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18 de Março de 2026

SIDERURGIA

Diário do Comércio - MG   18/03/2026

A cadeia siderúrgica continua sendo um dos principais motores da economia industrial de Minas Gerais. Em torno das grandes usinas, forma-se uma rede de fornecedores que vai da mineração ao transporte, passando por serviços especializados e tecnologia industrial. Esse encadeamento produtivo transforma a atividade do aço em um vetor relevante de geração de renda, emprego qualificado e dinamização econômica em diferentes regiões do Estado.

Em 2025, a Usiminas movimentou R$ 7,8 bilhões em compras e contratos com fornecedores mineiros, consolidando a estratégia de valorização da cadeia produtiva local. Os aportes estão descentralizados em diferentes regiões do Estado e impulsionam segmentos como matéria-prima, transporte, logística, energia e serviços.

O volume registrado no ano passado representa um acréscimo de aproximadamente 20% em relação a 2024, o que corresponde a R$ 1,6 bilhão a mais movimentado em um ano. Do total, 82,4% foram destinados à indústria e 17,6% ao setor de serviços.

As informações foram detalhadas pelo diretor de Relações Institucionais e Comunidades da Usiminas, André Chaves, ao Diário do Comércio. Segundo ele, entre as regiões de atuação da companhia, o Vale do Aço se destaca: concentra 18% dos fornecedores da empresa e movimentou R$ 1,3 bilhão no ano passado.

A região conta com cidades como Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso, que abrigam polos industriais relevantes no Estado. Entre os segmentos que mais sentiram o impacto positivo estão o de gás natural, o setor mineral e o de matérias-primas essenciais para a siderurgia.

De acordo com o executivo, o fortalecimento desses segmentos iniciou nos últimos 10 a 15 anos, como parte de um programa de desenvolvimento da cadeia de fornecedores locais. “Entendemos que é uma parceria de longo prazo. Desde a fundação da Usiminas, o Vale do Aço se especializou dentro da cadeia metalmecânica, e muitas empresas da região, após anos atuando como fornecedoras da companhia, ampliaram sua atuação”, detalha.

O impacto vai além de beneficiar os próprios negócios, funcionando como uma alavanca para o desenvolvimento socioeconômico regional. Antes da implementação do programa, Chaves relembra que a região encontrava dificuldade para encontrar mão de obra qualificada, necessitando acionar trabalhadores de outras localidades para compor a equipe em determinadas funções.

Hoje, o cenário é completamente diferente do passado, a partir do fortalecimento das parcerias locais. “Em tempos de escassez de mão de obra, a qualidade local é muito boa. Já realizamos a reforma de altos-fornos com parceiros locais, resultado de anos de desenvolvimento tecnológico e de produtos”, destaca.

Além de grandes negócios, o executivo avalia que o impacto também é perceptível entre pequenas e médias empresas, que também se tornaram competitivas em função da qualidade da mão de obra. Com o aço como elemento central da cadeia produtiva, Chaves ressalta que a região, além de já consumir o próprio produto, também agrega valor e o direciona para diversos setores da economia em todo o País.

Para 2026, a expectativa é manter o crescimento, acompanhado do amadurecimento qualitativo na prestação de serviços da cadeia, com práticas voltadas à sustentabilidade e à qualidade na produção. “Hoje enxergamos que estamos em um patamar bastante compatível com a capacidade produtiva. Se houver aumento da demanda da Usiminas, existe espaço para ampliação”, salienta o executivo.
Concorrência do aço chinês desafia a indústria

Os avanços são celebrados com ainda mais afinco ao considerar o atual cenário para a companhia no País, marcado por incertezas diante da concorrência com o aço chinês. Segundo Chaves, 2025 foi o ano com maior importação da commodity na história do País, o que acabou dificultando o desempenho da indústria siderúrgica nacional.

Mesmo diante desse cenário, a Usiminas reforça que segue priorizando fornecedores locais, importando apenas aquilo que não é produzido no País, seja por qualidade de material ou disponibilidade de matéria-prima, como é o caso do carvão mineral. “Prestigiamos muito a indústria local, mesmo diante das dificuldades. Foi um ano desafiador para o mercado, marcado pela concorrência desleal com o aço chinês”, reforça.

A Usiminas defende a igualdade de condições de concorrência, que segue em análise pelo governo federal a partir das medidas antidumping, com investigações que chegam a durar 18 meses pelo caráter técnico. “A expectativa é que, uma vez estabelecidas essas condições, o mercado passe a operar sem práticas desleais. A Usiminas afirma ter competitividade para disputar esse ambiente, destacando os investimentos realizados e a necessidade de continuar investindo para manter o equilíbrio do setor”, finaliza Chaves.

Money Times - SP   18/03/2026

A CSN (CSNA3) tem mais dívidas a pagar nos próximos dois anos do que recursos em caixa — e essa situação pode piorar. Apesar do plano de venda de ativos para levantar até R$ 18 bilhões, o BB Investimentos está cético quanto à capacidade de execução ainda em 2026.

“Apesar dos esforços da companhia para capturar ganhos de eficiência operacional e mitigar os desafios do segmento de siderurgia, os indicadores de endividamento e alavancagem seguem em deterioração e continuam exigindo acompanhamento próximo”, afirmou o banco.

Segundo o relatório, uma redução mais relevante do endividamento depende de iniciativas mais complexas, como a venda de ativos, processo que está sujeito a fatores externos e fora do controle direto da companhia.
Uma gigante endividada

A CSN, uma das maiores produtoras integradas de aço do Brasil e segunda maior no mercado de cimentos, voltou a registrar prejuízo no último trimestre e segue com queima de caixa. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 282 milhões, pressionado por investimentos elevados e despesas financeiras.

A empresa encerrou o período com R$ 16 bilhões em caixa, queda de R$ 2,8 bilhões em relação ao trimestre anterior. Ao mesmo tempo, tem R$ 10,52 bilhões em dívidas a vencer em 2026 e R$ 7,81 bilhões em 2027. Para 2028, os vencimentos somam R$ 11,4 bilhões. A dívida bruta total é de R$ 57,2 bilhões, alta de R$ 867 milhões na comparação trimestral.

Com a necessidade de manter o capex, a geração de caixa segue insuficiente para cobrir os custos financeiros. A relação entre Ebitda ajustado (ex-capex) e dívida líquida é de 0,7 vez em 2025, ante 3 vezes em 2022, indicando menor capacidade de pagamento via operação.

A alavancagem financeira subiu de 3,14x para 3,47x na relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, ficando acima do guidance de 3,0x estimado pela companhia para o fim de 2025 e interrompendo a trajetória de desalavancagem.

O Estado de S.Paulo - SP   18/03/2026

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e um grupo de bancos ainda não chegaram aos termos finais de um empréstimo que está sendo trabalhado de até US$ 1,5 bilhão, com garantia das ações da CSN Cimentos. No próximo dia 17 de abril vencem cerca de US$ 180 milhões em títulos de dívida emitidos no exterior (bonds), o equivalente a pouco mais de R$ 900 milhões. A CSN tem ainda R$ 6,6 bilhões em dívidas bancárias com vencimento este ano. A Coluna apurou que as discussões estão centradas nas condições contratuais sobre a garantia.

Os bancos desejam amarrar um acordo no qual haja compromisso do empresário Benjamin Steinbruch de venda futura da CSN Cimentos e, sobretudo, de que criará as condições necessárias para isso. No limite, o empréstimo servirá como uma garantia da venda do ativo.

Negociado a juros altos, de cerca de 15%, o conceito é o de que, caso Steinbruch não concretize a venda prometida, os próprios bancos tomariam o ativo e concluiriam a venda para reaver o dinheiro. Há quem veja operação quase como uma espécie de armadilha, mas outras fontes do mercado entendem que esse será apenas um fôlego financeiro para que a empresa tenha tempo de concluir seu plano de venda de ativos.
Processo deve atrair mais de 10 interessados

Como mostrou a Coluna, o processo de venda da CSN começou a caminhar. Segundo fontes, ao menos 10 empresas devem assinar os contratos para avaliar os dados da empresa, o primeiro passo antes de se fazer uma oferta não vinculante, que é a próxima etapa. O negócio é estimado em US$ 2,5 bilhões.

A CSN Cimentos faz parte do conglomerado e depende operacionalmente da CSN. Nesse contexto, mais de uma fonte afirmou à Coluna que a escória, um subproduto da produção de ferro gusa, utilizado na fabricação de cimento, é um ponto crítico na negociação de venda. Segundo a visão desses interlocutores, há o risco de que a CSN possa dificulta esse fornecimento em algum momento e, portanto, o contrato deve ser bem claro nessas linhas e, ainda assim, esse seria um fator de risco.

Em outra ponta, o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen materializou preocupações com a situação das companhias brasileiras. Algumas delas tiveram uma deterioração importante de sua saúde financeira e reversão de planos em período curto de tempo. Vale lembrar que a maior parte dos bancos que compõem o sindicato que irá financiar a CSN para atravessar vencimentos importantes este ano é estrangeira, ou seja, têm de aprovar o empréstimo junto às suas matrizes no exterior, onde o entendimento do atual contexto no Brasil pode ficar mais complicado.

Morgan Stanley e Santander, que receberam mandato para a venda da CSN Cimentos, estão entre as instituições que compõem o sindicato. O grupo de bancos é formado ainda por Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC.

Procurada, a CSN não comentou. Os bancos também não se pronunciaram.

Infomoney - SP   18/03/2026

Após um longo período de pessimismo com o setor siderúrgico brasileiro, o UBS BB passou a adotar uma visão mais construtiva, impulsionada pelo avanço de medidas de proteção comercial (antidumping). Nesse contexto, o banco vê a Usiminas (USIM5) como principal beneficiária e elevou a recomendação da siderúrgica para compra. As ações USIM5 chegaram a subir forte, cerca de 7%, mas fecharam com ganhos mais modestos, de 2%, a R$ 6,62.

O preço-alvo foi elevado de R$ 6,80 para R$ 9,00, com base em múltiplo EV/Ebitda (Valor da Firma sobre lucro antes de juros, depreciações e amortizações) de 4,7 vezes para 2026.

O banco estima que a margem Ebitda do aço pode alcançar entre 13% e 15% nos próximos anos, possivelmente até 2027, ante cerca de 6% em 2025, o que representa um forte efeito de alavancagem para os acionistas. Atualmente, o mercado precifica margens próximas de 9%, o que indica potencial de valorização.
Com as medidas antidumping, o UBS BB espera uma redução significativa das importações chinesas de aço plano no Brasil, abrindo espaço para produtores locais. A Usiminas deve capturar parte desse volume, com crescimento estimado de cerca de 10% nos embarques.

Esse aumento de escala deve gerar diluição de custos fixos e redução de 2% a 3% no custo por tonelada. Há ainda potencial adicional de melhoria no mix de produtos, embora isso não esteja totalmente incorporado nas estimativas.
Gerdau (GGBR4)

Para a Gerdau, a recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo ligeiramente reduzido de R$ 25 para R$ 24, ainda sustentado por potencial de valorização das operações nos Estados Unidos.

O UBS BB destaca o forte desempenho da operação na América do Norte, que já responde por cerca de 70% do Ebitda da companhia. A expectativa é que as margens Ebitda da divisão norte-americana atinjam cerca de 25% no primeiro semestre de 2026, apoiadas por aumentos de preços já implementados e uma carteira de pedidos robusta, superior a 80 dias. Para o ano cheio de 2026, o UBS BB projeta margens próximas de 23%, nível ainda não totalmente precificado pelo mercado.

Por outro lado, a operação brasileira segue desafiadora, especialmente no segmento de aços longos. O banco avalia que o problema não está nas importações, mas na forte competição doméstica, com aumento da capacidade e maior fragmentação do setor.

Nesse contexto, as margens devem permanecer abaixo de 10% por mais alguns trimestres. Ainda assim, o UBS BB vê potenciais gatilhos positivos a partir do segundo semestre de 2026 e, principalmente, em 2027, como a entrada em operação da mina de Miguel Burnier e possíveis avanços em medidas antidumping para bobinas a quente (HRC).

Otimismo com medidas antidumping

O banco destaca que o setor ficou pressionado nos últimos 3 a 4 anos, especialmente pelo aumento das importações — sobretudo da China — que chegaram a cerca de 6,4 milhões de toneladas em 2025, quase três vezes acima de 2019. Esse movimento impactou preços e margens domésticas.

Agora, o UBS BB vê maior capacidade do Brasil de proteger sua indústria, com medidas antidumping que já cobrem cerca de 40% das importações, com potencial de expansão.

Há ainda investigações em andamento para produtos como tubos, fio-máquina e, especialmente, bobinas a quente, com sinalizações iniciais positivas.

Segundo o banco, momentos de maior protecionismo costumam marcar pontos de inflexão positivos para ações do setor, como ocorreu em mercados como EUA, União Europeia e México.
Potencial de alta de preços

O UBS BB estima potencial de aumento de cerca de 10% nos preços dos produtos afetados, com altas próximas de US$ 100 por tonelada, principalmente em aço laminado a frio e galvanizado. O banco considera essa projeção conservadora, diante da expectativa de menor competição externa e mercado doméstico mais apertado.

Segundo o relatório, produtores e distribuidores já começaram a elevar preços nesse patamar. Por outro lado, o banco vê desempenho mais fraco para aços longos, devido à menor proteção e maior competição interna.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   18/03/2026

Para economista Carlos Thadeu de Freitas, o ambiente de política monetária restritiva, ao final de um ciclo de aperto pelo BC, vai neutralizar os efeitos secundários do choque do petróleo.

As surpresas altistas no IPCA-15 e IPCA fechado de fevereiro e o choque do petróleo ligado à guerra no Irã não tiraram a visão relativamente benigna sobre o cenário inflacionário de Carlos Thadeu de Freitas, especialista em inflação e economista sênior da corretora BGC.

A projeção do analista para o IPCA deste ano subiu de 3,5% para 4,25% por causa da alta de combustíveis e energia ligada à guerra no Irã. Mas ele aponta que essa alta é principalmente pelos efeitos primários do choque, e, como tal, deve ser acomodada pelo Banco Central, segundo o procedimento padrão do sistema de metas de inflação.

Já a sua projeção para 2027 é de 4%, mas o economista assinala que há muita incerteza e esse número embute grande prêmio de risco relacionado à incerteza eleitoral e aos possíveis movimentos do câmbio.

