A Tribuna - SP 09/02/2026
Uma área às margens do Canal de Piaçaguera, próximo ao Dique do Furadinho, em Cubatão, voltou à mesa de discussões sobre sua destinação. Uma possibilidade é a construção de um Terminal de Uso Privado (TUP) no local, hoje pertencente à Usiminas. A empresa, contudo, garante que “avalia continuamente alternativas para o melhor aproveitamento de sua infraestrutura logística e portuária”.
A possibilidade de um TUP no local ganhou voz após reunião, na semana passada, entre a Prefeitura de Cubatão e representantes do Governo do Estado, de onde teria partido a sugestão, ainda em estágio embrionário, segundo apurou. O assunto é tratado com cautela.
Em nota, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) afirma que o encontro entre o secretário Rafael Benini e o prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), foi “uma reunião institucional voltada ao diálogo sobre demandas de mobilidade e logística da região”. A SPI ressalta que “eventuais sugestões seguirão agora os trâmites técnicos e administrativos previstos, com análise pelos órgãos competentes, de acordo com suas atribuições legais”.
A área vira assunto novamente após sete anos. Em 2019, conforme noticiado por A Tribuna, a Usiminas anunciava a intenção de construir um terminal e instalação de uma rede logística e portuária no distrito industrial cubatense.
“Nos últimos anos, a empresa tem direcionado seus esforços para a otimização e ampliação do uso das estruturas portuárias já existentes, fortalecendo parcerias com empresas da região por meio do escoamento de produtos pelo Terminal Marítimo Portuário de Cubatão (TMPC)”, diz a Usiminas, em nota.
A empresa afirma, ainda, que “esse movimento está alinhado à estratégia de integração logística do polo e à busca por maior eficiência operacional, como demonstrado por iniciativas recentes de utilização do porto por parceiros industriais, realizando o primeiro desembarque de fertilizantes no terminal”.
Poligonal do Porto
Uma possibilidade aventada é a inclusão da área na Poligonal do Porto Organizado, o que sugere um entendimento com a Autoridade Portuária de Santos (APS).
Em nota, a gestora do cais santista afirma que “a área citada não faz parte, no momento, da previsão de áreas a serem agregadas à Poligonal do Porto Organizado de Santos” e que “há outros pedidos de TUP em andamento para o Porto, o que demonstra o potencial do parque portuário santista para planos de expansão. São empreendimentos que devem passar por avaliação de viabilidade e de planejamento estratégico por parte do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)”, complementa a APS.
O MPor, em nota, afirma que “os contratos de adesão possuem regulamentação própria para o rito processual” e que “todo e qualquer pedido recebido será analisado à luz da legislação e todos os dispositivos que tratam do tema”.
Diário do Aço - MG 09/02/2026
Está agendada para esta segunda-feira (9/2), a votação para eleição do representante dos empregados da empresa no Conselho de Administração da Usiminas para o biênio 2026-2027. O pleito será feito com seções eleitorais nas cidades onde a Usiminas mantém operações, das 8h às 17h. Nas unidades que atuam sob regime de turno de 12 horas, o horário de votação será estendido, das 7h às 19h, conforme solicitação e após alinhamento e aprovação das comissões.
O voto é direto, secreto e não obrigatório para colaboradores e aposentados da Usiminas e Usiminas Mecânica, assim como os colaboradores das empresas participantes da Previdência Usiminas (Mineração Usiminas e Soluções Usiminas). A votação será por meio de cédula impressa em papel onde o eleitor registrará somente o número da chapa.
Em todos os postos de votação haverá uma lista nominal com os nomes dos respectivos eleitores que deverão apresentar um documento com foto. Para os aposentados que eventualmente o nome não constar na lista, além do documento com foto, deverá ser apresentada ainda a Carta de Concessão de Aposentadoria do INSS.
Candidatos
Foram inscritas duas chapas para a disputa da vaga no Conselho de Administração:
Chapa 1: Edílio Ramos Veloso (titular) e Walace Caldeira Pinto (suplente);
Chapa 2: Humberto Napoli Bellei (titular) e Flavia Regina Marques da Silva (suplente);
Mais informações sobre os candidatos, consulta dos locais de votação e acompanhamento do processo estão disponíveis pelo site oficial da eleição, em eleicoesconselho.usiminas.com. (Com informações da Assessoria de Comunicação da Usiminas)
CNN Brasil - SP 09/02/2026
O Ministério da Fazenda revisou a projeção de crescimento da economia de 2,2% para 2,3% em 2025. Para 2026, a previsão de crescimento foi revisada de 2,4% para 2,3%. Os números estão no boletim Macrofiscal da SPE (Secretaria de Política Econômica), divulgado nesta sexta-feira (6).
De acordo com a pasta, a revisão dos dados de atividade com a divulgação do PIB do terceiro trimestre levaram a mudanças relevantes no carregamento estatístico para o ano e à alta nessa estimativa para 2025.
Já para este ano, a revisão para baixo foi motivada pela desaceleração mais pronunciada da atividade projetada para o segundo semestre de 2025, reduzindo o carregamento estatístico para 2026.
Caso a projeção da SPE se confirme, haverá uma desaceleração em relação ao PIB de 2024, quando a economia brasileira cresceu 3,4%. O dado oficial do PIB de 2025 será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em março.
“Mesmo com a surpresa positiva, a expansão da atividade em 2025 será inferior à observada nos dois anos anteriores. A desaceleração repercute principalmente a manutenção da política monetária em patamar restritivo em um contexto de redução da inflação, contribuindo para elevar a taxa de juros real para o nível mais alto da última década”, diz o boletim.
Por setor produtivo, a expectativa é de maior crescimento agropecuário e da indústria e redução no ritmo de crescimento dos serviços. Veja as projeções de 2025:
Agropecuária: projeção de crescimento foi revisada de 9,5% para 11,3%; Indústria: projeção do PIB subiu de 1,3% para 1,7%; Serviços: houve ligeira revisão do PIB para baixo, de 1,9% para 1,7%.
"Pela ótica da oferta, o bom desempenho da agropecuária em 2025 ajudou a compensar a desaceleração da indústria e dos serviços. A atividade agropecuária surpreendeu positivamente, impulsionada pela safra recorde de grãos, pela expansão da produção de outras culturas agrícolas e do leite e pelo crescimento do abate", diz o documento.
Além disso, a Fazenda projeta redução da inflação de 4,3% em 2025 para cerca de 3,6% em 2026. Definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), a meta de inflação para este ano é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
"Em contrapartida, para os preços de alimentos espera-se aceleração. Para isso devem contribuir a alternância de eventos climáticos ao longo de 2026, afetando principalmente a dinâmica dos preços de alimentos in natura; a menor oferta de carne bovina devido à retenção de fêmeas no Brasil e nos Estados Unidos e à abertura de novos mercados", diz.
Crédito
As estimativas da SPE também projetam uma desaceleração no ritmo de expansão das concessões de crédito, a qual foi acompanhada pela elevação da inadimplência. Segundo a pasta, a alta da inadimplência é reflexo das piores condições financeiras, principalmente das pessoas físicas.
No boletim, o Ministério da Fazenda destacou o volume recorde de emissões de debêntures, impulsionado pela expansão das debêntures incentivadas, associadas a projetos de infraestrutura.
"O aumento da taxa básica de juros impactou de maneira relevante os juros das carteiras bancárias, reduzindo o ritmo de expansão interanual das concessões de crédito livre, sobretudo para empresas, e de crédito direcionado, principalmente para as famílias", diz o documento.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
Ao longo do último ano, o presidente Donald Trump intimidou os aliados dos Estados Unidos com tarifas, pressionou o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e tratou o déficit orçamentário como se fosse apenas uma distração. No entanto, a maioria dos mercados de ativos segue tranquilamente como se nada estivesse errado. Nos últimos 12 meses, o índice S&P 500 subiu 14%, com investidores apostando em inteligência artificial (IA). O crescimento nos Estados Unidos ainda é invejado pelo mundo. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos, que deveria subir com o risco de inflação ou inadimplência, está em 4,3%, menor do que quando Trump assumiu o cargo.
Mas, analisando mais de perto, o cenário é mais sombrio e complexo. Desde o pico em janeiro de 2025, o dólar perdeu um décimo do seu valor em relação a uma ampla cesta de moedas. Como resultado, em termos de moeda estrangeira, o desempenho dos ativos americanos tem sido fraco. Quando denominadas em euros, por exemplo, as ações americanas praticamente não subiram no último ano.
A queda da moeda reflete, em parte, a redução da diferença entre as taxas de juros dos Estados Unidos e do resto do mundo. No entanto, as instituições americanas também são motivo de preocupação, como relatamos esta semana. Surtos de pânico entre investidores tornaram-se mais comuns, como em abril de 2025, após o anúncio das tarifas do “Dia da Libertação” por parte de Trump.
Nesses momentos, os investidores fogem de ativos americanos, fazendo com que títulos, ações e a moeda americana se desvalorizem. Mais comum em mercados emergentes, esse fenômeno ocorreu em sete das últimas 52 semanas, cerca de três vezes mais frequentemente do que na década anterior.
Quando Trump recua em suas ideias mais insanas, a normalidade retorna. Mas os espasmos oferecem vislumbres de um mundo de cabeça para baixo, no qual os ativos em dólar não são mais seguros. É uma perspectiva alarmante, visto que o dólar é a moeda de reserva mundial e que estrangeiros detêm mais ativos nos Estados Unidos do que americanos no exterior, representando cerca de 89% do PIB americano. Ao mesmo tempo, o preço do ouro disparou para cerca de US$ 5 mil, um aumento de aproximadamente 75% em um ano, provocando especulações de que os investidores estejam se protegendo contra a desvalorização do dólar e outros riscos extremos.
Isso deveria fazer refletir aqueles que pensam que a solidez financeira dos Estados Unidos é inabalável. O exemplo mais recente de um aparente retorno à normalidade foi o anúncio feito por Trump em 30 de janeiro de que indicaria Kevin Warsh para liderar o Fed. Warsh é experiente. Seus contatos em Wall Street ajudaram o Fed a superar a crise financeira global de 2007-2009.
Seu histórico em política monetária é o de um defensor ferrenho da austeridade, não o de um defensor da desvalorização da moeda. Sua indicação fez com que o dólar se valorizasse e o preço do ouro caísse. Warsh é mais tecnocrata e menos partidário do que Kevin Hassett, um assessor bajulador da Casa Branca e um dos favoritos iniciais ao cargo.
No entanto, essa pequena recuperação não altera o panorama geral. Somente no último mês, período em que Trump ameaçou a Groenlândia, o dólar caiu 1,5% e o ouro subiu 14%. O histórico de Warsh é de postura agressiva, mas ele passou por uma conversão repentina à política monetária expansionista, defendendo cortes nas taxas de juros, enquanto Trump buscava um indicado.
Warsh apresenta dois argumentos principais a favor de uma política monetária mais frouxa. Um deles é que a IA trará um boom de produtividade que permitirá um crescimento acelerado enquanto a inflação cai. É verdade que o aumento da produção pressionará os preços para baixo, e que os dados recentes de produtividade são animadores.
No entanto, o crescimento da produtividade também estimula o investimento — por exemplo, em centros de dados — enquanto a alta das bolsas de valores e o otimismo econômico sustentam um maior consumo. O frenesi da IA, se sustentado, tem maior probabilidade de levar a taxas de juros mais altas do que mais baixas. Durante o boom da internet na década de 1990, o Fed (Banco Central dos EUA) também acreditava que a produtividade manteria as taxas baixas, antes de reverter essa visão no final da década.
Warsh também argumenta que o Fed pode compensar o estímulo de taxas de juros mais baixas se desfazendo de ativos de longo prazo, pisando no acelerador e no freio ao mesmo tempo. O Fed pode de fato precisar reduzir seu balanço patrimonial, embora isso signifique reestruturar o sistema monetário. No início da década de 2010, Warsh alertou erroneamente que a compra de ativos desencadearia alta inflação; hoje ele afirma que se desfazer deles seria desinflacionário. Na verdade, teria apenas um pequeno efeito.
Se o novo presidente do Fed, uma vez confirmado, convencer seus colegas a concordarem com grandes cortes nas taxas de juros, é provável que estes se mostrem inoportunos. Com 2,8%, a inflação americana ainda está acima da meta de 2%. Este ano trouxe cortes de impostos e em breve trará restituições, proporcionando um estímulo de cerca de 0,3% do PIB.
Se, como é provável, a Suprema Corte considerar muitas das tarifas de Trump ilegais, restituições no valor de 0,5% do PIB poderão ser concedidas. Esse estímulo monetário e fiscal combinado pode levar a uma inflação ainda maior, lançando mais dúvidas sobre os ativos denominados em dólar.
Até onde os Estados Unidos podem levar a sorte? O país tem a sorte de que os investidores têm poucas alternativas ao dólar. Metais preciosos são um substituto ruim para moeda forte, e nenhum título rivaliza com o volume, a liquidez e a segurança jurídica dos títulos do Tesouro. É mais provável que os estrangeiros evitem as ações caras dos EUA do que seus títulos — e a volatilidade das ações de tecnologia nesta semana mostra como o humor pode mudar rapidamente. Embora os bancos centrais tenham diversificado suas reservas, a participação do dólar nas transações bancárias internacionais, na emissão de faturas comerciais, na dívida global e nas operações cambiais permanece dominante.
Tudo isso serve como proteção contra uma desvalorização do dólar. No entanto, a volatilidade das políticas monetárias e a queda da taxa de câmbio tornam a posse de dólares mais arriscada do que nas últimas décadas. Mesmo que Warsh esteja certo sobre a inflação, a redução das taxas de juros enfraquecerá ainda mais a moeda. Ela ainda tem um longo caminho a percorrer. Apesar da recente queda, o dólar está acima de sua média histórica em termos reais e, de acordo com nosso índice Big Mac, sobrevalorizado em relação à maioria das moedas.
A falta de alternativas ao dólar condena os investidores estrangeiros a arcarem com perdas — e deveria alertar os investidores americanos para o risco de uma alternativa surgir um dia. Todos deveriam lamentar como um ativo que é um porto seguro para investidores está cada vez mais contaminado por riscos que agora o mundo inteiro precisa suportar.
Globo Online - RJ 09/02/2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil precisa consolidar uma trajetória de queda da taxa básica de juros até chega a um patamar de um dígito e evitar o retorno a níveis elevados no futuro. A declaração foi feita durante reunião do Diretório Nacional do PT, em Salvador.
Haddad avaliou que o atual nível de juros ainda é restritivo e pode afetar tanto a atividade econômico quanto a própria política fiscal, caso provoque desaceleração excessiva da economia.
