— O Projeto Liberdade tem natureza defensiva, escopo focado e duração temporária, com uma única missão: proteger a navegação comercial inocente da agressão iraniana — afirmou Hegseth. — Forças americanas não vão precisar entrar em águas territoriais iranianas ou no espaço aéreo. Não é necessário. Não estamos buscando briga, mas o Irã também não pode ser autorizado a bloquear países inocentes e seus bens em águas internacionais.
O início da operação na segunda-feira levou à maior escalada de tensões na região desde o início da trégua entre os dois países. O Irã confirmou ter feito disparos de alerta com mísseis, foguetes e drones contra navios de guerra americanos que desafiaram o bloqueio estabelecido por Ormuz, enquanto os EUA afirmaram ter afundado seis lanchas rápidas iranianas, que supostamente ameaçavam barcos mercantes. Ataques também voltaram a atingir a região, incluindo um porto e um navio dos Emirados Árabes Unidos.
A troca de hostilidades na véspera foi considerada "insuficiente" pelas autoridades americanas para ameaçar o cessar-fogo temporário. Ao lado de Hegseth, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou que desde a entrada em vigor da trégua, Teerã atacou as forças americanas mais de 10 vezes. Classificou, porém, as ações como "abaixo do limiar necessário para o reinício de grandes operações de combate neste momento".
Hegseth, por sua vez, afirmou que as forças do país permanecem de prontidão, "carregados e com a mira travada", para responder em caso de ameaça imediata. Ele também desaconselhou a liderança em Teerã a autorizar ataques em resposta à missão.
— Se vocês [Irã] atacarem tropas americanas ou embarcações comerciais inocentes, vocês vão enfrentar o poder de fogo esmagador e devastador americano.
Em entrevista coletiva, horas depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, repetiu o discurso de Hegseth, declarando que “esta não é uma operação ofensiva", mas sim" uma operação defensiva”.
— O que isso significa é muito simples: não haverá disparos a menos que sejamos alvejados primeiro — disse Rubio. — Muitas nações, em privado e algumas publicamente, já pediram aos Estados Unidos que ajudem a libertar seus navios e a restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e nesta artéria crucial do comércio global.
Ele confirmou que, ao menos na visão da Casa Branca, a "Operação Furia Épica" chegou ao fim, uma manobra jurídica anunciada na semana passada por Trump antes do fim do prazo legal para que obtivesse o aval do Congresso para seguir com a mobilização militar no Oriente Médio.
— A operação terminou. A "Fúria Épica", como o presidente notificou ao Congresso, nós concluímos essa etapa. Alcançamos os objetivos dessa operação — disse Rubio. — Agora estamos focados no "Projeto Liberdade". O que isso pode acarretar no futuro é especulação.
No fim de semana, o presidente rejeitou uma proposta apresentada pelos iranianos, que, segundo detalhes obtidos pela rede al-Jazeera, oferecia o congelamento do programa nuclear por até 15 anos, mas exigia a liberação dos portos iranianos e navios de bandeira do país.
Controle de Ormuz
As lideranças do Pentágono apresentaram o início do Projeto Liberdade como uma prova de que o Irã não detém o controle de Ormuz, conforme alardeado pelas autoridades em Teerã. Duas embarcações mercantes americanas cruzaram a rota navegável na segunda-feira e, segundo Hegseth, centenas já estão à espera para seguir o mesmo caminho.
Em uma disputa de narrativas, autoridades iranianas afirmam que ainda mantêm capacidades e que o bloqueio naval permanece. A TV estatal iraniana afirmou nesta terça-feira que o controle sobre a região se "intensificou", e que navios aguardavam a autorização das autoridades do país para seguirem pela passagem.
Especialistas apontam que ainda há um impasse na região. Enquanto a Marinha do Irã foi duramente comprometida, minas navais ainda ameaçam a navegação civil na rota, que também fica ao alcance das capacidades iranianas — incluindo uma série de projéteis, que põem em risco sobretudo ativos civis. Embora os EUA aleguem ter iniciado uma operação de garantia de segurança, a percepção é de que parte dos obstáculos permanece.
— Uma operação naval e aérea realmente sofisticada teria que ser implementada de forma quase constante para fornecer proteção aos navios que transitam pelo estreito — afirmou o diretor de segurança marítima da consultoria Control Risks, Cormac McGarry, a um programa da cadeia britânica BBC, apontando que a circulação confirmada é uma fração mínima do tráfego normal. — A triste realidade para os americanos é que o Estreito de Ormuz é um pesadelo tático para eles.
No período anterior à guerra, cerca de 130 navios faziam a travessia diariamente.
Missão global
A instabilidade em Ormuz desde o início da guerra reacendeu um questionamento global sobre a rota naval e seu status legal. Teerã se apresenta como detentor do estreito, apresentando-o como uma questão de soberania. Nações ao redor do mundo afirmam que o país viola a lei marítima internacional ao bloquear a livre navegação conforme seus interesses.
Em Washington, Hegseth afirmou que embora os EUA estivessem assumindo a dianteira na iniciativa para liberar o tráfego de navios — o que apresentou como um "presente ao mundo", embora a guerra tenha dado início a disrrupção atual —, outros países deveriam se apresentar para garantir a aplicação da lei internacional.
— Nós estamos estabilizando a situação para que o comércio possa ser retomado, mas nós esperamos que o mundo se apresente — disse o secretário. — No momento apropriado, e logo, nós entregaremos a responsabilidade de volta para vocês.
