IstoÉ Dinheiro - SP 15/04/2026
A União Europeia (UE) chegou a um acordo político para elevar de 25% para 50% as tarifas sobre importações de aço acima de cotas e reduzir significativamente os volumes isentos, em uma tentativa de proteger o setor diante do excesso global de oferta, segundo comunicado do Parlamento Europeu.
O entendimento prevê cortar quase pela metade o volume de importações livres de tarifa, para 18,3 milhões de toneladas por ano, uma redução de 47% em relação a 2024. A nova alíquota de 50% também será aplicada a produtos de aço fora do escopo das cotas.
A medida substituirá o atual mecanismo de salvaguardas, em vigor desde 2018 e com vencimento em 30 de junho de 2026, e pode entrar em vigor já em 1º de julho, após aprovação formal do Conselho e do Parlamento.
O pacote também reforça a rastreabilidade das importações, exigindo que exportadores detalhem a origem do aço, incluindo onde ocorreu a fundição e o vazamento do metal, fator que será considerado na distribuição de cotas entre países.
O regulamento prevê ainda uma revisão em seis meses para avaliar possível ampliação do escopo de produtos. A indústria siderúrgica europeia, que já perdeu cerca de 100 mil empregos desde 2008, enfrenta pressão de importações mais baratas em meio à intensificação de medidas protecionistas no comércio global.
Money Times - SP 15/04/2026
A CSN (CSNA3) está avançando com a venda de sua unidade de cimento, que pode render mais de R$10 bilhões, de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto.
As negociações envolvem participantes locais e internacionais, incluindo Votorantim e J&F, bem como as empresas chinesas Anhui Conch Cement, Huaxin Cement, que adquiriu uma empresa brasileira em 2024; e Sinoma International.
CSN, Votorantim e J&F não comentaram o assunto. Anhui Conch, Huaxin e Sinoma não responderam aos pedidos de comentários.
A Votorantim, maior fabricante de cimento do Brasil, poderia fazer uma oferta sozinha pela CSN Cimentos, segunda maior do setor, ou com um parceiro, se decidir prosseguir com a aquisição, de acordo com uma das fontes. A mesma fonte disse que a J&F estava discutindo uma oferta potencial no valor de R$ 10 bilhões pela empresa.
O diretor financeiro da CSN, Marco Rabello, disse recentemente que a empresa espera concluir a venda da unidade de cimentos e vender uma participação na empresa de logística do grupo até o terceiro trimestre, potencialmente levantando até R$18 bilhões que serão usados para reduzir a dívida do conglomerado.
Rabello também disse que a CSN contratou o Morgan Stanley para assessorar a venda do controle da CSN Cimentos e encarregou o Bradesco e o Citibank de assessorar o processo envolvendo sua empresa de logística.
Por Reuters
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
O Estado de S.Paulo - SP 15/04/2026
A Plataforma de Comércio de Produtos China-Brasil (CBBC) foi formalmente lançada nesta terça-feira, 14, durante a Conferência de Intercâmbio e Cooperação Econômica e Comercial entre a China (Shandong) e o Brasil, com a proposta de reduzir gargalos históricos no comércio bilateral, especialmente no agronegócio. A iniciativa é liderada pela presidente do Qingdao Muyifan Holding Group e fundador da plataforma, Yang Fan.
“O motivo é oferecer as melhores soluções de abastecimento estáveis, confiáveis e profissionais para todos os clientes, especialmente no setor de agricultura”, afirmou, durante evento em São Paulo.
Segundo ela, apesar do avanço das trocas entre os dois países, persistem desafios estruturais relevantes. Yang citou “distância geográfica”, “falta de profissionais bilíngues”, “mecanismos de crédito ainda não totalmente desenvolvidos” e problemas pontuais, como abandono de cargas ou falhas documentais. “O compartilhamento das informações não está bem feito”, disse.
A CBBC foi desenhada para atuar como um hub integrado de serviços, conectando empresas brasileiras e chinesas em diferentes etapas da cadeia. “Se você tem uma fábrica boa que pode atender o mercado do Brasil ou o mercado da China, podemos trazer os seus produtos para os dois países”, afirmou. A estrutura inclui centros de distribuição e galpões em ambos os mercados.
Um dos pilares da plataforma é a digitalização das operações. “Queremos deixar todos os documentos e o rastreamento em um único site”, disse Yang Fan, destacando que a proposta é permitir o acompanhamento completo das cargas e facilitar pedidos com entregas rápidas.
A iniciativa também pretende atuar na curadoria de fornecedores e mitigação de riscos comerciais. “Podemos dar uma boa sugestão de quais são mais confiáveis, têm mais crédito”, afirmou, citando o uso de ferramentas de análise e histórico de transações. Segundo ela, o serviço será oferecido sem custo para produtores.
Além disso, a plataforma prevê suporte institucional e regulatório. “Fazemos registro de empresa, certificação, estudos de crédito e consultoria”, disse, mencionando também apoio em processos alfandegários.
O lançamento ocorre em um momento de intensificação das relações comerciais entre Brasil e China. “A China já é há anos a maior parceira comercial do Brasil”, afirmou Yang, destacando que o país asiático se mantém como principal destino dos produtos agrícolas brasileiros.
Do lado chinês, ela ressaltou o crescimento recente das exportações para o Brasil. “A China teve crescimento de 36% de 2025 em comparação com 2024”, disse. Yang também chamou atenção para o papel da província de Shandong no comércio com o Brasil. “Shandong é a província que exporta mais produtos agrícolas para o Brasil”, afirmou.
A expectativa com a CBBC é ampliar o fluxo e diversificar a pauta comercial entre os países. “Queremos trazer mais produtos brasileiros para a China, como café, mandioca, açaí, guaraná e carne”, disse. “Já importamos carne do Brasil, de muito boa qualidade e com preço muito bom.” Além do agronegócio, a plataforma deve avançar em outros segmentos, como máquinas agrícolas e equipamentos eletrônicos.
Globo Online - RJ 15/04/2026
O ritmo de crescimento das exportações chinesas desacelerou acentuadamente em março, após começar o ano com um avanço expressivo, enquanto as importações dispararam, à medida que fatores sazonais se somaram aos efeitos da guerra no Irã sobre o fornecimento global de energia.
Quase 40% do crescimento das importações veio de produtos de alta tecnologia, segundo a Pantheon Macroeconomics. As compras de circuitos integrados saltaram mais de 50% em relação ao ano anterior, impulsionadas pelo boom da inteligência artificial.
“A queda no crescimento das exportações da China em março provavelmente tem mais a ver com distorções causadas pelo feriado do Ano Novo Lunar do que com o choque da guerra no Irã. Mas o impacto do conflito sobre a demanda global e a logística do comércio cobrará seu preço sobre os embarques daqui para frente — e quanto mais tempo durar, maiores serão os danos”, afirmou Eric Zhu, economista da Bloomberg Economics.
Impacto da guerra no Irã é incerto
O impacto da guerra no Irã sobre as perspectivas das exportações da China permanece incerto. O conflito pode resultar em maior demanda global por produtos verdes chineses, como painéis solares, pelo menos no curto prazo.
De fato, as vendas externas de veículos elétricos e híbridos chineses já dobraram em março, atingindo um novo recorde. Montadoras chinesas superaram concorrentes japonesas na Austrália pela primeira vez e dobraram sua participação de mercado no Reino Unido.
Por outro lado, os preços elevados do petróleo tendem a provocar um aperto monetário em algumas economias, além de prejudicar os gastos dos consumidores em todo o mundo — um fator negativo para as fábricas chinesas.
— Esse crescimento inesperadamente fraco das exportações provavelmente não é impulsionado por uma desaceleração da demanda externa —disse Serena Zhou, economista-chefe para a China na Mizuho Securities. — O forte crescimento das exportações de alta tecnologia e das importações para processamento no mesmo período sugere que o sólido ritmo das exportações permanece intacto.
O Estado de S.Paulo - SP 15/04/2026
O quadro é incomum: uma inflação acima da meta por variáveis fora do alcance da política doméstica; a variável decisiva para 2026 está nas negociações entre Washington e Teerã
Após encerrar 2025 em 4,26%, a inflação de 2026 deve fechar em 5,19%, acima do teto de 4,5% da meta e mais de 2 pontos porcentuais acima do centro (3%). Os determinantes domésticos seguem trajetória favorável em relação a 2025: a inércia cai de 0,21 para 0,19 ponto porcentual, o hiato do produto é neutro, e o câmbio mantém contribuição negativa.
A continuidade do ciclo de aperto monetário no ano passado explica a melhora dos fundamentos domésticos — o que torna ainda mais nítido que a piora se origina exclusivamente no cenário externo.
A guerra entre EUA e Irã levou o Brent de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100 o barril, perturbando cerca de 20% do fornecimento global via Estreito de Ormuz. O petróleo, que havia contribuído com -0,29 ponto porcentual em 2025 (desinflacionário), inverte para +0,31 ponto porcentual em 2026 — uma virada de +0,60 ponto porcentual num único componente.
O efeito se propaga pelas cadeias logísticas, com o encarecimento do diesel e a elevação do custo de frete, pressionando os preços dos alimentos. Além do efeito direto sobre os preços, a alta do petróleo deteriora as expectativas de inflação, que por sua vez elevam a própria projeção do modelo — e as expectativas contribuem com 1,37 ponto porcentual ao desvio em relação à meta.