— Eu sei que o Banco Central é autônomo. (Gabriel) Galípolo é um companheiro que foi apoiado, trabalhou comigo, chegou lá pela mão do presidente Lula. Eu tenho dito que eu acho que a taxa de juro está restritiva num patamar que pode comprometer, inclusive, o trabalho fiscal, porque a partir do momento que a economia começar a desacelerar demais, você vai ter um rebatimento na política fiscal — afirmou.
O ministro destacou o último comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) que sinalizou a possibilidade de uma trajetória de cortes mais consistentes. Ele disse que defende essa estratégia desde o ano passado.
— Eu tenho dito desde o ano passado que eu achava que já era hora de começar a pensar numa trajetória consistente para não voltar mais. Nós temos que ir por um juro de um dígito e nunca mais pensar em juro de dois dígitos no Brasil — declarou.
Haddad afirmou que, mesmo com restrições, a economia brasileira tem condições de crescer e sustentar uma política de juros mais baixos.
— Nós podemos crescer porque esse país aqui é um milagre, né? E a gente tem alguns expedientes para fazer com que a economia, mesmo com essa taxa, tenha um crescimento mínimo garantido — disse.
Escala 6x1 e tarifa zero
No mesmo evento, o ministro comentou propostas defendidas por setores do PT, como o fim da escala 6x1 e a adoção da tarifa zero no transporte público. Segundo Haddad, as duas medidas têm impactos distintos do ponto de vista fiscal.
— A escala 6x1 não tem impacto fiscal. Mas, por exemplo, a tarifa zero tem. Então, preciso desenhar um programa que tenha consistência — afirmou.
O ministro disse que qualquer iniciativa, principalmente em relação à tarifa zero, precisa ter fonte de financiamento definida para evitar recuos futuros.
— Porque se não tiver consistência, vai ter que voltar atrás. Agora, se for uma coisa consistente, sustentável, como é que nós vamos financiar o transporte para o público se não for pela tarifa? Tem jeito? Tem. Qual? Nós temos que desenhar isso — declarou.
Haddad afirmou que o governo estuda diferentes cenários para subsidiar uma eventual proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ministro, a viabilidade de políticas públicas nessa área depende de planejamento e de soluções técnicas.
— Nós estamos trabalhando em cenários que permitirão ao presidente incluir ou não essa proposta no seu plano de governo. Mas, se ele o fizer, ele vai poder explicar na televisão como ele vai fazer — disse.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/02/2026
O Brasil está considerando pela primeira vez promover um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, disseram altos funcionários do governo brasileiro.
Mas, como Pequim busca laços comerciais mais profundos e os Estados Unidos impuseram ondas de tarifas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está agora reconsiderando essa postura.
Uma declaração conjunta emitida durante a visita do presidente do Uruguai, Yamandu Orsi, a Pequim para se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, nesta semana disse que ambos presidentes esperavam que as negociações de livre comércio entre a China e o Mercosul pudessem começar “o mais rápido possível”.
O Mercosul inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia prestes a se tornar membro pleno.
Os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio da China não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
A nova geopolítica global
Embora um pacto comercial formal e abrangente ainda esteja distante, dois funcionários do governo brasileiro afirmaram que um acordo parcial entre o Mercosul e a China agora é visto como um resultado plausível a longo prazo, impulsionado pelas tarifas impostas pelos EUA sobre produtos de parceiros comerciais, que perturbaram o comércio global e remodelaram as alianças comerciais.
A mudança de postura do Brasil reflete o que um dos funcionários, que pediu para não ser identificado devido à sensibilidade das negociações, chamou de “novo cenário global”.
“Temos que diversificar nossos parceiros”, disse o funcionário. “A China tem a vantagem de que podemos trabalhar com um acordo parcial, apenas em algumas linhas tarifárias”, acrescentou.
Outro funcionário brasileiro diretamente envolvido nas negociações internas do Mercosul disse que o bloco poderia avançar em barreiras não tarifárias, como cotas de importação, procedimentos alfandegários e regulamentos de saúde e segurança, o que por si só criaria aberturas significativas no mercado chinês.
O funcionário disse que é muito cedo para especificar quais setores de negócios poderiam ser discutidos, descrevendo a questão como “altamente complexa”.
China já amplia presença na América Latina
O Brasil tem sido cauteloso em relação a um pacto mais amplo, por temer que a vasta produção industrial da China possa sobrecarregar os fabricantes nacionais.
No entanto, os investimentos chineses na produção brasileira cresceram nos últimos anos — uma expansão que Brasília deseja manter.
As políticas econômicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que incluíram pressionar os governos latino-americanos a restringir os laços com a China, provavelmente estão levando Pequim a firmar novos acordos comerciais na região, disse Ignacio Bartesaghi, especialista em política externa da Universidade Católica do Uruguai.
“Há uma nova dinâmica na região no que diz respeito ao comércio, impulsionada principalmente por Trump”, disse Bartesaghi. “Ideias que antes pareciam totalmente paralisadas agora podem avançar”, acrescentou.
A governança do Mercosul
No entanto, qualquer acordo do Mercosul exige o consenso de todos os seus membros, o que levantaria uma série de desafios significativos.
O Paraguai é um dos apenas 12 países em todo o mundo que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, reivindicada pela China, um fator que complica — embora não necessariamente exclua — qualquer acordo com Pequim, disseram as autoridades brasileiras.
O Paraguai importou mercadorias da China no valor de US$6,12 bilhões em 2025 e foi incluído nas discussões entre o Mercosul e a China, sinalizando que o diálogo continua possível. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse que não se opõe a um pacto entre o Mercosul e a China, desde que o direito do Paraguai de manter relações diplomáticas com Taiwan seja respeitado.
“Se existe hoje um bloco que pode negociar com qualquer país ou bloco, esse bloco é o Mercosul”, disse Peña em uma entrevista concedida em julho à mídia argentina.
A Argentina, terceira maior economia da América Latina, também pode dificultar o consenso. O país se aproximou de Washington sob o governo do presidente Javier Milei, que assumiu o cargo em 2023. Milei priorizou o fortalecimento das relações com os EUA, incluindo um acordo de swap cambial de US$20 bilhões com o Tesouro norte-americano.
A China continua sendo um credor importante e um grande comprador das exportações agrícolas da Argentina. Mas Buenos Aires pode relutar em apoiar as negociações lideradas pela China dentro do Mercosul, pelo menos no curto prazo, disseram especialistas como Bartesaghi, especialmente se tais negociações puderem prejudicar os esforços de Milei para garantir o apoio dos EUA às reformas econômicas e ao financiamento.
O Ministério das Relações Exteriores da Argentina disse que não comentaria “hipóteses” quando questionado pela Reuters sobre as negociações entre o Mercosul e a China.
“A Argentina mantém relações cordiais com a China — elas apenas não são muito visíveis”, disse Florencia Rubiolo, diretora do think tank argentino Insight 21.
Elevar os laços por meio de um acordo em todo o Mercosul tornaria essa relação mais clara, disse ela.
“Se se trata de gestos diplomáticos, parece improvável que o governo apoie tal acordo”, acrescentou.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
O quarto trimestre de 2024 foi particularmente difícil para a economia brasileira. Diante da fuga de capitais do País, o real desvalorizou mais de 10% em menos de dois meses, o Banco Central vendeu US$ 30 bilhões das reservas e decidiu aumentar a Selic em 1,0 ponto de porcentagem na reunião de dezembro de 2024.
Ao mesmo tempo, anunciou que iria repetir a dose nas duas reuniões seguintes, perfazendo um aumento de 3,0 pontos de porcentagem. Para evitar o risco de uma volta da crise cambial, o Copom decidiu implementar mais dois aumentos e encerrar o processo com a Selic em 15,0% ao ano.
Com a posse do presidente Donald Trump em janeiro de 2025, a Casa Branca surpreendeu analistas, economistas, investidores e o mundo. O novo governo americano implementou unilateralmente tarifas generalizadas para todos os países, a serem negociadas caso a caso.
Ao mesmo tempo, passou a utilizar o valor e a extensão das tarifas como arma para atingir objetivos econômicos e não econômicos. Segundo Trump, o objetivo seria proteger a indústria americana da competição desleal de países com tarifas mais elevadas e, dessa forma, reindustrializar os Estados Unidos.
Não apenas o nível médio das tarifas aumentou significativamente, mas mudou também a estrutura das tarifas e do comércio internacional de forma não previsível — e, no curto prazo, o fluxo de capitais em direção a ativos reais, como ouro e prata, e a países emergentes exportadores de commodities, gerou forte instabilidade, incerteza e a valorização das moedas desses países, inclusive o real.
Nesse contexto, a combinação da manutenção da taxa de juros bastante elevada, valorização do real — que saiu de R$ 6,30 para R$ 5,30 por dólar ao longo de 2025 —, deflação na China e boas safras agrícolas teve como resultado a redução da taxa de inflação, principalmente de alimentos e produtos industriais.
Ao mesmo tempo, a implementação de uma política fiscal expansionista, com déficit primário de -0,43% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e aumento de quatro pontos porcentuais da relação dívida pública/PIB, fez com que o mercado de trabalho continuasse apertado e a inflação de serviços ficasse próxima a 6,0% ao ano, incompatível com a meta de 3,0% ao ano, dificultando o início da redução da taxa de juros ao longo de 2025.
Apesar do cenário internacional bastante positivo, o Banco Central manteve a taxa de juros em 15,0% ao ano pelo menos até março de 2025, ao custo de R$ 1,063 trilhão com o pagamento de juros da dívida em 2025, quase 10% do PIB. Dançando à beira do abismo.
Globo Online - RJ 09/02/2026
O ministério da Fazenda estima que as surpresas positivas do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos últimos três anos adicionaram R$ 460,7 bilhões à arrecadação federal. Apesar de a metodologia não estar detalhada, o cálculo apresentado no Boletim MacroFiscal 2025 e Perspectivas 2026, divulgado hoje compara o resultado efetivo com o que estava sendo projetado pelo mercado financeiro.
“No início de 2023 as expectativas de mercado apontavam para taxas de crescimento nominal do PIB para os anos subsequentes consideravelmente inferiores àquelas que foram registradas, prevendo que o crescimento nominal do PIB seria, em média, de 4,7% a.a. entre 2023 e 2025”, diz o documento, apontando que esse desempenho na média foi bem maior, 3,6 pontos porcentuais ao ano acima do previsto.
O pico de receita adicional por esse efeito foi em 2024, com R$ 164,4 bilhões de surpresa arrecadatória.
Os dados reforçam a mensagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a necessidade de crescimento econômico significativo para viabilizar o ajuste fiscal. Desde o início do governo, o principal foco da estratégia para recuperar os resultados primários (receitas menos despesas, sem os juros) é o lado da arrecadação.
Já desde o segundo semestre do ano passado, o sinal amarelo foi aceso na equipe econômica por conta da desaceleração do ritmo da economia. Não à toa, Haddad nesta sexta-feira disse, ao comentar sobre a necessidade de redução de juros, destacou que a política monetária está em um "patamar que pode comprometer, inclusive, o trabalho fiscal, porque a partir do momento que a economia começar a desacelerar demais, você vai ter um rebatimento na política fiscal”.
O documento da Fazenda também calcula o impacto adicional nas receitas das medidas tomadas ao longo dos últimos anos. “Estima-se, ainda, que medidas de correção de distorções e de promoção da progressividade tributária, implementadas desde 2023, responderão por impacto positivo nas receitas federais de R$ 481,4 bilhões até final de 2026”, diz o texto.
Foram listadas iniciativas como a tributação de estruturas mantidas no exterior (offshores) e fundos exclusivos, alta do IOF incidentes sobre operações financeiras, homogeneização da tributação entre instituições financeiras fornecedoras de produtos similares, taxação das bets, redução de benefícios tributários, finalização do Perse, reoneração progressiva da folha de pagamentos e à instituição do adicional de CSLL visando garantir uma tributação mínima para multinacionais, entre outras.
O time de Haddad ressalta que o governo tem sido bem-sucedido em recuperar a arrecadação para mais perto de 19% do PIB, o que, se for atingido, eliminaria os déficits primários recorrentes. No ano passado, o nível da receita ficou em 18,3% e para este ano a projeção é de 18,7% do PIB, enquanto a despesa ainda está rondando os 19% do PIB.
O que está claro é que a estratégia, ainda que tenha reduzido os déficits primários, mostra-se muito gradualista para a necessidade de estabilização da dívida. E pode perder fôlego se a economia começar a apresentar surpresas negativas, um risco que não pode ser desprezado com uma taxa de juros tão elevada - mesmo com medidas de impulso, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/02/2026
O vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Philip Jefferson, afirmou nesta sexta-feira, 6, que o nível atual da taxa de juros nos Estados Unidos “pode sustentar o mercado de trabalho enquanto a inflação tende a diminuir”, reforçando a avaliação de que a política monetária está calibrada para equilibrar os dois objetivos do banco central.
Durante a sessão de perguntas e respostas após discurso na Brookings Institution, Jefferson disse não querer observar “nenhum enfraquecimento adicional no mercado de trabalho”, ao reconhecer que “a criação de empregos tem sido mais fraca do que gostaríamos” nos últimos meses.
Segundo ele, a moderação no ritmo de geração de vagas reflete tanto fatores de demanda quanto restrições do lado da oferta.
O dirigente explicou que parte da desaceleração do mercado de trabalho decorre do menor crescimento da força de trabalho, associado à redução da imigração. Além disso, Jefferson chamou atenção para a composição da criação de empregos, observando que, embora os números agregados tenham arrefecido, o desempenho do setor privado difere do observado no setor público, o que ajuda a explicar a perda de fôlego recente nos dados gerais.
Jefferson afirmou ainda que atrasos na divulgação de indicadores econômicos, provocados pelo recente shutdown do governo federal, “não nos impedem de realizar nosso trabalho”, ressaltando que o Fed dispõe de um conjunto amplo de informações alternativas, como as agrupadas pelos próprios Estados, para avaliar as condições econômicas.
No campo dos preços, o vice-presidente da autoridade monetária americana reiterou que as expectativas seguem bem ancoradas, o que, em sua avaliação, “sugere que o Fed ainda tem credibilidade em relação à sua meta de inflação”.
Ele acrescentou que, uma vez que “o impacto das tarifas sobre bens se propague completamente”, a inflação cheia “deve arrefecer”, reforçando a leitura de que o choque inflacionário ligado a tarifas tende a ser temporário.
