Diário do Comércio - MG 02/03/2026
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em derrubar o tarifaço do presidente Donald Trump renova a expectativa de condições mais favoráveis para o setor siderúrgico brasileiro exportar para o país, disse na sexta-feira (27) o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.
A medida em si não altera o regime de exportação de produtos siderúrgicos brasileiros, mas abre espaço para negociações entre Brasil e EUA sobre a retomada do regime de cotas que era adotado até 2018.
“(Com a decisão da Suprema Corte) a gente está querendo abrir um canal. Imaginamos que agora com essa retirada da questão da reciprocidade tarifária, se abre um canal também para poder discutir a questão do aço. Eu acho que sim (pode facilitar)”, disse ele a jornalistas em evento da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Na semana passada, a Suprema Corte dos EUA considerou como ilegais as tarifas globais de importação aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.
Negociações entre Brasil e EUA em 2018 para revisar tarifas de importações duraram meses e criaram o sistema em que o Brasil podia enviar sem pagar sobretaxas aos EUA 3,5 milhões de toneladas de produtos semiacabados (placas) para laminação e 687 mil toneladas de laminados por ano.
Lopes destacou que a condição básica que o governo brasileiro impôs para começar a negociar com os norte americanos era a derruba do tarifaço adicional de 40% para produtos brasileiros.
“Como a corte derrubou (o tarifaço) e o Trump botou todo mundo no mesmo nível, 10% de tarifa, isso retira aquela condição, a premissa básica do governo brasileiro, e você tem um pouco mais de pragmatismo”, disse o presidente-executivo.
Porém, Lopes afirmou que por ora não há nenhuma reunião marcada para que as partes possam voltar a negociar a retomada do regime de cotas que vigorou até 2018.
Sobre a contínua preocupação do setor com a chegada de aço produzido no exterior ao Brasil, Lopes afirmou que com as últimas medidas de defesa comercial do Brasil “trazem a expectativa que venha frear as importações”.
Valor - SP 02/03/2026
Segmento continua a ser taxado em 50% nos Estados Unidos, com base na Seção 232 da legislação tarifária americana
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço do governo de Donald Trump abriu espaço para que o Brasil e o setor siderúrgico nacional voltem a debater com os EUA a possibilidade de reduzir as tarifas ao aço brasileiro. A afirmação é do presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, que lembrou que os Estados Unidos sempre foram o mercado preferencial para as exportações siderúrgicas brasileiras.
Lopes destacou que o setor siderúrgico brasileiro continua sendo taxado em 50% nos Estados Unidos, com base na Seção 232 da legislação tarifária americana. Essa sobretaxa não foi tocada pela decisão da Suprema Corte, que derrubou apenas as sobretaxas aplicadas a todos os países e que variavam de 10% a 50%.
Com o fim dessa sobretaxa de 10% a 50% e o levantamento das sanções da Lei Magnitsky sobre autoridades brasileiras, o setor siderúrgico nacional pode voltar, juntamente com o governo, a sentar à mesa para discutir as taxas de 50% aplicadas pelos EUA ao aço.
“O mundo todo está com 50% [de taxa ao aço], então nós estamos no campo de batalha. Todo mundo igual. Mas estamos querendo abrir o canal”, disse Lopes, que participou de evento que homenageou o presidente do conselho superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Jorge Gerdau, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
Para Lopes, o momento agora é de “pragmatismo” para tentar reduzir as taxas ao aço brasileiro nos EUA. “Agora é partir para o ‘front’”, disse.
Importações da China
O executivo também destacou que o setor siderúrgico nacional espera que as medidas tomadas pelo governo brasileiro para frear as importações de aço — majoritariamente de produtos chineses — tenham impacto positivo em 2026. Mas não há estimativa de quanto pode ser este impacto este ano.
Lopes afirmou que historicamente o Brasil importou, entre 2000 e 2019, a média de 2,2 milhões de toneladas por ano de aço. Em 2025, foram 5,7 milhões de toneladas, dois terços disso oriundos da China.
“O mecanismo tem que reduzir o nível de importação para um patamar que seja razoável”, disse Mello Lopes. “Havia uma penetração de importados de 10% do consumo, o que é razoável dentro de uma economia de mercado. Hoje, a penetração [de importados] é de 22%, 23%”, acrescentou.
A expectativa é que essas importações arrefeçam ao longo do ano. Mello Lopes lembrou que o governo brasileiro aprovou a elevação tarifária de 25 NCMs (Nomenclaturas Comuns do Mercosul) e aprovou também processos de dumping.
“O arcabouço de defesa comercial hoje é mais consistente do que a gente tinha no ano passado. Tem que esperar um pouco para saber a efetividade desse novo sistema”, afirmou.
Money Times - SP 02/03/2026
O Itaú BBA rebaixou a recomendação da Gerdau (GGBR4) para market perform (equivalente a “neutra”), após uma valorização de 30% nos últimos seis meses, incluindo dividendos. O banco manteve a estimativa de Ebitda para 2026 e o preço-alvo de R$ 24 por ação para o fim de 2026.
Segundo a instituição, o movimento é motivado principalmente por valuation. Depois da forte alta, o potencial de valorização parece mais equilibrado frente aos riscos de execução e ao cenário macroeconômico, de acordo com os analistas Daniel Sasson e equipe.
O fluxo de caixa livre (FCF) no curto prazo é considerado “decente”, mas não suficientemente forte para sustentar uma visão mais otimista, disseram os analistas. O banco destaca que o rendimento estimado de FCF de cerca de 6% em 2026 é o melhor entre as siderúrgicas da América Latina, mas já não oferece assimetria relevante.
O ponto de preocupação
Para o BBA, o Brasil segue como principal ponto de preocupação. A rentabilidade continua pressionada por concorrência acirrada de produtos importados e aumento de capacidade por dois concorrentes locais, avaliou o banco.
Os resultados do quarto trimestre de 2025 e o guidance para o primeiro trimestre de 2026 reforçaram a fraqueza do ambiente, com compressão de margens diante de volumes e mix mais fracos e custos mais elevados, disse o banco.
Mesmo com eventuais reajustes pontuais de preços, o Itaú BBA avalia que o cenário no curto prazo é mais de desgaste do que de recuperação.
O suporte para os resultados
O Itaú BBA estima que a economia de cerca de R$ 400 milhões com o avanço do projeto Miguel Burnier, a partir do segundo semestre de 2026, deve sustentar a margem Ebitda da divisão brasileira próxima de 10% no ano.
Segundo o banco, a América do Norte continua sendo o principal suporte dos resultados. A combinação de sazonalidade favorável e preços mais altos do aço deve elevar os spreads no primeiro trimestre de 2026, com margens Ebitda acima de 23% na região.
O melhor desempenho nos Estados Unidos compensou a revisão para baixo no Brasil e manteve estável a projeção de Ebitda consolidado.
O Itaú BBA aponta, porém, que há incertezas na revisão do USMCA, que podem pressionar preços do aço nos EUA, e uma parada de 40 a 50 dias na unidade de Midlothian no segundo semestre de 2026 para concluir a primeira fase da expansão.
Potencial catalisador
O Itaú BBA avalia que uma eventual listagem das operações da Gerdau nos Estados Unidos seria o catalisador mais claro para destravar valor.
Pelos cálculos do banco, o múltiplo implícito EV/Ebitda das operações norte-americanas da companhia está entre 4,0 vezes e 4,5 vezes, cerca de 50% a 55% abaixo da média de empresas americanas como Nucor e Steel Dynamics. A listagem poderia ampliar a base de investidores e reduzir esse desconto.
Outra possível fonte de geração de valor seria a venda de ativos florestais não essenciais, disse o BBA.
A companhia possui cerca de 220 mil hectares de terras, principalmente em Minas Gerais. Na estimativa do banco, a venda de 50 mil hectares produtivos poderia levantar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão — montante não incorporado no preço-alvo.
Valor - SP 02/03/2026
Empresa fechará a subsidiária Casting and Mechanical Plant, que inclui fundição, estamparia e forjamento, processos térmicos, equipamentos de soldagem por deposição e usinagem
A principal siderúrgica da Ucrânia, ArcelorMittal Kryvyi Rih, está fechando mais uma de suas divisões no país devido ao agravamento da crise energética causada pelos ataques contínuos da Rússia ao sistema energético ucraniano, informou a empresa nesta sexta-feira (27).
A Rússia aumentou significativamente o número e a intensidade dos ataques ao setor de energia da Ucrânia, atingindo tanto usinas quanto subestações, forçando Kiev a cortar o fornecimento de energia para empresas e a ampliar as importações da União Europeia.
A empresa, subsidiária da ArcelorMittal SA, informou em comunicado que fechará sua subsidiária Casting and Mechanical Plant, uma das maiores do país, que inclui fundição, estamparia e forjamento, processos térmicos, equipamentos de soldagem por deposição e usinagem.
A decisão de encerrar as atividades da planta entrará em vigor três meses após a data do anúncio.
“O principal motivo para essa medida é a crise energética que nossa empresa enfrenta durante a guerra, em particular o custo extremamente elevado da eletricidade na Ucrânia”, afirmou a ArcelorMittal Kryvyi Rih.
“Isso levou a um aumento significativo do custo de produção, o que piorou ainda mais a viabilidade econômica da fabricação de produtos siderúrgicos”, acrescentou.
A empresa também disse que outro motivo foi a decisão da Comissão Europeia de introduzir o CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira) a partir de janeiro, sem exceções ou período de transição para os produtores ucranianos.
O CBAM é o instrumento da União Europeia para estabelecer um preço justo para o carbono emitido durante a produção de bens intensivos em carbono que entram no bloco.
A planta será o segundo ativo da empresa a ser fechado neste ano. A ArcelorMittal Kryvyi Rih informou em janeiro que encerraria uma de suas unidades de produção no segundo trimestre devido à política ambiental da União Europeia e aos altos preços locais de energia.
A decisão de fechar as duas unidades afetará mais de 2.400 empregos, informou a empresa.
O Estado de S.Paulo - SP 02/03/2026
Redução mais firme da tendência inflacionária continua a depender de uma contenção confiável dos gastos do governo, embora o resultado possa ser também afetado pela evolução do dólar
Com recuo de 4,50% em janeiro para 4,10% em fevereiro, a prévia da inflação em 12 meses continua bem acima da meta oficial, 3%, segundo mostrou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Puxado principalmente pelos custos da educação, com aumento de 5,20%, o índice teve elevação mensal de 0,84%, superando por 0,64 ponto porcentual o resultado de janeiro. Reajustes anuais, programados normalmente para esse período, pressionaram esses gastos.
Os custos de alimentação e bebidas, especialmente pesados para as famílias de rendas média e baixa, subiram 0,20%, depois de terem aumentado 0,31% em janeiro. No mês, o custo de comer e beber elevou-se bem menos que as despesas com transportes, saúde e comunicação.
Com a variação acumulada nos 12 meses até fevereiro, o IPCA-15 continua acima do resultado previsto no mercado para a inflação deste ano, 3,91% segundo o boletim Focus. O último dado é em boa parte explicável por fatores sazonais, como o reajuste de gastos escolares, mas outras pressões sazonais ocorrerão, normalmente, em outras fases do ano.
A boa oferta de alimentos, facilitada por uma safra bem-sucedida, tem permitido uma evolução moderada dos preços no varejo. Mas uma redução mais firme da tendência inflacionária continua a depender de uma contenção confiável dos gastos do governo, embora o resultado possa ser também afetado pela evolução do preço do dólar. Mas essa evolução depende em parte da avaliação das condições brasileiras pelos investidores internacionais.