A implicação para o Copom é delicada. Apertar a política monetária para combater um choque de oferta externo tem custo real de atividade sem garantia de resultado desinflacionário — a âncora da demanda não atinge o preço do barril.
O Banco Central iniciou em março o ciclo de calibração, reduzindo a Selic de 15% para 14,75% (projetada a 12,75% ao fim de 2026 pela GO Associados). Esse caminho foi traçado num cenário de petróleo colaborativo.
Com o choque externo invertendo o sinal neste ano, o próprio Banco Central não descarta rever o ciclo — e a probabilidade de o IPCA superar o teto de 4,5% subiu de 23% para 30% no último Relatório de Política Monetária.
Há ainda o paradoxo estrutural: o Brasil tornou-se exportador líquido de petróleo e se beneficia da alta via balança comercial, mas o consumidor paga o Brent na bomba, devido aos repasses de preços.
Subvencionar combustíveis — opção ventilada em Brasília e que já se mostrou custosa na experiência de contenção de preços entre 2011 e 2014 — tem potencial limitado e pode agravar desequilíbrios fiscais que o mercado já precifica.
O quadro é incomum: uma inflação acima da meta causada por variáveis fora do alcance da política doméstica. A variável decisiva para 2026 não está nas atas do Copom – está nas negociações entre Washington e Teerã.
IstoÉ Dinheiro - SP 15/04/2026
A economia mundial será afetada este ano pela guerra no Oriente Médio, segundo a análise mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicada nesta terça-feira (14), que prevê um crescimento de 3,1%, uma redução de 0,2 ponto percentual na comparação com a estimativa anterior.
Os Estados Unidos serão menos afetados pelo conflito que desencadearam em conjunto com Israel. O crescimento da economia americana será de 2,3% em 2026, 0,1 ponto percentual a menos do que o previsto na publicação anterior, divulgada em janeiro.
“Nossas previsões de referência são baseadas em um conflito relativamente curto, com uma perturbação temporária do mercado de energia que desapareceria no próximo ano”, destacou Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, em declarações à AFP.
“Mas antes da guerra, estávamos nos preparando para revisar as nossas previsões de alta para até 3,4%”, ressaltou.
– Impacto desigual –
Se o conflito for prolongado, o impacto poderá ser enorme: o pior cenário contempla um crescimento de 2%, uma queda que recorda episódios de contração como a crise financeira de 2008 e a pandemia de 2020.
Em uma decisão incomum, os dirigentes do FMI, do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia (AIE) se reuniram antes do início do encontro anual do Fundo em Washington.
O diretor da AIE, Fatih Birol, afirmou que o mês de abril poderá ser pior do que março para o abastecimento de energia mundial.
O aumento expressivo dos preços do petróleo deverá impulsionar a inflação, que até agora permanecia moderada, para alcançar a média de 4,4% a nível mundial, ou seja, 0,6 ponto a mais do que a previsão anterior do FMI em janeiro.
Se o conflito for solucionado na mesa de negociações, “deve ocorrer um leve aumento da inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, mas não deve ser prolongado. Os preços deverão retomar sua trajetória de desaceleração em 2027”, disse o economista-chefe do FMI.
O impacto do conflito, tanto em termos de perda de crescimento como de aumento de preços, é distribuído de maneira desigual pelo mundo: os preços devem subir com mais força nos países emergentes ou em desenvolvimento do que nas economias avançadas, onde a inflação deve voltar mais rapidamente a se aproximar do índice de 2% em 2027.
Sem grande surpresa, a região do Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central é a mais afetada pelos efeitos da guerra, com um crescimento reduzido à metade no conjunto dos países.
A Arábia Saudita, principal economia da região, teve uma revisão de crescimento para 3,1% neste ano, 1,4 ponto a menos do que a estimativa anterior do FMI, antes de voltar a registrar, a princípio, uma expansão em 2027.
Na América Latina e no Caribe, as perspectivas permanecem em leve alta (+0,1 ponto percentual), com um crescimento de 2,3%.
– Os emergentes resistem, as economias avançadas menos –
Entre os demais países emergentes ou em desenvolvimento, o impacto deverá ser desigual, com uma revisão em baixa do crescimento mais acentuada na África Subsaariana ou na Europa Central e do Leste do que no continente asiático, por exemplo.
O impacto deve ser mínimo, ou até inexistente, para as principais economias emergentes: a China perderia apenas 0,1 ponto de crescimento este ano, a 4,4%, enquanto a Índia vê o seu crescimento revisado em alta de 0,1 ponto, para 6,5%, e o Brasil em 0,3 ponto, a 1,9%.
Outra possível beneficiada é a Rússia, que deve registrar crescimento de 1,1% este ano, contra 0,8% da estimativa anterior.
Para Moscou, o aumento do preço do petróleo é “uma boa notícia em termos de receitas de exportação. É uma das principais razões que nos levaram a elevar a nossa projeção de crescimento para a Rússia”, explicou o economista-chefe do FMI.
A zona do euro teve uma queda na previsão de crescimento de 0,2 ponto, a 1,1%, mas com um impacto que será diferente de um país para outro. A Espanha perde 0,2 ponto na comparação com a estimativa anterior, com alta de 2,1% do PIB (1,8% em 2027). A Alemanha crescerá apenas 0,8% e a França 0,9%.
Globo Online - RJ 15/04/2026
As tarifas do presidente Donald Trump podem ser restabelecidas até julho aos níveis vigentes antes de a Suprema Corte derrubar muitas de suas medidas, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
“Tivemos um revés na Suprema Corte em relação à política tarifária, mas vamos implementar ou conduzir investigações sob a Seção 301, de modo que as tarifas podem voltar ao nível anterior no início de julho”, disse Bessent nesta terça-feira, em um evento do Wall Street Journal, em Washington.
O secretário do Tesouro afirmou que, como a autoridade tarifária da Seção 301 já foi testada nos tribunais, líderes empresariais podem começar a planejar e tomar decisões relacionadas a investimentos de capital.
Trump busca restabelecer sua política de tarifas usando diferentes instrumentos legais, após a Suprema Corte decidir que o uso de poderes de emergência para impor essas tarifas anteriores era inconstitucional.
Bessent disse que, embora seja difícil determinar quando os efeitos da guerra no Irã vão “chegar” à economia dos Estados Unidos, ela segue em boa forma.
“Acho que o crescimento pode facilmente superar 3% ou até 3,5% neste ano”, afirmou.
Ele acrescentou que é um bom sinal o fato de a inflação subjacente — que exclui os preços mais voláteis de energia e alimentos — continuar em queda.
“Acho que o Fed tem errado em relação à inflação, e a inflação subjacente está caindo”, disse Bessent. “Entendo se eles quiserem esperar até que os dados estejam mais claros, mas isso significa que as taxas de juros deveriam cair muito mais.”
Ainda assim, o relatório de março que mostrou desaceleração da inflação subjacente também registrou uma forte alta no índice geral de preços ao consumidor, que inclui os preços da gasolina.
Infomoney - SP 15/04/2026
O ritmo de valorização do real ante ao dólar deve enfraquecer, ao menos em curto prazo, exportações industriais brasileiras. Ainda que o atual patamar do dólar possa baratear a importação de insumos e bens de capital, como máquinas e equipamentos, os manufaturados brasileiros devem perder competitividade.
A avaliação, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), é de que o encarecimento relativo de produtos brasileiros em moeda estrangeira comprime as margens de lucro e “pode limitar o avanço das exportações do setor”.
“Por outro lado, o câmbio mais apreciado barateia a importação de insumos e bens de capital, ajudando a reduzir custos e a melhorar a eficiência produtiva”, disse a CNI em nota ao InfoMoney. “O saldo final depende desse equilíbrio, mas, no curto prazo, a tendência é de algum enfraquecimento nas exportações industriais”.
Na última segunda-feira, a moeda americana fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos. Especialistas têm observado uma tendência de manutenção do fluxo vendedor da moeda americana no curto prazo, o que reforça o viés negativo — e, consequentemente, positivo para o real.
Dólar fecha em queda e renova mínimas abaixo de R$ 5 com espera por acordo EUA-Irã
Parte do movimento de venda de dólares e valorização de moedas de países emergentes se justifica pela Guerra no Oriente Médio, que afastou dólares de mercados mais diretamente impactados pelo conflito e a interrupção do fornecimento de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz.
“A alta das commodities melhora os termos de troca e reforça a entrada de divisas, enquanto o preço ainda atrativo dos ativos brasileiros, após um longo período de desvalorização cambial, tem impulsionado o fluxo de capital estrangeiro”, avalia a CNI. Para a Confederação, o cenário é mais desafiador para a indústria, já que preços internacionais ainda elevados não comprometem setores como o de exportações agrícolas.
Infomoney - SP 15/04/2026
Os futuros do minério de ferro caíram nesta terça-feira, depois que o comprador estatal de minério de ferro da China suspendeu as proibições a carregamentos da mineradora australiana BHP, aumentando a oferta disponível para as siderúrgicas chinesas.
O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China foi negociado em queda de 0,07%, a 758,5 iuanes (US$111,27) a tonelada.
Exportações da China desaceleram em março após guerra do Irã afetar demanda global
A segunda maior economia do mundo iniciou 2026 com forte impulso na demanda de produtos eletrônicos alimentada pela IA
O minério de ferro de maio, referência na Bolsa de Cingapura, recuava 1,1%, a US$103,5 a tonelada.
