IstoÉ Dinheiro - SP 03/03/2026
A CSN avançou em negociações e caminha para concluir empréstimo com um grupo de bancos, linha que tem as ações da CSN Cimentos entre as garantias, como apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
O montante envolvido varia de US$ 1,35 bilhão a US$ 1,5 bilhão. O valor final ainda depende de discussões que acontecem em torno dos termos do empréstimo, envolvendo juros e mais garantias, disseram pessoas a par das conversas. Uma delas afirmou que a perspectiva para a conclusão do empréstimo em março é positiva.
Procurados, a CSN e os bancos não comentaram.
A companhia pretende usar os recursos para quitar títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) que vencem em abril deste ano, assim como dívidas bancárias, e recomprar parte dos bonds que vencem em 2028, disseram pessoas a par do assunto.
A maior parte dos vencimentos em 2026 se concentra, no entanto, junto aos bancos. Conforme o balanço mais recente, do terceiro trimestre do ano passado, os vencimentos com bancos somam este ano R$ 6,2 bilhões.
Morgan Stanley e Santander, que receberam mandato para a venda da CSN Cimentos, estão entre as instituições que compõem o sindicato, disseram essas pessoas. O sindicato deve ser formado ainda por Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC, podendo envolver mais bancos.
A solução está sendo buscada diante das dificuldades da companhia de refinanciar suas dívidas e é uma das alternativas na mesa. Além disso, levaria os bancos a trocar suas dívidas por compromissos com garantia. A dívida líquida da CSN somava R$ 37,545 bilhões ao fim do terceiro trimestre do ano passado, sendo R$ 26,9 bilhões entre este ano e 2028.
Mercado externo
A capacidade de a companhia acessar o mercado de dívida externa para fazer frente a seus compromissos com uma nova emissão é vista com ceticismo, uma vez que teria de pagar um prêmio elevado aos investidores para colocar um novo papel.
A sequência de problemas com grandes empresas brasileiras, como Braskem e Raízen, prejudicou o ambiente para novas captações brasileiras no exterior. A CSN, dado o alto endividamento, entrou no radar dos investidores estrangeiros, que temem mais uma reestruturação forçada de suas dívidas.
Na semana passada, a Fitch rebaixou o rating da companhia de “BB-” para “B” e manteve a observação negativa, refletindo os desafios da empresa na execução de sua estratégia de desalavancagem por meio da venda de ativos no médio prazo.
Em meados de janeiro, a empresa anunciou a alienação de ativos para equacionar “em definitivo” a estrutura de capital do grupo. Além da venda da operação de cimentos, a companhia contratou o Citi para, em conjunto com o Bradesco, atrair sócios ao negócio de infraestrutura.
O Estado de S.Paulo - SP 03/03/2026
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, voltou a defender a queda dos juros como elemento central para assegurar a redução do custo de capital no Brasil.
“Estamos diante de uma reunião do Copom que, pelo que o mercado indica, deve trazer o primeiro corte de juros depois de um ciclo prolongado de manutenção”, afirmou, durante evento Rumos 2026.
O executivo argumentou que o País precisa reforçar a segurança jurídica, essencial para qualquer decisão de crédito. Também defendeu um cenário de maior previsibilidade. “Nenhum investidor investe ou toma decisão se não houver previsibilidade. Quanto mais incerteza, menos investimentos. Precisamos atacar esse ponto”, comentou.
Ele afirmou que o Brasil precisa criar condições para atrair mais investimentos estrangeiros. O executivo explicou que, no cenário internacional, o País é visto como uma das possíveis alternativas para aplicação de recursos.
Por isso, ao tomar decisões de alocação, o investidor busca previsibilidade, produtividade, carga tributária e maior segurança, de acordo com o executivo. “Escutamos muitas empresas que acabam investindo em outros países para buscar eficiência, produtividade, ganhos de escala”, disse.
Maluhy comentou que o Itaú observa diferenças relevantes do Brasil com os demais países em que atua. “No Chile, nós temos duas ações trabalhistas e ganhamos as últimas três”, comparou.
O presidente do Itaú Unibanco reiterou que o início do ano foi marcado por um fluxo “importante” de investimentos estrangeiros no mercado brasileiro, que ajudou a valorizar o real ante o dólar.
“Esse é mais um investimento de portfólio e de carry trade, ou seja, ainda há muito investidor se aproveitando do nível de taxa de juros ainda muito alto no Brasil em relação a outros países”, explicou. “Então, você consegue captar recursos mais baratos em outras geografias e aplicar no Brasil.”
O executivo acrescentou que vê “muitas oportunidades” na Bolsa brasileira. Para ele, o mais importante para o País, agora, é garantir a execução de um trabalho estruturante de médio e longo prazo.
Inadimplência
Maluhy Filho reconheceu que o início deste ano foi marcado por uma pressão mais firme de inadimplência no País, mas ponderou que o período costuma ter uma sazonalidade desfavorável. Ele afirmou não ver na carteira do banco dinâmicas particularmente mais preocupantes do que as observadas em anos anteriores.
“Janeiro é um mês de compromissos importantes das famílias, então você acaba tendo um impacto maior na inadimplência, que depois tende a normalizar”, explicou.
Maluhy ressaltou ainda que o Brasil tem registrado um aumento da massa salarial, mas acompanhado de um maior comprometimento da renda. Para ele, é importante conter a inflação, que representa o pior imposto para as classes mais baixas. “A transferência de renda perde efetividade se a inflação não estiver controlada”, comentou, acrescentando que o nível atual de comprometimento de renda “não é sustentável”.
O executivo também reconheceu os avanços do mercado de capitais brasileiros, que abre espaço no balanço de bancos para oferecer crédito a empresas. No entanto, defendeu reformas fiscais estruturantes para assegurar o contínuo crescimento. “Deixar de lado a despesa da dívida é ignorar uma conta gigantesca que tem que ser paga todos os anos”, comentou. “O fiscal e o social precisam andar de mãos dadas. Se o fiscal não for bem feito, você não consegue ter um social sustentável”, destacou.
IstoÉ Online - SP 03/03/2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 23, que há espaço para melhorar a situação das contas públicas, ao falar da política fiscal a ser adotada no próximo governo. Ele citou a aposentadoria dos militares, as emendas parlamentares, e os supersalários no funcionalismo entre as frentes que podem ser atacadas para um maior equilíbrio fiscal.
“Se o próximo governo fizer exatamente o mesmo esforço que este governo fez, as condições de estabilidade e trajetória da dívida vão ser conseguidas”, afirmou Haddad durante aula magna na abertura do ano letivo na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.
Posicionando-se contra cortes de benefícios sociais, Haddad disse que o ministro da Fazenda não precisa de uma “serra elétrica”, mas sim de uma “chave de fenda” – ou seja, uma ferramenta para corrigir desajustes, sem prejudicar as camadas vulneráveis da população.
“Serra elétrica vai machucar muita gente, como está acontecendo aí mundo afora. Não precisa disso. Se fizer o mesmo esforço que fez, preservando a base da pirâmide, a gente tem condição de ter crescimento sustentável”, declarou Haddad ao responder a uma pergunta sobre o próximo governo.
O ministro disse que, por meio, principalmente, do corte de benefícios a empresários, os chamados gastos tributários, o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai entregar as contas primárias em condição próxima de zero, após herdar contas do governo anterior que levaram a um déficit primário de R$ 230 bilhões em 2023.
“Não tenho receio do que precisa ser feito, do ponto de vista de preservação de direitos sociais importantes, que são caros a todos nós, mas, ao mesmo tempo, de dar uma resposta para a sustentabilidade fiscal”, declarou Haddad.
O ministro reclamou ainda que, enquanto a direita o chama de “gastão”, a esquerda trata ele como um austericida. “Como é que eu posso ser as duas coisas simultâneas? Alguém está errado, e acho que os dois lados estão errados. O lado do austericida está erradíssimo Tudo foi feito de maneira a preservar os direitos sociais. Mas isso tudo somado com a proporção do PIB, caiu, porque a economia cresceu. Como a economia cresceu, esse gasto como proporção do PIB ficou um pouco menor”, declarou Haddad aos estudantes de economia.
O Estado de S.Paulo - SP 03/03/2026
A guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã pode ter impactos negativos da economia brasileira, como aumento da inflação, redução no ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic, e a mudança do cenário positivo do fluxo de capitais para o País, que vinha gerando recordes na Bolsa e dólar cada vez mais baixo.
Segundo avaliações preliminares de economistas ouvidos pelo Estadão, o cenário ainda é de muita incerteza para fazer projeções e tudo irá depender da duração do conflito.
Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã no último domingo, por onde passa um quinto do petróleo mundial, o preço da commodity deu um salto. A cotação do óleo tipo Brent e do petróleo WTI subiu cerca de 8% no início desta semana.
Também o dólar que vinha em uma longa trajetória de queda inverteu a direção após os ataques ao Irã e começou a subir. No meio da tarde desta segunda feira, 2, registrava alta de 0,80% neste mês.
São exatamente por esses dois canais, o encarecimento do petróleo e a desvalorização do câmbio, que a guerra pode contaminar a economia doméstica e provocar os primeiros estragos.
“Se tivermos um conflito durando dois ou três meses e com o câmbio e petróleo mais desfavoráveis, poderemos ter um aumento de um ponto e meio a dois pontos porcentuais na inflação deste ano”, afirma a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, ressaltando que esse seria o cenário mais pessimista. A projeção base da economista, por enquanto mantida, é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano fique em 3,95%.
As hipóteses que embasam a projeção de que a inflação poderia chegar a quase 6% são de que o conflito seja prolongado. Isto é, em meados do ano o câmbio esteja oscilando entre R$ 5,40 e R$ 5,50 e a cotação do barril de petróleo variando entre US$ 85 e US$ 90.
Diesel e fertilizantes
Os efeitos do confronto recaem sobre derivados do petróleo, como o óleo diesel, que é base do frete rodoviário do País. Além disso, a região do conflito também concentra a produção e a logística de fertilizantes, o que pode, se o confronto permanecer por um período mais longo, encarecer o custo de produção das lavouras brasileiras e dos alimentos, observa Marcela.
Essa é a preocupação do setor produtivo. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), por exemplo, alerta que a escalada no Oriente Médio pode pressionar energia, fretes e cadeias produtivas da indústria brasileira.
A entidade destaca, em nota, que as importações brasileiras da região do Golfo Pérsico somaram US$ 42,87 bilhões, cerca de 3,3% do total importado pelo País, com forte presença de combustíveis minerais e fertilizantes.
“Essa dependência reforça a sensibilidade da economia brasileira a oscilações de preços no Golfo Pérsico, especialmente em setores ligados à energia e insumos agrícolas”, diz a entidade.
Para Marcela, a duração do conflito faz muita diferença no impacto sobre preços. “A inflação não se reindexa rapidamente, existem estoques de produtos e há possibilidade de adiamento de compras”, ressalta. A economista pondera que se o confronto durar pouco tempo, o impacto na economia brasileira será mais neutro.
Também Silvio Campos Neto, economista e sócio da Tendências Consultoria, ressalta a importância da duração do confronto para projetar os efeitos sobre a economia brasileira. “No fundo, o que vai definir os impactos é quão longo vai ser esse conflito”, afirma.
Ele observa que um dos impactos do confronto é aumento do preço do petróleo, que estava perto US$ 65 o barril, tipo Brent, por causa do excesso de oferta, e agora está rodando um pouco abaixo de US$ 80. “É claro que isso traz um risco inflacionário, mas a princípio não é nada dramático”, diz.
