O Estado de S.Paulo - SP 10/02/2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu nesta segunda-feira, 9, que houve “melhora” no cenário inflacionário desde o momento em que a autoridade monetária optou por interromper a escalada da Selic e mantê-la em 15% por um período “bastante prolongado”.
“Existe a necessidade de se reconhecer que houve melhora entre período que concluímos a alta de juros e agora. Existe melhora nas expectativas e na inflação corrente”, afirmou, durante evento sobre estabilidade financeira organizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).
Galípolo explicou que a inflação se “comportou melhor” em um ambiente de Selic restritiva do que se esperava, mas que a atividade econômica também se mostra resiliente. “Temos evidências de mercado de trabalho apertado”, ressaltou.
O banqueiro acrescentou que a política monetária atravessou diferentes momentos. Primeiro, houve a elevação de juros, em um cenário em que as expectativas de inflação “namoravam” com o nível de 6%. Naquela época, a inflação de alimentos chegou perto de 17%, lembrou.
Galípolo reiterou a posição de “parcimônia e cautela” na política monetária, para garantir a convergência da inflação à meta. Apesar de ver “melhora” na situação inflacionária, ele destacou que as expectativas acima da meta “incomodam bastante”, enquanto os dados ainda indicam uma economia resiliente.
“Esta não é a volta da vitória, porque há dados mostrando resiliência econômica”, afirmou. Galípolo explicou que os riscos associados à política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se materializaram, mas não conforme o esperado.
Segundo ele, surgiu um cenário em que há uma “correlação inusitada” em momentos de aversão ao risco, que agora se revela benigna para mercados emergentes. “Isso é contraintuitivo ao que espera”, ressaltou.
Neste ambiente, o Brasil é visto “como proteção” para investidores por menor ligação com os Estados Unidos no cenário tarifário, disse Galípolo.
Banco Master
O presidente do BC agradeceu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio à condução do BC para o caso Master, que teve liquidação extrajudicial decretada em novembro.
“Eu agradeço a Deus de estar passando por um processo como esse tendo Lula como presidente”, afirmou. Galípolo citou declarações em que o petista reforçou a autonomia do BC e da Polícia Federal. Segundo ele, o apoio fornece “certeza e tranquilidade” para o trabalho de supervisão, além de ajudar pela experiência de Lula. “O que essa experiência traz para que a gente consiga desenvolver nosso trabalho é muito importante”, destacou.
O presidente do BC afirmou que a liquidação extrajudicial do Banco Master deixou uma série de lições, entre elas a importância de se criar mecanismos de enforcement para garantir o casamento entre ativos e passivos de uma instituição financeira.
Ele explicou que a regulação não proíbe bancos de fazerem captação com instrumentos a taxas superiores ao CDI. “Isso não configuraria um objeto para fazer atuação de liquidar o banco”, disse.
A principal questão se referia ao lado dos ativos do Master, de acordo com ele. Ao longo do ano passado, o banco começou a enfrentar incertezas sobre credibilidade e dificuldade para continuar fazendo as captações, o que impõe restrição de liquidez, lembrou. “Não conseguir captar deveria afetar o crescimento, não a liquidez ou solvência de um banco”, ressaltou.
No final de 2024, a diretoria de fiscalização do BC, então, convocou a gestão do Master para um termo de comparecimento, o que dá à instituição seis meses para apresentar devidas correções de liquidez, governança e patrimônio, disse Galípolo.
Em janeiro de 2025, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, começou a levantar dúvidas sobre as negociações de carteiras. “O normal é que se comece fazer venda de ativos para reforçar liquidez. O que soou estranho era a formação de novas carteiras em meio a dificuldades”, comentou Galípolo.
Em fevereiro, ainda de acordo com o banqueiro central, foi constituído um grupo específico para fazer as diligências sobre o caso. O Master apresentou a primeira versão do parecer de liquidez à diretoria de fiscalização, que “não encontra evidências da existência de carteiras”. “O diretor de fiscalização foi o primeiro a dar o cartão amarelo”, destacou Galípolo.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/02/2026
A balança comercial brasileira registrou déficit comercial de US$ 647,3 milhões na primeira semana de fevereiro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 9, o valor foi alcançado com exportações de US$ 6,835 bilhões e importações de US$ 7,483 bilhões.
Com o resultado negativo da primeira semana de fevereiro, o ano acumula superávit de US$ 3,965 bilhões, após um superávit de US$ 4,343 bilhões no mês de janeiro.
Projeções
A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano.
Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.
Detalhamento da primeira semana do mês
Na primeira semana de fevereiro, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações cresceram 20,2%. O desempenho dos setores na primeira semana de fevereiro foi o seguinte: queda de 4,1% em Agropecuária, que somou US$ 1,160 bilhão; crescimento de 63,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,740 bilhão e, por fim, crescimento de 15,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 3,896 bilhões.
As importações cresceram 28,9%, até a primeira semana de fevereiro na mesma comparação. Houve crescimento de 2,5% em Agropecuária, que somou US$ 135,6 milhões; queda de 25,5% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 176,20 milhões e, por fim, crescimento de 32,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 7,150 bilhões.
Monitor Digital - RJ 10/02/2026
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 3,99% para 3,97% em 2026.
A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira, pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Para 2027, a projeção da inflação se manteve em 3,8%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5% para os dois anos.
Pela quinta semana seguida, a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida e está dentro do intervalo da meta para a variação de preços que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.
A primeira divulgação sobre o IPCA de 2026 será feita amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o índice de janeiro.
Em dezembro, a alta no preço dos transportes por aplicativo e das passagens aéreas fez a inflação chegar a 0,33%, acima do aumento de 0,18% registrado em novembro. O resultado fez o IPCA acumular alta de 4,26% em 2025.
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a Taxa Selic, definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não mexeu nos juros pela quinta vez seguida.
A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Em comunicado, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março , caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico.
A estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica de juros caia para 12,25% ao ano até o final de 2026, a mesma previsão do Boletim Focus da semana passada. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.
Nesta edição do Boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permanece em 1,8%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto também ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.
Puxada pelas expansões da indústria e da agropecuária, no terceiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1%, o que é considerado pelo IBGE como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada pelo IBGE para 3 de março.
Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando ele alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,50 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique nesse mesmo patamar.
“Com o Focus mostrando uma desinflação, pela quinta semana consecutiva em queda, e que se espalha por diversos indicadores (IPCA, IGP-M e administrados), o mercado ganha confiança de que o ambiente de preços está realmente arrefecendo”, avalia Peterson Rizzo, gerente de R.I da Multiplike.
Segundo ele, “esse alívio fortalece um ciclo de cortes da Selic que inicia em março e pode se estender ao longo do ano. Por outro lado, a piora nas contas externas e o fiscal ainda pressionado funcionam como freios que podem limitar movimentos mais agressivos.”
“Já o crescimento do PIB, embora positivo, continua moderado e depende justamente desse equilíbrio entre inflação em queda e credibilidade fiscal. O resultado é um mercado operando entre otimismo e cautela, onde há espaço para investir e destravar projetos, mas o cenário exige atenção redobrada.”
Diário do Comércio - MG 10/02/2026
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) publicou um estudo sobre as oportunidades de negócios para os setores produtivos brasileiros com o acordo Mercosul-União Europeia. O levantamento identifica 543 oportunidades de desgravação tarifária (eliminação ou redução gradual de tarifas entre países que firmaram um acordo comercial) em 25 países da UE, destacando setores como máquinas e equipamentos, produtos químicos, artigos manufaturados e alimentos.
Recentemente, com o acordo histórico firmado entre Mercosul e UE, após 25 anos de negociações, firmou-se uma parceria entre os dois blocos que, juntos, reúnem cerca de 720 milhões de consumidores e um PIB agregado de US$ 22 trilhões. Todavia, ainda há uma “caminhada” para que os negócios comecem.
Após um pedido de revisão jurídica do acordo por parte do Parlamento Europeu, o início das trocas comerciais está suspenso, o que dá ao País tempo de criar estratégias antes de novas aventuras além-mar.
Mapa de negócios com os europeus
Entre os principais destaques do levantamento realizado pela ApexBrasil estão oportunidades de negócios identificadas em 25 países, organizadas por quatro grandes regiões do continente. Veja abaixo:
Fonte: ApexBrasil
Além disso, o material mostra que os setores com maior potencial para diversificar a pauta exportadora são máquinas e equipamentos de transporte, além de produtos como calçados, óculos de sol e joias de ouro ou prata, por exemplo.
No caso do agronegócio brasileiro, há cotas negociadas para carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, queijos e cachaça.
Contexto mineiro
Minas Gerais exportou para o continente europeu US$ 10,8 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões) em 2025, de acordo com o Panorama de Comércio Exterior de Minas Gerais, elaborado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG).
O agro forte e a indústria extrativa mineira já têm boa penetração na Europa e o valor das exportações pode aumentar consideravelmente, já que as barreiras tarifárias devem ser reduzidas. Confira os produtos mais exportados pelo agro e pela indústria extrativa do Estado.
café, que responde por 58% das vendas à UE; minério de ferro, que corresponde a 9% das vendas à UE; ferroliga, que corresponde a 8% das vendas à UE.
Já a indústria poderá ampliar sua presença frente a abertura de novos parceiros comerciais. Produtos como celulose, silício, ferro-gusa, peças para motores, tubos de aço, medicamentos embalados e equipamentos médicos terão reduções tarifárias que podem gerar mais facilidade para acessar o mercado europeu.
Alguns caminhos já estão pavimentados para a indústria de Minas na Europa. Dos dez principais parceiros comerciais do Estado, cinco são europeus: Alemanha, Países Baixos (Holanda), Reino Unido, Itália e Bélgica. Japão e China representam a Ásia, Estados Unidos e Canadá a América do Norte e Argentina, o continente Sul-Americano.
Segundo o analista de Negócios Internacionais da Fiemg, Felipe Ramon, as oportunidades e impactos do acordo Mercosul-UE devem variar entre os diversos setores, que exigem estratégias caso a caso. “É importante fazer um balanço com cada setor, até porque, em um mesmo setor, podem existir perspectivas divergentes”, disse.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/02/2026
Em seminário no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ministros da área de infraestrutura defenderam, nesta segunda-feira (9), que os investimentos em áreas como rodovias, portos, aeroportos, saneamento e habitação sejam feitos em parceria com a iniciativa privada.
O titular da pasta das Cidades, Jader Barbalho Filho, ressaltou que investimentos têm que ser uma política permanente.
“O Brasil só vai avançar se nós tivermos investimentos, e gerar isso, tem que ser uma situação perene nesse país para que os projetos continuem sendo produzidos, para que investimentos continuem acontecendo, e o Brasil entre em um processo de crescimento”, defendeu.
Na plateia do seminário, estavam representantes do setor privado, como empresas que atuam no setor de infraestrutura, bancos e gestoras de recursos.