A China, maior consumidor de minério de ferro do mundo, suspendeu as proibições à compra de minério da gigante da mineração BHP, disseram fontes à Reuters nesta terça-feira, encerrando uma disputa de meses após uma visita dos principais executivos da mineradora ao seu maior cliente.
O comprador estatal CMRG notificou algumas usinas siderúrgicas chinesas de que estavam liberadas para comprar cargas marítimas da BHP, disseram duas fontes com conhecimento do assunto, que pediram anonimato.
As importações de minério de ferro da China em março aumentaram 11,5% em relação ao ano anterior, para 104,74 milhões de toneladas, mostraram dados da Administração Geral de Alfândega da China nesta terça-feira.
Os embarques globais de minério de ferro aumentaram em 844.000 toneladas de 6 a 12 de abril em comparação com a semana anterior, com os embarques dos principais produtores, Austrália e Brasil, subindo 2,335 milhões de toneladas, mostraram dados da consultoria Mysteel.
Portal Fator Brasil - RJ 15/04/2026
Com investimentos de R$ 300 milhões em equipamentos, automação e qualificação, companhia que atua no Açu é o 4º maior porto do Brasil no setor.
Com foco em eficiência, segurança e sustentabilidade, a Ferroport, operadora do terminal de minério de ferro no Porto do Açu, localizado no município de São João da Barra, no Norte do Rio de Janeiro, investiu aproximadamente R$ 300 milhões, nos últimos três anos, em modernização de equipamentos e vem registrando avanços operacionais.
Assim, garante elevada disponibilidade dos equipamentos e maior previsibilidade na operação portuária de armazenamento e embarque do minério produzido pela mineradora Anglo American. O produto é extraído em uma mina em Conceição de Mato Dentro (MG) e transportado por um mineroduto de 529 quilômetros, considerado o maior do mundo, percorrendo 33 municípios até o porto. No terminal, o minério passa por filtragem, é estocado e, em seguida, exportado via navio para diversos países e continentes.
Impulsionada pelos novos investimentos, incluindo qualificação e formação de mão de obra local, a Ferroport alcançou no ano passado a marca histórica de 200 milhões de toneladas embarcadas, desde o início das operações em 2014. Conectando recursos minerais brasileiros aos mercados globais, a companhia, atualmente, está entre os terminais com menor tempo médio de estadia de navios no país, com indicadores abaixo da média brasileira segundo a Antaq, e entre os principais portos em movimentação de minério de ferro do Brasil, ocupando a quarta posição no ranking nacional.
Na Intermodal South America 2026, de 14 a 16 de abril (terça a quinta-feira) no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), a Ferroport vai apresentar seu modelo de negócio no Estande G053, junto com o Porto do Açu e o Porto de Antuérpia-Bruges. Em destaque, as soluções em gestão eficiente de ativos portuários, com foco em segurança, inovação e digitalização.
—A Intermodal é uma excelente oportunidade de estreitar relacionamentos com nossos stakeholders, compartilhar informações sobre o nosso crescimento sustentável, que consolidou a Ferroport como um operador logístico eficiente, confiável e competitivo no cenário global—afirma o gerente geral de Operações da Ferroport, Luiz Francisco Silva.
A logística na Ferroport é orientada por dados, sincronizando pátio, suas máquinas automatizadas e operações marítimas. Com a busca por inovação e soluções digitais, foi desenvolvido internamente, por exemplo, o projeto Dockflow, que apoia a programação de manobras e a sequência de navios. A companhia também adotou sistemas de detecção de contaminantes com visão computacional e identificação de materiais indesejados antes do embarque, evitando interrupções e assegurando a qualidade. E, atualmente, utiliza drones aéreos e subaquáticos para inspeções, atendendo às demandas da logística global de exportação.
Certificação GPTW e 1º lugar no Prêmio Antaq em ESG —Na área social, a Ferroport, que gera mais de 600 empregos diretos e indiretos em São João da Barra e região, vem investindo cerca de R$ 8 milhões por ano, em projetos de educação, esportes e cultura. A empresa também foi reconhecida, pela quarta vez, como um excelente lugar para trabalhar pelo Great Place to Work (GPTW), com nota geral 92, a maior da história da companhia, e adesão de 93% dos trabalhadores na pesquisa de clima.
A Ferroport conquistou ainda o 1º lugar no Prêmio Antaq 2025, na categoria Terminais de Uso Privado acima de 5 milhões de toneladas movimentadas por ano. O resultado reconhece o desempenho ambiental da empresa e consolida a evolução da sua operação. Em 2024, a companhia havia alcançado o 2º lugar e, neste ano, assumiu a liderança. A premiação foi entregue em fevereiro, em Brasília (DF), durante a 10ª edição do Prêmio Antaq, iniciativa da Agência Nacional de Transportes Aquaviários que dissemina e fomenta a produção técnico-científica e as melhores práticas em ESG no setor.
Além do primeiro lugar, a Ferroport evoluiu no rating ESG pela metodologia da consultoria ERM (Environmental Resources Management) atingindo a maior pontuação histórica: 9,60. O marco evidencia a consistência da sua estratégia e a integração da sustentabilidade ao seu modelo de negócio, reforçando o compromisso com uma operação ainda mais eficiente, responsável e alinhada às melhores práticas do setor.
Ferroport — A Ferroport é responsável pela operação do terminal de minério de ferro do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte do Estado do Rio de Janeiro. A companhia se dedica à operação portuária de armazenamento e embarque do minério e ao atendimento da mineradora Anglo American. O produto é extraído em uma mina em Conceição de Mato Dentro (MG) e transportado por um mineroduto de 529 km, considerado o maior do mundo, percorrendo 33 municípios até o porto. No terminal, o minério passa por filtragem, é estocado e, em seguida, exportado via navio para diversos países e continentes.
A operação da Ferroport, cujo primeiro embarque ocorreu em outubro de 2014, trabalha 24 horas por dia, 365 dias por ano, com capacidade nominal de embarque de dez mil toneladas por hora. A companhia tem forte compromisso com a segurança, os colaboradores, o meio ambiente, a comunidade local e os acionistas, sempre buscando garantir a eficiência operacional, de forma sustentável e segura para todos os seus stakeholders.
Diário do Comércio - MG 15/04/2026
Minas Gerais possui 21 barragens de mineração embargadas porque as empresas não enviaram ao Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM) a Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) ou remeteram sem atestar a estabilidade. O Estado responde pela metade das estruturas com embargo no Brasil.
É o que mostra o relatório da Agência Nacional de Mineração (ANM), que apresenta a consolidação das declarações recebidas referentes à campanha de entrega do primeiro semestre de 2026, cujo período de encaminhamento ocorreu entre 1º e 31 de março.
Em relação à campanha do segundo semestre do ano passado, com prazo de envio pelas mineradoras entre 1º e 30 de setembro, o número de barragens embargadas aumentou. À época, a autarquia federal não recebeu a DCE ou registrou seu recebimento sem que a estabilidade estivesse atestada para 16 estruturas em Minas Gerais e 36 no País.
Estruturas sem estabilidade declarada no Estado
Especificamente no Estado, a Vale não atestou a estabilidade de seis barragens no primeiro semestre deste ano, assim como também ocorreu na campanha do primeiro semestre de 2025. As estruturas da companhia que não tiveram estabilidade atestada foram a Sul Superior, localizada em Barão de Cocais; Xingu (Mariana); 7A (Nova Lima); Forquilha I; Forquilha II; e Forquilha III (as três últimas ficam no município de Ouro Preto).
O mesmo aconteceu com a ArcelorMittal Brasil, que deixou de atestar mais uma vez a estabilidade da barragem Serra Azul (Itatiaiuçu), e com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), com a Bacia Nestor Figueiredo e a barragem D4 (ambas em Caldas).
Duas empresas que haviam atestado estabilidade na última campanha não atestaram desta vez. Foram elas a Topázio Imperial Mineração, com a barragem Água Fria (Ouro Preto), e a Extrativa Metalurgia, com a barragem Rejeitos (Fortaleza de Minas).
Outras duas mineradoras tinham atestado estabilidade, mas agora não enviaram a DCE para a ANM: a Mineração Germinal, com a Água Limpa (São Tiago), e a Morro Agudo Minerais, com as barragens 1, 2 e 3 (todas em Paracatu).
Já a Green Metals, que não havia enviado a declaração de estabilidade da barragem Mãe D’Água (Nova Era), mais uma vez não encaminhou ao SIGBM. Igualmente fez a Emicon Mineração e Terraplenagem, não remetendo as declarações das barragens B1A e Quéias e dos diques B3 e B4 (as quatro estruturas situadas no município de Brumadinho).
Completando as 21 barragens embargadas em Minas Gerais, a Mineração Santa Cruz não enviou a DCE do dique Santa Cruz (Ouro Preto). A estrutura foi enquadrada no Plano Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) no dia 30 de abril do ano passado e, portanto, passou a ser obrigada a encaminhar o documento a partir desta campanha.
Por outro lado, a Vale atestou estabilidade de duas barragens que não tinham atestado anteriormente. As estruturas da empresa que deixaram a lista de embargo foram a Norte/Laranjeiras (Barão de Cocais) e a Pontal (Itabira).