Valor - SP 06/05/2026
Preços da commodity dispararam ontem, em meio a relatos de supostos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos e de que navios teriam sido atingidos no Estreito de Ormuz
Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira, mas permaneceram acima de US$ 100 por barril, com investidores cautelosos diante das tensões no Oriente Médio. O frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã permanece em vigor, mas ontem os preços do petróleo dispararam, em meio a relatos de supostos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos e notícias de que navios teriam sido atingidos no Estreito de Ormuz.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em julho teve queda de 3,99%, cotado a US$ 109,87 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para junho caiu 3,90%, a US$ 102,27 por barril.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse nesta manhã que o cessar-fogo com o Irã segue em vigor e "centenas de navios se preparam para transitar" pelo Estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo segue praticamente paralisado, como parte do "Projeto Liberdade". O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, do outro lado, voltou a dizer que os Estados Unidos estão violando o cessar-fogo em uma publicação nas redes sociais nesta terça-feira.
Ontem, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado mísseis e drones, que segundo as autoridades locais vinham do Irã, levando a uma disparada nos preços do petróleo e maior percepção de risco entre os investidores.
A Oxford Economics acredita que a interrupção da oferta causada pelo conflito no Oriente Médio ainda é significativa, mas destaca que a infraestrutura de oleodutos tem funcionado como uma válvula de escape para os barris que normalmente seriam transportados pelo Estreito de Ormuz. A oferta fora do Golfo também ajudou parcialmente a preencher essa lacuna, na visão da equipe.
"O crescimento da produção de países da Opep+ fora do Golfo, como Cazaquistão e Rússia, assim como o aumento da oferta fora da Opep+, liderado por Brasil, Estados Unidos, Canadá e Argentina, também contribuiu para compensar a perda de oferta", afirma a Oxford Economics em relatório. "Esses fornecedores alternativos devem oferecer algum alívio relevante às pressões sobre os preços do petróleo bruto nos próximos meses."
Portal Fator Brasil - RJ 06/05/2026
A produção total de derivados cresceu 6,7% em relação ao quarto trimestre de 2025. O fator de utilização total do parque de refino atingiu o patamar de 95% no período.
A produção média de óleo, LGN e gás natural alcançou a marca recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboed), no primeiro trimestre de 2026, 3,7% acima do quarto trimestre de 2025, e 16,1% acima do primeiro trimestre de 2025, em função, principalmente, do ramp-up dos FPSOs P-78, no Campo de Búzios, Alexandre de Gusmão, no Campo de Mero, Anna Nery e Anita Garibaldi nos Campos de Marlim e Voador. Contribuíram positivamente, forma relevante, a manutenção da produtividade e da eficiência operacional na produção dos Campos, bem como a redução do volume de perdas associadas a paradas para manutenções, reforçando a maior estabilidade e continuidade das operações. Neste trimestre, entraram em operação dez novos poços produtores, sendo sete na Bacia de Campos e 3 na Bacia de Santos, de acordo com a divulgação do relatório de produção e vendas do primeiro trimestre da companhia no dia 30 de abril (quinta-feira).
Principais eventos de E&P no primeiro trimestre de 2026 —As plataformas do Campo de Búzios alcançaram o recorde de produção diária operada de 1,037 milhão de barris de óleo no dia 20 de março e recorde de exportação de gás de 12,4 milhões de metros cúbicos no dia 25 de março.
A produção do Campo de Mero superou a marca histórica de 700 mil barris de petróleo em um único dia. O resultado foi alcançado pela entrada em operação de mais um poço, interligado ao FPSO Alexandre de Gusmão.
As plataformas da Bacia de Santos alcançaram o recorde diário de exportação de gás de 44,8 milhões de m3 no dia 28 de março.
O fortalecimento da confiabilidade operacional dos sistemas de produção sustentou um elevado patamar de eficiência dos ativos, abrangendo tanto o pré-sal quanto o pós-sal, em linha com o desempenho consistente observado nos últimos trimestres.
A plataforma P-78 que opera no Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, injetou o primeiro gás no dia 02 de março, no menor tempo de comissionamento do sistema de compressão e injeção de gás já alcançado entre plataformas próprias da Petrobras: 61 dias após o início da sua produção. Com o início da injeção de gás, já foi possível ampliar a produção que atualmente conta com dois poços produtores, totalizando aproximadamente 100 mil barris de óleo por dia.
A operação de ancoragem da plataforma P-79 foi finalizada em 21 de fevereiro, em apenas 12 dias após a sua chegada à locação, o que estabeleceu um novo recorde entre as plataformas próprias da companhia. A P-79, localizada no campo de Búzios, é a oitava unidade do ativo e integra o projeto Búzios 8, com capacidade para processar até 180 mil barris de óleo por dia e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos de gás. O projeto permitirá exportar gás para o continente, via interligação com o gasoduto Rota 3, com potencial de expansão da oferta de gás no Brasil em até três milhões de metros cúbicos por dia.
A Petrobras atingiu, neste trimestre, diversos recordes de produção de petróleo e gás, dentre os quais vale destacar: . Produção total operada no primeiro trimestre de 2026: 4,65 milhões de boed (recorde anterior de 4,54 milhões de boed no terceiro trimestre de 2025). Produção total própria no primeiro trimestre de 2026: 3,23 milhões de boed (recorde anterior de 3,14 milhões de boed no terceiro trimestre de 2025). Produção total operada no pré-sal no primeiro trimestre de 2026: 4,01 milhões de boed (recorde anterior de 3,90 milhões de boed no quarto trimestre de 2025). Produção total própria no pré-sal no primeiro trimestre de 2026: 2,66 milhões de boed (recorde anterior de 2,56 milhões de boed no terceiro trimestre de 2025).