Em relação ao IPCA de fevereiro, Freitas pensa que, em primeiro lugar, pode ter havido algum problema na coleta do preço das passagens aéreas - que subiram 11,4%, quando ele esperava uma queda aproximadamente desta monta - relacionado a um problema técnico no site da Gol.

Ele nota que os serviços subjacentes (núcleo) em fevereiro rodaram a 0,5% com ajuste sazonal. Mas ele considera justo tirar deste número três itens que, pela sua característica "one-off", isto é, de ocorrerem apenas uma vez, podem ser considerados não recorrentes.

O primeiro está ligado ao seguro de automóveis, que havia caído por causa do IPI verde dos carros, mas tiveram uma reversão agora que ocorreu toda de uma vez só. Outro item são os bilhetes de cinema, que também tiveram reversão de quedas ligadas a promoções anteriores. E, finalmente, há as tarifas bancárias, cujo aumento anual se dá em fevereiro e março.

Limpando essa "sujeira", a inflação dos serviços subjacentes dessazonalizados em fevereiro cai para 0,35%, ou 4,3% anualizado. Segundo Freitas, para que a inflação cheia chegue à meta de 3%, é preciso que os serviços subjacentes rodem a 3,8% ao ano - portanto, com a sua "limpeza" do número de fevereiro, não se está muito longe do que é necessário.

"Eu sei que esse indicador é volátil, mas o que temos para analisar agora parece benigno", ele ressalva.

No front dos bens industriais, a tendência de queda da inflação deve persistir, na sua análise. A Sondagem da FGV mostrou queda acentuada na demanda no início do ano, o que aponta para nova formação de estoques, após a redução no Natal e na Black Friday. Adicionalmente, há a "invasão chinesa" no setor automotivo, com a previsão de sete novas plantas no Brasil este ano.

Quanto ao choque de oferta da guerra do Irã - afetando gasolina, diesel (neste caso com a mitigação pela isenção tributária anunciada pelo governo) e o frete do transporte de alimentos in natura -, Freitas considera que o ambiente de política monetária restritiva, ao final de um ciclo de aperto pelo BC, vai neutralizar os efeitos secundários. Isto é, impedir a propagação para os demais preços da economia, como manda a cartilha dos bancos centrais.

Adicionalmente, como o consumo de combustível e comida é relativamente inelástico, o aumento desses preços deve reduzir a renda disponível das famílias. Com menos dinheiro no bolso e juros ainda elevados, o consumidor tende a cortar gastos discricionários: menos idas ao salão de beleza, menos eletrodomésticos, menos viagens, o que ajuda a desinflação, principalmente dos serviços. Com a economia esfriando, o economista também não vê espaço para aumentos de salários acima da inflação.

Finalmente, Freitas assinala que o crédito também já sinaliza o freio da atividade no início deste ano, com desaceleração do crédito pessoal e do cartão parcelado. Já o "crédito ruim" do cheque especial e rotativo no cartão está em alta, o que mostra uma situação de maior aperto do consumidor.

Com o choque da guerra, e incertezas sobre o câmbio e a política fiscal, Freitas pensa que o BC deve adotar uma postura mais cautelosa. Mas ele acrescenta que a queda do núcleo dos serviços, se persistir, e o resfriamento da atividade devem constranger o BC a um ciclo de cortes da Selic mais expressivo.

 

IstoÉ Dinheiro - SP   18/03/2026

O Banco Central se reúne nesta semana para uma aguardada decisão sobre os juros novamente com dois assentos vagos em sua diretoria, desfalque que ainda pode persistir por várias reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) diante de um clima difícil para o governo no Senado, segundo duas fontes com conhecimento do assunto.

Quatro fontes ouvidas pela Reuters disseram que o preenchimento das vagas não está sendo encarado como uma prioridade pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ter feito suas sugestões para as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro ainda em dezembro.

Duas fontes pontuaram que até a finalização de um inquérito da Polícia Federal sobre o Banco Master, o ambiente no Senado – onde as relações com o governo estão tensionadas desde o ano passado – possivelmente seguirá complicado para a sabatina de novos indicados ao BC e posterior aprovação de seus nomes tanto pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) quanto pelo plenário da Casa, etapas mandatórias para que possam tomar posse.

“Hoje está barata voa porque ninguém sabe quem vai aparecer no jornal”, afirmou uma das fontes, em referência aos vazamentos de informações expondo as conexões políticas de Daniel Vorcaro, que controlava o banco liquidado pelo BC em novembro passado em meio a uma profunda crise de liquidez e suspeitas de vendas de carteiras de crédito inexistentes.

Com recesso parlamentar em julho e eleições gerais em outubro, as duas fontes não descartam que o Copom siga tomando decisões de política monetária com apenas sete de seus nove votos por meses à frente.

Isso poderia consolidar uma situação sem precedentes em que os cargos permanecem vagos não devido a ausências temporárias dos titulares, mas porque novas nomeações não foram feitas. A demora de Lula em indicar os nomes contrasta com as duras críticas que fez, ao longo do seu mandato, ao fato de ter tido que manter na autarquia diretores nomeados por seu antecessor, sob a lei de autonomia do BC aprovada em 2021 que estabeleceu mandatos não coincidentes para os diretores.

Na prática, Lula pode passar grande parte do último ano de seu terceiro mandato sem preencher cargos que, em teoria, ele já tem o poder de escolher, correndo inclusive o risco de que as nomeações fiquem a cargo de quem vencer a próxima eleição presidencial.

Atualmente, a diretoria de Política Econômica do BC está sendo acumulada interinamente por Paulo Picchetti, que já comandava a diretoria de Assuntos Internacionais, enquanto Gilneu Vivan, diretor de Regulação, está respondendo também pela diretoria de Organização do Sistema Financeiro.

“Eu não me surpreenderia se isso não se resolvesse até o final do ano”, disse uma das fontes.

Segundo ela, o tema não voltou ao debate no governo desde que Haddad sugeriu a Lula que indicasse seu secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, e o economista Tiago Cavalcanti para os postos no BC, vagos desde o início deste ano com o fim dos mandatos de dois últimos diretores que haviam sido nomeados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

As sugestões de Haddad foram mal recebidas pelo mercado, sob avaliação de que a ligação com o PT e a formação heterodoxa de Mello gerariam risco de uma postura leve na política monetária, e também com questionamentos sobre a falta de experiência dos indicados em atuação direta de interlocução com o mercado financeiro, algo visto como importante especialmente para a diretoria de Política Econômica.

Até agora, Lula publicamente não referendou ou descartou os nomes de Haddad para as diretorias, que não são vistas como escolhas do presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Procurados, o Banco Central e o Palácio do Planalto não responderam a pedidos de comentários.

Um entrave considerado decisivo pelo governo é a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que enfrenta resistências no Senado e vem sendo adiada desde o fim do ano passado. Apesar do anúncio feito por Lula em novembro, o Palácio do Planalto não formalizou a indicação em mensagem ao Congresso, em meio ao ambiente conturbado.

A escolha de Messias criou mal-estar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia a nomeação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o posto no STF. O governo também teme que o nome de Messias possa ser rejeitado em votação pelos senadores.

Globo Online - RJ   18/03/2026

O Banco Central deve dar o pontapé inicial no aguardado corte da taxa Selic nesta quarta-feira após nove meses de manutenção dos juros básicos em 15% ao ano, mas manter um tom cauteloso diante das incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio. No mercado financeiro, após a deflagração do conflito e da forte volatilidade do petróleo, a maioria das apostas migrou para uma redução mais tímida, de 0,25 ponto percentual, para 14,75%, ante uma queda de 0,50 pp, para 14,50%.

A atual taxa é um recorde desde julho de 2006, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e vem sendo alvo de críticas de autoridades e de empresários, que argumentam que a dose de juro é exagerada frente à inflação medida pelo IPCA de 3,81% em 12 meses até fevereiro.

O próprio Comitê de Política Monetária (Copom) do BC considerou, em sua última reunião, em janeiro, que deveria começar a cortar os juros no encontro deste mês. Na época, o Copom projeta que o IPCA chegaria a 3,2% no terceiro trimestre de 2027, prazo com o qual trabalha para entregar a inflação na meta.

O alvo perseguido pelo BC é de 3,0%, com margem de tolerância de até 4,5%. O colegiado que define a Selic calibra a taxa de acordo com as projeções para a inflação em um horizonte de 18 meses dada o tempo em que demora para que os juros façam efeito na economia real.

"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse o Copom em janeiro.

A sinalização de início de corte, porém, já veio com a ressalva de que o plano é que a Selic continue representando um freio na economia para garantir que o BC cumpra o compromisso com a meta de 3,0%.

"O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária."

Se a comunicação já era cautelosa diante de dúvidas principalmente com a desaceleração da atividade e do mercado de trabalho, a expectativa do mercado é de que a eclosão do conflito no Oriente Médio aumente o cuidado do Copom. O aumento do petróleo tem efeito inflacionário direto na inflação doméstica, especialmente devido ao preço da gasolina - combustível que não foi contemplado nas medidas do governo federal para atenuar os impactos da guerra para os brasileiros.

Uma das instituições financeiras que corrigiram a estimativa para a queda da Selic neste Copom em função dos impactos da guerra foi o ASA. Segundo a equipe de macroeconomia da instituição, ainda que o BC não se concentre na cotação atual, mas analise a curva de preços do petróleo para os próximos meses, a elevação da commodity aumenta os riscos para a inflação doméstica, tanto via combustíveis quanto por efeitos secundários sobre expectativas e outros preços administrados.

Na avaliação do ASA, o choque deve elevar a projeção do BC para o IPCA no 3º trimestre de 2027 de 3,2% para 3,6%, afastando-se mais do centro da meta.

"Esse deslocamento, por si só, já reforça a conveniência de um início de ciclo mais parcimonioso. A opção por 0,25 pp permite ao Copom preservar a sinalização de janeiro, iniciando o ciclo de cortes, mas ao mesmo tempo reconhecendo o aumento expressivo da incerteza", diz, em relatório, acrescentando que o comunicado deve dizer apontar para maior dependência de dados para decisões futuras.

O Santander avalia que o intervalo entre o compromisso assumido pelo BC em janeiro e a cautela com o conflito no Oriente Médio se estreita para um único resultado: uma redução de 0,25pp, para 14,75%. Segundo o economista Marco Caruso, a "inação" após a sinalização de corte, reforçado pelas declarações recentes de diretores, seria prejudicial à credibilidade do BC, já a opção de 0,50pp tornou-se pouco atraente com a combinação de choque de petróleo e conservadorismo natural de início de ciclo.

"A sinalização estabeleceu um teto, tornando a inação custosa em termos de credibilidade; o choque de oferta estabeleceu um piso e ficou em 25. Dito isso, apesar da atual falta de clareza, continuamos a esperar que a taxa Selic terminal atinja 11,50% no primeiro semestre de 2027. Para tanto, assumimos que os impulsos inflacionários do conflito permaneçam transitórios, dissipando-se dentro do horizonte relevante do Copom de 18 meses."

Já a Warren Investimentos manteve a expectativa de queda da Selic em 0,50pp, para 14,50%, mas não descarta a possibilidade de o BC ser mais conservador diante dos riscos do cenário externo. A leitura é de que, no atual patamar de juros, o Copom possui margem de manobra relevante caso precise recalcular a rota.

"A taxa Selic foi colocada em um nível inquestionavelmente restritivo e mantida assim por um período bastante prolongado. Os efeitos já foram observados na economia por meio de diversos canais, mesmo considerando a resiliência do setor de serviços e do mercado de trabalho. Assim, o Banco Central tem margem para iniciar o processo e, caso cenários mais negativos se materializem, pode suspender a calibragem ainda em um nível restritivo."

Monitor Digital - RJ   18/03/2026

Na última quinta-feira, encerrou-se uma importante conferência política da China neste ano. Com a conclusão das “duas sessões”, Beijing enviou uma mensagem inequívoca a um mundo que enfrenta uma incerteza crescente: a China continuará sendo o motor mais estável da economia global.

Nas duas sessões deste ano, a China estabeleceu uma meta de crescimento do PIB de 4,5% a 5% para 2026, superando significativamente a projeção de janeiro do FMI de 3,3% para a economia global.

A meta reflete a confiança da China, que se baseia em fundamentos sólidos. Nos últimos cinco anos, a economia chinesa cresceu a uma taxa média anual de 5,4%, contribuindo com cerca de 30% para o crescimento global, mais do que a contribuição combinada dos países do G7.

“O mundo pode contar com a China para oferecer novas contribuições para um crescimento global forte e sustentável”, disse o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, à margem da sessão anual da legislatura nacional.

Impulsionando a demanda global

Talvez o canal mais visível por meio do qual a China está estabilizando a economia mundial seja seu enorme mercado doméstico. Como o segundo maior mercado consumidor do mundo, ele está criando uma demanda vital por bens e serviços globais.

O relatório de trabalho do governo para 2026 coloca a “construção de um mercado doméstico robusto” em primeiro lugar entre as principais tarefas para este ano. Ele promete medidas concretas, incluindo 250 bilhões de yuans em títulos do Tesouro especiais de prazo ultralongo para programas de substituição de bens de consumo, um fundo de coordenação fiscal-financeira de 100 bilhões de yuans para estimular as demandas internas, e subsídios ampliados de juros para consumidores e prestadores de serviços.

A política já está produzindo resultados. Em 2025, o programa de substituição gerou mais de 2,6 trilhões de yuans em vendas, beneficiando mais de 360 milhões de consumidores. “O programa de substituição deu um verdadeiro impulso aos nossos negócios”, disse Ai Yucheng, que trabalha em uma loja de eletrodomésticos em Yuncheng, na Província de Shandong. “O fluxo de clientes mais que dobrou, e eles estão entrando na loja com a intenção de comprar.”

O esboço do 15º Plano Quinquenal (2026-2030) reforça essa prioridade, prometendo “liberar o potencial do consumo de serviços” e “promover a expansão e a modernização do consumo de bens”.

Essa demanda vibrante se estende além das fronteiras. Durante o recente Festa da Primavera do Ano do Cavalo, viajantes chineses se espalharam tanto por destinos tradicionais quanto por locais menos conhecidos, com seus gastos dando um impulso oportuno às economias relativas ao turismo da Tailândia à Europa.

