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17 de Março de 2026

SIDERURGIA

Exame - SP   17/03/2026

A CSN tem uma dívida de R$ 9,6 bilhões a pagar ainda este ano. Desse total, R$ 1 bilhão vence no próximo mês. Os investidores se deram conta de que a situação financeira era mais delicada do que se imaginava após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, semana passada. A alavancagem, que mede o quanto a dívida líquida da companhia equivale ao seu resultado operacional (Ebitda) cresceu pela primeira vez em 2025, para 3,47 vezes, ficando acima do que a CSN projetava para o ano.

O prazo de alguns vencimentos foi alongado para 2030. Mas é a parte curta da dívida que preocupa, principalmente depois que o último resultado foi impactado pela ausência de pré-pagamentos de exportação de minério de ferro no quarto trimestre, o que costuma financiar a companhia em alguns bilhões de dólares sobretudo no começo e no final do ano.

A empresa entrou em 2026 com um plano de reorganização do portfólio para reduzir sua dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões ainda este ano. A estratégia passa pela venda de ativos da companhia, como o controle da CSN Cimentos e uma participação relevante na CSN Infraestrutura. O pilar que reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais da empresa está no centro da nova estratégia. Mas a CSN entende que é possível vender uma participação do negócio e otimizar o capital investido.

“Nosso foco é a redução material do endividamento bruto, com alocação de capital eficiente e disciplina rigorosa”, afirmou Marco Rabello, CFO e diretor de relações com investidores da companhia.

De acordo com a Bloomberg, empresas como Votorantim e a chinesa Huaxin Cement estariam em negociações para adquirir a unidade de cimentos da CSN. O preço de compra, de acordo com as fontes da agência, poderia chegar a US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões pela cotação de hoje).

A companhia também confirmou que pretende tomar um empréstimo ponte, para cobrir necessidades imediatas de caixa, dando ativos da CSN Cimentos como garantia. O valor pode chegar a US$ 1,5 bilhão, de acordo com a Agência Estado. Na última teleconferência de resultados, a empresa informou que a transação estava quase concluída. Mas o início da Guerra com o Irã e a onda de recuperações extrajudiciais do mês adiaram a sua conclusão.

Os analistas do Bradesco BBI destacam que a companhia teve um desempenho operacional sólido na mineração, mas registrou saídas de caixa de aproximadamente R$ 2 bilhões. Isso contribuiu com um aumento de 10% na dívida líquida em relação ao trimestre anterior. E embora o BBI veja potencial para uma melhor geração de caixa devido pelo lado dos preços do minério de ferro, os analistas acreditam que só isso não vai ser suficiente: o alívio real no balanço financeiro exigirá progressos na agenda de desinvestimentos da companhia.

Relatório da Hub do Investidor, casa de análise independente, indica que a venda de ativos é o ponto mais crítico da tese no momento. As notícias e a própria percepção do mercado indicam que o controlador vem enfrentando mais dificuldade que o esperado para avançar nessas negociações, inclusive com maior resistência na execução do processo", diz o texto.

Em um cenário de stress, no qual a empresa continue operando com a estrutura que tem hoje, o relatório aponta para um período de pressão financeira ainda mais relevante, com posição de caixa reduzida e uma maior percepção de risco sobre a CSN, o que também limitaria o acesso a novas captações.

"A companhia poderia passar a conviver com caixa abaixo de R$ 10 bilhões, patamar incomum em seu histórico, além do maior risco de descasamento de prazos médios e eventual necessidade de renegociação com credores em um ponto mais crítico do ciclo", diz o texto.

Precedente perigoso

GPA e Raízen também estão em uma situação de endividamento elevado, com uma parcela relevante dos débitos vencendo no curto prazo. Ambas são companhias de grande porte, listadas na bolsa e têm um terceiro ponto em comum: entraram em recuperação extrajudicial na semana passada.

A dona da rede Pão de Açúcar tem mais de R$ 2 bilhões em dívidas vencendo este ano, situação que fez a administração disparar um alerta sobre o futuro operacional da companhia em seu última resultado trimestral. O plano de recuperação extrajudicial, já aprovado e homologado pela Justiça tem como objetivo alongar uma dívida de R$ 4,5 bilhões e trata dos débitos que a varejista tem com bancos.

No caso da Raízen, o montante em questão é quase 15 vezes superior. A recuperação extrajudicial da companhia, controlada por Shell e Cosan, é de R$ 65,1 bilhões, a maior já registrada no Brasil. A companhia também vinha executando um plano de desinvestimento, no qual vendeu algumas usinas e até a sua participação na rede de mercados de conveniência Oxxo, antes uma joint venture e que passou a ser administrado somente pela Femsa após a saída da Raízen.

Diário do Aço - MG   17/03/2026

A Usiminas está em busca de empresas e startups com soluções inovadoras capazes de contribuir para a resolução de desafios da indústria. Por meio de uma chamada aberta, a companhia convida parceiros a apresentarem propostas voltadas a demandas reais de suas operações.

De acordo com gerente sênior de Inovação da Usiminas, Davison Cardoso, a proposta é aproximar o ecossistema de inovação da realidade da indústria. “Os desafios que lançamos representam problemas reais da operação e que precisam ser solucionados. Queremos nos conectar com empresas e startups que possam trazer novas tecnologias, modernizar processos ou apresentar caminhos diferentes para essas questões. A partir dessas soluções, podemos realizar provas de conceito ou evoluir para projetos maiores em parceria”, afirma.

Ao realizar o cadastro na plataforma, as empresas passam a integrar a lista de potenciais candidatas para execução dos projetos. A equipe de inovação da Usiminas fará a triagem das propostas e entrará em contato com os participantes em caso de avanços nas etapas de avaliação.

A iniciativa faz parte do InovaAÍ Ideias, programa de intraempreendedorismo da companhia que conecta ideias, pessoas e tecnologias para impulsionar a cultura de inovação e desenvolver soluções que contribuam para a transformação da indústria do aço.

Empresas interessadas podem se inscrever até sexta-feira (20/03) pelo site usiminas.com.

Valor - SP   17/03/2026

Empresa diz que consolidará as operações de laminação em um número menor de fábricas, e que o número acumulado de cortes de empregos pode chegar a 3.400

A principal siderúrgica da Ucrânia, ArcelorMittal Kryvyi Rih, fechará dois laminadores, informou a empresa, nesta segunda-feira (16), citando a crise energética causada pelos ataques russos e os custos das exigências ambientais da União Europeia.

Não foi fornecido um prazo para os fechamentos, que se somam aos anunciados no mês passado pela subsidiária da ArcelorMittal. Na ocasião, a empresa disse que paralisaria sua fábrica de fundição e mecânica, uma das maiores instalações do país, e sua oficina de desbaste, também na Ucrânia.

Os ataques russos têm tido como alvo tanto usinas de energia quanto subestações, forçando Kiev a cortar o fornecimento de energia para empresas e a aumentar as importações da União Europeia.

A ArcelorMittal também citou a decisão da UE de introduzir o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM, na sigla em inglês) a partir de janeiro, sem quaisquer exceções ou período de transição para os produtores ucranianos.

O CBAM é a ferramenta da UE para estabelecer um preço justo sobre o carbono emitido durante a produção de bens com uso intensivo de carbono que entram no bloco.

“Como reação às condições econômicas adversas na Ucrânia em tempos de guerra, incluindo a disparada dos custos de eletricidade e o CBAM, a ArcelorMittal Kryvyi Rih foi forçada a tomar uma série de medidas de crise com o objetivo de alcançar a viabilidade financeira e aumentar a eficiência operacional da empresa”, afirmou a companhia em um comunicado.

A empresa disse que consolidará as operações de laminação em um número menor de fábricas, e que o número acumulado de cortes de empregos pode chegar a 3.400.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   17/03/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 3,91% para 4,10% em meio às incertezas com a guerra no Irã e à disparada nos preços do petróleo. A taxa está 0,40 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 3,95%. Considerando apenas as 118 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida aumentou de 3,92% para 4,12%.

A projeção para o IPCA de 2027 ficou estável em 3,80%. Há um mês, era de 3,80%. Considerando apenas as 113 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,81% para 3,80%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa que alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.

Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

No Focus desta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2028 e 2029 ficaram estáveis em 3,50%, pela 19ª e 28ª semanas consecutivas.
Selic

A mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25%. Considerando só as 105 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também subiu de 12,13% para 12,25%.

Os economistas do mercado financeiro passaram a esperar que o Banco Central diminua a taxa Selic em apenas 0,25 ponto porcentual, a 14,75%, na próxima quarta-feira. É a primeira vez desde o início de dezembro de 2025 que a mediana do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus, deixa de indicar um corte de 0,50 ponto.

Na sua última decisão, de 28 de janeiro, o Copom manteve a taxa básica de juros em 15%, mas indicou que iria “iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”. A maioria do mercado já esperava uma redução inicial de 0,50 ponto, considerando o nível elevado dos juros reais brasileiros.

Mas o ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã no início deste mês fez os preços do petróleo dispararem no mercado internacional, com o barril do tipo Brent cotado acima de US$ 100 nesta segunda-feira. Há o receio de que a alta da commodity seja duradoura, com pressões sobre a inflação.

A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50%, pela 57ª semana seguida. Considerando só as 100 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também manteve-se em 10,50%.

A mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,00%, pela 8ª semana consecutiva. Para 2029, a mediana permaneceu em 9,50%, pela 20ª semana seguida.

PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 aumentou levemente, de 1,82% para 1,83%. Um mês antes, era de 1,80%. Considerando apenas as 79 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa caiu de 1,87% para 1,84%.

O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 ficou estável em 1,80%, pela 11ª semana seguida. Considerando só as 74 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, subiu de 1,75% para 1,80%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 105ª e 52ª semana seguida, respectivamente.

Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 oscilou de R$ 5,41 para R$ 5,40. Já a projeção para a moeda no fim de 2027 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,47. Há um mês, ambas eram de R$ 5,50.

Para o fim de 2028, a projeção manteve-se em R$ 5,50. Para 2029, subiu de R$ 5,50 para R$ 5,51. Há um mês, eram de R$ 5,50 e R$ 5,51, respectivamente.

A moeda americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Infomoney - SP   17/03/2026

A instituição que assessora os bancos centrais do mundo pediu às autoridades monetárias que não reajam de forma exagerada ao aumento dos preços globais de energia provocado pela crise do Irã, chamando-o de um caso exemplar de quando é preciso não enfrentar imediatamente um choque, especialmente se ele for temporário.

O aumento de 40% nos preços do petróleo neste mês e o salto de quase 60% nos preços do gás no atacado evocaram comparações com 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia e a reabertura da economia global após a Covid fizeram as taxas de inflação dispararem.

