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07 de Maio de 2026

SIDERURGIA

Diário do Aço - MG   07/05/2026

A Usiminas projeta investir R$ 1,6 bilhão em 2026, sendo R$ 971 milhões destinados à planta de Ipatinga, em um cenário de expectativa moderada para o mercado siderúrgico brasileiro diante das medidas antidumping e das tensões geopolíticas internacionais. A avaliação foi apresentada na tarde desta quarta-feira (6) pelo presidente da companhia, Marcelo Chara, durante entrevista coletiva concedida à imprensa no Centro de Memória Usiminas, no bairro Castelo.

Segundo Chara, a expectativa da empresa é que os reflexos das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo federal contra o aço importado sejam percebidos de forma mais efetiva apenas a partir do segundo semestre. Atualmente, o Brasil aplica taxa antidumping de 10,8% para determinados produtos, enquanto os Estados Unidos, por exemplo, adotam sobretaxa de 50% sobre o aço importado.

O presidente também chamou atenção para o cenário global marcado por conflitos e instabilidade econômica. Segundo ele, as tensões envolvendo Estados Unidos, Irã, Rússia e Ucrânia já impactam diretamente a inflação mundial, o custo do petróleo e a logística internacional, afetando diversos setores industriais.

“O impacto dos energéticos, o incremento de custos de petróleo, frete, as perspectivas de inflação que o mundo todo tinha aumentaram conforme a evolução de toda esta dinâmica. E isso é algo que impacta a todos os países, incluindo o Brasil. Por isso eu diria que, não obstante, vemos que há setores da economia que vão sofrer mais que outros, mas vemos setores em que há uma perspectiva de desenvolvimento”, afirmou Chara.

Dados apresentados pela empresa, com base em projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), apontam aumento da expectativa da inflação mundial de 3,9% para 5,4% em 2026, além de elevação de 3,5% para 3,9% em 2027.

“Há, ainda, o impacto do aumento do preço do petróleo, que afeta o mercado global. Isso implica em ajustes, seja para aumentar preços, manter a rentabilidade, otimizar processos ou gerenciar custos operacionais. Procuramos, portanto, manter a competitividade, e o mesmo se aplica a todos os produtos e serviços. Cada item que o consumidor adquire refletirá esses custos, seja em um produto específico ou em outros”, acrescentou.

Concorrência desleal permanece

Outro ponto abordado foi o avanço das importações de aço chinês. Conforme Chara, a indústria chinesa opera há cerca de quatro anos com preços subsidiados, o que permite exportações sem margem de lucro. Segundo ele, fora da Ásia e do Oriente Médio, o Brasil é o país que mais recebe aço produzido na China.

No início deste ano, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços anunciou uma sobretaxa de 25% para nove produtos siderúrgicos importados. Além disso, em julho vence o atual sistema de quota-tarifa para outros 16 produtos do setor. O mecanismo foi ampliado em 2025 por mais 12 meses, e a expectativa é que um movimento semelhante seja feito novamente.

“Essa medida, nos próximos dias, tem que ser definida, e nós confiamos que vai ter uma revisão correta, equilibrada, que vai permitir complementar a medida”, declarou.

Investimentos em Ipatinga

Para aumentar a competitividade, reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência ambiental, a Usiminas anunciou uma série de projetos industriais para Ipatinga. Entre os principais investimentos estão o reparo a quente da Bateria 3 da Coqueria 2, orçado em R$ 973 milhões, e a nova planta de moagem e injeção de PCI, com aporte de R$ 597 milhões.

Também estão previstos a reconstrução parcial da Bateria 4 da Coqueria 2, com investimento de R$ 1,7 bilhão, e a construção de um novo gasômetro, avaliado em R$ 249 milhões.

“Estamos terminando o projeto de PCI, de injeção de carbono nos altos fornos. Isso significa reduzir o coque importado. Isso é redução de custos. Por outra parte, isso implica menor quantidade de frete contratado, menor quantidade de caminhões para movimentos, menor quantidade de serviços, e eficiência energética, mas eficiência em todos os serviços também”, apontou Chara.

“Também estamos incorporando ferramentas de gestão que nos permitem melhorar a produtividade e reduzir a quantidade de custos nos trabalhos de manutenção. Fizemos um trabalho profundo em incorporação de tecnologia com ferramentas de medição e otimização para contratar menos pessoas e executar os mesmos trabalhos com menor custo. Ou seja, aqui estamos mudando o perfil de carga metálica dos fornos. Estamos usando maior quantidade de carga sólida e sucata, que é mais barata na produção. Temos um conjunto de medidas de melhoria de custos porque não podemos confiar nas ações. A defesa é uma parte. Não temos que correr mais rápido, ser mais eficientes, mais eficazes, mais produtivos e de menor custo. É uma luta constante”, afirmou.

Produção e empregos

Sobre a possibilidade de ampliação da produção, Chara afirmou que o mercado segue pressionado pelas importações, o que limita o crescimento imediato da escala produtiva.

“Por exemplo, investimos para aumentar a eficiência e a produtividade, e, embora tenhamos potencial para dobrar nossa produção, nosso objetivo é otimizar a operação produtiva. E, como resultado, obteremos ganhos”, declarou.
Ele acrescentou que a empresa não prevê aumento expressivo do quadro de funcionários permanentes, embora os investimentos devam demandar mão de obra ao longo das obras previstas para os próximos anos.

Por fim, Chara disse que o cenário para os próximos meses exige cautela, apesar das perspectivas positivas em alguns segmentos industriais.

“O desenvolvimento de alguns setores em particular, como o setor de automotriz e outros, nos permite ver, somando a medidas que o governo adotou de defesa comercial, correta, baseado em fundamentos técnicos, sólidos, robustos, para evitar a importação de produtos subsidiados, eu vejo uma perspectiva moderada de otimismo para os próximos meses. Digo moderada de otimismo porque a prudência é fundamental, o cuidado de caixa é muito importante, a obsessão por custos, capital de trabalho é vital para ter uma situação financeira saudável, para enfrentar qualquer tipo de disrupção que pudermos ter em frente a estes acontecimentos mundiais”, concluiu.

Grandes Construções - SP   07/05/2026

A Gerdau, produtora brasileira de aço, concluiu o primeiro trimestre de 2026 com Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 3,0 bilhões, com margem Ebitda ajustada de 17,7%.

O lucro líquido ajustado da Companhia totalizou R$ 1,0 bilhão entre janeiro e março, enquanto a receita líquida somou R$ 16,7 bilhões e as vendas físicas de aço alcançaram 2,8 milhões de toneladas.

“O desempenho do primeiro trimestre de 2026 reforça, mais uma vez, que a diversificação geográfica e a solidez da estratégia operacional são fundamentais para o equilíbrio dos nossos resultados diante das volatilidades dos mercados globais. No período, as operações na América do Norte apresentaram forte desempenho, sendo responsáveis por 75% do Ebitda consolidado da Companhia”, afirma Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.

“Por sua vez, o mercado brasileiro seguiu afetado pela entrada de importações desleais. Seguimos focando nossos investimentos no país na busca de maior rentabilidade. Destaco, inclusive, que já vimos uma recuperação do Ebitda da Operação no Brasil neste primeiro trimestre, como fruto dessa estratégia”, completa.

Investimentos em CAPEX - No 1º trimestre de 2026, a Gerdau investiu R$ 1,1 bilhão, sendo 43% em manutenção e 57% em projetos de expansão e atualização tecnológica. Para 2026, o plano de investimentos da Companhia está estimado no valor de R$ 4,7 bilhões.

“No primeiro trimestre de 2026, inauguramos um novo parque solar, em Barro Alto (GO), mais um passo importante para a Gerdau em sua busca por maior competitividade e sustentabilidade das suas operações no Brasil”, afirma Rafael Japur, CFO da Gerdau.

Valor - SP   07/05/2026

A siderúrgica ítalo-argentina registrou receitas de US$ 3,93 bilhões entre janeiro e março, mantendo estabilidade sobre o mesmo período de 2025

A Ternium teve lucro de US$ 372 milhões no primeiro trimestre, alta de 162% na comparação anual. A siderúrgica ítalo-argentina registrou receitas de US$ 3,93 bilhões entre janeiro e março, mantendo estabilidade sobre o mesmo período de 2025.

A controladora da Usiminas destaca que recuperação nos preços do aço nos principais mercados em que atua ajudou nos seus resultados, compensando maiores custos com aquisição de insumos.

O volume de vendas de aço da Ternium caiu 4% no ano, a 3,7 milhões de toneladas, com recuperação no México e Brasil ajudando a mitigar efeitos de uma demanda ainda fraca nas suas operações na Argentina.

Segundo a empresa, o seu lucro do primeiro trimestre foi impactado por US$ 132 milhões em créditos fiscais e uma perda de US$ 48 milhões pelo aumento de provisões sobre litígios envolvendo a Usiminas.

A companhia espera continuidade na melhoria dos seus resultados ao longo do segundo trimestre, com volumes e margens em alta por conta de recuperação nos resultados do México e da Argentina.

Money Times - SP   07/05/2026

Com a revisão das estimativas após os resultados do primeiro trimestre (1T26), o Citi elevou a recomendação das ações da Usiminas (USIM5) de neutra para compra nesta quarta-feira (6).

O banco também ajustou o preço-alvo de USIM5 para R$ 10 em dezembro deste ano, o que representa um potencial de valorização de 15,6% sobre o preço de fechamento da última terça-feira (5), quando as ações encerraram cotadas a R$ 8,65.

O preço-alvo anterior era de R$ 7.

“Acreditamos que a Usiminas está bem posicionada para se beneficiar de maior competitividade, especialmente a partir de meados de 2026”, escreveram os analistas Gabriel Barra e Pedro de Mello em relatório.

Nesta quarta, USIM5 fechou as negociações com 0,81%, a R$. No mês, os papéis acumulam 5,43% e no ano, a alta é de 46,9%.

Por que comprar USIM5 agora?

Na visão do Citi, o cenário atual é positivo para a evolução de preços e ganho de participação de mercado com a expectativa de aprovação do antidumping para HRC em julho deste ano.

“A aprovação reforçaria o piso de preços para laminados a quente (HCR) — base do portfólio da Usiminas — e poderia acelerar ganhos de market share no segundo semestre”, destacaram os analistas.

A partir de então, os analistas acreditam que a “Usiminas terá praticamente todo o seu portfólio de aços planos coberto por proteção antidumping”, sendo isso uma vantagem competitiva estrutural que deve sustentar preços e ganhos de participação no mercado até 2027.

Até agora, o Brasil já aprovou tarifas para aço laminado a frio (CRC), galvanizado/revestido (HDG) e aço pré-pintado, cobrindo a maior parte do portfólio de maior valor agregado da companhia.

Além disso, a dupla do Citi considera que “o ambiente de preços está cada vez mais construtivo, com reajustes no mercado doméstico nas últimas semanas, expandindo diretamente as margens”.
Os destaques do 1T26

Os analistas Gabriel Barra e Pedro de Mello avaliam que o balanço patrimonial da Usiminas está em “excelente condição” para suportar investimentos prioritários como a expansão da MUSA, mantendo um “colchão robusto” de liquidez.

A companhia encerrou o 1T26 com caixa líquido em de R$ 391 milhões e alavancagem negativa de -0,20x a dívida líquida/Ebitda – o que, para o Citi, garante “elevada” flexibilidade financeira.
VEJA OS NÚMEROS: Usiminas (USIM5) vê lucro líquido saltar 166%, a R$ 896 milhões, no 1T26

No relatório, o banco destaca o desempenho da divisão de aço no 1T26. O segmento registrou um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 544 milhões e margem de 10,4%.

Para os analistas, o 2T26 deve apresentar uma leve melhora, com receita por tonelada mais do que compensando o aumento de custos.

“De forma crítica, a melhora de custos é em grande parte um efeito de timing, já que a forte alta nos preços de placas (slabs) ainda não foi totalmente refletida no resultado (P&L), assim como custos de energia e fretes de matérias-primas. Para mitigar esse aumento, a gestão pretende reduzir a produção em Cubatão (semi-integrada) e aumentar em Ipatinga (operação totalmente integrada)”, destacaram Barra e Mello.

Eles também chamaram a atenção para elevados estoques de importados – que ainda são um ponto de atenção no curto prazo. “Esse excesso deve pesar sobre o consumo aparente de aço no 2T26, à medida que distribuidores e clientes industriais reduzem estoques existentes em vez de fazer novos pedidos.”
O que esperar de Usiminas no 2T26?

A dupla de analistas do Citi consideram que a alta nos custos de energia, metais e frete deve pressionar o segundo trimestre (2T26), mas que deve ser compensada pela dinâmica mais favorável de preços de aços planos.

Eles ainda destacam que, apesar de alguns descontos concedidos ao setor automotivo para o próximo trimestre, a perspectiva para os preços na indústria e na distribuição segue firmemente positiva, compensando o aumento dos custos de insumos decorrente do conflito com o Irã.

Em números, os analistas esperam um Ebitda de R$ 2,37 bilhões da divisão de aço neste ano, ante R$ 1,35 bilhão em 2025, o que representa um alta de 76% na base anual, com melhores preços e eficiência operacional.

Já o segmento de mineração apresenta um cenário “mais desafiador” para 2026, com custos pressionando margens e volumes menores na comparação anual, já que 2025 teve níveis elevados, de 9,6 milhões de toneladas.