Destaques do segmento de Refino, Transporte e Comercialização — A Petrobras registrou crescimento de 6,7% na produção total de derivados em relação ao quarto trimestre de 2025, alcançando 1.816 Mbpd. Destaque para a participação de derivados médios (diesel e QAV) e gasolina, que representaram 68% da produção total de derivados no primeiro trimestre de 2026. Ressalta-se ainda que a maior produção possibilitou o aumento das vendas de derivados produzidos, reduzindo as importações. No primeiro trimestre de 2026, a Petrobras teve o menor volume de importação de GLP (26 Mbpd). A conquista se deve à produção do Complexo de Energias Boaventura, que, em conjunto com a maior utilização do parque de refino, tem elevado a oferta total do derivado e contribuído para a redução da dependência do produto importado.
A seguir, os principais eventos de RTC do trimestre: .FUT (Fator de utilização total) do parque de refino: atingiu o patamar de 95%, 6 p.p. acima do quarto trimestre de 2025, demonstrando a alta eficiência operacional das nossas refinarias. Além disso, em março, a Petrobras registrou FUT de 97,4%, maior utilização do parque desde dezembro de 2014.
. A Petrobras registrou recorde de produção de diesel S10 em março, de 512 Mbpd. O Diesel com teor máximo de enxofre de dez partes é um derivado estratégico para a companhia e para o país, por ser menos poluente e ter baixo impacto ambiental. Participação do óleo do pré-sal na carga processada foi de 69%, refletindo nmaior flexibilidade no uso dessas correntes para maximização da produção de derivados de maior valor agregado.
. As vendas de derivados no mercado interno evoluíram de forma consistente no primeiro trimestre de 2026, com alta de 2,9% em comparação ao primeiro trimestre de 2025. Esse resultado demonstra o aumento da competitividade da companhia em mercados estratégicos e sua eficiência operacional frente a um cenário de recuperação da atividade econômica.
. QAV (querosene de aviação): com vendas de 126 Mbpd, registrou alta de 3,3% e de 9,6% em relação ao quarto trimestre de 2025 e ao primeiro trimestre de 2025, respectivamente.
. As exportações de óleo combustível tiveram uma elevação de 3,3% no trimestre. Comercializamos 187 Mbpd no período e alcançaram o melhor desempenho desde o primeiro trimestre de 2022.
. A Petrobras obteve autorização para operação da Unidade de Destilação Atmosférica – UV da RPBC com elevação de capacidade de processamento em 6 Mbpd . A modernização dessa unidade possibilitou, além do incremento de capacidade, o aprimoramento da eficiência operacional, contribuindo para a otimização do desempenho da refinaria.
A Petrobras atingiu alguns recordes de produção, dentre os quais vale destacar.: . Recorde mensal de produção de Diesel S10 em março: Parque de refino -512 Mbpd ; Replan – 139 Mbpd; Rnest -78 Mbpd.
Recorde mensal de produção de Óleo Combustível em janeiro: Refap- 53,6 mil toneladas.
A Petrobras firmou contrato com a Vale para fornecer Diesel S10 (com 15% de biodiesel) em Minas Gerais. O acordo também prevê oportunidades de negócio em baixo carbono. Desde 2023, colaboramos em soluções sustentáveis e, em 2024, iniciamos testes com Diesel R5 (5% de conteúdo renovável, além dos 15% obrigatórios de biodiesel) e bunker com 24% de parcela renovável. A parceria reforça nossa aproximação com consumidores finais.
— Estabelecer esse contato direto permite à companhia conhecer melhor as necessidades dos consumidores e ser mais assertiva na construção de soluções que gerem valor para clientes e sociedade. Ao oferecer combustíveis de alto desempenho e, também, capazes de colaborar com as metas de descarbonização das empresas, aperfeiçoamos estrutura logística e capacidade de produzir para clientes de relevância internacional— destaca Magda Chambriard, presidente da Petrobras.
A Petrobras atingiu alguns recordes na logística de petróleo e derivados, dentre eles: . Escoamento de GLP do Rio de Janeiro: alcançamos a marca de 75,8 mil toneladas de movimentação de GLP pelo Terminal das Ilhas Comprida & Redonda na Baía de Guanabara, em março de 2026. O desempenho é um reflexo direto da instalação dos novos braços de carregamento do terminal, que garantiram com robustez o escoamento das produções das UPGNs da Reduc e do Complexo de Energias Boaventura.
. Movimentação total de diesel e gasolina pelo Osbra: em março de 2026, movimentamos 756 mil metros cúbicos dos derivados pelo Osbra, patamar que normalmente só é atingido durante o segundo semestre do ano. O poliduto Osbra é o principal sistema logístico para suprimento da Petrobras na região Centro-Oeste, bem como garantia de operação plena da Replan a partir do escoamento de sua produção.
. Recorde de movimentação total de derivados por Santos: em março de 2026 movimentamos 879 mil metros cúbicos de derivados pelo Terminal de Santos, a maior movimentação desde o início dos anos 2000. Destaca-se a maximização do escoamento de 402 mil metros cúbicos de óleo combustível, entre Bunker e OCEX (Óleo Combustível de Exportação), que contribuiu para a operação plena das refinarias de São Paulo.
— O sistema de produção da P-78 bateu a marca de mais de 100 mil barris de óleo por dia com apenas dois poços produtores, contribuindo para que o campo de Búzios produza no patamar de um milhão de barris de óleo por dia. Em apenas 61 dias após o primeiro óleo, realizamos a primeira injeção de gás na plataforma, um recorde que supera com boa margem a marca anterior em sistemas próprios. Esse avanço é resultado de planejamento e execução bem-sucedidos, com a nova estratégia de comissionamento antecipado no estaleiro, navegação tripulada do estaleiro de origem até a locação final, integração das equipes e inovação tecnológica, impactando diretamente no ramp-up da unidade — Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação.
