IstoÉ Dinheiro - SP 24/02/2026
A Gerdau apresentou lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões no quarto trimestre de 2025. A cifra representa uma queda trimestral de 38,5% e uma alta de 0,5% sobre o visto no quarto trimestre de 2024.
Ambas as variações são explicadas, segundo a companhia, pelas dinâmicas dos resultados operacionais e financeiros da empresa. No trimestre, houve efeito de paradas programadas para manutenção no Brasil e da redução dos volumes de vendas.
“Esses efeitos foram parcialmente mitigados pela melhora dos preços na América do Norte, cuja performance contribuiu com 72,8% para o Ebitda consolidado do trimestre”, afirma a companhia.
Adicionalmente, a Gerdau registrou, no trimestre, perdas pela não recuperabilidade de ativos no valor de aproximadamente R$ 2 bilhões, relativos a baixas contábeis nas unidades do Segmento Brasil, sendo, principalmente, de imobilizado, sem efeito caixa, explica a empresa.
“Estas baixas foram apuradas com base em projeções de fluxo de caixa descontado, nível de utilização de ativos de certas plantas industriais no Brasil e a expectativa de deterioração de condições econômicas em uma intensidade maior que aquela contemplada nos cenários de períodos anteriores.
Assim, houve prejuízo líquido (sem ajustes) de R$ 1,294 bilhão no quarto trimestre de 2025, ante lucro de R$ 323 milhões no mesmo período de 2024.
A companhia apresentou Ebitda ajustado de R$ 2,374 bilhões no trimestre, com queda de 13,3% na comparação trimestral e de 0,7% ante o mesmo período do ano anterior. Já a Receita líquida somou R$ 16,974 bilhões no quarto trimestre, com queda de 5,6% na comparação trimestral e alta de 0,9% frente ao trimestre correspondente de 2024.
Anual
No ano de 2025, a Gerdau somou lucro líquido ajustado de R$ 3,382 bilhões, com queda de 21,1% sobre 2024. O Ebitda ajustado foi de R$ 10,074 bilhões, com queda de 7,1%. Já a Receita Líquida foi de R$ 69,859 bilhões, com alta de 4,2%. O lucro líquido anual sem ajustes foi de R$ 1,418 bilhão, queda de 69,2% ante 2024.
Valor - SP 24/02/2026
O empresário Benjamin Steinbruch, controlador da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), tem dificuldades em contratar bancos para assessorá-lo na venda de suas empresas, diz o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Ele afirma que Steinbruch exige empréstimos dos bancos em troca do mandato.
Santander e Morgan Stanley são exemplos de bancos relutantes em colocar mais dinheiro na companhia, comenta o colunista.
A CSN lançou em janeiro um programa de venda de ativos, que inclui participações nas operações de cimentos e de infraestrutura, para reduzir sua elevada alavancagem.
Grandes Construções - SP 24/02/2026
As exportações de sucata ferrosa, insumo utilizado na fabricação do aço, iniciaram 2026 em alta. Em janeiro, o volume de sucata exportada foi de 69.349 toneladas, um aumento de 16,9% em comparação ao mesmo mês de 2025, quando atingiram 59.323 toneladas.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.
No ano passado, as vendas externas já haviam batido recorde, com total de 885.732 toneladas, aumento de 28,2% em relação ao volume de 2024, com 690.791 toneladas. As vendas externas em 2025 superaram em 10,7% o recorde anterior, em 2023, quando chegaram a 800 mil toneladas.
O aumento das exportações – apenas o excedente não comercializado no mercado interno – se deve ao baixo interesse das usinas siderúrgicas nacionais, que há anos sofrem com a concorrência do aço importado.
O produto chega ao Brasil com preço barato (cerca de 6 milhões de toneladas ao ano, para um mercado total de 36 milhões), concorrendo com o produto nacional.
“Essa situação vem desestruturando a indústria brasileira do aço, que não tem como competir com a China, mais eficiente do ponto de vista logístico e tributário e que, além disso, tem subsídios do governo há vários anos. Isso tem levado à forte queda nas compras de sucata ferrosa no mercado interno”, afirma Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,5 mil empresas recicladoras que praticam a sustentabilidade e impulsionam a economia circular, reinserindo materiais reciclados no ciclo da transformação.
A situação pode se agravar ainda mais caso se confirme a venda das operações da CSN no Brasil. Em fato relevante divulgado em 15 de janeiro, a siderúrgica informou que o conselho de administração autorizou a companhia a iniciar um projeto estruturado de desinvestimento, com foco na reorganização da estrutura de capital e na redução do endividamento.
Alvarenga teme que investidor chinês compre a siderúrgica, como forma de colocar um pé no Brasil, fato que poderá inundar ainda mais o mercado brasileiro de aço, afetando negativamente toda a cadeia, desde a siderurgia até os recicladores de sucata, cooperativas e catadores autônomos. Como há uma forte concentração no País com poucas usinas, o Cade pode vetar a compra por um concorrente nacional, abrindo oportunidade para os chineses.
“O setor de reciclagem fez o dever de casa e tem capacidade atualmente de oferecer às usinas siderúrgicas nacionais um material pronto para uso, de melhor qualidade, que torna a produção de aço mais eficiente”, afirma o presidente do Inesfa.
A comercialização da sucata de pronto uso evita, também, a atuação dos chamados “noteiros”, que fazem uma concorrência desleal e vendem o material in natura, sem recolhimento de impostos. Hoje, cerca de 60% da sucata consumida pelas usinas no mercado interno é de pronto uso, diz o Inesfa. Os principais compradores da sucata brasileira no exterior, também de pronto uso, são Índia, Bangladesh e Paquistão.
Reforma tributária - Embora o governo, por meio da Fazenda, tenha emitido uma nota afirmando que a venda de materiais realizada por catadores, cooperativas e organizações da economia popular seguirá isenta de tributação após a reforma tributária, o Inesfa teme pelo futuro do setor.
“Sabemos que haverá impacto, mas no momento não conseguimos afirmar qual será na cadeia da reciclagem. Há muitas particularidades no setor. Já solicitamos reuniões com a Receita para fazer essa avaliação e estamos participando ativamente do Fórum Nacional da Economia Circular, do MIDC”, diz Alvarenga.
Valor - SP 24/02/2026
Analistas da agência destacaram que o rebaixamento reflete o aumento dos desafios no processo de refinanciamento da dívida da companhia
A Moody’s Local Brasil cortou a nota de crédito nacional da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de “AA+.br” para “AA.br” e a colocou em revisão para novo rebaixamento.
Os analistas Alain Nicolau, Patricia Maniero e Felipe Lima escrevem que o rebaixamento reflete o aumento dos desafios no processo de refinanciamento da dívida da companhia.
Isso se deve à contínua queima de caixa no segmento de siderurgia, o recente aumento da aversão ao risco no mercado e a percepção de falta de celeridade no processo de ajuste na estrutura de capital.
Ao mesmo tempo, a agência de classificação de riscos afirma que a alavancagem permanece persistentemente elevada, limitando a flexibilidade financeira e mantendo pressão relevante sobre o perfil de crédito da CSN.
A revisão para rebaixamento decorre das incertezas relacionadas ao andamento do processo de venda de participações, que permitam redução na dívida, e do processo de refinanciamento em meio a um ambiente volátil.
As medidas antidumping anunciadas pelas autoridades em janeiro e fevereiro podem oferecer algum suporte à recuperação do segmento de siderurgia, e, potencialmente, reduzir o consumo de caixa, mas a efetividade dessas medidas ainda é incerta.
Globo Online - RJ 24/02/2026
O Brasil é o país mais beneficiado pela mudança na taxação para os produtos importados pelos Estados Unidos. Segundo cálculos feitos pelo economista-chefe para América Latina do banco Goldman Sachs, Alberto Ramos, a tarifa média para exportar para os EUA caiu dez pontos percentuais, de 23% para 13%, após a Suprema Corte americana ter suspendido o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que o presidente Donald Trump havia usado para impor as chamadas tarifas recíprocas globais, no ano passado. No caso brasileiro, elas chegavam a 50% em alguns produtos.
Como foi um dos países que sofreram as taxações mais altas, ao lado da China e da Índia, o Brasil foi o mais beneficiado, mesmo que se concretizem os 15% de taxação global que Trump anunciou no sábado. Por enquanto, o decreto da Casa Branca, assinado na noite de sexta-feira, estabelece uma taxa de 10%, que entra em vigor hoje. Isso, no entanto, pode mudar, lembra Ramos:
— Mas essa taxação incide sobre uma base muito pequena, sobre 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Em termos macroeconômicos, o efeito é mínimo, atinge US$ 16 bilhões em um total de US$ 43 bilhões de exportações.
Dessa média de 13% de tarifas, o grupo de produtos mais taxados, de acordo com o estudo do banco, é o de aço, alumínio e cobre, com alíquota de 50%. A seguir, vêm veículos e peças, com 25%, e madeiras e móveis, cuja taxação fica entre 10% e 25%.
O economista estima que taxações semelhantes à de 15%, recém-imposta, permaneçam até o fim deste ano, com as mesmas isenções que existiam antes da derrubada da IEEPA. Mas depois de julho, quando termina o prazo de 150 dias da vigência dessa nova taxação, pode haver algum alívio, avalia Ramos.
“O balanço de riscos inclina-se para tarifas mais baixas após julho, visto que o governo pode ter dificuldades em substituir integralmente as tarifas da Seção 122, que expiram, utilizando outras leis. No entanto, após as eleições de meio de mandato e até o início de 2027, os riscos inclinam-se para tarifas mais altas”, escreveu o economista em seu relatório.