“A mensagem que nós viemos trazer hoje aqui é que vamos apoiar os investimentos”, disse o ministro aos presentes.
O ministro citou os esforços do governo para redução do déficit habitacional por meio do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Segundo Jader Filho, até o fim de 2026 o ministério chegará a 3 milhões de contratos assinados com as famílias beneficiadas.
“O Minha Casa, Minha Vida foi responsável por 85% de todos os lançamentos imobiliários desse país”, enfatizou.
Para além do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, o ministro das Cidades apontou que, sem a parceria com a iniciativa privada, metas relacionadas à mobilidade e saneamento não serão alcançadas.
Em conversas com jornalistas após a participação no evento, o ministro assinalou que o governo investiu R$ 60 bilhões em saneamento, mas precisa também de recursos privados.
“Só assim a gente vai conseguir chegar na universalização de abastecimento de água e esgoto até 2033”, declarou Barbalho Filho.
Atração externa
O ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou que o Brasil tem o maior pipeline (horizonte de projetos) de concessão de rodovias do mundo.
“Nós vamos contratar R$ 400 bilhões em investimentos privados em parceria com a iniciativa privada”, anunciou, se referindo a obras em rodovias, ferrovias e mobilidade.
“Obviamente, os R$ 400 bilhões não serão investidos apenas em quatro anos, é um ciclo maior”, esclareceu.
BNDES
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apontou que o país enfrenta um “hiato” (defasagem) de investimentos em infraestrutura equivalente a 1,74% do Produto Interno Bruno (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país ).
“Precisamos de um investimento mínimo no patamar de R$ 218 bilhões por ano”, defendeu.
Mercadante enfatizou que o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), conjunto de investimentos do governo federal, alcançou R$ 788 bilhões desde o lançamento, em 2023.
“Estamos muito otimistas que vamos chegar a R$ 1 trilhão”, sustentou.
O BNDES é um banco público vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e tem como função fomentar o desenvolvimento no país.
No evento, Mercadante anunciou que o banco público aprovou financiamento de R$ 9,2 bilhões para a concessionária EPR Iguaçu realizar obras de melhorias nos 662 quilômetros de rodovias das regiões oeste e sudoeste do Paraná (BR-163, BR-277, PR-158, PR-180, PR-182, PR-280 e PR-483).
Mercado de capitais
A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, defendeu a participação do banco de fomento no mercado de capitais, ambiente financeiro no qual são negociados valores mobiliários como títulos de dívidas, ações de empresas e participação em fundos de investimentos. É uma forma de as empresas captarem recursos para investimentos.
“O BNDES quer dividir os riscos com os bancos, mas a gente vai dividir os retornos também”, disse.
“O mercado de capitais aqui não tem profundidade de prazo e de volume que mercados mais desenvolvidos têm. Mas está crescendo, e o BNDES está fazendo crescer”, disse, acrescentando que o banco tem uma carteira de R$ 80 bilhões em debêntures (títulos de dívidas de empresas).
Captação
O diretor-executivo da B3 (bolsa de valores de São Paulo), Gilson Finkelsztain, ressaltou que o mercado de capitais se transformou na maior fonte de captação para as empresas.
“Dez, 12 anos atrás, a agenda era inexistente, havia somente o financiamento bancário”, lembrou.
Segundo o executivo, em 2025 a economia brasileira teve R$ 496 bilhões só em debêntures, sendo R$ 172 bilhões de infraestrutura.
CNN Brasil - SP 10/02/2026
A China deu um importante passo que pode reconfigurar parte do cenário financeiro global ao orientar suas instituições bancárias a conterem a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Os reguladores chineses fizeram o pedido nesta segunda-feira (9), com o objetivo de reduzir a exposição e evitar uma concentração excessiva de recursos em ativos americanos.
O movimento chinês marca uma mudança significativa na postura do país asiático em relação aos treasuries americanos. Atualmente, a China mantém aproximadamente US$ 850 bilhões em títulos da dívida americana, sendo que apenas os bancos chineses detêm cerca de US$ 300 bilhões desse montante. Essa decisão levanta questionamentos sobre se as instituições financeiras chinesas apenas deixarão de fazer novos aportes ou se também começarão a reduzir suas posições atuais.
Rafael Furlanetti, apresentador da CNN, em análise sobre o tema, explicou que essa orientação já vinha ocorrendo de forma velada desde o congelamento de cerca de US$ 300 bilhões de ativos russos pelos Estados Unidos.
"Isso começou a gerar uma preocupação não só da Rússia, mas da China também, em onde eu vou depositar meus ovinhos. Se eu vou deixar meus ovinhos todos numa cesta só ou não", comentou Furlanetti.
Impactos globais e para o Brasil
As consequências desse movimento podem ser amplas para a economia mundial. A possível redução na demanda por títulos americanos pode manter os juros dos EUA em patamares elevados, já que o governo americano precisaria oferecer rendimentos maiores para atrair outros compradores. Para o Brasil, isso significaria uma limitação na capacidade do Banco Central de reduzir a taxa de juros, uma vez que o diferencial entre as taxas brasileiras e americanas precisa ser mantido para garantir a atratividade dos investimentos no país.
Outro efeito esperado é o enfraquecimento do dólar devido à menor demanda pela moeda americana, além da valorização contínua do ouro como ativo de reserva alternativo. Países com tensões geopolíticas com os Estados Unidos podem seguir o exemplo chinês, embora seja improvável um movimento de abandono total dos títulos americanos devido à dificuldade de realocação de volumes tão expressivos.
Apesar da impossibilidade de zerar completamente as posições em títulos americanos - que totalizam cerca de US$ 36 trilhões em investimentos estrangeiros nos EUA - o movimento sinaliza que recursos adicionais podem ser direcionados para economias emergentes como o Brasil, que oferece ativos reais como minério de ferro, petróleo e empresas líderes em seus segmentos, capazes de proteger o capital dos investidores contra a inflação.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/02/2026
As expectativas medianas de inflação no horizonte de 1 ano dos consumidores nos Estados Unidos caíram de 3,4% em dezembro para 3,1% em janeiro, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York. Contudo, os entrevistados apontaram piora em suas percepções sobre a situação financeira nos EUA.
Sobre inflação, as expectativas para os horizontes de três anos e cinco anos permaneceram estáveis em 3%, respectivamente.
As expectativas de crescimento da renda em um ano subiram de 2,5% em dezembro para 2,7% em janeiro, aumento impulsionado pelo grupo de famílias com renda abaixo de US$ 50 mil ao ano.
Sobre o mercado de trabalho, a percepção média da probabilidade de perder emprego no próximo ano diminuiu a 14,8% em janeiro, mas continua acima da média de 12 meses de 14,6%, conforme o Fed de Nova York.
A percepção sobre encontrar um emprego nos próximos três meses subiu a 45,6%, neste caso abaixo da média de 12 meses de 48,6%.
Já a percepção das famílias sobre a atual situação financeira deteriorou com a maior parte dos entrevistados relatando piora em comparação a um ano atrás.
As expectativas para o próximo ano também se deterioraram, com a maior parte dos consumidores esperando estar em uma situação pior do que a atual contra uma pequena parcela vendo melhora daqui a um ano.
Os consumidores também esperam deterioração na disponibilidade futura de crédito e maior dificuldade para obtê-lo no próximo ano.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/02/2026
O diretor do Federal Reserve (Fed) Stephan Miran afirmou nesta segunda-feira, 9, que o banco central deve preservar autonomia em relação à política monetária, embora tenha reconhecido que uma independência plena não existe. Ele também disse que as tarifas adotadas pelo governo Trump desempenham um papel relevante na política fiscal dos Estados Unidos e, por consequência, influenciam o ambiente da política monetária.
Miran observou que o Fed já coopera com o governo em diversas frentes e destacou que a atuação independente do banco central deve se concentrar no ciclo da política monetária. “A independência do Fed leva a decisões melhores, mas não existe um banco central 100% independente”, afirmou.
O dirigente também disse que as tarifas não representam um fator inflacionário significativo e avaliou que as medidas aplicadas a diversos países podem contribuir para a queda dos juros ao longo do tempo. Segundo Miran, o aumento da arrecadação com tarifas tem ajudado as contas do governo. “O mundo está começando a enxergar as tarifas como menos prejudiciais do que se imaginava”, disse.
Miran ainda descartou impactos relevantes da política tarifária sobre o dólar, ressaltando a força da moeda americana como reserva global. Segundo ele, também seria necessário um movimento muito expressivo do dólar para afetar a inflação, já que as oscilações cambiais recentes têm sido modestas e exercido impacto limitado sobre a política monetária. “Não vejo isso como algo que tenha tido consequências relevantes para a política monetária até agora”, concluiu.
Globo Online - RJ 10/02/2026
Dez e sete anos depois dos acidentes de Mariana e Brumadinho, a Vale vem enfrentando, desde o fim de janeiro, problemas em duas minas na região central do estado de Minas Gerais.
Pelo menos dois extravasamentos dentro de cavas com 24h de diferença causaram a paralisação operacional das atividades de dois complexos minerários em Ouro Preto (Fábrica e Viga), por determinação da Justiça.
Apesar dos incidentes, o mercado não parece prever o risco de uma eventual escalada do problema. As ações da mineradora registram valorização de 20% só nos primeiros 40 dias de 2026. Apenas nesta segunda-feira, o papel subiu quase 2%.
Analistas que acompanham de perto as ações da mineradora afirmam que a situação é pontual e não apresenta riscos à integridade de moradores ao redor, a funcionários e ao meio ambiente. Consequentemente, os papéis não refletem a preocupação de uma possível escalada dos problemas, avaliam os especialistas.
— Os riscos são pequenos e por isso o mercado não reagiu — avalia Frederico Nobre, líder da área de análise de ações da Warren Investimentos. Ele vê a valorização da ação no ano como reflexo do ímpeto estrangeiro, que tem comprado passivamente fundos investidores em ações brasileiras.
Como a Vale possui grande participação nos índices por conta do seu tamanho no mercado brasileiro — no Ibovespa, a mineradora sozinha representa cerca de 12% —, a valorização da empresa vai à reboque do apetite dos investidores estrangeiros à Bolsas de países emergentes.
Eles vêm, ao longo do ano, diminuindo o investimento em ações de tecnologia nos Estados Unidos em busca de diversificação para ativos da economia real, como commodities, caso da Vale.
Procurada, a Vale afirmou que adotou medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental e que vai se manifestar sobre as ações demandadas e colaborar com as autoridades, prestando esclarecimentos necessários.