Destaques G&EBC — A Petrobras contratou nove usinas do seu parque termelétrico nos Leilões de Reserva de Capacidade – LRCAP de 2026, totalizando cerca de 2,6 GW de potência firme para o Sistema Interligado Nacional (SIN) iniciando no período de 2026 a 2031. O resultado no leilão reflete a competitividade técnica e operacional do nosso parque termelétrico, bem como sua capacidade de garantir disponibilidade ao SIN, reforçando o compromisso da companhia com as necessidades do setor elétrico, no atendimento à população.
—O resultado positivo da participação da companhia no LRCAP de 2026 demonstra a competitividade dos ativos da Petrobras e reforça seu compromisso com a segurança energética do país, a transição energética justa e a geração de valor para seus acionistas, ao mesmo tempo em que a empresa continua avaliando suas estratégias de participação em futuros leilões— Willian França, diretor de Processos Industriais e de Transição Energética e Sustentabilidade.
Emissões Atmosféricas — O acompanhamento dos indicadores de emissões de gases de efeito estufa (GEE) incentiva a adoção de práticas e o desenvolvimento de projetos visando a redução das emissões destes gases pela companhia e a maximização da geração de valor frente aos riscos e oportunidades vinculados à transição energética justa para uma economia de baixo carbono. Emissões de GEE O&G (milhões de toneladas de CO2e): . Primeiro trimestre de 2025: 11,3; Primeiro trimestre de 2026: 12,3 Emissões operacionais de GEE das atividades de óleo e gás.
O indicador GEE — O&G mensura as emissões operacionais das atividades de óleo e gás de forma isolada, sem incluir as emissões oriundas da atuação no mercado de termeletricidade. As emissões de GEE – O&G no primeiro trimestre de 2-26 foram de 12,3 milhões de toneladas, um milhão de toneladas acima do registrado no mesmo período de 2025. O aumento se deve a maior produção de óleo e gás das unidades do segmento de E&P, incluindo o início da operação de novas unidades como a plataforma P-78, além do aumento de carga para produção de derivados nas refinarias.
As exportações líquidas aumentaram 1,3% no primeiro trimestre de 2026 versus o quarto trimeste de 2025 devido, principalmente, às menores importações de diesel, gasolina e GLP, em função do aumento da produção com a maior utilização do parque de refino, além de menores vendas no mercado interno por fatores sazonais. Em contrapartida, observou-se redução das exportações de petróleo, que compensaram parcialmente os efeitos das menores importações, reflexo, em parte, do aumento da produção de derivados, além da existência de exportações em andamento ao final do trimestre, que, por conseguinte, não foram reconhecidas no primeiro trimestre de 2026.
Exportações de Petróleo — Atualmente, a China é o maior país importador de petróleo por via marítima do mundo e se apresenta como destino com a maior capacidade de absorver volumes adicionais de petróleo médio. Com o aumento total das exportações, desde o primeiro trimestre de 2025, a participação da China como destino das exportações de petróleo se tornou ainda mais relevante, em detrimento dos demais destinos, pois possibilitou a colocação de volumes maiores mantendo a competividade da cesta de exportação da Petrobras. Adicionalmente, observa-se um crescimento relevante das exportações para a Índia entre o primeiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Destaca-se o aumento absoluto de volume, de aproximadamente +56 Mbpd, em um contexto de expansão do volume total exportado pela Petrobras. A Índia, atualmente o segundo maior importador mundial de petróleo transportado por via marítima, consolidou-se como mercado estratégico. Nesse cenário, a Petrobras intensificou seus esforços comerciais, promovendo a renovação de contratos com as estatais Bharat Petroleum Corporation (BPCL) e Hindustan Petroleum Corporation (HPCL), bem como a assinatura de novos contratos com a Indian Oil Corporation (IOC) e a Mangalore Refinery and Petrochemicals (MRPL), fortalecendo sua presença e competitividade naquele mercado.
Petro Notícias - SP 06/05/2026
A ideia de que o petróleo vai perder seu espaço rapidamente para outras energias vai, cada vez mais, perdendo força. Diante das instabilidades geopolíticas e a crise no Estreito de Ormuz, os países estão correndo para garantir sua independência energética, ampliando reservas e fazendo novos investimentos para aumentar a produção de petróleo. No início desta semana, duas importantes petroleiras estatais fizeram movimentos neste sentido. A norueguesa Equinor prorrogou contratos estratégicos de fornecimento para serviços de perfuração e poços, com valor combinado de cerca de US$ 1,8 bilhão. Os acordos têm como objetivo sustentar a produção no mar da Noruega, manter o nível de atividade e contribuir para o fornecimento estável de energia à Europa. A meta da Equinor é manter, até 2035, produção próxima de 1,2 milhão de barris de óleo equivalente por dia.
A companhia exerceu opções de um ano em três contratos de serviços integrados de perfuração e poços, além de opções de dois anos em 18 acordos corporativos de fornecimento de serviços especializados vinculados a essas operações. Os contratos de serviços integrados de perfuração e poços somam US$ 890 milhões. Já os acordos corporativos para serviços especializados estão estimados em aproximadamente US$ 460 milhões por ano, ao longo de dois anos.
As empresas Baker Hughes Norge AS, Halliburton AS e SLB Norge AS foram selecionadas para os contratos de serviços integrados de perfuração e poços. As mesmas companhias, juntamente com outros 15 fornecedores, também foram contempladas com acordos corporativos para serviços especializados. Esses contratos devem garantir acesso à tecnologia e à expertise necessárias para tornar as operações de poços mais eficientes e adaptadas às mudanças de demanda na plataforma continental norueguesa.