O governo pode aumentar o uso da Seção 301, que demanda um processo para ser aplicada, mas que não tem tarifa limite ou alcance — na 122, o teto é 15%. Essa seção é usada principalmente para combater barreiras não tarifárias. O Brasil já é alvo de processo pela Seção 301, e pode haver novas restrições, afirma Ramos:
— O Brasil é relativamente vulnerável. Há uma quantidade enorme de restrições aplicadas pelo Brasil. Então, é possível que, depois de cinco meses, venham a aplicar essa tarifa. O processo está em andamento, e o Brasil pega pesado nas restrições comerciais, nos entraves para o comércio internacional.
Taxação por produto
O governo americano também pode lançar mão da Seção 232, que taxa o produto — como aço e alumínio, no caso brasileiro — e não o país, alegando questões de segurança nacional. Nesse caso, o Brasil pode negociar, o que já foi feito em outras ocasiões, fixando cotas de importação antes da aplicação da tarifa.
— Isso, México e Brasil podem fazer: substituir tarifa por uma cota, as primeiras 600 toneladas e aço com uma tarifa menor, por exemplo. É uma opção — afirma Ramos.
O Estado de S.Paulo - SP 24/02/2026
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 caiu de 12,25% para 12,13%, depois de oito semanas de estabilidade. Considerando só as 92 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12,00%.
A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 54ª semana seguida. Considerando só as 87 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também permaneceu em 10,50%.
A mediana para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,00%, pela 5ª semana seguida. Para 2029, a mediana continuou em 9,50%, pela 17ª leitura consecutiva.
Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quinta vez seguida, mas indicou que pode começar o processo de corte dos juros na próxima reunião, em março.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse a ata da decisão.
Inflação
A mediana para o IPCA de 2026 caiu de 3,95% para 3,91%. A taxa está 0,59 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 4,00%. Considerando apenas as 113 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida diminuiu de 3,92% para 3,88%.
A projeção para o IPCA de 2027 seguiu em 3,80%, pela 16ª semana consecutiva. Considerando apenas as 108 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 3,70% para 3,80%.
O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus do ano, que previa alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.
Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Copom, o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
No Focus desta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2028 e 2029 seguiram em 3,50%, pela 16ª e 25ª semanas consecutivas.
PIB
A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 aumentou levemente, de 1,80% para 1,82%, após dez semanas de estabilidade. Considerando apenas as 78 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, porém, a estimativa caiu de 1,90% para 1,82%.
O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 seguiu em 1,80%, pela 8ª semana seguida. Considerando só as 65 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, também permaneceu em 1,80%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 102ª e 49ª semana seguida, respectivamente.
Dólar
A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45, depois de 18 semanas de estabilidade.
A projeção para a moeda no fim de 2027 seguiu em R$ 5,50, pela 3ª semana seguida. Há um mês, era de R$ 5,51.
Para o fim de 2028, também seguiu em R$ 5,50, pela 2ª semana consecutiva. Há um mês, era de R$ 5,52. Para 2029, a projeção oscilou de R$ 5,51 para R$ 5,52. Há um mês, eram de R$ 5,58.
A moeda americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
Infomoney - SP 24/02/2026
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira, 23, que o governo confia no início do ciclo de cortes dos juros de referência, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março.
“Estamos confiantes que na próxima reunião do Copom comece a redução da taxa de juros”, disse Alckmin durante reunião com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Alckmin citou a apreciação do real e a desinflação dos alimentos ao justificar a expectativa de queda dos juros, já indicada, inclusive, pelo próprio Copom.
Aos empresários da indústria, Alckmin disse também que o ministério trabalha para levantar mais recursos ao programa de depreciação acelerada, que visa estimular investimentos em máquinas e equipamentos.
Em outra frente, frisou, há um esforço para aumentar os financiamentos a juros de um dígito para bens de capital, para volume superior aos R$ 12 bilhões oferecidos no ano passado na linha do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
IstoÉ Dinheiro - SP 24/02/2026
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 2,070 bilhões na terceira semana de fevereiro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 23, o valor foi alcançado com exportações de US$ 5,790 bilhões e importações de US$ 3,719 bilhões.
O mês de fevereiro acumula superávit de US$ 2,825 bilhões (resultado de exportações de US$ 19,478 bilhões e importações de US$ 16,652 bilhões).
De janeiro até a terceira semana de fevereiro, o ano acumula superávit de US$ 7,168 bilhões. A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano. Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.
Até a terceira semana de fevereiro, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações cresceram 31,7%. O desempenho dos setores na terceira semana de fevereiro foi o seguinte: crescimento de 10,6% em Agropecuária, que somou US$ 3,482 bilhões; crescimento de 70,5% em Indústria Extrativa, que somou US$ 4,727 bilhões e, por fim, crescimento de 26,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 11,141 bilhões.
Em relação às importações, houve crescimento de 10,3%, até a terceira semana de fevereiro na mesma comparação. Houve queda de 17,3% em Agropecuária, que somou US$ 284,7 milhões; crescimento de 7,5% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 661,5 milhões e, por fim, crescimento de 11,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 15,635 bilhões.
Diário do Comércio - MG 24/02/2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta segunda-feira (23) que o custo da redução de jornada de trabalho até 40 horas poderia ser de R$ 178,2 bilhões a R$ 267,2 bilhões por ano. Isso significaria um impacto de 7% na folha de pagamentos. A projeção considerou dois cenários: compensando a redução com horas extras ou com contratações novas.
Segundo a projeção da CNI, os impactos serão sentidos com maior força na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais.
De um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada pela empresa para manter o número de horas atuais de produção.
Exemplos de impactos por setores econômicos:
Segundo a entidade, o impacto imediato da proposta seria um aumento de aproximadamente 10% no valor da hora trabalhada regular para quem tivesse contrato de 40h. Caso as horas não fossem repostas, para a CNI, haveria redução na atividade econômica.
“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, alerta o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A CNI também estima que os setores mais afetados seriam as micro e pequenas empresas. Negócios com até nove empregados, por exemplo, teriam alta de R$ 4,5 bilhões a R$ 6,8 bilhões, representando de 8,7% a 13% de aumento com gasto de pessoal.
Nas empresas com mais de 250 empregados, os impactos variam de R$ 27,5 bilhões a R$ 41,4 bilhões, dependendo dos cenários citados. Em porcentual, o aumento seria de 6,6% a 9,8% nesse caso.
O Estado de S.Paulo - SP 24/02/2026
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, na semana passada, de derrubar o poder do presidente Donald Trump de taxar o mundo — e que, no caso do Brasil, impunha tarifas de até 50% — foi vista como um alívio pela indústria nacional, mas sem espaço para comemorações. Embora a medida beneficie cerca de US$ 21,6 bilhões em exportações, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o anúncio de uma tarifa global de 15% e a possibilidade de Trump buscar novas bases legais para restabelecer as sobretaxas mantêm exportadores em estado de cautela diante do risco de novas barreiras comerciais.
Em coletiva convocada após o julgamento, Trump disse que a Suprema Corte não anulou as tarifas, mas sim um dos formatos possíveis para a sua aplicação, deixando no ar a possibilidade de usar outras vias para não perder um instrumento que rendeu US$ 133 bilhões em arrecadação. Segundo o tribunal, a lei de emergência, base do tarifaço, não autoriza o presidente a impor tarifas. A decisão não fecha as portas, contudo, para Trump aplicar as tarifas sob outras leis. Tanto que as tarifas específicas, que atingem produtos como aço e alumínio, seguem sem alteração.
A preocupação maior dos exportadores brasileiros é com as investigações sobre políticas e práticas que, para o presidente dos Estados Unidos, prejudicam empresas americanas. Pix, tarifas comerciais, propriedade intelectual e desmatamento ilegal entram na lista, que pode levar a sanções contra o Brasil dentro da seção 301 da Lei de Comércio.
Se essas investigações, iniciadas em julho, tiverem um desfecho ruim para o Brasil, Trump pode voltar a aplicar tarifas elevadíssimas. Como destacou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), produtos brasileiros poderão ser atingidos por novas sobretaxas muito antes de concorrentes internacionais, cujos processos de investigação só começam agora.
Por isso, a derrubada do tarifaço não mereceu comemoração efusiva de seus beneficiados no Brasil. Longe disso. Nas contas da CNI, a decisão da Suprema Corte beneficia US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos, um impacto tido como significativo. Mas a entidade da indústria disse que acompanha tudo com atenção e cautela.
“Se a gente embarcar hoje uma mercadoria para os Estados Unidos, pode acontecer que, no período de transporte, antes do desembaraço, volte alguma tarifa. Isso nós só vamos saber com o tempo”, comentou José Velloso, presidente executivo da Abimaq, a entidade que representa a indústria de máquinas e equipamentos, um dos setores mais prejudicados pelo tarifaço.
A Abicalçados, a entidade da indústria de calçados, publicou nota na qual diz que a decisão da Suprema Corte é positiva, porém “vista com cautela”. O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, afirmou que o mercado permanece sob elevado nível de incerteza.
Um dos desdobramentos pode ser a corrida de exportadores por indenizações e reembolsos pelas tarifas que, conforme decidiu o tribunal, não poderiam ser cobradas por Trump. De acordo com o advogado tributarista Luís Garcia, sócio do Tax Group, empresas poderão entrar com ações judiciais nos EUA para serem ressarcidas. “O reembolso não é automático e dependerá de cada caso”, comenta.
Apesar da corrida da Casa Branca para encontrar caminhos alternativos para taxar o mundo, o cientista político americano e presidente da Eurasia, Ian Bremmer, vê potenciais beneficiários, sendo o Brasil um deles.
“Alguns países verão tarifas mais baixas por causa da decisão da Suprema Corte, particularmente China, Canadá, México e Brasil, onde a diferença entre a taxa atual e a tarifa final de 15% é a maior, e isso significa que menos dinheiro está entrando no governo dos EUA”, prevê Bremmer.