Os principais bancos centrais, incluindo o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central Europeu, aumentaram as taxas de juros para seus níveis mais altos em décadas, mas foram criticados por reagirem muito lentamente após julgarem erroneamente que o impacto seria transitório.
Desta vez, os mercados financeiros foram rápidos em reavaliar as expectativas, apostando que os bancos centrais não vão querer cometer o mesmo erro novamente, mas o Banco de Compensações Internacionais (BIS) usou seu mais recente relatório para pedir cautela.

‘Se for um choque de oferta e, certamente, se for temporário, esses são os exemplos de livro texto em que você deve olhar além do choque, e não reagir com a política monetária’, disse o principal consultor econômico do BIS, Hyun Song Shin.

Os comentários foram feitos no início de uma semana crucial para os mercados, com o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão realizando suas primeiras reuniões desde o início da crise no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O BC brasileira também deliberará sobre os juros nesta semana.

Shin acrescentou que a rápida mudança na precificação das taxas de juros de mercado talvez seja um ‘sinal dos tempos’, dadas as lembranças ainda cruas de 2022.

Os mercados monetários já reduziram pela metade o número de cortes nas taxas do Fed que esperam este ano para um, e agora estão precificando totalmente um aumento do BCE até julho, juntamente com uma chance de 85% de um segundo aumento até o final do ano.

‘É uma espécie de reação instintiva’, disse Shin, destacando também que os principais indicadores de inflação ainda não se movimentaram na mesma proporção, o que torna o cenário geral ‘muito confuso’.

ORIENTAÇÃO DE COMUNICAÇÃO

O relatório do BIS, que é publicado quatro vezes por ano, também incluiu vários estudos, inclusive um sobre como os bancos centrais mudaram a forma de se comunicar com os mercados e o público após as várias crises globais recentes.

Esse estudo mostrou que mais bancos centrais estão usando cenários para ilustrar as implicações de riscos específicos, além das ferramentas tradicionais, como gráficos em leque e discussões qualitativas sobre riscos.

Muitos também tentaram se afastar da chamada orientação futura (‘guidance’) sobre o provável rumo das taxas e, em vez disso, publicaram suas próprias projeções de taxas, muitas vezes no contexto de cenários alternativos.

A visão do BIS sobre os riscos atuais do mercado também abordou outros surtos de volatilidade observados este ano, incluindo algumas vendas acentuadas de ações ligadas à inteligência artificial e alguns problemas no mercado de crédito privado.

‘Temos que observar isso’, disse Frank Smets, vice-chefe do departamento monetário e econômico do BIS. ‘Mas não vemos nenhuma grande disrupção neste momento.’

O Estado de S.Paulo - SP   17/03/2026

O esforço de renegociação de R$ 65,1 bilhões em dívidas da Raízen, gigante formada da parceria entre Cosan e Shell há 15 anos, voltou os holofotes para os números recordes de processos de recuperação extrajudicial, movimento que parece andar na contramão dos bons indicadores econômicos atuais. O anúncio da Raízen, feito com apenas algumas horas de diferença de processo semelhante aberto pelo Grupo Pão de Açúcar, líder histórico do setor supermercadista que tenta equalizar uma dívida de R$ 4,5 bilhões, acabou virando referência para o complicado ambiente de negócios nacional.

Entre recuperações judiciais (supervisionadas formalmente pela Justiça) e extrajudiciais (estruturadas diretamente entre empresa e credores), o ano de 2025 contou 5.680 processos, um recorde histórico, como mostrou recente reportagem do Estadão com dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial. O ano de 2026, segundo especialistas, segue a mesma toada. Somente os processos extrajudiciais – instrumento legal criado no Brasil há apenas duas décadas – foram 68 no ano passado, volume também recorde, de acordo com levantamento do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial publicado pelo jornal Valor.

São diversos os motivos que deixam empresas incapacitadas de pagar suas dívidas. Crises financeiras podem ser causadas por má gestão, planejamento comercial mal dimensionado, negócios de risco que não deram o retorno esperado, dificuldades na captação de financiamento e capital de giro, queda severa na demanda, disputas societárias ruinosas e até fraudes corporativas. Enfim, não há como desprezar que boa parcela da responsabilidade pelas crises corporativas cabe à própria condução das empresas.

Mas há, nos casos recentes, um denominador comum: a taxa básica de juros (Selic), que em quatro anos e meio – de janeiro de 2021 a junho de 2025 – passou de 2% para 15%, patamar em que se mantém até o momento e que contribui para multiplicar o saldo de dívidas financeiras. A disparada não foi acidental ou arbitrária, mas uma necessidade monetária para controlar a inflação e preservar o valor de compra do real diante de uma economia superaquecida por políticas oficiais de incentivo ao crédito e ao consumo.

O aumento da inadimplência e, em último estágio, a insolvência são o saldo deletério de uma política econômica que só atende aos interesses demagógicos do governo, em detrimento do controle da inflação. No afã de acelerar o giro do dinheiro, fabricando uma imagem da economia que não condiz com a realidade para dizer que está colocando “dinheiro no bolso do povo”, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva joga as consequências de sua irresponsabilidade no colo tanto de empresas quanto de pessoas físicas. Está aí a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) para comprovar: em fevereiro, a proporção de endividamento das famílias brasileiras bateu 80,2%, o maior nível de toda a série histórica do levantamento, feito mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010.

Remar contra uma maré de instabilidade econômica e políticas públicas ineficientes não é fácil. E é esse o resultado da desconexão entre as decisões de empresas e indivíduos (microeconomia) e a condução da macroeconomia (inflação, juros, PIB, etc.). É o tipo de desordem que costuma, cedo ou tarde, levar a crises econômicas mais sérias e recessão.

De acordo com o Monitor RGF, das 5.680 empresas em processo de reestruturação em 2025, o setor com maior aumento de insolvência foi o agronegócio, com 493 empresas, justamente o que mais tem contribuído positivamente para o Produto Interno Bruto (PIB). Fatores como mudanças climáticas e quebras de safra tendem a desequilibrar as contas, mas não há como desconsiderar a forte dependência da Selic, em razão da necessidade intensiva de capital do agronegócio.

A queda dos juros, alívio esperado por empresas e famílias, não depende exclusivamente do Banco Central. O governo tem de fazer sua parte.

Exame - SP   17/03/2026

A escalada do conflito no Irã continua mudando as expectativas do mercado financeiro para a política monetária dos Estados Unidos. O choque no preço do petróleo provocado pela guerra levou grandes bancos a reverem suas projeções para os próximos cortes de juros do Federal Reserve, e até mesmo a questionar se eles virão ainda este ano.

O Fed tem duplo mandato: manter a estabilidade de preços, com a inflação próxima à meta de 2%, e sustentar o máximo de emprego na economia americana. A guerra ameaça os dois lados dessa equação ao mesmo tempo.

A ferramenta FedWatch, do CME Group, que acompanha os contratos futuros de juros (termômetro de sentimento do mercado em relação às taxas), deslocou a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual de junho para dezembro, uma mudança que seria considerada improvável um mês atrás.

Goldman Sachs e Barclays empurram cortes para o segundo semestre

Entre as revisões mais significativas, destaca-se a do Goldman Sachs. O banco passou a esperar reduções de 0,25 ponto percentual em setembro e dezembro, citando os riscos crescentes de inflação ligados ao conflito. Antes da guerra, o Goldman projetava o início do ciclo de afrouxamento em junho, com outro corte em setembro.

O Barclays seguiu trajetória semelhante. O banco britânico também postergou sua projeção de primeiro corte para setembro, passando a esperar apenas uma redução ao longo de todo o ano — ante estimativas anteriores que contemplavam múltiplos cortes em 2026.

A visão do mercado como um todo ficou ainda mais pessimista. O economista-chefe da consultoria EY-Parthenon, Gregory Daco, revisou sua projeção para um único corte de 0,25 ponto percentual em 2026, provavelmente em dezembro, mas ressalvou ser "inteiramente plausível" que o Fed não entregue nenhum corte no ano.

Morgan Stanley vê risco assimétrico; analista mais hawkish pede alta de juros

No Morgan Stanley, o economista-chefe para os EUA, Michael Gapen, adota um tom mais cauteloso sobre o impacto direto do choque de energia. Segundo ele, o Fed deve provavelmente "ignorar" choques temporários de preços de energia, mas os riscos agora apontam para cortes que chegam mais tarde — e maiores — caso a atividade econômica se enfraqueça.

A lógica é que, se o conflito desacelerar a economia de forma mais intensa, o Banco Central terá mais espaço para afrouxar depois, ainda que a janela para agir logo se estreite.

Carl Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics, empresa independente de pesquisa econômica, defende que o Fed deveria considerar uma elevação de juros já na reunião desta semana, como forma de conter a inflação provocada pelo choque do petróleo — que, em sua projeção, pode chegar a 3,5% até o verão no hemisfério norte.

Choque de petróleo em terreno já fragilizado

O impacto do conflito chega a uma economia que já exibia sinais de vulnerabilidade. O índice de preços ao consumidor avançou 2,4% em fevereiro ante o mesmo período do ano anterior — estável em relação a janeiro, mas ainda acima da meta do Fed. No mercado de trabalho, o payroll recuou 92 mil postos em fevereiro e a taxa de desemprego subiu para 4,4%.

O petróleo, por sua vez, opera em patamar que já compromete o bolso dos consumidores americanos. A média nacional da gasolina atingiu US$ 3,50 o galão, o nível mais alto desde 2024.

No mercado futuro, o barril de Brent é negociado acima dos US$ 100, acumulando alta de cerca de 40% em relação ao período anterior ao conflito, quando oscilava em torno de US$ 73. O WTI, referência americana, também oscila ao redor dos US$ 100 o barril, contra aproximadamente US$ 60 antes da guerra.

IstoÉ Dinheiro - SP   17/03/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 2,158 bilhões na segunda semana de março. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 16, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,484 bilhões e importações de US$ 5,326 bilhões.

O superávit acumulado no mês de março é de US$ 3,867 bilhões. De janeiro até a segunda semana de março, o ano acumula superávit de US$ 11,890 bilhões, um crescimento em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 9,606 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano. Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

Até a segunda semana de março, comparado ao mesmo período de março de 2025, as exportações caíram 2,7%, somando US$ 14,705 bilhões. O desempenho dos setores foi o seguinte: queda de 9,8% em Agropecuária, que somou US$ 3,878 bilhões crescimento de 19,2% em Indústria Extrativa, que somou US$ 3,384 bilhões; e, por fim, queda de 7,0% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 7,348 bilhões.

Em relação às importações, houve queda de 1,9% na mesma comparação, totalizando US$ 10,838 bilhões. Houve queda de 21,3% em Agropecuária, que somou US$ 238,7 milhões; crescimento de 17,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 581,7 milhões; e, por fim, queda de 2,2% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 9,948 bilhões.

IstoÉ Dinheiro - SP   17/03/2026

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 0,78% em janeiro, na comparação com dezembro e na série com ajuste sazonal, informou nesta segunda-feira, 16, a autarquia. O indicador havia caído 0,15% em dezembro (revisado, de -0,18%).

