Valor - SP 12/03/2026
A Companhia Siderúrgica Nacional –CSN - registrou prejuízo líquido de R$ 721,2 milhões no quarto trimestre de 2025, ampliando em mais de oito vezes (748%) o prejuízo líquido de R$ 84,9 milhões do quarto trimestre de 2024.
No acumulado do ano de 2025 houve prejuízo líquido de R$ 1,50 bilhão, queda de 2% sobre o prejuízo líquido de R$ 1,53 bilhão do ano anterior.
A empresa atribuiu o resultado trimestral ao impacto da ociosidade operacional e perdas de estoques relacionadas à parada do alto-forno no período. Sobre o resultado ao longo de 2025, a estabilidade no prejuízo líquido em relação ao ano anterior reflete a melhora operacional verificada nos segmentos de mineração e logística sendo compensada pelos efeitos não recorrentes citados.
De acordo com as demonstrações de resultados divulgadas na noite desta quarta-feira (11), a receita líquida no quarto trimestre de 2025 foi de R$ 11,4 bilhões, queda de 5,2% em relação à receita líquida de R$ 12,0 bilhões do mesmo período do ano anterior.
Para o ano de 2025, a receita líquida atingiu R$ 44,7 bilhões, alta de 2,5% em relação à receita líquida de R$ 43,6 bilhões do ano anterior.
O Ebitda (Resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa no quarto trimestre de 2025 ficou em R$ 1,52 bilhão, recuo de 32,5% sobre o Ebitda de R$ 2,2 bilhões do mesmo trimestre do ano anterior.
No ano de 2025, o Ebitda alcançou R$ 8,7 bilhões, avanço de 10,4% sobre o Ebitda de R$ 7,9 bilhões do ano anterior.
Diário do Comércio - MG 12/03/2026
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 25,5% em janeiro em relação a igual mês de 2025, alcançando US$ 2,4 bilhões em janeiro, no sexto declínio consecutivo, segundo a Amcham Brasil. Paralelamente, as importações do País provenientes dos EUA registraram retração de 10,9% no primeiro mês de 2026 no confronto com um ano antes.
Como a queda nas exportações foi mais intensa, o déficit mensal do Brasil na balança bilateral se aprofundou para cerca de US$ 0,7 bilhão, mais que o triplo do observado em janeiro de 2025, diz em nota.
“Os dados de janeiro confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral”, diz a Amcham Brasil. “A combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e EUA”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Segundo a entidade, o recuo nas exportações foi fortemente influenciado pelo desempenho dos óleos brutos de petróleo, que caíram 39,1% na comparação anual. Além disso, produtos sujeitos a tarifas adicionais tiveram queda média de 26,7%. Neste caso, cita como destaque bens que tiveram impacto da Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA.
Entre os produtos com maior influência negativa em janeiro, a Amcham menciona semiacabados de ferro ou aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.
Sobretaxa
Conforme a Amcham Brasil, a análise do universo de bens afetados por tarifas adicionais mostra que as exportações desses produtos caíram acima da média geral em janeiro. Itens sujeitos às sobretaxas de 40% e 50% registraram retração expressiva, assim como produtos vinculados à Seção 232, com destaque para cobre e produtos siderúrgicos.
“O desempenho reforça a tendência já observada nos meses anteriores, indicando que a manutenção de barreiras tarifárias segue pressionando o fluxo comercial bilateral”, diz.
Setores
Na visão da entidade, apesar do cenário desafiador, parte da pauta exportadora brasileira manteve desempenho relativamente mais forte. Entre os dez produtos mais exportados para os EUA em janeiro, seis apresentaram desempenho melhor do que as vendas brasileiras ao resto do mundo, incluindo café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.
Em contrapartida, os produtos com maior queda nas exportações ao mercado americano mostraram desempenho superior quando direcionados a outros destinos, evidenciando uma mudança na dinâmica geográfica das vendas externas brasileiras.
A Amcham Brasil ressalta que, mesmo com o aumento do déficit dos Estados Unidos no comércio global de bens, o Brasil permanece entre os poucos países com os quais os americanos mantêm superávit comercial relevante, posição que se fortaleceu recentemente.
“O comércio entre Brasil e EUA é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos cruzados e geração de empregos nos dois países. Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, diz Neto.
Monitor Digital - RJ 12/03/2026
A escalada da taxa de juros básica (Selic) para 15% ao ano, carregando as taxas de empréstimo no setor financeiro, provocam redução de investimentos e reduzem a dinâmica da economia. Um dos resultados previsíveis seria a dificuldade de empresas, especialmente as mais endividadas. Esta semana esse efeito, apesar de não isoladamente, derrubou duas grandes companhias: o GPA e a Raízen.
O GPA anunciou nesta terça-feira acordo para recuperação extrajudicial. Nesta quarta-feira foi a vez da Raízen, maior produtora mundial de etanol e biomassa de cana-de-açúcar e uma das gigantes do setor de agroenergia.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, comenta que “alguns movimentos corporativos, quando observados isoladamente, podem sugerir apenas ajustes pontuais de gestão ou de estrutura de capital. Quando aparecem simultaneamente em setores distintos, porém, passam a oferecer uma leitura mais ampla sobre as condições financeiras da economia”
Raízen e Grupo Pão de Açúcar surgem nesse contexto. “São empresas relevantes em segmentos com dinâmicas operacionais muito diferentes, mas que acabam convergindo para um mesmo ponto: a necessidade de reorganização de passivos em um ambiente de financiamento progressivamente mais restritivo.”
Ela chama a atenção para o que ocorre no agronegócio, que revela um fenômeno mais amplo. Dados da Serasa Experian indicam 1.990 pedidos de recuperação judicial no setor em 2025, o maior número da série histórica. “O dado chama atenção porque surge justamente em um período de forte expansão da atividade. Segundo o IBGE, o PIB da agropecuária cresceu 11,7% no mesmo ano e atingiu R$ 775,3 bilhões.”
“A atividade produtiva mantém capacidade de expansão, mas o ambiente financeiro passou a impor restrições mais intensas à sustentação dessa expansão”, explica a CEO.
No caso da Raízen, a “combinação entre juros elevados, volatilidade internacional no preço de petróleo e oscilações nas commodities agrícolas altera” o equilíbrio em um setor caracterizado por forte intensidade de capital e ciclos longos de retorno.
“Nessas condições, o serviço da dívida passa a consumir parcela crescente da geração de caixa, pressionando a estrutura financeira antes mesmo de qualquer deterioração significativa da operação. Processos de reorganização de passivos, nesse contexto, funcionam como mecanismo de ajuste da alavancagem diante de um ambiente macroeconômico que passou a exigir maior disciplina financeira e maior capacidade de absorção de volatilidade”, afirma Flôres de Brás.
Raízen: avaliação sobre a reestruturação e o que fazer com as ações | Monitor Mercantil
No caso do GPA, o varejo alimentar opera com margens estruturalmente estreitas, no qual eficiência logística, escala e gestão rigorosa de capital de giro representam fatores determinantes de competitividade. “Nos últimos anos, o ambiente operacional passou a incorporar pressões adicionais: inflação persistente de alimentos, redução do poder de compra das famílias e encarecimento relevante do crédito.”
“Essa combinação altera de maneira significativa a relação entre margem operacional e custo financeiro. Em um setor com baixa capacidade de absorção de choques, pequenas variações no custo de financiamento ou no ritmo de consumo passam a produzir impactos desproporcionais sobre a estrutura de capital, tornando renegociações de dívida um instrumento necessário para recompor o equilíbrio financeiro”, analisa Olívia.
Juros elevados elevam o custo de carregamento da dívida e restringem novas captações, enquanto mudanças tributárias e maior complexidade regulatória ampliam custos indiretos e reduzem previsibilidade. “Parte crescente da geração de caixa das empresas passa a ser direcionada à administração da estrutura financeira, reduzindo espaço para investimento, inovação e expansão produtiva. Em termos macroeconômicos, essa dinâmica tende a produzir um efeito silencioso sobre a economia real: empresas continuam produzindo, mas com menor capacidade de absorver volatilidade e com menor margem para financiar ciclos de crescimento mais longos”, explica.
O quadro se agrava com a conjuntura internacional, com tensões geopolíticas gerando instabilidade, afetando o mercado global de energia e petróleo, enquanto ajustes nas condições monetárias das economias centrais alteram fluxos de capital para mercados emergentes.
“Movimentos de recuperação extrajudicial ou judicial raramente representam eventos abruptos. Em geral, constituem a etapa final de um processo gradual de deterioração da relação entre geração de caixa, custo do capital e nível de endividamento. Quando episódios dessa natureza começam a surgir simultaneamente em setores tão diferentes quanto energia, varejo e agronegócio, a leitura ultrapassa o plano corporativo. O padrão passa a indicar um ambiente financeiro mais restritivo para a sustentação da atividade produtiva no conjunto da economia”, finaliza Olívia Flôres de Brás.
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O Estado de S.Paulo - SP 12/03/2026
As incertezas que cercam o futuro próximo dos preços de gasolina e diesel estão longe de ser a única ameaça a pairar sobre a inflação brasileira desde que os EUA e Israel entraram em guerra contra o Irã. O conflito, que se espalha rapidamente por todo o Oriente Médio, faz disparar o preço de insumos importantes, como gás e fertilizantes, com reflexos no mundo todo, impacto que tende a ser particularmente pesado para o Brasil.
Ao contrário do petróleo, cuja escalada de preços internacionais tem um lado positivo para a economia brasileira, já que o País, grande exportador do produto, ganha com a venda, no caso dos fertilizantes não há qualquer vantagem. Pelo contrário: altamente dependente da produção externa, o Brasil importa em torno de 87% do fertilizante utilizado em suas lavouras, e uma parte considerável das encomendas passa pelo agora conflagrado Estreito de Ormuz, vinda de países como Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, todos já envolvidos indiretamente no conflito.
Em relação ao gás natural, a necessidade de importação não é tão relevante, resumindo-se a algo entre 20% e 30% do volume consumido. O Brasil também produz gás, mas reinjeta nos poços produtores uma grande parcela, seja por deficiências na infraestrutura de transporte, seja como técnica para ampliar a produção de petróleo. De qualquer modo, gás e fertilizantes são insumos que afetam diretamente os custos de produção tanto na agricultura quanto na indústria. Alta de custo de produção, como se sabe, sempre deságua nos preços do consumidor final, e isso significa alimentos e bens mais caros.
Por tudo isso, causa assombro quando o presidente do PT, Edinho Silva, diz, em entrevista ao jornal Valor, que considera a ameaça inflacionária mundial da guerra como “um risco menor” para o Brasil. Edinho declarou que “não há nada indicando na economia que não haverá queda de juros”. Felizmente, essa avaliação, típica do negacionismo lulopetista, provavelmente não será compartilhada pelos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom), a quem cabe a decisão.
O início do ciclo de queda de juros em março foi anunciado pelo Banco Central no final de janeiro, um mês antes do inesperado e intenso bombardeio do Irã por EUA e Israel. O presidente americano, Donald Trump, que ordenou o ataque em meio a uma negociação diplomática com o Irã, despeja diariamente estimativas variadas para a duração do conflito e deixa o mundo inteiro em suspenso. Não há como ter qualquer certeza sobre os impactos econômicos da guerra.
O Copom se reúne nos dias 17 e 18 sob muita expectativa do mercado, que tem recalibrado apostas para baixo, ainda que de forma suave. Os juros de 15% ao ano podem, de fato, ser reduzidos na reunião, com a intensidade do corte revelando o nível de cautela da autoridade monetária. O Brasil anseia pela queda dos juros, hoje em um patamar que estrangula a economia, mas não se pode ignorar que os efeitos danosos da guerra mal se fizeram sentir, razão pela qual se recomenda prudência.