Situações diferentes
Igor Guedes, da Genial Investimentos, afirma que a situação atual não se compara à tragédia de Mariana, em 2015, nem de Brumadinho, em 2019. Segundo ele, o rompimento de uma estrutura dentro de uma cava de mineração por conta do forte volume de chuvas se difere em três pontos dos rompimentos de barragens passados:
— As situações são diferentes: não teve envolvimento de rejeitos de mineração, não tiveram vítimas e não teve impacto em comunidades locais. São três situações que distinguem fortemente do que aconteceu agora de 2019 e 2015 — afirma ele, que não vê a escalada do problema. — É como uma caixa dágua em que se faz um corte, e vaza até a caixa ficar vazia. Não tem risco de ampliar aquilo que já está feito. Era uma estrutura de contenção que não aguentou.
Relatório do banco americano Citi afirma que as minas de Fábrica e Viga, que tiveram a suspensão, produzem, juntas, cerca de oito milhões de toneladas por ano de minério de ferro, cerca de 3% da produção total da Vale.
Uma paralisação durante todo o primeiro trimestre, avaliam os analistas do banco, representaria um impacto de cerca de 1,5 milhão de toneladas de produção. Em 2025, a mineradora produziu 336 milhões de toneladas de minério e, mesmo com a pausa nas atividades por conta do incidente nas duas unidades, não revisou seu guidance (projeção de produção).
A valorização das ações da mineradora em 2026 vai em linha com pares internacionais. A BHP e a Rio Tinto registram valorização semelhante, subindo, respectivamente, 18 e 20%. As commodities de referência da empresa, o cobre e o minério de ferro, registram performance mais modesta. Essencial para a indústria de inteligência artificial, o cobre registra valorização de 4,6% nos 40 dias do ano, enquanto a tonelada do minério de ferro é praticamente estável, em leve alta de 0,06%.
Após as tragédias de Mariana e Brumadinho, as ações da Vale registraram forte queda e demoraram meses para recuperar o patamar imediatamente anterior ao do rompimento.
No caso da Samarco, joint venture entre a companhia brasileira e a anglo-australiana BHP responsável pela tragédia de Mariana, os papéis da empresa demoraram 119 dias para recuperar o valor do dia anterior à tragédia de Mariana, em 5 de novembro de 2015.
Pouco mais de três anos depois, em janeiro de 2019, a tragédia de Brumadinho foi a de maior tempo de recuperação ao patamar de valor da companhia, com os investidores devolvendo o valor de mercado 353 dias após o rompimento.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/02/2026
A Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação, com efeito imediato, de todas as atividades da mineradora Vale no Complexo Minerário de Fábrica, na cidade mineira de Ouro Preto, após danos ambientais causados por um vazamento de água e rejeitos ocorrido 25 de janeiro. A decisão foi assinada na última sexta-feira (6).
A paralisação foi concedida a pedido do governo estadual e do Ministério Público de Minas Gerais. Pela decisão, as atividades somente poderão ser retomadas quando for comprovada tecnicamente a estabilidade e segurança de todas as estruturas do complexo.
Em caso de descumprimento, a Vale fica sujeita a multa diária de R$ 100 mil, até o limite de R$ 10 milhões. A Agência Brasil entrou em contato com a empresa e deixa espaço aberto para manifestação.
O vazamento em uma das cavas da mina de Fábrica atingiu cursos d’água responsáveis por alimentar o rio Paraopeba, causando assoreamento de córregos e danos à vegetação, conforme demonstrou o MPMG na ação.
Houve extravasamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral. Segundo o MP, houve falha no sistema de drenagem do reservatório da mina.
O órgão também acusa a Vale de demorar dez horas para comunicar o vazamento para as autoridades, dificultando a resposta da Defesa Civil.
O material levado pelo vazamento chegou a atingir uma área de outra mineradora – a CSN – provocando danos materiais. Depois, essa lama chegou ao rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana da cidade, antes de se encontrar com o rio Maranhão, já na área central de Congonhas.
O rio Goiabeiras é afluente do rio Maranhão e este, por sua vez, deságua no Paraopeba, o mesmo que passa por Brumadinho e foi atingido pelo rompimento de uma barragem da Vale em 25 de janeiro de 2019, há sete anos.
Em paralelo, o Ministério Público Federal (MPF) também acionou a Justiça e pediu o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão da Vale para garantir a reparação dos danos ambientais e materiais.
Revista Mineração - SP 10/02/2026
A produção de substâncias metálicas no Brasil somou R$ 220,5 bilhões em 2024, consolidando o país como um dos grandes exportadores mundiais de minerais estratégicos, segundo os dados do Anuário Mineral Brasileiro 2025, divulgado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) nesta segunda-feira (9).
O levantamento, com base nos relatórios anuais de lavra enviados pelos mineradores, revela que o conjunto de 14 substâncias metálicas mais a grafita respondeu por 82% do valor total da produção mineral no país, destacando a importância desses elementos tanto para a economia nacional quanto para a transição energética global.
Segundo o relatório, o minério de ferro liderou o valor agregado, com R$ 159 bilhões, seguido por outros minerais essenciais como alumínio, cobre, cromo, lítio, manganês, níquel e zinco, que também figuram como insumos críticos para tecnologias verdes e setores industriais estratégicos.
Além de seu impacto econômico doméstico, a produção mineral brasileira teve forte desempenho no comércio exterior em 2024, com exportações que somaram US$ 59,9 bilhões e um saldo comercial de US$ 42 bilhões. A China manteve-se como principal parceiro comercial, sendo o principal destino das exportações e maior fornecedor de substâncias metálicas ao Brasil.
No âmbito interno, mais de 270 minas das substâncias analisadas estavam em operação no ano-base, com destaque para as 109 operações de minério de ferro. A atividade também rendeu ao Estado cerca de R$ 7 bilhões em arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
Para apoiar o desenvolvimento do setor, a ANM concedeu aproximadamente 4.800 autorizações de pesquisa, 56 concessões de lavra e 141 permissões de lavra garimpeira em 2024, reforçando o papel regulatório do órgão frente à crescente demanda global por minerais estratégicos.
De acordo com a ANM, o Anuário Mineral Brasileiro 2025 oferece um retrato detalhado do desempenho da mineração no país, destacando sua relevância não apenas para a economia, mas também para políticas públicas e decisões estratégicas nos setores público e privado.
Valor - SP 10/02/2026
Contrato futuro com vencimento em maio fechou cotado a US$ 109,74
O preço do minério de ferro voltou a recuar nesta segunda-feira (9), pressionado, segundo analistas, pelo acúmulo de estoques da commodity em portos da China.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em maio fechou em queda de 0,46%, cotado a 761,5 yuans (US$ 109,74) na Bolsa de Dalian, na China.
O analista Vivek Dhar, do Commonwealth Bank, destacou em um relatório que os estoques de minério na China superaram 160 milhões de toneladas pela primeira vez desde fevereiro de 2022.
“A narrativa de excesso de oferta que afeta os mercados de minério de ferro tem sido impulsionada predominantemente pela fraca demanda chinesa por aço”, acrescentou o especialista.
Valor - SP 10/02/2026
Ministro das Cidades ponderou, no entanto, que o avanço do programa habitacional depende da "saúde financeira" do FGTS, e que é necessário "dar segurança de que o fundo vai ter os recursos necessários"
O ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou nesta segunda-feira (9) que o governo federal prevê a contratação de um milhão de novas unidades habitacionais pelo programa Minha Casa, Minha Vida em 2026. A estimativa é que o número de contratos some 3 milhões em quatro anos de governo.
Em seminário sobre investimentos em infraestrutura na sede do BNDES, no Rio, Jader Filho afirmou que havia 87 mil unidades do 'Minha Casa, Minha Vida' paralisadas quando assumiu a pasta.
Segundo o ministro, o governo espera que a construção civil alcance 20% do Produto Interno Bruto (PIB) em 10 anos, motivo pelo qual é necessário investir em mais ações.
Jader afirmou que uma prova de que o programa é bem-sucedido é a fatia de imóveis do MCMV no total de lançamentos imobiliários no país, que alcançou 85% até outubro do ano passado.
Ele ponderou, no entanto, que o avanço do programa habitacional depende da "saúde financeira" do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma das principais fontes para o financiamento dos imóveis.
"Primeiro nós temos que dar segurança de que o fundo vai ter os recursos necessários. Se a saúde financeira dele permanecer da maneira que está, seguramente é possível continuar ampliando e avançando nas contratações do Minha Casa Minha Vida", disse a jornalistas.
Jader Filho também comentou o novo modelo de crédito imobiliário para ampliar a oferta e o acesso ao crédito habitacional para a classe média, anunciado em outubro do ano passado, que prevê a redefinição da destinação dos depósitos compulsórios da poupança.
Para o ministro, a eventual queda da taxa básica de juros, a Selic, vai ajudar as famílias de classe média a encontrarem outras formas de financiamento, mas o programa "veio para ficar".
"As famílias da classe média estavam tendo juros de 19% a 22%. Era absolutamente proibitivo pagar juros extorsivos dessa maneira. A queda da Selic vai ajudar mais, mas esse modelo veio para ficar", disse.
Ele afirmou que o país iniciou uma nova etapa de investimentos e que R$ 8 bilhões em recursos do FGTS estão aprovados para saneamento e outros R$ 8 bilhões para mobilidade este ano.
Em conversa com jornalistas, o ministro também confirmou que vai se descompatibilizar do cargo no início de abril para concorrer como deputado federal pelo Estado do Pará.
Diário do Comércio - MG 10/02/2026
O processo de expansão das redes varejistas, com destaque para os segmentos farmacêutico e supermercadista, tem beneficiado alguns players do setor de construção em Minas Gerais. Essa externalidade positiva da ampliação do número de lojas também impacta outros mercados, como o de fundos de investimento imobiliário (FIIs).
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Raphael Lafetá, ressalta que o segmento de obras para o comércio ainda não possui uma participação tão relevante quanto a construção civil ou o mercado de infraestrutura. No entanto, ele também destaca que a expansão das redes varejistas tem movimentado construtoras especializadas na área.
“Existem empresas da construção civil que prestam serviços para uma rede de farmácias ou de hotéis, por exemplo, mas ainda é um mercado muito específico, que não é o principal mercado da indústria da construção”, diz.
Uma das empresas que têm se especializado nesse segmento é a Inconew Construtora, sediada em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O CEO do Grupo Inconew, Pedro Paulo, avalia que uma das principais vantagens de atuar nessa área é a possibilidade de colaborar com o desenvolvimento da economia local e a valorização da região.
Ele destaca que o segmento de imóveis para comércio e varejo já responde por uma parcela que varia entre 20% e 30% do faturamento anual do negócio. A empresa, segundo Paulo, tem se diversificado ao atuar com empreendimentos desse tipo e também com imóveis verticais, residenciais e loteamentos. Entre os principais clientes, o destaque fica para as redes supermercadistas.
De acordo com dados da Associação Mineira de Supermercados (Amis), as redes mineiras abriram 45 lojas entre os meses de janeiro e agosto de 2025. Vale ressaltar que esse número se refere a unidades efetivamente novas, desconsiderando reformas, aquisições, ampliações e mudanças de bandeira.