O Estado de S.Paulo - SP 02/03/2026
O momento foi histórico. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a principal política de Donald Trump. O presidente alegava que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 lhe permitia impor tarifas a quem quisesse, por qualquer período de tempo. Os ministros decidiram, por 6 votos a 3, que o Congresso não ocultou na IEEPA “uma delegação de seu poder originário de tributar dentro do poder cotidiano de ‘regular’”, como escreveu o presidente da Corte, John Roberts, na opinião majoritária
Olhando apenas para a mudança nas tarifas dos Estados Unidos, os historiadores do comércio de amanhã podem acabar ignorando completamente a decisão. Poucas horas após o veredito, Trump invocou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para impor tarifas de 10% sobre todas as importações por 150 dias, a partir de 24 de fevereiro. No dia seguinte, afirmou que elevaria a alíquota para 15%, o nível máximo permitido pela lei (mas acabou fechando em 10%).
Se analisarmos a fundo essa estabilidade superficial, porém, os futuros cronistas do comércio global marcarão o dia 20 de fevereiro como o início de um período de turbulência possivelmente ainda mais caótico do que aquele desencadeado por Trump no “Dia da Libertação” em abril passado.
Isso porque, em primeiro lugar, a Suprema Corte se manteve em silêncio sobre o que fazer em relação ao reembolso dos impostos cobrados ilegalmente pelo governo, preparando o terreno para mais uma batalha judicial.
E, em segundo lugar, as mais recentes alegações de Trump — ou que ele está prestes a alegar — também serão contestadas nos tribunais. Enquanto os processos judiciais se desenrolam, a incerteza persistirá, assim como o impacto econômico negativo de toda essa guerra comercial.
O governo arrecadou cerca de US$ 180 bilhões em tarifas da IEEPA. Ao longo do último ano, 1,8 mil empresas — incluindo a Goodyear, fabricante de pneus, e a Costco, varejista — entraram com ações judiciais para proteger seu direito ao reembolso caso a Suprema Corte as revogue. Elas agora têm direito a esse dinheiro, equivalente a aproximadamente 5% dos lucros gerados pelas empresas nos Estados Unidos no ano passado, ou 0,6% do PIB — mais juros compostos diariamente a uma taxa anual de 6% a 7%.
Apesar do aumento das despesas, o governo não facilitará a vida de quem busca reembolsos. Talvez espere que alguns se sintam constrangidos a desistir dos pedidos, já que repassaram as tarifas aos consumidores. O Goldman Sachs estima que, até o final do ano passado, cerca de 60% do custo das tarifas estava sendo arcado pelos compradores por meio de preços mais altos. Outros podem preferir não irritar um presidente que tem usado o poder do cargo para perseguir seus inimigos percebidos nos setores empresarial, jurídico e em outras áreas.
Parceiros comerciais que fecharam acordos com os Estados Unidos, oferecendo concessões para garantir tarifas mais baixas e a simpatia de Trump, enfrentam um dilema semelhante. Como a Seção 122 deve ser aplicada indiscriminadamente, os parceiros comerciais afetados pela IEEPA, como a China e o Brasil, saem ganhando. Aqueles que negociaram termos mais favoráveis, como o Reino Unido e a União Europeia, estão indignados. Alguns provavelmente permanecerão em silêncio. Outros não. “Um acordo é um acordo”, declarou a Comissão Europeia em um comunicado após Trump ter anunciado que aumentaria as taxas de 10% para 15%.
Todos aguardam mais disputas legais. Rick Woldenberg, o fabricante de brinquedos cuja empresa, Learning Resources, foi a principal autora da ação judicial referente à IEEPA, critica duramente a resposta da Casa Branca. “Eu me pergunto qual foi o processo que o governo americano seguiu entre o jantar de sexta-feira e o café da manhã de sábado para determinar que 10% não resolveriam a emergência nacional que eles descobriram. É uma farsa”, ele esbraveja. “São US$ 100 bilhões em impostos altamente questionáveis.”
Assim como a IEEPA, a Seção 122 é um instrumento não testado da era disco. Ela se aplica em caso de “problemas fundamentais de pagamentos internacionais”, como déficits “grandes e graves” na balança de pagamentos ou uma depreciação “iminente e significativa” do dólar. O dólar de fato se desvalorizou no último ano — em parte como resultado das tarifas de Trump, então usar essa queda para justificar sua reimposição parece um exagero.
A desvalorização está, de qualquer forma, dentro dos padrões históricos. O governo tem mais margem de manobra com o conceito mais vago de déficits na balança de pagamentos. Essa era uma preocupação maior quando o mundo estava se afastando das taxas de câmbio fixas na década de 1970. Ainda assim, os tribunais podem acatar a decisão do Poder Executivo sobre o que constitui uma crise.
Há outro motivo para que parceiros comerciais e empresas fiquem apreensivos. As tarifas da Seção 122 expiram após 150 dias, a menos que o Congresso concorde em prorrogá-las. Isso parece inviável, considerando as eleições de meio de mandato que se aproximam em novembro. Portanto, quando essa autoridade expirar, Trump tentará recriá-la usando outras ferramentas, principalmente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Essas leis permitem tarifas específicas por país e setor, como as impostas à China durante seu primeiro mandato ou às importações de aço e alumínio mais recentemente, e têm uma base legal mais sólida. Ambas também exigem a abertura de investigações formais antes da imposição das tarifas, o que torna seu uso complexo. Se as investigações do governo parecerem frívolas, isso poderá gerar mais processos judiciais.
Trump espera que sua busca implacável por tarifas convença as empresas a construir fábricas nos Estados Unidos. Mas isso é complicado, caro e faz pouco sentido em tempos incertos como os atuais. É muito mais fácil contratar advogados especializados em comércio internacional para otimizar constantemente os acordos alfandegários e redefinir a origem das mercadorias. A regra da “primeira venda”, por exemplo, permite que os importadores paguem impostos sobre o preço cobrado pelo fabricante original, em vez do intermediário.
As regras de “reembolso de impostos” permitem que as empresas compensem as tarifas com a exportação de bens equivalentes. As mercadorias podem ser redirecionadas ao longo das cadeias de suprimentos internacionais para alterar o país de origem legal. Mark Truchan, da PwC, uma empresa de contabilidade e consultoria tributária, afirma que essas estratégias podem economizar entre 10% e 50% dos custos com tarifas para as empresas.
Tudo isso constitui uma combinação longe do ideal para a economia americana. Os reembolsos de tarifas, que iriam diretamente para os lucros das empresas, e as tarifas marginalmente menores, que equivalem a um corte de impostos, podem representar um estímulo equivalente a 0,7% do PIB. Eles vêm acompanhados de reembolsos de impostos separados, cortesia da Lei “One Big Beautiful Bill Act” de Trump, aprovada no ano passado.
Parte desse estímulo, no entanto, será compensada pela incerteza que mantém os importadores na dúvida e impede que as empresas contratem e invistam. Os advogados especializados em comércio internacional continuarão ocupados. Todos os outros estarão simplesmente exaustos.
CNN Brasil - SP 02/03/2026
O PIB (Produto Interno Bruto) de 2025 será divulgado nesta terça-feira (3), mas as projeções da equipe econômica, do BC (Banco Central) e do mercado já dão uma pista do resultado: todas apontam para uma desaceleração frente a 2024, quando a economia cresceu 3,4%.
A pressão dos juros em dois dígitos desde o início de 2022 é apontada como grande motivo para a perda de fôlego.
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central, considerado a "prévia" do PIB, registrou expansão de 2,5% em 2025 na comparação com o ano anterior. O dado foi divulgado em 19 de fevereiro.
O crescimento de 2,5% também está na projeção da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Já os economistas consultados pelo Banco Central no Boletim Focus estimam que a economia brasileira avançou 2,26%.
O Ministério da Fazenda, por sua vez, prevê que o PIB de 2025 cresça 2,3% em 2025. De acordo com a pasta, a desaceleração frente a 2024 repercute principalmente a manutenção da política monetária em patamar restritivo.
Por setor produtivo, a expectativa do Ministério da Fazenda é de maior crescimento agropecuário e da indústria e redução no ritmo de crescimento dos serviços. Veja as projeções de 2025:
Agropecuária: 11,3%; Indústria: 1,7%; Serviços: 1,7%.
A perspectiva de crescimento de 2,3% em 2025 também é compartilhada pelo Banco Central no seu Relatório de Política Monetária. Veja as projeções da autoridade por setor:
Agropecuária: 11%; Indústria:1,6%; Serviços: 1,7%. Juros pressionam economia
As expectativas para a perda de fôlego da economia brasileira no ano passado são ancoradas pelo peso dos juros, que estão no maior patamar em quase duas décadas.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC mantém a Selic em 15% desde junho do ano passado, o ponto final de um ciclo de alta que iniciou em setembro de 2024, com a taxa básica partindo de 10,5%.
A pressão sobre a economia deve arrefecer a partir de março, após sinalização do colegiado em dar início a um novo processo de distensão no encontro de janeiro, o primeiro de 2026.
Apesar das expectativas de queda, o mercado ainda prevê que os juros vão encerrar o ano a 12,13%, segundo dados do Boletim Focus. Por ora, o mercado vê a Selic retornando ao dígito único apenas em 2029.
Money Times - SP 02/03/2026
O Itaú Unibanco, em relatório de revisão de cenário macroeconômico, reduziu a projeção para o câmbio no final de 2026, de R$ 5,50 para R$ 5,40, devido ao cenário externo mais favorável. A estimativa vem ligeiramente abaixo da mediana do último Relatório Focus (R$ 5,45), divulgado na segunda-feira (23).
O banco pondera, no entanto, que o aumento esperado do prêmio de risco típico de períodos eleitorais ainda limita um cenário de apreciação mais significativa.
Para 2027, o Itaú também reduziu a estimativa para o câmbio, de R$ 5,70 para R$ 5,60.
Com a expectativa de um real mais apreciado, o banco cortou ainda a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, indicador oficial da inflação brasileira, de 4% para 3,8% — número menor do que o apontado pelo Focus (3,91%).
Segundo o Itaú, o alívio na inflação deve partir principalmente de alimentos e bens industriais, com o balanço de riscos assimétrico para baixo para este ano.
Para 2027, também houve uma redução na estimativa de 4% para 3,9%, ao incorporar a menor inércia inflacionária.
E os juros?
Influenciado pela ajuda do câmbio, o Banco Central (BC), de acordo com o Itaú, deve enxergar a inflação à frente mais próxima da meta de 3%. No cenário do banco, a Selic terminal deste ano passou de 12,75% para 12,25%, com a expectativa de um corte adicional de 0,50 ponto porcentual no juro básico.
“Ainda assim, mantemos a avaliação de um ciclo de flexibilização contido, uma vez que a desinflação permanece concentrada em itens comercializáveis (portanto mais dependentes da dinâmica cambial) e porque o mercado de trabalho segue resiliente, o que mantém risco de pressões inflacionárias”, ressaltou o time de macroeconomia do Itaú no relatório.
A estimativa segue ligeiramente acima da mediana do Focus, de Selic no fim de 2026 em 12,13%. Para 2027, o juro terminal também foi reduzido de 11,75% para 11,25%.
Atividade segue no radar
Já o Produto Interno Bruto (PIB) seguiu com crescimento projetado de 2,3% para 2025. A estimativa para este ano também foi mantida em 1,9%, número que tem viés de alta por medidas que podem trazer estímulo adicional à atividade.
Valor - SP 02/03/2026
O preço do minério de ferro avançou nesta sexta-feira (27) na China, refletindo, segundo analistas da Nahua Futures, uma melhora do sentimento no país asiático com a expectativa de medidas para impulsionar a economia local.