Money Times - SP 12/03/2026
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que será divulgado nesta quinta-feira (12), pode vir pressionado por itens voláteis, mas dificilmente repetirá a surpresa observada no IPCA-15 do mês passado.
Segundo Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, a expectativa é de que o índice cheio mostre uma inflação mais elevada do que em janeiro, mas sem a mesma magnitude de surpresa vista na prévia.
“É possível que haja alguma surpresa, mas é improvável que seja da mesma magnitude do IPCA-15, por conta de itens que se repetem, como passagem aérea”, afirma. Ainda assim, a estrategista não descarta variações inesperadas em componentes mais voláteis do índice, como higiene pessoal e serviços podem trazer alguma surpresa.
No último dia 27, a prévia da inflação, medida pelo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,84% em fevereiro, segundo dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,10%.
A expectativa da casa é de que o dado apresente uma alta de 0,61% em fevereiro, o que deve levar a uma inflação acumulada em 12 meses para 3,72%, representando uma desaceleração de 72 pontos-base frente ao resultado de janeiro, quando acumulou 4,44%.
Inflação longe de estar “acomodada”
Apesar da inflação acumulada em 12 meses dar sinais de desaceleração no início do ano, a avaliação da Warren é que o movimento não reflete necessariamente uma melhora estrutural do quadro inflacionário.
“Na nossa visão, não vemos um cenário de inflação muito acomodado”, diz Angelo. Segundo ela, a desaceleração observada no primeiro semestre tende a ser influenciada por efeitos estatísticos, já que os primeiros meses de 2025 tiveram variações mensais mais elevadas.
A projeção da casa é que a inflação em 12 meses volte a ganhar força no segundo semestre, especialmente por causa do grupo de serviços. “Projetamos que o IPCA em 12 meses voltará a se acelerar a partir do segundo semestre, com destaque para a acomodação dos serviços em patamar alto”, ressalta.
Para fevereiro, especificamente, parte das variações já divulgadas na prévia deve se repetir no índice cheio, devido à metodologia do IBGE.
“Há diversos itens cuja variação repete no IPCA fechado o que foi divulgado no IPCA-15. Então devemos ver um índice mais pressionado em relação a janeiro.”
Alta dentro da sazonalidade
Mesmo com a aceleração no mês, a estrategista destaca que a projeção da Warren segue relativamente próxima da média histórica para fevereiro, mês que conta com reajustes sazonais.
Entre os grupos que mais devem pressionar o índice está Educação, que costuma concentrar reajustes no início do ano letivo. A Warren estima alta de 5,19% no grupo, com avanço de 6,16% nos cursos regulares.
Outro destaque deve vir de Transportes, especialmente por conta das passagens aéreas, que podem subir cerca de 11,6% no mês.
“Passagem aérea é um item que costuma ter queda em fevereiro por conta do Carnaval, o que não ocorreu nesta divulgação”, avalia a estrategista. A casa projeta uma alta de 11,64% no item.
Na projeção, também há expectativa de que a o, a gasolina possa registrar queda, ficando em 0,50%, com o início dos efeitos da redução dos preços pela Petrobras em 27 de janeiro.
Guerra e petróleo podem afetar inflação já em março
Falando em gasolina, o cenário geopolítico também entra no radar da inflação brasileira. Para Angelo, os efeitos de uma eventual escalada das tensões internacionais podem começar a aparecer rapidamente nos índices de preços.
“Para o IPCA de março já deveremos observar uma maior pressão dos preços de gasolina em comparação com fevereiro, mesmo antes de anúncio de reajuste”, afirma.
Isso porque refinarias privadas já vêm ajustando preços, o que começa a aparecer nas bombas. Caso haja um reajuste adicional pela Petrobras, o impacto pode ser relevante.
“Com eventual reajuste da Petrobras nos próximos dias ou semanas, o efeito pode ser bem maior, de até 27 pontos-base no IPCA.”
No geral, para o cenário de IPCA em 2026, a Warren projeta uma dinâmica semelhante: algum alívio inicial seguido de nova aceleração. Por isso, a expectativa é de que o ano termine em 4,3% – uma das projeções mais altas entre as consultados pelo Money Times.
Para comparação, a inflação projetada pela mediana dos economistas ouvidos pelo Banco Central no último Relatório Focus é de 3,91%.
Segundo, Angelo, entre os fatores de pressão, ela destaca os preços de alimentos. “Neste ano, alimentação no domicílio será mais pressionada por proteínas e alimentos in natura do que no ano passado”.
Os núcleos de inflação, por sua vez, devem terminar o ano ligeiramente abaixo do observado em 2025, mas ainda em nível elevado. “A taxa anual ainda deve permanecer acima de 4%, o que indica uma inflação ainda resistente”.
O que muda para o Copom
Para a próxima decisão de juros, que acontece no dia 18 de março, um IPCA em linha com as expectativas não deve alterar significativamente o cenário base do Banco Central.
No último Relatório de Política Monetária, o BC já projetava inflação de 0,60% para fevereiro, valor muito próximo das estimativas da Warren.
Mesmo assim, dois fatores recentes acenderam um sinal amarelo para a autoridade monetária: “O IPCA-15 e a alta do petróleo Brent acendem alertas para as próximas divulgações”, afirma Angelo.
Segundo ela, esse cenário pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a adotar maior cautela na comunicação sobre os próximos passos da política monetária.
“Isso pode levar o Copom a calibrar a velocidade dos cortes futuros da Selic”.
A expectativa da casa é que na próxima reunião o colegiado opte por um corte de 50 pontos percentuais e a Selic finalize 2026 em 12%.
Diário do Comércio - MG 12/03/2026
A Fitch Ratings manteve a estimativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) real do Brasil deve crescer 1,9% em 2026, moderando em relação aos 2,3% em 2025 e 3,4% em 2024, devido ao efeito defasado da política monetária restritiva, que deve continuar afetando o consumo e o investimento. Contudo, como contraponto, a reforma do imposto de renda (IR) aprovada em 2025 deve ajudar o consumo, pois diminui os impostos para famílias de baixa renda com maior propensão a consumo.
A redução nas tarifas dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras após decisão da Suprema Corte também deve proporcionar alívio, embora o País continue como uma economia relativamente fechada.
Para 2027, a estimativa é de crescimento de 1,8%, dado o impulso fiscal e parafiscal projetado mais baixo.
Inflação
Já para a inflação, a estimativa é de moderação para 4% até o final de 2026 e 3,8% até o final de 2027, ainda acima da meta de 3% do Banco Central, diz a Fitch em relatório de perspectiva econômica global divulgado nesta quarta-feira.
Em 2025, a inflação caiu para 4,3% após pico de 5,5% em abril de 2025, na esteira da política monetária restritiva prolongada e desaceleração da economia, apesar de a inflação de serviços permanecer alta com a rigidez do mercado de trabalho.
Selic
A Fitch também espera que o BC comece o ciclo de afrouxamento na reunião deste mês, por conta da inflação mais baixa e expectativas inflacionárias melhores. Ainda assim, avalia que a autoridade permanecerá cautelosa por conta da rigidez do mercado de trabalho, riscos geopolíticos e incertezas domésticas antes das eleições presidenciais.
A agência de classificação de risco considera que taxa Selic deve ceder de 15% ao ano para 12% até o fim de 2026, com cortes adicionais em 2027 até 10,50%.
Câmbio
Após apreciação do real em 2025 com a fraqueza do dólar norte-americano e o diferencial de juros alto em relação aos Fed funds, a Fitch pondera que o real deve perder terreno gradualmente ao longo desde ano, encerrando 2026 em R$ 5,50 por dólar.
A análise enfatiza incertezas com as eleições de outubro, especialmente relacionadas à questão fiscal, enquanto a política monetária mais frouxa também dará menos suporte para a moeda.
*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Infomoney - SP 12/03/2026
Agora que Kevin Warsh foi nomeado para o cargo de presidente do Federal Reserve (o BC dos EUA), vale a pena perguntar em que medida o Fed de Warsh será diferente do atual.
O presidente Donald Trump deixou claro que quer um presidente do Fed que pressione por taxas de juros mais baixas para estimular a economia e apoiar sua agenda mais ampla. Contudo, Warsh tem um histórico de política monetária “hawkish” (postura rígida contra a inflação), expressando preocupações com o risco de inflação excessiva, mesmo durante o ciclo deflacionário pós-2008. Além disso, ele é um globalista republicano mainstream que favorece o livre comércio e a imigração, não um ideólogo protecionista-nativista do Maga.
Relatório do Fed aponta para perspectivas econômicas positivas e emprego estável
Então, por que Trump o escolheu? Além da necessidade de acalmar os mercados, que ficaram assustados com os ataques dele à independência do Fed, uma razão pode ser que Warsh acredita que a IA e outras inovações tecnológicas reduzirão a inflação e, assim, permitirão taxas de juros mais baixas.
Mas há um problema aqui: se a IA reduzir a inflação, isso ocorrerá por meio de um crescimento maior do PIB e da produtividade, o que implica a necessidade de uma taxa de juros real (ajustada pela inflação) e uma taxa real de longo prazo mais altas, mesmo que uma inflação mais baixa implique uma taxa de juros nominal potencialmente mais baixa.
Em resumo, a IA não justificaria necessariamente uma taxa de fundos federais neutra mais baixa. Se Warsh e o outro aliado de Trump no conselho do Fed, Stephen Miran, pensarem o contrário, podem ter uma surpresa desagradável.
Uma segunda razão possível é que Warsh manifestou apoio a políticas de flexibilização do crédito. Mas também aqui pode haver um problema. Com Michelle Bowman, outra nomeada por Trump, agora responsável pela supervisão bancária, é provável que o Fed de Warsh vá acelerar os esforços para flexibilizar condições de crédito, mesmo com o risco de alimentar bolhas de crédito e de ativos.
E isso, por sua vez, poderia comprometer a estabilidade financeira num momento em que os mercados já estão efervescentes, a alavancagem é alta e o crédito privado está instável.
Warsh acredita que a redução do balanço do Fed permitirá uma redução mais acentuada das taxas de juros, com base no argumento de que o aperto quantitativo (quantitative tightening – QT, na sigla em inglês) causa um aperto nas condições financeiras.
Mas ele está simplesmente errado sobre isso. Sob o regime pós-2008, as taxas de juros sobre reservas excedentes pagas aos bancos anulam o impacto dessas reservas na criação de crédito e condições financeiras.
É por isso que o Fed conseguiu reduzir seu balanço em 25% sem provocar condições financeiras mais restritivas. Não há razão para pensar que mais QT justifique taxas de juro muito mais baixas.
A oposição de Warsh ao atual regime de reservas amplas pode se voltar contra ele. Afinal, a recente política agressiva de QT já pressionou tanto os mercados de recompra e monetários que o Fed teve de voltar a adotar uma flexibilização quantitativa indireta (por meio da compra de títulos de curto prazo e recompras reversíveis) em dezembro passado.
Se Warsh quer mesmo evitar novos episódios de flexibilização quantitativa de emergência, ele deve favorecer reservas excedentes amplas, e não se opor a elas. Se ele não consegue ver isso agora, perceberá na próxima vez que ocorrerem tensões financeiras.
Além disso, Warsh sugeriu que pode apoiar um novo acordo entre o Fed e o Tesouro, no qual a política monetária seria ainda mais distanciada da política fiscal e da gestão da dívida pública. Por exemplo, isso poderia significar a redução do balanço do Fed e a compra de dívida pública de curto prazo em vez de títulos de longo prazo – como era o caso antes da crise financeira global.
