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11 de Maio de 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   11/05/2026

O JPMorgan elevou a recomendação para as ações da Usiminas (USIM5) de neutro para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e aumentou o preço-alvo de R$ 5,50 para R$ 11,50 por ação, citando uma inflexão positiva nos lucros diante de um mercado brasileiro de aço plano mais protegido e dos primeiros sinais de recuperação dos preços domésticos. Às 10h13, as ações da siderúrgica subiam 3,75%, cotadas a R$ 9,14.

Segundo o banco, medidas antidumping e o aumento das tarifas de importação já começam a reduzir a entrada de aço estrangeiro no país. A expectativa é de que uma decisão antidumping para bobinas a quente (HRC, na sigla em inglês para hot rolled coil) seja aprovada até julho, o que deve ampliar a proteção para o portfólio da Usiminas.

O JPMorgan destaca que a siderúrgica já implementou reajustes de preços de cerca de 4,3% no primeiro trimestre de 2026 e novos aumentos médios de aproximadamente 3% em abril nos principais canais de venda. Para o banco, esse movimento representa apenas o início de um ciclo de recomposição de preços.
Com a revisão das projeções, o JPMorgan estima que a Usiminas negocie a 4,3 vezes o valor da firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) projetado para 2026 e 3,4 vezes para 2027. O banco também vê geração de caixa livre (FCF, fluxo de caixa livre) atrativa, com yields de aproximadamente 15% em 2026 e 13,5% em 2027.

A instituição ressaltou ainda a elevada alavancagem operacional da companhia, argumentando que pequenas melhorias em preços e custos podem gerar impacto relevante nos resultados. A projeção é que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcance R$ 3,1 bilhões em 2026 e R$ 3,7 bilhões em 2027.
Usiminas pode ter benefício tributário bilionário

O JPMorgan também introduz uma tese adicional de valorização ligada a uma recente mudança de interpretação tributária no Brasil envolvendo juros sobre capital próprio (JCP). No fim de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou que empresas brasileiras podem deduzir JCP do imposto de renda mesmo com base em exercícios anteriores, criando uma espécie de “estoque” de créditos tributários.

Segundo os cálculos do JPMorgan, a Usiminas poderia ter um benefício potencial de cerca de R$ 1,3 bilhão em um cenário conservador, equivalente a aproximadamente 12% do valor de mercado da companhia.

O banco pondera que a monetização dessa oportunidade ainda depende de estudos internos e decisões da administração, mas destaca que o potencial é real e cita a B3 (B3SA3) como uma empresa que já começou a agir com base nessa decisão judicial.

ECONOMIA

Money Times - SP   11/05/2026

A verdade sobre o conflito no Oriente Médio é que o nível de incerteza sobre quase todos os aspectos — duração, extensão e desdobramentos para os ativos financeiros — é muito elevado.

Para os bancos centrais no mundo todo, não é diferente. A maioria dos BCs das principais economias manteve os juros estáveis na última reunião e sinalizou uma postura cautelosa para o cenário adiante.

Há bons motivos para isso. Nos mercados internacionais, desde o início do conflito, o barril de petróleo subiu aproximadamente 60%; fertilizantes, de 30% a 50%; fretes de contêineres, 50%; gasolina, 80%; polietileno, 20%; alumínio, 15%; entre outros.

Choques de custo dessa magnitude já começaram a atingir a economia global, e seus impactos econômicos, diretos e indiretos, tendem a se acentuar nos próximos meses.

A literatura econômica é clara sobre o receituário de política monetária em situações como essa. Se o BC acredita que o choque é temporário, e essa crença é compartilhada pelos agentes econômicos, as expectativas de inflação para prazos mais longos pouco se alteram, já que os impactos tendem a se dissipar conforme a situação fique para trás.

Nesse caso, faz sentido que os BCs não alterem sua estratégia de curto prazo em função do choque. No entanto, a intensidade e a duração do choque, assim como o contexto em que ele ocorre, importam.

A intensidade dos movimentos tem se mostrado indiscutivelmente grande, assim como sua abrangência, já que afeta o preço e a disponibilidade do petróleo. Há também impactos relevantes sobre vários outros mercados, bens e serviços.

Por isso, embora o mercado precifique a reabertura do estreito de Ormuz até o fim de junho, as expectativas de inflação de dois anos à frente nas principais economias do mundo estão significativamente acima dos níveis pré-conflito.

Por isso, BCs no mundo todo têm repensado suas estratégias e adotado maior cautela enquanto aguardam os desdobramentos da crise atual.

Por aqui, ainda que a sinalização de maior cautela esteja presente na comunicação recente do BC, inclusive com destaque para a ampliação do balanço de riscos, a estratégia de curto prazo não se alterou: a Selic segue sendo reduzida a um ritmo de 0,25 ponto percentual por reunião, e a indicação é de que seguirá nesse ritmo nos próximos meses.

O principal argumento para a manutenção do ritmo de cortes é que o atual nível de juros é muito elevado e que reduções nesse ritmo são lentas o suficiente para permitir a calibração do tamanho do ciclo enquanto se observam os efeitos sobre a economia.

De fato, os juros são elevados, até para os padrões históricos do país.

Seja levando em consideração os juros e a inflação esperados, seja valores passados, a taxa real de juros tem oscilado em torno de 10%. Quase a totalidade dos economistas argumentaria que esse nível de juros reais está acima daquele considerado neutro para a economia e, portanto, estaríamos em um patamar ainda restritivo para a atividade.

Alguns sinais de que isso, de fato, está ocorrendo são encontrados no agravamento das condições financeiras de famílias e empresas.

Do lado das famílias, endividamento e comprometimento de renda seguem em níveis recordes. Entre as empresas, a deterioração do mercado de crédito privado tem evidenciado problemas de alavancagem.

No entanto, apesar da percepção de que os juros ainda estão muito altos, isso não encontra respaldo claro em outros indicadores importantes. A inflação projetada pelo Banco Central para o fim do próximo ano, já considerando a Selic em 13% em 2026 e 11% em 2027, fica em 3,5%, acima da meta. Do mesmo modo, as expectativas não sugerem convergência para a meta.

No âmbito da atividade econômica, a desaceleração tem sido apenas moderada, insuficiente para provocar qualquer enfraquecimento relevante do mercado de trabalho. Este, por sua vez, segue extremamente aquecido, tanto no emprego quanto na renda.

Tudo isso coloca o Banco Central em uma situação delicada, com riscos e custos relevantes ao optar por uma postura mais ou menos cautelosa. A escolha, no momento, parece ser a de apostar no cenário mais benigno.

IstoÉ Dinheiro - SP   11/05/2026

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou nesta sexta-feira, 8, que segue otimista quanto à possibilidade de cortes de juros nos Estados Unidos, caso a inflação retome trajetória consistente em direção à meta de 2% e o mercado de trabalho permaneça estável. Em entrevista à Bloomberg TV, o dirigente destacou, porém, que o avanço do processo desinflacionário perdeu força recentemente, em meio ao choque nos preços do petróleo.

Segundo Goolsbee, o relatório de emprego (payroll) de abril mostrou “um mês bastante estável” para o mercado de trabalho norte-americano.

O dirigente afirmou que o Fed precisa monitorar atentamente a inflação e as expectativas inflacionárias dos consumidores, ressaltando que os preços seguem acima da meta há cinco anos. “A inflação está piorando, mas o mercado de trabalho segue estável. Precisamos ficar de olho nisso”, disse.

Goolsbee acrescentou que a direção da inflação diante do choque de petróleo é atualmente o principal foco do banco central.

Ele também classificou um cenário de estagflação como “um dos desafios mais difíceis” para autoridades monetárias.

Apesar de reiterar que ainda vê espaço para redução dos juros no futuro, o presidente do Fed de Chicago ponderou que “seria errado pensar que cortes são a única opção” à disposição da autoridade monetária.

Sobre o balanço patrimonial do Fed, Goolsbee afirmou que ele ainda pode ser reduzido, embora não esteja claro se isso será necessário.

O dirigente também disse ter simpatia pela visão do possível próximo presidente do Fed, Kevin Warsh, sobre a comunicação do banco central e se mostrou aberto a discutir propostas para alterar a forma como a instituição se comunica com o mercado, inclusive com a possível abolição do gráfico de pontos.

Investing - SP   11/05/2026

Dados fortes de contratações nos EUA em abril, divulgados nesta sexta-feira, representaram um revés para as esperanças do futuro presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de cortar as taxas de juros, dando às autoridades maior margem de manobra para usar a política monetária para lidar com a inflação cada vez mais alta.

A economia dos EUA criou 115.000 novos postos de trabalho em abril, superando as previsões dos analistas, após um ganho de 185.000 postos de trabalho em dado revisado para cima em março. O ganho de empregos em abril ficou bem acima da quantidade de criação de empregos que muitos analistas dizem ser necessária para manter o mercado de trabalho estável. A taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%.

As contratações indicam que o mercado de trabalho dos EUA continua indo bem em um momento em que as pressões inflacionárias estão aumentando devido ao impacto contínuo do aumento do imposto de importação do presidente Donald Trump, juntamente com o aumento dos preços de energia causado pela guerra do Irã.

Os dados diminuíram as chances, que já eram baixas, de que o Fed pudesse cortar as taxas de juros ainda este ano e reforçaram a posição de número substancial de autoridades do Fed que estão preocupadas com a inflação e querem manter as taxas estáveis por um longo período.

"O mercado de trabalho não está em expansão, mas está se mostrando mais difícil de quebrar do que muitos temiam", disse Olu Sonola, chefe de economia dos EUA na Fitch Ratings. "Se o desemprego permanecer estável, a atenção do Fed se voltará para a inflação", disse Sonola, acrescentando que, se as pressões sobre os preços continuarem robustas, "é improvável que a tendência de flexibilização do Fed sobreviva por muito mais tempo".

O mercado agora espera apenas 18% de chance de um aumento da taxa de juros na reunião de política do Fed em dezembro, de acordo com o FedWatch da CME. No final da quinta-feira, esse índice estava em cerca de 23%. Ao mesmo tempo, as chances de o Fed manter as taxas estáveis subiram para 74,1%, em comparação com 70,1% no dia anterior.

HORA DA NEUTRALIDADE

Na semana passada, o Comitê Federal de Mercado Aberto manteve sua meta para a taxa de juros em 3,50% a 3,75% e, em sua declaração de política monetária, manteve tendência de novos cortes nas taxas.

Isso levou três presidentes de bancos regionais do Fed a discordar e, em comentários posteriores, eles explicaram que a incerteza sobre as perspectivas e os riscos criados pela guerra do Irã significam que pode até ser possível que o Fed tenha que aumentar os juros em algum momento.

A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, disse em uma entrevista de rádio na quinta-feira: "Acho que nossa declaração deve ter uma posição bastante neutra sobre se o próximo passo será para baixo ou para cima, ou se será apenas para manter a posição por um período realmente longo".

A diminuição das chances de um corte nas taxas do Fed ocorre no momento em que Warsh está se concentrando na confirmação do Senado para suceder Jerome Powell, cujo mandato termina em 15 de maio.

Warsh expressou interesse em cortar as taxas de juros, mas, até o momento, é provável que encontre poucos interessados, devido ao aumento dos preços da energia e a uma guerra não resolvida que aumenta as chances de que as pressões sobre os preços cresçam ainda mais quanto mais tempo durar o conflito.

Warsh pode estar ainda mais encurralado na frente política, uma vez que Powell pretende permanecer em um cargo de diretor que vai até 2028, enquanto busca garantias de que as investigações legais do governo Trump contra o banco central terminaram.

Embora Powell tenha dito que "não pretendo ser... um dissidente de alto nível ou algo do gênero", sua presença provavelmente fortalecerá as posições daqueles que se opõem aos cortes nas taxas.

Em uma entrevista para a TV na sexta-feira, o diretor do Fed Stephen Miran reiterou seu argumento a favor do corte das taxas, argumentando que a atual postura da política monetária provavelmente está retendo o mercado de trabalho.