O Estado de S.Paulo - SP 15/04/2026
Carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in foram a escolha de cerca de 16% dos consumidores brasileiros que compraram carros novos no Brasil no primeiro trimestre deste ano. Em todo o ano passado, a participação foi de 11%, conforme números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
De janeiro a março, foram vendidos 95.621 modelos eletrificados, mais de 40% fabricados no País, especialmente os híbridos. Em relação ao total comercializado no mesmo período de 2025, o crescimento foi de 88,6%.
O aumento constante da participação de veículos com novas tecnologias está relacionado, em grande parte, à chegada de montadoras chinesas nos últimos três anos. Elas oferecem carros elétricos e híbridos a preços competitivos, alto nível de tecnologia e design diferenciado.
“A imagem das chinesas passou a ser de inovação e, ao anunciarem produção local, ganharam credibilidade”, diz Rogélio Golfarb, que atuou por 45 anos na indústria automotiva brasileira e hoje é CEO da consultoria ZAG Work. Segundo ele, as empresas novatas estão ganhando participação em um mercado estagnado, ou seja, tirando fatias de marcas tradicionais.
Esse movimento de alta tem atraído novas marcas da China ao País — há cerca de 30 delas atuando com montagem local, importação ou fazendo testes de avaliação do mercado. Várias das que trazem modelos importados têm planos de produção no País. Golfarb projeta que, até 2035, as chinesas serão responsáveis por 35% das vendas de automóveis e comerciais leves no País.
A soma inclui as montadoras tradicionais, que já têm participação de mais de 40%, especialmente nas vendas de híbridos, muitos deles com tecnologia flex. Os 100% elétricos ainda devem demorar para ter presença mais marcante na produção local, embora já haja exemplos. A General Motors está montando o compacto Spark em uma fábrica terceirizada em Horizonte (CE) e, em breve, entrará na linha a Captiva elétrica.
“O cenário do Brasil ainda é de desenvolvimento no segmento de elétricos, mesmo porque o País tem o etanol”, diz a sócia da PwC Brasil, Carolina Godoy.
Um entrave importante é a falta de infraestrutura de carregamento de baterias. A China, diz ela, tem um mercado muito mais avançado e já está em outra fase, como a de desenvolvimento de tecnologias de recarga ultrarrápidas, com tempo similar ao do abastecimento na bomba de combustível.
Participação global
Os eletrificados representaram 43,9% das vendas de automóveis e comerciais leves em todo o mundo, segundo relatório global da consultoria PwC. Em 2025, foram vendidos 31 milhões de veículos elétricos, híbridos e plug-in, um aumento de 18% em relação ao ano anterior.
As vendas de modelos a combustão caíram 5,19%, para 39,6 milhões de unidades. A China é, de longe, o maior mercado, com 14,7 milhões de eletrificados, ou 54,2% de todas as suas vendas no ano passado. “Os chineses operam em uma velocidade muito superior às montadoras ocidentais”, justifica Fernando Trujillo, da S&P Global Mobility.
No Brasil, as vendas de carros a combustão (flex, gasolina e diesel) caíram 1,9% no ano passado, para 2,26 milhões de unidades, de acordo com a Anfavea.
Carolina tem dúvidas se o mercado de eletrificados seguirá crescendo nesse mesmo ritmo. “Os carros em geral estão com preços altos, inclusive os das chinesas, que trazem ao País principalmente modelos premium”, diz. “Para conquistar o mercado de baixo e maior volume, elas terão de trazer também modelos mais baratos.”
Valor - SP 15/04/2026
Nova rodada de incentivo de incluir ônibus e pode contemplar também implementos rodoviários
O governo federal estuda destinar até R$ 20 bilhões para o programa Move Brasil, criado no fim do ano passado com o objetivo de incentivar a renovação da frota de caminhões e operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Quando o programa foi anunciado, disponibilizou R$ 10 bilhões em crédito do Tesouro e do BNDES. A nova rodada deve manter o modelo que combina recurso público com funding próprio do banco. A nova linha pode incluir também ônibus.
Fontes do setor privado afirmaram ao Valor que foram informados que o Move Brasil poderia ofertar mais R$ 10 bilhões, no contexto das medidas preparadas pelo governo para estimular a economia. Membros do Executivo, contudo, apontam que podem ser destinados mais, e a cifra pode chegar a R$ 20 bilhões. Segundo um interlocutor, uma possibilidade seria R$ 16 bilhões vindos do Tesouro e R$ 4 bilhões de funding do BNDES.
O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou nesta terça-feira, 14, que o programa deverá ter “outra tranche”, desta vez incluindo ônibus. Há também a possibilidade de incluir implementos rodoviários, apurou o Valor. Alckmin reforçou que R$ 10 bilhões destinados à linha já foram esgotados.
No ano passado, o acesso ao crédito foi condicionado à substituição de veículos antigos e a linha foi desenhada com limite de R$ 10 bilhões, sendo R$ 4 bilhões do BNDES e R$ 6 bilhões aportados pelo Tesouro. As taxas de juros variavam entre 13% e 14%.
Para viabilizar a nova rodada, uma das alternativas em análise é recorrer a um dispositivo da Emenda Constitucional 136 que permite, entre 2025 e 2030, direcionar até 25% do superávit dos fundos para financiamentos reembolsáveis ligados a projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além de iniciativas de transformação ecológica.
Em meio à desaceleração da economia e diante do ano eleitoral, o governo avalia novas medidas de crédito direcionadas a setores específicos, com o objetivo de identificar onde a atividade foi mais afetada e que estímulos podem induzir investimento, redução da ociosidade ou preservação da capacidade produtiva.
Para o Banco Central, medidas desse tipo podem ir na contramão da política de juros e, mesmo voltadas ao investimento, tendem a acelerar a demanda e atividade no curto prazo, com risco de pressionar a inflação.
Técnicos da área econômica argumentam que a iniciativa não busca impulsionar o consumo nem o mercado de trabalho de forma ampla, mas sim atingir segmentos com maior capacidade de resposta, seja pela estrutura verticalizada das cadeias produtivas, seja pelo nível de ociosidade existente.
Ainda no reforço da oferta de crédito, também está em estudo usar cerca de R$ 25 bilhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para linhas de inovação em geral, como foco em agronegócio e aquisição de equipamentos. Estes recursos são referentes à uma lei sancionada no ano passado que permitiu o uso do superávit financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) pela Finep.
Como mostrou o Valor, está em avaliação também uma linha de crédito para carros sustentáveis, voltada a motoristas de aplicativo e taxistas. Em outra frente, o governo prepara um novo aporte no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que dá apoio ao Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac), com o objetivo de conceder empréstimos novos a microempreendedores individuais, microempresas, empresas de pequeno e médio portes.
Para viabilizar a medida, o governo estuda editar um crédito extraordinário, o que permitiria executar a despesa fora do limite de gastos, embora ainda impacte o resultado primário. O cenário de guerra, aumento da aversão ao risco, restrição ao crédito e piora das condições financeiras das empresas é apontado como justificativa para o uso desse instrumento.
O Valor também mostrou que o governo avalia aumentar o orçamento do Fundo Clima do BNDES para R$ 34 bilhões este ano, conforme permitido pela legislação. Atualmente, o orçamento é de R$ 25 bilhões, mas há demanda por mais recursos.
Exame - SP 15/04/2026
O governo deve usar cerca de R$ 20 bilhões do Fundo Social do pré-sal para ampliar o financiamento de moradias da Faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), voltada a famílias com renda de até R$ 9,6 mil. A informação foi antecipada pelo Valor Econômico e confirmada pela EXAME com fontes a par das discussões.
A medida busca reforçar o funding do programa sem pressionar o FGTS, em um momento em que o governo também discute ampliar o acesso a saques do fundo para reduzir o endividamento das famílias.
O reforço de recursos deve ajudar a sustentar a meta de contratação de três milhões de moradias até o fim do governo Lula. A proposta, no entanto, ainda depende de aprovação do Congresso, por meio de medida provisória e projeto de lei. A ideia inicial era incluir o tema em um pacote mais amplo de crédito e renegociação de dívidas, mas o anúncio do MCMV deve ser antecipado.
A iniciativa também responde a pressões do setor de construção civil, que enfrenta um ambiente mais desafiador com a Selic em 14,75% ao ano e maior incerteza global, fatores que encarecem o crédito e afetam a demanda.
O uso do Fundo Social no programa habitacional não é novo. Em 2025, parte desses recursos já havia sido direcionada para viabilizar a criação da Faixa 4 do MCMV, ampliando o alcance do programa para famílias de renda mais alta. Ainda assim, o modelo de financiamento segue concentrado no FGTS, que permanece como principal pilar do sistema.
Dados do Ministério das Cidades mostram essa diferença de escala. Enquanto o Fundo Social deve aportar cerca de R$ 15 bilhões para habitação entre 2025 e 2026, o FGTS responde por valores significativamente maiores — cerca de R$ 134 bilhões no mesmo período. Na prática, o fundo do pré-sal atua como complemento, e não substituto, da principal fonte de financiamento do programa.
Criado em 2010, o Fundo Social é abastecido por receitas do petróleo do pré-sal, como royalties, bônus de assinatura e participação especial. Originalmente voltado a áreas como saúde e educação, o fundo passou a ter uso ampliado nos últimos anos, incluindo habitação.
Para analistas, o potencial do instrumento ainda é crescente. Com a maturação da produção do pré-sal prevista para a próxima década, estimativas apontam que o fundo pode atingir um pico de arrecadação próximo de R$ 100 bilhões por ano a partir de 2030 — o que abre espaço para sua ampliação como fonte complementar de políticas públicas, incluindo o mercado imobiliário.