Campos Neto calcula um impacto de 0,2 a 0,25 ponto porcentual na inflação do ano, caso o barril de petróleo se mantenha em US$ 80 e esse aumento de custos seja repassado para preços.
Aversão ao risco e juros
Se, num primeiro momento, os efeitos concretos do conflito sobre as variáveis econômicas não parecem muito dramáticos, na avaliação de Campos Neto, é certo que o confronto aumenta a aversão ao risco e pode estancar momentaneamente o otimismo em relação aos países emergentes.
“Em termos de mercados, tinha um ambiente muito positivo para 2026, que começou o ano com fluxo de capitais para o Brasil, com recordes na Bolsa, dólar cada vez mais para baixo. Tudo isso deve ter uma pausa no momento”, diz Campos Neto.
Em relação ao corte da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, o maior nível em 20 anos, com a expectativa de ter a primeira redução na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 18 de março, os economistas também enxergam algum efeito da guerra.
Na análise do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, a incerteza provocada pelo confronto somada ao resultado da prévia da inflação, o IPCA-15, que veio acima do esperado, impedem uma queda mais agressiva na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom.
O mercado estava esperando um corte de 0,75 ponto porcentual, mas, diante do atual cenário, poderá ser de 0,5 ponto, avalia o economista. “Começa também a subir no telhado essa queda por conta da insegurança sobre os efeitos da guerra”, afirma .
A consultoria Tendências, por exemplo tem expectativa de que o corte na taxa básica de juros da próxima reunião do Copom seja de 0,50 ponto porcentual. “Mas poderão surgir argumentos favoráveis para começar com um corte mais devagar, de 0,25 ponto porcentual”, diz Campos Neto. Desta forma, argumenta, o Banco Central ganharia mais tempo para poder avaliar a situação.
Até a próxima reunião do Copom, o BC terá 15 dias pela frente, o que segundo Marcela, da Lifetime, serão decisivos para o colegiado avaliar a duração do conflito e sua conduta em relação ao tamanho do corte na taxa de juros. “Não acho que o BC vá tirar o corte do juros da mesa, mas acho que poderá haver argumentos fortes por um início de corte de 0,25 ponto porcentual.”
Por causa da maior cautela no corte dos juros por parte do BC em razão do risco inflacionário, se o conflito perdurar, poderá haver reflexos no ritmo de atividade.
A economista Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre, diz que há risco de que o confronto tire pontos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ressalta, porém, que ainda é cedo para mensurar. O Boletim Focus do BC projeta crescimento do PIB para este ano de 1,8% e o Ibre, de 1,7%.
Juliana lembra que há o risco de que preço do petróleo fique alto por bastante tempo e tenha desdobramentos sobre a inflação. “Mas pode ser também que a guerra dure pouco e esse risco seja rapidamente reduzido”, afirma.
Mas, ela pondera que a guerra traz riscos que podem ter efeitos negativos sobre a atividade econômica. A lógica é que, com os juros elevados, os investimentos serão inibidos, o crédito encareça e a atividade perca fôlego, afetando, assim, negativamente o PIB.
Exame - SP 03/03/2026
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve encerrar 2025 com crescimento de 2,3%, após expansão de 3,4% em 2024, consolidando um ciclo de desaceleração registrado desde o terceiro semestre, segundo estimativas de economistas e relatórios consultados pela EXAME.
Os dados oficiais serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima terça-feira, 3 de março.
As projeções indicam estabilidade ou leve alta da economia no quarto trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre, já com ajuste sazonal, as estimativas variam entre 0,1% e 0,3%.
Na comparação anual — quarto trimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024 — os economistas estimam avanço entre 1,6% e 1,8%.
Se confirmado, o resultado marca a menor taxa de crescimento anual desde 2020, excluído o período mais agudo da pandemia.
Mais do que o número fechado de 2025, o mercado olha para o chamado “carregamento estatístico” — o quanto o desempenho do fim do ano impulsiona automaticamente o ano seguinte, segundo os economistas.
O que subiu e o que caiu no quarto trimestre
Segundo relatório do Itaú BBA, assinado pelas economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, o PIB deve ter crescido 0,1% no quarto trimestre ante o terceiro, com alta de 1,8% na comparação anual. A avaliação é de que a economia “ficou de lado” no fim do ano.
Pelo lado da oferta, o banco aponta desaceleração da indústria, sobretudo na indústria de transformação e na construção civil, segmentos mais sensíveis ao ambiente de juros elevados.
A produção doméstica de bens de capital recuou no período, o que afetou o desempenho do setor.
Em contrapartida, as economistas afirmam que a indústria extrativa voltou a registrar resultado robusto no ano, apoiada pela produção recorde de petróleo e gás natural, o que ajudou a compensar parte das perdas nos demais segmentos industriais.
No setor de serviços, o Itaú BBA espera aceleração para 2,1% na comparação anual, após 1,3% no terceiro trimestre.
O avanço deve ter sido puxado principalmente por Administração Pública e Outros Serviços, categoria que inclui serviços profissionais e prestados às famílias, sustentados pelo mercado de trabalho aquecido.
Na agropecuária, o banco projeta perda de ritmo, com crescimento estimado em 7,0% no quarto trimestre frente ao mesmo período de 2024, abaixo dos 10,1% registrados no terceiro trimestre.
Pela ótica da demanda, o Itaú BBA estima que o consumo das famílias tenha acelerado para 1,6% na comparação anual, ante 0,4% no trimestre anterior.
Já os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo (FBCF), devem ter crescido 1,0% em 12 meses, abaixo dos 2,3% do terceiro trimestre.
O relatório destaca que o trimestre anterior foi favorecido pela importação de uma plataforma de petróleo e que, no fim do ano, houve recuo da produção doméstica de bens de capital.
Em relatório, a consultoria 4intelligence projeta crescimento de 1,7% na comparação anual e estabilidade em relação ao trimestre anterior.
Os analistas da consultoria estimam que a agropecuária mantenha crescimento relevante em relação a 2024, mas registre queda frente ao terceiro trimestre, já que o efeito mais intenso da safra recorde ficou concentrado no início do ano.
Para a indústria, a consultoria também prevê desempenho negativo na margem, com perdas em transformação e construção.
A extração mineral deve ter sido o principal destaque positivo. Nos serviços, a expectativa é de manutenção de comportamento predominantemente positivo, com destaque para informação e comunicação e segmentos ligados ao mercado de trabalho.
Pela ótica da demanda, a 4intelligence espera evolução positiva do consumo das famílias e do setor externo, com exportações crescendo acima das importações.
A FBCF, por outro lado, deve ter sido pressionada pela construção e pela fabricação de bens de capital, além da ausência de importação de plataforma de petróleo no trimestre.
Já Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, estima crescimento de 0,3% no quarto trimestre frente ao terceiro e alta de 1,7% na comparação anual.
Segundo ela, o resultado deve ter sido puxado pelo desempenho da agropecuária. Ao mesmo tempo, os dados de serviços, incluindo o varejo de dezembro, confirmam a tendência de desaceleração do consumo das famílias, em um cenário de menor oferta de crédito.
O que as projeções indicam para 2026
Segundo a 4intelligence, se o cenário para o quarto trimestre se confirmar, o carregamento estatístico — taxa de crescimento que o ano seguinte já “herda” apenas pelo desempenho do fim do ano anterior — para 2026 seria de apenas 0,1%.
Mesmo com esse ponto de partida, a consultoria mantém projeção de alta de 2,0% para 2026. A estimativa considera crescimento marginal em torno de 1% no primeiro trimestre, impulsionado por estímulos governamentais, como ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e nova liberação excepcional de saldo do FGTS, além de uma queda interanual pequena da agropecuária, com expectativa de outra safra recorde de soja.
Segundo Rafaela Vitoria, do Banco Inter, a tendência de desaceleração deve continuar neste ano, ainda como efeito da política monetária restritiva.
A economista afirma que novos impulsos fiscais e redução na taxa de juros podem contribuir para uma retomada mais lenta no segundo semestre. O banco estima avanço de 0,5% no primeiro trimestre de 2026 frente ao quarto trimestre de 2025.
Como mostrou a EXAME, a maioria das projeções aponta para um crescimento econômico entre 1,5% e 1,8% no próximo ano, mas com riscos como o cenário da economia nos Estados Unidos, a piora da percepção fiscal pelo mercado em um ano eleitoral e a inevitável necessidade de ajuste fiscal para 2027 podem agravar o resultado.
O Estado de S.Paulo - SP 03/03/2026
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 caiu de 12,13% para 12,0%. Considerando só as 41 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana permaneceu em 12,0%.
A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 55ª semana seguida. Considerando só as 37 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também permaneceu em 10,50%.
A mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10% pela sexta semana seguida. Para 2029, a mediana se manteve em 9,50% pela 18ª semana consecutiva.
Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quinta vez seguida, mas indicou que deve começar o processo de corte dos juros na próxima reunião, em março.
“O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse a ata da decisão.
Inflação
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 permaneceu em 3,91%. A taxa está 0,91 ponto porcentual acima do centro da meta, de 3%. Há um mês, era de 3,99%. Considerando apenas as 48 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,88% para 3,91%.
A projeção para o IPCA de 2027 caiu de 3,80% para 3,79%, após 16 semanas de estabilidade. Considerando apenas as 47 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,80% para 3,74%.
O IPCA fechou 2025 com alta acumulada de 4,26%. O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa que alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.
Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Copom, o BC prevê que o IPCA vai encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, o terceiro trimestre de 2027.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
A mediana do Focus para o IPCA de 2028 permaneceu em 3,50% pela 17ª semana consecutiva. A projeção para 2029 se manteve em 3,50% pela 26ª leitura seguida.
Dólar
A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu pela segunda semana seguida, de R$ 5,45 para R$ 5,42. Há um mês, era de R$ 5,50. A projeção para a moeda no fim de 2027 se manteve em R$ 5,50 pela quarta semana consecutiva.
A estimativa intermediária do relatório para a moeda americana no fim de 2028 permaneceu em R$ 5,50. Um mês atrás, era de R$ 5,52. Para o fim de 2029, oscilou de R$ 5,52 para R$ 5,50. Quatro semanas antes, era de R$ 5,57.
O dólar fechou 2025 cotado a R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
PIB
A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,82%. Um mês antes, era de 1,80%. Considerando apenas as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa oscilou de 1,82% para 1,85%.
O Banco Central e o Ministério da Fazenda esperam crescimento de 2,3% para a economia brasileira este ano, segundo os números mais recentes divulgados pelas instituições.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 permaneceu em 1,80% pela nona semana consecutiva. As projeções para 2028 e 2029 continuaram em 2%, pela 103ª e 50ª semanas consecutivas, respectivamente.
O Estado de S.Paulo - SP 03/03/2026
A parte mais desconcertante do discurso do Estado da União do presidente Donald Trump foi sua fixação em tarifas que já foram declaradas inconstitucionais pela Suprema Corte, mas não conseguiram impulsionar a economia americana.
Não é preciso um doutorado em economia para entender por que ele está tão obcecado por elas, mas, antes de entrarmos nesse assunto, vejamos o que suas tarifas de importação conseguiram até agora.
Quando anunciou as tarifas em seu chamado “Dia da Libertação”, há quase um ano, Trump prometeu que elas reduziriam o déficit comercial dos EUA, trariam de volta fábricas da China e do México e desencadeariam um boom industrial nos Estados Unidos.
Nada disso aconteceu. Em vez disso, o renascimento industrial que Trump prometeu — e reiterou em seu discurso sobre o Estado da União — não se materializou: o número de empregos em fábricas americanas caiu em 103 mil no ano passado, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho.