O contrato futuro da commodity com vencimento em maio, o mais negociado, avançou 0,27% na bolsa de Dalian, cotado a 750,5 yuans (US$ 109,6).
Embora a sustentabilidade de melhorias marginais do lado da oferta permaneça incerta, as siderúrgicas na China retomaram a produção e iniciaram a recomposição de estoques após o feriado do Ano Novo Lunar, com a produção de gusa devendo continuar em recuperação, completaram os especialistas.
Monitor Digital - RJ 02/03/2026
O setor de mineração é a mais pura e brutal tese de investimento em commodities, um jogo global onde a demanda chinesa, a disciplina de capital e a gestão de riscos monumentais ditam as regras. Por anos, a Vale (VALE3), gigante brasileira e dona do minério de ferro de melhor qualidade do mundo, negociou na bolsa com um desconto teimoso, uma sombra de seu potencial, causada por desastres ambientais e pela incerteza sobre seu principal cliente, a China. No entanto, a partir do final de 2025, essa narrativa começou a virar. Uma confluência de fatores forçou o mercado a reavaliar a tese, resultando em uma performance estelar que levanta a questão central: o cenário que impulsionou a Vale veio para ficar?
O mercado de minério de ferro é um oligopólio dominado pelos “Big 4”. A posição da Vale é única:
Vale (VALE3): A líder em qualidade. Seu minério de Carajás garante um prêmio de preço por ser mais eficiente e menos poluente, uma vantagem competitiva crucial. BHP e Rio Tinto (Austrália/Londres): As gigantes diversificadas. Com operações em cobre, carvão e outros metais, são menos voláteis. Sua principal vantagem é a proximidade com a China, resultando em custos de frete muito menores. CSN Mineração (CMIN3): A “pure play” brasileira. Uma tese de crescimento focada na execução de projetos de expansão para aumentar volume e qualidade.
O dilema da Vale sempre foi ter o melhor produto, mas a pior logística. Para competir, ela precisa que o prêmio por sua qualidade compense o custo de atravessar o oceano.
A forte alta das ações da Vale não foi um evento isolado, mas o resultado de uma reprecificação de expectativas em quatro frentes principais:
1. A surpresa positiva da China: O mercado precificava um colapso do setor imobiliário chinês. O que veio, no entanto, foram estímulos governamentais agressivos focados em infraestrutura e na finalização de projetos. Isso sustentou a produção de aço e, consequentemente, a demanda por minério de ferro, mantendo os preços em um patamar altamente rentável (US$ 120-140/tonelada). 2. O prêmio pela qualidade: Com a China mantendo suas metas ambientais, a busca por eficiência aumentou a demanda pelo minério de alta qualidade da Vale, ampliando o prêmio de preço que a empresa recebe e turbinando suas margens. 3. Disciplina de capital e dividendos: O setor como um todo, incluindo a Vale, manteve o foco em retornar capital aos acionistas em vez de investir em expansões arriscadas. A manutenção de dividendos robustos e programas de recompra consolidou a Vale como uma tese de valor e renda, atraindo investidores em busca de retornos consistentes. 4. Redução da incerteza ESG: Embora o risco permaneça, os avanços nas negociações para a repactuação do acordo de Mariana e a contínua comunicação sobre a segurança das barragens ajudaram a reduzir parte do “desconto” que o mercado aplicava à ação.
A pergunta de um trilhão de dólares é se esses ventos favoráveis são sustentáveis. A análise se divide em dois campos.
Argumentos para o otimismo (o cenário base)
A demanda chinesa se estabilizou: O pior do pânico imobiliário parece ter passado. A necessidade de manutenção e modernização da infraestrutura existente na China deve garantir um piso de demanda por aço no médio prazo. A transição energética precisa de aço de qualidade: A produção de torres eólicas, veículos elétricos e novas redes de transmissão exige aço de alta qualidade, o que beneficia diretamente o minério da Vale. A disciplina de capital veio para ficar: Os investidores globais não darão mais um “cheque em branco” para as mineradoras. A pressão por dividendos e recompras deve manter a oferta de minério controlada, sustentando os preços em patamares rentáveis. Pontos de atenção e riscos (o cenário de estresse)
Uma recessão global mais forte: Uma desaceleração sincronizada nas economias dos EUA e da Europa poderia, eventualmente, contaminar a demanda chinesa por produtos manufaturados, impactando a produção industrial. Risco geopolítico e ESG: O risco de um novo desastre ambiental, embora mitigado, nunca será zero. Além disso, a sucessão na própria Vale e a influência política sobre a companhia continuam sendo pontos de atenção para o investidor de longo prazo. Volatilidade da China: A economia chinesa é notoriamente difícil de prever. Novas ondas de lockdowns ou uma crise de crédito mais profunda podem ressurgir, abalando a confiança do mercado.
O cenário para a Vale é, hoje, o mais construtivo dos últimos anos. A empresa se beneficia de uma combinação rara de ter o melhor produto do mundo em um momento em que o mercado mais valoriza essa qualidade. A disciplina de capital do setor e a estabilização da demanda chinesa sugerem que os preços do minério podem se manter em níveis que garantem uma geração de caixa e dividendos robustos.
Embora os riscos sejam inerentes ao negócio, a tese de investimento na Vale deixou de ser apenas uma aposta na China para se tornar também uma aposta na qualidade, na eficiência e na capacidade da empresa de se consolidar como uma geradora de renda previsível. Para o investidor, o desafio é monitorar se os pilares que sustentaram essa recente alta permanecerão firmes diante da inevitável volatilidade do mercado global.
Money Times - SP 02/03/2026
As empresas do setor de construção operam em queda nesta sexta-feira (27). Apesar de o mercado de renda variável como todo estar no negativo, o combo IPCA-15 acima da expectativa e a suspenção de alvarás de construção de novos prédios pela justiça pesam para as ações das construtoras.
Plano&Plano (PLPL3) liderava as perdas do setor com uma queda de 1,82%, Cury (CURY3) perdia 1,80%, logo em seguida estava a Direcional (DIRR3) com perda de 1,75%. Na sequência, apareciam Cyrela (CYRE3) com recuo de 1,74% e MRV (MRVE3) com recuo de 1,73% e Tenda (TEND3), com 1,57%.
O Índice Imobiliário (IMOB), que reúne os papéis das empresas do setor imobiliário, caía 1,43% nesta tarde, por volta das 15h30. O Ibovespa por sua vez recuava 0,81%.
O recuo reflete o desconforto do mercado com os dados da prévia da inflação, que subiu 0,84% em fevereiro, bem acima do esperado pelo mercado. Os números acenderam um sinal de alerta e colocou em xeque a velocidade do ciclo de queda da Selic já esperada para a próxima reunião de março. A grande maioria projetava uma queda de 0,50 pontos percentuais, agora, economistas já enxergam que a chance de um movimento mais contido seja mais possível.
Porém, outro fator se soma às expectativas frustradas do IPCA-15. Segundo analistas, uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que determinou a suspensão da concessão de novos alvarás para construção de prédios e demolições na capital paulista também poderiam estar pressionando as ações hoje.
O foco da ação é uma mudança na Lei de Zoneamento de 2024, que ampliou o potencial construtivo em algumas áreas da cidade.
A decisão do órgão especial do TJ-SP suspende temporariamente atos administrativos e processos relacionados a demolições, autorizações para novos projetos e supressões de vegetação.
Por Juliana Caveiro
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
IstoÉ Dinheiro - SP 02/03/2026
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o grande vencedor do leilão realizado na última quinta-feira, 26, que determinou que será o responsável por construir e administrar o novo centro administrativo do governo de São Paulo.
O grupo formado pelas empresas Zetta infraestrutura e tem ainda a M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos e Iron Property vai construir sete edifícios e dez torres, na região dos Campos Elísios, no centro da capital paulista, com investimento estimado em R$ 6 bilhões.
O novo centro administrativo vai reunir em um único complexo desde o gabinete do governador, além das secretarias e órgãos estaduais, atualmente espalhadas por mais de 40 endereços na cidade.
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Quem são as empresas
A responsabilidade de entregar uma obra desse tamanho cinco anos após seu início é grande. Por isso, cada uma das empresas que formam o consórcio tem a sua especialidade e sua proporção.
RZK Empreendimentos
A RZK Empreendimentos é parte do Grupo RZK, controlado pelo empresário José Ricardo Rizek. A empresa é dona da maior fatia do consórcio Novo Centro, com 37,5% de participação. Ela é a grande responsável pelo Reserva Raposa, considerado o maior empreendimento habitacional de uso misto voltado à moradia popular da América Latina.
O projeto às margens da rodovia Raposo Tavares, em São Paulo, terá 124 edifícios, 22 mil unidades e capacidade para até 80 mil moradores até 2030. Esse único empreendimento terá uma população maior do que 85% das cidades paulistas.
Mas não é apenas na construção que o empresário atual. Seu grupo tem forte participação no agronegócio. Atua desde a produção em fazenda de grãos, passando pela comercialização e locação de máquinas agrícolas.
Dentro do grupo também existem empresas de energia, concessões e uma empresa especializada em instalação de infraestrutura para internet em áreas de produção agrícola.
Zetta Infraestrutura
A empresa é dona de 20% do consórcio que vai construir a nova sede do governo paulista e tem como sócios Jorge Eduardo Fernandes de Abreu Neto e Rafael Henrique Guerra.
A empresa faz parte do grupo que ganhou no final de 2025 a concessão do sistema de Travessias Hídricas de São Paulo, a primeira da história do Estado. Também no ano passado, a Zetta assumiu a licitação para revitalizar o terminal Parque Dom Pedro II, na capital paulista.
A empresa também participa do consórcio responsável por obras de mobilidade urbana do Corredor Radial Leste (BRT) da cidade de São Paulo, assinado em 2024. Além disso, é acionista da Via Brasil BR-163, concessionária responsável pela administração da BR-163 entre Mato Grosso e o Pará, um dos trechos mais importantes do chamado Arco Norte
Engemat
Com 20% do consórcio, a Engemat é uma construtora de Alagoas, com obras de infraestrutura, tanto no território alagoano quanto na Paraíba. De origem familiar, a empresa tem buscado expandir sua atuação para além do Nordeste, com a participação em grandes consórcios de infraestrutura.
Em outubro do ano passado, a Engemat assinou a primeira PPP da prefeitura de Maceió para revitalizar e administrar por 30 anos o complexo administrativo da cidade. A empresa também é a responsável pelas obras de drenagem, pavimentação e saneamento do litoral norte de Maceió, além de construir residenciais de alto padrão na capital alagoana.
M4 Investimentos
É uma holding de investimento, especializada na incorporação de empreendimentos imobiliários, compra e venda de imóveis e loteamentos. A M4 Investimentos detém 20% do consórcio que irá construir o novo centro administrativo do governo paulista.
A empresa é sócia da Zetta em um outro projeto da capital de São Paulo. Ambas fazem parte do Consórcio Monte Santo, que ganhou o bloco quatro da licitação que passou os cemitérios da cidade para a iniciativa privada. Por meio de suas subsidiárias, a M4 possui participações em sociedades de propósito específico (SPEs) para execução de obras de saneamento básico e manutenção rodoviária nos estados de São Paulo e Mato Grosso.
Iron Property
Com uma fatia de 2,5% no consórcio, a Iron é uma gestora de ativos e desenvolvedora imobiliária focada em projetos de alta complexidade e rentabilidade estruturada. No projeto da sede do governo de São Paulo, a empresa tende a atuar na estruturação imobiliária e financeira do complexo.