O Estado de S.Paulo - SP 15/04/2026
O setor de construção civil já está sentindo os efeitos do aumento dos preços de combustíveis, fretes e insumos importados, como reflexo da guerra no Irã. O conflito gerou um salto nos preços internacionais do petróleo e afetou o trânsito global de navios.
O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) relata que as cimenteiras aumentaram, em conjunto, o preço do insumo em 12% no Estado no fim de março e comunicaram mais um reajuste de 10% na semana passada. Isso vai reverberar nos custos de derivados, como argamassa, concreto e blocos.
As siderúrgicas avisaram as construtoras de uma elevação de 8% nos custos do aço nesta semana, afetando vergalhões, chapas, perfis e telas, entre outros. Já a situação mais drástica é das resinas e polímeros - materiais importados - com um salto de 100% no início de abril, dobrando os custos de peças plásticas, como tubos e conexões.
Os dados foram colhidos pelo Sinduscon-SP e compartilhados em primeira mão com a Coluna. “Estamos muito preocupados com a inflação que estamos vendo na construção civil. É um momento realmente difícil”, diz o presidente do Sinduscon-SP, Yorki Estefan. “Está todo mundo rezando para voltarmos a ter alguma normalidade.”
Como os dados foram captados há poucos dias, ainda não incorporaram o Índice Nacional dos Custos da Construção (INCC), que é divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no fim de cada mês, observa Estefan. São Paulo tem um peso relevante, de cerca de 35%, no indicador.
Momento lembra a pandemia
O presidente do sindicato compara a situação atual provocada pela guerra ao cenário visto em 2020, quando eclodiu a pandemia. “Estamos vivendo um momento parecido com o da época da Covid, quando houve desestruturação na cadeia de fornecedores e disparada dos preços de insumos”, afirma.
Segundo Estefan, a situação tende a piorar nas próximas semanas, com outros insumos subindo de preços assim que os estoques locais acabarem. Esse é o caso de tintas, por exemplo. “Acredito que ainda vem mais [reajustes] por aí. Mesmo que a guerra acabasse hoje, levaria um tempo para ter a normalização de todas as cadeias produtivas ao redor do mundo.”
Consequências
O Sinduscon-SP está agendando uma reunião extraordinária com os líderes dos departamento de compras das construtoras para estudar quais medidas emergenciais poderiam ser adotadas para enfrentar essa situação.
Na avaliação dele, o cenário tende a levar as empresas a postergarem o início das obras ou até reduzirem o ritmo nos canteiros, deixando para comprar materiais mais adiante, na torcida para encontrar um ambiente mais normalizado. “Quem tem flexibilidade no calendário de entrega das obras tende a segurar um pouco”.
Outros projetos, porém, devem acabar engavetados pela perda de viabilidade. É o caso de imóveis destinados à classe média - geralmente, com valores entre R$ 600 mil e R$ 1,5 milhão, aproximadamente. Neste setor, os lançamentos já estavam fracos devido aos juros altos dos financiamentos. “O aumento do custo vai desestimular ainda mais novos projetos nesse setor”, prevê Estefan.
Já no caso da habitação popular, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV), a situação das construtoras é mais grave. Isso porque elas repassam o cliente para o financiamento bancário logo após fechar a venda do imóvel na planta, e não após a entrega das chaves. Com isso, não têm correção monetária no contrato. “Aí o impacto da alta dos custos é na veia. Afeta diretamente as margens de lucro. Na pandemia, o lucro foi embora por causa da mesma situação”, relembra o presidente do Sinduscon-SP.
Ele também acredita que as construtoras tendem a subir o preço de venda das unidades na planta para lidar a situação. “As empresas não vão conseguir absorver esses aumentos de custos. O preço do imóvel novo com certeza vai ficar maior”, estima.
Sincronia
O presidente do Sinduscon-SP reclama ainda que, no caso das cimenteiras, o reajuste feito pelas empresas do setor aconteceu ao mesmo tempo, com aparência de uma ação sincronizada. “Vemos todas pedindo reajuste do mesmo valor, ao mesmo tempo. E não temos explicação alguma para isso. Estamos avaliando até recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”, comenta.
Infomoney - SP 15/04/2026
As construtoras Cyrela (CYRE3), Mitre (MTRE3) e Even (EVEN3) divulgaram suas respectivas prévias operacionais na última segunda-feira (13). Embora tenha sido observada uma desaceleração em lançamentos e vendas em alguns casos, analistas destacam melhora na qualidade das operações, redução de estoques e maior foco em segmentos mais resilientes, como baixa renda.
Por volta das 11h09 (horário de Brasília), as ações de Cyrela subiam 0,32%, a R$ 28,09, MTRE3 avançava 0,76, a R$ 3,98, enquanto EVEN3 tinha alta de 0,28%, a R$ 7,28.
Ibovespa Futuro avança com expectativa de resolução no conflito no Oriente Médio
Equipes de negociação dos Estados Unidos e do Irã podem retornar a Islamabad ainda esta semana
Cyrela (CYRE3)
As vendas líquidas da Cyrela somaram R$ 2,21 bilhões (participação da companhia), 3% menor em relação às estimativas do JPMorgan, mesmo com lançamentos 23% abaixo do esperado, em R$ 1,77 bilhão.
Como resultado, a velocidade de vendas agregada foi fraca, mas em linha com as projeções do banco, em 16,0%, recuo de 5,2 pontos percentuais (p.p.) na base anual e de 1,2 p.p. no trimestre, atingindo o menor nível desde o 1T23 e abaixo da Eztec, que registrou 18,3%.
Em relação ao estoque, o JPMorgan estima cerca de 14,5 meses de oferta, ante 14,8 meses no trimestre anterior. Já as vendas de unidades prontas voltaram a acelerar, atingindo R$ 271 milhões, frente a R$ 195 milhões no 4T25.
O JPMorgan manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 35,50.
Na avaliação do Bradesco BBI, a Cyrela entregou resultados operacionais consistentes, com velocidade de vendas praticamente estável na comparação trimestral, mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco, e com desaceleração esperada no comparativo anual.
O banco viu de forma positiva a redução de estoques, apoiada por um aumento de 24% no comparativo anual das vendas de unidades em construção.
O Bradesco BBI manteve recomendação de compra, com preço alvo de R$ 41,00, sustentada por: (i) maior relevância do segmento de baixa renda, mais resiliente, que estima responder por cerca de 40% do lucro líquido em 2026; (ii) um cenário macroeconômico mais favorável, com avanço do ciclo de cortes de juros; e (iii) valuation atrativo, com o papel negociando a 6,0 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) para 2026 e 4,4 vezes para 2027.
O BTG, por sua vez, pontuou que o trimestre foi marcado por desaceleração na velocidade de vendas e menor volume de lançamentos. Ainda assim, a companhia segue aumentando sua exposição ao segmento de baixa renda. A recomendação permanece de compra e preço-alvo de R$ 40, com valuation atrativo.
Embora o mercado possa destacar a fraqueza em vendas, lançamentos e na velocidade de vendas, que recuou levemente 81 pontos-base no trimestre para 16%, o Goldman Sachs disse entender que a Cyrela está enfrentando diretamente a principal preocupação dos investidores, especialmente em relação ao estoque de alta renda. As vendas desse segmento foram 30% superiores aos lançamentos, além de haver aceleração na exposição ao segmento de baixa renda, cujas vendas cresceram 35% na base anual no trimestre.
O Goldman Sachs manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 34.
Even (EVEN3)
O BBI avalia que os números fracos de forma geral, em função da ausência de lançamentos e da desaceleração do VSO. Apesar da Even contar com um cronograma relevante de projetos ao longo de 2026, o BBI manteve recomendação neutra e preço alvo de R$ 10,00, diante da falta de gatilhos de curto prazo e de um ambiente mais desafiador à frente. As ações negociam a aproximadamente 0,8 vezes o valor patrimonial (P/VPA), refletindo esse balanço entre potencial demédio prazo e limitações no curto prazo.
Para o BTG, o desempenho foi impactado pela sazonalidade e por um ambiente macro mais fraco para o segmento de média e alta renda. A estratégia de focar em projetos maiores e diferenciados foi mantida. Ainda assim, os resultados operacionais foram considerados fracos no período. O banco manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 9,50, diante do cenário macro desafiador.
Mitre (MTRE3)
O BBI considerou o desempenho operacional da Mitre positivo no 1T26, sustentado por vendas líquidas resilientes e pela execução bem-sucedida de um lançamento relevante no segmento de alta renda.
“Embora o estoque tenha aumentado em função desse lançamento, o nível de unidades prontas permanece baixo”, destacam analistas. “Ainda assim, apesar de um cronograma de entregas para 2026 com elevado nível de pré-venda (95%), seguimos vendo poucos gatilhos de curto prazo em um ambiente mais desafiador à frente”, completam.
Diante disso, o BBI reiterou recomendação neutra para Mitre, com preço alvo de R$ 5,00, com o papel negociando a cerca de 0,4 vez o valor patrimonial (P/VPA).
Já o BTG destacou que o desempenho da construtora foi pressionado pela menor venda de estoque, apesar do bom desempenho do lançamento. A velocidade de vendas permaneceu abaixo do observado anteriormente.