Miran, que segue no cargo após o término de seu mandato e terá que deixar o cargo quando Warsh for confirmado, também disse que espera que a permanência de Powell seja "transitória" e não uma medida "nefasta" que possa turvar as águas sobre quem está realmente dirigindo o Fed.

O Estado de S.Paulo - SP   11/05/2026

Os juros reais dos títulos públicos longos indexados ao IPCA, (NTN-B, com vencimentos até 2045), estão próximos de 8% ao ano. No mercado futuro de juros, supondo inflação média anual de 4% (acima da meta, portanto), os juros reais, mesmo para vencimentos longos (2029 a 2032), superam 9% ao ano. Essas taxas sinalizam uma bomba-relógio fiscal e maior risco de insolvência para famílias e empresas.

Com a dívida bruta do governo geral chegando a 82% do PIB no final de 2026, e supondo crescimento real do PIB de 2% ao ano, a aritmética é cruel: para estabilizar a relação dívida/PIB com juros reais de 8%, seria necessário gerar superávit primário de 4,9% do PIB.

Como o déficit atual está próximo de 0,6% do PIB, o ajuste necessário seria de 5,5% do PIB, cerca de R$ 750 bilhões, a preços de hoje. Isso é politicamente e economicamente inviável.

Cerca de 92% da despesa da União é obrigatória, sobretudo previdência, saúde, educação, programas sociais e emendas parlamentares impositivas. Não há gordura dessa magnitude a cortar.

A estabilidade da dívida no governo anterior não veio de austeridade, mas principalmente de expressivos juros reais negativos, fruto de surpresas inflacionárias.

Portanto, juros reais de 8% no longo prazo são insustentáveis. A questão não é se, mas como isso se resolverá. A história brasileira mostra que desequilíbrios dessa natureza, em geral, se resolvem por dois caminhos, nenhum agradável.

O primeiro é a dominância fiscal: o governo, incapaz de honrar sua trajetória de dívida, passa a pressionar a política monetária, que perde a capacidade de ancorar a inflação. Os juros reais caem, mas pela porta errada, com a inflação subindo.

O segundo é a crise aberta: deterioração dos ativos brasileiros, percepção de insustentabilidade intertemporal da dívida pública, depreciação cambial acentuada e crise de solvência no setor privado, já hoje sob forte pressão de endividamento.

Mas a história também ensina que o Brasil age. Foi assim com o Plano Real, com o tripé macroeconômico de 1999 e com o teto de gastos de 2016. Em todos esses casos, a crise foi o gatilho para reformas antes vistas como politicamente impossíveis.

Não estou prevendo o caos. Estou dizendo que os agentes que precificam 8% de juro real para prazos longos estão, conscientemente ou não, apostando numa dessas duas saídas — ou numa correção de rota que eles próprios ainda não incorporaram aos preços.

Essa correção de rota não exige, necessariamente, cortes abruptos de gastos já em 2027. Exige, porém, medidas críveis que restabeleçam a sustentabilidade intertemporal da dívida pública e permitam a queda célere dos juros sem que o País precise atravessar outra crise para aprender, mais uma vez, a mesma lição.

Exame - SP   11/05/2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende alcançar R$ 400 bilhões em investimentos contratados em concessões de infraestrutura de transporte até o fim do mandato e já prepara uma nova carteira de projetos para os próximos quatro anos.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a pasta já possui R$ 240 bilhões em contratos firmados e trabalha para ampliar a carteira com novos leilões de rodovias e ferrovias ainda neste ano.

“Hoje temos contratado 240 bilhões. Já contratados”, afirmou em entrevista ao programa Macro em Pauta da EXAME.

O ministério mantém a previsão de realizar entre 10 e 12 leilões rodoviários ainda neste ano.

“A nossa ideia é completar R$ 400 bilhões até o fim do governo. Vamos fazer os leilões de ferrovia e rodovia até o final do ano, que vão somar 400 bilhões de contratação em concessão na área de infraestrutura de transporte”, afirmou.

Segundo ele, os projetos já estão em estágio avançado de maturação, apesar da pressão operacional sobre a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

“O nosso problema hoje é que estamos com uma carteira enorme de rodovias, uma carteira enorme de ferrovias, e a ANTT acaba virando um gargalo”, afirmou.

O ministro disse que a pasta tem reforçado equipes técnicas e apoiado audiências públicas para acelerar a tramitação dos projetos.

“Agora, em maio, vamos ter vários anúncios de novos leilões”, disse.

Ministério prepara quase 40 projetos para próximos ciclos

Além da carteira atual, o governo afirma já trabalhar na estruturação de uma nova rodada de concessões.

Segundo Santoro, há quase 40 projetos em preparação junto à Infra S.A., ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), à International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para o setor privado, e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Já temos contratado, em estruturação, quase 40 projetos no ministério, junto com a Infra S.A., com o BNDES, com o IFC, com o BID”, afirmou.

Segundo o ministro, a ideia é deixar uma carteira pronta para os próximos quatro anos, independentemente de quem seja o próximo presidente.

Santoro afirmou que o legado da gestão Jair Bolsonaro (PL) foi de poucos projetos estruturados, principalmente no setor ferroviário.

Agora, a ideia é montar "uma fábrica de projetos".

“Para o próximo ciclo, já vamos deixar a carteira andando”, disse.

Exclusivo: governo Lula licitará 20 terminais logísticos em 2026, diz ministro
Guerra no Oriente Médio pressiona custos das concessões

Santoro também afirmou que o governo prepara medidas para mitigar os efeitos da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos sobre os contratos de concessão.

Segundo ele, o preço do material betuminoso, materiais que contêm ou produzem betume, uma mistura viscosa e escura de hidrocarbonetos, amplamente utilizada na construção civil para pavimentação, já acumula alta de 15,7%, pressionando os custos das obras rodoviárias.

“A concessão não prevê uma flutuação tão grande de preços”, afirmou.

O governo pretende criar mecanismos extraordinários de reajuste contratual para momentos de forte volatilidade provocada por eventos geopolíticos.

“Vamos incluir atualização extraordinária automática em caso desse tipo de flutuação de preço”, disse.

Além disso, o ministério prepara uma consulta pública para discutir um novo modelo de atualização paramétrica dos contratos, usando múltiplos indicadores econômicos além do IPCA.

“Estamos há mais de um ano estudando isso e acho que chegou a um nível ótimo”, afirmou.

O Estado de S.Paulo - SP   11/05/2026

A tentativa de tornar a autoridade monetária independente não é uma novidade na história política brasileira. Em 1964, nos primeiros movimentos após o golpe militar, surgiram iniciativas destinadas a separar a política monetária da política governamental, como o Plano de Ação Econômica do Governo (Paeg), que – por um curto período – estabeleceu mandatos fixos não coincidentes com o mandato presidencial para os diretores da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc).

Com a Nova República, o sistema financeiro passou por um processo de redemocratização. A Constituição de 1988 definiu que a emissão de moeda seria monopólio do Estado e exercida exclusivamente pelo Banco Central. Apesar disso, o plano de independência da autoridade monetária não foi completamente abandonado. Um primeiro passo ocorreu com a edição da Lei n.º 11.036/2004, que equiparou a função de presidente do Banco Central à de ministro de Estado. Quase duas décadas depois, a Lei Complementar n.º 179/2021 consolidou o projeto, (re)estabelecendo mandatos fixos ao presidente e aos diretores, não coincidentes com o mandato do presidente da República responsável por suas nomeações.

Embora esse arranjo tenha representado um avanço no distanciamento entre a autoridade monetária e o governo, os desdobramentos recentes indicam que a discussão estava longe do fim. O discurso da falta de recursos humanos e financeiros e a inclusão de alguns “jabutis”, como a competência exclusiva para regulação e operação do Pix, parece tentar dissimular o que efetivamente está em jogo: a autonomia absoluta do Banco Central.

O conceito de autonomia contido na Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aliás, é bastante controverso. A proposta fragiliza o regime jurídico-constitucional dos servidores públicos, uma das principais garantias de independência do Banco Central, permitindo a contratação de novos servidores sob o regime da CLT, sem estabilidade. Além disso, ao retirar as receitas de senhoriagem – isto é, a renda obtida pelo Estado em decorrência do monopólio de emissão de moeda – do Orçamento da União e destiná-las ao custeio das próprias despesas do Banco Central, criam-se incentivos potencialmente conflitantes com os objetivos constitucionais e legais da autoridade monetária, na medida em que a alta da inflação pode se traduzir em mais recursos para a instituição.

Não obstante, a mudança mais problemática é o rompimento absoluto do vínculo do Banco Central com a administração pública. Apesar de estudos do Banco Mundial confirmando – empiricamente – que a “independência” dos bancos centrais está atrelada a dinâmicas de aumento da desigualdade social, a proposta altera o artigo 164 da Constituição para tornar o Banco Central uma entidade pública de natureza especial, dotada de autonomia de gestão administrativa, contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial.

Isso afasta todo tipo de tutela ou subordinação a ministério ou órgão do Poder Executivo – abrindo caminho, inclusive, à subtração da competência do presidente da República para nomear a diretoria e o presidente do Banco Central, os membros do Conselho Monetário Nacional (CMN) e os membros da Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc). Uma concentração institucional de poder sem precedentes. Um superpoder.

Seja a ideologia que o leitor professe ou o interesse que mova os defensores da PEC, há uma pergunta que precisa ser respondida: por qual razão um presidente da República atravessa tempestades, disputa os votos um a um, se, depois, não poderá sequer opinar sobre a política monetária, fiscal, cambial e creditícia – que afeta o coração da República? O presidencialismo, já comprometido pela apropriação do Orçamento via emendas parlamentares impositivas, ficaria ainda mais enfraquecido. O projeto político escolhido nas urnas seria relegado a um segundo plano, pois o governo eleito não disporia dos instrumentos necessários para efetivá-lo. Da demo-cracia passaríamos à tecno-cracia.

A medida é, portanto, flagrantemente inconstitucional. Ela contraria o cerne da Constituição – a ideia de que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Numa democracia, as pessoas têm o direito de participar das decisões que afetam suas vidas. Consequentemente, a autonomia técnica deve estar acompanhada de mecanismos de responsabilização pública, de accountability.

A proposta de alteração constitucional, contudo, subtrai a possibilidade de participação popular – ainda que indireta e descontínua – nas decisões do Banco Central. Escolhas macroeconômicas centrais para o País, que afetam diretamente a inflação, a dívida pública, o crescimento econômico e o nível de emprego passariam a ser feitas em um ambiente imune ao controle público – permitindo sua captura por interesses privados.

Por isso, antes de discutir a independência do Banco Central, precisamos nos perguntar: o Banco Central deve ser independente de quem? Da administração pública? Do sistema político? Ou do próprio controle democrático?

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   11/05/2026

As exportações brasileiras de minério de ferro e cobre dispararam em abril, impulsionadas pelo aumento dos embarques para a China e pela abertura de novos destinos relevantes para o cobre.

Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que as vendas externas de minério de ferro e seus concentrados somaram US$ 2,47 bilhões em abril de 2026, alta de 19,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando haviam alcançado US$ 2,07 bilhões.

Em volume, os embarques de minério de ferro chegaram a 34,6 milhões de toneladas, avanço de 15% na comparação anual.

O movimento foi ainda mais forte no cobre. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados atingiram US$ 760,6 milhões em abril, crescimento de 55% sobre os US$ 490,7 milhões registrados em abril de 2025.

Em quantidade, as vendas externas de cobre somaram 164,9 mil toneladas, alta de 17,5% ante as 140,2 mil toneladas embarcadas um ano antes.

Somados, minério de ferro e cobre renderam US$ 3,23 bilhões ao Brasil em abril, avanço de 26,3% na comparação com o mesmo mês de 2025.

O desempenho reforça o peso dos dois produtos na pauta mineral brasileira.