A gestora atuou no desenvolvimento do Four Seasons Hotel and Private Residences em São Paulo, um dos marcos do mercado de luxo no país. Além disso, financia outros players do mercado imobiliário e setores como o fitness e o agronegócio por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCS).
O Estado de S.Paulo - SP 02/03/2026
Em meio aos desafios causados pelo crescimento desordenado das grandes cidades, empresas estão investindo bilhões de reais para criar bairros planejados. Nas últimas décadas, o número de projetos cresceu, apoiado pela entrada de grandes incorporadoras e a promessa de maior qualidade de vida. O movimento, no entanto, levanta dúvidas sobre a infraestrutura dos municípios e a formação de bolhas.
Desde 2010, pelo menos 52 bairros planejados privados foram lançados no Brasil, de acordo com um estudo realizado pela Idealiza Cidades, empresa especializada no tema. O número avança anualmente. De 2000 a 2009, a média era de cerca de um projeto por ano. Já no período de 2020 a 2025, foram 29 lançamentos, com uma média de 5 empreendimentos por ano.
Na visão de Fabiano de Marco, sócio-fundador da Idealiza Cidades, a proliferação de bairros planejados no Brasil se deve a falhas na gestão da política urbana e mudanças no comportamento do consumidor. “É um lugar onde a deficiência estatal é suprida pela associação de moradores. Tem jardinagem, zeladoria, conveniência e segurança numa dinâmica condominial”, comenta.
Neste modelo, as empresas atuam como gestoras e curadoras no desenvolvimento de um bairro. Elas assumem funções da prefeitura e decidem, por exemplo, onde serão as áreas residenciais e as comerciais, quais prédios deverão ser construídos e onde, em quais áreas ficarão os loteamentos, praças, pontos de ônibus e estradas. Ou seja, ao contrário de condomínio fechado, os bairros planejados são abertos.
Para manter o padrão de qualidade, as desenvolvedoras também fundam uma associação de bairro. Os moradores contribuem contratualmente com um valor financeiro mensal, obrigação averbada à matrícula do imóvel no momento da compra, para a manutenção das áreas públicas, incluindo segurança, mobiliário, coleta de lixo e até troca de lâmpadas.
Longo prazo, faturamento alto e profissionalização
À frente de três projetos de bairros planejados já lançados no Brasil, a Idealiza Cidades nasceu ao observar o potencial financeiro que este tipo de projeto pode alcançar. Lançado em meados de 2015, o Parque Una Pelotas ocupa um terreno de cerca de 180 mil metros quadrados em Pelotas, a cerca de 250 km de Porto Alegre (RS).
O bairro engloba prédios residenciais, comércios, pista de caminhada, quadras poliesportivas, anfiteatro, playground e um hub corporativo com sete torres. Até o momento, 16 torres já foram entregues e outras quatro estão em obras. A expectativa é que ao longo de um período de 25 anos, o VGV total lançado ultrapasse os R$ 3 bilhões.
“É um projeto de capital paciente, com um ciclo de retorno longo e a necessidade de investir muito antes de obter lucro”, diz de Marco. “É um tipo de investimento que só começa a trazer retorno a partir do nono ano, com exposição máxima de caixa por volta dos seis anos, em decorrência de anos de desembolso, consultorias e taxas”, estima o executivo.
Depois do Parque Una Pelotas, a Idealiza Cidades já lançou outros dois projetos: o Parque Una Uberlândia, em 2022, e o Parque Una São José dos Campos, em 2024. Somados, os dois empreendimentos pretendem lançar R$ 20 bilhões em VGV. E a empresa já tem outros dois empreendimentos em fase de aprovação: em João Pessoa (PB) e em São Carlos (SP).
“Procuramos cidades médias, onde encontramos menor competitividade e potencial para margens maiores em comparação a centros onde o mercado imobiliário já está saturado”, explica de Marco. Apoiada nesses princípios, a companhia fechou o ano de 2025 com um faturamento de R$ 436,1 milhões e lucro líquido de R$ 220 milhões.
Movimento histórico
A ideia de bairros planejados não é tão recente. Desde a revolução industrial, grandes companhias desenvolveram modelos semelhantes. A vila de Saltaire, na Inglaterra, foi construída em 1851 para abrigar os trabalhadores de uma fábrica de lã de Sir Titus Salt. Nos EUA, o bairro de Pullman, em Chicago, foi construído na década de 1880 para os funcionários da Pullman Palace Car Company.
Ao longo do último século, a Companhia City implementou loteamentos planejados como o Jardim América, Alto de Pinheiros, Campos Elíseos, Pacaembu e Lapa na cidade de São Paulo.
E um dos empreendimentos mais notáveis entre os bairros planejados é o Riviera de São Lourenço, fundado na década de 1970 em Bertioga, no litoral norte de São Paulo, a cerca de 120 km da capital.
Com quase 9 milhões de metros quadrados, o Riviera de São Lourenço se popularizou como um destino de férias para endinheirados de São Paulo. “Queríamos criar um lugar que fosse o oposto do que estava acontecendo no litoral, especialmente em relação à falta de saneamento básico e segurança”, diz Luiz Augusto, diretor da Sobloco Construtora, empresa à frente do empreendimento.
Augusto calcula que a região tem cerca de 5 mil moradores fixos e 15 mil moradores flutuantes — pessoas que têm imóvel no bairro, mas o ocupam apenas em finais de semana ou feriados.
Quase 80% do empreendimento já está concluído e a perspectiva é de que o restante seja finalizado nos próximos 15 anos, o que incluirá a entrega de áreas para habitação, a construção de um hotel cinco estrelas e uma marina, duas ampliações do shopping, a criação de novas áreas comerciais e a instalação de um hospital.
Desta forma, o ciclo completo do bairro estará finalizado após aproximadamente 60 anos. “O coração desse tipo de negócio é a valorização da terra a longo prazo. O retorno financeiro só começou a aparecer após 20 anos. Antes, as vendas financiavam as expansões, o tratamento de água, o saneamento e outras melhorias”, diz Augusto.
Para ele, o segredo do sucesso é a associação de moradores do bairro, a Amigos de Riviera de São Lourenço. Hoje, essa associação tem cerca de 650 funcionários, que cuidam da segurança, água e esgoto, manutenção das ruas, praças, avenidas e paisagismo, além de um setor administrativo e profissionais especializados na gestão ambiental.
“A associação não substitui o poder público, mas atua como complemento”, afirma o executivo. Os cerca de 13 mil associados pagam uma mensalidade média de R$ 700. “Você sente que a comunidade é planejada no instante em que entra nela. Tem paisagismo, calçadas limpas, pessoas caminhando em ruas tranquilas”, acrescenta Augusto.
Bolhas sociais e desafios de integração
Com regras rígidas e uma estrutura condominial, os bairros planejados em geral se destacam por conseguirem fornecer espaços públicos qualificados.
“Por serem planejados desde a concepção e a construção, eles conseguem se atentar para questões da cidade que os bairros de ocupação espontânea não conseguiram resolver”, explica Danielle Santana, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil — SP (IABsp) e professora da Escola da Cidade.
Em contrapartida, a professora argumenta que esses bairros tendem a se consolidar como organismos à parte da estrutura das cidades. “A grande maioria é de bairros exclusivamente residenciais, pouco inseridos na malha urbana de transporte público, com pouco comércio e serviços. Também costumam demandar muito dos bairros vizinhos”, comenta a urbanista.
De fato, a maioria dos bairros planejados privados em desenvolvimento no Brasil é direcionada a uma elite financeira, vide as mansões de Jurerê Internacional (SC) ou os apartamentos de luxo no Viva Park Porto Belo (SC). “É uma lógica de subúrbio americano, que atrai um público mais rico, interessado em segurança e que deseja se afastar dos desafios de viver na cidade”, diz.
“São bairros fortificados e com muros, que podem ser físicos ou simbólicos, e ocupados por uma única parcela da sociedade”, afirma Santana. “Além disso, podem gerar graves problemas de trânsito e transporte nas regiões em que são construídos.”
Bairro planejado para segmento econômico
Na contramão dos bairros voltados à alta renda, o maior projeto da história da MRV é um bairro planejado para o segmento econômico. Lançado no final de 2023 em um terreno de 1,7 milhão de metros quadrados, o Cidade Sete Sóis Pirituba tem um VGV estimado de R$ 4 bilhões e um plano de execução de mais de 20 anos de duração.
“O bairro é um organismo vivo. Não é possível mudar uma avenida de lugar, mas pode ser que, em alguns anos, a gente repense produtos, mude a destinação pensada para um terreno. Ele evolui”, afirma Camila Fiuza, diretora de desenvolvimento imobiliário da MRV. “O foco está na experiência de vida a longo prazo, desde a primeira infância.”
A linha Sete Sóis engloba seis empreendimentos em diversas regiões do País, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Campinas. O planejamento dessas vizinhanças passa pelo posicionamento das avenidas principais, estradas para o transporte público, ciclovias, praças, lojas e diversas torres de apartamentos. O foco é em famílias enquadradas no programa Minha Casa, Minha Vida.
O Sete Sóis Pirituba, por exemplo, é voltado para famílias da faixa 2 (de R$ 2,85 mil a R$ 4,7 mil) e 3 do MCMV (até R$ 8,6 mil). Com oito torres já lançadas, o empreendimento tem a primeira entrega de chaves prevista para o primeiro semestre de 2026. No total, serão 11 mil apartamentos em mais de 65 condomínios e capacidade para 30 mil pessoas.
“Queremos mostrar que, apesar da renda mais baixa, é possível sair do aluguel e morar em um ambiente urbanístico planejado”, diz Fiuza. O retorno estratégico deste tipo de negócio também se vale da recorrência. Em um ambiente de crise de mão de obra, manter um negócio duradouro ajuda a mitigar riscos.
A concentração de obras em um mesmo local por um longo prazo e em larga escala permite criar uma “fábrica” de produção, mantendo os funcionários no mesmo local por anos, o que ajuda a reter os profissionais e segurar os custos. “Esses projetos são um pulmão para a companhia”, sintetiza a executiva.
No entanto, ela diz que esses projetos são construídos em parceria com a prefeitura. Entre autorizações e burocracias, o Sete Sóis Pirituba, por exemplo, demorou cerca de 10 anos para ser legalizado e as obras começarem. “Precisamos seguir diversas diretrizes dos municípios”, afirma.
Critérios técnicos e retornos municipais
Não basta comprar um terreno para construir o seu próprio bairro. No Brasil, existe um arcabouço jurídico específico para o tema que envolve a adaptação do projeto ao Plano Diretor do Município, à lei de zoneamento e às regras de licenciamento ambiental.
Além disso, são necessários estudos ambientais e de impacto da vizinhança, o incorporador precisa se preparar para realizar compensações à cidade. Esses empreendimentos precisam atender demandas como a pavimentação das ruas, criação de sistemas de água, esgoto e drenagem e estruturação de áreas públicas, além de atender critérios como perfil de renda, retorno ambiental e a formação de uma associação de moradores.
Em São Paulo, a Secretaria de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) informa que a implantação exige o cumprimento de requisitos urbanísticos, ambientais e legais previstos nas legislações federal, estadual e municipal. Entre as exigências estão a aprovação do parcelamento do solo, compatibilidade com o Plano Diretor Estratégico, termos de compromisso ambiental e aprovação do alvará de Loteamento.