Rune Nedregaard, vice-presidente sênior de poços da Equinor
“Esses acordos estão entre os maiores que temos e são essenciais para a atividade na plataforma continental norueguesa. Novos poços nos permitem manter a produção em níveis elevados e fornecer energia estável à Europa. Isso é particularmente importante em um momento de turbulência nos mercados de energia”, afirmou Jannicke Nilsson, diretora de compras da Equinor.
Os contratos devem sustentar cerca de 2.500 empregos e abrangem atividades tanto em instalações fixas quanto em sondas móveis na plataforma continental da Noruega.
“Novos poços devem responder por cerca de 70% da produção da Equinor em 2035. Isso envolve tanto um número maior de poços quanto mais intervenções, que precisam ser executadas com mais rapidez e custos significativamente menores do que hoje. Isso exige colaboração mais estreita com a indústria fornecedora e maior uso de tecnologia e padronização”, disse Rune Nedregaard, vice-presidente sênior de poços da Equinor.
Já no caso da ADNOC, a empresa anunciou planos de conceder até US$ 55 bilhões em contratos entre 2026 e 2028, sinalizando uma aceleração dos investimentos em upstream e em outras áreas de energia, em meio ao novo posicionamento dos Emirados Árabes Unidos após sua saída da OPEP.
Os contratos previstos fazem parte do atual programa quinquenal de investimentos da ADNOC e marcam o que a companhia classificou como uma nova fase de execução de projetos em larga escala, com o objetivo de atender ao aumento da demanda global por energia. Os investimentos abrangerão o portfólio de upstream e downstream da empresa, com uma parcela relevante destinada à expansão de capacidade e ao desenvolvimento de ativos de petróleo e gás.
O anúncio aconteceu poucos dias após a saída formal dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, movimento que permite ao país ampliar a produção sem as limitações impostas por cotas. A ADNOC já havia sinalizado planos de expansão, posicionando os Emirados entre os poucos produtores com capacidade ociosa relevante.
“Em linha com as diretrizes da liderança dos Emirados Árabes Unidos, a ADNOC está entrando em uma fase decisiva de execução de sua estratégia, impulsionada por escala, velocidade e foco total na entrega”, afirmou o CEO Sultan Ahmed Al Jaber. Segundo ele, a companhia está concentrada em “atender ao crescimento da demanda global por energia, ao mesmo tempo em que fortalece e amplia a base industrial e manufatureira dos Emirados Árabes Unidos”.
IstoÉ Dinheiro - SP 06/05/2026
Arábia Saudita reduziu o preço de seu principal tipo de petróleo para a Ásia, Europa e Mediterrâneo no próximo mês, já que a guerra no Oriente Médio continua a interromper severamente os suprimentos.
A Saudi Aramco fixou o preço oficial de venda do petróleo bruto Arab Light para a Ásia em US$ 15,50 por barril, uma redução em relação aos US$ 19,50 do mês anterior. Para o Noroeste da Europa, o preço vai passar de US$ 27,85 para US$ 25,85 o barril. No Mediterrâneo, o barril será vendido a US$ 25,65, ante US$ 27,65 este mês. Os preços para os EUA não foram alterados.
O Iraque também informou que está oferecendo descontos substanciais aos seus compradores de petróleo bruto para carregamento neste mês, mas os navios-tanque terão que atravessar o Estreito de Ormuz para coletar os barris no interior do Golfo Pérsico, segundo um documento visto pela Bloomberg.
Os produtores da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) estão oferecendo descontos de até US$ 33,40 por barril em relação aos preços oficiais para seu principal petróleo bruto, o Basrah Médium.
Os Emirados Árabes Unidos deixaram a Opep em 1º de maio.
Valor - SP 06/05/2026
Mesmo com incerteza sobre rumos de conflito no Oriente Médio, bolsas de NY subiram, com apoio ainda de balanços de empresas; Ibovespa também avançou
O recuo nos preços do petróleo favoreceu um movimento de alívio nos mercados internacionais e locais, embora permaneça a incerteza em torno do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Em Nova York, as bolsas subiram e os índices S&P 500 e Nasdaq renovaram mais uma vez seus recordes de fechamento, com impulso da temporada de balanços de empresas. No cenário local, uma leitura mais otimista da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também contribuiu para o Ibovespa encerrar o dia no positivo, enquanto os juros futuros fecharam em queda firme.
No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo fecharam em queda, mas permaneceram acima de US$ 100 por barril, com investidores cautelosos diante das tensões no Oriente Médio. O petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em julho recuou 3,99%, para US$ 109,87 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para junho caiu 3,90%, a US$ 102,27 por barril.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o cessar-fogo com o Irã segue em vigor e “centenas de navios se preparam para transitar” pelo Estreito de Ormuz, como parte do “Projeto Liberdade” anunciado pelo presidente Donald Trump. Do outro lado, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, voltou a afirmar que os EUA estão violando o cessar-fogo. Mais tarde, Trump disse que iria suspender os esforços para ajudar navios presos em Ormuz enquanto busca um acordo com o Irã.
No começo da semana, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado mísseis e drones supostamente do Irã, o que levou a uma disparada nos preços do petróleo e uma maior percepção de risco entre investidores.