“A gestão projeta recuperação de volumes no 2T26, mas isso deve ser compensado pelos maiores custos logísticos”, diz o relatório.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   07/05/2026

Na entrevista concedida ao Programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi enfático a respeito da responsabilidade fiscal.

Defendeu, obviamente, o programa de ajuste do atual governo, sob a regra aprovada em 2023, o novo arcabouço fiscal, mas apontou caminhos importantes para o próximo ano. De fato, o desafio de reorganizar as contas públicas e restabelecer as condições de sustentabilidade da dívida pública pende de solução.

Ajustar as contas públicas não é tarefa simples. Em março, a dívida ultrapassou a marca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Já são 8,4 pontos porcentuais do PIB de aumento desde dezembro de 2022, na esteira de juros elevados e déficit primário persistente.

A conta de juros está em mais de 8% do PIB, no acumulado em 12 meses até março, combinando-se com um déficit primário de pouco mais de 1% do PIB nas mesmas bases. É verdade que o resultado primário, no mês de março, foi impactado por antecipações de precatórios. Então, retirando-se esse efeito e projetando o primário até o fim do ano, tem-se um déficit de 0,4% do PIB.

Na verdade, a situação de déficit permanente é um dos fatores importantes para entender os juros no Brasil. Não se trata apenas do déficit observado, mas da perspectiva. A trajetória importa e o mercado a antecipa. É nesse contexto que uma possível agenda de ajuste fiscal a ser adotada em 2027 não poderá escapar de um choque de realidade combinado com medidas concretas, e logo no início.

O próprio ministro da Fazenda reconheceu que a tarefa de ajustar as contas é permanente e que não existem “tabus”, ao exemplificar que, mesmo no caso do salário mínimo, a atual equipe econômica conseguiu limitar seu crescimento a 2,5% em termos reais. De fato, a providência foi tomada, mas é insuficiente.

O gasto com previdência está crescendo a 7% além da inflação, no acumulado de 12 meses até março. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) avança a 7,8% e os gastos com pessoal, a 9,2%. Mesmo que se descontem os efeitos dos precatórios, as taxas reais são elevadas, superiores às do crescimento do PIB. Os gastos primários totais passaram de 17,9% do PIB, na média de 2021 e 2022, para 18,8% no final de 2025. A receita primária total avançou, nas mesmas bases de comparação, de 22,2% para 22,8% do PIB, o que evitou uma piora do resultado primário.

As medidas corretas tomadas no âmbito da agenda de recuperação de receitas, vale dizer, a exemplo da redução de benefícios tributários, da tributação de fundos no exterior e de fundos exclusivos, do fim de benefícios estapafúrdios, etc., foram positivas. Mas o aumento da receita foi usado para custear mais gastos. É preciso reconhecer, contudo, que o déficit primário está controlado, na casa de 0,4% do PIB, sobretudo após a expansão de 2023, resultante também de pagamentos de faturas herdadas.

O fato é que será necessário avançar até um superávit de 1,5% a 2,0% do PIB em dois ou três anos. O ponto de partida deve ser uma ampla avaliação dos gastos obrigatórios, sob pena de reduzirmos o baixo investimento federal a zero. Para ter claro, os investimentos são considerados despesas discricionárias e estão cada vez mais espremidos pela alta do gasto obrigatório.

Em 29 de janeiro e 12 de fevereiro, Josué Pellegrini e eu apresentamos, aqui, uma agenda de ajustes para 2027. Assim, as contas públicas começariam a ser ajustadas mais fortemente logo no início do mandato. A agenda deveria incluir: a revisão do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb); a contenção do crescimento dos gastos vinculados e indexados; a revisão das emendas parlamentares; a redução dos subsídios e subvenções; o corte mais expressivo dos gastos tributários; a limitação dos supersalários; e a revisão da Previdência Social, inclusive a dos militares.

A estratégia gradualista exposta pelo ministro Durigan, no Roda Viva, é compreensível, notadamente na presença de um Congresso gastador, carente de lideranças transformadoras e recheado de varejistas de emendas parlamentares. Mas o País precisará ter a grandeza de superar essas idiossincrasias e manias se quiser prosperar. Os juros não vão cair por milagre divino ou desejo da autoridade política de plantão. Diminuirão, sim, se a percepção de risco for menor.

São muitas as razões do juro alto brasileiro. Em razão do cargo que ocupa, Durigan não pôde explicitar essas razões além da questão fiscal, mas está nas suas mãos o condão de melhorar a percepção dos agentes econômicos sobre o Brasil e a solvência futura das contas públicas. Ele apontou o caminho correto: discutir permanentemente todos os elementos da receita e da despesa, com vistas à manutenção de conquistas sociais e melhoria dos números.

Em período eleitoral, não cabe imaginar um aperto de cintos repentino. Mas a preparação do futuro próximo já começou. As indicações do ministro da Fazenda foram positivas na entrevista do início da semana. Vamos segui-las e aproveitar o embalo para debater um programa de ajuste à altura dos nossos conhecidos problemas estruturais.

CNN Brasil - SP   07/05/2026

O Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$ 9,29 bilhões em abril de 2026, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (6) pelo BC (Banco Central). Em março, houve saída líquida de US$ 6,35 bilhões.

O canal financeiro registrou entrada líquida de US$ 2,67 bilhões. Isso é o resultado de compras no valor de US$ 61,96 bilhões e vendas no total de US$ 59,28 bilhões. O segmento reúne os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

No comércio exterior, o saldo no período foi positivo em US$ 6,61 bilhões, com importações de US$ 21,88 bilhões e exportações de US$ 28,5 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 2,79 bilhões em ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), US$ 7,658 bilhões em PA (Pagamento Antecipado) e US$ 18,057 bilhões em outras entradas.

Acumulado

O fluxo cambial está positivo em US$ 13,39 bilhões em 2026 até abril, de acordo com o BC. O canal financeiro apresenta saídas líquidas de US$ 2,28 bilhões. Já o fluxo comercial é positivo, somando US$ 15,68 bilhões no ano.

O segmento financeiro tem compras de US$ 242,6 bilhões e vendas de US$ 244,89 bilhões no período.

O canal comercial tem importações de US$ 79,95 bilhões e exportações de US$ 95,63 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 10,6 bilhões em adiantamento de ACC, US$ 22,48 bilhões em PA e US$ 62,54 bilhões em outras operações.

Semana de 27 a 30 de abril

O País anotou fluxo cambial positivo de US$ 3,3 bilhões na semana passada, segundo o BC. Entre os dias 27 e 30 de abril, o canal financeiro apresentou saídas líquidas de US$ 1,02 bilhão. O valor é o resultado de compras de US$ 12,36 bilhões e vendas no total de US$ 13,38 bilhões.

No comércio exterior, o saldo da semana passada foi positivo em US$ 4,32 bilhões, com importações de US$ 4,599 bilhões e exportações de US$ 8,92 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 749 milhões em ACC, US$ 2,78 bilhões em PA e US$ 5,39 bilhões em outras entradas.

Globo Online - RJ   07/05/2026

Os investimentos chineses no Brasil saltaram 45% no ano passado ante 2024, para US$ 6,1 bilhões, o maior montante desde 2017, segundo levantamento anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), que será divulgado nesta quinta-feira. O estudo mapeou 52 projetos ou transações de investimento, recorde da série histórica iniciada em 2007.

O Brasil foi o principal destino dos investimentos da China no exterior em 2025, segundo dados do China Global Investment Tracker, monitor do think tank americano American Enterprise Institute (AEI), compilados pelo CEBC.

Segundo o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello, o destaque do Brasil se deve a uma combinação de riqueza de recursos naturais, com grande mercado consumidor e base industrial já estabelecida.

Tanto que os destaques nos investimentos foram os setores elétrico, de mineração e automotivo. Agregando por outra ótica, 31 projetos, ou 60% do total, foram associados em redução de emissões de carbono.

Setor elétrico e de mineração saem na frente

No levantamento do CEBC, o setor elétrico respondeu por 29,5% dos investimentos no Brasil no ano passado, com US$ 1,79 bilhão.

A CPFL — que atua em geração, transmissão e distribuição de eletricidade e é controlada, desde 2017, pela State Grid Corporation of China, gigante do setor elétrico — foi a principal investidora de 2025, segundo o estudo.

Ano passado, a companhia investiu R$ 6,1 bilhões e prevê aportar mais R$ 6,5 bilhões este ano, conforme apresentação institucional de dezembro último. O plano de investimentos 2026-2030 da CPFL soma R$ 31,1 bilhões.

Na mineração, o investimento triplicou ante 2024, segundo o CEBC, com destaque para a estratégia das mineradoras chinesas de comprar projetos em funcionamento, como as minas de ouro da canadense Equinox Gold em Minas, Bahia e Maranhão — a CMOC pagará US$ 1 bilhão por elas — e a operação de níquel da Anglo American — que ficará com a MMG, mineradora australiana controlada pela China Minmetals, por US$ 500 milhões.

Competição e marketing na indústria automotiva

Na indústria automotiva, foram US$ 965 milhões em investimentos chineses, com destaque para a fabricação de carros eletrificados, tecnologia na qual as marcas chinesas se destacam. É uma alta de 66% ante 2024, embora “o montante final possa ser superior, uma vez que houve investimentos cujo valor não foi revelado”, diz o relatório do estudo.

Além de ser o sexto maior do mundo em venda de veículos leves, segundo a consultoria italiana Focus2Move, o mercado brasileiro vem aderindo à eletrificação. Até abril, foram vendidos 139 mil carros “eletrificados” (100% elétricos ou híbridos), salto de 97% ante o primeiro quadrimestre de 2025, de acordo com a Fenabrave, entidade que representa as concessionárias.

Os destaques do ano passado foram as inaugurações da fábrica da BYD, na Bahia, e da GWM, em São Paulo. Além disso, a Geely investiu numa participação acionária de 26,4% da subsidiária brasileira da Renault, o que permitirá fabricar seus carros na fábrica da montadora francesa no Paraná.

O relatório do CEBC ressalta também o “notável” investimento das marcas chineses em propaganda, com foco em “nacionalizar” seus produtos e suas imagens. A BYD até entrou numa disputa publicitária com a Volkswagen ao anunciar que assumiu a liderança de vendas no país em abril.

Diversificação com sofisticação

Segundo Cariello, o apetite pelo mercado brasileiro também impulsiona uma diversificação, com espaço para projetos menores na indústria manufatureira — a chinesa Vivo Mobile anunciou que fabricará celulares na Zona Franca de Manaus —, nos serviços de tecnologia, como os aplicativos de entregas — as chinesas 99 e Keeta estão em meio a uma disputa bilionária com o iFood — e no varejo de alimentação — a rede de fast-food Mixue anunciou aporte de R$ 3,2 bilhões para se instalar no país.

A diversificação de setores investidos vem acompanhada de uma sofisticação, disse o advogado Christiano Rehder, sócio da área de Societário e Fusões e Aquisição do escritório Lefosse, ao relatar contatos recentes de investidores chineses.

As empresas chinesas têm, cada vez mais, contratado serviços locais de assessoria jurídica e financeira, adaptando-se rapidamente às particularidades nacionais.

— Eles não querem mais ser considerados azarões. Querem estar na frente, querem ser considerados investidores de primeiro nível, bem relacionados e bem amparados com assessores jurídicos e financeiros de primeira linha. Há uma disposição para passarem a ser vistos como alguém que não é um aventureiro do Oriente — afirmou Rehder.

Brasil se mantém no topo

A diversificação dos investimentos também com projetos menores ajuda a manter o Brasil entre os maiores destinos do capital chinês. Segundo o estudo do CEBC, o país está entre os cinco maiores destinos desde 2021, mesmo após após uma mudança de composição.

Quando começou sua expansão mundo afora, a política de investimentos da China priorizava os grandes mercados consumidores dos países desenvolvidos. Mais recentemente, passou a focar nos emergentes.

— A China está tendo mais dificuldade para investir em países que eram particularmente atrativos até dez anos atrás. Os investimentos na Europa e nos EUA, mesmo que cresçam eventualmente, já não estão mais naquele nível que era antigamente — disse Cariello.

Nesse ponto, o cenário geopolítico pesa. A relação bilateral entre o Brasil-China se aprofunda à medida que os EUA vão adotando uma posição mais isolacionista sob o comando de Donald Trump. O tarifaço derrubou as exportações do Brasil para os EUA, mas as vendas para a China seguiram batendo recorde.

— O Brasil não tem nenhum tipo de contencioso sério com a China. Estamos distantes desses grandes conflitos, no Oriente Médio e no Leste Europeu. É uma combinação de fatores que favorece muito a entrada do investimento e já tem empresas investindo aqui há muito tempo, que conhecem o mercado — completou Cariello.

Já Marco Aurélio Alves de Mendonça, técnico da área internacional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), chamou a atenção para a complementaridade das economias do Brasil e da China. Os chineses precisam das matérias-primas minerais e agrícolas produzidas no país, assim como os produtores brasileiros precisam da demanda do gigante asiático.

Para Mendonça, essa complementariedade acaba pesando mais do que postura de Trump — que pode ter efeitos de curto prazo no comércio ou nos discursos diplomáticos — e dá contornos estratégicos e de estado à relação bilateral Brasil-China. Nesse contexto, os investimentos são mais pensados, com foco no médio prazo.