O resultado de janeiro ficou praticamente em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para alta de 0,80%. As estimativas do mercado iam de variação zero a crescimento de 1,30%.

O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, aumentou 0,86%, após uma queda de 0,27% no mês anterior (revisado, de -0,31%). O indicador próprio da agropecuária caiu 1,49%, após alta de 2,07% em dezembro (revisado, de 2,26%).

O índice de serviços cresceu 0,81%, após queda de 0,12% no mês anterior (revisado de -0,26%); o da indústria aumentou 0,37%, após queda de 0,01% em dezembro (revisado, de +0,32%); e o de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – cresceu 0,47%, após baixa de 0,18% em dezembro (revisado de -0,17%).

Interanual

Na comparação com janeiro de 2025, o IBC-Br total cresceu 0,98% na série sem ajuste sazonal – abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 1,60%. As estimativas do mercado iam de queda de 0,30% a alta de 3,50%.

O índice ex-agropecuária cresceu 0,91% na comparação interanual, após alta de 2,92% no mês anterior (revisado, de 2,94%) . O da agropecuária teve alta de 0,65%, depois de ter crescido 6,24% em dezembro (revisado, de 6,35%).

O indicador de serviços cresceu 2,09%, após alta de 3,22% (revisado, de 3,08%). O da indústria caiu 1,17%, depois de ter crescido 1,76% (revisado, de 2,26%). O índice de impostos caiu 1,27%, após alta de 2,52% (revisado, de 2,59%).

IstoÉ Dinheiro - SP   17/03/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%. A taxa está 0,40 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 3,95%. Considerando apenas as 118 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida aumentou de 3,92% para 4,12%.

A projeção para o IPCA de 2027 ficou estável em 3,80%. Há um mês, era de 3,80%. Considerando apenas as 113 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,81% para 3,80%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa que alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.

Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

No Focus desta quarta-feira, as projeções para o IPCA de 2028 e 2029 ficaram estáveis em 3,50%, pela 19ª e 28ª semanas consecutivas.

Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

MINERAÇÃO

Valor - SP   17/03/2026

Contrato com vencimento em maio, o mais negociado, fechou cotado a US$ 117,2

O preço do minério de ferro recuou nesta segunda-feira (16), na China, diante de um movimento de realização de lucros por parte de investidores, apontam analistas.

O contrato do minério de ferro com vencimento em maio, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em baixa de 0,74%, cotado a 809 yuans (US$ 117,2).

De acordo com especialistas da consultoria Nanhua Futures, o recuo reflete a realização de lucros, após a valorização do minério na última semana, quando se intensificaram as preocupações com relação à disponibilidade da commodity no mercado à vista.

Apesar disso, eles notam que, embora a oferta do minério tenha caído ligeiramente devido a condições de tempo nos países produtores, ela permanece dentro de uma faixa normal.

Máquinas e Equipamentos

Agrolink - RS   17/03/2026

A decisão do Governo Federal do Brasil de elevar o Imposto de Importação sobre bens de capital reacendeu o debate sobre competitividade industrial e modernização tecnológica no país. A medida foi oficializada pela Resolução GECEX nº 852/2026, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX) no fim de janeiro, e reajustou as alíquotas para mais de mil classificações fiscais de bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT).

Na prática, a norma estabelece aumento gradual das tarifas até o limite de 20%. Produtos que tinham alíquota inferior a 7,2% passam para 7,2%. Aqueles entre 7,2% e 12,6% são elevados para 12,6%, enquanto itens acima desse patamar podem chegar a 20%. O reajuste pode alcançar até 7,2 pontos percentuais e afeta equipamentos, máquinas, peças e componentes utilizados em diferentes setores da economia.

Após críticas do setor produtivo, o governo revisou parcialmente a tributação aplicada aos produtos classificados como BIT. No entanto, os bens de capital — que incluem máquinas industriais, motores, válvulas e equipamentos utilizados em áreas como infraestrutura, mineração e construção — permanecem sujeitos às novas tarifas.

Para Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira da Fiorde Group, a mudança pode ter efeitos nas cadeias produtivas brasileiras. “Os bens de capital são essenciais para modernizar a indústria. O aumento das alíquotas pode elevar o custo de aquisição de máquinas e equipamentos justamente em um momento em que grande parte do parque industrial brasileiro já opera com equipamentos antigos”, afirma.

Segundo o especialista, o impacto não se restringe às grandes indústrias. Equipamentos classificados como BK incluem itens utilizados em diversas atividades econômicas, como bombas de elevação de líquidos, motores elétricos e redutores aplicados em sistemas industriais, obras e manutenção de infraestrutura.

Especialistas do setor avaliam que o aumento do imposto pode desestimular investimentos em modernização tecnológica. Atualmente, muitas empresas dependem da importação de equipamentos, já que a indústria nacional não consegue atender integralmente à demanda ou acompanhar o ritmo de inovação internacional.

Nesse contexto, o regime de Ex-Tarifário tem sido utilizado como instrumento para estimular investimentos. O mecanismo permite a importação de bens de capital sem similar nacional com alíquota zero, após análise técnica do governo. Segundo analistas, o processo pode levar cerca de quatro meses entre análise técnica, consulta pública e decisão final.

De acordo com Mauro Lourenço Dias, presidente da Fiorde Group, o aumento das tarifas pode reduzir a competitividade da indústria brasileira. “Não é aumentando a alíquota de bens de capital que se incentiva a indústria nacional. Quando encarecemos máquinas e equipamentos, dificultamos a modernização do parque industrial e aumentamos o custo de produção frente aos concorrentes internacionais”, afirma.

Embora o tema esteja ligado ao comércio exterior, especialistas apontam que os efeitos podem alcançar o consumidor final. O aumento do custo de importação de equipamentos pode impactar obras de infraestrutura, serviços e produtos utilizados no cotidiano.

“Quando o custo das máquinas sobe, isso acaba sendo incorporado ao preço final de produtos e serviços. É um efeito em cadeia que pode pressionar custos em diversos setores da economia”, explica Luciano Carlos Fracola.

Como alternativa emergencial, o governo publicou a Resolução GECEX nº 853/2026, que permite às empresas solicitar, de forma excepcional, a redução temporária da alíquota para 0% em produtos anteriormente beneficiados. Os pedidos podem ser apresentados até 31 de março de 2026 e, se aprovados, terão validade provisória de até 120 dias.

Segundo Mauro Lourenço Dias, a medida pode amenizar os efeitos no curto prazo, mas exige agilidade das empresas. “Essa alternativa é importante, mas é temporária. As empresas precisam agir rapidamente e estruturar bem os processos para tentar mitigar os impactos no curto prazo”, afirma.

A decisão do governo também reacende discussões sobre política industrial e o equilíbrio entre proteção da produção nacional e competitividade internacional. Enquanto o debate avança, empresas revisam contratos, recalculam custos e avaliam o impacto das novas tarifas sobre projetos em andamento.

“Quando há mudanças tributárias dessa magnitude, a previsibilidade dos negócios é afetada. Isso exige das empresas uma reavaliação rápida de investimentos e planejamento financeiro”, conclui Mauro Lourenço Dias.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   17/03/2026

Mesmo se considerando o efeito do Carnaval, que no ano passado ocorreu em março, o número de licenciamentos na primeira quinzena deste mês colocaram um leve sorriso nos rostos de executivos das montadoras e das redes de concessionárias.

Foram emplacados nesse período 101,5 mil veículos leves, expressivos 45,9% a mais do que na mesma quinzena de março de 2025, aponta levantamento da Bright, consultoria especializada no setor automotivo.

Nos 10 dias úteis — contra 9 de março do ano passado —, a média diária de vendas girou ao redor de 10,1 mil unidades, ante 7,7  mil de um ano antes e também bem acima de fevereiro último, quando os emplacamentos diários somaram, em média, 8,7 mil no mesmo período.

Ao longo de 2026 até a semana passada, as vendas de veículos leves alcançaram 440 mil licenciamentos, crescimento de 9,3% na comparação com igual período de 2025.

“Parte desse avanço reflete a melhora da confiança entre dezembro, janeiro e fevereiro”, destaca a consultoria, mesmo ponderando viés de estabilidade para os próximos meses, muito também em decorrência do cenário externo instável.

As negociações diretas voltaram a ganhar peso maior, com 47,1 mil unidades licenciadas por essa modalidade, 46,5% do total de emplacamentos e cinco pontos porcentuais a mais do que em fevereiro último.

A Fiat colocou nas ruas 21,7 mil veículos e se manteve à frente das vendas, seguida pela Volkswagen, que negociou 17,9 mil unidades. A Hyundai (9 mil) foi a terceira montadora que mais vendeu, pouca coisa à frente da General Motors (8,9 mil).  A quinta colocada Toyota (7,1 mil) estabeleceu boa margem de vantagem para a ascendente BYD (6,2 mil).

O desempenho da Fiat se deve em boa medida à Strada. A piucape compacta mais uma vez esteve à frente do mercado com mais de 6,8 mil unidades entregues aos clientes finais. A distância para o segundo modelo mais licenciado, o Hyundia HB2, que somou quase 3,9 mil, mostra que a picape segue com vigor comercial jamais viusto para um comercial leve no Brasil.

Valor - SP   17/03/2026

A BYD, principal rival chinesa da Tesla, anunciou um pedido de 100 mil veículos a partir de sua fábrica recém-operacional no Brasil, segundo Stella Li, vice-presidente executiva da empresa.

O pedido de exportação da fábrica da BYD em Camaçari será dividido igualmente entre Argentina e México, com cada país recebendo 50 mil carros, disse Li. Os embarques destacam a intenção da BYD de usar a fábrica no Brasil para abastecer seu rápido crescimento na América Latina. Com a produção mais próxima dos mercados, agora é mais fácil e mais barato para México e Argentina receberem mais veículos elétricos da BYD para vender em seus mercados domésticos.

As ações da BYD saltaram quase 8% em Hong Kong nesta segunda-feira (16).

Esse foi o maior avanço dos papéis em mais de um ano, à medida que investidores acompanham as notícias sobre a estratégia da empresa de expandir as vendas internacionais para compensar a queda das vendas domésticas na China.

Nos Estados Unidos, os recibos de ações avançavam mais de 7%. Até agora neste ano, as ações da BYD negociadas nos Estados Unidos subiam cerca de 3%. Segundo alguns analistas, o preço das ações ainda não reflete totalmente o status da montadora como a maior vendedora de veículos elétricos do mundo. No entanto, analistas na Ásia começam a ver o papel de forma mais favorável.

Fevereiro marcou a primeira vez em que a BYD vendeu mais carros no exterior do que na China. A empresa vendeu 89.590 carros na China e 100.600 no exterior.

Com base nos níveis de vendas anteriores, tanto os embarques para o México quanto para a Argentina representariam um aumento no estoque. De março de 2023 a julho de 2025, a BYD vendeu um total de 80 mil carros no México e alcançou participação de mercado de 5%, segundo o diretor-presidente da BYD México, Jorge Vallejo. As vendas da BYD no México atualmente não são reportadas nas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi).