Reembolsos
Em paralelo, analistas em Wall Street começaram a calcular o potencial impacto dos novos desdobramentos na política comercial americana. No ano passado, os EUA arrecadaram aproximadamente US$ 264 bilhões em receita tarifária, de acordo com o Wells Fargo. O banco americano estima que metade dessa cifra, ou seja, cerca de US$ 130 bilhões, foi obtida por força do uso da IEEPA para taxar parceiros comerciais, estimativa citada também pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent. A Penn-Wharton Budget Model, por outro lado, calcula a arrecadação do ano passado em US$ 175 bilhões.
O Morgan Stanley avalia que os reembolsos a importadores americanos pelas tarifas de Trump podem alcançar em média US$ 85 bilhões, assumindo formato limitado em tamanho e com poucos impactos sobre intenções de gastos e contratações empresariais.
Para o também americano Jefferies, empresas que entraram com ações judiciais contra as tarifas de Trump, a exemplo do Costco, podem estar melhor posicionadas para buscar esse reparo primeiro. Além da rede atacadista queridinha dos americanos, uma série de empresas, como importadoras de sucos de laranja do Brasil, também entraram na Justiça contra o tarifaço do chefe da Casa Branca.
Bessent demonstrou surpresa com a decisão da Suprema Corte, mas disse que não se trata de uma “derrota” para o governo e que nada muda em relação à receita tarifária ou aos acordos comerciais fechados, embora as alíquotas tenham de ser estabelecidas de maneira menos direta do que com a IEEPA.
Economistas em Wall Street alertam que, ainda que a gestão Trump encontre novos caminhos para aliviar os efeitos da decisão da Suprema Corte, a alíquota efetiva dos EUA pode cair à frente.
IstoÉ Dinheiro - SP 24/02/2026
O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Christopher Waller afirmou que a decisão entre pausar ou retomar o corte de juros na próxima reunião, marcada para março, dependerá da confirmação – ou não – de uma melhora sustentada no mercado de trabalho, após o forte resultado do payroll de janeiro. Durante discurso em evento, Waller ponderou que se os dados de fevereiro corroborarem a recuperação e vierem acompanhados de novo avanço da inflação rumo a 2%, sua visão “poderá se inclinar para uma pausa” no encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) de março.
Por outro lado, caso os números frustrem a leitura de estabilização e apontem continuidade da fraqueza observada em 2025, haverá “um argumento igualmente plausível” para uma nova redução da taxa básica.
Waller destacou que o relatório de janeiro veio “substancialmente melhor do que eu esperava”, com criação de vagas superior à dos nove meses anteriores combinados e avanço de 172 mil postos no setor privado. O resultado, disse, foi uma “surpresa positiva” e sugere que o mercado pode estar virando a página.
O diretor ponderou, porém, que “um mês não é tendência”, especialmente após um 2025 “extraordinariamente fraco para criação de empregos”, possivelmente um dos piores anos fora de recessão em décadas, pontuou. Waller observou que a criação líquida próxima de zero indica um mercado “fraco e frágil”, apesar do ambiente de poucas contratações e poucas demissões.
O dirigente também ressaltou que as vagas de janeiro ficaram concentradas em poucos setores, como saúde e construção, e que indicadores privados divergiram do dado oficial, o que reforça a cautela. Ainda assim, afirmou que não pode descartar a possibilidade de que o mercado de trabalho tenha se estabilizado.
“Como as coisas estão hoje”, avaliou o diretor do Fed, os dois cenários – pausa ou corte – estão próximos de um “cara ou coroa”, e a decisão dependerá essencialmente dos próximos dados de emprego.
Agência Brasil - DF 24/02/2026
A Justiça Federal de Minas Gerais iniciou nesta segunda-feira (23) as audiências de instrução e julgamento sobre o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. O caso envolve 17 réus, apura crimes ambientais e 272 homicídios decorrentes da tragédia-crime.
Figuram como réus na ação penal a Vale S.A., a multinacional TÜV SÜD e 16 ex-executivos vinculados às empresas. As audiências têm como objetivo ouvir réus e testemunhas, além de aprofundar a produção de provas sobre eventuais falhas nos sistemas de segurança e possíveis condutas negligentes associadas ao rompimento.
Entre os pontos centrais estão a verificação de responsabilidades técnicas, decisões administrativas e medidas de segurança adotadas antes do colapso da estrutura.
A fase de instrução e julgamento contará com 76 sessões, previstas para ocorrer até 17 de maio de 2027. Os trabalhos serão realizados sempre às segundas e sextas-feiras, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Belo Horizonte.
Histórico
A tragédia-crime ocorreu em 25 de janeiro de 2019, quando a barragem de rejeitos se rompeu e liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de lama. O desastre provocou 272 mortes confirmadas, destruição ambiental em larga escala e a contaminação do Rio Paraopeba.
Além das perdas humanas, os impactos ambientais e socioeconômicos atingiram centenas de quilômetros. Vegetação, fauna e cursos de água foram afetados ao longo de mais de 20 municípios.
Os danos extrapolaram os limites da bacia do Paraopeba, alcançaram municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte e geraram reflexos em todo o Estado de Minas Gerais.
A barragem B-I foi construída em 1976. A estrutura foi adquirida pela Vale em 2001. Com 86 metros de altura e 720 metros de comprimento da crista, a barragem era destinada à disposição de rejeitos do beneficiamento a úmido de minério de ferro.
Segundo informações apresentadas no processo, os rejeitos ocupavam uma área de aproximadamente 250 mil metros quadrados. A empresa afirmou, à época, que a barragem estava inativa e em fase de descaracterização.
Globo Online - RJ 24/02/2026
Para setores atingidos com tarifas de 50%, a sobretaxa de 15% anunciada pelo presidente Donald Trump no sábado, representa até um alívio. Mas teme-se que novas taxas sejam impostas após a conclusão das investigações da chamada Seção 301 da Lei de Comércio americana, em maio.
O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso Dias Cardoso, avalia que, com uma tarifa de 15%, será possível possível recuperar os 9% de exportações para o mercado americano perdidos em 2025, pois o Brasil ficará “em pé de igualdade” com concorrentes europeus e asiáticos.
Ele lembra que 82% dos negócios do setor de máquinas e equipamentos são feitos entre companhias — multinacionais americanas vendendo para filiais brasileiras, e vice-versa. Como as investigações pela Seção 301 devem ser concluídas até o fim de maio, não se descartam novas tarifas. Por isso, Velloso recomenda que as companhias transfiram estoques para os EUA o mais rapidamente possível:
— Como a exportação leva cerca de 45 dias, essas máquinas chegariam antes de maio, ainda com a tarifa de 15%.
No ano passado, as exportações americanas de máquinas e equipamentos para o Brasil totalizaram aproximadamente US$ 4,8 bilhões, um crescimento de 2,5% em relação a 2024 (US$ 4,7 bilhões). Já as as vendas brasileiras aos EUA ficaram em US$ 3,2 bilhões, uma queda de 9,1% frente a 2024 (US$ 3,5 bilhões). Portanto, os EUA tem um superávit com as vendas ao Brasil, motivo para que não haja mais taxação, diz Velloso.
Segundo o presidente da Abimaq, o maior impacto para o setor ocorreu apenas no terceiro quadrimestre do ano passado, porque muitas negociações haviam sido fechadas antes do tarifaço. Por isso não houve demissões ou fechamento de fábricas, apenas queda de vendas. Se forem mantidos os 15% de taxas, será possível recuperar integralmente as vendas perdidas ano passado.
Recuperação de empregos
No setor de pescados, que ficou fora da lista de isenções, há expectativa de, com a tarifa de 15%, repor os US$ 200 milhões que deixaram de ser vendidos ao mercado americano no ano passado. Poderiam ser recuperados os 5 mil postos de trabalho perdidos. O setor de pescados no Brasil, englobando a piscicultura (cultivo) e a pesca, gera cerca de 1 milhão de empregos diretos.
Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, a vigência do tarifaço foi um dos períodos mais desafiadores do setor. A tilápia, por exemplo, tem os EUA como destino de mais de 90% de seus embarques.
— As tarifas de até 50% em 2025 provocaram forte impacto sobre nossa competitividade — afirma Lobo.
O presidente da Abipesca destaca que os Ministérios da Agricultura e da Pesca se empenharam na abertura de novos mercados e, sem eles, o prejuízo teria sido ainda maior. O ano passado fechou com US$ 450 milhões em vendas ao exterior, sendo US$ 191 milhões ainda para os Estados Unidos. As vendas do setor para os EUA caíram quase 7% para 28,1 mil toneladas.
Já o setor calçadista vê a tarifa de 15% com “otimismo cauteloso”, pois ela elimina a vantagem de concorrentes, especialmente asiáticos, diz o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira.
O setor foi bastante afetado pelo tarifaço. Até julho de 2025, as vendas de calçados brasileiros cresciam 15% em volume. Mas, entre agosto e dezembro de 2025, os embarques para os EUA caíram 23,4% em volume. Tendência que se manteve em janeiro deste ano: houve retração de 45,7% e 26,8% em dólares e pares, respectivamente.
Dados do Ministério do Trabalho indicam que o setor perdeu mais de 10,9 mil empregos somente em dezembro passado. No ano, houve fechamento de 3 mil postos de trabalho, e o setor encerrou com um total de 273,9 mil pessoas empregadas diretamente na atividade, 1,1% menos do que em 2024. Esse número negativo foi reflexo da queda na produção de calçados, que foi de 2,2% em relação a 2024.
Valor - SP 24/02/2026
Recall envolve a substituição dos pacotes de bateria de alta voltagem no SUV compacto, que é um modelo crucial na tentativa da Volvo de competir com marcas chinesas mais baratas
A Volvo Cars fará o recall de mais de 40 mil de seus utilitários (SUVs) elétricos EX30 devido ao risco de superaquecimento de seus pacotes de baterias, disse a empresa à Reuters nesta segunda-feira (23), um movimento que pode prejudicar a reputação arduamente conquistada da montadora em segurança e custar milhões de dólares.