— Eles precisam muito da gente e a gente deles. A relação está solidificada — resumiu o pesquisador do Ipea.

IstoÉ Dinheiro - SP   07/05/2026

A dívida global aumentou pelo quinto trimestre consecutivo, avançando em mais de US$ 4,4 trilhões durante o primeiro trimestre de 2026, para atingir um recorde de quase US$ 353 trilhões, alerta o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, em inglês) em relatório.

Em termos absolutos, o aumento da dívida foi concentrado na China e nos EUA, impulsionado principalmente pelo endividamento governamental, diz o IIF.

A dívida nos mercados desenvolvidos, entretanto, diminuiu ligeiramente, enquanto a dívida total nos mercados emergentes – excluindo a China – aumentou para um recorde de US$ 36,8 trilhões, com os governos respondendo pela maior parte do avanço.

Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), a dívida global permanece amplamente estável, em torno de 305% desde o início de 2023. Olhando para o futuro, pressões estruturais – incluindo populações envelhecendo, aumento dos gastos com defesa, segurança energética e despesas de capital relacionadas à inteligência artificial – devem elevar os níveis de dívida governamental e corporativa no médio a longo prazo, aponta o relatório.

“O recente conflito no Oriente Médio deve intensificar ainda mais algumas dessas pressões. No curto prazo, no entanto, a trajetória da acumulação de dívida dependerá significativamente dos desenvolvimentos na região e da resposta das autoridades fiscais e monetárias”, enfatiza o IIF.

As crescentes pressões inflacionárias – impulsionadas por preços mais altos de energia e alimentos – obrigarão muitos governos, particularmente importadores de energia, a mitigar o impacto econômico por meio de apoio fiscal, levando a déficits mais amplos, endividamento adicional e níveis de dívida mais altos, explica.

O IIF, contudo, vê resiliência nos mercados emergentes, refletindo um apetite sólido por risco para ativos desses países. “As expectativas de um dólar mais fraco fornece suporte adicional para ativos de moeda local de emergentes, enquanto a emissão de eurobônus soberanos de mercados emergentes continuou em um ritmo recorde”.

Investidores transfronteiriços também mostraram alguns sinais de diversificação longe dos títulos do Tesouro dos EUA em favor de títulos governamentais europeus e do Japão, adiciona a análise.

MINERAÇÃO

Valor - SP   07/05/2026

Aportes no setor triplicam e respondem por cerca de 30% da aposta no Brasil

Com forte aposta em mineração e ganhando áreas no setor de manufaturados, os investimentos chineses no Brasil estão se tornando mais diversificados e cresceram 45% no ano passado ante 2024, para US$ 6,1 bilhões, o maior aporte desde 2017 e suficiente para colocar o país no topo dos recursos aplicados pelo gigante asiático no exterior em 2025, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Em termos de número de projetos, foram 52 empreendimentos chineses no Brasil em 2025, 33% mais que em 2024 e quantidade recorde na série, iniciada em 2010.

O setor de eletricidade se manteve como o que mais atraiu os investimentos, mas a “nova fronteira” é a mineração, que ficou em segundo lugar. Os aportes na área mais que triplicaram ante 2024, com a maior fatia dos valores aportados no setor desde 2007. Também destaque, o setor automotivo veio na terceira posição em valores investidos, seguido de petróleo e tecnologia da informação.

O levantamento do CEBC mostra ainda que o Brasil foi o país que mais atraiu investimentos chineses no mundo em 2025, com participação de 10,9% do valor investido, seguido por EUA (6,8%), Guiana (5,7%), Indonésia (5,4%) e Cazaquistão (4,4%). Nos últimos cinco anos, o Brasil sempre esteve entre os cinco principais destinos dos investimentos chineses no mundo - a última vez que o país ficou no topo do ranking havia sido em 2021.

O estudo considera aportes confirmados em projetos de empresas com origem na China continental ou de empresas com participação acionária chinesa sediadas em outros países. O estudo usa como fonte notícias veiculadas na imprensa, websites de empresas, portais de governos municipais e estaduais, além de informações fornecidas diretamente por representantes de empresas chinesas e fontes confidenciais.

Tulio Cariello, autor do levantamento e diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, pondera que, dependendo da base de dados, alguns levantamentos podem não mostrar o Brasil como primeiro destino dos investimentos chineses, mas mesmo assim o país está numa posição muito próxima disso. “O Brasil é um destino muito consolidado para os investimentos chineses e continuará sendo.”

O desempenho da China no Brasil foi superior ao dos investimentos estrangeiros totais no país, que avançaram 4,8% em 2025, atingindo US$ 77,7 bilhões. O aumento também foi maior que o dos investimentos totais da China no mundo, que cresceram 1,3%, somando US$ 145,7 bilhões.

Pelos critérios do Banco Central, que usa outra metodologia, os EUA foram o maior investidor direto no Brasil no ano passado, com US$ 8,47 bilhões em participação no capital, 29% menos que no ano anterior.

Para Cariello, o grande destaque em 2025 foi a maior diversidade dos investimentos chineses realizados no Brasil. Embora a área de eletricidade tenha mantido a liderança em termos de valor, com participação de 29,5% do total, a forte expansão dos projetos de mineração, diz, alterou o perfil dos aportes chineses no país e ficou com fatia de 29%.

Segundo o levantamento, os investimentos em mineração somaram US$ 1,76 bilhão em 2025, mais que o triplo dos US$ 557 milhões de 2024. “Os setores de energia elétrica e de petróleo já vinham com muita força. A eletricidade, principalmente, teve grandes investimentos desde 2010, sem praticamente nenhum ano em que o setor não tenha se destacado. Mas há novos setores disputando os lugares no pódio”, diz Cariello.

“A mineração é o grande destaque dessa pesquisa. Os investimentos no setor foram por fusão e aquisição. Ou seja, a empresa chinesa comprando alguma empresa estrangeira ou até brasileira em operação aqui, o que envolve bilhões de reais. Essa é uma nova fronteira para olharmos. Desde o início da década de 2010, os chineses já investiam na área, mas houve retomada muito forte porque há hoje uma corrida pelos minerais estratégicos.”

Cariello lembra de recente investimento de empresa americana em terras raras no Brasil. “A área de mineração abre a necessidade de o Brasil pensar numa estratégia frente à corrida por minerais críticos que beneficie o país no longo prazo. Para que se possa atrair investimentos com algum tipo de transferência de tecnologia ou que coloque o Brasil em outros elos da cadeia produtiva, não só na extração do metal, mas também no processamento e até mesmo na fabricação de componentes. Ter uma fábrica de baterias elétricas aqui, por exemplo, seria interessante.”

Mineração deve ser um novo capítulo nas relações Brasil-China nos investimentos”

— Tulio Cariello

O estudo destaca que o perfil dos investimentos chineses no Brasil é particularmente relevante considerando a ambiciosa política de descarbonização de Pequim. A China, aponta o levantamento, lidera o desenvolvimento e a fabricação de diversos produtos ligados à transição energética, o que tem como vetor o aumento da demanda por minerais críticos.

Cariello lembra que o Brasil se destaca nesse cenário pela diversidade de minerais estratégicos que possui. Ele menciona levantamento da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) pelo qual o Brasil tem 26,5% das reservas globais de grafite, além de ser o segundo maior detentor de terras raras, com fatia de 23%, atrás somente da própria China.

A mineração, diz, também ajudou a interiorizar o investimento chinês no país, embora o grande vetor de diversificação geográfica, ainda seja o setor de eletricidade, principalmente por projetos de transmissão. O petróleo também contribui para isso, nota.

“Vimos uma participação maior dos Estados da região Norte agora, que foi a maior da história, em razão dos investimentos da China na região da Margem Equatorial, na foz do Amazonas. São investimentos offshore e, portanto, em território da União, mas, como estamos falando de mar, esses Estados podem receber royalties e os investimentos vão gerar emprego e oportunidades para as pessoas da região também.”

Os investimentos chineses no setor de petróleo somaram US$ 804 milhões em 2025, valor 24% menor do que de 2024. Mesmo assim o setor ficou com 13,3% do total investido pela China no Brasil, ficando em quarto lugar. Um destaque no setor foi a petroleira CNPC, que adquiriu, em parceria com a americana Chevron, nove blocos em leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP), todos na região da foz do Amazonas.

O levantamento mostra que em 2025 também houve recorde no número de Estados com projetos de investimentos chineses. Foram 20 Estados no ano passado, contra 14 em 2024. O recorde anterior foi de 17, em 2019.

No terceiro lugar entre os setores com maior investimento chinês no Brasil em 2025, o automotivo abocanhou fatia de 15,8%. O estudo estima que o valor aportado no setor foi ao menos de US$ 965 milhões, um crescimento de 66% em relação ao ano anterior. O montante final, aponta o levantamento, pode ser superior, porque houve investimentos cujo valor não foi revelado.

Em 2025, o número de investimentos chineses no Brasil nas áreas de sustentabilidade e energias verdes - incluindo os setores hidrelétrico, solar, eólico e a indústria de carros eletrificados - chegou ao recorde de 31 projetos, registrando crescimento por cinco anos consecutivos. Apesar de ter aumentado em termos absolutos, a participação relativa desses segmentos no total de projetos caiu de 69%, em 2024, para 60%. A perda de fatia, porém, diz o levantamento, não indica redução de interesse por novos empreendimentos verdes. Na verdade decorreu de crescimento de aportes em outros setores em 2025, principalmente petróleo e mineração.

A perspectiva à frente, diz Cariello, é de manutenção dos investimentos chineses no Brasil em valores relativamente altos para os níveis históricos recentes.

“Devemos continuar vendo mais investimentos na área de eletricidade renovável, além de aportes na manufatura de forma geral, principalmente aquelas ligadas justamente à transição energética. Vemos o interesse de outros fabricantes de carros elétricos chineses em ter fábrica no Brasil, além daqueles que já estão produzindo ou já firmaram parcerias nesse sentido. E a mineração deve ser um novo capítulo nas relações Brasil-China na área de investimento.”

Infomoney - SP   07/05/2026

As ações da Vale (VALE3) registram ganhos nesta quarta-feira (6); às 10h18 (horário de Brasília), os ganhos eram de 3,23%, a R$ 80,92.

Em destaque, os contratos futuros do minério de ferro subiram na retomada das negociações no mercado da China após o feriado do Primeiro de Maio, com a expectativa de que a demanda pela matéria-prima siderúrgica aumente no verão em meio à recuperação das atividades de construção e à retomada da produção dos altos-fornos.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 2,84%, a 816 iuanes (US$119,67) a tonelada. O minério de ferro de referência de junho na Bolsa de Cingapura avançava 1,93%, a US$110,60 a tonelada.
A demanda por aço deve aumentar após o feriado de cinco dias na China, com os altos-fornos provavelmente retomando as operações após manutenções durante os feriados, disse a corretora chinesa Galaxy Futures em nota no WeChat.

Os preços do minério de ferro também foram sustentados pelo aumento da volatilidade dos preços do carvão metalúrgico e do coque, impulsionados pela maior demanda de energia com a aproximação do verão, disse a Galaxy Futures.

Ainda em destaque, o BTG Pactual elevou o preço-alvo das ações VALE3 de R$ 85 para R$ 90, reforçando recomendação de compra.

O banco incorporou maior visibilidade nos projetos de cobre e atualização de premissas de preços e custos, passando a refletir melhor execução operacional, maior segurança operacional e retorno de caixa consistente, com yield entre 8% e 10%.

Além disso, ressalta que a principal mudança no modelo foi a elevação da projeção de produção de cobre no longo prazo para 500 mil toneladas por ano, ante 380 mil toneladas anteriormente, com potencial de adicionar cerca de 10% ao valor de mercado.

Em minério de ferro, a visão permanece construtiva, com preços resilientes acima de US$ 100 por tonelada, apoiados por fundamentos equilibrados de oferta e demanda e custos mais altos na indústria. “A inflação de custos observada no trimestre é vista como conjuntural e amplamente compensada pelo ambiente favorável de preços, sem comprometer o guidance”, avalia.

A gestão reforçou foco na desalavancagem e indicou espaço para acelerar recompras ou dividendos extraordinários caso a dívida líquida fique abaixo de US$ 15 bilhões. Mesmo após forte valorização no ano, a companhia segue negociando a valuation atrativo, com yield de 9% e múltiplo de 4,4 vezes o EV (valor da firma)/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações).

Na véspera, o Bradesco BBI havia reiterado recomendação de compra para a Vale, destacando também a resiliência dos preços do minério.

Máquinas e Equipamentos

Infomoney - SP   07/05/2026

A Whirlpool registrou prejuízo líquido de US$ 85 milhões no primeiro trimestre de 2026, ou US$ 0,56 ajustado por ação. A previsão de especialistas da FactSet era de lucro de US$ 0,38 por ação. Para todo o ano de 2026, a Whirlpool prevê um ganho por ação entre US$ 3 e US$ 3,50.

A empresa, dona das marcas Brastemp, Consul e B.blend no Brasil, obteve receita de US$ 3,27 bilhões nos três primeiros meses do ano, uma queda de 9,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. O valor também ficou abaixo das estimativas, de US$ 3 44 bilhões.