Porém, deixando de lado o fato de que isso também poderia eliminar aos poucos o regime atual de reservas abundantes, reduzir ainda mais as participações do Fed em obrigações de longo prazo forçaria o Tesouro a redobrar sua política de emissão estratégica de títulos do Tesouro (Activist Treasury Issuance – ATI, na sigla em inglês), o que implicaria manipulação ainda maior do mercado de dívida de longo prazo e títulos hipotecários.
Na verdade, um novo acordo entre Fed e Tesouro poderia levar a ainda mais ATI dissimulada e a uma mistura maior de política monetária e fiscal – exatamente o oposto do objetivo declarado do acordo. Será que Warsh ou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, levaram esses riscos em conta?
Warsh também condenou a “derrapagem da missão” do Fed em questões como estabilidade financeira, mudanças climáticas e desigualdade.
Mas a estabilidade financeira deve ser sem dúvida um objetivo do Fed, especialmente se outras políticas do Fed puderem levar a uma flexibilização excessiva do crédito.
Além disso, como as mudanças climáticas podem afetar a estabilidade financeira, devido aos grandes estoques de ativos potencialmente em dificuldades, deteriorados ou encalhados no setor imobiliário e noutros setores, não seria apropriado simplesmente ignorar a questão.
E diante de uma “recuperação em forma de K”, em que muitas famílias sobrevivem de salário em salário, enquanto alguns poucos privilegiados ficam mais ricos do que nunca, ignorar a desigualdade pode acabar sendo um erro, especialmente se ela for exacerbada pela IA.
Felizmente, o presidente do Fed não é um monarca absoluto. Warsh terá apenas um voto entre 12 no Comitê Federal de Mercado Aberto (Federal Open Market Committee – Fomc, na sigla em inglês). Embora seja primus inter pares (o primeiro entre iguais), ele não pode intimidar o comitê para que faça o que ele quer. Isso é boa notícia para os mercados, considerando-se quão equivocadas são algumas das posições declaradas por Warsh.
Além disso, dados econômicos recentes sugerem que o crescimento dos EUA permanece acima do potencial – na verdade, pode até acelerar este ano, após um período de desaceleração moderada no ano passado –, enquanto a inflação segue teimosamente acima da meta de 2% do Fed.
Portanto, mesmo o único corte de taxa que o Fomc previu para 2026 pode não se justificar. Com outros riscos iminentes – como uma guerra prolongada com o Irã, que eleva os preços do petróleo e pressiona a inflação e expectativas inflacionárias —, o Fed pode muito bem acabar aumentando taxas, em vez de reduzi-las.
Uma vez confirmado, Warsh terá em pouco tempo um choque de realidade. É improvável que as opiniões que expressou como especialista sobrevivam a um encontro com o mundo real dos mercados e da geopolítica.
Globo Online - RJ 12/03/2026
O Ministério da Fazenda prepara uma nota técnica na qual estima os impactos da alta do preço do barril do petróleo na economia brasileira. Além disso, o Ministério de Minas e Energia (MME) diz monitorar as cadeias de suprimento globais de derivados de petróleo e a logística nacional do abastecimento de combustíveis.
A avaliação do governo Lula é que, até o momento, as oscilações do preço internacional estão dentro do esperado e há grande volatilidade nos preços. Em nota, o MME diz que “apesar do cenário de instabilidade, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada”.
Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, a pedido de Lula, a pasta tem estudado cenários de preço do barril e alternativas de políticas de reação para levar ao presidente. O ministro ressaltou, porém, que o preço tem oscilado e que a pasta não quer correr o risco de tomar decisões precipitadas.
— Nós não podemos, nesse caso agora do Irã, incidir em um erro...veja como o preço do petróleo está oscilando dia a dia. Você não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais que vão comprometer. Temos que observar o andar das coisas, estabelecer cenários, como nós fizemos no caso do tarifaço, verificar quais são todos os cenários, do mais leve até o mais grave, o mais oneroso, e oferecer para o Presidente da República alternativas para cada um deles — afirmou Haddad.
Na Fazenda, os estudos estão sendo coordenados pela Secretaria de Política Econômica (SPE), que deverá publicar nos próximos dias uma nota explicativa sobre os impactos no cenário econômico brasileiro com a mudança no preço internacional do petróleo. A ideia é mostrar também o efeito de diferentes cenários de preço do barril, dada a forte volatilidade dos preços, altamente influenciados pelo quadro geopolítico em meio à guerra no Oriente Médio.
A SPE prepara um modelo com estimativas de impacto das altas no preço da commodity na inflação, na arrecadação e no PIB.
Nesta terça, a cotação do barril Brent chegou a recuar 10% após a declaração do presidente americano, Donald Trump, de que a guerra no Irã pode terminar em breve. No momento em que este texto foi escrito, o barril era cotado em US$ 91.
No governo Lula, a percepção é de que seria precipitado tomar qualquer medida sobre o repasse ou não do preço do petróleo ao consumidor. A perspectiva de um barril cotado a US$ 120, como preveem analistas mais pessimistas, preocupa aliados do presidente porque o Brasil ainda depende de importação de combustível, embora seja um grande produtor. Uma alta desse nível teria um impacto inflacionário considerável.
Em resposta aos ataques militares dos EUA e de Israel, o regime iraniano tem bloqueado o transporte no Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o escoamento de commodities na região. Pelo local passa aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo. Com o bloqueio, a produção do Iraque, grande exportador de petróleo, já caiu 70%, de 4,3 milhões de barris diários para 1,3 milhão, segundo agências internacionais.
O MME criou uma sala de monitoramento de abastecimento para acompanhar o dia a dia das condições do mercado nacional e internacional de combustíveis em articulação com órgãos reguladores e com os principais agentes do setor nos elos de fornecimento primário e distribuição. “O monitoramento constante do contexto internacional tem grande relevância, exatamente por afetar os fluxos logísticos e por gerar volatilidade nos preços globais de petróleo e derivados”, diz a nota.
“O país é exportador de petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente, sobretudo diesel, mas a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores das importações brasileiras de derivados de petróleo é relativamente pequena”, diz a pasta. Para o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que deixou o cargo em maio de 2024, o mercado "tende a exagerar no curto prazo (as crises geopolíticas), incorporando (ao preço do petróleo) o chamado prêmio de risco". Ele diz esperar fortes oscilações no preço.
— Se o barril realmente se mantiver ou ultrapassar a faixa de US$ 120, como alguns projetam, teremos efeitos mistos para o Brasil. Do lado positivo, o país é grande produtor e exportador de petróleo, e isso melhoraria a balança comercial, aumentaria a arrecadação de royalties e participações governamentais e, naturalmente, reforçaria a geração de caixa das empresas produtoras como a Petrobras — pondera Prates.
Como o país ainda importa diesel, por exemplo, Prates afirma que "a pressão chega inevitavelmente aqui dentro, seja sobre os preços dos combustíveis, seja sobre o custo da logística e, por consequência, da inflação".
— Para a Petrobras, especificamente, o desafio é administrar essa volatilidade. Nem faz sentido repassar cada oscilação internacional para o consumidor, nem é sustentável manter uma defasagem muito grande por muito tempo, porque isso afeta o mercado de importação e pode criar risco de abastecimento — explica.
— Uma defasagem da ordem de dezenas de pontos percentuais não é estruturalmente sustentável por muito tempo porque cria dois problemas: desestimula os importadores independentes, que passam a não trazer produto para o país, e transfere todo o custo do choque para a própria Petrobras, o que não é saudável para a empresa e para o funcionamento do mercado — conclui Prates.
Valor - SP 12/03/2026
Negócios sentem impacto, em parte, da guerra entre Estados Unidos e Irã
O preço do minério de ferro voltou a avançar na China nesta quarta-feira (11), em meio a uma restrição da liquidez no mercado à vista de minério de ferro, dizem analistas.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou em alta de 0,9%, cotado a 787,5 yuans (US$ 114,5), na bolsa de Dalian.
Segundo analistas da consultoria Nanhua Futures, o avanço reflete a liquidez limitada no mercado à vista da commodity, em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Ao mesmo tempo, de acordo com eles, os fundamentos mostram uma fraqueza sazonal tanto na demanda como na oferta do minério.
Money Times - SP 12/03/2026
A Vale (VALE3) indicou que pode distribuir dividendos extraordinários caso os preços atuais das commodities se mantenham, segundo relato do Bank of America (BofA) após uma reunião com o CEO da mineradora, Gustavo Pimenta.
De acordo com o banco, a administração da companhia afirmou que o cenário atual permitiria a entrega de retornos robustos aos acionistas. O minério de ferro é negociado acima dos US$ 100.
A instituição, no entanto, segue com recomendação neutra para o papel, que recuava 2% nesta quarta-feira (11), diante de uma maior aversão ao risco nos mercados globais.
Segundo o BofA, durante o encontro a Vale reiterou seu arcabouço financeiro disciplinado para alocação de capital. O banco relata que decisões sobre remuneração aos acionistas seguem condicionadas à manutenção da dívida líquida expandida próxima de US$ 15 bilhões, de um caixa mínimo em torno de US$ 5 bilhões e ao suporte adicional que pode vir da geração de caixa da Vale Base Metals (VBM).
O Bank of America também afirmou que a companhia destacou avanços no processo de destravar AUM restrito, com alguns investidores removendo limitações e esforços em andamento para ampliar ainda mais o universo de capital disponível.
Ainda segundo o BofA, o cobre permanece no centro da estratégia de crescimento da Vale. O banco relata que a administração reafirmou confiança de que a VBM alcance 700 mil toneladas por ano de produção de cobre até 2035.
A vantagem de um IPO e outras oportunidades para a Vale
De acordo com o BofA, com o ativo apresentando bom desempenho, ganhando escala por meio de investimentos de baixo capex e sem restrições de financiamento no momento, um eventual IPO da VBM é visto pela companhia principalmente como uma forma de financiar uma possível grande transação futura.
No campo das oportunidades de expansão, o Bank of America disse que a empresa destacou maior convicção no potencial de Carajás, onde os gastos com exploração triplicaram. Já o projeto Hu’u segue tecnicamente desafiador, e a mineradora busca um parceiro para avançar com o ativo.
Em níquel, segundo o banco, os esforços de curto prazo estão concentrados na redução de custos para fortalecer o negócio e melhorar a rentabilidade.
Demanda por minério
O Bank of America também relatou que a Vale vê demanda saudável por minério de ferro. De acordo com o banco, a companhia acredita que a produção de aço bruto na China ficou estável ou ligeiramente acima do nível do ano anterior em 2025.
Os estoques portuários estão mais elevados, ainda segundo o Bank of America, principalmente devido a materiais menos líquidos e de menor teor, além de alguma atividade de blending nos portos.
O banco acrescenta que a Vale ressaltou que a demanda por seu portfólio permanece sólida, sustentada pela oferta limitada de produtos como o BRBF e pelo aumento dos prêmios à medida que o teor médio do minério global diminui.
A Europa, segundo o relato do Bank of America, continua apresentando desempenho melhor que o esperado, enquanto a Índia segue como um mercado relevante de crescimento no longo prazo — com cerca de 10 milhões de toneladas vendidas ao país no último ano.