O minério de ferro segue como principal item de exportação do setor, enquanto o cobre ganha relevância em meio à demanda global por minerais associados à eletrificação, à transição energética e à expansão de redes, data centers e infraestrutura elétrica.

A China continuou como principal destino do minério de ferro brasileiro. O país asiático comprou US$ 1,73 bilhão do produto em abril, equivalente a cerca de 70% de todo o valor exportado pelo Brasil no mês.

Na comparação com abril de 2025, as vendas de minério de ferro para a China cresceram 28% em valor e 22,1% em volume. Os embarques passaram de 20,8 milhões de toneladas para 25,4 milhões de toneladas.

Além da China, também aparecem entre os principais destinos do minério de ferro brasileiro em abril Japão, com US$ 110,3 milhões, Coreia do Sul, com US$ 69,4 milhões, Países Baixos, com US$ 54,9 milhões, Malásia, com US$ 49,8 milhões, e Estados Unidos, com US$ 47,3 milhões.

O avanço das exportações ocorre em um momento em que o Brasil tenta ampliar sua posição nas cadeias globais de minerais críticos e estratégicos. Embora o minério de ferro não seja tratado, em geral, como mineral crítico, ele segue sendo a principal base da mineração brasileira e um insumo central para a indústria siderúrgica global.

O cobre, por outro lado, é visto como um dos minerais mais importantes para a transição energética, por sua aplicação em redes elétricas, veículos elétricos, geração renovável, equipamentos industriais e sistemas de transmissão.

Investing - SP   11/05/2026

Os contratos futuros do minério de ferro caíram marginalmente nesta sexta-feira, com o aumento dos embarques do Brasil e de Simandou pesando sobre os preços, ao mesmo tempo em que um pico de produção de ferro-gusa limita um aumento adicional na demanda pela matéria-prima.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian da China encerrou as negociações do dia praticamente estável, com queda de 0,06%, a 814,5 iuanes (US$119,73) a tonelada.

Ainda assim, o contrato ganhou cerca de 3% esta semana e registrou a quarta semana consecutiva de aumento.

O minério de ferro de referência de junho na Bolsa de Cingapura recuava 0,28%, a US$110,45 a tonelada. O contrato ganhou 2,56% esta semana até agora e também deve registrar o quarto ganho semanal consecutivo.

A produção de ferro-gusa caiu esta semana devido ao feriado do Primeiro de Maio na China, mas os altos-fornos ainda estão operando perto das taxas máximas, apoiando a demanda por matéria-prima para a fabricação de aço, de acordo com a Mysteel.

No entanto, o pico de produção de ferro-gusa testa a capacidade do maior mercado siderúrgico do mundo de absorver estoques, disse a corretora chinesa Zhongtai Futures.

Os embarques brasileiros de minério de ferro aumentaram em relação ao ano anterior no mês de abril para 34,57 milhões de toneladas, de 30,07 milhões de toneladas, de acordo com estatísticas do governo.

Valor - SP   11/05/2026

Despesas com a reparação do rompimento da barragem de Mariana, apesar de vendas mais fortes no período, também pesaram no resultado; receita líquida somou US$ 403,6 milhões no trimestre

A Samarco, joint venture das mineradoras Vale e BHP, registrou prejuízo líquido de US$ 1,12 bilhão no primeiro trimestre, ante resultado negativo de US$ 1,52 bilhão no mesmo período de 2025, por efeitos cambiais e despesas com a reparação do rompimento da barragem de Mariana, apesar de vendas mais fortes no período.

A perda refletiu resultado financeiro negativo de US$ 1,25 bilhão entre janeiro e março, impactado sobretudo por variação cambial sobre passivos, de US$ 965 milhões, e por despesas financeiras relacionadas à reparação, de US$ 371 milhões, informou a empresa nesta sexta-feira (8).

Em teleconferência com investidores, o diretor financeiro, de estratégia e suprimentos da Samarco, Gustavo Selayzim, afirmou que o resultado líquido segue sendo explicado principalmente por efeitos ligados aos passivos de reparação, sem impacto no caixa da companhia.

A receita líquida da Samarco somou US$ 403,6 milhões no trimestre, levemente acima dos US$ 400,4 milhões de um ano antes, com o avanço de 12% nas vendas ajudando a compensar a queda dos preços realizados.

As vendas da Samarco somaram 3,2 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro no trimestre, ante 2,8 milhões no mesmo período de 2025, segundo a companhia já havia publicado no mês passado. A produção totalizou 3,8 milhões de toneladas, alta de 18% na mesma comparação.

Segundo Selayzim, a diferença entre produção e vendas no trimestre refletiu principalmente uma mudança pontual no calendário de embarques entre o fim de março e o início de abril, e não uma piora da demanda. O executivo afirmou que a empresa espera vender, ao longo do ano, 100% do que produzir.

O preço médio realizado ficou em US$ 127,3 por tonelada, recuo de 9% ante o primeiro trimestre de 2025. O preço médio das pelotas, por sua vez, foi de US$ 130,3 por tonelada, queda de 8% na mesma comparação.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da mineradora somou US$ 192,7 milhões no trimestre, queda de 23% ano a ano, pressionado por custos mais altos e preços menores. O custo caixa C1 subiu 14%, para US$ 47,7 por tonelada, em movimento atribuído principalmente à valorização do real frente ao dólar.

Na teleconferência, Selayzim disse que a queda do Ebitda não é motivo de preocupação e afirmou que parte da produção do trimestre ainda deverá ser capturada nas vendas dos próximos meses. Segundo ele, a Samarco manteve a projeção de Ebitda para 2026.

A companhia reportou fluxo de caixa livre operacional de US$ 183 milhões no trimestre, alta de 7% na comparação anual. O fluxo de caixa livre total, porém, caiu 44%, para US$ 129,8 milhões, refletindo maiores desembolsos ligados à reparação.

No campo da reparação, a Samarco informou execução de US$ 320,2 milhões em obrigações em 2026 até o fim de março. Desse total, US$ 267 milhões foram cobertos por aportes feitos pelos acionistas neste ano, e o restante com recursos aportados anteriormente.

A Samarco segue operando com cerca de 60% da capacidade instalada e mantém o plano de investir R$ 13,8 bilhões até 2028 para retornar a 100% da capacidade produtiva, com o avanço da fase 3 da retomada operacional.

A mineradora ficou cinco anos sem operar após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, desastre que deixou 19 mortos e provocou danos sociais e ambientais ao longo da bacia do Rio Doce.

Máquinas e Equipamentos

Globo Online - RJ   11/05/2026

O BNDES definiu as taxas de juros e voltou a operar na quinta-feira a linha de crédito voltada para bens de capital com elevado teor tecnológico e digital (4.0) e pegada sustentável (verdes). As taxas de juros serão favorecidas, e os valores foram antecipados ao GLOBO.

A instituição estatal vai operar com um custo de 6,94% ao ano para grandes empresas e de 5,85% ao ano para pequenas e médias, no caso das operações 4.0, e de 6,5% na operações verdes. Além disso há um custo extra (spread) para os agentes repassadores.

Mesmo assim, o financiamento sairá bem abaixo da taxa básica de juros do país, a Selic, atualmente em 14,50% ao ano.

Para conseguir as taxas favoráveis, o banco estatal fez uma composição de fonte de recursos do programa Mais Inovação, que é atrelado à Taxa Referencial (que está em torno de 2% ao ano), com recursos próprios a taxa de mercado no caso da linha para maquinário 4.0. E na linha verde, usou recursos do Fundo Clima.

O acesso à linha também será permitido para o agronegócio adquirir equipamentos com tecnologia mais avançada,. Outra novidade é que a linha permite comprar itens classificados como “bens de informática”.

O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, José Gordon, disse ao GLOBO que a renovação da linha se insere dentro de um contexto no qual cada vez mais se fala em aumentar a produtividade da economia brasileira, levando-a para um padrão de maior complexidade tecnológica.

– A maioria das empresas brasileiras, hoje, têm maquinário antigo, defasado tecnologicamente. Então, tem uma preocupação no governo, no âmbito da NIB (Nova Indústria Brasil), de trabalhar para a renovação do parque fabril, para que as empresas consigam entrar nesse mundo de conectividade, de inteligência artificial, de 4.0, de internet das coisas – disse Gordon.

Ele lembrou ainda que a linha foi muito bem recebida no ano passado e permitiu a aquisição de mais de mil máquinas e equipamentos.

Sobre possíveis questionamentos de que o governo poderia estar agindo mirando as eleições, Gordon rebateu a tese, destacando que o apoio ao setor industrial é uma política que vem desde o início deste mandato. Ele lembra que a participação da indústria nas operações do banco saiu de 17% para 30%, tendo sido emprestados cerca de R$ 300 bilhões para o setor. Além disso, ressaltou, a linha foi criada no ano passado e está sendo reforçada pela clara demanda das empresas.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   11/05/2026

A combinação entre tarifas, avanço das montadoras chinesas e custos maiores com tecnologia começou a pesar mais sobre a Toyota. A montadora japonesa cortou sua projeção de lucro para o próximo ano fiscal.

Agora espera lucro operacional de 3 trilhões de ienes no ano fiscal que termina em março de 2027, corte superior a 20% em relação à última estimativa, segundo informações da CNBC. Já a previsão da receita de vendas ficou 0,6% maior.

Fontes ouvidas pelo canal evidenciam que o ajuste reforça a pressão enfrentada pelas grandes fabricantes globais em um momento de disputa comercial mais intensa e transformação acelerada do setor automotivo.

O último balanço ficou abaixo do esperado, com o resultado operacional caindo 49% no quarto trimestre. Após os números chegarem ao mercado, as ações da Toyota encerraram o pregão desta sexta-feira, 8, com queda de 2,18% em Tóquio.

Lucro abaixo das expectativas

A maior montadora do mundo em volume de vendas registrou lucro operacional de 569,4 bilhões de ienes entre janeiro e março, abaixo da expectativa de 813,28 bilhões de ienes projetada pela LSEG.

A receita somou 12,6 trilhões de ienes no período, praticamente estável em relação ao consenso do mercado. Só que este é o quarto trimestre consecutivo de queda anual no lucro operacional da companhia.

Mesmo com a receita avançando 1,89% na comparação anual, a Toyota viu a rentabilidade ser pressionada pelo aumento dos custos e pela piora do ambiente global para as montadoras.

Já o lucro líquido atribuível aos acionistas ficou em 817,2 bilhões de ienes, acima dos 664,6 bilhões de ienes registrados um ano antes, enquanto as vendas globais de veículos caíram para 2,29 milhões de unidades.

Guerra comercial pesa na Toyota

Em comunicado, a Toyota apontou diretamente os efeitos das tarifas estadunidenses, estabelecidas pelo presidente Donald Trump, como um dos principais fatores de pressão sobre os resultados.

Além disso, o aumento dos investimentos em pessoal, tecnologia e projetos futuros também pesou.

A empresa também deve enfrentar custos maiores relacionados à inflação global, com desafio de recalls de veículos (retorno para corrigir problemas) e impactos indiretos da guerra no Irã.

E não só os Estados Unidos seguem no centro das preocupações da montadora, mas também a China, com uma disputa agressiva em veículos elétricos, com fabricantes locais ampliando participação de mercado.

Estratégia de elétricos continua no foco

A Toyota, porém, mantém os planos de expansão no mercado de veículos elétricos a bateria, principalmente na China, Europa e América do Norte, mesmo com a concorrência ofertando preços baixos e lançamentos frequentes.

A montadora afirmou que espera crescimento da demanda nesses mercados e pretende ampliar presença regional nos próximos anos. Busca, ainda, reduzir desperdícios e cortar custos de produção para proteger rentabilidade.

Investimentos bilionários nos EUA

A Toyota também tenta reforçar sua presença industrial nos EUA. Em março, a empresa anunciou investimento de US$ 1 bilhão em duas fábricas por lá, parte de um plano que prevê até US$ 10 bilhões em aportes em cinco anos.