Segundo Jefferson, esse conjunto de fatores permite ao Fed manter uma postura que apoie o mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que acompanha a continuidade do processo de desinflação.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE) aumentou marginalmente a sua projeção para a inflação de 2026, de 3,5% para “cerca de” 3,6% - acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%. Porém, o alívio frente a 2025, quando o IPCA teve alta de 4,26%, deve possibilitar uma redução na taxa Selic, segundo indica o órgão na publicação Balanço Macrofiscal 2025 e Perspectivas 2026.
“A expectativa é de estabilidade no ritmo de crescimento e de continuidade da desinflação, possibilitando redução nos juros básicos”, diz relatório de projeções divulgado nesta sexta-feira, 6, pela SPE, comandada por Guilherme Mello - um dos nomes sugeridos pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para a diretoria do Banco Central.
Segundo a secretaria, o alívio esperado no ritmo de alta dos preços este ano reflete o excesso da oferta global de bens e combustíveis, além dos efeitos defasados da política monetária e do enfraquecimento recente do dólar. Esses impactos devem afetar principalmente a inflação de serviços e bens industriais.
A SPE diz esperar, no entanto, “pressões moderadas” para os preços de alimentos ao longo de 2026. Eventos climáticos podem afetar os preços de alimentos in natura. A carne bovina deve ter menor oferta, por causa da retenção de fêmeas no Brasil e Estados Unidos. E há perspectiva de menor produção de alguns semielaborados (arroz, trigo e derivados) e produtos in natura (tomate e batata).
Crescimento do PIB
A SPE também mexeu nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2025, subiu de 2,2% para 2,3%. Já a estimativa para o PIB de 2026 foi reduzida de elevação de 2,4% para 2,3%.
“No início do ano, a mediana das projeções de mercado apontava expansão de 2% para o PIB, estimativa que foi sendo revisada para cima até atingir 2,3% em dezembro. A surpresa positiva, no ano, refletiu principalmente o desempenho melhor que o esperado de atividades menos sensíveis ao ciclo como a agropecuária e a produção extrativa”, escreve a SPE.
No caso deste ano, a Fazenda revisou a previsão de crescimento para baixo contando com uma desaceleração mais forte que a esperada da atividade projetada para o fim de 2025, causando efeitos em 2026.
“Antes da divulgação do PIB do terceiro trimestre de 2025, o crescimento esperado para 2026 era de 2,4%, mas a desaceleração mais pronunciada da atividade projetada para o segundo semestre de 2025, reduzindo o carregamento estatístico para 2026, motivou a revisão para baixo”, explica.
A publicação traz ainda o crescimento esperado para alguns setores da economia:
Setor agropecuário - crescimento de 0,5%;Indústria - crescimento de 2,3%;Serviços - crescimento de 2,4%.
A maior diferença é no caso do agro, cuja expectativa de crescimento para 2025 é de 11,3%, caindo para 0,5% projetada para 2026. A explicação é uma safra menor.
“Apesar da expectativa ser de nova colheita recorde de soja e de expansão na produção de café e cana-de-açúcar, projeta-se menor produção de milho e arroz, além de menor contribuição do abate de bovinos, refletindo a maior retenção de fêmeas, para a atividade desse setor”, escreve a SPE.
Déficit nas contas
A SPE também estima que o déficit primário médio de 2023 a 2026 seja de 0,81% do PIB, o que seria o menor valor desde 2011-2014. “Esse resultado decorre da combinação de medidas que, por um lado, priorizam a recomposição da base arrecadatória e, por outro, visam à melhoria do gasto público”, diz o estudo.
Segundo a SPE, essa mudança é por conta de uma busca por maior eficiência e controle de despesas, sem comprometer ganhos sociais perseguidos pelo mandato de 2023 a 2026.
Sobre 2025, a SPE diz que o ajuste fiscal empreendido nos últimos anos “pode ser notado pela trajetória de convergência dos resultados para o equilíbrio orçamentário” mesmo com o déficit do ano passado tendo sido pior que o de 2024, quando ambas metas miravam o déficit zero.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/02/2026
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse, nesta sexta-feira, 6, que a gestão da política econômica manteve inflação baixa mesmo com crescimento e mercado de trabalho aquecido.
Segundo ele, a política econômica é uma atuação em conjunto da política fiscal, monetária, de crédito e outras.
“A gestão da política econômica como um todo, não só da política fiscal, da política monetária, da política de crédito, da política de rendas e transferência, essa gestão conjunta da política econômica tem gerado um resultado que, como eu disse, para muitos era impensável e está aqui acontecendo”, afirmou.
De acordo com a publicação “Balanço Macrofiscal 2025 e perspectivas 2026” divulgada nesta sexta, o mandato de 2023 até 2025 tem números recordes de desemprego, renda familiar e inflação.
Valor - SP 09/02/2026
Contratos futuros com vencimento em maio, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 109,61
O minério de ferro acumulou queda de quase 4% nesta semana, em meio a um movimento de venda generalizada de metais.
Os contratos futuros do minério de ferro com vencimento em maio, os mais negociados, tiveram queda de 1,23% na Bolsa de Dalian, na China, cotados a 760,50 yuans (US$ 109,61).
Há uma liquidação generalizada de metais industriais, além de fundamentos fracos, dizem analistas da ANZ Research em nota.
Os estoques nos portos chineses têm aumentado nas últimas semanas, à medida que o setor entra em uma desaceleração sazonal em torno do Ano Novo Lunar, enquanto os embarques da Austrália, incluindo de Port Hedland, também aumentaram esta semana, acrescenta a ANZ.
Revista Mineração - SP 09/02/2026
A mineradora Vale iniciou ações emergenciais nas áreas atingidas pelos extravasamentos de água com sedimentos registrados nas minas de Ouro Preto e Congonhas, na Região Central de Minas Gerais.
As intervenções ocorrem após determinação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) e envolvem medidas para conter impactos ambientais e recuperar áreas afetadas pelos eventos.
Os episódios que motivaram a intervenção foram registrados em 25 de janeiro de 2026, quando volumes significativos de água misturada a sedimentos escaparam de duas estruturas operacionais da Vale:
Na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, o extravasamento fez com que cerca de 262 mil metros cúbicos de água com sedimentos fossem liberados, seguindo por cursos d’água da região. Na Mina de Viga, em Congonhas, outro volume considerável de água com sedimentos foi registrado, atingindo áreas de drenagem e estruturas ambientais locais.
Em ambos os casos, a empresa afirma que não houve vítimas e que as situações não envolvem barragens de rejeitos, como aquelas sujeitas a monitoramento mais rígido — um ponto reiterado pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
Medidas emergenciais e prazos
Segundo a Semad, a Vale cumpriu o prazo de 48 horas para apresentar e iniciar ações técnicas nas áreas impactadas, incluindo:
Contenção do carreamento de sedimentos em cursos d’água e estruturas de drenagem; Desassoreamento de trechos críticos; Monitoramento ambiental contínuo nas regiões atingidas.
As autoridades agora analisam os relatórios técnicos enviados pela mineradora para avaliar os efeitos e a eficácia das ações emergenciais implementadas.
Sanções e exigências governamentais
O Governo de Minas aplicou multas à Vale, totalizando aproximadamente R$ 3,3 milhões, em face da reincidência pelos danos ambientais e falhas na comunicação dos eventos às autoridades competentes, além de suspender temporariamente as operações nas duas minas até que as condições ambientais sejam regularizadas.
Além disso, órgãos estaduais e federais, incluindo o Ministério Público de Minas Gerais, solicitaram medidas judiciais de bloqueio patrimonial que, somadas, podem ultrapassar R$ 2 bilhões, como parte de instrumentos legais para assegurar investimentos em reparação e mitigação dos impactos.
Resposta da comunidade e associações
Entidades representativas de municípios mineradores, como a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), cobraram da Vale transparência, responsabilização e detalhamento dos planos de ação preventiva e de reparação ambiental, destacando a necessidade de maior clareza sobre as causas técnicas dos extravasamentos.
Impactos ambientais e monitoramento
As autoridades ambientais identificaram alterações na turbidez de cursos d’água da região, incluindo afluentes do rio Maranhão, que deságua no rio Paraopeba, área sensível do ponto de vista ambiental. Equipamentos de monitoramento e equipes técnicas continuam avaliando a qualidade da água e os efeitos sobre o ecossistema local.
Ipesi - SP 09/02/2026
A indústria de máquinas e equipamentos prevê investir R$ 10.071.466 mil em 2026, 5,5% a mais que os R$ 9.550.396 mil realizados em 2025 segundo pesquisa feita pela Abimaq.
As micro e pequenas empresas vão investir R$ 2.427.943 mil, com queda de 1,3% em relação ao realizado em 2025 (R$ 2.459.040 mil).
As empresas de médio porte vão investir R$ 3.417.105 mil, 13,2% a mais que os R$ 3.018.219 realizados em 2025. Já as grandes empresas vão investir R$ 4.136.495 mil, 1,6% a mais que os R$ 4.073.137 mil realizados em 2025.
Dos recursos a serem investidos ao longo desse ano, 36,4% serão destinados à modernização tecnológica; 34,4% à ampliação da capacidade industrial; 22,6% à reposição de máquinas depreciadas; e 6,7% a outras finalidades.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
O mercado de caminhões fechou o ano passado em queda, com a indústria agarrada à possibilidade de que, em 2026, o cenário fosse diferente. As projeções, no entanto, mostram que o ano corrente deve espelhar o desempenho anterior. Mas há esperanças, como veremos a seguir.
Antes, vamos aos números. A Anfavea, associação que representa as montadoras com operação no país, sugeriu em janeiro que as vendas de pesados este ano serão 0,5% menores do que as registradas no ano passado. Já a Fenabrave, entidade que reúne os distribuidores, antevê um cenário mais drástico: queda de 7%.
Ambas as organizações creditam o recuo à manutenção do consumo desaquecido, reflexo direto do baixo apetite de compra causado pelo atual patamar de juros. Por outro lado, os principais players do setor de veículos comerciais apontam que, apesar disso, há luz no fim do túnel. Três luzes, aliás.
1 - O impacto da taxa de juros
O primeiro “farol” refere-se à redução da própria taxa de juros. Igor Calvet, presidente da Anfavea, explicou em janeiro que, se o corte ocorrer ainda no primeiro trimestre, há grandes chances de os efeitos refletirem no mercado nos últimos três meses, tornando o financiamento de caminhões mais atrativo.
Mas vale o lembrete: isso depende da redução se concretizar logo no início de 2026. “Se a taxa cair agora, o mercado só vai perceber os efeitos lá na frente, no final do ano. A redução não gera um impacto imediato”, afirmou Calvet no início do ano.
2 - Safra recorde e demanda reprimida
O segundo alento ao setor é a expectativa de uma safra de grãos recorde, o que historicamente impulsiona a demanda por veículos pesados para o transporte de cargas do agronegócio.
“Existe uma demanda reprimida por renovação de frota que pode se acentuar em 2026 caso a safra se confirme. O frotista está operando com caminhões depreciados à espera de um cenário melhor. Pode chegar um momento em que não haja mais margem para postergar a compra de modelos novos", analisa David Wong, da consultoria Alvarez & Marsal.
3 - O “Efeito Fenatran”
Por fim, o final do ano reserva a Fenatran, o maior evento de veículos pesados da América Latina. A feira é o grande motor de vendas do setor, pois os negócios são fechados diretamente nos estandes das montadoras, que aproveitam o fluxo de clientes para oferecer condições especiais e promoções.
Na última edição, realizada em 2024, os negócios fechados no pavilhão do São Paulo Expo movimentaram R$ 15 bilhões, superando significativamente os R$ 9,5 bilhões da edição anterior.
Valor - SP 09/02/2026
Programa governamental completou um mês neste domingo (8), com créditos no total de R$ 1,9 bilhão
Lançado no início deste ano para facilitar a compra de caminhões novos e usados em um ambiente de juros elevados, o programa Move Brasil completou um mês neste domingo (8) com 1,7 milhão de operações e créditos no total de R$ 1,9 bilhão. Os dados foram anunciados pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante visita a uma concessionária da Scania em Guarulhos (SP).
“Qual foi o problema do final do ano? É taxa de juros. Porque, normalmente, bem de uso durável, eu financio. É difícil comprar à vista, eu financio. Então, se o financiamento está muito alto, diminui a compra”, disse Alckmin.
Os juros do Fundo de Financiamento de Máquinas e Equipamentos Industriais (Finame) estavam em 22%, 23%, comentou. Com o Move Brasil, recuaram para 13%. Além disso, indústria e concessionárias entraram com descontos. “Está escrito ali, 0,99% ao mês”, frisou. “Vai vender.”
O ministro acrescentou que a aprovação do marco de garantias ajudou a reduzir o custo de financiamento.
No total, o programa disponibiliza R$ 10 bilhões. Os recursos são do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A linha beneficia empresas, motoristas cooperativados e caminhoneiros autônomos. Esses últimos contrataram R$ 44 milhões em créditos no primeiro mês do programa. Os veículos financiados precisam ser fabricados no Brasil e atender a critérios de sustentabilidade e de conteúdo local.
Segundo Alckmin, é preciso fortalecer a logística de transportes. No ano passado, disse, o Brasil bateu recorde de exportações e recorde de importações. A circulação de mercadorias deve aumentar com o crescimento da safra agrícola e pela entrada em vigor de novos acordos comerciais.
Ele citou que o Mercosul fechou acordos com Singapura, a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta, na sigla em inglês, formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) e, mais recentemente, com a União Europeia, “o maior acordo entre blocos do mundo”, que abarca 720 milhões de pessoas e países que movimentam US$ 22 trilhões.
O acordo com a Europa foi alvo de questionamento jurídico pelo Parlamento Europeu, o que pode consumir um ano de discussões. “Não tem importância”, disse. Ele explicou que o entendimento pode entrar em vigência provisória depois de ser internalizado pelo Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já encaminhou o acordo para o Congresso Nacional e a expectativa é que seja votado em fevereiro ou início de março.
“Então, o comércio exterior vai crescer”, insistiu. Além desses acordos, o Brasil negocia aumento das margens de preferência no comércio com o México e com a Índia, um mercado de 1,4 bilhão de pessoas.
Na visita à concessionária, Alckmin foi acompanhado pelo CEO da Scania para a América Latina, Christopher Podgorski, que elogiou a formatação do Move Brasil por sua capacidade de alcançar todos os elos da cadeia de valor do transporte de mercadorias.
“O programa coloca o patamar de juros do custo financeiro num nível abaixo de 1% ao mês”, acrescentou, segundo nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). “Isso acaba tornando o negócio viável, com todos os ganhos que se tem com a renovação de um produto: a redução do custo de manutenção, a eficiência energética utilizada.”