Valor - SP 12/03/2026
Associação que representa onze montadoras com fábricas no Polo Industrial de Manaus informou que foram montadas 164,1 mil motocicletas no segundo mês do ano, queda de 11,1% sobre janeiro
A produção de motocicletas no Brasil caiu 7,1% em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. A Abraciclo, associação que representa onze montadoras com fábricas no Polo Industrial de Manaus, informou na manhã desta quarta-feira (11) que foram montadas 164,1 mil motocicletas no segundo mês do ano. Em relação a janeiro, a queda é de 11,1%.
A Abraciclo afirmou que a redução era esperada por conta do feriado de carnaval, que reduziu os números de dias úteis de atividades na fábricas. No acumulado do ano, a produção do setor cresce 1,7%, com 348,7 mil motocicletas produzidas em Manaus.
As vendas em fevereiro, no entanto, sentiram menos o impacto dessa redução de dias úteis. No mês passado foram licenciadas 171,5 mil unidades, alta de 10% na comparação com o mesmo período de 2024 e queda de 3,9% sobre janeiro. É o melhor resultado para o mês de fevereiro na história da indústria.
No primeiro bimestre os emplacamentos somam 350,1 mil motocicletas, aumento de 13,7% na comparação anual. Esse também é o maior volume para o período na história do setor.
As exportações do setor cresceram em fevereiro. Foram embarcadas 4.758 motocicletas, alta de 70% sobre fevereiro do ano passado e de 45,3% na comparação com janeiro. No primeiro bimestre foram 8.015 unidades exportadas, alta de 43,1% sobre o primeiro o mesmo período de 2024.
O Estado de S.Paulo - SP 12/03/2026
A Cury reforçou a sua reputação de “queridinha” de analistas e investidores após publicar o balanço do quarto trimestre com um desempenho acima das expectativas de analistas do mercado imobiliário. Como resultado, as ações da empresa figuravam entre as maiores altas do principal índice da Bolsa por volta das 16h30 desta quarta-feira, 11, subindo cerca de 3%, para R$ 36,91. Enquanto isso, o Ibovespa recuava 0,14%.
A Cury, uma das maiores do Minha Casa, Minha Vida, apresentou lucro líquido de R$ 270,1 milhões no quarto trimestre de 2025, montante 62,9% maior do que no mesmo período de 2024. No acumulado de 2025, a incorporadora teve lucro de R$ 975,5 milhões, avanço de 50,1% ante 2024.
A melhora decorre principalmente do ciclo de mais lançamentos e vendas de imóveis em meio às condições favoráveis de contratação dentro do programa. Além disso, mostrou disciplina na execução das obras, manutenção de custos sob controle e diluição das despesas.
A empresa atingiu um novo patamar em suas operações, com 84 obras em andamento em São Paulo e no Rio de Janeiro, o equivalente a 57 mil apartamentos. Um ano antes, eram 70 obras. Esse movimento elevou a margem bruta de lucro para 39,8% em 2025 — a mais alta do segmento — e um aumento de 1,3 ponto porcentual na comparação anual.
“Os resultados do trimestre superaram as estimativas em praticamente todos os itens, o que gera reação positiva”, afirmaram os analistas do Safra, Rafael Rehder e Olavo Fleming, em relatório. “Os investidores devem ver com bons olhos a melhora sequencial.” O Safra reiterou a recomendação de compra das ações da Cury.
Outro destaque positivo foi a geração de caixa, classificada como “massiva” pelos analistas Gustavo Cambaúva e Gustavo Fabris, do BTG Pactual. “Esse nível de geração de caixa ocorreu graças ao modelo de negócios asset-light (pouco intensivo em ativos) e aos níveis fortes de repasses para bancos no período”, apontaram, em relatório, no qual também reforçaram a recomendação de compra dos papéis.
A geração de caixa da Cury foi de R$ 321,1 milhões no trimestre. Além do ganho relevante de liquidez, o número confirmou a regularidade no fluxo, uma vez que foi o 27º trimestre consecutivo de geração de caixa.
No trimestre, a companhia fez o repasse de 5 mil clientes para o financiamento bancário (momento em que as construtoras recebem o valor da venda dos imóveis na planta), levantando R$ 1,49 bilhão. Em paralelo, as obras produzidas no trimestre foram equivalentes a 4,4 mil unidades - mostrando equilíbrio entre os repasses e a produção.
Assim, a Cury fechou o ano com caixa líquido de R$ 316 milhões (mais recursos em caixa do que dívidas a pagar), o que alimenta expectativas de investidores de que haverá continuidade na distribuição de dividendos pela frente. No ano passado, a Cury já pagou R$ 1,35 bilhão em dividendos.
Além da boa situação do negócio, isso também ocorreu como forma de evitar a taxação a partir deste ano, conforme mudança na legislação. Em dezembro, a Cury também fez uma captação de R$ 574 milhões por meio da emissão secundária de ações (follow-on), o que contribuiu para o ganho de liquidez.
Planos para 2026
A Cury está pronta para ampliar os lançamentos e as vendas de imóveis em 2026 se o mercado imobiliário mantiver as condições favoráveis, disse o vice-presidente Comercial, Leonardo Mesquita. “O mercado está em um momento muito bom e temos perspectivas positivas com os ajustes do Minha Casa, Minha Vida”, afirmou, em entrevista ao Estadão/Broadcast.
Pela frente, outro impulso virá da decisão do governo federal de ampliar as faixas de renda do MCMV, o que está sujeito à aprovação do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no fim deste mês. Se confirmado, isso ampliará o poder aquisitivo dos consumidores e dará flexibilidade para a construtora buscar mais vendas, ganho de velocidade na comercialização e/ou subida de preços para melhorar as margens.
Mesquita acrescentou nesta quarta-feira, 11, em teleconferência com investidores e analistas, que a empresa deve aproveitar para subir os preços neste primeiro momento, o que irá favorecer a sua margem de lucro. “Vamos tentar, nesse início, ganhar preço onde for possível”, disse. “O ajuste é uma medida importante para nos programar para trabalhar nas faixas mais altas e atender mais pessoas”, complementou.
Na sua avaliação, o novo ajuste mostra uma maturidade do MCMV. “Enxergamos isso como amadurecimento. No passado, o governo esperava o programa deteriorar, perder tração. Agora as medidas estão vindo no momento certo para o MCMV continuar pujante”, disse Mesquita, lembrando que a inflação no País requer tais ajustes.
Por outro lado, há uma preocupação com a liminar do Tribunal de Justiça que suspendeu novos alvarás de obras em São Paulo devido a problemas no processo de revisão do plano diretor na cidade, segundo manifestação do Ministério Público. A liminar foi concedida em fevereiro e permanece válida.
A Cury tem um volume de projetos já aprovados, e com alvarás emitidos, que permite à construtora manter seu fluxo de lançamentos previstos até a metade do ano. “Depois disso, já começaremos a ter problemas”, disse Mesquita.
Troca no comando
Pela frente, a Cury também deve ter mudanças no alto escalão. A construtora — uma empresa de origem familiar, que há cinco anos ingressou na Bolsa de Valores — tem um plano de sucessão interna preparado. O presidente executivo, Fabio Cury, deixará a função para assumir um assento no conselho de administração em algum momento futuro.
Quando isso acontecer, o sucessor será escolhido entre os demais executivos que compõem a direção da empresa. O mais cotado é o vice-presidente comercial da empresa, Leonardo Mesquita. “Temos um plano de sucessão pronto na empresa caso o CEO decida ir para o conselho. Todas as vezes que ele é questionado sobre isso por investidores, ele manifesta a expectativa de fazer esse movimento algum dia. Agora, a decisão (sobre o momento) dependerá dele”, explicou.
Grandes Construções - SP 12/03/2026
Em um cenário de retomada econômica e expansão do agronegócio, o transporte ferroviário de cargas no Brasil alcançou, no fechamento de 2025, o maior volume já registrado na história do modal.
Foram escoadas 555,48 milhões de toneladas úteis pelos trilhos que cortam o país, número que representa um crescimento de 2,57% em relação ao ano anterior e consolida o terceiro ano consecutivo de recordes na movimentação ferroviária nacional.
Os dados, compilados pelo Ministério dos Transportes em parceria com a Infra S.A., revelam – na avaliação do governo – que a combinação entre investimentos privados, revisão do marco legal e previsibilidade regulatória começa a dar resultados concretos.
Enquanto as rodovias seguem saturadas e os custos logísticos continuam sendo o calcanhar de Aquiles da economia brasileira, os trilhos emergem como alternativa viável e cada vez mais estratégica para o escoamento da produção.
Mais uma vez, a dupla minério de ferro e grãos assumiu o protagonismo na composição da carga transportada. O minério, carro-chefe das exportações brasileiras, respondeu por 401,35 milhões de toneladas movimentadas, registrando alta de 2,72% na comparação com 2024.
O setor agrícola, por sua vez, apresentou a maior taxa de expansão entre todos os segmentos, contemplando uma alta de 4,62% no volume transportado.
Por trás desse número está a engrenagem que move o centro-oeste brasileiro. Produtores de Mato Grosso, principal estado produtor de grãos do país, encontraram nas ferrovias uma rota eficiente para enviar a safra rumo aos portos do Sudeste, reduzindo a dependência do transporte rodoviário em trechos de longa distância.
“Pela terceira vez consecutiva, batemos o recorde de movimentação de cargas por ferrovias no Brasil, em um momento em que também registramos um volume de investimentos privados histórico no setor“, afirmou o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
Entre 2023 e 2025, os investimentos no setor ferroviário somaram R$ 40 bilhões, volume 60% superior ao total aportado entre 2019 e 2022, período em que apenas R$ 25 bilhões foram aplicados. E a promessa para os próximos anos consiste em mais R$ 140 bilhões em investimentos para 2026, com a realização de oito leilões até o fim do ano. A projeção total, considerando o conjunto de iniciativas em andamento, chega a R$ 600 bilhões injetados no modal.
Entre os projetos mais emblemáticos está a retomada das obras da Transnordestina, em 2023, após anos de paralisação e incertezas. A ferrovia, considerada estratégica para a logística do Nordeste, já consumiu R$ 11,3 bilhões dos R$ 15 bilhões estimados para sua conclusão. Com 71% das obras executadas, o cronograma atual prevê a entrega da Fase 1 em 2027 e da Fase 2 em 2028.
Atualmente, o Ministério dos Transportes gere 14 concessões ferroviárias vigentes e trabalha em duas frentes paralelas, incluindo a renovação de contratos que se aproximam do fim e a ativação de trechos ociosos da malha. Cinco concessões estão em fase final de vigência, incluindo a Malha Sul, Malha Oeste, Ferrovia Centro-Atlântica, Ferrovia Tereza Cristina e Ferrovia Transnordensina Logística, exigindo novos contratos para evitar a descontinuidade dos serviços.
Paralelamente, a pasta encaminhou à Agência Nacional de Transportes Terrestres as diretrizes para o primeiro chamamento público de trechos ferroviários. O modelo inédito colocará à disposição da iniciativa privada o Corredor Minas–Rio, atualmente classificado como linha ociosa.
A expectativa é que o projeto-piloto sirva de referência para novos chamamentos, podendo viabilizar a retomada de até 10 mil quilômetros da malha ferroviária federal que hoje não geram receita nem cumprem sua função logística.
Jornal de Brasília - DF 12/03/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta quinta-feira (12), às 11h, de cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, para anunciar R$ 2,08 bilhões em investimentos do Governo Federal em infraestrutura de transportes no estado do Paraná.
O evento contará com a presença dos ministros de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e dos Transportes, Renan Filho. Serão assinadas ordens de serviço e autorizações voltadas à modernização de rodovias, portos e aeroportos.