Ela também mudou a forma de calcular suas projeções financeiras, passando a usar uma média cambial de seis meses, e não mais mensalmente, adotando estimativa de 150 ienes por dólar para o atual ano fiscal.

Fontes consultadas pela CNBC explicaram que o iene mais fraco costuma beneficiar exportadoras japonesas porque aumenta a competitividade dos produtos no exterior e amplia o valor das receitas internacionais.

IstoÉ Dinheiro - SP   11/05/2026

Com dois dias úteis a menos devido a feriados, a produção de veículos no Brasil no mês de abril não repetiu os bons números de março. Mesmo assim, a produção apresentou crescimento na comparação anual, o que demonstra, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) que o mercado está em recuperação contínua.

Em abril, a produção registrou crescimento de 2,4% em comparação ao mesmo mês de 2025 e teve uma queda de 9,5% ante março deste ano, com a produção de 238,5 mil unidades.

Com o desempenho, o setor fechou o primeiro quadrimestre com a fabricação de 872,6 mil veículos, avanço de 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Isso está acima das projeções da Anfavea. No final do ano projetávamos 3,7% de [crescimento na] produção”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (8).

Já em relação aos emplacamentos, o crescimento foi de 19% em relação a abril do ano passado, com 248,3 mil unidades comercializadas.

“Esse é o melhor abril dos últimos 12 anos”, comemorou o presidente da Anfavea.

Ele destacou que isso dá uma média de 12,4 mil unidades emplacadas por dia, melhor marca do ano e melhor média diária para um mês de abril desde 2014.

Quando se considera o acumulado do ano, o volume total de emplacamentos somou 873,5 mil autoveículos, com aumento significativo de 14,9% sobre os quatro primeiros meses do ano anterior.

Exportações

Entre janeiro e abril deste ano, 142,4 mil veículos foram enviados ao exterior, o que significou um recuo de 16,9% ante o mesmo período do ano passado. Segundo a Anfavea, embora os embarques tenham crescido 8,2% em abril em relação ao mês de março, eles caíram 11,7% na comparação com o ano passado.

Isso se deve principalmente porque o mercado argentino já não em absorvendo um grande volume de produtos brasileiros.

“O mercado argentino caiu 6% no primeiro quadrimestre de 2026”, informou Calvet.
Veículos pesados

Sao Paulo (SP), 15/01/2026 . Presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que o resultado foi o melhor abril dos últimos 12 anos. Foto-arquivo: Paulo Pinto/Agencia Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

A venda de caminhões continua em queda, no entanto, ressaltou a Anfavea, essa queda vem se reduzindo nos últimos meses. Isso é resultado do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca de caminhões mais antigos.

“O Move Brasil continua ajudando, mas ainda não foi capaz de reverter a queda nas vendas. Essa segunda etapa do programa, que foi recentemente anunciada, vem sim em um bom momento e a gente espera que agora nós consigamos reverter essa queda nas vendas”, disse o presidente da Anfavea.

Em abril, foram emplacados 8,8 mil caminhões, crescimento de 0,1% em relação a março e queda de 5,8% ante abril de 2025. No acumulado do ano, os emplacamentos de caminhões somaram 30,7 mil unidades, queda de 17,2% sobre igual período.

Já os ônibus tiveram crescimento de 4,6% nos emplacamentos em relação a março, com 2.049 unidades vendidas, o que representou queda de 6,9% em relação a abril de 2025.
Elétricos

Os veículos eletrificados apresentaram um novo recorde de participação, alcançando a marca de 18,3% do total de vendas do país.

“Temos um total de 48,7 mil unidades de veículos eletrificados emplacados no Brasil no mês de abril. Nesse ritmo a Anfavea já está prevendo em torno de 420 mil a 450 mil veículos eletrificados emplacados nesse ano, o que seria um número bastante robusto”, informou Calvet.

Automotive Business - SP   11/05/2026

O setor de caminhões ainda tem esperança de dias melhores com o Move Brasil 2. Enquanto o balanço de abril mostra uma queda menor que nos meses anteriores, a indústria torce para colher bons frutos com a segunda fase do programa federal.

Os números da Anfavea associação das montadoras mostram que o segmento de pesados segue em queda. Em abril, 9,7 mil caminhões foram produzidos, 12,2% a menos que o mesmo mês de 2025 e 13,1% inferior a março. No quadrimestre, com 35,4 mil unidades, o recuo é de 17,2%
Move Brasil já fez o setor de caminhões reagir

Mesmo assim, a Anfavea enxerga uma reação do setor. Aos olhos da entidade, há uma curva ascendente que mostra a redução desses números negativos, que chegaram a -31,5% em meados do ano passado.

O Move Brasil continua ajudando, mas ainda não foi capaz de reverter a queda nas vendas de caminhões. Essa segunda etapa vem em bom momento. Nossa expectativa é que o Move 2 venha zerar a diferença para os números de 2025, aposta Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Para o executivo, um bom indicador para essa gradual recuperação é a média mensal de vendas de caminhões. Em março e abril ela ficou em 8,8 mil unidades (sendo que abril teve dois dias úteis a menos), já bem mais próxima dos 9,3 mil caminhões dos primeiros meses de 2025. Vale lembrar que em janeiro e fevereiro deste ano, a média mensal no mercado de pesados foi de 6,4 mil e 6,7 mil, respectivamente.

O Move Brasil 2 promete R$ 21,2 bilhões em recursos para caminhões, ônibus e implementos rodoviários. Os recursos duplicaram, com prazo de 120 meses. Esse programa vem em muito boa hora, comemora Igor.
Setor de ônibus fica estagnado

O segmento de ônibus mostra números estáveis. Em abril foram 3.044 chassis fabricados, alta de 6% em relação a abril de 2025 e queda de 1% na comparação com março.

No primeiro quadrimestre do ano, já são 10.641 ônibus produzidos no Brasil. O número é quase 6% superior ao volume que deixou as linhas de montagem do país no janeiro-abril de 2025.

Monitor Digital - RJ   11/05/2026

Os carros chineses representaram quase metade (47,7%) de todos os carros importados para o Brasil entre janeiro e abril de 2026 (168.100), consolidando a posição da China como principal fornecedora do país sul-americano, anunciou nesta sexta-feira Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Calvet disse à televisão nacional que 80.100 unidades foram importadas do país asiático, um aumento de 81,6% em relação ao ano anterior, colocando a China à frente da Argentina, tradicional parceira comercial do Brasil, que ficou em segundo lugar entre os fornecedores estrangeiros do segmento.

Em contrapartida, as importações do país vizinho totalizaram 54.900 unidades, uma queda de 20,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados na coletiva de imprensa. O avanço das marcas chinesas no Brasil foi impulsionado pelo aumento da demanda local e pela chegada de novas montadoras ao mercado brasileiro. Desde o início de 2025, montadoras chinesas iniciaram operações no Brasil com veículos importados, incluindo Omoda, Jaecoo, Guangzhou Automobile Group (GAC), MG, Geely, Leapmotor, Jetour e Changan. Elas se juntam às que já operam no país, como Build Your Dreams (BYD) e Great Wall Motor (GWM).

O fenômeno da importação não se limita ao volume, mas também reflete o avanço de novas tecnologias no mercado automotivo brasileiro, o maior da América Latina, onde veículos elétricos são comuns nas principais cidades.

Segundo o relatório da Anfavea, esses tipos de veículos atingiram uma participação recorde de 18,3% no mercado total de veículos leves em abril, o equivalente a mais de 40 mil unidades.

A organização projetou que as vendas de veículos eletrificados poderão atingir entre 420.000 e 450.000 unidades em 2026, em comparação com as 285.400 vendidas em 2025.

Calvet afirmou, durante a entrevista, que o avanço dos veículos eletrificados reflete uma mudança estrutural na indústria automotiva brasileira. “Em breve, chegaremos a um ponto em que metade dos veículos com essa nova forma de propulsão serão produzidos no país”, afirmou.

A organização também observou que a oferta interna ainda não acompanha o crescimento da demanda, embora 40% dos veículos híbridos e elétricos vendidos no Brasil já sejam montados no país.

Segundo o relatório da Anfavea, a participação de mercado das montadoras chinesas no Brasil poderá continuar crescendo em 2026 devido à expansão das redes de concessionárias, novos lançamentos e a entrada de outras marcas no país.

Juntamente com o aumento das importações, a montadora chinesa BYD tornou-se a marca mais vendida no segmento de varejo em abril, com 14.900 veículos comercializados, superando a Volkswagen, que registrou 14.800 unidades no mesmo período.

Considerando todos os canais de venda, incluindo as vendas diretas para empresas, a BYD ficou em quinto lugar e alcançou um recorde de vendas mensais de 18.500 unidades.

O desempenho da empresa foi impulsionado principalmente pelo modelo elétrico Dolphin Mini, que liderou o segmento de varejo pelo terceiro mês consecutivo, com 5.900 unidades vendidas em abril, além da família de modelos híbridos Song, que totalizou 4.100 unidades.

O Estado de S.Paulo - SP   11/05/2026

Neste ano, completamos 70 anos de fabricação de automóveis de passeio no Brasil, iniciada em outubro de 1956 com a Romi-Isetta. Em virtude disto, apresento a seguir uma série de dados que ilustram a evolução da indústria e do mercado automobilístico no país.

Começando pelos emplacamentos anuais de automóveis e comerciais leves: observa-se que eles superaram 2 milhões e meio no último ano, embora ainda permaneçam distantes do pico de 2012, quando mais de 3,6 milhões foram licenciados.

Ao detalhar os licenciamentos entre produção local e importados, o pico dos veículos produzidos no Brasil ocorreu em 2013, com 2,9 milhões. No ano passado, foram pouco mais de 2 milhões. Já os importados alcançaram quase 500 mil emplacamentos, correspondendo a uma participação de 19% do total.

Para compreender melhor essa trajetória, é importante considerar o tamanho da população. Para isso, criei um índice baseado não na população total, mas na população adulta - aquela efetivamente habilitada a comprar e conduzir automóveis.

A partir dessa abordagem, chega-se à conclusão surpreendente de que o índice de vendas em relação à população adulta (maior de 20 anos) em 2025 foi similar ao observado em 1979.

Quanto ao restante do gráfico, é possível identificar com clareza os principais ciclos econômicos do Brasil: o milagre econômico dos anos 1970, a década perdida dos anos 1980, o Plano Real, a crise asiática, o boom dos anos Lula, a recessão de 2015/2016 e a pandemia.

No que se refere ao formato das carrocerias: dominância do amado e odiado formato SUV. Vale lembrar que o conceito do que caracteriza um SUV é bastante elástico e que, a rigor, a maioria consiste em hatches “bombados”. Cerca de um quarto dos emplacamentos corresponde a hatches tradicionais e quase 20% são picapes. Em função da relevância destas últimas, optou-se por analisar automóveis e comerciais leves de forma conjunta, já que muitas picapes são atualmente utilizadas como veículos de passeio, como demonstra o sucesso da Fiat Toro. Os sedãs, outrora muito populares, representaram menos de 10% dos emplacamentos no ano passado.

Passando à análise da participação de mercado, começa pela mais tradicional das montadoras: a Volkswagen. Seu auge ocorreu no final dos anos 1960, quando duas em cada três unidades emplacadas no Brasil eram da marca (essencialmente Fuscas e Kombis). Em 2025, sua participação foi de 17%.

A GM atingiu seu pico de participação em 1989, com quase 30% do mercado, mas no ano passado encerrou com 11%, o menor market share desde o início da produção do Opala, no final dos anos 1960.

A FCA, que engloba, além da Fiat, as marcas Jeep, Ram e Dodge, detém atualmente 27% do mercado (lembrando que os dados históricos da Anfavea se encontram agrupados pela montadora, não por marca). Considerando apenas a marca Fiat, ela é a líder, com 21% de participação.