Segundo BTG, o cenário segue desafiador para o segmento de média e alta renda, afetando vendas e retorno. A recomendação permanece neutra, com preço-alvo de R$ 4,80, mesmo com valuation descontado.
Valor - SP 15/04/2026
Na lista de projetos que serão ofertados neste ano, um deles não deverá avançar: a repactuação da Rota Litoral Sul, que estava em discussão com a Arteris
O governo federal planeja realizar 13 concorrências de rodovias até o fim de 2026, com previsão de R$ 149 bilhões de investimentos, sendo R$ 84,9 bilhões em obras e R$ 64,2 bilhões em custos operacionais. Além disso, a gestão prepara outras 21 iniciativas no segmento, para manter o estoque de projetos nos próximos anos.
“Neste ano, temos uma quantidade maior de otimizações [renegociações contratuais] do que no ano passado, serão 7 leilões de novos contratos e 6 de otimização. O cronograma é dinâmico”, afirmou Viviane Esse, secretária nacional de Transporte Rodoviário do Ministério dos Transportes, nesta terça-feira (14), em evento realizado na Arena B3, em São Paulo.
Na lista de projetos que serão ofertados neste ano, um deles não deverá avançar: a repactuação da Rota Litoral Sul, que estava em discussão com a Arteris.
Por outro lado, Esse disse que outra iniciativa será inserida, a nova licitação da Rota do Aço, que era da K-Infra e que foi alvo de um processo de caducidade. “Estamos terminando os estudos nesta semana, vamos ter publicação de plano de outorgas. A gente teve a caducidade do contrato e ele volta na carteira deste ano, está em estruturação pela Infra SA”, afirmou.
Os demais projetos na lista são, além da Rota Gerais, já licitada: a Rota dos Sertões, a Rodovia Régis Bittencourt, a Rota Arco Norte, a Rota do Pequi, a Rota Portuária Sul, a Rota Planalto Sul, a Rodovia Transbrasiliana, a Rota de 2 de julho, os lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina e a Rota Integração do Sul.
Além disso, a secretária destacou os 21 próximos projetos contratados, para dar sequência aos leilões de rodovias após 2026. Grande parte deles está concentrado na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), disse ela. “É uma carteira voltada a terminais ferroviários e ao agronegócio.”
Para o próximo ciclo de governo, Esse também apontou a necessidade de buscar outros modelos de concessão, como os contratos de manutenção, focados nos custos operacionais.
“A gente pode trabalhar outras modelagens que não seja a de duplicação na largada. Temos regiões em desenvolvimento, talvez a infraestrutura possa crescer com eles, e ter mecanismos de acionamento das obras à medida que forem necessárias. Outra reflexão é que em outros corredores possa trabalhar manutenção além de ampliação de capacidade, enfrentar pontos críticos e não partir para uma duplicação que não necessariamente seja necessária naquele momento. Podemos explorar modelagens diversas porque o país é diverso, as necessidades são distintas”, disse.
Portos e Navios - SP 15/04/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) assinará, nesta quarta-feira (15), um protocolo de intenções com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) para o desenvolvimento de projetos de infraestrutura logística nos setores de portos, aeroportos e hidrovias. O objetivo é avaliar principalmente mecanismos relacionados a financiamento e garantias e, segundo o Ministério, o acordo, com duração inicial de dois anos e possibilidade de prorrogação, é apenas colaborativo, sem previsão de repasse de verbas ou obrigações imediatas.
De acordo com a pasta, o objetivo do protocolo é aprimorar a integração institucional, o planejamento estratégico e a atração de investimentos para projetos de infraestrutura e de logística de transporte. Um dos objetos da parceria será a realização de diagnóstico sobre a governança dos portos públicos. Além disso, entre os estudos técnicos previstos, está um sobre a ampliação da participação do modal aéreo no transporte de carga e de passageiros. O foco, explicou o Mpor, será no fortalecimento de programas como o AmpliAR e o Investe Mais Aeroportos.
O Estado de S.Paulo - SP 15/04/2026
Diversos navios cruzaram o Estreito de Ormuz nesta terça-feira, 14, de acordo com dados de rastreamento, inclusive embarcações que saíram de portos iranianos. O fluxo pela passagem ocorre apesar do bloqueio naval americano que começou na segunda-feira, 13.
De acordo com o comando militar americano, o bloqueio estabelece restrições à navegação de entrada e saída de portos e áreas costeiras do Irã.
Mas ainda não está claro como as forças navais americanas pretendem aplicar as medidas, que têm como objetivo cortar a principal fonte de receita petrolífera iraniana, após o fracasso das negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito. Os dois países seguem sob uma trégua de duas semanas, com término previsto para 21 de abril.
De acordo com a empresa de análise marítima Kpler, parte dos navios que atravessaram o estreito na segunda-feira, antes e depois do prazo das 10h (horário de Washington), quando o bloqueio passou a valer, tinha origem iraniana, transportava produtos do país ou estava sob sanções dos Estados Unidos.
Não está claro se essas embarcações estavam dentro de um eventual “período de tolerância” citado pelo Comando Central americano, se receberam autorização para passagem ou se conseguiram furar as restrições.
Entre os casos está o do navio Christianna, de bandeira liberiana, que deixou o Golfo Pérsico na noite de segunda-feira após partir do porto iraniano de Bandar Imam Khomeini. Segundo a Kpler, a embarcação não transportava carga.
Outro relato é o do navio Elpis, transportador de metanol, que cruzou o estreito por volta do horário em que o bloqueio teria começado. A embarcação havia atracado no porto iraniano de Bushehr e já havia sido sancionada pelos Estados Unidos, sob outro nome, por ligações com o comércio de petróleo do Irã.
Dados da Bloomberg e da plataforma Vesselfinder mostram ainda o deslocamento de outras embarcações na região ao longo dos últimos dois dias.
O petroleiro Murlikishan entrou no Golfo Pérsico pela manhã desta terça-feira. O navio havia saído de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e não transportava carga no momento, mas já havia sido alvo de sanções dos EUA por envolvimento no transporte de petróleo iraniano e russo, sob outra denominação.
Também nesta terça-feira, o cargueiro Manali, com bandeira do Panamá, deixou o Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. A embarcação não consta em listas de sanções americanas e não havia recentemente atracado em portos iranianos.
Os dados de rastreamento também sugerem que o bloqueio provocou cautela inicial entre algumas embarcações. Poucas horas antes de sua entrada em vigor, dois navios que se aproximavam do estreito chegaram a mudar de rota.
Um deles, o cargueiro Guan Yuan Fu Xing, ligado à China, fez uma manobra de retorno nas proximidades da entrada do estreito enquanto vinha da costa de Omã, permanecendo depois no Golfo de Omã.
Outro navio, o petroleiro Rich Starry, também associado a interesses chineses, recuou pouco antes do prazo, mas depois retomou o trajeto e cruzou o estreito, deixando o Golfo Pérsico. A embarcação, anteriormente chamada Full Star, já havia sido sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 2023 por suposto envolvimento em operações para driblar sanções contra Teerã.
Estratégia
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor um bloqueio naval direcionado a portos iranianos no Estreito de Ormuz tem um objetivo claro: fazer o Irã ceder às demandas americanas e manter a passagem aberta.
Em vez de bombardear novamente o Irã ou fazer ameaças sobre o apagamento de uma civilização, Trump tentará sufocar a principal fonte de sustento da República Islâmica: o petróleo. A commodity representa mais de 50% das exportações iranianas e praticamente toda a receita do governo.
Já a estratégia do Irã também é clara: travar os mercados globais e estender o alto preço pago pela guerra ao mundo. A tática de Teerã deu certo até agora, com o bloqueio do estreito e os bombardeios que atingiram Israel e os países do Golfo.
Os iranianos também apostam que Trump não vai suportar a pressão do bloqueio naval.
Se nenhuma embarcação de petróleo do Irã passar pelo estreito, os preços podem continuar subindo com o tempo — algumas empresas dizem que estão se preparando para US$ 175 por barril. O presidente americano também sentirá o impacto da medida na inflação americana, a menos de sete meses das eleições de meio de mandato.
Valor - SP 15/04/2026
A demanda global de petróleo deverá cair este ano, liderada por "cortes profundos" na região da Ásia-Pacífico, afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE), à medida que a interrupção no Estreito de Ormuz continua a afetar o mercado global de petróleo.
A agência afirmou na terça-feira que agora espera que a demanda global de petróleo este ano seja de 104,26 milhões de barris por dia, uma redução de 84 mil b/d em comparação com o ano passado. Em março, a previsão era de um aumento de 644 mil b/d na demanda de petróleo.
A revisão para baixo mais acentuada foi na região da Ásia-Pacífico. Embora a agência ainda preveja um crescimento da demanda de petróleo de 141 mil b/d este ano, isso representa uma queda acentuada em relação à previsão anterior de crescimento de 447 mil b/d. A África também deve continuar a registrar crescimento na demanda de petróleo, mas espera-se que haja queda em todas as outras regiões.
"O bloqueio do Estreito de Ormuz desestabilizou as cadeias de suprimentos para a Ásia", com os produtos petroquímicos "no centro da destruição da demanda", afirmou a AIE em seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo.
"Nafta, GLP e etano foram os produtos que sofreram a destruição de demanda mais evidente. Os impactos mais severos foram observados no Oriente Médio e na Ásia, mas os efeitos colaterais se espalharão para produtores em todas as regiões", acrescentou a agência.
Ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio e restrições à circulação de embarcações no Estreito de Ormuz levaram à maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, completou a agência sediada em Paris.
A alta dos preços do petróleo e a escassez de produtos petroquímicos, como a nafta, provocaram uma crise energética generalizada na Ásia, com os países adotando diversas medidas, desde economia de energia até restrições e subsídios às exportações, para enfrentar a crise.
O bloqueio americano do Estreito de Ormuz, que começou na segunda-feira, adicionou mais uma camada de incerteza a qualquer retomada do comércio regular de petróleo, gás e derivados por meio dessa hidrovia.
Apesar disso, a AIE afirmou que alguns países estão resistindo à crise. Segundo a agência, os subsídios aos combustíveis no Japão ajudaram a "atenuar os piores efeitos do choque do petróleo", enquanto a economia da Coreia do Sul "até agora se manteve resiliente diante da turbulência econômica".
A agência também afirmou que, na China, maior importadora de petróleo do mundo, a demanda "provavelmente apresentou uma leve contração anual" de cerca de 110 mil barris por dia em março e abril, devido à desaceleração do setor petroquímico.
Contudo, "embora os preços mais altos afetem a demanda, existem vários fatores que tornam a economia chinesa comparativamente resiliente a esse choque", disse a agência, citando como exemplo a substituição de caminhões a diesel por veículos elétricos e movidos a gás natural.
A previsão da AIE se baseia na premissa de que as entregas regulares de petróleo e gás do Oriente Médio serão retomadas gradualmente a partir de maio. A agência ressaltou que esse cenário "pode se mostrar otimista demais, considerando o alto grau de incerteza sobre como a situação poderá evoluir".
Investing - SP 15/04/2026
Os preços do petróleo caíram nesta terça-feira, na expectativa de que o Irã retome as negociações com os Estados Unidos e Israel para encerrar o conflito que fechou o Estreito de Ormuz, uma das principais vias navegáveis do mundo para o transporte de petróleo e produtos refinados.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$94,79 por barril, com queda de US$4,57, ou 4,6%. O petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos fechou a US$91,20, com queda de US$7,80, ou 7,87%.
Ambos os contratos de referência subiram na sessão anterior, com o Brent subindo mais de 4% e o WTI quase 3%, depois que os militares dos EUA iniciaram um bloqueio dos portos iranianos.
"Parece haver essa esperança no mercado de que haverá um resultado melhor", disse John Kilduff, sócio da Again Capital. "Tudo isso significa que o mercado já havia precificado muitas das perturbações que já vimos."
Os preços do Brent são mais suscetíveis a interrupções no fornecimento global do que os preços do WTI, que refletem o que é enviado internamente nos EUA e para as Américas Central e do Sul.
Embora a conversa sobre a retomada das negociações entre os EUA e o Irã tenha pressionado os preços para baixo, a queda ignora a perda de barris físicos de petróleo que não estão sendo movimentados, disse Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates.
Os ataques à infraestrutura de energia no Oriente Médio e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã levaram à maior interrupção do fornecimento de petróleo da história, informou a Agência Internacional de Energia (IEA) em seu relatório mensal, com perda de 10,1 milhões de barris por dia em março.
"A retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz continua sendo a variável mais importante para aliviar a pressão sobre o fornecimento de energia, os preços e a economia global", disse a IEA.
As forças armadas dos EUA disseram na segunda-feira que seu bloqueio do Estreito de Ormuz se estenderia para o leste até o Golfo de Omã e o Mar da Arábia. Dados de rastreamento de navios mostraram que dois navios deram meia-volta no estreito quando o bloqueio começou. No entanto, três navios-tanque ligados ao Irã entraram no Golfo Pérsico e tiveram permissão para passar porque seus destinos não eram portos iranianos, segundo dados de navegação.
O Irã ameaçou responder ao bloqueio atacando os portos das nações que fazem fronteira com o Golfo Pérsico.
Enquanto isso, as equipes de negociação dos EUA e do Irã podem retornar a Islamabad nesta semana, disseram cinco fontes à Reuters. Uma autoridade dos EUA também disse que havia um engajamento contínuo na tentativa de chegar a um acordo, enquanto o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os esforços ainda estavam em andamento.
TN Petróleo - RJ 15/04/2026
A Petrobras aprovou a decisão final de investimentos (FID) do projeto SEAP I, na Bacia Sergipe-Alagoas, consolidando o desenvolvimento do Sergipe Águas Profundas (SEAP), uma nova fronteira de produção de óleo e gás no país. O FID do módulo SEAP II já havia sido aprovado em dezembro de 2025.
A viabilização dos projetos decorreu de uma série de iniciativas conduzidas pela Petrobras em conjunto com o mercado fornecedor, com destaque para as otimizações de projeto e a revisão de termos e condições contratuais, que elevaram a atratividade econômica dos dois módulos.
Esses avanços permitiram estruturar a negociação conjunta das plataformas P-81 e P-87, que integrarão os projetos SEAP I e SEAP II, respectivamente, possibilitando capturar sinergias relevantes e ganhos de escala, fundamentais para a conclusão da negociação em bases economicamente sustentáveis.
As condições alcançadas ampliaram o retorno financeiro dos projetos e possibilitaram a inclusão do SEAP I na Carteira em Implantação Base. Esse resultado reforça a relevância da parceria e da escuta ativa entre a companhia e o mercado fornecedor como elementos centrais para a viabilização de projetos, mesmo em um contexto estruturalmente marcado pela volatilidade dos preços do petróleo.
A assinatura dos contratos está prevista para maio de 2026, após o cumprimento das etapas de governança e das aprovações junto aos parceiros. Esse marco impulsiona a etapa de execução dos projetos.
A SBM Offshore será responsável pela construção das duas plataformas, que, juntas, terão capacidade instalada para produzir até 240 mil barris de óleo por dia e processar 22 milhões de m³ de gás natural por dia. O início da produção de óleo está previsto para 2030, com exportação de gás a partir de 2031.
O modelo de contratação adotado para ambas as plataformas é o BOT (Build, Operate and Transfer), no qual a contratada é responsável pelo projeto, construção, montagem e operação das unidades por um período inicial definido em contrato, com posterior transferência à Petrobras.
A conclusão desta negociação representa marco relevante na estratégia de suprimentos da companhia, confirmando que o modelo BOT é uma solução madura, oferecendo à Petrobras a flexibilidade necessária para viabilizar novos projetos de sua carteira, mesmo diante dos atuais desafios de mercado.
“A escolha da modalidade de contratação BOT contribuiu para viabilizar o início da produção em menos tempo. Esse resultado reflete o trabalho conjunto da Petrobras, seus parceiros e o mercado fornecedor visando agregar valor aos projetos e fortalecer a estratégia da companhia”, afirma Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação.
Com investimentos totais superiores a 60 bilhões de reais, os dois projetos preveem a produção de mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), representando um retorno econômico significativo para a Petrobras, e contribuindo de forma relevante para o aumento da produção nacional de petróleo e gás.
Projeto estratégico nacional e nova fronteira de gás
O SEAP é estratégico para ampliar a disponibilidade de gás natural no país, fortalecer a infraestrutura energética nacional, além de abrir uma nova fronteira de produção na região Nordeste.
Além dos dois FPSOs, o empreendimento prevê a construção e interligação de 32 poços, bem como a implantação de um gasoduto de escoamento com cerca de 134 km de extensão — sendo 111 km em trecho marítimo e 23 km em terra.
Já está em andamento a licitação para o fornecimento de ANMs (Árvores de Natal Molhadas) e equipamentos submarinos para os dois projetos, e está previsto, ainda em 2026, o início das licitações para as demais infraestruturas.
SEAP I
O projeto SEAP I abrange as jazidas com óleo leve, considerado de boa qualidade, pertencentes aos campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste e Palombeta, localizados nas concessões BM-SEAL-10 e BM-SEAL-11. A Petrobras é operadora das concessões BM-SEAL-11 – com 60% de participação, em parceria com a IBV Brasil Petróleo LTDA (40%) – e BM-SEAL-10, onde detém 100% de participação.
Essa unidade terá capacidade de produzir 120 mil barris de petróleo por dia e processar 10 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
SEAP II
O projeto SEAP II abrange jazidas com óleo leve, considerado de boa qualidade, pertencentes aos campos de Budião, Budião Noroeste e Palombeta, localizados a cerca de 80 km da costa nas concessões BM-SEAL-4, BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10, respectivamente. A Petrobras é operadora das concessões BM-SEAL-4 – com 75% de participação em parceria com a ONGC Campos Limitada (25%) – e BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10, onde detém 100% de participação.
Essa unidade terá capacidade de processamento diário de 120 mil barris de petróleo e 12 milhões de metros cúbicos de gás.
G1 - RJ 15/04/2026
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ainda não concluiu as análises químicas que podem confirmar se o líquido encontrado em um sítio do Ceará é realmente petróleo.
O achado foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo em busca de água, no município de Tabuleiro do Norte (CE).
A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da ANP visitou o sítio sete meses depois, em março de 2026.
Nesta terça-feira (14), o g1 procurou a ANP para saber se já havia um resultado para os testes, e a agência informou apenas que "a análise da amostra ainda não foi concluída".