Pelo Ministério dos Transportes, as ações somam R$ 730 milhões. Uma ordem de serviço autoriza o início das obras do Contorno Sul Metropolitano de Maringá, na BR-376/PR, com R$ 409 milhões, para melhorar o tráfego urbano e reduzir o fluxo de veículos pesados na cidade. A outra viabiliza a execução do quarto e último trecho da BR-487/PR, conhecida como Estrada Boiadeira, entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste, com R$ 321,2 milhões em 37 quilômetros. Essa rodovia conecta regiões produtoras de grãos ao Porto de Paranaguá.
Pelo Ministério de Portos e Aeroportos, será autorizada a licitação para reforma e ampliação do terminal de passageiros e modernização da torre de controle do Aeroporto Regional de Maringá, com investimento de R$ 129,1 milhões. Além disso, será assinado o contrato de concessão para exploração e administração da infraestrutura do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá, estimado em R$ 1,23 bilhão.
Os investimentos visam fortalecer a infraestrutura logística, ampliar a capacidade de escoamento da produção agrícola e aumentar a competitividade da economia brasileira, reduzindo custos logísticos. As informações foram retiradas do Governo Federal.
Diário do Comércio - MG 12/03/2026
O Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas de Minas Gerais, pode sair do papel no segundo semestre deste ano. A intervenção, que estava prevista para iniciar em outubro do ano passado, enfrenta um entrave no licenciamento ambiental e precisou ser judicializada.
As informações foram detalhadas pelo secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno, durante reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Ele destaca que, apesar da resistência inicial por parte prefeitura de Contagem quanto ao traçado, atualmente não há um entrave político limitando o andamento das obras. O impedimento, no entanto, está atrelado a uma solicitação da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, que alegou impactos em seis territórios.
Segundo o secretário, a judicialização acabou atrasando o cronograma original, e, desde então, foi instaurado um processo conciliatório. “Algumas audiências já foram realizadas, mas ainda sem sucesso. Uma nova audiência está prevista para o fim de março e esperamos chegar a um entendimento. Caso isso não ocorra, aguardamos uma decisão judicial”, explica.
Superada a divergência e com a obtenção de licenças prévias e de instalação, as obras serão definitivamente iniciadas. “Nossa expectativa, com uma decisão favorável, é iniciar as obras já no segundo semestre deste ano”, pontua Pedro Bruno.
O Rodoanel terá cerca de 70 quilômetros (km) e passará por oito municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Contagem, Betim, Santa Luzia e Ribeirão das Neves. O investimento total é de R$ 5 bilhões: sendo R$ 3 bilhões do acordo de reparação de Brumadinho e R$ 2 bilhões da concessionária.
Rodoanel promete impulsionar mobilidade e economia regional
O evento realizado na Fiemg, denominado “Reunião do Fórum Emprego e Renda” debateu nesta quarta-feira, (11), o projeto do Rodoanel na Grande BH junto aos representantes do setor produtivo, do governo de Minas e dos trabalhadores. O objetivo é discutir as diretrizes, impactos e a visão estratégica do Estado sobre o projeto.
Presente na reunião, o gerente de Engenharia do Rodoanel BH, Thiago Valandro, explica que a ideia é iniciar as obras a partir de diferentes frentes simultâneas, priorizando intervenções morosas como pontes e viadutos extensos, drenagens relevantes e terraplenagens com alto volume de esvacação. Segundo ele, os trechos mais próximas de locais povoados exigirão atenção redobrada, entretanto, não haverá necessidade de realocar nenhuma das seis comunidades quilombolas nas proximidades do traçado.
“Assim que obtivermos o licenciamento ambiental, poderemos iniciar integralmente as obras. As desapropriações já estão em fase de avaliação e emissão de laudos, e os projetos se encontram em estágio avançado”, destaca o gestor.
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, pontua que a concretização do Rodoanel tem potencial de viabilizar a atração de investimentos no eixo metropolitano, bem como manter aqueles já existentes. “Quando o Rodoanel foi anunciado, uma das maiores indústrias da região chegou a sinalizar que poderia transferir a planta caso o projeto não saísse do papel”.
Estudos divulgados pelos responsáveis pelo projeto apontam que a obra poderá reduzir o tempo de viagem entre 30 e 50 minutos, tanto para a mobilidade urbana quanto para o transporte de cargas. A expectativa é que o Rodoanel retire cerca de 5 mil caminhões do tráfego na área urbana de Belo Horizonte.
Do ponto de vista econômico, a a nova estrutura viária poderá elevar entre 7% a 13% o Produto Interno Bruto (PIB) da região em dez anos, além do crescimento da produção entre 0,8% e 1,3% no mesmo período. Também está prevista a geração de 10 mil empregos durante a implantação, além da expansão e desenvolvimento das cidades próximas ao Rodoanel.
O Estado de S.Paulo - SP 12/03/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira, 10, “grande segurança” para os petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã reforçava o controle sobre a via marítima em meio à guerra contra americanos e israelenses.
“Acho que vocês verão muita segurança e isso acontecerá muito, muito rapidamente”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, ao ser questionado sobre como garantiria a segurança de Ormuz.
A emissora americana CNN informou na noite de terça-feira que o Irã havia iniciado a instalação de minas na via marítima. Segundo o presidente, as tropas americanas retiraram “praticamente” todas as minas “em uma única noite”.
No 12º dia do conflito no Oriente Médio, pelo menos três navios foram atacados em Ormuz e no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que embarcações israelenses, americanas e de aliados dos dois países são “alvos legítimos”.
Questionado sobre o que os EUA precisam fazer para encerrar a operação militar no Irã, Trump respondeu: “Mais do mesmo.”
“Veremos como tudo isso termina. No momento, eles perderam a Marinha, perderam a Força Aérea. Não têm nenhum equipamento antiaéreo, não têm radar”, disse Trump. “Seus líderes se foram e poderíamos fazer muito pior.”
O republicano afirmou que as tropas americanas poderiam destruir a infraestrutura do Irã “em uma hora”, caso quisessem. “Estamos deixando certas coisas que, se as eliminarmos - ou poderíamos eliminá-las ainda hoje, em uma hora - eles literalmente jamais conseguiriam reconstruir esse país”, disse.
Um dos repórteres também questionou Trump sobre a escolha do filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, como novo líder supremo iraniano, mas o republicano não quis comentar o assunto.
Infomoney - SP 12/03/2026
Enquanto o transporte marítimo ocidental permanece em grande parte suspenso no Estreito de Ormuz, observações das últimas 24 horas mostram um leve aumento no tráfego ligado ao Irã, incluindo dois superpetroleiros sancionados do tipo VLCC.
Dados de rastreamento de embarcações compilados pela Bloomberg indicam que houve oito travessias comerciais na terça-feira e outras quatro identificadas no início da quarta-feira. A maioria das embarcações tinha vínculos com o Irã ou relações comerciais com a China.
O aumento discreto da atividade ocorre em meio à escalada das hostilidades na região. O navio cargueiro Mayuree Naree foi atingido por um projétil de origem desconhecida enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz. Outro navio graneleiro que transmitia o sinal “China Owner&Crew” fez meia-volta e se afastou do estreito após o incidente, destacando os riscos elevados de segurança.
EUA destroem 16 barcos iranianos após suspeita de minas no Estreito de Ormuz
Ação ocorreu após relatos de que o Irã teria começado a instalar minas na rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial
Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a destruição de embarcações iranianas usadas para colocação de minas.
Táticas de guerra eletrônica, como falsificação de sinais e interferência em sistemas de navegação, têm dificultado o monitoramento em tempo real do tráfego marítimo. Com várias embarcações optando por desligar os transponders AIS em áreas de alto risco, a precisão dos dados pode sofrer atrasos, o que deve levar a revisões posteriores no número real de travessias.
Dois superpetroleiros iranianos sancionados foram vistos saindo do Golfo Pérsico em direção à Ásia no início da quarta-feira. O calado das embarcações sugere que ambos estavam totalmente carregados.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, até 13,7 milhões de barris de petróleo iraniano foram transportados pelo estreito, segundo a empresa Tankertrackers.com, especializada no rastreamento de navios por meio de imagens de satélite.
Na terça-feira, um comboio composto por cinco navios graneleiros, um porta-contêiner e um transportador de GLP — todos ligados ao Irã ou à China — deixou a região.
Um navio porta-contêiner associado ao Irã entrou no Golfo Pérsico na terça-feira e outro fez o mesmo na quarta-feira. Além disso, um graneleiro também entrou na região transmitindo o sinal “China Owner All Chinese”.
Apesar dessas travessias pontuais, a maior parte da frota comercial permanece parada em ambos os lados do Estreito de Ormuz até que a segurança marítima seja restabelecida. O tráfego no canal foi praticamente interrompido após ataques a navios mercantes durante a retaliação iraniana aos bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel.
A atividade de mísseis e drones continua representando um risco crítico para embarcações que navegam nas proximidades.
Como embarcações podem navegar sem sinais AIS até estarem bem afastadas de Ormuz, os dados de posicionamento foram compilados em uma área ampla que inclui o Golfo de Omã, o Mar Arábico e o Mar Vermelho, com o objetivo de identificar navios que possam ter saído ou entrado no Golfo Pérsico.
Quando possíveis travessias são detectadas, os históricos de sinal são analisados para determinar se o movimento é real ou resultado de spoofing, técnica em que interferências eletrônicas podem falsificar a posição aparente de um navio.
Algumas travessias podem não ter sido detectadas caso os transponders das embarcações ainda não tenham sido reativados. Petroleiros ligados ao Irã frequentemente deixam o Golfo Pérsico sem transmitir sinais AIS até chegarem ao Estreito de Malaca, cerca de dez dias após passarem por Fujairah.
Outras embarcações podem estar adotando táticas semelhantes e só aparecerão nos sistemas de rastreamento vários dias depois.
Valor - SP 12/03/2026
Estreito de Ormuz é a via marítima por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está pondo em risco portos do Golfo Pérsico e interrompeu o comércio global através do Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
O transporte marítimo no Estreito de Ormuz diminuiu significativamente desde que os EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, interrompendo exportações.
A Guarda Revolucionária do Irã advertiu que qualquer navio que atravesse o Estreito de Ormuz será alvo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na terça-feira intensificar os ataques americanos contra o Irã caso o país continue a obstruir o estreito.
No entanto, apesar de o Irã não ter confirmado a autoria até a publicação desta matéria, houve mais ataques registrados hoje, totalizando 14 desde o início da guerra.
Veja abaixo todos os episódios de ataques na região do Golfo e no Estreito de Ormuz desde o início do conflito, em 28 de fevereiro:
11 de março
O navio graneleiro Mayuree Naree, de bandeira da Tailândia, foi atacado por um projétil enquanto navegava ao norte de Omã. Um incêndio começou a bordo e levou à retirada da tripulação, informou a proprietária do navio, a empresa Precious Shipping, sediada na Tailândia.
Outro navio porta-contêineres, o One Majesty, de bandeira do Japão, sofreu danos leves após ser atingido por um projétil, ao noroeste dos Emirados Árabes.
Já o casco do graneleiro Star Gwyneth, de bandeira das Ilhas Marshall, foi danificado após ser atingido por um projétil, a noroeste dos Emirados Árabes, conforme informou a empresa de gestão de riscos marítimos Vanguard. Não houve impacto ambiental e a tripulação está segura, informou O órgão Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês).
7 de março
A UKMTO relatou um possível ataque de drones a um navio cuja empresa responsável não quis se identificar, ao norte da Arábia Saudita. A maior parte da tripulação foi retirada.
6 de março
Um rebocador foi atingido por projéteis no Estreito de Ormuz enquanto realizava operações com o navio Safeen Prestige, atingido em 4 de março, de acordo com a UKMTO.