A Ford, por sua vez, alcançou seu auge em meados dos anos 1980, com 22% do mercado. Em 2025, sua participação foi de apenas 2%, reflexo da decisão tomada há alguns anos de encerrar a produção no Brasil, passando a atuar somente como importadora (e com veículos de categorias de preço superiores).

Ao reunir esses dados num gráfico, tem-se um panorama geral no qual as demais montadoras detêm 43% do mercado.

É relevante analisar os emplacamentos por tipo de combustível. Atualmente, três a cada quatro veículos emplacados no Brasil são flex, embora esse porcentual já tenha sido maior, chegando a 89% em 2018. Nos últimos anos, ocorreu uma mudança significativa com a chegada dos veículos elétricos e híbridos, que hoje já superam as vendas de modelos a diesel. Vale observar que o lançamento de diversos modelos MHEV (os chamados “híbridos leves”) a classificação na mesma categoria de híbridos plug-in, por exemplo, acaba não sendo justa, por comparar bananas com laranjas.

Cabe aqui uma observação fundamental: a introdução de novas tecnologias em bens de consumo costuma provocar profundas transformações de mercado. Isso já ocorreu com televisores, celulares e relógios, envolvendo processos de consolidação, saída de fabricantes tradicionais e entrada de novos players. É exatamente o que se observa atualmente no mercado brasileiro, o que explica o expressivo aumento das importações oriundas da China. No ano passado, pela primeira vez, o Brasil importou mais automóveis da China do que de todos os demais países somados.

Esse movimento está diretamente ligado à eletrificação. Entre os veículos elétricos e híbridos, que representaram 11% do mercado no último ano (porcentual que já chegou a 16% no mês de abril) BYD e GWM concentram 53% de participação. Consideradas isoladamente, essas marcas responderam por cerca de 6% do mercado no ano passado, número que pode parecer modesto à primeira vista, mas que assume maior relevância ao se levar em conta que foi alcançado em apenas três anos, e seguirá impulsionado pelo rápido crescimento do segmento de veículos eletrificados.

Por fim, é importante destacar um fato que seria inimaginável há poucos anos: estas novas marcas não chegam apenas como importadoras, mas também com produção local, ocupando fábricas que até recentemente pertenciam a gigantes históricos do setor, como Ford e Mercedes-Benz.

Assim, prepara-se o terreno para que, ao longo dos próximos 10 anos, ocorra uma das maiores mudanças de mercado que o setor automotivo já viveu em sua longa história.

CONSTRUÇÃO CIVIL

A Tribuna - SP   11/05/2026

O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), uma das principais modalidades de financiamento imobiliário, que utiliza recursos da caderneta de poupança, passa por um momento de destaque, especialmente após o aumento do valor máximo do imóvel financiado pela linha, que foi de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

Apenas no primeiro trimestre, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança somaram R$ 42,4 bilhões, resultado 11,9% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Até o ano passado, 65% dos depósitos da poupança precisavam, obrigatoriamente, ser aplicados pelos bancos em crédito imobiliário, 20% eram depositados compulsoriamente no Banco Central e 15% tinham livre aplicação. Esse modelo, contudo, limitava a expansão do crédito em momentos de queda nos saldos de poupança — situação que reflete o cenário atual do mercado financeiro. A alteração permite uma elevação gradual para que 100% dos recursos provenientes dos saldos da poupança possam ser utilizados em crédito imobiliário.

Para o diretor regional do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Lucas Teixeira, a realidade do financiamento imobiliário hoje ainda é desafiadora. Especialmente em regiões como a Baixada Santista, onde existe uma combinação muito particular entre alta demanda, limitação territorial para expansão urbana, elevado custo dos terrenos e forte pressão sobre a infraestrutura e a legislação urbanística.

“O financiamento tem um peso absolutamente central para o setor da construção civil. Atualmente, boa parte das vendas depende diretamente da capacidade de crédito da população”, afirma.

“Quando os juros sobem, o impacto é imediato: reduz-se o poder de compra das famílias, aumenta-se o valor das parcelas mensais e diminui a velocidade de vendas dos empreendimentos”, completa ele, citando que o Minha Casa, Minha Vida responde hoje por metade dos financiamentos imobiliários. Em algumas regiões chega a 55% dos contratos.

Para ele, na Baixada Santista, isso se torna ainda mais sensível, porque trabalha-se com um mercado de valor médio relativamente elevado em cidades como Santos, principalmente nos bairros mais valorizados e nas regiões próximas à orla. Muitas vezes, pequenas oscilações nas taxas já excluem uma parcela importante dos compradores do financiamento bancário.

“As taxas do financiamento imobiliário acompanham a tendência da Selic, mas não de forma automática nem na mesma velocidade. Existe uma correlação clara: quando ela sobe, o crédito imobiliário encarece. Quando começa a cair, há uma tendência de redução das taxas. Porém, o repasse ao consumidor normalmente é mais lento”, afirma ele.

Opções
De acordo com a Caixa, nas modalidades com recursos do SBPE, estão ativas linhas de financiamento no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH, para imóveis com valor de avaliação até R$ 2,25 milhões) e por meio do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI, para imóveis com valor de avaliação acima de R$ 2,25 milhões), com as respectivas taxas efetivas anuais.

As linhas de crédito para aquisição de imóvel residencial pelo SBPE atreladas à TR oferecem prazos de até 420 meses (confira as opções no quadro).

O banco explica ainda que possui uma linha destinada a reforma de imóveis, com recursos do SBPE na modalidade Taxa Fixa, com taxa de juros mensal a partir de 1,34% ao mês e prazo de até 180 meses.

No caso do programa Minha Casa, Minha Vida, as condições de financiamento são as seguintes: renda até R$ 13 mil, entrada mínima de 20% do valor do imóvel, taxa de juros nominal de 10% ao ano e prazo de até 35 anos para pagar

Balanço da Abecip é o melhor em cinco anos
O crédito imobiliário com recursos da poupança SBPE movimentou R$ 18,5 bilhões em março deste ano, alcançando o melhor resultado mensal dos últimos cinco anos e o quarto maior da série histórica, conforme dados da Abecip. O montante representa alta de 56,9% em relação a fevereiro e avanço de 53,9% na comparação com março do ano passado.

O número de imóveis adquiridos via SBPE também registrou forte crescimento no período. Foram 54,6 mil unidades financiadas nas modalidades de aquisição e construção, volume 55,5% superior ao de fevereiro e 59,2% maior do que o observado no mesmo mês do ano passado. O desempenho foi o quarto melhor já registrado para um único mês. No acumulado do primeiro trimestre, 125,5 mil imóveis receberam financiamento, crescimento de 15,7% frente ao mesmo período de 2025.

Mesmo com os resultados positivos recentes, o acumulado de 12 meses aponta desaceleração. Entre abril de 2025 e março de 2026, os financiamentos somaram R$ 160,8 bilhões, retração de 13,5% em relação aos 12 meses anteriores. Já o total de imóveis financiados caiu 12,7%, chegando a 474,7 mil unidades.

As operações com recursos livres (empréstimo sem regras do governo ou destinação obrigatória) também avançaram em março. O volume financiado atingiu R$ 2,01 bilhões, altas de 47,7% sobre fevereiro e 19,7% na comparação anual. Foram financiados 11 mil imóveis, elevação de 39,2% no mês e de 13,1% em 12 meses.

Por outro lado, a caderneta de poupança continuou registrando retirada líquida de recursos. Em março, o saldo negativo foi de R$ 9,1 bilhões, mesmo nível registrado em igual período do ano anterior. No trimestre, as saídas líquidas alcançaram R$ 31,97 bilhões. O saldo total das cadernetas encerrou março em R$ 748,6 bilhões, quedas de 0,59% sobre fevereiro e 0,47% na comparação anual.

FERROVIÁRIO

Valor - SP   11/05/2026

Modelo de financiamento de longo prazo para concessões de ferrovias está sendo discutido com BNDES

Após três anos de estruturação, o governo federal espera oferecer uma leva de projetos ferroviários ao mercado ainda em 2026, apoiado em novo modelo de financiamento de longo prazo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em entrevista ao Valor, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que a pasta pleiteou linhas com prazo mínimo de 50 anos, além de flexibilidades nos pagamentos para os períodos de maior intensidade de investimentos e ausência de receita, como nos primeiros anos de concessões “greenfield” (construídas do zero).

A medida, segundo ele, deverá ajudar a destravar o apetite do mercado pelos projetos, que também contarão com outras fontes de financiamento, como debêntures de infraestrutura e capital privado. Mesmo em um cenário de maior cautela do Banco Central (BC) em relação ao ritmo de cortes de juros e com o avanço da corrida eleitoral, o governo não vê risco de falta de interesse nos leilões e aposta que projetos bem estruturados, com matriz de risco definida e previsibilidade regulatória, continuarão atraindo investidores. A Selic está em 14,5% ao ano.

“Será uma linha mais longa de financiamento ferroviário, com algumas condições de flexibilidade, que em breve estará formalizada. É bastante importante, em alguns projetos vai ser fundamental”, avalia. “Isso ajuda, mas o BNDES não fará o funding todo do projeto. Estamos trabalhando com cenários variados de financiamento.”

No comando do ministério desde abril, após a saída de Renan Filho (MDB) para concorrer à eleição para o governo de Alagoas, Santoro acompanhou a formulação da carteira de concessões da pasta desde o início do governo. Ele foi secretário de Fazenda de Alagoas sob o comando de Renan Filho e assumiu a secretaria-executiva do ministério em 2023.

Segundo Santoro, o governo herdou projetos com modelagens inadequadas e precisou revisar estudos, criar novas diretrizes regulatórias e estruturar uma política específica para concessões ferroviárias. “Durante 30 anos, tivemos três leilões de ferrovias apenas. E já construídas. Agora estamos tratando de projetos ‘greenfield’, que têm um risco maior. Tivemos que entender o mercado”, diz.

A estimativa é que sejam levados quatro projetos ao mercado neste ano, além do chamamento público para autorização de exploração da infraestrutura ferroviária do Corredor Minas-Rio. O governo também planeja realizar o leilão de 20 terminais logísticos e de, pelo menos, oito chamamentos públicos de ferrovias de cargas e turismo ainda em 2026, além da possibilidade de ofertar a linha Brasília-Luziânia, de passageiros.

O ministro afirma que há empresas internacionais analisando os projetos em estruturação e diz não acreditar que o cenário eleitoral deverá afetar o interesse pelos ativos. A expectativa é que não falte concorrência nos certames previstos para os próximos anos. O desafio, segundo ele, será cumprir o cronograma. A pasta vê potencial para contratar até R$ 500 bilhões em investimentos nos próximos oito anos, considerando projetos ferroviários e rodoviários.

“Há muitos players, até mesmo do segmento de rodovias, estudando os projetos de ferrovias. Acreditamos que, por enquanto, há interessados em todos os tipos de projetos”, diz. “Não vai faltar bid [lance] em nenhum leilão nosso. O que temos que nos desdobrar é manter a carteira no cronograma.”

Os dois projetos ferroviários mais avançados hoje são o Arco Ferroviário do Sudeste (EF-118) e a Ferrogrão, ambos já em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa é que os projetos sejam julgados pelo TCU até junho, abrindo espaço para a publicação dos editais no início do segundo semestre, em julho. Entre os projetos considerados prioritários, também está a Malha Oeste, que tem previsão de ser julgada em maio pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), após a reestruturação do projeto, e, em seguida, enviada ao TCU.

O governo também trabalha para resolver entraves ao projeto do corredor Leste da Fico-Fiol, que deve ser analisado pela agência reguladora em julho, para publicação do edital no segundo semestre. Já para a Malha Sul, a pretensão é que a ANTT julgue o caso em maio, para abrir a audiência pública e debater o modelo. A expectativa, mesmo assim, é publicar o edital ainda neste ano, mas deixar o leilão para 2027. O edital da Ferrovia Açailândia-Barcarena também deve ser publicado neste ano.