A integração da inteligência artificial (IA) com o consumo, criando novos cenários para casas inteligentes, veículos inteligentes e serviços personalizados, está gerando uma nova demanda que beneficia toda a economia global.

No entanto, a contribuição econômica da China vai além do simples consumo. Comprometido com uma abertura de alto nível, o país está promovendo a liberalização do comércio e dos investimentos em várias frentes, consolidando as cadeias de abastecimento globais e, ao mesmo tempo, abrindo ainda mais suas portas para bens e capitais estrangeiros.

Apenas três meses após o início de 2026, investidores estrangeiros já estão redobrando seus esforços: a STI, fabricante sul-coreana de equipamentos para semicondutores, está construindo uma base de fabricação de semicondutores em Guangzhou, com um investimento total de aproximadamente 12,4 bilhões de yuans; a gigante alemã de peças automotivas Schaeffler está injetando mais 1 bilhão de yuans em uma fábrica de robótica humanoide na Província de Jiangsu. Os novos investimentos ressaltam a confiança global no duplo papel da China como centro de produção e motor de consumo.
Impulsionando o crescimento de qualidade

A inovação tecnológica tornou-se um motor fundamental para o desenvolvimento econômico de alta qualidade da China, e uma economia chinesa próspera é, por sua vez, um benefício para o mundo inteiro.

A China tem dado grande ênfase à promoção de “novas forças produtivas de qualidade” – uma mudança de paradigma que prioriza avanços científicos, transformação verde e integração digital em vez do crescimento tradicional impulsionado por fatores de produção.

Esses esforços assentam em bases sólidas. A China destinou 2,8% do seu PIB à pesquisa e desenvolvimento em 2025, com um investimento anual superior a 3,9 trilhões de yuans, um aumento anual de 8,1%. Os graduados do país em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, sigal em inglês) – mais de 5 milhões por ano – formam um banco de talentos líder mundial.

Essa vantagem de capital humano está sendo canalizada para fronteiras estratégicas: desde o modelo de IA DeepSeek até o lançamento do porta-aviões Fujian, equipado com catapultas eletromagnéticas, e o teste bem-sucedido de um motor reutilizável de oxigênio líquido-querosene de 240 toneladas para voos espaciais comerciais. Avanços de ponta estão se desenrolando em todas as áreas — em novas energias, circuitos integrados e transporte inteligente.

Essas inovações geram efeitos positivos que beneficiam a economia global de forma geral – reduzindo custos, acelerando transições verdes e abrindo novas oportunidades de mercado.

Em vez de buscar a autossuficiência tecnológica isoladamente, a China está expandindo a colaboração internacional. Multinacionais estrangeiras, desde a gigafábrica da Tesla e o centro de inovação da Roche em Shanghai até o novo laboratório de pesquisa aplicada da Apple em Shenzhen, estão aprofundando suas atividades de pesquisa e desenvolvimento na China para aproveitar esse ecossistema dinâmico.

“A economia da China oferece ao mundo uma combinação rara de estabilidade, potencial de crescimento de longo prazo e cooperação aberta. Fazer parceria com a China significa fazer parceria com oportunidades”, disse Gao Shijie, funcionário da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

Diário do Comércio - MG   18/03/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve uma elevação de 0,2% em janeiro deste ano ante dezembro de 2025, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). É o terceiro crescimento consecutivo da atividade.

Na comparação com janeiro de 2025, a atividade econômica cresceu 1,2% em igual mês de 2026. A taxa acumulada em 12 meses até janeiro foi de 2,2%.

O consumo das famílias cresceu 1%, completando três trimestres móveis consecutivos de crescimento. A exportação de bens e serviços registrou, em janeiro de 2026, crescimento de 11%, enquanto a importação caiu 1,3%, com forte contribuição negativa das importações de bens intermediários.

A coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, explica que o baixo crescimento estimado para o PIB em janeiro de 2026 “reflete o observado nas diversas atividades econômicas, confirmando a expectativa de estabilidade na economia em meio ao elevado patamar atual dos juros no país”.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresentou recuo de 4,2% no trimestre móvel terminado em janeiro, mantendo a trajetória de retração observada desde o final do ano passado.

Em termos monetários, o PIB alcançou aproximadamente R$ 1,078 trilhão.

A taxa de investimento da economia foi de 19,1% em janeiro de 2026.

IstoÉ Dinheiro - SP   18/03/2026

O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao defender maior responsabilidade fiscal por parte do governo, disse que a taxa de juro se encontra na altura em que está para controlar a inflação que os gastos públicos impõem à economia. “Nós temos uma Selic alta sim, mas há momentos em que os juros têm que ser altos, à medida que, por exemplo, em que a dívida pública está crescendo, o governo está inventando mais recursos econômicos e gerando inflação. E o Banco Central, para controlar isso, tem que botar o juro mais alto”, disse Meirelles acrescentando que enquanto o BC rema para um lado o governo rema para outro lado.

Para o ex-ministro, que participa do Nomad Globak Invest Day, evento que conta com o apoio do Estadão, a dívida pública hoje se aproxima de 79% do PIB e não há nada no cenário que sinaliza, a curto prazo, uma mudança de tendência. “Então nós estamos vivendo uma situação onde, de um lado, o governo rema para uma expansão fiscal, expansionista, e a política monetária está tentando controlar a atividade da inflação”, reiterou.

Meirelles também defendeu durante o evento a necessidade de o Brasil fazer a reforma administrativa porque o custo do Estado brasileiro é muito grande. “No ano passado, por exemplo, foram gastos só com pessoal R$ 408 bilhões apenas com o pessoal, é muito. Temos um problema com o que chamamos de super salário, caso de poucas categorias, com maior poder de barganha, que recebe salários acima do teto”, disse.

Durante o evento, Meirelles defendeu que o crescimento sustentando da economia brasileira no longo prazo depende de reformas estruturais sobre os gastos público, o que ajudará o País a também atrair investimentos. Apesar dos desafios, o ex-ministro considerou, no entanto, que o País ainda oferece muitas oportunidades a investidores após resolver muitos problemas do passado, como a dívida externa.

Sobre a reforma tributária, Meirelles disse que ela permitirá uma grande simplificação do sistema atual, o que deve levar a ganhos de produtividade, um dos grandes entraves da economia.

“Muitos problemas já foram resolvidos, o caminho foi traçado e as reformas podem levar a crescimento sustentado e atrair investimentos”, frisou Meirelles.

Jornal de Brasília - DF   18/03/2026

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (17) a criação de um novo Plano Brasil Soberano para apoiar exportadores prejudicados por tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Lançado em agosto de 2025, o programa original destinou financiamentos a empresas impactadas pelo ‘tarifaço’ americano, que incluiu taxas de até 50% para produtos brasileiros. Embora uma decisão da Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte das medidas em fevereiro, Mercadante alertou que setores como siderurgia, alumínio e cobre ainda enfrentam tarifas de 50%, enquanto o automotivo e autopeças sofrem com taxações de 25%, conforme a Seção 232 da legislação americana, vigente por razões de segurança nacional.

“Quando é para todos, não desequilibra a relação de comércio. O problema é quando você tem uma tarifa superior aos seus concorrentes”, explicou Mercadante durante a apresentação do balanço financeiro de 2025 do BNDES, no Rio de Janeiro. No âmbito do plano original, o banco financiou R$ 19,5 bilhões para 676 empresas, deixando R$ 6 bilhões disponíveis no caixa, sem custo adicional ao orçamento público.

Mercadante sugeriu que esses recursos possam ser devolvidos ao Tesouro Nacional para um novo programa, sujeito à aprovação do Congresso ou via Medida Provisória. Ele mencionou diálogos avançados com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o Ministério da Fazenda e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir o escopo, propondo incluir setores com déficits comerciais e áreas estratégicas afetadas por guerras, como o de fertilizantes, impactado pelos conflitos na Ucrânia e Rússia (iniciado em 2022) e no Irã (2026). “Precisamos ter mais resiliência para poder ter mais capacidade de resposta nesse cenário turbulento geopolítico”, afirmou.

Em outro tema, Mercadante reiterou o empenho do BNDES na recuperação financeira da Raízen, gigante de biocombustíveis que opera postos Shell. A empresa ingressou recentemente com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas. Em janeiro de 2025, o banco aprovou R$ 1 bilhão em financiamento para produção de etanol, e a dívida da companhia com o BNDES possui garantias reais, não incluída na renegociação. “Acreditamos que essa recuperação é possível e estamos trabalhando nessa direção, conversando com credores, Shell, Cosan e parceiros do sistema financeiro”, disse, destacando os ativos da empresa, incluindo cerca de 8 mil postos de gasolina.

Questionado sobre o apoio a empresas diante do possível fim da escala de trabalho 6x1, prevista na Proposta de Emenda Constitucional nº 8/2025, Mercadante indicou que o BNDES está estudando o tema, mas aguardará decisão do governo antes de qualquer iniciativa.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   18/03/2026

Os  contratos futuros do minério de ferro avançaram para máximas de dois meses nesta terça-feira, impulsionados pelo aumento da demanda por produtos de aço acabados para construção na China.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 1,81%, a 816,5 iuanes (US$118,56) a tonelada.

O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura avançava 1,26%, a US$108,85 a tonelada.
As usinas siderúrgicas de fornos elétricos a arco na China retomaram a produção intensiva de vergalhões e linhas de laminação de fio-máquina, elevando a taxa de utilização da capacidade em 16 de março, com a expectativa de que a produção de ambos os produtos continue a aumentar nesta semana, segundo uma nota do Shanghai Metals Market.

Com relação à demanda downstream, as atividades de construção também foram retomadas, apoiando a demanda por produtos de aço acabados e melhorando a desestocagem, acrescentou a nota.

A quantidade total de minério de ferro que chegou a 47 portos chineses diminuiu em 3,805 milhões de toneladas de 9 a 15 de março, enquanto os embarques globais de minério de ferro, bem como as exportações da Austrália e do Brasil, aumentaram durante o mesmo período, de acordo com dados da consultoria Mysteel.

Com isso, a força da demanda por produtos siderúrgicos acabados e as margens de lucro vigentes acabarão determinando os preços do minério de ferro no curto prazo, acrescentou a nota.

Uma recuperação global nos embarques exercerá pressão baixista sobre os futuros do minério de ferro, mas espera-se que o declínio de curto prazo nas chegadas aos portos, que coincide com a recuperação na produção de ferro-gusa, leve à redução contínua dos estoques portuários, disse uma nota do grupo de dados de commodities SunSirs.

Globo Online - RJ   18/03/2026

O Brasil está entre os principais produtores globais de minerais, com destaque para o minério de ferro. Mesmo assim, limitações logísticas permanecem entre os principais desafios para a expansão da mineração no país, sobretudo quando se considera a necessidade de transportar grandes volumes de produção a partir de regiões afastadas da costa.

A dimensão do setor ajuda a explicar a importância da infraestrutura de transporte. O Brasil produziu cerca de 400 milhões de toneladas de minério de ferro em anos recentes, o que mantém o país entre os maiores produtores globais do mineral.

Além da relevância produtiva, a atividade mineral também gera receitas importantes para estados e municípios. A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) somou mais de R$ 6,8 bilhões em 2023, de acordo com a Agência Nacional de Mineração.

Mesmo com esse peso econômico, o escoamento da produção mineral exige uma estrutura logística complexa. Minério de ferro, bauxita e outros recursos naturais dependem de ferrovias, rodovias e portos especializados para alcançar os mercados internacionais.

No Brasil, o transporte ferroviário responde por grande parte desse fluxo. O minério de ferro seguiu como principal produto transportado por ferrovias em 2024, com 390 milhões de toneladas úteis, segundo o Ministério dos Transportes.

A malha ferroviária brasileira está organizada em corredores logísticos que concentram o transporte de cargas de grande volume, como o minério de ferro. Essa concentração limita novas rotas de escoamento e amplia custos para projetos minerais localizados fora dessas áreas.

Outro ponto relacionado à logística do setor é a distância entre as regiões produtoras e os terminais marítimos. No Brasil, minas frequentemente se encontram a centenas de quilômetros dos portos, o que exige soluções logísticas integradas que combinem ferrovia, porto e, em alguns casos, transporte hidroviário.

Essa discussão não ocorre apenas no Brasil. A qualidade da infraestrutura logística influencia diretamente o custo de exportação de commodities e a competitividade de economias baseadas em recursos naturais, de acordo com análises do Banco Mundial.

Nesse contexto, empresas e investidores ampliam o debate sobre novos corredores logísticos na América do Sul, incluindo projetos ferroviários, portuários e hidroviários capazes de reduzir distâncias e custos de transporte.

Entre os executivos que acompanham essas discussões está Lucas Kallas, presidente do Conselho da Cedro Participações. O empresário tem dedicado parte relevante de sua agenda à prospecção de oportunidades fora do Brasil. Apenas no último ano, passou cerca de nove meses em compromissos internacionais, visitou 17 países e acumulou aproximadamente 540 horas de voo em viagens voltadas à análise de projetos e rotas logísticas.

Durante essas agendas, Kallas avaliou possibilidades em regiões como Ásia, Oriente Médio, África e América Latina. Entre os temas analisados aparece o potencial logístico da hidrovia do rio Orinoco, no norte da América do Sul, mencionado em debates sobre alternativas de escoamento mineral com acesso ao Caribe e aos mercados globais.

"A mineração brasileira possui enorme potencial geológico. O desafio está em construir rotas eficientes que permitam levar essa produção ao mercado global com custos competitivos", afirma.

Máquinas e Equipamentos

O Estado de S.Paulo - SP   18/03/2026

Copa o Mundo sempre foi alavanca para vender mais televisores, e neste ano não será diferente. Porém, é esperado um ritmo de crescimento mais moderado em relação à Copa do Mundo do Catar, de 2022.

Estudo da consultoria NielsenIQ projeta crescimento de 15% a 20% nas quantidades de televisores vendidos nos três meses antes ao evento, comparado à Copa de 2022. O avanço é muito menor em comparação ao da edição anterior, quando as vendas de televisores em volume aumentaram 35,4% ante a Copa do Mundo da Rússia, de 2018.

Mateus Baldo, diretor de Tecnologia e Bens duráveis da consultoria, atribui a menor taxa de crescimento nas vendas de TVs neste ano às incertezas que rondam o mercado.

Ele aponta os conflitos mundiais, que já provocaram a disparada do preço do petróleo acima de US$ 100 o barril, e as eleições no País como fatores que podem tirar o impulso das vendas em razão do encarecimento dos televisores.