5 de março
O navio petroleiro Sonangol Namibe sofreu uma explosão enquanto estava ancorado perto do porto iraquiano de Khor al Zubair, informou a empresa representante nos EUA, Sonangol Marine Services.
Segundo avaliações iniciais de duas fontes de segurança portuária do Iraque, um barco iraniano controlado remotamente e carregado com explosivos foi usado no ataque contra um navio, de bandeira das Bahamas.
4 de março
O navio porta-contêineres Safeen Prestige, de bandeira de Malta, foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção à parte superior do estreito. O ataque provocou um incêndio na casa de máquinas e levou a tripulação a abandonar o navio, segundo fontes do setor marítimo.
3 de março
Na ocasião, a UKMTO informou que o navio petroleiro Libra Trader, de bandeira das Ilhas Marshall, e o navio graneleiro Gold Oak, de bandeira do Panamá, sofreram danos leves, perto dos Emirados Árabes.
2 de março
A UKMTO declarou neste dia que o navio-tanque de derivados Stena Imperative, de bandeira dos EUA, foi atingido por dois projéteis no porto de Bahrein, provocando um incêndio e a evacuação da tripulação.
1º de março
Um tripulante foi morto a bordo do petroleiro de petróleo bruto MKD VYOM, de bandeira das Ilhas Marshall, após a embarcação ser atingida por um projétil enquanto navegava na costa de Omã. A informação foi divulgada pela empresa gestora V.Ships.
A UKMTO afirmou que um outro petroleiro Hercules Star, de bandeira de Gibraltar e usado para abastecer navios com combustível, foi atingido por um projétil, a nororeste dos Emirados Árabe. Houve um incêndio provocado pelo ataque e foi controlado.
Um petroleiro de bandeira de Palau foi atacado no Estreito de Ormuz, duas milhas náuticas ao norte de Kumzar, em Omã. A tripulação do navio Skylight, alvo de sanções dos EUA, foi retirada, segundo informou o centro de segurança marítima de Omã.
A Tribuna - SP 12/03/2026
Decisões rápidas, técnicas, baseadas em evidências e na legislação vigente. É o que buscam o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para dar segurança jurídica às empresas que desejam desenvolver projetos cada vez mais robustos nos portos.
Essa foi a ideia que fechou o primeiro painel do Summit TCU, nesta terça-feira (10), que teve como tema “O papel institucional do TCU nas demandas portuárias e marítimas no Brasil” e foi mediado pelo consultor de assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues.
Auditor-chefe da AudPortoFerrovia do TCU, a área técnica do Tribunal, Carlos Rafael Simões afirmou que a Corte de Contas tem buscado aprimorar seus processos para dar maior previsibilidade aos investimentos no setor. Segundo ele, a atuação passa por organizar fluxos de análise e contribuir para pacificar debates que surgem ao longo da estruturação de projetos portuários.
Simões explicou que o objetivo é garantir que as decisões sejam tomadas com base técnica e dentro das competências de cada instituição envolvida no processo. Para ele, a definição clara de papéis entre os órgãos do setor ajuda a qualificar a tomada de decisões e reduzir riscos de instabilidade regulatória. “O Tribunal recebe os estudos e procura dar sua contribuição, sempre no sentido de aprimorar e tentar pacificar questões que surgem nessas agendas”, afirmou.
Evolução institucional
O diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, que é servidor do TCU, destacou a evolução institucional do Tribunal na relação com o setor de infraestrutura. Segundo ele, quando ingressou na Corte, era comum ouvir críticas de que o órgão dificultava o avanço de projetos estratégicos no País.
Para Dias, esse cenário mudou ao longo dos últimos anos. “Havia uma pecha de que o TCU era o órgão que paralisava a infraestrutura do País. Hoje vemos um reposicionamento institucional do Tribunal de Contas para ajudar a solucionar os problemas do setor”, afirmou.
Ele também ressaltou que a agência reguladora tem buscado aperfeiçoar seus processos decisórios para garantir maior transparência e fundamentação técnica nas decisões.
De acordo com Dias, esse avanço contribui para que o controle exercido pelo tribunal respeite as escolhas regulatórias quando estas estão devidamente justificadas. Para o diretor-geral da Antaq, esse processo de amadurecimento institucional tem fortalecido o diálogo entre as instituições responsáveis pela formulação de políticas públicas, regulação e controle externo.
Frederico Dias defendeu que o setor avance na busca por maior agilidade nos processos decisórios, sem abrir mão da segurança jurídica necessária para atrair investimentos.
Mudança institucional
O diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph) e presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, afirmou que um dos principais desafios do setor é justamente garantir a cooperação entre os diferentes órgãos envolvidos na estruturação de projetos.
De acordo com ele, o excesso de intervenções e disputas institucionais pode gerar insegurança jurídica e afastar investidores interessados em participar da expansão da infraestrutura portuária.
Garcia lembrou que o ambiente institucional mudou nos últimos anos e que houve evolução na relação entre as instituições. “Em 2013, todos desconfiavam de todos. Era o TCU desconfiando da agência e da autoridade portuária. Hoje temos um cenário muito mais maduro”, afirmou.
O diretor-presidente da Abeph ressaltou que o desafio permanece, mas que as instituições seguem trabalhando para melhorar a estrutura do sistema portuário brasileiro. “Não desistiremos. Seja Antaq, TCU, portos, academia. Porque o desenvolvimento da infraestrutura é um caminho a ser seguido. É nosso papel prover uma estrutura cada vez melhor e enfrentar os desafios que ainda existem”.
CNN Brasil - SP 12/03/2026
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) irá iniciar uma consulta e realização de audiência públicas na próxima terça-feira (17) sobre a concessão do canal de acesso ao Porto de Santos (SP), visando obter contribuições, subsídios e sugestões para o aprimoramento dos documentos técnicos e jurídicos relacionados ao processo licitatório.
O processo ficará aberto até o dia 2 de maio.
Em comunicado, a agência afirmou que a data, horário e local das audiências públicas ainda serão definidos e comunicados oportunamente.
Já sobre as contribuições, subsídios e sugestões "que tenham por objeto as minutas colocadas em consulta e audiência públicas" devem ser enviada até às 23h59 do dia 2 de maio, seguindo os moldes do formulário eletrônico disponível no site da agência.
A previsão para a realização do leilão do canal é no terceiro trimestre deste ano.
Projeto
A concessão do canal de acesso prevê um contrato de, no mínimo, 25 anos, para a empresa/consórcio vencedor, que deverá assumir a gestão da modernização e das obras de dragagem do canal, ampliando a profundidade do canal (de 15 para 17 metros), permitindo o acesso de navios maiores.
Além disso, caberá ao projeto vencedor garantir a segurança das operações.
A Tribuna - SP 12/03/2026
Mesmo com avanços regulatórios e esforços de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para dar mais celeridade aos processos, a falta de infraestrutura pública e a demora para destravar obras seguem como freios ao desenvolvimento do setor portuário brasileiro.
Essa foi a conclusão do segundo painel do Summit TCU, promovido nesta terça-feira (10) pelo Grupo Tribuna, em Brasília. Com mediação de Maxwell Rodrigues, quatro participantes debateram o tema “As demandas e o papel do Estado e do mercado para garantir celeridade no desenvolvimento do setor portuário e marítimo”.
O debate reuniu Keyla Boaventura, secretária de Infraestrutura do TCU; Gabriela Costa, diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP); Alber Vasconcelos, diretor da Antaq; e Daniel Pedreira Dorea, CFO da Santos Brasil.
Daniel afirmou que, hoje, o problema central do setor não é falta de capital privado, mas sim a incapacidade de transformar projetos em investimentos efetivos diante de entraves que continuam fora da alçada das empresas. “O gestor público faz a diferença. O capital existe, o dinheiro chega”, disse.
Ao citar a experiência da Santos Brasil, o executivo ressaltou o peso do investimento privado no setor. “A Santos Brasil investiu cerca de R$ 12 bilhões nos últimos 25 anos, sendo R$ 3 bilhões nos últimos 5 anos. Todo financiado com capital privado”. Na avaliação dele, o setor já superou a barreira do financiamento, mas segue esbarrando em gargalos de natureza pública.
Para Daniel, faltam respostas mais rápidas do poder público para que os aportes privados acompanhem a modernização exigida pelo mercado. “Nós temos capital, a vontade, os clientes, os usuários, mas simplesmente não conseguimos realizar o investimento”.
Suprir lacunas
Já a diretora-executiva da ATP, Gabriela Costa, sustentou que os terminais privados (TUPs) ajudam a suprir lacunas históricas da infraestrutura nacional, mas ponderou que eles não resolvem sozinhos os gargalos do sistema.
Segundo ela, a Lei dos Portos (12.815/2013) consolidou o estímulo à concorrência e à participação privada. “Qualquer coisa fora disso é ilegal e não faz sentido que seja diferente, porque a concorrência traz melhor eficiência, tende a baixar os preços e a prestar melhor serviço”.
Gabriela destacou que os TUPs têm peso decisivo na movimentação nacional e vêm ampliando investimentos em infraestrutura, inovação e sustentabilidade, mas frisou que a ausência de obras e acessos públicos continua afetando a competitividade.
“A gente não consegue dotar o Brasil apenas com essa estrutura, então a gente precisa ter outros tipos de estrutura legítimas”, afirmou. Nesta quarta-feira (11), segundo ela, os terminais de uso privado respondem por 64,6% da movimentação portuária do País.
Papel catalisador
Pelo lado institucional, Keyla Boaventura afirmou que a atuação do TCU em arrendamentos e concessões é guiada pela celeridade e pela segurança jurídica.
Segundo ela, o Tribunal tem buscado atuar como “catalisador” desses processos, além de contribuir para aprimorar normas e identificar gargalos operacionais que reduzem a eficiência dos portos públicos.
Isonomia
Na mesma linha, Alber Vasconcelos disse que a Antaq também vem atuando para reduzir assimetrias e excessos burocráticos, mas ponderou que a solução não passa por criar regras diferentes para cada região do País. “Você tem que trabalhar tudo com isonomia”, afirmou.
Segundo o diretor, a agência tem autorizadas cerca de 1,6 mil empresas brasileiras de navegação em diferentes modalidades, o que exige uniformidade regulatória, ainda que haja espaço para aperfeiçoamentos no modelo.
Percepção
Apesar do diagnóstico de avanços na regulação e no amadurecimento institucional do setor, o painel deixou clara a percepção de que a celeridade buscada por TCU e Antaq ainda não se traduz, na mesma velocidade, em infraestrutura pública disponível para acompanhar a expansão dos investimentos privados nos portos brasileiros.
Globo Online - RJ 12/03/2026
Como forma de retaliação aos ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel, o Irã fechou o Estreito de Ormuz no segundo dia da guerra e ameaçou incendiar qualquer navio que tentasse passar pelo local, que é uma rota vital para o transporte mundial de petróleo e gás. Agora, enquanto os produtores de petróleo do Golfo, da Arábia Saudita ao Iraque, reduzem a produção e buscam novas rotas que contornem o Estreito, Teerã continua operando normalmente, inclusive com mais exportação do que antes da guerra, segundo a empresa de rastreamento de petroleiros Kpler.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, sete navios carregaram petróleo na costa iraniana, segundo a Kpler. Desses, pelo menos dois eram do Golfo Pérsico. Nos últimos seis dias, ainda de acordo com a Kpler, os cargueiros levaram uma média diária de 2,1 milhões de barris de petróleo iraniano, número superior às exportações do Irã em fevereiro.