CNH Digital deverá reduzir inadimplência em sistema de pedágio "free flow", promete ministro

A carteira foi desenhada visando uma integração completa das malhas e a entrada de operadores independentes, que possam atuar em trechos separados. A estratégia busca aumentar a competitividade não apenas nos leilões, mas também em outros segmentos, com acessos portuários. Também abre espaço para a oferta de pequenos trechos, que o governo pretende levar ao mercado por meio de chamamentos públicos, em vez da licitação tradicional.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres aprovou na última quinta-feira (7) o primeiro projeto ferroviário a utilizar esse modelo: o corredor Minas-Rio. A avaliação do ministro é que o caso servirá de referência para futuros projetos, sendo essa a primeira oportunidade para criar um entendimento no TCU sobre o modelo e, futuramente, padronizar os procedimentos para os próximos chamamentos públicos.

“Temos uma demanda crescente para os próximos anos, segundo nossos estudos. Precisamos resolver esse gargalo de qualquer maneira e vamos precisar desses grandes corredores. Mas também existe uma demanda para cargas menores, que podemos atender com maior interoperabilidade da malha e para a qual acreditamos que vamos conseguir ter ‘bid’”, afirma.

A carteira, construída em paralelo à de concessões, reúne projetos voltados ao transporte de cargas, trens turísticos e até estudos iniciais para futura carteira de trens de passageiros. "A dificuldade é que não tínhamos nada”, diz.

Além da agenda ferroviária, o ministério também tenta resolver entraves na implementação do sistema de pedágio eletrônico "free flow" (livre passagem). Recentemente, o governo suspendeu temporariamente 3,4 milhões de multas aplicadas em rodovias com o sistema, estabeleceu prazo para regularização de débitos e interrompeu temporariamente a aplicação de novas penalidades. As concessionárias terão cem dias para ajustar seus sistemas.

Segundo ele, parte dos problemas decorre de falhas regulatórias das normas anteriores, editadas no último governo. O ministro disse que a centralização das cobranças e notificações pela Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital deverá reduzir a inadimplência e aumentar a transparência para usuários e concessionárias. Além disso, a implantação plena do sistema poderá ajudar outras áreas, como segurança pública.

Rodoviário

Diário do Comércio - MG   11/05/2026

O governador Mateus Simões, anunciou um investimento de mais de R$ 700 milhões em diversas obras de infraestrutura rodoviária na região Noroeste do estado, na sexta-feira (8), durante a passagem pela Praça de Serviços do Governo Presente, em Paracatu, capital provisória de Minas Gerais.

Em reunião com representantes do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), prefeitos e deputados, o governador anunciou as obras, com recursos obtidos a partir da desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que determina a destinação dos recursos para investimentos em infraestrutura. “Temos certeza que essa é a região que mais vai crescer em termos de participação do Produto Interno Bruto (PIB) em todo o estado ao longo do próximo ano”, afirmou o governador mineiro.

Uma das intervenções mais importantes será na MG-408, com a pavimentação da via entre Brasilândia de Minas e Buritizeiros. “O lote 1 é de R$ 138,4 milhões e o lote 2 de mais de R$ 150 milhões. É uma obra histórica para nós, que representa uma nova ligação do Centro-Oeste do país com o Noroeste de Minas”, destacou Simões.

As obras anunciadas pelo governador, com previsão de início ainda para este ano, incluem ainda a pavimentação de 25 quilômetros da LMG-680, entre Ribeiros e Paracatu, uma ponte na LMG-722 sobre o Rio Paranaíba, de Rochinha a Lagamar, a restauração do trecho da MG-235, de São Gotardo ao entroncamento com a BR-354, com extensão de 8,3 quilômetros.

O governador elencou ainda a restauração de um trecho de 3,6 quilômetros da MG-235, no entroncamento da LMG-764 a São Gotardo, com a inserção de terceira faixa; restauração e aumento de capacidade na MGC-230, de Serra do Salitre a Salitre de Minas.
Praça de Serviços

A Praça de Serviços do Governo Presente desembarcou em Paracatu, na quinta-feira (7), e funcionou até sexta-feira (8) na Feira dos Produtores do município. Durante os dois dias, a população pôde acessar diversos serviços, como emissão de documentos, atualização do cartão de vacina, apoio ao produtor rural, negociação de contas e ações de cidadania.

A estrutura também incluiu outros serviços de saúde, como aferição de pressão arterial, castração e imunização de animais, atendimentos da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Copasa, além de iniciativas voltadas à inclusão produtiva e ao acesso a políticas públicas.

As transferências provisórias do Governo Presente se repetem por 19 cidades até junho, em uma ação que busca reconhecer a importância e valorizar cada uma das regiões mineiras, além de possibilitar ao governador conhecer ainda mais de perto as demandas dos moradores locais, incluindo os municípios ao redor de cada capital provisória.

Com isso, o Governo de Minas pretende destacar o papel estratégico desempenhado pelos municípios no fortalecimento das políticas públicas, na descentralização administrativa e na promoção do desenvolvimento regional.

A iniciativa reforça a importância de aproximar a administração pública estadual das diversas regiões de Minas Gerais, estimulando o diálogo federativo, a articulação institucional e a presença do Estado em cada território.

NAVAL

Jornal de Brasília - DF   11/05/2026

Os portos da Região Sul do Brasil registraram um crescimento expressivo na movimentação de carga conteinerizada em fevereiro, alcançando 4,7 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 43,98% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

No total, os portos sulistas movimentaram 14,4 milhões de toneladas no mês, com destaque para cargas como contêineres, soja, petróleo e derivados, fertilizantes e milho. As exportações cresceram 5,04%, enquanto a movimentação de longo curso avançou 1,75%, sinalizando a continuidade das operações ligadas ao comércio exterior.

O Porto de Paranaguá, no Paraná, liderou o desempenho regional, com 4,4 milhões de toneladas, correspondendo a 30,7% do total movimentado na região Sul. Em seguida, destacam-se o Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com 2,4 milhões de toneladas, e o Porto Itapoá, em Santa Catarina, com 1,2 milhão de toneladas.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o avanço na carga conteinerizada demonstra uma logística mais dinâmica e eficiente, integrada ao comércio internacional. “O Governo Federal vem trabalhando para ampliar a capacidade operacional dos portos, melhorar acessos e criar um ambiente mais seguro para investimentos, fortalecendo a competitividade do Sul”, afirmou o ministro.

Esse desempenho ocorre em meio a investimentos federais em infraestrutura portuária na região. Em Santa Catarina, foi retomado o contrato de dragagem do Porto de Itajaí, com R$ 63,8 milhões investidos para garantir navegabilidade por até 48 meses. Além disso, foi assinado contrato de R$ 72,8 milhões para manutenção e reforço do molhe de abrigo do Porto de Imbituba, visando aumentar a segurança e a eficiência operacional.

No Paraná, o Porto de Paranaguá sediou a primeira edição de 2026 das Caravanas da Inovação Portuária, iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antaq para promover soluções inovadoras e sustentabilidade nas operações portuárias.

O Governo Federal também aprovou R$ 81 milhões do Fundo da Marinha Mercante para projetos na indústria naval do Sul, incluindo a construção de uma embarcação de apoio marítimo em Santa Catarina, com previsão de gerar 350 empregos diretos.

Valor - SP   11/05/2026

Órgão também atualizou o valor mínimo de outorga, que, após revisão da equação econômico-financeira do projeto, foi estimado em R$ 1,044 bi, distribuídos entre outorga fixa e variável

A Casa Civil orientou a retirada de restrições para companhias de navegação, chamadas de “armadores”, na participação do leilão do megaterminal de contêineres do Porto de Santos, o Tecon Santos 10, bem como para as atuais operadoras de contêineres do porto, desde que se desfaçam de suas participações acionárias nos atuais empreendimentos em que operam no complexo portuário.

Além disso, também atualizou o valor mínimo de outorga do certame, que, após revisão da equação econômico-financeira do projeto, foi estimado em R$ 1,044 bilhão, distribuídos entre outorga fixa e variável.

As orientações constam em nota técnica assinada nesta quarta-feira (6) pelo PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), vinculado à Casa Civil. A nota reacende o debate sobre o modelo a ser adotado no certame.

Inicialmente, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) propôs realizar o leilão em duas etapas, com restrições para que empresas que já operam na região participassem apenas da segunda fase, caso não houvesse interessados na primeira. O Tribunal de Contas da União (TCU) foi além e recomendou que a restrição também fosse aplicada aos armadores, visando impedir a verticalização das empresas de navegação.

“Além de não se vislumbrar razões de ordem concorrencial para proibir a participação de armadores no certame, a Antaq não apontou nenhum motivo de ordem regulatória para a adoção dessa prática. Ao contrário, conclui que referida limitação poderia resultar em ineficiências produtivas, alocativas e sociais”, afirmou o PPI.

A manifestação foi encaminhada ao Ministério de Portos e Aeroportos para adoção dos ajustes necessários. Após essa fase, o ato deve ser encaminhado à Antaq para elaboração e publicação do edital. O processo atualmente está parado na agência, a pedido do governo, diante das discussões sobre a modelagem do certame.

No documento, o PPI ressalta que “se faz importante esclarecer que o governo federal não possui uma política de fomento a novos entrantes em detrimento dos atuais” e afirmou que o fato de o ordenamento jurídico brasileiro estabelecer que, em regra, as concessões de serviços e ativos devem ser precedidas de licitação não autoriza o entendimento de que há oposição à participação de agentes que já atuam no mercado.

Ao afirmar que não pretende discutir as razões da agência para o estabelecimento de duas fases, o PPI solicita que sejam promovidas ações que garantam o desinvestimento das atuais incumbentes no mercado de contêineres de Santos, possibilitando que elas participem da fase 1, se assim desejarem.

Essa abertura, diz trecho da nota, “gera uma maior competição pelo ativo, permitindo a disputa de todos os atuais sócios dos terminais de contêineres de Santos, incentivando inclusive a competição entre eles, gerando um maior valor de outorga para a administração”. A venda da participação deverá ser concretizada e validada pelas entidades competentes antes da celebração do contrato do Tecon Santos 10.

IstoÉ Dinheiro - SP   11/05/2026

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul assinaram nesta sexta-feira, 8, um memorando de entendimento para fortalecer a cooperação na construção naval. A iniciativa busca desenvolver a força de trabalho e a modernização da indústria. A informação foi divulgada pela International Trade Administration (ITA), agência do governo dos EUA.

O acordo, firmado pelo Departamento do Comércio dos EUA e pelo Ministério do Comércio, Indústria e Recursos da Coreia do Sul, cria uma plataforma para apoiar a expansão da colaboração entre governos, indústria e instituições de pesquisa dos países.

Segundo o comunicado publicado pela ITA, as atividades da plataforma incluem a facilitação de investimento estrangeiro na base industrial marítima dos EUA, além do treinamento de trabalhadores e projetos para a melhoria da produtividade em estaleiros.

A assinatura do acordo “reflete os esforços contínuos para fortalecer a capacidade industrial aliada, promover investimentos e expandir a colaboração em setores de manufatura avançada”, informou a publicação.

Valor - SP   11/05/2026

Novo formato para leilão do megaterminal de contêineres pode atrasar disputa, segundo diretor da agência

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Dias, afirmou ao Valor que, caso seja adotado um modelo para o leilão do megaterminal de contêineres no porto de Santos diferente do aprovado pela agência ou do recomendado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o processo poderá ser reenviado para análise do tribunal de contas. O caso se arrasta desde o ano passado, sem definição.

A palavra final sobre o modelo é do governo, mas o formato precisa ser analisado pela Antaq e balizado pelo TCU. Neste momento, a agência aguarda orientação do Ministério de Portos e Aeroportos. O modelo aprovado originalmente pela Antaq previa restrições às atuais operadoras do porto numa primeira fase do leilão, enquanto o TCU recomendou restrições adicionais em relação ao formato proposto pela agência. Já a Casa Civil, na semana passada, orientou, em nota técnica, adoção de leilão “aberto”, sem restrições para participantes. Isso valeria inclusive para empresas que já operam no complexo, desde que se desfaçam das participações nos atuais empreendimentos do porto.