No caso do Cidade Sete Sóis Pirituba, por exemplo, foram estabelecidas como contrapartidas a destinação de 65% da gleba para áreas públicas, como áreas verdes e de preservação permanente, equipamentos públicos, sistema viário e áreas de lazer. Em nota, a Prefeitura afirma que também demandou a implantação de infraestrutura urbana para mitigar impactos ambientais e urbanísticos decorrentes de sua implantação.
IstoÉ Dinheiro - SP 02/03/2026
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) emitiu uma decisão cautelar que suspende novos alvarás para construção de empreendimentos, demolições de imóveis e corte de árvores relacionadas a projetos imobiliários.
A decisão foi assinada pelo desembargador Luis Fernando Nishi, relator do caso no TJ-SP, no dia 24. Ele atendeu o pedido que consta na ação direta de inconstitucionalidade movida pela Procuradoria-Geral de Justiça contra a Prefeitura e a Câmara Municipal – que prometeu recorrer da decisão. Por sua vez, os empresários falam em “paralisação” da cidade e insegurança jurídica (veja mais abaixo).
A Procuradoria afirma que a lei contém vícios que impedem sua existência. Na ação, a Procuradoria argumentou que a rapidez com que o projeto de lei foi aprovado deixou para trás a realização do planejamento técnico necessário, bem como a participação popular por meio de audiências.
A Procuradoria apontou que o projeto original era “sintético”, isto é, com apenas quatro artigos. Já os substitutivos apresentados na reta final ampliaram de modo significativo o seu escopo sem que tenha contado com debates e embasamento técnico.
Os argumentos foram acolhidos pelo relator do caso no TJ-SP. No seu despacho, o relator concordou que a alteração da política do uso e ocupação do solo na cidade de São Paulo exige uma análise aprofundada dos impactos sociais, ambientais, viários e urbanísticos, além de debates com uma participação comunitária ampla para a “compatibilização dos interesses inerentes à vida urbana”.
O relator escreveu: “Não se verifica que os requisitos de participação comunitária e de planejamento técnico e urbano integral tenham sido atendidos durante o processo legislativo, de modo que a continuidade da implementação de políticas públicas de ocupação urbana de acordo com as regras estabelecidas no diploma legal impugnado traduzem riscos de modificações irreversíveis à vida comunitária”.
Reação
A Câmara Municipal de São Paulo vai recorrer contra a medida cautelar do Tribunal de Justiça. A Câmara afirmou que os processos de revisão da Lei de Zoneamento foram realizados respeitando todos os trâmites legais, com ampla transparência e participação popular. A Casa citou que o processo envolveu 38 audiências públicas e apontou que o projeto de lei foi acompanhado por 64 páginas de justificativa técnica. “Portanto, a Câmara entende que o TJ-SP foi induzido a erro e, com os devidos esclarecimentos, a ação será julgada improcedente”, disse, em nota.
A Câmara acrescentou que a ação atual é uma repetição de outra ação direta de inconstitucionalidade (ADI) já extinta pelo mesmo tribunal, com os mesmos argumentos, em fevereiro deste ano.
Já a Prefeitura de São Paulo disse que ainda não foi oficialmente comunicada sobre a decisão. Quando notificada, fará a análise do caso para ingressar com eventual recurso.
Polêmico
A revisão do Plano Diretor foi aprovada na Câmara Municipal em junho de 2023 por 44 votos favoráveis e 11 contrários, e sancionada em seguida pela Prefeitura.
Na Câmara, a tramitação foi controversa, porque o texto votado foi um substitutivo, apresentado pouco tempo antes da deliberação definitiva pelo relator, Rodrigo Goulart (PSD), com uma série de mudanças em relação ao projeto original.
Na avaliação de uma parte dos urbanistas e associações de bairro, o novo texto descaracterizou o Plano Diretor vigente ao expandir os eixos para áreas nas partes mais internas dos bairros, entre outras alterações.
O setor das incorporadoras se posicionou favoravelmente à verticalização proposta pelo plano e disse que a ampliação das áreas para prédios sem limite de altura é necessária para atrair a população para áreas mais estruturadas da cidade.
Paralisação
O setor imobiliário afirmou que foi surpreendido pela medida cautelar do Tribunal de Justiça que suspendeu a liberação de alvarás. Na visão do presidente executivo do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Ely Wertheim, a medida terá consequência para todos os tipos de projetos, “paralisando” a cidade.
“Fomos surpreendidos por essa decisão. Ela afeta a cidade inteira, não é só um problema do setor imobiliário. A suspensão vale para todos os alvarás de construção, seja de uma casa, um hospital ou de um prédio inteiro. Qualquer um que precise fazer obra está suspenso por tempo indeterminado”, declarou. “Nos parece uma decisão que vai paralisar a cidade. Por isso, acreditamos que a Prefeitura e a Câmara vão tomar as providências legais”, acrescentou o presidente executivo do Secovi-SP.
Para consultores jurídicos, a medida é vista como negativa, pois causa insegurança àqueles que tinham investimentos em andamento. “Acompanhamos todo o processo legislativo que levou à aprovação da lei. Depois disso, abriu-se a possibilidade de o setor privado trabalhar. Agora nos deparamos com uma decisão liminar, sem ouvir todas as partes, suspendo os novos alvarás. Isso causa um absurdo de insegurança jurídica”, disse o advogado Olivar Vitale, sócio do escritório VBD, que atende construtoras, e membro do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário (Ibradim).
O Estado de S.Paulo - SP 02/03/2026
A retomada de ocupação de escritórios na Avenida Paulista no último ano se tornou mais um fator para estimular lançamentos imobiliários no seu entorno. Como a região é valorizada, tanto por seus terrenos com preços elevados quanto pela alta demanda de consumidores, a escolha das incorporadoras tem sido o lançamento de apartamentos compactos de alto padrão.
De acordo com levantamento da consultoria de inteligência imobiliária Brain, os apartamentos na região da Paulista são vendidos a R$ 29,6 mil por metro quadrado (m²), resultando em um valor médio de R$ 2,2 milhões (74 m²). Os apartamentos compactos são comercializados a R$ 27,3 mil o metro quadrado, totalizando R$ 1,2 milhão em unidades de 45 m².
De acordo com dados da consultoria imobiliária JLL, o mercado de escritórios na Avenida Paulista encerrou o ano de 2025 com taxa de vacância de 4%, menos do que a Faria Lima, que ficou em 6%. O preço médio do metro quadrado de locação na região é de R$ 131, ante R$ 303 da Faria Lima.
Alexandre Fernandes, sócio e diretor de gestão de imóveis no Brasil no GRI Institute, organização do setor imobiliário presente em mais de 100 países, diz que a retomada da locação de escritórios na Avenida Paulista tem impacto direto no mercado imobiliário residencial e ainda há escassez de projetos novos devido à falta de terrenos disponíveis.
“A região continua sendo um dos polos mais atrativos para empresas e profissionais de alto nível, o que gera uma demanda crescente por imóveis residenciais nas proximidades, principalmente os compactos, que oferecem praticidade e conectividade. O perfil dos consumidores dessa faixa busca imóveis que aliam eficiência e conveniência, com espaços otimizados e infraestrutura completa para alimentação, transportes e lazer”, afirma Fernandes.
A região da Avenida Paulista atrai incorporadoras focadas nos consumidores de alto padrão, como Global Realty, SDI e One Innovation. As empresas buscam criar empreendimentos mais modernos para a área, que já tem verticalização residencial e corporativa mais antiga. As plantas variam de 33 a 131 m².
No Aeterna Paulista, na Rua Cincinato Braga, a Global Realty aposta no conceito de moradia definitiva, não um estúdio de passagem, alinhado à retomada da ocupação corporativa da região. A incorporadora identifica demanda de executivos e expatriados, especialmente ligados a empresas japonesas instaladas no eixo da Paulista — como a Sumitomo Corporation e a Mitsubishi —, que exigem residir próximo aos escritórios.
Aeterna Paulista
Além da localização, o diferencial do empreendimento é o foco em bem-estar. O condomínio tem itens como banheira de gelo, sauna de infravermelho, academia e três piscinas.
As unidades do Aeterna variam de 33 m² (1 dormitório) a 66 m² (2 suítes e lavabo) e opções maiores de 115 m². O empreendimento é vendido na faixa de R$ 23 mil por m² e mira moradores do próprio bairro, investidores patrimoniais e profissionais estrangeiros. A empresa visa atender a um público de alta renda interessado em morar na região de forma permanente, aproveitando a infraestrutura urbana local. Segundo André Fakiani, CEO da Global Realty, 65% dos apartamentos foram vendidos em 90 dias.
“O empreendimento tem de ser uma moradia, tem de ser um ativo de desejo. Não pode ser só uma planta e o preço do metro quadrado”, afirma. “Essa região da Paulista é bem desejada, mas esse mercado não é para amador. Teve um projeto concorrente na rua de trás que fez só estúdios e ele não foi bem. Hoje, o cliente entende muito bem o que quer.”
Fakiani conta que conseguir o terreno para o projeto levou cerca de dois anos. Onde o Aeterna será erguido, havia duas casas que, há 30 anos, eram a sede de uma administradora de condomínios, que se mudou. O terreno pertencia a duas famílias diferentes, e ambas tinham inventários internos pendentes que precisavam ser resolvidos para que a compra da área pudesse ocorrer.
Falta de terrenos
A dificuldade de conseguir terrenos para incorporação imobiliária leva as empresas a adquirir pontos comerciais ou fazer grandes demolições. A SDI tem dois projetos imobiliários, o Galeria Lorena e o Aléia Jardins, onde antes funcionavam agências bancárias do Itaú.
Para Larissa Souza, gerente comercial e de marketing na SDI, a busca contínua por terrenos na área se justifica porque a região é extremamente sólida tanto para o mercado corporativo quanto para o residencial, o que sustenta a demanda mesmo em cenários desafiadores.
“É uma região implacável. O foco da SDI é nas regiões do Itaim Bibi, Pinheiros e Jardins. Já temos algumas conversas sobre alguns terrenos que estamos de olho. Sempre estamos analisando grandes oportunidades na região da Avenida Paulista”, afirma Larissa.
Empreendimento Alameda 45, da SDI
Projeto de alto padrão
A executiva conta que o projeto Alameda 45, na Alameda Santos, será construído onde, até antes da pandemia de covid-19, ficava o restaurante Dinho’s (atualmente na Alameda Santos, 86).
A incorporadora One Innovation passa pela mesma dificuldade de comprar terrenos na região. A companhia chegou a comprar um antigo hotel na rua Frei Caneca, chamado Pergamon Hotel Frei Caneca, para criar seu empreendimento com 700 unidades, com tamanhos de 20 m² a 40 m². Em fase de lançamento, hoje o preço do metro quadrado do projeto chamado Open Life Frei Caneca é entre R$ 16 mil e R$ 18 mil.
Paulo Petrin, vice-presidente da empresa, conta que o hotel tinha mais de 50 anos e 120 apartamentos que necessitavam de grandes investimentos em reforma. “É uma reciclagem de produtos. Não encontramos terrenos, mas encontramos essas oportunidades de prédios antigos, comerciais, hotéis antigos, uma ou outra casa ou comércio. Compramos e colocamos o prédio no lugar. Nesse prédio, teremos fachada ativa, apartamentos de um e dois dormitórios. (Eles atraem) jovens casais, público LGBT, tem muito público para esses apartamentos”, afirma Petrin.
A incorporadora também atua na região da Avenida Paulista com dois outros empreendimentos chamados Nex One Alameda Itu e Nex One Bela Cintra, que custam até R$ 22 mil por metro quadrado.