A ameaça da Guarda Revolucionária Islâmica de atacar qualquer navio que tentasse cruzar o Estreito afastou embarcações que transportavam petróleo e mercadorias entre o resto do mundo e o Golfo Pérsico, região responsável por cerca de um terço da produção mundial do óleo. A crise, então, gerou temores e caos na economia global, com milhões de barris de petróleo sendo retirados do mercado todos os dias.
Caso o Estreito permaneça bloqueado por duas semanas, o fornecimento de petróleo do Golfo poderá ser reduzido em cerca de 3,8 milhões de barris por dia, segundo o banco JPMorgan, um dos maiores dos EUA, o que representa mais de 3% da produção global.
Segundo dados da Kpler, grande parte do petróleo iraniano que atravessa o Estreito ou se dirige para ele tem como destino a China, transportado por cargueiros que fazem parte da chamada frota paralela. Trata-se de antigos petroleiros utilizados pelo Irã e pela Rússia, frequentemente alvo de sanções dos EUA, para o transporte clandestino de petróleo bruto.
— Quase todos os navios que atravessam o Estreito estão ligados ao Irã ou à China — afirmou Christopher Long, chefe de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Neptune P2P Group, em entrevista ao Wall Street Journal. — Estamos aconselhando todos a não atravessarem.
Homayoun Falakshahi, chefe de análise de petróleo bruto da Kpler, afirmou que somente escoltas militares, um cessar-fogo ou uma capitulação iraniana levariam os exportadores a retomar o trânsito no Estreito.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, mas até agora não houve tal assistência. Na ocasião, Ali Reza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, alertou contra essas escoltas. “Qualquer passagem da frota dos EUA e seus aliados será interrompida pela rede de mísseis iranianos e drones suicidas”, escreveu Tangsiri no X.
As Forças Armadas do Irã intensificaram, nesta quarta-feira, os ataques contra navios-petroleiros e de transporte de carga no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. Ao menos quatro navios foram atacados nesta quarta, um dia após Trump ameaçar com "consequências militares de uma magnitude sem precedentes" ameaçasse o comércio marítimo na região com a instalação de minas navais.
Na terça-feira, a rede americana CNN revelou que a Guarda Revolucionária começou a instalar minas navais na região do Estreito de Ormuz. De acordo com a CNN, dezenas de minas foram instaladas nos últimos dias, cobrindo uma área relativamente pequena da passagem que leva do Mar da Arábia ao Golfo Pérsico. O Exército ideológico do Irã possui capacidade considerável de ação naval na área, com lanchas de ataque rápido, mísseis em áreas costeiras e barcos para instalar novas minas. Teerã, por sua vez, não confirmou a informação.
Já segundo a Lloyds List Intelligence, uma empresa de inteligência naval, cerca de 15 navios cruzaram o Estreito desde o início da guerra, sendo que a maioria das embarcações clandestinas estavam transportando petróleo iraniano para a China e a Índia. Muitos são pequenos petroleiros chineses que comunicam sua presença e origem à Guarda Revolucionária por meio de alto-falantes.
“Somos um navio chinês. Estamos passando; somos amigáveis”, transmitem os navios chineses para a Guarda Revolucionária, segundo o Wall Street Journal.
Aposta calculada
Na semana passada, segundo a Kpler, um navio-tanque chamado Skywave, com destino à China, carregou petróleo na ilha iraniana de Kharg, um pequeno enclave no extremo noroeste do Golfo Pérsico, para onde é exportada a maior parte do petróleo bruto do Irã. Na última terça-feira, o navio, sob uma bandeira falsa de Comores, estava perto de cruzar o Estreito de Ormuz, segundo o Marine Traffic.
A embarcação pertence a uma empresa de fachada indiana que foi sancionada pelos EUA no ano passado como parte de uma rede que, segundo Washington, financiava diretamente as Forças Armadas iranianas por meio de bilhões de dólares em alocações de petróleo bruto.
Outro navio com destino à China, o Cume, pertence a uma entidade de Dubai sancionada pelos EUA e ostenta uma bandeira falsa da Guiana, segundo o banco de dados Equasis da União Europeia. Ele carregou 2 milhões de barris de petróleo bruto iraniano em 19 de fevereiro, cruzou o Estreito de Ormuz na semana passada e está atualmente no Golfo de Omã, de acordo com Kpler.
A decisão dos petroleiros da frota paralela de atravessar o Estreito de Ormuz continua sendo uma aposta calculada, mesmo que transportem petróleo iraniano. Pelo menos dois petroleiros dessa frota paralela já foram atingidos pelo Irã.
Petro Notícias - SP 12/03/2026
A produção brasileira de petróleo acaba de ganhar um novo impulso. O campo Lapa Sudoeste, terceira fase de desenvolvimento da área de Lapa, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, entrou em operação. Trata-se de um desenvolvimento subsea do tipo tie-back, composto por três poços conectados ao FPSO Lapa. O projeto deve acrescentar aproximadamente 25.000 barris de petróleo por dia (produção bruta) no pico de produção, elevando o volume total do campo para cerca de 60.000 barris de petróleo por dia. O escopo inclui três poços – dois produtores e um injetor – conectados ao FPSO Lapa, que está em operação desde 2016.
O desenvolvimento conta com um tie-back submarino de 12 quilômetros até o FPSO, utilizando flowlines do tipo Pipe-in-Pipe (PiP) e um sistema Free-Standing Hybrid Riser (FSHR). O campo de Lapa (antigo bloco exploratório BM-S-9A) foi descoberto em 2007, está situado na porção central da Bacia de Santos, a 300 km da costa do estado de São Paulo, em lâmina d’água em torno de 2.140 metros. A porção a nordeste do campo entrou em produção em dezembro de 2016.
“Lapa Sudoeste aumentará significativamente a produção diária do nosso portifólio de ativos, que inclui campos do pré-sal de classe mundial, como Sapinhoá, também na Bacia de Santos, e Albacora Leste, na Bacia de Campos”, destaca Alejandro Ponce, CEO da Repsol Sinopec Brasil.
Já o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, disse que ao desenvolver reservas adicionais aproveitando a capacidade disponível no FPSO existente, Lapa Sudoeste entrega produção com eficiência de capital, baixo custo marginal e menor intensidade de carbono, fortalecendo o valor de longo prazo do campo de Lapa. “O projeto reflete nossa abordagem disciplinada na alocação de capital e nosso foco em maximizar valor a partir de ativos competitivos, reforçando a geração de caixa do nosso portfólio no Brasil ao mesmo tempo em que entregamos barris competitivos. O pré-sal brasileiro continua sendo uma área central para a Shell, onde podemos criar valor com segurança e responsabilidade”, disse o executivo.
O campo de Lapa é operado pela TotalEnergies (48%), em parceria com a Shell Brasil (27%) e a Repsol Sinopec (25%). O projeto recebeu a aprovação de decisão final de investimento (FID) em 2023.
Valor - SP 12/03/2026
O gasoduto de gás Antonio Ricaurte está inativo há anos
O Ministério de Minas e Energia da Colômbia informou nesta quarta-feira que a Colômbia e a Venezuela concordaram em reparar um trecho danificado de um gasoduto binacional que permitirá a Bogotá importar gás natural do país vizinho.
O gasoduto de gás Antonio Ricaurte está inativo há anos. Um plano para restabelecer as operações foi delineado em uma reunião entre os ministérios de Minas e Energia da Colômbia, a autoridade de licenciamento ambiental e a estatal petrolífera venezuelana PDVSA.
O anúncio ocorre dois dias antes de o presidente colombiano, Gustavo Petro, se reunir com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
A PDVSA realizará os reparos em conformidade com as regulamentações ambientais e seguirá o trajeto original do gasoduto, informou o Ministério de Minas e Energia da Colômbia em comunicado.
O gasoduto se estende por 225 quilômetros entre os dois países e possui capacidade de transporte de 500 milhões de pés cúbicos de gás.
Valor - SP 12/03/2026
Aprovação da Agência Internacional de Energia (AIE) para a maior liberação de reservas de emergência da história foi vista por alguns participantes do mercado como apenas um alívio temporário,
Os contratos futuros do petróleo voltaram a registrar forte alta nesta quarta-feira, devolvendo parte da queda vista na véspera, em meio a novas ofensivas militares no Oriente Médio e ataques a navios de petróleo no Estreito de Ormuz. A aprovação da Agência Internacional de Energia (AIE) para a maior liberação de reservas de emergência da história foi vista por alguns participantes do mercado como apenas um alívio temporário, enquanto a percepção é de que o conflito não deve terminar tão cedo, aumentando os temores de interrupção na oferta da commodity.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em maio teve alta de 4,76%, cotado a US$ 91,98 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para abril subiu 4,55%, a US$ 87,25 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Ontem, os preços do petróleo tiveram firme queda, em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de autoridades de Israel sinalizando que a guerra poderia terminar mais cedo do que o esperado. No entanto, novos ataques, que chegaram a atingir três navios petroleiros no Estreito de Ormuz, desafiaram essa narrativa.
Em entrevista ao site Axios, Trump disse que o conflito terminará "em breve" porque não há "praticamente mais nada a atingir" no Irã, embora membros do governo tenham dito ao veículo que se preparam para pelo menos mais duas semanas de ataques. Trump também afirmou que o conflito irá terminar quando ele quiser. Ainda não há sinais de quando isso deve acontecer.
Do outro lado do conflito, o Irã disse que o mundo deve se preparar para preços de petróleo a US$ 200 por barril e o presidente do país islâmico defendeu que a única maneira de acabar com a guerra é "reconhecer direitos legítimos do Irã, pagar reparações e obter garantias internacionais contra futuras agressões", ele escreveu em uma postagem nas redes sociais.
A AIE aprovou nesta quarta a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas emergenciais como uma forma de conter a disparada dos preços. Segundo analistas do Macquire, o volume proposto equivalente a aproximadamente quatro dias da produção global de petróleo, ou 16 dias do volume que costuma passar pelo Golfo Pérsico. "Se isso não parece muito, é porque realmente não é", dizem os analistas em nota.
“Mesmo uma resolução rápida provavelmente implicará semanas de interrupção nos mercados de energia”, afirma a equipe do Morgan Stanley em relatório.
Agência Brasil - DF 12/03/2026
A coalizão de 32 países que forma a Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu, por unanimidade, liberar 400 milhões de barris das reservas de emergência de petróleo para tentar estabilizar o preço dos combustíveis.
O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, informou que a ação visa mitigar os impactos imediatos da interrupção nos mercados causados pela guerra no Irã.
“[É] o maior volume de reservas emergenciais de petróleo da história da nossa agência. Os 400 milhões de barris de petróleo estão disponíveis no mercado para compensar a perda de oferta decorrente do fechamento efetivo do Estreito [de Ormuz]”, afirmou Birol.
Apesar do anúncio, o valor do barril de petróleo Brent operava em alta de 4% nesta quarta-feira (11), cerca de 30% acima do preço antes da guerra. Os valores do barril vêm disparando por causa do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que foi uma retaliação às agressões dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra Teerã.
Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo ou derivados trafeguem pelo Estreito de Ormuz todo os dias, o que representa 25% de todo o comércio global de hidrocarbonetos.
Impacto limitado no tempo
Para a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Ticiana Álvares, o total liberado tem efeito limitado no tempo.
“Trata-se de uma medida que pode contribuir para amortecer, no curto prazo, os impactos do conflito. No entanto, caso haja um prolongamento das tensões, os efeitos sobre o mercado de petróleo e gás global tendem a se aprofundar, podendo resultar em um quadro mais complexo no longo prazo”, afirmou a especialista em entrevista à Agência Brasil.