Enquanto isso, a presença da BYD na Argentina é relativamente recente. A empresa entrou no mercado argentino em outubro de 2025, pouco depois de o governo implementar uma isenção tarifária para veículos elétricos que custam menos de US$ 16 mil. Em fevereiro, 813 carros da BYD foram registrados na Argentina, segundo dados da consultoria Siomaa, especializada no mercado automotivo latino-americano. Nos dois primeiros meses do ano, compradores argentinos registraram um total de 1.728 carros da BYD. A mais recente demanda a partir do Brasil vem depois de a BYD ter enviado cerca de 5.800 carros para a Argentina desde Cingapura a bordo de um de seus navios cargueiros próprios em janeiro.

A maioria das marcas chinesas de veículos elétricos enfrenta dificuldades de vendas no mercado doméstico. Fabricantes de veículos elétricos no país entraram em uma guerra de preços nos últimos anos. Neste ano, autoridades chinesas implementaram políticas para conter essa prática. O governo também eliminou uma versão anterior de subsídio a veículos elétricos que havia impulsionado a demanda. Apesar da desaceleração da demanda, a Tesla viu suas vendas na China crescerem 42% em fevereiro.

O Brasil está se tornando um polo cada vez mais importante das operações da BYD na América Latina. O país tem um mercado de veículos elétricos em rápida expansão, dominado pela BYD, e abriga uma grande fábrica de produção. No entanto, uma investigação recente do Washington Post alegou que a fábrica estaria maltratando trabalhadores.

A BYD abriu sua fábrica no Brasil em 2025. Atualmente, ela pode produzir até 150 mil carros por ano. Planos futuros elevariam a produção para 600 mil veículos por ano.

Dados do Brasil mostram que 112.940 veículos de passageiros e comerciais leves da BYD foram registrados no país no ano passado, segundo cálculos do IBD com base em dados anuais da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Esses números fariam do Brasil o maior mercado da BYD fora da China. Até outubro, o maior mercado externo da BYD era o Reino Unido.

No Brasil, a BYD tem uma participação de mercado de 4,43% nas vendas de carros de passeio e veículos leves, com o oitavo maior número de registros no país, segundo dados da Fenabrave. No entanto, a companhia domina as vendas de veículos elétricos no Brasil.

Em 2025, a BYD registrou mais veículos elétricos e híbridos no Brasil do que qualquer outra marca. A empresa registrou 57.089 veículos elétricos a bateria, o que representa participação de mercado de 71,94%, e 54.577 híbridos, equivalentes a 26,87% de participação, segundo dados da Fenabrave. Veículos da Tesla atualmente não estão disponíveis no Brasil.

CONSTRUÇÃO CIVIL

CNN Brasil - SP   17/03/2026

As recentes mudanças no teto de compra de imóveis pelas faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) começaram a valer em janeiro deste ano e podem pavimentar uma perspectiva positiva tanto para as famílias quanto para o mercado.
O impacto das mudanças para quem quer comprar um imóvel

Mesmo com imóveis de valor um pouco maior, o financiamento dentro das faixas um e dois mantém juros mais baixos que os praticados no mercado, prazos longos para o pagamento e possibilidade de subsídios.

Como era e o que mudou?

Na prática:
o financiamento em regiões metropolitanas com população superior a 750 mil habitantes passa a ser de R$ 270 mil. Antes, era de R$ 255 mil em relação às capitais, o valor passou de R$ 250 mil para R$ 260 mil já nos municípios com população entre 300 e 750 mil habitantes, o teto para financiamento em metrópoles e capitais foi reajustado de R$ 245 mil para R$ 255 mil Vantagens para o mercado

Para a MRV&CO, maior empresa do segmento no país, o redesenho do MCMV é uma oportunidade de ampliação do estoque elegível, ou seja, uma oferta maior de unidades prontas ou em construção que atendem aos requisitos técnicos, financeiros e jurídicos do programa.

"Mudanças em programas habitacionais podem gerar oportunidades para as famílias, o setor produtivo e a sociedade, especialmente por ampliar o acesso à moradia, estimular a atividade econômica e gerar impacto em larga escala", avalia o diretor executivo de comercial e crédito da MRV&CO, Thiago Ely.

CNN Brasil - SP   17/03/2026

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolidou em 2026 um cenário de alta previsibilidade e acesso ampliado ao crédito. Segundo Edmil Adib Antonio, diretor da MRV, a convergência de novas regras e incentivos fiscais criou o ambiente mais robusto para a habitação econômica nos últimos anos.
O que mudou no Minha Casa, Minha Vida?

Os principais pontos que definem o novo momento do programa e ampliam o poder de compra das famílias são:
Criação da Faixa 4: expansão do programa para novos perfis de renda, ampliando o teto de atendimento Redução de Juros e Aumento de Subsídios: medidas que elevam diretamente a capacidade de financiamento do comprador Novos Tetos Regionais: atualização do valor máximo dos imóveis permitidos em cada município, aumentando o estoque de unidades elegíveis FGTS Futuro: possibilidade de utilizar depósitos futuros do FGTS para amortizar parcelas ou aumentar o valor do financiamento Integração de Faixas: clientes da Faixa 2 agora podem adquirir imóveis que antes eram restritos à Faixa 3, gerando maior flexibilidade. Como funciona o financiamento com o MCMV agora?

Para entender o impacto prático das mudanças, é necessário observar a combinação de três fatores essenciais: juros, subsídio e teto.
Capacidade de Compra: com juros menores, a parcela cabe no bolso de mais famílias Entrada Facilitada: o aumento dos subsídios (valores que o governo aporta) diminui o valor necessário para a entrada Disponibilidade: com o aumento do teto de financiamento, as construtoras conseguem oferecer mais unidades dentro das regras do programa.
Impacto Social e de Mercado: Esta combinação permite que o FGTS — o eixo do financiamento da habitação popular — atenda a cerca de 90% dos fundistas, garantindo que o programa atinja a demanda qualificada de forma eficiente.
Perspectivas para 2026 e o Setor de Construção

A previsibilidade do orçamento e a estabilidade das regras do MCMV permitem que empresas como a MRV planejem lançamentos com maior segurança. Para o ano de 2026, espera-se:
Melhor desempenho financeiro para as incorporadoras devido ao giro de estoque Impacto social ampliado, com a redução do déficit habitacional em regiões metropolitanas Maior prazo de financiamento, agora estendido, o que dilui o valor das prestações e facilita a aprovação de crédito.

Capital Econômico - SP   17/03/2026

O setor de construção pesada e indústria de máquinas em Minas Gerais projeta uma retomada gradual dos investimentos privados ao longo de 2026, impulsionada principalmente por projetos de infraestrutura, concessões e obras de saneamento. Apesar do ambiente macroeconômico ainda desafiador, marcado por juros elevados e maior seletividade no crédito, empresas do setor avaliam que um conjunto relevante de obras deve avançar a partir do segundo semestre.

Esse movimento tende a gerar impacto direto na demanda por máquinas e equipamentos utilizados em obras de grande porte, como escavadeiras, carregadeiras e soluções de movimentação de carga.

Guilherme Nogueira, head da Bamaq Máquinas, afirma que o mercado atravessa um período de transição que exige planejamento estratégico e maior eficiência operacional por parte das empresas. Segundo ele, o cenário atual demanda mais do que expansão de capacidade.

“Não se trata apenas de ampliar capacidade, mas de garantir disponibilidade mecânica, controle de custos e cumprimento de cronogramas em contratos cada vez mais exigentes”, afirma.

Estratégia baseada em estoque e consultoria técnica

Para acompanhar o movimento esperado no setor, a empresa aposta em estoque estratégico de equipamentos e no fortalecimento de equipes de consultoria técnica avançada. A proposta é oferecer suporte técnico e operacional aos operadores de grandes projetos de infraestrutura.

Segundo Nogueira, os investidores estão mais criteriosos e buscam produtividade comprovada na operação das máquinas.

“Nosso foco é apoiar os grandes players de infraestrutura que assumirão essas concessões. Queremos ser reconhecidos não apenas como um revendedor, mas como um parceiro de produtividade que oferece solução completa, com máquina, manutenção e inteligência de dados”, explica.

No portfólio da companhia, seguem em destaque os equipamentos da linha de máquinas amarelas da New Holland Construction, além de soluções voltadas à movimentação de carga.

Modernização de frotas deve ganhar força

A expectativa da empresa é que a demanda por renovação e modernização de frotas aumente gradualmente conforme os projetos de infraestrutura avancem entre 2026 e 2027.
Ler Governo Federal conclui estudos para concessão definitiva do Porto de Itajaí

Minas Gerais é visto como um dos principais polos desse crescimento, especialmente por concentrar projetos de concessões rodoviárias e obras de saneamento com potencial de expansão.

Além do estado, a companhia também monitora oportunidades em regiões ligadas ao agronegócio e à mineração, setores que igualmente devem demandar modernização de equipamentos e aumento da capacidade operacional.

Tecnologia e conectividade no centro da estratégia

Entre os investimentos previstos para 2026, a empresa destaca a digitalização do pós-venda e a consolidação de unidades de atendimento técnico, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta em campo e ampliar a eficiência operacional.

A tecnologia também passa a ocupar papel central na estratégia, com a ampliação da oferta de máquinas conectadas equipadas com sistemas de telemetria avançada.

Esses sistemas permitem monitorar desempenho, antecipar falhas mecânicas, otimizar o consumo de combustível e elevar a disponibilidade operacional dos equipamentos.

Segundo o executivo, o diferencial competitivo está na capacidade de transformar dados operacionais em ganhos de produtividade e redução de custos para os clientes.

A empresa também estuda novas parcerias tecnológicas para ampliar o nível de conectividade das máquinas e permitir que gestores acompanhem, em tempo real e à distância, o desempenho dos ativos utilizados em obras.

Financiamento continua sendo desafio

Apesar das perspectivas positivas, o avanço dos investimentos ainda depende de condições adequadas de financiamento.

Em um cenário de crédito mais restrito, a empresa aposta em soluções financeiras personalizadas para viabilizar a renovação de frotas sem pressionar o fluxo de caixa das empresas contratantes.

Entre as alternativas estão o consórcio Bamaq e parcerias com instituições financeiras para estruturar modelos de financiamento adaptados ao atual cenário de juros elevados.

Trajetória de resiliência

Segundo Nogueira, em 2025 a empresa consolidou uma trajetória de resiliência mesmo diante da volatilidade macroeconômica, ampliando participação de mercado em estados estratégicos.

Ele destaca que o crescimento não esteve restrito à venda de máquinas, mas também à expansão da área de serviços e pós-venda, que apresentou aumento significativo na recorrência.