O Estado de S.Paulo - SP 02/03/2026
O Consórcio Rota Mogiana, formado pela Azevedo & Travassos e Quimassa Infraestrutura, arrematou nesta sexta-feira, 27, a concessão da Rota Mogiana, vencendo nomes de peso do setor, como Motiva e EPR. O trecho corta 22 municípios desde a região de Campinas (São Paulo) até a divisa com o sul de Minas Gerais. A ganhadora ofertou uma outorga fixa de R$ 1,084 bilhão ante um valor mínimo de R$ 580 mil, configurando um ágio de mais de 187.000%.
O projeto soma 520 quilômetros de extensão, passando por municípios como Campinas, Holambra, Limeira, Mogi Mirim, Mogi Guaçu e São José do Rio Pardo. A concessão prevê cerca de R$ 9,4 bilhões em investimentos na rodovia, que tem papel relevante para o turismo e transporte de cargas.
O consórcio vencedor desbancou outros três concorrentes. A segunda maior oferta foi apresentada pela MC Brasil, do Fundo árabe Mubadala, que ofereceu uma outorga de R$ 1,019 bilhão. Os nomes de maior peso no setor, Motiva e EPR, apresentaram propostas mais modestas de R$ 560 milhões e R$ 180 milhões, respectivamente.
A Azevedo & Travassos, que atua também no setor de óleo e gás, busca dar os primeiros passos no segmento de rodovias. No ano passado, chegou a ganhar a concessão da Rota Agro (BR-060/364/GO/MT). Mas o consórcio do qual ela fazia parte foi inabilitado após a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificar questões com as certidões trabalhistas e com o seguro de garantia emitido pela Reag Seguradora.
Agora, junto com a Quimassa Infraestrutura, será responsável pela operação, manutenção e ampliação da malha viária da Rota Mogiana por 30 anos.
Atualmente, o trecho está sob administração do Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER/SP) e da Renovias, que tem a Motiva como uma das acionistas. O atual contrato da concessionária vence em abril deste ano, por isso a necessidade de uma nova licitação.
As melhorias previstas no edital do projeto da Rota Mogiana incluem duplicação de 217 quilômetros de rodovias, assim como a construção de 58 novas passarelas para pedestres e 135 pontos de ônibus, além de faixas adicionais e novas vias marginais. Estipula ainda a instalação do free-flow (cobrança eletrônica de pedágio).
Com a nova concessão, o governo paulista projeta uma queda de até 29% nas tarifas das atuais praças de pedágio. As maiores reduções ocorrerão em Jaguariúna (-29%), Águas da Prata (-27%) e Estiva Gerbi (-26%). Em nenhum caso haverá aumento nas praças existentes, ainda segundo o governo estadual.
Usuários frequentes terão descontos progressivos, que podem chegar a até 20% ao mês por pórtico. Motociclistas permanecem isentos de pagamento. O sistema prevê prazo de até 30 dias para quitação da tarifa antes da aplicação da penalidade.
Participantes
O certame de hoje contou com um perfil variado de competidores. A Motiva, nome consolidado no setor, possui ampla presença nas rodovias paulistas. Em dezembro de 2025, arrematou a concessão da Rodovia Fernão Dias (BR-381), desbancando a EPR e a Arteris. Em maio de 2024, a empresa já havia saído ganhadora na disputa pela Rota Sorocabana, que corta municípios do sudoeste paulista.
Enquanto a EPR, apesar da ampliação recente do portfólio, ainda não possui uma concessão no Estado de São Paulo. A atuação da concessionária se concentra atualmente no Paraná e em Minas Gerais.
Por sua vez, o MC Brasil, do Fundo Mubadala, é um nome novo entre os certames rodoviários. Mas reforça a tendência de interesse de players financeiros em concessões de estradas.
Portal Fator Brasil - RJ 02/03/2026
Devido à crescente demanda por serviços de modernização naval e à pressão regulatória.
O rápido desenvolvimento de instalações de construção naval em diversos países responde a objetivos que vão além do transporte marítimo comercial, incluindo segurança nacional, crescimento econômico e autonomia estratégica. No entanto, segundo uma análise da Drewry, no atual contexto de descarbonização do setor, são os estaleiros de reparação naval que começam a atrair maior interesse do ponto de vista do investimento.
O mercado global de construção naval atingiu seu pico em 2010, com entregas totais de 54 milhões de CGT (Tonelagem Bruta Compensada). Posteriormente, o excesso de oferta de capacidade e a fragilidade na maioria dos segmentos de transporte marítimo levaram a uma contração que atingiu seu ponto mais baixo em 2020, com 29 milhões de CGT. No entanto, a recuperação da receita nos segmentos de navios porta-contêineres e de transporte de GNL após a pandemia impulsionou a retomada do mercado.
Segundo a Drewry , os estaleiros desempenham um papel fundamental na geração de empregos e no desenvolvimento de indústrias associadas, como a siderurgia, os serviços de engenharia e o fornecimento de equipamentos. Além disso, —este setor é crucial para o desenvolvimento de estratégias nacionais de longo prazo, uma vez que envolve a construção naval e é fundamental para a segurança das cadeias de abastecimento—.
Atualmente, as carteiras de encomendas e os cronogramas de entrega mostram que os estaleiros estão totalmente comprometidos para os próximos três anos, criando restrições de capacidade que impulsionam tanto a expansão das instalações existentes quanto a reativação de estaleiros ociosos e o desenvolvimento de novos. Esse cenário é ainda mais reforçado por iniciativas governamentais em países como Estados Unidos, Índia e Indonésia para promover investimentos nesse setor.
Apesar disso, setores-chave como o de graneleiros e petroleiros mantiveram níveis de encomendas relativamente baixos — entre 10% e 20% — devido à fragilidade do mercado e à incerteza em torno das regulamentações ambientais. No entanto, o aumento gradual da demanda e a recuperação das receitas permitiriam um aumento previsto nas encomendas de novas embarcações, “com a maioria das encomendas provavelmente destinadas a navios bicombustíveis”.
Em contraste, o mercado de reparação naval apresenta uma dinâmica diferente. Este segmento é sustentado por cinco principais fatores de demanda: reparos não planejados, manutenção de rotina, ajustes estratégicos, adaptações regulatórias e conversões. Por ser menos cíclico, o setor de reparos oferece margens brutas e operacionais mais elevadas do que a construção naval de novas embarcações.
O principal fator impulsionador desse segmento é o aumento contínuo das modernizações relacionadas à transição energética. Antes da implementação de regulamentações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), a adoção de tecnologias como dispositivos de economia de energia (DEE) ou dispositivos de aprimoramento da propulsão (DAP) era motivada exclusivamente pela necessidade de reduzir o consumo de combustível. Hoje, a taxa de crescimento anual composta das modernizações entre 2021 e 2025 atingiu aproximadamente 24%, indicando que —as regulamentações têm sido um fator-chave para essas atividades—.
Regulamentações como a FuelEU Maritime estão incentivando tanto a construção de embarcações bicombustíveis quanto a modernização de navios existentes, bem como a incorporação de sistemas de propulsão assistida por vento (WAPS). Conversões estruturais, como extensões de navios ou modificações na superestrutura, também aumentarão a demanda por serviços de reparo.
Projeções — Embora o Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho da IMO tenha decidido em outubro de 2025 adiar a adoção da estrutura Net-Zero, a Drewry argumenta que, se implementada sem alterações nos mecanismos de penalidade, ” as adaptações de combustíveis alternativos e PID/ESD aumentarão rápida e exponencialmente”.
Nesse contexto, o crescimento previsto das frotas de navios graneleiros, petroleiros e porta-contêineres na próxima década — juntamente com a demanda por tecnologias como captura de carbono a bordo (OCCS), sistemas WAPS e motores bicombustíveis — impulsionará simultaneamente a demanda por estaleiros de construção e reparo naval, abrindo novas oportunidades de investimento em ambos os segmentos.
Grandes Construções - SP 02/03/2026
Os ventos fortes seguem soprando em direção ao Porto de Suape neste início de 2026.
Em janeiro, a estatal portuária registrou crescimento geral de 38,6% na movimentação de cargas, na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo, foram contabilizadas 2.193.515 toneladas, confirmando a força operacional do atracadouro pernambucano logo no primeiro mês do ano.
O número de atracações também apresentou desempenho expressivo: 135 navios, o que representa uma elevação de 26,2% frente a janeiro de 2025 - indicador direto do aquecimento das atividades e do aumento da confiança do mercado no hub logístico do Nordeste.
Líder nacional na operação de granéis líquidos entre os portos públicos, Suape contabilizou alta de 57,7% nesse segmento. O volume de petróleo e derivados atingiu 1.403.501 toneladas, respondendo por 64% de toda a carga movimentada no mês, resultado que reafirma a vocação energética do complexo.
“Começamos 2026 com um crescimento robusto e consistente em todos os segmentos. O aumento de quase 40% na movimentação total demonstra a confiança do mercado, a eficiência das nossas operações e o acerto das estratégias voltadas à expansão e diversificação das atividades portuárias”, destacou o diretor-presidente da estatal, Armando Monteiro Bisneto.
As operações de contêineres também mantiveram trajetória ascendente, com crescimento de 4% em janeiro. O Tecon Suape movimentou 54.883 TEUs (unidade equivalente a 20 pés) no período. No acumulado de 2025, o avanço foi de 7,54%, consolidando a liderança de Suape na cabotagem entre os portos públicos brasileiros.
A diversificação do 6º porto público mais movimentado do Brasil também se confirma com a expansão das operações de granéis sólidos (65,4%) — como clínquer, coque e trigo - e de carga geral solta (46%), incluindo bobinas de aço, equipamentos eólicos, açúcar ensacado e vergalhões.
“Os indicadores de janeiro reforçam a solidez e a competitividade de Suape. Crescemos em volume, ampliamos a diversidade de cargas e mantivemos a liderança em segmentos estratégicos. Esse desempenho nos projeta para um 2026 ainda mais promissor”, ressaltou o diretor de desenvolvimento e gestão portuária, José Constantino.
Infomoney - SP 02/03/2026
A Simpar (SIMH3) anunciou na noite de quinta-feira que sua subsidiária CS Infra venceu o leilão referente ao arrendamento de área dentro do Porto Organizado de Santana, no Amapá, com duração de 25 anos.
De acordo com comunicado ao mercado, o leilão de arrendamento da área MCP01 foi vencido com uma outorga de R$2,00, e prevê um investimento total de R$138 milhões destinados à infraestrutura e compra de novos equipamentos para expansão e modernização do local.
O investimento será distribuído ao longo da concessão, destinando em média R$19,4 milhões por ano ao longo dos seis primeiros anos e em média R$1 milhão ao ano até o final do contrato.
Ainda de acordo com a empresa, a remuneração da subsidiária decorrerá da cobrança de preços diretamente dos usuários das atividades portuárias.
A Tribuna - SP 02/03/2026
Projetos de infraestrutura que visam melhorar o fluxo de cargas entre o Interior paulista e o Porto de Santos até 2050, especialmente nos modais rodoviário e ferroviário, foram discutidos nesta quinta-feira (26), no 7º Fórum Regional do Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP) 2050, na sede do Senai, em Santos. O encontro foi promovido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e reuniu representantes de entidades do setor portuário e autoridades.
Segundo a Semil, a Baixada Santista é estratégica para o Governo Paulista, pois reúne uma população de aproximadamente 1,8 milhão de pessoas e abriga o Porto de Santos, que recebe mercadorias para exportação e de comercialização doméstica oriundas do Interior, da Região Metropolitana de São Paulo, de Minas Gerais e estados do Centro-Oeste. Em 2025, o cais santista movimentou 186,4 milhões de toneladas, 3,6% a mais do que em 2024 (179,8 milhões).