A razão é simples: ainda é muito mais barato para as multinacionais produzir bens na Ásia, no México ou no Canadá do que nos Estados Unidos, e é improvável que isso mude em breve. Quanto ao déficit comercial, ele permaneceu praticamente inalterado no ano passado, de acordo com o Departamento de Análise Econômica. Apesar das enormes tarifas de Trump sobre produtos estrangeiros, ele diminuiu em apenas 0,2% — quase nada.
O que torna a insistência de Trump em impor tarifas ainda mais intrigante é a impopularidade delas. Uma nova pesquisa da CNN mostra que 62% dos americanos desaprovam as tarifas, enquanto apenas 37% as apoiam. Uma pesquisa da Fox News encontrou uma oposição ainda maior às tarifas: 63% dos americanos as desaprovam, enquanto 37% as apoiam. A maioria dos americanos acredita que essas tarifas são simplesmente repassadas pelos importadores aos consumidores, que acabam pagando mais por brinquedos, televisores, café e outros produtos importados.
Projeção de poder
Então, por que Trump está insistindo tanto em suas tarifas, se elas estão prejudicando sua popularidade e não gerando ganhos econômicos?
A resposta é poder. Trump quer estar no centro do cenário mundial, exercendo um tipo de poder que nenhum presidente americano recente usou: o poder de transformar o comércio em uma ferramenta para punir inimigos e recompensar aliados.
As tarifas também dão a Trump influência sobre as empresas americanas e já arrecadaram mais de US$ 200 bilhões em receita, dinheiro que ele pode redirecionar para programas que lhe são favoráveis. Entre eles: um pacote de ajuda de US$ 12 bilhões para agricultores, um cheque de reembolso de US$ 2.000 em “dividendos” para americanos de baixa e média renda e um aumento nos gastos militares.
Não está claro o que acontecerá com essas e outras promessas agora. Trump não esconde o uso de tarifas como arma política em assuntos externos. Em seu discurso sobre o Estado da União, ele disse que usa essas tarifas “para fechar grandes negócios para o nosso país, tanto economicamente quanto em termos de segurança nacional”.
Recentemente, Trump ameaçou impor tarifas de importação mais altas a oito países europeus caso eles não o ajudassem a negociar a compra ou anexação da Groenlândia pelos EUA. Anteriormente, ele impôs tarifas altíssimas ao Brasil, alegando que o governo de esquerda do país estava promovendo uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado próximo que enfrentava julgamento por tentativa de golpe. Trump também ameaçou publicamente aumentar as tarifas sobre o México caso o país não fizesse mais para reduzir a imigração ilegal e o contrabando de fentanil.
Uma ferramenta de pressão
Marcelo Giugale, professor de economia da Universidade de Georgetown e ex-alto funcionário do Banco Mundial, disse-me que as tarifas têm sido uma “ferramenta extraordinária” para Trump. “Internacionalmente, ele as usou indiscriminadamente, pelos motivos que quis, nos valores que quis e contra os países que quis. E a maioria dos países cede”, afirmou.
“Internamente, eles forçam os produtores americanos a fazer fila na Casa Branca e implorar: ‘Por favor, protejam-me, imponham tarifas aos meus concorrentes estrangeiros’ ou, inversamente, ‘Por favor, isentem-me da tarifa que terei de pagar’”.
Trump deixou claro em seu discurso ao Congresso que as tarifas não são apenas uma tática temporária, mas continuarão sendo um pilar central de sua agenda. Ele disse que encontrará novas maneiras de contornar a decisão da Suprema Corte e que suas barreiras comerciais “permanecerão em vigor sob estatutos legais alternativos totalmente aprovados e testados”.
O que vem por aí
Trump admitiu que suas novas propostas para restabelecer as tarifas “são um pouco mais complexas”, mas afirmou que resultarão em uma solução “ainda mais forte do que antes”. Especialistas jurídicos contestam seu otimismo, observando que levará mais de seis meses para colocar em prática uma nova política e que o poder de negociação de Trump poderá ser bastante reduzido se — como sugerem as pesquisas atuais — seu partido perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato de novembro.
Trump deixou claro em seu discurso que as tarifas não são apenas uma tática temporária, mas que ele continuará sendo um pilar central de sua agenda. De uma forma ou de outra, Trump não deve ser subestimado quando promete manter tarifas alfandegárias elevadas, apesar de sua impopularidade tanto no país quanto no exterior. Em sua visão, essas tarifas não são apenas impostos — são uma arma política para exercer poder, mesmo que causem mais danos do que benefícios à economia.
Infomoney - SP 03/03/2026
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira, 2, um projeto que tem entre os objetivos a facilitação do acesso de pequenas e médias empresas ao crédito para exportação. Sob a relatoria do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), a matéria teve 340 votos favoráveis e 108 contrários. O projeto já havia sido aprovado no Senado Federal. Os deputados analisam os destaques.
A proposta é descrita como prioridade pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), para ampliar os mecanismos de crédito aos exportadores brasileiros, sobretudo os menores. O texto cria o Sistema Brasileiro de Apoio Oficial ao Crédito à Exportação. A ideia é integrar o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) às iniciativas do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Entre as medidas para facilitar o crédito, está a retirada do prazo para a aplicação do Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE). Antes, a lei autorizava a aplicação em caso de risco comercial em operações de crédito ao comércio exterior “com prazo total superior a dois anos”, mas o projeto retira a menção a esse período.
O projeto também aumenta o prazo para operações das micro, pequenas e médias empresas de 180 dias para 750 dias na fase de pré-embarque.
A matéria define ainda que o valor máximo do financiamento à exportação de serviços estabelecido pelo BNDES será definido com base no valor do contrato comercial de exportação, ou seja, o valor total a ser pago pelo importador pelos bens e serviços exportados, incluídas as exportações realizadas a partir de países terceiros e excluído o custo incorrido pelo exportador com bens e serviços adquiridos no país do importador.
Além disso, a matéria estabelece que financiadores e seguradores privados poderão ser habilitados na condição de operadores de modalidades indiretas de apoio oficial ao crédito à exportação, com o objetivo de fomentar a participação do mercado privado na provisão de soluções de financiamento e de instrumentos de garantia às operações de exportação.
O projeto diz que será provido um portal na internet para a solicitação de apoio oficial nas modalidades direta e indireta aos exportadores, aos agentes de exportação e aos operadores de modalidades de apoio oficial ao crédito à exportação.
De acordo com o relator, o projeto de lei “contempla matéria de caráter essencialmente normativo, ao instituir o sistema brasileiro de apoio oficial ao crédito à exportação, não acarretando repercussão direta ou indireta na receita ou na despesa da União”.
Monitor Digital - RJ 03/03/2026
As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos em 2026 – a expansão da economia e o índice de inflação – ficaram estáveis na edição desta segunda-feira do Boletim Focus. A pesquisa com instituições financeiras é divulgada semanalmente pelo Banco Central.
A estimativa para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,82%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos.
Puxada pelas expansões da indústria e da agropecuária, no terceiro trimestre de 2025 a economia brasileira cresceu 0,1%, o que é considerado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada para amanhã.
Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,42 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.
Após sete semanas seguidas de queda, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerada a inflação oficial do país – permaneceu em 3,91% para este ano. Para 2027, a projeção da inflação passou de 3,8% para 3,79%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5%, para ambos os anos.
A estimativa para a variação de preços em 2026 se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fez a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o IBGE, o resultado levou o IPCA a acumular alta de 4,44% em 2025.
A taxa Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos.
A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi reduzida nesta edição do Boletim Focus – de 12,13% ao ano para 12% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.
IstoÉ Dinheiro - SP 03/03/2026
A mediana do relatório Focus para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de 2026 caiu pela quarta semana seguida, de 3,71% para 3,18%. Um mês antes, era de 3,92%.
As estimativas publicadas no Focus foram enviadas pelo mercado ao Banco Central até a última sexta-feira, 27 – logo, não incorporam a forte alta dos preços do petróleo dos últimos dias, motivada pelo ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã no sábado, 28.
A estimativa para o IGP-M de 2027 se manteve em 4,0% pela segunda semana seguida. Um mês antes, também era de 4,0%.
O indicador encerrou 2025 com uma queda de 1,05%, a menor taxa desde 2023, quando havia recuado 3,18%.
Os índices gerais de preços, da Fundação Getulio Vargas (FGV), medem um agregado da inflação para três grupos: produtores (atacado, com impacto do câmbio e da variação e commodities), com peso de aproximadamente 60%; consumidores, com 30%; e construção, 10%.
IstoÉ Online - SP 03/03/2026
O dólar operou em alta nesta segunda-feira, 2, avançando especialmente ante os pares europeus. A guerra no Oriente Médio e as perspectivas de disparada no preço dos hidrocarbonetos, reforçadas com o fechamento do Estreito de Ormuz, pressionam as economias da região, enquanto não tem o mesmo efeito para a americana. A duração do conflito e seu impacto nos mercados de energias tendem a ser cruciais para as taxas de câmbio.
Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 157,34 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1689 e a libra tinha queda a US$ 1,3399. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,79%, a 98,381 pontos.
A principal ameaça à economia global é a alta dos preços do petróleo, destaca a Capital Economics, pontuando que o fato de os EUA serem um exportador líquido de energia provavelmente contribui para a força do dólar. Caso o conflito se prolongue e os preços do petróleo subam ainda mais, isso deverá continuar a beneficiar o dólar e as moedas de outros exportadores líquidos de petróleo, avalia. “Outro fator que pode favorecer o dólar é o momento em que nos encontramos no ciclo global de flexibilização monetária. Afinal, havia um número consideravelmente maior de cortes precificados para os EUA do que para a maioria das outras economias”, acrescenta a consultoria.
No Reino Unido, os traders passaram a precificar chance de 50% para um corte de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE, em inglês) ainda este mês, abaixo dos mais de 80% anteriormente. O BoE pode inicialmente manter as taxas estáveis antes que um mercado de trabalho e uma economia relativamente fracos forcem uma mudança, de acordo com John Taylor, chefe de renda fixa europeia na AllianceBernstein.
Com a inflação real e as expectativas ainda acima das taxas consistentes com as metas, o BoE provavelmente será mais sensível aos riscos de alta da inflação causados pelos eventos recentes no Oriente Médio do que alguns outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu (BCE), aponta a Capital Economics. O mercado derrubou suas apostas para corte de juros pelo BCE neste ano.
Infomoney - SP 03/03/2026
Os preços do minério de ferro fecharam em alta nesta segunda-feira, revertendo perdas registradas mais cedo nas negociações, com os investidores voltando sua atenção para taxas de frete potencialmente mais altas após o conflito no Irã e a queda nos embarques dos principais fornecedores.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 0,87%, a 754,5 iuanes (US$109,64) por tonelada.
O contrato de referência de minério de ferro para abril na Bolsa de Cingapura subiu 0,85%, para US$99,2 por tonelada.
O aumento dos preços do petróleo em meio ao conflito entre os EUA e o Irã elevou os custos de frete, dando algum suporte aos preços do minério de ferro, disseram analistas da Zhengxin Futures em uma nota.
Outro fator que ajudou os preços do principal ingrediente siderúrgico foi a queda nos embarques dos principais fornecedores, Austrália e Brasil, que recuaram 0,8% na comparação semanal, de acordo com analistas e dados da consultoria Mysteel.
No início da sessão, os preços do minério chegaram a cair devido às restrições à produção em Tangshan, principal centro siderúrgico da China, depois que uma previsão de piora na qualidade do ar ativou a resposta de emergência de nível dois a partir de domingo.
Essas medidas, que normalmente exigem que as usinas locais reduzam a produção e diminuam a demanda por matérias-primas, seguem apelos anteriores para que as usinas do norte da China reduzissem a produção para garantir um ar mais limpo durante a reunião parlamentar anual que começa em 5 de março.