Para o executivo, o amadurecimento do mercado — no qual clientes priorizam disponibilidade mecânica e eficiência operacional — reforça as perspectivas positivas para os próximos anos.
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Com uma carteira mais diversificada e estrutura técnica ampliada, a empresa inicia 2026 apostando na combinação de tecnologia, serviços e soluções financeiras para acompanhar a retomada gradual dos investimentos em infraestrutura no país.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   17/03/2026

O governo federal e a Vale estão próximos de fechar um entendimento para a repactuação dos contratos de concessão da mineradora na EFVM (Estrada de Ferro Vitória-Minas) e EFC (Estrada de Ferro Carajás). Após a tentativa frustrada feita na SecexConsenso do TCU (Tribunal de Contas da União) no ano passado, as partes estão otimistas de que agora será possível chegar a um acordo, que deve resolver a insatisfação da gestão Lula com o conteúdo da renovação dos contratos assinados em 2020, ainda no governo passado.

Segundo apurou a Agência iNFRA com pessoas a par do processo, a mineradora aceitou pagar cerca de R$ 11 bilhões para repactuar os contratos, dos quais R$ 4 bilhões já foram antecipados pela Vale no fim de 2024. Assim, a operadora deve desembolsar mais R$ 7 bilhões, número que vai ao encontro da expectativa que era alimentada pelo Ministério dos Transportes ao fim da primeira tentativa de acordo.

A Vale também concordou em finalizar a obra de um trecho da Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) de quase 400 quilômetros, outro ponto sensível para o governo. Se o acordo for de fato fechado, será encaminhado para avaliação do TCU. O assunto foi discutido em reunião realizada na quarta-feira (11) entre a companhia e a pasta.

Após evento no Palácio do Planalto na quinta-feira (12), o ministro dos Transportes, Renan Filho, confirmou à Agência iNFRA a realização do encontro e que as conversas estão evoluindo bem para a finalização de um entendimento, mas sem dar detalhes sobre os termos das tratativas. Pelo lado da Vale, segundo apuração da reportagem, também há otimismo com o avanço das negociações e a possibilidade de o acordo sair.

Um dos imbróglios que travaram o consenso no ano passado foi a construção da Fico. Na renovação dos contratos em 2020, a Vale ficou responsável por executar o pedaço da ferrovia entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT). Como mostrou a Agência iNFRA, por entender que os prazos previstos não poderiam ser cumpridos por exigências ambientais, a mineradora tentou, por meio da repactuação, sair da execução das obras de 80 quilômetros da ferrovia, o que não foi aceito pelo ministério.

Embora a Infra S.A., que é responsável pelo licenciamento, tivesse um prazo para conseguir a liberação, a empresa avaliou à época que a licença não sairia no período estimado.

Precificação
O cálculo sobre a base de ativos das ferrovias, especialmente a de Carajás, foi o outro ponto sobre o qual a concessionária e o governo não chegaram a um acordo dentro do TCU. O Ministério dos Transportes sempre alegou que os números pactuados na renovação estavam subestimados, o que teria feito a Vale, na avaliação da pasta, pagar um valor menor pela prorrogação por 30 anos dos contratos.

O prazo curto para fechamento do acordo, segundo as regras da SecexConsenso, acabou jogando contra esse impasse. Como mostrou a Agência iNFRA, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) precisou se fiar num cálculo mais seguro sobre a base de ativos, mas a Vale não concordou com os números na mesa de negociação.

Nova tentativa
Depois de as partes não conseguirem, em agosto do ano passado, chegar a um consenso, a Vale tentou reabrir as discussões na Câmara de Solução Consensual do TCU, mas a solicitação foi negada porque a secretaria não admite a repescagem de casos que não chegaram a um entendimento.

O ministério e a Vale retomaram as conversas para tentar novamente chegar a um acordo agora fora da SecexConsenso mais ao final do ano passado. Antes disso, o governo cogitou avançar em estudos jurídicos para retirar a Vale das operações, especificamente da Carajás, e fazer a relicitação pelo entendimento de que a precificação do ativo não estava correta.

Essa saída, contudo, era vista como muito dura e com resultados incertos mesmo dentro do Executivo, já que possivelmente se tornaria uma briga judicial entre a gestão Lula e a mineradora.

Destino dos recursos
A falta de acordo no ano passado gerou uma grande frustração no governo não só pela situação das ferrovias da Vale, mas também porque o dinheiro gerado pela repactuação deve alimentar, nos planos do ministério, outros projetos ferroviários.

A pasta está desenhando uma série de novas concessões ferroviárias que precisam de algum tipo de aporte para se tornarem viáveis. O governo já conseguiu garantir R$ 2,8 bilhões com a repactuação da concessão da MRS com destino certo para o projeto da EF-118 , mas a maior parcela de recursos para colocar o programa de pé seria dos contratos da Vale.

A ideia é usar o mecanismo de contas vinculadas para abastecer esses novos empreendimentos, ferramenta que está sob escrutínio do TCU e deve ser avaliada em julgamento nos próximos meses.

Renovação
A renovação das ferrovias da Vale, em 2020, garantiu que a mineradora possa ficar na operação da EFC e da EFVM até 2057. Em troca, pagou outorga de R$ 11,8 bilhões pelas duas ferrovias.

Com a insatisfação do governo Lula sobre os valores, que falava, em 2023, em obter R$ 30 bilhões a mais com as repactuações de contratos ferroviários, no final de 2024 a mineradora e a ANTT assinaram os aditivos que permitiram a abertura do processo de repactuação dos contratos. Foi por esses termos que a Vale fez o pagamento adiantado de R$ 4 bilhões ao governo.

À época, a Vale informou que havia se comprometido com um aporte global máximo de aproximadamente R$ 11 bilhões, a título da revisão de levantamento da base de ativos da EFC e EFVM, da otimização de obrigações contratuais e do replanejamento de investimentos.

Revista Ferroviaria - RJ   17/03/2026

O total de cargas ligadas ao agronegócio transportadas por ferrovias no país cresceu no decorrer do ano passado, impulsionado pelo desempenho da safra de grãos, que bateu novo recorde em 2025.

No corredor norte da área de atuação da VLI, houve crescimento de cerca de 10% no volume de soja transportado em 2025, com a movimentação de 9 bilhões de TKUs (toneladas por quilômetro útil, medida que leva em conta volume e distância percorrida) ante as 8,2 bilhões de TKUs de 2024. Já na Rumo, o movimento de produtos agroindustriais em seus trens teve crescimento de 5,4% no ano passado, em comparação com o ano anterior.

Segundo a VLI, desde 2020 o crescimento no corredor ferroviário que usa trens de até 240 vagões, liga Maranhão e Tocantins e recebe cargas do Matopiba já chega a 67%.

A agropecuária, sob impacto da safra recorde de grãos, fechou o acumulado de 2025 com crescimento de 11,7% no Brasil, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados no último dia 3 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A produção mais que dobrou em um período de 13 anos, de acordo com o IBGE, saltando de 162 milhões de toneladas em 2012 para o patamar recorde de 346,1 milhões de toneladas, no ano passado.

Considerando todas as commodities transportadas no corredor da VLI combustíveis, celulose, milho, farelos de milho e de soja e ferro gusa, entre 2015 e 2024 houve aumento de cerca de 150% no volume transportado, de 5,8 bilhões de TKUs para 14,4 bilhões.

De acordo com a Rumo, foram transportadas 84,2 milhões de TKUs no ano passado, 5,4% a mais em produtos agroindustriais que no ano anterior.

A empresa afirmou, em seu relatório de sustentabilidade, que a utilização de trens maiores, com 135 vagões, ante os 120 utilizados anteriormente, e a ampliação da capacidade de carga por vagão geraram ganhos de eficiência energética e capacidade operacional

Rodoviário

InfraRoi - SP   17/03/2026

A concessão da Rota Mogiana pelo governo de São Paulo promete modernizar e ampliar mais de 500 quilômetros de rodovias do interior paulista, permitindo escoar a produção agrícola da Alta Mogiana para a divisa com Minas Gerais e região metropolitana de Campinas. O consórcio ganhador liderado pelo grupo Azevedo e Travassos prevê investimentos de R$ 9,4 bilhões ao longo dos próximos 30 anos, segundo a Agência SP.

O projeto promete obras como a duplicação da rodovia em 217 quilômetros e a criação de faixas adicionais em 138 quilômetros, além de 86 quilômetros de novas vias marginais. Outros 140 quilômetros de acostamentos devem ser construídos, especialmente em trechos críticos para atendimento a emergências e operações de manutenção.

Também estão contempladas 58 novas passarelas e 129 dispositivos de acesso, bem como interseções remodeladas, pontos de ônibus, além do novo contorno viário em Águas da Prata, que vai retirar o tráfego pesado do centro urbano e atender a uma demanda da população local.
Concessionária ofereceu maior oferta de outorga

O grupo Azevedo e Travassos ganhou o certame com a maior oferta de outorga fixa ao Estado, no valor de R$ 1,08 bilhão. A concessão foi estruturada para que os benefícios cheguem à população já nos primeiros anos de contrato, com um cronograma que prioriza obras de duplicação, implantação de faixas adicionais e melhorias operacionais em corredores com maior volume de tráfego e relevância logística.

Além das intervenções físicas, o contrato prevê a modernização da operação rodoviária, com monitoramento permanente, atendimento 24 horas, sistemas de comunicação com os usuários e apoio rápido a emergências, elevando o padrão de serviço desde o início do contrato.
Concessão da Rota Mogiana deve atender 22 municípios

A expectativa é de que a concessão beneficie 2,3 milhões de pessoas de 22 municípios sejam beneficiadas, incluindo Aguaí, Águas da Prata, Artur Nogueira, Cajuru, Campinas, Casa Branca, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Holambra, Itobi, Jaguariúna, Limeira, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio de Posse, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul.

A região da Alta Mogiana se destaca na produção de mercadorias agrícolas relevantes para a pauta de exportação brasileira, como o café e açúcar. O eixo São João da Boa Vista–São José do Rio Pardo–Espírito Santo do Pinhal se destacam pela exportação de café especial e commodities agrícolas, onde a agregação de valor ocorre via certificação de origem, qualidade sensorial e processamento pós-colheita. De acordo com a Câmara de Comércio Exterior, os principais destinos do café produzido nesta região são mercados exigentes como Alemanha, Itália, Estados Unidos, Japão e Países Baixos.

NAVAL

Valor - SP   17/03/2026

Navegação pela região está praticamente paralisada em meio à guerra do Irã, que tem atacado navios que cruzam o Estreito de Ormuz, interrompendo o transporte de cerca de 20% do suprimento do petróleo global

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse nesta segunda-feira que os países do bloco não estão dispostos a expandir uma missão naval no Oriente Médio para o Estreito de Ormuz.

"Houve em nossas discussões um claro desejo de fortalecer essa operação, mas, por enquanto, não há apetite para mudar o mandato da operação Aspides", disse Kallas a jornalistas após uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da UE em Bruxelas.

A missão Aspides, nome derivado da palavra grega para "escudos", foi estabelecida em 2024 para proteger navios de ataques dos houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, no Mar Vermelho.