O recall, até então não reportado, envolve a substituição dos pacotes de bateria de alta voltagem no SUV compacto que é um modelo crucial na tentativa da Volvo de competir com marcas chinesas mais baratas. A segurança das baterias é uma questão altamente sensível para montadoras e consumidores de veículos elétricos.
Um total de 40.323 unidades dos modelos EX30 Single-Motor Extended Range e Twin-Motor Performance equipados com essas células de alta voltagem são afetados, disse a montadora sueca, controlada pela chinesa Geely, em resposta a perguntas da Reuters.
“Estamos agora contatando os proprietários de todos os carros afetados para orientá-los sobre os próximos passos”, disse a Volvo.
Na pressa para desenvolver novos veículos elétricos, algumas montadoras enfrentaram defeitos de bateria. Em 2020, um risco de incêndio forçou a General Motors a fazer recall de 140 mil unidades do Chevy Bolt com baterias fornecidas pela sul-coreana LG Electronics, operação que custou US$ 2 bilhões.
Os problemas de bateria da Volvo surgem no momento em que a montadora persegue um plano de economia de US$ 1,9 bilhão e uma integração mais profunda com a controladora Geely. As baterias foram fabricadas por uma joint venture apoiada pela Geely, a Shandong Geely Sunwoda Power Battery Co. A Volvo afirmou que o fornecedor corrigiu o problema e fornecerá as novas células de bateria.
‘Eles precisam acertar’
A Volvo afirmou que substituirá gratuitamente os módulos de bateria afetados e, enquanto isso, pede que os proprietários continuem limitando o carregamento a 70% para eliminar o risco de incêndio.
“O EX30 é especialmente importante para a Volvo, então eles precisam acertar”, disse Sam Fiorani, vice-presidente de previsão global de veículos da AutoForecast Solutions.
Desde dezembro, a Volvo tem informado proprietários do EX30 em mais de uma dúzia de países, incluindo Estados Unidos, Austrália e Brasil, para estacionar longe de edifícios e limitar o carregamento a 70%, segundo documentos regulatórios e a própria empresa.
Andy Palmer, veterano da indústria que supervisionou o lançamento do Leaf, da Nissan, em 2010, disse que a Volvo tem menos margem para erros do que rivais, já que sua reputação de segurança é central para sua identidade.
“A Volvo não pode permitir um problema de segurança porque isso atinge o coração de sua marca”, afirmou.
Custo potencialmente alto
Somente os novos pacotes de bateria do EX30 podem custar US$ 195 milhões, excluindo logística e custos de reparo, de acordo com uma análise da Reuters baseada no que um fabricante de baterias chinês poderia cobrar. A Volvo disse que os cálculos eram “de natureza especulativa” e que a montadora estava em negociações com o fornecedor.
Antes da notícia do recall, a Reuters conversou com dois proprietários do EX30 que queriam devolver seus carros, destacando o potencial impacto.
O corretor de seguros britânico Matthew Owen disse que escolheu o EX30 por sua autonomia e pela reputação de segurança da Volvo, acrescentando que a montadora deveria assumir a responsabilidade porque está “produzindo um carro que é perigoso”.
Tony Lu, proprietário de um EX30 na Nova Zelândia, disse que enfrentava custos mais altos porque o limite de carregamento reduziu a autonomia do carro.
“Eu ficaria absolutamente encantado se eles comprassem o carro de volta”, disse Lu.
Valor - SP 24/02/2026
A gigante chinesa do setor automotivo BYD registrou um aumento de quase três vezes nas vendas na Europa no mês passado em relação a um ano antes, um início de ano brilhante, já que seus veículos elétricos e híbridos continuam em alta demanda no continente.
Os registros de carros novos da BYD, um reflexo das vendas, saltaram para 18.242 unidades no mês passado, ante 6.884 em janeiro de 2025, em toda a União Europeia, Reino Unido, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea).
As vendas da BYD na Europa dispararam todos os meses — às vezes quase cinco vezes — desde que a Acea começou a incluir a empresa em seus dados no verão passado, ressaltando o crescente interesse por sua linha de veículos entre os motoristas europeus, representando uma ameaça para as montadoras tradicionais.
A Volkswagen, da Alemanha, registrou uma queda de 3,8% nas vendas na Europa no mês passado, enquanto os registros da BMW e da Renault caíram 5,7% e 15%, respectivamente, de acordo com dados da Acea. Embora essas empresas ainda tenham vendido muito mais veículos na Europa do que a BYD, os números em queda são uma prova da forte concorrência que as montadoras nacionais enfrentam de sua rival chinesa.
No início deste mês, a Stellantis, fabricante da Jeep, disse que registraria encargos de cerca de US$ 26 bilhões como parte de uma mudança para longe dos veículos elétricos em meio a uma demanda mais fraca do que a esperada. Várias montadoras tiveram que revisar suas linhas de produtos e reduzir a produção de veículos elétricos nos últimos anos, enquanto lutavam para convencer os motoristas a fazer a transição para a eletricidade.
A BYD vendeu mais do que a Tesla, de Elon Musk, na Europa no mês passado. Os registros de carros novos da Tesla caíram 17% em relação ao ano anterior, para 8.075 unidades em janeiro, de acordo com dados da Acea, ampliando a tendência de queda nas vendas da fabricante de veículos elétricos de Elon Musk, que se intensificou no ano passado em meio à reação negativa dos clientes contra o envolvimento temporário do bilionário com o governo Trump, o vencimento dos créditos fiscais federais para veículos elétricos nos EUA e a forte concorrência.
As vendas globais da Tesla caíram cerca de 1% em 2024 e 9% no ano passado. A BYD recentemente destronou a Tesla como a maior vendedora de veículos elétricos do mundo.
Os dados da Acea mostraram que as vendas de veículos elétricos a bateria na Europa cresceram quase 14% em relação ao ano anterior em janeiro. Os registros de carros híbridos aumentaram 6,4%, enquanto os modelos híbridos plug-in cresceram 32%.
A Acea informou que os registros de carros de passeio caíram 3,5% na Europa como um todo e 3,9% na UE, com as vendas diminuindo 6,6% na Alemanha e na França, mas subindo 6,2% na Itália.
CNN Brasil - SP 24/02/2026
A engrenagem desse choque é menos conjuntural e mais estrutural. Ao longo da última década, a China expandiu sua capacidade automotiva com crédito abundante, incentivos locais e integração vertical de baterias, semicondutores e software embarcado. O parque industrial cresceu mirando a escala global. A demanda doméstica, porém, perdeu tração e previsibilidade. O resultado é uma indústria operando abaixo do ponto ótimo de utilização, com estoques elevados e competição interna que evoluiu para uma guerra de preços persistente.
Quando o preço vira a principal variável de ajuste, a margem é a primeira vítima. Descontos agressivos comprimem EBITDA, pressionam fluxo de caixa e elevam a necessidade de financiamento de giro. Em um setor intensivo em CAPEX, com plantas de alto custo fixo, desligar a produção não é trivial. Manter linhas ativas preserva emprego, cadeia de fornecedores e arrecadação local — fatores politicamente sensíveis. Exportar passa a ser a válvula de escape racional.
Esse excedente encontra no mercado externo uma saída dupla: sustenta volume e dilui custo fixo, ao mesmo tempo em que desloca a pressão deflacionária para fora das fronteiras chinesas. Para consumidores globais, o efeito imediato é preço mais baixo em veículos, sobretudo elétricos. Para incumbentes na Europa, Japão e EUA, o choque é de margem e de estratégia: vender menos caro ou perder participação. Em ambos os casos, o retorno sobre o capital investido é tensionado.
O impacto não se limita às montadoras. Fornecedores de aço, química, autopeças e semicondutores entram na espiral de renegociação de contratos. Planos de investimento são reavaliados à luz de um cenário em que o preço internacional passa a ser ancorado por uma indústria com escala e apoio financeiro superiores. O risco é de compressão generalizada de rentabilidade no setor automotivo global.
Há, ainda, a camada geopolítica. Quando o ajuste doméstico de uma economia do tamanho da chinesa é externalizado via exportações agressivas, a resposta tende a vir pela política comercial. Tarifas, investigações antidumping e exigências de conteúdo local tornam-se instrumentos de defesa industrial. O automóvel, pela sua densidade tecnológica e peso no emprego, converte-se rapidamente em tema de soberania econômica.
No caso europeu, das discussões brasileiras sobre regimes automotivos e dos programas asiáticos de incentivo à produção de elétricos, as medidas em debate não assumem a forma clássica de barreiras diretas à importação — como cotas ou proibições formais a veículos chineses —, mas operam como critérios de elegibilidade para subsídios, créditos fiscais ou tratamento tarifário preferencial.
Em outras palavras, o carro pode entrar, mas o acesso aos benefícios públicos passa a depender de compromissos de conteúdo local, montagem doméstica ou integração à cadeia produtiva nacional. Esse desenho reflete uma estratégia de política industrial, voltada a preservar empregos, atrair CAPEX e internalizar etapas de maior valor agregado, e não simplesmente fechar mercado. A aplicação concreta dessas regras, contudo, varia conforme a legislação interna, os limites impostos pela OMC e as negociações bilaterais em curso. Na União Europeia, em especial, o arcabouço regulatório permanece em evolução acelerada, com possibilidade de formalização ou recalibragem de exigências de conteúdo local nos próximos meses, à medida que o bloco tenta equilibrar defesa industrial, metas climáticas e compromissos multilaterais.
Em termos macro, trata-se da exportação de um ajuste deflacionário. Se a China reequilibra o crescimento pela via industrial, e não pelo consumo, o efeito colateral é um piso global de preços mais baixo para bens duráveis. Isso alivia índices de inflação em alguns mercados, mas ao custo de maior fricção comercial e volatilidade nas decisões de CAPEX das montadoras ocidentais. O choque não é apenas setorial; é sistêmico.