No comunicado divulgado nesta quarta-feira, a Whirlpool citou uma queda “em níveis de recessão” da indústria nos Estados Unidos com a guerra no Irã e o “colapso” da confiança do consumidor no final dos meses de fevereiro e março.

“Agimos de forma decisiva para lidar com preços e custos diante da rápida deterioração das condições macroeconômicas. Agora, com as mudanças da Seção 232 em favor dos fabricantes nacionais, a Whirlpool Corporation está estruturalmente posicionada para vencer com nossos produtos fabricados nos EUA”, declarou o CEO Marc Bitzer. A Seção 232 impôs tarifas sobre materiais como aço, cobre e alumínio importado pelos Estados Unidos.

Em reação aos resultados, a ação da Whirlpool caiu 17,76% por volta das 17h45 (de Brasília), no after hours.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   07/05/2026

Honda optou por suspender o investimento por tempo indeterminado e iniciou negociações com o governo canadense

A Honda Motor decidiu congelar os planos de construir uma fábrica de veículos elétricos no Canadá diante da demanda fraca nos Estados Unidos, reforçando a aposta da montadora em híbridos para o mercado norte-americano.

A empresa japonesa já havia adiado em dois anos, em maio do ano passado, a construção da fábrica de veículos elétricos e de uma unidade de baterias em Ontário. O projeto, anunciado originalmente em abril de 2024, previa início das operações em 2028.

Agora, avaliando que as condições do mercado dificilmente melhorarão no curto prazo, a Honda optou por suspender o investimento por tempo indeterminado e iniciou negociações com o governo canadense. O cancelamento definitivo da iniciativa também passou a ser considerado, dependendo dos rumos das políticas para veículos elétricos na América do Norte.

A montadora planejava investir 15 bilhões de dólares canadenses (US$ 11 bilhões) no complexo industrial, que teria capacidade para produzir 240 mil veículos por ano, além de baterias. A Honda já havia adquirido o terreno e receberia incentivos financeiros do governo canadense.

O projeto foi concebido para aproveitar os créditos tributários para compra de veículos elétricos criados pela Lei de Redução da Inflação, aprovada em 2022 durante o governo do então presidente Joe Biden. Os incentivos, porém, foram revogados em setembro durante a gestão do presidente Donald Trump, o que elevou em cerca de 20% os preços de modelos elétricos nos EUA, incluindo veículos da Tesla.

Além disso, em dezembro, os EUA flexibilizaram as exigências médias de eficiência de combustível para montadoras, reduzindo a necessidade de ampliar rapidamente a produção de elétricos. As tensões comerciais entre Washington e Ottawa também aumentaram a incerteza para investimentos no setor.

As vendas de veículos elétricos nos EUA caíram 36% no trimestre de outubro a dezembro na comparação anual. Ao mesmo tempo, os híbridos ganharam espaço: sua participação nas vendas de carros novos saltou de 11% para um recorde de 19%.

A Honda encerrará ainda neste ano a produção do Prologue EV, desenvolvido em parceria com a General Motors. As vendas do modelo serão concluídas quando os estoques forem esgotados. Lançado em 2024, o veículo exigiu altos incentivos pagos às concessionárias para sustentar as vendas.

No ano passado, a montadora também encerrou a produção do Acura ZDX EV. Em março, cancelou o desenvolvimento de três modelos elétricos voltados para a América do Norte, incluindo dois veículos da linha Série 0. A empresa estima um impacto negativo de até 2,5 trilhões de ienes (US$ 15,6 bilhões) no ano fiscal de 2026 devido à revisão da estratégia de eletrificação.

A Honda também pretende reduzir o investimento global planejado em eletrificação e software até 2030, atualmente estimado em 7 trilhões de ienes, ao mesmo tempo em que reformula sua estratégia para a América do Norte com foco maior em híbridos.

Apesar disso, a companhia ainda poderá fabricar elétricos nos EUA usando instalações em Ohio. Até 2025, a montadora investiu US$ 1 bilhão para adaptar linhas de produção capazes de fabricar veículos a gasolina, híbridos e elétricos simultaneamente.

A fábrica de baterias construída em Ohio em parceria com a LG Energy Solution também será adaptada para produzir baterias destinadas a híbridos e sistemas de armazenamento de energia. A Honda assumirá os ativos da joint venture e poderá alternar a produção entre baterias para híbridos e elétricos conforme mudanças regulatórias e de mercado.

As vendas globais da Honda caíram 8% no ano passado, para 3,52 milhões de veículos. Na China, as vendas estão cerca de 60% abaixo do pico registrado em 2020, em meio à forte concorrência de fabricantes locais. Já a América do Norte respondeu por mais de 40% das vendas globais da empresa, impulsionada pela demanda robusta por veículos híbridos e a combustão.

Outras montadoras também vêm revisando seus planos para veículos elétricos na América do Norte. A Nissan Motor cancelou projetos de dois modelos elétricos no Mississippi, enquanto Ford Motor Company, General Motors e Stellantis interromperam projetos ou registraram baixas contábeis ligadas ao segmento.

A Honda deve detalhar ainda neste mês sua nova estratégia para a América do Norte, além de apresentar medidas para conter perdas na China e ampliar a presença na Índia.

A revisão da estratégia para elétricos ocorre apesar do crescimento global do setor. Segundo a consultoria MarkLines, as vendas globais de veículos elétricos e híbridos plug-in cresceram 18% em 2025, para 18,12 milhões de unidades. A alta dos preços dos combustíveis em meio às tensões no Oriente Médio também vem reforçando o interesse por eletrificação em vários mercados.

CNN Brasil - SP   07/05/2026

Os números do Auto Show Beijing, o Salão de Pequim, impressionam: 1.451 carros expostos, sendo 181 modelos de estreia mundial e 71 carros-conceito. Mas a 19.ª edição da mostra chinesa revelou muito mais do que carros inéditos ou apontamentos para o futuro: evidenciou que o abismo entre algumas marcas locais e montadoras tradicionais - do Ocidente e até do Oriente - é grandioso e pode aumentar ainda mais.

Um olhar rápido sobre os números do salão já indica uma diferença da nova ordem mundial do mercado automotivo. Entre os 1.451 carros expostos nos 380 mil metros quadrados do evento, apenas 71 eram conceitos.

Quem já tem uma certa rodagem em salões automotivos lembra que o futuro dominava os eventos. As montadoras aproveitavam o olhar dos jornalistas nas prévias e do público, durante a mostra, para avaliar indicações de design, novas tecnologias e outros aspectos dos carros-conceito.

Era um tipo de laboratório para as marcas traçarem os planos de médio e longo prazo. As estreias mundiais eram poucas e nunca superiores aos conceitos. E encontrar carros de produção à mostra era como achar um unicórnio. Tanto Pequim nesse ano, como Xangai em 2025, indicaram que a velocidade da indústria automotiva mudou e para sempre.

Nova ordem da indústria automotiva

Ficou claro que não dá mais para esperar oito ou dez anos para lançar numa nova geração de um carro. Não dá para soltar um conceito e esperar anos para torná-lo carro de produção. O relógio da indústria automotiva acelerou com os chineses.

Modelos que vimos como apontamento para o futuro no Shanghai Auto Show de 2025 já estão sendo vendidos em diversos mercados pelo mundo, inclusive o Brasil. Tecnologias de eletrificação que pareciam que iriam demorar anos para estrear já estão nas ruas.

Essa é a nova ordem mundial da indústria automotiva. Em dois anos tudo muda. Tecnologias avançam, a eletrificação acelera em ritmo alucinante, baterias ganham cada vez mais autonomia, sistemas de segurança protegem ainda mais e os carros que eram do futuro estão no presente.

As montadoras tradicionais precisam entrar no ritmo chinês para poderem acompanhar essa velocidade cada vez menor entre o conceito e o modelo de produção. Não tem outra fórmula.
Como acompanhar o ritmo dos chineses?

Uma alternativa para entrar no ritmo dessa dança frenética é fazer par com os chineses. Muitas montadoras tradicionais estão adquirindo ou fazendo joint venture (empreendimento conjunto, em tradução) com marcas da China para poderem entrar no passo da nova ordem.

E como fica o Brasil nessa engrenagem? Pelo que vi em Pequim, deixamos de ser coadjuvantes e viramos o “mercado-alvo” para as principais montadoras chinesas. Além das tantas marcas que já estão no país, pelo menos outras seis vão estrear em solo nacional ainda em 2026.

O brasileiro gostou desse ritmo acelerado dos chineses. Somos famintos por novas tecnologias porque por muitos anos fomos carentes nisso. Algumas montadoras renomadas “empurravam qualquer coisa” porque o brasileiro comprava. Mas isso mudou. O brasileiro sabe o que há de moderno porque isso agora está na prateleira dele. E com preço competitivo. É só “esticar o braço” e pegar.

Se algumas montadoras tradicionais insistirem em oferecer “quaisquer coisa” esperando que isso vá para as garagens brasileiras poderão ver esse abismo com os chineses aumentar ainda mais. O que ficou de positivo desse Salão de Pequim foi ver que algumas dessas gigantes centenárias da industria automotiva já acordaram e viram que precisam entrar na nova ordem mundial. Estão correndo atrás, mas podem muito bem se recuperar nessa maratona de alta velocidade.

A Tribuna - SP   07/05/2026

A briga acirrada pelo mercado e a grande quantidade de lançamentos — mais de uma dezena de novidades neste ano —, especialmente das marcas chinesas, a preços competitivos, têm feito com que a cotação dos automóveis se mantenha em níveis estáveis, mesmo com a chegada de modelos cada vez mais tecnológicos.

É o que mostra levantamento da Bright Consulting. No ano passado, por exemplo, o preço médio dos automóveis subiu apenas 0,5%, ante uma inflação oficial de 4,26%.

Em 2016, o valor médio de carros novos no Brasil era de R$ 113,2 mil. O período da pandemia foi responsável por uma disparada nos preços. Os valores públicos dos veículos novos saltaram de R$ 117,9 mil em 2019 para R$ 128,3 mil em 2020, alta de 8,8%, e continuaram subindo: R$ 150,2 mil em 2021 (aumento de 17%) e R$ 160,5 mil em 2022, mais 6,9% de aumento.

O período pós-pandemia coincide com a chegada das chinesas. A BYD começou a vender seus veículos em 2022, e a GWM colocou os primeiros veículos nas ruas brasileiras em 2023.

A partir daí, os dados indicam uma mudança. Desde 2022, os valores médios se mantiveram na faixa dos R$ 160 mil. Os preços continuam subindo, mas em ritmo bem mais lento. Em 2025, os preços ficaram em R$ 168.9 mil, alta de 0,5% em relação a 2024. Neste ano, o levantamento aponta uma média de R$ 169,3 mil, aumento de apenas 0,2%.

Basta ver os preços dos lançamentos chineses para entender como as montadoras tradicionais estão sendo pressionadas. O novo Caoa Chery Tiggo 5X parte de R$ 124,9 mil na versão Sport, com painel integrado de 20,5 polegadas, ajustes elétricos do banco do motorista, seis airbags, sensores de obstáculos traseiro e dianteiro, entre outros itens.

O GAC GS3 é outro exemplo. O modelo com motor 1.5 Turbo a gasolina de 170 cv parte de R$ 139,9 mil. A versão topo, com teto solar panorâmico e pacote de assistência à condução (Adas, na sigla em inglês), custa R$ 159,9 mil.

Força chinesa
Ex-presidente da Anfavea, a associação das montadoras instaladas no Brasil, e atualmente consultor, Rogélio Golfarb prevê que, em dez anos, um em cada três veículos vendidos no País será de alguma marca chinesa.

A participação dos chineses, que foi de 10% no ano passado, deve dobrar para 20% em 2030, e chegar a 35% no País em 2035, conforme as projeções de Golfarb.

“As marcas chinesas estão ganhando espaço, independentemente do crescimento do mercado, pela vantagem competitiva que as outras não têm”, comentou Golfarb, durante encontro com jornalistas em São Paulo.

Também contribuem, em menor medida, subsídios do governo e prazos mais longos — de até 200 dias — para pagamento de fornecedores. “Todo mundo acha que a grande competitividade chinesa é o incentivo. Não é. Integração e escala são 88%”, disse Golfarb.

Ele frisa que as marcas chinesas que estão desembarcando no Brasil são montadoras de grande escala e que não vão desaparecer “Recebemos o dream team. Vieram ao Brasil empresas de peso”.

Exemplo
Para mostrar de onde vem a vantagem de custo chinesa, Rogélio Golfarb fez uma comparação entre um sedã elétrico da Tesla, o Model 3, com um modelo similar de uma marca chinesa, ambos produzidos na China. O carro chinês custa cerca de US$ 4 mil a menos, graças sobretudo às economias geradas pela maior integração produtiva (US$ 2,4 mil) e pela escala (US$ 1,8 mil).

FERROVIÁRIO

A Tribuna - SP   07/05/2026

Estudos do Plano Estratégico Ferroviário do Estado de São Paulo (PEF-SP) consideram a possibilidade de haver uma ligação ferroviária entre Cajati, no Vale do Ribeira, e Curitiba, capital do Paraná. Em nota técnica, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) informam que a proposta integra o planejamento de longo prazo do setor, mas ainda depende de análises e não representa, até o momento, um projeto definido ou com implantação confirmada.