A região é classificada pelo Estado como Sede da Zona Ecológico-Econômica 7 (ZEE 7). O coordenador técnico do PLI-SP 2050, Silvio Ichihara, detalhou o plano estratégico para a região com metas econômicas, sociais, ambientais e logísticas até 2050, ressaltando o foco em rodovias e ferrovias.
Ichihara citou, por exemplo, que a expansão da área pública do Porto de Santos já atrai interessados e demandará novos acessos que atendam ao aumento de demanda do fluxo de carga.
“Há expectativas de investimentos (novos terminais). Tudo isso vai demandar uma quantidade enorme, especialmente se os serviços forem dedicados a contêineres, que é o que clama a própria Região Metropolitana de São Paulo e ela dando acesso também à Rodovia Fernão Dias, com destino a Minas Gerais, e todo o Interior do Estado”.
O subsecretário estadual de Logística e Transportes, Denis Gerage Amorim, afirmou que, embora projete ações até 2050, o PLI-SP as estrutura em curto, médio, longo prazo, já analisando cenários imediatos.
“Inclusive, esses projetos que já estão sendo estruturados, precisam entrar na nossa matriz para entender isso de uma forma sistêmica e colocar numa carteira de projeto estabelecendo prioridades. Lembramos que o recurso do Estado é finito. Então, a gente precisa ter responsabilidade no uso do erário e priorizar o que traga maior benefício para a população”.
Propostas buscam organizar investimentos
Sobre projetos de infraestrutura já previstos para a Baixada Santista, como os dois novos viadutos da Alemoa e a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, o subsecretário de Logística e Transportes de São Paulo, Denis Gerage Amorim, explicou que o PLI-SP tem o papel de organizar e escalonar os investimentos ao longo do tempo.
“Esses projetos integram o Plano Estadual de Infraestrutura (PEI) e passam por etapas de ranqueamento e estimativa de custos”.
Amorim ressaltou que parte das iniciativas já está em fase mais avançada, seja na estruturação técnica, seja na modelagem para concessão e, por isso, deixam de figurar como prioridade inicial no plano, embora continuem sendo consideradas estratégicas.
Ele disse que o planejamento precisa ir além das demandas atuais. “Não podemos esperar o problema acontecer, precisamos nos antecipar, especialmente em infraestrutura”.
Expectativa frustrada
Presente ao encontro, o diretor financeiro do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Romero Costa, afirmou que esperava anúncios mais concretos do Governo Estadual.
Entre os pontos destacados por Costa, estão demandas antigas da categoria, como o viaduto de saída da Alemoa e a criação de pátios de triagem para caminhões na Baixada Santista e em São Bernardo do Campo, no ABCD Paulista.
“Ajudaria a reduzir o fluxo de caminhões na Rodovia Anchieta e evitaria a concentração de veículos nas imediações do Porto de Santos. Hoje, a gente vê caminhão parado na Alemoa, na Avenida Afonso Pena e em praticamente todas as vias no entorno do Porto. São veículos do Sul, do Mato Grosso, de Minas Gerais. Falta organização”, destacou.
Costa disse ter ficado frustrado com a ausência de anúncios nesse sentido. “Esperava que viessem com uma solução para o que a gente tem pedido”, declarou.
Fóruns
A iniciativa do 7° Fórum Regional do Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP) 2050, de acordo com a Semil, integra a série de fóruns regionais do PLI-SP 2050, voltada à escuta territorial para orientar a estratégia estadual de investimentos, considerando desafios como mobilidade, resiliência climática, segurança hídrica e preservação ambiental.
Petro Notícias - SP 02/03/2026
A estatal venezuelana do petróleo PDVSA confirmou que o Ministério do Petróleo da Venezuela suspendeu 19 contratos de partilha de produção de petróleo com empresas privadas internacionais. Os contratos foram assinados ainda durante a gestão do ex-ditador sanguinário Nicolás Maduro. A suspensão desses contratos teve a pressão do governo dos Estados Unidos, que acabou ficando responsável pela administração da produção do petróleo no país, depois da captura do usurpador do poder em ação militar no dia 3 de janeiro. A PDVSA informa que apesar da suspensão, isso não se refletiu na produção de petróleo e gás do país até o momento. A gigante petrolífera estatal PDVSA está vendendo o petróleo bruto produzido, mas sob a supervisão das autoridades americanas, que deram prioridade para as empresas dos Estados Unidos que queiram investir na indústria do petróleo local. Por enquanto, apenas somente a Chevron mantém as suas bases de produção.
Caracas e Washington vão analisar outros contratos e podem recomendar a revogação de alguns deles. Os governos venezuelano e americano estão revisando as credenciais das empresas que os assinaram. Os Estados Unidos assumiram o controle das exportações e vendas de petróleo da Venezuela. Desde então, o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu licenças que permitem a algumas empresas comercializar o petróleo venezuelano e operar nos setores de petróleo e gás do país. A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou, no final de janeiro, uma reforma na lei de hidrocarbonetos do país para facilitar o investimento estrangeiro na indústria petrolífera debilitada. De acordo com a lei reformada, o governo tem seis meses para revisar os contratos existentes.
Veja - SP 02/03/2026
Quando os mercados fecharam na sexta-feira, 27, o Brent avançava 2,45%, cotado a US$ 72,48, uma alta que interpretada como uma oscilação pontual, parte da rotina volátil dos mercados de commodities. No sábado, porém, o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã adicionou um elemento geopolítico relevante à equação. Ao reabrirem amanhã, as bolsas deverão refletir uma tendência de alta já contratada nos preços do petróleo, impulsionada não apenas pelo conflito, mas também pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, a passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã pela qual transita cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Em um cenário de interrupção das exportações iranianas, e eventual redução dos fluxos provenientes de outros produtores do Oriente Médio, os grandes importadores seriam forçados a redesenhar suas rotas de abastecimento. Nesse rearranjo, o Brasil surge como alternativa plausível. Segundo Adriano Pires, economista e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o petróleo brasileiro pode conquistar espaço em refinarias que hoje dependem fortemente do Golfo Pérsico. “O Brasil hoje é um grande exportador de petróleo. O petróleo se tornou o principal item da balança comercial”, afirma.
A posição atual contrasta de forma contundente com o passado. Nos anos 1970, em meio aos choques do petróleo, o país importava cerca de 80% do que consumia, tornando-se altamente vulnerável às crises geopolíticas. Hoje, graças à expansão da produção, sobretudo com o pré-sal, o Brasil alcançou autossuficiência relativa e passou a operar com excedente exportável. Essa nova configuração não elimina os efeitos inflacionários de um barril mais caro, mas funciona como um amortecedor externo: em vez de vítima passiva da turbulência no Golfo, o país pode, ao menos parcialmente, transformar instabilidade internacional em ganho comercial.
Para a Petrobras, a equação também parece favorável. “Para toda petroleira, petróleo caro é bom”, resume Pires. A receita em dólar cresce, a geração de caixa aumenta e a capacidade de investimento se expande, ao menos no papel. A bonança, contudo, tem condicionantes. Para a Petrobras colher integralmente os frutos de um barril mais caro, o governo precisaria permitir o repasse da alta internacional aos preços da gasolina e do diesel. Se o repasse for contido por razões políticas, a estatal pode ver suas margens comprimidas, repetindo dilemas do passado.
E há o efeito macroeconômico. Petróleo caro é, para o consumidor, sinônimo de inflação. O diesel move a frota de caminhões que transporta alimentos, insumos industriais e bens de consumo pelo país. Um reajuste nas bombas se espalha pela cadeia produtiva, pressionando índices de preços e corroendo renda.
O risco político não é trivial. Em fevereiro de 2022, quando o barril ultrapassou US$ 100 no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia, o Brasil vivia ano eleitoral. A alta dos combustíveis se tornou um dos temas centrais do debate público. Caso o Brent volte à casa dos três dígitos, o governo Lula poderá enfrentar turbulência semelhante às vésperas de novo ciclo eleitoral. Há, porém, uma diferença estrutural em relação a 2022. Naquele momento, a alta combinava dois vetores: restrição geopolítica envolvendo a Rússia, gigante global de petróleo e gás, e um mercado em que a oferta crescia menos que a demanda, num mundo que saía da pandemia.
Agora, argumenta Pires, o pano de fundo é distinto. “Hoje você tem a oferta crescendo três vezes mais que a demanda”, diz. Em outras palavras, há um “colchão de amortecimento”: capacidade adicional, sobretudo entre membros da Opep, que pode ser acionada se os preços dispararem. Isso sugere que, se o impasse geopolítico for resolvido rapidamente, o barril poderia recuar para a faixa de US$ 60 com relativa velocidade, segundo Pires.
Apesar do Brasil estar longe do risco de um desabastecimento de petróleo, o episódio reacende um debate estratégico: a necessidade de diversificar fronteiras exploratórias. A produção do pré-sal, concentrada na Bacia de Santos, deve atingir maturidade nas próximas décadas. “Sem novas áreas, o país corre o risco de voltar à condição de importador líquido”, reabrindo a vulnerabilidade externa”, diz Pires.
Nesse contexto, a chamada Margem Equatorial, faixa que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, ganha relevância. Há expectativa de volumes expressivos que poderiam substituir, no médio prazo, o declínio natural do pré-sal. Para Pires, a crise no Oriente Médio “mostra a importância de explorar a margem equatorial”. Não fazê-lo, diz, pode comprometer a balança comercial e recolocar o Brasil na rota da dependência.
O Estado de S.Paulo - SP 02/03/2026
Os preços do petróleo podem subir para uma faixa de US$ 80 a US$ 100 por barril em meio aos desdobramentos das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Após os ataques deste sábado, 28, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, foi morto, enquanto o Estreito de Ormuz, por onde escoa mais de 20 % do petróleo do mundo, foi fechado, informou a agência de notícias iraniana Tasnim, ligada ao governo do país.
O Brent fechou a semana na sexta, 27, perto da máxima em sete meses, a cerca de US$ 73 por barril. O avanço reflete o maior prêmio de risco político embutido nos preços, diante do reforço militar dos EUA no Oriente Médio. Analistas de Wall Street projetam o petróleo a US$ 80, mas alertam para cotações ainda mais altas caso a tensão entre EUA e Irã aumente e o conflito se prolongue.
O Barclays avalia ser “muito possível” que o preço do petróleo suba a US$ 100 o barril - ou mais - caso ocorram grandes interrupções por conta do fechamento do Estreito de Ormuz ou impactos a campos petrolíferos sauditas. “Seria difícil substituir grande parte desse fornecimento por semanas e talvez meses, mesmo considerando os oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos”, diz o analista do banco britânico, Ajay Rajadhyaksha, em nota a clientes, neste sábado.
Nigel Green, fundador e CEO do deVere Group, diz que uma interrupção sustentada de até 1 milhão de barris por dia representaria cerca de 1% do fornecimento global. “Seria suficiente para alterar os balanços em um mercado já precificado para crescimento moderado na demanda”, avalia.
Analistas afirmam que a reação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) ao conflito será determinante para o patamar dos preços da commodity. O grupo, que se reúne neste domingo, dia 1º, pode decidir por um aumento de produção maior do que o planejado, de 411.000 barris por dia, segundo a ‘Reuters’.
“Os riscos para o fornecimento global de petróleo tornam ainda mais provável que a Opep+ opte por aumentar as cotas de produção na reunião deste fim de semana - e talvez em mais do que os 137.000 barris por dia que estão sendo especulados”, diz o economista-chefe para Mercados Emergentes da Capital Economics, William Jackson.