É que boa parte dos componentes das TVs é importada e sujeita à variação cambial. Também várias peças dos aparelhos, como gabinetes, são feitas de plástico, e têm o petróleo como a matéria-prima básica da cadeia de produção.

“Apesar do recuo esperado para a taxa de crescimento de TVs em relação à última Copa, a perspectiva é muito boa, porque o mercado tem andado de lado”, diz o Baldo.

Além disso, em anos de Copa do Mundo, normalmente são vendidos televisores mais sofisticados e mais caros. Na Copa de 2022, por exemplo, a venda de televisores de alta definição resolução 4K UHD (Ultra High Definition) respondeu por 72% dos negócios nos três meses que antecederam o evento. No ano inteiro de 2022, no entanto, essa fatia tinha sido de 62%, aponta a consultoria.

Também nos três meses que antecederam a Copa de 2022, 45% das vendas foram de aparelhos com telas grandes, acima de 50 polegadas. Já no ano de 2022 fechado, a participação das TVs de tela grande no total tinha sido de 37%.

Linha branca ultrapassa TI

O varejo de produtos eletroeletrônicos movimentou R$ 200 bilhões no ano passado, com crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior, segundo a consultoria. É uma taxa bem menor em relação à registrada em 2024, quando as vendas tinham avançado 13,4%.

Segundo Baldo, os preços dos eletrônicos subiram em razão da alta da moeda americana e isso tirou o impulso das compras. Também a taxa básica de juros no maior nível dos últimos 20 anos, em 15% ao ano, encareceu o crédito. E normalmente esse itens são comprados a prazo.

Um dado que chama atenção da pesquisa é que pela primeira vez a venda de produtos da linha branca, como geladeiras, fogões e lavadoras, respondeu pela maior fatia das vendas em faturamento (31,7%) em 2025 e superou itens de telecomunicações (31,4%), que desde 2022 eram líderes de venda em participação.

O especialista observa que a presença de eletrodomésticos da linha branca e de celulares na casa dos brasileiros é muito grande. Mas, no caso da linha branca, muitos aparelhos já passaram da hora de serem renovados.

O mais recente ciclo de compras desses itens ocorreu em 2010, quando houve isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) por parte do governo. E a vida útil de uma geladeira ou um fogão é por volta de dez a 15 anos. Foi exatamente esse movimento de renovação dos eletrodomésticos que deu impulso às vendas de linha branca no ano passado.

Outro ponto de destaque do mercado é que as vendas do grupo de Tecnologia da Informação (TI), que reúne computadores e tablets, por exemplo, ampliaram a sua participação no total de eletroeletrônicos comercializados.

Esse foi o único segmento que teve crescimento da sua fatia no total dos eletroeletrônicos. Produtos de TI responderam por 12,5% das vendas de R$ 200 bilhões no ano passado ante 11,1% em 2024, um avanço de 1,4 ponto porcentual.

“TI está naquele momento de evolução da categoria”, diz o especialista. A indústria está embarcando mais tecnologia nesses produtos e trazendo mais rapidamente para o Brasil esses itens.

Perspectiva para 2026

A perspectiva para este ano de 2026 é que as vendas de produtos de Telecom e de linha branca continuem crescendo por causa da demanda reprimida, enquanto itens de TI devem ser afetados pela alta de preços.

Baldo diz que cada vez mais produtos de TI estão sendo encarecidos pela tecnologia da inteligência artificial embarcada neles. Já a linha de áudio e vídeo deve ganhar impulso por causa das vendas de televisores em ano de Copa.

Entre os dias 22 e 25 de junho deve ocorrer no Distrito Anhembi, em São Paulo, a 19ª edição da Eletrolar Show All Connected. A tradicional feira do setor eletroeletrônico neste ano irá integrar todas as tecnologias, inclusive terá a presença de veículos elétricos. A intenção, segundo Carlos Clur, presidente do Grupo Eletrolar, é nesse período transformar São Paulo no principal polo latino-americano de exposição de inovações no segmento de bens duráveis.

O Presente Rural - PR   18/03/2026

A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de invalidar as tarifas unilaterais impostas pela administração Trump foi recebida pelo setor industrial brasileiro com um misto de alívio e ceticismo. Embora a medida interrompa um ciclo de instabilidade, ela não garante, por si só, que o mercado americano recuperará a previsibilidade de outrora. Na realidade, o que a decisão promove é um estancamento na perda de competitividade: com tarifas que chegaram a 50%, as máquinas brasileiras haviam se tornado proibitivas no mercado norte-americano, resultando em uma queda acentuada no volume de exportação, que recuou de 32% para 22% do total exportado no último ciclo.

No entanto, o fim dessas barreiras imediatas não dissipa a névoa de imprevisibilidade que se tornou o principal efeito colateral dessa disputa. O governo dos EUA já sinalizou que buscará caminhos alternativos, como a Seção 301, para revestir o protecionismo com novas roupagens técnicas. Tal cenário mantém o setor em uma posição desconfortável, uma vez que a ameaça de taxas reinstituídas subitamente impede a celebração de contratos de longo prazo e afasta investimentos planejados.

Somado a essa instabilidade jurídica, não podemos perder de vista o dano colateral já consolidado no faturamento das empresas brasileiras, que enfrentaram uma queda líquida de 9,1% nas exportações para os EUA. Esse dado evidencia que a crise não se encerra com uma sentença judicial; ela exige uma percepção clara de que o desafio é político e estrutural, e não apenas jurídico. Para o setor de máquinas e equipamentos, a queda das tarifas é apenas o desfecho de um capítulo, e não a conclusão do livro.

Uma análise mais aprofundada deixa claro que a indústria nacional necessita de mecanismos internos que compensem o “Custo Brasil”. Afinal, de nada adianta a remoção de barreiras externas se o fabricante brasileiro segue sobrecarregado por gargalos logísticos e um custo de capital que inibe a inovação. É imperativo que o país avance em reformas que garantam isonomia competitiva frente aos players globais.

Apesar desses desafios, é fundamental reconhecer a robustez da nossa engenharia e a qualidade intrínseca das máquinas brasileiras — atributos que, historicamente, superaram barreiras muito além das impostas pelo protecionismo. A decisão da Suprema Corte não é o destino final, mas uma abertura estratégica que nos permite retomar o fôlego e reafirmar nossa presença global. Seguimos atentos, convertendo prudência em estratégia: com a resiliência de nossos associados e uma atuação diplomática incisiva, temos plenas condições de reconquistar o terreno perdido e provar que a indústria de bens de capital do Brasil é um pilar insubstituível no comércio internacional.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   18/03/2026

Os fabricantes chineses de baterias para veículos elétricos aumentaram sua dominância para uma participação global superior a 70% no ano passado, ante menos de 50% em 2021, enquanto os concorrentes sul-coreanos enfrentam dificuldades no mercado americano.

A líder do setor, Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. (CATL), oferece uma gama de baterias para veículos elétricos e híbridos plug-in em diversas faixas de preço. Seus clientes incluem as principais montadoras chinesas e um número crescente de empresas automobilísticas europeias, como Volkswagen e Mercedes-Benz.

O lucro líquido cresceu 42% em 2025, atingindo o recorde de 72,2 bilhões de yuans (US$ 10,5 bilhões).

A CATL liderou o mercado global de baterias para veículos elétricos e híbridos em 2025, com uma participação de 39,2% com base na capacidade instalada, um aumento de um ponto percentual em relação a 2024, segundo relatório da SNE Research, da Coreia do Sul.

Sua alta participação de mercado contribui para um ciclo virtuoso de competitividade em preço e qualidade, que só aumenta sua escala.

Embora as vendas de veículos elétricos estejam desacelerando nos Estados Unidos e em algumas outras regiões, elas estão crescendo em todo o mundo. O volume de instalação de baterias para veículos permaneceu forte em 2025, subindo 32% em relação a 2024, para 1.187 gigawatts-hora, dos quais o mercado chinês representou cerca de 60%.

O mercado de baterias da China continua a se expandir, impulsionado por subsídios governamentais para promover a adoção de veículos elétricos e outros veículos de novas energias. A CATL e outros fabricantes chineses também estão conquistando a demanda no exterior, especialmente na Europa, onde se beneficiaram da falta de concorrentes locais fortes.

Seis dos dez maiores fabricantes globais de baterias automotivas em capacidade instalada em 2025 eram chineses, com sua participação combinada aumentando em cerca de 4 pontos percentuais em relação a 2024, para 70,4%, de acordo com a SNE Research.

A gigante de veículos elétricos BYD ficou em segundo lugar, atrás da CATL, desenvolvendo e produzindo baterias internamente para seus próprios veículos, além de aumentar o fornecimento para outras empresas, como a startup chinesa de veículos elétricos Xiaomi e a Stellantis, fabricante dos carros Fiat, Peugeot e Jeep.

A CALB, em quarto lugar, e a Gotion High-Tech, em quinto, também aumentaram seus embarques.

Enquanto isso, os fabricantes de baterias sul-coreanos estão enfrentando dificuldades. Sua participação de mercado combinada no ano passado caiu cerca de 3 pontos percentuais, para 15,3%, aproximadamente metade dos mais de 30% em 2021.

Essa queda reflete o foco nos Estados Unidos, onde o governo Trump eliminou políticas favoráveis a veículos elétricos implementadas pelo governo anterior.

A LG Energy Solution, principal fabricante de baterias da Coreia do Sul e a terceira maior do mundo, obtém cerca de 40% de suas vendas nos Estados Unidos. O lucro líquido caiu 76% em 2025, para 80,8 bilhões de won (US$ 54,3 milhões), menos de 1% do lucro líquido da CATL no mesmo período.

A SK On e a Samsung SDI, segunda e terceira maiores fabricantes de baterias da Coreia do Sul, respectivamente, registraram prejuízos líquidos.

"A demanda por veículos elétricos continua a cair e esperamos um crescimento negativo temporário no segmento de baterias", afirmou Lee Chang-sil, diretor financeiro da LG Energy Solutions.

Empresas sul-coreanas estão reavaliando suas estratégias nos Estados Unidos. Este mês, a SK On cortou cerca de mil empregos em sua fábrica de baterias no estado da Geórgia, no sul do país, o que representa cerca de 40% da força de trabalho da unidade. A LG Energy Solutions anunciou em dezembro que venderia prédios e outros ativos de sua fábrica de baterias em joint venture com a Honda, em Ohio, para a subsidiária americana da Honda.

Entre as empresas japonesas, a Panasonic Holdings ficou em sétimo lugar no ranking mundial, com uma participação de mercado inferior a 4%. A Panasonic iniciou as operações em uma fábrica de baterias no estado do Kansas, no Centro-Oeste americano, em julho, mas adiou a entrada em operação plena no local — originalmente planejada para o final do ano fiscal de 2026 — devido à queda nas vendas para sua principal cliente, a Tesla.

Espera-se que o mercado chinês desacelere este ano, o que representa um risco para os fornecedores locais. O governo da China revisou os subsídios para a compra de veículos elétricos e outros veículos de novas energias no final de 2025, contribuindo para uma queda de 28% nas vendas de novos veículos de novas energias em janeiro e fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Empresas chinesas estão expandindo a produção em outros países para diversificar. A CATL concluiu uma linha de produção em sua primeira fábrica na Hungria no fim de 2025 e iniciou suas operações recentemente.

A CALB também está aumentando a produção na Europa e no Sudeste Asiático.

"Vamos promover de forma constante a construção de instalações de produção para nos adaptarmos às políticas locais e às necessidades do mercado", disse o presidente Liu Jingyu ao “Nikkei Asia”.

O Estado de S.Paulo - SP   18/03/2026

A BYD está traçando uma estratégia de expansão agressiva que combina a construção de novas unidades produtivas com a possibilidade de absorver montadoras tradicionais. Segundo informações da Bloomberg, a empresa estuda a instalação de uma fábrica no Canadá, ao mesmo tempo em que monitora ativos de concorrentes dos Estados Unidos, Europa e Japão.

Em entrevista concedida em São Paulo, a vice-presidente executiva da companhia, Stella Li, revelou que o mercado canadense está no radar para uma operação própria. No entanto, ela foi enfática ao descartar o modelo de joint ventures, uma preferência do Canadá para incentivar a indústria local.

O governo do país, vale lembrar, injetou 3 bilhões de dólares canadenses no setor automotivo a fim de priorizar a fabricação local. Também passou a buscar novos parceiros internacionais para responder ao fechamento de fábricas e às ameaças de exclusão do mercado americano. As novas políticas têm o objetivo de transformar a economia do Canadá menos dependente de um único parceiro comercial.

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Para Stella Li, o controle total da operação é inegociável para garantir a eficiência do grupo. Atualmente, o cenário regulatório canadense apresenta algumas nuances. Embora tenha imposto uma tarifa de 100% sobre veículos chineses em 2024, o país abriu uma exceção para uma cota anual de até 49 mil unidades, sinalizando uma brecha para a entrada da montadora.
BYD pode comprar rivais

Para além da expansão orgânica, a BYD sinaliza um apetite por fusões e aquisições. Li indicou que a empresa está aberta a assumir o controle de fabricantes consolidadas que hoje lutam para equilibrar os altos investimentos em motores a combustão com a corrida pelos elétricos.

Embora nenhum acordo esteja em estágio avançado, a executiva destacou que a BYD avalia constantemente quais ativos podem beneficiar sua estrutura. Esse movimento remete à aquisição da Volvo pela Geely, e ocorre em um momento em que grupos como Stellantis e Ford buscam parcerias tecnológicas com chineses para não perderem mercado.

O diferencial competitivo da BYD reside em sua integração vertical, produzindo internamente a maior parte de sua cadeia de suprimentos. Essa filosofia de “seguir sozinha” é o que sustenta a rejeição a parcerias que possam diluir sua agilidade operacional.

O Estado de S.Paulo - SP   18/03/2026

O primeiro bimestre do ano chegou ao fim, mas não a crise que acomete o setor de caminhões no país, o qual viu os volumes de vendas e de produção caírem nos dois primeiros meses do ano. Na comparação com o bimestre do ano passado, as vendas no segmento recuaram 28,7%, e a produção nacional foi 27% menor, somando 20 mil unidades no período.

Até aí, nenhuma novidade, considerando que um cenário de dificuldades para o ano já era antevisto pela indústria.