A lenta recuperação da demanda por aço, o aumento dos estoques de aço e os elevados estoques portuários pesaram sobre os preços do minério, disse Guiqiu Zhuo, analista da corretora Jinrui Futures.
Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses saltaram para um recorde de 162,17 milhões de toneladas em 27 de fevereiro, segundo dados da consultoria Steelhome.
SEGS.com.br - SP 03/03/2026
O Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças da Stellantis, localizado em Osasco (SP), registrou cerca de 600 veículos desmontados nos primeiros seis meses de operação, consolidando-se como uma iniciativa estratégica da companhia para impulsionar a economia circular no setor automotivo.
No período, mais de 9 mil peças usadas em perfeitas condições foram reaproveitadas e destinadas à comercialização, ampliando o ciclo de vida de componentes automotivos e reduzindo o volume de resíduos gerados pela indústria.
Desse total, mais de 4 mil peças já foram comercializadas por meio de canais físicos e digitais, ampliando o acesso do consumidor a peças originais multimarcas com qualidade e procedência certificadas. A loja oficial da Circular AutoPeças no Mercado Livre concentrou aproximadamente 80% dessas vendas, evidenciando o potencial do ambiente digital como uma plataforma estratégica para ampliar o alcance e a disponibilidade de peças reaproveitadas.
O Centro de Desmontagem Veicular Circulas AutoPeças representa um avanço importante da nossa estratégia industrial e ambiental na região. Estamos transformando veículos em fim de vida útil em novas oportunidades de geração de valor, por meio da recuperação de peças, da reciclagem responsável de materiais e da criação de uma nova frente de negócios. Essa iniciativa reforça o protagonismo da Stellantis na economia circular e demonstra como é possível combinar inovação, eficiência e sustentabilidade para construir o futuro da mobilidade, afirma Paulo Solti, vice-presidente sênior de Peças e Serviços para a América do Sul.
Além da comercialização de peças, o centro desempenha papel fundamental na recuperação e destinação responsável de materiais automotivos. Em mais de 180 dias de operação, a unidade garantiu a destinação correta de mais de 360 toneladas de resíduos, que foram separados por tipo de matéria-prima e encaminhados a parceiros homologados da Stellantis, assegurando o reaproveitamento de insumos e contribuindo diretamente para a redução dos impactos ambientais.
Desse volume, mais de 334 toneladas correspondem a aço e alumínio, provenientes principalmente das carcaças veiculares e de componentes estruturais. Também foram reaproveitadas cerca de 26 toneladas de plástico e recuperadas aproximadamente 1,8 tonelada de cobre. No mesmo período, foram coletados e destinados corretamente 2,5 mil litros de óleo automotivo, garantindo o tratamento ambientalmente adequado de fluídos e reforçando o compromisso da companhia com o reaproveitamento integral e responsável dos recursos provenientes de veículos em fim de vida útil.
A iniciativa posiciona a Stellantis como a primeira fabricante da América do Sul a estruturar uma planta dedicada à economia circular, com foco no desmonte de veículos, transformando um desafio ambiental em uma operação industrial eficiente, capaz de gerar valor econômico, reduzir resíduos e fortalecer um modelo mais sustentável e inteligente de gestão de recursos no setor automotivo.
Infomoney - SP 03/03/2026
Enquanto o mercado automotivo brasileiro registrou sinais de recuperação moderada no fechamento de fevereiro de 2026, com avanço médio de 8,7% no número de emplacamentos em relação a janeiro, movimento considerado normal para os primeiros meses do ano, os carros chineses avançaram sozinhos 5,9% em relação a janeiro e 73,2% se comparado a fevereiro de 2025. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela K.LUME Consultoria.
No total, 176.472 veículos foram emplacados em fevereiro, dos quais 140.592 foram carros de passeio (79,7%) e 35.880 comerciais leves (20,3%). Segundo a consultoria, a alta entre janeiro e fevereiro foi puxada principalmente pelos automóveis de passeio, que cresceram 12,3%, enquanto os comerciais leves apresentaram queda de 3,5% no período. No comparativo anual, porém, a dinâmica se torna mais moderada: os carros de passeio tiveram aumento de 4,3%, ao passo que os comerciais leves registraram retração de 8,6% em relação a fevereiro de 2025.
Dentro desse cenário, os destaques ficaram por conta do mercado de luxo automotivo e os chineses. O primeiro encerrou fevereiro com 3.321 unidades vendidas, queda de 7,2% em relação a janeiro e 12,9% frente a fevereiro de 2025, refletindo cautela dos consumidores de faixas mais altas diante de incertezas econômicas e custo de oportunidade. Por outro lado os veículos chineses, predominantemente carros de passeio, mostraram forte expansão, passando de 21.652 unidades em janeiro para 22.924 em fevereiro, uma alta de 5,9% e um salto de 73,2% em relação a fevereiro de 2025. Com isso, o segmento eleva sua participação de mercado de 9,8% para 16,3%, podendo atingir até 20% em 2026.
No acumulado do ano, a soma de carros e comerciais leves indica um avanço tímido de 1,35%, reflexo de um início de ano ainda incerto para o setor, conforme a consultoria. Esses números acompanham as projeções mais amplas divulgadas por entidades como a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que espera crescimento moderado de cerca de 3% nas vendas de veículos leves em 2026, apoiado por retomada gradual da demanda e condições macroeconômicas mais estáveis.
Mudanças de comportamento
De acordo com a K.LUME, a segunda quinzena de fevereiro concentrou 50,9% das vendas, sugerindo uma mudança de comportamento em função do calendário do Carnaval, que tradicionalmente impacta as decisões de compra neste início de ano. As médias diárias de vendas entre carros e comerciais leves foram de 9.804 unidades, um aumento de 26,8% em relação a janeiro e de 12,6% sobre fevereiro de 2025, quando considerados critérios de dias úteis bancários, totalizando 18 dias úteis no mês para efeito de cálculo.
Outro ponto observado no mês foi a praticamente estabilidade entre vendas diretas e no varejo, com empate técnico. Especialistas do setor interpretam esse fenômeno como um possível sinal de que as vendas diretas, que tradicionalmente são mais fortes a partir de abril e maio, podem estar iniciando um novo ciclo de crescimento já em março, enquanto a atratividade do varejo convencional sofre desaquecimento relativo.
Mudança na matriz de energia
A transição energética também começa a se refletir nos registros. Embora com volumes ainda modestos, os números por tipo de combustível mostram presença crescente de veículos eletrificados. Entre carros e comerciais leves em fevereiro, ficaram registrados:
Esse mix de motorização, segundo a K.Lume, ilustra uma tendência global e doméstica de diversificação que também já vinha sendo indicada por estudos da indústria automotiva brasileira, que apontam crescimento de modelos eletrificados como um dos vetores de longo prazo para o setor.
Pesados ainda pressionados
O desempenho geral do setor automotivo em 2026 só não foi melhor por causa dos resultados mais fracos no segmento de pesados, que tradicionalmente espelham a atividade econômica mais ampla. Dados preliminares mostram que caminhões e ônibus registraram quedas significativas no início do ano, uma sinalização de que o componente logístico e de transportes da economia ainda enfrenta desafios, especialmente frente à alta de juros e custo de financiamento observados no país, segundo a K.Lume.
Perspectivas
Analistas e associações do setor, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), reforçam que 2026 pode ser um ano de crescimento moderado na produção e vendas de veículos leves, com projeções de alta de cerca de 3,7% na produção nacional, concentrada em automóveis e comerciais leves, e perspectivas de cerca de 2,58 milhões de unidades produzidas no ano.
Esse panorama sugere que, apesar de um início de ano ainda marcado por flutuações sazonais e segmentos específicos sob pressão, o mercado automotivo brasileiro (especialmente o de carros e comerciais leves) mantém certa resiliência e segue em processo de ajuste, à medida que consumidores, concessionárias e fabricantes se adaptam ao cenário econômico e às preferências emergentes da demanda, conforme o estudo.
SEGS.com.br - SP 03/03/2026
Projeto desenvolvido no Blue View Tower ampliou a eficiência estrutural, racionalizou o uso de materiais e se consolida como piloto para soluções que poderão ser aplicadas no Senna Tower, empreendimento que promete redefinir o patamar dos edifícios residenciais de grande altura no mundo.
Em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência, previsibilidade e rigor técnico, a engenharia estrutural deixou de ocupar um papel meramente operacional para se tornar central na viabilidade econômica de empreendimentos de grande porte. Em edifícios altos, decisões tomadas ainda na fase de concepção impactam diretamente o uso de materiais, a produtividade da obra, a mitigação de riscos e o retorno do investimento.
Nesse contexto, Balneário Camboriú se consolida como um dos principais laboratórios da engenharia aplicada no país com o Blue View Tower, empreendimento com assinatura da FG Empreendimentos e da Talls Solutions, escritório do Grupo FG especializado em consultoria para edifícios altos. O edifício marca uma inflexão relevante no modelo de desenvolvimento estrutural adotado no Brasil ao reunir, desde a fase inicial, engenharia de concepção avançada, coordenação técnica integrada e padrões internacionais de análise.
Com cerca de 160 metros de altura, esbeltez próxima de 1:12 e núcleo excêntrico, o Blue View Tower apresenta características geométricas que elevam significativamente o grau de complexidade estrutural e dinâmica. Mais do que responder a esses desafios, o projeto foi concebido como uma plataforma de inovação aplicada, na qual a engenharia atua desde a origem como instrumento de racionalização econômica, controle técnico e previsibilidade executiva.
O design estrutural do empreendimento foi liderado pelo engenheiro Fatih Yalniz, profissional com mais de 25 anos de experiência em arranha-céus em Nova York, em parceria técnica com a Talls Solutions e com o projetista nacional Guilherme Lanzi, da Óptima Engenharia. O arranjo reforça um modelo de governança técnica colaborativa, alinhado às melhores práticas internacionais.
Segundo Stéphane Domeneghini, diretora executiva da Talls Solutions, o empreendimento representa uma mudança estrutural na forma como a engenharia passa a ser incorporada aos projetos de grande porte. Quando a engenharia participa da concepção desde o início, é possível integrar desempenho estrutural, viabilidade executiva e uso mais racional de materiais. Isso eleva significativamente o nível de previsibilidade do projeto e da obra como um todo, afirma.
Engenharia de concepção como ativo econômico
Para chegar à solução estrutural adotada no Blue View Tower, foram desenvolvidos mais de 200 modelos com avaliações estruturais distintas, testando cenários de comportamento, consumo de materiais e desempenho global da estrutura. Esse processo resultou em uma performance superior em mais de 60% ao padrão histórico da FG, que já operava acima da média de mercado em taxas e índices técnicos. O dado evidencia o impacto direto da engenharia de concepção avançada na eficiência econômica e na previsibilidade do empreendimento.
A precisão dos modelos estruturais e a integração entre concepção, verificação e detalhamento executivo resultaram em ganhos relevantes de eficiência material, clareza na definição de quantitativos e maior segurança na contratação de serviços ainda nas fases iniciais. Em um setor historicamente marcado por revisões tardias e ajustes em obra, esse nível de antecipação se traduz em vantagem competitiva e mitigação de riscos.
Para Gustavo Simas, diretor de produção da FG Empreendimentos, o impacto da engenharia antecipada é direto no canteiro. Quando a estrutura chega mais resolvida, com decisões técnicas consolidadas desde o início, a obra ganha ritmo, reduz retrabalhos e opera com maior controle de custos e prazos, destaca.