A projeção inicial para o ano inteiro era de 80 inaugurações, com as empresas investindo R$ 1,26 bilhão nesses projetos. Esse valor é 3,53% superior ao aporte realizado ao longo de 2024 (R$ 1,217 bilhão), quando o Estado registrou 88 novas unidades.
Outro segmento que tem ampliado o número de unidades físicas no mercado mineiro é o varejo farmacêutico. De acordo com o Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRFMG), o Estado reúne 9.749 drogarias, das quais 516 foram registradas em 2025. Além disso, a região possui 4.222 farmácias, sendo que 197 foram registradas no ano passado.
Já o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas) demonstra que o mercado local registrou 540 aberturas de empresas deste segmento e 452 fechamentos ao longo do último exercício, o que resulta em um saldo positivo de 88 negócios abertos. Esse resultado é 67,29% inferior ao saldo de 2024 (269), quando foram contabilizadas 667 aberturas e 398 fechamentos.
Para Raphael Lafetá, a aposta em se especializar e ingressar nesse mercado é algo que pode render bons frutos, principalmente em um cenário de expansão de algumas redes varejistas em Minas. O dirigente ressalta que esse tipo de decisão deve sempre partir de cada empresa, conforme aquilo que ela define como prioridade.
“Essa expansão no varejo cria oportunidades para empresas da indústria da construção civil se especializarem e se estruturarem para atender a essa demanda”, avalia.
Vantagens do modelo built to suit
Entre os modelos mais utilizados nesse tipo de projeto está o built to suit (BTS), de construções sob medida. O CEO do Grupo Inconew, Pedro Paulo, destaca que uma das grandes vantagens do modelo está na garantia de uma renda previsível e de longo prazo, uma vez que os contratos superam dez anos de duração. “Além disso, o risco de vacância é mais baixo. Quanto ao retorno do investimento, acredito que há menos risco operacional”, avalia.
O presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá, explica que esse tipo de contrato é muito aplicado em imóveis comerciais e tende a beneficiar as duas partes envolvidas. No caso do contratante, a vantagem está na possibilidade de iniciar as operações de forma mais ágil.
“Essa é uma boa solução para os segmentos de varejo, comércio e indústria de galpão que desejam colocar em funcionamento seus estabelecimentos de forma mais rápida”, diz.
Quanto aos custos desse modelo, o especialista pontua que eles vão depender do método de construção adotado e da eficiência da construtora contratada para realizar o projeto. Existem diversas variáveis que devem ser levadas em consideração.
Outro ponto importante a respeito do BTS, segundo Paulo, é a valorização do ativo ao longo do tempo. Ele aconselha os investidores a prestarem mais atenção nesse fator e não apenas nos rendimentos da locação.
“As lojas, em muitos casos, estão localizadas em regiões que estão crescendo nas cidades, com o surgimento de outros empreendimentos ao seu redor. Isso faz com que o imóvel se valorize ao longo do tempo”, observa.
Busca por conveniência
Pedro Paulo relata que as pessoas estão buscando cada vez mais opções de conveniência, que permitem morar, trabalhar e consumir na mesma região. Segundo ele, as pessoas querem ter tudo mais próximo, sem a necessidade de deslocar grandes distâncias para realizar determinada atividade.
O empresário destaca que muitas pessoas têm saído das grandes metrópoles brasileiras, devido à má qualidade de vida, e buscado cidades em ascensão no interior, como Uberlândia. Esse cenário favorece a manutenção do movimento de expansão das varejistas, principalmente em cidades de médio porte, nos próximos anos.
Os street malls são uma das soluções que o setor da construção encontrou para atender a essa demanda por conveniência. Raphael Lafetá avalia que o modelo é uma boa solução para as microrregiões, por exemplo, devido à oferta de diferentes serviços para a população local.
Esse tipo de empreendimento visa proporcionar maior conveniência aos clientes, além de beneficiar a mobilidade. “Os street malls têm uma função importantíssima na organização das cidades, para mobilidade e acesso aos serviços. Essa solução é uma tendência que veio para ficar”, afirma.
A última edição do Censo Brasileiro de Strip Malls identificou 107 empreendimentos deste tipo em Minas Gerais, o equivalente a 7,11% do total mapeado no Brasil (1.505). De acordo com o levantamento realizado pela Brain Inteligência Estratégica, em parceria com a Associação Brasileira de Strip Malls (ABMalls), essa é a segunda maior concentração no País, ficando atrás apenas de São Paulo, com 884 unidades.
Fundos imobiliários de varejo
Outro segmento que também pode se beneficiar com a expansão das varejistas mineiras são os fundos de investimento imobiliário de varejo. Neste mercado, são aplicados recursos em imóveis comerciais voltados para o setor varejista, com o objetivo de obter retorno financeiro por meio de aluguéis e demais formas de exploração comercial.
O mercado de FIIs de varejo ainda é pouco explorado em Minas Gerais, mas o sócio e gestor de fundos imobiliários da Rio Bravo Investimentos, Alexandre Rodrigues, avalia que o Estado tem demonstrado ser propício para esse segmento. Ele relata que a gestora tem obtido ganhos em desinvestimentos e realocado ativos com rapidez, aproveitando oportunidades de renda no mercado mineiro.
A Rio Bravo é a gestora do fundo Rio Bravo Renda Varejo (RBVA11), um dos primeiros fundos com foco no varejo de rua no Brasil, e possui em seu portfólio uma loja da rede mineira Supernosso localizada no Centro de Belo Horizonte. Anteriormente, o espaço era ocupado por uma agência do banco Santander.
Rodrigues destaca que a troca de inquilino foi realizada de forma imediata, sem vacância e com contrato de dez anos. O FII também vendeu um imóvel na Praça Tiradentes por R$ 18,5 milhões, 6,9% acima do laudo de avaliação e com taxa interna de retorno (TIR) de aproximadamente 12,1% ao ano (a.a.).
Outro fundo da empresa, a Rio Bravo Oportunidades Imobiliárias (RBOP11), realizou recentemente a venda da loja térrea do Bravo! BH, na capital, por R$ 7,8 milhões, valor 207% acima do laudo, com TIR estimada em 15,6% a.a. O gestor avalia que esta última operação é uma evidência do apetite do comprador por varejo de rua bem localizado e com liquidez para esse tipo de ativo.
“Esses três movimentos, todos em Belo Horizonte, demonstram profundidade de demanda por pontos comerciais, premissas centrais para FIIs de varejo”, esclarece.
O especialista ainda afirma que há abertura e velocidade de decisão por parte de operadores de varejo em Minas quando o ponto entrega fluxo, acesso e métricas de fachada e área coerentes. Ele destaca que, no caso do Supernosso, o ativo não ficou vazio e a transição ocorreu com continuidade de renda, dentro de práticas comerciais usuais.
“Não observamos resistência quando o imóvel é tecnicamente adequado e bem posicionado; ao contrário, observamos competitividade por endereços certos, como ilustram nossos resultados em Belo Horizonte”, conclui.
O Estado de S.Paulo - SP 10/02/2026
O preço dos imóveis residenciais teve valorização em 2025 - isto é, crescimento acima da inflação -, numa prova de resiliência do setor a despeito dos baques causados pelos juros altos da economia. Para 2026, a expectativa de especialistas é que essa tônica se mantenha. Se isso acontecer, será o quinto ano seguido de valorização real dos imóveis.
O preço médio das casas e apartamentos no País cresceu 6,52% no ano passado, de acordo com pesquisa Fipezap. O resultado superou a inflação, de 4,26%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.
Na maior cidade do País, São Paulo, o aumento no preço das moradias foi de 4,56%. As capitais com as maiores altas foram Salvador (16,25%), João Pessoa (15,13%) e Vitória (15,11%). Já as capitais com as menores altas foram Aracaju (2,79%), Teresina (2,80% e Rio de Janeiro (3,13%).
O Índice Fipezap é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base nos anúncios de classificados de imóveis residenciais prontos em um total de 56 cidades. A pesquisa apura os valores pedidos, não os valores dos negócios fechados. A grande maioria dos anúncios se refere a unidades usadas.
O que motivou o crescimento nos preços ao longo do ano foi a demanda aquecida da população devido ao desemprego baixo e ao avanço da massa de salários. Além disso, o governo federal estendeu os benefícios do Minha Casa Minha Vida (MCMV) para mais famílias, enquanto os governos estaduais passaram a oferecer cheques para complementar o valor da entrada na hora da aquisição.
Esse conjunto de fatores compensou, em parte, os juros elevados dos financiamentos, que inibiram a compra de imóveis fora do MCMV, apontou o coordenador do Índice Fipezap, Alison Oliveira. “Foi um cenário suficiente para sustentar a demanda e colocar os preços dos imóveis acima da inflação”, disse.
O desempenho também confirmou o ciclo de recuperação do mercado imobiliário. Ao longo de 2015 a 2020, o setor mostrou recuos nos preços ou subidas muito pequenas. Isso aconteceu enquanto o País estava mergulhado na recessão econômica e na pandemia. “Depois disso, começamos a ver uma recuperação no preço dos imóveis. Em 2025, esse movimento se consolidou”, disse Oliveira. A valorização dos imóveis vem superando a inflação desde 2022.
O economista Alberto Ajzental, especializado em mercado imobiliário e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), acrescentou que o custo de construção teve um aumento relevante ao longo de 2025, encarecendo o preço das moradias novas. A inflação setorial medida pelo Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) cresceu 6,41% nos últimos 12 meses até novembro. No caso da mão de obra, o avanço foi de 9,46%, refletindo a falta de trabalhadores e o aumento dos salários no setor. “O custo da mão de obra pressionou a produção de moradias”, disse.
Houve ainda uma queda relevante no volume do crédito oferecido pelos bancos para novas obras, o que levou as construtoras a buscar crédito no mercado de capitais, onde os juros são mais altos. No fim das contas, os custos maiores são repassados para os consumidores. “Quem compra um imóvel precisa se lembrar que está pagando pelo terreno, pela edificação e pelo financiamento que a construtora tomou. E tudo isso ficou mais caro”, ressaltou Ajzental.
Com o mercado de trabalho aquecido, o custo das obras não deve dar trégua tão cedo. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Yorki Estefan, estimou que o custo dos trabalhadores deve continuar aumentando para as empresas ao longo dos próximos anos. “Acreditamos na continuidade da alta do custo da mão de obra nos próximos anos”, disse, apontando a escassez de gente qualificada e a necessidade de se pagar mais para reter os bons funcionários. Isso deve fazer com que os imóveis novos sejam lançados com preços maiores do que os atuais.