Atualmente, a operação tem um navio italiano e um grego sob seu comando direto e pode também contar com outras duas embarcações - uma francesa e outra italiana - para apoio.

"A discussão foi que ela [a Aspides] deveria ser reforçada porque não tem muitos meios navais. Deveria ter mais", disse Kallas. "Embora o Estreito de Ormuz esteja no centro das atenções, o Mar Vermelho também continua sendo crítico."

A reunião ocorreu depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental) caso os países não apoiem um plano americano para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz.

A navegação pela região está praticamente paralisada em meio à guerra do Irã, que tem atacado com drones e mísseis navios que cruzam o Estreito de Ormuz, interrompendo o transporte de cerca de 20% do suprimento do petróleo global.

Mais cedo, Kallas informou que discutiu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, a ideia de liberar o petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz replicando um acordo que permite a exportação de grãos da Ucrânia durante a guerra contra a Rússia.

"Tive conversas com Guterres sobre se seria possível também ter o mesmo tipo de iniciativa que tivemos no Mar Negro", disse ela, em referência ao pacto relativo à Ucrânia.

Globo Online - RJ   17/03/2026

Um projeto de R$ 850 milhões para a construção de terminal portuário e estaleiro, com foco nas atividades em alto-mar do setor de petróleo e gás, na divisa de Quissamã com Campos, litoral norte do Rio, será retomado, com início das obras este ano, informou a BR Offshore, empresa criada para tocar o empreendimento. A “pedra fundamental” do empreendimento será lançada na semana que vem.

O projeto do Complexo Logístico Farol/Barra do Furado tem 15 anos. Foi anunciado no fim de 2011, com perspectiva de início das obras em 2012 e uma parte da infraestrutura a cargo das prefeituras locais, com recursos estaduais e federais.

As obras públicas foram iniciadas em 2012 e, depois, abandonadas, já no contexto da recessão de 2014 a 2016 e do baque na indústria petrolífera causado pela Operação Lava-Jato.

A retomada

Agora, o projeto será retomado com a entrada do Banco Fator. A meta é começar a operar entre 2027 e 2028, com foco na demanda futura por desmantelamento e reciclagem de embarcações e por serviços de apoio às futuras usinas eólicas de geração de eletricidade em alto-mar, afirmou o presidente da BR Offshore, Ricardo Vianna.

A holding de investimentos foi criada em 2011 por Vianna e Paulo Salles — ambos sócios da Aggrego Consultores, do ex-ministro Alcides Tápias, que comandou a pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no segundo governo Fernando Henrique Cardoso —, em sociedade com os empresários Carlos Eduardo Veiga e Benjamin Sodré Neto.

Conheça plataformas de petróleo da Petrobras pelo Brasil

A Fator Empreendimentos e Participações, holding de investimentos do banco, entrará com uma participação minoritária. O Fator também liderará “um pool de bancos”, que está “montando a estruturação financeira do projeto”, disse Vianna.

A ideia é financiar o máximo possível dos R$ 850 milhões a serem investidos e uma das possibilidades é emitir CRIs, títulos atrelados ao desenvolvimento imobiliário da área. Vianna disse não temer o atual nível elevado dos juros no país:

— Obviamente, a situação macroeconômica é desafiante neste momento, mas, se olharmos para esses segmentos, as perspectivas são bastante favoráveis. O conflito no Oriente Médio tende a favorecer a exploração de petróleo e gás e o descomissionamento de embarcações no Brasil, uma vez que fica clara a estabilidade política que a América do Sul tem.

Ajustes no projeto

O principal ajuste feito no projeto de 15 anos atrás foi o foco na reciclagem de embarcações. No desenho original, o estaleiro seria dedicado ao reparo e manutenção de embarcações de apoio às atividades em alto-mar.

Agora, a área de 1 milhão de metros quadrados — na entrada do Canal da Flecha, construído na década de 1940 para conectar a Lagoa Feia ao mar — terá um estaleiro dedicado ao desmantelamento de embarcações e uma base de apoio às atividades offshore, que poderá atender também às futuras usinas eólicas no mar. O estaleiro de manutenção foi deixado de lado.

Ainda assim, parte da infraestrutura construída nas obras públicas iniciadas em 2012 poderá ser aproveitada, disse Vianna. Um exemplo é um “píer para o transpasse de areia”, que chegou a ser construído, e “poderá ser utilizado futuramente”, segundo o executivo.

Demanda em alta por reciclagem de navios

A demanda pelo desmantelamento de embarcações, incluindo as plataformas flutuantes usadas no Brasil, com correta destinação do aço empregado nos equipamentos, é recente e crescente. Segundo a BR Offshore, estima-se que, em 2035, cerca de 3,7 mil embarcações deverão ser recicladas, o dobro do esperado este ano, o que exigirá até US$ 9,9 bilhões em investimentos.

Um estudo de 2020 da consultoria internacional Wood Mackenzie apontava que, apenas com as plataformas offshore, o desmantelamento de embarcações deveria movimentar de US$ 14,5 bilhões a US$ 16 bilhões até 2029. Naquele ano, o estudo contabilizava 102 plataformas a serem aposentadas até o fim da década.

— A gente prevê a construção de um cais com até 900 metros lineares, que é um cais bastante grande, para receber os FPSOs (as plataformas instaladas em navios, como as usadas pela Petrobras) que serão reciclados — disse Vianna, acrescentando que ainda é preciso aprovar no Congresso leis específicas para um marco regulatório da reciclagem de embarcações no Brasil, até mesmo para dar condições de os estaleiros nacionais prestarem serviços para o exterior.

O projeto prevê ainda a conclusão das obras de infraestrutura, como a dragagem da entrada do Canal das Flechas, o que poderá beneficiar também outras atividades econômicas na região, como a pesca. Uma vez em operação, o complexo logístico deverá gerar 800 empregos diretos e de 3,2 mil indiretos.

PETROLÍFERO

Globo Online - RJ   17/03/2026

A Agência Internacional de Energia (AIE) está disposta a liberar mais reservas estratégicas de petróleo "se necessário", informou nesta segunda-feira o diretor-executivo da entidade, Fatih Birol. O objetivo seria limitar os efeitos do bloqueio quase completo do fornecimento através do estreito de Ormuz devido à guerra no Irã.

A agência, que administra as reservas de emergência dos 32 países ricos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), já havia anunciado a liberação, na semana passada, de 400 milhões de seus estoques estratégicos, o equivalente a um terço do total detido por essas nações, que é de 1,2 bilhão de barris.

Além dos governos, indústrias desses países detêm 600 milhões em reservas estratégicas. Mesmo após o anúncio da semana passada, as cotações de petróleo seguiram em alta, em meio a uma escalada de tensões na Guerra do Irã.

— Em relação às reservas governamentais e às reservas do setor privado administradas pelo governo, se somarmos ambas, ainda restarão mais de 1,4 bilhão de barris, o que significa que poderemos tomar mais medidas no futuro, se for necessário — declarou Birol em um vídeo publicado pela agência com sede em Paris, que tem 32 países membros.

Ele acrescentou que novas liberações de estoques poderiam constituir apenas um “amortecedor” contra o atual estrangulamento da oferta, que forçou produtores do Golfo a reduzir a produção.

— A coisa mais importante para o retorno de fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz — disse Birol.

Novas liberações das reservas estratégicas “não são uma solução duradoura”, acrescentou ele, enquanto economias e consumidores sofrem os efeitos da redução no fornecimento de petróleo.

Em seu relatório mensal mais recente, divulgado na semana passada, a Agência Internacional de Energia afirmou que a guerra que Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro “está criando a maior interrupção de oferta na história do mercado global de petróleo”.

No relatório, a agência afirmou que a produção de petróleo bruto está atualmente reduzida em pelo menos 8 milhões de barris por dia.

A guerra levou o Irã a apertar seu controle sobre o estreito — por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial —, praticamente fechando a passagem.

A agência afirma que os fluxos atuais pelo estreito estão em menos de 10% dos níveis anteriores à crise, que em 2025 eram de cerca de 15 milhões de barris por dia, e que “não há sinais de uma desescalada das hostilidades nem um cronograma claro para a recuperação dos fluxos pelo estreito.”

Os preços do petróleo, que estavam em torno de US$ 60 por barril antes do conflito, chegaram a quase o dobro desse nível, mas desde então recuaram para perto de US$ 100, depois que a agência concordou em 11 de março com a maior liberação de estoques de sua história, de 400 milhões de barris.

Essa liberação teve um “efeito calmante” nos mercados, disse Birol, embora tenha destacado os “desafios significativos” que ainda persistem.

Ele citou Colômbia, Índia, Cingapura, Tailândia e Vietnã como países prontos para apoiar novas liberações de estoques.

Os preços do petróleo recuaram na terça-feira depois que um petroleiro paquistanês se tornou o primeiro navio não iraniano a atravessar o Estreito de Hormuz com seu sistema automático de transponder ativado, segundo a empresa de monitoramento Marine Traffic.

O preço do principal contrato dos Estados Unidos, West Texas Intermediate, caiu imediatamente mais de 5%, para US$ 93,37, enquanto o petróleo de referência internacional Brent do Mar do Norte recuou 2,77%, para US$ 100,28.

Agência Brasil - DF   17/03/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (16), que é interesse do Brasil incrementar a produção de gás na Bolívia e aumentar o volume de importação do insumo para o Brasil.

Lula recebeu o novo presidente boliviano, Rodrigo Paz, em visita oficial no Palácio do Planalto e destacou a cooperação energética como um pilar estruturante da parceria entre os dois países.

“Em um contexto internacional marcado por conflitos que ameaçam a provisão segura de combustíveis, a Bolívia permanece como uma fonte segura e mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil”, disse Lula em declaração à imprensa.

Lula acrescentou que conversou com Paz sobre a possibilidade de ampliar investimentos nessa área e incrementar o volume exportado para o mercado brasileiro.

Para Lula, há décadas a Petrobras ajuda a construir na Bolívia “uma das mais importantes experiências de integração energética da América Latina”. Ainda assim, a estatal, que já foi responsável por 60% da produção de gás natural boliviano, opera hoje 25% do total produzido no país.

“O Gasoduto Brasil–Bolívia serviu muito ao crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos boliviano. Hoje, ele pode ser aproveitado para uma integração mais ampla dos mercados de gás do Cone Sul. Também poderá contribuir para abastecer a fábrica de fertilizantes que o governo boliviano considera instalar em Puerto Quijaro”, disse Lula.

Sistemas elétricos

Durante a visita desta segunda-feira, Brasil e Bolívia firmaram acordo para a interconexão também dos sistemas elétricos. A previsão é a construção de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch, no departamento boliviano de Santa Cruz, e o município de Corumbá, no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul.

“Vamos otimizar o uso dos recursos existentes nos dois países e levar eletricidade a regiões ainda dependentes de diesel.", ressaltou Lula.