Outro ponto que posiciona o Blue View Tower como projeto de referência é a adoção do sistema executivo conhecido como core first, amplamente utilizado em mercados maduros de edifícios altos. O método prevê a execução antecipada do núcleo estrutural por meio de formas deslizantes, permitindo que o core avance continuamente enquanto os pavimentos são executados na sequência.
A estratégia contribui para a redução do ciclo de pavimento - o que de forma alguma interfere na segurança do projeto e no conforto do usuário -, melhora o controle geométrico e cria condições para ganhos consistentes de produtividade. O empreendimento atua como projeto piloto para avaliação do sistema em escala nacional, com potencial de replicação em empreendimentos ainda mais complexos, como o Senna Tower.
A decisão de executar o núcleo antecipadamente trouxe um desafio técnico central: como garantir a ligação eficiente entre o core executado com formas deslizantes e as demais estruturas do pavimento, sem o uso de esperas convencionais. Após estudos técnicos aprofundados, viagens internacionais e ensaios com fornecedores, a Talls Solutions definiu a adoção de luvas roscadas, solução amplamente utilizada em arranha-céus no exterior, mas ainda pouco difundida no Brasil. A tecnologia garante qualidade nas conexões, maior controle executivo e compatibilidade com o ritmo acelerado da obra.
Segundo Fernanda Matias, engenheira civil e coordenadora técnica de estruturas da Talls Solutions, trata-se de um avanço estrutural para o setor. São soluções que exigem mais engenharia na origem, mas entregam mais segurança, repetibilidade e desempenho ao longo da obra. É um movimento de maturidade técnica, afirma.
Um novo papel para a engenharia no mercado imobiliário
Responsável pela concepção estrutural do Blue View Tower, do Senna Tower e pela condução das estruturas e esquadrias de todos os empreendimentos da FG, a Talls Solutions opera hoje com uma base de dados técnica proprietária, construída a partir de projetos de edifícios altos em diferentes níveis de complexidade. Ao reposicionar a engenharia estrutural como ativo estratégico, e não apenas como etapa técnica, o grupo antecipa tendências globais e contribui para elevar o patamar da construção de edifícios altos no Brasil, aproximando o país das melhores práticas internacionais em desempenho, eficiência e governança técnica.
O Estado de S.Paulo - SP 03/03/2026
Com predomínio das cores azul, vermelho e laranja, o Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte teve seu layout externo definido pela TIC Trens, concessionária responsável pelo projeto. Com início de operação previsto para 2031, o serviço expresso sobre trilhos entre São Paulo e Campinas vai transportar passageiros a uma velocidade de até 140 km/h, fazendo o percurso de 101 km em 64 minutos.
Segundo a concessionária, o layout adota um conceito centrado na estética tecnológica, alinhado à paleta de cores da marca da empresa. “Os elementos gráficos reforçam atributos como dinamismo e inovação. A proposta adota abordagem minimalista, com linhas retas e cortes precisos, reforçando a percepção de velocidade, fluidez e futurismo”, diz a TIC Trens.
O layout difere do padrão utilizado pela TIC Trens nas composições que operam na Linha 7-Rubi de trens metropolitanos, sob sua concessão. Enquanto nos trens metropolitanos as cores são dispostas em blocos, no Intercidades elas seguem em faixas paralelas que cobrem longitudinalmente a composição, reforçando a sensação de velocidade.
Início das obras deve ser em maio
O Trem Intercidades São Paulo-Campinas, que será expresso, vai fazer o trajeto em 1 hora e 4 minutos, a uma velocidade de até 140 km/h, com capacidade para 860 passageiros por viagem. O preço da passagem está previsto em R$ 64.
Já o Trem Intermetropolitano (Jundiaí – Campinas) fará em 33 minutos o percurso de 44 km com velocidade de até 80 km/h, com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos, cidades que ficam ao longo do percurso. O trem vai levar até 2.048 passageiros por viagem, com preço da passagem previsto em R$ 14.
As obras de implantação do Intercidades devem começar em maio. Os projetos executivos das intervenções iniciais, que incluem remoção de interferências e drenagem, além do preparo da estrutura para os trilhos, já foram elaborados e obtiveram as primeiras licenças ambientais. Atualmente são concluídos os processos de desapropriação da faixa que vai receber a linha entre Jundiaí e Campinas.
Entre Jundiaí e São Paulo, o trem expresso vai compartilhar a estrutura da Linha 7-Rubi, onde já circulam os trens metropolitanos. O plano prevê segregar o transporte de cargas, hoje feito pelos mesmos trilhos, com a construção de uma nova linha.
Estação Água Branca
Entre as obras sob responsabilidade da concessionária TIC Trens está a modernização e ampliação da Estação Água Branca, que se tornará um dos principais hubs de mobilidade do Estado. Ali, serão interligadas as Linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, de trens metropolitanos; a Linha 6-Laranja, de metrô; além do TIC Eixo Norte e do futuro TIC Eixo Oeste, que ligará a capital à região de Sorocaba.
A TIC-Trens foi criada após o leilão de concessão do Intercidades, realizado em fevereiro de 2024. A concessionária reúne a CRRC Hong Kong, empresa chinesa fabricante de trens, e a holding brasileira Grupo Corporate.
O contrato de concessão tem duração de 30 anos e prevê investimento total de R$ 16,85 bilhões. Desses, R$ 9,5 bilhões serão aportes do governo estadual.
Veja - SP 03/03/2026
Apesar do ruído político em Brasília sobre as regras do leilão, uma apresentação interna do governo federal mapeia empresas com interesse e, segundo o material, aderência aos requisitos do edital para a concessão do Tecon Santos 10 (STS10), megaterminal projetado para ser o maior do Porto de Santos.
O documento aponta disputa robusta mesmo com o “remédio concorrencial” desenhado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para reduzir concentração e verticalização. O Tribunal de Contas da União (TCU) referendou a estrutura do leilão e registrou recomendação de medidas concorrenciais, com restrição a armadores na primeira fase.
Segundo o material, os grupos mapeados como interessados e aderentes aos requisitos do edital são China Merchants Port Group, PSA International, Hutchison Port Holdings, Eurogate, ICTSI, SSA Marine (Carrix), Abu Dhabi Ports, MultiRio, JBS Terminais e Super Terminais.
A própria apresentação dimensiona o porte dos principais nomes: China Merchants com 151 milhões de TEUs (contêineres) em 2024/2025 e atuação em 26 países; PSA com 105 milhões de TEUs e presença em 45 países; e Hutchison com 87,5 milhões de TEUs e atuação em 24 países, além de outros operadores globais e nacionais listados.
Pelo desenho do edital, empresas que já têm contrato no Porto de Santos só participam se nenhuma concorrente ainda sem contrato com o porto se viabilizar, numa tentativa de conter efeitos da alta concentração do mercado.
Nos bastidores, interlocutores do setor avaliam que a licitação tende a ser concorrida, mas pode enfrentar atraso caso avance a pressão para alterar a restrição prevista na primeira fase — ponto defendido por grupos interessados em participar do ativo e criticado por quem vê risco de maior concentração no mercado.
No governo, Rui Costa é apontado como principal opositor do leilão. O relato diz que, no início de fevereiro, ele afirmou em reunião com Lula e com o ministro de Portos e Aeroportos que trabalharia contra a realização do certame caso a restrição fosse mantida.
Na Europa, o tema também virou alvo concorrencial: em 2025, a Comissão Europeia abriu investigação aprofundada sobre a aquisição de controle conjunto de um terminal em Barcelona por uma empresa do grupo MSC e a Hutchison Ports, citando preocupações preliminares com preço, qualidade e tratamento preferencial.
O Estado de S.Paulo - SP 03/03/2026
Fragatas, navios-patrulha, submarinos, mísseis, drones fazem parte dos investimentos para garantir um mínimo de capacidade de dissuasão da Armada contra força extrarregionais
As bombas americanas e israelenses caíam sobre Teerã e Nicolás Maduro amargava mais um dia na cadeia em Nova York enquanto o plano de rearmamento da Marinha apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda aguarda uma resposta. Os investimentos devem somar mais de R$ 250 bilhões a serem gastos até 2040 e fazem parte do plano geral entregue pelas três Forças no dia 15 de janeiro, após a ação das forças especiais dos EUA em Caracas.
Mas o que constava do pacote entregue a Lula sobre as necessidades da Armada para a defesa de nosso mar territorial, com suas ilhas e riquezas oceânicas, da presença de potências extrarregionais? A Marinha tratou da obtenção e ampliação de meios navais até 2040 e da “adaptação às novas demandas impostas ao Brasil no cenário regional e internacional”.
Trata-se, por exemplo, da necessidade de defesa do direito garantido em 2025 sobre a Margem Equatorial, área marítima de 360 mil km² entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, com potencial estimado em até 30 bilhões de barris de petróleo. Para a Marinha, essa nova fronteira energética “coloca sob os holofotes questões de infraestrutura, segurança marítima e presença estatal”.
O foco da explanação do almirante Marcos Sampaio Olsen, comandante da Força Naval, esteve na ampliação dos meios da Esquadra “como requisito essencial para fazer frente a esses novos desafios, destacando-se a construção e a modernização de meios navais”. A lista de necessidades é conhecida desde 2023 quando foi publicada a Estratégia de Defesa Marítima (EDM).
Ela estipulava quantidades e meios de cada Elemento de Força Naval, além dos respectivos requisitos e estimativa de custos. Ele previa oito navios de escolta – fragatas –, por exemplo. Por enquanto, o contrato de construção das novas fragatas da classe Tamandaré prevê a construção de quatro unidades, mas um novo contrato deve ser assinado para a construção de outras quatro ao custo de cerca de R$ 3 bilhões por unidade.
“Tendo em vista o compromisso da MB com o cumprimento do seu Plano Estratégico, é fundamental a construção de unidades adicionais de Fragatas Classe Tamandaré (FCT), especialmente para substituir as Fragatas Classe Niterói, que possuem, em média, 50 anos de serviço. Por isso, a MB está em tratativas para viabilizar a construção de mais quatro navios pelo PFCT”, informou a Marinha à Coluna.
Sobre a força submarina, a Marinha reafirmou a importância da construção de seu primeiro submarino a propulsão nuclear, o Álvaro Alberto. A embarcação deve ser entregue em 2033. Embora não esteja prevista uma segunda embarcação, o desejo é que o Álvaro Alberto seja apenas o primeiro de uma força que teria enorme capacidade de dissuasão contra ameaças ao País.
A Força Naval informou a Lula que considera “crítico” o risco de a construção do Álvaro Alberto ser interrompida, conforme consta na EDM. A embarcação que está sendo produzida em Itaguaí, no Rio, faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que envolve ainda a entrega de quatro submarinos convencionais Skorpène da classe Riachuelo – a 4.ª dessas embarcações foi lançada ao mar em 2025.
Mas isso não significa que todas estejam à disposição da dissuasão pretendida pela Armada. É que além dos testes que ainda faltam ser feitos em relação ao submarino Almirante Karan (S43), o primeiro da série, o Riachuelo (S40), está parado para manutenção geral desde abril de 2025.
A Marinha ainda apresentou a Lula a necessidade de se obter três navios anfíbios, 20 navios-patrulha de 500 toneladas (NPa-500) e dez navios-patrulha oceânicos (NPaOc). Atualmente, estão em construção dois NPa-500, da Classe Macaé, no Arsenal de Marinha no Rio, com entrega prevista até 2029. O Mangaratiba, com mais de 50% das obras concluídas, tem entrega estimada para 2026. Já o NPa Miramar segue o cronograma previsto (2029).