Projeções para 2026
Para Oliveira, do Fipezap, o preço dos imóveis em 2026 deve subir em torno de 1 a 2 pontos porcentuais acima da inflação. Umas das novidades no cenário deve ser a redução dos juros básicos por parte do Banco Central, com tendência de melhorar a situação do financiamento imobiliário. “Se confirmado, isso vai diminuir o valor da parcela. Aí, mais famílias vão conseguir comprar a casa própria”, disse. “Então, a tendência seria de crescimento da demanda por imóveis e, consequentemente, dos preços.”
Ajzental, da FGV, vai na mesma linha. “Acho que teremos preços de imóveis acima da inflação no País. Não será um boom, mas será relevante”, estimou. “A queda dos juros ajudará a reduzir o custo do financiamento, aliviando o valor do metro quadrado dos novos imóveis e o empréstimo para quem compra”.
Money Times - SP 10/02/2026
As incorporadoras e construtoras listadas em bolsa operam majoritariamente em queda nesta segunda-feira (9), pressionadas por declarações do ministro das Cidades, Jader Filho, que afirmou que o Governo Federal não pretende reduzir os juros do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mesmo diante da expectativa de queda da taxa Selic ao longo deste ano.
Por volta das 15h (horário de Brasília), os papéis da MRV (MRVE3), Direcional Engenharia (DIRR3) e Cury (CURY3), empresas com foco em habitação popular, recuavam cerca de 0,67%, 1,14% e 1,04%, respectivamente, na B3.
Na contramão do setor, as ações da construtora Tenda (TEND3), que também atua no segmento do MCMV, avançavam aproximadamente 0,77%.
Juros do MCMV não devem cair
Durante evento realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, o ministro Jader Filho destacou que as taxas de financiamento do programa já estão nas mínimas históricas.
“Estamos na menor taxa da história do Minha Casa, Minha Vida. Na Faixa 1, que atende famílias com renda de até R$ 2.850, o juro é de 4% ao ano nas regiões Norte e Nordeste e de 4,25% nas demais”, afirmou.
“Não há previsão de baixar mais esses juros, e acreditamos que, pelos resultados, essa taxa está atendendo às necessidades do povo brasileiro”, acrescentou.
Projeções
Apesar da sinalização, o ministro pontuou que o Brasil deve encerrar 2026 com cerca de 3 milhões de contratos assinados no âmbito do Minha Casa, Minha Vida desde 2023.
Ele também comentou as expectativas do programa em caso de eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro.
“A projeção é contratar 1,5 milhão de unidades em 2027”, disse. “Se permanecer da maneira que está, seguramente, é possível continuar ampliando e avançando nas contratações.”
MCMV sustenta otimismo do setor imobiliário
Em relatório divulgado recentemente, o BTG Pactual manteve uma perspectiva otimista para o setor de construção civil em 2026, com destaque justamente para as companhias voltadas ao segmento de baixa renda.
No documento, o banco avalia que o forte impulso do Minha Casa, Minha Vida deve continuar, apoiado por possíveis atualizações nas condições do programa e por um orçamento robusto dentro do FGTS.
Na avaliação da casa, esses fatores tendem a preservar margens e retornos elevados por mais tempo, o que deve favorecer os resultados das empresas.
Valor - SP 10/02/2026
Competição acirrada gera preocupação de que preços ofertados estejam sendo espremidos
O setor de construção pesada enfrenta um momento de competição acirrada e casos de litígio em licitações de grandes obras. Nas últimas semanas, o mercado tem acompanhado ao menos dois projetos bilionários com brigas entre empreiteiras e contratantes públicos: a construção do Complexo Viário Roberto Marinho, que provocou disputa entre a espanhola Acciona e construtoras locais, como a Álya (Queiroz Galvão), e as obras da Linha 19 do Metrô de São Paulo, que gerou um embate judicial movido pela desclassificação do consórcio da Power China.
Segundo fontes, até concorrências do setor privado, feitas por concessionárias, têm motivado disputas de construtoras brigando para levar os contratos.
Para especialistas e atores da área, as disputas nesses casos não são uma novidade, mas refletem o momento de intensa concorrência no mercado, que ao longo da última década assistiu à entrada de novos estrangeiros e processos de reestruturação das construtoras nacionais, após a Lava-jato, que investigou denúncias de corrupção.
“O aumento da judicialização se deve ao fato de o Brasil ter um ambiente competitivo, várias empresas interessadas em contratar, bons contratos, e a existência de formatos de licitação que permitem uma análise mais complexa, como técnica, preço, inexigibilidade. O trabalho da comissão é justificar, e isso sempre dá a possibilidade de questionamento”, afirmou Lucas Sant'Anna, sócio do Machado Meyer.
No caso da licitação do complexo Roberto Marinho, da Prefeitura de São Paulo, a Justiça de São Paulo concedeu liminar suspendendo o contrato firmado com a Acciona, após pedido da Álya. A construtora, que concorreu em consórcio com a OEC (Odebrecht), havia ficado em primeiro lugar, mas a proposta foi desqualificada após a etapa de recursos. O critério da licitação combinou aspectos técnicos e preço.
Neste mesmo projeto, o consórcio da Construbase, que havia ficado na segunda colocação, também acionou a Justiça após sua nota técnica ser rebaixada e sua classificação cair, dando vitória à Acciona, mas não teve o pedido acolhido.
Outro exemplo de grande licitação que caminha para uma briga judicial é a das obras da Linha-19 do Metrô de São Paulo, que no total deverá somar em torno de R$ 18 bilhões. A construção foi dividida em três lotes, inicialmente vencidos por OEC, com dois blocos, e o consórcio Nove de Julho, formado pelas chinesas Yellow River (da Power China) e Highland, além da Mendes Júnior.
Além de embate por obras do Metrô e da prefeitura de SP, concorrências privadas também vivem disputa alta
O grupo chinês, porém, foi inabilitado após questionamentos de concorrentes, em especial do consórcio da espanhola OHLA e da Agis, que tinha ficado em segundo lugar. O Metrô apontou problemas com atestados técnicos exigidos no edital e, com isso, convocou o segundo colocado - que, ao ser chamado, aceitou cobrir a oferta dos chineses e enviou sua documentação para análise, que deverá sair até o fim do mês. Porém, diante da desclassificação, o grupo acionou a Justiça.
Humberto Rangel, diretor-executivo do Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), pondera que a judicialização é “da natureza do mercado” de licitações. “É algo que se vê em qualquer setor, vemos disputas aguerridas e muitas vezes transborda para algo judicial.”
Na visão de participantes do setor, hoje existe ambiente de concorrência muito elevada em determinados segmentos, como grandes contratos mais complexos.
Na visão de dois executivos, que pediram anonimato, a percepção é que as construtoras que entraram em crise nos últimos anos tentam “marcar território” em áreas estratégicas e, em especial aquelas com reestruturação de dívidas, se sentem pressionadas a conquistar novos contratos para mostrar ao mercado que o estoque de projetos segue aumentando - o que eleva a disposição por judicializar.
Um deles avalia ainda que os embates demonstram falta de maturidade no mercado de construção e que, em alguns casos, a disputa acirrada tem derrubado a rentabilidade dos contratos.
Trata-se de uma preocupação compartilhada por analistas. Marcos Ganut, líder global da A&M (Alvarez & Marsal) Infra, afirma que a forte concorrência entre construtoras nas licitações pode gerar preços espremidos, o que no futuro poderá gerar problemas na execução - principalmente em um momento no qual, ele destaca, muitas seguem com dificuldades financeiras. “O ponto de atenção é que, uma vez que se ganha [a concorrência], a gestão é complexa. Muitas delas ganham um contrato para pagar a dívida da obra anterior e vão pedalando”, diz ele.
Para o vice-presidente de infraestrutura da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Carlos Eduardo Lima Jorge, há um problema estrutural na forma como parte das obras públicas é licitada. Segundo ele, o uso de leilões estimula descontos excessivos, que podem resultar em propostas inexequíveis e acabar judicializadas. Esse movimento, afirma, ajuda a explicar o elevado número de obras paralisadas no país. “O pior prejuízo é a sociedade não contar com o benefício do equipamento.”
Outras fontes apontam também a entrada de construtoras de fora como um fator que aumentou a tensão nas disputas.
Para Bruno Aurélio, sócio das áreas de infraestrutura e regulatório do Demarest Advogados, o vácuo deixado pela Lava-jato permitiu que estrangeiras (especialmente espanholas, italianas e chinesas) rompessem barreiras de entrada. Agora, com as nacionais reabilitadas via compliance, a disputa se tornou mais acirrada. “Esse somatório leva a um maior nível de belicosidade nas disputas, com brigas jurídicas focadas em qualificações técnicas e condições documentais”, afirma.
Para Rangel, apesar do período de crise vivido pelas empreiteiras nacionais, boa parte delas sobreviveu e muitas outras construtoras ganharam espaço. “O setor encolheu e até hoje não retomou ao patamar de anos atrás, mas houve uma preservação do conhecimento técnico de engenharia. A maioria das empresas está em retomada do crescimento. Ao mesmo tempo, novos grupos vão surgindo, tem uma regionalização de mercado, companhias de médio porte que vão ocupando espaço”, afirmou.
Procuradas, a SP Obras, da Prefeitura de São Paulo, disse que a licitação “respeitou toda a legislação vigente” e, sobre a ação, afirmou que “a administração municipal apresentou sua defesa e aguarda decisão”. A Acciona disse que aguarda decisão judicial. A Álya, a OEC, o Metrô de São Paulo e o consórcio da OHLA não comentaram. Power China e Mendes Júnior não responderam.
O Estado de S.Paulo - SP 10/02/2026
A negociação entre governo Lula e Vale sobre a renovação das ferrovias Estrada de Ferro Carajás (EFC) e Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) “andou um pouco” e o acordo está “bem próximo”, disse nesta segunda-feira, 9, o ministro dos Transportes, Renan Filho.
A Vale e o governo renegociam os valores das concessões das estradas, que a mineradora renovou antecipadamente em 2020, durante o governo Bolsonaro, até 2057. As duas partes chegaram a um protocolo de acordo de cerca de R$ 17 bilhões, sendo parte em pagamento à União e parte em novos investimentos ferroviários.
Os contratos das ferrovias venceriam em 2027, mas foram renovados antecipadamente por mais 30 anos (até 2057) após análise do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com pagamento de outorga e investimentos obrigatórios. A expectativa era de que acordo fosse anunciado em dezembro de 2025.
O ministro destacou que o entendimento não aconteceu naquele mês, como esperado, porque não era possível para o País aceitar as condições levadas para a mesa pela mineradora. “Tem de pagar o justo, a remuneração adequada.”
“Não deu para fechar naquele momento porque as condições — entre financeiras e obras — que a Vale ofereceu não dava para o País aceitar. Mas estamos perseverando na direção de fechar um entendimento”, afirmou. “O acordo como um todo não era suficiente.”