O presidente brasileiro disse ainda que o Brasil está disposto a cooperar com a Bolívia também com apoio à produção de biocombustíveis e outros recursos renováveis. "Isso significa mais segurança energética e diversificação de fontes de fornecimento, além de possibilitar a descarbonização de nossas economias”.
Mineração

O presidente Rodrigo Paz também destacou as possibilidades de parcerias em mineração, já que a Bolívia tem grandes concentrações e diversidade de minerais.

“A capacidade de desenvolvimento da Bolívia é extraordinária e disso depende também a boa fé e as relações geradas com nações irmãs, como é o Brasil”, disse.

Além da cooperação na área de energia, os dois presidentes trataram de outros temas como integração física, combate a ilícitos transnacionais, comércio e investimentos, cooperação para o desenvolvimento e temas migratórios e consulares.

Um segundo ato de cooperação assinado durante a visita de hoje trata de cooperação turística, em especial para promoção do turismo e formação e qualificação na área.

O terceiro e último acordo firmado entre Brasil e Bolívia visa fortalecer a cooperação e coordenação contra o crime organizado transnacional. O objetivo é aprimorar ações para prevenção, investigação, repressão e sanção de crimes como tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, mineração ilegal, tráfico de armas, crimes cibernéticos e crimes ambientais.
Comércio

Durante a declaração à imprensa, o presidente Lula ainda lembrou que o Brasil é o segundo maior parceiro comercial da Bolívia, mas que o intercâmbio entre os dois países vem caindo nos últimos anos. Em 2013, a balança comercial chegou a US$ 5,5 bilhões, enquanto em 2025, esse valor foi de apenas US$ 2,6 bilhões.

Para o presidente brasileiro, há disposição de empresários para investir e impulsionar parcerias.

“Há muitas oportunidades no setor de alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana de açúcar e soja, além de aprofundar a cooperação em biotecnologia, com o apoio da Embrapa”, afirmou Lula.

Nesta terça-feira (17), o presidente Rodrigo Paz abrirá evento empresarial em São Paulo, com o objetivo de explorar oportunidades de comércio e investimentos. Cerca de 120 empresários bolivianos acompanham a comitiva.

Em setembro de 2025, mais de 100 empresas brasileiras estiveram na Expocruz em Santa Cruz de la Sierra, a maior feira multissetorial da América do Sul.

A expectativa é que a construção da segunda ponte ligando Brasil e Bolívia também facilite esse intercâmbio. A via sobre o Rio Mamoré faz parte das Rotas de Integração Sul-Americana e vai ligar Guajará-Mirim, em Rondônia, e Guayarámerin, no departamento boliviano de Beni. A previsão é que as obras sejam iniciadas em 2027.

“Como parte do Quadrante Rondon, [a ponte] vai melhorar a conectividade dos produtores do Brasil e da Bolívia aos portos do Chile e do Peru, permitindo escoamento pelo Oceano Pacífico e acesso aos mercados asiáticos”, explicou Lula.

Globo Online - RJ   17/03/2026

De fornos metalúrgicos no oeste da Índia a plantações de arroz no Sudeste Asiático, bilhões de pessoas estão lidando com falta de gás, elaborando “cardápios de crise” e se preparando para racionamento de combustível nos postos. À medida que a guerra no Golfo Pérsico entra em sua terceira semana, a Ásia está no centro de uma emergência energética. Esse aperto regional que rapidamente está se transformando em um problema global, à medida que as interrupções se ampliam e os preços disparam.

Em Coimbatore, cidade no estado indiano de Tamil Nadu, no sul da Índia, o fim de semana deveria ser de celebração. O dia 15 de março é considerado auspicioso no calendário hindu, e os salões de casamento da cidade estavam reservados há meses para festas muito aguardadas no domingo.

Em vez disso, funcionários da rede de restaurantes Sree Annapoorna, que possui 15 salões de eventos na cidade, passaram a última semana ligando para famílias para avisar que o fornecimento de gás estava apertado e que os cardápios teriam de ser reduzidos.

O problema vai muito além dos restaurantes da Índia. O conflito com o Irã praticamente interrompeu o comércio pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde — em tempos normais — passa um quinto da produção mundial de petróleo, além de diversos outros produtos, de fertilizantes a alumínio e hélio usado na produção de chips.

A Aluminium Bahrain anunciou no domingo um desligamento gradual da produção na maior fundição de alumínio em um único local do mundo, aprofundando a interrupção no setor, que já viu os preços dispararem.

O impacto, que agora se espalha pelo mundo, é por enquanto mais agudo na Ásia. O estreito gargalo no Estreito de Ormuz é uma rota essencial para navios que transportam gás liquefeito de petróleo (GLP), usado em cozinhas e em alguns processos industriais, para os mercados asiáticos.

A Índia obtém 90% de suas importações de GLP do Oriente Médio — alternativas vindas dos EUA levariam pelo menos 40 dias para chegar e custariam muito mais.

— Temos tido alguns clientes muito irritados — diz Jegan Damodarasamy, diretor-executivo da Sree Annapoorna. — Eles dizem: ‘vocês se comprometeram, poderiam ter planejado’. Mas o GLP não está sob nosso controle.

Cerca de 80% dos restaurantes do país usam esse gás, segundo a Associação Nacional de Restaurantes da Índia, e a maioria só tem espaço de armazenamento para cilindros suficientes para poucos dias.

A Agência Internacional de Energia acredita que a guerra está “criando a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo”. Na semana passada, seus membros concordaram em liberar 400 milhões de barris de reservas emergenciais para conter a disparada dos preços, mas o petróleo Brent ainda encerrou a semana acima de US$ 100 por barril.

Cilindros comerciais de GLP na Índia estão sendo vendidos no mercado paralelo pelo dobro ou triplo do preço normal de cerca de 1.900 rúpias (US$ 20) em Nova Délhi. Alguns agricultores na Tailândia relatam escassez de diesel e limites de abastecimento nos postos.

Enquanto isso, a União Europeia enfrenta escassez recorrente de combustível de aviação, com cerca de metade de suas importações normalmente passando pelo Estreito de Ormuz. Na quinta-feira, o preço do querosene de aviação atingiu um recorde, acima de US$ 1.640 por tonelada métrica, ou US$ 208 por barril. Companhias aéreas estão monitorando a oferta e passagens mais caras já são realidade.

Esse impulso inflacionário global ocorre justamente quando a economia mundial começava a sair de anos de gestão de crises após a pandemia de Covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia, o pior surto inflacionário em 40 anos e a maior alta de tarifas dos EUA em décadas.

Se o petróleo permanecer nos níveis atuais por dois meses, o crescimento global será afetado, mas o mundo pode evitar uma recessão, segundo a Oxford Economics.

Um cenário mais pessimista, com o petróleo a US$ 140 por dois meses, algo possível caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, poderia apertar as condições financeiras e levar partes do mundo à recessão, segundo nota do grupo publicada em 13 de março.

O choque não ocorre apenas no petróleo, mas em um conjunto de commodities. O efeito de segunda rodada deve elevar custos em toda a economia e reduzir a demanda de consumidores e empresas, criando um período de estagflação que complicaria a vida de bancos centrais, que vinham cortando juros à medida que a inflação recuava.

Tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central Europeu se reúnem nesta semana. Operadores já deixaram de apostar totalmente em pelo menos um corte de 0,25 ponto percentual nas taxas nos EUA neste ano. Ao mesmo tempo, os governos têm pouco espaço de manobra, depois que a dívida global atingiu um recorde de US$ 348 trilhões no ano passado, segundo o Institute of International Finance.

Mesmo países com grande produção de petróleo — normalmente mais protegidos de choques energéticos — estão sentindo o impacto. Nos EUA, o preço médio da gasolina subiu mais de 70 centavos por galão desde o início da guerra, atingindo o maior nível em mais de dois anos. Isso se tornou um problema político para o governo Trump, que decidiu iniciar o conflito e enfrenta eleições legislativas em novembro.

Os preços do diesel subiram US$ 1,21 por galão. Grandes compradores, como empresas de transporte rodoviário essenciais para a distribuição de mercadorias, também enfrentam a volatilidade histórica dos mercados.

— Essas oscilações são loucura — diz Kate Childs, presidente da Tuxis-Ohr’s Fuel, empresa de Connecticut que fornece gasolina, diesel e outros combustíveis para clientes comerciais e varejo. — É difícil saber o que realmente está acontecendo.

Paraíso dos contrabandistas

Em pouco mais de duas semanas, a guerra virou de cabeça para baixo o comércio de energia. Ataques dos EUA e de Israel ao Irã desencadearam retaliações na região, com Teerã mirando infraestrutura vital e navegação e levando ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.

Para os consumidores, isso significa um golpe duplo: o Golfo é um grande fornecedor de petróleo para refinarias do mundo todo, especialmente na Ásia, mas também abriga uma enorme indústria de processamento, que fornece GLP, gasolina, diesel, combustível de aviação e navegação, além de nafta — matéria-prima fundamental para a produção de plásticos e resinas.

O conflito não dá sinais de terminar, apesar de conversas diplomáticas sobre negociações de paz. Depois que Washington anunciou ataques no fim de semana contra alvos militares na Ilha de Kharg, principal polo de exportação de petróleo do Irã, Teerã advertiu que qualquer dano à sua infraestrutura petrolífera será respondido com ataques contra instalações energéticas ligadas aos EUA na região.

Mesmo que as hostilidades terminassem imediatamente, o fechamento de campos de petróleo, ataques a terminais de exportação e danos a megarrefinarias modernas do Bahrein à Arábia Saudita indicam uma recuperação lenta, dolorosa e cara.

— Preços mais altos de combustíveis tendem a se espalhar por toda a economia. Fica mais caro transportar mercadorias, operar fábricas e voar, e isso geralmente aparece como preços mais altos para itens do dia a dia — diz Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, em Chicago.

— Politicamente, os preços de energia são muito visíveis para os eleitores — acrescenta. — Então picos prolongados nos postos rapidamente viram um problema doméstico.

Consumidores na Índia já dão ao resto do mundo um vislumbre de um possível futuro desconfortável. Embora permissões dos EUA para compras de petróleo russo tenham ajudado nas entregas de petróleo bruto, há escassez de gás natural liquefeito e especialmente de GLP, com o governo em Nova Délhi priorizando famílias em detrimento de usuários industriais.

Fabricantes de vidro, cerâmica e até montadoras estão tendo dificuldade para encontrar alternativas. Desde que a escassez mais severa começou, a Índia conseguiu garantir ao menos dois carregamentos que passaram por Ormuz, mas o volume representa apenas uma fração do consumo do país.

No polo industrial de Vadodara, no estado de Gujarat, um fabricante de torres de telecomunicações galvanizadas corre para encontrar substitutos depois que seu fornecedor avisou que os cilindros usados para alimentar seus fornos talvez não cheguem.

— Nunca enfrentamos uma situação como essa — diz Alpesh Patel, vice-presidente de compras da Associated Power Structures. — Estamos pedindo o mínimo de fornecimento.