Ao mesmo tempo, a Força Naval está desenvolvendo o projeto nacional NPa-500BR, concebido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), cuja primeira unidade deve começar a ser construída em 2027. Esses meios são considerados essenciais para a fiscalização do litoral, a proteção de infraestruturas estratégicas e o combate a ilícitos no mar que Olsen informou a Lula.
Ele não mencionou a necessidade de um navio multipropósito que possa abrigar aviões da Aviação Naval. Hoje, a Marinha opera no NAM Atlântico apenas helicópteros e drones. Na EDM, a Força mostra a necessidade de ter um novo porta-aviões depois da desativação do São Paulo, em 2018.
E os armamentos?
Entre os novos sistema de armas, está previsto o Sea Ceptor (míssil CAMM), que será o sistema de defesa aérea das Fragatas Classe Tamandaré. De lançamento vertical, ele ataca alvos aéreos até a médio alcance – mísseis antinavio, aeronaves e drones, simultaneamente.
Além dele, o canhão naval OTO Melara de 76 mm Super Rapid também equipará as novas fragatas. Ele tem a capacidade de disparar até 120 tiros por minuto contra alvos aéreos, de superfície e costeiros. E pode empregar munições que ampliam seu alcance e precisão. Por fim, as fragatas devem ter o Míssil Antinavio Nacional de Superfície (Mansup) e o Mansup-ER, com alcance de 200 quilômetros.
Na semana passada, a Siatt Engenharia, fabricante do Mansup, e a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha assinaram um protocolo de intenções para o desenvolvimento da versão ar-superfície do Mansup para que o novo míssil possa ser disparado dos helicópteros da Armada. A nova versão é chamada de Marsup.
Para a Força Naval, outro ponto fundamental é o Programa do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), voltado ao monitoramento, à vigilância e ao controle das Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), incluindo as fronteiras marítimas. De acordo com a Força Naval, o sistema permitirá “a detecção e identificação de ameaças e ilícitos, a obtenção de dados operacionais e o monitoramento ambiental”.
“O SisGAAz atuará, ainda, como multiplicador de capacidades, ao racionalizar a presença de meios navais em áreas prioritárias e possibilitar respostas oportunas e proporcionais a incidentes. Ele estará ligado à atuação de drones de vigilância, reconhecimento e busca e salvamento marítimos.
A Marinha já emprega diferentes tipos de sistemas não tripulados, tanto aéreos quanto marítimos. Eles podem ser lançados a partir de distintas plataformas – navios, aeronaves e instalações em terra –, ampliando o alcance das operações navais. Entre eles estão os drones ScanEagle e Nauru 500C, de vigilância e reconhecimento. No mar, são empregados o ROV Sub-Fighter 15K, além dos sistemas Glider e Sailbuoy, voltados à coleta de dados e ao monitoramento do ambiente oceânico.
Entre os projetos da Força está o de um submarino autônomo multipropósito, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), destinado a testes de sensores, apoio a atividades de contramedidas de minagem, busca e salvamento no mar, exploração e pesquisa submarina.
O Corpo de Fuzileiros testou recentemente seu primeiro drone camicase e o Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV) desenvolve um veículo de superfície não tripulado, “com potencial de emprego em missões que variam desde a vigilância costeira até operações de varredura e ações de guerra de minas”.
Antes de encerrar sua exposição, Olsen reforçou com o presidente que a “sustentabilidade desses projetos estruturantes exige capacidade financeira contínua para o cumprimento de obrigações contratuais junto aos fornecedores, especialmente diante do cenário de restrição fiscal, uma vez que os recursos destinados ao Ministério da Defesa registraram decréscimo de quase 50% nos últimos 10 anos”. Ou seja, sem dinheiro, tudo isso fica só no papel.
É justamente a imprevisibilidade dos gastos da Defesa que fez com que a EDM registrasse como crítico o risco de “degradação das capacidades antissuperfície, antissubmarino, defesa aeroespacial e Inteligências Vigilância e Reconhecimento da Força Naval”. O mesmo nível foi identificado em relação ao SisGAAz, com a consequente redução da “capacidade de proteger as Infraestrutura Críticas do Poder Marítimo e de projeção de poder nas Ilhas Oceânicas e outras regiões de interesse do Brasil”.
E, para finalizar, a Força afirmou ser crítico o risco de um ataque cibernético degradar os meios navais e seus sistemas de Comando, Controle, Comunicações, Computação, Cibernético, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento. Foi provavelmente uma ação assim que pôs a defesa da Venezuela fora do ar para a captura de Maduro. Antecipar-se e preparar-se para futuros conflitos é tarefa não só de militares, mas também de governantes.
São poucos os países do mundo que têm meios para dissuadir uma ação americana como as realizadas na Venezuela e no Irã, além da China e da Rússia. Mas se não podem impedir agressões contra seus territórios em um mundo em que a lei internacional é tratada abertamente como um estorvo por Moscou e Washington, podem ao menos aumentar o preço do uso da força para quem faz pouco caso das instituições internacionais.
Portos e Navios - SP 03/03/2026
Os portos públicos e privados da região Sudeste movimentaram 699,8 milhões de toneladas em 2025 e registraram alta de 7,52% em relação ao ano anterior, informou nesta segunda-feira (2) o Ministério de Portos e Aeroportos, com base em dados divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). De acordo com a pasta, o resultado foi influenciado pelas exportações, que cresceram 10,15%. Segundo o levantamento, foi registrado crescimento de 8,25% na movimentação de granéis sólidos, com 366,4 milhões de toneladas, de 9,22% de granéis líquidos, com 226,1 milhões de toneladas, e de 1,53% de cargas em contêineres, com 72,4 milhões de toneladas.
O maior movimento entre os portos públicos foi pelo Porto de Santos, em São Paulo, com 142,8 milhões de toneladas e elevação de 2,98%, com destaque para contêineres, soja, açúcar e milho, enquanto pelo Porto de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, foram movimentadas 62,8 milhões de toneladas, dos quais 92,2% de minério de ferro, e verificada alta de 3,55%.
Nos terminais privados, o maior volume, de 87,4 milhões de toneladas, sendo 92,3% de minério de ferro, foi registrado em Tubarão, no Espírito Santo, com alta de 12,9%. Pelo Porto de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, passaram 70,4 milhões de toneladas, com crescimento de 12,28% sobre 2024, enquanto o Porto de Açu, no mesmo estado, movimentou 60,4 milhões de toneladas, 20,31% a mais que no ano anterior.
Nos dois portos fluminense, foram movimentadas apenas cargas de petróleo e derivados. Os principais produtos movimentados na região foram minério de ferro, com 239,1 milhões de toneladas, petróleo e derivados, com que 217,1 milhões de toneladas, e soja, com 39,6 milhões de toneladas. Do volume total movimentado no Sudeste, 531,2 milhões foram em operações de longo curso e 137,4 milhões de toneladas na cabotagem.
Globo Online - RJ 03/03/2026
A Guarda Revolucionária do Irã disse ter fechado o Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar pelo local, que é uma rota vital para o transporte de petróleo e gás. O comunicado ocorreu nesta segunda-feira.
"Incendiaremos qualquer navio que tente passar pelo estreito de Ormuz", comunicou o general Sardar Jabbari, em uma publicação no canal de Telegram da Guarda iraniana, segundo a AFP. E continuou: “Também atacaremos os oleodutos e não permitiremos que nem uma única gota de petróleo saia da região. O preço do petróleo alcançará os 200 dólares nos próximos dias”.
Apesar das declarações de autoridades iranianas, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou que o estreito não estaria fechado, segundo informações da Fox News.
O Estreito de Ormuz, situado entre o Irã e Omã, é uma das rotas de exportação de petróleo mais importantes do mundo, sendo responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo. Qualquer interrupção neste fluxo pode impactar nos preços do petróleo bruto, fazendo com que os valores subam acentuadamente, e aumentará os temores de uma escalada regional.
Escalada após morte de líder iraniano
A guerra no Oriente Médio se ampliou nesta segunda-feira ao Líbano, com ataques de Israel em represália a disparos do Hezbollah. O Irã contra-atacou desde o início da ofensiva, tomando como alvo as bases militares americanas e o território israelense. Os mísseis do país, no entanto, também atingiram infraestruturas civis, como edifícios residenciais, hotéis, refinarias, portos e aeroportos em várias monarquias do Golfo consideradas um refúgio de paz no Oriente Médio.
A guerra provocou cenas de caos aéreo, com centenas de voos cancelados, e deixou o estratégico Estreito de Ormuz praticamente paralisado, além de gerar uma disparada dos preços do petróleo e do gás.
Apesar dos ultimatos de Trump, a Guarda Revolucionária anunciou, também nesta segunda, ataques contra o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e contra o quartel-general do comandante da Força Aérea.
Para vingar a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários dirigentes da República Islâmica, Teerã lançou mísseis contra diversos países da região, incluindo vários que abrigam bases americanas. No Kuwait, uma coluna de fumaça foi vista na embaixada dos Estados Unidos e três aviões militares americanos caíram, sem provocar vítimas, devido a um erro das defesas antiaéreas locais.
Jornal de Brasília - DF 03/03/2026
Nos últimos três anos, o Brasil realizou 26 leilões no setor portuário, totalizando mais de R$ 15 bilhões em investimentos contratados. Desses, quatro megaleilões se destacam por ultrapassarem R$ 1 bilhão cada, concentrando R$ 12 bilhões em projetos localizados nas regiões Sul e Sudeste.
Essas iniciativas, promovidas pelo Governo Federal por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, visam superar gargalos históricos, integrar modais de transporte e promover a relação porto-cidade. O ministro Silvio Costa Filho enfatizou que os leilões portuários colocam a infraestrutura no centro da agenda de desenvolvimento do país, com projetos sólidos que atraem investimentos, geram emprego e fortalecem a logística nacional.
O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, destacou que esses leilões representam uma mudança estrutural no planejamento da infraestrutura portuária, com foco em eficiência operacional, previsibilidade regulatória e integração logística.
O primeiro megaleilão, o ITG02 no Porto de Itaguaí (RJ), prevê R$ 3,5 bilhões em investimentos ao longo de 35 anos. Arrendado pela Cedro Participações, o terminal de 348,9 mil m² terá capacidade para 20 milhões de toneladas anuais, consolidando o porto como polo para exportação de minério de ferro. A implantação deve gerar 2.800 empregos indiretos, além de 2.000 postos diretos e indiretos na operação.
Em São Paulo, o Túnel Santos-Guarujá, no Porto de Santos, é a maior obra de infraestrutura do Novo PAC, com R$ 6,8 bilhões em investimentos em parceria entre o Governo Federal e o Estado. Executado pela Mota-Engil, o primeiro túnel imerso da América Latina reduzirá o tempo de travessia de 50 para cinco minutos, com seis faixas, ciclovia e espaço para VLT. A obra impactará 720 mil pessoas e gerará cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos, fortalecendo a eficiência logística do maior porto da América Latina.
No Paraná, o canal de acesso ao Porto de Paranaguá inaugurou um novo modelo de concessão, com R$ 1,23 bilhão em investimentos por 25 anos. Realizado em outubro de 2025, o projeto inclui dragagem para aumentar o calado de 13,5m para 15,5m, permitindo navios maiores e ampliando a capacidade operacional. O contrato abrange dragagens periódicas, manutenção, sinalização e gestão do tráfego, garantindo segurança e eficiência.
Também em Paranaguá, três terminais (PAR14, PAR15 e PAR25) foram leiloados conjuntamente, com lances totais de R$ 855 milhões em outorga e investimentos de R$ 2,18 bilhões. O PAR14, arrematado pela BTG Pactual Commodities Sertrading, prevê R$ 1,01 bilhão, incluindo modernização e construção de píer, gerando mais de 1,6 mil empregos diretos e 3,4 mil indiretos.