No entanto, como diz o ditado popular, nada é tão ruim que não possa piorar. E, no caso do setor de caminhões, podem tornar as coisas mais críticas o que o presidente da Anfavea, Igor Calvet, chamou de “fatores de volatilidade”.

Um deles é a taxa de juros, já exposta à exaustão como um inibidor dos financiamentos de veículos no país. Para o representante da entidade que agrupa as montadoras de veículos instaladas no país, as variações do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos últimos meses não proporcionaram qualquer mudança na Selic como se podia esperar.

E isso, na sua análise, mostra que a compra de caminhões seguirá ao longo do ano afetada pelo atual patamar da taxa básica de juros a despeito da redução do PIB - muito se pensava a respeito de como a redução do consumo, no geral, poderia favorecer a redução da Selic, e isso acabou não se confirmando pelo menos no setor de caminhões.

À cesta de dificuldades enfrentadas pela indústria, que já conta como os juros altos, foram acrescentados outros dois fatores, indicou a Anfavea, esses mais recentes.

A eclosão do conflito entre Estados Unidos e Irã fez o dólar e o preço dos combustíveis dispararem, impactando em custos logísticos e reduzindo a competitividade na indústria brasileira, afirmou Calvet.

Aumento de custo logístico, traduzindo para o idioma falado por transportadores de cargas no país, significa diesel mais caro. Com a composição operacional sendo onerada pelo conflito, o apetite para renovar a frota com modelos zero quilômetro praticamente desaparece, ou se posterga para mais adiante.

No idioma das fabricantes, logística mais cara com fechamento de rotas marítimas e elevação cambial pode redundar no aumento do preço das peças importadas que compõem a produção local de caminhões. Como disse recentemente o vice-presidente de operações da Volvo, tais lotes são negociados pela matriz em moeda estrangeira.

O terceiro fator de volatilidade apontado pela Anfavea é o fato dos conflitos bélicos terem o poder de melar o comércio exterior por causa da instabilidade política provocada por eles.

No primeiro bimestre, as exportações de caminhões caíram mais de 31% na comparação com os embarques realizados no mesmo período em 2025, somando 3,3 mil unidades. O resultado, no entanto, não é reflexo direto do caos global aparente, disse a Anfavea. Pelo menos por enquanto.

De qualquer forma, as demandas do mercado externo em queda representam uma porta fechada a mais para as operações comerciais das montadoras, que viam nas exportações uma forma de se escoar a produção e de compensar em algum nível as perdas no mercado doméstico.

“Ainda estamos aprendendo com as alíquotas [do imposto de importação], com a guerra, como isso está afetando a cadeia. E a Anfavea ainda não tem uma avaliação do quanto isso ainda vai nos impactar. Ainda não tenho relatos das empresas acerca da quebra da cadeia de fornecimento de peças”, contou Calvet na sexta-feira (6).

Há relatos, sim, a respeito da redução dos postos de trabalho na produção de caminhões por causa do volume menor das linhas. De acordo com a Anfavea, a indústria de veículos pesados encerrou os dois primeiros meses do ano com 180 vagas a menos.

“Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz”, canta Renato Russo na canção A Via Láctea, da extinta banda Legião Urbana. E no caso do segmento de caminhões, a luz é o fato da produção ter apresentado alta de 14,5% ante a de janeiro. Sazonalidade à parte, é uma boa notícia. E a indústria precisa se apegar ao que tem para aspirar dias melhores.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   18/03/2026

O 1º semestre de 2026 marca um mercado imobiliário em transição.

Mais do que a possível queda da Selic, o que redefine o setor é a combinação entre ajustes nas regras de crédito, sua nova precificação e a centralidade do Minha Casa Minha Vida — mudanças que afetam diretamente decisões de compra, lançamentos e dinâmica urbana.

A análise do crédito imobiliário hoje exige olhar além do volume financiado.

Há uma reorganização silenciosa das regras de concessão, das garantias exigidas e das fontes de funding.

Mesmo com a recente queda, a poupança ainda representa quase 30% dos recursos do crédito habitacional.

Quando se somam SBPE e FGTS, as fontes direcionadas respondem por aproximadamente 56% do financiamento imobiliário.

Ao mesmo tempo, o mercado de capitais avança de forma consistente, ampliando o uso de CRIs e outras estruturas privadas — combinação que altera o comportamento das instituições financeiras e, por consequência, o planejamento das incorporadoras.

Para quem está na execução de projetos, o crédito não é uma abstração macroeconômica.

Ele define perfil do produto que pode ser lançado, tamanho do empreendimento, velocidade de vendas projetada e estrutura de capital da operação, entre outros pontos.

Quando o crédito se torna mais técnico e seletivo, o planejamento precisa se tornar mais disciplinado.

Habitação popular — Nesse contexto, a habitação popular assume protagonismo, pois estima-se que o FGTS tenha encerrado 2025 com mais de 600 mil unidades contratadas pelo Minha Casa Minha Vida.

O programa oferece subsídios, regras claras e enquadramento objetivo, reduzindo incertezas tanto para as famílias quanto para o sistema financeiro.

Em um ambiente macroeconômico volátil, a previsibilidade se torna ativo estratégico.

Não por acaso, o segmento econômico sustentou parte relevante dos lançamentos e das vendas em 2025.

Quando há política pública consistente e demanda estrutural, o mercado responde com resiliência.

No ano passado, a estabilização do emprego e o avanço real da renda sustentaram a demanda por moradia e explicam a escassez de mão de obra na construção.

Com o desemprego em níveis historicamente baixos, 2026 tende a manter esse impulso, ampliando a capacidade de financiamento para quem busca a casa própria.

Para as construtoras, o cenário exige planejamento de custos, eficiência e gestão de produtividade diante da pressão salarial.

O médio padrão, por sua vez, depende mais diretamente da dinâmica de juros e da confiança do consumidor.

A expectativa de acomodação gradual da taxa básica em 2026 pode melhorar esse segmento, mas a decisão de compra continuará fortemente vinculada à previsibilidade de renda e emprego.

Há, porém, um ponto que precisa avançar no debate público, uma vez que o acesso à moradia não pode ser analisado apenas pela quantidade de unidades financiadas.

Crédito é instrumento de política urbana, pois define onde as cidades crescem, como se expandem e quem tem acesso à infraestrutura.

Produzir habitação em escala, mas distante de transporte, emprego e serviços, perpetua desigualdades e pressiona o poder público no futuro.

A melhora do emprego e da renda sustentou a demanda por moradia e manteve a construção aquecida.

Com desemprego baixo, 2026 deve preservar esse fôlego, ampliando o acesso ao financiamento, enquanto construtoras precisam reforçar eficiência e controle de custos diante da pressão salarial.

Empresas que planejam crescimento com base em uma leitura econômica consistente conseguem atravessar ciclos com mais segurança.

As decisões de expansão não podem ser guiadas por euforia de mercado, mas por análise de renda, crédito disponível, regras de financiamento e capacidade real de absorção.

O crédito imobiliário não é apenas sobre juros mais baixos, é sobre previsibilidade, confiança e capacidade de execução.

Se 2025 foi o ano da adaptação, este ano tende a ser o da consolidação de um modelo mais técnico, mais previsível e mais integrado à realidade urbana do país.

O Estado de S.Paulo - SP   18/03/2026

Na sexta-feira, 13, o TJ-SP negou o pedido da Prefeitura e decidiu manter liminar que suspende a emissão de alvarás para demolição, corte de árvores e construção de novos prédios na cidade de São Paulo. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), 4.459 processos podem ter a tramitação suspensa em razão da liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Esse é o número de pedidos relacionados a demolições ou novas edificações protocolados na SMUL desde janeiro de 2024 e que seguem em análise. A decisão do TJ-SP, no momento, impede a emissão dessas autorizações.

Desse total, 1.363 são relativos a alvarás para Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP), categorias de moradias voltadas para famílias de baixa e média renda.

As autorizações foram suspensas a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Na ação direta de inconstitucionalidade apresentada, a instituição demonstra preocupação com o volume de demolições de imóveis na região sul da cidade, critica alterações do zoneamento urbano e defende que houve pouca participação popular na elaboração das leis.

O risco de prejuízo causado pela demora da decisão judicial, argumenta o MP, provocaria riscos ao meio ambiente, à saúde e à segurança da população local. Por isso, recorreu-se à suspensão temporária. “Uma vez demolidos os imóveis ou suprimida a vegetação no território, os danos serão irreversíveis”, diz o documento enviado ao TJ-SP.

O desembargador Luis Fernando Nishi, do Órgão Especial da Corte, acatou a solicitação do MP ao entender que o processo de revisão das leis de zoneamento não contou com um nível satisfatório de participação popular e planejamento técnico.

“A lei questionada contém vícios que impedem sua existência, dado que inobservadas regras basilares de população comunitária no processo legislativo”, diz a medida cautelar publicada por Nishi na terça, 24.

“A celeridade com que o projeto foi aprovado suprimiu a realização de planejamento técnico necessário, de modo a compatibilizar tais alterações com o Plano Diretor Estratégico vigente e o planejamento urbano integral”, complementa.

O desembargador chama atenção para o fato de que o projeto original tinha apenas quatro artigos, mas o texto final foi ampliado por meio de substitutivos apresentados por vereadores durante a tramitação na Câmara Municipal. No entanto, esses pontos adicionais não foram debatidos publicamente.

O presidente da Câmara e o prefeito de São Paulo devem prestar informações no prazo de 30 dias. Depois disso, o processo segue para a Procuradoria-Geral de São Paulo e um novo parecer deve ser emitido pela Procuradoria-Geral de Justiça antes de seguir para julgamento definitivo do TJ-SP.
Suspensão de novas licenças é mantida

Na sexta-feira, 13, o TJ-SP negou o pedido da Prefeitura para retomar a emissão de licenças. O prefeito e o município tentaram um “pedido de reconsideração”, alegando que o processo legislativo das normas foi regular e que haveria urgência na retomada das atividades.

A Procuradoria Geral do Município (PGM) apresentou na segunda-feira, 9, um pedido de reconsideração da liminar, apontando que a decisão está em descompasso com as diretrizes do Plano Diretor e julgamentos recentes do próprio Órgão Especial do tribunal, que reconheceram a legalidade do processo legislativo de aprovação da revisão da Lei de Zoneamento

O desembargador Donegá Morandini decidiu manter a suspensão com a justificativa de que faltaria base legal no recurso e que os argumentos eram insuficientes para derrubar a decisão anterior.

O juiz ressaltou ainda que a suspensão vale apenas para alvarás que ainda não haviam sido autorizados, o que mitigaria o argumento de urgência extrema da Prefeitura.

A Câmara Municipal, por sua vez, apresentou um “agravo interno”, recurso jurídico adequado para contestar uma decisão tomada individualmente por um relator. O agravo, segundo Morandini, será analisado pelo Colegiado do Órgão Especial do Tribunal de Justiça. Enquanto esse julgamento não ocorre, permanece mantida a suspensão.
Câmara Municipal recorre ao STF

Procurada pelo Estadão, a Câmara Municipal de São Paulo afirmou que está combatendo a liminar por meio de sua Procuradoria. O órgão já apresentou pedido de reconsideração e agravo interno no próprio TJ-SP. Além disso, a instituição entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) requerendo a suspensão da liminar ao presidente do Supremo.

“A Procuradoria apresentou dados do impacto negativo da liminar em vigor, entre eles a interrupção da aprovação de 375 unidades de habitação de interesse social por dia, o comprometimento de até 197 mil postos de trabalho no setor da construção civil e de até R$ 90 bilhões de investimentos deste mesmo segmento, bem como a perda de R$ 4,2 milhões por dia em outorga onerosa destinada ao FUNDURB”, disse a Câmara, em nota.

A câmara defende que a revisão da Lei de Zoneamento foi mediada por 38 audiências públicas e o projeto de lei foi acompanhado por 64 páginas de justificativa técnica. Portanto, entende que o TJ-SP foi induzido a erro.

“Ressalta-se que esta já é a terceira ação contra a revisão da Lei de Zoneamento movida pelo Ministério Público com os mesmos argumentos. Nas duas ações anteriores, o MP foi derrotado, pois o TJ-SP não reconheceu as teses infundadas de falta de participação popular e ausência de estudos técnicos”, complementa.

Em nota, a SMUL reforça que todos os alvarás emitidos na cidade seguiram rigorosamente o Plano Diretor Estratégico, a Lei de Zoneamento e o Código de Obras e Edificações. A análise de pedidos de licenciamento pela Pasta segue normalmente, sem a emissão de alvará.

Lei de zoneamento

Aprovado pela Câmara Municipal no final de 2023, o projeto de lei de revisão do zoneamento determinou regras mais flexíveis para construções na cidade de São Paulo. Sancionado com vetos pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), o projeto que modifica a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) da cidade prevê incentivos para a construção de prédios mais altos e a verticalização dos “centrinhos” e “miolos” de bairro.

Entre outras medidas, o projeto amplia o território no entorno de estações de metrô e trem e corredores de ônibus onde o setor imobiliário tem descontos.

De acordo com a SMUL, desde 14 de novembro de 2024, quando revisão da Lei de Zoneamento foi regulamentada por decreto, 1.021 alvarás foram deferidos para novas edificações na cidade. Deles, 102 referem-se a imóveis em áreas que passaram por algum tipo de alteração de zoneamento, sendo somente 16 edificações de grande porte, excluídas as Habitações de Interesse Social (HIS).
Suspensão preocupa mercado imobiliário

Enquanto o impasse entre Prefeitura, Ministério Público e Tribunal de Justiça se desenrola, o mercado imobiliário demonstra apreensão com a suspensão para emissão de novos alvarás em São Paulo. “É um desastre. A decisão está impactando muitos negócios”, afirma Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP.

“Isso não afeta apenas o setor imobiliário e a construção civil, mas qualquer tipo de obra, incluindo casas particulares, hospitais, escolas, shopping centers e comércios”, complementa Wertheim. Ele classifica a medida como “equivocada” e afirma que, ao derrubar o zoneamento da cidade, deve começar um efeito dominó que vai impactar o cenário de construções em toda a cidade.

A ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras) endossa o coro ao dizer que a liminar gera represamento de processos, reprogramação de cronogramas e postergação de lançamentos. “Para 2026, a projeção é de aproximadamente R$ 90 bilhões em VGV a ser lançado, totalizando cerca de 150 mil unidades. Parte desse volume está vinculada a empreendimentos que dependem da emissão dessas autorizações”, argumenta a instituição.