Inflação e economia global
Quanto aos impactos econômicos do conflito entre os EUA e Israel, analistas temem que o aumento dos preços do petróleo pese na inflação dos EUA e do mundo, reduza o ritmo de crescimento e adie a flexibilização monetária de alguns bancos centrais.
O Brasil é um dos países esperados para começar a cortar os juros em 2026 - antes dos ataques deste sábado, a previsão era de que o movimento começasse na reunião de março. Por sua vez, o mercado precifica chances majoritárias do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) voltar a baixar suas taxas a partir de junho.
Jackson, da Capital Economics, explica que, como regra geral, um aumento anual de 5% nos preços do petróleo geralmente adiciona cerca de 0,1 ponto porcentual à inflação média nas principais economias. “Portanto, um aumento do Brent para US$ 100 por barril poderia adicionar 0,6 a 0,7 ponto porcentual à inflação global”, calcula. Os preços do gás natural provavelmente também aumentariam, projeta.
Rajadhyaksha, do Barclays, calcula que cada aumento sustentado de US$ 10 por barril nos preços do petróleo pode derrubar o crescimento nos próximos 12 meses entre 0,10 e 0,20 ponto porcentual. “Se o petróleo subir para US$ 120 por barril e permanecer neste patamar, os EUA (e a economia mundial) sofreriam um impacto considerável”, afirma.
Possibilidade de aumento da instabilidade
Outro alerta diz respeito aos bancos centrais que são esperados para flexibilizarem as políticas monetárias em suas geografias, a exemplo do Brasil. Os bancos centrais que eram esperados para cortar as taxas este ano enfrentarão um cálculo “mais complicado” se a energia retroalimentar nos preços ao consumidor e nas expectativas de inflação, segundo Green, do deVere Group.
“Isso pode desacelerar o ritmo de flexibilização monetária pelos principais bancos centrais, particularmente nos mercados emergentes, onde os formuladores de políticas tendem a ser mais sensíveis às oscilações nos preços das commodities”, acrescenta Jackson, da Capital.
Para o cientista político e presidente da Eurasia, Ian Bremmer, as consequências dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, podem ser maiores e aumentar a instabilidade. No caso da Venezuela, o presidente Donald Trump teve um resultado “muito bem-sucedido”, mas os objetivos eram muito mais limitados e não de mudança de regime, explica. “Aqui, os objetivos são muito mais amplos, o Irã não está no quintal da América e há muito mais potencial para instabilidade como consequência”, alertou.
Nas últimas semanas, os mercados financeiros globais já experimentaram doses maiores de volatilidade em meio aos temores em torno da inteligência artificial (IA) e ao aumento das incertezas comerciais após o revés de Trump na Suprema Corte por conta das tarifas. Rajadhyaksha, do Barclays, diz que se a guerra durar mais do que alguns dias, deve provocar uma “reação negativa mais pronunciada” dos mercados.
Trump: bombardeios pesados continuarão ‘sem interrupção’
Donald Trump, presidente dos EUA, afirmou, em entrevista à ‘Axios’, que pode prolongar e assumir completamente a ofensiva contra o Irã ou encerrar o conflito em dois ou três dias. “Os bombardeios pesados e de precisão, no entanto, continuarão, sem interrupção, ao longo da semana ou pelo tempo que for necessário para atingir o nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, NA VERDADE, NO MUNDO!”, escreveu ele, em sua rede social, na noite deste sábado.
O Barclays espera que o conflito entre os EUA e o Irã sirva de impulso ao dólar ao menos no curto prazo. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, acumula queda de mais de 8% em um ano. O iene japonês também pode ser beneficiado, enquanto moedas de mercados emergentes podem sofrer com o aumento da volatilidade, segundo analistas.
Quanto às ações, o Barclays diz que somente uma queda do S&P 500 acima dos 10% é um momento oportuno para os investidores irem às compras. Nas últimas semanas, fundos globais têm aportado recursos para além de Wall Street em meio às incertezas das políticas de Washington e preocupações com a IA. Até o fechamento de sexta-feira, dia 27, a participação dos EUA no valor de mercado de ações global caiu para seu nível mais baixo desde janeiro de 2024, diz o estrategista sênior de Investimentos da Charles Schwab, Kevin Gordon.
Petro Notícias - SP 02/03/2026
Grandes companhias de petróleo decidiram suspender neste sábado (28) os embarques de petróleo bruto, combustíveis e gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Teerã respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra cidades israelenses e bases americanas na região. Segundo a agência Reuters, navios devem permanecer parados por vários dias, ampliando o clima de incerteza no comércio de energia.
A associação internacional de petroleiros Intertanko informou que a Marinha dos EUA alertou contra a navegação em toda a área de operações, que inclui o Golfo, o Golfo de Omã, o norte do Mar Arábico e o próprio Estreito de Ormuz, afirmando não poder garantir a segurança de embarcações neutras ou comerciais. Dados da consultoria Kpler indicam que ao menos 11 navios-tanque de GNL reduziram a velocidade, mudaram de rota ou interromperam a travessia na região, e a tendência é que esse número aumente nos próximos dias, elevando o risco para o fornecimento internacional.
Analistas avaliam que o impacto pode ser significativo caso as exportações do Catar sejam afetadas. O país tem peso desproporcional no equilíbrio dos mercados de GNL da Ásia e da Europa, e eventuais danos à infraestrutura ou entraves no transporte marítimo poderiam provocar um efeito dramático sobre os preços globais do gás, segundo avaliação de mercado.
GOVERNO BRASILEIRO CONDENA ATAQUE A POUCOS DIAS DE REUNIÃO ENTRE LULA E TRUMP
Ainda durante a manhã deste sábado, o governo brasileiro condenou os ataques dos EUA contra Irã e expressou “grave preocupação” com o conflito. O posicionamento do governo brasileiro contrário à ação dos americanos vem em um momento que antecede o encontro entre Lula e Donald Trump, previsto para o mês de março.
Segundo o Itamaraty, os ataques de hoje ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região. “O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”.
O Itamaraty também disse que as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. “Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem. O Embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira, a fim de transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança”, concluiu.
OUTRAS REAÇÕES PELO MUNDO
Alemanha, França e Reino Unido divulgaram comunicado conjunto condenando os ataques iranianos e defendendo que Teerã se abstenha de ações militares indiscriminadas. Os três líderes reafirmaram o compromisso com a estabilidade regional e a proteção de civis, além de manifestarem apoio à retomada das negociações diplomáticas para conter a escalada.
Em declaração separada, o presidente francês Emmanuel Macron solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU e alertou que uma guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã teria consequências graves para a paz internacional. Já o chanceler de Omã, Badr Albusaidi, disse que tratativas mediadas por seu país entre Irã e EUA foram prejudicadas e pediu que Washington não se envolva ainda mais no conflito.
Na Rússia, o vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, criticou as negociações com o Irã, classificando-as como uma operação de fachada. Ele sugeriu que não havia intenção real de acordo e afirmou que a disputa será definida por quem tiver mais resistência ao longo do tempo, em tom de confronto histórico entre os Estados Unidos e o antigo Império Persa.
O Estado de S.Paulo - SP 02/03/2026
O preço do petróleo subiu com força nesta segunda-feira, 2, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em meio ao temor de interrupções no fornecimento global de petróleo. O barril do tipo Brent chegou a superar brevemente os US$ 80 nas primeiras negociações na Ásia.
O contrato do Brent do Mar do Norte avançava 5,15%, a US$ 76,62, depois de ter aberto em alta de até 13%, quando atingiu US$ 82. Na sexta-feira, havia fechado a US$ 72,87. Já o barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI) subia 4,82%, a US$ 70,24.
O Brent, referência internacional, já vinha incorporando um prêmio de risco geopolítico e havia encerrado a última semana acima dos US$ 72, distante dos cerca de US$ 61 registrados no início do ano.
A escalada ocorre após o ataque de domingo a dois navios próximos às costas dos Emirados Árabes Unidos e de Omã. A Organização Marítima Internacional (OMI) orientou companhias de navegação a evitarem a região. Com o aumento do risco, o custo dos seguros disparou e grandes empresas suspenderam a passagem pelo local.
O transporte pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — foi afetado. Embora a rota não esteja totalmente fechada, o tráfego se tornou mais complexo. Dados da empresa de monitoramento Kpler indicam que alguns navios chineses e iranianos continuam cruzando a área.
Países importadores dispõem de estoques estratégicos — membros da OCDE são obrigados a manter reservas equivalentes a 90 dias de importação —, mas analistas não descartam que o barril possa superar os US$ 100 caso o conflito se prolongue.
Em reação à guerra no Irã, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ anunciaram no domingo aumento conjunto de 206 mil barris por dia na produção para abril, volume acima do inicialmente previsto.
Bolsas em queda
A tensão geopolítica também pressionou os mercados acionários na Ásia. A Bolsa de Tóquio caía cerca de 2% pouco após a abertura. Por volta das 21h10 de domingo (horário de Brasília), o índice Nikkei recuava 1,80%, aos 57.786 pontos, depois de chegar a perder mais de 2% no início dos negócios.
O índice Topix cedia 2,01%, a 3.860 pontos. Em Sydney, a bolsa registrava queda de 0,45%.
Segundo analistas da Monex, o agravamento dos riscos geopolíticos deve levar a um período de forte aversão ao risco no mercado japonês. Para Kathleen Brooks, da corretora XTB, a situação no Irã e no Oriente Médio deve dominar os mercados financeiros ao longo do dia.
O ouro, considerado ativo de proteção em momentos de incerteza, também avançava. Nas primeiras negociações na Ásia, o metal subia cerca de 2%, alcançando até US$ 5.384,52 por onça./AFP
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 02/03/2026
Em suas projeções para 2026, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima crescimento de 3,4% para o segmento de máquinas agrícolas de pequeno, médio e grande porte, indicando um movimento mais lento na renovação de equipamentos.
Enquanto esse mercado deve avançar com cautela, a Agritech, fabrcante de equipamentos voltados à agricultura familiar, inicia o ano com perspectiva mais acelerada e projeta alta de 10% nas vendas de tratores destinados às pequenas propriedades.
A expectativa está apoiada no aumento da mecanização entre produtores familiares, favorecida pelo acesso ao crédito rural.
O desempenho segue sustentado pela ampliação do portfólio, que reúne mais de 49 versões do modelo 1155, principal produto da empresa, além do lançamento do trator 1185 Fruteiro, projetado para atender às demandas específicas da fruticultura, combinando potência e dimensões compactas.
No segmento de microtratores da Agritech, as vendas cresceram 96% no ano passado, refletindo a busca do produtor por soluções de mecanização com menor custo e maior eficiência operacional.
De acordo com o gerente de Vendas e Marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, o acesso ao crédito tem papel central nesse desempenho.
“A linha Pronaf Mais Alimentos, com juros de 2,5% ao ano e financiamento de até R$ 100 mil, tem sido decisiva para viabilizar a compra de tratores e microtratores por agricultores familiares”, afirma.
O executivo acrescenta que o Plano Safra 2025/2026, com previsão de liberar 63% dos recursos no primeiro semestre de 2026, traz previsibilidade ao produtor rural, especialmente em culturas como café, frutas e hortifrúti, favorecendo o planejamento de investimentos em mecanização.
"A taxa de juros, os custos de produção mais altos e a falta de perspectiva de valorização das commodities reduzem o ritmo da mecanização no campo. O cenário eleitoral em 2026 também contribui para a cautela do setor. Ainda assim, a Agritech mantém projeções positivas para suas vendas deste ano", conclui Oliveira.
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