O PAR15, vencido pela Cargill Brasil, receberá R$ 604,17 milhões para movimentar 4 milhões de toneladas anuais, com 180 empregos diretos em operação. Já o PAR25, do Consórcio ALDC (Louis Dreyfus Company e Amaggi), terá R$ 565,09 milhões, contribuindo para a expansão logística e escoamento da safra agrícola. As informações foram retiradas do Governo Federal.
IstoÉ Dinheiro - SP 03/03/2026
A Petrobras monitora de perto os desdobramentos do conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e prevê uma semana de observação no mercado de petróleo, que disparou nesta segunda-feira, 2, antes de uma eventual decisão sobre preços de combustíveis, disseram quatro pessoas na estatal com conhecimento das avaliações.
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.
Os preços do petróleo Brent chegaram a subir até 13% nesta segunda-feira e operavam com alta de mais de 6% por volta das 13h55 (horário de Brasília), ajudando a impulsionar as ações da Petrobras, que também é exportadora da commodity.
No Ibovespa, as ações da estatal subiam cerca de 4% nesta segunda, negociadas no patamar de R$ 40, enquanto a bolsa opera com leve baixa, em dia marcado por oscilações.
A companhia é pressionada a reajustar seu combustível no mercado interno em momentos como esse, embora evite, por política, repassar a volatilidade dos contratos futuros.
O preço do petróleo subiu depois que ataques retaliatórios do Irã interromperam o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz, após o bombardeio do fim de semana por Israel e pelos Estados Unidos que matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei.
“Será uma semana de observação que pode levar a uma tomada de decisão na semana que vem (sobre preços de combustíveis), mas ainda há indefinições no ar”, afirmou uma fonte em condição de sigilo.
“É preciso ter calma, estamos atentos, mas trabalhamos sem desespero em momentos de pico”, adicionou uma segunda fonte.
Segundo essas pessoas, é preciso ficar atento também ao comportamento do câmbio, que faz parte da equação de preços de combustíveis da Petrobras.
Um prolongamento da guerra poderia, segundo uma das fontes, gerar uma fuga de investidores dos EUA, e o Brasil poderia ser um dos destinos desses recursos.
“Se o povo americano não aprovar, houver preocupação com os gastos com a guerra, esse dólar pode baixar aqui e o câmbio compensar a alta do Brent”, afirmou uma das fontes.
A Petrobras também está de olho nos impactos da guerra em instalações de produção de petróleo e combustíveis, além de gargalos logísticos gerados pelo conflito.
Os movimentos do grupo de países produtores e exportadores Opep+ também estão sendo monitorados, já que uma alta da produção poderia amortecer o aumento do Brent com a ampliação da oferta no curto prazo. A Opep+ definiu no domingo um aumento modesto na produção de petróleo de 206 mil barris por dia.
Preocupação com Estreito de Ormuz
Uma terceira preocupação tem a ver com o possível fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo do mundo. O estreito jamais foi plenamente fechado, mas no fim de semana houve relatos que embarcações pararam de circular e até foram alvos de ataques.
Paralisar Ormuz traria um impacto relevante para o fluxo de petróleo global e poderia causar um rearranjo no transporte de commodities, que poderia beneficiar a Petrobras, por um lado, mas obrigá-la a comprar petróleo e derivados de outras regiões, eventualmente a custos mais altos.
Além de exportadora, a Petrobras também importa volumes diários de petróleo para misturar com sua própria produção, outro ponto de atenção.
Mas na avaliação do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, a companhia tem alternativas e flexibilidade para operar a custos competitivos, apesar dos impactos do conflito no Oriente Médio.
“A Petrobras possui rotas alternativas à região do conflito, o que dá segurança e custos competitivos para as nossas operações, preservando nossas margens”, disse Schlosser, à Reuters.
Ele preferiu não fazer comentários sobre como ficarão os preços de combustíveis da Petrobras.
O diretor disse que os fluxos de importação são majoritariamente fora da região de crise, “e mesmo as poucas que existem podem ser redirecionadas”.
A intensidade, extensão e tempo do conflito são os parâmetros que vão definir os impactos no negócio, acrescentou ele.
“Não há risco de interrupção das importações e exportações no momento”, resumiu.
Globo Online - RJ 03/03/2026
A QatarEnergy, empresa petrolífera estatal do Catar, anunciou a suspensão total da produção de gás natural liquefeito (GNL) e de produtos associados, segundo comunicado oficial que atribui a decisão a ataques militares ao seu complexo em Ras Laffan.
O Catar é um dos maiores produtores globais de gás natural, e a paralisação pode ter impacto relevante no mercado internacional de energia. O petróleo e o gás ainda representam mais de 50% do PIB do país, cerca de 85% das receitas de exportação e 70% das receitas do governo.
A QatarEnergy havia informado anteriormente que um drone havia atingido um reservatório de água em uma usina elétrica no complexo e outro em uma instalação de energia em Ras Laffan, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa.
“Um drone teve como alvo um reservatório de água pertencente a uma usina elétrica em Mesaieed, e o outro teve como alvo uma instalação de energia na Cidade Industrial de Ras Laffan, pertencente à Qatar Energy, sem relatos de vítimas humanas”, afirmou a nota, de acordo com Al Jazeera.
Fundada em 1974, a empresa atua na exploração de petróleo e gás, incluindo exploração, produção, refinamento, transporte e armazenamento. Uma das unidades de produção no complexo de Ras Laffan, no Catar, estava passando por manutenção programada até a semana passada, segundo traders, o que contribuirá para a redução dos fluxos.
Repórter do GLOBO, em Dubai, fala sobre o clima de tensão nos Emirados Árabes
O Catar exportou 82,2 milhões de toneladas de GNL em 2025. Mais de quatro quintos do GNL do Catar foram entregues a compradores asiáticos no ano passado, sendo a China o maior comprador, responsável por quase um terço de suas importações provenientes do país. A Índia é o segundo maior importador.
A ampliação do conflito no Oriente Médio põe em risco o mercado global de gás como não se via desde 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia desorganizou o comércio global há quatro anos.
Vizinhos do Irã, como o Catar, estão entre os produtores mais importantes do mundo, e a região também é uma rota vital de abastecimento, com 20% das exportações de gás natural liquefeito (GNL) passando pelo Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para a energia global.
Se o conflito se prolongar e as interrupções no transporte marítimo continuarem, os riscos para a produção de GNL aumentarão rapidamente, já que o setor depende de exportações constantes para escoar o combustível pelas instalações — caso contrário, poderá ser forçado a cortar a produção.
Na Europa, o gás disparou até 25% diante dos riscos aos fluxos globais, já que o continente permanece altamente vulnerável ao conflito com o Irã. A temporada de aquecimento de inverno esgota os estoques regionais de gás, o que significa que a Europa precisa importar grandes volumes de GNL para reconstruir suas reservas.
A invasão da Ucrânia forçou uma mudança drástica na matriz energética europeia, reduzindo a dependência da energia russa, e agora uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL) europeu vem do Catar, através do Estreito de Ormuz, onde o tráfego comercial praticamente parou.
O Estado de S.Paulo - SP 03/03/2026
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de semana adicionaram uma camada de volatilidade ao mercado futuro de petróleo, semanas depois da investida americana na Venezuela. As ações da Petrobras encerraram a segunda-feira, 2, em alta de 4,96% (ordinárias) e 4,58% (preferenciais), sob o impulso do salto de 7,68% do petróleo Brent e de 6,98% do WTI, com a percepção de risco à oferta global da matéria-prima. A extensão do conflito, porém, pode pressionar a estatal a rever preços dos combustíveis e pressionar a inflação no Brasil.
O mercado mantém o foco no Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta. O tráfego de navios-tanque no corredor marítimo já diminuiu de forma expressiva, reflexo da maior cautela de produtores e armadores após relatos de embarcações danificadas.
Navios petroleiros acima do estreito aguardam para descer, enquanto os posicionados abaixo do acesso aguardam para subir, explica o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.
“O Oriente Médio é importante pela exportação de petróleo, 80% do petróleo produzido é exportado pelo Estreito de Ormuz. Hoje em dia tem muita resistência das empresas de navegação de passarem por ali”, informa Ardenghy. Ele ressalta que é muito difícil saber por quanto tempo isso será sustentado, mas que o Brasil tem a vantagem de ter segurança energética: “É talvez até uma oportunidade de negócio para o petróleo do Brasil”.
Pelos cálculos do Goldman Sachs, se apenas 50% do fluxo pelo estreito for mantido por um mês, o reflexo no prêmio de risco é estimado em US$ 4 por barril. O banco manteve inalterado o cenário base para o preço da energia.
Em nota, a Petrobras afirma que possui rotas alternativas à região do conflito que garantem segurança e custos competitivos. “Os fluxos de importação são majoritariamente fora da região de crise, e as poucas rotas de importação que existem podem ser redirecionadas. Não há risco de interrupção das importações e exportações no momento”, comenta.
E a importação de derivados?
Já Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, entidade representante das refinarias independentes, teme que o País possa sofrer problemas no suprimento de derivados diante da corrida global pelos insumos. O executivo defende que, no curto prazo, seja elevado o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias brasileiras para 97%/98%, além do incremento nos estoques.
“Com o petróleo a US$ 100, deixamos na mesa quase R$ 30 bilhões por ano em preço de transferência de petróleo, royalties, participações especiais, lucro em óleo e imposto de renda”, afirma. O preço de transferência do petróleo é uma bandeira antiga da Refina Brasil para estimular a expansão do refino.
Para o presidente da associação que representa as empresas de bens e serviços do setor, Abespetro, Telmo Ghiorzi, não haverá problemas de abastecimento. Pelo contrário, na avaliação do executivo, se o preço continuar subindo, alguns projetos de exploração que hoje no Brasil seriam inviáveis do ponto de vista econômico se tornem viáveis. “Mas vamos ter de esperar de três a seis meses para ter certeza de que o cenário de conflito vai ser duradouro, mas acho isso improvável”, afirma. O impacto para o Brasil seria residual, diz.
Qual é o impacto para a Petrobras?
A Petrobras não pratica a política de paridade de importação (PPI) desde 2023, como forma de evitar que a volatilidade do mercado externo seja incorporada automaticamente ao mercado doméstico, o que deve adiar o anúncio de aumento para os seus derivados.
Por outro lado, a receita da companhia, exportadora de petróleo, deve crescer no curto prazo, abrindo uma janela para que projetos arquivados por conta do baixo preço do petróleo saiam do papel. No seu Plano de Negócios 2026-2030, a estatal separou US$ 10 bilhões em projetos que não se mostravam economicamente viáveis e que são revistos trimestralmente pela diretoria.
Ainda assim, os investidores tendem a cobrar uma posição da estatal se a pressão dos acontecimentos globais vier acompanhada de um câmbio mais depreciado por algumas semanas, diz o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima.
“Não existe um prazo fixo”, diz, “mas, historicamente, quando a diferença de preços se mantém relevante por um período mais longo, aumenta a pressão para algum tipo de recalibração, porque o mercado precifica quase de forma automática a melhora no potencial de geração de caixa do segmento de exploração e produção”.
O analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, observa que a alta do petróleo reduz o risco de execução do Plano de Negócios da Petrobras para o período 2026-2030. “Eu fui crítico quando eles (Petrobras) colocaram US$ 67 o barril na previsão do plano, quando tínhamos petróleo mais baixo, de US$ 60", lembra. “Mas esse petróleo mais alto agora tira o risco de execução do plano.”
E se o petróleo chegar a US$ 100?