Valor - SP 09/02/2026
Exportações de autoveículos, mostram os dados, somaram 25,9 mil unidades em janeiro deste ano
As vendas de veículos ficaram estáveis no país em janeiro de 2026, mas as exportações tiveram queda de quase 20% e a produção, de mais de 10%. O resultado é influenciado por baixas nos embarques para a Argentina e pela alta base de comparação da produção em 2025, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
De acordo com o balanço da entidade, divulgado hoje (6), foram 170,5 mil autoveículos, categoria que engloba automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, licenciados em janeiro, queda de 0,4% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Já as exportações de autoveículos, mostram os dados, somaram 25,9 mil unidades em janeiro deste ano, queda de 18,3% na comparação com janeiro de 2025. E a produção, somou 159,6 mil autoveículos em janeiro, queda de 12% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
“A produção é um número menor, mas janeiro de 2025 foi atípico na média de produção de autoveículos”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet, na coletiva que apresentou os resultados de janeiro. “Essa é uma queda que também deveu-se muito ao fato de que nossas associadas têm dado férias coletivas, algumas voltaram na terceira semana de janeiro. Ou seja, tivemos um mês comprimido do ponto de vista da produção.”
Alta dos eletrificados
Os veículos eletrificados, segundo a Anfavea, responderam por 16,8% dos emplacamentos de janeiro e dentro dos eletrificados, 35% foram veículos híbridos produzidos no Brasil. A entidade diz que as duas proporções são recordes.
“É um resultado fruto dos investimentos que todas nossas associadas têm feito no país”, disse Calvet. Segundo ele, o número indica “trajetória de crescimento ao longo de 2026”.
Queda nos pesados
A abertura dos dados de emplacamento de janeiro mostra que os automóveis, com 125,2 mil unidades, e os comerciais leves, com 37,7 mil, tiveram altas de 1,4% e 3%, respectivamente, o que ajudou na estabilidade de janeiro.
Contudo, os veículos pesados apresentaram grande retração. O levantamento mostra que os licenciamentos de caminhões, com 6,4 mil unidades, e de ônibus, com 1,1 mil, tiveram quedas de 31,5% e 33,9%, respectivamente.
“Esse número é a justificativa daquilo que a gente vinha defendendo, que é um programa para desfibrilar o mercado”, afirmou o presidente.
O setor está otimista com o lançamento do programa Move Brasil, que, como mostrou o Valor, aprovou em um mês R$ 1,3 bilhão em financiamento para renovação de frota. Segundo a Anfavea, o programa deve aumentar o emplacamento de caminhões nos próximos meses.
Mercado externo
Segundo a Anfavea, a Argentina foi o principal destino de exportações em janeiro, tendo recebido 15,6 mil autoveículos, queda de 27,1%. Em segundo lugar, aparece o México, com 2,2 mil, alta de 152,9%, seguido da Colômbia, com 2,1 mil, alta de 50,5%.
Segundo Calvet, a queda nas exportações totais em janeiro não foi maior por conta das altas nos embarques para México e para Colômbia, “apesar desses países virem de uma base baixa”. Sobre a queda na Argentina, diz ele, o arrefecimento é natural, mas fatores econômicos e o aumento da entrada de importados naquele país também podem ter influenciado o resultado.
Em quarto lugar como destino de exportações do Brasil está o Uruguai, que recebeu 1,1 mil autoveículos em janeiro, queda de 63,5%, seguido pelo Chile, com 1,6 mil veículos, alta de 8,9%.
“Durante o ano de 2026 a estratégia de acessar e fortalecer esses mercados com quem temos trocar comerciais importantes vai ser fundamental. Ou seja, trabalhar muito forte com Argentina, Uruguai, México e Colômbia”, disse o presidente da Anfavea.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 09/02/2026
A indústria automotiva brasileira, especialmente o segmento de caminhões, iniciou um movimento de revisão de práticas tradicionais de gestão para preservar capital de giro em um ambiente de juros elevados.
Um dos principais focos está nos estoques de peças e componentes, historicamente mantidos em níveis elevados para garantir produção contínua e atendimento ao pós-venda, mas que agora passam a ser recalculados à luz de critérios financeiros mais rigorosos.
Estudos conduzidos pela Mirow & Co. em montadoras de veículos leves e pesados indicam que até 20% dos volumes estocados podem ser eliminados sem comprometer a operação industrial ou a assistência ao mercado.
O redesenho, segundo a consultoria, libera recursos relevantes em um momento em que o custo do dinheiro pressiona margens e decisões de investimento.
“Historicamente, as montadoras mantêm estoques com cobertura acima do necessário para atender às demandas de produção e pós-vendas, visando evitar o desabastecimento do mercado e impactos na marca, além de atrasos na fábrica. A mentalidade sempre foi de ‘não pode faltar’, então as montadoras carregavam nos estoques”, afirma Elmar Gans, sócio da Mirow & Co.
Cultura da abundância sob pressão financeira - A prática de manter estoques elevados também foi moldada por exigências legais e pela jurisprudência associada ao Código de Defesa do Consumidor, que obriga fabricantes e importadores a assegurarem a oferta de peças mesmo após o fim da produção dos modelos, o que, ao longo dos anos, ajudou a consolidar a lógica da abundância como uma espécie de seguro operacional e reputacional.
“Prevalecia a cultura do ‘melhor sobrar do que faltar’. O fornecedor logístico pouco era questionado caso peças excessivas ficassem obsoletas, mas levava a culpa quando a falta de componentes colocava a produção em risco. Ou seja, o estoque nunca foi um problema, mas agora, devido aos juros, passou a ser cobrado”, complementa Gans.
Segundo o executivo, a normalização das cadeias após o choque de abastecimento do período pandêmico, combinada ao aperto monetário, criou as condições para uma revisão mais profunda da eficiência na cadeia de suprimentos - uma das áreas de maior concentração de capital na indústria automotiva, incluindo o setor de caminhões.
Dados redefinem a gestão de peças - A mudança, contudo, não se resume a cortes lineares. A análise estratégica de dados permite identificar excessos pontuais em determinadas famílias de peças, preservando níveis de serviço e estabilidade da produção.
“Não se trata de um simples corte, mas de uma mudança de viés nessa gestão. Há estoques com R$ 400 milhões em reposição que podem continuar entregando os mesmos resultados operando com R$ 70 milhões a menos. Esses recursos podem ser redirecionados a outros projetos, em um momento em que tomar dinheiro emprestado está mais caro e a indústria inicia programas relevantes de investimento em novas tecnologias”, diz Gans.
Nos caminhões, o impacto é mais sensível nas peças importadas, cujo prazo de entrega pode chegar a seis semanas, o que historicamente justificou níveis mais altos de estocagem. Já os componentes nacionais, que operam majoritariamente em sistemas just in time ou com lead times de três a cinco dias, exigem menos volume, embora concentrem parcela significativa do capital imobilizado.
Transição tecnológica entra no radar - Além da pressão financeira imediata, o redesenho dos estoques também considera a transição tecnológica da frota. A eletrificação e a coexistência, por um longo período, de caminhões a combustão, elétricos e híbridos ampliam a complexidade da gestão de peças e a necessidade de espaço físico.
“Com a eletrificação, haverá uma troca grande de modelos em circulação. Por muito tempo, as montadoras terão que armazenar peças de veículos a combustão ao lado das peças dos modelos elétricos e dos flex. Repensar volumes melhora o capital de giro e prepara melhor a operação para esse futuro”, afirma Gans.
Pátios cheios e vendas mais lentas - O cenário de juros elevados também afeta diretamente o mercado de caminhões novos. O encarecimento do crédito tem levado transportadores e grandes frotistas a postergar renovações, alongando a idade média dos veículos em operação. “Entre os pesados, a idade média das frotas passou de sete para oito anos”, observa o consultor.
Com a demanda mais contida, não apenas os estoques de peças, mas também os de veículos acabados passaram a pressionar a gestão das montadoras. A resposta tem sido o uso mais intensivo de dados para prever volumes e, sobretudo, o mix de vendas, priorizando a produção dos modelos com maior probabilidade de saída e reduzindo a ocupação de pátios em fábricas e concessionárias.
Segundo Gans, aliviar o custo de capital nessas frentes é essencial para preservar competitividade e capacidade de investimento do setor. A exceção permanece nos semicondutores, considerados estratégicos após as crises de abastecimento entre 2021 e 2022 e os episódios de instabilidade geopolítica em 2024.
“Ninguém vai questionar estoques mais conservadores nesse item. É um componente crítico para manter a operação rodando”, conclui.
Globo Online - RJ 09/02/2026
Os veículos eletrificados responderam por 16,8% dos emplacamentos em janeiro, o maior percentual da série histórica. Desse total, 35% correspondem a veículos híbridos produzidos no Brasil, também um recorde de participação. No ano passado, em janeiro, os emplacamentos de eletrificados correspondia a 10,3%. Foram emplacados 27 mil veículos eletrificados e 9,6 mil foram fabricados no Brasil. Os números foram divulgados nesta sexta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa a montadoras instaladas no país.
— Estamos falando em janeiro um duplo recorde. Isso significa que nossos investimentos em novas tecnologias e portfolio de produtos já começa a dar resultados — disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.
De acordo com levantamento da Bright Consulting, consultoria especializada no setor automobilístico, os carros mais vendidos em janeiro foram o BYD Dolphin Mini (2,8 mil unidades), o BYD Dolphin (15 mil) e o Geely EX2 (1,1 mil).
Os emplacamentos de importados caíram em janeiro passado, para 38 mil de 39 mil na comparação com o mesmo mês do ano passado. Mas os carros importados da China tiveram aumento nos emplacamentos, de 10,4 mil para 16,8 mil, também na comparação anual de janeiro.
Volta do imposto
Os carros chineses elétricos montados no Brasil através do sistema CKD, em que os veículos são importados totalmente desmontados (em peças) para serem montados no país de destino, voltaram a pagar imposto. O prazo de isenção de seis meses dado pelo governo federal terminou no último dia 31 de janeiro e não houve prorrogação. Assim, o regime de cotas com isenção (ou tarifas reduzidas) para importação de veículos foi encerrado.
O governo atendeu a um pedido da fabricante chinesa BYD, que iniciou a montagem local de seus veículos na fábrica de Camaçari, na Bahia, no ano passado. Com isso, esses veículos voltam a fazer parte do cronograma de elevação tarifária para carros elétricos e híbridos importados, que deve chegar à alíquota de 35% a partir de janeiro de 2027.
Calvet comemorou o fim do imposto e a não prorrogação dessa medida. Ele disse que isso vai estimular a produção nacional.
— Estamos no caminho de internalizar e sofisticar a nossa produção e gerar emprego aqui. Se em algum momento alguma montadora voltar a pleitear a volta de cotas, a Anfavea vai manter a mesma posição, que é em defesa da produção nacional — afirmou o presidente da Anfavea, observando que não tem notícia de novo pedido de isenção e que o percentual de veículos montados com CKDs ou SKDs no Brasil é muito pequeno.
Atualmente, a alíquota de importação atual (vigente desde julho de 2025) para carros elétricos (BEV) é de 25%. Para veículos híbridos (HEV), a taxa é de 30%, e para híbridos plug-in (PHEV), é de 28%.
Vendas e produção
No primeiro mês do ano, foram licenciados 170,5 mil veículos no país, leve queda de 0,4% em relação ao mesmo mês de 2025. Os automóveis, segmento de maior volume, registraram crescimento de 1,4% na comparação anual, enquanto os comerciais leves avançaram 3%.
Já as vendas de ônibus recuaram 33,9% em janeiro enquanto as de caminhões caíram 31,5%, na comparação anual. Para estimular o setor, o governo criou o programa Move Brasil e apenas um mês após o lançamento do programa, o BNDES aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos para renovação de frota. A Anfavea espera que as vendas de caminhões se recuperem nos próximos meses, como reflexo desse programa.
A produção totalizou 159,6 mil unidades em janeiro, queda de 12% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A Anfavea observa, enretanto, que janeiro de 2025 registrou um volume de produção elevado e atípico para o período, o maior dos últimos seis anos, ampliando a base de comparação.
No mercado externo, as exportações de automóveis registraram queda de 18,3% em relação a janeiro de 2025, influenciadas principalmente pela retração de 5% nos embarques para a Argentina.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
A cidade de São Paulo terá um recorde de entregas de prédios de escritórios nos próximos dois anos. O movimento marca a retomada do crescimento desse mercado após vários anos atrás de inquilinos para ocupar os imóveis que ficaram vagos durante a pandemia. Depois que os prédios disponíveis no mercado foram preenchidos, muitos empresários decidiram acelerar as obras e concluir os empreendimentos que ficaram “cozinhando” nesse período.
Até o ano que vem, a capital paulista terá 24 novos prédios corporativos de alto padrão, um recorde. Desse total, 18 serão entregues em 2026 e seis em 2027. Juntos, eles têm uma área bruta locável (ABL) de 497 mil m², o equivalente a 62 campos de futebol empilhados pela cidade. O montante também é quase seis vezes o total de entregas ocorridas em todo o ano de 2025, que ficou em 84 mil m². Os dados são da consultoria imobiliária JLL.
A explicação por trás desse entusiasmo tem a ver com a evolução das locações. No ano passado, o setor teve recorde de locações: foram 688 mil m², 32% a mais que no ano anterior. Se descontadas as áreas devolvidas, a absorção líquida do mercado foi de 347 mil m², também um recorde. Com isso, a área vaga caiu de 20,9% no fim de 2024 para 14,7% no fim de 2025. Esse é um nível que já representa equilíbrio do mercado para proprietários e inquilinos, isto é, não tem mais tanto imóvel sobrando, nem escassez de escritórios.
Movimento demorou a emplacar
“Na pandemia, muitas empresas devolveram seus escritórios. A partir de 2022, começou um movimento de volta, mas que demorou a emplacar. As empresas levaram um tempo para tomar a decisão de retornar ao presencial e a expandir seus negócios”, explica a diretora de Locações da JLL, Yara Matsuyama. “Mais recentemente, o ano de 2024 foi muito bom para as locações, bastante movimentado. Já 2025 foi bombástico! E para 2026, esperamos que seja muito positivo também.”
Essa retomada é fruto da combinação de três fatores, segundo a diretora da JLL: volta ao expediente presencial, crescimento das empresas e busca por eficiência, com muitas corporações buscando modernizar seus escritórios e reunir os times num só endereço.
Com o aumento da procura, o preço dos aluguéis também reagiu, após vários anos estagnado. O valor médio de locação aumentou 12,2% no último ano, um patamar bem acima dos principais indicadores de inflação do Brasil, como o IPCA, de 4,26% (inflação oficial), o IGP-M, negativo em 1% (geralmente usado nos contratos de aluguel) e o INCC, de 6,1% (inflação da construção).