Sem prazo para liberação do petróleo
A liberação das reservas da AIE seria suficiente para substituir 20 dias do fluxo do Estreito de Ormuz. O montante representa um terço dos cerca de 1,2 bilhão de barris de reservas mantidos pelos países vinculados à agência. Outros 600 milhões de barris são os estoques da indústria mantidos por obrigação governamental.
Por outro lado, não foi estabelecido um prazo para liberação desse estoque. “As reservas de emergência serão disponibilizadas ao mercado num prazo adequado às circunstâncias nacionais de cada país-membro e serão complementadas por medidas de emergência adicionais adotadas por alguns países”, informou a AIE.
A Agência Internacional de Energia é formada, majoritariamente, por países europeus. Nas Américas, compõem a agência o Canadá, México, Chile e os EUA.
Gás Natural
Além do petróleo, o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) também preocupa a AIE. A agência destaca que há poucas opções para substituir o GNL que parou de chegar do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.
“O fornecimento global de energia foi reduzido em cerca de 20%, e os equilíbrios de mercado subjacentes antes deste conflito eram ainda mais apertados do que no caso do petróleo. A Ásia é a região mais afetada no setor de gás. Os países de alta renda na Ásia estão competindo acirradamente com a Europa e outros importadores por cargas de GNL disponíveis”, afirmou o chefe da AIE, Fatih Birol.
Irã
O Irã voltou a ameaçar navios que trafegarem no Estreito de Ormuz e que possam beneficiar os EUA, Israel ou seus aliados.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica promete que “nem um único litro de petróleo passará pelo Estreito de Ormuz em benefício dos EUA e seus aliados”.
As autoridades iranianas alegaram que atingiram dois navios, um de propriedade israelense e outro de bandeira da Libéria, que teriam tentado travessar o Estreito nesta quarta-feira sem autorização de Teerã.
G7
O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião dos países do G7, grupo de países mais industrializados do mundo, para discutir, nesta quarta-feira, os desdobramentos da crise energética provocada pela guerra no Irã.
O G7 é composto pelos Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França.
Nos Estados Unidos, houve um aumento dos preços dos combustíveis nas bombas de 60 centavos o galão, chegando a US$ 3,50, maior valor desde maio de 2024, segundo informou a Reuters.
GauchaZH - RS 12/03/2026
Se as máquinas agrícolas de grande porte já pareceram inacessíveis aos pequenos e médios produtores — que são maioria no Rio Grande do Sul —, o desejo de ter alta tecnologia nas propriedades não é mais um sonho tão distante. A cada ano, crescem as opções voltadas a esse público oferecidas pela indústria, em uma aposta de mercado que combina, também, o contexto econômico dos produtores.
Na Expodireto, feira referência em inovação agrícola instalada em Não-Me-Toque, no norte do RS, as novidades tecnológicas focadas nesse segmento estão por toda parte. São máquinas menores, mas com a tecnologia das grandes, sem ficar para trás no quesito inovação.
Os modelos funcionam como estratégia das montadoras para tornar a tecnologia mais acessível aos produtores, independentemente do tamanho da produção.
No estande da Massey Ferguson, uma das grandes fabricantes presentes na feira, o foco aos pequenos e médios está nos lançamentos. Lucas Zanetti, gerente de marketing e produto da marca, diz que os modelos apresentados contemplam duas situações de produtores.
Primeiro, o produtor que não pode investir, mas que quer melhorar o seu maquinário. Para isso, tem as opções de melhora de desempenho, como as soluções de piloto automático e telemetria que podem ser acopladas em qualquer máquina. E, segundo, o produtor que precisa melhorar a sua frota. Nesse sentido, temos as máquinas menores, mas com grande tecnologia embarcada.
São modelos que buscam ser máquinas simples e eficientes, voltados ao produtor que está renovando frota, mas que ainda prioriza o preço. Consequentemente, são máquinas mais baratas, a depender do modelo escolhido, e que vão ao encontro das necessidades financeiras locais.
Na vizinha John Deere, outra gigante do ramo presente na Expodireto, o desempenho eficiente das máquinas menos robustas também é um dos atrativos. Em alguns modelos de plantadeiras, por exemplo, a tecnologia garante desempenho operacional 15% superior, com melhora na gestão do uso de fertilizantes e de sementes.
São ajustes que, na ponta do lápis, revertem-se em economia nos custos de produção na fazenda. O cálculo de longo prazo acaba justificando os investimentos por parte dos agricultores, segundo as fabricantes.
Para o gerente comercial da marca na região Sul no país, Marcos Cassol, os lançamentos focados no pequeno e no médio produtor são um posicionamento importante de mercado. Lançamentos que antes eram reservados para outras feiras nacionais, como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), agora são priorizados para estar mais próximos deste perfil de produtor, como é o caso da Expodireto, justamente por entender a relevância deles no setor.
Em alguns modelos de plantadeiras da John Deere, tecnologia garante desempenho operacional 15% superior.Duda Fortes / Agencia RBS
Expectativas ajustadas
No início da feira, o cenário que se desenhava era de desafios aos negócios. O endividamento em alta dos agricultores, somado a outra estiagem em campo, estão entre os motivos de cautela para as expectativas de vendas do setor de máquinas.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgados antes da feira ajudaram a puxar o freio nas estimativas. A indústria projeta retração de 5% no setor de máquinas ao longo deste ano.
Nos estantes da Expodireto, contudo, o apetite dos agricultores tem aparecido. Pelo menos no que se refere à intenção de conhecer as novidades para então prospectar uma renovação do maquinário.
Felipe Dykstra, gerente comercial da região Sul na New Holland, percebe que o contexto dos produtores gaúchos tem se refletido no movimento da feira — na sua avaliação, um pouco menor do que nos outros anos. O gerente diz que o movimento deve se concretizar no volume de negócios efetivados de fato.
Ainda assim, Dykstra vê as feiras como oportunidade de mostrar não só o que o mercado oferece, mas também as condições para tornar os negócios possíveis. Entre os atrativos nesta frente, a fabricante oferece planos com dois anos de garantia de manutenção:
É um custo a menos para o produtor que pode gerar economia de até R$ 35 mil a depender do modelo da colheitadeira, por exemplo.
FELIPE DYKSTRA
Gerente comercial da região Sul na New Holland
New Holland busca oferecer ao produtor condições para tornar os negócios possíveis. Duda Fortes / Agencia RBS
O gerente comercial da John Deere, Marcos Cassol, reforça a intenção da indústria de apostar no produtor gaúcho, mesmo com as dificuldades financeiras em jogo. Segundo o gerente, há uma percepção de que o cenário está começando a mudar. A safra de verão este ano já deve ser melhor do que a do ano passado, segundo estimativas atualizadas da Emater.
Vemos que está mudando um pouco ânimo. O Rio Grande do Sul vem de cinco anos muito ruins. O setor está mostrando uma mudança, mas leva um tempo para que o produtor volte a ter aquele "período de bonança" que já teve no passado.
MARCOS CASSOL
Gerente comercial da John Deere
Kellen Bormann, diretora de vendas da Massey Ferguson, reforça que a estratégia de vendas passa por entender a realidade dos agricultores e de oferecer as melhores alternativas.
— Os negócios que aparecem aqui são de produtores mais cautelosos. Tem a cautela de entender a conta, mas não que ele vai deixar de investir. O que temos que observar é como nos tornar parceiros nisso. Oferecendo solução financeira, solução em produto e em tecnologia — diz a diretora de vendas.
CNN Brasil - SP 12/03/2026
A Massey Ferguson prepara o lançamento de um novo trator de alta potência no Brasil e tem ampliado investimentos em máquinas voltadas a produtores de menor porte.
Em entrevista à CNN durante a Expodireto Cotrijal, no Rio Grande do Sul, a empresa antecipou que apresentará na Agrishow um novo modelo que amplia sua presença em um segmento onde ainda não atuava.
Segundo Rodrigo Junqueira, vice-presidente da Massey Ferguson América Latina, o equipamento faz parte da estratégia da fabricante de ampliar a atuação em diferentes faixas de potência.
“Vamos ter a oportunidade na Agrishow, falando em primeira mão, de poder lançar também o trator 9S, que vai de 380 até 425 HP. É um segmento que a gente não participa também e vamos entrar esse ano”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia da companhia é ampliar a presença nas duas pontas do mercado: equipamentos mais acessíveis para propriedades menores e máquinas de maior potência para grandes operações agrícolas.
“Então, boas perspectivas para o ano. Chance da gente fazer um bom resultado porque a gente vai estar trabalhando entrando nas pontas de uma forma mais efetiva, onde a gente não participava no início, com baixa potência, e com mais alta potência que a gente também não estava”, disse.
Produtores menores no radar
Além do novo modelo de grande porte, a empresa tem apostado na ampliação do portfólio voltado a propriedades menores, com equipamentos mais simples e de menor custo operacional.
“Trabalhamos bastante ao longo desses anos para trazer para o agricultor aqui do Rio Grande do Sul um trator abaixo de 75 CV. É um segmento em que a gente não participava e o agricultor ansiava por ter uma oportunidade de um produto mais efetivo. E a gente aqui na feira está lançando [esse equipamento]”, afirmou.
De acordo com ele, a empresa apresentou na Expodireto uma nova linha de tratores de menor potência, desenvolvida em parceria com a fabricante global SDF, com modelos que vão do segmento de 45 até 75 CV.
“A nossa marca foca muito em todos os tipos de agricultores, em todos os produtos. A Massey é a marca presente em maior número de países, no pequeno, médio e grande, e na maior diversidade possível. Esses dois lançamentos tocam nesse ponto. O 3700 que está aqui, o 2700 que não está aqui hoje, mas ele é parte desse lançamento, e o 5M são especificamente para essa região, para que eles possam fazer tudo o que têm que fazer na sua propriedade com menor custo, menor consumo de combustível, mais eficiência, mais produtividade”, disse.
Tecnologia e novas fontes de energia
A fabricante também acompanha as discussões sobre custos de combustível e alternativas energéticas no campo e que a indústria já trabalha em novas soluções.
“A gente está trabalhando no desenvolvimento acelerado no motor à base de etanol, no motor à base de biometano. E são as situações que nos permitem ficar não só preparados para essa situação, mas ser mais competitivos perante os outros países na questão de agricultura”, afirmou.
Segundo Junqueira, o avanço tecnológico das máquinas agrícolas também passa pela adaptação às diferentes realidades do campo brasileiro.
“Se você consultar os agricultores aqui da região se eles esperam um trator autônomo, se vai ajudar, eles falam: ‘cara, minha vida é tocar minha fazenda, é plantar, é colher, então eu não quero deixar de fazer isso’. Aqui nessa região o trator autônomo não é o objeto de desejo número um”, afirmou.
Para ele, o interesse dos produtores pode estar mais relacionado ao uso de dados e inteligência artificial para tomada de decisão.
“Mas encher com dados, corrigir decisões, já ter ali uma inteligência artificial que não avalia e fala ‘olha, você poderia fazer isso aqui’, mas que já fala ‘olha, faça isso’, em uma região como essa é o objeto de desejo”, disse.
Perspectiva para o ano
Mesmo com incertezas no cenário global, a expectativa da empresa é manter crescimento próximo ao registrado em 2025.
“A gente espera que seja um ano positivo. Um ano com uma série de variações, mas a agricultura continua com a missão de alimentar o mundo”, afirmou.
“No ano passado a gente cresceu em torno de 3% a 4%, então a gente espera ficar com essa investidura [nesse patamar]”, concluiu.
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