Após certa volatilidade por conta do conflito no Oriente Médio, as bolsas americanas ganharam fôlego ontem em meio à temporada de balanços e deram continuidade ao rali. O S&P 500 subiu 0,81%, aos 7.259,22 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,03%, aos 25.326,126 pontos, ambos renovando seus recordes de fechamento, embora por uma margem pequena. O Dow Jones avançou 0,73%, aos 49.298,25 pontos, apenas 1,77% abaixo de sua máxima histórica, de 50.188,14 pontos.
Michael Cembalest, da J.P. Morgan Asset Management, observa que as expectativas de lucros do S&P 500 para 2026 aumentaram desde o início do ano, o que ajuda a explicar a recuperação em formato de “V” dos mercados acionários americanos. “As 300 empresas que já divulgaram balanços registraram crescimento de receitas de 11% e de lucros de 26%, com surpresas positivas tanto em vendas quanto em resultados”, afirma. “Mas, apesar da recuperação das bolsas nos EUA, o cenário ainda não está totalmente claro”, alerta.
No cenário local, o Ibovespa fechou em alta de 0,62%, aos 186.754 pontos, com apoio do recuo nos preços do petróleo e do alívio da percepção global de risco. A ata da última reunião do Copom também contribuiu para impulsionar a bolsa, com a percepção de que ainda poderia haver espaço para um corte de juros na próxima reunião, em junho.
Na mesma linha, os juros futuros fecharam em firme queda. Ao fim dos negócios, a taxa do contrato de DI de janeiro de 2028 caiu de 13,965% a 13,84%, e a do DI de janeiro de 2031 cedeu de 13,88% para 13,825%, voltando a níveis próximos do fim da semana passada.
Embora não discorde que um novo corte de juros em junho é provável, o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, avalia que os elementos trazidos pela ata não alteram a leitura acerca da postura do Copom já comunicada na última semana. “Continuamos muito dependentes do ambiente externo, o BC fala muitas vezes do aumento da incerteza e os riscos associados à guerra, com o aumento dos custos via disrupção parcial das cadeias de produção e distribuição”, destaca.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries de dois anos caíram a 3,946%, de 3,962% no fechamento anterior, e os dos papéis de dez anos cederam a 4,429%, ante 4,419% na última sessão. No fim do dia, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,11%, a 98,48 pontos, após rondar a estabilidade durante boa parte do dia.
Valor - SP 06/05/2026
Participações governamentais pagas pela indústria são vistas como contrapartida pela atividade nos locais onde é desenvolvida
Na véspera do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da ação que começa a decidir nesta quarta-feira (6) se a lei que altera a distribuição dos royalties e participações especiais é constitucional, especialistas ouvidos pelo Valor reafirmam uma ideia que foi consagrada pelo próprio Supremo. Sob essa lógica, participações governamentais pagas pela indústria de petróleo são vistas como compensações pela atividade aos locais onde é desenvolvida. O STF julga a partir desta quarta-feira, 5, a possível inconstitucionalidade da Lei 12.734, de 2012, que prevê redistribuição dos recursos para Estados e municípios não produtores.
A lei foi aprovada pelo Congresso e sancionada com vetos pela então presidente Dilma Rousseff, mas uma liminar da ministra Cármen Lúcia, do STF, suspendeu os efeitos da medida e manteve a distribuição de royalties e de participações especiais, sobre grandes campos produtores, conforme Lei 9.478/97, a Lei do Petróleo.
Em 2025, royalties e participações especiais somaram R$ 92,423 bilhões. Do montante, R$ 62,161 bilhões foram repassados a título de royalties e R$ 30,262 bilhões, como participações especiais. Para 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estima uma arrecadação total de R$ 125,495 bilhões.
O professor de economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Rodrigo Rodriguez avalia que o impasse está no entendimento do propósito dos royalties: “No mundo inteiro, o uso dos royalties é para compensar o impacto no local da produção. Devemos ter em mente que a produção de petróleo é uma atividade com tempo para terminar.”
Pelos cálculos de Rodriguez, caso a transição prevista pela lei tivesse início em 2025, o Rio de Janeiro seria o Estado mais afetado em termos absolutos e relativos, com uma redução de R$ 7,78 bilhões na Receita Corrente Líquida (RCL), representando um recuo de 7,74%. O Espírito Santo aparece como segundo Estado mais impactado, com perda de R$ 394,15 milhões, ou 1,40% da RCL, seguido por Rio Grande do Norte, que teria perda de 0,46% da RCL, e Amazonas, com recuo de 0,39% da receita.
Outros Estados monitorados, como Sergipe, São Paulo, Bahia, Alagoas, Maranhão, Paraná e Ceará, apresentam impactos relativos mais modestos, todos inferiores a 0,20% da receita.
“Um dos caminhos é ter uma política mais adequada para aplicação dos royalties. Isso eliminaria a visão de que o royalty é uma benesse. É necessário delimitar para onde deve ir esse royalty e criar limitantes”, afirma o professor.
O advogado Alexandre Calmon, sócio do Costa Rodrigues Advogados, também aponta a tese constitucional de que royalty é indenização por potenciais riscos ambientais e sociais decorrentes do exercício de determinadas atividades potencialmente arriscadas. Na visão dele, ao deixar essa questão pendente por muito tempo, o STF causou politização de uma questão puramente técnica.
No mundo inteiro, o uso dos royalties é para compensar o impacto no local da produção”
— Rodrigo Rodriguez
“Entendo que a natureza das participações especiais até poderia ser discutida ou mesmo um novo marco temporal discutido, implicando em eventual potencial redistribuição, mas royalties?”, questionou Calmon.
Para Jeniffer Pires, sócia do Kincaid Mendes Vianna Advogados, o que está em jogo é qual ente federativo fica com a maior parte de uma das receitas mais relevantes do país, bem como quais os critérios para eventual redistribuição: “O modelo atual privilegia Estados e municípios produtores, sob o fundamento de que os royalties são uma compensação pelos impactos da atividade petrolífera que recaem sobre essas regiões, seja sob o aspecto ambiental ou de infraestrutura.”