IstoÉ Dinheiro - SP 24/02/2026
O projeto do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de transferir a sede do governo do estado para a região central da capital paulista já conta com dois consórcios confirmados para a disputa. O leilão que irá escolher quem irá conduzir o projeto está marcado para a próxima quinta-feira, 26, na B3.
A IstoÉ Dinheiro apurou que o primeiro grupo é liderado pela Construcap, em parceria com o grupo espanhol Acciona, que já é responsável pela obra da linha 6-laranja do Metrô. O segundo conta com cinco empresas. Liderado pela Zetta infraestrutura, tem ainda a M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos e Iron Property.
As empresas tinham até hoje para entregar os documentos para participar do processo de concessão do novo Centro Administrativo onde ficará a nova sede do governo. Com investimento estimado em R$ 6 bilhões, o projeto prevê a construção de sete edifícios e dez torres, que concentrarão o gabinete do governador, secretarias e dos órgãos estaduais.
+Lula e o presidente da Coreia do Sul lançam plano de ação bilateral
Após a construção, o contrato de concessão prevê ainda a administração e zeladoria, por 30 anos, da área de 60 mil metros quadrados, que receberá cerca de 22 mil servidores da nova sede do governo.
O plano da gestão Tarcísio de Freitas é revitalizar o centro de São Paulo. Durante anos, a região passou por um processo de degradação, com roubos recorrentes e venda e consumo de drogas na área que ficou conhecida como “cracolândia”. A situação se agravou ainda mais durante a pandemia, quando dezenas lojas fecharam as portas.
Além da construção da nova sede, o projeto prevê a restauração de 17 imóveis tombados e a ampliação em pelo menos 40% das áreas verdes do Parque Princesa Isabel. Da área total, 25 mil metros quadrados serão destinados para áreas de comércio e serviços e a construção de um novo terminal de ônibus, interligado à estação da Luz do Metrô e CPTM.
Infomoney - SP 24/02/2026
Apesar o crescimento dos estoques, o mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com recordes em lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, mesmo em um cenário de juros elevados, e a expectativa é que 2026 ao menos bata os bons resultados do ano anterior. As impressões e dados fazem parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre de 2025, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta segunda-feira (23).
Ao longo de 2025, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, alta de 10,6% em relação a 2024. O valor geral lançado (VGL) somou R$ 292,3 bilhões.
Para o conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, o desempenho mostra que as incorporadoras reagiram diretamente à demanda, mesmo em um ambiente de crédito mais caro.
“Apesar da taxa de juros, 2025 foi um ano de recordes. O incorporador seguiu sentindo a demanda aquecida e seguiu lançando”, afirmou Petrucci.
Os empreendimentos verticais residenciais monitorados pela pesquisa alcançaram 221 cidades no país.
Do lado das vendas, o setor também registrou marcas históricas. No 4º trimestre de 2025, foram comercializadas 109 mil unidades residenciais, o maior volume já observado para um trimestre. No acumulado do ano, as vendas somaram 426.260 unidades, alta de 5,4% em relação a 2024, configurando outro recorde anual.
Em termos de valor, o setor movimentou R$ 67 bilhões em vendas apenas no 4º trimestre. No ano, o VGV (Valor Geral de Vendas) chegou a R$ 264,2 bilhões, crescimento de 3,5% na comparação com 2024.
Regionalmente, no acumulado de 12 meses, o Sudeste liderou as vendas, com 220.087 unidades, seguido pelo Sul (89.769 unidades), Nordeste (80.111 unidades), Centro-Oeste (23.540 unidades) e Norte (12.753 unidades).
Estoque sobe, mas escoamento permanece abaixo de um ano
A oferta final de imóveis residenciais verticais disponíveis ao fim do 4º trimestre de 2025 foi de 347.013 unidades, alta de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024. É o maior nível desde o 4º trimestre de 2023.
Apesar da elevação do estoque, o tempo de escoamento da oferta – indicador que estima em quantos meses o estoque atual seria vendido mantido o ritmo de vendas – ficou em 9,8 meses no 4º trimestre de 2025.
Segundo Fábio Tadeu Araújo, diretor-sócio da Brain Inteligência Estratégica, responsável pela pesquisa, esse patamar ainda indica um mercado relativamente saudável quando comparado a períodos de crise.
“É um escoamento rápido, de menos de um ano. Durante o pico da época dos distratos, em 2016 e 2017, esse indicador era de quase 30 meses, aquilo sim era uma crise”, disse Araújo.
O tempo de escoamento atual é o maior desde o 4º trimestre de 2024, quando o indicador estava em 9 meses. No 2º trimestre de 2025, o índice chegou a cair para 8,3 meses.
Minha Casa Minha Vida ganha ainda mais peso
O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve papel central na sustentação do mercado em 2025. Os lançamentos dentro do programa cresceram 13,9% em relação a 2024, enquanto as vendas avançaram 15,1% no mesmo período.
No ano, foram lançadas 228.842 unidades verticais no âmbito do MCMV, alta de 13,5% na comparação anual, e vendidas 196.876 unidades, incremento de 15,9%. Ao fim de 2025, o programa encerrou o ano com recorde de 69.168 unidades lançadas no 4º trimestre.
A participação do MCMV é mais relevante nas regiões Norte e Nordeste, onde se consolidou como principal pilar de produção habitacional. No Norte, o programa responde por 69% do setor e no Nordeste, 50%.
O escoamento da oferta no MCMV é ainda mais rápido que a média geral, em 7,9 meses. O preço médio das unidades do programa ficou em R$ 202,5 mil.
Preços sobem 18,6% em 12 meses e se descolam da inflação
Os dados apresentados pela CBIC também mostram uma forte valorização dos imóveis residenciais no país. Segundo Petrucci, os preços vêm se afastando dos principais índices de inflação desde o ano passado.
“FGV e Abecip capturam o IGMI-R, que mostra uma variação acumulada de 18,6% nos últimos 12 meses, muito descolada do IPCA, de 4,26%, e do INCC, de 5,9%. Desde 2024 a gente percebe um descolamento da variação imobiliária. A aquisição do imóvel continua sendo vantajosa e a valorização real do imóvel tem sido bastante alta”, disse.
Perspectivas positivas para 2026
A CBIC avalia que a projeção de demanda potencial permanece elevada, sustentada pelo nível recorde de intenção de compra e pelo papel do Minha Casa Minha Vida.
Para 2026, o setor trabalha com um cenário considerado mais favorável, com expectativa de queda adicional da taxa Selic e melhora das condições de crédito imobiliário. A meta do governo de contratar 3 milhões de unidades pelo MCMV até o fim do ano, aliada à garantia de orçamento do FGTS, é vista como um importante vetor de sustentação da demanda.
Além disso, a expansão do funding via SBPE e mercado de capitais, com crescimento projetado de 16% pela Abecip, deve contribuir para um aquecimento gradual do mercado ao longo do ano.
Nesse contexto, a avaliação dos representantes do setor é de que o mercado imobiliário em 2026 pode ter um desempenho superior ao de 2025, que já foi marcado por recordes em lançamentos e vendas, resiliência da demanda e consolidação do Minha Casa Minha Vida como pilar central da atividade.
CNN Brasil - SP 24/02/2026
O mercado imobiliário brasileiro alcançou resultados históricos em 2025, com o lançamento de 133.811 unidades no quarto trimestre, representando um crescimento de 18,6% em comparação com o trimestre anterior.
Durante todo o ano, o setor registrou um valor geral de lançamentos de R$ 292 bilhões, montante 10,6% superior ao registrado em 2024.
Fernando Guedes, secretário-executivo da CBIC (Câmara Brasileira da Industria da Construção), destacou que o programa Minha Casa Minha Vida foi fundamental para esse desempenho expressivo.
"Minha Casa Minha Vida corresponde a 50% do valor dos produtos vendidos no ano de 2025 e também lançados", afirmou Guedes.
Segundo ele, houve um esforço significativo do governo na contratação de novas unidades durante o ano, com investimentos e contratações recordes.
Demanda impulsiona setor mesmo com juros altos
Apesar do cenário de juros elevados durante praticamente todo o ano de 2025, o mercado imobiliário manteve-se aquecido. Guedes explica que isso ocorreu devido à forte demanda por moradia no país.
"Nós temos ainda um déficit habitacional alto e também tem a demanda muito forte em relação à mudança da postura, mudança da posição do morador hoje", destacou.
O executivo também mencionou que muitos brasileiros buscam sair do aluguel, realizar upgrades em suas moradias ou investir em unidades de pequeno tamanho para locação.
"O brasileiro tem enxergado no imóvel um investimento seguro, que inclusive rende acima, valoriza acima dos principais indicadores, como inflação e às vezes até alguns de investimento", explicou.
Expansão regional e perspectivas para 2026
O programa habitacional registrou crescimento significativo em regiões que anteriormente apresentavam menor atividade.
"Houve um incremento de alguns mercados que antes estavam meio devagar, como a região norte, a própria região nordeste, com um incremento muito grande de unidades entregues", destacou Guedes.
Para 2026, as perspectivas são positivas, especialmente com a expectativa de queda nas taxas de juros. O orçamento do FGTS destinado ao programa Minha Casa Minha Vida será de R$ 144 bilhões, valor considerado recorde.
Além disso, a readequação do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) deve impulsionar o mercado de média renda.
"Com certeza, vindo a queda de juros, a gente insere mais pessoas dentro do mercado imobiliário", concluiu Guedes.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN.
Revista Ferroviaria - RJ 24/02/2026
O debate recente sobre a nova Política Nacional de Ferrovias, veiculado nesta Folha, é bem-vindo e necessário (A nova política ferroviária e o discurso que a acompanha, Mauricio Portugal Ribeiro, 28/1).
Trata-se de uma política ambiciosa, voltada a destravar investimentos em um setor intensivo em capital e historicamente marcado por projetos que não saem do papel. Por isso, sua credibilidade depende menos do discurso e mais da clareza sobre as fontes de recursos que sustentam os investimentos.