Esses fatores explicam porque São Paulo terá essa safra recorde de 24 novos prédios até 2027. “Muita gente segurou as obras e adiou os projetos após a pandemia. Mas com a aceleração das locações, também vimos a aceleração das obras”, observa Yara. Com a demanda de inquilinos em alta e os preços de aluguel crescentes, esse é um bom momento para os empreendedores encerrarem as obras e inaugurarem seus prédios, complementa a diretora.
Alguns prédios já têm contratos de locação
Tanto que boa parte dos novos prédios já têm contratos de pré-locação. Em 2026, os 18 prédios que serão entregues totalizam 379 mil m², sendo que 89,2 mil m² já têm inquilinos, ou 23,6% deste total. Um exemplo disso é o Nubank, que acertou a locação da torre Cyrela Corporate, imóvel que a Cyrela está construindo na Rua Oscar Freire e que será um dos maiores prédios de escritórios da nova safra na capital paulista, com 48 mil m². Outro caso é o da Amazon, que locou todo o prédio Biosquare, em Pinheiros, que pertence a um fundo de investimento da Kinea. O imóvel também é um dos grandes, com 39,2 mil m².
Outros imóveis, entretanto, estão em busca de inquilinos. A Eztec, da família Zarzur, deve entregar nos próximos meses duas torres que compõe o empreendimento Esther Towers, cada uma com 45,4 mil m². A incorporadora postergou as obras nos últimos anos à espera de uma recuperação do mercado. Mais recentemente, disse que vinha negociando com alguns interessados, mas ainda sem um acordo sobre o valor do aluguel - que estaria mais baixo do que desejava.
Já a principal entrega do ano será o Alto das Nações, com 219 metros de altura e cerca de 39 andares, o que fará dele o prédio de escritórios mais alto da cidade. Em termos de área, são 98 mil m². A Votorantim é a principal proprietária do espaço e possivelmente levará ao menos uma parte das suas operações para lá, além de procurar também outros inquilinos.
Vacância
No caso do Alto das Nações e da Esther Towers, há um desafio por estarem localizado numa região em que a vacância ainda está bem mais alta que a média da cidade. Na Chácara Santo Antônio, os prédios ainda têm 33% de espaços vagos, segundo a JLL. Isso mostra que a recuperação do setor tem ocorrido, mas de forma desigual pela cidade. Já nos bairros mais concorridos, a vacância está bem baixa e já faltam escritórios, como ocorre na Avenida Paulista (vacância de 4,3%), JK (8,5%), Berrini (10,4%) e Faria Lima (13%), por exemplo.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
As construtoras e incorporadoras que têm a classe média como público-alvo enfrentam a tempestade perfeita: com o aumento na taxa de juros, o crédito imobiliário ficou mais caro para as empresas e também para o consumidor. Embora a demanda permaneça sólida, a parcela nem sempre cabe no bolso e, diante do encarecimento de projetos, os lançamentos imobiliários minguaram. Esse cenário pressiona as margens das incorporadoras nas duas pontas, levando-as ao endividamento, à redução de lançamentos e até mesmo a obras atrasadas.
Esse é o caso de empresas como a You,Inc e a Patriani. As companhias fazem apartamentos para a classe média, com preços na faixa de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, a depender da região e do projeto.
A You,Inc, além de estar envolvida na CPI do HIS (Habitação de Interesse Social), que investiga a venda de apartamentos populares a investidores, tem as contas no vermelho. De acordo com o último balanço, a companhia está com patrimônio líquido negativo, um indicador preocupante para o futuro dos negócios e para a credibilidade no mercado.
Diante do endividamento, a You,Inc vem se desfazendo de alguns ativos para se capitalizar. Em 13 de janeiro deste ano, a companhia formalizou ao mercado a venda de quatro empreendimentos, ficando apenas com pequenos porcentuais de cada um. São eles: “Conexão Barra Funda”, “Eleva Harmonia”, “MOMA Moema” e “Oscar Freire Unlimited By You, Inc”. A companhia ficou com 1% nos primeiros dois projetos, com 0,01% no de Moema e 0,05% no da Oscar Freire.
Nessa operação, a estimativa é de que a You,Inc levante entre R$ 92 milhões e R$ 97 milhões. “A venda de participação nesses quatro projetos é parte do plano de readequação da estrutura de capital da companhia. A operação permitiu a redução do endividamento da You, além de gerar liquidez”, afirma Mauricio Belo, chefe de operações (COO) na You,Inc.
Ele nega que o número de distratos continue em alta, apesar de reconhecer que a empresa teve problemas com isso em meados de 2025. “No meio do ano passado, com o processo de reestruturação que tivemos, o volume de distratos foi maior que o normal. Mas já foi normalizado, devido a reestruturação feita na companhia”, diz.
Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, outro componente da crise financeira da You,Inc foi a perda da janela de IPO com a alta da taxa de juros. Ao se preparar para a abertura de capital, a companhia acelerou o volume de lançamentos para demonstrar seu potencial de mercado e, ao não levantar capital no IPO, precisou lidar com o cenário que se impôs a partir de então.
Ao final de setembro de 2025, o patrimônio líquido da companhia estava negativo em R$ 89,9 milhões. A dívida, que atingiu R$ 998 milhões no primeiro trimestre 2025, caiu para R$ 629,2 milhões. No período de julho a setembro, o Ebitda atingiu R$ 10 milhões negativos, com uma margem de -7,8%.
A administração atribui isso ao aumento repentino dos custos de construção que prejudicou os lançamentos de 2021, além das altas taxas de juros. Porém, as vendas também caíram 71% na comparação anual, indo a R$ 124 milhões no terceiro trimestre de 2025.
Belo diz que o plano de recuperação envolve a compra de terrenos em parceria com a gestora de recursos Nova Milano. “A reversão do patrimônio líquido ocorrerá conforme andamento de obra e reconhecimento de resultado dos projetos lançados a partir de 2024, que têm resultado bastante positivo. Além disso, como parte do plano de recuperação da companhia, seguiremos lançando novos projetos através de uma joint venture com a Nova Milano Capital e realizaremos aumento de capital”, afirma.
Dos 19 canteiros de obras na cidade de São Paulo, 17 estão ativos e dois estão em processo de retomada. No Tribunal de Justiça de São Paulo, a You,Inc acumula 13 processos de atraso na entrega de imóveis em 2025, ante apenas um em 2024.
A You também tem reduzido suas despesas fazendo cortes de equipe. O gasto com pessoal caiu de R$ 14,8 milhões no terceiro trimestre de 2024 para R$ 9,7 milhões no terceiro trimestre de 2025. Porém, ao mesmo tempo, os gastos de remuneração da administração subiram de R$ 3,9 milhões para R$ 4,2 milhões.
Segundo Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, os casos de empresas endividadas são pontuais e não refletem uma crise no mercado imobiliário voltado à classe média. Para ele, a venda de empreendimentos para outras empresas é uma prática comum e as incorporadoras e construtoras têm diversas formas de lidar com cenários econômicos desafiadores, mesmo diante de uma taxa de juros elevada.
“Houve uma estabilização, com uma pequena queda nessa faixa de preço (de R$ 500 mil a R$ 2 milhões), ao longo do ano passado, mas em absoluto temos uma crise de vendas nesse setor. Estava vendendo muito e agora está vendendo um pouco menos, num patamar de vendas normal, ainda muito acima dos índices históricos”, afirma.
Wertheim estima que o mercado imobiliário em 2026 tem tendência de estabilidade, com crescimento mais forte no segmento econômico.
Patriani
Os primeiros sinais públicos da crise na Patriani começaram no final de 2025, quando operários de canteiros da construtora relataram atrasos nos pagamentos e demissões. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), alguns operários chegaram a ficar 60 dias sem receber.
“A empreiteira contratada pela Patriani não recebia e não conseguia repassar ao trabalhador. Tivemos de nos mobilizar para reivindicar esses pagamentos”, diz Antonio de Sousa Ramalho, presidente do sindicato. “Mas agora essa situação está resolvida. Todos os funcionários já foram pagos”, afirma.
Porém, não foram só os canteiros que sofreram o impacto. Até o momento, a incorporadora demitiu cerca de 400 dos 800 funcionários, impactando áreas como vendas, marketing e decoração. Segundo Valter Patriani, fundador da empresa, a companhia deve atingir cerca de 20% do tamanho que tinha, ao fim desse processo de reestruturação.
Focada no Grande ABC e em Campinas, a Patriani atingiu um VGV de R$ 1,7 bilhão em 2024. O número caiu para cerca de R$ 900 milhões em 2025, com o lançamento de oito empreendimentos. A crise na construtora é descrita pelo fundador como um “descompasso” gerado por fatores externos, como a covid-19, os juros altos e aumento nos preços dos materiais de construção.
“Enquanto os clientes pagavam os apartamentos com uma correção de cerca de 6% ao ano, a Patriani pagava aos bancos cerca de 22% para financiar as obras. Essa diferença ‘comeu’ a margem de lucro e intensificou a queima de caixa”, afirma. Para preservar a liquidez, algumas obras foram paralisadas por até 60 dias, priorizando o capital para os prédios que estavam em fase de acabamento.
Nos últimos anos, a Patriani buscou financiamento via CRI com a Kinea e o BTG Pactual. A Kinea estava exposta em dois fundos de papel, o KNHY11 e o KNUQ11. Com os problemas, a gestora tirou dinheiro investido na empresa. Em comunicado aos acionistas em dezembro, a Kinea disse que “após um amplo e profundo escrutínio”, optou pela desvinculação integral da Patriani.
Os projetos alavancados da Patriani pela Kinea foram vendidos para a construtora Tarjab, que se comprometeu a garantir a execução dessas obras. Entre os projetos que passaram para a Tarjab estão o Mistral Norte Sul (Campinas), o Splendor Jardim (Santo André) e o Epic Cambuí (Campinas). O Estadão procurou a Tarjab, mas a empresa não quis se posicionar sobre o tema.
Já o BTG tem exposição à Patriani por meio do seu hedge fund imobiliário BTHF11. Até o momento, o banco de investimentos não se posicionou sobre um possível desinvestimento da empresa. Procurados, BTG e Kinea não responderam até a publicação desta reportagem.
Ao final do processo de reestruturação, a Patriani planeja transferir a execução de 14 projetos para outras construtoras, mantendo sob sua gestão direta apenas seis. Quatro desses projetos já foram transferidos oficialmente e outros quatro estão em fase final de negociação. O objetivo é não prejudicar os clientes e investidores.
De acordo com a Patriani não há lançamento previsto para 2026 e o foco da companhia será na entrega dos prédios que já foram lançados em anos anteriores, além de quitar as dívidas bancárias. Depois disso, a empresa pretende mudar de rota e se voltar para o segmento de incorporação, passando a terceirizar totalmente o trabalho de construção dos seus projetos.
“Somos excelentes na criação de produtos, prospecção de clientes e no lançamento. A execução da obra foi a vilã, foi onde os custos fugiram do controle”, comenta. A Patriani deve retomar os lançamentos apenas em 2027, junto com uma incursão no segmento popular, via Minha Casa, Minha Vida, com a abertura de um novo negócio: a marca chamada Porta de Entrada.
Fundada em 2013, a Patriani atua em 13 cidades da região metropolitana de São Paulo e se destacou por lançar empreendimentos inovadores e com aparato tecnológico. “Tanto nos erros quanto nos acertos, não nos escondemos e preferimos manter um canal aberto e franco diante de problemas. É fundamental que o mercado saiba que o dono está no comando para atravessar essa crise”, afirma Valter Patriani.
Classe média sofre
De acordo com relatórios setoriais do Itaú BBA, as construtoras enfrentam um ano difícil em 2025 devido à elevação da taxa de juros e as empresas que resistiram a isso, como Cyrela, Moura Dubeux e Lavvi, o fizeram por força intrínseca, e não em razão do ambiente macroeconômico. Todas essas empresas mantêm foco no segmento de alto padrão e luxo.
Como maiores dificuldades enfrentadas pelas construtoras de imóveis para a classe média, os analistas apontam a queda de aplicações na poupança — que tem recursos usados para concessão de crédito para obras e financiamentos imobiliários para os consumidores) —, pressão de preços para manter as margens de lucro. Por outro lado, a demanda era sólida por parte dos consumidores.
A questão dos aportes na poupança afeta principalmente as empresas de menor porte, reduzindo sua capacidade de fazer novos lançamentos imobiliários. Nesse cenário, as empresas de alto padrão se deram melhor do que as voltadas à classe média.
“Hoje, o mercado de alto padrão parece competitivo diante do aumento dos estoques, enquanto o segmento de média renda apresenta oferta insuficiente — embora as restrições de acessibilidade possam começar novamente a influenciar a demanda. Como tal, acreditamos que a execução impecável, a diferenciação do produto e a diversificação serão fatores-chave para o desempenho no futuro”, diz o relatório.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/02/2026
A alta no custo da mão de obra acelerou a inflação da construção no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de janeiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira, 6. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) passou de um avanço de 0,21% em dezembro para uma elevação de 0,72% em janeiro.
Segundo Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), o INCC foi impulsionado “por reajustes salariais da mão de obra, associados à elevação do salário mínimo e às condições do mercado de trabalho, com destaque para Belo Horizonte”.
O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de uma alta de 0,14% em dezembro para uma elevação de 0,36% em janeiro. O custo dos Materiais e Equipamentos passou de um aumento de 0,15% em dezembro para elevação de 0,35% em janeiro, enquanto os Serviços saíram de alta de 0,14% para elevação de 0,49%.
Já o índice que representa o custo da Mão de Obra saiu de uma elevação de 0,29% em dezembro para uma alta de 1,22% em janeiro.
Revista Ferroviaria - RJ 09/02/2026
O governo brasileiro acertou a renovação antecipada por 30 anos da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que liga parte do Centro-Oeste e Nordeste aos portos do Sudeste, com a previsão de investimentos de cerca de R$ 40 bilhões por parte da concessionária VLI, disseram autoridades federais à Reuters.
O anúncio oficial, que deve acontecer na próxima semana, em um evento em Minas Gerais, indica investimentos superiores aos indicados pela VLI em seu site, que projetava R$ 24 bilhões em manutenção da linha férrea e aquisição de material rodante, além de outros R$ 5 bilhões em outorgas e compensações.
Foi feito o entendimento, está no TCU (Tribunal de Contas da União), vai ser renovada e vai significar o maior volume de investimento ferroviário do Brasil, individualmente. A FCA corta o estado de Minas Gerais inteiro, a renovação é muito importante, disse à Reuters o ministro dos Transportes, Renan Filho.