Se ela for levada adiante, essa linha também será útil para a população da Baixada Santista, pois, como está em desenvolvimento o trem que ligará Santos e a Baixada Santista a Cajati, permitirá ir do litoral de São Paulo até o Paraná por meio do transporte ferroviário.

O Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP 2050), coordenado pela Semil, é o principal instrumento de planejamento de longo prazo voltado à integração dos diferentes modais de transporte e à orientação dos investimentos públicos e privados no Estado. Nesse contexto, segundo a nota técnica, o PEF-SP, desenvolvido pela CPTM em cooperação com a Semil, organiza o planejamento do setor ferroviário e analisa como a malha paulista se integra de forma sistêmica a corredores logísticos, eixos de desenvolvimento e conexões entre regiões.

O PEF-SP segue uma abordagem em rede, que considera a integração da malha ferroviária paulista com outras conexões de interesse logístico e regional, inclusive com outros estados, como já ocorre em planos de infraestrutura e logística. A inclusão dessas ligações faz parte do campo de análise do planejamento e, por si só, não representa definição de implantação, prioridade de projetos ou qualquer decisão executiva, como é destacado pela secretaria.

Conexão com Santos e o litoral de São Paulo

Se o trem Cajati-Curitiba for executado, permitirá que quem estiver em Santos e na Baixada Santista chegue à capital do Paraná por meio de transporte ferroviário. Isso porque já está em desenvolvimento o projeto do trem entre Santos, no litoral de São Paulo, e Cajati, no Vale do Ribeira, interior do Estado.

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) apresentou novas atualizações sobre essa ligação ferroviária. A proposta do novo trem prioriza o modelo de uso misto da linha, com transporte de passageiros e cargas, conectando a Baixada Santista ao Vale do Ribeira.

O projeto do trem prevê uma ferrovia de 233,6 quilômetros de extensão, com 13 estações ao longo do trajeto. Entre as cidades atendidas estão São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, além de Registro e Cajati, no Vale do Ribeira.

A estimativa de demanda permanece entre 28 mil e 32 mil passageiros por dia, número que reforça o potencial do serviço para a mobilidade regional. Além disso, o estudo prevê o transporte de aproximadamente 600 contêineres diários, indicando forte vocação logística da ferrovia.

De acordo com o Plano de Investimentos da CPTM, uma das metas é iniciar o desenvolvimento efetivo do projeto ainda neste ciclo, com a implantação de um serviço regional. A expectativa da diretoria é avançar nas próximas etapas técnicas em 2026.

Entre os próximos passos está a elaboração de um mapa-síntese do traçado, com base em levantamentos aerofotogramétricos, além de ajustes no projeto. A previsão é que essa fase seja concluída até 2028, permitindo o avanço para etapas posteriores.

Diário do Comércio - MG   07/05/2026

Belo Horizonte sediou nesta quarta-feira (6) o 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), reunindo autoridades públicas, representantes da indústria e operadores logísticos para discutir a retomada do setor ferroviário no Brasil e os impactos esperados para as economias mineira e nacional.

O encontro, realizado na sede da entidade, destacou o avanço dos investimentos previstos para a infraestrutura ferroviária, a necessidade de ampliar a capacidade logística do País e o papel estratégico de Minas Gerais como principal corredor de integração entre regiões produtoras e os portos brasileiros.

Durante o evento, o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alexandre Baumgartner, afirmou que Minas Gerais concentra hoje uma das maiores carteiras de investimentos em infraestrutura do País. Segundo ele, estão previstos cerca de R$ 100 bilhões em aportes no Estado, sendo R$ 62,5 bilhões em rodovias e aproximadamente R$ 38 bilhões em projetos ferroviários.

Baumgartner destacou que os investimentos incluem a renovação de contratos ferroviários, projetos de recuperação de malhas e novas concessões com horizonte de 30 anos.

Para ele, o fortalecimento da logística ferroviária é indispensável diante do crescimento da produção nacional. “Temos uma previsão de aumento da safra de 40% nos próximos dez anos e queremos ter condições de escoar toda essa produção. Minas Gerais é um ponto central dessa integração logística”, afirmou.

O diretor da ANTT avaliou que o transporte ferroviário perdeu espaço ao longo das últimas décadas em função da priorização das rodovias, mas defendeu que o cenário atual exige uma mudança no modelo logístico brasileiro.

Segundo ele, o crescimento econômico do interior do País tornou as longas distâncias um desafio cada vez maior para o transporte de cargas exclusivamente por caminhões. “As estradas já não suportam mais a quantidade de veículos pesados. Um único trem pode substituir entre 800 e 900 caminhões”, ressaltou.
Modal ferroviário é mais barato, seguro e sustentável, diz ANTF

O presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), David Barreto, reforçou a importância estratégica do setor para a indústria e para a economia nacional. Segundo ele, o transporte ferroviário apresenta vantagens operacionais relevantes em comparação ao modal rodoviário, especialmente em custos, segurança e sustentabilidade ambiental.

“O custo médio do transporte ferroviário pode chegar à metade do rodoviário. O nível de acidentes é cerca de dez vezes menor e as emissões são significativamente reduzidas”, afirmou.

Barreto destacou, no entanto, que a expansão da malha ferroviária ainda enfrenta obstáculos relacionados aos elevados custos dos projetos. De acordo com ele, um quilômetro de ferrovia custa em torno de R$ 20 milhões, enquanto uma locomotiva também pode atingir esse valor e cada vagão custar cerca de R$ 1 milhão.

Mesmo diante dos desafios, o dirigente afirmou que o setor vive um momento de retomada. Segundo ele, 2025 registrou o maior volume de investimentos ferroviários da série histórica, próximo de R$ 20 bilhões.

“A perspectiva é continuar crescendo, tanto com contratos já existentes quanto com novas concessões. O desafio agora é unir setor privado, poder público e indústria para transformar o transporte ferroviário em uma realidade ainda mais forte no Brasil”, disse.

O Estado de S.Paulo - SP   07/05/2026

O governo paulista deu mais um passo para tirar do papel a retomada do transporte de passageiros por trilhos entre São Paulo e Sorocaba, desativado há quase três décadas. A Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado (SPI) aprovou a modelagem final do Trem Intercidades (TIC) Eixo Oeste, que vai ligar a capital paulista ao município do interior.

Nesse projeto, o governo pretende adotar uma nova modalidade de licitação - o diálogo competitivo com o mercado - em que os investidores são ouvidos antes do lançamento do edital definitivo. O novo modelo já é usado em países europeus, mas ainda é inédito no Brasil. A modalidade foi submetida à consulta pública, mas ainda precisa passar pelos conselhos dos programas de parcerias e desestatização do governo.

O edital deve ser lançado até o final deste ano. O leilão e a assinatura de contrato estão previstos para 2027.

O último trem de passageiros entre São Paulo e Sorocaba circulou há 27 anos, quando os trens de longo percurso pararam de operar pela linha da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS). Na época, por causa das muitas paradas, a viagem levava cerca de 3 horas. Desde então, esse transporte é feito quase que exclusivamente por rodovias. A viagem de ônibus leva em média 2 horas. O futuro trem expresso vai fazer o percurso em no máximo 1 hora.

O projeto do TIC Sorocaba prevê 88,7 quilômetros de extensão e cinco estações, com integração ao sistema metropolitano em pontos estratégicos como Água Branca, Carapicuíba e Amador Bueno. O trem expresso fará o percurso direto entre as estações de Sorocaba e São Paulo. Já o trem parador fará pausas em São Roque, Amador Bueno e Carapicuíba, que ficam no percurso.

A estimativa é de atender cerca de 50,2 mil passageiros por dia útil até 2050. Em Sorocaba, haverá ainda uma nova conexão com o futuro Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O projeto do VLT de Sorocaba é do governo estadual e deve ter 25 km de rede conectando as zonas leste e oeste, com 13 estações planejadas. A expectativa é de que o leilão aconteça em 2028.

O TIC Eixo Oeste prevê investimento de R$ 10,5 bilhões. O projeto será estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), com recursos dos setores privado e público e prazo de 30 anos. Está prevista a compra de 15 novos trens e a implementação completa da infraestrutura ferroviária.

Como vai funcionar?

A tarifa será proporcional ao trecho viajado, sendo o teto de R$ 45 para o passageiro que fizer a viagem completa (Sorocaba-São Paulo). Estão previstas viagens a cada 15 minutos no serviço parador em dias úteis, além de cerca de uma viagem a cada hora no serviço expresso.

“A tarifa é quilométrica, quem anda menos paga menos. Quem anda de ponta a ponta, de Sorocaba a São Paulo, paga a tarifa inteira, de no máximo R$ 45, que é um valor competitivo com o que se paga no ônibus. Quem faz um trecho intermediário paga pelo trecho”, diz Augusto Almudin, diretor da Companhia Paulista de Parcerias da SPI.

Segundo ele, a nova ferrovia acompanhará o traçado da antiga linha férrea. “Sempre que possível vamos aproveitar a faixa de domínio existente que, na sua maioria, está livre e desimpedida. Precisa refazer os trilhos, dormentes, rede aérea, construir de novo uma linha onde hoje tem um leito ferroviário desativado. Não dá para utilizar 100% da antiga Estrada de Ferro Sorocabana porque ela é muito sinuosa. Para cumprir o tempo de viagem de uma hora, será preciso retificar alguns trechos do traçado anterior”, diz.

De acordo com Almudin, o TIC vai facilitar a ligação entre a região metropolitana de Sorocaba e a de São Paulo, que hoje enfrenta gargalos logísticos. “O projeto pretende resolver um gargalo de trânsito que a população de Sorocaba enfrenta todo dia, sobretudo quem trabalha ou estuda em São Paulo ou vice-versa. A gente sabe que as rodovias que hoje conectam Sorocaba e São Paulo são quase uma avenida. Tanto a Castello Branco quanto a Raposo Tavares são estruturalmente complicadas, então o TIC é inadiável.”
Estações do trem São Paulo - Sorocaba

Estação Água Branca - Localizado no bairro Água Branca, zona oeste de São Paulo, a estação está em reforma para ser um hub metroferroviário. Atualmente atende a Linha 7-Rubi da CPTM, mas se integrará à Linha 6-Laranja do Metrô e aos Trens Intercidades Campinas e Sorocaba. O TIC-Eixo Norte (São Paulo-Campinas) está em obras, com previsão de operar em 2031.

Estação Carapicuíba - Fica na região central da cidade e fará integração do trem Intercidades com a Linha 8-Diamante.

Estação Amador Bueno - Em Itapevi, na Grande São Paulo, fará integração do Intercidades com a Linha 8-Diamante de trens metropolitanos.

Estação São Roque - Fica no bairro da Estação, próximo do centro da cidade do interior. O prédio atual será requalificado.

Estação Sorocaba - O prédio histórico, inaugurado em 1875, no centro, será restaurado. O ponto de integração com o futuro VLT ainda será definido.

Controle dos impactos

O especialista em planejamento urbano Ivan Maglio, pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) vê como uma boa notícia a retomada do transporte de passageiros de longa distância no Estado para reduzir a dependência do modal rodoviário.

Ele aprova as condições gerais já conhecidas do projeto, como velocidade e tarifa do TIC-Eixo Oeste, mas considera importante realizar uma avaliação estratégica para orientar o planejamento urbano e ambiental dessa região.

“Vai estimular a urbanização, principalmente no entorno das estações que se potencializam como centralidades. Dessa forma, são recomendadas medidas para controlar os impactos e preservar o meio ambiente e em especial a vegetação e os recursos hídricos para garantir resiliência às mudanças climáticas”, diz.

A SPI diz que todos os impactos serão considerados durante os estudos para licenciamento da obra.

O que é diálogo competitivo?

O modelo de “diálogo competitivo” - novo tipo de licitação que deve ser adotado no projeto - permite que empresas previamente selecionadas participem de uma fase de discussões com o governo, contribuindo para as soluções técnicas antes da apresentação das propostas finais. O modelo substitui a modalidade de concorrência internacional utilizada até agora para obras de porte.

O processo acontece em etapas. Primeiro, é feita uma pré-seleção de empresas ou consórcios com capacidade técnica e financeira para desenvolver o projeto. Em seguida, esses participantes entram na fase de diálogo com o Estado, em que são discutidas e apresentadas alternativas de engenharia, operação, modelagem contratual e estrutura financeira.

Esta fase começa no segundo semestre deste ano e vai até o primeiro semestre de 2027. Com base nessas contribuições, o projeto é consolidado. Só então é aberta a fase competitiva, na qual os participantes apresentam suas propostas finais. Segundo o governo, esse formato reduz incertezas, melhora a qualidade do projeto e amplia a competitividade da licitação, ao permitir maior alinhamento entre o poder público e o mercado antes da disputa final.

No caso do TIC-Oeste, já houve uma fase de sondagem de mercado, que reuniu grandes operadores, construtoras e instituições financeiras nacionais e internacionais. As contribuições recebidas levaram a ajustes importantes, como a otimização do traçado para reduzir o tempo de viagem, a revisão de custos e melhorias na modelagem contratual.