Uma crítica recorrente ao modelo conhecido internacionalmente como Viability Gap Funding é a suposta ausência de definição das fontes de recursos destinadas a cobrir o gap de viabilidade financeira dos projetos ferroviários e seus impactos fiscais. Essa percepção, contudo, não corresponde ao desenho institucional adotado nem aos instrumentos já existentes no âmbito da política nacional de outorgas ferroviárias.
Todos os projetos Publicado na edição da Revista Ferroviária
Injeção de ânimo: o setor projeta forte crescimento a partir de 2026
Política Nacional de Outorgas Ferroviárias deve destravar investimentos e uma carteira com novos leilões e projetos.
Conheça todos os projetos
A nova política parte de um princípio simples: projetos estruturantes exigem recursos adicionais claramente identificados, públicos e privados, destinados exclusivamente à formação de capital. Esses recursos não são hipotéticos. Estão previstos em fontes específicas, com governança definida e mecanismos de alocação já em funcionamento.
Plano ferroviário para 2026 e 2027
No campo privado, a política se ancora no instrumento do investimento cruzado, previsto em lei. A legislação permite que concessionárias ferroviárias invistam em malhas de interesse da administração pública, sob diretrizes do poder concedente. Esse mecanismo não gera impacto no endividamento público e já vem sendo utilizado em acordos formalizados, com valores e execução definidos. Para dar segurança jurídica e previsibilidade, o Ministério dos Transportes regulamentou o uso de contas vinculadas, assegurando rastreabilidade, controle e aplicação efetiva dos recursos em projetos ferroviários.
No caso dos recursos públicos, a política também não opera no vazio. Foi criada uma ação orçamentária específica de transferências de capital, autorizada pelo Ministério do Planejamento e aprovada pelo Congresso Nacional, destinada exclusivamente ao auxílio governamental em projetos ferroviários. Esses recursos integram o ciclo orçamentário regular, constam da lei orçamentária anual e são compatíveis com a carteira de projetos.
Além disso, a estratégia de funding público conta com fontes vinculadas criadas por lei. Um exemplo concreto é o pagamento à vista de R$ 4 bilhões realizado pela Vale à Conta Única do Tesouro Nacional, em fonte vinculada ao Ministério dos Transportes, no âmbito de um processo de conciliação. Esses recursos integram o arranjo financeiro da política e reforçam sua sustentabilidade fiscal.
O ponto central é que a política não se apoia em promessas genéricas de recursos futuros. Ela se estrutura sobre fontes identificadas, combinando investimentos privados, recursos vinculados e ação orçamentária própria, todos submetidos a regras de governança e controle. Cada projeto explicitará, desde a modelagem, a origem dos recursos necessários à sua viabilidade.
A inovação da nova Política Nacional de Ferrovias está nessa arquitetura financeira. É nela e não na retórica que reside a credibilidade da política.
Grandes Construções - SP 24/02/2026
Os aportes federais em rodovias somaram R$ 12,7 bilhões em 2025, montante equivalente a 76,2% de todo o valor desembolsado pela União e por estatais no setor de transportes ao longo do ano.
A informação, extraída do Boletim Unificado de janeiro de 2026, divulgado pelo Ministério dos Transportes, reforça a prioridade do modal rodoviário na matriz de infraestrutura brasileira e indica a continuidade de um fluxo de recursos essencial para assegurar trafegabilidade e segurança nas estradas - ambiente de trabalho de milhões de profissionais.
De acordo com os dados, a execução orçamentária no segmento rodoviário ultrapassou 100% do crédito autorizado para o exercício. Na prática, essa constância na aplicação dos investimentos representa obras em andamento, manutenção permanente e maior agilidade na recuperação de trechos desgastados da malha viária.
Para quem atua no transporte, os reflexos aparecem na redução do desgaste dos veículos, maior cumprimento de prazos e diminuição da exposição a acidentes provocados por falhas no pavimento.
“O investimento em rodovia salva vidas. Para quem vive na estrada, ver o recurso se transformar em asfalto novo e sinalização adequada significa trabalhar com mais segurança. A regularidade dos aportes garante proteção aos trabalhadores e às famílias que circulam pelo país”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg). A entidade reúne cerca de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o Brasil.
A manutenção dos pagamentos em patamar superior a R$ 12 bilhões anuais desde 2023 contribui para um ambiente de maior previsibilidade no planejamento logístico. Em um segmento que movimenta cargas de elevado valor agregado, como o de veículos novos, a continuidade dos investimentos públicos atua como base para ganhos de eficiência e produtividade.
“A previsibilidade é fundamental para a eficiência logística. Com estradas em melhores condições, conseguimos cumprir prazos com segurança e preservar os equipamentos. O transporte de veículos exige alto nível de precisão, e a permanência dos investimentos é decisiva para sustentar a operação de um setor que movimenta cerca de 3 milhões de veículos zero quilômetro por ano”, destaca Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.
Portos e Navios - SP 24/02/2026
Operação de contêineres na região atingiu a marca de 21,2 milhões de toneladas com alta de 9%, a maior dos últimos 5 anos
A movimentação portuária no Nordeste foi de 329,7 milhões de toneladas de cargas em 2025. Desse total, 242,6 milhões passaram por terminais autorizados e 87 milhões pelos portos públicos da região. Os dados foram compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o Nordeste se tornou uma porta de saída estratégica do Brasil para o mundo no ano passado: “estamos preparando a região para ser um hub logístico eficiente e competitivo internacionalmente", ressaltou.
Um dos indicadores mais expressivos do aperfeiçoamento logístico do setor aquaviário nordestino foi a operação de contêineres, que alcançou um crescimento bastante significativo em 2025: com alta de 9,4%. Os 21,2 milhões de toneladas de contêineres concentram o maior volume registrado desde 2021.
Além de facilitar o transporte intermodal, a carga conteinerizada garante mais eficiência operacional, padronização, segurança e melhor uso da infraestrutura portuária. Também otimiza o transporte de grandes volumes de mercadorias, reduzindo custos e tempo de movimentação no comércio internacional. Parte integrante da estratégia de diversificação dos investimentos do Ministério de Portos e Aeroportos no Nordeste, a operação ágil dos contêineres tem outra vantagem: conecta a indústria local ao mercado global.
Outro dado de destaque com base no Estatístico da Antaq foi a movimentação de granel sólido na região, com alta de 0,06%, alcançando a marca de 244,4 milhões de toneladas. Entre as mercadorias mais transportadas estão minério de ferro, petróleo e soja, além dos contêineres. A maioria desses produtos passou pelo Terminal Marítimo Ponta da Madeira (MA), que movimentou 172,4 milhões de toneladas. Já os portos públicos de Itaqui (MA) e de Suape (PE) registraram, respectivamente, 36,8 mi e 24,3 mi de toneladas de cargas. No Terminal Portuário do Pecém (CE) passaram 20,5 mi, enquanto no Terminal Aquaviário de Madre de Deus (BA) foram movimentados 20,2 milhões de toneladas de granel sólido.
Segundo Silvio Costa Filho, o Ministério valoriza o papel estratégico do Nordeste para o Brasil e segue avançando na diversificação de cargas e na modernização de seus portos. "Nesse sentido, temos trabalhado para ampliar a eficiência, a competitividade e a qualidade dos serviços portuários da região. Também garantimos mais segurança para o setor e fortalecemos os corredores logísticos que impulsionam o desenvolvimento da região", destacou o ministro.
IstoÉ Online - SP 24/02/2026
O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (23), a revogação de um decreto que previa a expansão de portos em rios da Amazônia para o transporte de grãos, após semanas de protestos indígenas, incluindo a ocupação de um terminal da multinacional Cargill.
A revogação do decreto era uma exigência de manifestantes que acampavam há mais de um mês em frente à entrada do terminal desse gigante agroindustrial americano na cidade de Santarém, estado do Pará.
Os protestos continuaram apesar de, há duas semanas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter anunciado a suspensão da dragagem no rio Tapajós, um afluente do rio Amazonas.
“Hoje se firmou a decisão pela revogação do decreto 12.600”, disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em coletiva de imprensa em Brasília após se reunir com representantes indígenas.
“Esse é um governo, inclusive, que leva a escuta ao ponto de recuar de uma decisão própria por entender, compreender a posição desses povos”, acrescentou.
As comunidades indígenas brasileiras se opõem à expansão portuária e, em particular, à dragagem de rios, que consideram vitais para seu modo de vida.
Portos e Navios - SP 24/02/2026
A Corporação Estatal de Construção Naval da China (CSSC) e a Corporação Nacional Nuclear da China Relatórios estão em fase final de projeto para a construção de um navio porta-contêineres com capacidade para 14.000 TEUs movido por um reator nuclear de sal fundido de tório (TMSR) e zero emissões de gases do efeito estufa. A expectativa das autoridades chineses é que as avaliações sejam encerradas em 2026 e a construção, iniciada antes do fim da década atual.
De acordo com o relatório preliminar do projeto, o navio não usará combustíveis marítimos convencionais e será movido inteiramente por um sistema TMSR de circuito fechado, que deverá gerar centenas de megawatts de energia térmica. Ele será construído em um dos estaleiros afiliados à Corporação Estatal de Construção Naval da China (CSSC) e será o primeiro porta-contêineres do mundo a usar a tecnologia de sais fundidos de tório, tecnologia preferida por engenheiros nucleares chineses, que a consideram mais segura, mais eficiente e com ganhos em escala na comparação com reatores tradicionais de urânio.