“A legislação vigente foi construída a partir de amplo diálogo técnico e institucional, com o objetivo de contribuir para a modernização urbana e para um crescimento mais organizado da cidade, especialmente em áreas com infraestrutura já instalada. Empresas precisam de previsibilidade regulatória e segurança jurídica para planejar e desenvolver suas atividades na cidade”, afirma Luiz França, presidente da ABRAINC.

Em contrapartida, a leitura de Bianca Tavolari, professora de Direito da FGV SP e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) é de que a suspensão da emissão dos alvarás é o preço que se paga por um processo de aprovação do zoneamento pouco democrática.

“A primeira vista, a decisão parece muito extrema, pois paralisa a cidade para novos empreendimentos. Porém, se a gente olhar os argumentos trazidos pelo MP, vemos porque é importante que a decisão seja mantida”, afirma Tavolari. “Na revisão do zoneamento, vimos os substitutivos chegando horas antes da votação, sem que nem os vereadores sabiam no que estavam votando”, justifica.

Ela explica que o mapa do zoneamento funciona como um mapa que define o andamento das construções na cidade. “Se a gente não conseguiu analisar esse mapa, ele não pode servir de base para construções e demolições”, diz a professora.

“Alguém pode argumentar que o cenário traz muita insegurança jurídica e que a decisão monocrática de um juiz pode parar a cidade inteira. Porém, isso acontece quando a gente não faz um procedimento na Câmara e no executivo que siga as mínimas regras”, alega Tavolari. “Vimos isso na revisão do zoneamento, na revisão do plano diretor, em que os substitutivos chegavam horas antes da votação, em que nem mesmo os vereadores sabiam no que estavam votando”, complementa.

FERROVIÁRIO

Valor - SP   18/03/2026

Área técnica do Tribunal concluiu que o projeto ainda carece de maturidade decisória e apresenta riscos institucionais, jurídicos e financeiros elevados que desaconselham o prosseguimento da análise de mérito

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta terça-feira (17) manter a suspensão temporária da análise do projeto de concessão da Ferrogrão, ferrovia de 976 quilômetros que visa escoar produção agrícola pelo Arco Norte. A decisão foi assinada pelo ministro-substituto Marcos Bemquerer Costa, que assumiu o caso após a saída de Aroldo Cedraz.

Os estudos técnicos atualizados e as minutas de edital e contrato da Ferrogrão foram aprovados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em dezembro e encaminhados ao TCU.

O projeto prevê a concessão do trecho entre Sinop, no Mato Grosso, e Mirituba, no Pará.

Contudo, após análise preliminar dos documentos, a área técnica do TCU concluiu que o projeto ainda carece de maturidade decisória e apresenta riscos institucionais, jurídicos e financeiros elevados que desaconselham o prosseguimento da análise de mérito.

A avaliação do ministro, em linha com os técnicos, é de que as mudanças feitas nos estudos do projeto não são meros ajustes pontuais, mas modificações estruturais no núcleo do projeto.

A modelagem proposta introduziu um aporte público de cerca de R$ 3,5 bilhões, parcialmente originadas em recursos de "investimento cruzado" provenientes de outorgas de outras ferrovias. Contudo, o TCU aponta que há lacunas críticas na definição do enquadramento jurídico desse aporte.

Além disso, a área técnica apontou dúvidas quanto à certeza da disponibilização suficiente e tempestiva dos recursos necessários ao desenvolvimento do projeto da Ferrogrão.

Ocorre que o Ministério dos Transportes e a ANTT projetam receber, a título de investimento cruzado, recursos da ordem de R$ 2,25 bilhões, ao passo que projetam demandas financeiras vinculadas àquele investimento (cruzado) da ordem de R$ 3,66 bilhões, apontando para uma projeção de "insuficiência de valores".

O TCU vê um potencial "descasamento temporal" entre os fluxos financeiros previstos nas concessões que servirão de fonte de recursos e os cronogramas financeiros exigidos pelos contratos destinatários.

Considerando esses aspectos, o ministro indica que os estudos apresentados não reúnem, no momento, elementos suficientes para o regular prosseguimentos da análise pela área técnica.

"O exercício do controle externo por este Tribunal pressupõe que o projeto submetido tenha atingido grau de maturidade compatível com sua complexidade, evitando que incertezas que deveriam ser resolvidas no planejamento sejam transferidas para etapas irreversíveis da contratação", afirmou o ministro.

O sobrestamento do processo, segundo a decisão, será mantido até que a ANTT e o Ministério dos Transportes promovam a realização de nova audiência pública dos estudos atualizados e demonstre que as modificações estruturais identificadas foram objeto de participação social adequada.

Ainda, obtenham a Licença Prévia do empreendimento. Alternativamente, no caso de optarem pela manutenção da antecipação da licitação, apresentem motivação técnica específica.

O governo e a agência também terão que indicar de forma expressa o enquadramento jurídico adotado para a modelagem do projeto, bem como detalhar no edital e na minuta do contrato como se dará o aporte público, e demonstrarem, de forma consolidada, a origem dos recursos considerados na modelagem, incluindo os provenientes de outros contratos de concessão.

O TCU também determinou que o Ministério e a ANTT devem esclarecer, quando houver possibilidade de utilização de recursos públicos, os impactos fiscais da modelagem proposta e como esses impactos se compatibilizam com as regras fiscais aplicáveis.

Em seu despacho, o ministro ressalta ainda que não pretende discutir a decisão política de licitar o empreendimento e reconhece a importância do projeto, posto como estratégico para a infraestrutura brasileira.

Qualificada no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), a Ferrogrão possui importância socioeconômica estratégica ao consolidar um novo corredor de exportação pelo chamado “Arco Norte”, aponta o ministro.

O empreendimento visa atender à expansão da fronteira agrícola brasileira, oferecendo uma alternativa logística eficiente para o escoamento da produção de milho e soja do Mato Grosso, que hoje depende majoritariamente de portos nas regiões Sul e Sudeste, a mais de 2 mil quilômetros de distância, reduzindo custos de frete, aliviando a sobrecarga na rodovia BR-163.

CNN Brasil - SP   18/03/2026

O governo federal projetou acelerar a agenda de ferrovias em 2026, com oito projetos envolvendo concessões, renovações antecipadas, relicitações e chamamentos públicos.

O primeiro projeto que irá a leilão é o Corredor Minas Rio. A expectativa era que o certame acontecesse dia 26 de abril, porém, o edital ainda não foi publicado. O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, explicou que o edital, previsto para janeiro, deve ser publicado até maio e que o chamamento pode ficar para agosto.

Em entrevista, o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, explica que para malhas pequenas - chamadas de shortlines - o direcionamento é fazer chamamentos públicos.

“O que vai ter um direcionamento mais de política pública é o chamamento, menos autorização. O chamamento público é o instrumento que eu vejo que o governo mais vai se debruçar”, diz.

O diretor-geral explica ainda que “tem um estudo junto com o BID, que mapeia vários corredores, desses que estão sendo devolvidos - que hoje não estão operacionais. O objetivo é fazer chamamentos deles, inclusive com corredores só de cargas, corredores de cargas e passageiros e corredores só de passageiros”.

A ideia, segundo Sampaio, é fazer um processo semelhante ao feito no setor portuário com edital, projeto de referência e análise do TCU (Tribunal de Contas da União). Também pretende-se agilizar projetos que não necessitam de recursos, sejam eles públicos ou privados, e enviar ao tribunal de contas somente os empreendimentos que precisam de investimentos.

No caso da Malha Oeste e da Malha Sul, os contratos serão licitados novamente. A Malha Oeste, cujo contrato se encerra em julho, passou por tentativa de negociação no TCU mas não foi admitida. Por sua vez, o contrato da Malha Sul finaliza em fevereiro de 2027 e a previsão é que o novo leilão seja realizado em dezembro de 2026.

Esse também é o caso do Corredor Leste-Oeste, que abrange a Fico e a Fiol. A previsão é que o leilão aconteça em agosto. No início de março, foi publicada a assinatura do contrato que viabiliza a construção de mais um trecho da Fiol 2.

A intenção do Ministério dos Transportes é construir 68% da Fiol 2, com essas novas obras esse percentual vai chegar a 71%. Assim, a empresa vencedora do leilão ficará responsável pela execução do restante das obras e da construção integral da Fiol 3.

No caso da Malha Sul, o projeto foi dividido em três projetos: Corredor Paraná-SC; Rio Grande; e Mercosul. O Ministério dos Transportes entende que esse fatiamento garante mais atratividade ao projeto.

Em fevereiro, o Ministério Público Federal soltou ofício criticando a indefinição sobre o futuro da ferrovia faltando um ano para o final da concessão. Para o órgão, a divisão da malha pode comprometer “a capacidade da maior ferrovia do país de cumprir seu papel na logística (inter)nacional e de longo prazo”.

No ofício, também consta que o relatório do grupo de trabalho do Ministério dos Transportes sugere a devolução de extensos trechos da malha e a realização de licitações segmentadas.

Os dos leilões mais aguardados são o da EF-118, o Anel Ferroviário Sudeste, e o da Ferrogrão. Ambos os projetos foram aprovados pela ANTT em dezembro de 2025, os primeiros deliberados desde 2021.

No caso da Ferrogrão houve uma atualização dos estudos, a pedido do STF (Supremo Tribunal Federal). O projeto foi questionado na Corte porque parte da ferrovia passava pelo Parque Nacional do Jamanxim (PA).

Além das novas concessões, a agenda inclui a conclusão de processos de renovação antecipada. A renovação da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica) deve ser enviada ao TCU (Tribunal de Contas da União) ainda em março, enquanto a Ferrovia Tereza Cristina está com audiência pública aberta. A Transnordestina - ou FTL - também pode ter sua renovação concluída neste ano.

Se confirmado o cronograma do Ministério dos Transportes, essa será a primeira e maior movimentação no setor desde 2021, quando ocorreu o leilão da Fiol 1.

A estratégia combina diferentes instrumentos — renovação, concessão, relicitação e autorizações — em uma tentativa de destravar investimentos e reorganizar a malha existente. A avaliação interna é de que, após anos de revisões no plano ferroviário e incertezas sobre o setor, 2026 possa marcar uma virada operacional para o setor.

Porém, interlocutores do setor ouvidos pela CNN admitem não esperarem oito leilões para 2026 e que ficarão satisfeitos se dois empreendimentos chegarem à B3.

CNN Brasil - SP   18/03/2026

Há quase cinco anos, o governo anunciou com estardalhaço dezenas de projetos de novas ferrovias cortando todas as regiões do país, com investimentos bilionários em um novo modelo de autorização -- mais simples, ágil e promissor do que as concessões feitas pelo setor público.

Só agora, meia década depois, o primeiro empreendimento sai finalmente do papel. É um ramal de 54 quilômetros da gigante chilena de celulose Arauco, em Mato Grosso do Sul, que busca colocar a produção local na rota de escoamento pelo porto de Santos (SP).É a primeira malha totalmente privada, sob o modelo de autorização ferroviária, que avança efetivamente para a fase de implantação. As obras começaram em fevereiro.

O governo federal vê esse projeto como um marco simbólico para a política de autorizações, mas o ministro dos Transportes, Renan Filho, já deixou claro que não há nenhuma expectativa de tornar esse modelo de investimento uma prioridade da pasta. O ministério dá preferência ao caminho das concessões e anunciou oito leilões.

Em agosto de 2021, quando a nova política de autorizações ferroviárias foi lançada por meio de uma medida provisória (MP 1.065) e depois convertida em lei, a ideia era transformá-la em carro-chefe para um megaprograma de investimentos em trilhos.

Nesse novo formato, as ferrovias podem ser construídas e operadas pela iniciativa privada mediante o regime de autorização, uma aprovação da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), desde que cumpram etapas como licenciamento ambiental e aderência à política pública definida pelo Ministério dos Transportes.

Do total de requerimentos, a maior parte desistiu do projeto ou o prazo expirou antes mesmo de receber autorização. Atualmente, 42 projetos têm permissão da agência reguladora para serem instalados.

Em entrevista à CNN, o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, avaliou que o modelo finalmente está "começando a dar certo".

"Não foi aquele ‘boom’ que era em 2021, quando o Ministério da Infraestrutura lançou, que muitas pessoas que entendem de infraestrutura sabiam direto do que se tratava. Mas, por outro lado, é mais uma opção importante que a gente está tendo no cardápio ferroviário”, afirma.

Além da Arauco, outras autorizações, como projetos ligados à Eldorado Celulose e à Ultracargo, podem avançar para a fase de obras neste ano, afirma Sampaio.
Escoamento de carga

A ferrovia da Arauco vai atender o Projeto Sucuriú, megainvestimento de US$ 4,6 bilhões que prevê a construção, em Inocência (MS), da maior fábrica de celulose do mundo em etapa única.

Com capacidade estimada em 3,5 milhões de toneladas por ano, o empreendimento vai utilizar a ferrovia para escoar a produção até Santos, de onde a carga será exportada.

O ramal ferroviário terá 45 quilômetros, além de nove quilômetros de trilhos internos na fábrica, que vai se conectar à Malha Norte, operada pela Rumo. A partir desse ponto, os trens seguirão pela malha existente até o litoral paulista.

O investimento estimado na infraestrutura ferroviária é de R$ 2,4 bilhões. A expectativa é que a ferrovia seja concluída no segundo semestre de 2027, acompanhando o início das operações industriais.

Segundo a empresa, a decisão pelo modal ferroviário levou em conta critérios de eficiência, segurança e sustentabilidade.“A estimativa é reduzir em até 94% as emissões de CO2 no transporte e retirar cerca de 190 viagens diárias de caminhões das rodovias da região”, disse Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco, à CNN.

Portal Fator Brasil - RJ   18/03/2026

— O Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) e a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) vêm a público manifestar profunda preocupação com o avanço da participação de fornecedores estrangeiros — em especial da indústria ferroviária chinesa — no mercado brasileiro, em condições que têm se mostrado assimétricas e prejudiciais à indústria nacional, ao emprego, à renda e à arrecadação do País.