Procurada, a VLI não comentou o assunto imediatamente.
Um estudo citado no site da VLI aponta que os investimentos decorrentes da renovação antecipada poderiam elevar em quase 50% o volume de cargas pela ferrovia, que hoje transporta importantes produtos do agronegócio, como soja e fertilizantes, além de combustíveis e minérios.
De acordo com o secretário Nacional de Transporte Ferroviário do ministério, Leonardo Ribeiro, o valor total que será desembolsado pela VLI uma empresa que tem entre os acionistas a canadense Brookfield e a mineradora Vale será de R$ 40 bilhões em investimentos, além de R$ 1,7 bilhão em pagamentos diretos.
Esses pagamentos, segundo o secretário, incluem R$ 1 bilhão em uma conta vinculada, R$ 500 milhões em projetos e R$ 200 milhões para solução de conflitos urbanos.
Estamos inovando para manter os recursos de ferrovias no setor de ferrovias, disse à Reuters.
Dos R$ 40 bilhões de investimentos previstos, a metade será para melhoria das vias permanentes, R$ 8,5 bilhões em material rodante, como locomotivas, vagões de carga, além de investimentos adicionais na infraestrutura.
No acordo que foi negociado, há a previsão de devolução ao estado de 1.751 quilômetros trechos considerados antieconômicos da ferrovia, ficando com 5.469 km, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
É uma renovação antecipada bem diferente daquelas outras, com compromissos, com valorização do ativo público federal, disse Renan Filho, lembrando de outras renovações de concessionárias fechadas no governo Bolsonaro que tiveram investimentos elevados após um novo acordo na administração Lula.
Revista Ferroviaria - RJ 09/02/2026
A Ferrovia Transnordestina contará com dez terminais logísticos ao longo do traçado para ampliar a movimentação de cargas e integrar o transporte ferroviário à distribuição rodoviária no Nordeste. A estrutura incluirá nove terminais intermodais e um porto seco, com unidades previstas no Piauí, Pernambuco e Ceará, parte operada pela TLSA (Transnordestina Logística) e parte por investidores privados.
O primeiro terminal privado em construção é o de Iguatu (CE), com início de operação previsto para maio. O empreendimento deverá movimentar cerca de 20 mil toneladas mensais de grãos e farelo e oferecer serviços como transbordo, armazenagem e entrega final por caminhão, permitindo atender desde grandes embarcadores até pequenas empresas.
A operadora estima que a integração entre ferrovia e terminais reduza custos de frete e amplie o acesso ao transporte de carga. Além de Iguatu, estão previstos terminais em Eliseu Martins e Bela Vista do Piauí (PI), Trindade e Salgueiro (PE), Missão Velha, Quixadá e Maranguape (CE), além de um porto seco em Quixeramobim (CE) e conexão com o Porto do Pecém.
A ferrovia é voltada principalmente ao escoamento de grãos, fertilizantes, combustíveis e outras cargas industriais, ligando áreas produtoras do interior ao litoral e aos portos da região.
Jornal de Brasília - DF 09/02/2026
Nesta sexta-feira (6 de fevereiro), autoridades federais, estaduais e municipais participaram da cerimônia que marcou o início da construção da Ferrovia do Projeto Sucuriú (EF-A35), em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. O evento contou com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho; da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; do governador Eduardo Riedel; e do secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
A iniciativa, primeira short line implantada após o Novo Marco Regulatório das Ferrovias de dezembro de 2021, consistirá em um trecho de 47 quilômetros que ligará a futura fábrica da Arauco, na região de Inocência e Vale do Sucuriú, ao eixo ferroviário existente em Aparecida do Taboado, conectado à Malha Norte da Rumo. A partir daí, a produção será escoada até o Porto de Santos (SP), com destino a mercados internacionais como Estados Unidos, Europa e Ásia. A infraestrutura foi projetada para movimentar até 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, por meio de trens com até 100 vagões.
O investimento estimado varia entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,8 bilhões, incluindo locomotivas e vagões. As obras devem ser concluídas no segundo semestre de 2027. Durante a fase de construção, espera-se a geração de cerca de 14 mil empregos temporários, além de mil empregos diretos e 6 mil postos permanentes na operação.
O presidente da Arauco Brasil, Carlos Alberto Altimiras, destacou que a ferrovia é um pilar essencial do projeto da fábrica. O ministro Renan Filho enfatizou o avanço para o desenvolvimento regional e a reintegração de Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional, mencionando o leilão de revitalização da Malha Oeste. Simone Tebet ressaltou a importância econômica da região, maior produtora de celulose do mundo, e a contribuição para o PIB brasileiro e a balança comercial. O governador Eduardo Riedel projetou uma transformação para o estado nos próximos 10 anos.
O prefeito de Inocência, Antônio Ângelo, apontou os benefícios locais, como geração de trabalho e renda. O projeto integra ações para otimizar a logística no estado, principal exportador de celulose do Brasil, responsável por 35% das exportações nacionais em 2025, com quase 7 milhões de toneladas enviadas a 40 países e receita de US$ 3,11 bilhões, crescimento de 17% em relação a 2024.
Outras iniciativas recentes incluem o leilão da Rota da Celulose em maio de 2025, com R$ 10,1 bilhões em investimentos em rodovias; e a aprovação de R$ 1,05 bilhão pelo BNDES para uma ferrovia de 86,7 km da Eldorado Brasil Celulose em Três Lagoas. A ferrovia Sucuriú está inserida na Rota 4 Bioceânica de Capricórnio, do Programa Rotas de Integração Sul-Americana, focando no sul do Centro-Oeste e norte do Sul.
A Tribuna - SP 09/02/2026
A concessão do canal de acesso do Porto de Santos poderá envolver até R$ 23,453 bilhões em investimentos, ao longo de um contrato inicial de 25 anos, com possibilidade de aprofundamento do canal para 18 metros. Esse novo patamar do projeto foi detalhado pela diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Flávia Takafashi, em entrevista para A Tribuna.
Ela foi a relatora do processo na agência que aprovou nesta quinta-feira (5), em reunião ordinária da diretoria, a abertura de consulta e audiência públicas sobre o modelo de concessão do canal aquaviário do cais santista.
Essa deliberação era para ter ocorrido em dezembro do ano passado, mas Flávia retirou o projeto da pauta para analisar melhor os documentos. Agora, a diretora decidiu liberar o avanço das etapas participativas, cujas datas ainda serão definidas, permitindo o debate do projeto com a sociedade para recebimento de contribuições.
Segundo a relatora, o contrato prevê um conjunto amplo de obras e serviços ao longo do período de concessão. “Estamos falando de uma dragagem de aprofundamento para alcançar 16 metros, no primeiro momento, com sinalização náutica. E, depois, aprofundamento para 17 metros de profundidade”, explica a diretora, ressaltando que essa primeira fase envolve investimentos de R$ 688 milhões.
Além da dragagem de aprofundamento, estão previstos no contrato a instalação do Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego de Embarcações (VTMIS, na sigla em inglês), serviço de gestão ambiental, licença de operação, estudos para a colocação de uma guia corrente para diminuir a sedimentação nas praias e levantamentos para verificar a viabilidade de aprofundamento do canal para 18 metros.
“Estamos falando de um valor global de contrato de R$ 23,453 bilhões, com prazo inicial de 25 anos, podendo chegar com prorrogação a 70 anos. A gente está diante de uma modelagem que, embora precise de ajustes pontuais, tem de fato um poder de ter uma atratividade para conseguir a profundidade que o canal de acesso de Santos precisa”.
Para Flávia, o momento é de aperfeiçoar o modelo. “Agora é ir para a audiência pública. A área técnica da Antaq fez uma análise muito pormenorizada. Os ajustes poderão ser feitos a partir das contribuições. Mas o documento já consolida as métricas e possibilidades para alcançar 17 metros de profundidade e fazer estudos para chegar a 18 metros, que é importante para esse momento de crescimento do Porto de Santos”.
Estratégico
O projeto de concessão do canal de acesso ao Porto de Santos é considerado estratégico para a logística nacional. Os estudos chegaram à Antaq em agosto de 2025, mas passaram por reavaliações e ajustes técnicos antes de retornar à pauta para deliberação.
Com a autorização concedida agora, o processo regulatório volta a avançar. Após a consulta e a audiência públicas, as contribuições deverão embasar os ajustes finais do projeto antes do encaminhamento ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), etapas necessárias para a publicação do edital.
A manifestação da Antaq consolida, pela primeira vez, a possibilidade de o canal de acesso do Porto de Santos alcançar até 18 metros de profundidade – antes, a previsão máxima era 17 metros. Os investimentos previstos também aumentaram significativamente, porque se falava em concessão de R$ 6 bilhões.
Parte das mudanças veio de pedidos da Autoridade Portuária de Santos (APS). Tudo será analisado pelo MPor ao longo do debate público.
Outros locais
A proposta é diferenciar do modelo adotado no Porto de Paranaguá, no Paraná, cuja concessão foi realizada em outubro do ano passado e homologada em dezembro pelo MPor, tornando-se o primeiro canal de acesso do País repassado à iniciativa privada. Em Paranaguá, o projeto de melhorias do canal soma R$ 1,22 bilhão.
Entre as melhorias previstas estão o alargamento, a derrocagem e o aprofundamento, até que seja atingido o calado desejado. Ao final dos cinco primeiros anos de concessão, a concessionária deverá realizar o aprofundamento do canal para garantir um calado operacional — que é a distância entre o ponto mais profundo do navio e a superfície da água — de 15,5 metros.
Atualmente, o calado é de 13,3 metros. Santos deverá ficar em terceiro lugar, porque a privatização do canal do Porto de Itajaí (SC) já é analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A previsão é que a licitação de Santos seja feita no final deste ano.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões por um vazamento de fluido de perfuração ocorrido em 4 de janeiro, durante a exploração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas.
O órgão ambiental informou que “a autuação decorre da descarga de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa (mistura oleosa) no mar”, oriunda da instalação denominada Navio Sonda 42 (NS-42), que operava na região.
A Petrobras confirmou que recebeu a notificação do Ibama e que vai tomar “as providências cabíveis”. Diferentemente do Ibama, a petroleira sustenta que o material não traz danos ao meio ambiente.
“Reiteramos que o fluido é biodegradável, não persistente, não bioacumulável e não tóxico, conforme a Ficha de Dados de Segurança do produto. Atende a todos os parâmetros do órgão ambiental e não gera qualquer dano ao meio ambiente”, informou a Petrobras.
A partir da ciência do auto de infração, a Petrobras tem o prazo de 20 dias para efetuar o pagamento da multa ou apresentar defesa administrativa.
O Ibama também destacou que o fluido é uma mistura de produtos utilizados nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás.
A área afetada fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, na margem equatorial brasileira.
Multa do Ibama
A multa aplicada pelo Ibama tem como base a Lei nº 9.966, conhecida como Lei do Óleo, que proíbe o descarte de substâncias nocivas ou poluentes no mar. Com isso, o órgão ambiental entendeu que o fluido vazado oferece risco ao meio ambiente.
Em relação ao dano, para o órgão, o material apresenta risco médio tanto para a saúde humana quanto para o ambiente marinho. As causas do vazamento continuam sendo investigadas pelo Ibama.
Vazamento e repercussão
Na ocasião do vazamento, duas linhas auxiliares que ligam a sonda de perfuração ao poço foram afetadas.
Após o ocorrido, a Petrobras informou ter adotado medidas para conter o vazamento no mar. Mesmo assim, o caso levou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a suspender temporariamente as atividades da sonda usada na perfuração.
Pouco depois do acidente, organizações ambientalistas e entidades que representam povos indígenas e comunidades tradicionais entraram com ações na Justiça Federal do Amapá pedindo a paralisação imediata da exploração. Segundo as entidades, a região é considerada ambientalmente sensível e apresenta riscos elevados em caso de acidentes.
Cerca de um mês após o vazamento, a ANP autorizou a retomada da perfuração do poço Morpho. A liberação foi condicionada ao cumprimento de uma série de exigências de segurança e só passou a valer depois que a empresa comprovou que atendeu a todas as determinações da agência.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/02/2026
O setor energético brasileiro se consolidou em um novo patamar de relevância global ao encerrar 2025 com recordes históricos de produção de petróleo. Mais do que nunca, o Brasil está estrategicamente posicionado na vitrine dos grandes players mundiais.
Segundo dados consolidados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil fechou o último ano com uma média de produção de petróleo de 3,7 milhões de barris por dia (bpd). Tal patamar deixa o país entre os dez maiores produtores do planeta, oscilando entre a oitava e nona posições – a depender do resultado de outros países ainda não anunciados.
O desempenho de 2025 já sinaliza o que esperar da produção nacional para os próximos anos. Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e de consultorias internacionais como a Rystad Energy, indicam que o país irá atingir seu pico produtivo no início da década de 2030, superando a marca de 5 milhões de bpd.
Caso esse volume se confirme, o Brasil ascenderá ao posto de um dos cinco maiores produtores de petróleo do mundo, sustentado quase integralmente pela robustez e competitividade técnica das reservas do pré-sal.
“Vamos atingir nosso pico de produção em 2031 ou 3032. Cinco milhões de barris colocaria o Brasil entre os cinco maiores produtores do mundo, se a gente considerar as projeções de hoje, isso muito empurrado pelo pré-sal”, afirma Heloísa Borges, diretora de estudos de petróleo, gás e biocombustíveis da EPE.
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Líder em petróleo na América Latina
A liderança brasileira na América Latina será ainda mais acentuada em 2026. A Rystad Energy apontou, em um recente relatório, que o país será o principal motor do crescimento da oferta de óleo fora da Opep+, com uma produção prevista superior a 4,2 milhões de bpd já no próximo ano.
Esse avanço é impulsionado pela entrada em operação de novas Unidades Flutuantes de Produção, Armazenamento e Transferência (FPSOs). Recentemente, o sistema produtivo ganhou o reforço de três plataformas da Petrobras nos campos de Búzios e Mero, além do início das atividades da norueguesa Equinor no campo de Bacalhau, na Bacia de Santos.
A escala e a resiliência desses projetos garantem que o Brasil, ao lado de Guiana e Argentina, dite o futuro energético da região, mantendo-se imune às oscilações de curto prazo e à possível reinserção da Venezuela no mercado internacional, cuja infraestrutura deteriorada exigiria investimentos vultosos e tempo para recuperação.
“Uma reestruturação da indústria petrolífera venezuelana será cara e demorada, com os três grandes da região – Argentina, Guiana e Brasil – permanecendo amplamente indiferentes ao retorno estimado, em curto prazo, do petróleo venezuelano”, disse Radhika Bansal, vice-presidente de Oil & Gas Research, Rystad Energy, no relatório.