Contrabandistas também se movimentam rapidamente para aproveitar países onde o combustível é mais barato, como Malásia ou Bangladesh, revendendo depois para a Índia. Bangladesh já considera racionamento. A Tailândia, que estimou gastar US$ 32 milhões por dia para limitar o preço do diesel, pediu que a população mantenha a calma e evite estocar combustível.

Pressão inflacionária

Mesmo economias como o Brasil, que produzem seu próprio petróleo, já sentem pressões inflacionárias. O governo reduziu impostos federais sobre importação e venda de combustíveis. O país importa 30% do diesel e 13% da gasolina, e a maior parte das mercadorias é transportada por rodovias, o que faz com que o aumento do petróleo rapidamente afete transporte e alimentos.

Isso pode trazer más notícias políticas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrenta eleições em outubro.

Na África, metade dos membros da Opep está no continente, mas muitos países continuam vulneráveis à escassez de combustíveis devido à falta de capacidade de refino. Regiões do leste e do sul da África importam cerca de três quartos do combustível que consomem do Oriente Médio, o que deixa países como o Quênia atentos às entregas.

A Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático, já foi membro da Opep, mas hoje importa tanto petróleo quanto combustíveis. O aumento dos preços de mercado significa mais subsídios e pressão fiscal, num momento em que a moeda do país está próxima de mínimas históricas frente ao dólar.

O problema surge justamente quando o país se prepara para o festival Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã. Mais de 100 milhões de pessoas devem viajar para suas cidades natais, uma das maiores migrações temporárias do mundo, o que garante um salto no consumo de combustível.

Registros divulgados pela empresa de monitoramento Vantor mostram a extensão dos danos em bairros de Teerã após dias de bombardeios, enquanto o número de mortos no Irã já chega a pelo menos 787.

— A principal resposta da Indonésia ao aumento do petróleo tem sido subsidiar combustíveis — diz Trinh Nguyen, economista-chefe da Natixis. — Isso protege consumidores, mas também sustenta artificialmente a demanda.

— Quando você é um país rico, tem mais dinheiro para jogar no problema — acrescenta. — Quando está em uma posição mais pobre, não é tão fácil.

Absolutamente louco

Outro gargalo deve ocorrer no fornecimento de nafta, um hidrocarboneto usado como matéria-prima para fabricar plásticos, embalagens e poliéster. Até a China, relativamente protegida após anos fortalecendo sua segurança energética com fornecedores diversificados e grandes reservas, está enfrentando preços mais altos e interrupções nas cadeias de suprimentos.

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Preços de fibras químicas como poliéster e acrílico subiram mais de 10% em pouco mais de uma semana, segundo fabricantes de vestuário ouvidos pela Bloomberg.

Lin Qian administra fábricas de brinquedos no Vietnã e na cidade chinesa de Shenzhen, produzindo principalmente para clientes americanos. Ele relata aumentos diários de preços, com peças plásticas subindo até 50% na primeira semana da guerra.

Alguns fornecedores se recusam até a fornecer orçamentos antes de um pedido ser feito, citando mercados voláteis e corrida por suprimentos. Isso tem criado congestionamentos nas portas das fábricas.

— Isso é absolutamente louco — diz Lin. — Materiais plásticos são o alimento que mantém nossas fábricas funcionando.

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Por enquanto, seus estoques conseguem sustentar os pedidos existentes por cerca de duas semanas. Depois disso, ele pode precisar fechar a produção.

De volta à Índia, trabalhadores de setores afetados e comerciantes que vendem os últimos cilindros disponíveis estão na linha de frente de uma crise energética que entra em sua terceira semana. Em alguns pontos de venda, discussões acaloradas já terminaram em brigas. Caminhões carregados de cilindros de GLP se tornaram alvo de ladrões.

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Na rede Annapoorna, que atende dezenas de milhares de clientes por dia, o cardápio reduzido significa chefs sem trabalho suficiente, queda nas vendas e clientes frustrados que chegam em busca de dosas — a panqueca crocante do sul da Índia pela qual o restaurante é famoso — e saem sem conseguir.

— É absolutamente cruel — diz Damodarasamy, ao descrever o que significa dizer a uma cidade do sul da Índia que seu tradicional dosa, servido o dia inteiro, saiu do cardápio. — Estamos no negócio há cerca de 58 anos — acrescenta. — Esta é a primeira vez que fazemos isso.

Valor - SP   17/03/2026

Com o Irã impondo um fechamento quase total do Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita está exportando petróleo bruto pelo Mar Vermelho em uma escala não vista há vários anos.

Em 10 de março, foram finalizados os acordos para o carregamento de 22 petroleiros no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, na costa oeste da Arábia Saudita, de acordo com dados de transporte marítimo fornecidos pelo London Stock Exchange Group. Foi o maior número registrado em um único dia desde 2020.

Desde o início do ano, antes do conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irã, o número diário de petroleiros havia oscilado entre zero e dois navios. Agora, o total de março até o dia 13 chegou a 64 petroleiros, 21 vezes maior do que no mesmo período do ano anterior.

Yanbu está conectado à parte leste da Arábia Saudita — onde se concentra a produção de petróleo bruto — por um oleoduto com cerca de 1.200 quilômetros de extensão. Isso permite o transporte de petróleo sem passar por Ormuz.

Os embarques de petróleo bruto da costa oeste da Arábia Saudita atingiram 2,6 milhões de barris por dia na semana que começou em 9 de março, de acordo com a empresa europeia de análise Kpler. Este é o nível mais alto desde que esses dados se tornaram disponíveis em 2013.

A maior parte do petróleo bruto da Arábia Saudita é normalmente exportada pela costa do Golfo Pérsico, onde estão localizados os campos de petróleo. Em 2025, o Golfo Pérsico representou cerca de 80% das exportações de petróleo da Arábia Saudita por grandes navios-tanque, de acordo com a empresa de pesquisa americana Veson Nautical, com as exportações do Mar Vermelho, via oleoduto leste-oeste, representando apenas cerca de 20%.

A situação mudou drasticamente após os ataques ao Irã. Desde o início de março, foram relatados apenas três contratos de navios-tanque para Ras Tanura, um importante porto no Golfo Pérsico.

"Com a contínua impossibilidade de atravessar o Estreito de Ormuz, o número de armadores que enviam navios para o Mar Vermelho está aumentando gradualmente, impulsionado pela expansão das exportações de Yanbu", disse Sakuji Hamasaki, presidente da corretora de frete marítimo Atlas, de Tóquio.

Mas as exportações pelo lado do Mar Vermelho são limitadas pelo uso de oleodutos e outros fatores, e não podem substituir completamente o volume de petróleo bruto transportado pelo Estreito de Ormuz.

A Arábia Saudita estaria aumentando a capacidade diária de transporte de seu oleoduto leste-oeste de 5 milhões para 7 milhões de barris.

De acordo com uma análise do JPMorgan, 2 milhões de barris dessa capacidade já estão sendo utilizados, enquanto os cerca de 5 milhões de barris restantes devem levar a operação de exportação de Yanbu ao seu limite máximo.

Na situação atual, cerca de 14 milhões de barris de petróleo bruto por dia não poderão sair do Golfo Pérsico, o equivalente a cerca de 70% do volume que passava pelo Estreito de Ormuz antes do fechamento.

O transporte de petróleo bruto do Mar Vermelho para o Golfo de Aden, no Oceano Índico, exige a passagem pelo Estreito de Bab el-Mandeb, entre a África e a Península Arábica. Desde o final de 2023, uma série de ataques a navios mercantes na região tem sido perpetrada pelos rebeldes houthis do Iêmen.

Grandes companhias de navegação do mundo já haviam optado por uma rota mais longa, contornando o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, evitando a passagem por Ormuz, o Mar Vermelho e o Canal de Suez, mesmo antes do fechamento de Ormuz.

A média de navios que atravessaram Bab el-Mandeb entre 2 e 8 de março foi de 33 por dia, segundo o PortWatch, plataforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) para monitoramento do tráfego marítimo. Esse volume é semelhante ao do mesmo período do ano passado e permanece abaixo da média de 73 navios registrada em 2023.

Apesar dos riscos da navegação marítima no Oriente Médio, a demanda por transporte marítimo na região está crescendo, fazendo com que os fretes de Yanbu disparem. As taxas de frete para navios petroleiros de grande porte (VLCCs) fretados com saída de Yanbu são estimadas em cerca de US$ 450 mil por dia, segundo Anders Lund, da MB Shipbrokers, com sede na Dinamarca. Esse valor é mais de 10 vezes superior à média para o período de 2023 a 2025, que girou em torno de US$ 42 mil.

Os navios que deixam a região pagam taxas de frete superiores às de embarcações provenientes de outras regiões, como o Golfo do México e a África Ocidental, com destino à Ásia, afirmou George Morris, analista da empresa de pesquisa britânica Vortexa. Essas tendências refletem tanto a demanda por navios quanto o alto risco da navegação, acrescentou Morris.

O conflito militar liderado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã não dá sinais de arrefecimento. Na sexta-feira, os Estados Unidos atacaram a Ilha de Kharg, um importante centro de exportação de petróleo iraniano. O mercado está cada vez mais cauteloso com os riscos de abastecimento devido à escalada do conflito.

Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate, uma referência internacional, subiram brevemente acima de US$ 100 por barril na segunda-feira, horário do Japão, pela primeira vez em uma semana.

Até o momento, não foram confirmados danos significativos às instalações de carregamento e armazenamento em Kharg, e o fornecimento não foi interrompido imediatamente. No entanto, no sábado, foi noticiado que o porto de Fujairah, um importante centro de exportação de petróleo nos Emirados Árabes Unidos, foi atacado por drones.

Crescem no mercado a preocupação de que os ataques a centros de exportação na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em outros países do Golfo se espalhem, prejudicando ainda mais a capacidade de exportação. O transporte de petróleo bruto pelo Mar Vermelho resulta em altos custos de frete, além dos elevados preços do petróleo.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   17/03/2026

A atividade da agropecuária recuou 1,5% em janeiro, na comparação com dezembro, segundo dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) divulgados nesta segunda-feira. O indicador é considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto).

De acordo com o BC, o setor caiu 1,49% no primeiro mês do ano, indicando um início mais fraco para a atividade no campo.

Janeiro costuma marcar uma retomada da atividade no campo com o início da colheita da safra de verão em algumas regiões do país.

Em janeiro de 2025, por exemplo, a atividade agropecuária havia crescido 2,63%, enquanto em janeiro de 2024 o avanço foi de 0,68%, segundo a mesma base de comparação do Banco Central.

O indicador da autoridade monetária acompanha mensalmente a evolução da atividade econômica no país e é utilizado pelo mercado como uma sinalização antecipada do comportamento do PIB, embora não seja equivalente ao cálculo oficial divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com os dados, a economia cresceu 0,8% em janeiro e foi sustentada por indústria, que avançou 0,37% e pelo setor de serviços que cresceu 0,81%, na série com ajuste sazonal.

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