Segundo o ministro, não se pode, “na hora do entendimento, ir apresentando mais problemas ao ponto de não fazer o acordo. Quando dizemos que ‘não dá para fazer’, estamos valorizando o ativo público”, afirmou, sobre a expectativa do anúncio em 2025.
Indagado sobre o impacto dos incidentes recentes em operações da Vale em Minas Gerais, com extravasamento de água e resíduos, o ministro indicou que pode haver mais dificuldades. “Todo problema adicional que ocorre com esse tipo de agenda certamente atrapalha.”
Ele participou do seminário “Superciclo de Investimentos em Infraestrutura - Avanços e Desafios”, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
Diário do Comércio - MG 10/02/2026
A VLI Logística recebeu, nesta segunda-feira (9), o último lote de uma encomenda de oito locomotivas destinadas à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Produzidas em Sete Lagoas, na região Central de Minas, as máquinas receberam aporte de aproximadamente R$ 200 milhões e já estão prontas para operar nos trilhos que cortam Minas Gerais.
A aquisição, junto à fornecedora Progress Rail, faz parte de um ciclo robusto de modernização. Desde 2024, a companhia já adquiriu 27 novas locomotivas, totalizando investimentos de R$ 600 milhões, e, para 2026, anunciou aportes de aproximadamente R$ 1,2 bilhão na malha ferroviária.
O incremento promete impulsionar o transporte de cargas, conectando o interior do País aos portos do Sudeste. O reforço visa atender ao aumento na demanda por cargas gerais, como grãos, açúcar, fertilizantes, produtos siderúrgicos e minerais.
Presente na solenidade, o CEO da VLI, Fábio Marchiori, destaca que a maior parte dos investimentos na FCA deve se concentrar em Minas Gerais, por o Estado possuir a maior malha ferroviária. Para Sete Lagoas, ele avalia que a produção local, além de impulsionar a cidade, também é estratégica para a companhia, já que é capaz de elevar a competitividade a partir da qualidade dos serviços de manutenção.
“O mais importante não é apenas a disponibilidade da locomotiva, mas tê-la o máximo de tempo rodando, levando carga. Quanto maior o volume transportado, maior a diluição do custo fixo e, consequentemente, maior a competitividade”, argumenta.
Ele acrescenta que os novos modelos, denominados SD70ACe, foram projetados para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Isso reforça nosso papel na construção de uma logística de baixo carbono e mais sustentável para o País”, completa.
‘Renovação da concessão promete ser o maior projeto de investimento ferroviário do País’
Discutido há cerca de dez anos, o novo ciclo de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica permitirá a continuidade de investimentos nos trilhos que cortam o Estado. O ritmo dos aportes está atrelado à renovação da concessão da FCA, prevista para este ano, cujos investimentos podem superar R$ 30 bilhões.
A concretização da renovação, segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, segue em andamento, sem impedimentos. “O processo está em reta final de análise técnica, jurídica e contratual e, até março, vai para o Tribunal de Contas da União (TCU), com conclusão até o fim do primeiro semestre”, detalha.
A etapa é encarada como essencial para que o projeto seja entregue com maturidade, harmonizando os interesses das esferas pública e privada, além do braço social. “Mesmo com a renovação não concluída, a continuidade dos investimentos pela VLI demonstra que a empresa confia nos projetos de âmbito federal, e as entregas continuam em andamento”, ressalta Sampaio.
O executivo da VLI complementa que existem esforços conjuntos para que essa renovação seja concluída e destaca que o próximo ciclo será o maior projeto de investimento ferroviário do País. “Em volume, é o maior visto em concessões e um terço virá para Minas Gerais, além das locomotivas já compradas”, avalia.
Também presente no evento, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reafirma a importância dos aportes realizados para Sete Lagoas e para o Estado. Além da produção de locomotivas, a aquisição promete impulsionar a cadeia produtiva local a partir de contratos de manutenção.
“Isso gera emprego, gera oportunidades em Sete Lagoas. Fico feliz em ver o setor ferroviário em Minas avançar. Estamos avançando também com o metrô, que não deixa de ser ferrovia”, finaliza.
Valor - SP 10/02/2026
Segundo o presidente do banco de fomento, estão previstos oito leilões do setor em 2026, com uma estimativa de R$ 140 bilhões em investimentos
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou, nesta segunda-feira (9), que a instituição vai entrar com força no setor de ferrovias. Segundo o executivo, o banco está desenhando algumas iniciativas para financiar projetos na área.
Em um seminário sobre infraestrutura, o presidente do BNDES adiantou que os projetos ferroviários irão contar com maior prazo e carência nas concessões de crédito da instituição.
"Nós vamos aumentar o prazo de financiamento e carência para a ferrovia. Vamos lançar um produto específico para financiar [o setor] e vamos entrar para valer nesse mercado", afirmou na sede do banco, no Rio.
Mercadante também projetou um "ciclo forte" de investimentos em ferrovias e anunciou que estão previstos oito leilões do setor em 2026, com uma estimativa de R$ 140 bilhões em investimentos.
Taxa de juros "está pronta para cair"
"Estamos agora com R$ 40 bilhões de capex em ferrovias em três anos, e vem um ciclo forte de investimentos", declarou.
O presidente do BNDES também comentou que a taxa de juros "está pronta para cair", o que vai contribuir para melhorar o ambiente de investimentos e negócios.
Revista Ferroviaria - RJ 10/02/2026
A expectativa pela retomada da Malha Oeste ferroviária trouxe à tona não apenas projeções logísticas e econômicas, mas também um sentimento coletivo de saudosismo em Mato Grosso do Sul, estado que teve sua ocupação e desenvolvimento fortemente ligados aos trilhos. O clima nostálgico marcou os discursos do governador Eduardo Riedel (PP) e do ministro dos Transportes, Renan Calheiros Filho, durante o evento que anunciou avanços no processo de concessão da ferrovia.
Ao lembrar do papel histórico da ferrovia, Riedel destacou que a Malha Oeste vai além de um projeto de infraestrutura. A Malha Oeste não é só fundamental para o atual estágio de desenvolvimento do Estado, mas ela traz ao sul-mato-grossense um sentimento de retomada do desenvolvimento. Esse Estado foi construído em cima de ferrovia, afirmou.
Em tom saudosista, o governador ilustrou lembranças que fazem parte da memória de gerações. Quem viveu no Estado não pegou um trem no sentido leste ou oeste, cantando as belezas do Mato Grosso do Sul e ajudando esse crescimento? Quem não comeu uma chipa em uma estação? Quem não lembra da RFFSA, que vinha lá de Bauru e chegava em Corumbá, no coração do Pantanal?, disse, ao destacar a ligação emocional da população com o transporte ferroviário.
Riedel também apontou que a retomada da Malha Oeste abre novas possibilidades logísticas para o Estado. A ferrovia chega hoje a um sítio de produção de minério gigantesco, em Corumbá, com 14 milhões de toneladas que saem pela hidrovia. Com a Malha Oeste funcionando, abre-se um novo canal logístico também para o minério e outros produtos, conectando com a rota rodoviária Bioceânica, que vem de Porto Murtinho, explicou. Segundo ele, a ferrovia permitirá uma integração de modais e logísticos, fortalecendo a competitividade estadual.
Questionado sobre a possibilidade de retomada do transporte de passageiros, o ministro Renan Calheiros Filho afirmou que o tema está no horizonte, mas depende da reconstrução da ferrovia. Só dá para transportar pessoas depois que a gente tem a rede, disse. Ele explicou que a atual estrutura impede esse tipo de operação. Hoje, a rede existente tem dois problemas: a bitola estreita, que faz o trem andar muito devagar, e o fato de passar dentro das cidades, com muitas curvas.
Renan Filho reconheceu o vínculo emocional da população com os trens. Todo mundo tem uma ligação emocional com a ferrovia. O governador colocou isso muito bem aqui, afirmou, ao comentar o tom nostálgico das falas no evento. Segundo o ministro, após a revitalização com bitola larga, o debate sobre passageiros pode avançar. Feita a rede nova, o Brasil pode discutir primeiro o transporte de VLT dentro das grandes cidades e depois a ligação entre cidades.
O ministro reforçou que a principal mudança será a reconexão do Estado à malha ferroviária nacional. O fato é que o Mato Grosso do Sul será religado à malha nacional. Está desligado desde que muita gente deixou de andar de trem, afirmou, ao destacar o simbolismo do projeto para o Estado.
Valor - SP 10/02/2026
Secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro disse que a expectativa é que o Corredor esteja funcionando ainda em 2026
O leilão de concessão ferroviária do chamado Corredor Minas-Rio, cujo edital será publicado em 26 de janeiro, deve ser realizado ainda neste semestre, segundo o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
O processo será o primeiro nos moldes da 1ª Política Nacional de Outorgas Ferroviárias. O certame será por chamamento público, dispensando parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo.
"O nosso planejamento é fazer chamamentos públicos para essa malha que vai ser devolvida. O primeiro chamamento público que o governo vai fazer é o Corredor Minas-Rio, que vai trazer uma conexão de Arcos (MG) a Barra Mansa e AngradosReis (RJ)", disse Ribeiro.
Ribeiro disse que a expectativa é que o Corredor Minas-Rio esteja funcionando ainda neste ano. "A partir desse chamamento público, nós teremos um padrão para fazer diversos outros chamamentos públicos. Então, estamos muito otimistas e esse ano vai ser um ano de muita movimentação ferroviária", afirmou.
Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), observou que o corredor leva não só minério, mas outras formas de carga geral. "A devolução pela VLI vai ter a indenização correspondente, que vai poder ser direcionada a projetos ferroviários, de acordo com a política pública", acrescentou Sampaio. A ideia é escoar a produção siderúrgica e de calcário por esse trecho.
Estudos do Ministério dos Transportes indicavam pouco movimento ou ociosidade nos trilhos do corredor.
Revista Ferroviaria - RJ 10/02/2026
A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional, já entrou em vigor. A legislação traz mudanças significativas com o objetivo de agilizar e desburocratizar o processo de licenciamento de projetos de desenvolvimento, tanto em áreas rurais quanto urbanas, incluindo rodovias e ferrovias.
Entre as principais inovações está a criação da licença por adesão e compromisso, que permite o autolicenciamento para atividades de baixo e médio impacto ambiental. Nesse modelo, o próprio produtor declara que atende às exigências legais e assume compromissos, dispensando a análise prévia detalhada do órgão ambiental, que poderá realizar a fiscalização posteriormente.
A lei também estabelece prazos máximos para a análise dos pedidos de licenciamento. Outra mudança importante é a autorização para que os municípios passem a licenciar atividades de impacto local, possibilitando a unificação das licenças ambientais e urbanísticas.
Além disso, a nova legislação prevê a possibilidade de dispensar o estudo e o relatório de impacto ambiental em determinados casos, substituindo-os por estudos mais simples, de acordo com o porte e risco da atividade. Em contrapartida, a lei endurece as penalidades para quem construir ou operar atividades sem a devida licença ambiental.