Ao mesmo tempo, foram realizadas audiências públicas em São Paulo, São Roque e Sorocaba para receber sugestões da população, além de consultas públicas e de mercado que somaram mais de 500 contribuições. Segundo Almudin, as sugestões ajudaram a modelar o projeto e garantir maior aderência às necessidades reais dos usuários. “A partir desses subsídios a gente revisou o projeto e melhorou as técnicas de modelagem.”
Mecanismo para projetos complexos

Mestre em Direito Público e sócio do Willeman Advogados, Rodrigo Zambão explica que o “diálogo competitivo” ainda é um modelo novo no Brasil, mas foi inspirado em diretivas europeias de contratação pública e está previsto na Lei nº 14.133/2021. “Trata-se de mecanismo pensado justamente para projetos complexos, em que a administração pública não dispõe, desde o início, de todas as informações técnicas, operacionais ou econômico-financeiras necessárias para estruturar adequadamente a contratação”, diz.

Segundo ele, o Estado nem sempre tem condições de antecipar sozinho as soluções mais eficientes para empreendimentos em setores de infraestrutura, inovação e mobilidade urbana. Por isso, há um movimento contemporâneo de abertura de espaços de interação com o mercado, sem que isso signifique renúncia ao interesse público ou à competitividade. “O ‘diálogo competitivo’ procura criar um ambiente institucionalizado para que contribuições sejam incorporadas de forma transparente e organizadas antes da definição final do projeto”, diz.

Ele acrescenta que, a princípio, vê o instituto como um caminho possível e compatível com projetos de grande porte como o TIC-Eixo Oeste. “Se bem conduzida, a experiência pode contribuir para o amadurecimento institucional das contratações públicas brasileiras e abrir espaço para novas iniciativas semelhantes no cenário nacional.”

A SPI destaca que o eventual uso do “diálogo competitivo” terá caráter complementar, sendo aplicado apenas quando fizer sentido do ponto de vista técnico. As etapas já consolidadas de estudos, consultas e audiências públicas seguem como pilares do modelo paulista de parcerias.

Rodoviário

A Tribuna - SP   07/05/2026

O Tribunal de Contas da União (TCU) liberou a Autoridade Portuária de Santos (APS) para realizar aporte de recursos federais no âmbito da parceria público-privada (PPP) do túnel imerso Santos-Guarujá, no litoral de São Paulo. A quantia federal envolvida está em torno de R$ 2,6 bilhões. A revogação do impedimento temporário, ocorrido em 18 de março, foi aprovada na tarde desta quarta-feira (6) por unanimidade, em reunião ordinária da Corte de Contas, em Brasília.

“Não há obstes (entraves) por parte deste TCU à efetivação dos aportes federais em favor do projeto na forma proposta de depósito em conta vinculada (escrow account), acompanhado das cautelas de praxe para suas efetivações”, afirmou, em seu voto, o relator do processo, ministro Bruno Dantas. Trata-se de uma conta de depósito mantida por terceiros, normalmente uma instituição financeira, para garantir o cumprimento de acordos envolvendo grandes quantias.

O ministro, no entanto, deixou claro que "a efetiva liberação ou reembolso dos recursos depositados na referida conta fica condicionada à formalização do instrumento jurídico que regule a governança do aporte federal”.

A decisão justificou-se porque de, segundo o relator, ocorreu avanço no tema, embora ainda não tenha se chegado a um formato ideal, aliado a outra razão. “Recebi um apelo do Governo do Estado de São Paulo porque há necessidade de o aporte federal ser feito até a próxima semana, sob pena de descumprimento contratual”, revelou.

Detalhes
O contrato envolvendo o túnel imerso Santos-Guarujá foi celebrado em 28 de janeiro entre o Governo de São Paulo e a empresa portuguesa Mota-Engil, sem a presença da APS, responsável por 50% do aporte público da obra, o que propiciou o pedido em fevereiro por parte da empresa pública federal à Corte de Contas para figurar como interveniente no compromisso.

No entanto, a AudPortoFerrovia, unidade especializada do Tribunal de Contas da União (TCU) focada em fiscalizar infraestruturas portuárias e ferroviárias, havia concluído ser inadequada a inclusão da Autoridade Portuária de Santos.

O Estado é o poder concedente da obra e conduziu o processo licitatório. O leilão foi realizado por concessão patrocinada na modalidade de PPP. O custo previsto do túnel é de R$ 6,8 bilhões. Desse total, R$ 5,2 bilhões são recursos públicos, divididos entre Estado e União, com R$ 2,64 bilhões para cada. O valor restante será investido pela concessionária privada Mota-Engil, vencedora do processo licitatório.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   07/05/2026

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda-feira, 6, que o Estreito de Ormuz está liberado para “uma travessia segura e estável”.

“Agradecemos aos capitães e proprietários de navios baseados no Golfo Pérsico e no mar de Omã pela cooperação na travessia do Estreito de Ormuz em conformidade com as normas do Irã e pela participação adequada das embarcações na segurança da navegação na região”, disse a corporação em comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana Fars.

“Com o fim das ameaças dos invasores e diante de novos desdobramentos, será garantida a possibilidade de uma travessia segura e estável pelo estreito”, acrescentou.

O tom do comunicado foi mais ameno do que as declarações anteriores da Guarda Revolucionária e das autoridades iranianas. O Irã havia alertado anteriormente que navios que atravessassem o Estreito de Ormuz sem coordenação com Teerã sofreriam sanções.

Projeto Liberdade

A declaração ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a suspensão do Projeto Liberdade, iniciado na segunda-feira, 4, para ajudar a guiar navios por Ormuz.

Ele afirmou que a decisão foi “baseada no pedido do Paquistão e de outros países”, bem como no “enorme sucesso militar” e no “grande progresso” em direção a um acordo.

A via marítima estava bloqueada pelo Irã desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Antes da guerra, ela era uma das principais rotas do comércio marítimo global, por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial.

Trump disse nesta quarta-feira que, caso o Irã aceite o novo acordo, o conflito chegará ao fim. No entanto, o republicano também afirmou que, se Teerã não concordar com os termos propostos por Washington, o cessar-fogo será rompido.

Navegação

Antes da pausa nas operações navais de Washington na passagem estratégica, um navio-tanque para transporte de petróleo e produtos químicos, operado pela Crowley-Stena Marine Solutions, foi uma das embarcações de bandeira americana que deixaram o Golfo Pérsico na segunda-feira como parte do Projeto Liberdade. A empresa de navegação confirmou que o navio, o CS Anthem, passou em segurança pelo Estreito de Ormuz.

Outra empresa de navegação, a Maersk, afirmou anteriormente que seu navio cargueiro de veículos Alliance Fairfax saiu pelo estreito “acompanhado por militares dos EUA”.

Outras empresas de navegação e seguradoras consideraram a passagem muito perigosa para arriscar, mesmo com o apoio militar dos EUA. O General Dan Caine, Chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, apontou que cerca de 1.550 navios, transportando 22.500 marinheiros, estão presos no Golfo.

Um navio porta-contentores operado pelo Grupo CMA GGM sofreu danos ao ser atacado durante a travessia do Estreito de Ormuz na terça-feira, 5, segundo informações da empresa francesa de navegação.

Vários tripulantes ficaram feridos no ataque ao CMA CGM San Antonio, segundo a empresa, que não forneceu detalhes. Os tripulantes feridos foram retirados do navio e estão recebendo tratamento médico.
Negociação

Apesar da falta de consenso, a Casa Branca avalia que está próxima de um acordo com o governo iraniano e de abrir caminho para negociações nucleares mais amplas, segundo o site Axios.

De acordo com a publicação, o entendimento em discussão prevê um memorando com cerca de 14 itens, incluindo uma moratória no enriquecimento de urânio por parte do Irã, a suspensão gradual de sanções pelos Estados Unidos e a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados. Também está em negociação a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, afetada pelo conflito.

O documento marcaria o fim das hostilidades e abriria um período de cerca de 30 dias para tratativas mais detalhadas. Entre os temas estão limites ao programa nuclear iraniano, inspeções internacionais e garantias de que o país não buscará armas nucleares. Parte das medidas dependeria de um acordo final, o que mantém incertezas sobre a estabilidade do entendimento.

Uma fonte do Paquistão, país que atua como mediador, afirmou à agência Reuters que Estados Unidos e Irã estão perto de um entendimento e que as informações publicadas pelo Axios são precisas. “Vamos concluir isso muito em breve. Estamos chegando perto”, disse a fonte. O Paquistão sediou, no mês passado, as únicas negociações diretas até agora e segue intermediando propostas entre as partes.

Petro Notícias - SP   07/05/2026

O grupo norueguês DOF anunciou a assinatura de contratos de longo prazo com a Petrobrás para a construção e operação de quatro embarcações de suporte a veículos operados remotamente (ROV), que atuarão em atividades submarinas no Brasil. Os contratos terão duração de 12 anos e valor próximo de US$ 2 bilhões. A construção deverá ser realizada no estaleiro Navship, em Navegantes (SC). A previsão é que os dois primeiros navios sejam entregues em até quatro anos após a assinatura dos contratos, em linha com o cronograma de início das operações.

As embarcações serão utilizadas em operações de inspeção, manutenção e reparo submarino em águas profundas a partir de 2030. Os navios contarão com posicionamento dinâmico classe 2 e serão projetados com sistema híbrido de propulsão, utilizando etanol, diesel e baterias. Segundo a empresa, cada unidade terá cerca de 98 metros de comprimento, guindaste submarino, dois ROVs de classe de trabalho e capacidade de acomodação para até 58 pessoas.

“Estamos muito orgulhosos por conquistar esses contratos com a Petrobrás. Garantir contratos para novas embarcações com duração de 12 anos permite crescimento com baixo risco e renovação ambientalmente mais eficiente da frota, além de reforçar a posição da DOF como uma das líderes em serviços submarinos de inspeção, manutenção e reparo no mercado brasileiro”, afirmou o CEO do DOF Group, Mons S. Aase.

A companhia informou ainda que o financiamento deve contar com participação relevante de linhas locais de desenvolvimento. Os contratos e a operação das embarcações serão executados integralmente pela DOF Subsea Brasil. A empresa também avalia possíveis estruturas alternativas de propriedade para os navios como parte de sua estratégia financeira.

CNN Brasil - SP   07/05/2026

O Comando Central dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (6) que um petroleiro de bandeira iraniana foi impedido de entrar no Golfo de Omã ao disparar "vários projéteis" de um caça contra o leme da embarcação, quando esta tentava navegar em direção a um porto iraniano.

O navio-tanque M/T Hasna estava em águas internacionais a caminho de um porto iraniano no Golfo de Omã quando as forças americanas "emitiram vários avisos" informando que o navio estava violando o bloqueio americano em curso, disse o comando.

“Após a tripulação do Hasna ignorar repetidas advertências, as forças americanas desativaram o leme do petroleiro disparando vários tiros do canhão de 20mm de um caça F/A-18 Super Hornet da Marinha dos EUA, lançado do porta-aviões USS Abraham Lincoln (CVN 72)”, afirmou a publicação do CENTCOM no Facebook. “O Hasna não está mais em trânsito para o Irã.”

Os EUA e o Irã têm trocado ataques a tiros nos últimos dias, apesar do cessar-fogo em vigor há quase um mês, que autoridades americanas insistiram na terça-feira (5) que ainda estava em vigor.

O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, disse em uma coletiva de imprensa que o Irã atacou forças americanas mais de 10 vezes desde o início do cessar-fogo.

O presidente dos EUA Donald Trump afirmou em uma publicação nas redes sociais que, embora as negociações diplomáticas entre o Irã e os EUA estivessem progredindo, ele manteria o bloqueio americano aos portos iranianos.

PETROLÍFERO

Globo Online - RJ   07/05/2026

Em um desafio sem precedentes, a China intensificou sua disputa com os Estados Unidos sobre o petróleo do Irã ao ordenar que as empresas do país ignorem as sanções americanas, segundo a agência Bloomberg e o Wall Street Journal. A medida eleva a tensão entre as duas maiores economias do mundo e ameaça colocar um vasto setor bancário no meio do fogo cruzado, às vésperas de um encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para os dias 14 e 15 de maio.

No sábado, o Ministério do Comércio chinês determinou que as companhias não acatem as sanções americanas contra refinarias privadas vinculadas ao comércio de petróleo do Irã, incluídas aí a Hengli Petrochemical (Dalian) Refinery Co., sancionada no mês passado, e outras quatro empresas. Para isso, Pequim recorreu pela primeira vez a uma “regra de bloqueio”, criada em 2021 para neutralizar leis estrangeiras consideradas contrárias às normas internacionais ou que restrinjam o comércio.

A decisão marca uma mudança na postura chinesa. Embora frequentemente critique sanções unilaterais, Pequim vinha permitindo discretamente que grandes empresas seguissem as restrições americanas, para evitar impactos econômicos e preservar o acesso ao sistema financeiro dos EUA.

Agora, o governo sinaliza disposição de confronto.

— Isso envia uma mensagem de que a China está disposta a resistir ao que considera sanções unilaterais e injustas que prejudicam seus interesses — afirma Dylan Loh, professor da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura.

O movimento ocorre após Washington ampliar a pressão sobre o setor energético chinês. Em abril, os EUA impuseram sanções a uma unidade da gigante Hengli Petrochemical, acusada de comprar bilhões de dólares em petróleo iraniano. Autoridades americanas também alertaram que instituições financeiras podem ser punidas por facilitar transações ligadas a esse comércio.

A resposta chinesa coloca em risco bancos que operam com essas empresas, criando um cenário de incerteza no sistema financeiro. Instituições ligadas à Hengli e a outras empresas do setor buscam agora orientação de reguladores, enquanto tentam avaliar como cumprir — ou ignorar — as determinações conflitantes de Pequim e Washington.