Mais de um mês após realizar uma visita técnica ao local, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) ainda não concluiu as análises químicas que podem confirmar se o líquido escuro encontrado em um sítio no interior do Ceará é realmente petróleo. O achado foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo em busca de água, no município de Tabuleiro do Norte (CE).
A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Nesta terça-feira (14), o g1 procurou a ANP para saber se já havia um resultado para os testes, e a agência informou apenas, em nota, que "a análise da amostra ainda não foi concluída".
A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024 enquanto o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em busca de água para abastecimento da família - que não possui água encanada em casa. A ideia era formar um poço artesiano na propriedade. No lugar da água, Sidrônio viu jorrar um líquido preto, denso, viscoso e com cheiro de combustível.
Após a descoberta do líquido, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que começou a investigar o caso. Testes laboratoriais apontaram que a amostra do líquido encontrada tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, porém, só pode ser dada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A ANP orientou que a área deve ficar isolada e que os moradores devem evitar contato com o material, pois pode trazer riscos. Os técnicos também disseram que ninguém mais pode acessar o poço e outras amostras não devem ser retiradas por ora.
Enquanto aguarda o laudo do órgão, a família segue com problemas de acesso à água, e não há prazo para resposta definitiva do órgão.
No fim do mês de março, a família de Sidrônio voltou a receber água de uma adutora antiga da cidade, que funcionou por um bom tempo, mas não estava sendo suficiente. Com a repercussão do caso, a adutora foi reforçada e voltou a atender a família do agricultor.
Diante do caso, muitas dúvidas surgiram: a família poderá ter algum lucro caso o líquido se trate de petróleo? O que falta para confirmar ou descartar a descoberta? Quais são os próximos passos? O g1 lista abaixo algumas das principais dúvidas. Confira:
Caso seja confirmado, o agricultor poderá lucrar?
Se o líquido for mesmo petróleo, Sidrônio não será dono do material, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União.
No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual.
Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia. Outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos.
Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados.
O que se sabe até agora?
A ANP visitou pela 1° vez o sítio de Sidrônio em 12 de março deste ano. Ao g1, eles disseram que o achado causou espanto na equipe, pois é incomum que líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa (40 metros).
"Existe o processo de exsudação, que é quando o petróleo ou hidrocarboneto como um todo vai à superfície de maneira natural. Mas não é o caso, claramente, aqui. Houve uma perfuração, uma perfuração rasa, uma profundidade muito abaixo do que é naturalmente realizado na exploração e produção de petróleo e gás", explicou Ildeson Prates Bastos, superintendente da ANP.
Nesta primeira visita, no entanto, os agentes apenas verificaram o poço de onde a substância emergiu e conversaram com a família do agricultor.
"Isso nos causou um pouco de espanto, mas considerando a área e a geologia da região, sendo uma borda de bacia, a gente pretende dar continuidade aos estudos para entender melhor o que pode ter acontecido. E, a partir de um relatório, a gente conseguir se manifestar mais assertivamente", pontuou o especialista.
Achado de possível petróleo em poço raso no Ceará 'causa espanto' em técnicos da ANP
Os técnicos da ANP não colheram uma amostra no local, mas levaram uma amostra feita pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início.
De acordo com Adriano Lima, engenheiro químico do Instituto Federal do Ceará (IFCE), outras análises mais específicas devem ser feitas pela ANP para confirmar (ou não) a descoberta:
Análises preliminares já realizadas:
ViscosidadeDensidadeA análise por Espectroscopia de Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR)Flashpoint (também chamado de ponto de fulgor)
Resultados: Esses primeiros testes apontaram que o material tem um comportamento extremamente similar aos óleos da região. Ou seja: é semelhante a petróleo. Mas por que isso ainda não pode ser cravado? De acordo com Adriano, somente a ANP pode dar este resultado.
Para isso, outras análises devem ser feitas, como:
Medição do teor de compostos saturadosMedição do teor de compostos aromáticosMedição do teor de resinaMedição do teor de asfaltenosVerificação da origem do material, para confirmar se tem de fato uma origem geológica.
Uma outra amostra também foi enviada para a Universidade Federal do Ceará (UFC), que conta com um laboratório especializado nesses casos. Ao g1, um dos professores que conduz o processo disse que as análises demoram um pouco, mas ele acredita ter algo concreto até esta sexta-feira (27).
"Algumas análises são mais específicas, são mais elaboradas, exigem uma norma muito mais apurada, até com equipamentos, com tudo que precisa ter. Naturalmente, a gente teve que buscar ajuda a uma ou outra instituição, que no caso foi a Universidade Federal do Ceará (UFC), e o material está lá, passando por análises", pontuou Adriano.
Quais são os próximos passos?
Moisés Vieira, representante da ANP, explica que nesse momento a orientação principal do órgão é isolar a área e evitar qualquer contato com o material. Os proprietários não devem acessar o poço nem permitir a aproximação de terceiros.
Essa precaução é fundamental para garantir a segurança das pessoas e proteger o meio ambiente contra possíveis riscos não dimensionados
Agora, os técnicos da ANP devem encaminhar uma amostra ao laboratório da agência para que faça as devidas análises. "A análise aí é uma questão técnica, tem que ver os parâmetros que vão ser analisados, mas essa análise vai buscar trazer algumas informações, características químicas desse material, para que se entenda do que se trata", explicou Moisés Vieira.
Um processo foi aberto pela ANP para apurar oficialmente a notificação. Ainda não há um prazo estimado para a conclusão e divulgação dos resultados. O tempo necessário dependerá da logística de transporte da amostra e da complexidade dos testes laboratoriais exigidos.
"Ele só pode ser explorado e produzido mediante um contrato assinado entre a União, com a ANP envolvida e empresas especializadas no setor. O proprietário da terra não tem direito ao material, é propriedade da União. Eu não posso estimar prazo [para a divulgação oficial do resultado], o que a gente pode dizer é que toda e qualquer informação produzida vai constar no processo administrativo", concluiu o técnico.
Problema da água continua
Enquanto espera por uma resposta da ANP, o problema da falta de água encanada ainda afeta a rotina de Sidrônio e família. Eles dependem de uma adutora da região, carros-pipa enviados pela prefeitura e compram água mineral na cidade.
A renda da família vem das aposentadorias de Sidrônio e sua esposa, Maria Luciene, e do trabalho realizado no campo, com a venda de animais, feijão e milho. Na casa, moram o casal e dois filhos. O agricultor, de 63 anos, é enfático ao dizer que lhe interessa apenas resolver o problema da água, e não tinha intenção de encontrar o possível petróleo.
"Eu não quero riqueza, quero dinheiro para sobreviver, você acredita? O que vale é a saúde da pessoa. É tanta conversa por aqui, já inventaram tanta coisa. Já me disseram para trancar o portão do sítio para ninguém entrar, para não contar ninguém [da descoberta], mas eu disse: Quando o cabra vai no médico ele precisa conversar para saber o que está sentindo e o médico passar remédio. Como eu vou ficar calado? Como nunca vou tirar a dúvida do que é isso?", diz o cearense.
Relembre o caso
A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024 enquanto o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em busca de água para abastecimento de animais da sua propriedade, na localidade de Sítio Santo Estevão.
Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço. Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido pode ser petróleo.
Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.
O Estado de S.Paulo - SP 15/04/2026
O Brasil colherá uma nova safra de grãos recorde neste ano, segundo novas estimativas divulgadas nesta terça-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção deve totalizar um ápice de 348,4 milhões de toneladas em 2026, uma alta de 0,7% em relação a 2025, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de março.
O resultado equivale a 2,3 milhões de toneladas a mais do que no ano passado, quando a colheita alcançou o maior volume já visto. Em relação ao levantamento de fevereiro, houve revisão para cima na estimativa, a safra de 2026 será 1,2% maior, 4,3 milhões de toneladas a mais.
O desempenho será turbinado por uma produção também recorde de soja: 173,7 milhões de toneladas. Em relação a 2025, a colheita de soja deve crescer 4,6%.
“As projeções indicam uma safra histórica, impulsionada por condições climáticas favoráveis na maior parte das unidades da Federação produtoras e pela recuperação parcial da safra gaúcha”, destaca Carlos Barradas, gerente do levantamento do IBGE, em nota.
A área de soja deve ocupar 48,3 milhões de hectares, com rendimento médio de 3.603 kg/ha, 3,6% maior que o do ano anterior.
No milho, a projeção é de crescimento de 13,7% para o milho 1ª safra, mas redução de 6,0% para o milho 2ª safra.
Culturas com previsão de queda
Por ora, ainda são esperados decréscimos ante o desempenho de 2025 na produção de:
Algodão (-11,9%)Arroz (-10,4%)Trigo (-5,7%) Milho (-2,4%) Feijão (-2,0%) Sorgo (-0,2%)
Área colhida
A área a ser colhida na safra agrícola de 2026 deve alcançar 83,2 milhões de hectares, 1,6 milhão a mais do que o desempenho de 2025, um aumento de 2,0%. Em relação à projeção de fevereiro, houve uma elevação de 265.837 mil hectares na estimativa da área colhida.
Quanto aos principais produtos, são esperados aumentos de 1,0% na soja; de 3,3% na do milho (aumentos de 10,3% no milho 1ª safra e de 1,6% no milho 2ª safra); e de 7,0% na do sorgo. Na direção oposta, há projeção de declínios de 6,9% na área do algodão herbáceo; de 10,1% na do arroz em casca; e de 3,3% na do feijão.
Associe-se!
Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.
© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.