Segundo a especialista, é razoável que Estados produtores recebam mais, dado que os recursos servem para indenizar entes que suportam diretamente os impactos ambientais, sociais e de infraestrutura da atividade de exploração petrolífera. “O royalty tem como natureza jurídica a compensação financeira. Estados que não são produtores não sofrem os mesmos impactos com a atividade de exploração e produção de petróleo.”
Na visão de Pires, a proposta de redistribuição implica que os Estados produtores continuariam arcando com os impactos, porém com menor participação nas receitas, o que enfraqueceria a lógica compensatória. “É possível ainda que, com a eventual aprovação, seja criado um precedente importante para outras receitas vinculadas à exploração de recursos naturais.”
Paula Araújo, coordenadora do Programa Macrorregional de Caracterização de Rendas Petrolíferas (PMCRP), ressalta que a discussão no STF tende a ter como base uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que recomenda que sejam refeitos critérios para definição das linhas que delimitam os Estados produtores - principais parâmetros para distribuição das rendas do petróleo. O TCU considera que a definição desses limites estaria obsoleta, segundo Araújo. Os limites foram definidos pelo IBGE na década de 1980. “Se esse estudo fosse refeito, provavelmente haveria uma mudança significativa para quem se beneficia dos royalties”, avalia.
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) critica a demora de 13 anos para que a liminar da ministra Carmen Lúcia fosse julgada pelo plenário do STF. Segundo o presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski, “o importante é [haver] o julgamento”. A CNM defende a lei que redistribui os recursos para os Estados não produtores, e Ziulkoski ressalta que o rápido crescimento da produção de petróleo a partir do pré-sal trouxe a necessidade de mudança no destino das participações governamentais.
“O artigo 20 da Constituição diz que a riqueza do subsolo é de propriedade da União. Se é da União, é da nação brasileira, e não de um ou outro”, diz Ziulkoski. A proposta da CNM é que haja uma modulação da decisão, com prazo de sete anos de transição.
Veja - SP 06/05/2026
A Agrishow 2026 que terminou na sexta-feira, 1, em Ribeirão Preto, interior paulista, confirmou seu papel de termômetro do agronegócio: bateu recorde de público, com 127 mil visitantes, mas entregou um sinal claro de freio nos negócios. Foram 11,4 bilhões de reais em intenções de compra, queda de 22% em relação ao ano anterior — que chega a cerca de 25% em termos reais, segundo o colunista de VEJA Gustavo Junqueira. É a primeira retração após 11 anos de crescimento contínuo, em um momento em que o próprio setor de máquinas agrícolas já vinha de uma queda relevante nas vendas no início do ano.
A explicação passa menos por falta de interesse e mais por cautela. Como resumiu Junqueira, “o produtor foi lá, olhou e voltou sem assinar os pedidos de compra”. O ambiente econômico não ajuda: com a Taxa Selic em 15%, financiar máquinas virou um custo difícil de justificar. Ao mesmo tempo, as margens estão pressionadas — soja mais apertada, cana abaixo do ponto de equilíbrio — e o crédito segue cercado de incertezas, com anúncios ainda pouco claros e dinheiro que, na prática, não chegou na ponta.
No pano de fundo, o setor vive algo mais profundo. A tecnologia avança — com máquinas inteligentes, inteligência artificial e novas fontes de energia — mas os negócios não acompanham no mesmo ritmo. Para Junqueira, há uma “seleção natural” em curso: produtores mais estruturados tendem a consolidar espaço, enquanto aqueles mais alavancados, que cresceram no ciclo de juros baixos e commodities em alta, enfrentam um ajuste duro. O desafio, como ele define, é inédito: margens comprimidas, juros elevados e um cenário climático imprevisível ao mesmo tempo.
CNN Brasil - SP 06/05/2026
A AGCO, fabricante de máquinas agrícolas com as marcas Fendt, Massey Fergusson e Valtra, registrou um lucro líquido de US$ 55 milhões no primeiro trimestre deste ano, na comparação com US$ 10,5 um ano antes.
As vendas da companhia aumentaram 14,2% na mesma comparação e somaram US$ 2,24 bilhões.
"Superamos o mercado, particularmente em equipamentos de alta potência e agricultura de precisão, reforçando a força de nosso portfólio diferenciado e nossa abordagem", disse Eric Hansotia, presidente do Conselho, presidente e CEO da AGCO, no texto de divulgação de resultados.
Por região, as vendas cresceram 20,3% na Europa e Oriente Médio; 10% na América do Norte; 17,3% na América Latina e 31,2% na região que engloba Ásia, Pacífico e África.
Vendas em queda no Brasil
Sobre o Brasil, a empresa divulgou que as vendas de tratores caíram 10% no primeiro trimestre, ante período análogo de 2025, refletindo uma demanda mais fraca por tratores maiores, parcialmente compensada pela melhora na demanda por equipamentos de pequeno e médio porte.
"O Brasil está produzindo safras próximas de recordes, mas a rentabilidade está sob pressão devido aos altos custos de produção, principalmente com fertilizantes importados, e a demanda por equipamentos maiores ainda não apresentou crescimento renovado. Os elevados custos de financiamento, o crédito restrito e a dinâmica política mais ampla deverão continuar a limitar a procura em 2026", justificou Hansotia no texto.
Conforme mostrou a repórter Gabriella Weiss, durante sua visita à Agrishow em Ribeirão Preto
(SP), não só a AGCO, mas as demais indústrias de máquinas relataram que os produtores estão em busca de máquinas menores.