Em 2023, o estaleiro Jiangnan da CSSC apresentou proposta de um porta-contêineres de 24.000 TEUs com reator de sal fundido de quarta geração. Esse projeto, segundo os que o planejaram, apresenta elevados padrões de segurança, com o reator operando a altas temperaturas e baixas pressões e com sistema que evita a fusão do núcleo. Mas a construção das embarcações não significa, a princípio, que poderão ser operadas comercialmente. Apesar de os navios movidos a energia nuclear oferecerem vantagens em termos de autonomia, desempenho ambiental e eficiência operacional, a Organização Marítima Internacional (IMO) ainda não estabeleceu regulamentações específicas para sua operação como navios mercantes.
Jornal de Brasília - DF 24/02/2026
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse nesta segunda-feira, 23, que será apresentado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima quarta-feira ou na semana seguinte, o cronograma para a realização do leilão do terminal de contêineres do Porto de Santos (Tecon Santos 10). Ele não cravou data para o certame, mas falou da realização “ao longo do ano”.
“Naturalmente vamos ouvir o TCU (Tribunal de Contas da União), estamos ouvindo o ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Ao final será uma construção coletiva. Nós estamos internamente discutindo prazos, discutindo datas, vamos apresentar à Casa Civil e ao presidente, e, a partir daí, vamos tornar público esse roteiro”, disse ele, em conversa com jornalistas no Ministério.
Em janeiro, foi previsto que o leilão seria realizado entre fim março ou início de abril, com investimento esperado de R$ 6,4 bilhões. O edital ainda não foi publicado.
Segundo a pasta de Portos e Aeroportos, após o certame, haverá aumento de 50% na capacidade de movimentação de cargas do Porto de Santos.
Também em janeiro foi mencionado pelo ministro o número de 11 ou 12 potenciais investidores interessados no leilão do terminal de contêineres. Dos agentes em tratativa, já seria possível mapear entre dois ou três grupos brasileiros. A maior parte, contudo, são estrangeiros. Foram citadas, sem detalhamento, potenciais investidores chineses, norte-americanos, árabes, filipinos, bem como fundos de investimento.
O ministro também foi questionado nesta segunda sobre as operações no terminal portuário fluvial da Cargill em Santarém, no Pará, que permanecem paralisadas. Manifestantes indígenas estão ocupando as instalações. Ele disse que uma solução deverá ser dada até a terça.
petro notícias - sp 24/02/2026
África e América do Sul devem liderar a perfuração exploratória de alto impacto em 2026, com previsão de 19 e 15 poços, respectivamente, segundo a consultoria Westwood Global Energy Group. No Brasil, os destaques ficam para os poços de Tupinambá, da BP, e Morpho, da Petrobrás. Ao todo, a empresa estima a conclusão de cerca de 65 poços de alto impacto em todo o mundo ao longo do ano, volume semelhante ao registrado em 2025. Na América do Sul, as bacias Suriname-Guiana e Santos e Campos, no Brasil, devem concentrar a maior parte das atividades.
“Na Bacia de Santos, o poço Tupinambá, da BP, é apontado como um dos principais alvos do ano, com foco em uma grande estrutura do pré-sal próxima à descoberta de Bumerangue, realizada em 2025. Já na Margem Equatorial brasileira, em águas profundas, a Petrobras mantém a perfuração do poço Morpho, na Foz do Amazonas. Mais ao sudeste, na Bacia Potiguar, a estatal pretende perfurar o poço Mãe de Ouro, dando sequência à descoberta de Anhangá, anunciada em 2024“, afirmou o gerente de pesquisa de exploração da Westwood, Jamie Collard.
Poços de alto impacto em 2026 – clique para ampliar
No Suriname, a expectativa é de maior volume de poços exploratórios em comparação com a Guiana, onde o foco recente tem sido a avaliação e o desenvolvimento de projetos na licença Stabroek. A Petronas deve liderar as perfurações de alto impacto no Suriname, com ao menos dois poços previstos. Já a Shell concluiu recentemente o poço Araku Deep, na Planície de Demerara, sem sucesso comercial. Outros poços relevantes podem ser perfurados em águas profundas do Uruguai e na costa do Peru.
Já no continente africano, estão previstos quatro poços na Bacia de Orange, na Namíbia. A Chevron planeja perfurar o prospecto Gemsbock, marcando o primeiro poço na bacia de fronteira de Walvis desde 2018. Na Bacia de Tano-Marfim, quatro poços devem ser concluídos, sendo três operados pela Murphy Oil. O poço Civette foi finalizado sem sucesso em janeiro de 2026; Caracal está em perfuração; e Bubale deve iniciar operações ainda no primeiro trimestre.
Também são aguardados testes relevantes em bacias de fronteira, incluindo o poço Matsola, da Eni, na porção offshore da Bacia de Sirte; o Curad-1, da TPAO, na Somália; o Velox, da Shell, na Bacia de Heródoto; e o Piambo, da Azule Energy, no Mar do Namibe.
De acordo com a Westwood, embora os programas de perfuração ainda estejam sendo consolidados ao longo do primeiro trimestre, o cenário atual indica continuidade da desaceleração observada recentemente na exploração de alto impacto. Isso porque as companhias têm adotado maior disciplina na alocação de capital diante do ambiente de preços, ao mesmo tempo em que ampliam seus portfólios exploratórios para preservar oportunidades futuras.
AMÉRICA DO NORTE E ÁSIA PACÍFICO
Na América do Norte, a atividade deve permanecer moderada, com cerca de cinco poços de alto impacto previstos. O destaque é o Conifer-1, da BP, no Golfo do México, que marca o retorno da companhia ao Paleógeno em 2026. A empresa também avalia um prospecto de baixa permeabilidade próximo à descoberta de Kaskida. Shell, Chevron e TotalEnergies também devem perfurar poços relevantes na região. Não há previsão de conclusão de poços de alto impacto na vertente norte do Alasca ou no leste do Canadá.
Na Ásia-Pacífico, a estimativa é de 10 a 12 poços em 2026. Estão previstos testes em carbonatos em águas profundas na costa da Papua-Nova Guiné, em Mailu, e na Malásia, nos prospectos Jampuk e Langka. A Petronas pode iniciar o poço Akbar-1, no PSC Bobara, no leste da Indonésia, encerrando um intervalo de 12 anos sem perfuração em águas profundas na área.
A Eni segue com sua campanha na Bacia de Kutei, na Indonésia. Na Índia, a ONGC e a Oil India devem concluir campanhas exploratórias em Andaman e Kerala-Konkan no início do ano, enquanto a Vedanta (Cairn India) pode avançar com perfuração em águas profundas no bloco KG-DWHP-2017/1, na bacia Krishna-Godavari. Na Austrália, a Santos planeja retomar a exploração na Bacia de Roebuck a partir do fim de 2026, com foco nos prospectos Curie e Ara.
Petro Notícias - SP 24/02/2026
A presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, anunciou que a empresa concluiu em tempo recorde a ancoragem do navio-plataforma P-79, no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A atividade foi finalizada em apenas 12 dias, marco inédito da companhia entre as suas plataformas próprias. Ao todo, 11 embarcações de apoio foram mobilizadas e 26 sistemas de ancoragem conectados.
“Cada conexão realizada reforça a maturidade operacional da nossa equipe e o compromisso contínuo com os mais elevados padrões técnicos e de segurança nas operações offshore. Mais um marco relevante para a Ancoragem, consolidando nossa capacidade de entregar resultados com excelência e superar desafios com eficiência e integração”, escreveu Magda em seu perfil no LinkedIn.
O FPSO P-79 é mais uma unidade das 12 previstas para instalação no campo de Búzios e se soma às outras sete plataformas já em operação: os FPSOs P-74, P-75, P-76, P-77, Almirante Barroso, Almirante Tamandaré e P-78. A P-79 tem capacidade de produção de 180 mil barris de óleo, além de comprimir 7,2 milhões de m³ de gás diários.
O campo de Búzios está localizado em águas ultra profundas da Bacia de Santos (profundidade de até 2.100 metros), a 180 km da costa do estado do Rio de Janeiro. O FPSO P-79 integra o projeto de Desenvolvimento da Produção de Búzios 8, que conta com 14 poços, sendo 8 produtores e 6 injetores WAG.
Monitor Digital - RJ 24/02/2026
A produção nacional de petróleo e gás alcançou, em 2025, média de 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), crescimento de 13,2% em relação a 2024. A expansão acelerada da produção consolida o Brasil como exportador de petróleo bruto. Mas isso não é suficiente. “Sem o devido fortalecimento do parque de refino, há o aprofundando da condição primário-exportadora do país, mantendo-o na dependência da importação de derivados”, afirma o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
O tema é destaque no 9º Boletim de Produção e Exploração de Petróleo e Gás do Ineep, divulgado nesta segunda-feira (23). A edição analisa a produção de petróleo e gás no quarto trimestre de 2025, com base nos dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo a agência reguladora, o desempenho foi impulsionado, sobretudo, pela entrada em operação de novas plataformas e pela ampliação da produção em unidades já existentes. A produção de petróleo atingiu 3,7 milhões de barris por dia, com aumento de 12% frente ao ano anterior, enquanto a produção de gás natural chegou a 1,1 milhão de boe/d, registrando expansão ainda mais expressiva, de 16,9%.
De acordo com a publicação, o aumento da produção refletiu diretamente no crescimento das exportações. No ano passado, o Brasil exportou 1,92 milhão de barris por dia, volume equivalente a 51% da produção nacional de petróleo, estabelecendo novo recorde histórico. Foi o segundo ano consecutivo em que o petróleo bruto liderou a pauta de exportações brasileiras, superando produtos tradicionais como soja e minério de ferro.
As exportações alcançaram 28 destinos ao longo do ano, com destaque para a China, que absorveu 45% do volume exportado, seguida pelos Estados Unidos (10,8%), Espanha (7,4%), Países Baixos (7%) e Índia (4,4%). No 4T25, a China manteve-se como o principal destino das exportações brasileiras de petróleo, absorvendo, em média, 48,1% do volume total exportado. Em seguida vieram os Estados Unidos, com 7,7%, e a Índia, na terceira posição, com 7,3% das exportações no período.