Críticos da lei chegaram a classificá-la como PL da devastação. Por outro lado, defensores argumentam que muitos projetos estavam travados devido à burocracia, prejudicando o desenvolvimento do país, como é o caso da Ferrogrão, ferrovia que poderia retirar das estradas milhares de caminhões e baratear o frete para o escoamento de produtos agrícolas no Brasil, principalmente soja e milho.
O setor agrícola destaca as dificuldades enfrentadas pelos produtores de soja para escoar a produção, especialmente devido à dependência do transporte rodoviário.
Com a nova lei, a expectativa é de que obras de infraestrutura, como rodovias e ferrovias, tenham o processo de licenciamento destravado, contribuindo para a redução de acidentes e o desenvolvimento econômico, especialmente em regiões como o Mato Grosso, que dependem de melhorias logísticas para o escoamento de grãos até os portos do Arco Norte.
Diário do Comércio - MG 10/02/2026
A duplicação da BR-381, entre Belo Horizonte e Caeté, pode começar a sair do papel até o final de março. A expectativa é do superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Antonio Gabriel, que espera a conclusão de projetos executivos nas próximas semanas para que o governo possa assinar a ordem de serviço na ‘Rodovia da Morte’. Segundo o chefe do DNIT em Minas, o lote mais avançado é o que liga o trecho de Ravena até o município de Caeté. A obra chegou a ser prometida pelo Ministério dos Transportes para o ano passado, mas foi adiada para este ano.
PBH espera mais de 6 milhões de foliões no ‘Carnaval mais seguro do Brasil’
O Carnaval de Belo Horizonte em 2026 deve ultrapassar seis milhões de foliões durante a festa na capital, superando o número de 2025, segundo o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) em entrevista à Itatiaia (confira o vídeo completo abaixo). O número representa o montante de presentes nos blocos, não o número total de pessoas na cidade. “Quando aumenta a quantidade de foliões, você aumenta a qualidade do Carnaval. O folião que vai em um bloco de manhã e não vai de tarde, é porque ele não gostou da festa. Se ele foi de manhã, voltou de tarde e de noite, é porque gostou da festa”, explica Álvaro Damião
‘Queremos dar vida aos bairros do centro de BH’, diz prefeito Álvaro Damião
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), afirmou que o projeto de lei que institui a Operação Urbana Simplificada, que prevê incentivos fiscais para construções em bairros da região central de BH, pode “voltar a dar vida” para uma região que sofre com abandono. Em entrevista ao Jornal da Itatiaia, nesta segunda-feira (9), o prefeito defendeu a construção de prédios mais altos na região. “Somos o centro. Esse é o nosso slogan. E por que isso? Porque o prefeito nasceu no Bairro Concórdia. Da minha casa, na rua Itaquera, até o centro, são 14 ou 15 minutos a pé.
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Jornal de Brasília - DF 10/02/2026
Em evento realizado no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (9), o secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, reforçou os recordes alcançados nos setores portuário, aeroportuário e de navegação, consolidando o Brasil como hub logístico global. A participação ocorreu durante o “Superciclo de Investimentos em Infraestrutura”, organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O debate concentrou-se nos desafios e oportunidades para manter o ritmo de investimentos em infraestrutura no país. Participaram do evento o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o ministro das Cidades, Jader Filho, e o secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro.
Em 2025, o país atingiu a marca de 1,35 bilhão de toneladas movimentadas nos portos e registrou um aumento de 30 milhões de passageiros em aeroportos, em comparação com o início de 2022. “Esses números refletem, de fato, esse superciclo de investimentos em infraestrutura em nosso país, que se traduz em crescimento econômico, integração territorial, oportunidade de geração de emprego e renda e, principalmente, mais qualidade na oferta de serviços aos brasileiros”, afirmou Franca.
O secretário listou os pilares fundamentais para sustentar esse ciclo: segurança jurídica, planejamento de longo prazo, financiamento inteligente e diversificado, e eficiência operacional com inovação contínua. Como exemplos de ações do Ministério de Portos e Aeroportos nessa direção, citou a carteira de concessões do ministério, que este ano deve realizar 40 leilões de aeroportos e portos, além da primeira concessão hidroviária do Brasil, e a iniciativa de implantação da biometria para embarque em aeroportos, visando à eficiência, redução de filas e maior segurança.
O presidente do BNDES, Aloísio Mercadante, destacou a importância do setor portuário e aeroportuário para a economia, ressaltando os novos investimentos para os aeroportos brasileiros, com destaque para o Aeroporto de Congonhas, e no investimento tecnológico de navios, afirmando que “90% do comércio mundial se faz por navios”.
Tomé Franca salientou que investimentos em infraestrutura devem interagir com políticas de sustentabilidade. “Não se pode mais falar de investimentos em infraestrutura sem, de fato, dialogar com questões ambientais, sociais e de governança. Esses pilares são desafios que precisamos enfrentar para vivenciar um próximo ciclo de investimento”, pontuou.
Ao final de sua participação, o secretário executivo resumiu a visão que orienta as políticas do ministério: “Infraestrutura não é apenas obra, é desenvolvimento, integração e oportunidade para milhões de brasileiros”. A declaração reforça o objetivo de transformar os investimentos recordes em benefícios coletivos e alinha a agenda do Ministério de Portos e Aeroportos com o propósito central do evento, atrair investimentos e fazer do setor de portos e aeroportos um dos principais motores do desenvolvimento econômico nacional.
Exame - SP 10/02/2026
O Parque Urbano e Marina da Beira-mar Norte, em Florianópolis, está oficialmente liberado para sair do papel a partir desta segunda-feira (09). Durante evento realizado no Trapiche da Beira-Mar, a prefeitura e Estado autorizaram o início das obras com a assinatura da licença ambiental e do alvará de construção, encerrando um dos processos de licenciamento urbano mais longos e debatidos da história recente da Capital.
O empreendimento, estimado em R$ 350 milhões, prevê a cessão de uma área pública de 440 mil metros quadrados, por 35 anos, à JL Empreendimentos (PR), vencedora do processo licitatório, e deve gerar mais de 2 mil empregos diretos e indiretos ao longo das fases de implantação e operação do complexo.
Segundo Leandro Mané Ferrari, presidente da Associação Náutica Brasileira (ACATMAR), trata-se, atualmente, do maior investimento já realizado em um parque náutico no Brasil.
A liberação marca o desfecho de um processo que se estendeu por cinco anos desde a apresentação oficial do empreendimento, lançado inicialmente com previsão de conclusão em 2025. Ao longo desse período, o projeto foi alvo de sucessivas discussões jurídicas, técnicas e ambientais, judicializações, revisões de estudos e embates públicos que acabaram retardando sua execução.
A marina terá mais de 600 vagas para embarcações, distribuídas em um espelho d’água de aproximadamente 300 mil metros quadrados.
Deste total, 562 serão destinadas à operação privada, enquanto o restante ficará reservado ao uso público, incluindo atracação temporária, embarcações de passagem e apoio às atividades náuticas abertas à população.
Para Mané Ferrari, a demora ajuda a explicar o peso simbólico do projeto. “Não é um projeto simples, nem rápido, e tampouco consensual — e justamente por isso ele é tão simbólico. O avanço do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte representa, antes de tudo, um amadurecimento institucional de Florianópolis”, avalia.
Segundo ele, o debate sobre a implantação de uma estrutura náutica organizada naquela área é antigo. Há mais de uma década, a Acatmar entregou os primeiros anteprojetos para a região, quando ainda predominava a visão de que marinas representariam um problema ambiental. “Hoje, a cidade começa a entender que o problema nunca foi o mar — foi a ausência de planejamento”, afirma.
Na avaliação do setor náutico, uma marina urbana bem concebida cumpre papel estrutural no ordenamento da orla. “Quando bem concebida, licenciada e fiscalizada, uma marina urbana é um equipamento de ordenamento, não de degradação. "Ela organiza o uso da água, retira embarcações de fundeios irregulares, cria infraestrutura adequada, gera empregos diretos e indiretos e devolve a cidade ao seu território natural: o mar"”, diz Ferrari.
O presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Gilberto Seleme, lembra que a falta de marinas é um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da indústria náutica brasileira. “Santa Catarina tem uma indústria de ponta e lidera a produção de iates no Brasil. Fabricamos embarcações esportivas e de lazer com muita tecnologia, inclusive para o mercado externo. Com a marina, Florianópolis faz um movimento na direção correta, que vai trazer desenvolvimento para a região”, afirma.
Parque urbano integrado
Integrado à marina, o parque urbano amplia significativamente o alcance do projeto. “Não se trata apenas de atender ao setor náutico, mas de criar um espaço público vivo, acessível, que conecta lazer, turismo, economia e qualidade urbana. Cidades que avançaram nessa direção colheram resultados concretos em desenvolvimento econômico e valorização do entorno”, afirma o dirigente.
Para o prefeito Topázio Neto, o empreendimento tem potencial de gerar impactos positivos em cadeia desde a fase de obras até sua plena operação. “Essa é uma estrutura que vai ditar novos rumos para a cidade como um todo. Precisamos considerar o impacto positivo e em cadeia que equipamentos como esse têm potencial de gerar, desde sua construção até o pleno uso pelas pessoas. Serão gerados empregos, novos serviços. É uma obra que coloca Florianópolis em outro patamar”, afirma.
O governador Jorginho Mello reforçou o caráter estratégico do empreendimento. “Estamos trabalhando para entregar um projeto inovador, totalmente dentro da legislação e que será um grande marco para nossa capital e também para o estado de Santa Catarina. É uma obra grandiosa, com foco nas pessoas, que tem tudo para ser um sucesso”, disse.
No setor produtivo, o projeto é visto como um divisor de águas. Para Daniel Dimas, CEO da Dimas Construções, a marina inaugura uma nova fase de ocupação planejada da orla. “É uma obra que gera valor, atrai investimentos, fortalece o turismo e eleva o padrão de uso do espaço público. Quando projetos desse porte saem do papel, a cidade ganha previsibilidade e cria condições reais para novos investimentos”, avalia.
Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon), Carlos Leite, destacou o simbolismo urbano do momento. “Este é um momento histórico para Florianópolis. Finalmente estamos nos reencontrando com o mar”, afirmou.
Atualmente, a Beira-Mar Norte é utilizada de forma predominantemente linear, voltada a caminhadas e exercícios físicos. Com o novo projeto, a proposta é ampliar a diversidade de usos e transformar a área em um espaço de uso contínuo, ativo e integrado à cidade.
Organização por setores
O Setor A concentrará as atividades de uso público marítimo, com rampa náutica, trapiche, áreas verdes, arquibancadas, playground, academia ao ar livre e o edifício C, destinado a comércio e serviços de apoio às áreas de lazer.