Em uma avaliação inicial, a percepção da Antaq é de que o modelo defendido pela Casa Civil seria um terceiro formato, que ainda não passou pelo rito apropriado. Assim, seria necessário reiniciar a etapa no TCU. Mas não seria preciso reabrir a discussão no âmbito da agência, que é a etapa inicial, anterior à avaliação do TCU.

“A princípio, aguardamos uma definição sobre se será mantida a diretriz de acolher integralmente as recomendações do TCU ou se haverá retorno à decisão da Antaq. Qualquer coisa que saia fora disso tende a atrasar um pouco mais o leilão, pois pode ensejar um novo encaminhamento ao Tribunal de Contas da União, para que seja feita uma nova análise”, afirma.

O diretor reconhece que a reabertura da discussão aumenta as incertezas sobre o cronograma do leilão, considerado estratégico para ampliar a capacidade portuária e que prevê R$ 6,4 bilhões em investimentos no terminal. Para ele, acolher a decisão já tomada, fundamentada em análises técnicas, é o mais apropriado sob a perspectiva da agência.

“O ideal agora seria a gente andar para frente. Esse leilão é importantíssimo para o país. Essa questão da restrição, ao meu ver, já foi muito debatida. O ideal é avançar o mais rápido possível com esse leilão”, disse.

Em paralelo, a agência também trabalha em uma carteira de outros projetos portuários a serem ofertados ao mercado ao longo dos próximos meses. O cronograma prevê quatro leilões de terminais de contêineres para 2026. A expectativa é que, com as rodadas, sejam adicionados 6,5 milhões de TEUs (unidade padrão da logística marítima equivalente a um contêiner de 20 pés) à capacidade de movimentação brasileira no setor, uma vez que a percepção é de que há muitos players interessados em investir no país, além de um ambiente institucional favorável.

“Batemos recordes ano após ano, apesar dos choques externos que o nosso setor enfrenta. No ano passado, registramos mais um recorde, de 1,4 bilhão de toneladas movimentadas, mas essa eficiência tem limite e é necessário aumentar a disponibilidade e também melhorar os acessos. Por isso, também temos uma carteira de leilões de canais de acesso aos portos, que é uma melhoria importante para aumentar a capacidade dos terminais de receber navios maiores e ganhar eficiência”, diz.

O diretor-geral ressalta, contudo, que também é necessário se atentar à questão dos acessos terrestres, já que algumas rodovias representam gargalos para a chegada mais eficiente aos portos.

Para enfrentar o problema, a agência pretende finalizar ainda neste ano uma avaliação dos acessos terrestres aos portos, para identificar quais trechos precisam de aperfeiçoamentos. A análise deve ser levada a outras agências e ao governo, para que sejam priorizadas as melhorias nessas localidades.

Dias ressaltou ainda a importância do desenvolvimento de concessões de hidrovias no Brasil. Segundo ele, o país é geograficamente favorecido para apostar no modal aquaviário, que ainda representa menos de 15% da matriz de transportes. Para o diretor, ampliar essa participação é estratégico tanto para aumentar a eficiência logística quanto para avançar na agenda de sustentabilidade.

No início do ano, após protestos de povos indígenas, o governo sofreu um revés ao revogar o decreto que incluía hidrovias no Programa Nacional de Desestatização. A medida envolvia as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, na região Norte.

O diretor diz que, apesar da decisão, os estudos sobre os projetos continuam, para que os ativos estejam prontos caso o governo decida retomar a agenda. Ressalta, contudo, que há mais projetos avançando, com destaque para a hidrovia do rio Paraguai, a mais madura hoje. O empreendimento está em análise no TCU, e Brasil, Paraguai e Bolívia negociam acordo sobre regras de governança.

PETROLÍFERO

Valor Investe - SP   11/05/2026

Acordo para pôr fim ao conlfito deu o tom do mercado ao longo da semana - até que Washington e Teerã trocaram acusações sobre ataques a embarcações e renovaram as dúvidas sobre a sustentação do cessar-fogo

Os preços do petróleo avançaram nesta sexta-feira (8) e voltam a operar acima de US$ 100, em meio às incertezas envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã. Sem resposta à proposta de paz entregue pelos americanos aos persas, ataques mútuos no Estreito de Ormuz mantêm os riscos elevados na cadeia do petróleo e ameaçam solapar o avanço diplomático dos últimos dias, responsável pelo alívio na cotação dos barris nesta semana. Apesar do resultado diário, a perspectiva de paz levou a uma queda semanal expressiva.

O barril do Brent com vencimento em julho (o mais líquido do mercado e referência internacional) subiu 1,22%, negociado a US$ 101,29. Na semana, registrou queda de 6,42%.

Já o petróleo WTI com vencimento em julho (referência nos Estados Unidos) avançou 0,64%, a US$ 95,42. Na semana, o recuo foi de 6,32%.

Na quinta-feira, Washington e Teerã trocaram acusações sobre ataques registrados na região, aumentando as dúvidas sobre a sustentação do cessar-fogo anunciado anteriormente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar da escalada recente, Trump afirmou que o acordo segue válido e minimizou os confrontos, dizendo que os ataques foram apenas um “toque leve”.

O presidente americano também declarou que forças dos EUA destruíram alvos iranianos envolvidos nos episódios recentes, incluindo drones e pequenas embarcações.

Risco de interrupções no petróleo

O mercado acompanha de perto a situação no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente até o início do conflito. Desde então, o fluxo de navios ficou paralisado ou restringido, com ataques a embarcações, sabotagem e ameaças de bombardeio entre as duas partes beligerantes e seus aliados.

Segundo analistas do ANZ, o otimismo inicial sobre uma possível normalização do fluxo marítimo perdeu força após surgirem relatos de que os EUA estariam preparando uma retomada das operações navais para escoltar embarcações comerciais na área.

A instituição afirmou que os preços do petróleo vivem uma espécie de “montanha-russa”, à medida que aumentam as dúvidas sobre um acordo duradouro entre Washington e Teerã.

Mais tarde, Trump suspendeu temporariamente a chamada “Operação Freedom”, missão naval americana voltada justamente para escoltar navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Para o ANZ, o risco de fracasso das negociações entre EUA e Irã deve continuar mantendo o mercado de petróleo volátil nas próximas semanas.

Analistas do Citi avaliam que os mercados financeiros tendem a estabilizar gradualmente após a volatilidade recente ligada ao Oriente Médio, mas alertam que o processo deve continuar turbulento e pode manter os preços do petróleo elevados por mais tempo.

AGRÍCOLA

IstoÉ Dinheiro - SP   11/05/2026

O avanço das empresas chinesas no mercado brasileiro de máquinas agrícolas ganhou escala na 31ª Agrishow 2026 e já provoca reações entre fabricantes tradicionais instalados no País há décadas. Com um pavilhão próprio pelo segundo ano consecutivo, o grupo de asiáticos saltou de 18 para mais de 50 expositores, organizado pela Rhino Agri, associação que reúne mais de 500 fabricantes da China com foco em ampliar negócios no Brasil.

Ao Estadão, no dia 30 de abril, o CEO da plataforma, Neeson Cheng, resumiu a estratégia: a presença tem como objetivo mostrar o portfólio tecnológico ao agro brasileiro e preparar a instalação de um “balcão de negócios permanente” no País, facilitando a importação de máquinas e equipamentos.

Do lado das empresas brasileiras, porém, embora o movimento seja tratado com naturalidade, tendo em vista do tamanho do agronegócio brasileiro, que atrai investidores globais, há também um pouco de cautela. “É uma concorrência saudável. Obriga todos a evoluírem”, afirmou ao Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) o CEO da Baldan, Fernando Capra.

Para ele, o interesse dos chineses reflete o próprio potencial do mercado brasileiro, mas há etapas importantes até a consolidação das marcas do gigante asiático aqui. “Tropicalização, rede de assistência técnica e construção de marca levam tempo. Tudo tem seu ciclo”, disse, lembrando que a Baldan, empresa familiar de Matão (SP), construiu sua presença no Brasil ao longo de quase um século – vai fazer 98 anos este ano.

A avaliação de que o desafio para a aceitação das máquinas chinesas por aqui vai além do preço é reforçada por executivos de montadoras multinacionais com atuação histórica no País. Para o head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da AGCO, Luis Felli, a entrada de novos competidores esbarra principalmente na estrutura de suporte ao cliente. “O grande desafio para qualquer empresa que queira se estabelecer aqui é a rede de concessionários”, afirmou. Segundo ele, o agricultor brasileiro não compra apenas um equipamento, mas um pacote de confiança que inclui peças, assistência técnica e previsibilidade ao longo de muitos anos de uso.

Felli chama a atenção para um ponto sensível: o valor de revenda. “Uma coisa é comprar uma máquina mais barata. Outra é saber por quanto você vai vender essa máquina no fim da vida útil e quem vai comprar”, disse. Na visão do executivo, esse fator pesa na decisão de compra e ainda favorece marcas já consolidadas, com mercado secundário estruturado.

Além disso, há o desafio técnico de adaptação ao ambiente brasileiro. “Aqui as máquinas trabalham em condições severas, muitas vezes 24 horas por dia. Não dá para simplesmente trazer um equipamento de outro mercado e operar direto”, afirmou Felli. Segundo ele, o processo de tropicalização – que envolve ajustes de engenharia e longos testes em campo – é indispensável e pode levar anos até atingir o padrão exigido pelos produtores locais.

Na visão da indústria nacional, a chegada dos chineses também evidencia mudanças na dinâmica global da cadeia de suprimentos. O COO da Indústrias Colombo, Neto Colombo, destaca que muitos fabricantes, inclusive no Brasil, já dependem, no mínimo, de componentes vindos da Ásia. “O que a gente busca é capturar valor dessa nova dinâmica, oferecendo soluções mais próximas, com menos risco logístico e mais previsibilidade”, afirmou. A estratégia da empresa inclui a produção local de itens hoje importados da China, como redutores planetários, reduzindo a dependência externa.

Ao mesmo tempo, Colombo vê espaço para convivência entre diferentes modelos de negócio. “O produtor busca eficiência, mas também segurança. E isso passa por proximidade, suporte e relacionamento”, disse.

Entre os executivos, há consenso de que o pós-venda é um dos principais diferenciais competitivos no Brasil. Para o vice-presidente da Fendt e Valtra e gerente-geral da AGCO América Latina, Marcelo Traldi, esse fator tende a pesar ainda mais em um ambiente de margens apertadas no campo. “A máquina agrícola é uma ferramenta de trabalho. O produtor não pode correr riscos”, afirmou, em coletiva de imprensa realizada na Agrishow. Segundo ele, a capilaridade da rede, a disponibilidade de peças e a rapidez no atendimento são decisivas na escolha do fornecedor.

Traldi também destacou o histórico das empresas já instaladas no País. “São décadas investindo, desenvolvendo produto, testando em campo. Isso constrói uma base que não se replica de um dia para o outro”, disse. Ele lembra que, mesmo pequenas mudanças em equipamentos exigem validações extensas antes de chegar ao mercado. “Nenhum produto é lançado sem 15 mil a 20 mil horas de teste.”

Apesar disso, o executivo reconhece que a competição tende a se intensificar. “Logicamente, preocupa sempre”, afirmou, ao comentar a entrada de novos players. Ainda assim, ele vê uma vantagem clara para quem já está estabelecido. “No agro, o diferencial é o pós-venda.”

Ao olhar para o movimento como um todo, os fabricantes brasileiros convergem em um diagnóstico: a presença chinesa deve crescer, impulsionada por competitividade em preço e escala industrial, mas enfrentará um caminho mais longo até conquistar a confiança plena do produtor rural. “Não é só colocar a máquina no campo. É provar, ao longo dos anos, que ela vai continuar lá, funcionando”, resumiu Felli.