Expectativas
Para o fim de 2026, a empresa espera vendas líquidas de US$ 10,5 bilhões a US$ 10,7 bilhões. As margens operacionais ajustadas devem ficar entre 7,5% e 8,0%, refletindo a ênfase contínua na disciplina de preços, gestão de custos e alinhamento operacional.
Os volumes de produção devem permanecer relativamente estáveis ou ligeiramente menores, com o controle de custos e a precificação positiva contribuindo para o desempenho, afirmou a empresa. Com base nessas premissas, o lucro por ação projetado para 2026 é de aproximadamente US$ 6.
Valor - SP 06/05/2026
Apesar dos custos maiores e dos juros altos, segundo semestre deve trazer um resultado melhor para o setor, afirma Luis Felli
No final de abril, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou que as vendas de máquinas e implementos agrícolas caíram 16,4% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. A Agrishow, maior feira anual do setor que terminou na última sexta (1º de maio), também anunciou uma queda de 22% em relação aos negócios de 2025.
Mas este cenário de baixa tem data para acabar, na opinião do brasileiro Luis Felli, head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da AGCO, que reúne as indústrias de máquinas Massey, Valtra e Fendt: final deste ano ou início de 2027.
Em entrevista exclusiva ao Valor, o executivo disse que o produtor rural brasileiro está retraído, segurando investimentos, por conta da taxa de juros “altíssima”, do aumento dos fertilizantes e do diesel, da restrição de crédito e baixa das commodities, mas o segundo semestre deve trazer um resultado bem melhor.
Segundo ele, a guerra no Oriente Médio gera incertezas, mas depois que ela terminar o mundo vai retomar seu caminho. Felli acredita que os preços do fertilizante e do diesel não devem voltar ao nível em que estavam, mas vão baixar do patamar atual.
“E, no Brasil, a gente vê uma oportunidade, um segundo semestre de preços de milho bem favoráveis. Os preços não estão ruins hoje, mas devem ser mais favoráveis no segundo semestre, porque a segunda safra não vai ser tão grande como se esperava e a demanda está alta. O etanol de milho está demandando muito. A proteína animal está com preço elevado, então isso faz com que a cadeia invista também em suínos e aves. A cadeia do milho vai trazer um pouco mais de alegria para o produtor.”
O que precisa mudar rapidamente, segundo ele, é a taxa de juros no país. Conciliando suas atividades de executivo da indústria de máquinas com a produção de grãos e criação de gado no Maranhão, além da produção de uvas de mesa no Vale do São Francisco, Felli disse que fez um movimento importante de trocar a moeda de endividamento da sua atividade agrícola para o dólar.
“O agricultor, na verdade, está pagando entre 18% e 25% de juros ao ano. Por isso, estamos vendo muita gente em dificuldade, muita gente que está considerando sair da atividade.”
Para o executivo/produtor, a taxa de juros tem que cair para um dígito, mesmo que seja 9,9%. Segundo ele, o agronegócio hoje é muito menos dependente do Plano Safra, que terá sua edição para 2026/27 lançada em julho.
“Atualmente, apenas 30% do custeio brasileiro é bancado com linha subsidiada pelo governo federal, e o restante é feito com bancos privados ou recursos próprios. Se tiver uma taxa de juros da base de 10%, o agricultor vai fazer os seus investimentos e o governo não precisa gastar dinheiro com isso.”
Felli diz que o agricultor que usa recurso próprio está capitalizado porque as últimas safras foram boas e os preços de commodities também estavam bons, mas quem fez a opção de continuar investindo para crescer precisa de financiamentos.
“A nossa vida é essa, a gente sempre investiu. A gente tem área própria, tem área arrendada e tem várias atividades. Se surgir uma oportunidade de expandir neste ano, a gente vai investir de novo.”
A visão otimista sobre o fim do ciclo de baixa das vendas de máquinas agrícolas também se baseia na sua atividade como pecuarista: ele faz recria e confinamento de cerca de 8.000 bois por ano. Felli acredita que a questão da cota chinesa, que visa cortar as importações de carne brasileira de 1,7 milhão de toneladas para 1,1 milhão neste ano, vai gerar um solavanco de dois ou três meses, uma queda no preço da arroba por um tempo, mas depois o mercado vai se ajustar porque a demanda global por carne está alta e está faltando carne bovina no mundo.
Faturamento
Felli afirmou que no ano passado a AGCO, que só divulga o faturamento global de todas as suas marcas, ficou acima das expectativas do mercado em todos os quadrimestres. A empresa registrou um lucro de US$ 726,5 milhões no ano ante os US$ 424,8 milhões de 2025 por conta da variação cambial. A receita líquida, no entanto, recuou 13,5%, para US$ 10,08 bilhões.
No Brasil, as vendas de tratores foram 2% menores em relação a 2024, refletindo uma demanda mais fraca por tratores maiores, parcialmente compensada pela melhora na procura por tratores menores e médios.
Na feira de Ribeirão Preto, a Massey também apresentou um motor a etanol que deve mover tratores da marca nos próximos anos. Segundo Felli, não houve aceleração de projetos de descarbonização por conta da guerra no Irã porque a empresa já vinha investindo em combustíveis alternativos, especialmente o etanol, atendendo a um desejo do cliente. A indústria também desenvolve um motor a biometano, mas considera que esse combustível só vai atender nichos.
O trator elétrico já é oferecido em máquinas da Fendt na Europa e Estados Unidos, mas essa tecnologia pode não chegar ao Brasil porque uma de suas características é o preço elevado.
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