Bacia da Foz do Amazonas
Agência Petrobras
A estratégia de expansão, contudo, enfrenta o desafio do tempo e da geologia. O ciclo entre a descoberta de um reservatório e o “primeiro óleo” pode levar até dez anos, exigindo uma gestão precisa da pressão dos campos e da logística de equipamentos.
De acordo com a EPE, para evitar o declínio natural da curva produtiva após 2035, o Brasil precisa avançar hoje na exploração de novas fronteiras, como a Margem Equatorial. Embora o potencial da bacia da Foz do Amazonas ainda dependa de licenciamentos e avaliações de comercialidade, estudos indicam volumes recuperáveis que podem somar quase 10 bilhões de barris de óleo equivalente.
“A Foz do Amazonas está em uma categoria que chamamos de recurso não descoberto, ou seja, o recurso que ainda está em fase de exploração. Mas fizemos um estudo de volumetria com uma previsão da produção de 100 mil a 150 mil barris por dia”, disse Heloísa.
Ainda que a produção na margem equatorial leve tempo para alcançar um ritmo de produção elevado, sua descoberta é considerada estratégica para garantir a segurança energética do Brasil. Segundo Heloísa, o recurso que será demandado daqui 15 anos precisa ser descoberto hoje.
A aposta nessas frentes é vista como vital não apenas para a segurança energética nacional, mas também para a manutenção do fluxo de investimentos estrangeiros. Atualmente, o Brasil é considerado o principal destino global de unidades offshore e o mercado prioritário para gigantes como Shell e Equinor fora de suas sedes.
Além da segurança no abastecimento, a ascensão ao Top 5 global traz dividendos geopolíticos e fiscais. O petróleo tornou-se o item central da pauta de exportações brasileira, fortalecendo a balança comercial e reduzindo a vulnerabilidade a choques externos, como os vistos em conflitos históricos no Oriente Médio.
O governo brasileiro argumenta que a renda gerada pelo setor é essencial para financiar a própria transição energética do país. A visão oficial é de que o crescimento da produção de fósseis não é incompatível com as metas climáticas; ao contrário, os recursos do petróleo devem subsidiar o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono e a expansão de biocombustíveis.
Segundo Heloísa, no horizonte de longo prazo, o Brasil projeta um modelo de refino mais modular e integrado, focado em diesel e querosene de aviação, enquanto aposta na liderança dos renováveis para garantir que a matriz energética nacional permaneça como uma das mais limpas do mundo, mesmo com o país operando como uma potência petrolífera global.
O Estado de S.Paulo - SP 09/02/2026
Primeira mulher a subir em uma plataforma de petróleo no Brasil, a geóloga e diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirma que a estatal entra 2026 reforçando a ofensiva por novas reservas. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, a executiva comemora o resultado de 2025, quando a companhia “conseguiu elevar produção e reservas ao mesmo tempo, algo que não é comum na indústria”.
Segundo ela, a estratégia que combinou revitalização de campos maduros com a busca de áreas inexploradas seguirá norteando os investimentos.
“Vamos atrás de todo o óleo possível”, diz, citando desde as bacias remotas do Solimões e da Margem Equatorial até os tradicionais polos de Campos e Santos. O plano inclui ainda prospecção internacional na Colômbia, Namíbia e África do Sul.
A meta é manter a estatal como líder absoluta no mercado brasileiro e blindada das oscilações do petróleo. “Nossas plataformas juntas faturam mais do que a maioria das empresas brasileiras”, ressalta.
A seguir, os principais trechos da conversa:
Como a estatal conseguiu bater recorde de produção no ano passado e, ao mesmo tempo, aumentar as reservas?
Acho que dificilmente se consegue ter o resultado que a gente teve de aumento de produção e, ao mesmo tempo, aumento de reserva. E sem nenhum grande evento. Fomos olhando cada reservatório. Fizemos um trabalho muito forte de estudo de reservatórios, um por um. Falamos: vamos cuidar melhor do que nós temos. E claro, Búzios também ajudou, não em reservas, mas na produção.
O preço do petróleo tem levado as petroleiras a reduzir gastos. Quais são as ações da Petrobras para otimizar os custos?
Estamos trabalhando na redução dos custos de poço, engajando toda a operação para atuar com prontidão e dar o seu melhor na mudança de pequenos processos que gerem ganhos. Otimizamos contratos para reduzir custos com o fretamento de aviões no Amazonas, por exemplo. A otimização da chegada de barcos, que abastecem as plataformas com insumos, reduziu o tempo de permanência das embarcações. Economizamos R$ 5 milhões por mês em cada plataforma, sem perder absolutamente nada. Todo mundo está fazendo o seu melhor e, hoje, quando observamos quanto fatura uma plataforma da Petrobras por ano, provavelmente todas juntas faturam mais que a maioria das empresas do Brasil.
E, para 2026, quais são as expectativas em relação à bacia de Campos? Vão chegar novas plataformas?
Não, nem toda descoberta vai precisar de uma nova plataforma. Então, o que a gente quer usar? Os tiebacks (conexões) mais longos, para colocar em uma plataforma existente. Mas tem que fazer estudos para ver se tem pressão para isso. Então, a gente está fazendo esse tipo de estudo, principalmente para a bacia de Campos, porque eu tenho uma infraestrutura lá montada.
Em quais campos devem ser feitos os tiebacks?
A gente está revendo. Em Barracuda e Caratinga o bid (licitação) para plataformas deu vazio. Depois tivemos problema com Marlim Sul e Marlim Leste, porque o bid foi lá nas alturas. A proposta era maior do que para um campo do pré-sal. E estamos agora com Albacora. Vamos trazer a P-31 já este ano para ajudar a produzir em Albacora. Vai ser o símbolo de do retorno de uma plataforma que ia ser jogada no lixo. Vai voltar a produzir sem ter que esperar uma plataforma nova, e isso é ótimo. A gente vai antecipar a produção e isso vai ser este ano, já no primeiro semestre. E em breve vamos anunciar uma coisa muito boa para garantir que a manutenção de todas as nossas plataformas seja mais rápida, melhor, mais econômica e feita de forma mais eficiente.
O cenário da Venezuela está sendo analisado pela sua equipe?
A Venezuela bancou o petróleo necessário para a Segunda Guerra Mundial e fala-se muito dos 270 milhões de barris. Só que não é reserva, é potencial. Eu posso olhar tudo, mas tem de estar dentro de todas as legalidades, e hoje a Venezuela está sob sanções. O parque de refino é obsoleto e há um passivo ambiental muito, muito grande. Hoje, ninguém olha a Venezuela por isso.
A Petrobras está na Colômbia, atuando como operadora do consórcio no bloco Gua-Off-0. A empresa mantém uma visão otimista sobre o projeto?
É um projeto fantástico, moderno e praticamente sem emissões, mas estamos esperando a licença ambiental. Por isso, ele disputa recursos com outros projetos em avaliação dentro dos US$ 10 bilhões que reservamos (no Plano de Negócios 2026-2030). Está dentro do cronograma e buscamos negociar com os diferentes stakeholders. As comunidades estão aborrecidas com outras experiências em que todos os recursos dessa atividade foram para o governo central. Nós temos uma responsabilidade social e podemos cooperar com as comunidades de povos originários. A demora impacta mais a Colômbia, que, diferentemente do Brasil, tem quase todas as cidades dependentes do gás. Hoje eles estão importando shale gas (gás de xisto ou folhelho).
O papel da Argentina no mercado em 2026 já foi destacado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e pela Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês). Há interesse no país?
Não estamos com muito foco na Argentina agora. Há muitas incertezas sobre a remessa de lucros das empresas. Vimos a ExxonMobil, a Shell e outras saindo de lá, e o grande negócio deles é o shale gas. Vista essa conjuntura, prefiro atacar áreas em que temos expertise. A Argentina seria um lugar para a Petrobras se fosse com um sócio que dominasse essa área, os quais também são poucos no mercado.
E como estão os planos da empresa na África, avançaram?
A perfuração da África do Sul foi postergada por conta de licença, ia ser em setembro e agora já estou empurrando para o ano que vem. A maior parte da geração da África do Sul é carvão, e eles não gostam da produção de gás porque desloca o carvão. Na Namíbia, não estamos ainda nessa fase, tem que ter áreas primeiro.
Falta muito tempo para atingir o reservatório da Margem Equatorial? Vocês estão otimistas com o que viram até agora?
A gente ainda não atingiu o reservatório, mas falta pouco. Temos que estar otimista, porque tem tantas informações que a gente vai ter com esse poço (Morpho). Ele é posicionado logicamente, porque tem o potencial do óleo, tem o potencial da gente entender todo o sistema de lá. Mas tudo depende do resultado. Se der óleo, é o resultado, se não der óleo, a gente vai voltar a estudar e vai voltar mais à frente. Depois de perfurar esse poço, a sonda vai furar Mãe Ouro, que é uma locação lá no Rio Grande do Norte.
Ainda sobre o Norte do País, a Petrobras tem planos de expandir a produção na província de Urucu, na bacia dos Solimões?
Naquela região do Solimões, a gente está fazendo um poço que não é exploratório, é um poço de extensão, para aumentar a produtividade, porque está produzindo muito. O outro é o poço exploratório, para ver se tem outra acumulação ali perto, que aí a gente aproveita a infraestrutura. A gente só não furou ainda porque para trazer a sonda tem que ter um helicóptero especial. Lá está produzindo 15 milhões de metros cúbicos por dia, há um tempão, e 20 mil e poucos barris de óleo. É um campo maravilhoso. Estamos também fazendo workover (intervenção para aumentar a produção) de vários poços existentes. Depois de muito tempo, o poço fica meio entupido, então você tem que limpar.
IstoÉ Online - SP 09/02/2026
Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra o petróleo do Irã nesta sexta-feira (6), mesmo dia em que delegações dos dois países se reuniram em Mascate, capital de Omã, para discutir um possível acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Segundo comunicado do Departamento de Estado dos EUA, a medida mira 15 entidades, dois indivíduos e 14 navios da “frota fantasma” envolvidos no “comércio ilegal de petróleo, produtos petrolíferos e produtos petroquímicos” do país persa.
“Esses alvos geraram receitas que o regime utiliza para conduzir suas atividades malignas. Em vez de investir no bem-estar de seu próprio povo e na infraestrutura precária, o regime iraniano continua financiando atividades desestabilizadoras ao redor do mundo e intensificando a repressão”, declarou a pasta chefiada pelo secretário Marco Rubio.
De acordo com o Departamento de Estado, os EUA tomarão medidas contra Teerã “enquanto o regime tentar burlar as sanções para financiar tal comportamento opressivo e apoiar atividades terroristas”.
A iniciativa chega em meio à pressão do governo de Donald Trump para enfraquecer o regime dos aiatolás, que controla o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Paralelamente, os dois países realizaram nesta sexta conversas em Omã sobre o programa nuclear iraniano.
“No geral, foi um bom começo, mas o prosseguimento dependerá das consultas nas capitais”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. “A desconfiança é um desafio do processo de negociação, e precisamos primeiro superar essa desconfiança e definir um quadro para as tratativas”, acrescentou. As conversas giraram em torno exclusivamente da questão nuclear, segundo Araghchi, que liderou a delegação iraniana.
Já a equipe americana foi encabeçada pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner. Enquanto isso, os Estados Unidos alertaram que seus cidadãos precisam deixar o Irã “imediatamente” ou “manter um perfil discreto” e estabelecer contato constante com parentes e amigos. (ANSA).
Infomoney - SP 09/02/2026
O Brasil ampliou a venda de petróleo para China e Índia diante de uma menor demanda norte-americana pelo produto nacional, depois que os Estados Unidos passaram a exercer controle sobre o setor de petróleo na Venezuela e absorver a oferta daquele país, apontou uma análise da consultoria StoneX nesta sexta-feira.
Ao mesmo tempo, a China passou a buscar outras origens, como o Brasil, diante da atuação dos EUA na Venezuela.
As exportações de petróleo do Brasil para a China somaram uma média de 1,46 milhão de barris por dia (bpd) em janeiro, ou 56% do volume total exportado, o maior montante desde maio de 2020, apontou a consultoria, a partir de dados oficiais do governo brasileiro.
“O país asiático (China) passou a representar uma parcela ainda mais importante das exportações brasileiras refletindo, provavelmente, a busca pelos compradores chineses por outros fornecedores da commodity após a redução dos fluxos de petróleo venezuelano ao país”, disse o analista de Inteligência de Mercado da StoneX Bruno Cordeiro.
O especialista ressaltou, todavia, que a demanda da China também tem crescido, enquanto o país se aproveita dos preços mais baixos da commodity no mercado internacional para ampliar as suas reservas. Em dezembro, o país asiático registrou um recorde no volume de petróleo importado.
Cordeiro pontuou que o petróleo brasileiro não compete diretamente com o venezuelano porque é um petróleo médio, enquanto o da Venezuela é mais pesado. Dessa forma, ele afirmou acreditar que o petróleo ou está sendo usado para estoques ou será misturado com outros tipos para atender as refinarias.
A maior demanda chinesa contribuiu com um aumento de 13,3% das exportações brasileiras de petróleo em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2025, a 2,6 milhões de barris por dia, maior volume em quase três anos, segundo dados publicados na véspera.
O crescimento das vendas externas do Brasil ocorre com o avanço da produção de petróleo do país, que bateu recorde em 2025, somando 3,770 milhões de barris por dia (bpd), com alta de 12,3% ante o ano anterior. Relatório da consultoria Rystad Energy apontou ainda que o Brasil lidera o aumento da produção de petróleo na América Latina.
Em contrapartida, os EUA registraram uma redução de 26% no volume de petróleo adquirido do Brasil, para média de 193,38 mil bpd, com o aumento da chegada de barris venezuelanos aos portos norte-americanos resultando nessa diminuição das aquisições do produto brasileiro, disse Cordeiro.
Pelo segundo mês consecutivo, a Índia passou a ocupar a segunda posição na matriz exportadora brasileira de petróleo, representando 8% (201,46 mil bpd) das vendas do Brasil, após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter fechado acordos com o país asiático.
Cordeiro afirmou que, para os próximos meses, existem incertezas sobre quais serão os principais destinos da commodity do Brasil. Entretanto, pontuou que a redução das compras de petróleo russo pela Índia pode resultar em um aumento dos fluxos da commodity brasileira ao mercado indiano, com uma maior parcela do produto da Rússia sendo destinado para a China.
Em janeiro, a Petrobras afirmou ter renovado e ampliado contratos de venda de petróleo para as principais refinadoras estatais indianas, com instrumentos comerciais que representam potencial venda de até 60 milhões de barris, com valor total que pode superar US$3 bilhões.