A chamada “regra de bloqueio” permite que empresas chinesas deixem de cumprir sanções estrangeiras e solicitem proteção do governo caso enfrentem prejuízos. As refinarias afetadas vinham sofrendo congelamento de ativos e restrições a transações.

Analistas avaliam que a medida também faz parte de uma estratégia mais ampla de Pequim para ampliar seus instrumentos de pressão econômica.

— Assim como muitos não sabiam que os EUA tinham tantas ferramentas de coerção econômica, a China agora está mostrando que também tem seus próprios mecanismos — diz Damien Ma, diretor do centro de pesquisa Carnegie China.

Nos últimos meses, o governo de Xi Jinping tem ampliado o uso dessas ferramentas, que vão de restrições a minerais estratégicos ao bloqueio de negócios envolvendo empresas estrangeiras. Na semana passada, Pequim barrou a compra da startup de inteligência artificial Manus pela Meta por US$ 2 bilhões, mesmo após o acordo já ter sido fechado.

Ao mesmo tempo, a China busca proteger uma área estratégica de sua economia. O país é o maior comprador de petróleo iraniano, embora oficialmente Pequim não compre o combustível do Irã — desde 2023, as autoridades alfandegárias chinesas não registram importações daquele país do Oriente Médio. Grande parte do petróleo iraniano — que correspondeu a 12% do consumo total da China em 2025 — é adquirida de forma indireta por refinarias privadas, que transformam o produto em combustíveis e derivados.

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Esse setor depende menos do sistema financeiro americano do que grandes estatais, uma vez que as empresas a ele vinculadas têm menos bens no exterior e igualmente menos a perder se forem isoladas do sistema bancário americano. No entanto, o setor mantém vínculos estreitos com bancos chineses, o que amplia o risco de impacto caso os EUA expandam sanções.

— Se Washington estender sanções a essas instituições, Pequim provavelmente responderá com medidas mais duras — apontam analistas do Eurasia Group.

A movimentação ocorre às vésperas de um encontro entre Trump e Xi, previsto para a próxima semana. Segundo especialistas, Pequim tenta evitar que os EUA usem sanções como instrumento de pressão nas negociações.

— A estratégia é forçar uma redefinição das negociações antes de uma reunião presencial entre líderes — afirma Feng Chucheng, da consultoria Hutong Research.

Apesar da retórica mais firme, autoridades chinesas indicam que a resposta busca calibrar o confronto, e não ampliá-lo de forma imediata. O objetivo central é anular os efeitos das sanções dentro do território chinês, sem recorrer, por ora, a medidas mais agressivas de retaliação.

Petro Notícias - SP   07/05/2026

A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra Irã pode acabar? O mercado está acreditando que um acordo está perto de ser assinado nas próximas 48 horas. Apenas esta informação fez o preço do barril do petróleo Brent desabar para US$ 89,90 esta manhã. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que suspenderia brevemente a operação de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz, citando “grandes progressos” rumo a um acordo abrangente com o Irã. Os principais pontos incluem o levantamento, por ambos os países, dos respectivos bloqueios ao Estreito de Ormuz em troca da remoção das sanções americanas e do compromisso do Irã com uma

A espere por um milagre

moratória de 15 anos sobre o enriquecimento de urânio. Os Estados Unidos e o Irã estão perto de finalizar um memorando para terminar o conflito entre os três países. A origem desta informação veio de uma fonte paquistanesa, envolvida na negociação de paz que o Paquistão está intermediando há pelo menos um mês, e também de uma fonte da Secretaria de Estado dos Estados dos Unidos “Vamos concluir isso muito em breve. Estamos chegando perto“, disse a fonte, acrescentando que o Ministro das Relações Exteriores do Paquistão está trabalhando para garantir que o acordo leve a um “fim permanente” do conflito.

O vice JD Vance comandará a equipe americana

Os EUA esperam uma resposta iraniana em até 48 horas sobre os pontos principais de um memorando de entendimento de uma página com 14 itens. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano disse à CNBC na quarta-feira que a proposta estava sendo “avaliada”. O documento de uma página exigiria, segundo informações, o fim das hostilidades e o início de um período de negociação de 30 dias. Entre os pontos principais, está o levantamento dos respectivos bloqueios ao Estreito de Ormuz por ambos os países. O levantamento dos bloqueios ocorreria em troca da remoção das sanções americanas e do compromisso iraniano com uma moratória de 15 anos no enriquecimento de urânio. O Bloqueio Naval americano fará um mês no próximo domingo, com um prejuízo bilionário ( em dólares) para os iranianos que não conseguem nem enviar e nem receber qualquer mercadoria pelos seus portos. São US$ 450 milhões por dia.

O Irã também concordaria em transferir seu estoque de urânio altamente enriquecido para fora de suas fronteiras, potencialmente para os EUA. O documento representa o mais próximo que os dois países chegaram de um acordo desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, ressaltando que nenhum acordo foi finalizado ainda. O acordo final está condicionado a negociações futuras. O relatório também observou que vários termos-chave do potencial acordo permanecem condicionados a um futuro acordo final abrangente. As negociações sobre o assunto entre autoridades americanas e iranianas estão sendo conduzidas tanto direta quanto indiretamente, com Steve Whitkoff e Jared Kushner representando a equipe americana. Novas negociações podem ocorrer em Islamabad, no Paquistão, que faz fronteira com o sul do Irã, ou em Genebra, na Suíça. O secretário de Estado americano, Marco Rubio( direita), afirmou que as negociações com o Irã são “altamente complexas e técnicas”. “Precisamos de uma solução diplomática muito clara sobre os temas que eles estão dispostos a negociar e a extensão das concessões que estão dispostos a fazer de antemão para que valha a pena. Alguns dos principais líderes do Irã são “insanos”.

ATAQUES EM ORMUZ

Ontem, antes de ser anunciado como estavam o andamento das negociações, um navio francês foi atacado no Estreito de Ormuz, deixando vários tripulantes feridos. Os tripulantes feridos foram evacuados e estão recebendo atendimento médico, informou a empresa. O grupo francês de navegação CMA CGM informou hoje (6) que um de seus navios, “ O navio San Antonio, foi alvo de um ataque enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz, resultando em ferimentos entre os tripulantes e danos à embarcação.” O incidente, que segundo a CMA CGM é a mais recente interrupção na crucial rota de navegação durante o conflito no Oriente Médio. A guerra bloqueou centenas de embarcações e praticamente paralisou cerca de 25% do comércio global de petróleo.

A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, disse à jornalistas nesta quarta-feira que a França “não era de forma alguma o alvo do ataque”. A empresa se recusou a comentar mais sobre o incidente, embora tenha relatado no mês passado que uma de suas embarcações foi alvo de tiros de advertência no estreito, embora nenhum tripulante tenha ficado ferido. A empresa francesa é a terceira maior transportadora de contêineres do mundo e informou que 14 de seus navios ficaram retidos no Golfo Pérsico no início da guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã. Um desses navios, o CMA CGM Kribi, saiu do Estreito de Ormuz no início de abril. O destino do San Antonio, de bandeira maltesa, consta como Mundra, na Índia, segundo dados de navegação.

ATAQUE AO CURDISTÃO

O incidente ocorre depois que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ter atacado o campo de Surdash, uma área curda iraniana na região de Biban, onde vivem famílias de opositores curdos iranianos, com dois drones, afirmou a Diretoria de Segurança do Governo Regional do Curdistão. Não foram relatadas vítimas, de acordo com a direção de segurança. Moradores das cidades iranianas de Bandar Abbas, Qeshm e Sirik relataram ter ouvido explosões por volta das 4h da manhã, horário local, várias horas depois das explosões relatadas na região de Biban. Segundo a Students News Network, as autoridades provinciais confirmaram posteriormente que os sons foram causados por defesas aéreas interceptando drones. As autoridades acrescentaram que não houve impacto, danos ou explosão.

Valor - SP   07/05/2026

Société Générale vê estoques globais em 7,8 bilhões de barris, mas que número passa uma falsa sensação de segurança: níveis abaixo de 6,4 bilhões já provocariam estresse severo no sistema energético

Os estoques globais de petróleo ao redor do mundo giram em torno dos 7,8 bilhões de barris hoje. Na teoria, o número parece confortável e indica que os países poderiam acomodar o choque vivido atualmente por aproximadamente dois anos. No entanto, o patamar de segurança para que o sistema energético global não entre em estresse severo é de cerca de 6,4 bilhões de barris. Isso faz o cenário atual, segundo o Société Générale, indicar um perigo iminente e que pode levar a preços bem mais altos nas próximas semanas.

A equipe de estratégia de commodities do banco francês alerta que a ideia de que o petróleo está armazenado em um único tanque que pode simplesmente ser esvaziado para atender as necessidades de demanda é equivocada. “Ele está inserido em um sistema físico contínuo e fortemente interconectado. Se for retirado em excesso e rápido demais, o sistema entra em colapso muito antes de os estoques chegarem a zero”, notam os estrategistas.

Eles comparam o sistema global de petróleo a uma rede elétrica. Em teoria, a geração pode ser reduzida a zero, mas, na prática, o sistema precisa manter sua estabilidade geral. “Há um consenso esmagador de que os estoques de petróleo estão caindo a taxas historicamente rápidas, e um amplo entendimento de que os estoques são o principal mecanismo de equilíbrio do mercado de petróleo. O equívoco está na percepção de conforto em relação ao tamanho absoluto dos estoques globais”, afirmam.

Nos cálculos do Société, o ano de 2026 começou com mais de 8 bilhões de barris de estoques globais reportados, patamar que caiu para 7,8 bilhões de barris ao final de abril.

“Desse total, estimamos que aproximadamente 6,5 bilhões de barris estejam em terra e 1,3 bilhão de barris, no mar. Os estoques podem cair para cerca de 7,4 bilhões de barris em meados de maio e ficar abaixo de 7,3 bilhões de barris logo em seguida. Para colocar isso de forma clara: uma queda para cerca de 7,2 bilhões de barris corresponderia a níveis históricos de estresse operacional, enquanto 6,4 bilhões de barris representam um piso de instabilidade emergencial operacional”, notam.

A premissa atual do Société é a de que o Estreito de Ormuz começará a ser reaberto entre o meio e o fim de maio. No entanto, até que os navios voltem a navegar e considerando os tempos de viagem até os destinos usuais — que podem chegar a até 42 dias para o Golfo dos EUA —, o cenário implica que os estoques vão continuar a ser consumidos ao longo de junho e até o início de julho.

“Os níveis de estresse operacional para os países da OCDE, que estimamos em cerca de 3,4 bilhões de barris, estão apenas cerca de 200 milhões de barris abaixo da nossa projeção de 3,6 bilhões de barris para o fim de maio. Após maio, os estoques só começariam a se recompor em julho, dado o tempo necessário para retomar a produção, permitir a passagem de navios pelo estreito, alcançar os portos de destino, descarregar e reabastecer os estoques”.

Assim, se o Estreito de Ormuz não for reaberto em maio, países da OCDE ultrapassariam níveis históricos de estresse operacional logo em seguida. “Os mercados fora da OCDE sentiriam esse estresse muito antes — já em meados de maio — e poderiam cair para apenas 200 milhões de barris acima dos níveis de instabilidade emergencial operacional dentro do próprio mês”, alertam.

O estudo assinado por Michael Haigh, Benjamin Hoff e Jeremy Sellem aponta que em um choque tradicional de oferta, os primeiros barris a serem consumidos dos estoques são aqueles em trânsito e os armazenados em unidades flutuantes, já que são os mais fáceis de mobilizar e exigem pouca intervenção de política. Em seguida, os estoques comerciais em terra começam a cair. Após os estoques comerciais, as liberações coordenadas das reservas estratégicas (SPR) se intensificam.

“Em paralelo, a destruição de demanda se acelera à medida que os estoques se apertam e os preços sobem, podendo levar a uma queda na demanda próxima de 6 milhões de barris por dia no caso atual”, notam.

Com isso em mente, os estrategistas calcularam o total de reservas globais de petróleo e subtraíram os volumes que não podem ser consumidos das reservas de forma realista.

Eles afirmam que os governos não podem correr o risco de esgotar completamente as reservas estratégicas de petróleo, dadas as restrições políticas e os requisitos mínimos, o que deixa um piso global de SPR de cerca de 2,5 bilhões de barris. Já o petróleo em trânsito, embora tecnicamente utilizável, precisa continuar em movimento e, na prática, há uma indisponibilidade de cerca de 1,6 bilhão de barris no curto prazo.

Além disso, refinarias e terminais exigem estoques mínimos operacionais para funcionar, retirando outros 800 milhões de barris. Fundos de tanque e estoques inutilizáveis respondem por aproximadamente 500 milhões de barris, enquanto os oleodutos precisam permanecer cheios, imobilizando mais cerca de 300 milhões de barris. Por fim, as empresas precisam manter estoques de segurança para evitar interrupções, reduzindo o volume efetivamente disponível para cerca de 1,4 bilhão de barris.

Somadas todas as restrições, os profissionais chegaram ao número de que o piso do nível global de estoques é de 6,4 bilhões de barris. “O equívoco é achar que estoques medidos em bilhões garantem segurança. Não garantem. Além disso, os preços tendem a acelerar quando esse piso entra no horizonte, para conter ainda mais a demanda”, afirmam os profissionais do banco francês.