O Setor B reunirá mais de 50% das áreas de lazer do parque, voltadas à prática esportiva, com quadras recreativas, espaços multiuso e o edifício B de apoio. Nesse setor ficará também a área técnica náutica, com vagas secas que cobrem a Unidade de Recuperação Ambiental (URA) da Casan, mantida dentro do parque.
Já o Setor C será formado por duas praças que envolvem o edifício principal: a Praça da Cidade, que funcionará como acesso principal ao parque, e a Praça do Mar, voltada à baía, com acesso ao quebra-mar flutuante, espaço para pesca artesanal, dois playgrounds e um pet place.
O projeto inclui ainda a reforma do trapiche existente, integração com o transporte náutico, bolsões para ônibus de turismo, áreas de embarque e desembarque, novos pontos de ônibus e adaptação da via marginal para futura implantação do sistema de BRT.
O cronograma prevê dois anos e meio para a entrega da primeira etapa — incluindo aterro, principais equipamentos públicos e paisagismo — e mais um ano e meio para a conclusão da marina, totalizando quatro anos de obras.
Para Mané Ferrari, o projeto não deve ser analisado como solução isolada, mas como uma infraestrutura estruturante. “O Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte não devem ser analisados com o olhar do medo, e sim com o olhar da responsabilidade. Planejar, executar e operar bem é o que faz a diferença entre repetir erros ou construir futuro. O futuro das cidades costeiras passa por entender que o mar não é limite — é oportunidade.”
CNN Brasil - SP 10/02/2026
A petrolífera estatal venezuelana PDVSA reverteu a maior parte dos cortes de produção que havia ordenado nos próprios campos petrolíferos e joint ventures na principal região produtora de petróleo do país, a Faixa do Orinoco, elevando a produção total do país para cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd), de acordo com fontes próximas às operações.
O país membro da Opep teve que reduzir a produção de petróleo, a sua principal fonte de receita, depois de um bloqueio petrolífero imposto em dezembro pelos Estados Unidos para pressionar Nicolás Maduro, que foi capturado no início de janeiro por forças militares norte-americanas. Delcy Rodríguez ocupa o cargo de presidente interina do país, sob supervisão dos Estados Unidos.
O bloqueio dos EUA deixou milhões de barris de petróleo exportável presos em tanques terrestres e navios no país, forçando cortes na produção que a PDVSA começou recentemente a reverter, à medida que as exportações voltam a níveis próximos do normal.
A região do Orinoco está agora produzindo pouco mais de 500.000 bpd após aumentos no fim de semana em vários projetos, acrescentaram as fontes, mais de 100.000 bpd acima do início de janeiro.
As trading companies Trafigura e Vitol receberam no mês passado as primeiras licenças dos EUA para exportar e comercializar milhões de barris de petróleo venezuelano como parte de um acordo de fornecimento de US$ 2 bilhões entre Caracas e Washington.
O Departamento do Tesouro dos EUA também emitiu licenças gerais nas últimas semanas, permitindo amplamente que empresas americanas exportem petróleo venezuelano e forneçam combustível ao país, o que deve ser seguido por outras autorizações para explorar e produzir petróleo no país, segundo fontes separadas.
As licenças dos EUA ajudaram a desbloquear as exportações, liberando petróleo e combustível que estavam em estoque, fornecendo diluentes necessários para o petróleo extrapesado da Venezuela e permitindo que a PDVSA aumentasse a produção, particularmente na Faixa do Orinoco, apontaram as fontes.
Valor - SP 10/02/2026
O petróleo tipo Brent com entrega para abril escalou 1,45% e o WTI com vencimento em março subiu 1,27%
Os contratos futuros do petróleo encerraram esta segunda-feira (9) em alta, em uma sessão marcada por volatilidade e pela repercussão do encontro entre representantes dos Estados Unidos e Irã na semana passada. Ainda que Teerã tenha afirmado que as negociações foram positivas, o mercado permanece cauteloso com a possibilidade de um acordo nuclear e cético sobre o arrefecimento das tensões entre os países.
O petróleo tipo Brent com entrega para abril encerrou em alta de 1,45%, cotado a US$ 69,04 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI com vencimento em março subiu 1,27%, cotado a US$ 64,36 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Bjarne Schieldrop, da SEB Research, avalia que o mercado pode ter começado a se acostumar com a situação iraniana, embora o prêmio de risco não possa ser totalmente dissipado “enquanto os navios de guerra americanos estiverem posicionados onde estão”.
Ainda que as negociações tenham sido positivas, as tensões no Oriente Médio permanecem no radar. Os Estados Unidos recomendaram, hoje, aos navios com bandeira americana navegar o mais longe possível das águas iranianas ao passarem pelo Estreito de Ormuz.
Safras & Mercado - RS 10/02/2026
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) projetou um crescimento do setor de máquinas agrícolas de aproximadamente 3,4% para o ano. As expectativas foram reduzidas em comparação com o desempenho de 2025, que ficou próximo dos 8%. Em entrevista exclusiva à Safras News durante a 38a edição do Show Rural Coopavel, o presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da entidade, Pedro Estevão, atribuiu a desaceleração principalmente à base de comparação.
“Em 2024, o setor teve um desempenho muito fraco por causa da seca, o que reduziu significativamente o faturamento. Assim, o crescimento de 2025 sobre 2024 foi elevado porque partiu de uma base baixa. Já em 2026, a comparação é feita com 2025, que teve faturamento mais alto, resultando em um percentual menor de crescimento”, explicou.
Estevão destacou que não há mudanças relevantes nas variáveis de mercado nem “gatilhos” como queda expressiva de juros ou aumento de preços que indiquem uma alteração significativa do cenário. A expectativa é de um ano semelhante ao anterior, considerado estável.
“Apesar do crescimento, 2025 não é avaliado como um ano bom para a indústria. O faturamento ficou em torno de R$ 67 bilhões, abaixo dos patamares de 2021 e 2022, quando o setor faturou entre R$ 97 e R$ 99 bilhões”, apontou o presidente setorial.
Ele ainda explicou que isso gera ociosidade nas fábricas, reduzindo a rentabilidade, mesmo sem prejuízos. O ano é classificado como médio para baixo.
A projeção de crescimento já considera uma safra normal, com clima favorável. Mesmo uma eventual surpresa positiva de produtividade não deve alterar significativamente o cenário, pois 60% do mercado de máquinas agrícolas depende de soja e milho, cujos preços internacionais estão baixos devido ao excesso de oferta global. Os outros 40% do mercado apresentam desempenho misto: cana com resultado mediano, café e pecuária em bom momento, laranja em um mercado pequeno e positivo, hortaliças estáveis e agricultura familiar aquecida, impulsionada por crédito subsidiado com juros de 5,5%.
As exportações representam cerca de 10% do faturamento e são concentradas na América do Sul, especialmente Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru e México. Em 2025, houve crescimento de 12% nas exportações, impulsionado principalmente pela melhora da economia argentina após ajustes cambiais. Conforme Estevão, o acordo Mercosul-União Europeia não deve gerar efeitos no curto prazo, pois ainda depende de aprovações legislativas e jurídicas, além de prever uma desgravação tarifária gradual de até 15 anos para máquinas agrícolas.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 10/02/2026
A LS Tractor, multinacional sul-coreana com coração brasileiro, anuncia o pré-lançamento de novas soluções em mecanização agrícola no Brasil durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel-PR, que acontece de 9 a 13 de fevereiro.
Desta forma, reforça sua estratégia de proximidade com o produtor rural e de entrega de máquinas alinhadas às reais necessidades do campo.
Os modelos vêm acompanhados de condições diferenciadas de acesso aos equipamentos, por meio do Consórcio LS Tractor e das linhas de financiamento via Pronaf, com taxa do 2,99% ao ano, que permitem planejamento, previsibilidade e investimento sustentável.
A proposta é preparar o produtor para os próximos passos de modernização da propriedade, oferecendo não apenas tecnologia, mas também caminhos viáveis para a aquisição das máquinas.
Entre as novidades técnicas, a LS Tractor apresenta os novos modelos da Série Plus, composta pelos tratores Plus 80 PRO, Plus 90 PRO e Plus 100 PRO, com potências de 80, 92 e 105 cv. Segundo o consultor de marketing da LS Tractor, Astor Kilpp, os novos modelos trazem avanços significativos em conforto operacional.
“A nova cabine da LS conta com projeto interno totalmente renovado, acabamento moderno e soluções pensadas para proporcionar mais ergonomia, segurança e conforto ao operador no dia a dia”, destaca.
Outro diferencial está no novo sistema hidráulico, que passa a contar com controle remoto de três válvulas, sendo uma delas com fluxo variável e ajuste de vazão de 0 a 50 litros por minuto, tecnologia voltada especialmente para atender implementos que exigem acionamento de motores hidráulicos.
O pré-lançamento também marca uma evolução visual da marca, pois eles passam a ser produzidos com uma tonalidade de azul, mais intensa e exuberante, além de receberem novo sistema de iluminação em LED, que garante maior segurança e eficiência nas operações noturnas.
“É um conjunto de mudanças que alia tecnologia, funcionalidade e um visual mais imponente, levando ainda mais encanto aos campos brasileiros”, afirma Kilpp.
Do ponto de vista técnico, os tratores da Série Plus são equipados com motores Perkins de quatro cilindros, com tecnologia MAR-1, além de sistema eletrônico de proteção do motor contra falhas de lubrificação e temperatura, que realiza o desligamento automático em situações de risco.
A transmissão é LS, com 20 marchas à frente e à ré, sistema de reversão sincronizada e super redutor integrado, garantindo versatilidade e desempenho em diferentes operações.
Opção para agricultura familiar - Pela primeira vez no evento a LS Tractor disponibiliza aos paranaenses, o MT2.27E, um trator compacto e robusto, indicadol para propriedades de menor porte.
Equipado com motor diesel de três cilindros e 25 cv, o MT2 27E alia tecnologia e eficiência operacional. O trator conta com transmissão LS de 12 marchas à frente e 12 à ré, além de tomada de potência (TDP) independente com acionamento eletro-hidráulico, proporcionando segurança e agilidade nas operações.
“Sabemos dos gargalos que uma propriedade enfrenta em relação às tarefas diárias, o MT2.27E se destaca pela sua versatilidade”, afirma Kilpp.
Com sistema hidráulico de três pontos e capacidade de levante de 820 kg, o MT2.27E é uma solução eficiente para a mecanização de pequenas propriedades, permitindo acesso a um equipamento com alto padrão de qualidade e custo competitivo.
“É um trator pequeno no tamanho, mas uma grande solução para a pequena propriedade. Sua eficiência operacional e economia de combustível garantem a produtividade necessária para este segmento no campo, tornando-o um excelente investimento, especialmente para o pequeno produtor rural”, reforça o especialista.
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