Nos últimos anos, a indústria ferroviária brasileira perdeu a totalidade das principais concorrências públicas e aquisições relevantes, entre elas: 24 trens de passageiros para Belo Horizonte, fabricados na China (Consórcio Comporte/CRRC); 44 trens do Metrô de São Paulo; 62 carros ferroviários para a Vale (2024); Duas locomotivas de origem chinesa para a concessão TIC São Paulo–Campinas; 22 trens para o TIC São Paulo–Campinas; Seis trens para a Linha 4.

Essas decisões resultaram na perda de milhares de empregos diretos e indiretos, na redução da geração de renda no Brasil e em impactos negativos relevantes para a arrecadação pública, além do enfraquecimento da capacidade produtiva instalada no País.

Fatores estruturais que explicam esse cenário —Esse quadro decorre de um conjunto de fatores estruturais, entre os quais se destacam: . Falta de isonomia tributária— A indústria nacional tem perdido contratos relevantes para concorrentes estrangeiros, inclusive chineses, em razão de assimetrias tributárias presentes nos processos licitatórios públicos, amparadas por interpretações do artigo 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal.

. Uso do pregão eletrônico reverso em licitações de grande porte — Esse modelo tem permitido práticas comerciais predatórias, incompatíveis com a complexidade técnica do setor ferroviário. Empresas estrangeiras, especialmente chinesas, contam com forte apoio estatal, o que lhes possibilita ofertar preços abaixo dos custos praticáveis pela indústria brasileira.

. Concessão indevida de ex-tarifários — Benefícios vêm sendo concedidos a partir de argumentos relacionados a prazo e preço, desconsiderando a capacidade produtiva nacional, o que distorce a concorrência e penaliza a indústria ferroviária brasileira.

. Práticas de dumping e subsídios governamentais externos — A competição não ocorre em bases justas. Empresas chinesas operam com respaldo direto de seu governo, absorvendo perdas e viabilizando ofertas artificialmente reduzidas, inviáveis para a indústria nacional.

. Ausência de uma política industrial e de Estado para o setor ferroviário — A falta de planejamento, previsibilidade e diretrizes claras compromete investimentos, inovação tecnológica, capacitação de mão de obra e expansão produtiva, enfraquecendo a competitividade e a sustentabilidade do setor no longo prazo.

Em concorrências recentes, especialmente no Estado de São Paulo, deixou-se de aplicar a cláusula de Preferência Nacional, prevista em lei, que poderia assegurar melhores condições à indústria brasileira. Ademais, foi adotado, de forma inédita no País, o pregão eletrônico reverso na licitação de 44 trens do Metrô de São Paulo, procedimento incompatível com contratações de elevadíssimo valor e complexidade técnica.

A indústria ferroviária como ativo estratégico nacional — A indústria ferroviária é estratégica e vital para o desenvolvimento do Brasil. Esse entendimento remonta a 1952, com a criação do BNDE, durante o Governo Vargas, voltado ao financiamento de projetos de infraestrutura, incluindo ferrovias e rodovias, com foco no desenvolvimento industrial e na modernização do País.

Desde então, a indústria ferroviária nacional vem se desenvolvendo e resistindo a ciclos econômicos adversos, à falta de previsibilidade e à ausência de planejamento consistente. Ainda assim, construiu uma base industrial sólida, capaz de fabricar e fornecer trens, vagões, locomotivas, materiais de via permanente, sistemas e instalações elétricas para o transporte de cargas e passageiros em todo o território nacional.

A indústria ferroviária brasileira é reconhecida internacionalmente pela qualidade de seus produtos, pelo domínio tecnológico e pela competitividade, comprovada por exportações para mercados altamente exigentes.

Riscos e urgência de ação — O Brasil necessita, de forma crescente, de uma logística eficiente e de uma infraestrutura robusta para o transporte de cargas e passageiros. Isso exige, de maneira inequívoca, a consolidação de uma indústria ferroviária forte, competitiva e instalada no País.

Entretanto, observa-se o enfraquecimento progressivo desse setor, agravado pela demora nas prorrogações das concessões ferroviárias de cargas, o que impacta negativamente o planejamento industrial. Reconhece-se, como avanço recente, a sinalização do Governo Federal no sentido de incluir, nas futuras concessões, a obrigatoriedade de planejamento para a aquisição de material rodante, como indicado no caso da FCA.

É evidente que a indústria ferroviária nacional tem sido relegada a segundo plano, sobretudo pela ausência de isonomia competitiva e pelas profundas distorções tributárias, que favorecem fornecedores externos — especialmente de origem chinesa — e transferem empregos, renda e tecnologia para fora do País.

Ainda assim, o tempo é fator crítico. Parte dos prejuízos já foi consumada, com impactos severos sobre a indústria, o emprego e a economia nacional.

A dependência crescente de tecnologias ferroviárias importadas, especialmente da China, impõe riscos adicionais ao País, como dificuldades futuras de assistência técnica, fornecimento de peças, manutenção e garantias, comprometendo a operação e a sustentabilidade dos sistemas ferroviários no longo prazo.

Caminhos necessários — A indústria ferroviária brasileira não pode competir em condições desiguais. É imprescindível a adoção urgente de medidas de salvaguarda e instrumentos antidumping, em especial frente às práticas adotadas pela indústria ferroviária chinesa, assegurando um ambiente concorrencial justo e equilibrado.

Para competir em igualdade de condições, é fundamental que fornecedores estrangeiros, inclusive chineses, que desejem atuar no mercado brasileiro se estabeleçam no País, com unidades produtivas locais, cumprindo as regras de conteúdo nacional definidas pelo Governo Federal e pelo BNDES.

A experiência internacional demonstra os riscos da omissão. A indústria ferroviária argentina, outrora mais desenvolvida que a brasileira, foi profundamente desestruturada pela forte atuação da indústria chinesa naquele país, resultando no desaparecimento da fabricação local de trens, peças, sobressalentes e serviços de assistência técnica.

Esse não é o caminho que o Brasil deseja trilhar.

Transporte, logística e mobilidade são pilares do desenvolvimento econômico e social. A indústria ferroviária, no Brasil e no mundo, é reconhecida como estratégica.

Defendê-la é defender o futuro do País — concluem Massimo Giavina, primeiro vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários (Simefre) e, Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).

Rodoviário

Jornal de Brasília - DF   18/03/2026

Os motoristas que trafegam pelo Ceará ganharam mais 24 quilômetros de pista duplicada na BR-222. O ministro dos Transportes, Renan Filho, entregou o trecho nesta terça-feira (17), entre Caucaia e Pecém, vistoriou a ampliação da BR-116 e anunciou o início das obras de requalificação de 406 quilômetros da BR-020. Os serviços somam cerca de R$ 720 milhões em investimentos do Governo Federal para melhorar a logística no estado.

“O Ceará já é uma potência em diversas áreas. Com suas entradas e saídas duplicadas, o estado amplia a infraestrutura e abre ainda mais possibilidades de crescimento”, destacou Renan Filho.

A intervenção na BR-222 recebeu R$ 268,9 milhões e vai melhorar o tráfego de 11,6 mil motoristas por dia, com acessos mais seguros e maior fluidez até os portos do estado. O ministro afirmou que a obra, que ficou três anos paralisada, foi retomada no governo do presidente Lula e agora está entregue. A ação integra a estratégia do Ministério dos Transportes de estimular a intermodalidade e oferecer mais eficiência à logística do país, conectando melhor o Porto do Mucuripe e o Porto do Pecém, reduzindo sinistros, tempo de viagem e pontos críticos.

Para a população de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, a inauguração representa um aumento na qualidade de vida. Alexsandra Gomes de Nojosa, 43 anos, comemora a entrega e destaca a expectativa de reduzir em pelo menos uma hora o trajeto da família até a capital.

“Isso é o que o país precisa, não só em Caucaia, mas em todo o Brasil. Um agradecimento em nome do povo da cidade, pois essa obra é importante para a nossa infraestrutura”, ressaltou Naumi Amorim, prefeito de Caucaia.

No estado, foi registrado crescimento em logística de mais de 187% nos recursos, comparado ao último ano da gestão anterior, em 2022 (R$ 208 milhões), ante a expectativa de serem aportados R$ 598 milhões em 2026. “Vamos colocar o Ceará, assim como o Brasil, em máxima histórica de investimentos em infraestrutura”, finalizou Renan Filho.

Além disso, na BR-222 foram contratados os projetos de duplicação e adequação do trecho entre Primavera, Sobral e a divisa com o Piauí. A rodovia federal tem quase 2 mil quilômetros de extensão e interliga os estados do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará, desde Fortaleza até Marabá. Em 2025, o ministro assinou a ordem de serviço para a revitalização de 157 quilômetros da BR-222 no Maranhão, entre Miranda do Norte, Santa Inês e Santa Luzia. Ainda no Ceará, ele acompanhou o andamento da duplicação da BR-116 entre Pacajus e Chorozinho.

NAVAL

Portos e Navios - SP   18/03/2026

A Marinha do Brasil informou, nesta terça-feira (17), que a fragata Tamandaré (F200) chegou ao Rio de Janeiro (RJ) no dia anterior e será incorporada oficialmente à Armada no próximo dia 24 de abril. Construído em Itajaí (SC), o navio é a primeira das quatro unidades do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), de renovação de embarcações da força naval. Também na segunda-feira (16), na Base Naval do Rio de Janeiro, foram entregues novas instalações para que parte dos 154 militares da tripulação possa atuar em terra.

A Tamandaré foi construída no TKMS Estaleiro Brasil Sul com uso de mão de obra local e transferência de tecnologia. O projeto integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal. De acordo com a Marinha, a chegada ao Rio marca a conclusão da fase de construção do navio, iniciada em 2022 com o corte da primeira chapa de aço, que teve o lançamento em 9 de agosto de 2024 e testes de mar no ano passado.

Segundo a Marinha, a embarcação está preparada para ser usada em missões de guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície ao mesmo tempo. O navio é equipado com sensores com alta capacidade de detecção e acompanhamento de contatos, incluindo radar de busca volumétrica, para contatos com embarcações a longa distância, aeronaves e drones.

Além disso, conta com sensores de monitoramento de guerra eletrônica com os quais é possível monitorar emissões eletromagnéticas e de radiofrequência e ter informações precisas. Os equipamentos fazem parte do Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) das Fragatas Classe Tamandaré, desenvolvido em parceria pela brasileira Atech e pela alemã Atlas Elektronik GmbH.

Além da Tamandaré, outros três navios fazem parte do programa e estão sendo construídos no estaleiro catarinense. A fragata Jerônimo de Albuquerque iniciará a etapa de testes de mar no segundo semestre de 2026, a Cunha Moreira está na fase de conclusão da montagem do casco e tem cerimônia de lançamento ao mar prevista para 17 de junho e a Mariz e Barros começou a ser construída em janeiro e seu batimento de quilha será feito ainda este ano.

A Tribuna - SP   18/03/2026

Os portos brasileiros movimentaram 104 milhões de toneladas de carga em janeiro deste ano, um crescimento de 12,8% na comparação com o mesmo mês de 2025. Os números fazem parte dos dados estatísticos da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq).

No primeiro mês do ano, as mercadorias que se destacaram entre as com maiores movimentações foram a soja (4 milhões de toneladas, aumento de 114,3%), o óleo bruto de petróleo, com 21,4 milhões de toneladas movimentadas e crescimento de 37,6% e o coque de petróleo, que aumentou 32,7% em relação ao mesmo período, movimentando 600 mil toneladas.

Recorde nos portos

Os portos públicos cresceram 10,3% e chegaram a 35,3 milhões de toneladas de cargas. O Porto de Santarém, no Pará, continua se destacando entre as 20 instalações com maior crescimento, apresentando 1,6 milhão de toneladas movimentadas.

Contêineres

Foram 13,2 milhões de toneladas movimentadas em contêineres em janeiro deste ano. Esse dado representa um crescimento de 1,9% quando comparado com o mesmo período de 2025.

Em TEU (unidade de medida de um contêiner de 20 pés), a movimentação chegou a 1,3 milhão, com crescimento de 8,1%. Desse total, 864 mil TEU foram movimentados em longo curso e 379 mil por cabotagem.

Em relação aos granéis sólidos, a movimentação atingiu 54,7 milhões de toneladas (aumento de 10,4%) e os granéis líquidos chegaram a 31,2 milhões de toneladas (aumento de 29,7% quando comparado a 2025).

Diário do Comércio - MG   18/03/2026

Petroleiros estão cruzando o Estreito de Ormuz e as ações do Irã para bloquear o tráfego marítimo nessa rota não prejudicaram a economia dos EUA, disse o assesssor econômico da Casa Branca Kevin Hassett à CNBC, nesta terça-feira, reiterando a posição do governo Trump de que a guerra deve terminar em semanas, não em meses.

“Já se vê petroleiros começando a passar lentamente pelo estreito, e acho que isso é um sinal de quão pouco resta ao Irã”, afirmou ele.

“Estamos muito otimistas de que isso terminará em breve, e haverá repercussões nos preços depois de algumas semanas, quando os navios chegarem às refinarias.”

Hassett disse que há preocupação de que a Ásia possa não estar exportando tanto petróleo refinado para os EUA para compensar uma queda na oferta do Oriente Médio.

“Estamos vendo alguns sinais de que eles podem estar reduzindo as exportações para garantir que tenham energia suficiente para si mesmos. E temos um plano para isso”, declarou ele. Trump pediu na segunda-feira adiamento de seu encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, para se concentrar na guerra no Irã.

Hassett afirmou que a ação dos EUA no Irã é do interesse da China.

“Este é um caso em que os objetivos de ambos os países estão alinhados, pois queremos um mercado mundial de petróleo estável”, disse ele. “Quando esta guerra terminar, o que acontecerá em breve, tenho certeza de que eles se reunirão e terão muito o que conversar, e espero que os chineses expressem alguma gratidão.”

PETROLÍFERO

CNN Brasil - SP   18/03/2026

Os preços do petróleo fecharam em alta nesta terça-feira (17), em meio ao cenário de incertezas em relação a navegabilidade no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã intensificava seus ataques à infraestrutura energética em todo o Oriente Médio e uma figura importante do regime sugeriu que o crucial canal não se tornaria seguro para navios tão cedo.

O contrato futuro do petróleo Brent para maio fechou em alta 3,20%, negociado a US$ 103,42 o barril.

Enquanto o WTI para maio, referência nos EUA, encerrou o dia com alta de 3,32%, para US$ 95,53 o barril.