Entretanto, Cordeiro ponderou que o mercado chinês deve manter um maior apetite pelo energético, como resultado da busca contínua pela ampliação dos estoques e um setor de refino ainda aquecido, o que deve manter uma participação majoritária do país nas exportações brasileiras.
O Presente Rural - PR 09/02/2026
A 31ª edição da Agrishow, considerada a principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, apresenta inovações voltadas ao aumento da eficiência das operações agrícolas e ao uso mais controlado de recursos naturais. O evento reúne máquinas, equipamentos e sistemas com soluções que buscam ampliar o controle e a precisão das atividades no campo.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, o maquinário agrícola tem ampliado sua importância no apoio ao uso racional de água e energia, além de contribuir para processos produtivos mais controlados e alinhados às exigências ambientais e comerciais.
Entre as tecnologias apresentadas estão ferramentas que permitem configurar parâmetros técnicos das operações agrícolas. Um exemplo são os drones utilizados em pulverizações, que consideram fatores como vento, temperatura, umidade e taxa de aplicação. Ao final do trabalho, os equipamentos geram relatórios técnicos que registram as condições da operação e auxiliam no controle e na rastreabilidade das atividades, segundo Estevão.
A feira também reúne soluções que integram softwares e análise de dados para digitalização do solo e das operações agrícolas. Essas tecnologias apoiam práticas de agricultura de precisão e iniciativas relacionadas ao mercado voluntário de carbono. Conforme o presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, os expositores apresentam recursos como Inteligência Artificial preditiva para antecipar riscos, modelos digitais que simulam cenários produtivos, análise de dados geoespaciais, monitoramento por satélites de alta resolução e sistemas automatizados de comprovação de origem.
O avanço dessas tecnologias ocorre em paralelo ao aumento das exigências regulatórias internacionais. Dados do DataLab da Serasa Experian apontam que normas ligadas à agenda ambiental, social e de governança cresceram 155% na última década, somando mais de 2.400 regras em vigor. Entre elas está o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que exige comprovação de origem e rastreabilidade de produtos agropecuários destinados à União Europeia, impactando contratos e relações comerciais.
Marchesan destaca que, durante a feira, os produtores têm acesso a ferramentas que auxiliam na organização de informações e na tomada de decisões para atender às exigências do mercado internacional.
Além das inovações tecnológicas, a Agrishow mantém iniciativas voltadas à sustentabilidade e responsabilidade social. O evento desenvolve ações alinhadas à legislação brasileira para o setor de eventos e promove iniciativas de valorização das pessoas, inclusão e apoio a instituições de Ribeirão Preto (SP).
Entre as ações sociais, a feira apoia entidades como a Casa das Mangueiras, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC) e o hemocentro do município, com atividades assistenciais e de apoio à comunidade. O evento também promove inclusão no mercado de trabalho ao contratar profissionais com deficiência e trabalhadores com mais de 50 e 60 anos.
Na área ambiental, a Agrishow mantém parceria com a cooperativa Cooperagir, responsável pelo reaproveitamento de mais de 50 toneladas de resíduos recicláveis por edição, gerando renda para famílias da região. A feira também realiza a doação de marmitas produzidas nas praças de alimentação, com alimentos não comercializados, e incentiva a economia local ao incluir pequenos empreendedores nas áreas de food trucks.
Segundo a diretora da Informa Markets, organizadora da Agrishow, Liliane Bortoluci, o evento busca ampliar, a cada edição, ações relacionadas à agenda ambiental, social e de governança, reforçando o compromisso com o agronegócio, com a comunidade local e com o país.
Os ingressos para a Agrishow 2026 começaram a ser vendidos em 26 de janeiro, pelo site oficial do evento. O primeiro lote tem valor de R$ 75 por dia, com opção de meia-entrada a partir de R$ 37,50. No momento da compra, o visitante deve escolher o dia da visita.
Também é possível adquirir antecipadamente o ticket de estacionamento, com valores a partir de R$ 75, além do pacote VIP, que custa R$ 580 para os cinco dias de feira. No segundo lote, os ingressos passam a custar R$ 85 por dia. Durante o evento, que será realizado entre 27 de abril e 1º de maio de 2026, das 8h às 18h, a entrada na bilheteria terá valor de R$ 150.
Bloomberg Línea - SP 09/02/2026
Uma recuperação há muito esperada no setor agrícola parece estar à vista, já que a AGCO, uma das maiores fabricantes de equipamentos agrícolas do mundo, está prevendo um aumento nas vendas pela primeira vez em três anos.
A fabricante dos tratores Massey Ferguson e Fendt estimou as vendas líquidas de 2026 um pouco acima do ano passado, de acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira.
Embora a venda de novas máquinas deva permanecer lenta, os produtores precisam se atualizar em breve e estão cada vez mais adaptando os equipamentos existentes com componentes repletos de inteligência artificial que os ajudam a plantar, tratar e colher os campos com mais precisão.
“O futuro parece mais promissor”, disse o CEO Eric Hansotia em uma conversa com investidores. O ano passado “foi o fundo do poço, e as frotas em nossos principais mercados estão no auge de sua idade”.
As ações subiram até 5,6%, atingindo o nível mais alto em dois anos, antes de reduzir os ganhos.
O otimismo também vem depois que dados do início da semana mostraram uma queda no sentimento dos agricultores, já que a interrupção das exportações de soja limita os fluxos de caixa.
O presidente Donald Trump aumentou as esperanças na quarta-feira, quando disse que a China estava considerando comprar mais do que as 12 milhões de toneladas iniciais de soja dos EUA. Entretanto, mesmo que a China comprasse cargas adicionais, os volumes almejados provavelmente ainda estariam abaixo dos últimos anos.
Enquanto isso, uma parcela de US$ 12 bilhões em ajuda aos agricultores norte-americanos ainda não se traduziu em vendas para a AGCO, disse o diretor financeiro Damon Audia durante a teleconferência.
Aumento nas vendas
Para 2026, as vendas líquidas poderiam aumentar para entre US$ 10,4 bilhões e US$ 10,7 bilhões, disse a AGCO. Isso está acima de uma estimativa da Bloomberg de US$ 10,07 bilhões e supera as vendas no ano encerrado em 31 de dezembro de US$ 10,08 bilhões.
Os lucros do quarto trimestre também superaram as estimativas dos analistas. “A AGCO entregou uma forte batida na linha superior e inferior para terminar 2025”, disse Kristen Owen, analista da Oppenheimer, em uma nota.
A empresa deu início ao ciclo de lucros à frente das rivais maiores Deere & Co. e CNH Industrial NV, que devem apresentar relatórios nas próximas semanas.
Hansotia disse que a AGCO está expandindo sua participação no mercado com suas máquinas Fendt de alta qualidade e inovação por meio de um número crescente de patentes.
O principal mercado norte-americano provavelmente continuará sendo o mais fraco do mundo este ano, com o Brasil em uma posição comparativamente mais forte, enquanto os agricultores da Europa poderão começar a comprar novos equipamentos ainda mais cedo.
Separadamente, na quinta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA estimou que a renda agrícola líquida cairá 0,7% este ano, mesmo com o aumento de 1,2% na renda das colheitas.
“Os agricultores ainda estão sob muita pressão, portanto, ainda não é um grande mercado - mas é melhor do que no ano passado”, disse Hansotia em uma entrevista.
“A idade da frota é a mais antiga de todos os tempos, tanto na Europa quanto na América do Norte”, acrescentou. “Basicamente, há uma demanda reprimida por agricultura.”
CNN Brasil - SP 09/02/2026
Em 2025 as exportações brasileiras para a China alcançaram novo recorde e somaram US$ 100 bilhões em receita. O valor é o segundo maior da série histórica de 29 anos, iniciada em 1997, ficando atrás apenas dos US$ 104 bilhões registrados em 2023, segundo relatório do Conselho Empresarial Brasil-China.
As relações comerciais entre os dois países são de longa data, mas se estreitaram principalmente a partir de 2018, quando o mercado chinês passou a concentrar parcela expressiva das compras de grãos e proteínas animais do Brasil.
Essa relação, embora estratégica e altamente rentável, expõe algumas vulnerabilidades do setor: qualquer alteração nas regras sanitárias, na política comercial ou no ritmo da economia chinesa pode gerar impactos imediatos sobre cadeias produtivas inteiras. Ao mesmo tempo, o tamanho do mercado chinês, a demanda contínua por alimentos e a capacidade de absorver grandes volumes tornam o país um destino-chave para o escoamento da produção brasileira, sustentando preços e garantindo competitividade internacional ao agro nacional.
Segundo especialistas, essa relação bilateral é uma via de mão dupla. A China depende das importações brasileiras para alimentar sua população e controlar a inflação de alimentos, enquanto o Brasil encontra no país asiático a segurança de um comprador para grandes volumes de produção. Essa dinâmica é particularmente evidente nos mercados de carnes, soja, milho, algodão e produtos derivados de biocombustíveis.
Contexto histórico
A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o surto de peste suína africana e a pandemia de coronavírus foram eventos distintos, mas interconectados, que impactaram fortemente o comércio global de alimentos entre 2018 e 2023. A guerra comercial teve início em janeiro de 2018, quando o governo de Donald Trump impôs tarifas sobre produtos chineses, incluindo carnes e grãos, o que levou a China a buscar fornecedores alternativos. Ao mesmo tempo, o país asiático enfrentou seu primeiro surto de peste suína africana em agosto de 2018, que dizimou grande parte do rebanho de suínos, reduzindo drasticamente a oferta interna de proteínas.
Esses eventos simultâneos geraram uma pressão inédita sobre o mercado de proteínas, levando a China a redirecionar suas compras para países como o Brasil, que oferecia volume, preços competitivos e capacidade de atender à demanda crescente. Como resultado, em 2019, as exportações brasileiras de carne suína para a China aumentaram 59%, enquanto as vendas de carne bovina e de frango também registraram crescimento expressivo.
Posteriormente, a pandemia de coronavírus, em 2020, reforçou essa dependência, já que interrupções logísticas e restrições sanitárias em outros países ampliaram ainda mais a importância do Brasil como fornecedor confiável.
O efeito combinado desses eventos transformou o Brasil em um parceiro estratégico da China, consolidando a interdependência entre os dois países e demonstrando como fatores internacionais podem influenciar diretamente o agronegócio brasileiro e os preços internos dos alimentos.
Liderança em soja
Maior comprador mundial de soja, a China importou 111,83 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior, de acordo com dados alfandegários divulgados em janeiro. As compras foram realizadas principalmente no Brasil e na Argentina.
Dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) mostram que o país asiático se manteve, com folga, como principal destino da soja brasileira, com compras de 87,1 milhões de toneladas, cerca de 80% do total exportado em 2025.
A participação do Brasil no mercado chinês subiu para 73,6% em 2025, ante 71% em 2024, enquanto a Argentina viu sua fatia avançar para 7%, frente a 4% no ano anterior.
“Os embarques concentrados dos principais produtores, incluindo Brasil e Argentina, impulsionaram um avanço significativo nas importações no primeiro semestre do último ano, ajudando a elevar os totais anuais a um nível recorde”, afirmou o pesquisador agrícola da Guoyuan Futures, Liu Jinlu.
No caso do milho, a China abriu seu mercado para o cereal brasileiro em 2022, permitindo grandes volumes de exportação a partir de 2023 e tornando-se um cliente crucial para o Brasil. Nesta época o país asiático buscava reduzir a dependência dos Estados Unidos e da Ucrânia para garantir o suprimento do grão, essencial para a nutrição animal.
Nos anos de 2024 e 2025, a China passou a registrar safras recordes de milho e adotou uma estratégia mais seletiva de importação. Diante desse cenário, houve retração expressiva, chegando a 95% em determinados meses, nas compras do cereal, tanto do Brasil quanto de outros países exportadores. Com a redução das compras chinesas em plena safra recorde no Brasil foram registradas quedas significativas nos preços do milho.
Para o sorgo, cereal utilizado na alimentação animal e como insumo para a produção de etanol, a habilitação para o Brasil exportar foi alcançada em novembro de 2025. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a China responde por mais de 80% das importações globais do produto, que somaram mais de US$ 2,6 bilhões no último ano.
Além do sorgo, a China também autorizou biorefinarias brasileiras a exportarem DDG (sigla em inglês para grãos secos de destilaria) um coproduto da produção de etanol amplamente utilizado na nutrição animal. Até recentemente, esse mercado era quase integralmente abastecido pelos Estados Unidos. A abertura ao produto brasileiro confirma como fatores geopolíticos e comerciais vêm gerando novas oportunidades para o agro nacional.
Demanda por carnes
O setor de proteínas animais é altamente dependente da demanda chinesa. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões.
Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, conforme destacou a Abiec.
No caso da carne suína, a China deixou de ocupar o primeiro lugar em 2025 e passou a ser o segundo maior importador do produto brasileiro, atrás das Filipinas. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), ao longo do ano o país asiático comprou 159,2 mil toneladas, registrando queda de 33,9% em relação ao ano anterior.
Os embarques de carne de frango sentiram os efeitos da redução da demanda chinesa em 2025, depois que a China impôs restrições às exportações após a confirmação, em 15 de maio, de um caso de gripe aviária em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul.
Antes desse cenário, a ABPA destacou que a China foi o maior importador de frango do Brasil em 2024, ano em que foram exportadas 562,2 mil toneladas do produto para o país asiático
Diversificação de mercados
Apesar dessa relação estratégica, o governo brasileiro vem trabalhando para reduzir a dependência de um único mercado. Novos acordos comerciais e a abertura de mercados alternativos buscam proteger produtores de oscilações de preços, problemas sanitários ou mudanças na política chinesa. A diversificação é vista como essencial para tornar o setor mais resiliente, sem comprometer a relevância da China como principal parceiro.
A interdependência entre Brasil e China também traz impactos diretos para o consumidor. Quando a China amplia suas importações, os preços de carnes, grãos e produtos derivados tendem a se manter estáveis ou a subir no mercado interno brasileiro. Por outro lado, qualquer redução na demanda chinesa tende a pressionar os preços, evidenciando como o agronegócio nacional está diretamente conectado às decisões econômicas do outro lado do mundo.
O futuro da relação entre Brasil e China no agronegócio promete continuar relevante. Para o Brasil, manter a competitividade, diversificar mercados e investir em logística e qualidade sanitária será essencial. Para a China, garantir abastecimento seguro e diversificado significa continuar recorrendo ao Brasil como parceiro estratégico, tanto para alimentos quanto para insumos destinados à fabricação de produtos.
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