Considerando que o conflito não ganhe larga escala, como uma retaliação direta contra a infraestrutura energética do Golfo, onde estão instalações petrolíferas de aliados dos EUA, o Scotiabank não vê suporte para a commodity avançar para a casa dos US$ 100 o barril. Na avaliação do banco, o ataque não surpreendeu, já que os EUA vinham reunindo forças militares na região e houve a recomendação de evacuação feita pelo embaixador americano em Israel.
David Zylberstajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e professor da PUC-Rio, também aponta um grau altamente especulativo para o avanço da commodity, como aconteceu na guerra da Rússia contra a Ucrânia.
“Muita gente vai ganhar dinheiro com a especulação, não é petróleo físico”, diz. “O barril a US$ 100 hoje é muito mais barato do que o barril a US$ 100 há 15 anos e, mesmo naquela época, a economia reagiu bem.”
Em termos macroeconômicos, a leitura inicial da Eleven Research é de que, se o conflito não for solucionado no curto prazo, o aumento do preço da commodity pode elevar a inflação e dificultar a redução da taxa básica de juros da economia, a Selic.
“O mesmo vale para outros bancos centrais ao redor do mundo, principalmente na Ásia e na Europa, que podem reduzir drasticamente as expectativas de novos cortes de juros ou até levar alguns países a aumentar a taxa de juros”, diz o estrategista Fernando Siqueira.
Monitor Digital - RJ 03/03/2026
A produção brasileira de petróleo e gás natural atingiu mais de 5,16 milhões de barris de óleo equivalente por dia em janeiro de 2026, representando um aumento de 15,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados consolidados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Do volume total reportado, a produção de petróleo ultrapassou 3,95 milhões de barris por dia, representando uma queda de 1,5% em relação a dezembro de 2025, mas um aumento de 14,6% em comparação com janeiro do ano passado, de acordo com o Boletim Mensal de Produção de Petróleo e Gás Natural.
Em relação ao gás natural, a produção atingiu 193,16 milhões de metros cúbicos por dia em janeiro de 2026, uma queda de 0,6% em comparação com o mês anterior e um aumento de 20,2% em relação ao ano anterior.
O desempenho do setor é impulsionado principalmente pelos campos do pré-sal, que em janeiro deste ano representaram 79,9% da produção de petróleo e gás do país.
A produção nessa camada geológica ultrapassou 4,12 milhões de barris de óleo equivalente por dia, uma queda de 1,8% em comparação com dezembro e um aumento de 19% em relação ao mesmo mês de 2015.
A utilização de gás natural permaneceu em níveis elevados, atingindo 97,1% em janeiro deste ano no Brasil. O mercado recebeu 61,92 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, enquanto a queima de gás atingiu 5,68 milhões de metros cúbicos por dia, representando um aumento de 16,9% em comparação com o mês anterior e um aumento de 27% em relação ao ano anterior.
Preços do petróleo em alta após ataque dos EUA
Os preços do petróleo tiveram forte alta nesta segunda-feira, refletindo as tensões com os ataques dos EUA e Israel ao Irã. O contrato West Texas Intermediate (WTI) para entrega em abril aumentou 6,28%, fechando a US$ 71,23 o barril na Bolsa Mercantil de Nova York. O petróleo Brent para entrega em maio subiu 6,68%, fechando a US$ 77,74 o barril na Bolsa de Futuros ICE de Londres.
Um oficial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou que o lado iraniano queimará qualquer navio que tentar passar pelo Estreito de Ormuz e não permitirá que uma única gota de petróleo saia da região, informou a agência de notícias ISNA nesta segunda-feira.
A escalada da guerra no Oriente Médio reforça a necessidade de ampliação imediata de investimentos no parque de fertilizantes brasileiro e na autossuficiência em combustíveis, defende a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
IstoÉ Online - SP 03/03/2026
A escalada de ataques no Oriente Médio ameaça não apenas o Estreito de Ormuz, mas toda a infraestrutura de produção e exportação de petróleo e gás da região, alerta o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy. Ele vê, porém, oportunidades de negócios para o petróleo brasileiro se as restrições persistirem.
Segundo ele, 80% do óleo extraído na região é escoado pelo Estreito de Ormuz, corredor pelo qual também transitam volumes expressivos de Gás Natural Liquefeito (GNL) do Catar, Omã, Arábia Saudita e Irã. “Hoje há grande resistência dos armadores em cruzar o estreito”, afirma.
Ardenghy informa que navios petroleiros já formam filas nos dois lados do canal, travando parte do fluxo global. As embarcações acima do Estreito aguardam para descer, enquanto os posicionados abaixo do acesso aguardam para subir, explica.
“O Oriente Médio é importante pela exportação de petróleo, 80% do petróleo produzido é exportado pelo Estreito de Ormuz. Hoje em dia tem muita resistência das empresas de navegação de passarem por ali”, acrescenta o presidente do IBP.
Países fortemente dependentes, como Índia e Japão, já buscam rotas e fornecedores alternativos. A China, mesmo com estoques elevados, tem limite para sustentar essa posição no longo prazo. A duração do impasse é incerta, mas o Brasil, com produção interna crescente, dispõe de segurança energética e pode até ganhar espaço como fornecedor adicional.
Mas caso o barril permaneça pressionado – na sexta-feira subiu 13% antes de recuar para alta de 6,6% no fechamento -, toda a cadeia será afetada: gasolina, diesel, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), QAV e insumos petroquímicos, além de fertilizantes.
A Petrobras, que desde maio de 2023 não aplica automaticamente a paridade internacional, deve segurar os repasses no curto prazo, mas, se a tensão durar oito meses ou mais, terá de rever os preços. “O mercado se rearranja. Podemos ver o Brasil importando derivados da Índia”, diz Ardenghy.
Para ele, a crise reforça a importância de diversificar mercados e acelerar projetos no pré-sal e em novas fronteiras. “Se estivéssemos na situação dos anos 1970, quando importávamos 90% do petróleo, o choque seria muito maior”, considera.
Ardenghy avalia ainda, que manter reservas ociosas no País “parece equivocado”. Ele defende que a exploração da Margem Equatorial e a bacia de Pelotas, no norte e sul do País, respectivamente, se tornaram ainda mais estratégicas diante do risco externo.
Agroplanning - SP 03/03/2026
A Massey Ferguson, referência no mercado agrícola brasileiro, amplia seu portfólio com novas configurações de tratores consagrados, reforçando sua estratégia de oferecer soluções alinhadas às necessidades de cada operação no campo e aos diferentes perfis de produtores. Os tratores estarão expostos na Expodireto Cotrijal, que acontece de 9 a 13 de março, em Não-Me-Toque (RS).
As novas versões do MF 4700 e do MF 7718 foram desenvolvidas para atender às demandas de diferentes segmentos do agronegócio brasileiro. São tratores já reconhecidos no mercado, com vários importantes prêmios, preparados para atender diferentes níveis de operação e com possibilidade de evolução tecnológica, conforme a necessidade do cliente, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto Massey Ferguson.
Novas versões MF 4700: simplicidade e eficiência para segmentos que buscam melhor custo benefício com qualidade
Trator MF 4700: capacidade de levante de 3 toneladas e vazão hidráulica de 65 litros por minuto
As novas versões do MF 4700 foram desenvolvidas para produtores que demandam um trator versátil, robusto e eficiente, por exemplo, em operações de citros, pecuária ou mesmo arroz. A configuração mantém os principais atributos da linha MF 4700, com foco em facilidade de operação e alta disponibilidade no campo.
O modelo é equipado com motor AGCO Power, com gerenciamento eletrônico, turbo e intercooler, proporcionando eficiência no consumo de combustível por hectare e desempenho adequado às aplicações do dia a dia. A transmissão 12×12, com reversão mecânica, oferece excelente escalonamento de marchas, favorecendo operações que exigem trocas frequentes de direção e controle preciso de velocidade.
Com capacidade de levante de 3 toneladas e vazão hidráulica de 65 litros por minuto, o MF 4700 atende uma ampla gama de implementos. A cabine com visibilidade 360° contribui para maior conforto, segurança e controle operacional, mesmo em jornadas prolongadas. O MF 4700 é um trator extremamente equilibrado. Ele entrega desempenho, simplicidade operacional e robustez, características muito valorizadas por produtores de citros e pecuária, que precisam de máquinas confiáveis para o uso diário, complementa Zanetti.
MF 7718: seis cilindros e 180 cv O trator MF 7718 chega ao mercado como um novo modelo da renomada série MF7700 Dyna 6, desenvolvida para atender produtores que demandam um trator robusto, simples na operação e altamente confiável, especialmente em aplicações que exigem força contínua e eficiência operacional. O modelo passa a contar com motor de 180 cavalos e seis cilindros, desenvolvido para oferecer desempenho adequado às necessidades das operações no campo.
MF 7718: motor 180 cv e 6 cilindros
Equipado com transmissão Dyna-6 (24×24), o MF 7718 oferece versatilidade e performance, com trocas automáticas de marcha que garantem maior rendimento em diferentes tipos de aplicação. O trator mantém um conceito de simplicidade, posicionando-se como uma solução de alto custo-benefício dentro da faixa de potência de 180 cv.
O modelo já sai de fábrica preparado para piloto automático, com válvulas e pré-disposição hidráulica, permitindo que o produtor adicione futuramente terminal e antena de forma simples e viável, caso deseje evoluir em tecnologia. O sistema hidráulico com vazão de 150 litros por minuto foi dimensionado para atender implementos exigentes, como plantadeiras pneumáticas.
O MF 7718 estará disponível em três versões, desenvolvidas para atender diferentes realidades regionais e produtivas:
Grãos, com rodado duplo; Cana-de-açúcar, com rodado simples e eixo de 3 metros; Arrozeiro, com pneus R2, voltado especialmente para produtores da Região Sul.
Nosso objetivo é oferecer soluções ajustadas à realidade do produtor, ampliando o acesso a tratores robustos e consagrados, agora em versões mais simples, competitivas e alinhadas às necessidades específicas de cada segmento do agronegócio, finaliza o especialista.
A Massey Ferguson, marca pertencente ao grupo AGCO, acumula mais de 175 anos de experiência global na produção para a indústria agrícola. É a maior exportadora de máquinas agrícolas da América Latina e referência no mercado brasileiro há seis décadas. Os tratores, colheitadeiras, plantadeiras, implementos, pulverizadores, enfardadoras e produtos e serviços de agricultura de precisão da Massey Ferguson são comercializados em mais de 80 países, principalmente na África do Sul, na Arábia Saudita, na Argélia, na Argentina, na Bolívia, no Chile e no Paraguai. As fábricas na América do Sul ficam localizadas no Brasil em Canoas/RS (tratores), Santa Rosa/RS (colheitadeiras), Ibirubá/RS (plantadeiras e implementos), Mogi das Cruzes/SP (tratores, motores, pulverizadores e laboratório de controle de emissões) e também na Argentina, em General Rodriguez/BUE (tratores, colheitadeiras e motores). Possui uma extensa e consolidada rede de concessionárias no Brasil, com mais de 200 lojas.
A AGCO (NYSE: AGCO) é líder global no design, fabricação e distribuição de maquinário e tecnologia agrícolas de precisão. A AGCO entrega valor aos agricultores e aos clientes OEM por meio de seu portfólio diferenciado de marcas, incluindo as líderes Fendt®, Massey Ferguson®, PTx e Valtra®. A linha completa de equipamentos, soluções de agricultura inteligente e serviços da AGCO permite que os agricultores alimentem o mundo de forma sustentável. Fundada em 1990 e sediada em Duluth, na Geórgia, EUA, a AGCO registrou vendas líquidas de aproximadamente US$ 11,7 bilhões em 2024.
Associe-se!
Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.
© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.