Os preços da gasolina nos Estados Unidos continuaram subindo, atingindo uma média nacional de US$ 3,79 por galão – o preço mais alto para um galão de gasolina comum desde outubro de 2023, de acordo com a Associação Automobilística Americana (AAA).

Em entrevista televisionada nesta terça-feira, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz continua sob ameaça devido à presença americana e israelense na região do Golfo.

“O Estreito de Ormuz não pode voltar a ser o mesmo de antes e retornar às suas condições anteriores”, disse Qalibaf, acrescentando que “já não há segurança alguma”. Ele também alertou que as bombas e os aviões americanos não conseguiriam destruir as instalações de armas do Irã.

Os recentes ataques do Irã à infraestrutura energética aumentaram as preocupações com o fornecimento global de petróleo e gás natural. Os Emirados Árabes Unidos suspenderam as operações em seu campo de gás natural de Shah, nos arredores de Abu Dhabi, após um ataque com drones na terça-feira. Um ataque separado com drones causou um incêndio no importante porto petrolífero emiradense de Fujairah, enquanto um campo petrolífero iraquiano também foi atacado .

Entretanto, um navio-tanque foi atingido por um "projétil desconhecido" na noite de segunda-feira perto de Fujairah, informou o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. O centro registrou mais de uma dúzia de ataques a embarcações no Golfo Pérsico e perto do Estreito de Ormuz desde o início dos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Em mais um sinal de escalada, Israel anunciou na noite de segunda-feira que havia assassinado o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani. O Irã ainda não confirmou a suposta morte de Larijani.
Interrupção prolongada

A alta nos preços do petróleo nesta terça-feira ocorre após uma queda na sessão de negociação anterior. Na segunda-feira, o Brent fechou em queda de 2,8% e o S&P 500 teve seu melhor desempenho diário desde o início da guerra, "com o aumento das esperanças de uma retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz", disse Jim Reid, chefe de pesquisa macroeconômica global do Deutsche Bank.

Os preços do petróleo bruto permanecem cerca de 40% mais altos do que antes dos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, que levaram Teerã a bloquear o Estreito de Ormuz, normalmente uma via de passagem para cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu aos aliados que ajudem a reabrir o estreito, alertando que a OTAN enfrenta um “futuro muito ruim” se os países não prestarem auxílio. Mas os líderes europeus continuam receosos de se envolverem na guerra.

Na segunda-feira, a União Europeia decidiu não expandir suas operações navais no Oriente Médio após uma reunião de ministros das Relações Exteriores.

“A Europa não tem interesse em uma guerra sem fim”, disse Kaja Kallas, a principal diplomata da UE, a jornalistas em Bruxelas após a reunião. “Esta não é a guerra da Europa”, afirmou, embora tenha acrescentado que os interesses europeus estão “diretamente em jogo”.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou na segunda-feira que o Reino Unido está trabalhando com aliados, inclusive na Europa, em um plano para "restaurar a liberdade de navegação na região o mais rápido possível e atenuar o impacto econômico", sem fornecer detalhes. Ele enfatizou, contudo, que o Reino Unido "não será arrastado para uma guerra mais ampla".

Também na segunda-feira, a Agência Internacional de Energia afirmou que seus países membros podem liberar mais reservas emergenciais de petróleo, se necessário, além dos 400 milhões de barris que começarão a chegar aos mercados globais esta semana.

A liberação histórica acordada até o momento, uma vez concluída, reduzirá os estoques de emergência nos países da AIE em apenas cerca de 20%, afirmou o diretor executivo da agência, Fatih Birol, em declarações transmitidas pela televisão. "Ainda temos muitos estoques restantes, apesar dessa grande liberação", acrescentou.

Mas ele também alertou: “Embora a liberação dos nossos estoques possa servir como uma proteção por enquanto, não é uma solução duradoura o fator mais importante para o retorno a fluxos estáveis de petróleo e gás (natural) é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz.”

Infomoney - SP   18/03/2026

O governo Trump pretende adotar novas medidas para afrouxar as sanções ao setor de petróleo da Venezuela, em um esforço para aumentar a produção de petróleo bruto enquanto a guerra no Irã faz os preços dispararem.

As ações, que podem ser anunciadas já nesta semana, incluem a emissão de mais licenças individuais permitindo que empresas estrangeiras atuem na Venezuela sem violar as sanções dos EUA, segundo pessoas familiarizadas com o plano, que pediram anonimato porque ele ainda não é público.

O governo também deve implementar um mecanismo mais amplo que facilite a entrada de um número maior de empresas na Venezuela, disseram as fontes. Não está claro se essa medida assumirá a forma de uma licença geral.
“O governo já emitiu diversas licenças gerais para facilitar o rápido progresso nas indústrias de mineração e energia”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, em comunicado. “Continuaremos a agir, quando necessário, para restaurar a paz e a prosperidade na Venezuela.”

Entre as empresas prestes a receber autorização do Departamento do Tesouro dos EUA para operar na Venezuela estão uma subsidiária da estatal indiana ONGC Videsh, a sueca Maha Capital, com sede em Estocolmo, e a J&F Investimentos, holding da brasileira JBS Foods Group, disseram algumas das pessoas.

O Departamento do Tesouro, a ONGC Videsh e a J&F não comentaram de imediato. A Maha recusou comentar.

Até agora, o governo Trump emitiu apenas um punhado de licenças como parte de seu plano para que empresas privadas invistam algo em torno de US$ 100 bilhões na próxima década para reconstruir o combalido setor de petróleo venezuelano. Entre as autorizadas estão Chevron, BP, Shell, Repsol, Eni e Maurel & Prom.

A guerra no Irã, no entanto, está pressionando Washington a acelerar os esforços na Venezuela, que abriga algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Os contratos futuros de petróleo no mercado global já saltaram mais de 40% desde que EUA e Israel lançaram os ataques, levando o preço da gasolina ao nível mais alto desde 2023.

Como outras interessadas em retornar ao país, a ONGC Videsh tem centenas de milhões de dólares a receber da estatal venezuelana Petróleos de Venezuela SA (PDVSA). A retomada das operações pode permitir que a companhia feche um acordo com a PDVSA para recuperar esses valores.

Em teleconferência de resultados em 13 de fevereiro, o diretor financeiro da ONGC Videsh, Vivek Tongaonkar, disse que a empresa aguarda orientação do governo americano sobre a Venezuela, afirmando que “o movimento é em direção positiva”.

Não está claro se o alívio das sanções ao petróleo venezuelano resultará em aumento de produção no curto prazo. O país atualmente produz cerca de 1 milhão de barris por dia, um terço do pico registrado na década de 1990. A infraestrutura de energia se deteriorou significativamente desde então, em função de má gestão, falta de investimentos, corrupção e sanções.

Francisco Monaldi, diretor de política energética latino-americana no Baker Institute for Public Policy, da Universidade Rice, afirma que a Venezuela não tem condições de aumentar a produção rápido o suficiente para compensar a alta dos preços globais. Ele projeta um incremento de, no máximo, um terço da produção atual — cerca de 300 mil barris por dia — em 2026, o que seria uma gota no oceano da demanda mundial.

“É completamente marginal no curto prazo”, disse Monaldi em entrevista.

Ainda assim, o governo Trump vem tentando colocar mais petróleo no mercado de onde for possível. No início deste mês, aliviou temporariamente algumas sanções sobre o petróleo russo, numa tentativa de pressionar o presidente Vladimir Putin a encerrar a guerra na Ucrânia. Também reduziu, por ora, a pressão para que a Índia pare de comprar petróleo russo.

Valor - SP   18/03/2026

Os países árabes do Golfo, incluindo os Emirados, enfrentaram mais de 2 mil ataques com mísseis e drones desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro

O carregamento de petróleo no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, foi pelo menos parcialmente interrompido nesta terça-feira após um terceiro ataque em quatro dias provocar um incêndio no terminal de exportação, enquanto as operações no campo de gás Shah permaneciam suspensas após um ataque anterior.

As interrupções em cascata ameaçam cortar completamente o único canal restante de exportação de petróleo bruto do produtor da Opep, potencialmente aprofundando uma crise que fez os preços de energia dispararem.

Os outros polos de exportação dos Emirados estão localizados dentro do Golfo, que foi efetivamente isolado do mundo pelo controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma via marítima estreita entre Irã e Omã, por onde normalmente passava um quinto da oferta mundial de petróleo.

A produção diária de petróleo do terceiro maior produtor da Opep caiu mais da metade desde o início do conflito, com o fechamento de fato do estreito forçando a estatal Adnoc a implementar paralisações generalizadas de produção, segundo a Reuters.

O carregamento de petróleo da Adnoc segue suspenso em Fujairah, disse uma fonte com conhecimento da situação.

Fujairah, que fica logo fora do estreito e normalmente é o ponto de escoamento de mais de 1 milhão de barris por dia do petróleo Murban da estatal, continua operando, mas com capacidade reduzida, de acordo com a Kpler.

Separadamente, também nesta terça-feira, um projétil não identificado atingiu um navio-tanque de bandeira do Kuwait a 23 milhas náuticas a leste de Fujairah, informou a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO).

Os países árabes do Golfo, incluindo os Emirados, enfrentaram mais de 2 mil ataques com mísseis e drones desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, atingindo missões diplomáticas e bases militares americanas, além de infraestrutura de petróleo, portos, aeroportos, navios e edifícios residenciais e comerciais.

O ataque de segunda-feira ao campo de Shah — localizado a cerca de 180 km a sudoeste de Abu Dhabi e um dos maiores campos de gás ácido do mundo — amplia as interrupções no setor energético dos Emirados.

O campo, operado pela Adnoc em joint venture com a Occidental Petroleum, fornece pelo menos 500 milhões de pés cúbicos de gás por dia para a rede doméstica. As operações foram interrompidas enquanto os danos são avaliados, e não houve registro de feridos, informou o Escritório de Mídia de Abu Dhabi.

Valor - SP   18/03/2026

Eclosão do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã adicionou variável que bagunçou perspectivas de juros no mundo todo

Após um longo e necessário período de ajuste na taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne hoje com a intenção de iniciar um período de redução da Selic. Esse movimento foi definido pelo próprio diretor do BCB, Nilton David, como uma “calibragem”. O plano original da autoridade monetária era inaugurar esse processo de corte com movimentos de 50 pontos-base (0,5 ponto percentual), mas a eclosão do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã adicionou uma variável que bagunçou as perspectivas de juros no mundo todo. O que testemunhamos nos últimos dias foi uma forte reprecificação: países emergentes e desenvolvidos viram suas curvas futuras mudarem de patamar. Quem operava com juros no nível neutro passou a projetar a necessidade de elevação, e quem já contava com cortes viu essa precificação ser drasticamente reduzida ou, em casos mais severos, revertida para apostas de alta.

Há três efeitos fundamentais que o petróleo impõe e que as autoridades precisam monitorar. O primeiro é o custo direto: a energia encarece a produção e gera pressão sobre os resultados das empresas, o que leva ao repasse para os preços finais de bens e serviços - algo que vimos claramente no choque após o início do conflito entre Rússia e Ucrânia. O segundo é a pressão por reajustes salariais decorrente desse aumento de custo de vida; quanto menor a taxa de desemprego, maior a capacidade do trabalhador de exigir reajuste, o que retroalimenta a inflação. Por fim, há o efeito sobre as expectativas. Como o preço do combustível é extremamente visível para a população, o sentimento de perda de poder de compra se dissemina e potencializa os pedidos de elevação de preços, seja por parte de empresários ou de trabalhadores.

Esse choque de energia, porém, atinge o cenário global em um momento particular. Estávamos justamente no meio de uma reavaliação profunda dos juros no mundo, motivada pelo ganho de produtividade vindo da adoção disseminada da inteligência artificial. A IA está elevando o produto potencial da economia global ao mesmo tempo em que começa a reduzir o poder de barganha dos trabalhadores - uma dinâmica que, se confirmada, permite crescimento forte com inflação comportada e juros baixos, ainda que acompanhado de um maior desemprego estrutural.

Em uma visão assumidamente otimista, entendo que os ganhos de produtividade são sempre bem-vindos: a história nos ensina que, enquanto antigas profissões deixam de existir, novos serviços e produtos surgem para gerar oportunidades. Além disso, a perspectiva de aumento na concentração de renda levará os governos, nesse cenário, a buscar formas de tributar a renda mais elevada e distribuí-la, focando nos jovens que tentam ingressar em um mercado de trabalho transformado pela inovação. O mundo seguiria, portanto, em uma transição de PIB alto com inflação baixa - mas isso não blinda as economias contra choques, e a elevação dos preços de energia é um fator que nenhum formulador de política monetária pode ignorar.

Contudo, o argumento de que o choque do petróleo gerará inflação generalizada encontra-se enfraquecido hoje. Ainda não temos evidência empírica robusta de que a IA já está afetando o mercado de trabalho nessa magnitude, mas o choque de energia ocorre em um momento em que o poder de barganha dos trabalhadores dá sinais de redução, mesmo com as métricas de mercado ainda não mostrando deterioração significativa. Isso permite que bancos centrais que operam em regime de juros contracionistas, como o nosso, mantenham a serenidade. É o momento de seguir a máxima de Paulinho da Viola: no nevoeiro, o velho marinheiro leva o barco devagar.

É preciso considerar ainda que, se os preços de energia se mantiverem elevados de forma permanente, poderemos observar uma desaceleração do consumo pela perda real de poder de compra. Com os trabalhadores perdendo capacidade de exigir reajuste salarial devido à automação e à IA, o resultado tende a ser um crescimento econômico menor, o que, ironicamente, abre mais espaço para juros ainda mais baixos lá na frente. Grande parte dessa tese depende de confirmarmos se a IA de fato reduzirá o poder de barganha laboral; nossa hipótese é que sim.

Diante disso, o BCB deve, sim, iniciar o processo de corte hoje, mas ajustando o passo inicial para 25 pontos-base (0,25 ponto percentual), levando a Selic a 14,75%. O objetivo é aguardar os desdobramentos do cenário energético até a próxima reunião para definir se será possível retomar os 50 pontos-base, manter o ritmo cauteloso ou interromper o processo. Nos EUA e no Reino Unido, o evento também posterga o ciclo de cortes, mas não altera a perspectiva de juros menores no horizonte longo. A exigência de serenidade aos bancos centrais se mantém e, hoje, é mais necessária do que nunca.

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