AGRÍCOLA

Valor - SP   07/05/2026

Atuação em nichos e maior flexibilidade favorecem negócios, dizem especialistas

Exportar no próximo semestre, pela primeira vez, está nos planos da Avine, empresa avícola instalada em Fortaleza (CE) prestes a completar 35 anos de atividade. Nos últimos dois anos, a produtora de ovos de galinha e codorna participou de feiras globais do setor alimentício com o objetivo de captar clientes internacionais, em especial de países do Golfo Pérsico. Com R$ 428 milhões de faturamento em 2025, a Avine quer ocupar a lacuna, nessa região, causada pelo descompasso entre a alta demanda da indústria de food service por ovos pasteurizados e o limitado fornecimento do produto, afirma Airton Carneiro Junior, CEO da Avine.

Apesar de constatar mais cautela dos importadores do Oriente Médio devido à guerra dos Estados Unidos com o Irã, o executivo mantém os planos de exportação para os países árabes. “Ainda assim, nossa estratégia de longo prazo permanece inalterada, com uma atuação mais intensiva, no curto prazo, na diversificação de mercados, com foco em oportunidades na África e na Ásia”, observa Carneiro.

O mercado internacional tem sido um destino cada vez mais procurado pelas empresas de médio porte do setor do agronegócio, segundo o coordenador do FGV Agro, Guilherme Bastos. “O número de empresas médias e grandes exportadoras do agronegócio cresceu de 1.025, em 2008, para 1.439 em 2025, uma expansão de 40,4% em 17 anos”, observa Bastos. “O valor das exportações desse grupo cresceu, no mesmo período, de US$ 18,8 bilhões para US$ 76,8 bilhões”.

Os dados fazem parte do Relatório Anual de Comércio Exterior por Porte de Empresas, produzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A pesquisa considera estatísticas agrupadas da Receita Federal, que não disponibiliza números exclusivos de exportadoras de médio porte. Na análise de Bastos, os dados sinalizam oportunidades reais para expansão de médias empresas no agronegócio, sobretudo em nichos como laticínios especializados, proteínas diferenciadas, insumos biológicos e serviços de tecnologia agrícola.

Com produção diária acima de 2 milhões de ovos, a Avine atende a redes varejistas, atacadistas e ao segmento de food service em diversos Estados do Norte e Nordeste. Vende ovos pasteurizados, tradicionais, caipiras, de galinhas livres de gaiolas (cage-free), enriquecidos com ômega-3 e vitamina E e linha para o público infantil. Para este ano, a avícola prevê faturar perto de R$ 460 milhões, 7,47% superior ao volume alcançado no ano passado.

Essa projeção é impulsionada por investimentos de R$ 100 milhões em ampliação da capacidade produtiva, modernização das unidades e fortalecimento de linhas de maior valor agregado. “O projeto de exportação segue em avanço e, em breve, deverá se consolidar como um importante vetor de receitas”, diz Carneiro.

Com sede em Campo Grande (MS), a Servsal é outra média empresa do agronegócio que está em busca da internacionalização. “Já mantemos negociações estratégicas com empresas no exterior”, diz a CEO Roberta Luiza Gomes Maia. Sem revelar detalhes, a executiva conta que o foco inicial das exportações da companhia é uma linha de suplementação para pecuária de corte para países latino-americanos, com conversas mais adiantadas com potenciais clientes da América Central.

De fornecedora de insumos para criações, a Servsal migrou para linhas de nutrição de gado de corte e leiteiro e itens específicos para equinos, ovinos e caprinos, além de formulações customizadas para as carências minerais do bioma Pantanal. “Percebemos essa oportunidade ao notar que o Pantanal era frequentemente negligenciado pelas grandes indústrias devido à complexidade logística”, afirma Roberta. “A aceleração veio com o investimento em nutrição de precisão e a expansão para atender equinos e ovinos.”

Apesar de não exportar, a Agromax New Holland, com presença nos municípios de Anenindeua e Tailândia, no Pará, tem se beneficiado da demanda externa indiretamente. Revendedora de máquinas e peças da marca New Holland, com atividades iniciadas em 2009, a empresa tem seu desempenho atrelado ao plantio de soja e milho, importantes culturas agrícolas nas remessas brasileiras para o mundo.

“O Pará vem se consolidando como uma nova fronteira agrícola, com expansão de culturas como soja, milho e pecuária tecnificada”, afirma Andrea Ribeiro, CEO da Agromax New Holland. “Esse movimento aumenta a demanda por mecanização e tecnologia no campo.”

Por outro lado, Ribeiro aponta que as vendas da Agromax dependem do ciclo da agricultura e das condições de crédito ao produtor. “Nossos clientes são dependentes de linha de crédito do governo e, hoje, as taxas de juros estão altas, e o crédito restrito”, diz Ribeiro. Para este ano, a executiva espera um aumento nas vendas de 25% sobre os R$ 160 milhões atingidos em 2025.

Ribeiro tenta minimizar os impactos com a proximidade dos clientes. “Temos procedimentos e regras, mas, como conhecemos o cliente, conseguimos entregar uma máquina antes de o banco aprovar o crédito”, afirma.

Por conhecerem o mercado de perto, as médias empresas têm vantagens competitivas na tomada de decisão, ressalta o diretor-executivo da Mid Falconi, Rafael Silveira. Na avaliação do consultor, essas empresas conseguem responder com qualidade e agilidade às particularidades de demandas, o que favorece a presença delas em segmentos, como o de insumos agrícolas.

“Nosso porte e cultura fazem com que haja maior geração de valor na relação, trazendo mais confiança e fidelização nas negociações”, diz o CEO da Giroagro, Leonardo Sodré. Fabricante de fertilizantes líquidos e soluções para nutrição vegetal em Machado (MG), a empresa inaugurou, há três anos, uma fábrica de R$ 170 milhões com capacidade produtiva anual de 600 mil quilos de bioinsumos, à base de fungos, e de 3 milhões de litros, à base de bactérias.

A habilidade para mudar a produção e penetrar em mercados específicos é outra vantagem das médias empresas. Enquanto micros e pequenos produtores não têm volume de produção, e os grandes grupos se concentram na estratégia de ganhos de escala, os diversos nichos de mercado em um país de dimensões continentais favorecem a lucratividade das companhias de médio porte. Para Genésio Vasconcelos, pesquisador do setor de parcerias privadas da Embrapa Sede, as médias têm mais mão de obra qualificada, tecnificação e automatização em relação às pequenas, além de maior flexibilidade operacional em comparação aos conglomerados.

“O médio produtor consegue entrar no varejo fatiado, mercado que não consome a escala de um grande e que o pequeno não acessa, porque a técnica é muito específica”, diz Vasconcelos.

Em geral de origem familiar, muitas médias empresas enfrentam resistência quando é necessário profissionalizar a gestão, além de lidarem com alto endividamento e a dependência de crédito privado. Por isso, apesar das muitas oportunidades no agronegócio, planejamento é fundamental. “As perspectivas são positivas, mas exigem posicionamento estratégico”, diz o coordenador da FGV Agro. “Para as médias empresas, isso significa avançar em processamento, diferenciação de produto e inserção em segmentos menos dominados por multinacionais.”

O Estado de S.Paulo - SP   07/05/2026

Giovane Gehrke estava ensaiando para comprar uma plantadeira nova há uns três anos. Mas o produtor de milho e soja em Jataí, sudoeste de Goiás, mudou de ideia rapidinho quando viu que os juros não iam cair como esperado este ano. Desistiu de comprar uma máquina nova que, à vista, tem preço em torno de R$ 1 milhão. Isso porque, no financiamento, o valor dá um salto de 60% (com 12% de juros anuais, em oito anos). São R$ 608 mil só de juros. Foi aí que ele soube de alternativas, como o “upgrade” de máquinas.

Com um investimento equivalente a 25% do preço de uma nova, Gehrke fez a modernização de sua plantadeira mecânica de 20 linhas. “Era uma máquina com uma velocidade muito ruim: fazia no máximo 45 hectares por dia de plantio. Agora chega a 55 hectares, está bom demais da conta”, diz.

O kit instalado na máquina de Gehrke foi produzido pela Agrosystem, empresa brasileira que desenvolveu uma tecnologia, batizada de Bolt, para modernizar plantadeiras já em operação.

“Conseguimos fazer com que as máquinas tenham uma redução de 6% no consumo de combustível, cometam 50% menos falhas e alcancem mais precisão e velocidade”, diz Thiago Carvalho, presidente da empresa, que lançou o serviço em abril, durante a Agrishow 2026, a principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, em Ribeirão Preto, que aconteceu entre 27 de abril a 1º de maio.

A Agrosystem é focada em plantadeiras de milho, soja, algodão e amendoim. A plantadeira é o “acessório” que, acoplado a um trator, faz o sulco no solo, deposita as sementes, o adubo e fecha a cova com terra — teoricamente na proporção e posição correta. Teoricamente, porque nem todo aparelho faz o serviço como promete. Os modelos mecânicos, por exemplo, muitas vezes jogam duas sementes no mesmo sulco, um desperdício para o produtor. Além de gastar mais sementes, a chance da planta vingar é menor já que os dois grãos vão concorrer à mesma quantidade de fertilizantes. E, se brotar, a planta é mais fraca, suscetível a doenças e passível de uma produção menor.

“Quando uma máquina é modernizada, ela consegue, em média, ser 30% mais rápida e também é mais precisa”, diz o executivo. Ou seja, o sulco é melhor cavado, não há desperdício na quantidade de semente para o plantio. Na ponta do lápis, uma plantadeira que passa por esse processo entrega, segundo a companhia, 9% mais produtividade na soja e 6% mais no milho.

Com esse apelo, a empresa brasileira espera modernizar mais de 100 máquinas este ano. “É um mercado muito grande. Calcula-se que entre 1 milhão e 1,5 milhão e meio de linhas plantadeiras são aptas no Brasil para essa modernização”, diz ele. Cada plantadeira tem no mínimo quatro linhas. Mas há modelos com mais de 70. A maioria da frota nacional tem mais de 15 anos, diz Carvalho. Não há, entretanto, estatísticas oficiais.

A marca de tratores John Deere também disputa esse mercado. Lançou os primeiros kits de modernização em 2023 e de lá para cá as vendas já dobraram, segundo a empresa, que prefere não abrir números. “São valores significativos”, diz Jackson Schneider, líder de negócios de upgrades da John Deere.

A empresa americana desenvolveu e produziu no Brasil kits de modernização que podem conectar qualquer tipo de máquina agrícola à internet (para serem controladas à distância), para aumentar a eficiência e produtividade de plantadeiras e um especial que, equipado com câmeras, analisa a presença de ervas daninhas no solo e aplica defensivos na medida certa, conforme a infestação.

“Nesse caso, na média, o uso de defensivos cai 60%. Mas já tivemos casos de clientes que reduziram em 90%”, explica Schneider. Os preços, no caso da marca americana, ficam em torno de 5% a 25% do preço da máquina nova com tecnologia semelhante.

Na Agrosystem, equivalem a 25% do preço da máquina nova compatível. E o produtor pode parcelar o investimento pelo Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A garantia é de até dois anos.

Juros altos, vendas em baixa

O mercado brasileiro de máquinas agrícolas acumula quatro anos consecutivos de queda nas vendas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Este ano, a expectativa era de que os juros começassem a cair em março e que esse processo continuasse ao longo de 2026, o que ajudaria o setor a recuperar vendas em volume em pelo menos 3,5%.

Mas não foi o que aconteceu. Em março, as vendas líquidas internas (sem contar exportação) somaram R$ 3,824 bilhões, o que significa uma queda de 21,8% em faturamento em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado dos três primeiros meses de 2026, a baixa é de 19,9%, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a Abimaq.

Os juros altos — e os preços das commodities em queda — espantam quem precisa comprar máquinas. O preço da soja, por exemplo, que chegou a custar US$ 17,22 em 2022 vem caindo desde então e está agora a US$ 11,78 a saca de 27 quilos.
E se os juros baixarem?

A crise, entretanto, abre oportunidade para o mercado de modernização de máquinas e também para o consórcio. Essa modalidade, teoricamente, não cobra juro, mas uma taxa de administração anual.

Por isso, houve crescimento de 149% no número de participantes de consórcios entre 2020 e 2025, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). No Consórcio Nacional Case IH, administrado pela Primo Rossi, as vendas cresceram cerca de 80% nos primeiros dias da Agrishow.

Ao passo que os juros iam subindo na economia, o consórcio da Case IH cresceu uma média de 18% ao ano desde 2021. A taxa de administração de 1,7% ao ano e grupos de até 120 meses são o grande atrativo da modalidade de financiamento.

Mas e se tudo mudar e os juros caírem? “A modernização de máquinas é uma tendência que veio para ficar”, diz Schneider da John Deere. Carvalho, da Agrosystem, concorda. “Claro que os juros em alta nos criam uma oportunidade. Mas esse é um mercado muito atraente. Mesmo que os juros caiam bastante, ele continua sendo positivo porque valoriza o capital que o produtor já investiu anteriormente na máquina”, diz ele. Ou seja, o “upgrade” acaba valorizando o bem do produtor. “O valor de revenda da máquina cresce bastante”, diz Schneider.

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