No consolidado de 2025, a Petrobras, na condição de operadora, foi responsável por 89,9% da produção nacional de petróleo e gás, enquanto as demais petroleiras responderam por 10,1% do total. Já na posição de concessionária, a Petrobras concentrou 63,4% da produção nacional, ao passo que as demais empresas alcançaram 36,6%.
O boletim destaca que os resultados reforçam a centralidade do pré-sal na produção nacional, evidenciam a continuidade da redução relativa da participação da Petrobras e confirmam o avanço das exportações. Em contrapartida, permanece o descompasso estrutural: o Brasil amplia sua produção e consolida-se como exportador de petróleo bruto, mas segue dependente da importação de derivados. a ampliação da capacidade de refino torna-se elemento estratégico, tanto para assegurar maior autossuficiência no abastecimento interno quanto para agregar valor ao petróleo produzido no país, contribuindo para superar a condição primário-exportadora atual.
Valor - SP 24/02/2026
Em lista de exceções divulgadas pela Casa Branca, estão incluídos os itens "energia e produtos de energia", além de "recursos naturais" e "minerais críticos"
O petróleo foi um dos produtos na lista de isenções da nova tarifa de 15% do presidente americano, Donald Trump, anunciada depois que a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço anteriormente instituído por ele, na sexta-feira (20). Em uma lista de exceções divulgadas pela Casa Branca ainda na sexta, estão incluídos os itens "energia e produtos de energia", além de "recursos naturais" e "minerais críticos".
Inicialmente, o documento dizia que a taxa seria de 10%, mas o presidente americano publicou em suas redes sociais, no sábado (21), que aumentaria para 15%.
A decisão passa a valer nesta terça-feira (24) e tem validade de 150 dias. Após esse período, o Congresso precisa validar a tarifa para que ela possa ser mantida.
"O presidente Trump está invocando sua autoridade nos termos da seção 122 da Lei Comercial de 1974, que confere ao presidente poderes para lidar com certos problemas fundamentais de pagamentos internacionais por meio de sobretaxas e outras restrições especiais à importação", disse o documento da Casa Branca.
"Ao tomar essa medida, os Estados Unidos podem conter a saída de dólares para produtores estrangeiros e incentivar o retorno da produção doméstica. Ao aumentar sua produção doméstica, os Estados Unidos podem corrigir seu déficit na balança de pagamentos, ao mesmo tempo em que criam empregos com bons salários e reduzem os custos para os consumidores."
Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, afirma que Trump poderia causar um problema para a indústria caso decidisse taxar o petróleo, uma vez que o país depende de importação: "Os Estados Unidos têm que importar petróleo por conta da diferença do parque de refino para o que eles produzem hoje. Se o petróleo ficasse mais caro para importação, os refinadores iam pagar mais caro e passar isso para o preço, trazendo inflação para os Estados Unidos, justamente o que o Trump não quer."
Para Arbetman, outro cenário possível, caso o presidente americano decidisse sobretaxar o petróleo, seria o risco de escassez dos derivados: "Outra possibilidade seria os refinadores importarem menos, o que criaria uma escassez. Os desdobramentos disso para a economia seriam ainda piores."
Para Marcus D'Elia, sócio da Leggio Consultoria, a nota da Casa Branca ainda é genérica ao não citar os produtos nominalmente, o que pode abrir precedente para diferentes aplicações: "O conteúdo do documento é bastante genérico. Mas temos que lembrar que é válido por 150 dias. Depois disso, precisa ser validado pelo Congresso."
Jornal do Oeste - PR 24/02/2026
A frota de máquinas agrícolas de linha amarela das prefeituras do Centro-Oeste do Paraná está sendo renovada em ritmo acelerado. Nas 25 cidades da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), 43% dos equipamentos previstos já foram entregues, incluindo os maquinários que fizeram parte das agendas oficiais desta sexta-feira (20) em Campo Mourão, Altamira do Paraná e Roncador.
Cada município, independentemente do porte, pode acessar valores que giram em torno de R$ 3,7 milhões para escolher os equipamentos mais adequados à sua realidade local, como motoniveladoras, tratores de esteira, escavadeiras hidráulicas, retroescavadeiras, caminhões basculantes e rolos compactadores. Os recursos são repassados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Roncador recebeu dois caminhões, uma pá carregadeira, duas retroescavadeiras e um rolo compactador. Campo Mourão conquistou quatro caminhões, duas retroescavadeiras e uma motoniveladora e Altamira do Paraná agora tem uma frota com um caminhão, uma pá carregadeira, duas retroescavadeiras, um rolo compactador e uma escavadeira.
“Todos os prefeitos já compraram as suas máquinas. Não ficou nenhum município para trás. Lá em Iretama, as máquinas estão trabalhando já faz 3 ou 4 meses. Em alguns municípios, as máquinas ainda estão chegando. O Brasil inteiro está fabricando máquinas para o Paraná e não vence entregar. É a maior compra de máquinas agrícolas da história do Brasil”, disse o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes.
O secretário de Estado das Cidades, Guto Silva, esteve presente nos eventos e celebrou a cooperação feita entre Estado e municípios. “É a maior parceria da história do Governo com os municípios. É bastante recurso nas mais diferentes áreas para melhorar a vida das pessoas. E isso naturalmente passa por dotar a cidade com maquinário para trabalhar na infraestrutura”, comemorou.
O prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício, projetou a continuidade no atendimento à área rural. “As máquinas agrícolas estão começando a chegar. Vai revolucionar o atendimento que temos na área rural. Já fazemos um extraordinário trabalho, e agora vamos poder continuar manter esse trabalho para a área rural, que é a capital do agronegócio aqui”, explicou.
A prefeita de Roncador, Marília Gonçalves, destacou o planejamento feito pelo Governo do Estado para que as políticas públicas estaduais atendam os municípios com efetividade.
“O município, sozinho, não tem a condição de comprar equipamentos nesse valor. Vamos deixar claro, tanto os equipamentos quanto os asfaltos tem custo zero para os municípios. As máquinas vão ajudar na conservação e manutenção das nossas estradas, que são mais de mil quilômetros em Roncador”, destacou.
“O equipamento, sem dúvida nenhuma, foi uma genialidade pela forma com que ele chegou pra nós. É muito difícil distribuir para 399 municípios, e o Estado foi muito criativo para que possibilitar que o prefeito escolha qual equipamento que lhe convém e fazer a sua própria licitação”, complementou.
Acompanhe nossa página do Jornal do Oeste no Instagram Entre no canal de notícias do Jornal do Oeste no Telegram Mantenha-se atualizado no grupo de WhatsApp do Jornal do Oeste
INVESTIMENTO BILIONÁRIO – A renovação da frota de maquinário agrícola dos municípios paranaenses faz parte do programa Estrada Boa, que prevê cerca de R$ 5 bilhões em investimentos para melhorar a trafegabilidade rural, conservar o meio ambiente, os recursos hídricos e ampliar os veículos agrícolas.
Dentro deste pacote de investimentos na infraestrutura rural do Paraná, cerca de R$ 1,46 bilhão é destinado somente para a compra das máquinas de linha amarela – veículos pesados que são voltados para construção civil, infraestrutura, terraplanagem e mineração, caracterizados pela cor amarela para alta visibilidade e segurança no canteiro de obras.
Desde julho de 2025, o Estado já destinou mais de R$ 932 milhões para a aquisição de máquinas agrícolas pelos municípios. Do total de 2.047 equipamentos previstos, 1.062 já foram entregues às prefeituras, o que corresponde a aproximadamente 52% do volume anunciado.
Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, a média de entregas foi de sete máquinas por dia em todo o Paraná, um ritmo que demonstra a agilidade na execução da política pública e na distribuição dos equipamentos às cidades.
Entre as mais de duas mil máquinas estão 682 caminhões-caçamba, 299 pás carregadeiras, 357 retroescavadeiras, 183 rolos compactadores, 43 tratores de esteira, 231 escavadeiras e 249 motoniveladoras. Até agora, 122 convênios já adquiriram todos os equipamentos, faltando apenas 40 municípios apresentarem alguma adesão ou homologação da licitação.
Canal Rural - SP 24/02/2026
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) assinou, nesta segunda-feira (23), em Seul, dois memorandos de entendimento com o governo da Coreia do Sul voltados à ampliação da cooperação bilateral em áreas como agricultura, sanidade, inovação e desenvolvimento rural. Os atos foram formalizados na Casa Azul, sede do governo sul-coreano, durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático.
Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, os acordos reforçam a relação estratégica entre os dois países. A Coreia do Sul é um parceiro estratégico, e esta agenda inaugura uma nova etapa de cooperação baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica. Estamos aproximando tecnologia, sustentabilidade e produção responsável para ampliar oportunidades ao agro brasileiro e fortalecer a segurança alimentar, afirmou.
O primeiro memorando, firmado entre os ministérios da Agricultura do Brasil e da Coreia do Sul, prevê a ampliação do intercâmbio técnico e institucional, com foco em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento. O documento também contempla cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), incluindo harmonização de normas e troca de informações.
Além disso, o acordo estabelece iniciativas conjuntas em infraestrutura agrícola, promoção de investimentos e intercâmbio científico. Também está prevista a criação de um Comitê de Cooperação Agrícola BrasilCoreia, responsável por acompanhar a implementação das ações.
O segundo memorando envolve o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia. O entendimento cria uma estrutura de cooperação voltada ao registro, à avaliação e à gestão de agrotóxicos e bioinsumos.
Entre as medidas previstas estão o compartilhamento de dados técnicos, o intercâmbio de especialistas, programas de capacitação e a realização de workshops e pesquisas conjuntas. Os acordos integram a agenda da missão oficial brasileira na Ásia e, segundo o governo, ampliam as bases para cooperação tecnológica, sanitária e regulatória no setor agropecuário.
Associe-se!
Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.
© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.