O Estado de S.Paulo - SP   11/05/2026

A Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), consolidou-se mais uma vez como a principal vitrine do agronegócio brasileiro, e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) levou à feira uma agenda robusta, com foco em inovação, capacitação profissional, inclusão produtiva e fortalecimento regional.

Para Tirso Meirelles, presidente da Faesp, a marca do evento continua sendo a capacidade de antecipar tendências e aproximar o produtor rural das transformações no setor. “O fator mais importante que a Agrishow traz são as inovações tecnológicas”, disse, acrescentando que a feira e a proposta da entidade que preside concentraram soluções ligadas à agricultura de precisão, à irrigação, à produtividade e a novos equipamentos, incluindo maquinário movido a etanol.

Para garantir que esse avanço chegasse à base produtiva, a Faesp levou cerca de 10 mil produtores e trabalhadores rurais capacitados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) para visitar a feira. A proposta foi conectar trabalhadores rurais, técnicos e produtores às ferramentas que já começam a redefinir a dinâmica do campo brasileiro.

Entre elas, Meirelles destacou os drones agrícolas, usados no monitoramento de lavouras, pulverização e mapeamento de áreas. “Hoje temos em torno de 30 mil drones rodando na agricultura brasileira, mas o potencial é de 200 mil. E não existe mão de obra para isso”, afirmou. A mensagem reforça uma das propostas centrais da entidade: a inovação depende tanto de tecnologia quanto de gente preparada para operá-la.

Nesse contexto, a capacitação técnica ganhou protagonismo no estande e nas ações da Faesp. A entidade apresentou cursos voltados a uso de bioinsumos, manejo sustentável e novas formas de eficiência energética dentro das propriedades rurais. O executivo citou, por exemplo, o aproveitamento de resíduos orgânicos e efluentes para produção de gás e geração de energia.

Jovens Empreendedores do Agro

Outro eixo da participação da Faesp na Agrishow esteve atrelado à formação de novas lideranças no campo. A entidade apresentou o programa Jovens Empreendedores do Agro, voltado a adolescentes de 14 a 17 anos. O projeto faz com que os participantes dividam a rotina entre a escola regular e atividades práticas ligadas a agronegócio, gestão, tecnologia e empreendedorismo.

Na Agrishow, esses jovens receberam roteiros para visitar estandes e conhecer equipamentos, soluções digitais e tendências produtivas. “Isso se torna matéria curricular deles”, explicou Meirelles. A intenção era aproximar uma nova geração do universo agropecuário e estimular a sucessão familiar com visão empresarial e tecnológica.

Semeadoras do Agro

E foi no campo social e da inclusão que a Faesp buscou dar um dos sinais mais fortes de sua presença na feira. A comissão Semeadoras do Agro ganhou espaço de destaque ao reunir mulheres do meio rural em torno de capacitação, empreendedorismo e saúde. Segundo o executivo, a iniciativa já mobilizava cerca de 30 mil mulheres em São Paulo. Depois dessa mobilização inicial, parte das participantes seguia para novas etapas de formação e encontros presenciais. Em Ribeirão Preto, durante a Agrishow, ocorreu a reunião de aproximadamente 700 mulheres em atividades voltadas à liderança feminina no campo e à troca de experiências.

“Elas aprendem a ter o seu próprio negócio para que possam ser independentes financeiramente”, explica Juliana Farah, presidente da comissão. Além da dimensão econômica, o programa também leva atendimento preventivo gratuito relacionado ao câncer de colo do útero, de mama e de pele para regiões rurais.

Para a Faesp, o fortalecimento feminino no campo passou a ser estratégico tanto do ponto de vista social quanto produtivo. A crescente presença das mulheres na gestão de propriedades, no cooperativismo e no empreendedorismo rural foi tratada como vetor de modernização do setor.

Renda e competitividade

Outro tema levado pela Faesp à Agrishow foi o estímulo às cadeias produtivas locais. A proposta consistiu em organizar produtores de uma mesma região em torno de cadeias específicas, com assistência técnica, gestão, agroindustrialização e agregação de valor. Com isso, ampliaram-se renda e competitividade, inclusive com potencial exportador.

“Você vai levar assistência técnica gerencial, vai levar uma agroindústria para eles, para que a gente possa agregar valor e exportar esses produtos.” Ao trabalhar a cadeia, explicou o líder setorial, existem vários elos que são fortalecidos ao mesmo tempo. “Você trabalha também o agro, a indústria, o comércio e o serviço, fortalecendo a economia local e regional.”

Em um cenário de custos elevados, pressão sobre margens, instabilidade internacional e desafios de crédito, a Faesp usou a Agrishow para defender produtividade, planejamento de longo prazo e geração de valor.

CNN Brasil - SP   11/05/2026

A descarbonização das máquinas agrícolas começou a ganhar espaço, mas o cenário apresentado pelas fabricantes ainda está longe de indicar uma rota única para o setor. Em vez de consenso, o que apareceu na feira da Agrishow foi uma multiplicidade de estratégias — etanol, biometano, gás natural, hidrogênio, eletrificação e diesel renovável — em diferentes estágios de maturidade tecnológica e comercial.

Boa parte das soluções exibidas é ainda apenas um conceito, e uma parte menor segue em fase de testes, validação de durabilidade e análise de viabilidade operacional. As empresas reconhecem que o desafio não está apenas em desenvolver motores menos emissores, mas em adaptá-los às exigências do campo, onde potência contínua, autonomia e disponibilidade de abastecimento têm peso decisivo.

A avaliação predominante entre executivos ouvidos durante a feira é que a transição energética das máquinas agrícolas deve ocorrer de forma gradual e regionalizada, acompanhando as características da matriz energética de cada país.

Mas mais do que isso, as empresas reconhecem que as alternativas mais sustentáveis são o futuro e que ainda há uma etapa extensa de validação técnica antes de uma adoção em escala. E todas parecem querer alcançar antes a linha de chegada.
Etanol

Entre as alternativas apresentadas na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), o etanol apareceu como uma das apostas mais alinhadas ao contexto brasileiro, especialmente pela proximidade com o setor sucroenergético e de grãos e pela infraestrutura já existente de produção e distribuição do combustível.

A fabricante de motores FPT Industrial, do grupo Iveco, por exemplo, decidiu investir em motores desenvolvidos especificamente para operar com etanol em aplicações agrícolas pesadas.

“Quando analisamos a matriz energética brasileira, a abundância de combustíveis e principalmente no agronegócio, fica muito claro que o etanol vai ter um protagonismo muito forte no Brasil nos próximos anos”, disse Bernardo Brandão, presidente da empresa para a América Latina.

“O etanol é, sem dúvida, hoje, o óleo biocombustível com a menor pegada de carbono que nós temos, pode reduzir até 90% as emissões. Então, o agro pode ter um papel fantástico na descarbonização com a adoção dessa tecnologia”, disse.

Brandão explicou que a mudança, contudo, envolve uma ruptura tecnológica relevante em relação aos motores diesel tradicionalmente utilizados no agro. Motores ciclo Otto exigem outra arquitetura de funcionamento, incluindo sistemas de ignição inexistentes em motores diesel, o que provoca uma camada adicional de dificuldade para o desenvolvimento das tecnologias.

Os motores apresentados pela FPT já estão sendo testados em tratores, colheitadeiras e pás-carregadeiras da Case IH, Case Construction e outras empresas. Segundo a FPT, os equipamentos devem permanecer ao menos duas safras em avaliação antes de qualquer decisão comercial mais ampla.

Ao mesmo tempo, a companhia deixou claro que não vê o etanol como solução exclusiva. AFPT mantém investimentos paralelos em gás natural, biometano e eletrificação.

Durante a Agrishow, anunciou a ampliação de seu plano de investimentos na América Latina de R$ 130 milhões para R$ 250 milhões até 2028.
Em fase de testes

Na prática, a principal discussão técnica entre as fabricantes ainda gira em torno da validação operacional das novas tecnologias.

A Case IH apresentou uma colheitadeira e um trator movidos a etanol em operação experimental. Segundo Nilson Righi, gerente de Marketing Tático da empresa, os equipamentos já passaram por ciclos de safra sem interrupções relevantes.

A colheitadeira de duas linhas operou durante toda a safra passada, enquanto o trator acumulou cerca de 800 horas de trabalho. Os resultados iniciais, segundo a empresa, indicam desempenho próximo das metas estabelecidas de potência, torque e consumo. Ainda assim, os testes continuam.

“Os testes têm sido satisfatórios e nos conduzem a continuar os trabalhos na safra deste ano. Mas tem que comprovar a durabilidade e vida útil do motor”, afirmou Righi.

O próprio cronograma adotado pelas fabricantes mostra que a preocupação central ainda não é apenas eficiência energética, mas resistência operacional em condições severas de trabalho agrícola.

A discussão é especialmente relevante porque máquinas agrícolas trabalham sob cargas elevadas e longos períodos contínuos de operação, cenário diferente do mercado automotivo, onde o etanol já está consolidado há décadas.

Outro ponto levantado pelas empresas é que a adoção dessas tecnologias depende também do perfil de uso e disponibilidade de matéria-prima para os combustíveis. A pá-carregadeira movida a etanol apresentada pela Case Construction, por exemplo, foi pensada para usinas sucroenergéticas, onde o combustível já faz parte da operação cotidiana.

Nesse caso, a lógica econômica está associada não apenas à redução de emissões, mas à integração energética dentro da própria usina.
Biometano

Se o etanol ainda está em fase de validação mais intensa, o biometano apareceu, pelo menos na Valtra, como uma solução mais próxima. A empresa afirmou já ter acumulado mais de 20 mil horas de operação com máquinas movidas a biometano em testes de campo.

Segundo Marcelo Traldi, vice-presidente da Valtra e Fendt para a América Latina, o lançamento comercial deve ocorrer em 2027. Já o trator a etanol, com mais de 10 mil horas de teste acumuladas, no ano-safra 2028/29.

A estratégia da AGCO, grupo que controla Valtra, Massey Ferguson e Fendt, indica uma abordagem diversificada. Enquanto a Valtra trabalha simultaneamente com etanol e biometano, a Massey Ferguson informou desenvolver tratores movidos a etanol na faixa de 200 a 300 cavalos e também realiza testes com metano.

Já a Fendt destacou soluções que já chegaram ao mercado europeu, como tratores elétricos e modelos compatíveis com diesel renovável. Ainda assim, a empresa reconhece que a expansão dessas tecnologias para o Brasil depende de fatores externos, especialmente infraestrutura energética.

“Vamos entender como está a demanda e ver a possibilidade de áreas remotas terem recarga”, segundo a Fendt. A eletrificação, embora presente nas discussões globais, apareceu na feira mais associada ao contexto europeu do que à realidade imediata do campo brasileiro.
Hidrogênio

A JCB afirmou apostar em motores a combustão movidos a hidrogênio em vez da eletrificação por baterias para máquinas pesadas. Segundo Adriano Merigli, presidente da companhia, o peso das baterias e a necessidade de operação contínua dificultam a adoção de máquinas totalmente elétricas em determinadas aplicações agrícolas e de construção.

A fabricante informou que já iniciou comercialização de equipamentos a hidrogênio na Europa, mas reconheceu que a infraestrutura de abastecimento ainda é um entrave mesmo em mercados mais avançados.

“Nós ainda não resolvemos a questão do hidrogênio nem mesmo na Europa”, afirmou.

No Brasil, a empresa mantém estudos em parceria com universidades e empresas para avaliar a viabilidade da tecnologia.

Assim, sem uma definição clara sobre qual tecnologia deve prevalecer, o setor avança hoje em múltiplas rotas simultaneamente. E, ao menos por enquanto, a estratégia das fabricantes parece menos ligada à substituição imediata do diesel e mais à construção gradual de alternativas capazes de operar dentro da realidade do campo brasileiro. E, claro, em ser a primeira fabricante a trazer a novidade.

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